She's Thunderstorms

Autora: Lorena | Beta: Babi S.

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Capítulos:
| 01 | 02 | 03 |

Capítulo 1

Police

O barulho era ensurdecedor. O apartamento, de tamanho médio, na área central de Londres, estava cheio de adolescentes com hormônios a flor da pele. Havia bebidas para todos os lados, comidas espalhadas e até mesmo, drogas em cima da pequena mesa de centro. Tudo movia conforme o combinado. John, filho dos donos do lugar, que foram viajar a trabalho e confiaram em seu pequeno tesouro para manter o imóvel intacto, deixou na mão de a responsabilidade de montar a festa. Ela acabara de chegar com mais três pacotes, no total 30, de cerveja. Antes de adentrar no local, os olhares de repúdio dos vizinhos a seguiram. Deu ombros e sorriu orgulhosa de como estava o lugar. O DJ improvisado alternava entre música eletrônica e indie, agradando, assim, a todos. Andou pela multidão até chegar à varanda para guardar os engradados. Uma mão pousou em sua cintura e um nariz tocou levemente em sua pele morena. Virou-se e sorriu ao ver o amigo feliz.
– Ei brasileirinha – Disse John.
– Ei inglesinho – Brincou a menina também - Trouxe mais cervejas – Levantou o braço mostrando a sacola da conveniência de um posto, único lugar que era fácil subordinar e conseguir bebidas alcóolicas para menores de 18 anos.
– Ótimo - Ele respondeu – É só deixar ali no frigobar mesmo – Finalizou antes de ser chamado por alguém.
acedeu e fez o que ele falou, antes pegando uma para si mesma. Ninguém, no Brasil, acreditaria que a viram fazer isso. Há dois meses, embarcou no avião para passar um ano na Inglaterra para aprimorar o inglês.
A viagem fora o presente de Natal tão esperado. Nas primeiras semanas, sofreu um pouco com o sotaque, mas nada que horas seguidas assistindo Benedict Cumberbatch ou David Tennant não resolveriam.
Cursando o último ano do Ensino Médio, na primeira semana conheceu Andrew, filho de um empresário em ascensão, que logo a enturmou com seus amigos, sendo John incluído nisso. Desde então, os acompanha em todas as festas, baladas ou eventos sociais que as palavras bebidas ou música indie se incluam no vocabulário.
Procurou um abridor qualquer e não encontrou nenhum. Observou as pessoas ao seu redor: algumas visivelmente drogadas por maconha ou talvez algo mais pesado, um grupo realmente aproveitando a playlist e outras não se importando de estarem se pegando de maneira quase explícita na frente de outras pessoas. Suspirou frustrada ao perceber que teria que passar pela pequena multidão novamente. No meio dela, reparou Andrew se atracando com uma menina no corredor enquanto uma de suas mãos parecia preocupada demais em segurar um cigarro. Ela riu da situação e seguiu para a cozinha americana.
Abriu as gavetas e somente na última encontrou o que desejava. Apoiou-se na bancada e deu o primeiro gole na bebida. Ao fundo, tocava Jake Bugg fazendo-a balançar a cabeça acompanhando o ritmo da música.
– O que uma gatinha como você está fazendo sozinha? - Um garoto sussurrou em seu ouvido, tirando-a de seu transe.
– Bebendo – Respondeu rudemente.
– Nossa, que agressividade – Fingiu-se ofendido – Sou Greg.
– Falou e olhou para ele com cara de tédio.
– Prazer em te conhecer – Pegou na mão dela e beijou o dorso da mesma.
revirou os olhos e puxou sua mão, esfregando-a discretamente na barra de seu vestido preto.
– Diz logo o que você quer – Disse sem paciência.
– Quero você – Greg falou, tirando a cerveja da mão da menina e puxando-a pela cintura para mais perto dele.
o empurrou com força.
– Tá maluco?! – Ergueu as sobrancelhas e aumentou o tom de voz.
– Só se for para transar com você! – Ele rebateu e tentou puxá-la mais uma vez.
– Vai se fuder! – Ela disse na cara dele.
– Você vai comigo!
Greg segurou o pulso de e começou a puxá-la enquanto, com a outra, segurava o rosto da mesma. Ela tentou gritar, porém fora empurrada para a parede. reparou que para sair daquela situação, teria que participar do "jogo". Então, ela começou a subir e descer a perna na dele na intenção de provocar. Suas mãos passeavam pelas costas do mesmo, parando na bunda e apertando-a levemente. Ele relaxou ao perceber que teria seu desejo realizado. A boca dele grudou na dela e ela deixou o beijo rolar. As mãos grandes de Greg pararam no pescoço e, aos poucos, os lábios desceram em direção a área recém explorada. tomou coragem e levantou o joelho, sem dar sinal do que faria. Quando os lábios do menino alcançaram a região do colo, ela chutou a parte íntima deixando-o, por pouco, imobilizado. Ele gemeu de dor e a soltou. Algumas pessoas ao redor perceberam e o tiraram dali.
– Vadia! – Gritou.
– Para você, é senhora Vadia – respondeu sorrindo irônica e levou a mão a boca, que formava um O em um falso "ops" quando o viu colocar as mãos entre as pernas.
pegou sua garrafa de cerveja, que, infelizmente, havia ficado quente. Ela seguiu para a janela para pegar um ar. Nessa, que apresentava visão para rua, reparou uma viatura da polícia dobrando a esquina e seguindo em direção ao prédio.
– Mal cheguei e já fui agarrada. E agora a polícia também chega – Exclamou puta.
Não quis ver os mesmo estacionarem e saiu à procura de Andrew. Não estava mais no corredor, então, depois do que viu, com certeza estaria em um dos três quartos do lugar. O primeiro, vazio. "Por enquanto", pensou. O segundo, trancado.
– Andie, abre essa porta! – Ela gritou o mais alto que conseguia. Não obteve resposta. É óbvio que ele não ouviria se tivesse transando. Decidiu bater na porta. Nenhuma resposta mais uma vez. Repetiu o ato e uma menina apenas de calcinha abriu a porta.
– Andrew está aí? – Perguntou.
– Não. Outro quarto – E bateu a porta da cara dela.
bufou e seguiu para o último cômodo, batendo na porta. Ela girou a maçaneta e não estava trancada. A visão era de Andrew chupando os seios de uma menina enquanto a masturbava.
– Se você não quiser ser pego agora pela polícia, acho bom broxar – Ela falou, assustando o casal – E sim, a porta estava aberta.
Andrew a olhou como se quisesse matá-la.
– Posso sair daqui, ir embora e você ser preso. Quer isso? – Disse ao vê-lo ainda parado por cima da menina. – Acho que seu papai não iria gostar muito disso...
Ele pareceu finalmente perceber a gravidade da situação e saiu de seu transe. Colocou a roupa correndo e se despediu da garota pedindo desculpas.
Empurrou para partirem.
Saíram do apartamento e desceram pelas escadas. Ao ouvirem as vozes dos policiais da portaria do prédio pedindo informações sobre quem morava na unidade que tanto atrapalhava os vizinhos, decidiram seguir pela garagem e sair pela porta dos funcionários. Saíram em uma ruela com pouca iluminação e alguns sacos de lixo jogados. Seguiram andando até uma rua próxima do centro de Londres.
– Ainda são meia-noite e meia. – Disse Andrew olhando para o celular – Quer ir para o Joe's? – Perguntou, se referindo ao pub/karaokê com temática de bandas que ficava localizado em uma das ruas mais movimentadas de bares da cidade. O lugar possuía sentimento de liberdade tanto para cantarem o que quisessem e quando quisessem, tanto para beberem, já que liberavam bebidas sem menor problema.
– Óbvio! – Respondeu, entrelaçando o braço no dele e rindo.

Capítulo 2

Meet me at the karaoke’s bar

— Fala Jeffren! – A menina de cabelos pretos disse enquanto sentava em um dos bancos disponíveis na frente do bar. O barman barbudo e com um olhar quase malvado era justamente um dos mais simpáticos, sempre a servindo e dando cobertura.
— Oi , tá gatinha ein?! – Piscou para ela. Mesmo ela apresentando pouca idade, era impossível para o homem não reparar no físico e nas atitudes.
— Sempre, não é mesmo? – Ela apoiou o cotovelo no balcão de madeira e sorriu de maneira convencida.
— Nada modesta – Riu – O de sempre?
— Claro!
Enquanto ele preparava o drink, aproveitou para olhar para o ambiente. Lotado como sempre, o pequeno palco usado para as pessoas cantarem dava a elas a sensação de estarem em uma turnê. Era engraçado que mesmo alguns cantando extremamente mal, como o caso da própria, o lugar transpirava um clima alegre. Distraída em seus pensamentos, não notou que Jeffren já havia colocado sua bebida à sua frente.
— Já viu quem está aqui? – Perguntou olhando, assim como ela, para o palco. Um grupo de amigas cantava Wannabe, das Spice Girls.
Olhou para o homem e ergueu as sobrancelhas de maneira curiosa. Jeffren esticou os braços e virou o banco a uma única direção: uma mesa ocupada por 8 pessoas, que conversavam animadamente e que riam um dos outros, ou até mesmo os que cantavam. A pouca iluminação não permitiu notar de longe quem eram.
— É o , vocalista daquela banda Arctic Monkeys. Conhece?
— Uma das minhas favoritas – Ela respondeu após bebericar o líquido vermelho.
— Aproveita que ele já bebeu algumas doses e conversou com fãs.
— Quem sabe mais tarde, não é mesmo? Vamos deixar o topetudo em paz.
O homem riu e sussurrou "só você" ao mesmo tempo que anotava o pedido de outro cliente. Andrew nesse exato momento deveria estar por aí pegando alguém, afinal nem pôde terminar o que estava fazendo antes e teve que pensar em milhares de coisas consideradas puras para fazer seu amiguinho se acalmar.
— Não vai cantar hoje? – O barman perguntou.
— Quando você me viu vir aqui e deixar de cantar? – Seu tom transpirava uma mistura leve de ironia e "diversão".
— Qual é a música do dia?
Come a Little Close, do Cage the Elephant – Disse enquanto seguia com o olhar o líder da banda.
— Ótima escolha – Jeffren se afastou e digitou rapidamente no notebook, que ficava no canto direito.
Aguardando o nome de sua música aparecer no telão, continuou bebendo e mantendo-se perto do amigo mais velho. Fazia isso quase todas às vezes, pois não suportava ouvir papo de bêbado e suas cantadas mal educadas.
O nome finalmente apareceu e ela levantou animada. Passou a mão no vestido para desamassá-lo enquanto pedia licença às pessoas.
— Quanto tempo que não lhe vejo – Falou Brian, um "apresentador" no microfone ao vê-la subir os pequenos degraus.
— Não exagere! Só tem duas semanas que não apareço – Ela riu.
Ele gargalhou e disse como ela era a princesinha do lugar. Brian entregou o microfone e desejou bom show. apenas balançou a cabeça em agradecimento e esperou que os primeiros acordes da música tocassem.
Seus quadris acompanhavam o ritmo na medida do possível e seus cabelos eram jogados sempre que a bateria parecia mais forte. Sem ligar para a opinião alheia, se movimentava pelo palco e brincava de fazer carões.
Ao chegar no refrão, brincava de apontar para alguns e provoca-los, fazendo sinais para se aproximarem assim como dizia a letra. Ela tentava segurar o riso ao ver que levavam a sério.
Andrew, apoiado num parede e com o braço ao redor de uma mulher, gritou palavras de apoio à amiga e aplaudia.
lançou alguns olhares ao , apesar de retribuir tal feito, parecia mais interessado na conversa que estava tendo com Miles, seu melhor amigo.
— Obrigada fãs! – Ela falou segurando na barra do vestido e fazendo um agradecimento. Até teve bastante aplauso e alguns assovios.
Desceu do palco contente com sua apresentação. Retornou ao seu banquinho e ganhou um hi-five de Jeffren.
— Uma cerveja, Jeff – A voz de Andie visivelmente alterada pediu.
— Você vai querer alguma coisa, ?
— Não - Ela respondeu.
Jeff balançou a cabeça e voltou ao serviço, tentando atender a demanda, que parecia estender-se cada vez mais. Talvez fosse por conta do horário: eram quase duas da manhã.
— Já falei que você é demais? – Andie a abraçou pelos ombros e equilibrava em sua mão uma garrafa de Heineck.
— Hoje não, porém muito obrigada. Sou demais o tempo todo, jovem padawan.
— Nada modesta – Ele rebateu.
— Sempre – Ela gargalhou – Ei, vamos lá no ?
— Ele está aqui? - Andrew falou enquanto olhava para todos os cantos.
— Você jura que não... Ah é, você estava ocupado.
Andrew mostrou o dedo do meio e deu mais um longo gole de sua cerveja.
— Vamos ou não? – Ela perguntou.
— Claro, por que não?
pediu para o garoto se aproximar para que fizesse uma "cabaninha". Olhou para os lados e colocou a mão dentro do sutiã, tirando de lá seu celular e dinheiro.
— Nunca vou me acostumar com você fazendo isso e justamente na minha frente – Andrew disse passando a mão no cabelo um pouco constrangido.
— É só ignorar, menino! – Ela riu e o empurrou de leve para que pudesse descer do banco.
— Você quase mostra seus peitos pra mim! – Ergueu a sobrancelha e seu tom de voz aumentou.
— Me poupe!
Ela andou em direção à mesa e a olhou de cima a baixo. Seu vestido preto de manga cumprida era simples e, por cima, a jaqueta jeans, que não somente servia para completar o look, mas também para aquecê-la do frio da cidade. Seus coturnos faziam um barulho engraçado que só ela reparou, fazendo-a rir sozinha. Andrew a seguiu um tanto animado. Talvez fosse o efeito do álcool.
— Desculpa atrapalhar, mas vocês podem tirar uma foto com a gente? - Disse fitando Miles, e, em seguida, alternando o olhar entre o baterista da banda, que estava sentando apoiando na parede, e o vocalista.
— Claro – Miles respondeu simpático.
Os rapazes levantaram. Miles se posicionou entre e Andrew, foi para o lado do menino e Matt, para o da menina. entregou o celular para Breana, esposa do baterista. Discretamente, colocou o dinheiro que estava em mãos no bolso da calça do amigo.
— Sorriam! - Breana pediu.
Ela abriu um sorriso e a mulher clicou na tela do iPhone. Ela agradeceu cada um e pegou o celular de volta, olhando a fotografia rapidamente. Despediu-se e voltou para o bar.
tem cheiro de perfume amadeirado misturado com nicotina e cerveja – comentou.
— Cheiro basicamente do que ele faz o tempo inteiro – Andie riu.
soltou uma risada sem graça.
— Acho que já está na hora de irmos – Falou ao garoto.
— Última cerveja antes de ir embora?
— Nope, vou fumar um pouco — Girou o banquinho e esticou a mão para pegar o maço de cigarros, que ficava em um local estratégico atrás do balcão
– Meu dinheiro tá no seu bolso. Quando pagar a conta, manda mensagem que eu chamo um táxi e desço.
— Sim, senhora! – Ele bateu continência.
— Idiota! – Gritou enquanto subia as escadas.
Do terraço do lugar, a visão da cidade era maravilhosa. Era possível observar cada luz e seu ponto de origem, que naquela noite escura pareciam estrelas caídas, o movimento urbano da cidade histórica. O vento de baixa intensidade, porém gelado batia no rosto de de modo que ela sentia que poderia machucar. Sentou em uma das cadeiras e bufou, irritada, ao reparar que esqueceu o isqueiro.
— O que uma gatinha como você está fazendo sozinha? – Escutou uma voz atrás dela.
— Já ouvi essa frase hoje, querido.
Ela virou-se levemente e estava parado a pouco centímetros.
— Tem isqueiro? – Perguntou antes que pudesse falar algo.
— Você não é meio nova para fumar? – falou olhando para ela com ar de superior.
— Você não é meio novo para ser meu pai? – Rebateu.
Ele sorriu irônico, tirando um isqueiro de sua jaqueta de couro e entregando-o.
— Qual seu nome?
sorriu. Sabia que se respondesse aquela pergunta, possivelmente entraria na maior montanha-russa de sua vida. Quem arrisca não petisca, não é?
.
— Bonito nome... - Ele a fitou - Mas, você ainda não me respondeu
— E nem você.
— Sim, sou meio novo para ser seu pai já que você tem...
— Dezessete – Respondeu olhando para ele.
— Wow... Não parece.
— Isso é bom ou ruim? - Ela o olhou um tanto curiosa.
— Quem decide isso é você.
Ela deu ombros.
– E respondendo sua pergunta, sim, sou nova para isso. Nem adianta reclamar. Você também fuma.
Ele levantou os braços como se falasse "Calm down, darling".
— Você tem um pouco de sotaque. É da onde?
— Brasil. Para ser mais exata, São Paulo.
— Isso justifica suas curvas – Ele sussurrou.
— Eu ouvi isso.
riu e passou a mão no cabelo lotado de gel. Puxou uma cadeira e sentou ao lado dela.
— Conte mais sobre você.
— O que você quer saber? – Perguntou finalmente acendendo seu cigarro e tragando um pouco.
— O que gosta, o que faz em Londres.
— Gosto bastante de cinema e música – Sorriu de lado e virou-se para ficar de frente para ele.
— Estilo favorito para ambos?
— Comédia romântica dramática e indie – Sorriu mais uma vez – Tô na cidade num intercambio, cheguei há dois meses. Tô gostando bastante.
— A cidade é ótima... Quer uma cerveja?
— Não... Daqui a pouco vou embora.
Maldita seja a frase da . Nesse exato momento, ela recebeu uma mensagem do amigo.

Já paguei a conta

, eu vou embora. Andie está me esperando para ligar pro táxi – Ela deu a última tragada antes de apagá-lo com o sapato.
— Ele é seu namorado?
— Não, apenas amigo.
— Que bom – Ele sorriu sacana.
— Bem... Até algum dia.
Levantou e desbloqueou o celular, procurando o aplicativo do Uber. Em poucos minutos, um carro estaria ali.
— Tchau, .
— Tchau, .
Ela desceu as escadas cantarolando The Killers e ouviu o homem bufar. Colocou um sorriso, talvez... Vitorioso. Tinha acabado de deixar frustrado.

Capítulo 3

Oh Gosh

bufou irritado ao reparar que não tinha dado a mínima para a pequena conversa que tiveram. Tinha certeza de que ela havia falado que ia embora apenas para voltar para o seu amigo.
O terraço, que antes o silêncio predominava, abrigou pequenos grupos que conversavam enquanto fumavam. Ele acendeu mais um e sobrou com certa força a fumaça. Pegou o pente que sempre ficava no bolso traseiro de sua calça e penteou seu topete, jogando-o para trás. Apagou o cigarro de qualquer jeito e desceu indo diretamente para o bar. Um toque leve em seu ombro no mesmo instante em que sentou no banco o fez virar levemente.
pegador como sempre, não é? – Falou Miles, abraçando-o por trás.
— Não dessa vez – passou a mão pelo rosto – Dose dupla de tequila – Pediu quando o barman aproximou-se de onde estava.
— O que houve? - O amigo puxou um banco e sentou-se ao lado.
— Ela teve que ir embora.
Miles gargalhou e revirou os olhos. O barman colocou as doses na frente dele e o mesmo balançou a cabeça em agradecimento.
— Tem várias garotas aqui – Miles falou enquanto apontava para algumas disfarçadamente.
acompanhava com o olhar.
— Porém, tem uma – Apontou para uma loira alta, usando um vestido colado que evidenciava seus seios, que ria num grupinho. A mesma havia cantado uma música dele mais cedo – Ela veio perguntar por você. Eu disse para ela que provavelmente você já estava com alguém. Mas, para a sorte, ou desejo, dela, você não está com ninguém.
A olhou mais uma vez e ela o fitou sorrindo. Um sorriso descaradamente malicioso. virou a última dose e se virou para Miles, que apenas deu um leve tapa no ombro. se levantou, endireitando seu blazer, e andou, penteando seu cabelo para trás. Com certeza, a noite seria longa.

O carro estacionou na frente da casa de . Colocou a mão no bolso da frente da calça de Andrew, que tentava disfarçar que estava bêbado, para pegar o dinheiro e entregou para o motorista.
— Obrigada por hoje, Andie – Ela o abraçou de lado.
— Moça, seu troco.
— Não, pode ficar - Pegou uma bala de menta no compartimento na porta - E, por favor, faça esse garoto chegar bem em casa – Falou sorrindo enquanto saía do Uber.
A rua estava silenciosa por ser um bairro residencial. Pouquíssimas casas estavam com alguma luz acessa. , colocando a bala na boca, andou até a porta e abaixou-se para pegar a chave que estava embaixo do tapete. Girou-a rapidamente na tentativa de não fazer barulho e entrou em casa. Suspiraria aliviada se não tivesse encontrado Daniel, seu "pai", que estava parado com uma cara nada satisfeita.
— Por que você demorou? - Ele tentou não elevar o tom de voz.
— Porque eu estava me divertindo?! - segurou-se ao máximo para não ser irônica.
— Não quero você chegue tarde.
— Mas nem é tão tarde – Ela falou enquanto olhava o celular - São quase duas e quarenta. Só isso.
— Só isso? - Respondeu incrédulo - Você falou que estaria em casa uma e meia. Não se demora tanto assim para comer pizza com os amigos.
— Tínhamos vários assuntos para conversar que nem percebemos a hora – Assegurou a mentira.
— Não é possível – Bradou Daniel – E esse cheiro de álcool?
— Foi o lugar. As pessoas bebem enquanto comem, sabia?
— Já pro quarto!
— Mais uma vez sendo castigada por motivo bobo – Levantou as mãos como se ela se rendesse.
passou pelo mais velho olhando de cima a baixo. Subiu as escadas bufando e segurando-se para não bater os pés. Antes que pudesse chegar ao quarto, sentiu uma mão apertar seu braço fino.
— O que você quer, Ellie? - Perguntou sem paciência a ela. Eleanor, ou Ellie, era a filha única do casal que estava a acolhendo.
Dona de uma personalidade superficial, Ellie era mimada pelos pais, porém não no sentido de ter tudo que quisesse, mas sim de deixarem que fizesse tudo que tivesse vontade. Fora que era uma seguidora fiel do que estivesse na moda e, naquele momento, era o deus grego.
— Você pensa que eu não escuto suas conversas no telefone? - Ela respondeu calmamente, porém em um tom debochado – Eu sei muito bem que você estava em uma festa com aquele seu amigo. Sabe muito bem que eu posso contar para o meu pai, não é?
— Você não faria isso – a olhou com nojo.
— Papaizinho... – Cantarolou enquanto se apoiava no corrimão da escada.
— Oi filha – Daniel apareceu no primeiro degrau – Por favor, fala baixo. Sua mãe está dormindo.
A morena chegou por trás e a beliscou.
— Se você não falar nada, eu te conto onde encontrei o hoje – Sussurrou – O que acha de conhecê-lo?
— Fala logo, Eleanor – Daniel mudou de postura.
— Será que eu e a podemos assistir série?
— Não, só amanhã. As duas para a cama agora!
Deram boa noite e seguiu para o seu quarto. Ellie veio logo atrás.
— Joe's, não sei que horas ele chegou – foi seca – De nada.
Ellie soltou um gritinho e a abraçou. A menina a afastou e a empurrou para fora do quarto.
Fechou a porta e apoiou-se nela. Olhou para o quarto extremamente bagunçado: roupas jogadas em cima da cama, mochila aberta no chão, vários livros e papéis de qualquer jeito na escrivaninha. passou a mão pelo rosto e caminhou até a cama. Tirou os sapatos, jogando-os ao lado do móvel e o vestido, que foi parar em cima da cadeira. Adormeceu pensando em como arrumaria aquilo tudo.

acordou no dia seguinte com o telefonema de Jamie, relembrando-o do compromisso do dia: ir à loja de discos. Sua cabeça doía e sua vontade de ficar na cama era enorme. A loira da noite passada, nua, dormia tranquilamente. Talvez ela fosse um pouco sensível, já que, em qualquer ponto em que ele a tocava, ela gemia.
Desviando as roupas e sapatos jogados no chão do quarto de qualquer maneira, ele foi ao banheiro. Tomou banho e demorou mais tempo arrumando seu cabelo do que fazendo ações essências, como escovar os dentes. Quando saiu, com a toalha enrolada na cintura, ela estava sentada na beira da cama.
— Bom dia...? – fez um esforço para lembrar seu nome.
— Teresa – Ela revirou os olhos, mas não desistiu da tentativa de chamar a atenção do cantor, quando, pouco tempo depois, brincou de abrir e fechar a perna passando a mão pela coxa.
Ignorando a atitude da mulher, abriu o guarda-roupa e pegou a primeira roupa que viu: uma calça jeans e uma camiseta preta. As vestiu rápido e procurou um sapato. Optou por um Vans, que quase nunca usava.
— Pra que toda essa pressa? – A mulher perguntou, abraçando-o por trás enquanto suas mãos adentravam a camiseta do rapaz, passeando pelo abdômen.
— Tenho compromisso – Respondeu seco, empurrando-a com delicadeza.
Teresa colocou as roupas bufando e saiu rapidamente do cômodo. Ele tirou 50 libras da carteira e entregou a ela.
— Pra que isso? – Perguntou no tempo em que colocava seus sapatos de salto alto.
— Para pegar um táxi, tomar café... Sei lá.
— Até a próxima – Ela sussurrou no ouvido dele antes de dar um chupão no pescoço e sair do apartamento.
Depois de ignorar a bagunça da sala, tomou dois remédios para ressaca e colocou o maço de cigarros no bolso da calça. Pegou a jaqueta de couro que estava na maçaneta da porta, a carteira, chave do carro e os óculos escuros, que estavam em cima da mesa de jantar, pendurando-os na gola da camiseta. Procurou o celular e o encontrou caído entre o sofá e o vão do mesmo. Enviou mensagem para o amigo, que o respondeu quase de imediato.

Se não há atraso, não é você,

, chega. Já rodamos quatro lojas de discos e não encontramos o dos Beatles que você quer! – Daniel disse antes que a menina pudesse entrar em mais uma loja.
Era por volta de onze da manhã. O centro londrino estava estranhamente calmo. Ellie e Helena, esposa de Daniel, foram para o shopping enquanto e Daniel foram procurar o Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band, oitavo disco dos Beatles.
— Eu sei – Ela choramingou – Juro que essa será a última.
— Tudo bem – O homem rendeu-se ao pedido – Estarei te esperando no Starbucks da esquina.
Ela sorriu e ganhou um beijo na testa em resposta. Entrou na pequena loja, na qual um pequeno sino acima da porta anunciava sua entrada, e parecia que estava em um filme. Repleta de posters, anúncios de shows e bandeiras na parede, os discos ficavam em caixotes em estantes, todos em ordem alfabética.
— Bom dia – Ela falou, apoiando-se no pequeno balcão no canto do lugar, esperando que alguém que trabalhasse ali aparecesse.
— Bom dia, minha jovem – Um velhinho respondeu dos fundos do local.
— Sabe me dizer onde ficam os discos dos Beatles? – Perguntou, virando em direção ao idoso.
— No segundo andar – Ele apontou para uma escada quase ao lado de onde havia acabado de sair – Mas não pode ir lá agora. Dois clientes fiéis estão lá e não gostam de serem incomodados.
suspirou e apoiou-se no balcão. Esperou longos dez minutos até descerem. Quando viu quem eram, desviou o olhar. Passou por eles como se não os conhecesse. Subiu as escadas e a seção dos Fab Four era uma das primeiras. Help, Beatles for Sale... Nada do álbum desejado. Procurou mais um vez e desceu com um bico e de cara fechada. Jamie e ainda estavam ali, olhando discos de bandas mais atuais.
— Não tem o Sgt. Pepper's? – Perguntou.
O idoso apontou para a pilha à sua frente e disse que ele estava separado para os dois rapazes. bufou, não queria comprar a versão remasterizada. Olhando o local com mais cuidado, viu a trilha sonora de Submarine, filme do diretor Richard Ayoade, na qual as músicas foram compostas, nada mais, nada menos, por .
Sorriu e andou até ele, pedindo licença a Jamie, que estava quase na frente. Pegando o disco em mãos, lembrou-se de como as músicas sincronizavam perfeitamente com as imagens e que, se pudesse, elogiaria o diretor e o editor pessoalmente.
— Pensou que eu não iria te reconhecer? – sussurrou no ouvido dela – Nós nos vimos ontem, sabia?
— Eu sei, – Ela sussurrou também.
— Ah, boa escolha! – pegou o disco da mão dela e riu.
— Obrigada – Pegou o disco de volta.
— Já que provavelmente vai levar, – Puxou o disco novamente – O que acha de uma troca? Eu pago e você me dá seu número.
— Nada feito – Pegou o disco de novo.
Jamie, que só observava a cena, riu abafado.
— Ontem você quase se jogou em mim, provocou.
— Era mais o contrário, não é? – Ela respondeu sorrindo.
Foi para o caixa e deixou o disco apoiado no móvel enquanto pegava o dinheiro na bolsa.
— Mais um? – Perguntou o senhor.
Quando ela levantou a cabeça, estava pagando os discos, inclusive o dela. Entregou o de em uma sacola separada e sorriu cínico.
— Agora eu quero o seu número – Entregou o celular a ela.
— Não foi um combinado mútuo – Respondeu, devolvendo o aparelho.
— Passar seu número não vai fazer mal algum.
o fitou e o analisou. Pegou o celular ainda desbloqueado e adicionou seu número.
— Eu te ligo, ok? – Falou enquanto colocava uma mecha do cabelo da menina atrás da orelha.
— Até mais. – Depositou um beijo na bochecha dela.
Os dois saíram da loja, fazendo o sininho velho da porta tocar. estava estática. Ao fundo, o senhor perguntava se estava tudo bem. Balançou a cabeça afirmativamente e passou a mão no rosto, tentando reagir. Definitivamente, não era desse planeta.

Continua...

Nota da autora: (01/04/2017) Olá pessoas <3 Eu espero que estejam gostando de de ST. Não deixem de comentar, é muito importante.
Um beijo e até o próximo!
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