Autora: Laura Andriolli | Beta: Mily | Capista: Belle



Capítulos:
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Capítulo 1

“Nova Orleans é o tipo que cidade que pode passar por qualquer tragédia que sempre será assim: animada, com muita música e super divertida.
Andar pelas ruas de NO é mais do que gratificante, é um alivio. Depois de 3 anos fora, passeando pelo mundo, não há nada melhor do que voltar pra casa.
Após andar pela cidade, resolvi ir ao cemitério, sei que os ancestrais não gostam muito dos vampiros, mas eu tinha que ir lá visitar alguém:
— Olá vovó... É, eu voltei, sei que fiquei um tempo fora, mas eu precisava. Estou morrendo de saudade, eu amo você. – sei que não precisaria vir até o cemitério falar com a vovó, sei que ela me escutaria em qualquer lugar, mas eu sentia que algo estava prestes a acontecer e que aquela poderia ser a última vez que eu visitaria ela.
Logo que sai do cemitério, meu telefone tocou e, confesso que fiquei surpresa quando vi quem era:
— Elijah Mikaelson, quanto tempo! – eu realmente havia ficado surpresa.
— Soube que está de volta a Nova Orleans.
— Estou, mas você não me ligaria apenas para dizer isso, não né?
Por mais nobre que fosse, Elijah nunca ligaria por uma simples volta a cidade, aí tinha coisa:
— Preciso da sua ajuda, é urgente. — ele respondeu com um tom de urgência.
— Claro, me encontre no cemitério.
— Lá não, vá ao St. James, creio que sabe onde é.
Dito isso, ele desligou. Por mais seguro que um Mikaelson pode ser, esse estava bem preocupado.

St. James é, sem duvidas, um dos lugares mais animado de Nova Orleans e também é o único local onde a magia não poderia entrar, ou, pelo menos era isso que eu achava. Depois de observar o bar, encontrei Elijah e então ele me explicou tudo o que estava acontecendo: a profecia dos originais, a grande criação dos ancestrais, a morte da bruxa Davina Claire e, agora, o poderoso Marcel — que tomou o tal sangue para virar um hibrido capaz de matar um original —. E onde eu entro nisso tudo? Até o momento, os ancestrais são os maiores inimigos dos Originais, porque foi com a ajuda deles que criaram o feitiço que transformou Marcel e, eu sou a única vampira no mundo que foi transformada por uma ancestral de Nova Orleans, então, ou seja: a Freya — irmã mais velha, que eu adoraria conhecer o mais rápido possível — vai me canalizar, para poder “entrar” no mundo dos ancestrais e destruí-los de uma vez por todas e, com isso, destruir Marcel também. Agora você vai dizer “mas a sua avó é um deles” e é mesmo, mas ela não era uma santa quando estava viva e, além do mais, está tentando matar os meus amigos. O que mais eu poderia fazer?
— Você vai nos ajudar?
— Você ainda pergunta?



Capítulo 2

Depois que Elijah me explicou tudo, ele me convidou para ir até a casa da família, pois lá, Freya me esperava para contar tudo o que eu precisava fazer.
A casa era uma verdadeira fortaleza. Quando chegamos lá, Elijah chamou diversas vezes o nome da irmã, mas ninguém veio e, quando eu entrei ele olhou pra mim, pareceu confuso:
— Você já veio aqui antes? — perguntou, enquanto eu olhava a casa.
— Não, algum problema?
— Esta casa está no nome da Freya e só ela pode te convidar pra entrar. A não ser que...
Dito isto, ele entrou em uma das portas da casa e eu fui atrás. Chegando lá, encontramos o corpo de uma mulher loira estendido no chão:
— É ela? Freya? — questionei. Ela parecia... Morta.
Ele não me respondeu, mordeu seu pulso e deu o sangue a irmã:
— Freya, ei, acorde! Vamos lá irmã, acorde! — ele implorou e nada da bruxa acordar.
Me ajoelhei no chão junto à ele e segurei a mão de sua irmã:
— Ela vai acordar, tá legal? Ela é uma Mikaelson. Seja lá o aconteceu com ela, ela vai ficar bem!
Após isso, alguma coisa aconteceu; Senti uma pressão sobre mim e minha mão estava ardendo muito, parecia que eu havia colocado ela no fogo. Elijah não reparou, ou eu achava que não.
De repente, Freya acordou:
— Ah, graças a Deus! — Elijah exclamou. — O que aconteceu?
— Marcel... Ele injetou alguma coisa em mim, eu... — ela estava realmente fraca. Reparei que minha mão ainda estava sobre a dela e resolvi tirar. Ela me olhou. — Você deve ser a , neta de Valentine . É um prazer te conhecer.
— O prazer é todo meu, mas... Só uma duvida: como Marcel entrou aqui? E, sabe, você ficou morta por algum tempo então, seja lá o que for que ele tenha injetado em você é muito forte — eu estava realmente preocupada. Se Marcel fez isso com uma bruxa Mikaelson, o que ele faria com uma bruxa mais fraca ou com qualquer outra pessoa?
— Ele foi convidado para entrar aqui quando Camille morreu — quem me respondeu foi Elijah —, mas tem razão, Freya — ele pensou mais um pouco e prosseguiu. — Quebre meu pescoço, irmã.
— O que? — ela perguntou confusa.
— Quebre meu pescoço — ele disse novamente e se aproximou da irmã. — Levante suas mãos, diga algumas palavras e quebre meu pescoço.
Ela fez o que ele pediu, mas nada aconteceu.
— Minha magia... Eu não tenho mais magia! Mas... Como? — ela perguntou desesperada.
— O soro que Marcel injetou em você fez com que sua magia sumisse, deve ser temporário e... — Elijah foi interrompido por um barulho vindo lá de baixo — Eu vou lá ver o que é. fique aqui com ela, por favor! Assenti. Alguns minutos depois, Freya me perguntou:
— O que está havendo lá fora? — a voz dela já estava mais forte e ela estava de pé, mas ainda parecia preocupada com a sua magia.
Lá fora Elijah e Kol discutiam. O mais velho dizia que encontraram um jeito de parar Marcel, mas sem a magia de Freya eles não poderiam agir, enquanto Kol falava que ele, Davina e um cara chamado Vincent destruíram de uma vez por todas o mundo dos ancestrais.
Eu disse isso a Freya.
— Agora que nada vai dar certo mesmo — disse e, logo reparou que eu tinha um ponto de interrogação no meu rosto. — Eu canalizei os ancestrais para destruir Lucien e pretendia fazer o mesmo com o Marcel, mas desta vez eu iria canalizar você também! Agora eu estou sem a minha magia e o mundo dos ancestrais foi destruído! Isso pode ser bom por um lado, mas nós perdemos a oportunidade de destruir Marcel, , nada vai dar certo!
Assenti, agora os Mikaelson’s não tinham outra escolha a não ser deixar essa profecia acontecer naturalmente, mas, com certeza, eles não irão fazer isso.
Ouvi Kol e Elijah se aproximando do quarto. Quando Kol me viu, veio me abraçar:
— Que bom que você voltou! Eu senti sua falta.
— Eu também senti a sua — retribui o abraço. — Eu sinto muito pela Davina. Se ela conseguiu conquistar seu coração de gelo, era realmente uma garota e tanto! — falei brincando.
— Era sim — ele ainda estava muito abatido por causa da morte da namorada, mas mesmo assim, sorriu. — Como você esta? Elijah me contou o que aconteceu — ele direcionou-se a Freya.
Eles começaram a conversar e eu e Elijah ficamos observando de longe.
Eu estava imersa em meus pensamentos; eu estava na casa de Klaus Mikaelson, ajudando a família dele a resolver um problema enorme! Ele pode entrar por essa porta a qualquer momento e, como eu vou reagir quando vê-lo? Ou, ao contrário, como ele vai ficar ao saber que estou de volta?
— Me diga o que está pensando — olhei confusa para Elijah. — Você deve estar pensando em alguma coisa, certo? — assenti. — Então, me diga. É sobre como vai ficar tudo a partir de agora? Ou esta pensando em algum namorado que deixou, seja lá onde você esteve.
— Namorado? Eu? — perguntei rindo. — Elijah eu não tive nenhum namorado nesses três anos que estive fora, pode apostar!
E é verdade, em todos esses anos que estive fora eu não me relacionei com ninguém.
— Mas... — após uma pausa eu disse — Como as coisas vão ficar a partir de agora? Freya não tem magia, pelo menos por um tempo e Marcel sabe disso. Olha, Elijah, eu não o conheço tão bem quanto vocês, mas ele com certeza vai aproveitar a chance que tem. Eu não duvido nada que, em poucas horas, Marcel vai estar aqui dentro dessa casa ameaçando matar cada um de vocês então, é bom terem alguma arma contra ele antes que seja tarde demais.
Antes que Elijah respondesse uma voz soou pelo cômodo:
— Ela tem razão, precisamos agir!
Klaus...



Capítulo 3

É tão estranho ver Klaus após esses anos, obviamente ele não mudou nada fisicamente, mas algo no olhar dele mudou:
— Niklaus, onde você esteve? Te liguei várias vezes e você não atendia — dizia Elijah.
— Estive no Bayou com Hayley e Hope, precisávamos resolver algumas coisas por lá.
Mas quem diabos eram Hayley e Hope? Até que esses nomes não eram tão estranhos.
— No quarto. — Klaus respondeu — Hayley disse que iria dar um banho na bebê.
Após isso Elijah saiu do quarto onde estávamos.
O silêncio tomou conta do lugar.
— Então, você voltou mesmo — Klaus disse.
— Aham — respondi simplesmente. — Você sabia que eu estava de volta?
— Todos nós sabíamos.
— E o que vocês pretendem fazer agora? Freya não tem mais a magia para tentar deter Marcel então...
— É verdade — dirigiu-se a até Freya. — Como você está?
— Ficarei bem, Kol e eu estamos tentando arrumar uma maneira de tirar o feitiço do meu corpo — ela respondeu.
— Freya, vamos no seu ateliê, é mais seguro. — Kol decidiu e os dois saíram.
E o silencio voltou a reinar no quarto novamente.
— Por que voltou? — questionou Klaus.
— Saudades da cidade — o encarei.
— Você não precisa ficar no meio disso tudo, sabia? Isso não tem nada haver com você. — Klaus Mikaelson preocupado comigo? Eu estou sonhando ou o que?
— Claro que tenho Klaus, se Marcel tentar matar Rebekah, eu vou morrer, então, eu vou fazer de tudo para ajudar vocês destruí-lo.
Pois é, eu fui transformada com o sangue de Rebekah.
— Afinal, Klaus. Onde está Rebekah?
— Segura — respondeu simplesmente. — Sabe, , sua vó não ficaria feliz vendo você nos ajudando.
— Minha vó está morta.
Klaus saiu do quarto e eu fiquei lá sozinha.
De repente Kol aparece:
- você pode ir lá em cima? Há algumas coisas que precisamos conversar.
Concordei e o segui. Antes de subir as escadas vejo Elijah junto com uma mulher segurando uma bebe no colo e sorrindo, pareciam tão felizes.
— Aquela é Hayley, mãe de Hope, filha do Klaus.
Assenti, sabia que aquelas nomes não eram estranhos, afinal, todos sabiam que o hibrido mais poderoso do mundo teve um bebe milagroso.
— A bebe é linda, parece tão feliz.
Kol concordou e respondeu:
— Hayley faz de tudo para alegra-la e Elijah sempre está presente nesses momentos.
— Eles estão juntos? — pergunto curiosa e Kol faz que sim com a cabeça. — Isso é estranho.
— É sim — ele concorda. — Mas somos os Mikaelson’s, nada nessa família é normal, não é mesmo?
Simplesmente concordo sorrindo e sigo Kol pelas escadas.
— Precisando de mim? — pergunto a Freya, assim que entro no seu ateliê, que é bem bonito por sinal.
, eu sei o que você fez — olho confusa pra ela. — Quando você chegou aqui, me viu caída e segurou a minha mão, uma pressão caiu sobre mim e caiu sobre você também.
— Do que você está falando? — Kol perguntou, ele parecia totalmente confuso assim como eu.
, você é especial — disse Freya, ignorando totalmente a pergunta de Kol.
— Eu não estou entendo nada — digo simplesmente. — Ok, eu senti essa tal pressão e minha mão ardeu pra caramba quando eu toquei em você... Mas, que problema isso tem?
— Problema nenhum... Mas, , você é uma bruxa! — ela disse, quase explodindo de felicidade.
Que? Oi? Pera... Bruxa?
— Agora eu enlouqueci de vez — diz Kol, saindo do ateliê.
— Bruxa? Freya, você tá bem? — pergunto, me sentando em uma cadeira.
— Claro ! Você sugou um pouco da magia do veneno que tem no meu organismo e apenas uma bruxa pode fazer isso.
— Freya... Olha, eu não sou uma bruxa, tá legal? Eu não faço magia, eu não sei quase nada de magias ou feitiços. Eu não sou uma bruxa! — digo, tentando convencê-la.
— Mas...
— Eu acho que se eu fosse uma bruxam eu saberia — digo, interrompendo-a.
Quando eu ia me levantar, Freya colocou seu braço na frente:
— Segure meu braço e feche seus olhos, por favor.
E assim eu fiz e, novamente, senti uma pressão sobre mim. Logo, tirei meu braço.
— Viu? , você é alguma coisa, sei lá.
— Posso até ser, mas não sou uma bruxa. Freya, eu nunca senti nada além do normal desde que eu me tornei uma vampira e isso é horrível, porque eu daria de tudo pra ter uma vida normal novamente. Não que eu odeie ser vampira, muito pelo contrário, mas, se eu fosse uma bruxa e tivesse minha vida humana de novo, eu iria agradecer aos céus até o meu ultimo dia de vida. Então, não me ilude, não venha me dizer que eu sou uma bruxa, só porque eu suguei algo de você, porque isso não vai mudar nada pra mim — desabafei e saí. Freya ficou estática no centro do cômodo.
Quando eu vi, já estava no centro de Nova Orleans recordando minha vida humana, me lembrando de quando chegava em casa e vovó estava preparando estranhos feitiços. Eu sinto falta disso, eu daria de tudo para ser uma bruxa.
De repente, resolvi ir a um bar. Já estava escurecendo e eu precisava beber algo antes de ir pra casa.
, de volta a cidade... Quem diria...
Me surpreendo, quando ouço aquela voz ao meu lado. Eu realmente não a queria ouvir tão cedo.
— Sentiu a minha falta? — ele pergunta.
— Quer mesmo que eu responda, Marcel Gerard?



Capítulo 4

Marcel’s POV

— Soube que está ajudando os Mikaelson’s.
— E isso é da sua conta, Gerard? — ela pergunta.
— Qual é, ... Eles mataram a sua vó e agora você está os ajudando, você é uma idiota. — respondo, rindo.
— Mataram, você tem razão. Mas eu os perdoei... Você está jogando sujo, Marcel. Tentando me colocar contra eles? As pessoas que eu mais confio nesse mundo. Esquece, não irá conseguir! Irei ajuda-los sempre. — ela responde com certa confiança.
— Vocês não tem nenhuma chance contra mim, ! Meu Deus, será que não entendem? Eu posso matar qualquer um daquela família, eu posso matar você, ! Então venha, se junte ao lado mais forte — falo, tentando a convencer, mesmo sabendo que não será possível.
— Eu nunca vou me juntar a você, Marcel! Não vou ajuda-lo a destruí-los, nunca! — ela prometeu.
Viro de costas e penso um instante:
— Isso é pelo Klaus — deduzo.
Todos sabem que amava Klaus antes de sair de Nova Orleans e da cola deles. Ela inclusive foi embora porque o amor pelo original não era correspondido.
— O que? — ela se faz de confusa.
— Claro, todos sabem que você era completamente apaixonada pelo Klaus e, que foi por causa desde amor que você partiu.
— Você está ficando louco. — ela responde na defensiva.
Não adiantaria tentar negar, . Todos sabiam deste amor. Até Klaus, porém ele não acreditaria que seria possível amar , pois tratava a tratava como irmã.
— Jura? , um dia este amor irá te matar!
— Você não entende Marcel, você não sabe nada sobre mim. — ela diz, quase chorando.
— Posso não saber tanto, mas todos aqueles que se aliam ou que amam os Mikaelson’s sempre acabam mal — falei, me lembrando das pobres almas que já amaram os Mikaelson e que agora estão mortos.
— Eu estou preparada pra tudo! — diz confiante.
— ela olha pra mim — ,diga aos seus amigos que em breve uma guerra irá começar e, peça para eles estarem preparados para tudo.
E então eu saio do bar e a deixo sozinha.

’s POV

Eu havia realmente ficado chocada com a conversa com Marcel. Ele até que tinha razão, eu fui embora por causa do meu amor não correspondido por Klaus e isso me machuca até hoje.
Esperei o dia amanhecer e fui até a casa dos Mikaelson’s.
— Freya! — chamei o primeiro nome que veio em minha cabeça, enquanto eu entrava na residência.
2 — Ela não está — respondeu Hayley. — Saiu com Klaus e Elijah, mas logo voltam. Você deve ser a famosa . Sou Hayley Kenner, prazer. — ela diz, levantando as mãos para me cumprimentar.
— O prazer é todo meu — a cumprimento também. — Famosa? Eu?
— Claro, Klaus fala muito bem de você. — ela responde, sorrindo e então me convida pra sentar no sofá.
— Fala é? — ela concordou. — Interessante.
Rimos.
— Ele diz às vezes que não entende porque você foi embora. Ele diz que se preocupou muito com a sua partida repentina.
De novo esse assunto.
— É bem complicado. — digo simplesmente. — Mas, Klaus preocupado comigo? Isso é novo.
— Eu não sei quando foi a ultima vez que você o viu, mas ele mudou bastante. Cami o mudou muito.
— Ela era bem importante pra ele, né? Elijah me contou.
Ela assentiu e disse:
— Ela trouxe uma luz para ele. Ela o mudou para melhor.
Assenti e ouvimos um som de choro vindo lá de cima. Hayley vai rapidamente pegar sua filha.
— Hope com certeza participou da mudança de Klaus também. — digo, observando a garotinha.
— Sem duvidas! Após o nascimento dela, Klaus nem parecia mais aquela pessoa egoísta e mau que ele já foi um dia. Ele mudou de verdade.
Fico orgulhosa ouvindo isso.
— Fico feliz em saber disso Hay... Ops. Posso te chamar assim?
— Claro, — ela responde sorrindo.
De repente, Klaus, Elijah e Freya chegam.
— Já vi que estão se dando bem — comenta Elijah, observando Hay e eu sorrindo uma pra outra.
— Já tem até apelidos, você viu? — diz Freya rindo.
Só Klaus permaneceu calado e sério.
Decido então pedir pra Freya se posso conversar com ela em particular e ela pede pra eu a acompanhar até o seu ateliê. Lá em baixo, Elijah e Hayley conversam enquanto Klaus brinca com sua filha. É tão bonito o modo que ele cuida dela.
— Primeiramente, preciso me desculpar... O que eu falei ontem não foi certo. — digo, entrando no ateliê.
— Sem problemas, você estava assustada. Eu entendo. — ela responde sorrindo. — ... Eu pesquisei sobre a sua magia, ou seja lá o que for. Eu descobri que ela é um tipo raro e pode acabar em qualquer instante.
— Bom saber, eu com certeza não seria uma boa bruxa — rimos. — Obrigada de verdade. Ah! Freya ontem quando saí daqui, eu encontrei Marcel. — falei, sentando em uma poltrona próxima a ela, que estava concentrada em seus feitiços até o momento.
— Ele disse algo importante? — ela perguntou, com medo da resposta.
— Disse que em breve uma guerra irá começar e que precisamos estar preparados para tudo. Freya... Não sei vocês, mas eu estou com medo.
— Também estamos, acredite. Chame Elijah e Klaus, por favor.
Concordo e chamo os irmãos, que logo me acompanham para dentro do ateliê.
— O que você precisa irmã? — questiona Elijah.
— Preciso que me deem o sangue de vocês, preciso dar um jeito de ver como a profecia está se encaminhando.
— Teve algum pressentimento, Freya? — Klaus pergunta pela primeira vez.
— Ainda não. Mas disse que encontrou Marcel na noite passada e ele disse que uma guerra irá começar em breve.
Elijah e Klaus olham pra mim:
— Ele disse mais alguma coisa? — questiona Elijah.
— Não, nada que tenha tanta importância.
— Freya, mas como você irá fazer o feitiço? Sua magia voltou? — Klaus questiona a irmã.
— Eu não sei o que Kol fez, mas minha magia voltou hoje cedo. Nosso irmão disse que o veneno não fazia tanto efeito, mas a casa ainda está aberta pra qualquer um entrar então, tomem cuidado.
Após isso, Klaus e Elijah morderam seus pulsos e deixaram o sangue jorrar em uma taça, enquanto Freya preparava o feitiço.
— Me deem suas mãos — ela pediu.
E assim o feitiço começou. Nesse tempo, Hayley entrou no ateliê e disse que havia colocado Hope para dormir. Logo, o feitiço acabou.
— O que vocês viram? — perguntei desesperada.
— A profecia... Ela... — Freya falava ofegante — Se cumprirá essa noite.



Capítulo 5

POV’s

— O que? — pergunta Hayley assustada.
— Não podemos deixar isso acontecer — digo.
— Nós não podemos fazer nada, . — diz Elijah. — É hoje que cairemos.
— Vocês não podem deixar isso acontecer, Elijah! — grita Hayley.
Vejo Klaus saindo do ateliê e o sigo, deixando Elijah e Hayley discutindo, enquanto Freya cuidava de Hope, que começou a chorar com a gritaria.
— Vocês vão deixar a profecia se cumprir? — pergunto a Klaus, indignada.
— Não temos escolha, . Marcel venceu! — ele responde, aparentemente cansado.
— Eu não estou acreditando nisso! Klaus Mikaelson desistindo! Isso é surpreendente — ironizo.
— Eu não estou desistindo! Só não temos outra opção, — diz, virando-se pra mim.
— Sempre tem outra opção — sussurro.
Ele segura meu rosto e diz:
— Preciso que vá comigo em um lugar, está bem? — estranho, mas concordo e entro no carro junto com ele.

Olho para a janela e vejo que estamos saindo da cidade.
— Onde vamos? Você não tem tanta intimidade para me fazer surpresas.
— Já tivemos intimidade o suficiente — responde, prestando atenção na estrada.
— Como irmãos — completo.
Ficamos alguns instantes em silêncio. É estranho estar em um lugar sozinha com Klaus novamente.
— Chegamos! — ele diz e vejo que estamos próximos a uma ponte. A reconheço logo de cara.

Flashback, 200 anos atrás:

— Vocês a mataram... A minha vó! Por que fizeram isso? — questiono em meio ao choro.
Elijah, Klaus e Rebekah haviam acabado de jogar minha vó da ponte.
— Ela não podia fazer magia e fez! Isso foi contra as regras da cidade — disse Elijah.
— Não precisavam ter a matado! Ela era a única parente viva que eu tinha e vocês a mataram! — gritei.
— Não sabíamos que você era neta dela, minha querida. — Rebekah disse com sua voz doce. — Que tal você se juntar a nós?
— O que? — eu e Klaus perguntamos confusos.
— Não venham me dizer que é uma péssima ideia — ela diz, olhando para todos irmãos e para mim. — Somos só nós e eu adoraria ter uma amiga para me acompanhar na nossa viagem.
— Não é uma boa ideia irmã, estará em risco — Elijah disse.
— Ah Elijah, deixa. Por favor — implora a loira.
— Eu adoraria ir com vocês — digo. — Nunca tive amigas muito honestas e Rebekah foi a única realmente legal comigo — sorriu para ela.
— E então senhores? — ela pergunta, brincando com os irmãos.
— Está bem — Klaus e Elijah respondem.

Flashback off

E foi assim que a minha vida com os Mikaelson começou: graças a Rebekah.
— O que viemos fazer aqui? — pergunto a Klaus, enquanto andamos pela ponte.
— Vai me dizer que não se lembra o que houve aqui há uns 200 anos atrás?
— Eu me lembro... Vai ser uma das lembranças que eu nunca irei esquecer. — respondo.
— Sei que não conversei muito com você nesses dias que voltou. Sinto muito — ele coloca-se de frente pra mim. — Obrigado por estar sempre tentando ajudar a minha família.
— Isso nunca irá ser um problema — digo, olhando em seus olhos. — Eu fico muito feliz em ajudar vocês.
— Eu sei.. Nós não nos vemos há três anos. Me conte alguma coisa boa que fez durante esse tempo.
— Se eu disser que não fiz nada de interessante você acredita em mim? — rimos. — Mas já a sua vida foi bem movimentada nesses anos, não é Klaus Mikaelson?
— Como assim? — pergunta, me olhando confuso.
— Você teve uma filha, seus inimigos vem e vão.. E você se apaixonou, o que foi muito bom! — estava tentando ter cuidado com as palavras, não queria tocar no assunto “Cami” e o entristecer.
— É... Você tem razão — diz simplesmente.
— Sinto muito pela Cami — minha voz sai do nada. Ele me olha sério. — Desculpa... Nem sei por que falei isso.
— Sem problemas. Camille era muito importante pra mim. Eu a amei de verdade.
— Fico feliz por você... Eu queria ter amado alguém, mas nunca esqueci meu antigo amor — insinuo, andando lentamente.
— Nunca me disse quem era — comentou.
— Você nunca perguntou — retruco.
— Você está certa, mas eu te trouxe aqui para agradecer você a tudo que já fez para a mim e minha família. Não sei o que acontecerá hoje a noite, mas sinto que será algo de ruim, então... Qualquer coisa que acontecer, ajude Hayley e cuide de minha filha, por favor.
— Obrigada por confiar em mim, mas acredite, nada de ruim vai acontecer hoje! Klaus, você precisar acreditar.
— Eu estou fazendo o possível, , por mim, pela Hope e pela minha família — diz entre um suspiro em outro.
Entendo e, de repente, seu telefone começa tocar e ele diz que precisamos voltar urgentemente. A viagem segue silenciosa e eu agradeço por isso, temos que ter forças para lutar hoje a noite.
Chegando na casa Elijah, Kol e Hayley já nos esperam lá dentro e eu e Klaus nos deparamos com Freya deitada, desacordada no sofá:
— O que aconteceu com ela? — pergunta Klaus.
— Encontramos ela desmaiada no quarto de Hope — responde Hayley descendo as escadas.
— E Hope, onde está? — pergunto, preocupada com o bebê.
— Ela está no quarto brincando.
Freya começa se agitar e acorda de repente.
— Eles estão vindo, todos eles estão vindo — ela começa a dizer.
— Quem está vindo Freya? Quem? — Klaus pergunta, enquanto eu e Kol tentamos segurar ela.
— Os inimigos de Klaus, eles estão chegando — Freya faz uma pausa. Olhamos desesperados uns pros outros.
Ouvimos barulho vindo lá de baixo.
— Eles chegaram — diz Freya por fim e desmaia.



Capítulo 6

’s POV

— O que faremos? — pergunto desesperada.
O barulho lá de fora aumentava a cada instante.
— Eu irei lá em baixo — diz Klaus.
— Nós iremos — Elijah e Kol disseram juntos.
Os três vão em direção a escada, me deixando com Hayley, Hope e Freya — que ainda estava desacordada.
— Eu irei junto — decido.
— Não, — Klaus aparece na minha frente. — Você irá com Hayley no apartamento de Lucien, lá deve haver alguma cura para a Freya.
— Não posso deixar vocês irem sozinhos, é perigoso.
Sei que não mudaria muita coisa eu ir lá — afinal eles são mais fortes do que eu —, mas eu precisava ajuda-los deter Marcel.
Klaus suspira antes de falar:
— Se você ir lá, ele vai te matar e eu não quero que isso aconteça.
Disse simplesmente e saiu com Kol e Elijah.
— Eles vão ficar bem, eu espero — Hayley disse e eu me virei para vê-la. Ela estava ao lado do sofá, segurando Hope em seus braços. — Não iria mudar nada você lá.
— Eu sei... — respondo, cansada. — Mas é horrível não fazer nada, entende?
— Entendo, sempre sinto isso — ela disse. — Mas nós iremos ao loft do Lucien e vamos tentar achar uma cura para a Freya.
Eu a olho, concordando.
— Mas não sabemos o que ela tem; vai ver só foi um desmaio — digo.
— Mas temos que fazer alguma coisa, uh? Vamos sair pelos fundos, temos que passar em um lugar antes — ela fala e, logo após pede para eu pegar Freya e segui-la.
Durante o caminho, fico pensando em Klaus, Elijah e Kol. Mas meus pensamentos logo se dispersam, quando Hayley para o carro em um bar abandonado.
— O que viemos fazer aqui? — pergunto-lhe confusa.
— Buscar Rebekah — ela responde simplesmente, saindo do carro. — Fique aqui com Hope e Freya, eu já volto — concordo e ela segue em direção aos fundos do lugar.

Hayley’s POV

Deixo no carro e vou até os fundos do velho bar. Lá, pego uma chave que abre uma porta onde está escondido o caixão de Rebekah. Está na hora de uma irmã Mikaelson acordar.
Por que estou fazendo isso? Bem, o pai da minha filha, um irmão dele — que é meu namorado, ou sei lá o que somos — e o outro irmão estão em uma guerra com o maior inimigo de suas vidas. Daí, eu pensei que não seria uma má ideia acordar o amor da vida de Marcel para tentar faze-lo tentar mudar de ideia, né?
Abro o caixão e tiro a adaga de Rebekah, que logo acorda.
— Bem vinda de volta Bekah — digo, jogando-lhe uma bolsa de sangue.
Ela me olha confusa e bebe o sangue de uma só vez:
— A profecia... Ela já se completou?
— Não... — digo, olhando em seus olhos.
— E por que então você me acordou? Eu combinei com Elijah que era pra tirarem a adaga de mim depois que a profecia de cumprisse — ela diz, raivosa.
— Rebekah, eles precisam de você, está bem? — falo, segurando o rosto da vampira. — Eu te contarei tudo.
E contei, tudo: Marcel, a morte de Davina, a volta de . Tudo.
— Não acredito. Marcel... É ele o autor da profecia — ela me olha chocada. — E voltou... Oh meu Deus, não sei se fico feliz ou triste.
está esperando no carro com Hope e Freya. Acho que já demoramos demais... Vamos lá? — lhe pergunto.
— Está bem — ela concorda e saímos do bar.

’s POV

De longe pude ver Hayley e Rebekah se aproximando. Não pude conter a felicidade, estava morrendo de saudade daquela barbie vampira.
— Não acredito que voltou! — ela diz, me abraçando. Eu estava com Hope no colo e resolvi dar ela para Hayley.
— E eu não acredito que estava empalada num caixão dentro de um lugar tão sujo como aquele — falei.
— Coisa do Klaus e minha. Desculpe Becks — falou Hayley, rindo. — Rebekah, você precisa ir lá com os seus irmãos. Por favor, dê um jeito de fazer Marcel parar — Hayley implorou.
— Não deixe que nada de ruim os aconteça — completei.
— Está bem, eu irei. Mas Hayley, preciso que encontre um jeito de parar essa maldição que está sobre mim, por favor! Encontre uma cura.
Olhei confusa para as duas. Que maldição?
— Eu prometo — respondeu a híbrida simplesmente e pede para eu entrar no carro.
— Que maldição é essa que está sobre Rebekah? — pergunto-lhe.
— Há alguns meses, ela foi amaldiçoada por uma bruxa enquanto estava a procura de jeito para trazer Kol de volta. A bruxa era uma grande conhecida de uma vampira das Strix e odiava a Rebekah — ela parou um instante e continuou. — Depois que a maldição foi lançada, Rebekah começou a ter alucinações e enlouqueceu. Ela então achou melhor continuar empalada e resolveu ser acordada apenas depois que a profecia se cumprisse, para que a gente não tivesse muitos problemas juntos para serem resolvidos — ela terminou de falar e eu sussurrei que havia entendido.
Quantos problemas os Mikaelson estavam passando, Santo Cristo.
Alguns minutos depois, havíamos chegado ao apartamento de Lucien e, no meio do caminho, Freya acordou. Explicamos tudo a ela, que suspirava derrotada.
Procuramos pelo apartamento inteiro algum antídoto para dar a Freya — que estava cada vez mais amarela e fria —, e alguma coisa para parar a maldição de Rebekah. Não achamos nada.

Narrador On

Enquanto Hayley, e Freya procuravam desesperadamente uma cura, Rebekah chegava até a casa dos Mikaelson, onde uma luta acontecia.
Lá na residência, Marcel havia mordido Kol e Elijah e, quando Rebekah chegou, pediu para Klaus levar seus irmãos para o apartamento de Lucien onde , Hayley e Freya estavam.

Narrador Off

’s POV

De repente, Klaus e Elijah aparecem no apartamento, segurando Kol, que parecia estar bastante cansado.
— O que houve? — Freya perguntou, assim que colocaram Kol no sofá.
— Marcel... — Elijah respondeu cabisbaixo. — Ele nos mordeu.
Se eu disser que quase morri vocês acreditam? — Isso não é possível — Hay disse, se aproximando de Elijah. — isso quer dizer que vocês... Ai meu Deus!
— Não deixarei eles morrerem, não permitirei isso — Klaus falou, confiante.
Resolvo deixar um pouco a sala. Vou para outro cômodo, deixando minhas lagrimas tomarem conta de mim. Isto está tão difícil!
Eu não aguentarei ver eles morrendo, não quero perde-los.
— Ei, não chore — sinto ele me abraçar —, tudo vai se resolver.
— Não sei como — digo, olhando-o. — Isso tudo está tão difícil, Klaus.
— Freya tem um plano. Vamos lá?
Concordo e o sigo.

Freya’s POV

Era um plano difícil, mas era também a única maneira de nos manter vivos.
Usar Klaus como ancora para nos manter vivos é a nossa ultima chance.
O plano é o seguinte: Kol e Elijah estão morrendo devido a mordida, Rebekah está ficando louca por causa da maldição e eu, estou morrendo porque uma vampira me envenenou, certo? Pra ficarmos vivos precisamos de uma ancora, alguém que seja do nosso sangue e que esteja vivo para nos manter vivos. Klaus é a única pessoa — tirando Hope — para ser essa ancora. E irá ser ele.

’s POV

— Isso não vai dar certo, é muito perigoso! — exclamou Hayley, depois de ouvir o plano de Freya.
— Tem como ser um pouco positiva, por favor? — pedi. — Vai dar certo sim, é perigoso mas vamos conseguir!
Todos olham pra mim e concordam.
— Hayley, podemos conversar? — pediu Klaus e a mãe de sua filha concordou e, então, os dois foram em direção à varanda.
Freya saiu também da sala, me deixando com Elijah e o Kol — que estava desacordado.
— Nada vai dar certo — soltou Elijah.
— Claro que vai! Meu Deus, você é pior que a Hayley — falou.
Ele levantou a cara e me encarou por alguns segundos.
— Você está bem positiva ultimamente — comentou, sorrindo.
— Costumava ser mais — sorri pra ele. — Sabe, eu tinha uma amiga e ela era tão positiva e confiante que chegava a dar ódio! Ela vivia dizendo “tudo vai dar certo” ou “você vai conseguir” — contei rindo, me lembrando de Samantha.
— E dava certo? — questionou ele.
— Olha, eu não sei. Algumas coisas sim e outras não. Mas eu acreditava, afinal, ela era uma bruxa! Então era melhor não duvidar.
Ele ri e pensa por um instante, enquanto isso eu tento escutar a conversa de Hayley e Klaus. Percebo que Elijah está tentando fazer o mesmo.
— Eles estão falando muito baixo, oh céus! — digo, olhando incrédula para Elijah.
, me prometa uma coisa? — ele pede.
— Até duas — me arrumo no sofá.
— Eu não sei o que vai ser a partir de agora, então eu quero que cuide de Hope e de Hayley... — ele parece está se esforçando pra falar. — Eu sei que vocês se deram bem e eu não pediria isso a mais ninguém... Me promete?
Sorri com o pedido; ele confiava mesmo em mim.
— Claro que prometo. Fico feliz em saber que confia tanto em mim.
— Eu te conheço há muito tempo e você nunca negou sua lealdade a mim. Sinto que é o mínimo que posso fazer.
Fico emocionada com o que ouço e resolvo lhe dar um abraço. Ele tenta retribuir, mas está muito fraco.
— Parecemos dois irmãos — comento rindo e percebo que ele ri também. — Obrigada por tudo que você já fez por mim! Eu sinto muito por tudo que está havendo, vamos consertar — prometo.
Me desfaço do abraço, quando percebo a presença de Klaus e Hayley na sala.
Hay está segurando Hope.
— Já está indo, Klaus? — pergunta Elijah.
O híbrido concorda.
— Me deixe ir junto, por favor! — implora Hay.
— Você tem que ficar com o Elijah e cuidar de Hope — diz Klaus.
— E então me leve, Klaus — peço.
— Você não tem nada haver com isso — retruca.
— Claro que tem! Por favor! Olha, eu não tenho nada pra fazer aqui, por favor! — imploro ficando em frente à dele.
...
— Deixe ela ir, Niklaus — diz Freya. De onde ela saiu? — Ela não vai ficar quieta até você deixar.
Concordo. Até que ela me conhece bem.
— Está bem — Klaus fala, após soltar um longo suspiro. — Vamos.
Me despeço de todos, dou mais um abraço forte em Elijah e outro em Kol — que está acordado, mas está tendo alucinações com Davina. Dou um abraço em Freya também e digo que tudo vai dar certo — a bruxa está com muito medo.
Todo o caminho de até a casa foi muito silencioso.
— Você está com muito medo, eu também estou — digo. quando chegamos a entrada da casa. — Nessas ultimas horas eu apenas disse “vai dar tudo certo”, mas eu estou morrendo de medo, Klaus.
— Eu entendo você, uh? Mas iremos conseguir, love — ele diz. Quando ele ia sair do carro pedi para que ele esperasse.
— O que foi? — ele pergunta.
— Mais cedo você disse que eu nunca havia dito quem foi o meu primeiro amor... — ele concorda. — Eu sei que isso está muito estranho e ainda não entendo como esperei tanto para lhe dizer isto, mas é você Klaus... Eu te amo!
Ele dá um sorriso de lado e diz:
— Eu já desconfiava... — ri junto. — Quando tudo isso acabar, você me explica direitinho como isso aconteceu, tá? Porque só uma louca pode me amar.
Saímos do carro. Agora era a hora de botar o que eu pouco aprendi sobre atuação em prática — já disse que quando eu era mais nova frequentava aulinhas de teatro? Pois então, eu frequentava. Encontramos Rebekah na entrada e ela e Klaus conversaram um pouco. Pegaram as mãos um do outro e entraram. Eu os seguia.
E então um julgamento começa. Rebekah convenceu Marcel a dar Klaus uma oportunidade de um julgamento por seus pecados, obviamente não vai ser justo, considerando que o destino de Klaus está nas mãos de vampiros de sua linhagem, que procuram por vingança.
E então, Bekah começa fingir que está perdendo a cabeça por causa da maldição e Marcel parece está gostando muito disso.
Eu permaneço calada, só observando o que vai acontecer.
E então, Marcel pega a lâmina do papa Tunde e faz um breve discurso.
— Está lâmina está imbuída em magia negra — ele começa. Já percebo onde ele vai chegar. — Causará uma agonia sem fim. Toda dor que sentimos nas mãos deste homem será pouco em comparação ao que ele sentirá enquanto eu decidir mantê-lo vivo — alguns vampiros agarram Klaus pelos braços e pernas e o seguram deitado. Oh Meu Deus — Por Davina, Diego, Thierry, Gia, Cami e o garoto que eu costumava ser. Aquele que um dia você chamou de filho.
E então ele enfia a lamina em Klaus, que grita desesperado de dor. Começo chorar, vendo o sacrifício que ele fez por sua família!
Após isso, Marcel começou mais um cansativo discurso e eu e Rebekah decidimos ir embora. Era muito para nós.
— Eu vou sentir tanta falta dele — digo chorando, já dentro do carro . — Ele vai sofrer tanto, Bekah.
— Vai mesmo, mas ele foi forte, nunca pensei que Nik faria uma coisa dessas pela família. Ele se superou — comenta.
Sorri pra ela.
Ligo então para Hay, digo a ela que Freya já pode começar o feitiço.
— Vou “dormir” daqui alguns segundos — Rebekah comenta. — , me prometa que você e Hayley vão achar um antidoto, por favor.
— Eu prometo, Bekah, eu prometo!
Ela sorri e logo cai em sono profundo.
— Sentirei sua falta — sussurro.

Dirijo até a entrada da cidade, onde Hayley me aguarda para colocar Rebekah no caixão, junto com seus outros irmãos.
Hayley e eu iriamos juntas achar uma forma de deter Marcel e curar os Originais.
, pode ir entrando. Tenho que me despedir — Hayley pediu, concordo e subo no caminhão.
Enquanto eu aguardava, fiquei na cabine com Hope e percebi que perto da cadeirinha da bebe havia uma carta de Klaus.
— Sentirei falta dele, neném — sussurro pra Hope.
— Está pronta? — questiona Hay, entrando na cabine.
— Estou e você? — pergunto, mesmo sabendo que está sofrendo bastante.
— Claro! Vamos lá.
Me encosto e observo a paisagem fora da janela.
Você está saindo de Nova Orleans”.



Capítulo 7

10 anos depois

’s POV

— Venha, Hope, — digo, a chamando, — vamos deixar sua mãe dormir um pouco.
Esses dez anos foram os mais difíceis de nossas vidas. Eu e Hayley não paramos um segundo sequer de ir atrás da cura. Nesse tempo, Hope cresceu tanto e agora com 13 anos quer mandar em todo mundo — como o pai. A magia de Hope foi usada nesses anos para podermos encontrar as matilhas — sem ela saber, é claro. Durante esse tempo, nós mantivemos contato com algumas pessoas que vivem em Nova Orleans e estas disseram que a cidade está um verdadeiro caos e, com a saída de Klaus do trono, a cidade só piorou mais.
Disseram também que Marcel não está conseguindo lidar com tantos problemas e que agora a igreja é um imenso santuário criado por Vincent e, nele pode entrar humanos, vampiros, bruxas e qualquer ser sobrenatural ou não.
— Eu não estou dormindo. — disse Hayley com voz sonolenta.
— Ah claro, só está descansando os olhos. — respondeu Hope com um tom de ironia.
Eu preciso contar uma coisa pra vocês: Hope é exatamente como Klaus, em tudo! A aparência, o jeito de falar, o modo de se expressar e até algumas atitudes dela é parecida com as do pai. De parecida com Hayley só o cabelo — que agora por incrível que pareça está castanho — e o jeito de falar com os lobos, apenas!
— Hayley você precisa descansar — digo. — Eu e Hope iremos dar uma volta no pântano e você poderá ficar aqui sozinha, é melhor.
— A tia tem razão mamãe, fique aqui.
Já disse que Hope é bipolar? Num segundo atrás ela estava dando uma patada na mãe e agora está assim.
— Tá bem — Eu e Hope sorrimos uma pra outra. — Mas , cuide dela, por favor.
— Pode deixar.
E então, eu e Hope fomos passeando pelo pântano enquanto Hay descansava no caminhão. O veiculo passou a ser a nossa segunda casa.
— Hope, preciso te entregar algo. — ela parou de andar assim que eu falei.
A carta, a carta que Klaus escreveu para sua filha há sete anos. Eu e Hayley achamos que essa seria uma boa hora de Hope ler a carta e entender um pouco mais das coisas.
— Tome — entreguei o papel a ela. — Essa carta foi escrita por seu pai quando você era bem pequena e ele gostaria muito que você lesse.
Nesse tempo todo, eu e Hayley inventamos diversas coisas para Hope não se perguntar sobre a ausência de seu pai e sobre no nosso caminhão ter 4 caixões, mas a menina é esperta e nunca acreditou em nenhuma desculpa, apenas fingia.
Ela ficou com uma duvida entre a abrir a carta ou não, mas abriu e começou a ler em voz alta:

“Minha querida Hope, eu não sei quando isso vai chegar a você. Se vai ser quando uma criança cheia de maravilhas, uma adolescente cheia de opiniões ou uma mulher com o mundo aos seus pés. Escrevo para te dizer que eu te amo e para explicar que na hora mais escura da nossa família, eu fui chamado para salvar meus irmãos e, assim, eu fiz. Por favor, não fique chateada por mim. Seja qual for a dor que eu suportarei, farei em beneficio daqueles que amo. Meu único arrependimento é que eu vou estar longe de você. Seja boa para sua mãe. Ficarei confortável sabendo que ela irá proteger você. E eu sei que ela e não irão descansar até que a nossa família esteja unida. Até lá, meu sacrifício lhe permitirá crescer, para torna-se a bela filha, que eu, agora, só posso imaginar. Por favor, lembre-se que você é o legado que essa família sempre desejou, a promessa que lutamos para proteger.
Você é, e sempre será a nossa esperança.”
— Klaus Mikaelson.

Quando ela terminou de ler estava com os olhos cheios de lagrimas e eu também, essa carta foi uma prova de que Klaus sempre estará com a gente.
— Quem fez isso com ele? Por que o sacrificou? — ela perguntou.
— É uma longa história e eu prometo que eu e sua mãe lhe contaremos tudo.
— Não tia , eu quero saber agora! Sabe, vocês vivem falando que eu sou igual ao meu pai e se eu for tão parecida com ele mesmo, não me sacrificaria atoa, mesmo que fosse pela minha família! Então me conte, por favor — ela implorou e tinha razão.
— Ok, eu vou contar. Mas sua mãe precisar estar junto pra lhe explicar melhor, tá bem? Eu prometo. Vamos voltar — ela assentiu e fomos.
Caminhamos até a rodovia, mas o caminhão não estava lá.
— Tia o caminhão não estava aqui?
— Estava sim, meu amor.
Peguei meu celular e tentei ligar para Hayley, mas ela não atendia.
De repente uma quantidade de pessoas cercou nós duas. Eram vampiros, 20 deles pelo menos.
— Tia, o que está havendo? — Hope perguntou, assustada.
— Eu não sei — respondi sincera. — Mas fique calma, ficará tudo bem.
Tentei fazer algo, mas nada deu certo.
Os vampiros se aproximavam ainda mais.
Até que tive uma ideia.
— Hope, levante suas mãos e diga “iam colla franguntur”*.
(N/A: tradução do latim: que os pescoços deles se quebrem agora.) Ela me olhou confusa.
— O que?
— Diga Hope, diga. Por favor.
Ela fez e todos caíram no chão com o pescoço quebrado.
— O que eu fiz? — perguntou surpresa.
— Lembra-se de quando eu e sua mãe dávamos um mapa pra você e pedíamos para dizer algumas palavras em latim? — ela assentiu. — Então, você estava fazendo magia. Simples, mas era. Agora você quebrou os pescoços de todos esses vampiros com um toque de mágica, ops, de mão.
— Vampiros? Magia? você pode me explicar o que tá acontecendo? — adorava quando ela me chamava pelo apelido, tia era meio... Estranho. Qual é, eu não sou tão velha assim!
— Quando acharmos sua mãe, lhe prometo que explicaremos tudo, tá bem?
Ela concordou.
— Mas onde minha mãe está? — ela perguntou preocupada.
— Eu não sei... Mas todos esses vampiros queriam alguma coisa com nós — deduzi.
— Eles pegaram a mamãe?
— Acho que não, sua mãe conseguira lidar com eles e ela nunca, nunca os deixariam tocar naquele caminhão. O que tem lá é muito precioso.
— E eu posso saber o que tem lá dentro?
Ah claro Hope, seus tios dentro de caixões, surpresa?
— Você irá descobrir em breve, mas lembre-se: é muito importante para sua família. É parte dela — respondo.
— Está bem.
— Vamos dar uma volta? Podemos ver se encontramos sua mãe, vai que ela estava com fome e resolveu para em algum restaurante? — eu juro que não acreditaria que Hayley faria uma coisa dessas, mas disse apenas para tranquilizar Hope.
Quando viramos para seguir em direção a estrada tive uma surpresa.
— Para onde pensam que vão?
Me joguei na frente de Hope, assim que ele se aproximou.
— Saia de perto dela.
— Acalme— se , não farei nada com a Hope. Vim em missão de paz — ele diz se aproximando.
— Quem é ele tia ? — Hope perguntou completamente assustada.
— Ninguém importante, meu amor.
— Qual é , ninguém importante? Sabe, o homem que você ama está aprisionado por MINHA causa, creio que isso tem alguma importância.
— Marcel, por favor, vá embora! — imploro.
— Agora? Agora que eu encontrei vocês depois de um longo tempo procurando? Oh, , me poupe.
, é ele não é? Meu pai teve que se sacrificar por culpa dele! — Hope deduziu.

* Tradução do latim: que os pescoços deles se quebrem agora.



Capítulo 8

Ignorei a pergunta de Hope e foquei em protegê-la.
— Sabe , vocês me enganaram direitinho — falava Marcel, se aproximando. — Eu pensei realmente que os Originais haviam morrido.
— O que você fez com a Hayley? — pergunto desesperada. — Cadê ela?
— Não tão bem... Digamos que ela está sofrendo muito. Assim como o pai da filha dela. Acho que você já imagina como ela está, né? — perguntou sarcástico.
Não acredito, a Hayley. Ai meu Deus.
— Tia...
Interrompi Hope.
— Vai ficar tudo bem, nada de ruim te acontecerá, eu prometo, mas fique quieta. — hipnotizo a garota, que concorda e permanece calada.
Eu nunca fiz isso e acho que nem poderia dar certo, afinal Hope é uma bruxa também. Mas eu precisava falar com Marcel em silêncio e com Hope perguntando sobre Hayley não ia dar certo.
— Agora me diga. Onde está Hayley? Onde estão os Originais? — pergunto novamente a Marcel, que agora está andando de um lado por outro.
— Eu poderia ter mandado todos esses vampiros matar vocês, sabia? — ele pergunta, ignorando a minha pergunta.
— Não sabe fazer o serviço sujo sozinho? — questiono. — Onde está Hayley e os Originais? Me responda! — grito.
— EU JÁ DISSE! Ela está muito bem, sofrendo com diversas estacas no coração dela. E os Originais? Bem... Estes eu não sei. Mandei meus vampiros os levarem para o mais longe que conseguirem. — falou.
— O que você quer, Marcel? — pergunto. — Poderia ter nos encontrado antes e nos matado! Mas por que só agora?
E então ele me encara sorrindo.
— Eu quero você — diz simplesmente.
— O que? — pergunto confusa.
Ele começa se aproximar mais e fala:
— Preciso que volte para Nova Orleans comigo.
— E por que eu faria isso?
— Porque se não fizer, Hayley e os Originais morrerão — ele fala.
Eu o olho incrédula.
Sabe, por mais que Marcel ao longo dos anos tivesse virado um homem cruel e tudo mais, ele não me pediria para ir a NO com ele e nem ameaçaria os Mikaelson assim. Aí tem coisa!
— O que você quer de mim, Marcel? — pergunto.
— Irá saber na hora certa — ele conta. — Mas terá que ir se quiser ver seus amigos vivos.
— Não irei — respondo.
Sério! Isso pode ser uma armadilha, ok?
— Então terei que matar a hibrida na frente de sua filha — ele diz, pegando o celular. Vejo que ele manda mensagem a alguém. Neste momento, abraço Hope, ela está hipnotizada, mas ainda escuta.
De repente um carro chega. E de dentro dele saí Hayley sendo arrastada por um vampiro. Ela esta com o rosto e braços manchados de sangue, sua boca está amarrada com uma corda — que parece estar com verbena.
— Mãe... — sussurrou Hope ao meu lado.
Marcel ri e se aproxima de Hayley. Ele retira a corda da boca dela.
— Você será morta, Hayley — ele comenta, rindo. — Graças a sua amiguinha lá — ele diz, apontando para mim.
— Deixe elas em paz — Hayley pede com certa dificuldade.
Marcel então a pegou pelo pescoço e começou a aperta-lo. Ela estava ficando sem ar, em poucos segundos estaria morta, eu precisava fazer alguma coisa.
— Eu vou com você — digo então.
— Boa escolha — ele diz sorrindo e solta a garganta de Hayley. — Solte-a — disse, falando com o vampiro ao seu lado. — Arrume tudo por aqui, voltaremos para Nova Orleans.
O vampiro então concordou e saiu. Hayley se jogou no chão após ser desamarrada. Vi que ela estava com fome.
— Tome um pouco — mordi meu pulso e estendi para ela, que o agarrou. Senti um pouco de dor, mas precisava ajuda-la.
— Não faça isso . Ele irá te matar — ela falou, se referindo a Marcel. — Que bom então, aí você e Hope ficaram vivas — digo sorrindo. Ela sorriu, agradecendo.
Alguns minutos se passaram, Hope e Hayley estavam abraçadas. A pequena estava com os olhos cheios de lágrimas. Marcel havia saído para buscar o carro.
— Tia , não vá! Por favor — pedia Hope pela trigésima vez.
Sorri e a abracei.
— Eu preciso. Ficarei bem, minha pequena. Cuide de sua mãe — pedi.
— Não precisa fazer isso, sabe lá Deus o que ele fará com você — dizia Hayley.
— Ele nunca me fez nenhum mal, e ele parece mesmo precisar de mim, Hay. E eu sei me cuidar — falei a ela. — Olha, procure a cura. Não desista.
Ela concordou e me abraçou.
— Marcel jogou no rio todos os elementos que havíamos conseguido — sussurrou para mim. A olhei, assustada.
— O que faremos agora? — perguntei.
— Eu vou dar um jeito, apenas se cuide. Por favor, , se cuide — ela pediu.
— Eu vou me cuidar.
E então, o carro de Marcel chegou. Ele saiu e me mandou entrar.
Algumas horas se passaram. O estado da Luisiana ficava longe do estado do Oregon, que era onde nós estávamos.
Eu e Hayley havíamos percorrido praticamente todo os Estados Unidos a procura das curas, só faltava Dakota do Norte e do Sul e era nessas duas cidades as nossas próximas paradas.
O silencio no carro não estava me incomodando, para ser sincera, mas eu precisava perguntar para quê Marcel estava me levando de volta a NO, e por que isso era tão urgente.
— O que está havendo na cidade? — perguntei. Ele me olhou confuso, então resolvi completar. — Você não me levaria de volta por um motivo tosco, apesar de você ser.
Ele riu um pouco e respondeu:
— Preciso que me ajude com algumas coisas — franzi a testa. — E sim, tem haver com a cidade e com os seus habitantes.
— Por que eu? — questionei novamente.
— Porque você é a única que pode me ajudar! , a cidade está um caos, ok? Eu pensei que poderia cuidar dela como antes, mas todos estão com ódio de mim! — ele desabafou.
Concordei então e decidi permanecer calada.
Eu sabia que a cidade estava um caos, mas pensava que Marcel estava dando um jeito.
Algumas horas depois estávamos em Nova Orleans. A cidade estava um pouco diferente desde que saímos de lá: lixos estavam espalhados pelas ruas, o jazz — que era muito comum por lá — havia desaparecido, assim como as pessoas.
— Meu Deus — sussurrei ao ver aquilo.
Marcel dirigiu até o casa — que antes era dos Mikaelson — e estacionou na frente dela. Saímos do carro e então eu lembrei o quando eu sentia falta daquele lugar. Entramos no local e lá haviam vários vampiros.
— Brad... — chamou Marcel, um vampiro de cabelos loiros logo surgiu na nossa frente. — Leve ela até o quarto, não a deixe sair de lá — disse, se referindo a mim. — Você — disse, olhando para mim. — Tome um banho, se alimente... Daqui meia hora iremos sair — falou e eu concordei.

Segui Brad até as escadas. Eu conhecia aquele lugar como uma mãe conhece um filho, mas agora ele parecia tão estranho.
— Ficará aqui — disse o loiro em frente a porta do quarto de Hayley. — Até logo — falou, dando passagem a mim.
Ah, aquele quarto! Permanecia o mesmo. O carrinho de Hope ainda estava ao lado do berço e as fotos na cômoda... Ah!
— Pelo menos isso Marcel não mudou — sussurrei. — Pode me deixar sozinha um pouco, Brad? — perguntei ao vampiro. — Pode ficar tranquilo, não sairei daqui — prometi. Ele então concordou e fechou a porta.

Peguei uma foto que estava na cômoda — Elijah, Rebekah e Klaus — eles estavam sorrindo, estavam tão elegantes, chutaria que estavam em um baile dos anos 20.
— Sinto tanta saudade de vocês — sussurrei para a fotografia.
Me joguei então na cama, ainda agarrada ao porta retrato. Chorei e chorei por minutos. Eu não estava aguentando mais essa situação. É tão ruim ficar longe deles. Sei que fiquei esses últimos anos com Hope e Hay, mas eu me sinto incompleta sem eles.
Lembrei então que tinha que tomar um banho. Peguei uma calça jeans e uma blusinha de manga curta na mala e segui para o banheiro.
Fiquei alguns minutos lá e me troquei.
No mesmo instante, Brad bateu na porta dizendo que Marcel me esperava lá em baixo. Desci então as escadas e segui Marcel pelas ruas na cidade.
— Para onde está me levando? — perguntei.
Ele me encarou por alguns segundos e respondeu:
— Para o cemitério.
— Que? — exclamei — Cemitério? O que iremos fazer lá?
— Visitar uma pessoa que você já não vê há muito tempo — disse simplesmente. Eu não fazia ideia de quem era.
Chegando lá no cemitério, vimos muitas bruxas ao redor dos túmulos — o que elas estão fazendo lá? Será que não perceberam que o mundo dos ancestrais foi destruído? Segui Marcel até uma parede e, escorada nela estava um machado. Ele começou a destruir a parede e eu o olhava completamente confusa.

Klaus’s POV

Senti a parede de concreto se quebrando em minha frente. Eu só podia estar alucinando. Marcel nunca que iria me libertar.
De repente senti meu rosto livre e a luz do sol batia nele. Ah, que saudade dessa sensação.
Percebi que duas pessoas estavam na minha frente.
Marcel — com o olhar cansado e um sorriso no canto de seu rosto. E — com o olhar assustado. Ela estava completamente chocada.
Consegui até ouvir saindo de seus lábios a expressão: “Oh meu Deus! Klaus!” e então, cai em sono profundo.

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Capítulo 09

’s POV

— Oh meu Deus! Klaus — sussurrei ao vê-lo.
Ele, então, desmaiou — se é que eu posso dizer assim. Não entendi por que isso aconteceu e então perguntei a Marcel.
— Ele está fraco, não se alimenta há dez anos. Ver a luz do sol deve tê-lo assustado ou foi alguma outra reação — ele me respondeu. — Vou deixá-la aqui com ele por alguns instantes, converse com Klaus.. Ele já não faz isso há anos — disse saindo.
Eu fiquei lá, parada em frente a uma parede observando um Klaus dissecado.
Ah! Só Deus sabe a falta que eu senti. Eu passei dez anos longe dele! Fiquei observando-o por alguns minutos até que ele despertou.
— Klaus... — sussurrei me aproximando mais ainda. Estava colada na parede, se alguma pessoa normal passasse lá com certeza me chamaria de louca.
— O que está fazendo aqui? — ele perguntou com certa dificuldade. — Era para estar com Hayley e Hope.
— Eu sei... Mas Marcel me obrigou vir até aqui. Disse que precisava de ajuda com alguns problemas na cidade. — Klaus me olhou de modo estranho. — Ele ameaçou matar Hayley, por isso eu vim — falei.
Ele pareceu concordar.
Ficamos nos olhando por alguns instantes. Eu sabia que ele estava sentindo uma terrível dor, mas ainda sim tentava se manter forte.
— Eu senti tanta a sua falta — admiti. — Esses dez anos foram tão difíceis — continuei, já estava chorando. — Hope está tão grande, oh céus! Ela se parece cada dia mais com você.
Pude ver algumas lágrimas caindo por seu rosto.
— Eu mostrei a carta pra ela, aquela que você deixou há anos atrás — falei.
— E o que ela disse? — perguntou.
— Ela perguntou quem fez isso com você — respondi. — E por quê.
Ele assentiu.
— E o que você respondeu? — questionou.
— Disse que explicaria depois, com mais calma. E ela como sempre, negou. Queria saber naquele momento, mas aí eu falei que precisávamos de Hay pra isso e ela havia ficado no caminhão descansando um pouco. Mas quando chegamos, vários vampiros estavam por lá e sem sinal de Hayley ou caminhão — falei. — Sabia que Hope quebrou o pescoço de todos os vampiros que estavam lá? — perguntei e ele sorriu de lado. — Com um toque de magia, é claro, mas ela conseguiu. E aí, o resto você já deve imaginar: Marcel apareceu e nos ameaçou e então me obrigou a vir para cá.
Ele ouvia tudo em silêncio. De certo, estava tentando entender tudo.
— Você tem alguma foto dela? — ele perguntou após alguns instantes.
Assenti e peguei meu celular, o fundo dele era uma foto minha com a Hope. Hayley havia tirado.
Mostrei para ele:
— Veja como ela é linda — falei sorrindo.
Ele sorriu assim que viu a foto.
— Ela é a minha filha, você esperava que ela fosse feia? — ele perguntou sorrindo.
Oh céus! Como eu senti falta desse sorriso.
— Por que será que Marcel precisa de você? — ele perguntou agora sério.
— Não faço a menor ideia — admiti encarando-o. — Mas deve ser algo sério — comentei.
— Ou não — contrariou o hibrido. — Você sabe como Marcel é — ele avisou.
Neguei com a cabeça e disse:
— Não, eu não sei como ele é — falei. — E nem você sabe. Klaus, ele mudou. Ninguém o conhece mais. Ele não é mais aquele Marcel de antes.
Ele concordou.
— Só tome cuidado.
— Você está estranho — observei. — Você não o xingou e nem parece com raiva.
Ele sorriu e falou:
— Você não imagina a quantidade de ódio que eu estou sentindo. Mas não se preocupe, estou guardando para o momento certo.
— E qual seria?
— Você saberá quando chegar.
Concordei e fique lá por mais alguns minutos.
Logo vi Marcel se aproximando.
— Espero que tenham conversado bastante — ele falou sorrindo. — Temos que ir, .
— Vamos deixá-lo assim? — perguntei apontado para Klaus.
Marcel concordou e saiu. Me despedi de Klaus e segui Marcel.

Estávamos quase chegando na casa quando eu perguntei:
— Por que fez isso? — ele me olhou confuso. — Por que me levou para vê-lo? — completei me referindo a Klaus.
Ele parou de caminhar e respondeu:
— Pra você saber que pode confiar em mim — e então ele voltou a caminhar.
— Eu não irei confiar em você, Marcel. Não depois de tudo o que você fez — falei simplesmente.

Chegando a casa, eu fui direto para o “meu” quarto.
Ficar sozinha era o que eu mais queria.
Eu realmente estava confusa, completamente.
Ver Klaus depois de tantos anos foi difícil pra mim. Ele estava tão estranho — tudo bem que ficar 10 anos preso deve ser difícil — mas ele não parecia aquele Klaus de um tempo atrás, entende?

Alguns dias se passaram — uns 15, eu acho — e Hope e Hayley havia. entrado em contato comigo há uns 3 ou 4 dias. Elas estavam bem, na medida do possível.
Eu pensei que esses dias com Marcel iriam ser ruins, mas na verdade... não estão sendo nada de mais.
Eu posso fazer o que eu quiser e até converso com ele em alguns momentos.
Ele não me parece ser uma ameaça, na realidade... ele estava sendo bem gentil.
Mas eu estava ficando entediada, nada estava acontecendo na cidade — pelo o que eu via.
Comecei a ver um movimento estranho na casa e fui lá fora para ver o que era: vários vampiros andavam de um lado para o outro, saiam e entravam na residência.
— O que está havendo? — perguntei assim que vi Marcel.
Ele se virou pra mim e disse:
— Volte lá pra dentro, agora.
Neguei.
— Só sairei daqui quando você me contar o que está havendo — falei firmemente. Ele me ignorou. — Sabe, quando você me obrigou a voltar, eu jurei que você ia me torturar, me ameaçar, jurei até mesmo que me mataria, — admiti — mas você não fez nada disso, você me deixa fazer o que eu quero... — ele concordou e me olhou. — Então, por que diabos você me trouxe pra cá? Eu quero saber, eu quero saber de tudo!
— Vampiros, lobos e bruxas. Isso que está acontecendo — o olhei sem entender. — Depois que Klaus saiu do comando essa cidade virou um caos, eu pensei que daria conta, mas me enganei. Os vampiros, eles... não aceitam nada! Estão matando todos, os lobos saem mordendo os primeiros que veem pela frente e isso gerou uma briga deles contra os vampiros. Já as bruxas, — ele suspirou antes de continuar, — elas estão sem a maior fonte de magia, os ancestrais. Elas estão fazendo de tudo para conseguir outra fonte, outra até mais poderosa.
E então eu finalmente entendi. Não saberia em que seria útil nessa guerra que está começando — pois é, mais uma —, mas creio que Marcel deve ter algumas ideias em como combater as bruxas e eu, provavelmente, estou no meio.
— Você quer a minha ajuda com as bruxas? — perguntei.
— É, — ele concordou, — eu consigo cuidar dos vampiros e lobos, mas as bruxas... Apesar de não terem tanta magia elas ainda são fortes, preciso de você.
— Por quê? Por que precisa de mim? — questionei.
Ele se virou pra mim e respondeu:
— Sua vó era uma, sei que faz algum tempo, mas você deve saber como derrotá-las.
Neguei.
— Eu não sei, me desculpe — falei sincera. — E se elas acharam outra fonte de poder mais poderosa, você precisa tomar cuidado — avisei me virando para sair de perto dele.
Quando estava subindo as escadas, Marcel me chamou.
— O quê? — perguntei ainda de costas.
— Eu libertarei Klaus.



Capítulo 10

- Você vai o que? – perguntei confusa. E eu estava, muito. Ele libertar Klaus? Após 10 anos ele finalmente iria libertá-lo?
- Isso mesmo que você ouviu, irei libertá-lo; preciso de ajuda para vencer essa guerra que está começando.
Desci um degrau da escada.
- Ele te matará – avisei. – Não pensou nisso?
- Pensei que ficaria feliz com a notícia – ele falou.
- E eu estou – falei o obvio. – Mas Marcel, você não faria isso atoa, sem querer nada em troca.
- E eu quero algo em troca – ele se aproximou. – Quero ajuda para vencer essa guerra.
- Ele não vai te ajudar! – falei.
- É o que veremos – ele disse simplesmente, saindo da minha vista.

Quatro dias se passaram.
Já se passaram quatro dias desde o momento que Marcel saiu daqui dizendo que libertaria Klaus. Quatro dias sem Brad sair do meu lado. Cara, ele é pior que carrapato! Cinco dias sem notícia de Hope e Hayley.
Eu estou morrendo de nervosismo, sério! Eu realmente acreditei no que Marcel disse sobre libertar o Klaus, apesar de achar isso tudo uma loucura – não nego que fiquei feliz também, mas nós estamos falando de Marcel e Klaus: relação de pai e filho que, do nada, se transformou num ódio que, pouco tempo depois, virou uma amizade que virou novamente uma inimizade. Confuso? Muito. Pois bem, tratando-se deles quer dizer que coisa boa não vem por aí, certo?
Bom, aqui estou eu no quarto, deitada na enorme cama do quarto de Hayley. Eu estou sentindo tanta falta dela... E da Hope? Céus!
- Brad – chamei o vampiro que estava escorado na porta. Ele me olhou entediado. – Por que você não vai, sei lá... Dar uma volta? – sugeri. Eu precisava ligar para a Hayley e não queria que um vampiro novato ouvisse. – Se alimentar... – continuei.
- Não vou sair daqui, . Esqueça.
Revirei os olhos.
- Ah, qual é! Você tá todo entediado e eu também. Eu só quero ler um livro e não suporto fazer isso com gente me observando. Vai Brad, prometo que não conto pro Marcel.
Ele me encarou entediado novamente.
- Eu não me importo se você contar ao Marcel ou não, você nem ao menos sabe onde ele está – Outch!
Levantei me da cama.
- Eu juro que eu não queria fazer isso, novato, mas você parece estar pedindo.
Rapidamente surgi atrás do garoto e quebrei seu pescoço. Saí da casa logo depois.
Ar puro, música boa e uma rua cheia de pessoas animadas. Eu não via isso desde a minha ida ao cemitério quando fui com Marcel.
Já longe da casa, sentei-me em um banco próximo a grande praça central. Precisava falar com Hay, que no segundo toque me atendeu.
- Graças a Deus, ! – exclamou ela, assim que atendeu. – Pensei que Marcel tivesse feito alguma coisa com você.
- Eu estou bem Hay. Estou tão feliz em ouvir sua voz – sorri enquanto falava.
- Eu também – ouvi ela suspirando.
- Tá tudo bem por aí?
- Tá sim. Estamos entrando no carro neste exato momento. Estamos atrás de uma alcateia. E adivinhe, encontrei a cura para Freya.
Sorri aliviada e feliz.
- Hayley, eu preciso te contar uma coisa, mas, me prometa que não irá surtar – pedi a ela. Eu iria falar sobre a liberdade de Klaus, eu precisava.
- ... – ela pareceu pensar por alguns instantes. – Ok, eu prometo.
E então eu contei. Tudinho. Hayley precisava saber disso, por todos esses anos nós procuramos diversos antídotos e poções, não só para os que estavam dentro do caixão, mas também para Klaus. Confesso que Hayley quase surtou, e eu ouvi ela contando para Hope, que quis logo ver o pai. A garotinha havia ficado eufórica. Minutos depois de conversa, eu desliguei o telefone. Havia ficado tempo demais longe de casa, Brad ou até mesmo Marcel poderiam estar me procurando.

Assim que entrei pelos grandes portões da fortaleza dos Mikaelson’s – ou do Marcel, agora – pude observar duas silhuetas no fundo do jardim. Uma era de Marcel, eu tinha certeza disso, mas a outra... Parecia com a de...
- Klaus! – gritei assim que percebi. Ele virou-se para mim. Ele parecia estar tão bem. Na realidade, Klaus Mikaelson estava ótimo. – Não acredito que está livre! – o abracei.
- E é assim que ele ficará pelo resto da eternidade: livre – ouvi a voz de Marcel soar ao meu lado. Ele e Klaus sorriram um para o outro.
Estranhei.
- Vocês estão bem? – questionei completamente confusa. Ambos me olharam confusos. – Fizeram as pazes?
- Claro que sim! – Klaus exclamou animado.
- Em quatro dias? – perguntei novamente confusa.
- Somos aliados, . Alianças são formadas rapidamente – Marcel disse. – Agora, deixarei vocês a sós. Devem ter muita coisa para conversarem, já que não tiveram muito tempo no cemitério – ele falou, saindo. Pera aí, eu não iria levar bronca por sair? Tá, isso realmente tá muito estranho.
Suspirei.
- Isso tá estranho – murmurei pra mim mesma enquanto sentava no sofá. – Então era isso que você e o Marcel ficaram fazendo nesses quatro dias? Alianças? – perguntei a Klaus, que agora estava sentado ao meu lado.
- Eu me alimentei, tentei matar Marcel. Ele me contou o que está acontecendo e eu resolvi ajudar.
OI? QUE? Como assim? Isso parece estar sendo tão simples, tão fácil. Depois de tudo o que Marcel fez a Klaus, o híbrido vai reagir assim? Como se nada tivesse acontecido?
- Você quer algo em troca – deduzi. – Não faria isso por nada.
O Mikaelson assentiu.
- Quero a cura para os meus irmãos. Depois disso, darei toda ajuda que Marcel precisar.
- Klaus, quando seus irmãos estiverem curados, eles vão querer matar Marcel, assim como você quer! – suspirei, vendo-o me ignorar. – Hayley encontrou a cura para Freya – falei recordando-me da conversa de mais cedo. – Mas ainda faltam quatro matilhas e o antidoto para Rebekah. Nós prometemos liberta-los todos juntos e assim faremos.
Klaus me encarou.
- Não precisaremos esperar, . Marcel têm os antídotos – ele falou enquanto fazia carinho em meu rosto. – Agora, pare de fingir.
- Como assim, Klaus? Do que está faland.. – e então, senti meu pescoço ser quebrado.

- O que a senhora está fazendo, vovó?
- Um feitiço, . Um feitiço.
- A senhora está maluca? Sabe que é proibido, por Deus! Os Mikaelson’s vão matá-la.
- Deve-se lembrar que também somos Mikaelson, – ela comentou. E, eu posso até morrer, querida – vovó parou de mexer em seus ingredientes –, mas eu preciso salvá-la antes – ela me encarou.
- Do que a senhora está falando?
- Essa cidade está cheia de demônios, minha criança. E você só vai sobreviver se virar um deles.

Puxei o ar com toda a força que pude. Era tão bom senti-lo novamente em meus pulmões. Assim que abri meus olhos, pude ver o lugar em que eu estava: num caixão em um porão. Mas o que diabos eu estava fazendo aqui? Por que Klaus fez aquilo? Há quanto tempo estou aqui? Por Deus! O que eu havia feito?

- Todas as suas perguntas serão respondidas em breve, eu prometo. – a dona da voz parecia ter lido meus pensamentos. Eu estaria mentindo se dissesse que não estava surpresa ao ouvir aquela voz.
- Há quanto tempo estou aqui? – encarei a loira que estava do lado de fora do porão.
- Vinte dias – ela falou, abrindo a porta. – Klaus te trouxe pra cá logo depois que quebrou seu pescoço e te enfiou dentro desse caixão. Confesso que fiquei muito surpresa com a visita inesperada – ela me jogou uma bolsa de sangue. – E desculpe ter abrido essa caixa velha só agora, Klaus me mataria se eu tivesse feito isso antes.
Assenti enquanto terminava de beber o sangue.
- Por que ele fez isso, Caroline? – perguntei, saindo do caixão. – Meu Deus, o que eu fiz dessa vez? Por que ele me prendeu?
- Ele não me disse, – ela me abraçou. – Eu sinto muito. Eu senti sua falta.
- Eu também senti a sua – murmurei. – Eu terei que ir até Nova Orleans para perguntar diretamente a Klaus por que ele fez isso – desfiz o abraço.
Ela negou.
- Não volte, por favor , não volte para aquela cidade. Alaric foi para lá na semana passada e ele disse que tudo está um inferno. Tudo. Você não pode voltar pra lá, você vai morrer se fizer isso.
Desta vez, fui eu que neguei.
- Não importa. Eu só preciso tirar essa história a limpo.
Ela balançou a cabeça, sabendo que, nada me tiraria essa ideia da cabeça.
- Você pode, pelo menos, conhecer as gêmeas antes de ir?
Concordei sorrindo.
Durante todos esses anos, desde que eu fui embora da vida dos Mikaelson’s por um tempo, eu visitava sempre Mystic Falls. Eu e toda a família Mikaelson’s ficamos por um tempo lá e eu acabei virando amiga de todos os seres sobrenaturais daquela pequena cidade. Eu criei um vínculo com todos, principalmente com Caroline Forbes.
Assim que chegamos a sala, vi duas garotinhas brincando nela. As gêmeas estavam tão grandes.
- Meninas – Care chamou a atenção das duas. – Essa é a tia . Eu falei bastante sobre ela pra vocês e ela vinha sempre nos visitar quando estava longe de todo o caos que tá tomando a vida dela ultimamente.
Revirei os olhos.
As duas concordaram com a mãe, sorrindo. Apesar delas não serem filhas de verdade da Forbes, elas eram incrivelmente e estranhamente parecidas.
- É um prazer enorme vê-las novamente, meninas.
- É um prazer também vê-la, tia – elas disseram juntas e logo voltaram suas atenções para os brinquedos. Virei-me para Caroline sorrindo.
- Elas estão tão lindas – comentei.

- Eu posso pelo menos tentar convencer você a ficar? – Caroline me perguntou assim que fomos para a garagem. A loira me emprestaria seu carro para que eu fosse até Nova Orleans.
Neguei.
- Eu preciso ir, Care – a abracei.
- Eles vão matá-la assim que chegar lá – ela murmurou. Eu desfiz o abraço.
- Preciso tentar. Mandarei notícias em breve, eu prometo. Ah, espero que me convide para o casamento.
Antes que ela pudesse dizer algo, entrei no carro e dei partida. Próxima parada: Nova Orleans.
Ric estava certo quando disse Caroline que Nova Orleans estava um inferno.
A cidade estava extremamente suja, as pessoas corriam desesperadas de um lado para o outro. Lobos e vampiros lutavam no meio dos humanos, as bruxas também não ficavam de fora. Meu Deus, como era possível toda aquela calmaria mudar tão de repente?
Logo, cheguei a casa dos Mikaelson’s. Tentei entrar, mas, foi em vão. A barreira me impedia, precisava ser convidada.
- Só pode ser brincadeira – murmurei, entrando no carro. Tentei ligar para Hayley mas ela não atendia. Resolvi, então, gritar do lado de fora da fortaleza. Alguém precisava saber que eu estava ali.
- Dá pra parar de gritar? – ouvi uma voz vindo do fundo do jardim, o dono dela parecia surpreso ao me ver. – .
Mas é claro que Marcel havia salvado a vida deles. Tudo para Klaus poder confiar nele novamente.
- Olá Elijah. É bom ver você – sorri.
- O que faz aqui? – ele perguntou.
- Vim perguntar ao seu irmão o porquê dele ter me empalado e mandado para Mystic Falls – respondi. – Eu estou curiosa.
- Você precisa ir embora, – ele disse, virando-se de costas.
Balancei a cabeça.
- O que está acontecendo com vocês, Elijah? – ele parou de andar. – Há vinte dias Klaus quebrou meu pescoço por um motivo desconhecido pra mim, me empalou e me mandou para Mystic Falls. Eu me pergunto o porquê disso! Ai eu tento ligar para Hayley, que não atende, mas eu sei que ela está aí dentro com o celular, eu ouvi o toque. Agora você está me tratando assim, seco. Qual é! Me falem o que está havendo, pois eu juro que eu não sei.
Ainda de costas, Elijah me respondeu:
- Você nos traiu, – ele então, virou-se. – Você traiu a sua própria família.
O olhei confusa. Eu? Trair os Mikaelson’s?
- De onde você tirou isso? – perguntei. – Eu nunca trairia vocês. Nunca!
- Marcel contou a Klaus. Ele contou tudo .
Balancei a cabeça em negação.
- Contou o que? O que aquele vampiro filho da mãe andou inventando desta vez? Antes que Elijah pudesse responder, Klaus surgiu atrás de mim.
- Olha que presença inusitada! Eu espero que esteja pronta para a morte, love. Pois ela acontecerá ainda hoje – e então, tudo ficou escuro.

- Finalmente acordou – ouvi a voz de Hope assim que abri os olhos. – Fiquei preocupada.
- Hope, querida, saia de perto dela. Não sabemos o que ela pode fazer com você – ouvi a voz de Kol.
Revirei os olhos, ainda sem olhar para os dois.
- Alguém pode, por favor, retirar essas coisas do meu pulso? – falei me referindo as cordas batizadas com verbena.
- Oh, ela tem voz! – ouvi Rebekah exclamar no fundo da sala. – Ai , por que fez isso, huh? Agora que terá que aguentar as consequências.
Encarei a loira.
- Se vocês me contassem o porquê de eu estar aqui, presa feito uma traidora pronta pra morte, eu até poderia pensar na hipótese de aguentar.
- Mas é isso que você é, – Kol falou como se fosse óbvio –: uma traidora.
Fechei a cara.
- Por favor, eu imploro, o que foi que eu fiz?
- Ué, . Você se aliou a mim. – Marcel apareceu na minha frente. – Qual é, . Admita. Conte a eles que você estava em Nova Orleans a muito mais tempo que eles imaginavam. Conte a eles que você se aliou a mim para matá-los, para poder vingar-se da morte de sua avó. – OI!? – Ah, não precisa contar. Eu já fiz isso por você – ele sorriu, saindo da minha frente.
Então era isso. Marcel os fez acreditar nessa mentira para poder ter a aliança com Klaus de volta. Ele me meteu nisso, por isso me buscou naquele dia na estrada. Tudo era um plano. Eles caíram feito patinhos e agora, querem matar uma das únicas pessoas em quem eles confiam para poderem apenas ter confiança total em Marcel.
- Me digam que vocês não acreditaram nisso! – pedi com os olhos cheio de lágrimas. – Eu nunca faria isso! Eu nunca trairia a única família que eu tive ao longo de todos esses anos. Séculos! E eu jamais faria pela minha avó. Por Deus, eu os perdoei há mais de duzentos anos. Elijah, Klaus e Rebekah, vocês sabem disso – falei os olhando. – Eu seria uma louca se formasse uma aliança com Marcel para derrotá-los. Eu estaria assinando uma sentença de morte.
- Mas mesmo assim fez – Klaus falou. – Mesmo assim ficou contra nós. Fique aí, , pense em seus atos, na sua vida medíocre, pense em tudo. Pois, até o anoitecer, você estará morta.
Todos saíram do porão, me deixando sozinha. Eu desatei a chorar. Não acredito que morreria por isso – uma mentira. Não acredito que eles acreditaram em Marcel depois de tudo o que ele fez.

Alguns minutos depois, Kol apareceu no porão e trouxe com ele uma seringa com verbena. Eu podia sentir o cheio da erva de longe.
- Vão me torturar até a morte? – perguntei.
Ele negou sentando ao meu lado.
- Estamos preparando algo mais... Emocionante – falou brincando.
- Eu morrerei de forma digna, então?
- É. Talvez – ele disse como se isso não importasse muito. Eu olhei para ele, tentando encontrar algo indicio de que tudo isso era uma brincadeira e que eu não iria morrer, mas não encontrei nada.
- Quando você morreu pela primeira vez, eu enlouqueci. Eu não sei se você via do outro lado, mas eu tentei fazer de tudo para você voltar. Eu pesquisei nos livros da minha vó, rodei quase o país todo a procura de uma bruxa que seria capaz te trazer de volta, mas eu não encontrava nada. Naquela tempo era quase impossível trazer alguém do outro lado, nem Bonnie Bennet conseguia – eu falei, me recordando. – Eu quase sacrifiquei a minha vida para te salvar, Kol. E, quando você voltou, no corpo de um bruxo, eu não consegui te ver, mas eu havia ficando tão aliviada. E então você morreu de novo, e foi a vez de Davina Claire fazer mil e um feitiços para te trazer de volta – eu o olhei. – Eu agradeço muito a ela. Eu agradeço você também, durante anos você foi meu melhor amigo. Um irmão. Apesar de ter essa marra de vampiro bad boy, você é uma pessoa boa, Kol Mikaelson – eu precisava de um momento daquele com Kol. Ele precisava saber. – E aqui estamos nós, você pronto a injetar verbena em mim pra eu poder apagar.
- Por que está fazendo isso, ? – ele perguntou.
- Porque até o anoitecer, eu vou morrer. E, depois de tudo que vivemos juntos, eu precisava que você soubesse. Eu não podia morrer sem fazer isso – minha voz já estava ficando fraca. Pelas minhas contas, eles já haviam injetado verbena em mim pelos menos duas vezes. – Agora vá, injete isso em mim, eu preciso descansar – sorri, fechando os olhos.
Senti ele beijando minha testa e finalmente injetou verbena em mim.

Quando acordei novamente, senti um cheiro de sangue e perfume doce.
- Primeiro um vem me torturar e agora outra vem me alimentar. Isso tá confuso. – eu falei, pegando a bolsa de sangue. Estava faminta.
- Pensei que Kol havia te falado que estamos preparando algo emocionante pra você – Rebekah disse, sentada na ponta da escada.
- É, ele falou algo assim.
Após alguns segundos em silencio, Rebekah se pronunciou:
- Por que fez isso, ? – ela perguntou, referindo-se ao você sabe o quê.
- Eu não vou mais responder nada, Rebekah. Tudo o que eu falo, vocês não acreditam, não sei porque continuam perguntando.
- Tem razão. Mas um dia descobriremos, eu sei disso. – ela se aproximou de mim. – Nós fizemos tudo por você. Fui eu quem te ajudei quando você precisou, eu sempre estive com você. E agora você nos traiu, pensei que nos amava, .
- E eu os amo. Os amo porque são a minha família, e Bekah, eu te agradeço imensamente por tudo o que fez por mim. Se não tivesse feito, eu seria só mais uma vampira sem controle perdida no mundo. Você me ajudou muito e é por isso que eu nunca faria nada contra você e contra ninguém – eu falei, olhando diretamente em seus olhos. – Mas vocês não acreditam em mim. Não tem porque eu ficar falando isso.
Ela concordou.
- Eu queria acreditar, mas não consigo – ela levantou-se e foi até as escadas. – Daqui a pouco alguém virá aqui.
E ela saiu, deixando-me sozinha com meus pensamentos.
E, como a loira disse, minutos depois alguém apareceu. Hayley.
- A família toda virá? – perguntei pra morena que estava apertando as cordas nos meus pulsos.
- Tipo isso.
Assenti.
- Até você está acreditando no Marcel. Depois de todos esses anos que eu estive ao seu lado, você acredita nele – falei, sem acreditar. – Mas confesso que não estou surpresa. Passei mais de duzentos anos ao lado dos Mikaelson’s e eles são os primeiros a dar as costas pra mim.
- Você deu motivos – ela falou, apertando ainda mais as cordas.
- Eu passei dez anos rodando o país inteiro com você e Hope, tentando achar de todo o jeito uma cura para eles e em nenhum momento Hayley, eu mostrei que estava contra vocês. Nunca! Se eu fosse aliada do Marcel, em nenhum momento eu faria aquilo. Eu ficaria aqui em NOLA usufruindo de tudo o que Marcel conseguiu quando derrotou Klaus, mas não, eu fiquei todo o tempo ao seu lado.
- Você quer que eu te agradeça? – ela me perguntou. – Se sim, vai ficar querendo. Sabe o que eu acho, ? Que você sabia que Marcel tinha as curas todo esse tempo e só ficou ao nosso lado para me atrasar enquanto ele acabava com a cidade. É isso o que eu acho. E eu não te agradeço por isso.
- Hayley! Eu nunca faria isso! – ela apertava mais ainda as cordas em meus pulsos.
- Cala a boca, – ela apertou meu rosto com força me fazendo a encarar. Eu havia ficado surpresa com o ato da hibrida. – Eu não confio mais em você, ninguém mais confia. Então, fique quieta e aguarde sua morte.
Ela soltou meu rosto e saiu do porão, me deixando atônita.

Apesar de eu ter tomado uma bolsa de sangue, não estava conseguindo nem respirar direito. Eu estava muito fraca e morreria em poucas horas se eu não me alimentasse direito ou tirasse essas cordas do meu braço. Tudo isso estava acabando comigo.
Logo, alguém entrou no porão novamente. Minha garganta formigou quando senti o cheiro de sangue.
- Se alimente, . Sua hora está quase chegando – Hope falou seca. Parecia até Klaus falando. Ela devia estar com tanto ódio de mim.
- Eu não preciso só disso – falei enquanto pegava a bolsa de sangue. – Eu preciso sair daqui.
- Algo que só vai acontecer, provavelmente, quando você morrer.
Eu a encarei. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e ela estava com uma roupa escura – calça jeans e uma blusa de manga comprida.
- Desde quando você se tornou assim? – ela me encarou confusa. – Seca – completei.
- Desde o momento em que meu pai me ligou dizendo que a minha tia traidora seria morta em vinte dias – ela respondeu. – Sabe, foi difícil acreditar, mas aqui estamos nós.
Assenti.
- Como foi conhecê-lo? – perguntei. Eu sempre imaginei como seria quando Hope e Klaus finalmente se conhecessem, mas, em momento algum, imaginei que seria quando alguém próximo a ela fosse morrer.
- Bom – ela disse simplesmente.
- Ok. Você não quer papo, entendi. Mas, Hope, quero que você saiba de algumas coisas antes de eu morrer – ela nem me olhou, só ficava olhando para as paredes, como se elas fossem as coisas mais interessantes do mundo. – Eu quero que você saiba que eu sempre te amei, durante esses dez anos, eu te amei como se fosse uma filha – ela me encarou. – Quero que você respeite sua mãe como sempre fez, sempre a ajude e, quando ela estiver passando por dificuldades, a abrace. Ela ama quando as pessoas a abraçam quando ela chora. Segundo ela, Hay se sente mais confortável e bem ao saber que tem alguém ao seu lado pra tudo – ela concordou. – Sobre os seus tios, eles são pessoas maravilhosas. Você pode até os achar meio loucos as vezes, mas eles vão ser as melhores pessoas que você pode conhecer na vida. Até Freya. – eu ri e ela abriu um sorriso – Eles são diferentes dos convencionais, eu sei, mas eles são a sua família. Então não os perca. Quero que saiba que, será difícil conviver com seu pai, ainda mais agora que vocês mal se conheceram. Em alguns momentos você vai se chatear com ele, mas o entenda. Seu pai teve uma infância difícil e ele fará de tudo para compensar aquilo que o pai dele não deu. Em alguns momentos ele vai errar, mas saiba que ele está tentando. Tudo o que ele fez foi pela família dele, por você, então, o compreenda. Por favor – ela concordou novamente, agora se aproximando de mim. – Hope, eu quero que você sempre se dedique a sua família. Eles são os maiores tesouros que você tem, são as únicas pessoas em quem você pode confiar realmente. Eles nunca te abandonariam, então, por favor, leve o lema Always and Forever sempre com você, pois a família é pra sempre e ela será eterna enquanto todos viverem – ela sentou na minha frente e segurou minhas mãos. – E lembre-se sempre do que eu disse. Lembre-se que por dez anos você teve uma tia louca que sempre tentou te mimar, e que apesar de você achar que ela é uma traidora, ela sempre te amou e nunca faria nada pra te prejudicar.
Ela estava com os olhos cheios de lágrimas.
- Eu amo você, tia . Eu sempre vou te amar. – ela me abraçou. – Eu acredito em você, sabe, durante esses dias eu não achei que você seria capaz de nos trair.
- É bom saber disso, minha pequena – eu falei, enquanto chorava. – Pelo menos um. Hope, olhe pra mim – ela fez isso. – Lute pela sua família, por favor, lute por eles. Você é a única salvação. Você é a única esperança deles.
Ela assentiu enquanto chorava ainda mais.
- Eu não posso deixar você morrer, titia. Não posso.
- Não tem mais volta. Já está quase anoitecendo.
Ela me abraçou novamente.
Logo, a porta do porão foi aberta e Klaus entrou lá.
- Já está na hora. Vamos Hope, saia daqui. Essa traidora morrerá.
Hope me olhou por uma última vez, seu olhar tinha um jeito como se ela estivesse pedindo desculpa.
Os dois saíram e me deixaram sozinha novamente. Minha hora estava chegando.

Do nada, uma luz muito forte saiu do além e quase me cegou. Parecia um tipo de portal sendo aberto.
Várias vozes rodeavam minha cabeça e, quando eu conseguir observar direito o portal, minha vó saia lá de dentro.
- Vó? – perguntei sem acreditar. Ela deveria estar morta. – O que está havendo?
Ela sorriu, se aproximando de mim. Pude sentir as cordas dos meus pulsos se soltando.
- Eu não posso deixar você morrer, minha criança – ela falou. – Você ainda tem muito o que viver.
Então, tudo se apagou.


Continua...

Nota da autora: (08/07/2017) Olá galera! Eu espero, do fundo do meu coração, que vocês tenham gostado desse capítulo. Preciso dizer que deu um trabalhão escrevê-lo, pois a partir dele TUDO vai mudar. Vai rolar muitas e muitas reviravoltas nos próximos capítulos, coisas inacreditáveis vão rolar a partir de agora! Até que enfim eu dei uma capitulo longuinho pra vocês, né? Então, aproveitem e o amemm assim como eu amei essa cap! É isso, beijão e até a próxima. :*

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