Autora: Andy Falleur | Beta: Lu Guimarães

Capítulos:
| Introdução | Episódio 1 | Episódio 2

Introdução

...

Chego em casa. Já passam das quatro da tarde e estou cansada, quero apenas tomar um banho e me deitar um pouco. Eu trabalhei na lanchonete até tarde ontem à noite e ainda tive que cobrir o lugar de alguém esta manhã, ou seja, estou quebrada e meu corpo está praticamente gritando por minha cama. A subida pela escada é devastadora, mas faço um esforço.

No caminho, encontro a porta do quarto de minha mãe entreaberta, posso ver ela em cima da cama com uma garrafa vazia jogada ao chão. Ela bebeu de novo. Solto um suspiro de decepção e cansaço. Deus! Onde isso vai parar?

Vou para o meu quarto e jogo minha bolsa em cima de minha cama. Pego uma muda de roupa e vou direto ao banheiro, se eu me deitasse poderia dar adeus ao banho. A água morna me relaxa. Enquanto lavo meus cabelos, o vapor parece me manter mais acordada, mesmo querendo fechar meus olhos. Esfrego meu corpo e logo me enxugo. Pego minha toalha e me enrolo, logo pego uma calça de moletom e minha camiseta básica branca.

Saio do banheiro com os cabelos molhados, olhando minha mãe no corredor:

- Você devia ter vergonha na cara de ainda dizer para mim que não vai mais beber.

- Cale a boca.

- Você tem uma filha para cuidar. – Digo. - É tão irresponsável assim?

- Olha o respeito! - Ela diz. - Eu sou sua mãe!

- Então haja como uma! – Digo, exaltada. - Você me dá vergonha.

Viro-me e vou para o meu quarto. Eu poderia continuar aquela discussão, porém eu não tinha animo para isso, estava cansada demais para continuar. Me aproximo da cama e vejo a foto de meu pai, as coisas seriam bem mais diferentes se ele estivesse aqui. Respiro fundo, sentindo as lágrimas se formarem.

- Você não faz ideia de quanta faz falta. - Digo.

Deito na cama, me enrolo em um edredom, limpo a última lágrima e abraço o travesseiro colocando a foto sobre o criado mudo e logo fecho os meus olhos caindo em um sono profundo.

Sinto um balançar na cama e aquilo me faz abrir os olhos. Posso ver Miranda a minha frente, ela tem um sorriso nos lábios e eu esboço um.

- Você brigou com a mamãe de novo? - Ela diz.

- Não brigamos. – Digo, tentando não deixar Miranda tão a par das coisas que realmente estavam acontecendo.

- Você sempre tentando em enganar.

- O que a senhorita está fazendo aqui? – Digo.

- Que bom que perguntou. - Ela responde. - Você lembra da aposta que fizemos?

- Qual?

- De quando estávamos assistindo ao jogo de basquete.

Pisco um par de vezes, me sentando sobre a cama e fazendo meu cérebro lembrar daquele dia.

Flashback

Bebo um pouco de suco enquanto vejo meu jogador preferido encestar novamente.

- Você sabe que os Nets vão perder. - Diz minha irmã.

- Você não sabe de nada. – Digo, mal a olhando.

- Você quer apostar? - Ela diz.

- Ok. Se eu estiver certa, você vai lavar a louça por uma semana.

- Mas se eu ganhar você vai me deixar enviar sua fita para o programa Os Rivais.

- Feito.

Reality shows musicais nunca foram meu forte e depois que America Idol e The X Factor viraram febre, resolverem inventar mais um meio parecido. Para mim, eles pareciam iguais. São pessoas cantando e sendo avaliadas. Como eu sei que meu querido Nets não vai perder, estou de boa.

- Vai se preparando para lavar a louça.

Faltando doze segundos para o final, o jogo está empatado. Os dois times com setenta e oito pontos cada. Foi quando um cara do outro time faz uma sexta de três pontos, fazendo aquele time que eu nunca ouvi na vida ir para oitenta e um. Eu olho para a televisão mal acreditando.

- Vai ter que cumprir a aposta. - Diz minha irmã.

Eu me levanto, tentando retrucar, mas ela me olha com aquele olhar de vencedora.

- Foi uma aposta e foi justa. - Ela diz.

- Ok. Eu sei que não irei passar nessas seleções que eles fazem. - Digo revirando os olhos e ela corre pegar a câmera.

Fim Flashback

- Isso faz uns três meses. – Digo.

- Sim. - Ela diz. - Você foi escolhida.

Ela diz e eu me sento sobre a cama, mal acreditando no que ela disse, então apenas a encaro.

- Do que você está falando? – Digo.

- Que você foi escolhida. - Ela diz. - Aqui nesse papel diz isso.

Ela me entrega um envelope médio com o meu nome endereçado, na estampa vem escrito Os Rivais. Eu abro e posso ver o cartão que diz as seguintes palavras:

"Setembro de 2007

Caro candidato você foi o escolhido por meio do vídeo que nos enviou e com isso, você conseguiu uma audição em Nova York para o nosso programa e irá se apresentar para o nosso corpo de jurados: Tyler Woods, empresário e dono da gravadora Woods Nacions, Lola Parkins, uma empresária no ramo musical, e, por último, o cantor , um dos maiores cantores pop.

Você poderá participar de uma das maiores Girlsband/boyband que um programa musical já fez. Esperamos a sua presença e que afinação estejam com você!

Bem-vindo ao Os Rivais!"

Isso não podia ser possível. Eu me lembro que cantei naquela gravação de modo que eu soubesse que não seria bom o suficiente para ser chamada. Pisco um par de vezes e olho para Miranda que me olha como se eu fosse uma artista e ela uma fã desesperada.

- Miranda, eu não posso fazer isso. – Digo. - Eu já cumpri a aposta e ela não dizia que eu teria que ir fazer uma audição na frente de jurados.

- Mas você leu ai! É uma oportunidade única! - Ela diz. - Como você pode jogar para o alto?

- Miranda, não é isso que eu sonho para mim.- Digo.

- Quem não sonharia em fazer parte de uma banda famosa? - Ela diz.

- Miranda, isso não é para mim. – Digo.

- Você se encaixa na vaga e foi escolhida. - Ela diz. - Você não queria fazer a fita e, no entanto, fez e foi chamada, o que custa fazer uma audição?

- Miranda, não posso correr atrás de um sonho que não é meu. – Digo. - Além do mais, não posso perder meu tempo com isso. Preciso trabalhar, precisamos de dinheiro que, infelizmente, não cai do céu.

- Eu andei pesquisando. Liguei lá fingindo ser você. - Ela diz e eu fico atônita. - Eles disseram que as famílias escolhidas são remuneradas enquanto você permanece no programa e vai aumentando a partir do momento em que você vai se aproximando da final.

- Mamãe sabe disso? – Digo.

- Não, ela nem saiu do quarto hoje. - Ela diz.

- Como posso participar de um programa musical com uma mãe alcoólica? – Digo.

- Eu sei que sou mais nova, mas você pensa que eu não sei das coisas. Eu sei que mamãe ficou assim por causa do que aconteceu com o papai. Às vezes ela grita o nome dele pela casa. Você disse que estamos precisando de dinheiro e essa parece uma chance perfeita, na verdade, muito mais que perfeita.

- E quando vai ser isso? – Digo.

- As audições vão até o final de semana. - Ela diz. - Você precisa ir.

- Eu prometo que vou tentar.

- Tentar? - Ela diz. - Você viu que mais de milhares de candidatos que enviaram a fita queriam ser o escolhido, que foi você. Você não tem que tentar, você tem que ir e ponto.

Ela diz, cruzando os braços e olhando para mim com uma cara brava. Eu realmente não sabia o que fazer. Cantar? Nunca foi o que eu pensei em fazer, ficar no meio de mais outras quatro garotas desconhecidas, eu não sei se daria certo. Apesar que não sei se vou passar para uma próxima fase, dois raios nunca atingem o mesmo lugar, certo?

- Okay. – Digo. - Prometo ir.

- Promete? - Ela diz.

- Sim. – Digo.

...

Karine está terminando de pintar as minhas unhas, escolhi um azul tiffany para combinar com a cor dos meus olhos, enquanto Candice faz o meu cabelo. Estou terminando minha hidratação. Já fiz a massagem e falta pouco para sair daqui. Meu celular toca e posso ver que é o meu pai.

- Veronica atende para mim? - Digo para a minha empregada.

- É o seu pai. - Ela diz.

- Ele se lembrou de mim? – Digo.

- Ele quer saber onde está.

- No SPA do hotel. – Digo.

- Ótimo. Ele quer você em casa em vinte minutos.

- Avise-o que só o meu cabelo vai durar isso, peça para esperar. – Digo.

- Ele te deu uma hora e meia.

- Bom, diga que vou fazer o possível.

Ela coloca meu celular sobre a bancada de mármore. Há cinco mulheres em minha volta, uma em cada um de meus pés e mãos, e outra sobre o meu cabelo.

Faz mais ou menos um mês que eu voltei do meu colégio interno em Madri. Minha formatura foi há exatamente um mês e ainda me lembro do vexame que meu pai me fez passar, ele esqueceu completamente e ainda teve a cara de pau de aparecer no aeroporto e falar que me amava. Fico pesando em como realmente seria a minha vida se minha mãe estivesse aqui, talvez ela não me ignorasse como ele faz.

- , o que acha do cabelo? - Diz uma das mulheres.

- Quero ele ondulado e isso que fez não está nada bom.

Quando deu duas horas meia, eu estava pronta: cabelo e unhas feitas e roupas novas. Não vou dizer que a recompensa do meu pai foi ruim, muito pelo contrário, estou curtindo para valer gastar dinheiro em roupas novas, até meu perfume eu troquei!

Saio do Spa, com minha bolsa Louis Vutton, e meu vestido da última coleção da Channel, fora os meus sapatos de salto de Jimmy Choo. Desfilo por toda a área da recepção, as minhas sacolas que se dividem entre Prada e Channel e, lógico, Jimmy Choo. Entro no elevador e ali somos apenas eu e Veronica.

- Eu nunca entendo por que você sempre faz compras sendo que quase nunca às precisa.

- Porque eu posso. – Digo, revirando os olhos. - E cuidado com as minhas sacolas, nenhuma delas dá metade do seu salário.

O elevador se abre no apartamento, na grande sala se encontra meu pai com o seu terno Armani, seu cabelo grisalho e sua expressão séria.

- Eu disse que queria você aqui em uma hora. - Ele diz.

- E não tinha qualquer outra reunião para você me esquecer?

- De novo a história da formatura, eu já disse que sinto muito. - Ele diz.

- Diz mais, não cansa de repetir. – Digo.

- Eu não quero brigar, estou sem tempo para isso, ainda mais com o seu atraso.

- É lógico que você não tem. – Digo. - Na verdade nunca teve.

- Eu nunca deixei faltar nada a você. - Ele diz.

- Chega dessa história. – Digo - O que você quer?

- Chegou isso para você e acho que você vai querer dar uma olhada.

É um envelope que tem como emblema escrito "Os Rivais". Pisco um par de vezes, olhando atentamente e abrindo o envelope grande contendo um cartão.

”Caro candidato você foi o escolhido por meio do vídeo que nos enviou e com isso, você conseguiu uma audição em Nova York para o nosso programa e irá se apresentar para o nosso corpo de jurados: Tyler Woods, empresário e dono da gravadora Woods Nacions, Lola Parkins, uma empresária no ramo musical, e, por último, o cantor , um dos maiores cantores pop.

Você poderá participar de uma das maiores Girlsband/boyband que um programa musical já fez. Esperamos a sua presença e que afinação estejam com você!

Bem-vindo ao Os Rivais!”

Oh, meu Deus! Eu nem acredito eu fui escolhida! Eu fui escolhida! Estou a ponto de surtar! Eu farei parte de umas das maiores bandas! Eu olho para o meu pai:

- Pai, eu consegui! – Digo.

- Eu sei. - Ele diz. - E parabéns.

O celular dele toca e ele se afasta. Ele não sabia, mas cada distância que ele insistia em ter me doía. Mesmo ele me dando tudo isso que está ao meu redor, eu só queria a sua atenção e o carinho que eu não tenho. Veronica me ajuda com as sacolas e vamos subindo para o meu quarto, ela as coloca em cima da cama e logo sai.

Me sento sobre a cama e olho aquele cartão. Era óbvio que eu seria uma das escolhidas, eu sou perfeita para isso e os quatros anos de aula de canto naquele colégio não foram à toa. Eu já estou dentro e amanhã mesmo irei a essa audição. Saco meu celular do bolso, eu sabia que meu pai tinha uma apartamento muito parecido com esse em Nova York, e ligo para José, o piloto do jatinho particular:

- Senhorita Collins. - Ele diz.

- Sim. – Digo. – José, quero o jatinho pronto amanhã depois do almoço.

- Seu pai sabe?

- E isso interessa? – Digo. - Eu quero ir a Nova York e você me levará ouviu bem?

- Sim. - Ele diz.

- Ótimo.

Desligo. Ninguém iria conseguir me superar. Eu sou linda, tenho uma boa presença e sou rica. O que eu não conseguir cantando, eu vou conseguir pagando.

...

Chego em casa e subo as escadas direto para o meu quarto, não preciso nem contar que meu pai estranha e logo posso ver seu rosto entre a porta:

- , o que houve? - Ele diz.

- Pai, é o de sempre. – Digo, o olhando, fazendo com que se aproxime - Eles tiram sarro de mim pela minha cor, ficam me chamando de vela e eu nunca fiz nada contra eles.

- Oh, meu amor, geralmente eles fazem isso porque sabem que magoam você e não passam de pessoas totalmente inseguras.

- Mas eu estou cansada pai. - Digo.

- Mas tudo vai se ajeitar. - Ele diz.

- Não vejo a hora de acabar logo a escola. – Digo. - Esso realmente é um tormento, eu me sinto muito estranha perto deles.

- Você é linda, . É amada por mim e por sua mãe. - Ele diz. - E nada, nem mesmo a cor de sua pele, vai fazer com que mudemos de ideia.

- Obrigada, pai. – Digo, o abraçando. - Você não ia trabalhar hoje?

- Ia, mas o casal que ia ver o apartamento desmarcou, então tive a tarde vaga.

- Mamãe está dando aulas? – Digo.

- Ela deu uma saída rápida, mas logo volta. Que tal um super sanduiche?

- Eu adoraria.

Ele se levanta e vai seguindo para a porta, logo posso ouvir os passos pela escada. Me sinto confortada pelo meu pai, porém a sensação de rejeição ainda perpetua sobre a minha cabeça. Sou pálida demais, magra demais, nem ao menos olhos azuis eu tenho. Mas uma coisa eu tenho: uma família linda e que me apoia muito.

Troco de roupa colocando calças jeans e uma camiseta e logo desço as escadas, sentindo cheiro bom e meu estomago reclamar de fome. Meu pai estava na cozinha e me serviu um prato com um sanduiche que só ele sabia fazer: queijo, alface e frango e mesmo sendo simples era delicioso. E para fechar um belo copo de suco de laranja.

- Isso está muito bom pai. – Digo. – Obrigada.

- Não há nada, . - Ele diz.

Ouvimos o som da porta da sala se abrir, era minha mãe. Ela carregava as partituras em uma mão e na outra a bolsa, se abaixou e beijou minha testa.

- Vejo que começaram sem mim. - Ela diz.

- Nunca. - Diz meu pai, entregando um prato a ela com um sanduiche também.

Ela se senta perto da bancada e logo me olha com uma expressão divertida.

- Sabe o que eu recebi hoje, ? - Diz ela.

- Não, mãe, o que? – Digo.

Ela fuça sobre a bolsa tirando de lá um envelope colorido com o emblema "Os Rivais". Abro, vendo um cartão médio ali dentro, o puxo pra fora e começo a ler:

“Caro candidato você foi o escolhido por meio do vídeo que nos enviou e com isso, você conseguiu uma audição em Nova York para o nosso programa e irá se apresentar para o nosso corpo de jurados: Tyler Woods, empresário e dono da gravadora Woods Nacions, Lola Parkins, uma empresária no ramo musical, e, por último, o cantor , um dos maiores cantores pop.

Você poderá participar de uma das maiores Girlsband/boyband que um programa musical já fez. Esperamos a sua presença e que afinação estejam com você!

Bem-vindo ao Os Rivais!”

Sinto a fala me faltar. Eu fui uma escolhida entre inúmeras candidatas, eu nem tinha mais esperança de ser chamada por fazer tanto tempo que havia enviado. Foi durante a aula de piano de minha mãe comigo, cantando Man in the Mirror de Michael Jackson. Mordo os lábios e olho para os meus pais:

- Eu consegui passar para as audições com os jurados em uma arena no reality musical Os Rivais. – Digo. - Mas é em Nova York.

- Não há problema. - Diz meu pai. - Nós iremos.

- Mas isso é pedir demais.

- Sabemos que você tem um sonho. - Diz minha mãe. - Eu a vi cantando durante as minhas aulas.

- Mas e se não gostarem de mim? – Digo.

- Vão gostar. - Diz meu pai. - Estariam surdos e cegos se não gostassem.

- E quando podemos ir?

- Daqui dois dias. - Diz meu pai. - Vou ligar para o Michel, podem arrumar as malas.

Subo as escadas e me sinto a garota mais sortuda do mundo. Eu tenho os pais mais bacanas do mundo e estou a caminho de Nova York. Isso parece um sonho.

...

O clima está quente e a água está maravilhosa. Eu nado um pouco mais para dentro do mar, sentindo uma mega onda vindo. Eu espero mais um pouco até ter o tempo certo e, então, fico em pé, me equilibrando e fazendo a manobra, mas logo caio sobre a água.

- , você quase conseguiu. - Diz Talia com seu sotaque espanhol.

- Eu sei, vou praticar mais até conseguir ficar os dois minutos. – Digo.

- Mas não hoje, seu pai acabou de chegar. - Diz ela, me fazendo pegar a prancha e começar a sair da água.

Vou sorrindo abraçar meu pai que era um dos melhores do mundo, me compreendia e sempre estava do meu lado.

- Como foi o treino? - Ele diz.

- Foi bem mais ou menos. – Digo. - Ainda não consigo ficar muito tempo em cima da prancha, mas o tempo que eu passei nesse mar foi muito revigorante.

- Vamos para casa? - Ele diz.

- Você tem certeza? – Digo. - Aquilo está uma zona de guerra entre você e a mamãe e entre eu e o Oliver.

- Sua mãe fica colocando vocês um contra o outro.

Ele me entrega uma toalha e eu tiro um pouco da água e da areia que no meu corpo se encontra. Logo visto uma saída de praia e entramos no carro. Ele liga o rádio.

- Tenho uma surpresa para você. - Ele diz.

- Surpresa? – Digo.

- Sim, lembra do vídeo que gravamos? - Ele diz.

- Sim, isso faz uns três meses. Enviamos para o reality show de Nova York.

- Então, acho que eles te mandaram a resposta. - Ele diz e me entrega um envelope médio, escrito Os Rivais.

Eu abro um sorriso e o encaro, em seguida encaro o envelope liberando o cartão de dentro que está escrito:

”Caro candidato,

Você foi o escolhido por meio do vídeo que nos enviou e com isso, você conseguiu uma audição em Nova York para o nosso programa e irá se apresentar para o nosso corpo de jurados: Tyler Woods, empresário e dono da gravadora Woods Nacions, Lola Parkins, uma empresária no ramo musical, e, por último, o cantor , um dos maiores cantores pop.

Você poderá participar de uma das maiores Girlsband/boyband que um programa musical já fez. Esperamos a sua presença e que afinação estejam com você!

Bem-vindo ao Os Rivais!”

Eu quero gritar. Fui escolhida! Fui escolhida! Meu Deus! Eu beijo o rosto de meu pai, enquanto ele está dirigindo.

- Eu fui escolhida para uma audição! – Digo.

- Eu sabia que iria conseguir. - Ele diz. - Quando deseja ir a Nova York?

- Você está falando sério, pai? – Digo.

- Claro! - Ele diz.

- Não sei direito... – Digo. - Mas eu quero muito fazer essa audição.

- Estava pensando daqui dois dias?

- Por mim tudo bem. – Digo. - Eu nunca fui a Nova York. Meu Deus, eu estou tão feliz!

Ele estaciona o carro na garagem e eu ainda estou flutuando com essa possível viagem.

Deixo minha prancha no armário e entro na cozinha, posso ver minha mãe na mesa da sala olhando alguns papéis. Passo correndo e a escuto dizer:

- Não vai sujar a casa de areia! Em vez de estar fazendo algo útil fica desperdiçando energia naquela porcaria de praia. Por que não faz como seu irmão?

- Pode ficar tranquila. – Digo. - Eu estou indo para Nova York.

- Mas que baboseira é essa? - Ela diz, se levantando.

- É isso mesmo, Emilia, nós vamos a Nova York. - Diz meu pai a fazendo virar para encará-lo. - foi escolhida para a audição em uma programa musical.

- Música? - Ela diz. - Primeiro é surf, que não leva ninguém a lugar algum, agora é música? Você mima essa menina demais! Em vez de aconselhá-la com algo descente, algo que a ajude no futuro, você passa a mão em todas essas loucuras.

- Isso não é uma loucura. - Ele diz. - Saberia disso se convivesse mais com sua filha, ela é extremamente boa.

- Claro, assim como era no Balé e na Krav Maga. Essa menina não sabe o que quer e você fica empurrando essas futilidades para ela. Olhe, o Oliver está no último ano de jornalismo e você não fica contente por ele?

- É claro que eu fico! - Ele diz. - Oliver também é meu filho e não vamos comparar.

- Para mim já chega! - Ela diz.

- Tem razão! - Diz meu pai. - , vamos para Nova York amanhã bem cedo, se sua mãe não dá a mínima para isso, eu irei com você.

Começo a subir as escadas e vejo no corredor o meu irmão, em frente a porta de seu quarto, me olhando com cara de poucos amigos. Está com os braços cruzados e sua voz é fria:

- Você só sabe causar isso. - Ele diz. – Confusão! Essa casa estava um silencio até você chegar.

- Me poupe! – Digo. - Você é um idiota que se acha o máximo por estar fazendo uma faculdade, devia crescer mentalmente.

- Você é a ruína dessa família! - Ele diz.

Bato a porta do meu quarto e me encosto nela. As palavras da discussão deles lá embaixo e a do meu irmão giram sobre a minha cabeça. Vou me aproximando da janela e dali posso ver o mar. Minha mãe não entende os meus sonhos, nunca me apoia e isso é tão cansativo.

Ouço a porta abrir:

- ? - Escuto meu pai.

- Me desculpe por aquilo lá embaixo. – Digo.

- Aquilo não foi culpa sua. - Ele diz. - Essa viagem vai ser melhor para todos. Eu não contei, mas eu e sua mãe estamos dando entrada no pedido de divórcio.

- Pai, isso tudo é minha culpa. – Digo.

- Nada disso é sua culpa. - Ele diz. - Esse casamento já está chegando ao fim, não estamos mais nos entendendo e só brigamos. Acho que a viajem vai nos ajudar.

- E o seu trabalho? – Digo.

- Eu tenho algumas férias atrasadas. - Ele diz. - Posso tirá-las agora, então podemos aproveitar bem aquela cidade.

- E se eu passar na audição?

- Eu estarei lá. - Ele diz. – Estou torcendo por você, como sempre faço.

...

Estou escutando Toxic de Britney Spears enquanto escalo uma árvore para salvar o indefeso gatinho que está preso entre os galhos. Eu nunca o vi por aqui e acho que está perdido. Com cuidado eu pego seu corpo peludo, ele solta um miado.

- Calma eu não vou machucar você. – Digo.

Logo desço da árvore e o levo para dentro de casa. Está muito frio aqui fora. Esquento um pouco de leite e vou cantando, enquanto coloco para o gato que começa a beber.

Eu me distraio com os biscoitos que estão no forno. O cheiro de avelã está uma delícia e isso é muito bom. Logo posso escutar o barulho da caminhonete e isso é sinal de que meu pai chegou, ele adentra a cozinha:

- Como está a minha filha linda? - Ele diz.

- Estou bem, acabei de salvar um gato. – Digo. - E estou fazendo biscoitos.

- Você e esse coração gigante. - Ele diz. - Pode me ajudar com as compras?

- Claro. – Digo.

Desço as escadas de madeira. Nossa casa ficava há alguns poucos quilômetros da cidade. Éramos rodeados de árvores e grama. Eu sinceramente não me incomodava, adorava cuidar dos animais que de vez enquanto apareciam machucados por aqui.A casa não era grande, mas era quente e eu agradecia por isso nos tempos de frio, a neve do inverno não tinha a menor noção do quanto podia ser castigante.

Me aproximo do meu pai e ele me dá duas sacolas. Em uma delas, ele tira um pote grande e mostra na minha direção. Era um pote de jujubas vermelhas. Era em momentos como esse que eu me sentia uma criança.

- Você sabe como me mimar pai. – Digo. – Obrigada.

- Eu tenho outra coisa para você. - Ele diz. - Eu sei que a protejo demais, mas é porque você é muito importante, filha, mas chegou esse envelope para você e eu sei que você tem um sonho.

- Do que está falando?

Ele me entrega o envelope médio colorido que vem escrito Os Rivais e então a minha ficha cai. Mesmo morando fora da cidade consigo ter acesso a internet e há uns três meses eu mandei um vídeo meu cantando Wannabe das Spice Girls para o programa musical "Os Rivais". Isso foi a coisa mais louca que eu já cometi e agora estou tendo em minhas mãos a resposta que eu aguardava, posso dizer sinceramente que não levava muito fé sobre isso. Abro o envelope e vejo um cartão que diz o seguinte:

”Caro candidato você foi o escolhido por meio do vídeo que nos enviou e com isso, você conseguiu uma audição em Nova York para o nosso programa e irá se apresentar para o nosso corpo de jurados: Tyler Woods, empresário e dono da gravadora Woods Nacions, Lola Parkins, uma empresária no ramo musical, e, por último, o cantor , um dos maiores cantores pop.

Você poderá participar de uma das maiores Girlsband/boyband que um programa musical já fez. Esperamos a sua presença e que afinação estejam com você!

Bem-vindo ao Os Rivais!”

Engulo em seco ao perceber que fui aceita. Isso me deixa em estado de alegria e também de medo, eu nunca me apresentei para ninguém, meu público são árvores e os animais que rodeiam a casa. Me apresentar na frente de jurados especializados para isso me deixa mole.

- E então, filha?

- Eu fui chamada para uma audição em Nova York. – Digo.

- Você está bem? - Ele diz.

- Eu poderei ir?

- Claro, . - Ele diz. - Eu sei que mantive você muito protegida, mas eu aprendi que tenho que deixar você voar. Eu a escutei cantando e isso é lindo.

- Então vai me deixar ir? – Digo, empolgada, abraçando ele.

- Nós vamos. - Ele diz. - Pode se preparar porque vamos partir daqui dois dias.

- Obrigada, pai! Você é demais!

Entro em casa, mal sentindo minhas pernas. Para uma adolescente que mal saía de casa, uma viajem dessas é uma coisa que faz com que eu me sinta empolgada e ao mesmo tempo sentindo a sensação da liberdade.



Episódio 1

Naquela manhã o vapor do café parecia limpar qualquer outro pensamento que tivesse que não fosse a sua irmã mais nova virando a cara para ela porque havia falado que não faria o teste para o tal reality musical e hoje por sinal era o último dia. E, então, distraída com seus pensamentos, a jovem não percebe que a xicara vai se enchendo e o café se espalha pelo balcão e pela blusa da mulher que está ali parada mexendo no celular, quando sente o café quente a olha como um bicho prestes a dar o bote.

- Olha que o você fez, sua incompetente! - Ela diz, se afastando e passando a mão pela blusa de cetim.

- Desculpe-me. – diz.

- Desculpas? - Ela diz. - Você acha que pode me pedir isso depois de me sujar inteira. Onde está o gerente dessa porcaria?

dá um passo para trás enquanto sente seu estomago se revirar. Ela sabia que sua permanência naquele emprego estava quase por um fio por alguns outros erros da semana passada, mas o que ela poderia fazer? Sua cabeça só pensava na possibilidade de ir à audição e também na possibilidade de não ir à audição. Complicado? Sim e muito.

Rony sai de dentro de seu mini escritório, ele era um homem de estatura baixa, que se achava o dono do mundo em seus sapatos de grife que ganhou da filha advogada que só lembra dele uma vez por ano e é sempre sem aniversário.

- O que está acontecendo aqui? - Ele diz, olhando para que está tremendo.

- Essa incompetente jogou café em mim. - Diz a mulher.

- Não foi bem assim... – diz. - Foi apenas um acidente.

- Acidente? - Diz Rony. - Você não acha que está cometendo acidentes demais?

- Rony, eu não tive culpa. – Digo.

- Eu acho que cansei um pouco dessas suas desculpas. - Ele diz, cruzando os braços. Se ele pensava que iria implorar, estava muito enganado, ela podia estar precisando do emprego, mas tinha um certo orgulho e dignidade.

- Quer saber? - Ela diz, tirando o avental e indo em direção a eles. - Eu estou cansada disso. Sempre clientes chatos que se acham o rei do mundo e ainda mais você, Ronny, que acha que tem a melhor lanchonete do mundo.

- Muito simples. - Ele diz. - Está demitida.

- Com prazer. - Ela diz, se aproximando de uma cadeira e logo subindo nela - Vocês ai! - Ela diz, chamando a atenção dos outros clientes que estavam ali e comiam suas panquecas tranquilamente - Cuidado com as panquecas, elas são requentadas das de ontem, isso quando não as pegam da semana passada. E pra você, Ronny, - Ela diz e faz o gesto de banana logo pegando todos os seus pertences que não eram muitos apenas sua bolsa e casaco e sai da lanchonete sentindo os primeiros efeitos do vento gelado.

Ela tinha a vontade de chorar, mas não o fez. Enquanto passava pelas calçadas, as palavras da irmã mais nova viajam sobre a sua cabeça "Não perca a oportunidade que muitos gostariam de ter". Não é que nunca sonhou em ser famosa, quando ela era criança queria muito deixar sua marca no mundo, porém com o tempo passando, o sonho foi ficando menor e depois da morte do pai a responsabilidade acabou o engolindo, o que a deixou presa sobre um trabalho ruim, com uma vida bem mais ou menos.

Ela atravessou a rua, vendo ao longe o teatro no qual eles faziam as audições, pensou em seguir reto, mas dentro de si algo a fez continuar andando naquela direção, porque, querendo ou não, era a única oportunidade que ela tinha no momento. A medida que ia se aproximando ia vendo uma fila pequena e então cerrou o cenho e resolveu perguntar.

- Aqui é a audição? - Ela diz para a bela ruiva que segurava uma prancheta em mãos.

- Sim. - Ela responde. - Porém você trouxe o envelope que a fez sorteada?

revirou na bolsa, sabendo que não encontraria, porém ela viu o papel colorido e ali estava o envelope do sorteio, Miranda deve ter posto aquilo ali e por um momento ela agradeceu mentalmente por aquilo.

- Aqui está. - Ela diz.

- Bom... Você está com sorte, porque será a última que nossos jurados vão ouvir.

engoliu em seco e então foi andando para dentro do teatro, sentindo as pernas bambas e também a respiração ofegante. Ela viu muitas outras meninas e então de modo distraído tromba em uma fazendo ambas caírem sobre o chão. A loira em sua frente parecia uma daquelas patricinhas, ela logo se levanta se limpando.

- Você é cega? - Ela diz. - Por que para andar desse jeito só pode ser!

- Eu posso até ser, mas a sua educação passou longe. - Diz , sentindo uma raiva dentro de si. A loira parecia um filhote da mulher que a ofendeu na lanchonete e antes que ela descontasse toda a sua fúria com alguns bons tapas naquela loira, ela foi se distanciando e sentando em uma das cadeiras que tinha ali.

- Olá. - Diz uma voz doce atrás de mim.

- Oi. – Digo quase que sem animação ou vontade.

- Me chamo . - Ela diz.

- Sou .

- Então, de onde você é?

- Sou daqui de Nova York mesmo.

- Nossa, que legal! – Diz, enquanto se vira para ver quem estava falando com ela, vê uma garota que parecia ser mais nova que ela, cabelos loiros mais escuros, um rosto suave e expressão animada. - Sou de Vancouver, Canadá.

- Eu nunca fui ao Canadá. - Diz .

- É grande e bonito. - Ela diz. - Você já sabe o que vai cantar?

parou por um momento mal sabendo o que dizer, afinal, ela mal sabia o que cantar, pois seu pensamento inicial era de nunca estar aqui nesse momento. Porém, ao fundo de sua memória, ela pensou em uma música que seu pai às vezes cantava para a sua mãe quando era dia dos namorados.

- Vou cantar With You.

- Bela música.

vê a loira metida entrar na sala de audições. Ela andava como se fosse a rainha do mundo. Quando ela parou em frente aos jurados algumas palavras foram trocadas até ela começar a cantar I Have Nothing. Assim que terminou aqueles homens olharam pra ela.

- Eu vou ser sincero com você, . - Diz um deles. - Você tem um potencial, mas não há nada que me convenceu a te dar um sim.

- Você chegou aqui como se fosse uma diva, para alguém que está apenas começando isso é demais. - Diz a loira ao meio deles.

- Bom... Eu achei ousado, te dou meu sim. - Diz um cara. Eu o conhecia da banda Versinos, mas só conhecia apenas uma música dele.

Depois de um certo tempo, a loira saiu sorrindo por que havia passado.

Logo em seguida, entraram mais quatro garotas, mas nenhuma delas passou. A tal estava fazendo audições nesse exato momento e pelo jeito que saiu da sala havia passado.

- Você será a próxima. - Diz um homem.

- Ah! Ok!

Ela se levantou. Com as pernas tremendo e o coração martelando, pisou no piso de madeira da sala e então, viu o corpo de jurados presente. Seu coração parecia estar nas orelhas, mas o que realmente a incomodou foi o olhar do cara de preto sobre ela, o tal cantor de banda que a olhava como se fosse literalmente devorá-la. Ela não sabia se isso era algum tipo de pressão psicológica que jurados faziam, mas aquilo a desestabilizou ainda mais.

- Olá! - Diz o cara. - Como você vai?

- Bem... Eu acho.

- Qual é o seu nome?

- .

- De onde você veio?

- Nova York. - Sua voz saiu grave. - Daqui mesmo.

- Qual a sua idade?

- Tenho dezoito.

- E o que você faz?

- Bom... Há alguns momentos eu trabalhava em uma lanchonete, mas fui mandada embora.

- Sério? - Dizem os três em tom de bom humor.

- Absoluta. - Ela diz.

- E o que você canta hoje? - Diz a loira no meio deles.

- Eu vou cantar With You.

- Então boa sorte! – Dizem.

Ela passa a língua pelos lábios e sente a melodia da música começar, as notas do piano começam a emocioná-la. Ela prende a respiração e começa a cantar, sentindo a música e colocando toda a sua emoção nela e quando acaba, percebe que seus olhos estão fechados, as mãos começam a tremer, ela olha para a bancada, percebendo que a loira chora.

- Você me emocionou hoje. - Diz Natalie. - Você tem uma entrega que poucas tiveram hoje e sua voz é como um lindo anjo.

- Você tem um belo potencial, . É com muito gosto que eu lhe dou meu sim.

- Você tem uma boa aparência, tem porte ao palco, uma linda voz, além de ser muito linda. - Diz .

- Obrigada. – Digo.

- Bom... Acho que com certeza você tem os nossos sins. - Diz Natalie - Mas está pronta para estar em Los Angeles?

- Estou. – Digo.

- Ótimo! Bem vinda ao Os Rivais!



Episódio 2

É por volta das seis que chega em casa. Há um sorriso tão grande em seu rosto. A sensação de formigamento ainda é grande sobre as suas pernas. Ela sobe as escadas encontrando Miranda sobre a porta do seu quarto que cruza os braços ainda parecendo brava. Mesmo tendo apenas dez anos, Miranda tinha uma personalidade forte.

- Você não sabe o que fez. - Ela diz.

- E o que eu fiz? – Disse.

- Você sabe, jogou sua chance fora. Hoje era o último dia. - Ela diz.

- Oh... Miranda. - Digo a pegando em meu colo. - Eu fui a audição hoje pela tarde.

- Verdade? - Ela diz. - E como foi?

- Eu passei. - Ela disse. - Eu passei. Estou na próxima fase da etapa.

- Oh, meu Deus! - Ela diz, me abraçando. - Agora você vai para Los Angeles.

- Quem vai para Los Angeles? - Diz a voz da mulher que vinha do batente da porta. olha para a própria mãe.

- Eu fiz uma audição hoje. - Ela diz, se levantando. - E eu passei

- Reality? - Ela diz. - Acha que isso dará dinheiro?

- Não sei... Só sei que se você mesmo trabalhasse daria mais dinheiro. Eu vou sim viajar, me livrar de você vai ser uma benção. Só peço que cuide de Miranda, ela ainda não tem uma boa base para poder se cuidar sozinha.

se tranca no banheiro. As lágrimas são grossas e quentes por seu rosto. É algo tão libertador, porque junto com elas e com a água do chuveiro, ela fazia o juramente de liberdade. Ela passou os dois últimos anos fazendo o possível para que sua família ficasse bem, agora era pensar um pouco mais nela, algo que ela não fazia durante esse tempo.

Ela sai do banheiro indo ao quarto em direção do armário, pegando algumas de suas melhores roupas e colocando na mala. O carro da produção iria passar para pegá-la em meia hora para levá-la para o aeroporto. Ela veste um jeans e um pulover, seus cabelos? Não daria muito tempo para secá-los. Ouve uma batida na porta:

- Eles estão ai. - Ela diz animada.

- Você quer tanto me ver longe assim? - Diz a ela.

- Claro que não - Ela diz, se aproximando e tocando o meu rosto - Mas eu acho que você ótima e merece isso.

- Oh... Pequena... - Disse a abraçando.

- Vá enquanto eu armo a sua torcida por aqui.

O som dos seus passos pelas escadas era como as marteladas de seu coração. Ela encontra dois homens que sorriam pra ela que faziam parte da produção do programa, além de sua mãe sentada sobre o sofá.

- Pronta? – Eles dizem.

- Sim.

- Deixe-me levar isso. - Diz um deles, pegando sua mala.

Então, ela sente mãos encostando sobre o seu braço. Ela sente o abraço da mãe que a deixa imóvel:

- Eu sinto muito. - Ela diz com a voz embargada.

- Não sinta. - A voz de sai firme. - Apenas faça melhor com ela.

O homem a minha frente contém um papel em sua mão:

- Preciso que assine isto. - Ele diz. - Isto é um acordo que garante seus benefícios enquanto estiver no programa.

- Benefícios? – Ela diz.

- Sua família receberá dinheiro enquanto estiver no programa e quanto mais se aproximar da final aumentam os benefícios.

Sua letra garranchada assinava os papeis dando os direitos à sua família.

Então, ela passa pela porta encontrando um Land Rover a sua espera. Ela entra no carro, acenando para elas. Toda a sua vida passou em meros segundos a sua frente, o único pensamento é que ela estava vivendo uma bagunça, mas que, agora, ela queria sonhar e queria se deixar sonhar.

Muitas garotas no aeroporto, na média umas cinquenta. passou pelo saguão, vendo sentada do outro lado, em uma banqueta, . Ela parecia tão nervosa e desconfortável, e na verdade a pobre menina estava, nunca havia saído do seu país antes e agora fez uma viajem de Vancouver para Nova York e estava indo para a cidade de Los Angeles, a capital do sucesso, sozinha, porque seu pai não pode vir. Seus dedos batiam pela cadeira de plástico:

- Você está bem? - Diz .

- Mais ou menos. - Ela diz.

- O que há errado?

- Eu nunca viajei sozinha. - Ela diz. - Meu pai quase morreu quando me deixou vir para cá.

- Olha, calma! - Disse , sentando ao seu lado. - Nada pode acontecer, vamos a uma casa incrível e chegaremos pela manhã em Los Angeles. Pense em como uma excursão.

- Eu nunca fiz isso. - Ela responde.

- , você vivia onde?

- Em uma casa distante da cidade. - Ela diz. - Entre animais e neve, literalmente.

- Olha, vai ser uma viajem incrível.

- Você é bem legal, sabia? - Ela diz e tira da mochila um vidro de Jujubas. - Quer?

- Aceito, sim. – Responde.

Logo do outro lado do saguão estava vindo em cima de seus saltos e um vestido que deixava seu corpo mais evidente, uma bolsa em um braço e o celular no outro. Ela sorria enquanto parecia desfilar, mas ela sabia que tudo ali lhe dava nervoso, ela sabia que estava perto do sonho de ser uma estrela, porém tinha que passar por tudo aquilo. Ela não queria confessar para ninguém que a sua primeira audição havia quebrado um pouco sua confiança, mas isso ela não diria a ninguém a não ser para si mesma.

Ela se sentou solitária, vendo milhares de garotas, desejando que todas saíssem correndo com diarreia, mas nada disso acontecia enquanto ela mexia ao celular postando uma nova foto em sua rede social, aliás precisava deixar material extra para seus futuros fãs.

vinha com sua mochila sobre as costas, usava sua meia arrastão e sua blusa que dizia Good Luck. Ela passava pelo mutirão de garotas que não parava de falar um minuto sequer, até que se sentou em uma das cadeiras, tirando uma barra de cereal da bolsa e comendo, estava morrendo de fome, afinal não deu muito tempo de comer hoje. Seu pai a acompanhou até aqui, se despediram em um abraço caloroso, ele torcia por ela e isso era o que mais lhe deixava feliz, mas a história do divórcio era difícil: ela não queria aceitar que o casamento de seus pais estava se desfazendo e tudo talvez por sua culpa.

batia o pé sobre a quina da cadeira de modo insistente, de cabeça baixa se escondendo dentro de seu moletom, principalmente sua pele, já que sua pele sendo muito alva, podia aparecer e os terríveis apelidos voltarem. O trauma da escola e de como a maioria lá lhe tratavam lhe dava um tipo de sexto sentido desconfiado e então ela logo já pensava antes de agir. As meninas no aeroporto eram tantas e ela com essa mania de querer ser famosa. Que o mundo não a perceba, assim, ninguém ia a lugar nenhum, mas seu lado anti- social era gritante, como ela se libertaria disso se tudo que ela encontrou nesses anos foi um pouco de solidão e traumas?

Logo a chamada do vôo para Los Angeles soou e começou um mar de meninas entrando dentro do avião. O engraçado é que ficou com , atrás dela estava que olhou com cara de pouco amigos enquanto se sentava. se deu muito bem perto da janela e se sentou perto do banheiro, "Otimo", ela pensou enquanto o piloto fazia seus comandos. Sim, estavam indo todas para Los Angeles e apenas uma coisa era certo: suas vidas iriam mudar para sempre.


Continua...

Nota da autora: Veja outras fics da autora aqui.

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