Autora: Mari Gomez | Beta: Mily



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Capítulos:
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Capítulo 1

Medo. Era tudo o que eu conseguia sentir no momento. Medo de ser pega por uma daquelas coisas. Medo de perder a de vista e, acima de tudo, medo de que ela fosse mordida por um deles.
Corríamos floresta a dentro, para tentar nos esconder da horda de infectados que corriam em nossa direção. Tínhamos que nos esconder rápido, já que não podíamos usar nossas armas, ou atrairíamos mais deles, e a nossa situação em relação a munição não era a das melhores.
corria com uma mochila que continha uns mantimentos, e eu estava com uma que tinha uns cobertores e água.
– Esquerda, ! – gritou.
– Certo. Qual é a probabilidade de não ter mais infectados lá?
– Nenhuma, mas é isso, ou ficamos aqui e deixamos que esses nos peguem.
Concordei e me virei para a esquerda, desviando das mãos moribundas de um infectado, que quase pegou em meu cabelo. Assim que aceleramos os passos e saímos da floresta, chegando num espaço plano, avistamos uma cabana. Olhei para Ally, que sorriu, e fomos em direção a tal cabana.
Deixa eu me apresentar: me chamo , tenho 18 anos e, há 8 meses, vivo fugindo dessas coisas. é a minha melhor amiga, mas não pense que já nos conhecíamos antes disso tudo. Nos conhecemos quando um grupo me achou, e ela fazia parte dele, e, desde então, ficamos bem próximas. Além de tudo, acho que nos aproximamos também por sermos as únicas com idades próximas. Ela tem 21, e eu, 18.
Essa "infecção" começou quando o famoso "pé–de–elefante" entrou em contato com o lençol freático abaixo da usina que explodiu décadas atrás. Esse contato fez com que o mesmo explodisse novamente e, além de ter contaminado a água da área, liberou MILHÕES de substâncias químicas.
O problema é que os efeitos colaterais foram muito maiores que os causados no primeiro acidente. Imagine: pessoas com corpos deformados, rostos transfigurados e com só um vestígio de que realmente foram seres humanos algum dia: a fome. Essas coisas são movidas por uma fome que não tem fim e, adivinhe só, qual é o prato favorito dos infectados? Você.
Deve estar se perguntando: se foi uma explosão química, como nós ainda estamos vivas ou "saudáveis", certo?
Bom, algumas pessoas nasceram inumes às substâncias que foram liberadas, e nós somos duas delas.
Eu sei que, de 6 bilhões de pessoas, no máximo, 200 mil eram imunes, mas, como eu disse, os infectados atacam qualquer coisa com pernas. Grande parte dessas pessoas morreram.
Assim que terminamos a barricada improvisada, nos sentamos no sofá de dois assentos que havia ali. Peguei uma das garrafas com água e bebi um gole do líquido, que passou pela minha garganta, aliviando a leve ardência que havia ali.
– Acha que eles nos viram entrar aqui? – perguntou, me olhando e, em seguida, pegando a garrafa, que jazia tampada em minhas mãos.
– Não, nós corremos. E, se tiverem visto, não vão conseguir entrar – sorri para ela.
– Este será o melhor lugar em que eu vou dormir em semanas.
Ela disse, olhando para o colchão à nossa frente.
– É, é, sim.
– Com fome? – Ela abriu a mochila e tirou alguns pacotes e latas.
– Você não imagina o quanto.

dormia ao meu lado no colchão, e eu tentava me concentrar no som da respiração serena dela e pegar no sono, mas não conseguia. Além de ficar encarando o vasto escuro que estava naquela cabana, eu estava sentindo que este lugar não era totalmente seguro, e eu não estou falando dos infectados. Os seres humanos que restaram, agora, aproveitam–se dos sobreviventes mais fracos. Roubam, matam e, no meu caso e no da Ally, quando são mulheres acabam sendo estupradas e, depois, apanham até a morte.
Como sei disso? Porque eu já vi acontecer. A garota devia ter uns 19 anos e passou por nós pedindo ajuda e dizendo que uns homens estavam perseguindo–a, e, então, os mesmo aproximaram–se. e eu nos escondemos e vimos o que eles fizeram com ela. É cruel.
E, agora, nós estamos nos "esquivando" de qualquer grupo masculino que encontramos ao longo desses meses.
Acordei com um barulho na porta da cabana. Olhei para , que ainda dormia, me levantei e fui até um vitrô, que tem na parede ao lado, ver.
Tive que encontrar uma posição que me possibilitasse ver a parte da frente e, quando consegui ver o que vinha, meu coração gelou. Malditos infectados! Comecei a pegar as nossas coisas rápido. Tínhamos que sair dali o mais rápido.
! ! Droga... !
– Que? O que foi?
– Pega as coisas rápido. Temos que sair daqui agora.
– O que? Por quê?
– Infectados.
Ela pegou as coisas e nós saímos por outra porta, que eu não sei como não vimos antes.
Saímos, tentando fazer o menor barulho possível para não chamar a atenção deles e nos afastar o bastante para termos certa vantagem.
Corremos como o planejado, até uma dessas coisas praticamente brotar do chão e avançar sobre mim.
Evitei ao máximo fazer barulho, mas a coisa, que um dia foi uma mulher, Dr., estatura mediana e cabelo curto na altura do ombro, estava quase mordendo o meu ombro.
Segundos depois, senti meu rosto ser "lavado" com o sangue da infectada. Olhei por cima do ombro dela, que, agora, estava deitada em cima de mim, e vi segurando o facão de caça e com uns respingos de sangue no rosto.
– Vem, temos que ir! – ela sorriu.
– Obrigada.

Eu peguei o meu revólver, que havia caído, e nós voltamos a correr.
Depois de uns 15 minutos correndo, ainda na floresta, paramos e nos sentamos. Peguei uma garrafa d'água e joguei para , que pegou e ingeriu o líquido que havia dentro.
– Será que estamos longe o bastante?
– Provavelmente. – Peguei a garrafa que ela estendia em minha direção.
– Como estamos em relação à água?
Abri a mochila e vi três garrafas de dois litros, uma pela metade e duas cheias. – Dois dias e meio. E quanto a comida?
Agora, ela quem abria a mochila e conferia.
– Vamos sobreviver – ela disse e olhou para o chão.
– Tá, mas quanto temos?
– 2 latas de pêssegos, três pacotes de biscoito, 5 frutas e um pacote de... – ela leu o rótulo – Granola.
– Precisamos de suprimentos.
– Vamos sobreviver – disse novamente.

Juntamos as coisas espalhadas e decidimos caçar algo. tinha o arco e a flecha em mãos, e eu o facão dela. Andamos até a beira de um lago que tinha ali e, de repente, ela mirou em algo e atirou.
Fomos até o alvo dela e vimos algo que nos fez sorrir. Dia de sorte!
Voltei até o lago e peguei as garrafas, e, em seguida, troquei a água que estava nela pela fresca do lago.
– Podíamos passar a noite aqui. O que acha?
Perguntei a , que, neste momento, tirava a pele do coelho que achou.
– Não sei. E se aquela horda passar por aqui?
Olhei para ela e concordei.
Assim que as três garrafas estavam cheias, coloquei–as de volta no saco plástico para que não molhasse o cobertor que havia ali.
?
– Oi. – Olhei para .
– O que acha de um banho? – ela sorriu.
Concordei e guardei as garrafas na mochila, e, em seguida, tirei as minhas roupas, deixei–as na margem do lago e pulei no mesmo.
fez o mesmo.
Uns 20 minutos depois, saímos da água e nós vestimos.
pegou o coelho, que, agora, era só um pedaço de carne que iria nos satisfazer, juntamos uns galhos e acendemos uma fogueira, e colocamos o coelho para assar em um pedaço de pau, como espeto.
Horas depois, chegamos a uma rodovia e decidimos que era melhor escolher um carro para passarmos a noite, já que começara a entardecer.
Achamos uma mini van e ficamos nela. Usamos um dos cobertores para tapar as janelas e, com o outro, nos cobrimos.


Capítulo 2

Remember how it used to be...

O sol brilhava com uma intensidade que chegava a ser bem incômoda. Isso soava estranho, mas a sensação de ter moscas atacando a sua pele era "boa" e chegava quase a ser normal.
e eu andávamos na estrada em que passamos a noite, atrás de combustível. Ela disse que era melhor termos um meio de transporte. Conseguimos encher um galão com gasolina e colocamos na mini van, que ficou com o tanque cheio.
colocou a chave na ignição e sorriu largamente enquanto a girava, e o motor do carro roncava. Estávamos super felizes. Primeiro não teríamos que andar tanto tempo a pé. Segundo, poderíamos dormir na parte de trás do veículo.
Fez dois dias que estávamos na estrada com o carro e só tivemos que abastecer duas vezes, mas decidimos arrumar um galão a mais, para não corrermos o risco de ficarmos sem combustível e não termos onde achar. O único problema era que nossos suprimentos estavam quase acabando. Água, nós já nem tínhamos mais, e não estava sendo fácil esses dias estupidamente quentes sem água.
Eu decidi que iria entrar na floresta, em busca de uma nascente sequer. , de início, não concordou com o que eu dissera sobre ela ficar e tomar conta do carro, mas acabou aceitando, depois de muita insistência. Eu já estava há certo tempo na floresta e não tinha achado nada. Andei mais um pouco e, a cada passo, eu adentrava mais e mais a floresta, que não era muito densa.
Eu já não aguentava mais lidar com a desidratação devido a falta de água, mas eu não poderia parar, tinha que continuar e, mesmo que eu não achasse nada, deveria voltar.
Coloquei a mão no facão que me emprestara, no momento em que ouvi passos atrás de mim, mas não fui rápida o bastante ao me virar. A coisa, que, provavelmente, seria um infectado, colocou uma das mãos na minha boca, e a outra, tomou o facão que eu usava, e foi, então, que eu percebi que era uma pessoa. Uma pessoa saudável.
– Shh... – a pessoa, que eu percebi ser um homem pelo tom da voz, sibilou. – O que você quer?
– Calma, eu não vou fazer nada com você. – Ele me soltou e, em seguida, me devolveu minha arma.
– Quem é você?
– Meu nome é . . Abaixa isso. – Ele apontou para o facão em minhas mãos, que, agora, estava apontado para o peito dele.
Ainda relutante, eu abaixei–o e dei dois passos para trás.
– Não precisa ficar com medo, eu não vou machucar você.
– Eu sei o que homens fazem com mulheres hoje em dia. Cadê o seu grupo?
– Eu não vou estuprar e, depois, matar você. E eu não tenho um grupo.
– Você está sozinho? – Ele assentiu. – Há quanto tempo?
– 8 meses.
– E você teve contato com outro ser humano antes de mim?
– Sim. Um garoto há 5 meses, e você, agora.
– Nossa... A vai me matar por isso – sussurrei. – Eu tenho uma amiga e nós estamos em uma rodovia aqui perto. Você quer vir com a gente? Quer dizer, você está sozinho esse tempo todo e não me machucou até agora...
– Certo, mas, antes, me fale seu nome – ele disse e sorriu.
. .
– Certo. Vamos, então? Eu não aguento mais ficar nesta mata.
– Na verdade, estou procurando um rio ou uma nascente onde eu possa encher as garrafas com água.
– Bom, eu tenho água aqui, mas sei onde tem uma cachoeira por aqui.
– Pode me levar até lá? – perguntei com a voz falha.
– Posso, claro.
– Certo – sorri para ele, que retribuiu.
– Vam... – Ele segurou meu braço assim que eu perdi o equilíbrio. – Ei, calma... , há quanto tempo você não bebe água?
– Dois dias?
Ele pegou uma garrafa com água e colocou o gargalo dela na minha boca. Sentir o alívio causado pela água em contato com o meu organismo era maravilhoso. Eu não podia sentir nada melhor no momento. Quando me senti satisfeita, coloquei a minha mão sobre a dele e afastei devagar. Ele tampou a garrafa e guardou a mesma na mochila, e me ajudou a levantar.
– Obrigada, .
Ele sorriu e começamos a andar em direção à cachoeira.



Enchemos as garrafas e paramos um pouco para descansar, já que havíamos andado bastante até encontrá–la. Quando chegamos a estrada onde estava, o sol já se punha e trazia consigo um fim de dia espetacular, junto de um crepúsculo.
? – chamei assim que avistei o carro. – ? – ela respondeu, saindo do mesmo e carregando a sua pistola.
Corri até ela e a abracei. Ela retribuiu e me xingou por ter passado praticamente o dia na floresta, e, depois de uns segundos, percebeu a presença de alguns passos atrás de mim.
– Quem é ele? – Ela apontou a arma para a cabeça dele, que levantou as mãos em forma de rendimento. – Ele te machucou?
– Ei, , ele não fez nada. Ele me ajudou. Ele não vai nos machucar.
– O que ele está fazendo aqui?
– Eu o trouxe. Ele estava sozinho todo esse tempo e não mostrou, em momento algum, ser agressivo. Ele é um bom rapaz, .
Ela encarou , que continuou com os braços na mesma posição, e foi abaixando a arma aos poucos.
– Tem certeza? – ela perguntou, me olhando.
– Sim, eu confio nele.
Ela olhou para novamente e sorriu.
– Bem–vindo ao time.
Ele suspirou, aliviado, e sorriu de volta para nós duas.
– Vocês sabem onde vamos passar a noite? – perguntou e aproximou–se.
Sorri para , que sorriu para , e nos entreolhamos. abriu as portas duplas da traseira da mini van e mostrou a ele o lugar em que dormiríamos essa noite.
– Este é o melhor lugar que eu vou dormir em meses.
– Digo o mesmo, amigo. – disse e sorriu.
Eles olharam para mim, esperando a minha opinião.
– O quê? Qualquer lugar é melhor que o chão da floresta.
Eles riram e nós entramos no automóvel. O fato era que havia espumas no chão, que, como estavam todas juntas, formaram um colchão enorme, e foi bem esperta em arrumar alguma coisa com cores escuras para colocar na janela, liberando os cobertores que usamos para tal ato.
– Vocês têm até cobertores. – disse animado.
– Agradeça a . No início, eu achei que seria desperdício de espaço na mochila, mas ela insistiu tanto que eu acabei ajudando–a a pegar isso. – disse, enquanto sorria, e deu mais uma colherada nos feijões enlatados na mão dela.
– Fazer o quê, se eu não queria sentir frio, né? – Abri uma lata de abacaxis e comecei a comer.
– Vocês estão há quanto tempo juntas? – perguntou enquanto abria uma lata de ervilhas.
– Nos conhecemos há 7 meses quando ainda estávamos com um grupo, mas quando o grupo se desfez, decidimos ficar juntas.
– Entendi.
– E você? Esteve sozinho desde o começo?
– Não, eu tinha um grupo. Éramos eu, meu amigo Justin, minha namorada, Leah, e duas amigas dela. Só que, uma noite, um grupo de rippers aproximou–se e não deu para salvá–las. A Brooke, amiga da Leah, até fugiu, só que, uns dias depois, eu achei o corpo dela na mata. Estupraram e mataram–na.
– Oh, me desculpe... Eu sinto muito. – disse.
– Desculpa perguntar, , mas e o seu amigo?
– Eu não sei. O que sei é que ele deu alguns tiros nos infectados que se aproximavam e, depois, ele sumiu. Eu espero que tenha fugido e esteja bem.
– Eu sinto muito – sorri, tentando reconfortá–lo.
– Enfim, gente... – disse, aparentemente, tentando acabar com o clima que tinha se instalado ali. – Nós precisamos de suprimentos.
– Eu sei de uma loja aqui que, praticamente, não foi saqueada...
– Sério? – eu perguntei.
– Sim. Só que a loja é grande e deve ter vários deles dentro.
– É um risco que vamos ter que correr – afirmei.
– É. – disse.– , quantos anos você tem?
– Tenho 22, e vocês?
– Eu tenho 18, e a , 21.
– Você é a única de menor aqui, . Ainda não pode ir a clubes noturnos – ele disse com tom de voz brincalhão, fazendo com que eu e ríssemos.
– Vamos dormir, gente. Amanhã teremos um dia longo. – disse, livrando–se das nossas latas, agora, vazias. Deitamos na seguinte ordem: , eu e . segurou a minha mão e entrelaçou nossos dedos como sempre fazíamos, e estava virado para mim.
– Boa noite, .
– Boa noite, – respondi.
– Boa noite, – ela disse, agora, mais sonolenta.
– Boa noite, .
Eu e ficamos nos olhando e, só então, reparei no rosto dele. Ele era bem bonito, cabelo loiro escuro, olhos verdes bem marcantes, lábios não tão finos, mas não tão grossos, e seu rosto tinha traços fortes, mas delicados. sorriu, e eu retribuí o sorriso.
– Boa noite, .
– Boa noite, . – Ele beijou minha testa.
Eu não entendi o motivo, mas não disse nada. Gostei disso.


Capítulo 3

Gotta see what tomorrow brings

Mais um dia começava e nós só poderíamos rezar para que nada acontecesse a nenhum de nós. O dia começou bem tranquilo, se formos parar e notar que estamos no meio de um apocalipse zumbi ou sei lá o quê.
Como havíamos combinado, na noite anterior, iriámos a uma loja que conhecia, mas, como o mesmo disse, é capaz de estar cheio de rippers por lá, então teríamos que ser muito cautelosos e fazer tudo o mais rápido possível.
Esvaziamos as nossas mochilas e arrumamos uma sacola plástica para cada um de nós, e pegaríamos o necessário e mais prático.
estava no volante, enquanto eu e conferíamos se todas as armas que pegamos estavam boas e devidamente carregadas. Pegamos também nossas lâminas longas e fomos separando uma arma com os mesmos “tipos” para cada, ou seja, uma lâmina longa, pistola automática e um rifle.
Uns 6 minutos a mais, com dirigindo sob as informações de , e chegamos a uma das lojas da Dollar Tree*. NÃO ACREDITO! Nós éramos uns filhos da puta de muita sorte. Sorri e olhei para , que teve a mesma reação que eu e olhava para o letreiro da loja, que um dia fora verde, mas, agora, desgastado pelo sol e a chuva.
– Não fiquem tão animadas, meninas. Deve ter, pelo menos, uns quinze deles lá dentro.
– Olha pelo lado bom da coisa, pelo menos, é a Dollar Tree. – disse, arrancando risadas de e eu.
– É o único lado bom da coisa, – ele disse.
– Ai, gente, vamos logo. Eu quero sair daqui logo e tô com fome.
– Calma, . Eu, hein. – disse.
– Vamos, meninas. Não podemos demorar muito lá dentro. Todo mundo sabe o que têm que pegar?
– Sim, comida enlatada e essas coisas... – eu disse.
– Isso. – confirmou.
Empunhamos nossas armas e fomos em direção à entrada principal da loja. foi à nossa frente e, em passos curtos e precisos, tomando cuidado com o lugar em que pisávamos, adentramos à loja.
Dividimos e cada um foi para um lado. Mal entrei no corredor de prateleiras à minha frente e já tinha dois deles. Apressei o passo e acertei um deles, que estava de costas para mim, na cabeça, fazendo com que o mesmo se destruísse. O outro, pelo barulho, conseguiu me atacar, antes que eu estivesse a postos para abatê–lo. Ele agarrou meu braço, e eu soltei o facão, e o barulho do metal, em contato com o chão, chamou atenção de três deles, que estavam mais à frente, e eles vieram em minha direção.
– Droga – praguejei.
Chutei a perna do infectado que segurava meu braço, e ele cambaleou. Eu aproveitei para tentar alcançar minha pistola, que estava no coldre fixo na minha cintura. Empurrei o mesmo infectado, que novamente vinha em minha direção, e ele caiu no chão, e eu pisei na cabeça dele, que se desfez. Nos outros três, agora, mais próximos, mirei na cabeça de um deles e atirei em alguns pontos que acertariam o cérebro e os mataria de novo.
Olhei para as prateleiras e me permiti sorrir, vendo que elas tinham algumas latas e pacotes de comida. Abri a mochila e comecei a colocar a maioria das coisas nela. Quando, na mochila, não cabia mais nada, comecei a enfiar nos bolsos ainda vazios e menores na parte externa da mochila e, em seguida, peguei as duas sacolas e enchi também.
, já acabou? – Escutei me chamar.
– Sim. Cadê a ? – perguntei.
– Eu ach... – Escutamos um barulho e fomos em direção ao mesmo.
, cadê você? – gritei.
, fala baixo. – me advertiu.
, ... Socorro. – disse.
Corremos em direção ao terceiro corredor à minha esquerda e encontramos no chão com um infectado enorme em cima dela, tentando mordê–la. Soltei as sacolas e corri em direção a ela, e cortei a cabeça dele, e, segundos depois, tinha uma sorrindo aliviada.
– Você tá bem, ? – Ajudei–a tirar o corpo morto de cima dela.
– Agora, graças a vocês, sim.
– Certo. Conseguiu pegar alguma coisa, ? – perguntou.
– Sim, consegui encher a mochila e metade da sacola.
– Vamos embora, então...
Peguei as sacolas e comecei a trilhar meu caminho em direção à entrada principal, que foi por onde entramos.
Teríamos saído super fácil, se não fosse pela quantidade significativa de infectados que estava na porta.
– Droga! – praguejou.
– Vamos sair pelos fundos – sugeri, e eles concordaram.
Nós fomos em direção à porta dos fundos, tentando ser o mais silenciosos possíveis. Só que, como nem tudo é um mar de rosas, um dos infectados agarrou o meu calcanhar, me fazendo cair, e o barulho que eu fiz chamou atenção dos infectados, que viraram e começaram a vir em nossa direção.
! – exclamou , vindo em minha direção.
– Eu não consigo pegar a minha faca, .
Ele enfiou a faca dele no olho do infectado e me ajudou a levantar. Peguei meu facão, que tinha caído a uns centímetros, e pude ver que os infectados se aproximavam bem rápido. Voltei a seguir meu caminho em direção à saída, mas não seria tão fácil, logo mais quatro rippers estavam à nossa frente. matou um deles com um golpe da lâmina, e atirou em dois. Esses dois corpos caíram e logo mais deles vinham. Eu me virei de costas para eles e comecei a atirar nos que vinham pelo outro lado.
Acertava a cabeça deles de uma forma meio desajeitada, mas boa o suficiente para matá–los. A quantidade deles não diminuía. Parecia que quanto mais eles morriam, mais eles se amontoavam em cima do monte de corpos infectados.
– PORRA! – esbravejei.
– Tem muitos aí ainda? – Escutei dizer.
– Sim! – respondi e recarreguei a minha arma.
– Segure–os por mais um tempinho aí, . – disse.
– Okay.
Aproximei–me deles e continuei a atirar neles, e, quando eu estava muito próxima, minhas balas acabaram novamente. Procurei mais cartuchos e adivinha! Eles acabaram também. Peguei o meu facão e comecei a acertá–los. Estava consegui derrubar mais alguns deles, até que...


Capítulo 4

Você me deu esperança
Mas eu tenho que deixar ir
Eu tenho que deixar ir
Oh woah
Está levando a alma
Está no fundo da minha alma
Agora eu tenho que deixar ir
Nós escrevemos nossa história
E cantamos nossa música
Nós penduramos nossas fotos na parede
Agora aqueles momentos preciosos
Que nós esculpimos em pedra
São todos as memórias, afina

Memories – Shawn Mendes


Até que , abriu a porta de trás e veio até mim, me puxando em direção à mesma. Assim que fechamos a porta, nos sentamos na calçada para respirar um pouco. Minutos depois, estávamos indo em direção ao carro do outro lado da rua. Fazia muito tempo que e eu não enfrentávamos vários infectados dessa forma.
Já estávamos na estrada novamente há algumas horas. estava deitado ao meu lado, conversando com a , enquanto eu me perdia em pensamentos e lembranças de uma época feliz. Quando Nathaniel me veio à cabeça, eu senti meu coração gelar e um nó se formar em minha garganta. Nathaniel era meu namorado, nós conseguimos fugir juntos quando tudo começou e ficamos assim por algum tempo, até que nós cruzamos com um grupo de caçadores e eles nos deram a "escolha": ou eles me estuprariam e me matariam, ou eles matariam o Nate. E Nathaniel era altruísta demais, ele aceitou a segunda sem pestanejar. Eu pude vê–lo sorrir ao pronunciar as últimas palavras: "Eu te amo, . Corra!"; E então, eles o mataram. Cruel e rapidamente. Lógico que a segunda opção foi apenas um pretexto para se livrarem dele e virem atrás de mim. Então, antes que o corpo dele encontrasse o chão, eu corri. Corri o máximo que pude e, uma semana depois, eu encontrei . Pensar em Nathaniel me fazia lembrar como ele era gentil, altruísta, sincero e em como ele realmente ele mostrava o que sentia por mim, como ele me fazia rir. Ele era apenas ele e não precisava de nada mais para as pessoas gostarem dele.

Flashback On

– Nathaniel, para! É sério. – Disse, em meio a gargalhadas, já que ele continuava me fazendo cócegas.
, você só tem que dizer. São apenas algumas palavras.
– Nunca. Aaaaah, Nate! – me encolhi um pouco. – Amor, para, por favor.
– Só se você disser. Qual é, , um homem precisa ouvir essas coisas de vez em quando.
Em meio toda aquela insistência de meu namorado, decidi desistir. Seria mais fácil.
– Ok, eu digo. – Respirei fundo, quando ele me deu uma pequena pausa para respirar.
– Diz logo, então.
– Eu tenho o namorado mais lindo, gostoso e pauzudo, e ele me faz gozar várias vezes.
– Não foi tão difícil assim, . E isso fez muito bem ao meu ego.
– Babaca. – Afirmei.
– Medrosa. – Respondeu ele.
– Idiota.
– Linda. – Disparou.
– Gostoso.
– Eu sei. – Olhei–o incrédula.
– Convencido. – Disse emburrada.
– Eu amo você.
– Eu sei. – Imitei a voz dele.
– Eu esperava um 'eu te amo, Nate. Você é o amor da minha vida.'
– Bobo. – Sorri e o beijei.

Flashback Off

Eu não havia percebido as lágrimas que cortavam os eixos das minhas bochechas, até tocar meu ombro. Mas, meu pensamento ainda estava direcionado ao Nate; ele era bom demais pra essa droga de mundo.
? – me chamou e eu redirecionei meu olhar até o dele. – O que aconteceu? Você está se sentindo bem?
– Sim. São apenas lembranças.
– Oh! Isso acontece muito comigo também.
– É. E por melhores que elas sejam, elas machucam demais.
– Eu sei, mas olha, você deve agradecer por ter tido a chance de poder viver momentos incríveis, e ter como lembranças de uma época onde tudo era bem melhor e você estava rodeada das pessoas que amou.
, eles o mataram sem piedade. E eu ainda tenho pesadelos com isso.
– Mataram quem? – Ele perguntou confuso.
– Nathaniel, meu namorado. – Funguei. – Eles iam me estuprar, mas inventaram uma escolha, e o Nate não deixaria que fizessem nada comigo, então ele deixou que o matassem. – Nesse momento eu já não conseguia mais segurar as lágrimas.
, eu... Você nunca me disse isso. – comentou, enquanto ainda dirigia.
, não fique remoendo essa memória ruim. Ele fez aquilo por que amava você. Lembre–se apenas dos momentos bons.
Eu respirei fundo e limpei as lágrimas que ainda teimavam em escorrer.
Olhei para eles, que sorriram, e alisou meu rosto com o polegar. Segurei a mão dele livre e fiz um leve carinho sob ela.
Os balanços do carro causados pela estrada pararam e olhou para .
– Por que paramos, ? – Ele perguntou, tirando a mão do meu rosto.
– Vamos ficar aqui essa noite. Parece seguro e, se acontecer alguma coisa, dá pra tirar o carro com facilidade.
– Tudo bem. – Ele concordou.
, o céu ainda está azul?
– Sim, por quê?
– Eu vou andar. – Afirmei, me levantando e instantaneamente segurou meu antebraço.
– Tem certeza, ? Pode ser perigoso.
– Tá tudo bem, . – Chequei meu relógio de pulso e vi que marcavam 15:43. – Volto em uma hora e meia.
Saí do carro e fui em direção a floresta que tinha nos lados da rua. Atravessei o 'cercado' que separava– os e adentrei a floresta. Sempre que eu pensava em Nate era assim, eu precisava sair para pensar e levantar a barreira que eu criei desde que o perdi. A verdade é que eu não sou nada forte e confiante, eu só não deixo ninguém perceber isso. entende quando eu digo que preciso "andar", esse foi o motivo dela não ter questionado.
Andei um pouco, mas memorizei o caminho de volta. Parei quando achei um riacho e sentei a sua beira, para novamente ser atingida pelas lágrimas. É, por mais que eu já tenha aceitado que ele morreu pra me salvar, ainda doía muito. Eu só queria entender o porquê. Por que isso tem que estar acontecendo? Por que as pessoas boas tinham de morrer? Por que os mortos voltam? Por quê? Eram tantos "porquês" que eu mesma ficava perdida. Eu só queria entender, por que um Deus que meus pais tanto falavam, tinha deixado que algo de tão cruel acontecesse com sua "amada" criação. Talvez ele não existisse ou talvez só estivesse cansado dessa merda toda que fazíamos. Ou talvez seja só a natureza dando o troco por todos os estragos que fizemos a ela. Todas as queimadas, os desmatamentos, poluição...
Eu tinha que agradecer por ter a e o não ser nenhum tipo de maníaco, o que era bem normal hoje em dia. Ainda sentada, pude escutar passos atrás de mim. Tentei alcançar minha arma, mas não fui rápida o suficiente e o que eu pude perceber que era um ser humano, pois senti o cano de sua arma na minha nuca.
– Ora, ora, ora, o que nós temos aqui?
Nesse momento tudo o que veio a minha cabeça foi: Homem. É um homem. Estou fodida. No exato momento, eu pude sentir a minha garganta fechar e todos os meus músculos ficarem extremamente tensos.


Capítulo 5

A minha garganta secou e eu fechei os olhos tentando manter a calma e não fazer nenhum movimento brusco que pudesse fazer com que as consequências que eu tanto temia viessem à tona.
– O que você quer? – ouvi minha própria voz tremular e rapidamente me virei.
– O que eu quero? De você? Nada, além de querer saber onde está seu grupo.
– Eu não tenho um grupo; estou sozinha – declarei.
– Sozinha todo esse tempo? – olhou–me com curiosidade.
– Não. Eu tinha um grupo, mas eles morreram aos poucos – levei minha mão ao coldre preso a minha cintura na parte de trás.
– Ah, mãos onde eu veja, amiguinha.
– Ok – suspirei. Eu sabia o que ele faria, e tinha que impedir de alguma forma, eu não deixaria esse homem me tocar.
– Você além de ser bonita, tem pernas maravilhosas – avaliou–me.
– Por favor, não – senti meus olhos arderam a medida que ele se aproximava.
– Não se preocupe, meu anjo. Eu vou fazer um ótimo uso delas – tocou meu rosto.
– Me deixe ir – eu disse com o fio de esperança que ainda tinha e, senti minhas lágrimas molharem o meu rosto novamente.
– Shh... Nós vamos nos divertir muito juntos... Bom, ao menos, eu vou. E vai ser um tipo de diversão que eu não tenho há muito tempo.
Ao terminar a frase ele escorregou as mãos pelas laterais do meu corpo e puxou–me nos aproximando. Repulsa. Tudo o que eu sentia agora era repulsa. Eu devia ter escutado . Devia ter lembrado que os rappers não são a única ameaça aqui fora. Os seres humanos ainda são a maior ameaça a si mesmo. Sempre foi assim e sempre será, não importa o quanto as coisas mudem. Tire pela a minha situação: o mundo virou de cabeça pra baixo, mortos voltam a "vida" e estou prestes a ser estuprada. Eu só espero que ele me mate rápido e que não encontre e .
O homem que, infelizmente, me acompanhava me jogou contra o chão e logo estava beijando o meu pescoço. A ideia que eu tive não foi tão brilhante quanto eu imaginei que seria, um chute nas pernas dele só me rendeu um filete de sangue escorrendo pelo nariz, graças ao soco que recebera.
Sentir aquele homem investir contra mim com força machucava de uma forma que eu nunca imaginei que, algo que antes me trazia sensações maravilhosas, pudesse fazer. Eu já não tinha mais lágrimas para expelir e meu corpo reclamava do esforço que eu fazia em baixo do corpo daquele abutre. Eu estava na porra do apocalipse sendo estuprada!
Ele investiu várias vezes até se esvaziar dentro de mim e eu poder sentir a sensação de sujeira se alastrando pelo meu organismo... É agora que ele me mata, certo?
No momento em que ele saiu de mim, ainda me machucando, eu rastejei para longe dele, podendo vê–lo sacar uma pistola no coldre. Eu estava preparada para isso, desejava a morte mais que qualquer outra coisa no momento. Eu apenas desejo que e fiquem bem. Ele se aproximou de mim ainda com a fivela do cinto pendendo próximo ao zíper da calça jeans desgastada. Pude ver seus olhos repletos de satisfação, após nosso "momento íntimo".
Passos tiraram a atenção do meu violador de mim, fazendo com que ele me desse uma brecha para escapar. Lentamente fui subindo meu short, com certa dificuldade já que eu me encontrava bastante dolorida, devido ao ato anterior. Após subir o zíper do pedaço de pano, que eu agora declarava inútil, eu me levantei lutando contra todas as minhas dores físicas e corri na direção oposta ao ser que havia desgraçado a minha existência. Após alguns passos e uns tiros, eu pude escutar gritos vindos do mesmo ser que eu abandonara e grunhidos altos. Rippers. Ótimo, eu fui estuprada e vou ser comida viva.
Eu amaldiçoava tudo o que eu achava possível existir, e acredite, agora eu não duvidava de mais nada. Tentava ainda correr um pouco para me afastar dos barulhos, mas de repente trombei com algo. Pronto, estava morta. Ainda em cima do corpo, esperava que a primeira mordida viesse. Esperei, mas não veio. Me afastei rapidamente do que estava sendo suporte para meu corpo e me levantei. Olhei para frente, onde pude enxergar fios platinados escapando pelas laterais de um gorro cinza. Olhei para seu rosto e fiquei nos traços fortes. De novo não. Por favor, não. Me afastei mais ainda, voltando em direção do que eu tentava me afastar.
– Ei, ei, ei, calma, nós temos que sair daqui – a voz um tanto rouca, mas doce disse. – Sou Justin. – . Você vai me machucar? – observei seus movimentos cautelosamente.
– Não. Temos que sair daqui, ok?
Esperei algum tipo de mentira na frase dele, mas não encontrei. Percebi que o rapaz que eu descobri a pouco que se chamava Justin, olhava para trás de mim a todo momento. Ouvimos os grunhidos ficando mais alto e começamos a andar na direção que eu seguia antes. Eu ainda sentia muitas dores, então ele pegou na minha mão me incentivando a continuar. Eu me forcei a continuar o trajeto, estava difícil admito, mas eu precisava continuar.
– Vamos, precisamos nos esconder – Justin disse.
– Eu não aguento mais – declarei.
– Só mais um pouco.
Andamos por mais incontáveis minutos, até que nos escondemos atrás de grande pedra. Justin tirou uma garrafa com água do bolso externo da mochila que usava, bebeu um pouco e depois estendeu a mesma em minha direção, direcionei meu olhar para o rosto do mesmo que me encarava e fiz um gesto negando com a cabeça.
– Bebê, você precisa beber.
– Eu não quero, Justin, sério.
– Mas precisa. Só um gole.
Olhei para a garrafa em suas mãos, peguei–a e levei o objeto até minha boca derramando o líquido e sentindo–a aliviar algo que eu nem sabia sentir até o momento. Depois de uns dois goles, entreguei a garrafa ao dono e me sentei ao seu lado apoiando a cabeça nas minhas mãos que agora estavam apoiadas nas minhas coxas.
– Obrigada – disse sem olhá–lo.
– Não há de quê. Mas, me diga, o que estava fazendo aqui sozinha?
– Eu estava andando quando aquele homem me achou e... – deixei a frase no ar, já sentindo meus olhos arderem.
– Eu sinto muito – ele disse, ao perceber que eu não continuaria a falar sobre aquilo.

’s POV

Não estava seguro se ela ter saído no meio da tarde era uma boa ideia. E o que era uma boa ideia hoje em dia?
Percebi que eu não era o único das duas que ainda sofria ou se pegava lembrando do passado e de entes queridos. folheava uma revista a qual eu não sei de onde ela tirou.
– Já faz bastante tempo que ela saiu, não acha? – perguntei olhando pela janela.
– Eu estava pensando o mesmo – declarou.
– Será que devemos ir atrás dela?
– Eu não sei. É a , sabe? Ela sempre sai quando pensa nele.
– Se em uma hora ela não aparecer vamos atrás dela, tudo bem?
– Tudo – ela sorriu e voltou sua atenção para as folhas de uma edição da VOGUE.


Capítulo 6

O fato de estar na floresta e já ser praticamente noite me incomodava de uma forma que eu não conseguiria responder se fosse questionado sobre tal. Já devia fazer mais de trinta minutos que e eu viemos procurá–la e até agora nada. A única coisa que encontramos até aqui foi os restos de alguém, que nós vimos não ser ela. Começamos a andar à sul daquilo e nada, apenas a escuridão que se criava dentre as árvores e continuava a me intrigar. Ela devia ter me escutado. Caramba, eu sei que ela já passou por muitas merdas e desde então vêm usando um "tempo livre" como uma válvula de escape. Mas, porra, olha a merda que estamos vivendo para ela simplesmente sair e não se importar em como a ou eu nos sentiríamos e, merda, já eram quase cinco da tarde quando ela decidiu sair, e o pior não é nem isso; se ela tivesse ficado na estrada seria mais fácil de achá–la na nossa atual situação, mas ela nem pareceu hesitar na hora de entrar na mata fechada. Não fazíamos ideia se algo tinha acontecido, onde ela estava ou qualquer coisa. Nada. Estávamos iguais a duas baratas tontas andando em círculos. caminhava ao meu lado e eu já podia ver de relance as lágrimas que estavam se formando em seus olhos.
, você tem certeza de que não quer voltar para o carro? Eu continuo aqui. – disse e olhei para a morena que sentara em um tronco.
, eu não posso deixá–la. Eu simplesmente não posso voltar sem vê–la, sem saber se ela está bem ou onde ela está. – suspirou. – Você não faz ideia do que aquela garota já fez por mim. É muito mais do que eu já fiz por ela ou qualquer um. Então, eu não saio daqui até nós a encontrarmos.
– Tudo bem. Vamos por aquele lado então, certo? – apontei para direção contrária à nossa e a vi concordar e limpar as lágrimas que escorreram.
Me aproximei dela e peguei em sua mão, ela sorriu e apertou a minha em um agradecimento silencioso. Voltamos a caminhar, agora na direção oposta à que estávamos e logo pude escutar um leve farfalhar de folhas.
, espera – coloquei meu braço esquerdo na frente do tronco dela, impedindo que ela continuasse.
– Que foi? – tirou seu olhar do caminho e o direcionou à mim esperando alguma resposta.
– Eu escutei algo – disse, focado no silêncio que se instalara na esperança de escutar algo novamente.
Ela parou e ficou ao meu lado, sacando sua arma. O barulho ia ficando cada vez mais distante e a tensão que havia se instalado nos meus músculos ia se dissipando. Por Deus! Eu odeio ter que passar por isso, é frustrante. Eu nunca sei se o que vem é apenas um ripper ou uma horda deles. Nunca estou preparado, não importa quantos eu mate. sorriu e voltou a se distanciar, eu ainda fiquei parado até retomar meus passos. Quantos mais andávamos, mais escuro ia ficando e eu tinha certeza que teríamos de passar a noite na floresta. Merda, custava ter me escutado, ?
– Será que ela está viva ainda? – perguntei. parou de andar e virou em minha direção.
– Eu tenho certeza que sim. Ela não iria morrer aqui, não agora. Pode parecer que não, mas aquela garota é dura na queda.
Respirei fundo e voltei a caminhar. Logo, já estava à frente de e novamente pude escutar um barulho vindo de alguns metros à frente. Peguei minha pistola e comecei a andar mais rápido. fez o mesmo e, logo, já corríamos até o local onde o som provinha. Mesmo estando afastado, pude ver duas massas corporais se moverem com agilidade, mesmo uma delas estando com uma certa dificuldade para andar. Eles param de andar quando eu pisei em um galho e o mesmo se quebrou causando um estalo.
– Espera... – um deles disse. – Você escutou isso?
– Justin, eu não aguento mais... – a outra voz que eu reconheci imediatamente disse.
? – disse e passou na minha frente.
? é você?
a abraçou e logo um leve soluço pôde ser escutado após ter escapado dos lábios de . Que logo já chorava copiosamente no colo de .
– Ei, ei, ei. O que aconteceu? Respira e me conta, tudo bem? – A morena disse. – Ele... Ele... , eu nã–não queri–ia. Mas, ele era mais forte e...
Fechei meus olhos, já tendo uma conclusão do que havia acontecido. Ela havia sido estuprada e não havia ninguém pra ajudá–la. Que merda. Droga, eu devia tê–la feito ficar, devia ter vindo atrás dela. Olhei para o lado e vi que quem estava com ela ainda não havia dito nada. Me aproximei e parei ao lado dele, mas com a mão no cabo da arma.
– Como você a encontrou? – perguntei.
– Ela estava correndo e acabou caindo em cima de mim. Havia mortos vindo e, como ela está machucada, eu a ajudei. – ele disse e eu jurei já ter ouvido aquela voz em algum lugar.
– Há quanto tempo?
– Faz umas duas horas.
– Como escaparam dos mortos? – indaguei.
– Nos escondemos atrás de uma rocha grande e esperamos eles passarem.
– Entendi...– concluí.
– A propósito, sou Justin – estendeu a mão em minha direção.
– peguei a mão dele e ele a balançou para cima e para baixo.
– Oh – ele deu uma breve risada. – Acreditari... – escutei a voz de me chamar.
– Sim? – me aproximei dela, que segurou a minha mão direita.
– Eu acho que você vai gostar de conhecer o Justin... – ela sorriu. – Vem aqui, Bieber. Eu senti minha garganta fechar. Não seria possível. Qual a chance de isso acontecer? Faz oito meses! Oito meses que eu perdi todos do meu pequeno grupo. As chances do meu melhor amigo estar vivo eram de 0,1 em um milhão. Apenas encarei o garoto que se aproximava e senti meus olhos lacrimejarem. No segundo seguinte, eu estava abraçado com Justin. E eu realmente não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Eu temia que fosse acordar a algum momento sozinho em algum lugar.
? O maior trouxa desse apocalipse? Sério mesmo? – ele disse dando algumas risadas.
– Seu viado, eu achei que nunca mais ia te ver. Como você sobreviveu esse tempo todo? Ainda tem medo do escuro? – disse, enquanto desfazia o abraço.
– Dá pra ver que vocês são o tipo de casal perfeito. – disse e pudemos escutar uma risada nasalada de .
– É o apocalipse , a gente se vira como dá. – Afirmei.
– Sou – ela estendeu a mão para meu amigo.
– Justin – ele disse e ajudou–a a levantar, trazendo consigo.
, logo, veio em minha direção e se aninhou nos meus braços.
– Eu senti tanto medo, ... Foi tão doloroso – ela voltara a chorar.
– Eu estou aqui, calma... Vai ficar tudo bem, ok?
Ela soluçou e me abraçou com um pouco mais de força.
– Nós vamos voltar pro carro? – questionou.
– Eu não quero passar nem mais um minuto nessa floresta – a garota abraçada a mim disse.
– Vamos voltar, então. – declarei.
Começamos a trilhar o caminho de volta a rodovia, fazendo o máximo de silêncio possível. Alguns minutos depois e alguns rippers mortos, estávamos de volta à rodovia. Chegamos ao carro e pudemos relaxar, finalmente.


Continua...

Nota da autora: (21/07/17) Olá, queridas leitoras! Bom, espero que tenham gostado deste capítulo e de todos os outros, haha! Enfim, eu não sei bem o que vocês vão achar disso, mas o que aconteceu vai dar um rumo totalmente novo para WT e eu não sei se todas vão gostar. Bom, espero realmente que gostem e deixem suas opiniões abaixo. Um beijo e até o próximo capítulo.



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