Swan Lake

Autora: Gaby R. | Beta: Mily



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Capítulos:
| 01 |

Prólogo

França, 1738.

Caros leitores e leitoras,

Nossa história tem início durante um baile, mas não um baile qualquer, um baile realizado pela família Chassagne.
Música leve soa pelos quatro cantos do salão, enquanto avista diferentes tipos de pessoas vindos de diferentes tipos de lugares; roupas que ela nunca imaginaria ver em toda sua vida, e o melhor de tudo, trazendo culturas que ela ansiava por adquirir. Eram casais, em sua maioria, reis com suas devidas rainhas. Suspirou ao ver Peter Alekseev entrar acompanhado de sua dama, Lara. Podia notar um pequeno sorriso brotando em seus lábios. Se perguntara repetidamente quando conheceria o amor semelhante ao do casal a sua frente; quando poderia segurar as mãos de seu amado para si, escrever poemas e poesias sobre o sentimento retraído em seu peito para, afinal, entregar sua mão em casamento e se tornar a dama de um nobre, príncipe, ou quem sabe, um rei.
Estava tão entredita em sua espionagem, que não pode perceber sua mãe vindo ao seu encontro.
- O que te parece interessante, minha querida ? – em um susto, fechou a cortina que lhe dava completa visão do salão, e de Peter.
- Nada, mãe. – ela disse, virando-se para a mais velha a sua frente. Precisava tirar si mesma daquela situação, portando não tardou a dizer: – Vamos? É falta de educação deixar tantos convidados importantes esperando.
Sua mãe afirmou, com certa expressão desconfiada, mas com o pensamento em seu baile, que a proposito havia sido preparado nos mínimos detalhes, aceitou a oferta da filha e ambas se retiraram.
tinha tantas coisas viajando nas enormes conexões em sua cabeça, que era difícil até de enumerar. Estava ansiosa, o que só pode ser notado após depositar a mão no lado esquerdo de seu peito e perceber que os batimentos estavam mais rápidos do que o normal. Não conseguia parar de pensar em tudo. Sabia que acabara de completar sua maioridade e que, graças ao bom Deus, poderia procriar e orgulhar sua mãe como sempre sonhou. Estava preocupada com sua entrada no salão, porque obviamente, ela seria notada. Quase perdeu o ar ao pensar que dançaria com todos os pretendentes ali presentes e que certamente teria que aceitar casar-se com um. Teria que continuar a linhagem Chassagne assim como suas irmãs, uma coisa que a amedrontava e animava ao mesmo tempo.
Soube que era a hora quando a melodia no salão de baile começou a ficar animada e as dançarinas mexiam cada vez mais seus corpos. Foi aí que perdeu a noção de sua respiração e de seus próprios batimentos, já que sentia seu corpo pulsar na medida em que seu coração bombeava sangue e mais sangue, e mais sangue. Já não estava acompanhada de sua mãe, esta havia descido para aplaudir a entrada de sua filha ao baile. Só lembrou de tentar contar seus passos até a grande porta que levaria a escadaria de entrada ao baile, onde todos a veriam entrar, onde todos olhariam para ela de cima a baixo, onde todos imaginariam uma vida ao lado de Chassagne.
Contou cinco passos grandes, mas ao perceber a proximidade com a porta, diminuiu os mesmo. Conseguiu contar mais sete antes que estivesse com o peito praticamente encostado na grande porta prata com o símbolo de uma lua cheia. Esse era o símbolo de sua família, esse era o símbolo que tinha obrigação de levar adiante até o fim dos tempos.
As portas se abriram.
Trombetas, trombones, violinos, todos soaram harmoniosamente enquanto ela descia os degraus daquela escada que parecia tão imensa vista de cima. As cores de sua família estavam em todos os cantos, o azul se destacava em cortinas e decorações, e todos os tipos de metais possíveis eram prateados. Inclusive, lembrou de seu vestido azul com flores metálicas douradas, uma escolha de sua mãe, que ela não pode negar, era a peça de roupa mais linda que já vira em toda a sua existência. E parecia combinar perfeitamente com o seu colar reluzente em forma de lua.
Parou alguns instantes para observar as pessoas que a observavam, a maioria dos homens eram russos e britânicos, contudo, não pode deixar de notar que a família polonesa dos Kowalski também mantinha os olhos grudados nela e em sua entrada triunfal.
- Princesa Saint Claire Chassagne. – seu nome foi anunciado por um dos criados conforme chegava no final da escadaria. Agora, mais do que nunca, ela estava com medo. Sentiu suas mãos soarem frio quando percebeu que os cavalheiros faziam uma espécie de fila para que pudessem dançar com ela.
O primeiro era russo, não conseguiu entender bem seu sobrenome que foi dito pelo mesmo servente que a anunciara segundos atrás, mas deu uma boa olhada em seu rosto, guardando aquela imagem para si, que demoraria a ser esquecida, o que assim foi feito com todos os outros pretendentes. Ele era loiro, os cabelos médios estavam presos em um rabo de cavalo, e levava consigo os olhos azuis mais penetrantes e brilhantes que já vira por toda França. Se pegou hipnotizada por alguns instantes naquele momento, que se esquecera de dançar conforme a música e seu parceiro.
- Meu nome é Vladir. É um prazer, princesa. – ele fez uma referência e a pegou pela mão, em seguida.
O que não sabia é que, já em seu terceiro pretendente, ela estaria cansada, entediada e inconformada com certas coisas ditas pelos homens que se passaram. Começou a ficar com raiva, e esta substituiu imediatamente sua ansiedade. Perdera a conta de quantos homens haviam dito que ela seria mãe de incontáveis filhos e que eles não esperavam a hora de realizar o tão esperado pedido de casamento.
A música mudou, o homem à frente dela também. Ele tinha uma feição familiar: olhos verdes, cabelos encaracolados e de um loiro escuro, a estatura um pouco maior que a de e trazia consigo uma flor, esta que colocaria no pulso de , e lá ficaria durante a noite toda.
- Aurek Kowalski. – ela disse, arqueando uma sobrancelha, quase em sinal de dúvida. O problema era: e Aurek se conheciam desde pequenos. Ela não sabia como reagir a tal situação, onde eles poderiam vir a se tornar um casal. Ele fez uma referência e beijou as costas de sua mão, como de costume.
- . – ele falou seu nome com uma ternura suave na voz. – Pode me ceder essa dança? – ela riu do jeito forçado com que ele falava francês, mas não hesitou em chegar mais perto dele para que dançassem.
A música ficava mais lenta a cada passo que davam. Aurek exalava um cheiro de flores em que estava se deliciando. Era um momento estranho para ela, era como se ela devesse sentir algo por ele, mas se sentia incapaz. Era praticamente impossível imaginar os dois tendo filhos e ela se mudando para Polônia. Ambos perderam a noção do tempo enquanto dançavam, a jovem que agora se tornava uma mulher precisava se despedir de seu melhor amigo para continuar suas obrigações.
Alguns belos cavalheiros, danças e culturas diferentes depois, era hora finalmente da chegada do último, o que levou a agradecer mentalmente, pois estava cansada.
O coração dela parou por alguns instantes.
Era um total estranho. Não sabia nem ao menos de onde vinha, sua família. Nada. Isso fazia arrepiar-se, a sensação de dúvida se instalava em seus pensamentos, enquanto ela analisava seus traços, buscando inutilmente uma pista de sua etnia. Queria saber mais, estava curiosa sobre aquele homem que tanto a incomodava.
- Solignac, a seu dispor. – quando ele se abaixou para beijar a mão de , um choque pode ser sentido por ambos, o que os fez trocar olhares. Cada um olhando profundamente nos olhos do outro. Ela vislumbrando um par de olhos esverdeados que se destacavam em sua pele não tão clara e ele perdido no par de turquesas a sua frente.
De repente, seus corpos estavam colados e o som de violinos repudiou pelo salão, tornando a melodia um tanto quanto melancólica. <
script>document.write(Jason) tinha um cheiro amadeirado, que encantou o olfato de no mesmo instante.
Por alguns segundos, ela teve a sensação de que só existiam os dois naquele salão. Seus olhos se fecharam, dando-se liberdade para sentir seu corpo enquanto dançava. Deixou que assumisse o controle da dança, que parecia ensaiada. Ele a girava para em seguida tê-la nos braços novamente, segurava sua cintura enquanto ela deixava-se levar pelo peso e cair, para voltar novamente à posição inicial dos corpos colados. Conseguiram ouvir o som de harpas se juntando aos violinos, formando uma sinfonia perfeita para o momento. Giravam, dançavam como se o salão não fosse grande o bastante para a sintonia em que estavam. A mão dele estava em sua cintura, e a dela em seus ombros, até que inesperadamente ele a levantou do chão e a colocou de volta.
À essa altura, os olhos de já estavam abertos e ela notou a atual situação: um círculo havia se formado entre eles e ao fim, recebiam aplausos, fossem das famílias ou até mesmo dos possíveis pretendentes de . Ela não queria admitir, mas sabia que, se fosse escolher pelo coração, não pensaria duas vezes.
A dança acabou para, em seguida, se iniciar o ritual que eles tanto esperavam para a concretização da maioridade de . Era lua cheia. Era o nascimento de . O nascimento bruxo de .
A família Chassagne era uma das famílias mais importante para o atual momento bruxo. Há séculos haviam conquistado essa posição e demoraria para ser tomada. As bruxas e bruxos estavam contentes, estavam em paz, os humanos não sabiam de suas identidades e ninguém teria que morrer por isso.
Aquele baile era sim para que pudesse encontrar um futuro esposo, contudo, mais importante, para que se tornasse uma bruxa de verdade. Sua mãe já havia lhe explicado tudo, ela simplesmente deixaria que a lua fizesse seu trabalho, já que amava tanto os bruxos de luz quando eles a idolatravam. De acordo com a bruxa mais experiente, ela sentiria a força lunar, a energia que exalava daquele ser brilhante que os proporcionava tantos bens e feitiços mais poderosos.
Como em um passe de mágica, o teto do salão estava aberto, dando passagem para um feixe de luz, que foi aumentando gradativamente até iluminar o semblante de inteiro. O círculo que antes estava feito, continuava, e todos observavam enquanto a luz da lua tomava conta da garota.
Ela sentia poder.
Sentia cada mínima parte de seu corpo queimar e fagulhas dominarem o seu ser. Sentiu da cabeça aos pés uma força que jamais sentira antes, uma sensação de leveza e peso ao mesmo tempo. Era como se seu espirito estivesse mais forte, contudo seu corpo humano continuava o mesmo. Sentira a luz da lua como uma fonte rejuvenescedora para a alma. Estava agitada, seu peito parecia que explodiria a qualquer momento. Queria gritar, queria explodir, queria que cada partícula de seu poder fosse espalhada por aquele pequeno espaço, queria preenche-lo consigo mesma. Era mágico.
Sorriu.
O poder que tanto sonhava agora estava sem suas mãos e ele era delicioso. Ela, por um instante, se sentiu capaz de tudo, de governar, de ser mãe, de comandar milhares e milhares de pessoas e clãs.
Estava pronta para testar o poder que gritava dentro de si, quando: - Que piada. – uma voz feminina soou pelo salão. levou sua atenção totalmente para tal. Era Lara, mas quase não parecia consigo. Seu olhos eram escuros e profundos, que traziam junto olheiras escuras com enormes veias saltadas para completar a imagem demoníaca. Seu cabelo havia se transformado de loiro à preto em segundos. Até suas vestes, que antes eram tão coloridas, perderam a cor e até mesmo espalhavam um cheiro de morte pelo local. A tristeza foi se instalando a cada passo que dava em direção à . Ela estava enfeitiçando a todos e todas, fazendo-os ficar imóveis, quase sem respirar. Somente ela, e podiam se mexer.
- Iris. – foi a vez da voz tomar lugar. – Esse não é o seu lugar.
- O meu lugar é onde eu quero que seja – ela disse com desdém – Vocês Chassagne sabem dar uma festa, huh? Não me impressiona que tenham sido o maior e maior clã bruxo até agora.
A princesa precisou de esforços para sair da luz da lua.
- Saia. – disse firme. A mulher negra riu.
- A única que vai sair daqui é você, esse trono é meu. Esse trono é dos Vyssotsky.
- Vocês não sabem governar. Vocês são opressores e não acreditam em uma convivência pacífica com os humanos. Esse trono jamais será seu, Iris. – por um momento, se deixou olhar em volta. Todas aquelas pessoas imóveis e com notáveis expressões de medo em seus rostos a deixavam apavorada. Até mesmo a cor do lugar havia ficado mais escura depois que Iris se revelou. Consequência de sua magia negra, que sempre fora mais forte e notável que a oposta.
- Princesa... – ela disse com nojo na voz – Me diga, quem você perdeu em Salém? – sabia onde ela queria chegar, balançou a cabeça em reprovação.
- Ninguém. – ela respondeu seca.
- Eu sim. Meu clã foi um dos mais afetados. E vocês fizeram o que? Absolutamente nada. Vocês são um insulto ao mundo bruxo. – cuspiu.
- Não podíamos nos arriscar. – disse.
- Cale a boca, seu Solignac imundo. – rebateu ela com raiva na voz.
Então se lembrou, então soube quem era. Como pode ser tão esquecida? Os Solignac haviam sido vassalos de seus pais por anos, só não chegara ao seu conhecimento que eles tinham um filho de sua idade.
- Não fale assim com ele – gritou e corajosamente entrou na frente dele, protegendo-o. Sabia, de alguma forma, que a lua a ajudaria.
- Vocês não sabem mesmo com o que estão lidando. – ela riu em deboche. De repente, seus olhos escureceram ainda mais, suas mãos carregavam uma energia negra que seria capaz de cegar e . Ela fazia grandes esforços para manter a energia estável o suficiente, para assim, lança-la no casal.
, que estava na frente do homem de olhos verdes, não fez outra coisa a não ser se proteger da grande nuvem negra enviada por Iris.
Sentiu medo, embora ainda carregasse o poder da lua. Fechou os olhos e cruzou os braços a sua frente. Quando se deu por si, aquele grande emaranhado de magia negra havia sumido, e agora, o que tomava o lugar era a luz branca que emanava de seu colar em forma de lua minguante.
Iris estava inconformada e extremamente confusa. se protegia na medida em que a mulher atacava com sua magia negra. Enquanto isso, procurava um jeito de ter vantagem na luta, observou os homens à sua volta em busca de algo que pudesse lhe ajudar. Olhou em volta, procurando espadas, armas, qualquer coisa. Seus olhos se encontraram com um metal extremamente reluzente nas decorações do salão. Pediu mentalmente para que fosse cortante, logo após correu. Sabia que estava distraindo Iris com o seu poder. Uma parte de seu subconsciente estava orgulhoso de saber que aquela seria uma das melhores rainhas bruxas do século, a outra estava preocupado com os sentimentos que guardava pela garota, mesmo antes de dançarem, até antes mesmo de encontrar seus olhos.
Suas pernas tremeram e se viu no chão, felizmente com a espada na mão.
- Não! – gritou , contudo ao tentar ir em sua direção, Iris a impediu.
- Fique onde está ou ele morre. Naquele instante o coração de queria sair pela garganta, tanto pela força com que estava atuando, quanto pelo medo de que algo acontecesse ao homem caído no chão. Percebendo sua preocupação, Iris não deixou de provoca-la.
– Está com medo, é?
- Deixe-o ir. – pode dizer, calmamente. Iris riu em deboche. – Por favor, Iris. Vamos acabar com isso.
- E ser injustiçada como sempre? Jamais. – ela não hesitou em lançar outra bomba de energia negra no homem que ainda gemia de dor.
não pode olhar fixamente para a expressão que fazia, era demais até mesmo para ela.
Sem que pudesse notar, o colar de brilhava tanto, talvez pelos seus sentimentos totalmente confusos e atiçados. Ela estava pronta, estava pronta para atuar como deveria. Estava pronta para acabar com aquela que a infligia tanto.
A jovem concentrou sua força espiritual em suas mãos, e assim como Iris, manuseava a energia. Era tão branco, como a lua. Fazia-a sentir forte, confiante, transbordante.
Iris estava assustada, o que deu tempo o suficiente para apunhala-la pelas costas. Do corte era possível ver um musgo negro escorrer. Cheirava podre. Iris se ajoelhou graças à dor, o que deu a uma vantagem para enfiar a espada novamente, mas dessa vez eu seu coração.
A mulher urrou de dor enquanto o líquido preto se espalhava pelo chão. Quando se deram por conta, estava por todo o lugar, e ela, caída no chão como um animal sem vida.
Era o que achavam.
, sem pensar duas vezes, queria simplesmente sair correndo para abraçar , que parecia estar à beira da morte de tão pálida. Queria acaricia-la, passar as mãos por dentre aqueles cabelos escuros e acalmá-la o tanto que precisasse. Queria ser a segurança dela. Contudo, não passou do segundo passo quando sentiu mãos congelantes em sua canela. Era Iris. No momento, não hesitou em sair correndo para ajudá-lo. O mundo pareceu cair em volta dos dois. Tudo escureceu. Ela estava caindo, caindo e caindo mais fundo. Sentia-se abraçada pela escuridão. Após alguns segundos, ouviu em sua cabeça.
- Eu, Iris Von Dhreman Vyssotsky, condeno essas almas eternamente entrelaçadas. Por todas as vidas retornarão, em todas as vidas se apaixonarão, e o final será a minha maldição. Juntos não permanecerão, à não ser que quebrem o vínculo desse feitiço. Vocês tem duzentas vidas. Quando a última chegar, será o momento decisivo. Se até a última vida, o vínculo não se quebrar, eu voltarei. E meu reino dominará sobre os bruxos e não-bruxos.


Continua...

Nota da autora: (20/07/17) Eaaaii, galera! Vocês estão gostando da fic? Espero que sim, estou muito empolgada com esse bebê aqui, vamos torcer para conseguir seguir, né! Comentem se estão curtindo, o que estão achando, é um estímulo muito bom para continuar escrevendo! Qualquer coisinha podem me gritar lá no @Varzear ou no Gaby Ribeiro. Beijãaao.



Nota da beta: Se você encontrar algum erro me avise no email ou no ask. Você também pode saber quando essa fic atualiza aqui.