Autora: Naty G.| Beta: Lari Carrião



Capítulo 1 - A proposta


- Ta mãe eu já entendi, - revirei os olhos - sim eu vou levá-la. Também amo você.
Guardei o celular no bolso e passei a mão nos cabelos pensando no tamanho da confusão em que eu havia me metido.
- E ai cara, qual é a boa? - , meu melhor amigo, apareceu ao meu lado me dando dois tapinhas nas costas.
- Minha mãe quer que eu vá passar o feriado em casa. E leve a minha namorada.
Prazer, meu nome é , tenho 18 anos, estou no último ano do colegial e sou capitão do time de futebol do colégio. No ano passado, meus pais se mudaram para a Austrália e me deixaram ficar morando com o meu melhor amigo de infância, , desde que eu fosse os visitar em todos os feriados e datas comemorativas.
Bem, há uns dois meses, minha mãe começou a pegar no meu pé falando que eu precisava arrumar uma namorada séria, então eu acabei falando pra ela que já havia arrumado uma e agora ela queria conhecer “a garota que havia roubado meu coração”. - palavras dela. O problema? Ela não existe.
- Você não fez isso!
- Eu não achei que ela fosse querer conhecer a garota caralho.
- Você é muito burro. - me empurrou fazendo com que eu quase derrubasse alguém que passava pelo corredor.
- Que merda , olha por onde anda, - eu conhecia aquela voz - eu podia ter caído.
- Desculpa princesa. - dei meu melhor sorriso - Da próxima vez eu me esforço para que você caia de verdade. - de uma piscadela em sua direção antes de me afastar.
- Vocês ainda vão acabar se pegando. - comentou assim que eu o alcancei me fazendo soltar uma risada alta.
- Eu e a ? - falei entre risos - Nem se ela fosse a última mulher do mundo.
, nos conhecemos aos 14 anos e nos odiamos desde os 13. Ela é a pessoa mais insuportável do mundo e eu tinha a grande sorte de chamá-la de vizinha. Há uns três anos, ela e resolveram namorar, durou cerca de um mês e foi o pior mês da minha vida; a todo lugar que eu e íamos, ela ia junto e sempre levava sua cota de chatisse resultando em várias brigas diárias entre nós dois.
Acontece que, há cerca de um ano, decidiu que nossas discussões não passavam de amor reprimido e me enche o saco com isso até hoje.
- E eu finjo que acredito, mas, voltando ao seu problema com a sua mãe, por que não leva a Lisa? - se referiu a minha atual peguete.
- Tá louco? Ela já acha que a gente tá namorando porque estamos ficando há duas semanas, se eu levar ela para conhecer minha família ela vai achar que estamos noivos.
- Leva outra garota então. O que mais tem aqui são garotas querendo sair com você. - indicou um pequeno grupo de meninas que sorriam abertamente na minha direção, sorri de volta.
- É exatamente esse o problema, se eu levar qualquer uma delas, ela nunca vai me deixar em paz.
- Ta então qual é o plano?
- Achar uma garota que seja imune a mim, e convencê-la a ser minha namorada por cinco dias.
- E você não pode simplesmente dizer a sua mãe que ela não pode ir?
- Até parece que você não conhece minha mãe , ela não vai me deixar em paz durante todo o feriado.
- É bom você achar uma namorada rápido porque seu prazo acaba em 24 horas.
- Onde eu vou encontrar alguém que não vá me encher o saco no final disso tudo? - sua resposta foi interrompida pelo sinal anunciando o início das aulas. - A gente se fala depois cara. - entrei em uma sala a minha direita me sentando em meu lugar de costume na última carteira.
Instantes depois, entrou na sala, ofegante pela breve corrida, sendo seguida pelo nosso professor de matemática, Sr. Andrews. Passou os olhos pela sala à procura de uma carteira vazia e sua expressão mudou totalmente ao constatar que o único lugar sobrando era na minha frente. Se jogou na cadeira bufando alto a fim de demonstrar toda sua irritação e eu sorri internamente imaginando o quão divertidas aquelas duas aulas seriam.
- Abram seus livros na página 63, quero todas as questões respondidas até o final da aula valendo dois pontos. - Sr. Andrews anunciou.
Faltavam menos de 20 minutos para bater o sinal do intervalo quando eu decidi que estava entediado demais então peguei um lápis qualquer e comecei a enrolá-lo em seus cabelos. Nas primeiras vezes ela apenas puxou o cabelo para o lado e sussurrou para que eu parasse, na terceira vez ela surtou.
- Porra , será que da pra você parar com essa idiotice e me deixar em paz. - gritou.
- Srta. , Sr. . - Sr. Andrews nos chamou - fora - indicou a porta.
- Mas eu não fiz nada, foi ele. - tentou se defender.
- Não quero saber de quem é a culpa Srta., quero os dois fora da minha sala agora. E seus trabalhos não serão aceitos.
- Isso é injusto. - dessa vez fui eu quem tentou argumentar.
- Se não saírem agora, tirarei mais dois pontos de suas médias.
Peguei minhas coisas e sai da sala atrás de uma igualmente irritada. Quando já estávamos a uns dez passos de distância da sala, ela parou no meio do caminho e se virou para mim começando a distribuir tapas e socos por meus braços e peitoral.
- Porra , qual o seu problema? - segurei seus pulsos impedindo que ela continuasse a me bater.
- Meu problema é que eu acabei de perder dois pontos por sua causa . - se debateu tentando soltar os braços; a empurrei para trás e a encurralei entre a parede e o meu corpo.
- Minha culpa? Foi você que deu uma de histérica e começou a gritar.
- Porque você não me deixava em paz!
- Foda-se. - soltei seus pulsos antes de lhe virar as costas.
- Aonde você vai? - perguntou irritada.
- Para qualquer lugar longe de você. - respondi quando já estava longe e pude ouvi-la reclamar.
Entrei em um corredor que eu sabia que daria para os fundos da escola. Faltava mais de dez minutos para acabar a aula então resolvi ir até lá e esperar. Havia acabado de me sentar em um dos bancos quando senti meu celular vibrar.
"Acho que sei como resolver o seu problema com a sua mãe, mas você não vai gostar da ideia." - era uma mensagem de .
"Fala de uma vez ."
"Você precisa de uma garota que você possa apresentar a sua mãe, mas que não haja feito uma lunática atrás de você depois disso."
"Você vai ficar constatando o óbvio ou vai levar essa conversa a algum lugar?" - respondi começando a ficar irritado.
"Alguém acordou do lado errado da cama hoje"
Estava prestes a manda-lo se foder quando uma segunda mensagem chegou:
"Eu conheço uma garota que, com toda certeza, não irá se apaixonar por você no final disso. Mas não vai ser nada fácil convencê-la a te ajudar."
"Fala sério , nenhuma garota diz não pra mim. Me diz logo quem é ela que antes mesmo da hora do almoço eu a convenço."
" ."

- Não. Você só pode ter batido a cabeça ou coisa assim. - falei assim que saiu da sala.
- Tá fazendo o que aqui? Sua sala é do outro lado do colégio.
- Fui expulso da aula por causa da , mas esse não é o assunto.
- Eu falei que você não ia gostar da ideia.
- Eu não achei que fosse ser uma ideia ridícula como essa.
- Ridícula por que cara? Você precisa de uma namorada pra amanhã. - falou calmamente guardando os livros em seu armário e pegando outro - e a única garota que não vai te dar dor de cabeça depois do feriado é ela.
- Não!
- O que você tem a perder ? Se ela disser não você vai continuar tendo um problema. Se ela disser sim você vai ter alguém pra apresentar a sua mãe. Sem contar que ela é uma gata.
- Não. - falei novamente e fui ao meu armário trocando os livros.
- você tem menos de 24 horas e, a não ser que apareça uma garota que concorde passar o feriado com a sua família sem compromisso, ela é as sua melhor opção.
- Ela nunca vai aceitar. - falei após pensar no que ele havia dito.
- Não custa tentar.
- Eu preciso pensar beleza? Se não tiver nenhuma ideia melhor, eu falo com a .
Fui para a aula de geografia assim que bateu o sinal pensando na ideia de .
Passei todo o tempo da aula pensando em várias formas de resolver meu problema sem a ajuda de . As melhores ideias foram: inventar alguma coisa para não ir, falar que terminei com a meu namoro inventado ou levar a Lisa; e nenhuma dessas ideias acabava sem algum tipo de problema para mim. Quando o sinal para o almoço bateu, fui um dos últimos a sair da sala e encontrei me esperando no meu armário.
- E ai o que decidiu?
- Vou falar com ela. - afirmei enquanto guardava as coisas no meu armário novamente.
Dei uma volta completa no refeitório atrás de mas ela não estava lá. Estava decidido a desistir quando vi correndo em minha direção.
- Ela tá lá fora. - falou ofegante. Sai para do refeitório e rapidamente a localizei, sentada no mesmo banco que eu havia me sentado há algumas horas. Respirei fundo repassando minhas outras opções mentalmente e caminhei a passos lentos até onde ela estava com seus amigos.
- , - chamei e cinco pares de olhos me encararam curiosos, ignorei e me foquei em apenas um par castanho a minha frente - posso falar com você? Em particular.
me analisou e pareceu passar vários motivos para que eu quisesse falar com ela, mas sua curiosidade falou mais alto já que ela concordou com a cabeça e se levantou do banco vindo em minha direção. Fui até uma árvore afastada onde sabia que ninguém poderia nos ouvir.
- E então o que você quer? - perguntou impaciente.
- Olha eu sei que a gente não se suporta. - comecei por fim e a vi erguer a sobrancelha curiosa - Mas eu jamais pediria isso se não fosse realmente importante.
- Do que você ta falando?
- Minha mãe quer que eu vá passar o feriado com ela na Austrália e quer que eu leve minha namorada junto. - parei pensando em como continuar.
- Tá e o que eu tenho haver com isso?
- Eu não tenho namorada e eu esperava que você talvez pudesse me ajudar com isso.
- Como assim?
- Quero que você viaje comigo e finja ser minha namorada para minha família durante o feriado. - soltei de uma vez e sua reação deixou claro que ela ficou surpresa.
- Certo qual é a pegadinha? - perguntou quando saiu do seu transe.
- Não tem pegadinha nenhuma.
- E por que eu? Quer dizer, você sempre tem uma peguete diferente por mês, chama a desse mês.
- Preciso de alguém que não vá ficar me enchendo o saco depois.
- Não. - falou decidida e começou a andar de volta para sua mesa, mas a segurei pelo braço fazendo com que me encarasse novamente.
- Qual é ? Você não tem nada a perder.
- Tenho. Meu feriado.
- Você passa todos os feriados em casa, sozinha, assistindo filme romântico. - constatei fazendo com que sua expressão de raiva piorasse. - Estou te convidando para ir para outro país , ver pessoas de verdade, praias de verdade. E a única coisa que você precisa fazer é dizer pra minha família que é minha namorada.
- Não.
- Deixa de ser teimosa, porra! - gritei perdendo completamente a paciência chamando a atenção de todos, repirei fundo antes de continuar controlando a voz novamente - Não estou pedindo para você pular de um penhasco , estou apenas pedindo para você passar um feriado em um lugar incrível sem precisar se preocupar com nada e, prometo não te irritar durante todo a viagem. Será que da pra você ao menos pensar um pouco antes de simplesmente falar não?
Ela olhou para todos os lados e ficou quieta por um tempo parecendo pensar no assunto e um pingo de esperança brotou dentro de mim quando ela parou seu olhar em mim com um sorriso no rosto.
- Não. - respondeu ainda sorrindo e soltou seu braço do meu aperto voltando para a mesa.
Respirei fundo me controlando para não soltar todos os xingamentos que se passavam pela minha cabeça e fui para onde estava perto da porta que levaria ao refeitório.
- Como foi? - perguntou assim que me aproximei. Ignorei sua pergunta e entrei no prédio seguindo a passos duros até o meu armário.

’s POV

- E então você vai me falar o que o queria ou eu vou ter que ir perguntar diretamente a ele? - , minha melhor amiga, apareceu na minha frente fechando a porta do meu armário com força. Depois que eu havia tido a conversa com , todos na mesa começaram a me perguntar sobre o que ele queria conversar, mas eu sempre mudava de assunto ou falava que não era nada demais. O único problema era que era persistente e não desistiria enquanto eu não lhe contasse em detalhes o que queria comigo.
- Já falei que não era nada demais . - falei novamente começando a caminhar em direção a sala de química.
- Certo, entendi. - olhou ao seu redor e eu parei no meio do caminho tentando entender o que ela estava fazendo. Seu olhar se fixou em algum porto metros a frente e eu olhei para a mesma direção finalmente entendendo o que ela pretendia fazer.
- Nem pense nisso. - falei um pouco tarde demais já que quando terminei, ela já estava fazendo seu caminho até ele, a segui rapidamente.
- , será que a gente podia conversar? - parou na frente dele sorrindo cinicamente.
- Não. - respondi por ele e a puxei pelo braço até o banheiro feminino.
- O que você tava fazendo?
- Eu disse que se você não me falasse eu ia perguntar pra ele. - deu de ombros e eu quis lhe dar um tapa. Fechei os olhos e contei até 10 antes de voltar a falar.
- Certo, eu conto. - abri a boca para responder, mas fui interrompida pelo sinal - Merda. Fica com o celular na mão. - gritei já fora do banheiro correndo para a minha sala.
Consegui entrar na sala antes do professor chegar, completamente ofegante por ter corrido. Me sentei no único lugar vazio que tinha, ao lado de , e peguei meu celular.
"Ele queria que eu fingisse que a gente namora pra família dele durante o feriado" digitei rapidamente e enviei para recebendo a resposta menos de um minuto depois.
"Tipo uma namorada de aluguel?"
"Sim, ele disse que precisa de alguém que não vá ficar enchendo o saco depois."
"E o que você disse?"
"Eu disse não." - revirei os olhos como se fosse óbvio.
"VOCÊ TÁ LOUCA? QUAL O SEU PROBLEMA?" - respondeu em apenas alguns segundos e eu não entendi a sua reação.
" eu não vou fingir que sou apaixonada pelo . Eu não aguento nem ficar na mesma sala que ele sem discutir."
"Tá, eu sei. Mas você pode tirar alguma vantagem com isso." - eu precisava admitir, sua última mensagem havia me deixado curiosa.
"Como assim?"
"Pensa , se ele te pediu isso, é porque ele está claramente desesperado. Pede alguma coisa em troca."
"Tipo...?"
" Sei lá. Você é criativa , com certeza vai pensar em alguma coisa." - antes que eu pudesse respondê-la, meu celular vibrou novamente indicando outra mensagem.
“ Por que não aceitou ajudar o ?" - era uma mensagem de . Olhei para ele distraído ao meu lado antes de responder.
"Porque isso claramente não vai dar certo. Ninguém nunca acreditaria que a gente namora. Sem contar que, passar cinco dias com ele sem dúvidas resultaria em um assassinato."
"Vocês podem dar um trégua ué. Ele realmente precisa da sua ajuda e você sabe disso. O pode agir como um idiota na maioria do tempo, mas ele é um cara legal e eu tenho certeza de que vocês se dariam bem se conseguissem parar de brigar."
"Eu e o somos de mundos completamente diferentes , e ninguém melhor que você sabe disso.”
“Por favor, por mim.” - olhei para irritada, aquilo era golpe baixo e ele sabia perfeitamente disso. Pensei no que havia dito e respirei fundo antes de procurar um contato que eu nunca soube ao certo o porque de ter seu número no celular.
“Me encontra no estacionamento na hora da saída.

“Não me diga que mudou de ideia.

“Isso você só vai descobrir às três.

Guardei o celular no bolso novamente e voltei a prestar atenção na aula me preparando mentalmente para a conversa que teria com mais tarde.

Eram exatamente três horas quando encontrei encostado no capô de seu carro no estacionamento. Assim que me viu, ele desceu do capô e se encostou na porta com um sorriso sedutor no rosto.
- Tá atrasada. - falou assim que me aproximei.
- São três horas agora , você que esta adiantado.
- Que seja. O que você quer conversar?
- Andei pensando sobre o que você me pediu na hora do almoço e, eu decidi que vou te ajudar com seus pais, mas eu tenho uma condição. - o breve sorriso que havia começado a se formar em seu rosto quando eu concordei sumiu instantes depois.
- Fale.
- Você vai ter que fazer tudo o que eu quiser durante um mês sem questionar.
- Fala sério , eu não vou ficar bancando o seu empregado particular. - negou veemente com a cabeça.
- Você precisa da minha ajuda, , e eu estou disposta a te ajudar. Só estou pedindo uma coisa em troca.
- Não. - negou novamente.
- Certo. - dei de ombros me afastando. - Boa sorte pra achar outra pessoa que concorde com esse plano em menos de doze horas. - lhe dei as costas e comecei a caminhar para o portão de saída do colégio.
- Espera. - eu havia dado pouco mais de cinco passos quando sua voz me fez parar - Eu topo.

Capítulo 2 - Se conhecendo


- Certo por que me trouxe pra casa do ? - perguntei ao entrar na grande casa branca.
- Eu também moro aqui . E se vamos mesmo fazer isso, precisamos saber mais do que só o nome um do outro - seguiu em direção da cozinha jogando sua mochila no sofá pelo caminho - Tá com fome? - perguntou vasculhando geladeira e armários - Tem lasanha congelada, pizza de ontem e um pacote de pipoca.
- Eu aceito a pizza.
- Certo. - tirou uma caixa de pizza da geladeira colocando os pedaços que estavam dentro dela em um prato o levando ao micro-ondas. - Refrigerante ou suco?
- Suco. - me entregou um copo com suco de laranja dentro.
- Obrigada. Cadê o ?
- Disse que tinha um trabalho pra fazer na casa da Amber. - respondeu rindo; franzi a testa sem saber quem era Amber. - É a nova peguete dele.
- Ah. - balancei a cabeça ao compreender o que ele havia dito.
Comemos a pizza em absoluto silêncio, que se estendeu por um tempo logo depois.
- Vem. - falou ao se levantar pegando sua mochila na sala e foi em direção às escadas.
- Pra onde? - perguntei desconfiada.
- Pro meu quarto ué. Nada melhor que uma rapidinha para nos conhecermos melhor, a gente pode conversar depois. - deu de ombros. Meus olhos arregalaram e comecei a gaguejar vergonhosamente tentando falar alguma coisa.
E então ele começou a rir.
Gargalhar.
- Você precisava ter visto a sua cara, foi hilária. - falou controlando o riso - Relaxa , eu não transaria com você nem que você fosse a última mulher da terra e minhas mãos não pudessem mais me ajudar.
- Saiba que o sentimento é recíproco . - respondi entre dentes. Ele apenas começou a rir novamente antes de continuar a subir as escadas. Bufei irritada e o segui.
- Entra ai. - falou ao abrir uma das portas do corredor.
- Uau, não é como eu esperava. - comentei quando entrei no grande quarto branco.
minha frente, havia uma grande cama de casal, onde estava deitado, com um criado mudo em cada lado. Na parede atrás de mim, uma grande estante de madeira com TV, DVD, e várias outras coisas. À minha direita tinha uma mesa com um notebook e outras coisas do gênero em cima e à minha esquerda, duas portas brancas que eu deduzi serem do banheiro e closet.
- E o que você esperava?
- Ah você sabe. Alguns pôsteres de mulheres peladas pela parede, camisinhas por todo lado, uma pilha da playboy ao lado da cama ou uma coleção de pornôs perto da TV. - fiz uma pausa. - Talvez um alvo com uma foto minha atrás da porta.
- Sabe que não é uma má ideia. - tirou o celular do bolso e o apontou na minha direção. - Sorria - falou e o som da câmera me fez ter certeza de que ele realmente havia tirado uma foto minha.
- Você é realmente um idiota !
- Que seja, senta aí. - indicou um espaço vazio na cama com a cabeça.
- Certo, por onde começamos?
- Sei lá, eu nunca fiz isso antes. - deu de ombros.
- Jura que nunca sentou para conversar com a sua namorada falsa para conhecerem melhor? - perguntei ironicamente.
- Muito engraçada . Hilária. - respondeu emburrado.
- E se a frente fizesse um jogo de perguntas? Você me faz uma pergunta e eu te faço outra em seguida. - sugeri.
- É pode ser. Você tem irmãos?
- Não, sou só eu. E você?
- Tenho dois, e . Você vai conhecê-los.
- São mais velhos que você?
- O tem 20 e a tem 16.
- Quando é o seu aniversário?
- 12 de março. E o seu?
- 22 de março.
- Parece que temos alguma coisa em comum afinal. Comida favorita?
- Panquecas. A sua?
- A macarronada da minha mãe sem dúvidas.
- Banda favorita?
- Beatles. Você?
- Parece que temos outra coisa em comum.
- Quantos anos você tem?
- Estamos no mesmo ano , temos a mesma idade - revirei os olhos como se fosse óbvio. E realmente era. - Filme favorito?
- De volta para o futuro. Óbvio. O seu?
- Para sempre.
- Aquele romance ridículo da menina que perde a memória?
- Não é ridículo, mas sim esse mesmo.
- Qual o nome dos seus pais? - minha respiração travou quando as palavras saíram de sua boca atraindo sua atenção. - , eu estou falando com você.
- Meus pais morreram ano passado em um acidente.
- Eu... Eu não sabia. Sinto muito. - disse sincero. - É por isso que você passa todos os feriados sozinha assistindo filmes? - concordei com a cabeça.
- A gente sempre passava os feriados juntos. Pareceu errado mudar isso depois de tanto tempo. - respondi com a voz rouca.
- Me desculpa por ter te zoado por isso, eu realmente não sabia.
- Tá, tudo bem.
- Você não vai chorar, né? - seu tom quase desesperado me fez rir.
- Não, eu só preciso de um pouco de água.
- Toma. - me alcançou uma garrafa de água que tinha ao seu lado.
- Obrigada. Qual o nome dos seus?
- O que? - me olhou confuso.
- Seus pais. Qual o nome deles?
- Emily e Richard. Já ficou bêbada?
- Por que isso é importante?
- Sei lá, mas fiquei curioso.
- Já. - respondi depois de um tempo. - Duas vezes. Como começamos a namorar?
- O que?
- Se a sua mãe perguntar, não vai pegar bem se apenas um de nós souber a história.
- Certo. Bem nós estudamos juntos e há alguns meses, uns amigos em comum nos apresentaram e começamos a sair desde então.
- Só isso?
- Tem uma ideia melhor, ? - levantou a sobrancelha em desafio.
- Eu não sei, mas podia ser uma história um pouco mais... Romântica.
- Eu não faço o estilo romântico, .
- Eu sei, . Você faz o estilo canalha e acho que é e exatamente por isso que inventou esse plano ridículo de arrumar uma "namorada" - fiz aspas com os dedos.
- Você é boa com deduções, entendi. Qual seu plano então?
- Não pensei em nada ainda, só acho que essa história de amigos em comum me parece profundamente falsa.
- O que acha disso então: você era a novata e eu me apaixonei perdidamente por você desde que a vi...
- Mais falso que os amigos em comum. Você é o maior galinha do colégio , se quer convencer sua mãe de que você mudou, precisa de uma história melhor que essa. E seus pais me conhecem.
- Como?
- Quando eu estava com o , nos conhecemos em uma festa. Não conversamos, mas acho que tem grandes chances de eles se lembrarem de mim.
- Tudo bem então. Qual o plano?
- Homens são imaturos, então você o Matt e o Josh podem ter feito uma aposta para ver qual dos três pegaria a ex do antes. Nós começamos a passar um tempo juntos e, quando percebemos, estávamos apaixonados.
- Até que é uma boa história. - admitiu.
- De nada.
- Certo então temos uma história, sabemos mais do que o nome um do outro, - numerou com os dedos - temos uma trégua de não irritar um ao outro durante a viagem, só precisamos de mais uma coisa: intimidade.
- Eu falei sério quando disse que não ia transar com você, .
- Não estou falando disso garota, para de pensar que eu quero transar com você. - rolei os olhos. - Estou falando que, namorados de verdade, não tem problema em se abraçar ou qualquer outra dessas coisas melosas.
E foi nesse momento que eu finalmente percebi que, como namorada do , teria que me submeter a abraços, andar de mãos dadas, o chamar de apelidos fofos e até mesmo um beijo ou outro.
Eu queria vomitar.
- Sua cara descreve exatamente o que eu estou sentindo , pode ter certeza.
- Não sei se consigo ficar tão perto assim de você sem vomitar.
- Ah amor! - falou a palavra com tom de deboche. - Depois que você experimentar, não vai querer parar. - fiz uma careta de nojo assim que ele terminou de falar o fazendo rir. - Agora que resolvemos tudo isso, você precisa me ajudar a arrumar a mala.
- O que? Fala sério, .
- Estou falando. Todas as vezes que eu vou pra lá, minha mãe reclama que eu nunca sei o que levar que eu preciso de uma “visão feminina” para fazer a mala então ela sempre manda uma lista do que eu devo levar. Só que dessa vez eu tenho minha linda namorada para me ajudar com isso então não preciso da ajuda dela.
- Tudo bem , vamos logo com isso.
- A mala está em baixo da cama e o meu closet é logo ali. - apontou para uma das portas e ligou a TV procurando o que assistir.
- Eu não vou arrumar a sua mala. - tirei o controle de sua mão e desliguei o aparelho. - Você arruma e eu digo se falta alguma coisa.
bufou antes de se abaixar para pegar a mala e seguir para o closet.
Menos de cinco minutos depois, ele voltou para o quarto com uma pilha de três camisetas, uma bermuda, algumas cuecas e meias e um moletom.
- Você ta brincando, né? - perguntei apontando para as roupas.
- Qual o problema? - as colocou em cima da cama e me encarou confuso.
- Você vai ficar uma semana lá , não dois dias. - levantei apressadamente entrando no seu closet com ele logo atrás. Demorei um pouco para perceber como as roupas eram organizadas, mas assim que me localizei comecei a pegar mais roupas e jogar em sua direção.
- O que você ta fazendo?
- Você queria uma visão feminina e agora está tendo. Não pode sair de casa com três camisetas e uma bermuda se pretende passar uma semana fora.
- Claro que posso, é só você ver.
- Beleza, então você leva só aquilo e explica para sua mãe como sua namorada te deixou levar só aquilo de roupa. - lancei-lhe um olhar desafiador.
- Você venceu, . - falou depois de uns instantes. Sorri vitoriosa e continuei a mexer em seu closet a procura de roupas.
Quando terminamos, estava com outras quatro camisetas na mão, três bermudas, uma calça, uma camisa social e uma jaqueta de couro preta.
- Isso tudo é um exagero, . - reclamou pela décima vez enquanto guardava as roupas na mala.
- Pare de reclamar e guarde as roupas, okay?
estava prestes a responder, mas foi interrompido pelo som de seu celular tocando.

's POV

- Alô. - atendi o celular sem olhar quem era antes.
- Oi, amor.
- Ah, oi Lisa. - falei em tom um pouco entediado ao reconhecer a voz.
- Por que você não passa aqui em casa agora? Eu to sozinha.
- Não, posso eu estou ocupado agora.
- Bem então por que você não vem mais tarde? Vou ficar sozinha o dia todo hoje e eu estou tendo sérios problemas com o botão do meu short... - falou com a voz manhosa.
- Eu posso resolver isso em algumas horas. - dei um sorriso malicioso.
- Tudo bem então, a gente se vê mais tarde.
- Até mais tarde, gata.
Lisa podia ser extremamente chata e grudenta, mas eu precisava admitir que ela sabia exatamente o que fazer na cama.
- Isso foi nojento. - falou assim que eu desliguei o telefone.
- Tá com ciúmes amor?
- Morrendo.
- Relaxa que você vai ter uma semana inteirinha para aproveitar esse corpinho.
- Mal posso esperar. - rolou os olhos enquanto falava.
Terminei de guardar as coisas que havia separado dentro da mala enquanto ela jogava alguma coisa no celular em completo silêncio.
- Vamos , - chamei quando terminei - vou te deixar na sua casa, você tem uma hora pra arrumar sua mala.
- Uma hora? Só isso, ? Achei que com essa fama toda você durasse mais tempo. - falou segurando o riso e eu imediatamente entendi do que ela estava falando.
- Achei que isso não fosse da sua conta, . - retruquei saindo do quarto ouvindo seus passos logo atrás.
Fizemos todo o caminho até a casa dela em absoluto silêncio. estava completamente entretida em seu celular mandando mensagens para alguém - que eu supus ser - deixando algumas risadas escaparem algumas vezes.
Levou alguns instantes para perceber que havíamos chegado em frente ao seu prédio e descer do carro rapidamente.
- Ei , - chamei antes que ela se afastasse muito - leve roupas curtas.
- O que?
- Se vai se passar por minha namorada, precisa parecer gostosa. - sorri em sua direção e acelerei o carro seguindo para a casa de Lisa.
Fui recebido por um grande emaranhado loiro vestindo um mini short e uma blusinha regata. Não me preocupei em cumprimentar Lisa, apenas enrosquei minha mão em seus cabelos a puxando para um beijo enquanto a empurrava para dentro da casa enrolando sua blusa.

- Meus pais vão ficar fora durante todo o feriado, – Lisa falou enquanto colocava sua blusa – por que não fica aqui?
- Não posso, vou visitar meus pais no feriado. – respondi sem olhar em sua direção enquanto procurava minha camiseta.
- Tá, me dá vinte minutos que eu arrumo minha mala. – se direcionou ao closet, mas a interrompi no meio do caminho.
- Você não vai.
- O que?
- Você me ouviu.
- , sou sua namorada, nada mais comum que...
- Você não é minha namorada.
- A gente ta junto há semanas , isso é namoro. – seu tom de voz indicava que ela estava ficando furiosa.
- Não Lisa, isso é sexo casual, achei que você tivesse entendido. – falei. Aquele mini piti que ela estava dando estava começando a me irritar. – Eu preciso ir, a gente se fala outra hora beleza? – peguei minha carteira que estava jogada ao lado da cama e a guardei no bolso da calça saindo do quarto.
- , nós ainda não terminamos essa conversa! – Lisa gritou atrás de mim. Revirei os olhos e desci as escadas rapidamente a ignorando. – , volta aqui! – gritou novamente.
Abri a porta da frente e fui direto para o meu carro dando partida rapidamente enquanto ainda ouvia sua voz gritando meu nome.
Levei pouco mais de dez minutos para chegar em casa e fui direto para o meu quarto tomar um banho. Quando sai, estava sentado na minha cama com meu celular em mãos.
- A Lisa ta louca querendo falar com você.
- É eu sei.
- Achei que você já tivesse ido.
- Vou passar na casa da assim que sair daqui e vamos direto para o aeroporto. – falei entrando no closet.
- Tentem não brigar o tempo todo. Ou ao menos não se matem.
- Não prometo nada. – respondi saindo do closet já vestido. – Até semana que vem cara. – peguei minha mala e sai do quarto.
Quando cheguei ao prédio de , ela já estava do lado de fora, com uma mala de rodinhas rosa ao lado mexendo no celular. Buzinei duas vezes para chamar sua atenção e ela não tardou em colocar sua mala no banco traseiro se sentando ao meu lado em seguida.
- Oi, amor. – falei a fazendo revirar os olhos.
- Para onde estamos indo afinal? Achei que só fossemos viajar de noite.
- Para o aeroporto. O voo é só de noite, mas a gente precisa comprar sua passagem e... – parei meu discurso ao perceber que ela havia prendido completamente a respiração. – Não me diga que você tem medo de voar.
- Um pouco. – admitiu envergonhada.
- Relaxa , a gente resolve isso quando chegar a hora, você pode dormir ou ler um livro e nem vai perceber que esta voando.
- Okay.
Pouco mais de quinze minutos depois, estávamos finalmente no aeroporto. estava na livraria comprando algum livro que a ajudasse a se distrair enquanto eu comprava sua passagem.
- Nosso voo sai em uma hora. – avisei assim que a encontrei perto da livraria. – Austrália, ai vamos nós.

Capítulo 3 - Dia 1


Depois de mais de 20 horas de voo, duas paradas, um livro lido e muita reclamação por parte da , havíamos finalmente chegado à Austrália. Meus pais estavam nos esperando do lado de fora do aeroporto enquanto esperávamos nossas malas.
- Tudo bem tá na hora de começarmos com o teatro. Vamos sair daqui de mãos dadas como um genuíno casal apaixonado. - falei pegando a minha mala e a dela.
- Ótimo, um sonho realizado. - falou ironicamente rolando os olhos.
O dia estava ensolarado e quente e, se eu não estivesse tão cansado, com certeza daria um jeito de passar o dia em alguma piscina. Passei meu braço pelos ombros de e a puxei para mais perto de mim enquanto caminhávamos até a saída.
- Achei que tivesse dito mãos dadas. - reclamou em tom baixo.
- É, mas eu mudei de ideia. - respondi perto de sua orelha sorrindo. Quem visse a cena com certeza acharia que éramos um casal meloso.
Meus pais discutiam sobre alguma coisa quando nos aproximamos, mas pararam assim que perceberam nossa presença. Minha mãe abriu um grande sorriso ao ver ao meu lado e logo tratou de se aproximar ma envolvendo em um grande abraço.
- Senti tanto a sua falta querido. – falou apertando os braços ao meu redor.
- Também senti sua falta, mãe. – retribui o abraço com a mesma intensidade.
- Então essa é a minha nora? – meu pai se aproximou de . Soltei minha mãe e tratei de apresentá-los.
- Mãe, pai, essa é , minha namorada.
- É um prazer finalmente conhecê-los, o me falou muito de vocês. – falou com a voz doce. Minha mãe rapidamente a envolveu em um grande abraço.
- Ela é linda. – meu pai falou em tom baixo me abraçando. Tive que segurar a grande risada que queria escapar de meus lábios e me limitar a apenas balançar a cabeça concordando. Quando ele me soltou, se dirigiu a a abraçando também enquanto minha mãe recitava o quão bonita ela era. Meus pais precisam urgentemente de óculos.
- Vocês devem estar cansados, vamos logo para casa para que vocês possam descansar. – meu pai falou já pegando nossas malas e as colocando no porta malas do carro.
se sentou no banco de trás tentando manter certa distância de mim. Deslizei no bando até encostar nossas pernas e passei o braço pelos seus ombros novamente a fazendo descansar a cabeça no meu ombro. Eu sabia que ela não havia gostado nada disso quando vi que ela havia fechado suas mãos em punho, mas o sorriso doce que se formou no rosto da minha mãe compensou.
O caminho do aeroporto até a casa dos meus pais era curto fazendo com que levássemos menos de vinte minutos para chegarmos lá. Minha irmã nos esperava na varanda enquanto brincava com Boris, o labrador dos meus pais. Assim que ela viu o carro se aproximando, levantou-se rapidamente e correu em nossa direção pulando em cima de mim assim que desci do carro.
- Você não faz ideia do quanto eu sinto falta de discutir com você, seu idiota. – falou contra o meu peito ainda me abraçando.
- Você também faz falta pirralha.
- Tá, agora me deixa conhecer minha cunhada de uma vez. – me empurrou para o lado se aproximando de . – Oi meu nome é , sou a irmã mais nova do seu namorado.
- É um prazer – a cumprimentou com um abraço.
- Vem você precisa conhecer o resto da casa. – falou a puxando pelo braço. me olhou em um claro pedido de ajuda e a única coisa que eu podia fazer era rir.
Ajudei meus pais a tirarem as malas do carro - a mala de devia pesar uns dez quilos - enquanto os ouvia falar que eu tinha feito uma ótima escolha namorando com ela blá blá blá. Perdi a conta de quantas vezes tive que me controlar para não começar a revirar os olhos com todos aqueles comentários. Quando entramos em casa, e estavam sentadas na sala conversando animadamente com Boris sentado nos pés delas dormindo. estava jogado no outro sofá dormindo.
- Vocês devem estar cansados e com fome, vou levá-los até seu quarto e vocês podem tomar um banho enquanto eu faço alguma coisa para vocês comerem. - minha mãe falou perto da escada.
se aproximou para pegar sua mala e subimos atrás de minha mãe até a porta de onde seria o meu quarto. Joguei minha mala na grande cama de casal enquanto esperava na porta do quarto minha mãe lhe mostrar onde ela ficaria.
- Er... Eu não tive tempo de arrumar o quarto de hóspedes então vocês vai ter que dividir o quarto. - minha mãe falou um pouco envergonhada.
- O que? - eu e perguntamos ao mesmo tempo.
- Bem vocês estão juntos há algum tempo já, eu achei que não tivesse problema.
- Você tá certa mãe. - dei um sorriso falso. - Só ficamos surpresos por vocês terem nos deixado ficar juntos não é amor?
- É, claro. - respondeu com um sorriso falso no rosto. Minha mãe abriu um grande sorriso em nossa direção antes de sair do quarto nos deixando sozinhos. - Eu não vou dormir na mesma cama que você. - falou pouco tempo depois de a porta ter batido. Peguei seu braço e a puxei até o banheiro.
- Tá louca garota quer que alguém te ouça? - liguei o chuveiro para abafar o som de nossas vozes.
- Eu não tô nem aí se alguém vai ouvir ou não. Eu não vou dividir uma cama com você .
- Ótimo. Pois então durma no sofá. - respondi irritado.
- O que?
- Essa é a minha casa , minha cama, você que se vire.
- Cadê o cavalheirismo ?
- Ah amor... - enrolei uma mecha de seu cabelo nos dedos. - Pra você não existe. - pisquei em sua direção e sai do banheiro.
Quase meia hora depois, saiu do banho enrolada em uma toalha e com os cabelos molhados. Perdi alguns segundos olhando para suas pernas, que não estavam cobertas pela toalha, antes de passar por ela e entrar no banheiro. Levei cerca de quinze minutos no banho e mais cinco minutos para colocar uma roupa e arrumar o cabelo, quando sai do banheiro, estava deitada na cama toda torta dormindo.
- Só pode ser brincadeira. - resmunguei ao me deparar com a cena.
Suas pernas estavam descobertas e, a leve curva que o lençol fazia em sua bunda chamou minha atenção. Estava me decidindo se a acordava ou não quando fracas batidas na porta me acordaram do meu transe.
- Sua mãe mandou vocês descerem para... - meu pai parou no meio da frase ao ver na cama. - Tadinha estava tão cansada, deixe-a dormir e desça você. Sua mãe está te esperando.
Decidi deixar dormindo e segui meu pai até a cozinha onde minha mãe havia feito um grande banquete de café da manhã na bancada. havia finalmente acordado e estava sentado em uma das cadeiras comendo.
- Achei que fosse trazer sua namorada, cara. - falou de boca cheia assim que me viu.
- Ela está dormindo. - respondi me aproximando e lhe dando um abraço desajeitado.
Sentei-me em uma cadeira ao lado de meu irmão e rapidamente comecei a comer um dos sanduíches que minha mãe havia feito. Eu sabia que provavelmente passaria boa parte da tarde dormindo, então resolvi tomar um café reforçado enquanto divagava sobre seus planos para a semana. Apenas concordei com a cabeça mesmo sem ter prestado total atenção em suas palavras devido ao sono.
Depois de quatro sanduíches e alguns pedaços de bolo, subi as escadas demoradamente até meu quarto e cai na cama ao lado de pegando no sono imediatamente.

’s POV

Acordei sentindo um peso na minha barriga e abri os olhos lentamente constatando que se tratava de um braço; olhei para o lado rapidamente vendo dormindo de boca aberta ao meu lado na cama. Afastei seu braço lentamente e levantei da cama indo direto para o banheiro lavar o rosto. Senti meu estômago roncar e me lembrei de que não havia comido absolutamente nada além da comida horrível do avião há mais de seis horas atrás. Sai do quarto e fui direto para a cozinha da casa encontrando conversando animadamente com Sra. e um homem que parecia um mais velho.
- , finalmente você acordou. Eu deixei alguns sanduíches separados para você, espero que goste. - Sra. falou indicando um prato com três grandes sanduíches na bancada.
- Muito obrigada, Senhora . - agradeci enquanto pegava o primeiro sanduíche.
- Por favor, querida, me chame de Emily.
- , esse é o , nosso irmão mais velho. - indicou o rapaz sentado ao seu lado que sorria em minha direção.
- É um prazer finalmente conhecer a namorada do meu irmãozinho. - falou ainda sorrindo.
- É um prazer finalmente conhecê-lo acordado. - falei em deboche fazendo com que todos rissem. Minha risada parou instantaneamente ao sentir um par de braços envolvendo minha cintura.
- Por que não me chamou quando acordou, amor? - ouvi a voz de perto do meu ouvido. Abri um sorriso falso e me virei em seus braços ficado de frente para ele.
- Você estava tão bonitinho dormindo que eu fiquei com pena, amor. - falei entre dentes olhando com raiva para seus braços ao meu redor.
- Ela é ou não é um amor? - perguntou encarando algum ponto atrás de mim antes de grudar seus lábios nos meus em um rápido selinho. Senti meu rosto esquentar sem saber de era de raiva ou vergonha.
- Por que os pombinhos não vão tomar um banho para acalmar todo esse hormônio ai? - perguntou em tom zombeteiro atraindo a atenção de todos na cozinha.
- É uma ótima ideia. - concordei e puxei pelo braço até o quarto. - Que porra você tava pensando, ?
- Ah amor, eu sei que você gostou não precisa fingir que tá bravinha. - falou rindo enquanto tentava me segurar pela cintura.
- Nunca mais faça isso. - falei irritada.
- Qual é , você sabia perfeitamente que teríamos que nos beijar vez ou outra durante essa semana e ainda assim aceitou vir comigo. Você não pode dar um ataque desses toda vez que eu encostar em você ou meus pais vão desconfiar. - falou se jogando na cama. Suspirei em derrota e entrei no banheiro determinada a tomar um belo banho relaxante. Estava terminando de me ensaboar quando ouvi a porta do banheiro abrir; me cobri rapidamente com as mãos e virei de costas para o vidro do box enquanto ouvia passos pelo ambiente.
- Que porra você tá fazendo aqui, ?
- Eu precisava usar o banheiro e você não saia nunca.
- E você não podia ir a outro banheiro?
- Não, esse aqui era o mais próximo.
- Você é um idiota.
- Tá agora me fala alguma coisa nova. A propósito, bela bunda. - ouvi a porta do banheiro fechar anunciando que eu finalmente poderia me virar.
Terminei meu banho e me enrolei na toalha antes de sair.
- Finalmente, achei que fosse morrer ali dentro. - entrou no banheiro assim que saí.
Esperei ouvir o barulho do chuveiro antes de me trocar. Escolhi um short curto de tecido confortável e uma regata branca. Estava terminando de arrumar meus cabelos quando saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura. Meus olhos se prenderam em seu peitoral nu incrivelmente definido enquanto eu, inconscientemente, mordia meu lábio inferior.
- Quer tocar, amor? - perguntou em tom provocador.
- Vá se foder, . – resmunguei irritada e peguei meu secador seguindo para o banheiro.
- Aqui, veste isso. – me jogou um embrulho preto assim que sai do banheiro.
- O que é isso? – perguntei confusa esticando o pano.
- Uma camiseta , o que mais parece?
- Tá, mas por quê?
- Garotas adoram usar as roupas de seus namorados, achei que fosse parecer um pouco mais real se minha família te visse com ela. – deu de ombros. Eu precisava admitir, por mais ridícula que fosse a explicação, ela tinha total lógica. Virei-me de costas para ele e tirei a blusa que eu usava colocando sua camiseta rapidamente, quando me virei novamente, mordia os lábios quase que inconscientemente enquanto olhava em minha direção.
- O que foi? – perguntei procurando alguma coisa de errado.
- Nada. – respondeu balançando a cabeça, - vamos, minha mãe está nos esperando para uma grande noite de jogos.
- Noite de jogos?
- É. Na minha família nós gostamos de passar um tempo juntos jogando algumas coisas meio idiotas. Ideia da minha irmã, – torceu o nariz ao explicar a última parte - mas é divertido.
- Jogos tipo?
- O normal , quem sou eu, banco imobiliário, cartas e qualquer outra coisa que a goste. Agora vamos descer logo que a comida está pronta.
O jantar foi o mais normal possível devido às circunstâncias em que eu me encontrava; passou o tempo todo me fazendo perguntas para e para mim sobre como havíamos começado a namorar e essas coisas, nunca agradeci tanto ter ficado um tempo conversando com o . Emily contou algumas histórias sobre a infância de fazendo com que eu risse quase que o tempo todo enquanto o Sr. e a ajudavam a lembrar das histórias mais engraçadas.
Quando todos acabaram de comer, eu e ficamos encarregadas da louça enquanto os outros arrumavam a sala com os jogos.
- E então, acha que consegue sobreviver mais alguns dias? - perguntou quando estávamos sozinhos.
- Sua família é incrível , tem certeza que você não é adotado? - perguntei arrancando uma careta sua em resposta.
Terminamos de lavar a louça rapidamente e, quando entramos na sala, a TV estava ligada no menu de Just Dance enquanto haviam outros jogos na mesa.
- Você disse jogos de tabuleiro. - sussurrei para .
- Deve ser mais uma invenção da , espero que seja boa dançando .
Os primeiros a jogarem foram e que dançaram Blurred Lines, por incrível que pareça, os dois dançavam incrivelmente bem ficando quase empatados no fim, mas acabou ganhando por dois pontos. Emily e Richard foram os próximos que, por escolha de , dançaram Sexy and I Know It, eles eram extremamente ruins, mas o jeito desengonçado como rebolavam e se mexiam, junto com a letra da música, causaram ataque de riso em todos. e eu fomos as últimas a dançar, ela me deixou escolher a música então acabamos dançando Moves Like Jagger. Ao contrário do imaginado, eu acabei não me saindo tão mal e quase ganhei se não tivesse me atrapalhado em um dos últimos passos e caído com tudo no chão. ainda ria quando a música acabou e se jogou no sofá ao lado dos irmãos.
- Eu cansei disso já, qual a próxima opção pequena ? - perguntou quando conseguiu parar de rir do meu tombo.
- Tá cansado só por que perdeu, né idiota? - o provocou.
- Vai se ferrar. - deu um tapa na cabeça do mais velho em resposta.
se jogou entre os dois, apartando a briga, com uma grande caixa vermelha em mãos.
- Vamos jogar quem sou eu. Você sabe jogar, ?
- Sim, minhas primas adoravam jogar isso.
- Ótimo. , você começa. - tirou uma faixa preta da caixa e entregou ao irmão enquanto escrevia alguma coisa em um papel colorido. Levou alguns segundos para colar o papel na faixa e, quando terminou, sentou-se novamente sorrindo satisfeita. No papel amarelo, lia-se em letras grandes, Johnny Depp.
- Tudo bem. - começou - Eu sou uma pessoa?
- É. - dei de ombros.
- Estou vivo?
- Yep. - respondeu balançando a cabeça.
- Sou homem?
- Com toda certeza. - respondi fazendo os outros rirem.
- Sou um ator?
- Sim.
- Johnny Depp? - perguntou com cara de entediado.
- Por que você sempre acerta quando é ele? - perguntou emburrada tirando a faixa da cabeça de e a entregando a mãe.
- Porque você sempre coloca o Johnny Depp. - respondeu em tom óbvio arrancando as folhas da mão dela e escrevendo alguma coisa. Quando colou o papel na cabeça de Emily, Megan Fox estava escrito em rabiscos quase incompreensíveis.
- Sou uma pessoa?
- Sim. - Richard respondeu.
- Eu estou viva?
- Sim, mãe. - falou.
- Sou mulher?
- Sim.
- Aham. - e responderam juntos.
- Sou bonita?
- Demais. - .
- Pra caralho. - fez uma cara pervertida ao responder.
- Sou uma cantora?
- Não. - .
- Atriz?
- Isso. - comemorou.
- Emma Watson?
- Não, querida. - Richard respondeu sorrindo.
- Você tem mais uma chance, mãe. - avisou.
- Certo. Sou morena?
- Sim.
- Tenho olhos azuis?
- Sim.
- Megan Fox?
- Acertou. - falei sorrindo.
- , sua vez. - anunciou. Emily tirou a faixa da cabeça e a entregou a . Peguei as folhas que estavam no sofá e escrevi David Beckham antes de colar na faixa.
- Eu sou uma pessoa viva?
- Sim.
- Aham.
- E que pessoa... - eu, Emily e respondemos respectivamente.
- Sou homem? - acenei com a cabeça confirmando. - Sou gostoso? - perguntou rindo.
- Com toda certeza. - respondi de impulso.
- , amor, eu estava falando do papel. - um sorriso de deboche surgiu em seu rosto enquanto eu sentia minhas bochechas esquentarem.
- Deixa de ser idiota, - falou rindo dando um tapa no irmão.
- Tá, tá. Sou um ator?
- Não. - .
- Cantor?
- Longe disso. - falei.
- Jogador? - perguntou franzindo a testa.
- É.
- David Beckham. - falou convicto.
- Eu odeio jogar isso com vocês. - resmungou para os irmãos.
- A culpa não é nossa se somos melhores que você, maninha. - bagunçou os cabelos dela.
- Seus...
- Não briguem crianças. - Richard interrompeu - Eu e a mãe de vocês estamos indo dormir. Mantenham-se vivos.
- Boa noite queridos. - Emily seguindo o marido pelas escadas.
- O que a gente vai fazer agora? - perguntei.
- Ver filme. - propôs com o controle da TV já em mãos.
- Tá, mas eu escolho o que vamos assistir. - avisou tirando o controle dele.
- Ninguém aqui quer assistir romance, - falou tentando tirar o controle das mãos dela.
- E ninguém aqui quer ver filme de guerra. - retrucou.
- Ótimo, então eu escolho. - falou.
- Não. A vai escolher. - falou me entregando o controle. Fiquei esperando por alguma objeção, mas, como e ficaram calados, liguei a TV passando os canais até achar alguma coisa que agradasse a todos. Acabei parando em Velozes e Furiosos causando um sorriso em e .
- Por favor, me diga que você é fã desse filme. - falou.
- Seu dia de sorte. - respondi rindo. Me sentei no sofá ao lado de e fiquei tensa por alguns instantes quando ele passou seu braço pelos meus ombros.

Quando o filme acabou, e eu subimos para o quarto morrendo de sono. Arrumei a cama rapidamente enquanto estava no banheiro e deitei sorrindo vitoriosa.
- Não, mas não mesmo, vaza . - falou assim que saiu do banheiro.
- Eu cheguei primeiro, , mas não se preocupe, eu arrumei um canto pra você. - apontei para a pilha de cobertores e travesseiros que eu havia feito no canto do quarto.
- Meu quarto, minha cama, seu chão.
- Mas que merda será que custa você ser um pouco educado ao menos uma vez na sua vida?- perguntei irritada.
- Estou sendo educado em não te arrancar logo dessa cama.
- Pois eu não vou sair. - cruzei os braços determinada.
- Não me teste, .
Ficamos nos encarando por vários minutos até que eu suspirei já cansada desistindo daquilo.
- Tudo bem, , vou te propor uma coisa então. Nós dois ficamos com a cama e ninguém dorme no chão.
- Tá querendo abusar de mim, amor?
- Com toda certeza. - revirei os olhos.
- Okay , você venceu, agora chega pra lá. E mantenha sua bunda longe de mim. - deitou no espaço livre da cama de costas para mim.
- O que? - perguntei confusa.
- Eu sou homem, , e por mais insuportável que você seja sua bunda não deixa de ser gostosa.
- Você realmente consegue se superar, .

Capítulo 4 – Dia 2


- Acordem casal - foi a primeira coisa que eu ouvi assim que acordei. Abri os olhos lentamente e vi de joelhos na ponta da cama pulando. resmungou alguma coisa ao meu lado voltando a esconder o rosto no travesseiro.
- Que porra você pensa que esta fazendo ? - perguntei ainda grogue.
- Já é quase meio-dia seu idiota, a mamãe me pediu para acordar vocês para almoçarem - peguei meu celular ao lado da cama e olhei o relógio dele constatando que já eram onze e quarenta.
- A gente já vai descer - resmunguei.
- Não me faça voltar aqui - ameaçou ao sair do quarto.
- acorda - empurrei seu braço a fazendo resmungar em resposta. - Ta na hora do almoço, acorda logo - levantei da cama indo para o banheiro. Quando sai, estava de pé ao lado da cama só de sutiã procurando alguma coisa em sua mala. - M-me d-desculpa - eu estava gaguejando? Que porra era aquela? - Foi mal - falei depois de limpar a garganta. Um sorriso perverso surgiu e seus lábios ao perceber que meus olhos estavam presos em seus seios cobertos apenas pelo sutiã rendado.
- Quer tocar amor? - repetiu a frase que eu havia lhe dito na noite passada e eu me xinguei internamente por não ter uma resposta. Sua gargalhada encheu o quarto antes dela entrar no banheiro com uma blusinha branca na mão.
Saiu instantes depois vestida com a tal blusa e um sorriso debochado no rosto.
- Vamos , antes que sua irmã volte.

- Bom dia família - falei sorrindo assim que entrei na cozinha. Minha mãe e estavam arrumando a mesa, estava quase dormindo sentado em uma das cadeiras e meu pai estava mexendo em alguma coisa na geladeira.
- Bom dia querido - minha mãe sorriu em minha direção - Richard, já não falei para deixar essa torta ai!
- Desculpe querida.
- Bom dia cara - saudou sonolento - cadê sua garota?
- Bom dia - entrou na cozinha instantes depois com Boris se enroscando em suas pernas.
- já não falei pra você colocar esse cachorro fedorento lá pra fora? - meu pai perguntou um pouco irritado.
- Desculpa pai, vou dar um banho nele hoje prometo - pegou Boris pela coleira e o puxou até a porta.
- É bom mesmo, ninguém mais aguenta esse cheiro.
- Ei, já que vocês não tem nada pra fazer durante a tarde por que não me ajudam com o Boris? - olhou para onde eu e estávamos.
- Fala sério pirralha.
- Estou falando. Por favor , o Boris é enorme.
- A gente ajuda sim - respondeu por mim. - Vai ser divertido - falou animada.
- Defina diversão - pedi a olhando de canto de olho.
- Qual é , ta calor e o Boris é um amor. Você não vai morrer de dar banho nele uma vez na vida - sorriu meiga.
- Tudo bem - falei em desistência.
- Agora que vocês já resolveram isso - minha mãe falou colocando uma travessa na mesa - vamos comer antes que a lasanha esfrie. Me aproximei da mesa com ao meu lado e me preparei para fazer meu prato antes de se enfiar na minha frente.
- Porra não ta me vendo aqui não?
- Eu estou com fome.
- E eu estou de visita tenho privilégios - resmunguei. me imitou fazendo uma voz debochada arrancando uma risada de todos na mesa.
- Parem vocês dois - minha mãe interferiu - deixe seu irmão fazer o prato primeiro.
- Mas…
- Sem mais.
- Pega logo idiota - falou saindo da minha frente. Sorri vitorioso.
- Vocês parecem duas crianças - falou torcendo o nariz.
- Obrigado amor - respondi colocando um pedaço de lasanha na boca.
O almoço foi silencioso, por incrível que pareça e, quando todos terminamos de comer, minha mãe colocou uma torta de maça na mesa.
- Mãe a senhora ainda faz a melhor torta de maçã que eu já comi na vida - falei com a boca cheia.
- Eu to comendo seu idiota fecha essa boca - me deu um tapa.
- E lá vamos nós de novo - falou ao meu lado rindo.

Eram quase três horas da tarde quando apareceu na sala com animada com uma mangueira e baldes nas mãos.
- Pra que tudo isso? - perguntei quando ela parou em frente a TV. Eu estava deitado no sofá com a cabeça sobre as pernas de - que quase me matou com os olhos quando eu fiz isso - quase dormindo.
- Vocês falaram que iriam me ajudar com o Boris.
- Ta, mas, precisa ser agora?
- Sim precisa, levanta logo dai.
- Você continua a mesma insuportável de sempre garota é incrível - levantei a contragosto e segui até o quintal da casa.
- Boris hora do banho - gritei e logo o cão apareceu pulando ao meu lado.
- Eu vou pegar o resto das coisas - anunciou ao me entregar a mangueira. Quando voltou, estava com um vidro de shampoo canino em mãos.
- Aqui , enche esse balde. me ajuda aqui - fui até onde estava e a ajudei a segurar Boris enquanto ela o molhava e despejava uma grande quantidade de shampoo em seu pelo. Ela se ajoelhou ao lado dele e, assim que começou a espalhar o liquido azul pelo cachorro, ele começou a correr pelo quintal atrás de uma borboleta. - Boris volta aqui, você nunca vai conseguir pegar essa borboleta - saiu correndo atrás do cachorro.
, que estava ao meu lado, se contorcia de rir enquanto assistia correr e escorregar algumas vezes atrás de Boris. Aproveitei sua distração e apontei a mangueira em sua direção molhando suas pernas e parte de sua barriga.
- Você não fez isso - lançou um olhar ameaçador para mim, mas, o que quer que planejasse fazer, foi impedida quando nos alcançou carregando Boris desajeitadamente.
- Certo sua grande bola de pelo - falou colocando o cachorro no chão - fique quieto para que eu possa te esfregar.
- Pra que você precisa do balde mesmo? - perguntou.
- Tenta tirar toda essa espuma desse cachorro só com essa mangueirinha sem graça - respondi e confirmou com a cabeça indicando que eu estava certo.
- me ajuda aqui. Preciso que segure ele para que ele não corra novamente okay?
- Tudo bem - se ajoelhou ao lado de Boris e o cachorro logo percebeu sua presença começando a pular nela e lamber seu rosto.
- me alcança o shampoo por favor - procurei pelo grande vidro azul até encontrá-lo perto da cerca.
- Tenta não fazer isso ir parar na casa do vizinho - falei ao entrega-lo a minha irmã.
- Ele não ficaria surpreso acredite - continuou a esfregar o cachorro que não parava de se mexer molhando ela e . Quando se deu por satisfeita, pegou um dos baldes e começou a tirar a espuma dele com certa dificuldade - me ajuda aqui por favor - pediu fazendo com que minha namorada começasse a passar as mãos sobre os pelo de Boris tirando a espuma. Quando o labrador já estava completamente livre de qualquer resquício de sabão, foi até a cozinha e saiu de lá com dois secadores em mãos.
- Onde você pretende ligar isso? - perguntei ao perceber que ela não estava com nenhuma extensão em mãos.
- Na sua bunda - respondeu mal humorada. Poucos instantes depois, apareceu com duas extensões em mãos e lhe entregou ligando os secadores. - Aqui - lhe entregou um dos objetos - vai ter que me ajudar com isso.
- Sem problemas.
Em poucos instantes, ambas estavam posicionadas, cada uma em um lado do corpo de Boris, fazendo seu melhor para conseguir secar o cachorro e deixa-lo parado ao mesmo tempo. e eu havíamos puxado duas cadeiras de perto da piscina e observávamos a cena fazendo pequenos comentários vez ou outra que fazia com que uma das duas nos desse uma resposta não muito educada.
Depois de quase meia hora de trabalho, Boris estava completamente seco e e estavam deitadas na grama com expressões de derrota.
- Eu esperava um pouco mais de disposição de vocês duas - falei rindo. Duas mãos se levantaram, estirando seus dedos do meio em resposta. apenas ria.
- Vamos levantar logo , ainda precisamos arrumar isso aqui e nos preparar para sair - levantou com certa dificuldade e esticou o braço para ajudar .
- Sair? - perguntou confusa.
- Sim, nós vamos a um pub que tem aqui perto, o dono de lá me conhece então eu posso entrar sem precisar de uma identidade falsa, e, o melhor de tudo, lá também tem karaokê - pulou animada.
- Ela continua com essa de karaokê? - perguntei a .
- Ta cada vez pior.
Os acontecimentos seguintes foram tão rápidos que eu mal tive tempo de processar. levou os secadores e extensões para dentro de casa enquanto ficou encarregada de arrumar a mangueira e os baldes. Ela estava se preparando para guardar o último balde, que estava cheio de água, quando Boris passou correndo por ela se enroscando em suas pernas fazendo com que ela caísse na grama virando toda a água do balde em si mesma. estava quase caindo da cadeira de tanto rir e , que estava na porta da cozinha, não sabia se ria ou ficava preocupada. Eu com certeza também estaria rindo se dois pequenos pontos naquela cena não a tornasse tão sexy.
A questão é que, quando virou a água sobre si, a blusa branca de havia ficado completamente transparente em seu corpo e, puta que pariu, ela havia tirado aquela porcaria de sutiã rendado e a transparência recém-adquirida de sua blusa deixava os bicos de seus seios completamente destacados sobre o pano.
- Pare de ficar olhando pra garota com essa cara de pervertido e vai lá ajudar a garota - me deu um cutucão. Balancei a cabeça e me levantei indo até onde estava sentada no chão e a ajudei a levantar.
- Obrigada - agradeceu tímida enquanto usava os braços para tapar os seios.
- Vai lá pra cima tomar um banho - murmurei - eu termino aqui - acenou com a cabeça e sumiu pela porta da cozinha.

’s POV

Subi as escadas pulando um ou dois degraus por vez e me enfiei de vez em baixo do chuveiro deixando a água quente escorrer por todo o meu corpo de uma forma relaxante. Fiquei pouco mais de meia hora no banheiro e, quando sai, estava deitado na cama mexendo em seu celular.
- Finalmente - resmungou pegando suas coisas e entrando no banheiro.
Tirei todas as roupas da minha mala procurando alguma coisa para vestir, depois de ver e rever todas as peças me decidi por um short curto dourado e uma blusa preta que suas alças formavam um “x” nas costas. Vesti as roupas rapidamente e peguei meu sapato de salto preto para finalizar o look. Estava terminando de fazer minha maquiagem quando saiu do banheiro indicando com a cabeça para que eu fosse para lá para que ele pudesse se trocar. Bufei e peguei minhas maquiagens passando pela grande porta branca e a batendo atrás de mim. Passei um batom rosa claro para contrastar com a maquiagem escura que havia feito nos olhos e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo alto.
- Sete e meia , a vai vir nos chamar daqui a pouco - gritou do outro lado da porta. Dei uma última ajeitada no meu cabelo antes de sair do banheiro.
- Estou pronta.
- Sabe , se eu não te conhecesse, eu até te pegaria hoje - falou me analisando de cima a baixo. Ele também já estava pronto com uma calça jeans escura, uma camiseta azul e tênis.
- Isso foi um elogio ? - arqueei as sobrancelhas em descrença.
- Talvez - deu de ombros e saiu do quarto.
O pub onde havíamos ido não era muito longe da casa dos , o que fez com que fossemos andando até ele. foi animada cantarolando algumas músicas durante todo o caminho enquanto e iam conversando sobre coisas idiotas de garotos. Eu estava ao lado de , com sua mão envolvendo a minha como um casal normal tentando manter um sorriso animado no rosto.
Quando chegamos ao pub, logo escolheu uma mesa perto do palco para que pudesse ver melhor as apresentações.
- , o que você quer beber? - perguntou ao lado da mesa, já estava no bar pedido bebidas para ele e .
- Qualquer coisa forte - respondi. acenou com a cabeça indo até seu irmão.
Poucos instantes depois, uma taça de Apple Martini foi colocada na minha frente.
- Achei que eu tivesse dito alguma coisa forte - falei em tom baixo para que apenas ele ouvisse. Um sorriso sacana surgiu em seus lábios.
- Vai com calma , não quero ter que carregar ninguém pra casa hoje - suspirei derrotada antes de dar um gole na minha bebida.
Faziam quase duas horas que estávamos no pub, já havia saído para se agarrar com duas garotas diferentes, havia se perdido nos fundos do pub na pista de dança, dançando e cantando animadamente, eu já tinha espantado cerca de três garotas que haviam aparecido para chamar para uma “conversa” enquanto ele afastou dois caras de mim apenas lhes lançando um olhar nada amigável. , que estava na mesa na maioria das vezes que isso aconteceu, teve um grande ataque de risos dizendo que éramos o casal mais ciumento que ele conhecia.
Eu já havia bebido cerca de cinco ou seis drinks diferentes e estava começando a me sentir um pouco mais animada que o normal quando voltou para a mesa com um grande sorriso no rosto.
- Eles vão abrir o karaokê para o público, vamos comigo cunhadinha? - levei um tempo para perceber que ela estava falando comigo e nem tive tempo de formular uma desculpa antes de falar.
- Vai lá , faz tempo que eu não te ouço cantar - falou em tom debochado. nunca havia me ouvido cantar e eu estava completamente disposta a não mudar isso antes de se juntar a eles e os três começarem a me incentivar.
- Ta eu vou - falei depois de muito ouvi-los falar. e comemoraram enquanto me lançava um sorriso de puro deboche.
me puxou pala mão até o palco e foi falar com o DJ para escolher a música. Logo que o toque conhecido da música começou, deixei que toda a animação dos drinks que eu havia bebido tomassem conta de mim acompanhando cantando e dançando pelo palco.

(Coloquem essa música para tocar)

La la la la
La la la la
La la la la
La la la la


’s POV

I want you to love me, like I'm a hot pie
Keep thinkin' of me, doin' what you like
So boy forget about the world cuz it's gon' be me and you tonight
I'm gonna make you beg for it, then imma make you swallow your pride
A filha da mãe sabia cantar. E cantava bem pra caralho.


Assim que sua voz soou pelo microfone, gritos e aplausos ecoaram pelo local atraindo a atenção de todos que estavam na pista de dança e até mesmo de algumas pessoas que estavam do lado de fora do estabelecimento.
- Cara ela manda bem - comentou ao meu lado.
- É ela é muito boa - comentei prestando total atenção no palco.

Want you to make me feel like I'm the only girl in the world
Like I'm the only one that you'll ever love
Like I'm the only one who knows your heart
Only girl in the world...
Like I'm the only one that's in command
Cuz I'm the only one who understands how to make you feel like a man


Quando o refrão começou, os gritos no pub aumentaram descontroladamente. cantava e pulava por todo o palco, mas quem realmente chamava a atenção era . Além de cantar incrivelmente bem, ela havia começado a dançar de uma fora extremamente sensual atraindo, principalmente, a atenção da população masculina que havia ali.

Want you to make me feel like I'm the only girl in the world
Like I'm the only one that you'll ever love
Like I'm the only one who knows your heart
Only one


Seus quadris se moviam de um lado para o outro enquanto suas mãos passeavam pelo seu corpo distraidamente se perdendo em seus cabelos. Eu sabia que ela não estava completamente sóbria naquele momento, caso contrário ela jamais faria algo parecido.

Want you to take it like a thief in the night
Hold me like a pillow, make me feel right
Baby I'll tell you all my secrets that I'm keepin', you can come inside
And when you enter, you ain't leavin', be my prisoner for the night


Ao final do primeiro refrão, parou de dançar e começou a andar pelo palco interagindo com a plateia. já não era mais percebida ali sendo completamente ofuscada pelo belo par de pernas que exibia de um lado para o outro desfilando e agachando algumas vezes.

Want you to make me feel like I'm the only girl in the world
Like I'm the only one that you'll ever love
Like I'm the only one who knows your heart
Only girl in the world...
Like I'm the only one that's in command
Cuz I'm the only one who understands
Like I'm the only one who knows your heart
Only one


Foi no segundo refrão que eu me senti completamente atordoado. Meus dentes prendiam meu lábio inferior e eu podia sentir outra parte do meu corpo querendo ganhar vida com uma rapidez incrível. E então eu fiquei assustado.
Eu nunca imaginei que isso aconteceria comigo.
Em todos os cenários que eu imaginei nessa viagem, esse com certeza era um que eu nem havia cogitado.
Eu estava ficando excitado em ver dançar.

Take me for a ride, ride
Oh baby, take me high, high
Let me make you rise, rise
Oh make it last all night, night
Take me for a ride, ride
Oh baby, take me high, high
Let me make you rise, rise
Make it last all night


Aquela porcaria de quadril se movendo de um lado para o outro, as coxas descobertas dando um ar ainda mais sensual a sua dança, a cintura um pouco a mostra, os cabelos se soltando do rabo de cavalo, a bunda apertada e completamente delineada com aquele short, o decote da blusa. Tudo aquilo estava fazendo imagens nada santas com se passarem pela minha cabeça.
Eu realmente não devia ter bebido tanto.

Want you to make me feel like I'm the only girl in the world
Like I'm the only one that you'll ever love
Like I'm the only one who knows your heart
Only girl in the world...
Like I'm the only one that's in command
Cuz I'm the only one who understands how to make you feel like a man
Only girl in the world
Girl in the world
Only girl in the world
Girl in the world


Quando a música acabou, aplausos e assobios se fizeram presentes enquanto as meninas agradeciam. atraiu uma quantidade completamente exagerada de olhares por todo o seu corpo durante o caminho do palco até a mesa em que estávamos sentados. Ela e riam animadamente de alguma piada quando se sentaram. Meus olhos automaticamente foram atraídos para o busto dela que subia e descia enquanto ela ria. Meus olhos captaram dois caras, que eu havia visto na plateia, se aproximando de nossa mesa com os olhos fixos em ; antes que pudesse impedir, deixei o álcool tomar conta do meu corpo e puxei pela nuca grudando nossos lábios.
Ao contrário do que eu imaginei, ela não me empurrou nem recusou o beijo, muito pelo contrário, seus lábios se separaram imediatamente dando espaço para que minha língua pudesse deslizar para dentro de sua boca de encontro com a sua travando uma batalha incrivelmente deliciosa. Seus dedos se enroscaram em meus cabelos me puxando para mais perto enquanto minhas mãos apertavam sua cintura descontando todo o desejo que eu estava sentindo ali.
Eu podia ouvir e falando coisas do tipo “arrumem um quarto” ou “parem com essa nojeira”, mas eu não podia me importar menos dando minha total concentração aquele beijo que estava começando a foder com a minha sanidade.
PS: Eu realmente precisava parar de beber.

Capítulo 5 - Dia 3


- Quando a tia Emily disse que você estava namorando , acho que ela esqueceu de dizer que a garota era a maior gostosa - Jasper, meu primo mais velho falou ao meu lado com um sorriso malicioso nos lábios enquanto encarava deitada na areia poucos metros à nossa frente.
Estávamos passando a tarde na praia - já que minha mãe havia convidado meus tios para nos visitar porque fazia tempo que eles não me viam - e, desde que havia posto os olhos em , Jasper não parava de fazer comentários maliciosos sobre ela. Eu era obrigado a concordar com ele. Nunca havia visto de biquíni antes na minha vida, e agora que estava vendo, não consiga tirar meus olhos de seu corpo nem parar de pensar no quão gostosa ela estava.
Nenhum de nós dois havia comentado sobre o beijo que havia acontecido na noite passada. Na verdade nós dois estávamos fingindo que nada nem havia acontecido. Jordan e Brian, meus outros primos, estavam no mar com , mas também já haviam parado para falar sobre algumas vezes.
- É eu sei, pena que ela já tem namorado - sorri vitorioso.
- Fala sério cara, você nunca foi do tipo ciumento nem que se prende em uma única garota. O que ela tem de especial?
- Eu gosto dela. É isso que importa - Jasper estava há horas tentando descobrir o que havia de errado comigo para estar namorando sério. Eu não aguentava mais suas perguntas idiotas e estava começando a perder a paciência.
- Não precisa mentir pra mim Nath. Ela é boa de cama não é? - ergueu as sobrancelhas sugestivo.
- Da um tempo - respondi já sem paciência. Levantei de onde estava e caminhei até onde estava deitada.
- Você ta tapando o sol - resmungou.
- Sinto muito por interromper sua seção de bronzeamento princesa - falei em falso tom de desculpa. - Vem comigo - estiquei o braço lhe oferecendo ajuda.
- Aonde? - perguntou em tom duvidoso.
- Dar uma volta sei lá, eu só não aguento mais meu primo - dei de ombros. Sua mão alcançou a minha e eu a ajudei a levantar entrelaçando nossos dedos enquanto a puxava para o outro lado da praia.
- E ai qual o problema com o seu primo? - perguntou quando já estávamos afastados. - Ele fica me enchendo querendo saber o porque de eu estar namorando sério e essas coisas - omiti a parte em que ele ficava falando que ela era gostosa o tempo todo.
- É normal. Ele está acostumado com um primo galinha, qualquer um no lugar dele teria a mesma reação.
- É pode ser. Mas ainda assim irrita.
- Já estamos longe o suficiente - comentou antes de soltar sua mão da minha.
- Existem outras pessoas nessa praia que me conhecem - segurei sua mão novamente - não quero que eles contem a minha mãe que viram o filho dela e a namorada dele andando juntos a metros de distância.
- Se eu pudesse eu ficaria a quilômetros de distância de você - deu um sorriso cínico. Era incrível a facilidade que essa garota tinha de acabar com toda a minha paciência.
- Será que você consegue ficar ao menos um dia sem encher o saco?
- Depende. Você consegue ficar um dia sem respirar? - respirei fundo algumas vezes tentando me controlar para não começar uma discussão ali mesmo.
- Sua família ainda não me reconheceu - falou depois de um tempo em silêncio.
- Acho que não vai demorar muito para eles lembrem que você já esteve na cama do meu melhor amigo - falei em tom de provocação.
- Eu nunca transei com o .
- O que? Quer dizer que você…
- Não - me interrompeu - mas também nunca dormi com o .
- Não achei que o fosse do tipo que namorava sem sexo - comentei ao parar em um quiosque para comprar água.
- Ele não é um galinha idiota como você . Ele sabe ficar perto de uma garota por três horas sem tentar entrar nas calças dela.
- Vamos voltar , antes que eu enterre você em algum lugar por aqui e te deixe lá - falei controlando minha voz para não parecer tão irritado.
Estávamos a poucos metros de onde estavam minha família quando Jasper nos viu e começou a se aproximar animadamente.
- Droga - murmurei baixinho.
- E ai gente onde vocês estavam? - perguntou quando nos alcançou.
- Andando por ai - foi quem respondeu.
- Ei cara será que eu posso dar uma palavrinha com você? - perguntou para mim com um sorriso no rosto.
- Claro - respondi entre dentes.
- Já pensou em uma resposta de verdade pra mim? - perguntou. O olhei confuso e ele logo esclareceu - Sobre o porque de estar com essa garota.
- Será que você já pensou por um segundo que eu posso realmente gostar dela do jeito que ela é? Sem ter alguma porra de motivo pra explicar isso - respondi completamente sem paciência.
Assim que as palavras saíram da minha boca, arregalei os olhos em surpresa por elas não terem soado tão estranhar como eu tinha imaginado. Jasper levantou as mãos em desistência e voltou por onde tinha vindo.
- Mandou bem senhor irritadinho - ouvi a voz de ao meu lado.
- Não acredito que você ouviu isso.
- Relaxa amor, foi a declaração mais linda que você já me fez - falou em tom debochado, bufei e voltei a caminhar com ela ao meu lado.
Jordan e Brian haviam saído do mar ocupando o local onde antes eu estava sentado. Olhei em volta procurando outro lugar para sentar que não fosse na areia e me deparei apenas com a canga rosa em que estava deitada.
- Chega pra lá - falei em pé ao seu lado.
- O que?
- Eu preciso sentar em algum lugar , e essa é a única canga que não está lotada. levantou o corpo olhando em volta e, ao constatar que eu estava certo, bufou irritada me dando espaço ao seu lado.
Me sentei ao seu lado e agradeci eternamente por estar usando óculos de sol já que meus olhos imediatamente percorreram todo o seu corpo parando no contorno de sua bunda. Tentei atrair minha atenção para outro local da praia, mas, quando ela se virou, desisti me deitando ao seu lado tentando fielmente ignorar seus seios à pouca distância de mim.
- Seus primos não param de me encarar - falou em tom baixo ao meu lado atraindo minha atenção - isso ta me irritando - completou. Olhei para onde ela havia indicado e me deparei com três pares de olhos presos em seu corpo com expressões nem um pouco puras.
- E o que você quer que eu faça? - perguntei entediado.
- Você é meu namorado - dez aspas com os dedos - qualquer pessoa com cérebro no seu lugar faria alguma coisa para parar com isso - falou irritada.
- Posso resolver isso, mas você não vai gostar - falei quando uma ideia surgiu na minha cabeça.
- Por favor.
- Você quem pediu - respondi. Me apoiei em um braço ficando deitado de lado e a beijei repentinamente. tentou me afastar, mas acabou desistindo e, alguns instantes depois, sua boca para abrir passagem para minha língua. Eu quis me bater por ter gostando tanto daquela porra de beijo. Eu precisava admitir: podia ser a garota mais irritante do mundo, mas ela beijava bem pra caralho.
Diferente do beijo da noite passada, a falta de roupa entre nossos corpos estava me deixando cada vez mais animado me fazendo aprofundar o beijo cada vez mais.
- Vocês são nojentos - ouvi a voz de gritar.
- Isso é uma praia, se controlem - minha mãe gritou.
Eu apenas ignorei as duas. Minhas mãos começaram a passear por suas pernas apertando cada centímetro de pele e foi ai que eu parei. Não porque eu quis. Mas porque uma grande quantidade de água foi jogada em nossas cabeças nos fazendo parar com o beijo. Olhei para cima encontrando com uma garrafa de água vazia em mãos e um sorriso debochado no rosto.
- Esperem a gente chegar em casa, ninguém é obrigado a ver isso - falou antes de voltar para onde estava sentado. Olhei para onde meus primos estavam e os três estavam concentrados em alguma coisa em seus respectivos celulares.
- Que merda foi essa? - perguntou irritada.
- Eu disse que você não ia gostar - dei de ombros.
- Não comentou que eu ia querer vomitar depois.
- Tem um banheiro logo ali princesa, fique à vontade - falei irritado.
- Você já pode sair de cima de mim - comentou me empurrando.
- Ta com medo de ficar excitada amor?
- To com medo de ser contaminada pela sua babaquice – respondeu cínica antes de se virar novamente.
- Você é um saco garota.
- Vindo de você isso é um elogio.

- E ai Nath, sua garota tem uma irmã? Gêmea de preferência – Brian perguntou arrancando risadas dos outros.
Estávamos na minha casa novamente, meus pais já haviam ido dormir e meus tios já haviam ido para casa enquanto meus irmãos, meus primos e eu estávamos no quarto de bebendo e jogando. havia decidido tomar um longo banho e não havia voltado até agora.
- Não cara ela é filha única – dei de ombros como se lamentasse. Antes que Brian pudesse abrir a boca novamente, entrou no quarto com um vestido florido que não dava nem na metade de suas coxas. Caminhou lentamente até onde eu estava sentado e, ao perceber que não haviam mais lugares vagos, se sentou no meu colo cruzando as pernas.
O quarto era do tamanho do meu, mas além da cama, guarda roupas e cômoda, também havia colocado um grande sofá de couro ali dentro, onde eu me encontrava sentado agora.
- Que merda é essa? – perguntei em tom baixo perto de seu ouvido para que apenas ela pudesse ouvir.
- Não tem mais lugares para sentar e…
- Não estou falando disso – apontei sugestivamente para suas pernas e ela pareceu entender.
- Qual o problema? – perguntou confusa. Indiquei meus primos com a cabeça, que estavam sentados no chão a nossa frente e tinham os olhos perdidos em suas pernas – Você me mandou trazer roupas curtas , não posso fazer nada sobre isso.
- O casal, será que dá pra vocês pararem de cochichar pornografias um para o outro e prestar um pouco de atenção no jogo – gritou tacando uma pipoca em mim e .
- Desculpa cunhadinha, mas eu nem sei jogar isso então estou fora – se defendeu.
- Vou jogar na próxima rodada – respondi. Ouvi bufar irritada antes de enterrar seu rosto no meu pescoço.
- O que você ta fazendo? – sussurrei quando senti beijos serem depositados no local. - Seus primos estão me irritando. São piores que você – respondeu no mesmo tom antes de continuar com os beijos. Olhei na direção em que Brian, Jordan e Jasper estavam sentados, os três pareciam constrangidos olhando ocasionalmente em nossa direção.
- Eles ainda estão olhando – avisei.
- Coloca a mão na minha perna.
- O que?
- Só coloca logo –fiz o que ela mandou - agora finge que eu disse a coisa mais erótica do mundo e aperta – apertei sua coxa com um pouco de força fazendo com que suspirasse.
- Pra que tudo isso? - perguntei em voz baixa. Minha mão começou a passear inconscientemente pela sua perna.
- Cientistas comprovaram que as pessoas ficam constrangidas ao presenciar momentos íntimos das outras - seus dentes resolveram participar da festa arranhando superficialmente a pele do meu pescoço e eu apertei sua cintura em um sinal de aprovação.
- Então você não vai gostar nada de saber que eles estão quase desistindo do jogo para poder nos encarar.
- Você precisava mesmo ter primos fãs de voyeurismo - reclamou. Sua boca se aproximou da minha orelha, fazendo uma trilha de beijos - Tudo bem então nós vamos levantar, você vai dizer que o dia foi cheio e nós estamos cansados por isso vamos dormir, mas antes... - Fiquei esperando que sua frase continuasse, mas isso não aconteceu já que no momento seguinte seus lábios estavam colados nos meus em um beijo quase selvagem. Apertei sua cintura novamente retribuindo o beijo a altura. Tão rápido quanto deu inicio, interrompeu o beijo e me encarou esperando alguma atitude.
- Dormir - sussurrou entre dentes. Confirmei com a cabeça e me espreguicei falsamente dando dois tapinhas leves na base das costas de indicando que ela levantasse.
- O papo ta ótimo, mas o dia foi cheio hoje então a gente ta indo dormir – murmurei já de pé ao lado de . Entrelacei nossos dedos e comecei a puxá-la para fora do quarto.
- Boa noite casal – gritou entre risos.
- Descansem bem – Jasper gritou.
- Usem camisinha – gritou fazendo todos rirem.
Assim que entramos no quarto, ficou alguns segundos me encarando antes de soltar um suspiro alto. Pulou na cama fazendo um barulho alto.
- Hm Nath – gemeu me fazendo arregalar os olhos.
- O que você ta fazendo? – sussurrei ao me aproximar da cama.
- O que parece? Todo mundo no quarto ao lado acha que a gente veio pro quarto transar . Estou apenas lhes dando o que esperam – respondeu no mesmo tom. Piscou um olho na minha direção antes de voltar com sua atuação – Isso – falou/gemeu novamente.
- Eu não vou participar disso - avisei. deu de ombros como se não se importasse e pulou na cama fazendo com que a mesma rangesse. Continuou fingindo gemidos e, se eu não estivesse dentro daquele quarto, pensaria que realmente havia alguém fazendo sexo ali.
- Nath mais rápido – seus gemidos estavam começando a causar um efeito totalmente inapropriado sobre mim e eu precisei fechar meus olhos fortemente e contar até dez antes de fazer uma besteira. Estava no meio da minha contagem quando uma frase me despertou totalmente – Mas já amor? Você precisa ver isso, não ta durando quase nada – falou em falso tom de decepção. Tapei sua boca com minha mão e a perdi na cama com o corpo. Eu podia ver o deboche estampado em suas expressões. Gargalhadas vindas do quarto ao lado foram ouvidas me deixando ainda mais irritado. - Que merda foi essa ? – sussurrei tentando controlar a raiva na minha voz, mas foi quase impossível.
- Não sabe brincar amor? - perguntou irônica.
- Quer uma viagra ai Nath? - Jordan gritou entre risadas do outro lado da porta.
- Usa os dedos cara - Brian também gritou.
- Você vai me paga por essa - falei irritado e sai de cima dela a deixando na cama rindo sem parar com a cara enfiada nos travesseiros.

Capítulo 6 - Dia 4


- E aí cara, fiquei sabendo dos seus problemas na noite passada. Sinto muito - eu estava aguentando aquelas provocações desde que havia acordado. Graças a brincadeira ridícula da na noite passada, meus primos não me deixavam em paz e ficavam fazendo piadas e trocadilhos sobre "o acontecimento".
- Vai se ferrar, Jordan - levantei do sofá sem a menor paciência e segui até o quarto dando de cara com o começo da minha dor de cabeça. - Espero que esteja feliz, meus primos não me deixaram em paz por um minuto hoje.
- Desculpa, amor - falou em tom falso, segurando a risada.
- Vai ter volta, , me aguarde - bati a porta do banheiro com força. Decidi tomar um banho rápido para relaxar, então tirei a roupa e entrei debaixo do chuveiro sentindo a água escorrer pelo meu corpo.
Não faço ideia de quando tempo fiquei debaixo do chuveiro, mas, quando sons de gemendo na noite passada começaram a se misturar com imagens dela de biquíni na minha cabeça, decidi que era mais do que hora de sair daquele banheiro. Enrolei uma toalha na cintura e peguei uma outra toalha qualquer a passando pelos meus cabelos. Assim que abri a porta me deparei com de biquíni sentada na ponta da cama mexendo em sua bolsa.
- O que você está fazendo?
- Sua irmã conseguiu convencer a família toda a ir em uma praia que ela conheceu com os amigos, estão nos esperando lá em baixo - falou rapidamente sem dirigir o olhar para mim.
- Eu não vou - disse simplesmente enquanto começava a me vestir.
- Deixa de ser idiota, , estávamos esperando você.
- Bem, então perderam o tempo porque eu não vou - eu não estava a fim de sair, principalmente com os meus primos.
- E aí, vocês vão demorar muito? - Jasper apareceu na porta do quarto com o celular em mãos.
- Eu não vou - falei pela terceira vez.
- Vai ser divertido, Nath, para de viadagem - falou ainda sem desviar o olhar do celular.
- Eu não tô a fim de ir, só isso - dei de ombros. Seus olhos se desprenderam da tela do celular, mas se prenderam em outra coisa dessa vez: de biquíni.
- Tudo bem, cara - falou ainda encarando minha "namorada" - a gente vai cuidar bem da sua garota - o tom malicioso em sua voz era claramente perceptível. - Vamos ? - concordou com a cabeça dando um falso sorriso e o seguiu para fora do quarto.
Ouvi seus passos pelo corredor e escadas e, antes que mudasse de ideia, peguei uma camiseta qualquer e uma bermuda e os segui.
- Achei que tivesse dito que não ia - Jasper comentou assim que me viu.
- Mudei de ideia.

O caminho até a tal praia foi tudo menos silencioso. colocou um CD de alguma de suas bandas favoritas, que incrivelmente era a banda favorita de também, e as duas passaram o caminho todo cantando animadamente ao meu lado.
- Finalmente eu não vou mais precisar ouvir essa cantoria - resmungou assim que o carro foi estacionado.
- Experimente sentar do lado delas na volta - retruquei ao descer do carro.
O lugar era realmente bonito e combinava incrivelmente bem com o calor que fazia na cidade. Meus pais e foram rapidamente arrumando as coisas em um lugar qualquer perto da água enquanto meus primos e discutiam alguma coisa perto do carro.
- Acha que seus primos vão parar de me encarar como se quisessem me devorar em algum momento? - me perguntou. Abri a boca para responder, mas fui interrompido por um grito de .
- Ei casal, nós vamos subir pra ver a vista - apontou para uma grande pedra que tinha ali perto - querem ir?
- Claro - respondi imediatamente e puxei pela mão junto comigo.
A pedra era bastante escorregadia, então tive que ajudar a subir. Quando finalmente terminamos a escalada, nos sentamos todos no chão para apreciar a vista. Fiz se sentar entre minhas pernas, contra a vontade dela, e fiquei apreciando o cheiro de morango que saia de seus cabelos.
- Estou ficando entediado - Brian falou. Ele estava deitado ao meu lado com uma clara expressão de tédio enquanto brincava com uma pedrinha.
- Por que a gente não faz alguma coisa interessante? - sugeriu se colocando de pé.
- O casal ali adora fazer coisas interessantes na praia - apontou para onde eu e estávamos e ela lhe mostrou o dedo do meio em resposta.
- Não, idiota! - lhe deu um tapa na cabeça - Estou falando de algo um pouco mais radical.
- Tipo? - perguntei.
- Tipo saltar de um penhasco - virou de costas para todos encarando o mar à sua frente.
A pedra devia ter uns 10 metros de distância do mar, o que poderia ser considerado incrivelmente perigoso.
- Tudo bem - Jasper levantou animado - quem vai primeiro?
- Eu - Jared levantou. Andou calmamente até a ponta da pedra, se alongou e então pulou como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
Nos levantamos rapidamente e fomos até a ponta da pedra, o encarando nadando animadamente lá em baixo.
- Minha vez - Brian anunciou. Deu uns passos de distância da ponta e então correu dando um salto enquanto gritava - geronimo.
- , o que acha de pular comigo nas costas? - perguntou animada.
- Sobe aí pentelha - meu irmão concordou. deu um salto e prendeu suas pernas na cintura de .
- Foi um prazer conhecer vocês - falei brincando. me mandou à merda antes de pular. a fazendo gritar empolgada.
- Vejo vocês lá em baixo - Jasper falou e saltou logo em seguida.
- Certo. eu vou descer, te encontro lá em baixo - falou.
- Você não vai pular?
- Não.
- Deixe de ser medrosa, - me aproximei de onde ela estava.
- Não estou com medo, - seus olhos entregavam que ela estava mentindo - só não estou a fim de pular - deu de ombros.
- Fala sério , é só água.
- Eu não vou pular, caramba! - falou determinada. Nos encaramos por alguns instantes e achei aquele o momento perfeito para me vingar da noite passada.
- Vamos, amor, não precisa ter medo - falei enquanto me aproximava -são só alguns metros - envolvi sua cintura com meus braços e comecei a andar até a ponta da pedra.
- Não, Nath, por favor - sua voz estava apelativa.
- Não sabe brincar, amor? - repeti as palavras que ela havia me dito na noite passada.
- Nath, você não tá entendendo...
- Eu disse que teria volta - respondi rindo.
- me escuta, eu não... - antes que ela pudesse terminar a frase a empurrei com força para frente, fazendo com que ela caísse da pedra.
Precisei de alguns minutos para recuperar o fôlego e parasse de rir e então finalmente pulei. Olhei ao meu redor e não encontrei ninguém na água além de mim então resolvi sair também.
Assim que coloquei meus pés na areia senti tapas e socos serem distribuídos pelo meu abdômen.
- Seu idiota, cabeça dura - gritava enquanto continuava a me bater. Segurei seus braços com força e a encarei.
- O que foi, porra? - perguntei irritado.
- Você é realmente um babaca, .
- O que foi que eu fiz? - certo, eu estava sendo agredido física e verbalmente e não fazia ideia do porquê.
- Custava você deixar essa merda desse seu ego de lado e ter escutado o que a tinha pra te dizer antes de empurra-lá daquela pedra? - comecei a rir.
- Qual o problema? O medinho dela comoveu você? - fiz voz de deboche e senti um chute na minha canela.
- Ela não sabe nadar, seu idiota! - gritou - O Jordan e o Brian tiveram que sair correndo tirar ela de lá antes que algo pior acontecesse.
- Cadê ela? - perguntei realmente preocupado.
- Com a mamãe, mas eu não acho que ela vá querer falar com você agora - passei os olhos pela praia rapidamente localizando meus pais e caminhei o mais rápido possível até lá.
- Sai da minha frente - falei quando e Brian surgiram na minha frente bloqueando a passagem.
- Cara, deixa ela se acalmar um pouco - falou. Bufei e o empurrei para o lago abrindo caminho.
estava enrolada em uma toalha tremendo e chorando enquanto minha mãe tentava acalmá-la. Pela primeira vez eu estava realmente me sentindo culpado por alguma coisa que eu havia feito. Tentei me aproximar, mas assim que percebeu minha aproximação se encolheu ainda mais.
- Fica longe de mim - sua voz saiu fraca entre o choro.
- ...
- Não.
- Eu disse - passou por mim e se sentou ao lado da garota, a abraçando.
- Vamos embora - meu pai anunciou enquanto começava a arrumar as coisas.
- , ajuda a - falou enquanto se levantava. se aproximou calmamente e pegou no colo, a levando até o carro.
- Mandou bem, esperto - Jasper falou ao passar por mim. Quis responder, mas resolvi ficar quieto e não arrumar confusão.
- Eu vou no carro com ela - minha mãe anunciou - Nath você pode voltar com os meninos.
Quis protestar, mas o olhar da minha mãe deixou claro que se eu discordasse ia me arrepender. Concordei com a cabeça e fui até o jeep preto.
Ninguém falou nada durante o caminho de volta, deixando o clima ainda mais pesado.
Jordan parou em um mercado a poucas quadras da minha casa e eu o olhei confuso.
- Seu irmão pediu para comprar algumas coisas - explicou me mostrando a mensagem de - Eu já volto - anunciou e desceu do carro entrando no pequeno mercado.
Já faziam quase 20 minutos que Jordan havia descido do carro e eu estava começando a ficar impaciente. Jasper e Brian estavam em silêncio desde que entraram no carro, soltando risadas ocasionais sobre alguma coisa que haviam visto em seus celulares. Estava prestes a descer do carro e terminar o caminho a pé quando Jordan finalmente voltou.
- Achei que tivesse morrido lá dentro - comentei.
- Relaxa , não é como se a sua garota fosse querer falar com você assim que você chegasse - respondeu fazendo seus irmãos rirem.
Poucos minutos depois eu estava finalmente em frente a casa dos meus pais. Passei pela sala em absoluto silêncio - ignorando as chamadas de minha mãe - e subi as escadas correndo apenas para encontrar a porta do meu quarto trancada.
- abre a porta - pedi. - - tentei novamente sem obter resultados. - , por favor.
- Vai se ferrar, - gritou.
Suspirei em derrota e desci as escadas novamente. Fui até o quintal no fundo da casa e peguei a antiga escada que meu pai tinha guardada; a posicionei embaixo da minha janela e subi.
- Só pode ser brincadeira - falou assim que me viu entrando pela janela.
- Você tá bem?
- Ótima. Devia ter me perguntando há algumas horas quando eu quase morri afogada - falou ironicamente.
- Estou falando sério, .
- Eu também. Quase morrer é meu passa tempo favorito, não sabia? - eu sentia que podia ser agredido a qualquer momento.
- Você deve ter esquecido de comentar no "questionário de falso namoro" - fiz aspas com os dedos. me fuzilou com os olhos - Olha, , eu sei que eu fui um idiota, mas eu realmente fiquei preocupado.
- se importando com alguém além dele mesmo? Isso é realmente um momento único - revirou os olhos.
- Tenho tido várias reações estranhas nos últimos dias, , achei que já tivesse percebido - retruquei. acenou com a cabeça e permaneceu em silêncio por algum tempo.
- Eu tô bem - soltou - Apesar do susto, seus primos se mostraram úteis pela primeira vez.
- Que bom. Eu sinto muito, mesmo - falei sincero - Se eu puder fazer alguma coisa, sei lá...
- Acho que tem uma coisa sim.
- O que?
- Mais tarde você descobre - falou sorrindo e entrou no banheiro.
Destranquei a porta do quarto e dei de cara com se preparando para bater.
- E então, como ela está? - perguntou.
- Bem, querendo voar no meu pescoço, mas bem.
- Ótimo, então você não vai se importar de me contar sobre esse "questionário de falso namoro" - falou e eu gelei. Abri a boca tentando encontrar o que falar, mas eu conhecia o meu irmão e sabia que não conseguiria enganar. Respirei fundo em derrota e me sentei na ponta da cama.
- Acho melhor você sentar - falei.

- Cara, não acredito que você fez isso! - falou quando eu terminei de lhe contar toda a história do falso namoro - A mamãe vai te matar se ela descobrir isso.
- É por isso que eu conto com o meu querido irmão para ficar de boca fechada - sorri amarelo.
- Relaxa, Nath, eu não vou falar nada - me tranquilizou. - Mas então, agora que vocês não são mesmo um casal, será que eu posso...
- Nem pense nisso.
- Achei que não suportasse ela.
- E não suporto, mas essa garota está me enlouquecendo nos últimos dias, sabe - antes que eu pudesse terminar a frase, saiu do banheiro vestindo apenas um conjunto de lingerie vermelho. - Tá vendo -sussurrei para .
- Ai meu Deus - gritou assustada ao ver no quarto e puxou a minha toalha de cima da cama se cobrindo - Você podia ter me avisado que tinha gente aqui, amor.
- Ele já sabe, .
- Ótimo, não preciso fingir que gosto de ficar perto de você pelo menos - respondeu emburrada e entrou no banheiro novamente com um vestido azul em mãos.
- Cara você tá muito ferrado - meu irmão comentou me dando dois tapas nas costas antes de sair do quarto.
- Achei que ninguém pudesse ficar sabendo - comentou saindo do banheiro novamente, agora vestida.
- E não podem.
- Então por que você contou pro ?
- Aparentemente ele ouviu a gente comentando atrás da porta. Achei melhor contar do que inventar alguma história ridícula que só o faria me encher de perguntas.
- E o que a gente faz agora?
- Nada, ele não vai contar nada pra ninguém.
- Ótimo - bufou e se jogou na cama ao meu lado de bruços. Seu vestido subiu um pouco com o movimento deixando um pouco de suas nádegas à mostra. Antes que eu pudesse perceber, meu lábio inferior estava preso nos meus dentes e imagens distorcidas de nua se passavam pela minha cabeça. Levantei em um pulo antes que perdesse completamente a sanidade e me tranquei no banheiro para tomar um banho frio.

's POV

Estava quase pegando no sono quando ouvi algumas batidas na porta. Murmurei um "entra" e logo apareceu na porta..
- Oi cunhadinha, vim ver como você está - falou se sentando ao meu lado.
- Bem, eu acho -dei de ombros.
- Cadê o Nath? - perguntou receosa. Apontei para o banheiro com a cabeça. - Olha, , eu sei que você provavelmente está com raiva dele, e tem toda razão pra isso, mas ele realmente sente muito.
- Como você tem tanta certeza?
- Quando eu disse pra ele o que havia acontecido, ele realmente ficou preocupado. Dava pra ver nos olhos dele. Ele se importa com você, , de verdade - completou. Me deu um beijo na bochecha e saiu do quarto me deixando sozinha novamente. Suas palavras ficaram ecoando na minha cabeça pelos próximos minutos, fazendo algumas cenas dos últimos dias serem relembradas.
. Preocupado comigo. Só podia ser brincadeira.
- Ei, - estalou os dedos na minha frente me tirando de meus pensamentos. Pisquei algumas vezes antes de lhe encarar - Quem estava ai?
- Sua irmã, veio ver como eu estava -respondi automaticamente. acenou com a cabeça e continuou a se arrumar.
- Vamos - estendeu a mão para mim.
- Onde? - perguntei confusa, aceitando sua mão. Seus dedos se entrelaçaram nos meus e me puxou para fora do quarto.
- Quero descer e comer alguma coisa, mas sei se que se eu for sozinho minha mãe vai me dar um enorme sermão sobre o que aconteceu na praia e eu não estou muito a fim de ouvi-lo agora - esclareceu.
- , querida, como está se sentindo? - Emily veio em minha direção assim que colocamos os pés na cozinha. soltou minha mão e foi em direção à geladeira, vasculhando atrás de comida.
- Estou bem, Sra. , não precisa se preocupar - sorri agradecida.
- Já disse para me chamar de Emily, querida - me lembrou em tom divertido. - Espero que esteja com fome, fiz uma torta de morango para você.
- Cadê? - perguntou.
- O que?
- A torta, mãe, eu estou com fome.
- Fiz a torta pra , não pra você.
- Ela não se importa em dividir, não é, amor? - me olhou indicando que era pra eu concordar. Balancei a cabeça em afirmação, rindo da pequena discussão que havia presenciado.
- Sentem-se, vou pegar a torta - Emily avisou, indicando dois bancos para nós. se encarregou de pegar pratos e talheres enquanto eu me arrumava no banco.
Assim que a torta foi colocada na nossa frente, imediatamente cortou um pedaço relativamente grande e começou a devorá-lo.
- Vai com calma, grandão - falou passando por nós para pegar alguma coisa na geladeira, logo voltando para a sala.
- Certo, , você disse que me falaria depois o que eu preciso fazer para me redimir - falou ao terminar seu pedaço de torta. Eu mal havia começado o meu - Agora é depois.
- A gente vai ver um filme.
- Por favor não me diga que você vai me obrigar a ver um romance de mulherzinha - implorou.
- Tudo bem, eu não digo - segurei a risada.
- Isso é mesmo necessário? - perguntou fazendo cara de coitado.
- Sim.
- Tudo bem então, acho que posso sobreviver duas horas - falou em desistência.
Terminamos de comer a torta e fomos para a sala encontrando , e os primos de sentados no sofá vasculhando o que assistir na TV.
- E aí casal, querem fazer o que? - Brian perguntou quando nos aproximamos.
- Vamos assistir um filme - respondeu.
- Tudo bem, qual?
- Algum romance meloso.
- Sabe o que, cara? Acho que a gente vai lá pra cima - falou sendo apoiado por seus primos - Amanhã a gente se fala - completou e os quatro subiram as escadas.
- Traidores - Nath gritou, segurando o riso.
- Olha, eu ia adorar ver o filme com vocês - se pronunciou -, mas eu preciso terminar alguns trabalhos antes que o feriado acabe - encolheu os ombros em desculpa e foi para o seu quarto.
- Certo, , vamos esclarecer uma coisa, eu vou assistir esse filme com você hoje porque a porcaria da minha consciência tá me enlouquecendo, mas não pense que eu vou começar a ser legal com você por causa disso porque eu não vou. Você continua sendo a insuportável de sempre...
- E você o idiota de sempre - o interrompi começando a ficar irritada com seu discurso.
- Touché.
O empurrei no sofá fazendo com que se sentasse e fui até o notebook, que estava conectado na TV, procurar o filme. Quando o achei coloquei play e me sentei ao seu lado no sofá.
- Que filme você vai me obrigar a assistir? - perguntou quando os créditos iniciais começaram.
- Para sempre.
- Seu romance meloso favorito? - o olhei surpresa por se lembrar disso - O que? Eu tenho boa memória.
- Certo. Agora cale a boca e assista o filme - decretei assim que o filme havia realmente começado.

Nath's POV

Eu não aguentava mais aquele filme meloso. Tudo bem, o filme até que não era tão chato assim, e a história até que era aceitável, mas os suspiros melosos e citações junto com o filme que fazia estavam me enlouquecendo.
Eu não sei em que momento aconteceu nem quem deu a iniciativa, mas meu braço estava sobre os ombros de a abraçando enquanto sua mão estava apoiada na minha perna. Quem visse de fora acharia uma típica cena de um casal apaixonado. Perdendo toda a paciência de assistir ao filme, levei uma mão até seu queixo a fazendo inclinar a cabeça em minha direção e grudei minha boca na sua, iniciando um beijo. Eu não fazia ideia de onde aquela vontade havia aparecido, mas podia sentir todas as células do meu corpo aprovando o ato.
Eu queria odiar aquilo. Fala sério, aquela era , a garota mais insuportável do mundo e a pessoa que eu mais odiava no planeta. Mas a única coisa que eu queria era mais. Sua boca abriu dando passagem para minha língua, me deixando aprofundar o beijo e aquilo continuava não sendo o suficiente. Minhas mãos desceram pelo seu tronco apertando sua cintura fortemente, arrancando um gemido de sua parte. Continuei a descendo em direção às suas coxas até que sua mão me parou.
- Esta me fazendo perder o filme, - falou interrompendo o beijo.
- Foda-se o filme - respondi procurando sua boca novamente, mas virou o rosto.
- Eu quero terminar de ver o filme, Nath - falou birrenta e se ajeitou no sofá, voltando a prestar total atenção na TV. Bufei frustrado e me obriguei a prestar atenção no resto daquela porcaria de filme.
Quando o filme finalmente acabou, descobri que havia terminado de assisti-lo praticamente sozinho. dormia tranquilamente, encolhida no sofá com a cabeça apoiada em meu ombro. Levantei com cuidado para não acordá-la e desliguei os aparelhos do cômodo. Pensei em acordá-la para que subisse para o quarto, mas sua expressão tranquila acabou me fazendo desistir. Me aproximei e a peguei no colo com cuidado, subindo as escadas calmamente para que a garota não acordasse. A coloquei deitada na cama e peguei um edredom que estava guardado, o jogando em cima dela. Senti meu estômago roncar e decidi descer até a cozinha em busca de algo para comer.
- Achei que não suportasse ela - surgiu na cozinha me assustando.
- E não suporto - dei de ombros.
- Não é o que demonstram suas atitudes - provocou.
- O plano é que acreditem que é real, precisamos nos beijar quando alguém está por perto. E eu fiquei com medo de acordá-la e ter que passar o resto da noite aguentando pitis - disse a primeira desculpa que apareceu na minha mente.
- Não tinha ninguém na sala há uma hora.
- Onde quer chegar com essa conversa? - perguntei perdendo a paciência.
- Você está diferente, Nath. Só o vi agir assim uma vez na vida...
- Eu não quero falar disso, beleza? - o interrompi irritado - Eu não suporto a , isso é só um teatro que vai acabar em alguns dias. Acabou.
- Não está mentindo apenas para a mamãe, Nath. Esta mentindo para você mesmo - falou por fim e saiu da cozinha, me deixando sozinho novamente com vários pensamentos rondando minha cabeça.

Capítulo 7


Acordei no dia seguinte com os latidos de Boris ecoando na minha cabeça. Abri os olhos lentamente constatando que estava no quarto, franzi a testa tentando me lembrar como havia ido parar lá. Levantei e caminhei a passos lentos até o banheiro, fazendo minha higiene matinal. Coloquei um vestido azul e desci as escadas indo para a cozinha.
- Bom dia, querida - Emily falou ao me ver. Ela e Richard estavam andando de um lado para o outro no pequeno cômodo preparando o almoço. - As crianças estão lá fora - acrescentou. Respondi seu cumprimento e fui em direção ao jardim nos fundos da casa.
estava sentada em um espreguiçadeira lendo uma revista sobre moda enquanto e brincavam com Boris. Me aproximei de onde estava e sentei na espreguiçadeira ao seu lado, atraindo sua atenção.
- Bom dia, cunhadinha - cumprimentou com um sorriso.
- Bom dia. Onde estão seus primos? - perguntei olhando em volta.
- Foram para casa - deu de ombros. - Vamos nos encontrar de noite - completou.
- Bom dia, amor - se inclinou na espreguiçadeira me dando um selinho demorado.
- Bom dia.
- Dormiu bem? - perguntou, me deixando surpresa.
- Hm... Sim. Que horas me chamou para ir pro quarto?
- Não chamei - falou simplesmente me deixando sem palavras ao deduzir que ele havia me levado.
- Se não é o meu casal preferido de todos os tempos - falou ao se aproximar com Boris logo atrás. A ironia em sua voz foi quase imperceptível.
- Oi, - respondi. Boris pulou na espreguiçadeira em que eu estava, me enchendo de lambidas - Oi, garoto - falei entre risos, fazendo carinho em sua cabeça.
- Boris, vem! - chamou correndo pelo jardim com uma bolinha, que eu julguei ser do cachorro, em mãos. Boris correu em sua direção com logo atrás e os dois começaram a jogar a bola um para o outro, fazendo Boris latir.
Pouco mais de meia hora se passou até que Emily aparecesse na porta avisando que o almoço estava pronto.
Estava ajudando com a louça quando apareceu na cozinha com meu celular em mãos. O encarei, confusa, e ele logo começou a se explicar.
- Estava tocando. Achei que talvez quisesse atender ou ligar de volta.
- Claro - falei meio sem reação ao pegar o celular de sua mão. Olhei a tela e vi que haviam três ligações perdidas de . - Eu preciso retornar, já volto - subi as escadas e fui para o quarto de para ter um pouco mais de privacidade.
- Finalmente, já estava achando que seria convidada para o seu enterro - despejou assim que atendeu o telefone.
- Não precisa exagerar, , eu só não ouvi o celular tocar - revirei os olhos ao seu drama.
- Então, , como estão as coisas?
- Bem, eu acho - respondi meio incerta.
- Ainda não matou o ?
- Na verdade, foi ele que quase me matou - falei me arrependendo no instante em que as palavras saíram da minha boca.
- Ele o quê? - minha amiga gritou, me fazendo afastar um pouco o celular. Suspirei, querendo me socar por ter falado demais e comecei a explicar o incidente na praia do dia anterior.
- Eu vou matar aquele idiota quando eu vir ele! - falou pela terceira vez - Quem esse idiota pensa que é para simplesmente empurrar a minha melhor amiga no mar? E se alguma coisa tivesse acontecido? E se...
- , para! - falei cansada de ouvir aquilo - Ele não sabia que eu não sabia nadar, foi um acidente.
- Meu Deus, você está defendendo ele - falou com a voz carregada de surpresa.
- O que? Não! - falei imediatamente - É só que... Ele se desculpou e até aceitou assistir um filme meloso sem reclamar - omiti a parte do beijo.
- Quem é você e o que fez com a minha amiga?
- Para de besteira, .
- Não é besteira, a que eu conheço jamais perdoaria o fácil assim.
- Ele está diferente nos últimos dias - dei de ombros mesmo sabendo que ela não veria.
- Daqui a pouco você vai sair beijando o por aí - falou entre risos.
- Na verdade...
- Por que você não me contou?
- Não tem nada demais, . A gente tá fingindo que namora, é normal que isso aconteça.
- Não tem nada demais? Não tem nada demais? - perguntou com a voz estridente - Ai. Meu. Deus. - falou pausadamente - Você está apaixonada por ele.
- O que? Tá louca, ?
- Não! Você fica defendendo ele, e a forma como você fala... Você está apaixonada.
- Não estou - neguei.
- Negação é a pior parte, - falou com a voz serena.
- Eu não estou negando nada, - falei com a voz um pouco trêmula, torcendo para que ela não percebesse - Eu não estou apaixonada. Não posso estar.
- Qual o problema, ?
- Todos. Eu preciso desligar - falei na tentativa de me livrar daquela conversa - Mais tarde a gente se fala.
Desliguei a ligação e logo senti meu celular vibrar na minha mão indicando uma nova mensagem.
"Pare de se enganar.
Amo você.
Xx "

Me joguei na cama e fechei os olhos com força, repassando a conversa com na cabeça. Quase dez minutos depois, resolvi descer antes que resolvesse ir me procurar. Fui para a sala e encontrei sentado no sofá assistindo alguma série na TV.
- Cadê os outros? - perguntei atraindo sua atenção.
- Foram passear com o Boris. - respondeu sem tirar os olhos da TV - Imaginei que fosse querer descansar depois de ontem, então disse que iríamos ficar.
- Tudo bem - caminhei até o sofá que ele estava e me sentei na ponta oposta.
Ficamos um tempo assistindo "Supernatural" na TV - quer dizer, ele estava assistindo, eu estava só sentada lá com os olhos vidrados na TV, mas o pensamento em outro mundo - até que começou a olhar no relógio e se mexer inquieto.
- O que foi? - perguntei começando a perder a paciência com sua inquietação.
- Você não acha que deveria se sentar um pouco mais perto?
- O que?
- Bem, você está sentada do outro lado do sofá como se quisesse manter distância de mim. Daqui a pouco meus pais vão voltar e precisamos ser um pouco mais convincentes, não acha? - deu de ombros. Fiquei o encarando até um plano surgir na minha cabeça.
- Quer ser convincente? - perguntei ao me levantar do sofá, ficando parada na frente dele - Então seremos convincentes.

's POV

Sua reação à minha pergunta me pegou completamente de surpresa. Assim que as palavras saíram de sua boca, levou as mãos até as laterais de seu vestido, o fazendo voar pelo cômodo ficando apenas de lingerie. Antes que eu pudesse ter qualquer reação, seu corpo estava sob o meu e seus lábios já estavam grudados nos meus.
Não encontrei coragem, e nem vontade, de para-la, me dedicando a retribuir o beijo assim que sua língua pediu passagem. Suas mãos puxavam meus cabelos, sem dó algum, provocando gemidos de aprovação contra sua boca. Quando recuperei um resquício da minha sanidade, levei minhas mãos às suas coxas, apertando a pele descoberta, e fui subindo até parar em sua cintura, apertei o local e deslizei minhas mãos para suas costas subindo meus dedos por ali. Mordi seu lábio inferior e desci meus beijos para seu pescoço, a ouvindo suspirar. Seus dedos agora brincavam com a barra da minha camiseta enquanto os meus ainda deslizavam pelo seu corpo. Estava prestes a abrir o fecho de seu sutiã quando o barulho da porta e um gritinho agudo nos forçaram a nos afastar.
- Eu tenho certeza de que não custava nada vocês dois terem ido para o quarto e fazer isso lá dentro - falou ainda parada na entrada da casa. Meus pais estavam atrás dela dela, com uma expressão que eu não soube identificar. estava logo atrás, segurando a coleira de Boris, e mantinha um sorriso debochado no rosto. adquiriu um tom completamente avermelhado enquanto se levantava e caçava seu vestido pela sala. Eu quis pedir para que ela esperasse mais um instante antes de se vestir, me deixando apreciar a vista, mas mordi o lábio permanecendo calado.
- Me desculpem Sr. e Sra. . Eu nem sei o que dizer - falou um pouco embolada antes de passar correndo por mim se dirigindo as escadas.
- Mandaram bem - sussurrou ao se sentar ao meu lado. Meus pais haviam ido para a cozinha e levou Boris para o jardim - Se eu não soubesse da verdade, acharia que vocês estavam realmente prestes a transar aqui.
Sorri sozinho ao finalmente me dar conta do plano de e puxei uma almofada para o meu colo na intenção de esconder minha ereção.

- Anda logo , você vai nos atrasar - gritou pela terceira vez batendo na porta do banheiro.
Já era noite e eu estava me arrumando para irmos encontrar meus primos em uma balada. Jesus já havia perdido a paciência e estava quase derrubando a porta do banheiro de tanto bater. Dei una última olhada no espelho e abri a porta quase levando um soco.
- Finalmente - resmungou - Já tá todo mundo esperando lá em baixo, vamos.
Peguei meu celular e a segui até a sala. e estavam sentados no sofá conversando enquanto nos esperavam. Assim que perceberam nossa presença, se colocaram em pé murmurando um "até que enfim". Analisei de cima a baixo e mordi meu lábio inferior arrancando alguns comentários de . Ela usava um vestido preto, colado ao corpo, que destacava incrivelmente bem suas curvas enquanto sua cintura estava de fora devido ao corte do vestido. Me aproximei, colocando uma mão em sua cintura e a puxei contra mim.
-Você está uma delícia pequena - sussurrei em seu ouvido. Depositei um beijo atrás de sua orelha e vi os pelos de sua nuca arrepiarem me fazendo sorrir.
- Vamos logo casal - gritou já na porta atraindo nossa atenção.
Depois de muito insistir, deixou que eu fosse dirigindo durante o caminho. e foram cantando o caminho todo em um "aquecimento". O pub não era muito longe, fazendo com que em menos de quinze minutos estivéssemos lá. Jasper, Brian e Jordan estavam na porta nos esperando com as entradas em mãos.
- Achei que tivessem se perdido no caminho - Jasper falou assim que nos viu.
- A Cinderela demorou pra se arrumar - falou apontando para mim. Revirei os olhos.
- Vamos entrar logo -falei.
Jordan entregou as entradas para o segurança e nossa entrada foi liberada prontamente.
O pub estava lotado complicando um pouco nossa passagem até o bar. , Brian e Jordan se "perderam" no caminho, deixando eu, , e Jasper sozinhos. Pedi uma rodada de tequila para começar a noite.
Pouco mais de meia hora - e muitas doses de tequila - depois, e Jasper também se enfiaram na multidão dançando com alguma garota que encontraram. Assim como na nossa primeira noite na Austrália, fui obrigado a afastar alguns caras de bancando o namorado ciumento.
- Não tem ninguém por perto , não precisa me impedir de me divertir um pouco.
- Não estou te impedindo de nada amor, só que muitas pessoas aqui conhecem meus primos e meus irmãos. Não quero que saiam por aí espalhando que eu deixo minha namorada se agarrar com outros na balada - falei incrivelmente próximo ao seu rosto. bufou antes de se virar para o bar pedindo mais uma rodada para o garçom.
Eu com certeza era a pessoa mais sóbria por ali. Eu já havia perdido as contas de quantas doses havia tomado a deixando muito animada. Seu corpo se mexia ao som da música que tocava, ao meu lado, nunca largando seu copo.
- Acho que você já bebeu demais - comentei.
- Não o suficiente - respondeu sorrindo.
- Estou falando sério , não quero ter que carregar você pra casa.
- Você é um saco - bufou. Uma música conhecida começou a tocar e eu vi seu sorriso aumentar. - Acho que eu vou me divertir um pouco - falou antes de caminhar até a pista de dança.

Put your hands all over
Put your hands all over me
Put your hands all over
Put your hands all over me

Assim que encontrou um bom lugar na pista, deixou seu corpo ser completamente conduzido pela música atraindo algumas atenções.

I can't seem to find the pretty little face I left behind
Wandered out on the open road
Looking for a better place to call home
Gave her a place to stay
But she got up and ran away
And now I've had enough
That pretty little face has torn me up

Suas mãos passeavam pelo seu corpo, atendendo ao pedido da música, deixando a cena incrivelmente sensual para qualquer um que estivesse assistindo.

Put your hands all over me
Please, talk to me, talk to me
Tell me everything is gonna be alright
Put your hands all over me
Please, walk with me, walk with me (now)
Love is a game, you say
Play me and put me away

Put your hands all over me

Seus olhos estavam fechados, curtindo ao música, enquanto uma de suas mãos bagunçava seus cabelos a fazendo rir.

Now you've lost your mind, pretty little girl I left behind
I'm not yours, getting rough
but everybody knows you're not that tough
Wandered out on the open road
Looking for a place to call your own
You're scared to death of the road ahead
You pretty little thing, don't get upset

continuava com sua dança incrivelmente sensual me deixando completamente hipnotizado. Aparentemente eu não era à única pessoa ali que estava perdendo a linha com sua dança já que no instante seguinte um homem se aproximou dela começando a dançar colado ao seu corpo. Suas mãos passeavam pelo corpo dela, apertando alguns locais. abriu os olhos, os focando nos meus e um sorriso malicioso se formou em seus lábios. Eu estava achando aquilo incrivelmente excitante, e o sorriso em seu rosto comprovava que essa era sua intenção.
Seus lábios começaram a se mover junto com a música fazendo minhas calças ficarem apertadas. O loiro continuava sua dança pelo corpo da garota, seguindo veemente a letra da música, tentando atrair sua atenção sem nenhum sucesso. voltou a fechar seus olhos ficando agora de frente para o loiro começando a rebolar e descer lentamente o corpo o provocando. se transformava em uma pessoa completamente diferente quando estava sob o efeito do álcool e aparentemente meu corpo estava adorando aquela já que o incomodo nas minhas calças só aumentava.
As mãos do loiro se prenderam em sua cintura enquanto ele tentava a todo custo alcançar os lábios da garota.

Put your hands all over me
Put your hands all over me
Put your hands all over me
Put your hands all over me

- Se você não fizer alguma coisa, eu faço - ouvi a voz de ao meu lado. Eu nem havia percebido que ele estava ali. O olhei e vi que seus olhos estavam fixos nas mãos do loiro, que começavam a descer até at barra do vestido de .

So come down off your cloud
Say it now and say it loud
Get up in my face
Pretty little girl, come make me day

Caminhei até onde estava e a tirei das mãos do loiro, que protestou. Ignorei e a puxei até um canto da boate a colocando contra a parede. Sua respiração estava falha graças a dança, mexendo ainda mais com a minha masculinidade.
- Você está fodendo com a minha sanidade a dias . Eu não consigo mais entrar no meu quarto e não imaginar como seria te jogar na minha cama e acabar com o meu problema - despejei tudo de uma vez a pegando de surpresa. Comecei a distribuir mordidas por seu pescoço e senti sua mão no meu braço. Achei que ela fosse me empurrar, mas seus dedos apenas apertaram o local me puxando para mais perto - Você está me enlouquecendo aos poucos . A cada dia que passa um pouco da minha sanidade e do meu auto controle evaporam quando você está por perto. - minhas mãos estavam encostadas na parede, ao lado de seu corpo, a prendendo ali. levou suas mãos para dentro da minha camiseta deixando suas unhas arranham meu abdômen. Forcei meu quadril contra o seu, a colando ainda mais na parede, e um suspiro escapou de ambas as partes. Meu auto controle era quase inexistente naquele momento, assim como a minha sanidade diante dela. Seus lábios encontraram meu pescoço com facilidade, graças aos saltos, deixando uma mordida no local. Dei um soco na parede sentindo o resto do meu auto controle ir embora a cada segundo. - Porra garota o que você quer de mim?

Love is a game, you say
Play me and put me away
Put your hands all over

- Put your hands all over me - sussurrou junto com a música no meu ouvido. Joguei meu auto controle pros ares e agarrei sua cintura com um pouco de agressividade. Levei minha outra mão a sua nuca puxando seu rosto na direção do meu e colei nossos lábios dando início a um beijo desesperado.
Suas unhas agora arranhavam minhas costas, ainda por dentro da camiseta, desci uma de minhas mãos pela sua perna e a puxei para cima fazendo com que ela a prendesse na minha cintura. Parti o beijo e desci meus lábios para o seu pescoço deixando um chupão no local.
- Acho melhor a gente terminar isso em outro lugar - sua voz falou no meu ouvido. Concordei com a cabeça e me afastei por um segundo. Entrelacei sua mão na minha e a puxei para fora do pub até o carro.
O caminho, que antes havia levado quinze minutos, foi feito em menos de dez devido a minha pressa de chegar logo em casa. Estacionei o carro de qualquer jeito e desci, dando a volta rapidamente para ajudar a descer. Assim que fechei a porta a puxei para mim novamente e a encostei no carro dando início outro beijo, que não durou muito tempo já que me empurrou lentamente. Fui puxado até a porta e levei mais tempo que o necessário para conseguir abri-la. Eu não faço ideia de como, mas instantes depois minhas costas estava colada na porta do meu quatro enquanto estavam de pé na minha frente distribuindo beijos pelo meu pescoço. Apertei sua cintura e comecei a empurrá-la para trás até o meio do quarto. Suas mãos desceram até a barra da minha camiseta a puxando para cima e nos forçando a interromper o beijo. Assim que minha camiseta foi para o chão, nossos olhares se encontraram e eu pude ver a confirmação ali de que aquela noite só acabaria quando estivéssemos os dois cansados, suados e satisfeitos na minha cama.

Continua...



Nota da autora: ALELUIA. ALELUIA. Finalmente esses dois foram pra cama, nem eu aguentava mais haha. Enfim gente, espero que vocês tenham gostado desse cap cheio de provocação e pegação. Não esqueçam de comentar e divulgar pra dar uma ajudinha a essa autora aqui e dêem uma "passadinha" no grupo do face para ficar por dentro das novidades. Beijinhos, até a próxima. Xx

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