Autora: Tatye J. | Beta: Babi S.

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Capítulo 1

AAh! Desde que eu recebi aquele belo convite sabia que as coisas não seriam mais as mesmas. Por quê? Porque é um convite de casamento, feito com um papel um pouco mais duro, amarelado, de bordas e letras douradas, nele tinha escrito em letras em itálico muito bem delineadas que o meu belo irmão - sem ironia ta gente, eu amo meu irmão - ia se casar. Disso eu já sabia, porque my best vai casar com ele. OK, tudo bem, meu irmão vai casar e ser feliz para o resto da vida com a mulher que ele escolheu – assim espero –, mas o que eu não esperava é que eu tivesse que ir para o casamento, justo sendo madrinha e ainda fazendo par com Danny Jones. Okay, essa não foi a educação que a minha mãe me deu. Então deixa eu me apresentar. Sou Judd. Sim, irmã do Harry Judd, ele mesmo, o baterista do McFLY. Tenho 25 anos, cabelos castanhos, chegando a ser um pouco loiro nas pontas, um pouco baixinha, nem gorda nem magra. Sou pediatra e estou morando no Brasil há uns dois anos por conta da especialização, residência, problemas pessoais e outras coisas que não valem muito a pena ser lembradas. Enfim, já falei demais de mim.
Mas aí você pergunta. “É o casamento do seu irmão, por que você não quer ir?” Pelo simples fato de que eu vou ter que socializar com o Jones de novo e depois do que aconteceu. Eu não tenho onde enterrar a minha cara de vergonha, desde o casamento da , o que não me deixa muito confortável perto dele nos dias de hoje. Mas bem, fora isso, sou uma pessoa bem sociável e casamenteira. Fui responsável pelos dois casamentos do McFLY e um namoro sério – fui nada, eles que acordaram pra vida mesmo -. Como eu fiz isso? Tenho três amigas que por acaso se encaixaram perfeitamente com os meninos, então vou falar um pouco de cada um deles.
A , poxa cara, ela é o mesmo que ser uma irmã, entende os meus dramas, me consola, me aconselha e me perturba até quando não pode mais, sem falar que é totalmente patricinha, diferente de mim. A gente se conhece desde que eu me entendo por gente, então obviamente ela vivia na minha casa e eu na dela, consequentemente a gente cresceu e ela meio que se apaixonou pelo meu irmãozinho - não tão “inho” assim, ele é mais velho que a gente -, o que, pra alegria dela, foi recíproco. Bom, e atualmente estão noivos.
O Harry, além de ser meu encosto preferido, também é meu melhor amigo, um pouco protetor demais e ciumento também. Mas ao contrário de muitos irmãos por aí, nós somos bem unidos, mas totalmente opostos, enquanto ele fazia barulho com os meninos da banda, que também são nossos amigos de infância, eu estava no meu quarto enchendo o saco da , e ou estudando.
A , ela é tipo a pessoa que te coloca pra cima quando você não vê mais solução em nada, e assim como a , também é minha confidente. Ela é a irmã mais nova da e acho que é por isso que a gente não se batia muito no começo, mas depois que ela cresceu mais, nós ficamos mais amigas, resultando em eu e a irmos ajudá-la com os dramas adolescentes, a maioria deles envolvendo uma paixonite pelo Tom, porque, que nem ele, ela é louca por essas coisas de computação, gibis, heróis e Disney, minha nerd preferida e caçulinha dos Jones. Sim elas são irmãs do Danny.
O Tom é um dos grandes amigos do meu irmão e integrante da banda deles, era meu companheiro nerd nas épocas de colégio. Apesar das diferenças de idade, eu me dava melhor com ele do que com o Danny, que é era um pouco mais velho que eu, mas me tirava a paciência. Eu e o Fletcher andávamos muito juntos e minha mãe achava que íamos acabar namorando, mas sempre foi só amizade, o que ficou bem claro pra todos quando ele começou a ficar com a , resultado de minha ajuda e da .
Temos o Dougie, digamos que ele não é a pessoa mais normal, aliás, nem um de nós é. Ele também faz parte da banda, gosta de lagartos e tem umas piadinhas meio infames, sabe? Daquelas que a gente ri mesmo sem querer? Pois é. Ele é muito amigo do meu irmão e consequentemente nós acabamos sendo grandes amigos também, sem falar que adorávamos encher o saco do resto do pessoal. Aquelas pegadinhas meio porres sabe? Ahh, e ele sempre foi apaixonado pela , mas jurava que nós nunca sacávamos isso.
A , foi meio que um mal entendido a gente se conhecer, na verdade ela era bem amiga da e no primeiro dia de aula ela apareceu junto com a baixinha e depois entrou no grupo. Fazendo nosso trio parada dura transformar-se em quarteto fantástico. Ela pode ser descrita como o Dougie na versão feminina. Porque, meu Deus, eu nunca vi uma garota pra parecer tanto com ele, é incrível. Claro que tem algumas diferenças quanto a algumas coisas, mas, fora isso, eles se entendem bem demais. Acho que é por isso que eles estão namorando.
Você deve ta perguntando “e o Danny?”. Calma que eu vou falar dele agora.
Bom, o Danny... Por onde começar? Como eu já disse, ele é irmão da e da . O filho mais velho dos Jones, melhor amigo do meu irmão, também integrante do McFly, o sonho de qualquer garota, lindo, meio lerdo e tem um sorriso de tirar o fôlego, o que eu acho mais charmoso nele. Por um tempo, nós só vivíamos grudados, melhores amigos de verdade, o que fez as gatinhas Jones e o resto do pessoal zoarem a gente por um bom tempo, mas com o tempo as coisas meio que mudaram, eles nem ligavam mais em nos perturbar e foi aí que a gente começou se ver de outra forma, a amizade mudou. E nós, como bons e velhos adolescentes, começamos ficar escondido dos outros. Por quê? Acho que medo de sermos zoados e do Jones arranjar confusão com meu irmão. O Harry pode ser bem ciumento quando quer, ele é tipo o papai, numa versão mais nova. Mas eu e o Dan não conseguimos esconder por muito tempo e, quando a cambada descobriu, encheram o nosso saco até não poder mais, e por incrível que pareça, o Harry achou legal, só disse que o Danny tomasse cuidado com o que fazia, pra não ficar sem dentes.

Flashback's on (2004)

Era sábado e, como sempre, estava toda a cambada reunida lá em casa, na cozinha especificamente, com exceção do Dan, que disse que ia chegar mais cedo pra gente dar uma namorada. É, você não leu errado, nós estamos nessa de namoro escondido há mais ou menos uns três meses e ninguém descobriu, superninjas. Mas até agora ele nem deu as caras, o pessoal já estava todo lá, então teria que ficar pra depois.
- , você não vai pedir a pizza? – Harry perguntou praticamente debruçado em cima da , sentado a mesa, enquanto estava todo mundo espalhado pela cozinha. Dougie, , e Harry sentados a mesa, Tom na bancada e a me ajudando com o suco.
- Por que tem que ser eu? Manda o Tom, foi ele quem tomou conta da bancada e está perto do telefone.
- Ok , deixa de drama! Eu ligo pra pizzaria. O de sempre, não é? Calabresa e mussarela? – Tom perguntou, pulando da bancada, e todo mundo concordou fervorosamente.
Ele pegou um bloquinho pra dividir o valor, como sempre fazíamos, e ligou para pedir as quatro pizzas.
- Gente, cadê o Danny, que não apareceu ainda? – perguntou tirando as palavras da minha mente. Ele realmente estava demorando demais.
- Parece que foi atrás de cordas para o violão. – Harry fez pouco caso e os meninos confirmaram.
Continuei nos meus afazeres, quando ouvi a campainha tocar escandalosamente, de um jeito mais do que frenético. Com certeza era algum pivete chato querendo me fazer de besta. Suspirei com o barulho chato e todo mundo olhou pra mim. Arregalei os olhos e apontei para o peito, eles confirmaram.
- Eu atendo! Não tenho escolha. – fiz careta. – Termina o suco, ? – pedi, enquanto me afastava da bancada.
- Claro! O Tom me ajuda, vai lá! – ela falou animada e todo mundo fez aquele alto e sonoro “Hummm”, quando o Tom pulou da bancada todo feliz e foi pra perto da baixinha.
Andei apressadamente, ouvindo a campainha ser possuída por algum demônio chato na pré-adolescência. Rolei os olhos e abri a porta de uma vez, dando de cara com um Danny, que parecia mais um cachorro sem dono, por ter os olhos tão baixos e um bico estampando o rosto. E tudo isso pelo atraso, tenho certeza, além de estar morrendo de saudades. Como sei? Não deu nem tempo de avisar que o pessoal estava lá, ele simplesmente me agarrou pela cintura, chocando os lábios contra os meus e acabei rindo do desespero dele. Danny arqueou uma das sobrancelhas, me beijando, enquanto segurava firmemente em minha cintura e passei os braços ao redor do pescoço dele. Enfiei os dedos em seus cabelos, quando Danny me apertou contra ele e nos selamos parando o beijo. Ele sorriu e passou a mão em meu rosto.
- , desculpa a demora. – Danny começou a dar beijinhos por todo o meu rosto, enquanto eu sorria abobada.
- Tudo bem, Dan! Se preocupa não, mas é que... – minha frase foi cortada ao meio por um berro do Dougie.
- Bonito pra cara de vocês! Há quanto tempo vocês estão se engolindo escondidos? – arregalei os olhos com o engasgo e Danny soltou uma gargalhada estridente.
Em poucos segundos, todo o pessoal que estava na cozinha apareceu na sala pra ver porque o Doug gritava tanto, o que me fez ficar vermelha de raiva, com vontade de bater na cara dele. Quando percebi que todo mundo me olhava, ou melhor, olhava pra Danny abraçado a mim, a vontade foi de sumir do mundo. Harry fez uma careta tão engraçada que se eu não estivesse com vergonha, eu tinha rido muito dele. Já as Jones e estavam com um sorriso mais do que irritante no rosto,aquela coisa chata e cheia de razão, enquanto Tom e Dougie riam feito duas hienas junto com Danny Idiota Jones.
- Danny, que porra é essa dude? – Harry perguntou com a voz tão esganiçada, que me fez rir, mesmo sem querer. – ! Sorte sua que o pai está no consultório e a mãe no mercado.
- Ow! Calma cara! – Danny estendeu uma das mãos. – Nós estávamos só matando a saudade... E respondendo sua pergunta Dougie, há três meses dude! – ele disse rindo e dei um tapa no peito dele.
- Não estamos nos engolindo, Dougie. – fiz uma careta horrenda.
- Não era o que parecia, quando entrei aqui. – ele deu de ombros, com um sorriso superior e irritante. Danny riu e beijou minha cabeça.
- Antes que você fique me enchendo o saco, Harry. Eu gosto sim da e é por isso que estamos ficando. – Danny falou e sorri mesmo querendo prender.
- Eu sabia que essa história de amizade não ia dar em boa coisa. – meu irmão falou passando a mão nos cabelos e andando de um lado pro outro.
- Oh Harry se acalma, para de dar piti! – o repreendi. – Isso não é nada demais. Nós não contamos porque não queríamos que vocês ficassem nessa coisa chata, mas pelo visto agora vai ser duas vezes pior. – suspirei frustrada, sabendo que as zoações ficariam vezes pior.
- É Srta. Jones, você tem razão! – se pronunciou pela primeira vez, sendo abraçada por Dougie, mas e eu preferia que ela tivesse ficado calada.
- Ah tá! Falou a Poynter. E vocês aí não ficam pra trás, pensam que eu não sei dos casaizinhos formados! – tentei revidar o constrangimento, mas o fato de terem nos pegado no flagra, deixava tudo mais complicado em umas dez vezes.
Sendo assim, a tarde foi curta pra tanta piada que eles tinham atormentar nosso juízo, eu expliquei para as meninas o porquê de eu não ter dito nada pra elas, aliás, para ninguém. E acho que Jones deve ter se explicado para os garotos, porque o Harry disse que tudo bem, mas se ele fizesse algo de errado, ficaria sem dentes. Porém, o Jones tem juízo. Assim espero.

Flashback's off

E, como todo adolescente, nós crescemos, obviamente. Subentende-se que temos maturidade suficiente pra nossa idade, mas só subentende-se. Os meninos deslancharam com o McFLY, que de início era apenas uma banda de garagem e hoje é uma das maiores e melhores do mundo. Sou fangirl mesmo e não me arrependo disso. A virou uma estilista famosa, depois de terminar a faculdade na França, o namoro com o Harry só ficou mais sério e sólido, então foi crescendo e crescendo e estão onde estão hoje. A é a gênia dos computadores da Apple, isso mesmo, aquela cabecinha de nerd trabalha em uma das maiores empresas de computação e telefonia do mundo, sem falar que foi a primeira do quarteto a se casar. Adivinha com quem? O Tom. Claro. virou modelo das marcas da , e mesmo depois de ter terminado fotografia, ela decidiu que fazer os dois trabalhos era melhor pra ela. Há cerca de um ano e meio, engatou no namoro com o Dougie – e sim, eu revidei as piadinhas quando soube dos dois. Eu terminei medicina em Cambridge e fui embora pro Brasil. Por quê? Uma que eu gostei da proposta do trabalho, novos ares, novos conhecimentos e outra, o meu pseudonamoro com o Danny não deu muito certo e achamos melhor terminar para não sair nem um dos dois machucados da história toda. Sendo que a gente nem se afastou tanto, mas foi depois do casamento da - onde eu aprontei - que eu perdi o total contato com ele. Então as coisas ficaram meio complicadas e eu achei melhor ficar longe. Mas como nem tudo são flores, agora aparece esse casamento do meu irmão para me fazer querer me enterrar de tanta vergonha do Jones.
Enquanto eu devaneava nos meus pensamentos decidindo se eu ia ou não dar o bolo no casamento do Harry – e as chances estavam mais pra sim do que pra não –, meu celular escandaloso começa tocar na mesinha de centro perto do sofá onde eu estava. E adivinha? Me assustei. E o que aconteceu? Caí sentada no chão. Sim! caiu de bunda no chão por causa de um celular. Levantei e sentei no sofá, tomando o celular em mãos.
- Alô? – Atendi sem olhar o identificador de chamadas, já sabendo quem me ligava.
- Oiiiie! falou toda animada
- Diga, cunha querida!
- Recebeu o convite? Diz que ‘ta lindo! Você vem, não é? – ela me entupiu com perguntas, falando bem rápido.
- Sim, recebi. Realmente está muito lindo, você tem bom gosto. Mas, porém, contudo, entretanto e todavia... Não sei se vou. – me encolhi, esperando ela dar um ataque.
- Como não, ?! Você tem que vir, não dá pra casar sem você aqui. E deixa de ser idiota, o Danny nem lembra mais do que aconteceu. – ela disse e eu tenho certeza que fez cara de cachorro que caiu da mudança.
- Olha, dá pra você casar sim, porque o Harry é quem é o noivo. E outra coisa, duvido muito que ele tenha esquecido. Mas me conta, como anda a senhora Fletcher? Tem tempo que não falo com ela. – Eu e minha habilidade de mudar de assuntos.
- Retardada. – nós rimos. – A ‘ta bem, você sabe, ela e o Tom se entendem muito bem. – rimos de novo. – Esses dias ela estava meio estranha, querendo comer o mundo. Mas fora isso eles estão demasiadamente bem e felizes. Espero que comigo e o Hazz também seja assim. – ela disse abobada.
- Awwnnnn.... – falei que nem menina fresca. - Claro que vão, vocês são uns lindos. Dois idiotas legais. – ela com toda certeza tinha revirado os olhos.
- Obrigada, meu amor. - ouvi uma movimentação. – E você também é idiota. – ri esparramada no meu sofá, enquanto alguma coisa passava na TV. – Já vou indo, Harry. Manda ele esperar. – ela disse longe do telefone, depois voltou a falar comigo. – Ei , eu vou precisar desligar, porque o Harry chegou agora aqui. Depois eu te ligo pra gente conversar mais. E pense com carinho, ou então terei que apelar falando pra sua mãe, nós realmente precisamos de você aqui.
- Tudo bem, , prometo que vou pensar, mas apelar pra mama? Aí já é covardia. Beijos pro casalzinho vinte aí. Amo muito vocês!
- Beijos, , nós também te amamos! – Ela se despediu e antes de desligar o telefone, pude ainda ouvir o Harry conversando com alguém e sim, era o Danny, aquela voz dele é inconfundível.
Eu realmente fiquei pensando no que a falou, me tirando o sono por um bom pedaço da noite. Remoer coisas do passado dá nisso. Pensar em como seria hoje se não tivesse acontecido, ou se ele não tivesse me ignorado quando fez a escolha. Era o que tirava o meu juízo naquele dia. Já tinha prometido pra mim que não ia pensar em mais nada que envolvesse isso, mas era bem difícil quando se recebia um convite de casamento, em que por mais que você brinque, sabe que é necessária a sua presença e você não faltaria nem se quisesse. Uma das possibilidades era trocar o apadrinhado, mas eles não iam trocar. Será que Jones esqueceu aquela palhaçada? Já faz mais de um ano.
Mordi o lábio, pensativa e uma coragem estranha tomou conta de mim. Só tinha um jeito de saber e era ligando pra ele, mas já fazia tempo que a gente havia perdido o contato e não tinha mais cabimento eu ligar pro Daniel. A coragem se esvaiu ligeiramente de mim. Era só eu querer ligar que ele ia me atender. Mas, como sempre, eu tinha que ser uma lerda medrosa e estragar tudo.
Pensei tanto que acabei pegando no sono no sofá mesmo.

Capítulo 2

Acordei por volta de três horas da manhã, onde eu tinha sonhado com o tempo em que tudo era mais fácil e eu morava perto das pessoas que amo. A minha adolescência. E como a me disse que queria que eu fosse para o casamento, eu realmente tinha que ir, não só por ela, mas porque se eu não fosse, a família Judd ia me buscar onde quer que eu estivesse. Vamos ! Tome coragem, um dia você vai ter que enfrentar o Daniel. E se isso vai acontecer, é melhor que aconteça logo. Sem falar que faz tempo que eu não vejo o resto do pessoal. A minha mãe! Ai que saudades dos meus pais. É , não parece ser uma ideia tão ruim voltar lá. Então está decidido. Eu vou. Tenho que parar de ser criança e aceitar os fatos, ele não deve nem lembrar mais do acontecido.
Voltei a dormir, ou melhor, tentei, com a intenção de no outro dia começar a resolver tudo. Como acordei com a decisão já tomada, foi bem menos complicado de resolver tudo. Resolvi o problema de comprar as passagens, as férias pendentes que eu tinha com o hospital. E encaminhei meus pequeninos para outra pediatra, não podia deixar tudo à própria sorte, é preciso planejamento para que as coisas deem certo. Com tudo já bem encaminhado, liguei pra pra combinar a chegada surpresa. Isso mesmo, pedi pra ela avisar que não ia dar pra eu ir, porque o hospital não queria me liberar e aquela coisa toda.
, porque você não ligou para as outras meninas?” Não é que eu não confie, mas é porque o Jones ia ficar sabendo, acredite, ele pode ser bem convincente quando quer. E se ele soubesse, ia render várias ligações e só estou a fim de falar com ele quando chegar lá. Resolver tudo de uma vez, sabe? Pra ver realmente se é, ou não é.
Então aquela foi a semana mais longa e a mais curta da minha vida. Sete dias tornaram-se tão longos e tão curtos ao mesmo tempo que chegava a dar uma agonia. Mas tudo ocorreu direitinho, o hospital concordou com as férias – que por sinal eram quase dois meses –, consegui as passagens rapidinho. Apesar de ser começo de dezembro e as coisas serem meio loucas e corridas, quando se tratam de viagens. Aeroportos lotados, filas enormes e gente pra todo lado. Mas é por uma ótima causa. Eu sempre repetia isso.
E até onde me contou, o pessoal todo acreditou e eles ficaram putos da vida. Disseram que eu não podia fazer isso, que era a maior traição, que isso não se fazia com os amigos e blá blá blá. Recebi até um telefonema conjunto da , e Harry me dando maior bronca porque teoricamente não ia para o casamento.
- que história é essa de você não vir pro casamento? – mas a estava indignada.
- Ow! Calma aí little Fletcher, não tenho culpa se o hospital não quer me liberar...
- Aaaah , mas você tem sim, já sabia do casamento e já era pra ter resolvido isso. – agora foi a vez da falar. Já disse que odeio viva voz?
- Olhe garotinha, eu não tenho culpa se você andou fazendo besteira no casamento da . Esse é o meu. Eu quero você aqui! E antes que você pergunte, não vou mudar nada e você vai ser madrinha com o Jones sim. Deixa de ser criança, . – Harry, eu ainda te mato, seu doido. Parece uma coisa, sempre tocando nesse assunto, que saco!
- Olha gente, eu já falei que não vai dar pra ir, então conformem-se, ou não. Bye, beijos e amo todos vocês. – respondi e eles murmuraram alguma coisa e desligamos o telefone. O Harry me irrita às vezes.
Depois disso até mamãe ligou pra brigar comigo, dizendo que se danasse o hospital, que meu lugar era lá perto dela e que eu tinha que ir pro casamento do meu irmão. Mal sabem eles! Sem falar das mensagens do Dougie.

Dougie: AAAh ! Você pensa que eu não sei? Você está de gambiarra com os Jones e vai vir pra esse casamento.
: Ta doido garoto? Você acha que eu ia fazer esse tipo de coisa? Não tenho mais 17 anos! Bejoos e se cuida.
Dougie: Não pense que você me engana. Aí tem coisa. Você sabe esconder as coisas muito bem Srta. Jones! Bjos e se cuida tbm!

Rolei os olhos. Era incrível como eles ainda enchiam o saco me chamando de Mrs Jones.

Finalmente o dia chegou, foi tudo uma verdadeira correria. Encaminhamentos, documentos, despedidas, preocupações, frio na barriga, nervosismo. Simplesmente tudo ao mesmo tempo, mas já estou dentro do avião e começando a me arrepender.
Onde eu estava com a cabeça em pensar que seria uma boa ideia voltar e que o Danny não lembraria mais? Não sei, garota da cabeça oca, parece que não pensa. É claro que ele lembra e principalmente na situação que tudo ocorreu, Danny é o tipo de pessoa que não se atenta muito às coisas, mas isso que aconteceu é bem fácil de lembrar. Calma , você não está indo por ele, você vai por seu irmão e sua cunhada, sua mãe e seu pai também.
Agora não tem mais volta. Londres, here we go, ou melhor, aí vou eu!
Como não sabia como estava o clima de lá – mentira, Londres essa época do ano é pior que geladeira –, então resolvi pôr uma calça jeans, uma blusinha amarela básica de mangas longas e com um desenho meio louco em preto, minhas botas de montaria pretas e deixar meu sobretudo grafite, que ganhei da mamãe no natal, sempre a mão caso fosse necessário. É bom se sentir confortável em uma viagem tão longa. E antes que a aeromoça pedisse pra gente desligar os telefones, eu recebi uma mensagem.

“Wanna put it back together, cause it’s ways better late than never.”
(Agora eu quero juntar isso novamente, porque sempre é melhor tarde do que nunca).

Mas o número era desconhecido e eu fiquei sem entender, talvez tenham mandado para o número errado, deve ter sido engano. Com absoluta certeza foi engano.
Continuei encarando o celular, aquela frase me era familiar, muito familiar. Ei, espera aí! Eu conheço essa música, conheço muito bem. Como também a banda que toca e um dos compositores. Não! Não era possível. Ele não faria isso. Ou faria? Um questionamento que eu não ia ter resposta por enquanto.

A viagem passou tranquila, dormi quase todo o percurso e se desse tudo certo, dali a uma hora eu estaria pisando na minha terrinha querida. Inglaterra. Londres. O meu lugar. Mas uma coisa ainda me fervia os miolos, a mensagem. Porque será que Danny me mandou aquela mensagem? Se é que era ele, não é? Porque, até onde eu sei, o cara ainda está com aquela azeda da namorada dele. E pra todos os efeitos eu não iria para esse casamento. Não foi ele, porque como ele vai querer juntar “isso” se era pra eu estar no Brasil? Meio que descartei a possibilidade da minha mente, mas ao mesmo tempo mudei de ideia por recordar o que já acontecera entre a gente. Muita coisa, coisas maravilhosas, coisas nem tão boas assim, mas mesmo assim foram momentos bem vividos. E pensando bem nisso, foi ele sim! O Jones é louco o bastante para querer ir atrás de mim lá! Bom, mas o que me resta é esperar e saber o motivo de tudo isso.
Fui acordada dos meus pensamentos com o piloto pedindo que todos colocassem os cintos, pois ele já ia pousar. Quando olhei pra janelinha pude ver Londres ao longe e lágrimas se formaram no canto dos meus olhos. Como é bom estar em casa. E eu espero profundamente que a já esteja no aeroporto me esperando, porque não estou a fim de ficar mofando por lá.
Como sempre, teve toda aquela burocracia pra recolher a bagagem e ver se nada tinha sido extraviado, saí da sala de embarque e não precisei nem procurar, de longe eu já podia ver. estava lá, me esperando, os cabelos estavam mais curtos desde a última vez que a tinha visto, mas ainda continuava com aquela cara de criança, embora fosse mais nova que eu só um ano. Quando ela me viu começou a gritar.
- ! – ela veio correndo em minha direção.
- ! – arrastei minhas malas e fui ao encontro dela. Parecíamos duas doidas gritando em um aeroporto e nos abraçamos como duas amigas que realmente passaram muito tempo sem se ver.
- Meu Deus como você está linda! – Eu falei soltando do abraço.
- Você também não fica atrás. Está gatona! - ela disse olhando pra mim. – Está muito gata! Mas vamos sair daqui, porque a namorada de um McGuy e a irmã de outro é um prato cheio para esse povo. – Ela falou e foi me arrastando na direção do estacionamento.
Nós não conversamos muito no caminho até o carro, tentamos ser o mais discretas possível depois da gritaria dentro do aeroporto. Estava um solzinho bom e um friozinho gostoso. Que nada, era dezembro, estava frio mesmo. Quando chegamos ao carro, que era um conversível muito lindo – o qual eu não lembro a marca – guardamos as malas e fomos conversando o caminho inteiro sobre todo o tipo de coisa possível. Ela perguntando como tinha sido esse tempo que eu passei no Brasil, falando das praias, cultura, música, sobre o fato de os meninos já terem ido lá. E lembro-me bem, em uma das primeiras vezes, ela os acompanhou como fotógrafa da banda. Também perguntou sobre a beleza dos brasileiros... enfim, sobre tudo. E quando a gente já estava bem entretida, um toque irritante começa a tocar.
- Atende aí . É meu celular. – Ela falou concentrada no trânsito.
- É número estranho. Posso atender mesmo assim? – perguntei olhando pro número e achando familiar.
- Pode sim! - e eu atendi. - Deve ser o Danny, o abestado perdeu o celular essa semana e foi preciso trocar o número. – eu já tinha atendido e arregalei meus olhos.
- Alô? Alôô! ! - ele disse impaciente pela demora. - Kress! Deixa de brincadeira e fala comigo! – Ai meu Deus era o Danny. O que eu ia fazer? Ele conhece a minha voz. Respira , você vai ter que responder.
- O-oi! – eu tenho que gaguejar. Idiota. E a rindo da minha desgraça enquanto dirigia.
- Dude, o Dougie ta aqui morrendo porque você… – Ele falou bem rápido e depois percebeu que não era a Espera aí! ? O que a ta fazendo com você? Ou melhor, o que você ta fazendo com ela? – É ? Agora responda! Meu Deus a voz dele ainda continuava a mesma.
- Bom, é... Oi pra você também Danny! – Eu e minha habilidade de despistar os outros. SQN.
- Ah! Oi ! – Ele respondeu sem graça, mas continuou falando. – Mas agora me responda, eu te conheço, você ta querendo me despistar. – é, ele me conhece. Eu já estava ficando pálida. A Sorte foi que parou o carro e tomou o celular da minha mão.
- Olha Jones, a garota ta cansada da viagem... sim... é... ela ta aqui comigo sim. Para de encher o saco, depois você fala com ela. – enquanto isso eu prestava atenção em e negava com a cabeça quanto a conversar com ele depois.
- Ah! E diz pro Dougie que eu chego já. Eu sei que você ligou pra mim porque ele tava te enlouquecendo aí. Beijos, tá eu mando. – Quando desligou ela olhou pra mim com uma cara de “cara ele ta tão na sua!”.
- O que é? - eu perguntei desconfiada.
- Nada! – falou inclinando a cabeça. – Só o Jones que mandou beijinho pra você. Ah! Grava o nome dele nesse número aí pra mim, sempre esqueço. – Ela falou me entregando o celular e voltando a ligar o carro.
- Ai , para com isso. Esse beijo foi só pra não perder o costume. – falei pegando o celular dela.
- Olha , você sabe que não foi só isso. E não negue que você sente algo por ele. – ela e sua habilidade de me calar. Abri a boca pra responder algo, mas foi inútil. Preferi ficar calada.
E sim, ela estava com aquele sorrisinho de lado. Aarg!
Peguei o celular dela pra gravar o nome do Danny e não aguentei a curiosidade de conferir o número da mensagem que eu havia recebido e ver se era o dele. Sim! Era o número dele.
Que palhaçada é essa, Danny? Como assim você quer voltar atrás? Como assim não... Mas se bem que depois do que aconteceu, esse era o mais provável, mas eu sou tão exagerada que levo tudo ao extremo do extremo. Eu quero voltar, ele eu não sei, mas eu não sei o que pensar. Passamos tanto tempo sem se falar que é meio complicado. Respira , respira. Preciso conversar com ele, porque pelo visto ele não esqueceu. Salvei o número no celular dela e queria perguntar muita coisa, mas preferi ficar na minha. Acho melhor me atualizar quando o quarteto se juntar de novo.

Danny’s POV

Dude como foi bom ouvir a voz da , mas saber que ela veio foi melhor ainda. Agora eu sinto que as coisas vão se acertar, preciso conversar com ela. Preciso muito, tem coisas que você não esquece e eu mesmo não esqueci, nem vou esquecer. Bom, Jones, agora é a hora em que você faz as coisas certas. Ela chegou, na verdade ela veio, disse que não vinha, mas veio. Mas será que o resto do pessoal já sabe? Acho que não, as meninas são boas em guardar segredo. Não sei se ligo pro Harry ou vou pra casa dos Judd.
- DANNY! – Dougie gritou, sacudindo a mão na frente do meu rosto e me acordando.
- Hã? Que foi cara? – afastei a mão dele.
- “Que foi?” pergunto eu. O que a disse? E por que você tava falando com a ? – Depois eu que sou o lerdo.
- Kress disse que você não se preocupasse que ela vinha pra cá. E pelo que eu entendi, a deu a volta na gente e chegou hoje aqui em Londres. Vai dude, levanta, nós vamos pra casa dos Judd! Aproveita e liga pro Harry avisando que a chegou. - Falei, já andando em direção à porta do apartamento do Dougie.

’s POV

Depois do telefonema, eu sabia que o Danny ia avisar o resto do pessoal que eu tinha chegado, ele sempre, sempre foi o mais bocão dos quatro. Quer guardar segredo? Não conte a ele. Então a gente achou melhor ir direto pra casa dos meus pais. Tenho quase certeza de que a gangue está toda reunida por lá. Mamãe, e devem estar surtando. Quero ver a cara do Harry e do Tom quando me virem e dessa vez o Poynter estava errado, eu não tava de gambiarra com os Jones, era com a namorada dele mesmo.
À medida que íamos chegando perto da minha casa, lembranças voltavam à minha mente, o lugar em que eu cresci, vivi, dei uma de garoto junto com o meu irmão, briguei infinitamente com o Daniel e fiz as melhores amizades que alguém poderia ter. Sim, a minha casa era um lugar maravilhoso, eu ia finalmente rever as pessoas que amo.
Depois de virar a esquina, pude ver o bairro em que fui criada, ficava um pouco mais afastado do centro, mas sempre tinha de tudo que a gente precisava, tudo mesmo, até cinema tinha por ali. Não mudou nada, na verdade pouca coisa, mas a essência ainda era a mesma, tudo muito pacato, bem arborizado, as casas todas no mesmo estilo, só que em cores diferentes, os gramados, as garagens, alguns velhos conhecidos e o mesmo cheiro bom de lembrança.
Como já era por volta de umas 16h00min, pude ver também várias crianças passando com o uniforme do colégio em que eu estudei, o Lions High School. Cara, aquele uniforme era horroroso, blusa social, saia plissada – eco –, meias três quartos e sapato preto. Ninguém merece. Aquilo era uma afronta... não sei nem explicar. Como se os meninos não ficassem debaixo das escadas. Tudo seria muito mais fácil com calças. Mas tudo bem, já passou, essa minha fase de colegial já passou, graças ao meu bom Deus.
De longe avistei a minha casa, ainda na mesma cor bege clara, janelas de madeira, chaminé ao lado, o telhado meio roxo, a grama, tudo como eu tinha visto. A minha casa era a mesma, ao lado podia ver a casa dos Jones – por isso a gente vivia um na casa do outro –, no fim da rua ficava a casa que era a do Tom – até onde sei, os pais dele se mudaram pra o outro lado residencial da cidade – e no outro quarteirão ficava a casa da mãe do Dougie, e vizinha, a casa de , ele mesmo morava em um apartamento bem longe daqui. Ela foi dirigindo e um sorriso enorme se formava em meu rosto.
Em frente à minha casa, um Jaguar tinha acabado de estacionar. Como assim um Jaguar? O papai comprou um Jaguar? Desde quando? Ele gosta de carros clássicos – a Mercedes está como prova disso –, deve ser do Harry, porque... Mas não consegui concluir meu raciocínio. Por quê? Adivinha quem saiu do carro todo lindo e perfeito usando uma calça jeans mais justa, converse meio cano azul marinho e uma camisa branca de manga curta, me causando reviramentos profundos? Uow! Ele tinha terminado de tatuar o braço esquerdo todo, estava completo, Danny tinha ódio mortal das sardas, mas eu achava maravilhoso. O cabelo ainda em um estilo meio militar, curto dos lados, maior em cima e para completar a minha agonia, usava óculos escuros Wayfarer, aquele mais quadrado. Meu Deus, que homem Sexy!
- . Fecha a boca, você vai babar. – passei as costas da mão no canto da boca, ela riu, olhei fuzilando . - E nós vamos estacionar, não quero você me envergonhando na frente do Jones. – Ela riu com deboche. Dei língua.
- Grande coisa.
- Pra você sim. – o que eu fiz? Apenas ri sem graça, ela tinha absoluta razão, eu estava quase babando mesmo.
Paramos o carro atrás do Jaguar do Jones. Eu congelei completamente. Eles já estavam para tocar a campainha quando perceberam o conversível da estacionado e começaram a vir em nossa direção, eu com o vidro baixo e vendo os meninos, o Dougie com uma cara de “Ah , eu sabia que você estava armando” e o Danny com aquele sorriso lindo e largo – nossa! Ele está usando aparelho –, que fez meu coração quase sair pela boca e um frio tomar conta da minha barriga. Para com isso , afinal, quantos anos você tem? Catorze?
- Ele está usando aparelho? – perguntei a sem olhá-la.
- Sim, colocou no começo desse ano. – ela respondeu e sorri mais. Ele de aparelho era mais perfeito ainda. Quando me dei conta, nós já estávamos fora do carro e o Poynter me abraçava.
- É , eu disse que você não me enganava! – ele disse rindo e ri também. – E aí, como você está? Eu tava com saudades, sabia? – disse ainda me abraçando.
- Você virou detetive, foi? – eu ri. – Estou bem e também tava morrendo de saudades! – falei e ele me soltou pra falar com a namorada, dando espaço para que o Danny pudesse falar comigo, quando o vi sorrindo, sorri também.
- Acho que agora é minha vez. – disse timidamente, me abraçou forte, me tirando do chão, e beijou minha mandíbula, acho que na intenção de beijar minha bochecha, mas aquilo me causou um arrepio bom no pescoço. Aquela sensação do abraço dele me levou de volta à nossa adolescência. E meu coração que quase saía pela minha boca, agora esmurrava meu peito de um jeito que eu tava com medo de ter um treco. Quando ele me colocou no chão, rompendo o abraço, ficou me fitando com aqueles belos olhos azuis e tenho certeza que eu tava parecendo um pimentão de tão vermelha. Efeito Jones.
- Tudo bem com você, ?
- Sim... – respondi minimamente, ele colocou a mão no meu rosto e lutei pra não fechar os olhos. Sentir o toque do Danny outra vez, o cheiro, ouvir a voz, era tudo tão maravilhoso e surreal.
- Senti muito a sua falta! – na boa, não deu nem tempo de responder, a e o Tom chegaram vindo falar comigo.
- Oh meu Deus! ! Tom! – Saí correndo e pulando em cima da , tendo como resultado nossa queda catastrófica bem na hora em que o Harry chegou junto com a . Resultado? Todo mundo rindo da nossa cara, ou melhor, da nossa queda.
- quem te deu o direito de esconder isso da gente? – Disse enquanto eu falava com o Tom.
- A mesma pessoa que deu o direito dela esconder o namoro com o Danny naquela época.
- Oi Harry! Também senti sua falta, sabia! – Falei irônica e pulei no meu irmão o abraçando o mais forte que pude.
- Cadê minha amiga que vai ter que te aguentar pelo resto da vida, hein? – perguntei, me soltando do Harry e pulei em cima de , só não caímos porque ele e Danny nos seguraram, mas rendeu boas risadas.
- Meu Deus, garota, que saudades! E por que aquela palhaçada toda de dizer que não vinha? – sempre um amor.
- Queria deixar vocês assim com a minha surpresa. Mas gente, vamos entrar que eu estou louca pra ver a minha mãe! – abracei de lado. Os meninos me ajudaram com as malas, que estavam no carro, e fomos caminhando até a porta. As meninas todas do meu lado e estávamos abraçadas. Bom, e agora parece que o quarteto estava de volta, nem que fosse por tempo limitado, as coisas com certeza iriam se resolver.

Capítulo 3

Quando entrei em casa, meu coração ficou mais confortável, absolutamente. Era incrivelmente bom, poder voltar à casa de seus pais, mesmo que para passar tão pouco tempo, mas você só sabe o quanto sente falta das pequenas coisas, quando vai embora pra outro lugar, principalmente se for outro país e do outro lado do mundo. O melhor ainda era saber que todos os meus amigos ainda estavam ali e mesmo que Jones tivesse saído há tempos, da classificação “amigo” na minha lista, mesmo que não estivéssemos totalmente de bem, eu sabia que as coisas iriam se resolver, eu tinha consciência disso, só realmente não sabia se o resultado seria bom ou ruim.
Minha casa estava completamente decorada para o Natal, sim, completamente. Juro que não é exagero. Exagero era a árvore enorme no canto da sala, cheia de enfeites e embrulhos, bem como as meias penduradas na lareira, uma para cada um da casa e cada um dos meus amigos, meus pais tinham aquela mania desde quando éramos mais novos. Eles penduravam meias na lareira para todos nós. Algumas almofadas em vermelho e verde, espalhadas no sofá bagunçado, denunciavam que meu pai deveria estar por ali, lendo algo, ou vendo TV, o que me fez sorrir involuntariamente. O cheiro maravilhoso de doce, que eu tinha certeza vir da cozinha, me fazia parecer algum personagem de desenho animado, quando sentia o cheiro da comida preferida, era como se o aroma de cookie conseguisse me levar voando até o forno. Mas logo fui tirada do meu momento “mágico”, quando ouvi as risadas dos meninos, reclamando por minhas malas serem mais pesadas que o esperado. Olhei pra eles e como uma criança mimada, mostrei a língua pra todos quatro, que aumentaram mais a risada.
- Vocês parecem galinhas de tanto barulho que fazem! – disse querendo pagar de séria, mas depois de se dar conta do que havia falado, soltou uma gargalhada, nos fazendo rir junto.
- Que barulho é esse aí na... – ouvi a voz da minha mãe e olhei de uma vez pra porta da cozinha, ela parou de uma vez quando me viu e começou a piscar os olhos repetidamente, apertou a boca em uma linha fina e me abriu os braços. Joguei minhas coisas no chão e corri até ela, abraçando-a o mais forte que pude. – Que bom te ver, meu amor. – minha mãe segurou meu rosto, verificando se eu ainda continuava a mesma, depois deu vários beijos em minha bochecha. Respirei fundo, tentando controlar o choro que já escorria por meus olhos e a abracei forte novamente. – Marrie Judd! – ela quis me dar uma bronca, mas acabei rindo, mesmo ainda estando chorando. – Não acredito que você fez isso!
- Eu fiz. – falei rindo e beijei e bochecha dela. – Quis dar um sustinho em vocês. – fiz uma micro careta e ela rolou os olhos.
- Achei que fosse preciso mandar o Harry ir te buscar. – nós rimos. – Na verdade eu já tinha planejado todas as datas, daí não tinha o que você recusar.
- Rachel, que bagunça é essa aí em baixo? – ouvi a voz do meu pai e olhei pra escada.
- Venha você mesmo ver, Adam. – minha mãe disse e me soltou, deixando apenas o tempo de eu vê-lo e logo pular em seus braços, o abraçando tão forte, quanto eu abracei minha mãe.
- PAPAI! - gritei e beijei o rosto dele.
- Oi, minha princesinha! - ele me abraçou, falando aquele maldito apelido que me perseguia desde a minha infância. Veja bem, eu não tenho raiva do apelido, o problema era que o Jones me roubava a paciência por causa desse apelido. – Estava com muita saudade, não faça mais isso. – ele beijou minha testa. – Volte para cá, conheço vários lugares que adorariam ter um Judd trabalhando nele. – meu pai sorriu ao repetir aquela velha história de que eu deveria voltar para a Inglaterra.
- Depois a gente conversa sobre isso, tudo bem? – perguntei, soltando o abraço, e ele acenou a cabeça, afirmando.
- Tudo bem. – ele riu e beijou minha cabeça. – Mas só em te ver chegando em casa sozinha, sem nem um marmanjo pregado no seu pé, já está de bom tamanho. – olhei com uma sobrancelha arqueada para meu pai e vi que ele encarava Danny, quando olhei para o guitarrista à minha frente, ele parecia pálido, o que me fez reprimir a vontade de rir e balancei a cabeça negativamente.
A conversa perdurou por um grande pedaço da tarde e nos acomodamos todos na cozinha, como tínhamos o costume de sempre fazer, eu e Harry estávamos na bancada, com ele me abraçando pelo pescoço. Sim, nós sentíamos falta um do outro, afinal fomos criados bem unidos, então quando nos víamos era assim, até passar toda a saudade, ou boa parte dela. Os cookies que eu senti o cheiro desde que havia entrado em casa tinham ficado prontos e foram servidos para todos nós, logo no pote de vidro estava apenas às migalhas, e em nós a vontade de comer mais.
Praticamente no início da noite, os quatro saíram dizendo que iriam resolver algo relacionado à despedida do Harry e isso me deixou com uma pulga atrás da orelha. Se eles iam fazer isso, nós também iríamos, mas iríamos mesmo. Porém, eu precisava me atualizar dos últimos acontecimentos e principalmente quando se tratava de Daniel Alan David Jones, então puxei, jeitosamente, as quatro até meu quarto, que ainda estava do mesmo jeito. As cores claras, com tons em bege e salmão, as coisas nos mesmos lugares, como a cama gigante no meio do quarto, uma escrivaninha branca mais ao canto e os dois criados mudos ao lado da cama, davam “vida” ao meu quarto, que já havia sido bem mais alegre do que aquilo. Sim, meu quarto já havia sido bem mais vivo, muito bem mais vivo, cheio de pôsteres com fotos de cantores e algumas capas de filmes nas paredes. Dizem que o quarto de uma pessoa reflete bem a personalidade dela e o meu era bem assim na época, só que agora ele não estava muito diferente, eu havia voltado desapegada, como o vazio do quarto esperando para ser decorado novamente. E a minha vida necessitava ser decorada novamente, mas com a presença do Danny nela.

Enquanto eu tomava banho, sentindo a água quente escorrer no meu corpo e curar de certa forma o frio daquele lugar, onde você virava picolé se saísse de regata na rua em pleno mês de dezembro. Diferente do Brasil, que nessa época do ano era muito calor, muito calor mesmo. E eu gostava do calor, mas preferia estar congelando no frio, mas perto das pessoas que amo e me fazem bem, como o que estava acontecendo no meu quarto, enquanto eu tomava banho, as meninas fuçavam minhas coisas nas malas, procurando por algo que eu não fazia a mínima ideia do que poderia ser.
- , você precisa comprar roupa. Ainda com as mesmas que você levou? Eu hein! – disse com voz de desgosto e rolei os olhos. Eu não tinha tempo nem pra comer direito, ia ter pra ir comprar roupa nova? Só na cabecinha da minha cunhada, eu tinha tanto tempo livre, porque na realidade não era bem assim.
- Eu não sou tão desocupada assim, . Eu tinha o que fazer. – falei vestindo a calça de moletom que eu havia levado junto com minha roupa para dentro do banheiro. – Mas eu também te amo. – falei rindo e também ouvi a risada delas. – Me conta, a quantas andam os preparativos para o casório? – vesti o camisão de moletom e saí do banheiro, me encolhendo por causa do frio, encontrando esparramada em minha cama junto com . – Cadê ? – fiz careta.
- Mexendo em suas coisas aqui, tinha um pôster dos Backstreet Boys que eu sempre quis, mas você nunca me deu. Ainda está por aqui? – a baixinha perguntou saindo do meu closet e soltei uma risada.
- Não sei , eu estou tão vazia e monótona quanto meu quarto está agora. – suspirei e me joguei em cima das meninas na cama.
- CREDO ! – as três disseram altamente assustadas com minha declaração totalmente depressiva.
- Mas me alegrem, me deem notícias maravilhosas. – impulsionei a cabeça pra trás com um sorrisinho esquisito, vendo e , depois sentou na ponta da cama, perto dos meus pés, deitando por cima das minhas pernas e das de logo em seguida, nos transformando em um grande emaranhado de pessoas na mesma cama. – Fala do casamento.
- Olha, está indo tudo muito bem. – riu baixo. – Mas agora vai ficar bem melhor, pelo menos estamos reunidas novamente. Até porque, ou você vinha, ou o Harry dava um siricotico e ia casar lá. – falou em um tom quase esganiçado, me fazendo rir.
- Eu sei que a minha falta era demais pra vocês. – coloquei a mão no peito, olhando pra elas de uma forma que meu nariz ficou empinado.
- Pronto, agora ela explode! – empurrou minha cabeça com a mão, me fazendo rir alto.
- Eu não vou explodir! – gritei em meio a uma risada.
- Eu não confiaria muito nisso, você já está bem inflada pro meu gosto. – acusou e tentei cutucá-la com o pé.
- Acho que preciso viver um pouco, aquele hospital me tirava do mundo às vezes. – suspirei e cocei a cabeça. – O que vocês acham de uma despedida de solteira? – olhei para minhas três amigas.
- Adorei a ideia da despedida! – levantou o braço dando joinha. – Isso fica por nossa conta! Já que somos as madrinhas. – ela disse e colocou a mão em cima da barriga. – Deu vontade de comer mais do cookie. Será que ainda tem?
- , essa ideia de deixar por sua conta não dá muito certo, na sua você deu um belo cano na gente. – Kress disse puxando uma mecha do cabelo dela e minha cunhada mais nova soltou uma gargalhada.
- Não sei se ainda tem cookie, mas concordo com . – falei rindo.
- Vocês são loucas! Eu quem não quero a despedida de solteira, nas mãos de vocês. – disse colocando os braços embaixo da cabeça e olhamos pra ela com as expressões mais tediosas possíveis. – O quê?! – ela arregalou os olhos.
- Até onde eu sei, foi a senhorita quem contratou uns quinze dançarinos para a minha. – apontou com o polegar para o peito e desviei o olhar do dela. não tinha feito tudo aquilo sozinha, a ideia de contratar os quinze, tinha sido minha e de .
- Ei! Eu não fiz tudo isso sozinha, não me culpe. Essas duas também estavam no meio. – ela apontou pra nós duas e dei um sorriso trincado.
- Mas isso é passado, me contem da vida de vocês. Me atualizem, eu estou louca pra saber como as coisas andam por aqui. – mordi a boca em ansiedade, bocejou.
- Estamos desenvolvendo um novo software, que quando lançar vai superar o que já tem no mercado. – a baixinha deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais. – E o Tom é o HD externo que faltava no meu notebook, mas isso vocês já sabem. – falou, fazendo a gente rir.
- E você , Dougie é o cartão de memória da sua câmera também? – perguntei prendendo um riso e ela me mandou o dedo do meio. – Desembucha garota! – cutuquei-a.
- Ele é pequeno no tamanho, , mas não cabe como o cartão da câmera. – ela fez cara feia e quase engasgou rindo. – Idiota. – rolou os olhos. – Mas eu estou fotografando umas publicidades aí, também fui convidada pra fazer umas fotos dos meninos da One Direction. – ela fez pouco caso, arregalei os olhos.
- Caramba! É sério isso? – ela afirmou. – A maioria das minhas pacientes, só sabem falar deles. – falei rindo.
- É sério sim. – riu. – Mas vai ser em janeiro, . E quanto ao Dougie, tenho esperança que um dia nós casemos. E só pra constar, vocês vão ser madrinhas. Não adianta dar chilique para vir, ! – bati continência como se fosse um soldado eficiente e ela riu.
- E você ? – pisquei meus olhos exageradamente e ela fechou a cara. – Conte-me tudo. – juntei as mãos.
Minha amiga rolou os olhos, entediada. Não é como se eu quisesse saber de tudo sobre os dois. Obvio que não, mas sim, eu queria mesmo era envergonhar minha cunhada, sabendo principalmente que ela estava praticamente morando com meu irmão há uns dois meses.
- Claro que eu não vou contar tudo , principalmente detalhes da minha vida e com o seu irmão. Uhum, vai sonhando! – ela deu uma risada incrédula.
- Ugh, nojinho de vocês. – fiz careta enrugando o nariz. – Você leva tudo pro outro lado, credo! – fiz cara de nojo e as meninas gargalharam. – Quero saber como você aguenta aquela criatura sem bater ou mata-lo.
- Porque eu o amo, sua abestada. – rolou os olhos. e riram da minha cara. – Mas e você dona Judd? – pergunta errada. PEN!
Ela cutucou minha cabeça, engoli em seco.
- O quê? Eu? – apontei paro peito.
- Sim Judd, você. – reforçou, suspirei fazendo uma careta.
- Como anda o seu status de relacionamento, fora ser apaixonadamente espedaçada pelo meu irmão? Com o cara lá não deu mais certo? – perguntou e neguei com um aceno.
- Não, não valia a pena tentar de novo, eu nem gostava dele o bastante pra isso. É complicado, existem pessoas que não conseguimos esquecer com tanta eficácia, mas eu pelo menos eu tentei seguir a minha vida. – dei de ombros e ficou aquele silêncio esquisito. – Sigam com o assunto... – meneei a mão.
- Tudo bem! – disse. – Por que você só avisou a que vinha? – ela mexeu em meu cabelo.
- Sério ? Jura que você não sabe? – e falaram quase ao mesmo tempo.
- Danny! – elas responderam e eu levantei o polegar em afirmação, ainda deitada.
- Daniel se faz de lerdo pra passar bem, ele iria descobrir antes mesmo de eu me organizar para vir. – cocei testa. – Eu sei lá, não sei se foi uma boa ideia ter vindo.
- OI? – as três praticamente gritaram em meu ouvido. – Qual o seu problema, ? Você tem que falar direito com ele, menina! – falou em alerta, praticamente me dando bronca. Fiz cara de choro.
- Meu problema é aquela loira de farmácia. Apenas esse. Exclusivamente esse. Juro que não tem outro. – falei indignada causando uma crise de riso nas três, me deixando totalmente confusa. – O que foi?
- Eu concordo com a . E só isso que eu digo! - riu, apontando pra Fletcher.
- Ah claro, porque é tudo muito fácil assim! – falei me sentando com dificuldade. – Primeiro porque os dois ainda estão juntos, ou seja lá o que eles tenham. – vinquei as sobrancelhas. – Outra que eu vou sequestrar o irmão de vocês e mantê-lo em cativeiro. Uhum, vou sim.
- Olha, eu garanto a você que ele não reclama. – gargalhou, fiz uma careta.
- Idiota! – rolei os olhos, mas acabei rindo. – Vocês acham é só chegar e falar numa boa? Não mesmo, depois do que eu fiz, não tenho nem coragem de olhar direito na cara dele. – falei com uma agonia dentro de mim.
- Você fala como se tivesse cometido um crime. – rolou os olhos. – Qual é ? Você não fez nada demais, só falou o que sentia.
- Mas o problema foi a loira! Ela chegou destruindo meu sonho com apenas uma frase. Foi triste. – me joguei na cama mais uma vez e bati com a cabeça no ombro de . – AI! – gritamos ao mesmo tempo.
- Então sorria, se alegre. Não tem mais loira na jogada! – piscou e arregalei os olhos.
- Mas oi? Como assim não tem mais? – perguntei alarmada e sentei outra vez na cama, com os olhos arregalados.
- Não tem mais, Jones está livre, desimpedido há quase dois meses. – levantou dois dedos. Arregalei os olhos mais ainda.
- Agora eu entendo o porquê daquela mensagem. – eu me encontrava estática. Sim, Jones era louco e eu não tinha mais nenhuma dúvida disso. – Merda, eu preciso falar com o Danny. – tirei minhas pernas que estavam debaixo de e passei por cima de , ficando em pé no chão de carpete, começando a andar de um lado para o outro.
- EI! EI! – as meninas gritaram. – , explica essa história direito. Que coisa de mensagem é essa? – sentou de uma vez na cama, esticando as mãos e as outras duas garotas voltaram à atenção para mim. – E você só vai falar com o Danny depois que explicar tudo direitinho à gente.
Respirei fundo e contei toda a história que envolvia a mensagem, desde a minha falta de coragem em ligar pra ele, mesmo depois de tantos anos e sabendo que Danny me atenderia sem nem pestanejar, até a mensagem que recebi dentro do avião. No começo eu havia ficado mais confusa do que nunca, não que eu não estivesse confusa naquele momento, mas pelo menos eu conseguia ter uma ideia do porque da mensagem. Só que eu precisava muito conversar com o Danny. E eu ia fazer isso o mais rápido possível. Eu precisava vê-lo, conversar pessoalmente, eu sentia que um telefone não iria surtir o efeito adequado.
Quando já eram quase 19h00min, as meninas saíram do meu quarto, na intenção de irem pra casa, mas acompanhei-as até a porta, tentando fazê-las ficarem mais um pouco. Eu estava com saudade, queria todas elas dormindo lá em casa como costumava acontecer, mas nós não éramos mais crianças e pelo visto todo mundo tinha algo pra se ocupar aquela noite, menos eu. E por mais que eu soubesse que meu irmão iria me ligar mais tarde, me chamando pra sair, eu não ia segurar vela pra ele e .
Descemos as escadas, rindo por lembrar algumas coisas e ao passarmos pela porta da cozinha, lembrou-se dos benditos biscoitos.
- Cadê sua mãe? – ela perguntou parando de andar e segurou meu braço, consequentemente também parei.
- Não sei, por quê? – olhei confusa.
-Será que ainda tem mais cookie? – mordeu a boca bem pensativa e soltei uma gargalhada.
- Não sei criança, vai lá ver. – apontei para o cômodo e ela foi.
Acompanhei e até a porta, abraçando as duas enquanto andava e quando a abri, vi meu irmão se apertando todo por causa do frio e com a chave na mão. Ele estava tão lindinho todo agasalhado e encolhido, que eu queria aperta-lo em um abraço, até Harry ficar roxo.
- Que amor! – gritei pulando no pescoço dele, o abraçando bem forte e arrancando risada das meninas. – Meu Deus, como você está gelado, Hazz. – falei rindo e puxando meu irmão pra dentro de casa.
- Eu estava lá fora, . – ele riu leve, depois soltou de mim para abraçar as meninas e dar um beijo em .
- Vocês não foram ainda? – apareceu com dois cookies na mão, balançamos a cabeça negativamente. – Oi Harry. – ela acenou pra ele, que sorriu e beijou-a na cabeça. – Vamos meninas. – a senhora Fletcher disse puxando as duas pra praticamente fora de casa. – Nós ainda vamos lá na mãe, .
- Ih, é mesmo. – a outra disse com os olhos levemente arregalados. – Tchau . – beijou minha cabeça, depois o namorado dela, enquanto eu me despedia das outras duas e logo estávamos apenas eu e Harry em casa.
- O que você quer fazer? – ele perguntou colocando o braço em volta dos meus ombros.
- Dormir, eu estou morta e meia. – nós rimos. – Achei que você fosse sair com .
- Ela vai dormir na mãe dela hoje e eu ainda estou com saudade de você. – ele beijou minha cabeça e sorri. – E pelo visto Jones também. Caramba , a boca dele hoje foi você. Pelo amor que você tem a mim, dá logo um jeito nisso, porque eu não aguento o Danny enchendo meus ouvidos. – ele disse bem desesperado me fazendo soltar uma risada alta.
- Vou resolver sim, Harry. – beijei a bochecha de meu irmão. – Amanhã eu resolvo, okay? – terminávamos de subir a escada. – E eu também sinto sua falta.
- Boa noite, Judd. – Harry beijou minha cabeça.
- Boa noite, Judd mor. – o abracei o mais forte que pude e senti beijos repetidos em minha cabeça, me fazendo sorrir.

No outro dia, acordei por volta das 08h00min, depois de tomar banho e vestir duas meias-calças e um vestido grosso de manga longa e minhas fieis botas de salto baixo, desci para tomar café e não encontrei meu irmão. Ou ele já havia saído, ou ainda estava dormindo, o que eu acho bem mais provável, principalmente no com o frio que estava fazendo. Mas encontrei minha mãe, que estava sentada a mesa, enquanto tomava um chá que fumegava na xícara de louça clara. Assim que pus os pés na cozinha, ela me olhou sorrindo.
- Bom dia, mãe! – puxei uma das cadeiras e sentei, colocando um pouco de café em uma xícara.
- Bom dia, meu bebê. - ela disse com um sorriso meigo e me atingiu uma grande vontade de rir. Eu não era mais nenhum bebê.
- Harry já saiu, ou ainda está na cama? – tomei um gole do chá e passei geleia na torrada em seguida.
- Dormindo ainda, parece que só vai sair mais tarde. – ela disse sorrindo. – E você querida, porque acordou tão cedo?
- Preciso conversar com alguém, hoje. – falei rindo e ela me lançou aquele sorriso igual ao de uma pessoa que já sabia de tudo. – Cadê o pai? – enfiei a torrada na boca.
- Foi dar plantão, talvez só chegue um pouco mais tarde. – ela suspirou – Não sei como vocês aguentam essa rotina. – gargalhei.
- Nós amamos o que fazemos, dona Rachel. – sorri pra ela. – Mas e a senhora? Qual o curso da vez? – pois é, minha mãe e a dos Jones, tinham uma mania de fazer inúmeros cursos para não ficarem com o tempo vago e dentre eles estavam os cursos de: fotografia, computação, corte e costura, primeiros socorros, maquiagem e se não me engano, algo relacionado com designe de interiores.
- Confeitaria. – ela me olhou por cima da xícara e riu quando viu meus olhos mais do que arregalados.
- Meu Deus! Você tem que me ensinar! – falei quase aos gritos e nós duas rimos.
- Vou ensinar sim, Danny parece que gosta bastante de doce, não é? – ela me olhou mais uma vez através da xícara e rolei os olhos, sentindo minhas bochechas queimarem.
- Mãe! – coloquei a mão na testa. – Você fala como se...
- Ai não ! Eu sempre quis vocês dois juntos, a Megan também. E você nem falou com ele direito ontem, coitado. – sucumbi na vergonha de ter minha mãe supervalorizando Daniel Jones e encostei a testa na mesa. – O que houve? Vocês eram muito próximos, querida. – “você não imagina como éramos, mãe”. Soltei uma risada.
- Pois é, eu não sei, mas prometo que vamos voltar a ser como éramos. – levantei de uma vez da mesa. – Agora preciso ir. – terminei de tomar o conteúdo na xícara e peguei o celular na mesa. Dei um beijo rápido na cabeça da minha mãe, sorri e saí da cozinha, estranhando não vir nenhuma recomendação. – Nada de “chegue cedo”, “não fale com estranhos” ou “use o casaco”? – inclinei a cabeça para o lado e vi minha mãe gargalhar
- Você já está velha demais pra isso, daqui uns dias, está fazendo crochê junto com a sua avó. – ela meneou a mão, praticamente me enxotando da cozinha.
- MÃE! – arregalei os olhos
- vai logo! Aproveita e manda um beijo pro Danny. – ela disse sem me olhar e continuei em pé onde estava. – O quê? Você acha que eu não sei que esse alguém que te fez acordar tão cedo, é ele?
- Quer saber? Eu vou indo. – falei com falso ultraje, empinando meu nariz.
- Tchau. – foi tudo que minha mãe disse, antes de cair em outra crise de riso, consequentemente me fazendo rir junto.
Abri a porta de casa e senti o vento mais do que gelado batendo em meu rosto, fiz uma careta. Coloquei o cachecol colorido, que eu havia pegado no armário de casacos, em volta do pescoço, pluguei os fones no celular e apertei no play, percebendo que era All my loving, o começo de uma playlist inteira dos Beatles, gosto que eu havia aprendido com Tom. Claro que grande parte do meu gosto musical tinha sido totalmente influenciado pelos meninos, que inclusive tinham gostos um tanto diferentes entre si. Algumas bandas em comum, mas a essência do que ouviam era o mais diverso possível. Como o fato de eu ter aprendido a gostar do Blink por causa do Doug. Sim, ele era louco pelo som dos caras e o Harry também. Não que tenha mudado algo com o tempo, mas o vicio e fanatismo era mais presente na adolescência. Aonde chegamos ao caso de Danny Jones, que era louco por Bruce Springsteen e também me fez ouvir e criar gosto pela música. Pois é, o que também me deixa com certo medo de que quando tenhamos um filho, ou melhor, ele tenha um filho, o nome da criança seja Bruce, tudo por causa do Springsteen.
Ri com tudo aquilo que praticamente dançava na minha cabeça, deixando-a totalmente bagunçada e quando me dei conta, estava em frente à velha locadora e lanchonete que frequentávamos bastante na adolescência. Ali era o melhor lugar do mundo e sempre ia ser. Olhei através da vitrine e juro que pude ver nós oito em uma mesa daquelas, em pleno sábado à noite, enquanto riamos de algo idiota e tomávamos nosso refrigerante. Fora uma época da minha vida que eu sentia falta, era tudo tão mais fácil. Suspirei ainda com um sorriso no rosto, puxei o cachecol até que cobrisse minha boca e antes que eu pudesse retomar minha caminhada, senti alguém segurando levemente meu braço e tirando um dos fones de meu ouvido.
-Oi, little princess! – a voz rouca soprou em meu ouvido, fazendo minha pele inteira se eriçar e não era pelo frio, ao mesmo tempo em que um sorriso se exteriorizava por baixo do cachecol. Eu conhecia aquela voz. Ele tinha aquela voz desde os dezesseis anos e tê-la sussurrando em meu ouvido era uma das melhores coisas existentes.
- Oi, Danny! – me virei para ele, tentando prender um sorriso com uma leve mordida no lábio. Jones sorriu, mostrando todos os seus dentes bem aparelhados e me abraçou de uma vez, beijando a minha bochecha em seguida. – O que anda fazendo por aqui? – perguntei me afastando dele, sentindo nossos corpos tomarem uma distância considerável, porém bem desagradável.
- Vim entregar um filme. – ele apontou para a locadora, mas ainda com o olhar fixo em mim e segurando firme a minha mão.
- Ainda em Adam Sandler? – prendi uma risada e Jones rolou os olhos azuis. Tirei o fone que ainda restava em meu ouvido e ele continuava com o outro na mão.
- Gosto é gosto, . – ele suspirou. – Mas e você... o que anda ouvindo? – Danny usou aquilo como pretexto pra aproximar mais uma vez o corpo do meu e quase me abraçou novamente, em seguida colocando o fone no ouvido, ao tempo em que abria um sorriso que chegou a me deixar tonta. – Beatles... legal! – nós rimos, enquanto eu tentava esconder a minha expressão totalmente lesa ao olhar pra ele. – Que bom que eu te encontrei. – ele sorriu de novo, só que dessa vez, colocou o rosto perto do meu. – Eu preciso realmente falar contigo. – suspirei e dei um aceno de cabeça. Eu também precisava conversar com ele. – Aliás, depois daqui eu ia passar lá em sua casa, mas pelo visto foi melhor do que o esperado. – Danny disse e passou a mão pela minha cintura.
- Pois somos dois. – me apoiei no ombro dele. – Preciso me desculpar por umas coisas. – falei rindo, ele arqueou as sobrancelhas, como se duvidasse da minha capacidade de pedir desculpas e dei um tapa no ombro dele, o fazendo rir, depois beijar minha bochecha.
- Vamos sair daqui? Meu carro está ali na frente. – Jones disse me levando pra perto do Jaguar.
- Vamos, Jones. – o acompanhei e ele abriu a porta para mim, sendo a minha vez de olha-lo como se não fosse capaz de fazer aquilo. Danny riu e deu de ombros.
O início da viagem foi tranquila e silenciosa, mas não era aquele silêncio constrangedor. Enquanto eu ainda estava encantada pela cidade, que parecia ter mudado horrores em míseros dois anos, Jones dirigia quieto, apenas falando algo relacionado ao que víamos, querendo me fazer acreditar que nada tinha mudado, nada mesmo. E eu realmente não sabia se ele falava da cidade, ou de nós dois.
- ? Pra onde você que ir? – ele me olhou, depois voltou à atenção pra estrada rapidamente.
- Não sei. – fiz uma careta. – Foi você quem sugeriu sair de lá. Você escolhe. – falei e sorrindo com os lábios fechados.
- Legal. É... – ele coçou a cabeça – O que você acha de almoçar comigo hoje? Eu sei que está cedo ainda, mas dá tempo da conversarmos e você vai provar do meu macarrão! – ele estufou o peito, arqueando a sobrancelha e fez uma cara engraçada.
- E desde quando você sabe cozinhar? – perguntei com deboche, ele me olhou de soslaio e soltei uma gargalhada, o que fez Jones rir junto. – Você queima até água, Jones. – prendi uma risada, esperando a reação indignada dele.
- EI! – ele gritou e deu um tapa leve em minha perna, acredito que de forma inconsciente, ou talvez não. – Eu não posso ter aprendido a cozinhar dentro de dois anos? – ele riu de leve e se esticou beijando minha bochecha.
- Pode, mas provavelmente não aprendeu. – pisquei, ele rolou os olhos e antes que pudesse falar algo, meu celular tocou.
- Oi! Bom dia meu amor! – quase soltei um grito de animação e a cara do Danny foi impagável.
- Bom dia, coração! – Harry disse. – Você quer almoçar comigo e a ? Talvez os outros também vão, não sei…
- Olha hoje não vai dar, já combinei de almoçar com o Jones. – falei e Danny riu em aprovação.
- E desde quando vocês dois? – ele perguntou com certo receio. – Tudo bem, não quero saber. Só quero que vocês se resolvam. Mas tome cuidado, ele tem a mão boba. – ele disse sério e soltei uma risada.
- Como você sabe disso, Judd? – gargalhei e quase pude vê-lo rolando os olhos.
- Ah, querida ... Você não precisa saber. – ele disse rindo. – Só tome cuidado. Bom almoço e beijos pra você, não pra ele.
- Então tá, né? Obrigada e o mesmo pra você. Mande beijos pra . – desliguei o telefone e olhei pra Danny, que estava confuso e parado no sinal vermelho.
- Harry. – respondi a pergunta silenciosa dele que se exteriorizou por causa de uma careta. Ele arqueou as sobrancelhas e riu afirmando.
- , , ... esse povo ama nos interromper. – ele disse com um aceno negativo de cabeça e o olhei, quase falando um “Não estávamos fazendo nada!” e Danny pareceu perceber. – Tudo bem. Mas você não me respondeu. Almoça comigo?
- Claro, não é Jones?! Eu falei pro Harry que ia almoçar com você. – ri o fazendo esboçar um pequeno sorriso.
- Pra minha casa, então! – ele disse animadinho demais pro meu gosto.

Danny’s POV

Sabe? Fazia tempo que essa cena não se repetia. A no meu carro, linda e indo almoçar comigo. Ela não tinha mudado nada, simplesmente nada, ainda era a mesma irritante de sempre. Mas era a minha irritante, era a mulher que me irritava e me deixava ainda mais louco por ela. Nós crescemos juntos e não sei se foi por isso, mas desde quando éramos pequenos que temos uma ligação forte.
Só que desde o casamento da , que as coisas desandaram pro meu lado, eu não sabia exatamente o que queria e sei que acabei magoando a garota, mesmo sem ter a mínima intenção nisso.

Flashback's on (2010)

Sabe quando você sente que está ficando velho? É quando você vê sua irmã mais nova casando e ainda mais com um de seus melhores amigos. Pois é, eu estava sendo padrinho do casamento da , ela havia casado primeiro que eu. Enquanto na minha vida, não tinha nem previsão de quando isso iria realmente acontecer. Nada contra quem planeja todo um casamento, mas eu não sei se nasci pra isso e a única mulher com a qual eu casaria, está tão distante de mim, que chega a dar medo.
Não distante em proximidade física, afinal fomos padrinhos juntos, eu estava lá em cima ao lado dela, mas a gente mal abria a boca. Era como se tivéssemos perdido a amizade e a intimidade que cultivamos por vários anos. estava estranha e não era de hoje, desde que ela havia chegado para o casamento, parecia bipolar. Tinha horas em que vivia grudada a mim e fazendo comentários que me deixavam vermelho de tanto rir. Mas há uns dois dias, desde que ela viu a Gui, ficou totalmente estranha comigo, sem nem chegar perto de mim direito. E isso era incomodo demais pra mim, se fosse qualquer outra pessoa, eu não me importava, mas se tratando da Judd, é quase uma tortura.
Sei que também não posso me importar com isso, afinal eu pedi a Giulia em namoro. Bola pra frente. Se a Judd seguiu a vida dela, eu também posso seguir a minha, e foi o que eu fiz.
- DANNY! – ouvi gritando meu nome e agarrando meu ombro, logo em seguida.
Acordei dos meus devaneios e percebi que estava sozinho, em pé nos fundos do salão e perto de um dos enormes arranjos, onde dava pra ter uma visão maravilhosa de tudo. e Tom andavam cumprimentando o pessoal, e Harry estavam sentados à mesa que os Judd’s estavam, Dougie e tinham sumido “misteriosamente”, sendo que talvez só talvez, os dois pudessem estar ocupando algum lugar escondido naquele espaço cheio de gente.
- Danny? – ela me sacudiu mais uma vez, com um sorriso divertido no rosto.
- Oi, ! – ri e prestei atenção ao vestido que ela usava. Ele era verde, da cor das nossas gravatas, além de ser longo e não ter mangas, mas tinha um decote em V na parte da frente.
Mordi a boca, ainda sorrindo e olhei-a nos olhos. estava realmente muito linda, alguns fios de cabelo caindo sobre o rosto, as bochechas rosadas, olhos marcados com alguma coisa escura e a boca avermelhada, marcas de um batom que já tinha saído. Batom que eu queria ter tirado. Respirei fundo e tentei manter o foco. Porque ela estava falando comigo mesmo?
- Eu preciso te dizer uma coisa. Você deve estar achando estranho, não é? – ela riu sem humor. – Eu mal falei com você nesses últimos dias e por mais que pareça que não, isso me incomoda bastante. Me incomoda de verdade. É insuportável ter você tão longe de mim. – ela dizia rápido, enquanto me encarava e piscava os olhos freneticamente. – E agora eu quero falar com você. Pode parecer que não, mas acredite eu tenho um motivo, dos grandes e acho que esse clima de casamento só me encorajou mais a falar. – suspirou, fazendo os ombros baixarem. Arregalei os olhos e senti minha respiração ficar mais rápida.
- , olha... Se acalme tudo bem? Se você não quiser falar agora, depois a gente conversa. – coloquei uma mão no ombro dela e a outra estava entrelaçada na sua.
- Não, Dan! – a mulher riu de leve, talvez achando estranho meu desespero. – Eu tenho que falar agora! – ela tomou o fôlego e continuou. – Eu sei que é estranho o que eu estou fazendo nesse exato momento, mas foda-se a lógica. Nós já vivemos tantas coisas juntos. – ela sorriu me fazendo sorrir juntos. – Você sempre esteve do meu lado, Danny. Em todos os momentos, simplesmente todos e nós sabemos o quanto nos gostamos, não é uma coisa recente, é uma história bem antiga. A gente sabe o que sente um pelo outro e o quanto é forte. E...
- , por favor, me deixa te contar uma coisa. – falei desesperado, mas ela me cortou antes que eu terminasse.
- PORRA, DANIEL! Faz tempo, que eu quero falar isso e só agora que eu tomei coragem você me interrompe? Cala a boca e me deixa continuar. – ela respirou fundo, eu sabia o que ia dizer e por mais que eu quisesse mudar tudo aquilo. Voltar umas três horas atrás e não fazer o que eu tinha feito, não tinha mais como. – Então, eu só vim perceber a falta que você me faz quando eu fui embora. Acho que juntou uma coisa com a outra, eu não sei. – ela soltou um riso nervoso. – E caramba Jones! Eu não consigo viver sem você. Eu te amo tanto, que eu chego a estar perdida em um sentimento tão grande.
respirou fundo, como se tivesse tirado um peso tão reprimido do peito e eu não conseguia sair do canto. Eu tinha feito a maior merda da minha vida e talvez não tivesse conserto tão cedo. A Judd me olhava confusa, totalmente sem entender a minha falta de reação, eu sei que ela esperava que eu a beijasse e eu também queria beijá-la. Mas infelizmente, o momento era mais do que inoportuno. Tomei fôlego e abri a boca pra explicar e tentar contornar a situação toda que estava acontecendo, mas antes que eu conseguisse, a Giulia chegou se agarrando ao meu ombro e com um sorriso enorme. Fechei os olhos e esperei pela bomba.
- Oi ! Você sabia? O Danny acabou de me pedir em namoro. – ela disse mais do que alegre e beijou minha bochecha, um beijo apertado. – Ele não é um fofo? – mordeu a boca e afirmou, com um sorriso forçado e sem graça, quebrando meu coração. Abri a boca pra tentar falar algo e com um olhar, me pediu pra não agravar a situação e ficar calado.
- Nossa, Giulia! Verdade? Que bom, felicidade pra vocês dois. – ela disse com um sorriso totalmente sem expressão, enquanto eu sentia minha respiração querendo parar e me forçava a respirar pra não morrer.
E com aquele simples sorriso sem graça e culpado, eu me senti o pior idiota do mundo.

Flashback's off

Eu sei o que fiz, sei que a magoei muito, mas eu não podia simplesmente deixar à deriva uma pessoa que não tinha culpa de simplesmente nada, por causa dela. Sim, eu a amo, na época eu não sabia direito o que sentia por , mas eu sabia que havia decepcionado-a. Mas eu não tinha a culpa completa disso. Eu só queria o melhor jeito de resolver tudo, porém infelizmente não consegui e a solução mais plausível era esperar pelo tempo, tempo esse que demorou demais a passar, mas finalmente chegou ao fim.

’s POV

Danny estacionou na enorme garagem da casa dele, a qual eu não conhecia. Da ultima vez que havíamos nos visto de verdade, quando ainda tinha algum tipo de rolo entre nós, ele morava no antigo apartamento, que ficava do outro lado da cidade. E pelo visto o bom gosto dele pra escolher imóveis aflorou novamente, porque a casa era simplesmente linda, de uma arquitetura simples, mas encantadora.
Baixei a cabeça para soltar o sinto de segurança e quando a levantei, ele me encarava, me deixando totalmente sem graça.
- Para, Jones! Tá me deixando com vergonha! – falei sentindo minhas bochechas esquentarem, soltando uma risada pra amenizar a situação e ele esboçou um sorriso no canto dos lábios, o que me fez prever mais um de seus elogios. Eram sempre assim, precedidos de um sorriso matador.
- Você fica mais linda a cada dia sabia? – ele perguntou com ao que me aprecia, um sorriso bobo e me fez sorrir também, ainda sentindo meu rosto ruborizar.
- Daniel, você está me deixando sem graça. – baixei a vista, piscando os olhos um pouco frenético demais. Depois estiquei a mão pra abrir a porta do carro.
- Mas , eu não falei menos que a verdade! – ele riu e piscou, depois saímos do carro.
- Dá pra parar? – perguntei com a voz um pouco esganiçada e nós rimos.
- Eu não consigo, mas vem. – ele andou até onde eu estava e segurou minha mão, como se fossemos crianças outra vez. – Vamos por aqui. – Jones disse me levando pela mão em direção a uma porta que dava acesso à cozinha.
Quando entrei pude ver o quão linda, a casa era por dentro e tenho certeza que ali tinha mão da e da , ele não tinha esse talento todo pra decoração. Desculpa Dan, mas é a verdade. Era tudo muito simples e bem colocado. A cozinha não era tão grande, mas dava pra ter comodidade, tinha uma bancada que se ligava a pia, logo do lado da geladeira e na outra ponta o fogão. E de lá também dava pra ter uma ampla visão da sala com a TV, juntamente com a escada que dava para o andar de cima da casa.
De certa forma eu estava sim desconfortável. Na casa do Danny, depois de quase dois anos, a gente ia conversar pra tentar se entender e eu não sabia o rumo que aquela conversa poderia tomar. Nervosa? Ao extremo.

Capítulo 4

Nós entramos na cozinha, eu realmente fiquei abismada com o lugar. Jones nunca tinha sido a organização em pessoa, mas enquanto tirávamos os milhões de casacos por causa de uma coisa maravilhosa chamada calefação, que possuía dentro das casas para nos deixar quentinhos sem precisar de tanta roupa, pude perceber o lugar estava impecável. O que me fez pensar em duas teorias, ou ele havia contratado uma diarista, ou não tinha usado a cozinha nos últimos dias, o que era bem mais provável. Até porque se ele tivesse dependendo assiduamente de uma diarista, esse lugar estava uma bagunça. Então sim, comprovamos que Jones não está usando o cômodo nos últimos dias.
-Isso é obra das meninas. – ele disse rindo e o olhei rápido.
Danny tinha um singelo sorriso nos lábios e movimentava os braços para abranger a casa toda, deixando a tatuagem mais evidente, o que prendeu minha atenção. As tatuagens dele sempre eram um fascínio pra mim, principalmente quando ele estava com uma camisa polo clara.
- Não só das minhas irmãs, como sempre, também no meio. – sorri voltando a prestar atenção no que ele falava. – Aposto como se você estivesse por aqui, também tinha ajudado. - ele riu, me abraçando de lado, pela cintura, e percebi que estava mordendo a boca.
- Sabia que era delas. – olhei pra ele. – E talvez, só talvez eu tivesse ajudado. – ele me arqueou a sobrancelha, abrindo um sorriso tão largo, chegando a mostrar todos os dentes.
- Eu sei. Você ia preferir bagunçá-la junto comigo. – ele piscou, abri a boca em ultraje.
- JONES! – bati no peito dele, o fazendo rir mais, depois beijar minha bochecha. – Por que você está usando aparelho, Dan? – perguntei com uma curiosidade grande me tomando, enquanto olhava pra boca dele.
- Bom. – ele coçou a nuca. – Meus dentes estavam começando a me incomodar, mas nada muito ligado a estética, eu sentia era muita dor de cabeça. – ele jogou o celular e a carteira em cima da bancada, beijou minha cabeça e sentou por lá. Puxei uma cadeira da mesa e também me acomodei.
- Pois é, dizem que dor de cabeça por causa de dentes é um verdadeiro inferno. – falei rindo, ele concordou fazendo careta. – Engraçado que suas irmãs também usaram, quase ao mesmo tempo.
- E faltava quem? Isso mesmo, eu. – ele abriu os braços, eu ri. – Essas coisas só vêm pra foder com a minha vida. Porque pense num negócio pra doer. Tinha dias que eu não aguentava nem comer direito pra você ter uma ideia. Aquilo é um objeto de tortura e não um aparelho dentário.
- Você é tão exagerado, Daniel! – ri alto do comentário dele e Jones me mostrou uma careta de puro tédio.
- Você e essa sua mania horrorosa de me chamar pelo nome, isso me lembra das brigas que costumávamos ter. – ele sorriu sem mostrar os dentes, como se sentisse falta dessa época.
- Love you, baby. – pisquei mandando um beijo e Jones pareceu ficar tenso com a frase dita.
- Então, . – ele riu sem graça e coçou a nuca. – Eu quero conversar uma coisa bem importante, muito importante mesmo com você. – Danny respirou fundo e arregalei os olhos.
- Fale. – a palavra quase não saiu e respirei fundo.
- É que... – ele respirou fundo e prendi minha respiração. – Você lembra bem o que aconteceu há dois anos, eu não preciso voltar tudo aquilo, eu não quero sofrer e também não quero te fazer sofrer. Aquela simples frase foi à única que eu desejei por tanto tempo, ouvir da sua boca, mas justo quando você percebeu que deveria falar, eu não estava em meu melhor momento pra responder a altura. Eu não sei nem por onde tentar começar a reverter aquilo tudo. – ele esfregou o rosto com um sorriso meio desesperado e minha vontade era correr até ele dizer que não tinha problema. Levantei da cadeira e Danny arregalou os olhos. – , dessa vez quem fala sou eu, por favor! – ele disse e parei no lugar. – Eu queria ter te dito alguma coisa, ou não ter feito o que fiz. Não que eu me arrependa. Eu não me arrependo, tudo na nossa vida serve de aprendizado, mas eu não queria ter te magoado, . Eu juro que eu nunca quis isso, mas foi o que aconteceu. Você estava tão estranha naquela época, me deixou tão confuso, uma hora nós ríamos como se não tivéssemos saído do tempo bom da nossa adolescência e do nada você passou a me ignorar quase que completamente. Isso me deixou desesperado, . Eu gostava muito de você. – ele disse piscando os olhos freneticamente e aquilo me doeu o peito, ele tinha usado a frase no passado, então provavelmente eu destruído o coração do Jones até bem mais do que eu pensava que tinha acontecido. – Não tanto como eu gosto hoje, porque eu não sei nem como medir o que eu sinto. Mas há uns dois anos eu achava que era tudo fácil demais, só que não foi. – ele disse passando a mão no cabelo e arregalei os olhos. – Eu senti mais a sua falta do que eu queria sentir, eu sofri sem ter você falando comigo, principalmente em toda aquela confusão que o Doug se meteu. Eu não esperava sofrer, Judd. De tudo que eu passei por você, sofrer era uma das coisas que eu não esperava que acontecesse. Mas sabe, não fui ruim não, só assim eu pude perceber o quanto eu te amo. – ele disse sorrindo aliviado com o que tinha acabado de falar e arregalei os olhos, engolindo em seco. – E isso eu posso dizer com segurança, . Eu te amo.
Eu me encontrava hiperventilando no meio da cozinha, estacada no chão e com os olhos vermelhos. Eu sei de tudo que falei e tudo que eu sinto, mas eu realmente não esperava ouvir o mesmo depois de dois anos, sem nem mesmo falar com o Jones direito. Soltei minha respiração e esfreguei os olhos, sentindo-os arderem. Meu queixo tremeu, formando um microbico e acabei sorrindo depois, cobrindo rosto com as mãos, ouvindo logo em seguida a risada do Jones, que me abraçou carinhosamente, beijando levemente meu pescoço.
- Sinto muito a sua falta, Judd. – ele disse baixo perto do meu ouvido e abracei-o com mais força.
- Também senti a sua falta, Jones. Muito. – falei sorrindo, à medida que espremia o rosto no peito dele, sentindo o cheiro que há muito tempo me fazia falta, deixando minha vida vazia. Depois levantei minha cabeça ainda sorrindo e o encontrei com o sorriso mais perfeito do mundo, aquele que mais me agradava na vida. O sorriso Jones!
Daniel segurou meu rosto com as duas mãos, como se tivesse analisando algo precioso, com um sorriso aliviado e me deixando meio tonta. Mordi o lábio levemente, sorrindo com o encanto dele, que parecia ser tão bobo. Afinal nos conhecemos há quantos anos? Ele sorriu e ainda segurando meu rosto com as duas mãos, aproximou a boca do meu rosto. Fechei os olhos, logo sentindo os lábios dele em minhas pálpebras fechadas, Danny beijou cada um de meus olhos, depois minhas bochechas e por fim meu nariz, voltei a olhá-lo e ele me encarava, fazendo minhas pernas bambearem e o coração sambar no peito.
Eu ainda o encarava, quando o senti me beijar. Os lábios quentes, macios, que tanto me passavam a segurança de que nos gostávamos de verdade. Não que fosse alguma dúvida pra mim, mas eu tenho o direito de ficar insegura depois de dois anos longe dele. O abracei mais forte, como se fosse possível e começamos um beijo mais intenso e fiz o que há tempos não fazia. Embolei meus dedos nos cabelos escuros dele, o fazendo rir e me agarrar com mais força, quase me tirando do chão. Nos selamos e fiquei colidindo a boca no rosto dele, muito rapidamente, fazendo Jones soltar uma risada gostosa.
- Dan?! – falei, ainda abraçada a ele, enquanto olhava pra cima, tentando ver o rosto dele.
- Hum... – ele apenas resmungou de olhos fechados, esperando por mais beijos e quando viu que eu não iria continuar, ele me olhou.
- Estou com fome! – falei rindo feito uma criança inocente, ele me olhou tedioso, rolou os olhos e beijou minha testa. Afrouxei o abraço e Jones me apertou de volta.
- Ah não! Fica mais um pouco aqui, tá tão bom. – Danny disse colocando o rosto escondido em meu pescoço. – Depois você cozinha. – ele falou manhoso me apertando no abraço, ri o apertando também.
- Sério?! – perguntei incrédula, quando me toquei que ele havia dito que EU iria cozinhar. – Eu não vou cozinhar, Jones. Você falou do seu super-macarrão e agora eu quero experimentar. – falei ainda abraçada a ele.
- , eu não sei fazer nada que envolva fogão e panelas. – Danny disse como se aquilo fosse obvio e gargalhei, tentando me soltar dos seus braços, mas ele não deixou, me segurando pelas costas. – Já disse. Você não sai daqui! – ele falou rindo.
- Para Danny! – arregalei os olhos com certo desespero e o medo de que ele me fizesse cócegas, me consumindo. – Eu estou com fome e você me chamou pra almoçar. – fiz um bico enorme, o vendo suspirar e beijar minha testa. – Então se você não cozinhar, eu mesma faço. – soltei dele.
- Ah não, princesa. – ele riu como se eu fosse uma criança bonitinha por estar irritada.
Não que eu odiasse aquele apelido, mas há um tempo, ele havia sido pronunciado a primeira vez e não sei por que, mas me causou uma revolta meio sem origem, meio sem causa. Só que as coisas mudam, nós mudamos e o apelido pareceu mais oportuno e confortável.
- Entenda que o almoço foi só um pretexto. – vi um sorriso surgir no canto de seus lábios, mordi a boca, negando com uma expressão incrédula. Danny deu de ombros, voltou a me abraçar e senti um arrepio subir pelas minhas costas quando ele beijou minha orelha. – Deixa de ser birrenta. – ele disse baixinho, sussurrando ao pé do meu ouvido e fechei os olhos. Esses joguinhos do Jones eram um saco, quando só ele decidia jogar, que fique bem claro.
- Eu não sou birrenta – fiz um bico gigante. – E caso você não queira cozinhar. – passei as mãos pela gola da camisa, depois nos ombros dele. – Eu me viro. – pisquei.
- Ótimo. – Danny me beijou. – Muito bom mesmo. – outro beijo. – Quer ajuda? O que eu faço? – ele perguntou beijando levemente o meu pescoço, depois deu um sorriso trincado.
- Sua? Não precisa. – falei rindo. O selei e me afastei indo na direção de onde ele guardava os condimentos. – Ainda os guarda no mesmo lugar? – perguntei abrindo a porta de um dos armários.
- Sim, ainda no mesmo lugar. – ouvi a voz dele perto de mim e logo depois, senti um beijo no ombro que me fez rir. – Não quer mesmo ajuda? – ele subiu as mãos devagar na minha cintura.
- Não, Jones. – empurrei as mãos dele. – Só fique longe da cozinha. Onde tem macarrão aqui?
- No armário em cima da pia. – ele suspirou e beijou minha bochecha. – E já que você não quer minha ajuda, eu vou mandar um email pro Tom. Tchau! – Danny me virou de uma vez e me beijou de novo, depois piscou e saiu da cozinha rindo.
- Você está muito beijoqueiro hoje! – gritei rindo, colocando uma panela em cima da bancada.
- É você que me deixa assim! – ele gritou, parecia estar alegre e abri mais o meu sorriso.
Finalmente estávamos bem de novo, era tão bom esse clima de paz com o Danny, sem coisas mal resolvidas ou algo do tipo. Eu finalmente conseguia me sentir bem de novo, voltando e estando em Londres. Sacudi a cabeça, coçando a testa, tentando lembrar o que eu iria voltar a fazer e peguei o celular, precisava avisar a minha mãe que não iria almoçar em casa. Claro que eu não era mais criança, mas tinha que ao menos deixa-la sabendo que eu não iria, fazendo-a não me esperar para o almoço.
Liguei. Uma chamada que durou poucos minutos e alguns risinhos, que me deixaram entediada. Depois mandei mensagem pras meninas.

: Quero falar com vocês mais tarde. Xx
: Se resolveu com o lerdo? Que bom! Mais tarde apareço na casa da sua mãe. (Ainda quero cookies.) Xx
: Credo, me poupe. Não preciso saber como você e meu irmão se pegaram. Mais tarde apareço. Xx
: Só poupe me dos detalhes sórdidos. Até à tarde. Xx

Continuei a cozinhar o macarrão e após alguns minutos que Danny havia saído, a massa estava pronta e escorrendo no escorredor de macarrão, enquanto eu iria começar a preparar o molho. Voltei a colocar música em meu celular, se eu não tinha Danny pra conversar por enquanto, algumas músicas me fariam companhia, joguei no aleatório e a primeira que começou tocar foi Saturday Night. Soltei uma risada, aquela música me trazia ótimas lembranças de uma festa furada.
Deixei o molho no fogo e fui lavar umas coisas sujas na pia, enquanto a música ressoava no ambiente, fazendo meu corpo ganhar uma espécie de vida com aquela música. Sem perceber, eu já me mexia de todas as formas possíveis. Quadril, pernas, braços e cabeça, fazendo meus cabelos irem longe. Eu praticamente fazia um show de mímica no meio da cozinha, parecendo uma louca. Mas é que música sempre foi tão incrível, não sei se porque cresci vendo meu irmão se tornar um músico, e uma de minhas paixões de adolescência, também ser um puta músico, eu só sabia que música era incrivelmente fascinante pra mim.
Eu estava tão entretida com meu “showzinho” louco no meio da cozinha, que não percebi a música quase no fim e consequentemente a última frase sendo sussurrada em meu ouvido.
- Everybody loves to party on a saturday night. – Danny disse baixo, me abraçando por trás e tomei um susto, dando um pulinho, o fazendo rir.
- Que susto, garoto! – larguei as coisas na pia e virei pra ele, que tinha um sorriso largo e usava só a calça jeans. Qual a necessidade, eu não sei.
- Anda muito assustada, princesa. – ele riu, enquanto eu não conseguia mirar outro lugar que não fosse o peito sardento dele. Respirei fundo, piscando os olhos freneticamente e cocei a testa. – Me pergunto por que nunca quis ser cheerleader, você sempre dançou tão bem. – ele deu um sorriso inocente, mas que de inocente não tinha nada.
- Daniel! – abri a boca em ultraje. – Safado! – acusei-o o fazendo rir.
- Sério! Gostei da sua atuação pra Saturday Night, nunca imaginei que pudesse ser tão, como eu posso dizer, interessante. – Danny riu e me beijou.
- Sem graça você, Jones. – enruguei o nariz, fazendo uma careta e ganhei outro beijo, na verdade ele me roubou um beijo. – Cadê a camisa? – perguntei passando as mãos nos ombros dele. Jones riu e me beijou mais uma vez.
- Eu ia tomar banho, mas ouvi a movimentação aqui embaixo. Vim olhar. – ele deu um sorriso largo e sorri contidamente. – Senti falta da sua agitação na minha vida. – Danny me abraçou pela cintura.
- E eu, de você na minha. – fechei os olhos e coloquei o rosto no pescoço dele, estando com os braços em volta do seu pescoço, quando começou tocar She Left Me.
Danny me segurou um pouco mais firme e começou a movimentar o corpo de um lado para o outro, delicadamente, levando o meu junto.
- O que você está fazendo? – perguntei rindo, ainda com o rosto no pescoço dele, sentindo aquele perfume maravilhoso de Daniel Jones.
- Dançando. – ele disse de maneira óbvia.
Soltei a tensão de meu corpo e o soltei na cozinha, acompanhando os movimentos que Danny fazia. E o mais engraçado de tudo é que a música de se dançar na cozinha era All About You. Sempre me imaginei descalça, com um vestido meio rodado e dançando All About You com Danny, enquanto nós riamos de algo bem idiota. Na verdade eu até já tinha sonhado com isso, a música parecia tão viva, que eu achei que fosse verdade, porém quando acordei, estava no sofá e meu celular tocava a música em questão, então nada de Danny, ou azulejos na cozinha. Mas bem, se o destino te deu She Left Me, dance She Left Me.
Parecia tão sem noção pensar nisso, mas naquele momento eu me lembrei do baile de formatura dele no colégio. Aquilo foi tão engraçado e estranho ao mesmo tempo, nós éramos apenas amigos e fomos praticamente obrigados a ir juntos, por causa da tia Meg e da minha mãe também. Minha mãe! Acabei lembrando que ela havia mandando um beijo pra ele.
- Acabei de lembrar, minha mãe te mandou um beijo. – falei rindo.
- E por que você falou nela, agora? – tirei meu rosto do pescoço dele e vi a expressão confusa do Danny. Dei de ombros.
- Eu só lembrei. – mordi a boca e ele afirmou, depois me beijou.

O almoço pode ser classificado como divertido. Jones já tinha vestido uma camisa – graças a Deus – e usamos o tempo pra por todo o assunto em dia, ou melhor, quase todo. Não era possível conversar sobre dois anos em menos de uma hora e sobre o que mais falamos foi comida. Pois é, comida, nosso almoço teve como tema principal algumas comidas exclusivamente brasileiras.
Depois de recolher as coisas sujas, Danny se ofereceu pra lavá-las, já que eu tinha feito o macarrão, que não foi nenhum esforço, mas decidi deixá-lo trabalhar o seu cavalheirismo e sentei na bancada, enquanto fazia infinitas perguntas a ele. E quando entramos no assunto que mais me incomodava, a fama nada boa dele, entrei no assunto que de certa forma, mais me interessava. A Giulia.
- Agora me diz. – falei de uma vez e Danny me olhou, enquanto ensaboava um copo. – Porque você terminou com a Giulia? E por que aquela mensagem? – perguntei séria, cruzando as pernas.
- . – Danny engoliu em seco – Por favor, não faz isso comigo. – ele fez uma careta sofrida, mordendo a boca. Vinquei as sobrancelhas.
- O quê, Jones? – arqueei a sobrancelha e respirei fundo. – Perguntar por que você terminou com a “Giu”? – perguntei já irritada e fazendo aspas com as mãos quando mencionei o apelido dela, sem falar no nojo ao falar.
Meu Deus! Eu parecia uma garota de colegial. Mas quem disse que eu não posso ter ciúme dele? Porque eu posso e eu tenho.
- Não, princesa. – Danny riu, me deixando confusa. – Você pode me perguntar o que quiser em relação a qualquer coisa. Mas me referi a você ficar cruzando e descruzando suas belas pernas, enquanto está de vestido, sentada na minha bancada, bem na minha frente. – arregalei os olhos e imediatamente tentei ajeitar meu vestido. Danny soltou uma risada alta, beijou minha bochecha e deu um cutucão em meu joelho. – Eu não vi nada, você está de meia calça.
- DANIEL! – gritei esganiçado e pulei da bancada, sentindo meu rosto quente, extremamente envergonhada, não por ele, mas pela situação. Desci da bancada. – Não sento mais aí quando estiver de vestido. – falei apontando para onde eu tinha acabado de descer.
- Sério mesmo? – ele fez um bico inconformado e apenas confirmei com a cabeça, tentando não dar atenção.
- Me responde o que perguntei antes, Danny. – sacudi a cabeça.
- Nós namoramos durante acho que quase dois anos. – ele mordeu a boca, afirmei pra que ele continuasse. – Mas eu não levava o namoro tão a sério assim, acho que só inventei isso mesmo porque achei que você tivesse amarrada naquela época. – Danny deu de ombros e minha boca quase foi ao chão.
- Você o quê? – perguntei bem incrédula com a cara de pau dele, em me dizer aquilo.
- Eu comecei o namoro com ela porque eu achei que você estava namorando. Não era? – ele deu uma risada nervosa.
- Sim. – mordi a boca. – Quer dizer, não. – sacudi a cabeça. – Na época eu não estava namorando, mas depois eu me envolvi com uma pessoa. – respirei fundo. – Porque você fez isso?
- Eu não sei . Você me deixou confuso, muito confuso. Eu fiquei apavorado, não tinha a menor ideia do que fazer. E depois de quase dois anos, eu decidi que não era quilo que eu queria, na verdade, eu nunca quis. E acabamos por terminar o namoro. – Danny coçou a cabeça e eu ainda me encontrava meio atônita no meio da cozinha. Talvez prosseguir com aquele assunto não fizesse bem, para nenhum de nós dois.
- E a mensagem, Danny? – cruzei os braços, mordendo a boca, um pouco frustrada e confusa.
- Eu sabia que você vinha, por mais que dissesse que não. É o casamento do seu irmão. – ele riu baixo e afirmei. – Eu estava louco de saudade, com muita vontade de te ver de novo. Na verdade eu já fazia planos de ir te buscar, mas aí você veio. – Danny sorriu largamente.
- ME buscar? – perguntei rindo alto.
- É, ir te buscar. Talvez assim, você pudesse me dar mais uma chance. – ele deu de ombros e foi inevitável sorrir. – Eu estava disposto a fazer alguma loucura, na verdade ainda estou. Então. – Jones deixou a frase subentendida.
- Não é preciso loucuras, eu já estou aqui. – me apoiei no ombro dele e beijei sua bochecha.
- E você, porque ficou tão longe de mim? – Danny largou as coisas na pia e virou de frente pra mim, se apoiando de lado na bancada.
- Eu precisava de um tempo pra pensar, colocar minha cabeça no lugar. Acostumar com a ideia de que você era um safado sem jeito, que nunca ia querer nada sério comigo. – dei de ombros e o vi de olhos arregalados. – Mas adivinha? – soltei uma risada. – Eu não consegui. Alguma coisa ainda martela na minha cabeça que eu preciso te mudar, é quase uma questão de honra.
- Me mudar? – ele arqueou uma sobrancelha.
- Claro! Acha que eu vou querer você assim? – perguntei rindo e ele me abraçou pela cintura, depois beijou minha mandíbula.
- Acho justo, mas eu só quero ser mudado por você, ninguém mais. – sorri largamente, enquanto sentia minha pele se eriçar, pelos beijos repetidos e estalados em meu pescoço.

Eu ainda estava bem confusa, sem entender direito do que se tratava aquele filme, eu não tinha visto o inicio, na verdade se eu tivesse conseguido ver dez minutos seguidos de alguma coisa era muito. Eu não sei nem porque inventamos de colocar algo na TV se o propósito nunca foi prestar atenção no que passava, acho que apenas pretexto pra não ficar se pegando no sofá sem um barulho paralelo. Manias de Danny Jones.
- Que horas, Dan? – perguntei assim que voltei a encostar minha cabeça no braço dele.
- 15h15min. – ele disse e deu um beijo sugado em minha bochecha. – Por quê?
- Tenho que ir. – tentei levantar do sofá, mas Danny me segurou, depois me arqueou uma sobrancelha.
- Tem? – Jones me olhou incrédulo, rolei os olhos.
- Tenho. – falei rindo. – Vai sair pra algum lugar mais tarde? Se não, você poderia aparecer.
- Eu planejei de nós sairmos. Todo mundo, sair pra dançar um pouco. O que acha? – Danny perguntou beijando meu ombro. – Ou você pode ficar aqui, aí a gente desmarca. – ele riu baixo.
- Não, Jones. – ri alto. – Não vamos desmarcar, eu realmente preciso ir pra casa.
- Não princesa... – Danny falou com uma manha sem tamanho. - Eu vou ficar sozinho. – ele passou o nariz pelo meu ombro coberto, chegando ao pescoço. – Fica aqui comigo. – ele segurou meu rosto com uma das mãos e começou a beijar o meu pescoço com mais força, passando a língua e os dentes.
- Danny! – soltei um gritinho, rindo nervosa e bati no braço dele. – Eu preciso ir pra casa. – fechei os olhos e senti meu corpo tremer levemente.
Jones tirou o rosto de meu pescoço e logo já nos beijávamos calorosamente, levei minhas mãos até sua nuca, agarrando os fios escuros do cabelo dele e Danny segurou minha cintura com força. Em um movimento rápido, Daniel me puxou e acabei sentada em seu colo, com uma perna de cala lado do seu corpo. Movimentei as mãos até suas bochechas e segurei o rosto dele, enquanto ainda sentia meu fôlego ser tomado pelo beijo. Mordi a boca dele de leve e dei vários beijinhos em seu rosto, quando senti as mãos de Danny subindo pelas minhas pernas e soltei uma gargalhada.
- Jones. – tentei controlar minhas risadas. Ele beijou meu queixo de leve, depois meu ombro.
- Hm. – ele resmungou.
- Preciso ir, babe. – segurei o rosto dele, ainda com uma risada presa e beijei sua testa.
- Não. – ele continuava beijando meu ombro e com as mãos em minhas pernas. - Não vou te deixar em casa, . – ouvi uma risada de superioridade e rolei os olhos. Eu poderia muito bem pegar um táxi.
-Tudo bem. – dei de ombros. – Eu pego um táxi. – Danny tirou as mãos de mim, depois me olhou bem incrédulo.
- Sacanagem isso, viu princesa? – ele disse me olhando ainda incrédulo e ri mais uma vez, depois beijei o seu nariz.
- Levanta logo, Dan. Eu tenho que ir. – saí de seu colo, deixando ele com um bico pela falta de contato.
- Sério? – ele fez careta. Afirmei rindo, enquanto ajeitava o meu vestido no corpo. – Ok então. – Danny levantou do sofá. – Vou pegar a chave do carro. – ele disse e logo o vi sumir pela escada.
- Não demora. – gritei, enquanto ajeitava as almofadas que estavam todas amontoadas em um só lugar.
O percurso foi tranquilo, nós rimos de algumas coisas, lembramo-nos de outras ao passar pelos lugares que costumávamos frequentar. Era ótimo ter lembranças tão claras e fortes, principalmente quando se tem pessoas incríveis ao seu lado. E eu tinha!
Danny me deixou em casa, dizendo que passa lá pras 22h00min pra me pegar. O beijei e logo ele tomou outro rumo. Entrei em casa, já ouvindo as risadas e conversas que eu tinha a certeza que vinham da cozinha. Ri, joguei minhas coisas no sofá e corri pra lá, encontrando minhas três amigas e minha mãe, as quatro bolando de tanto rir. Abri um largo sorriso e abracei de uma vez, já que ela era a que estava mais perto.
- OI, FAMÍLIA! – gritei e elas me olharam de sobrancelhas arqueadas.
- assim? Sinal que alguma coisa aconteceu. – minha mãe disse rindo. – Vou deixar você conversarem. – ela acenou e foi na direção da porta da cozinha.
- Tchau, tia Rachel. – as meninas falaram em coro.
- Não vai querer saber dos detalhes? – perguntei em deboche, soltando uma risada.
- Já sei o bastante, querida. – ela respondeu a altura. Ri mais uma vez e fui cumprimentar minhas amigas, depois sentei a mesa junto delas.
- Como foi, deu certo? Vocês demoraram tanto, que ou brigaram, ou andaram de pegando. Se for segunda opção, por favor, só menciona, não precisa entrar em detalhes. Obrigada. – disse enojada e e apontaram pra ela em afirmação. Rolei os olhos.
- Credo, . Nós não brigamos, acho que nos resolvemos. – falei rindo.
- Você acha? – fez uma careta. – Vocês passaram mais de três horas juntos e não brigaram. E ainda acha que se resolveram. – ela deu uma risada bem incrédula.
- Vocês falam como se eu vivesse brigando com ele. – falei desentendida e ganhei três olhares irônicos.
- Vocês viviam brigando, . – falou o óbvio. – Não era de se espantar que tivessem brigado hoje, de novo.
- Não somos mais crianças. – não me contive e soltei uma risada.
- Vindo do casal bomba relógio, eu não duvido muita coisa. – piscou e apontou pra mim.
Gargalhamos.
- Só em não ter vocês dois se olhando esquisito no meu casamento, está bom tamanho. – minha cunhada suspirou satisfeita.
- No meu foi uma palhaçada o teatrinho de vocês. Ridículo, sério. – rolou os olhos. – Podiam muito bem fingir que estavam bem, ou melhor, você esquecer o ciúme que tinha da loira.
- Obrigada pela parte que me toca. – coloquei a mão no peito. – Mas não dava pra fazer vista grossa, aquele cabelo dela me cegava de tão platinado que era.
- Eu não te conheci assim, amiga. – me olhou incrédula. – Você era menos ácida. – mostrei a língua com o deboche dela.
- Dá pra saber a idade mental da pessoa pelos gestos. – negou com a cabeça.
- Shut up. – rolei os olhos e rimos mais uma vez.

Nós tínhamos combinado de sair, até porque se não saíssemos, Jones ia ter uma síncope. Ele era assim, marcava algo e tinha ataque de menina fresca se não fosse cumprido, ou se houvesse desistências em cima da hora, porém, se o contrario acontecesse, meu querido... Amigo, se sentia no pleno direito de furar com os outros. Eu sei, muito contraditório, mas ele sempre tinha sido assim, ficava um pouco mais complicado de mudar, não impossível, só um pouco mais complicado.
E como eu e as meninas havíamos passado o resto da tarde jogando conversa fora, só fui tentar procurar uma roupa, quando elas já tinham ido embora, e pra casa e graças ao meu bom Deus, na mãe dela. E no momento em que eu revirava minha mala atrás de um vestido decente, me dei conta de uma coisa. Eu precisava de . SEMPRE foi assim, quando íamos sair, era ela quem me salvava na hora das roupas. Se na época de adolescência, em que vivíamos comprando roupa, eu precisava de ajuda, imagina naquela fatídica noite, que eu tinha acabado de voltar e não fazia a mínima ideia do que vestir.
Calcei o tênis que estava mais perto, peguei meu casaco e desci as escadas correndo. Ligar e mandar mensagem não ia resolver coisa nenhuma, principalmente se ela estivesse no seu momento criativo de escolher roupa, como eu apostava que ela estava.
- ? – Meg abriu um sorriso assim que me viu e a abracei.
- Oi, Meg. Tudo bem? está por aqui? – entrei na casa e acenei para o tio Stephan que estava no sofá, ele sorriu e acenou de volta.
- Lá em cima, pode subir.
- Obrigada. – sorri e logo subi, batendo na porta do quarto dela.
- O que foi? – minha amiga fez careta assim que abriu a porta e me viu.
- Preciso de ajuda, não sei o que vestir. – dei um sorriso trincado, fazendo-a rir alto.

me fez a todo custo, vestir um vestido que era mais apertado que o normal na parte do busto. E quase fui ameaçada de morte, quando me recusei a usá-lo, dizendo que ia de Jeans a essa tal boate, casa de show, pub, ou seja lá pra onde iríamos. O vestido não era de todo ruim, era sim bonito. A cor também me agradava, a questão é que fazia um bom tempo que eu não usava roupa daquele tipo, e meia calça também, principalmente tão grossa. Mas minha cunhada não me escutou, apenas me enfiou dentro do vestido, sacudiu meu cabelo e disse que eu estava linda. Se ela diz, quem sou eu pra discordar?
Isso mesmo, uma Judd. Então não vou discordar de elogios.
Ela usava uma meia calça bem escura por baixo da saia preta fosca, uma blusa de tecido fino com estampa de animal print e uma jaqueta preta de couro por cima, sem falar nos saltos pontiagudos, que eu também calçava.
Quando saí da casa dos Jones. Pois é eu tinha me arrumado por lá e agradecia por eu e usarmos quase o mesmo número, tanto em roupa, como em calçado, ou juro que estava perdida. Entrei em casa, sem fazer muito barulho, peguei uma bolsa pequena e desci as escadas com o mesmo cuidado, abri a porta da frente e Danny já me esperava sorrindo, ele estava simplesmente maravilhoso, usando um jeans escuro, camisa de botões, branca com umas pintinhas cinza e o casaco marrom, me deixando completamente tonta. E pra completar a visão maravilhosa, se encontrava escorado em uma Range preta. Ele tinha trocado o carro? Desde quando?
- Oi. – sorri largamente, o abraçando e recebi um abraço gostoso e apertado de volta.
- Oi. – ele sorriu e me beijou. – Vamos? Ficamos de encontrar com o resto do pessoal por lá.
- Claro. Cadê o Jaguar? – perguntei e quando ele abriu a porta pra mim, coloquei a mão no peito lisonjeada, Jones piscou.
- Em casa, fui buscar a Range na revisão. – Danny fechou a porta e logo se acomodou no banco do motorista.
- Pra onde vamos? – passei o sinto.
- Kress’s. – Jones respondeu com um sorriso e arregalei os olhos.
- O pub do tio da ? – ele afirmou. – Meu Deus, faz anos que eu não vou por lá! – coloquei as mãos cobrindo a boca. – Sabe o que me lembra? – perguntei rindo.
- Nosso primeiro show. – ele riu e puxou minha mão, segurando forte. – É, o lugar é bem importante sim. – vi um sorriso surgir no canto dos lábios dele, sabendo o que exatamente habitava em sua mente.
- Eu também me lembro disso. – falei rindo, depois me estique e beijei sua bochecha.
- Não tem como esquecer, princesa. Eu fui seu primeiro namorado. – ele beijou mina mão. – e o contrário também é válido.
- Eu sei! – soltei animada e mordi a bochecha dele.
Ao chegarmos ao bar, Danny estacionou em uma das vagas e saímos, ele com a mão apoiada em minhas costas, me guiando pra dentro do lugar, enquanto tentávamos relevar algumas fotos que eram tiradas. Tentar reprimir aquele tipo de assédio da imprensa era uma missão quase impossível. Se você não queria ser visto, era melhor nem sair de casa, principalmente acompanhada de algum dos meninos, ou coisa do tipo.
Entramos no local, que eu lembrava-me perfeitamente como era cada detalhe por dentro. A decoração ainda continuava a mesma, aquela coisa rústica e aconchegante, que fazia você querer ficar mais e mais ali, os empregados ainda eram quase todos os mesmos, que acenaram animadamente pra nós, quando nos viram e devolvi o aceno em uma animação igual, ou até maior. As colunas com molduras em madeira, penduradas e dentro delas, algumas fotos das pessoas que tornaram aquele lugar especial pra todos que frequentavam. Os meninos haviam ganhado um lugar cativo em uma das molduras espalhadas, afinal a história deles havia começado ali.
No canto ao fundo, o pequeno palco parecia estar mais moderno, assim como as TVs de plasma espalhadas em pontos estratégicos, passando alguns vídeos de bandas famosas, enquanto dava a hora de começar o pequeno show que daria inicio a noite. Eu podia sentir a energia tomar conta de mim, só em lembrar que estávamos ali outra vez, me deixava bem mais do que elétrica. O que me faz confirmar a sua hipótese de que nós passamos boa parte da nossa adolescência ali dentro, não só por ser propriedade dos Kress’s, mas também porque os meninos faziam show regularmente as sextas e sábados no lugar. Eu e as meninas, sempre apoiamos a formação da banda, o gosto que eles tinham por cantar e a diversão que exalavam fazendo o que gostavam. Além de ajudarmos em tudo que podíamos, o que acabava nos tornando “as assistentes” do McFLY. Bom, e melhor posto não poderia existir na época.
- Hey! – cumprimentamos nossos amigos assim que demos de cara com a mesa acoplada a parede, que já estava quase completa e eles acenaram de volta. e Tom no canto, Harry e mais pra fora no banco e do outro lado, Dougie e , que afastaram pra ponta, nos deixando sentar.
- Olá, casal. – Dougie deu um sorriso de deboche e os meninos riram. – Vão brigar hoje, ou não? – rolei os olhos.
- Ta vendo como não sou só eu quem pensa assim? – riu e tomou um gole do que parecia ser água com gás.
- Quem se lembra do apelido que colocou? – Tom perguntou, cobrindo o rosto com a mão, enquanto ria.
- Melhor apelido de todos os tempos. – Harry chamou o garçom com um aceno, enquanto ria. E deu de ombros, com um sorriso convencido.
- Não era! – eu e Danny falamos ao mesmo tempo. – Aquilo era ridículo. – coloquei a mão na testa, prendendo uma risada.
- , nem era. – riu. – Era perfeito.
- Casal bomba relógio? – Danny riu incrédulo. – Era ridículo sim. – ele disse abrindo a cerveja que haviam acabado de colocar em sua frente.
- Ei! Não chamem meu apelido de ridículo. – protestou.
- Era ridículo sim. – apontei, sem coseguir segurar a risada e senti Jones levantar da cadeira. Olhei pro lado, sem entender por que.
- Vou buscar mais bebida. Harry? – ele chamou meu irmão, que beijou a testa de e também levantou.
- Vamos. Água pra e o Dougie? – Judd perguntou apontando levemente e os dois deram joinha. – Vamos, Jones. – ele deu um tapinha nas costas do Danny e saíram conversando, enquanto demos continuidade à discussão de se o tal apelido era ridículo ou não.
Assunto que não tomou muito rumo, por ser realmente irrelevante. Então entramos no assunto de como estavam as nossas vidas nos últimos oito meses. Os meninos já tinham voltado com as garrafinhas de cerveja e as de água, quando eu estava bem concentrada em ouvir muito da vida de todo mundo, e tirar a minha do foco. Não que tenha sido um fracasso, mas ouvir sobre eles era sempre mais legal, até porque tinham ficado juntos esse tempo todo, mas uma hora caiu em mim e falei sobre algumas coisas, mais especificamente o meu trabalho, no qual eu tinha orgulho acima de tudo.
À noite seguiu acompanhada de mais três rodadas de cerveja, alguns petiscos, várias músicas boas, onde cantamos em conjunto, dançamos mesmo sem sair da mesa, conversas simplesmente maravilhosas e muitas risadas, acima de tudo.
A segunda parte da noite foi embalada por recordações. As festas furadas que fazíamos e os jogos idiotas que teimávamos em jogar, como uma coisa chamada “verdade ou tequila”, o nome é bastante explanativo, acho que não precise de uma explicação aparente ou algo do tipo. E em uma das vezes que fizemos isso, meus pais tinham viajado pra passar um fim de semana fora, acho que meu pai tinha algum congresso ou algo do tipo e acabou deixando a casa por nossa conta. Agora vocês imaginem oito adolescentes, dentro de uma casa com bebidas a vista e nenhum adulto por perto, nós ficamos tão bêbados que uns dormiram no carpete da sala, outros na escada. E eu acordei na bancada da cozinha, em meio a um monte considerável de copos.
Eu sei e não me orgulho disso, nunca disse que me orgulhava. Só que com essa memória, os bonitinhos decidiram que queriam jogar mais uma vez. Os copinhos com as doses de tequila já estavam distribuídos e cheios no meio da mesa, perto tinha um pires com sal e outro com limões. Se íamos tomar tequila, que fizéssemos o ritual certo.
- Tem certeza? – perguntei duvidosa. – Faz anos que eu não sei mais o que é tomar tequila. – ri com receio, olhando para os copos a minha frente.
- ANOS? – gritaram na minha cara e afirmei, eles riram.
- Então toma a primeira dose. – Danny empurrou o copo pra minha frente.
- Oi? – arregalei os olhos.
- Vai! – Dougie apontou. – Toma logo. ! ! ! – eles começaram a gritar me encorajando. Respirei fundo e fiz todo o ritual, primeiro o sal, depois a dose de tequila e por fim o limão.
- Satisfeitos? – perguntei rindo, enquanto fazia careta, sentindo a garganta irritar pelo álcool. Recebi respostas afirmativas em troca e continuei rindo.
- Vamos começar de verdade? – Harry arqueou as sobrancelhas como só os Judd’s podem fazer. Repeti o gesto e dei joinha.
- Claro que vamos! – Tom gritou meio esganiçado.
- Então. LET’S GO! – gritei girando a garrafa de cerveja no centro da mesa e todo mundo gritou “uhuu”.
Ela rodou, rodou, rodou, rodou e parou para que o Harry perguntasse a . Nós olhamos pra ela e perguntamos, enquanto o Harry fazia a percussão na mesa.
- Verdade ou... TEQUILA? – todo mundo gritou.
- Pode mandar verdade, Harry! – ela falou confiante, dando uma rolada de olhos e gritamos “Uuuuuu!”.
- Então tá. O que você fazia com o Dougie, atrás das arquibancadas nos dias de jogo? – abri a boca em forma de “O”. Harry era bem direto quando queria.
E aquela pergunta me lembrou de que aquela merda de garrafa iria me ferrar naquela noite, eu estava sentindo a desgraça.
- O mesmo que vocês dois! – apontou para os noivos da vez, deixando rindo nervosamente.
Como se não soubéssemos dessa palhaçada atrás das arquibancadas, não que lá fosse um lugar ruim. Na verdade não era nenhum pouco. Qual é? Todo mundo já tinha se pegado atrás das arquibancadas daquele colégio. Não sei pra que essa risada escandalosa de .
- Uns amassos. – Dougie falou dando de ombros e nós rimos.
Nossa animação era surreal. Sempre era assim, fora do comum e às vezes se tornava fora do controle. girou a garrafa que parou para que eu fizesse a pergunta para o Tom.
Todo mundo gritou de novo.
- Verdade ou... TEQUILA? – ele olhou pra minha cara, pensativo, arregalou os olhos e respondeu.
- TEQUILA! – Thomas riu e em seguida completou o rito da tequila, enquanto ouvia deboches e xingamentos de o quanto ele era frouxo.
- Te conheci mais corajoso, Fletcher. – Danny bateu os dedos na mesa de madeira e Tom lhe mostrou o dedo do meio.
- E eu te conheci menos idiota, Jones. Não, você sempre foi tapado assim mesmo. – não consegui segurar a risada e acompanhei os outros na gargalhada, Dan apenas fez a famosa cara de bunda.
Tom girou a garrafa e parou para que Dougie perguntasse a Danny. Lá vem bomba! Eu estava sentindo que ia ter algo relacionado à minha pessoa naquela pergunta.
Todo gritamos mais uma vez.
- Verdade ou.... TEQUILA?
- Verdade! – Danny riu e fechou a cara de uma vez, quase empalidecendo. Percebendo a besteira que tinha feito.
- Você que pediu. – Poynter deu um sorriso de canto e bateu a mão na mesa. – Ainda nessa atmosférica nostálgica. O que você fazia tanto em Cambridge, Jones?
Eu simplesmente engasguei, arregalando meus olhos. Caso vocês não saibam, mas eu me formei na universidade de Cambridge, e é apenas isso que vou dizer.
Danny coçou a cabeça, com um sorriso um tanto sem graça, depois soltou uma gargalhada que simplesmente respondeu a pergunta e nos fez rir junto.
- Ah dudes, não vou entrar em detalhes. – ele coçou a nuca mais uma vez, depois o queixo. – Mas eu ia visitar uma pessoa. Às vezes ajudava a estudar para algumas provas, nada de mais. – ele riu, dando de ombros e rolei os olhos. Quando foquei minha visão novamente, vi meus amiguinhos nos olhando esquisitamente.
Eu só posso dizer que eu recebia visitas do Danny e nosso rolo foi longo e épico também. Permaneci no meu direito de ficar calada, Jones rodou a garrafa e a desgraça aconteceu. Harry me arqueou a sobrancelha e suspirei.
- Ok, agora vai ficar bom. – riu, se debruçando a mesa e olhando atentamente pra nós dois que estávamos de frente um para o outro.
- Oh claro que vai! – soltou uma risada.
- Irmãos Judd’s jogam sujo. – deu um tapa nas costas do meu irmão. Demos de ombros e puxei um copo, esperando que eles fizessem a pergunta.
- O quê? Vocês não vão me perguntar “verdade ou tequila”? – perguntei perplexa.
- Não! – Harry puxou o copo da minha mão na maior cara de pau. – Você já virou seu copo. – ele arqueou uma sobrancelha, bufei.
- Você ta roubando, Harry! – encostei o queixo na mão.
- Aham, e você joga limpo, . Claro que você joga. – Harry me olhou tediosamente.
- Vai Judd, pergunta logo. – o encarei. – Apesar de você estar roubando, mas dessa vez eu respondo. – pisquei para o meu irmão.
- Tudo bem. – ele deu um sorriso de canto. – O que você fez a tarde inteira com o Jones, hoje? – ele deu um sorriso idiota e Jones tossiu. Ótimo!
- Harry, que tipo de pergunta é essa? – perguntou com a voz esganiçada.
- Pode deixar, , eu respondo. – falei rindo. – Eu estava almoçando! E você sabe muito bem disso, criatura. – dei um sorriso largo, depois pisquei.
Girei a garrafa e o jogo havia virado. Eu ia perguntar pro Harry. Soltei um sorrisinho malvado e puxei o copo dele, o mesmo que ele tinha me tomado.
- Na-nani-na-não! Eu também sei brincar, Harry. – ri baixo. – Se eu não escolhi, você também não pode.
- Pergunta logo! – aquela brincadeira estava ficando melhor do que o que eu esperava.
- Por que você parecia todo durão, mas quando o assunto foi pedir Jones em namoro, você me ligou feito um bebê chorão? – ele estreitou os olhos e negou com a cabeça. As meninas estavam sem entender muita coisa.
- Pergunta a altura, você não presta. – ri alto. – “Não se preocupe, Hazz. Eu não vou contar a ninguém.” – ele fez uma careta, tentando imitar minha voz, o que só me fez rir mais. – E eu não vou responder.
- Trapaceiro. – ri mais ainda.
- Que seja, Judd. – ele rolou os olhos. Lhe mandei um beijo alado e o fiz rir.
A brincadeira continuou embalada, a medida que os copos iam secando, as perguntas ficavam um pouco mais comprometedoras e um tanto incriminadoras, mas nada que fosse lá muito preocupante.
Depois que finalmente cansamos daquele joguinho chato, já tínhamos bebido demais e era hora de ir pra casa. Com a mais perfeita certeza, era hora sim. Saímos do Pub ainda conversando e rindo sobre alguns assuntos. Danny me abraçando pela cintura, Harry de mãos dadas com , Tom com o braço no pescoço de e Dougie e , abraçadinhos.
- Vai comigo pra casa? – Danny perguntou, beijando minha bochecha.
- Hoje não. – sorri e beijei de leve o queixo dele. – Outro dia eu vou, mas hoje não. – falei rindo. Enquanto nós ainda andávamos em direção ao estacionamento, ouvindo o burburinho de conversas as nossas costas.
- Tá bom! – Jones beijou minha cabeça. – Harry te deixa em casa, já que ele vai deixar a lá na mãe. – ele falou um pouco alto pra que eu irmão ouvisse.
- Sonha Jones! – Harry falou rindo quando ouviu e Jones olhou pra trás de uma vez.
- Ok, beleza! – ele deu de ombros. – vai embora comigo. – Harry lhe mostrou o dedo do meio e eu ri alto.
- Quer uma solução pra isso? – perguntou. – Vai todo mundo pra suas casas e fica tudo lindo e maravilhoso. – ela disse abraçada ao Tom.
- Se vocês quiserem mates, nós as levamos pra casa, não é pequena? – Tom perguntou rindo e concordou com a cabeça.
- NÃO! – Harry e Danny gritaram e nós rimos com o desespero deles.
- Esses dois parecem crianças – soltou.
- O problema é levar até em casa? – Dougie perguntou levantando um braço. – Faz dentro do carro, depois leva em casa. Simples!
- Credo, Poynter! – soltei um grito, fazendo-os rirem. – Vai acontecer nada dentro de carro, vai cada um pras suas casas. – dei joinha.
Andamos até onde a Range estava e Danny escorou na porta, sorrindo pra mim, aquele sorriso simplesmente maravilhoso, chegando me deixar tonta e o aparelho só me deixava mais louca na boca daquele homem, que me abraçou tão carinhosamente. O abracei de volta, levantando um pouco a cabeça, pra que ficássemos no mesmo nível de altura e também sorri.
- Me dá um beijo? – ele pediu encarando minha boca.
- Aqui, Jones? – perguntei meio sem graça. – Do lado de fora? Pode ter...
- Só um. – ele fez um bico enorme. Suspirei.
Só um beijo não ia matar ninguém. Segurei o rosto dele com as duas mãos e o selei, depois suguei de leve seu lábio inferior e logo estávamos nos beijando com um pouco mais de intensidade, nada caloroso, era um beijo calmo e gostoso. Cheinho de saudades e que foi interrompido por uns três flashs em minha cara. Abri os olhos com um pouco de dificuldade e encontrei um cara com uma câmera do outro lado do carro. Danny rolou os olhos e desencostou do carro.
- Que merda. – Jones abriu a porta pra mim e andou para o outro lado com a cara fechada.
Sinceramente, eu não tirava a razão dele, aquilo era chato pra caramba e agora eu estava no meio disso. Coisa que me dava nos nervos, mas agora não tinha mais volta, só me restava saber com que status eu estaria nas bancas de Londres, quando amanhecesse.

Capítulo 5

Eu simplesmente não conseguia entender como a imaginação de todas essas pessoas que trabalhavam na imprensa era tão aflorada. Juro que não! Eles mal tinham conseguido uma ou duas fotos minhas com os lábios encostados aos de Danny e já saíam inventando milhões de coisas mirabolantes. Até porque um beijo meu com o Jones, daria mais ibope do que se fosse meu irmão em meu lugar, então eles tinham que jogar qualquer ideia que viesse a colar. Não, eu não sou exagerada. É claro que dava, principalmente sabendo do histórico suspeito dos quatro.
Quanto às fotos, não posso negar, elas haviam sido bem tiradas, principalmente as que possuí nós quatro saindo do Kress’s. Ficaram bem boas e se eu conhecesse o cara que as tirou, ia pedir uma cópia pra mim. Juro como elas poderiam ser postas na mesinha de cabeceira e ficaria uma coisa bem legal.
Só que de tudo que estava exposto nas capas dos jornais, o que mais me fez rir, foram às manchetes. Sim, elas me fizeram rir. Era certo que eu não gostava muito dessa exposição toda, mas algumas coisas eram necessárias que fossem relevadas. Enquanto não tivessem afetando a minha vida pessoal, eu apenas iria rir de tudo que fosse exposto na mídia. Era a única solução.

“Danny Jones foi visto ontem, aos beijos com uma garota misteriosa na saída de um pub.”

A primeira manchete que eu vi naquela banca, dizia, e quase me fez urinar na roupa de tanto rir. Sério? Misteriosa? A maioria das pessoas me conhecia apenas por causa do meu irmão. E essa criatura me aparece com essa. Mas quando você acha que realmente não pode piorar, eis que surgem as outras.

“Novo alvo de Danny Jones, Judd, irmã mais nova do seu companheiro de banda. Será só um affaire ou o começo de um relacionamento sério?”
“Depois de ter as duas irmãs comprometidas com dois de seus companheiros de banda, Danny Jones foi visto ontem com a Judd na saída de um pub. Assim como os outros guys e suas respectivas mulheres. Será que essa é a recompensa do Jones por aceitar o envolvimento das irmãs com os amigos?”
Judd já voltou a Inglaterra arrasando corações, a morena, foi vista aos beijos ontem com Danny Jones, um integrante da mesma banda que o seu irmão. Será que esse clima de casamento afetou o casal e teremos mais um guy comprometido?”

Alvo? Affair? Prêmio e clima de casamento?
Balancei a cabeça sem acreditar realmente no que eu tinha acabado de ler e soltei uma risada. Minha sorte era realmente ser cabeça fria, ou iria passar raiva sem muito cabimento.

Acabou que na noite anterior, Danny foi me deixar em casa sem mais protestos e Harry fez o mesmo com minha cunhada. Foi realmente bem tranquilo e esquisito, principalmente pelo fato do meu irmão ter dormido em casa, mais especificamente no meu quarto, onde ficamos conversando besteira até quase pela manhã.
Acordei ainda cedo, com uma ótima dor de cabeça. Harry não estava mais no quarto, o que me fez deduzir que ou ele tinha ido pro quarto dele, ou tinha saído cedo. E a segunda opção foi confirmada com minha mãe, assim que desci pra tomar café.
Depois de comer, fui resolver umas coisas que dona Rachel havia me pedido, meu pai tinha deixado o carro pra eu usar, e achei um amorzinho. Melhor pai ever. Sinceramente, eu já estava começando a me sentir uma criança dentro daquela casa, dependendo de todo mundo pra fazer qualquer coisa. Bom, após ter recuperado a minha “independência” e ter comprado alguns legumes, frutas, pastas, doces e nozes, parei em uma banca pra sanar a minha curiosidade e dei de cara com as notícias.
Enquanto eu ria, vendo o alarde todo por causa de um beijo que nem foi tanta coisa assim, algumas pessoas que paravam na banca, olhavam pra minha cara, depois pra revista e aí me olhavam de novo, me fazendo ter vontade de rir.
Quando saí de lá, ainda achando engraçado a situação toda, recebi uma ligação da .
- Bom dia Judd! – minha amiga falou animada.
- Bom dia Little Fletcher! – entrei no carro, colocando as coisas no banco do passageiro.
- Já viu o que saíram dizendo sobre você? – ela perguntou rindo e ri também.
- Sim, eu vi. Estava me acabando de rir aqui. – passei o sinto e coloquei o óculos de sol.
- E o tapado do seu namorado? – ela riu e rolou os olhos.
- Não falei com Danny ainda hoje. – baixei o quebra-sol do carro e fiz careta encarando o espelhinho.
- Okay. Mas eu liguei pra confirmar a costureira hoje. Você pode pegar a na casa da mãe?
- Pego, pego sim. Eu vou deixar umas coisas pra dona Rachel, passo lá e pego. Depois sigo pro ateliê. Às 10 horas não é? – olhei para o relógio, vendo que faltava meia hora pro combinado. – É pra passar aí também?
- Nops, ficou de passar aqui, assim ninguém se atrasa.
- Ok então, até daqui a pouco. – voltei o espelhinho para o lugar e liguei o rádio. Passava Rolling in the deep.
- Ouvindo Adele? perguntou rindo e ri junto.
- Liguei o rádio e estava passando. – falei rindo. – Indo pra casa agora. Bye, beijo.
- Tchau , beijo.
Dei a partida no carro e fui direto pra casa, deixar as compras da minha mãe, depois me enfiei na casa dos Jones. Se eu não apressasse minha cunhada, nunca sairíamos de lá. Tudo bem que o ateliê era dela, que ela era quem tinha feito o vestido, mas se nos atrasássemos, atrasaria o dia todo. Então quando conseguimos sair de casa, segui direto para o ’s.
Era maravilhoso dirigir livremente pelas ruas de Londres, o transito não ajudava em muita coisa, mas era muito bom estar por ali de novo, me fazendo perceber que era tudo que eu precisava há algum tempo, sentir que eu ainda conhecia aquele lugar, que ele ainda fazia parte de mim. Ao chegarmos no centro da cidade, relembrei as minhas idas ao cinema, shopping, Starbucks e lojinhas de conveniências que vendiam coisas baratas, só com as meninas, ou com a turma toda ou até mesmo só com o Danny, quando nós dávamos um perdido nos outros.
Era tão engraçado como as coisas aconteciam, mesmo depois que cada um tomou sua direção na vida, nossa amizade ainda continuava a mesma, antes éramos oito adolescentes loucos que andavam em bando pelas ruas de Londres. E depois nos tornamos metade McFLY e a outra metade McGirls e McSisters.
Logo, nem tão logo assim, chegamos ao ’s, sob reclamações de , que tinha falado que se não chegássemos em 10 minutos, cabeças iriam rolar.
O resto da manhã foi atolada nos vestidos, o meu tinha ficado lindo e eu havia amado o modelo, mas precisaria de alguns pequenos ajustes e o nosso cabelo precisava ser decidido o que ia ser feito, já que minha cunhada ainda não tinha resolvido de fato. Tomamos quase o resto da manhã nisso. E quando eu achei que não íamos poder ver o vestido dela, depois de tanta embromação que fez, nós conseguimos e digo com certeza e garantia que o vestido era simples, porém lindo. Perfeito.

Danny’s POV

Eu tinha acordado aquela manhã depois das 10h00min, com a cabeça doendo e meu estomago revirando um pouco, sem falar na sede que não me largava. Respirei fundo esfregando o rosto e peguei o celular no criado mudo, precisava saber como estava depois da bagunça que tinha se iniciado na noite anterior. Mas não tinha nenhuma ligação ou mensagem dela e muito menos dos meninos.
Ela deveria estar levemente possessa depois de ver algo relacionado às fotos. nunca foi a garota que tivesse exposição em seus maiores planos, sempre muito escondida quando o assunto era mídia, mesmo com toda essa agitação na família, sempre procurava se manter invisível.
E deduzindo como poderia estar o seu estado de humor, eu achei melhor mandar uma mensagem.

Danny: Oi Princesa! Bom dia. Como passou a noite?

Depois de mandar a mensagem, levantei da cama sem a menor vontade e fui me arrastando até o banheiro, me esticando e bocejando, na intenção de melhorar o meu estado de sono. Tomei um remédio pra aliviar minha dor de cabeça e depois fui pro banho. Após quase meia hora debaixo da água gelada. Eu realmente precisava despertar. Peguei a toalha e entrei no quarto secando meu cabelo, enrolei a toalha na cintura e peguei meu celular no criado mudo, sentando na cama em seguida.

: Oi! Minha noite foi ótima, obrigada. Como foi a sua? Acabei de ver uma revista aqui e não me aguento rindo.

Ri involuntariamente com a mensagem dela. Ela não estava com raiva. O que era bom.

Danny: Minha noite foi +-, minha cama estava vazia sem certa garota, sabe? A mesma que, segundo você, saiu nos jornais comigo. Kkkkkk , tem certeza que você não tá brava? Eles podem pegar pesado às vezes.

Respirei fundo e levantei da cama, me vesti rápido e desci as escadas ainda com o celular em mãos, esperando a mensagem dela. Abri a geladeira procurando alguma coisa pra comer e vi que não tinha nada de futuro. Suspirei, ia ter que comer fora de novo. Saí da cozinha pra pegar a chave do carro e meu celular vibrou.

: Pois se depender dela, sua cama ainda vai ficar vazia por um tempo ;) Hahaha. Calma Dan! E são até engraçadas algumas manchetes, fui taxada de desconhecida/misteriosa, peguete ou namorada, prêmio e noiva. Você acredita?

Soltei outro sorriso idiota. Eu não estava me conhecendo naquela pose de bobão.

Danny: Droga princesa, vc é muito cruel comigo. Mas que bom que gostou do seu novo status. Tá onde? Quero te ver antes ir olhar o paletó.

Mandei a mensagem e caminhei pra porta da garagem, jogando a chave do carro pra cima.

: Que cruel o quê, Jones? KKKKKK Não sei se gostei muito desse novo status, na verdade nem sei se da pra considerar assim, não por enquanto. E estamos na costureira provando os vestidos. Não ouse vir pra cá agora!
Danny: Quanto ao status, é uma coisa que podemos resolver bem rápido, se você quiser. Já eu apareço pra ir olhar o paletó, . Almoça comigo hoje?
: Putz, não posso, marquei de passar o dia com as meninas. Sorry.
Danny: Tudo bem então, depois eu te ligo ou você vem aqui?
: Me liga. Beijo. Até depois.
Danny: Até. Beijo.

Abri a porta da garagem, tendo a impressão de ter esquecido alguma coisa e mesmo sem querer, continuei meu caminho, ou me atrasaria e seria motivo pra chacota, como sempre. Dei partida no carro e recebi uma mensagem do Fletch, dizendo que nos queria as duas em ponto no estúdio de filmagem para o último ensaio do The McFLY Show. Isso! Era isso que eu estava esquecendo.
Nós iríamos gravar um programa de auditório, que envolvia o McFLY, obviamente, e seria bem focado na comédia, então não seria muito esforço. No último mês, nós tínhamos trabalhado um bocado, ensaiando algumas coisas e estudando um tipo de roteiro, gravando cenas que eram ambientadas fora do estúdio. E com certeza, o programa ficaria melhor que o Nowhere Left To Run, pelo menos, teoricamente, já tínhamos alguma experiência.
Continuei o caminho pra ir encontrar os caras e o Fletch, ainda com a sensação de ter esquecido alguma coisa em casa. Decidi apalpar os bolsos na intenção de lembrar o que era. O celular estava, as chaves também... Que droga! Eu tinha esquecido a merda da carteira. Rolei os olhos e entrei no próximo retorno sinalizado na rua. Eu ia sim chegar atrasado, mas pelo menos era por uma causa maior.

’s POV.

Depois de passar a manhã quase toda resolvendo tudo que fosse relacionado às nossas roupas, saímos pra almoçar quando Harry ligou avisando que eles iriam demorar para aparecer, por causa de algo relacionado a algum programa de TV. E nosso almoço foi embalado nessa conversa, o assunto se resumia a como iria ser o tal programa, como os meninos estavam adorando aquilo, o quanto eles estavam se esforçando, as brincadeiras, risadas e minha invejinha branca de não ter visto tudo aquilo de perto. Orgulho é uma coisa que maltrata e machuca as pessoas, no meu caso não era diferente, mas eu estava disposta a mudar.
Depois do almoço, que havia sido em um restaurante incrível e aconchegante, com uma comida tão maravilhosa que eu queria contratar o Cheff dali só pra cozinhar pra mim. Nós decidimos ir olhar algumas roupas, sapatos e qualquer outra coisa que preenchesse o nosso precioso tempo, afinal ninguém é de ferro. Quando paramos em uma das lojas de lingeries da Tiffany’s, fizemos provar várias, ela precisava estar maravilhosa pra sua nova fase de vida e lingeries sempre ajudavam. E enquanto ela fazia poses engraçadas e toscas demais para serem sexys, eu realmente esperava que minha cunhada tivesse guardando sua sensualidade apenas para o meu irmão, ou as coisas iriam desandar se ela fizesse algo daquele tipo.
- Você vai fazer isso na frente do Harry? – perguntei fazendo careta enquanto ela se mostrava toscamente, com uma lingerie azul clara.
- Óbvio que não . – rolou os olhos e nós rimos. – Parece que é lerda.
- Ei! Olha a ofensa. – adverti com o indicador levantado e entrou no biombo mais uma vez.
- Isso é a troca de saliva com o sardento. – disse rindo e olhei pra ela tediosamente, depois a empurrei.
- ! Coloca a azul escura! – pediu.
A azul escura era mais uma das que nós tínhamos escolhido, ela parecia mais uma sinta liga do que lingerie normal.
- Precisamos organizar a despedida. – falei baixo, perto das meninas.
- Eu sei, mas a gente vê isso depois. – deu dois tapinhas em meu joelho e afirmei junto com . – Ou aqui vai dar bobeira.
- O que acharam? – a noiva saiu do biombo com a lingerie e nós três olhamos completamente abismadas para ela.
- Você tem que usar isso na noite de núpcias! – disse em praticamente um grito e afirmei fervorosamente. – Eu preciso de uma dessas, onde você achou? – a baixinha levantou do puff em um pulo e gargalhamos.
- ! – gritamos ainda rindo, com os olhos arregalados. Como se reprovássemos a atitude dela.
- O que foi vocês? Eu sou casada! Há dois anos! – ela abriu bem os olhos, como se aquilo fosse óbvio. – Garanto que o Tom vai gostar.
- ! – nós gritamos de novo. – Nos poupe. – completou, enquanto a gente ria. Era totalmente esquisito ver a falando daquele jeito, ela era quase a mais nova e já estava casada há dois anos. Quanto eu tinha dormido?
- Compra alguma com a estampa do Yoda. – tentei prender a risada, mas quando percebi, já gargalhava junto com e .
- Vão se catar, vocês. – negou com um aceno, mas depois riu.
- Certeza que vocês passam mais de um ano sem filhos? – perguntei a e ouvi as risadas. – O que foi? – a pergunta saiu esganiçada.
- Você é médica, achei que conhecesse uma coisa chamada camisinha. – riu, olhando pra minha cara.
- E eu conheço, feminina e masculina, inclusive. – dei de ombros. – Mas olha o que ela tá usando, o Judd vai morrer. Pobre do meu irmão. – mostrei desespero na frase e minha cunhada me mandou um beijo alado. – Sem falar que, EU PRECISO DE UMA DESSAS! – apontei.
- Você o quê? – as atenções se voltaram pra mim.
- Pobre do meu irmão. Isso sim! – disse convicta e mandei o dedo.
- Por que vocês sempre metem o Danny em tudo? Quem tocou no nome dele? – cocei a testa com certo desespero na voz.
- E você vai usar isso pra quem, que não seja ele? – perguntou em um tom óbvio e rolei os olhos.
- Pra mim! Não posso querer me sentir bem? – a frase saiu defensiva demais e fiz uma careta.
- Estando em Londres. E perto do Danny, duvido bastante. – soltou uma risada.
Afundei no sofá usando o meu direito de ficar completamente cala e suspirei.
- ? A próxima. – induzi a próxima peça de roupa e senti tapas em minha testa.

Confesso que passamos toda a tarde rodando algumas lojas. , e , aproveitaram pra me empurrar cada roupa que elas achavam que dava certo comigo, usando os argumentos que eu necessitava compra-las, porque as minhas estavam em um estado alarmante. Eu não tenho culpa se passava a maior parte do tempo com meu jaleco. E depois de ter no mínimo sete sacolas na mão e um celular totalmente descarregado, havia saído com Harry pra terminar de decidir com a equipe que iria decorar o hotel fazenda. E isso não era fácil naquela época fria/congelante do ano.
O lugar ficava em Bolton, cidade dos avós dos Jones e uma das melhores de se conhecer na Inglaterra, perdendo apenas para Brighton e Cambridge. O espaço era simplesmente incrível, além de ser um hotel fazenda, com duas áreas enormes e incríveis. Uma era área de inverno, toda equipada com aquecedores, três salões e piscinas também climatizadas, onde eu apostava que iria ser realizado o casamento. E outra área, a campal, com um enorme gramado e as piscinas a céu aberto, mas que congelaria todos nós se ousássemos fazer qualquer tipo de comemoração por lá.
Como eu sabia de tudo isso? Uma coisa chamada internet. Porque na verdade eu nunca tinha ido lá, mas estava muito ansiosa pra conhecer.
Também usamos um pedaço do tempo pra tentar encaminhar os planos para a despedida de solteira. Nós queríamos alguns dançarinos, algumas bebidas, música boa e também faríamos um chá de lingerie, que também envolvia presentes mais apimentados para a noiva.

Quando eu cheguei em casa, já era quase 18h00min, com algumas sacolas e um cansaço enorme, sem falar na fome. Entrei sem fazer tanto barulho e encontrei meus pais aos pés da escada, arrumados e rindo de alguma coisa enquanto minha mãe ajeitava a gola do casaco dele.
Sorri encantada com a cena. Era tão incrível vê-los daquele jeito, apaixonadinhos e sorrindo por qualquer coisa que os fizesse bem.
- Oi família! – gritei, fazendo os dois virarem a atenção pra mim e depois rirem.
- Oi princesinha! – meu pai falou sorrindo, enquanto eu andava rápido até os dois. Abracei cada um distribuindo beijos no rosto e vi os dois rirem.
- Vão onde, tão lindos? – perguntei rindo, achando a coisinha mais fofa do mundo.
- Cinema. – minha mãe disse com um sorriso, sendo abraçada levemente por meu pai.
- Tudo bem. – sorri. – Divirtam-se. Comam bastante pipoca e não cheguem muito tarde. – dei uma piscadela. – Traga a moça antes das 22h00min Mr Judd! – falei como se fosse um pai raivoso, entregando a chave do carro a ele e os dois riram.
Beijei os dois e subi as escadas com pequenos pulos, igualzinha a uma criança feliz por ter chegado em casa. Abri a porta do meu quarto cantarolando e joguei as sacolas de papel com todas as roupas que eu tinha comprado, inclusive um exemplar da lingerie azul, em cima da cama. Tirei o celular da bolsa e coloquei pra recarregar a bateria, já que estava desde as 16h00min, morto.
Liguei o rádio da TV e fiquei realmente cantando, enquanto guardava e provava algumas das roupas que eu havia comprado. Quando um lugar te faz bem, sua felicidade flui tão naturalmente, de um jeito maravilhoso e até bobo. Terminei de organizar minhas coisas e o quarto, depois fui para o banho, que me fez relaxar ainda mais, mas não demorei muito, meu estomago estava roncando e doendo. Eu precisava comer.
Vesti um moletom quentinho e desci pra procurar algo para comer, ou ligar pedindo comida. Eu só precisava comer. Entrei na cozinha e acendi a luz, encontrando-a na mais perfeita organização, me aproximei da geladeira e vi um bilhete nela.

, fomos ao cinema, não te chamei porque você parecia cansada e tem coisas mais interessantes a fazer, do que sair com dois velhos. Tem lasanha na geladeira. Não volto muito tarde. Beijos, Mamãe.

Soltei uma risada com o bilhete, eles dois eram uns amores mesmo. E muito pelo contrário do que minha mãe pensava, a companhia dos dois não era problema pra mim, eu só estava realmente cansada aquele dia. Bati no bilhete com a ponta do dedo, ainda rindo e abri a geladeira, encontrando a lasanha me esperando. Coloquei-a em um prato e pus no microondas, acionei em dois minutos e sentei na bancada. Encostei o rosto na mão, enquanto via meus pés balançarem.
Será que minha mãe tinha visto o que havia saído? Tudo bem que poderia não parecer nada demais, mas era um pouco complicado. Eles eram meus pais e por mais que estivessem acostumados com a exposição do Harry, minha situação era completamente diferente. Até porque quando se tratava do Jones, éramos muito mais do que só o Danny e a irmã do Harry, nós tínhamos algo maior do que aquilo, não no sentido amoroso, as coisas tinham ferrado bacana pro meu lado nesse quesito, mas a minha amizade com ele era bem mais forte do que o quê a manchete mostrava. Nós éramos muito mais do que aquilo, antes dele ser um cara incrivelmente talentoso no que fazia, ele era uma pessoa como todas as outras. Uma pessoa que não tinha tanta privacidade e nem sempre gostava daquilo.
Suspirei. Me achando completamente inútil por não poder mudar algumas coisas. Eu me sentia impotente em não poder transformar tudo aquilo.
O alarme do microondas fez barulho e pulei da bancada pra pegar a lasanha. Depois de comer e deixar o prato limpo, peguei uma garrafa de água na geladeira e subi para o meu quarto. Me joguei na cama e peguei o celular que estava do lado, pra ver se alguém tinha tentado falar comigo durante a tarde. Liguei o aparelho e depois de alguns segundos que pareceram minutos, o telefone ligou, chegando cinco mensagens do Danny, três emails do hospital e dez ligações do cara em questão. Fiz careta. O que tinha acontecido?
Não olhei o que diziam as mensagens, retornei logo as ligações, no primeiro toque ele atendeu.
- você está ficando doida? Por onde você andava? – ele disse de um jeito desesperado e arregalei os olhos, assustada com a reação do Danny. – Desde as 16h00min que eu tento falar com você e nada. Sumiu! Não atende, não responde. Eu fiquei preocupado caramba! – Danny se mostrando mais agoniado do que costumava ser, tudo de uma vez, sem respirar direito.
Rolei os olhos e respirei fundo.
- Hey Jones, vai com calma! – arregalei os olhos. – Eu fiquei totalmente sem bateria e você poderia ter esperado eu dizer, antes de sair com essa grosseria. Qual a necessidade de dez ligações e cinco mensagens? Eu garanto como iria te ligar quando eu tivesse chegado. – falei séria. – Eu quem fiquei preocupada, com medo de ter acontecido alguma coisa com esse seu desespero, sem motivo e sem causa. – neguei com a cabeça e o ouvi suspirar.
- Tudo bem, desculpe. – Danny suspirou mais uma vez. – Eu-eu. Eu não sei. Desculpa. – mordi a boca. – É que, eu queria saber se... você quer sair comigo hoje. Sei lá, dar uma volta.
- Não Jones. – passei a mão na testa, soltando o ar dos pulmões. Eu não ia brigar com ele. Eu não ia. – Estou esgotada! – falei mexendo na barra da calça, por mais que eu quisesse dar um jeito de vê-lo aquele dia.
- Me desculpa princesa, eu sei que exagerei, mas é que... Eu me apavorei em você não ter falado. – ele soltou o ar pelo nariz – Prometo não fazer mais isso. – Danny parecia culpado e suspirei. Não adiantava entrar em atrito por algo tão idiota.
- Tudo bem, Dan. Eu realmente estou cansada, hoje nós passamos o dia andando. – falei rindo.
- O que vocês fizeram tanto?
- As meninas me fizeram comprar roupa. encasquetou que eu precisava comprar e acabei comprando. – dei de ombros e rimos. – E você? As meninas me disseram sobre o programa.
- Sim, o The McFLY Show! Eu não tinha te dito, mas eu ia dizer. – ele riu. – Nós ensaiamos umas coisas, gravamos outras e fizemos algumas fotos.
- Sério? – perguntei com um sorriso bobo. – Saudade de ver vocês assim, se empolgando com os projetos. Brincando. Eu gostava de acompanhar tudo isso.
- Como eu gostava de ter você por perto. – ele disse e praticamente pude ver o sorriso no rosto do Danny. – E eu ainda quero ter você por perto. – acabei sorrindo feito uma adolescente. – Quer sair? – ele perguntou de uma vez.
- Sair? – soltei uma risada. – Não sou a melhor companhia, Danny. Me sinto um caco, só quero dormir.
- Tem certeza, ? – ele também riu. – Não quer sair só pra andar, ou fazer qualquer coisa?
- Dan, você não pode só andar por aí. – nós rimos. – Desculpa, mas eu estou realmente bem cansada.
- Tudo bem, amanhã eu vou te ver.
- Venha sim. – falei sorrindo. – Boa noite, Danny. Beijo.
- Boa noite, princesa. – ele fez um barulho de beijo e desligamos o telefone.

Acordei cedo naquele domingo. Afinal era domingo. E sabe o que isso significava? Almoço na nonna. A minha avó era uma das mulheres mais incríveis que eu conhecia na vida, isso depois da minha mãe, claro. Além de ser um doce de pessoa, ela ainda era uma ótima cozinheira, daquelas de mão cheia e que não te deixam sair de lá até você estar rolando em vez de andando.
- Putz, faz tempo que eu não vinha por aqui. – falei rindo, enquanto olhava pela janela do carro como se fosse uma criança. Ouvi meu irmão e minha cunhada rindo.
- Claro que faz, . – respondeu sorrindo.
Eu tinha ficado de ir junto com o Harry e a , e pra chegarmos a casa dos nossos avós, nós passávamos por uma longa estrada arborizada, era completamente arborizada e estava do mesmo jeito de quando eu havia visto a última vez. O caminho era longo e na melhor das hipóteses, nós demoraríamos no mínimo umas duas horas pra chegar, já que ficava em uma pequena cidade na vizinhança. Eles moravam em um lugar, que parecia uma fazenda. Era enorme, tanto a casa como o terreno em que ela estava inserida e desde que eu me lembrava, o quintal era gigantesco, com alguns pinheiros, uma enorme mesa de piquenique, não suficiente pra abrigar a família toda quando decidíamos nos juntar, que fique claro, mas era enorme.
Lá também me trazia maravilhosas lembranças e por isso se tornava tão incrível em minha vida. Era lá que nós passávamos, pelo menos, uma semana em cada mês de férias, sem falar nos domingos e alguns feriados. E quando eu falo “nós”, me refiro a todos os meus amigos, oito adolescentes de 15 a 17 anos, loucos dentro de uma casa, atrás de bolo de cenoura com chocolate e de todo o espaço pra jogar futebol e todos os jogos possíveis que pudesse ser jogado com uma bola. Fazíamos fogueiras acompanhadas de violão e cantávamos praticamente a noite inteira, admirando as estrelas.
Enquanto Harry dirigia, com rádio ligado numa estação qualquer, eu voltei a conversar com , sobre o tempo que eu tinha passado longe dali, como era maravilhoso estar de volta e principalmente se tratando do casamento dos dois. E o mais engraçado é que nada havia mudado, mas dava a impressão de que tudo estava diferente.
Quando finalmente chegamos à entrada da casa dos nossos avós, senti uma alegria fora do comum me tomar. Caraca, eu estava ali de novo, sim. Eu tinha voltado! E me sentia extremamente feliz com aquilo. Depois de passar pelo pequeno corredor de terra que dava acesso a enorme casa, pude ver inúmeros carros e algumas pessoas ainda chegando. Sim, todos eram da nossa família e eu apostava o meu diploma, como eles estavam ali pelo casamento do meu irmão.
Harry estacionou e eu saí imediatamente do carro. Corri até meu avô, a primeira pessoa que vi, e o abracei o mais forte que pude, quase o esmagando em meus braços e o fazendo rir. Logo vi vovó chegando onde estávamos, sorri grandemente e a incluí no abraço apertado. Há tempos que eu não via meus avós e tê-los ainda vivos, era uma das maiores alegrias que eu tinha.
Ainda cumprimentei todos os nossos familiares, que há séculos eu não via. Realmente, ali tinham algumas pessoas que eu nem lembrava mais fazerem parte da família. O que um casamento não faz. Bom, e depois de abraçar todas as pessoas ali presentes, sorrir e fazer o possível pra responder todas as perguntas que estavam sendo feitas, parte sobre eu ter vindo pro casamento, outras sobre voltar definitivamente e algumas sobre quando seria o meu casamento. Nem tão cedo, espero.
Nós seguimos para dentro da casa, onde eu e ajudaríamos em algo para o almoço.
Minhas tias, algumas primas, mãe e avó, enchiam a cozinha, conversando sobre simplesmente tudo e era possível ouvir as risadas, comentários e os barulhos das panelas e colheres batendo umas nas outras. Algumas de nós ficávamos lá apenas para encher o lugar, comer e fazer barulho, enquanto outras realmente trabalhavam.
- Não tia. As pessoas por lá são receptivas demais. – falei rindo. – E realmente o contato corporal é bem normal. – elas fizeram caretas. – No âmbito de... Você abraça pessoas que conhece a menos de duas horas.
- Isso é esquisito. – tia Karen enrugou o nariz, me fazendo rir mais, enquanto também me acompanhou na risada.
- Não é. É a cultura. Os brasileiros com certeza são mais calorosos. Eu penei pra acostumar, mas depois eu já via com normalidade. – falei rindo mais uma vez, em ver a cara delas de estranheza. – São pessoas alegres, encantadoras e receptivas.
- O quanto os brasileiros foram receptivos com você, querida? – minha tia Belle perguntou, com um tom completamente malicioso na voz e arregalei os olhos. Minha mãe em vez de repreendê-la, apenas riu.
- Tia! – falei constrangida e minha cunhada riu, rolei os olhos.
- Vai , nos fale se você conseguiu um brasileiro caloroso, ou veio com o coração livre. – Juddy, uma de minhas primas, perguntou curiosa e interessada demais. Respirei fundo. Aquilo de novo não.
- Garanto que mais caloroso e receptivo, foi o meu irmão. – disse as gargalhadas e olhei pra ela completamente indignada, com minha boca feito um “O”.
- ! – gritei mais constrangida ainda. Era maravilhoso ter minha vida sendo escancarada desse jeito.
- Não precisa dessa vergonha criatura, Danny é caso antigo. – minha avó, minha própria avó, estava me dizendo aquilo. E a minha única vontade era de vomitar.
- Vó! – escondi o rosto na mão, ouvindo as risadas dentro do cômodo. – Mãe! Me defenda! – falei tentando rir.
- Ela não vai te defender, . – riu, cocei a cabeça, contendo a minha vontade de batê-la. – O Danny é o quê, dona Beth? – ela perguntou a minha avó, que soltou uma risada.
- Eles têm um romance de longa data. – ela riu.
Romance vó? Bondade sua.
soltou mais uma gargalhada estridente.
- Tchau. – pulei da bancada de uma vez.
- Vai onde pra fugir do assunto? – minha mãe perguntou e abri a boca em ultraje.
- Vou procurar o meu irmão. – dei uma de fujona, as fazendo rir.
- Fujona. – ralhou e saí da cozinha, rindo.

Depois de passar quase metade da manhã no pé do Harry, grudada nele como um carrapato, apenas rindo das nossas brincadeiras idiotas na grama, que se resumiam em pular em cima dele, correr ou jogar neve em suas roupas. Eu também não saí ilesa da história toda, o idiota do meu irmão conseguiu jogar gelo dentro da minha bota e eu quase enfiei a cara dele na neve, no chão sujo. Mas me contive, fazendo meu drama de que meu pé estava queimando, estava gelado demais e que eu ia perder um membro por isquemia.
- Eu vou perder meu pé! – gritei de olhos arregalados, quando senti aquela coisa gelada se alastrar dentro da minha bota.
- Deixa de ser exagerada! – Harry gritou, enquanto gargalhava, se apoiado nos joelhos.
- Eu não sou exagerada! Você que jogou neve dentro da minha bota, panaca. – gritei de olhos arregalados, começando a me irritar com as risadas idiotas do Harry. – MEU PÉ VAI CONGELAR! VAI PERDER A CIRCULAÇÃO E EU VOU PERDER UM MEMBRO POR SUA CAUSA! – gritei de olhos arregalados, apavorada em não sentir direito meus dedos, apenas pelo pavor.
Eu sabia que o gelo não iria necrosar meus dedos, não aquela quantidade que havia entrado em minha bota, mas eu era uma pessoa que se apavorava com facilidade, quando os assuntos se direcionavam a mim, então...
- Judd, eu não sinto meus dedos! – arregalei ainda mais meus olhos, levantando a perna, coisa que eu não deveria ter feito.
Harry também arregalou os olhos azuis e fez uma coisa que eu não achava que ele ia fazer, meu irmão puxou a bota do meu pé de uma vez e acabei caindo sentada no chão frio, ainda bem, que longe do monte que havia se acumulado a neve. Ele sacudiu minha bota de cabeça pra baixo e vi algumas gotas de água escorrendo. A única coisa que eu consegui fazer foi soltar uma risada alta. Meu irmão era um idiota amorzinho.
- O que foi? – ele olhou pra minha cara, confuso com a situação e quando percebeu que eu ria dele, jogou minha bota escura no chão. – Sacanagem o que você fez comigo. – Harry riu, apontando com o indicador e eu só conseguia afirmar e rir mais.
- Desculpa! – pedi ainda as gargalhadas e ele me ajudou a levantar do chão. – Desculpa Hazz. – beijei a bochecha do meu irmão.
- Tudo bem, pirralha. – nós rimos. – Vem cá. – ele me ofereceu as costas. – Sobe, não da pra você ir andando, ou vai ficar sem os dedos dos pés mesmo. – soltei um gritinho que o fez rir e subi nas costas do Harry, depois de pegar minha bota no chão. – Você é pesada. – ele disse como se tivesse fazendo força.
- Eu não sou pesada! – falei em ultraje. – Deixe de ser fracote. – cutuquei o ombro do Harry, ele riu e começou a andar na direção da casa da nossa avó.

O almoço foi servido perto de 14h00min, e aquela era com certeza, uma das melhores horas do dia, porque não era só o almoço, mas também era o momento de se relacionar com todo mundo. Momento em que a casa dos meus avós, ficou pequena. Estava frio, muito frio e ninguém merecia congelar do lado de fora, então estávamos todos amontoados do lado de dentro, enchendo o lugar e fazendo a alegria dos dois, que adoravam ter os filhos e netos por perto.
Eu já tinha trocado as meias e estava com os pés quentinhos, além de permanecer encolhida em uma das poltronas, enquanto via meus tios conversarem sobre algo que eu não tinha o mínimo interesse de me enfiar na conversa. Era sempre assim depois do almoço, eles se dividiam, os homens na sala conversando sobre qualquer coisa com meu avô e as garotas espalhadas entre cozinha e quartos. Alguns se aventuravam no frio e estavam do lado de fora, congelando e fumando, habito que eu achava incrivelmente horroroso. Porém, eu não podia arrancar o cigarro deles na base da tapa, embora eu tenha conseguido, não com tapas e sim com conversa, e a ajuda de , fazer o meu irmão parar.
- Está dispersa, princesinha. – senti um beijo na testa e foquei minha atenção em meu pai, dando um sorriso.
- Senti falta de tudo isso. – falei rindo e ele sorriu, sentando no braço da poltrona.
- Por que ainda está aqui? – ele riu. – Vá se divertir com as pessoas da sua idade.
- Já ganhei gelo na bota demais por hoje. – fiz uma careta e nós rimos. Meu pai abriu um sorriso bonito e beijou a minha cabeça com carinho, depois saiu de onde eu estava.
Tirei o celular do bolso e desbloqueei a tela, a procura e espera de alguma mensagem do Danny. Nada. Mordi a boca e suspirei, mexendo os joelhos freneticamente. Se eu queria ligar pra ele, era só ligar. Qual o problema? Nós éramos adultos, se eu queria ligar pra ele, não tinha problema algum.
Liguei e a ligação nem sequer completou, antes disso aquela voz mecânica avisou que estava fora da área de cobertura. Suspirei mais uma vez, levantei da poltrona e guardei o telefone no bolso, depois segui pra cozinha, onde sabia que a loucura toda estava por lá.
- Você ainda é virgem? – ouvi a pergunta direcionada a assim que entrei na cozinha e soltei uma gargalhada. As minhas tias não tinham limites.
Minha cunhada estava a personificação de um tomate e eu só conseguia rir. A sorte era minha mãe não estar ali, ou se enfiaria no primeiro buraco que achasse na parede. Ela respirou fundo, cobrindo o rosto com a mão e a abracei de lado.
- Vocês precisam ser mais discretas. – reclamei a elas, ainda rindo e beijei a bochecha da minha amiga.
- Não precisa dessa vergonha. Sua sogra não está aqui. – Tia Belle voltou a dizer e eu ri mais.
- Vocês acham mesmo que ainda é virgem? Porque se acharem, são umas iludidas. – mal terminei de falar e senti uma cotovelada na costela, arregalei os olhos. – Ai Jones! – reclamei.
- Se eu não sou, você é que não é mesmo, não é amiga? – ela usou de cinismo e rolei os olhos, ouvindo as risadas dentro da cozinha.
- Precisava dessa agressividade toda? – fiz uma careta e senti um abraço apertado.
- Não precisava. Desculpa. – ela riu me esmagando e beijou minha bochecha. Dei de ombros e abracei de volta.
- Vocês precisam ser mais discretas. – falei para as matracas na cozinha e elas riram. – Esse tipo de coisa a gente não pergunta, só deduz. – pisquei e me beliscou. – O quê? Você tá enfurnada na casa do Harry há quase dois meses.
- Cala a boca, . – rolou os olhos e negou com a cabeça, me fazendo rir. Abracei-a mais forte.

Já era fim de tarde, quando Harry disse que iria embora e decidi ir com ele. Peguei a chave da casa com meus pais e depois de me despedir de todos, confirmando que os veria no fim de semana, saímos de lá enquanto era teoricamente cedo. E parecia estar mais frio que o normal. Entrei no carro rapidamente e peguei meu celular pra ver se Danny havia dado algum sinal que fosse, tentei ligar mais uma vez, mas novamente a ligação não chegou a completar. Suspirei.
- O que foi, ? – me olhou no banco de trás e parecia preocupada. Mordi a boca e neguei com um aceno.
- Não consigo falar com seu irmão. – fiz careta e levantei a cabeça, tirando a atenção do celular, Harry me olhava pelo retrovisor, parecendo preocupado, sorri pra ele, mostrando que estava tudo bem.
- Vocês brigaram? – ela fez uma careta, como se esperasse que a resposta fosse sim.
- Não! – soltei uma risada, ela me arqueou a sobrancelha. – Meu Deus, não temos mais 17 anos. – sacudi a cabeça.
- As brigas começaram nessa faixa etária, elle). – Harry riu. – E se estenderam mais um pouco. – mostrei a língua.
- Não, nós não brigamos. Eu só não consigo falar com ele. – dei de ombros e vi minha cunhada sorrindo.
- Ele está em Bolton, Taty. Não sei se volta hoje. – sorriu. – Danny me disse que iria ver a nossa avó, me ligou pra saber se eu iria.
- Ok. – sorri pra ela, mas ainda frustrada com a informação, até porque ele disse que iria me ver naquele mesmo dia. Talvez Jones tivesse esquecido.
- Quer passar na Starbucks antes de ir pra casa? – Harry me perguntou animado e olhei pra ele de uma vez.
- Quase a mesma coisa de perguntar se você quer banana. – falei rindo e , junto com ele, soltou uma gargalhada.
- Starbucks então. – Harry abriu um sorriso e afirmei com outro sorriso.
Eu nunca me cansaria de dizer que eu tinha o melhor irmão de todo o mundo.

Quando chegamos a Londres, avisamos ao resto do pessoal pra onde estávamos pensando em ir e estendemos o convite. Mentira, ligou avisando e disse que queria todos eles na Starbucks central em dez minutos, ou não ia acontecer coisa boa. Nós éramos assim, nós não convidávamos, nós intimávamos, como se fosse necessário.
Entrei na cafeteria e logo já comecei a contemplar o lugar, simples, porém muito bonito, ela era basicamente toda revestida de vitrines. Tinha um enorme balcão, também com vitrines que mostravam os mais variados tipos de doces e salgados e na ponta dele, o caixa do lugar. Algumas mesas colocadas estrategicamente para dar a impressão de que haviam sido apenas deixadas por ali. E por fim as cabines acopladas às paredes que me encantavam tanto.
Os únicos que confirmaram a ida foi o casal Poynter, e Tom seguiram o exemplo de Danny e nem atenderam ao telefone. Sentamos em uma das cabines, praticamente colados a uma das vitrines e começamos uma discussão sobre qual a melhor bebida. estava do lado das mais doces, das geladas, Harry e o caso dele, vulgo Dougie, teimavam comigo que o café forte era o melhor que tinha ali. Das duas opções, uma. Ou eu ia enlouquecer pra escolher uma bebida, ou ia tomar tudo e passar mal depois.
Fiz o melhor que pude e pedi um suco de uva. Eu sei, eu sei. Eu estava em um café e havia pedido um suco, mas acontece que o suco de lá era inigualável.
- Me falem do The McFLY Show. – bati os dedos na mesa com um sorriso no rosto e vi meu irmão e meu amigo se mostrarem animados.
- É um programa de auditório. – Dougie abriu um sorriso trincado, se limitando a dizer aquilo. Rolei os olhos.
- Bota pra fora, Poynter. – o incentivei com a mão, nós rimos.
- Aqui? – ele olhou para os lados. – No meio da cafeteria? – Doug arregalou os olhos e rolei os meus, encostando a testa na mesa e rindo, ouvindo as risadas altas e ininterruptas dos outros.
- Não. – olhei pra ele com uma pura expressão de tédio. – Quero saber mais sobre o programa. Eu estou perdida quanto a isso. – dei de ombros.
O casal riu e depois desenrolaram a falar sobre como seria e estava sendo toda a ansiedade e trabalhos pra gravação do programa. Era incrível ver o quanto eles estavam empolgados com tudo e isso também me fazia ficar empolgada.
Nossos pedidos chegaram, entre eles salgados e doces, o que não interrompeu a conversa. Agradecemos a garota, que lançou um sorriso gigante, suspeito que pela presença de metade do McFLY ali e depois saiu. Nossa conversa continuou embalada, regada a muitas risadas, como sempre acontecia, algumas piadas idiotas sobre o bolinho e com a sua habilidade de tentar imitar o Danny, usando um guardanapo. Não preciso nem dizer qual o truque.

Quando eu cheguei em casa já era um pouco tarde, meus pais ainda não tinham chegado e eu suspeitava que eles não chegariam tão cedo, sinal de que eu estava sozinha. Sim, completamente sozinha, sem nem um cachorro ou gato pra fazer companhia. E sem nenhuma notícia dele.
Fechei a porta da sala, espantando a onda de ar frio que havia entrado e tirei o casaco, colocando pendurado no antebraço, depois subi as escadas em passos rápidos e pequenos. Abri a porta do meu quarto, o encontrando exatamente como eu tinha deixado, com tudo no lugar. Pendurei a jaqueta no cabide e sentei pra tirar as botas, que tinham demorado um tempão pra secar, eu precisava mandar pra lavagem a seco, e depois de colocá-las juntinhas ao pé da cama, entrei no closet. Precisava de uma roupa confortável, eu não aguentava mais aquela. Eu realmente precisava de um bom banho.
Vasculhei algumas prateleiras, em busca de outro cobertor e encontrei uma caixa grande, como se fosse embrulhada com um papel repleto de coraçõezinhos coloridos. Fiz uma careta e tirei-a de lá, abrindo o maior sorriso que eu conseguia, aquela caixa tinha uma velha e grande história, era o meu baú de lembranças. Era praticamente uma capsula do tempo, que mesmo depois de tantas mudanças, ainda continuava ali, esperando pra que eu abrisse e viajasse.
Levei-a para o quarto e coloquei em cima da cama, sentei em posição de Índio de frente pra ela e passei a mão em cima pra tirar o pouco que restava de poeira, depois destampei-a, ansiosa pra ver o que eu encontraria ali dentro. Fazia mais de cinco anos que eu nem me lembrava daquela caixa e naquele momento, parecia ser muito oportuno pra dar a devida atenção a ela.
Abri um imenso sorriso, ao ver que ali dentro estavam algumas das fotos mais incríveis da minha adolescência, sem falar nas cartas que eu recebia. Cartas das meninas, mensagens de aniversário escritas a punho, bilhetes. Algo que era extremamente normal na minha época. Você escrever pra presentear alguém, nós sempre fazíamos isso, sempre. Era algo nosso e que permaneceu durante uns bons anos, mas depois a tecnologia acabou nos dominando.
E falando em carta, ali também estava a primeira que eu ganhei do Danny, era uma coisa tão engraçada, mas era lindo ao mesmo tempo, havia sido logo depois de começarmos a namorar, ele quis ser fofo e me entregou o papel, que eu havia aberto novamente. A letra dele não era feia, mas também não era bonita, era um meio termo organizado que você fazia gosto em ler. E eu estava me divertindo com aquilo mais uma vez. Nós éramos tão infantis.
Recolhi algumas das fotos dentro da caixa e abri a gaveta do criado mudo, em busca de alguns alfinetes, ou fita adesiva, para que eu pudesse grudá-las a parede. Eu ia fazer aquele quarto ter novamente a minha cara, mas eu precisava de ajuda.
- Alô! Oi ! – liguei quase que imediatamente e arrumei o abajur no criado mudo, fazendo-o ficar exatamente do jeito que estava antes.
- Oi ! O que houve? – seu tom de voz parecia preocupado.
- Encontrei umas coisa antigas, ia te chamar pra vir aqui. Estou sozinha. – falei rindo um pouco sem graça e minha amiga demorou pra responder. – Você está com o Dougie, não é? – bati a mão na testa. Claro que era!
- Poxa ... – ela disse um pouco desconcertada e rolei os olhos com a minha lerdeza. Eu era a única esquecida da história toda. – Mas se você quiser nós vamos aí pra...
- Não ! Não precisa. – a interrompi antes que terminasse. Não ia estragar a noite dos outros. –Não se preocupa, eu ligo pra , ou pro Danny. Eu me viro. Boa noite! Beijos!
- Tudo bem, . Mas qualquer coisa é só ligar. Boa noite! Beijos!
Desligamos o telefone e eu liguei logo pra minha cunhada. Se não tinha atendido o telefone durante a tarde, agora que ela não ia atender mesmo.
- Hey! Ta onde? – perguntei parada no quarto, com a mão na cintura, vendo as fotos juntinhas do lado de fora da caixa.
- Estou com teu irmão. O que foi? – suspirei.
- Ia te chamar pra vir pra cá, estou sozinha e achei umas fotos antigas. – falei mordendo a boca.
- E as meninas? – ela riu. Eu sabia que ela não queria perguntar por garota alguma. – Está no viva voz, viu? riu.
- Ocupadas. – fiz cara de choro, mesmo que ela não pudesse ver. Eu ia enlouquecer de ficar naquela casa sozinha.
- Deixa de ser chata. – Harry disse rindo e fiz careta.
- Não deixo, vou sequestrar sua namorada pra passar a noite aqui. – falei rindo.
- Vai coisa nenhuma. – Harry riu também e ouvi minha cunhada falar. – Liga pro Danny, , ele deve ter chegado. Eu não sei, tenta ligar pra ele de novo. disse e ouvi meu irmão resmungando. – você não vai ligar pro Danny! Não invente! – Harry falou agoniado.
- Amei a ideia. – falei astuta. – Vou ligar pra ele agora. – ri sabendo que Harry ia fazer milhões de caretas. Eles poderiam ser amigos, mas o Harry ainda era meu irmão e às vezes se tornava um chato ciumento. – Tchau e cuidado com as crias antes do casamento. – os alertei rindo e ouvi meu irmão rir.
- Teremos cuidado sim. E ligue para o Danny, não dê ouvidos ao Harry. soltou uma risada. Neguei com a cabeça e ouvi a campainha da casa tocar freneticamente.
- Campainha tocando, deve ser a mãe! – falei andando pra fora do quarto. – Manda um beijo pro Judd! – desligamos o telefone e fechei a porta, coloquei o aparelho em cima da mesinha no corredor e desci as escadas rapidamente.
- Já vou. – gritei, como se a pessoa que estava dando vida a minha campainha, pudesse ouvir.
Passei pela porta da cozinha, lembrando que eu precisava comer, mas comer algo que não fosse doce ou algo do tipo, eu precisava de comida de verdade, ou não me sustentaria em pé. Passei a mão no cabelo em um puro gesto de costume e logo cheguei a porta, girando a maçaneta ansiosa para dar uma bronca em quem estava possuindo a minha campainha como se fosse um demônio na pré-adolescência e quando abri a porta dei de cara com um largo sorriso.

Capítulo 6

Sabe aquela história de que quando você menos esperar as coisas acontecem?
Pois é, ela é totalmente verdadeira, comigo sempre havia sido daquele jeito, quando eu estava focada em outra coisa na vida, o que eu queria anteriormente fluía com muito mais facilidade. E quer saber de mais? O que melhora o acontecimento das coisas inesperadas, é a surpresa de como acontecem.
Vou dar um exemplo extremamente simples, mas de grande eficácia. Um abraço roubado, quando você é pego de surpresa, de quem você gosta. Não existe abraço melhor no mundo, você se sente imensamente importante e protegida lá dentro, então quando disserem que o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço, apenas acredite, pois é a mais pura verdade. Mas receber uma visita, na qual você espera, mas não tem esperança de que ela aconteça, é melhor ainda. Principalmente quando se sabe que ela vem acompanhada de abraços e beijos.
Depois de descer as escadas, embalada por uma campainha frenética, que parecia ter sido possuída, abri a porta dando de cara com Danny, que parecia extremamente impaciente pela demora, olhando para os lados da rua, como se certificasse de que não havia ninguém de campana ou lhe seguindo. Soltei uma risada, fazendo a atenção dele voltar pra mim e ele abriu o maior sorriso do mundo, aquele que mostrava todos os seus dentes bem aparelhados. Abri um sorriso semelhante e pulei nos braços dele, o abraçando o mais forte que eu pude. Afinal nós não éramos mais crianças birrentas e sabíamos a falta que sentíamos um do outro.
Ele soltou uma risada um tanto audível e também em abraçou com força, colocando o rosto em meu pescoço, fazendo minha pele se eriçar pelo contato do seu nariz gelado.
- Ai, seu nariz tá gelado. – me encolhi soltando uma risada e o ouvi rir mais um pouco.
- Eu estava largado aqui fora. – Danny me apertou um pouco mais. – No relento, é sempre bom encontrar um pescoço quentinho. – ele riu e acabei rindo junto.
Dei um tapinha em seu ombro e desci do seu abraço, mesmo sem querer. Passei as mãos abertas pelos seus ombros cobertos pela jaqueta de couro, enquanto Jones me segurava pela cintura, sorrindo largamente. Mordi a boca de leve, tentando não ficar tão idiota com um sorriso tão bobo e logo segurei o rosto dele, o beijando em seguida.
- Entra. – ri e o puxei pra dentro, depois tranquei a porta. – Tentei falar com você hoje. – procurei Danny na sala e ele estava escorado as costas do sofá, com os braços cruzados e me olhando com um sorriso de canto.
Ele estava de jeans, camisa branca e a jaqueta preta por cima. Maravilhoso e ainda me olhava do jeito que só ele conseguia. Sorri ainda mais largo, sacudindo um pouco a cabeça e dei pulinhos até o abraçar novamente. Jones enlaçou os braços em volta de minha cintura, como se estivesse me prendendo ali e não deixaria eu sair tão cedo.
- Eu vi que você me ligou, vim assim que vi as ligações. Estava em Bolton. – ele mordeu a boca e me deu um beijo completamente sugado, puxando meu lábio.
Segurei o rosto dele com uma das mãos, o fazendo sorrir largamente e depois nos beijamos demoradamente. Danny mordeu a boca, mostrando quase todos os seus dentes, com um sorriso gigante e repeti o gesto, fazendo um carinho no nariz dele com o meu. Jones investiu com a boca na minha e o abracei pelo pescoço, dando mais intensidade, enquanto nos colávamos mais, se escorando naquele sofá. E das duas uma, ou cairíamos feio pelo estofado afastar de lugar, ou cairíamos feio porque ele iria virar.
- Eu sinto que vamos cair. – falei baixo e ele riu alto, jogando a cabeça pra trás, ri junto, mas o admirando. – Sério, Jones. Eu sou a pessoa mais desastrada existente, você então, nem se fala. – ele negou com um mínimo aceno, ainda rindo e beijou meu ombro, depois me abraçou forte, muito forte, colocando o rosto em meu pescoço. Me abracei mais a ele. – Adorei você ter aparecido assim. – falei baixo, abrindo um sorriso gigante.
- Eu também precisava te ver. – ele disse com um riso baixo e a voz um pouco abafada. – Além que eu sabia que você iria gostar. – Danny disse de uma forma serena, muito serena, mas que me arrancou um sorriso imensamente bobo. Levei minha mão aos cabelos dele, mexendo lentamente. – Princesa?
- Oi? – respondi baixo, fazendo outra pergunta, ainda de olhos fechados, sentindo aquele abraço gostoso.
- Cadê o dono da casa? Eu não quero ser pego em flagrante agarrado a filha dele. – Danny disse sério e gargalhei.
- Como é, Jones? – perguntei rindo e ele tirou o rosto do meu pescoço, prendendo uma risada que seria solta dali a poucos minutos. Por que? Daniel Jones era o ser mais idiota para rir das coisas, até mais do que eu. Tudo bem, nesse quesito eu ganhava, mas ele ria até do vento.
- Você está sozinha em casa? – eu juro que Danny parecia surpreso com aquilo.
- Se sozinha quer dizer apenas eu e você? – mordi a parte interna da boca. – Então sim. – falei convicta e ele soltou uma risada nervosa.
- Eu não sei se gosto, ou se me apavoro. – ele disse com cara de dor e soltei outra gargalhada. – Qual é, . Seu pai é quase um leão de chácara com a médica prodígio dele. – eu só consegui rir mais um pouco das expressões apavoradas que Danny fazia.
- Eu sou prodígio? – perguntei um tanto surpresa, tentando não abrir muito o sorriso e Danny riu, afirmando. – O quê, Danny? Eu não sou mais criança. – pronunciei a frase com a maior obviedade do mundo e o vi abrir um sorriso maldoso no canto dos lábios.
Ele me abraçou com mais força, colocando as mãos em minha cintura e segurei seu rosto, quase esmagando as bochechas que Jones não tinha, depois fiquei o beijando, beijinhos curtos e repetidos, enquanto Danny se dividia entre rir e fazer bico, recebendo os beijos. O beijei apertado e senti meu corpo ser abraçado com força, ainda mantendo nossos lábios colados, quando duas batidas discretas, porém firmes, foram dadas na porta.
- Quem é? – fiz uma careta, segurando o rosto do Danny longe do meu, ele abriu os olhos, se mostrando confuso. – A porta.
- E eu sei lá, . Eu nem ouvi que bateram na porta. – Danny soltou uma risada e neguei com um aceno.
- Você não tem jeito, Jones. – beijei o nariz dele e Danny me puxou de uma vez, me dando um beijo apertado.
- Devem ser os donos da casa. – ele fez um bico gigante. – Preciso correr? – Danny riu e fiz uma careta.
- Óbvio que não, Jones. São apenas os meus pais. – o selei rapidamente e me soltei do seu abraço, enquanto andava rapidamente até a porta, arrumando meu suéter no corpo.
Eu e aquela mania horrorosa de querer parecer impecável sempre, mas aquele parecia ser um momento onde eu necessitava estar impecável. Eu parecia uma criança e era vergonhoso a minha insegurança de pensar em encarar meus pais, sabendo que Danny estava sozinho ali comigo. Mas nós éramos adultos, certo?
Respirei fundo, sacudido meu corpo de leve e ouvi uma gargalhada do Danny antes de eu segurar a maçaneta da porta, olhei pra trás, tentando entender o porquê daquela risada.
- “Óbvio que não, Jones. São apenas meus pais.” – ele repetiu minha frase e fiz uma enorme careta de tédio. – Ai princesa, sãos seus pais. Pra que isso? Adam e Rachel. – Danny meneou a mão, mostrando a porta. Empinei o nariz, virando minha atenção pra madeira clara, ele riu outra vez.
Abri a porta e encontrei um rapaz, com uma mochila térmica nas costas, duas caixas grandes na mão, um boné engraçado e a ponta do nariz avermelhado, pelo frio que fazia naquele lugar. Fiz careta, olhei pra rua e vi uma moto com a identificação de uma pizzaria, o Domino’s. Soltei uma risada, vendo o garoto me olhar estranho. Fazia anos que eu não comia nada daquele lugar, principalmente depois da criação do Pizza Hut.
- Senhorita... – ele olhou em um papel pregado na caixa de papel da pizza. – Judd? – o garoto me olhou, depois para meu sobrenome escrito e arregalou os olhos.
- Sim, eu. – prendi uma risada. – Mas eu não pedi pizza, desculpa. – falei e vi o garoto ficar um pouco pálido.
- Mas... – ele tentou protestar, enquanto conferia se aquele era realmente o endereço. – Esse é o endereço. Mandaram entregar.
- Fui eu, . – senti um beijo apertado em minha bochecha, movendo um pouco minha cabeça pro lado. Olhei pra Danny ainda confusa, mas afirmei com um aceno. – E aí, Dylan. Tudo bem? – ele esticou a mão pra um soquinho com o garoto, enquanto tirava a carteira do bolso.
- Tudo sim. – o loirinho de mais ou menos uns 17 anos, sorriu aliviado, completando o gesto do Danny. – Calabresa e Mozzarella, isso? – Danny afirmou pegando as duas caixas e entregando duas notas ao rapaz.
- Exatamente. – Jones sorriu pra mim. – Pode ficar com o troco. – ele disse ao rapaz.
- Valeu. – o garoto respondeu animado. – Boa noite! – ele nos desejou e Danny afirmou, depois beijou minha bochecha.
- Duas pizzas, Mr. Jones? – perguntei rindo, enquanto fechava a porta. – Duas? Isso é exagero, Danny.
- Claro que não é, Miss Judd. – ele piscou, depois me beijou de surpresa. – Isso é saber apreciar as coisas boas da vida. Sem falar que a exagerada do grupo, é você. – Danny piscou e abri a boca em um ultraje fingido. Ele riu, depois me abraçou pela cintura, depositando um beijo casto perto da minha orelha. Me encolhi.
- Cozinha ou sala? – perguntei rindo, ainda um pouco encolhida.
- No quarto. É melhor, não? – Jones perguntou com a voz baixa, perto do meu ouvido.
- Daniel! – soltei um grito meio esganiçado, o vendo rir alto, aquela gargalhada idiota. O empurrei de leve, ele sacudiu a cabeça e me abraçou carinhosamente. – Estou falando na pizza, pervertido!
- Eu sei. – ele beijou minha bochecha. – Mas é engraçado te ver assim.
Jones segurou minha mão delicadamente e andamos para o sofá, sentei ao lado dele, o vendo colocar as duas caixas na mesinha de centro, depois abri- las, fazendo um aroma maravilhoso subir e meu estomago revirar.
- Quer pratos? – perguntei rindo e beijei a bochecha dele.
- Acho que não precisa. – ele fez uma caretinha que me dava vontade de mordê- lo. – Não pedi nada pra beber, não sabia o que você iria querer.
- Tudo bem, vou ver se tem algo aqui. – levantei do sofá, ajeitando a calça no corpo, beijei a cabeça dele e fui até a cozinha.
- Você ainda come? Ou parou por causa da “idade”? – ele perguntou alto, rindo e rolei os olhos.
Peguei o refrigerante na geladeira e andei novamente pra sala, depois escorei ao batente da porta.
- Sou praticamente um esmerilho, mon amour. – pisquei pra ele, fazendo uma pose forçadamente sexy e ouvi a gargalhada estrondosa do Jones, me fazendo rir junto. – Comida é vida, deixar de comer por causa da idade, é besteira. – sentei ao lado dele o vendo abrir um sorriso bonito. – Qual é a minha? – perguntei rindo.
- A sua? – ele arregalou os olhos, me fazendo rir ainda mais. – Uma inteira? Você nunca comeu uma inteira, . – Danny riu, ainda de olhos arregalados e soltei uma gargalhada.
- E ainda não como uma sozinha, mas é engraçado ver seus olhos ficarem mais redondos que o normal. – falei rindo e o beijei levemente, Danny segurou meu rosto e me beijou de verdade.
Um beijo completamente intenso e firme. Subi a mão por seu braço, até repousá-la no ombro e o apertei, quando senti Danny apertar minha cintura. Enlacei os braços ao redor do pescoço dele, fazendo nossos corpos se juntarem ainda mais, logo Jones me prendeu pela cintura, enquanto a outra mão, ia descendo e acomodou- se na altura do jeans que eu usava. Ele me puxou praticamente para seu colo e soltei uma risada, cortando o beijo, dando vários beijinhos seguidos em seu queixo e boca.
- Nós estamos sozinhos. – Danny fez um bico inconformado.
- Eu sei. – mordi minha boca, ainda com um sorriso, depois mordi o lábio dele. – Mas por enquanto. Não dá pra arriscar.
- Não me provoca assim, mulher. – ele deu uma risada desesperada que me fez rir. Pisquei e o beijei num selinho apertado.
- Não vou, vamos comer. – o beijei mais uma vez, depois sentei direito no sofá. – Qual vai primeiro? – perguntei olhando as duas caixas na minha frente, olhei pro lado, fazendo aquilo ao mesmo tempo em que Danny fazia e depois rimos.
- Calabresa. – falamos juntos. Danny beijou meu ombro coberto com o suéter e pegamos um pedaço da pizza, cada um.
Nos escoramos ao sofá e começamos a conversar aleatoriamente, soltando risadas, falando sobre qualquer tipo de coisa e depois que metade das duas pizzas haviam sido devoradas por dois monstrinhos famintos, eu estava escorada ao encosto do sofá admirando o jeito que Danny falava e ria de como tinha sido o dia dele na casa da avó. Ela era uma pessoa incrível e maravilhosa, mas nada se comparava a figura que o avô dele era e como Danny o admirava. Ele costumava dizer que o Grandad O’neil, era a melhor pessoa do mundo, era seu herói, era o seu espelho.
- E o seu avô? – perguntei de uma vez, passando a mão no cabelo dele.
- Oi? – Jones perguntou, depois abriu um sorriso enorme e lindo. – Ele está bem, passamos a tarde de hoje como já não acontecia há uns tempos. – Danny disse ainda com o sorriso no rosto e segurou a minha mão. – E você?
- Matei a saudade dos meus avós também. – falei rindo. – Minhas tias fizeram sua irmã passar vergonha. – inclinei um pouco a cabeça e Danny soltou uma gargalhada. – Depois me fizeram passar vergonha. – falei rindo e ele riu mais. – Para! – dei um pequeno tapa em seu braço.
- Parei. – Danny levantou as mãos em rendição. – Me diz o que você está gostando de estar aqui de novo. – ele sorriu, colocando meu cabelo atrás da orelha. Suspirei, sentindo os dedos dele, tocarem minhas bochechas, depois sorri.
- Sei lá. – fiz uma pequena careta fingida e o vi abrir a boca em indignação, soltei uma risada. – Claro que eu estou, Danny. É sempre incrível poder voltar a Londres, principalmente se não aconteceu nada com ninguém e eu estou aqui para visitar as pessoas que eu amo. Na verdade, é a melhor parte. – ri baixo. – Poder vir por livre e espontânea vontade.
- E quando vem pra ficar? – ele perguntou ainda com o sorriso largo.
- Não sei ainda. – enruguei o nariz, mordendo a boca em seguida. – Eu não tinha pensado nisso ainda, por mais que meu pai queira colocar na minha cabeça que meu lugar é aqui. Primeiro eu tenho que me estabilizar e não parecer uma criança. – ri mais uma vez. Jones fez careta.
- Criança, ? – ele soltou outra gargalhada, que me fez rir junto.
- É... – soltei de uma vez, realmente parecendo uma criança. – Não tenho carro aqui, dependo dos outros pra fazer alguma coisa e estou na casa dos meus pais. – enumerei nos dedos. – É, eu sou uma criança. – nós rimos juntos.
- Eu tenho a solução pra isso. – Danny disse com a cabeça um pouco inclinada, encostada ao sofá. Depois deu um sorriso largo e cheio de malícia. Esperei pra ver o que ele ia dizer. – Vai lá pra casa! – a frase veio de uma vez e eu juro que não esperava aquilo.
- Han? – fiz uma careta, ele riu.
- Você não ia precisar de carro, caso precisasse, ficava com o meu. – Danny começou enumerar nos dedos. – Não ia mais depender de ninguém e o melhor. – ele arqueou uma sobrancelha, abrindo um sorriso safado. – Não ia morar com seus pais e ia ser só minha. – Jones piscou e soltei uma gargalhada.
- Claro, Danny. Isso ia dar muito certo, ia mesmo, demais. – fui irônica, negando com um aceno.
- Para de querer complicar as coisas. – ele riu, depois se moveu pra mais perto de mim, como se fosse possível, fazendo meus joelhos ficarem quase no colo dele.
- Complicar? – ri meio desesperada. – Jones, não é complicar, é saber separar. Nós somos... – mordi a boca. O que nós éramos?
- Não diga “amigos”, ou eu fujo de você. – ele arregalou um pouco os olhos e quando percebi, sua mão já descia por minha panturrilha, deixando a perna pouco flexionada em cima dele
- Não somos amigos, Jones. Faz tempo que deixamos de ser amigos. – puxei o rosto dele e o beijei levemente. – Só é mais confuso que o normal, eu ir pra sua casa, enquanto a gente fica, nisso. – apontei pra nós dois e ele riu.
- Ainda aceito você na minha casa, não vejo o menor problema. – ele riu, puxando meu corpo pra seu colo. E de repente, nem tão repente assim, Jones estava entre minhas pernas.
- Esse é o problema de eu ir pra sua casa. – foquei no deboche, falando da situação e ele tomou a postura de um anjo, como se não entendesse o que eu falava.
- Qual? – ele perguntou com uma inocência fingida, me fazendo rir.
Neguei com um aceno minúsculo e segurei o rosto dele, o beijando levemente e com algumas sugadas, depois mordidas. Jones deu um sorriso largo, enquanto eu fazia aquilo e me agarrou pela cintura, mordeu meu lábio com uma força considerável e me beijou, enfiei os dedos nos cabelos dele, sentindo nosso corpo se colar ainda mais e uma das mãos dele, espalmar totalmente em minha coxa. Segurei seu ombro com força, praticamente apertando e senti a mesma pressão na minha perna, Danny subiu a mão, deixando-a entre o cós do jeans e o suéter que eu usava, com os dedos encostando em minha pele, depois movimentou sua boca até que ela estivesse beijando a pele do meu pescoço. Desci as mãos por suas costas, juntando um pouco do tecido branco entre meus dedos, pronta pra puxá-lo mais contra mim, quando a campainha tocou.
Empurrei Danny como se ele desse choque e o homem fez uma careta inconformada, porem confusa. Respirei fundo e a campainha foi tocada uma segunda vez, Jones suspirou, encostando a cabeça no encosto do sofá, ainda com as mãos em mim. Me apoiei ao lado da cabeça dele, lhe dei um beijinho e saí de seu colo, vendo ele bufar. Ajeitei o suéter, a calça e o cabelo, parecia até que eu nunca tinha passado por uma daquela na vida.
- , ajeita a cara, vai nos denunciar. – olhei pra Danny de uma vez, com a expressão mais tediosa que eu conseguia esboçar, o vendo rir alto.
- Cala a boca! – rolei os olhos e caminhei rapidamente até a porta.
Rodei a chave na fechadura e abri a porta, vendo meus pais. Sim, minha mãe e meu pai, os dois pareciam rir de algo, mas ainda esperavam por mim pra abrir a porta escura de madeira.
- Ei princesinha. – meu pai riu, depois me abraçou, beijando minha cabeça. – Por que essa porta estava fechada... – ele desfocou a visão de mim e logo parou de falar. Acho que viu Danny no sofá.
- Danny, querido! – minha mãe parecia extremamente animada ao entrar em casa. – Como você está?
- O que esse cara faz aqui? – meu pai perguntou, com uma careta, encarando os dois na sala, olhei pra ele sem acreditar no que tinha ouvido. – O quê, ?
- Cara, pai? É o Danny. – ri baixo. – E ele apareceu, trouxe algumas pizzas. – dei de ombros.
Ele me olhou, como se quisesse me perguntar o porquê de a porta estar fechada, mas parecia ter medo da resposta, então não perguntou nada. Meu pai suspirou, depois andamos até onde Jones estava, conversando animadamente com minha mãe.
- Oi Adam! – Danny esticou a mão, meu pai olhou pra ele, por cima do óculos, como se o analisasse, depois apertou a mão dele.
- Oi Jones. – meu pai falou seco e vi Daniel ficar tenso, muito tenso. Rolei os olhos suspirei.
Realmente, não precisava daquilo, eu não era mais criança, Danny não era mais criança, nós já tínhamos namorado na adolescência, tivemos um rolo épico quando mais jovens e até já tínhamos transado antes. Realmente, não precisava daquilo.
- Rach? – meu pai chamou por minha mãe, como se nada tivesse acontecido. – Vou tomar um banho, depois desço pra comer. – ele beijou a cabeça da minha mãe e olhou novamente pra Danny.
- Ainda tem pizza aqui, Adam. – Danny riu sem graça. Rolei os olhos e o abracei de lado.
- Não Jones, obrigado. – meu pai balançou a cabeça como se agradece a oferta, não olhou mais pra gente e andou a passos rápidos na direção da escada, enquanto eu segurava a risada. Não acredito que ele tinha feito aquela cena por puro ciúme besta.
- Danny, mil perdões, querido. – minha mãe falou constrangida. Ri e meneei a mão dizendo que tudo bem, Danny também riu. – Seu pai é impossível, . – ela rolou os olhos, apontei pro peito.
- Tudo bem, Rachel. – Danny riu, me abraçando mais forte, de lado.
Minha mãe suspirou, depois subiu as escadas rapidamente. Meu pai estava bem encrencado, muito mesmo. Assim que a perdi de vista, soltei uma risada alta.
- Releva isso, é só ciúme besta. – beijei a bochecha do Danny.
- Eu sei que é ciúme, não sei se enquadra nessa categoria de “ciúme besta”, afinal você é a médica prodígio do Adam. – Danny arqueou a sobrancelha, abri a boca em ultraje, depois dei um tapa no ombro dele. – Ai! Para de me bater. – ele riu, arregalando os olhos.
- Você não colabora. – fiz uma careta e nós rimos. – Para de dizer que eu sou prodígio, me sinto uma criança que aprendeu a ler sozinha com três anos e descobriu a cura de alguma doença, aos vinte. – fiz careta e ele riu alto, me fazendo tapar a boca dele com as mãos, aumentando ainda mais o som das nossas risadas.
- Ok, não é prodígio, embora eu ache que seja. – ele me abraçou forte, tirando do chão. – Mas eu tenho quase certeza que o Adam gostava mais de mim quando eu tinha dezoito anos e brincava de bola no seu quintal. – rolei os olhos, rindo.
- Claro! Na época você era um garoto esquisito que usava chapinha no cabelo. – fiz uma careta enrugando o nariz e ele soltou um grito esganiçado e indignado. – Para de gritar, Daniel! – soltei uma risada alta, depois coloquei a mão na boca.
- Você dizendo que eu era esquisito! – ele colocou a mão no peito.
- Para com isso, você era. – ri e o abracei, encostando o queixo em seu peito, o olhando. Ele enlaçou os braços a minha volta. – E ele gosta de você, só tá com esse bloqueio todo porque a porta estava fechada e...
- Ele acabou deduzindo as coisas. – Jones afirmou, eu afirmei junto. – Mas sabe de uma coisa? – ele mordeu a boca e neguei com um aceno. – Acho melhor ir, ou se ele me vê aqui de novo me enxota aos empurrões. – abri a boca em ultraje.
- Que exagero, Daniel Jones! – neguei com um aceno, ele riu e beijou minha testa.
- Não precisa ir embora, Danny. – ouvimos a voz da minha mãe e viramos de uma vez, olhando pra onde ela estava.
- Não é isso. – ele deu um sorriso meigo, olhando pra ela. – Tenho uma reunião amanhã cedo, prometo que depois apareço por aqui.
- O programa? – perguntei eufórica. Ele riu e afirmou freneticamente. – Me deixa ir ver a gravação de auditório?
- Vai ficar na primeira fila, princesa. – Danny piscou e beijou a ponta do meu nariz.
- Tudo bem, querido. – pela voz, minha mãe parecia estar boba. Enquanto eu queria enfiar minha cara em algum buraco pra não ter que olhar pra ela depois que ele saísse.
Danny beijou minha testa e afrouxou os braços que estavam a minha volta, o soltei e ele foi se despedir da minha mãe. Abraçou- a e depois beijou a testa dela, com um sorriso bonito, dona Rachel parecia extremamente encantada com o garoto, que depois segurou minha mão, acenou pra ela e saiu me levando na direção da porta. Fechei- a atrás de mim e puxei Danny pela mão.
- Que foi? – ele riu, “me prendendo”, colocando um braço de cada lado do meu corpo. – Não vai lá em casa? – neguei com a cabeça e olhei para os meus pés calçados apenas nas meias, ele olhou também e nós rimos.
- Quero meu boa noite, Jones. – mordi a boca de leve, piscando e o vi sorrir largamente.
Danny encostou a boca vagarosamente na minha, depois puxou meu lábio inferior com uma mordidinha, o abracei pelo pescoço, ficando na ponta dos pés e finalmente nos beijamos. Ele me apertou contra seu corpo, segurando firme pela cintura e o selei, vendo Jones fazer um bico.
- Sem bico. – o beijai rapidamente. Nós rimos.
- Preciso ir. – ele suspirou, depois me abraçou forte, muito forte, quase me tirando do chão e o abracei também. – Eu não queria, mas preciso.
- Tudo bem. – segurei o rosto dele e dei um beijinho leve. – Você não precisa ir, não por causa do meu pai. – Danny fez uma careta. – Meu Deus, homem, larga de ser assim. É só o “tio Adam”. – ri da careta que Danny fez.
- É muito esquisito chamar seu pai de tio, eu estando no auge dos meus 26 anos muito bem completados. – ele piscou em um porte tão convencido que me fez rir. – E sem falar na minha vontade enorme de beijar a filha dele a noite inteira. Não vou chamar de tio, me sinto um traidor. – eu juro que não me contive com a frase dele e gargalhei. – O quê?
- Você não é um traidor, Dan. – segurei o rosto dele, dando repetidos beijinhos. Ele abriu aquele sorriso largo e brilhante.
- Sendo assim, Miss Judd. – Danny deu uma piscadela, me beijou levemente, desenlaçando os braços da minha cintura em seguida. Ele fez uma pose totalmente cortês. – Eu vou dormir na casa da minha mãe, antigo quarto, o primeiro à direita do corredor, ainda é cama de solteiro, mas a gente sempre pode dar um jeito. – ele deu um sorriso safado e coloquei a mão no peito, fingindo estar ofendida com a proposta dele. – Me liga.
- Safado! – abri a boca em forma de O, sem conseguir me conter depois. – Muito tentadora a proposta, mas não, estou sendo vigiada pelos pais. – dei um sorriso meigo de criança, ele riu alto.
- Não disse nada demais. – ele deu alguns passinhos pra trás, adentrando o gramado que dividia as duas casas, ainda me olhando com aquele sorriso safado. Danny piscou, mordeu a boca de leve, depois sibilou “me liga”, movimentando os dedos perto da orelha. Neguei com um aceno e depois ri, cobrindo o rosto com a mão.

Danny's POV

Entrei na casa dos meus pais rindo, fechei a porta sem fazer qualquer barulho e percebi que não tinha ninguém em casa, estava tudo tão silencioso, que nem parecia aquela casa. Tirei o casaco, jogando me cima do sofá e andei na direção a escada, passei pela porta da cozinha e as luzes estavam todas apagadas, dei de ombros e corri até o andar de cima. Respirei fundo, tentando pensar no que eu ia fazer naquela casa, sozinho. Eu queria comigo, mas com o Adam em casa, era umas 500 vezes mais complicado e por mais que eu quisesse que ela me ligasse, não ia fazer isso.
Mordi a boca, pensando no que eu poderia fazer e como em um clique, uma frase piscava em minha cabeça. “Seja homem, Jones. E vá fazer companhia pra garota!”
- Isso! – não esperei muito e desci as escadas da maneira mais rápida que pude.
Entrei na cozinha escura e mesmo sem ver muita coisa, fui na direção da porta do quintal, ela sempre ficava encostada. Sempre! Era uma estratégia pra quando esquecêssemos a chave, e eu e meu pai tínhamos uma horrorosa mania de andar sem a chave, ou esquecer em algum lugar, por isso a porta sempre ficava aberta. Meu celular tocou no bolso traseiro, denunciando que alguém me ligava e abri um sorriso imenso ao imaginar que poderia ser .
Tirei o celular do bolso e dei de cara com o nome do irmão dela. Sacudi a cabeça e atendi ao telefone.
- Oi, Harry. – disse enquanto abria a porta da cozinha, que dava para o quintal.
- Não vou ligar pra sua animação. Onde você está? – ele jogou uma pergunta totalmente desconfiada e prendi a risada.
- Em casa, por quê? – estreitei os olhos, procurando uma escada no quintal da casa dos meus pais.
- Tem certeza, não é moleque? Eu te conheço! – ele perguntou mais uma vez e soltei uma gargalhada.
- Claro, Judd. Onde mais eu estaria? – mordi a boca, vasculhando o quintal com o olhar. – Eu não ia perder tempo atendendo suas ligações. – soltei uma risada e ouvi um “vá à merda, Jones”, me fazendo rir ainda mais. – Mas e você, Judd? Está com minha irmã? – resolvi procurar a escada no quintal da casa ao lado e andei pra lá, sentindo o vento gelado congelando minhas mãos.
- Sim e ela manda um beijinho pra você. – ele disse rindo e arqueei uma de minhas sobrancelhas. Então era assim? Tudo bem.
- Ok, mande outro pra ela. Hm, Harry?
- Oi. – ele respondeu de uma vez.
- Onde tem escada aqui no quintal? – perguntei procurando a dita cuja.
- Na casinha que fica no fim dele. Porq... ESPERA, JONES O QUE VOCÊ... – soltei uma gargalhada e cortei o que ele dizia.
- Obrigada Harry, de verdade dude, você ajudou muito. Tchau! – soltei outra risada alta e realmente desliguei o telefone. Se ele estava apavorado? Aquele era o preço por querer brincar com minha cara. Tapado.
Andei até onde ele tinha dito que a escada estava, peguei-a e voltando pra perto da casa, vi que a janela do meio estava com a luz acesa. Abri um sorriso gigantesco, principalmente porque as outras duas estavam com as luzes apagadas. Muito provavelmente Adam já estava dormindo, aquela era a minha deixa. Arrumei a escada debaixo do braço, pra ela não caísse no chão ou fizesse barulho e andei rápido até perto da janela da casa. Coloquei- a em pé, direcionada para o quarto de e subi o mais cautelosamente possível, abri a janela de vidro vagarosamente e passei com cuidado por ela, na intenção de não derrubar ou quebrar nada dentro do quarto.
não estava lá, mas a porta do banheiro estava entreaberta, ela estava no banho. Em cima da cama tinha uma caixa milimetricamente fechada, com algumas fotografias muito bem organizadas em uma pilha, em cima. Ela e aquela mania horrorosa de querer tudo impecável desde sempre, mas era aquela uma das coisas que fazia de única e por mais que eu enchesse a paciência dela pelo “TOC”, eu não queria que ela mudasse. Coloquei as fotografias em cima da cama e peguei a caixa, enquanto sentava, eu ia olhar o que tinha ali dentro.
Quando abri, encontrei de tudo, papel, brinquedo, chaveiro, foto e mais um pouco que tivesse relação com nossa adolescência, inclusive um papel dobrado, meio amarelado e que parecia ser algum bilhete ou carta. Aquela letra era a minha. Arregalei os olhos. ainda tinha aquilo? Reprimi uma risada alta, depois abri o papel, voltando a ler tudo que eu havia escrito uns anos atrás. Era praticamente a base da letra de I’ve got you. Um pouco exagerado pra época, tudo bem, era muito exagerado pra época, eu era apenas um garoto apaixonado que não sabia de nada da vida, mas aquela carta era simplesmente tudo que eu sentia naquele exato momento, anos luz depois.
Dobrei o papel novamente e guardei na caixa de papel, coloquei ela um pouco afastada de mim e as fotos em cima, acho que como havia colocado. Embora eu soubesse que ela ia perceber aquilo, ela sempre percebia. Deitei na cama, sentindo o perfume dela encher todo o ambiente e coloquei os braços atrás da cabeça, esperando sair do banheiro.
Uma parte de mim estava achando aquilo incrivelmente bom, mas a outra tinha medo de ser pega no flagra, principalmente se a mãe dela entrasse naquele quarto, se a minha mãe tinha a horrorosa mania de entrar sem bater, imagina a dela, já que ela era uma garota. Ridículo eu estar com receio, eu sei, Rachel era uma pessoa incrível, mas Adam não gostaria muito de me ter no quarto da filha dele.
E quando eu estava considerando a possibilidade de voltar por onde entrei, vi a porta do banheiro ser aberta totalmente, mostrando com um roupão claro, amarrando o cabelo e parecia cantarolar qualquer coisa. Abri o sorriso mais besta do mundo, vendo como ela estava incrivelmente linda, não que ela não fosse, ela era, mas até daquele jeito tranquilo e despreocupado, conseguia me deixar imensamente encantado. Os olhos fechados como se apenas o seu momento importasse, serena e balançando a cabeça lentamente.
Não posso negar, ela estava inacreditavelmente sexy daquele jeito.

's POV

Eu havia entrando em casa e subido direto para o meu quarto, ouvindo um burburinho na cozinha, na verdade minha reclamava ao meu pai por ele ter sido mal educado e grosso com o Danny. Era sempre assim, minha mãe sempre foi completamente defensora de Danny Jones, desde que eu conseguia lembrar. E a minha situação com ele no momento, a fazia ser a mais team Jones existente na Inglaterra.
Fechei a porta e segui pro banheiro, precisava de um bom banho e dormir depois. Estendi a toalha no suporte de louça, enquanto começava a rir lembrando das palhaçadas do Danny no jardim da casa. Tinha horas em que ele parecia uma criança, ou um garotão beirando os 18 anos, mas também sabia ser sério. Daniel era uma das melhores pessoas do mundo, principalmente se você precisava de ajuda pra qualquer coisa, ele poderia não conseguir resolver, mas faria de tudo pra tentar, além de que ele não via maldade em quase ninguém. Jones na grande maioria das vezes, acabava sendo feito de pateta, apenas por levar fé demais nos outros. E aquele tipo de coisa era o que me deixava ainda mais encantada por ele, o fato de ele não ter mudado aquilo, Danny ainda conseguia ser o mesmo cara por quem eu havia me apaixonado, mas em uma versão 2.0.
Quando terminei meu banho quente, saí do banheiro cantarolando qualquer coisa, enquanto tentava amarrar meu cabelo de um jeito que ele não ficasse tão bagunçado, mas era complicado quando seu cabelo era mais rebelde do que você, embora eu gostasse bastante dele e qualquer indicação de alisar permanentemente fosse descartada da minha lista. Empurrei a porta com o pé, olhando para o lado e vendo- a bater, coloquei a mão no nó do roupão e andei pro closet, mas parei no momento que percebi uma figura esparramada na minha cama. Gritei de susto dando um pulo e arregalei os olhos, tapando a boca em seguida.
Danny me olhava como se achasse engraçada a situação toda. Ele era louco!
- Você é doido? – perguntei esganiçado, o vendo abrir um sorriso maior do que o que já estava na cara. – Que pergunta, claro que é! – sacudi a cabeça. Ele riu.
- Achei que fosse se animar ao me ver. – Danny riu e sentou na cama, mostrando um sorriso lindo.
- Daniel. – ri incrédula. – Cadê seu juízo? – passei a mão no rosto, me aproximando de onde ele estava sentado. – Por onde você entrou? – me escorei perto dele, colocando a mão no cabelo dele, Danny fechou os olhos, abrindo mais o sorriso, depois me abraçou pela cintura.
- Eu peguei a escada daqui. – ele sorriu bobamente quando passei os dedos por entre seus cabelos, peteando. Fiz careta.
- Escada? – perguntei retoricamente e Danny resmungou afirmando. Suspirei. – Então desce e guarda a escada. – eu sabia que Jones tinha a deixado no mesmo lugar, e isso era um risco. Ele levantou a cabeça, me olhando bem confuso. Arqueei uma das sobrancelhas. – Se meu pai descer... E ver, vai dar problema, você não acha? Somos adultos, mas...
- Ah princesa! Claro. – Danny bateu na própria testa, me fazendo rir, depois levantou de uma vez, me beijou rapidamente e riu.
O selei, fazendo- o me abraçar com força, muita força. Soltei um grunhido fingido e ele riu alto, me beijou mais uma vez, depois me soltou. Dei um passo pra trás e Danny foi rápido até a porta do meu quarto, mas parou no meio do caminho e me olhou de olhos arregalados.
- Que foi? – arregalei os meus.
- Seu pai. – Danny soltou de uma vez e segurei a risada.
- Espera, deixa eu ir aí abrir a porta. – segurei o roupão no corpo, como se ele fosse fugir a qualquer momento. Segurei o trinco envelhecido e abri, saindo no corredor, que como eu previa, estava vazio. – Vem Dan, pode vir. – falei baixinho, rindo, ele suspirou, como se tivesse se preparando pra uma maratona e me fez rir. Tapei a boca e ele negou com a cabeça.
- Você está incrível com esse roupão. – ele disse baixo, passando por mim e abri a boca em um ultraje fingido. – Delícia. – Danny jogou novamente, com um sorriso malicioso e puxado no canto dos lábios. Dei um cutucão nele com o cotovelo. Imediatamente apontei pra escada, o mandando ir logo.
Que Danny era louco eu já sabia, mas ficar fazendo cera na porta do meu quarto, quando ele entrava completamente clandestino e com meus pais do lado, era pedir para levar cutucões. Encostei a porta e voltei para o quarto, entrei no closet e vesti o um moletom pra acabar com aquele frio, coloquei a toalha e o roupão no banheiro e peguei minha caixa pra guardar, mas se Danny estava ali, ele poderia me ajudar com as fotos. Aquilo era mínimo pra ele fazer.
Mas o que me preocupava naquele momento era a demora. Jones estava demorando mais do que o esperado e aquilo me preocupava pra caramba, principalmente se ele fosse pego pelo meu pai. Explicar o porquê de tudo e inventar alguma desculpa iria ser o mais constrangedor possível.
Comecei a andar em círculos no quarto, ansiosa, receosa, nervosa e agoniada em uma espera que nunca acabava. Será que ele tinha desistido e ido pra casa? Não, Jones não poderia ser frouxo daquele tanto, ele não iria fugir por medo. A quem eu estou querendo enganar? É claro que ele ia. E quando eu já tinha me convencido de que Danny não voltaria, senti meu corpo ser completamente abraçado por trás e tomei um baita susto.
- Meu Deus, que susto, Danny! – dei uma risada moderada e coloquei a mão na testa, o ouvindo rir junto.
- Desculpa. – ele disse ainda rindo e encostou a testa em meu ombro. – Eu precisava sua reação.
- Deu certo? – apertei meus braços sobre os dele. – Guardou tudo direitinho?
- Sim, sem perigo de nada. – Danny me abraçou mais forte.
- Dan? – perguntei atenta, ele soltou um grunhido de afirmação. – Me ajuda a pôr algumas fotos na parede? – mordi a boca, esperando a resposta dele e ouvi uma risada.
- O que você quiser. – ele respondeu me fazendo quase derreter com a fofura daquela pessoa.
Dei uns pulinhos animados, o fazendo rir e comecei a explicar como eu queria que cada foto ficasse e em qual lugar, enquanto Danny escutava tudo atentamente, balançando a cabeça e sorrindo, me deixando mais animada ainda. Como eu já tinha separado as fotos que eu usaria pra decorar o quarto, achei algumas luzinhas perdidas dentro do closet, começamos o trabalho e a cada reação dele com as fotos, eu ria. Depois que colamos todas elas na parede oposta a cama, penduramos as luzinhas ao redor e depois eu liguei, havia ficado a coisa mais linda da vida! Finalmente aquele quarto estava finalmente parecendo comigo.
Apertei Danny como um urso de pelúcia gigante, o fazendo rir e me encher de beijinhos fofos. Sentamos no chão, escorados na cama, observando e admirando nosso trabalho, nosso incrível trabalho. De mãos dadas, sorrindo e comentando cada foto que estava ali, e grande maioria delas, Dan estava presente.
- E aquela? Você lembra? – perguntei rindo, em uma tentativa frustrada de apontar a foto. Danny fechou um dos olhos, fazendo careta.
- Hm. Lembro! – ele arregalou os olhos. – Foi naquele acampamento não foi? Que o Tom foi como monitor?
- Exatamente! – falei rindo, depois puxei o rosto dele o beijando.
Danny segurou minha cintura com firmeza, puxando meu corpo pra perto do seu e coloquei os dedos entre os cabelos dele, puxando levemente quando sentia as mordidas misturadas ao beijo, fazendo sair algumas risadas junto. Agarrei aos ombros dele, embolando meus dedos ao tecido claro da camisa, voltando ao beijo mais intenso e Jones me abraçou com força, colando completamente os nossos corpos e enquanto minhas mãos subiam dentro dos cabelos dele mais uma vez, eu sentia as dele descerem por minha perna e subir mais uma vez, passando por minha bunda. Soltei uma risada que o fez rir junto.
- Suas desculpas pra passar a mão em mim são horrendas. – ri e ele puxou um sorriso de canto, dando de ombros com um porte de “A gente faz o que pode”.
Neguei com um aceno e aproveitando a nossa proximidade, voltei a beijá-lo, o que só incentivou ainda mais a mão boba do Jones. Ele me torturava apertando minha coxa, perto da bunda, devagar e com força, assim como a outra mão que ia subindo na cintura. Ali eu vi que era hora de parar, ou íamos acabar pelados na minha cama e sinceramente, aquilo não dava certo. Era a casa dos meus pais.
- Dan? – passei a mão carinhosamente no rosto dele. Danny fez um bico. – Vamos focar em dormir, qualquer dia a gente dá um fim nisso. – prendi uma risada quando vi a cara de bunda dele.
- Eu vou cobrar. – Daniel segurou meu rosto, me olhando sério. Me deu um beijo completamente sugado e depois senti um beijo apertado em minha testa.
Nos levantamos do chão e sentei na borda da cama, Danny sorriu. Um sorriso incrivelmente lindo, maravilhoso e que me hipnotizava. Sorri de volta, parecendo uma garota abobalhada. Eu queria dar na minha cara pra deixar de ser tão idiota, era apenas o Danny. Que estava tirando a camisa. Oi? Reprimi uma arregalada de olhos pela surpresa, afinal eu já tinha visto Jones sem camisa, na verdade sem nada, mas porque ele estava tirando a camisa mesmo?
- Que é isso? – perguntei rindo. – Virou gogoboy? – prendi uma gargalhada e o vi fazer o mesmo, depois jogar a camisa em cima de mim e dar uma rebolada. Enfiei a camisa dele no rosto, tentando abafar o som da gargalhada que não conseguia ficar presa. – Para com isso, Daniel! – tentei dar uns tapas nele, enquanto Danny se encolhia rindo sem fazer qualquer barulho e aquilo deixava tudo incrivelmente mais engraçado.
Quando finalmente consegui me conter das risadas, respirei fundo e o encarei, porém o baque foi outro. Danny Jones estava completamente diferente do que o que eu já tinha visto um dia, ele já era incrivelmente maravilhoso com aquele corpo todo sardento, mas as entradas e o peito estavam mais definidos. Talvez ele estivesse malhando e que aquilo continuasse, porque estava o deixando maravilhosamente gostoso. E para fechar o pacote inteiro, aquele sorriso hipnotizante.
- Você sabe que eu durmo sem roupa, . – ele disse ainda controlando a risada, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo, bom e pra ele era. – Mas eu não vou tirar tudo, só a camisa, porque eu fico sufocado.
- Ainda nisso de dormir sem roupa? – enruguei o nariz, fazendo uma caretinha. Ele meneou a cabeça pra dizer que mais ou menos, enquanto tirava os sapatos, depois subiu na cama.
- Não totalmente, aprendi a dormir de calça, mas a camisa ainda me sufoca. – Danny riu, deu um beijo estalado em meu pescoço e deitou com os braços embaixo da cabeça, moveu um deles e deu um pequeno tapa no colchão, me chamando pra deitar junto.
Engatinhei na cama até perto de onde ele estava e deitei com a cabeça em seu ombro, sentindo meu corpo ser envolvido por um de seus braços em um abraço gostoso. Ele virou de frente pra mim, me abraçando por completo, depois enfiou o rosto em meu pescoço, suspirei sentindo aquele arrepio incrivelmente maravilhoso me tomar.
- Eu não consigo me concentrar em dormir. – Danny disse baixinho, fazendo a voz tremer em meu pescoço. Fechei os olhos. – Juro que não princesa.
- Seja forte, vai conseguir sim. – falei rindo e passei a mão no cabelo dele. – Amanhã eu vou comprar alguma coisa para o Harry e a . – mudei de assunto, beijando a cabeça dele. – Quer ir junto?
- Putz, eu queria, mas tem o programa. – Jones disse e deu um leve beijinho em meu pescoço.
- Não se preocupa. Eu resolvo, depois te conto o que compramos. – nós rimos.
- Você é a melhor pessoa do mundo, princesa. – ele me abraçou mais forte e repeti o gesto.
- Longe disso. – ri baixo, passando a mão no cabelo dele, Danny suspirou aliviado, como se estivesse esperando aquilo por anos. – Boa noite, Dan. – beijei a cabeça dele, depois o ouvi resmungar me desejando o mesmo de volta.
Logo o sono chegou, me fazendo capotar como se fosse uma pedra em qualquer lugar.

Despertei meio atordoada e ainda de olhos fechados, sentia algo pesado demais em cima de mim, como se de alguma forma, atrapalhasse o trabalho dos meus pulmões. Alguém batia na porta freneticamente ao ponto de derrubar. Esfreguei os olhos e os abri de uma vez, encontrando Danny parcialmente deitado em cima de mim, com a cabeça em meu ombro e dormindo feito um anjo. Respirei fundo tentando pensar, eu precisava pensar, mas a pessoa que derrubava a minha porta não estava ajudando de jeito nenhum.
E ali me dei conta de que Danny não poderia estar no meu quarto, e muito menos ter dormido por lá.

Capítulo 7

’s POV

Eu precisava pensar, pensar rápido, pensar em uma maneira de fazer parecer que nada tinha acontecido. E especialmente uma maneira de fazer Daniel Jones desaparecer dali, por mágica se possível, sem ninguém ver, desaparecer da minha cama e aparecer na dele, principalmente porque batiam de forma desesperada na minha porta, impedindo meu cérebro sonolento de pensar adequadamente. Aquilo daria uma bela de uma confusão, isso era algo que eu tinha certeza, ainda mais se alguém entrasse naquele quarto sem dizer que poderia. Sim, a porta estava fechada de chave, mas também existiam chaves reservas naquela casa.
Suspirei, tentando realmente funcionar àquela hora da manhã e passei a mão sobre o ombro dele, que dormia tão serenamente, quase um anjo, a boca amassada em um bico pela bochecha estar comprimida em meu ombro e uma expressão tão terna no rosto, que me dava dó em pensar de ter que acordá-lo. Contornei algumas vezes a tatuagem do braço com leves toques, enquanto pensava na melhor maneira de fuga, pular aquela janela estava fora de cogitação, ele ia se machucar e a última coisa que eu queria era Danny machucado. A única solução plausível era realmente as escadas.
Peguei meu celular na mesinha de cabeceira para checar a hora. 07h15min. Meu pai já havia saído para o consultório, ficava mais fácil de movimentar o Jones dentro daquela casa. Às segundas o Mr. Judd saía cedo para a clínica, porque o movimento era bem mais intenso, principalmente com ele sendo um dos melhores cardiologistas da atualidade. Desde criança eu havia sido criada naquela atmosfera médica, o que me impulsionou a seguir a mesma doutrina que o meu pai.
Beijei a cabeça do homem apagado praticamente em cima de mim, rindo da situação. Ele precisava acordar antes que desse tudo errado. Minha porta já havia sido deixada em paz, por quem quer que estivesse tentando derrubá-la e me mexi na cama na intenção de acordar o Daniel.
- Dan... acorda! – falei baixo, mexendo o ombro dele com um pouco de força, mas nenhum sinal de vida foi dado. – Danny! – o sacudi com mais força. – Acorda! – mas Daniel Jones continuava como uma pedra jogada em cima de mim. Suspirei já impaciente com aquilo e o segurei com as duas mãos. – DANIEL, ACORDA! – praticamente gritei, o sacudindo de forma brusca, a mais violenta que eu consegui, fazendo o peso morto ganhar vida e levantar a cabeça de uma vez, se mostrando assustado e com os olhos arregalados.
Eu juro que tentei prender a risada, mas foi inevitável, Danny parecia estar perdido em um universo distante, o que causava minhas gargalhadas mais profundas, enquanto ele tentava apoiar o corpo nos cotovelos e sair de cima de mim.
- Que droga, . – ele suspirou, se recuperando do susto, enquanto eu tentava abafar minhas risadas com as mãos. – Assim você me mata de susto, mulher. – ele tentou ralhar, como se estivesse irritado, mas já ria da situação assim como eu.
- Você parecia morto em cima de mim. – disse tentando controlar as risadas, enquanto ouvia as dele.
- Eu ia morrendo. – ele riu. – De susto, meu coração não aguenta essas coisas não! – Danny virou a cabeça de lado, me encarando, eu ria. Meu Deus, como ele era exagerado! E nem era o sagitariano da situação.
A bochecha sardenta amassada no travesseiro e os olhos azuis mais redondos da terra, me deixavam encantada. O cabelo bagunçado, caindo levemente pela testa e um resquício de sorriso nos lábios grossos, me fazia sorrir junto, como se eu fosse qualquer tipo de reflexo dele. Virei de lado na cama completamente, contemplando aquela cena tão bela e suspirei.
- Já acordei, princesa! – ele riu e mostrei a língua.
- Você parece um urso. Você hiberna, Daniel. – soltei uma risada comedida e o vi abrir a boca em ultraje.
- Eu não sou um urso, . – Danny rolou os olhos e soltei uma risada.
Ele pôs a mão em minha cintura, como se acomodasse-a lá por puro acaso, depois puxou meu corpo e movimentou o dele ao mesmo tempo, nos juntando e deixando colados. Dei um beijo na testa sardenta dele e Danny enfiou o rosto no vão do meu pescoço, começando a dar beijinhos que iam atiçando um fogo mais profundo dentro de mim. Ótimo, era tudo que eu precisava. Ter meu fogo atiçado estando em meu quarto, dentro da casa dos meus pais. Suspirei, juntando minhas forças mais profundas, na intenção de afastá-lo, quando percebi que Danny já estava praticamente em cima de mim. Ele prendia meus pulsos na cama com as mãos, estava com uma das pernas entre as minhas, dando beijos sugados e molhados em meu pescoço, mas quando deixei um suspiro de desespero escapar, ele deu uma risada rouca em meu ouvido, fazendo meu corpo inteirinho se arrepiar. Arregalei os olhos. Merda! A mão dele descia mais e mais no meu corpo, mais precisamente estava cravada na coxa, segurando minha perna dobrada em seu quadril.
Até que bateram na porta mais uma vez e confesso que me assustei.
- Danny! – dei um sussurro meio gritado e o empurrei pra longe, o fazendo soltar um suspiro completamente frustrado. – OI! – eu realmente gritei na intenção de saber por que batiam em minha porta.
- Já são quase oito horas, , você não ia sair cedo? – minha mãe disse e dei um tapa em minha testa. Droga, eu tinha esquecido.
- Sim, eu vou. Obrigada, mãe! – me levantei da cama de uma vez e vi Danny de braços abertos, completamente perdido, como se me perguntasse o que tinha acabado de acontecer ali. Soltei uma risada, cobrindo o rosto com as mãos. – Vou escovar os dentes. – neguei com um aceno e peguei as roupas dele que estavam em uma cadeira perto, depois coloquei em cima da cama ainda rindo da cara de Danny, que parecia bem perdido.
- Que foi isso? – ele perguntou completamente confuso, sentando na cama e só consegui rir mais. – Me perdi. – Jones riu e pegou a camisa vestindo em seguida. – Por onde eu saio, princesa?
- Pela escada, Dan. Só me espera. – caminhei na direção do banheiro quando ouvi um resmungo dele de afirmação.
Parei em frente ao espelho e vi meu rosto inchado, soltando uma risada alta, fazendo Danny me olhar mais confuso ainda, neguei com um aceno e peguei uma liga para prender o cabelo. Peguei minha escova no suporte e comecei com meu ritual matinal de escovar os dentes.
- Tem uma escova pra mim aí? – Daniel invadiu meu banheiro me dando o beijo apertado na bochecha. – Não escovei ontem à noite e não posso fazer isso. – ele se referiu ao aparelho e soltei uma risada, negando com uma cabeça, depois apontei pra uma escova nova na prateleira de louça com o fio e o creme dental.
Danny pegou a escova de dentes e começou também a sua higiene matinal. Ele escovava fazendo um teatro tão grande que me fazia rir, dançava, batia o quadril de lado no meu, prendia a escova na boca e tocava sua guitarra imaginária. Enquanto eu só conseguia rir e imitá-lo em algumas performances.
- , como eu vou descer? – ele me perguntou mais uma vez me abraçando pela cintura, colocando o rosto em meu pescoço. – Eu vou ter que sair fugido daqui, ótimo. – nós dois rimos alto.
- Ninguém mandou você entrar pela janela. – disse rindo e beijei levemente sua cabeça. – Mas só a minha mãe está em casa.
- E eu vou chegar lá embaixo na maior cara de pau desejando bom dia à Rachel? – Danny me olhou de uma vez, com uma das sobrancelhas arqueadas e ri de verdade, depois puxei o rosto dele e o beijei.
- Era uma escolha. – fingi realmente considerar a possibilidade e o vi ficar branco. – Danny, calma! Eu estou brincando! – não consegui segurar a risada e ele rolou os olhos.
- Você adora fazer esse tipo de coisa comigo. – ele suspirou e soltou uma risada, depois beijou minha testa.
- Porque você sempre acredita, é incrível! – neguei com um aceno e o abracei com mais força. – Mas vem, vamos descer. Eu vou direto pra cozinha e você passa sem fazer gracinhas, barulho, ou qualquer outra coisa, combinado? – perguntei atenta e ele afirmou com um aceno de cabeça, batendo continência logo em seguida.
Saímos do quarto e como eu havia praticamente mandado, Danny manteve a calma e depois que entrei na cozinha vendo minha mãe entretida com algumas coisas, praticamente o vi correr para a porta da frente sem fazer qualquer barulho, o que me deixou completamente incrédula, Daniel Jones era o desastre em pessoa e muitas vezes, até mesmo sem querer, fazia alarde.
- Bom dia, mama! – falei animada, abraçando-a e beijando sua bochecha, e em troca recebi um sorriso gigante.
- Bom dia, querida! – ela falou sorrindo e beijou minha cabeça. – Tem suco na geladeira, panquecas na mesa, omelete, torrada... você que escolhe. – dei alguns pulinhos animados a fazendo rir e fui direto pra geladeira.
- Oba! Oba! Maravilha! – nós rimos.
- , e o Danny ontem? – minha reação foi estacar no lugar, sentindo meu corpo bem tenso. – Eu conversei com seu pai. – ela disse e senti meu corpo relaxar novamente. – Você não é mais nenhuma criança, é uma mulher já feita e sabe o que faz da vida, sinceramente.
- É coisa de pai, mãe. – falei rindo e peguei a jarra de suco. – Daniel levou numa boa, ele não é de se enraivar com tudo. – sacudi a cabeça e ouvi a porta da frente bater.
Ótimo, Jones, você poderia ser bem mais discreto!
- Quem será? – Rachel perguntou andando pra fora da cozinha e suspirei. Eu ia matar Daniel Jones, principalmente depois daquela ceninha de fingir que iria entrar na minha casa, quando na verdade nunca tinha saído.
- Não sei... – sentei a mesa. – Quer suco, mãe?
Peguei um prato e comecei a arrumar meu café, colocando as comidas todas em seu devido lugar e ajeitei o garfo que estava com a posição oposta a faca. Bufei rolando os olhos com a palhaçada de Daniel Jones. Se iria agir normalmente como se nada tivesse acontecido, porque eu não?
- Não, . – minha mãe respondeu e ouvi a porta da casa ser aberta. – Oi, Danny! – o grito de dona Rachel foi mais do que animado e rolei os olhos. Continuei a arrumar meu café e ele chegou a cozinha acompanhado da minha mãe.
- Oi, ! – Danny beijou minha cabeça e sorriu. – Estava com saudades. Passei só para dar um oi antes de ir pra gravadora. – ele deu um sorriso de canto e lutei para esconder a cara de tédio. Ele era um péssimo ator e muito provavelmente minha mãe já tinha sacado a história toda, mas se era para entrar no personagem eu entraria, certo? Claro!
- Oi, Dan! – retribuí o sorriso e me estiquei, o beijando levemente.
- Coma alguma coisa, querido. – minha mãe sorriu meigamente e Danny o retribuiu.
- Queria muito, Rachel, amo sua comida. Mas tenho uns compromissos agora de manhã com o programa. – ele fez uma mine careta fechando um dos olhos e minha mãe riu afirmando.
- Dessa vez eu perdoo. – minha mãe sorriu grande.
- Eu não queria, mas preciso ir. – Danny riu e beijou minha bochecha de uma vez, me fazendo quase cuspir comida e engasgar de tanto rir. Beijei a bochecha dele da mesma forma e ganhei um beijo na testa, além de um sorriso incrível.
Ele abraçou minha mãe como despedida e beijou a testa dela, acenou e em seguida saiu da cozinha feito um jato. Suspirei, esperando a voz de Rachel Judd ressoar dentro da cozinha.
- . – ela mencionou meu nome como se eu fosse uma criança levada e sem jeito. – Me diz que o Danny não dormiu aqui. – minha mãe cruzou os braços e sentou exatamente de frente pra mim. Não podia ser tão na cara assim, podia?
- Ele não dormiu aqui! – falei o que ela queria ouvir, esticando um sorriso trincado nas bochechas e o que eu ganhei em troca foi um arquear de sobrancelhas completamente duvidoso. Se tinha ferrado? É, tinha ferrado.
- Falei com a Meg hoje e ela disse que o carro dele estava lá, mas Daniel não tinha dormido em casa. – minha mãe cruzou os braços abaixo do peito e trinquei mais o sorriso, depois levantei da cadeira.
- Ele dormiu literalmente aqui, mãe. Eu não ia faltar com esse respeito estando aqui em casa, pode ficar tranquila. – peguei uma torrada e pisquei pra ela. Rachel negou com um aceno de cabeça e saí da cozinha colocando a comida na boca tentando não rir.
Quando cheguei ao pé da escada ouvi seu grito:
- Isso está ficando sério, garota. Resolvam-se logo!

Já era quase meio dia e eu não tinha encontrado nada pra comprar para os pombinhos. A e o Dougie já tinham pagado a viagem de Lua de Mel, tenho que admitir que eles foram bem espertos e escolheram o que nós todos queríamos dar. Então a Mrs. Poynter disse que ocuparia a no ateliê para que eu e comprássemos os nossos presentes. Nós ainda estávamos na saga de encontrar a perfeição e como os meninos estavam resolvendo as finalizações do programa que ia ser gravado naquela semana, devido aos fatores "casamento" e "lua de mel", eu e a little Fletcher fomos juntas.
Já havíamos rodado quase todo o centro de Londres, incluindo todos os tipos de lojas possíveis para encontrar esse presente, mas nada parecia perfeito ou maravilhoso o bastante para que pudéssemos presentar o casal. Quando já estávamos sem esperança de encontrar nada e a irritação tomava conta do meu ser, encontramos uma lojinha espremida dentro do shopping, que tinha como especialidade vender louças, pratas e cristais. Entramos e fomos muito bem recebidas pelas vendedoras, sem falar que muito discretamente, algumas queriam detalhes do casamento, outras perguntavam quem seria o próximo a se casar e nós apenas incorporados os pinguins de Madagascar, no mais modesto e singelo: "sorria e acene".
Continuamos a saga e, entre algumas prateleiras, a encontrou um conjunto de talheres feitos em prata, com detalhes arredondados e alguns riscos em alto relevo, era simplesmente deslumbrante, de uma fineza fora do comum e muito a cara da noiva do ano. Depois que grudou os olhos no faqueiro, ela surtou e tenho certeza que o levaria a todo custo. Mas, enquanto ela conversava com a moça do caixa, resolvi logo ir procurar o meu presente para os noivos, saí vasculhando as prateleiras a procura de algo especial, especial de verdade, que pudesse participar dos momentos felizes da vida dos dois. E sabe o que eu achei? Um conjunto de lindas taças perfeitamente delineadas que fizeram meus olhos brilharem, elas eram longas, com um designe perfeito, na superfície começavam umas rajadas em dourado que seguiam por toda ela. Sim, eu com certeza iria levar.
Depois de pedir que a loja gravasse as iniciais dos dois no cristal e deixar os presentes reservados, sendo combinado de irmos buscar um dia antes da viagem durante a tarde para que não causasse alarde antes da hora, e, claro, completo sigilo quanto ao que havia sido comprado, resolvemos ir almoçar, já que era quase 13h00min.
Quando já estávamos no estacionamento do shopping, o telefone da tocou.
- Oi . – ela atendeu enquanto nós andávamos e ela procurava a chave daquele monstro que ela e Tom chamavam de carro. Juro, era enorme. – Não, ainda não... A está com você? – ela mordeu a boca, afirmando levemente e respondeu: – Pois estamos indo para aí! BeiJones!
Sinceramente, eu gargalhei da saudação final. Eu não acreditava que elas ainda usavam aquilo.
- Vocês ainda usam isso? – perguntei vermelha de tanto rir e gargalhou junto comigo. – Não era pra colocar seu sobrenome? Ainda usa o do seu pai?
- Não dá pra pôr Fletcher nessas coisas. – ela sacudiu a cabeça ainda rindo horrores. – Mas vamos, estava parindo porque queria que almoçássemos juntas.
- Tudo bem Mrs Fletcher. – bati continência e baixei a cabeça, percebendo o tênis novo dela. – Hm, Converse novo? Esse eu não conhecia.
- Sim. – tinha os olhos brilhantes. – Meu maravilhoso marido me deu ontem! – ela sorriu grandemente.
- Por isso que você não me atendia o telefone. – falei convicta, apontando pra ela que deu de ombros e nós duas gargalhamos.
- Óbvio, estava comemorando meu presente. – deu de ombros mais uma vez e rimos alto.
Nós continuamos conversando sobre algumas coisas aleatórias enquanto dirigia para o Ateliê da Jones do meio, até que o assunto virou-se para algo que particularmente achei suspeito, mas preferi deixar minha amiga falar para que eu tirasse minhas próprias conclusões.
- Tonturas? – perguntei, fazendo uma leve careta, a fazendo afirmar e, bom, ela parecia assustada.
- Eu não quis dizer nada a minha mãe, ou a . – minha amiga mordeu a boca. – Elas com certeza ficariam mais do que preocupadas e não quero causar qualquer alarde sem saber realmente do que se trata.
- Por isso você veio falar comigo. – falei com convicção. – , tontura pode resultar de inúmeras coisas... cansaço, estresse, má alimentação. – enumerei nos dedos. – Até uma possível gravidez. – falei a última frase bem baixo e minha amiga arregalou os olhos.
- Gravidez? – ela parecia sussurrar.
- Sim, você e o Tom são casados, é normal que venham os filhos, principalmente depois de... o quê? Dois anos? – fiz uma pequena careta. – Vocês não querem ainda?
- Não é que não queremos. – ela deu uma risada anasalada. – Mas eu tenho 23 anos, . Filho agora seria muita mão de obra. – nós duas rimos alto. – Mas se vier, que venha com saúde. – minha amiga sorriu.
- Mas tem a chance de ser? – mordi a boca apreensiva, olhando pra ela e minha amiga enrugou o nariz. – Oh meu Deus! – cobri a boca com as mãos.
- , sem alarde! – gritou esticando uma das mãos pra mim. – Ter chance, tem! Mas a gente não sabe ainda. Eu só fiquei preocupada com as tonturas, não imaginava que pudesse ser isso!
- Ok, observa e não descarta a possibilidade. – pedi movimentando as mãos levemente. – Qualquer coisa é só me ligar, sempre. Tudo bem?
- Tudo bem, doutora . – riu enquanto tirava com a minha cara e mostrei a língua.

Quando chegamos no ’s, a aproveitou pra nos mostrar o andamento dos nossos vestidos de madrinha, que estavam simplesmente perfeitos e, por mais que minha amiga insistisse que precisavam de alguns ajustes, pra mim não precisaria mudar nada. Mas o dela era sim o centro das atenções dentro daquele ateliê. Se a minha cunhada tinha bom gosto? Ah, ela tinha, daqueles de fazer inveja a qualquer mulher. só conseguia me surpreender mais a cada criação.
Depois de toda a euforia com as roupas, fomos andando até o pequeno restaurante francês que sempre existiu ali por perto. O lugar era completamente incrível, lindo e delicado com aquele ar Parisiense que nos encantava desde sempre, não era à toa que o casal Judd passaria a Lua de mel em Paris. Os Fletchers tinham dividido entre Disney e a cidade do amor. com certeza faria a mesma coisa e eu também. Era um trato nosso desde que decidimos que iriamos casar algum dia na vida. Não vou mentir, eu queria sim me casar e ter a minha família, não naquele exato momento, mas era algo que com certeza faria parte do meu futuro.
Pegamos uma mesa mais reclusa e após registrar o momento com algumas fotos, começamos a conversar enquanto comíamos.
- , conseguiu companhia pra ontem à noite? – perguntou enquanto mexia com o garfo no prato.
- Consegui falar com o Danny. – falei rindo e ouvi murmúrios que significavam basicamente um “como eu não pensei nisso antes?”. – O quê? Vocês estavam ocupadas, eu precisava me ocupar também. – dei de ombros e ouvi risadas.
- Não acredito que vocês transaram dentro da casa dos seus pais. – arregalou os olhos e pela cara queria me matar como se eu tivesse feito algo tenebroso.
- É óbvio que não! – soltei um grito meio esganiçado. – Eu não ia fazer esse tipo de coisa lá dentro, é loucura. – meu desespero era visível, o que fez as três senhoras gargalharem. Carreguei minha cara de tédio. – Relacionamento não é só sexo, sabiam?
- Não vem dar uma de pura, amiga. – apontou pra mim rindo. – Sexo não é tudo, mas constitui uma boa parte, uma das melhores.
- Eu sei que sim, mas não sei se posso classificar isso como um relacionamento. – dei de ombros e tomei um gole do suco, ganhando três pares de sobrancelhas arqueadas.
- Sinceramente, vocês são complicados demais e se não tem uma coisa definida, mas você acha que merece uma definição. Defina, ! Não espere Daniel Jones acordar e fazer qualquer coisa, nós quatro sabemos que ele só pega no tranco. – rolou os olhos e tomou do seu suco.
- Ow! Calma! – levantei as mãos em rendição. – Menos de uma semana, .
- Mas vocês passaram dois anos nesse mi-mi-mi idiota. – minha cunhada rolou os olhos. – E sinceramente, não é como se tempo fosse qualquer empecilho pra vocês. Isso é caso antigo, pelo amor de Deus, se toquem! – parecia irritada com a situação e minha vontade foi de rir, mas prendi a risada.
- Só faça o seu trabalho direito, mulher! – disse de uma vez e nós três olhamos pra ela fazendo careta. Fazer meu trabalho direito?
- Han? – fiz uma careta as fazendo rir.
- Transformar Daniel Jones em uma pessoa melhor. – ela disse de modo óbvio e eu ri alto, juro que ri. – É sério, , brincadeiras à parte, ele fica diferente quando você tá perto, mas de um jeito bom sabe? Dá até orgulhinho do menino quando ele está calminho assim, focado só em uma mulher e que faz tanto bem pra ele. – assim que minha amiga se calou eu senti meu rosto corar.
- Eu não faço Danny mudar. – ri baixo, ainda encabulada. – Ele quem muda sozinho. – dei de ombros.
- Por sua causa, babaquinha. – riu e rolei os olhos.
- Veio para ficar dessa vez? – perguntou enquanto fuçava o cardápio mais uma vez atrás de algo que eu apostava como era doce.
Nota mental: analisar o comportamento suspeito dela, ainda não me saía da cabeça que poderia ser gravidez.
- Ainda não. – fiz uma careta e encostei o rosto na mão. – Mas vou ficar aqui até janeiro. – mordi a boca. – Meu pai queria que eu começasse a trabalhar no hospital que ele sempre trabalhou até montar a clínica, mas não sei ainda. – dei de ombros e elas firmaram com acenos.
- Collin vai estar no casamento. – disse e arqueei as duas sobrancelhas. Fazia anos que eu não via Collin Evans.
- O Collin? – fiz careta e soltei uma risada.
- Sim, ele está com a Angel. – nós rimos. – E pelo que fiquei sabendo, é o queridinho no hospital que seu pai trabalhou, quem sabe vocês não conversam sobre. Seria realmente ótimo ter você de volta, . – ela sorriu e sorri largamente. É, talvez aquela fosse uma chance, certo? Collin era um velho amigo, quem sabe ele estivesse disposto a me ajudar com a coisa toda.
- Prometo que vou pensar bem na proposta de vocês. – falei rindo e elas riram junto.
E realmente era algo bem interessante a se pensar. Eu queria voltar, queria muito, muito mesmo, de verdade. Conhecer vários lugares e até morar fora do seu país era algo completamente enriquecedor, realmente maravilhoso e incrível, mas a falta que a minha casa fazia também era algo fora do comum. Talvez fosse mesmo a hora de arrumar tudo novamente, porque como diria Daniel Jones, antes tarde do que nunca.
Nosso almoço foi incrível, como sempre. Eu adorava passar o tempo com as meninas, porque era indescritível o quanto a nossa amizade era forte mesmo depois de cada uma ter seguido seu rumo na vida, como era o esperado, nós ainda tínhamos uma forte ligação e aquilo me dava a certeza que seriamos madrinhas umas dos filhos das outras.
Chegamos ao Ateliê logo e dei graças a Deus por o lugar ser quentinho, o frio daquela cidade era fora do normal, mas, mesmo assim, eu adorava. Estávamos espalhadas pela sala dos vestidos e o de noiva vestia um manequim no meio do cômodo, enquanto Tristan terminava alguns bordados nas mangas e nos fazia rir escandalosamente com as histórias que ele contava. O cara era o braço direito de dentro daquele lugar, os dois se conheciam desde a faculdade e eram muito amigos, o que o tornou nosso amigo também. Tristan era nosso protegido, queridinho das meninas e arrastaria muito ciúme se não fosse gay.
Nossa conversa estava incrivelmente maravilhosa, mas, antes do fim da tarde, recebeu uma ligação da decoradora dizendo que ela precisava ir escolher as flores que seriam utilizadas em toda a ornamentação, já que elas seriam todas naturais e precisavam ser cultivadas e refrigeradas para que ficassem em perfeita forma. Então o Bridesmaid’s squad estava pronto para ajudar com as decisões junto a noiva e a decoradora. Portanto nós seis decidimos que ela seria feita com rosas vermelhas e brancas, mas incluindo também algumas flores adicionais, que eu não recordo o nome, minha memória era triste. O buquê da iria ser constituído de rosas vermelhas e elas eram perfeitamente maravilhosas e os nossos raminhos eram feitos com flores em cores rosê, não me pergunte onde ela conseguia aquelas cores mais variadas, mas ela conseguia.
E, enquanto decidíamos junto com elas sobre a decoração, o Harry me ligou:
- Diga, meu anjinho! – tentei prender a risada quando proferi o apelido e fez cara de nojo achando que era o Danny.
- Não pense que esses apelidinhos vão me fazer esquecer o que seu namorado me contou. – rolei os olhos com o drama do Harry. Ninguém era mais criança, não é mores?
- Olha o grude, Danny! – gritou ao telefone e eu ri alto.
- É o Harry. – falei ainda rindo e causei risos nas minhas amigas. – Mas diga amor da minha vida, o que você queria? – escorei na cadeira bem despreocupada e ouvi meu irmão pigarrear como se quisesse dar um ar sério a conversa. Panaca!
- Dizer que mais tarde vamos ver um filme, colocar as conversas em dia. – juro que quase o vi dar de ombros. – Estou com saudades de você, mulher. Dispense seu namorado! Hoje você vai fazer companhia ao seu irmão incrivelmente maravilhoso e adorável. – eu gargalhei, não dava pra não rir.
- E modesto que é uma beleza! – dessa vez os dois rimos. – Mas pode deixar, Judd mor, vamos maratonar qualquer coisa na madrugada.
- Agora você falou a minha língua! – ele disse incrivelmente eufórico e rimos. – Ah ! O Danny quer falar contigo, vou passar logo, porque senão ele me bate. Beijo! – bando de homem exagerado. Rolei os olhos.
- Tudo bem, coisa linda. Beijo! – ri baixo e ouvi o barulho do telefone trocando de mão. O que Danny queria comigo?
- Oi princesa! – ele disse completamente animado e foi inevitável não sorrir.
- Oi! – se eu estava animada? Era uma completa vergonha a minha cara de idiota ao ouvir aquele apelido que era na melhor das hipóteses, diferente.
- Ocupada por hoje? Queria te pedir uma coisa. – ele deu uma pausa e murmurei pra que ele continuasse. – É que minha geladeira está seca. Faz umas compras comigo, lá pra casa? – soltei uma risada e o ouvi rir junto.
- Claro que ajudo, Dan. Só me diz a hora que fica melhor pra você. – juro que ouvi o grunhido de animação e euforia dele me fazendo rir ainda mais. – Me diz também onde você costuma fazer as compras e eu te encontro lá.
- Você é incrível mulher! – ele soltou um grito que me deixou dividia entre rir pelo escândalo ou fazer escândalo pelo “incrível”. Eu estava longe de ser incrível, Danny Jones. – Eu vou te mandar uma mensagem dizendo onde é. Daqui a dez minutos te encontro lá. Tudo bem? – ele parecia uma criancinha animada e aquilo era muito fofinho.
- Tudo bem, Danny. – falei rindo e as meninas se dividiram em rir e negar com a cabeça.
- Beijo. Te amo! – aquela declaração me assustou um pouco, não era qualquer segredo o que sentíamos um pelo outro, mas declarações assim eram novidades pra mim. Principalmente vindas de Danny Jones.
- Beijos! Te amo. – respondi tentando manter o normal da voz e por fim desliguei o telefone, recebendo olhares abismados. – Não é segredo para ninguém, beleza? – disse tentando sair pela tangente e as quatro deram de ombros em rendição. Soltei uma gargalhada.
- Segredo não é, mas assumido assim é uma maravilhosa novidade, Mrs. Jones! – gritou rindo e mostrei o dedo. Levantei da cadeira que estava e peguei minha bolsa.
- Guarde esse dedo pro seu namorado! – gritou e rolei os olhos rindo. – Vai onde, Jones? – ótimo! A partir dali ficaria taxada como Mrs. Jones.
- Abastecer os armários da minha casa com seu irmão. – entrei na brincadeira já que negar não ia resolver absolutamente nada. Eu conhecia aquelas três e o quanto antes eu entrasse na brincadeira, menos eu sofreria.
- Opa! Olha como evoluiu! – soltou um grito esganiçado que nos fez rir alto.
- Não sou a Mrs. Jones? – mandei beijo alado pra elas. – Bela, recatada e do lar. – pisquei rindo e depois saí do local a procura de um táxi.

Acreditem em mim, a coisa mais engraça existente era Danny nervoso e ansioso. Quando cheguei em frente ao mercado que tínhamos marcado, ele parecia extremamente nervoso, olhando para os lados, batendo o pé no chão e olhando impaciente para o relógio. Sério, Jones não existia. Soltei uma risada sacudindo a cabeça, paguei ao motorista do taxi e logo fui ao encontro do Dan. Ele abriu um sorriso gigante ao me vez, daqueles que fazem as suas pernas cederem de tão lindo e depois abriu os braços me esperando para um abraço maravilhoso.
Recebi um beijo na cabeça além de um abraço forte e gostoso e rimos ao mesmo tempo.
- Chegou faz tempo? – dei um selinho nele ainda estando praticamente fundida a Daniel Jones.
- Não, acabei de chegar. – Danny riu passando as mãos em meus braços como se quisesse me livrar daquele frio infernal. – Harry arrancou de mim. – ele fez uma careta culpada e desgostosa. Soltei uma risada.
- Calma! – soltei outra risada descontrolada e me agarrei mais a ele. – Eu sei como o Harry é. E minha mãe pegou tudo no ar depois. – nós dois rimos.
- Parecemos duas crianças. – ele riu alto e acariciou meus cabelos.
- É! Duas crianças, mas que uma delas precisa fazer compras, ou morre de fome. – beijei de leve o queixo dele e Danny riu alto afirmando, depois me abraçou de lado e por fim entramos no supermercado com um carrinho de compras.
Andamos por algumas prateleiras que ele desviava com sucesso de todo alimento que fosse orgânico, livre de conservantes ou de sódio. Daniel Jones era uma bomba relógio prestes a explodir, mas eu iria impedir aquilo. No carrinho tinha todo tipo de biscoito que vocês podem imaginar, doce, refrigerante, cerveja e o diabo a quatro que fazia qualquer pessoa morrer de um infarto, me deixando na dúvida de como aquele homem estava vivo e sem mais doenças até a presente data.
- Você vai morrer! – reclamei em completo desespero olhando pra dentro do carrinho a única coisa que ele fez foi rir e beijar minha cabeça em seguida.
- Antes dos trinta eu posso tudo! – ele riu como se fosse de ferro e pegou mais uma bomba de sódio mais conhecida como Cheetos!
- Pra chegar nos trinta morrendo? – tomei o salgadinho da mão dele. – Não, não Mr. Jones, quero você inteiro nos trinta, sem faltar absolutamente nada. – coloquei o negócio no lugar. – E vamos começar arrumando essa alimentação desmantelada, Daniel. – tomei o controle do carrinho, o deixando com cara de taxo.
- ! – Danny me chamou com certa manha e suspirou, logo vindo atrás de mim. Soltei uma risada. – Você está me tratando como criança.
- Porque você está agindo como uma. – ri alto e ele me mostrou a língua. – Aí! – apontei pra ele.
- Eu preciso de uma pediatra, não acha? – Jones deu um sorriso de canto bem malicioso e acompanhei o sorriso dele.
- Talvez seja por isso que eu estou querendo te ajudar, não acha? – dei de ombros ainda com o sorriso abrigado no rosto e ele me puxou pela cintura.
Juro que tremi na base. Não dizem que o proibido é mais gostoso? Estar sendo agarrada dentro de um supermercado não era a coisa mais liberada do mundo.
- Hoje você não me escapa. – ele disse baixo perto do meu ouvido e mordi a boca pra não deixar o sorriso crescer demais, enquanto sentia meu corpo inteiro arrepiar. Aquela voz falando tão baixinho daquele jeito perto da minha orelha era enlouquecedor. Danny Jones sabia o poder que tinha e estava usando todo e completamente contra mim.
- Eu não estou fugindo de você. – soltei uma risada ainda encolhida no quase abraço dele e decidi dar minha sacada de mestre. – Só temos que decidir algumas coisas antes. – virei o rosto e o selei, depois me desvencilhei das mãos dele voltando a empurrar o carrinho no corredor.
- Tudo bem, definimos! – foi tudo que eu ouvi antes de ele parar o carrinho com uma mão e me virar pra ele.
Eu realmente estava ouvindo aquilo da boca de Danny Jones? Daniel Alan David Jones queria definir relacionamento comigo estando no auge da sua solteirice e sendo um dos solteiros mais cobiçados da atualidade, mesmo tendo a fama de pinto pequeno? Era a mais pura mentira, que fique bem claro. Mas de toda forma era engraçado o que estava acontecendo naquele exato momento. Eu sei o que eu tinha dito, isso é óbvio, eu estava sóbria então eu tinha plena certeza do que havia saído da minha boca, mas nada passava de uma jogada qualquer. Eu sabia, na verdade eu achava que sabia, que Daniel não iria assumir nada tão cedo e pouco me importava com aquilo, mas parece que o jogo havia virado.
Ele deu um sorriso lindo que fez tremer as minhas pernas, segurou meu queixo com a ponta dos dedos, mordeu a boca como costumava fazer e antes da distribuição de tiros gratuita, umedeceu os lábios fazendo crescer dentro de mim, uma vontade enorme de mordê-los.
- And I would answer all of your wishes
If you asked me to
But if you deny me one of your kisses
Don't know what I do
So hold me close and say three words like you used to do
Dancing on the kitchen tiles
It's all about you.

Danny cantou baixinho, praticamente declamando aquela parte da música pra mim e fechei os olhos sorrindo largo, enquanto ouvia e sentia todas as minhas terminações nervosas entrarem em curto. Eu esperava bastante que ele soubesse o peso daquela música pra todos nós! Bom e ele sabia. Se tinha uma coisa que Daniel Jones sabia, era o peso de All About You pra mim, pra ele, pra todos os Galaxy Defenders, para a humanidade. Então a porra tinha ficado séria, ele estava mesmo assumindo um relacionamento, mais uma vez, comigo e a única coisa que eu fiz foi ficar calada. Ótimo , aja como uma garota de 16 anos com o primeiro namorado. Ouvi a risada rouca dele e abri os olhos abrigando um sorriso completamente gigante e que não queria sair dos meus lábios.
- Namora comigo? – ele pediu me dando um beijinho casto na ponta do lábio e um sorriso esperto e maroto.
Sim, minhas caras amigas! Danny Jones havia me pedido mais uma vez em namoro. Se era uma surpresa pra mim? Mas é claro, achei que aquilo nunca fosse se repetir novamente. Era idiota e bonitinho ao mesmo tempo.
- Posso pensar? – perguntei rindo e sem dar tempo de qualquer zoação idiota da parte dele, segurei seu rosto e o beijei.
Um belo de um beijo, daqueles de fazer qualquer coisa cair se encostasse nas prateleiras, portanto o objetivo naquele momento era usar Danny como suporte e ficar longe das prateleiras dos corredores. Ele me abraçou forte praticamente nos fundindo e para minha tristeza, Jones esqueceu do poder da sua mão e não me apertou de jeito nenhum dentro daquele corredor. Eu sei, uma pena, mas o que eu poderia fazer? Esperar que ele descontasse quando estivéssemos em casa.

- Não sei como deixei você comprar tudo isso. – Danny disse assim que fechou a porta da frente e soltei uma risada alta, colocando todas as sacolas que eu conseguia carregar na bancada da cozinha.
- Porque você me ama e sabe que não vai sobreviver comendo só porcaria. – usei do meu porte mais convencido e o vi chegar no cômodo com cara de bunda. Daniel colocou as sacolas na bancada perto de onde eu tinha colocado as minhas e foi na direção da geladeira.
- Não é porcaria. – ele resmungou, piscou pra mim e virou uma garrafinha de água na boca. Como alguém conseguia ser tão sexy e gostoso até bebendo água?
Eu não sei se era a falta de sexo na minha vida, a mão boba dele durante a volta pra casa, ou a combinação dos dois juntos. Mas eu parecia entrar em chamas dentro daquela cozinha, um calor absurdo que eu garanto que derreteria toda a neve da entrada.
- Só não é esse bando de coisa que você quer que eu coma. – Danny deu de ombros e parecia ignorar o fato de eu parecer um secador ambulante no meio da casa dele. O que eu precisava fazer Daniel Jones? Tirar a roupa? Por Deus, que homem lerdo!
- E o que você quer comer, Danny? – eu juro que a carga maliciosa que saiu na minha voz, e meu sorriso safado foram completamente involuntários
Ele finalmente abriu um sorriso mais do que libertino, colocou as mãos no bolso da calça e começou a andar na minha direção como se fosse um gato prestes a brincar com a comida. Merda! Aquilo estava me atiçando ainda mais, bem mais. Escorei as mãos no balcão atrás de mim e alarguei bem mais do que eu queria meu sorriso malicioso, garanto que foi questão de segundos até Danny me agarrar de jeito pela cintura e enfiar a cara no meu pescoço. Suspirei mordendo a boca e soltei um sorriso idiota.
- Você não me tenta, . – ele sussurrou ao pé do meu ouvido com aquela voz rouca e tudo no meu corpo tremeu, completamente tudo.
- Sinta-se tentado. – falei quase sem ar, praticamente arfando, quando as mãos dele agarraram a minha bunda e a boca mordeu meu pescoço.
Foi questão de segundos até Danny segurar meu rosto com uma das mãos e me beijar com um desejo lascivo que eu juro nunca ter visto nele antes. Agarrei seus cabelos passando o que ainda me restava das unhas no couro cabeludo daquele homem completamente gostoso, que havia dado ainda mais intensidade e fogo ao beijo. Parecíamos dois ferros de passar, esquentando mais a cada momento. Mordi sua boca esperando qualquer reação de reprovação, mas ao invés disso ele me incentivou a continuar quando me apertou bruscamente, quase enfiando os dedos em minha perna e bunda, eu não tinha a menor culpa daquela mão grande me palpando e me atiçando ainda mais. Soltei um grunhido involuntário pelo aperto e Danny riu passando o nariz na minha bochecha.
Espalmei a mão naqueles ombros pintadinhos que estavam cobertos pela camisa clara, depois comecei uma série de beijos sugados que começavam na boca e iam na direção do pescoço, arrepiando todinho aquele homem enorme na minha frente. Quando minha boca nervosa teve o destino na orelha dele, Jones amoleceu gemendo baixinho o que me fez arrepiar inteira. Ele começou a beijar meu pescoço, beijos sugados e mordidos que iam direto para os ombros, ao mesmo tempo que descia as mãos pela minha bunda, alcançando a parte traseira das minhas coxas e logo direcionando-as para o meio de minhas pernas, Danny me puxou pra cima dando impulso e em um piscar de olhos eu estava sentada na bancada. Tínhamos derrubado alguma coisa no chão. Rimos feito dois idiotas e ele me beijou vagarosamente, enquanto adentrava com as mãos na minha blusa.
Segurei a barra da camisa dele e sem qualquer cerimonia fui puxando-a pra cima. Se eu estava com um calor infernal, imagina dele. Danny colocou os braços pra cima me dando livre acesso para arrancar fora a peça de roupa e foi o que eu fiz, mandei-a pra bem longe dele. O homem me agarrou pela cintura e enfiou a cara no decote da minha blusa de mangas, me fazendo tremer completamente e puxar os cabelos dele entre os dedos, soltando um suspiro longo e entrecortado.
- Nessa bancada não, Daniel. – arfei sentindo uma mordida mal intencionada na parte que meu sutiã não cobria e Danny levantou a cabeça de uma vez, parecendo confuso. – Eu não vou transar com você na bancada da cozinha, não hoje. Nós merecemos um lugar mais confortável. – ele soltou uma risada e me pegou no colo me fazendo rir junto.
- Como você preferir, senhorita. – ele deu um sorriso sacana e me colocou no chão fazendo questão de passar a mão na minha bunda.
Eu juro que nunca entendi como nós chegamos tão rápido naquele quarto e como mais rápido ainda ficamos pelados. Talvez fosse a falta, a necessidade e o desejo de ter o corpo do outro da forma mais insana e completa possível, era sentir o cheiro e saber que ali ele era meu.

Estávamos largados na cama, eu sentia aquele cansaço maravilhoso tomar conta de mim à medida que meu sorriso só crescia. Daniel Jones era fantástico, o sexo havia sido fantástico, nós éramos fantásticos. Eu parecia uma retardada rindo com o nada e senti os dedos dele acariciarem meu rosto, virei de lado sorrindo e Danny me puxou me abraçando.
- Estranho, não é? – passei a mão no cabelo dele enquanto Jones estava concentrado em manter a cara colada em meu pescoço.
- O quê? – ele suspirou aliviado e me abraçou ainda mais apertado.
- Achei que não íamos passar da adolescência. – falei rindo e ele riu junto.
- Sério? – ele fez uma careta e levantou o rosto pra me encarar. – Sempre tive esperanças. – Danny piscou e nós rimos
- Claro, sei lá. – dei de ombros. – Apenas pressentimentos, você nunca foi O cara do compromisso sério, então.
- Culpado! – ele levantou um dedo e ri alto, depois o beijei. – ... – Daniel usou de toda a sua manha existente virando o corpo por cima do meu. – Você vai ficar aqui hoje, não vai? – Danny passou o nariz em minha bochecha e fechei os olhos.
- Não posso... – soltei um grunhido frustrado e lembrei que tinha marcado com o Harry. – Droga! Que horas? – perguntei de olhos arregalados e a única coisa que Daniel fez foi me beijar, mas daqueles beijos que se usam o corpo inteirinho. Resumindo, o safado estava se esfregando em mim. COMO EU IA PRA CASA ASSIM, GENTE? – Dan, é sério. – o nome dele saiu quase como um gemido da minha boca.
- Não pode chagar tarde em casa? – ele perguntou rindo e mostrei a língua. – Falo com o Adam, prometo, levo a filha dele sã e salva. – Jones riu baixo e enfiou a cara em meu pescoço, iniciando uma tortura gostosa, chamada mordida no pescoço.
- Imagina a cena... – mordi a boca e suspirei sentindo a língua dele brincar em meu pescoço. – Nada a ver com meu pai.
- Então por que quer ir? – ele perguntou baixinho, pressionando o quadril no meu e soltei um gemido baixo.
- Marquei com o Harry. – enfiei as unhas nos braços dele Danny mordeu a minha boca.
- Mas amanhã eu mal vou te ver. – ele falou baixinho e movimentou a boca pra perto do meu ouvido. – Na verdade, pode ser que eu nem te veja. Você deveria ficar. – Danny roçou os lábios em minha orelha e soltei um suspiro frustrado. Harry não se importaria se eu atrasasse só um pouquinho, certo?

Finalmente eu tinha posto os pés fora daquela casa, a custo de muito esforço, que fique bem claro. Harry passou pra me pegar na casa do Danny e fomos alugar alguns filmes, acreditem, pois é! Ainda alugávamos filmes mesmo com o advento da internet. Velhos rituais, fazer o quê, não é?
Chegamos em casa fazendo a maior barulheira parecendo duas crianças chatas e inquietas. Bom, nós éramos quase isso. O papai e a mamãe estavam na cozinha rindo de algo e conversando sobre algum assunto pertencente a eles, porque o sorrisinho apaixonado era fora do comum. Depois virou um sorriso orgulhoso e satisfeito por nos ver juntos ali, eu quase pude vê-los há uns 10 anos, quando eu e meu irmão chegávamos do colégio colocando a casa abaixo.
- Oi, família! – gritamos juntos e os dois riram.
- A que devo a honra dos meus dois lindos filhos juntos? – meu pai abriu um sorriso mais gigante do que o de antes.
- Marcamos uma maratona. – ergui o punho os fazendo rir.
Saí do abraço do Harry e beijei a cabeça do pai, depois a bochecha da mãe, enquanto meu irmão repetia os mesmos gestos. Sim, nós éramos um poço de afetividade e nada no mundo mudaria aquilo. Deixei Harry na cozinha fazendo companhia aos nossos pais e subi na maior rapidez existente para tomar meu banho, vesti um pijama quentinho e depois de comer algo que a mãe tinha feito, eu e meu irmão começamos com a nossa tão sonhada maratona que poderia ir do terror mais assustador até a comédia mais idiota.
Começamos com as comédias porque éramos incrivelmente idiotas pra rir e American Pie nunca iria perder a graça, principalmente com Harry perto. Pois é, não tínhamos segredo um com o outro, nós dois podíamos nos encaixar perfeitamente na categoria irmãos e melhores amigos, e sim, eu me orgulhava horrores daquilo.
Quando estava praticamente no fim do filme, com Harry reclamando que minha cabeça era pesada e estava prendendo a circulação do braço dele – nós estávamos deitados na cama, eu com minha cabeça apoiada no ombro dele, ele com uma das mãos envolvendo meus ombros e a outra debaixo da cabeça, nós dois estávamos com as pernas cruzadas exatamente do mesmo jeito. Genética. – Minha mãe apareceu com alguma coisa em mãos, o que mais parecia um balde com comida e o sorriso dela ao abrir a porta foi completamente incrível, talvez ver os dois filhos novamente em casa fosse algo mágico. Em pouco tempo Dona Rachel já estava deitada com a gente e prendendo a circulação do outro braço do meu irmão dramático, mas duvido que dela ele fosse reclamar.
Bocejei sentindo o sono tomar conta de mim e do nada vi meu quarto clarear de uma vez como se aquilo fosse obra de um raio em meio a chuva, mas era meu magnífico pai com uma polaroid em uma mão e sacudindo a foto com a outra. Nota mental: Sequestrar aquela câmera pra mim.
- Pai! – gritei com uma manha fora do comum cobrindo meu rosto enquanto o retardado do meu irmão ria.
- Mais uma pra nossa coleção, Rachel. – ele alegre de um jeito muito lindinho e minha mãe abriu um sorriso gigante.
- A coleção! – Harry gritou rindo e cai numa crise de riso incontrolável vendo mais flashs tomarem vida própria naquele lugar. Maravilha, eu estava sendo a modelo perfeita fazendo careta enquanto ria.
Os dois tinham uma coleção enorme com fotos de todo mundo, minhas e do Harry principalmente, mas claro que os meninos entravam no bolo por tabela. Rachel e Adam Judd tinham a mania de registrar absolutamente tudo que acontecesse na vida dos filhos, ou seja, nós, desde a primeira queda de bicicleta até o baile de formatura da faculdade, primeiro emprego, primeiro show e qualquer coisa que fosse. Eles iriam fotografar, a gente querendo ou não.

A terça-feira havia sido um dos dias mais corridos desde que eu tinha chegado ali, era o dia da gravação de estúdio do The McFLY show e sim, nós estávamos completamente eufóricos com a brincadeira toda. Era um programa de auditório onde os quatro tapados iam ser o centro, se eu estava louca pra rir? CLARO QUE SIM! Principalmente sabendo de fontes seguras, vulgo Harry da boca grande Judd, que Danny seria o alvo de toda estupidez. Eu e as meninas passamos a manhã gastando as pernas no Hyde Park, fazendo nada e conversando sobre nada produtivo, nós realmente só estávamos nos ocupando enquanto os meninos se organizavam na emissora e aí sim iriamos pra lá.
P.S.: Investigar esses enjoos suspeitos da , porque alguma coisa aí tem e eu apostava em gravidez.
Chegamos à emissora era pouco antes da hora do almoço e acabamos comendo por lá, junto com os meninos que estavam mais do que ansiosos para gravar logo e acabaram soltando algumas coisas sobre o programa, que pra mim, era completamente novidade, já para , e , eu duvidava que não. Outro assunto maravilhoso que tinha entrado na roda era o brilhante fato de que aquela banda completamente incrível, a melhor de todos os tempos, eu sei que eu era suspeita para falar, mas quem se importa? O McFLY estava prestes a completar a sua primeira década e era muito, mas muito emocionante! Nossos meninos estavam crescendo!
- E para os dez anos, já pensaram em alguma coisa? – perguntei interessada e Tom se apressou pra falar, tratando logo de engolir o que estava na boca e quase engasgou fazendo todo mundo rir.
- Ainda chove, Tom. – Dougie praticamente soltou um grito esganiçado e me acabei rindo. estava com o rosto escondido nas mãos rindo, balançava os ombros e passava os dedos embaixo dos olhos.
- Idiota! – Tom xingou o amigo e rimos mais ainda. – E sim, nós estávamos pensando em algo bem legal.
- Legal como? – perguntei rindo. – Eu quero saber o que é, eu quem sou a desinformada do grupo!
- Show, ! – meu irmão disse de forma óbvia e rolei os olhos o fazendo rir.
- Eu sei que é show, tapado. – arregalei um pouco os olhos e nós rimos. – Mas quero saber se vocês já pensaram em algo especial, participações, músicas novas, local e a coisa toda. – abri os braços.
- Nós queremos fazer uma setlist incrível, princesa. – Danny deu um beijo apertado em minha bochecha.
- É disso que eu estou falando! – sacudi meu namorado e rimos mais uma vez.
- Sim, . Nós já pensamos em muita coisa, mas nada é certeza ainda. – Tom deu um sorriso fechado que deixava seu queixo ainda maior e fiz cara de bunda. Eles não iam me dizer, nem o bocão do meu namorado ia facilitar a minha vida.
- Se conforma, mulher! – Dougie soltou um grito que me assustou e mais uma vez nós rimos. – Ninguém sabe! – ele fez uma coisa engraçada com as sobrancelhas e as meninas riram alto.
- Esperávamos que você fosse a nossa salvação, Judd! – disse rindo e depois passou a mão em meu braço mostrando que estávamos no mesmo barco.
- Esses tapados estão fazendo o maior mistério com tudo. – fez um bico e vinquei as sobrancelhas como se fosse uma mãe raivosa, enquanto os quatro faziam a maior cara culpada de todos os tempos.
- Vamos todas procurar o Fletch! – soltei um grito com a minha ideia genial e as meninas arregalaram os olhos apontando pra mim.
- Exatamente! Vamos recorrer ao Fletch! – reforçou meu grito e o dito cujo chegou onde estávamos, puxou uma cadeira e sentou na ponta da mesa.
- Quem senta na ponta paga a conta! – eu e o Dougie gritamos quase ao mesmo tempo e se aquilo fosse combinado não tinha saído tão certo. Rimos todos mais uma vez.
- Eu pago nada! – ele riu alto. – Os donos da grana são os quatro! – Fletch riu e se escorou a mesa. – Mas ouvi meu nome, do que as quatro estavam gritando aí?
- Matt... – fizemos carinhas pidonas, quase o gato de botas. – Você poderia nos dizer o que essas maravilhosas pessoas estão aprontando para os 10 anos do McFLY. – me encarreguei de ser a porta voz e ele riu. O homem a nossa frente riu. Aquilo era um complô, não tinha a menor explicação.
- Garanto que se eu soubesse, eu contava, meninas. – ele riu mais uma vez e ouvi as gargalhadas de Danny, Tom, Harry e Dougie. Panacas!
- Tommy! – gritou e arregalei os olhos, apontamos pra ela mais uma vez e ali os quatro ficaram brancos.
SIM! Claro! Tommy era o gerente de turnê, claro que ele sabia tudo que os quatro tinham em mente, até porque ele quem ia autorizar se ia dar certo ou não. Claro que o Fletch também era importante, mas se os quatro resolveram fazer surpresa até pra ele, alguém a mais naquele lugar tinha que saber dos planos malignos.
- Tommy! – reforçamos!
- Ele não vai dizer! – Harry empinou o nariz e arquemos a sobrancelha.
- Eu não contaria muito com isso, ele vai preferir tê-las como aliadas do que como inimigas. – e o dia foi salvo graças a Matthew Fletcher!
- Ahá! – nós quatro gritamos apontando para os meninos e logo fizemos sinal de high five que foi completado por ele.
- Fletch! – os quatro retrucaram de olhos arregalados e nós rimos.
Ainda ficamos um bom tempo dentro daquela lanchonete/restaurante tentando, mas sem sucesso, fazer os meninos soltarem a boca sobre a comemoração dos dez anos. E o que dizer do Fletch que estava completamente do nosso lado? Eu amava aquele cara! Ele seria nosso protegido e iriamos protege-lo. Mas quando estava faltando mais ou menos uma hora pra começar as gravações o manager saiu puxando os meninos pra irem logo se arrumar e a coisa toda. Ser babá de McFLY não era fácil, não era mesmo.
Nós fomos encaminhadas para a plateia junto com mais umas 200 pessoas que estavam por lá e o cenário era simplesmente maravilhoso. De um lado parecia a sala de um apartamento e do outro estavam os instrumentos. Com certeza seria o conjunto perfeito!
O programa foi incrivelmente maravilhoso, tudo porque eu havia me acabado de rir com as brincadeiras, Dougie naquela privadinha ambulante tinha sido o melhor de tudo, melhor de tudo mesmo, até melhor do que ver o Danny sendo um completo idiota vestindo a roupa do Charada, melhor do que Harry dançando com aquela camisa vermelha e juro, melhor do que a abertura. Sem falar das participações especiais como Al Muray, Luke Campbell, Michelle Keegan e a parceira de dança do Harry no Strictly Come Dancing.
Só que depois do programa eu consegui deduzir quatro coisas: meu irmão era uma moça, meu namorado era um tapado, Tom havia conseguido finalmente controlar a bexiga e Dougie ainda era o saco de pancadas. Porque pra colocar aquela praga de elástico no nariz e sair atrás de qualquer coisa pendurada em barbante era loucura.
Quando de fato as gravações tinham acabado e os meninos atendido a todos os fãs, repito, todos os fãs que estavam naquele lugar nós conseguimos sair de lá todos cansados e famintos. Passamos em supermercado no caminho pra comprar comida e assim alimentar a manada, agora vocês imaginem os quatro reunidos dentro de um supermercado, a coisa foi louca.
Chegamos a casa do Harry por volta de umas 20h00min e seguimos pra cozinha fazer umas quinze lasanhas pra alimentar aqueles monstros que chamávamos de família, enquanto os bonitinhos estavam bem despreocupados jogando qualquer coisa no vídeo game. Guitar Hero ou qualquer coisa do tipo, era questão de tempo até começar Just Dance e nós entrarmos no bolo. Porque convenhamos, Just Dance era Just Dance.
- Uh, a última Jones será uma Judd daqui cinco dias! – fez uma dancinha engraçada segurando uma “folha” de macarrão pra montar uma das lasanhas e rimos alto.
- Mal posso esperar! – a noiva do ano dançou junto nos fazendo rir e meu irmão entrou na cozinha com o sorriso mais idiota de todos os tempos.
- Esperar para o quê, moça? – ele perguntou rindo e deu um beijinho nela, depois abriu a geladeira aposto que na procura por bebida.
- ser uma Judd. – me intrometi na conversa dando um sorriso trincado igual criança diabólica e as meninas riram alto, depois voltei a montar minha lasanha.
- Eu também estou mais do que ansioso! – Harry soltou um grito tão amor que todas paramos de fazer o que fazíamos pra gritar um alto e sonoro “AWN!”. Meu irmão se colou na ainda namorada de um jeito que eu queria vomitar, os dois estavam praticamente se engolindo no meio da cozinha e fiz cara de nojo.
- Ew! Procurem um quarto! – eu, e gritamos enojadas com a cena e os dois riram alto, depois Harry beijou a testa dela.
- Isso é recalque! – gritou agarrando ainda mais meu irmão.
- Não tenho culpa se os namoradinhos de vocês são um bando de gazelas. – Harry deu uma piscadela e arqueei a sobrancelha pra ele. Jura que ele estava condenando os meninos, quando ele dançava com aquela camisa vermelha mais do que suspeita?
- MARIDO, ok meu amor? – foi irônica estufando o peito e com a mão no quadril.
- Você demora um ano pra pegar cerveja, dude. – Dougie entrou na cozinha rolando os olhos. – E quem é a gazela? – ele perguntou e a cozinha foi invadida por Flones.
Sinceramente, eu amava as galaxy defenders e os shipps que elas faziam. Flones x Pudd! Melhores fãs de todos os tempos! Deixo aqui meu agradecimento por me darem mais um motivo pra zoar os quatro bobocas.
- Vocês! – Harry deu um sorriso meigo ainda sem soltar minha cunhada e resolvi atacar!
- Como você sabe, querido irmão? Já provou dos três? – soltei um sorriso mais meigo ainda e causei uma crise de riso.
- É Harry. E aí? O Thomas é um espetáculo, não é? – Minha Ídola Fletcher perguntou colocando mais lenha na fogueira e Harry soltou , meu irmão colocou a mão no peito querendo se mostrar ofendido e nada daquilo nos convencia. Sem falar nos outros três, que a cada “elogio” inflavam mais.
- Ah, mas meu Dougie é destruidor. – deu uma suspirada forte e nós rimos mais uma vez.
- Preciso falar do Daniel? – era óbvio que eu ia entrar na zoeira toda. – Acho que não. – meneei a mão e ele abriu um sorriso pra lá de safado, depois mandei beijinho.
- Vai amor, conta pra eles... – Poynter usou de uma pose completamente suspeita e aquilo fez meu irmão soltar da noiva e agarrar o nosso amigo. As viadagens entre Harry e Dougie eram constantes e me admirava bastante que ele estivesse noivo da e não do anão, que era mais alto que eu por sinal.
- Ótimo! Perdi meu noivo em vias de casar! – bateu palmas como se não aprovasse o teatrinho dos dois e nós rimos pra caramba.

Já era bem tarde quando Danny resolveu de ir me deixar em casa, mesmo que a sua total intenção passasse bem longe daquela, e convenhamos que a minha também não era ir dormir em casa, mas tínhamos que ir deixar . A futura Mrs. Judd havia decido deixar meu irmão em completa abstinência desde duas semanas antes do casamento. Se eu a amava? Vocês não têm noção do quanto, além de ser engraçado saber que ele estava no sofrimento, eu não sei se conseguiria fazer tal coisa.
- Tchau Joneses! – ela gritou rindo na porta e acenamos freneticamente, depois saiu andando a passos rápidos até a porta de casa, enquanto esperávamos que ela entrasse pra podermos sair dali.
- Vai dormir em casa? – Danny perguntou como se aquilo não interferisse nos planos dele e olhou na direção da casa dos meus pais que estava toda apagada.
- Esqueci a chave. – fiz uma carinha ops misturada a um sorriso de canto e vi aquele sorriso largo que mostrava todos os dentes do Dan se abrir no rosto dele. Ah sim, nós dois estávamos muito bem intencionados.
Ele soltou uma risada roupa que fez meu pescoço se arrepiar inteirinho e pendeu o corpo na direção do meu, segurando meu rosto com uma das mãos grandes.
- Esqueceu, é? – ele perguntou em meu ouvido fazendo questão sussurrar e roçar os lábios em minha orelha, suspirei mordendo a boca e enfiei os dedos nos cabelos dele. Ele gostava de joguinhos, íamos jogar.
- Claro, e eu não quero incomodar meus pais. – falei baixinho mordendo a mandíbula dele e Danny me apertou. – Me cede sua cama? – puxei de leve os cabelos dele e Daniel Jones quase soltou um gemido baixo.
- A noite inteirinha se você quiser. – Jones mordeu minha orelha e me arrepiei, me encolhendo e o fazendo rir. – A casa, a cama e eu também. – aí ele apertou minha bunda.
Puxei o rosto do Danny e lhe dei um beijo meio desesperado e nós rimos.
- Dirige logo pra casa ao invés de ficar só prometendo. – mordi a boca dele e Danny negou com a cabeça mantendo um sorriso maldoso e se sentindo completamente desafiado.
Objetivo concluído com sucesso.

A semana passou como em um piscar de olhos, confesso que pelo tanto de coisa que tinha que ser resolvida para o casamento e até os meninos entraram no bolo, ou seria uma completa loucura apenas pra gente. Mas confesso que foi uma das melhores também, eu tinha praticamente morado na casa do Danny na última semana e se tinham dúvidas que tínhamos alguma coisa, elas tinham sido sanadas.
Então as missões solucionadas da semana eram:
- Vestidos prontos e perfeitos✔
- Despedida e Chá de lingerie planejados✔
- Organização✔
- Malas prontas pra viagem✔
- Descobrir os enjoos recorrentes da (Isso ainda me faltava, mas eu descobriria, ou não me chamava Marrie Judd.)
Depois do café ajudei meus pais a acomodarem todas as malas dentro do carro e organizar a casa pra que não estivesse na maior bagunça quando voltássemos.
- , você vai com a gente? – minha mãe perguntou quando colocamos a última mala deles no carro.
- Noops. – me abracei por causa do frio. – Fiquei de pegar carona com o Danny, nós ainda vamos passar no shopping pra buscar o presente. – sorri e vi meu pai entortar a boca pelo nome do meu namorado.
- Tudo bem, querida. – ela beijou minha testa, depois me abraçou. Ah era tão bom aquele abraço quentinho de mãe. Apertei-a ainda mais a fazendo rir e meu pai apareceu na fila pra ganhar um abraço também.
- Juízo. – ele beijou minha testa e o abracei o mais forte que pude, sabendo que aquela recomendação se referia única e exclusivamente a Daniel Alan David Jones. – Diga a ele que tome cuidado. – meu pai quis se referir a estrada, mas na verdade era sobre tudo.
- Tudo bem, senhor Judd. Vou passar o recado pra ele. – pisquei batendo continência e mau pai riu, depois me abraçou apertado mais uma vez. Dei vários beijos repetidos na bochecha dele o fazendo rir.
- Feche a casa direito. – ele começou com as recomendações, enumerando nos dedos e minha mãe rolando os olhos como se gritasse que eu não era mais nenhuma criança. – Apague todas as luzes, tentem não sair daqui muito tarde porque nós não sabemos como estão as estradas. E cuidado! – ele frisou bem a palavra me encarando e dando a certeza de que se tratava de ter cuidado em relação ao Danny.
Bati continência mais uma vez e assim que eles saíram liguei pra Danny avisando que eu estava pronta, apenas o esperando para que fossemos resolver o resto das coisas e por fim viajar. O que me surpreendeu foi saber que ele já estava no meio do caminho e não ainda em casa.

Danny’s POV

Decidi me apressar pra não causar mais transtornos e depois de conferir se eu tinha pegado tudo umas três vezes, segui caminho pra casa dos Judds, no meio do caminho minha namorada me ligou perguntando se eu estava perto de e ela ficou bem surpresa quando eu disse que sim.
era uma mulher completamente incrível e eu tinha a sorte de tê-la do meu lado, a mais pura e plena sorte. A última que havíamos passado realmente juntos tinha sido uma das mais incríveis durante esses anos, poderia parecer ridículo pra mim, mas tê-la dentro da minha casa me dava uma sensação tão incrível que eu não sabia explicar como, eu só me sentia completo e com a certeza de que eu queria mais, bem mais. Eu tinha falado com o Adam sobre nosso namoro mesmo sob os protestos de sobre aquilo ser completamente ridículo pra nós dois, porque não éramos mais crianças, mas quem se importava? Eu a amava e nada iria mudar aquilo pra mim.
Cheguei à casa dos Judds uns 10 min depois e já estava pronta me esperando fora da casa, acompanhada de uma mala grande, a bolsa e uma nécessaire média. Eu queria entender porque mulher carregava tanta coisa se elas nunca iriam usar tudo em uma viagem de no máximo quatro ou cinco dias e olha que era a mais compacta delas. carregava duas malas só para as câmeras e lentes, seus inúmeros cabos e computadores, era a maníaca das roupas e bom, com absoluta certeza estava com um estetoscópio e remédios escondidos em algum lugar daquelas malas. Fora isso ela estava completamente linda, maravilhosa usando o suéter vermelho escuro que contrastava com a pele dela, o cabelo preso em uma trança, touca e as botas. Dude se eu não era apaixonado por ela, eu tinha me apaixonado naquele exato momento. E por mais que eu fosse apaixonado, eu acreditava que eu tinha me apaixonado mais uma vez.
Destravei as portas do carro e apertando o casaco contra o corpo fui ajuda-la com as malas.
- Pra onde vamos? – perguntei rindo recebendo alguns beijinhos quando já estávamos acomodados no carro e completamente longe do frio.
- Passar no shopping pra pegar o presente e depois... viagem! – ergueu o punho e soltei uma risada. Beijei-a uma última vez e dei partida no Jaguar.
- Próximo destino. Shopping! – soltei um gritinho afeminado e nós dois rimos feito duas bestas. Enlacei meus dedos aos dela fazendo minha namorada sorrir lindamente, depois seguimos viagem para buscar o presente dos noivos.
Chegamos ao shopping em pouco tempo e entramos no estabelecimento de mãos dadas, recebendo vários olhares, alguns até desconfiados e aquilo era bem desconfortável pra mim. Era a minha vida privada, que de alguma forma estava sendo monitorada por outras pessoas. Algumas me pediram algumas fotos, pra assinar algumas coisas e foi incrivelmente maravilhosa e simpática me ajudando com o pessoal, se oferendo pra ajudar com as fotos e a coisa toda. Aquela mulher se superava mais a cada dia.
Pegamos as taças na lojinha que ela havia encomendado e rapidamente voltamos para o estacionamento, o frio era de matar e o carro era nosso refuljo quentinho. Nós rimos pela carreira até o jaguar e quando liguei o carro pra de fato irmos para Bolton, o celular dela tocou.
- Quem é? – fiz careta.
- . – deu de ombros parecendo confusa e logo em seguida atendeu ao telefone. – Oi ! – ela disse enquanto eu manobrava o carro pra fora daquele lugar. – Não acredito nisso!! – parecia furiosa e arqueei a sobrancelha. Que merda tinha dado? – A sua sorte é que eu ainda estou aqui. Passo, passo sim. Ele só vai amanhã? Ok. Então eu levo tudo junto? Tudo bem, Jones. – o jeito que tinha frisado o sobrenome me dava a plena certeza que tinha esquecido alguma coisa. Soltei uma risada e neguei com a cabeça. – Beijo, até daqui a pouco. – ela fez barulho de beijo e desligou o telefone. – Eu sabia que esse seu surto de lembrar de trazer tudo ia fazer esquecer algo!
Nós dois gargalhamos!
- O que ela esqueceu? – perguntei rindo e coloquei a mão apoiada na perna da . Ela começou brincar com meus dedos.
- Todas as roupas. T.O.D.A.S. – arregalei os olhos e minha namorada firmou com um murmúrio. – Eu devia dar uma surra na sua irmã, mas casar de olho roxo não dá. – gargalhei mais uma vez e dessa vez riu alto junto comigo.
Segui direto para o ’s e assim que chegamos Tristan já nos esperava em completo desespero, mas com tudo pronto nos grandes pacotes para serem mandados direto ao casamento.
- preciso fazer uns últimos ajustes no vestido e quero que você venha comigo. – foi tudo que ele disse antes de arrastar minha namorada.
Me sentei por lá e fiquei mexendo no celular enquanto esperava aparecer com todas as roupas e o resto que tinha feito o favor de esquecer. Juro que 30 minutos tinham se passado e nada da minha namorada dar qualquer sinal de vida. Eu estava preocupado, confesso, não com medo de ela ter fugido com o Tristan, isso nunca, mas com medo de morrer pelas mãos das três mulheres da minha casa se não chegasse na hora marcada.
Entrei pelo corredor e a última porta a direita estava entreaberta com uma luz saindo de lá. Baguncei o cabelo e segui direto na intenção de apressar logo aqueles dois ou ficaria sem cabeça, mas quando cheguei ao destino, foi paralisante pra mim, a visão mais linda de toda a minha vida. estava usando o vestido de noiva da minha irmã e muitas coisas encheram minha cabeça naquele momento, coisas que eu achei que nunca me atingiriam, me atingiram. Juro que podia vê-la vestida daquele mesmo jeito entrando na igreja acompanhada do pai. Sacudi a cabeça afastando aqueles devaneios loucos e ouvi um grito esganiçado dela.

Continua...

Nota da autora: (06/05/2017) Hellooooo maravilhosas! Tudo bem com vocês?
Primeiro de tudo, me desculpem a demora com a att, o período ta bem apertado e acabei me enrolando. Mas como recompensa ela veio bem grande e linda!
O que é esse homem maravilhoso dentro do supermercado hein? 😍
E ele todo apaixonadinho assim? Me mata! Me mata!
E esses enjoos suspeitos da Mrs Fletcher? Será um McBaby? 👀
Adorei escrever sobre o The Mcfly show porque é um dos programas mais idiotas, mas que em compensação eu amo por me fazer rir a beça!
Espero que tenham curtido o capitulo e até a próxima!

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Nota da beta: Eu preciso dizer que ADORO como o Jones dessa fic é realmente muito Jones, todo lerdo, safado e fofo ao mesmo tempo. Me divirto muito com esse PP! Vamos adiantando o próximo capítulo, dona Taty. Tô louca pra ver o Danny pedindo a PP em casamento de uma vez HAHAHAHAHA. ❤️

Se encontrar algum erro, me avise pelo e-mail.