Urgency

Autora:Lívia Dourado | Beta: Lu Guimarães

Capítulos:
| Capítulo 1 | Capítulo 2 | Capítulo 3| Capítulo 4| Capítulo 5|

Capítulo 1

Não sei ao certo o que as pessoas fazem no dia dos namorados, eu sempre terminei os meus relacionamentos antes dessa data acontecer. Motivo? Eu me pergunto até hoje porque terminei com o John (o último), ele era completamente fofinho e me mandava chocolate todos os dias depois da faculdade. Isso é porque eu estudo em frente à lojinha que ele trabalhava e ele sempre me via saindo, então mandava o entregador me levar um bombom diferente todos os dias. Eu recebia, o olhava sorrir pelo vidro e ia para casa pensando em qual ele me daria no dia seguinte. Até o dia em que ele parou de me mandar chocolate e pediu para termos uma conversa: “, vamos terminar, não sinto que você tem a mesma quantidade de carinho que tenho por você”. Fiquei com dó dele, realmente era verdade, depois de tantos namorados eu não conseguia me apaixonar do mesmo jeito.

Por que estou dizendo que não sei o que as pessoas fazem no dia dos namorados? Porque a minha linda amiga me chamou para uma social de dia dos namorados com uns amigos de turma dela. Mas o que vai acontecer? Pessoas bebendo muito por que não tem namorado? Ou entrega de bombons secreto? Ta, é social, sem chance da segunda opção acontecer.

- . – Peguei o rosto da minha amiga nas mãos. – Não tem chance disso acontecer, fofa!

- Credo, .– Ela fez bico e eu senti uma pontada de dó. – Você é um monstro!

- E você é doida. – Dei língua pra ela. – Eu não vou fazer isso.

- O que tem? – Ela me perguntou dando um sorrisinho. – Carter vai ser o cara mais feliz por perder a virgindade com você e você vai estar fazendo uma boa ação.

- , eu já disse não! – Saí do quarto em direção ao banheiro com ela me seguindo. Carter era uma garoto extremamente legal, mas não é do meu feitio fazer tais coisas. – Não sei porque você e seus amigos doidões apostaram isso. Já pode dar sua grana pra eles, bebê.

- Só porque tava aguardando pra te comprar um presente legal. – Ela fez um charminho e eu a dei um pedala, eu realmente não iria fazer aquilo.

- Vamos logo, sua vaca. – Dei um tapa em seu bumbum e saí do banheiro após terminar de passar uma maquiagem leve.

Chamamos um táxi e fomos direto para a casa em que rolaria a festa. Pagamos o taxista agradecendo-o e entramos na casa que estava com uma movimentação dentro e fora da casa e o portão aberto. Fomos direto falar com o dono da festa e vi de canto comentar com seus amigos algo como “não vai rolar”. Devia estar se referindo ao Carter e aquela aposta que fizeram.

- Ei, ! – resolveu me chamar para a sua rodinha enquanto eu pegava uma latinha de cerveja. – Vem aqui e me traz uma cerveja também! – Caminhei até onde ela estava e a entreguei a cerveja cumprimentando o restante dos amigos dela. – Obrigada, amiga.

- Cara, eles estão brigando! – Ouvi um garoto gritar ao lado da porta de saída da casa e todos correram para ver o que estava acontecendo. Eram dois garotos se atracando na grama rolando de lado pro outro.

- , ai meu Deus! – colocou a mão na cabeça. – É um dos meus amigos, , preciso ajudar!

- Calma, , temos que chamar alguém para tentar separar. – Os idiotas ao redor estavam apenas apostando quem ia ganhar a briga e gritando. Cutuquei um garoto ao meu lado e pedi para ele parar de brigar pois eles iam acabar se machucando. Então o garoto me olhou de cima a baixo e acabou consentindo após me dar um olhar “gostei do que vi”. O tal garoto era loiro e tinha cara de surfista. Ele foi mais próximo dos que brigavam e conseguiu os separar.

-, pode ficar aqui um pouco? – Segurou o meu braço e fez uma carinha pidona. – Desculpa por isso, é que preciso socorrer e conversar com ele.

- Tá tudo bem. – Sorri cordialmente. Mas, na verdade, não estava tudo bem. Já estava um saco ficar ali por lembrar daquela bendita aposta, agora tenho que ficar ali sozinha. – Pode ir. – Me afastei do tumulto entrando na casa novamente agora quase vazia e observei ir com o garoto briguento para os fundos da casa. Me sentei no sofá com a minha cerveja e dava alguns goles impacientes.

- Que porre. – Ouvi alguma voz próxima a mim e virei o pescoço com uma cara de dúvida vendo um garoto sentar no mesmo sofá que eu. Apenas reparei no cabelo incrivelmente lindo e amassado que ele tinha. Dei um riso abafado ao ver que suas calças estavam molhadas, então ele se virou. – Isso é cerveja. – Fez uma careta apontando para a calça.

- Desculpa. – Arregalei os olhos ao ouvir ele dizer isso, como ele sabia que eu tinha dado risada da calça dele? – Mas como você sabe que eu estava rindo disso?

- É porque todos daquele corredor em que eu passei também encararam minhas calças. – Ele apontou com a cabeça para o corredor ao nosso lado.

- Acho que tá um pouco perceptível, né? – Dei outro riso olhando para sua calça molhada novamente.

- É. – Ele simplesmente respondeu tentando limpar a calça. – Só não é mais perceptível do que você aqui sozinha

- Ah! – Bebi um gole da minha cerveja. – É porque minha amiga foi atrás de um amigo dela briguento e eu também não queria vir, ou seja, está mais saco que já estava. É, não da pra curtir dia dos namorados quanto não se tem um. – Fiz careta e ele sorriu.

- Então somos dois solteirões fodidos. – Ele fez careta e ficou batendo os dedos no sofá.

- Ei, ! Art chegou, vem! – Uma garota morena de cabelos curtos apareceu na porta com um capacete na mão chamando ao que parece o garoto ao meu lado, pois ele olhou e se levantou logo em seguida.

- É, agora sou apenas uma solteirona fodida. – Fiz careta e ele sorriu como tinha feito antes.

- Toma. – O olhei arqueando as sombrancelhas após ele tirar o celular do bolso. – Anota o telefone. – Ele estendeu a mão e eu peguei o objeto das suas mãos anotando rapidamente meu número. – Te ligo caso quiser curtir outra festa porre.

- Então acho que não vou aceitar o convite. – Me assustei com o que ele tinha dito e me senti burra de ter dado essa resposta. Eu só poderia ser burra de dispensar um cara desse. Mas não acho que ligaria MESMO!

- TÁ bom. – Torceu o pescoço em concordância e saiu andando para fora da casa após outro grito da garota morena de capacete. – Não sou insistente! – Gritou rindo e saiu da casa. Fiquei indignada com a ironia dele, afinal só sabia uma coisa a respeito dele: seu nome.

- Finalmente te achei! – apareceu atrás de mim subitamente e deu um abraço apertado. – Desculpa por te largar, sei que você não queria vir e que eu te deixei aqui mas prometo que te dou uma recompensa.

- Bom mesmo, senhorita! – Fiz cara de brava e ela sorriu me dando outro abraço – Mas até que não foi tão ruim. Conheci um garoto meio aleatório que fez eu anotar meu número no celular dele.

- Sua cabeçuda, por que não agarrou logo? – Ela deu um tapa em minha perna me soltando de seu abraço. – Melhor do que ficar esquentando o sofá com o seu bumbum.

- Talvez não seja bom arriscar. Vai que eu me apaixono e ele também. – Fiz careta e ela entendeu a referência. Eu não precisava de mais namorados. – Seria mais um namorado pra lista e agora estou curtindo a marotagem!

- Só fala abobrinha. – Deu um tapa na minha cabeça e se levantou. – Vem, vamos terminar nossa noite se divertindo. – me puxou para fora da casa novamente onde todos estavam bebendo mais do que anteriormente e pulando na piscina. Ela me jogou dentro da mesma e pulou atrás de mim. Minha amiga não precisava nem estar bêbada para ser doidinha igual era.

Voltamos para casa quase 4 horas da manhã e estávamos completamente bêbadas e molhadas. Não lembro o caminho completo que fizemos até o apartamento em que morávamos juntas. Apenas lembro de tomarmos banho e cairmos na cama. Mas antes de dormir senti meu celular vibrar, então o peguei com um pouco de dificuldade para focar no objeto e vi que tinha uma mensagem:

“Salva meu número. Não sou insistente mas talvez você seja.

Ri comigo mesma ao olhar para o visor e bloqueei o celular. Quem ele achava que era para pensar que eu manteria contato? Idiota.

Capítulo 2

Bom dia, Londres. Segunda de manhã parece ser um dia cheio para todos, afinal é o fim decisivo do final de semana e o começo de outra semana. Mas segunda de manhã para mim é amável pelo fato da minha primeira aula ser com o melhor professor do meu curso e também por eu poder pegar carona com a , já que nas segundas e quartas as aulas dela são no mesmo horário que as minhas. Desde que começamos a morar juntas senti um alívio em pegar carona com ela e economizar o dinheiro que eu gastava com transporte. E isso vem acontecendo há um ano.

- Bom dia, querida. - me entregou uma xícara de leite com chocolate que eu bebia todos os dias de manhã. – Acordando no pique como sempre?

- Dãaaa. – Fiz um L na testa indicando “loser” para ela, que em seguida me jogou uma almofada. – Ô, idiota, não vou pegar isso aqui não. – Apontei com o indicador para o chão e ela mandou língua. – Se você se comportar assim não te conto de quem recebi SMS nessa madrugada.

- Ah, você conta sim. – Ela veio até mim me puxando para o sofá e me fazendo sentar. – Deixa eu chutar: o gatinho da festa?

- Sim, aquele mesmo. – Sorri maliciosa e me levantei novamente pegando minha bolsa. – Mas sem chance de eu responder.

- Vai deixar o gatinho ir beber leite em outro lugar mesmo? – Dei dedo do meio para ela que gargalhou em seguida.

- Se ele quiser, ele que venha buscar. – Pisquei para ela que me devolveu um “uuuui” – Agora vamos, não quero perder a melhor aula da história.

e eu descemos as escadarias do prédio tagarelando sobre o carinha da festa e permanecemos assim o caminho todo. Por sorte ele era pequeno e pude ouvir por pouco tempo que eu era burra por ter ignorado o carinha, que agora eu já sabia o nome e ela também depois de eu contar, então ela vivia repetindo. Chegamos dez minutos antes de começarem nossas aulas e nos separamos ao chegarmos no prédio pois o meu bloco e o da são separados.

- Ei, ! - Ouvi a voz de Luke ecoar e logo ele já estava ao meu lado. – O que vai fazer sexta-feira?

- Ermm, acho que nada. – Sorri fraco para Luke que logo me olhou pretencioso. – Por que?

- Vai ter uma festa de aniversário da minha prima e eu tava pensando se você não poderia me acompanhar. – Luke fez cara de cachorro que caiu da mudança e juntou as mãos em forma de pedido. Ele tinha terminado de Lucy há menos de um mês porque ela o tinha traído e desde então não saiu da fossa. – É aquelas festas de 15 anos e preciso de uma acompanhante... E você sabe que é minha melhor amiga, não sabe?

- Falando desse jeito eu vou. – Sorri para ele que me deu um super abraço e um beijo na bochecha. Luke era meu melhor amigo desde que iniciei meu curso e também era minha sala então ficamos muito próximos. Desde que terminou de Lucy venho tentando ajudá-lo a superar, e essa seria outra oportunidade.

- Então combinado. – Sorriu e eu assenti. Seguimos para a aula e eu pensava na sorte que tinha de ter uma amiga que possuía uma variedade de vestidos em seu guarda roupa, assim eu poderia emprestar todos.

Foram oito horas cansativas de estudo até irmos para casa. No caminho e eu passamos pra pegar comida pronta já que não estávamos nem um pouco a fim de cozinhar. Pegamos lasanha e salada e seguimos adiante até o prédio.

- Amiga, preciso de um dos seus vestidos maravilhosos pra usar sexta-feira. – Sorri e fui abrindo a fechadura do nosso apartamento.

- Humm, pra onde a senhorita vai? - sorriu maliciosa e eu gargalhei.

- Idiota. – Dei um pedala em sua testa e fui colocando os talheres na mesa. – Só vou ser a mera acompanhante do Luke na festa de 15 anos de uma prima dele.

- Luke ainda tá tentando superar? - falou se sentando na cadeira e servindo sua comida.

- É, você sabe, Lucy foi importante pra ele. – Torci o pescoço e dei uma garfada na comida. Normalmente não como muito na faculdade então chego em casa bem esfomeada – Até mesmo porque foi sua primeira namorada.

- Não sei como ela teve coragem de fazer aquilo com ele, se eu namorasse aquele gostoso nunca o largaria. - piscou engraçado para mim e eu ri quase me engasgando com a comida. – Vai com calma aí, tigresa.

- Você ainda vai me fazer morrer sufocada. – Taquei um pano de prato nela que gargalhou e continuou sua refeição.

Lavei a louça do almoço e teve que ir para o trabalho. Ela trabalhava em um escritório e eu era a decepção dos meus pais porque nunca consegui arrumar algo que realmente gostasse, então eles tinham que me sustentar. Como eu era filha única eles só tinham gastos comigo, o que me ajudava a permanecer nessa vida de apenas ser estudante.

Eu passava os dias estudando e vendo Netflix no tempo que me restava até chegar em casa e roubar o controle para colocar seus programas favoritos e eu nunca assistia com ela porque temos gostos muito diferentes, então sempre que ela chegava eu já me preparava para abrir meus livros novamente e ler até cair no sono.

- É hoje sua festa de gala? – A semana havia passado rápido e sexta era o dia da festa com Luke, então daqui algumas horas eu estaria cercada de adolescentes e de amigos velhos dos pais da prima de Luke. – Preciso montar o seu look.

- Por isso eu te amo. – Dei um beijo na bochecha de e me sentei no sofá, chegar em casa depois da faculdade é uma derrota já que era sexta e eu tinha que vir de transporte coletivo para casa. – Mas vai ter pouco tempo para montar, Luke disse que passava às oito e você chega às sete.

- Nossa, , você vai precisar se arrumar num tempo recorde. - levou as mãos a boca e eu ri. – Mas não esquenta, acho que hoje chego mais cedo, meu chefinho está de viagem, posso dar uma escapada.

- Malandra. – Pisquei para ela que sorriu e deu uma última olhada no espelho. - , vai se atrasar se continuar olhando seu visual.

- Ahhh, odeio ter que ser pontual! - bufou e pegou sua bolsa seguindo para a porta. – Não quebra a casa enquanto eu estiver fora. – Ela riu e mandou beijinho no ar fechando a porta.

Passei meu dia focada nos estudos até dar a hora de me arrumar. Estava um pouco ansiosa por acompanhar Luke, a família dele era muito bem de dinheiro, digamos, então eu queria estar apresentável para acompanhá-lo, já que ele era um super cavalheiro. Até hoje me pergunto como sua namorada foi traí-lo, ele não tem defeito nenhum.

Esperei chegar do trabalho para decidir com qual vestido eu iria. Sim, ela decidia minhas roupas e eu concordava com tudo que ela dizia, eu não era muito vaidosa e ela era totalmente o oposto.

- Chegueeeeeeeeeei, honey! - abriu a porta do apartamento jogando sua bolsa na mesinha que ficava ao lado da porta e veio em direção à mim me dando um beijo. – Vamos ver sua roupa, Cinderela.

- Vamos, consultora pessoal. – Sorri e joguei o braço em volta dela indo em direção ao seu quarto e abrindo seu guarda roupa enorme que ocupava uma das paredes toda.

- Fecha os olhinhos. – A obedeci e permaneci assim até ela dar outra ordem. – Agora pode abrir. – Abri os olhos e me deparei com um vestido preto cheio de brilho e coladinho.

- Esse eu nunca vi! – Peguei ele na mão e segui para o meu quarto, troquei a roupa e em seguida me puxou para o banheiro me enchendo de maquiagem e arrumando meu cabelo. – Já te disse que você é a melhor de todas?

- Eu sei. - piscou e sorriu e eu sorri em seguida. – Pronto, está uma tigresa! – Me olhei no espelho e me senti muito bem, meu cabelo estava preso em um coque arrumadinho com dois fios soltos na frente. Dei um beijo na bochecha da minha amiga e segui para o quarto calçando uma sandália um pouco alta e colocando uma pulseira brilhosa que tinha ganhado da minha mãe no meu aniversário de quinze anos.

- Luke disse para eu esperar lá embaixo. – Dei uma olhada na hora do visor do meu celular e segui para a porta da sala. – Acho que já está na hora.

- Boa festa, amiga. Arrasa! - deu um tapa na própria bunda e eu gargalhei trancando a porta e descendo a escadaria.

Fiquei em pé na porta do prédio esperando Luke chegar para me pegar. Ele estava vinte minutos atrasado e eu pressionava meus braços cruzados de cinco em cinco minutos com o vento que batia em mim. Era uma noite gelada.

Avistei um carro se aproximando e parando na calçada. Vi que era Luke e segui para o carro abrindo a porta e entrando.

- Demorou, heim, atrasadinho. – Baguncei seu cabelo e fechei a porta do carro.

- Desculpa, , tive que buscar as bebidas da festa de última hora. – Sorriu manobrando o carro e eu dei um beijo em sua bochecha deixando um pouquinho de batom em seu rosto.

- Acho que te marquei. – Limpei sua bochecha e sorri. – Assim vão pensar que você é um garanhão.

- Mas eu sou! – Gargalhei e ele apertou minha bochecha. Seguimos fazendo piadinha até a casa dos tios de Luke, lugar onde a festa aconteceria. A casa era enorme e eu fiquei admirando a quantidade de brilho que tinha na mesma. Luke me olhou sorrindo pela minha expressão indignada e eu permaneci prestando atenção nos detalhes que encontrava pelo caminho em que Luke fazia até o lugar de parar o carro. – Pronto, lady, pode descer.

- Acho que me sinto um nada perto disso aqui. – Desci do carro e olhei ao redor, era uma casa muito linda.

- Tá bom, admirada. Vamos entrar. – Luke foi na frente e eu o segui até ele parar para falar com a sua mãe. – Mãe, cadê a Ellie?

- Está com uns amigos, eu acho. – A mãe de Luke sorriu para mim e deu um beijo na bochecha de seu filho.

- Tudo bem, acho que vou encontrá-la e dar parabéns. – Luke continuou andando e cumprimentando algumas pessoas que eu não conhecia até ver uma menina de vestido rosa com uma calda um pouco grande e uma coroa na cabeça. – Ei, baixinha! – A menina se virou e deu língua para Luke que sorriu e seguiu em sua direção. – Quinze anos, heim! Quase uma adulta. – Luke a abraçou e beijou seu rosto.

- Idiota. – A menina sorriu e retribuiu o abraço me olhando por trás de seus ombros com uma carinha fofa.

- Quero te apresentar minha melhor amiga. – Luke largou a garota me puxando para perto. – Essa aqui é a . - Sorri para a garota e a abracei.

- Oi, Ellie, Luke me falou muito sobre você. – A garota sorriu atenciosa e logo em seguida foi chamada por uma voz distante. – Bom, pode ir lá. Parabéns pra você!

- É um prazer, , obrigada! – A menina sorriu para mim e em seguida para Luke e saiu em direção à uma mulher magra que falou algo em seu ouvido e em seguida a arrumou numa posição tirando uma foto sua.

- Bom, acho que agora temos que procurar uma mesa, meus pés estão me matando. – Eu disse para Luke e ele gargalhou indo em direção à parte de fora da casa onde estava montado um palco e vários convidados em suas mesas. Procuramos uma para sentar e achamos no canto do palco. Tirei meus sapatos alguns minutos massageando meus pés e os coloquei de volta. – Quem vai tocar hoje?

- Uma banda que a Ellie gosta, minha tia os contratou como um presente pra ela. – Luke sorriu e eu assenti. – Vamos comer?

- Vamos, tô morrendo de fome. – É, eu realmente estava. Não comia desde o almoço e não consigo ficar muito tempo sem comer, fico de mau humor. Seguimos para uma mesa gigante de comidas e nos servimos. – Luke, me convide sempre para as festas da sua família! – Luke sorriu e balançou a cabeça em forma de negação voltando para a mesa em que estávamos sentados. – Quando vão cantar os parabéns pra eu atacar aquele bolão? – Olhei para uma mesa central em que se encontrava um bolo de três andares e almejei comer ele todo.

- Acho que não vai demorar muito. – Luke sorriu e começou a comer sua comida. – Não imaginava que você comia tanto!

- Só às vezes. – Dei de ombros e comecei a comer também.

Alguns minutos depois uma senhora chamou todos para cantar parabéns e partir o bolo porque a banda estava chegando e tinha hora marcada. Observei a felicidade no rosto de Ellie e me lembrei da minha quando fiz quinze anos e minha mãe me levou num parque aquático com todos os meus amigos. Naquele dia eu só me preocupei com o tempo que ficaria lá.

Cantamos os parabéns e todos ficaram na frente do palco esperando a banda começar a tocar, então eu e Luke voltamos para a mesa no canto do palco, onde tinha menos tumulto. Quatro garotos entraram no palco e eu não acreditei no que vi, era o carinha da festa, ele estava lá em cima, fiquei boquiaberta e observei eles se apresentarem: “Boa noite, aqui é o McFly e queremos dedicar essa para a Ellie!”. Eles começaram a tocar uma música animadinha a qual eu não conhecia e em seguida senti o olhar de pra mim. Ele juntou as sobrancelhas fazendo uma cara de dúvida e surpresa e permaneceu me olhando até a música acabar.

- Luke, quem são eles? – Puxei o braço de Luke que agora já estava em pé se balançando e ele se virou para mim.

- Pelo que ouvi, o McFly. – Deu um pedala em mim que devolvi com um tapinha. – Ai! Não sei, a Ellie gosta deles e minha tia gastou uma grana, eles devem ser um pouco famosos. – Assenti e voltei o olhar para o palco ainda admirada com o que estava vendo. Eles continuaram tocando algumas músicas e até chamaram Ellie para subir no palco uma vez. O show acabou depois de uma hora e meia e eu tinha que falar com - , vou comprar mais bebida que acabou e já volto. – Assenti com a cabeça e vi Luke sair pela porta me deixando na mesa em que estávamos antes. Me sentei e peguei meu celular da minha bolsinha para olhar a hora.

- Não sabia que frequentava festas infantis. – Ouvi uma voz e me virei. Era . Ele se sentou ao meu lado e eu não pude deixar de observar o quanto estava bonito. – E também não sabia que usava celular. – Apontou com a cabeça para o objeto na minha mão.

- Eu também não sou insistente. – Sorri sem mostrar os dentes e lembrei da mensagem que tinha me mandado. – E eu não sabia que você era um astro.

- Ah, a banda. – Ele sorriu arrumando a gravata. – Não é muita coisa, estamos sendo divulgados, mas ainda não somos a maior do mundo.

- Mas já é amado por adolescentes, você deveria ter me informado que eu tava lidando com um ídolo. – Ele gargalhou e eu revirei os olhos.

- Não um ídolo seu. – Ele juntou as sobrancelhas e que pontada no peito aqueles olhos. – E por que você tá sempre sozinha?

- Porque sempre me largam. – Revirei os olhos novamente e ele sorriu. – Vim com o primo da aniversariante e ele me deixou aqui para comprar a bebida da festa que acabou.

- Ei, ! – Observei um garoto vir para onde estávamos e arregalei os olhos. – Essa é a gatinha de quem você falou? – Beijou minha mão subitamente e eu ri com a cena .

- , esse é o - sorriu e deu um pedala no outro garoto que devolveu um murro em seu braço e sorriu para mim.

- É, também vi ele no palco. – Sorri para ele. Estava me sentindo estranha de estar ao lado de dois ídolos tens. Mesmo não sendo os mais famosos do mundo, ainda assim eram famosos.

- , cuidado com o papo desse meu amigo aqui. - bateu nas costas do amigo e sorriu. – Ele é conquistador barato!

- Obrigado pelo alerta, já tava com medo de cair nas garras dele. - gargalhou e eu sorri em seguida. A gargalhada dele era contagiante, eu não podia negar.

- Acho que só restou a gente aqui. - disse olhando ao redor e em seguida fiz o mesmo. A casa estava quase vazia, agora só tinha os amigos adolescentes de Ellie na parte de fora. – Vamos, , os caras já estão indo.

- É, temos que ir, senão daqui a pouco não saímos mais daqui. - se levantou e olhou para mim em seguida. Seus olhos eram hipnotizantes. – Vai ficar aqui ao relento?

- Meu amigo disse que já voltava. – Sorri com uma expressão meio preocupada. – Mas até agora não chegou.

- Vem, te dou carona. - estendeu a mão e sorriu. MEU DEUS, COMO REJEITAR AGORA? – A gente tá de van, cabe você.

- Ah, não sei, não quero incomodar. – Sorri e ele puxou a minha mão. – Não te dei essa liberdade toda!

- Mas eu sim. – Sorriu e recebeu um tapa meu que logo em seguida acariciei seu braço depois de receber um olhar de dó. – Tá vendo, aqui está sua liberdade! – Dei língua para ele que gargalhou e fomos em direção ao automóvel. Mandei uma mensagem para Luke explicando que tava indo embora e guardei o celular na minha bolsa. Me acomodei do seu lado e do lado de na van e dei oi para os outros dois integrantes da banda.

- O que você vai fazer amanhã, gatinha? - sorriu e piscou para mim que sorri de volta. Ele estava um pouco bêbado.

- Ermm, acho que nada. - observava a nossa conversa calado.

- Que tal assistir à um ensaio nosso? não tem muita iniciativa. - olhou para o amigo e os que estavam na frente fizeram um “uuuuh” ao ouvir a conversa.

- Vamos ver quem tem iniciativa depois. - olhou bravo para o amigo e eu sorria ouvindo a discussão. – Desculpa, , ele não sabe se comportar em público. – Me desapontei ao ouvir dizer isso, tinha gostado da ideia de ouvir eles tocarem, eles tinham um som bom.

- Tudo bem, gostei dele. – Sorri e senti um braço ao redor do meu pescoço. – Tá vendo? Isso é liberdade, mané! – Falei brincando e fazendo um sinal de mano com as mãos.

- Se eu fosse você, nem dava muita. - falou. Eu gargalhei com a cena. – Tudo bem, , pode ficar com ele.

- Ta bom. – Mandei um beijinho no ar para aquele par de olhos perfeitos que me encarava. Logo em seguida expliquei o caminho para o motorista e ele deixou um dos meninos em sua casa e em seguida parou na frente do meu prédio.

- Bom, meu ponto! – Sorri para os meninos e dei um abraço em cada um descendo da van.

- Acho melhor eu te acompanhar caso um estuprador queira te pegar. - sorriu eu assenti. Descemos da van juntos e ele subiu as escadarias comigo até o meu apartamento. – É aqui? – Assenti e ele colocou as mãos no bolso da calça. – Bom, está entregue.

- Obrigada, cavalheiro! – Sorri. Abri a porta do apartamento e ele ficou me observando – Que foi?

- Seu obrigado é muito sem graça. - fez cara de malicioso e eu corei – Te ligo amanhã pra vir te buscar.

- Me buscar? – Arqueei as sobrancelhas e ele ficou me encarando. – Ah, o ensaio?

- É, você disse que iria. – Ele arqueou as sombrancelhas e subiu um pouco as escadarias.

- Achei que estivesse brincando, e bom, você até pediu desculpas por ele, achei que não quisesse que eu fosse. – Sorri e ele balançou a cabeça em negação. Fiquei observando seus cabelos irem de um lado pro outro com o movimento.

- É que ele roubou a minha chance de te chamar para sair. – Piscou malicioso e eu corei novamente. Alguém diz pra ele que minhas pernas ficam bambas com esse tipo de cantada. – Então combinado, até amanhã... ?

- É, eu deixo você me chamar assim. – Sorri ainda com a mão pegando no trinco da porta e observando ele descer as escadas um pouco mais. – Até amanhã, - Ele sorriu e aos poucos fui deixando de ver ele. Fechei a porta e entrei rezando para que não tivesse ouvido nada porque com certeza iria me encher o saco com isso e eu estava cansada demais para contar.

Tirei a roupa e toda a maquiagem e me joguei na cama. Senti meu celular vibrar e era Luke avisando que foi bom eu aceitar a carona porque ele tinha acabado de chegar. Sorri e bloqueei o aparelho. Naquela noite dormiria pensando em .

Capítulo 3

- Alô? - Acordei sonolenta com dificuldade para abrir os olhos e reconheci a voz do outro lado da linha, era Jenn, uma amiga da faculdade. – Jenn?

- Sim, , liguei para avisar que já estamos aqui em frente à sua casa. – Droga, tinha me esquecido que tinha um projeto para apresentar e tinha que fazê-lo hoje com o grupo.

- Desculpa, Jenn, tinha me esquecido completamente e dormi até agora. – Sorri, desconcertada, mesmo que ela não pudesse ver. – Podem subir, só vou me trocar. – Então levantei da minha cama e me troquei rapidamente. Em seguida fui até a porta para atender o pessoal após ouvir barulho nas escadas.

- Ei, . - Diana, uma das três meninas me abraçou e foi entrando e se acomodando no sofá. Logo em seguida as outras duas meninas, Jenn e Claire, repetiram a ação.

- Oi, . - E esse era Andrew, as meninas falavam que ele tinha uma queda por mim e eu realmente podia sentir algo diferente entre nós.

Ele sorriu e me abraçou. Pude sentir o cheiro do perfume que ele usava, o mesmo que sempre sentia quando o abraçava. Então ele encerrou o abraço e entrou para o meu espaço. Fechei a porta rapidamente acordando do transe em que estava após cheirar Andrew e me dirigi até onde eles estavam. Me sentei junto deles e começamos a elaborar como iria ser o trabalho. Algumas vezes pude sentir o olhar de Andrew em mim mas não dei muita atenção e centrei no trabalho que tinha que fazer.

Conseguimos montar o projeto e revisaríamos no outro dia. Acabamos de montá-lo de noite e então quando as meninas se despediram de mim, Andrew disse que iria ao banheiro e não saiu de lá até todas elas irem embora.

- Achei que iria morar lá dentro. – O avistei saindo do banheiro e ele sorriu vindo até mim e parando na minha frente. – Sua carona já foi.

- É, eu sei. – Ele sorriu novamente. – Foi proposital esperar no banheiro, eu só queria ficar a sós com você e te dizer que está linda hoje.

- Andrew, eu tô de blusa de dormir e short jeans, o que tem de tão lindo nesse look básico casa? – Ele gargalhou e eu dei um soquinho no seu ombro.

- Só queria te dizer isso. – Ele se aproximou mais de mim, se é que tinha como e me deu um selinho demorado, no qual eu nem pude ao menos fechar os olhos tamanho o susto que levei. Então ele abriu os olhos e percebeu os meus um pouco arregalados. Desgrudou nossos lábios e me olhou desconcertado. – Acho que eu não devia ter feito isso, né?

- Na-não... – Corei e me afastei vagarosamente. – Não é isso, eu só não esperava... – Sorri, desconcertada e em seguida ouvi a campainha do apartamento. – Bom, vou atender. – Segui do meu quarto até a porta de entrada do apartamento e abri a porta me deparando com alguém parado em minha frente com as duas mãos no bolso. Era . – Ermmm, o ensaio... mil desculpas, sério, eu tive um trabalho e... – No meio da minha fala Andrew passa por mim se despedindo e eu coro quando percebo o olhar de para Andrew e depois para mim. – Ele é do meu grupo.

- Só vim te deixar uma coisa. - me entregou um objeto preto meio pequeno e eu peguei o observando alguns segundos. – Bom, tenho que ir.

- Tudo bem. – Sorri e ele se virou para descer a escadaria. – Não vai me dizer um tchau?

- Tchau, . - sorriu sem mostrar um dentes, dando um pequeno tchau no ar e desapareceu.

Entrei em casa um pouco chateada pelo tchau que ele tinha me dado. Mas espera, por que eu estava chateada? Nunca tinha acontecido nada entre a gente e eu quase nem conhecia ele. Talvez aquele beijo do Andrew tivesse me deixado confusa. Peguei o objeto que tinha me entregado e percebi que era um gravador. Dei play no objeto e pude começar a ouvir um som meio distante mas com o passar das músicas pude lembrar de algumas músicas que foram tocadas na festa da Ellie. Então esse era o ensaio que eu tinha perdido. E eles gravaram pra mim?

“Ei, , não vai ser perdoada por furar com a gente mas quis que você escutasse isso...”

E essa era a voz do . Após isso ouvi alguns barulhos estranhos e umas risadas e a gravação acabou. Sorri comigo mesma ao ouvir isso e segui para o meu quarto abrindo a porta central do guarda roupa, onde eu tinha uma caixinha em que guardava coisas especiais que recebia. Guardei o objeto lá dentro e segui para a sala ligando a TV. Como tinha ido dormir na casa de seus pais na noite anterior, porque passava alguns finais de semana com eles, estava sozinha para assistir o que quisesse e ela provavelmente voltaria no dia seguinte. Então continuei o resto do dia assistindo TV e preparando algumas besteiras para comer.

- Bom diaaaaaa, preguiçosa, é um lindo domingo! – Fui acordada por dando um grito no meu ouvido. E sim, já era domingo, dia anterior ao meu dia favorito da semana. – O que faz dormindo no sofá?

- Bom dia. – Abri os olhos com dificuldade e me levantei indo em direção ao meu quarto indo deitar na minha cama.

- Ahhhh nãooooo, !!! - veio gritando atrás de mim e eu apenas coloquei um travesseiro na cara. – É domingo, você precisa acordar!!!

- Só mais algumas horinhas, por favor? – Falei abafado pelo fato do travesseiro estar no meu rosto. – Juro que depois acordo e te dou toda a atenção possível.

- Tá bom. - deu alguns passos e fechou a porta. – Mas só mais algumas horinhas!! – gritou de longe e eu pude dormir, mas não dormi por muito tempo, só o suficiente para esquentar a cama. Então, já acordei indo diretamente para o lado de que estava fazendo comida e devo dizer que o cheiro estava ótimo.

- Você é uma ótima amiga. – A abracei por trás e ela virou o rosto, sorrindo. – Só, por favor, não demora muito que tô com muita fome!

- Você é uma draga*. - deu um grito ardido e eu gargalhei indo colocar as coisas na mesa. - Como foi seu dia ontem?

- Ah, nada demais. Andrew me beijou e , o carinha da festa que você sabe, veio aqui e me deixou um gravador, porque ele tem uma banda. – Sorri, cínica e ela ficou boquiaberta deixando a água que estava na panela borbulhar mais do que devia. – A água, !

- Quando foi que ficamos tão distantes? – Eu sorri e me sentei na cadeira atrás dela. – Aquele Andrew, eu sabia que tinha alguma coisa... Mas esse , eu não sabia!!! – Ela gritou novamente e eu gargalhei.

- E o que você ainda não sabe é que ele chegou quando Andrew saía. – Eu fiz um barulhinho com a boca e ela me olhou novamente.

- E o que tinha no gravador?

- O ensaio que a banda dele fez e eu furei com o convite... – Olhei para o chão meio chateada após lembrar do áudio e após lembrar que não fui.

- É, amiga, agora seus dois gatinhos vão beber leite em outro lugar. - gargalhou e eu bati em sua perna.

- O problema é que pareceu diferente depois do Andrew. – Lembrei da cara que ele tinha feito e do tchau sem graça que tinha me dado.

- Ele veio trazer o gravador pra você por algum motivo e um cara saiu do seu apartamento, é óbvio que ele iria ficar estranho. - me olhou com uma cara de “é óbvio” e eu sorri fraco me lembrando do gravador. Então fui em direção ao meu quarto e peguei meu celular o enviando uma mensagem:

“Ei, as músicas são ótimas, principalmente aquela em que diz sobre o coração nunca mentir.”

Algumas horas se passaram após a mensagem e deixei o celular no quarto, não iria ficar vigiando para ver que horas ele me responderia. Então, pela última vez, peguei o celular e desbloqueei. Tinha uma notificação dele:

“O nome dela é The Heart Never Lies, eu que compus.

E lá se ia o meu coração depois de disparar com a mensagem. O que estava acontecendo entre a gente para eu estar tão eufórica com qualquer coisa que envolvesse contato entre eu e ele? Agora eu não saberia responder.

*“Draga” é uma piada interna com a bf. Beijo, xuxu.

Capítulo 4

Três semanas se passaram desde que vi pela última vez quando ele veio ao apartamento. Até hoje eu não entendi o motivo pelo qual ele me trouxe aquele gravador, quer dizer, eu já era tão especial assim pra ele gravar o ensaio todo pra mim só por que não fui?

- Ei, gatinha, o que tem para comermos hoje? - me perguntou enquanto eu fazia a comida. Combinamos de um final de semana e outro nos revezarmos na cozinha e em alguns termos a mordomia de comer fora, mas não era hoje esse dia.

- Hoje temos macarronada no cardápio da acompanhada de muito refrigerante. - sorriu e ajudou a colocar a mesa para que pudéssemos comer logo.

- Como estão as coisas com os dois homens da sua vida? - perguntou e eu me virei colocando o macarrão no centro da mesa.

- Andrew tem tentado conversar comigo na faculdade e até me chamou pra sair alguma vez mas acho que não quero nada com ele. – Sorri cordialmente e me sentei colocando comida no meu prato e depois no de .

- Uma saída não é um pedido de casamento, ... - deu uma garfada na comida e depois nos serviu com refrigerante.

- Eu sei, . Só não quero dar expectativas que eu não posso corresponder agora. - Inclinei a cabeça e ela balançou a cabeça em forma de compreensão.

Então acabamos de comer e ficou com a louça toda pra ela. Fui até o meu quarto estudar matéria do dia anterior, porque eu com certeza tinha chance de não ir bem naquela prova e tinha uma mensagem:

“Pub Pierce às 21 horas. Vamos tocar lá hoje.

Após quase um mês sem receber qualquer coisa dele, essa foi a primeira coisa que recebi: Uma mensagem indicando o lugar que iriam tocar. Então eu devia estar lá?

Chamei para ir comigo e expliquei a situação. Ela se animou muito e disse que me deixaria mais perfeita impossível.

Ela já foi atrás de nossas roupas no quarto enquanto eu pensava como ele poderia sumir e aparecer do nada, sem nem mesmo eu esperar. Na verdade, o motivo dele ter sumido não era concreto. Mas tudo bem, ele não tinha que estar por perto o tempo todo, não é?

Esperamos o tempo passar rápido, mas não passou porque estava nervosa pro evento e eu, bem, eu estava um pouco também. Então quando finalmente deu a hora de nos arrumarmos ela logo começou indo pro banho e eu fui a última a ficar pronta.

- Não importa o que aconteça entre você e seu macho, você precisa me tirar da seca hoje! - ordenou antes de sairmos de casa e quase deu uma portada na minha cara.

- Como se você estivesse... – Ela me olhou com um olhar de “se continuar, você estará morta pra mim” e eu gargalhei. – Relaxa, gata, o macho não sendo meu, não há chance de acontecer nada.

- Bom “meixxxxmo”! - disse com um sotaque puxado e eu ri descendo as escadas com ela.

Fomos ouvindo algumas músicas que John, meu último namorado, tinha gravado pra mim quando completamos um mês de namoro e as músicas eram as mais animadas possíveis. Ele era um namorado inusitado. Lembro de ter recebido um papagaio no primeiro dia dos namorados que passamos juntos. Segundo ele, eu falava muito, então ele me deu o bichinho porque assim eu tinha algo que falava o mesmo tanto que eu para falar comigo e que, além disso, também me representava.

- Você não sente nostalgia? - me perguntou no meio da nossa cantoria e eu franzi a testa – O CD, ...

- Um pouco. – Torci o pescoço e ela balançou a cabeça. – Ele era legal...

- Por que mesmo que vocês terminaram? - sorriu e eu entendi o motivo dela ter disto isto, aliás, os motivos.

O primeiro é que ela não sabia mais contar nos dedos quantos namorados eu tive, então se embaralhava nos motivos. E o segundo é porque, segundo ela, eu nunca tinha um motivo válido pra terminar com todos os namorados que já tive.

- Só dirige… - Balancei a cabeça e sorri dando um tapa em sua testa. Então continuei nossa cantoria e ela também. O caminho acabou logo e quando chegamos já procurou algum lugar próximo pra estacionar.

Descemos do carro e fomos em direção ao lugar que estava um pouco lotado. Depois de um tempo conseguimos entrar e ficamos no fundo do pub com alguma bebida que escolheu pra gente.

Esperamos o show começar enquanto curtíamos o som que tocava no momento e então depois de alguns minutos eles entraram no palco. Logo avistei e o olhei, ele estava com uma roupa azul e um jeans. Não pude deixar de olhá-lo bastante durante o tempo que o show durou e também cantei algumas músicas porque aquele gravador tinha me salvado, apesar de eu não ter aprendido todas e sim só as que mais gostei. também arriscou algumas letras mas errava todas e me olhava gargalhando numa mistura de bêbada com idiotice.

Após o show acabar, fui atrás de e dos garotos pra abraçá-los e apresentar , que queria sair da seca. Então o encontrei.

- Ei... – Cheguei perto de e seus olhos pareciam brilhar muito com a luz daquele lugar. Então eles sorriu e eu sorri de volta sentindo atrás de mim. – E essa é a .

- Ouvi falar de você... – Dei um tapa em sua perna e sorriu. – Desculpa, amiga, é apenas a verdade...

- E aí, !!!! - chegou por trás de , me abraçando e me dando um beijo na bochecha. Em seguida olhou pra e abraçou também. Com certeza ele estava bêbado. – Essa gatinha mia?

- Se eu fosse você arriscava... – Sorri e olhei pra que me olhava com um olhar de agradecimento. - tá de carro...

- Só não sei se trago de volta, - me deu outro beijo um pouco babado na bochecha e levou com ele. Ele era muito amistoso. Então, ficamos só eu e que até agora ria da situação.

- Seu gravador, bom, não sei se quer de volta, mas desculpa, não tá comigo. – Ele sorriu e eu corei.

- Não, ele é seu. Gravamos pra você porque sabíamos que não chegaria mais. – Ele sorriu fraco e eu também, então lembrei onde o gravador estava.

- Que bom, então, porque ele tá na minha caixinha de objetos meio especiais. – Sorri novamente e ele arqueou as sobrancelhas – O que? É um som especial.

- Não, , só to indignado com o “meio especiais”. – Ele arqueou as sobrancelhas novamente. – MEIO?!

- Muuuuuuuuuito especiais. – Exagerei no muito e sorriu cordialmente.

- , vamos! – Pude ver uma garota morena de cabelos curtos se aproximando e dando um selinho em , o puxando pela mão em seguida. Acho que pude reconhecê-la, era e mesma que a chamou naquela primeira festa em que a vi. – Sua van já tá indo embora! - me olhou com uma cara de “desculpa, tenho que ir” e eu fiquei chateada pelo selinho. Acho que ele estava bonito demais para eu querer o ver com alguém aquela noite.

- Tudo bem, tenho que procurar a . - Fui me afastando dele olhando para trás algumas vezes e finalmente estava longe o bastante para não vê-lo mais.

Sentei em qualquer banquinho que havia por perto e disquei o número da . Ela atendeu só na quinta vez que tentei e disse para eu ficar onde eu estava que ela se encontrava comigo. Então enquanto eu esperava uma música começou a tocar. Era uma música que eu escutava com Nathan, segundo namorado e vizinho. Crescemos juntos e Nathan ficava deitado na cama comigo só pra ouvir música quando eu estava triste, então um dia essa começou a tocar e eu tinha terminado o meu primeiro namorinho, Nathan me chamou pra dançar ela, porque nunca tinha me visto tão pra baixo e aproveitou a oportunidade da música ser mais alegre. Então quando começamos a namorar essa era nossa música.

Flashback on

- Aumenta esse volume!!! – Eu disse gritando ao ouvir Bob Seger no rádio do carro. – Eu não acredito que tá tocando ela!

- É porque eu fiz de propósito. – Nathan me olhou arqueando as sobrancelhas e aumentando o volume do rádio logo em seguida.

- Out in the back seat of Nathan’s '60 Chevy. – Berrei uma parte da música batendo os pés no banco do carro e gargalhei em seguida. Dougie me fitou alguns segundos e balançou a cabeça em negação. – Curte essa vibe marota!

- In the summertime, in the sweet summertime we weren't in love? (No verão, no doce verão nós não estávamos apaixonados?) – Nathan disse após ouvir alguma das partes da música e a repetindo, sem olhar para mim.

- Oh no, far from it. We weren't searchin' for some pie in the sky summit. We were just young and restless and bored livin' by the sword (Oh não, longe disso. Não estávamos procurando pelo pote de ouro no final do arco-íris. Nós éramos apenas jovens e agitados e entediados vivendo perigosamente). – Respondi naturalmente com outra parte da música tentando disfarçar que olhava os cabelos dele voando em seu rosto e um óculos na cabeça. – Abaixa esse óculos, brega.

- Você é chata assim? – Me olhou de relance e abaixou os óculos. – Vivendo perigosamente, me dando apelidos. O que estão fazendo com você, boneca?

- Boneca não, Nate – Fiz algum barulho com a boca e o dei um pedala. Nate sorriu em seguida mostrando pela primeira vez, desde que pegamos estrada, aqueles dentes brancos. – Você é um brega mesmo!

- Tá, . – Tapou a minha boca com uma das mãos. Juro que teria mordido a mão dele se o cheiro não estivesse TÃO agradável. – Fica quietinha aí, já estamos chegando!

- Você é um saco mesmo, heim?! – Bufei e cruzei os braços, ele deu uma gargalhada logo em seguida. Odeio ficar em silêncio, quando criança eu era hiperativa.

- Você é um bebezinho. – Apertou a minha bochecha e respondi dando língua – Pode cantar a música, chata.

- Yaaaaaaay! – Esmurrei o ar e voltei a cantarolar a música. – Obrigado por isso, tio! – Nathan riu mais uma vez e voltou a atenção para a estrada. A essa altura eu já estava fitando ele novamente.

Flashback off

Depois disso me lembrei como foi bom namorá-lo, talvez porque já o conhecia antes mas ele foi o melhor namorado que já tive. Senti sua falta ao ouvir a música no pub. Não exatamente do namoro, mas da amizade que tínhamos antes. Pensei em ligá-lo, o momento com o me chateou e não tinha arrumado ninguém depois do John, mas preferi só esperar a . Nathan não me via há algum tempo desde que mudei da cidade em que morávamos e por isso terminamos. Sua mãe havia me dito uma vez em que voltei para visitar meus pais, que ele ficou muito triste durante muito tempo e então eu decidi não o ver. Mas isso não me impedia de sentir saudades.

Capítulo 5

- Então quer dizer que fisgou um peixão ontem, né? – Falei para após ela chegar na sala com cara de ressaca e sono. – Falta meu obrigada.

- Obrigada. - falou meia sonolenta e caiu no sono novamente ou pelo menos tentou. – Minha cabeça tá me matando!!!

- Ninguém mandou ficar bebendo e me fazendo passar vergonha. – Falei, enquanto mexia no computador editando alguns trabalhos que tinha para entregar. Era fechamento de semestre na faculdade.

- Ahhhh, bem lembrado. - se levantou do sofá e riu maliciosa. – Como foi ontem?

- Não foi... – Curvei o pescoço. – Ele foi embora quando uma garota saiu puxando ele com selinho...

- Que filho de uma mãe, ele te chamou lá pra isso? - falava cada vez mais indignada.

- Não sei. – Sorri. – Talvez ele quis dar o troco por causa do Andrew. Mas também nem rolou nada entre a gente, amiga, tenho que me conformar.

- E se ele te chamar nos lugares pra não te dar bola, bom que não role mesmo - se jogou no sofá novamente. – Acho que me lembrei que disse que veria o hoje.

- Mas já, !? – Eu gritei abismada com a rapidez da relação deles.

- Amiga, enquanto eu tô podendo beijar tenho que garantir, né? - riu – Ele é legal, , a gente até conversou um pouco. – Então eu assenti e sorri e ela voltou para o quarto dizendo que sua cabeça estava matando ela.

Continuei o trabalho que estava fazendo e consegui terminá-lo mais cedo do que planejei. Então fui pegar alguma comida e colocar um filme já que a ainda estava capotada. Pena que a campainha não deixou. Fui até a porta atender e:

- !!! - gritou e eu nem pude ver quem estava passando por mim. – É aqui a festa hoje?

- Que festa, doido? – Ele franziu a testa. – Não vai me dizer que a combinou uma festa com você?

- É só a gente, , vamos fazer algumas coisas legais. – Coisas legais para eles com certeza não eram para mim. Então pude ver entrando atrás dele com algumas sacolas na mão que por sinal pareciam pesadas.

- Coloco isso em que lugar? - perguntou para mim e quando chamei ele com a cabeça para guiá-lo pude ver o tanto de gente que tinha em casa naquele momento. Nunca tinha visto ninguém, só fui passando pelo meio das pessoas e vinha atrás de mim.

- Pode deixar aqui... – Ele assentiu. – Ainda mato a , quem é esse pessoal?

- São uns amigos do . - Ele sorriu. – Eles não vão quebrar nada, vou ficar vigiando pra você

- Muito obrigada. – Sorri. – Vou acordar a . - Ele assentiu e fui até o quarto de .

Acordei ela e dei uma bronca por nem ao menos ter avisado. Então ela disse que sabia que eu não iria querer bagunça em casa e por isso não me avisou. Ela saiu do quarto logo depois de se arrumar e eu fiquei para me trocar.

- Então aqui é onde você dorme? - se encostou na porta e eu quase pulei de susto mas dei um leve sorriso. – Decoração bonita.

- Não, esse é o quarto da mas sou criativa pra decorar também, pode me pedir pra decorar o que quiser. – Sorri enquanto tentava fechar minha saia emperrada e me aliviei depois de conseguir. Então segui para a porta onde estava encostado.

- Que cheiro é esse? – Franzi o cenho e antes mesmo que eu pudesse falar alguma coisa cheirou meu pescoço e depois meu cabelo.

- É só meu cheiro natural. – Sorri, tentando disfarçar o que senti quando ele encostou em mim.

- É que ele me lembra alguma coisa. – Ele sorriu sem mostrar os dentes e se afastou de mim. – Vamos? - saiu na frente e fiz um pouco de força nas pernas pra sair de onde estava.

Fomos para a sala que tinha mais barulho de som e nos afastamos. Fiquei conversando com algumas pessoas que puxei algum papo e alguns minutos depois vi com a mesma garota que tinha dado um beijo nele aquele dia no pub. Tentei segurar a dorzinha no peito que senti ao vê-la perto dele e continuei conversando na rodinha em que estava.

- Então você é a ? – Um garoto chegou ao meu lado e logo pude perceber que ele era da banda. – Não tive a honra de conversar com você ainda.

- Famoso é você. – Ele sorriu e eu pude ver o quanto seu sorriso era bonito.

- , volta aquiiiiiiiii! - gritava já bêbada – Não acredito que saiu do nosso papo!

- , acho que tá te olhando bravo. – Eu observei a cara dele ao olhar para onde estávamos.

- Ele é bobão. - disse gargalhando do nada – NÉ, AMOR? VOCÊ É UM BOBÃO

- , se vomitar aqui em casa vai limpar tudo amanhã! – Eu disse brava e pude perceber gargalhando.

- Tá bom, . - me deu um beijo babado na bochecha e saiu de perto de onde estávamos.

- , aquela é a namorada do ? – Eu queria descobrir algo sobre os dois então resolvi perguntar descaradamente mas torcendo pra ele não desconfiar de nada.

- Se eu fosse você, caía fora.

- Eu nem tô dentro... – Sorri e ele mais ainda. – O que?

- Mas queria estar bem dentro. – Ele tomou um gole de sua bebida. – Senão não estaria perguntando...

- Ok, você me sacou. – Sorri e dei um tapinha nele que devolveu. – Ai, menino! Assim não dá pra ter uma amizade sincera... - gargalhou e eu logo em seguida também.

Conforme a festa foi passando, alguns foram indo embora sobrando apenas os meninos, eu, e a suposta namorada de . já estava desmaiada no sofá, então era apenas eu, eles e a suposta namorada de .

- Preciso colocar ela na cama. – Falei para os garotos que estavam me ajudando limpar o apartamento todo. – Alguém ajuda aqui? - se ofereceu primeiro e então eu fui com ele até o quarto da minha amiga. Ele a deitou na cama e eu dei umas ajeitadas a cobrindo também. – Bonita sua namorada. – Eu disse para ele, que quase saía do quarto, então ele se virou e sorriu.

- Lorelai é legal. - disse e eu assenti. – Aquele dia em que te chamei… Bom… Não sabia que ela iria.

- Tudo bem, nada demais ela ir... – Eu sorri. – Não é como se ela fosse tapar a visão do show ou os meus ouvidos.

- Mas você sabe. - me deu uma olhada no fundo dos olhos. – Eu chamei você porque queria que fosse nos ver tocar.

- Ela tá aqui, viu? – Eu disse o lembrando de que ele ainda tinha uma suposta namorada.

- O que tem? – Ele franziu a testa. – Já disse que ela é legal.

- Que tipo de namorada é legal ao ponto de deixar você falar assim com alguma garota? – Agora eu que franzia o cenho.

- Você e sua insistência nessa palavra. – Ele conseguia sorrir mesmo com o clima pesando um pouco mais. – É pra me lembrar de alguma coisa?

- Não. – Eu não conseguia mais permitir que ele falasse comigo daquele jeito e não confirmasse que ela era namorada ou não. Então fiquei brava o suficiente para responder um simples não.

- Tá bom, . - Ele parecia ter ficado frustrado com o meu não. – Agora eu vou... voltar pra lá – Então, apontou pro cômodo atrás dele e virou as costas para a porta saindo de volta para a sala onde os outros estavam.

Caminhei logo após ele ir para a sala e já podia ver quase tudo no lugar. Agradeci os meninos pela arrumação e eles nos chamaram para ir ao estúdio ver um ensaio deles na semana que vem, já que eu furei no anterior. Logo depois de convidarem, eles disseram que tinham que ir embora, me deixando na porta apartamento. Dei tchau para todos menos para . Falei até mesmo com a garota que estava com eles mas com ele não. Quem ele pensava que era pra querer me cantar estando com outra pessoa? Entrei para dentro do apartamento e me joguei no sofá achando que dormiria ali mesmo. Então a campainha toca novamente.

- Mas que merda você quer? – Eu disse sem ao menos olhar direito quem era na porta.

- Só esqueci meu celular. – Me deparei com Lorelai na minha frente, sorrindo envergonhada – Desculpa se estava dormindo.

- Não, imagina. – Sorri, quase corando. – Me desculpa pela grosseria, achei que fosse o... – pensei em dizer o nome, eu realmente achei que fosse ele. - . Mas pode entrar e pegar. – Então ela sorriu e entrou dentro do apartamento pegando o celular.

- Nem acredito que não veio comigo até aqui, é amiga dele e ele me deixa sozinha. – A garota fez um certo bico e eu sorri simpática vendo o quão bonita era ela. – Bom, obrigada.

- Imagina. – Sorri, vendo ela sair do apartamento.

- Aparece na casa do amanhã, acho que vamos fazer maratona de filmes. – Agora ela queria ser minha amiga? Como eu não conseguiria gostar dela? – Eu falo pro e ele te buscar. – Tá, agora minha casa tinha caído.

- Ermm... Tudo bem. – Como assim tudo bem? Não estava nada bem. – Até amanhã, então!

- Até, . - Então a vi descer as escadas e olhava o quão bonita era ela. E o quanto eu podia amá-la e não ao contrário.

Entrei dentro do apartamento novamente e me direcionei até a sala, ligando a TV e dando de cara com um filme que eu assistia quando me sentia muito triste ou sozinha. Isso até os meus 17 anos. Deixei ele passar, era a comédia mais incrível que eu já vi em toda a minha vida, me lembrava a adolescência e a cidade em que eu morava, porque eu sempre via no meu quarto, espaço o qual era decorado inteiramente pra mim. Então senti saudades de casa e resolvi ligar para minha mãe. Deu caixa postal. Tentei mais umas onze vezes e ninguém atendeu. Olhei o relógio e me esqueci do fuso, meus pais estavam trabalhando há algumas horas. Me senti nostálgica e então resolvi fazer alguma coisa pra comer e ficar ali mesmo.

Com algumas horas de filme, ouvi a campainha tocar e então olhei o relógio, já eram quase oito da manhã. Sim, eu tinha passado a noite inteira acordada, isso era surreal. Eu sempre fui pra cama cedo. Mas me direcionei até a porta e então me deparei com Andrew parado com flores na mão.

- Oi. – Ele sorriu e eu não pude deixar de sorrir de volta. – Desculpa pela surpresa, eu estava a caminho do trabalho e imaginei que estivesse dormindo. Na verdade, acho que por isso consegui chegar até a sua porta... – Não sei bem o que senti no momento, só me veio à cabeça beijá-lo depois de tanta falação. Talvez fosse as flores ou o que ele vestia, mas algo nele me chamava atenção para beijá-lo e um segundo depois, eu tinha me arrependido. – Isso foi meio... Inesperado?

- Foi como eu me senti aquele dia. – Sorri corando e me lembrei do dia em que ele tinha me beijado inesperadamente, então me aliviei um segundo. – Mas por que as flores?

- Eu ainda não tinha tomado coragem de voltar aqui pra tentar me aproximar de você e tentar sair com você. – Ele franziu o cenho em forma de pergunta e eu não sabia como olhá-lo no momento, mas me lembrei que meu suposto “affair” com o ia mal e que minhas lembranças do passado estavam sendo constantes.

- Sim. – Falei em um segundo enquanto ele ainda me olhava. – A gente sai.

- Então, te pego hoje mais tarde? – Andrew me entregou as flores de uma vez por todas que por sinal eu nunca tinha recebido, não era mais um gesto muito comum. – 8 horas tá bom?

- Tá sim. – Sorri novamente e então ele se direcionou até mim, me dando um beijo na bochecha, se despedindo.

Fechei a porta e fui ao meu quarto jogando as flores na minha cama. Me lembrei que tinha filme no mais tarde e então tentei dormir.

Acordei com no meu ouvido dizendo para eu me arrumar logo, porque teria filme no . Claro, já tinha contado pra ela. Tive que trocar meu pijama confortável e lindo em um minuto e então descemos para esperar os meninos chegarem e guiarem eu e até a casa de . E eles não demoraram muito.

- , por que não vem no meu carro? – Os meninos mal tinham chegado e já gritava para .

- Mas aí eu vou sozinho? - estacionou lentamente parando em frente a nós e olhando para mim.

- te acompanha. - disse rapidamente e a olhei brava. Se ela soubesse o que tinha acontecido noite passada, não teria feito isso. Mas eu aceitei ir com ele para não ficar dando explicações ou fazendo cena e entrei no carro.

- Vai ficar fazendo isso até a gente chegar? - olhava meus dedos ficarem desenhando na minha calça e em seguida o trânsito.

- Vou. – Sorri sem mostrar os dentes e ele franziu o cenho. Em seguida, reparei em seu rosto, era tão linda a forma que ele dirigia ou o ângulo em que eu olhava que não pude evitar que ele me pegasse olhando pra ele

- Vai ficar me olhando e não vai falar comigo? – Ele sorriu e eu senti uma vontade de socá-lo por ser tão lindo. Ou era apenas eu me apaixonando por ele. De novo não!!!! – Tá bom. – Fomos o caminho todo em silêncio. Ah, qual é, não fui eu que fiquei cantando alguém tendo uma namorada e ainda por cima se fazendo de desentendido. Além disso, eu realmente não ia dar corda pra isso continuar e ele a trair.

Chegamos na casa de em minutos que pareceram horas e então fomos direto escolher os filmes que passariam.

- Quem vai fazer as besteiras pra gente? - perguntou fazendo carinha de dó e eu sorri pra ele.

- faz! - gritou vindo do banheiro e eu o olhei revirando os olhos. – Eu te ajudo, fica tranquila, você só parece a mais tranquila pra mexer em coisa de cozinha.

- Obrigada. – Eu sorri, me levantando e indo atrás dele. – Eu realmente sou! – Caminhamos até a cozinha e ele pegou todos os equipamentos que precisávamos pra fazer muffin. – Você sabe mesmo fazer essas coisas?

- Sei. – Ele sorriu. – Eu vivo sozinho, preciso aprender me virar pra sempre que precisar. – Pegamos os ingredientes e começamos a misturar – Você sabe?

- Com certeza! Eu que faço as comidas em casa porque a é um desastre! - Ele gargalhou, quase derrubando o que estava em sua mão. – Brincadeira, a gente reveza... MAS EU COZINHO MELHOR!

Continuamos a fazer a comida e depois seguimos para a sala só esperando ficar pronto e levamos alguns salgadinhos com refrigerante junto. Me sentei ao lado de porque não tinha sobrado muito lugar perto dos outros e então dividimos nosso salgadinho.

Alguns minutos depois que o terceiro filme acabou recebi uma ligação de Andrew. Droga, tinha que sair com ele. Corri pra fora pra atender e pouco tempo depois que terminei a ligação voltei para dentro da casa avisando os outros que teria que ir embora.

- Se quiser posso te dar uma carona. - se ofereceu mordendo um salgadinho em seguida e eu sorri com a cena.

- Não precisa, ele... erm... vai me buscar aqui mesmo. – Sorri para o garoto guloso com a boca cheia e em seguida não pude evitar olhar para que logo depois desviou o olhar. – Então, eu vou indo lá pra fora pra esperar... hum... até depois, gente. – Dei um tchauzinho no ar e eles falaram um tchau em coro.

Saí da casa observando a falta de detalhes que haviam nela e parei na calçada em frente ao portão enorme que havia na casa. Me sentei na calçada e comecei a jogar algum jogo que tinha no celular. Não vi as horas passarem mas acho que Andrew deve ter demorado mais do que 20 minutos.

Avistei uma moto vindo em minha direção e me levantei ao perceber que o motoqueiro de roupa nada radicais era Andrew.

– Quer uma carona, babe? – Ele tirou o capacete e fez uma cara “seduzente” para mim. – Vejo que você estava me esperando, porque seu traje é ótimo pra andar de moto.

- Eu faço o que posso. – Forcei um sorriso. Na verdade, eu até que estava feliz por sair com ele e não me sentia mais incomodada como me senti antes. – Vai me dar um espaço? Minha bunda ocupa um puta espaço, sai pra lá. – Sentei na moto e colei meu corpo no dele o empurrando pra frente propositalmente. Ele gargalhou alto e abaixou o capacete, me dando outro e seguindo pela rua larga quando virou à direita.

Fomos por um caminho muito lindo até chegar no destino que ele tinha preparado. E o destino era uma colina em que havia uma casinha muito fofa e pequena como em Senhor dos Anéis. Mas ela tinha uma área livre e coberta ao lado e estava movimentada. Nunca tinha visto aquele lugar antes.

Andrew pegou na minha mão repentinamente e eu me assustei e sorri fraco quando ele me olhou. Seguimos para dentro do local e ele nos dirigiu até um freezer que tinha alguns tipos de sorvetes (que ele disse que não eram apenas sorvete e ele tinha razão) e ele me deixou escolher e pegou o primeiro que viu. Provavelmente já conhecia o sabor.

O bonito foi para a mesa e me deixou para trás escolhendo meu sorvete e então, após eu ter escolhido, fui para a mesa em que ele estava:

– Você vai comer nesse momento o melhor sorvete da sua vida, ! – Ele abriu o sorvete dele e se melecou quase todo e eu sorri ainda tentando abrir o meu. – Tá com dificuldade?

- Você quer me dar uma mão aqui? – Tentava abrir o plástico e não conseguia. – Tá tirando com a cara da sua par?

- Me dá... – Ele sorriu e pegou o negócio da minha mão conseguindo abrir rapidamente. – Eu tenho prática, porque como isso aqui sempre mas realmente é duro.

- Legal o lugar. – Sorri para ele mais uma vez. – Nunca tinha visto.

- Até que tem uma certa fama. – Ele sorriu e olhou ao redor. – Mas é meio velho, então pessoas da nossa idade não conhecem muito. Eu vinha aqui com um tio que me pegava pra sair sempre que meus pais brigavam.

- Seus pais brigam? – Arregalei os olhos. – Eles são tão cultos e amorosos!

- Hoje em dia não, né, . - Ele gargalhou com a minha expressão. – Bom, não que eu veja ou saiba... – Deu algumas lambidas no sorvete e jogou o plastiquinho em um tipo de lixinho que tinha na mesa. – Bora?

- E onde você vai me levar? – Perguntei lambendo o resto do meu sorvete rapidamente.

- Ali... – Ele me puxou para perto e me empurrou para o lugar que tinha se referido. Era como uma casinha branca e cheia de flores colocadas em cima e ao lado. Então sentamos um ao lado do outro e descobri o motivo dele ter me levado ali: dava pra ver a cidade toda. Era a coisa mais linda que já vi! – Uma vista assim combina com mais um beijo nosso?

- Erm... – Corei rapidamente. – Na verdade, não... – Ele arregalou os olhos e eu gargalhei. – Ok, fui ríspida, não era a intenção. É que eu não quero muita coisa além de um beijo.

- Mas eu nem pedi nada... – Ele falou, quase chorando.

- Só não quero te chatear por algo que deixei de fazer e você queria que eu fizesse. – Eu sorri cordialmente.

- Aceitou sair comigo só pra comer sorvete de graça? – Eu gargalhei e dei um tapa em sua perna.

- Não, idiota. – E de repente fui beijada. Foi um beijo lento porque assim que ele me beijou eu correspondi e ficamos nos beijando por algum tempo.

- Só pra você saber que eu quero só um beijo seu. – Ele sorriu. – Agora posso te enxotar...

- Ah não!!!! – Ele gargalhou e eu também. – Bom, na verdade, acho que realmente já pode me enxotar, porque preciso estudar pra nossa prova de segunda e pretendo começar amanhã cedo...

- Não vou insistir pra você ficar porque preciso fazer a mesma coisa. – Por que Andrew nesse momento pareceu a pessoa perfeita? Eu simplesmente abri um sorrisão. – Aí amanhã você me passa algumas respostas...

- Eu não vou colaborar com isso, não é ético. – Ele fez bico e eu levantei. – Tô falando sério sobre a prova, vai ficar sentado aí? – Andrew se levantou e veio comigo em direção ao automóvel que tinha estacionado uns minutos antes. Seguimos pelo mesmo caminho no qual viemos para a casinha e ele me deixou exatamente na porta de casa.

- Vê se não foge, eu realmente não vou ser grotesco com você em qualquer atitude que você tomar a meu respeito... – Eu sorri e concordei, não sabia o que falar, não queria manter uma conexão íntima, sabia que ele esperava mais do que isso. Mas também, óbvio, que não ia sumir repentinamente. Então só sorri e entrei pra dentro do apartamento.


Continua...

Nota da autora:(12/08/2017) Demorei cinco capítulos para colocar uma simples "nota da autora", sou uma péssima autora... Mas me perdoem e continuem lendo essa minha história que pede um espaço no coração de vocês! Um beijo e comentem para essa fic porque comentários sempre dão energia para escrever mais... (Ah, espero que tenham paciência com os pps)

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