Only a Day

Autora: Jooy Fernandes | Beta: Babi S.

Capítulos:
| 01 | 02 |

Roman Bürki

- Você ainda não está pronta? - Ouvi Marco falando enquanto eu caminhava até meu quarto. Percebi que ele me acompanhou.
- Oi pra você também, Reus. - Disse e peguei duas jaquetas entre as quais estava em dúvida. - Esta ou essa?
Marco revirou os olhos, não porque as jaquetas eram iguais, porque não eram, enquanto uma era jeans, a outra era um casaco Duffle. Mas ele odiava quando eu me atrasava, e eu estava sempre atrasada. Isso era algo a ser trabalhado.
- Fará alguma diferença se eu escolher? - Balancei a cabeça afirmando. - Então a preta.
- Eu também queria ir com essa, mas lembrei que da última vez eu a tinha usado. - Respondi, enquanto pegava o casaco, guardava a jeans e calçava um All Star.
- Ninguém vai notar isso. - Ele grunhiu. - Vamos logo. Por que você sempre se atrasa?
- Por que você odeia que eu me atrase? - Rebati com outra pergunta e logo ouvi a risada do Marco. - Pronto, Schätzchen. Vamos.
O empurrei para fora do quarto e peguei meus óculos que estavam em cima da mesa. Sinceramente? Não estava a fim de ir na pequena reunião mensal de amigos que alguém do Borussia Dortmund dava. Havia faltado nas últimas três (ou quatro?) reuniões, apesar dos protestos de Marco Reus, porém minhas desculpas eram até válidas. Provas na faculdade, estresse e cansaço e, por fim, termino de namoro... Contudo, a última desculpa, depois de um mês e meio, serviu como um incentivo a Marco para me tirar do pequeno casulo que eu havia criado. E isso significava me chamar para todas as festas e reuniões possíveis. E isso era um saco.
E como não consegui arrumar uma desculpa razoável para essa pequena festa, coloquei a primeira calça jeans de lavagem escura que encontrei, uma blusa de mangas ¾ e o casaco que Reus escolheu.
- Achei que a Mari viria com você... - Comentei, enquanto abria a porta do carro.- Não me diga que brigaram.
- Não. Ela ficou por lá pra ajudar a esposa do Bartra.
- Vocês têm se dado bem com ele, não é mesmo? - Reus concordou com a cabeça.
- Eu gosto dele... E você, como tem estado? - Revirei os olhos.
- Isso é que é mudar de assunto... - Marco riu.- Mas estou bem.
- Não faça isso de novo, . - Balancei a cabeça, negando, e, antes que eu o contestasse, ele continuou: - Você tem se afastado de todo mundo, por causa daquele idiota. Eu quis te dar espaço para ver qual tática você usaria para sair dessa, mas tudo que você fez foi ficar enfurnada naquele apartamento estudando.
- Eu não estou fazendo nada! - Falei zangada. - E eu prefiro gastar todo o meu tempo livre estudando do que ficar pensando naquele imbecil. Minhas notas aumentaram durante esses meses, Marco, e isso sim é uma notícia realmente animadora. Esse foi um dos relacionamento que mais me envolvi, então não espere que eu saia por aí em festas ou algo do tipo.
- Eu sei disso, mas você está se desgastando... , eu só quero seu bem... - Suspirei.
- Eu sei disso também, Marco. - Falei baixo e peguei sua mão livre dando um leve aperto. - Está sendo difícil, mas estou dando um passo de cada vez. E acho que ir hoje foi um bom passo. - Finalizei.
- Só me prometa que, se você se sentir atraída por alguém do time, você vai me falar. - Ele apertou minha mão e eu ri.
- Claro... - Respondi ironicamente.
- Você sabe que o Durm e o Auba estão sempre te dando mole.
- Reus, você está me jogando pra cima de Erick Durm e Pierre-Emerick Auba? Sério? - Ele gargalhou. - Não estou tão desesperada assim.
- Ouch, eles ficariam desapontados se ouvissem isso.
- Eles sabem que é verdade. - Complementei. - Além do mais, você sabe que não duraria muito tempo.
Reus concordou e notei que ele estacionava em frente à casa de Bartra.
- Apenas me prometa que você será sociável e tudo feito! - Ele disse.
Revirei os olhos e concordei, abrindo a porta logo depois. Soltei um suspiro enquanto caminhava até a porta de Marc Bartra, tudo que eu queria era estar debaixo do meu edredom, vendo alguma série, mas estava ali, parada na porta de um dos jogadores do Borussia Dortmund.

- Olha quem veio! - Durm falou caminhando em minha direção e me dando um abraço. - Senti sua falta.
- Me solte, Durm! - Falei estapeando-o e ele riu, me soltando.
- Sei que você sentiu minha falta! - Ele disse e logo depois fui abraçada sem saber por quem era.
- Ainda bem que você não morreu naquele apartamento, Schätzchen. Já ia mandar alguém pra te procurar... - Reconheci a voz de Auba e me soltei de seus braços.
- Vocês são tão exagerados... Não fiquei tanto tempo longe. Além do mais, não iria fazer diferença alguma, já que vocês ficam, na maioria das vezes, se agarrando com alguma mulher. - Complementei e eles riram concordando.
- Isso não significa que não sentimos sua falta. Além do mais, Durm é horrível no pôquer! - Auba falou e recebeu um tapa de Durm.
- Da próxima vez, não jogarei com você!
- Não haverá próxima vez, já que agora tenho minha arma secreta. - Auba me abraçou pelos ombros.
Nós ficamos conversando por uns trinta minutos, até que Auba me convenceu a jogar um pouco de pôquer. Quando Reus começou a me levar naquelas festinhas, eu não conhecia muito os jogadores, mas jogar cartas foi a porta de entrada para que eu me aproximasse de alguns deles. Minha parceria com Auba começou na primeira vez em que joguei, então desde sempre jogamos juntos e ganhamos praticamente 80% das vezes. Auba sempre fala que sou seu amuleto da sorte e, talvez, seja mesmo, já que seu rendimento no pôquer caiu desde que não apareci.
Ficamos jogando por um certo tempo, mas por fim, os caras cansaram, foram beber e conversar sobre assuntos aleatórios. Olhei para o meu copo e minha bebida estava quase no fim. Tentei encontrar Reus com o olhar e quando o encontrei ele estava engatado em uma conversa com Bartra, Melissa e Mari. Fiz uma careta e desisti de ir até eles, provavelmente era uma conversa sobre casais e eu não estava muito a fim de participar por motivos óbvios.
Peguei meu celular para olhar as horas e já se passavam das 2 horas.
Suspirei e olhei ao meu redor, procurando alguém para "socializar". A verdade é que eu queria ir embora, mas não iria incomodar Marco para ir, não queria parecer chata ou ingrata.
Percebi que Roman Bürki estava sentado sozinho, em frente ao balcão que estava algumas bebidas. Não éramos muito próximos e nunca cheguei a conversar com ele sozinha, sempre Reus ou Auba estavam também, mas, talvez, hoje fosse o dia que isso poderia mudar.
Caminhei em sua direção e, assim que cheguei, sentei no banco ao seu lado e enchi meu copo com refrigerante. Ele olhou em minha direção e eu sorri, recebendo um sorriso de volta.
- Então Roman, quais são as novidades? - Ouvi sua risada.
- Bom, nada demais. Provavelmente você já sabe que estamos indo bem nos jogos... - Concordei.
- Reus me deixa informada de tudo. E onde está sua namorada? – Falei, tentando lembrar o nome dela. - Mellyn, não é?
- Mellyna. - Ele respondeu e me olhou. - Nós terminamos. Engasguei com a bebida que eu tinha acabado de colocar na minha boca. Nem o conheço e começo dando fora.
- Sinto muito. - Falei por fim.
- De acordo com ela, eu era muito imaturo. - Ele deu um sorriso triste e eu sorri em tom de deboche.
- Sério que ela disse isso? Se fosse com Durm até que ia, mas você? - Roman sorriu. - Sinceramente, ela queria pular fora e arrumou uma desculpa qualquer... Era o que eu faria se não estivesse interessada no cara. - Arregalei os olhos e o olhei assim que terminei a frase. - Eu não quis dizer isso, porque você não parece ser o tipo de cara que se descarta assim e é melhor eu calar a boca, antes que fale mais alguma bobagem.
- Está tudo bem. - Ele disse. - Na verdade, foi a coisa mais verdadeira que alguém me disse sobre isso. - O olhei e senti meu rosto esquentar.
- Eu sinto muito mesmo, Roman... Sei bem o que é isso. - Completei e coloquei minha mão em cima da sua, mas a retirei rapidamente, depois de perceber que aquilo poderia ser entendido de forma errada.
Ficamos alguns minutos em silêncio, eu bebia um pouco da minha bebida, enquanto pensava em algo para quebrar aquele clima pesado que, querendo ou não, eu havia criado.
- Seu namorado terminou com você também, não foi? - Ele falou quebrando o silêncio. - Não precisa falar se não quiser... - Bürki complementou depois que permaneci calada.
- Não, é uma pergunta válida. - Disse e olhei em seus olhos castanhos. - Ele disse que eu era confusa e complicada demais... Talvez eu seja mesmo. - Ri sem graça. - Cinco dias depois e ele já estava com outra.
Roman me olhou e sorriu, não foi um sorriso de piedade como Reus ou Mari às vezes sorriam pra mim, mas foi um sorriso de que ele entendia muito bem o que eu estava passando e isso me confortou de certa forma.
- E como estão as coisas? - Ele me perguntou.
- Ah, tem sido difícil, principalmente por estudarmos no mesmo campus, então eu acabo o vendo diariamente, mas, depois de 3 meses, tenho conseguido fazer as coisas sem me importar com ele... Voltar realmente não é uma opção. - Concluí e Bürki concordou.- Mas tenho usado todo o meu tempo livre para me focar nos estudos, então tem sido um pouco mais fácil.
- Eu faria isso também.
Roman pegou e minha mão e o olhei em seus olhos, ele sorriu para mim e inevitavelmente sorri de volta. Por fim, engatamos em uma conversa sobre términos de namoro, não era algo que eu gostasse de conversar, principalmente com um cara que nem conhecia direito, mas Roman tinha um jeito diferente e as coisas com ele pareciam ser tão descomplicadas...
Claro que ele tinha mais histórias do que eu, mas ele me fez rir em cada história e acabou que a conversa se direcionou para outros diversos assuntos, nos fazendo concluir que tínhamos mais coisas em comum do que imaginávamos.
- Não sei porque a gente não se conheceu antes... - Bürki comentou e colocou um pouco mais de bebida em seu copo. Ele não estava bêbado, mas nossas conversas já tinham uma certa liberdade que antes não teriam.
- Talvez seja porque não éramos solteiros. Não sei você, mas meu namorado era bem ciumento. - Revirei os olhos.
- Mellyna era um pouco também. - Nós rimos. Percebi que Reus caminhava em nossa direção, então deduzi que iríamos embora a qualquer momento.
- Então , já arranjou carona? - Reus falou e olhei para ele. Ele não estava tão bêbado a ponto de não poder me dar uma carona.
- O quê? Eu vou com você, dummkopf! - Disse.
- Mudança de planos. Eu e a Mari... - Ele deu uma pausa e entendi o que ele quis dizer. - Você sabe, né! - Ele disse e revirei os olhos.
- Marco, eu vim com você! - Disse fechando o semblante. - Estou morta de cansada, você não pode me deixar aqui.
- Eu levo você. - Roman, que eu tinha me esquecido que estava vendo minha pequena discussão com Reus, falou. - Pode ir, Reus.
- Sério? Obrigado, cara! Te devo uma.
E antes que eu pudesse contestá-lo, Reus deu um beijo na minha bochecha e foi embora. Olhei para Roman que me olhava divertido.
- Sinto muito por isso. - Falei, depois de dar um sorriso, frustrada.
- Sem problemas, além do mais, Reus é um bebezão quando as coisas não funcionam do jeito que ele quer. - Ri concordando e vi ele pegando seu casaco. - Vamos?
- Não precisamos ir agora.
- Precisamos, porque alguém está "morta de cansada". - Ele disse imitando meu tom de voz e dei um tapa no seu braço.
- Eu não falo assim, dummkopf!
Despedimos do restante que havia ficado na casa de Bartra e caminhamos em direção ao carro de Bürki. Já se passavam das 4 da manhã e estava um frio infernal em Dortmund, então foi inevitável apertar o casaco contra o corpo. Roman apontou onde estava o seu carro e corremos até ele. Assim que entramos, Bürki ligou o aquecedor rapidamente e suspiramos aliviados quando o calor nos atingiu.
- Desvantagens da Alemanha. - Eu disse e ele riu, concordando.
- Parece que vai chover. - Ele disse, olhando para o céu. - É melhor irmos.
- Sim. Minha casa não é muito lon... - E antes que eu pudesse complementar a minha fala, minha barriga roncou e Roman gargalhou. Senti meu rosto ficar vermelho. - Não tem graça!
- Me desculpa, mas tem sim, schätzchen. - Ele riu. - Vamos, conheço um delivery aberto e que servem batatas fritas deliciosas.
Com isso ele engatou o carro e começamos a conversar sobre gostos musicais. Enquanto ele gostava de um rock mais clássico, eu seguia mais o estilo indie rock. Mas isso apenas nos envolveu ainda mais na conversa, porque apontávamos os fatores que nos levaram a gostar de tais estilos, os principais cantores e se já havíamos ido a algum show.
Quinze minutos depois e já estávamos no delivery. Depois de uns cinco minutos, fizemos os pedidos e fomos comendo enquanto Roman dirigia até a minha casa. Contudo, no meio do caminho, a chuva que Bürki suspeitava começou a cair, com direito a raios e trovões. E, por mais que ele parasse na porta da minha casa, eu iria me molhar por conta do caminho até a entrada do apartamento, então Roman insistiu para que eu ficasse dentro do carro até que a chuva diminuísse. Então terminamos de comer, ouvindo uma música aleatória que passava no rádio e Roman me contou diversas histórias constrangedoras sobre quando era adolescente.
Depois de 30 minutos a comida tinha acabado e a chuva tinha diminuído consideravelmente. Olhei para fora do carro e tentei decidir se cortava o que Roman estava falando e corria para dentro de casa ou continuava ali o ouvindo.
- Você parece cansada... e a chuva diminuiu. - Ele disse por fim. Concordei apoiando a cabeça no banco do carro. Depois de um tempo ali dentro, estava sentada de lado, minha perna esquerda estava dobrada e totalmente em cima do banco, enquanto a direita estava parcialmente no banco também.
- Eu não conversava assim a muito tempo com alguém. - Comentei e o olhei dentro dos seus olhos. - Na verdade, hoje foi o melhor dia depois que tudo aconteceu.
- Para mim também. - Roman falou e pegou em minha mão.
Pela primeira vez na noite, seu olhar se direcionou para minha boca. De uma maneira calma ele foi se aproximando de mim e eu também me aproximei dele. Nossos narizes se encontraram e já estávamos tão perto um do outro que eu conseguia sentir seus lábios sobre meus, fechei meus olhos e senti suas mãos acariciarem minha face.
- Eu não irei fazer isso se não for o que você quer, . - Roman disse e eu abri meus olhos encontrando os seus.
Não precisei de minutos para pensar se queria ou não aquilo, porque aquilo foi a única verdade da noite, eu com certeza queria aquilo, queria aquele beijo. Diminuí o pouco espaço que tínhamos selando nossos lábios. Bürki levou sua mão até a minha nuca e diminuiu ainda mais o espaço que havia entre nós, aprofundando nosso beijo. Minhas mãos se direcionaram para o seu cabelo e os puxei de leve, fazendo com que Roman me segurasse ainda mais firme.

Aquela noite terminou comigo correndo até a minha casa, sozinha, e tomando um longo banho quente. Meus pensamentos não se direcionavam mais ao meu ex, mas sim a um certo jogador do Borussia Dortmund.
Depois daquilo, não nos falamos por três dias e eu já estava imaginando que ou ele não queria nada, ou estava meio bêbado para não se lembrar. Mas, no quarto dia, recebi uma mensagem dele às 7 horas da manhã me convidando para tomar um café. Pensei em recusar, mas acabei sendo impulsionada a ir.

Sven Bender

de longe tinha tido o dia mais difícil em toda a sua trajetória na sua carreira profissional. Ela trabalhava em um departamento de moda e, naquele dia em específico, sua chefe tinha perdido um grande negócio e resolveu descontar suas frustrações em cima dos funcionários. (In)felizmente, era um dos braços direitos dela e passava todo o período de trabalho ao seu lado, consequentemente, foi a que mais sofreu.
Quando saiu do escritório, estava um lixo. Sua cara demonstrava um desgaste tão grande que nem uma xícara de café forte tinha resolvido. Alguns colegas a tinham convidado para ir a um pub, mas ela rejeitou o convite, já que tudo que ela queria era ficar um tempo sozinha, talvez embaixo de um edredom.
Mas resolveu prolongar sua vontade de ficar deitada e fez um trajeto que ela conhecia muito bem quando queria ficar um tempo sozinha, longe de qualquer barulho. Era uma pequena cafeteria em Dortmund, mas que tinha um chocolate quente delicioso, com muitos marshmallows, e que combinava muito bem com os cookies caseiros que a própria dona fazia. Aquele era um dos seus locais preferidos quando se sentia cansada.
Quando entrou no local, percebeu que o lugar que ela costumava se sentar estava ocupado. Ela deu um suspiro, frustrada, e caminhou até o balcão, se sentando em um dos bancos e deixando sua bolsa no banco ao lado. Instantes depois, ela fez o pedido e esperou pouco tempo até que trouxessem sua bebida fumegante e seus biscoitos. pegou seu celular para digitar uma mensagem à sua colega de quarto, quando sentiu algo quente cair na sua calça. Ela olhou para o lado e viu que sua bolsa estava coberta de chocolate quente e, ao que parecia, era o seu. Ela não conseguiu se controlar antes de soltar um grunhido de frustração e, talvez, de raiva também.
- Me desculpe... - encontrou um par de olhos claros a encarando. - Não foi minha intenção...
O rapaz, que ela sabia que conhecia de algum lugar, pegou vários guardanapos e começou a limpar sua bolsa. apenas revirou os olhos com raiva, pegou uns guardanapos e tentou limpar sua calça, mas de nada adiantou. Com certa raiva, ela tomou a bolsa das mãos do cara.
- Muito obrigada mesmo! Tudo que eu precisava era que um esel* derramasse bebida em mim. - disse, inspirando e se controlando para não descarregar toda sua raiva nele.
Porém, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, um garotinho de 10 anos surgiu e pediu um autógrafo ao rapaz. Foi então que se recordou de quem ele era. O rapaz à sua frente era Sven Bender, jogador de futebol do Borussia Dortmund. Ela soltou uma risada irônica, pegou sua bolsa, não sem antes deixar o dinheiro no balcão, e saiu da cafeteria.
Ela já estava perto do carro quando sentiu alguém pegar em seu braço.
- Eu sinto muito mesmo! Deixe eu pagar outra bebida para você ou pelo menos pagar a lavagem da sua bolsa... ou uma bolsa nova. - revirou os olhos procurando a chave do carro.
- Por quê? - Ela o provocou e ele a olhou surpreso.- Você acha que não sei quem você é, Bender?
- Você assiste futebol então... - Ele a olhou de uma forma desapontada.
- Assisto e isso não importa, agora quer tirar a mão do meu braço e me deixar ir embora?
Nesse momento, Sven percebeu que ainda segurava o braço da garota raivosa. Ele a soltou e tentou, mais uma vez, dar o dinheiro que pagasse a lavagem da bolsa, mas ela recusou, entrou no carro e deu partida, sem olhar para trás. Sven esperou pacientemente até que o carro sumisse da sua vista, para logo depois entrar novamente na cafeteria.

Três meses haviam se passado desde o ocorrido e muita coisa tinha mudado na vida de . Ela se demitiu do departamento e tinham sido meses maravilhosos, até que, sem ter uma renda fixa, precisou arranjar alguns trabalhos. Ela ainda estava fazendo o seu nome como consultora de moda e isso era um caminho lento, então, conseguir pequenos trabalhos era essencial.
Ela tinha saído do apartamento que dividia com sua colega e voltou a morar com a tia. Não era o que queria, mas dessa forma os gastos eram menores. Morar com a sua tia era, no mínimo, cansativo por conta do seu primo de 8 anos, que parecia tomar uma garrafa de café todos os dias. Ela o adorava, mas quando estava cansada demais, ele parecia ser muito irritante.
Um dia, quando sua tia estava aos nervos, saiu com seu primo para ele não irritá-la tanto. Ela dirigiu até uma praça um pouco distante de sua casa. Era uma praça calma, mas que não deixava nada a desejar pelo playground. Um lugar que Charles adorava ir.
O pequeno garoto, que se enturmava facilmente, já estava rodeado de garotos que subiam e desciam nos brinquedos incansavelmente. sentou em um banco e aproveitou para colocar suas leituras em dia. Volta e meia, seu olhar se dirigia a seu primo para constatar se ele estava bem. O clima de Dortmund estava agradável, não estava muito frio nem muito quente e o sol estava presente.
Já haviam se passado trinta minutos quando procurou seu primo com o olhar. Ela o viu com alguns garotos e todos eles rodeavam um certo cara. Provavelmente, era parente de algum dos garotos. Por instinto, talvez, o cara olhou diretamente para , franzindo o cenho logo em seguida.
achou aquilo, no mínimo, estranho e desviou o olhar novamente para o seu livro, ignorando totalmente o desconhecido. Porém, não demorou muito para que ela percebesse que alguém se aproximava dela, levantou a cabeça e se deparou com um par de olhos azuis que há 3 meses atrás ela tinha visto.
- Oi. - A voz rouca de Sven surge, mas a feição de , que antes era calma, se transforma em uma de surpresa e de vergonha, por causa da última lembrança. - Não se preocupe, não vou derramar chocolate quente em você... - Sven brincou e a garota sorriu.
- Ainda bem, não é mesmo? - Ela finalmente falou, sentido suas bochechas esquentarem.
- Eu posso? - Sven perguntou na intenção de se sentar ao seu lado e concordou, dando espaço para que ele pudesse se acomodar. - Eu sinto muito por aquele dia, não era minha intenção derramar nada em você.
- Tudo bem. Em dias normais, eu te obrigaria a pagar por outra bebida... e por uma bolsa nova também. - sorriu.
- Então você não estava em um dia normal... - Bender completou.
- Estava estressada por conta do trabalho, então digamos que era mais fácil eu descontar tudo em você do que pedir uma bolsa nova.
- E hoje? É um dia normal? - riu, concordando.
- Não tem nada com o que se preocupar. - Ela o olhou.
- Fico mais confortável então... - Sven disse e revirou os olhos sorrindo.- Ainda posso te pagar uma bebida?
- Estou com meu primo. - Ela disse a primeira coisa que lhe surgiu e apontou para Charles, que apostava corrida com os outros garotos.
- Eu sei disso, ele me pediu um autógrafo e disse que você ficaria muito feliz se eu assinasse sua blusa do time também. - arregalou os olhos, enquanto suas faces tomavam um tom rosado.
- Ele não disse isso. E-eu... nunca... ele... – Ela se atrapalhou com as palavras.
- Eu só estava brincando. – Sven a interrompeu e gargalhou, enquanto o olhou incrédula. - Então você torce mesmo para o Borussia Dortmund? - concordou. Acho que esse seria um motivo a mais para você aceitar sair comigo. - Bender disse olhando diretamente para ela.
- Só porque você joga lá isso não significa nada. E, que eu me lembre, você disse que ia pagar uma bebida que, pelo que se subentende, é um chocolate quente.
- Então você aceita? - Sven falou esperançoso. - Se você quiser, eu te arrumo uns ingressos para ir no próximo jogo...
- Sven, isso não quer dizer que aceitei, mas, caso isso ocorra, não será pelos ingressos ou por você jogar no Borussia. Isso não faz diferença nenhuma para mim. – concluiu.
Ela o olhou com certa dúvida. Era apenas uma bebida, talvez uma ida a algum pub, no máximo. Não iria exigir ingressos para o próximo jogo, nem nada... E o que ela tinha a perder? Estava querendo mesmo sair e Sven deveria ser um ótimo acompanhante.
- Você está mesmo subornando uma garota para sair com você, Bender? - Ela disse, tentando quebrar o clima e ele riu.
- Bom, você não parece ser uma garota fácil, achei que talvez isso fosse um incentivo a mais.
- Eu aceito - Ela disse e Sven sorriu -, mas é só uma bebida...
- Só uma coisa... - Bender coçou a cebeça. - Como você se chama? - riu.
- . .

A ida a cafeteria passou para um encontro à noite em um pub e que se tornou cada vez mais constante. Depois disso, foram as idas aos jogos com direito a festas nas casas dos amigos do Sven. Festas que depois passaram a terminar com roupas jogadas no chão do apartamento de Bender.
No fim, não perdeu nada saindo com Sven Bender, apenas deu uma chance para viver o que se tornou a melhor fase da sua vida.

*esel: burro, idiota

Continua...

Nota da autora: (01/06/2017) Olá, para quem leu a original, houveram algumas modificações que fiquei com preguiça de fazer no wattpad, mas acho que essa nova versão ficou melhor haha
Obrigada Babi, por ser maravilhosa e fazer as betagens <3
Por fim, enjoy it!

Nota da beta: Mais uma história tão bonitinha que eu betei num piscar de olhos aqui hahaha. Já quero a próxima! 😁


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