Autora: Park's | Beta: Ste Pacheco | Capista: Adry



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Capítulos:
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Prólogo

– Então, pensou no que eu disse? – observei o rosto próximo ao meu.
Nossa respiração estava quase em seu fluxo normal, mas ainda podia sentir o efeito do ápice passeando preguiçosamente pelo meu corpo, assim como os dedos acariciando despreocupadamente o meu mamilo enquanto aguardava a minha resposta.
– Você sabe como me sinto a respeito disso. – dei uma olhada rápida no meu corpo e fechei os olhos. – Podemos tentar inseminação. – murmurei consciente da resposta que viria a seguir.
– Se pudesse, eu os teria. – as pontas dos dedos deslizaram sobre meu rosto ao mesmo tempo em que seu queixo repousou entre meus seios, abri os olhos e levei a mão até seus cabelos.
Observei Jung YunHee olhar-me com os olhos castanhos gigantes projetando um leve bico. Ela sabia que fazer aquilo era meu ponto fraco, fiz uma careta e ela sorriu. Acariciei seus cabelos, que agora estavam na altura dos ombros, levemente ondulados.
Haviam se passado três anos desde que a tinha visto pela primeira vez, em uma visita ao hospital do câncer próximo a minha casa. Parei um instante em meu caminho para observar a moça sentada conversando gentilmente com uma criança. Seus olhos castanhos capturaram os meus e então, ela sorriu. Meus pés me levaram naquela direção. Passamos a tarde conversando enquanto ela recebia a quimioterapia. Sem conseguir explicar o motivo, não fui capaz de me afastar e passei a noite ali. Voltei nos próximos dias até que ela recebeu alta. Um ano até que tivemos o primeiro beijo, dois meses depois viemos a morar juntas em uma união estável.
– Volta. – recebi um aperto na coxa trazendo–me para a realidade, dei um pequeno sorriso — Confia em mim? — meu sorriso largo logo foi correspondido por um ainda maior – Então, acredite. – assenti sem dar uma resposta e a trouxe para perto, capturei os lábios num beijo longo.
Há dois meses, YunHee demonstrou desejo de termos um filho e desde então estávamos tentando achar um jeito de conceber essa criança. Conversamos várias vezes durante esse período, até que por fim, ela me disse que preferia o método tradicional ao método frio da inseminação artificial, e não só ele, como conhecia alguém perfeito que poderia nos ajudar.
– Confie em você mesma. – sussurrou contra meus lábios ao apertar minha cintura.
– É isso que você quer? – a olhei nos olhos, acariciando seu rosto.
– É o meu desejo. – seu olhar veio firme em minha direção, seus lábios permaneciam em um sorriso carinhoso.
– E quando ele chega? – deixei escapar um sorriso, bati com a pontinha do dedo em seu nariz. YunHee piscou lentamente, até que as palavras fizeram sentido. Seus olhos brilharam úmidos, os lábios tremeram e imediatamente me envolveu num abraço apertado.
– Amor? – sussurrei assim que senti meu pescoço ficar úmido.
YunHee ergueu seu rosto, mesmo a luz das lágrimas, mantinha um sorriso feliz nos lábios cheios. Antes que eu pudesse falar alguma coisa, novamente seus lábios percorreram meu pescoço, um arrepio percorreu meu corpo e deixei um gemido escapar.



Capítulo 1

– Só... mais... um detalhe...zinho. – murmurei enquanto dava o último retoque na imagem, sorri vitoriosa ao ver a capa do meu próximo livro pronto.
Massageei os ombros e dei uma olhadinha preguiçosa no relógio, foi o que bastou para que eu saltasse da cadeira e saísse correndo em direção a cozinha. Estava atrasada. Muito, muito atrasada! Conferi mais uma vez o relógio: duas horas para que tudo ficasse pronto. Separei os ingredientes necessário para o Strogonoff de Camarão, em seguida foi a vez do arroz crocante. Por último, coloquei literalmente a mão na massa ao preparar a Rosca de Azeitona e Provolone.
– Oi? – regulei a temperatura do forno elétrico ao mesmo tempo que atendia o telefone.
, tudo bem? – sorri ao ouvir a voz animada.
– Oi amor, acabei me empolgando com a capa. – fiz uma careta. – Mas está tudo entrando no eixo, como estão as coisas por ai?
– Estamos quase acabando. – pude ouvir o barulho de risos e gritos ao fundo. – Essas crianças estão cada vez mais agitadas.
– Espere até ser a nossa vez, vou ficar de cabelos brancos! – brinquei e em seguida ouvi o som doce do seu riso.
– Exagerada! – ralhou de forma carinhosa – Mais uns minutos e estou chegando, ok? Amo você! – mordi os lábios ao ouvir o som característico de um beijo.
– Está bem, amor. Amo você. – com um sorriso nos lábios desliguei o telefone.
Parei um instante na frente da pia observando a paisagem. Uma semana havia se passado desde que havia concordado com aquele plano, hoje seria o dia que ia conhecer o tal amigo. Impossível não sentir um frio na barriga, até mesmo um desconforto com aquela situação, mas se a faria feliz, era o que realmente importava. Podia, e iria, deixar aquele ou qualquer outro sentimento de lado.
Conferi mais uma vez como estavam as coisas antes de subir as escadas, parei um instante em um dos primeiros quartos. , este era o nome dele, ficaria em nossa casa durante o período. Dei uma olhada em volta vendo se tudo estava no devido lugar. Um arrepio frio correu por minhas costas assim que meu olhar recaiu sobre a cama, girei sobre os calcanhares e sai rapidamente dali.
Caminhei apressada em direção ao nosso quarto. Existia um certo incomodo, e não poderia deixar de sentir, por mais otimista que pudesse estar. Ao chegar lá, caminhei em direção ao closet e optei por um vestido leve, florido de botões, e em seguida fui para o banheiro. Deixei a água quente correr sobre meu corpo afastando qualquer traço de ansiedade e receio que estivesse impregnado sob a minha pele. Meia hora depois, estava colocando os brincos em frente ao espelho. Alisei a roupa mais uma vez, calcei os sapatos e finalmente desci.
As sete horas ouvi a porta da frente abrir, sorri enquanto terminava de colocar o arroz em uma pequena travessa. Contei lentamente até cinco e ao chegar neste, senti os braços rodearem a minha cintura e o rosto descansar em minhas costas. Deixei a travessa de lado, cobri as mãos com as minhas e lentamente girei ficando de frente para ela.
– Olá, estranha. – levei suas mãos até os lábios e beijei cada uma antes de trazê-la para mais perto.
– Como você está? – seus olhos fizeram uma busca rápida em meu rosto antes de descansarem sobre os meus.
– Tudo bem. – respondi sem fitá-la diretamente nos olhos. Em vez disso, apenas descansei as mãos em sua cintura, dando um leve sorriso.
? – as pontas dos seus dedos deslizaram sobre meu rosto e mordisquei um deles. – Me conta. – pediu num sussurro.
– Só um pouco ansiosa. – respondi a contragosto, apertando levemente a cintura.
? – seu olhar, apesar de gentil, era inquiridor.
– Quantas vezes por dia iremos tentar? Se ele não... tiver ereção? E se...
– E se mais nada. – o dedo pousou sobre meus lábios impedindo que outra frase surgisse. – Nunca, jamais, eu pediria isso para outra pessoa se não ele. Eu confio nele e sei que irá cuidar de você. E quanto todas às suas dúvidas, vamos tratar de esclarecer quando ele chegar, ok? – assenti lentamente.
Apoiada na ponta dos pés, seus lábios juntaram-se aos meus, os dentes passaram levemente sobre meu lábio inferior antes de sua língua fazer o mesmo caminho. Estremeci sob aquele simples toque e aprofundei o beijo deixando escapar um gemido. Seus dedos acharam caminho entre os meus fios castanhos, seu corpo colou contra o meu. Escorreguei meus lábios sobre seu pescoço enquanto procurávamos por ar, minhas mãos percorriam por seu corpo da mesma forma que as dela exploravam meus seios.
– Temos quanto tempo? – murmurei mordiscando seu lóbulo e a vi puxar o ar com mais força.
– Acho que... – sua voz saiu num rouco ronronar próximo ao meu ouvido, mas antes que pudesse concluir a frase ouvimos o barulho da campainha – Nenhum! – fiz uma careta sem poder esconder minha irritação por ser interrompida. YunHee deixou escapar um sorriso antes de novamente juntar nossos lábios em um beijo rápido – Terminamos isso mais tarde. – deu uma piscadela ao dar um passo atrás.
Assenti com a cabeça fazendo um bico enquanto a via sair saltitando da cozinha. Num suspiro resignado, voltei a arrumar as travessas. Ouvi o riso alegre dela e o murmurar masculino, revirei os olhos fazendo uma careta. O barulho de passos no corredor, ergui o olhar exatamente quando ambos entraram na cozinha. Foi o que bastou para sentir o coração saltar no peito e o estômago contrair. Arquei as sobrancelhas significativamente ao fitar os dedos entrelaçados, encarei o rapaz estreitando os olhos. Ele estava próximo, muito próximo. Trinquei os dentes e dei um passo em frente instintivamente.
? – demorei alguns segundos antes de desviar o olhar para YunHee. – Este é o . Está é a minha esposa, .
O olhar calmo de YunHee pousou sobre o meu, forcei um sorriso antes de encarar novamente o rapaz, mas esse já não se encontrava no seu lugar.
– Ouvi muito falar de você, . – fiquei estática enquanto ele me abraçava, como se fossemos velhos amigos – É um prazer estar finalmente te conhecendo! – sorriu ao afastar-se.
Fiquei espantada olhando para o rapaz. Esse mantinha um sorriso nos lábios cheios e um olhar curioso, talvez esperando alguma reação da minha parte.
– Hm... é. – pega de surpresa, não sabia como responder a todo aquele entusiasmo. Olhei de um para outro. – Digo o mesmo. – dei um sorriso amarelo.
– Posso te ajudar em alguma coisa? – solícito, o rapaz deu um passo em frente.
– Não! – dei dois passos para atrás. – Está tudo sob controle. Yunnie, por que você não leva o nosso convidado até o seu aposento enquanto dou os toques finais por aqui? – empurrei o melhor sorriso em direção a eles.
– Certo. – lançando um olhar avaliador em minha direção, com direito a uma sobrancelha erguida. – Dez minutos?
– Quinze. – pisquei, dando uns minutos a mais para que ela pudesse tomar um banho rápido. YunHee puxou pela mão, este ainda deu aceno antes de sair.
Não pude evitar de sorrir ao ver a cena, mas logo estava séria ao dar alguns passos e depositar a pequena travessa de arroz crocante sobre a mesa. Em seguida foi a vez do Strogonoff ser trocado de lugar e descansar na travessa, por último retirei a forma com a rosca do forno.
– Oi. – olhei sobre ombro e dei um sorriso educado. – Vai soar extremamente repetitivo, mas posso ajudar em alguma coisa?
– Ali. – dei um pequeno sorriso e apontei com a cabeça em direção a pequena adega localizada ao lado do armário – Escolha um vinho para nós.
Observei enquanto ele sumia porta a dentro, voltei a atenção para o que fazia antes. Minutos depois o vi voltar com um vinho Section 94 Dog Point Sauvignon Blanc, muito apreciado por mim. Sorri com a escolha sábia e apontei para o armário, indicando as taças. A minha mania – irritante por sinal – de terminar de organizar o jantar e de imediato lavar a louça, me impedia de fazer outra coisa senão aquilo. Dei uma última olhada sobre a mesa e voltei a atenção para a pequena tarefa.
Deveríamos estar conversando, certo? Sim, mas não sabia ao certo por onde começar, principalmente por ele aparentemente saber sobre mim e eu, pelo contrário, não tinha a mínima ideia de quem ele era na vida da minha esposa, muito menos que ele existia, devo ressaltar.
– Primeira gaveta a minha esquerda. – disse e observei enquanto o olhar masculino claramente brilhou curioso ao passo que ele aproximou-se de onde eu estava. A risada rouca soou assim que ele retirou um pano de prato da gaveta, dei de ombros e sorri.
– Me dando trabalho, ? – disse já pegando a primeira coisa que viu pela frente.
– Foi você quem pediu. – dei um sorriso inocente – Então, me conte a seu respeito. – perguntei um tanto curiosa.
– Você acha que tem alguém maluco na minha família ou alguma doença genética perigosa que a criança pode herdar? – o tom levemente afetado e falsamente ofendido do rapaz provocou uma gargalhada em mim.
– Nada disso. – balancei a cabeça ainda rindo – Aparentemente você sabe mais sobre mim do que eu sobre você.
– Bom... – ele sorriu e pareceu pensar por um instante. – Olá, meu nome , tenho trinta anos e conheço a YunHee durante a minha vida toda. – estendeu a mão em minha direção, olhei para a mão estendida e para a minha ainda ensaboada. – Vamos lá, juro que não mordo.
– Nem se eu pedir? – brinquei e aceitei o cumprimento, o riso morreu em meus lábios assim que a minha mão foi envolvida pela outra.
Não houveram choques e nem borboleta no estômago. Nada desse tipo.
Nada que pudesse ser explicado com facilidade. Apenas aquela estranha sensação que parecia subir calmamente por minha mão e estender suas garras por cada poro do meu corpo. Encarei o olhar procurando por vestígios de que não havia sido a única a ter aquele pequeno desconforto. Qualquer emoção dele estava muito bem escondida por trás dos olhos castanhos.
– Não me digam que já brigaram e estão fazendo as pazes?! – pisquei confusa ao ouvir a voz da YunHee e notei que ainda mantinha o cumprimento.
– Boba. – ralhei e desfiz do cumprimento, dei um sorriso ao receber o beijo na bochecha. – Estávamos apenas conversando. – esfreguei de forma enérgica a mão embaixo da torneira, na esperança que qualquer vestígio do toque anterior fosse embora.
– Bom, voltando ao assunto anterior, tenho um irmão e uma irmã. – enxuguei as mãos e balancei a cabeça assentindo – YooHwan e a . – franzi as sobrancelhas.
– Agora bateu aquela saudade. – Yunnie comentou saudosa deitando a cabeça em meu ombro – Mas vamos falar disso enquanto jantamos, estou praticamente desmaiando de fome!
– Olha aí, o exagero tem nome e sobrenome. – dei um beijo estalado na bochecha da menor enquanto nos dirigíamos a mesa redonda, posta próxima a ampla janela da cozinha.
– Ela era minha vizinha pentelha. – ele piscou para YunHee servindo o vinho.
– Que nada! – YunHee estalou a língua debochada. – Eu gostava mesmo era de brincar com o YooHwan e a , mas você vinha de brinde, fazer o quê. – ri baixo observando os dois.
– Mas esse nome, , não é muito comum para uma garota. – comentei enquanto me servia do strogonoff.
– Nada sobre a é comum. – YunHee sorriu carinhosa.
– Realmente! Lembra daquela vez que ela caiu com a bicicleta e fez...
– Uma cicatriz no queixo? – comentei e rapidamente os dois me fitaram espantados.
– Como você sabe? – perguntaram juntos, sorri para ambos e sai correndo.
– Da última vez que vi , ele havia comentado que estava interessado em alguém com esse nome, mas ainda não sabia se estava ou não sendo correspondido. – comentei andando devagar para a cozinha acompanhada do smartphone, em poucos comandos encontrei o que procurava. – Algumas horas atrás, recebi isso. – mostrei a tela do objeto para ambos. – Quais as possibilidades de encontrar outra garota com o mesmo nome que minha futura cunhada? Pois é, tecnicamente você faz parte da minha família.
– Não estava sabendo de nada! – resmungou fazendo uma careta leve.
– Desculpe por isso. – solícita, dei uma batidinha no ombro do rapaz e voltei a sentar ao lado de YunHee. – Se serve de consolo, vocês são parecidos.
– Acredite, não é só fisicamente. – disse num tom conspiratório, dando uma olhada para o outro lado da mesa. – Tom & Jerry ficam no chinelo!
– Exagerada você. – ele apontou com o garfo em direção a Yunnie – Amo a minha irmã, mas as vezes ela é tão teimosa.
– Quando você conhecer o e JunSu, você vai saber o que é teimosia em carne e osso. – balancei a cabeça e suspirei. – O que a sua família acha sobre a sua decisão de nos ajudar?
– Yunnie foi criada como parte da nossa família, como tal, nós iriamos ajudá-la não importando a situação.
sorriu de forma carinhosa e cobriu a mão de YunHee com a dele, beberiquei o vinho assentindo. Nesse ambiente confortável, voltei a atenção para meu prato enquanto ambos voltavam no tempo, relembrando da infância.
Coloquei o prato de lado e aproveitei aquele instante para analisar a pessoa do outro lado da mesa. Não sabia identificar exatamente o que ele tinha de errado, ou muito certo, talvez todo aquele ar de mistério que o cercava em alguns momentos, deixasse as coisas mais... interessantes. Me repreendi imediatamente. Não havia nada de interessante. seria apenas o reprodutor para o nosso projeto futuro. Nada mais, nada menos do que isso.
Franzi as sobrancelhas enquanto o estudava. E se nessa brincadeira toda, a criança viesse com alguns traços do pai, como as bochechas e as covinhas, até mesmo o queixo e a facilidade para sorrir? Arregalei os olhos assim que notei as sobrancelhas arqueadas enquanto ele me observava. Dei uma tossidela e voltei a atenção para a minha taça que misteriosamente estava vazia. Legal.
? – dei um pulo ao sentir a mão pousar no meu antebraço. – Sobre aquela questão que estávamos conversando mais cedo, talvez fosse bom acertar tudo agora? – estava ficando corada. Para meu imenso desprazer, o celular dela tocou. Deixando um beijo em minha bochecha, YunHee deixou a cozinha.
– Então? – sim, eu estava muito corada e só piorou quando o encarei.
– Sobre isso... – cruzei as pernas, ignorando o desconforto causado pelo acumulo de sangue em meu rosto – De que forma faremos isso? Digo, você precisa de algum material para... – estava totalmente desconfortável e o olhar penetrante não estava ajudando em nada.
– Para ter uma ereção? – completou e fiz um gesto afirmativo com a cabeça, novamente a sobrancelha dele estava erguida – Você acha que eu preciso de ajuda para isso?
– Talvez precise? – desconversei capturando a garrafa e enchendo a taça novamente – Tecnicamente você estará praticando com uma total desconhecida, a qual você não tem nenhum tipo de atração e totalmente fora dos padrões. – dei de ombros dando um gole na bebida.
– Realmente, YunHee tinha razão... Isso se não for um pouco pior. – ele balançou a cabeça, um tanto aborrecido para o meu gosto.
– Como é?! – engasguei com o vinho e o fitei cerrando os olhos.
– Nada em particular, assunto meu e da sua esposa. – deu de ombro olhando preguiçosamente sobre meu ombro
– Claro. – disse sentindo o sangue ferver instantaneamente, dei um sorriso frio e levantei da mesa começando a retirar a louça.
Uma das coisas que mais odiava no mundo era a fofoca ou qualquer tipo de comentário desnecessário, principalmente sobre a minha pessoa, ainda mais envolvendo um desconhecido. Irritada. Eu estava extremamente irritada. Cerrei os olhos analisando o objeto em minhas mãos... talvez se eu acertasse uma travessa bem no centro daquela testa ridiculamente grande, eu me sentiria bem melhor.
– Me desculpe. – a mão cobriu a minha, retirando o objeto das minhas mãos com extrema delicadeza. – De forma alguma queria te deixar desconfortável.
Fiquei em silêncio por um instante, agora vendo as minhas mãos vazias.
– Você achou que eu iria jogar isso na sua cabeça? – estreitei os olhos ao erguer a cabeça e notar o quanto ele estava próximo.
– Provavelmente, a forma que você cerrou os olhos é a mesma que a faz segundos antes de atirar um objeto em minha direção, seja ele qual for. – ele balançou a cabeça e sem querer dei risada – Você ainda ri?
– Estou me identificando cada vez mais com a sua irmã. – sorri largo e o vi fazer uma careta inconformado.
– Quero estar bem longe de vocês, quando ambas estiverem irritadas no mesmo aposento! – balançou a cabeça por um instante – Gostaria almoçar comigo amanhã?
– Desculpe? – arregalei os olhos dando um passo atrás.
– Penso que seria melhor passarmos algum tempo juntos, antes de partirmos para algo mais sério. – disse encostando na pia e fitando-me atento.
– É uma ótima ideia. – concordei sentindo a irritação diminuir consideravelmente.
– Chegue mais para lá. – dobrando às mangas da camisa, empurrou a lateral do seu quadril contra o meu, fazendo com que eu desse um passo para o lado. – Vou te mostrar como sou ótimo quando se trata de lavar a louça.
– É mesmo? – cruzei os braços e encostei na pia o observando. – Quer fazer do seu jeito?
– Com toda certeza! – piscou em minha direção e apenas dei um sorriso enviesado.
– Ei! – abri os braços assim que YunHee entrou na cozinha – Tudo bem? – perguntei assim que ela se aninhou contra meu peito num abraço extremamente apertado.
– Tudo sim. – respondeu sem me olhar, quando o fez, havia um sorriso um tanto contrariado em seus belos lábios – Perguntaram se eu podia assumir a tarde com as crianças, já que a responsável se ausentara por tempo indeterminado.
– E você vai, não é? – fiz carinho nos cabelos e vi balançar a cabeça de modo afirmativo. – Não será exatamente um bicho de sete cabeças, você gosta de ficar com as crianças.
– Sim, mas eu estava te ajudando com o livro e agora...
– E agora você vai cuidar dos bebês. Sabe que isso veio em boa hora? – balancei a cabeça e dei um sorriso largo.
– Veio? – a curiosidade dela era palpável.
– Sim, porque quando o bebê chorar de madrugada, vai ser você quem vai cuidar. – pisquei para ela e sorri esperta.
– Você é bem esperta, hein ?! – apertou as minhas bochechas e eu ri.
– Muito, muito esperta. – instintivamente, a trouxe para mais perto.
YunHee sorriu colando os lábios sobre os meus, depositando um beijo que seria quase casto se não fosse o fato de que apenas alguns minutos atrás estava em meus braços naquela mesma posição. Literalmente tentando apagar nossa fogo, espirrou agua em nossa direção.
– Está ficando quente aqui, vocês não acham? – sorria inocente, agora enxugando as mãos num pano de prato próximo.
– Meu rapaz, é a segunda vez no dia que você me interrompe, desse jeito você não vai ganhar a sobremesa. – estreitei os olhos.
– Sobremesa? – seus olhos brilharam e eu sorri com a animação.
– Nada além do que sorvete, infelizmente não deu tempo de preparar algo mais elaborado. YunHee, está no freezer ok? – ela assentiu antes de ir buscar o objeto de desejo de ambos.
– Uma pergunta, gente. – YunHee interrompeu seu caminho e olhou para nós dois. – Por que você lavou a louça se a lava louça estava bem do seu lado?
– Lava louça? – olhou para mim e dei dos ombros, sorrindo travessa.
– Não olhe para mim, você quis fazer do seu jeito. – pisquei e sai em direção ao armário, alcançando as taças.
– Mas então por que antes você estava lavando a louça? – cruzou os braços, deixando a vista um bico que quase batia em mim do outro lado do aposento.
– Mania maluca da . – YunHee sorriu e dei os ombros.
– Ela tem razão. – balancei a cabeça, depositando as taças para sobremesa em cima da mesa. – Bom apetite para vocês.
– Ei, você não vai comer? – YunHee perguntou, segurando minha mão antes que eu pudesse me afastar.
– Hoje não. Vou dar uma olhadinha no livro antes de subir, ok? – depositei um beijo em sua testa e o fitei. – Não me diga que você é daquele tipo que acorda cedo, cheio de energia, fazendo exercícios, esbanjando alegria matinal?
– Não se preocupe comigo, dormir é o meu nome do meio. – sorriu largo.
– Gostei disso! – dei um sorriso tão largo quanto o dele. – Boa noite .
Acenei para os dois antes de deixar a cozinha. Passei pela sala ampla e fui em direção ao corredor lateral, só parando quando encontrei a porta de madeira maciça. Girei sobre a poltrona e observei a vista pela parede de vidro, buscando apoio no descanso dos pés. Recostei a cabeça no espaldar da cadeira e observei o céu escuro.
Tamborilei os dedos pelo braço da poltrona, pensativa, sempre imaginei que o mais difícil seria conversar com os meus pais adotivos sobre a minha opção sexual. Não era exatamente o que eles queriam para mim, mas ainda assim, contrariando os próprios princípios, me apoiaram. Minha atual situação fazia a primeira parecer brincadeira de criança.
Houveram sim alguns rapazes durante um período da minha vida. Nesse tempo, até mesmo me relacionei de forma íntima com eles, então não existia um mistério para o que aconteceria entre e eu. O único problema era... Encarei minha mão novamente. A sensação daquele toque permanecia firme, parecia transpassar a minha pele e atingir meus ossos. Novamente esfreguei minha mão no tecido da roupa.
Tentei achar conforto no fato que estava nervosa, extremamente ansiosa e que nada daquilo teria efeito no dia seguinte. Tendo isso em mente, girei novamente a cadeira e movi o mouse do iMac. Em poucos minutos, estava mergulhada no texto. Quase três horas depois, salvei o que havia escrito e dei por encerrado o dia.
Sorri ouvindo a conversa animada no quarto de . Passei rapidamente por eles e me deixei cair sobre a cama. A tensão do dia dava sinais e fechei os olhos por um instante, relaxando os músculos.
– Ninguém te disse que é pecado dormir de roupa? – ainda de olhos fechados, sorri ao sentir a cama pender.
– E o que podemos fazer para remediar essa grave ofensa? – arfei quando as mãos subiram por minhas coxas levando consigo o tecido da saia do vestido.
– Acho que podemos retirar essas peças infames. – murmurou distribuindo beijos a cada botão aberto.
– Me parece uma ótima solução para o meu crime. – disse sobre os lábios dela enquanto erguia o corpo para remover o vestido. – Espera, a porta. – afastei-me um instante notando que a porta permanecia escancarada.
– Sem problemas, já foi dormir. – sua voz soou abafada contra meus seios e voltei a deitar em meio a um espasmo ao sentir um leve dedilhar sobre a calcinha de renda.
Logo as peças de roupa delas juntaram-se a minha em algum ponto do quarto, permanecemos naquela dança por algumas horas até que finalmente estávamos saciadas e cansadas o suficiente para dormir.



Capítulo 2

Estranhei o ambiente a minha volta até que por fim dei conta de onde estava. Soltei um gemido estrangulado e cobri o rosto com o braço, enquanto as imagens da noite anterior saltaram diante dos meus olhos. Por mais que estivesse tentando desviar o pensamento, novamente estava preso sobre ela.
Deveria ter desconfiado daquele silêncio, apenas quebrado por um ou outro murmúrio, mas talvez até pela curiosidade – fiz uma careta em meu próprio pensamento – cobri a distância do meu quarto para o delas. Foi exatamente nessa hora que qualquer resquício de sono evaporou do meu corpo. Parei em frente a porta, pronto para marcar o horário do almoço, mas não tão pronto para o que eu encontrei. Devo dizer, antes que pudesse dar meia volta e ir para o quarto, meus olhos foram rápidos em absorver o que se passava ali.
Os seios fartos e turgidos, sacudidos suavemente pelo balanço do corpo. A urgência do quadril ao mover-se em busca de mais, o cabelo espalhado sobre o travesseiro e o rosto contorcido em uma máscara de prazer.
Sem conseguir conciliar o sono, circulei pelo quarto. Ajeitei a roupa pela milésima vez no closet, conferi se não havia ligações perdidas no smartphone, li e reli os e-mails no tablet, tudo para evitar pensar. Mas nada havia resolvido o meu problema puramente físico e aquela estranha sensação que me rondava desde a primeira vez que a tinha tocado. Não vá por esse caminho! Me repreendi quando algo estranho começou a se mover em minha confusão. Sem mais, apelei por uma ducha fria, não somente por estar levemente alterado, mas pelo incomodo.
Mesmo agora, depois de horas, a minha reação era a mesma.
– Eu mereço. – resmunguei e procurei o smartphone embaixo do travesseiro. – Droga! – estava atrasado.
Afastando as cobertas da mesma forma que empurrava aquela emoção para bem longe, corri para o closet. Fiz a ligação e deixei o smartphone no viva voz, enquanto rapidamente procurava alguma coisa para vestir.
! Tudo bem? – ouvi o cumprimento alegre.
– Tudo, mas preciso de uma mesa para daqui alguns minutos, JJ. – disse enquanto já me encaminhava para o banheiro.
– Temos alguma coisa aqui... – sua voz era pura curiosidade. – Qual o motivo da pressa?
– Uma longa história. Nos vemos mais tarde, obrigado. – me despedi, já abrindo o registro da ducha.
Minutos mais tarde, dava uma olhada rápida no espelho antes de girar a maçaneta e sair do quarto. Parei ali por instante, procurando por um ruído que pudesse me levar na direção certa. Como resposta a minha dúvida, ouvi o som de uma gaveta sendo fechada. Refiz os passos da noite anterior e fui em direção a porta no fim do corredor que encontrava-se entreaberta.
? – chamei e dei uma leve batida na porta.
– Entre. – ouvi a voz abafada e terminei de abrir a porta. Olhei em volta e não encontrei ninguém. – Estou atrasada?
– Nem um pouco. – sorri ao vê-la sair de uma porta a minha esquerda, as bochechas levemente coradas enquanto segurava uma pequena bolsa entre as mãos – Vamos?
– Sim. – lançando um sorriso em minha direção, passou a minha frente.
Demorei alguns passos para alcançá-la. Apenas em um gesto involuntário, observei o tecido escuro moldar-se ao corpo curvilíneo enquanto caminhava sob os saltos altos. O detalhe em seu ombro fez com que um sorriso surgisse em meus lábios, uma tatuagem. Como eu não havia visto isso ontem? Fiz a pergunta e automaticamente respondi: Talvez porque você estava ocupado apreciando outros detalhes?
– Então, para onde estamos indo? – a voz macia arrancou-me dos meus pensamentos.
– Para o meu restaurante favorito, apenas alguns minutos daqui. – respondi enquanto descíamos o lance de escada em direção a porta da frente.
– Por acaso, este restaurante tem um nome? – perguntou enquanto digitava os números, selando a porta antes de se voltar em minha direção.
– Controladora. – a palavra escapou por meus lábios antes que pudesse contê-la. Erguendo as sobrancelhas, mantinha um olhar descontraído em minha direção.
– Uma das minhas qualidades ou seria defeito? – sorriu largo ao passar por mim, em direção a garagem. – Você não vem? – gritou sobre o ombro antes de sumir da minha vista.
Diferentemente da noite anterior, aonde ela parecia estar o tempo todo tensa, hoje parecia relaxada, amigável. Me perguntando se a sua atitude tinha alguma coisa a ver com o que eu havia presenciado, segui os passos dela. A encontrei encostada na Ferrari, um contraste perfeito entre o vermelho vivo e o vestido negro que a cobria até um pouco acima dos joelhos e terminava num decote discreto, mas ainda assim revelador. Os cabelos permaneciam em um elaborado coque, deixando alguns cachos cairem de forma preguiçosa sobre os ombros.
– Ferrari. – sua voz era um misto de descrença e divertimento. Ela me encarava abertamente, um tanto desconfiada. – Sério?
– E por que não? – respondi com outra pergunta. Cobri a distância enquanto destravava o carro e o abri, fiz um pequeno gesto esperando que ela entrasse.
– Estava esperando algo como uma Benz CLS55 AMG ou Gran Coupe. – estando próximo a ela agora, podia sentir o envolvente perfume emanando da pele morena. – Obrigada. – agradeceu ao acomodar-se no banco.
– Aquilo era algo que eu não esperava. – apontei em direção a Harley–Davidson, Night Rod estacionada a poucos metros de onde estávamos.
– O que eu posso dizer, gosto do vento. – sorriu. – Parece que mantínhamos um pensamento um pouco diferente sobre o nosso gosto automobilístico. – deu uma piscadela antes de pegar a porta e fechá-la num baque suave.
Quando eu achava que não podia me surpreender ainda mais... parecia ser uma caixinha de surpresas e eu queria desvendar o mistério a cada minuto. Tomei o meu lugar no carro e fiz a manobra para fora dali. O trajeto foi feito regado a conversa. Para a minha surpresa, o assunto se tratava de carros. Longe de mim qualquer tipo de pensamento machista sobre mulheres e carros, mas estava surpreendido pela animação de sobre esse assunto. O que me levou a discorrer sobre o tema durante os vinte minutos até o restaurante.
Saltei do carro e abri a porta para ela. Com um gesto apreciativo, ela sorriu. De forma automática, procurei pela sua mão, imediatamente tentou soltar, mas prendi com delicadeza ao entrelaçar os dedos. Para todos os efeitos, quanto mais contato fizéssemos agora, melhor seria para o que viria a seguir. E também, quem sabe se dessa forma tudo o que outrora havia sentido, desmaecesse em um passe de mágica e a sensação incomoda fosse embora. Para minha surpresa, isso não aconteceu. Sobrou apenas o conforto caloroso e a proximidade emboscando-me ainda mais para um caminho muito, muito perigoso.
Ainda discutíamos enquanto seguíamos em direção aos degraus que nos levariam até a entrada do restaurante.
– Nesse caso você terá que dar o seu braço a torcer e concordar comigo que... Agora eu entendo perfeitamente o que você quis dizer. – a última frase saiu esganiçada. Acompanhei o seu olhar em direção ao alto das escadas.
Para a minha surpresa, lá estavam acompanhada de um rapaz. Logo presumi que fosse o irmão de , já que este permanecia com uma mão descansando sobre as costas da minha irmã. Franzi as sobrancelhas diante daquele gesto intimo entre os dois. Talvez por sentir a minha tensão, a mão macia apertou levemente a minha antes de soltá-la.
– Cunhada! – subiu os degraus de dois em dois e antes que pudesse ter alguma reação, a primeira a trouxe para um abraço apertado. – Até que enfim posso conhecê-la!
! – espantada e levemente corada, mantinha seus olhos fixos em mim enquanto dava os últimos passos. – ?!
. – parei na frente dela, lançando um olhar questionador que foi dela para o rapaz que agora dava um abraço em . – Alguma coisa para me dizer? – ela balbuciou, a cor em seu rosto foi de rosa para vermelho em segundos e estreitei ainda mais os olhos. observando a menor.
. – ele estendeu a mão em minha direção, enquanto a outra manteve-se sobre as costas de de forma protetora.
. – aceitei o cumprimento enquanto o avaliava.
– Esperamos você e a sua família na sexta-feira em nossa casa. – disse e logo meus olhos capturaram o brilho do anel no anular esquerdo de .
Novamente meu olhar foi para , que envergonhada, abaixou o olhar imediatamente. Em poucos segundos, voltei ao passado e quase pude vê-la criança repetir esse mesmo gesto quando fazia algo errado. Um aperto em meu peito me lembrou que agora aquela garotinha havia dado lugar à uma bela mulher, a qual estava noiva e nem ao menos havia me dito.
voltou para o meu lado, seu olhar foi compreensivo ao tocar o meu ombro.
– Estaremos lá, vamos ? – novamente minha mão encontrou a dela que dessa vez não tentou fugir, pelo contrário, seus dedos envolveram os meus.
– Nossa vez. – sorriu antes de depositar um beijo no rosto do mais velho e em seguida, . – Nos vemos na sexta, foi um prazer te conhecer. – acenou sobre ombro antes de entrarmos pela porta de vidro.
Adentramos o ambiente claro e muito bem decorado. parecia estar à vontade e mantinha um sorriso calmo. Eu ainda estava incomodado pelo encontro e perdido em pensamentos quando Kim JaeJoong aproximou-se com um sorriso amplo e curioso em nossa direção. E novamente, me surpreendi quando vejo enlaçar JaeJoong em um abraço apertado.
O que no mundo estava acontecendo em que todos pareciam se conhecer?!
– Um dia desses você ainda vai causar o meu divórcio, sabia disso, JJ? – comentou bem humorada ao lançar um olhar sugestivo para ele.
– Eu só estou esperando a Yunnie dar uma bobeira. – o sorriso enviesado surgiu no rosto de JaeJoong antes de vir em minha direção – .
– JJ. – trocamos um cumprimento caloroso.
Dividimos o quarto na faculdade e desde sempre eu era apreciador da culinária do mais velho. Com a correria do trabalho, quase não havia tempo para uma refeição decente e graças a amizade de longa data e um pequeno ajuste, fazia minhas encomendas com ele, a qualquer hora do dia ou noite. Em troca e como forma de agradecimento, havíamos assinado um contrato exclusivo com Kim’s.
– Finalmente uma folga. – um sorriso sincero mesclado a curiosidade pairava no rosto do meu amigo de longa data.
– Como vocês dois se conhecem? – ele e eu perguntamos na mesma hora.
– Yunnie e eu sempre estamos por aqui, apenas para admirar a paisagem e apreciar o talento do nosso chef. – sorriu largo e com surpresa, vejo JaeJoong corar com o elogio velado.
e ?! – JaeJoong nos olhou divertido. – Confesso que fiquei chocado, e agora vocês dois. Eles acabaram de sair, vocês passaram por eles? – JaeJoong perguntou animado.
– Nem me diga. – resmunguei um pouco ácido.
– Entendo. – JaeJoong manteve seu sorriso de canto e me olhou de esguelha. – Bom, venham por aqui.
Foi com um imenso prazer que vi que estávamos sendo guiados para as mesas mais afastadas, localizadas na parte de trás do restaurante, em meio a um belo jardim. Salvo por um outro casal, que não pareciam notar a nossa presença, seriamos os únicos ali. JaeJoong já adiantando a função que cabida a mim, mantinha a cadeira afastada para sentar.
Completamente diferente do modo como fui recebido, notei que permanecia tranquila em torno do mais velho, até mesmo alegre. Atribui o fato ao nervosismo da situação. Colocando os fatos em linha, nem eu estava completamente à vontade no primeiro instante. Um pouco nervoso, eu diria. Tomei a cadeira oposta à que ela ocupava e permaneci em silêncio enquanto os dois conversam animados, indo do livro que estava escrevendo até YunHee.
– Ok, mas quando ambas estiverem livres, apareçam por aqui. E você , o que me diz? Tenho uma receita nova.
– Ótima ideia, conte comigo. – JaeJoong sorriu vaidoso antes de afastar-se para buscar o menu e a cartela de vinho.
manteve o sorriso até vê-lo sumir pelo caminho que fizemos. Então, virou-se em minha direção e sua expressão era séria.
– Você está bem? – os olhos castanhos estavam preocupados ao me fitar. Fiz um movimento afirmativo com a cabeça e a vi estreitar os olhos.
– Tudo bem. – respondi e observei o detalhe no centro da mesa, um arranjo de flores com o qual eu comecei a brincar distraidamente enquanto meus pensamentos vagavam rumo a .
Impetuosa e avançada, assim era . Sempre a frente de todos, formou-se antes do que as outras pessoas da sua própria idade. Hoje em dia, era uma jornalista de mão cheia para a revista Vogue Korean. Eu tinha orgulho dela, mesmo com o temperamento forte e explosivo, fazendo as coisas sempre do seu próprio jeito. E apesar disso, eu amava a minha irmã e era difícil me ver naquela situação. Provavelmente, teria ficado em choque quando me contasse sobre seus sentimentos, mas teria estado ao seu lado e a apoiado. Despertei do meu devaneio quando vi as unhas curtas e vermelhas sobre a minha mão. Encontrei o olhar condescendente de .
– É estranho. Ela é a minha pequena. Apesar de algumas divergências durante a nossa vida, achei que ela pudesse confiar em mim para dizer algo assim e não simplesmente saber pelos outros. – derramei em um tiro e me repreendi em seguida por me expor.
– Creio que ela possa ter dito medo de te contar. – a mão acolheu a minha antes que ela continuasse. – Digo por mim, não foi fácil chegar e contar que eu estava saindo com o YunHee.
– Ainda assim você acabou contando, não é? – questionei e a vi corar enquanto dava um sorriso travesso.
– Foi meio difícil negar alguma coisa quando os gêmeos chegaram em casa e me viram aos beijos com YunHee. – olhou-me agora um pouco mais séria – Quando sentei com eles e revelei meus sentimentos, de como me sentia a respeito dela, não foi um passeio no parque, sabe? Nunca é quando se trata de sentimentos, ainda mais quando você vai falar disso para o seu irmão. – fiz um meneio com a cabeça, levemente ressentido – Pode acreditar em mim, isso não quer dizer que ela não goste de você ou não confie. Ela está penas um pouco embaralhada e muito envergonhada. – os olhos castanhos permaneciam calmos e os lábios mantinha-se curvados num sorriso confiante.
– Com licença. – erguemos o olhar ao mesmo tempo, um rapaz estava parado ao nosso lado – JaeJoong pediu desculpas, mas surgiu um pequeno problema, então atenderei vocês.
Assim que o rapaz afastou-se com os nossos pedidos observei enquanto fazia o possível para esconder o sorriso, sem muito sucesso.
– Me conte, também quero rir.
– Agora eu entendo como você se sente. – arqueie as sobrancelhas sem entender onde ela queria chegar – Por alguns segundos achei que algo fosse voar em minha cabeça, , ela só faltou me matar quando me viu de mãos dadas com você.
– Viu?! Aquela baixinha é um perigo! – sorri e a vi balançar a cabeça em concordância.
Continuamos em meio a conversa leve, estar ali estava sendo bastante agradável. Me sentia confortavel e fazia muito tempo que não me sentia daquela forma. Observei e até agora, tudo o que YunHee havia me dito sobre ela, fazia todo o sentindo. Era incrível a forma como ela me deixava à vontade em meio a conversa, mesmo que ela não dominasse o assunto, não tinha vergonha de perguntar. Mal percebi quando o almoço foi servido, quando dei por mim, já estávamos nos despedindo do JJ.
Desci as escadas para o estacionamento um tanto relutante em acabar por ali.
– Que tal um passeio, antes de voltarmos? – perguntei enquanto abria a porta do carro.
– Eu topo! – um sorriso animado curvou os lábios cheios, por um vago momento me perguntei como seria beijá-los. – , tudo bem?
– Claro! – dei meu melhor sorriso ao desviar aquele pensamento para longe, ali não era a hora, muito menos o lugar.
Dei a volta no carro me acomodando no lugar, minutos depois chegávamos ao lugar escolhido por mim, o parque Yeouido. Agora caminhávamos tranquilamente, apreciando a paisagem em um silêncio agradável.
– Sobre YunHee, imagino que não é uma situação fácil.
– Não. – concordou um pouco encolhida. – Acredito que o meu lugar seria o melhor para ela. YunHee tem um talento natural para crianças, é quase algo mágico. Acredito que você saiba sobre a histerectomia radical*.
– Sim. – assenti lentamente. – Quando YunHee era mais nova, sempre quis ter filhos. Imagino que tenha sido um golpe receber a notícia.
– Quando a conheci, YunHee já estava em quimioterapia e radioterapia. Uma mulher tão jovem e cheia de vida, tendo algo tão querido por ela arrancado de suas mãos... Queria ter chegado mais cedo. – respirou fundo e tentou sorrir. – Vamos fazer o possível por ela.
Concordei e percorremos alguns bons passos em silêncio.
– Como é conviver com a Sra. Jung? – vi fazer uma careta. – Não deve ser fácil. – comentei, dando um sorriso compreensivo.
– Digamos que ela não é a minha fã número um. – parou abruptamente. Olhei para atrás e vi o ultraje em seu rosto. – Nem devia estar conversando com você. – deu um sorriso enviesado ao voltar a caminhar.
– Oras, por quê? – olhei curioso e ela apenas desviou o olhar do meu.
– Ignore aminha lentidão em associar os fatos. – deu de ombros, franzido as sobrancelhas. – Como diabos a minha ficha não caiu antes? – murmurou para si, um tanto aborrecida.
? – entrei a sua frente e ela quase bateu em mim antes de finalmente parar.
– Devo dizer que você sim, tem uma grande fã por sinal. – seus olhos cintilaram em uma frieza e por alguns minutos, pensei ter voltado a noite anterior. – Jung tem uma queda pela sua pessoa, faz questão de deixar isso bem claro todas as vezes que nos encontramos.
– Não tenho culpa se ela tem bom gosto. – tentei brincar para ver se aquele mal estar passava, mas foi viagem perdida.
– Realmente. – toda camaradagem anterior pareceu sumir no ar, o sorriso bailou nos lábios, mas nem chegou perto dos olhos antes que desviasse de mim e continuasse a andar.
Me xinguei mentalmente por ter tocado naquele assunto, mas como diabos eu ia saber que existia um desafeto daquela dimensão entre as duas? Eu era inocente. Mesmo assim, permaneci quieto durante os próximos metros, sem saber o que fazer. Quase como se a natureza pudesse sentir o dissabor de , o vento gelado e carregado com o cheiro característico de chuva, veio nos açoitar. Algumas pessoas a nossa volta apertaram o passo, talvez com receio que a chuva pudesse chegar antes do previsto.
Poucos passos nos separavam quando assisti parar. Me aproximei dela apenas para vê-la de olhos fechados. Em seguida, um sorriso calmo tomou conta dos lábios femininos. Os cabelos dançavam ao sabor do vento e ela não parecia ligar para o emaranhado que ficaria depois. Enlevada, vi os músculos lentamente perderem a tensão. Era o sinal que eu precisava para me aproximar. Parei a sua frente. abriu os olhos no mesmo instante em que o vento chegou ao seu ápice, trazendo consigo os primeiros pingos da chuva.
Não houve qualquer movimento para sair daquela posição, os olhos castanhos me fitavam com intensidade. Dei um passo em frente. Com cuidado, afastei os fios, que agora molhados permaneciam, colados a face e deixei esses descansarem atrás da orelha. O toque efêmero dos meus dedos foi o suficiente para que a pele sofresse um frêmito. Instantaneamente, o ar pareceu escasso a minha volta, todos os meus sentidos estavam em alerta e não só os meus, vi o leve arfar em .
Ignorando todo o instinto que me instigava a vencer a pouca distância entre nós e capturar os lábios femininos, segurei a sua mão e saí correndo em direção ao o abrigo mais próximo, a cafeteria. Não éramos os únicos com aquela ideia, todas as pessoas pareciam estar ali, já não havia mais espaço dentro do ambiente acolhedor. Somente uma pequena área coberta estava disponível, mas o espaço era exíguo. encostou-se na parede e parei a sua frente.
Não houve tempo para relaxar, a chuva aumentou instantaneamente. Mas não foi aquilo que realmente me pegou desprevenido. As mãos descansaram em minha cintura. Com uma pressão firme, trouxe-me para perto. Estava literalmente cara a cara com .
– Chuva. – murmurou.
parecia alheia ao fato de estarmos tão próximos, podia sentir cada curva contra o meu corpo e aquilo não estava me fazendo bem, ou melhor, estava fazendo bem até demais. A cabeça pendeu sobre meu ombro, agora a respiração batia tranquilamente em meu pescoço causando arrepios constantes. Tortura!
Fui praticamente arrancado do meu devaneio sensual ao ouvir um comentário mordaz vindo de algum lugar próximo. “Como esse tipo de pessoa tem coragem de sair de casa? É realmente uma vergonha, porquê em vez de sair por ai desfilando numa roupa dessas, não fica e casa e faz uma dieta”, “Alguém avise para ela que os cachos saíram de moda há muito tempo”, “Meu deus, olhem a cor daquela pele!”. As frases não só vieram em um tom asqueroso, como acompanhadas de um som que lembrava a vômito.
Procurei a fonte daqueles comentários sórdidos, a nossa esquerda encontrei um grupo de adolescentes. Lancei um olhar de desprezo naquela direção antes de voltar-me para . Sob mim, senti o corpo ficar tenso. Eu estava sentindo tamanha raiva que a minha vontade era de estrangular um por um pela falta de respeito. “Ele é lindo! O que ele está fazendo com ela?!”, “Ela é gorda! Como ele consegue?”, “Tenho nojo só de olhar, imagina estar perto daquela monstruosidade!”.
A imbecilidade daquelas garotas não havia tamanho e a minha paciência era pouca. Fiz um movimento para ir naquela direção e me segurou.
– Não vale a pena.
O tom era leve, mas o desconforto estava estampado nos olhos castanhos. Entendendo que seria ainda pior qualquer movimento da minha parte, consternado, respirei fundo e a acolhi protetoramente.
– Desculpe estar te fazendo passar por isso, mas por favor aguente mais um pouco, logo poderemos sair daqui. – pelo tremor das suas mãos, soube que era com esforço que ela mantinha um sorriso calmo nos lábios. – Acredite, isso não é nada comparado a sua “fã”. – murmurou antes de voltar a posição anterior.
A envolvi em um abraço enquanto fazia carinho em seus cabelos. Me sentia de mãos atadas com o tamanho do preconceito sem cabimento daquelas garotas, bem como, a ignorância da senhora Jung ao julgar alguém pelo tamanho do manequim. Aparentemente, ela estava calma e relaxada para quem a visse de longe, mas ali, de onde eu estava, podia sentir a tensão instalada em cada músculo. Isso só aumentou a minha revolta.
Minutos mais tarde, a chuva deu uma pequena trégua. Entrelacei meus dedos ao dela fazendo menção de sair dali. Acenei ironicamente para as garotas. Enquanto elas permaneciam chafurdadas em pura ignorância, eu tinha o prazer de estar indo embora com ela.
O caminho para casa foi feito em meio a uma conversa, percebia que fazia o possível para manter-se variando entre os assuntos, talvez por receio que voltássemos ao que aconteceu. Deixei que conduzisse o assunto, para ser sincero, minha revolta não havia passado.
Já em casa, cada um foi para o seu quarto retirar a roupa molhada e tomar um banho. Nos encontramos novamente na sala para uma pequena sessão de filmes; mais tarde, YunHee chegou e fizemos um pedido em um restaurante chinês, já que nenhum de nós estávamos dispostos a preparar o jantar. A noite terminou de uma forma calma, numa despedida rápida, subi para o meu quarto. Mal deitei e já estava fechando os olhos.

Três dias haviam se passado desde o nosso almoço. Durante esse tempo, eu estava quase abandonado pela casa, por assim dizer. em um surto criativo, estava concentrada em seu livro e quase não havia restado tempo para estarmos juntos. YunHee passava o dia todo na ala pediátrica no hospital e vinha a noite.
Dei uma olhada no relógio, constatando que ainda era duas horas da tarde e nem ao menos havia visto . Desci as escadas em direção a cozinha. Já familiarizado com a casa, dei uma boa olhada na geladeira procurando por algo que pudesse fazer algum sanduiche. Vinte minutos depois, já estava com vários sanduiches prontos e duas xicaras de café em uma bandeja a caminho do escritório.
– Intervalo. – disse, abrindo a porta.
– Amém! – disse, dando um sorriso cansado ao encostar-se na cadeira. – Já disse que odeio revisar?
– Qual é o problema? – estendi uma xicara em sua direção e me sentei na poltrona oposta.
– Obrigada. – suspirou antes de bebericar sua xícara. – Como você já deve ter percebido, tenho uma ou outra mania maluca. Dentre elas, mesmo sabendo que terei uma revisora, odeio mandar o texto sem revisar, mas eu odeio fazer isso. – franziu o nariz ao pegar um dos sanduíches.
– Devo presumir que Yunnie te ajudava nessa parte? – assentiu, deixando um gemido de satisfação escapar ao mastigar seu sanduiche.
– Exatamente. Isso está uma delícia! – elogiou antes de partir para um segundo. – E agora eu estou quase maluca por não ter um pingo de paciência.
– Se você não se importar, posso te ajudar. – disse solicito ao pegar um sanduiche.
– Sério?! – confirmei com um gesto de cabeça. – Não acredito!
Num ato de pura espontaneidade, deixou sua poltrona e rapidamente deu a volta na mesa, vindo me dar um abraço e um beijo estalado na bochecha. Eu ri com o gesto alegre e a acompanhei com o olhar o saltitar para seu antigo lugar. Em poucos minutos os sanduiches tinham acabado e as xicaras estavam vazias. Levei a pequena bagunça para pia e logo estava de volta com as xicaras reabastecidas.
– Aqui está. – me estendeu um tablete. – Antes de mais nada, penso que você precisa se ambientar com a história para então passarmos para a parte angustiante, a revisão.
– E você pode relaxar enquanto isso. – peguei o objeto e fiz um gesto em direção ao sofá.
– Ótima ideia. – me acomodei no sofá e ao meu lado.
De tempos em tempos, percebia o olhar apreensivo em minha direção aliado ao leve ruído das unhas batendo contra o couro. Com o canto dos olhos a vi caminhar em direção a estante, começar a tirar livro por livro e realinhar cada um por ordem de tamanho. Feito aquilo, novamente ela estava sentada ao meu lado. Não durou muito e logo estava de volta a escrivaninha mexendo no computador. Pelo barulho discreto, notei que parecia estar em alguma rede social conversando, mas nem mesmo aquilo foi o suficiente.
De novo, veio sentar-se ao meu lado. Antes que ela pudesse fazer qualquer outro movimento, como quem não queria nada, tratei de me esticar no sofá e deitar a cabeça na coxa macia. Sem outra opção e tecnicamente confinada ao sofá, ela permaneceu levemente rígida e quieta. Um pouco mais confortável com a minha proximidade, os dedos acharam lugar nos meus cabelos e instintivamente dei um suspiro satisfeito.
A cada nova página me via envolvido com a história, um suspense onde a protagonista era uma detetive forense, lutando para provar a inocência do seu antigo parceiro em uma série de assassinatos. Todas as pistas encontradas a levava para um caminho diferente e todos apontavam justamente para aquele que ela teimava em defender. Quase duzentas páginas mais tarde, e completamente envolvido pela história, vim notar que os movimentos em meus cabelos haviam cessado. Ergui o olhar e vi de olhos fechado num leve ressonar.
O mínimo movimento de sentar foi o suficiente para que ela acordasse. se espreguiçou lentamente, deu um sorriso e por fim, esfregou os olhos.
– E então? – a curiosidade ganhava espaço no rosto sonolento.
– Estou realmente curioso. – disse sincero e a vi corar de satisfação.
– Ótimo, adoro feedback! – sorriu animada.
A hora seguinte foi preenchida com uma discussão acalorada sobre cada ponto da história. Para a tristeza do meu lado curioso, permanecia resoluta em não dar nenhum spoiler, por mais minúsculo que este fosse. Tendo essa parte em dia, passávamos para a revisão do último capítulo, o qual ela estava revisando quando a interrompi mais cedo.
Para facilitar a tarefa, compartilhou comigo o documento. Agora com ambos logados, já começava algumas mudanças. Dava uma sugestão de como poderia ficar uma ou outra cena, todas as dicas eram bem vindas por ela. Ao surgir uma dúvida, debatíamos sobre esta até achar uma maneira que pudesse encaixar. Era extremamente interessante que neste interim, uma ideia saltava e logo a via tomar forma diante dos meus olhos. Eu me sentia alegre ao presenciar aquele momento.
Estávamos absortos quando fomos interrompidos pela chegada da YunHee que não vinha sozinha, mas trazia consigo duas caixas de pizza. Outra pausa e estávamos esparramados pelo escritório, degustando daquele pedaço de céu enquanto colocava a esposa a par sobre a história.
Fazia o possível para permanecer alheio a pequena troca de caricias do outro lado da sala. Ignorei a inquietação que me rondava todas as vezes que YunHee encontrava-se presente. Talvez fosse apenas o cansaço das últimas horas, nada além disso. Era o que realmente eu queria acreditar.
– Pelo jeito vocês ainda vão longe na revisão, não é? – YunHee perguntou e assentiu.
– A menos que meu ajudante esteja cansado. – lançou um olhar em minha direção e prontamente me endireitei.
– Longe disto, ainda mais abastecido. – dei um sorriso largo que logo foi correspondido por .
– Sendo assim, vou subir. Amanhã vou precisar chegar mais cedo. – desviei o olhar assim que YunHee inclinou-se para dar um beijo na outra. – Boa noite, .
– Boa noite. – respondi enquanto recebia um beijo na bochecha, em contrapartida me sentia um tanto traíra por ficar feliz quando a vi sair porta afora.
Retomamos a atividades com energia, o tempo parecia correr e já era um pouco mais das cinco da manhã quando concluímos aquele capitulo. Antes de dar por encerrado, demos mais uma lida e foi com satisfação que, por fim, caímos exausto contra a cadeira. Ficamos por ali beliscando o que havia sobrado da pizza antes de dar algum passo pra fora do escritório.
Juntei os utensílios, as caixas e os copos usados por nós enquanto salvava pela milésima vez e em vários lugares diferentes a atualização do livro, porque segundo ela, era sempre bom ter guardado em mais de um lugar para não correr o risco de algo pifar e ela ficar sem o material.
– Obrigada pela ajuda, . Se não fosse por você, ainda estaria atolada na revisão. – ela sorriu, deixando escapar um suspiro exausto.
– Que isso, foi um prazer ajudar. – disse sincero. Apesar do desgaste, realmente havia sido gostoso passar aquele tempo com ela. – Vou indo, boa noite .
– Boa noite. – ela acenou, respondi o gesto antes de me retirar. – ?
– Sim? – parei um instante, já com a porta aberta.
– O que você acha de tentarmos amanhã ou depois?



Capítulo 3

Apenas algumas horas me distanciavam da pergunta feita por . Mesmo tendo sido pego de surpresa, a minha resposta só poderia ser uma: Sim, vamos tentar. Agora estávamos sentados lado a lado, esperando pela ginecologista obstetra. havia me dito que, antes de tentarmos, seria interessante ter uma opinião médica, concordei. Mesmo antes de concordar em participar da concepção daquela criança, tinha deixando de lado algumas horas de sono para fazer uma busca mais detalhada sobre o assunto.
Poucos dias ao lado de e eu sabia que os gestos repetitivos de olhar no celular ou procurar por uma posição confortável, eram sinais de que estava desconfortável, até mesmo nervosa. Não a culpava, estava da mesma forma, mas por motivos diferentes. Alcancei a mão que estava próxima e entrelacei os dedos. Seu olhar demorou sobre as nossas mãos, quase instantaneamente a vi relaxar na poltrona.
– É engraçado – murmurou e a fitei. – Fazer isso com alguém além do JunSu.
A pergunta já estava na ponta da língua: “Quê?! Quem diabos é JunSu e o que ele veio fazer num ginecologista com você?”, mas fomos interrompidos por uma sorridente médica na casa dos quarenta.
– Olá , – estendeu a mão em nossa direção, inclinando levemente quando aceitamos o cumprimento. – Sou a Dra. Kang, por favor, venham por aqui – apontou em direção à porta, atrás de si.
Fiz um gesto para que fosse na frente e a segui, Kang nos indicou as poltronas estofadas em frente à impecável mesa de vidro.
– Vejo que é a primeira consulta de vocês, em que posso ajudá-los? – a mulher perguntou solícita.
– Somos futuros tentantes. – deu um sorriso rápido. – Viemos em busca de esclarecimento e auxílio médico.
– É uma ótima notícia! Hoje em dia, onde o divórcio e a falta de tempo para a família imperam, é realmente reconfortante ver um casal tão jovem tomar essa iniciativa. – não contradisse o ‘casal’ e eu muito menos o faria. – Quando vocês pretendem começar a tentar?
– O mais rápido possível – novamente respondeu.
– Estou realmente feliz por vocês – a médica sorriu e moveu o mouse minúsculo. – Bom, para o começo de tudo, ambos precisam colher exames de sangue para avaliar doenças infecciosas sexualmente transmissíveis, como hepatites B e C, sífilis, AIDS, e outras doenças como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus. Ok?
Uma parada rápida no que digitava e uma olhadela em nossa direção, assentimos e ela voltou para o seu discurso empolgado, o qual ouvíamos atentamente. Nesse ínterim, a mão feminina procurou pela minha, essa foi aceita de muito bom grado.
– Além disso, é preciso fazer o exame de tipagem sanguínea, dosagem do açúcar no sangue para detecção de diabetes, hemograma completo para ver uma possível anemia, colesterol e dosagens hormonais para avaliar a função ovariana. O mais importante, quando vocês pretendem fazer os exames?
– Hoje mesmo – respondi e obtive uma leve pressão na minha mão direita.
– Vocês estão decididos – fez um movimento afirmativo com a cabeça antes de fazer uma chamada. – Por favor, EunAe, avise ao Dr. Kwon que estou lhe enviando um paciente – não esperou a resposta e logo voltou a atenção em nossa direção. – Antes que passemos para os exames, vocês têm alguma pergunta?
– Tomei a liberdade de fazer uma pequena pesquisa e tenho uma dúvida – disse e vi me olhar, surpresa. – Não é necessário esperar estar próximo do dia da ovulação para ter a relação, mas há conflito sobre quantos dias o esperma pode sobreviver, o que você indica?
– Ótima pergunta, isso vária de homem para homem. A sobrevivência de um esperma varia de dois a cinco dias, já no caso do óvulo, a duração é bem menor, em torno de vinte e quatro horas. Nesse caso, seria interessante ter relação antes do período da ovulação e alguns dias depois. A questão aqui é: manter os espermatozoides sempre renovados. , quando fui a sua última menstruação?
– Cerca de dez dias – ela respondeu após uns segundos.
– Ciclo de vinte e oito dias? – diante a resposta afirmativa, Kang voltou a digitar rapidamente. – Amanhã começa a sua pré ovulação. Portanto, os próximos dias devem ser bem aproveitados. Mais alguma pergunta?
Automaticamente fizemos um sinal negativo e simultaneamente ouvimos a batida discreta na porta.
, por favor, acompanhe minha assistente.
– Certo. – segurou mais firme em minha mão antes de afrouxar, o jeito aflito que me olhava denunciava seu nervosismo. – Nos vemos daqui um pouco, vai ficar tudo bem – murmurei essa última parte em seu ouvido, não me passou despercebido o leve arrepiar da sua pele, mas fingindo não notar a reação afetada, depositei um beijo demorado em sua testa.
Dei mais uma olhada em sua direção antes de acompanhar a moça, seguimos em direção ao elevador e após dois andares abaixo, estava diante da porta do Dr. Kwon, seu nome estava posto discretamente numa plaqueta na parte superior da porta. Uma batida e um “entre” foi ouvido por nós, curvando levemente em minha direção, a moça abriu a porta.
– Olá , como está? – o homem grisalho estendeu a mão em direção.
– Ótimo – respondi, me pondo logo à vontade, sentei na poltrona a sua frente, ele permaneceu em silêncio enquanto avaliava as anotações em seu monitor.
– Pelo que posso ver, você está aqui para os exames relativo à concepção, certo?
Respondi que sim, os próximos minutos foram gastos respondendo às perguntas de praxe: tipo sanguíneo, se fumava ou bebia, quais eram meus hábitos alimentares e minha rotina.
– Seu exame de sangue será agendado para amanhã, é recomendado que você permaneça em jejum de no mínimo doze horas antes do procedimento. De acordo?
– Podemos marcar para segunda-feira? – após passar metade da noite em claro, acordamos atrasados para consulta e nem ao menos tivemos uma refeição decente, e a perspectiva de passar mais algumas horas sem comer era realmente frustrante.
– Certo – alguns clicks depois, o exame havia sido alterado para dali a três dias. – Aliado a este exame, temos também o espermograma, sabe como funciona?
– Sim, ele vai avaliar a quantidade e as condições dos espermatozoides da amostra, podendo assim verificar como está a minha fertilidade – a minha pesquisa tinha recaído nesse assunto, não estava completamente cego.
– Além de muitas vezes, apontar para outros fatores da sua saúde reprodutiva, como as condições da próstata, por exemplo – completou. – Para que você tenha sucesso neste exame, é necessário que esteja em abstinência sexual num período de dois a sete dias. Isso inclui não apenas o sexo convencional, mas masturbação ou qualquer outra forma que provoque uma ejaculação. Você está apto para esse exame?
– Sim – respondi sem hesitar.
– Sendo assim, venha por aqui – o acompanhei por uma porta lateral, que nos levou a um corredor com várias portas de ambos os lados. – Oferecemos um conteúdo erótico para facilitar a coleta – disse, abrindo a porta, e me deu passagem para o pequeno quarto. – É recomendado a higiene antes do procedimento, tudo o que você precisar, encontrará no banheiro. Estarei te aguardando no consultório.
– Certo – esperei que a porta fechasse antes de observar tudo a minha volta.
O aposento composto apenas por uma poltrona, ao seu lado uma mesa e, em cima desta, o pote para a amostra, de frente para este, estava um rack de painel em tons claros. De um lado uma pilha de revistas, do outro, vários DVDs. A televisão de tela plana em um tamanho considerável jazia a meia parede, sob esta, o aparelho de vídeo. Caminhei em direção à porta discreta a minha direita, o ambiente era impecável. Retirei a minha calça, junto com a boxer, e os deixei pendurados no lugar apropriado ao lado do espelho, troquei os sapatos pelos chinelos hermeticamente fechados em um plástico. Fiz a minha higiene rapidamente, e voltei com uma toalha seca para a saleta.
Analisei o material fotográfico, nada me agradou.
Voltei a atenção para a pilha de DVDs. Tem cara de chata. Irritante. Artificial. Zoofilia. Homossexual. Gang Bang. Ia devolvendo cada item ignorado a sua origem. Dupla Penetração, franzi as sobrancelhas, o que é meu, é apenas meu. Descartei aquele também. Europeias. Japonesas. Lésbicas... Opa! Claro que, como qualquer homem, ver um vídeo daquele me deixaria animado, mas não foi o vídeo que me chamou a atenção, mas sim a capa. Mesmo que os cabelos estivessem artificialmente cacheados, foi o suficiente para me lembrar da mulher que havia deixado para trás por alguns momentos.
A conhecida pontada veio tão rápida quanto a imagem da no seu momento de prazer. Deixei os DVDs de qualquer jeito ali e me permiti pela primeira vez pensar sobre aquilo. Deixando qualquer falso moralismo, tinha feito o possível e o impossível para não pensar nela porque não era aquela imagem que eu queria guardar. Desabei na poltrona e logo já estava segurando o membro, este já dava sinal de vida. A próxima imagem a me açoitar foi o dia no parque. O corpo feminino grudado ao meu e a sensação da respiração batendo em meu pescoço.
Como seria sentir aquela respiração batendo suavemente contra o meu membro?
Arfei ao imaginar de joelhos a minha frente, as mãos femininas no lugar das minhas, percorrendo toda a extensão do meu sexo. A glande repousando em seus lábios e a língua brincando faceira em meu freio. Um gemido rouco escapou por minha garganta. Minha mente trabalhava rapidamente imaginando como seria poder afundar em sua garganta, sua mão masturbando continuamente de forma ágil, enquanto seus lábios acolhiam meus testículos, sugando afoita, antes de me tomar novamente em seus lábios. Eu quase não podia controlar a reação do meu corpo, já estava dolorosamente rígido. Mas a minha tortura mental ainda não havia terminado. O próximo passo seria estar no vale entre os seios fartos, sendo avidamente pressionado por ambos enquanto a língua rosada descansaria em minha glande a cada investida feita por mim. Atrapalhado, quase deixei cair o minúsculo pote para a coleta. Encaixei o dito próximo à glande e fiz os últimos movimentos, imaginando que no lugar daquele objeto estariam os lábios carnudos esperando por mim.
Reclinei exausto sobre o encosto da poltrona, esperei a respiração normalizar antes de tomar o rumo do banheiro. Mesmo assim, me sentia inquieto. Estava ansioso por mais, e daquela vez não apenas meras fantasias. Aproveitei e tomei uma ducha relâmpago, logo já estava com a amostra em mãos, voltando pelo mesmo caminho que havia chego.
– Com licença – parei um instante, a porta estava aberta e Dr. Kwon parecia absorto encarando o monitor.
– Entre – tomei o meu antigo lugar e estendi a amostra na direção dele. – Vou marcar a consulta para daqui a quinze dias, é o tempo máximo para o exame ficar pronto. Alguma dúvida?
– Nenhuma – disse no mesmo instante em que o telefone sobre a mesa tocou.
– Um minuto – ele pediu antes de atender. – Claro, já terminamos por aqui – desligou, já se levantando. – Creio que por enquanto é só. Boa sorte para você e sua esposa.
– Obrigado – agradeci antes de me retirar.
Segui para os elevadores e em seguida até a sala da Dra. Kang. Uma leve batida para anunciar a minha presença.
– Junte-se a nós, – três passos e já estava ao lado da . Se quando eu saí, ela já estava nervosa, agora ela nem ao menos me olhou. – As últimas considerações que darei a vocês hoje são as seguintes: sem pressão para engravidar na primeira tentativa. Vocês precisarão estar relaxados e tranquilos na hora do coito. Muito amor e carinho, sem pressa – sorriu gentil. – Outra coisa que é válido lembrar é a questão do pós coito. Não tenha pressa de levantar da cama ou erguer o quadril para ‘ajudar’ a natureza, apenas deite-se de lado e permaneça por no mínimo quinze minutos. Procurem por posições que tenham uma profunda penetração. Por hoje ficamos por aqui.
Dra. Kang deu a volta na mesa e veio despedir-se de nós. estava em silêncio enquanto andávamos até o estacionamento. Parecia estar dispersa, alheia ao fato que eu estava ali. O caminho para casa foi feito da mesma forma, ela permanecia virada para janela e por sua postura, sabia que nem mesmo a paisagem retinha sua atenção.
– Você está bem? – perguntei por não aguentar mais aquele silêncio. – Aconteceu alguma coisa enquanto estive fora?
– Vamos apenas esperar os exames, enquanto isso, podemos ir tentando – balançou a cabeça devagar, mais falando para si mesma do que para a minha pessoa. – Você se importa de começarmos amanhã?
– Sem problemas, – mal terminei de responder e ela já estava perdida em pensamentos.
Assim que chegamos em casa, foi para o escritório. Sem saber o que a afligia e tendo que – forçadamente – respeitar o seu espaço, fui para o meu quarto. Quando desci horas mais tarde, ela ainda permanecia em seu escritório. Findei a noite tendo apenas a companhia de YunHee, que naquele instante era a mesma coisa que estar sozinho.

Assisti enquanto YunHee circulava pelo quarto, ainda despida. À vontade. Ela estava tranquila ao andar de um lado para o outro, separando a roupa e contando qual seria o plano para aquele dia. Enquanto eu ainda permanecia na cama, enrolada no lençol até o queixo. Passeei os olhos pelo corpo feminino, as pernas bem torneadas, a curva suave do quadril, o abdômen plano e seios firmes e grandes o suficiente para preencher a minha mão. Fiz uma careta e afundei ainda mais na cama, ela decidiu voltar-se em minha direção exatamente nessa hora.
, você está me ouvindo? – corei enquanto ela caminhava até a cama e sentou-se ao meu lado.
– Desculpe – fiz uma careta antes que os lábios encontrassem rapidamente os meus. – Estava um pouco distraída.
– Você está bem? – perguntou ao afastar-se, seus dedos passearam pelo meu rosto por um instante, balancei a cabeça e dei um sorriso. – Vem comigo tomar um banho?
– Agora não – depositei um beijo em seu rosto. – Vou ficar mais um pouco rolando na cama.
– Ok. – YunHee assentiu enquanto lançava um olhar demorado em minha direção, segundos depois a vi sumir pela porta do banheiro.
Encostei a cabeça no travesseiro e cobri o rosto como braço. Havia me parecido uma boa ideia. Havia. Por outro lado, adiar não traria nenhum benefício, ainda assim, estava apreensiva. Muito apreensiva, diga-se de passagem. Peguei meu smartphone e procurei por uma música que acalmasse meus nervos.
Sorri satisfeita ao ouvir a voz do Sting deslizar suas notas calmas em “Fields of Gold”. Me ajeitei melhor na cama e fechei os olhos. Aliada ao fato de que em algumas horas faria sexo com o , a consulta do dia anterior ainda não havia me saído da cabeça. Não precisei abrir os olhos para saber que YunHee estava de volta, o cheiro suave de baunilha invadiu o quarto. Aos poucos, os barulhos foram se tornando longínquos e não soube precisar que horas caí no cochilo.
Acordei alguns minutos mais tarde ao sentir o toque leve em meus lábios, abri os olhos e a encontrei fitando-me ternamente. Seus dedos descansaram entre meus fios castanhos. Algumas coisas podiam ser ditas no silêncio de um olhar e assim acontecia entre nós. Os olhos castanhos transmitiam força, encorajavam-me e pediam calma. Seus braços rodearam meu corpo em um abraço apertado, um beijo foi depositado em minha bochecha antes de retirar-se do quarto.
A tranquilidade parecia ter saído junto com YunHee, e agora restava apenas meus pesadelos e eu. Afastei o lençol para o lado e caminhei em direção ao closet, ao passar pelo umbral, trinquei os dentes, fechei os olhos e dei os últimos passos em direção ao espelho. Este parecia tão amedrontador como sempre havia sido em minha vida, daquela vez não era diferente.
Abri os olhos lentamente, tendo a visão horripilante à minha frente: meu corpo.
Não tinha o costume de olhar para ele, e quando o fazia, era apenas olhada rápida para ver se a roupa estava boa, ou apenas mantinha-me focada nos olhos e boca. Não que eu gostasse desses dois, era apenas uma rota de fuga para que não me perdesse em outras direções.
Observei meus ombros um tanto largos, herança do meu pai ou mãe, eu odiava aquilo. Meus seios, estes pareciam dois montículos em meio à massa disforme que era meu corpo, eram desajeitados e grandes. Minha barriga distendia. Tinha a facilidade de emagrecer e de engordar, mais ainda. Em todas as idas e vindas, havia me sobrado as estrias.
As coxas grossas, e grossas até demais, mantinham sua amiga agarrada em mim, a celulite. Meus tornozelos eram grossos e, nos dias de calor, lembravam facilmente o tornozelo de uma mulher grávida, pelo inchaço. Virei de perfil, para piorar ou melhorar a situação, não existia uma mísera curva de carne no meu traseiro largo e achatado.
“Tenho nojo só de olhar.”
As palavras retornaram tão rápidas que dei um passo atrás. Havia sido dolorido ‘ouvir’ meus pensamentos, mas aquela garota não estava errada. Era daquela forma que eu pensava de mim mesma. Nojo. Eu sentia nojo do que o espelho me mostrava. Sentia nojo de mim. Tampei meu rosto e saí o mais rápido que pude do aposento. Sentei na cama, ainda com o rosto tampado, sentindo as primeiras lágrimas tombarem sobre meu rosto.
Eu tinha tentado de tudo. Tudo.
Dietas milagrosas, pílulas que prometiam quilos a menos, academia por horas e horas, até mesmo enfiar algum objeto garganta abaixo e provocar vômito eu havia tentado, e nada resolvia. Minha genética me traía a todo instante. Esse era meu problema. Se emagrecia uma grama que fosse, logo engordava o triplo do que perdia, e isso de emagrecer só acontecia caso caísse doente. Era a única forma de emagrecer.
Havia chegado à família dos por volta dos seis anos, até então vivia num orfanato próximo ao centro de Seoul. Nunca entendi porque, entre tantas crianças, eles haviam me escolhido, mas era eternamente grata por me ver longe daquele ambiente. Desde que podia me lembrar, era constantemente lembrada que estava fora dos padrões, além de gorda, era mestiça.
Minha pele parda era facilmente destacada em meio à palidez asiática, meus cabelos cacheados eram outro lembrete que, apesar de ter os olhos levemente puxados, não era cem por cento asiática. As gozações por esses fatos vieram desde sempre. Não existia um dia que não houvesse essa provocação, feita tanto por meninos e meninas, no dormitório.
Quando me vi diante dos meus pais adotivos, segurando a mochila pequena entre as mãos, tive um fio de esperança que as coisas pudessem mudar. Agora teria uma família ao meu lado. Não estava totalmente errada. Fui recebida pelos gêmeos, filho do casal, e JunSu, apesar de curiosos, me receberam tão bem quanto os pais. Era estranho acordar em um quarto só meu, ouvir as conversas familiares em algum ponto da casa e saber que ali era o meu lar. Fiquei afastada durante uma semana da escola, para a adaptação com a nova família. Na seguinte, fui junto com os meninos para a mesma escola que eles frequentavam.
Para o meu desespero, nada havia mudado.
Eu continuava sendo a mestiça e gorda. Fazia o possível para não ligar para as ditas brincadeiras, mas era impossível não notar os olhares atravessados que me laçavam quando passava pelo corredor, os sussurros que apontavam as falhas em meu corpo; em outras vezes, nem todos tinham a decência de disfarçar e as palavras surgiam na minha cara. Bastarda. Permanecia em silêncio quando os me perguntavam se tudo estava indo bem, tinha sempre a mesma resposta na ponta da língua, “está tudo bem” e emendava “adoro a escola nova”. Guardei todas as ofensas e fiz todo o possível para que nenhum deles soubessem do que estava acontecendo, eles já tinham feito muito por mim me adotando, não podia dar mais aquela preocupação.
Já com quinze anos, estudávamos em outra escola. Lá conheci uma garota, JinAe, fiquei genuinamente feliz de ter encontrado uma amiga. Logo estávamos trocando confidências. E nessa confessei que estava apaixonada por um dos garotos que andavam com o irmão dela, KangDae. Imediatamente ela se pôs ao meu lado, incentivando para que me declarasse para o rapaz, ela daria todo o apoio na minha causa, em troca ela apenas me pedia se podia dormir em minha casa alguns dias da semana enquanto seus pais estavam fora.
Mais que depressa, disse que sim, adoraria ter a minha amiga em casa. Durante as próximas semanas, ela chegava me dizendo que tinha dito de mim para ele, que o meu sentimento era recíproco. Em uma das vezes, disse que poderia me encontrar com o rapaz no intervalo da aula, que havia organizado tudo. Só faltava minha presença, pois o rapaz também estava interessado em minha pessoa. Feliz, me sentia tão feliz que mal podia conter um sorriso bobo pelo resto do dia.
Na hora marcada, apareci no bosque do colégio acompanhada desta amiga, não liguei para o fato de ter pessoas por perto, afinal, falaria com ele. Alguns minutos se passaram e o vi se aproximar acompanhado de alguns amigos. Meu coração estava disparado de tão ansiosa que estava, KangDae parou a poucos passos de mim com o canudinho do refrigerante na boca enquanto olhava em volta, parecia procurar por alguém.
– JinAe, você não me disse que ela estaria aqui? – o rapaz perguntou, ainda olhando distraído.
– Eu estou aqui – disse e dei um passo à frente, ele cuspiu o líquido que tinha na boca.
– O que?! Você está louca?! – KangDae gritou, dando dois passos atrás, seu riso era de puro desdém. – Por um acaso eu trabalho em alguma empresa de esgoto para querer ficar com uma merda como você? – novamente ele olhou em volta. – Alguém tem uma pazinha de lixo? Deixam um pedaço de bosta bem no meio do meu caminho – não só ele como os amigos deram risada da piada sem graça.
Eu não compreendia o que acontecia ali, para o meu desespero minhas pernas não me obedeciam. Fiquei parada enquanto ele dava meia volta, ainda rindo da minha cara, quando consegui me mover, corri na direção oposta. No princípio JinAe se fez de inocente, alegando não saber o porquê KangDae havia agido daquela forma. Semanas mais tarde, descobri que tudo o que JinAe me dizia era mentira, a única intenção dela se aproximar de mim, era por causa dos meus irmãos.
Anos mais tarde, nada ainda havia mudado. Achei que pudesse ter encontrado o rapaz perfeito para mim, mas este apenas queria saber como era transar com uma gorda mestiça. Outro pareceu, desconfiada, levei algum tempo para me deixar envolver e acreditar no que ele dizia; assim que dormimos a primeira vez juntos, após desabar sobre mim, a primeira coisa que ele fez foi pegar o seu celular e ligar para os amigos. “Ganhei a aposta!” Foi como se tivessem me dado um soco no estômago.
Foi mais uma dura lição aprendida por mim, pessoas do meu biotipo não serviam para nada, além de sexo.
Durante esse tempo, secretamente escondia e evitava pensar no fato de me sentir atraída por mulheres. Na universidade de Letras, já havia desistido dos rapazes. Um ou outro amasso era trocado com alguma garota e não saíamos disso. Em meio a um projeto da universidade, tivemos um dia de visitação num hospital próximo à minha casa. Desde então, sempre no meu tempo livre passava por lá para uma visita, e numa dessas encontrei YunHee.
Ela despertou em mim o que há muito estava perdido, a esperança de encontrar alguém que pudesse gostar de mim. Cada vez mais estava envolvida por ela, fascinada com sua forma genuína de ver a vida e, principalmente, como ela me via. YunHee conseguia ver beleza em mim, onde eu nem mesmo ousava olhar. Me dizia que eu era bonita e que me amava como eu era, nem mais e nem menos, apenas como eu era.
Por isso não podia negar aquele pedido, justamente por isso teria que enfrentar mais uma vez estar na cama com alguém além dela. Ali estava eu em pânico e me sentindo enojada. Tinha dó de YunHee por me ter ao lado dela, e agora novamente teria um homem em minha vida. A imagem do corpo esguio de me veio à mente. Eu poderia machucá-lo com todo o meu peso. Apertei os olhos imaginando a cara que ele faria quando me visse nua a sua frente, o desgosto de tocar um corpo como o meu. Talvez eu devesse estar coberta por inteiro para não dar o tormento de apavorar o rapaz.
E quando tudo acabasse, o que ele faria? Correria para longe de mim, talvez nauseado, e tomaria um banho, afastando qualquer traço da minha gordura em seu corpo? Eu não o culparia, muito menos ficaria chateada caso não houvesse uma ereção. Talvez, deveria ter comprado algum tipo de medicamento que pudesse ajudá-lo a passar por aquilo. Uma olhada fugaz para o relógio foi o suficiente para que corresse em direção ao banheiro.

Estava parado em frente à janela quando ouvi a leve batida na porta. Ouvi os passos caminharem lentamente em minha direção, a xícara de café apareceu diante de mim. Ficamos em silêncio olhando para além do que a paisagem mostrava. Eu não precisava dizer, a verdade estava bem diante dos meus olhos.
Desde a morte repentina do meu pai, por um infarto fulminante que pegou todos de surpresa, como filho mais velho tive que assumir a empresa da família. Um escritório de advocacia, localizado no coração de Seoul. Nos últimos cinco anos, como presidente do & Jung, trabalhei ininterruptamente. Quando assumi o cargo, nunca esperei encontrar o caos que era a situação atual, a empresa não era tão solida quanto havia imaginado e os livros contábeis não batiam. Estávamos no vermelho, por consequência houve um acréscimo de horas para todos que trabalhavam ali, principalmente para mim.
Há três anos, analisando alguns processos, recebi um bip sinalizando que havia chegado uma mensagem de e-mail. Sorri ao ver o remetente conhecido, abri imediatamente e comecei a ler. YunHee sempre me escrevia contando como estava indo o tratamento, mas daquela vez ela aparecia com uma novidade. E essa vinha com um nome, .
Era esperado que YunHee e eu ficássemos juntos, nossos pais eram sócios e amigos, crescemos juntos. Logo nossas famílias tinham a visão absurda de que nós ficaríamos juntos quando adultos. Quando YunHee havia finalmente assumido a sua sexualidade, afastando de nós qualquer tipo de responsabilidade, foi um balde de água fria para os mais velhos e uma alegria sem fim para mim. A visão que tinha sobre ela, era a mesma que matinha em relação à , como uma irmã caçula.
Conforme o tempo ia passando, YunHee me contava o quanto estava envolvida pela garota. Dividia comigo cada detalhe diminuto do que acontecia, inclusive sobre a personalidade de , principalmente as dificuldades que essa havia enfrentado ao longo do crescimento. Vez ou outra recebia em anexo fotos das duas, desde o primeiro encontro à curta lua de mel. O que só fez aumentar a familiaridade. Conhecia , mesmo que fosse à distância, mas ao ponto de me sentir à vontade com ela quando finalmente a conheci.
YunHee veio demonstrando interesse de ter um filho. Até aí, tudo bem. O choque veio quando me disse que iria literalmente sair à “caça”, em busca de um doador. Qualquer um que estivesse disposto a ter uma noite, ou quantas fosse preciso, até que pudesse engravidar. Eu poderia concordar com aquilo? Não. De jeito nenhum. Não depois de acompanhá-las durante três anos. Não poderia deixar que alguém se aproximasse do doce sorriso tímido da morena. Não mesmo.
Foi com esse pensamento que me ofereci para ajudar, não só as duas como também dar a oportunidade tão esperada ao YooHwan. Diferente de mim, ele tinha uma paixão por direito e não via a hora de assumir a minha posição. Para isso acontecer e finalmente voltar para o que de fato queria, meu irmão precisava passar pela banca, dali a dois meses. YooHwan aproveitaria para ‘estagiar’ como presidente enquanto eu estava em férias.
Levei um susto quando senti a cabeça pender em meu ombro. YunHee permanecia calada, parecia tão distante quanto eu estava há poucos segundos. Sem dizer uma palavra, deu-me um beijo na bochecha e retirou-se do quarto. Olhei para o café frio em minha mão, deixei a xícara sobre a bancada e me afastei em direção ao banheiro.
Fechei os olhos sob a água fria da ducha, mesmo após passar a noite em claro, não tinha um pingo de sono. Ter descoberto aquilo no meio da noite não havia contribuído em nada, pelo contrário, tinha me deixado ainda mais desperto. Eu me sentia um canalha. Como ter aquele tipo de sentimento por alguém já comprometido e, pior, esposa da minha amiga?
Nunca imaginei que chegaria a esse ponto da minha vida. Nunca.
Encostei a testa no azulejo respirando fundo. Permanecia agitado, ansioso e excitado. Eu precisava me acalmar. Pelo que YunHee tinha me dito, nenhuma das experiências anteriores da havia terminado de uma forma satisfatória. Logo, já esperaria por algo feito de qualquer jeito, apenas mecânico. Trinquei os dentes. A ideia de outra pessoa tê-la tratado de uma forma indelicada me irritava profundamente.
Fechei o registro, alcancei a toalha que estava próxima. Agradeci mentalmente a minha querida mãe por ter me dado um robe no natal anterior, finalmente havia achado utilidade para ele, já que em casa eu podia andar despido. Amarrei o cinto felpudo e me pus a caminho do quarto de .
Girei a maçaneta lentamente abrindo a porta. A encontrei sentada aos pés da cama, fitando o chão. Notando que não estava mais sozinha, lançou-me um sorriso pondo-se de pé e dando um passo em minha direção. Parando a metade do caminho, mantinha uma postura corajosa, contudo, não pode ocultar totalmente a rigidez.
– Oi – parei de frente para ela. – Tudo bem? – perguntei, já antevendo a resposta.
– Sim – assentiu num gesto displicente, pontuado por um sorriso incerto.
Com as mãos mais trêmulas, a vi lutar sem sucesso com o laço do roupão. Quanto mais tentava desatar o nó, mais este parecia resoluto em permanecer no mesmo lugar. Cobri a pequenina distância entre nós e pousei as mãos sobre as dela. Envolto por aquele sentimento que parecia sondar cada canto do meu ser, deixei que meus polegares fizesse uma pequena massagem relaxante no torso, até que um suspiro lhe escapou pelos lábios.
Depositando-as sobre meu peito, voltei minha atenção em direção aos cabelos. Salvo a noite que tinha presenciado o momento de intimidade entre o casal, sempre a via de cabelos amarrados, tinha a curiosidade de saber como eram os cachos soltos ao meu bel prazer. Livrei as mechas e deixei um suspiro escapar quando estas caíram pesadamente sobre os ombros, mergulhei os dedos nos fios castanhos.
Contemplando-me com estranheza, franziu as sobrancelhas.
– Gosto do seu cabelo – respondi a pergunta silenciosa e fui presenteado com o corar das bochechas diante do simples elogio.
Dedilhei o lábio inferior com a ponta do polegar. A respiração alterada batia morna contra o meu rosto, a confusão estava estampada nos olhos castanhos quando estes encontraram os meus. Por um momento, seu olhar tombou sobre minha boca, foi o suficiente para que a calma ansiada por mim, fosse posta abaixo.
Testei a maciez dos lábios volumosos de , estes lentamente deixaram a hesitação e mostraram-se ansiosos sob os meus. Cada movimento feito por mim era respondido com igual intensidade por ela. Uma leve pressão exercida foi o suficiente para que pudesse aprofundar o beijo, sendo seguido de um gemido acanhado e ao mesmo tempo satisfeito retumbar sob os meus lábios.
Enrosquei os dedos suavemente pelo cinto do robe e puxei lentamente à medida que sugava seu lábio inferior. Escorreguei a mão para dentro da mísera peça de roupa entre nós, seus músculos enrijeceram, os olhos abriram em pânico, fez menção de afastar-se. Permaneci segurando firme em seus cabelos e espalmei a sua cintura, a impedido de fazer qualquer outro movimento. Separei-me o mínimo possível, apenas para olhá-la e voltar a me perder nos lábios.
Ainda podia sentir a rigidez em seus músculos, mas por hora, já não havia nenhum movimento para longe de mim. Deixei dos cabelos por um instante e, segurando na lateral livre do seu corpo, extingui a distância. Um gemido surpreso reverberou sob meus lábios quando pressionei meu quadril ao corpo macio, deixando-a consciente do meu estado.
afastou-se, me olhando atenta, a incredulidade permanecia evidente em sua face. Segurei sua mão esquerda, e com a outra livre, abri meu roupão, peguei a primeira e coloquei sobre o membro. Trinquei os dentes ao sentir o toque caloroso, dando-me um olhar rápido, voltou a atenção para onde sua palma estava, ainda em dúvida, o pontear envolvendo e acolhendo gentilmente meu pênis fez-me rosnar.
Que Deus pudesse me ajudar, pois naquele momento, estava a ponto de perder o controle. Deixei um beijo na palma da mão quando a retirei da zona de perigo. Ansiava por aquele toque, mas hoje ela seria minha. Apenas minha. Subi as mãos da cintura e acolhi os seios. O simples gesto foi o suficiente para senti-los enrijecer sob o meu toque. Antes de apreciá-los como deveria, retomei o meu caminho até os ombros, afastando o tecido felpudo. Explorei a pele parda do ombro e pescoço, assistindo com satisfação o arrepiar pelo contato da minha língua.
A reação do corpo feminino ao meu toque, era simplesmente encantador. Me pôs ainda mais instigado a continuar a explorar as curvas, sem pressa. Mordisquei seu maxilar na mesma hora em que, timidamente espalmou meu peito. As unhas arranharam minha pele, por alguns segundos precisei me afastar do seu corpo para deixar que o meu robe tomasse outro rumo.
Deixei que o olhar apurado demorasse sobre meu corpo.
Estava longe de ser um garoto de academia, não fazia questão de trabalhar fora e naquelas alturas, me perguntei, pela primeira vez, se tinha errado nesse quesito. Minha resposta veio de forma quente ao ter os olhos castanhos faiscando luxúria ao alcançar meu olhar. As bochechas explodiram num tom rosado ao quedar um olhar para o membro garboso e necessitado de atenção. Novamente a trouxe para perto, capturando os lábios ao guiá-la para os poucos passos que nos separava da cama. Me livrei do robe que ainda permanecia escondendo o corpo voluptuoso e deixei um olhar percorrer com deleite as nuances.
A reação foi instantânea, tentar cobrir-se da melhor forma que podia.
Os olhos expressavam pânico, num pedido mudo para que qualquer outra olhada fosse evitada. O rosto estava pálido, o corpo encolhido estava trêmulo. Talvez, para outra pessoa, aquele tipo de medo seria ignorado ou tratado de forma fria. Mas naquele momento, eu estava angustiado. Queria poder fazê-la entender que a minha visão era diferente da dela ou de qualquer outra pessoa.
– Confie em mim – aproximei meus lábios do seu ouvido.
Descansei um beijo em seu ombro, plantando as mãos na altura da cintura, trazendo-a suavemente para um abraço frouxo. Erguendo os olhos vacilantes, lhe dei um sorriso paciente ao aparar minha testa sobre a dela, olhando-a de perto, tentando transmitir segurança que precisava naquele instante. O meneio de cabeça veio aliado ao franzir da sobrancelha, ainda insegura. Procurei por seus lábios de modo gentil. Ela me diria quando, ditaria se podíamos ou não seguir em frente.
Como resultado, os lábios partiram suavemente para aprofundar o beijo. Aos poucos voltei a tocá-la, trouxe-a para perto e em seguida, sobre a cama. Debruçando sobre o corpo menor, deixei que uma coxa achasse espaço entre as dela. Menos resistente e ainda tímida, arranhou minha cintura ao passo que deixei caminho úmido até os seios.
Testei o peso farto de ambos, abocanhei o esquerdo e brinquei com o outro mamilo entre os dedos. O gemido fraco veio seguido do arfar extasiado, os dedos percorreram por meus cabelos, os puxando de forma aflita. Troquei de posição e abocanhei o outro mamilo, esfregando a língua no cume sensível. Desci a mão pela lateral do seu corpo, indo acomodar na parte atrás da coxa roliça, apenas para trazê-la na altura da minha cintura e me acomodar entre as pernas.
O choque foi imediato e, como reação, o quadril feminino saltou contra o meu. Novamente trinquei os dentes ao sentir a umidade contra meu pênis. Espalmei sua coxa empurrando levemente o quadril em sua direção, à medida que minha mão avançava em direção à parte interna.
Afundei o rosto em seu pescoço, lhe deixando uma mordida, o que provavelmente resultaria em uma marca. Voltei a atenção para o mamilo abandonado e o mordisquei, puxando-o lentamente antes de seguir em direção ao abdômen.
– Não! – parei meu movimento fitando interrogativamente o rosto afogueado e naquela instante, receoso. – Não tem necessidade disso – apertou os lábios enquanto as minhas mãos brincavam de forma preguiçosa sobre as virilhas, deixando claro o que eu queria. – Vamos nos ater apenas ao básico, ok?
– Apenas o básico?
Assentiu de maneira concisa, atendo-se apenas a uma olhadela rápida em minha direção. Ágil em minha ação, subi para próximo do rosto dela, esperando com calma estudada que me fitasse. Quando o fez era uma bela mistura de timidez, fragilidade e ansiedade, espreitando-me por entre os longos cílios escuros. Fiz um gesto afirmativo, inconsciente reproduziu meu movimento, rasguei um sorriso faminto.
– Acontece que para mim, isso é o que você chamaria de “básico”.
Atordoada arregalou os olhos enquanto tomava meu antigo lugar, preso a incredulidade do olhar, deixei que minha língua caminhasse languidamente entre os lábios lisos e úmidos, sem desviar a atenção do rosto chocado. Assisti com prazer o corpo arquejar e os olhos fecharem ao ter a boca sobre o nódulo sensível. As mãos procuraram algo para segurar enquanto prosseguia mais uma vez sobre a abertura, saboreando o gosto agridoce explodir ferozmente em minha língua.
Múrmuros desconexos estavam cada vez mais presentes a cada voltear da língua, separei os lábios com ambas as mãos, tendo a vista clara da fonte da sua umidade. Deslizei o polegar com movimentos circulares sobre o clitóris e penetrei a língua em seu interior colhendo com avidez da essência. As unhas cravaram em meu ombro sem piedade, estava trêmula, num movimento único os espasmos tomaram conta do corpo feminino. Inverti as posições e penetrei dois dedos em sua intimidade e agora sugava o feixe de nervos turgidos. Com prazer ouvi grito rouco surgir ao ter seu caminho até o ápice.
Mas antes de encontrar sossego em seu íntimo, penetrei um terceiro dedo. Seus músculos internos logo pressionavam os três a cada investida. O ondular me pôs a par do novo orgasmo, e lentamente retirei os dedos, os levei em direção aos lábios femininos. Estes fecharam a minha volta, sugando com demorada sensualidade ao me fitar. O gesto teve seu efeito imediato sobre o pulsar invejoso do membro, ansioso por estar no lugar dos dedos. Reprimindo o instinto de investir aquela parte da anatomia sobre os lábios, fui ao seu encontro dividindo aquele sabor único.
Segurei o pênis e deixei que este explorasse os lábios inferiores, a leves pinceladas. gemia contra a minha boca, em meio a um beijo ansioso, seu corpo se contorcia, procurando por um contato pleno. Sem poder esperar mais um segundo que fosse, mergulhei em sua intimidade, numa estocada firme e profunda. Tombei o rosto em seu pescoço, esperando que pudesse controlar a minha reação, mas era quase impossível, os músculos internos colidiam ferozmente contra meu pênis. Ela era tão justa e firme em seu aperto, trinquei os dentes procurando por um controle que estava longe de possuir em sua plenitude.
Apoiei a mão esquerda próxima de sua cabeça enquanto a outra a trazia para mais perto. Lentamente fiz o caminho inverso para fora da intimidade, para então estocar. Suas pernas envolveram a minha cintura, eu gemia extasiado ao movimento ansioso da pélvis feminina impondo um ritmo mais intenso, rápido. Alcancei o seio e o abocanhei com tanta vontade quanto as unhas em minha cintura. Meu corpo sofria dolorido, ansiando pelo apogeu que não tardaria a chegar, ergui o rosto para fitá-la.
As bochechas estavam coradas, os cabelos espalhados e os lábios entreabertos procurando por ar, olhos castanhos estavam anuviados pelo prazer. A contração à minha volta aumentou, deixando bem claro que ela chegaria ao orgasmo. Foi o que bastou para deixar de lado meu autocontrole. Uma. Duas. Três investidas e deixou escapar um grito tão extasiado quanto o meu ao chegarmos no auge.
Relaxei contra o corpo feminino, descansei a testa contra a dela. Um sorriso trêmulo permanecia no rosto dela, deixei um beijo casto em seus lábios. Deitei ao seu lado e a trouxe para perto de mim, deitando-a de lado, como nos havia sido indicado. Levei minha mão até o seu rosto, afastando os cabelos que estavam por ali. fitava-me intensamente, agora passado o frisson, seus olhos haviam adquirido a desorientação de mais cedo.
Ficamos em meio a um silêncio aconchegante, não fazia ideia do que se passava em sua mente, apenas continuei a fitá-la da mesma forma que ela fazia comigo. Acariciei os cabelos e a vi piscar lentamente, um sorriso tímido curvou seus lábios, abracei-a e trouxe para os meus braços. O ronronar satisfeito escapou por seus lábios quando se aconchegou contra meu peito. A respiração calma e compassada sinalando que havia pego no sono. Dei um beijo no topo de sua cabeça e resolvi também acompanhá-la.

Acordei com o toque de telefone, o sol já estava se pondo. Fiz o possível para ignorar e continuar na mesma posição, remexeu-se inquieta, despertando. Droga! Amaldiçoei a pessoa que estava ligando. Desvencilhando-se de mim, alcançou o objeto irritante.
– Alô? – sua voz soou rouca e fiquei a observá-la. – Tudo bem – ficou em silêncio por um instante. – Claro! O jantar de noivado, já estou quase pronta – sentou-se na cama, arregalei os olhos, havia me esquecido daquele detalhe. – Mas por quê? – vi os ombros encolherem imediatamente. – Tudo bem, até mais tarde.
colocou o telefone no lugar e ficou em silêncio, alcançou o lençol e se enrolou nele.
– Havia me esquecido do jantar – confidenciou sem me olhar.
– Eu também – desci da cama, alcançando o robe.
– Vinte minutos e já estou pronta. Nos vemos lá embaixo? – mantinha-se segurando firme o lençol contra o corpo, o olhar envergonhado estava em algum lugar atrás de mim.
– Ok – contra a minha vontade, saí do quarto.
Cheguei ao meu quarto, joguei o robe em cima da cama e fui para o closet. Por mais que quisesse ter ficado naquela cama com , precisava ir naquele jantar. Afinal, seria a minha palavra que iria decidir se haveria ou não casamento. Em menos de vinte minutos, estava pronto, aproveitei aquele momento para ligar para casa e saber se eles já estavam prontos. YooHwan levaria mamãe e até a residência dos . Coloquei o celular no bolso traseiro, alcancei a carteira e a chave do carro.
Por mais que estivesse pensando no jantar de logo mais, ainda permanecia em um momento de graça. De cinco em cinco segundos lembrava-me do que havia acontecido e do quanto havia sido bom ter em meus braços. Encostei a porta do quarto e me encaminhei para as escadas, em seguida parei abrupto ao ver a cena diante de mim. O que diabos estava acontecendo ali? estava abraçada a um rapaz, e não apenas isso, mas tinha seus lábios colados ao dele.



Capítulo 4

Confusa. Eu me arrumava de modo automático enquanto meu cérebro não parava um minuto de pensar no que havia acontecido. Eu estava desperta. Consciente da forma que a renda acomodava em meus seios, lembrava-me de como eu havia sido tocada, eu estava dolorida e sensível. A próxima peça acolheu a minha intimidade, arfei. A seda num tom escuro de verde cobria meu corpo como uma carícia sensual. E eu me lembrei dele.
A voz melodiosa do Steven Tyler soou e parei no centro do quarto olhando em volta, procurando pelo meu smartphone. Achei o objeto barulhento embaixo da cama e sabe Deus como ele havia parado ali. Sentei na cama enquanto dava os comandos e abria a caixa de entrada. “Estou a cinco minutos.” Aquilo apenas queria dizer que ele estava parado na porta, esperando os minutos passarem antes de digitar o código e entrar. “Seis minutos. ” Respondi largando o objeto de qualquer jeito em cima da cama. Minha vontade era vestir uma camiseta larga, um shorts e voltar para cama. Não, para aquela cama, não. Talvez para o sofá e pensar no que tinha acontecido. Quem sabe fosse a melhor maneira de lidar com aquilo. Mas não, eu estava terminando de calçar o peep toe delicadamente florido, fazendo exatamente o que eu não queria.
Já sentia a pitadinha de mau humor tomar conta de mim, provocada pela confusão que estava em cada canto do meu pensamento. Resignada, passei rapidamente pelo corredor e apareci no topo da escada exatamente quando a porta estava abrindo.
, tudo bem? – parou um instante fitando-me atento enquanto descia os últimos degraus, fiz uma careta e ele abriu os braços.
Mal dei os últimos passos e já estava em seus braços, como costume, lhe dei um beijo casto nos lábios. Instantaneamente, me aninhei escondendo o rosto em seu pescoço.
– Tudo bem – murmurei fechando os olhos por um instante, apreciando a sensação de conforto.
– Conversei com a Yunnie – ergui a cabeça rapidamente. – Ela me disse sobre a tentativa de vocês – dei um passo atrás, me desvencilhando.
– O que você disse? – silvei estreitando os olhos. – Mas aquela mulher não consegue manter a boca fechada?! Ela só pode estar louca.
– Calma, – ergueu as mãos em sinal de inocência, seu olhar desviou por um instante.
– Tudo bem? – trinquei os dentes ao sentir a mão espalmada em minhas costas deslizar suavemente em direção a minha cintura, fazendo uma leve pressão em direção a ele; foi o que bastou para meu corpo reagir imediatamente e o calor instalar-se deliciosamente entre as minhas pernas.
– Aparentemente minha vida sexual é o assunto da família – respondi entre dentes, tanto pela irritação, quanto pela reação exagerada do meu corpo à presença dele.
Virei o rosto em sua direção, engoli em seco, extremamente atrapalhada. Ele estava deslumbrante. O tecido preto da camisa dobrada no antebraço ajustava-se perfeitamente ao corpo esguio, uma olhadela rápida apenas para conferir que a calça de alfaiataria, também preta, estava tão bem ajustada ao corpo quanto a camisa. E o melhor, ou pior nesse caso, era saber exatamente o que toda aquela gama de tecido escondia.
– Não se preocupe com isso – ele deu um sorriso tranquilo e eu me sentia uma maníaca sexual mal podendo desviar o olhar dos lábios carnudos, sem deixar de pensar no que eles eram capazes. Balancei a cabeça e ele virou-se em direção ao rapaz. – Não nos conhecemos.
– Não, JunSu – ele estendeu a mão, esta foi prontamente recebida.
– um leve franzir no rosto e o vi observar abertamente o caçula dos e em seguida ergueu uma sobrancelha em minha direção.
– Você conhece o , este é o gêmeo dele – comentei e voltou a fitar o outro dos pés à cabeça.
– É, eu sei – JunSu deu de ombros, fazendo uma careta. – A altura ficou toda com ele, somos diferentes.
– Eu diria que vocês são exatamente iguais. – comentou. – Claro, tirando essa pequena diferença de estrutura – o sorriso sacana turvou os lábios masculinos, se não fosse pela minha impaciência, teria rido do estufar altivo de peito do menor.
– Mas o que você está fazendo aqui? Mamãe vai ter um surto por você não estar pronto – observei a roupa casual do mais novo.
– Sobre isso... – JunSu deu uma tossidela desconfortável.
– Me explique – cruzei os braços.
– Mamãe... – titubeou. – Ficou preocupada porque, segundo ela, você deveria ter chegado há duas horas e, bom, como sabíamos que vocês... iriam... – JunSu parou um instante procurando por uma palavra adequada.
– Você sabe que não gosto desse tipo de interferência – estreitei os olhos o analisando, tomei uma longa respiração, claramente era uma desculpa esfarrapada já que não havia dito nada sobre chegar antes. – Além disso, todo mundo está a par disso? – nem mesmo aquela aproximação de me deixava menos irritada, apenas me punha a par do motivo da minha cólera e, por mais que estivesse confortavelmente aninhada contra ele, sentia meus músculos enrijecerem de indignação.
– Não... Eu... – dei um olhar atravessado e ele silenciou rapidamente.
– Como você viu, estou inteira – cortei antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. – Pode voltar e dizer a todos que eu estou viva. Nós já chegaremos – virei em direção ao e dei um sorriso com o máximo de suavidade que consegui. – Vou buscar a clutch e já poderemos ir.
Eu não precisava ser o tópico principal da minha família, para me deixar ainda mais otimista sobre tudo. Subi os degraus de dois em dois, já no quarto guardei a carteira e o smartphone dentro da clutch. Sentia cada poro do meu corpo transpirar indignação. Que direito minha querida esposa tinha de sair por aí contando aos quatro ventos que eu estava transando com o ? Sim, era uma ótima causa, mas não lhe dava o direito de contar, de espalhar e sabe Deus mais o quê. E para deixar ainda mais divertido, JunSu surgir como cavaleiro da armadura brilhante. Bufei irritada.
Encontrei de fronte à janela. Parei um instante para observá-lo. Nos últimos dias eu fazia longos discursos, para eu mesma, sobre a existência dele e o que significava. Não havia chegado em nenhuma conclusão. E não seria naquele momento que acharia a resposta.
– Pronto – voltei a descer os degraus, girou sobre os calcanhares para me fitar. – Acho que ainda temos tempo.
– Temos alguns minutos – estendeu a mão quando cheguei ao penúltimo degrau, aceitei. – Você está linda.
– Obrigada – sentindo as bochechas levemente aquecidas, assim como a palma da mão sobre a dele. – Digo o mesmo.
– Isso te envergonha? – olhou-me sério.
– De maneira nenhuma – respondi no mesmo tom. – O que me irrita é essa conversa paralela e a mania de contar, entende? – o vi assentir e seus dedos desenvolverem a mesma massagem sobre a minha mão, deixando-me instantaneamente distraída. – Foi incrível – me vi falando o que até agora tinha feito o possível para não dizer em voz alta, sentindo uma timidez descabida. – Isso te incomoda? – prendi a respiração por um instante esperando pela resposta, afinal ele também fazia parte do comentário.
– Não, nem mesmo um pouco – os nós dos dedos passearam pelo meu rosto de forma delicada. – Vamos? – um leve sorriso permaneceu nos lábios carnudos.
Algumas vezes na vida, você não sabe o que dizer ou como dizer. Eu estava dessa maneira, apenas o fitando e aquela espécie de sentimento que fazia meu coração estar descompassado. Sem deixar de fitar os olhos castanhos me aproximei, devido ao salto, estávamos em uma diferença mínima. Repousei a mão em seu ombro e cobri seus lábios.
Eu não sabia quem estava mais surpreso, ele ou eu, por agir tão impulsivamente. Mas tão rápido quanto veio, o choque passou. Eu não tinha pressa nenhuma ao explorar os lábios macios e tão receptivos, estes moviam-se sobre mim de forma calma e profunda, provocando além do limite permitido. Da mesma forma que suas mãos se moviam por minhas costas e eu permanecia deliciosamente espremida em seus braços. Estava inebriada por aquele calor gostoso que se espalhava por meu corpo, deixando-me consciente da minha sexualidade recém descoberta. E não somente eu, não havia espaço entre nós naquele abraço, podia senti-lo perigosamente pressionado contra meu corpo. Seus lábios pararam em meu pescoço, próximo a orelha. A respiração apressada contra a minha pele causava arrepios, tão intenso quanto os provocados pelos dentes ao mordiscar a mesma.
– Nós. Precisamos. Ir – seus lábios moveram-se de forma lenta em minha orelha, pontuando cada palavra.
– Sim – fiz um movimento afirmativo, quase imperceptível, e pendi a testa em seu ombro. – Vamos lá – dei um passo atrás, dando meu melhor sorriso, resignado.
Cada mero pedaço de mim gritava por ficar, subir as escadas e terminar o que havíamos começado. Eu me sentia cansada, ansiosa e insatisfeita. Precisava de mais. Meu corpo pedia e eu queria. Via um ar contrariado na íris castanhas e se eu já me sentia dolorida, imagino que ele não estaria diferente. A linha rígida em suas calças deixa bem claro que ele estava colocando todo o seu esforço em apenas caminhar de forma cavalheiresca e abrir a porta de casa para eu passar. Educação. O tipo de coisa que me fez desviar, por um momento, o pensamento de voltar para cama. O mesmo aconteceu quando chegamos no carro e me acomodei enquanto ele dava a volta no mesmo.
– Não tenho a mínima ideia de como chegar na casa dos seus pais – a voz soou tão rouca e profunda, enviando imediatamente um arrepio em meu corpo.
– Sem problemas, se me permite... – debrucei sobre seu colo, tentando ignorar a proximidade e o cheiro másculo do seu perfume, enquanto digitava o endereço no GPS a esquerda do volante. – Agora já sabe.
– Ok, lá vamos nós – piscou em minha direção ao girar a chave. – Me deseje sorte.
– Acho mais fácil desejar sorte para o – sorri e ele apenas fez uma careta. – Pensei que esse primeiro encontro seria feito na sua casa.
– É melhor te avisar com antecedência, nada sobre a é convencional, acredite em mim – disse num meio sorriso.
– Acredito que tenha um dedo da Sra. por esse caminho – balancei a cabeça.
Ele parecia estar pensativo e eu não estava exatamente uma tagarela, permanecemos em um silêncio confortável. Encostei a cabeça na janela apenas observando a paisagem, ou tentando, pelo menos. A vontade de me trancar no meu quarto e permanecer lá ainda persistia. Tão urgente quanto antes, devo dizer.
Eu tinha feito sexo. Isso não era exatamente o problema. A maneira como havia feito, sim. Esse era o problema. Não havia experimentado nada parecido. Nada. Sem exagero, mas o máximo que havia conseguido com rapazes era aquele quase e nada mais do que isso. Para me ajudar, meu cérebro havia guardado cada toque com uma perfeição assustadora, era inevitável não cruzar as pernas e quase assobiar para desviar o foco do rapaz do meu lado. O que havia acabado de acontecer não contribuía em nada para aquele desejo insano que eu me via sentindo.
E como um balde de água fria, para o meu recente aumento de temperatura, ainda teria que chegar em casa e dar de cara com todos sabendo que eu havia feito sexo. O que me levava a um outro ponto: por que diabos YunHee tinha que contar? Bufei irritada, ficar sozinha com meus pensamentos não estava ajudando em nada.
Para a minha alegria, estávamos próximos de casa, uma esquina antes da rua dos meus pais, vi um Benz CLS63 AMG dar um sinal de luz antes de virar e entrar na rua em questão. Alguns metros à frente o portão foi aberto e vi o carro sumir dentro dos portões do condomínio onde residia a casa do meus pais, logo foi a nossa vez. Foi nesse exato minuto que me dei conta que, lá estaria a mãe do e ela era amiga da minha querida sogra.
Já estava esperando o pior quando desci do carro.
Poucos metros à frente vi saltar da parte de trás do carro, o motorista saiu e por um minuto eu achei que iria desfalecer diante da doçura que o rapaz era capaz de transmitir, mesmo à distância; com uma aparência que me arremetia ao , acenou sorrindo em nossa direção. Prendi a respiração quando a porta da frente do carro abriu, meu queixo caiu. Ela era linda, charmosa e com um olhar tão calmo quanto o rapaz ao meu lado, segurando graciosamente uma cesta de frutas, a senhora sorriu. Foi amor à primeira vista.
Aceitei a mão estendida em minha direção e caminhamos até a família , ao mesmo tempo em que, a porta de casa foi escancarada. Cada um dos mantinha o sorriso caloroso e um olhar carinhoso para a moça de vestido rosado. Diminuí o passo apenas para observar dar um passo em frente, cobrir a pequena distância entre ele e . Por um instante, apenas aquela troca de olhar valia bem mais do que quaisquer palavras e, mesmo sem nenhum toque, era como se tivessem trocado um doce beijo.
Aquele sentimento entre eles era tão palpável que tanto os , quanto os mantinham um ar afetuoso. Aquilo durou apenas alguns segundos, mas o suficiente para me arrancar um suspiro; retomei os passos que nem havia percebido que interrompi.
Uma apresentação formal foi feita entre nossas famílias e eu estava bem no meio, praticamente entre os e . Deveria dar um passo para o lado e permanecer ao lado da minha família, mas algo me impedia de me afastar, a mão espalmada em minhas costas e cada movimento feito por mim a pressão aumentava. Isso não passou despercebido a mamãe, que por sua vez, lançou-me um olhar curioso e divertido. O que me deixou ainda mais corada quando a senhora seguiu o olhar da primeira, a expressão neutra no rosto da mais velha me deixou extremamente nervosa e sem graça, devolvi um sorriso amarelo.
No hall trocamos os sapatos por chinelos próprios para uso caseiro, não podia esperar menos, todos estavam ornamentados; para a senhora e , viam-se pequenas flores de cerejeira bordado discretamente; já para eles, o tom escuro contrastava com o branco rebuscado do nome de ambos. Esse detalhe não passou despercebido pelos convidados e, ao primeiro elogio, pude notar o rubor de pura satisfação nas bochechas da matriarca. Como o esperado, a sala estava impecavelmente imaculada e podia sentir um leve aroma de lírios no ambiente. Ao centro desta, estava colocado a pequena mesa, após um gesto do mais velho dos , todos tomaram lugar em posição de seiza. Ao lado esquerdo, dispostos de forma diagonal, mamãe e papai, atrás deles JunSu e eu; do lado direito e sua mãe, YooHwan mais atrás, de frente para nós, estava o casal.
Após um breve silêncio e uma leve tossidela discreta, se pronunciou, podíamos observar a sua postura levemente tensa e extremamente emocionada, seu olhar mantinha-se firme e decidido, o rosto másculo levemente corado enquanto discorria sobre seus sentimentos por . Não podia deixar de me sentir orgulhosa pela emoção sincera em suas palavras. Ao lado desse, não estava muito longe, seu rosto estava corado e podia notar um ou outro suspiro escapar de forma discreta.
Desviei o olhar para o , todo a postura amigável de mais cedo parecia ter evaporado, contrastando com seu porte usualmente relaxado, seu olhar estava duro e frio, sem deixar de perder um detalhe do que era dito por . Ele empunha uma aura autoritária, exalando poder de forma assustadora que, até então, eu não havia presenciado. Por outro lado, a senhora permanecia no auge da serenidade estudando atentamente o casal, YooHwan permanecia entre as emoções do irmão e a mãe, indo da calmaria à seriedade. Já do nosso lado, os mais velhos estavam um tanto rígidos, lançando olhares preocupados em direção ao . Podia eu culpá-los? Não. Até mesmo alguns metros longe de , me sentia coagida com sua postura, ao mesmo tempo, permanecia encantada e levemente excitada com aquela faceta.
Voltei a observar o casal, dessa vez era quem estava expondo seus sentimentos. Pela primeira vez e ao contrário do aparente espírito livre desta, a vi submissa. Seu olhar mantinha-se baixo, quebrando apenas para fitar seu irmão e logo voltava à posição anterior. Fitei e por coincidência fazia o mesmo comigo. Fiz um meneio com a cabeça, deixei que um sorriso transparecesse rapidamente e o vi descongelar por alguns segundos antes de fitar a caçula.
– Está bem, já ouvimos o bastante. – ergueu a mão interrompendo, empalideceu ainda mais. – Sr. , tem alguma a dizer sobre isso?
– Para nós, está tudo esclarecido – papai olhou para mamãe, essa apenas assentiu e lançou um olhar rápido na direção de – Somos favoráveis a esse casamento. A decisão agora depende apenas de vocês.
– Mamãe? – fitou a mais velha.
– Confio em sua decisão – sorriu serena, num assentir de cabeça voltou a fitar demoradamente o casal.
, foi uma surpresa para eu saber que você estava vendo alguém – a menor engoliu em seco ao fitá-lo. – Outra ainda maior saber que as coisas tinham chegado a esse ponto – observou , que não se abalou diante do olhar autoritário do primeiro e o encarou abertamente. – Você está consciente que ela pode ser completamente irritante, mimada e excessivamente fastidiosa se for contrariada?
! – estava rubra, lançando um olhar envergonhado ao irmão.
– Eu estou consciente de todas as facetas que ela possa ter. – lançou um olhar divertido para e rapidamente o clima na sala pareceu mais leve – Ainda assim, estou disposto a seguir em frente.
– Se essa é a sua decisão, estou de acordo.
Levou alguns segundos para que todos compreendessem que havia finalmente dito sim para o casal. Um riso nervoso veio de , que rapidamente olhou para , esse segurou rapidamente a sua mão, claramente contendo a muito custo o desejo de tomá-la nos braços. Mamãe e papai trocaram um longo olhar, visivelmente aliviados. JunSu suspirou ao meu lado relaxando em sua posição. Do outro lado, a mais velha mantinha o olhar sereno e o sorriso carinhoso para o casal, já o YooHwan olhava saudosamente para a caçula. Por fim, encontrei . Acabou, movi os lábios e ele assentiu dando um sorriso discreto.
Um olhar de entendimento cúmplice foi trocado entre ambas as mulheres antes de encaminharem-se para seus novos filhos. Assisti com leveza a matriarca fitar e com ternura lhe tomou ambas as mãos, a mais velha tinha um jeito próprio de falar sem proferir nenhuma palavra, e estava usando daquele gesto para dizer para mais nova o quanto esta era bem-vinda ao seio da família ; com cuidado estudado trouxe a moça para entre os braços, tal como havia feito comigo há anos. Vi o mesmo acontecer com , tomando para si o gigante, a mais velha da outra casa o envolveu entre os braços, como se este fosse apenas um bebê.
Encostei a cabeça no ombro do JunSu, olhando a cena enternecida. Não havia necessariamente perdido meu irmão, mas ganhado uma irmã e dois irmãos. Sendo um deles, muito bom de cama, por sinal. Mordi a língua para não rir da minha própria conclusão imprópria num momento como aquele, imediatamente senti o olhar sobre mim. Tratei de ignorar e nada me pareceu tão interessante quanto o arabesco do encosto do sofá. A tentativa não teve tanto êxito quanto gostaria, pois, minhas bochechas denunciavam o fato de estar plenamente consciente de que estava sendo observada enquanto tinha pensamentos libidinosos.
Diante do tapinha em minha coxa, ergui a cabeça do ombro e o fitei, JunSu apontou para os noivos, sinalando que era nossa vez de os cumprimentar. Ele foi o primeiro, e sem jeito, deu um abraço desengonçado em nossa cunhada; rindo baixinho com o mal jeito do rapaz, o empurrei sutilmente para o lado quando este não sabia mais o que fazer.
– Irmã, bem-vinda! – dei um abraço de urso no corpo esguio.
– Obrigada – agradeceu num tom de voz quase inaudível e repetiu meu gesto, tão apertado quanto o meu.
– Vamos passar para a outra sala? – mamãe disse assim que soltamos do abraço, pelo jeito só faltava nós para dar encerramento ao momento do noivado.
Ao notar a precipitação do meu pai em direção à , dirigiu-se a mais velha dos .
– Posso ter a honra de acompanhá-la? – lhe sorriu estendendo o braço.
– Será o meu prazer – reprimi um sorriso ao vê-la derretida com o charme do .
– Posso acompanhar essa bela jovem? – estendendo a mão para , que imediatamente a aceitou, o velho não perdia seu charme.
– Sogra, posso acompanhá-la? – pude ver a coloração rosa expandir sobre o rosto de traços harmoniosos, não sabia se era pelo charme do mais velho dos gêmeos, pelo termo ou por ambos.
– Claro – o sorriso delicadamente tímido cruzou a face da mais velha.
– Posso te acompanhar? – YooHwan perguntar num tom delicado, me segurei para não pular no rapaz e dar um abraço apertado, ele me despertava um intenso sentimento materno.
– Claro, e você também, JunSu. No fim das contas, sou sortuda – dei os braços aos dois e os fitei. – Fiquei com a melhor parte, mas devo dizer, sou a favor de chinelos com salto, pois eu estou praticamente um cisco ao lado de vocês.
– Eu sempre disse que você era uma tampinha. – JunSu brincou, dando um olhar de esguelha, e eu mostrei a língua.
– Eu o elogio e é isso que eu ganho como resposta – fitei YooHwan. – Não o leve em conta, ele não sabe o que diz – o caçula dos apenas sorriu e assentiu.
Como o esperado, a sala de jantar estava tão bela quanto o resto da casa. A mesa estava disposta com as mais belas variedades de artefatos, indo do jeotgarak – encomendados especialmente para o jantar de noivado e composto por um entalhe em prata – até as cerâmicas Hoechung Sanggam. tomou assento ao lado direito da mesa, de frente para o mais velho da minha família; ao lado esquerdo do primeiro, estava a mãe dos , , e a matriarca da nossa família, encontrando papai na outra ponta da mesa. No lado esquerdo deste vinha JunSu, YooHwan e eu entre eles. De maneira harmonizada, os pratos foram servidos em sequência, da mesma maneira que uma conversa singela começava a instalar-se ao redor da mesa.
Já havíamos passado pelo jantar tradicional e agora estamos envoltos com a sobremesa, sorvete de ginseng com frutas e tók. Eu me peguei rindo de algo que o YooHwan dizia. Os tinham algo de único que os faziam ser extremamente interessantes e eu estava encantada com o rapaz. Da mesma forma que estava com o outro na cabeceira da mesa.
– Tem uma mancha interessante que está ficando arroxeada na base do seu pescoço, deveria perguntar como isso foi feito? – assim que YooHwan voltou-se para o seu irmão, ouvi a voz baixa e cheia de troça do JunSu próximo a minha orelha, imediatamente descansei o cotovelo em suas costelas, o fazendo arfar.
e JunSu – senti o rosto esquentar ao ver o olhar avaliador da nossa mãe do outro lado da mesa e, com o canto dos olhos, vi o JunSu fazer um bico e alisar a costela. – Tudo bem?
– Claro – lhe dei um sorriso cheio de dentes e deitei a cabeça no ombro de JunSu, lançando um olhar inocente a mais velha, estreitando os olhos ela voltou a atenção para e o marido.
– Doeu! – ralhou em tom manhoso.
– Bem feito – empurrei um bico e olhei de soslaio.
– Eu não tenho culpa se o garanhão está mais parecendo vampiro do que doador de sêmen – fiz uma careta e ele continuou. – É sério, você tem uma marca gigante no pescoço que...
– Cala a boca, JunSu! – ralhei afundando ao seu lado e fazendo o possível para não tampar a marca com a mão. – Não te perguntei nada.
– Nem precisava, metade da sala já notou – lancei um olhar de advertência em sua direção e ele apenas deu de ombros. – Só se for um cego para não ver.
Revirei os olhos mentalmente e peguei o olhar astuto de , fitando justamente naquele ponto em mim, automaticamente levei a mão até o pescoço. Um brilho de diversão e orgulho passou diante dos olhos castanhos antes de voltar a atenção para sua mãe. Por fim, foi servido Hwayo nas tacinhas com chocalho na base – o barulho que lembrava o tintilar das taças de cristal em um brinde – agradecia sonoramente aos anfitriões pela hospitalidade.
– Vamos para a outra sala? – mamãe levantou-se de seu lugar e todos fizemos o mesmo, dando o braço à , sorriu. – Enquanto tomamos um chá, adoraria ouvir uma música, qual o instrumento tradicional você toca?
– Nenhum, mas se alguém puder me acompanhar, posso cantar – a mais nova respondeu com um leve rubor.
– Eu adoraria! JunSu, pegue o janggu, nós podemos te acompanhar.
Escolhi o momento para sair de cena e ir para as escadas, para o meu antigo quarto. Diante do espelho, eu pude ver exatamente o que JunSu queria dizer, ele não havia exagerado. Enruguei o nariz com irritação. Abri a gaveta da bancada e rezei para que algum tipo de maquiagem ainda pudesse estar perdido por ali, por sorte havia. Não que naquelas alturas fosse adiantar, pareciam ter notado, mas eu poderia pelo menos diminuir e quem sabe, dar uma ilusão de ótica para quem já havia percebido.
Um minuto depois apenas um leve arroxeado podia ser visto e, novamente, descia as escadas. Passei pela sala onde estávamos no primeiro instante e saquei o celular na bolsa, segui em direção à sala de estar. Entrei pela discreta porta lateral e me encaminhei em direção à mesa disposta dos mais variados chás. Servida de um chá de maçã e canela, tomei assento um pouco mais afastada e fiquei por ali embalada pelo som gracioso da voz da minha cunhada, entre olhadelas no celular e as famílias conversando entretidas entre si.
– Ouvi muito falar de você e sua família – escondi o sobressalto e desviei a atenção do celular para a Sra. que mantinha um sorriso em seus lábios ao sentar-se ao meu lado.
– Por mais positiva que alguém pode ser, tenho certeza que não foram as coisas mais lisonjeiras – respondi e a vi sorrir discretamente concordando.
– Não é nada que pode ser reproduzido em voz alta, mas devo admitir que May... – fez uma pausa e eu uma careta ao ouvir o nome da minha sogra. – Mais do que nunca pode estar longe de seu juízo perfeito – não contive uma gargalhada diante das sábias palavras.
– Vou parecer mesquinha se concordar? – negou ao bebericar seu chá que reconheci ser de hibisco pelo cheiro, sorri. – Certo – provei da minha bebida enquanto a vi me analisar de modo franco; ao contrário do habitual, não me senti incomodada, eu me sentia à vontade diante de seu olhar curioso e esperei o que viria a seguir.
– Por outro lado, tudo o que havia me falado sobre você é verdade, gostei da sua pessoa – empurrei meu próprio chá garganta abaixo, evitando deixar transparecer a minha surpresa por ser citada previamente, fiz um meneio de cabeça e dei um sorriso gentil; segurando minhas mãos entre as dela, disse: – Apareça em minha casa, adoraria passar algum tempo com você.
Devo ter parecido surpresa porque ela sorriu gentil ao debruçar sobre meu rosto e deixar um beijo em minha testa. Os coreanos, de modo geral, eram conhecidos por manter-se reservados quando se tratava de emoções e demonstração de afeto, mas aquela senhora não tinha vergonha em expressar o que lhe ia na alma. Tocada por seu gesto, não soube o que responder e a vi se afastar e tomar assento próximo da minha mãe.
Perto da meia-noite, os deram sinais que iam embora, os acompanhamos para a última despedida. Ignorei o celular vibrando em minha mão pela quinta vez, no curto espaço até a porta. Dei um sorriso carinhoso ao ver deixar um selar na testa de ; JunSu, YooHwan e papai se despediram como se fossem amigos há anos, por outro lado as senhoras estavam marcando o próximo dia que se encontrariam para os preparativos do casamento. Olhei em volta procurando pelo elemento que estava faltando e só então me dei conta que ele estava ao meu lado.
– Não esqueça do que te disse, te espero em casa – envolta pelo suave perfume floral, minha paixonite me deu um abraço caloroso. – Te vejo em breve – abraçou o filho antes de entrar no carro acenando em nossa direção.
– Acho que é a nossa vez – suspirei ao ver o Benz sumir pelo portão.
– Mas já? – havia uma expressão tristonha ao nos fitar. – Por que vocês não ficam por aqui esta noite?
– Em cima da hora? Nem trouxemos roupa ou coisa do tipo, eu tenho um convidado, mãe – olhei para ela sentindo um aperto no peito, nos últimos dias quando não estava escrevendo, estava com o , não havia tido tempo para estar em casa com ela.
– Não seja por isso, os meninos podem emprestar uma roupa para e você tem uma coisa ou duas em seu quarto. Se vocês quiserem ficar... – suspirou em um encolher de ombros, quase como uma criança a vi piscar os olhos. – O que me dizem?
Troquei um olhar com e dei de ombros, trincando os dentes ao sentir o celular vibrar.
– Você decide, com licença.
Estava jogando a decisão para ele, mas outra vez que eu sentisse aquela porcaria vibrar eu jogaria no chão e pisaria em cima. Entrei pela porta sob a escada e cheguei ao deck, que circundava toda a casa e me dava a visão do jardim bem cuidado, que, naquele instante, era iluminado por discretas luzes.
– O que você quer, Jung?
– Oi, só liguei para dizer que cheguei em casa – sua voz soou hesitante.
– Sim, mais alguma coisa? – devolvi ríspida.
– Você está bem? Aconteceu alguma coisa?
– Está louca?! Em nome de Deus, o que você tem na cabeça para sair por aí dizendo com quem eu transo? O que diabos deu em você, YunHee?
, me deixa explicar...
– Às vezes eu acho que você não me conhece. Quando eu chegar em casa, nós conversamos – desliguei e respirei fundo.
Testei um sorriso e alisei a roupa, ninguém precisava saber o quanto eu estava irritada. Voltei pelo caminho que vim e foi com grande surpresa que encontrei metade das luzes apagadas, a casa silenciosa. Espiei a sala e estava vazia, apenas com a luz do abajur, o hall da mesma forma. Será que ele havia ido sem nem ao menos me esperar? Resmunguei girando sobre os calcanhares em rumo à sala, procurando os contatos na agenda do smartphone.
– Todos já subiram – parei de forma abrupta ao ouvir a voz baixa em algum ponto atrás de mim.
– Vamos embora? – abaixei o celular, voltando em sua direção, dei um passo atrás, para poder fitá-lo melhor. Claro, isso não tinha nada a ver com o fato de ele estar extremamente sexy à meia luz.
– Não – ele sorriu languido. – Vamos ficar, YoungMi disse para espera-la, você saberia exatamente para onde me levar – lá estava o sorriso novamente brincando nos lábios carnudos, evitei estremecer diante do tom.
– Certo – balancei a cabeça devagar e indiquei as escadas. Estou fora do meu juízo!
Em poucos segundos tudo havia mudado de figura. Eu quase podia tocar naquela tensão a minha volta. A cada degrau que me levava ao andar de cima, sentia a eletricidade tomando conta, como se o fim da espera estivesse próximo, à minha espera ao findar do corredor, os cabelos arrepiados da minha nuca eram prova disso. Ainda assim eu seguia em frente sem vacilar, vista de longe, pois dentro eu era um poço sem fundo de emoções conflitantes. Passei por algumas portas, em seguida pela porta do quarto do , JunSu, dos meus pais e parei. Vacilei por um instante e ouvi os passos atrás de mim fazer o mesmo.
– Aqui está o seu quarto – apontei para o lado esquerdo e girei para o fitar, estávamos próximos, mas não o bastante para que pudesse invadir o meu espaço, mas o suficiente para que me tomasse o ar. – Creio que um dos meninos lhe deixou uma peça para passar a noite.
– Sim – disse num tom baixo fitando-me atentamente.
– Estarei exatamente na porta da frente – fiz um gesto com a cabeça apenas para confirmar o fato, ele assentiu.
O nó instalou-se em minha garganta, o ar em minha volta extinguiu rapidamente e eu não sabia exatamente como proceder. Deveria dar boa noite e entrar no meu quarto, mas eu não queria, ao mesmo tempo, era justamente aquilo que queria. E eu, sempre controladora, estava odiando aquele tipo de sentimento descabido.
– Boa noite, , qualquer coisa é só… – debruçando sobre meu rosto, depositou um beijo demorado em minha bochecha, fechei os olhos sentindo derreter cada canto do meu ser.
– Boa noite, – tornei a abrir os olhos e encarei os olhos que me faziam lembrar chocolate derretido e tão tentadores quanto.
Dei um passo em frente. Meu corpo moveu-se por vontade própria e sentia a minha sanidade em algum ponto distante, onde eu sequer podia alcançá-la. Nem mesmo fazia questão de usá-la neste momento. O nariz tocou o meu, em seguida foi a vez dos lábios num toque breve, mas o suficiente para estremecer meu corpo.
– Eu nunca… – pisquei atrapalhada lançando olhares, dos olhos aos lábios carnudos, eu sentia a necessidade de explicar ou contar, seja lá o que for, de deixar aquilo bem claro. – Fiquei com ninguém na casa dos meus pais, nem mesmo YunHee.
– Eu sei, logo você perceberá que eu não sou, nem de longe, parecido com alguém que você já conheceu.
Não tive muito tempo de ponderar e aprofundar no que exatamente as palavras queriam dizer, mas elas tomaram forma e instalaram-se em um lugar que eu não pude localizar. Não naquele minuto, pois os lábios de forma astuta e completamente delicada tomaram posse dos meus.
Mergulhada na intensidade suprema da maestria daqueles lábios, me vi pressionada à parede do corredor sem a menor vontade de me afastar daquele rapaz ou da forma deliciosa que meu corpo reagia a ele. Me afastei o suficiente das mãos hábeis para entrar em meu quarto. Ali mesmo, pressionada a porta, voltei a me perder em seus encantos.
Eu estava em desvantagem, sem saltos, queria poder estar cara a cara, mas aquele detalhe foi rapidamente esquecido. A seda do vestido foi posta para cima e a palma deslizou por minha pele numa carícia firme indo parar perigosamente em minhas coxas. Arfei e não fui a única. Desci as unhas por cima da camisa até o cós da calça, puxei a camisa para fora. Os lábios agora concentrados em meu pescoço fazia minha tarefa ficar difícil, além de não poder ir pelo caminho mais fácil e simplesmente rasgar aquele pedaço de tecido, já que estávamos longe de casa. Cheguei ao último botão ao mesmo tempo que os lábios acharam caminho sobre meu colo. Afastei a camisa pelo ombro e logo o meu o vestido expôs a renda da lingerie.
A urgência de estar próximo e naquele instante, de ser íntimo, era tão grande que qualquer delicadeza parecia ter sumido diante dos meus olhos. Eu só precisava dele. O mais rápido possível. Espalmei o peitoral e corri a palma até alcançar o cinto, o olhar apurado encontrou o meu e eu não precisei dizer nada. Desafivelar e abrir a calça era quase impossível, parecia a própria deusa Kali encarnada, tendo várias mãos e alcançando todos os lugares, quase me fazendo perder o foco. Entretanto, não pude deixar de apreciar a rigidez que esperava por mim e afastei a peça de algodão para abaixo junto com a calça.
Ouvi um ruído de algo rasgar, em um relance vi um amontoado de renda descansar em ponto qualquer a alguns metros de mim. Não podia reclamar, já que os lábios tornaram a fazer seu trabalho sobre os meus e outros eram invadidos por dedos ágeis. Reclamei com o cérebro embotado, passando a segurar em seus ombros quando não dei conta de apenas existir em cima das minhas próprias pernas. Seus dedos investiam rápidos e me sentia fraca quando tombei a cabeça em seu ombro, mordendo o mesmo, abafando qualquer ruído quando cheguei ao orgasmo. O empurrei levemente, dando um passo em direção à cama, mas fui impedida. Ergui a cabeça, o fitei. O olhar escuro caiu sobre o meu e automaticamente fiquei estática.
Segurando meu rosto, debruçou sobre mim, sentia sua fome alcançar a minha apenas pelo roçar dos lábios, mas em vez de me tomar, suas mãos deslizaram por meus ombros. Seguiram por meus seios, arqueei de forma automática contra as palmas, recebi uma leve carícia. Sem demora as mãos seguiram pela lateral farta do meu corpo até chegar ao meu traseiro e ali parou, espalmou e apertou enchendo a mão e eu permaneci estática prendendo a respiração. Mas ele não parou ali. Desceram pelas minhas coxas de forma lenta, permeando toda extensão até que, por fim, parou. Seu olhar estava firme sobre o meu, a respiração batia em meu rosto e seus lábios tão próximos dos meus…
! – não tive tempo de nada, nem mesmo de piscar. Sem aviso prévio eu estava presa em seu colo e encostada na parede. – Você está louco?! , me solta! Você vai se machucar! Me solte, agora! – reclamei em tom baixo, estática, segurando em seus ombros de forma automática, com medo que a qualquer instante ele fosse quebrar e que nós caíssemos ali mesmo.
– Cala a boca, ! Você fala demais – arregalei os olhos, o sorriso sacana curvou os lábios um momento antes de capturar os meus.
Eu nunca tinha feito algo como aquilo. Pior, o medo e a excitação davam as mãos e caminhavam lado a lado. Eu não tinha opção e sentia os resquícios do medo dar espaço à luxúria desenfreada, logo estava relaxando a ponto de procurar uma melhor posição. Gemi contra os lábios ao sentir a mão entre os corpos guiando o membro até mim. Escondi o rosto em seu pescoço, o corpo retesou. Pude ouvir o gemido másculo e o toque tão firme quanto o som. Mordi os lábios e, evitando qualquer outro som mais agudo a cada estocada, eu me desfazia em seus braços. Enterrava minhas unhas sobre a pele e choramingava baixinho em seu ouvido. Enterrava meus dedos em seus cabelos e devorava seu pescoço, sem pensar que poderia deixar marcas enquanto ele me tomava, descia as unhas por suas costas e me perdia em ondas de puro prazer que me consumiam, até que não pude mais lutar.
Voltei a fitá-lo, eu estava firme em seu colo e me sentia segura. Nossos corpos moviam-se como um só, em sintonia e me via à beira de um precipício. Algo capturou a minha atenção, em meio a tudo, observei o movimento sutil da mão subir por meu corpo, acompanhando cada desnível, deslizando pelo suor do nosso corpo até que chegou a minha nuca. Ergui o olhar para ele e o vi se aproximar, os lábios tocaram os meus.
O turbilhão de emoções cruzou meu corpo e eu me vi em meio a uma tempestade que eu nem ao menos sabia para onde correr, e essa tempestade permanecia, me envolvia e levava para dentro dos olhos castanhos. Podia sentir, contra meu peito, os gemidos dele e os meus abafados, mas permanecíamos em silêncio apenas nos encarando com a respiração entrecortada após alcançar o ápice.

A timidez brigava por espaço enquanto ela recuperava o fôlego, com delicadeza a coloquei ao lugar de origem. Imediatamente os braços cruzaram sobre o peito, cobrindo de forma precária os voluptuosos seios. O vestido ia sendo abaixado de qualquer forma e de maneira rápida, como se estar despida a minha frente fosse alguma espécie de crime. A mulher vibrante de alguns segundos antes havia se escondido tão rapidamente que, se não fosse por minhas costas ardendo eu duvidaria que ela houvesse existido.
Entretanto, eu não estava pronto para deixá-la ir.
Eu não queria ir.
Cada vez mais eu me via à beira da loucura e ansioso para trazer aquela mulher à vida. Eu estava ávido para que ela pudesse enxergar como eu a via.
Segurei o queixo e o ergui, a fitei apoiando o braço próximo a sua cabeça. Deslizei suavemente os dedos pelo seu maxilar até a sua nuca, um leve tracejar de dedos e o arfar veio como resposta. Assisti com prazer a pele arrepiar-se em resposta de um simples gesto. Não sabia até onde poderia pressionar, onde poderia ir, mas eu tentaria o máximo que eu pudesse. O lampejo de ferocidade nos olhos castanhos era tudo o que eu precisava para novamente procurar pelos inchados lábios. Gemi contra eles, extasiado e excitado, esquecendo por um momento de onde estávamos e, ao mesmo tempo, acrescentando aquele toque gostoso de proibido, a trouxe para perto de mim e longe da porta.
Se antes pela urgência, havia sido mais fácil subir o vestido, descer a calça e afastar a camisa, agora precisávamos um pouco mais tempo; pelo menos eu precisava, e usaria em nosso favor. Dedilhei pela seda e descobri o zíper escondido na lateral do vestido, este teve seu fim ao chão. Em seguida foi a vez do sutiã encontrar lugar junto a ele. Ela estava nua e toda para mim. Me livrei das minhas próprias roupas, as deixando de qualquer jeito pelo caminho, a parada brusca veio assim que senti a cama bater na parte de atrás dos joelhos. Afastei o suficiente para colocá-la na cama, podia divisar os olhos castanhos titubeantes e tímidos fixos em mim, o anseio estava mascarado em medo naquele instante, apenas esperando. Aproveitei para me demorar apreciando a beleza do corpo feminino e suas curvas, linda ao natural. Linda. A pele morena aos poucos adquiria um tom rosado e a vi lentamente encolher-se, trazendo as pernas para perto do corpo.
Era tudo o que eu precisava.
Suavemente deslizei as digitais sobre a coxa feminina, seus olhos curiosos estavam presos aos meus gestos. Repeti o mesmo toque em sua coxa esquerda, agora alguns centímetros para a parte interna das coxas, parando a pouco da sua intimidade. O arfar veio acompanhado do tremular de antecipação do corpo teso sobre a minha palma. Acariciei tênues milímetros mais abaixo, abrindo espaço, separando as coxas, tomei lugar ajoelhado entre elas. Eu precisei me segurar e seguir em frente com o que eu queria, pois estava faminto, queria me deleitar em seu sexo úmido, tão convidativo. Eu sentia seu cheiro singular, eu já conhecia seu gosto e eu o queria novamente, queria cada vez mais. Mas ela era pura e tão sensível ao toque, como um instrumento musical, respondia e entregava-se de forma única e eu queria continuar tocando.
No entanto, não pude me conter, recolhi a umidade escorregadia com o polegar e o trouxe aos lábios, ignorando o salto do quadril e o gemido desesperado. Os joelhos apertaram as minhas coxas pedindo por uma resposta imediata, que por enquanto, eu não poderia dar.
Ouvi o sussurrar entrecortado de lamentação pelo abandono ao subir lentamente as mãos por sua virilha, contraiu-se, mordendo os lábios, voltei em meu caminho dedilhando, brincando perigosamente próximo aos lábios úmidos.
Meu corpo reagia de maneira rápida ao dela, caminhando perigosamente para a rigidez, a cada sussurrar entrecortado. A ponto de perder o controle e me enterrar fundo em seu sexo, quase esquecia o porquê de estar indo de forma tão lenta. Quase. Debrucei pelo abdômen moreno, distribuindo toques passageiros, o vendo contrair ora pelos arrepios, ora pelo mordiscar que deixei pelo caminho até alcançar o vale entre seus seios. Os graciosos mamilos permaneciam arrepiados, intumescidos e esperavam por um afago, prontos para mim, e não pude esperar um minuto a mais para tê-los. Tomando cada seio em uma mão, os trouxe para perto, estalando a língua sobre eles, sugando ávido e friccionando com o polegar e o indicador sobre o montículo. A tensão do corpo sob o meu veio acompanhado do arquear fugidio de êxtase, espremido entre os lábios que a custo ela mantinha-se fazendo o mínimo de ruído possível.
Apoiei um braço próximo a sua cabeça, mudando de posição, deixando apenas uma perna entre as suas e a outra ao lado do seu corpo. Com a primeira, apoiei sua perna direita, fazendo com que abrisse e elevasse o quadril de forma sutil. Observando-me com os lábios entre os dentes de forma curiosa e visivelmente excitada e, ao mesmo tempo, sem saber o que viria a seguir.
Estava ficando cada vez mais difícil me segurar.
Inclinei sobre seu rosto, mordiscando seus lábios ao passo que deslizei a mão sobre seu corpo de forma lenta, fitando o rosto curvar em prazer quando, por fim, pude penetrar ao centro da sua carne úmida. O gemido veio arrastado e pressionado contra meus lábios, a cada rodopiar sobre o feixe de nervos e o estocar dos dedos. Não demorou para que o corpo agitasse a minha volta entregue ao prazer. Tornei a levar os dedos melados aos lábios, saboreando aquele gosto único. Apalpei a mão pela coxa direita e a trouxe para perto.
Entendendo onde eu queria chegar, deitou-se de lado ficando de frente para mim, com a coxa direita sobre meu quadril, passei uma perna entre as suas. Sem mais impedimentos eu a penetrei profundamente podendo ver de perto a feição turva de prazer. As unhas deslizaram por minhas costas enquanto a coxa apertava e incitava os movimentos. Seus olhos presos aos meus, assim como nossos lábios unidos, para que não houvesse testemunhas do que estava nos acontecendo. desfalecia envolta em uma nuvem de prazer e eu não estava tão distante. Levei a mão à junção dos nossos corpos e percutindo o clitóris enquanto eu estocava arduamente. O doce lamento aumentou contra meus lábios enquanto eu sentia o ápice brincando com os meus sentidos.
A respiração ainda estava vacilante, as bochechas rosadas e a expressão de puro prazer. Era definitivamente o momento mais lindo. Subi a mão pela sua coxa, deslizando pela lateral do corpo até chegar em sua nuca, procurei por seus lábios. Um sorriso acanhado surgiu antes de encontrar o meu, calmo e cálido explorei a maciez carnuda. Seu corpo movia suave, desvencilhado do meu, mas mantendo-se perto. Mordisquei o lábio inferior antes de me afastar e, aproveitando da proximidade, a abracei mantendo contra o peito.
– Eu deveria ir para o meu quarto – comentei em meio ao silêncio confortável e em resposta, ouvi o riso abafado.
– Eu não deveria fazer sexo aqui, e olha só – comentou, aconchegando contra meu peito, riu baixo.
– Acho que algumas regras foram quebradas –assentiu e beijei o topo da sua cabeça. – , vamos viajar?
– Viajar? – afastou-se para me olhar.
– Sim – retirei as mechas rebeldes do seu rosto. – Algumas semanas, apenas para relaxar e sair de cena por um tempo.
– Sério? – assenti e ela franziu as sobrancelhas. – Por quê?
– Porque eu quero passar um tempo com você. Longe desse estresse, de toda conversa e onde você possa descansar, sem pressão. – balançou a cabeça. – O que me diz?
– É uma proposta tentadora, muito. Vou pensar sobre isso, de qualquer forma, o plano só poderá ser executado depois de segunda-feira – assenti, e ela sorriu e logo ficou séria. – Brincadeiras à parte, você quer ir para o seu quarto, pode ficar à vontade.
– Não, quero ficar bem aqui – interrompi, trazendo-a para perto e pregando um beijo casto sobre os lábios. – Aqui está bem melhor.
– Certo – mordendo os lábios envergonhada, fitou-me por um instante antes de afastar-se, levantando da cama, e fez o gesto para que fizesse o mesmo, deslizou por baixo do fino edredom, cobrindo-se até o queixo. – Agora sim.
– Não – entrei embaixo do edredom e a trouxe para perto, como estávamos antes. – Melhor assim.
, você é engraçado – bocejou o comentário, escondendo o rosto contra o meu peito.
– Isso é bom ou ruim? – acariciei os cabelos, esperando resposta que tardou a vir.
– Ainda não decidi – respondeu sonolenta. – Quando souber, te digo – sorri satisfeito, aconchegando-a ainda mais em meu peito.
Esperei que ela caísse em sono profundo para me afastar e fitá-la, tínhamos tão pouco tempo juntos. poderia engravidar já nas primeiras tentativas e eu não teria outras oportunidades de estar junto a ela dessa forma. Acariciei as bochechas, deixando um beijo casto em seus lábios.
Que Deus pudesse me perdoar, mas eu a queria.
Não por um instante.
Não para uma transa.
Eu queria que aquela mulher fosse minha.
Minha para sempre.
Apertei o abraço e continuei dessa forma enquanto consegui permanecer acordado.



Capítulo 5

Abri os olhos encarando a parede no claríssimo tom de lilás. Pisquei lentamente para afastar o sono, e eu estava dormindo de conchinha. Como diabos eu havia me enroscado a ponto de terminar daquela forma?! Pior, nem se eu quisesse fazer algum movimento, eu poderia, pois estava literalmente presa pelo braço em minha cintura. E pelo jeito, era a única que precisava acordar. Pela forma cadenciada da respiração em minha nuca, já estava acordado, e não só ele.
A ereção estava me dando um bom dia alegre ao pressionar meu traseiro. Aquilo era bom. Não, aquilo era sensacional! Qualquer resquício de sono havia sido varrido do meu corpo e já sentia a excitação tomando conta de cada pedaço de mim. Fingi acordar naquele instante e espreguicei, fazendo questão de pressionar o quadril contra o membro. O gemido rouco veio tão rápido, quanto os lábios colados em minha nuca.
– algo naquele tom sussurrado me disse que eu não deveria ter começado aquela brincadeira, mas já era tarde demais.
A mão outrora na cintura, encontrava-se confortavelmente entre as minhas pernas, explorando de forma faminta enquanto os lábios em minha nuca, faziam o mesmo. Gemi seu nome descaradamente movendo o quadril contra a sua mão, ele era bom naquilo, muito bom.
Sentia meu corpo queimar e verter sob seus toques. Levei a mão aos seus cabelos, puxando enquanto mordia os lábios para evitar ruídos àquela hora da manhã. Sua mão livre esfregava meus mamilos intumescidos e já doloridos, soltei dos cabelos e agarrei o lençol. Os dedos deslizarem para dentro de mim e foi demais, deixei escapar um gemido mais alto. O riso sacana em meu ouvido foi a prova que eu estava pagando pelo que havia feito, mas não acabou ali.
Trabalhava de forma rápida e precisa, explorando e massageando dentro e fora de mim. O efeito circulava por meu corpo e a custo mantinha vontade de gritar a cada estocada dos seus dedos. Quase como se tivesse lido meus pensamentos sua mão tampou minha boca, arregalei os olhos e o fitei sobre o ombro. Seu sorriso foi tão sacana que por si só teve efeito sobre mim e me senti derreter, as próximas estocadas vieram rápidas e precisas, me levando rapidamente ao orgasmo. Gemi contra a sua mão e agradeci por ela estar ali em meus lábios. A situação, o sexo e aquela mão em minha boca, me faziam ficar ainda mais excitada.
Novamente minha perna estava sobre a dele e esta, entre as minhas, dedos deram lugar ao delicioso membro rígido. Empurrei meu quadril contra ele aprofundando o contato, sentindo-me completa. Deus, como era bom! Pendi a cabeça em seu ombro, aquele simples contato era simplesmente maravilhoso. Seus lábios distribuíam beijos e mordidas pelo meu pescoço e ombro. Vagarosamente, seu membro saía e entrava em mim, numa dança lenta e sensual contrastando com os dedos velozes em meu clitóris. Eu não sabia fazer outra coisa além de gemer por ele, contra sua mão e lutar com meu quadril, naquele instante ele era o mestre absoluto sobre mim, sobre a situação.
Os movimentos aumentaram e fogo líquido corria por minhas veias, transpirando por meus poros, me deixando insana. Eu sentia meu corpo curvar sob uma nova onda de prazer que eu relutava em ceder, pois eu o queria comigo, queria gozar o sentindo derramar dentro de mim enquanto estocava daquele jeito gostoso. Pendendo o seu corpo sobre o meu, seus lábios próximos ao meu ouvido, me deliciava com seus gemidos. Eu sabia que, pela rigidez do seu corpo e a firmeza da sua penetração, logo me encontraria e relaxei em seu corpo. Eu caía em um abismo de prazer, apenas guiada pelo som dos seus gemidos e o ritmo imposto sobre mim. Quando pensava em me recuperar, novamente ele me arrastava para o meio da tormenta, levando-me para junto dele, para outro orgasmo.
Os lábios pressionaram a pele da minha nuca e o mordiscar dos dentes causou um arrepio. O movimento suave dos dedos em meu braço estendeu-se até alcançar meu ombro, meu corpo agitou-se ao fugaz contato, sua respiração ainda estava tão irregular quanto a minha.
– Eu acho que agora não vai ter jeito, terei que ir – os lábios pressionaram meu ombro, assenti com um movimento de cabeça. Diante disso, recebi um beijo em minha bochecha e logo senti a cama pender.
Era natural me sentir abandonada ao ter meu corpo frio longe do dele? Rolei na cama e me aconcheguei ao edredom, observando o corpo esguio mover-se com graça felina.
– Por um acaso você viu minha boxer? – os músculos moveram-se enquanto ele voltou-se em minha direção, neguei com cabeça.
Me peguei cobiçosa ao querer estapear seu traseiro ao vê-lo abaixar e pegar sua calça. Em seguida vestiu a camisa, fechando apenas alguns botões. Em um bocejo esticou-se, e, atenta, o vi passar os dedos pelos cabelos, colocando um pouco de ordem na bagunça. Mordi os lábios para não rir quando o vi colocar o ouvido na porta, vendo se a passagem estava livre. Olhando por sobre o ombro, piscou antes de sair.
Cobri o rosto com o edredom abafando o riso. Certo, ele me fazia rir àquela hora da manhã. Não somente havia me dando um belo bom dia, como ainda me fazia rir. Abracei o travesseiro próximo, que por sinal era o dele, e permaneci ali. Querendo ou não, acima de tudo precisava esperar alguns minutos antes de levantar.

Vesti a primeira roupa que havia no guarda roupa, abençoando o pedido anterior da Sra. de não levar todas as roupas, escolhi um jeans surrado e uma regata branca. Dei um jeito na bagunça da cama e o vestido jogado no chão; a calcinha rasgada guardei dentro da clutch, antes que tomasse o caminho da boxer desaparecida.
Apesar de não estar nem próximo das nove da manhã, sabia que mamãe devia estar em algum lugar da casa e queria passar um tempo com ela. Ainda pensativa sobre a boxer perdida, cheguei a cozinha.
– Bom dia, vovó NamKi – cumprimentei a velha senhora com um beijo no rosto, ela já estava com os antes mesmo de eu chegar.
– Acordou cedo, , sente-se e coma alguma coisa – a esperta senhora já me empurrava em direção à mesa.
– Agora não, querida. Diga-me vovó, a Sra. YoungMi está lá fora? – escapei das mãos enrugadas e, dando-lhe um beijo na bochecha diante do aceno afirmativo, escapei pela porta dos fundos.
Alguns passos por entre o bem cuidado jardim, pude avistar a bela senhora, concentrada em cuidar de um canteiro de tulipas.
– Mamãe, bom dia – sentei ao seu lado.
– Bom dia, minha criança – recebi um beijo na bochecha e sorri. – Passei pelo teu quarto para te chamar para me ajudar com as tulipas, mas você estava um pouco... ocupada? – meu rosto estava prestes a explodir com tamanha quantidade de sangue acumulado no mesmo lugar.
– Sobre isso… – ela riu divertida do meu constrangimento, e eu só fiz olhá-la de boca aberta.
– Quem pode culpá-la? Eu também não resistiria – eu arregalei os olhos e ri sem jeito, YoungMi riu ainda mais. – Ele é um charme, .
– É sim, mãe – dei risada, relaxando ao lado dela, nunca achei que ouviria um comentário desses vindo da minha mãe.
Ali estava uma mulher que poderia me surpreender a qualquer momento do dia, semana, mês e ano. Deixando as luvas de jardinagem de lado, assim como os utensílios, olhou-me com atenção.
– Conte-me, como tem sido para você essa experiência? – o sorriso em meu rosto foi sumindo aos poucos e logo estava séria.
– Estressante. Diferente. Irritante e prazerosa? – enruguei o nariz na última palavra e ela assentiu com um meio sorriso.
– YunHee comentou que vocês fariam os exames e sobre as tentativas.
– Fizemos os exames antes de ontem, estamos esperando os resultados e a senhora já sabe sobre a parte das tentativas. Aquela mulher não consegue manter a boca fechada – comentei um tanto amarga, arrancando uma planta seca.
– E você não gosta disso – balancei a cabeça em concordância girando o caule entre os dedos. – Você nunca gostou de se expor, sempre guardou seus sentimentos longe de todos. Sempre. Mas guardei a esperança que você pudesse vir até mim e conversar. Nunca me passou despercebido os problemas que você enfrentou na sua adolescência, – voltei-me em sua direção a tempo de ver a agonia nublar a íris castanhas. – E o porquê de você repudiar tanto comentários, conversas ou qualquer falatório, seja ele de quem for – assenti olhando para um ponto distante no jardim.
– Ele me convidou para viajar – observei a planta em minha mão, pelo menos o que sobrou dela – Algumas semanas, dias ou algo assim. Só nós dois.
– Você quer ir? – para qualquer espectador teria passado despercebido, mas alguns anos ao lado daquela sabia mulher me fez notar o prazer escondido na simples pergunta.
– Qual é o ponto? – estreitei os olhos fitando-a, não se fez tola, muito menos se constrangeu ao ser pega no flagra.
– Ele é diferente – perscrutou meu rosto, estreitando os olhos. – Diferente de todos aqueles babacas que já foram seus namorados e que nem ao menos eram dignos de você – concordei em silêncio. – Eu respeito e sempre respeitarei seu casamento, mas gostaria que você tivesse tido a oportunidade de ter conhecido o que eu tive com o seu pai. E eu sei que ele seria o homem certo para você – seus dedos tocaram meu rosto e sorriu gentil. – O amor não é definido pelo gênero de quem o sente, ele está aberto a todos e gostaria que você pudesse saber que existem homens, e homens de verdade que honram o que levam entre as pernas, que respeitam uma mulher como ela deve ser respeitada – vi os ombros encolherem. – Queria ter tido a oportunidade de entregar a minha filha, como fizemos com a ontem.
– Mãe – segurei as mãos e as acariciei. – Ele é uma boa pessoa, quem sabe em uma outra época. Talvez, apenas não era para acontecer – beijei ambas as mãos. – De qualquer forma, se der certo, ele vai estar na família e será o pai do meu filho, se serve de consolo – ela fez uma careta e eu ri. – E quanto à cerimônia, eu não gosto dessas coisas.
– Eu sei – escondeu uma careta de desagrado em um sorriso discreto. – Quem sabe as voltas que essa vida dá, minha filha – sorri balançando a cabeça.
– Eu sou casada. Amo a minha esposa, apesar de querer matá-la, às vezes – fiz uma careta. – Vamos entrar que toda essa conversa me deixou com fome.
– Conversa, ? – fitou–me de soslaio. – Sei, essa juventude sempre mudando o nome das coisas. Eu diria que isso é exercício matinal com um certo rapaz.
– Mãe?! – estava novamente vermelha, eu olhei para a mulher de cinquenta e cinco anos, que naquele instante parecia uma menina de quinze anos, que ria e me azucrinava como se fosse minha melhor amiga, a qual eu nunca tive.
Fui surpreendida por uma leve ardência no nariz e um belo nó na garganta. Pisquei rapidamente parando bruscamente de rir. Ela esteve o tempo todo ali, não é? Como eu não havia percebido?!
, tudo bem? – olhou-me preocupada por sobre o ombro quando notou que eu não a acompanhava.
– Tudo, tudo sim, mãe – engoli o nó em minha garganta e pisquei várias vezes para afastar a ardência, alcancei-a em seus passos e deixei um beijo em sua bochecha. – Vamos.
– Bom, mas eu ainda acho que deveríamos sair nos próximos dias e ir às compras – ergui as sobrancelhas e ela piscou esperta. – Antes da sua viagem, tem uma loja nova de lingerie aqui perto.
– Eu nem mesmo disse que vou – ergui as sobrancelhas e ela sorriu travessa, balancei a cabeça deixando escapar um suspiro resignado ao ouvi-la empolgada.
Automaticamente retardou os passos e segui seu olhar alegre a tempo de ver e o chefe da família sentando-se à mesa posta no deck, próximo à cozinha.
– Ele combina com a nossa família- – ouvi o sussurrar alegre. – Flower Boy, minha filha – comentou num tom cúmplice.
– Mãe, está vendo doramas, não é? – perguntei, antevendo a resposta, e ri ao vê-la saltitar apressada em direção ao deck, e o pior, havia me deixado para atrás! Ok, ele havia ganhado mais uma fã. Fiz uma careta e segui para o lugar onde eles estavam.
– Dormiu bem, filha? – deixei um beijo na bochecha do velho e sentei ao seu lado.
– Sim, pai – lancei um olhar para o outro lado da mesa, foi o que bastou para sentir o calor correr em minhas bochechas, dona YoungMi não perdeu a chance.
– Filho – arqueei as sobrancelhas em direção a ela. – Dormiu bem, querido?
– Muito bem, não poderia ter dormido melhor – fingi que não sabia de nada e me servi de chá.
– Pai, cadê os meninos? – deixei que a outra banda da mesa conversasse entre si e voltei minha atenção ao mais velho.
saiu cedo para comprar o presente da sogra, quer ele mesmo entregar em mãos. – balancei a cabeça tomando um gole do chá. – JunSu tinha treino marcado e saiu cedo, acredito que antes do almoço está de volta. – em outras palavras, seria apenas nos quatro até que o caçula chegasse. – Se você não se importar, gostaria que me ajudasse com alguns arquivos, ainda não entendi esse negócio de deixar tudo na nuvem.
– Claro. – ri baixo e cheguei mais perto. – Se sairmos agora, ninguém vai notar.
Apontei disfarçadamente para os companheiros de mesa, entretidos conversando. Afastei minha cadeira devagar e, pegando minha xícara, levantei na ponta dos pés, sendo seguida pelo mais velho. Sorrimos cúmplice ao passar pela porta de vidro, ele piscou maroto e fiz o mesmo.
– Sabe que sua mãe está apaixonada por esse rapaz? – comentou enquanto seguíamos em direção ao escritório.
– Sra. Young Mi me disse algo desse tipo. – sorri ao abrir a porta do escritório e entrei – Mas me diga, como posso te ajudar, Sr. ?

Após o almoço ela havia subido em companhia do irmão e eu observei pela milésima vez a porta. estava demorando ou era apenas impressão minha? Me esforcei para acompanhar a conversa, mas estava um tanto distraído para o fazer com eficiência. Pedi licença e subi as escadas de dois em dois. Eu estava me tornando um tanto paranoico, o que era extremamente ridículo. Não havia necessidade. Parei diante da porta entreaberta e pude ouvir a conversa. Isso sim é ridículo, ralhei comigo mesmo, mas ainda assim não me distanciei.
– … tudo bem em ter uma namorada, mas trocar as belas lingeries por uma boxer não é um pouco demais? – paralisei diante da porta entreaberta, vi minha boxer ser rodada com um certo ar de troça nos olhos atentos do mais novo.
– Não, o que você tem a ver com isso? – as unhas coloridas agarraram o tecido da boxer, segundos depois a vi passar dobrando a peça. – Saiba que ela é mais confortável do que aquele pedaço de pano transparente que você ganhou. Não me esqueci desse detalhe. – ouvi um ruído contrariado vindo do rapaz e ela riu.
Touché! – erguendo as mãos, o rapaz afastou do meu campo de visão.
– Eu só não sei como você conseguiu guardar tudo isso dentro daquele pedaço de tecido, até onde sei, aquele trapo não daria conta. – encostou-se contra o móvel guardando a peça na clutch.
Tudo isso? Não daria conta? Mas que diabos estava acontecendo ali?! Cerrei os punhos sentindo uma gama de raiva passar pelo meu corpo, provavelmente eu estava levando pelo lado errado da situação.
– Não acredito nisso! – ouvi o barulho de passos perto de onde estava e instintivamente dei um passo atrás. – Deus, não me diga que isso é o que eu acho que é.
– Droga! – o som esganado veio de , dei um passo em frente, ela estava rubra até a raiz dos cabelos, tentando retirar a clutch das mãos do rapaz.
– Se essa é sua lingerie, aquela boxer era… Argh! Que nojo, !
– Me devolva já isso!
– Não me diga que você é esse tipo de garota, .
– Cale essa boca e me devolve isso, já!
– Sabia que ela está rasgada?! Você nunca me disse que gostava de coisas mais rudes!
Definitivamente eu não tinha ideia da relação entre os dois, ou melhor, a única coisa que me passava pela cabeça naquele instante era as mãos do mais novo sobre as minhas curvas e rosto feminino turvo em meio ao prazer.
Aquilo não estava certo, eram as minhas curvas. Minhas.
– Eu gosto, ok? Agora me devolve isso – ouvi os passos distanciarem-se de onde eu estava e o barulho da risada rouca do rapaz.
Não podia esperar um minuto a mais e escancarei a porta do quarto a tempo de ver os dois caírem na cama, numa massa de braços e pernas, a essas alturas a clutch havia se perdido pelo meio do caminho e ambos riam. Lá estava ela. Aquela dorzinha irritante no meu âmago, também conhecida como ciúme, ao ver o rapaz descansando o rosto próximo ao pescoço dela e suas ligeiras mãos traçarem caminhos enquanto ele fazia cócegas. Não estava certo. Não mesmo.
– Isso não tem graça – a voz falhou entre o riso e, tentando afastar as mãos masculinas do seu corpo, ergueu a cabeça e me viu ali parado. – !
A brincadeira terminou assim que o outro fitou-me por sobre o ombro. Cerrei os punhos, caso contrário daria um belo soco no rosto delicado do rapaz e, Deus! Eu adoraria fazer aquilo e ver o sangue jorrar. Mas o fato é que, não teria uma explicação plausível para aquele ato. Restringi meu movimento a encarar o infeliz que tinha ousadia de tocá-la de forma inapropriada. Eu podia resumir meu estado em um belo afundar de ciúme, caos e uma puta vontade de deformar a cara do outro. Eu precisava sair dali o mais rápido possível. E claro, levá-la comigo.
– Pronta? – não voltei a fitar o rapaz, pois, se o fizesse, no mínimo ele sairia dali sem um par de dentes e iria diretamente para o pronto socorro mais próximo.
Ok, onde estava a calma de sempre?
– Sim – deu um dos seus belos sorrisos para o rapaz e levantou da cama. – Só preciso pegar minha bolsa.
Assenti e, sem olhar para trás, deixei o recinto. Desci as escadas e encontrei os anfitriões ao pé da escada, fazendo o caminho inverso.
– Foi um prazer sem tamanho tê-los conhecido – disse de forma sincera. – Tenho certeza que foi feliz em achar uma família como a de vocês.
– Gentileza de sua parte, meu rapaz. – Sr. estendeu sua mão e aceitei o cumprimento.
– Vocês já estão indo? – YoungMi deixou que leve traço de tristeza cruzasse seu rosto ao encostar o mesmo no ombro do marido.
– Sim, mas não se preocupe, logo estaremos de volta. – um ar de riso envolveu o rosto da mais velha.
– Vou esperar por vocês. – dessa vez ela não impediu que um sorriso esperto brotasse em seus lábios, lançou-me uma piscadela.
Eu estava perdendo alguma coisa?
– Estou pronta. – passou por mim indo cumprimentar os pais com um beijo em cada face, recebendo em resposta um abraço de ambos; não fiquei imune e logo estava recebendo um caloroso abraço de ambos.
– Vejo vocês em breve. – acenei para ambos ao sair pela porta da frente da casa.
– Eu não quero ir para casa. – murmurou em minha direção para que os pais não ouvissem.
– Tem algo em mente?
Abri a porta do carro para que ela entrasse, um assentir de cabeça e os olhos brilhantes eram a resposta que eu precisava para saber que ela já tinha pensando em algo. Dei a volta no carro e tomei meu lugar, ajustei o cinto e circulei a fronte da casa, para fora dos portões.
– Para onde iremos? – a fitei por um instante e voltei a prestar a atenção ao trânsito.
– Isso é segredo. – voltei a fitá-la e sorriu misteriosa – Mas precisamos passar em casa para buscar uma muda de roupa para você e pegar algumas coisas.
– Estou curioso sobre isso. – comentei e ela sorriu, desviando o olhar para janela.
– Espero que você esteja disposto para uma pequena mudança.

Já em casa, estava tão habituado com aquela residência que já me referia como sendo casa, minha casa. Peguei a mochila e joguei algumas peças dentro e desci as escadas. havia me dito para procurá-la na garagem e foi o que eu fiz. A encontrei debruçada sobre a moto vistoriando os alforjes. A roupa despojada de antes havia ganhado algumas peças adicionais, uma bota de cano alto e uma jaqueta preta de couro. Movendo-se um pouco mais a frente, e em consequência empinando mais o traseiro apertado no jeans, parei de caminhar observando a bela cena, podia tomá-la ali mesmo e o faria com imenso prazer. Rangi com o pensamento e, infelizmente, anunciando minha presença.
– Aí está você, pronto? – voltou-se em minha direção e deixei um olhar percorrer contra o decote da regata e a lingerie escura sob o tecido branco.
“Minha querida, eu estou pronto a qualquer momento.” Guardei o pensamento e venci a distância entre nós.
– Sim, mas vamos onde? – olhei em volta procurando por outro carro.
– Na Candy – sorriu largo, alisando a moto com visível carinho.
– Desculpe? – olhei dela para a moto e fiz o caminho inverso, indo do objeto para o rosto orgulhoso.
– Você tem medo de motos? – considerou a ideia por um momento, murchando ao fitar a Candy. Ao negar com um gesto de cabeça, ela sorriu – Ótimo! – passou a perna sobre a moto e a montou com precisão, em seguida retirou o suporte e fitou-me ansiosa – Suba.
– Pule para atrás – disse e a vi escancarar a boca – O quê?
– Meu querido, você deve estar entendendo errado, eu não sou e nunca fui a old lady de ninguém. Hoje, você será meu old boy – sorriu largo.
– Não – neguei enquanto guardava minha mochila no alforje vazio e me endireitei a fitando.
– Você tem medo que eu conduza? – estreitou os olhos em minha direção.
– Isso nem me passou pela cabeça – foi a vez de ela cruzar os braços e me encarar.
– Qual o motivo para a sua recusa em estar em minha garupa? Vamos lá, me dê um motivo convincente – não pude deixar de notar as coxas deslizarem sobre o banco de couro e segurar a monstruosidade como se não fosse nada, eu tive inveja da moto; os braços cruzados apenas ressaltavam os seios fartos, mantinha um olhar firme em minha direção.
– Sinceramente? – confirmou com um gesto de cabeça. – Ir nessa posição não seria um incômodo apenas para mim, mas a você também. Não será fácil manter meu pênis duro longe desse seu traseiro apertado nesse jeans, provavelmente causaria algum tipo de acidente. A única coisa que me vem à mente em estar nessa posição é ter você nua e eu firme, cravando em você, vendo o balanço gostoso do seu vai e vem.
A resposta franca a chocou, arregalando os olhos e deixando o queixo cair, suas bochechas se punham tão rubras que, sem uma palavra, deslizou para a parte de trás da moto e logo metia o capacete sem argumentar.
– Você está uma coisinha gostosa em cima dessa moto. – retirando o segundo capacete do guidão, o coloquei enquanto murmurava.
Subi na moto e a liguei, deixei que o ronronar rouco da moto tomasse conta de cada parte de mim, mantinha um sorriso satisfeito ao sentir o vibrar da máquina capturar cada parte do meu corpo. Fitei sobre o ombro, não só estava olhando para o lado, como a uma distância de mim. Um sorriso sacana cruzou meus lábios, o movimento brusco a trouxe para frente, colando contra minhas costas, pude sentir cada parte do corpo feminino, suas mãos agarraram minha cintura com pressa.
– Cuide da Candy ou eu arranco as suas bolas – sua voz soou abafada dentro do capacete – Pegue a próxima saída à esquerda.
Tenho outros planos para as minhas bolas, e cortá-las não é uma delas. Tive o cuidado de deixar aquele pensamento oculto e assenti acelerando para longe da garagem.

Paramos em frente ao prédio antigo dei uma boa olhada no lugar, por outro lado, já havia retirado seu capacete e desmontado da VRod, sorria olhando o edifício numa postura orgulhosa.
– Este é um terreno neutro, a batcaverna, o olho do furacão, o ponto onde tudo começa – deixou o capacete no guidão. – Bem-vindo ao centro de operações , venha por aqui, meu nobre jovem.
– E a moto? – a fitei espantado enquanto ela saía sem olhar para trás.
– Eu disse que era um centro de operações, foi por um motivo – piscou por sobre o ombro, mal havia subido dois degraus e a porta de vidro foi aberta. – SeungRi! – correu para o rapaz de braços abertos e o abraçou. – Quando você chegou?
– Ontem à noite, você veio me ver, não foi? Hum? – sorriu a fitando os pés à cabeça. – Sentiu minha falta, né? Fala princesa, eu sei que sim. – ela sorriu o empurrando de leve.
– Claro, como eu ia viver minha vida sem você? – riu zombeteira depositando um beijo na bochecha do tal SeungRi.
Candy! – ele praticamente gritou pulando os dois degraus e vindo em minha direção, dei um passo para o lado erguendo as sobrancelhas. – Minha linda, por onde você andou? Senti sua falta!
– Vida injusta essa, trocada por um VRod voltou o caminho, parando ao meu lado.
– Ah princesa, não posso resistir a toda essa potência e você já é casada, mas essa aqui não. – terminou alisando a moto.
– Ei! Eu tenho caso de amor com ela, viu?! Nada de ficar namorando minha Candy. – deu um peteleco na mão do rapaz e este rapidamente a retirou, fazendo uma cara de desolado – Agora venha aqui. – esperou que o rapaz se aproximasse e olhou para mim. – SeungHyun, este é o , meu amigo. Este pentelho aqui é o SeungHyun, . – estendeu a mão em minha direção, aceitei o cumprimento do rapaz.
– Olá, nem precisa falar que é seu amigo, eu imaginei que fosse. – ela riu e balançou a cabeça – Ou as regras mudaram?
– Continuam as mesmas. – piscou em direção ao rapaz – Pode dar a chave a ele, . Vou passar a noite aqui, qualquer coisa grite, ok?
– Posso dar uma volta com ela? Senti tanta falta. – alisou novamente o couro.
– Pode, mas tenha cuidado, ok? – ele assentiu e ela sorriu, girando os calcanhares – Cuidado, Sra. Lee me mata se algo acontecer com você. – disse sobre os ombros.
– Pode deixar. – o garoto sorriu, montando sobre a Candy.
– Ele vai me deixar de cabelos brancos. – resmungou, abrindo a porta do prédio. – Sr. Lee, como vai? – parou um instante para cumprimentar o mais velho.
– Menina , como está? – o senhor deu a volta no balcão e veio para cumprimentá-la.
– Muito bem. – abraçou carinhosamente o mais velho.
– Vai passar a noite? – assentiu sorrindo – Os meninos não virão hoje?
– Não, JunSu ia sair com o time e está com a noiva. – diante do olhar espantado do outro, ela se apressou a explicar – Foi uma surpresa para nós também, mas o nosso menino cresceu. – sorriu orgulhosa – Ela é uma boa moça, por sinal, esse é seu irmão, .
– Por favor, cuide bem do nosso rapaz. – disse, fazendo uma leve inclinação, fiz o mesmo diante do mais velho.
– Pode deixar. – fiz um movimento afirmativo com a cabeça.
– Está tudo certo lá em cima, Sra. Lee passou por lá ontem, até parece que ela estava adivinhando que você viria.
– Não duvido dos poderes psíquicos da Sra. Lee. – sorriu acenando, indo em direção ao elevador.
– Regras? – perguntei, a seguindo para dentro do elevador.
– Como eu disse, esse é um lugar apenas para os e amigos, não são permitidas namoradinhas de fim de semana, nem namoradas, muito menos esposas e esses tipos de coisas. Nós criamos, melhor dizendo, ganhamos esse espaço dos nossos pais, apenas para nós. – sorriu largo e baixou o tom de voz – É um lugar secreto.
– Sério? – fez um movimento afirmativo.
– Não pode contar para a também, ok? – concordei e ela sorriu – Como você é meu amigo, você pode vir sempre que quiser.
Outch! Escondi o desagrado da frase e lhe sorri. Quinze andares depois, saímos no hall do apartamento.
– Já estava com saudade desse lugar.– murmurou enquanto retirava de qualquer jeito as botas e saía descalço, logo sumiu da minha vista indo corredor adentro. A segui e com surpresa me deparei com o design aberto do apartamento, cercado por vidro e cortinas. Sorri do jeito moleca de subir no sofá pelo encosto e novamente a tive fora da vista, circundei o espaço e a encontrei deslizando pelo sofá em busca do controle. – Se jogue por algum lugar, fique à vontade – girou sobre o couro negro e apontou em direção ao discreto aparelho de som localizado na parede em frente. – Vamos ver se eu tenho sorte.
Um sorriso se fez presente nos lábios femininos ao soar Bon Jovi em alto volume, ajeitando a almofada mais próxima sob a cabeça, relaxou cruzando as pernas, balançando o pé no ritmo da música. A deixei em seu momento e saí olhando em volta.
Era visível que mais de uma pessoa havia decorado o ambiente, apesar de este ir do clássico ao despojado, a decoração era simplesmente marcada por traços que garantiram a diferença entre as pessoas que ali moravam, dando um toque pessoal a cada lugar. Me afastei um pouco indo observar a divisória do ambiente, a qual mantinha retratos dos irmãos, em diversas fases da vida, e como anteriormente havia dito, era um ambiente para eles, levando em conta que havia apenas uma foto de família e o resto, marcando o passar dos anos dos três.
O brilho negro chamou minha atenção, por vida própria meus pés me levaram até o objeto projetado próximo ao canto do cômodo. O velho formigar tomou conta dos meus dedos ao deslizar sobre a superfície lisa da peça. Ergui a tampa e ajeitei o banquinho em frente às teclas brancas e pretas, sentei sobre o veludo macio e alonguei os dedos. Testei acordes correndo sobre as teclas e deixei que um suspiro profundo escapasse.
Agora as notas corriam soltas e a melodia tomava forma diante de mim, o frisson tomava conta e me vi absorto, envolvido pela delicadeza e suavidade, quase se como as notas escapassem por meus dedos e viessem em meu encontro, recebendo-me com um oi saudoso. Como eu sentia falta daquilo, de tocar. De ser consumido pela beleza dos acordes, um atrás do outro formando um outro ser além de mim. Minhas composições partiam de mim até o objeto a minha frente, tornando-se apenas um.
Acompanhei os acordes em tom baixo, aquecendo a garganta, saboreando a doce melodia, aquecendo meu corpo, levando-me a outro patamar. Sentia como se os últimos anos não houvessem existido, que nunca havia me separado do piano. Voltamos naquele momento, a ser uma só alma. Aquela parte de mim que ansiava por música e pela sua libertação, gozava do mais puro e sincero regozijo naquele instante. Um momento para respirar livremente. Para ser quem eu sempre quis ser.
– Eu não sabia que você tocava e cantava – o sussurro ecoou por sobre meu ombro e abri os olhos, dando conta que a música havia parado e, agora, apenas o silêncio reinava ali, passos abafados pararam ao meu lado.
– Algumas vezes – respondi fechando a tampa, sua mão parou meu movimento e a fitei.
– Pode tocar mais alguma coisa? – sua voz soou incerta – Claro, apenas se você quiser. – deu um passo atrás, afastando sua mão.
– O que você gostaria? – segurei sua mão e me afastei no banco, fazendo com que ela sentasse ao meu lado.
– Algo seu. – sua voz soou quebrada, incerta – Que você se sinta à vontade para compartilhar, eu tenho certeza que vou gostar.
– Certo. – sorri, sentindo a estranheza gostosa pelo interesse em ouvir algo da minha autoria – Essa música eu escrevi quando eu avistei uma moça, diferente de todas as outras que já conheci.
– Era sua namorada? – ela abriu os olhos, visivelmente curiosa.
– Namorada sim, mas de outra pessoa. – lhe sorri, voltando a dedilhar as teclas – Eu apenas a observava de longe.
– Oh, Deus! Você é um stalker, ?! – olhou-me com falso espanto, levando a mão ao peito.
– Só com moças bonitas – entrei na brincadeira, riu, pisquei. – Walk With Her in The Spring.
Anunciei o título da canção, assentiu e ficou em silêncio, respirei fundo disfarçadamente e comecei com as notas. Alonguei e caprichei um pouco mais na introdução, apenas para me acalmar, era a primeira vez que iria tocar aquela música e justamente para quem havia provocado a minha inspiração.
Na primavera anterior, ao receber notícias da YunHee, abri o anexo e me vi diante da cena simplesmente estonteante. Alheia ao click, estava sentada embaixo de uma arvore, seu olhar estava distante, os lábios levemente curvados, entre o riso caloroso e misterioso. Provinha felicidade, em paz. Naquele dia as horas demoraram a passar, os processos pareciam ser uma coisa só e definitivamente não sabia o que continha neles. Estava preso apenas a melodia que me rondava a cada instante que recordava da bela figura. Entregue ao desejo profundo de colocar em pratica o que me ia na alma, diante do olhar pasmado de todos no escritório, abandonei o lugar e fui para casa.
Cantei como se a minha vida dependesse de cada nuance da música, entreguei-me a ela quase como um último suspiro. Dando tudo de mim para que saísse perfeita, que despertasse a emoção que aquela música me trazia. Quando por fim descansei as mãos sobre o colo e a fitei, parecia estar encantada, havia um brilho sonhador em seus olhos, um suspiro tremulava em seu peito.
– É linda, .
Balançou a cabeça devagar, quando novamente me fitou, foi como se estivesse diante da imagem. Se na foto estava deslumbrante, pessoalmente eu me sentia enfeitiçado pela expressão sincera dos seus sentimentos em relação ao que havia ouvido. Superando a vontade de tê-la em meus braços e descansar os lábios sobre os dela, assenti agradecendo em silencio.
– Você devia ou deve gostar dela?
– Gosto. – abriu a boca, olhando-me espantada.
– Gosta?! Ai, meu Deus, você tem que me contar sobre ela. – levantou do banco e fez um movimento para que eu a seguisse – Quero saber tudo sobre essa moça.
– Você quer? – ergui as sobrancelhas, acompanhando-a em direção à cozinha do apartamento; ressentido pelo fato de não se importar e ainda querer saber sobre a outra garota. Mesmo que, nesse caso, a garota sendo ela mesma.
– Claro! Faz tempo que tivemos uma refeição, . Enquanto eu cozinho, você vai me contar sobre essa moça.– esfregou as mãos, visivelmente ansiosa. – Você ainda gosta dela?! – voltou-se em minha direção quando demorei para responder – Não precisa ficar tímido sobre isso, rapazes geralmente não gostam de falar sobre isso com qualquer pessoa, mas tendo em vista que compartilhamos a cama, isso não é exatamente estranho, não é? Podemos falar livremente sobre o tema, o fato de que não estamos envolvidos emocionalmente deixa o assunto ainda mais fácil. – segurando pelos meus ombros, direcionou-me para a banqueta da ilha que dividia a cozinha da sala. – Tenho a sensação que estou conversando com um dos meninos. – sorriu, batendo palma animada.
– Sempre conversam sobre isso? – assentiu enquanto olhava para os itens da geladeira. Ok, além de me ver como um amigo, ainda me via como seu irmão?! Eu não estava acreditando, tentei ir por outro caminho – Você tem uma relação bem próxima dos seus irmãos.
– À medida que fui crescendo, fomos nos tornando muito próximos, eles são os únicos amigos que eu tenho. – sorriu colocando alguns legumes e vegetais no balcão – Falamos sobre tudo, sem exceção e sem vergonha. Acho que é isso que irmãos fazem, né?
– Na maioria dos casos, sim. – a vi debruçar sobre o balcão e apoiar o queixo nas mãos – Você está esperando eu responder. – sorriu e eu suspirei. – Você não vai deixar o assunto ir? – negou novamente com um sorriso largo, bufei resignado – Sim.
– Isso é demais! Mas você disse que ela namorava outra pessoa, é seu amigo próximo?
– Sim, de novo. – me ajeitei no lugar e a fitei.
– Por causa disso você se mantém afastado, para não atrapalhar o relacionamento de ambos. – concordei e ela suspirou endireitando-se – Você realmente deve gostar dessa moça. , você é uma boa pessoa. – fiz um meneio com a cabeça – Como ela é? Digo, quanto pessoa.
– Linda. – ela me olhou curiosa, começando a mover-se pela cozinha, voltando à geladeira e em seguida ao micro-ondas para descongelar a carne – Interessante, uma mulher que eu gostaria de passar o resto da minha vida. Acredito que, com ela ao meu lado, minha vida não seria tranquila.
, isso é um elogio?! – riu, abrindo uma gaveta à esquerda do balcão, retirando de lá uma garrafa de vinho tinto e o saca rolhas.
– Vinho? – franzi as sobrancelhas e ela deu de ombro.
– Um cálice não fará mal, esse assunto está pedindo um bom vinho. – deslizou ambos em minha direção, em seguida alcançou duas taças – Sim, ele está gelado. – notando meu olhar curioso, continuou – Cada um tem a mania de guardar o saca rolhas em um lugar diferente, é uma luta para achar, decidimos por bem deixar junto ao vinho na gaveta climatizada.
– É uma boa ideia. – abri a garrafa e despejei o conteúdo nas taça – Sim, , era um elogio à moça, nunca cairíamos na rotina.
– Vendo por esse lado, um brinde a nunca cair na rotina. – assentiu batendo as taças.
– Você teve outros namorados antes da YunHee. – ela fez uma careta – Como era a relação deles com seus irmãos?
– Não era. – deu de ombros.
– Eles não aprovavam? – a observei lavar os alimentos um tanto pensativa.
– Também, mas eu não era boa escolhendo rapazes. YunHee é o mais próximo do acerto que eu pude ter, e olha que ela ainda me deixa louca. – revirou os olhos – Meus irmãos deixavam claro que não aprovavam, mas também não eram do tipo que interfeririam de forma direta. Sempre fui livre para fazer minhas escolhas, claro que isso não impediu que ambos quisessem matar um ou outro, por causa do meu erro.
– Você discutia seus namoros com eles? – agora ela mantinha-se picando de maneira precisa os legumes.
– Sim, temos um relacionamento aberto, como disse. – sorriu esperta – Se essas paredes pudessem falar, , elas contariam casos de nós três.
– Mais cedo ouvi uma parcela da sua conversa com seu irmão. – disse de maneira despreocupada – Vocês também discutem sobre sexo livremente?
– Isso nunca foi um problema entre nós, temos esse tipo de conversa quase sempre. – respondeu com simplicidade – é um pouco mais reservado, mas sempre deixa escapar alguma coisa, quanto ao JunSu, falamos livremente.
– Você e JunSu, relacionam de uma maneira mais próxima... – me estiquei na cadeira, fitando-a detidamente, fazendo questão de deixar a frase no ar e pender para uma insinuação perigosa.
– Ei! Não tenha ideias erradas sobre isso. – seu rosto estava tingido de vermelho ao me olhar – Não vou negar que tanto , quanto JunSu são homens quentes, mas não temos esse tipo de vínculo. Argh! – fez careta – Não somos de sangue, mas eles ainda são meus irmãos.
– Estou brincando, , não precisa ficar vermelha. – quase pude respirar aliviado diante do ultraje em sua resposta.
– Você não deveria provocar uma mulher armada, Sr. .
Apontou e balançou a faca em minha direção, ergui as mãos em rendição e ela sorriu belicosa. Logo colocou o que havia picado em uma panela, salpicando um pouco de sal e temperos variados, os deixando fritar levemente em azeite.
– Quanto aos seus parceiros, como eles eram, sexualmente?
– Viemos aqui para falar da sua menina e agora já estamos falando de sexo, como chegamos nisso? – completou a panela com água, puxou uma banqueta para o outro lado do balcão e, novamente munida da faca, colocou-se a picar a carne anteriormente descongelada. – Você é esperto, mocinho.
– Um pouco, como você mesma disse, isso não é um problema para nós. – usei de suas palavras, preenchendo a taça dela mais uma vez.
– Era um misto de desilusão e chatice sem fim? – bebericou me fitando por cima da taça – Deixando sempre algo a desejar. – comentou pensativa, voltando a atenção para o que estava fazendo – Tínhamos esse tipo de relacionamento. Acho que a companheira deles não era alguma coisa também.
– Não acredito nisso. – me chutei internamente pela maneira agressiva que tinha dito, ainda mais por vê-la fitar-me interrogativa – Pelo que escutei anteriormente, você gosta de coisas mais animadas, não vejo como isso pode ser ruim em uma parceira.
– Você realmente ouviu sobre isso. – seu rosto estava levemente corado, estava visivelmente sem graça ao afastar o cabelo do rosto – Na realidade, nunca cheguei a discutir com nenhum deles sobre esse tema. Também não quer dizer que nunca tentei algo com YunHee, sempre damos um jeito de inovar.
– Mas sempre tem aquele sentimento de falta? – a observei franzir levemente a sobrancelha enquanto fitava a taça.
– Talvez, algo assim. – desceu da banqueta e circulou pela cozinha pegando uma frigideira.
– Além de um lar carinhoso, nosso filho terá uma mãe que sabe cozinhar, isso está cheirando muito bem. – mudei de assunto diante do desconforto dela.
– Em alguma coisa eu tenho que ser boa. – piscou, bravamente sorrindo, mas não antes que pudesse captar uma certa melancolia em sua frase.
– Em alguma coisa? – repeti, dando a volta no balcão e a afastando da larga frigideira, me ocupando do trabalho de preparar a carne – O que você quer dizer com isso?
– Eu acho que você é tímido, , novamente você disfarça e muda de assunto, para não falar sobre a sua moça misteriosa. Aliás, você ainda não me disse o nome da sua escolhida. – não era o único a mudar de assunto rapidamente, precisava investigar o que ela queria dizer. Fui salvo pela campainha do apartamento e um grito vindo da porta – Entra! – quase me deixou surdo ao gritar.
– Com licença. – o rapaz de mais cedo, SeungRi, estendeu um pote retangular em nossa direção – , o pai mandou para vocês, um pouco de kimchi.
– Eu adoro o kimchi da sua mãe. – pegou o pote, já abrindo o mesmo, beliscou o petisco com o auxílio do jeotgarak. – Está delicioso! Prove um pouco, . – estendeu-me e pude comprovar o porquê da alegria da em degustar daquela iguaria – Gostariam de subir e jantar conosco?
– Com dor na alma, terei que recusar. Vamos na tenda da rua de cima para comer doejigalbigui e soju – acenou, dando uns passos atrás, fitando-me por um instante.
– Quem sabe na próxima, agradeça sua mãe por mim quando a ver. – acenou e balancei o jeotgarak para ele, tinha a boca cheia – Me dá isso aqui, senão você comerá tudo antes do jantar.
– Eu não tenho culpa, isso é muito bom – disse assim que possível, olhando saudosamente para o pote, agora longe de mim, riu da minha tristeza, fiz careta para ela, mexendo a carne na frigideira – Sua família é próxima a dos Lee. – pontuei e ela sorriu carinhosa ao colocar o ramen na panela com água.
– Temos algo em comum, SeungRi foi adotado no mesmo lar de onde vim. Os Lee não puderam ter filhos e logo depois que eu fui adotada, por incentivo dos meus pais, eles entraram na fila para adoção. Penso que nossos pais só nos deixaram esse espaço por conta deles, sabiam que os Lee ficariam de olho em nós, caso acontecesse alguma coisa. – disse colocando os utensílios sobre o balcão – Você escolhe, podemos comer aqui ou ver se tem algo legal passando na TV, o que me diz?
– Vamos para a sala. – peguei a frigideira numa mão e na outra, o vinho.
Nem se quisesse voltar ao assunto, não tinha mais clima para isso, o jeito seria apenas relaxar e voltar para o tópico quando fosse possível. Dividimos o mesmo sofá enquanto assistíamos o terceiro filme da trilogia do Senhor dos Anéis, escolha dela. Afastamos os utensílios quando finalizamos a refeição e ficamos ali, encostado um no outro assistindo ao filme.
Ao término deste, partimos para o próximo e assim por diante. Resolvemos acampar na sala e, enquanto ia para o banho, fiquei por conta de colocar o futon e arrumar o lugar para dormimos. Quando finalmente o fizemos, o dia estava amanhecendo, sem coragem de ambas as partes, dormimos daquele jeito mesmo, ao sabor do sol.

Era um pouco mais das sete da noite quando finalmente acordamos e voltamos para casa, após nos despedirmos do Sr. Lee e SeungRi. Havia decidido que iria naquela viagem maluca. Assim que coloquei os pés em casa, parti para o quarto. Abri a mala em cima da bancada do closet e, com as mãos na cintura, olhei em volta. É, eu faria aquilo. Perambulei entre os cabides em dúvida sobre o que levar. Sobre o destino da viagem, eu só sabia que seria um lugar muito, muito quente, particularmente não gostava de ambientes quentes. Meia hora depois, a mala estava razoavelmente pronta, contendo apenas as peças mais leves.
– Oi. – ergui a cabeça e vi YunHee parada na porta.
– Olá. – voltei a atenção para uma prateleira, pegando um nécessaire e colocando na mala.
– Vai para algum lugar? – deu um passo em frente, parando próxima à bancada.
– Sim. – separei alguns produtos na prateleira abaixo e coloquei junto na mala.
– Você não veio para casa ontem. – comentou e assenti apática, sem responder onde estava – Passei na casa dos seus pais e você também não estava.
– Estava me seguindo? – perguntei com irritação iminente.
– Na realidade não, pensei que você ainda estivesse lá. ? – parei o que eu estava fazendo para fitá-la – Eu sinto muito por ter comentado.
– Sente mesmo? – apoiei as mãos sobre a bancada, analisando-a. – Eu acredito que não.
– Não achei que teria problemas, já que era sua mãe. – argumentou e eu sorri enviesado.
– Sabe o que é o pior, YunHee? – inclinei sobre o balcão, fitando-a nos olhos – É confiar em alguém e essa pessoa não corresponder à altura. Perdi as contas de quantas vezes eu disse que não gosto dessas atitudes. Ainda assim, você não pode compreender, não é?
– Me desculpe. – encolheu os ombros, recuando instintivamente – Isso não acontecerá novamente.
– Sério? Pelo que vejo, esse comportamento em você repete compulsivamente. – ergui as sobrancelhas – Pois quando chegou aqui, já sabia sobre mim, mas olha só, eu nem sabia sobre ele.
– Não é bem assim. – olhou-me aflita.
– Não mesmo? Desculpe-me, se não acreditar nisso, YunHee. – sorri irônica – Agora, se me der licença, eu estou ocupada.
Afastei-me em direção aos sapatos, escolhendo alguns para levar. Ao me voltar para a mala, YunHee permanecia no mesmo lugar esfregando as mãos, seu comportamento típico quando estava desconfortável.
– Precisa de alguma coisa? – separei os itens dentro de uma sacola apropriada e deixei dentro da mala.
– Você já vem deitar? – deu um passo em frente.
– Não, vou terminar aqui e ir para o escritório. – fiquei impassível diante do próximo passo, apenas observando.
– Quando eu chegar, você ainda estará aqui? – manteve seu olhar baixo ao se aproximar e dar a volta na bancada.
– Provavelmente, no avião.
– Não foi por mal. – murmurou, erguendo os olhos até mim – Boa viagem.
Erguendo-se nas pontas dos pés, tocou levemente meus lábios com os dela, procurando por alguma resposta, que naquele instante era incapaz de atender. Sua testa caiu em meu queixo e a vi respirar fundo, seus braços rodearam meu pescoço num abraço desajeitado. Sussurrou novamente boa viagem em meu ouvido antes de afastar-se em direção à porta.
Voltei para a mala e continuei a arrumar, não queria pensar sobre a questão naquele momento. Estava mais irritada do que gostaria. YunHee não era apenas uma moça bonita, mas era dotada de uma inocência e graça, que há muito não via. O que mais havia me atraído nela, era o que mais me deixava insana, a inocência. Fiz o que havia dito, terminei ali e voltei para o escritório.

Entramos no avião e ainda podia sentir como se o cateter estivesse em meu braço, fiz uma careta com o beliscar do band-aid. Merda! Trinquei os dentes diante da pontada dolorida em meu ombro ao colocar a bagagem de mão, minha e dela, no compartimento específico. já havia afivelado seu cinto e olhava curiosa pela janela, colocando um dos fones. Sentei-me ao lado e a fitei. Sem tempo para qualquer coisa, havíamos vindo direto da clínica para o aeroporto.
– Sente-se melhor? – perguntou falhando miseravelmente em esconder o riso.
– Não começa. – me ajeitei na poltrona e olhei em volta.
– Eu só perguntei. – ergueu as mãos, rindo abertamente agora – Devo dizer, você deu um belo show.
. – a fitei de esguelha – É natural ter medo de agulhas e sangue, sabia?
– Perfeitamente normal, . – cruzou as pernas, recostando a cabeça na poltrona – Mas você devia ter me avisado, teria segurado a sua mão ou, no mínimo, amortecido a sua queda.
– Você também deve ter medo de alguma coisa. – apontei e a vi balançar a cabeça.
– Cobras, minhocas e qualquer tipo de coisa que possa rastejar e ter formato de cobra. Isso quer dizer que você não assistirá o parto, certo? Só para no caso ter outra maca. – riu baixinho.
– Podemos falar de outra coisa? – eu podia levar aquilo de dois jeitos, ir na brincadeira ou ficar bravo, mas eu estava constrangido para fazer qualquer um dos dois.
– Brincadeiras à parte, como está seu ombro? Foi uma queda feia, quer outra bolsa de gelo?
– Está tudo bem. – evitei tocar no lugar em questão – O analgésico ajudou.
– Bom, posso fazer uma massagem quando chegar, hum?
– Vou cobrar. – pisquei e ela sorriu.
Ficamos em silêncio enquanto o comissário explanava sobre como proceder durante o voo, segurei o riso enquanto o imitava de forma discreta. Alisei o queixo dando uma tossidela quando o rapaz nos fitou, franzindo a sobrancelha. Ela riu e cutucou minha costela, me fazendo dar um pulo no assento, recebendo outro olhar duro do rapaz. Mordendo os lábios, olhou rapidamente para janela, era visível seu esforço para não rir.
– Engraçadinha. – ralhei em tom baixo e ela riu, coçando os olhos.
– Me fale sobre o lugar onde vamos ficar. – pediu, disfarçando um bocejo assim que as instruções terminaram.
– Meu avô foi passar uns dias em Bali e não resistiu ao encanto do lugar, acabou comprando uma casa por lá. Antes de falecer, deixou o patrimônio para as próximas gerações, segundo ele: “todos nós precisamos de um lugar calmo para estar e pôr os pensamentos em ordem. ” – recitei a mesma frase dita pelo mais velho e sorri com a lembrança – Era um dos lugares preferidos da minha avó, enquanto estavam vivos e livres da obrigação de casa e trabalho, firmaram residência ali mesmo.
– Parece ser um lugar especial. – comentou atenta ao meu breve relato.
– Sim, minha avó cuidou pessoalmente para que o projeto da casa, jardins e tudo fossem exatamente do jeito que ela queria, imaginava. Acabou tornando um lugar especial, pontuado de momentos inesquecíveis, não só para eles, mas para toda família.
– Estou ansiosa para conhecer. – projetou um bico ao me olhar de esguelha – Será um lugar bom para me deixar inspirada.
– Seria, quem sabe em uma próxima vez. – me fiz de desentendido e ela fez uma careta massageando o pescoço – Você está cansada.
– Sim, fui obrigada a adiantar algumas páginas antes de vir. – enrugou o nariz – Sem graça, mas não tem problema, viu? Quando você não estiver por perto, vou comprar algum notebook e vou escrever, não adiantou nada confiscar meu. – mostrou a língua, segurando a minha mão e ajeitou-se – São sete horas de viagem e mais um tantinho, se importa se eu dormir um pouco?
– Nem um pouco – me aproximei mais da sua poltrona para lhe dar o ombro, aceitando a oferta silenciosa, encostou a cabeça em meu ombro. – Descanse.
– Seria bom se você fizesse o mesmo – comentou bocejando, ajeitando a cabeça – Quando estiver quase chegando, me acorda? – respirou fundo, relaxando – Temos um longo...
não conseguiu completar a frase e eu sorri. Sabia que ela não só tinha passado a noite em claro, como nem ao menos havia tido uma conversa decente com YunHee. A ideia de deixá-la sem o notebook havia vindo em boa hora, pelo menos por uns dias poderia relaxar, sabia que havia folga no prazo da entrega do livro. Esse seria o motivo, principal.
Não, eu não estava sendo honesto, isso era a desculpa perfeita.

? – chamei em tom baixo. – Estamos quase chegando.
– Me deixa dormir – resmungou, fazendo bico; – Quero dormir eternamente – abriu um olho.
– Eu imagino, podemos descansar quando chegarmos, ok? – fez positivo com os polegares e se espreguiçou lentamente. Segundos depois estava com a cabeça em meu ombro – Ei, acorda moça.
– Tudo bem. – fez uma careta sentando direito – Estou acordada, ou acordando. – esfregou os olhos – Agora me diga que tem uma cama gigante me esperando, do estilo da cama do Pateta?
– Do Pateta? – olhei curioso e ela sorriu esperançosa.
– Nunca reparou que nos desenhos antigos da Disney sempre tem uma cama gigante e tão fofa que o personagem, ao deitar, afunda na maciez e parece que a dita os abraça de volta?
– Temos algo desse tipo. – ela sorriu de orelha a orelha.
– Você sabe como satisfazer uma mulher com sono. – piscou e olhou pela janela – Onde estamos? Achei que já estávamos taxiando.
– Falta ainda uns quinze minutos, te acordei para no caso de querer esticar as pernas, ir ao banheiro.
– Ponto para você. Preciso ir ao banheiro e espantar esse sono traiçoeiro – desafivelou o cinto e alisou o vestido, passou por mim e procurou por sua bolsa, retirou um nécessaire e acenou – Volto já.
Apenas sorri e concordei num gesto de cabeça, inclinei a cabeça no corredor e a vi chegar até o local. Voltei para minha posição original esticando os braços e gemi. Praguejei ao sentir o puxar do músculo no ombro dolorido. Eu precisava de outro analgésico, e rápido. Recostei a cabeça fazendo uma leve massagem, com sorte logo aterrissaríamos e eu poderia dar um jeito.
– Tudo bem? – abri os olhos encontrando olhando-me preocupada.
– Sim, só dei um mau jeito na hora de me espreguiçar. – franziu as sobrancelhas olhando para o lugar onde estava a minha mão. Fazendo um bico, guardou seu objeto, passou por mim e sentou-se, voltando a me fitar.
– Você precisará daquela massagem e um bom analgésico. – comentou ao mesmo tempo em que afivelava o cinto ao ouvir o anúncio de colocar o mesmo – Aguente mais uns minutos.
– Ei, está tudo bem, não se preocupe. – disse e fitei com interesse a mão sobre a minha, segurando firme.
– Não tenho nada contra decolar, mas aterrissar me deixa um pouco nervosa. – disse, esticando o pescoço em direção à janela, olhando atentamente a paisagem cada vez mais próxima.
? – seus olhos estavam grandes, amedrontados ao voltar-se em minha direção, a puxei para próximo e colei os lábios nos dela.
Gemi em seus lábios, traçando a linha desses com a língua. A boca macia foi receptiva e logo estava saboreando seus lábios e brincando com sua língua. As mãos relaxaram em seu aperto, agora pousando em meu antebraço, procurando por apoio. Amparei sua nuca em minha mão, mordiscando o lábio inferior. Seu corpo tremulou sob o meu e estava mais próximo o possível naquela situação. Quase dois dias sem tocá-la e, quando o fiz, me sentia tão faminto, prestes a perder o controle. Encostei o nariz ao dela respirando fundo, quebrando o beijo com muito custo. A nossa volta os passageiros já desciam lançando olhares curiosos a nossa direção.
– Melhor? – murmurei, sorrindo em seus lábios. fez o mesmo, assentindo.
Desafivelei o meu cinto e ela fez o mesmo. Esperamos que a maioria saísse para poder pegar as bolsas. Colocando a alça sobre o ombro, seguimos para fora da aeronave. Caminhamos lentamente para a fila da imigração, iríamos demorar pelo tamanho da fila. Ao chegar a nossa vez, apresentamos os documentos e seguimos em direção à esteira, a maioria das malas já havia sido recolhida. Por sorte a minha apareceu na metade da primeira volta.
– Menos uma. – sorri segurando a mala. sorriu esfregando as mãos, ansiosa.
Vi o vinco surgir em sua testa ao notar que, pela segunda vez, a esteira não trouxe sua mala. Segurei sua mão e esperamos por uma terceira, quarta, quinta volta, e nada.
– É sério isso? – estava pálida fitando a esteira vazia – Não posso acreditar.
– É possível que tenham enviado para outro lugar, vamos até balcão da Korean Air, ok? – ela estava séria, até mesmo irritada, enquanto seguíamos até a companhia.
– Boa tarde, em que posso ajudá-los? – fitei o rapaz, fazendo menção de dizer alguma coisa, mas fui interrompido.
– Precisamos dar entrada no formulário PIR. – o som gélido pontuou cada palavra dita em inglês, o rapaz pareceu encolher-se do outro lado do balcão ao passar o formulário para ela. Em pouquíssimo tempo, esse foi preenchido e a folha deslizou sobre o balcão.
– Quero uma busca pelos porões da aeronave, no terminal de passageiros e nos galpões de carga. E também lance a informação sobre a bagagem nas redes computadorizadas de rastreamento. – encolhendo os ombros, o rapaz só faltou enfiar o rosto dentro da tela do computador.
– Preciso que a senhora espere alguns minutos, tudo bem? – estreitando os olhos para o garoto, assentiu.
– Vai ficar tudo bem, logo vão trazer a sua mala. – segurei por sua cintura e a trouxe para próximo.
– É o que eu espero. – bufou, olhando de tempos em tempos para o rapaz. Massageei suas costas até que relaxou o suficiente para encostar a testa em meu peito.
– Com licença? – voltamos para o rapaz.
– Sinto informar que não obtivemos resposta em relação a sua mala. – deu a notícia dando um passo atrás.
– Vocês contam com o WorldTracer, certo? – diante do aceno afirmativo, continuou – Ótimo, busque por ele também.
Longos minutos passaram até que o rapaz se voltou em nossa direção. A essa altura, era uma rocha em meus braços, mantinha seus lábios em uma linha fina e o olhar gélido.
– Sra. , não houve qualquer sinal de resposta por nenhum meio de rastreamento. Mas não se preocupe, qualquer notícia, seja ela boa ou ruim, entraremos em contato.
– Eu espero que seja uma ótima notícia, meu rapaz. – disse, debruçando sobre o balcão – Caso contrário, um processo será o menor dos problemas da sua empresa.
Girando sobre os calcanhares, saiu marchando duro, deixando o rapaz tão pálido quanto se tivesse visto um fantasma. Alcancei-a e segurei sua mão, entrelacei os dedos. Ela não dizia nada, apenas respirava fundo de tempos em tempos. Mal olhava para onde estava indo, tamanha a raiva. A levei para o estacionamento, em busca do carro que havia pedido anteriormente para que um dos empregados da casa trouxesse. Alguns minutos no trânsito e ela ainda permanecia calada.
– Isso não é exatamente o fim do mundo, você sabe. – argumentei diante do silêncio pesado dentro do carro.
– Claro. – respondeu encarando a paisagem por trás dos óculos escuros.
– Podemos sair e fazer compras. – observei pelo canto dos olhos, vi o crispar dos lábios e o rosto corado de raiva.
– Como se fazer compras fosse a coisa mais fácil do mundo para alguém do meu tamanho. – frustração e raiva emanavam do murmurar.
– Não é necessário estar com roupas o tempo todo, estaremos em um chalé de frente para o mar. – disse num tom calmo – Você fica bonita até com um lençol amarrado na cintura.
– Você é idiota, , ou está apenas tentando? – a pergunta veio num trincar de dentes – Isso é algum tipo de piada para você? Por um acaso, eu sou algum tipo de aberração de circo para te entreter?
– Mas que...! – pasmo diante da sua explosão, fiquei em silêncio, pois sabia que se tentasse argumentar ela não ouviria, muito menos entenderia que não era nada daquilo.
Cravei os dedos no volante, cerrando os lábios. Agora, quem estava puto era eu.
Afundei o pé no acelerador, vendo a paisagem seguir como um borrão em direção a casa. Estacionei de qualquer maneira na parte dianteira da casa e saí do carro batendo a porta. Eu estava fora de mim. Com raiva. Dei a volta no carro antes que ela pudesse abrir a porta do mesmo, o fiz e a segurei pelo braço, arrancando-a do carro.
– Mas que porra é essa agora?! – não me dei ao trabalho de responder – Me solta, idiota! – ódio e incredulidade transpareciam em sua voz e logo se debatia para se soltar, afundei os dedos em torno do braço.
Não olhei para trás quando ouvi o barulho de algo cair, e antes que pudesse abrir a porta, esta foi aberta e vi SeokCheon olhar para a cena com espanto.
– Estão todos dispensados. Falo com você mais tarde. – dei a ordem sem parar.
Não o olhei uma segunda vez para saber se ele tinha entendido, ignorei os socos distribuídos ao longo do meu braço e costas enquanto relutava ao subir a escada para o segundo andar, em meio a protestos e xingamentos. Segui pelo corredor e logo a empurrei por uma porta, para dentro do quarto. Eu já havia ouvido todo o tipo de babaquice pelos próximos anos e agora era a minha vez de falar.
– Você vai calar a boca e vai me ouvir. – rosnei entre dentes e a empurrei novamente por outra porta, o closet, bati a mesma atrás de mim e com a mão livre tranquei a porta.
A pouca claridade do ambiente me deixava ver o queixo caído e agora, sem óculos, seus olhos faiscavam de ira e indignação em minha direção.
– Tire a roupa. – ordenei entre os dentes.
– Vá se foder. – cuspiu em direção.
Ok. Seria do jeito dela.
Dei um passo em frente e ela apenas me encarou erguendo o queixo em desafio, cruzando os braços sobre o corpo. Eu o aceitei.
Outro passo em frente e retrocedeu cerrando os lábios. Mais um e ela estremeceu ao deparar-se contra a superfície fria em suas costas. Me aproximei e sem cerimônia puxei o tecido leve para cima. Desferindo um rosário de palavrões, me enxotou empurrando para longe.
– Seu filho da puta, o que você pensa que está fazendo?! – guinchou em minha direção, ignorei o tom aflito e voltei para o que estava fazendo. – Merda! Para com isso!
Socos foram desferidos em meu peito na mesma proporção que ela se movia de forma frenética, impedindo a minha aproximação. Ainda assim, não foi o suficiente para que ela pudesse se livrar de mim. Desviei o máximo que eu pude e logo eu a tinha sob as minhas mãos. Trouxe-a para o meu peito impedindo a maioria dos seus movimentos. No entanto, seu corpo contorcia sob meu domínio e, sem alternativa, a empurrei de encontro à parede, novamente.
Imediatamente voltou à memória a vez anterior que a tinha na mesma posição. Por um instante me perdi na suavidade das coxas macias até os seios contra meu peito, seu corpo moldava-se com suavidade e perfeição ao encontro do meu. Trinquei os dentes ao sentir meu corpo reagir a sua aproximação e amaldiçoei. Essa mulher me tirava do sério, de todas as maneiras. Uma investida brusca da parte de e pela minha distração momentânea, dei um passo em falso para atrás e essa quase pôde soltar-se. Seu olhar irado encontrou o meu quando o som abafado do seu corpo contra a parede soou entre as respirações pesadas dentro do pequeno espaço.
– Você tem a opção de ficar quieta ou eu vou rasgar a porra desse vestido. Será bem pior para você – disse entredentes, seus olhos agora eram um misto de pânico e terror.
Por um momento senti algo dentro de mim quebrar, mas não podia parar.
Não naquele instante.
Imobilizei seus braços na altura da cabeça e ergui o tecido até sua cintura. Temendo que ela pudesse escapar, enrolei o tecido em minha mão e meti minha coxa entre suas pernas. Ela não teria opção a não ser ficar no mesmo lugar. E que Deus pudesse me ajudar caso ela quisesse se mexer para fugir, pois daquela forma, a única coisa que lutava com o meu pensamento original era a tensão sexual e o calor do seu sexo contra a minha coxa. Tomando todo meu autocontrole, liberei seu corpo o suficiente para que pudesse passar o vestido por seus braços. Encontrei os furiosos olhos castanhos assim que o vestido passou por sua cabeça. A girei em meus braços e a encostei de frente na parede. Por um momento, ela prendeu a respiração. Com energia redobrada, contorceu-se em meus braços, ansiosa por sair daquela posição, e a mantive firme ali. Levei a mão até acima de onde estávamos e achei o interruptor.
Seus olhos fugiam em todas as direções para longe da mulher, furiosa e temerosa, refletida no espelho a nossa frente. Espalmando sobre a superfície fria, forçou contra meu corpo, na tentativa de fugir. Entrelacei os dedos por seus cabelos, um grito surpreso rasgou o som das respirações e a mantive no mesmo lugar.
– Eu te ouvi. É a sua vez – seus olhos úmidos encontraram os meus pelo espelho. – Você é uma mulher inteligente, por que você é tão estúpida? Por que não consegue enxergar a mulher linda que é? – ironia brilhou em seus olhos.
– Hora da piada, ? – seus lábios curvaram em sorriso cínico.
– Olhe para você mesma. – seus olhos foram em outra direção, puxei seus cabelos sem piedade.
Cerrando os lábios, piscou, afastando a umidade dos olhos e me encarou erguendo o queixo. Afastei os cabelos do seu pescoço e escorreguei os dedos por seus ombros, indo em direção à alça da sua lingerie, afastei a peça e acariciei a região. Levei o nariz para perto do seu pescoço e absorvendo o cheiro suave de orquídea. Incapaz de reagir de outra forma, levei os lábios para o mesmo lugar, deslizando sobre a pele e a vi arrepiar. Segurei seu ombro e a fitei, sua pele sob meu toque estava arrepiada, ainda assim, ela mantinha-se firme, como se seu corpo não houvesse reagido ao meu toque.
– Linda. Você é uma mulher linda, deslumbrante. Sabia disso? – corri os dedos pelo seu braço – Não só seu sorriso ou rosto. Cada pedaço seu.
– Repita isso várias vezes e quem sabe, você possa acreditar. – sibilou mantendo o sorriso de escárnio.
Sorri sem um pingo de humor, queria testar a minha paciência e eu tinha todo o tempo do mundo. Deixei cair a mão em direção as suas costas. Cobri cada curva da lateral do seu corpo até onde minha mão podia alcançar e mantinha a outra firme em seus cabelos.
– Maravilhosa. – sussurrei contra seu ouvido, observando embevecido o contraste das cores do meu toque ao corpo moreno, ignorei o corpo rijo pela tensão ao depositar minha mão sobre seu estômago – Eu gosto de você, exatamente do jeito que você é. – encarei firme o olhar desdenhoso.
Levei a mão à renda branca, sobre seu seio, o segurei, sentindo a suavidade da peça e a firmeza da carne sob ele. A reação ao meu gesto foi facilmente sentido contra minha mão. Cerrei os dentes diante do mamilo intumescido, travando uma luta interna, afastei a vontade de mergulhar os lábios em sua tez e desfrutar daquela tentação em minha mão. Ela não questionou minha fala, agora apenas seu olhar debochado me encarava pelo espelho, os lábios mantinham-se em uma linha fina, seu corpo ainda tenso era a única fonte que me deixava a par do que o meu toque era capaz.
– Tem ideia de quantas mulheres têm o desejo de tê-los e pagam caro para isso?
Deixei livre os cabelos e alcancei o outro seio, afaguei ambos, esfregando os dedos sobre os sensíveis mamilos. Não me passou despercebido o controle sobre-humano de manter-se quieta e com a respiração calma. Fui mais além e desci a renda, expondo os seios. Respirei fundo tentando acalmar a vontade de cobrir os picos franzidos com minha boca e chupar até que ela pedisse por mais.
– Você os tem naturalmente, belos e suaves ao toque. – disse em tom baixo, roçando os lábios em sua orelha, ao passo que, novamente, tencionava o polegar sobre o ponto turgido.
Ela não escapou do meu toque. Não se moveu ou preferiu algum som. Não deixou nada ao meu alcance. Agora seus olhos não tinham mais o deboche anterior, agora os belos olhos castanhos estavam nublados, curvados à firmeza de estar ali, sem dar o braço a torcer. Em alguma hora ela quebraria, de uma forma ou de outra.
Abandonei os deliciosos seios e parti em direção à parte inferior do seu corpo.
– Acha que isso é um problema? – explorei a lateral das coxas grossas, vaguei os dedos entre as pernas, deslizando suavemente e novamente voltando para toda extensão da mesma – Eu não. Nem mesmo YunHee acha isso. Sabe por quê? Nada é mais gostoso que ter essas coxas grossas rodeando minha cintura enquanto afundo meu pênis dentro de você. E ter ou não celulite não me impede de querer estar entre suas pernas. – parei com os dedos em cima de uma pequena depressão e a dedilhei sem me importar com a rigidez do seu corpo; sabia que, para ela, a celulite era um problema, mas não para mim – Entenda, o número da sua lingerie e roupa não define sua beleza ou quem você é. – lambi sua nuca e mordisquei, apertando as coxas em minhas mãos. – As suas ações, sim. Ah! As suas ações definem quem você é, e nesse caso... – espalmei a mão em sua renda e fui recebido por sua umidade, gemi contra sua orelha e afastei o pedaço de pano mergulhando os dedos por entre os lábios. – Eu digo que você é uma mulher linda, sexy, sensual e pronta para ser fodida.
A respiração falhou miseravelmente, escondi meu sorriso em sua nuca movendo os dedos por suas dobras, assistindo o oscilar débil. Eu estava gostando daquela nova faceta, dos nervos de aço. Circulei sua entrada com os dedos e os olhos entrecerraram. Permiti que apenas a pontinha do dedo avançasse em direção a sua cavidade. Saboreei a sensação de estar momentaneamente preso a sua apertada fenda e movi suavemente em seu interior.
– Você pode não dar atenção ao que eu disse até aqui. Pode não acreditar em minhas palavras. – sorri indulgente ao afastar meus dedos do seu núcleo – Talvez você seja do tipo que só acredita vendo, não é?
Segurando seu quadril, esfreguei a rigidez presa em minha calça contra a carne macia. Cravei os dedos em sua pele, aliviando por um momento a sede de entrar em seu corpo e sentir o quão justa sua intimidade seria a minha volta. O ressoar lento e gutural do gemido partiu os lábios cheios, o arfar marcado por luxúria veio acompanhado do ondular do quadril sobre minha rigidez. Segurei um seio e investi contra sua pelve, sua cabeça tombou sobre meu ombro. Seus dentes em meu pescoço, mordiscando minha pele enquanto suas mãos arranhavam minhas coxas. Era exatamente o que eu queria, a entrega.
– Quando você conseguir lidar com a mulher que você é, me procure. – dei um passo atrás, abandonando o corpo feminino e girando sobre os calcanhares, abri a porta e saí.



Capítulo 6

Não me preocupei em vestir o vestido antes de seguir para onde ele estava. Afinal não se importava com meu tamanho, certo? Marchei pela casa, entrando e saindo de aposentos até que o vi aparecer pela janela do que seria a sala de descanso. Parado rígido em frente à piscina. Sua mão outrora em meu corpo, agora massageava o ombro anteriormente machucado. Era a primeira vez que o havia visto naquele estado, puto e tão fora de controle. Eu nunca soube o que ele pensava. Uma parte de mim não queria pensar e pesar suas palavras, pois e eu sabia que ele tinha falado sério cada palavra que havia dito. A segunda clamava para que eu fechasse os olhos e apenas corresse para ele e relaxasse em seus braços. Não obstante, a outra parte restante, mantinha o orgulho ferido por ter me entregue com tanta facilidade e com raiva por ter sido deixada na mão depois de ter um mísero pedaço de prazer sob suas mãos.
Essa era justamente que coordenava cada passo irritado que dava.
Quando você conseguir lidar com a mulher que você é, me procure.
A maldita frase queimava em meu cérebro e ressoava em meus ouvidos. A válvula que me deixa ainda mais variada e em uma montanha-russa de sentimento. Abri as portas silenciosas que me levavam até aquele espaço e o vi retirar a camisa e num átimo, entrar na piscina. Xinguei mentalmente ao caminhar até a borda da piscina. Poderia o encontrar do outro lado da piscina, mas estava puta demais para o fazer, esperei que voltasse até onde eu estava. Disse a mim mesma que não moveria um centímetro de onde estava quando retornasse, queria discutir exatamente onde ele estava. Rosnei ao vê-lo se apoiar-se na borda, indiferente ao fato de que estava em seu caminho.
– Poucos dias comigo e você já acha que me conhece o suficiente para tomar suas próprias conclusões? – Ataquei dando um passo atrás automaticamente, já estava praticamente nua, não precisava ficar molhada, não é? Trinquei os dentes ao sentir meu corpo traidor arfar ao vê-lo pingar a minha frente e o pior, ou melhor, nesse caso, a calça molhada não escondia o adorno em riste.
E eu não conseguia pensar com ele tão próximo. Titubeei um passo atrás.
– Vai fugir? – Cobriu a distância rapidamente. – Não consegue ter um encontro cara a cara? – Não dei outro passo, precisava preservar o mínimo de orgulho que ainda me restava, mas a proximidade me obrigou a erguer o rosto e o fitar. – Você pode manter a sua fachada tranquila e de bem com a vida lá fora, mas aqui dentro, para mim você é transparente – recuei o rosto instintivamente quando este abaixou o rosto a minha altura. – Você acha que eu não sei o que você teme? Como se sente? Sobre essa sua visão deturpada de si mesma? Minha cara, você pode mentir para qualquer pessoa, menos para mim.
Reaja! Faça alguma coisa! Grite, diga alguma coisa, revide!
Meu cérebro ordenava uma profusão de atitudes, meu corpo entorpecido apenas permanecia em inércia. Suas palavras deslizavam de forma espinhosa para dentro de mim. Eu odiava ouvir a veracidade em suas palavras, e odiava ainda mais saber que mesmo em um instante como aquele, me fazia esquecer do tesão armazenado em minhas veias e me punha a reflexão. Ergui minhas mãos pronta para repelir aquela aproximação, fitei essas trêmulas sobre a pele leitosa. Estava pronta para afastá-lo, mas do que adiantaria? Eu continuaria fugindo. Não dele, mas de alguém pior que ele. Eu. Se eu tinha um mínimo de possibilidade para descansar e relaxar sem me preocupar com aquele assunto, porque não viver aquela fantasia? Eu não precisava admitir em voz alta. Eu podia ser sincera comigo mesma sem ele saber, ou qualquer outra pessoa ter conhecimento. Me despir da culpa que trazia consigo uma gama de fragilidade e eu não sabia se poderia ou conseguiria lidar. Voltei a fitar os olhos, a fúria e a determinação queimava na íris, ele não pararia. Se eu era tão transparente aos olhos dele, será que não conseguia ver que estava cansada?
Envolvendo minha nuca com a mão, seus olhos procuravam pelos meus com veracidade e apenas desviei o olhar, eu tinha a necessidade de guardar aquele conflito apenas para mim. Os dedos trabalharam suavemente entre meus cabelos, causando uma leveza e relaxamento em meu corpo.
– Você acha que eu sou inexperiente? Um babaca jovenzinho que não saberia a mulher ardente que está sob meu toque? Escute bem, aqui são as minhas regras, meu jogo e nele você pode ser exatamente quem você quer ser. Livre de culpa ou medo. Você está me entendendo? Seja você mesma aqui dentro, aja conforme você deseja.
O que eu desejava naquele instante?
Um minuto de pausa e os lábios masculinos sobre os meus.
Num ímpeto segurei os ombros dele e alcancei os lábios, ele era justamente o que eu desejava. Não sabia quanto tempo ia durar aquele oásis, mas eu o queria. Era uma necessidade física da qual eu não podia controlar, não naquele momento. Sua reação foi rápida e firme, estava presa nos braços de ferro. Gemi diante da temperatura oposta dos nossos corpos, enrodilhei-me ao corpo frio. Os lábios vorazes estavam em todos os lugares da minha pele. A urgência marcando cada toque. Não me importei com a textura do chão junto a minhas costas, a boca macia em meu seio me punha sedenta e ansiosa. Me livrei da calça ao mesmo tempo em que minha lingerie foi posta de lado. Não havia tempo para amenidades naquele instante. Os dedos correram separando meus lábios com destreza, explorando de forma fugaz.
– Depois – rosnei entrelaçando os dedos nos cabelos castanhos. – Eu quero você dentro de mim, agora! – disse entre dentes, seu olhar selvagem me consumia e eu não evitei o que viria a seguir.
O grito saiu rouco e profundo da minha garganta diante da investida dura, eu estava pronta para ele, mas, ainda assim, meus músculos rasgaram em volta do rijo feixe. Arfei erguendo minhas costas, deliciosamente angustiada, com seu movimento cadenciado e ágil. Seus olhos mantinha um feitiço sobre os meus e não conseguia mirar outro ponto além da íris castanhas. Eu não duraria mais que alguns segundos, ergui o quadril para aprofundar e recebê-lo por completo. Queria me fundir a agonia da investida, do êxtase de tê-lo dentro de mim. Passando um braço por cima do meu quadril dando apoio e ao mesmo tempo em que debruçando sobre mim, alcançou um mamilo com a língua. Gritei puxando o cabelo e arranhando sua coxa, o tom grave reverberava sobre meu mamilo. Suas unhas afundaram em minha carne a medida que bombeava com rapidez dentro de mim, esvaindo seu cerne. Largando com um estalo meu mamilo, alcançou meus lábios. Não havia recuperado meu fôlego e já ansiava por estar novamente no castigo, o membro moveu-se suavemente entre minhas pernas, me deixando totalmente alerta e ansiosa. Sem poder me conter, resmunguei contra os lábios, ele sorriu enviesado estreitando os olhos, analisando-me.
– É isso que você quer? – O polegar deslizou pela carne sensível do meu clitóris e falhei em minha respiração. – Hum? – Não respondi de imediato, a antecipação corria por meu corpo e estava consciente da agonia instalando-se naquele ponto, a fricção parou de repente e eu o fitei atrapalhada. – É isso?
– S-Sim. – Balbuciei fora de órbita e arfei com a nova onda de estímulo, movi o quadril de encontro a ele, eu estava tão faminta que não tardei a chamar por ele em meio a gemido profundo.
– Satisfeita? – Lambeu o polegar sorrindo e assenti lentamente, não poderia falar, nem se quisesse.
Segurando meu queixo, os lábios caíram sobre os meus lentamente explorando. Espalmei o peitoral enquanto ele saía de mim, seu corpo não se afastou e deixei que os joelhos abraçassem a cintura estreita.
, você está aí? Esqueci de avisar...
Arregalei os olhos fitando o , esse parecia tão assustado quanto eu. Mas a reação dele foi melhor que a minha, que mais lembrava uma estátua de pedra pelo susto, rapidamente me escondeu o melhor que pode contra o peito.
– É um ótimo jeito de acabar com uma briga – fiz uma careta diante do tom divertido na voz do rapaz. – Me lembre de usar esse método, .
– Você terá bons resultados – comentei fazendo um sinal de positivo, estava no inferno, porque não abraçar o diabo?
– O que você esqueceu, SeokCheon? – perguntou em tom despreocupado e eu fiz uma careta em seu peito.
– Algumas coisas, mas agora eu vou virar de costas, porque eu não preciso ver a moça como veio ao mundo e você precisara levantar do seu ninho de amor, para que eu possa te mostrar algumas alterações na casa.
Não podia estar mais envergonhada, pulei rapidamente do meu lugar com a ajuda de , ajeitei a lingerie, trazendo-a para seu devido lugar. Sentia não só meu rosto pegar fogo, como meu corpo inteiro, preferia pensar que era de vergonha e não porque ele mantinha um olhar sobre mim, o qual eu ainda não tinha pego. Me afastei rapidamente da frente dele, ainda sem fazer contato visual, entrei pela porta voando e da mesma forma parei no quarto do início. Observei o ambiente claro com as janelas do chão ao teto, convinha de maneira harmoniosa com o estilo toscana da casa, testei a outra porta, do outro lado do espaço, e descobri ser o banheiro. Agradou-me ver a amplitude disponível naquele cômodo, e mais uma vez, a parede vidro deixando a praia a vista, nunca uma hidromassagem me pareceu tão convidativa como naquele instante.
Revistei os armários e encontrei o que precisava, fui para a ducha antes de relaxar naquele pedaço de céu, também conhecido como, hidromassagem. Não havia muito o que fazer e estava tentada a fustigar todo o estresse até ali. Liguei ambas as torneiras e não tardei a me enfiar até o queixo na água quente. Encostei a cabeça na borda e fechei os olhos, o cansaço bateu em minha porta e me rendi.

Após SeokCheon ir embora, passei pela dispensa escondida na cozinha. Vasculhei entre os remédios caseiros e achei uma combinação de ervas. Espalhei a emplastro sobre o ombro dolorido.
Adentrei ao recinto apenas para encontrá-la dormindo. Seu rosto mantinha linhas duras mesmo estando em descanso. Aproximei sentando na borda, deslizei a bagunça castanha e molhada para longe do seu rosto. Talvez, dotado de toda emoção por ela, não havia reparado o quanto ela parecia rija ao dormir. Era assim das outras vezes ou o estresse de mais cedo era a causa? Não sabia como responder aquela pergunta. Acariciei os traços suaves do rosto feminino e parti para o passado.
Podia lembrar com clareza todas as vezes que a tinha sob mim.
Suas ações, os toques duvidosos ao meu entorno e nada mais havia a dizer que, além da inocência quanto mulher marcar passo a entrega completa, permanecia restrita ao que eu entregava. Não pedia além que estava estendido. Ponderei profundamente se em sua relação, quanto esposa, ela apenas se preocupava com a outra parte e esquecia de si mesma? Eu ainda podia lembrar com clareza os músculos a minha volta bombeando toda a carga de forma voraz, sabia que ela tinha alcançado notas altas em sua entrega e que ainda assim, ela estava pronta para mais uma rodada, caso eu também estivesse pronto. Caso houvesse intenção de subir outro degrau.
Me perguntei se era sempre assim, e a resposta era um latente sim em letras garrafais.
Em que diabos de situação ela vinha vivendo, antes e com a YunHee, que não abria sua boca para receber mais do que lhe era entregue?
Era mais do que abrir a boca e dizer: "quero ter mais disso". A falta de confiança vinha agarrada ao sentimento de inferioridade que permanecia a sombra de sua mente, trabalhando de forma traiçoeira a lembrando de ter uma visão deturpada de si mesma.
Ah minha garota, tão transparente para mim, tinha conhecimento dos mínimos detalhes, em todas as palavras não ditas e olhares fugazes. Por quanto tempo suas feridas estariam abertas em seu íntimo para que ela talhasse sua própria vontade?
– Acorde, bela adormecida – chamei baixo e ela entreabriu os olhos sonolenta.
– Você tem uma estranha mania me acordar no melhor do meu sono – censurou suspirando, ri baixo alcançando o robe felpudo.
– Me desculpe, minha senhora, mas acredito que já passou da hora de sair dessa água gelada, temos uma cama do Pateta esperando por você, se ainda estiver tentada a dormir, caso esse não seja o seu desejo, sairemos até o shopping – levantei abrindo a peça.
– Primeira opção aceita com sucesso, meu rapaz – balançou a cabeça, piscando lentamente, parada no mesmo lugar ignorando minha ação.
– Sobre isso... – chacoalhei o robe e ela me pareceu mais interessada em olhar pela janela do que ficar de nua a minha frente e aceitar o gesto, mesmo visivelmente sonolenta, permanecia rígida consigo mesma.
– Devo dizer, seus avós tinham um bom gosto na feitura dessa casa, souberam aproveitar bem a paisagem – comentou fazendo-se de desentendida.
– chamei e ela me olhou mal escondendo a preocupação em seus olhos. – Venha, querida.
– O que é aquilo? – apontou por algo além da janela e sabia que era uma distração, para que ela pudesse ficar de pé longe do meu olhar, minha querida isso não vai funcionar.
– Não é como se eu nunca tivesse te visto nua, – pontuei e ela encolheu os ombros constrangida. – Te verei nua nos próximos dias e em situações que você irá esquecer da utilidade das roupas.
Franziu o nariz visivelmente contrariada, fiquei em dúvida se a falta de contato visual era por conta do constrangimento ou vontade de esganar meu pescoço. Segurei a risada e fitei a borda da banheira. Ela quase aproveitou-se para sumir ilesa dentro do roupão, mas não foi rápida o suficiente para que eu não visse suas curvas imergirem das águas. Esperei que ela desse o nó e a segurei pela cintura a tirando da hidromassagem, sufocando um grito me olhou enviesado ao plantar os pés no chão.
– Continue fazendo esse tipo de coisa e uma bela hérnia virá te visitar – resmungou ajeitando os cabelos dentro da toalha, bocejando. – Espero que você não se importe, mas eu quero dormir, preciso na verdade, meu humor está ó – fez um gesto com o polegar para abaixo. – Saiba que quanto menos eu durmo, mais meu mal humor aumenta, sendo assim... – deixou as palavras no ar cambaleando para a saída.
– Não vou me importar – disse a seguindo de perto, foi por triz entre tirar a colcha e ela cair na cama se aninhando contra o travesseiro. – Moça, você precisa pelo menos comer alguma coisa antes de pegar no sono e antes que você diga, comida de avião não conta como refeição.
– Me deixa em paz – mesmo queixando-se ergueu a cabeça quando retirei a toalha dos cabelos úmidos. – Você está cheirando a mato – enrugou o nariz alcançando um travesseiro próximo e o abraçando.
– Um emplastro para o ombro – alisei os cabelos e a ouvi ronronar escondendo o rosto no travesseiro. – Se acordar de madrugada, desça e coma alguma coisa, ok? – o assentir veio acompanhado de algo inaudível e sorri.
Ela parecia adorável em modo sonâmbulo, segui para o closet e ajuntei a peça do chão. Enquanto o jantar ia esquentando, joguei a peça na máquina de lavar roupa, ajustei o ciclo e voltei para a cozinha. Fiz minha refeição na beira da piscina, encarando o mar sem deixar de pensar na mulher adormecida no andar de cima.
Os próximos dias seriam trabalhados para que ela estivesse à vontade a minha volta e principalmente, com ela mesma. Assenti comigo mesmo ao estender a peça quase seca na lavanderia.
Por agora, uma longa ducha, trocar o emplastro e cama.

Quem disse que um passeio no shopping pode ser desesperador? Pelo menos para mim não, já não podia dizer o mesmo de .
Após horas ali, ela ainda parecia rígida à circular pelas lojas, ao contrário de quando ia para o mesmo ambiente com minha mãe e irmã, elas me arrastavam – ou YooHwan – para todos os cantos e claro, sobrava para mim às sacolas. Já não fazia questão de me arrastar por lugar nenhum, pelo contrário, eu que o fazia com ela. As sete sacolas em minha mão traziam as poucas peças que ela havia escolhido, um punhado de shorts, regatas e camisetas, três vestidos e só. Não que o clima quente a ajudasse na hora da escolha das roupas, mas todas haviam lhe caído muito bem e para a minha alegria, eram roupas curtas e eu poderia observa-la melhor.
Claro, depois de lutar para que ela me deixasse ver cada troca de roupa sem ficar desconcertada sob meu olhar, não que os poucos segundos entre sair e entrar no provador, fosse o suficiente para dar uma boa olhada. A garota era escorregadia quando queria.
– Você não me parece muito inclinada a fazer compras – comentei ao sairmos da loja de sapatos, dessa vez o número de sacolas havia ultrapassado o de roupas; observei o meneio de cabeça.
– Desde nova não tenho o costume de circular em shopping, quebrando as regras, nunca fui fã de fazer compras – um sorriso saudoso estava em seus lábios. – Os meninos gostam de fazer compras mais do que eu. Enquanto eles circulavam pelas lojas, eu permanecia nas livrarias ou loja de informática. Você não parece fugir as regras, assim como eles, parece se divertir aqui.
– Eu circulei muito por aqui com as meninas, ambas gostam de passar horas andando e comprando, é quase natural estar aqui – assentiu olhando em volta, sem muito ânimo. – Vamos seguir para o próximo piso.
Segundo minha lista mental, precisaríamos de lingerie, na realidade, aquilo seria a melhor parte, direcionei os passos para a escada rolante e ela a minha frente. Segurei na cintura ao sairmos da escada, indicando a loja especifica mais a nossa frente. Seus olhos cresceram quase do tamanho de bolas de tênis.
– Lingerie? – engoliu em seco alternando olhares entre a loja e a minha pessoa, assenti e ela riu mortificada.
– Se você quiser passar os próximos dias sem essas peças eu vou adorar e melhor, não terei trabalho de retira-las, por outro lado, seria uma pena, seus seios ficam lindos em renda – lá estava o vermelho nas bochechas redondas, eu adorava aquilo.
– Deus todo poderoso, o que eu fiz de errado? – resmungou entrando a minha frente, eu ri.
Em seu passo ligeiro a perdi entre peças minúsculas e rendadas, não corri para procura-la, tinha outra coisa em mente e se estivesse próximo iria estragar a surpresa. Mais cedo, na hora de recolher o vestido, aproveitei para olhar o tamanho e agora, munido dessa informação, parti para a sessão de corset. Deus sabia o quanto eu estava ansioso para ver as curtas moldadas pelo corset e as coxas roliças dentro das meias de seda e cinta-liga. Podia pensar em várias situações e maneira diversas de aproveitar aquele corpo. Com e sem as peças escolhidas por mim.
Elegi a peça de fundo floral e renda preta, já havia observado do gosto de para floral, iria agradar gregos e troianos com aquela peça. Não foi difícil achar a cinta-liga de minúsculos laços no mesmo corredor, parti para o caixa tendo o cuidado de chegar até ele sem ser visto. Fiquei feliz de pelo menos naquele momento fazer uso do meu cartão, já que até aquele instante, ela não me deixou gastar um mísero dólar e lhe comprar algum presente.
Feita a compra misturei a caixa de presente entre as sacolas e caminhei para a área de provas. Com a indicação dá atendente caminhei para o provador onde ela estava, cheguei a tempo de vê-la deslizar a renda sobre a carne macia do traseiro.
– Ficou linda – comentei e a vi pular em direção ao espelho.
– Que diabo, ! – respirou rápido levando a mão no peito, passado o susto me empurrou para longe. – Me espere lá fora, pelo amor de Cristo.
– Primeiro você chama o diabo e depois Cristo, você é engraçada – comentei rindo e ela bufou raivosa, fazendo os seios subirem dentro da renda rosada. – Esse ficou perfeito! – gemi baixinho lançando um olhar para o corpo curvilíneo.
Não dei margem para que ela se escondesse em sua vergonha e lancei-me sobre os lábios avermelhados. O sangue corria mais rápido por minhas veias ao retê-la contra a parede, afastei a lingerie nova de suas dobras e mergulhei na intimidade aquecida entre as coxas grossas. Abafei o gemido vindo dos lábios aprofundando o beijo, a resposta veio rápida em meus dedos, arqueou as costas ao ter minha língua entre o vale dos seios. Droga, eu precisava sair dali, e rápido. O short-jeans não me deixa folga diante da rigidez faminta. me punha duro com tanta facilidade e nem ao mesmo tinha ideia disso, do que era capaz de fazer. Busquei a garganta arranhando os dentes sobre a pele, em busca da boca carnuda e não tardei a saborear o rincão da cavidade aveludada.
– Escolha essa peça, quantas outras quiser e vamos para casa – o olhar selvagem caiu sobre meus lábios e o lamber da língua sobre o inchaço dos lábios me fez rosnar.
Sai dali como se o próprio diabo em pessoa estivesse me perseguindo, precisava estar entre a carne macia, ter as mãozinhas arranhando minhas costas e o som musical de seus gemidos quando estivesse perdida em orgasmo. Cuidei para que as sacolas disfarçassem meu status e com alegria a vi fazer o caminho do caixa. O caminho de volta foi feito sem uma única palavra, precisava de toda atenção na estrada para não acontecer nenhum acidente. Mal conseguia manter o olhar e as mãos longe daquela mulher.

– Aqui – disse assim que sai do banheiro, enrolei a toalha nos cabelos e caminhei até a cama olhando o pacote quadrado com um laço em cima, olhei curiosa da embalagem para ele.
– Eu gosto de presentes – comentei o obvio ajustando o roupão e sentando na cama, era o primeiro presente que recebia em muito tempo de alguém que não era da minha família ou algum leitor.
– Espero que você goste desse também – arqueei as sobrancelhas e o acompanhei com o olhar enquanto levantava da cama, ainda nu, acenou sumindo pela porta do banheiro.
– Por que eu tenho a sensação que você está escapando e me deixando para ver o presente sozinha? – gritei fitando a caixa misteriosa, desci da cama e parei na porta do banheiro ainda sem abrir a caixa, ele estava preguiçosamente sob a ducha com a porta do box aberta – Porque você só me entregou agora? – encostei-me à porta observando a caixa.
– Você estava ocupada para receber presentes – o fitei, às vezes eu tinha vontade de esbofetear aquele sorriso preguiço nos lábios grossos, fiz uma careta desencostando da porta. – Mas também não te vi chateada pela pequena distração – disse num ronronar – ? – coloquei a cabeça na porta e o fitei. – Não te deixei para ver sozinha, apenas estou te dando um tempo para saber se você vai me dar o prazer de te ver vestida com o conteúdo da caixa.
Puta que pariu! Imediatamente olhei para a caixa em minhas mãos.
Sem cerimônia arranquei o laço e abri a tampa, afastei o papel de seda ao mesmo tempo em que sentava na cama e colocava a caixa a minha frente.
– Oh meu Deus todo poderoso! – meus joelhos bambearam diante da peça fina e seu desenho floral delicado. – É lindo! – sussurrei segurando o corset, ouvi algo cair e vi, os acompanhamentos da peça.
Mastiguei o lábio inferior fitando a porta do banheiro, deveria tentar?
A peça era lindíssima e não sabia como ficaria em mim, uma pontada de incerteza correu por mim e voltei a deixar a peça dentro da caixa.
Aquilo não era nem de longe uma boa ideia, não mesmo. Mas porque tinha que ser tão bonito?!
Voltei a namorar a renda sobre o desenho. Engraçado como a vida podia ser uma cadela quando queria, sempre tive vontade de ter um daqueles, mas não havia coragem em mim, para comprar ou usar na frente de alguém. Eu tinha um fraco por mulheres em corset e até mesmo havia dado um de presente para YunHee, mas nunca para mim. Olhei na etiqueta, era meu número! Como ele sabia? Voltei a fitar a porta do banheiro, ele era um demônio! Puta merda! Voltei a pegar a peça entre os dedos, e se eu parecesse uma mortadela de feira dentro daquela coisa? Ou pior, um colchão rechonchudo amarrado a corda e pronto para ser enviado a um acampamento?
Corri na ponta dos pés até a porta do banheiro, ok. Ele parecia muito entretido em tomar banho e longe de sair nos próximos minutos.
Parei ao lado da cama capturando a peça, eu ia apenas vestir rapidamente, caso desse errado ele não saberia e eu poderia dizer que tentaria outra hora. Covarde. Sim, eu era. Era melhor ser uma covarde com orgulho do que uma sem e parecendo um saco de batatas. Entrei no closet e estaqueei. O que diabos havia acontecido com a chave? Podia muito bem me lembrar que havia uma bem ali, fitei em volta e não a encontrei. Não tinha tempo a perder procurando pela maldita, quanto mais tempo perdesse ali, mais chances ele tinha de sair e me pegar no flagra. Encostei a porta.
Você nunca vai ficar linda em uma peça dessas.
Queria espantar aquele pensamento, mas não tinha força o suficiente, ele permanecia rondando meu cérebro como uma versão esquisita do Sméagol.
– Me deixe em paz! – disse para imagem no espelho e virei de costas, retirei o robe e tomei o tecido macio entre as mãos.
Procurei pelo zíper discreto sob os botões e o abri, como uma coisa tão delicada podia ser meu número? Fechei os olhos já imaginando que ele não conseguiria abraçar minha cintura. Arregalei os olhos diante do encontro das partes. Oh. Meu. Deus. Virei rapidamente para o espelho e lá estava a peça moldando minha cintura com graciosidade. Puxei o zíper com os dedos trêmulos, ajustei os seios em seu lugar e encarei novamente o espelho.
O tecido acolheu minha circunferência como uma segunda pele, na medida certa, realçando meus seios e marcando a cintura. Acariciei a renda girando sobre os pés, sem perder a imagem sensual refletida no espelho. Aquilo era possível? Era realmente verdade?
– Eu sabia que ia ficar perfeito – encarei o olhar carregado e orgulhoso pelo espelho, parou a minhas costas, os lábios deslizaram sobre minha bochecha. – Lembre-se, isso é apenas um complemento a sua beleza, você não está mais bonita apenas por estar vestindo o corset. Você é linda independente da roupa que carregada. Isso é apenas um acessório – murmurou em meu ouvido, levando as mãos a minha cintura, tartamudeando em direção aos meus seios.
Encontrei os olhos castanhos pelo espelho, foi inevitável o arrepio em minha nuca.
Ele parecia me levar a embrenhar por um caminho tortuoso, sem volta.
As mãos pousaram suavemente sobre as minhas, entrelaçando os dedos suavemente, levando-me a espalmar sobre o tecido. Tal qual uma criança aprendendo a escrever, as mãos não soltaram das minhas. Sua respiração profunda brincava com meus cabelos úmidos enquanto deslizava ambas as mãos até meus seios. Engoli em seco quando uma leve pressão surgiu, automaticamente sensibilizando meus seios. Eram as minhas mãos guiadas manuseando sobre o tecido, tocando levemente a pele sobressalente e curvada pelo aperto sexy do vestuário. Uma coisa era eu manuseá-los em uma masturbação, outra era ter aquilo sob o comando das mãos masculinas e o fazer sob o olhar carregado dele. Um crescente constrangimento me atingia ao ter um toque mais carregado, provocando um gemido mais profundo. Ao abandono da mão, parei com o estimulo.
– Toque – o tom baixo munido do roçar em minha orelha, era mais do que eu podia suportar.
Tombei as mãos sobre os seios, seguindo o pedido. As dele passeavam perigosamente no alto das minhas coxas, atentando para o fato que nem ao menos portava uma lingerie. Eu estava desavergonhadamente nua em pelo na frente dele enquanto tocava meus seios. Onde eu estava com a cabeça? Minha pele se punha rubra, eu estava envergonhada ao estar consciente de mim mesma, da situação em que me encontrava.
Encontrei o reflexo no espelho. Quem era a estranha ali?
O que trazia na alma, não condizia com a imagem refletida.
Aquela pessoa, de corset, lábios partidos e olhar sensual, não era quem estava no espelho todos os dias.
A garota feia e sem graça, era quem me recebia toda vez que encontrava meu reflexo. A gorda e feia. A desengonçada acima do peso que ninguém olhava duas vezes e quando o fazia, era apenas para debochar das coxas grossas e abdômen volumoso. Aquela garota não era eu. Não. Quem era aquela que roubava a minha identidade?
A ardência explodia em meus olhos e nariz, eu via a imagem anuviar e sumir, pisquei com força afastando o mal-estar. Não estava em meu poder associar ambas as imagens e fundir em uma só.
– Será que você descobriu o que sempre vejo? – sussurrou em meu ouvido abraçando a minha cintura com firmeza, seu olhar engatou no meu.
Não era verdade. Meu lado hostil recobrou a consciência. Sob a peça de roupa eu era a mesma de sempre, a única coisa diferente, era que usava uma máscara nova. Assim que retirasse aquela peça, voltaria ao meu verdadeiro brio.
Os dedos permearam sob os botões, o ronronar suave do zíper pode ser ouvido. Espalhando o tecido do corset, trouxe minhas mãos da margem do corpo para a carne morena. Crispando os lábios observei e fui observada ao receber meus seios nas palmas das mãos. Guiando meus movimentos exalou profundamente sobre minha nuca, capturando a pele do meu ombro, tragando suavemente a cada roçar dos dedos aos picos túrgidos.
Eu podia sentir a ebulição em minhas veias e baixo ventre. Solitária em meus movimentos, acompanhei pelo espelho a toalha fazer seu caminho até os tornozelos. Ele iria me tomar ali? Fundir os corpos diante daquela testemunha, o espelho? Antecipação movia por meu corpo. Me movi a passos lentos sobre a pressão do toque em minha cintura. Para a minha surpresa o vi sumir as minhas costas e me levar com ele, o tecido frio estalou sobre meu traseiro ao ser posta entre as pernas. Lá estava o cutucar contundente de seu eixo em minhas costas, deixando-me a par da excitação. As mãos subiram por meu corpo capturando os seios e arquei sob o toque fugaz. Afastando meu cabelo, deixou a curva do meu pescoço a mostra para vê-lo curvar seus lábios sobre ele. Separou minhas coxas.
– Eu quero te ver – não tive tempo de articular nenhuma palavra, de alguma forma o corset havia sumido e eu estava exposta de todas as maneiras possíveis diante do espelho e do olhar astuto, que vergonha! Eu não podia permanecer ali – Não vá por essa linha de pensamento – ronronou em meu ouvido e estreitei os olhos, a confusão permeava meu rosto o suficiente para que ele pudesse ler-me?
Cruzei as mãos sobre o colo tentando me mover o suficiente para diminuir a distância da abertura das minhas coxas.
– Não – espalmando sobre minhas coxas, impedindo um próximo movimento. – Eu disse, quero vê-la.
– Não – sacudi a cabeça, apertei as mãos em meu colo, não poderia permanecer daquele jeito.
Sobrepujando minhas mãos, as outras as cobriram com delicadeza. Eu estava tremendo?
Fitei com estranheza a junção côncava dos dedos trêmulos e a forma que foram recebido pela maior. Em seguida, ergueu minha mão esquerda até alcançar os voluptuosos lábios e depositar ali um beijo demorado. Encarei o espelho, a mulher no espelho ainda não havia sumido. Seu olhar estava quase temeroso, guardando resquício de uma vulnerabilidade, mas também, trazia consigo um misterioso brilho, como se soubesse exatamente quem era a mulher que a estava encarando. Tal como se fosse portadora de algum segredo que eu ainda não tinha conhecimento, recuei instintivamente.
– O que está fazendo comigo? – soprei sobre o ombro fitando o rosto próximo ao meu, seus olhos estavam fixos olhando a frente.
Assisti pelo espelho os dedos tracejarem sobe meu corpo, sem seguir uma ordem, apenas passeava sem destino, acordando novos horizontes, reações. Eu sentia o contato vago de sua palma fazia-me inclinar na direção dele, do próximo toque. Eu não estava presa. Seu braço não estava a minha volta, nem tinha as mãos presas ao julgo dele. Contudo eu permanecia no mesmo lugar. Seduzida pelo seu ritmo lento e constante ao tomar-me em suas mãos.
– Indo ao seu encontro – voltei-me para ele sobre o ombro, encarando a íris castanhas moveram-se sobre meu rosto de forma cuidadosa ao chegar em meus olhos.
Umedeci os lábios ansiosa pelo beijo pálido que foi depositado em meu ombro.
– Por aqui – fazendo minhas mãos de refém, voltou a guiar meus toques, arqueei tragando o ar com força.
A voz marcava o compasso do toque ao sussurrar o que ele queria, como o queria enquanto manejava minhas mãos, indo dos lábios as dobras úmidas entre minhas pernas. Vertiginosamente dedilhava ao sabor dos olhos castanhos, estava abandona ao meu toque solitário enquanto ele permanecia com os olhos apertados notando cada movimento feito por mim. Não havia possibilidade de distinguir onde começava a minha tensão e terminava a dele. Segurando meu quadril, podia sentir os dedos voltear e o leve balançar do corpo rijo. Inclinei para frente apoiando no joelho masculino, a respiração curta cobria minhas costas me fazendo sucumbir em direção a ele.
– Chega – segurou meu pulso afastando-o da região. – Me deixe continuar, fique de pé.
Levei alguns segundos para fazer o que me era dito, meus músculos rangiam de agonia por ter sido interrompida. Girando-me parei de frente para ele, lambi os lábios diante do olhar faminto, segurando pela minha cintura, me puxou para ele.
– Não. – travei o movimento ao entender o que ele queria.
, não seja boba – ralhou contrariado. – Não é como se você nunca tivesse feito isso antes.
– Na realidade não, minha experiência com rapazes, é nula e quanto a YunHee... – engoli as palavras e abaixei o olhar constrangida, não era nada demais, era? Droga! Eu sabia como montar, mas nunca o havia feito.
– Você é realmente uma delícia, , segure no meu ombro.
Fiz o que ele havia dito e espalhei os joelhos próximo ao quadril estreito, mordi os lábios o vendo esperar por mim. O caminho foi feito de maneira lenta, abrindo espaço em minha cavidade, ajustando sua extensão em meu núcleo. Cravei as unhas no ombro, sacudindo o corpo espontaneamente. Arquejei, eu simplesmente podia morrer naquele instante. Ele permaneceu quieto tragando o ar com rapidez, fiz um movimento de retirada, apoiando agora na parede, e voltei a posição anterior. Escapou um gemido longo dos lábios grossos, suas mãos afundaram em minha carne, dessa vez ao fazer meu caminho, ele me acompanhou. Arqueei de encontro a ele, seus olhos alcançaram os meus e a boca o meu seio. Impondo um ritmo lento, saboreei a extensão do eixo levar seu caminho dentro e fora de mim.
– Continue assim e eu não vou durar – ofegou em deliciosa agonia.
– É essa a minha intenção – disse ao mordiscando o lóbulo da orelha.
A resposta veio imediatamente, investindo duro, chocando o quadril contra o meu. Foi a minha vez de gemer e aumentando o ritmo instantaneamente, mastigava com os dedos a carne do meu traseiro. Gemi arqueando o quadril sobre ele, passando do limite da minha sanidade, ele não foi longe e logo o tinha quente dentro de mim.

Permaneci em silêncio até ter certeza que ele estava imerso em sonhos. Refugiei-me na varanda do quarto. O vento vinha frio, cortante, àquela hora da madrugada. Não me importei e sentei diante do oceano. Respirei profundamente. Desejei ter uma carteira de cigarro ao meu alcance, ardia por sentir o calor reconfortante ao tragar. Era um habito que havia deixado de lado para entrar naquela empreitada.
Era frustrante e até mesmo engraçado, pensar nos caminhos que havia me levado até ali. Toquei meu abdômen, poderia ter alguma centelha de vida ali? Aquela ideia maluca poderia ter dado certo?
Eu era pequena, e eu via as crianças ao meu redor, assim como eu, abandonadas. Por que ser capaz de receber o milagre da concepção para deixá-lo de lado no momento seguinte? Eu havia tido sorte em ter uma família, isso não acontecia com frequência.
Eu seria capaz de fazer aquilo? De agir da mesma forma como minha mãe biológica havia feito?
Ter um filho era uma das coisas que mais desejava no mundo, mas eu seria capaz de o fazer da maneira correta? Eu poderia vir a ser uma boa mãe? Várias perguntas surgiam conforme o tempo ia passando, eu não tinha as respostas. Racionalmente pensando, poderia ser uma boa mãe, já havia passado por situações em minha vida que, haviam marcando-me de maneira profunda, que embasavam o suficiente para agir da maneira correta.
Mas poderia ser o suficiente para cuidar e acalentar uma criança de modo satisfatório? Eu não me sentia capaz, me fugia por entre os dedos o desejo de realizar aquele intento. Eu estava apavorada.
– Eu não sei se você está aí – murmurei. – Mas eu não sou como as outras mães que você verá quando crescer. Sou do tipo meio aborrecida e sem graça, também não sou bonita, pois existe uma coisa chamada chocolate que é uma delícia, prometo deixar você comer um antes do jantar – o ferroar em meu peito cresceu trabalhando harmoniosamente com a inquietação e a angustia que me tinha de mãos atadas. – Nunca passei por isso antes, eu não sei se saberei ser uma boa mãe – funguei esfregando o nariz.
Fiz uma prece silenciosa para que se eu estivesse esperando, viesse um rapazinho, não era nada legal ter os hormônios afetados todo santo mês. Limpei o rosto e respirei fundo. Oh droga! Olhei em volta, havia deixado o celular no quarto, em que dia estávamos? Fiz as contas mentalmente. Não. Não mesmo. Se minhas contas estivessem certas, eu estava atrasada um dia?! O que era um, dois? Três?! Nada, não tinha um significado.
– Porra! Droga! – girei sobre a mureta e quase cai da mesma ao dar de cara com ele. – Mas que mania é essa de chegar mansinho e me assustar?
– Está tudo bem? – assenti firmando em meus pés, estirando um sorriso em meus lábios.
– Claro, estava um pouco quente lá dentro. Ah garoto, você é quente – dei um tapinha em seu ombro ao passar por ele cuidando dos passos para não deixar a vista a crescente ansiedade.
A linha de chegada estava apenas alguns passos a minha frente, eu poderia me conter até chegar no quarto e, nada. A mão em meu antebraço me impediu de seguir em frente e a próxima coisa a ser vista, foi o peito masculino. Ele me envolveu em seus braços, aninhando de maneira suave, porém, firme. Minha pele eriçou diante do corpo cálido ao descansar minha bochecha contra ele. O queixo repousou contra minha cabeça, uma mão permanecia contra minhas costas e a outra, pousou sobre meus cabelos. Permaneci deixando me levar pelas batidas daquele coração e a terna caricia.
Cerrei os olhos com força tentando evitar o ardor choroso e ansioso por rasgar em meu rosto e explodir em lagrimas. Eu não queria chorar, não queria ir por aquele caminho na frente dele. Eu não precisava desse tipo de atitude na frente dele. O que eu precisava era chegar no quarto e fazer as contas, isso era mais importante que irromper ali, mas droga! O simples pensamento que o atraso podia ser pelo motivo certo, veio certeiro sobre mim, em uma velocidade vertiginosa, batendo e estampando as questões que vinha remoendo.
E se no fim das contas, eu não fosse uma boa mãe?
Afundei o rosto contra a pele maciça em desespero. Meu corpo latejando ao deixar escapar estreitadas lagrimas quentes, contorci-me no abraço querendo expulsar a carga angustiante, que novamente enrolava seus dedos frios contra meu peito e me fazia ruir. Eu tinha vontade de gritar, expulsar o nó em minha garganta, romper aquelas amarras e sair, respirar fundo, sem me preocupar com nada.
– Ei – sua voz soou mansa em meu ouvido, os braços cerrados a minha volta. – Eu estou aqui. Você não está sozinha.
A frase ecoou por cada fibra do meu ser, calmando, tecendo uma teia frágil por cima de todas as fendas e escombros de minha alma. Eu não estava sozinha? Eu realmente não estava sozinha? Me afastei para encontrar a seriedade da íris castanhas, tragando-me para a certeza do que dizia. Deitou minha cabeça novamente em seu coração, ao embalo sereno dos braços estreitados. O vibrar sereno rugiu contra o farfalhar das ondas, a balada murmurante escapou pelos lábios capturando meu coração tão abalado e levando de mim os últimos resquícios do choro.
não deixou seu cantarolar ao me fazer deitar na cama, fazendo o mesmo, não tardou a me acolher contra o peito. Ele não fez perguntas, não disse nada. Apenas permaneceu ali, a mão envolveu a minha, segurando contra o peito, a outra alisando meus cabelos. Suavemente e relutante escorreguei para o piscar pesado, o sono chegou e mal vi quando adormeci.

Estudei pela ampla janela da cozinha, em seu short caído sobre o estreito quadril e andar ligeiro em volta da piscina. Sorri. Alto e esbelto. À primeira vista, um frangote. Apenas um olhar atento seria capaz de notar os músculos em um levantar de copo ou durante um flexionar de braço. Ah sim! Os músculos estavam todos lá e a firmeza exuberante de quem sabia exatamente o que queria mantinha-se presente em cada passar de braço sobre a minha cintura ou ombro.
Dois dias haviam se passado desde que chorei sobre ele. No dia seguinte, quando eu acordei, ele estava lá apenas me olhando, avaliando com seus olhos castanhos. Ao contrário de acordar e permanecer na cama, como sempre fazíamos nas manhas, tínhamos saído de casa para visitar alguns pontos turísticos. Os toques estavam sobre mim a todo momento, carinhoso e cuidadoso. Não houve sexo, nada mais do que beijos leves e um cuidado, até mesmo exagerado, de agir ao meu redor. mantinha-se atento as minhas necessidades e eu não sabia que podia existir em alguém do sexo masculino com toda aquela doçura e delicadeza.
Ele era discreto. Mantinha todas as boas coisas sob uma camada de leveza, quase infantil. Em um minuto ele ria de algo engraçado e no seguinte estava arqueando majestosamente entre minhas pernas. O aspecto magro escondia a tenacidade de suas ações. Se fosse por um minuto sincera comigo mesma, diria que estava com saudade do toque mais quente em minha pele, do arroubo de paixão e sexo entre nós. Dancei em meus pés sentindo o velho e bom comichão em minhas veias. era capaz de alcançar camadas profundas em mim, mantendo-me na ponta dos pés o tempo todo.
Se fosse em outra época, em outro momento.
Em momentos como aquele, eu sentia inveja da garota que ele estava apaixonado. Ela teria sorte de ter alguém como ele por perto, o tipo de pessoa agradável para se estar a volta, não só me deixava a vontade como o fazia com uma habilidade surpreendente. Não era sempre que podia sentar e relaxar, agir como eu queria, sem me preocupar com o que pensariam a meu respeito, se me fitariam torto pelo meu tamanho ou torciam os narizes enquanto eu estava no mesmo ambiente com pessoas de porte magro ou médio, como se não tivesse o direito de estar no mesmo lugar que as outras pessoas. Sem falar, é claro, naqueles que chegavam e me empurravam mil dietas ou exercícios que seriam ó: "ótimo para acabar com os pneuzinhos".
Com ele, não.
Eu podia estar em qualquer lugar e ter um bom tempo, rir e conversar sem me preocupar com nada. Eu só me sentia daquele jeito com meus irmãos. Não, na realidade, ele era diferente de qualquer um dos . Ele me punha a vontade e consciente de mim mesma, de um jeito diferente. sorria para mim e me sentia derreter internamente, os olhares eram direcionados para mim e isso de alguma forma me deixa consciente de que, naquele instante, eu era a única para ele.
Suspirei. É, aquela moça teria sorte se um dia pudesse desfrutar do que eu estava vivendo.
O vi mergulhar novamente e voltei a fitar as frutas em minhas mãos. Ri comigo mesma. Estava parecendo uma tola, ali o observando, esquecendo do que ia fazer. Tal qual uma garotinha apaixonada.
Claro, se estivesse disponível.
O que não era o caso.
Longe disso.
Minha esposa de cabeça avoada me esperava em casa e com um pouco de sorte e ventos favoráveis do destino, aquela aventura ia acabar por ali e eu estaria carregando um bebê. Engraçado, até aquele momento ainda não havia feito as contas sobre a minha suspeita e tudo porque estava envolvida demais com as ações dele, para parar um instante e olhar para aquilo. Na realidade não havia lembrado até aquele minuto. Voltei a fitar a janela o vendo surgir e agitar os cabelos retirando o excesso de agua.
Se fosse esse o caso, de estar gravida e terminar tudo ali, seria algo normal, o esperado por todos. Então, por que mesmo eu me sentia um pouco pesarosa sobre aquilo ter dado certo?
– Sem motivo racional, eu diria – resmunguei fixando minha atenção na tábua de frutas a minha frente.
– O que seria sem motivo racional?
Guardei um exaltar de susto e o fitei parando meus movimentos. Lá estava ele, nu enquanto secava-se com a toalha. Oh meu garotinho, ele não tinha vergonha em exibir o corpo magro pela casa, quem eu era eu para julgar? Da minha parte, tomei a liberdade de apreciar a paisagem esguia a minha frente.
– Nada em especial – afastei os pensamentos e o calor proveniente do núcleo do meu corpo, estalei a língua sobre os lábios recém ressequidos e voltei a minha atividade.
– Entendi – engoli em seco ao vê-lo se aproximar ao meu lado e debruçar para capturar um pedaço de manga. – Vamos ter salada de fruta?
– Sim – mas poderia ser esse seu traseiro magro entre minhas pernas, completei em pensamento. Perdendo o juízo diante de um rapaz nu, é eu devia estar com um parafuso solto. Realmente. Estava ficando quente, muito quente.
– Chegue mais para lá, daqui um pouco você vai estar em cima de mim. – o fitei dando de cara com um sorriso largo e sexy, má escolha de palavras, ponderei ao vê-lo concordar lentamente em um gesto preguiçoso.

Entrei na cozinha e ela estava na ilha preparando alguma coisa com frutas enquanto resmungava, ah sim, eu adorava perturba-la na cozinha e daquela vez não seria diferente. Observei a coloração no rosto redondo seguido pelo olhar quente sobre meu corpo e o puxar do ar pelos lábios femininos. Quase podia ver os pensamentos saírem por um caminho deliciosamente tortuoso. Não resisti ao tenta-la e me aproximei.
Concordei imediatamente com a frase de duplo sentido. Sim, garota!
Era exatamente onde eu queria estar. O pestanejar atrapalhado veio acompanhado do olhar inconsciente da toalha que agora abrigava meu quadril. É por aí, moça das curvas. Sorri chegando próximo a ela, vi minha ação refletida num tremular de lábios.
– Não é uma má ideia – murmurei capturando uma uva, seus olhos acompanharam meu gesto. – É uma delícia.
Deixei uma piscadela e caminhei para o outro lado da ilha. Adorava o modo como reagia a mim e a maneira que ela vinha portando-se depois do segundo dia. Apoiei os cotovelos no tampo de mármore escuro e continuei a observar. Não poderia afirmar com cem por cento de certeza que algo havia desfeito após a viagem ao closet. mantinha-se reservada da mesma forma, apenas mais maleável e um pouco menos tímida. Eu sabia que ainda havia resquício do temor que presenciei na varanda, apesar de parecer a vontade, em alguns momentos a tinha perdida em pensamento, em outras vezes em um gesto inconsciente em direção ao abdômen. Ainda havia um longo caminho a trilhar para que ela pudesse ser dona de si por completo, mas até lá, continuaria ali para assisti-la a ascender da mesma maneira que a via.
Desviei minha linha de pensamento imediatamente ao ver o vinco entre as graciosas sobrancelhas, algo estava muito errado.
– Isso é meio abusado, até mesmo um palpite ofensivo, mas eu me pareço com ela? – a pergunta surgiu em tom leve a fitei interrogativamente. – Com a sua menina – parou um instante e me fitou. – Algumas vezes você me olha de um jeito interessante, seu corpo está aqui, mas seu cérebro não. Faz-me pensar que eu possa lembrá-la ou que talvez você tenha um desejo de viver isso com ela.
– Não sei porque isso deveria ser ofensivo – estreitei os olhos. – Em alguns pontos sim, vocês são parecidas, mas isso não faz que eu divague em como seria estar aqui com ela. Uma coisa não tem nada a ver com a outra – não podia decifrar nada através de seu rosto sereno. – Por que a pergunta?
– Apenas curiosidade – terminou o que fazia e deslizou em minha direção. – Espero que goste.
– Onde você vai? – interrompi seu caminho e a trouxe para meus os braços, não passou em branco o leve arrepiar do corpo feminino ao meu encontro.
– Me jogar no sofá e relaxar, estou enrolada com um livro e quero terminar de ler – desvencilhou suavemente do meu colo sem me fitar.
– Hum – me coloquei de pé e segurei pelo queixo a fitando, lá estava um brilho estranho, ela estava com ciúme? Tão rapidamente quando surgiu aquela emoção desvaneceu. – Vou subir e tomar banho, já venho.
Escondia minha alegria ao seguir meu caminho para o andar de cima. Será que havia visto da maneira correta ou era apenas minha imaginação pregando uma peça? Independente da resposta para aquela pergunta, me sentia um pouco melhor. Tolo, mas ainda assim, o pensamento era reconfortante o suficiente para me fazer dançar sob a ducha.
Desci as escadas disposto e ter algum avanço, depois de dois dias longe do corpo curvilíneo, e agora com tão relaxada, estava disposto a invadir a comodidade dos últimos dias e me perder entre o abraço fofo daquele corpo.
Freei meus passos ao vê-la tão feliz e corada ao ler o livro, observei o rapaz que, sem sombra dúvidas, juntando todos os homens da minha família não daria metade do peitoral musculoso. Cruzei os braços sobre o peito encarando aquela cena. Não sabia o que era pior, o desconforto de vê-la animada por um livro ou por ter ciúme de um pedaço de papel ordinário.
Eu estava entrando em um caminho perigoso cada vez que estava próximo a ela e servil de um sentimento tão sem sentido, como só o ciúme podia ser.
Parabéns , você está terrivelmente fodido.

O observava estirada no sofá segurando meu livro, enquanto o via andar de um lado para o outro sem deixar de lançar olhares furtivos em minha direção.
– Diga – abaixei o livro sobre o colo. – Você está prestes a criar um buraco no chão, andando de um lado para o outro, desse jeito.
– Oi? – parou em seu caminho – Eu?
– Minha avó que não poderia ser, que Deus a tenha – completei fitando o céu por um instante.
– Não tenho ideia do que você está falando – cruzou os braços sobre o peito.
– Okay, não está mais aqui quem perguntou – revirei os olhos ao a pegar o livro e voltar a minha leitura.
Ainda podia vê-lo na mesma posição, alcei alguns centímetros bloqueando a visão da criança emburrada. Ouvi o bufar irritado e afastei o livro para vê-lo dirigir-se a cozinha, novamente. Não sabia o que estava acontecendo com ele, mas partindo do ponto que se algo tivesse o incomodando ele iria me falar, pelo menos era o que eu esperava que viesse acontecer, voltei a me perder entre os personagens da Laurann Dohner. O copo de suco foi posto em frente aos meus olhos, ergui o olhar e o vi dar um sorriso nervoso.
– Obrigada – provei o suco de mangostão enquanto ele achou lugar em uma poltrona próxima.
– Então, é esse tipo de rapaz que você gosta? – ergui as sobrancelhas e o vi apontar com o queixo o livro em minhas mãos.
– Quem não iria gostar de um tipo desses, ? Alto, másculo e com um porte de dar inveja em muitos homens – fitei a capa do livro. – Ainda mais por ser uma mistura deliciosa entre humano e canino.
Balancei o livro como um leque e o vi estreitar os olhos e quase sem conseguir disfarçar o bufar, eu estava brincando e ele parecia estar levando a sério, parei na hora. Observei o olhar de desprezo novamente em direção ao livro e o abaixei no colo e o fitei esperando que ele chegasse até mim.
– Nos livros sim, eu gosto de rapazes como esses. Apenas nos livros, a realidade é bem diferente e como tal, não é o meu tipo. Rapazes desse biótipo não são exatamente a favor do meu – aninhei contra o sofá, parei um instante, engoli o gosto amargo na boca e esbanjei um sorriso. – Já me envolvi com eles o suficiente para saber que garotas como eu, são boas apenas para uma transa, mas nunca para ser apresentada a sua família. E este carinha aqui... – bati contra a capa do livro. – Quebrando os paradigmas está apaixonado por uma beleza curvilínea. Nesses momentos eu me deixo levar pelo encanto de uma boa história onde tudo pode acontecer.
Quando ele não disse e parecia ainda mais irritado, instintivamente afundei contra as almofadas ficando em silêncio. Engoli em seco ao vê-lo levantar e caminhar em minha direção, o rosto sobre meu e os olhos em fúria enquanto parecia ponderar o que diria a seguir, mas sem relaxar a postura agressiva.
– Droga, , eu me pergunto com que tipo de pessoa você andou quando era mais nova.
Encarei sem saber se deveria responder ou esperar o que viria a seguir, mas estava esperando que toda aquela proximidade o levasse para outro nível. Ele me deixava excitada quando ficava furioso, cruzei as pernas evitando que o formigar evoluísse por todo meu corpo. Oh sim, se eu tivesse em um relacionamento com ele, adoraria terminar todas as discussões com uma bela transa.
– Acho que, talvez, você não iria gostar de saber – exalei antecipando a excitação subindo em espiral ao sentir meu corpo latejar; o nariz empurrou o meu, a respiração surgiu pesada, engoli e sabendo que o estava empurrando ao limite, continuei. – Talvez, não fosse tão ruim...
O livro foi parar em algum lugar no chão e eu esmagada contra o sofá.

Abri os olhos devagar, me ambientando. Suspirei me espreguiçando, olhei para o lado e ele permanecia dormindo, hoje era um dos raros que acordava antes que ele. Movi-me com cuidado na cama, estiquei até alcançar o robe ao fim da cama, podia sentir o fisgar dos músculos ao fazer o trajeto até o banheiro. Esfreguei o rosto diante do espelho, andava mais nua ali do que na minha própria casa. Lavei o rosto e escovei os dentes, ainda estava com sono. Sim, eu ia voltar para a cama mais um pouco. Aproximei-me devagar da cama observando o belo espécime dormindo. Parei meu olhar em cima do lençol em sua cintura marcando a bela ereção matinal. Todo mundo merecia acordar com uma bela chupada, tinha ouvido isso em algum lugar e a naquela hora tive que concordar, lambi os lábios.
Não era mestra naquilo, as experiências anteriores haviam justamente me levado a correr de situações como aquela, não queria vomitar meu fígado ou ter meus cabelos arrancados do couro, ou ambos, na mesma hora. Mas ele parecia tão saboroso em seu sono que não tinha outra opção a não ser subir na cama.
Salivei diante da carne tenra. A deliciosa agonia estava instalada entre minhas pernas ao ver aquele mastro rijo, debrucei sobre ele, subi com a língua das bolas até o topo. A sensação era ainda melhor do que a visão, voltei pelo caminho para sugar suas bolas, primeiro uma, depois à outra. Sentia a excitação latejando entre as minhas pernas e ainda não havia começado a me divertir. Havia algo nele e em suas ações que me fazia viver o que sempre mantinha a rédea curta. Naquele minuto eu só o queria em minha boca.
Chupei a base do seu eixo brincando com suas bolas em minhas mãos, mordisquei sua pele e apertei as pernas sentindo um choque imediato. Eu estava excitada a ponto de doer ao sugar cada parte de extensão até, por fim, abocanhar. Gemi extasiada vibrando em sua glande e levando até onde podia aguentar. Deslizei para fora devagar sentindo cada veia estalar em minha língua e lábios. Raspei a língua em seu freio, alternando entre chupadas e lambidas. Ordenhei com gosto enquanto o levava para dentro da minha boca. Girei meu traseiro no alto no mesmo movimento que minha boca em seu membro. Minha umidade escorria e eu o queria me fodendo, mas a vontade de provar seu gozo era maior.
Sabia que ele havia acordado há algum tempo e mantinha-se quieto a custo de muito esforço, sua pele clara mantinha uma cobertura fina se suor, o maxilar firme e os lábios cerrados, a respiração mantida a um preço alto, o que me fazia ainda mais molhada e tentada a permanecer com os lábios em volta do eixo. A pele leitosa pedia por meus lábios e enquanto bombeava de forma lenta o eixo, lambi sua barriga subindo compassadamente em direção aos mamilos, fazendo com que os meus deslizasse sobre a pele úmida. Plantei os joelhos ao lado de cintura e num momento de alívio para o meu tesão, encaixei suavemente os lábios sobre sua extensão, deslizei no membro rijo enquanto sugava seu mamilo. Mordi seu ombro indo até a base do pescoço, suguei saboreando o gosto da sua pele.
Dedilhei os lábios lambendo e mordiscando, mantendo o ritmo em meu quadril, suguei seus lábios os prendendo entre os dentes. O movimento quase imperceptível do quadril de encontro ao meu e gemi soltando seu lábio. Parei um instante para tomar fôlego e controlar minha própria vontade de me afundar em seu membro.
– Bom dia – murmurei contra seus lábios, sorri ao vê-lo abrir os olhos anuviados.
Deixei um último beijo antes de partir em busca da rigidez. Sabia que ele não estava longe de explodir e o queria em minha boca. Arrastei a língua sobre sua pele, sentindo meu próprio gosto por todo a sua extensão, aquilo era muito bom. Gemi descarada ao levar minha mão até o ponto agonizante do meu corpo, esfregando o delicado ponto inchado e penetrando em minha brecha. Seus lábios abriram procurando por ar e sorri sapeca, seu corpo estava tenso sob mim. Suspirei e gemi ao sentir o pré-gozo deslizar de sua fenda até minha língua, retirei meus dedos embebidos em minha umidade e os levei até a rijo comprimento, massageando.
Afastei o cabelo do rosto e o fitei, seus olhos não perdiam nada e sorri o abocanhando. Esfreguei suas bolas e o levei até onde conseguia mantê-lo dentro da boca, indo e voltando gemendo enquanto o fitava. Seus dedos entrelaçaram meu cabelo, seu corpo ergueu, esperei que ele fosse afundar em minha boca, e tremi assustada. Minha experiência naquilo não era das melhores e sempre terminava de forma precária. Quase como se ele pudesse ler minha mente, permaneceu rígido, apenas tendo um ponto de apoio em meus cabelos. Conectei meus olhos ao dele quando o primeiro jato agridoce atingiu minha língua causando uma reação explosiva entre as minhas pernas.
O ganido veio grave e baixo enquanto minha boca era preenchida, eu gemia impotente diante daquela iguaria e ardia latejando saudosa por ele. Traguei lentamente seu creme, desfrutando do sabor único escorregando por minha garganta. Encostei a testa em seu umbigo mamando e gemendo, os últimos resquícios de seu cerne. Senti a leve pressão em meus cabelos e minha cabeça foi erguida tempo o suficiente para que os lábios caíssem famintos sobre o meu.
As mãos forçaram minhas costas para se aproximar e o fiz de bom grado. Gemi contra sua boca abrindo espaço para ele entrar. A mão escorregava para abaixo do meu quadril, explorando a carne úmida da minha coxa e arfei tendo ele encontrado o caminho para a minha entrada. Os dedos deslizaram suavemente abrindo espaço entre minha cavidade, afastou-se entrecerrando os olhos, me fitando de maneira lasciva.
– Tão úmida, tão gostosa e eu estou pronto para ter minha parte do café da manhã.
Suas palavras me levaram para outro nível de aquecimento e apoiando seu braço em minhas costas, me fez voltar a deitar. Seus olhos famintos passearam por meu corpo indo estacionar no núcleo entra minhas pernas. Não pude deixar de me sentir embaraçada diante daquele olhar, da exposição pulsante da minha carne. Os castanhos olhos encontraram os meus e diante de qualquer investida da minha parte, plantou suas mãos em minhas virilhas, chicoteando sua língua no broto sensível entre minhas dobras.
Enrodilhei os dedos entre os cabelos espessos, ele sabia trabalhar muito bem sua língua e eu estava literalmente perdida. Fui arrancada de forma brusca do meu prazer ao ouvir o smartphone dele tocar, durante o tempo dele em minha casa e ali, era a primeira vez que ouvia tocar, e justamente numa hora tão imprópria quanto aquela. ergueu a cabeça lambendo os lábios, me fitando com interrogação. Fiz um gesto em direção ao objeto, não tinha força para abrir a boca e não queria demonstrar minha frustração ao ser interrompida, guardando uma imprecação ao alcancei o objeto para ele.
– Você não pode estar falando sério, YooHwan – com a expressão contrariada sentou na cama, o vinco em suas sobrancelhas parecia aumentar a cada segundo que ouvia o mais novo. – Muito bem pensando, estou a caminho – um breve silêncio e um movimento de cabeça vindo da parte dele. – Até mais – jogou o objeto sobre a cama e se pôs de pé. – Me desculpe por isso, mas é uma situação urgente.
– Sem problemas, que horas o nosso voo sai? – pulei da cama alcançando o roupão e o amarrando.
– Apenas eu irei – parei no meio quarto. – Ficarei no máximo dois dias fora, não há necessidade de acabar com as férias por causa desse problema, voltarei o mais rápido possível.
– Mas eu não preciso ficar – contestei não sendo favorável com ideia de permanecer sozinha em uma casa que nem era minha, muito menos em um lugar que não conhecia, entretanto, não gostaria de ir embora mais cedo que o previsto, mas não via cabimento em estar ali sem ele, e se as coisas demorassem?
– Você não pode esperar por mim? – interrompeu minha linha de raciocínio segurando meu rosto com ambas as mãos. – Prometo, não vou demorar mais do que o necessário.
– Pelo menos posso ajudar te levando até o aeroporto? – assentiu sorrindo. – Então está decidido, enquanto você toma uma ducha quer que eu separe algo para você levar?
– Ficarei feliz se você ver algo para vestir agora, mantenho um terno para urgências no escritório – deu beijo superficial em meus lábios. – Obrigado.
– Sem problemas, agora corra, você está atrasado – o empurrei de leve saindo do seu caminho.
Observei enquanto ele corria nu para o banheiro, balancei a cabeça abrindo o closet, tanto o clima dali, quanto o da Coreia estaria agradável, separei uma camiseta e uma calça jeans escura, deixei ambas em cima da cama. Coloquei seu chinelo próximo, sabia de sua aversão por sapatos fechados, provavelmente ele também teria um no escritório. Coloquei sua carteira e passaporte dentro de uma mochila Moldir. Separei para mim, um shorts e uma regata, tomando ambos e um par de lingerie, entrei no banheiro. Fiz um sinal que ele deixasse aberto, sorriu e aproveitou para passar por mim e deixar um tapinha no meu traseiro, sorri e o vi piscar antes de sumir pela porta. Fiz minha higiene rapidamente e logo estava vestindo a roupa. Dividimos o banheiro enquanto escovamos os dentes, alguns minutos depois entravamos no carro.
– Você saberá voltar? Essa ilha consegue ter algumas ruas bem confusas.
– Só preciso de um GPS ou de alguém fluente inglês – lhe sorri olhando em volta e procurando pontos que me assegurasse do caminho que eu deveria tomar.
– Falei com o SeokCheon, ele vira passar com você o dia e dormir. O número dele também está em sua agenda, qualquer coisa é só falar com ele, ok?
– É gentil de sua parte, mas eu prefiro que não – me fitou rapidamente erguendo as sobrancelhas. – Mal conheço o rapaz e não nos vimos em uma boa situação quando eu cheguei. Em uma ele nos viu brigando e em outra eu estava nua.
– Ainda assim eu prefiro que ele venha, é meu amigo de longa data e me sentirei mais tranquilo em saber que estará com você – não escondi a careta e ele riu. – Por favor?
– Por que eu deveria? – encarei a janela a minha frente batendo os pés de leve ao ver o aeroporto se aproximando.
– Porque eu estou pedindo.
– Não acredito que seja o suficiente – um sorriso enviesado descansava em seus lábios e resmunguei desafivelando o cinto.
Pulei do carro enquanto o sinal de alerta era ligado, tranquei minha porta e ele já estava de pé a minha frente com a mochila, no ombro.
– A tanto a se ver em Bali, quase não vimos nada até agora – acariciou minha bochecha e eu assenti devagar.
– Quando você voltar – pontuei e logo sua mão estava entrelaçado ao meu cabelo.
– Tenho outros planos para quando voltar – debruçou sobre meu rosto, alcançando meus lábios.
A boca ávida levou a minha pelo mesmo caminho de necessidade, logo tinha minha mão em seu ombro. Meu corpo foi rápido em responder seus mínimos movimentos, estava ofegante e alerta. Pronta para ser possuída ali mesmo. Um gemido angustiado brotou dos lábios masculinos e levando-me para mais perto, separou os lábios ofegante.
– Vou começar exatamente de onde parei – varreu seus dentes sobre meu lábio inferior o sustentando sobre os dentes, sugando lentamente.
Meus joelhos estavam bambos e novamente estava frustrada por não estar em um lugar fechado, deserto e com privacidade, para que ele pudesse cumprir o que dizia de forma tão sensual. Desejei que a língua aprofundando em minha boca, estivesse capturando aquele lugar anterior abandonado entre minhas pernas. Separei-me bruscamente de seu aconchego e encostei no carro.
– Vá de uma vez – soprei em um fio de voz cruzando os braços sobre o peito, apenas para esconder o tremor em meu corpo.
– Ok – o sorriso era por si só um pecado, mas acompanhado do olhar carregado e um certo volume em suas calças, eu estava sendo enviada para o inferno em segundos; um olhar fugaz sobre seu relógio de pulso e uma piscadela direcionada a mim. – Acredito que a essa hora SeokCheon já esteja te esperando em casa.
– Espero que você seja atingido por um raio – fiz uma careta dando a volta no carro e antes de assumir o lugar do motorista, joguei um sorriso irônico. – E seu amigo também.
Ele não disse nada, mas não foi capaz de reter uma gargalhada antes de acenar em minha direção.
Depois de virar pela quarta vez na mesma esquina e parar novamente no mesmo sinal, eu já estava cansada daquela coisinha irritante que insistia em me contrariar e me enviar para ruelas e não para o shopping. De alguma maneira, aquela entidade devia ter feito um pacto maligno com , para me levar justamente para outro caminho longe do meu novo notebook. Para ajudar naquela situação, todas as pessoas que passavam por mim, apesar de mostrar solidariedade, não falava em inglês e eu muito menos me fazia entender de forma coerente.
Tudo bem. Eu ainda tinha uma linda piscina e uma praia na varanda de casa. Quem precisa de tecnologia naquelas alturas?
Eu. E meus pobres dedinhos ansiosos por deslizarem suavemente sobre as teclas e pôr em pratica uma ou duas ideias.
Parei em frente a uma espécie de papelaria e escolhi um bloco de notas e alguns itens. Eu podia não ter uma boa memória para nomes de rua e pessoas, mas me lembrava razoavelmente bem de onde havia vindo e lentamente coloquei-me em marcha para voltar para casa, parando apenas para escolher o que serviria de café da manhã e almoço. A dispensa estava farta e se por acaso o rapaz, apresentasse sinais de fome e má vontade de ir para casa, poderia inventar algo.
Contive meus pulos de satisfação ao chegar e não avistar nenhum carro parado ou sinal de que havia mais alguém além de mim. Deixei os pacotes em cima da ilha na cozinha e parti em direção a sala, acoplei o smartphone no home theater e deixei que a casa explodisse ao som de LeeSSang. Voltei para cozinha a passos leves ao dançar dividida entre a geladeira e os pacotes exalando um delicioso aroma de comida feita na hora.
Apreciei a vista bonita da cozinha bebericando uma taça de vinho branco ao rascunhar no bloco de notas. Envolvida na atividade, não vi a tarde afundar lentamente. Não sabia como ainda conseguia enxergar alguma coisa quando desci da banqueta. Parti pela casa acendendo algumas luzes pelo caminho. Não tinha fome, não daquelas que te colocassem faminta a ponto de devorar o pé da mesa, esperando que essa chegasse, voltei a sala e sentei a frente da televisão e o aparelho de som. Como eu ainda não havia notado aquela coisinha bem ali, esperando para ser usada?
– E por que não? – namorei o microfone me pondo de pé.
Rodei pelas opções e do menu e gritei Aziatix em pleno pulmões. Ri comigo mesma ao destoar do original e fechei os olhos dançando ao sabor da música. Já havia perdido as contas de quanto tempo não ia em um karaokê gritar e trincar os vidros do lugar. Um dos meus prazeres escondido que mantinha a sete chaves. Sim, porque aquela voz de taquara rachada podia ferir qualquer ouvido que soubesse distinguir uma ótima cantora de uma amadora, que era o meu caso.
Passei por 2NE1 e logo estava em ritmo de hip-hop fazendo graciosamente o papel Missy Elliott com G-Dragon, em seguida Big Bang em toda a sua gloria. Não deixei de sacudir ao som de SHINee e sem outra opção, me abracei ao HyunBin e cantei com toda a convicção um dos trotes mais famosos. Mas não contente o suficiente para dar folga a minha garganta, mergulhei de cabeça em Maroon 5. Sem deixar de passar a toda guarda do velho e bom rock. Não pude deixar aquele ser maravilhoso, que só podia ter baixado na Terra vindo de outro planeta, e me entreguei ao ritmo quente do Ricky Martin.
Estava jogada no chão quando a música soltou em meus olhos, implorando que eu a visse ali perdida entre as outras. Sem me dar o trabalho de levantar, permaneci deitada enrolada o cabelo no dedo ao começar a cantar Like a Virgin, meu pé se movia ao som da música e logo estava sentada, caindo no erro de analisar a letra da música. Sorri balançando a cabeça, podia pontuar uma ou duas coisas naquela música que me deixa em pé de igualdade com o nome da canção. Automaticamente meu rosto encontrou uma das janelas do local e preferi fechar os olhos ao fitar a imagem desgrenhada e com o rosto pintado em vermelho.
Like a Virgin! – xinguei ao pular para o outro lado da sala assustada, peguei o olhar culpado de SeokCheon e sorrindo se desculpado veio para o meu lado. – Vamos, querida, cante! – segurou minha mão e eu as fitei estranhando o comportamento íntimo do rapaz ao me puxar para onde estava.
Não escondi o espanto ao vê-lo encarnar a divindade Madonna e saracotear pela sala sem largar o segundo microfone. Oh garoto! Ele sabia levar os acordes da música com destreza e apenas troquei de microfone com ele. Aquela estrela deveria brilhar em sua magnitude e apenas engatei um backing vocal, se eu não tivesse olhando para ele, diria que quem estava em minha sala, era a Madonna em carne e osso.
– Estou exausto – jogou-se no sofá a minha frente, fiz o mesmo e sorri. – Hong SeokCheon – estendeu a mão e aceitei o encontrando no meio do caminho. – Apesar de já ter te visto antes, não fomos apresentados.
– Não, , é um prazer te conhecer – ele aceitou lançando um olhar minucioso sobre mim.
Apenas aguente e não estranhe se ele lançar um olhar reprovador, aconselhei mentalmente. Não seria a primeira vez, nem a última. Você já sabe o que precisa fazer. Cortei meu pensamento ao vê-lo manter um olhar gentil. Não pena, nem comiseração, apenas agradável.
– Gostei de você – sorriu balançando a cabeça. – Agora, vamos para cozinha, eu posso comer um cavalo inteiro.
Ri um pouco surpresa do entusiasmo do rapaz, ele tinha um corpo justamente de quem não comia algo mais que uma salada.
– Agora garota , sente-se bem aí e me deixe preparar alguma coisa.
– Não se incomode, eu comprei algumas coisas antes de vir – protestei levantando da banqueta que esse gentilmente havia me feito sentar.
– Nada disso – ralhou lançando um olhar ameaçador em minha direção. – Acredite em mim, posso fazer miséria nessa cozinha em apenas num piscar de olhos – balançou a cabeça de forma afetada – Sem falar que, preciso aproveitar essa ocasião especial.
– Estamos comemorando alguma coisa? – questionei sem alcançar a dimensão do comentário.
– Sim – analisou-me com as mãos na cintura. – Você.
– Mesmo correndo o risco de parecer tola, porque estamos comemorando minha presença? – franzi as sobrancelhas o fitando realmente sem entender onde ele queria chegar.
– Querida, talvez você não saiba – debruçou do outro lado da ilha segurando minha mão com todo o carinho, observei o gesto e o fitei novamente. – Mas é a primeira garota que o trouxe para essa casa – deu uma batidinha em minha mão. – Sabe o que isso quer dizer? – arqueei as sobrancelhas. – Ai meu Deus! Não sei se eu deveria estar contando isso!
– Que ele só traria alguém aqui se fosse especial para ele? – concluí o pensamento logico e ele apenas afastou-se abanando o rosto enquanto tomava respirações profundas e olhava de esguelha em minha direção.
Pobre rapaz, ele estava colapsando em minha frente diante do significado da minha presença, mas mal sabia ele que estava longe a milhares de anos luz do verdadeiro motivo que havia me levado até ali.
– Eu não deveria falar, mas aqui vou eu! – voltou a sua posição anterior, em tom conspiratório tomou minha mão com delicadeza. – Não querida, não apenas alguém especial, mas sua noiva. A mulher com quem ele passara o resto da vida – fitou-me com crescente expectativa diante do que proferiu.
Mordi os lábios pensando se deveria ou não acabar com a fantasia dele. De qualquer forma ele saberia, cedo ou tarde. Suspirei e foi minha vez de segurar as mãos que descobri serem calejadas contrastando visivelmente com o jeito leve do mesmo.
– Não é nada disso, meu amor – balancei a cabeça diante do olhar surpreso. – Eu tenho uma esposa e o apenas está me ajudando com a parte técnica de conceber uma criança. Só viemos aqui por motivos de tranquilidade e distância do falatório em minha família, vulgo minha esposa que não consegue manter a boca fechada. Não há nada além disso.
Murchei mortificada ante ao olhar magoado que me era lançado. Desvencilhando de minhas mãos e alisando empolado qualquer vestígio de amasso da roupa, ergueu o nariz lançando um olhar belicoso.
– E eu imaginando que o ato da piscina era um arroubo de paixão entre um casal apaixonado – girou sobre os calcanhares indo para a geladeira. – Estupido você Hong SeokCheon! – ralhou novamente murmurando. – Não sei quando ele vai tomar um juízo nessa vida, se eu não o conhecesse, diria que ele torce para o outro time – lançou um olhar sobre a porta da geladeira. – E olha que até eu tentei dar em cima dele, mas não tive resultado, sabia disso? Eu aqui achando que você era uma concorrente, no fim...
Segurei o riso ao tom aborrecido e já imaginando a cara do ao ser abordado com aquele tipo de intenção. Dando de ombros e retirando uma das sacolas que havia comprado mais cedo, fechou a geladeira com o pé e postou-se a minha frente.
– Mas vai saber as voltas que a vida dá, quem sabe ele ainda mude de ideia.
– Ou ele encontre uma garota – repeti o gesto do mais velho e o vi abanar a mão com enfado.
– Difícil, depois que aquela cadela miserável partiu o pobre coraçãozinho do em milhões de pedaço, ele nunca mais foi o mesmo – exalou pesaroso. – Ela pode ser minha irmã, mas não sei quem aquele estrupício puxou.
– Sua irmã?! – se não estivesse bem acomodada em meu lugar, teria desabado ali mesmo, como um ser tão gracioso podia ser irmão de uma pessoa assim? Tudo bem que no começo eu o queria bem longe, mas agora ele não me parecia tão ruim, pelo contrário, poderíamos passar as próximas horas como duas matracas.
– A vida pode ser uma cadela, minha querida – mais uma vez batia carinhosamente sobre minha mão. – Então, não acredito que ele pode ter se recuperado do que aconteceu.
Mordi as perguntas curiosas nos meus lábios e assenti. O interesse mórbido batia em minha língua para saber o que aconteceu com o e a tal garota, da mesma forma que, eu não poderia dizer que ele passou pelo inferno e agora gostava de outra garota. Resignada aguardei em meu lugar o vendo circular atarefado e perdido em pensamentos.
– Como vocês se conheceram? – o vi estaquear e outra vez o riso estava nos lábios do rapaz.
– Desde que eu possa me lembrar, na realidade, o avô dele trouxe a minha família para cá – aprumou os ombros e deu-me um sorriso largo. – Não parece mas cheguei aqui já como um rapazinho. Minha pele é ótima, não é? – fez uma pausa olhando para o próprio rosto na janela. – Mas, voltando ao assunto, foi uma espécie de fuga – revirou os olhos. – Aparentemente a família da minha mãe não era a favor de que a sua preciosa filha, desse trela para um jardineiro – deu de ombros. – Eles levaram um belo choque quando ambos contrariaram a todos e casaram-se.
– Nossa! – me ajeitei no lugar e sustentei o queixo na mão. – Ela é corajosa, realmente, corajosa por dar um passo desses dentro da nossa cultura.
– Minha mãe era uma flor delicada, aqui – apontou pela janela, atendendo o pedido silencioso parei ao lado dele. – Sedum spectabile ou Sedum-vistoso, meu pai a chamava como aquela flor, linda e de aparência delicada, porém, pode resistir ao inverno e geada, para voltar a sua graça na primavera e verão.
– É linda – murmurei contemplativa a flor rósea.
– Mas não acabou aí, mesmo já estando casados há um bom tempo, com filhos, eles não desistiram de infernizar a vida da minha família – voltei para meu lugar e o observei andar de um lado para o outro. – Quando papai recebeu o convite para vir aqui, não pensou duas vezes antes de aceitar a proposta.
SeokCheon continuou contando como foi viver ali e posteriormente ter partido para sua terra natal, tornando-se um chef renomado em seu meio. Foi com prazer que soube que ele também conhecia JaeJoong de longa data. Era quase um milagre nunca termos nos batido no restaurante do último. Logo foi a minha vez de contar sobre minha família, seu olhar atento me perseguia enquanto acompanhava a versão resumida da minha vida. Ele não se constrangeu a fazer perguntas sobre meu relacionamento, e diferente do habitual, foi fácil conversar com ele. Cada minuto ao lado do rapaz me sentia tão confortável que logo estávamos no quarto dividindo a mesma cama enquanto a conversa não parecia morrer nunca. Por fim, horas depois, ao raiar do dia dávamos os primeiros sinais sono, enrodilhei contra o travesseiro e ali mesmo dormi, ao lado do rapaz.

Após o café e almoço, ambos feitos por ele, e esticar o corpo no mar, estávamos ambos relaxando ao som da voz marcante da Etta James.
– Eu acho que você deveria levantar e chacoalhar essas cadeiras – o fitei do outro lado da sala, SeokCheon permanecia balançando sua taça tal como se avaliasse o líquido magenta. – Todo mundo deveria ter um caso louco de amor em Bali, é o que diz o ditado. Por que não aproveitar, ?
– Quem disse que não estou aproveitando? – ri discretamente ao bebericar o líquido ocre em minha taça.
– Sendo assim, o que você fará hoje à noite? – ele sorriu perverso ao me fitar depositando sua taça a mesinha a frente. – Aqui – balançou o smartphone a minha frente – Acabei de receber uma mensagem, seu homem está chegando.
Franzi as sobrancelhas, e procurei no meu smartphone. Nada.
– Eu não recebi nada – estreitei os olhos buscando novamente.
– Oh! Acho que estraguei a surpresa – fez um muxoxo e logo assumindo um tom eufórico. – Mas aquela raposa velha! Queria chegar de surpresa e te surpreender! Ok, temos que dar o troco.
– Oi? – ergui as sobrancelhas e o vi sorrir de forma calculista ao saltar do lugar onde estava. Dar o troco em algo que eu nem sabia que ia acontecer?
– Venha – estendeu a mão, aceitei sem muita certeza e vi os olhos castanhos do outro brilhar em pura determinação. – Vamos surpreender.
– Vamos? – o segui sem muita convicção e ele apenas acenou sem me fitar. – Ok, isso está me assustando.
– Acredite em mim querida, você irá adorar – me empurrou delicadamente para dentro do carro.
Eu iria? Evitei perguntar em voz alta e parecer um papagaio e apenas observei o rapaz dar a volta no carro, deixou piscadela confiante em minha direção ao tomar seu lugar, logo estávamos indo para algum lugar.
Oh garoto, no que diabos eu estava me enfiando?!

Devido a um atraso do voo, havia chegado mais tarde do que o planejado, a casa estava escura. Estacionei na garagem e entrei pela porta do fundo, estava tudo em silêncio. Deixei a mochila ali e subi retirando o paletó e afrouxando as mangas da camisa. Por um fio de cabelo havia conseguido pegar o avião, estava com a mesma roupa que estava no escritório. O que eu mais queria naquele instante, era tomar um longo banho e me afundar contra o corpo macio e expulsar da memória, as horas tensas perdidas naquele escritório. Acalmei os passos diante da porta cerrada e com cuidado girei a maçaneta, a primeira coisa processada foi que a cama estava vazia, franzi as sobrancelhas e adentrei ao recinto, a segunda foi soltar a maçaneta num estalo.
Capturei a imagem oculta nas sombras, relaxada na poltrona a única coisa a vista, ao sabor do luar, era as pernas roliças envolta em uma meia-calça escura.
Engoli em seco sentindo a tensão subir por minhas costas ao vê-la debruçar por um instante, sendo capturada pelo nicho de luz natural deixando a mostra os lábios tingidos pelo batom carmim, ressaltando o volume do mesmo. Os cabelos caídos ao lado do rosto era uma tentação a parte e eu permaneci no mesmo lugar apreciando aquela imagem.
– Fez uma boa viagem? – perguntou num tom baixo e rouco lançando um olhar demorando em minha direção, a curva de um sorriso mostrou os dentes brancos.
– A melhor parte foi chegar – respondi no mesmo tom, fechando lentamente o espaço até ela, observando o sorriso crescer à medida que recostava contra o estofado da poltrona.
Mexeu-se descruzando as pernas lentamente de uma maneira sensual que me fez arrepiar a nuca. Nem ao menos a havia tocada e já me punha justo em minha calça. Não sabia o que ela pretendia, mas eu estava pronto. Parei diante da poltrona e mesmo naquela posição podia sentir seus olhos passearem por mim. Os dedos vagaram suavemente pelo tecido da minha calça indo em direção ao final da minha gravata. Essa foi girada entre os dedos fazendo com que me inclinasse em direção a ela e quando estava perto de perder o equilíbrio, suas pernas abriram espaço e cambaleei naquela direção. O rosto erguido em minha direção tinha os lábios entreabertos, não perdi o roçar da língua sobre esses. Uma nova volta dos dedos e podia sentir a respiração escovar meus lábios.
– É uma longa viagem – fitou minha boca demoradamente e murmurou: – Acredito que você esteja com fome – os olhos varreram lentamente sobre os meus lábios e encontrou o meu. – Eu estou faminta.
A língua deslizou sobre minha boca, me tentando a ir em frente e nem por um segundo demorei a atender um pedido tão faminto quanto aquele. Mergulhei a boca contra os lábios macios e a vi gemer apertando ainda mais a gravata em seus dedos, fiz menção de segurar seu rosto e logo ela o tinha longe do meu. A língua lambeu os próprios lábios sem esconder o sorriso sacana. Empurrando-me de leve, dei um passo atrás o suficiente para que ela se pusesse em pé roçando o corpo roliço contra o meu. Novamente fui empurrado e me aproveitando do momento, corri meus olhos para a silhueta diante da luz. Meus olhos fugiram de órbita ao vê-la trazer uma espécie de vestido minúsculo, deixando a visão da cinta-liga esconder sobre o pedaço de tecido escuro.
Em algum momento enquanto estive fora a menina tímida havia dado lugar a mulher sexy e perigosa.
– Você gosta? – demorou um olhar sobre o próprio corpo e brincando com a barra ergueu o suficiente para que pudesse ver a renda transparente cobrir seu sexo, eu simplesmente não conseguia desviar o olhar embasbacado do corpo feminino e pronunciar o que me ia pela mente. – Venha, vou descer e aquecer seu jantar – ronronou ao passar rebolando por mim.
– Não preciso de jantar, tudo que eu preciso para me saciar está a minha frente – grunhi a segurando pelo braço.
A trouxe para mim de costas e logo essas deslizavam suavemente pelo meu peito. Bateu as pestanas lentamente ao me fitar sobre o ombro. Inalei seu perfume suave e levei os lábios até seus ombros e pescoço, minhas mãos tomaram espaço sobre a cintura, o tecido não escondia a maciez sob o corset, deslizei sobre seus seios em direção a curva do pescoço, automaticamente sua cabeça tombou sobre meu ombro, procurei pelos lábios vermelhos e os traguei sendo recebido por um gemido longo. O quadril chocou-se contra minha virilha e gemi ansioso por estar dentro dela. Os lábios afastaram-se do meu, beliscando o lábio inferior com os próprios dentes, fitou os sapatos.
– Sendo assim deveria retirar meus saltos? – deu um passo em frente debruçando o corpo, fazendo menção de retira-lo.
Minha sanidade estava sendo tirada de mim lentamente ao estalar um olhar sobre o corpo feminino, a roupa ergueu deixando seu belo traseiro a mostra, assim como as pernas e a cinta negra, a lingerie escura mal escondia umidade latente de sua dona. Alcancei seu quadril e não pude deixar de espalmar agudamente aquela pele exposta. Um gemido suave veio e a vi me fitar sobre o ombro mastigando os próprios lábios.
– Não – grunhi arrastando as mãos sobre o quadril e, novamente, espalmei a carne macia. O resultado veio rápido no saltar ligeiro contra minha virilha. – O que aconteceu enquanto estivesse fora?
– Nada demais – arqueou as costas em minha direção levando a mão esquerda ao meu pescoço, o arranhando. – Boa conversa, algumas anotações e uma saída rápida para fazer uma compra de última hora.
Mordi a pulsação acelerada na base do seu pescoço apenas para ter como resposta, o corpo curvilíneo moldado ao meu e a respiração arfante. Uma leve inclinação do corpo roliço e empurrei uma perna pelas coxas grossas, esfregando contra o montículo suave que com prazer, pôs minha calça úmida. Tão sensível e quente ao meu toque. Se antes ela havia me surpreendido com a sedosidade daquela boca farta, que nem de longe meu desejo foi capaz de alcançar, agora, a atual surpresa tinha um sabor ainda mais sublime. Poucos dias longe daquele corpo e eu me sentia tão miserável que só estando entre as curvas macias eu me sentia realmente em casa. A agonia expandia por meu corpo, deixando-me ansioso por afundar no nicho saboroso entre as pernas. Mas antes, queria me perder no núcleo úmido entre os lábios rechonchudos.
– Suponho que o motivo da sua saída seja por conta disso – arrastei a saia do vestido procurando espaço entre o tecido transparente que mal escondia o suco espesso.
– Sim – o quebrar da voz em um sussurro vacilante foi tudo que eu consegui antes de capturar os lábios carmim; articulando tanto a língua ao explorar a boca, como os dedos sobre o feixe de nervos já tesos, afastando o rosto, sem refrear o grunhido sexy e prazeroso, a vi vacilar por instante. – Você... gostou?
Ignorando momentaneamente o gemido em protesto quando retirei os dedos das dobras úmidas, a girei colocando-a de frente para mim, o rosto afogueado carregava tanto desejo, quanto o oscilar da dúvida. Tomando o rosto com ambas as mãos em concha, a trouxe para perto.
– Se eu gostei? Querida, eu mal posso esperar para estar dentro de você, envolta, tragar cada espasmo de prazer e beber do seu mel – os olhos escureceram e o tremor excitado nos lábios surgiram apenas para coroar minha excitação.
Esmagando a boca contra a dela, e essa tão ansiosa já tinha seu caminho sobre a minha. Sorvendo avidamente os lábios generosos, cortei a distância até os pés da cama. Era exatamente ali que eu a queria, novamente a girei fazendo com que levasse as mãos sobre a cama e a debrucei. Seu olhar varreu em minha direção, a ansiedade e tesão saltando os olhos castanho quando deslizei a coxa entre as delas, abrindo espaço. Ergui o tecido, expondo as bochechas macias do traseiro. Desci as mãos sobre a carne e a vi arquear e sacudir, a essência vertendo perigosamente entre as dobras.
Sobre os joelhos, afastei a lingerie e estalei a língua sobre a maciez dos lábios úmidos. Não soube precisar de quem foi o gemido mais alto, meu ou dela, ao quebrar o relativo silêncio do quarto. Serpentei a língua entre as lisas dobras sorvendo do sabor embriagante do prazer que cada vez aumentava seu fluxo contra meus lábios. Escorreguei os dedos para dentro da vertente, ajustando sobre a ponta dos pés, desceu sobre eles, cavalgando ansiosa. O ordenhar dos meus dedos cada vez mais acelerado, me deixando a par do quanto ela estava à beira do abismo. Fechei os dentes sobre a carne tenra e sensível mordiscando e chicoteando com a língua a medida que a pressão a minha volta aumentava. Sapateando a minha volta, ansiosa e pronta para quebrar em seu orgasmo, segurei o quadril no lugar tendo como resposta, o choramingar impaciente. Estalei um puxão sobre o clitóris e deslizei um terceiro dedos explorando as paredes sensíveis.
Grunhiu meu nome ao ser arrastada pelo convulsionar do orgasmo, como recompensa seu liquido avançava sobre minha mão à medida que meu peito inchava orgulhoso por ouvir meu nome soar tão gostoso aos lábios femininos. Aquela musica podia se repetir e nunca cansaria de ouvir os gemidos do meu nome, logo alternei o entre e sai dos dedos com minha língua, ela era tão saborosa em seu aumento de fluido ao ter o leve movimento dentro do canal, o ordenhar veio rápido e novamente seu corpo tremeu contra meu rosto. Lá estava o gemido estrangulado, extasiado soprando meu nome contra a cama, vindo acompanhado do amolecer das pernas. Segurei ambas as coxas e assegurei que ela permanecesse firme no lugar ao sugar a pele sensível dos lábios, tragando todo o sabor inebriante do gozo.
Depositei um beijo na pele sensível ao alisar as coxas, subindo e descendo pela perna roliça, o corpo ainda tremia e a respiração falha permanecia. Coloquei-me de pé, retirando o calçado e a observei enquanto ganhava espaço sobre o corpo feminino. Arrastei o tecido das laterais sem deixar de notar o corpo reagir ao meu toque, debrucei deixando sortidos beijos pelo quadril, subi pelas costas mordiscando até alcançar a nuca e vê-la arquear contra meu rosto. Ronronar cruzou os lábios de maneira preguiçosa, expandido o corpo aveludado contra o meu e por consequência, varrendo o quadril pela minha já torturada ereção. Ao repetir do ato e novamente tendo o resmungar deliciado, sorri contra os cabelos, satisfeito por aquilo.
Girando entre meus braços sorriu ao me fitar, as mãos passearam sobre meu peito ao abrir os botões da camisa e afrouxar a gravata, os dedos escorregaram para dentro da minha calça, dentro da boxer. Os dentes apertaram-se contra os próprios lábios ao circundar minha espessura, dobrei o corpo aproveitando do toque. Apoiando-se em um cotovelo alcançou meu pescoço, correu os dentes sobre minha pele. A língua provou cada lugar que podia alcançar, indo para sacudir sobre meu mamilo. Abordei a nuca trazendo o rosto para perto, eu não deveria pensar agora, não quando tinha o toque sobre aquela parte necessitada do meu corpo, mas quando os olhos encontraram os meus, retive as palavras. Essas mordiam ansiosas para deslizar e rugir contra ela, gritar o suficiente para que ela e o vizinho mais próximo ouvisse. Preocupado com o meu próprio desespero e o deslize que poderia cometer, assaltei os lábios, tão demorado quanto eu conseguia.
Desloquei a pequena mão do meu corpo ao separar minha boca, ardia por aquele toque, mas não havia tempo antes que vertesse contra ela. Sentei entre as coxas alcançando e desfazendo cada nó do corset, expus a pele sedosa ao meu toque, esfregando e deslizando contra os picos entumecidos, raspando a língua sobre eles, descendo suavemente sobre o quadril. Guardei um sorriso ao ouvir o som dos sapatos sobre o chão e aperto suave do corpo. Nunca iria esquecer da renda que guardava as dobras, mas naquele instante não havia outra coisa além de estirar e rasgar o tecido. Esperei que houvesse algum protesto, mas o rosto ansioso e os lábios comprimidos mantinham um sorriso afoito e compreensível em minha direção. Escorregando para longe e pondo-se de joelhos a minha frente, fez um gesto para que fizesse o mesmo. A respiração sacudiu em meu peito enquanto suavemente enroscava os dedos contra a camisa a retirando, o próximo passo foi a calça e a boxer. A trouxe para perto e debrucei sobre ela, as pernas espalhadas e dobradas logo estavam sobre minha cintura e finalmente, eu envolto ao aperto intimo da cavidade úmida.
Os lábios partiram e o arfar veio longo e sublime enquanto me fitava, eu não tinha pressa, não mais. Queria poder adiar aquele momento para sempre enquanto a via reagir a cada estocada lenta. O ritmo do quadril ajustou-se ao meu, arqueando arrastado. Mantinha os dentes cerrados e retendo-me ao máximo que podia dentro dela, minha tarefa tornou-se difícil ao ajustar do quadril. As mãos deslizaram sobre minhas costas arranhando suavemente pressionando em direção a ela. Não me fiz de rogado e apoiei sobre o cotovelo, escovando para longe os cabelos perdidos sobre a face, escorreguei o polegar sobre os lábios e logo a língua fechava sobre ele, lambeando suavemente e tragando para dentro dos lábios. Novamente ajustou a posição do quadril e cada retirar do corpo era feito o mesmo com meu polegar. Bati fundo ao reagir o toque quase inocente da boca a minha volta. Os olhos fecharam e o arquear deixou livre o polegar ao ter o corpo trepido sob o meu corpo. Busquei o maxilar, o segurando firme fazendo com que ela abrisse os olhos e me fitasse em seu momento de prazer. Rangi os dentes ao ter-me apenas segurando em um misero fio antes que cedesse ao encanto do ordenhar dos músculos contra minha carne.
Os lábios apertados contra os meus, não escondiam a dançante respiração vacilante contra eles, as mãos pararam o tormento do estocar, os joelhos afrouxaram na lateral do meu corpo. Assisti os movimentos vacilantes e eu não sabia como alguém poderia ficar tão vermelha e tão timidamente bonita em meio a um ato como aquele, mas ela podia e conseguia o fazer. Deslizou o corpo para longe do meu, mais a cima da cama, deitando-se de bruços, empinou suavemente o quadril em minha direção. Não poderia ter outra resposta a não ser cobrir as curvas e deslizar para o casulo úmido, o corpo ajustou-se novamente ao meu em resposta silenciosa a investida. O arranhar veio suavemente em minha pele, da mesma forma que tinha os dentes sobre a curva suave do ombro feminino. Eu estava pronto para deixar ir e não era o único, o reverberar em uníssono rasgou cada nervo em meu corpo, sugando de mim cada movimento, cada romper do nome em minha garganta e tendo em troca a emoção encontrada no corpo feminino ao moldar-se ao meu ao fim do ato.
Reagindo ao prazer, ela permanecia em silêncio, sendo apenas quebrado pelo falhar da respiração. Relaxei sobre os cotovelos ao ter o corpo descansando previamente sobre o feminino, tombei a cabeça no ombro e logo recebi os dedos trêmulos sacudir entre os fios dos meus cabelos. Beijei toda a extensão partindo em direção ao pescoço, rolei para o lado e fiz o mesmo com ela, a trazendo para perto, na famosa conchinha. Queria fitar os castanhos olhos e ver a expressão satisfeita neles, mas não confiava em mim para bloquear meu próprio sentimento diante dela.
Ela permanece parada um instante e novamente estava de frente para mim. Ajeitei-me sobre a cama a puxando sobre o peito, havia tão pouco tempo. Dedilhei as costas suaves colhendo alguns arfar de cocegas do corpo sensível e sorri para ela, assim como ela o fazia.
Como eu poderia voltar para a casa sem ao meu lado? E pior, como eu poderia viver sem tê-la comigo? Realmente não sabia as repostas para aquilo. E agravando a situação, precisava dar a notícia a ela.
– Precisamos voltar antes do previsto – cobri o desgosto em minha voz e a vi franzir as sobrancelhas. – Me ligaram hoje para avisar que os exames ficaram prontos, a consulta será depois de manhã, hoje, melhor dizendo.
– Tudo bem – balançou a cabeça murmurando e logo tinha o rosto escondido sobre meu peito.
Abracei a cintura e acariciei os cabelos cacheados, não me deixava fitá-la mas sabia que o leve enrijecer do corpo não era um bom sinal. Quando novamente me fitou seus tinham perdido o brilho de antes, ela não disse nada e tal qual um filhote de gato, enrodilhou-se contra meu corpo, abraçando-me em silêncio. Beijei o topo da cabeça, tendo o mesmo tipo de reação que ela. Permanecemos em um silêncio pálido, eu não sabia o que dizer, ela permanecia acordada contra mim. Quebrando a quietude e constrangendo-me, o roncar do meu estomago nunca pareceu tão alto quanto naquele momento. O som do riso surgiu baixo e ela finalmente ergueu o olhar em minha direção de novo, pareceu querer dizer alguma coisa, mas apenas abanou a cabeça.
– Eu não estava brincando quando disse que iria descer e aquecer seu jantar – tocou minha bochecha de forma tão delicada e efêmera, num piscar de olhos já não estava mais ali. – Venha jantar.
Recolheu o robe sobre os ombros e novamente, em silêncio partiu porta afora.

Desde a notícia eu havia entrado em estado mecânico, seguido por inconstância sem fim. Eu não queria voltar. Podia fazer a lista mental de coisas que eu deveria fazer na volta, por consequência, os itens na minha lista de coisas que queria fazer na ilha era o triplo da primeira. Não, eu não queria voltar. Aquilo também não era motivo o suficiente para ligar e adiar a consulta. Na verdade, não havia um plausível para aquilo. Muito menos para as tentativas desesperadas que meu cérebro insistia em organizar para me prender mais tempo ali.
Por consequência tamborilei os dedos na cadeira e tentava a muito custo não iniciar uma conversa em nível random, um sinal mais do que claro do meu estado de espirito atormentado. Balancei a cabeça e encarei o mar verde esmeralda por trás dos óculos escuros, ao meu lado ele permanecia em silêncio. Presumi que fazia o mesmo que eu, pois não poderia decifrar seu olhar sob as lentes escuras. Sentei direito em meu lugar e voltei-me em direção a ele.
– Não nos conhecemos. Ainda assim, nos conhecemos – o estrago estava indo para ser feito e eu não conseguia mais ficar em silêncio, afastei o cabelo que o vento trazia em direção ao meu rosto. – Qual é o seu desejo?
– O meu desejo? – retorquiu a pergunta.
– Sim – assenti erguendo os óculos e esperei que ele fizesse o mesmo. – O que anseia para daqui alguns anos? O que pretende fazer para o resto da sua vida? E se você se tornar pai? O que fará se encontrar uma esposa?
Pensativo, seu olhar quedou novamente para o mar. Vi o franzir da sobrancelha enquanto ele estava perdido em pensamentos. Mordi os lábios ansiosa pelo que viria a seguir. O silêncio ao ponderar me parecia tão estranho, que logo me vi perturbada pela demora em responder. Voltei a fitar o mar, mordiscando a perninha dos óculos. Tudo bem, assenti mentalmente.
– Do que você tem medo? – franzi as sobrancelhas por um instante e dotada de um sorriso tranquilo voltei-me para ele.
– Medo? Não tenho nenhum – dando por encerrado o assunto, já que ele mesmo não havia respondido minha pergunta, eu não deveria responder a dele, não é? Conversando mentalmente com meus botões, me ergui da cadeira e retirei a canga.
Tratei de caminhar de forma compassadamente até o mar, mal havia percebido que tinha prendido a respiração até me encontrar a água gelada aos pés. Deixei que a mesma me envolvesse por completo ao mergulhar, voltei a superfície dando longas braças no mar sem ondas. A uma boa distância estirei o corpo sobre a água e apenas aproveitei o silêncio para observando o céu azul. Odiava a maneira reflexiva que me assolava após a euforia, quando eu menos esperava, como na madrugada e naquele momento, em que mais queria ficar em paz, me punha a pensar em coisas tão sem sentido.
Na verdade, a questão voltava em seu esplendor. Eu não tinha ideia de como voltaria para casa. Cerrei os olhos empurrando a série de confusão para longe. Pelo menos, naquele instante, queria apenas descansar. Automaticamente procurei por um tópico neutro, o livro. Meus dedos estavam em ponto de miséria, coçando para escrever. As anotações no bloco escondido dentro da bolsa, mas não foi o suficiente para satisfazer minha veia artística, precisava expandir e acrescentar tantas coisas.
– Estamos voltando, posso pôr tudo em prática. Talvez eu deva fazer GaYeon levar um tiro enquanto desliza pelo telhado? Algo mais complexo? Levar um tiro é tão comum.
Voltei a fitar o céu e dei de cara com os olhos de macassar, deliberadamente presenciando meu monólogo, por consequência, um spoiler do livro.
– Nem vou perguntar há quanto tempo você está aqui – estreitei os olhos e o vi mostrar a covinha em um sorriso culpado. – Não tem graça.
– Você estava tão pacifica falando sozinha, que não quis te interromper.
– Não quis interromper minha linha de raciocínio ou simplesmente não quis perder o spoiler? – estreitei os olhos.
– Um pouco dos dois – o cara de pau ainda conseguia rir de forma inocente.
Fiz uma careta e afundei sob a água, ao voltar dei de cara com ele próximo a mim, me puxou pela cintura e passei meus braços pelos ombros de forma automática. O sorriso calmo brotou nos lábios dele, reproduzi uma rasgadura de lábios ao imitá-lo e deixei a testa tombar sobre o queixo, escondendo uma expressão dolorosa. O pequeno exercício havia me deixado com o corpo pesado e levemente dolorida. Resmunguei comigo mesma por estar naquela posição, odiava a maneira como ele era escorregadio em minhas perguntas e me deixava puta com facilidade, da mesma maneira que, me amolecia com um simples sorriso. Eu tinha um fraco pela maneira de como ele sorria e agia em alguns momentos de forma inocente. De algum jeito, aquele sorriso dotado de lábios grossos, havia se tornado meu calcanhar de Aquiles.
– Quer sair ou ficar mais um pouco? Podemos entrar, te ajudo a tomar banho – me afastei para fitá-lo e aproveitando a deixa, depositou um beijo casto em meus lábios. – Abriremos uma garrafa de vinho, enquanto pedimos alguma coisa ou vamos para a cozinha, prepararemos algo rápido e podemos ir para a cama descansar, o voo sai apenas às dez.
– Não são nem três da tarde e você quer ir para cama? – massageou meus ombros e estreitei os olhos.
– Em algum lugar do mundo é madrugada, sabia? – sorriu travesso.
– Acredito que seu motivo para entrar, tenha segundas intenções.
– Talvez sim, talvez não. É um risco que você precisa correr, se quiser descobrir.
Não era como seu não quisesse entrar e ter sexo maravilhoso, eu só... eu estava cansada. Era um trabalho prazeroso? Sim. Eu me divertia e saia satisfeita? A resposta era positiva, novamente. Não havia um ponto negativo, não que eu quisesse pesquisar em meus arquivos mentais e arcar com a consequência de uma possível resposta. Eu só... assenti em silêncio. Encarei a areia novamente, como se fosse uma ovelha encarando mansamente seu abatedor. Recolhi meus pertences e o acompanhei para a casa.

O talvez sim, era realmente um sim, sem sombras de dúvidas.
Sai antes do banheiro, me enxuguei e alcancei o creme, massageando por todo o corpo. Eu ainda me sentia preguiçosa e queria ir imediatamente para a cama, deixar o vinho e a comida para depois. Mas eu estava sedenta e não queria esperar por ele, sabia que se me jogasse na cama e pedisse que ele descesse e buscasse um copo de alguma coisa líquida, ele o faria. Alcancei o robe no closet e o amarrei antes de deixar o quarto. Depois de ser pega nua por aquele ser adorável, SeokCheon, não correria o risco de acontecer novamente.
Desci as escadas lentamente, cada passo fazia meu corpo latejar dolorido. Será que eu estava ficando doente? Ou seria resultado das braçadas? Fiz uma careta parando um instante no meio da escada, massageando o pescoço, fazendo uma anotação mental de nunca mais sair como uma louca em direção ao mar. Droga! Por que eu tinha que ter alguma coisa justamente agora? Abri os olhos e falseei o próximo passo no degrau. Me agarrei fixamente no corrimão e encarei o início da escada.
– Olá – arrisquei com a voz suave tomando cuidado de chegar ao fim sem fazer nenhum movimento brusco. – Tudo bem?
Assumi a posição de cócoras ao me aproximar, era o bebê mas bonito que eu já havia visto. Calculei que pelo tamanho ele deveria ter entre um ano e meio a dois anos. Seus olhos eram grandes e escuros, os cabelos negros e fartos caiam de forma desalinhada sobre a testa. Ergui a mão devagar para tocar a bochecha rosada, ele piscou lentamente em minha direção balbuciando alguma coisa e eu me senti derreter.
– Como você chegou aqui, meu anjo? – fiz menção de o pegar no colo e ele deixou-se levar sem protestar, o ajustei em minha cintura e o fitei de perto – Qual seu nome? – ele balbuciou me fitando. – Essa tia é tão atrapalhada que está falando com você em coreano – sorri para ele e fui correspondida. – Acabando com o coração da titia, hein? – acariciei os cabelos e tentei novamente em inglês, quem sabe ele poderia entender. – Qual o seu nome? – comunicação não estava funcionando entre nós, mas por sorte ele parecia ser uma criança calma. – Será que você está com fome? Tem sede? Venha, vamos para a cozinha – segui meu caminho original. – Temos coisas gostosas na geladeira, que tal beliscar alguma coisa? Depois vamos procurar por seus pais.
– Nós já o encontramos – fitou-me sobre o ombro segurando uma jarra de suco. – Eu me perguntava por onde estaria, esse pestinha foge dos meus olhos, tão rápido quanto um raio.
Segurei o grito na garganta para não assustar a criança e parei bruscamente ao ver a estranha caminhar até o armário e pegar um copo e o preencher com suco, com toda a calma do mundo, como se estivesse em sua própria casa, Ou melhor, como se aquela casa fosse dela.
Quem diabos era aquela mulher? Como ela havia entrado? Senti um arrepio frio na espinha, meu cérebro correu por um caminho não muito agradável naquele instante, imediatamente torci para que fosse um engano e a moça tivesse entrado na casa errada.
Claro, , e ela saberia onde estavam os copos.
– Achei você iria me esperar, não me diga que... – parou bruscamente assim que entrou no recinto.
– Aí está você, trouxe seu filho já que você nem ao menos disse que estava na ilha – encostou-se contra a bancada arqueando as sobrancelhas. – Pelo menos agora, eu sei porquê da sua negligência – me fitou dos pés à cabeça. – Está tentando engravidar ela também? Devo te avisar queridinha, assim que ele conseguir o que ele quer, vai te dar um belo chute na bunda. Não foi assim comigo, querido? – disse ao aproximar-se de mim e arrancando a criança do meu braço, o pequeno retorceu-se fazendo uma carinha de choro, ignorando a criança, o empurrou para o colo do . – Indo por outros caminhos agora, querido? – me fitou sem esconder o desagrado. – Ela não é o seu tipo.
Se eu recebesse um balde de água gelada, acrescentando mais da metade de gelo no meio, naquele instante seria pouco para o frio que instalou-se em meu corpo. Ele tinha um filho é isso? Eu estava entendendo direito? Que tipo brincadeira de mal gosto estava acontecendo? E quem diabos aquela cadela achava que era para me fitar e falar comigo naquele tom?



Capítulo 7

O ultraje trouxe consigo o embrulhar no estomago ao vê-la encarar-me com desdém, e o fitar de forma possessiva. Eu não podia ficar ali, parada, eu sentia a raiva bater em meus ossos e romper em cada parte do corpo, não tinha ideia de quem era aquela garota, mas a vontade de colocá-la em seu devido foi tão grande, quanto a outra sensação rastejando por minhas costas. Sorri indulgente e voltei-me em direção a um pálido .
– Querido, vejo que você tem alguns assuntos a tratar – alisei a robe macio enquanto o fitava malditamente ronronando. – Vou subir e arrumar as malas, ok? – não esperei que me respondesse para me pôr na ponta dos pés e deixar um demorado e profundo beijo. – E você anjinho – acariciei a bochecha rosada, disse em um tom não tão baixo. – Não se preocupe, logo você irá crescer e não precisara estar perto dela.
O chiar estridente da garota, que nesse instante parecia o guinchar de um porco em um matadouro, ao fundo foi um sacolejar a mais de alegria, acenei para ela antes de partir em direção as escadas, recebendo de modo divertido o olhar fulminante em minha direção. A adrenalina enchia meu corpo em ondas, uma atrás da outra enquanto galgava os degraus e caminhava pelo corredor. Não consegui suportar o peso da descarga de emocional e logo desabei sobre a cama sentindo os músculos tremerem.
Eu havia saído de mim, tinha descido do salto diante do desaforo do olhar irritante da garota, isso nunca havia acontecido comigo antes. Sempre soube levar as ofensas e olhares críticos, mas hoje, de alguma forma, eu senti necessidade de revidar. , você é idiota. Dei um tapa mental em minha cara pelo ato impensado. E se ele recusasse minha aproximação? Seria duplamente vergonhoso. Expandi os pulmões várias vezes enquanto as terminações nervosas voltavam lentamente ao seu devido lugar e o incômodo, seguido do gosto amargo em minha boca, davam as caras.
Automaticamente esfreguei meus lábios. Como se isso fosse resolver alguma coisa. Ralhei mentalmente. Arranquei a robe e parti em direção a ducha, esfreguei cada pedaço do meu corpo, mantendo o embrulho no estomago a um passo de escapar por minha garganta. Eu não tinha nada a ver com os problemas dele, ou com a vida, não deveria julgar. Na realidade, não me importava o que ele havia feito antes. Nada daquilo realmente me importava.
Então porque diabos eu me sentia incomodada? Talvez, traída?
Não era exatamente a palavra certa, mas...
Não via necessidade de me sentir desconfortável com a situação. Eu não havia feito nada de errado, a função dele e minha, era tentar trazer uma criança ao mundo, não havia qualquer forma de envolvimento emocional em nossa relação, logo, não cabia aquele sentimento destoante de ter sido usada, traída e aquela outra coisa que não sabia especificar. Ele parecia me conhecer e eu, nada mais sabia que o nome dele, dos parentes, a sua profissão e a garota que ele gostava, e dessa eu nem ao menos sabia o nome.
Nada além disso.
Eu não o conhecia.
E isso, me incomodava profundamente.
Voltei ao quarto tratando de vestir minha roupa e jogar o resto das coisas dentro da bolsa que havia comprado no dia anterior. Um tanto irritada para o meu gosto, procurei pelas horas e não passava das cinco, ótimo. Olhei mais uma vez em volta, vendo se não havia esquecido nada e deixei o recinto.
Nenhum deles estava por perto quando desci, mas pude ouvir o burburinho de vozes e um choro infantil em algum ponto detrás da casa. Deixei de lado mal-estar de parecer estar fugindo da situação, ou algo mais, e sai pela porta da frente. Apenas para me deixar ainda mais contente e aliviada, quase gritei ao dar de cara com SeokCheon subindo os degraus e dizer meu nome de maneira alegre, levando de mim dez anos de vida pelo susto.
– Mas que merda! – murmurei enquanto esmurrava o peito dele automaticamente. – Qual a necessidade de ser tão alegre e me assustar?
– Que humor, . – O olhar astuto varreu minha expressão, corpo e deteve-se na mala ao meu lado. – Ei, o que aconteceu? Por que você está saindo de fininho? Onde está indo?
– Antes que esse seu cérebro maligno comece a agir de maneira errada, estou apenas dando um pouco de privacidade, temos visita – sorri da melhor maneira possível. – Você veio se despedir? Então, posso te pedir um favor?
– Vai em frente.– cruzou os braços contradizendo fisicamente o que havia acabado de assentir, ignorei o gesto e segui em frente.
– Eu não tive tempo de comprar nada para os meus pais, gostaria de passar em algum lugar e levar uma lembrança para eles, você pode me ajudar? – quase me chutei pela desculpa esfarrapada, mas contive a minha alegria ao ver os olhos piscaram, tentando evitar transparecer o brilho de puro entusiasmo. – Eu nem sei por onde começar, talvez no aeroporto?
– Claro, se você quiser algo cafona e descomunalmente caro, eu diria para ir por aí – pegou minha mala e minha mão. – Agora se você quiser algo que seja o ápice da obra de arte, por favor, me siga.

– Nem sei como te agradecer pela ajuda – sorri sincera ao lembrar de cada peça única que havia achado mais cedo, graças à ajuda SeokCheon e seus caminhos tortuosos quando tratava-se de compras.
– Não foi nada demais querida, tenho certeza que você apreciou tanto quanto sua família fara o mesmo, é o meu prazer ajudar – fez um gesto de que não era grande coisa, mas eu sabia que havia sido uma companhia duvidosa na escolha das peças, já que não sabia por qual optar. No fim, levei mais do que realmente precisava.
– Bondade sua, SeokCheon. Quer dizer então que você estará conosco? Por que não me disse antes? – o fitei enquanto esperávamos na fila para sermos atendidos.
– Bom eu estava indo para contar a vocês que voltaria antes, mas você estava saindo furtivamente de casa – ele sorriu enviesado, fiz uma careta negando em um gesto de cabeça. – Já que estamos só nós dois aqui, porque não me diz como foi a noite passada?
– Você não está falando sério – ri e amaldiçoei mentalmente o calor chicotear meu corpo com a lembrança vivida do toque em minha pele, tratei de ignorar. – Temos coisas mais legais para conversar do que isso.
Contente que havia chego nossa vez de sermos atendidos, optei por um suco de frutas e cookie, SeokCheon também me acompanhou no suco e croissant. Após procurarmos a mesa mais afasta, nos acomodamos enquanto esperamos.
– Nunca imaginei que esse rostinho fofo escondesse uma alma tão amarga, que não quer compartilhar os detalhes sórdidos daquele corpinho – lançou um olhar magoado em minha direção. – Até parece que não notei que você está pálida e andando de uma forma engraçada, e cá entre nós, sabemos muito bem o porquê.
– Eu juro que não estou ouvindo isso.
– Você quem sabe, eu nem queria saber sobre isso – deu de ombros.
Entre incrédula e envergonhada, eu ri do descaramento do outro sobre o assunto. De alguma maneira nada interessante, eu me senti ser observada, procurando o que estava me incomodando, olhei em volta. Cerrei os lábios instintivamente ao dar de cara com ele a poucos metros.
Engraçado o quanto eu estava envolvida com as compras que havia excluído temporariamente aquele acontecimento de mais cedo da minha mente. Um farfalhar envolveu meu coração e automaticamente, me afastei do olhar direcionada a mim. Contando mentalmente até dez, tratei se controlar minhas emoções e acenei, o convidando para se aproximar.
Eu tinha a tensão cravada em cada musculo, provocando um desconforto além do necessário. Estava fora da minha zona de conforto e precisava, mais do que qualquer coisa, relaxar e passar uma boa impressão. Tanto para SeokCheon, que mantinha sua curiosidade a muito custo, quanto para , que agora de perto, tinha um olhar carregado.
– Não faz nem cinco minutos que chegamos, quase ao mesmo tempo. – SeokCheon pontuou ao cumprimentar, confirmei com um gesto de cabeça.
– me mantive momentaneamente rígida ao ter os lábios pousados sobre minha bochecha. – Eu estava preocupado por não te achar em casa.
– Me desculpe por isso – sorri educada ao fitá-lo. – Eu precisava comprar umas coisas antes de voltar, por pura coincidência, encontrei SeokCheon. Acabei perdida no tempo e falhei em avisar.
Ignorei o olhar afiado em minha direção, por parte de SeokCheon, e sustentei o outro avaliativo sobre mim. Com um aceno de cabeça, não muito satisfeito por parte de , voltei a lhe sorrir.
– Há tempo de sobra para fazer seu pedido – apontei recolhendo minha bolsa e afastando a cadeira. – Com licença meninos, eu já volto.
Seguindo as indicações, cheguei na toalete. Milagrosamente vazio naquele instante, aproveitei para jogar água gelada em meu rosto e me recompor, nem que fosse por meros minutos. Encarei o espelho e fiz uma careta em desagrado. Eu estava indo tão bem até aquele momento. Eu precisava trabalhar aquela maldita ansiedade que crescia toda vez que ele estava perto e pior, aquela outra coisa. Deus! Eu não conseguia esclarecer o sentimento incomodo e sem nome, que novamente, estava ali. Respirando profundamente, reuni a coragem antes de me encaminhar para fora dali.
– ... eu acho que deveria ter pedido um café em vez de suco – cheguei a tempo de escutar SeokCheon comentar. – Pelo menos para aguentar o tranco da viagem.
– Viagem? – parecia chocado ao perguntar a ele e me olhando para confirmar, assenti bebericando meu suco.
– Sim, não é maravilhoso?! Por puro toque do destino, acabei reservando minha passagem para o mesmo dia e hora que vocês. – SeokCheon sorriu satisfeito.
Obviamente, aquele pacote havia me caído dos céus diretamente em meu colo e eu só podia agradecer. Lutando bravamente contra a incredulidade da situação, parecia ter ido ao inferno e voltado. Mordi um sorriso. Lá estava a vida sendo novamente uma cadela cheia de surpresas.
O correr das horas passou sem nenhuma surpresa, SeokCheon e estavam entretidos em uma conversa, eu apenas comentava uma e outra coisa. Mergulhada em reflexão, a qual fazia lembrando-me que não havia motivos para meu desconforto, passei a observar o perfil do mais novo. Sentia o revolver saudoso em meu cerne, ao mesmo tempo em que latia em alto e bom som o dissabor.
Na hora de embarcar, SeokCheon estava apenas a duas fileiras de onde estávamos, mas dotado de um carisma absurdamente contagiante, esse veio parar exatamente ao nosso lado, ao trocar de lugar com um jovem rapaz. Agradecida pela proximidade que não permitiria que houvesse uma conversa mais profunda com o rapaz ao meu lado, passei as próximas horas envolvida na conversa fiada com o mais velho.
Mas o pequeno momento de paz estava em vias de terminar ao pousar da aeronave em solo coreano. Dividida entre o que viria a seguir e o separar de SeokCheon, eu permaneci inquieta todo o trajeto para área de taxi. Havia me afeiçoado ao rapaz de uma maneira engraçada e quando chegou a hora da despedida, após trocarmos contatos, fui abraçada.
– Eu não sei o que diabos está acontecendo, mas você dará um jeito de me contar, detalhe por detalhe, está ouvindo mocinha? – eu ri mansamente ao ter aquele momento de calor e o discreto pedido. – Apareça no meu restaurante uma hora dessas, quem sabe você não tem a sorte de descobrir alguma fofoca quente entre meus convidados VIP.
– Quem sabe uma hora dessas – arqueei as sobrancelhas e o vi franzir as dele. – Ok, juro que vou marcar um horário.
Enquanto passava o endereço ao motorista, se despedia do amigo. Acenando mais vez para SeokCheon, entrou no taxi. Grata ao nosso atraso, iriamos para casa acompanhados e mais uma vez, impedidos de ter a conversa que a custo estava sendo adiada, por mim, pelo destino e todos os santos.
Tão rápida quanto poderia ser, passei por ele ao chegar em casa e dando uma despedida relâmpago, entrei no meu quarto. Fazendo o possível para me manter em silêncio ao circular pelo quarto, entrei no banheiro. Dispensei as roupas no cesto e me deixei cair na ducha quente.
Enquanto amarrava o roupão no closet, fiz uma careta amaldiçoando o fato de me sentir sedenta. Eu precisava descer e procurar por algum liquido gelado.

Subi as escadas lentamente, pensando pela milésima vez porque não havia comprado um frigobar para o meu quarto, a ideia sempre me tentava, mas eu sempre esquecia de o fazer. Se tivesse um daqueles não precisaria estar fazendo aquele caminho. Passei silenciosamente na frente do quarto, quase na ponta dos pés. Não houve qualquer indicio que a porta foi aberta ou ruído que o denunciasse o ato, mas meus cabelos da nuca se arrepiaram. O que diabos havia acontecido com as portas rangendo e sinalando o ato de abrir e fechar? Corrigi mentalmente: Isso é filme de terror, querida. Pondo-me em alertar ao sentir o velho arrepio de antecipação espalhar por minhas costas, meus pés automaticamente pararam em seu caminho. Mas que porra?!
– Nós precisamos conversar – tranquei um gemido ao sentir a respiração sacudir meu cabelo e enviar ondas de calor sobre meu corpo, porra, agora não era hora de lembrar o que havia ficado para atrás.
– Acredito que não tenhamos nada a conversar – joguei as palavras e fiz uma careta automática pelo soar rarefeito da minha voz. – Temos que sair cedo, o melhor agora é dormir.
– o som saiu contido, me fazendo arrepiar e aquecendo lugares indevidos.
– Boa noite – merda, eu precisava sair dali, eu realmente precisava.
– Porra, será que não dá para parar e me ouvir? – as mãos fecharam-se sobre meus braços.
– Cala a boca, porra! – com um safanão desvencilhei-me do toque e o encarei sentindo meu corpo reagia ambiguamente a proximidade quando o encarei, quase na ponta dos pés. – Quer ter pelo menos ter o respeito de falar baixo?
– Eu estou falando baixo, merda – rosnou encarando-me furioso. – Se esse é o problema, eu sei muito bem como resolver.
Fiz o caminho quase arrastada escada abaixo, rogando toda a sorte de palavrão em tom baixo. Aquilo não estava acontecendo de novo. A dubiedade novamente teve todo o seu caminho sobre minha pele e o maldito reagir aflito no núcleo do meu corpo. Eu não iria lutar contra o aperto firme, não. Não repetiria o erro de lutar contra e ele e me ver esmagada em algum lugar enquanto ele fazia seu ponto sobre mim. Isso não tem nada a ver com a sua felicidade em estar cativa por ele, certo? Aquela vozinha chata latiu ao fundo da minha cabeça. Não, quanto mais rápido eu passasse por aquilo, mais perto estaria de estar livre dele. Ah, sim! Resmunguei uma imprecação ao passar pelo umbral da porta do meu escritório. Afastei-me de qualquer possível toque assim que fiquei livre das garras dele. Parei no meio do escritório cruzando os braços, mantendo alguma distancia, mesmo que fantasiosa da minha parte.
– Agora, por favor, me ouça.
Fiquei impassível vendo-o esfregar a nuca em tom aflito, parecendo sem saber por onde começar a falar. Nesse caso, se ele achava que eu ficaria esperando que ele aprontasse seu discurso, ele estava, outra vez, enganado. Ele foi rápido em entrar na minha frente, fazendo-me parar bruscamente para não tropeçar nele.
– Não é nada do que você pode estar pensando – exalou de uma vez.
– E no que eu estaria pensando? E melhor, porque estaria pensando a respeito disso? – dei um passo em frente o encarando. – Vegas – articulei a palavra suavemente o vendo reagir de maneira singular, crispando os lábios e tomando um olhar frio sobre as íris castanhas. – O que acontece em Vegas, fica em Vegas.
Vegas? – proferiu de modo tão suave que pude sentir minha pele cortar ao tom laminoso. – Não acredito nem um pouco nisso.
Avançou tomando uma lufada de ar em mim, sustentei o olhar afiado sem mover um musculo de onde estava. Eu estava mentindo. Eu sabia disso, ele não. Como diabos em poderia esquecer de tudo o que aconteceu naquele lugar? Não somente eu estava a par das lembranças perigosas correndo soltas em minha cabeça, – rodando lentamente cada pedaço – como meu corpo criava vida própria perto daquele homem e passava por cima da minha própria vontade e saía ao encontro dele.
– Ela não é nada para mim, aquela criança não é minha – sibilou entre dentes, tão perto que podia sentir seu hálito sobre meu rosto.
– Eu não preciso te ouvir e você não tem que explicar merda nenhuma, então qual é o maldito problema com você? – disse por entre dentes, mantendo o tom baixo.
Eu tentava arduamente bater para fora de mim a excitação vadia do meu corpo, da mesma forma que, mantinha a rédeas curtas aquele sentimento de antes. Ah sim, novamente varria sobre mim, trazendo à tona o mal-estar de antes. Merda. Eu não sabia o que odiava mais naquele instante, o instinto primitivo de pular sobre ele ou a sensação de ter sido enganada. Havia perdido as contas de quantas vezes repetia o mantra que a vida dele não era da minha conta, muito menos o que ele fazia ou deixava de fazer, mas ainda assim, ruminava aquele maldito sentimento. Tudo não passou de uma relação de negócios, onde não havia sentimento de nenhuma parte. Ele tinha o que eu precisava e eu peguei o que estava a mão. Simples, preto no branco. O que ele faria dali para frente, em certo ponto seria da minha conta, pois envolveria nossa criança e só isso. O passado era apenas o passado, não tinha importância. Não, não mesmo. Porém, aquilo não me fazia sentir melhor.
– Olha, vamos deixar isso, ok? – esfreguei têmpora, cansada eu já não queria mais continuar com a discussão. – Se você disse que não é, eu vou acreditar em você.
– Você não acredita em mim – erroneamente deixei que os olhares chegassem na mesma altura, senti o peito afundar no peito ao ver abismo nos castanhos olhos.
– Eu só... não sei o que pensar – levei a mão ao rosto, pousando contra a bochecha aquecida.
– Eu nunca mentiria para você – disse num roçar suave contra minha mão.
– Eu não te conheço – deslizei num fio e voz, coloquei espaço entre nós e logo tinha os braços sobre o peito.
– Mas você pode conhecer – cercou-me e me afastei mais uma vez.
– Nós tivemos todo o tempo para que eu pudesse ter um vislumbre sobre a sua pessoa, mas você escapou por entre meus dedos incontáveis vezes – o encarei me sentindo ainda mais miserável – Você teve a sua chance e não aproveitou. Eu não posso fazer mais nada sobre isso.

Se houvesse tido qualquer tipo de agressão física, como um belo chute nas bolas ou um tapa na cara, poderia dizer que estaria feliz. Mas não foi assim. Infelizmente para mim, ela havia tido seu ponto de maneira tão simples e sucinta que, apenas fiquei parado a vendo sair do escritório e fechar a porta silenciosamente atrás de si.
Eu deveria ter conversado com ela, não era idiota e sabia que havia pisado na bola em ter ocultado aquela parte, não faltaram ocasião em que ela havia perguntado. Na minha ânsia de estar a par dela, eu havia caído em meu próprio erro. Agora eu estava preso no que não havia dito de antemão, quem sabe se houvesse tido aquela conversa mais cedo, nada daquilo estaria acontecendo.
A cada minuto que passava eu sabia que estava perdendo qualquer ligação que pudesse ter tido com ela, a via fugir e retrair em sua concha. Vegas. A maldita palavra reproduzia incansavelmente em minha cabeça, reduzindo o momento que tivemos a uma mera diversão que deveria ser varrida para debaixo do tapete, sem importância.
Eu sabia que não era daquela forma, não era algo para ser esquecido.
Esfreguei o rosto e segui o mesmo caminho que ela. A sensação sufocante permanecia por minhas veias e o sentimento de frustração trabalhava incansavelmente para me manter andando pelo quarto, de um lado para outro. Recebi um ultimato silêncioso ao saber que deveríamos voltar antes, sabia que a partir do instante que voltássemos iríamos nos separar, até que nos encontrássemos no próximo mês, caso não tivesse esperando. O que eu não contava, era que seria daquela forma abrupta.
Eu havia assistido tantos momentos da personalidade dela, mas nada como aquela resistência como agora. Ela parecia severamente magoada em níveis que eu nem podia contar e mais uma vez, eu queria apenas voltar no tempo e conversar. Jamais podia imaginar que poderia acontecer daquela forma, mesmo que uma parte relutasse em dizer que não lhe dizia respeito, eu era capaz de entender como uma notícia como aquela e ainda por cima mal explicada poderia fazer.
Perdido em mim mesmo, mal vi o dia raiar e logo me pus a caminho de trocar de roupa e encontrá-la para a consulta. Sentindo o peso do mundo nas costas, desci as escadas e a encontrei em seus trajes negros e segurando um capacete. Trinquei os dentes diante do tapa silencioso em minha face e parei em frente a ela, recebi nada mais que um aceno de cabeça e apenas encaminhou-se para a garagem.
Eu sabia que não era o único a estar um trapo, podia sentir a tensão e o andar cansado, retive o movimento de me aproximar e a acolher em meus braços. Como eu doía para o fazer. Havia tanta coisa em jogo, como da outra vez em que ela apenas saiu silenciosa do consultório, agora, eu sabia que ela podia estar assim de novo.
– Você não quer vir comigo? – tentei verdadeiramente angustiado fazê-la mudar de ideia.
– Obrigada pela oferta, tenho um compromisso, será mais fácil irmos em veículos separados.
Em um meneio de cabeça, acompanhei em silêncio enquanto retirava a capa negra e laranjada da moto, ela montou e eu entrei no carro. Nunca me senti preocupado com pessoas andando de moto no estado de cansaço, mas hoje, a vendo daquela maneira, eu temia que algo pudesse acontecer.
De fato, sem poder evitar, a segui de perto.
Observei o perfil silencioso, quase resignado. Dessa vez não havia olhadelas no celular ou trocar de posição na poltrona, havia apenas a inexpressão dos traços e o olhar vidrado a porta trabalhada. Depois de tantas infrutíferas tentativas de estabelecer uma conversa, incomodado eu apenas permanecia calado esperando algum espaço.
Eu não sabia em qual momento da minha vida havia pecado a ponto de ser castigo dessa forma agora, maldita hora que olhei para SeokAe, a desgraçada havia surgido do nada apenas para complicar minha vida e retroceder a relação com . Freando minha linha de pensamento, a porta foi aberta pegando nós dois de surpresa.
– Bom dia, como estão vocês? – Dra. Kang tinha um sorriso animado.
– Você se importa se eu entrar primeiro?
– Uma ótima ideia, aguarde um minuto aqui e chamarei a enfermeira para te acompanhar até ao dr. Kwon – abrindo espaço e deixando que apenas entrasse e parou ali. – Quando estiver com os documentos em mãos e após conversar com ele, volte até mim.
Sem que tivesse tempo de responder vi as duas desaparecer diante dos meus olhos para dentro do consultório.

– Está tudo bem? Você me parece um pouco abatida – apontou para a poltrona em frente à mesa e ao contrário do esperado, tomou a outra poltrona ao meu lado – Aconteceu alguma coisa?
Fiquei tentada a cair diante do olhar maternal e preocupado da mulher, deixar escapar o que me ia na alma naquele instante, mas não poderia fazer. Neguei em movimento discreto de cabeça e me aninhei contra a poltrona.
– Você não precisa se preocupar, o que você dirá aqui, ficara apenas entre nós.
– Tenho um pequeno atraso e realmente não quero ter qualquer tipo de alarde quanto a isso, tenho plena consciência que pode ser um alarme falso.
– Você passou por alguma situação de estresse recentemente? – fiz um movimento afirmativo e ela pareceu ponderar. – Pode acontecer que por conta disso houve uma alteração, mas para a sua tranquilidade, podemos fazer o Beta HCG em sigilo, o que pensa sobre isso?
– Eu acho ótimo, não quero criar falsa esperança para ele ou para mim – acompanhei com o olhar enquanto via a mais velha circular a mesa e chamar por um enfermeira.
– Posso fazer mais alguma coisa por você? – sabia exatamente o que ela queria dizer, mas neguei aquela resposta.
– Sim, eu gostaria de saber sobre meus exames, em particular – assentindo sentou-se em sua poltrona procurando em uma pasta parda, estendeu os diversos exames em cima da mesa o conteúdo da mesma.
– Na nossa última conversa, comentamos que o fato de você estar acima do peso, poderia ser um fator desfavorável ao seu plano de engravidar, por conta de alguma alteração que pudesse aparecer em seus exames – apontando para alguns números sobre os papeis. – É com alegria que posso dizer que sua saúde está em perfeita sincronia com o seu corpo. Seus exames não apresentaram qualquer alteração.
Eu já estava esperando o pior e naquele instante, foi como se um peso fosse me tirado das costas, sorri pela primeira vez no dia. Depois das últimas horas, era reconfortante ouvir a boa notícia, estava aflita imaginando que algo poderia dar errado e que houvesse algum impedimento da minha parte para ter aquela criança.
– Pode acompanhar a sta. Lee, ela estará te acompanhando durante o exame – arrancando do meu devaneio momentaneamente feliz, vi a enfermeira surgir de algum lugar atrás da Kang, nem ao menos havia notado que havia alguma porta por ali. – Eu ficarei te aguardando.
Segui a jovem de aparência simpática até uma sala imaculada, onde seria feita a coleta. Sentei-me na poltrona em couro branco e confortável enquanto ela circulava a minha volta mantendo uma conversa leve sobre o clima e procedendo para a retirada. Com a experiência e dotada de uma delicadeza, mal senti quando a mesma penetrou sobre minha pele, poucos minutos que havia chego ali e já estava sendo redirecionada ao consultório, tamanha destreza da Lee.
– Aí está você – apontou para poltrona que outrora havia ocupado, estendeu o envelope pardo em minha direção. – Aqui estão seus exames, mais alguma dúvida? – neguei e ela sorriu. – Se você precisar de alguma coisa, pode me ligar aqui na clínica ou em particular – deslizou o cartão de visita em minha direção.
Tratei de guardar o cartão ao som da batida discreta na porta, um aceno de cabeça e ela pediu para que entrassem, tomei uma posição confortável em meu lugar e esperei que ele sentasse ao meu lado. Foi inevitável o retesar quando casualmente tocou minha mão. Tentei ao máximo dar um sorriso cordial e soube que falhei ao captar a olhadela estranha da outra mulher.
– O que temos aqui? – Kang observou com interesse os resultados que ele havia trazido, acompanhado de um gesto de cabeça. – Quase posso dizer que vocês são um casal regido pelos céus, pois seus exames estão em perfeita sincronia. Agora, é só esperar a natureza fazer a sua mágica.
– É uma ótima notícia – assenti em silêncio ao aquecer do aperto em minha mão. – Vamos esperar por isso.
– Dedos cruzados esperando pelos resultados. – Kang sorriu com uma centelha de curiosidade. – Vocês sabem, qualquer coisa estou bem aqui.
– Nos vemos em breve, obrigada – desvencilhei do contato e fiquei de pé, eu só precisava sair dali.
Evitei o olhar em minha direção e num aceno caminhei para a saída, o mais rápido possível. Nunca em minha vida havia sido muito boa em esperar e ainda mais naquele caso, eu precisava saber sobre o beta e pior, eu precisava pôr um fim naquilo. Com ele ao meu encalço, me aproximei do carro e esperei que pudesse abrir para que pegasse meu capacete.
– Aqui está – estendeu em minha direção o capacete, ele fez menção de dizer mais alguma coisa e rapidamente o interrompi.
– Obrigada, , por todos esses dias e por ter entrado nessa.
Retirei as chaves do bolso e dei um passo atrás, o que eu deveria fazer? Acenar? Dar um beijo no rosto? Parte de mim queria apenas ficar e prolongar o momento, mas apenas uma pequena parte. Podia ainda sentir o gosto insalubre pelo dia anterior, martelando repetidamente em minha cabeça. Instintivamente me afastei diante do passo em frente, às vezes – sempre – ele me deixava um tanto estranha quando me olhava daquela forma, eu sentia a oscilação em meu humor, aquilo não era bom para mim, aquela porra toda não era boa para ninguém.
– Acredito que ficamos por aqui, como dito anteriormente terei outro compromisso agora e não poderei te acompanhar. Faça uma boa volta para casa, assim que souber de alguma coisa nas próximas semanas, te aviso – acenei indo em direção a moto.
De alguma forma eu me sentia errada em estar tendo aquele tempo apenas para mim, mas eu não podia pensar em mais ninguém agora. Mais do que ele, YunHee ou outra pessoa, ninguém precisava de um tempo mais do que eu mesma e a parafernália em minha cabeça. Nesse intuito, montei a Candy recebendo aquela sensação de conforto única de não estar sozinha, mesmo ela sendo apenas uma moto. Congelei meu movimento de pôr o capacete ao aquecer da minha bochecha. Fui varrida de cima a abaixo por aquela emoção mesclada a surpresa ao ter os lábios pousados contra a minha pele. Um segundo, talvez cinco, um minuto, quanto tempo havia passado sobre mim, eu não sabia, mas quando finalmente ergui o olhar, precisei trincar os dentes e permanecer parada, presa em mim mesma.
– Tenha em mente as minhas palavras, eu vou estar aqui para você em qualquer momento, não hesite em me procurar – ele parecia tão melancólico ao me fitar diretamente nos olhos.
Oscilando um aceno de cabeça, afivelei o capacete sendo de perto monitorada, tirei o suporte antes de ligar a moto, preenchendo o lugar com o ronco revigorante da Candy. Acelerei afastando para longe dele sendo apenas impedida pela quilometragem permitida dentro daquele local. Com receio de que ele pudesse me seguir, ao ganhar a rua, segui na primeira curva. Estacionei há alguns quilômetros do lugar de origem, em frente a um café.
Segurei meu pedido com ambas as mãos, o aquecer reconfortante enquanto aleatoriamente observava o ambiente. Eu olhava o relógio de minuto a minuto, esperando que a lentidão dos ponteiros por fim viesse me socorrer e passassem rapidamente enquanto bebericava o liquido não tão fumegante a essa altura. Não me permiti a tortura de pensar o que seria o resultado e o que faria caso fosse positivo. Com disciplina elaborada permaneci alheia, apenas presa ao tic, tac.
Quando enfim a hora chegou, com as pernas não tão simpáticas em firmeza, me arrastei para o caixa para quitar minha dívida e de lá, para a Candy. Não me era familiar aquele lugar, mas sem pressa para ter minha sentença, voltei ao consultório. Encontrando-me ao meio do caminho, Kang Sandara levou-me para o consultório, pousando a mão de forma delicada em meus ombros, direcionou-me para as poltronas.
– Aqui está seu exame – o envelope hermeticamente fechado foi posto em minhas mãos, tremulas naquele instante. – Você quer um minuto? Depois podemos discutir sobre o resultado.
– Não – falei um pouco rápido demais, mas ela não pareceu se importar por aquilo.
Respirei fundo antes de rasgar o lacre e retirar o papel dobrado de dentro, sentia o suor escorrer por minhas costas. Seria uma vida inteira desenhada a partir do que estaria redigido naquele simples pedaço de papel, tomando outra lufada de ar, desdobrei o papel e li. Atônita eu olhava para o papel levando consideráveis minutos para processar as linhas ali.
– Querida, você está bem? – olhei para ela tentando articular alguma coisa, sem sucesso – Você quer um copo de água? Talvez repousar um pouco? Você está pálida – segurando delicadamente meu pulso e olhando para o relógio. – Espere apenas um minuto.
– Não – franzi as sobrancelhas ao fitá-la e fugir do toque paciente. – Eu estou bem, só um pouco... não estou gravida. Obrigada pelo seu tempo e disposição – me coloquei de pé, Kang repetiu meu gesto me olhando realmente preocupada.
– Você não quer esperar mais um pouco antes de seguir seu caminho?
– Está tudo bem, eu me sinto bem – antes que ela pudesse me reter mais um minuto, ganhei o corredor e em seguida, Candy.
Eu não estava grávida.
Não seria mãe daquela vez. Mesmo sendo nos dito que aquilo poderia acontecer, eu estava triste por não ter sido positivo o resultado. De certa forma, havia me afeiçoado aquela ideia de estar gerando um outro ser e agora, restava o vazio ainda maior ao chegar em casa. Agora, ali sozinha sentada na entrada de casa, eu desabei e sem me dar conta, chorei.

Fiz o possível para não franzir as sobrancelhas diante do olhar astuto me avaliando conforme eu adentrava ao recinto claro e deliciosamente aromático dos 's, parei um instante para trocar uma palavra com JaeJoong que mantinha um olhar apurado em minha direção. Não poderia negar que a admiração aquecida nos olhos do mais velho, me fazia sentir quente – e, realmente quente quando pela primeira vez o vi fitar de maneira lenta de cima a baixo, devo dizer – da mesma forma que o outro olhar permanecia cravado em minhas costas.
Porra, eu deveria ter dito para ele ter ido até a minha casa e não precisaria estar como um peixe preso em um aquário sendo observada. Maldita hora que quis sair de casa. Desvencilhando da magia dos olhos negros do rapaz e o tranquilizando o suficiente para que não me acompanhasse até a mesa, caminhei para a parte traseira do restaurante.
Aquilo era ainda pior, muito pior, evitei fazer uma careta ao me aproximar e vê-lo levantar-se fechando o caminho até mim. Os castanhos olhos em forma de gota, varreram meu corpo e em seguida um olhar demorado por meu rosto, para terminar em meus olhos. Sentia uma vontade louca de rastejar para abaixo da mesa e permanecer ali até que a burocracia visual terminasse. Rara eram as vezes que o via naquele estado, tão obscuro em apenas permanecer em silêncio ao lançar seu olhar estranhamente carregado sobre mim. Deus, o que eu havia feito de errado? Odiando aquele silêncio prologando, me acerquei e depositei um beijo na bochecha.
– Olá – dei a volta no corpo quase da minha altura e muito bem distribuído e aproximei-me da cadeira, acenei com a cabeça quando a cadeira me foi afastada e me acomodei, esperei que ele fizesse o mesmo. – Tudo bem? Temos algum motivo especial para estar aqui?
– Devo ter algum motivo para almoçar com minha irmã? – tentei ignorar o fio metálico na voz rouca e neguei sentindo-me um tanto desconfortável diante dele.
– Nenhum – sorri alisando o linho imaculado a minha frente, guardei uma imprecação e esperei que o silêncio não se prolongasse, pois eu não sabia o que dizer. – Quais são as novidades? Da última vez que eu estive aqui com um dos meus irmãos, foi para ele me dizer que ia casar.
– Eu deveria fazer a mesma, já que você viajou com o garanhão e nem ao menos contou que o faria – estreitei os olhos não gostando nem um pouco do tom acusatório, muito menos desdenhoso.
– Acredito que o garanhão tenha um nome, da mesma forma que, eu não tenho que te dar nenhum tipo de explicação sobre a minha vida – esclareci o encarando sentindo o desconforto crescer a medida que o assunto parecia desenrolar por um caminho nada amigável.
– Claro, havia me esquecido disso – um sorriso e escarnio turvava os bonitos lábios do rapaz, em desagrado permaneci em silêncio o vendo levar a taça de água aos lábios. – Então, como foi suas férias? Acredito que tenha sido agradável, seu bronzeado não esconde o tamanho do seu divertimento.
– Sim, foi ótimo. Agora, o que você pode fazer, é me dizer que bicho te mordeu, pois eu não sou obrigada a permanecer um minuto a mais com você nesse estado, JunSu. Não sou seu saco de pancada, nem seu brinquedo – levantei da cadeira e o plantei as mãos sobre a mesa, quase enfiando minha cara contra a dele no outro lado da mesa. – Se você está com um problema, não ligo de permanecer e ouvir, quem sabe te ajudar, se estiver em meu alcance. Agora ficar parada enquanto você permanece em seu mundo espinhoso e me fazendo de cobaia em toda essa merda, isso com toda certeza desse mundo, não vai rolar.
Lançando um último olhar, girei sobre os calcanhares, afastando-me daquele imbecil. Deus, o que diabos havia acontecido com ele enquanto eu estive fora? Merda, nunca havia o visto daquela maneira e pior, tratando-me dessa forma. Não sabia se me sentia pior por ele ou por mim. Não somente interrompendo meu raciocínio, bem como meus passos, os braços fecharam-se sobre meu corpo, choquei contra o corpo firme e o queixo pousou suavemente sobre meu ombro. O fitei de esguelha vendo a imagem mesquinha ser substituída pelo garoto doce sorrindo em minha direção.
– Desculpe, eu estou tendo um dia terrível e não deveria descontar em você – assenti ainda rígida contra ele, segurando meus ombros girou a minha volta, parando a minha frente alisando suas mãos contra meus músculos tensos. – Desculpe-me, não vai se repetir. Venha, vamos almoçar.
– Seu humor conseguiu acabar com qualquer vontade de comer – mordi friamente, o vi esfregar a testa, visivelmente atormentado e irritadiço. – Quem sabe em outra hora.
– Você pode apenas sentar comigo por um instante?
– Não.
Dei a volta por ele, sem olhar para atrás, fiz todo meu caminho para dentro do restaurante, dei um aceno para o surpreso de JaeJoong e me encaminhei para a porta da frente. Gemi frustrada ao ver chegar com no mesmo instante que sairia, não tinha para onde correr e não estava afim de permanecer ali por mais tempo do que o estritamente necessário.
, – cumprimentei cada um e dei um passo atrás.
– É o nosso segundo encontro aqui, deveríamos marcar um dia desses, mas sem que nenhum de nós esteja entrando ou saindo – sorri diante do comentário da minha cunhada.
– Realmente, me ligue e agendamos alguma coisa, mas vão em frente e tenham um ótimo almoço – dei um passo para o lado.
Remoí um palavrão ao ver dar um beijo na bochecha da moça e permanecer em seu lugar, cruzando os braços no peito e fitando-me arqueando as sobrancelhas. Legal, era o que justamente eu precisava agora, outro me avaliando.
– Vai lá garoto, eu tenho um compromisso e já estou mais que atrasada.
, o que aconteceu? – postou-se a minha frente, bloqueando meu caminho.
– Não tenho ideia do que você está falando – contei até dez lentamente.
– Você está diferente – os olhos astutos me fitavam sem cerimônia procurando por respostas, ah sim, ele era um filho da puta intuitivo, sempre foi.
– Novamente, não tenho ideia de que você está falando – lhe sorri o melhor que podia – Sinto muito, eu preciso ir.
– Talvez esteja perto demais para notar o quanto você mudou.
Não contestei o que ele queria dizer, não o fitei, apenas cobri a distância até o carro.
O que colocaram na água para todo mundo estar daquele jeito? Que merda! Fiz a manobra para longe dali, ainda vendo o mais velho me observar pelo retrovisor.

Eu não conseguia dormir, levantei da cama e caminhei para fora do quarto em silêncio, em direção ao escritório. Essa rotina vinha repetindo-se pelas últimas semanas, a ponto de estar capítulos adiantada no livro. Não importava a hora que dormia, eu apenas acordava pouquíssimas horas depois, com a sensação de que havia terminado de deitar.
Eu parecia uma sonambula, circulando pela casa de madrugada ou durante o dia.
Todos os caminhos me levavam ao escritório e lá, eu permanecia até a exaustão me obrigar a parar por um momento, querendo ou não. Já havia perdido as contas de quantas vezes havia acordado com a cara no teclado ou em algum ponto da casa que eu nem ao menos sabia como havia chego até o recinto em questão.
Eu ignorava o smartphone e o telefone fixo estava há dias fora da tomada, não respondia e-mail ou entrava em contato com alguém. Eu precisava ficar sozinha, tinha a necessidade de estar em silêncio. Precisava de um tempo para me reorganizar, para cuidar de mim.
Lutava todos os dias contra o vazio, apenas queria desocupar minha mente e preencher com outras coisas. Era uma luta tão injusta, em vão. De repente eu me vi tão indefesa contra aquilo, não conseguia me livrar do sentimento de perda, quando minha vida tinha virado aquela merda?
Patética, eu me fazia aquela pergunta, sem chegar a nenhuma conclusão.
Era aquilo que eles diziam que era saudade? Apenas surgia um dia da sua vida e nunca mais te deixava ir embora, eu estava tão perturbada que as vezes me via chorando sem um motivo plausível e em uma dessas vezes eu tinha sido encontrada por YunHee, derramei uma desculpa esfarrapada e me afastei.
O que mais eu podia fazer? Eu apenas sentia tanta, mais tanta falta que me consumia a grandes bocados. Deus o que estava acontecendo comigo? Eu tinha me tornado algum tipo de viciada, eu precisava, eu queria estar próxima. Todo e qualquer mínimo detalhe me fazia retroceder no tempo e encontrar o sorriso dotado de covinhas nas minhas memorias. Eu sentia falta da boa e velha conversa, de querer compartilhar minucias que eu sabia que ele teria algum comentário engraçado ou algo que viria a ser um grande debate que de alguma forma, terminaria com os dois rindo.
Eu não conseguia entender porque me via daquela forma, ele não era nada mais que um amigo, nem sabia se aquela palavra cabia para ele, mas era mais próximo disso que podia encontrar.
Então porque eu estava tendo essa reação a distância que eu mesma impus?
O estado de contradição me punha ainda mais nervosa e sensível. Precisava por meus pensamentos e sentimentos em linha, organizar e abstrair aquela distração que me amarrava. Nunca em toda a minha vida havia sido mais fácil dizer do que agir.
Tomei meu lugar na escrivaninha, não havia outra maneira de ter um minuto de paz do que sentar ali e fazer alguma coisa com que havia sido me tirado, a sanidade. Era irônico pensar que diante da minha frustração em conciliar a bagunça dentro de mim, eu estava revisando o que escrevia sem reclamar, de forma automática, apenas fazendo o que tinha que ser feito.
Era perturbador notar que em algum ponto eu havia mesclado a realidade vivida por mim em Bali, com a atual situação dos personagens. A cada revisão tornava-se claro a semelhança adquirida em pequenos detalhes aqui e ali, que me arremetia a minha situação, mas de uma forma leve, onde eu podia lidar e aquilo me fazia momentaneamente feliz, pois ali, eu podia manejar e atribuir o que eu queria. Livre de impedimentos.

O ponto final. Finalmente, estava ali, em seu devido lugar. Antes do tempo determinado. Os últimos dois meses haviam passado tão rápido e com ele as páginas do livro voaram para o fim e agora, estava prestes a chegar na mão do editor. Eu me sentia leve, feliz e ao mesmo tempo, já me sentia saudosa. Namorei os últimos capítulos antes de clicar em enviar. Relaxei sobre a poltrona estirando os músculos doloridos, beberiquei o suco de frutas, agora temperatura ambiente, que mais cedo YunHee havia me trazido.
Com aquela parte da minha vida pronta, eu só precisava arrumar a outra bagunça e me preparar. Abri a gaveta e retirei o papel de lá, corri os olhos pela folha já meio amassada por tantas outras lidas, as palavras continuavam as mesmas. Não havia mudado desde a última vez que eu vi, mas ainda não era hábil para internalizar a informação.
? – ergui o olhar para a porta e já soltando o papel, saltei da poltrona.
– Mãe! – me senti como criança ao alcançá-la no meio do caminho e cair nos braços abertos.
– Que saudade, minha criança – o aperto a minha volta foi firme e tão reconfortante, que me permitir fechar os olhos e relaxar por um momento, esfregando suavemente minhas costas tempo o suficiente antes que me afastasse. – Você está bem?
Sacudi a cabeça em afirmação e a vi segurar meu rosto, ombros e braços, apalpando cada pedaço, numa busca velada para ver se eu estava bem, tal como se estivesse me acidentado. Ao olhar-me de cima a abaixo, a mais velha pendeu por um momento a cabeça e vi os olhos brilharem suavemente ao me observar. Novamente estava carinhosamente presa no abraço acolhedor, ela tinha um sorriso trêmulo ao me fitar separando-se de mim.
– Venha, eu preparei o almoço – segurando minha mão me levou em direção a cozinha.
– Eu nem te vi chegar e já tem almoço pronto? Quando exatamente chegou aqui? – passei um braço pelo ombro da menor.
– Não faz muito, trouxe algumas coisas de casa – sentou-se à minha frente na mesa, automaticamente com o auxílio do jeotgarak, despejou uma bela porção de chi junto ao meu gondrebap e dargyarmari – Já que você não apareceu durante todo esse tempo, eu tive que vir para vê-la.
– Me desculpe por isso, mãe – encolhi diante do tom levemente chateado. – Eu acabei caindo de cabeça no livro e quis aproveitar a boa maré para terminar de uma vez.
– Tudo bem – assentiu assistindo enquanto eu comia. – Mas hoje você pode? Marquei com o pessoal para um jantar em casa, adoraria se você pudesse aparecer.
– Quem vai estar lá? – perguntei num tom despreocupado, evitando olhá-la.
– Apenas a família – balancei a cabeça e dando de ombros. – Eu sei que seu irmão foi um idiota com você, mas acredite, ele está bem melhor agora.
– Sério? Até agora fiquei sem entender o que veio acontecer naquele dia no 's – não escondi minha chateação diante do ocorrido e a vi encolher o ombro.
– Não sei ao certo, mas diante das dúvidas, prefiro não comentar até ter absoluta certeza. Vamos esperar e ver – assenti em silêncio. – Isso não vai ser o motivo de você não aparecer, não é? Acredito que esse também não era o único motivo para a sua ausência.
– Eu vou, mãe – balancei a cabeça estudando meu prato, completei mais para mim do que para ela. – Vou sim.
Terminei minha refeição em meio a conversa leve e explanação de como estavam os preparativos para o casamento do mais velho dos irmãos. Eu pescava um olhar demorado em minha direção, como se quisesse falar alguma coisa, mas esperasse um primeiro passo da minha parte. Sem saber ao certo o que deveria dizer, sobre qual tópico ela queria entrar, preferi que levasse a conversa. Já diante do carro e a um passo de entrar no mesmo, parou a minha frente, munida do olhar caloroso, deixou finalmente escapar.
– Você está tão diferente, radiante eu diria – levou a mão ao meu rosto, acariciando por um instante. – Quando você descobriu?
– Apenas há alguns dias. Eu não contei a ninguém, até agora – murmurei sentindo o rosto esquentar.
– Eu estou tão feliz! – sacudiu em seus pés, sorrindo e esmagando-me ao corpo pequeno. – Deus! Eu não acredito! Quando você pretende contar a todos?
– Eu ainda não sei, minha ficha ainda não caiu. Na verdade, eu não esperava que fosse acontecer, não agora – olhei para longe balançando a cabeça. – Eu não sei.
– Tudo bem, minha filha, apenas quando você estiver pronta – segurou firme minhas mãos. – Eu estou tão feliz!
– Obrigada – agradeci retornando um abraço de urso, sentindo uma leve ardência suspeita na região ocular, pelo menos agora eu podia culpar totalmente os hormônios.
Acenou quando a deixei ir e antes que pudesse esboçar uma reação, a mão pousou suavemente em meu ventre. Estática acompanhei quando YoungMi subiu no carro e manobrou para longe, não sabia como me sentir a respeito daquele gesto, muito menos abstrair a emoção vinha sorrateira pelo meu corpo e pegando-me desprevenida para o que viria a seguir, o choro.
Eu não confiava em mim para sair dali naquele momento, o martelar em meu peito trazia consigo a falta de ar, logo meu corpo dobrou. Todas as crises de ansiedade existente nos últimos dias, eu havia passado sozinha, trancada em algum aposento da casa. Tentando respirar calmamente e fazendo uma contagem até dez, esperei que a crise fosse embora, ou que a maior parte do sintoma desaparecesse e eu pudesse me mexer. Não sabia precisar quantos minutos permaneci ali, até conseguir voltar a posição anterior com dificuldade.
? – abri os olhos e dando de cara com YunHee. – Está tudo bem?
– Ei amor – estiquei dolorosamente meu corpo e tentei apoiar descontraidamente nos ombros dela quando aproximou-se. – A senhora , acabou de sair daqui, vamos jantar por lá hoje?
– Hoje? – deixou um beijo nos meus lábios. – Amor, você esqueceu que tenho um compromisso com a mamãe hoje?
– Esqueci – fiz um muxoxo. – Eu preciso ir ou é assunto de vocês?
– Você até poderia vir, mas depois de tanto tempo sem encontrar sua família, acredito que seja melhor você ir para casa deles.
– Tem certeza? – acariciei os cabelos dela a vendo assentir. – Então, eu vou para eles.

– Alguém em casa? – abri a porta lentamente sendo recebida por um cheiro delicioso, me esgueirei em direção a cozinha. – Poderiam assaltar a casa e ninguém iria notar – comentei assim que parei a porta vendo todo mundo congelar em seus movimentos.
No minuto seguinte eu estava perdida no seio da família, o abraço do pai e , acompanhada de uma batidinha no ombro vindo da minha cunhada, YooHwan estava lá junto com a sua mãe, mal contive a surpresa ao notar os ali e o fato de minha mãe os considerava da família, assim tão depressa. Me senti encolher diante do olhar da mais velha dos . Gentilmente cumprimentou-me, demorando o olhar apurado em minha direção, para no fim, lançar um olhar carinhoso e sugestivamente em meu ventre.
Não soube o que dizer e nesse impasse, automaticamente me pus em alerta esperando pelo o outro membro da família. Não sabia se relaxava ou me entristecia pelo fato dele não estar ali. Uma grande parte sentia-se feliz por não ter que dar explicação para toda a falta de resposta e também pelo fato de ter que contar, outra permanecia traiçoeiramente melancólica. Alheios ao meu conflito, fui empurrada para o meio na cozinha e logo tinha uma faca e alguns legumes.
Uma taça de vinho branco foi posta a minha frente, agradeci a gentileza da cunhada e sem querer contar ou desfazer do ato gentil, apenas agradeci e dei a desculpa de estar ocupada naquele minuto. Sorrateiramente a senhora , substituiu a taça por uma de suco de uva verde, o qual da mesma tonalidade, não deixaria evidencia de que não poderia ingerir álcool. Toda a movimentação discreta, não passou despercebido a outra senhora do recinto. Lançando um olhar cumplice, acenou um movimento de cabeça em minha direção, sem graça, fiz o mesmo.
– Oi, – fitei JunSu pela primeira vez depois de tanto tempo, o desconforto evidente no jeito tímido do rapaz sempre sorridente.
– Ei – eu era extremamente rancorosa, reconhecia esse fato, o gelo havia durado tanto tempo em nossa relação, que agora o vendo daquele jeito, não foi o suficiente para que a vontade de chutar o traseiro dele fosse deixada de lado.
– Olha, , me desculpe pelo outro dia...
– Por você ter sido um merdinha irritante? – ergui as sobrancelhas sugestivamente, encolhendo os ombros e extremamente sem graça ele assentiu. – Você merece uns bons tabefes para deixar de ser idiota, você sabe disso? – outro movimento afirmativo. – Na próxima vez que agir dessa maneira, juro que não hesitarei em cortar as joias da família – apontei a faca sugestivamente para virilha. – Entendeu?
– Sim – concordou cobrindo a parte sensível com as mãos.
– Ótimo, aqui – estiquei o rosto em direção ao rapaz. – Não vai me cumprimentar?
Gargalhei quando no ímpeto ele me teve por um instante, em seus braços e fora do chão. Tão logo estava sobre meus pés, ele não desgrudou um minuto do meu lado. Cerca de uma hora depois, finalmente o jantar estava pronto e a pedido da matriarca dos , o jantar seria servido no deck, para aproveitar a noite de verão. Logo começou a ronda de trocar da panela para a cerâmica e levar para a mesa previamente organizada. Enquanto os mais velhos mantinham-se em sua própria conversa, os mais novos entraram no assunto cinema e logo, meu calcanhar de Aquiles.
– Não fale sobre isso perto da – ouvi o comentário zombeteiro vindo do para YooHwan.
– Não falar sobre o que perto da minha pessoa? – arqueei as sobrancelhas colocando o que carregava a mesa.
Velozes & Furiosos e Paul Walker, na mesma frase – pontuou ao passar por mim e sentar-se ao lado do noivo.
– Até você já sabe sobre isso? – a olhei surpresa e discretamente apontou para o rapaz ao lado. – Até você ?! Deus, esses homens de hoje em dia não conseguem manter a boca fechada – cruzei os braços lançando um olhar não tão reprovador quanto eu queria.
How could we not talk about family, when family’s all that we got? – empurrei o caçula dos gêmeos quando este passou por mim cantando aquela música fatídica, eu já me sentia arrepiar.
– JunSu, isso é um golpe muito baixo – fiz menção de sentar fui impedida.
– Nada disso mocinha, ainda precisa pegar o resto dos acompanhamentos – disse ao sentar-se com um sorriso de orelha a orelha.
– Engraçadinho – fiz uma careta para JunSu e acenei para que o YooHwan, ao contrário do rapaz ao meu lado, o outro, mais educado, fazia menção de me ajudar. – Não se preocupe, eu já volto.
Enquanto o palhaço fazia questão de me atormentar cantando aquela música linda e extremamente dolorosa, aproveitei que nenhum dos mais velhos estava olhado e mostrei o dedo para ele, causando o riso na nossa parte da mesa. Idiota, resmunguei indo para a cozinha. Qual a lógica de dizer que havia mais pratos se o tonto apagou a luz?
– Eu juro que vou te matar se você vier me assustar – conjurei enquanto caminhava em direção ao interruptor e topei com alguém pelo caminho. – Filho da...
Congelei quando os braços passaram a minha volta evitando que a colisão fosse ainda pior. O cheiro característico e malditamente masculino invadiu meus sentidos, tal qual um tapa atordoando-me. Eu não precisava mais ascender a luz para saber quem me mantinha cativa. Muito menos precisava que aquela boca pousasse sobre a minha de maneira tão possesiva e saudosa, tragando-me com sofreguidão para a magia dos doces lábios. Traiçoeiramente o calor expandiu horizontes pelo meu corpo, o tremor involuntário dos meus nervos apenas acentuou o fato de que mesmo depois de semanas, eu era tão escrava do meu desejo por ele, quanto era quando estava com ele. O martelar gostoso trabalhava em meu peito, diminuindo consideravelmente o vazio que vinha sentido ao longo das semanas, preenchendo com o gosto dele, o cheiro, o toque e tudo que há muito reprimia dentro de mim. As mãos trabalhavam astutamente por minhas costas e logo, parou entre meus cabelos, suspendendo ainda mais inclinado para que tomasse ainda mais de mim. E eu apenas me deixei levar pelos toques e o corpo pressionado contra o meu, abraçando-o sobre os ombros, o trazendo para mais perto, como se houvesse algum maldito espaço entre nós. Eu precisava dele e aquilo me assustava.
– Querida, a luz queimou? – quebrando o encanto do momento, rapidamente dávamos passos para longe um do outro, novamente não soube considerar se me sentia irritada ou aliviada.
– O engraçadinho do JunSu apagou a luz, estava no caminho para acender, eu realmente odeio escuro – disse tentando manter um tom leve, ao mover-me na direção original, rezando para ele tivesse saído dali. – Pronto.
– Boa noite, desculpe-me pelo atraso – com um sorriso inocente o vi adentrar a cozinha como se nada tivesse acontecido segundos antes
! – minha mãe passou por mim, indo cumprimentá-lo alegremente – Eu achei que você não viria.
– Acabei de pôr os pés em casa – sorriu carinhosamente para a mais velha e em seguida curvou-se em minha direção, deixando um beijo casto em minha bochecha. – .
– Olá – lancei um olhar rápido na direção dele encaminhando-me para pegar o que tinha vindo buscar.
– Querida, pegue mais um conjunto de utensílios e me deixe levar isso – tão rápida em seus passos, ela já estava fora da minha vista.
Aproveitando ensejo, bloqueando minha passagem, postou-se a minha frente. As mãos calorosas pousaram suavemente sobre meu rosto, perscrutando detidamente. Eu não sabia o que dizer ao ser encarada daquela forma, minhas entranhas revolveram, novamente tinha o coração disparado e não conseguia disfarçar a ansiedade de responder o olhar observador.
– Você vai ser pai – deixei escapar antes que pudesse conter. – Minha mãe sabe. Ela olhou para a minha cara e já soube. Desconfio que a sua mãe também, ela tinha um olhar estranho sobre mim. Ela é observadora, ainda não sei se isso é bom ou ruim, mas bem, ela sabe. Acredito que isso não é exatamente um problema já que estávamos esperando por isso... Oh!
Cravei os dentes sobre os lábios e não satisfeita, tampei a boca com as mãos, evitando que qualquer outro ruído pudesse escapar à medida que era tomada em um redemoinho de sentimentos ao vê-lo sobre os joelhos distribuindo beijos sobre meu amplo abdômen; não satisfeito com o ato, tombou a bochecha ali mesmo, abraçando-me suavemente. Podia ver os lábios mexendo e mesmo a curta distância, não podia ouvir com nitidez o que era dito.
– Essa é a melhor notícia que você poderia ter me dado – disse ao pôr-se de pé a minha frente, não obstante, envolveu os braços ternamente a minha volta, sustendo-me ao colocar sobre a ilha de mármore. – Eu estou tão feliz! – as mãos plantadas sobre meu abdômen, acariciando-me novamente enquanto delineava o meu rosto com os lábios.
– Você perdeu o juízo, estamos na casa da minha mãe!
Não podia deixar de sentir os joelhos em modo gelatina pelo tom e gesto carinhoso, mas ter aquele momento carinho interrompido por qualquer membro das famílias, não seria exatamente a coisa mais simpática do mundo, mesmo tendo em conta o motivo da ação. Resmungou um sim ao pousar sobre meus lábios. Eu só faltei chorar ao ver meu pai passar justamente naquele instante pela porta. Erguendo as sobrancelhas ao fitar-nos surpreso e tão sem graça quanto eu poderia estar, os olhos do mais velho pousou sobre o gesto do outro. Eu não sabia se eu me escondia diante do rapaz ou corria para os braços do mais velho ao ter o olhar enternecido em nossa direção. Acompanhando meu olhar sem graça, enrijeceu.
– Levem o tempo que precisar – sem dizer mais nada, apenas saiu da cozinha tão silenciosamente como entrou.
– Você está ficando corado – mesmo estando em uma situação constrangedora não podia deixar de comentar e brincar com ele, o fitei mais de perto mal acreditando em meus olhos, era a segunda vez que o via tão sem graça e a minha vontade era de abraçar aquele homem. – Oh deus, você está corado!
– Não comece, – o constrangimento havia alcançando níveis superiores e agora até as orelhas estavam vermelhas, segurando-me carinhosamente, deslizei para o chão.
– Foi só um comentário – ergui as mãos o vendo afastar-se e atônita o vi caminhar em direção aos armários e retirar o que supostamente eu deveria estar pegando. – Desde quando você sabe onde estão as coisas na casa da minha mãe?
– Desde quando estou mais aqui do que a própria filha dela? – estupefata o vi depositar a mão em minha cintura de forma protetora e me levar para o deck.
Primeiro era minha mãe considerando todos como família, o que não era de duvidar já que a aquela senhora tinha amor para dar e vender, mas era estranho, e agora, ele estava indo regularmente na casa dos meus pais? Mastiguei a pergunta e dei um sorriso amarelo diante dos olhares surpresos em nossa direção e claro, não passou despercebido a proximidade.
Não demorou para que todos estivessem servidos e avidamente conversando entre em si, eu gostava de observá-los em seus momentos, era uma sensação única e envolvente fazer parte da minha família que por si só, era um espetáculo quando estavam reunidos, e tendo os como adendo, era de alguma forma ainda mais precioso aquele momento. Por vez ou outra via o jeotgarak deslizar em minha direção, depositando um pedaço de carne ou verduras, sempre os melhores e mais bonitos. Era um gesto um tanto cuidadoso dá parte dele, e quando eu finalmente o peguei a meio caminho da ação, ele apenas sorriu fazendo um gesto para que eu me alimentasse.
– Não é como se você não pudesse pegar a sua própria comida, você sabe – sibilou em meu ouvido, senti automaticamente os músculos enrijecerem ao tom anavalhado.
– É apenas gentileza, não é como se você não pudesse fazer o mesmo, você sabe – rasguei um sorriso fitando JunSu, ignorando meu próprio sentimento de permanecer na defensiva e arrisquei ao segurar a mão por baixo da mesa e a depositei sobre minha barriga. – Você, pode apenas pegar leve? – o vi empalidecer e fitar-me perplexo. – Por favor?
– Sem soju por um tempo, hein? – a mão enrijeceu em seu toque, fitando-me descrente, não me passou despercebido o ar de repulsa ao sentar-se direito em seu lugar afastando sua mão de mim, abrupto, sem me fitar.
– Veja bem, isso não é alguma espécie de doença contagiosa que pode ser transmitida pelo simples toque.
Ele estava com nojo de mim? Do meu filho? Enfurecida como jamais antes havia me sentindo em minha vida, retraindo imediatamente e segurando protetoramente meu abdômen, levantei com o ímpeto o suficiente para derrubar a cadeira na qual estava sentada. Todos os olhares voltaram-se em minha direção, trinquei os dentes contendo o desejo de dar a volta e ir embora.
– Bom, família... – o tom adocicado da voz profunda não foi o suficiente para esconder o fio metálico, muito menos o gesto protetor em minha cintura levando-me para o lado oposto, docemente acomodada contra o corpo, pude sentir a rigidez, e diferente da outra sentida a pouco por mim, este parecia pronto para saltar diante da primeira ameaça que pudesse surgir. – É uma pena que YunHee não pode estar aqui, mas gostaríamos de contar que estamos esperando um bebê.
A ovação veio de todas as partes, eu era passada de braço em braço, recebendo todo tipo de felicitação e carinho de cada pessoa daquela família, menos uma. Eu ainda sentia adrenalina e o sentimento de rejeição correndo por minhas veias e mal contabilizada as palavras gentis que recebia. Agradeci mentalmente o ato nobre do ao me salvar de um momento que poderia ser mais que constrangedor, caso desse com a cadeira na cabeça do idiota. A mão em minhas costas subia e descia gentilmente, tranquilizando-me, o fitei e o olhar atento em minha direção. Eu me sentia miseravelmente aborrecida por não poder dar um belo chute nas bolas daquele miserável e ao mesmo tempo, me sentia agradecida pela interrupção.
– Ei, está tudo bem – sacudi a cabeça cerrando os lábios e os punhos, o observei afastar sua antiga cadeira e gesticular para que tomasse acento, pestanejei ao fitar os utensílios, droga!
? – ergui a cabeça ao ouvir meu nome ser chamado pelo mais novo dos . – Querida, eu não quero atrapalhar o seu jantar, ainda mais diante dessa notícia maravilhosa, mas você poderia aproveitar e responder algumas perguntas sobre o processo do seu livro?
– Claro, em que posso ajudar? – sentindo-me envergonha pela perca de controle e ciente que o rapaz ao meu lado direito, poderia ter muito bem acompanho o show, afastei os utensílios e o esperei pelo que viria a seguir.
– Nada disso, você precisa se alimentar direito e não se acanhe, porque o fominha ali, está quase literalmente lambendo o seu prato – colocou o jeotgarak em minha mão. – Bom, tem esse caso que estou lidando...

Lancei um olhar demorado a ela, auspiciosamente YooHwan a estava mantendo entretida em uma conversa e a vi inclinar para ele com as sobrancelhas levemente franzida prestando a atenção ao que era dito. Um pouco mais relaxado voltei a atenção para as outras pessoas da mesa, inclinei a cabeça levemente diante do olhar preocupado da matrona dos , fazendo o possível para tranquilizá-la. Não havia dúvidas que ela pudesse estar pensando o mesmo que eu, mas jamais eu me ergueria diante deles ou daquela noticia maravilhosa, apenas para estragar o jantar de todos caso o arrastasse pelo colarinho e ensinasse algumas coisas sobre boas maneiras.
Obviamente, minha aparentemente calma não excluía a vontade de ter uma conversinha com o palerma sentado ao meu lado e seu comportamento odioso. Mas isso seria executado de maneira particular, não precisava de plateia para colocá-lo no seu devido lugar. Adoraria saber se ele manteria aquele ar enojado com dois dentes a menos na boca, oh cara! Eu daria um braço para vê-lo banguela. Suprimindo meu próprio riso me ajeitei na cadeira a vista dos olhares curiosos de e a minha frente. Dei de ombros me inserindo na conversa deles, e claro, de olho na mulher radiante e levemente inclinada ao choro diante do YooHwan.
– .... eu sei que ainda é cedo, muito cedo, mas eu poderia tocar no meu sobrinho? – fiquei estático fitando de um para outro, a ansiedade bateu sobre mim ao vê-la engolir em seco sem saber como reagir, estava pronto para intervir, mas fui interrompido pelo assentir num gesto de cabeça. – Agora que você acabou seu livro, vai poder descansar sem se preocupar com mais nada, certo? – disse ao tocar gentilmente o abdômen. – Isso é, claro, se nenhuma ideia surgir e quebrar seu descanso.
– Às vezes acontece, sempre tem alguém batendo a porta. – comentou relaxando sob o toque estranho e eu apenas assistia inclinado a emoção ao ver o sorriso genuíno surgir pela primeira vez após o infortúnio.
– Eu estou realmente feliz por vocês, qualquer coisa mesmo, não hesite em me chamar. Nem mesmo se for de madrugada, ok? Se você não se importar, também gostaria de ressaltar que estarei disponível para acompanhar nas consultas, caso precise de alguém e se não puder ir, pelo o que eu conheço, ele vai querer estar em cada uma delas.
– Obrigada, eu vou adorar – embalou a mão do rapaz desviando o olhar para qualquer outro pronto, capturei o brilho expressivo e agradeci mentalmente o gesto intuitivo do YooHwan.
Do meu lado ouvi o som debochado e automaticamente encarei o infeliz, havia até esquecido daquela presença até aquele minuto. Cerrei os punhos preso na minha vontade de ter a conversa naquele exato minuto. Contendo meu traço violento apenas sorri ao ver o semblante pálido da mais velha ao aproveitar daquele momento para levantar-se e pôr-se a recolher a louça.
– Eu te ajudo – ofereci me pondo de pé, fazendo questão de segurar o outro pelo ombro o mantendo sentado enquanto debruçava ao lado dele. – Espero que você seja um homem religioso, pois você irá precisar de toda ajuda divina se eu presenciar esse tipo de comportamento repulsivo novamente – o alertei em tom baixo para que somente ele pudesse ouvir, aproveitando o momento para intensificar sem piedade o aperto no ombro, sinalando exatamente o que eu queria dizer. – Espero que tenha ficado claro.
Com olhos injetados de raiva me fitou beirando a insolência, sorri com frieza e atentei para o alerta gentil e o vi tremer em seu assento. O bufar veio disfarçado da concordância num meneio de cabeça e quando finalmente o deixei ir, o vi movimentar onde antes minha mão havia estado. Eu estava satisfeito diante do desconforto, uma pequena parcela de felicidade e apropriada para aquele momento.
– Querida, a sobremesa será servida aqui ou na sala? – como se nada tivesse acontecido, acenei e lhe sorri retirando os utensílios da mesa.
Acompanhando a mais velha para dentro da casa, assim como os outros que faziam o caminho para dentro e fora da casa, observei o indivíduo sumir entre as idas e vindas do resto da família. Pela janela pude vê-la ainda conversando com YooHwan, que sabiamente a mantinha entretida mais um pouco enquanto me livrava do que havia me proposto a fazer.
Quando finalmente a vi entrar, não pude deixar de notar o olhar atormentado flanqueando os olhos castanhos, interrompi seu caminho e com os ombros pesados me fitou.
– Está tudo bem? Você precisa de alguma coisa?
– Infelizmente não – fitou sobre meu ombro. – Eu preciso fazer isso, ajeitar seja lá o que está acontecendo.
– Eu vou com você, só me dê um minuto.
– Não – deu um passo atrás, exalou um suspiro cansado. – Eu preciso fazer isso sozinha.
– Você tem certeza? – o pensamento de tê-la sozinha com ele, nem de longe me parecia uma boa ideia; massageei os ombros cansados e acolhi o rosto feminino entre as mãos diante do aceno afirmativo. – Eu vou estar aqui embaixo, apenas um chamado e estarei ao seu lado, ok? – ela repetiu o movimento e lhe depositei um beijo demorado na testa, lutando contra a vontade de acompanhá-la.
Por fim, a deixei ir ainda remoendo a vontade de segui-la.
– É difícil, não é? – fitei a mulher sabia ao meu lado. – Às vezes, apenas precisamos deixá-los ir e acertar por si mesmos. Não é uma tarefa fácil – dando um tapinha em meu ombro observei o que ela não me dizia. – Acredito que em breve, você saberá como é isso, mas enquanto esse dia não chega me ajude a por esses doces na travessa.
Partilhávamos o silêncio enquanto ajeitávamos o kyungdan, via e conversando enquanto preparava o chá, mas não tinha ideia de qual era o teor e porque ambos sorriam, meu pensamento estava perdido na mulher longe da minha vista. Acompanhei os demais para a sala e ajudei a organizar as coisas em seus devidos lugares, parti para me sentar ao lado da minha mãe.
Os olhos astutos me avaliavam e em silêncio, deixou uma tapinha quase consolador em meu joelho. Segurei a mão da mais velha e balancei a cabeça, recebendo seu gesto calado.
No momento que a vi adentrar ao recinto, estalei rígido em meu lugar. A palidez excessiva contrastava com os olhos castanhos e consternado naquela altura, para a minha angustia a vi tomar lugar do lado oposto do aposento. Mantendo gestos calmos e falsamente tranquilos serviu-se de uma xicara de chá, bebericou e pousou sobre a coxa, estreitei os olhos para o tremor das mãos. Erguendo as sobrancelhas a fitei demoradamente, num sacudir cansado, deu de ombros.
– Espere um momento. Sei que você está preocupado, mas nada do que tenha acontecido foi da maneira que ela esperava – fitei sombriamente minha mãe. – Apenas aguarde, tenho certeza que quando ela puder e quiser falar sobre isso, o fará. Pressionar resultara numa postura ainda mais esquiva.
Bufei agitado querendo tomá-la nos braços e espantar o tormento que lhe ia na alma. Nem o aperitivo em minha boca parecia saboroso naquele instante, apenas um amontoado sem sabor. Esforçando ao máximo para ater-se a conversa, mantinha uma postura tranquila, para um bom observador, era gritante o silêncio entristecido.
Com grande alegria fui o primeiro a levantar quando deram sinal de dar por encerrada a noite, pelo menos naquele minuto, talvez, eu pudesse ter um instante reservado com ela.
– Você quer uma carona até em casa? – ofereci quase a dedos cruzados, esperando pela resposta positiva.
– Eu vim com o meu carro. Além disso, gostaria de ficar mais um pouco – seu olhar agitou sobre o meu e assenti silencioso.
– Liga mais tarde para avisar se chegou bem? – em concordância, sorriu.
Mastiguei um palavrão e sem me importar com quem estava em volta a trouxe rapidamente para meu peito. No primeiro instante a senti rígida ao gesto, mas logo o rosto estava pressionado contra meu peito, as mãos segurando firme em meu casaco. A mantive cativa em meus braços até que pude ter o corpo recostar de maneira completa ao meu. Depositei um beijo no topo da cabeça, esfreguei suavemente as costas tratando de aninhá-la tanto quanto fosse possível e plausível para aquele minuto. Por fim, a vi recuar em seus passos e guardar as mãos nos bolsos ao desvencilhar do meu aperto.
– Vocês vão passar pelo escritório agora? – vi meu lugar ser substituído pelo acolher paterno e concordei.
– Sim, temos alguns casos pendentes e precisamos dar um fim o mais rápido possível. – YooHwan postou-se ao meu lado. – Será uma noite longa.
– Nem me diga – resmunguei cansado e odiando ter que deixa-la. – Meninas, vamos?
– Pode deixar comigo, eu as levarei para casa.
Agradeci mentalmente a disposição de e me despedi das duas, em seguida, voltei para , mas ela já não estava lá. Mastiguei uma imprecação e me atei ao fato de ter que sair sem um misero aceno.
– Não se preocupe, assim que souber de alguma coisa eu te aviso – a matriarca empurrou um kit que pelo cheiro, me colocou a par dos quitutes feito por ela. – Já que vai entrar noite a dentro, não esqueçam de pelo menos fazer um lanche, vocês dois.
– Que eles te ouçam, pois já me esgotei de tanto aconselhar esses dois – depositando um beijo em nós, sorriu carinhosa. – Vão em paz meus filhos e por favor, voltem logo.
Dando um último aceno, entrei no carro acompanhado de YooHwan.

Quanto tempo levaria o trajeto da casa dos , até a casa dela? Já não devia ter recebi algum tipo de notícia? Resmunguei mentalmente ao procurar o smartphone no bolso e conferir se ainda tinha bateria e sinal. Ambos estavam ali, menos alguma maldita notícia.
– Por Deus do céu, pare de andar eu já estou ficando tonto – ouvi tom exasperando ao fundo e estaqueei no meio do caminho, olhei para as folhas em minha mão, sem entender o que elas estavam fazendo ali ou qual o conteúdo da mesma. – Porra, você está perdidamente ferrado.
– O quê? – observei o rapaz de ar cansado e carranca aborrecida fitando-me impaciente.
– Eu estou a mais de meia hora explicando sobre o caso da Sra. Young e tudo o que você faz é, andar de um lado para o outro, tal qual um leão enjaulado e olhando esse maldito celular. Foco, homem! – com um bufar exasperado se jogou na poltrona. – Você está pendurado pelas bolas.
Eu não tinha resposta para o comentário afiado do mais novo, tomei meu lugar na poltrona a frente dele e o fitei. Eu estava preso até o pescoço em relação a ela e não tinha nem um pingo de remorso por isso, masoquista, talvez. Era tão fácil reviver cada momento junto ela e a sensação única de estar ao lado nos momentos mais distintos e principalmente, estar dentro dela e tê-la só para mim. Deus! Por que o maldito senso de dever e honra em mantê-la a distância, forçada nesse caso, e não tomá-la da esposa?
Eu era um cretino por não ceder ao meu desejo de torná-la minha. Essa palavra rolava em minha língua e cérebro e quase podia sentir o sabor doce. Minha garota.
Os dois meses de distância apenas acentuaram o que eu já sabia, estava perdidamente apaixonado por ela. Pela presença e o jeito cativante de ver o mundo, mesmo que as vezes deturpado quando se tratava da mesma. Dois longos meses que eu não tive notícias sobre ela, claro que isso não me impediu de sondar a situação junto a YunHee. Nem de ir até a casa dela e parar o carro em frente dali, apenas para ver se conseguia ter um vislumbre da pessoa dela circulando pela casa.
– Obrigado por me deixar falando sozinho, novamente – a bola de papel voou em minha direção e rapidamente a desviei antes que pudesse me atingir. – Qual o problema entre ela e JunSu?
– Dela nenhum, ele sim – cerrei os punhos automaticamente. – É obvio, não? Aposto um braço que o idiota está caído por ela.
– Impossível, é a irmã dele – rejeitou a ideia com um ar de desagrado e a expressão de nojo.
– Você sabe que é apenas um detalhe, nesse caso – fiz uma careta. – Aparentemente ela tem um relacionamento próximo aos irmãos, ele pode ter confundido isso com algo mais, veja bem, todas as vezes que os vi, ele sempre estava tratando de estar próximo a ela, como se estivesse marcando território.
– Parando para pensar, ele só faz isso próximo a você – coçou o queixo. – Até você chegar, ele estava sorridente e brincando com ela e conosco, foi você chegar e o castelo desmoronou. Na realidade, o que mais me impressiona é a inconsciência dela a esse respeito, já se tornou um pouco evidente que ele reage de forma distinta quando ela está por perto, principalmente se você e ela estão juntos.
– Não é estranho, minha pequena já sofreu demais para notar algo desse tipo.
Sua pequena? – arrastou as palavras estreitando os olhos, fitando-me visivelmente preocupado. – Preciso ressaltar aqui que a sua pequena é uma mulher casada?
– Acredite, não preciso de você me lembrando sobre isso – debrucei sobre a mesa o fitando detidamente. – Veja bem, eu não acordei e disse: “É um bom dia para me apaixonar pela esposa da YunHee”. Simplesmente... aconteceu – esfreguei o rosto encostando na poltrona. – É uma situação delicada.
– E nem cogitou que fosse possível? Ela é uma garota doce – fiz um meneio de cabeça, no mesmo instante ele estava rígido a minha frente. – , você só pode estar fora da sua mente! E YunHee? Como e ela ficam nessa história? Eu não posso acreditar nisso...
– Chega! – bati o punho na mesa me pondo de pé, segurando com firmeza o olhar censurador. – Porra, você acha que eu não me sinto pior do que qualquer maldito verme ao ter esse tipo de sentimento por uma pessoa casada? Você me conhece melhor do que isso para abrir essa boca e começar a apontar o dedo em minha direção. Existe uma linha entre a minha situação e o casal, apesar do que eu sinto, nem você ou qualquer outra pessoa me viu ultrapassar o limite. Correto? – assentiu. – Ótimo. Eu me apaixonei por ela. Merda, eu a amo! E sim, quero passar todos os meus dias ao lado dela. Mas nem por isso eu movi um dedo nessa direção – respirei fundo sentindo o rasgar dolorido em meu peito. – Droga! Como eu poderia me atrever a fazer algo que pudesse magoá-la ou para que se afaste de mim? Entenda, eu tenho sentimentos. Eu. Ela nem mesmo gosta de mim.
Desviei para longe do olhar piedoso. Fitei a cidade parcialmente quieta àquela hora da madrugada. Em outras circunstancias, eu não estaria ali, de mãos atadas. Estaria fazendo meu caminho, jogando duro para conquistar o coração daquela mulher. Sim, eu a faria minha companheira, a teria todas as noites em meus braços, acordaria e a veria ao meu lado. Se eu fosse honesto o suficiente, desejava até mesmo as discussões que viriam com o passar do tempo...
– Sinto muito. Mal posso imaginar como deve ser passar pela situação – num gesto consolador, deu uma batidinha em meu ombro e apertou. – Queria poder ajudar de alguma forma.
– Eu também.
O vibrar do smartphone em cima da mesa quebrou o silêncio pesado. Fiz o caminho de volta, consciente que estava sendo observado de perto e contive o farfalhar apurado em meu peito.

“Estou em casa.
, sobre mais cedo... Me desculpe por não ter dito antes.”

Assenti num balançar de cabeça, como pudesse me ver e digitei a reposta.

“Sem problemas. Você está bem? Você me pareceu um pouco abatida.”

Encostei na escrivaninha e relei as mensagens anteriores. Não tardou a resposta.

“Nada de mais, coisas de irmãos. Você sabe como é.”
“Entendo.”

Tão certo quanto dois mais dois era quatro, tive certeza que JunSu havia aprontado mais alguma coisa. Resmunguei uma imprecação e esperei pelo que viria.

?”
“Sim?”
“Na próxima semana tenho uma consulta marcada, gostaria de ir junto?”

Eu poderia ser atingido por raio naquele momento que morreria contente, nada superaria a alegria daquele convite.

“Claro! Na verdade, eu adoraria.”
“Okay, te vejo na próxima semana.
Boa noite.”
“Boa noite.”

Ergui a cabeça dando de cara com YooHwan sentado, observando-me detidamente e balançando a cabeça. Sem graça e espantando o sorriso que involuntariamente havia surgido, sentei no meu antigo lugar.
– Quer saber? Vamos deixar isso de lado – levantou-se já recolhendo os papeis e formando uma pilha mediana com todo o processo. – Nem se eu quisesse conseguiria prestar atenção a qualquer linha dessas. Tenho certeza que vamos achar algum lugar aberto essa hora.
Se eu não precisasse ajuntar depois, teria jogado todos os processos para o alto e teria sido dali de bom grado. Recolhi minha parte da bagunça, a carteira e as chaves.
– Porra cara, eu sei que você não seria esse tipo de homem – parou a minha frente em tom sério. – Vamos achar alguma barraca e tomar um bom soju enquanto você me conta em detalhes como isso aconteceu.
– Os detalhes? – ergui as sobrancelhas.
– Argh! Não esses, eu não preciso saber disso! – tampou os ouvidos com as mãos.
– Nem se você implorasse – esbarrei propositalmente nele ao passar.
Enquanto YooHwan resmungava que poderia ficar surdo caso soubesse de algo desse tipo, eu ria um pouco mais leve pelo contato, mesmo que houvesse sido rápido.

Eu estava errada. Eu me sentia tão errada.
Não era a primeira vez que aquele sentimento me rondava e tinha seu lugar aos pés da cama, ali sentando e me condenando sob seu olhar. YunHee tinha seu caminho entre minhas pernas e ao estimulo, meu corpo estava tenso, mas eu não sentia nada. Eu tinha vontade de chorar todas as vezes que ela estava ali e nada me fazia arrebatar de corpo e alma. Eu me pegava lutando para não lembrar dos cabelos curtos e negros naquela mesma posição, dos lábios cheios e o raspar excitado do queixo masculino salpicado pela barba amanhecida. Eu sentia tanta falta que só fazia doer e sangrar em meu íntimo.
Era minha esposa, a boca dela, as caricias e eu não tinha nada, nada.
Eu não podia aguentar mais, a tomei pela nuca, trazendo-a para cima descansei um beijo nos lábios e tomei seu lugar. Eu sabia reproduzir, quase com a mesma maestria, o que me tinha sido aplicado. Eu só me permitia trazer à tona a tortura quando estava naquela posição. Eu manobrava a volta dela, dentro e sobre ela da mesma forma que me tinha levado a loucura. Eu tinha a mera consciência dos gemidos e gestos, reflexo de como eu agia. Eu não conseguia ter meu paraíso, mas não podia negar nada aquela mulher, eu daria um pedaço de céu se estivesse em meu alcance.
O corpo frágil e delicado rolou suavemente em minha direção quando por fim deitei ao lado dela. Brinquei com os cabelos enquanto ela trazia a calma a própria respiração. A mão pousou suavemente em meu ventre e fitei a ação do subir e descer, acariciando.
– Você está feliz? – afastou-se para me fitar e congelei diante do olhar da outra.
A pergunta pegou-me de surpresa e me vi sem saber como responder a simplicidade da questão. Eu era feliz? Eu estava carregando um filho, um tesouro para a vida. Sim, eu estava feliz, nesse quesito. Eu tinha uma esposa feliz, era o desejo dela. Eu tinha estabilidade financeira, uma casa linda, contas saldadas e as outras em dia. Uma família. Eu só não tinha o principal, mas o que era o meu desejo diante de tantas coisas boas?
– Sim, estou feliz – tentei não encolher com o moer das palavras pra fora da minha boca e ter em meus próprios ouvidos o tamanho da mentira.
– Já passou tanto tempo, até hoje você nunca me contou como foi a viagem a Bali – voltei a fitá-la pronta para sair da cama diante daquele assunto, prevendo minha reação os braços finos rodearam meu corpo e logo uma caricia em minhas costas surgiu.
– Nunca me passou pela cabeça que você quisesse saber sobre isso – senti meu corpo retesar instantaneamente. – Se fosse minha mulher transando com outra pessoa, eu não iria querer saber.
– Se fossem apenas transas, eu não me importaria em saber – sussurrou fitando-me com os olhos castanhos, esses que poderia ver minha alma.
Levei o olhar para longe dela, eu não tinha resposta para aquilo. Foi apenas transas, era o que eu vinha repetindo para mim mesma, apenas transas, apenas Vegas. O que eu tinha feito durante aqueles dias foram transar e... fazer amor. Corrigi-me mentalmente, não era apenas transar, era? Não, não era. Era pele, cheiro, carinho, necessidade que quebrava meus ossos e tinha sossego apenas quando eu o recebia dentro de mim. Quando tinha todos os toques delicado por minha pele e feroz dentro de mim. No momento em que a louça estava na pia e ambos trabalhávamos de maneira coesa, regada a pequenas descobertas, elas nunca paravam de chegar quando estava com ele.
Das longas conversas ou apenas do estar preguiçosamente aninhada contra o peito e ouvir o coração latir suavemente, era o calor que emanava dele e caminhava sobre mim, aquecendo partes que eu nem sabia que estavam congeladas e que agora, sofria em silêncio esperando por ele. A preocupação e delicadeza, não apenas quando estávamos em casa, mas na rua. O inclinar em minha direção e me ouvir, realmente me ouvir. Fazer-me única aos olhos dele, ao toque, ao mundo dele. Eu só queria correr para longe e chorar, expurgar do meu peito o aglomerado de sentimentos, mas em seu lugar, eu me mantinha rígida encarando ferozmente a parede a minha frente.
Os dedos correram pelo meu maxilar, traçando o contorno do meu rosto com redobrada ternura, arrancando-me do devaneio com gentileza. Tombei o olhar para os olhos, um sorriso turvou a linha dos lábios, como se ela pudesse compreender além do que era dito, através do meu silêncio.
– Você se apaixonou por ele – o polegar esfregou minha bochecha de forma tão terna e eu me senti pender sobre o penhasco no qual me via, sem paraquedas, sem poder avistar o chão, eu apenas me vi escorregando lentamente para o abismo.
– Não – reagia a queda com mais brusquidão e minha voz saiu tola e rouca, precária diante do que eu negava.
– Meu amor – os braços me rodearam com mais força do que aparentavam, embalando-me suavemente quando o primeiro engasgar chegou como tormenta, levando-me arrastada sem que eu pudesse me segurar e permanecer no mesmo lugar.
Eu não podia pronunciar tal disparate, eu não podia mover meus lábios para aquilo. Eu não o amava, não tinha me apaixonado, de forma nenhuma aquilo era verdade. Eu podia reprisar minha negação e negociar precariamente, mas eu não podia mais negar aquela parte mim de curvar-se a elegância daquele sentimento puro que havia chego, brotado de uma terra tão arrida quanto o meu coração. Eu me sentia uma cadela miserável por estar tendo aquela dúvida quando tinha os braços da minha esposa a minha volta, quando sabia que ela me amava. Eu também a amava, mas eu também amava aquele rapaz que havia entrado de forma despretensiosa em minha vida e isso doía como o inferno em chamas.
– Descubra o que te aflige, o que sente e volte para mim – sussurrou delicadamente ao acariciar meu rosto.

Não pude esconder minha surpresa ao abrir a porta e encontrá-la ali, inquieta em seus pés, um olhar extremamente perdido e o mover ansioso do capacete entre as mãos quando finalmente encontrou meu olhar. O estranhamento tingiu os olhos castanhos e o franzir das sobrancelhas vieram de forma rápida, como se ela tivesse chego ali sem saber exatamente como. O arrependimento parecia corroer seu íntimo, podia notar por cada gesto silencioso. Estava mais do que claro que alguma coisa estava errada.
Eu não podia deixá-la partir depois do que havia acontecido no dia anterior, e agora ela estava parada a minha porta pronta para ir embora. Eu não podia deixar isso acontecer novamente. Abreviei a distância atento ao arfar tremulo e o calor tomar lugar nos olhos castanhos.
– Você está bem? – eu podia sentir o cheiro suave e orquídeas dos cabelos, o partir frágil dos lábios como se o ar lhe faltasse. – O bebê está bem?
– Sim – deixou escapar em um suspiro, franziu as sobrancelhas ao me fitar, balançando a cabeça levemente, a cada segundo eu me sentia mais ansioso.
Não podia apenas guardar minhas mãos, queria tocá-la e dar um pouco conforto ao passo que, também a queria mais próximo. A camiseta não escondia os belos seios tesos sob o tecido, nem o arrepiar da pele quando toquei o frágil pescoço a procura do lugar aconchegante na nuca. As pestanas cobriram lentamente a íris ao pender a cabeça para atrás e descansar em minha mão, a entrega silenciosa foi coroada pelo toque efêmero da língua rosada no partido dos lábios.
Debrucei saudosamente cobrindo a curva voluptuosa da boca com a minha. Eu não estava pronto para sacudir dos ossos e o arrebatamento proveniente do tempo longe dela. Muito menos, para ouvir novamente o gemido tímido soar a cada investida nos recônditos da boca macia, tragando e sendo saudado a mesma altura. Ouvi ao longe o som oco do capacete cair e agora as mãos jaziam em meu peito, tocando-me afoita, subindo até meus ombros e envolvendo meu pescoço. Tinha a macies convidativa pressionada ao meu corpo, faminta e ansiosa. Eu conhecia bem aquele sentimento.
Não houve protesto ao tê-la em meus braços e a passos trôpegos levá-la para dentro de casa. O fechar da porta veio acompanhado do corpo pressionado contra ela. Os lábios partiam em todas as direções em minha mandíbula, arranhando os dentes em meu pescoço, as mãos passeavam por meu peito e ombro, pernas e onde mais ela podia alcançar. Por outro lado, eu fazia o mesmo com ela, explorando cada curva, cada pontada de saudade que me mantinha acordado a noite, apenas para recapitular cada momento passado junto a ela. Novamente parti em busca dos lábios, da língua caminhando sobre a minha e tentando-me as raias da loucura.
Pendi a cabeça entre os seios, achando meu caminho para a rigidez altiva em meu deleite para tê-la entre os lábios. A pélvis aflita chocou-se contra meu corpo ao rolar minha língua sobre o mamilo. Como se pudesse ler meu pensamento, o arranhar das unhas lentamente sobre a minha pele ao deslizar dentro da minha calça, veio ao encontro do espalmar contra o montículo aveludado dos lábios inferiores. Mal podia me concentrar nos seios ao ter a pequena mão quente enrodilhando meu eixo e o vasculhando, de cima a abaixo. Enredei sobre o feixe de nervos, girando suavemente, da maneira que eu sabia que ela gostava, trancei meu caminho a sua bainha, dedilhando minha canção sobre a pele ao passo que atendia os seios volumosos, sugando alternadamente entre eles e vendo-a tremer em suas pernas.
Não podia esperar um minuto a mais para tê-la, afastei a calça jeans pelas coxas grossas, minhas ações foram repetidas e logo estava livre ao sabor do olhar quente. O puxar ansioso para si dizia mais que muitas palavras, escovando a rigidez entre os lábios úmidos eu a ouvi gemer e pender em minha direção. Alcancei uma perna em minha cintura e a ouvi gemer quando deslizei perigosamente a sua entrada. Na ponta do pé escorregou os dedos por seu sexo expondo a vulva ao visitante. Risquei entre os dedos, acariciando com a ponta do eixo, baixando para a pele úmida do sexo, escovando sobre a pele judiada de antecipação, para então galgar cada centímetro estreito do núcleo.
Eu podia assistir a beleza do rosto turvo em prazer, dos traços entregues ao incandescente volver suave de cada passo do prazer a ser construído à medida que entrava e saia da intima umidade. Fitando-me extasiada, arranhou minhas costas trazendo-me para perto. Eu deveria manter-me imune do olhar doce e acalorado, mas tudo foi abaixo quando seus lábios tocaram os meus sem deixar de me fitar. Tragava cada gemido em êxtase exalado pelos lábios sob os meus, as mãos vagueavam por meu ombros e peito acariciando suavemente, contradizendo o gesto acelerado dos quadris, por fim rodilhou meu rosto.
Seus lábios já não estavam sobre o meus, agora eles tremiam, num abrir e fechar, como se procurasse palavras.
Erguendo seu olhar sobre o meu, vi o ponto exato quando a umidade atingiu os olhos castanhos. O curvar dos cílios não foram rápido o suficiente para esconder ao abaixar dos olhos. O corpo pendeu e teceu seu calor a minha voltar, rasgando contra meu membro, expurgando sobre mim com raiva desprendida do prazer lacerante do orgasmo. A boca pousou sobre a minha, tragando com sofreguidão ao rasgo do meu próprio prazer. Sobre a face rosada, lágrimas silenciosas caíam initerruptamente. Seu corpo frágil e sensível sacudia em alvoroço pelo prazer e por algo que só ela sabia naquele instante e que eu logo, faria o possível para descobrir. Ela estava quebrada, eu podia sentir ao tê-la escondida em meu abraço. No desespero do sacudir dos ombros e o aperto em minha cintura. O rosto contra meu peito, de forma quase dolorida, o mantinha pressionado.
– Querida, o que foi? – quanto mais o choro sofria em meu peito, mas a minha agonia crescia em contrapartida. Eu queria poder fazer alguma coisa, para que a dor ali distribuída em lágrimas, pudesse finalmente partir e trazer ao sorriso naqueles lábios que eu amava tanto.
– Eu preciso ir – as palavras saíram entrecortadas, claramente em desespero e o fungar veio desesperado ao fitar-me, contradizendo suas palavras seu corpo fundiu-se ao meu em um abraço apertado.
– Fique comigo – afundei os dedos nas preciosas ondas cacheadas, trazendo o rosto para cima, focando-me a tristeza nos olhos castanhos. – Pelo menos por essa noite, fique.
– Eu não posso. – Deus! Eu podia falecer ali mesmo diante de tamanha dor impregnada na diminuta frase.
– Por favor – eu podia quase tocar na centelha de vida reluzir diante de mais algumas horas. – Por favor.
Não houve protesto quando a segurei no colo, o rosto caiu em meu pescoço e o braço ao redor do meu pescoço. Fiz todo o caminho para cima até a escada e quando ela viu para onde iriamos, protestou em silêncio para que a soltasse. Ignorando o protesto, a aninhei ainda mais sobre meu corpo e cobri a pequena leva de degraus a segurando firmemente em meus braços. Ao chegar ao último a vi respirar tranquilamente como se o fato que de parar a respiração a tornasse ainda mais leve, minha pequena garota mesmo diante da sua triste batalha, ainda carregava consigo aquele pesadelo. Sentei com ela ainda em meu colo a borda da hidromassagem, regulei a temperatura e quando estava do meu agrado, a trouxe para dentro.
Esfreguei suavemente a pele morena, trabalhando com suavidade, mas precisão em cada nó tenso. Eu não me queria distanciar dela e nem ela de mim. Os olhos castanhos demoravam-se em cada gesto e consciente do meu toque, expressão. Sentia que algo estava errado, o peso estava implícito nos gestos silenciosos a reflexo dos meus. Desfazendo-se do meu abraço, mas sem ir para longe, sentou-se entre minhas pernas, de frente para mim. As mãos deslizaram suavemente por meu corpo, repetindo meus gestos. Eu estava tão prisioneiro dela, quanto ela de mim, volte e meia a via lutar bravamente com as lágrimas brilhosas nos olhos castanhos. Eu não tinha plena consciência do que lhe atormentava, eu só sabia que queria abraçá-la e nunca mais deixá-la caminhar para fora da minha porta.
– Eu quero você – a boca caiu para perto da minha apenas esperando por um sinal.
Empurrei os lábios sobre os dela e a vi arfar delicadamente em minha direção. Ela era tão suave, parecia tão frágil ao cobrir minha boca, com a língua exigindo espaço e resposta enquanto trilhava cada pedaço daquela parte de mim. Plantei as mãos ao quadril e a trouxe para ainda mais perto. Serpenteando a minha volta, tragou cada pedaço de pele a curva do meu pescoço voltando ao maxilar e refazendo seu caminho.
– Por essa noite – acolheu meu rosto com as ambos, fitando-me nos olhos. – Eu serei sua, apenas sua.

Observei por um instante a pele leitosa recebendo os primeiros raios de sol e sorrateiramente escorreguei para fora da cama. Alcancei a roupa deixada dobrada na cadeira perto da porta, deslizei em silêncio para dentro dessa, parei um instante vendo a regata usada por ele anteriormente. Eu queria levar algo para mim, algo dele, uma recordação silenciosa da noite passada ali. Numa troca justa, deixei minha camiseta no lugar. Me aproximei novamente da cama, afastei suavemente os cabelos na testa, cada parte mim rebelava-se pelo que faria a seguir. Abaixando-me a altura da kingsize, aproximei os lábios pressionando contra os dele, absorvendo a textura e a sensação sobre os meus.
Cada passo para longe daquela cama, eu sentia pedaços de mim desfalecerem em tristeza, afundando em meu peito. Eu não conseguia enxergar nada a minha frente. Eu estava indo embora deixando meu coração, minha alegria repousando sobre aquela cama. Eu não sabia se poderia seguir em frente sem tê-lo para mim, sem ter o toque, o cheiro. Engasguei em um soluço percorrendo o corredor, meus membros estavam fracos ao trilhar para fora. Meu corpo tremia em pura rebeldia, meus nervos em frangalhos e desespero, reagiam enfaticamente em meu corpo. Eu não podia seguir em linha reta para fora dali. Eu simplesmente não conseguia. Não me parecia logico ter que deixá-lo.
O romper da angustia atingiu seu limite ao ter os braços a minha volta, o corpo esguio contra o meu, impedindo que eu pudesse dar outro passo. O rosto pendeu em meus cabelos ao passo que a minha volta, a rigidez dos braços me fez cativa. Eu queria ignorar e seguir em frente, mas não havia qualquer resquício de força em mim naquele momento para ter outra atitude que não fosse estar exatamente ali, aninhada. Mordi os lábios ao sabor da onda de choro me consumindo e minando o ar a minha volta. Encolhi-me quando tombando sobre meu rosto, as lágrimas encontraram a pele masculina. Circundou-me sem me soltar e postou-se a minha frente, escavando entre as lágrimas, eu pude encontrar o rosto esculpido em tristeza.
Silenciosamente trouxe meu rosto para perto, minando a distância, cobriu meus lábios delicadamente, prolongando ao máximo aquele encontro. A cada segundo eu gritava internamente a minha vontade de ficar, de jogar tudo para o alto e me entregar sem reservas a ele, de deixar-me cativa ali. Eu não podia mais continuar, eu tinha responsabilidades, eu tinha YunHee, que me apoiou desde que a conheci, tinha responsabilidade para com ela e a família que havia surgido, mesmo que meu coração não fosse mais dela, eu era responsável por ela.
Desvencilhando-me do aconchego aquecido, eu pude ver o vazio me tragar para dentro da íris castanhas, tão faminto quanto a que eu carregava na alma. Guardei cada traço daquele rosto, cada sinal pontuado na face masculina, cada detalhe que reproduziria continuamente em meu cérebro. Eu não podia continuar ali. Em um gesto desesperado novamente me perdia contra a maciez dos saudosos lábios, eu me sentia desintegrar ao saber que seria o último beijo. Tombei a cabeça contra os lábios quando estes distribuíam beijos entrecortados em minha face, sobre a pele aquecida eu podia sentir contra a palma da minha mão o badalar eufórico daquele coração. A pressão aumentou em meu peito diante do olhar desolado, as palavras pesaram e eu não pude contê-las por um instante a mais.
– Eu... eu amo você.
Deixei a frase fugir de forma agoniada pelo sussurro. Não esperei para saber como ele iria reagir a minha declaração ou se havia ouvido. Eu não poderia continuar ali, então, eu corri. Achei no capacete no mesmo lugar, jogado na calçada, eu tremia e tremia, com dificuldade liguei a moto. Partida ao meio, arranquei deixando para atrás meu coração nas mãos daquele rapaz que como quem não queria nada, levou até o ultimo pedaço de mim.
Eu não tinha ideia de onde estava indo, qual a direção tomar para voltar para casa ou qualquer lugar familiar. Não conhecia aquela região e naquele momento, não tinha ideia para onde seguir. Não conseguia ver com clareza por conta das lágrimas, eu só precisava caminhar para longe, para onde a dor em peito não pudesse me achar. Trancada em meu desespero não conseguir prestar atenção ao que acontecia a minha volta, não até sentir o tranco no pneu traseiro, o rodopiar sem controle da moto. Eu tentei me segurar em alguma coisa e em vão, vi a moto ir na direção oposta.
Tudo a minha volta parecia em câmera lenta, meu corpo flutuava em alguma direção, trazendo a calma e o silêncio repentino. Em algum lugar eu senti o baque e milhares de agulhas atingirem meu corpo em todas as direções, o gosto metálico deslizou por minha língua, o latejar em minha cabeça pareceu encontrar seu ritmo em minhas têmporas. Queria descobrir o que havia de errado, mas de forma tediosa, meu corpo caiu em lentidão, rumo a sonolência. Por mais que quisesse saber o que eu estava errado, o porque minha cabeça parecia querer explodir ao som de tambores, a vontade de dormir era maior e levava-me com ela de maneira suave e concisa, trazendo consigo a lembrança que por segundos turvou minha visão, .



Capítulo 8

Os murmúrios longínquos lentamente tomavam seu caminho sobre mim, afastando a névoa e arrancando de mim a sonolência estabelecida sobre meus sentidos. Agora com as vozes um pouco mais definidas, dois homens conversavam em tom moderadamente baixo. Pelo que podia absorver do ar, o ambiente parecia opaco, extremamente rígido em seu cheiro de algo agudo e limpo.
O latejar por trás das têmporas anunciava sua presença, o abrir de olhos naquele momento me parecia impossível mediante à dor aguda no simples gesto. Havia aquela sensação de ter areia em minha garganta e boca, impedindo o simples ato de engolir. Eu não tinha ideia de onde estava e muito menos o porquê meu corpo parecia tão dolorido ao tentar executar um simples movimento. Tentei me mover na cama e fui atingida por um latejar excruciante no ombro esquerdo. Trincando os dentes, permaneci na mesma posição, esperando que os músculos se ambientassem ao que me acontecia.
Podia pescar uma ou outra palavra do que era dito, algo como uma pessoa ter sofrido um acidente, grávida. Oh, Deus! Que a pessoa pudesse ter saído com vida e seu bebê também. Relutante em passar pela onda de dor, mas sem opção, tentei outro movimento de abrir os olhos. Resmunguei uma imprecação ao ter a claridade perfurando minha retina sem piedade, tornei a fechar os olhos.
– Olá, sou médico Pyeon ShiKyu, como você se sente? – invadindo meu espaço, o gesto veio gentil, porém firme, acompanhado do feixe de luz em meus olhos.
– O que diabos eu tenha feito, peço perdão. – franzi o cenho com a voz cavernosa e odiei o arranhar árido da garganta, bem como a dor ecoar por minha testa pelo movimento.
– Tome um pouco de água.
Pisquei lentamente quando a luz foi afastada dos meus olhos, o toque em minha mão veio caloroso e delicado, experimentei um movimento naquela direção, mas diante do canudo apetitoso próximo ao meu rosto, me fez esquecer por um momento o que ia fazer. Quase podia sentir a água criando raiz por minha garganta. Tão logo o copo foi afastado, vi a outra pessoa se aproximar.
Voltei a atenção para o olhar atormentado. Traços de cansaço estavam sobre todo o rosto bonito, a linha rígida em seus lábios mal podia guardar a curva recheada do que viria a ser em um estado normal. Aproximando ainda mais de onde estava, o vi debruçar próximo ao meu rosto e tocar delicadamente sobre a minha testa. Encarei a estranha sensação de tê-lo próximo a mim e o desconhecido atormentar pela intimidade da situação.
Eu podia sentir a sensibilidade da minha pele diante do deslizar suave por minha face. Acompanhei com curiosidade velada o fato dele parecer tão intimamente ligado à minha pessoa. Curvando lentamente os carnudos lábios, deixando que um desenhar de um sorriso caminhasse pela linha anteriormente tensa. Saltando diante dos meus olhos, observei com crescente interesse o rosto tomar um aspecto radiante e as bochechas ganharem o adorno de depressão intermediária, tomando forma das belas covinhas.
Um leve espiral titubeou por meu corpo trazendo uma leveza consigo.
– Talvez eu tenha falecido e devo estar no céu agora, algo assim?
O pensamento simples e engraçado me escapou, trouxe o riso levemente rouco e extremamente másculo do rapaz. Contrariando o fato de ter a prova física que havia sido atropelada por um caminhão, eu me sentia aturdida e inclinada a estar afetada.
Se eu, pelo menos, pudesse saber…
Obstruindo minha linha de pensamento, que a custo mantinha diante do olhar cativante, tomando meu rosto com delicadeza, extinguiu a distância deixando os lábios tocarem de maneira afetuosa os meus. Tal como um raio, o arrebatamento cruzou meu corpo, enlaçando-me misteriosamente para a renovada onda de energia, espalhando suas garras quentes por meu corpo, observei atentamente os olhos tornarem-se escuros e quentes. Não pude deixar de arrepiar pelo contato íntimo e inebriante da boca descansando sobre a minha. O mover veio novamente suave e terno antes que tomasse uma distância comedida.
– Bom. – deixei escapar uma tossidela. – Com toda certeza, esse não deve ser o céu, já que anjos não tomariam esse tipo de liberdade. Sendo assim, só posso acreditar que tenho ido direto para o inferno. – o brilho divertido pontuou os olhos castanhos. – Agora só me resta saber quem diabos é você e por que acha que pode ter esse tipo de intimidade comigo?

Por um instante, o alívio tomou conta de mim, tal como a felicidade de vê-la novamente abrir os olhos. Mas aquela alegria não foi duradoura diante da pergunta que veio a seguir. O aperto cruel do significado do simples questionamento calou fundo em minha alma. Encontrei o olhar preocupado do médico em direção a ela e, com calma estudada, tomou o lugar próximo à cama. Examinando mais uma vez as pupilas da , que apenas nos fitava com crescente cuidado, as perguntas básicas sobre a data, onde estava e como era o seu nome, foram feitas.
Obtiveram a mesma falta de reconhecimento por parte dela.
– Querida, qual é a última coisa da qual você lembra? – tomei o cuidado de dar o suporte de segurar a delicada mão e me adiantar na pergunta antes que o médico o fizesse.
Olhando-nos intensamente acompanhei a leve camada de suor transparecer sobre a pele morena, enquanto visivelmente fazia esforço para procurar uma resposta para aquela questão. A aflição tornou-se mais destacada à medida que o olhar angustiado recaiu ao aperto firme das mãos. Capturando um olhar avaliativo do médico em direção a ela, deixou cair um aceno e o encolher aflito dos ombros.
– Eu não faço a mínima ideia. – enrugou as sobrancelhas ao me fitar detidamente – Por que estou aqui?
Antes que qualquer um de nós pudesse dar uma resposta, a porta foi aberta. A atenção foi desviada de nós para quem havia adentrado. A reação não foi diferente quando YoungMi se aproximou da cama, acompanhada de YunHee, com delicadeza debruçou sobre a filha, interrompendo por um momento o contato de nossas mãos.
Por sobre o ombro da mais velha, fitou-me apreensiva.
– Minha filha, como você está? Mal posso acreditar no que aconteceu. – segurou com delicadeza o rosto, depositando um beijo na testa e a fitando. – Você nos pregou um belo susto.
Do outro lado, YunHee teve a mesma reação da mais velha, mas em vez da simples demonstração de afeto, depositou um beijo sobre os lábios femininos. Imediatamente, recuou, afastando o rosto de perto da esposa, olhando-a estupefata. Atônita, voltou a me fitar em busca de resposta, seu olhar deslocou até a mãe, YunHee e agora para os três homens que ali chegaram. Antevendo o que viria a seguir com a aproximação deles, com dificuldade ergueu a mão, parando o movimento desses.
– Me desculpe por isso, minha senhora, tenho certeza que não queria causar tanto desconforto. – tendo dificuldade em seus gestos, me adiantei para ajudá-la a procurar por uma posição mais confortável. Tomou uma longa respiração quando conseguiu sentar e recostar contra o travesseiro, o suor cobriu a testa pelo esforço, ao fim, ela estava tão branca quanto uma folha de papel. – Eu não sei quem é você, muito menos quem é essa moça, nem mesmo esse rapaz eu posso dizer o nome, quanto mais vocês que acabaram de chegar. Mas gostaria que alguém pudesse esclarecer o que está acontecendo aqui e melhor, como vim parar aqui?
A revelação pegou a todos de surpresa, trocando olhares entre si, o silêncio pesado caiu sobre o quarto. Engolindo em seco em seu lugar, me fitou sem saber como reagir, mais do que todos juntos, a confusão e o ar de desalento trotavam sobre o rosto feminino, fazendo com que crescesse a minha vontade de tomá-la nos braços. Passando aquele segundo de confusão de ambos os lados, apoderou-se de um olhar afiado, perscrutando cada um. Mesmo naquele rompante de coragem, notei o gesto desesperado de enrolar os dedos sobre o tecido imaculado do lençol, a ponto de os nós nos dedos ficarem brancos; acolhi a mão enregelada sob a minha, recebendo um olhar de gratidão por parte dela.
– Essa é uma situação delicada tanto para você, quanto para os seus parentes, Sra. , mas não se preocupe. Faremos o possível para achar uma solução. – Dr. Pyeon esclareceu, após uma tossidela. – Em primeiro lugar, peço para que abram espaço e a deixem respirar, acredito que, por hora, a presença de todos pode vir a causar uma perturbação ainda maior à paciente. Vocês podem esperar por mim no corredor e conversaremos.
– Não. Acredito que tudo o que você possa falar a eles, pode ser dito comigo presente. Posso não saber quem sou, mas omitir de mim sua preocupação não acrescentara melhoria alguma em minha recuperação.
Os olhares se voltaram para a pálida mulher sobre a cama e com orgulho a vi retribuir cada um deles com uma serenidade longe do que seria possível naquela situação; em um aceno altivo voltou a fixar o olhar no médico.
– Se você se sente à vontade. – confirmou, em um aceno. – Sua condição é estável, apesar de todas as escoriações e contusões e as dores que estão te atormentando nesse momento. Você sofreu uma luxação no ombro e já o colocamos no lugar, por isso está usando o sling, o uso será contínuo durante as próximas três semanas, após esse período, entraremos com a fisioterapia. Até o presente momento, não posso dizer o motivo exato que causou sua amnésia ou determinar até que ponto isso ocorreu, faremos uma nova bateria de exames para ver se encontramos o que pode ter afetado, já que em exames anteriores não houve nenhum tipo de alteração. Mesmo tendo sido arremessada a um pouco mais de quatro metros, seu bebê não corre risco de vida. Mas você precisara estar em repouso pelos próximos dias, seu corpo sofreu um estresse maior do que aparenta e necessita do máximo de descanso.
Todo um minuto de silêncio transcorreu durante o tempo que precisou para elucidar as informações, balançando a cabeça, lentamente tocou o ventre e o encarou firmemente. O vinco surgiu entre as sobrancelhas, os lábios apertados mal podiam esconder o tremor, como se quisesse chorar, mas tomando uma profunda respiração, o fitou valente.
– Ele realmente está aqui? – diante do aceno afirmativo, continuou. – Mesmo depois de tudo isso? Como é possível?
– É bastante simples, você está no primeiro trimestre da gestação. – assentiu lentamente. – Nesse período, o útero continua sendo um órgão pélvico, a única forma possível de acontecer o aborto seria uma fratura diretamente na estrutura óssea dessa região. Isso não aconteceu.
– Bom, me sinto com sorte, mesmo com a sensação de ter passado por um triturador. – deixou escapar uma risadinha e olhou detidamente para cada um, por fim, voltou ao médico. – Temos que esperar pelos exames, correto? – diante do aceno afirmativo, continuou. – Enquanto isso posso ter uma conversa com a minha família?
– Claro, voltarei em breve e faremos os exames, logo a enfermeira trará um analgésico para a dor. – atordoado pela determinação da paciente, num aceno retirou-se do ambiente.
– Então, vamos lá, quem gostaria de começar?
O olhar da mais velha recaiu sobre mim, fiz um gesto para que fosse em frente, talvez fosse mais fácil começar com os pais e irmãos, antes de tentar esclarecer a relação complicada que viria a seguir. Tendo em vista que, nós não conversamos sobre o que havia acontecido entre nós e sequer lembraria. Observei enquanto um por um fazia uma pequena apresentação, algumas a fizeram rir, o tom enrouquecido soou como música em meus ouvidos. Instintivamente, a vi afastar-se, mesmo que discretamente, quando foi a vez do JunSu. O olhar límpido e desprovidos de sentimentos, que fosse possível de qualquer um captar, assentiu em um sorriso educado e aceno discreto de cabeça. Ao contrário do irmão, lá estava o sorriso radiante perante o .
Novamente seu olhar estava sério ao ter YunHee próxima a ela, seus olhos vasculhavam a primeira com curiosidade, como se quisesse desvendar quem era a moça parada frente a ela e ainda por cima dizendo que era a sua esposa. Por um instante, recortou sua atenção em minha direção. Esperei pelo comentário que ela pudesse fazer sobre o beijo casto de mais cedo, mas para a minha surpresa, ela permaneceu silenciosa sobre aquilo, apenas demorando em seu olhar sobre mim antes de voltar-se para YunHee.
, o pai do seu filho. – a vontade era de intitular mais algumas coisas, mas me detive apenas no que seria importante naquele instante. – Eu te encontrei quando você sofreu o acidente.
– O que exatamente aconteceu comigo? – tinha toda a sua atenção, não somente dela, mas de toda a família que até aquele momento não sabia o que havia acontecido.
– Infelizmente, estava no lugar errado, na hora errada. Você estava em seu caminho, durante um cruzamento, um carro atravessou no sinal vermelho, o para-choque dianteiro encontrou sua roda traseira. Com o impacto, você perdeu o controle da moto e foi arremessada para longe.
– Uau! Isso parece violento só de ouvir, não me admira meu estado atual. – o olhar gentil e agradecido me saudou. – Obrigada por estar lá.
– Não por isso. Queria ter avisado a todos mais cedo, mas acabei me perdendo pelo caminho diante da gravidade da situação, com a correria da papelada, demorei mais do que devia.
– O mais importante é que você estava lá por ela e todos estamos aqui agora. – a mão da mais velha tombou sobre meu ombro, recebi um demorado olhar diante do que vestia. – Se você quiser, pode dar um pulo em casa, acredito que você deve estar cansado.
Fitei a parte de cima do pijama hospitalar e a sapatilha de lona que me foi cedida assim que cheguei. Não era nem de longe uma roupa confortável, mas não podia me afastar, podia aguentar o que fosse preciso para ficar ali.
– Não se preocupe, acredito que em breve YooHwan trará as roupas que eu pedi mais cedo.
– Estamos assustados demais para querermos sair daqui, não é? – concordei e novamente sentindo o afago em meu ombro.

Além da dor espalhada em cada centímetro do meu corpo, havia o latejar angustiante em meu ombro e acompanhado por outro em minha cabeça pareciam piorar cada vez que tentava procurar resposta ao fitar as pessoas ali. Busquei sorrir e acompanhar a conversa entre todos, enquanto aos poucos ia me inteirando de cada um.
O senhor simpático ChangWan, meu pai, estava sentado aos meus pés e mantinha um olhar atento sobre mim; , meu irmão mais velho – pelo que pude entender – estava na mesma posição do outro lado da cama. Minha mãe, YoungMi, permanecia um pouco distante conversando com o rapaz, . Era tudo muito estranho, sabia que eles não eram meus pais biológicos, minha cor de pele diferenciava muito da deles e pelo que tinha passado a mão nos meus cabelos, também era completamente destoante em relação aos quatro. Meu reflexo na janela não era tão nítido como gostaria, porém, veio apenas confirmar que não pertencia àquela família, mas eu gostei deles e inesperadamente estava confortável na medida do possível. Salvo pelo rapaz, JunSu, mais afastado, atrás do , às vezes podia sentir um olhar mais demorado sobre mim, mas não me sentia à vontade para encarar ou estabelecer uma conversa.
Mordisquei a bochecha ao reter minha atenção na figura masculina, não sabia exatamente o que pensar sobre ele, ainda podia sentir todos os toques gentis que foi me dado, principalmente, o roçar doce dos lábios ocorrido mais cedo. Desviei o olhar assim que ele me fitou, havia aquele detalhe, por que diabos havia me beijado se eu era casada? A mulher de aparência frágil e muito bonita permanecia ao meu lado. YunHee, e ChangWan conversavam e podia sentir seu toque sobre minha mão, uma vez ou outra. Ela era gentil em relação a mim e apesar de achá-la encantadora, não sabia o porquê não podia reconhecê-la como minha esposa.
– Boa noite. – todos giraram em direção à porta, engoli um palavrão assim que estiquei o pescoço para ver o recém-chegado, pelo ato impensado, meu corpo retesou, enviando dor para todas as direções.
Passando o espasmo, percebi que também não o reconhecia, mas a semelhança entre ele e era clara demais para supor que eram da mesma família. Entregou uma mochila ao primeiro, cumprimentou minha mãe e todos. Não foi difícil perceber que o estava deixando a par da situação, alterando ainda mais a preocupação no rosto do mais novo, dando um aceno em concordância, caminhou em minha direção, dotado de um sorriso gracioso que nem de longe chegou aos olhos.
– Garota, você tem uma maneira de deixar todos nas pontas dos pés. – sentou-se ao meu lado e me deu uma boa olhada. – Sou o YooHwan, irmão do , e como você pode ver, a beleza ficou toda comigo. – sorrio, analisando o rapaz mais de perto; o rapaz exalava um sentimento de aconchego, assim como , deixando-me confortável mesmo diante da estranheza do momento – Como você está?
– Parece que fui atropelada por um trem e tenho algumas peças faltando, mas estou bem. – ele sorriu largo. – E você?
– Estou bem, e o nosso bebê? – automaticamente toquei meu ventre sorrindo.
– Ele está bem, saiu ileso. – o rapaz sorriu e assentiu, pronto para dizer mais alguma coisa, mas foi interrompido diante da batida discreta na porta. Dessa vez, não fui tola para me virar rapidamente, quando o fiz, vi o médico de antes voltar acompanhado de um rapaz mais novo.
– Infelizmente, preciso dizer que o horário da visita acabou. Só será permitido que uma pesssoa… – vi minha mãe fazer um ar de pesar tão grande e exalar um suspiro triste ao médico. – Duas, pessoas para acompanhar a paciente durante a noite. Quero apresentar Choi SeungHyun, ele será o médico neurologista que cuidará de , faremos alguns exames agora. Portanto, darei uns minutos para que possam despedir-se da paciente.
Enquanto os dois esperavam na porta, aos poucos um por um vinha até mim. Para a minha surpresa, fiquei triste quando fiquei sozinha no aposento. Acenei para o último, , que saiu e fechou a porta. Ouvi o burburinho vindo do corredor e esperei para ver quem voltaria e passaria a noite. Quando a porta foi novamente aberta, Pyeon e Choi vieram acompanhados da minha mãe e, para minha surpresa, .

YoungMi havia saído para buscar café assim que voltei da ducha, permanecia em meio a um ressonar baixo após ser previamente medicada. Descartei as roupas dentro de uma repartição da mochila e caminhei até o sofá, próximo à cama. Esfreguei o rosto na tentativa de espantar o cansaço, as últimas doze horas foram um verdadeiro inferno e parecia que tão cedo as coisas não iriam por bem entrar em um estado de calmaria.
– Por que você não descansa um pouco? – ergui a cabeça e encontrei fitando-me.
– Estou bem. – contornei a vontade de me aproximar da cama e permaneci estático em meu lugar.
– Não me parece tão bem assim. – esfregou os olhos e bocejou, ajeitando-se na cama. – Tudo bem se for para a sua casa, você também precisa descansar. Eu até prefiro, sabe? – piscou lentamente, suspirando baixinho. – Não gostaria que meu herói estivesse passando por maus bocados por minha causa.
Sorri e antes que pudesse me segurar, me aproximei da cama, recostei ali, me fitou em meio a um doce e sonolento sorriso, fechando os olhos em seguida.
Se eu a tivesse perdido… O nó em minha garganta roubou minha respiração com aquele simples pensamento.
Há doze horas eu havia descido as escadas correndo a tempo de vê-la sair sem mesmo olhar para atrás. Capturei a chave do carro pelo caminho, saindo do jeito que estava. Eu não podia deixá-la ir depois do que eu havia ouvido naquele respirar desesperado. Cheguei à rua a tempo de ter o vislumbre de para onde ela estava indo. Segui naquele mesmo caminho e por sorte, naquele domingo de manhã, o trânsito era ínfimo e pude ter a visão clara da direção que que ela havia tomado. Apesar de estar sobre um monstro como a V-Rod, ainda se mantinha em uma condução rígida e compenetrada, sem abusar da capacidade da moto. Mais alguns metros e poderia tê-la alcançado, antes daquele maldito carro interceptar seu caminho. A mísera lembrança do corpo voando para longe foi o bastante para que um embrulho atingisse meu estômago. Era realmente um milagre que tanto ela, quanto o nosso filho, haviam saído ilesos.
Debrucei sobre o corpo feminino, deixando-lhe um beijo na testa. Nem mesmo a palidez podia afastar a beleza daquele rosto em seu descanso, pousei suavemente a mão sobre o ventre e agradeci pela milésima vez por ambos estarem ali.
está certa, meu filho. – me assustei ao ter o toque gentil em meu braço e o café depositado em minha mão. – Venha aqui e me conte.
– Obrigado. – acompanhei YoungMi até o sofá e sentei ao lado dela. – Eu sei, mas não quero me afastar daqui. – assentiu num leve balançar de cabeça e me fitou detidamente.
– Ela estava na sua casa. – assenti e não me surpreendi pela afirmação. – passou a noite com você?
– Sim. – afirmei e esperei pelo que viria a seguir.
– O que exatamente aconteceu, ? Em dez anos que minha filha conduz uma moto, nunca sofreu um mísero acidente e mesmo que eu não entenda muito sobre motos, sempre foi ágil e atenta ao que acontecia à sua volta e agora ela está deitada naquela cama profundamente esquecida do que aconteceu durante uma vida. Eu preciso saber.
Entendia a preocupação daquela mulher, mas sentia-me arredio em explicar em detalhes – pois sabia que qualquer coisa menos que isso, seria impossível esclarecer a situação naquela altura – o que havia acontecido entre nós.
Sem alternativa e tomando uma respiração profunda, entrei naquele assunto.
– A primeira questão que preciso destacar aqui é, eu a amo profundamente. – vi o sorriso terno transpassar a expressão aflita da mais velha. – E ontem quando ela chegou à minha porta, em toda a sua tormenta e sem saber o que estava fazendo ali, eu a acolhi. Ela esteve comigo, chorou em meus braços e eu não podia deixá-la ir. Eu vivi com ela as últimas horas em estado de êxtase, esteve comigo no sentido pleno da palavra. – suspirou, fazendo um sinal para que prosseguisse. – Eu tive seus sorrisos, seus beijos e seu toque em minha pele. Sua entrega completa a mim, de uma forma que eu ainda não tinha visto. E hoje de manhã, enquanto ela saía sem olhar para atrás, eu a interrompi em seu caminho. – parei um instante sentindo toda a descarga de emoção. – É impossível dizer o quanto ela estava triste ao me fitar e então, disse que me amava e foi embora. Eu a segui e a vi sofrer o acidente.
YoungMi estava profundamente abalada, seu olhar chocado e úmido não desviou de mim nos minutos seguintes. Por fim, tombou a mão sobre a minha e a via tremer, tendo uma certa dificuldade de pronunciar uma única palavra.
– Eu sabia, não estaria nesse estado se fosse algo simples. Minha filha nunca foi uma mulher que doasse a si mesma se não envolvesse algo tão inexplicável como o amor. – deixando o café de lado, confortei as mãos enregeladas – Também sabia no momento em que te vi que a vida da minha menininha mudaria drasticamente. O que você pretende fazer caso recupere ou não a memória?
– Antes de qualquer coisa, recuperando ou não a memória, eu respeito sua filha e farei o que for melhor para ela. Mesmo que isso venha diretamente em desencontro ao que eu sinto. – podia sentir a dor física sobre aquilo, mas não havia nada que pudesse fazer.
– Eu entendo. – tocou minha face com carinho. – Você tem meu respeito e admiração por isso.
Ficamos em silêncio nos próximos minutos, YoungMi claramente estava a quilômetros de distância, perdida em pensamentos. Eu me ative à mulher dormindo, parecia tão tranquila, mesmo diante do diagnóstico que havia recebido. havia acordado como uma nova pessoa, ou talvez apenas tenha despertado um lado diferente do habitual, mas que continha uma peculiaridade, a mulher vibrante que eu sempre soube que se escondia sobre a luz da timidez.
Notando a excessiva palidez no rosto mais velho e a evidente preocupação pelo estado da filha, indiquei para que YoungMi tomasse a cama próxima à filha e tivesse pelo menos algumas horas de descanso. Sobre a luz do protesto que eu deveria estar no lugar dela, arrastei com cuidado a poltrona para mais perto da cama. Diante do que havia acontecido e a perspectiva de perdê-la foi o suficiente que ignorasse o sofá e optasse pela poltrona. Eram poucos metros até a cama, mas me parecia extraordinariamente gigantesco e eu não queria estar mais longe do que fosse estritamente necessário. Além do mais, se Rebeca acordasse e precisasse de qualquer coisa, estaria próximo o suficiente para atendê-la.

Acordei desnorteada até que me lembrei que estava no hospital. A luz vinda do abajur deixou o quarto num ambiente agradável, mesmo que a situação não fosse. Avistei minha mãe deitada na cama próxima à minha; aos pés da minha cama estava , visivelmente desconfortável na pequena poltrona.
Com certa dificuldade, levantei da cama da melhor maneira que consegui, minhas pernas estavam trêmulas e vacilantes, vi o quarto girar e fechei os olhos, esperando que a tontura passasse e estivesse um pouco mais firme. Experimentei abrir os olhos e sentindo-me um pouco mais confiante que não beijaria o chão, caso desse um passo adiante. Apoiando-me ao suporte do soro, caminhei lentamente, à luz dos músculos protestando violentamente, em direção à minha mãe. Ela deveria ter tido uma noite agitada, sua coberta estava pela cintura, ajeitei melhor no corpo esguio, cobrindo-a até a altura do queixo. Afaguei os cabelos da mais velha e a vi mexer-se em meio ao sono, um sorriso carinhoso brotou em meus lábios. Eu gostava dela e muito.
Arrastei o soro em direção ao , permaneci um minuto o fitando, aquela estranha sensação corria por meu corpo e terminava num murmurinhar ligeiramente embriagado em meu coração e no enregelar do estômago. O cheiro suave de sabonete e perfume masculino me atingiu assim que me aproximei e ajeitei sua manta. Ele me parecia cansado, mesmo em seu sono. Alisei a testa, afastando os cabelos que ali caíam de forma despreocupada. Ele estava dormindo, mas a sensação da pele contra a minha teve uma reação assustadora sobre mim, afastei a mão rapidamente e escapei para o banheiro.
Encostei a porta devagar e acendi a luz, encontrei o espelho de pronto, observei o reflexo desconhecido no espelho.
Meu cabelo era cacheado e não se encontrava em um bom estado no momento, não pude evitar de sorrir ao enlaçar uma mexa e soltar, vendo-o saltitar da mola. Meu rosto era redondo e descobri que não era integralmente coreana, meus olhos tinham apenas um leve puxar, o nariz levemente arrebitado e os lábios carnudos. Testei um sorriso para a imagem e gostei de como refletiu; minha pele lembrava caramelo e eu gostava de caramelo. Eu gostava de caramelo! A simples lembrança de algo tão simples me deixou animada ao continuar a revista em meu corpo. Meus ombros eram largos e havia uma tatuagem. , você é selvagem. Ri do meu próprio pensamento, analisando os seios fartos, em seguida ergui a camisola do hospital e encontrei as coxas grossas, mas infelizmente me faltava carne no traseiro. Tinha uma barriga redonda, afundei o dedo na gordura da região e sorri, acariciando o pequeno ser que a capa de gordura escondia. Eu estava bem acima da média em relação ao meu peso, baseado nas pessoas que encontrei em meu caminho para a tomografia, porém esse fato não me pareceu relevante o suficiente para que me preocupasse. Por fim, eu gostava da imagem refletida no espelho.
Havia uma certa dose de esperança que se pudesse me olhar de perto, encontraria pelo menos uma lembrança de quem eu realmente era, mas não aconteceu daquela maneira. Procurei relaxar em meus calçados e esperar pelo que viria a seguir. Aproveitei para jogar uma água no rosto e escovar os dentes antes de voltar, não me sentia inteiramente inclinada a dormir. Ao abrir novamente a porta, levei um susto tremendo ao vê-lo parado à porta prestes a bater na mesma, a expressão preocupada novamente invadia o rosto masculino.
– Deus do céu, que susto! – o braço alcançou minha cintura, levando-me para mais perto do corpo masculino, dando-me apoio. – Deveria ter me chamado, eu iria ajudá-la. – ralhou em tom baixo.
– Eu não queria incomodar e outra, eu me sinto bem. – ok, não completamente bem, mas bem. Respondi tão afetada com a preocupação quanto pela proximidade, o calor vindo do corpo masculino invadiu o meu, trazendo uma sensação gostosa.
– Mesmo assim, você poderia ter alguma vertigem. – ajeitou a coberta sobre mim. – Gostaria de beber alguma coisa?
– Um pouco de água, acabei de escovar os dentes. – fiz uma careta ao imaginar que não seria nada saboroso misturar alguma coisa com a menta.
– Espere um minuto, eu já volto. – assenti e o vi partir na ponta dos pés para fora do quarto.
Agora quieta sobre a cama, sentia meu corpo começar a latejar em harmonia com o batuque nas têmporas, reclamando do passeio que havia dado, fiz uma careta. Poucos minutos após a porta ser fechada, a vi abrir e uma enfermeira de meia idade entrar, notando a presença de mamãe ainda adormecida, fez seu caminho em silêncio.
– Olá, querida, como se sente? Não conseguiu dormir? – verificou o soro e o trocou por outro.
– Levantei para ir ao banheiro. Melhor, mas ainda dói como se tivesse saltado de paraquedas e o dito tivesse falhado. – comentei, ela riu baixo.
– Posso imaginar como deve ser, vou acrescentar um relaxante muscular para que possa descansar mais um pouco, não estranhe caso sinta uma súbita vontade de dormir, ele provoca sono, tudo bem? – assenti enquanto ela sacava de uma seringa previamente montada.
– Você é prevenida. – comentei, franzindo o cenho ao ter o líquido ardente proveniente da seringa.
– Vai arder só um pouco, mas logo passará. Dr. Pyeon havia recomendado em sua ficha, caso você ainda sentisse dor e considerando tudo o que você passou, minha querida, seria natural que ainda sentisse bastante dor. – piscou e assenti. – Em breve você estará dormindo, descanse.
– Está tudo bem? – mantinha seu olhar preocupado em nossa direção ao voltar e encontrá-la ali.
– Apenas a ronda noturna e um remedinho para a dor. – recolheu seu material e deu uma batidinha em meu ombro. – Qualquer coisa me chame.
Agradeci e fez o mesmo, cobriu a distância e já abrindo a garrafa que trazia, incluiu um canudo e sentou-se aos pés da cama.
– Você não disse que não estava sentindo dor? – arqueou as sobrancelhas.
– Não tenho culpa se meu corpo não alcança meu espírito. – fiz uma careta e ele riu baixo, vibrante e másculo, causando um reverberar em meu íntimo. Senti o aquecer intensificar nas bochechas e desviei a atenção, me ajeitando na cama.
Novamente ele foi preciso ao me auxiliar sem que tivesse pedido e sorri extremamente grata por aquilo. Contrariando meu desejo de estar acordada mais um pouco, podia sentir os primeiros sinais de que dormiria antes do previsto. Bocejando, entreguei a garrafa para ele e reclinei, logo o vi debruçar sobre mim e ajeitar as cobertas, tal qual havia feito com ele mais cedo.
era doce.

Em primeira estância, não me parecia correto que caísse de paraquedas na casa dos meus pais, já que tinha uma casa… e uma esposa. Aquilo era estranho de tantas maneiras que não saberia nem por onde começar.
YoungMi ressaltou várias vezes que preferia que estivesse com ela, já que precisaria de ajuda por conta do braço imobilizado. Não pude deixar de sorrir ao vê-la ressaltando os pontos positivos de que seria melhor estar em casa, já que ficaria mais à vontade ao ter ajuda da minha mãe. Ela era tenaz. Após horas de conversa com YoungMi e sua garantia de que não atrapalharia em nada o andamento da casa, e aliados à minha mãe, YunHee e , foram determinantes em apoiar aquela ideia. Por fim, aceitei.
Dois dias mais tarde e com uma lista de recomendações e anti-inflamatórios, finalmente entrei no carro num misto de alívio por sair daquele ambiente hospitalar. Existia uma certa tensão em sair dali e seguir em direção à casa dos meus pais. e ChangWan estavam na parte da frente do carro, mamãe ao meu lado permanecia com sua mão envolvendo a minha. YunHee estava em seu trabalho voluntário e só viria para casa mais tarde. Pelo que ouvi dos meus pais, e JunSu haviam ido para a ilha, cuidar do hotel. Sim, aparentemente meus irmãos dividiam a responsabilidade dirigindo um hotel em Jeju. Aquilo era definitivamente uma surpresa.
A partir dos arredores do hospital, permaneci atenta à janela, procurando por algo que pudesse despertar a minha memória e reconhecer algum ponto. Depois de um tempo, recostei em meu lugar fechando os olhos, tudo me parecia tão novo e não havia uma mísera coisa que pudesse reconhecer. Notando meu desconforto, mamãe apertou levemente minha mão em sinal de consolo e lhe sorri mesmo de olhos fechados.
Quando novamente espantei a frustração e voltei a fitar o mundo, estávamos em uma região levemente arborizada, o que me fazia crer que entrávamos em um bairro familiar. Atenta à manobra do carro, observei os belos portões do residencial, soube anteriormente que havia passado minha infância e minha vida adulta ali, até me casar com YunHee e abandonar a casa dos meus pais, logo a crescente ansiedade para que reconhecesse algo batia escandalosamente sobre mim. Não deveria me surpreender por não reconhecer qualquer uma das casas dos vizinhos, muito menos a esplêndida casa que parávamos em frente, mas o dissabor de não reconhecer estava presente ali também.
Saí do carro e observei o sobrado, o jardim parecia circundar a casa e até onde podia avistar, era um prazer aos olhos a harmonia das cores e a beleza das flores. Colocando a mão sobre meu ombro direito, YoungMi levou-me para dentro da casa, se vista de fora a residência era belíssima, dentro era ainda mais encantador.
– Está tudo exatamente como era. Salvo uma e outra peça que trocamos ao longo do tempo. – murmurou ao meu lado, assenti, olhando tudo à minha volta, pressionou a mão em minhas costas suavemente indicando o ambiente – Vá em frente e veja tudo o que quiser.
Desvencilhando do toque gentil da senhora, girei sobre os calcanhares antes de olhar em volta e descobrir os cômodos. Talvez devesse permanecer arredia sobre vasculhar um ambiente estranho, mas de modo geral, sentia um certo calor de simpatia provindo da casa, como se ali fosse um ambiente que gostaria de estar em qualquer momento. Saí por uma porta lateral, encontrando o deck e o fundo da casa, o bem cuidado jardim continuava em seu esplendor ali também. Acompanhei o deck até me ver diante da porta da cozinha, o lugar exalava um delicioso cheiro de comida e assim que entrei, fui recebida por um efusivo abraço de uma velha senhora.
– Menina , nem acredito que você está aqui. Eu sou NamKi, você costuma me chamar de vovó NamKi. – disse, esfregando minhas costas com carinho, sem outra opção e tocada pela gentileza da mais velha, retribui o abraço. – Estou fazendo remulpajeon que você gosta.
– Obrigada, vovó. – agradeci, sentindo os primeiros sinais de fome após o almoço que havia feito no hospital. – Será que eu tenho tempo de olhar mais alguma coisa antes de comer?
– Claro, querida, assim que terminar, venha direto para cá, certo? – concordei, e saí pela outra porta.
De cara para um corredor, deparei-me com algumas portas que descobri ser um escritório e a outra, uma sala de leitura e mais à frente, um ateliê. No fim do corredor, havia uma sala aconchegante e imediatamente gostei do sofá de arabesco, me afastando dali encontrei a área de jantar muito bem mobiliada e com uma mesa que tinha certeza que havia tido bons jantares de família. Subi as escadas, observando os retratos espalhados. Eu estava entre eles, juntos aos rapazes e meus pais, parecia tão estranho me ver ali e não reconhecer nada.
Me vi envolta a uma profunda tristeza ao não me recordar de quem era, caminhei lentamente pelo corredor. Naquele ambiente mais íntimo, fiz apenas uma visita rápida ao abrir e fechar de portas antes de encontrar um quarto em tom pálido de lilás, supus que seria meu quarto.
Sentei na cama e observei.
Como o resto da casa, ali me pareceu um bom lugar. Acariciei a colcha florida, sentindo a textura suave e me encostei aos travesseiros. Havia uma cômoda de sete gavetas, um guarda-roupa de médio porte e uma porta, imaginei que fosse o banheiro, olhei para o lado e encontrei um abajur antigo, gostei dele. A janela, pelo que podia ver da cama, dava vista para o jardim. Ali era meu quarto. Meu quarto. Parecia agradável, mas havia falta do toque de alguma coisa. Ouvi a barriga roncar e desci da cama, voltaria mais tarde para investigar e quem sabe, descobrir alguma anotação antiga que viesse dar alguma perspectiva em minha situação.

No sábado, eu estava tão ansiosa quanto era possível, até o presente momento eu havia apenas conhecido os dois rapazes daquela família e, de alguma forma, me sentia sobrecarregada sobre a chegada de minha cunhada. havia saído há poucos minutos para buscá-la no aeroporto, na verdade, o rapaz mal havia fechado os olhos durante a noite, jogado em minha cama, contando as horas para a chegada da amada.
Eu não poderia deixar de sorrir e apreciar a saudade estampada na agonia do rapaz cada vez que fitava o relógio, como se sua vontade pudesse fazer as horas caminharem mais rápido. Da mesma maneira que ele recapitulava o dia em que havia visto pela primeira vez. Isso vinha acontecendo nos últimos dias e quando ele estava perambulando pela casa, conversando com a mesma ou apenas emburrado pelos dias que se arrastavam, eu vinha a conhecer alguns detalhes sobre a pessoa dela. E foi numa dessas que eu soube que havia me contado sobre ela antes que viesse a contar a nossos pais.
Pelo que eu havia descoberto, havia tido pouco contato com ela, o que me deixava ainda mais apreensiva sobre como seria encontrá-la. Qual era a razão por ter estado distante da moça, se tudo o que havia escutado sobre ela me fazia crer que ela era uma ótima pessoa?
Levantei da cama e, munida do notebook embaixo do braço, fui para a cozinha.
Visto que minha cunhada havia dito que passaria ali antes de ir para a casa, o que eu achei maravilhoso e educado da parte dela – e também desnecessário – já que provavelmente ela estaria exausta. Gostaria de conhecê-la, eu realmente queria, mas a noite teríamos o jantar com a família dela, sem falar que a moça estava há dias fora de casa e o lógico seria que descansasse em primeiro lugar.
Devido a um compromisso marcado anteriormente por meus pais, e depois de muita insistência da minha parte, nenhum deles estavam ali para também recebê-la; JunSu estava no hotel nos últimos três dias, não sabia se era totalmente pelo trabalho ou pela ressalva dele com a minha pessoa. Não que pudesse dizer alguma coisa, já que havia uma certa insegurança da minha parte em direção a ele.
Afastando aquele pensamento, liguei o notebook e conectei a uma estação local, a voz suave do locutor preencheu o ambiente enquanto me concentrava em preparar algo. Nos últimos dias, voltando a conviver com minha família, notei que apesar da nossa família ser um tanto moderna em relação a muitas coisas, ainda guardávamos o mesmo estilo tradicional de café da manhã. Mesmo que não estivéssemos todos na mesma hora à mesa, ainda era possível encontrar a mesma rica em variedades de alimentos, com o que havia sido usado no jantar, e também agregada à modernidade e encontrar pães, tortas e bolachas a mesa.
A frustração bateu sobre mim e eu estava quase arrancando os cabelos, tudo o que gostaria de fazer, precisaria que usasse ambas as mãos. Respirei fundo. Eu podia fazer aquilo, eu tinha tempo e não tinha pressa. Graças à organização da YoungMi e vovó NamKi, tudo estava perfeitamente já cortado e alojado na geladeira, por fim, resolvi preparar um kimchi-jjigae. Pelo menos quando chegasse em casa, poderia tomar um longo banho e apenas dormir, sem precisar se preocupar em preparar alguma coisa.

Terminando de organizar a mesa, um pouco mais de uma hora havia passado desde que o rapaz havia saído, preocupada, mantinha um olhar na porta da frente, àquela hora da madrugada – sete horas da manhã – não era para ter tanto trânsito naquele trecho. Bom, não na rota que havia planejado fazer, pelo menos era o que nós esperávamos. Ouvi o barulho de carro e espiei pela janela da sala.
Vi o mais velho sair do carro, ele não foi tão rápido quanto a garota, que já estava com os pés na calçada quando o rapaz a encontrou, notei o sorriso brincalhão no rosto da moça. Daquela distância, não poderia ouvir o que foi dito pelo rapaz, mas logo vi os braços avançarem em direção ao ombro dele. Dei um passo atrás, dando privacidade a ambos, corri para a cozinha.
Talvez eu estivesse mais ansiosa do que o rapaz há poucas horas, tratando de conferir mais uma vez se tudo estava certo, esperei pacientemente, alisando a roupa, tanto para alinhar, quanto para secar a mão úmida causada pelo nervoso.
? – ouvi a voz do chamar por mim. Dei um peteleco em minha testa, é claro! Eu não havia dito que estaria na cozinha.
– Estou aqui! – disse, do corredor, automaticamente ambos viraram em minha direção, sorri de forma automática.
– Meu Deus, o que você está fazendo em pé? – tomou a dianteira ao tomar a minha direção. – É muito cedo para que você esteja circulando. – esticou os braços assim que me alcançou, fui envolvida por um abraço caloroso e ao mesmo tempo delicado, acompanhado de um esfregar suave em minhas costas.
Assim como os dois, e YooHwan, também carregava aquela característica única da família dos , um agir caloroso em torno dos outros e apesar de me sentir triste por não reconhecê-la com plenitude, me senti menos nervosa do que achei que estaria.
– Isso deve ser estranho, não é? – perguntou, em tom baixo ao afastar-se, segurando minha mão e assenti devagar.
– Um pouquinho só. – comentei, fitando-a detidamente, a maneira que ela sorriu compreensiva fez com que um arrepio frio corresse por minha espinha ao vê-la sorrir de maneira semelhante ao irmão mais velho.
– Está tudo bem? – segurou minha mão firme diante do meneio que fiz.
– Claro, venha por aqui. – indiquei a cozinha. – Eu preparei uma coisinha.
– Como assim você preparou uma coisinha? – passou por mim e estacou diante da porta da cozinha, me fitou e em seguida a mesa que havia preparado. – Não me diga que você pediu para ela preparar isso? Porque Deus te ajude caso tenha feito.
– Não! – passou por mim e por ela, entrando na cozinha. – Uau!
– Eu estava preocupada que você pudesse estar cansada e com fome, ele nem sabia sobre isso. – tentei esconder o ar de riso ao vê-la reagir de maneira explosiva, bem como seu irmão havia feito no hospital, eu já estava gostando dela, novamente.
– É sério? – colocou as mãos na cintura, fitando-me em um estreitar de olhos, confirmei em um gesto de cabeça e erguendo a mão direita; num gesto bonito, empurrou um bico e tomando-me pela mão, empurrou-me em direção a uma cadeira e tomou a outra ao meu lado – Não precisava, querida, eu poderia comer alguma coisa pelo caminho.
– Eu sei, mas era o mínimo que podia fazer, já que você estava passando aqui. – sorri, apreciando a companhia feminina, dei uma olhada na mesa e fazendo um gesto para que ela fosse em frente. – Espero que você goste.
– Me dê apenas um minuto para lavar as mãos e já te conto o que achei sobre essa sua surpresa deliciosa, já venho.
Assenti, sorrindo enquanto a moça escapulia da cozinha indo para o lavabo, bati na cadeira ao meu lado, indicando que sentasse ao meu lado.
– Ela é intensa. – comentei, em tom baixo, com uma risadinha.
– Sim! – balançou a cabeça, tomando acento, era a primeira vez que o via relaxado e com aquele ar alegre e satisfeito no rosto, descansou contra o encosto da cadeira e fitou-me – Você sabia que não precisava fazer nada disso.
– Eu sei, mas eu queria impressionar minha cunhada, que eu nem mesmo lembro de já ter conhecido. – respondi, dando de ombros.
– E então, o que me diz? Ela é uma graça, não é?
– Parece ser uma boa pessoa. – disse, com sinceridade. – E também é engraçada! Juro que por um minuto achei que ela estava indo chutar a sua bunda. – comentei, em tom baixo e ele deixou escapar uma gargalhada gostosa, eu o acompanhei. – Eu gostei dela.
– Fico feliz em saber que isso não mudou. – comentou, deixando um tapinha em meu joelho.
– Eu também. – sorri, se a minha intuição estivesse certa, ela era a pessoa perfeita para o gigante ao meu lado, antes que pudesse acrescentar alguma coisa, estava de volta.
– Agora sim, onde estávamos? – sentou-se ao lado dele. – Ah sim, íamos comer essa comida que parece estar deliciosa. – fiz um gesto para que ela fosse em frente.
– Fique à vontade.
Não somente ela, mas também acabou por beliscar o que havia feito. Apreciei com satisfação ao vê-la comer com apetite. Seu porte físico era magro, mas ao contrário do esperado, ela tinha bastante apetite e não se fez de rogada em apreciar todos os pratos. O que me fez muito feliz, devo dizer.
– Então me diga, como você está? – capturou um kimbap enquanto me fitava com interesse.
– Me ambientando, é tudo tão novo. – comentei, preenchendo meu copo com suco de laranja. – E como foi sua viagem?
Enquanto discorria avidamente como foi sua viagem ao Peru, por conta de um artigo que publicaria na revista onde trabalhava, permanecia atento ao que era dito por ela. E por vezes quando ambos encontravam o olhar, via o rosto da moça ser tingido por um tom róseo. Alguns minutos ao lado deles, eu estava suspirando. Por fim, quando o jeotgarak foi depositado sobre a mesa, a vi bocejar e se encolher na cadeira. Nem precisei falar nada, o gigante arrastou a cadeira para perto, aninhando a moça contra o peito, enquanto ela ainda contava a diferença cultural entre os países. Apreciei o gesto do mais velho e me levantei da cadeira, começando a recolher a louça.
– Pare aí mesmo, mocinha, me dê apenas um minuto que já ajeito tudo por aqui. – dispensei em movimento de mão.
– Sabe o que eu preciso agora? – fitou-me atentamente. – Que você descanse, afinal, temos um jantar à noite.
– Jantar? – nos fitou com interesse.
– Não é nada demais, apenas nossas famílias estarão aqui hoje. – inclinei ao lado da garota, cochichei – Na verdade, para mim é um evento, desde que cheguei do hospital tudo é motivo para ser considerado como evento. E você precisa de, pelo menos, algumas horas de sono para começar a recuperar a diferença do fuso horário.
– Com certeza eu preciso dessas horas, mas tem certeza que não quer minha ajuda? Eu posso lavar a louça. – fiz um movimento afirmativo. – Vou ter que fazer o tipo comeu e saiu? – confirmei e a vi encolher os ombros.
– Tem mais hoje à noite, não se sinta mal sobre isso, vou colocar tudo na máquina e estará pronto em minutos. – confortei, enquanto ela punha-se de pé; depositei a louça na pia e quando dei por mim, estava novamente entre o abraço da moça.
– Foi um prazer te ver. – disse, afastando-se.
– Eu digo o mesmo, foi bom te conhecer novamente. – sorri e a vi perder o sorriso por um instante. – Não fique assim, acredito que em breve, com todo o suporte que venho recebendo, estarei novinha em folha.
– Estou torcendo para que isso aconteça. – abraçou-me novamente. – Então, até mais tarde.
– Até mais. – acenei quando a vi deixar a cozinha, suspirei e encostei contra a pia.
No fim, havia corrido tudo bem e eu estava feliz por conhecer a moça sorridente. Espantei o sentimento agoniado de querer lembrar, mas sem chegar a nenhum lugar. Deixei a louça na máquina e peguei uma garrafa de água, subi para meu quarto.
Afastei o suor da testa, sentindo o pulsar dolorido em meu corpo. No fim das contas, tinha abusado mais do que deveria, tratei de tomar um analgésico e deitei.
Afinal, eu precisava descansar para então conhecer a matriarca dos .

– Apenas relaxe, não é nada demais, é apenas um jantar. – murmurei, para a imagem apreensiva no espelho.
Não foi de utilidade como imaginei que seria, talvez se repetisse aquele mantra as coisas ficariam melhores.
Quem você está enganando, ?
Fiz uma careta para imagem e me afastei, sentando-me na ponta da cama. Não poderia ser diferente, não é? Todos que eu conheci daquela família eram a personificação da gentileza, boa educação e amabilidade. Com a mais velha não seria diferente. Pelo menos, era o que eu esperava.
? – ergui a cabeça a tempo de ver a porta ser escancarada pelo mais velho da família. – Está tudo bem?
– Claro, pai. – levantei rapidamente, sentindo uma pequena vertigem, que logo tratei de esconder do mais velho. A aventura de mais cedo havia cobrado um pequeno preço e após acordar, parecia que havia subido um prédio de sessenta andares pelas escadas, me sentia tão exausta. – Só estava descansando um pouquinho. Vamos descer?
– Sim. – enlacei o braço que me era estendido, lhe sorri.
A meio passo da escada ouvimos o barulho do interfone, respirei fundo ao terminar de descer as escadas, YoungMi já estava à porta para atender os recém-chegados. Um abraço afetuoso foi trocado entre as mulheres, um pouco hesitante, permaneci no fim dos degraus. A senhora de uma beleza cativante, transmitia serenidade e simpatia em seus gestos, mas não conseguia me lembrar de tê-la visto anteriormente. A decepção de não a encontrar em nenhum ponto da minha memória, era simplesmente angustiante.
Desviei rapidamente daquela linha de raciocínio ao ter depositando um beijo em minha bochecha. Eu não deveria me sentir acanhada, mas lá estava aquela adorável sensação de timidez que me cercava quando o rapaz estava próximo a mim. Enquanto um irmão me provocava frio na barriga, o outro, em contrapartida, trazia um sentimento maternal. Cumprimentei o menor e em seguida , que agora me parecia muito mais descansada.
– Venha aqui, querida, deixe-me vê-la. – abrindo os braços, deu um passo em minha direção, caminhei vacilante para ela, fui envolvida por um abraço delicadamente afetuoso da mais velha. – Eu acredito que não esteja sendo fácil, não é? – assenti e recebi um afago carinhoso em minhas costas. – Não se preocupe que tudo dará certo.
– Obrigada. – disse, comovida pela receptividade.
Permaneci estaqueada, vendo a outra família deixar seus pertences na sala e seguir para o corredor, em direção à cozinha. Aparentemente, o lugar preferido da minha família, era também o da outra, ou talvez estivessem tão habituados à minha que já sabiam onde iriam se reunir. Tratando de também ir para aquele caminho, senti um toque em meu antebraço.
– Posso falar com você por um momento?
– Claro! – concordei, imediatamente, sentindo um traço de ansiedade. – Podemos conversar na sala ou podemos ir para o escritório, qual é a sua preferência?
– Ali mesmo na sala, você pode me esperar lá por um minuto?
Concordei em um aceno, esperei que ela se retirasse antes de girar sobre os calcanhares e me encaminhar para a sala. Sentei no sofá, curiosa sobre o que ela queria falar, alisei a roupa e esperei que ela voltasse. Não tardou para que a matrona voltasse acompanhada de uma caixa retangular.
– Confesso que estou um pouco nervosa. – confidenciou, ao tomar o lugar ao meu lado no sofá. – Aqui está, querida.
Depositou a embalagem de tamanho considerável no meu colo, reprimindo a vontade de atacar o papel e descobrir o que ele escondia, segui com considerável delicadeza ao descobrir que dentro estava uma bela caixa decorada a laços. Ao afastar a tampa, respirei fundo, tragando com certa dificuldade ao ter a delicada lã em tom champanhe. A roupinha era delicada e linda, alisei o casaquinho com botões de madrepérola, profundamente enternecida pelo capricho das peças, a calça minúscula e, por fim, sapatinhos tão fofos que, com muito esforço, afastei a ardência dos meus olhos.
– Eu estou um pouco enferrujada, mas queria tecer algo para o nosso bebê.
– Eu nem sei como posso agradecê-la por esse presente tão, tão… – enlacei a bela senhora, dando-lhe um abraço desajeitado e apertado, na vã esperança que pudesse dizer o que me ia na alma naquele instante. – Maravilhoso. É lindo. É especial e com toda certeza será algo imensamente adorado por mim e meu bebê. – segurei uma de suas mãos – Muito obrigada.
– Foi um prazer. – tocou-me o rosto com delicadeza.
– Então foi por isso que a senhorita estava trancada no seu quarto nos últimos dias. – avistei da porta, fitando-nos com curiosidade.
– Veja. – fiz um gesto para que se aproximasse e mostrei as delicadas peças. – É perfeito!
As peças eram minúsculas diante das mãos grandes e ainda assim sensíveis ao tocar a peça. O olhar amoroso encontrou o outro, da mais velha, suavemente o vi depositar um demorado beijo na testa da mãe.
– Obrigado, mamãe.
– Fico feliz que vocês tenham gostado. – corando de pura felicidade, colocou-se de pé, tratando de alisar a roupa evitando encontrar nossos olhos. – Melhor voltarmos, antes que notem que não estamos lá. – tomando com gentileza o braço da mais velha, esperou que eu fizesse o mesmo.
– Em um momento, primeiro quero guardar esse presente maravilhoso.
Esperei que ambos saíssem de vista para contemplar mais uma vez, peça por peça, para então subir as escadas em direção ao meu quarto. Não pude me conter ao parar na frente do espelho e colocar o casaquinho sobre a barriga, girando para ambos os lados. Mesmo relutante em deixar o primeiro presente do bebê, refiz meu caminho para a cozinha.

Escapei pela porta da cozinha, segui a trilha de luzes arrumadas estrategicamente pelo caminho, indo em direção ao balanço escondido em um canto um pouco afastado do jardim. A noite estava quieta, havia uma brisa que de tempos em tempos brincava com meu cabelo. Ao longe podia ouvir o burburinho de conversa e risos vindos da casa. Me acomodei contra a madeira, desenvolvi um balanço calmo enquanto cerrava os olhos, aproveitando a calmaria, ponderando.
De modo geral, eu estava feliz com o que havia acontecido até o presente momento.
Estava em uma família que aceitava meu gênero e minha condição física atual, recebendo-me ao seio da família e suprindo o que me era necessário quando eu encontrava alguma dificuldade. E, por fim, a outra família, na qual meu filho pertenceria, era definitivamente caída do céu. Eu não podia estar mais feliz por agora, de certa forma, pertencer a eles.
Ouvi o som abafado de passos e abri os olhos a tempo de ver o intruso se aproximar.
– Estou interrompendo? – diante na negativa e balançando em seus pés com as mãos no bolso, indicou o lugar vago ao meu lado. – Acho que não conseguirei crescer mais do que isso.
– Venha cá. – evitei fazer uma careta pela minha falta de tato em não dar aquela opção. – Está um clima ótimo. – iniciei, um pouco constrangida.
– Eu adoro esse tempo. – concordou, sentando-se próximo, resgatando o balanço suave. – Como você está?
– Bem. – ele não pareceu convencido e estreitou os olhos, franzindo levemente a sobrancelhas. – Ok, deixando de lado o incômodo de utilizar o sling, uma tonelada de cansaço em meus ossos e a falta de memória, estou ótima.
Era uma pergunta normal a se fazer, na minha situação, mas me sentia um tanto chateada por não ter nada concreto que pudesse mudar aquele quadro. Fitei minhas mãos sobre o colo, um tanto abatida. Vi a mão cobrir a minha com tamanha delicadeza e o fitei. O calor enrodilhou minha mão e pareceu fazer um caminho preguiçoso até a altura de minha bochecha, detendo-se ali e despertando toda a sorte de estranheza pelo gesto delicado.
– Não tenha pressa, na hora exata, tudo virá à tona. – comentou, suavemente, anuí em um movimento de cabeça.
– Como você está? – perguntei, recuperando um pouco do fôlego e não fiz nenhum gesto de afastar quando o vi entrelaçar os dedos aos meus de maneira natural. Talvez, fosse um gesto casual de amigos entre nós. – Notei que você estava mais silencioso hoje.
– Nem me fale. – suspirou, esticando as pernas e cruzando-as na altura da canela, seu rosto perdeu o traço calmo e o vi encostar a cabeça no espaldar, fitando o céu escuro. – Eu tive um dia daqueles.
– Me conte… se puder, é claro. – exalando um suspiro frustrado, me fitou.
– Estou trabalhando em um caso, onde duas mães disputam a guarda da criança. O que mais me chateia é que eu sei que ambas amam aquela criança, mas entraram em uma situação caótica e desnecessária nesse processo.
– Então por que entraram com o processo judicial?
– Uma irá para o Japão por causa da sua atual parceira. – balançou a cabeça sem parecer acreditar, o olhar tornou-se distante. – É triste ver duas pessoas que um dia se amaram, agora brigando por algo que poderia ter se resolvido em uma conversa. É exaustivo lidar com esse processo, com todo esse fardo emocional e não poder fazer nada, pois o que eu fizer para uma, a outra será prejudicada. Muito mais do que tem sido até então...
As palavras se perderam ao vento e ele ficou em silêncio. As sobrancelhas frisadas enquanto estava longe, talvez pensando nos prós e contras do que tinha que lidar naquele caso. E eu não tinha a mínima ideia de quem era o estranho ao meu lado, mas alguém que estava tão preocupado por seu cliente, longe do escritório e visivelmente consternado pela situação, só o fazia ganhar pontos na minha lista. era calmo à minha volta, atencioso, carinhoso e agora havia aquela faceta,que me fazia inclinar naquela direção e me sentir confiante de tê-lo por perto.
– Se ajudar em alguma coisa, nós não passaremos por isso. – comentei, em tom baixo, fitando-me profundamente, fez um gesto afirmativo. – Se algo acontecer comigo, sei que você estará lá por essa criança.
– Pode apostar sua vida nisso, eu digo o mesmo, se um dia, porventura, eu não estiver aqui, sei que essa criança terá a melhor mãe do mundo. – o olhar caiu por um instante em meu ventre. – Eu sei que no momento ele ainda é uma coisinha pequenininha, mas posso tocar nosso bebê?
O pedido saiu suave, gentil e senti algo em mim tremular sutilmente.
Desde que havia colocado os pés naquela casa, era a primeira vez que estávamos a sós. Evitei em um momento de fraqueza ao conferir o latejar acelerado em meu pulso, ou a fagulha de antecipação. Não poderia pontuar com clareza o que me fazia estar momentaneamente acanhada. Com um sacudir diante do pensamento acalorado, recuei em meus sentidos e lembrei-me que aquele pedido havia apenas a ver com a criança e não comigo.
Em meio a um aceno, concordei.
Inclinando em minha direção, trazendo seu corpo para mais perto do meu, pude sentir a fragrância máscula e suave atordoar meus sentidos. A calidez proveniente de sua presença pareceu envolver-me de maneira que não pude explicar com clareza o conforto ambíguo de estar próxima, mas não parou por aí. Acompanhei o pousar da mão sobre meu ventre mordiscando a bochecha, procurando evitar deixar transparecer qualquer confusão em meu rosto.
O toque parecia espalhar sobre mim uma onda de calor, amortecendo de maneira positiva o desconforto do que poderia ser a situação.
– Tivemos poucos dias para aproveitar a novidade. – curvou os lábios em um sorriso amoroso, ministrando uma carícia leve naquela região. – Mal posso acreditar que vocês estão aqui.
Deixou escapar em uma respiração pesada erguendo o olhar, este carregado parecia querer dizer mais do que os lábios o fizeram. A iluminação ali não era nem de longe uma das melhores, impossibilitando que o fitasse com clareza o que não era dito. Então, no segundo seguinte, seu toque não estava em meu ventre, os dedos traçaram suavemente a linha do meu maxilar. O olhar vagando por meu rosto, até novamente encontrar os meus.
Quieta em meu lugar, engoli em seco ao fitar o olhar firme sobre mim. Senti o correr arrepiado em meu corpo, fazendo com que tremesse.
– Vamos entrar, o clima está um pouco gelado. – entendendo erroneamente minha reação e embaraçada o suficiente para dizer que queria continuar ali, o acompanhei novamente para dentro da casa.
Certo, o que diabos está acontecendo?
Não me sobrou muito tempo para fazer aquele questionamento, no momento em que coloquei os pés em casa, YoungMi parecia estar me procurando e em meio a sua tagarelice animada, me levou para longe. Deixei um olhar tombar sobre o rapaz que me observava enquanto subia as escadas com elas. Fui empurrada gentilmente para o meu quarto, onde estava o objeto de curiosidade de e YoungMi, o que havia ganho mais cedo.
Abri a caixa e empurrei em direção a elas. Reunidas em minha cama, as mais velhas conversavam com entusiasmo sobre fios e diagrama de desenhos e roupas infantil. , que segurava uma das roupas de forma carinhosa, acrescentava uma coisa ou outra sobre o tema. Eu estava longe de poder opinar, ou melhor dizendo, querer desenrolar algo sobre aquele tema, aquilo nem de longe parecia algo que faria.
Por outro lado, em algum lugar da minha mente, brilhava uma luzinha, atentando para o que havia acontecido.
Repreendi rapidamente minha fértil imaginação. Quem pudesse me ver pensando daquela forma, poderia realmente pensar que havia acontecido alguma coisa mais agitada do que de fato aconteceu. Mas eu ainda estava perdida em algum ponto daquele lugar no jardim. Podia sentir a bochecha aquecendo com a lembrança de como era ter o toque novamente sobre mim. Evitei exprimir um gemido de insatisfação com a onda de calor repentina que me acercou.
Partindo minha linha de pensamento, em um sobressalto, senti um beijo ser depositado em minha bochecha. Oh, não! YunHee havia acabado de chegar.
– YunHee! – corei até a raiz do cabelo por ter sido pega em flagrante, mesmo que ela não pudesse ler meus pensamentos.
– Sim! – riu e acenou para as meninas. – Um minuto, querida. – pediu ao se afastar e cumprimentar as outras, vi a reação bonita quando percebeu o que estava exposto ali, seus olhos brilharam tão amorosos, assim como eu, agradeceu a mais velha e depositou diversos beijos sobre a bochecha dela antes de voltar a sentar ao meu lado. – Como você está?
– Estou bem e você? – assentiu, olhei em volta e vendo-as tão concentradas, fiz um gesto em direção à porta – Você já comeu alguma coisa? – diante do aceno negativo, fiz um gesto para que ela me seguisse e saímos sorrateiramente do quarto.
– Cheguei em boa hora? – perguntou, colocando as mãos nos bolsos caminhando ao meu lado.
– Sim! Eu já estava ficando um pouco tonta com toda a conversa sobre tricô e roupas, essas coisas. – fiz um gesto e ela riu. – Acho que essa definitivamente não é a minha praia.
– Eu tenho certeza que não é! – balançou a cabeça. – Na verdade, não é nem a minha! Quando você voltar para casa, notará que todas as peças de tricô ou crochê que temos foram compradas.
Eu tinha aquele tipo de coisa na minha casa? Evitei não parecer surpresa com a informação, mas não tive muito sucesso. Num gesto inconsciente, YunHee enlaçou o meu braço, gargalhando enquanto descíamos a escada, ela não parecia ter um pouco mais que vinte anos e, na verdade, ela tinha a idade tão próxima à minha. Contemplei o rosto feminino corado e bonito, mesmo ostentando um ar abatido.
– Parecia que nunca mais ia chegar em casa. – respirou fundo e acenou para os rapazes quando passamos diante da sala.
– As crianças deram mais trabalho do que o habitual? – perguntei, indicando a cadeira na mesa, num gesto educado e gentil, afastou a cadeira para mim. – Deixe-me pegar algumas coisas e já sento.
– Tão teimosa. – sorriu e me acompanhou até a geladeira, ajudando-me a pegar algumas das coisas que havia sobrado da janta. – Olha, devem ter colocado alguma coisa na água, talvez seja pela mudança no tempo ou sabe Deus o que, hoje todas, eu disse todas, estavam particularmente eufóricas. – balançou a cabeça, finalmente sentando à mesa.
YunHee me deu uma versão resumida e engraçada de tudo que havia acontecido durante o dia. Acompanhei o relato, perguntando uma e outra coisa, ela era simpática em sanar qualquer dúvida e não teve problema nenhum em, novamente, partilhar de quem exatamente estava falando quando me vi um pouco atrapalhada pela falta de lembrança.
Não demorou muito tempo para cozinha ser invadida por todos e logo estavam distribuídos por todo o ambiente, conversando entre si. Alguém estava preparando café e alguma infusão, o espaço foi ficando pequeno quando todos resolveram ficar por ali mesmo, reunidos em volta da mesa, bebericando as bebidas quentes e experimentando alguns petiscos que magicamente haviam chegado à mesa.

Naquela noite, quando finalmente todos haviam ido embora e eu estava deitada em minha cama, fiz um balanço de como havia sido o dia.
A família do meu filho era ótima e simpática, o presente que havia recebido veio apenas para confirmar que minha criança estaria em boas mãos. Tanto , quanto sua mãe, eram pessoas maravilhosas e dotadas de um carisma fora de série. e YooHwan, da mesma forma. Era evidente o carinho mútuo entre as famílias. Só podia agradecer aos céus por e eu termos sorte de participar da outra família.
Logo o esgotamento do dia batia a porta, deixando-me consciente de que toda a movimentação, mesmo que festiva, tinha tido um custo. Ajeitei os travesseiros de uma forma mais confortável e voltei a recostar na cama, procurei pelo celular e já era um pouco mais de meia-noite de domingo.
Fazia uma semana que tinha acontecido o acidente.
Fazia uma semana desde que não conhecia mais quem eu era ou quem era a minha família.
Uma semana.
Afastei a cortina e observei o céu escuro e cravejado de estrelas, fiz um pedido silencioso para o meu anjo da guarda – se é que pudesse existir algo como isso – que na manhã seguinte eu pudesse acordar e ter a minha memória intacta. Já havia passado por aquele castigo de ficar uma semana longe de todas as lembranças. Já podia dizer que tinha quitado minhas dívidas por meus possíveis pecados e não era justo que aquilo continuasse. Ou não?
Acomodei novamente na cama, trazendo o edredom até o queixo, bocejei, piscando lentamente fitando o teto escuro. Por favor. Murmurei, antes que a névoa sonolenta tomasse seu caminho de uma vez sobre mim.

Continua...

Nota da Autora: Quer me contar o que está achando da fic ou tem perguntas? Dá uma passadinha no grupo do FB, ou se tem vergonha de perguntar por lá, não tem problema não, pode passar aqui no ASK.

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