Autora: Queen B. | Beta: Janina

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Capítulos:
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Chapter One.

"Nice to meet you, where you been? I can show you incredible things." Taylor Swift

Quando o motorista abriu a pesada porta do Audi prateado para que Rhodes saísse, já em frente à mansão onde a irmã mais velha da garota morava com o marido, ela colocou devagar um pé para fora e começou a sair do carro, olhando de forma analítica em volta.
Por fora, o lugar parecia enorme e não duvidava que realmente fosse, porém aquilo, de forma alguma, a deslumbrava.
Ser uma Rhodes significava ser fudidamente rica desde que se entendia por gente. Seu pai tinha uma empresa no ramo de administração de pedras preciosas, mundialmente conhecida e respeitada. Nada daquilo fez qualquer diferença quando ele morreu e nunca faria para , que sequer piscaria antes de abrir mão daquilo tudo se fosse para tê-lo de volta.
- Seja bem-vinda, Srta. Rhodes – seu simpático motorista murmurou. – Vou deixar suas malas no quarto em alguns minutos. Acredito que a Sra. esteja organizando o jantar de boas-vindas, mas volta logo. O Sr. está trabalhando, a senhorita pode ficar à vontade. – Informou, apontando a entrada para , que agradeceu com um aceno, dando um passo à frente, mas parando no meio do caminho, olhando por sob o ombro, para o motorista.
- Você disse jantar de boas-vindas? – Questionou, com esperanças de ter ouvido errado. O motorista sorriu.
- Para a senhorita! Srta. Bonnie quer que você conheça seu ciclo de amigos, disse que é para não sentir tanta falta de casa. – Ele contou, falando de Bonnie como se ela fosse uma santa, o que fez rolar os olhos, sem conseguir evitar. Ela não odiava a irmã, obvio, só passara a vida toda vendo todo mundo agir daquela forma com Bonnie e aquilo a enojava.
Por fim, acenou com a cabeça para o motorista e foi em direção à entrada de uma vez.
Girou a maçaneta e entrou na casa, fechando a porta atrás de si. Só então notando quão ruim aquele momento era para qualquer um chegar ali.
Bonnie estava no colo de um homem sem camisa no sofá, os quadris ladeando seu corpo enquanto segurava com firmeza em seus cabelos e suspirava de uma forma que , definitivamente, preferia nunca ter que ouvir. O homem tinha o rosto enterrado em seus seios, segurando-a de forma que seus corpos ficassem completamente colados.
ergueu uma sobrancelha, se lembrando do que o motorista dissera sobre estar trabalhando. Se ele estava trabalhando, quem era aquele comendo sua esposa no sofá, então?
Fazendo então a única coisa que achava que podia fazer, deu um passo para trás e abriu a porta, batendo-a com força em seguida para chamar a atenção do casal.
Ela precisou conter uma gargalhada quando sua irmã pulou para longe do homem ao qual se agarrava.
- ! – Bonnie exclamou ao vê-la, corada em todos os tons de vermelho e duvidou que a situação pudesse se tornar mais divertida que aquilo para ela. – Eu não achei que você chegaria agora, eu...
- Ah, eu percebi. – retrucou, sem conseguir conter o humor na voz. Ela queria muito rir, tanto que morder o lábio como fazia para se conter já estava se tornando uma atividade dolorosa. – Sr. ? – Ela ergueu uma sobrancelha para o homem ainda sentado no sofá, mesmo sabendo que ele não era o Sr. , vulgo marido de sua irmã.
- Colerman. – Ele corrigiu, se levantando com a camisa nas mãos e sorrindo de maneira sacana para , que não teve dificuldades em decidir que gostava dele. Dele e de seu abdômen à mostra.
- É um prazer conhecê-lo então, Colerman. – Ela sorriu da mesma forma que ele, que piscou e, após vestir a camisa, aproveitou a deixa para analisá-la dos pés à cabeça.
Coxas grossas, seios fartos devidamente empinados e uma bela bunda. Exatamente do jeito que ele gostava. Satisfeito por ter Bonnie como plateia, o homem ergueu o olhar para o rosto da garota e concordou.
- Com certeza é.
fingiu uma reverência e Colerman passou por Bonnie sem sequer olhá-la, acenando com a cabeça para a mais nova antes de deixar a casa. não pôde deixar de reparar na bunda destacada pelos jeans.
Seja lá quem fosse o tal Colerman, ele, definitivamente, era um pedaço de mau caminho.
- Mamãe disse que seu voo era à noite. – Bonnie sussurrou e virou para encará-la novamente, quase rindo quando viu a irmã encarando os próprios pés, ainda corada.
- Não tinha voo à noite, ela deve ter se esquecido de te avisar. – respondeu por fim. – Onde é o meu quarto? – Perguntou, já saindo em direção às escadas.
Bonnie suspirou e foi atrás, incomodada. Sabia que não adiantava se desculpar, sua irmã não dava a mínima para sua vida e seu casamento, mas não achava que deixar as coisas como estavam era uma opção também.
- , espera – chamou, do pé da escada, e virou para encará-la. Bonnie quis correr e abraçá-la ao ver a amargura, que ela se esforçava tanto para esconder, estampada em seus olhos, mas sabia que aquele era o tipo de conforto que sua irmã jamais aceitaria. Muito menos dela.
- Não me chama assim. – A outra falou e Bonnie suspirou, ousando dar alguns passos em sua direção. não se moveu.
- É só um apelido. – Disse Bonnie baixinho – É lindo e ele gosta tanto...
- Gostava.. – a interrompeu secamente, mesmo que o peito apertasse e ela quisesse mais que tudo sair dali para chorar. Precisavam mesmo falar de seu pai? Bonnie precisava mesmo usar aquele apelido?! – Ele está morto e eu odeio esse apelido, mas, sobre o seu amante, não se preocupa, se eu contar a alguém, você pode dizer que eu estava drogada e não sabia do que falava.
Aquilo fez Bonnie parar, olhando para a própria irmã e fazendo que não com a cabeça.
- Você não está fazendo isso, . – Sussurrou, em negação, e a outra rolou os olhos, embora estivesse aliviada de ter conseguido desviar o assunto de seu pai. Não dava a mínima para os sermões sobre ela estar acabando com a própria vida com as drogas, mas falar do pai era diferente e ela não faria aquilo. Nem com Bonnie, nem com ninguém.
- Mamãe não te disse? Pelo amor de Deus, Bonnie, achou que eu vinha fazer o que aqui?! Matar as saudades? Ela quer que eu me espelhe em você. – Disparou, deixando escapar o desprezo pela possibilidade na voz. – Ela sempre quis, não é?
- Eu achei que fosse só uma suspeita, que ela estivesse exagerando... – Bonnie balançou a cabeça, voltando a tentar se aproximar da irmã, que rolou os olhos outra vez e lhe deu as costas, deixando-a sozinha na escada enquanto adentrava um corredor qualquer no segundo andar. – ! – Bonnie gritou, correndo atrás dela e segurando seu braço para fazer a garota parar e encará-la. – Qual é o seu problema?! Acha que papai gostaria disso?!
- Papai não tem que gostar de nada, ele está morto. – devolveu, soltando o braço do seu.
- Eu não acredito que disse isso. – Bonnie sussurrou, chocada com a frieza da irmã ao falar do pai.
olhou entediada para ela, mesmo que sua vontade fosse chorar.
- Ele está morto, Bonnie. – disse. – Papai está morto e nada que eu ou você possamos dizer ou deixar de dizer vai mudar isso.
Bonnie recuou um passo ao ouvir, sem saber como reagir àquela nova versão de sua irmã, que parecia um pouco morta por dentro, como se parte dela houvesse ido com seu pai. Aquilo a assustava, elas haviam crescido juntas, ela via quão cheia de vida sua irmã era, como ela sempre fora ela mesma, apesar de tudo.
- ...
- Eu já falei para não me chamar assim. – a interrompeu, irritada, e Bonnie bufou.
- Morto ou não, , não foi essa educação que o papai te deu! Como você acha que ele ficaria se soubesse que você está jogando a sua vida fora desse jeito?! Ele sempre fez tudo por você e o que você faz? Usa essas coisas?! – Disparou, aumentando o tom de voz a cada palavra como se esperasse que seu tom obrigasse sua irmã a escutá-la. – O que você está usando, afinal?! Deve estar acabando com a sua capacidade de pensar!
- No momento? Maconha. – devolveu com simplicidade, sem paciência para aquela discussão. Tudo que ela queria era que Bonnie a deixasse em paz. – Você quer? – Perguntou quando a irmã abriu a boca várias vezes para responder, mas nada saiu.
- Se eu quero?! Não dá para acreditar em você! – Bonnie exclamou, exasperada, e rolou os olhos.
- Ia te fazer bem. – Deu de ombros. – Você anda muito estressadinha.
- Por que você não vai para o seu quarto?! Tenta não ter uma overdose até a hora do jantar, será que consegue?! – A outra devolveu.
- Teria feito isso há muito tempo se soubesse onde é o meu quarto. – ergueu uma sobrancelha em desafio e Bonnie precisou contar mentalmente até dez para não arrastá-la pelos cabelos até o cômodo, finalmente entendendo porque sua mãe estava tão desesperada.
Estava praticamente impossível ter uma conversa com aquela garota.
- Última porta a esquerda. – Murmurou sem encarar a irmã. – Só vai de uma vez.
Jogando as mãos para o alto num agradecimento teatral, se virou e foi.

prendeu o cabelo num coque alto e mal feito e saiu do quarto. Ela vestia uma camisola apenas um palmo acima do joelho e, apesar da cor escura, um pouco transparente.
Estava decidida a ignorar o jantar que acontecia, supostamente para ela, no andar de baixo, no entanto começava a sentir fome. Provavelmente, era efeito da maconha e agora ela estava num impasse.
Descia e assaltava a geladeira de camisola mesmo ou pulava a janela e procurava o Mc Donald's mais próximo?
Por fim, bufou e caminhou em direção ao banheiro do corredor apenas para não ficar parada ali, no meio do nada, como uma idiota. Ela nem chegou a erguer direito a mão para girar a maçaneta, no entanto, a porta já estava sendo aberta e um homem saía de lá afrouxando a gravata. Os corpos se chocaram e, por sorte, o homem tinha bons reflexos e não foram ao chão por conta do esbarrão.
segurou com as duas mãos no pescoço do desconhecido, prendendo, por reflexo, a respiração quando seus olhares se encontraram. Ela nunca havia visto olhos como aqueles, nem sabia de que cor eram ao certo, mas lhe causava calor. Ou talvez fossem apenas as mãos fortes do homem em seu corpo. Ou os dois.
- Você sabe que é um jantar e não uma festa do pijama, certo? – O rapaz perguntou, arrumando a postura ao se afastar da desconhecida. Ele praticamente sentira os seios dela contra o abdômen e as mãos coçavam para tocá-la de novo, ele queria prendê-la contra a parede e tocar cada parte daquele corpo tão cruelmente à mostra.
- Dispenso o jantar, obrigada. – A garota devolveu simplesmente, mordendo o lábio antes de se permitir analisar o corpo do homem a sua frente, o terno o modelava de forma que qualquer uma teria ânsia para tocá-lo.
- Podemos pular para a sobremesa, então? – Ele não se conteve em perguntar, dando um passo na direção da garota, que não se moveu, sustentando seu olhar, esperando que ele a prendesse de uma vez contra a parede como ela estava quase implorando que ele fizesse.
Antes, no entanto, que ele fizesse isso ou falasse qualquer outra coisa, ouviram passos da escada e desviaram a atenção um do outro de imediato. Era Bonnie.
- ! – Exclamou assim que viu a irmã. – Por que ainda está vestida desse jeito?! Tem um monte de gente lá embaixo esperando pra te conhecer!
- Bem, diga a eles para marcarem hora da próxima vez. – retrucou com tédio na voz e Bonnie bufou. Ela podia apostar que ela estava se perguntando por que tudo tinha que ser tão difícil com a irmã. Claro, porque para Bonnie a vida se resumia aquilo mesmo. Eventos sociais e sorrir como se a vida fosse perfeita.
- Eu fiz isso pra você, , será que tem como, por favor, colaborar? – Ela perguntou, mas antes que a outra respondesse Bonnie finalmente reparou no homem parado ali. – ! O que está fazendo aqui em cima?! Já está todo mundo aí.
- Eu estava, justamente, tentando convencer sua irmã a descer. – O homem mentiu e mordeu o lábio para conter uma risada pelo cinismo, finalmente reparando na aliança de ouro do homem.
Então aquele era o Sr. . a devia tê-lo visto uma ou duas vezes em feriados, mas não se lembrava dele bem, embora não soubesse dizer como aquilo fora acontecer. Não se lembrar daquele homem... Parecia até piada.
- ! – Bonnie se voltou novamente para a irmã, arrancando-a de seus devaneios e juntando as mãos em sinal de prece. – Por favor, por favor, por favor, desce com a gente, por favor. – Implorou e a outra rolou os olhos, prestes a abrir a boca para responder, mas foi mais rápido.
- Ok, eu tive uma ideia. – Disse, tirando o paletó. As duas se voltaram, confusas, para ele e entregou o paletó para . – Veste e solta o cabelo. – Instruiu e ela ergueu uma sobrancelha.
- Pra quê?! – Perguntou, mas apenas fez sinal para que ela andasse logo e Bonnie lhe lançou um olhar pedinte.
A garota bufou e fez o que eles queriam, soltando o cabelo e passando a mão por eles para tentar arrumar.
- Está ótimo. – Disse , se aproximando da garota e arrumando o paletó em seu corpo, para que sua camisola, pelo menos, parecesse comportada, ou algo próximo disso. Não que ele estivesse reclamando. – Só façam o que eu disser, ok?
Bonnie assentiu, realmente tranquilizada que tivesse uma ideia, já que, bem, as coisas costumavam terminar bem quando ele intervinha. , no entanto, ainda mantinha a guarda levantada, mas foi.
Não costumava ceder tão facilmente, muito menos quando não sabia qual era o plano, mas teve a impressão que não adiantaria muito discutir naquele momento.

No andar de baixo, homens e mulheres vestidos elegantemente conversavam animadamente, sentados em volta da mesa de jantar. Bonnie abraçou de lado e a garota se retraiu com o contato, mas antes que pudesse sair de seus braços como planejava, passou um braço em volta das duas e ela ficou presa. Xingou baixo com isso.
- Bem, pessoal, a Bonnie queria fazer uma surpresa para a e não contou sobre o jantar, ela já estava indo dormir agora, mas concordou em vir dar um oi para vocês. – explicou quando as pessoas na mesa voltaram à atenção para os três.
O único que reconheceu foi o Colerman, que estava se agarrando com sua irmã mais cedo. Ele usava um terno comum, mas a forma como a roupa se adequava ao seu físico a fazia se perguntar como seria tirá-la dali. Ela apostava que Bonnie sabia.
- Sorria e acene. – sussurrou em seu ouvido quando não pareceu reagir a seu discurso e, ignorando o arrepio que percorrera por seu corpo com aquilo, ela obedeceu.
Sentia-se uma boneca de pano sem propósito entre Bonnie e daquela forma, então se afastou dos dois, cansada de seguir as regras de . Nunca fora boa em seguir as regras dos outros.
Puxou uma cadeira para se sentar ao lado de Colerman, ignorando os olhares dos outros sob ela quando o paletó se abriu com o movimento.
- Seria muita desfeita da minha parte não sentar e comer também, não seria? – Olhou de forma falsamente inocente para Bonnie e atrás delas. Parados ali, como um casal, percebeu com facilidade que não combinavam.
- Acho que eles entenderiam, . – Bonnie retrucou e ela rolou os olhos.
- Íamos adorar se ela ficasse, mesmo assim. – Um rapaz de olhos verdes e cabelos cacheados, sentado exatamente de frente para ela, comentou malicioso, encarando descaradamente o decote da camisola.
conteve uma risada por isso, observando enquanto e Bonnie sentavam lado a lado.
- Belos trajes, Rhodes. – Colerman comentou, baixo o suficiente para que só ela ouvisse e a garota sorriu discretamente com isso.
- Muito obrigada...?
- William. – Ele entendeu facilmente a pergunta em seu olhar. – William Colerman. Vejo que não contou ao sobre o que viu.
- É, você me deve uma. – Ela retrucou, ainda aos sussurros, antes de aceitar o copo de suco que lhe serviam e beber um gole.
- Na verdade, eu estava torcendo para que contasse, mas acho que a Bonnie deve. – William respondeu, soando mais amargo do que provavelmente gostaria de demonstrar.
Sem conseguir se conter, a garota virou um pouco para analisar seu perfil, se perguntando o que, exatamente, acontecia entre William e sua irmã, mas antes que pudesse pensar mais a respeito, foi tirada de seus devaneios pela própria Bonnie, que lhe fez participar da conversa central na mesa e lhe apresentou todos. Ela não fez questão de gravar os nomes.

Na manhã seguinte, fora acordada bem cedo por Bonnie, que precisara sair para resolver algo e pediu para a irmã levar um envelope com documentos para na empresa. Segundo ela, o motorista estava à sua espera. Ela sequer desfizera as malas ainda, estavam todas espalhadas pelo quarto simplesmente porque não queria aceitar que morava ali agora, não queria morar ali.
Saiu do banheiro suspirando sonolenta e desprendeu a toalha do corpo, jogando-a na cama antes de procurar algo para vestir com toda lentidão do mundo. Não ligava que estivessem esperando por ela, fora acordada cedo contra a própria vontade e aquilo normalmente irritava as pessoas.
Acabou por optar por uma saia preta de cintura alta e uma blusa social branca, de botões, colocou-a por dentro da saia e depois passou algum tempo encarando suas botas e o Scarpins, tentando decidir qual usar. Quando, por fim, decidiu pelos saltos e pegou um casaco e o tal envelope, saiu.
Segundo Bonnie, precisava daqueles documentos antes das dez e, se o trânsito dali fosse como o de NY, ela já devia estar no caminho há muito tempo.
Ao entrar no carro, começou a se perguntar se não devia ter contestado mais, como sempre fazia. Bonnie provavelmente havia se aproveitado de sua lentidão matinal, aquele era sempre o melhor horário para a fazer concordar com alguma coisa.
Pensando naquilo, ela se perguntou o que a irmã, que não trabalhava ou estudava, teria para fazer de tão importante que não podia levar os documentos do marido para ele. Será que ia ver William?
mordeu o lábio, pensando que aquilo também seria importante para ela se tivesse um amante gostoso como ele. Ela se lembrou da forma como falara com ela na noite anterior e mordeu o lábio com mais força, por reflexo. Ele, obviamente, também não era fiel. Será que era algum tipo de relacionamento aberto?
riu, pensando que sua mãe ia adorar saber disso.
Não demorou muito para chegarem à empresa de e, depois que o motorista lhe informou o andar, ela saiu do carro com o envelope nas mãos. No elevador, ela viu um monitor pequeno passando algumas propagandas aleatórias, provavelmente bem caras, e, de tempos em tempos, mostrando o logo da empresa. O andar de era o décimo sexto, o último. O logo da empresa deve ter aparecido umas dez vezes enquanto o elevador subia e começou a bater o pé, impaciente. Odiava esperar.
Quando, por fim, chegou ao andar de , saiu do elevador às pressas, mas parou quando olhou de um lado para o outro e não viu ninguém. Havia apenas uma mesa vazia quase de frente para o elevador e uma sala adjacente a ela no inicio de um corredor.
Sem se importar se era ou não a sala de , foi até lá e abriu a porta sem cerimônias, se arrependendo de imediato. Havia um casal lá e ela podia apostar que não estavam fazendo o que fora contratado para fazer.
A garota estava sentada na mesa, com as pernas um pouco abertas e o rapaz, de costas para , espalhava beijos por seu pescoço enquanto uma mão estava dentro de sua blusa, em seu seio, e, a julgar pelos gemidos da outra, ele era muito bom com as mãos. Ou isso ou ela só era escandalosa. rolou os olhos para a cena, finalmente lembrando-se da onde conhecia os dois. Foram apresentados a ela no jantar anterior e, ela tinha quase certeza, a garota estava noiva de outro.
Descobrir dois casos em menos de vinte e quatro horas, aquilo devia ser algum recorde. Qual era o problema daquela gente com fidelidade?! Fechou a porta, sem ligar de ser discreta e bufou, aquilo estava ficando realmente chato. Todo mundo fodia, menos ela.
- ?! – Ouviu a voz de chamar, confusa, e o buscou com o olhar. Ele estava na frente de uma sala no final do corredor, a provável sala dele.
- Não, o Papai Noel. – Ela bufou, indo a seu encontro. – Vem cá, qual é o problema desse lugar? Vocês não sabem fazer nada além de sexo?! – Disparou, entrando na sala sem esperar permissão. entrou atrás e fechou a porta atrás de si, erguendo uma sobrancelha para a garota, que jogou o envelope amarelo de qualquer jeito na sua mesa.
- Posso perguntar do que está falando? – Ele perguntou, afrouxando a gravata enquanto ela analisava a sala dele. se aproveitou do momento para focar o corpo dela, a forma como a bunda ficava empinada naquela saia era quase cruel e suas mãos coçaram para dar lhe umas palmadas.
- Do seu empregado e da provável secretária dele transando em cima da mesa dele. – disse como se fosse óbvio, virando para encará-lo. – Acabei de vê-la com as pernas abertas em cima da mesa dele. Muito profissional. – Ironizou.
não precisou pensar muito para saber de quem ela falava. , secretária de Edward, era sua amiga desde a faculdade e noiva de James Greene. Por algum motivo, o caso não o surpreendeu. Greene sempre pareceu certinho demais para alguém como , é claro que ela pediria reforços. Não que ele ligasse, contanto que aquilo não afetasse na relação dos Greene com a empresa, não dava à mínima. Mas a ideia de ter uma garota com as pernas abertas para ele em cima da mesa lhe agradava. E ele já sabia até qual garota queria.
- Em cima da mesa? – Questionou, com falsa confusão e assentiu, como se fosse óbvio. fez que não com a cabeça, mantendo a encenação. – Desculpe, não estou conseguindo visualizar a cena, por que não demonstra?
Ela, que até então havia caído no jogo de e se perguntava o que não estava claro no que dissera, rolou os olhos.
- Por que você não vai se fuder? – Rebateu e ele riu, o que a fez erguer uma sobrancelha, surpresa com a reação.
- Eu fodo você, se quiser, é só se sentar na mesa e abrir as pernas. – Ele disse, se aproximando dela. estava prestes a recuar, mas ele segurou sua cintura antes que ela o fizesse. – O que acha disso? – Ele perguntou provocativo, perto demais para a sanidade da garota, que fechou as mãos em punho e afundou as unhas na palma para conter a vontade de passar os braços em volta de seu pescoço.
Cuidadosamente, ela recuou apenas o suficiente para apoiar uma das mãos na mesa.
- Nessa mesa? – Mordeu o lábio, olhando da mesa para ele e assentiu, desejando morder ele mesmo aqueles lábios cheios. Ela sorriu maliciosa como resposta. – Quem sabe da próxima? – Sugeriu, sem mudar a expressão. – Não estou muito a fim de dar para homem casado hoje. – Fechou a cara, prestes a empurrá-lo e sair dali antes que esquecesse que transar com o marido de sua irmã na porra da mesa dele não era lá a melhor ideia do mundo.
- Você tem certeza disso? – retrucou, dando um passo à frente antes que ela saísse de seu alcance, tocando sua cintura e fazendo a garota prender o ar, precisando de toda sua força de vontade para não ceder de uma vez. Ele segurou em sua cintura com mais firmeza, a empurrando lenta e cuidadosamente contra a mesa, como se tentasse não deixá-la notar o que fazia até ser tarde demais. Ela caiu sentada ali e tentou respirar normalmente, mas com os olhos de nos seus não conseguiu obter sucesso nenhum na tentativa.
sabia que não devia tocá-la daquela forma, não a irmã de sua esposa, uma coisa era foder desconhecidas por aí, outra era fazer isso com a irmã de Bonnie, mas cada detalhe nela parecia chamá-lo insistentemente. Ele precisava experimentá-la.
- Acho que entendo o Edward. – Comentou, separando suas pernas lentamente com uma mão puxando um de seus joelhos para o lado. – A vista não é nada mal. – Disse, a outra mão segurava a garota pela nuca e não queria soltar, a forma como ela o encarava era excitante e ele queria mantê-la olhando para ele. Queria que ela dissesse que sim, que o queria, olhando para ele.
- Eu realmente não sei qual o problema das pessoas desse lugar com fidelidade, mas eu não sou daqui, . – Ela disse, se esforçando para soar firme, embora àquela altura não estivesse lá dando muito certo. Ele estava perto demais, ele cheirava bem demais e o toque firme de sua mão na pele da garota a fazia quase implorar por mais.
- Claro que não. – Ele ironizou, parecendo saber perfeitamente o que estava causando nela. As pernas de coçavam para rodear sua cintura e ela se segurou firmemente na mesa, ciente que podia ceder e fazer uma besteira a qualquer momento.
Por sorte, ou azar, àquela altura ela já não sabia mais, a porta foi aberta no instante seguinte e pôde empurrar sem maiores dificuldades graças ao susto que ambos tomaram. virou ofegante para ver quem era e quase riu da ironia que era, justamente, a garota que ela pegara com Edward, pegá-la ali.
- . – murmurou, contendo a vontade de xingar a amiga por ter aparecido justo agora. – O que você quer?!
, que claramente continha o riso para a situação, o encarou em sua melhor pose profissional.
- Os acionistas estão te esperando na sala de conferência para a reunião das dez, Sr. .
Quando concordou com a cabeça, pegando o envelope que levara e saindo dali após lançar um olhar irritado para , ela precisou conter o ímpeto de suspirar, aliviada. Ela podia ser uma vadia louca, mas nunca traíra a confiança de ninguém com quem se importava e não tinha certeza se as coisas continuariam daquele jeito se a secretária demorasse um pouco mais para aparecer. Estava começando a achar, inclusive, que morar ali, naquela cidade maluca que respirava sexo e affair, sob o mesmo teto que aquele homem, seria, no mínimo, complicado.
- Eu atrapalhei? – perguntou, risonha, e sorriu de forma irônica para ela.
- Na verdade, você meio que me salvou, por que não marcamos de sair e você me conta mais sobre o seu relacionamento a três? – Ironizou e imitou o seu sorriso.
- Pelo menos Edward não é irmão do meu noivo.
- Vai ser um ótimo argumento para quando ele descobrir. – retrucou sem abandonar o sarcasmo.
ergueu uma sobrancelha, como se perguntasse se ia mesmo pensar em contar depois da cena que ela presenciara, mas a mais nova apenas sustentou seu olhar, com teimosia. As duas sabiam que não valia à pena, em nenhum dos dois casos, contar a qualquer um do que viram, mas também eram teimosas o suficiente para não ceder até que a outra o fizesse. Em algum momento, no entanto, as duas acabaram rindo da birra sem propósito que faziam.
- Certo, talvez devêssemos deixar isso entre nós. – Sugeriu por fim e concordou com um sorriso.
- Não seria ruim. – Murmurou e concordou com a cabeça, aproximando-se da porta, olhando de um lado para o outro e depois voltando a encarar .
- Eu estava tentando terminar tudo com o Edward quando você chegou. – Disse, sentindo-se na obrigação de se explicar a fim de não parecer tão vadia quanto provavelmente parecia.
- Estava indo muito bem. – Ironizou, e a outra rolou os olhos.
- É difícil resistir, eu... Eu acho que posso estar gostando de verdade dele. – mordeu o lábio, se sentindo culpada por colocar em palavras os pensamentos que vinha tentando a todo custo evitar. a encarou confusa, sem entender porque ela estava falando aquilo para ela.
- Está desabafando comigo? – Perguntou, desconfiada e confusa. Podia parecer insensível, e provavelmente era, mas ela só não tinha amigos. Ninguém nunca lhe procurava para contar de seus problemas e ela não esperava que uma completa estranha fosse fazê-lo.
- Não faz muito sentido, não é? – a encarou, se perguntando o que tinha na cabeça para simplesmente falar o que dava na telha daquele jeito. Só não conversara com ninguém, nunca, sobre seu caso com Edward. era seu melhor amigo, mas não daria importância, para ele infidelidade era a coisa mais comum do mundo e , definitivamente, não achava que alguém tão certinha quanto ela fosse sequer tentar entendê-la. A irmã, no entanto...
- Não, quer dizer... – mordeu o lábio, se atrapalhando com as palavras. – Como sabe que eu sou confiável? Nem nos conhecemos.
- Devíamos. – retrucou firmemente e ergueu uma sobrancelha, ficando desconfiada novamente. Desde quando as pessoas tentavam fazer amizade com ela?!
- Seu relacionamento já não é complicado demais só com três pessoas?! – Fez graça apenas para que ela não percebesse o real - e ridículo- motivo de seu receio. lhe lançou um sorrisinho irônico em resposta.
- Por que não vem comigo ao jogo do Doncaster Rovers na sexta? Todo mundo vai estar lá e o William vai jogar, vocês são amigos, não é?! Vi vocês conversando baixinho no jantar. – tagarelou e piscou, demorando um pouco para absorver tudo que ela dissera, graças a velocidade dela para falar.
- William joga futebol? Como assim todo mundo vai estar lá? Quem é todo mundo? – Questionou, cada vez mais confusa.
- Eu te explico tudo melhor se vier comigo, que tal?! – insistiu , juntando as mãos em sinal de prece. Sua última amiga havia se mudado para Londres e agora mal se falavam. Ela sentia falta da companhia de garotas, ainda mais agora que estava vivendo a aventura mais louca na qual podia se imaginar.
- Claro. – concordou, dando de ombros, mas acabou soltando um gritinho de susto quando se jogou nela para abraçá-la. Com isso, a outra gritou também, se afastando dela.
- O que foi?! – Perguntou, assustada.
- Não gosto de contato físico desnecessário. – disse de cara feia, e rolou os olhos.
- Não parecia que você tinha problemas com isso quando entrei aqui. – ela retrucou.
- É, mas eu tenho. – insistiu, ignorando a sagacidade da outra, que riu do bico que ela fazia sem nem perceber.
- Então, tudo bem. – murmurou, rindo. – Vejo você na sexta.
concordou com a cabeça, sem saber se devia fazer o que estava fazendo e deixou a sala de em seguida, era melhor voltar para casa antes que ele saísse da reunião e ela acabasse realmente fazendo uma besteira.

tinha vários documentos para assinar pela tarde na empresa, mas depois da reunião das dez cancelou seus compromissos e saiu de lá para treinar. Passaria a tarde toda batendo no saco de pancadas até não sobrar restos só para chegar em casa cansado o suficiente para não fazer besteiras pelo menos por aquele dia. Não era seguro tentar comer , ela era irmã de sua esposa. Irmã. Uma coisa era trair sua esposa com prostitutas vez ou outra, outra, completamente diferente, era ter um caso com a irmã dela, por mais gostosa que fosse. Ah, e como ela era gostosa.
sentia as mãos coçarem por ela só de lembrar.
Esmurrou com toda sua força o saco de pancadas a sua frente por estar deixando os pensamentos rumarem naquela direção. A garota tinha o corpo feito para o pecado e aquele rostinho de menina...
De jeito nenhum aquilo podia ser certo.
Grunhindo de raiva, desferiu mais uma sequência de socos contra o saco, se perguntando por que era tão difícil simplesmente pensar com a cabeça de cima. Não comer , não querer , não devia ser tão complicado. Era a porra da irmã de sua esposa, será que ele não tinha nenhuma integridade?!
- ? – Uma voz conhecida chamou atrás dele e ele parou o que fazia, virando para ver quem era. Como esperado, encontrou Liam Burton, seu melhor e mais antigo amigo, o encarando surpreso.
- Burton. – Cumprimentou com a respiração descompassada pelo ritmo acelerado do treino.
era assim, não aparecia para treinar sempre, mas quando aparecia dava tudo de si. O problema é que ninguém nunca sabia quando ele ia aparecer.
- Dia difícil? – Liam perguntou após cumprimentar com um toque de mão um dos instrutores da academia. O local pertencia a outro grande amigo dos dois, era uma academia simples, mas gostava de lá. O local lhe trazia boas lembranças. Na adolescência, eram eles três, , Liam e Nick, andando por aí como se realmente acreditassem que podiam dominar o mundo um dia, ter tudo que queriam e rir dos que duvidaram.
- Você nem faz ideia. – murmurou, retirando as luvas e se afastando do saco, caminhando em direção a Liam para pegar a garrafinha de água que deixara no balcão perto dele. – Por que não apareceu no jantar ontem? – Perguntou entre uma golada e outra enquanto o amigo colocava as ataduras nas mãos para começar o próprio treino.
- Eu tinha uma coisa, foi mal. – Liam disse sem encará-lo e riu, não tendo dificuldades para imaginar qual era a tal coisa.
- Quer dizer um encontro? – Perguntou, em tom de zombaria e Liam mostrou lhe o dedo do meio. riu outra vez por isso. – Vai quebrar a cara outra vez, sabe disso, não sabe?! – Provocou enquanto Liam colocava as luvas.
- Você é que vai. – Liam retrucou, indo em direção ao ringue.
gargalhou e foi atrás, recolocando as luvas no caminho.
- Ela é gostosa, pelo menos? – Perguntou, colocando a guarda ao ver Liam fazer o mesmo, prestes a investir contra ele.
Liam tinha um péssimo histórico de relacionamentos e adorava implicar com ele por isso. Passara a vida toda vendo o amigo se envolver com várias garotas e sair de coração partido, vivia tentando explicar para ele que eram os sentimentos que atrapalhavam, mas Liam não escutava, então rir era o que restava.
- É a mais linda que eu já vi. – Disse Liam, tentando lhe acertar um gancho de direita, do qual se defendeu com maestria antes de avançar nele com um murro cruzado. Liam recuou bem a tempo.
- Você disse isso da última. – ele riu e Liam lhe atacou com um soco certeiro por isso. apenas riu mais.
- Outch. – disse, jogando a cabeça para trás para que o cabelo parasse de cair nos olhos. – Você bate como uma garota, Burton.
- Já mandei você se fuder hoje, ? – Liam retrucou, recuando quando fingiu atacar. Ele riu.
- Ops. – Provocou, acertando lhe um murro no estômago em seguida. Liam grunhiu.
- Filho da puta. – Reclamou em forma de gemido. ergueu uma sobrancelha, esperando o amigo se recuperar.
- Você pretende levantar ou está difícil? – Resmungou, fingindo impaciência, e Liam olhou irritado para ele antes de colocar a guarda outra vez.
- O que veio fazer aqui hoje, afinal? – Liam perguntou, voltando a avançar em sua direção. deixou o corpo bambear para os lados a fim de fugir dos socos que o amigo tentava desferir nele.
- Você sabe, tive um tempo – enrolou e Liam olhou irônico para ele antes de conseguir acertar um soco em seu braço direito.
- Quer dizer, desmarcou tudo que tinha para hoje. – Deduziu e deu um sorrisinho de lado, sem se surpreender com aquilo.
Era quase um padrão ele aparecer na academia quando precisava extravasar, nunca avisava, só chegava do nada e treinava com a disciplina de quem era profissional.
- Deu vontade. – Deu de ombros como se não fosse nada demais, desviando de outro soco de Liam e tentando atacá-lo de volta, mas o garoto recuou bem a tempo.
- Por quê? – Liam perguntou, se defendendo de mais socos. rolou os olhos.
- Qual é o seu tesão por fofocas, Burton? – Fingiu impaciência, mesmo que fosse acabar contando. Sempre contava.
Liam riu, se aproveitando do fato dele ter baixado a guarda para disparar socos e mais socos em seu estômago, prendendo contra uma das extremidades do ringue sem que tivesse chance de se defender. lhe atacou com um murro cruzado na cabeça e, quando Liam recuou, devolveu dois dos ganchos que recebeu, recuando quando o amigo tentou socar seu rosto.
- entrou na minha sala quando eu estava quase comendo a garota. – ele disse por fim enquanto tentava socar Liam, que recuou bem a tempo.
- Não era mais fácil só bater uma? – Quis saber, ofegante.
- Não. – ele falou e olhou irônico para Liam pela pergunta idiota. O amigo riu, dando de ombros como se dissesse que não tinha como adivinhar. rolou os olhos e se aproveitou da distração para acertar lhe um soco no rosto. – Não seria certo bater uma pensando nela, assim como também não seria comer ela.
- E desde quando você liga para o que é certo? – Liam questionou confuso, rindo ao fugir de outro soco.
- Ei, eu tenho limites, ok?! – rebateu, recuando quando Liam tentou atacá-lo.
- É? Desde quando? – Liam provocou, recebendo uma sequência de socos no estômago por isso. Ele tentou fazer o mesmo que e afastá-lo com um cruzado, mas estava preparado e conseguiu empurrá-lo para o chão, tendo tempo de socar seu rosto apenas uma vez antes de serem interrompidos pela voz familiar de Nick:
- Quem é vivo sempre aparece, hein, ?! – Disse se aproximando do ringue. saiu de cima de Liam e recebeu um chute na bunda ao ficar de pé, mostrando o dedo do meio para o amigo após tirar as luvas.
- É, eu soube que estava morrendo de saudades e comecei a ficar preocupado. – Falou após pular para fora do ringue.
- Olha só, ele não é um total insensível! – Nick exclamou com falsa surpresa e Liam riu enquanto pulava para fora do ringue também.
- Ah, qual é, vocês sabem que eu sou louco pelos dois. – ironizou, gargalhando junto com os dois em seguida. Era sempre assim quando os três se juntavam, gargalhavam de qualquer coisa, o tempo todo.
- Eu bem que desconfiava de você. – Nick comentou, balançando a cabeça em desaprovação.
- Ah, é? E cadê a sua namorada, Alcott? Ainda está com aquela gostosa boa no boquete?! – arqueou as sobrancelhas e Nick fechou a cara, mostrando lhe o dedo do meio. gargalhou. – O quê? Terminou? Acho que você está passando muito tempo com o Liam, cara.
- Vai se fuder, . – Nick ordenou mal humorado. Ele riu outra vez.
- Eu não me fodo, Nick, pergunta pra sua ex. – Provocou novamente.
- Ou fica na mão porque a secretária entra na hora errada. – Liam soltou, rindo e Nick ergueu a sobrancelha, desconfiado.
- Quem foi que a não deixou você comer? – Perguntou.
Como fizera faculdade com , conheceu Nick e Liam logo que começaram a andar juntos. Sempre se deram bem, já que tinham em comum a mania de o irritar e ela chegara até a ter um caso com Nick, mas não durou muito.
- Acredite, você não quer saber. – Murmurou, fazendo Liam e Nick trocarem um olhar, agora ainda mais desconfiados.
- O Edward? Sempre achei que ele tinha certa pinta de...
- Vai se fuder, Nick. – o interrompeu, rolando os olhos. – Se um dia eu quiser experimentar um homem, procuro você, tá? Não precisa ter ciúmes. – acrescentou e foi a vez de Nick rolar os olhos.
- Acho que você é mais o tipo do Liam, , foi mal.
- Eu estava quase comendo a irmã da Bonnie. – confessou por fim, ignorando a provocação. Era melhor contar de uma vez, estava com a sensação de que aquilo não ia acabar nada bem. Não com as mãos coçando para tocar toda vez que a via.
Liam e Nick se entreolharam, surpresos demais para falar qualquer coisa por um instante. Conheciam muito bem e sabiam de todos os defeitos do amigo, sabiam que ele não era fiel a Bonnie e provavelmente nunca havia sido a garota nenhuma, mas ele tinha limites. Como quando falava da namorada de Nick só para provocá-lo. Era só aquilo; provocação. Ele não comeria a namorada de um amigo e os dois sabiam disso, assim como não imaginariam que ele comeria a irmã da esposa.
- Mas não comeu... Não é?! - Liam o encarou, sem saber direito o que devia falar. Olhou para Nick como se pedisse ajuda, mas ele também não sabia o que falar e apenas encarou esperando que ele falasse mais alguma coisa.
- Eu não teria nem pensado se não houvesse entrado na hora. – murmurou por fim, passando nervosamente uma mão pelo rosto. Ele odiava sentir culpa, odiava sentir qualquer coisa, mas sabia muito bem que havia limites e comer estava estritamente fora deles.
- Mas... Você pensou agora, sabe que não pode fazer isso. – Nick tentou e ergueu o olhar para encará-lo. – Você sabe, não sabe?
- Agora, sem ela aqui com aquela saia curta e apertada? Sei. – falou, bufando de raiva. – Seria muito mais fácil se ela não fosse tão gostosa. – disse, fazendo os amigos rirem.
- Será que você não consegue pensar com a cabeça de cima, ?! – Nick perguntou, com humor embora estivesse tentando dar uma bronca no amigo. riu, embora sem muito humor.
- Estava me perguntando a mesma coisa. – Confessou e os outros dois riram novamente com isso.

Chapter Two.

“I’ll throw away my fate, baby, just to keep you safe” The Cab

entrou em casa afrouxando a gravata e chutando os sapatos, exausto.
A semana vinha se passando de maneira, no mínimo, sufocante. Ele tentava não lidar com ninguém em casa, sair cedo, chegar tarde, mas esbarrara com por vezes o suficiente para odiar a si mesmo por, em todas elas, ter se deixado levar e trocado flertes indecentes com a garota. Vezes o suficiente para suas visitas a academia de Nick estarem se tornando mais frequentes do que nunca.
não suportava a tensão sexual que sentia perto daquela garota, não suportava saber que não podia comê-la e, mais ainda, não suportava a certeza iminente que ia falhar naquilo.
estava morrendo por uma ducha e talvez tivesse sorte aquela noite e o cansaço lhe faria dormir direito, forçando a maçaneta para entrar em seu quarto e, parando, confuso, quando a porta não cedeu. Mas que diabos...?!
- Bonnie? – Chamou, não obtendo nenhuma resposta de início e forçou de novo a maçaneta, confuso. – Bonnie, está aí?!
De novo, nenhuma resposta e bateu na porta com força, agora, além de confuso, levemente irritado também. Porra, aquele era o quarto dele, desde quando tinha que bater pra entrar no próprio quarto?!
- Bonnie! – Gritou, mas a porta se abriu em seguida, fazendo o homem dar um passo para trás pela surpresa.
- , desculpe. – A mulher murmurou, corada como se estivesse correndo uma maratona. – Eu estava indo tomar banho e tranquei, desculpe...
- Tomar banho? – Perguntou, só então descendo o olhar para o corpo da esposa. Bonnie era linda e sabia bem disso, mas se havia algo que eles dificilmente faziam era sexo. Ele se perguntou por quê. – Quer companhia? – Perguntou com um sorriso, talvez aquela fosse a solução dos seus problemas, afinal. Uma boa transa com a esposa para esquecer de vez aquela fixação sem propósito pela irmã dela.
Bonnie corou automaticamente, simplesmente porque não tinha o costume de insinuar aquelas coisas e raramente a procurava.
- Por que você não desce e prepara algo pra gente comer antes? Espero você aqui. – Sugeriu, tentando convencer a si mesma que o estava dispensando porque William estava esperando embaixo da cama e não porque não o queria ou porque não tinha mais nenhum tipo de desejo no próprio marido.
- Certo, certo. – concordou, contendo o ímpeto de rolar os olhos. Não tinha mesmo nada a ver com Bonnie topar transar em qualquer lugar assim, ela sempre fora certinha. – Já subo.
- Vou tomar banho e colocar aquele perfume que você gosta. – Bonnie se obrigou a falar, sorrindo corada para ele, que piscou antes de dar as costas.
Ao passar pelo quarto de , no entanto, não se conteve em dar uma olhadela para ver se ela estava lá. Por sorte ou azar, ele não soube decidir, ela não estava.
desceu as escadas e caminhou até a cozinha, abrindo a geladeira e encarando seu conteúdo preguiçosamente antes de criar coragem para selecionar os ingredientes para os sanduíches. Aquilo era o máximo que ele conseguiria fazer.
Bonnie desceu pouco depois, o surpreendendo, já que ele realmente esperava que ela fosse ficar no quarto o esperando e ele ainda fosse ter que forçar um romantismo que não existia antes de comê-la.
Podia parecer grosso, mas era assim que ele era. Simplesmente não sabia amar, sequer acreditava naquele amor ilusório que levara Bonnie a aceitar se casar com ele.
As coisas mudaram para o homem desde que perdera a mãe e mais ainda desde que descobrira a verdade sobre a morte dela – quem a matou –. Ele acreditava sim que havia estado apaixonado por Bonnie em algum momento, mas não se lembrava de mais como era.
- Como foi o dia na empresa? – Bonnie perguntou, tentando puxar assunto. Podia até ser que não houvesse sentido naquilo, mas ela não queria transar com ele, no fundo sabia que ele nunca provocaria nela o que William provocava, que ele não sentia o que William sentia.
De repente se sentiu culpada por continuar com aquela loucura quando sabia muito bem o que devia fazer. Não era o nome de que devia estar em sua aliança. Se sentia tão confortável com seu marido quanto com um desconhecido.... Como aquilo era possível, afinal?!
- Você sabe, o mesmo de sempre. – deu de ombros, estendendo para ela um copo de suco e lhe empurrando pela mesa entre os dois o sanduíche. Bonnie agradeceu e observou em silêncio enquanto ela bebia um gole. Bonnie era uma mulher bonita, costumava ser legal namorá-la, na época da faculdade, gostava de estar com ela.
- Você é linda, sabia disso? – Ele abraçou a esposa por trás, beijando sua bochecha antes de descer para o pescoço, o roçar dos dedos no braço dela fazendo um leve carinho que a fez fechar os olhos por um instante, sentindo um arrepio gostoso na espinha.
Não era do feitio de dizer aquelas coisas, agir daquele jeito, mas ele era muito bom em conseguir o que queria e, naquele momento, queria transar com sua esposa, de preferência ali mesmo, embora não achasse que ela fosse abrir as pernas para ele na cozinha. Ele segurou em sua coxa, subindo lentamente e levantando simultaneamente a camisola que ela desnecessariamente vestira antes de descer.
- Eu realmente adoro esse perfume. – sussurrou, inspirando em seu pescoço e o mordendo de leve em seguida apenas para arrancar lhe um gemido, sorrindo com satisfação quando conseguiu. Ele virou a mulher de frente para si e a trouxe para mais perto pela cintura, moldando seus lábios.
Bonnie abandonou o sanduíche que ainda segurava debilmente e levou as duas mãos para o pescoço de , deixando uma delas imiscuir em seu cabelo em seguida, tentando arrancar de si mesma alguma reação, qualquer uma. Mas não importava quão intensamente o beijasse, era William que estava em sua cabeça.
queria empurrá-la para se sentar na mesa e livrá-la de uma vez de tudo que cobria aquele corpo que estava ansioso para rever, mas, mesmo que não soubesse que Bonnie o faria subir até o quarto, não teria tido tempo de tentar, pois a porta da frente foi aberta em seguida e Bonnie o afastou, ofegante.
Ela se afastou de sem nem olhar para ele, a fim de ver quem havia chegado.
Era , sua irmã.
- , - disse se atrapalhando e quase pronunciando o apelido que ela odiava. – Onde você esteve o dia todo? – Perguntou, abraçando a si mesma sem querer olhar para trás e procurar .
Não era como se ele não houvesse sido carinhoso, havia sido, mais até do que normalmente, e, ainda assim, ela não sentira nada. Nada do que ele fizera lhe afetou um pouquinho que fosse e ela não podia evitar se sentir culpada por isso.
Abria as pernas para o irmão dele com a maior facilidade do mundo e quando se tratava do próprio marido não havia excitação alguma e não sabia o que fazer, exceto se perguntar como diabos aquilo era possível. Tudo que um dia sentira por ele parecia ter sumido.
- Por aí. – deu de ombros, falando como se estivesse cantando, e entendeu rapidamente que ela estava bêbada. A imaginou com aquele vestidinho preto em algum pub imundo da cidade, desacompanhada e se afogando em alguma bebida forte e malcheirosa. Não era seguro para ninguém. – E você, maninha? Por onde esteve o dia todo? – Ela cruzou os braços, com um bico como se tentasse dar bronca em Bonnie, que bufou.
- Você está bêbada. – Constatou, suspirando cansada e conteve o ímpeto de rolar os olhos. Aquilo não era óbvio?! – Por que você tem que fazer essas loucuras, ?! Beber, se drogar... O que diabos você pensa da vida, afinal?! Está tentando se matar?! – Disparou e simulou um bocejo, se jogando no sofá.
- Vou tirar um cochilo, me avisa quando o sermão acabar. – Disse, fazendo a irmã grunhir de raiva com a provocação.
- Talvez ela devesse tomar um banho e dormir, não vai adiantar muita coisa falar com ela agora. – se aproximou de Bonnie para falar sem que escutasse. Não que ela prestasse atenção, mais preocupada em brincar com os próprios dedos como se eles fossem as coisas mais interessantes do mundo. Bonnie suspirou e concordou com a cabeça, se aproximando da irmã cuidadosamente.
- , que tal um banho e depois um descanso? Você deve estar cansada. – Tentou delicadamente, mas tudo que conseguiu ouvir foi o apelido, cerrando as mãos em punhos até afundar as unhas nas palmas.
- Você nunca vai entender, não é?! Eu não quero a sua ajuda, Bonnie, não preciso de você. – Disse friamente antes de se levantar, prestes a seguir até a escada, mas Bonnie a segurou pelo pulso, voltando a perder a paciência.
- Quer parar de agir como uma criança mimada?! Nada disso vai fazer o papai voltar, ! Ele está morto e você deveria, pelo menos, respeitar a memória dele e parar de se destruir assim. – Disse, sem fazer ideia do quanto aquelas palavras afetavam a outra.
Ela também sofria pelo pai, é claro, mas com era diferente. O pai sempre foi tudo que ela tinha e ela não precisava de nenhum lembrete quanto ao fato de não tê-lo mais, ela sabia muito bem daquilo, sabia muito bem que não podia fazer nada para reavê-lo.
- Me solta. – Ordenou de maneira ácida, para a irmã mais velha, tentando ignorar as pontadas que o aperto da irmã em seu pulso espalhava por seu corpo, magoando as feridas que existiam ali.
- , por favor...
- Me solta, Bonnie. – ordenou outra vez, interrompendo-a quando ela tentou falar. – Eu não quero a sua ajuda, não preciso dela. Tudo o que eu quero é que esqueça que eu existo. – Pronunciou, empurrando a mais velha para se soltar.
Bonnie não conseguiria responder nem que a amargura da irmã não a tivesse chocado o suficiente para sua voz sumir, pois no instante seguinte já corria escada a cima, o mais rápido que suas pernas permitiam para não ser vista chorando. Se havia algo que ainda prezava era seu orgulho. Não chorava nunca e, se o fizesse, então teria que ser longe das vistas do mundo.
Bonnie suspirou e se jogou no sofá, fechando os olhos e afundando as mãos no cabelo, totalmente exausta graças aquela discussão.
- É melhor deixar para conversar com ela amanhã, bêbada como está nada vai surtir efeito. – opinou com cuidado e Bonnie ergueu o olhar para ele, sentindo o peito apertar. Queria chorar, o nó que se formava em sua garganta era quase insuportável, lhe arrebatava de forma cruel demais, mas ela sabia que não conseguiria na frente dele.
- , eu...
- Eu vou subir. – a interrompeu, já sabendo o que ela diria. Bonnie o olhou, agradecida, por um instante e ele acenou com a cabeça, lhe dando as costas logo depois.
Ela não ficava frágil na frente de e ele respeitava isso, assim como ela respeitava quando ele preferia sair de madrugada para encontrar Liam e Nick na academia invés de conversar com ela. Simplesmente não ficavam à vontade um com o outro, apesar de agirem o tempo todo como se isso não fosse nada demais.

acordou algumas horas depois e se levantou bocejando, passou a mão pelo rosto, despertando muito lentamente e se levantou da cama. Bonnie sequer se moveu quando ele abriu a porta para sair do quarto e a fechou cuidadosamente ao deixar o cômodo. Ele parou, bocejando, no corredor, tentando organizar os pensamentos.
Eram raras as noites em que conseguia dormir; nem precisava de um motivo para insônia, simplesmente não dormia. Estava prestes a fazer seu caminho diário até o banheiro e lavar o rosto só para passar a noite acordado, cercado de papéis, como sempre. No entanto, um ruído fez parar e olhar em volta, procurando a origem do som.
O corredor estava perfeitamente em ordem, mas o som de um grunhido vindo de um dos quartos denunciou o problema e lembrou-se automaticamente do estado deplorável que estava mais cedo, entrando no quarto da garota sem pensar duas vezes.
não sabia muito bem o que esperava, mas o que viu definitivamente não estava na lista e não conseguiu fazer nada no primeiro instante e, logo depois, o percebeu ali. Ela tentou esconder a lâmina atrás de si, mas mesmo que ele não a visse, o sangue vermelho vivo clamava por atenção.
- se aproximou dela, sem pensar no que fazia e a garota, que antes estava sentada na ponta da cama, escondendo a lâmina atrás do próprio corpo, pulou para longe dele, se colocando de pé e deixando a lâmina suja de sangue cair no chão. olhou dela para a garota totalmente chocado. – Você ficou louca?! – Ele perguntou por fim, se aproximando dela. recuou.
- Isso não é da sua conta. – Ela retrucou, parecendo se esforçar muito para não deixar a voz tremer. O corpo da garota, sempre ereto e cheio de confiança, agora estava encurvado, como se ela se encolhesse. Não combinava nada com ela e teve o ímpeto de trazê-la para seus braços só para que ela não desmoronasse de vez como parecia prestes a acontecer.
- Por que fez isso? – Ele perguntou, ignorando o que ela dissera e travou o maxilar.
- Sai daqui, . – Ordenou, recuando mais quando ele deu outro passo em sua direção. Ele ignorou e deu outro passo, levando-a a ficar presa entre ele e a parede.
- Por quê?! – Perguntou novamente, olhando em seus olhos.
- Não é da sua conta. – Ela respondeu, ríspida.
Estava fazendo um esforço sobre-humano para não desabar, mas não importava o que fizesse, a culpa estaria sempre lá, as chamas, os gritos de seus amigos, tudo. Ela era a culpada, afinal, não tinha o direito de esquecer.
- , pelo amor de Deus – segurou seu queixo sem nenhuma delicadeza, forçando a garota a olhar em seus olhos. – Que porra você acha que está fazendo consigo mesma?!
Por um instante, ela não disse nada, apenas o encarando com a mandíbula travada, sua amargura era quase palpável e se perguntou como era possível alguém se deixar destruir daquela forma e fazer parecer que estava tudo bem depois. Se perguntou há quanto tempo ela fazia aquilo.
- Eu já disse que não é da sua conta. – tentou empurrá-lo, passando a esmurrar seu peito descontroladamente quando não conseguiu, as lágrimas quentes descendo por seu rosto sem que ela pudesse controlar. – Sai daqui, sai, sai! – Ela grunhia entre as lágrimas e a segurou pelos pulsos para que parasse, fazendo-a gritar de dor.
Ele a soltou de imediato, culpado e, sem pensar, a trouxe para seus braços em seguida. ficou imóvel, sabia o que ele estava tentando fazer, mas não podia deixar. Não tinha o direito de ser consolada, mas também não tinha mais forças para lutar, os pulsos ardiam e a exaustão dominava cada vez mais seu corpo.
queria dizer alguma coisa, mas não achava que algo fosse surtir efeito, ou que fosse saber o que dizer, não parecia certo que alguém tivesse que se submeter a tanta angústia e sofrimento, mas quão válidas eram as definições de do que era certo ou não? Ele não sabia, portanto nunca julgava, mas ficar parado enquanto a garota se destruía daquela forma parecia errado demais até para ele.
- Você não tem que fazer isso, – Ele começou por fim, cuidadoso. – Deve haver uma forma melhor de lidar...
- Se você soubesse o que eu fiz, acharia que é pouco. – o interrompeu, o fluxo das lágrimas diminuindo sem que ela sequer notasse conforme se concentrava nos batimentos cardíacos de , já que ele a segurava perto de seu peito sem que ela tivesse como fugir. De alguma forma, a respiração, da qual ele sequer tinha consciência, a acalmava.
- Não, eu não acharia. – respondeu calmamente e, apesar de estar contrariando a garota, deixando claro que não estava iniciando uma discussão. Não que tivesse alguma energia para brigar naquele momento.
Ele não disse mais nada, mesmo achando que deveria, simplesmente porque não sabia o que falar, ele nunca na vida consolara ninguém. Nunca quisera consolar alguém antes.
se afastou e dessa vez permitiu que ela o fizesse, observando em silêncio ela fungar e passar a mão pelo rosto. chorava novamente, o corpo tremia e ela parecia se esforçar ao máximo para conter uma represa de lágrimas, mas uma a uma, elas já molhavam o seu rosto de menina.
- Por que você só não sai daqui? – Ela perguntou ainda se esforçando para limpar as lágrimas e fazê-las parar de cair simultaneamente. Por que ele não saía? <
Por que diabos insistia em estar ali quando nem sabia como ajudar?
não fazia ideia, só não sentia como se tivesse o direito, não podia sair sabendo que ela estaria se destruindo ali, mesmo que houvesse o feito sem pestanejar quando se tratava de Bonnie. Quer dizer, quando sua esposa queria ficar sozinha para chorar, porque não? Mas a irmã dela...
- Tentar se matar não vai resolver nenhum dos seus problemas. – disse simplesmente, optando por não tentar respondê-la. não respondeu e nem ergueu o olhar para encará-lo, passando nervosamente a mão no rosto para limpar as lágrimas que não paravam de cair. rolou os olhos e voltou a se aproximar, afastando suas mãos do rosto para que ela o encarasse, dessa vez com o cuidado necessário para não tocar em seus pulsos machucados. – Para com isso, para de se machucar assim. – Ele pediu baixo.
Não achava que pudesse fazer muito mais que aquilo, ainda que não fosse muito, ainda que outras pessoas pudessem simplesmente ter dito o mesmo a ela antes e, obviamente, não tido sucesso.
- Eu não posso. – respondeu no mesmo tom, encostando a cabeça no peito do homem, cansada demais para se importar com o quão fraca pareceria por aquilo. passou os braços a sua volta e fechou os olhos, aceitando o conforto, ainda que sem retribuir o abraço.
- Quando você chegou, no momento em que ficou no jantar com aquela camisola apenas para provocar sua irmã, você provou justamente o contrário. – murmurou e a garota não conseguiu se conter, acabando por erguer o olhar para encará-lo. – Você pode fazer qualquer coisa, desde que queira.
Ela o encarou por mais um instante, se perguntando se ele estaria certo. Para ela, parecia que não, nunca teria a única coisa que ela realmente queria, que era rever seu pai. Por fim, ela balançou a cabeça e desviou o olhar novamente. Ele não entenderia, ninguém entenderia.
suspirou e, afagando seus cabelos, a afastou da parede, rebocando-a até a cama. Quando ele a fez se sentar lá, a primeira coisa que fez foi abrir a gaveta do criado mudo, cobrindo os pulsos com pulseiras para esconder os cortes, sob o olhar de , que observava de pé.
- Você vai ficar bem? – Ele perguntou após pegar a lâmina que ela deixara cair no chão quando ele entrou, jogaria aquilo o mais longe possível daquela garota.
- Eu vou sorrir e vai ser como se estivesse. – murmurou, brincando com o elástico da pulseira para não precisar voltar a encará-lo.
balançou a cabeça para suas palavras e foi em sua direção, se agachando de frente para ela e segurando uma de suas mãos na dele.
- Olha para mim. – Ordenou, firme, e ela o fez. Quando usava aquele tom o primeiro reflexo de qualquer um era obedecer. Ele passou o polegar debaixo do elástico das pulseiras e pressionou um dos cortes, fazendo o sangue respingar em seu dedo e a garota gemer de dor. – Você sente isso? – Ele perguntou sem mudar o tom de voz e, quando ela apenas assentiu, mordendo o lábio para conter outro resmungo, ele fez de novo. – Responde.
- Sim. – Ela disse baixinho, voltando a chorar. parou de pressionar o polegar.
- Pois bem – falou. – Da próxima vez que você quiser se punir, se machucar ou seja lá o que for, lembre dessa dor, magoe essa ferida, não crie novas. – Soltou o pulso da garota, se pondo de pé novamente e saindo do quarto.

Chapter Three.

"Follow me to the dark, let me take you past our satellites." Ellie Goulding

- Você acordou cedo. – Bonnie observou surpresa, ao ver a irmã irromper na cozinha as seis e quinze, vestida num moletom dos Beatles que cabiam duas dela. Bonnie se surpreendeu com isso também, já habituada às saias e roupas justas.
- Não consigo dormir com o som da chuva. – respondeu simplesmente, indo se sentar à mesa com ela e .
O homem tomava o café lendo o jornal e não ergueu o olhar para encará-la quando a ouviu adentrar o cômodo, embora lesse a mesma frase repetidas vezes desde esse momento.
Bonnie sorriu um pouco para ao ouvi-la porque ela sempre teve esse pavor e se lembrava de ir ao quarto da irmã quando eram mais novas e lhe contar historinhas para distraí-la nas noites de tempestades. A chuva que caía em Doncaster aquela manhã era torrencial, ou seja, em conjunto com os trovões e relâmpagos, um pesadelo para .
- E a cabeça? – Ela perguntou, se lembrando da bebedeira da irmã na noite anterior. a encarou como se Bonnie falasse em outro idioma e só um minuto depois piscou, finalmente entendendo o que ela dizia.
- Em cima do pescoço. – Disse, rolando os olhos e Bonnie imitou sem sequer perceber que imitava.
- Você não conseguiria ser gentil nem que tentasse, não é? – Perguntou com certo cansaço e deu de ombros, lambuzando uma torrada com geleia.
- Nunca tentei. – Disse como se não fosse nada demais.
Bonnie achou melhor não responder, bebendo mais café enquanto fingia que não percebia ali e ela se esforçava para fazer o mesmo. As pulseiras faziam os cortes pinicarem e nem que quisesse ela conseguiria fingir que não estavam ali, pelo menos não por uns dois dias, mas vinha fazendo tanto isso que estava começando a se acostumar.
Ela puxou as mangas do moletom de forma que elas cobrissem parte das mãos também, coçando os pulsos discretamente e, como se soubesse o que ela estava fazendo, baixou minimamente o jornal e a encarou. desviou o olhar de imediato, a tensão entre os dois se tornando quase palpável quando ele continuou a olhar.
Bonnie olhou confusa de um para o outro e se levantou abruptamente, dobrando o jornal de qualquer jeito e deixando-o jogado sob a mesa.
- Tenho uma reunião e não posso me atrasar. – Disse, se esforçando para não olhar novamente para , que pressionava os cortes com o polegar como ele fizera anteriormente. sentia um gosto metálico na boca por saber o que ela fazia.
- Anh... Tenha um bom dia. – Bonnie disse, a confusão óbvia na voz enquanto tentava apenas se concentrar na dor que causava a si mesma e esquecer que sabia o quão frágil e patética ela era, que ele sabia o quão excruciante era, para ela, cada segundo respirando.
apenas meneou com a cabeça para Bonnie e deixou a cozinha. Ela se levantou, acompanhando com o olhar enquanto ele saía pela porta da frente, logo depois se virou e encarou a irmã.
- Tem algo que queira me contar? – Perguntou, desconfiada.
- Não que eu saiba. – Disse, recebendo outro olhar intensamente desconfiado da irmã. Ela bufou. – Que é? Nunca me viu, não? – Perguntou, e, sem dar tempo para a outra responder, se levantou e deixou a cozinha.

- Não trabalha mais, não?! – Nick perguntou ao adentrar sua academia e ver destroçando um saco a socos. rolou os olhos, sem virar para encarar o amigo.
- Só quando eu quero. Sou o dono da maior rede de bancos do continente, sabe... – comentou, usando aquele tom superior que adorava ter condições para usar. A vaidade e soberba de não eram segredos para ninguém, afinal.
- Continua se vangloriando assim que até eu caio na sua. – Nick ironizou e o outro rolou os olhos.
- Vai se fuder, Nicholas. – Resmungou, disparando uma sequência de ganchos contra o saco de pancadas. Nick riu.
- Só se for com você, delicia. – Retrucou com a voz propositalmente afeminada e parou o que fazia, virando para encarar o amigo.
- Qual é a porra do seu problema comigo hoje?! – Perguntou e Nick gargalhou, jogando a cabeça para trás.
- Estava esperando que você me chamasse para a briga, mas pelo que vejo até isso sou eu que tenho que fazer. – Respondeu por fim, fazendo sinal para que o seguisse até o ringue.
Ele o seguiu sem pestanejar, estava precisando daquilo.
Sabia que se fosse Liam ele teria que contar exatamente porque estava com raiva ou porque estava ali, mas tudo era mais simples com Nick. Eles podiam só trocar uns socos para descontar as frustrações como sempre faziam. A vida dele também não era um mar de rosas e sabia, ele e os irmãos viviam com a avó desde a morte dos pais, num acidente de carro.
Nick era o mais novo dos três irmãos. O mais velho se casara há pouco tempo e morava sozinho com a esposa, enquanto Nick e seu outro irmão trabalhavam fazendo todo bico que podiam para cobrir as despesas de casa, que aumentaram consideravelmente com a doença recém descoberta de sua avó. já havia oferecido ajuda financeira algumas vezes, mas, justamente por Nick ser exatamente como ele, sabia que não adiantava. Os dois eram orgulhosos demais para envolver outras pessoas nos problemas de sua família e, assim como ele nunca falava de sua avó, o outro nunca mencionaria sua mãe numa conversa com ele, mesmo sendo um de seus melhores amigos desde sempre. Apenas existiam limites para os dois e era isso que os tornava tão parecidos. Tanto para , quanto para Nick, a melhor forma de descontar as frustrações estava ali; no ringue.
Depois do primeiro soco, que ao final da luta nenhum dos dois se lembraria de quem dera, atacou Nick com uma sequência de ganchos em seu estômago e ele o empurrou, acertando-lhe um chute na barriga em seguida.
Mesmo que a dor causada pelo chute chegasse a ser excruciante, o máximo que fez foi trincar os dentes antes de investir novamente, conseguindo acertar um murro de direita no rosto dele antes que ele levantasse a guarda outra vez. ergueu o joelho logo depois, acertando seu estômago e Nick segurou em seus ombros com uma mão para socá-lo, também no estômago. Ele socou uma, duas, três vezes antes que conseguisse revidar com um murro no queixo do garoto.
Naquele momento, Nick não era nada além do reflexo de tudo que deixava com raiva e não era preciso ser um gênio para saber que o mesmo acontecia com ele. Era provavelmente por isso que era tão perigoso colocar os dois juntos naquele lugar.
Ambos cuspiam sangue e respiravam ofegantes, mas a sensação de leveza que os invadia a cada novo golpe, dado ou recebido, só os impulsionava a continuar.
Aquilo era a humanidade em seu mais puro estado de ser, era a forma que o homem utilizava para resolver as coisas desde os tempos mais primórdios e, acima de tudo, era o que mantinha e Nick Alcott sãos em seus piores dias.

batia o pé impaciente enquanto esperava o elevador, já quase desistindo e enfrentando as escadas para ir atrás de , mesmo não fazendo ideia de onde poderia estar. Ele não costumava se atrasar, principalmente quando tinha alguma reunião importante, e ela estava verdadeiramente preocupada. Quando o elevador se abriu, no entanto, antes que ela corresse para dentro do mesmo, viu sair dele com o rosto machucado e paralisou onde estava.
- – Disse, colocando a mão na frente da boca para tentar esconder o susto, que mesmo assim fora evidenciado pelos olhos arregalados. – O que diabos aconteceu com você?! Você tem uma reunião, está atrasado, e o seu rosto...
- O quê?! – encarou a amiga, se divertindo com o susto dela.
Normalmente era mais profissional, não ia até a academia quando sabia que tinha uma reunião, muito menos para voltar com o rosto estourado de machucados como agora. Não que o de Nick estivesse muito melhor e ele estava pronto para se gabar disso caso alguém perguntasse.
- Você é um filho da puta irresponsável, ! – exclamou furiosa, ao constatar que não precisava se preocupar, batendo com força em seu ombro várias vezes. Não que aquilo significasse algo àquela altura.
- Ai, ai! Relaxa, ! – Ele riu, segurando seus braços e a girando para que pudesse abraçá-la por trás sem soltar seus braços e correr o risco de levar mais tapas. – Vamos para minha sala. – Chamou, guiando-a pelo corredor sem esperar por uma resposta.
rolou os olhos, mas esperou que entrassem na sala para falar.
- Você tem uma reunião. – Lembrou, observando enquanto dava a volta na própria mesa para se sentar na cadeira giratória sofisticada e jogar os pés sobre o vidro da mesa.
- Cancele. – Ele disse como se não fosse nada demais, abrindo as gavetas todas ao mesmo tempo e tirando de uma delas um saquinho de maconha. olhou incrédula enquanto ele enrolava um pouco da substância num baseado, tomando o devido cuidado para não espalhá-la.
- Você só pode estar brincando. – Disse, desacreditada. – Já não basta chegar tarde e cancelar a porra de uma reunião que já começou?! Agora você vai fumar?! Aqui?! – Disparou, recebendo uma revirada de olhos de . Ele ficava insuportável quando decidia ligar o foda-se, o que normalmente acontecia quando voltava de um combate com Nick.
- O que é que tem? Sou o dono desse lugar, esqueceu?! – Retrucou com simplicidade e bufou.
- Onde está a merda da sua responsabilidade, eu posso saber?! – Perguntou, frustrada com o surto fuck off do amigo. riu.
- Responsabilidade de cu é rola, . – Disse, sua voz soava arrastada e tranquila apesar da expressão ser algo normalmente usado por pessoas com raiva.
- No seu caso, a do seu pai?! – retrucou, fazendo-o fechar a cara de imediato.
odiava que falassem daquele homem. Não queria ter qualquer ligação com Samuel, ele não era seu pai e detestava que as pessoas pensassem que fosse, detestava que pensassem que seu sucesso se devia a ele. Nunca precisou daquele homem e construiu tudo que tinha sem a ajuda dele, nunca quis nada dele além de sua iminente ruína.
- Meu pai é só um filho da puta qualquer que nem faz ideia que eu existo, . – Disse, o tom sombrio fez perceber sem maiores dificuldades que havia ido longe demais. Conversar com era como andar num campo minado, mas as discussões eram ainda piores.
Suspirando, a garota se aproximou e se sentou na cadeira de frente para a mesa. odiava aquela cadeira, simplesmente porque odiava pessoas em sua sala e fez uma careta quando a amiga se sentou, imaginando o quão longa seria aquela conversa.
- Eu não tenho uma reunião? – Tentou, pensando que enfrentar acionistas furiosos com maconha no sangue seria infinitamente mais fácil que enfrentar a conversa sentimentalista que , sem dúvidas, tentaria trazer. Ela rolou os olhos.
- Você não tem nenhum pouco de curiosidade sobre isso?! – Perguntou baixinho, com certo receio. a encarou como se não entendesse do que ela falava, mesmo entendendo. Só queria fugir daquela conversa. – O seu pai de verdade, . – Ela murmurou, o encarando de forma inquisitiva.
- Não. – Ele disse simplesmente, soando mais frio do que provavelmente merecia. Não que ele se importasse. Era o que ele era, no fim das contas, uma carcaça sem sentimentos, desamor era tudo que ele tinha, até mesmo para as pessoas que só demonstravam querer o seu bem. – Não preciso de ninguém que não me queira por perto. – Ele se obrigou a acrescentar por fim, soando cansado. Definitivamente, não queria falar do pai, não queria ter que lidar com aquilo. Tudo que sabia do cara era que sua mãe abrira as pernas para ele e não tinha vontade de descobrir nada fora isso.
- Talvez ele tenha tido algum motivo pra não aparecer, ...
- Contanto que ele continue sem aparecer - interrompeu, sério e exausto daquela conversa -, para mim não faz diferença.
bufou, se perguntando qual era a fixação de com a ideia de estar sozinho no mundo, se recusava a tentar melhorar as coisas com Samuel, não tinha a menor vontade de conhecer o pai biológico... Ela, no entanto, não sabia o quão nascer destruíra a vida de , por mais sombria que fosse a afirmação.
- Ninguém vive sozinho, . – Ela disse por fim, sustentando seu olhar.
Ele sentiu raiva daquela conversa estúpida, as coisas seriam infinitamente mais fáceis se não decidisse bancar a psicóloga justo naquele dia. O homem passara a noite em claro e estava exausto, toda a leveza pós briga já se esvaía com aquela conversa sem propósito e, para piorar, não conseguia tirar da cabeça a visão de magoando as próprias feridas, como ele mesmo lhe dissera para fazer. Ele se perguntou quão grande era a dor dela, se ela sentia que podia ser devorada pela mágoa e tristeza, ou que a solidão iminente era tudo que restava para ela. se perguntou se ela sentia o mesmo que ele.
- Avisa para o Edward que eu tive que dar uma saída e mandei que ele cuidasse de tudo aqui. – Disse repentinamente, se levantando com o cigarro na boca em seguida.
- O quê?! – se pôs de pé também. – Você acabou de chegar! Tem documentos para assinar, ! – O seguiu pelo corredor, voltando a se irritar instantaneamente. Aquele surto de "quem manda nessa porra sou eu" ia acabar fodendo com a vida de todo mundo.
- Algum deles de caráter urgente? – perguntou, olhando por sob o ombro só para ter o prazer de vê-la negar. Podia estar tendo um dia infernal, mas sabia de suas responsabilidades e sabia mais ainda que todas elas podiam esperar até amanhã.
- Não – bufou –, mas ainda temos um cronograma e prazos, temos que...
- Não temos não. – interrompeu, sorrindo de lado apenas para que ela entendesse que não era totalmente indiferente a sua preocupação, só não estava com humor para isso agora. – Fica calma, , eu não vou me matar. – Garantiu, beijando o topo de sua cabeça antes de apertar o botão para chamar o elevador.

passara o dia todo no quarto sem nenhum motivo em especial, mas, no fim da tarde, finalmente saiu. Seu plano era descer, pegar um pacote de biscoitos e então voltar, mas parou no corredor ao ver a irmã passando um batom nude na boca pela fresta da porta do quarto. Ela, provavelmente, ia sair com William.
não sabia nada do que realmente acontecia ali; podia fazer o mesmo com Bonnie e comer Doncaster inteira, podia dar em cima das garotas como fizera com ela própria, no entanto ainda assim, ela não podia evitar se perguntar se ela e realmente se conheciam, se Bonnie conhecia o lado dele que, mesmo mal conhecendo sua irmã mais nova, tentou lhe impedir de se destruir como ela vivia tentando fazer.
- Olha quem está viva! – Bonnie exclamou quando finalmente entrou no quarto, encarando-a pelo espelho. Ela lhe lançou um sorrisinho de escárnio em resposta.
- Para o seu azar. – Retrucou e Bonnie rolou os olhos, passando o pó compacto no rosto. riu, notando que aquela era a primeira vez que via sua irmã passar maquiagem. – Está se maquiando para transar?! Quer dizer, você e o William não andam por aí como se fossem um casal, não é?! – Inquiriu mesmo Bonnie não tendo dito nada sobre sair com William.
- . – Ela repreendeu com uma carranca e a outra riu de forma travessa.
- Por que você trai o ? – Perguntou, implicando com a mais velha, que bufou.
- Por que quer saber? – Rebateu.
- Porque sim. – disse como se fosse óbvio – Ele é broxa? – Insistiu e Bonnie virou de costas para o espelho para encará-la.
- Como é que é?! – Perguntou assustada e riu.
- Você sabe, na hora "H" ele não...
- Eu sei o que é broxa! – Bonnie interrompeu num guincho que misturava vergonha e desespero, fazendo a mais nova rir novamente.
- E por que o espanto? O é mesmo broxa? – Perguntou surpresa.
- Sei lá! – Bonnie gritou em resposta, sem se dar conta do que dizia até a irmã estreitar os olhos para ela.
- Mas ele é seu marido. Vocês transam, não? – Indagou, num misto de confusão e curiosidade genuína. Bonnie abriu várias vezes a boca para responder, mas nada saiu no primeiro instante e, quando ela respondeu, já era tarde; já sabia a resposta.
- Isso não é da sua conta! – Bonnie esbravejou e a garota riu, concordando com a cabeça.
Por algum motivo, lhe agradou saber que e Bonnie não transavam, mesmo sabendo que, no fundo, ela devesse se sentir culpada por ter gostado da notícia.
- Tudo bem então. – Disse, observando enquanto a irmã pegava uma jaqueta e colocava por cima do vestido, pegando a bolsa logo depois a fim de deixar o quarto.
- Já estou indo, volto amanhã cedo. – Informou.
- Vai passar a noite fora? – perguntou surpresa e Bonnie estreitou os olhos para ela, lhe proibindo, sem falar nada, de fazer piadinhas. apertou os lábios numa linha rígida, mas não disse nada, contendo a risada enquanto a observava sair.

chegou em casa cerca de meia hora depois de Bonnie sair. Ela sempre tinha boas desculpas quando ia passar a noite fora, não que ele realmente ligasse, naquele dia em especial muito menos. Só queria sua cama, nada mais. Estava chapado como uma porta até pouco tempo, saíra da empresa decidido a se esquecer de tudo que estava lhe infernizando e cheirara tanto que era surpresa o nariz sequer estar no lugar.
Abriu a porta de casa, encontrando uma sala escura e perfeitamente silenciosa antes de fechar a porta atrás de si, ligando a luz e tirando os sapatos aos chutes para subir as escadas. Uma parte de torcia para que estivesse dormindo, não sabia quão forte era para vê-la logo naquele momento, naquele maldito dia, sabendo que não tinha mais ninguém em casa com eles. No entanto, outra parte queria vê-la. De preferência, naquela camisola que usava da primeira vez que a vira.
Ah, aquela camisola. Adoraria rasgá-la só para ter o prazer de colocar a boca onde tivesse vontade logo depois.
Quando finalmente chegou ao andar de cima, a primeira coisa que notou foi a luz do quarto de acesa, iluminando parcialmente o corredor por consequência. Ela estava acordada. mordeu o lábio e, antes que pudesse pensar a respeito, andou na direção do quarto, talvez pudesse só dar uma espiada e ela nem o perceberia ali. Era o mais seguro para todo mundo.
parou em frente à porta entreaberta do cômodo e o olhar de , que estava jogada na cama com um livro lhe fazendo companhia, foi automaticamente atraído para ele.
- . – Disse surpresa, se colocando de pé em seguida.
se afastou da porta por reflexo, mas sabia que era tarde demais e pôs as mãos no bolso, vendo-a sair do quarto em seguida. Uma blusa de frio. Uma maldita blusinha roxa era tudo que ela vestia. Se perguntou se ela estava com sutiã.
Ele demorou um pouco para perceber para onde ela olhava; seu olho roxo.
teria aberto um sorriso e feito uma piadinha por isso, se ela não houvesse se aproximado e tocado o ferimento. A mão gelada fez com que um choque térmico percorresse o seu corpo, que fez uma careta de dor por reflexo, embora a sensação não fosse exatamente ruim.
- Ai. – Sussurrou e puxou a mão de volta de imediato, num misto de culpa e vergonha.
- Desculpe. – ela recuou um passo. Não sabia por que fizera aquilo, mas o hematoma a fizera ter o impulso de tocar, de ter certeza que estava tudo bem com ele. – Eu vou... Vou para o meu quarto. – Disse, se sentindo ridícula.
, que até então a encarava tentando de todo jeito conter a vontade de puxá-la para si e provar sua boca de uma vez, desistiu e a trouxe para si no instante em que ela deu as costas. jogou os braços ao redor de seu pescoço e afundou uma das mãos em seus cabelos.
abriu a boca no mesmo instante, deixando que ele aprofundasse o beijo sem conseguir pensar em mais nada além da textura daquela boca, a textura macia dos lábios contra os seus fazendo com que ela quisesse mais e mais, desejando poder sugar tudo de com aquele beijo.
No instante seguinte, no entanto, era ele quem prendia a garota contra a parede mais próxima, mantendo seus corpos colados de forma que sentissem cada parte um do outro. abriu mais a boca, buscando inspirar algo além do perfume inebriante do homem, mas apenas aprofundou mais o beijo, explorando sua boca como se quisesse sugar tudo dela e a garota fincou as unhas em sua nuca como resposta.
Aquilo devia doer, mas a descarga de energia que disparava pelo corpo de o fez querer mais, mordendo seu lábio com força mesmo sem querer parar de beijá-la. soltou um gemido baixo, quase inaudível, contra a sua boca e ele pressionou mais o corpo contra o dela, por reflexo, espalmando sua bunda para fazer com que ela enlaçasse sua cintura com as pernas.
Ela apertou a cintura do homem com força quando ele desceu os beijos para seu pescoço, não fazendo ideia do porque de tudo ser tão extraordinariamente bom com ele, mas os toques do homem pareciam levá-la para outra dimensão, onde todo o resto, que pesava tanto normalmente, sequer existia.
Sem conseguir se conter, ela segurou o rosto de entre as mãos e moldou seus lábios outra vez, que retribuiu o beijo de imediato, segurando em seus cabelos e puxando-os levemente quando a sentiu se esfregando nele. O volume entre suas pernas estava crescendo consideravelmente com aquilo, deixando a garota ditar o ritmo do beijo só para levar as mãos para a barra de seu moletom e puxá-lo para cima, permitindo que ela fizesse o mesmo com a camisa dele em seguida.
Ao contrário do que tinha imaginado, ela usava sim sutiã, mas a forma como se encaixavam nos seios só os faziam parecer ainda mais apetitosos, sustentando-os como duas taças e ele mal podia esperar para provar do que serviam.
Sem cerimônias, ele lambeu o vão entre os seios da garota e ela resfolegou, agarrando em seus cabelos enquanto ele mordia seu decote, passando a mão por trás de seu corpo para abrir o fecho do sutiã. O gemido que soltou quando ele finalmente abocanhou um de seus seios ecoou pelo corredor e voltou para como se fosse música.
Querendo mais daquilo, passou a massagear o outro seio da garota, fazendo pressão contra os mamilos com os dedos e levando a arquear o corpo para ampliar o contato, gemendo exatamente como ele queria ouvir. Aquilo soava bem demais para , erótico demais. Ele só conseguia pensar em ter mais daquela garota, sentindo seu membro doer entre as pernas, implorando para estar dentro dela de uma vez, quando o homem sentiu sua umidade sob o tecido da calcinha.
conseguia imaginar perfeitamente deslizar para dentro dela, tão pronta para ele que chegava a ser crueldade que ele ainda não estivesse lá, lhe comendo com força como queria fazer.
Tudo que fez, no entanto, foi enfiar dois dedos dentro dela e movê-los lentamente, provocando-a o máximo que podia, mesmo que aquilo fosse tortura até com ele próprio, que não via a hora de ser seu pau ali, lambuzado com toda a excitação da garota. ofegou, segurando-se nos ombros de e jogando a cabeça um pouco para trás, fora de si com aquela tortura deliciosa. Se era bom daquela forma com os dedos, ela mal podia esperar para provar a sensação de tê-lo inteiro dentro dela, duro e firme. O pensamento por si só arrancou novos gemidos, soando mais insistentes quando enfiou mais um dedo em sua intimidade, chupando seu pescoço simultaneamente e sussurrando provocações em seu ouvido, lhe confidenciando o quão louco para foder com ela ele estava.
Ela queria senti-lo, queria o seu pau deslizando dentro dela, queria-o inteiro lá e era apenas nisso que conseguia pensar. Agarrou a cintura de com as pernas para sentir o volume, arranhou suas costas ao fazê-lo, chamando seu nome num tom desesperado e excitante demais para , que abriu o zíper da calça de uma vez, louco para acabar com aquilo e estar dentro da intimidade encharcada da garota, quente e deliciosa como seus dedos já haviam provado.
- Você quer que eu te foda agora? – Ele perguntou, grudando mais seus corpos para que ela sentisse seu membro, tirando os dedos de dentro de sua calcinha simultaneamente. gemeu coisas desconexas, ofegando ao tentar levar as mãos para seu membro, o puxaria para dentro dela ela própria se fosse preciso. , porém, segurou seus pulsos e prendeu suas mãos acima da cabeça. – Quer muito isso, ? – Ele perguntou, decidindo que só a comeria depois de fazê-la falar.
Só imaginá-la lhe confessando onde queria seu pau, com aquela carinha de boa menina que ela se esforçava tanto para esconder com maquiagem forte, o enlouquecia. pressionou seu corpo contra o dela novamente, tendo certeza que ela sentia sua ereção contra o pano fino da calcinha.
mordeu o lábio e concordou com a cabeça, excitada demais.
Racionalidade era algo muito distante para a garota agora e ela tentou soltar as mãos, mas não permitiu, mordendo um de seus seios em provocação e deixando os dentes rasparem por toda a extensão da região. resfolegou outra vez, sentindo todo o corpo se arrepiar com aquilo.
- Quero ouvir você falar. – sussurrou em seu ouvido, mordiscando seu lóbulo. sentiu o membro do homem, duro e firme, esbarrar em sua entrada por cima da calcinha e rolou os olhos em êxtase, mas aquele contato ainda era muito pouco para o que ela precisava.
- Eu quero você, . – Sussurrou entre dentes, soando muito mais como um grunhido que qualquer coisa. ergueu uma sobrancelha, adorando provocá-la. – O quê? – Ela perguntou.
- Você pode fazer melhor que isso, amor. – sussurrou, chupando seu pescoço lentamente em seguida. tentou soltar as mãos outra vez, gemendo em agonia pelo que ele estava fazendo.
- Merda, – A garota gemeu, sentindo o descer os chupões por seu busto, levando-a a jogar a cabeça para trás, gemendo baixinho sem conseguir se concentrar em falar o que ele queria ouvir. Percebendo isso, sorriu malicioso e parou o que fazia, segurando em uma de suas coxas e passeando os dedos por ali bem levemente só para estapeá-la em seguida.
- Quer que eu te coma agora, ? Sabe o que tem que fazer. – sussurrou e ela segurou em suas mãos, afundando as unhas na pele do homem como se esperasse que aquilo, de alguma forma, fosse puni-lo pela provocaçãozinha baixa.
- Quero que você me foda até eu estar implorando para você parar, . Me fode para eu não conseguir mais andar, como se fosse a última transa da sua vida. – Olhou em seus olhos com pura luxúria e sorriu malicioso, soltando apenas uma de suas mãos para rasgar sua calcinha em duas e livrá-la de uma vez do pano tão inoportuno, penetrando lhe em seguida e voltando a segurar seu pulso antes que ela se agarrasse a ele como tentou fazer.
mordeu o lábio, se esforçando ao máximo para conter a onda de gemidos quando começou a se mover dentro dela, movendo inevitavelmente os quadris contra o pau do homem, deliciosamente rígido para ela, gemendo com o resultado do ato sem conseguir se conter. O próprio se continha ao máximo para não gemer também, sentindo a intimidade tão quentinha e molhada da garota o engolir de forma boa demais para ser saudável.
Ele simplesmente continuou a estocar, lhe pressionando mais contra a parede para ir mais fundo e soltando o ar perto do ouvido da garota, levando-a a gemer mais alto por isso, as mãos novamente lutando contra seu aperto, em vão.
passou novamente a chupar seu pescoço para se conter, ainda segurando os pulsos da garota com firmeza, mesmo que estivesse louco para tocá-la direito. Estar dentro dela por si só era bom demais, a forma como a garota o engolia, não deixando nenhuma parte dele de fora, era simplesmente extasiante. queria sugar todas as energias de e fazer exatamente o que ela pedira, foder a garota até suas últimas centelhas de energias terem se esvaído completamente.
Ele lhe daria tantos orgasmos quanto era possível, a deixaria repleta de marcas e ela iria implorar por ele outra vez sem o menor pudor. Adorando a própria ideia, mordeu seu seio outra vez e desistiu de continuar a prendê-la, segurando em seus cabelos para beijá-la novamente.
, automaticamente, jogou os braços em seu pescoço, torcendo os dedos nos cabelos do homem em seguida enquanto o sentia puxar em seus cabelos com mais força a fim de usá-la como apoio para aprofundar ainda mais as estocadas, fazendo a garota gemer contra sua boca ao afundar as unhas em suas costas. Aquilo era bom acima de sua capacidade de descrição e ela nem se importava em descrever, contanto que tivesse mais. Soltou o ar de maneira entrecortada na boca de ao tentar pedir por mais, levando-o a estocar com ainda mais força mesmo sem ela pedir, o corpo da garota se movendo junto com o dele graças às investidas violentas do homem.
Um filete de suor escorria pelas costas de e as mãos de escorregaram por elas, levando-a agarrar sua bunda para empurrá-lo mais para dentro, fincando as unhas ali e gritando com o resultado do ato, toda a sanidade da garota se esvaindo de uma só vez.
já não sabia de onde tirava forças para continuar com aquilo, só não parou e nem queria parar, queria ir até seu limite e então ultrapassá-lo só para ter o prazer de ver se entregar ao melhor orgasmo de sua vida por sua causa. Aquele seria um mérito que ele, com certeza, adoraria ter.
Ela sentia cada parte de seu corpo clamar de forma inacreditável por mais de , sem conseguir raciocinar para perceber que aquilo muito provavelmente não era possível.
Ela não conseguia imaginar uma sensação melhor que aquela, definitivamente não conseguia, mas isso só durou até o orgasmo começar a chegar, espalhando a sensação fumegante por todo o corpo da garota, desde os dedos dos pés até o topo da cabeça. Ela só se agarrou mais a , fazendo-o ir mais fundo por consequência e grunhindo com aquilo antes de morder o ombro do homem com força para tentar se conter, os espasmos, pouco a pouco, tomando todo seu corpo.
Ele a pressionou ainda mais contra a parede e, apoiando-se com os braços na mesma, estocou novamente, com agressividade o suficiente para que, no instante seguinte, gemesse em deleite, sentindo o seu líquido quente preencher seu interior, os dois chegando simultaneamente ao ápice.
precisou de todo seu esforço para, mesmo em meio ao orgasmo, continuar a estocar, o máximo de vezes que podia, os gemidos que recebeu em troca levando-o a resfolegar, tão deliciado quanto . E, antes que pudesse pensar a respeito, segurou com firmeza em seus cabelos e grudou suas bocas, o encontro de suas línguas esquentando seu corpo de maneira insana. estocou uma última vez, juntando parte dos cabelos dela num bolo em seus dedos, adorando sentir sua respiração ofegante contra sua boca quando finalmente saiu de dentro dela.
estava entregue de maneira assombrosa ao prazer que ele lhe causara e não restara nada para lidar agora, não restara orgulho, nem mesmo uma centelha mínima de energia e ela simplesmente caiu nos braços de . Os órgãos parecendo se revirar em seu corpo, a visão turva, a sensação mais intensa que se podia imaginar lhe tomando por completo. Era como se estivesse morrendo e, agora ela sabia, não havia uma expressão que fizesse jus ao orgasmo como a experiência de quase morte.

Chapter Four.

"Now i’m four, five seconds from wildin'." Rihanna, com participação de Kanye West e Paul McCartney.

rolou lentamente na cama conforme despertava, demorando a abrir os olhos, embora a sensação do lençol fino acariciando a pele nua lhe agradasse. Suspirando preguiçosamente, a garota abriu os olhos, o silêncio do novo quarto já era algo ao qual estava habituada desde Brighton, no entanto, se permitiu, ainda assim, aproveitar aquilo.
Gostava do silêncio e nem tinha um motivo para isso. Podia ficar horas simplesmente ouvindo apenas o som da própria respiração. Só gostava.
Por fim, a garota bocejou e pegou o celular no criado-mudo a fim de descobrir que horas eram. Dez em ponto.
Ela demorou um pouco para notar que havia mensagens piscando na tela, umas três de , lhe chamando para fazer compras para o jogo da noite. sequer se lembrava do jogo, até então, mas concordou em encontrá-la no shopping. Por fim se levantou, olhando-se no espelho de corpo todo no canto do quarto e mordendo o lábio, analisando minuciosamente cada parte do próprio corpo que tocara, se lembrando das mãos quentes e firmes, da boca traiçoeira, sentindo a intimidade tremer como resposta.
Suspirou, tocando um ponto em seu pescoço com uma marca roxa, só uma das várias que ele deixara por seu corpo. E ela aceitaria mais sem sequer piscar, agora que sabia o quão bom era. Respirou fundo e balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Eram dez e meia da manhã e ela já estava molhada, apenas por pensar na noite passada. Como aquilo era possível?! Não era virgem ou inexperiente, mas ... a fazia sentir exatamente assim. Como uma virgem.
Depois de tomar um banho, desceu as escadas, encontrando Bonnie e o marido na cozinha.
- Bom dia, casal! – Exclamou altiva e Bonnie afastou de imediato, que lhe abraçava sussurrando algo para ela.
- . – Sorriu, corada. Ela riu.
- Primeira e única. – Disse, se divertindo em ver a irmã agindo como uma adolescente que fora pega aprontando, mesmo que, teoricamente, fosse ela a adolescente que aprontara. Só não havia sido pega, mas era boa demais em aprontar para ser pega.
- Erh... Então, como foi a sua noite? – Bonnie perguntou, desajeitada. – Dormiu bem?
- Como um anjo. – respondeu prontamente, se virando para encher um copo com a jarra de suco disposta na mesa.
deixou o olhar cair para a bunda da garota no mesmo instante em que ela se inclinou para o fazer, numa tara irracional, e imaginou como seria comê-la por trás, apertando e mordendo as nádegas enquanto invadia sua intimidade, perfeitamente molhada e apetitosa.
- Hm. – Pigarreou, se esforçando para afastar os pensamentos enquanto desviava o olhar para Bonnie, que havia se distraído com o celular, mas o encarou também e sorriu sem graça. imitou e nenhum dos dois percebeu nada de errado com o outro. – Como foi com Victoria ontem?! – Ele perguntou por fim, fazendo um esforço quase físico para lembrar o nome da mulher com quem Bonnie se encontrava a fim de discutir sobre os eventos beneficentes da alta sociedade que organizavam. Ao menos, era aquilo que ela dizia a ele.
- Ah... – Bonnie coçou a nuca, desajeitada, e prendeu o riso observando-a, sabia muito bem que a tal Victoria não era quem o marido pensava. – Nós estamos quase chegando a um consenso quanto à quermesse anual, você sabe, as atrações e tudo o mais. – Disse e assentiu, como se realmente se importasse com a tal quermesse que, em sua opinião, não era nada além de outra festa de aparências daquela gente.
- Parece bom.
- Sim. – Bonnie concordou sem acreditar no que estava fazendo ao virar para a irmã e a encarar com certo desespero. – Você podia ajudar, .
- Contanto que eu possa ficar na barraca do beijo. – deu de ombros como se não fosse nada demais, embora se divertisse com a situação. – E você, ? Como foi a noite? – perguntou, encarando-o com uma sobrancelha erguida quando Bonnie voltou a se concentrar no celular.
cravou os olhos nos seus e sorriu malicioso.
- Uma das melhores. – Disse, aproveitando o fato de Bonnie não estar mais prestando atenção para piscar para ela, que mordeu o lábio, sentindo a calcinha umedecer. E sequer havia tomado o café da manhã.
- Hmm... Victoria acabou de pedir para que eu a encontrasse no píer perto do estádio. – Bonnie murmurou, só então erguendo o olhar do celular. a encarou como se nada tivesse acontecido.
- Tudo bem. – Disse – Divirta-se. – sorriu como o marido doce e apaixonado que não era, enquanto bebia o suco para manter a boca ocupada ou, definitivamente, faria uma piadinha sobre o quanto Bonnie ia se divertir com Victoria.
- Vejo vocês mais tarde. – Disse Bonnie, deixando um beijo seco demais na bochecha dele e acenando com a cabeça para a irmã antes de sair. virou para observá-la sair e só percebeu se aproximar quando já era tarde demais, ficando presa entre ele e a pia.
- Você é uma provocadorazinha filha da puta, sabia disso? – Sussurrou, roçando os lábios em seu pescoço ao o fazer. Ela se agarrou a pia para não puxá-lo pelos cabelos.
- É o que dizem. – Respondeu por fim, precisando de certo esforço para falar normalmente. ergueu uma sobrancelha, pressionando o corpo contra o seu.
- Pois eu digo que está precisando de uma lição para aprender o que acontece com garotas más. – Falou e ela o encarou com um sorrisinho maldoso.
- Vai me ensinar uma lição, ? – Perguntou, mordendo o lábio com todo tipo de obscenidade na cabeça. Ele quis morder sua boca, de preferência até sangrar, só para que ela parasse de provocá-lo com aquilo.
- Ah, eu vou. – garantiu e sorriu.
- É? Como? – Perguntou, o encarando com desafio, mas já esperava por isso e, ao invés de responder, puxou sua nuca e grudou seus lábios de uma vez. Sentindo-a trazê-lo para mais perto de imediato, sem saber onde manter as mãos.
Aquela boca era definitivamente a melhor que ela já provara e tinha vontade de sugar cada pequena parte de quando ele a beijava, mas o homem se afastou cedo demais, tentando lembrar a si mesmo que seus planos não incluíam comer a garota na pia da cozinha.
- Você vai ter que esperar para descobrir. – Respondeu por fim, piscando para ela antes de se afastar e deixá-la sozinha na cozinha.

À noite, chegou junto com ao estádio, que já estava bem cheio. Tiveram dificuldades para encontrar um bom lugar perto do gramado e acabou por jogar charme para um rapaz para conseguir, fazendo a outra rir.
- Eu, honestamente, tenho pena do Greene. – Disse, vendo fazer um bico em resposta.
- Não fala assim, eu amo o James. – Rebateu, e era verdade, o amava. Ou pelo menos era naquilo que tentava acreditar. Ela não era santa, aquilo era um fato, mas Edward era o único com quem ela dormia além do noivo, mas, por mais que nunca fosse admitir para ele, não era só tesão... Podia ser considerado traição mesmo assim? Um sentimento tão genuíno quanto o pseudoamor?! Espera, amor? Pensara mesmo naquilo? Amava Edward?
- Claro que ama. – ironizou e arregalou os olhos para ela, que a encarou confusa por isso. – O que foi?
- Nada. – virou, constrangida, para frente. Por que sua mente sempre condicionava a Edward tudo que tinha que ser para James? Por quê?
, alheia aos debates internos da outra, apenas deu de ombros. Os times apertavam as mãos para dar início a partida e ela reconheceu William pela camisa. Ele, que era atacante do Rovers e capitão do time, instruía seus companheiros enquanto o capitão do outro time fazia o mesmo.
precisava admitir, ele ficava uma delícia vestido daquele jeito.
- Eu sei, ele é um pedaço de mau caminho. – Disse ao notar para onde ela olhava.
riu, sem desviar o olhar de William.
- Só um pedaço? – A encarou por fim, divertida, e balançou a cabeça em negação, embora quisesse rir.
- Toda a população feminina de Doncaster veio aqui para o ver jogar. Ele em especial, esse cara é tipo o deus dos sonhos molhados delas. – Disse e gargalhou.
- E ele come alguém ou...?
- Dificilmente aparece com alguma garota, as pessoas dizem que ele é discreto. – falou e riu. Sabia bem o quão discreto ele era.
- Ei, aquele ali é o Edward, não é? – Perguntou, vendo o mesmo homem de cabelos cacheados que conhecera no jantar e vira com no outro dia se aproximar delas. virou a cabeça, surpresa, e riu disso. – Sua cabeça gira a 360º? – Perguntou com humor, mas antes que a outra pudesse responder, Edward se aproximou e sentou entre as duas sem cerimônias.
- , meu amor! – Edward exclamou altivo, abraçando a garota em seguida. Os lábios de formaram uma linha rígida enquanto ela tentava segurar o riso por perceber que Woods sussurrava algo no ouvido de , muito provavelmente alguma putaria a julgar pela forma que ela mordeu o lábio.
- Woods. – Ela o afastou, encarando o homem numa irritação contida e ele apenas sorriu divertido antes de se voltar para .
- Minha nova Rhodes favorita! – Exclamou, abraçando-a rápido demais para que ela pudesse impedir, por mais que odiasse aquilo. Não sabia quem inventara aquela convenção idiota do abraço, mas era ridículo para ela, que, definitivamente, odiava aquela pessoa também.
- Ela não gosta de contato. – informou, rindo da careta da outra.
Edward ergueu uma sobrancelha para .
- Posso mudar isso num piscar de olhos. – Piscou para a garota e rolou os olhos, tentando esconder os ciúmes. riu.
- Eu aviso se achar necessário. – Disse, em provocação a , que fingiu não ligar.
- Por que vocês não vão para um quarto, hein?! – Perguntou e Edward riu enquanto fazia o mesmo, sendo abraçada de lado por ele.
- Relaxa, - o homem riu –, tem Edward para todo mundo.
- Pena que nem todo mundo quer Edward. – retrucou, olhando em volta como se procurasse algo só para ter uma desculpa para não o encarar. Edward riu, se concentrando no jogo invés de responder, embora soubesse muito bem que não precisava que todo mundo o quisesse, só ela. Até , que mal conhecia os dois, percebia aquilo. Edward gostava de verdade daquela garota e não fazia a menor questão de esconder isso.

Algum tempo depois, ao fim do jogo, conversava distraidamente com Edward e sobre os melhores lances e a virada dos Rovers, protagonizada, é claro, por William.
- Teria sido melhor se o nosso goleiro não fosse tão cuzão. – Edward comentou, ajudando as garotas a passar pela multidão no caminho para a escadaria que levava até a saída.
- É sempre bom ter alguém para xingar. – retrucou e concordou.
- Tornou tudo mais emocionante. – Disse, notando em seguida parado em frente ao seu carro no estacionamento. – . – Acenou e simplesmente não pôde se conter em seguir seu olhar.
não usava os ternos que ela estava acostumada a ver e, mesmo assim, ou exatamente por isso, fez a garota prender a respiração. Simples jeans acompanhados por uma jaqueta de couro por cima da camisa branca e coturnos discretos, exatamente o tipo de roupa que ela podia facilmente imaginá-lo usando em cima de uma moto. Uma Harley.
mordeu o lábio, de repente com uma fantasia no mínimo boa demais para não ser verdade, dominando sua mente de todos os jeitos possíveis. Transar numa moto devia ser sensacional, definitivamente.
- . – acenou levemente com a cabeça, usando todo seu autocontrole para não desviar o olhar para , mesmo sentindo o olhar dela sob ele.
não sabia por que não desencanava dela de uma vez agora que já tinha fodido a garota, mas não conseguia. Ao contrário, toda vez que olhava para ela queria tê-la com as pernas abertas para ele de novo. Céus, como queria.
- E aí, , cadê a patroa? – Edward perguntou, animado como sempre, e virou para encará-lo. Querendo ou não, a primeira coisa que notou foi a mão de Woods na cintura de . E como aquilo lhe incomodou.
- No banheiro. – Disse, porém no instante seguinte o som da voz de William o desmentiu.
- Reunião, uhu! – Exclamou, se aproximando junto com Bonnie, que riu antes de se afastar dele e ir até .
- Eu me perdi no caminho de volta... É tudo tão complicado nesses estádios. – Comentou, não se dirigindo a ninguém em especial ao fazê-lo.
- Jura? Achei bem simples. – retrucou, erguendo uma sobrancelha com a expressão óbvia de ironia quando Bonnie olhou para ela com certo desespero pedinte, confirmando as suspeitas de que estava com William.
, no entanto, não prestava a menor atenção na conversa e aquele era provavelmente o motivo pelo qual ainda não havia descoberto da traição: não dava a mínima para a esposa. Ao invés disso, respondia alguns e-mails do trabalho pelo celular.
- Ei, cara, ótimo jogo hoje. – Edward parabenizou William e eles trocaram um cumprimento.
- Por que não vamos todos para um bar comemorar? – William sugeriu e ergueu o olhar do celular, prestes a dar uma desculpa qualquer para ir para casa e pular a comemoração, mas William percebeu isso e insistiu antes que ele o fizesse. – Vamos, , alguém tem que pagar a conta. – Disse e o outro rolou os olhos, mas acabou concordando.
Apesar de William ser o mais velho, assumia esse papel na maior parte do tempo, embora nem ele mesmo entendesse o porquê. Só sentia certa responsabilidade por William, como se ele fosse o mais propício a se ferrar no final das contas. Não que fosse, um dia, admitir aquilo.

Foram todos para um bar perto do estádio e, como era de costume sempre que William aparecia num estabelecimento comercial como aquele depois de um jogo, o lugar foi fechado logo depois de entrarem. Alguns habitantes levavam os jogos um pouco a sério demais e, há alguns anos, um jogador dos Rovers fora assassinado por não passar a bola na hora que devia tê-lo feito. O torcedor maníaco estava preso, mas os jogadores tomavam certos cuidados desde então.
Era um restaurante mexicano e a música lembrava salsa. Havia vários casais dançando enquanto uma mulher de longos e encaracolados cabelos morenos cantava no palco. A conversa na mesa ia bem, até Bonnie perguntar a sobre James.
Edward fechou a cara automaticamente, bebendo mais cerveja para disfarçar enquanto explicava, toda orgulhosa, que ele estava fazendo um plantão num hospital numa área mais pobre de Doncaster. Edward odiava vê-la se derreter toda assim por Greene, o obrigando ase lembrar de que não, ela não era dele, ia casar com outro cara e o amava, ou seja lá qual fosse a merda do sentimento que ela tinha por James. Quando aquilo acontecia, Edward tinha a sensação de que gostava muito mais dela do que ela dele.
- Rhodes! – Edward se virou para , ignorando quando Bonnie pediu a para contar a história do pedido. Edward odiava aquela história... E todas as outras envolvendo James. – Quer dançar? Ótimo, vem! – Puxou a garota para longe dali sem que ela tivesse tempo de responder.
olhou em volta assustada, depois de volta para Edward, irritada.
- Você enlouqueceu?! Eu não sei dançar isso! – Disparou.
- Você tem belos quadris, , alguma coisa tem que saber fazer com eles. – Edward retrucou e ela olhou cética para ele.
- Não isso. – Insistiu, mas Edward ignorou, começando a dançar seguindo o ritmo da música e a obrigando a fazer o mesmo, com uma mão em seu quadril para fazê-la movimentar de um lado pro outro. soltou um gritinho, rodopiando pelo salão quando Edward a girou e a trouxe de volta para si, colando seus corpos. A garota, que sequer havia conseguido absorver as sequências de movimentos, o encarou assustada e Edward riu, achando graça daquilo.
- Falei que saberia fazer alguma coisa com eles. – Comentou, segurando dos dois lados do corpo da garota para fazê-la voltar a rebolar. Ela lhe lançou um sorrisinho irônico e recuou um passo, tentando manter uma distância segura. Edward a girou novamente e, ao trazê-la para si, inclinou-se sob ela, fazendo com que ela precisasse segurar em seu pescoço para não cair.
, que há muito já se desligara do que quer que Bonnie falava para prestar atenção na dança, tomou aquilo como deixa o suficiente para se levantar e ir até eles.
- Atrapalho? – Perguntou, cruzando os braços ao parar de frente para os dois, que se endireitaram para encará-la.
- O que foi? Cansou de contar histórias do noivinho? – Edward disparou claramente irritado e mordeu o lábio, contendo o ímpeto de recuar e dar as costas.
- Você não está sendo justo, Edward. – retrucou, cansada.
- Eu? Eu não estou sendo justo, ? Não dá para acreditar em você! – Woods devolveu, desacreditado, e olhou de um para o outro se perguntando se já podia sair dali. Precisava beber e, de preferência, algo forte. – Pode me explicar onde exatamente eu fui injusto? Em me apaixonar por você? Em não querer dividir com aquele filhinho de papai de merda do Greene? – Lançou, sem perceber a mudança de expressão no rosto de . Ele sempre podia vencer uma discussão só falando aquilo, não tinha forma mais eficiente de desestabilizá-la, no entanto Edward sequer desconfiava o que aquelas palavras faziam com ela, pelo menos não até puxar sua nuca e beijá-lo de uma vez.
Para , aquele era o desfecho óbvio para aquela discussão e ela mesma já estava quase batendo as cabeças dos dois uma na outra para acabar com a palhaçada, ficando satisfeita com a reação de .
Por fim, a garota deixou os dois aos beijos ali e fugiu da pista de dança antes que alguém tentasse lhe fazer dançar contra a sua vontade pela segunda vez aquela noite, passando pela mesa onde William, Bonnie e estavam sem sequer olhar para lá. Queria beber, estava o dia todo sem usar nenhum tipo de entorpecente e aquilo estava se tornando sua ruína.
A verdade é que a vida de era uma droga e o tempo todo suas energias estavam voltadas para esquecer tudo que era, não sobrava nada para ser, mas ela não ligava. Pelo menos, desse jeito a dor passava. Bonnie, que acompanhou a irmã com o olhar, suspirou pesadamente ao ver um barman lhe entregar uma bebida.
- Eu vou tomar um ar. – Informou aos dois que ainda estavam na mesa, se levantando em seguida.
William acompanhou com o olhar enquanto ela se afastava e depois se voltou para , que desviou o olhar de Bonnie para o celular assim que ela sumiu de vista. No fim das contas, estava certa e o dia anterior havia atrasado consideravelmente as coisas na empresa, mas é claro que ele não admitiria aquilo para ela.
Quando percebeu que William o encarava, ele ergueu o olhar.
- O que foi? – Quis saber.
William o encarou sem falar nada por um instante, ia perguntar se ele se importava, pelo menos um pouco, com Bonnie. Mas se conteve.
- Nada. – Disse simplesmente, fazendo erguer uma sobrancelha em desconfiança, guardando o celular sem desviar o olhar de William. costumava saber quando havia algo de errado com ele, apesar de tudo não tinham o pior relacionamento do mundo e, quando eram mais novos, William sempre precisou mais de cuidados do que , mesmo ele sendo o mais novo. Percebendo que não o convencera, suspirou e desistiu.
- Queria que Samuel tivesse estado lá. – Confessou baixo.
- Ele provavelmente só teria dado azar e causado a sua derrota. – retrucou com simplicidade, embora soubesse que não ajudaria muito. Ele só era péssimo para aquele tipo de conversa, ainda que se preocupasse e se importasse verdadeiramente com o irmão.
- Por que você não assumiu o negócio da família, ? – William, que até então encarava seu copo quase vazio de cerveja, ergueu o olhar para ele. trincou os dentes, odiando o rumo da conversa. William não sabia a verdade sobre a morte da mãe e muito menos do desejo de vingança de por Samuel. Ninguém sabia. não era do tipo que se lamentava para os outros.
- Por que eu faria isso, William? – Desconversou.
- A relação de vocês poderia ter sido melhor se tivesse feito. – O outro respondeu simplesmente, embora parte dele pensasse que talvez sua própria relação com o pai estivesse melhor também. não precisou de muito para perceber isso.
- Não preciso dele. – Disse, embora seu olhar deixasse claro que achava que William também não precisava. – Se eu fosse querer algo de Samuel, ia viver decepcionado. Sugiro que não cometa esse erro. – Acrescentou, esperando William assentir para ter certeza que ele havia entendido.
O homem suspirou e concordou com a cabeça, embora parte dele insistisse em não aceitar aquilo. Querer que as coisas fossem normais com o pai, era pedir muito?
- Você acha que... – Ele se interrompeu, desviando o olhar para seu copo novamente quando voltou a encará-lo. não desviou o olhar por isso e William bufou, voltando a encará-lo. – Acha que vamos ser assim quando nos tornarmos pais? – Perguntou por fim.
demorou um pouco para pensar numa resposta adequada, sequer se imaginava se tornando pai um dia ainda mais o tipo de pai que seria. Pensou em Bonnie. Eles estavam casados há quase três anos e sequer falavam sobre filhos. Aquilo sempre pareceu normal para , mas o quão normal podia ser para ela? Ele não sabia.
- Não somos mimados como ele provavelmente foi. – Respondeu a William, que apenas o encarou, esperando pelo resto. suspirou. – Nós não temos que ser como ele. Nada nos obriga a ser, entendeu bem?! Temos tudo para ser melhor que ele e com certeza seremos. – Disse, mesmo que no fundo se referisse só a William. Ele já não tinha mais tanta certeza quanto a si mesmo, era mais a carcaça de um homem querendo vingança do que qualquer coisa. Tudo o que lhe fazia sentir vivo eram entorpecentes, violência e sexo. Não era como se houvesse muito futuro para alguém assim.
- Acredita mesmo nisso? – William perguntou e apenas assentiu, não era mentira.
Ele era completamente diferente de Samuel e isso era evidente, seus destinos seriam bem diferentes. só não tinha tanta certeza quanto a si mesmo.
Por um instante, William se sentiu culpado por se apaixonar logo pela esposa do irmão. não era uma pessoa ruim e, do jeito dele, se importava com as pessoas. Talvez até mais do que era capaz de demonstrar. No entanto, tão rápido quanto o sentimento veio, passou quando ele viu secando as pernas de pelo canto do olho. Era verdade que a garota era um espetáculo, mas ele não entendia como , tendo Bonnie como esposa, precisava estar o tempo todo envolto em algum caso extra conjugal idiota.
- Vou lá fora. – Disse, se pondo de pé em seguida. apenas concordou com a cabeça, esperando que ele sumisse de vista para voltar a olhar para , que conversava com o barman. tinha certeza que os rostos dos dois não precisavam estar tão próximos para que ele soubesse o que ela queria beber e se sentiu um adolescente idiota por ligar, mas a verdade é que ele era possessivo. O que ele tocava era dele e o que era dele era dele. Sempre fora assim e não seria agora que mudaria, vendo morder aquele maldito lábio enquanto o tal garçonzinho idiota se inclinava para falar qualquer merda em seu ouvido.
bebeu um gole de sua cerveja, decidido a ignorar aquilo, mesmo que a parte mais cavernal dele quisesse arrastar pelos cabelos só para que gemesse e ele pudesse sugar aquela boca carnuda logo depois. Ah, sim, aquilo, definitivamente, não seria nada mal.
- . – Como um demônio conjurado, a garota apareceu bem a sua frente, sentando na cadeira ao seu lado, a voz cantada indicando que aquele não era seu primeiro copo. Ele a encarou com as sobrancelhas arqueadas e ela apenas bebeu um grande gole da bebida vermelha em suas mãos. – Bonnie saiu e te deixou aqui, sozinho e desprotegido? – Ela perguntou zombeteira, tamborilando os dedos no joelho de . Ele olhou de sua mão para seu rosto e a encarou desconfiado, vendo-a sorrir como se soubesse de algo que ela não sabia.
- Por que diabos você acha válido eu procurar a Bonnie para me proteger? – questionou, erguendo uma sobrancelha. – Isso supondo que eu precise se proteção. – Acrescentou antes que ela pudesse responder, sorrindo convencido brevemente. Ela riu.
- A irmã malvada pode querer te pegar. – Ela ergueu o olhar para encará-lo com aquela carinha de boa moça mais falsa que nota de três reais e, definitivamente, muito excitante. sorriu malicioso.
- Não se eu pegá-la primeiro. – Retrucou, inclinando-se a fim de aproximar seus rostos, fazendo mover o corpo para mais perto dele, os olhos cravados nos seus.
tinha o tipo de olhos que emanava calor e ela se pegou mordendo o lábio com força, desejando que ele a beijasse de uma vez, ansiosa para sentir a língua do homem explorando sua boca.
- O que está esperando? – Perguntou baixo, no entanto, antes que pudesse responder alguém pigarreou atrás dele, fazendo com que se afastasse de imediato. - . – A voz emanava superioridade e fez um arrepio infantil percorrer a espinha de , que encarou o homem que os havia interrompido com sua melhor pose cara de pau.
- Samuel. – Acenou levemente com a cabeça, se pondo de pé em seguida. Olhar para Samuel de baixo o incomodava, já bastava toda a inferioridade que ele tentava impor a durante toda sua infância. Agora ele havia superado as expectativas e fazia questão de mostrar isso a Samuel.
- Não vai me apresentar sua amiga, meu filho? – Samuel perguntou, olhando brevemente para , que olhava de um para o outro sem saber o que exatamente devia fazer. Fingir que nada havia acontecido ou chorar e pedir desculpas? Ela não fazia ideia.
Havia uma tensão quase papável entre e seu pai, ou seja lá quem fosse aquele homem de terno, e aquilo a impedia de ter certeza do próximo movimento, como se estivesse pisando num campo minado.
- Essa é , irmã da Bonnie. – falou a contragosto, odiando ter que ouvir Samuel se referir a ele como seu filho. Ele não era seu filho. Não tinha pai, não precisava de um. – , esse é Samuel, pai de William. – Encarou a garota com a tensão óbvia em seu olhar.
apenas acenou com a cabeça para Samuel, bebendo o que restava de seu Bloody Mary só para ter uma desculpa para desviar o olhar.
Samuel sustentava bem os cinquenta e oito anos, o cabelo escuro penteado para trás e o corpo em forma lhe conferiam uma aparência indiscutivelmente mais jovem e ele analisou cada detalhe do corpo dela. Sem dúvidas, feito para o pecado, e estava se aproveitando dele sozinho.
Samuel desviou o olhar para e sorriu de lado.
- Não sabia que a família de Bonnie estava em Doncaster.
- Não está. – devolveu, buscando mentalmente um jeito de acabar de uma vez com aquela conversa. Samuel era provavelmente a única pessoa no mundo que fazia ter vontade de sair correndo. – Só a .
- E você está gostando daqui, ? Percebi que se deu bem com o . – Samuel voltou-se novamente para a garota, que apesar de ter estado quieta até então odiou a ameaça implícita na voz do homem.
- Doncaster é diferente do que estou acostumada, mas estou gostando sim. – disse, ignorando o comentário sobre . Ele não chegara a ver algo comprometedor e, mesmo se houvesse visto, seria sua palavra contra a deles. não sabia se devia, mas acreditava que podia comprar aquela briga. Samuel, no entanto, apenas sorriu, gostando da ousadia da garota.
- Fico feliz em saber disso. – Falou, mas antes que pudesse responder, a segurou pelo braço e passou em sua frente, sem paciência para ficar de papo com Samuel.
- Bom, foi bom ver você, mas temos que achar Bonnie e ir para casa, já está tarde. – Avisou e, sem esperar por uma resposta, saiu arrastando para fora dali, sem dar a chance da garota falar qualquer coisa também, embora ela estivesse ocupada demais em se perguntar o que diabos fora aquilo para verbalizar qualquer pensamento.

Continua...

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