Showbiz

Autora: Julia P. | Beta: Lu Guimarães

Capítulos:
| Prólogo |
Esta página contém conteúdo adulto. Caso você não tenha mais de 18 anos, esse tipo de material lhe ofende, ou se você está acessando a internet de algum país ou local onde esse tipo de material é proibido por lei, NÃO PROSSIGA. Nós, do Ficcionando, não nos responsabilizamos pelo conteúdo postado no site visto que já foi avisado previamente.

Prólogo

O letreiro neon — Welcome to Harven Hall — no topo do prédio esquentava o ar acima do aglomerado de pessoas. Elas se moviam para frente e para trás, berrando, tentando entrar. Os fotógrafos, colados à fachada, suavam e grudavam seus aparelhos com luzes fortes e miravam para onde pudessem ver — certamente, não o interior do prédio. Não havia janelas e nem portas emergenciais. Parecia ser somente a porta lacrada à frente da multidão, cercada de seguranças armados. David Müller imaginava todo o terreno em chamas, sem saída, e as pessoas lá dentro ingerindo monóxido de carbono em troca de privacidade. Sufocadas. As paredes pegando fogo e todos saindo correndo, se seria somente assim que pudesse entrar lá dentro. Olhou para o letreiro acima dele e imaginou se as luzes piscassem e formasse Welcome to Hell. Sua mente delirava já na terceira hora plantado ali.

Puxou a câmera do pescoço e abriu a galeria de fotos, olhando uma por uma com delicadeza até que parasse em uma em especial. olhando para ele, e somente ele, naquele momento exato. David estava com os olhos fixos à lente do seu aparelho, mas tinha certeza. O corpo curvilíneo da modelo retesado, hesitante em continuar, para sempre parado naquela imagem, olhos arregalados e a boca entre aberta como se talvez dissesse você é um otário – e se não houvesse tantas pessoas, tanto tempo entre os lábios dela e dele, talvez seria uma certeza.

David deixou o ar sair de leve, lembrando-se vagamente do que aconteceu um ano atrás. Achou melhor desligar a câmera e continuou em seu posto, ouvindo o barulho alto de trash pop. Ele prometeu à si e à sua irmã mais nova que esqueceria aquela vadia — porque era isso que ela era —, aquela vadia de salto alto e sexo bom. Que beijava bem para caralho. Que apareceu uma noite em um bar vagabundo para ele um ano atrás, porque sabia que ele trabalhava para o Daily Mail, aquela estranha de saia plissada e fácil demais para um cara de bom porte como David, que nem imaginou que seria o inferno quando a levasse para cama, e que seria uma droga depois disso. Que convenceu ele a dar alguns contatos famosos. Que estaria agora a vendo famosa.

Aquela vadia.

...

Chocolate do The 1975 tocava como um hit que poderia estar em um filme dos anos 80 ou em uma série da Netflix sobre depressão. teve a sensação de querer comprar um carro sem teto e sair no limite de velocidade nas rodovias da Califórnia com um álbum completo do The Neighbourhood tocando alto, e ela estaria como a Britney Spears no clipe de I Wanna Go — só de saia preta e um sutiã rendado enquanto um cara apaixonado por ela estivesse dirigindo. Mas era só a sensação de querer. Ela não queria mesmo, por que iria? Equilibrou a taça de Sex on the Beach nos dedos longos e finos, passando a outra mão pelo vestido Valentino. Valia mais que sua casa. A noite anterior veio à sua mente: os cabelos presos em um coque firme, as luvas de plástico, calça legging preta e suéter preto, subindo com uma marreta nas mãos, batendo com força contra a vitrine da loja, colocando os vestidos caros na bolsa, o alarme soando vibrante e vermelho à sua volta, a polícia chegando, ela correndo. Bebeu mais um gole da bebida, olhando para os ricos e famosos à sua volta.

Virou seu rosto para olhar , sentado em uma mesa com os maiores produtores de música do mundo. Dentro do Harven Hall tudo parecia distorcido pela fumaça e a bebida ingerida. Ela se manteu até que ele se virou e sorriu para ela, voltando para alguém o chamando, bebendo um pouco da cerveja.

Ela pensou no que fez até conseguir entrar ali. Até se tornar famosa. Dos crimes que cometeu. De pessoas que ela enganou — como David, lá fora. Mas sabia que não precisava se remoer por nada, porque ali, naquele lugar havia pecadores pior que ela — como .

.

O cara que matou alguém para estar ali.

virou de vez seu copo pela lembrança um ano atrás, mas seu copo estava vazio. Sua mente se lembrou do letreiro neon lá fora — Welcome to Harvan Hall —, e da primeira vez que seus olhos passaram rapidamente pelas palavras e imaginaram terem lido Hell.

Bem-vindo ao Inferno.

Com certeza não era a primeira a ter essa sensação.


Continua...

Nota da autora: -

Nota da beta: Hey! Caso encontre algum erro avise-me no e-mail. Obrigada!