Only a Day

Autora: Jooy Fernandes | Beta: Babi S.

Capítulos:
| 01 |

Roman Bürki

- Você ainda não está pronta? - Ouvi Marco falando enquanto eu caminhava até meu quarto. Percebi que ele me acompanhou.
- Oi pra você também, Reus. - Disse e peguei duas jaquetas entre as quais estava em dúvida. - Esta ou essa?
Marco revirou os olhos, não porque as jaquetas eram iguais, porque não eram, enquanto uma era jeans, a outra era um casaco Duffle. Mas ele odiava quando eu me atrasava, e eu estava sempre atrasada. Isso era algo a ser trabalhado.
- Fará alguma diferença se eu escolher? - Balancei a cabeça afirmando. - Então a preta.
- Eu também queria ir com essa, mas lembrei que da última vez eu a tinha usado. - Respondi, enquanto pegava o casaco, guardava a jeans e calçava um All Star.
- Ninguém vai notar isso. - Ele grunhiu. - Vamos logo. Por que você sempre se atrasa?
- Por que você odeia que eu me atrase? - Rebati com outra pergunta e logo ouvi a risada do Marco. - Pronto, Schätzchen. Vamos.
O empurrei para fora do quarto e peguei meus óculos que estavam em cima da mesa. Sinceramente? Não estava a fim de ir na pequena reunião mensal de amigos que alguém do Borussia Dortmund dava. Havia faltado nas últimas três (ou quatro?) reuniões, apesar dos protestos de Marco Reus, porém minhas desculpas eram até válidas. Provas na faculdade, estresse e cansaço e, por fim, termino de namoro... Contudo, a última desculpa, depois de um mês e meio, serviu como um incentivo a Marco para me tirar do pequeno casulo que eu havia criado. E isso significava me chamar para todas as festas e reuniões possíveis. E isso era um saco.
E como não consegui arrumar uma desculpa razoável para essa pequena festa, coloquei a primeira calça jeans de lavagem escura que encontrei, uma blusa de mangas ¾ e o casaco que Reus escolheu.
- Achei que a Mari viria com você... - Comentei, enquanto abria a porta do carro.- Não me diga que brigaram.
- Não. Ela ficou por lá pra ajudar a esposa do Bartra.
- Vocês têm se dado bem com ele, não é mesmo? - Reus concordou com a cabeça.
- Eu gosto dele... E você, como tem estado? - Revirei os olhos.
- Isso é que é mudar de assunto... - Marco riu.- Mas estou bem.
- Não faça isso de novo, . - Balancei a cabeça, negando, e, antes que eu o contestasse, ele continuou: - Você tem se afastado de todo mundo, por causa daquele idiota. Eu quis te dar espaço para ver qual tática você usaria para sair dessa, mas tudo que você fez foi ficar enfurnada naquele apartamento estudando.
- Eu não estou fazendo nada! - Falei zangada. - E eu prefiro gastar todo o meu tempo livre estudando do que ficar pensando naquele imbecil. Minhas notas aumentaram durante esses meses, Marco, e isso sim é uma notícia realmente animadora. Esse foi um dos relacionamento que mais me envolvi, então não espere que eu saia por aí em festas ou algo do tipo.
- Eu sei disso, mas você está se desgastando... , eu só quero seu bem... - Suspirei.
- Eu sei disso também, Marco. - Falei baixo e peguei sua mão livre dando um leve aperto. - Está sendo difícil, mas estou dando um passo de cada vez. E acho que ir hoje foi um bom passo. - Finalizei.
- Só me prometa que, se você se sentir atraída por alguém do time, você vai me falar. - Ele apertou minha mão e eu ri.
- Claro... - Respondi ironicamente.
- Você sabe que o Durm e o Auba estão sempre te dando mole.
- Reus, você está me jogando pra cima de Erick Durm e Pierre-Emerick Auba? Sério? - Ele gargalhou. - Não estou tão desesperada assim.
- Ouch, eles ficariam desapontados se ouvissem isso.
- Eles sabem que é verdade. - Complementei. - Além do mais, você sabe que não duraria muito tempo.
Reus concordou e notei que ele estacionava em frente à casa de Bartra.
- Apenas me prometa que você será sociável e tudo feito! - Ele disse.
Revirei os olhos e concordei, abrindo a porta logo depois. Soltei um suspiro enquanto caminhava até a porta de Marc Bartra, tudo que eu queria era estar debaixo do meu edredom, vendo alguma série, mas estava ali, parada na porta de um dos jogadores do Borussia Dortmund.

- Olha quem veio! - Durm falou caminhando em minha direção e me dando um abraço. - Senti sua falta.
- Me solte, Durm! - Falei estapeando-o e ele riu, me soltando.
- Sei que você sentiu minha falta! - Ele disse e logo depois fui abraçada sem saber por quem era.
- Ainda bem que você não morreu naquele apartamento, Schätzchen. Já ia mandar alguém pra te procurar... - Reconheci a voz de Auba e me soltei de seus braços.
- Vocês são tão exagerados... Não fiquei tanto tempo longe. Além do mais, não iria fazer diferença alguma, já que vocês ficam, na maioria das vezes, se agarrando com alguma mulher. - Complementei e eles riram concordando.
- Isso não significa que não sentimos sua falta. Além do mais, Durm é horrível no pôquer! - Auba falou e recebeu um tapa de Durm.
- Da próxima vez, não jogarei com você!
- Não haverá próxima vez, já que agora tenho minha arma secreta. - Auba me abraçou pelos ombros.
Nós ficamos conversando por uns trinta minutos, até que Auba me convenceu a jogar um pouco de pôquer. Quando Reus começou a me levar naquelas festinhas, eu não conhecia muito os jogadores, mas jogar cartas foi a porta de entrada para que eu me aproximasse de alguns deles. Minha parceria com Auba começou na primeira vez em que joguei, então desde sempre jogamos juntos e ganhamos praticamente 80% das vezes. Auba sempre fala que sou seu amuleto da sorte e, talvez, seja mesmo, já que seu rendimento no pôquer caiu desde que não apareci.
Ficamos jogando por um certo tempo, mas por fim, os caras cansaram, foram beber e conversar sobre assuntos aleatórios. Olhei para o meu copo e minha bebida estava quase no fim. Tentei encontrar Reus com o olhar e quando o encontrei ele estava engatado em uma conversa com Bartra, Melissa e Mari. Fiz uma careta e desisti de ir até eles, provavelmente era uma conversa sobre casais e eu não estava muito a fim de participar por motivos óbvios.
Peguei meu celular para olhar as horas e já se passavam das 2 horas.
Suspirei e olhei ao meu redor, procurando alguém para "socializar". A verdade é que eu queria ir embora, mas não iria incomodar Marco para ir, não queria parecer chata ou ingrata.
Percebi que Roman Bürki estava sentado sozinho, em frente ao balcão que estava algumas bebidas. Não éramos muito próximos e nunca cheguei a conversar com ele sozinha, sempre Reus ou Auba estavam também, mas, talvez, hoje fosse o dia que isso poderia mudar.
Caminhei em sua direção e, assim que cheguei, sentei no banco ao seu lado e enchi meu copo com refrigerante. Ele olhou em minha direção e eu sorri, recebendo um sorriso de volta.
- Então Roman, quais são as novidades? - Ouvi sua risada.
- Bom, nada demais. Provavelmente você já sabe que estamos indo bem nos jogos... - Concordei.
- Reus me deixa informada de tudo. E onde está sua namorada? – Falei, tentando lembrar o nome dela. - Mellyn, não é?
- Mellyna. - Ele respondeu e me olhou. - Nós terminamos. Engasguei com a bebida que eu tinha acabado de colocar na minha boca. Nem o conheço e começo dando fora.
- Sinto muito. - Falei por fim.
- De acordo com ela, eu era muito imaturo. - Ele deu um sorriso triste e eu sorri em tom de deboche.
- Sério que ela disse isso? Se fosse com Durm até que ia, mas você? - Roman sorriu. - Sinceramente, ela queria pular fora e arrumou uma desculpa qualquer... Era o que eu faria se não estivesse interessada no cara. - Arregalei os olhos e o olhei assim que terminei a frase. - Eu não quis dizer isso, porque você não parece ser o tipo de cara que se descarta assim e é melhor eu calar a boca, antes que fale mais alguma bobagem.
- Está tudo bem. - Ele disse. - Na verdade, foi a coisa mais verdadeira que alguém me disse sobre isso. - O olhei e senti meu rosto esquentar.
- Eu sinto muito mesmo, Roman... Sei bem o que é isso. - Completei e coloquei minha mão em cima da sua, mas a retirei rapidamente, depois de perceber que aquilo poderia ser entendido de forma errada.
Ficamos alguns minutos em silêncio, eu bebia um pouco da minha bebida, enquanto pensava em algo para quebrar aquele clima pesado que, querendo ou não, eu havia criado.
- Seu namorado terminou com você também, não foi? - Ele falou quebrando o silêncio. - Não precisa falar se não quiser... - Bürki complementou depois que permaneci calada.
- Não, é uma pergunta válida. - Disse e olhei em seus olhos castanhos. - Ele disse que eu era confusa e complicada demais... Talvez eu seja mesmo. - Ri sem graça. - Cinco dias depois e ele já estava com outra.
Roman me olhou e sorriu, não foi um sorriso de piedade como Reus ou Mari às vezes sorriam pra mim, mas foi um sorriso de que ele entendia muito bem o que eu estava passando e isso me confortou de certa forma.
- E como estão as coisas? - Ele me perguntou.
- Ah, tem sido difícil, principalmente por estudarmos no mesmo campus, então eu acabo o vendo diariamente, mas, depois de 3 meses, tenho conseguido fazer as coisas sem me importar com ele... Voltar realmente não é uma opção. - Concluí e Bürki concordou.- Mas tenho usado todo o meu tempo livre para me focar nos estudos, então tem sido um pouco mais fácil.
- Eu faria isso também.
Roman pegou e minha mão e o olhei em seus olhos, ele sorriu para mim e inevitavelmente sorri de volta. Por fim, engatamos em uma conversa sobre términos de namoro, não era algo que eu gostasse de conversar, principalmente com um cara que nem conhecia direito, mas Roman tinha um jeito diferente e as coisas com ele pareciam ser tão descomplicadas...
Claro que ele tinha mais histórias do que eu, mas ele me fez rir em cada história e acabou que a conversa se direcionou para outros diversos assuntos, nos fazendo concluir que tínhamos mais coisas em comum do que imaginávamos.
- Não sei porque a gente não se conheceu antes... - Bürki comentou e colocou um pouco mais de bebida em seu copo. Ele não estava bêbado, mas nossas conversas já tinham uma certa liberdade que antes não teriam.
- Talvez seja porque não éramos solteiros. Não sei você, mas meu namorado era bem ciumento. - Revirei os olhos.
- Mellyna era um pouco também. - Nós rimos. Percebi que Reus caminhava em nossa direção, então deduzi que iríamos embora a qualquer momento.
- Então , já arranjou carona? - Reus falou e olhei para ele. Ele não estava tão bêbado a ponto de não poder me dar uma carona.
- O quê? Eu vou com você, dummkopf! - Disse.
- Mudança de planos. Eu e a Mari... - Ele deu uma pausa e entendi o que ele quis dizer. - Você sabe, né! - Ele disse e revirei os olhos.
- Marco, eu vim com você! - Disse fechando o semblante. - Estou morta de cansada, você não pode me deixar aqui.
- Eu levo você. - Roman, que eu tinha me esquecido que estava vendo minha pequena discussão com Reus, falou. - Pode ir, Reus.
- Sério? Obrigado, cara! Te devo uma.
E antes que eu pudesse contestá-lo, Reus deu um beijo na minha bochecha e foi embora. Olhei para Roman que me olhava divertido.
- Sinto muito por isso. - Falei, depois de dar um sorriso, frustrada.
- Sem problemas, além do mais, Reus é um bebezão quando as coisas não funcionam do jeito que ele quer. - Ri concordando e vi ele pegando seu casaco. - Vamos?
- Não precisamos ir agora.
- Precisamos, porque alguém está "morta de cansada". - Ele disse imitando meu tom de voz e dei um tapa no seu braço.
- Eu não falo assim, dummkopf!
Despedimos do restante que havia ficado na casa de Bartra e caminhamos em direção ao carro de Bürki. Já se passavam das 4 da manhã e estava um frio infernal em Dortmund, então foi inevitável apertar o casaco contra o corpo. Roman apontou onde estava o seu carro e corremos até ele. Assim que entramos, Bürki ligou o aquecedor rapidamente e suspiramos aliviados quando o calor nos atingiu.
- Desvantagens da Alemanha. - Eu disse e ele riu, concordando.
- Parece que vai chover. - Ele disse, olhando para o céu. - É melhor irmos.
- Sim. Minha casa não é muito lon... - E antes que eu pudesse complementar a minha fala, minha barriga roncou e Roman gargalhou. Senti meu rosto ficar vermelho. - Não tem graça!
- Me desculpa, mas tem sim, schätzchen. - Ele riu. - Vamos, conheço um delivery aberto e que servem batatas fritas deliciosas.
Com isso ele engatou o carro e começamos a conversar sobre gostos musicais. Enquanto ele gostava de um rock mais clássico, eu seguia mais o estilo indie rock. Mas isso apenas nos envolveu ainda mais na conversa, porque apontávamos os fatores que nos levaram a gostar de tais estilos, os principais cantores e se já havíamos ido a algum show.
Quinze minutos depois e já estávamos no delivery. Depois de uns cinco minutos, fizemos os pedidos e fomos comendo enquanto Roman dirigia até a minha casa. Contudo, no meio do caminho, a chuva que Bürki suspeitava começou a cair, com direito a raios e trovões. E, por mais que ele parasse na porta da minha casa, eu iria me molhar por conta do caminho até a entrada do apartamento, então Roman insistiu para que eu ficasse dentro do carro até que a chuva diminuísse. Então terminamos de comer, ouvindo uma música aleatória que passava no rádio e Roman me contou diversas histórias constrangedoras sobre quando era adolescente.
Depois de 30 minutos a comida tinha acabado e a chuva tinha diminuído consideravelmente. Olhei para fora do carro e tentei decidir se cortava o que Roman estava falando e corria para dentro de casa ou continuava ali o ouvindo.
- Você parece cansada... e a chuva diminuiu. - Ele disse por fim. Concordei apoiando a cabeça no banco do carro. Depois de um tempo ali dentro, estava sentada de lado, minha perna esquerda estava dobrada e totalmente em cima do banco, enquanto a direita estava parcialmente no banco também.
- Eu não conversava assim a muito tempo com alguém. - Comentei e o olhei dentro dos seus olhos. - Na verdade, hoje foi o melhor dia depois que tudo aconteceu.
- Para mim também. - Roman falou e pegou em minha mão.
Pela primeira vez na noite, seu olhar se direcionou para minha boca. De uma maneira calma ele foi se aproximando de mim e eu também me aproximei dele. Nossos narizes se encontraram e já estávamos tão perto um do outro que eu conseguia sentir seus lábios sobre meus, fechei meus olhos e senti suas mãos acariciarem minha face.
- Eu não irei fazer isso se não for o que você quer, . - Roman disse e eu abri meus olhos encontrando os seus.
Não precisei de minutos para pensar se queria ou não aquilo, porque aquilo foi a única verdade da noite, eu com certeza queria aquilo, queria aquele beijo. Diminuí o pouco espaço que tínhamos selando nossos lábios. Bürki levou sua mão até a minha nuca e diminuiu ainda mais o espaço que havia entre nós, aprofundando nosso beijo. Minhas mãos se direcionaram para o seu cabelo e os puxei de leve, fazendo com que Roman me segurasse ainda mais firme.

Aquela noite terminou comigo correndo até a minha casa, sozinha, e tomando um longo banho quente. Meus pensamentos não se direcionavam mais ao meu ex, mas sim a um certo jogador do Borussia Dortmund.
Depois daquilo, não nos falamos por três dias e eu já estava imaginando que ou ele não queria nada, ou estava meio bêbado para não se lembrar. Mas, no quarto dia, recebi uma mensagem dele às 7 horas da manhã me convidando para tomar um café. Pensei em recusar, mas acabei sendo impulsionada a ir.

Continua...

Nota da autora: (28/04/2017) Sem nota.

Nota da beta: Tão leve e divertidinha essa história. Adorei e já quero mais! Também quero ir numa festinha do Marc Bartra e passar horas conversando (ou não apenas isso rsrs) com o Roman Bürki. Será que é pedir demais? 😂


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