The Neighbor

Autora: Iza Costa | Beta: Mily

Capítulos:
| 01 | 02 | 03 |


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Capítulo 1

’s Point of View

... ... acorda – senti uma mão me sacudindo de leve. Levantei a cabeça, percebendo que eu ainda estava na sala de aula e, provavelmente, caí no sono sem perceber. Notando que só tinha eu e minha melhor amiga Zoe naquele ambiente chato, provavelmente todos saíram, deveria ser o intervalo.
— Não acredito que dormi no meio da explicação de física — disse meio sonolenta. Olhei para frente, vendo alguns rabiscos no quadro e deduzi que fosse alguma coisa a ver com eletricidade.
— Sim, você dormiu de novo . Você prometeu que ia se esforçar. — Zoe disse brava e tinha motivo.
Ultimamente tenho tentado estudar mais, o que me deixou um pouco cansada, fazer o quê. Era meu último ano naquela escola. E meu maior problema era tal da física, eu tento entender, tento mesmo, mas sempre acabo dormindo na explicação.
— Me desculpe, Zoe. Sei que prometi, estou me esforçando bastante. Tanto que caí no sono por conta que fiquei até tarde estudando. — Fiz bico pra ver se ela aliviava a bronca e levantei da minha cadeira, indo em direção à porta da sala. Eu entendia porque ela estava com raiva, Zoe é minha melhor amigas desde meus 10 anos tudo nós fazíamos juntas. Ir para faculdade estava nos nossos planos. Eu quero me especializar em marketing, já a Zoe em psicologia, o que realmente é a cara dela.
— Ai tá . — disse Zoe, me acompanhando lado a lado.
Fomos para o refeitório, pegando o lanche do dia torta de frango e suco de uva e me sentando logo depois em qualquer uma das mesas vazias dali. Dei uma olhada ao redor, vendo como era a High School Seattle, como os famosos grupos de classes sociais ou estilos. Estávamos divididos nos principais grupos: no centro, como sempre, os populares, do lado o clube de música, do outro lado, o clube de teatro. Sem contar os arredores que tinha gente comum, como eu e Zoe.
Eu não fazia parte de nem um desses três grupos, até porque, não me importava nem um pouco. Pra falar a verdade, eu não era popular e muito menos a clássica menina nerd, esquisita e isolada do mundo. Não, definitivamente não sou assim. Posso ter dinheiro, pois sou herdeira de uma das mais famosas empresas de cosméticos de Seattle, mas não me exibo meu dinheiro e muito menos minha classe social.
, você viu o ? — Zoe perguntou-me, enquanto procurava o seu "crush".
, o sub capitão do time de beisebol, o crush mais que querido da minha melhor amiga. tinha 1,78 de altura, os cabelos cacheados da cor castanho e olhos verdes; um verdadeiro príncipe. E Zoe tinha sorte disso, ela é amiga e vizinha dele desde os 11 anos e apaixonada desde os 12, e o sentia a mesma coisa por ela, mas os dois são tímidos e não se resolvem. Meio idiota da parte dos dois.
— Deve está por aí, Zoe; se acalma. — Disse, levando meu garfo cheio de torta de frango à boca. Senti uma mão em minhas costas e escutando uma voz rouca dizendo um "oi meninas". Era ele. Zoe tratou logo de abrir um sorriso de orelha a orelha, no mínimo deveria disfarçar, já que não queria falar que gostava dele. —Viu? Eu disse que ele estava por aí, não precisava ficar preocupada.
— Cala a boca, — disse Zoe, chutando minha canela por debaixo da mesa. — Não liga pra ela , a não dormiu muito bem e está falando coisa com coisa. — Ele riu, sentando logo perto dela.
— Oxe, calei a boca então, estou nem aqui mais, até fui excluída — cruzei meus braços, fingindo estar brava. O que não adiantou muito, pois o sino tocou. — Nossa, o intervalo foi pequeno hoje. O que será que aconteceu?
— Não foi pequeno não, o que aconteceu foi que fiquei 10 minutos tentando acordar você, que parecia que não ia acordar. — revirei os olhos, sabendo que, às vezes, Zoe exagerava.
— Okay. Vou fingir que é verdade. O próximo tempo é de história, o que significa que não vou dormir, viu Zoe. — Me levantei da mesa, olhando pros dois que ainda estavam sentados e só faltavam se abraçar.
— Pelo menos isso né? — fiz bico. Zoe tecnicamente me chamou de burra. Não sou burra, só tenho dificuldade em física e matemática.
— Vamos logo né minha gente. O sinal já tocou já faz 5 minutos. — Zoe se levantou e se virou pro . — Ah, , que tempo você tem agora?
— É de história também, vou ficar perto de vocês duas — o cacheado disse, abrindo um sorriso lindo com covinhas que, particularmente, era seu charme, fazendo minha amiga ficar vermelha.
Paramos de bobeira e entramos na nossa sala junto com a professora de história. A hora da saída chegou mais rápido do que o esperado, graças a Deus, não que eu não gostasse de estudar, eu gostava muito, mas hoje estava difícil e chato.
Me despedi de Zoe e , indo pra garagem pegar meu carro. Entrei no mesmo e fui direto pra casa. Não demorou muito até que eu chegasse em casa, estacionei na minha vaga, desci e olhei para lado, notando um movimento diferente na casa ao lado. Um caminhão e uma BMW preta estacionados na frente da casa vizinha, acho que alguém devia está se mudando, dei de ombros e entrei em casa que pelo visto não tinha ninguém.
— Menina , que bom que chegou, preparei uma deliciosa comida pra você. — a voz doce de Martha preencheu a casa silenciosa.
Martha era a governanta da casa, uma mulher de 53 anos, uma pessoa maravilhosa e era como se fosse minha segunda mãe cuidava de mim enquanto meus pais trabalhavam, mas pra falar a verdade ela faz isso até hoje. Amo muito a Martha e eu não sei o que seria de mim sem ela.
— O que você preparou? — perguntei, chegando mais perto dela e lhe abraçando. Já disse que Martha tem o melhor abraço?
— Preparei Ori los¹ e Jeon², ouvi dizer que você queria comer, resolvi fazer pra você com todo meu amor. Espero que goste menina — disse, trazendo o prato com minha comida coreana favorita.
Sim, isso pode ser estranho, mas eu amo comida coreana. Quando eu tinha 13 anos me mudei para a Coreia do Sul por conta do meu pai abrir uma filial lá, aproveitamos que ele estava abrindo lá mesmo e resolvemos morar lá. E foi uma das melhores fases da minha vida.
— Obrigada Martha, deve estar delicioso como tudo o que faz. — experimentei o Jeon primeiro, vendo que realmente estava ótimo.
Enquanto comia, me lembrei da casa do lado, o caminhão e a BMW. Quem será que está se mudando pra nossa vizinhança? Será que é uma família grande? Mas não tem cara de que seja, pois tem uma BMW e isso não é um carro pra uma família normal ter. Deve ser um adolescente qualquer que acabou de sair da casa dos pais. A curiosidade foi maior e acabei chamando Martha pra perguntar se ela sabia quem era o novo vizinho ou a nova vizinha.
— Martha, você sabe quem é o vizinho novo? — perguntei, recolhendo o prato de comida que já tinha acabado e colocando na pia.
— Menina, deixe que eu limpe, esse é meu trabalho — disse, vindo atrás de mim, tentando me impedir de tirar a mesa. — E não, eu não sei quem é, por que menina? — Martha me olhou com os olhos semicerrados, já até sabia o que ela estava pensando.
— Curiosidade, só isso. — disse, sorrindo levemente. — Só curiosidade — sussurrei, subindo as escadas e indo direto para meu quarto, onde tratei logo de me deitar e cair no sono.

O jantar estava pronto e meus pais estavam a mesa junto comigo. De pouco em pouco Silene — nossa outra empregada — foi colocando a comida na mesa. Me servi primeiro e, em seguida, meus pais.
como foi a escola hoje? — perguntou-me papai. Era sempre a mesma coisa, nós sentamos à mesa, comemos e falamos sobre escola e qualquer outra coisa voluntária. Por mais que não tínhamos um vínculo muito grande, eu amava a hora do jantar.
— Foi boa como sempre papai — respondi, cortando a carne que estava no meu prato e colocando em minha boca. — Assim que eu acabar de jantar, irei estudar.
— Ótimo . Assim que deve ser, temos muito orgulho de você — mamãe resolveu se pronunciar. E assim que se passou a hora do jantar com conversas paralelas e elogio.

Subi para meu quarto para estudar. Peguei meu caderno e meu livro, começando a rever sobre eletricidade. Além de eletricidade, estudei a matemática também. Peguei meu celular pra checar se continha alguma mensagem, mas não continha nenhuma; olhei no visor que marcava 23:00. Comecei a pensar como um sorvete cairia bem agora. Desci as escadas devagar pra não fazer barulho, uma hora dessas, meus pais deveriam estar dormindo, então quanto menos barulho melhor. Fui para a cozinha, abri a geladeira e comecei a procurar pelo bendito, não o encontrando. Isso é meio estranho, já que aqui em casa tinha tudo.
Quer saber? Eu quero sorvete e eu vou ter, vou ao mercado 24 horas. Pego meu carro e volto sem meus pais perceberem. Isso, vou fazer isso. Olho para baixo, vendo minha vestimenta: um pijama curto do meu desenho favorito: hora de aventura. Ah, que se dane não vai ter ninguém lá, só o atendente. Peguei minhas chaves e tentei fazer menos barulho possível para não acordar ninguém.
Cheguei ao mercado e fui logo procurando a sessão dos frios e gelados. Admito que parecia uma criança procurando um doce do que uma pessoa normal. Olhei mais adiante e vi a seção. Procurei pelos sorvetes e, pegando sorvete de napolitano que eu tanto queria. Agora eu podia voltar pra casa.
Mas algo me impediu de ir até o caixa e realizar minha compra, algo forte e duro, que me faz cair no chão e levando meu sorvete junto. Olhei pra cima, me deparando com um ser maravilhoso. Era o cara mais lindo que vi em toda minha vida.

1 Pato cru em fatias com salada. Culinária coreana.
2 Massa frita, a base de farinha e ovo, lembra uma panqueca: macia e de boa consistência. Culinária Coreana.



Capítulo 02

A vergonha era evidente em meu rosto e minhas bochechas estavam esquentando.
Ele estendeu sua mão para que me levantasse e não hesitei em pegar. Após me levantar, limpei o short do pijama. Olhei demoradamente para ele.
Ele vestia uma bermuda preta, camiseta branca e sandálias. Por mais que ele estivesse simples, ele estava bonito. Era branco dos lábios grossos; os olhos, castanhos.
O rapaz tinha uma beleza diferente.
— Tudo bem contigo, se machucou? — Perguntou-me o desconhecido. Ele tinha uma voz grossa que me causou arrepios. Assenti em resposta. Já o estava observando demais.
— Que bom! Desculpe-me, pois não vi você. Acho que preciso te comprar um sorvete.
Ele olhou um pouco adiante e segui seu olhar. Meu sorvete estava todo derramado no chão.
— Ahm… Não precisa. Essas coisas acontecem — tentei soar o mais confiante possível. Ficar perto dele com aquela beleza toda não estava sendo fácil.
— Nada disso! Eu faço questão. — Novamente assenti, até porque ele iria não me deixar ir embora e eu precisava voltar pra casa.
CASA.
Eu precisava voltar pra casa. Corri o mais rápido possível e peguei o sorvete, dessa vez indo para o caixa sem ninguém para me atrapalhar. Pelo menos era isso o que eu achava.
— Hey... Calma. — Disse o desconhecido rindo e se colocando do meu lado.
— Olha, moço, eu tenho que ir embora. Acabei saindo meio que escondida só por causa desse sorvete, mas não posso ficar enrolando muito. — O atendente com cara de nerd olhava pra nós com um olhar entediado.
— É... eu percebi pelo seu belo traje.— Seu olhar caiu sobre mim, o que me fez corar. Tenho que me lembrar de nunca mais vir de pijama para um supermercado. — Olha eu disse que iria pagar e vou.
O desconhecido pegou sua carteira e depositou o dinheiro no balcão do caixa, que o nerd logo pegou. Ele colocou na sacola em seguida me entregou o sorvete.
— Pronto, apressada. Espero que aproveite bastante o sorvete. — Ele passou a língua nos lábios. Por um momento achei que ele estava me seduzindo. Se não estava, conseguiu do mesmo jeito.
— Obrigada. — Olhei uma última vez para o desconhecido e fui embora.
Cheguei em casa do mesmo jeito que saí: em silêncio.
Entrei em casa indo direto pra cozinha pra pegar uma colher para comer aquele bendito sorvete. Sentei em cima do balcão e, enquanto comia o sorvete, meus pensamentos me levaram direto naquele homem. Aquele gostoso! Era para ele ter ao menos me beijado. Balancei a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos malucos. Eu nem sabia o nome dele.
Desci do balcão e deixei o sorvete na pia. Eu já nem queria mais aquilo ali. Subi as escadas indo direto para meu quarto. Preciso tentar dormir, pois amanhã eu tenho aula. Deitei-me na cama de lado, mas os pensamentos sobre ele vieram à tona de novo. Mas que droga! Eu quero dormir!
, esquece isso! Você nunca mais vai ver o tal desconhecido bonitão e educadinho. Eu pensei.

Acordei com o mesmo sentimento de todos os dias: preguiça e sono. Saí da cama apressada e fui em direção ao banheiro. Fazendo assim, minha higiene pessoal.
Peguei qualquer roupa que tinha no guarda roupa, vestindo-as logo em seguida. Pegando minha mochila e descendo as escadas da minha casa.
— Menina, você está bem? — Perguntou-me Martha.
— Sim, Martha. É só sono mesmo. — Sorri.
Ela pegou nosso café da manhã e colocou na mesa. Convidou-me para sentar e comer.
— Não, Martha não vou comer isso tudo! Eu preciso ir. Vou comer só uma maçã. Poderia pegar pra mim? — Apontei pra fruta que estava em cima da mesa, em uma bandeja. Ela pegou e me deu. — Obrigada. — Levantei-me da mesa e saí de casa.
Eu não queria ir pra escola hoje (como sempre), mas eu sabia que não podia faltar. Prometi pra Zoe — maldita promessa. Eu só queria ficar sonhando com o senhor bonitão e saradão que eu vi hoje de madrugada. Ô homem que gruda na cabeça! Cheguei na escola e logo vi Zoe e conversando. Andei em direção a eles.
— Oi, pessoal. — Cumprimentei os dois que estavam à minha frente.
— Nossa que animação, . Meu Deus, me animou bastante! — Ironizou a loira. Minha voz não enganava mesmo.
— Hey, se anima, ! Você tem um motivo pra ficar alegre. — disse rindo, tentando me encorajar. Eu não queria espairecer, mas mesmo assim perguntei:
— Qual é o motivo? — Quis saber. Já que ele estava falando, deveria ter mesmo.
— Amanhã é sábado. — Ele disse, batendo palmas parecendo uma criança quando ganha doce. Na verdade, eu sempre pensava isso, porque nem parece que é o vice capitão do time de beisebol e sim uma criança. Até cara ele tinha.
! — Alguém gritou meu nome, o que me fez dar um pulo, assustada. — Odeio quando você ignora a gente. Odeio. — Disse Zoe. Eu deveria saber que era ela que tinha gritado.
— Desculpe-me.
— Está tudo bem.
O sino bateu logo em seguida. Caminhei junto com meus amigos para dentro da sala de aula. Primeira aula seria de biologia. Pelo menos uma matéria que eu gostava.

Todas as aulas tinham acabado e eu estava voltando pra casa, e para falar a verdade, não foram tão chatas assim. Talvez era só por conta que dormi tarde por culpa daquela maldita vontade de tomar sorvete. Pensar em sorvete me vem à cabeça aquele homem belo dos olhos castanhos. Aquele sorriso lindo e mãos grandes poderiam fazer um estrago... Balancei a cabeça, me recompus. Estava dirigindo e pensando nas mãos de um desconhecido em mim. Qual era o meu problema?
Estacionei meu carro em frente à minha casa, saindo. Olhei pro lado diretamente para casa dos vizinhos novos que eu não conhecia e que nem davam as caras. Meio estranho, já que geralmente todos que se mudam se apresentam. Podem ser pessoas solitárias que não têm tempo ou não gostam de apresentações.
— Ah, que saber? Vou dar uma olhada. — Disse baixo.
Pisei no gramado do vizinho indo em direção a porta da frente. Pensei em bater, mas não era uma boa ideia. Dei uma rodada em torno da casa. Era uma típica casa americana. Cheguei no quintal rezando para que não tivesse cachorro, pois não quero ser mordida. E eles podem me entregar. Dei mais uma olhada não encontrando nada. Estava tudo em perfeito estado. Voltei pra casa como se não tivesse acontecido nada.

A comida já estava pronta quando entrei em casa. Peguei um prato, um garfo, coloquei a comida e comecei a comer. Comi e subi pro meu quarto. Queria muito conhecer o vizinho novo. Por que ele não aparecia? O mais estranho é que ele possuía um carro chique. Deve ser jovem, porque acho que pessoas mais velhas não se interessavam por carros da moda ou coisas desse tipo. Meus pensamentos foram cortados pelo toque do meu celular.
Tateei o bolso de trás da minha calça achando o aparelho. Olhei o visor e era Zoe. Atendi no mesmo momento.
— Fala, loira! A que devo a honra? — Disse, rindo e também arrancando uma risada dela.
— Quero que você venha aqui em casa. Estou sozinha e sei que você não vai fazer nada. — Disse, mandona.
— Quem disse que não? Tenho um encontro mais tarde e preciso me preparar. — Segurei um riso com a pequena mentirinha.
— Encontro? Aham...sei. Vem logo, vagabunda. — Disse descobrindo minha brincadeira. Nem sei porquê ainda fazia essas brincadeiras já que ela sempre sabia. Odeio ela me conhecer tão bem.
Oxente, quanto amor. — Falei fingindo estar ofendida.
— Cala a boca, . Vem logo.
— Está bem. Estou indo, agressiva! — Disse procurando minha chave.
— Sei que você me ama. Tchau. Venha logo. — E desligou a ligação sem me deixar responder um "tchau". Nossa, que pressa! Tinha algo errado e tinha quase certeza que o causador de tudo era .
Lembrei que a chave estava na mesinha de centro da sala. Desci as escadas, pegando-as chaves logo em seguida.
— Martha! Martha! — Chamei a governanta, que veio rápido.
— Sim, menina. — Disse com uma expressão preocupada. Acho que exagerei na gritaria.
— Vou passar a tarde na casa da Zoe. Se eu demorar para o jantar ou algo assim, sabe onde estou. — Ela balançou a cabeça em concordância.
— Tome cuidado, menina. — Martha me deu um abraço, se despedindo de mim.
Saí de casa, pegando meu carro e indo pra casa da minha amiga.
Em 8 minutos cheguei em frente a casa de Zoe. Estacionei ali mesmo. Entrei dentro do local, até porque eu já era de casa. Óbvio. Encontrei minha amiga esparramada no sofá.
— Cheguei, monamour. Qual é a urgência? — Perguntei, tentando tirar os pés da Zoe do sofá para poder sentar.
— Não é urgência é só… Sei lá. Queria passar a tarde com você, conversar... — Disse meio triste.
— Ah, eu sabia que tinha alguma coisa errada. Desembucha.
— É o , . — Disse, endireitando-se e abaixando a cabeça.
— O que esse filho de quenga fez? Quebro a cara dele. — Disse, exaltando-me logo. Mesmo ele sendo meu amigo, eu defenderia minha amiga com unhas e dentes.
— Ah, ... Ele está diferente. Não conversa mais comigo e depois que você foi embora, a Mandy chegou convidou ele para um encontro. ficou todo animado. — Se as lágrimas nos olhos delas ainda não caíram, estavam prestes a cair.
— Zoe, não fique assim. — Abracei a loira, fazendo um cafuné. — A Mandy pode ser sim uma vagabunda, mas o não seria capaz de pegar aquela oxigenada. — Ela riu com meu comentário sobre Mandy. O que é? É verdade. — Acho que você deveria desprezá-lo. Quem sabe ele não te note mais e sinta sua falta?
— É, pode ser. Obrigado pelos conselhos. — Disse com um sorriso brotando entre seus lábios.
— De nada, mas vamos parar de ficar nessa deprê e vamos fazer algo útil. — Falei levantando e indo pra cozinha sendo seguida por ela.
— O quê, por exemplo?
Ué? Assistir nossas séries favoritas. Que tal? — Disse, chegando perto dela e apertando sua barriga, o que fez ela rir por conta da cócegas que ela sentia.
— Ótima ideia. Vou ligar a TV e vamos ver Beauty And The Beast. — Disse, mais calma.
— Eu fico com a parte de fazer a comida.
Zoe ajeitou tudo e começamos a assistir à série. E passamos a tarde toda assim: comendo besteira e assistindo nossa série favorita.
Acordei com barulho de porta batendo. Levantei e notei que era a mãe de Zoe.
— Oh meu Deus! Desculpe-me, . Não sabia que vocês estavam dormindo. Não queria acordar você. — Tentou se desculpar. Olhei para o lado e minha melhor amiga estava mesmo dormindo.
— Tudo bem, senhora Thopsom. — Sorri. — Acho que está na hora de ir embora.
— Tudo bem, querida.
Acenei em resposta e saí da casa de Zoe. Voltando para minha. Peguei meu celular e olhei o visor. Eram 23 horas. Acho que fiquei muito tempo na casa de Zoe. Entrei em casa e pelo visto todo mundo já estava dormindo, já que a casa estava em silêncio.
Subi as escadas. Queria tomar um banho para relaxar e dormir. Entrei no banheiro do meu quarto, tirei toda a minha roupa e liguei o chuveiro. Logo estava me deliciando com aquela água maravilhosa. Não sei quanto tempo fique no banho, mas sabia que seria hora de sair já que minhas mãos começaram a enrugar.
Peguei um pijama e comecei a me vestir. Um flash de luz invadiu todo meu quarto. Olhei pra trás, vendo um vulto em minha janela. Corri em direção à janela, mas acabei não encontrando nada. Jurei que tinha visto algo. Acho que era coisa da minha cabeça. Deve ser sono.
Terminei de me vestir e joguei-me na cama. O sono profundo veio logo em seguida.


Capítulo 3

Você é um gin e um suco
Eu quero você todo pra mim metafórico
Então vamos lá, me deixe experimentar o gosto
Do que é estar perto de você.

- Hands Myself, Selena Gomez


Acordei e era aproximadamente umas 8 da manhã. O que eu fazia às 8 horas da manhã de sábado acordada? Pois bem, era um caso a se pensar.
Levantei da cama e fui fazer minha higiene matinal.
“Poderia muito bem dá uma caminhada”, pensei. É isso mesmo que vou fazer.
Coloquei uma roupa adequada e desci as escadas, procurando alguma coisa pra comer, porque sair com o estômago vazio era o ô. Encontrei um maçã na fruteira e a peguei.
Saí de casa e, enquanto caminhava, eu comia. Nada melhor que comer e andar.

A caminhada e a maçã estavam boas, mas optei por só andar alguns quarteirões mesmo. A preguiça reina e não quero ser tão fitness assim não.
Voltei pra casa e vi aquela maldita casa do vizinho que parecia que não tinha ninguém. O que custava dar mais uma olhada?
Talvez sua vida. Você pode ser pega, ”, pensei.
Quer saber, eu vou mesmo lá; que se dane meu pensamento, mas que, por favor, eu não seja pega, Deuszinho. Adentrei a área da casa do vizinho “misterioso”, olhando pros lados pra ver se não tinha ninguém me vigiando e não tinha mesmo. Dessa vez tinha o mesmo carro que eu vi no dia da mudança em frente à casa. Talvez ele esteja em casa dormindo. Ou não. Rezo pra que segunda opção permaneça.
Andei até uma janela mais próxima, dando uma bela olhada no que tinha dentro daquela casa. A janela onde eu estava era a da sala. O lugar era bem limpo, sem bagunça, com móveis todos alinhados, as paredes eram brancas e tinha um tapete no centro da sala vermelha.
- Posso ajudar em alguma coisa? – Uma voz falou e eu pulei no mesmo instante pelo susto que tomei. – Posso ajudar em alguma coisa? – A pessoa perguntou novamente.
Virei-me pra frente me deparando com ele; o desconhecido.
Minhas bochechas coraram em questão de segundos. Já ele, olhava seriamente pra mim com os braços cruzados em cima no peito. Ele vestia uma bermuda e uma camiseta cinza. Suor impregnava em sua camisa e em sua testa, que o fazia brilhar um pouco. Talvez poderia ele estava fazendo uma caminhada também. Olhei em seus pés e os tênis estavam neles, concretizando minha teoria.
- Moça, só vai ficar me olhando aí? Quero saber o que você fazia perto da janela da minha casa. – Pisquei duas vezes pra voltar ao normal. A carranca na face dele era bem visível. E agora? O que devo falar?
“Ué, vim ver se meu vizinho que nunca aparece estava em casa porque, como eu disse, nunca aparece”, pensei. Mas óbvio que não iria falar isso.
- Ah... E-Eu estava caminhando e sempre quis ver c-como era essa casa por dentro. – Disse, com a voz vacilando. – Aliás, eu sou sua vizinha. – Estendi minha mão para cumprimentá-lo.
- Acho que você já viu tudo, né?! Está na hora de ir embora para sua casa. – Baixei minha mão, vendo que ele não ia tocá-la, já que não fez nem questão de olhar.
Oxente, cadê o cara que eu tinha conhecido. Ele era mais educado!
“Sumiu, era fachada”, pensei.
- É, realmente. Desculpe-me. – Baixei a cabeça, pronta pra ir embora.
Senti uma mão em meu braço e olhei pra cima, vendo ele ali na minha frente, tocando-me. Ele abriu uma gaitada em seguida.
- Você acreditou nisso? – perguntou ele, ainda rindo. – Foi uma brincadeira, apressadinha.
Mas o quê? Esse cara é doido. Só pode, pensei.
- Olha eu não gostei nada dessa brincadeira. – Resolvi me pronunciar. Olhei meu braço onde ele pressionava a mão. Meu movimento fez com que ele tirasse logo em seguida. – Não foi nada engraçado. – Cruzei os braços com raiva, olhando diretamente pra ele.
- Desculpe-me, chamo-me . – Estendeu a mão em minha direção. Agora ele quer cumprimentar? – Posso saber seu nome? – Perguntou.
- Chamo-me . . – Disse fracamente.
- Bonito nome, . Você não quer entrar e conhecer minha casa, já que estava tão curiosa assim para conhecê-la? – Apontou o dedo para a residência. Minha bochechas coraram.
- Não, obrigada. Preciso ir para minha casa. – Girei meu corpo em direção aonde morava.
- Fico muito feliz em saber que sou seu vizinho, . – Parei por um instante.
Ele era realmente meu vizinho. Eu estava ali morando do lado dele.
Voltei a andar sem olhar pra trás e sem dar a mínima se ele estava ali ou não.

A noite chegou rápido. Usei meu dia todo para colocar algumas séries em dias e parar de pensar que era meu novo vizinho.
.
Pensar em me vinha um sorriso em meu rosto que não saberia explicar. Por mais que tenha me deixado brava pela brincadeira idiota, ainda gostava dele.
Desci as escadas de minha casa, indo para cozinha. Estava com fome. Cheguei à cozinha, me deparando com a mesa sendo arrumada de um jeito especial pela Martha.
- Menina, porquê ainda está vestida desse jeito? – perguntou-me ela.
- Ué, Martha, porque eu me vestiria de outra forma? Tem alguma coisa de especial? – perguntei a ela.
- Pensei que seus pais haviam lhe contado. – Balancei a cabeça negativamente. – Eles vão dar um jantar de boas-vindas ao vizinho novo.
Meu coração tinha parado ali mesmo, naquele momento. iria jantar em minha casa? Sério?
Corri imediatamente para meu quarto. Martha gritou alguma coisa do tipo “menina, não corra”, mas nem dei ouvidos, pois precisava me arrumar. estava prestes a chegar e não poderia me ver do jeito que eu estava. Não queria fazer com que me visse de pijama ou roupas velhas pela segunda vez.
E sim, iria haver algo especial hoje à noite.

Procurei em meu guarda-roupa o vestido que mais favorecia meu corpo. Procurei e acabei achando um azul escuro, médio com lacinhos na bainha. Vesti ele mesmo.
Olhei-me no espelho, gostando do resultado. Meus cabelos, por um motivo não aparente estavam por hoje, então optei por deixarem eles soltos mesmo.
- ? – Papai me chamou, abrindo a porta do meu quarto. – Pensei que estava com suas roupas normais, mas pelo visto ficou sabendo que íamos ter visita.
- Sim, papai. Martha me contou – respondi.
- Então vamos, nosso convidado já chegou – papai saiu do quarto e o segui.
Entrei na cozinha junto com papai e cumprimentava minha mãe. Ele virou o rosto, fazendo com que nossos olhos se encontrassem. sorriu e respondi com um sorriso fraco e abaixando a cabeça.
Sentamos à mesa. Mamãe e papai um do lado do outro e ao meu lado. Martha veio da cozinha e serviu a todos nós.
- Muito obrigado pelo convite, Senhor – disse ao meu pai.
- Que isso, eu que devo agradecer. É uma honra ter você aqui – estava claro que ele esteva feliz por estar conosco. – E não me chame de , me chame de Henri. Somos amigos agora.
Amigos.

O jantar foi calmo, a comida estava gostosa e também.
Acabei descobrindo mais sobre por conta da conversa dos três. Sim, dos três. Não ousei me intrometer. Até por que, eu iria falar o quê? Optei por ficar calada, mas estava sempre recebendo olhares de , o que me incomodava em certos momentos.
tinha se mudado de Orlando para Seattle por conta do seu emprego de administrador. Não era um cargo tão bom, mas do jeito que ele falava parecia que realmente gostava do que fazia.
- Você já conheceu a cidade, ? – perguntou-lhe. respondeu negativamente. – Mas deveria, é um ótimo lugar. Eu queria lhe mostrar Seattle, mas como trabalho muito não tenho tempo.
- Tudo bem. Já fico feliz em saber que você quer me ajudar a me adaptar aqui.
- Mas acho que poderia mostrar Seattle. Não é, ? – Perguntou-me mamãe que estava calada até aquele momento, meu estômago revirou. Eu mostrar a cidade pro ? – Você poderia fazer isso, não pode ? – Insistiu ela.
- Sim, mamãe. – As palavras saíram sem nem mesmo perceber. Olhei pro lado e notei um pequeno sorriso nascendo no rosto do homem ao meu lado.
- Ótimo.
- Eu acho que está na hora de ir embora, já está ficando tarde. – disse, olhando em seu relógio.
Graças à Deus, pensei.
- Muito obrigado pelo jantar. Senti-me muito satisfeito. – disse já na sala, pronto pra ir embora.
Ele cumprimentou meus pais e veio até mim, abraçando-me.
- Nós vemos amanhã, apressadinha. – Sussurrou em meu ouvido, causando-me arrepios.
Desfez nosso abraço, acenando uma última vez para meus pais e indo de vez embora. Subi para o meu quarto, antes que meus pais notassem e algo me dizia que não seria nada fácil mostrar a cidade a .


Continua...

Nota da autora: (08/07/17) Finalmente nossa querida PP conheceu o seu novo vizinho, e ainda descobriu que era nada menos que seu desconhecido. Algo me diz que esse passeio vai dar o que falar, como nossa PP pensa.
Então... Só isso mesmo. Espero que vocês tenham gostado e vejo vocês no próximo capítulo!

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