Autora: Nicki Snows | Beta: Mily

Capítulos:
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Capítulo 1

Sabe aquele carinha gato do colégio que faz você sentir mil borboletas eufóricas querendo voar em seu estômago só por te olhar? Ou faz sua respiração parar por segundos somente por passar ao seu lado? Era sempre assim quando eu via . Ele não era o mais popular, mas conhecia grande parte do colégio. Também não era o mais lindo, mas tinha uma beleza diferenciada, e foi essa beleza que me chamou atenção.
Eu até tinha algumas amizades na turma e as melhores amigas do mundo: e eram e ainda são como irmãs para mim, mas nunca fui próxima de . O máximo que ele já falou comigo foi "Me empresta um lápis?" e essa pequena pergunta me fez cair da cadeira. Claro que foi vergonhoso, mas me aproveitei do meu lado dramático e fingi uma lesão no tornozelo. podia ter rido de mim, como a maior parte da turma fez, mas, para minha surpresa, ele veio em minha direção com uma expressão preocupada, me pegou no colo e me levou para a enfermaria.
Claro que eu não podia contar para ele que era tudo fingimento, mas o que fazer nessa situação? Fingir um desmaio? Exatamente! Senti sua mão em meu rosto enquanto ele dizia: "Hey, acorda! Por favor, acorda! E agora, o que eu faço, Deus?". Sim, eu fiquei com pena. Ele estava desesperado, o que eu podia fazer? Isso mesmo! Acordar do "desmaio".
Quando abri os olhos e levantei meu olhar até seu rosto, o vi sorrindo e disse: "Graças a Deus! Eu não saberia agir com você desacordada em meus braços. Você tá legal?", eu sorri e o respondi: "Estou sim, obrigada. Não precisa me levar para a enfermaria, foi só um susto!". Ele se levantou, me ajudou a fazer o mesmo e perguntou: "Ok! Você tem algo para fazer depois das aulas?". Franzi o cenho e disse: "Tenho uma redação para fazer e entregar na sexta-feira, mas não farei hoje, então estou livre. Por quê?". Ele pigarreou e disse: "Ah, o sinal já vai bater, gostaria de tomar um sorvete comigo?". Eu podia ter me feito de difícil, mas não perderia a chance de estar mais perto dele e, imediatamente, respondi: "Eu adoraria!". voltou na sala, pegou nossas mochilas e saímos da escola, rumo à sorveteria... Esse dia foi inesquecível!

ficou cada vez mais próximo de mim, e consequentemente, de e também. Com toda essa proximidade, veio a confiança e um segredo. Segredo esse que durou três meses.
Insisti para que me contasse, porém ele não quis, então tentei com minhas amigas e elas me contaram cada detalhe. Ai delas se não me contassem! O segredo era que, me pediria em namoro na noite do baile. Sim, ele já tinha me chamado para o nosso Baile de Formatura e eu não pude e nem quis recusar.


Capítulo 2

Enfim, o grande dia chegou! Meu cabelo tinha um penteado lindo, mas estava preso, para não tirar a atenção da maquiagem que não era tão forte, mas também não fraca. O vestido era verde com detalhes bem delicados, enfeites bem discretos, mas que valorizava cada curva do meu corpo e minha sandália era de cor prata.
usava o cabelo de lado com um enfeite discreto; sua maquiagem era forte, mas não tirava o glamour do seu vestido, que era roxo com detalhes também delicados, mas que a deixava com uma aparência bem mais madura, apesar de seu rosto de menininha; sua sandália era de cor preta.
O penteado de possuía uma linda trança embutida com enfeites prateados sobre. Sua maquiagem era bem leve, dando destaque ao seu vestido azul turquesa, com detalhes elegantes e sua sandália era da cor de sua pele.
Como era amigo de Travis e Nick, os namorados de e , fomos todos juntos para o baile. Assim que chegamos ao colégio, os olhares foram voltados para nós. Eu não gostava de muita atenção, mas aquela noite foi uma exceção.

Depois de algumas horas, Travis e foram indicados e nomeados rei e rainha do baile. Eles ficaram radiantes!
e Nick pareciam estar num mundo só deles, quando cantaram Sweater Weather para os casais dançarem no lugar da valsa.
Eu e estávamos dançando no corredor, porque queríamos ficar afastados da bagunça. Começou a tocar Everybody, e eu quis voltar para o ginásio, mas praticamente, me arrastou até a sala de teatro e trancou a porta.
Fiquei o olhando, sem entender sua atitude de andar pela sala, pensativo, até se aproximar de mim e me surpreender com um beijo. Segundos depois, se afastou um pouco, olhou em meus olhos e disse: " , sei que ficamos amigos há pouco tempo. Mas, estou completamente apaixonado por você e não consigo mais esconder isso! Agora que você já sabe... Você aceita namorar comigo?".
O encarei estática e fiquei lembrando de todas as vezes que ele me fez sorrir, do quanto ele me fazia bem e do quanto eu gostava dele. Fixei meus olhos nos seus, engoli em seco e respondi: "Sim, , eu aceito namorar com você!". Ele sorriu, abobalhado e me beijou mais uma vez. O beijo foi tomando intensidade e aconteceu...
Depois de me conscientizar sobre a gravidade das consequências do nosso ato, me levantei rapidamente e já estava me vestindo. se levantou, vestiu-se e perguntou: ", o que houve?". Não o respondi, destranquei a porta e corri até a entrada do colégio. veio atrás de mim e segurou meu braço. Estava prestes a dizer algo, mas não o dei tempo para isso. "Sei que é estranho, mas, estou confusa e tudo o que mais quero agora é ir para casa!". Eu disse, o fazendo franzir o cenho. Ele assentiu, sem entender minha reação e fui embora.

Duas semanas depois do baile, eu já tinha me resolvido com . Apesar de ainda me torturar com alguns pensamentos negativos sobre aquela noite, nada aconteceu, estávamos bem, até minha mãe me contar que meu pai tinha sido transferido para outra cidade e teríamos que nos mudar. Não queria ficar longe das minhas amigas e do meu namorado. Tudo bem que a faculdade iria nos afastar por um tempo e sabíamos disso, mas não queria que esse dia chegasse. Infelizmente, não pude fazer nada quanto a isso, e três meses depois, me mudei.

Para diminuir minha tristeza, , e eu fomos aceitas na mesma universidade, que ficava na minha nova cidade. Conversei com minha mãe e meu pai e pedi para as meninas morar conosco. Eles impuseram suas regras e concordaram. Os meninos foram aceitos em universidades diferentes, e foi quem mais ficou mais distante, porém, ainda nos encontrávamos, até ele pedir transferência para uma universidade em outro país, ficar lá por tempo indeterminado e eu perder totalmente contato com ele.


Capítulo 3

No primeiro dia de aula na faculdade tive um mal-estar. Na mesma semana tive outro mal-estar e, apesar de ter sido apenas um susto, professor Chang me liberou de sua aula, garantindo que eu não ganharia falta, então, fui embora. O que eu não esperava era encontrar minha mãe em casa, já que estava no horário de trabalho. Mal adentrei a casa e ela já ordenou: "Você passa mal na faculdade, não me fala nada e ainda tenho que ficar sabendo pelo seu professor, que ainda teve a consideração de ligar e me avisar sobre seus desmaios. Vamos agora mesmo para o hospital!".
Assim que cheguei ao hospital, fui direto para a sala de exames. Aguardamos uma hora até o médico chegar com os resultados e... BOOM! " , você está grávida. Meus parabéns! Sei que essa notícia é muito emocionante, mas precisamos fazer uma ultrassonografia agora mesmo! Não se assuste, é só para sabermos como está a saúde do seu bebê.".
Não entendia como eu podia estar grávida! Estava sem ver há um tempo e mesmo assim, não tínhamos tempo nem em pensamento para fazer algo que resultasse numa gravidez. Mas, me lembrei do que fizemos na noite do baile de formatura, e a consequência do nosso ato foi essa, um bebê.
Fui para uma sala assustadora e fiz os exames. Descobrimos que eu já estava com 4 meses e esperando uma menina.
Voltamos para casa e minha mãe ligou para o meu pai, que estava no trabalho e pediu para ele sair cedo porque tinha um problema gigantesco para resolver. Meu pai chegou e minha mãe deu a notícia a ele. Primeiro ele me deu um tapa no rosto para eu nunca esquecer, depois ficou me encarando com uma expressão triste e jogou na minha cara a minha irresponsabilidade. Minha mãe só fazia chorar e me lançar um olhar de decepção. Ficaram tão desapontados comigo, que desejei nunca ter tido nada com . Tarde demais!

No fim, não fui morta pelos meus pais, mas decepcionei demais eles e isso me dói até hoje. Meu pai só dirigia a palavra a mim para exigir que eu encontrasse com para contar sobre a gravidez, porque ele não pagaria as despesas sozinho e eu não tirava a sua razão. Mas como eu perdi o contato com e, da última vez que nos falamos ele estava para viajar e não sabia quando voltaria, tive que trancar minha matrícula e arrumar um trabalho para ajudar minha mãe com as despesas do bebê.
Claro que e me ajudaram em tudo que eu precisei, mas a responsabilidade era minha e, no último mês de gestação, foi tudo mais complicado. Então, conversei com minha mãe e com as meninas, expliquei que não estava mais conseguindo trabalhar, elas compreenderam e continuaram me ajudando.

Num dia de sábado, estava voltando do mercado com e , quando senti uma pontada abaixo da barriga, um líquido escorrer entre minhas pernas e dor, muita dor. dirigiu até o hospital e ligou para minha mãe no meio do caminho e eu sentia dores cada vez mais fortes. Mal chegamos no hospital e já fui levada à sala de parto. Me prepararam rapidamente, e o doutor Kim disse para que eu fizesse força, e assim fiz. Mas, havia algo errado, pois já havia passado um bom tempo, eu continuava fazendo força e nada do bebê vir. Os obstetras olhavam para o relógio, preocupados e doutor Kim fazia de tudo para me acalmar. Já não aguentava mais e doutor Kim disse para eu continuar, porque o bebê já estava vindo e na última vez que forcei, nasceu.
Quando a enfermeira me trouxe ela, tive medo de machucá-la, mas o medo logo passou quando a segurei em meus braços. Foi a melhor sensação da minha vida! Ter a minha princesa em meus braços e ver seu rostinho pela primeira vez.


Capítulo 4

Sabe aquela princesinha linda de quem eu falei? Essa mesma, a . Ela está completando seus 16 anos hoje e ela não é do tipo de menina que sonha em ter uma "Sweet 16", mas como era tradição em nossa família, minha mãe a obrigou a fazer. Claro que ela relutou, mas com jeitinho, eu a convenci.
– MÃE... – me gritou do seu quarto.
– Está me gritando por quê? – eu perguntei, enquanto ia até seu quarto, fazendo-a rir.
– Também te amo, mamãe! – ela disse, sorrindo debochada, enquanto levantava da cama.
– Fala logo, filha. Ainda tenho milhões de coisas para organizar antes da sua festa.
– Nem me fale dessa festa; você sabe que eu não queria isso! Poxa mãe, preferia mil vezes fazer uma viagem com você, Lauren e Jake – ela choramingou e confesso que partiu meu coração ver sua carinha de choro.
– Filha, eu sei que você não queria essa festa, mas pensa, você vai deixar sua vovó tão feliz, sua mamãe também, seu vovô vai vir só para te ver, seus amigos estarão lá e você vai gostar – eu disse insegura. Essa menina tem um gênio forte, é igualzinha ao avô.
– Mãe, não apela! Eu vou fingir felicidade durante toda a festa, mas só porque amo vocês. – ela disse, cruzando os braços e fazendo uma carinha emburrada.
– Aw, vem cá minha linda – disse, a abraçando forte. – Nem acredito que minha princesa está fazendo 16 aninhos! Parece que foi ontem que vi esse rostinho de boneca pela primeira vez.
– Mãe, você vai me quebrar – ela disse, tentando se soltar. – Tá me sufocando – continuei a apertando. – Não vai me soltar, né? Ai! Acho que você quebrou uma das minhas costelas, não vai dar pra curtir a festa com tanta dor. Teremos que cancelar!
– Você venceu! – ergui os braços em sinal de rendição. – Agora vai para o banho que daqui a pouco o pessoal tá chegando. Hoje você vai precisar de cabeleireira, manicure e pedicure, maquiadora...
– Já entendi! A cambada vai chegar daqui a 10 minutos. Vou para o banho – ela disse, entrando no banheiro.
– Qualquer coisa grita, estarei na cozinha – disse, saindo do quarto.
– MÃE...
, se você me gritar mais uma vez eu...
– TE AMO – ela gritou novamente, fazendo meu coração derreter.
– Aw, eu também te amo, meu amor – disse, invadindo o banheiro.
– MÃE, SAI DAQUI! – ela gritou me empurrando em direção à porta.
– Não sei por que está desesperada. Já te vi assim muitas vezes, ou você se esqueceu que não nasceu sabendo tomar banho e se trocar sozinha? – disse, com uma sobrancelha arqueada.
– Eu não nasci sabendo, porém, ao longo dos anos, eu fui aprendendo. Muito obrigada por ter cuidado de mim, mas agora eu já sei tomar banho sozinha – bateu a porta na minha cara.
– Crianças... – eu disse, saindo do quarto, mas pude ouvir ela gritar "eu ouvi isso, hein".


Capítulo 5

Eram sete da noite quando recebi uma ligação da minha amiga de trabalho, dizendo que a decoração da festa era perfeita e estava ansiosa para ver . Comecei a ficar nervosa, porque todos deveríamos estar lá às sete e meia e minha filha ainda estava se maquiando e nem o vestido havia colocado.
– Se acalme! As festas nunca começam no horário planejado. Eu duvido muito que algum convidado vá embora sem antes comer um docinho – minha mãe disse, me fazendo rir.
– Aw, mãe. Só você para me fazer rir num momento como esse – falei, dando-lhe um abraço.
– Vai dar tudo certo! – tentou me acalmar, dando-me um beijo na bochecha.
– Tia , o carro que vai levar a chegou – Jake avisou sorridente.
– Ok. Faz-me um favor, tudo bem? – ele assentiu. – Diga à e que eu já vou tirar o carro da garagem e, que se elas não descerem em 3 minutos, vão perder a carona.
– Que maldade! – dei de ombros. – Mas seria engraçado – ele saiu, rindo.
Fui até o quarto onde minha filha se vestia e me despedi.
Ainda estava um pouco chateada por ela querer apenas Lauren e Jake na limusine. Oras, sou a mãe dela. Eu deveria estar ao lado dela o tempo todo, ainda mais neste momento tão especial. Mas deixei passar, afinal, ela nem queria essa festa; só estava tentando agradar a mim e a avó.

Chegando à festa com minha mãe, meu pai e minhas duas amigas, pude ver como a decoração ficou exatamente como imaginei. Cumprimentei alguns familiares distantes, alguns amigos da família, amigos de ... Até ver um convidado que fez tudo a minha volta sumir por segundos.
, está estranha assim por quê? – perguntou ao notar.
– É ele – eu respondi, já perdendo o ar.
– É ele quem? Por que você está assustada? – dessa vez indagou, com uma expressão preocupada. Olhou na mesma direção em que eu olhava e viu o homem sorridente com Travis e Nick. – Não acredito! O que ele está fazendo aqui?
– E agora? O que eu faço da minha vida? – perguntei nervosa. Porém, minhas amigas não souberam responder.
– Filha, a chegou – minha mãe avisou, fazendo meu desespero aumentar. – O houve com você?
– Mãe, o está aqui na festa – surtei e pude notar o espanto em seu rosto.
Minha mãe ia dizer algo, mas minha filha adentrou o salão, fazendo a atenção de todos se direcionarem a ela.
Seu vestido era longo, os detalhes prata estavam sobre o corpete rosa choque com listras azuis; tinha decote coração e abaixo da cintura havia babados das mesmas cores. Seu cabelo estava preso e desgrenhado, com uma pequena coroa do lado direito da cabeça. Sua maquiagem não era pesada, mas também nada discreta. Minha garotinha era uma verdadeira princesa!
Olhei de relance para e percebi que ele me observava. Imediatamente, voltei meu olhar para a aniversariante. Ela sorriu para mim e estendeu seu braço, mas quando eu estava indo ao seu encontro, fui surpreendida por .
? Quanto tempo! – ele sorriu largamente e me olhou de cima a baixo. – Você está lin...
– Mãe, até que essa festa não está tão chata. Você tinha razão quando disse que eu gostaria dela – o interrompeu e me abraçou.
– Você tem uma filha? – o homem me olhou espantado. – Espera... essa festa é de 16 anos e sua filha é a aniversariante. Há 16 anos nós éramos namorados... – ele franziu o cenho. – , você me traiu?
– Quem é esse cara? O que ele está falando? – a adolescente perguntou confusa.
– Depois te explico! E , esse não é o momento para conversarmos sobre isso – eu disse, tentando acalmar a situação.
– Nada disso! Quero saber dessa história agora – minha filha exigiu, cruzando os braços.
– Agora não é o momento! Depois da festa nós conversamos – retruquei, decidida.
– Mas, mãe...
, eu disse depois – encerrei o assunto e fui ao banheiro.
Isso não pode estar acontecendo! Depois de tanto tempo escondendo da essa história, ele aparece. E justo hoje.
– Amiga? – apareceu atrás de mim. – Você contou para eles?
– Esperem! – correu até nós. – Também quero saber.
– Não, eu não contei nada. Nem sei como vou fazer isso... – fechei os olhos e respirei fundo.
– É claro que sabe! – encarei , incrédula. – Você vai chamar eles agora e contar tudo – ela disse, me empurrando até a porta.
– É fácil falar, não é mesmo?
– Amiga, só estamos querendo te ajudar! Sabemos que não é fácil para você, estamos acompanhando essa história desde... Desde sempre. – falou, me fazendo suspirar.
– É complicado, mas será um alívio para você e, no fim, estarão todos felizes e com suas vidas resolvidas – dizia, sorridente.
– Vocês acham? – perguntei, ainda insegura.
– Certeza! – responderam em uníssono.
– Obrigada, meninas. Vocês sempre estiveram ao meu lado, não é mesmo? Sempre me ajudando, me apoiando, puxando minha orelha... – nós rimos. – Mas sempre ao meu lado. Vocês são as melhores! – nos abraçamos.
– Agora vá! – me empurrou e a repreendeu com o olhar. – Que foi? Se ela não for agora, vai perder a coragem – se defendeu.
– Verdade. Vá logo! – dessa vez, era quem me empurrava.


Capítulo 6

Fui até a pista de dança procurar por , mas ela não estava lá. Fui ao jardim e encontrei-a sentada na beira da piscina. Ela estava com uma expressão triste. Caminhei devagar até ela e me sentei ao seu lado.
– Filha? – ela não respondeu. – Fala comigo, meu amor – virei seu rosto para mim e reparei que seus olhinhos estavam vermelhos.
– Então aquele homem era seu namorado? Você o traiu e engravidou? – perguntou, sem me olhar.
, não é nada disso!
– Então, me explica – ela disse, simples.
– É complicado.
– Você sabe que eu sempre compreendi muito bem as coisas. Se me explicar, tentarei entender o seu lado – me encarou.
– Tudo bem – respirei fundo e comecei. – Sabe aquele barbudo que falou comigo no meio do salão? – ela assentiu. – Ele é o cara por quem eu me apaixonei loucamente no ensino médio. Ele era um gato! – ela fez careta. – Na noite do nosso Baile de Formatura, ele me pediu em namoro e acabou rolando – arregalou os olhos, surpresa.
– Vocês são rápidos, hein! E logo com aquele barbudo? Que nojo! – simulou vômito.
– Ele não estava barbudo no dia do baile! E mesmo se estivesse, teria ficado lindo – sorri, relembrando aquele dia.
– Tá, mãe! Continua – deu-me uma cotovelada, fazendo-me despertar.
– Agressiva! – ela deu de ombros. – Continuando... Eu, sua avó, e viemos morar aqui em Trainsturn dois meses depois do baile. vinha me visitar raramente. Mas, ele viajou por tempo indeterminado e nunca mais nos vimos... Até hoje. E no primeiro dia na faculdade, eu me senti mal e fui para casa. Chegando lá, sua avó me obrigou a ir ao hospital fazer exames, e...
– É incrível como minha avó gosta de nos obrigar a fazer o que ela quer – disse, revirando os olhos.
– Bom, não deixa de ser verdade – rimos. – Mas, isso foi bom! Fiz os exames, descobri que estava com 4 meses de gravidez e esperava uma menina... No caso, você! – ela franziu o cenho. – Tranquei a faculdade e comecei a trabalhar. No último mês de gestação, minha barriga cresceu tanto que tive que largar o emprego. Depois você nasceu e foi a maior felicidade da minha vida!
– Então, esse barbudo...
– É o seu pai – eu disse de uma vez e ela pareceu ficar em choque.
– O quê? E-eu não sei o que dizer! Nossa! Eu...
– Me desculpe filha – pedi, deixando uma lágrima rolar.
– Essa história é bem rápida e louca!
– Filha, eu sei que errei em não te contar, mas...
– Mas nada! Você foi muito egoísta! – ela me encarou com os olhos cheios de raiva. – Você só pensa em si mesma!
– ISSO NÃO É VERDADE! – gritei, nervosa e se encolheu. – Desde quando descobri a minha gravidez tudo que faço é pensando em você! Eu nunca te contei sobre isso porque achei que você sofreria menos se não soubesse de nada. Eu jamais faria algo para te entristecer! – eu já não conseguia mais conter as lágrimas e também. – Filha, eu também sofri. No momento que eu mais quis ter ao meu lado, não pude tê-lo e isso foi triste demais, porque eu não pude nem dizer a ele que teríamos um bebê – enxuguei as lágrimas que teimavam em cair. – Não existe culpado nessa história; simplesmente aconteceu!
– Ainda não sei o que dizer – disse, sincera.
– Eu sei meu amor! Desculpa ter escondido essa história de você por tanto tempo.
– Por mais que eu não seja a filha sentimental que um dia você sonhou ter, eu sempre quis ter um pai – ela disse, quase num sussurro.
– Filha, eu não tive muito tempo para sonhar, porque você chegou muito rápido na minha vida. Mas nem se eu tivesse sonhado todas às noites, teria imaginado que seria mãe de uma princesa tão linda quanto você! – ela engoliu o seco e eu beijei o topo de sua cabeça.
– Ele nem imagina, não é? – perguntou em relação a .
– Não. No momento, ele acha que eu o traí – me encarou. – Não fica assim, meu amor. As coisas vão se resolver!
– Promete? – ela perguntou, chorosa e eu a abracei.
Every word I say is true, this I promise you – cantarolei, enquanto afagava seu cabelo.
– Não sabia que você cantava – ela disse, franzindo a testa.
– Nem eu! – confessei, fazendo sorrir de lado. – Vamos voltar para a festa?
– Não quero vê-lo.
– Não deixe que as coisas da vida a entristeça, princesa. Hoje é o seu dia, divirta-se!
– Estou sem ânimo, mãe. Só quero ir pra casa! – disse sincera, me fazendo a abraçar forte.
– Desculpa ter acabado com sua noite. Realmente, não foi minha intenção!
– Eu sei – ela respondeu baixo. – Acho que fui injusta com você.
– Você não sabia de nada, meu anjo.
– Pode soar falso, mas, apesar de tudo, eu te amo – ela se afastou para me olhar. – Você é minha mãe e nada vai mudar isso! Sei que tentou proteger os meus sentimentos, só não deu certo – assenti.
– Oh, filha. Você não sabe o quanto tentei, mas de nada valeu.
– Valeu a sua intenção – sorri de lado. – Palavras nunca irão descrever o amor que eu sinto por você! – a apertei num abraço e beijei sua bochecha.
– E agora como vai ser? - ela perguntou receosa.
– Eu não sei meu amor – enxuguei suas lágrimas. – Mas, vamos encarar juntas! – nos levantamos e seguimos até o centro da festa.


Capítulo 7

Chegando ao meio do salão, veio em minha direção.
– Amiga, retoca a maquiagem da , por favor. – pedi e assentiu.
– Não precisa! Estava querendo mesmo que todo aquele pó saísse do meu rosto. – respondeu e correu em direção à Lauren e Jake.
– Pela carinha de choro, você contou para ela – suspeitou e eu assenti. – Tenta relaxar agora – minha amiga me abraçou forte e foi de encontro à Travis.
Vi meus pais em uma das mesas e fui me sentar com eles. Senti alguém puxar meu braço, levemente e me virei para ver quem era. .
– Uma dama linda e especial como você não deveria ficar aqui apenas olhando os outros se divertirem – ele estendeu sua mão. – Vem dançar comigo?
– Desculpa, , mas não estou no clima.
– Vai, filha – minha mãe, disse. – Você ainda é jovem, vá se divertir! – ela me deu uma piscadela.
– Quem é esse? – meu pai perguntou, olhando feio para .
– Querido, deixe a . Nossa filha já está bem grandinha! – disse minha mãe, fazendo meu pai bufar.
– Tudo bem, mas que seja rápido! – eu disse num tom de ordenança e assentiu, sorrindo.
Chegamos à pista e abriram espaço para nós. Desejei que ficasse por mais tempo na área de jogos, porque não queria que minha filha me visse dançando com enquanto ela sofre com a notícia que recebeu. Mas, deixei um pouco os pensamentos longe disso tudo e, por um momento, senti que tinha voltado aos meus 17 anos. Como se o DJ tivesse atendido ao meu pedido mentalmente, começou a tocar Dancing Queen. De repente, me abraçou e todo aquele sentimento guardado há anos estava borbulhando dentro de mim.
You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen... – cantarolou. – Dancing queen, feel the beat from the tambourine. You can dance, you can jive, having the time of your life. See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen. se afastou. – Toda vez que ouço essa música, lembro de você – disse, fixando seus olhos nos meus.
– É sério? – perguntei animada, fazendo-o rir. – Eu amo essa música, você sabe! – disse, envergonhada.
– Sei sim – sorriu.
, está pedindo para terminar a festa – nos interrompeu.
– Que horas são?
– Duas e cinquenta e cinco da madrugada – respondeu, olhando no seu relógio de pulso.
– Já? – perguntei espantada e ela assentiu. – Tudo bem. Alguns convidados já foram embora mesmo – disse, dando de ombros.
– CRIANÇAS, FIM DE FESTA! – gritou, fazendo os jovens reclamarem. – Palavras da titia aqui – apontou para mim.
– Me desculpe, meus amores. Mas a titia aqui precisa descansar – os jovens bufaram e silabou um "obrigada".
? – me chamou. – Vou ali falar com Travis e Nick.
– Okay! – ele sorriu e se afastou.
Fui ao banheiro dar um "jeitinho" no cabelo antes de ir para casa. Saindo de lá, corri em direção à .
– Estávamos te esperando! Vai levar as sobras?
– Não, isso vai me atrasar mais. Quero chegar logo em casa – respondi, sincera.
– Então, vamos. - seguimos até a porta principal.
– Espera! já foi?
– Acha mesmo que ele iria embora sem se despedir de você? – arqueou uma sobrancelha. – Ele está te esperando.
Fomos para a garagem e todos já estavam em seus carros.
, eu vou com o Nick, tá? – assenti. – A festa foi incrível; estava linda. – disse, me abraçando.
– Obrigada pela ajuda – ela sorriu e correu até o carro de Nick. – A foi embora sem falar comigo mesmo? – perguntei e assentiu. – Diga para aquela cabrita que depois nós conversaremos seriamente! – ela riu e entrou no carro.
– Te vejo em casa, mãe – disse e fechou a porta da limusine.
? – meu pai me chamou.
– Obrigada por ter vindo, pai – o abracei.
– Por que achou que eu não viria? – perguntou, dando tapinhas nas minhas costas. – Leve a minha neta lá em casa!
– Vou ver um dia em que a não tenha aula.
– Só não espere suas férias acabar para ir, como fez ano retrasado – ele disse, irônico.
– Vai me lembrar disso toda vez que me chamar para visitar vocês? – ele revirou os olhos. – Ano retrasado ficou doente nas minhas férias. Ela só melhorou quando voltei a trabalhar.
– Tá ok, . Não adianta falar mesmo! – fez drama. – Se precisar de algo, me ligue – beijou o topo da minha cabeça.
– Não quero te causar aborrecimentos – abanei a mão.
– Sou seu pai e estou mandando você me ligar! – ele colocou o dedo indicador na ponta do meu nariz.
– Querido, nossa filha é uma mulher ocupada! – minha mãe disse, me abraçando.
– E eu não sei? Nem para me ligar ela tem tempo. Mas isso é só porque estou velho! – meu pai bufou e saiu em direção ao seu carro.
– OKAY PAI, EU TE LIGO – gritei, mas ele fingiu não escutar.
– Não liga para ele – minha mãe pediu e eu assenti. – Estava tudo tão lindo! Aw, minha neta é uma princesa mesmo – ela disse, sorridente.
– Obrigada, mãe. Se não fosse pela sua insistência, essa festa jamais teria acontecido. – rimos.
– Não precisa agradecer! – abanou sua mão. – é dramática e difícil, igualzinha ao avô! Porém, tem um coração de ouro – minha mãe acariciou meu rosto. – Você fez um ótimo trabalho como mãe!
– Mas sem a sua ajuda eu não saberia o que fazer – nos abraçamos.
– É claro que saberia filha! – ela sorriu. – Agora eu já vou indo. Cuide-se! – me abraçou, mais uma vez e foi em direção ao carro.

Olhei tudo a minha volta procurando por uma pessoa, mas não vi ninguém, então desisti. Quando estava prestes a entrar no carro, senti pela terceira vez naquela noite, um leve puxão no meu braço.
– Achou mesmo que eu iria embora sem me despedir de você? – repetiu a pergunta que havia me feito minutos atrás.
– Não sei. Você sumiu! – eu disse, sem graça.
– É verdade! Sumi por 16 anos... – ele riu sem humor.
– Não diga isso como se fossem apenas alguns dias, ! – falei, sem pensar. – Você sumiu por 16 longos anos.
– Eu sei – ele disse, cabisbaixo. – Mas, agora que te reencontrei, não quero me afastar de você novamente – engoli seco.
– Acho que você perdeu sua carona – desconversei, olhando ao meu redor.
– Não tem problema, eu pego um táxi – respondeu, dando de ombros.
– Vai ficar onde?
– Na verdade, não tenho lugar para ficar – franzi o cenho. – Eu só vim porque reencontrei Travis há umas três semanas e ele me chamou para essa festa, nem sabia que o Nick viria; Só sabia que você estaria lá – fixou seu olhar nos meus.
– Entendi – pisquei algumas vezes. – Quer que eu ligue para o Travis e avise que você vai para a casa dele? – ele assentiu.

Fiquei 10 minutos tentando ligar para Travis e e nenhum deles me atendeu. Tentei falar com e Nick também, porém, eles só vivem com os celulares desligados.
– Me desculpe, mas eu desisto de tentar – desliguei o celular e ele assentiu.
– Tudo bem, eu me viro!
– Bem, na minha casa tem um quarto de hóspedes. Você pode passar essa noite lá – supliquei mentalmente, para que ele não aceitasse.
– Tem certeza? – perguntou receoso e eu assenti, mas querendo negar. – Então, eu vou, sim – forcei um sorriso e entramos no carro.
Calamo-nos a partir do momento em que adentramos o carro e, até chegar a casa, não dirigimos uma palavra ao outro.
Estacionei o carro na minha garagem e saímos, adentrando a casa.
– Só não repara a bagunça que fizemos antes de ir para a festa – eu disse, enquanto trancava a porta.
Ele reparava em todos os cômodos do primeiro andar, mas com olhar de admiração. Subi alguns degraus, porém nem percebeu.
– Quer tomar uma ducha? – ele sorriu malicioso e subiu. – Pode parando de sorrir assim! Esse é o quarto de hóspedes e seu banho você toma aqui, sozinho. – acendi a luz.
– Desculpa! – ele pediu e fez uma linha com a boca.
– Vou te deixar à vontade. Qualquer coisa pode bater na porta ao lado – me virei em direção à porta, mas me segurou.
– Sei que está sendo generosa em me deixando passar a noite aqui depois de tanto tempo sem me ver. Mas você sabe que precisamos conversar, não é mesmo? – perguntou receoso.
– Sim – dei um longo suspiro. – Mas hoje não, tá? Estou muito cansada e, acredito que você também esteja – respondi sincera. Ele soltou meu braço e eu saí.
Fui para o meu quarto e tirei minhas roupas, mas lembrei de dizer a que as toalhas estavam no armário. Vesti a camisola mais comportada que tenho e voltei ao quarto de hóspedes.
Sem bater na porta, abri.
– Se quiser toal... – não consegui terminar a frase.
estava apenas de cueca boxer e me olhou surpreso, até reparar na minha roupa e seu olhar se tornar malicioso.
Tentei não reparar em seu corpo incrivelmente definido, sem sucesso. Se aproveitando da situação, ele foi se aproximando devagar. Logo, fixou o olhar em meus lábios e deu mais alguns passos à frente, acabando com a distância entre nós.
Ele colocou sua mão direita em minha nuca e foi me levando para trás, até me prensar na parede. Pousou sua mão esquerda em minha cintura, aproximou ainda mais seu rosto, e prestes a me beijar, se afastou.
– O quê? Por que voc... Esquece! – bufei de raiva e andei a passos duros até a porta.
– Nós até podemos... Mas, eu não quero ouvir depois "Sei que é estranho, mas, estou confusa e tudo o que mais quero agora é que você saia da minha casa!". – ele disse, afinando sua voz, tentando me imitar e me deixando com mais raiva.
– Eu não tenho mais 17 anos, ! – eu disse nervosa.
– Mas iria se comportar como se tivesse. , eu te conheço – ele arqueou uma sobrancelha.
– Não, . Você não me conhece mais! – ele me encarou, mas dei as costas para ele.
Fui ao quarto de para saber se estava tudo bem e vi ela com metade do corpo fora da cama, Lauren por cima dela e Jake de cabeça para baixo no pequeno sofá. Peguei a câmera dentro do meu armário para tirar uma foto deles. Sorri sozinha ao analisar a imagem. Pendurei a câmera no pescoço e desci até a cozinha para beber água. Não me incomodei com a escuridão, pois a luz da lua, que invadia a janela, iluminava o cômodo.
Tirei a jarra da geladeira, peguei um copo no armário, despejei água nele e bebi. No terceiro gole tomei um susto com e me engasguei.
Ele correu até mim e deu tapinhas nas minhas costas.
– Quer me matar? – perguntei, recuperando o fôlego.
– Me desculpe, não foi minha intenção! Eu vim beber água também.
– Tudo bem. – me afastei dele.
– Mãe? – parou na escada ao ver . – O que ele tá fazendo aqui? – perguntou nervosa.
– Ele não tinha lugar para ficar, então o convidei para dormir aqui em casa – respondi receosa e ela me olhou com desespero.
– Fica tranquila, é só por hoje! – disse .
– Você sabe como estou me sentindo. Porque fez isso? – ignorou e me encarou triste.
– Me descul... – não esperou eu responder e foi para o seu quarto.
, se for melhor para você, eu posso ir embora. – disse e ficou me olhando com receio.
– Pode ficar. Amanhã eu converso com ela – o olhei e ele assentiu. – Beba sua água.
Fui para o meu quarto e tomei um banho demorado. Não queria ter tempo para pensar em tudo o que aconteceu então me sentei na cama com o notebook em mãos e fiquei pesquisando sobre alguns psicólogos. precisaria de um, com certeza.
Tentei insistir em não pensar em como contaria à que é sua filha e como ajudar com seus sentimentos, porém não consegui. Desliguei o notebook, me deitei e fiquei rebobinando em minha mente toda a história, desde quando conheci até eu contar à quem ele é. Sinto-me culpada por ter escondido dela quem era o seu pai, mas foi o que achei certo fazer.
Fui ao banheiro para lavar meu rosto, na tentativa de me fazer esquecer essa história, pelo menos, por uma noite. Deitei-me novamente, mas demorei alguns minutos, até ser vencida pelo sono.


Capítulo 8

– Mãe? Tá viva?
– Estou sim, filha. Como passou a noite? – perguntei, me sentando.
– Bem. Vim te chamar porque são 13:30h e você ainda tá aqui, o que não é normal.
– O quê? 13:30h? – perguntei incrédula.
– 13:31h agora – ela respondeu, olhando para o relógio em cima do criado-mudo.
– Nossa! Não é normal mesmo eu acordar tão tarde, mesmo sendo domingo – dei um pulo da cama. – Eu estava muito cansada. Ainda estou, pra falar a verdade.
– Vou para o meu quarto – já ia saindo.
– Filha, já foi embora? – ela me encarou, com uma sobrancelha erguida.
– Nem passei pelo quarto de hóspedes, justamente pra não ver ele. Só saí do meu quarto pra te acordar, caso ele precise de algo, você dá assistência – engoli o seco.
– Prepare o almoço – ela arregalou os olhos.
– O quê? Você que acorda tarde e sobra pra mim? – perguntou, indignada.
– Pra começar, você não faz mais que a sua obrigação! Eu te ensinei a cozinhar e você faz isso muito bem, deixe de ser preguiçosa – ela bufou. – E eu estou com muita dor de cabeça.
– Se ele aparecer, eu não vou saber como agir – percebi sua aflição ao se referir à .
– É só o tempo de eu tomar banho e descer. Prometo que será rápido! – sorri e ela suspirou.
– Não quero ver ele!
– Eu sei que não, mas uma hora ou outra...
– Mãe, eu realmente tô com medo do que vai acontecer. – fez uma carinha de choro.
– Já disse que enfrentaremos isso, juntas! – a abracei forte e ela suspirou, fazendo meu coração palpitar. – Se não quiser descer...
– Não, tudo bem – ela se afastou. – Eu preparo o almoço, pode tomar seu banho.
– Tem certeza? – assentiu. – Okay.
– Só não se esqueça de uma coisa – franzi o cenho, sem entender. – Escove seus dentes! – ela abanou a mão perto do nariz, fazendo careta e a lancei um olhar mortal. Saiu do quarto rindo. Engraçadinha!

Peguei minha roupa no armário e entrei no banheiro. Tomei uma ducha rápida, o que não é de costume, mas eu precisava descer logo. Vesti um short jeans branco e uma camiseta azul safira, escrita: "Super Mom".
Desci para ver a gororoba que estava fazendo e a encontrei de touca e avental.
– Está como uma verdadeira dona de casa – bati palmas, a provocando. – Já pode casar.
– Deus me livre!
apareceu na cozinha, arrumado. se descontrolou e derrubou alguns legumes. – Agradeço por ter me hospedado na noite passada, mas nós...
– Disponha – interrompi, sem o olhar.
– Não tente fugir! Está passando da hora de conversarmos – o encarei.
, pode nos dar licença?
– Até posso. Mas, não quero.
– Não vou perguntar de novo.
– Que bom, porque eu não vou sair daqui! – me aproximei dela. – Você disse que estamos juntas nessa.
– Vá agora para o seu quarto e só saia de lá quando souber usar os bons modos que eu te ensinei! – subiu batendo os pés como um soldado raivoso. – Vamos para a sala.
– Pode começar – o encarei. – Quando você quiser, claro!
– Você se lembra do nosso Baile de Formatura?
– Como poderia me esquecer? Eu te pedi em namoro naquela noite.
– Então, você lembra que nós... – o lancei um olhar significativo e ele sorriu malicioso.
– Claro! Nossa primeira noite juntos – mordeu o lábio inferior e eu desviei o olhar de sua boca.
– Dois meses depois do baile, eu me mudei e entrei para uma universidade na cidade. No primeiro dia de aula, senti náuseas e enjoos muito fortes, cheguei a desmaiar – ele franziu o cenho. – Minha mãe me obrigou a ir ao hospital mais próximo e eu fiz alguns exames.
– O que você tinha? – respirei fundo.
– Descobri que estava grávida – arregalou os olhos.
– Como grávida? Eu já tinha viajado.
– Eu sei, mas...
– Você me traiu?
– Não! Claro que não! – cocei a cabeça. – Engravidei na noite do Baile de Formatura, só que...
– Você perdeu a criança? – neguei com a cabeça. – , me explica essa história direito.
, eu tive o bebê.
– Mas então onde... Espera! – engoli o seco. – Está tentando me dizer que...
– A é sua filha – respirei fundo, esperando por sua reação.
– O quê? Isso é loucura!
– Não, é a verdade.
– Isso não tem cabimento! Como tem coragem de inventar algo do tipo?
, estou dizendo a verdade!
– Você me traiu e quer que eu assuma a filha de outro.
– Eu nunca te traí! – me aproximei dele. – , acredite em mim.
– Vou acreditar no exame de DNA – ele se afastou.
– Lembra quando o Nick deu aquela festa para comemorarmos nossa entrada na universidade? – assentiu, bufando. – Quando estava me levando para casa, você me contou que sua bisavó tinha uma manchinha de nascença na nuca, que parecia uma folha de uva. Você até me mostrou uma foto.
– O que está querendo dizer, ?
tem uma manchinha de nascença na nuca, exatamente como...
– Agradeço a hospedagem, mas agora preciso ir – ele saiu rápido, mas eu o segui.
– Estou dizendo a verdade – parou no portão. – é...
– Sua filha, ! Sua! – se virou para mim. – Não faço ideia de quem seja o pai, mas com toda certeza, não sou eu!
– Por que não acredita em mim? – não consegui conter as lágrimas.
– Foi bom rever você, .
– VAI SUMIR NOVAMENTE? – gritei, mas ele me ignorou. – E QUAL SERÁ A DESCULPA DESSA VEZ?
Não consegui conter o choro e adentrei a casa em prantos. Queria poder colocar toda aquela dor para fora em forma de lágrima, mas eu precisava ver minha filha.
Fiquei alguns segundos no corredor tomando coragem para ir conversar com . Tentei abrir a porta do seu quarto, mas estava trancada.
– Filha, vamos conversar? – ouvi o barulho de algo quebrando. – , o que foi isso? – bati forte na porta.
– Mãe, eu quero ficar sozinha! Será que posso? – ela disse, num tom agressivo.
– Não pode, não – bati na porta novamente.
– Para com isso, eu não vou abrir.
– Não fale comigo nesse tom, garota!
– Então pare de me encher, droga! – bufei de raiva e fui para o meu quarto.
Tomei um banho bem demorado, na tentativa de relaxar e precisei do meu remédio para dor de cabeça, porque tinha aumentado. Eu não queria chorar, novamente, mas estava realmente difícil. não acreditar em mim está doendo mais do que quando ele viajou, mas eu o compreendia, em partes.
Me virei para o outro lado da cama e adormeci, devido ao efeito calmante do remédio.

Acordei sentindo cheiro de queimado e quando dei por mim, meu quarto estava infestado de fumaça preta. Dei um pulo da cama e tentei correr até o quarto da , mas a fumaça tomou conta de tudo e eu mal conseguia respirar e enxergar as coisas à minha frente. Fui recuando rápido e cheguei à cozinha, onde a fumaça mais se concentrava, então corri para a rua e já avistei alguns bombeiros, junto à eles, estava .
– Eu tentei ir ao quarto da minha filha, mas está tudo tomado pela fumaça e eu nem consegui chegar – disse ao bombeiro, que se aproximou.
! – me abraçou. – Você está bem?
– Faremos o possível para salvar a menina, senhora! Agora, peço que se afaste.
– Will, entre na casa e retire a menina de lá! Os outros já estão indo para cessar o fogo. – um homem ordenou ao que falava comigo. – Senhora, sabe o que pode ter ocasionado o incêndio?
– Eu não sei, minha filha estava preparando o almoço e depois... – arregalei meus olhos e empurrei .
– HOMENS, SEJAM RÁPIDOS! HÁ RISCO DE EXPLOSÃO! – o mais velho gritou e meu coração acelerou ainda mais.
– Eu sinto muito! – se pronunciou.
– CALE A SUA BOCA! EU NÃO QUERO OUVIR A SUA VOZ AGORA!
– Por favor, .
– SAI DE PERTO DE MIM! – gritei, descontroladamente. – A CULPA É TODA SUA!
Me afastei de todos e sentei na calçada, chorando intensamente.
– Senhor, não pode passar dessa faixa. É perigoso. – ouvi um dos bombeiros dizer e levantei minha cabeça. Um homem impedia de ultrapassar a faixa, mas não foi o suficiente. Ele correu até a casa.
– NÃO! – gritei. – AI MEU DEUS!
– Senhora, você precisa de cuidados – outro bombeiro disse.
– EU SÓ PRECISO DA MINHA FILHA E DO PAI DELA AQUI COMIGO!
– Por favor, senhora... – me afastei, ignorando o homem. Sentia dificuldades para respirar, mas eu não queria dizer nada.

Depois de algum tempo, eu não aguentava mais aquela espera, alguns bombeiros diziam que não teriam como prosseguir. Eu ficava cada vez mais preocupada, não havia sinal de e nem de .
– Capitão, pelo tempo, já era pra ele ter retornado – eu disse, me aproximando.
– Ele cometeu suicídio!
Na mesma hora, avistamos com desmaiada em seus braços. Não controlei o choro e quase pude sentir um alívio no coração, até ele se aproximar do portão e a casa explodir.


Capítulo 9

Eu estava em um quarto, fazendo nebulização, quando vi um médico passando pelo corredor. Pulei da cama e corri atrás dele.
– Doutor, como está minha filha? E o pai dela?
ainda está inconsciente, mas por conta dos medicamentos. Acredito que em breve ele se recuperará, o caso não foi tão grave, porém precisamos saber como está seu pulmão e como ele reagirá sem os remédios.
– E quanto à minha filha? - respirei fundo.
– O caso é mais delicado - cocei a cabeça, deixando uma lágrima escapar – Mas, por favor, peço que tenha calma.
– Desculpe, mas isso é pedir demais!
– Tenho um filho de 17 anos, também ficaria louco se algo acontecesse a ele, novamente, então eu posso compreender sua preocupação. Mas preciso ser sincero com você - engoli em seco – foi quem mais sofreu nesse incêndio. A fumaça que ela inalou era tóxica e quente, por isso sofreu queimaduras internas e está respirando com a ajuda de aparelhos. - senti uma forte tontura – Está tudo bem com você?
– Não, eu não estou bem.
– Não devia ter saído do quarto, você também inalou muita fumaça e precisa de cuidados. - estava com dificuldade para respirar – Venha, vou te levar de volta.
O médico me ajudou a chegar ao quarto e eu me deitei, tornando a fazer nebulização.
– Obrigada. - ele sorriu fraco – Por favor, continue falando sobre .
– Ela está com um ferimento profundo no pulso direito, parece ter sido causado por vidro ou algo do tipo. Fizemos uma sutura, mas ela perdeu muito sangue e isso agravou ainda mais seu quadro.
– Minha filha deve estar sofrendo muito.
– Não mais. - arregalei os olhos – Assim que chegou, nós fizemos a sedação, que é um coma induzido.
– Coma induzido? Vocês induziram o coma dela? - eu já me preparava para reclamar.
– Foi necessário. precisa de ventilação mecânica, seu pulmão não está bem e seu corpo está frágil, ela sentiria dores fortíssimas.
– Ela corre risco de vida? - respirei fundo.
– Não quero que fique mais preocupada.
– Sem rodeios, por favor! - eu disse impaciente.
– Nos casos mais graves, como o dela, sempre há a possibilidade do paciente vir a óbito.
– Mas isso não vai acontecer! - eu disse, me descontrolando – é forte e vai resistir, não é mesmo?
– Por favor, se acalme.
– Eu quero vê-la! - me alterei, saindo da cama e correndo pelo corredor do hospital, procurando pelo quarto de – EU QUERO VER MINHA FILHA, AGORA!
? - me puxou pelo braço e eu parei.
corre risco de vida. - pus as mãos na cabeça, enquanto chorava desesperadamente – Eu posso perder minha filha.
– É verdade? - pediu confirmação ao médico.
– Eu sinto muito, mas há essa possibilidade.
– O que está acontecendo? - se aproximou.
– Nós faremos o possível...
– Eu não quero mais te ouvir! - toquei em seu peitoral com o dedo indicador e arqueei uma das sobrancelhas – Tudo que você vai fazer agora é me levar até !
– ALGUÉM PODE TRAZER UM TRANQUILIZANTE PRA ESSA LOUCA? - uma mulher saiu de um dos quartos gritando e foi o suficiente para eu partir pra violência.
– É A SUA FILHA QUE ESTÁ EM COMA? É A SUA FILHA QUE CORRE RISCO DE VIDA? - fechei minhas mãos em seu pescoço – RESPONDA!
– N-não. - respondeu quase num sussurro.
, pare! - pediu, tentando me afastar.
– ENTÃO NÃO OUSE CHAMAR DE LOUCURA A MINHA DOR! - depositei ainda mais força nas mãos, enquanto chorava de raiva.
– Isso vai ajudar. - fui puxada para longe da mulher e vi uma das enfermeiras, segurando uma seringa. Olhei para o médico que ainda me segurava.
– Não deixe que eles façam isso comigo, por favor! - pedi desesperada.
– É para o seu bem, . - tentei me soltar, mas falhei.
? ? Não permitam isso! - elas me olharam, chorosas.
Enfermeiros se aproximaram de mim e injetaram um líquido estranho em meu braço.
– NÃO! POR QUE ESTÃO FAZENDO ISSO COMIGO? - tentei me debater, porém eu já não tinha mais firmeza em minhas pernas e tudo ficou escuro à minha frente.

Acordei no mesmo quarto de antes, vendo e conversando.
– Como ela está? Eu quero vê-la! - já ia saindo da cama, mas me empurrou, fazendo-me deitar, novamente.
– Se acalme! está se recuperando. - disse, segurando minhas mãos.
– Meu coração está tão apertado. - eu disse, chorando.
– Podemos imaginar, mas vamos pensar positivo, ok? disse, indo em direção à porta.
– O que você vai fazer? - perguntei, franzindo o cenho.
– Chamar o médico. - ela respondeu, saindo do quarto.
– Acho que vou surtar! - bufei.
– Na verdade, você já surtou. - riu fraco.
– Fui desrespeitosa com alguém?
– Sim, com várias pessoas. - arregalei meus olhos – Você chegou a agredir uma mulher.
– Está brincando?! - ela negou com a cabeça – Quem é essa mulher? Quem são as outras pessoas?
– Acompanhante de um paciente idoso, o médico da sua filha e os enfermeiros que te acalmaram. Mas foi incômodo para todos no hospital. - fiz uma careta, demonstrando a minha insatisfação com minha atitude.
– Que vergonha! Preciso desculpar-me com todos.
– Já fizemos isso por você - ergui as sobrancelhas e assentiu – Todos compreenderam a sua situação, exceto a mulher que te chamou de louca.
– Agora estou me lembrando. - suspirei, lembrando-me da mulher e da raiva que senti ao ouvir suas palavras – Estou muito envergonhada!
– Você só não soube lidar com as notícias, acontece. - me acalmou.
– Vejo que já está mais calma. - o médico disse, assim que adentrou o quarto.
– Doutor, eu quero desculpar-me pelo constrangimento que causei a todos.
– Nós já nos encarregamos de fazer isso, fique tranquila. - assenti – Está pronta para ver ?
– Mesmo? - ele assentiu.
– Não é o que você tanto quer? - concordei – Então, vamos.
Passamos pelo corredor e entramos em um elevador, que nos deixou quase em frente ao quarto.
Quando adentramos, me deparei com intubada, cheia de aparelhos e totalmente incapaz de tudo. Senti como se meu coração estivesse se despedaçando.
– Bom, vou deixá-las à vontade. Qualquer coisa me chamem o mais rápido possível, tudo bem? - assentimos.
– Olhem como ela está fraca, desprotegida - me aproximei de – Minha filha não merecia passar por isso!
, quer ficar a sós com ela? - perguntou.
– Vocês se importam?
– De maneira alguma! Qualquer coisa, estaremos na recepção. - respondeu, me dando um beijo na bochecha.
– Obrigada. - sorri fraco para elas e tornei a olhar – Oh, minha princesa! Eu preferia estar em seu lugar, só para não te ver assim.
– Desculpe por voltar agora - o médico adentrou o quarto. – Preciso verificar a pressão arterial dela.
– E como está? - perguntei aflita.
– Um pouco baixa, mas estamos observando, fique tranquila.
– Peço desculpas, mais uma vez, pela forma como tratei você e as outras pessoas. - ele me olhou – Pode parecer que não, mas estou muito grata por tudo que estão fazendo por minha filha. - me emocionei, ao voltar meus olhos à – Dá para perceber o quão ela está debilitada, é visível! Mas está sendo bem cuidada.
– Faremos tudo que estiver em nosso alcance para que se recupere logo!
– Eu acredito nisso. - sorri fraco e ele se retirou.
Continuei a observando e segurei em sua mão direita, com o curativo.
– Minha princesa, por que fez isso com você? Cortar o pulso, filha? - beijei sua mão – Eu não quero te perder, meu amor. Eu nem gosto de pensar nessa possibilidade! - acariciei seu rosto, que estava pálido – Fique bem logo, meu anjo. Eu te amo tanto.
– Desculpe, mas poderia nos dar licença? Precisamos fazer mais alguns exames na paciente. - um dos enfermeiros pediu, já adentrando o quarto.
Olhei mais uma vez para e me retirei.
Segui para a recepção, encontrando minhas amigas.
- olhei na direção da voz, era o doutor – Pelo tempo que você esteve sobre efeito do tranquilizante, não houve nenhum tipo de complicação em sua respiração, mas você ainda precisa ficar em observação.
– Isto quer dizer que ela deve voltar para o quarto? - perguntou.
– Sim.
– Podemos ficar com ela? - perguntou.
– Bem, o horário de visita ainda não terminou, podem sim.
Elas me acompanharam até o quarto e eu me deitei, após sentir tontura.
– Amiga, conte o que aconteceu. - pediu.
passou a noite lá em casa. - elas arregalaram os olhos – Sei o que estão pensando, mas não aconteceu.
– Ele já sabe sobre ? - perguntou e eu assenti – E ela já sabe sobre ele?
– Contei a ela na festa.
– Você não devia ter feito isso, não na festa! - disse séria – Por isso ela ficou tão desanimada e quis ir embora.
, você tinha que ter contado aos dois, juntos. - disse , calmamente.
– É, acho que errei. - assentiu, nervosa – Por que está agindo assim?
– Porque você fez uma besteira das grandes e eu nem sei como te ajudar, só por isso! - ela andou pelo quarto – é uma menina com gênio forte, não vai...
, se acalme! - pediu – também é sensível e emotiva, vai entender as razões da .
– Ela já me perdoou por ter escondido a verdade, mas não sabe como agir. está realmente confusa.
– Travis fez muito mal em chamar para esta festa.
– Tenho certeza que foi com a melhor das intenções. Travis é como um pai para ela, jamais faria algo para magoá-la. - eu disse.
tem razão, amiga. - concordou e se aproximou de mim.
– Desculpe - respirei fundo. – Eu também estou muito abalada com tudo isso e fui um tanto egoísta, não pensei em como você está se sentindo. - ela enxugou algumas lágrimas de seu rosto – também é como uma filha pra mim e eu só quero que ela se recupere logo. Vamos pensar apenas na melhora dela, ok?
– Acho que fiz besteira atrás de besteira.
– Por que diz isso? - perguntou preocupada.
– Quando eu contei a sobre ...
– O que ele fez? - se empolgou.
– Foi embora, sem nem se despedir.
– Mas ele não disse nada? - foi a vez de perguntar.
– Disse... Que eu o traí porque não é filha dele. - respirei fundo – Depois de 16 anos, longe um do outro, foi como se ele nem tivesse sentido a minha falta. - elas se entreolharam – Eu fui ao quarto da para saber como ela estava e ouvi o barulho de algo se quebrando, mas ela não quis falar comigo. Eu estava chateada e com raiva de mim mesma, o que resultou num aumento de dor de cabeça, eu fui para o meu quarto e tomei um remédio que me fez dormir rápido, quando acordei só vi fumaça. - fechei meus olhos, lembrando a cena – Eu tentei ir ao quarto da minha filha, mas não consegui. Saí de casa e encontrei com os bombeiros, o culpei por tudo que estava acontecendo e ele entrou na casa para tentar salvar .
– Eu não acredito que ele duvidou de você! - disse, visivelmente indignada – Eu sei que você está se sentindo culpada, mas não fique assim. Tentar salvar a filha era a obrigação dele naquele momento!
– Não queria admitir, mas está certa, então não se sinta culpada. - olhei para – Foi um gesto muito bonito da parte dele tentar tirar da casa.
– Com licença, desculpe interromper - o médico adentrou o quarto. – Mas o horário de visita acabou.
– Tudo bem.
– Quer que eu ligue para os seus pais? - tirou o celular de sua bolsa.
– Não, agora não.
, não é certo esconder isso deles.
– Eu só estou preservando a saúde deles! Agora venham me abraçar.
– Amanhã eu volto, com o Nick. Ele quer muito ver vocês. - disse, caminhando até a porta.
– Travis também virá, ok? - assenti – Fique bem.
– Você tem boas amigas! - o médico disse e eu sorri fraco – Agora descanse e use o nebulizador, talvez você receba alta amanhã depois de mais alguns exames.
– Obrigada. - ele saiu do quarto e eu me virei, dormindo em seguida.

Acordei com uma enfermeira abrindo a janela, a claridade logo incomodou meus olhos.
– Ah, me desculpe - ela se virou para mim – O médico disse que seria bom você acordar bem cedo e sentir a brisa.
– Tudo bem, eu agradeço.
– Daqui a pouco ele vem te ver. Agora, se me der licença, tenho que medicar alguns pacientes. - sorri em agradecimento.
Eu queria poder usar minhas roupas, mas lembrei-me que perdi todas no incêndio. Não tive escolha, tomei um banho bem rápido e vesti a roupa do hospital, em seguida, fui até a janela e fiquei admirando a vista e aproveitando o ar puro da manhã. Ouvi o barulho da porta se abrindo, mas nem me movi, sabia que era o médico.
– Espero não estar incomodando. - olhei para o lado e ele sorriu para mim.
– De maneira alguma. - dei espaço para ele se achegar à janela.
– Como se sente hoje?
– Não sinto tanta dificuldade para respirar.
– Isso é muito bom.
– Mas meu coração ainda está apertado. - olhei para ele, esperançosa – teve alguma melhora?
– Bem, ainda estamos a observando...
– Por favor, seja sincero. - ele assentiu e desviou seu olhar da janela para mim.
– Ela ainda não apresentou melhora - apertei meus olhos para não deixar as lágrimas escaparem – Seu quadro ainda é grave, mas precisamos manter a esperança.
– Agradeço pelo seu cuidado com minha filha.
– Não só por ela, mas também por você. - ele passou a mão em meu rosto – Vejo o quanto está preocupada e isso me comove. - sorri fraco e me afastei da janela, envergonhada por seu gesto.
– Já posso receber alta? - sentei-me na cama.
– Talvez depois de mais alguns exames, uma equipe de enfermeiros virá para te dar assistência. - assenti – Agora eu vou ver como está seu marido. - ele se retirou.
“Seu marido”. Há anos atrás, eu sonhava em ter como marido, realmente. Até fazíamos planos, mas tudo mudou e eu não espero que isso aconteça agora, minha prioridade é e, se ele não aceitá-la, então manterei distância.
– Com licença, faremos alguns exames em você. - suspirei, enquanto entravam no quarto – Está pronta? - assenti.

Passadas duas semanas do ocorrido, eu já tinha recebido alta, mas não saí do hospital para ficar com , ainda não tinha visitado e me sentia mal por isso.
- Nick adentrou o quarto. – Como ela está? Dei uma fugidinha do trabalho para vê-la.
– O médico disse que seu organismo está recebendo bem os remédios.
– E quanto ao coma? Já faz duas semanas. - Nick observava .
– Eu não sei - olhei para ele – Às vezes ela mexe os olhos, aperta minha mão, mas nada além.
– Antes de voltar ao trabalho vou conversar com o médico. - ele disse firme.
– Só não o ameace ou algo do tipo. - ele me olhou, indignado – Não me olhe assim, eu te conheço!
– Só quero que ele saiba que nos preocupamos.
– Você se preocupa até demais. - nós rimos.
é minha princesinha - ele beijou sua testa – Tenho que zelar por sua vida.
– Nick, pode ficar com ela um pouquinho?
– Vai ver ?
– Eu já devia ter feito isso. - ele assentiu.
Saí do quarto tão rápido, que acabei esbarrando em alguém no corredor.
– Nossa! - olhei para a pessoa e arregalei os olhos, ao perceber que suas mãos se encontravam em minha cintura. Ele me soltou, rapidamente.
– Desculpe - o médico pediu – Eu estava meio distraído.
– Não, tudo bem - sorri fraco – Doutor...
– Por favor, me chame pelo nome.
– Desculpe a ignorância, mas eu ainda não sei como você se chama. - mordi o lábio e ele riu.
– Samuel Henderson. Mas, por favor, me chame de Sam.
– Ok, Sam. - ri envergonhada – Será que eu posso conversar com agora? É que eu não quero atrapalhar o trabalho de vocês. - ele me olhou, confuso – , o...
– Seu marido. - Sam ficou sério, repentinamente.
– Na verdade, ele é só o pai da minha filha. - eu afirmei e ele ergueu as sobrancelhas – Posso entrar?
– Claro! Sem problemas! - assenti e adentrei o quarto.
Para minha surpresa, encontrei com uma mulher, que não aparentava ser uma das enfermeiras.
? - me chamou, quando eu estava prestes a me retirar.
– Pensei que estivesse sozinho, desculpe.
– Esta é Carly, uma amiga dos tempos da faculdade.
– Prazer, Carly - forcei um sorriso para a mulher – Eu sou...
, a mãe da menina que quase perdeu a vida tentando salvar, por desencargo de consciência.
– Como é? - ergui as sobrancelhas.
– Você está querendo forçar a assumir paternidade da filha de outro homem, para não desconfiarem da sua traição. - ela revirou os olhos – Confesse!
– A única coisa que vou confessar, e isso é bem verdade, é que eu estou prestes a meter a mão na sua cara! - ela deu um passo para trás – Primeiro, você não tem que tomar as dores de , acredito que ele já tenha maturidade suficiente para saber lidar com as situações da vida. Segundo, você não sabe nada sobre nós dois, sobre o que vivemos, e muito menos sobre a minha vida, que não te diz respeito. Terce...
– Sei sim. Mais do que você imagina!
, sobre o que ela está falando?
– Diz logo pra ela que tivemos um relacionamento assim que você se mudou para o campus da universidade. - ele desviou o olhar – Diz também que recusou todas as oportunidades que teve de ir visitá-la para me levar à casa de seus pais, isso quando você não ia a minha.
– O quê? - meus olhos já queriam marear – Isso é mentira, não é?
, precisamos conversar com calma.
– Então é verdade. - engoli o choro e respirei fundo – Quer saber, não me importa.
– Você não queria conversar comigo?
– Sim, eu vim para isso. Queria pedir desculpas por não ter vindo te visitar durante essas duas semanas, queria agradecer pelo que fez por , queria tentar esclarecer alguns fatos do passado... - o encarei – Mas agora tanto faz!
Eu me recusei a ouvir qualquer tentativa de explicação e a continuar na presença daquela mulher. Não merecia isso! De forma alguma!
Voltei ao quarto de , quase tombando a porta.
, o que é isso? - Nick se assustou.
– Desculpe Nick, eu estou nervosa!
– Percebi. - ele veio em minha direção – O que houve?
– Descobri que é um babaca!
– Explica isso.
– Olha, Nick. Eu não consigo nem falar sobre isso agora, estou muito nervosa.
– Respire fundo, vou buscar um calmante pra você.
Olhei para minha filha e me relembrei de tudo que fiz por ela, sozinha, sem a ajuda do pai. Tudo porque o imbecil não quis me ver, não quis me visitar... Tenho certeza que, se ele tivesse me procurado, naquele tempo, tudo teria sido diferente. Tudo.
, seu amigo me chamou e pediu calmantes - Sam parecia preocupado – É algo com ?
– Não é nada com ela.
– Então o que houve?
– Estou muito aborrecida e não quero falar sobre isso, não agora. - ele assentiu.
– Tudo bem, mas tome esse remédio, vai te relaxar.
– Obrigada. - Nick adentrou o quarto.
– Preciso voltar ao trabalho agora, amanhã eu volto para ver minha princesinha. - ele disse, beijando a testa de virá mais tarde com e Travis.
– Obrigada por ter ficado com ela, Nick.
– Não foi nada. - o abracei – Fique bem, tá? - sorri e ele saiu.
– Sam, Nick conversou com você?
– Sim, ele me fez muitas perguntas sobre sua filha - Sam se aproximou de – Ele quer saber quando iremos retirá-la da sedação.
– Quando?
– Queremos ver se ela reagirá aos testes, mas até agora não houve respostas.
– Mas ela já forçou os olhos, apertou minha mão.
– Nick me falou e eu gostei de saber disso. - ele me olhou – Se ela continuar assim, em breve será retirada da sedação.
– Espero que não demore. - beijei a mão dela e acariciei seu rosto.
– Adoraria ficar te fazendo companhia, mas preciso dar alta a um paciente.
– Tudo bem, não quero atrapalhar o seu trabalho.
– Você nunca atrapalha! - ele sorriu e colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. Retribui o sorriso, enquanto ele se retirava do quarto.
Sentei-me na poltrona de frente para a cama de e fiquei a observando, até eu adormecer.

- acordei assustada – Que sono pesado, hein!
– Que susto, ! Credo! - olhei em volta do quarto e só tinha ela – Você não viria com Travis e ?
saiu cedo do trabalho para visitar a mãe.
– O que aconteceu?
– Ela caiu no banheiro enquanto tomava banho e fraturou a perna esquerda. - me olhou com as sobrancelhas erguidas – Quando vai contar aos seus pais?
– Eu não sei, eles estão viajando.
– Não acredito que você vai usar isso como desculpa pra não contar a eles o que aconteceu! - eu fiz que não com a cabeça – , eu te conheço.
– Esqueça isso. - ela bufou – Por que Travis não veio?
– Ele veio, mas está com . - revirei os olhos ao ouvir o nome dele – O que houve?
– Eu não quero te encher com assuntos relacionados à .
– Já estou envolvida nisso há anos - ela se sentou ao meu lado – Conte tudo.
– O babaca contou a uma amiga dele de faculdade sobre e ela disse que eu estou o forçando a assumir paternidade da filha de outro homem, para não descobrirem a minha traição.
– Traição? Quem essa vagab...
– O pior não é isso! - cocei minha cabeça – Ela disse que deixou de me visitar para levá-la a casa dos pais dele, e na dela.
– Filho da... - ela respirou fundo e olhou para – Se ele tivesse voltado naquele tempo, tudo teria sido diferente.
– Eu sei. Mas agora não importa mais e eu só quero distância dele.
– A minha vontade é... - Travis entrou no quarto.
– Por que está tão brava? - me olhou e eu fiz que não com a cabeça. Travis veio me abraçar. – Como você está?
– Já estive melhor.
– Vai melhorar! - ele sorriu – E ?
– Está na mesma, mas o médico ainda precisa de tempo para retirá-la da sedação.
– Mais tempo? Ela já está assim por tempo demais!
– Travis, o médico sabe o que é melhor para , no momento! - disse .
– Tem razão.

Quase terminando o horário de visita, chegou.
e Travis já foram?
– Sim. - ela assentiu – Como está sua mãe?
– Por sorte não vai precisar de cirurgia. Acredita que ela caiu porque estava dançando no banho?
– O quê? - nós rimos – Ela sempre foi muito agitada, tente entender.
– Ela parece criança, isso sim!
– O importante é ela se recuperar logo.
– Por falar em recuperação, se você quiser, eu fico aqui com a hoje.
– Não. Imagina se vou te dar esse trabalho!
– Que trabalho? só está recebendo cuidado dos médicos e enfermeiros, no momento. Eu nem vou me esforçar, pode ir para o meu apartamento.
– Mas...
– O Nick vai dormir na casa dele, nós já tínhamos conversado.
– E se...
, pare de arrumar desculpas! - ela ergueu a mão – Eu sei que não quer sair de perto de sua filha, mas você precisa descansar.
– Eu só temo que algo de ruim aconteça novamente e eu não esteja perto dela.
– Eu te entendo, amiga - me abraçou – Mas na sua ausência, eu sou a mãe da .
– Espere só até te ouvir falando isso. - nós rimos – Tudo bem, eu vou para a sua casa.
– Aqui estão as chaves - ela tirou da bolsa – Só não se esqueça de alimentar meu filhote.
– Aquele sanguinário. Tinha até me esquecido dele.
– Dino é só um cachorrinho agitado, não fale assim dele! - revirei os olhos – Vai com o meu carro e dirija com cuidado.
– Pode deixar. - dei um beijo em minha filha – Obrigada, amiga.
– Não precisa agradecer. Você sabe que pariu , mas o cuidado com ela também é responsabilidade minha. - ergui as sobrancelhas – Eu falo sério!
– Eu sei, boba. - a abracei.

Enquanto dirigia, coloquei Wannabe para tocar, havia tempos que não escutava e eu precisava me distrair um pouco, nem que fosse por minutos.
Não demorou muito para eu chegar ao apartamento de . Assim que entrei, Dino se jogou em cima de mim. Ele até é um cachorro amigável, mas sanguinário quando quer. Me recompus, mas deixei a bolsa jogada no chão, abri a geladeira certa de que teria sorvete, sempre compra. Peguei um pote pela metade e me deitei no sofá, ligando a TV.
Passaram-se 40 minutos do filme e eu já sentia sono, acho que pelo efeito do remédio. Fui para o quarto de e peguei um de seus pijamas, entrei no banheiro e afundei meu corpo na banheira quente e espumada.
Demorei um pouco no banho, porém me senti mais leve e relaxada. Aproveitei essa reação do meu corpo para deitar-me, logo adormeci.

No dia seguinte, acordei mais dispostas, não queria que nada abalasse o meu psicológico. Ouvi o latido de Dino e lembrei-me que eu não havia o alimentado, me mataria se soubesse. Peguei uma de suas roupas no armário, ela não se incomodaria de qualquer forma, ainda mais sabendo que é caso de necessidade.
Saí do banho e fui até a cozinha, peguei uma caneca, despejando suco de laranja. Prestes a dar a primeira golada, meu celular tocou. .
– O que houve? - perguntei preocupada.
Nada de ruim! - suspirei aliviada e bebi o suco.
– Você me assustou ligando tão cedo, achei que o pior tinha acontecido.
Na verdade aconteceu algo, sim - pus a mão no peito.
– Fale de uma vez, !
acordou. - ao ouvir a notícia, me engasguei – ? Está tudo bem?
– Quando foi que isso aconteceu? - perguntei, recuperando o fôlego.
Pela madrugada, agora estão fazendo novos exames nela.
– E como ela está?
Eu não sei, ainda não pude vê-la. - corri para pegar a ração de Dino - Quando você vai vir para o hospital?
– Agora.
Dirija com cuidado! Beijos. - finalizei a chamada.
Peguei minha bolsa, que estava no chão da sala desde a hora em que eu cheguei e corri para o quartinho de Dino, ele mal esperou eu misturar sua ração com leite e já foi devorando tudo. o acostumou a comer dessa forma.

Já estava dentro do elevador, quando uma senhora entrou, me lançando um olhar de compaixão.
– Bom dia, jovem.
– Bom dia.
– Está tudo confuso demais, não é mesmo? - franzi o cenho e ela me olhou – Pode estar complicado agora, mas tudo irá se resolver! - arregalei os olhos.
– Como assim, senhora? Eu nem te co...
– Eu sei, querida - ela sorriu – Você só precisa deixar as coisas acontecerem, é tudo uma questão de tempo.
– Senhora, qual é o seu nome?
A porta do elevador se abriu e ela saiu na frente, sem me responder. Fiquei a observando até lembrar que precisava ligar para o taxista, me virei para olhá-la, novamente, mas não a vi.

Carlitos chegou em 15min e me levou ao hospital, rapidamente.
– Muito obrigada, Carlitos! - o paguei, permitindo que ficasse com o troco.
– Qualquer coisa é só me ligar.
– Bom saber, porque eu devo precisar de táxi por mais um bom tempo. - eu disse, enquanto saía do veículo e ele riu.
– Desejo melhoras a . - assenti e me afastei.
Adentrei o hospital, indo direto ao balcão.
– Olá! Bom dia. - sorri para a recepcionista – Vim visitar a paciente .
– Bom dia. - ela sorriu, gentilmente – Não sei se a senhora poderá subir agora, o horário de visita é apenas pela tarde.
– Puxa! - suspirei, sentindo-me frustrada.
– Mas acho que não terá problema, já que a senhora é mãe da paciente. - ela fez uma ligação e eu esperei, pacientemente – Pode subir! - sorriu simpática.
– Obrigada. - corri até o elevador e subi.
Chegando ao corredor, vi minhas amigas e meus pais.
– O que fazem aqui? Não estavam viajando?
– Minha neta foi vítima de um incêndio, que resultou numa explosão, entra e sai de um coma induzido e você não nos avisa? - meu pai estava realmente nervoso. Eu ia tentar me explicar, mas ele não permitiu – É melhor você nem abrir sua boca se for para inventar desculpas sem cabimento! O que pensou que estava fazendo quando nos escondeu isso?
– Acalme-se, querido.
– Não vou me acalmar coisa nenhuma! - ele disse a minha mãe – Você sempre encobriu os erros da menina e olha o resultado disso.
– Querido, já é uma mulher. - minha mãe disse firme – E cabe a ela tomar as decisões que achar melhor para sua vida.
– Não é bem assim! Se não fosse a para nos ligar e contar a verdade, continuaríamos achando que estava tudo bem, enquanto nossa neta estava quase morta. - olhei para minha amiga, mas ela abaixou a cabeça.
– Desculpe, pai. As coisas aconteceram rápido demais, depois da festa.
, fique quieta! Eu não quero ouvir sua voz. - arregalei os olhos – Já está sendo difícil olhar para você.
– Mas eu sou sua filha, tente me entender!
– Querido, está exagerando.
– Não estou, não! - meu pai aproximou-se de mim – Você lembrou que é minha filha quando estava quase morrendo naquela cama, enquanto eu e sua mãe estávamos numa viagem e todas as vezes que nós ligávamos preocupados, você dizia que estava tudo bem? - minhas lágrimas foram caindo sem eu perceber.
– Assim que a explosão aconteceu, nós viemos para o hospital. Eu já acordei em um dos quartos e não sabia o estado de , depois que falei com o médico, tive um surto e precisei ser sedada, fiquei assim até o dia seguinte. Passaram-se duas semanas, tive preocupações e aborrecimentos aqui dentro do hospital, percebeu o meu estado de esgotamento físico e mental, e me deixou passar a noite no apartamento dela. Hoje cedo ela me ligou dizendo que tinha acordado, eu não perdi tempo e aqui estou. - respirei fundo – Não contei nada a vocês porque eu sabia que deixariam de curtir a viagem e ficariam aqui comigo o tempo todo, não seria justo.
– Filha, é claro que ficaríamos aqui com vocês! Meu Deus do céu! - minha mãe abraçou-me – Vocês são meus amores!
– Mãe, por favor - limpei meu rosto e afastei-me do abraço – Eu que sou mais nova já estava no meu limite, imagine vocês como ficariam.
– E ainda está nos chamando de velhos - meu pai bufou.
– Minha intenção era poupar vocês, pelo menos até acordar.
– Você conseguiu! - disse meu pai – Já até vimos ela.
– Querido, por favor! - minha mãe lançou o seu típico olhar de reprovação ao meu pai e ele se afastou – Conseguimos ver , de longe, mas fomos expulsos pelos enfermeiros.
– Como conseguiram ficar aqui? As visitas são permitidas apenas pela tarde.
– Você não conhece o meu poder de persuasão? - minha mãe ergueu uma sobrancelha – Filha, como eu e seu pai voltamos agora da viagem, precisamos descansar um pouco.
– Entendo. Mas se vocês não puderem voltar à tarde...
– Sim, nós voltaremos - ela sorriu – É que eu preciso de um tempo para os meus pés desincharem.
– Desculpe, mais uma vez.
– Está tudo bem, o durão aqui é o seu pai.
– Decepcionei ele mais uma vez.
– Não é bem assim, . Ele compreende as suas razões, só está chateado. - ela me abraçou – Mais tarde eu volto.
Minha mãe foi se afastando e se aproximou.
– Tudo bem - a olhei – Já era para eu ter feito isso.
– Mas eu não tinha esse direito, desculpe-me.
– Pelo menos agora eles sabem - ela entortou a boca – Não quero que você fique se sentindo mal por isso!
– Vou tentar. - nós rimos – Queria muito ficar e ver , mas preciso trabalhar.
– Claro, eu entendo.
– Não sei se vou conseguir voltar ainda hoje - ela pegou sua bolsa. – Mas eu dou um jeito de voltar amanhã.
– Obrigada por ter ficado aqui com . - ela abanou a mão.
– Não precisa agradecer! Esse é o trabalho de uma segunda mãe. - eu ri.

Fiquei mais um bom tempo esperando por notícias de , mas nada. Vi Sam se aproximar.
, como está?
– Muito ansiosa para ver minha filha! - confessei e ele sorriu.
– Ela está bem, na medida do possível. - franzi o cenho – Seu quadro ainda é delicado e necessidade de bastante cuidado.
– Ah sim, eu compreendo. - forcei um sorriso.
– Não fique assim, ela vai se recuperar logo!
– Assim espero. - suspirei – Posso vê-la, agora?
– Sim.
Segui Sam até o quarto de , assim que adentrei, não consegui segurar a emoção.
– Filha - me aproximei, mas estava inconsciente – Ela não estava acordada?
– Ela ainda está sobre o efeito da sedação.
– Mas é estranho, ela estava acordada há poucos minutos. - olhei para Sam, aflita.
– Sua filha só está dormindo, . - eu engoli o seco – É até melhor para a recuperação dela.
– Então por que a tiraram do coma? - cruzei os braços, arqueando uma sobrancelha.
– O estímulo espontâneo de sua respiração estava entrando em conflito com o estímulo dos aparelhos, por isso aumentamos os sedativos. - olhei para minha filha.
– A minha vontade é de gritar - passei a mão pelo rosto – Mas não farei isso em respeito a .
– Eu espero que você possa compreender. Além do sedativo, ela precisa de analgésico.
– O que eu posso fazer por ela, agora? - olhei para Sam.
– Continue acompanhando a sua recuperação de perto, acredito que ela sinta sua presença. - assenti – Preciso atender outro paciente, te vejo mais tarde.
Assim que Sam saiu do quarto, tornei a olhar para e fiquei a observando durante um longo tempo.
Fiquei lembrando-me de tudo que aconteceu antes do incêndio, e depois também. Senti-me culpada. Como se já não bastasse a culpa de ter escondido de que ela tem um pai, carregarei para sempre a culpa de ter feito minha filha sofrer tanto, física e mentalmente.


Capítulo 10

Depois de dois meses, deixou o hospital e seguia com sua recuperação em casa. Ainda não estava totalmente bem, mas o suficiente para estarmos aliviados pelo pior não ter acontecido. Precisei voltar ao trabalho e a maior parte do tempo de era com minha mãe, que cuidava dela enquanto eu não podia. Eu ainda não tinha o suficiente para comprar uma nova casa, e nem recuperar tudo que perdemos, por isso ficamos na casa dos meus pais. No início foi difícil para mim e , mas até que ela está gostando.
Era quarta-feira de manhã, eu já estava no trabalho e recebi uma ligação da minha mãe.
– Oi, mãe. Aconteceu algo?
está reclamando de dificuldade na respiração.
– É só ela fazer uma nebulização.
Tem certeza, filha? Não acha melhor levar ela ao hospital?
– Não acho que seja necessário. - mordi o lábio, olhando minhas anotações – Sam disse que ser comum essas sensações de falta de ar, mas com a nebulização aliviaria.
Tudo bem, . - suspirei calmamente, enquanto ouvia minha mãe – Depois vou dar um chiclete de menta para ela, pode ser que também alivie a sensação de asfixia.
– Até porque, pode ser apenas a ansiedade excessiva dela. - olhei para a janela, que estava aberta – Tenho que continuar o meu trabalho, mas qualquer coisa me ligue.
Pode deixar. Bom trabalho! - ela finalizou a chamada.
O telefone comercial tocou, sabia que era Suri, minha secretária.
Doutora, seu paciente das 08:35h chegou. - pigarreei – Posso pedir para que ele entre?
– Por favor, faça isso. - finalizei a chamada e sentei-me de uma forma mais aconchegante.

Atendi mais alguns pacientes ao longo do dia, mas preferi ir para casa mais cedo. Apesar de ter transmitido tranquilidade a minha mãe, confesso que estava preocupada com .
Carlitos demorou um pouco até chegar à casa dos meus pais, o que não era de costume, mas o trânsito não estava cooperando. Aproveitei esse tempo para ler meus novos e-mails.
20 minutos se passaram, e eu finalmente consegui chegar à casa dos meus pais.
, chegou tão cedo por quê? - perguntou meu pai, indo para a cozinha.
– Fiquei preocupada com . - ele assentiu – Eu estaria aqui mais cedo se o trânsito não estivesse tão lento.
– Um caminhão tombou na Avenida Pesadelo e ainda não foi retirado da pista, com certeza é esse o motivo do congestionamento no trânsito. - ele pegou alguns legumes de uma sacola.
– Onde minha mãe está?
– Me passe esta faca. - ele apontou para trás de mim. O entreguei o objeto, observando a habilidade dele em cortar os alimentos. – Sua mãe está em seu quarto, com .
– Precisa de ajuda? - ele negou com a cabeça – Tudo bem, então eu vou vê-la.
Assim que cheguei ao quarto, retirei meus sapatos e pendurei a bolsa. estava fazendo nebulização e minha mãe cochilava ao seu lado.
– Está tudo bem, filha?
– Estou me sentindo meio cansada, sabe? - assenti.
– Quando você inspira seu peito dói?
– Não, só me sinto cansada. - mordi o lábio – Muitas coisas estão me esgotando.
– Quais coisas? - sentei-me na poltrona à sua frente – Pode se abrir comigo.
– Mãe, você me conhece! - ela desviou o olhar para a porta.
, não é bom guardar tudo para si. Isso faz mal a nossa saúde mental e física. - desliguei o nebulizador e ela me olhou.
– Minha avó não para de roncar. - ela sussurrou e eu ri baixo.
– Mãe - mexi em seu braço e ela despertou. – Há quanto tempo ficou aí entregue ao sono, hem?
? - ela olhou para – Chegou mais cedo hoje.
– É, fiquei preocupada com essa mocinha aqui.
– Está melhor? - perguntou a , que assentiu – Fico mais aliviada. Espero que o seu avô já esteja aprontando o jantar.
– Ele estava cortando alguns legumes. - minha mãe se levantou.
– Vou ajudá-lo. - ela se retirou, fechando a porta. Olhei para .
– Eu pensei bastante em tudo que aconteceu, mas não consigo entender porque comigo. - ela passou a mão no rosto – Estou com problema no pulmão, sinto dificuldade em respirar, posso pegar uma infecção a qualquer momento e morrer por conta disso.
– Filha, eu não quero te amedrontar, mas nós não viveremos para sempre aqui nesta terra. Claro que isso não é desculpa para vivermos de qualquer forma, temos que nos cuidar e tudo mais, só que, se não for de um jeito, será de outro. Está me entendendo?
– Sim, se eu não morrer de algo relacionado ao pulmão, morro por outra coisa. - ela me encarou – Mas se você sabe disso, por que teve um surto no hospital? Por que ficou tão desesperada com a possibilidade da minha morte?
, eu não imagino a minha vida sem você! - ela ergueu as sobrancelhas – Não faça essa cara, você sabe que é verdade.
– Mãe, você deveria ser mais controlada, já que é psicóloga e entende dessas coisas.
– Quando nós temos um problema e sabemos que, mesmo sendo trabalhoso podemos resolver, conseguimos encarar. Mas, quando nós temos um problema, tão grande que foge do nosso controle, muitas das vezes, não sabemos como lidar. - suspirei – Algumas pessoas têm comportamentos diferentes, outras têm comportamentos iguais, . - pigarreei – ficou muito estressada, já ficou mais sensível, Nick e Travis queriam te proteger de tudo e todos, inclusive do médico. - ela arregalou os olhos – Eu estou dizendo a verdade! - nós rimos – Como é bom te ver sorrindo assim.
– Desculpe, mãe. Acho que eu exagero, às vezes. - assenti – Mas, eu não entendi porque você sendo uma pessoa doce e tranquila, pôde ficar tão descontrolada.
– Eu não soube lidar com a situação inicialmente, mas precisei me equilibrar e ser forte, por você.
– Você ainda se sente mal pelo o que aconteceu?
– Por que está me perguntando isso? - franzi a testa – Eu me sinto muito alegre por você estar aqui comigo, em casa.
– Acho que eu estou me sentindo melhor quanto à isso. - ela confessou, suspirando.
– Há algo mais te perturbando? - ela meio que paralisou – Já disse que você pode se abrir comigo, filha.
– Você contou a aquele homem que ele é o meu pai? - foi a minha vez de paralisar.
– Esse assunto de novo, ?
– Sim. Porque não faz sentido um homem arriscar sua própria vida num incêndio, para salvar alguém que mal conhece.
– Muitas pessoas solidárias fazem essa boa ação, filha. - ela rolou os olhos – Um bombeiro, por exemplo.
– Mãe, pare de tentar me enrolar! - ela se irritou – Eu tenho o direito de saber.
– E eu tenho o direito de tomar um banho, agora. - beijei sua bochecha – Conversamos sobre isso depois do jantar.
Levantei-me, ignorando as reclamações de e peguei minha roupa, indo para o banheiro, rapidamente.
Afundei meu corpo na banheira e fiquei pensando. Eu sempre fazia isso, mas dessa vez, os pensamentos não eram agradáveis.
é emotiva e sempre sofre calada, eu não gosto disso, sei que não é bom para ela. A minha felicidade é vê-la feliz, mas se eu não demonstro isso, ela se sente culpada. Eu não quis dizer a ela, mas não há um dia em que eu não me culpe pelo ocorrido, e conhecendo minha filha, sei que ela iria transferir a minha culpa para si.
O assunto é sempre delicado demais para se conversar, ainda mais com . Eu não posso simplesmente dizer que o pai a rejeitou, ainda mais agora que ela está se recuperando.
- minha mãe interrompeu meus pensamentos – Responda logo ou vou arrombar essa porta, achando que você se afogou na banheira.
– Que desespero é esse, mãe?
– O jantar está pronto, seja rápida.
Nem adiantaria eu agradecer a ela pelo aviso, minha mãe não gosta de esperar.
Precisei apenas de mais 10 minutos e já estava na sala de jantar.
– Achei mesmo que tinha se afogado. - minha mãe disse, passando por mim com uma tigela.
– Que exagero! - meu pai disse, me fazendo rir – , como foi no trabalho hoje?
– Não foi tão cansativo - preparei meu prato – Mas me impressiono a cada dia mais com as histórias de vida dos pacientes.
– Eu não teria paciência pra ficar sentado ouvindo as pessoas falando sobre seus problemas - rolei os olhos – Já tenho os meus, que são suficientes pra encher minha cabeça.
– Não seja tão ignorante, homem! - minha mãe se irritou – Acho lindo quem tem essa disposição e empenho para ajudar ao próximo, independente do sacrifício.
– Minha mãe gosta de ser boazinha, não é sacrifício algum. - provocou.
– Acho bom você ser também, se não quiser ficar sem o notebook que ganhou recentemente. - ela abriu a boca, incrédula e eu apenas tomei um gole do suco.
, não faz isso com a menina. - meu pai sempre defendia .
– Não se intrometa na educação de sua neta, querido. sabe o que faz.
– Será que nós podemos jantar? - pediu. Arqueei as sobrancelhas. – Paz e amor, mãe. - ela sorriu, erguendo os dedos indicador e médio.
Eu tentei fazer o meu típico olhar desaprovação a ela, mas não aguentei e comecei a rir. me acompanhou e acabou contagiando meus pais com sua risada escandalosa.

Depois do jantar, fiquei na cozinha lavando a louça.
– Já estamos indo dormir - meu pai disse, saindo da cozinha com minha mãe – Boa noite para vocês.
– Boa noite! - eu e dissemos em uníssono.
– Mãe, quer ajuda? - perguntou, já pegando um pano seco.
– Por que pergunta se nem espera a minha resposta? - pus as mãos na cintura.
– Porque eu sei que seria “não”. - continuei lavando os pratos e ela ia secando os copos – Mãe, você está tão ocupada, ultimamente.
– Eu aumentei a minha carga horária de trabalho - ela me olhou, confusa – Antes que me pergunte, fiz isso para acrescentar nossa renda, precisamos comprar logo outra casa.
– Mas nós vivemos tão bem aqui. - terminei de lavar a louça.
– Só que a casa não é nossa. - ela rolou os olhos – Filha, eu amo ficar aqui, é tão aconchegante. Mas, nós precisamos da nossa privacidade, assim como seus avós.
– Tem razão. - terminou de secar a louça e eu a ajudei a andar – Mãe, não precisa. Estou conseguindo caminhar melhor.
– Se você se desequilibrar, estarei bem atrás de você.
Segui-a, caminhando devagar em direção ao quarto. ficou dois meses na cama do hospital, sem andar nem um pouco, isso atrofiou seus músculos. Foi necessário fisioterapia para ela tornar a andar, nos fins de semana ela continua seus exercícios, mas está melhorando.
– Vá logo escovar os seus dentes - a acompanhei até o banheiro – Ficarei aqui na porta te esperando.
– Mãe, eu não sou mais um bebê! - ela bufou – O máximo que pode acontecer é eu cair.
– E se machucar! - rolou os olhos – Só saio daqui para levar você à cama.
Passaram-se alguns minutos e já estava deitada, peguei meu notebook e deitei-me ao seu lado.
– Já tomou seu remédio hoje?
– Não, eu me esqueci. - ela confessou, fazendo careta – Agora deixa para amanhã, estou com muito sono.
– Tudo bem. - a olhei, séria – Mas que isso não se repita!
– Okay. - respondeu.
Abri meu notebook e fiquei lendo dois novos e-mails. Reparei que continuava me olhando.
– O que você quer?
– Sua atenção, se não for incômodo, claro! - respirei fundo, não queria começar uma discussão com ela.
– Sou todo ouvidos. - respondi, calmamente, e ela continuou me olhando – Tudo bem. - fechei o notebook e me virei em sua direção.
– Sinto falta de Jake e Lauren - ela balançou a cabeça em negação. – Não consigo entender porque até agora eles não me visitaram, nem no hospital.
– Filha, aconteceu tudo rápido demais.
– Isso não é desculpa! - ela cruzou os braços – Eles jamais me abandonariam. Pelo menos, era o que diziam.
– Eles te visitaram, filha - ela me olhou, surpresa – Mas você estava desacordada, o máximo de reação que obtida era o forçar dos olhos.
– Nossa! - ficou pensativa – Que droga!
– Se você parar para pensar, não há tanto tempo que recebeu alta. - ela assentiu – Procurei saber com a diretora da sua escola como você poderia recuperar as aulas perdidas, mas ela disse que não há muito que fazer.
– Nesse período é sempre uma droga repor as aulas, mas eu tenho certeza que consigo.
– Não é pelas faltas, mas pelas notas. - ela passou as mãos no rosto – Eu darei um jeito de contratar um professor particular para você, mas agora...
– É tarde demais, mãe! - eu a abracei de lado.
– Você ainda não pode frequentar o colégio, também não sei se está em condições de ter aulas particulares. - acariciei o seu cabelo – Você precisa focar na sua recuperação, a fisioterapia exige muito do seu esforço, os remédios te deixam desacelerada e sonolenta.
– Eu já melhorei.
– Mas pode melhorar ainda mais! - respondi empolgada – É tudo uma questão de tempo, filha.
Lembrei-me da senhora que encontrei no elevador, quando saía do apartamento de . Confesso que fiquei surpresa e um tanto assustada com suas palavras, afinal, eu não a conheço, mas, de certa forma, me senti reconfortada.
Dei-me conta de que estava pensando demais quando virou-se de costas para mim, já adormecida. Tirei meu braço debaixo de sua barriga com cuidado e sentei-me, tornando a abrir meu notebook, não para ler os e-mails, mas para fazer acontecer o que há poucos eu estava planejando.
, preciso de um favor!” - mandei a mensagem.
“Aconteceu algo com ? Pelo amor de Deus! Diz logo!” - ela respondeu, imediatamente.
“Ela está bem, dormindo inclusive, rs... Mas o que eu quero é relacionado à ela!”
“Você está me deixando aflita, vá direto ao ponto.”
“Preciso do número de ! Por favor, não me faça perguntas.” - respirei fundo e mandei de uma vez.
“Sei que normalmente eu não faria isso, mas dessa vez, sem perguntas!” - respirei aliviada.
“Pedi para você porque desde quando voltou, Travis teve mais contato com ele que o Nick, mas não quero que nenhum deles saibam.”
“Pode ficar tranquila! Vou te enviar amanhã bem cedo. Travis está se aproximando! Beijos.”
Difícil acreditar no que minha mente estava planejando, seria uma tortura para mim, mas, por minha filha, eu passo por cima do meu orgulho.
Desliguei meu notebook e deitei-me de frente para , fiquei a observando, até eu adormecer.

– Mãe - acordei com chacoalhando meu braço – Desliga esse despertador!
– O que é isso, garota?! - sentei-me e desliguei o barulhento – Isso é jeito de me acordar?
– Eu não sou obrigada a ficar de pé às 05:30h junto com você! - ela disse irritada, se virando de costas para mim.
– Mas já que acordou, levante e tome seu remédio. - saí da cama, indo pegar minhas roupas – E eu não quero ouvir reclamações.
– Sim, senhora.
Olhei-a séria e entrei no banheiro, desta vez, o banho foi rápido, não demorou muito para eu estar pronta. Peguei meu notebook e celular, pus na minha bolsa, olhei em volta certificando-me de não ter esquecido nada.
– Esqueceu do meu beijo. - disse, me fazendo rir.
– Esqueci nada. - andei em sua direção e beijei o topo de sua cabeça – Se sentir qualquer coisa fale com a sua avó.
– Ok. - disse sonolenta.
– É para falar mesmo, ! - disse firme.
– Tá bom, mãe. - suspirei.
– Tenha um bom dia - beijei sua bochecha – Te amo.
Fui direto para a cozinha, sem fazer muito barulho, preparei o meu café. Ouvi uma buzina, sabia que era o táxi a minha espera, imediatamente, saí de casa.

Diferente do dia anterior, o trânsito estava mais rápido e eu não demorei a chegar ao trabalho. Paguei Carlitos e entrei no prédio.
– Bom dia, Suri. - cumprimentei a minha secretária.
– Bom dia, doutora. - ela sorriu – Marquei um paciente para 07:30h, tudo bem?
– Sim - assenti – Eu vou para minha sala.
Já adentrei pendurando minha bolsa e jaqueta, abri a janela, sentindo a brisa invadir o lugar. Acomodei-me em minha cadeira e liguei para .
– Por que está demorando tanto para me mandar o número de ?
Então, eu tive uma noite cansativa com Travis, se é que me entende.
– Poupe-me de qualquer detalhe! - rolei os olhos.
Eu não ia contar mesmo. - ri sozinha – Então, eu vou te enviar como mensagem e depois apago. Travis não sabe de nada, peguei o celular dele escondido.
– Melhor ser rápida!
Acabei de te enviar.
– Muito obrigada.
, eu sei que não devo me intrometer nos seus assuntos, mas cuidado com o que você vai fazer.
– Agradeço a preocupação, mas pode ficar tranquila - ela suspirou alto – Depois te conto tudo!
Preciso me arrumar para o trabalho, agora. Beijos.
– Beijos.
Assim que finalizei a chamada, dei uma olhada nas mensagens, meu coração deu uma leve acelerada ao ver uma delas com o número de .
O telefone comercial tocou, forçando-me a desviar meu pensamento para o trabalho.
– Oi, Suri.
Doutora, sua paciente de 07:30h já chegou, posso pedir para que ela suba?
– Por favor.
Ok, ela já está subindo.
– Obrigada.
Não demorou e a paciente já estava em minha sala.

Depois de 40 minutos de conversa...
– Eu tentarei encarar esse medo. - ela disse firme.
– E você vai conseguir! Todos nós temos receio de algo, mas não podemos deixar isso nos dominar, entende?
– É difícil! - ela suspirou – Todas as vezes que passo por isso, sinto como se eu fosse morrer.
– Continue tentando, mas com outro tipo de pensamento. - ela franziu a testa – Essas reações do seu corpo não passam de uma impressão, o nosso psicológico também faz isso. Mas, quero que você pense positivo. Todas as vezes que o seu corpo reagir dessa forma, lembre que você é saudável, que isso tudo não passa de pensamentos negativos, é tudo invenção da sua própria mente, nada disso é real, você está bem e é assim que vai continuar, bem.
– Confesso que não será fácil, mas tentarei.
– Você vai conseguir! - ela sorriu para mim.
– Obrigada, doutora. - nos levantamos e caminhamos até a porta – Semana que vem eu volto, e espero que com boas notícias.
– Se Deus quiser! - despedi-me dela.
Fiz algumas anotações no meu notebook e recebi outra ligação de Suri.
Doutora, tem dois adolescentes eufóricos aqui querendo falar com a senhora.
– Suri, sem tanta formalidade entre nós. - ela sabia que eu não fazia questão de ser chamada de “doutora” e “senhora”, somos colegas de trabalho há anos.
Desculpe doutora, mas é força do hábito e eu sempre preferi me referir à senhora desta forma na presença dos pacientes.
– E na ausência deles também, não é mesmo? - ela riu – Mas ok, conversamos sobre isso em outra hora.
E quanto aos adolescentes, posso deixá-los subir?
– Sim. - desliguei o telefone.
Aguardei eles entrarem e para minha não surpresa, eram Lauren e Jake.
– Tia , que saudade! - Lauren foi a primeira a me abraçar.
– Menina, você está com piolho? - ela fez careta e Jake riu.
– Foi a mesma coisa que pensei quando a vi de cabelo curto! - ele disse, recebendo um olhar fulminante de Lauren.
– E você não vem me abraçar? - ele veio em minha direção, todo preguiçoso.
– Meu cabelo está ainda mais lindo! - Lauren afirmou, de braços cruzados.
– Tenho que concordar. - ela sorriu – Aliás, os dois estão ótimos!
– Já a ... - Jake disse, recebendo uma cotovelada de Lauren.
– Ela está melhorando, mas sente falta de vocês.
– Também sentimos falta dela, e é por isso que matamos aula pra vir aqui falar com você. - pus as mãos na cintura.
– Não estou acreditando que fizeram isso! - eles abaixaram a cabeça – Lauren, você sempre teve mais juízo que Jake e . O que aconteceu?
– Tia, relaxa - Jake andou até a janela – Um dia só, ninguém vai sentir nossa falta.
– Nós viemos te pedir para vermos - ergui as sobrancelhas – Podemos ajudá-la com as matérias, ainda dá tempo de recuperar as notas.
– Agradeço o que querem fazer por ela, mas isso tomaria muito o tempo de vocês e...
– Tia, já nos organizamos - olhei para Jake – E nós estamos decididos a ajudar !
– Venham me abraçar, agora! - eles riram, me abraçando forte – Estou muito feliz com a atitude de vocês, e tenho certeza que ficará ainda mais.
– Demoramos tempo demais para fazer isso. - Lauren disse arrependida.
– E ela é como nossa irmã. - Jake completou.
– E vocês como meus filhos emprestados. Por isso ordeno que voltem agora para o colégio!
– Mas nós...
– Tudo bem, tia - Lauren deu outra cotovelada em Jake, que reclamou – Nós vamos voltar para a escola. - eles foram caminhando até a porta.
– Juízo! - antes mesmo de eu terminar, Lauren fechou a porta.
Essas crianças sempre me alegram, vai fazer muito bem à a visita deles.

Despedi-me de mais um paciente e sentei-me novamente, olhei para o meu celular e finalmente tomei coragem de ligar para .
Já estava desistindo de esperar ele atender, até que ouvi sua voz do outro lado da linha e meu coração acelerou.
Alô? Quem é que está...
– Sou eu, . - respirei fundo – Não reconhece a minha voz?
Sim, eu reconheceria sua voz em qualquer lugar desse mundo. - apertei meus olhos, ao ouvi-lo.
– Sei que deve estar se perguntando o porquê te liguei, mas eu preciso muito falar contigo.
O que aconteceu dessa vez? - pude perceber a preocupação em seu tom de voz.
– Podemos conversar pessoalmente?
Claro! - ele respondeu, imediatamente – Tudo bem se nos encontrarmos na Toca da Tia Jô?
– Na Toca da Tia Jô? - minha voz saiu um tanto alterada.
Algum problema?
– Nenhum. Só estou surpresa com a escolha do lugar, mas ok. - engoli o seco.
Quando você...
– Ainda hoje. - o interrompi, olhando para fora da janela.
Qual horário?
– Agora.

– Te encontro lá! - finalizei a chamada.
Minhas mãos suavam, como no dia em que eu falei com ele pela primeira vez. Tantos lugares para nos encontrarmos e sugere logo a Toca da Tia Jô, esse era o nosso ponto de encontro quando ele ainda me visitava, antes de viajar. Serão tantas lembranças que virão à tona, não sei se estou preparada, mas preciso ser forte. Por , eu preciso.
Fechei a janela, vesti minha jaqueta e peguei a bolsa, saí da sala quase que correndo.
– Preciso sair agora, é urgente!
– Mas, e os pacientes já marcados? - Suri levantou-se de sua cadeira, preocupada – A Senhora Jocasta chega daqui a 20 minutos, ela vai me tratar muito mal se eu disser que a doutora teve um imprevisto e precisou sair.
– Desculpe Suri, eu entendo a sua posição, essa mulher é muito grossa, realmente. - ela fez uma expressão de derrotada – Mas, não permita que ela te trate mal, ainda mais na frente de outras pessoas.
– Não posso fazer isso, doutora! Eu sou apenas...
– Uma pessoa maravilhosa que merece respeito como qualquer outra! - ela sorriu tímida – Eu me responsabilizo por qualquer consequência disso, mas não permita que ela te destrate.
– Obrigada. - sorri, enquanto arrumava minha jaqueta.
– Suri, vá para casa! - ela ergueu as sobrancelhas – É, fique com o dia livre.
– Mas...
– Eu não tenho hora para voltar e provavelmente não terei condições de continuar o trabalho por hoje. - ela assentiu – Não atenda a mais ligações, deixe tudo como está e vá para casa.
Antes que ela pudesse me agradecer, saí do prédio e entrei no primeiro táxi que vi à minha frente, não esperaria por Carlitos, já havia demorado demais.

Cheguei a Toca da Tia Jô, olhando ao redor, procurando por .
- olhei para trás e ele me observava.
– Demorei? - ele negou com a cabeça, mas eu sabia que estava mentindo – Desculpe, eu vim do trabalho e...
– Tudo bem, não precisa se explicar. - sorriu e eu assenti – Podemos nos sentar no lugar de sempre, o que acha?
– Péssimo. Esse lugar já me traz muitas lembranças, eu não quero ter que lidar com mais isso agora. - respirei fundo, sentindo minhas mãos suarem – Espero que entenda!
– Claro. Vamos ficar num local mais afastado, então.
Passei a sua frente e ele me seguiu em direção a um banco de madeira, que ficava abaixo de uma árvore. Aquele lugar era o nosso ponto de encontro, mas sempre ficávamos dentro de uma das “tocas”, desta vez, preferi ficar ao ar livre.
– Qual é o assunto de hoje? - perguntou interessado.
– Você já deve imaginar.
– Olha, , não quero brigar com você. Eu vim porque quero resolver o mal entendido do hospital - ele fixou seus olhos nos meus – E também porque queria te ver, novamente.
– Não houve mal entendido algum, pelo contrário, ficou tudo bem esclarecido. - desviei meu olhar para uma das “tocas” – Mas uma coisa não podemos mudar, querendo ou não, você é o pai da .
, eu não vou acreditar nisso, se é o que você espera. Ela não parece com você e muito menos comigo! - afirmou. Peguei meu celular de dentro da bolsa. – O que vai fazer?
– Olhe bem para esta imagem - o mostrei uma foto de sorrindo de lado, como ele costumava fazer quando estava aborrecido e eu tentava animá-lo – Vai me dizer que não há semelhança entre você e ela?
– É coisa da sua cabeça.
– Então assista - pus o celular em sua mão e ele observou, a contragosto. No vídeo, estava tentando se esconder da câmera e virou de costas, mostrando sua manchinha. – Olhe bem para a nuca dela.
– E-essa manchinha... É idêntica a da minha bisavó, como uma folha de uva. - ele disse incrédulo – Não pode ser!
– Assuma a paternidade de , estou te pedindo.
– Que diferença isso vai fazer agora? - ele me encarou – Depois de tanto tempo, o que você quer de mim? - segurou meus braços.
– Que você seja o pai que nunca foi.
– A CULPA NÃO É MINHA! - ele se levantou nervoso – E-EU...
- me aproximei dele, segurando em sua mão – Acalme-se. - o puxei de leve e ele me seguiu, sentando-se novamente.
– Não consigo acreditar que isso esteja acontecendo comigo! - ele abaixou a cabeça, chorando – Por que você não procurou por meus pais, eles certamente teriam me contado.
– Sua mãe nunca gostou de mim, você sabe. - lembrei-me das vezes que aquela mulher me ofendeu – Acho que ela era capaz de me pedir para abortar.
– Não diga isso, ! - ele me olhou – Minha mãe jamais faria isso!
– Quando penso que tudo podia ter sido diferente... - suspirei, tentando segurar o choro – Eu sinto tanta culpa.
– Não se culpe por nada, as coisas simplesmente acontecem.
– As coisas acontecem por conta das nossas escolhas.
– Você tem razão. Se eu tivesse procurado por você antes, não estaríamos passando por isso agora. - confessou, e eu não consegui conter a minha vontade de chorar – Carly...
, não mencione o nome daquela mulher, por favor. - pedi, irritada.
– Você está certa, eu fui um babaca e nem sei como me desculpar.
– Eu não quero que...
– Mas vou tentar! - olhei para baixo, não queria encará-lo, no momento – Me perdoe por ter sido um pai ausente para , me perdoe por ter sumido durante esses 16 anos e ter te deixado sozinha nos momentos que você mais precisou, me perdoe por ter te causado tanta dor. - pus as mãos no rosto, estava muito emocionada – Eu te amo.
– Não, eu não quero ouvir essa frase. Não de você. - enxuguei minhas lágrimas – Se quer o meu perdão, comece ir à casa dos meus pais para visitar .
– E depois disso? - perguntou confuso.
– A sua consciência te dirá o que fazer. ¬- ele assentiu, dando um meio sorriso – Pense nos sentimentos de , ela não é de se expressar, apesar de ser bastante emotiva, mas ficou me perguntando o porquê de você ainda não ter a visitado. Ela queria mesmo saber se eu tinha ou não contado a você que é o pai dela.
quer me ver? - fiz que sim com a cabeça, ele suspirou – Você contou a ela que eu a rejeitei?
– Não, por isso estou aqui. - disse a verdade.
– Podemos fazer o exame de DNA? - a pergunta de me deixou um tanto ofendida ¬– Desculpe-me, eu não quero...
– Se esta é a sua vontade, assim faremos. - peguei minha bolsa.
– Por favor, fique. - ele segurou meu pulso, eu apenas mantive o olhar à minha frente – Eu jamais faria algo para te magoar.
– Você já fez.
– Eu sei, mas... Não foi por mal, ! - tornei a me sentar – Tente compreender a minha situação, depois de 16 anos eu descubro que tenho uma filha, com você. Entre nós, só rolou uma vez, e foi no Baile de Formatura.
– Exatamente! - o olhei, percebendo seu espanto – Não te contei antes porque também não sabia, só descobri quando já estava com quatro meses de gestação.
– Me tire uma dúvida, se eu tivesse voltado para te visitar, depois que viajei, teria acompanhado a gravidez desde o começo?
– Pelo menos, desde quando eu descobri.
– Que merda eu fiz! - assenti, percebendo o arrependimento em seus olhos.
– A minha vontade é de te dizer “bem feito!”, por tudo que você me fez sentir. Uma mistura de raiva, com frustração, culpa e arrependimento. - ele me olhou, incrédulo – Mas eu não te desejo o mal.
– Você me perdoa? - fiz que sim com a cabeça.
– Eu já te perdoei, apesar de nunca ter compreendido sua ausência
– Eu espero que possamos continuar de onde paramos.
– Não espere por isso. - franziu o cenho – Para mim, você será apenas o pai da .
– Não quer voltar comigo? me olhou intensamente – Depois de tudo que dissemos um ao outro, você não quer ficar comigo?
– Você mudou demais, ! Eu nem te reconheço.
– Sim, eu amadureci ao longo dos anos - ele segurou minha mão – Mas nunca deixei te amar.
– Chega! - ele tentou continuar, mas eu pus a mão delicadamente em sua boca. – Eu não quero mais ouvir isso!
– Eu sei que você também me a...
, estou feliz por você ter aceitado a situação, mas isso não muda nada entre nós.
– Tudo bem. - ele soltou minha mão – Eu comprei uma casa aqui perto, acho que vai ser de fácil acesso para .
– Você pode visitá-la quando quiser! - sorriu de lado, eu me levantei pronta para ir embora.
- me virei para ele – Posso visitar , agora?
– Agora? - ele assentiu – Eu acho que...
– Por favor. - suspirei.
ainda está muito fragilizada física e psicologicamente - ele assentiu – Mas acredito que ela ficará feliz com sua visita.
– Posso te pedir mais uma coisa? - rolei os olhos, mas consenti – Me dá um abraço?
Fiquei pensando por alguns segundos, mas não me custava dar um abraço nele, depois de toda essa conversa, senti que ficou muito sensibilizado. Aproximei-me dele e o abracei, sentindo o calor de seus braços em volta de mim, descansei minha cabeça em seu peito. Acredito que, tanto eu quanto ele, estávamos aproveitando cada segundo desse abraço, até meu celular tocar.
– Desculpe, preciso atender - peguei o celular na bolsa – Pode ser minha mãe para falar da .
Filha, quer ir a casa da Lauren.
– Mãe, hoje não. Tenho uma surpresa para ela.
Ela vai ficar uma fera, mas tudo bem. - imaginei o quanto a mocinha iria reclamar ¬– Você já está vindo?
– Sim, até daqui a pouco. - ela finalizou a chamada – queria ir a casa da amiga.
– Ela vai me culpar por você não ter deixado?
– Provavelmente. - nós rimos – Me esqueci de ligar para o taxista.
– Não precisa, meu carro está aqui perto. - passou por mim, tirando a chave do bolso, fiquei o observando – O que houve?
– O quê? - franzi a testa.
– Você continua parada no mesmo lugar. - eu ajeitei a minha sandália, como uma forma de disfarce e fui até ele. Abriu a porta para mim.
– Obrigada.

Não nos falamos durante todo o caminho, estava muito tenso, preferi deixá-lo pensar em como agiria.
– Nossa! A casa dos seus pais continua da mesma forma!
– Sim, nada mudou por aqui. - nos aproximamos da porta – Está nervoso?
– Demais! - soltei uma risada – Espero que goste de mim.
– Não se preocupe com isso. - adentramos a casa e minha mãe nos olhou, surpresa.
– Ai meu Deus! - ela apertou seu próprio rosto – !
– Mãe, se acalme. - dei passagem para , que estava desconfortável.
– Como vai, ? - ela perguntou por educação.
– Bem, obrigado. - ela assentiu – E a senhora?
– Agora estou preocupada, mais tarde eu espero não estar pior que isso.
– Mãe, por favor! - a lancei um olhar de reprovação – está no quarto?
– Sim, se prepare para a rebeldia.
– Vamos ao quarto. - disse ao e ele me acompanhou, meio tímido.
– Estou realmente nervoso.
– Eu entendo, mas é normal, depois você vai se sentir mais confortável. - toquei a maçaneta – Preparado? - ele respirou fundo e me olhou, negando com a cabeça.
– Vamos fazer assim, eu entro primeiro e falo com ela, depois te chamo aqui.
– Tudo bem. - adentrei o quarto.
– Filha - tirei minha jaqueta e pendurei, junto com a bolsa. – Como se sente hoje?
– Irritada. - tirei minhas sandálias e me aproximei dela – Você podia ter me deixado ir para a casa da Lauren, Jake também estaria lá.
– Primeiro, você ainda não está podendo sair, ainda mais só com seus amigos.
– Eu tenho 16 anos, sei me cuidar. - ela ergueu as sobrancelhas – Já tomei meus remédios, mas se eu sentisse qualquer coisa, os pais da Lauren me levariam ao hospital.
– Eu sei disso, mocinha - segurei em sua mão – Mas eu tenho uma surpresa para você.
– E não poderia me surpreender mais tarde ou num outro dia?
, deixa de ser chata - dei uma leve tapa em sua perna e ela riu – É especial, tenho certeza que você vai gostar!
– Me surpreenda. - ela deu de ombros.
Levantei-me rápido e segui até a porta.
– Pode vir. - ele suspirou e entrou, logo após.
. - a chamou e seus olhos quase saltaram.
Emocionei-me ao presenciar a cena. Olhei para minha filha e sua expressão que antes era de tédio, se transformou em espanto.


Continua...

Nota da autora: (31/08/2017)



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