Autora e Beta: Babi S.

O toque do celular soou alto pelo quarto e largou os exercícios de Matemática que resolvia no caderno da faculdade para se levantar da escrivaninha e, em seguida, ir até a cama. Levou alguns segundos para achar o aparelho, que estava escondido em meio ao edredom bagunçado, e, depois de ver o nome que piscava na tela, se jogou de costas contra o colchão com um sorriso no rosto enquanto aceitava a chamada.
- Fala, feioso.
- Você gosta do David Bisbal? - a voz conhecida questionou e a jovem franziu o cenho, estranhando a pergunta inusitada para se começar uma ligação.
- Sei lá, , não tenho nada contra. Até gosto de algumas músicas dele…
- É que ele foi visitar a gente em Valdebebas nessa semana e deu ingressos pro show da nova turnê pro time inteiro. Topa?
- Tudo bem. Quando é esse show?
- Hoje à noite. Marco, Nacho, Álvaro, e Lucas também vão.
- Meu planejamento era passar a noite inteira estudando pra uma prova importante que vou ter na terça, mas ir a um show do David Bisbal com jogadores do Real Madrid me parece mais divertido.
- Fala sério, ! Hoje é sábado. Você é mesmo muito nerd.
- Eu tenho responsabilidade, é diferente - a outra rebateu, fazendo uma careta.
Odiava quando o melhor amigo implicava com o fato de ela ser uma pessoa estudiosa. Não tinha culpa se não tinha nenhum grande talento, como ele tinha para o futebol, e precisava estudar como uma condenada para manter boas notas no boletim e, num futuro próximo, poder se formar como engenheira civil pela Universidade Politécnica de Madrid e, enfim, ser alguém na vida.
- Ou seja, nerd… - falou e riu baixo. - Eu passo aí pra te buscar às 20h. Esteja pronta.
- Certo - respondeu, já começando a pensar na roupa que vestiria.
- Vou desligar, tô quase chegando em casa.
- Eu não acredito que você tá falando no celular enquanto dirige, ! - ela exclamou em reprovação e pôde ouvir uma gargalhada.
- Tá no viva-voz, chatinha. Até mais tarde.
- Não interessa, para de querer se matar - ela respondeu, revirando os olhos para a imprudência do amigo. - Tchau.
encerrou a ligação e jogou o celular ao seu lado no colchão antes de se levantar e ir até o notebook aberto em cima da escrivaninha. Deixou a playlist This is: David Bisbal, do Spotify, tocando os maiores sucessos da carreira do cantor espanhol em modo aleatório para ir entrando no clima do show e, em seguida, foi até o guarda-roupa com um sorriso no rosto.
Conhecia desde que se entendia por gente e ainda morava em Benalmádena, o município onde ambos nasceram. Yolanda, sua mãe, e Jenny, a mãe de , eram melhores amigas desde a adolescência. tinha o meia do Real Madrid e Antonio, o mais velho dos irmãos , como os irmãos que ela nunca teve. Era mais próxima a , entretanto, já que era apenas dois anos mais nova do que ele e os dois sempre se deram muito bem.
Se distanciaram um pouco quando o garoto, com 14 anos, teve a oportunidade de se formar como jogador de futebol nas categorias de base do Valencia e, para isso, foi morar na cidade de Valência, onde permaneceu até tornar-se um jogador profissional. Viam-se esporadicamente apesar de afastados um do outro, mesmo quando , aos 15 anos, poucos meses depois de seu pai falecer em um acidente de carro, se mudou com a mãe para Madrid. As duas concordaram que precisavam recomeçar a vida em um lugar que lhes oferecesse um maior leque de oportunidades de estudo e trabalho, e onde não tivessem tantas lembranças de Xavier.
E foi na primeira visita que as duas receberam de Jenny e seus dois filhos, quase um ano depois de terem alugado um apartamento na capital espanhola, que sentiu, pela primeira vez, seu coração bater mais forte ao ver o sorriso de .
Ele havia acabado de completar 18 anos e estava diferente não apenas por conta de seu novo corte de cabelo, a barba rala e alguns músculos definidos que não tinha antes, sua atitude e jeito de se portar também eram novos. Ele estava mais confiante, como se tivesse consciência de que podia fazer qualquer garota cair aos seus pés apenas com aqueles olhos castanhos tão bonitos que tinha.
Desde então, se viu presa em uma paixão platônica pelo melhor amigo e, mesmo sabendo que esse sentimento só trazia sofrimento, não conseguia sair daquela armadilha de jeito nenhum. Apesar de ficar com outros garotos, sempre estava em seus pensamentos.
teve seu coração quebrado ao meio em dois momentos. O primeiro, quando apresentou Victoria, uma garota que conheceu durante o tempo que jogou no Málaga, com um olhar apaixonado que ela nunca o vira lançar para nenhuma garota antes; o segundo, quando ele, já jogando pelo Real Madrid, a ligou às 3h da manhã para contar que seria pai.
Assim que absorveu as palavras ditas com uma mistura de apreensão e alegria, sentiu a pequena esperança que ainda tinha se esvair por completo. A notícia, embora tenha a feito chorar copiosamente até o nascer do sol, acabou se tornando uma coisa boa quando ela pegou Júnior no colo pela primeira vez e foi convidada para ser madrinha dele.
O namoro de e Victoria teve um fim definitivo poucos meses depois de o filho deles completar 1 ano, entretanto, e o garotinho de agora 2 anos passara a viver com a mãe em Málaga desde então, apesar de visitar o pai frequentemente. não era capaz de mentir para si mesma e dizer que uma pontinha de esperança não se acendeu lá no fundo de seu coração, mas também sabia que não era como se aquilo pudesse mudar o fato de enxergá-la apenas como uma grande amiga.
Poucas semanas depois do término do namoro de , o celular dela tocou em uma noite fria e chuvosa. Era ele, bêbado e aos prantos. largou o trabalho da faculdade que fazia incompleto, trocou de roupa e dirigiu até a casa do jogador em tempo recorde. Depois de escutá-lo desabafar sobre a desilusão amorosa, a saudade que sentia do filho e a má fase que estava enfrentando no Real Madrid, ela tentava buscar as palavras certas para confortá-lo, mas se calou quando percebeu que ele lhe encarava de uma maneira totalmente diferente da qual estava acostumada.
Aquilo que sempre desejou, mas nunca pensou que realmente pudesse acontecer, enfim aconteceu.
Foi naquela noite que ela pôde sentir o gosto do beijo de pela primeira vez e, mesmo misturado ao gosto salgado das lágrimas dele, foi o melhor beijo de toda sua vida.
teve medo de que esse dia pudesse afetar a amizade deles, mas ambos continuaram agindo normalmente um com o outro e, vez ou outra, ficavam novamente. Na maioria das vezes, quando estava chateado e carente.
Foi com ele que perdeu a virgindade, exatamente um mês depois da primeira vez que o beijou, e, mesmo que o relacionamento deles parecesse que nunca evoluiria para nada maior do que uma amizade colorida, não era algo de que ela se arrependia.
A futura engenheira civil mexia nos cabides pendurados no guarda-roupa, buscando pela roupa que vestiria para ir ao show de David Bisbal com o amigo e seus companheiros de time, que haviam se tornando amigos dela também. Precisava encontrar algo discreto, mas que a deixasse estonteante.
Estaria mentindo se dissesse que não tinha a intenção de chamar a atenção de e, quem sabe, terminar a noite na cama dele.

Às 20h15min, o carro de estava em frente ao prédio de . Acompanhado de Marco Asensio sentado ao seu lado e de no banco traseiro, o jogador estava com o celular no ouvido, impaciente, ligando pela segunda vez para a melhor amiga mesmo ela já tendo dito que estava descendo quase dez minutos antes.
- A é foda, eu falei que ia passar aqui às 20h - ele disse, cancelando a chamada ao se convencer de que a garota não aceitaria a ligação.
- Ela tá vindo ali - Marco comentou ao vê-la sair pelo portão. - E uau! Tá gata, hein?
levantou a cabeça e, pela janela, seus olhos subiram dos pés ao rosto de .
Vestida com uma calça jeans justa, uma blusa branca coberta por uma jaqueta e, nos pés, uma bota de cano médio e salto, a jovem caminhava calmamente pela calçada. Mexia nos longos fios de cabelo castanhos escuros, os jogando para o lado contrário como sempre fazia quando estava nervosa ou ansiosa.
Quando estava próxima ao carro, abaixou o vidro da janela e seus lábios se curvaram em um sorriso fechado.
- Levou esse tempo todo pra se arrumar e parece que tá indo pra faculdade - ele disse, debochado. Era sua maneira usual de elogiar a amiga.
- Não enche, - a outra falou em resposta, revirando os olhos, mas um sorriso discreto despontou em seu rosto. Percebeu, em seguida, a presença dos outros dois jogadores do Real Madrid. - Oi, Marco. .
- E aí, ? Quer sentar aqui? - Asensio disse, simpático, prestes a tirar o cinto de segurança.
- Não, eu sento aqui atrás mesmo - a outra falou, piscando um olho.
Quando foi abrir a porta traseira do carro, a mesma se escancarou e, de dentro, saiu . ficou sem reação ao vê-lo em pé à sua frente, cordialmente dando espaço para que ela adentrasse o automóvel. Riu levemente e abaixou a cabeça, sem graça, antes de entrar e se acomodar no banco.
fechou a porta e deu a volta no carro para entrar pelo outro lado enquanto Marco ria disfarçadamente e observava a cena com um olhar zombeteiro.
- Cara, não precisa fingir que é educado. Eu conto todos os podres de vocês pra - ele brincou quando o amigo se sentou no banco traseiro e, em seguida, deu partida no carro.
- Não liga pra esse bobão, . Isso é inveja porque ele não sabe ser cavalheiro - a jovem falou em provocação.
- Relaxa, já estou acostumado - o outro disse com um sorriso de lado e o olhou, sorrindo de volta.
- Animados pro show? - ela questionou e relaxou no banco confortável do Audi de .
- Não vejo a hora de encher a cara - o próprio respondeu e caiu na gargalhada junto a Marco.
franziu o cenho e se colocou entre os dois bancos dianteiros para fitar o perfil do melhor amigo.
- E você pretende dirigir bêbado por acaso?
- Eu pensei que você poderia dirigir na volta - ele respondeu com a voz aveludada e persuasiva.
- Eu? - a outra rebateu em um gritinho chocado, fazendo os dois que apenas escutavam o diálogo rirem. - Nossa, você é muito abusado, . E se eu quisesse beber hoje?
- Ah, ... - o jogador murmurou de forma manhosa. - Você bebe quase nunca. Quebra esse galho pra mim, vai.
- Por que eu deveria?
Quando parou no sinal vermelho, se virou para encarar a expressão intimidante da amiga e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. Ele quis responder algo como “porque eu posso te recompensar por isso mais tarde”, mas precisou engolir as palavras para não constranger diante de e Marco, mesmo que ambos soubessem sobre as ficadas esporádicas deles.
- Porque você é a melhor amiga do mundo - foi o que ele disse, por fim, antes de estalar um beijo no canto da boca de e, mais uma vez, dar partida no carro quando notou que o sinal estava verde.
A universitária sentiu as bochechas esquentarem e voltou a se endireitar no banco, seu silêncio deixando claro que tinha ganhado e ela seria a motorista na volta.
Não notou que dois olhos cabisbaixos a observaram por alguns segundos antes de se voltarem para a janela e se perderem nas ruas de Madrid.
Conforme eles se aproximavam do WiZink Center, o trânsito ia se tornando mais lento e caótico, mas logo chegaram ao estacionamento onde havia reservado uma vaga e, depois de uma caminhada de cinco minutos, estavam adentrando a arena. A área VIP estava cheia, mas não demorou a reconhecer Alice, a namorada de Álvaro Morata, no meio da multidão, e os quatro puderam se juntar aos três casais que desfrutavam das músicas que tocavam para que o público entrasse no clima do show.
Macarena, noiva de Lucas Vázquez, puxou para um abraço apertado assim que a viu e, em seguida, María, esposa de Nacho Fernández, e Alice também a cumprimentaram com beijos estalados nas bochechas. Nacho e Lucas a abraçaram rapidamente e Álvaro se limitou a bagunçar o cabelo dela de uma forma carinhosamente implicante que a fez revidar com um tapa em sua nuca.
O grupo conversava animadamente quando, alguns minutos depois, as luzes da arena foram abaixadas, a música parou de tocar e, nos telões, surgiu o vídeo de entrada da turnê de David Bisbal. O cantor espanhol logo estava no palco cantando seus grandes sucessos em meio às músicas de seu mais recente álbum e contagiando as cerca de 15 mil pessoas presentes com seu carisma.
Unida às outras três garotas, se divertia cantando as músicas mais famosas e gravando alguns vídeos para postar nas redes sociais. Às vezes olhava para trás, via os seis rapazes fazendo coreografias engraçadas na fileira de cima e era impossível não rir com a cena. Eles não precisavam de álcool para se divertirem juntos, mas as garrafas de cerveja que tomavam uma atrás da outra davam um toque especial.
Quando uma música mais lenta começou a tocar, Alice pulou a cadeira para ir para a fileira de trás com a ajuda do namorado e, logo em seguida, Macarena fez a mesma coisa para se juntar ao noivo. Nacho e acabaram descendo para ocuparem os lugares delas, o primeiro para ficar com a esposa, e sorriu para o melhor amigo quando ele parou ao seu lado antes de voltar os olhos para o palco.
David Bisbal cantava sobre ter se apaixonado por alguém inesperadamente, mas que esse amor que ele pensava nunca ser capaz de sentir estava o fazendo enxergar pequenas coisas da vida com fascínio e sentir-se um cara afortunado. O clima romântico envolveu os casais e fez fitar o perfil de , admirando o semblante sério que ele tinha estampado no rosto enquanto assistia à apresentação e bebericava o copo de cerveja quase vazio que segurava.
Como toda vez que se pegava observando o amigo, sentiu-se quente por dentro. parecia tão bonito aos seus olhos que ela não se cansava de analisar cada detalhe de seu rosto. Os olhos castanhos com cílios longos, a barba que o deixava com um ar mais maduro e a boca que ela amava beijar… Até mesmo os fios de cabelo um pouco mais compridos do que o costume que ela vinha insistindo para que ele aparasse eram apreciáveis.
Quando virou o pescoço e os olhos dele encontraram os dela, sentiu as bochechas esquentarem e esboçou um sorriso tímido. O outro sorriu em resposta antes de se abaixar para deixar o copo vazio no chão e, em seguida, puxá-la para mais perto.
deixou os braços do jogador a envolverem por trás e o sentiu apoiar o queixo em seu ombro ao mesmo tempo que ele a balançava levemente de um lado para o outro no ritmo da música.
Na fileira de trás, observava toda a cena com um olhar de reprovação. Para ele, que não conseguia evitar observar mais do que o apropriado quando ela estava por perto, era nítido o quanto a garota gostava de mais do que um simples amigo. E odiava ver alimentando os sentimentos dela quando, na verdade, a enxergava apenas como uma grande amiga com quem podia transar de vez em quando para fugir das preocupações.
Um braço passando por seus ombros fez despertar dos pensamentos e, quando Marco o abraçou de lado, ele o empurrou com o ombro. Asensio soltou uma gargalhada que o fez rir também.
- Vem aqui, , você é meu par romântico essa noite.

- Sério, eu preciso mijar. Não vai dar pra aguentar até chegar em casa, minha bexiga tá explodindo - falou depois de reclamar que precisava ir ao banheiro durante toda a caminhada desde o WiZink Center até o estacionamento onde seu carro estava.
- Por que você não disse antes de a gente sair do show? - falou, bufando.
- Eu vou procurar um banheiro, vão indo pro carro vocês dois - ele disse e tirou a chave do bolso para jogá-la na direção da garota, que a pegou no ar.
sumiu pelo meio das pessoas que também chegavam ao estacionamento depois de terem assistido ao show de David Bisbal e e seguiram caminhando na direção contrária lado a lado. Seria só os três na volta, já que Marco acabou preferindo ir embora de táxi com Lucas e Macarena, pois morava no mesmo bairro que eles.
logo avistou o Audi e o destravou para adentrá-lo pela porta do motorista enquanto se sentava no banco traseiro. Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, ambos sem assunto por conta da falta de costume de ficarem sozinhos. Se conheciam há três anos, desde pouco depois de assinar seu contrato com o Real Madrid e ir morar em Madrid, mas nunca haviam tido uma proximidade tão grande, já que, nos primeiros anos, tinha uma namorada que ficava grudada nele o tempo inteiro.
- - chamou, quebrando o silêncio -, o te falou sobre a festa que vai ter lá em casa no sábado que vem? Eu e Nacho vamos comemorar nossos aniversários.
- Não tô sabendo, não - a garota respondeu, virando-se para trás para fitar o jogador. - Esse cretino não me falou de festa nenhuma.
riu baixo da expressão ofendida no rosto de .
- Bom, então você tá convidada - ele disse, sorrindo. - Vai começar lá pelas 20h. Se estiver livre, aparece por lá.
- Pode deixar. Obrigada pelo convite - ela respondeu e retribuiu o sorriso.
A porta do passageiro não demorou a se abrir para que adentrasse o carro.
- Pronto - ele falou, colocando o cinto de segurança. - Anda logo, . Quero chegar logo em casa.
- Vai se ferrar, seu folgado - a outra rebateu, revirando os olhos, e ligou o carro para sair do estacionamento. - Onde você mora mesmo, ?
seguiu pelo caminho indicado por e, em vinte minutos, estava o deixando na porta de casa.
- Como estão as coisas no Madrid? A gente nem teve tempo de conversar direito nessas últimas semanas - ela falou ao ficar a sós com o melhor amigo, dirigindo rumo à casa dele.
- A gente ou você? - o outro retrucou, esparramado no banco, sem tirar os olhos da paisagem que passava pela janela.
- Até parece que você não tá sempre ocupado também com treinos, viagens… - disse, fazendo uma careta.
- Você me trocou por livros de cálculo - disse, ignorando o que a amiga havia dito, e sorriu quando virou o pescoço para assisti-la revirar os olhos.
- Você pretende me sustentar? Se sim, fala logo, porque aí eu abandono a faculdade e passo os meus dias de pernas pro ar, só esperando o príncipe me ligar pra me contar as novidades - ela falou, debochada, o fazendo soltar uma gargalhada.
- Até parece, você fez um escândalo quando eu quis te dar um carro - disse, se lembrando de quando se ofereceu para comprar um automóvel para depois de ouvi-la reclamar sobre ter que usar o da mãe e a proposta foi recebida como algo absurdo.
- Claro que não, ! Eu não quero me aproveitar do fato de ter um amigo podre de rico. Se eu quero um carro, vou trabalhar pra comprar um. Assim como você fez.
- Tá bom, eu já entendi. Não tá mais aqui quem falou - ele respondeu, levantando as mãos como se estivesse se rendendo, pois estava cansado demais para tentar mudar a opinião da amiga naquele momento. No fundo, ele admirava a humildade e determinação dela.
- Você não disse como estão as coisas no clube - falou, voltando ao assunto anterior. - Eu vi o pessoal falando na internet que o Barcelona quer te contratar. Isso é sério?
- É, eles fizeram uma proposta… - respondeu em meio a um suspiro, o que fez a outra tirar os olhos da rua para observá-lo por um segundo.
- E você vai?
- Depois de três temporadas e meia no Real Madrid, eu esperava ser titular ou, pelo menos, um jogador mais importante... - ele falou, demonstrando a frustração em seu tom de voz. - É uma droga entrar no final do jogo, quase sempre quando a vitória já tá garantida e nem fazer muita diferença… Me sinto como se estivesse querendo chegar em um lugar que não existe.
sorriu fraco, compreensiva. Não era a primeira vez que demonstrava insegurança sobre seu futuro no Real Madrid e, provavelmente, não seria a última.
- Isso quer dizer que você tá considerando a oferta do Barcelona? - questionou sem querer parar para pensar em como se sentiria se o melhor amigo fosse para longe mais uma vez.
- Não, eu jamais iria pro Barcelona. Não quero que os madridistas me odeiem - ele respondeu, fazendo uma careta que fez rir. - Mas estou pensando em considerar outras ofertas. Tem algumas da Inglaterra, da Itália...
o observou dar de ombros e apenas meneou a cabeça sem dizer nada, concordando, enquanto eles passavam pelo portão do condomínio onde morava. Em seguida, ela estacionou o carro na garagem, bem ao lado da Ferrari do jogador, e os dois saíram do automóvel.
- Você quer conversar sobre essa possível transferência? - perguntou ao adentrar a casa logo depois do amigo.
- Não tô com cabeça pra pensar nisso agora - respondeu, se jogando no sofá.
Sentia-se cansado não apenas pelo dia de treino intenso, mas também pela situação em que se encontrava que vinha o desgastando, e arrependido por não ter bebido mais durante o show, pois estava mais sóbrio do que pretendia estar ao sair de casa algumas horas mais cedo. Se havia saído naquela noite, fora justamente para esquecer sobre a preocupação que vinha rodeando sua mente há pelos menos dois meses e que, antes que a janela de transferências de inverno se encerrasse no fim do mês, ele precisaria tomar uma decisão sobre permanecer ou não no Real Madrid.
se sentou também no sofá, deixando a bolsa e a jaqueta que tinha em mãos de lado, e olhou o ambiente à sua volta, encontrando alguns brinquedos espalhados pelo chão que denunciavam que Júnior estivera ali recentemente. Quando seus olhos pousaram no rapaz sentado ao seu lado, ela se deparou com os dele a analisando atentamente, exatamente da maneira que a fazia sentir as famosas borboletas no estômago, por mais piegas que isso soasse mesmo em seus próprios pensamentos.
- Você tá bonita hoje - ele disse em um quase sussurro a frase que estivera na ponta de sua língua desde que a viu saindo pelo portão do prédio e sorriu de lado, descendo os olhos pelo corpo de .
A garota sentiu uma onda de satisfação dentro de si, pois chamar a atenção do melhor amigo estava em seus planos quando escolheu o look da noite, escovou o cabelo e caprichou na maquiagem, mas acabou abrindo um sorriso tímido. Elogios vindos do cara por quem era apaixonada ainda a deixavam embaraçada.
Antes que encontrasse sua própria voz para dizer um “obrigada”, viu se aproximar lentamente. Quando pensou que ele ia beijá-la, o rapaz desviou o rosto para seu pescoço.
- E cheirosa também - ele falou baixinho, a fazendo rir anasaladamente.
Em seguida, sentiu os lábios dele roçarem sua pele e, apesar de o leve toque da barba de causar cócegas, ela apenas fechou os olhos e apreciou os beijinhos que ele começou a depositar no local. Os beijos foram subindo, alcançaram seu queixo e, quando a garota se deu conta, estava envolvida em um beijo repleto de desejo.
Mesmo que tivesse experimentado os beijos de outras tantas vezes, sempre sentia como se estivesse o beijando pela primeira vez. Uma explosão de sentimentos tomava seu corpo de uma forma que não acontecia com nenhum outro cara e, daquela vez, não poderia ser diferente. Ela deixou que ele a fizesse se deitar no sofá confortável e espaçoso e, enquanto sentia os dedos ágeis dele adentrarem sua blusa e apertarem sua cintura com firmeza, passou as mãos pelos braços dele suavemente, criando um enorme contraste com as línguas quentes que se acariciavam com intensidade.
Quando o beijo foi partido, os dois ficaram se encarando, ambos ofegantes, o corpo dela ainda sob o dele, e, fitando os olhos da melhor amiga, percebeu que a angústia que o incomodava anteriormente havia sumido. Não entendia bem o porquê, mas beijar sempre o tirava da realidade, era como se a tranquilidade que ela passava apenas com sua presença triplicasse. Talvez fosse por conta de ela conhecê-lo tão bem, muito mais do que qualquer outra mulher, mas o fato era que ele gostava daquela sensação e não sabia o que faria quando encontrasse alguém e eles não pudessem mais ter aquela intimidade.
- Você vai dormir aqui hoje, né? - o jogador questionou, saindo de cima da amiga para voltar a se sentar no sofá, as segundas intenções mais do que claras por meio de suas palavras.
- Posso pensar no seu caso - respondeu e riu quando o outro revirou os olhos.
- Vem, vamos subir - ele disse e se levantou.
A universitária fitou as costas de , conforme ele se afastava caminhando em direção à escada, e não pôde deixar de reparar em como a bunda dele parecia ainda maior naquela calça jeans. Ela riu sozinha discretamente e se levantou do sofá para segui-lo. Deu uma corridinha para alcançá-lo, o som dos saltos de sua bota batendo contra o piso porcelanato ecoando pela casa.
Assim que os dois adentraram a suíte principal da casa, surpreendeu a empurrando contra a parede para abocanhar seus lábios.
O beijo foi correspondido na mesma intensidade e a garota não se privou de escorregar as duas mãos pelas costas dele e apertar suas nádegas com vontade.
riu em meio ao beijo e segurou a barra da blusa que ela vestia para, em seguida, puxá-la para cima. Não via a hora de sentir a pele macia de contra seus lábios.

O quarto estava escuro e silencioso, e já nem sabia há quanto tempo estava encolhida junto a sobre o colchão. A luz da lua entrava pela porta de vidro que dava para a sacada e iluminava o rosto dele, permitindo que a garota pudesse admirar sua expressão serena, aproveitando que ele estava de olhos fechados e não sabia que estava sendo observado.
- - ela chamou, sem ter certeza se ele ainda estava acordado, e ouviu um murmúrio em resposta. - Isso que rola entre a gente às vezes… como você define?
O jogador levou alguns segundos para absorver as palavras que saíram em um volume de voz baixo e, quando o fez, abriu os olhos, surpreso.
- Sei lá, , eu acho que o fato de estarmos os dois solteiros e termos uma conexão muito forte acabou criando uma tensão sexual que resultou nisso - ele respondeu com a frase que tinha pronta na cabeça, fruto de muito pensar a respeito daquele assunto.
ficou em silêncio por alguns segundos, se sentindo frustrada por ter escutado uma resposta bem diferente da que ela própria daria e constatado que, para , não passava de uma atração física.
- Você lembra quando meu pai morreu e a gente passou um ano sem se ver depois de eu vir pra Madrid com minha mãe? - ela questionou e o outro meneou a cabeça, assentindo.
- Claro que sim, foi estranho ficar tanto tempo sem te ver.
- Quando vocês vieram visitar a gente, assim que eu pus os olhos em você… - ela disse, desviando os olhos dos de , que a observava atentamente. - Eu senti algo que, até hoje, não senti por qualquer outro cara.
- Você tá querendo dizer que… - ele disse com os olhos minimamente arregalados, deixando a voz morrer no final da frase.
- É, eu sou apaixonada por você desde esse dia.
sentiu o estômago afundar e abriu a boca algumas vezes, mas não emitiu som algum. Ele não sabia o que dizer e talvez nem existisse algo a ser dito. Nunca, em um milhão de anos, passaria por sua cabeça que pudesse ser apaixonada por ele. Era sua melhor amiga, quem o conhecia desde sempre e sabia todos seus podres, quem estivera ao seu lado em, literalmente, todos os momentos de sua vida mesmo durante os anos em que moravam em cidades diferentes. Ela havia, inclusive, acompanhado de perto o início, o desenvolvimento e o fim de seu namoro com Victoria. Era perturbador imaginar que ela escutara todos seus desabafos sobre outra mulher sendo apaixonada por ele.
Além do mais, por que raios uma mulher como , que merecia alguém à sua altura, se apaixonaria por ele? Ela só podia estar ficando louca.
- , eu acho que você tá confusa - ele disse, se remexendo, desconfortável.
- Não estou confusa - ela rebateu com um nó se formando na garganta, e se desencostou de . - Tá, eu já entendi que você só tá passando o tempo enquanto não arruma uma namorada.
- Você merece alguém muito melhor do que eu.
Os olhos de marejaram quando não negou o que ela havia dito e, antes que as lágrimas rolassem por seu rosto, ela se levantou da cama e foi em busca de suas peças de roupa que estavam espalhadas pelo quarto.
- Não precisa ir embora - o jogador falou, a assistindo se vestir. - Eu pensei que pra você também era só sexo casual, . Não teria ficado com você se soubesse disso.
- A maior culpada, no final das contas, fui eu mesma - ela disse e se virou para encará-lo sem se importar por estar chorando abertamente. - Eu me iludi, pensei que existisse uma possibilidade remota de você sentir o mesmo, até porque quem deu o primeiro passo não fui eu. Com tanta mulher no mundo, você poderia ter procurado outra mulher que não fosse a sua melhor amiga pra foder sem compromisso.
Ela não esperou por uma resposta e, em seguida, deixou o quarto, batendo a porta com força atrás de si.

estava assistindo a uma série na televisão, encolhida no sofá e debaixo de um cobertor, quando escutou o celular vibrar na mesinha de centro. Mesmo de longe, pôde ler na tela e franziu o cenho, estranhando aquela ligação. Apesar de tê-lo em seus contatos, nunca havia recebido ou feito uma ligação para ele.
A festa de aniversário de e Nacho estava acontecendo naquele momento, ela sabia muito bem disso e estava em casa por opção depois de passar uma semana difícil, cheia de coisas da faculdade para fazer e decepcionada consigo mesma por ter permitido que os sentimentos que tinha por a cegassem ao ponto de, por meses, ela ter acreditado que as ficadas casuais com ele poderiam significar mais do que, de fato, significavam. Não tinha notícias do melhor amigo desde o sábado anterior e, na verdade, nem sabia se estava pronta para ter e temia que ele estivesse tentando entrar em contato por intermédio de .
A universitária respirou fundo, tomando coragem, e se esticou para alcançar o celular e aceitar a chamada.
- Alô.
- Oi, . Você não vem pra festa?
- Hm… - ela murmurou, desconcertada, pois não sabia se era de contar aquele tipo de coisa para os amigos. - Na verdade, não.
- Mas por quê? Eu perguntei de você pro e ele disse que vocês não combinaram de virem juntos nem nada.
- A gente não tá se falando, - disse, optando por ser honesta. - Nós meio que… brigamos.
- Sério? - o jogador perguntou do outro lado da linha, parecia surpreso. - Ele não disse nada.
- Provavelmente achou que não era relevante - a outra rebateu e riu pelo nariz. - Bom, eu pensei que não fazia muito sentido eu ir na sua festa, já que você só me convidou porque sou amiga do . E eu não sei se estou muito a fim de vê-lo.
- Eu te convidei porque eu quis, , não tem nada a ver com o . A casa é grande, você nem precisa olhar pra cara dele se não quiser.
A garota soltou um longo suspiro. Não sabia bem o que dizer, jamais imaginou que fosse notar e se importar com a ausência dela.
- Me desculpa, , não estou desmerecendo o seu convite, mas realmente não vai dar. Além de eu estar sem carro, já tá meio tarde também e vou pegar a festa pela metade.
- Vai nada! A festa não vai acabar tão cedo - o outro disse, rindo. - Vem, ! Não faça essa desfeita, eu posso te buscar se você quiser.
- O quê? Não! - a universitária exclamou, assustada. - Você não vai sair da própria festa pra vir me buscar.
- Se esse for o único jeito de você vir…
- Minha presença é mesmo tão importante assim?
não soube bem o motivo, mas o silêncio de alguns segundos que seguiu seu questionamento fez uma tensão crescer em seu peito.
- Se não fosse, eu não estaria te ligando.
A voz tranquila do rapaz adentrou seus ouvidos e mordeu o lábio inferior. Estava ficando louca ou parecia ter segundas intenções?
- Vou tentar chegar aí em uma hora.
- Se você não aparecer, eu vou aí te buscar - falou em um tom divertido.
- Relaxa, . Até daqui a pouco.
- Até.
Depois de finalizar a ligação, ficou encarando o celular por um momento, até que ouviu passos vindos do corredor e, em seguida, um perfume doce adentrou suas narinas.
- Filha, eu vou sair com o Alejandro. Não sei que horas volto.
Ela levantou os olhos para encontrar sua mãe muito bem arrumada e maquiada para sair com o namorado.
- Tá bom.
- Aconteceu alguma coisa?
- acabou de me ligar pra perguntar por que não estou na festa de aniversário dele - respondeu, dando de ombros.
- Aquele barbudinho? - Yolanda perguntou e a filha meneou a cabeça, assentindo. - E por que você não está lá?
- Sei lá, eu e o brigamos e pensei que não tinha nada a ver eu ir a essa festa.
- Por que vocês brigaram? - a outra questionou, espantada, pois os dois eram como unha e carne desde sempre.
- Ah, mãe, eu não quero falar sobre isso…
- Seja lá o que tenha acontecido, se o próprio aniversariante te ligou, você deveria ir - a mais velha disse, levantando os ombros. - Ele é bonitinho, .
- Mãe! - a garota exclamou. - Não é nada disso, ele é meu amigo.
- Ser amigo é o primeiro passo - Yolanda rebateu, rindo, e piscou um olho. - Vai se arrumar, eu te levo.
- E o Alejandro? Você já estava de saída.
- Ele pode esperar - ela rebateu, balançando a mão no ar. - Vem, vou te ajudar a se arrumar pra ser mais rápido.

Como prometido, em pouco mais de uma hora estava adentrando a casa de . Ela sorriu para o homem desconhecido que atendeu à porta antes de olhar o ambiente à sua volta, repleto de outras tantas pessoas desconhecidas, e não demorou a avistar Nacho com a esposa e alguns amigos. Se aproximou do grupo e logo teve sua presença notada por María, que se aproximou para abraçá-la.
- , que bom que você veio! - ela disse, empolgada.
- É, aconteceu um imprevisto - respondeu com um sorriso sem graça nos lábios e foi até o defensor do Real Madrid para também cumprimentá-lo com um abraço. - Ei, Nacho. Seu aniversário é semana que vem, né? Mas parabéns de qualquer forma.
- Sim, é quarta-feira - ele respondeu, sorrindo. - Valeu, . Obrigado por ter vindo.
- Vou procurar o , depois a gente se fala - a garota disse quando soltou Nacho do abraço.
O jogador concordou com a cabeça e, depois de cumprimentar os amigos dele com um aceno rápido, decidiu dar uma volta pela casa em busca do outro aniversariante.
Conforme caminhava com os olhos atentos, ela reconheceu e cumprimentou outros jogadores do Real Madrid, além de alguns amigos de e dos outros garotos que conhecia, e riu quando viu Marco Asensio tentando se aproximar de uma garota. Ao examinar um grupo de pessoas que dançava ao som da parceria de Shakira e Maluma para ver se não estava por ali, seus olhos focalizaram outro rosto conhecido.
Uma das mãos de segurava um copo e, a outra, estava na cintura de uma mulher que sabia nunca ter visto antes. Os dois dançavam com os corpos colados e foi impossível que um nó não se formasse em sua garganta quando viu o melhor amigo chocar sua boca à da morena desconhecida, dando início a um beijo bastante intenso.
Ela ficou paralisada, assistindo à cena, até o beijo ser encerrado e abrir um sorriso de lado para a mulher antes de levantar os olhos direto em sua direção, como se tivesse percebido que estava sendo observado. O rosto dele se tornou sério e, sem querer esperar para ver qual seria o próximo passo dele, deu meia volta e continuou seu caminho.
Ela se esforçou para segurar as lágrimas, mas não pôde evitar que elas escorressem por suas bochechas. Não sabia se estava mais frustrada por ter ido tão longe com aquele amor platônico que sentia pelo amigo ou por estar conhecendo um novo : o que não se importava com ela. Era difícil ver que ele não estava abalado pelo ocorrido de uma semana antes e, ainda por cima, estava saindo com alguém.
estava tão preocupada em ir para longe da cena que havia acabado de presenciar que só notou que passava por um preocupado quando sentiu um puxão em seu braço.
- O que aconteceu, ?
Chorando copiosamente, a garota envolveu o jogador com os braços e enterrou o rosto na curva de seu pescoço. a abraçou de volta e acariciou as costas dela.
- Vem, vamos subir. Tá mais calmo lá em cima - ele disse algum tempo depois ao notar que alguns curiosos os observavam.
passou um braço pela cintura de e a guiou escada acima. O segundo andar estava praticamente vazio, exceto por um convidado ou outro que subia para usar o banheiro, já que o do primeiro andar estava ocupado quase o tempo todo, e alguns familiares que tinham passagem liberada para qualquer cômodo. Alguns pares de olhos os acompanharam pelo caminho até o quarto de , mas, notando a seriedade no rosto dele, ninguém ousou questionar qualquer coisa.
O rapaz fez com que se sentasse na cama e, pacientemente, esperou até que ela se acalmasse.
- Eu sou apaixonada pelo desde os 16 anos - ela confessou, quebrando o silêncio, e respirou fundo para conter o choro. - Ele nunca soube disso, mas a gente vinha ficando de vez em quando desde que ele e a Victoria terminaram.
- É, ele já comentou sobre isso - o outro respondeu e não se surpreendeu, pois imaginava que e os outros garotos tivessem conhecimento disso.
- Eu pensei que ele pudesse sentir o mesmo - ela continuou e as lágrimas borraram sua visão mais uma vez -, mas eu abri os meus sentimentos e ele disse que nunca imaginou que eu pudesse gostar dele. Que pra ele sempre foi só sexo.
a puxou para confortá-la em um abraço mais uma vez. Só por vê-la chorar ele sentia um aperto no peito.
- , pra falar a verdade, eu já sabia que você gostava do - ele disse em meio a um suspiro, surpreendendo a universitária. - Sei que esse não é o melhor momento pra admitir isso, mas já tem um tempo que eu venho reparando em você e percebi o jeito apaixonado com que você olha pra ele e como você fica radiante quando tem toda a atenção dele só pra você.
- Nossa, eu não sei nem o que dizer - murmurou, sentindo as bochechas esquentarem não apenas por ter acabado de assumir que tinha interesse nela, mas também por descobrir que era tão observada e sequer havia percebido, já que não tinha olhos para outro cara que não fosse .
- Eu tentei criar coragem pra te chamar pra sair, mas sinto como se fosse impossível competir com o - disse e riu baixo. - O que me deixa chateado é saber que ele não retribui esses sentimentos. Eu não tenho dúvidas de que você é uma das pessoas mais importantes da vida dele, mas ele te enxerga como uma grande amiga, só isso.
- Uma grande amiga de quem ele pode se aproveitar quando bem entender e depois agir como se nada tivesse acontecido - a outra rebateu com amargura expressa na voz.
- Não fique com raiva dele, - o jogador pediu com um sorriso triste nos lábios. - Talvez você tenha estado tão esperançosa de conquistá-lo que não notou como ele anda deprimido e carente desde que começou a se desentender com a Victoria quando eles ainda namoravam. Não acho que ele tenha te usado, não conscientemente. Ficar com você é uma maneira de fugir da realidade.
- É, eu acho que sim. Me apeguei a uma mísera chance de que, ficando comigo, ele se desse conta de que não precisa de nenhuma outra mulher além de mim - ela disse, só então se dando conta do quão patética havia sido nos últimos meses.
- Você buscou pelo amor dele da maneira errada.
fitou os olhos castanhos de por algum tempo, refletindo sobre aquelas palavras que a atingiram em cheio. Ele estava certo, talvez tivesse sido melhor ela ter sido honesta com sobre seus sentimentos desde o princípio e nunca tê-lo sequer beijado.
Os dois levaram um pequeno susto quando a porta se abriu e deu um passo para dentro do quarto.
- Tô atrapalhando alguma coisa? - ele questionou, olhando de um para o outro.
e se entreolharam por um momento.
- Não, cara. A gente tá só…
- Na verdade, você tá sim - disse, cortando . - Se puder nos dar licença…
fitou os olhos dela e suspirou longamente.
- Desculpa - ele disse antes de sair do quarto e fechar a porta.
Os outros voltaram a trocar olhares, ambos sérios e pensando pelo que, exatamente, estava pedindo desculpas.
- Vai ficar tudo bem, - o jogador disse e seus lábios se curvaram em um leve sorriso que prontamente foi retribuído. - Se precisar de um amigo, pode contar comigo.
- Obrigada, - ela disse e respirou fundo. - Posso usar seu banheiro? Quero dar um jeito nessa cara de choro. A gente tem uma festa pra aproveitar.
- Pode ficar à vontade - ele respondeu e riu anasaladamente.
Observou se levantar e, logo em seguida, sumir pela porta do banheiro.
No que dependesse dele, ela terminaria a noite com um sorriso estampado no rosto.

Fim.

Nota da autora: (19/08/2017) Oi, gente! Espero que tenham gostado da história! Foi baseada em Wrong, uma das minhas músicas favoritas do Mind of Mine, do ZAYN, e adorei escrever essa short.
Esse negócio de amizade colorida entre melhores amigos nunca acaba bem, né? hahaha. Deixem os palpites nos comentários sobre o que você acham que vai rolar, se a amizade deles vai resistir a isso, qual será o papel do outro jogador… Sim, eu pretendo escrever uma continuação e ela deve sair mais pro fim do ano. Pra saber direitinho quando vai sair, é só entrar no grupo do Facebook!
Beijos!

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