Lúcidos

Autora: Bruna Magalhães | Beta: Ste Pacheco

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Capítulo 01

Ele

Era apenas um coração quebrado dentro de um corpo inteiro. E por algum motivo ele ainda insistia em bater, em fazer com que continuasse vivo.
Morrer. Esse era o seu único desejo naquele momento, na verdade, só queria acabar com aquela dor, mas não se importava se para isso fosse necessário acabar com a sua vida também.
Queria que tudo aquilo fosse o seu pior pesadelo, que fosse uma brincadeira sem nenhuma graça ou que ele estivesse ficando louco e que tudo aquilo fosse fruto da sua imaginação. Ele só não desejava que fosse real o que os seus olhos viam.
Negou algumas vezes com a cabeça antes de sair do quarto sem dizer uma palavra sequer, fechou a porta atrás de si e respirou fundo antes de pegar o seu casaco, as suas chaves e sair daquela casa.
Ele não sabia para onde estava indo, ele só tinha certeza de que precisava sair dali o mais rápido possível. Para onde ele ia, ou o que ia fazer depois de tudo o que presenciou não tinha nenhuma importância naquele momento.
A primeira dose deixou um gosto amargo em sua boca, mas aquilo não era um incômodo para ele. Nada era pior que a dor que ele estava sentido, nada o incomodaria mais.
Se precisasse descrever, diria que alguém estava abrindo o seu corpo sem usar nenhuma anestesia, mesmo achando que não era uma comparação justa. O que ele estava sentido era pior que qualquer outra coisa.
- O que você tiver de mais forte. - Foi o que pediu para o garçom assim que sentou no assento vazio em frente ao balcão do bar.
A segunda dose parecia ser mais fraca, mesmo sendo a mesma bebida. Talvez o primeiro gole o pegou desprevenido e agora ele já estava preparado para sentir o sabor daquele líquido em seus lábios.
O garçom assistia beber com um olhar de pena. tinha certeza que estava com um semblante horrível e era por isso que ele não havia questionado o rapaz que o observava descaradamente.
A partir da quinta dose, ele já conseguia sentir um sabor agradável na bebida. Talvez já estivesse acostumado com o seu gosto ou talvez já estivesse bêbado o suficiente para não se importar com isso.
não sabia por que estava naquela balada, como chegou ali e como ainda conseguia ficar sentado depois de secar tantos copos.
Naquele momento, a única coisa que ele queria era beber até esquecer o que aconteceu naquela noite, nem que fosse só por algumas horas.
Seus pensamentos estavam distantes, a música alta não o incomodava e a loucura que estava em sua mente parecia ter diminuído depois que ele tentou preencher o vazio que havia em seu corpo com bebida.
- Uma cerveja, por favor. - Uma voz feminina o tirou dos seus pensamentos, fazendo com que ele levantasse o olhar.
Sua cabeça estava baixa e ele o questionou silenciosamente se havia cochilado enquanto estava encostado no balcão.
Uma mulher muito bem vestida havia ocupado o assento vazio ao seu lado, ela já estava bebendo a cerveja que pediu segundos antes.
Ela talvez tenha percebido que estava sendo observada, pois virou seu rosto para onde estava.
O movimento fez com que os seus cabelos caíssem em seu rosto, usou uma de suas mãos para joga-los para trás, deixando à mostra um sorriso acolhedor.
- Está tudo bem? - Ela perguntou, depois colocar a mão no ombro de .
- Olhe para a minha cara e me diz se está. – Respondeu, sem pensar, se arrependeu no momento seguinte.
Não queria soar grosso, mas o problema é que sua cabeça estava longe demais para fazer com que ele pensasse em uma resposta mais delicada.
- Desculpe, eu só pensei que... - Tentou se explicar, mas não encontrou as palavras certas para usar.
- Você nem me conhece, saber disso não vai mudar nada em sua vida. E o que você pensa também não me interessa. - O álcool em seu corpo impediu que as palavras saíssem de sua boca corretamente, mas isso não foi o suficiente para que a moça em sua frente não entendesse o que ele queria dizer.
O sorriso que estava no rosto da mulher se desfez com a mesma rapidez em que ela sumiu no meio da multidão.
O próximo rosto que encontrou foi o do garçom, que assistiu à cena de perto.
- Você pegou pesado, cara. - Ele comentou, enquanto negava com a cabeça.
nem lembrava ao certo o que havia falado, mas imaginava que, pelo comentário do garçom, não foi nada agradável.
E quando ele pensou em ir atrás da garota para tentar consertar o seu erro, já era tarde demais. Com a quantidade de gente na balada e com a quantidade de álcool em seu corpo, ele jamais a encontraria.
Só esperava não ter descontado naquela mulher a raiva que estava sentindo.
Você é um babaca, , foi o que ele pensou.
Depois de algum tempo, concluiu que era hora de ir embora, fechou a sua conta e foi em direção ao estacionamento.
Em um outro momento, amaldiçoaria qualquer pessoa que dirigisse depois de ingerir uma gota de álcool. Mas ele estava tão fora de si, que não sabia mais dizer o que era certo ou errado.
Para a sua sorte, e de outras pessoas, o prédio onde os seus pais moravam era bem próximo dali. Não gastou muito tempo para chegar ao condomínio, poderia afirmar que sua viagem até lá durou cerca de dez minutos.
O porteiro que trabalha naquele lugar já o conhecia e por isso ele não precisou falar muita coisa antes de subir, também não estava em condições para isso.
Não demorou muito para que seus pais autorizassem a sua entrada no local. Deixou o carro no estacionamento e se apoiou na parede enquanto esperava o elevador.
A porta do apartamento estava aberta e assim que os seus pais o enxergaram, suas expressões mudaram de preocupação para pena.
- Meu filho, o que aconteceu? - Sua mãe perguntou, enquanto o puxava para dentro e trancava a porta atrás de si.
- Sente aqui, meu querido. - Josh, o pai de , o conduziu até o sofá quando enxergou os olhos marejados do filho.
A relação de com os seus pais sempre foi a melhor possível. Apesar do horário e da cara de sono, seus pais estavam ali ao seu lado. Sabia que merecia e escutaria alguns sermões dos dois depois, mas no primeiro momento eles estavam mais preocupados em saber o que aconteceu do que em criticar o estado em que o seu filho se encontrava.
E seria eternamente grato por isso.
Não segurou suas lágrimas em nenhum momento depois que entrou no apartamento de seus pais, sabia que nenhum deles o julgaria por isso e o ajudaria no que fosse preciso.
- Acabou tudo, mãe, acabou. - Ele conseguiu responder, alguns segundos depois.
Isso fez com que as cenas de mais cedo ressurgissem em sua mente, fazendo com que ele chorasse mais ainda.
Os dois mais velhos não o questionaram mais, apenas deixou que colocasse toda sua dor para fora.
No fundo, eles já imaginavam o que poderia ter acontecido. Só não sabiam como e por que as coisas haviam chegado àquele ponto e muito menos que o problema era bem maior do que eles poderiam imaginar.
Depois de algumas horas, tomou um copo de água e um remédio que seu pai havia lhe dado, mas que ele não sabia dizer qual era. Aos poucos o seu choro foi indo embora, parecia que estava levando consigo um pouco do álcool que estava presente no corpo do rapaz, pois ele já conseguia conversar com facilidade e já sabia o que estava fazendo ou falando.
Contou tudo o que aconteceu para os seus pais, se segurou para não chorar novamente.
- Eu não consigo acreditar em tudo isso. - Bethany pensou alto, enquanto terminava de tomar o seu copo de café. Provavelmente, não dormiria tão cedo e aquele líquido ajudaria Beth a ficar acordada para fazer companhia para o filho.
estava deitado no sofá, enquanto seus pais dividiam o outro que estava em sua frente. Observava a luminária no teto como se aquilo fosse mais importante do que qualquer outra coisa.
- Eu também não acreditaria se eu não tivesse visto com os meus próprios olhos.
- Mas filho, não estou defendendo ela, mas talvez ela tenha algo para falar com.... - Bethany teria continuado se o seu esposo não tivesse interrompido.
- Querida, não tem explicação para isso. Ela jogou muito sujo com o nosso filho, jamais vou perdoá-la. - Josh expôs a sua raiva, sempre foi o mais calmo da família, mas sempre tomava as dores de seus filhos.
- Duvido muito que ela tem algo para me dizer e, mesmo se tiver, eu não tenho interesse em ouvir uma palavra que saia da boca dela. - alterou o seu tom de voz, sentia nojo só em pensar na possibilidade.
Nada justificaria o que havia acontecido e nenhuma palavra faria com que as cenas que estavam vivas em sua mente desaparecessem.
Ficaram algum tempo em silêncio, olhou em seu relógio e viu que já se passavam das três horas da manhã, provavelmente os seus pais não sairiam dali enquanto não tivessem certeza de que ele estava bem.
- Podem ir dormir, eu só vou tomar um banho e me ajeitar aqui mesmo no sofá. - Tentou falar com uma voz segura para tentar convencer os seus pais de que ele estava melhor.
- Durma no quarto do Nick, ele saiu com a sua irmã e vão dormir na casa de um amigo, tem algumas peças de roupa no guarda roupa dele que eu acho que te servem. Amanhã eu arrumo o quarto de hóspedes pra você, você pode passar um tempo aqui com a gente. - Sua mãe informou, fazendo com que lembrasse dos irmãos, estava com os pensamentos tão longe que acabou esquecendo de perguntar por eles.
- Não precisa se preocupar, mãe, não quero dar trabalho e amanhã mesmo já vou procurar um novo lugar pra morar. – Disse, sem jeito, não queria incomodar os seus pais com os seus problemas.
desde os dezenove anos de idade morou sozinho, sua maturidade e responsabilidade fizeram com que ele se tornasse o braço direito do seu pai nos negócios e ganhasse um simples apartamento, como o Josh descreveu na época, de presente de aniversário.
Agora ele não tinha vontade nem coragem de voltar àquele lugar, por isso arrumar uma nova moradia era a melhor opção. Sabia que ao cruzar a porta da sua moradia, lembraria de tudo o que aconteceu ali.
- Não é incomodo algum, meu filho, você sabe que pode ficar aqui o tempo que quiser. - Josh reforçou as palavras da mulher.
abraçou os pais com força, tentando passar o amor e a gratidão que tinha através daquela demonstração de afeto. Suas lágrimas de agora não eram por tristeza, eram de emoção em saber que, independente de qualquer coisa, seus pais sempre estariam ao seu lado.
- Eu perdi duas pessoas que tinham uma enorme importância minha vida, vocês são tudo o que tenho agora. – Confessou, depois de soltar os dois mais velhos, que beijaram a testa do filho, como se concordassem o que ele havia acabado de dizer.

Capítulo 02

Ela

Aquele sábado chuvoso deixou o dia mais triste, mas isso não interferia em nada no humor de . A garota dirigiu animadamente até a loja onde trabalhava, cantarolando todas as músicas que tocava na rádio.
Já estava acostumada a fazer aquele trajeto todos os dias e em pouco minutos ela já estava em seu local de trabalho. Acordar para ir trabalhar era uma das suas maiores alegrias, fazia o que gostava ao lado de pessoas que ela gostava ainda mais, não tinha motivos para reclamar.
- Bom dia. - Cumprimentou o seu amigo, com quem ela dividia a sala.
trabalhava em uma famosa loja de roupas há mais de um ano, começou como vendedora junto com a sua melhor amiga, Hope. Acabou subindo de cargo depois de alguns meses e agora dividia o trabalho burocrático da loja com o seu companheiro de sala, .
- Como faz pra ter essa animação contagiante às nove horas da manhã de um sábado frio e chuvoso? Teve aumento no salário e não me avisaram? - perguntou, sua cara de desânimo era mais um motivo para que não parasse de sorrir.
- Não, apenas acordei feliz, não posso? - já organizava alguns papéis em sua mesa, enquanto esperava o seu computador ligar.
A sua relação com sempre foi maravilhosa, desde quando ela chegou à loja o rapaz sempre a tratou com carinho e sempre a ajudou quando necessário.
- Mas é claro que pode. - Sorriu para a sua companheira de trabalho, que piscou para o rapaz como resposta.
Ouviram passos no corredor e já imaginaram quem seria. Hope entrou na sala com cara de poucos amigos, como sempre, os dois já estavam acostumados a ouvir a garota reclamar do seu trabalho todos os dias.
- Bom dia, Hope. - cumprimentou a amiga, que apenas revirou os olhos.
- Eu não quero mais trabalhar como vendedora, quero trabalhar aqui com vocês. - Os olhos fundos de Hope davam a impressão de que ela podia chorar a qualquer momento. precisou segurar a risada para não rir na cara da garota.
- Amiga, nem é tão cansativo assim, tenha um pouco de paciência. - falou, com calma, tentando aconselhar a amiga da melhor forma possível.
- Não esquece que a e eu viemos lá de baixo também. Reclamar não vai fazer com que você suba de cargo mais rápido. - quase sempre usava um tom de deboche para falar algumas verdades para a amiga.
Muitas vezes precisava entrar no meio de discussões dos dois; Hope não gostava de ouvir ninguém e não conseguia ficar calado, então, quase sempre rolava alguns estresses entre os dois.
Mas no fundo eles se gostavam e quando não tinham trabalho envolvido no assunto, a conversa entre os dois fluía muito bem.
- Vocês são muito chatos, sabiam? Tchau pra vocês. - Hope se despediu antes de sair da sala e voltar para o trabalho.
e se entreolharam antes de sorrirem um para o outro. Eles já estavam acostumados com o jeito da amiga.
- Dá pra você parar de provocar a Hope? - levantou de onde estava sentada e cruzou os braços em frente ao corpo enquanto olhava para , esperando uma resposta.
O rapaz lançou um sorriso em direção a enquanto se levantava e ia até ela.
Ficou bem próximo da garota, que matinha um expressão confusa devido à aproximação de , antes de responder.
- É mais forte do que eu, não tenho muita paciência com ela.
E, de fato, ele não tinha, não entendia como ela conseguia reclamar o tempo inteiro, nada nunca estava bom, nada a agradava.
- E eu não tenho paciência com vocês dois. - Fingiu estar nervosa, já se preparava para se sentar em sua mesa novamente, mas foi impedida pelo rapaz.
A mão forte em sua cintura fez com que parasse no mesmo momento, finalmente os seus pensamentos estavam se concretizando.
sempre chamou a atenção de , desde quando ela começou a trabalhar na loja. A beleza, a educação, o corpo e a mente do rapaz formavam um conjunto de tudo o que admirava em um homem.
Em pouco tempo, e Hope se aproximaram do rapaz, dando início a uma grande amizade.
O problema é que mesmo depois de se tornarem amigos e confidentes, por muitas vezes imaginou como seria se tivesse a oportunidade de ter algo a mais com o amigo.
Poderia estar ficando louca, mas podia jurar que o seu interesse em era recíproco. A forma como ele a olhava quando os dois estavam sozinhos deixava a entender que haviam segundas intenções presentes ali.
Como nunca comentou sobre esse seu interesse com ninguém, ela não sabia dizer se aquilo de fato estava acontecendo ou se ela estava ficando louca.
Sorriu antes de se virar para , que mantinha um sorriso no rosto.
Arqueou a sobrancelha enquanto esperava uma explicação do rapaz.
- Bom, é... Quer fazer alguma coisa hoje à noite? Ir a algum barzinho, ver um filme... Acho que seria legal a gente sair juntos, só nós dois. - Coçou a cabeça, deixando claro o seu desconforto em estar tendo aquela conversa com ela.
- Claro, conheço um barzinho que é ótimo. – Respondeu, de forma rápida, pensar demais poderia fazer com que se perdesse nas palavras que pretendia falar.
- Que horas eu te pego?
- A hora que você quiser.
Os dois se olharam durante alguns segundos antes de perceberem o duplo sentido na frase e caírem na gargalhada.
- Então eu passo na sua casa às 8 da noite, combinado? - Viu sorrir e acenar de forma positiva com a cabeça, antes de voltar ao trabalho.
Durante toda a parte da manhã, e trocaram olhares e sorrisos cúmplices. Não tiveram muito tempo para ficarem conversando devido à grande quantidade de trabalho que tinha para os dois.
- Vamos almoçar? - repetiu a mesma pergunta que fazia todos os dias para o amigo quando estava no horário do almoço.
- Não vai dar, tenho uma papelada para assinar aqui, mais tarde eu como alguma coisa.
concordou com a cabeça antes de sair da sala, arrumou seu cabelo no espelho do corredor antes de entrar no elevador para ir encontrar com a Hope.
Decidiu compartilhar a novidade com a amiga, quase não existiam segredos entre as duas. Já conhecia muito bem a amiga que tinha e sabia que provavelmente ela enxergaria algum lado negativo nisso, mas não deixaria isso interferir na sua decisão.
- Sério que você vai sair com o ? Como um casal? – Questionou, após ouvir e não acreditar no que a amiga havia falado.
mantinha seu olhar focado no caminhada que estava fazendo até o restaurante, mas podia jurar que a cara da sua amiga ao lado não era uma das melhores.
- Sim, algum problema? - Encarou a amiga depois que parou os seus passos para esperar o sinal que indicaria que elas poderiam atravessar a rua.
- Claro, vai dizer que você nunca percebeu a cara de mulherengo que ele tem? Tenho certeza que ele só quer te usar e depois sair fora, até parece que você não aprendeu nada com o Austin. - Pensou alto e viu o semblante da amiga mudar no mesmo instante.
- Hope! - repreendeu a amiga no mesmo instante. - Quantas vezes eu vou ter que te pedir para não falar o nome dele perto de mim?
Era difícil ouvir aquele nome depois de tudo o que aconteceu. A ferida ainda não havia cicatrizado e ela tinha certeza que demoraria muito para que isso acontecesse. Bastava ouvir o nome de Austin para que aquelas tristes lembranças invadissem a sua mente.
Tudo o que ela passou naqueles dias parecia voltar para o seu presente só de ouvir falar sobre ele.
Já havia deixado bem claro para todos as pessoas próximas dela que ela não queria ouvir falar sobre nada que envolvesse o rapaz, porém, muitas vezes Hope tocava no nome do garoto sem querer, fazendo com que as lembranças daquele fatídico dia viessem à tona.
- Desculpa, eu não queria...
- Você nunca quer, né? Pelo amor de Deus, esquece esse cara e me ajude a esquecer também. - Interrompeu a amiga, que olhava para qualquer outra coisa na rua.
- Tá bom, tá bom, não precisa descontar a sua raiva em mim também. - Hope aumentou o tom de voz assim que viu a sua amiga respirar fundo. - Não tenho culpa das idiotices que ele fez.
No mesmo momento, o sinal para que as duas atravessassem a rua se abriu, Hope começou a andar novamente, mas parou quando viu que a amiga continuou parada no mesmo lugar.
- Você vai atravessar agora ou vai esperar os carros começarem a se movimentar de novo?
negou várias vezes a grosseria da amiga antes de responder, não era Hope, mas sim ela quem tinha motivos para estar nervosa.
- Pode ir sozinha, perdi a fome. - Fez o caminho de volta para o escritório sem olhar para trás.
Tentou limpar os resquícios de lágrimas que ficaram em seu rosto durante o caminho, mas assim que entrou em sua sala novamente, já percebeu que alguma coisa havia acontecido.
- O que que a Hope fez dessa vez? - Ele já tinha certeza que, independente do que havia acontecido, envolvia a garota. As duas amigas eram complemente diferentes uma da outra e não era a primeira vez e nem seria a última que elas discutiriam.
não queria contar sobre o que Hope pensava a respeito dele e por isso resolveu deixar os detalhes de lado.
- Estávamos conversando e sem querer ela tocou no nome do Austin... Preciso dizer mais alguma coisa? - Seus dedos passeavam pelo seu cabelo enquanto sua imaginação parceria estar bem longe.
- Hope não aprende nunca.
- Até perdi um pouco da fome que estava sentindo, mas tudo bem, já passou. - Lembrou por que ela havia voltado para o trabalho, amava comer, mas momentos assim acabava com o seu apetite.
- Olha, se você quiser eu tenho um beijinho aqui, pode matar a sua fome e te adoçar um pouco. - Ofereceu e recebeu um olhar assustado de como resposta. - Calma, , é do doce que estou falando, sei que você é uma formiguinha e isso é o máximo que eu posso te oferecer aqui no trabalho. - Sorriu de canto, tirou o doce da bolsa e levou até a mesa em sua frente, enquanto se divertia às custas da amiga. - Que cabecinha maliciosa, hein?
sabia que ele só estava fazendo aquilo para levantar o seu astral. Ele poderia muito bem ter questionado os detalhes do que a fez ter voltado para o escritório antes do horário, mas só de saber o motivo que levou a fazer isso, preferiu ignorar aquela conversa desagradável e animar a amiga de alguma forma.
- Não fala nada com a Hope não, tá? Eu sei que ela não falou por mal. – Pediu, já prevendo que falaria um monte para a amiga quando tivesse uma oportunidade.
- Não vou falar nada só porque você pediu com carinho.
lançou um sorriso acolhedor em direção ao rapaz. Ele trazia consigo uma alegria, uma energia boa e uma paz que ela não conseguia explicar, só sabia dizer que queria tê-lo ao seu lado para sempre.
- Você não existe, . - Sua boca cheia de doce fez com que suas palavras saíssem emboladas, mas conseguiu entender perfeitamente o que ela queria dizer.
- Existo sim e sou de carne e osso, a noite eu deixo você me apalpar só para ter certeza. - Piscou para a garota antes de voltar para a sua mesa.
Se ele queria deixá-la sem jeito, ele havia conseguido.

Capítulo 03

Ele

A chuva forte fazia com que o dia lá fora parecesse noite, quando na verdade ainda era onze horas da manhã. O céu estava escuro e nublado, qualquer pessoa que olhasse pela janela conseguiria ver que uma boa parte das luzes da cidade ainda estavam acesas.
demorou alguns segundos para reconhecer o lugar onde estava depois de abrir os olhos pela primeira vez naquela manhã, não sabia dizer como havia conseguido pregar os olhos na noite anterior. Não lembrava de muita coisa que aconteceu na balada e nem de tudo o que havia conversado com os seus pais, porém, o motivo de ter bebido tanto e ter passado a noite na sua antiga casa ainda estava bem claro em sua mente.
Alguém deixou a luz do quarto acesa e aquilo incomodava enquanto ele estava com os olhos abertos, sua cabeça estava latejando de dor, seu corpo estava mole e tudo em sua volta parecia girar.
Era a maldita ressaca lhe dando bom dia.
- Te acordei? - Ouviu a voz do seu irmão do lado da cama, virou-se no mesmo instante para onde ele estava.
Nick parecia esvaziar a sua bolsa; papéis de balas, pedaços de bolachas, duas camisinhas e duas meias que pareciam estarem usadas já estavam em cima da sua mesa de estudos.
- A mãe vai te matar se ela ver isso. - alertou após negar com a cabeça a bagunça do irmão, já havia se esquecido de como ele era desorganizado.
- Achei! – Disse, enquanto mostrava um fone de ouvido todo enrolado para o irmão.
Jogou tudo o que estava em sua mesa para dentro da bolsa novamente, incluindo os lixos, depois sentou em uma cadeira de frente para o irmão enquanto conectava o fone de ouvido ao celular.
Nicholas ficou algum tempo em silêncio, pensando em um jeito de iniciar uma outra conversa com o .
- Dona Beth me contou tudo, como é que você está se sentindo? – Falou, mais baixo que o normal, sua animação de sempre não estava presente em sua fala.
- Como esse fone que estava no fundo dessa lata de lixo improvisada. - Forçou um sorriso para o irmão depois de levantar da cama, tinha a impressão de que aquele dia seria longo.
- Eu sinto muito, cara. – Disse, com sinceridade, se estivesse no lugar do irmão, Nick com certeza estaria explodindo de raiva.
- Eu também. – Respondeu, enquanto ia em direção ao banheiro.
Nick ficou em silêncio enquanto esperava seu irmão sair do banho, depois de alguns minutos, voltou para o quarto secando o rosto com uma toalha enquanto uma outra estava enrolada em sua cintura.
- Eu não sei nem o que te falar, mas se eu fosse você, eu teria quebrado a cara daquele babaca. - Nick comentou, enquanto tirava do seu guarda roupa algumas peças de roupas de que estavam lá.
vestiu as primeiras peças que ele pegou, usou também um casaco de Nicholas, já que o tempo nublado havia abaixado a temperatura.
- E você acha que isso não passou pela minha cabeça? Só não o fiz porque se não eu estaria atrás das grades agora. Na raiva que eu estava sentindo, eu ia acabar com aquele desgraçado.
- Mas vale lembrar que não é só ele quem tem culpa. - Nick lembrou que havia mais uma pessoa envolvida na história.
prestava atenção no que o seu irmão falava enquanto arrumava o cabelo em frente ao espelho, apesar do que havia acontecido, ele não deixava a sua vaidade de lado.
- Você sabe que eu jamais encostaria um dedo em uma mulher, independente de qualquer coisa que ela tenha feito. A vida é quem vai cobrar dela, e ela bate de um jeito diferente, meu irmão, e dói bastante.
- É, você tem razão. – Disse, sem jeito, era impossível falar sobre aquele assunto e se sentir à vontade.
encerrou aquela conversa com o irmão, para evitar continuar falando sobre os acontecimentos da noite anterior. Isso não faria com ele esquecesse o que aconteceu e mesmo se quisesse não conseguiria, porém, não falar sobre era o mínimo que ele podia fazer.
Foram em direção à sala de jantar e encontrou sua mãe preparando a mesa do café. Por sua culpa, ela também foi dormir tarde e com certeza esse era o motivo para ela estar preparando a mesa do café naquele horário.
- Bom dia! - Cumprimentou a mais velha, depositando um beijo em sua testa, observou o seu irmão fazer o mesmo.
- Bom dia, meus amores, fiquem à vontade, vou chamar o Josh e a Sam para tomar café com a gente. - Saiu em direção aos quartos, deixando os dois irmãos sozinhos na sala.
Sobre a sua família, não tinha do que reclamar, sempre foram muito unidos e presentes na vida uns dos outros. Lembrou o quanto foi difícil sair de casa pela primeira vez, parecia que ele estava abandonando aqueles que sempre estiveram ao seu lado. Com o passar do tempo, se acostumou com a mudança e com a saudade que ele sentia todos os dias.
- ! - Ouviu alguém gritar o seu nome, roubando a sua atenção, que estava voltada para os seus pensamentos.
Antes mesmo de pensar em responder alguma coisa, recebeu um abraço forte da irmã mais nova, fazendo com que ele se esquecesse de falar qualquer coisa. Não era necessário o uso das palavras, aquele gesto já dizia muito. Era um abraço cheio de saudades e amor, como ele sempre recebia quando chegava na casa dos seus pais. Sentiu também uma certa compaixão e deduziu que a irmã também já sabia o que havia acontecido na noite anterior, era como se ela estivesse dizendo "eu sinto muito", sem falar nenhuma palavra.
- Oi, minha princesa. - Olhou para a irmã, que sorria com os olhos para ele.
- Credo, , princesa não. - Revirou os olhos, enquanto tentava segurar a risada.
- E você quer que ele te chame de que, pirralha? - Nick entrou na conversa, com a intenção de provocar a mais nova.
Samantha mostrou a língua para o irmão enquanto se virava para para continuar a conversa.
- Princesa é um apelido para menininhas e eu já sou uma adolescente. - Explicou para o irmão, que ria do que Sam falava.
puxou o braço da sua irmã, que ainda estava em pé ao seu lado, para que ela se sentasse em seu colo.
- Acontece que, pra mim, mesmo quando você crescer você não vai deixar de ser a minha princesa. - Deu mais um abraço na irmã antes que ela se levantasse para se sentar em seu lugar.
Josh se sentou à mesa junto com os seus filhos e a sua esposa e iniciou uma conversa sobre algumas notícias que ele havia lido no jornal naquela manhã. seria sempre grato por nenhum deles ter falado sobre o que aconteceu com ele, com certeza aquele assunto faria com que ele perdesse o apetite.
Em seguida, Nicholas começou a contar sobre a festa da noite anterior, o que fez com que pensasse o quanto Samantha devia sofrer nas mãos do irmão.
Seus pais e Nicholas tinham um enorme ciúme da Sam, talvez por ser a mais nova, ou a única menina, ou pelos dois motivos. Devido a isso, Sam só ia para as festas acompanhada por Nicholas, mas o problema era que ele era tão ciumento quanto os seu pais e sair com ele acabava não sendo tão legal assim.
- Depois um outro garoto ficou piscando pra ela, aí eu fui lá e falei: você não percebeu que ela está acompanhada? - Nick continuou contando sobre as inúmeras vezes que ele fingiu ser namorado da irmã, só para que nenhum garoto falasse com ela.
ria e negava com a cabeça enquanto Nick contava as histórias com orgulho, Sam revirava os olhos, demonstrando sua irritação e seus pais ouviam atentos ao que o filho falava.
- E você acha que você está certo? - Questionou o irmão, que olhou para surpreso.
- Claro, ou você acha que eu vou deixar ela ficar com esses caras? - Retrucou, achando que estava coberto de razão.
Samantha pegou uma fruta e usou a desculpa de que ia dormir mais um pouco, só para sair de lá. Ela odiava ser o centro das atenções, principalmente quando os assuntos eram sobre relacionamentos.
- Quando vocês vão perceber que a Samantha cresceu? - perguntou, assim que percebeu que a sua irmã não escutaria aquela conversa, alternando seu olhar de seus pais para o seu irmão.
- Como? - Nicholas estava tão focado em comer a sua salada de frutas que não conseguiu entender o que seu irmão queria dizer.
- Tudo bem que ela vai ser sempre a nossa menininha, mas vocês não precisam tratar ela como uma criança.
Seus pais escutavam a conversa em silêncio, se era porque eles sabiam que estavam errados ou porque discordavam do filho, não sabia dizer.
- , ela só tem 16 anos, eu não vou deixar que esses garotos brinquem com ela. - Nick deixou claro a sua preocupação com a irmã, fazendo pensar se tudo o que ele fazia era apenas pra proteger a Sam.
ficou algum tempo em silêncio, parecia estar pensando no que responder para o irmão enquanto bebia um pouco do seu suco.
- Vocês precisam tratar ela como uma garota de 16 anos. Ela precisa sair, se divertir, conhecer pessoas novas, sem ter o Nicholas do lado como segurança. Vocês têm que confiar na Samantha. – Disse, olhando para os três presentes ali na mesa, não era só Nicholas que precisava ouvir aquilo.
sabia que não era certo o que eles estavam fazendo com a irmã, sabia que todas as vezes que Sam reclamava de alguma coisa com ele, era devido ao comportamento dos seus pais ou do seu outro irmão.
Tinha medo que a irmã se revoltasse e fizesse alguma besteira por causa desse ciúme desnecessário.
- Meu medo é que ela se envolva com pessoas ou com coisas erradas, não me perdoaria se alguma coisa acontecesse com ela. - Josh se pronunciou, seu semblante estava triste e mostrava que, de fato, aquele era o seu maior medo.
Viu sua mãe concordar com a cabeça assim que o seu olhar se direcionou a ela. Eles estavam certos em se preocupar com a filha, mas também não podiam exagerar na dose.
Ela era uma garota como qualquer outra, também tinha suas vontades e ficar presa dentro de casa com certeza não era uma delas.
- Eu sei, pai, mas é um risco que se corre. Você também não tem medo que ela se revolte por ser tratada assim e faça alguma besteira?
- Você ficou louco, ? - Nick encarou o irmão mais velho, como se o que ele tivesse falado fosse um absurdo.
- Não estou dizendo que ela vai fazer isso, mas é algo a se pensar. - Voltou a olhar para os seus pais. - Vocês educaram o Nick muito bem e acredito que estão fazendo o mesmo com a minha irmã, mas pensem com carinho no que falei e conversem com ela, nada melhor que um diálogo para resolver as coisas. - Sorriu antes de se levantar da mesa.
- Não sei se isso é uma boa ideia... - Nick pensou alto, não conseguia aceitar que a sua irmã havia crescido, mas sentiu que o sabia bem o que estava falando.
- Obrigada, meu filho, pode deixar que nós vamos conversar com ela. - Ouviu a voz de sua mãe antes mesmo de sair da mesa e ir em direção ao sofá da sala.

Capítulo 04

Ela

Aquela tarde demorou passar e a cada momento sentia um vazio dentro dela. Não havia conversado com Hope depois daquele desentendimento e sabia que era isso que estava lhe incomodando.
Assim que acabou o seu expediente, arrumou as suas coisas com uma certa pressa, tinha a intenção de encontrar com a amiga ainda naquela tarde.
- Já estou saindo, quero falar com a Hope ainda hoje. - avisou para o seu colega de sala, que lhe deu um sorriso como resposta.
- Tudo bem, só vou terminar de guardar esses documentos aqui e já saio também. Te encontro daqui a pouco.
- Te espero na minha casa. - Sorriu para , que ainda organizava alguns papéis em sua mesa.
- Até mais tarde, . - Acenou para a garota antes que saísse da sala.
Andou em direção onde Hope estava, ela também já estava de saída. Queria se desculpar pelo ocorrido de antes, conhecia muito bem a sua amiga e sabia que ela falava muitas coisas sem pensar e que não era por maldade.
Hope também não tinha culpa de ainda se sentir mal só por ouvir falar de Austin. Se ela não havia superado, isso era um problema só dela.
- Hope? - Chamou a amiga, que já andava em direção à saída da sala.
Hope se virou para onde estava, cruzou os braços em frente ao corpo e sem dizer nenhuma palavra esperou que a amiga iniciasse a conversa.
- Queria te pedir desculpas, acabei me estressando mais cedo.
- Eu percebi. – Disse, sem olhar para a amiga.
não queria ficar com aquele peso na consciência por ter discutido com ela, não queria estragar o seu dia por causa de uma pessoa que sequer merecia ser lembrada.
- Já passou, esquece isso. Rola você me dar uma carona hoje? - Hope sorriu de forma amigável para a amiga depois de falar.
- Claro que sim. – Disse, aliviada, tinha certeza que as coisas entre elas estavam bem.
A casa de Hope era próxima de onde morava, elas sempre voltavam juntas. Durante o trajeto, elas evitaram o assunto da conversa de mais cedo, porém, assim que estacionou o carro na frente do prédio onde Hope morava, a mais nova não conseguiu conter a sua curiosidade.
- Você vai mesmo sair com o ?
apoiou sua cabeça no volante, ficando alguns segundos em silêncio. Respirou fundo, tentando não se estressar, havia acabado de fazer as pazes com a amiga, não queria brigar novamente.
- Vai começar com essa história de novo, Hope? Eu não estou te entendendo, você é amiga da gente, devia nos apoiar. – Falou, de forma rápida, a sua voz não demonstrava nervosismo, mas a sua impaciência podia ser notada.
- Não é isso, eu só acho que... - Tentou se justificar, mas foi interrompida por .
- Você tem interesse nele, é isso? - Disse a primeira coisa que veio em sua cabeça. No fundo, ela só queria entender o motivo de Hope estar agindo assim.
Hope lançou um olhar assustado em direção onde estava, era como se ela tivesse falado a pior coisa do mundo. Negou com a cabeça algumas vezes antes de responder alguma coisa.
- Claro que não, de onde você tirou essa ideia? Ele não faz meu tipo.
- Sei lá, só estou tentando entender por que você está desse jeito. - Tentou se explicar após relaxar o seu corpo no banco do motorista.
- Eu acho que vocês não combinam, só isso. Mas não vou falar mais nada, depois não diga que não avisei. – Disse, antes de abrir a porta e sair do carro. - Até segunda, valeu pela carona.
apenas sorriu de canto para a amiga, ainda ficou pensando alguns segundos antes de voltar a dirigir.
Queria muito sair com , mas e se Hope estivesse com a razão? Sentia que com não seria uma coisa só de momento e era isso que a preocupava, ela não suportaria outra decepção.
Chegou em sua casa e encontrou sua mãe e seu irmão dormindo nos sofás que ocupavam um bom espaço da sala. Eles tinham a mania de assistir filmes juntos, mas sempre pegavam no sono antes de acabar.
O barulho da porta se fechando fez com que Victória acordasse, sorriu para a filha assim que a viu parada bem próxima dela. Era assim que era recebida todos os dias em sua casa. Depois que o seu pai faleceu, a sua mãe fazia de tudo para preencher o vazio que ele deixou, e isso fazia com que ela ficasse mais presente na vida dos filhos.
- Filha, que bom que você chegou. - Sua voz não negava que ela estava dormindo há um bom tempo.
- Está tudo bem? – Perguntou, após se jogar no colo da mãe, que agora já estava sentada.
- Sim, estava assistindo um filme com o seu irmão, mas acabei dormindo, pra variar. – Sorriu, fazendo com que sorrisse também.
Victória começou a fazer um cafuné na filha, adorava quando sua mãe ficava mexendo em seu cabelo. Aquilo era melhor que qualquer remédio para insônia, pois não havia se passado nem dois minutos e ela já estava sentido vontade de dormir.
- Mãe, é melhor você parar porque senão eu vou dormir e eu vou sair daqui a pouco. - Não olhou para a sua mãe enquanto falava, seus olhos estavam fechados devido ao prazer que sentia ao receber aquele carinho.
- Vai pra balada?
- Acho que sim, vou sair com o , aquele meu amigo gato do trabalho, sabe? Até que enfim ele me chamou para um encontro. - Deixou um sorriso cheio de significados escapar enquanto explicava para a sua mãe.
As duas sempre foram muito amigas e Victória sabia praticamente tudo sobre a vida da filha. Conhecia tão bem que foi necessário apenas um sorriso para que ela entendesse que aquele não era um encontro qualquer.
- Saia mesmo, minha filha, fico feliz em saber que você está seguindo em frente. - Disse o que estava passando por sua mente, sorriu de forma gentil para a filha.
- Eu ainda não segui em frente, mãe, mas juro que eu estou tentando. - Depositou um beijo no rosto da mãe antes de sair em direção ao quarto para começar a se arrumar.
Tomou um banho demorado enquanto pensava na vida. Depois de tudo o que aconteceu entre e Austin, nada mais foi como antes. Ela continuava saindo, bebendo e se divertindo. Porém, ela que gostava tanto de sempre ter alguém ao seu lado, acabou bloqueando a passagem de qualquer sentimento novo. simplesmente não conseguia se apegar, sempre tinha a impressão de que passaria pela mesma coisa novamente.
Mas com era diferente, ela já conhecia o rapaz há um bom tempo e não tinha o que reclamar. No fundo, sabia que ela jamais faria alguma coisa que a magoasse. E foi essa certeza que fez terminar o banho e se arrumar sem mandar uma mensagem inventando uma desculpa de que estava com dor de cabeça ou sentindo qualquer outra coisa, como ela já havia feito com outros rapazes.
Despediu de sua mãe, já que seu irmão permanecia desmaiado no sofá e foi em direção ao elevador assim que foi avisada de que já a esperava lá embaixo. Estava nervosa, sentindo-se como uma garota no primeiro encontro, prestes a dar o primeiro beijo.
- Quando eu penso que você não pode ficar mais linda, você me aparece desse jeito. - Sorriu antes de depositar um beijo demorado na bochecha de .
- Obrigada, . - Piscou para o rapaz, que ainda a observava de boca aberta. - Pra onde vamos? - Abriu a porta e sentou assim que viu ir para o outro lado do carro.
- Eu pensei em irmos em algum lugar para dançar e beber um suco, já que estou dirigindo, e mais tarde podemos ir para minha casa comer e beber bebidas que são permitidas para a nossa idade, o que acha? – Disse, enquanto colocava o veículo em movimento.
- Acho ótimo. Conheço um lugar, inclusive estava lá ontem, que é bem divertido e é bem próximo da loja... - Deixou a sugestão no ar, aquela era a balada que mais gostava de frequentar.
- Vai me dando as direções, pois é pra lá que nós vamos. - sorriu para antes de pisar no acelerador.
explicou o endereço para e não demorou muito para que eles chegassem ao local. Durante a viagem até lá, os dois foram conversando sobre o trabalho e a vida, nunca faltava assunto entre eles.
O lugar era composto por um bar, uma pista de dança e algumas mesas. Na parte de cima era o lugar onde as pessoas ficavam mais à vontade. Escolheram uma mesa bem próxima da pista de dança e não muito longe do bar. Ambos conseguiam enxergar uma boa parte da balada de onde estavam.
- Então é aqui que é a sua segunda casa? - perguntou, enquanto varria o lugar com o olhar.
balançava seu corpo de um lado pro outro, ouvir música e ficar parada era uma missão praticamente impossível pra ela.
- Quase isso, venho aqui sempre. - Falou alto, já que a música do local interferia no diálogo dos dois.
Era incrível como a conversa fluía bem entre os dois. Não existia falta de assunto e muito menos silêncio constrangedor.
Beberam alguns drinks sem álcool, que parecia não ter muita graça para os dois que já estavam acostumados com bebidas fortes. deixou claro para que ela podia beber o que quiser e que ele só não ia fazer o mesmo porque estava dirigindo, porém preferiu acompanhar o amigo naquelas bebidas para adolescentes.
- Se você quiser beber outra coisa, fique à vontade, como já te disse, só não estou bebendo mesmo porque estou dirigindo. - repetiu o que havia falado mais cedo, sabia o quanto a amiga gostava de beber.
- Já que você insiste tanto, vou pegar uma cerveja. - Brincou com o rapaz antes de se levantar e ir em direção ao bar.
O local estava bem cheio naquele sábado, todos os assentos em frente ao balcão estavam ocupados e muitas pessoas em pé estavam próximos dali.
Andou devagar para não se esbarrar em ninguém, o garçom lançou um sorriso para ela assim que a viu se aproximando, ele já conhecia de vista. Em seguida, o mesmo falou alguma coisa com um homem que estava sentado em sua frente e apontou para ela logo em seguida.
teria questionado a atitude do garçom se o seu olhar não tivesse cruzado com o do rapaz no momento seguinte. Apesar de ter bebido bastante na sexta feira, se lembrava muito bem daquele rosto estranho e das poucas palavras que trocaram na noite anterior.

Capítulo 05

Ele

Por não ter absolutamente nada para fazer, aquele sábado demorou passar. Quando não estava dormindo, estava pensando em tudo o que aconteceu, ainda sentia uma pontada no peito quando as cenas ficavam nítidas em sua mente, sabia que jamais esqueceria aquele momento.
Sabia também que teria que enfrentar aquele problema e não pretendia adiar aquele momento. Quando o dia já estava quase virando noite, tomou um banho e colocou uma roupa quente antes de sair do quarto, já que a temperatura continuava do mesmo jeito. Seus pais e seus irmãos, que estavam na sala assistindo TV, lançaram um olhar confuso em sua direção quando viram ele se aproximar.
- Estou indo ao meu apartamento pegar algumas coisas, não demoro. - Avisou para todos que estavam ali presentes, não queria que eles ficassem preocupados.
- Quer que eu vá com você? - Nick se manifestou, enquanto parecia responder alguma mensagem em seu celular.
Todos ali conheciam o suficiente para saber que ele não faria nenhuma besteira, mas mesmo assim eles ainda tinham medo que o nervosismo o transformasse em uma outra pessoa completamente diferente do que ele era.
- Não, é coisa rápida. Quando voltar eu vou sair, se você quiser ir, fica pronto que daqui a pouco eu passo aqui pra te pegar. - Viu seu irmão sorrir animado. Nenhum deles gostava de ficar em casa no final de semana. - Vou lá, tudo bem? - Disse para os seus pais, que apenas concordaram com a cabeça.
Eles não tinham o que falar, já era um homem maduro, sabia muito bem o que fazer da sua vida. Despediu-se da sua família e foi em direção ao elevador para descer para a garagem. Não imaginava como seria voltar em seu apartamento depois de tudo, um buraco havia se formado em seu peito desde a noite anterior e só de pensar em voltar àquele lugar já começava a sentir uma dor insuportável.
Era pior que qualquer dor física, que qualquer agressão ou mal-estar, era uma dor que talvez só a morte fosse o remédio. Agora que ele estava sozinho dentro do carro, não tinha motivo nenhum para segurar as lágrimas.
- Você é um idiota, , um idiota. - Disse para ele mesmo enquanto segurava o volante com força.
Todas as pessoas que o conheciam viam nele uma pessoa forte e determinada, porém, sobre os seus sentimentos, só ele entendia. E sentia muito. Sentia por ter presenciado aquela cena, sentia por ter visto anos de dedicação sendo jogados no lixo, sentia por ver seus planos do futuro sendo destruídos, sentia por ter perdido pessoas que ele sempre nomeou como as mais importantes de sua vida.
Não demorou muito para que chegasse ao seu apartamento. Depois de passar pela portaria e ir para o estacionamento, ainda ficou alguns minutos dentro do carro tentando secar o seu rosto e controlar a sua respiração antes de subir. Apertou o botão do elevador que o levaria para o décimo andar e encostou a cabeça no espelho enquanto esperava.
Respirou fundo antes de abrir a porta do seu apartamento, seus olhos flagraram quem ele menos queria ver. Lauren estava deitada no sofá, embrulhada e com um livro na mão. Seu rosto estava inchado e seus olhos cheios de lágrimas. Em um outro momento, sentiria pena em vê-la naquela situação.
- Amor, a gente precisa conversar. - Lauren ficou de pé, bem próxima de . As lágrimas em seus olhos já começavam a fazer um caminho pelo seu rosto.
caminhou em direção ao seu quarto sem responder nada e sem olhar para trás, percebeu que Lauren o seguia. Por viajar sempre, sabia exatamente onde ficava as suas malas. Pegou a maior delas, deixou aberta em sua cama, foi para o seu closet e trouxe consigo uma grande quantidade de roupas.
Lauren assistia tudo de braços cruzados, mas assim que começou a tirar as roupas dos cabides, colocando de qualquer forma na mala, ela não conseguiu se controlar.
- O que você pensa que tá fazendo? - Gritou, jogando no chão todas as roupas que estavam na mala.
Lauren tirava todas as peças que guardava, na terceira vez que ela repetiu a ação, ele perdeu a sua paciência e usou toda a sua força para pegar a mala e jogar no espelho que ocupava metade da parede, quebrando o mesmo na hora.
- Dá pra você me deixar em paz? – Gritou, fazendo com que Lauren se afastasse.
A mulher o olhava com um olhar assustado, suas lágrimas ainda estavam presentes em seu rosto e o seu tom de pele estava pálido.
passava a mão pelos seus cabelos desesperadamente, andava de um lado para o outro e olhava para cima como se buscasse uma explicação para tudo aquilo que estava acontecendo.
- A gente precisa conversar. - Repetiu sua fala, falando mais baixo, quebrando o silêncio que havia se instalado no quarto. - Você nunca falou comigo desse jeito. – Prosseguiu, quando viu que não pretendia continuar o diálogo.
Foi necessário apenas um olhar de para que Lauren desabasse. O olhar dele era frio e parecia distante, foi isso que fez com o seu choro aumentasse. Aquele homem que estava ali não era o que ela conhecia há quase dez anos, não era a pessoa com quem ela viveu suas maiores alegrias. se transformou em uma outra pessoa em pouquíssimo tempo e a culpa era toda dela.
- Não temos mais nada para conversar e, por favor, saia do quarto e não entre até eu terminar de arrumar as minhas coisas. Eu não estou mais aguentando olhar na sua cara.
- Você não pode falar assim comigo, eu sou a sua mulher. – Disse, por cima das lágrimas. Sentou-se na cama do lado oposto de onde estava, aquelas palavras pareciam ter levado a sua força.
- Você deixou de ser quando foi pra cama com o meu melhor amigo. Qual o seu problema, Lauren? - Fechou seus olhos enquanto falava, doía demais pronunciar aquelas palavras.
havia assumido o papel de um personagem assim que encontrou com ela. Sua vontade era de chorar, de gritar e de quebrar tudo em sua volta. Mas ele não queria demostrar seus sentimentos na frente de Lauren, não queria parecer um fracassado.
E todo aquele inferno começou quando Cristopher passou a chegar em casa bêbado, Lauren sempre brigava com por isso, mas ele nunca ouvia o que ela dizia. Ele gostava de beber com os seus amigos, gostava da sensação de leveza que a bebida o fazia sentir. Quando a bebida se tornou mais presente em sua vida, as brigas se tornaram uma coisa comum no relacionamento do casal. Na sexta-feira, quando descobriu que a sua reunião importante havia sido cancelada, ele não pensou duas vezes antes de voltar para a sua residência para tentar fazer as pazes com a sua esposa. Mas o que ele jamais esperava era pegar sua mulher e o seu melhor amigo juntos na cama. Foi um golpe tão baixo que o deixou sem reação, não conseguiu fazer nem falar nada para os dois, a única coisa que passou pela sua cabeça, além da raiva que já estava presente em seu corpo todo, é que ele precisava sair dali para beber. E foi isso que fez.
- Eu posso expli...
- Não, você não pode. - Interrompeu a mulher, que não conseguia mais encarar . - E eu não quero ouvir mais nada que saia da sua boca. Você jogou a nossa relação de anos no lixo, jamais vou te perdoar por isso. - Jogou as peças de roupa de qualquer jeito na mala e saiu do apartamento, sem dar uma chance para Lauren se explicar.
Entrou no carro e colocou uma música qualquer para tocar, era como se o silêncio desse vida para os seus pensamentos e, naquele momento, tudo que ele queria era esquecê-los.
Ligou para seu irmão e pediu que o mesmo o esperasse na entrada do prédio em que seus pais moravam, alguns minutos depois, ambos já estavam indo em direção à balada onde se embebedou na noite anterior.
Apesar de notar que o irmão estava diferente, Nick não quis questionar sobre a ida de ao seu apartamento. Ficar tocando naquele assunto não era uma boa ideia, quando se sentisse à vontade para falar, Nicholas estaria ali para ouvi-lo.
- Você leva o carro. - entregou a chave do carro para Nicholas assim que se sentou em frente ao balcão do bar.
Nick sabia que o plano de naquela noite era encher a cara de álcool. Como nunca foi fã da bebida como o irmão e não via nenhum problema em ficar sem beber naquela noite, optou por ficar sóbrio, assim ele poderia dirigir e evitar algum acidente.
- Está melhor? - ouviu o garçom perguntar, após entregar o seu pedido. A sua cara de assustado fez o garçom entender que não fazia ideia do que ele estava falando. - Você estava aqui ontem... – Continuou, fazendo com que tivesse alguns flashbacks da noite anterior.
- Ah, claro, desculpe, é que eu não estava me lembrando de você.
- Então você não deve lembrar que foi super grosso com uma mulher que só tentou te ajudar. - Pensou alto, viu a preocupação tomar conta do semblante de .
- O que eu fiz? – Perguntou, enquanto via o garçom alternar o seu olhar para onde ele estava e para outro canto da balada.
- Você pode perguntar pra ela mesmo, ela está vindo pra cá. – Disse, antes de sair para atender outras pessoas.
Nicholas já não estava mais perto de , provavelmente já estava conversando com alguma mulher, ele não perdia tempo. Sem entender muito bem o que o garçom havia falado, olhou para onde o garçom estava olhando segundos antes. Seu olhar encontrou com uma mulher extremamente linda, ela também o olhava, mas com um certo receio, fazendo com que ele ficasse confuso.
- Quero uma cerveja, por favor. - A mulher pediu, depois de parar ao lado de onde estava sentado.
O garçom, que antes conversava com , pegou a bebida para ela e lançou um olhar para ele como se estivesse pedindo para fazer alguma coisa.
- Ei, espera. - Segurou o braço da mulher, que o olhou assustado, soltou ao perceber que ela havia parado os seus passos e estava esperando uma explicação. - Fiquei sabendo que fui grosso com você ontem, apesar de não lembrar, e eu só queria te pedir desculpas. Não sei o que te falei, mas tenho certeza que se eu não tivesse bebido, nada teria acontecido.
- Tudo bem, eu vi que você não estava bem e só quis ajudar, mas já passou. - Sorriu de forma gentil para , que retribuiu logo em seguida.
- . - Se apresentou, pegando na mão da mulher com delicadeza quando um silêncio nasceu entre os dois. - Muito prazer.
- . - Retribuiu o cumprimento, sem deixar de sorrir. - O prazer é todo meu.
Sem saber mais o que falar para concertar o seu erro, disse a primeira coisa que veio em sua mente.
- Como um pedido de desculpas, o que acha de sentar aqui para tomarmos alguma coisa, ? - Foi gentil, no fundo ele só queria causar uma boa impressão e mostrar que não era um babaca. E, naquela situação em que ele se encontrava, conversar com alguém ia lhe fazer muito bem.
- Obrigada, mas eu estou acompanhada. - Sorriu de canto e apontou para um rapaz que estava sentando sozinho em uma mesa observando os dois, andou até lá logo em seguida.

Capítulo 06

Ela

- Algum problema? - foi questionada por assim que sentou de frente para o rapaz.
Olhou para onde mantinha a sua atenção e notou que ele observava o rapaz com quem ela havia trocado algumas palavras anteriormente.
- Não, aquele homem só estava me pedindo desculpas. Ontem ele estava aqui, estava bêbado e acabou sendo grosso comigo.
Explicou e logo em seguida eles começaram a conversar sobre outros assuntos. Para , era ótimo estar perto de , o garoto conseguia arrancar alguns dos seus sorrisos com facilidade. era sempre tão presente, carinhoso e prestativo que mal conseguia explicar. Aquelas poucas horas em que passou com ele já haviam trazido uma alegria para ela, e faria de tudo para sentir aquilo para sempre.
- Vamos pra minha casa? Estou morrendo de fome. - confessou, enquanto sorria para . Pra falar a verdade, ele não conseguia ficar sério quando estava perto dela.
- Vamos. - Ela se levantou e ambos se dirigiram para o caixa da balada.
Não houve muita conversa entre os dois durante o percurso até a residência de , ambos estavam ocupados cantando as músicas que passavam na rádio.
Uma outra qualidade de era fazer com que se sentisse à vontade ao seu lado para fazer o que quiser. A garota cantava como se estivesse embaixo do chuveiro da sua casa, não ligava se estava desafinada ou fora do ritmo, também parecia não se importar.
- Não repara a bagunça. - Ele pediu, assim que entrou na casa.
- Não vou reparar porque ela não existe. – Disse, depois de varrer a casa com o olhar.
já tinha ido na casa dele algumas vezes, mas sempre tinha mais gente no local e ela nunca tinha parado para reparar todo o ambiente.
Enquanto estava procurando um CD, ela teve tempo para reparar toda a sua sala. O cômodo era impecável, tudo muito bem organizado e até as cores dos móveis combinavam com as paredes. Aquilo só deixava claro que nem sempre as residências de homens são desorganizadas.
- Eu amo essa música. - falou, bem próximo do ouvido de , após segurar em sua cintura.
Enquanto ela observava toda aquela beleza da casa, usou o seu tempo para diminuir as luzes e colocar uma música pra tocar. O som tomou conta do local, ficou de frente para e depositou suas mãos no pescoço do rapaz enquanto os dois dançavam lentamente.
- Ed Sheeran? - reconheceu a voz do cantor que acabou com todo o silêncio do ambiente.
- Você vai duvidar que eu sou hétero se eu te disser que sou completamente apaixonado por esse cara?
- Talvez eu duvide. - Provocou o rapaz, que deu uma risada gostosa para ela.
- E o que que eu posso fazer para acabar com a sua dúvida? - Parou de dançar para olhar nos olhos dela
Mesmo com a falta de luz, conseguia enxergar o brilho deles.
- Não pensei nessa parte ainda. - Sorriu de forma inocente para , que apenas negava com a cabeça.
ainda ficou olhando para por alguns segundos, depois os lábios do rapaz contra os seus fizeram com que ela fechasse os olhos para aprofundar o beijo.
Enquanto as mãos de pareciam estar coladas no pescoço de , as do rapaz caminhavam em sua cintura no ritmo da música.
- E então? - falou, mais baixo já que os dois estavam bem próximos um do outro, depois de depositar um beijo no topo da cabeça de .
- Beijar bem não comprova que você é hétero. - Fez gargalhar com a sua resposta antes de beijá-la mais uma vez.
E foi trocando beijos, conversas e risadas que os dois passaram um bom tempo juntos. Até esqueceram de beber como haviam combinado, eles tinham coisas melhores pra fazer. Já se passavam dá meia noite quando os dois foram pra cozinha devorar uma torta de morango. O gosto estava tão divino que só acreditou que foi que havia feito devido à aparência da sobremesa, que não estava muito agradável. Não era que estava duvidando da capacidade do amigo, o problema era que a torta estava saborosa demais para ter sido feita por alguém que não fosse um chefe profissional.
- Já está tarde, né? Acho que já está na hora da mocinha ir pra casa. - A voz de despertou os pensamentos de .
Tudo que menos queria era sair dali, o seu plano era passar a noite com . Fazia tanto tempo que ela não ficava com alguém, que ela não se entregava... Não tinha dúvidas de que com ela não se arrependeria, porém, infelizmente, os planos dele era o oposto de tudo o que ela planejou.
- Você tá falando sério? Eu achei que... - Tentou explicar, mas lhe faltaram as palavras.
- Eu não quero que você pense que eu te chamei pra sair só pra te levar pra cama. - entendeu o que ela queria dizer e explicou o que estava acontecendo no momento seguinte.
- Mas eu sei que você não quer só isso, quantas vezes eu já te disse que você é diferente de todos os outros caras?
não estava implorando para passar a noite ali, ela só queria deixar claro que era especial, que ele lhe passava confiança e que, de fato, era diferente de todos os outros rapazes que ela havia conhecido.
- , eu sei sobre todos os relacionamentos que você já teve e é por isso que estou agindo assim. Você sabe que eu não quero só ficar com você, não sabe? - Viu a garota afirmar com a cabeça. - Eu também quero que as coisas entre a gente sejam especiais, quero ser diferente de todos os babacas que já te magoaram. Você pode até se assustar comigo falando isso no primeiro encontro, mas eu estou sendo sincero com você. Não estou te prometendo um relacionamento, mas se rolar eu vou te tratar como você e qualquer outra mulher merece ser tratada. E se não rolar, eu quero ter sido especial o suficiente para que as nossas lembranças não te tragam nem dor, nem sofrimento.
Respirou fundo depois de falar enquanto observava os olhos de brilharem, ele até se arriscaria em dizer que havia lágrimas ali. sabia muito sobre a vida amorosa de , principalmente sobre o seu último relacionamento que deixou marcas profundas nela. merecia alguém que cuidasse do coração grandioso que existia ali dentro, alguém que a fizesse sorrir a todo momento. merecia ser feliz no amor e estava disposto a lhe apresentar essa felicidade.
- Esse foi o fora mais lindo que eu já levei. - Sorriu antes de abraçar , que estava sentado ao seu lado. - E eu entendo você, de verdade. Obrigada por ser essa pessoa que você é, pessoas assim são raras e eu tive sorte em te conhecer. Você não imagina o quanto você é importante pra mim.
- Quem em sã consciência daria um fora em você? - Brincou para descontrair, sentiu a risada de contra o seu pescoço. - E não precisa agradecer, você sabe que vou estar sempre ao seu lado e o que eu puder fazer por você, eu vou fazer.
- Já que você não quer mais ficar comigo, acho que já pode mesmo me levar pra casa, né? - Brincou, sabia que tinha intimidade suficiente para falar qualquer coisa com o rapaz sem se preocupar.
Ela já havia entendido o lado do , mas com certeza ainda ia fazer muitas brincadeiras em relação àquela conversa dos dois.
- Acha que eu sou fácil assim, garota? - Piscou para ela antes de sorrir. - Só vou ao banheiro e já te levo em casa, . – Avisou, antes de sair em direção ao seu quarto.
Deixou na sala, sorrindo por estar ali, naquele lugar, com aquela pessoa. Apesar de tudo que ela já havia passado, ainda tinha a mania de achar que ela era uma garota de sorte.
Enquanto dirigia em direção à casa de , os dois conversavam animadamente. O momento na casa do rapaz fez com que ele lembrasse dos encontros constrangedores que tivera na adolescência.
- Eu era muito feio na adolescência, não que eu me ache bonito agora, mas o tempo foi um pouquinho generoso comigo.
- Você é muito exagerado. - negou com a cabeça, enquanto ouvia os relatos do amigo.
- Mas é sério. Uma vez uma menina do colégio disse que não ia sair comigo porque a única coisa que eu tinha de bonito eram os óculos. Nossa, eu chorei por uma semana. – Disse, com certo pesar, fazendo com que chorasse de rir.
- Você é ótimo, . - Limpou os vestígios de lágrimas que tinham em seus olhos. Era sempre assim, sempre chorava quando ria por muito tempo.
- Não ri não, eu sofri muito com isso, tá? - Colocou a mão que não estava no volante no peito, como se estivesse sentindo alguma dor. - Vai dizer que você também não tem nenhuma história assim pra contar?
segurou o queixo com a mão, tentando lembrar dos acontecimentos passados. Sorriu quando seus pensamentos lhe corresponderam.
- Lembrei de uma coisa. Eu era BV e estava assistindo um campeonato de futebol que sempre tinha no colégio, o menino que eu gostava chegou, sentou do meu lado e me abraçou. Eu juro que ele só fez isso e eu comecei a tremer de um jeito assustador, ele perguntou por que eu estava tremendo e eu menti dizendo que era porque o meu amigo estava jogando e eu estava nervosa por causa dele. Aí eu usei a desculpa de que precisava ir ao banheiro, sai de lá e pedi pra minha amiga avisar que eu não queria ficar com ele.
- Imagina o quão emocionante é abraçar alguém que não para de tremer. - Provocou e recebeu um dedo do meio como resposta.
- Eu estava nervosa, naquela época eu só sabia usar a minha boca para comer. - Começou a rir quando viu a cara que fez ao ouvir aquela frase.
- Tá vendo? Você era a que dava os fora e eu era o que os recebia.
- Mas hoje em dia parece que o jogo virou, não é mesmo? - Lançou um olhar desafiador pro rapaz, que gargalhou antes de puxar sua mão pra depositar um beijo ali.
Segundos depois, já estava parando o carro na rua onde ela morava.
- A princesa já está entregue. - Aproveitou o momento para fazer um carinho na bochecha de .
- As duas da manhã? O certo seria meia noite, não?
- Tempos modernos, baby.
- Obrigada pela noite, . - Segurou a mão do rapaz, enquanto se perdia naquele olhar.
- Eu que agradeço, . – Falou, antes de beijá-la novamente.
- Até segunda. - Se despediu ao sair do carro.
- Até segunda. - respondeu, antes de começar a fazer o seu caminho de volta pra casa.
E aquela noite foi tão especial para os dois que com certeza eles lembrariam dela antes de dormir, isso se algum deles conseguisse pregar os olhos durante a noite.

Capítulo 07

Ele

Beber era mágico, era como se se transformasse em uma outra pessoa, era como se a bebida fosse capaz de amenizar todos os seus problemas e era por isso que ele sempre bebia, mais ainda quando estava mal.
Uma sensação de leveza já havia tomado conta do corpo de e aquilo era tudo que ele queria sentir no momento. começou a beber aos 19 anos de idade, mas antes disso ele já havia provado algumas bebidas. Depois disso, beber começou a fazer parte da sua rotina, e quando ele ficava alguns dias sem consumir bebidas alcoólicas, sentir o gosto de qualquer líquido forte em sua boca se tornou um dos seus maiores prazeres.
- Mais uma. - Apontou seu copo de cerveja vazio para o garçom.
O local já começava a ficar vazio devido ao horário, ainda estava sentado em frente ao balcão enquanto Nicholas trocava beijos no meio da balada com uma loira que ele havia conhecido ali.
- Olha, eu tô aqui pra vender, mas eu acho que você já passou dos seus limites, não? - O garçom questionou, e viu fechar a cara no mesmo momento.
- Pega a cerveja pra mim. - Seu tom de voz estava alterado, demonstrando seu nervosismo.
ficou de pé de frente para o garçom, se apoiou no balcão para não cair, tudo isso graças à grande quantidade de álcool que ele já havia bebido.
- Você mal está conseguindo ficar em pé. Eu quero vender minhas bebidas, mas não quero que ninguém morra na minha frente, não. – Falou, mais alto para que a música alta não conseguisse atrapalhar o diálogo.
tentou segurar o garçom pela camisa, mas não conseguiu, era como se ele não tivesse forças. Seu rosto estava vermelho, o garçom conseguiu deixá-lo extremamente nervoso. Tentou pegar um dos copos que estavam vazios em sua frente, mas o garçom conseguiu segurar as suas mãos com facilidade, ele estava bêbado demais para revidar.
- O que você está fazendo, ? - Nick se aproximou do irmão assim que viu o que acontecia no bar. - Você ficou maluco?
- Eu só quero mais uma cerveja. - Sua voz embriagada deixava claro o estado em que ele se encontrava.
O garçom o soltou quando viu o irmão se aproximar. Nick lançou um olhar envergonhado para o garçom, que apenas forçou um sorriso. Ele já devia estar acostumado com aquilo.
- Você já bebeu demais, já é hora de ir embora. - Soou firme, viu lançar um olhar furioso para o garçom e se distanciar do balcão no mesmo momento sem dizer nada.
Nicholas despediu do garçom com um aceno enquanto direcionava o irmão para o caixa da balada.
Foram o caminho todo sem dizer uma palavra e, assim que chegou, foi direto para o seu quarto, nem notou a presença da sua mãe na sala.
- anda bebendo demais. - Nicholas comentou com Bethany, que ainda estava acordada, lendo um livro na sala, provavelmente estava esperando por eles.
- Eu sei, e isso me preocupa. - Seu tom de voz demonstrava tristeza, seu olhar dizia o mesmo.
- O pior é que ele é cabeça dura, não quer escutar ninguém. - Nick comentou, enquanto depositava as chaves do carro na estante da sala.
Nicholas sempre foi um rapaz responsável. Gostava de sair, namorar e até beber de vez em quando, mas sabia muito bem os seus limites.
- Amanhã vou ter uma conversa com ele, meu filho, vai ter que me ouvir. – Falou, com um certo pesar, logo em seguida despediu de Nick e ambos foram dormir.
A noite passou muito rápido, ou então estava indisposto demais para enfrentar aquele domingo. Acordou assim que ouviu a voz de sua mãe lhe chamando, eles sempre tomavam o café da manhã juntos.
Tomou um banho e logo em seguida ingeriu um comprimido para dor de cabeça, ela sempre aparecia depois de uma noite de bebedeira. Desceu e cumprimentou seus pais e irmãos assim que se sentou à mesa.
- Pai, eu posso sair hoje? - Samantha aproveitou o silêncio no local para falar.
Gostava de pedir as coisas sempre quando tinha mais alguém presente, se ela levasse um não, pelo menos não seria uma resposta grosseira. Falava direito com Josh depois que notou que a resposta de sua mãe não mudava, ela sempre dizia que só deixaria Sam fazer alguma coisa se o pai dela também deixasse.
- Depende, pra onde você quer ir? - Interrogou a filha, enquanto saboreava um pedaço de bolo.
- Em uma festa. É aniversário de uma amiga do colégio. - Forçou um sorriso, sabia que poderia ouvir um não do seu pai.
- Aniversário no domingo? - Nick fez seu questionamento, enquanto encarava o olhar assustado da irmã.
- O que que tem? O aniversário dela é hoje e é só para os amigos mais próximos. – Respondeu, de forma rápida, ela só queria acabar com a dúvida do irmão.
- Já estava me animando pra ir. Deve ser festinha de pijama, tô fora.
- E por acaso você foi convidado, Nicholas? - entrou na conversa, fazendo com que a irmã segurasse o riso e o irmão fechasse a cara.
- Filha, não sei se é uma boa ideia. Ainda mais que o seu irmão não pode ir pra cuidar de você. - Beth comentou, notou a tristeza no olhar da filha no mesmo instante.
- Mas, mãe... - Tentou falar, mas foi interrompida por seu irmão mais velho.
- Se vocês deixarem, eu posso levar ela e buscar, não tenho nenhum compromisso hoje. - sugeriu, para a felicidade da irmã.
Assim como Nicholas, também sentia ciúmes da irmã, mas depois que ele saiu da casa de seus país, começou a pensar de uma forma diferente. Era maravilhoso ter o seu espaço e a sua liberdade, e sabia que a sua irmã também precisava disso.
- Se for assim, por mim tudo bem. Só não quero que você demore muito.
- Obrigada, pai. - Sam sorriu para o mais velho enquanto recebia um sorriso do irmão.
Domingo era um dia para ficar em casa. Os cinco passaram a tarde toda conversando comendo e assistindo, era tudo que eles mais gostavam de fazer. Sabiam que era uma família diferenciada, sabiam que nem todos tinham aqueles momentos de lazer juntos. Apesar das correrias do dia a dia, todos eles separavam o domingo para fazerem coisas juntos, inclusive nada. Mesmo não morando lá, todo domingo se juntava a eles, às vezes quando a sua semana era estressante só ao lado da família era que ele conseguia relaxar.
Quando já estava quase escurecendo, e Sam subiram para se arrumarem. Assim que o relógio informou que já era quase oito horas da noite, desceu e encontrou a sua mãe na sala, lendo um livro.
- Achei que eu estava atrasado, mas a Sam nem desceu ainda. – Disse, aliviado enquanto se sentava de frente para a sua mãe.
- Filho, eu queria aproveitar que ela ainda não desceu e conversar com você dois minutinhos. - Parou sua leitura para olhar nos olhos do filho, que a ouvia atentamente.
- Aconteceu alguma coisa, mãe? - Lançou um olhar em direção à mais velha, que matinha uma expressão preocupada em seu rosto.
- Eu estou preocupada com você, meu filho. Você anda bebendo demais e eu tenho medo que aconteça alguma coisa com você. Eu sei que você é um cara responsável, mas ontem quando você chegou aqui parecia outra pessoa. Hoje o seu irmão veio me falar que você queria brigar com o garçom, é isso que você quer pra sua vida?
abaixou a cabeça enquanto ouvia tudo que a sua mãe falava, o pior era saber que tudo era verdade. sabia que ele estava exagerando, sabia que isso podia prejudicar a sua vida, mas ele não sentia vontade de parar. Também não queria que a sua mãe ficasse preocupada, não queria ser um peso pra ela e nem queria que os seus problemas fizessem parte da vida dela.
- Me desculpe, mãe, mas ultimamente eu ando com tanta coisa na cabeça que só a bebida consegue me distrair um pouco. - Foi sincero, de fato usava a bebida como um meio de escapar dos seus problemas.
- Eu só quero o seu bem, meu filho. Eu me preocupo muito com você.
- Eu sei, mãe, e agradeço por isso. Mas pode ficar tranquila que eu vou tentar me controlar. - Sorriu antes de se levantar para ir depositar um beijo no topo da cabeça de Bethany.
- Vamos? - Samantha apareceu na sala assim que os dois pararam de conversar.
A garota estava com os cabelos soltos, um vestido soltinho florido e uma sapatilha cor de pele. Sam foi questionada por sua mãe sobre não estar com uma roupa de festa e sem salto, ela apenas respondeu que era uma festinha simples e que não tinha necessidade para tudo aquilo. Se despediram de sua mãe e logo em seguida os dois saíram do apartamento, quando Beth estava prestes a retomar a sua leitura, a porta se abriu e ela enxergou o rosto de no vão entre a porta e a parede.
- Mãe, pode ficar tranquila que hoje eu não vou beber. - Piscou e sorriu para ela antes de fechar a porta novamente.
Aproveitou o momento a sós com a irmã para conversarem. Sentia orgulho por ter uma irmã tão nova e ao mesmo tempo tão madura. Apesar de ser tão jovem, Samantha sabia conversar, sabia opinar sobre determinados assuntos e principalmente sabia ouvir. Mesmo sendo tímida, ela conseguia se soltar ao lado de , se sentia à vontade para conversar sobre quase tudo com ele.
Quando um pequeno silêncio nasceu entre eles, Samantha sentiu vontade de questionar o irmão.
- , e como você está? Você está tranquilo mesmo ou é impressão minha?
- Eu estou apenas fingindo, maninha, e pelo jeito está dando certo. Mas por dentro eu estou acabado. - Respirou fundo e segurou o volante com um pouco mais de força antes de continuar. - Mas uma hora isso passa, sempre passa.
- Eu queria poder te ajudar, . - Sam abaixou a cabeça derrotada, sentia-se inútil por não saber o que fazer em momentos como aquele.
continuou em silêncio enquanto estacionava o carro em frente ao endereço que a sua irmã havia lhe passado, assim que o veículo parou por completo ele se virou para ela para continuar o diálogo.
- Você existe, quer ajuda maior que essa? Só em saber disso eu já tenho motivos o suficiente para continuar seguindo em frente.
Um sorriso sincero nasceu entre os lábios de Sam após ouvir aquilo. Sentiu vontade de chorar, mas tudo que ela menos queria no momento era estragar a maquiagem.
- Eu te amo. – Disse, com ternura antes de abraçar o irmão pelo pescoço.
- Eu também te amo, demais. - Retribuiu o carinho na mesma intensidade. - Bom, agora vá curtir a festa porque não podemos chegar muito tarde, sabe como é o senhor Josh, né?
- E como sei. - Revirou os olhos, fingindo estar incomodada antes de sorrir para o irmão.
- Então meia noite eu passo aqui para pegar a minha princesa. – Comentou, assim que a irmã saiu do veículo.
- Só não se assuste se ela estiver sem o seu sapatinho de cristal. – Brincou, antes de começar a andar em direção ao prédio.
- Juízo, viu? – Gritou, quando ela já estava parada em frente ao portão de entrada.
- É o que eu mais tenho. – Respondeu, depois que falou alguma coisa, que não conseguiu escutar, na portaria.
E assim que ela entrou, ligou o seu carro novamente e seguiu para o seu próximo destino.
Ele ainda tinha algumas coisas para resolver naquela noite.

Capítulo 08

Ela

não se lembrava há quanto tempo não acordava daquele jeito. Uma alegria e uma paz interior foram dar bom dia a ela. Aquela noite ao lado de foi especial, se ela soubesse que tudo seria tão bom assim, não teria perdido tanto tempo sendo apenas amiga do rapaz.
Depois de tomar o seu banho sorrindo para as paredes e se arrumar, foi encontrar com sua a mãe e com o seu irmão para tomarem café da manhã juntos.
- Bom dia. - cumprimentou os dois, assim que se sentou à mesa.
- Bom dia, querida. - Victoria dirigiu a palavra à filha com um sorriso nos lábios.
- Achei que ia acordar mais tarde, pela hora que você chegou... - Dylan, seu irmão mais novo, provocou, fazendo com que a irmã sorrisse enquanto negava aquilo com a cabeça.
- Você praticamente entra em coma quando dorme, impossível saber a hora que eu cheguei. - Falou para o mais novo, enquanto se servia.
- Você que pensa...
- Toma seu café aí e fica quieto, porque eu estou bem humorada hoje, mas se você me provocar, eu jogo uma torrada na sua cara sem pensar duas vezes. - Mostrou a língua para o irmão, arrancando gargalhadas do mesmo e de sua mãe.
Dylan aproveitou o momento para contar para a sua mãe e irmã que sua filha passaria a segunda feira com ele. Aos dezoito anos de idade, Dylan descobriu que sua, até então, atual namorada estava grávida, foi um choque para todos, pois não era algo que eles haviam planejado. Sabia que tudo mudaria, se pudesse voltar atrás ele teria evitado, mas naquele momento o que lhe restava era arcar com as consequências dos seus atos. Sua vida mudou por completo assim que sua filha Julie chegou ao mundo, mas a alegria que ele sentiu ao ver sua filha assim que ela nasceu, supriu todos os seus problemas.
Se Dylan tivesse mudado algumas atitudes antes de sua filha nascer, talvez ele ainda estaria com Emma, sua ex namorada. Foi só quando Julie veio ao mundo que ele descobriu que precisavam amadurecer o quanto antes, porém já era tarde demais para salvar o seu relacionamento, que já havia se desgastado. Mas, felizmente, a maturidade de ambos contribuiu para que, mesmo separados, Dylan conseguisse acompanhar o crescimento de sua filha. Ele e Emma se tornaram amigos em prol da vida de sua filha e ele seria eternamente grato por isso.
- Ah, tenho mais uma coisa pra falar. - Dylan comentou, quando sua mãe e sua irmã se acalmaram, era sempre uma festa quando ele falava que ia levar sua filha pra lá.
- O que foi, meu filho? – Questionou, apreensiva depois de ver o seu filho coçar a cabeça mostrando o seu desconforto.
- Eu preciso que vocês saiam de casa essa noite, eu vou trazer uma garota pra cá hoje. - Deixou um sorriso cínico escapar enquanto via lançar um olhar significativo em sua direção.
- Maninho, sinto muito, mas não vou poder te ajudar nessa. Hoje eu não estou afim de sair, só quero descansar. Mas por que você não leva ela pra outro lugar? - Seu tom de voz mostrava que o que ela havia dito tinha um outro sentido.
- Hoje não vai dar, tem que ser aqui mesmo.
- Filho, hoje eu não vou sair também. Mas pode trazer ela que não vamos atrapalhar em nada, inclusive, vai ser um prazer conhecer sua nova namorada. - Victoria sorriu animada, enquanto Dylan revirava os olhos, se segurava para não rir também.
- Ela não é minha namorada, mãe.
- É ficante, mãe. - completou.
- Na minha época, não era assim não, se andavam de mãos dadas já eram namorados. - Relembrou do passado, compartilhando as lembranças com seus filhos.
Victoria também aproveitou o momento de diálogo com os filhos para questionar sobre a noite anterior. contou para ela o que aconteceu e deixou claro o quanto estava feliz por ter ficado com , fazendo com que sua mãe ficasse feliz também. Quem não gostou muito da história foi Dylan, o rapaz morria de ciúmes da irmã.
Talvez por saber como a maioria dos garotos eram, Dylan se sentia no direito de proteger a sua irmã, já que ela não tinha mais o pai presente para fazer esse papel. Ele sempre gostava de saber onde a irmã estava, com quem e quando voltaria. Para não ter problemas, sempre avisava à sua mãe e ao seu irmão quando ia sair, mesmo achando que aquilo não era necessário. Ela sabia muito bem o que podia fazer ou não e também sabia se cuidar.
Durante a tarde, recebeu a visita de Hope, sua melhor amiga. Aproveitaram o tempo juntas para conversarem enquanto assistiam um filme. aproveitou para contar para a amiga sobre o seu encontro com , incluindo todos os detalhes. Ela estava tão feliz que queria dividir sua alegria com todos em sua volta.
- E você acha que ele vai te pedir em namoro? - Hope questionou, depois de ouvir toda história.
- Não sei, mas eu espero que sim. O gosta das coisas certinhas, então eu acho que ele não vai apressar nada. - Explicou para Hope, que apenas deu de ombros depois de encher sua mão de pipoca.
- Se vocês namorarem e você abandonar, você me paga. - Fez a amiga sorrir com o seu comentário enquanto recebia um abraço da mesma. - Sai, eu não gosto de grude.
- Eu não vou te abandonar nunca, sua ciumenta.
Passaram mais um bom tempo juntas antes de sua amiga decidir ir embora. aproveitou o tempo livre para continuar a leitura de um de seus livros favoritos. Ela adorava viajar no mundo das letras, nos enredos fascinantes e nos personagens apaixonantes. Por muitas vezes, se via perdida no meio daquelas linhas que tinham tanto a dizer.
Já era noite quando a sua atenção voltou para o seu quarto assim que o seu celular tocou, o nome aparecia na tela.
- Alô? – Atendeu, alegremente, mantinha o sorriso nos lábios mesmo sabendo que ele não estava vendo.
- Oi, tá ocupada? – Perguntou, do outro lado da linha, quase no mesmo momento em que atendeu.
- Não, na verdade não estou fazendo nada, pode falar. – Mentiu, só para passar algum tempo falando com ele.
- Eu também não estou fazendo nada, aí liguei para saber como foi o seu dia.
- Digamos que foi um dia de folga normal, passei uma boa parte dele na cama. E o seu, como foi? - Foi sincera, arrancando uma risada dele.
- O meu também, dei muita atenção para a minha cama hoje, acho que ela já estava com saudades de mim. - Sorriu depois de falar, fazendo com que fizesse o mesmo do outro lado da linha.
E o tempo acabou passando tão rápido que, quando desligou o telefone, percebeu que mais de duas horas haviam se passado. Em todo esse tempo, eles haviam conversado sobre tudo e sobre nada, até o barulho da respiração de ambos se tornou um assunto. Não é que eles não tinham nada de mais importante para conversarem, era que qualquer assunto que aparecia no meio da conversa dos dois acabava se tornando interessante.
Depois de pensar alguns instantes sobre tudo o que já havia acontecido em tão pouco tempo, foi para a cozinha fazer companhia para a sua mãe, já que ela não tinha mais nada para fazer.
Um cheiro já conhecido invadiu as narinas de assim que ela passou pela porta que separava os cômodos. Na mesa, já havia duas jarras com sucos diferentes, uma torta salgada e alguns outros lanches. E para completar o banquete, Victoria ainda estava terminando de rechear um bolo de chocolate.
- Vai ter festa e eu não estou sabendo? - questionou, enquanto observava aquele exagero de comidas sob a mesa.
- Você esqueceu que o seu irmão vai trazer a namorada dele aqui? – Disse, de forma inocente, como se o que ela estivesse fazendo fosse óbvio.
- Mãe, eu não estou acreditando. - respondeu, quase não conseguindo falar devido à sua risada, que não podia mais ser controlada.
Sua mãe a olhava de forma confusa, apenas tentando entender o motivo para a filha estar daquele jeito.
- Mãe, a última coisa que eles vão querer é ficar comendo... - ainda não conseguia ficar séria, dava risada entre cada palavra que ela falava. - Até parece que a senhora nunca foi jovem.
- Mas eu pensei que ele estava trazendo ela aqui para apresentá-la à família...
- Mãe, ele vai trazer ela aqui para ficarem mais à vontade, por que você acha que ele pediu pra gente sair hoje? Como ele mesmo disse hoje, ela não é namorada dele. - Piscou para a Victoria, que agora também ria da situação.
- É, acho que estou viajando. É assim que vocês jovens falam, não é? - Fez gargalhar mais uma vez com o que ela havia dito.
- Ai, mãe, a senhora não existe. – Disse, enquanto se sentava à mesa.
Enquanto experimentava tudo o que a sua mãe havia feito, ela também ouvia tudo o que ela tinha a dizer sobre o seu irmão.
Victoria conseguia ver de longe as mudanças na vida do filho, depois que Julie veio ao mundo. Ele continuava estudando, é só não trabalhava para ter mais tempo para focar na faculdade e para cuidar da sua filha.
Apesar da pouca idade, Dylan enchia a sua mãe de orgulho por não ter abandonado a filha em nenhum momento e por nunca ter usado a idade para se ausentar das suas obrigações como pai.
- Ele me disse que a Emma vai começar a fazer um cursinho na semana, aí ele vai cuidar da Julie durante a noite. - expôs para a sua mãe parte de uma conversa que teve com seu irmão alguns dias atrás.
- Às vezes eu acho que ele ainda gosta dela, sabia? - Sua mãe disse, com certo pesar, Victoria gostava muito de ver os dois juntos.
- Eu também acho, mãe. Mas se não deu certo, não podemos fazer nada. Pelos menos eles são amigos, ia ser péssimo para a Julie crescer no meio de brigas.
- É, você tem razão, minha filha.
Continuaram conversando até que Dylan apareceu na cozinha. Estava bem vestido, com o cabelo penteado e era possível sentir seu perfume de longe.
- Ai, que gato. - elogiou o irmão, que apenas deu uma piscadinha pra ela.
- Ela já está chegando, vocês duas fiquem quietas, sem piadinhas, por favor. – Disse, antes de roubar um pedaço de bolo do prato de sua irmã.
- Sim, senhor. - respondeu, enquanto seu irmão atendia o interfone, que tocou para avisar que a sua convidada havia chegado. Dylan autorizou a subida da garota e desligou logo em seguida.
- Filho, nós vamos pro quarto, fiz algumas coisas aqui pra vocês comerem se quiserem. - Victoria disse, e viu o filho acenar de forma positiva com a cabeça.
- Vamos? Mas eu queria conhecer a garota, mãe. - disse, com certo desânimo, no fundo ela só queria provocar o irmão.
- , eu te dou dois minutos para você desaparecer daqui. - Fingiu estar bravo, apenas para entrar no jogo da irmã.
- Deixa de ser curiosa, menina, vem, vamos ver um filme comigo. - Empurrou em direção ao seu quarto, sem deixar que ela respondesse alguma coisa antes.
A campainha tocou e Dylan ajeitou a sua roupa pela última vez antes de abrir a porta. Assim que viu a garota em sua frente, não conseguiu segurar o sorriso que nasceu em seus lábios.
- Oi. - Ela disse, de forma tímida, assim que ele deu passagem para que ela entrasse na casa.
- Oi. - Ele respondeu, antes de presentear a garota com um abraço demorado. - Que bom que você veio, meu anjo.

Capítulo 09

Ele

Enquanto dirigia em direção à balada, seus dedos dançavam em cima do volante no ritmo da música que tocava na rádio. Dois dias haviam se passado e tudo parecia ter mudado tão rápido que nem ele mesmo conseguia entender.
A raiva não havia diminuído, mas ele estava mais controlado, qualquer coisa que ele fizesse não iria apagar o erro de sua ex esposa e do seu ex melhor amigo, isso estava bem claro em sua mente.
O caminho era conhecido e bem próximo, por isso não demorou muito para que ele chegasse ao seu destino. Depois de parar no estacionamento, entrou na balada e se sentou de frente para o balcão, ficou ali esperando alguém aparecer para lhe atender.
- Um refrigerante, por favor. - pediu, assim que olhos do garçom da noite passada fixaram onde ele estava. Forçou um sorriso quando viu que o seu pedido surpreendeu o rapaz que trabalhava ali. - Não estou afim de brigar com ninguém hoje. - Ele explicou, fazendo com que o garçom sorrisse.
A sua vontade de beber era enorme e ele não estava fazendo aquilo pelo seu próprio bem, ele estava controlando a sua vontade por se preocupar com a segurança de sua irmã e por ter garantido à sua mãe que não faria aquilo naquela noite.
- Isso é ótimo. - Ele respondeu, enquanto atendia ao pedido de . - Ontem você estava mal, cara. Até brigou comigo só porque eu não quis te vender mais bebidas. Eu só estava preocupado com o seu estado. - Apesar de ser um estranho para o garçom, ele disse aquilo como se estivesse sentido pelo o que aconteceu.
- Me desculpe. – Disse, sem jeito após saborear aquela bebida que ele já não bebia há muito tempo. - Eu não sou de brigar, mas sabe como é, né? A bebida transforma a gente.
- Relaxa, eu já estou acostumado com essas coisas. – Respondeu, antes de ir atender os outros clientes.
Enquanto observava todo o estabelecimento, aproveitou para lembrar dos seus momentos vividos enquanto estava solteiro. Não havia aproveitado tanto como gostaria, começou a namorar muito cedo e, depois disso, todos os momentos que ele teve foram ao lado de Lauren. Os dois viveram uma boa parte de suas vidas juntos, tiveram problemas, mas também foram muito felizes. As festas, as viagens, as noites em claro que eles passavam assistindo séries, tudo isso jamais esqueceria, embora fosse essa a sua vontade.
O amor que sentia por Lauren era tão grande que ele duvidava se algum dia ele a esqueceria de uma vez por todas. Mas ele precisava seguir em frente, precisava seguir a sua vida e deixar para trás tudo o que aconteceu.
Diversão. Era isso que estava faltando em sua vida. Tomou o seu refrigerante, estranhando o gosto daquela bebida que há muito tempo ele não sentia e andou em direção à pista de dança. A música eletrônica estava alta demais, mas aquilo foi um incômodo para apenas no início. Ele começou a dançar no meio dos desconhecidos e depois de algum tempo, já estava conversando com algumas pessoas.
De vez em quando, ele tentava ligar para a sua irmã, porém ela nunca atendia. Mesmo se divertindo, não esquecia das responsabilidades que tinha naquela noite. Concluiu que Samantha estava curtindo a festa e decidiu fazer o mesmo.
Notou que uma garota loira que estava próxima dele o observava com um sorriso nos lábios. retribuiu o sorriso e logo em seguida foi em direção onde a garota, que também aparentava estar sozinha, dançava.
- Dança comigo? - Ele se aproximou, falou bem próximo dela, já que a música atrapalhava o diálogo.
- Claro que eu danço. - Ela sorriu mais uma vez, antes de começarem a dançar juntos.
Enquanto dançavam, os dois conversavam como se eles se conhecessem há alguns anos. Quando o cansaço apareceu, depois de dançarem incontáveis músicas sem parar, os dois foram para o bar e lá o diálogo continuou.
Depois de alguns minutos, eles já estavam em um lugar mais reservado, trocando beijos e carícias. A vontade de era de ficar ali a noite toda ou sair apenas para irem para um outro lugar em que os dois ficassem mais à vontade, mas ele não havia se esquecido de sua irmã. anotou o telefone da garota, deu mais um beijo de despedida nela, pagou sua conta e saiu da balada antes que ele acabasse cedendo às vontades do seu corpo.
Por um momento, se sentiu mal por ter ficado com outra pessoa. O seu coração lhe dizia que ele estava fazendo o mesmo que Lauren fez com ele, mas sua mente sabia que aquilo não era verdade. agora era um homem solteiro, livre para se divertir e para fazer o que sentisse vontade. Aproveitou que estava indo buscar sua irmã para focar na direção e evitar pensar sobre aquela situação.
Mais de vinte e três chamadas feitas para o número da Samantha, nenhuma delas atendida. Já passava das duas da manhã e já estava parado a quase uma hora em frente ao prédio em que a amiga de Sam morava.
O porteiro que estava trabalhando naquele horário não sabia de festa nenhuma e ele informou ao que não poderia interfonar em todos os apartamentos, ainda mais naquele horário, já que não sabia nem o nome da amiga da irmã.
Não queria preocupar a sua mãe, mas concluiu que ela deveria saber, no mínimo, o nome da amiga da Samantha, já que ela conhecia uma boa parte delas.
E antes que ele terminasse de discar o número de sua mãe, seu celular começou a tocar, mostrando a foto e o número de Samantha na tela.
- ? - Ele ouviu a voz dela assim que atendeu o telefone, o tom de voz de Sam era baixo e ao fundo uma música tocava.
- Desce agora. - disse, bravo, desligou o telefone antes mesmo que sua irmã respondesse.
Depois de uns cinco minutos, Samantha entrou no carro em silêncio, percebeu que estava nervoso só pela cara dele. dirigia em silêncio, respirando fundo algumas vezes. Quando ela percebeu que seu irmão não pretendia falar nada, ela resolveu quebrar o silêncio.
- Eu não vi o meu celular tocando, quando vi a hora até assustei, a noite passou muito rápido. – Falou, enquanto observava a rua através do vidro, não tinha coragem suficiente para encarar o mais velho.
ainda respirou fundo mais algumas vezes antes de responder, não queria ser muito grosso com a irmã, mas queria deixar claro o quanto ficou preocupado com ela.
- Samantha, eu não disse que passava aqui à meia noite? Por que você não atendeu a merda desse celular? Porra, eu fiquei preocupado, você não atendia, o porteiro não sabia de festa nenhuma, eu já estava ligando pra minha mãe para saber pelo menos o nome da sua amiga. Agora pensa o quanto ela ia gostar de ser acordada as duas e pouco da manhã só porque você simplesmente não me atende. – Falou, de uma vez, enquanto as palavras saíam de sua boca, as lágrimas desciam pelo rosto de sua irmã.
- Eu falei lá em casa que era apenas para os mais próximos, o porteiro não sabia porque não era festa grande. E eu já disse que não vi a hora passar e não te atendi porque não fiquei grudada no celular. – Falou, entre as lágrimas, era o seu irmão mais próximo e era a pessoa que ela mais tinha intimidade em sua casa, doía ver ele falando como seus pais.
- Você tem que aproveitar as oportunidades que eles te dão, mas tem que pensar em não pisar na bola também. Eu já tive a sua idade e sei bem como é essas coisas, e sei que pra mulher é bem mais complicado, mas isso passa, você vai crescer e vai mandar na própria vida. - Aconselhou a irmã, estava mais calmo, mas ainda estava bem sério.
- E até lá vou ter que aguentar eles me tratando como uma criança? E outra, eu não faço nada de errado para eles me tratarem assim, hoje foi só um deslize, mas já passou.
- Imagina se fosse o papai vindo te buscar, ele não ia querer nem te ouvir, ia te deixar de castigo por um ano. - Ele alertou, queria que Samantha entendesse a gravidade da situação.
- Eu já vivo como se estivesse castigada, não ia fazer diferença. - Pensou alto, recebeu um olhar triste de logo em seguida.
- Para de falar besteira, Samantha, eu não aprovo a forma como eles tratam você, mas garanto que eles só querem o seu bem. – Disse, depois de ter estacionado o carro na garagem do prédio.
- O meu bem? Sei... – Ironizou, antes de sair do carro e subir sozinha em direção ao seu apartamento.
Adolescentes e suas rebeldias, foi o que passou pela cabeça de .
Entrou na casa de seus pais e encontrou sua mãe acordada, assistindo um filme qualquer na TV.
- Oi, mãe, está sem sono? – Disse, depois de beijar a testa da mais velha.
- Sim, meu filho, aí estou assistindo para passar o tempo. - Olhou de um lado para o outro, se certificando de que estava sozinha com o filho. - O que aconteceu com a Samantha? Ela entrou aqui com a cara fechada e nem falou comigo.
sabia que Samantha havia pisado na bola e sabia o tamanho da bronca que ela levaria se os seus pais soubessem o susto que ele levou com a sua irmã naquela noite. Por isso, ele optou por não contar nada e resolver ele mesmo aquela situação, sua irmã merecia aquele voto de confiança.
- Tive uma conversa de gente grande com ela, e bem, você sabe como são esses adolescentes... - Deixou de lado o motivo da conversa, mesmo se sentindo mal por não contar toda a verdade para a sua mãe.
- Isso é ótimo, filho. Sei bem como funciona essa fase, por isso me preocupo tanto com ela. - Beth comentou, no fundo ela só queria proteger a filha de qualquer coisa.
- Só tenha um pouquinho de paciência com a Sam, ela vai ter os momentos dela de rebeldia, mas é só uma fase mesmo, vai passar. – Disse, de forma amigável para a mãe, antes de beijá-la mais uma vez. - Agora eu vou dormir, estou morrendo de sono.
- Filho? - Bethany o chamou, quando ele começou a andar em direção ao quarto, parou, olhou para ela e esperou que ela continuasse a sua fala. - É muito bom te ver assim.
Ela não precisou falar mais nada para que entendesse o que ela queria dizer. Sempre quando ele saía, ele bebia e mesmo quando não morava com seus pais, eles sabiam disso. Ver chegar de madrugada da forma como ele estava, foi um presente para Beth.
- Boa noite, mãe. - apenas se despediu, não falou mais nada, porém o sorriso que nasceu em seus lábios após ouvir as palavras de sua mãe dizia muita coisa.

Continua...

Nota da autora: E aí, pessoal, estão gostando da história? Não esqueçam de comentar o que acharam!
Entrem no meu grupo do face para ficar por dentro das atualizações. Se quiserem falar comigo, a minha ASK é @abrumag e a do personagem principal é @chrislucidos. Até o próximo capítulo, beijos.

Nota da beta: Encontrou algum erro de português ou html/script? Me envie um email. Obrigada xx.