Autora e Beta: Babi S.

- Me conte mais sobre você, .
Os longos cílios de sequer piscavam enquanto ela fitava o sorriso divertido com um pequeno toque de malícia que surgiu nos lábios do homem à sua frente. Ela estava impressionada com a beleza de Stephen, que era ainda mais evidente ao vivo e a cores do que nas fotos que estavam disponíveis no tal aplicativo de encontros que Jodi, sua colega de trabalho, a obrigou a baixar, insistindo que ela estava ficando velha demais para continuar solteira. Não que concordasse, sentia-se muito bem sozinha, mas não via problema em sair com um ou outro cara de vez em quando e se arriscar a encontrar alguém legal.
E, mesmo que os caras acabassem sendo chatos, jantar em restaurantes caros sem gastar um centavo já fazia valer a pena.
- Como já comentei com você, nasci no Arizona, mas vim pra Nova Jersey bem novinha. Não tinha nem 2 anos - ela começou a contar e deu uma pequena pausa para bebericar a taça de vinho. - A empresa onde meu pai trabalhava transferiu ele temporariamente pra cá, mas acabou que ele trabalhou na filial daqui até se aposentar. Hoje em dia, ele, minha mãe e todos os meus parentes moram no Arizona. Fui a única que decidiu ficar por aqui.
- Você nunca pensou em se mudar pra lá e ficar perto da família? - Stephen questionou com interesse.
- Minha família, na verdade, mora aqui - respondeu e deixou uma risada um tanto envergonhada escapar pela garganta. - Eu tenho uma filha.
- Nossa, sério? Eu adoro crianças - o outro disse, empolgado.
A mulher foi incapaz de disfarçar quão sem graça ficou com o comentário.
- Ela vai completar 16 anos mês que vem - revelou e, em seguida, baixou os olhos para a taça. Sem esperar por qualquer reação, continuou: - O pai dela é daqui, então achei que o melhor era que ela crescesse perto dele.
- Uau, estou chocado - o homem disse, atraindo o olhar de para si mais uma vez, e ela não soube dizer se a surpresa estampada no rosto dele era um sinal bom ou ruim. - Eu jamais diria que você tem uma filha adolescente.
- Já estou acostumada, às vezes pensam que somos irmãs - ela disse, rindo levemente. - Essa talvez seja a única parte boa de ter sido mãe no Ensino Médio.
- Então você é divorciada? - Stephen perguntou com curiosidade.
- Não, não. Nunca fomos casados - respondeu imediatamente. - Fomos namorados desde os tempos da escola, mas, depois de um tempo, acabou não dando certo. Tínhamos interesses muito diferentes.
- Como assim interesses diferentes? - o homem voltou a questionar, sem disfarçar quão intrigado estava.
- Eu queria casar e alugar uma casa em que pudesse criar minha filha sem ter que depender da ajuda dos meus pais ou dos pais dele. Queria construir minha família, por mais ousado que isso parecesse pra um casal que tinha apenas o Ensino Médio e uma criança pra alimentar - explicou, fazendo uma leve careta. - Mas isso não era o que o pai da minha filha queria. Ele tinha o sonho de montar uma banda e ser um guitarrista de sucesso e não quis abrir mão de nada disso.
- Ele te trocou por uma guitarra? É sério? - Stephen disse, ironicamente, e soltou uma risada debochada. - Que otário.
cruzou as pernas e remexeu a comida com o garfo, incomodada com a forma com que Stephen falou e, principalmente, com o sorrisinho presunçoso que ele esboçou. Quem ele pensava que era para debochar dos sonhos de alguém que sequer conhecia?
- Acredito que tenha valido a pena. A banda dele está na estrada há mais de dez anos e já rodou o mundo - disse sem se importar de estar se vangloriando por algo que, normalmente, ela utilizava para acusar o ex-namorado por não ser um pai tão presente quanto ele pensava que era. - Você deve conhecê-lo. É o .
- é seu ex-namorado? - o outro questionou e riu com vontade, fazendo franzir o cenho enquanto tentava descobrir por que aquilo soava tão engraçado para Stephen. - Não me admira que não tenha dado certo.
- Por quê? - a mulher questionou, confusa.
- Não dá pra levar a sério esses caras de bandinhas. São um monte de maconheiros que só querem comer groupies, nem dá pra chamar o que eles tocam de música - Stephen explicou, dando de ombros. - Você precisa de alguém melhor do que isso.
abriu a boca, indignada com a petulância daquele homem de pensar ter condição de dizer o que ela precisava ou não.
- Você não devia julgar as pessoas só por causa da profissão delas, Stephen.
- Nem dá pra chamar isso de profissão, né? Mas enfim, não viemos aqui pra falar do seu ex - ele falou, abanando o ar. - Você trabalha numa editora, certo? O que faz lá?
- Sou coordenadora editorial - respondeu já sem muita vontade de conversar.
Para sua sorte, seu celular vibrou dentro da bolsa e ela o pegou para checar de quem era a ligação.
.
A mulher riu levemente da ironia de ser justo ele a ligar naquele momento, mas, ao mesmo tempo, estava surpresa. só ligava em emergências.
- Preciso atender. Já volto - ela anunciou e se retirou da mesa.
A passos largos, caminhou até a parte menos movimentada do restaurante, onde ficavam os banheiros, e aceitou a chamada.
- Alô.
- Estou na delegacia com a Melanie. Você precisa vir pra cá.

quase se esqueceu de pagar o taxista pela corrida de tão afobada que estava. Adentrou a delegacia apressadamente e sua chegada chamou a atenção de todos por causa do barulho alto que seus saltos faziam ao se chocarem contra o chão. Ela não demorou a avistar sentado em um banco de madeira com os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto enterrado nas mãos. Seu coração gelava cada vez mais, conforme se aproximava dele e um milhão de hipóteses sobre o que poderia ter ocorrido passavam por sua cabeça.
- Meu Deus, , o que aconteceu?
não notou que levantou os olhos e a examinou dos pés a cabeça, já que o vestido justo que ela vestia destoava completamente de todo o resto do ambiente; estava ocupada demais tentando entender o que sua filha e Aly, a melhor amiga dela, faziam na sala do delegado em meio a um grupo de adolescentes que ela nunca havia visto na vida. Ela conseguia vê-los pela parede de vidro.
- A Melanie e esses amigos dela foram pegos com cocaína numa festa - respondeu, se recostando na parede.
Os olhos de se arregalaram quando, meio segundo depois, ela absorveu as palavras dele.
- O quê? A Mel não é metida com essas coisas. E ela não estava em festa nenhuma, estava em casa!
- Se a mãe da Mel estivesse de olho nela em vez de sair com marmanjo que conhece em aplicativo de putaria, ela não iria escondida pra festas se misturar com gente que não presta - alfinetou, fazendo a outra cruzar os braços e lançar um olhar cortante em sua direção.
- Talvez tenha sido o pai metido a roqueiro e drogado que nunca tenha dado um bom exemplo pra ela - rebateu em um tom rude.
suspirou longamente e passou as mãos pelo rosto, preferindo encerrar as acusações por ali. Não ajudaria em nada eles se culparem por terem deixado Melanie se envolver em uma encrenca daquela gravidade sem sequer perceberem o que estava acontecendo. E ele sabia que tinha razão; nunca havia sido o melhor pai do mundo, por mais que se esforçasse.
- Senta aí, eles vão demorar pra serem liberados. O delegado falou que só depois que todos os responsáveis estiverem aqui - falou, indicando com a cabeça o espaço vago ao seu lado no banco.
acomodou-se ao lado dele e respirou fundo, tentando relaxar os músculos. Sentia o estresse dominar todo seu corpo.
- Desculpa por ter te chamado de roqueiro drogado - ela disse, após alguns minutos de silêncio, e riu pelo nariz.
- Está tudo bem, você não disse nenhuma mentira - ele falou, dando de ombros. - Nunca fui um viciado, mas não me orgulho de ter usado essas porcarias mesmo depois de adulto.
- Mas eu fui injusta. Você nunca deixou que nada disso chegasse à Mel, sempre foi um ótimo pai - rebateu com sinceridade.
Tinha consciência de que cobrava muito mais do que era necessário, mas não era por maldade. Ela só tinha medo de que Melanie o perdesse assim como ela havia o perdido.
- Não é sua culpa também, , você criou a nossa filha muito bem - falou e esboçou um sorriso. Cruzou os braços e fitou o chão ao continuar: - Além de que ela já é grandinha o suficiente pra ficar em casa sozinha, você tem o direito de sair com quem bem entender. Me sinto até um pouco mal por ter estragado o dia de sorte desse cara. Não é todo dia que um homem pode ter o prazer de sair com , né?
A mulher riu baixo, balançando a cabeça de um lado para o outro.
Os dois acabaram ficando em silêncio por mais algum tempo, apenas observando os pais dos amigos de Melanie chegarem com a mesma preocupação que eles sentiam, até que a porta da sala do delegado se abriu e os adolescentes saíram seguidos pelo próprio delegado.
- Senhor e Senhora , poderiam vir à minha sala, por favor?
sequer percebeu que fora chamada de Senhora . Conforme ela andava até a sala acompanhada por , seus olhos estavam fixos na filha, a única que havia permanecido lá dentro e chorava copiosamente. Quando viu os pais passarem pela porta, Melanie correu na direção da mãe.
- Eu juro que não tenho nada a ver com isso, mãe. Eu só estava me divertindo! - ela exclamou, desesperada, e a segurou pelos ombros.
- Por que você não me avisou sobre essa festa, Melanie? Eu estava tranquila achando que você estava em casa e não tinha com o que me preocupar - a mais velha disse, demonstrando sua decepção. - Se acontecesse alguma coisa pior com você, eu não ia nem saber onde te procurar.
- Eu não quis atrapalhar o seu encontro. Me desculpa - Melanie disse em meio a mais lágrimas, que escorriam por suas bochechas incessantemente.
Diante da filha naquele estado, sentiu um aperto no peito e puxou Melanie para um abraço apertado.
- Você jamais atrapalharia, filha. Você sempre vai ser prioridade na minha vida - ela disse, acariciando as costas da outra.
, que assistia à cena com um nó na garganta, respirou fundo antes de pôr uma das mãos no ombro da filha, fazendo-a virar os olhos vermelhos de tanto chorar na direção dele.
- Mel, você estava usando cocaína? - ele questionou com tranquilidade. - Não tem problema, eu e sua mãe só precisamos que você seja sincera pra podermos te ajudar.
- Eu juro que não estava, pai - Melanie disse em um tom suplicante. - Eu nem sabia que eles usavam drogas.
Após analisar os olhos da filha por alguns segundos, optou por aceitar as palavras dela como verdadeiras. O que havia acontecido na tal festa não importava desde que não voltasse a acontecer.
- Certo - ele disse e, então, se voltou para o delegado. - O que será feito a respeito disso?
- Independente de ter usado a droga que era portada ou não, ela vai ser penalizada por estar envolvida, assim como todos os outros - o delegado respondeu, sentando-se à sua mesa e separando alguns papéis.
- Qual será a pena? - questionou em meio a uma troca de olhares preocupados com , que ainda abraçava Melanie para acalmá-la.
- Três meses de trabalho voluntário - o outro respondeu e estendeu na direção de parte das folhas de papel que havia separado. - Preciso que o senhor assine esses papéis pra que eu possa liberá-los.

A menstruação atrasada, os enjoos, as dores nas mamas… Nada disso é o bastante para fazer cair a ficha de que se está grávida aos 16 anos. Nem mesmo o resultado positivo do teste de farmácia que sua melhor amiga compra e lê as instruções para você, já que seus olhos estão tomados por lágrimas e as letras parecem apenas borrões. A preocupação que você tinha a respeito de qual curso universitário escolher parece uma formiguinha inofensiva ao lado de criar um filho ou uma filha.
Um ser humano que está ali dentro de você, sendo formado no seu ventre, fruto de uma paixão arrebatadora pelo seu primeiro namorado. Uma paixão que você não sabe explicar, mas que te faz se sentir viva.
E você nem ao menos sabe se esse sentimento será o suficiente para fazê-los encarar as dificuldades que estão por vir. Ou se será o suficiente para destruir o pouco que vocês construíram juntos até ali.
Nos últimos dias, vinha pensando bastante sobre todas as dúvidas que teve ao descobrir que precisaria terminar o Ensino Médio com uma barriga de grávida e que, provavelmente, sequer iria ao baile de formatura, pois já teria um bebê recém-nascido para cuidar na época em que o mesmo aconteceria. Aquilo só se tornou um pouco menos assustador quando disse que eles dariam um jeito. Mesmo com os olhos apavorados, ele tentava convencê-la de que eles dariam conta de criar uma criança.
E realmente deram, no final das contas. Melanie foi amada desde o momento em que eles descobriram que seriam pais e sempre teve tudo o que precisou.
Ou, pelo menos, era o que pensava até descobrir que sua filha poderia estar envolvida com drogas.
Por mais que Melanie jurasse que não tinha nada a ver com a cocaína que os amigos estavam usando na festa, ela não conseguia simplesmente deixar a preocupação de lado. Especialmente por sentir que a filha estava cada vez mais distante a cada semana que se passava. e estavam pegando firme com o castigo que decidiram impor à garota, a levavam e a buscavam em qualquer lugar que ela fosse. Melanie também estava proibida de usar a internet se não fosse para fazer trabalhos da escola e, principalmente, de ir a festas.
Mas o que preocupava era que ela não fazia o mínimo esforço para tentar que eles aliviassem o castigo. Muito pelo contrário, ela aceitava tudo sem retrucar e se fechava em seu próprio mundo. Mesmo que morassem apenas as duas, aquela casa nunca parecera tão vazia antes. O café da manhã, que as duas tomavam juntas todos os dias religiosamente, nunca fora tão silencioso como vinha sendo nas últimas semanas.
suspirou, frustrada, largando a louça suja na pia.
- Se apressa aí, Mel. Já está em cima da hora de sair.
- Já acabei - a outra respondeu distraidamente sem sequer retribuir o olhar da mãe.
- Mas você não comeu nada. A panqueca está quase inteira aí no prato - disse com indignação.
- Estou sem fome - foi tudo o que Melanie falou.
Fechar os olhos e respirar fundo foi a reação que a mais velha teve.
- Vamos logo, então, senão você vai chegar atrasada pra primeira aula.
A garota assentiu com a cabeça e se retirou da cozinha. foi esperá-la no carro e, assim que Melanie surgiu com a mochila pendurada em apenas um ombro e se acomodou no banco do passageiro, deixou a garagem e fez o caminho até o colégio da filha.
- Mãe, eu posso dormir na casa da Aly amanhã?
tirou os olhos do trânsito para fitá-la, confusa.
- De novo? Você dormiu lá no sábado passado também.
- Eu sei, mas a gente precisa terminar o trabalho da Feira da Cultura - Melanie explicou, fazendo a mais velha bufar em descontentamento.
- Tudo bem, então. Fazer o quê? - disse e, após refletir por alguns segundos, continuou: - Vou pedir pro seu pai te levar, já que esse seria o seu fim de semana com ele.
- Qual é, mãe? Eu posso muito bem pegar um ônibus, não sou criancinha - a garota protestou.
- Pois é, mas ainda está de castigo. Dê graças a Deus por eu estar sendo flexível te deixando dormir fora - rebateu em um tom firme que a filha não ousou retrucar.
Quando o carro foi estacionado em frente ao portão do colégio e Melanie despediu-se com um tchau seco e nada mais do que isso, fazendo a mãe sentir-se ainda mais impotente.
Por mais que aqueles pensamentos martelassem na sua cabeça dia e noite, não conseguia encontrar uma solução para as coisas voltarem ao normal. Nem mesmo ter adiantado as férias para ter mais tempo com Melanie havia ajudado, muito pelo contrário. Ela precisava conversar com alguém, desabafar. E foi com isso em mente que ela arrancou com o carro e fez o caminho que quase não fazia.
O da casa de .
Nada fazia mais sentido do que expor aquilo tudo para o pai de sua filha e, junto a ele, decidir o que deveria ser feito.

O prédio em que morava era simples, apesar de todo o dinheiro que ele ganhava tocando guitarra em uma banda de rock famosa. Ele era apenas um cara apaixonado por música e sempre se esforçou para não deixar que a fama mudasse a pessoa que ele sempre fora desde que se entendia por gente. sentia-se orgulhosa quando parava para pensar sobre isso. Mesmo que a carreira musical de tivesse sido o motivo de eles optarem por seguir caminhos diferentes, ela sentia-se bem ao olhar para ele e ver que, embora escondido debaixo de todas aquelas tatuagens, ele ainda era o mesmo da época da escola.
Depois de estacionar o carro no meio-fio, caminhou até a porta do prédio e apertou o botão referente ao apartamento de . O interfone chamou e chamou. Ela já estava quase desistindo, até que uma voz grave e rouca saiu pelo alto-falante.
- Pronto.
- Ei, . É a . Te acordei, né?
- Ai, merda - ele murmurou baixo para si mesmo, mas conseguiu ouvir.
- Posso voltar mais tarde se preferir.
- Não, não. Tudo bem, . Vê se o portão abriu.
A mulher empurrou o portão, constatando que o mesmo estava destrancado.
- Abriu sim. Obrigada.
adentrou o prédio após bater o portão atrás de si e subiu pelas escadas. Quando chegou ao segundo andar, ela se assustou ao se deparar com segurando uma loira desconhecida pelo braço. A mulher vestia uma calça de couro justa e uma camisa do Nirvana decotada que nitidamente havia sido vestida às pressas, já que metade do sutiã vermelho estava à mostra.
- Que grosseria, viu? Seu babaca - a loira murmurou, puxando o braço.
Ela estava tão irritada que passou por sem sequer levantar os olhos e sumiu pelas escadas.
Só então reparou que vestia apenas uma cueca e sentiu as bochechas esquentarem, finalmente ligando os pontos e entendendo o que havia acabado de acontecer.
expulsara a mulher com quem passara a noite de seu apartamento. Uma groupie, talvez?
São um monte de maconheiros que só querem comer groupies.
As palavras de Stephen ecoaram por sua mente e, pela primeira vez, ela pensou que talvez ele tivesse um pouco de razão. não sabia muito sobre a vida sexual de , nem fazia questão de saber.
Naquele momento, mais do que nunca.
- Eu atrapalhei alguma coisa? Me desculpa - ela disse, envergonhada.
- Claro que não, . Entra aí.
deu alguns passos incertos até passar pela porta e estar cara a cara com . Alguns segundos constrangedores depois, ele pigarreou.
- Vou colocar uma roupa.
Sem esperar por resposta, sumiu corredor adentro.
Em pé, sem saber o que fazer, os olhos de percorreram toda a sala de estar, que estava uma bagunça, exceto pela estante onde a coleção de discos de vinil de ficava. O ambiente fedia a cigarro e cerveja. Mais clichê do que isso, impossível; era o típico apartamento de um roqueiro solteiro.
- Pode se sentar, . Fica à vontade - disse ao voltar vestindo uma bermuda. Seguiu até a mesa de centro e pegou algumas das garrafas de cerveja que estavam espalhadas por ali. - Quer beber alguma coisa?
- Um copo d’água está bom.
sentou-se no sofá com uma cautela exagerada e preferiu nem imaginar o que já poderia ter rolado em cima dele.
voltou com o copo d’água e o estendeu para ela antes de se acomodar no mesmo sofá, deixando uma distância respeitosa entre os dois. Após beber um gole, deixou o copo sobre a mesa de centro.
- Você sempre expulsa as mulheres desse jeito? - ela questionou em um tom levemente divertido, no intuito de cortar o clima pesado, mas pareceu surpreso com a pergunta.
- Não, geralmente eu sou mais cavalheiro do que isso - ele respondeu e soltou uma risada sem graça. - Me desculpa por isso. Nossa, você nem imagina quão constrangido eu estou.
- Relaxa, . Você não me deve nada.
- Você é a mãe da minha filha, no mínimo eu te devo respeito.
- Está tudo bem, é sério - falou, esboçando um sorriso. - A culpa foi minha por não ter avisado que viria até aqui.
- Até parece que você precisa avisar - rebateu e rolou os olhos. - Qual é o motivo da visita? Tudo bem com a Mel?
- Sim, eu deixei ela na escola antes de vir pra cá - a outra respondeu e, em seguida, suspirou ao lembrar-se da agonia que havia a feito ir visitar o pai de sua filha. - Eu não sei mais o que fazer, . Ela anda tão fechada, mal tem conversado comigo.
- Acho que é o castigo, . Nenhum adolescente gosta de ser tratado como criança.
- Não acho que seja só isso, ela está diferente - disse e se virou no sofá, apoiando o cotovelo no encosto, para que pudesse olhar para melhor. - Ver ela crescendo e saindo debaixo das minhas asas me assusta tanto. Me preocupa saber que ela está vulnerável a essas coisas.
- Foi pra isso que a gente criou ela - ponderou. - Pra em algum momento ela começar a andar com as próprias pernas.
- Eu sei, mas será que ela está pronta pra encarar o mundo? Será que vai saber julgar o que é certo e o que é errado? - disse e respirou fundo antes de continuar o desabafo. - Eu não quero ver a Mel sofrendo por acabar se metendo em furada.
- Isso faz parte da vida, . Às vezes a gente precisa fazer escolhas ruins pra descobrir quais são as escolhas boas - o homem argumentou e esboçou um sorriso triste. - Eu também não quero ver a Mel sofrer, mas, se isso for necessário, a gente vai estar lá pra amparar ela.
concordou com a cabeça e, pensativa, fitou as próprias unhas.
- E se ela estiver usando drogas, ? - ela perguntou com uma angústia evidente.
- Eu não gosto nem de pensar nessa possibilidade. Sempre tentei me manter o mais distante possível de drogas e, mesmo assim, me deixei levar algumas vezes e me arrependo demais. Odiaria ver minha filha caindo na mesma armadilha - disse e passou as mãos no rosto em sinal de desânimo. - Eu sempre tive muito medo de que isso pudesse afetar a minha relação com a Mel. De que você se decepcionasse comigo.
- Deu certo, - murmurou e mostrou um pequeno sorriso. - E reconheço isso. Você nunca me deu motivos pra duvidar de que você é um ótimo pai. Sempre esteve lá quando a gente precisou de você.
- E sempre vou estar - completou. Um sorriso brincalhão surgiu em seu rosto em seguida. - Sabe, ? Pode parecer loucura, mas eu agradeço todo dia pelas camisinhas terem acabado naquele dia.
não conseguiu controlar uma gargalhada.
- Ah, é?
- Sim, porque a filha que tivemos juntos é a única ligação que temos hoje em dia. Tenho consciência de que a gente acabaria se afastando - confessou, levantando os ombros. - Por mais que eu te ame, eu jamais te obrigaria a me seguir nessa vida doida de rockstar que eu levo.
sentiu o coração bater mais forte ao ouvi-lo se referir ao amor no presente, mas riu levemente, tentando disfarçar.
- Não é loucura, eu também agradeço - ela disse e parou por dois segundos. Rindo, continuou: - Bom, não pelas camisinhas terem acabado, mas por ter sido com você. Não consigo imaginar um pai melhor pra Mel - admitiu e fez uma careta. - Mas é melhor eu parar de ficar enchendo a tua bola. Desse jeito você vai ficar mal acostumado.
riu e sorriu em resposta. Às vezes ela sentia falta de ouvir o som da risada dele.
- Pode deixar que eu vou conversar com ela, ok? Se a gente chegou até aqui, vamos superar mais essa - o guitarrista disse com convicção e segurou a mão da mulher.
- Deus te ouça.
- Vou fazer alguma coisa pra eu comer, estou morto de fome - falou, levantando-se do sofá. - Quer também?
- Não, obrigada.
- Vem cá me fazer companhia.
seguiu até a cozinha e não se surpreendeu ao encontrar o cômodo limpo e organizado, pois sabia que, apesar de ser um poço sem fundo, a paixão do homem por comida não incluía o preparo das refeições. sempre preferiu comer fora. Sentou-se em um dos bancos do balcão e ficou apenas o observando pegar tudo que precisaria para preparar um café da manhã tipicamente americano, com direito a torradas, ovos mexidos, linguiça e bacon. Tudo isso acompanhado de um suco de laranja.

- E o aplicativo de encontros, ? Tem dado certo? - perguntou entre uma garfada e outra. O prato já estava quase vazio.
Pega de surpresa pela pergunta, pois jamais imaginaria que tocaria naquele assunto, arregalou os olhos e fitou o perfil do homem, que estava sentado ao seu lado na ilha da cozinha.
- Como você ficou sabendo disso, hein? - ela rebateu, fazendo ele rir.
- A Mel me contou quando perguntei onde você estava no dia da delegacia - respondeu, dando de ombros, e fitou a mulher com interesse. - Mas me conta, estou curioso. O que, exatamente, você busca nesse app? Só sexo ou algo mais sério?
- Sei lá, . Que pergunta! - exclamou e riu sem graça, voltando a atenção para o pedaço de torrada com creme de amendoim que ela acabou aceitando depois de muita insistência de . - Eu não levo esse aplicativo tão a sério quanto você está achando.
- Eu fico um pouco chateado de ver você dando chance pra esses caras - declarou, se levantando para levar o prato até a pia. - Eu sei que nenhum deles vai ser bom o bastante.
- Não sou eu quem deveria decidir isso? - ela questionou com diversão e enfiou na boca o restante da torrada antes de também se levantar.
a observou deixar o prato dentro da pia e fitá-lo com curiosidade.
- Eu sei que isso é egoísmo, mas tenho medo de te ver com outro cara e ter a confirmação de que realmente fiquei no seu passado - ele disse e soltou um longo suspiro.
- Você espera que eu fique sozinha pra sempre? - questionou e riu baixo. A sinceridade de havia a deixado sem jeito.
- Que fique bem claro que se você está sozinha é porque você quer - ele destacou, a fazendo rolar os olhos. - Eu não admito te ver com um cara que não te ame pelo menos a metade do quanto eu te amo.
- Ai, … - a mulher disse e desviou os olhos dos dele ao sentir as bochechas corarem. - Ok, chega. Já sabemos como essa conversa vai acabar se continuar.
Os olhos de se arregalaram minimamente conforme ela viu o homem se aproximar e apoiar as mãos na pia, a deixando encurralada entre seus braços.
- Como, ? - ele questionou. Seus olhos admiravam o rosto dela.
não respondeu, mas em sua mente passavam lembranças das três ou quatro vezes que havia se declarado para ela depois de terem terminado o namoro e, mesmo que não estivessem mais juntos desde que Melanie tinha apenas três anos, os dois acabaram na cama.
Aproveitando o silêncio dela, inclinou a cabeça e sussurrou no pé de seu ouvido:
- Me deixa te mostrar que é inútil procurar em um aplicativo algo que você só vai ter comigo?
Em um primeiro momento, a única reação que teve foi a de fechar os olhos e apreciar o toque dos lábios de descerem para seu pescoço.
- É sério que você pretende tocar em mim sem nem tomar um banho depois de ter feito o que quer que você tenha feito na madrugada? - ela questionou e, inconscientemente, deu uma leve mordida no lábio inferior ao sentir a língua quente de tocar suavemente sua pele.
- A gente pode tomar banho juntos. Você nunca tomou banho comigo - ele disse com um sorriso esperto e se afastou para encarar nos olhos.
- Você que pensa. Quantas vezes tive que te dar banho porque você estava podre de bêbado?
- Assim não conta - falou, fazendo uma careta de descontentamento. Em seguida, seus olhos focaram os lábios rosados e convidativos de . - Mas eu escovei os dentes, então posso te beijar, né?
- Para com isso, - ela falou, pondo as mãos no peito de na intenção de afastá-lo, embora tenha acabado não fazendo ele sequer sair do lugar. - Eu vim conversar sobre a Melanie.
Puxando-a pela cintura, o homem colou seu corpo ao de , o que a fez bufar e olhar para o lado para desviar dos lábios dele.
- Se você realmente não quisesse ficar comigo, já tinha dado um jeito de sair daqui - disse em um tom divertido.
A mulher voltou a fitar o sorrisinho nos lábios dele, sentindo o coração bater mais forte de ansiedade, e rolou os olhos.
A quem ela queria enganar?
Sem qualquer tipo de aviso, chocou sua boca à de e deu início a um beijo sedento que foi prontamente retribuído. Entretanto, tão abruptamente quanto o beijou, ela também se afastou.
- Mas você vai tomar um banho antes - avisou, o empurrando.
Ele apenas sorriu e a puxou pela mão na direção da suíte.

Quando despertou, estava deitada de bruços e sentia a mão de espalmada em sua bunda. Ao abrir os olhos, se deparou com os dele a fitando de perto. Os dois ficaram algum tempo se encarando, até a mulher franzir o cenho e quebrar o silêncio.
- Que foi?
- Casa comigo? - rebateu, a fazendo se virar de lado em um movimento rápido. - Eu saio da banda, se isso ainda for um problema pra você.
- Você está bêbado? - questionou em um tom espantado, puxando a coberta para tapar seus seios enquanto checava as horas no celular de que estava em cima do criado-mudo. - Meu Deus, eu preciso buscar a Mel no colégio!
Ela se livrou da coberta e do braço de , que a abraçava, e saltou da cama para buscar pelas peças de roupa que vestia anteriormente e que agora estavam espalhadas pelo chão do quarto.
- Calma, mulher. Eu mandei uma mensagem pra ela, falei pra ir embora de ônibus - disse o homem, assistindo a se desequilibrar e quase cair no chão ao vestir a calcinha.
- O quê? Você falou que estou aqui? - ela questionou com uma expressão de pânico no rosto.
- Não, eu mandei pelo seu celular, fingindo que era você - ele respondeu e puxou o travesseiro para deitar a cabeça. - Mas qual seria o problema de ela saber que você está aqui, afinal?
- Ela criaria esperanças de ver a gente juntos de novo - respondeu e voltou a se vestir, agora com mais calma.
- Você está recusando meu pedido de casamento? - questionou e recebeu um suspiro como resposta. - Eu falei sério, . Quero me casar com você e ter mais filhos. A gente pode ser a família de comercial de margarina que você sempre sonhou.
riu baixo.
- Você pode levar a Mel na casa da Aly amanhã à noite? - questionou, decidida a ignorar aquele papo louco sobre casamento.
bufou e enfiou o rosto no travesseiro.
- Claro que eu posso, mas por que você mesma não leva? - ele questionou com a voz abafada pela fronha.
- Porque é seu fim de semana com ela - a outra respondeu. Forçadamente despretensiosa, continuou: - Se quiser, você pode passar lá em casa depois. Eu vou estar sozinha.
Surpreso, levantou a cabeça do travesseiro para fitar uma sorridente. Se surpreendeu ainda mais quando ela se aproximou da cama e beijou seus lábios rapidamente antes de deixar o quarto e ir embora.
não havia aceitado o pedido de casamento e nem dado qualquer indício de que eles poderiam ficar juntos, mas, pela primeira vez, ela havia ido embora sem dizer que eles transarem era um erro.
sabia que era um ótimo sinal.

- Mel, seu pai chegou! - exclamou na direção das escadas depois de abrir a porta e cumprimentar .
Sorriu ao perceber ele a analisar de cima a baixo com um sorriso de canto que deixava claro que o vestido justo que deixava suas pernas de fora estava aprovado.
Quando Mel surgiu descendo os degraus apressadamente, pigarreou e parou de devorar com os olhos para fitar a filha.
- Oi, pai - a mais nova falou, deixando que o homem pegasse a mochila que ela segurava por apenas uma alça enquanto depositava um beijo em sua testa.
- Ei, mocinha. Não vai se despedir de mim? - questionou, cruzando os braços, ao ver a garota já saindo pela porta da frente.
Melanie bufou e foi até a mãe para beijá-la na bochecha.
- Até mais, - disse e piscou um olho.
Pai e filha se acomodaram no carro que havia deixado estacionado em frente à casa e logo estavam à caminho da casa de Aly.
- Você reparou como minha mãe estava arrumada? Eu acho que ela vai sair com aquele cara do aplicativo de novo - Melanie questionou enquanto escolhia uma estação de rádio.
A garota acabou deixando na que tocava Justin Bieber, seu cantor favorito, para a decepção de um pai integrante de uma banda de rock que gostaria que a filha fosse sua discípula em termos musicais.
apenas riu com satisfação. Não era para cara de aplicativo nenhum que havia se arrumado. Era para ele.
- Não reparei, não.
- Eu vi ela conversando com ele no WhatsApp ontem - Melanie continuou, fazendo o pai desviar os olhos do trânsito para encará-la com surpresa.
- O mesmo daquele dia? - questionou, curioso.
- Sim. Um tal de Stephen - ela respondeu, dando de ombros. - Ele é bonitão.
preferiu não perguntar mais nada a respeito, mas foi o caminho todo pensando sobre ainda estar de conversinha com o tal cara.
Depois de deixar Melanie na casa da melhor amiga, fez o caminho de volta até a casa de e, após estacionar o carro, caminhou a passos apressados pela entrada cheia de flores muito bem cuidadas e abriu a porta sem se dar o trabalho de tocar a campainha.
surgiu pelo corredor assustada com a invasão.
- Qual é o seu problema, ? Quer me matar de sus…
Antes que pudesse completar a frase, entretanto, a empurrou contra a parede e atacou seus lábios. As mãos dele subiram pelas pernas descobertas de , levando o vestido junto e revelando a calcinha minúscula que ela havia vestido especialmente para a ocasião.
Ela só não esperava mostrá-la assim tão rápido.
- Estava pensando em comer antes, fiz uma lasanha pra gente - ela murmurou, sentindo os dedos de contornarem a peça íntima.
- Essa lasanha vai ser muito bem-vinda depois - ele disse, acariciando o fundo da calcinha de e fazendo-a suspirar. - A gente pode ir pro seu quarto?
A mulher assentiu e afastou as mãos dele para subir as escadas o puxando consigo. Ao chegarem no quarto de , a jogou na cama sem fazer cerimônia.

repousava a cabeça no peito nu de enquanto passava os dedos pelas tatuagens do braço dele. Lembrava perfeitamente de quando ele chegou na escola em uma segunda-feira e a primeira coisa que fez foi mostrar para ela sua primeira tatuagem. Ela gostou, achou o desenho bonito, mas não perdia a oportunidade de chamá-lo de gibi toda vez que ele aparecia com um desenho novo na pele.
- Você tem falado com o cara do aplicativo? - a voz rouca de questionou, fazendo voltar para o presente.
- Ele me chamou pra sair de novo - ela respondeu sem interesse.
- E você vai? - o outro perguntou com calma e temendo pela resposta que receberia.
- Por que você está tão interessado nele? - questionou, levantando a cabeça para fitar os olhos de , que apenas deu de ombros. - Não pretendo sair com ele de novo, não.
apenas assentiu com a cabeça, se esforçando para não demonstrar o alívio que sentia.
- Até hoje não entendo como você se interessou por mim - ele disse após algum tempo em silêncio. - Eu era o gordinho esquisito da turma.
- Eu te achava uma gracinha - respondeu, sorrindo ao lembrar-se de quando mais jovem. De fato, ele nunca esteve entre os garotos mais bonitos da escola, mas ela nunca havia se importado com isso. Se apaixonou pela pessoa que era, não por sua beleza. - Ainda te acho uma gracinha.
- E você também acha o cara do aplicativo uma gracinha?
- , para com isso!
- Ok, ok - ele disse, rindo. - E aquela lasanha, hein?
- Vou só fazer um xixi e sirvo nossos pratos. Tudo bem? - respondeu, já se levantando, e apenas assentiu com a cabeça.
Os dois voltaram a se vestir e foi até o banheiro esvaziar a bexiga.
- O papel higiênico acabou, que droga - ela falou depois de ver o rolo vazio ao lado do vaso sanitário e abrir o armário e não encontrar mais nenhum rolo novo. - Vê se tem no banheiro da Mel, por favor?
concordou e saiu pela porta do quarto. Alguns minutos depois, ele voltou e estranhou quando ele a entregou o rolo de papel higiênico e retornou ao quarto. estava pálido.
- O que aconteceu? - ela questionou caminhando até a cama, onde o homem estava sentado, ao mesmo tempo que ajeitava o vestido no corpo.
levantou os olhos e estendeu uma embalagem que tinha em mãos. não precisou de mais do que dois segundos para entender do que se tratava aquela embalagem.
Era um teste de gravidez.
- A caixa está vazia - anunciou com uma seriedade pouco comum. - Liga pra Melanie.
A mulher arregalou os olhos e andou apressadamente até a cômoda, onde havia deixado o celular. Bufou quando a ligação caiu na caixa postal e procurou pelo número da mãe de Aly em sua agenda.
- Olá, . Tudo bem?
- Oi, Jeniffer. Tudo bem sim. E com você?
- Tudo certo. Posso te ajudar em alguma coisa?
- Você pode chamar a Mel, por favor? Preciso falar com ela.
- Ué, a Mel não está aqui. Ela e a Aly saíram daqui dizendo que estavam indo dormir na sua casa.
- Eu não acredito - disse e respirou fundo. - Jenny, eu te ligo daqui a pouco.
Depois de desligar o celular, ela jogou o aparelho em cima da cama e encarou , que a fitava com ansiedade.
- Ela mentiu, não está na casa da Aly merda nenhuma - disse e bufou. - Droga, . Será que ela está grávida?
- Isso nem me preocupa tanto assim, - ele respondeu em meio a um suspiro. - Eu não disse antes pra não te preocupar, mas, infelizmente, eu sei muito bem como uma pessoa fica depois de usar cocaína. E acho que naquele dia ela realmente usou.

sempre se sentia tão pequena quando observava as estrelas, ainda mais quando o céu estava tão limpo como naquela noite. Se dar conta da imensidão do universo fazia seus problemas parecerem mínimos. Era por isso que ela sempre fugia para um local aberto quando precisava colocar as ideias no lugar.
Sentada na grama do quintal, mesmo com a vizinhança silenciosa, ainda conseguia escutar o choro da filha quando ela adentrou a casa acompanhada do pai, que havia ido buscá-la em uma festa depois de eles fazerem diversas ligações para descobrir o paradeiro de Melanie e Aly.
Era um choro que pedia por socorro e que fez o coração de se comprimir dentro do peito. Foi impossível não chorar junto.
Melanie acabou confirmando que realmente estava grávida, o que fez com que os dois mais velhos vissem um filme bastante conhecido por eles passar diante de seus olhos. A história estaria se repetindo, caso a garota não tivesse acrescentado mais uma informação.
Durante a concepção do ser que ela carregava, Melanie estava drogada e o cara era um completo desconhecido. Ela não tinha ideia de quem ele era, seus amigos também não.
Melanie estava perdida, não sabia o que fazer.
Quando ela disse que estava cogitando a possibilidade de abortar, pois não teria forças para criar um filho sozinha, se levantou do sofá em um pulo e precisou entrar na sua frente para evitar que a situação ficasse ainda pior.
- Pra você foi fácil, você tinha o papai.
- E você tem a gente, cacete. Que merda você tem na cabeça?

Depois de escutar as palavras duras da mãe, Melanie baixou os olhos e não disse mais nada. também não insistiu, deixou que levasse a filha deles para o quarto e saiu da casa.
Estava se sentindo sufocada por aquelas paredes.
- Ela dormiu - anunciou, se jogando ao lado da mulher na grama. - Você está bem?
- Sim - disse com um sorriso fraco nos lábios.
- Isso tudo está me lembrando tanto o dia que você me contou que estava grávida - ele continuou e soltou um longo suspiro. - Você passou o dia todo fugindo de mim e eu acabei te encontrando naquela praça que fica perto da casa da tua mãe, olhando as estrelas.
Os olhos de se encheram de lágrimas e a puxou para que ela sentasse entre suas pernas e, então, pudesse envolvê-la em um abraço.
- Eu faria qualquer coisa pra não ver nossa filha passar por uma situação dessa - ela disse com a voz embargada, deixando as lágrimas rolarem pelas bochechas.
- Lembra quando você falou que estava grávida e eu disse que ia ficar tudo bem? - retrucou e, diante do silêncio de , continuou: - Eu estava com o cu na mão e não vou mentir pra você, também estou agora. Mas, assim como 16 anos atrás, eu sei que vai dar tudo certo porque nós vamos fazer dar certo juntos.
Após alguns segundos em silêncio, riu baixo.
- É que nem diz aquela música daquela boyband cafona que você gosta. Aquela que eu cantei pra você - ele disse, fazendo sorrir ao se lembrar da cena. - If you stay by my side, we can rule the world.
- Take That não é cafona - ela retrucou e deu um beliscão no braço dele. - Eu vou precisar que você fique do meu lado mais do que nunca, . Não sei se vou ser forte o bastante pra aguentar amparar a Mel.
- Eu não vou a lugar nenhum, - ele disse e mostrou um sorriso que confortou o coração de .
Ela inclinou a cabeça até que fosse possível grudar os lábios aos dele para dar início a um beijo calmo e cheio de carinho.
O casal ficou por ali mais um tempo, se beijando, observando as estrelas e refletindo como as vidas deles mudariam dali para frente com a chegada de mais um membro à família. Eles jamais se imaginariam sendo avós aos 34 anos, mas não se importavam muito com isso naquele momento. O importante era que o neto deles nascesse com saúde e fosse muito bem recebido quando chegasse ao mundo.
- Eu aceito, - falou, quebrando o silêncio. - Aceito me casar com você assim que possível.
Com o coração batendo forte, percebeu que seu maior sonho nunca havia sido ser o guitarrista de uma banda famosa.
Seu maior sonho era ser feliz ao lado de .

Fim.

Nota da autora: (28/04/2017) Aqui estamos nós em mais uma short! hahaha.
Essa história foi inspirada em Rule The World, uma das minhas músicas favoritas do Take That, que, por sua vez, é uma das minhas boybands favoritas (mesmo que eles não sejam mais tão garotos assim hahahaha). Tenho quase certeza de que essa foi a história mais melosa que já escrevi, mas adorei escrevê-la e gostei do resultado.
Espero que tenham gostado. :)
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Beijos!

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