Autora: Nicki Snows | Beta: Mily

Capítulos:
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Capítulo 1

Sabe aquele carinha gato do colégio que faz você sentir mil borboletas eufóricas querendo voar em seu estômago só por te olhar? Ou faz sua respiração parar por segundos somente por passar ao seu lado? Era sempre assim quando eu via . Ele não era o mais popular, mas conhecia grande parte do colégio. Também não era o mais lindo, mas tinha uma beleza diferenciada, e foi essa beleza que me chamou atenção.
Eu até tinha algumas amizades na turma e as melhores amigas do mundo: e eram e ainda são como irmãs para mim, mas nunca fui próxima de . O máximo que ele já falou comigo foi "Me empresta um lápis?" e essa pequena pergunta me fez cair da cadeira. Claro que foi vergonhoso, mas me aproveitei do meu lado dramático e fingi uma lesão no tornozelo. podia ter rido de mim, como a maior parte da turma fez, mas, para minha surpresa, ele veio em minha direção com uma expressão preocupada, me pegou no colo e me levou para a enfermaria.
Claro que eu não podia contar para ele que era tudo fingimento, mas o que fazer nessa situação? Fingir um desmaio? Exatamente! Senti sua mão em meu rosto enquanto ele dizia: "Hey, acorda! Por favor, acorda! E agora, o que eu faço, Deus?". Sim, eu fiquei com pena. Ele estava desesperado, o que eu podia fazer? Isso mesmo! Acordar do "desmaio".
Quando abri os olhos e levantei meu olhar até seu rosto, o vi sorrindo e disse: "Graças a Deus! Eu não saberia agir com você desacordada em meus braços. Você tá legal?", eu sorri e o respondi: "Estou sim, obrigada. Não precisa me levar para a enfermaria, foi só um susto!". Ele se levantou, me ajudou a fazer o mesmo e perguntou: "Ok! Você tem algo para fazer depois das aulas?". Franzi o cenho e disse: "Tenho uma redação para fazer e entregar na sexta-feira, mas não farei hoje, então estou livre. Por quê?". Ele pigarreou e disse: "Ah, o sinal já vai bater, gostaria de tomar um sorvete comigo?". Eu podia ter me feito de difícil, mas não perderia a chance de estar mais perto dele e, imediatamente, respondi: "Eu adoraria!". voltou na sala, pegou nossas mochilas e saímos da escola, rumo à sorveteria... Esse dia foi inesquecível!

ficou cada vez mais próximo de mim, e consequentemente, de e também. Com toda essa proximidade, veio a confiança e um segredo. Segredo esse que durou três meses.
Insisti para que me contasse, porém ele não quis, então tentei com minhas amigas e elas me contaram cada detalhe. Ai delas se não me contassem! O segredo era que, me pediria em namoro na noite do baile. Sim, ele já tinha me chamado para o nosso Baile de Formatura e eu não pude e nem quis recusar.


Capítulo 2

Enfim, o grande dia chegou! Meu cabelo tinha um penteado lindo, mas estava preso, para não tirar a atenção da maquiagem que não era tão forte, mas também não fraca. O vestido era verde com detalhes bem delicados, enfeites bem discretos, mas que valorizava cada curva do meu corpo e minha sandália era de cor prata.
usava o cabelo de lado com um enfeite discreto; sua maquiagem era forte, mas não tirava o glamour do seu vestido, que era roxo com detalhes também delicados, mas que a deixava com uma aparência bem mais madura, apesar de seu rosto de menininha; sua sandália era de cor preta.
O penteado de possuía uma linda trança embutida com enfeites prateados sobre. Sua maquiagem era bem leve, dando destaque ao seu vestido azul turquesa, com detalhes elegantes e sua sandália era da cor de sua pele.
Como era amigo de Travis e Nick, os namorados de e , fomos todos juntos para o baile. Assim que chegamos ao colégio, os olhares foram voltados para nós. Eu não gostava de muita atenção, mas aquela noite foi uma exceção.

Depois de algumas horas, Travis e foram indicados e nomeados rei e rainha do baile. Eles ficaram radiantes!
e Nick pareciam estar num mundo só deles, quando cantaram Sweater Weather para os casais dançarem no lugar da valsa.
Eu e estávamos dançando no corredor, porque queríamos ficar afastados da bagunça. Começou a tocar Everybody, e eu quis voltar para o ginásio, mas praticamente, me arrastou até a sala de teatro e trancou a porta.
Fiquei o olhando, sem entender sua atitude de andar pela sala, pensativo, até se aproximar de mim e me surpreender com um beijo. Segundos depois, se afastou um pouco, olhou em meus olhos e disse: " , sei que ficamos amigos há pouco tempo. Mas, estou completamente apaixonado por você e não consigo mais esconder isso! Agora que você já sabe... Você aceita namorar comigo?".
O encarei estática e fiquei lembrando de todas as vezes que ele me fez sorrir, do quanto ele me fazia bem e do quanto eu gostava dele. Fixei meus olhos nos seus, engoli em seco e respondi: "Sim, , eu aceito namorar com você!". Ele sorriu, abobalhado e me beijou mais uma vez. O beijo foi tomando intensidade e aconteceu...
Depois de me conscientizar sobre a gravidade das consequências do nosso ato, me levantei rapidamente e já estava me vestindo. se levantou, vestiu-se e perguntou: ", o que houve?". Não o respondi, destranquei a porta e corri até a entrada do colégio. veio atrás de mim e segurou meu braço. Estava prestes a dizer algo, mas não o dei tempo para isso. "Sei que é estranho, mas, estou confusa e tudo o que mais quero agora é ir para casa!". Eu disse, o fazendo franzir o cenho. Ele assentiu, sem entender minha reação e fui embora.

Duas semanas depois do baile, eu já tinha me resolvido com . Apesar de ainda me torturar com alguns pensamentos negativos sobre aquela noite, nada aconteceu, estávamos bem, até minha mãe me contar que meu pai tinha sido transferido para outra cidade e teríamos que nos mudar. Não queria ficar longe das minhas amigas e do meu namorado. Tudo bem que a faculdade iria nos afastar por um tempo e sabíamos disso, mas não queria que esse dia chegasse. Infelizmente, não pude fazer nada quanto a isso, e três meses depois, me mudei.

Para diminuir minha tristeza, , e eu fomos aceitas na mesma universidade, que ficava na minha nova cidade. Conversei com minha mãe e meu pai e pedi para as meninas morar conosco. Eles impuseram suas regras e concordaram. Os meninos foram aceitos em universidades diferentes, e foi quem mais ficou mais distante, porém, ainda nos encontrávamos, até ele pedir transferência para uma universidade em outro país, ficar lá por tempo indeterminado e eu perder totalmente contato com ele.


Capítulo 3

No primeiro dia de aula na faculdade tive um mal-estar. Na mesma semana tive outro mal-estar e, apesar de ter sido apenas um susto, professor Chang me liberou de sua aula, garantindo que eu não ganharia falta, então, fui embora. O que eu não esperava era encontrar minha mãe em casa, já que estava no horário de trabalho. Mal adentrei a casa e ela já ordenou: "Você passa mal na faculdade, não me fala nada e ainda tenho que ficar sabendo pelo seu professor, que ainda teve a consideração de ligar e me avisar sobre seus desmaios. Vamos agora mesmo para o hospital!".
Assim que cheguei ao hospital, fui direto para a sala de exames. Aguardamos uma hora até o médico chegar com os resultados e... BOOM! " , você está grávida. Meus parabéns! Sei que essa notícia é muito emocionante, mas precisamos fazer uma ultrassonografia agora mesmo! Não se assuste, é só para sabermos como está a saúde do seu bebê.".
Não entendia como eu podia estar grávida! Estava sem ver há um tempo e mesmo assim, não tínhamos tempo nem em pensamento para fazer algo que resultasse numa gravidez. Mas, me lembrei do que fizemos na noite do baile de formatura, e a consequência do nosso ato foi essa, um bebê.
Fui para uma sala assustadora e fiz os exames. Descobrimos que eu já estava com 4 meses e esperando uma menina.
Voltamos para casa e minha mãe ligou para o meu pai, que estava no trabalho e pediu para ele sair cedo porque tinha um problema gigantesco para resolver. Meu pai chegou e minha mãe deu a notícia a ele. Primeiro ele me deu um tapa no rosto para eu nunca esquecer, depois ficou me encarando com uma expressão triste e jogou na minha cara a minha irresponsabilidade. Minha mãe só fazia chorar e me lançar um olhar de decepção. Ficaram tão desapontados comigo, que desejei nunca ter tido nada com . Tarde demais!

No fim, não fui morta pelos meus pais, mas decepcionei demais eles e isso me dói até hoje. Meu pai só dirigia a palavra a mim para exigir que eu encontrasse com para contar sobre a gravidez, porque ele não pagaria as despesas sozinho e eu não tirava a sua razão. Mas como eu perdi o contato com e, da última vez que nos falamos ele estava para viajar e não sabia quando voltaria, tive que trancar minha matrícula e arrumar um trabalho para ajudar minha mãe com as despesas do bebê.
Claro que e me ajudaram em tudo que eu precisei, mas a responsabilidade era minha e, no último mês de gestação, foi tudo mais complicado. Então, conversei com minha mãe e com as meninas, expliquei que não estava mais conseguindo trabalhar, elas compreenderam e continuaram me ajudando.

Num dia de sábado, estava voltando do mercado com e , quando senti uma pontada abaixo da barriga, um líquido escorrer entre minhas pernas e dor, muita dor. dirigiu até o hospital e ligou para minha mãe no meio do caminho e eu sentia dores cada vez mais fortes. Mal chegamos no hospital e já fui levada à sala de parto. Me prepararam rapidamente, e o doutor Kim disse para que eu fizesse força, e assim fiz. Mas, havia algo errado, pois já havia passado um bom tempo, eu continuava fazendo força e nada do bebê vir. Os obstetras olhavam para o relógio, preocupados e doutor Kim fazia de tudo para me acalmar. Já não aguentava mais e doutor Kim disse para eu continuar, porque o bebê já estava vindo e na última vez que forcei, nasceu.
Quando a enfermeira me trouxe ela, tive medo de machucá-la, mas o medo logo passou quando a segurei em meus braços. Foi a melhor sensação da minha vida! Ter a minha princesa em meus braços e ver seu rostinho pela primeira vez.


Capítulo 4

Sabe aquela princesinha linda de quem eu falei? Essa mesma, a . Ela está completando seus 16 anos hoje e ela não é do tipo de menina que sonha em ter uma "Sweet 16", mas como era tradição em nossa família, minha mãe a obrigou a fazer. Claro que ela relutou, mas com jeitinho, eu a convenci.
– MÃE... – me gritou do seu quarto.
– Está me gritando por quê? – eu perguntei, enquanto ia até seu quarto, fazendo-a rir.
– Também te amo, mamãe! – ela disse, sorrindo debochada, enquanto levantava da cama.
– Fala logo, filha. Ainda tenho milhões de coisas para organizar antes da sua festa.
– Nem me fale dessa festa; você sabe que eu não queria isso! Poxa mãe, preferia mil vezes fazer uma viagem com você, Lauren e Jake – ela choramingou e confesso que partiu meu coração ver sua carinha de choro.
– Filha, eu sei que você não queria essa festa, mas pensa, você vai deixar sua vovó tão feliz, sua mamãe também, seu vovô vai vir só para te ver, seus amigos estarão lá e você vai gostar – eu disse insegura. Essa menina tem um gênio forte, é igualzinha ao avô.
– Mãe, não apela! Eu vou fingir felicidade durante toda a festa, mas só porque amo vocês. – ela disse, cruzando os braços e fazendo uma carinha emburrada.
– Aw, vem cá minha linda – disse, a abraçando forte. – Nem acredito que minha princesa está fazendo 16 aninhos! Parece que foi ontem que vi esse rostinho de boneca pela primeira vez.
– Mãe, você vai me quebrar – ela disse, tentando se soltar. – Tá me sufocando – continuei a apertando. – Não vai me soltar, né? Ai! Acho que você quebrou uma das minhas costelas, não vai dar pra curtir a festa com tanta dor. Teremos que cancelar!
– Você venceu! – ergui os braços em sinal de rendição. – Agora vai para o banho que daqui a pouco o pessoal tá chegando. Hoje você vai precisar de cabeleireira, manicure e pedicure, maquiadora...
– Já entendi! A cambada vai chegar daqui a 10 minutos. Vou para o banho – ela disse, entrando no banheiro.
– Qualquer coisa grita, estarei na cozinha – disse, saindo do quarto.
– MÃE...
, se você me gritar mais uma vez eu...
– TE AMO – ela gritou novamente, fazendo meu coração derreter.
– Aw, eu também te amo, meu amor – disse, invadindo o banheiro.
– MÃE, SAI DAQUI! – ela gritou me empurrando em direção à porta.
– Não sei por que está desesperada. Já te vi assim muitas vezes, ou você se esqueceu que não nasceu sabendo tomar banho e se trocar sozinha? – disse, com uma sobrancelha arqueada.
– Eu não nasci sabendo, porém, ao longo dos anos, eu fui aprendendo. Muito obrigada por ter cuidado de mim, mas agora eu já sei tomar banho sozinha – bateu a porta na minha cara.
– Crianças... – eu disse, saindo do quarto, mas pude ouvir ela gritar "eu ouvi isso, hein".


Capítulo 5

Eram sete da noite quando recebi uma ligação da minha amiga de trabalho, dizendo que a decoração da festa era perfeita e estava ansiosa para ver . Comecei a ficar nervosa, porque todos deveríamos estar lá às sete e meia e minha filha ainda estava se maquiando e nem o vestido havia colocado.
– Se acalme! As festas nunca começam no horário planejado. Eu duvido muito que algum convidado vá embora sem antes comer um docinho – minha mãe disse, me fazendo rir.
– Aw, mãe. Só você para me fazer rir num momento como esse – falei, dando-lhe um abraço.
– Vai dar tudo certo! – tentou me acalmar, dando-me um beijo na bochecha.
– Tia , o carro que vai levar a chegou – Jake avisou sorridente.
– Ok. Faz-me um favor, tudo bem? – ele assentiu. – Diga à e que eu já vou tirar o carro da garagem e, que se elas não descerem em 3 minutos, vão perder a carona.
– Que maldade! – dei de ombros. – Mas seria engraçado – ele saiu, rindo.
Fui até o quarto onde minha filha se vestia e me despedi.
Ainda estava um pouco chateada por ela querer apenas Lauren e Jake na limusine. Oras, sou a mãe dela. Eu deveria estar ao lado dela o tempo todo, ainda mais neste momento tão especial. Mas deixei passar, afinal, ela nem queria essa festa; só estava tentando agradar a mim e a avó.

Chegando à festa com minha mãe, meu pai e minhas duas amigas, pude ver como a decoração ficou exatamente como imaginei. Cumprimentei alguns familiares distantes, alguns amigos da família, amigos de ... Até ver um convidado que fez tudo a minha volta sumir por segundos.
, está estranha assim por quê? – perguntou ao notar.
– É ele – eu respondi, já perdendo o ar.
– É ele quem? Por que você está assustada? – dessa vez indagou, com uma expressão preocupada. Olhou na mesma direção em que eu olhava e viu o homem sorridente com Travis e Nick. – Não acredito! O que ele está fazendo aqui?
– E agora? O que eu faço da minha vida? – perguntei nervosa. Porém, minhas amigas não souberam responder.
– Filha, a chegou – minha mãe avisou, fazendo meu desespero aumentar. – O houve com você?
– Mãe, o está aqui na festa – surtei e pude notar o espanto em seu rosto.
Minha mãe ia dizer algo, mas minha filha adentrou o salão, fazendo a atenção de todos se direcionarem a ela.
Seu vestido era longo, os detalhes prata estavam sobre o corpete rosa choque com listras azuis; tinha decote coração e abaixo da cintura havia babados das mesmas cores. Seu cabelo estava preso e desgrenhado, com uma pequena coroa do lado direito da cabeça. Sua maquiagem não era pesada, mas também nada discreta. Minha garotinha era uma verdadeira princesa!
Olhei de relance para e percebi que ele me observava. Imediatamente, voltei meu olhar para a aniversariante. Ela sorriu para mim e estendeu seu braço, mas quando eu estava indo ao seu encontro, fui surpreendida por .
? Quanto tempo! – ele sorriu largamente e me olhou de cima a baixo. – Você está lin...
– Mãe, até que essa festa não está tão chata. Você tinha razão quando disse que eu gostaria dela – o interrompeu e me abraçou.
– Você tem uma filha? – o homem me olhou espantado. – Espera... essa festa é de 16 anos e sua filha é a aniversariante. Há 16 anos nós éramos namorados... – ele franziu o cenho. – , você me traiu?
– Quem é esse cara? O que ele está falando? – a adolescente perguntou confusa.
– Depois te explico! E , esse não é o momento para conversarmos sobre isso – eu disse, tentando acalmar a situação.
– Nada disso! Quero saber dessa história agora – minha filha exigiu, cruzando os braços.
– Agora não é o momento! Depois da festa nós conversamos – retruquei, decidida.
– Mas, mãe...
, eu disse depois – encerrei o assunto e fui ao banheiro.
Isso não pode estar acontecendo! Depois de tanto tempo escondendo da essa história, ele aparece. E justo hoje.
– Amiga? – apareceu atrás de mim. – Você contou para eles?
– Esperem! – correu até nós. – Também quero saber.
– Não, eu não contei nada. Nem sei como vou fazer isso... – fechei os olhos e respirei fundo.
– É claro que sabe! – encarei , incrédula. – Você vai chamar eles agora e contar tudo – ela disse, me empurrando até a porta.
– É fácil falar, não é mesmo?
– Amiga, só estamos querendo te ajudar! Sabemos que não é fácil para você, estamos acompanhando essa história desde... Desde sempre. – falou, me fazendo suspirar.
– É complicado, mas será um alívio para você e, no fim, estarão todos felizes e com suas vidas resolvidas – dizia, sorridente.
– Vocês acham? – perguntei, ainda insegura.
– Certeza! – responderam em uníssono.
– Obrigada, meninas. Vocês sempre estiveram ao meu lado, não é mesmo? Sempre me ajudando, me apoiando, puxando minha orelha... – nós rimos. – Mas sempre ao meu lado. Vocês são as melhores! – nos abraçamos.
– Agora vá! – me empurrou e a repreendeu com o olhar. – Que foi? Se ela não for agora, vai perder a coragem – se defendeu.
– Verdade. Vá logo! – dessa vez, era quem me empurrava.


Capítulo 6

Fui até a pista de dança procurar por , mas ela não estava lá. Fui ao jardim e encontrei-a sentada na beira da piscina. Ela estava com uma expressão triste. Caminhei devagar até ela e me sentei ao seu lado.
– Filha? – ela não respondeu. – Fala comigo, meu amor – virei seu rosto para mim e reparei que seus olhinhos estavam vermelhos.
– Então aquele homem era seu namorado? Você o traiu e engravidou? – perguntou, sem me olhar.
, não é nada disso!
– Então, me explica – ela disse, simples.
– É complicado.
– Você sabe que eu sempre compreendi muito bem as coisas. Se me explicar, tentarei entender o seu lado – me encarou.
– Tudo bem – respirei fundo e comecei. – Sabe aquele barbudo que falou comigo no meio do salão? – ela assentiu. – Ele é o cara por quem eu me apaixonei loucamente no ensino médio. Ele era um gato! – ela fez careta. – Na noite do nosso Baile de Formatura, ele me pediu em namoro e acabou rolando – arregalou os olhos, surpresa.
– Vocês são rápidos, hein! E logo com aquele barbudo? Que nojo! – simulou vômito.
– Ele não estava barbudo no dia do baile! E mesmo se estivesse, teria ficado lindo – sorri, relembrando aquele dia.
– Tá, mãe! Continua – deu-me uma cotovelada, fazendo-me despertar.
– Agressiva! – ela deu de ombros. – Continuando... Eu, sua avó, e viemos morar aqui em Trainsturn dois meses depois do baile. vinha me visitar raramente. Mas, ele viajou por tempo indeterminado e nunca mais nos vimos... Até hoje. E no primeiro dia na faculdade, eu me senti mal e fui para casa. Chegando lá, sua avó me obrigou a ir ao hospital fazer exames, e...
– É incrível como minha avó gosta de nos obrigar a fazer o que ela quer – disse, revirando os olhos.
– Bom, não deixa de ser verdade – rimos. – Mas, isso foi bom! Fiz os exames, descobri que estava com 4 meses de gravidez e esperava uma menina... No caso, você! – ela franziu o cenho. – Tranquei a faculdade e comecei a trabalhar. No último mês de gestação, minha barriga cresceu tanto que tive que largar o emprego. Depois você nasceu e foi a maior felicidade da minha vida!
– Então, esse barbudo...
– É o seu pai – eu disse de uma vez e ela pareceu ficar em choque.
– O quê? E-eu não sei o que dizer! Nossa! Eu...
– Me desculpe filha – pedi, deixando uma lágrima rolar.
– Essa história é bem rápida e louca!
– Filha, eu sei que errei em não te contar, mas...
– Mas nada! Você foi muito egoísta! – ela me encarou com os olhos cheios de raiva. – Você só pensa em si mesma!
– ISSO NÃO É VERDADE! – gritei, nervosa e se encolheu. – Desde quando descobri a minha gravidez tudo que faço é pensando em você! Eu nunca te contei sobre isso porque achei que você sofreria menos se não soubesse de nada. Eu jamais faria algo para te entristecer! – eu já não conseguia mais conter as lágrimas e também. – Filha, eu também sofri. No momento que eu mais quis ter ao meu lado, não pude tê-lo e isso foi triste demais, porque eu não pude nem dizer a ele que teríamos um bebê – enxuguei as lágrimas que teimavam em cair. – Não existe culpado nessa história; simplesmente aconteceu!
– Ainda não sei o que dizer – disse, sincera.
– Eu sei meu amor! Desculpa ter escondido essa história de você por tanto tempo.
– Por mais que eu não seja a filha sentimental que um dia você sonhou ter, eu sempre quis ter um pai – ela disse, quase num sussurro.
– Filha, eu não tive muito tempo para sonhar, porque você chegou muito rápido na minha vida. Mas nem se eu tivesse sonhado todas às noites, teria imaginado que seria mãe de uma princesa tão linda quanto você! – ela engoliu o seco e eu beijei o topo de sua cabeça.
– Ele nem imagina, não é? – perguntou em relação a .
– Não. No momento, ele acha que eu o traí – me encarou. – Não fica assim, meu amor. As coisas vão se resolver!
– Promete? – ela perguntou, chorosa e eu a abracei.
Every word I say is true, this I promise you – cantarolei, enquanto afagava seu cabelo.
– Não sabia que você cantava – ela disse, franzindo a testa.
– Nem eu! – confessei, fazendo sorrir de lado. – Vamos voltar para a festa?
– Não quero vê-lo.
– Não deixe que as coisas da vida a entristeça, princesa. Hoje é o seu dia, divirta-se!
– Estou sem ânimo, mãe. Só quero ir pra casa! – disse sincera, me fazendo a abraçar forte.
– Desculpa ter acabado com sua noite. Realmente, não foi minha intenção!
– Eu sei – ela respondeu baixo. – Acho que fui injusta com você.
– Você não sabia de nada, meu anjo.
– Pode soar falso, mas, apesar de tudo, eu te amo – ela se afastou para me olhar. – Você é minha mãe e nada vai mudar isso! Sei que tentou proteger os meus sentimentos, só não deu certo – assenti.
– Oh, filha. Você não sabe o quanto tentei, mas de nada valeu.
– Valeu a sua intenção – sorri de lado. – Palavras nunca irão descrever o amor que eu sinto por você! – a apertei num abraço e beijei sua bochecha.
– E agora como vai ser? - ela perguntou receosa.
– Eu não sei meu amor – enxuguei suas lágrimas. – Mas, vamos encarar juntas! – nos levantamos e seguimos até o centro da festa.


Capítulo 7

Chegando ao meio do salão, veio em minha direção.
– Amiga, retoca a maquiagem da , por favor. – pedi e assentiu.
– Não precisa! Estava querendo mesmo que todo aquele pó saísse do meu rosto. – respondeu e correu em direção à Lauren e Jake.
– Pela carinha de choro, você contou para ela – suspeitou e eu assenti. – Tenta relaxar agora – minha amiga me abraçou forte e foi de encontro à Travis.
Vi meus pais em uma das mesas e fui me sentar com eles. Senti alguém puxar meu braço, levemente e me virei para ver quem era. .
– Uma dama linda e especial como você não deveria ficar aqui apenas olhando os outros se divertirem – ele estendeu sua mão. – Vem dançar comigo?
– Desculpa, , mas não estou no clima.
– Vai, filha – minha mãe, disse. – Você ainda é jovem, vá se divertir! – ela me deu uma piscadela.
– Quem é esse? – meu pai perguntou, olhando feio para .
– Querido, deixe a . Nossa filha já está bem grandinha! – disse minha mãe, fazendo meu pai bufar.
– Tudo bem, mas que seja rápido! – eu disse num tom de ordenança e assentiu, sorrindo.
Chegamos à pista e abriram espaço para nós. Desejei que ficasse por mais tempo na área de jogos, porque não queria que minha filha me visse dançando com enquanto ela sofre com a notícia que recebeu. Mas, deixei um pouco os pensamentos longe disso tudo e, por um momento, senti que tinha voltado aos meus 17 anos. Como se o DJ tivesse atendido ao meu pedido mentalmente, começou a tocar Dancing Queen. De repente, me abraçou e todo aquele sentimento guardado há anos estava borbulhando dentro de mim.
You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen... – cantarolou. – Dancing queen, feel the beat from the tambourine. You can dance, you can jive, having the time of your life. See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen. se afastou. – Toda vez que ouço essa música, lembro de você – disse, fixando seus olhos nos meus.
– É sério? – perguntei animada, fazendo-o rir. – Eu amo essa música, você sabe! – disse, envergonhada.
– Sei sim – sorriu.
, está pedindo para terminar a festa – nos interrompeu.
– Que horas são?
– Duas e cinquenta e cinco da madrugada – respondeu, olhando no seu relógio de pulso.
– Já? – perguntei espantada e ela assentiu. – Tudo bem. Alguns convidados já foram embora mesmo – disse, dando de ombros.
– CRIANÇAS, FIM DE FESTA! – gritou, fazendo os jovens reclamarem. – Palavras da titia aqui – apontou para mim.
– Me desculpe, meus amores. Mas a titia aqui precisa descansar – os jovens bufaram e silabou um "obrigada".
? – me chamou. – Vou ali falar com Travis e Nick.
– Okay! – ele sorriu e se afastou.
Fui ao banheiro dar um "jeitinho" no cabelo antes de ir para casa. Saindo de lá, corri em direção à .
– Estávamos te esperando! Vai levar as sobras?
– Não, isso vai me atrasar mais. Quero chegar logo em casa – respondi, sincera.
– Então, vamos. - seguimos até a porta principal.
– Espera! já foi?
– Acha mesmo que ele iria embora sem se despedir de você? – arqueou uma sobrancelha. – Ele está te esperando.
Fomos para a garagem e todos já estavam em seus carros.
, eu vou com o Nick, tá? – assenti. – A festa foi incrível; estava linda. – disse, me abraçando.
– Obrigada pela ajuda – ela sorriu e correu até o carro de Nick. – A foi embora sem falar comigo mesmo? – perguntei e assentiu. – Diga para aquela cabrita que depois nós conversaremos seriamente! – ela riu e entrou no carro.
– Te vejo em casa, mãe – disse e fechou a porta da limusine.
? – meu pai me chamou.
– Obrigada por ter vindo, pai – o abracei.
– Por que achou que eu não viria? – perguntou, dando tapinhas nas minhas costas. – Leve a minha neta lá em casa!
– Vou ver um dia em que a não tenha aula.
– Só não espere suas férias acabar para ir, como fez ano retrasado – ele disse, irônico.
– Vai me lembrar disso toda vez que me chamar para visitar vocês? – ele revirou os olhos. – Ano retrasado ficou doente nas minhas férias. Ela só melhorou quando voltei a trabalhar.
– Tá ok, . Não adianta falar mesmo! – fez drama. – Se precisar de algo, me ligue – beijou o topo da minha cabeça.
– Não quero te causar aborrecimentos – abanei a mão.
– Sou seu pai e estou mandando você me ligar! – ele colocou o dedo indicador na ponta do meu nariz.
– Querido, nossa filha é uma mulher ocupada! – minha mãe disse, me abraçando.
– E eu não sei? Nem para me ligar ela tem tempo. Mas isso é só porque estou velho! – meu pai bufou e saiu em direção ao seu carro.
– OKAY PAI, EU TE LIGO – gritei, mas ele fingiu não escutar.
– Não liga para ele – minha mãe pediu e eu assenti. – Estava tudo tão lindo! Aw, minha neta é uma princesa mesmo – ela disse, sorridente.
– Obrigada, mãe. Se não fosse pela sua insistência, essa festa jamais teria acontecido. – rimos.
– Não precisa agradecer! – abanou sua mão. – é dramática e difícil, igualzinha ao avô! Porém, tem um coração de ouro – minha mãe acariciou meu rosto. – Você fez um ótimo trabalho como mãe!
– Mas sem a sua ajuda eu não saberia o que fazer – nos abraçamos.
– É claro que saberia filha! – ela sorriu. – Agora eu já vou indo. Cuide-se! – me abraçou, mais uma vez e foi em direção ao carro.

Olhei tudo a minha volta procurando por uma pessoa, mas não vi ninguém, então desisti. Quando estava prestes a entrar no carro, senti pela terceira vez naquela noite, um leve puxão no meu braço.
– Achou mesmo que eu iria embora sem me despedir de você? – repetiu a pergunta que havia me feito minutos atrás.
– Não sei. Você sumiu! – eu disse, sem graça.
– É verdade! Sumi por 16 anos... – ele riu sem humor.
– Não diga isso como se fossem apenas alguns dias, ! – falei, sem pensar. – Você sumiu por 16 longos anos.
– Eu sei – ele disse, cabisbaixo. – Mas, agora que te reencontrei, não quero me afastar de você novamente – engoli seco.
– Acho que você perdeu sua carona – desconversei, olhando ao meu redor.
– Não tem problema, eu pego um táxi – respondeu, dando de ombros.
– Vai ficar onde?
– Na verdade, não tenho lugar para ficar – franzi o cenho. – Eu só vim porque reencontrei Travis há umas três semanas e ele me chamou para essa festa, nem sabia que o Nick viria; Só sabia que você estaria lá – fixou seu olhar nos meus.
– Entendi – pisquei algumas vezes. – Quer que eu ligue para o Travis e avise que você vai para a casa dele? – ele assentiu.

Fiquei 10 minutos tentando ligar para Travis e e nenhum deles me atendeu. Tentei falar com e Nick também, porém, eles só vivem com os celulares desligados.
– Me desculpe, mas eu desisto de tentar – desliguei o celular e ele assentiu.
– Tudo bem, eu me viro!
– Bem, na minha casa tem um quarto de hóspedes. Você pode passar essa noite lá – supliquei mentalmente, para que ele não aceitasse.
– Tem certeza? – perguntou receoso e eu assenti, mas querendo negar. – Então, eu vou, sim – forcei um sorriso e entramos no carro.
Calamo-nos a partir do momento em que adentramos o carro e, até chegar a casa, não dirigimos uma palavra ao outro.
Estacionei o carro na minha garagem e saímos, adentrando a casa.
– Só não repara a bagunça que fizemos antes de ir para a festa – eu disse, enquanto trancava a porta.
Ele reparava em todos os cômodos do primeiro andar, mas com olhar de admiração. Subi alguns degraus, porém nem percebeu.
– Quer tomar uma ducha? – ele sorriu malicioso e subiu. – Pode parando de sorrir assim! Esse é o quarto de hóspedes e seu banho você toma aqui, sozinho. – acendi a luz.
– Desculpa! – ele pediu e fez uma linha com a boca.
– Vou te deixar à vontade. Qualquer coisa pode bater na porta ao lado – me virei em direção à porta, mas me segurou.
– Sei que está sendo generosa em me deixando passar a noite aqui depois de tanto tempo sem me ver. Mas você sabe que precisamos conversar, não é mesmo? – perguntou receoso.
– Sim – dei um longo suspiro. – Mas hoje não, tá? Estou muito cansada e, acredito que você também esteja – respondi sincera. Ele soltou meu braço e eu saí.
Fui para o meu quarto e tirei minhas roupas, mas lembrei de dizer a que as toalhas estavam no armário. Vesti a camisola mais comportada que tenho e voltei ao quarto de hóspedes.
Sem bater na porta, abri.
– Se quiser toal... – não consegui terminar a frase.
estava apenas de cueca boxer e me olhou surpreso, até reparar na minha roupa e seu olhar se tornar malicioso.
Tentei não reparar em seu corpo incrivelmente definido, sem sucesso. Se aproveitando da situação, ele foi se aproximando devagar. Logo, fixou o olhar em meus lábios e deu mais alguns passos à frente, acabando com a distância entre nós.
Ele colocou sua mão direita em minha nuca e foi me levando para trás, até me prensar na parede. Pousou sua mão esquerda em minha cintura, aproximou ainda mais seu rosto, e prestes a me beijar, se afastou.
– O quê? Por que voc... Esquece! – bufei de raiva e andei a passos duros até a porta.
– Nós até podemos... Mas, eu não quero ouvir depois "Sei que é estranho, mas, estou confusa e tudo o que mais quero agora é que você saia da minha casa!". – ele disse, afinando sua voz, tentando me imitar e me deixando com mais raiva.
– Eu não tenho mais 17 anos, ! – eu disse nervosa.
– Mas iria se comportar como se tivesse. , eu te conheço – ele arqueou uma sobrancelha.
– Não, . Você não me conhece mais! – ele me encarou, mas dei as costas para ele.
Fui ao quarto de para saber se estava tudo bem e vi ela com metade do corpo fora da cama, Lauren por cima dela e Jake de cabeça para baixo no pequeno sofá. Peguei a câmera dentro do meu armário para tirar uma foto deles. Sorri sozinha ao analisar a imagem. Pendurei a câmera no pescoço e desci até a cozinha para beber água. Não me incomodei com a escuridão, pois a luz da lua, que invadia a janela, iluminava o cômodo.
Tirei a jarra da geladeira, peguei um copo no armário, despejei água nele e bebi. No terceiro gole tomei um susto com e me engasguei.
Ele correu até mim e deu tapinhas nas minhas costas.
– Quer me matar? – perguntei, recuperando o fôlego.
– Me desculpe, não foi minha intenção! Eu vim beber água também.
– Tudo bem. – me afastei dele.
– Mãe? – parou na escada ao ver . – O que ele tá fazendo aqui? – perguntou nervosa.
– Ele não tinha lugar para ficar, então o convidei para dormir aqui em casa – respondi receosa e ela me olhou com desespero.
– Fica tranquila, é só por hoje! – disse .
– Você sabe como estou me sentindo. Porque fez isso? – ignorou e me encarou triste.
– Me descul... – não esperou eu responder e foi para o seu quarto.
, se for melhor para você, eu posso ir embora. – disse e ficou me olhando com receio.
– Pode ficar. Amanhã eu converso com ela – o olhei e ele assentiu. – Beba sua água.
Fui para o meu quarto e tomei um banho demorado. Não queria ter tempo para pensar em tudo o que aconteceu então me sentei na cama com o notebook em mãos e fiquei pesquisando sobre alguns psicólogos. precisaria de um, com certeza.
Tentei insistir em não pensar em como contaria à que é sua filha e como ajudar com seus sentimentos, porém não consegui. Desliguei o notebook, me deitei e fiquei rebobinando em minha mente toda a história, desde quando conheci até eu contar à quem ele é. Sinto-me culpada por ter escondido dela quem era o seu pai, mas foi o que achei certo fazer.
Fui ao banheiro para lavar meu rosto, na tentativa de me fazer esquecer essa história, pelo menos, por uma noite. Deitei-me novamente, mas demorei alguns minutos, até ser vencida pelo sono.


Continua...

Nota da autora: (30/04/17)

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