When We Were 18.

Autora: Letícia | Beta: Gaby


Capítulos:
| 00 | 01 |

Prólogo.

- Mãe? – Ela gritou. – Sobe aqui!
A mulher que estava na cozinha, largou tudo o que estava fazendo para subir no quarto da filha.
- O que aconteceu? – Ela entrou assustando a garota.
- Senta aqui! – A garota se ajeitou na cama, abrindo espaço para sua mãe sentar mantendo uma feição misteriosa.
- Filha, você está me assustando. O que aconteceu? – A mais velha falou.
- Fica tranquila! – Você lembra que eu mencionei fazer um intercâmbio no último ano? – Sua mãe assentiu. – Eu falei com a Julie, e como faltam seis meses para poder fechar a viagem e combinar tudo, eu quis te mostrar a escola que ela estudou a cidade, o país.
- Me mostra! – A mãe sentou ao lado da filha na cama de casal, a garota pegou o computador e colocou no colo.
- Olha, é um colégio interno, a única coisa que preciso é de uma carta da diretoria da minha escola, enviar para eles em menos de dois meses e posso me matricular por quanto tempo eu quiser. – Ela abriu o site da escola. – A escola parece ser bem tradicional, uniforme social e esportivo, igual aqui na minha escola, política de advertências, na terceira advertência uma suspensão de final de semana, na terceira suspensão de final de semana, suspensão por um mês sem poder sair do quarto ou da escola. – Na terceira suspensão de um mês, é expulsão. O que não vai acontecer comigo!
- Onde fica essa escola?
- East Sussex, Inglaterra. Uma cidade na costa leste. – Ela olhou para a sua mãe. – Você me deixa ir?
- É o que você quer? – A garota assentiu empolgada. – Então vou entrar em contato com a sua diretora amanhã, e pedir a carta para enviar pra eles.
- Você é a melhor! – Ela deixou o computador de lado e pulou no colo da mãe. – Eu te amo!
- Eu também te amo, se isso vai te deixar feliz, vamos fazer! – Elas se abraçaram. – Agora vamos jantar!

Em seis meses tudo estava resolvido sem complicação alguma, e o sonho estava sendo realizado.
- Se comporta, não toma advertência nem suspensão, me liga pelo menos uma vez por semana, eu te amo filha. – Elas se abraçaram. – Agora vai, está tudo ai? Passaporte, passagem, mochila, celular, almofada, tudo certo?
- Mãe, não se preocupa, vai dar tudo certo. Vou te ligar sempre que der. Eu te amo! – Anunciaram o voo da garota. – Eu tenho que ir. Você vai ficar bem?
- Sim, eu sempre fico! Agora vai, tchau! Eu te amo! – Elas se abraçaram mais uma vez e se despediram.

Capítulo 01.

’s POV

- Me solta, a garota já está chegando e eu preciso recebê-la. – Pedi para .
- Que horas ela chega? – Ele me puxou para mais perto.
- Em quinze minutos, tempo suficiente para...
- Para curtir comigo! – Ele me beijou, um beijo suave como o de sempre.
- Hum, não, ! – Empurrei-o pelo ombro. – É tempo suficiente de eu chegar na porta da escola e receber a garota.
- Então eu vou com você até a porta da escola! – Neguei com a cabeça.
- Não, você não vai! Você vai encontrar seus amigos e ficar com eles, mais tarde eu te encontro lá!
- No lugar de sempre, horário de sempre? – Assenti. – Ok, me dá um último beijo?
Beijei-o novamente, dessa vez com menos pressa. A mão dele acariciava minha nuca, meu braço estava envolta do seu pescoço.
- Me deixa ir agora? – Falei cortando o beijo.
- Vai lá!
Ele me abraçou mais uma vez, e eu esperei ele sair do quarto para poder sair também. Antes de sair me olhei no espelho, arrumei o cabelo e o uniforme. Sai do quarto, o corredor estava cheio de garotas.
- Bom dia, ! – Liza e Sarah falaram juntas quando passaram por mim.
- Bom dia, meninas! – Sorri para elas.
- Indo buscar a sua colega de quarto? – Liza perguntou.
- Sim, estou atrasada. – Levantei as sobrancelhas.
- ? – Sarah perguntou e eu assenti com um sorriso malicioso. – Ele dormiu ai?
- Não, ele veio me dar bom dia. Agora eu vou buscar a garota, se não já viu, não é? – Me despedi das duas com um beijo na bochecha.
Segui meu caminho, passei pelo pátio sem prestar muita atenção em quem estava ali, para não correr o risco de parar para conversar com ninguém.
Cheguei na porta da escola, e graças a Deus a garota não havia chegado ainda. Fiquei olhando a paisagem, o gramado bem verde, o sol batendo nas gotas de orvalho nas folhas dos arbustos, realmente a paisagem daquela cidade superava as expectativas.
Um carro preto parou na frente da escada onde eu estava. O motorista saiu e abriu a porta do banco traseiro, uma garota morena, pouco mais alta que eu, com o corpo curvilíneo, saiu do carro. Ela usava uma calça jeans escura, uma blusa azul marinho com um cardigã cinza, tênis cinza, óculos escuros, e o cabelo longo solto por cima dos ombros. O motorista tirou as malas de dentro do carro e deixou ao meu lado na escada.
- Bom dia! – Falei.
- Bom dia! – Ela respondeu pegando sua mochila no banco traseiro. – Eu sou a .
- Eu sou a , sua nova colega de quarto! – Estendi a mão para ela, que apertou levemente. – Deixa eu te ajudar com as suas malas, você me salvou hoje, hein? – Puxei assunto.
- Salvei? Por quê? – Ela fez cara de confusão.
- Fiquei encarregada de te apresentar a escola o dia todo. Não vou precisar assistir à nenhuma aula! – Ela sorriu.
- Que sorte a nossa.
Entramos na escola e ela tirou os óculos escuros, dando visão aos seus olhos castanhos bem escuros.
- De onde você é? – Perguntei, tentando puxar assunto novamente.
- Brasil!
- Intercâmbista, que legal, espero que você goste da escola. – Sorri para ela. – Aqui as regras são muito simples, não tem como esquecer. – Ela assentiu. – Vou te levar até o nosso quarto, não sei se você quer tomar banho, imagino que a viagem tenha sido longa, sei que o aeroporto é longe daqui.
- Eu preciso de um banho, a última vez que tomei banho foi ontem antes de embarcar no avião. Eu estou exausta.
Fomos andando até o nosso quarto, ela carregava sua mochila e uma mala, eu carregava outra. Ela parecia muito legal, com certeza nos daríamos bem.
Chegamos no quarto, deixei a mala dela perto do closet e me joguei na minha cama.
- O banheiro fica ali perto do closet, no closet tem toalha, pode tomar seu banho a vontade e tomar seu tempo, eu vou ficar aqui. – Ela assentiu, e foi para o closet. – Ah, o uniforme está no closet também, pode usar o sapato que quiser.
Ela fechou a porta do banheiro e eu continuei deitada, peguei meu celular e liguei a música.
- ? – Ouvi a voz de vinda da janela. – Ué, cadê a garota?
- O que você está fazendo o aqui, ? Não acredito que está mantando aula! – Fui até a janela e o cumprimentei com um selinho. – Ela está tomando banho!
- Posso entrar? – Assenti. – Se afasta pra eu pular.
Fui até minha cama novamente, me sentei na mesma, e ele pulou para dentro do quarto.
- A gente tinha combinado de se encontrar depois do almoço, !
- Eu sei, mas não aguentei esperar até lá. – Ele se sentou ao meu lado. – A garota é legal?
- Parece ser não tive muito tempo de falar com ela ainda. Ela é brasileira, linda demais. – Ele deitou com uma perna pra cada lado, e me puxou para deitar com ele.
- O que foi? – Encostei a cabeça no peito dele. – Você falou que a garota é linda e ficou quieta.
- Não, ela é diferente das garotas daqui, chama atenção. Ela me faz lembrar da... – Ele começou a acariciar meu cabelo e eu fechei meus olhos. – Ela é legal, vou me dar bem com ela. – Falei mais pra mim do que pra ele.
- , você se dá bem com todo mundo! – Ele beijou o topo da minha cabeça. – E talvez lembrar-se dela seja só saudade.
- ? – me chamou. – Pega na minha mala uma calcinha qualquer? Eu me esqueci de pegar!
- Viu? Já vão ser melhores amigas, agora vai pegar a calcinha da menina, me mostra antes. – Dei um tapa no peito dele. – Ai, , é brincadeira.
- , você pode...
- Estou pegando! – Me levantei da cama e abri a mala da menina, peguei a primeira calcinha que vi, bati na porta do banheiro e entreguei a calcinha para ela. – , vai embora que ela já vai sair do banheiro. – levantou da cama e foi em direção à janela.
- Tchau, gata! – Ele pulou a janela e sumiu da minha vista.
- Nossa, esse chuveiro é maravilhoso. – saiu de calcinha e sutiã, secando o cabelo na toalha.
- Você achou o uniforme? – Ela assentiu.
- Vou me vestir, e podemos ir conhecer a escola.
- Você não quer arrumar suas roupas no closet? – Perguntei voltando para a cama. – Temos o dia todo pra conhecer o colégio!
- O que você indica?
- Arruma o closet, eu te ajudo, vem! – Me levantei e fui para o closet, sendo seguida por .
Começamos a desfazer as malas dela, e organizar o lado dela do closet, a música estava tocando no meu celular, conversamos mais e rimos juntas. A garota era divertida, criamos uma amizade que eu não esperava criar.

-! – Liza entrou no quarto sem bater na porta. – você não vai acreditar no que está acontecendo, os meninos tão... – Ela parou de falar quando me encontrou com a garota nova sentadas no chão do quarto rindo.
-Oi, Lih! Essa é a , minha nova roomate! – Ela cumprimentou com a cabeça. – O que está acontecendo?
-Está rolando um boato de que os meninos vão fazer um flash mob no pátio. – Ela falou, ofegante por ter corrido.
-Um flash mob? – Eu me levantei. – Eles já começaram? Porque o não me contou nada? Vem, , vamos ver isso ai.
se levantou, peguei na mão de Liza, me seguiu. Corremos pelo corredor até a porta de saída da ala dos dormitórios.
Chegamos no pátio e todo mundo estava conversando normalmente.
- Ué, não está acontecendo nada. – Perguntei soltando a mão de Liza. – Liza, o que está acontecendo?
- Vem, vamos sentar com a Sarah e com a Bia, elas estão ali, talvez vá começar daqui a pouco. – Ela falou indo em direção à mesa em que Sarah e Beatriz estavam conversando.
- Vem, ! – Falei pegando a mão da garota e segui Liza.
-Oi, meninas, e ai? Será que vai rolar alguma coisa? – Liza perguntou sentando-se à mesa.
- Não sei, estamos esperando! – Sarah falou tapando o sol que bateu em seus olhos ao olhar para mim. – Olha, essa é a novata?
- Sim, essa é a , minha roomate. , essa é Sarah e Bia! – Apresentei a garota que se sentou ao lado de Sarah. – Senta , pode ficar à vontade, essas meninas têm cara de metidas, mas elas só são as mais loucas! – Nós quatro rimos do comentário.
Ficamos conversando e rindo mais um pouco até que começou uma música, a música que eu e as garotas dançamos na festa de início de aula.
A introdução começou , , Erik, Leonardo e Nicholas ficaram de pé em cima de mesas distantes umas das outras. Quando a voz do Justin Timberlake começou na música Can’t Stop The Feeling, os cinco começaram a balançar os braços no ar como eu e as meninas fizemos no dia da festa.
- Mentira! Eles estão dançando a nossa música! – Bia gritou por cima da música. Nós quatro batemos palmas quando eles fizeram os passos certinhos como a gente.
Liza se levantou na mesa, Sarah, Bia, e eu corremos cada uma para uma mesa e começamos a dançar como eles.
As mesas faziam um círculo em volta do pátio. Os meninos que estavam no meio do pátio começaram a dançar como a gente, e todos abriram espaço para eles, algumas meninas tentaram imitar, era um verdadeiro flash mob.
Eu estava me divertindo muito, eu olhava para as meninas em cima das mesas e elas sorriam tanto quanto eu.
A música foi chegando no final, Leonardo, Erik, Nicholas e desceram das mesas, fizeram uma formação e os garotos do meio do pátio abriram espaço para eles passarem. Os quatro vieram em nossa direção, Erik foi em direção à Bia, Leonardo em direção à Sarah, em minha direção, e Nicholas em direção à Liza.
pegou minha mão me pedindo para descer. Olhei em volta e as meninas estavam descendo das mesas, eu desci também. Continuei dançando enquanto a música tocava, chegamos no meio do pátio. Eles fizeram uma roda, nós meninas ficamos no meio, de costas umas para as outras, eles continuaram dançando até a música acabar totalmente.
Quando a música acabou eles pararam ajoelhados na nossa frente.
- Lih! – Nicholas gritou.
- ! – gritou.
- Bia! – Erik gritou.
- Sah! – Leonardo gritou.
- Vocês foram... – Nicholas disse dessa vez mais baixo.
- As melhores... – disse.
- Coisas... – Erik falou.
- Que aconteceram... – Leonardo disse.
- Com a gente! – Os quatro falaram juntos. Coloquei a mão em cima da boca e olhei para Liza e para Beatriz.
O que está acontecendo?
- Lih, você quer namorar comigo? – Nicholas perguntou pegando a mão dela.
Ela olhou para nós de novo e todos à nossa volta esperavam uma resposta. Todas nós olhamos para ela.
- Que tipo de pergunta é essa, lógico que eu quero! – Ele se levantou e ficou parado na frente dela. Todos à nossa volta bateram palmas.
- , você quer namorar comigo? – Eu não hesitei, gritei um sim que fez todo mundo vibrar. se levantou e todos comemoraram.
- Bia, quer namorar comigo? – Erik perguntou. Bia olhou em volta, com um sorriso bobo no rosto e assentiu. Erik se levantou também e ficou de frente para Beatriz, enquanto todos comemoravam.
- Sah, você quer ser minha namorada? – Leonardo perguntou, e Sarah gritou, e depois disse sim. Eu ri com a reação dela. A galera toda comemorou e Leo se levantou.
se aproximou de mim e segurou minha cintura, não conseguia olhar para mais nada que não fosse os olhos dele, mas imaginei que os outros estivessem fazendo a mesma coisa. Coloquei minhas mãos no pescoço de e nós nos beijamos.
O beijo de ! sempre foi calmo e tranquilo, ele acariciava minha cintura com calma.
- Eu posso saber o que está acontecendo aqui? – Uma voz de mulher nos fez parar o beijo. Olhei para o lugar de onde veio a voz e a diretora estava vindo em nossa direção. – De quem foi essa ideia? – , Erik, Nicholas, Leonardo e levantaram as mãos. Eu e as meninas resolvemos levantar as mãos também. Olhei em volta e vi com a mão levantada. – Quero os dez na minha sala agora.
me soltou e segurou minha mão. Fomos os primeiros a sair do círculo e seguir a diretora.
Ouvi a voz de Liza atrás de mim. Olhei por cima do ombro e todos os casais estavam atrás de nós, até e , que na verdade não eram um casal, e que não teriam culpa de nada.
Porque a levantou a mão? Ela não tem culpa, acabou de chegar na escola. Se levássemos uma advertência ela levaria uma também, no seu primeiro dia na escola.
- , porque a está indo também? – Liza me perguntou.
- Quem é ? – Nicholas perguntou.
- A roomate da , ela chegou hoje na escola. – Ela respondeu ao novo namorado.
- Também não entendi. – Bia respondeu, se metendo entre e eu.
- ? – Chamei a garota que estava no final da fila.
- Eu... – Nós paramos de andar e fizemos uma roda. Olhei para trás para ver se a diretora havia notado que não estávamos atrás dela.
- Por que você levantou a mão? – Perguntei quando ela e entraram na roda.
- Porque o menino levantou, não faria sentido quatro casais e um único garoto sozinho. Só quis ajudar. – Todos concordaram.
- O menino se chama . – se pronunciou.
- Gente, foi lindo o que vocês fizeram, de verdade! – Sarah se pronunciou pela primeira vez.
- Estava mais do que na hora, não é? Vocês ficam há quanto tempo, precisava oficializar esse negócio. – falou.
- Não estou acreditando que estamos namorando. – Eu falei para as meninas, todas fizeram comentários e deram beijos em seus namorados.
- A gente precisa ir, se não a bronca vai ser maior. – falou cortando os beijos, que nós começamos.
- Vamos! – Peguei a mão de novamente e fui em direção à diretoria.

’s POV

- Quem vai começar me explicando o que aconteceu? – A diretora falou assim que entramos na sala.
Resolvi ficar quieta, afinal, não sabia exatamente o que aconteceu.
Estávamos em uma linha, olhando para a mulher à nossa frente.
- Nós resolvemos fazer um flash mob, para nossas namoradas. – falou.
Nossas, ?
- No horário de aula? – Ela perguntou.
- Estávamos no intervalo de uma aula e outra. O de vinte minutos para a aula de Educação Física. – falou.
- Nossa apresentação não teve nem cinco minutos, diretora! – Leonardo completou.
Continuei com a cabeça baixa, sem falar absolutamente nada.
- , você estava encarregada de fazer o tour com a novata? – A mais velha se levantou e se posicionou na frente da mesa.
- Sim, eu estava com ela agora e enquanto passávamos pelo pátio lembrei que tinha combinado o flash mob com os meninos. – olhou para mim e eu apenas concordei com a cabeça.
- E a aluna nova já está metida em confusão no primeiro dia de aula?
- Ela não tem culpa de nada, precisava de uma companhia para dançar e puxei ela por estar perto das garotas. – tomou a culpa para si. Todos olharam para ele com um olhar de confusão.
- , não... – Tentei falar, mas interrompeu.
- Sim, essa é a verdade.
- Então vou ter que dar advertência para os dez.
- Mas as meninas não têm nada a ver com isso, a ideia foi nossa. – Erik falou, interrompendo a diretora.
- Claro que temos, nós dançamos com vocês. – Sarah falou finalmente se fazendo presente na sala.
- Claro que não, amor! A ideia foi só nossa. – Leonardo chamou atenção para ele.
- Leo não discute, a gente é tão culpada quanto vocês. – Sarah se virou de frente para nós.
- Gente, claro que não, a ideia foi nossa, nós começamos, vocês não têm culpa de absolutamente nada. – ficou de frente pra nós ao lado de Sarah.
- , não banca o herói agora! – Liza falou rindo do garoto.
Quando notei eles estavam em uma roda discutindo quem era ou não culpado pelo ocorrido. Os garotos insistiam que não, as garotas insistiram que sim. e eu não estávamos na roda, ficamos encostados na parede no fundo da sala.
- Já decidiram se as garotas são culpadas ou não? – A diretora perguntou, cortando a discussão.
- Sim, elas não são culpadas! – Nicholas falou colocando um ponto final à discussão.
- Amor! – Liza choramingou.
- Nick está certo, elas não são culpadas. – Leonardo falou, ficando ao lado do amigo.
- Leo, não! – Beatriz disse indo perto dele, que negou com a cabeça, então não se aproximou.
- Realmente, não são culpadas! – Erik disse e antes que Sarah pudesse falar alguma coisa ele já negou indo ao lado de Nicholas.
- , não! – falou antes que o garoto se pronunciasse.
- Não são culpadas, só nós. – Ele saiu do lado da namorada e ficou ao lado de Erik.
- Não são... – falou e foi ao lado de Leonardo.
- Muito bem, vocês provaram que são realmente cavalheiros, - Ela aplaudiu. – mas a advertência vai para os dez e não adianta pedir para não dar e começar essa discussão de novo.
Ficamos em silêncio, ela se sentou novamente e começou a assinar alguns papéis.
- Vocês vão assinar as advertências e podem sair, vou chamar um por um.

- Não acredito que tomamos advertência em grupo, até quem não tinha nada a ver com a história tomou advertência por nada. – reclamou enquanto entravamos no refeitório.
- Ai, relaxa, que foi só uma advertência. – falou pulando nas costas do namorado. – O que vocês fizeram foi lindo, nunca esperaríamos isso de vocês!
Nós sentamos à mesa. Eu não prestei muita atenção na conversa, pois estava observando o refeitório lotado.
- Estamos melhores que o casal ali. – Ouvi a voz de Liza e olhei para ela. – Vocês mesmo.
- Credo parece que nunca ficaram! – Bia comentou. – Vocês ficam há quase três meses e tão com essa melação, me poupe.
Procurei com quem eles estavam falando e vi que era com Leonardo e Sarah.
- Ai, Erik, dá um sossega na sua namorada, por favor. – Sarah falou tentando parecer séria. Erik sentou no colo de Beatriz e beijou-a.
- , valeu pela força, vamos compensar essa advertência que você recebeu. – Leonardo soltou Sarah e se voltou para mim, que estava ao seu lado.
- Imagina, gente, foi divertido e vocês parecem tão felizes. – Respondi sorrido.
- Meninas, vão se servir, a gente vai guardar a mesa. – cortou todas as conversas.
Levantamos da mesa e fomos nos servir, todos das mesas em volta da que estávamos sentados já comiam e o Buffet estava vazio.
O prato principal era macarrão com molho vermelho ou branco, peguei salada e um pouco do macarrão com os dois molhos. Voltei para a mesa antes das outras garotas, sentei no mesmo lugar que estava antes.
- Realmente, mandamos ver! – Cheguei enquanto Erik falava. Todos riram do comentário.
Quando me sentei, os meninos se levantaram para se servir.
Os meninos andavam se empurrando e gritando. As meninas eram mais quietas, até onde vi, não chamavam muita atenção.
As meninas se sentaram em silêncio e começamos a comer sem falar absolutamente nada.
Parei de comer, soltei os talheres e olhei para os meninos no Buffet. Olhei para Leonardo sendo empurrado por Erik e caindo em cima de , que ficou irritado e gritou com o garoto atrás dele e uma guerra de empurrões começou, continuou fora da brincadeira. Soltei uma risada fraca.
Leonardo olhou para Sarah e sorriu para ela, que sorriu de volta e ficaram se encarando por um tempo, até Erik pular em cima do garoto e fazê-lo parar. Sarah soltou uma gargalhada enorme.
- Do que você está rindo, Sah? – Bia perguntou.
- Dos nossos ami... namorados! – Ela falou vendo eles ainda brincando. – Eles são tão idiotas, olha! – Todas olharam para eles na hora que e Nicholas se jogaram em cima de Erik e Leonardo, todas riram.
- Idiotas! – e Liza falaram juntas.
empurrou os quatro e eles caíram no chão, o que nos fez rir mais. Eles levantaram tão rápido quanto caíram e pararam com a brincadeira. Voltei a comer quando eles começaram a se servir.

- , eu vou conversar com o e te encontro no nosso quarto assim que o sinal tocar, ok? Preciso fazer minha obrigação de te apresentar o colégio. – saiu do sofá em que estávamos sentadas com todos os outros do grupo.
Eu estava feliz de ter me dado bem com as meninas logo de primeira, mas fiquei preocupada com a advertência que tomei mais cedo por uma coisa que nem fiz. A escola era muito legal, não queria correr o risco de ser expulsa de lá.
- Você vai ficar ai, sozinha? – Ouvi perguntar para mim quando todos os casais já não estavam na sala de estar.
- Para onde foi todo mundo? – Perguntei me levantando.
- e foram para o nosso quarto. Erik e Bia foram para perto do lago. Leonardo e Sarah, quarto da Sarah. Liza e Nicholas, quarto da Lih. – Ele enumerou os casais nos dedos. – Eles sempre vão para esses lugares depois do almoço.
- E você? – Perguntei no impulso.
- Eu fico na arquibancada do campo de futebol. – Ele se levantou ficando na minha frente. – Quer ir...?
- Pode ser. – Dei de ombros.
- Então vamos.
Saímos da sala de estar e passamos pelo pátio. andava rápido e eu precisei algumas vezes correr um pouco para alcançá-lo.
- Vai mais devagar, suas pernas são longas. – Falei quando consegui ficar ao seu lado por mais de três segundos.
- Desculpa, estou acostumado a andar sozinho. – Ele diminuiu o passo e consegui ficar ao seu lado.
Chegamos ao campo de futebol vazio, ele começou a subir as escadas da arquibancada. Quando chegamos no banco mais alto, ele se sentou no canto, encostando na lateral onde ficava o corrimão. Fiquei em pé olhando em volta, aquele lugar era maravilhoso, estava cada vez mais apaixonada pelo colégio.
- Seu primeiro dia já está sendo cheio de emoção! – me tirou dos meus pensamentos, chamando minha atenção para ele.
- Sim. – Sorri para ele. – Foi lindo o que vocês fizeram no pátio, é sempre assim? – Me sentei de frente para ele, com perna de índio.
- Não, normalmente é mais tedioso. – Ele se ajeitou e sentou como eu. – Só é legal assim quando eles brigam e fazem as pazes.
- Hoje conta como o que?
- Hoje foi um dia a parte, dia esse que vai ficar para a história desse colégio. – Ele abriu os braços como se fosse abraçar o mundo e isso me fez rir. – Não conta pra ninguém, mas quem deu a ideia fui eu! – Ele fez sinal de silencio e eu o imitei.
- Morre comigo! – Falei rindo um pouco. – Porque você tentou tirar a culpa de mim, não tinha problema, é só uma advertência.
- Tentei tirar de você algo que não era seu, era meu. Na verdade, era só pra eu receber a advertência, os meninos não tem culpa de nada. – Assenti.
- Eles são tão palhaços e você é tão quieto, não se mete nas discussões nem nas brincadeiras de mão, por quê? – Quis puxar assunto.
- Não sei, eles sempre acabam roxos e eu não gosto de hematomas e sou mais observador mesmo. – Ele olhava por cima do meu ombro. – Não faço muito o tipo de conversar.
- Percebi, eu estou falando de mais, não é? Vou ficar quieta. – Me virei de frente para o campo, continuei olhando para o horizonte.
- Acho que foi a primeira vez que ouvi você dizer algo mais do que “, não...” – Ele fez aspas no ar tentando imitar minha voz. – Sua voz é agradável, não é igual a da Bia, que ecoa na cabeça por horas. – Ri do comentário e da tentativa falha de me imitar.
Continuei olhando para frente em silêncio e ele também não falou mais nada. Meu celular começou a tocar e eu acabei lembrando que ia ligar para minha mãe assim que chegasse no colégio. Peguei o celular no bolso e vi que ela chamava pelo FaceTime. Atendi e a imagem da minha mãe apareceu na tela.
- Oi, mãe! – Sorri para a mulher do outro lado da tela.
- Oi, minha filha, que saudade! Me conta como estão as coisas ai.
- Nossa mãe, esse lugar é maravilhoso. Cheguei na hora certa e fui muito bem recebida pela minha colega de quarto. Meu primeiro dia está sendo cheio de emoção, acredita que os meninos organizaram um flash mob para pedir umas garotas em namoro, foi tão legal mãe. Eu já fiz amigos, muito legais. Não quero ir embora daqui nunca. – Sorri muito mais.
- Que bom que está gostando, filha. Mas não voltar nunca é um pouco complicado. – Ela pareceu olhar algo atrás de mim. – Filha, isso atrás de você é uma perna? – Olhei para trás e vi a perna de esticada na grade atrás de mim.
- Ah sim, é o .
- O que tem eu? – cortou meu comentário. – Não sei o que você falou, mas ouvi meu nome.
- Mãe, vou falar em inglês agora, para o me entender. – Troquei o idioma. – essa é a minha mãe, mãe esse é o .
- O menino é bonito! – Ela fez cara de impressionada. – Mas lembra que você está ai para estudar, não namorar, ok? – Assenti.
- O que ela disse? – perguntou quando tirei a câmera da frente dele.
- Mãe, eu preciso desligar agora, minha colega de quarto está me esperando, tentarei te ligar de noite! Te amo, mãe.
- Eu também te amo, filha! Se cuida hein! – Sorriu para mim e eu sorri de volta. – Tchau! – Desliguei a chamada.
- O que ela disse? – Ele perguntou novamente.
- Ela disse que você parece legal. – Menti, mas não queria dizer que minha mãe o achou bonito.
- Ela pareceu falar tanta coisa. – Sorri para ele.
- Traduzindo pro inglês fica menor mesmo. – Ele retribuiu o sorriso.
O sinal tocou e eu me levantei rápido e fez a mesma coisa.
- Você me leva até os dormitórios? – Perguntei arrumando minha saia.
- Levo sim!
Descemos as escadas da arquibancada e fomos andando um pouco mais rápido, quando paramos na frente do prédio de dormitórios.
- Obrigada pela companhia. – Ele falou. – Eu estou tão acostumado a ficar sozinho depois do almoço, que nem lembrava o que era conversar com alguém assim. – Ele sorriu e me deu um beijo na bochecha.
- Te vejo no jantar! Foi demais conversar com você. – Sorri quando ele afastou o rosto do meu. – Tchau!
Entrei no prédio e corri para o meu quarto, na expectativa de já encontrar lá, mas ela não estava lá ainda, então resolvi escovar meus dentes e arrumar minha maquiagem, que por ter saído correndo do quarto não deu tempo de ver como eu estava.
- ? – Ouvi a voz de enquanto passava o rímel.
- Oi, . Estou no banheiro! – Ela apareceu na porta e sorriu para mim.
- Eu preciso tomar um banho e a gente já vai fazer nosso tour, ok? – Ela me lançou um olhar cúmplice e fiquei feliz em ver aquilo.
- Você se importa se eu ficar aqui terminando minha maquiagem? – Ela negou enquanto tirava a camisa branca e a saia. – Foi bem legal o que os meninos fizeram pra vocês.
- Foi, não é? – Ela prendeu o cabelo em um coque no alto da cabeça e ligou o chuveiro de sutiã e calcinha. – Eles sabem ser fofos quando querem. O mais legal foi que eles escolheram nossa música favorita para dançar.
- Eu achei lindo, de verdade. – Fiz uma pausa para limpar o rímel borrado. – Obrigada por me apresentar para seus amigos, eles são muito legais.
- São, não é? Somos amigos desde o sexto ano. Eu e somos amigos de infância, viemos estudar aqui juntos. – Ela entrou no chuveiro.
- Quando vocês começaram a ficar?
- Ah, a gente ficou a primeira vez numa viagem de Natal pra nossa cidade, acho que foi no natal do ano passado. – Ela sorriu. – Mas começamos a ficar de verdade, sem ficar com outras pessoas mês retrasado. Não esperava que ele fosse me pedir em namoro. – Ela desligou o chuveiro e pegou a toalha pendurada no boxe. – Na verdade acho que nenhuma de nós esperava o que rolou hoje.
- Vocês pareceram surpresas, mas sabiam a coreografia toda. Achei muito legal quando vocês começaram a dançar em cima das mesas.
- A gente ensinou aquela coreografia para eles. Foi muito divertido, só foi ruim quando tomamos uma advertência, você não precisava se colocar como culpada também.
- Ela não ia comprar que o dançou sozinho vendo vocês quatro como casal e ele sozinho, só quis ajudar e não tem problema, foi só uma advertência. – Dei de ombros, arrumando minhas maquiagens. – O é bem quieto, bem na dele assim, não é?
- Sim, ele sempre foi assim, nunca fala, mas quando fala sempre sai as coisas certas para os momentos. Ele é gente boa, é o meu melhor amigo, depois do , claro. – Assenti.
Sai do banheiro e guardei meu nécessaire no meu lado do closet, enquanto ela vestia o uniforme, amarrei meu cabelo num rabo de cavalo alto mais frouxo. Saímos do quarto para o nosso tour.

Terminamos o tour bem na hora que o sinal de final de aulas tocou. Voltamos para o quarto antes de o pátio se encher de alunos.
O passeio com a foi muito agradável, ela me contou sobre os amigos dela e eu tentei disfarçar meu interesse pelo . era uma companhia muito agradável e nós nos demos muito bem desde o começo, espero que continue assim até o final do meu intercâmbio.

’s POV

Saí do refeitório o mais rápido possível, sem me despedir de ninguém e não fiz questão de dizer para onde ia, mas ia para o mesmo lugar de sempre.
Eu realmente precisava de um tempo sozinho, os últimos dias eu só fiquei me preocupando com os meninos e o pedido de namoro deles. Já estava farto.
Precisava pensar em mim, desde que saiu da escola, do estado, do país eu não pensava em mais nada que não fosse ela e a falta que ela fazia. Nunca gostei de nenhuma garota como gostava dela, como gostava não, como eu gosto dela.
Peguei o celular no bolso e coloquei na discagem direta, o número dela ainda estava lá, cliquei no botão para chamar o número e levei o telefone no ouvido.
- O número que você ligou não recebe chamadas ou não existe. – Como assim não existe? Ela trocou de número e não me avisou?
Claro que não avisou, ! Ela tem mais com o que se preocupar.
Guardei o celular no bolso e continuei andando meio sem saber ao certo para onde estava indo, mas tinha quase certeza de que era para a arquibancada do campo de futebol.
De noite aquele lugar ficava ainda mais bonito, o céu ficava estrelado e era apenas iluminado pela lua quando não havia jogo.
Eu sempre ia para lá, pois me fazia lembrar de . Ela me levou lá pela primeira vez.
O lugar estava escuro, liguei a lanterna do celular para iluminar as escadas para não correr o risco de cair. Subi lentamente as escadas e cheguei no topo da arquibancada, olhei para o campo de lá de cima e depois fui para o canto que sempre ia. Iluminei aquela área e vi uma pessoa deitada ali.
Droga!
Fui andando sem fazer barulho, iluminei a pessoa e vi , que ao ver a luz colocou a mão no rosto e se sentou.
-Nossa! – Ela falou tirando a mão do rosto para tentar me enxergar, mas não conseguia, pois ainda estava com a luz em seu rosto. – Será que dá para tirar essa luz do meu rosto? – Ela continuou com a mão para cima tapando a luz que batia em seu rosto e olhando para baixo.
- Você está no meu canto. – Falei com a voz um pouco mais grave do que o normal.
- Não li nome de ninguém aqui. – Ela não reconheceu minha voz e eu sorri. – Da para tirar essa luz da minha cara?
- Se eu tirar você vai sair do meu canto? – Perguntei com a mesma voz de antes, me divertindo com a garota.
- Olha quantos cantos tem nesse lugar, dá muito bem para você se sentar do outro lado ou na outra arquibancada. – Ela falou pouco mais irritada.
- Mas não quero sentar em outro lugar, quero sentar aqui! – Ela ficou ainda mais irritada e bateu a mão na arquibancada, com os olhos fechados por conta da luz.
- Então senta nessa bosta e vou pra outro lugar. – Ela se levantou e pulou para o banco de baixo. – Credo achei que os ingleses fossem mais cavalheiros.
- Hey, nós somos! – Ela olhou para mim. – Eu só queria meu canto, você não precisava sair!
- Agora não quero mais ficar aqui, vou embora! – Ela continuou descendo parecendo bem irritada.
- Ei, ! – Gritei e ela olhou para trás, assustada. – Fica aqui!
- Não, pode ficar com o seu canto, você precisa mais que eu. – Ela continuou descendo e chegou no gramado.
Corri para alcançá-la, quando estava quase saindo do campo consegui alcançá-la, segurei seu braço e fiz com que ela me olhasse.
- Fica aqui comigo! – Pedi novamente.
-? – Ela pareceu confusa. – Era você? – Assenti e ri um pouco da confusão em que a menina estava.
- Você pode me fazer companhia? – Pedi soltando seu braço.
- Posso, eu acho!
- Só não senta no meu canto! – Ela sorriu para mim.
- Eu achei que você só viesse para cá na hora do almoço. – Nós começamos a subir as escadas.
- Na verdade, eu venho sempre que preciso pensar. No horário do almoço eu venho, pois prefiro ficar sozinho e de vez em quando venho de noite, para sei lá... pensar. – Olhei para ela. – Colocar a cabeça no lugar. As vezes apagar algumas coisas que não gosto de lembrar.
- Tipo? – Ela me lançou um olhar curioso.
- Tipo. – Demorei um pouco para responder, pensando em uma resposta boa o suficiente. – Tipo, as matérias, as confusões que os meninos me metem, os problemas da vida. – Nós sentamos e ela parecia acatar minha resposta, totalmente mentirosa.
- Você tem certeza que não quer ficar sozinho, talvez pensar sozinho seja melhor. – Ela deu de ombros.
- Se eu ficar aqui sozinho, meus pensamentos não vão me fazer bem. – Olhei para ela, que me olhava atentamente.
- Mas você veio para cá com o intuito de ficar sozinho.
- Sim, mas por sorte você estava aqui. – Sorri e ela sorriu de volta. – Se me permite dizer, eu acho lindo quando você sorri.
- Você podia sorrir mais também. Sempre que olho para você, você está de cara feia. – Ela deu uma risada fraca. – E depois do almoço você ficou mais quieto. – Assenti e fiquei em silêncio.
Ela era mais observadora do que imaginava.
- Qual o nome dela? – Ela quebrou o silêncio, notando que não responderia.
- Dela quem? – Fiz cara de confuso.
- A garota que tirou seu sorriso, sua voz e algumas outras coisas que não sei.
- Tem que ter uma garota? – Tentei fugir do assunto.
- Pode ser um garoto também, mas não faz muito seu estilo, então sim! – Ri fraco e neguei com a cabeça.
- Não tem ninguém. – Menti.
- Então você é assim desde sempre? – Ela insistiu.
- Pode-se dizer que sim. – Ela abaixou a cabeça e não falou mais nada. – Qual o nome dele?
- . – Ela me olhou. – Ele tirou tudo, sorriso, voz, folego, chão, coração. – Assenti, esperando ela concluir. Me sentia da mesma forma. – Ele era a melhor pessoa que poderia conhecer, carinhoso, amável, respeitoso, até eu descobrir o que ele fazia quando não estava comigo.
- O que ele fazia? – Me interessei pela história.
- Ele ficava com a minha melhor amiga. – Ela me olhou esperando minha reação, mas não tive nenhuma.
- Nossa, isso acontece em todos os lugares do mundo mesmo. – Falei baixo.
- Sim, a gente sempre acha que nunca vai acontecer as coisas que acontecem nos filmes ou nas novelas, mas sempre acontece. – Ela fez uma pausa olhou para o céu. – Em todos os lugares do mundo. – Assenti.
Ficamos em silêncio, encostei na grade no fundo da arquibancada e ela fez a mesma coisa. Coloquei a mão ao lado do meu corpo e olhei para o céu estrelado, mas sem a lua.
Eu achava que a única pessoa que havia um dia passado por uma decepção amorosa fosse eu, mas não era. Por mais que fossem decepções diferentes, eram decepções e machucavam da mesma forma.
Me assustei quando senti algo gelado tocar a ponta dos meus dedos. Olhei para minha mão e os dedos de estavam encostados nos meus, não fiz questão de tirar a mão dali. Continuei olhando nossas mãos encostadas por um tempo e depois olhei para ela, que olhava para o gramado.
Meu celular tocou avisando que havia entrado uma mensagem. Peguei o celular e vi que a mensagem era de Leonardo.

“Reunião no lugar de sempre, procura a e vem pra cá.”

Por que eles estavam marcando uma reunião e me mandaram levar a ?
- O pessoal está fazendo uma reunião e estão chamando a gente. – Falei chamando a atenção da garota que parecia estar tão distante.
- Ah, ok!
Me levantei e ajudei-a a se levantar. Descemos as escadas lentamente para não cair, estava com preguiça de pegar meu celular e ligar a lanterna.
- Ai! – gritou no último degrau. Voltei até ela.
- O que foi?
- Acho que pisei em falso, mas estou bem.
- Certeza, dá para andar? – Ela assentiu. – Vem, me dá a mão. – Estendi a mão para ela, que olhou e hesitou. – Anda logo, não vou fazer nada, só te ajudar a chegar lá sem se machucar. – Ela me deu a mão e voltamos a andar devagar.
Chegamos na biblioteca, que sempre ficava vazia de noite, por isso nossas reuniões eram lá.
- Cheguei! – Avisei colocando sentada no sofá ao lado de . – O que vocês querem? Tem que ser muito importante, pois eu estava tendo um momento muito proveitoso. – olhou para mim confusa e eu pisquei para ela.
- Precisamos falar com vocês dois. – Leonardo falou apontando para mim e para .
- Sobre o que? – Perguntei sentando no chão.
- Bom, nós já falamos com a e ela topou. – Sarah começou.
- Nós queremos dormir juntos essa noite. – Liza continuou.
- E o que eu tenho a ver com isso? – Perguntei sem entender nada.
- Eu e Lih queremos dormir no quarto dela. – Nicholas completou a fala da namorada.
- Eu e Bia queremos dormir no meu quarto. – Erik falou.
- Gente, que saco, você tem que falar tudo divididinho assim? Por que um só não fala tudo? – comecei a ficar impaciente.
- Ok eu falo. – falou mais rápido do que qualquer outro que tenha pensando em responder. – Eles fizeram toda uma logística para cada casal ter um quarto livre para si. E eles querem saber se você tem problema em dormir essa noite no meu quarto e da , assim ela e tem o quarto de vocês livre para eles. Porque antes de eu chegar eles sempre dormiam lá no nosso quarto, mas agora não é mais tão simples assim.
- Nossa, era só isso? – Todos assentiram. – Vocês fazem tanta tempestade em copo d’agua! Por mim tudo bem, desde que eu tenha uma cama para dormir. – Dei de ombros.
- E a gente achando que ia ser difícil. – Bia comentou.
- Você acha que ele ia perder a chance de dormir com a brasileira gostosa? – bateu no peito de assim que ouviu seu comentário. Eu olhei para a tempo de vê-la corando.
- Seu pé está doendo? – Perguntei ignorando o comentário de .
- Um pouco, logo passa. – Ela colocou a mão no tornozelo.
- Não quer ir na enfermaria colocar um gelo ai?
- Você acha mesmo necessário? Foi só uma torção, nada muito sério, amanhã vai estar bom. – Ela não deu muita importância, então dei de ombros.
- Se você acha.
- Dez e meia a gente se encontra no pátio para fazer a troca dos quartos e ajudar as garotas pular as janelas. – Leonardo cortou as conversas paralelas que se iniciaram. Todos assentimos. Eu levantei e puxei comigo.
- Vem, vou te levar até seu quarto. – Falei segurando sua mão e a garota mancava.
- Boa noite, gente. – Ela se despediu de todos, que responderam em uníssono “boa noite”.
Saímos do prédio da biblioteca em silêncio e fomos em direção ao dormitório masculino.
- Meu dormitório fica do outro lado. – Ela parou no meio do caminho.
- Eu sei, vou só arrumar minhas coisas para dormir no seu quarto, pra não ter que carregar coisa mais tarde na hora de pular a janela. – Ela assentiu e continuamos andando.
Quando chegamos na frente do prédio, coloquei-a sentada no banco e entrei no prédio.
Peguei uma mochila, coloquei minha escova de dentes, minha samba canção e meu uniforme para o dia seguinte, coloquei uma cueca também para se precisasse tomar banho por lá.
Sai do quarto com a mochila nas costas e os garotos que estavam no corredor me olhavam curiosos.
- Vai fugir, Lewis? – Um garoto perguntou.
- Vai comer alguma garota, com certeza! – Outro respondeu.
- Só se for a sua mãe! – Murmurei.
Sai do prédio e estava lá no lugar onde havia deixado-a. Também não teria como sair, seu pé parecia doer muito. Peguei sua mão novamente e fomos andando para o prédio feminino.
Chegamos na porta do prédio e chamei uma garota qualquer que estivesse perto da porta.
- Ei, menina, pode me ajudar? – Chamei a primeira que passou na minha frente.
- Claro que posso! – Ela colocou o cabelo atrás da orelha e eu revirei os olhos.
- Minha amiga torceu o pé, você pode ajudá-la a chegar no quarto? – Ela pareceu desanimar da ideia de ajudar. – Prometo te recompensar depois. – O olhar malicioso voltou ao seus olhos e ela assentiu.
- Eu vou cobrar! – Ela sorriu.
- Pode cobrar. Espera só um minuto. – Voltei para perto de . – Leva minha mochila com você, te encontro no seu quarto daqui a pouco, deixa a janela aberta. – Ela assentiu, pegou minha mochila e colocou nas costas, peguei a mão dela e levei-a até a garota que disse que ajudaria. – Aqui, leva ela para o quarto dela, por favor! – Dei um beijo na bochecha da garota e pisquei para .
A garota pegou a mão de e entrou no prédio, esperei ela sair do meu campo de visão para voltar para o pátio.

- Vamos levar as meninas primeiro e depois a gente pula as janelas. – Leonardo começou assim que o primeiro sinal para o toque de recolher tocou.
- Todos os outros já estão nos quartos, nós deixamos elas lá e vamos para o quarto. – Nicholas falou.
- Vamos levar a Bia, você leva a ? – Leonardo me perguntou e eu assenti. – Então vai. – Comecei a andar em direção ao quarto dos homens quando Leo me chamou. – ! – Olhei para ele. – Valeu! – Assenti e voltei a andar.
Fui andando em silêncio com , até ela quebrar o silêncio.
- Ok, para! – Ela parou de andar e eu parei logo depois. – O que você tem? – Ela perguntou.
- Nada. – Respondi sem emoção.
- Vai mesmo mentir para mim? Desde que a chegou você está todo estranho, o que aconteceu? – Ela segurou meu braço e olhou fundo nos meus olhos. – Qual é, ? Sou sua melhor amiga, me conta o que está acontecendo?
- Ela lembra aquela outra garota. – Falei sem tirar os olhos dos olhos de .
- É, ela parece mesmo com a , mas só fisicamente, a personalidade é totalmente diferente, eu garanto. – soltou meus braços e eu assenti. – É só isso? – Assenti novamente. – Se tivesse mais alguma coisa você me contaria, não é?
- Sim! – Afirmei. – Agora vamos, senão eu não consigo pular a janela e vou ter que atrapalhar a sua noite com o . – Voltei a andar.
- ! – Olhei para ela e a garota estava com os braços abertos.
- O que? – Fez um gesto, querendo dizer que queria um abraço. – Nossa, , você é muito gay! – Fui até ela e abracei-a.
- Obrigada pela ideia que você deu para os meninos. Sei que eles sozinhos não teriam essa ideia tão brilhante. – Ela continuou abraçada comigo.
era, sem dúvidas, minha melhor amiga, ela sabia de toda minha história e eu sabia de toda a dela. Quando estávamos sozinhos conversávamos mais do que os nove juntos.
- Agora vamos. – Falei soltando ela do abraço. Voltamos a andar dessa vez com os braços entrelaçados. – Conseguiu falar com ela? – Ela puxou assunto.
- Antes caia na caixa postal, agora só fala que o número não existe.
- Então acho que está na hora de esquecer, não é? – Assenti. – Talvez, com a chegada da você consiga. – Ri da forma que ela falou. – Qual é, a menina é uma gata. Confesso que no começo fiquei com medo de ela fazer o se esquecer de mim.
- O é louco por você, . Nenhuma garota no mundo faria ele te esquecer. – Assegurei. – Ela é legal, mas não sei se ela foi muito com a minha cara.
- Ela só fala com você, , e outra, quem nesse mundo não vai com a sua cara? – Chegamos na janela do meu quarto e eu me preparei para fazer pézinho para ela. – Aproveita essa noite e conversa com ela. Com certeza vocês vão se dar bem! – Ela se apoiou no batente da janela e colocou o pé na minha mão. Levantei a mão o suficiente para ela conseguir sentar na janela.
- Boa noite, ! – Ela falou e entrou no quarto.
Peguei o celular no bolso para ver o horário, tinha exatamente cinco minutos para chegar na janela da e pular antes de ser pego. Corri o mais rápido possível para chegar no quarto dela, me apoiei no batente da porta e pulei para dentro assim que o sinal do toque de recolher tocou. A luz do quarto estava acesa, mas o quarto estava vazio, vi minha mochila em cima de uma das camas e ouvi o barulho do chuveiro.
Droga, a garota está tomando banho.
Peguei minha samba canção dentro da mochila e vesti a mesma, continuei de camiseta. O chuveiro desligou e a porta abriu dando visão a uma de toalha. Virei de costas assim que vi a garota.
- Não te ouvi chegar. – Ela falou.
- É eu cheguei agora, o sinal acabou de tocar, eu ... se quiser que eu saia para se trocar. – Falei meio desconcertado.
- Não precisa, eu me troco no banheiro. Só vou pegar meu pijama. – A voz dela parecia tão tranquila. – O que foi, ? Nunca viu uma garota de toalha? – Ela ria.
- Não... quer dizer, já... mas é que sei lá... eu... quero dizer, você... – Parei de falar quando ela começou a rir. – Quer saber, eu vou ficar quieto. – Ouvi o barulho da porta batendo e me virei para a porta do banheiro. Me joguei na cama onde minha mochila estava.
Fiquei olhando para o teto, sem pensar em nada, só prestando atenção nos barulhos externos. Um grilo do lado de fora, a água saindo da pia. Fechei os olhos por alguns instantes, de repente alguém me chacoalhava.
- ! – E uma risada em seguida. – Hey, ! Acorda. – Abri os olhos com dificuldade, pois a luz parecia mais forte do que o normal. – Você dormiu na minha cama.
- Ai, desculpa! – Me levantei num pulo e ela riu. – O que foi?
- Você parece tão nervoso. – Começou a prepara a cama para deitar. – Relaxa!
- Não estou nervoso, é só que não estou acostumado a dormir no quarto de uma garota. – Falei ajeitando a cama para mim.
- Entendi. – Ela deitou na cama. – O último a deitar apaga a luz. – Fuzilei-a com o olhar e ela riu mais.
- Você é engraçado. Boa noite! – Ela se virou de costas para mim e eu apaguei a luz.
Deitei na cama e me cobri, me virei de costas para ela e de frente para a parede.
Tudo nela me fazia lembrar de , a voz, a risada, o sorriso, o cabelo, os olhos intensos. Por que agora? Fiquei tanto tempo sem pensar nela e uma garota qualquer, uma intercambista me faz perder a cabeça assim? A ponto de eu voltar a ligar para a garota que partiu meu coração.
- ?
- Que?
- Você está com sono? Acho que não me acostumei com o fuso horário ainda, então estou sem sono.
- Quer conversar? – Me virei para ela e ela estava virada para mim.
- Sim... Não... Quer dizer, se você quiser!
- Então vamos conversar. – Acendi o abajur do lado da minha cama e me sentei. Ela fez o mesmo.
- O que será que os outros estão fazendo? – Ela se levantou e sentou ao meu lado na cama.
- Olha, certeza, quase absoluta de que estão se divertindo bem mais do que a gente. – Deixei uma risada maliciosa escapar.
- Então quer dizer que comigo não está divertido? – Ela colocou as mãos na cintura e me encarrou com um olhar brincalhão.
- A gente está só conversando... – Dei de ombros fugindo do olhar dela.
- Eu sei um jeito de te divertir. – Ela ficou de joelhos de frente para mim. – E ainda conseguir ver seu sorriso por mais de dois segundos.
- Ah é? Como? – Lancei um olhar desafiador.
- Você tem uma coisa que ninguém sabe que você tem e eu descobri agora! – Levantei uma sobrancelha sem entender o que ela dizia. – Levanta os braços. – Eu levantei meus braços e continuei olhando para ela, não demorou muito para ela colocar a mão na minha cintura e começar uma sessão de cócegas. Comecei a rir loucamente e ela ria junto.
- Para, por favor! – Eu implorei tentando segurar a risada. – Vão ouvir a gente, , não, ai não! – Ela apertou minha barriga com as unhas e um arrepio tomou conta do meu corpo. – Pelo amor de Deus, o que você fez? – Parei de rir no momento em que senti meu corpo arrepiar. Ela soltou minha cintura quando viu que eu não ria mais.
- Desculpa, eu achei que você gostasse de cócegas. – Ela sentou novamente. – Não quis invadir seu espaço. Desculpa. – Ela abaixou a cabeça e não falo mais absolutamente nada.
O que foi que aconteceu? Eu estava rindo e de repente meu corpo todo arrepiou dos pés à cabeça e não sentia mais vontade de rir. O que ela fez? Isso nunca aconteceu antes.
se acalma!
- Está tudo bem! – Falei baixo.
- Eu acho que vou... – Ela se preparou para levantar da cama, mas eu segurei seu braço. Ela olhou para mim, fundo nos meus olhos.
- Não, está tudo bem, pode ficar! – Os olhos dela começaram a brilhar mais do que o normal. – Hey, você está bem? – Me aproximei dela.
- Sim, meu ... pé voltou a doer! – Ela me fez soltar seu braço e fui para o banheiro, andando normalmente.
A porta do banheiro bateu forte e ecoou por todo o quarto, eu continuei sentado, por menos de dois segundos. Logo me levantei e fui na direção do banheiro. Coloquei o ouvido na porta e prendi a respiração. Ouvi a voz de , mas não entendia o que ela dizia, provavelmente porque ela estava falando em português. Dei duas batidas na porta e ela ficou em silêncio total. - , você está bem? – Perguntei novamente. – Você quer que eu saia do quarto?
- Não! – Ela abriu a porta. – Está tudo bem! Vamos só dormir ok? – Passou por mim como um jato e deitou na cama.
Fui até a cama onde estava e me deitei. Desliguei o abajur e me virei para a parede.
- Boa noite! – Murmurei, mas não obtive resposta. Olhei para que estava totalmente imóvel.
O que aconteceu?

’s POV

- Que bom que você veio dormir aqui! – Falei voltando do banheiro para o quarto, estava mexendo nos livros de . – Bem legal do e da toparem dormir no mesmo quarto. – Ela assentiu sem dar muita importância para o que eu dizia.
estava com uma calça jeans bem justa, que modelava seu corpo da cintura até os tornozelos, uma blusa cinza com a parte de trás mais comprida que a da frente e uma camisa jeans. Seu cabelo estava em um rabo de cavalo desarrumado e uma maquiagem leve, sutil, da forma que ela sempre usava.
- O já leu todos esses livros? – Ela se virou para me olhar, assenti. – Nossa, que legal!
- Vem, vamos deitar aqui! – Peguei a mão dela e puxei-a para minha cama.
Nós deitamos na cama, ficamos de conchinha em silêncio, nossas respirações eram as únicas coisas que conseguia ouvir. estava mais quieta que o normal.
- O que foi, babe? – Passei minha mão no cabelo dela. – Você está tão quieta!
- Não, é que... – Ela virou de frente para mim e deitou no meu peito com uma das mãos na minha barriga. – Hoje, quando a gente estava conversando, eu e as meninas, elas falaram que estavam prontas para aquilo...
- Aquilo? – Comecei a acariciar seu cabelo.
- É, , aquilo! – Ela repetiu com uma voz engraçada e eu ri. – Só que eu não sei se eu estou pronta.
- Pronta pra fazer aquilo? – Perguntei com graça na voz.
- você vai ficar me zoando? – Ela se sentou impaciente, eu ri ainda mais. – Vou dormir na cama do . – Ela levantou e eu segurei seu braço.
- Para, é que é fofo você sem graça. – Ela sentou novamente. – E relaxa, que se você não estiver pronta hoje eu espero amanhã, semana que vem, mês que vem, ano que vem, a vida que vem! – Segurei o rosto dela entre as mãos. – Porque eu te amo e se nesse tempo todo não te forcei a nada, não vai ser agora que vou te forçar, meu amor! – Beijei-a com calma e pedi passagem com a língua.
Coloquei minha mão na nuca dela e ajustei meus dedos nos cabelos dela. A mão dela continuou no meu rosto e intensificou o beijo. Me encostei na cabeceira da cama e ela subiu em cima de mim, coloquei minhas pernas em cima da cama e ela ficou com uma perna em cada lado do meu corpo.
Desci minhas mãos para a cintura dela e apertei sua cintura devagar e o beijo foi ficando cada vez mais intenso. Ela colocou meu cabelo pra trás e começou a me dar vários selinhos, parando o beijo.
- , acho melhor a gente dormir. – Ela saiu de cima de mim e se levantou. – Vou me trocar. – Ela pegou a mochila no chão do quarto e foi para o banheiro.
- Meu Deus. – Deitei totalmente e coloquei o braço em cima do rosto e fechei os olhos.
me deixava absolutamente louco, todas as vezes que ficávamos juntos, só nós dois. Ela sabia exatamente como me tocar e me beijar e isso me fazia querê-la cada vez mais e mais.
Esse sentimento já existia em mim há muito tempo e eu demorei tanto para notar e quase perdi a garota mais importante da minha vida, depois da minha mãe e irmã.
- Você viu que a Sah e o Leo estavam diferentes. – apareceu novamente no quarto, abri um olho para olhá-la. – Não sei, a Sarah estava mais quieta, o Leonardo quase não abriu a boca. – Ela pegou um pote de creme e colocou no criado-mudo ao lado da cama do . – Ela está comendo tão pouco, tenho certeza de que aquela garota que era do quarto dela falou um monte de merda pra ela e agora ela está querendo emagrecer. – Ela passou o creme no corpo todo e depois guardou o mesmo na mochila. – , você está me ouvindo?
- Sim amor, só não prestei atenção nessas coisas que você disse. – Respondi ainda com o braço sobre o rosto. – E acho que a gente não tem nada a ver com isso.
- , eles são nossos amigos. – Ela veio para minha cama.
- E daí? A vida deles como casal não tem nada a ver com a gente. Eles já brigaram tantas vezes e voltaram numa boa todas elas, não vai ser agora que vai acabar ainda mais depois do que a gente fez hoje. – Arrumei a cama para dormirmos.
- Eu sei, amor, mas você não acha que devíamos fazer alguma coisa em relação a má alimentação dela? – Ela deitou direito na cama e virou para a parede.
- Acho que talvez sim, por serem muito amigas vocês podiam dar um toque nela e mostrar que se preocupam com ela. – Falei envolvendo-a com um braço. – Conversa com ela, talvez ajude, ou talvez vocês estão só vendo coisa onde não tem.
- Verdade! Por isso que eu te amo, você sempre me coloca de volta na terra. – Ela virou o rosto para mim e eu dei um selinho. – Te amo!
- Também te amo e muito! – Ela sorriu.
- Boa noite meu amor! – Beijei sua cabeça quando ela virou para a parede novamente.
- Boa noite!
Fechei meus olhos e dormi rapidamente.

’s POV

Acordei e olhei para o lado, vi dormindo serena. Me levantei e peguei meu uniforme na mochila, entrei no banheiro fazendo o mínimo de barulho possível, coloquei o uniforme e escovei os dentes.
Sai do banheiro e estava sentada mexendo no celular.
- Bom dia! – Falei pegando-a de surpresa.
- Ah, bom dia! – Ela olhou para mim e sorriu.
- Eu vou tomar café da manhã, depois a gente se encontra? – Ela assentiu e eu coloquei a mochila nas costas. – Até mais tarde então.
- Até! – Pulei a janela e fui em direção ao pátio.
Alguns alunos estavam ali em rodinhas conversando, procurei pelos meus amigos, mas não encontrei ninguém. Me sentei em uma mesa qualquer e peguei meu celular.
- Grande Lewis, bom dia! – Leonardo apareceu depois de alguns minutos. Cumprimentei o garoto – Como foi a noite com a brasileira?
- Bom dia! Tinha alguma coisa pra acontecer, a gente dormiu só. – Leo levantou uma sobrancelha.
- Pra cima de mim, Lewis? Você é o maior galanteador dessa escola e por que dessa vez seria diferente? – Ele me deu um empurrão leve no ombro.
- Não rolou nada e você sabe o motivo. – Continuei sério e não dei nenhuma importância para a brincadeira que ele fez.
- ! – Eu levantei a cabeça ao ouvir o nome da garota. – Foi mal cara!
- Foi nada, fica de boa! – Respondi rápido.
- Bom dia! – chegou e nos cumprimentou.
- Como foi a noite? – Perguntei.
- Como todas as outras! – Leonardo levantou a sobrancelha novamente. – Te juro, não rolou nada. Mas e a sua Leo?
- Nossa verdade, nem perguntei, como foi a noite? – Virei para Hughes.
- Foi tipo a melhor noite que eu poderia ter, na moral, a Sah é foda! – riu. – Juro, cara, mas nem vou dar detalhes, não faz meu tipo.
- Bom dia, gatos! – apareceu e beijou .
- Opa, alguém acordou feliz! – Provoquei. – mentiu pra gente?
- Mentiu o que? – perguntou sentando ao meu lado.
- Nada! – Leo respondeu.
- Gente, o Nicholas ainda não saiu do quarto da Lih? – mudou de assunto.
- Olha ele vindo lá! – apontou para o loiro sorridente.
- Bom dia! – Ele cumprimentou todos e deu um beijo na .
- E ai, loirinho, como foi a noite? – Perguntei.
- Foda! – Todos comemoramos, menos que revirou os olhos.
- Vocês são ridículos. – Ela falou. – Finalmente outra garota! Bia! – Ela chamou a amiga que veio correndo até nos.
- Bom dia, gente. – Bia cumprimentou todos.
- Cadê o Harris? – Perguntei.
- Ele está vindo. – Ela respondeu e sentou ao lado de . – Cadê a Sarah?
- Tomando banho. – Leonardo deu de ombros e ela assentiu. – Olha o Erik ali! – Erik olhou para nós e veio em nossa direção.
- E ai, gente! – Sentou-se ao lado de .
- Quem falta? – perguntou.
- , Lih e a Sarah! – respondeu.
- A Lih está vindo pra cá. – Falei apontando para a loira que vinha em nossa direção.
- Bom dia, sunshines! – Liza falou sorrindo.
- Bom dia! – Respondemos juntos.
- Olha a ali! – Leonardo falou.
- ! – gritou e sorriu ao nos ver.
- Bom dia, gente! – Ela falou e sentou entre e eu.
- Só falta a Sah agora! – Beatriz comentou.
- Então, gente, eu quis esperar vocês todas para dizer. Eu estou um tanto quanto preocupado com a Sah, ela quase não dormiu e disse que está sem fome. Eu acho que vocês podiam ir lá falar com ela. – Leonardo falou meio sem jeito. – Não sei, tentar descobrir o que está rolando com ela. Vocês podem fazer isso?
- Claro, estávamos querendo falar com ela ontem, mas não deu tempo! – Beatriz falou e todas assentiram. – Relaxa, Leo, vamos descobri o que está rolando com a nossa princesa!
- Agora podemos tomar café? – Nicholas disse cortando o assunto.
Todos levantamos e fizemos nosso caminho para o refeitório, pela primeira vez comíamos em silêncio, o clima estava um tanto quanto tenso.
Quando terminamos de comer, Lih e fizeram um prato com algumas frutas e prepararam um café para levar para Sah no quarto.
Elas saíram acompanhadas de Bia e foram para o quarto da garota.

’s POV

Sarah abriu seus olhos devagar para se acostumar com a luz, que entrava da janela do quarto. Sentou-se na cama e espreguiçou-se.
- Bom dia, princesa! – Eu, Lih e Bia falamos juntas quando ela olhou para o lado.
- Bom dia, meninas!
- Trouxemos frutas! – Lih disse.
- E café! – Conclui.
- Não precisava, estou sem fome. – Respondeu.
- É sobre isso que queremos falar, Sah! – Beatriz sentou-se ao lado da garota.
- Isso o que? – Ela olhou para Bia, confusa. Lih e eu sentamos no chão na frente dela e trocamos um olhar com Bia.
- Nós estamos preocupadas com você, Sarah! – Comecei. – Você tem comido muito pouco, sempre colocando pouquíssima comida no prato e as vezes até deixa comida. – Respirei fundo. – E o Leonardo disse que você não está dormindo direito, que essa noite você mal dormiu. – Olhei para Liza e Beatriz, as duas me olhavam sérias. – Você sabe que somos suas melhores amigas e sempre seremos.
- E sabe que fizemos um juramento quando nos tornamos amigas. – Liza interrompeu.
- Juntas nos momentos bons e ruins! – Falamos as quatro juntas.
- Você sabe que pode contar com a gente, Sah! Nós vamos te ajudar independentemente de qualquer coisa, porque é isso que amigos fazem. – Bia falou. – Tem alguma coisa que você quer contar pra gente?
O silêncio se instalou no quarto, Sarah manteve a cabeça abaixada.
Creio que ela não queria falar sobre aquilo, talvez não tivesse o que falar.
- É só uma fase. – Afirmou.
- Explica! – Liza disse.
- Não sei, é só uma fase. Muita coisa acontecendo rápido demais e eu não estou conseguindo acompanhar o ritmo que tudo está tendo. – Levantou a cabeça e olhou para nós.
- Sah, o que está sendo rápido demais? Seu namoro, o último ano da escola? – Beatriz pegou a mão de Sarah.
- Tudo, literalmente, falta menos de 10 meses para o ano acabar e o namoro também, eu comecei a ficar com o Leo muito depois que vocês começaram a ficar com os meninos. Não sei se estou pronta para lidar com tudo isso, sabe?! Não sei o que quero fazer quando sair da escola, não decidi meu futuro e o tempo todo perguntam do futuro e eu só quero viver o presente, entendem? – Nós assentimos. – Aproveitar com vocês e com o Leo também, fazer memórias, criar ainda mais laços. – Vi uma lagrima escorrer pela bochecha dela. – Mas está tudo tão rápido, que eu queira dar uma pausa.
- Assim, eu entendo, mas isso não justifica você estar comendo menos, desde que a Jessie saiu da escola e ela sempre dizia que você precisava emagrecer, que nunca estava magra o suficiente. – Falei. – Você não está dando ouvidos pra ela agora, não é?
- Sim, estou. – Ela respondeu me olhando. – Engordei muito nessas férias e preciso perder alguns quilos, mas não precisa se preocupar, assim que eu emagrecer o que preciso vou voltar a comer normalmente.
- Sah, não é assim que funciona! – Beatriz falou. – Você precisa comer direito, não comer pouco.
- Gente, vocês não entendem! – Negou com a cabeça.
- Claro que entendemos, somos mulheres também e nem sempre estamos bem com os nossos pesos. – Falei. – Vamos fazer um combinado? – Todas olharam para mim. – Nós vamos começar a malhar juntas e comer direito juntas, o que acham?
- Não sei não! – Liza disse, coçando a cabeça e aquilo me fez rir.
- Ah, qual é, nós temos uma academia enorme à nossa disposição, um campo gigante pra correr, o refeitório está sempre aberto, podemos comer de três em três horas tranquilamente. – Eu continuei. – Vocês acham que eu não preciso perder alguns quilos? Logico que preciso!
- Não, você precisa só manter a forma, ! – Sarah falou.
- Assim como você, Sah! Vai ser legal, vamos nos ajudar e nos divertir juntas. – Bia falou. – Eu topo!
- Eu também! – Falei o obvio, já que eu dei a ideia.
- Ok, eu posso tentar! – Liza deu-se por vencida.
- Tudo bem, vamos fazer isso! – Conclui.
Seria legal malhar com as meninas!
- Gente, sabe o que eu quero? – Sarah falou e todas voltaram a atenção para ela.
- O que? – Liza perguntou.
- Um bolo de cenoura com cobertura de chocolate.
- Nossa, quero também! Vamos ligar hoje a noite para a loja de bolos e pedir um para a turma toda? – Bia deu a ideia.
- Vamos! – Todas concordamos juntas e caímos na gargalhada.
- Agora, come suas frutas, toma seu café se troca e vamos pra aula! – Eu me levantei e peguei o prato com frutas. – Nossa primeira aula é de física!
- Gente, só uma pergunta: e a ? – Sarah perguntou pegando um melão e colocando na boca.
- Deve estar com o , em algum lugar! Esses dois não se desgrudam mais. – Liza disse se olhando no espelho do closet.
- Certeza de que ele só está próximo dela porque ela parece com a . – Beatriz falou indo em direção ao espelho e todas olhamos para ela com espanto. – O que?
- Você é muito sem noção, Beatriz! – Falei e sai do quarto com raiva.

Continua...

Nota da Autora: (04/05/2017) Sem nota.

Nota da Beta: Qualquer erro nessa atualização são apenas meus, portanto para avisos e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando a fic vai atualizar, acompanhe aqui.