Risking

Autora: Yasmin Santos | Beta: Mily



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Capítulos:
| 01 |

Prólogo

Hogan's Alley - Quântico, Virginia

- Localizei os reféns, comandante – a voz na linha informava. – Estão sendo mantidos no Correio.
- Estão em quantos? – perguntou a mulher enquanto gesticulava para que o pequeno grupo seguisse adiante entre os carros parados.
- Dois homens nos fundos, três próximos da porta e outros três estão vigiando as janelas. – respondeu, ajustando o foco do binóculo que manuseava – Suponho que seja cinco reféns, senhora. Quais são as ordens?
- Estamos próximos. Leve a equipe para o térreo e preparem-se para invadir pela porta principal. Aguardem segundas ordens. – respondeu, encerrando a conexão e indo atrás do ultimo homem que se esguiava entre os automóveis. E antes que chegassem à portaria do DogwoodInn, ouviu o primeiro disparo. – PROTEJAM-SE!
Ela contou cinco caras atirando pela janela do prédio enquanto corria até a porta do restaurante, se jogando no chão com uma cambalhota desajeitada numa tentativa de desviar-se do tiroteio. Arriscando um olhar pela fresta, notou seus homens aglomerados ao lado de uma van estacionada do outro lado da rua, sinalizando o que deveria ser uma mensagem para ficarem atentos. – Ninguém ferido, ok. Alguém na escuta? – chamou, apertando o comunicador do capacete.
- Crossy na linha. Está machucada?
- Dispenso gentileza agora. Mudança de planos. Prepare seus homens para arrombarem a porta dos fundos ao meu sinal.
- Está ficando louca? Os suspeitos poderiam...
- AO MEU SINAL, ANDREW– interrompeu-o, levantando-se do chão e checando sua munição. A adrenalina correndo solta em suas veias. Aquela era definitivamente a parte que ela mais gostava. Em questão de segundos, a mulher disparou porta a fora, atirando da forma que chamasse mais atenção possível. Esse era o plano. Se haviam cinco atiradores nas janelas, isso resultava em apenas um ou nenhum de olho nos reféns, já que enquanto uns vigiariam a frente, o restante ficaria com o fundo; uma ótima brecha para a equipe de Crossy agir e imobilizá-los. Como se a cen se desfiando em sua frente fosse mais que suficiente para o agente entender o sinal, imediatamente ele tomou a frente do grupo, arrombando a porta de ferro da antiga agencia de Correios. Talvez mais tarde ele se preocupasse com o prejuízo que aquilo lhe traria. A segunda equipe que acompanhava a supervisora entrou em ação, trocando tiros com os suspeitos à medida que avançavam. Logo, todos os oito supostos terroristas estavam rendidos, alguns com marcas de tinta no tronco e braços, causadas pelas armas de paintballs que eram usadas nesse tipo de treinamento. esboçava um sorriso lateral vitorioso, enquanto agradecia os comentários que lhe eram direcionados. Fazia apenas cerca de 2 semanas que lhe fora designado o cargo de treinadora e todas as missões coordenadas por ela até agora tinham sido um sucesso. Ela sentia falta da ação por não trabalhar realmente em campo, mas aquilo era o suficiente para contê-la.
- Bom trabalho, – Andrew cumprimentou-a. – Mas na próxima vez que você gritar comigo na frente dos novatos, eu atiro em você. Não esqueça que já foi minha subordinada – ameaçou-a sério, embora ainda fosse possível perceber o tom de divertimento na fala.
- Não diga como se você não gostasse – a respondeu, dando uma piscada para o mais velho que sorria balançando a cabeça em descrença. Desde que a mulher chegara ali, o que mais ele admirava era a personalidade que ela tinha. Aquele tipo de pessoa que estaria à frente em uma guerra e todos a seguiriam se fosse assim sua vontade. Essa provavelmente era a melhor explicação que a maioria das pessoas ali encontrava para explicar a ascensão tão rápida da mulher no FBI. Logo após o fim do treinamento e a entrada dela na unidade, mesmo não tendo participado de nenhuma missão fora do campus, foi de estagiária à treinadora em um piscar de olhos. O que era direcionado a ela variava entre inveja e pura admiração, com razão, claro. Cá entre nós, uma mulher aos 23 anos, formada e já doutorada, com QI acima de 175, bem resolvida emocional e socialmente e trabalhando para a melhor agencia do país – se não a do mundo – quem é que não quer?
- Agente Crossy. Agente . – cumprimentou David Rossi, supervisor sênior de uma das melhores equipes do FBI. A confusão da mais nova estampada em suas expressões o fez sorrir. – Fez um ótimo trabalho hoje.
- Com todo respeito, senhor – acompanhou o sorriso do mais velho –, pessoas como você não vem até aqui para nos dar parabéns. – falou, se lembrando das poucas vezes que alguém daquele escalão vinha até Hogan’s Alley.
– É claro – ele sorriu sem graça. – Emilly me pediu para lhe buscar pessoalmente.
- Espera, Emily... Prentss? Da BAU? – arriscou, olhando de lado para Andrew na esperança de que ele soubesse o que estava acontecendo. Rossi concordou com um aceno de cabeça. – Quando?
- Hoje, agora – ele respondeu confuso com a reação da moça, trocando o olhar para o agente ao seu lado. – Foi avisado semana passada. Ela está a nossa espera. Você não estava ciente?
- Eu esqueci, desculpe – Crossy se defendeu em resposta aos olhares acusadores em sua direção.
- Estou, ao menos, liberada para ir?
- É claro que sim, os chefes já te liberaram e eu não vejo a hora de te ver longe daqui. – o homem brincou.
- Consegue se virar sem mim, Crossy? – ela brincou, tirando seu colete e colocando ao lado do restante do equipamento no armário. Ficando só com a calça preta, os coturnos e uma regata justa que geralmente usava por baixo do uniforme. O dia estava quente, então não teria outra opção.
- Me recuso a responder esse tipo de ofensa – o agente respondeu, sorrindo de leve e olhando para o mais velho de todos. – Ela é toda sua, senhor.

- Me diga que não estou sendo presa – a moça fingiu espanto quando viu que iriam até a sede com uma das viaturas da unidade onde David trabalhava.
- Você tem o direito de permanecer calada. Tudo que você disser poderá ser usado contra você no tribunal – ele respondeu o mais sério que pôde, falhando quando gargalhou alto. Menos de 5 minutos juntos e ele já começava a entender o motivo da mulher ser tão querida dentro da agência.

O trajeto até onde a mais nova chefe da BAU estaria esperando por foi razoavelmente quieto e, apesar do silêncio, a não se sentia nenhum pouco incomodada. Sua cabeça estava ocupada imaginando o que o destino lhe reservava. Ela sabia que tanto a UAC quando o FBI havia trabalhado muito nos últimos dias. Talvez fosse isso que a levava até lá. Talvez Prentss fosse convidá-la para a equipe. – Ok, isso seria o máximo.
- Perdão? – Rossi perguntou, revezando o olhar entre a estrada e a moça enquanto esperava uma resposta.
- Pensando alto. – sorriu. – Tem noção do que Emily quer conversar comigo? Ela não iria me chamar somente para fazer um tour pelo prédio. – foi a vez do homem sorrir. – Estou sendo chamada para participar da equipe?
- Assunto confidencial – ele brincou.

A arquitetura do prédio não fugia do padrão das instalações em Quântico. Tudo parecia uma imensa faculdade, se você prestasse atenção. Depois de fechar a porta do passageiro, a mulher ajeitou a alça da mochila sobre os ombros e passou a mão sobre a calça de combate. – Acho que a situação requer um tipo de vestimenta que eu não tenho em mãos no momento – comentou, andando ao lado de Rossi conforme subiam a escada. – Parece que eu fui para guerra e esqueci de tirar o uniforme.
- E não é exatamente isso? – Brincou, segurando a porta de vai e vem para que ela passasse. Do lado de dentro, nada que diferenciasse aquele lugar de onde a mais nova viera. A porta dava acesso a um salão aberto com dois ou três corredores. Em cada um deles, salas e mais salas, onde pessoas liam pilhas de papéis e analisavam arquivos. Um pequeno grupo estava sentado em algumas das cadeiras espalhadas propositalmente pelo local e pareciam conversar algo animado demais para ser trabalho. Ao passar por eles, deu um breve aceno de cabeça, reconhecendo entre eles JJ e Lucas Alvez, que retribuíram o aceno. A agitação do local era a mínima possível, já que se tratava de final de expediente e a maioria dos agentes já se dirigia para suas respectivas casas então, foi fácil encontrar a chefe da unidade desocupada. A sala de Emily era mais aconchegante do que imaginara, totalmente organizada com alguns porta-retratos sobre a mesa e um cheiro de café tomando todo o ar. Prentss estava sentada na mesa com algum livro que a não conseguiu identificar logo de cara. Ao notar a presença dos dois, a moça deu um breve sorriso e indicou uma cadeira para que sentassem. Quando Rossi recusou e fechou a porta do ambiente, ela começou a falar. - Fico feliz que tenha aceitado o convite – sua voz era calma e parecia ligeiramente animada. – Já ouvi muito sobre você!
- Espero que seja um elogio – a mais nova brincou. – Estou aqui por que vou levar bronca ou por que vão me chamar para a equipe?
- Uau, direta – Emily riu, um pouco espantada. Apesar da clareza na fala, a mulher não soava arrogante ou convencida demais. Mais um ponto para acrescentar no currículo da moça. – Vejo que você é esperta o bastante para ligar os pontos. Isso adianta bastante nossa conversa – a sorriu. – Você já deve estar a par do que aconteceu nos últimos meses na agência e o quanto batalhamos para manter o controle por aqui – ela assentiu. – Com a saída do Hotch, a equipe ficou um pouco desestabilizada. Deus sabe que eu nunca poderia substitui-lo. E a demanda de trabalho tem se tornado cada vez maior. – Emily olhou para a moça, que apenas assentiu mais uma vez, compreendendo aonde chegaria. – Bem, tem toda a papelada, mas não é difícil te transferir já que você ocupa um cargo quase que equivalente em questão financeira. Não vamos diminuir seu salario, não se preocupe – sorriu. – Sobre o teste físico, Rossi acompanhou a simulação hoje então, já está tudo certo nessa parte. Você provavelmente tem noção do que nós fazemos aqui e qual o nosso papel dentro do FBI então não preciso explicar essa parte, certo? – concordou. – Então, fica em suas mãos agora – concluiu, colocando as mãos sobre a mesa e relaxando a postura.
- Acho que já respondi a sua pergunta quando pisei os pés aqui – disse sorrindo, se animando mais ainda quando Prentss se levantou, correspondendo o sorriso e esticando a mão, que aceitou quase que imediatamente, apertando-a.
- Seja bem vinda a BAU.


Capítulo 1

- O mundo está conspirando ao seu favor, Crossy. Estou satisfeita demais para te matar por não me avisar que estava sendo avaliada e que teria que ver a Emilly – apesar do tom de ameaça, a garota não conseguia apagar o sorriso em sua fala.
- Não fale como se fosse mudar alguma coisa. Sei que agiria do mesmo jeito, sabendo ou não. Como foi lá?
- Começo na segunda – falou, enchendo a boca com mais um pedaço da torta que achou em sua geladeira. – Já acertei todos os detalhes com a Emily – pausa para engolir.
- Não fale enquanto mastiga, . Sei que sua mãe te ensinou a ter modos – disse, ouvindo a morena resmungar do outro lado. – Você deveria descansar, já passa das 23hrs.
- Qual é, é sexta! Amanhã eu tô de folga e tenho algo para comemorar. Não seja tão velho!
- Ainda preciso daquele relatório amanhã.
- POXA CROSSY, SÉRIO? – fez careta se lembrando da papelada que deveria ter feito depois do treinamento, se jogando no sofá. – Não dá pra quebrar essa pra mim, um último favor?
- Não adianta fazer essa cara, eu te conheço. E não, não posso, você sabe disso.
- Acabou com meu bom humor e com meus planos para essa noite.
- Pode se divertir com a caneta . E pelo amor de Deus, , não desse jeito – falou depois de ouvir a risada maliciosa da moça no outro lado da linha. – Boa noite, !
- Boa noite, Andy. Deixo na sua mesa amanhã – disse, encerrando a ligação e estralando os dedos.

Depois de virar a noite preenchendo papéis e bebendo muito café, acordou por volta das 16hrs e foi até Hogan's Alley levar o formulário já pronto. No caminho, tentou ligar para a família, desistindo quando caiu na caixa postal pela quinta vez. Depois de deixar a pasta no escritório de Crossy e juntar todos os seus pertences que ainda estavam no vestiário, parou para comer algo em uma lanchonete que tinha ali perto.
Ao chegar ao apartamento, jogou a mochila em algum canto e seguiu para a cozinha, checando se havia sobrado um pedaço da torta do dia anterior. Já na suíte, tirou a roupa suja e conectou o celular na caixinha de som no aleatório, cantarolando enquanto segurava o vidro de shampoo como um microfone e dançava embaixo da água fria.
- Oh the less I know the beeeeeetteeeeeeeeeeer tãtãtãtã – repetia, saindo do banho, fazendo um tipo de reverencia quando a música acabou. Sorriu involuntariamente, lembrando da vez que mostrou a canção para Andrew e ele comentou que para uma agente, ela não podia sair cantando isso.

Andrew era um grande amigo, quase um pai. Depois que a se mudou para Virginia, a família Crossy praticamente a tinha adotado até que se estabilizasse no novo estado, criando um vínculo enorme entre todos. A mais nova dos três filhos dele e Marta, Alice, dizia para qualquer um que era sua tia e não houvesse quem não acreditasse depois de ver o carinho que a menina tinha com a morena. A agente foi tirada de sua nostalgia quando Princess of China do coldplay foi interrompida com uma chamada de Nick. Falando dos Crossy's...
- ? Tá em casa?
- Hm, oi Nick! Ia sair para correr agora. Estava pensando em vocês. Tá tudo bem?
- Você pode passar aqui? Tem alguma coisa estranha acontecendo.
- Estranha como? – perguntou, calçando os tênis, estranhando o tom de voz do garoto. – Já tentou ligar para o seu pai?
- Já, ele não atende. Eu cheguei do treino e encontrei a casa toda apagada, tô aqui do lado de fora, nem entrei. – sua voz parecia vacilar.
- Você está bem, Nick? Está sozinho?
- Tô, mas sei lá, muito bizarro isso. Você conhece meu pai, ele nunca sai sem avisar e minha mãe sempre deixa as luzes acesas. Não queria chamar a policia porque vai que é doideira da minha cabeça, né?
- Já chego aí; não sai do lugar. – falou, fechando a porta e descendo até o estacionamento.

Dentro do carro, alternou entre ligar para Marta e para Andy, desistindo quando chegou em frente a casa. Observou o local e não notou nada de diferente, os carros, a movimentação da rua e o barulho dos vizinhos permanecia o mesmo de sempre, a única coisa estranha era a escuridão na casa. Avistou Nicolas escondido atrás de uma árvore, estacionando o carro no outro quarteirão, indo de encontro com o garoto a pé.
- Nick! – chamou, fazendo o garoto se assustar. A moça riu. – Vamos entrar pelos fundos.
- Tem certeza que é uma boa ideia?
- É claro que tenho, vem. – chamou-o, se dirigindo para o fundo da casa abaixada entre as cercas de plantinhas que separavam uma residência da outra. Ao chegarem na área de lazer, sinalizou para que Nick ficasse lá, tirando das costas uma arma, fazendo sinal de silêncio quando o garoto a olhou com cara de assustado. Calculando cada passo, a moça parou ao lado da porta que dava para o quintal, encontrando-a aberta. Entrou o mais silenciosa que pode, com a arma frente ao corpo mirando qualquer vulto que ousasse aparecer. Ao sentir que estava próxima ao interruptor, acendeu a luz de uma vez dando de cara com vários colegas de trabalho, além de amigos e seus próprios pais.
- MAS QUE....?
- SURPRESAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – gritaram em uníssono, alguns sorrindo e outros um pouco retraídos com a arma nas mãos da mulher. A maioria ali sabia do que ela era capaz de fazer com uma daquelas.
- Vocês sabiam que eu poderia ter matado alguém, né? – disse, enquanto retribuía os abraços que lhe ofereciam, sorrindo emotiva com a presença de todos.
- É claro que sabíamos, filha. Ninguém esperaria nada menor vindo de você – Robert, seu pai, brincou, abraçando mais ainda a moça. – Que saudades!

O restante da noite foi bastante agradável. Todos os seus companheiros de Hogan's Alley estavam presentes para a surpresa da garota. Nicolas e Aly tinham comprado balões e espalhado pela sala, Marta e Lucie, mãe de , haviam feito um imenso banquete com direito a frango com purê e passas e houve até um mini discurso de Andrew e outros companheiros dizendo o quanto sentiriam falta da menina no trabalho, arrancando lágrimas de alguns convidados. Até o filho mais velho de Andy, Jack, que também trabalhava no FBI em Washington veio para a comemoração. Depois de muita conversa jogada fora, barriga cheia e alguns um pouco alterados por conta da cerveja, o pessoal foi se dissipando, sobrando apenas a família Crossy, e seus pais, que somente depois de Marta insistir muito, aceitaram dormir na casa.
No domingo, todos almoçaram juntos e despediram-se de Jack e dos . Somente no fim da tarde, a morena voltou para casa, optando por tomar um banho e ir dormir.


Continua...

Nota da autora: Diga dessa água não bebereis e em 5 minutos esteja caindo em uma piscina dessa água – sou eu mesma, Yasmin Melo, caluniando as autoras por demorarem tanto para mandar att e OLHA EU AQUI, NÃO É MESMO! Primeiro de tudo, desculpem a demora! Juro que vou compensar. Tô me programando para mandar um cap a cada mês (dependendo do tamanho, dois ou três). Espero que gostem desse cap e surtem tanto quanto eu com as coisas que estão para vir! A partir do cap 3 ou 4, começa a ação de verdade. Não desistam de mim, nem da fic!
Obs: a dica de ouro dessa fic é NÃO SE APEGUEM!!!! Meus beijinhos para usted <3



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