Autora: Gabriela D. P. | Beta: Lari Carrião (Ste Pacheco até o capítulo 14)

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“You know I wanna be the one who hold you when you sleep
I just want it to be you and I forever
I know you wanna leave
So come on, baby, be with me so happily
It's 4am, and I know that you're with him
I wonder if he knows that I touched your skin
And if he feels my traces in your hair
I'm sorry, love, but I don't really care.”

Capítulo Um

Após passar as últimas horas dentro daquele hospital, como era bom finalmente chegar em casa. Hoje posso respirar mais tranquila, o pior já havia passado.
Há uma semana eu estava indo todos os dias ao hospital dar um apoio à minha amiga, , que além de uma grande amiga é minha vizinha que mora no andar acima do meu, e aos seus pais. Afinal, eles acabaram se tornando uma segunda família para mim, pois eu estava a um oceano de distância da minha.
Seu irmão de apenas 18 anos havia sofrido um acidente de carro e estava em estado muito crítico, mas hoje ele apresentou melhoras e pela previsão dos médicos amanhã seria transferido para um quarto.
Ao entrar em meu quarto, me deparo com duas caixas em cima da minha cama, acompanhadas de um cartão. Eram presentes de Albert, um vestido e um par de sapatos. Abri o cartão para ver qual era a ocasião tão especial, pois não lembrava quando havia sido a última vez que ele me presenteara assim de surpresa. No cartão dizia que essa era a roupa para eu usar hoje à noite na festa de aniversário de um dos sócios da Modest Management, onde nós dois havíamos sido convidados.
Albert e eu estávamos juntos em torno de um ano e meio. No início, muitos achavam que eu estava com ele apenas por interesse, por ele ser um empresário no meio artístico e eu uma simples brasileira que veio para Londres para estudar. E também sofri pelo preconceito devido à nossa diferença de idade, ele tem 41 anos e eu 25. Mas aos poucos ele foi me cativando e acabou me conquistando. Nem sempre ele era uma pessoa presente e carinhosa, inclusive esse foi um dos motivos pelo qual me apeguei tanto à família de . Sempre que ele me deixava sozinha por assuntos do trabalho, eram eles que me acolhiam, mas independente disso, sentia que Albert se preocupava e gostava muito de mim, da maneira dele, é claro.
Admito que ultimamente ele se mostrava um pouco distante e frio, principalmente nos últimos dias. Mas acredito que esta noite será o momento perfeito para me distrair um pouco, quem sabe as coisas comecem a entrar nos eixos novamente e Albert volte a me notar como antes.
Tomei um longo banho na banheira para relaxar um pouco e ficar mais disposta para a festa mais tarde. Então comecei a refletir em como o nosso relacionamento já não era como antes, nesses tempos havíamos nos distanciado um pouco, ele andava muito ocupado, sempre falando que estava tentando uma promoção, seu tempo era ocupado por trabalho praticamente 24 horas e eu acabei ficando envolvida ajudando e a sua família.
Mas pelo fato de Albert ter me surpreendido com este presente, acredito que ele também está tentando resgatar o nosso relacionamento.
Assim que saí do banho, me enrolei na toalha, fui até minha cama e abri a caixa, retirando o vestido para vesti-lo. Era lindo, Albert conhecia meu gosto.
Estava terminando de colocar meus brincos, quando pontualmente às 18h30min Albert passou me buscar. Para minha sorte, eu estava pronta, pois ele odiava atrasos. Ele estava me aguardando com o carro estacionado em frente ao prédio.
- Demorou... – olhou impacientemente para o relógio.
- Foi só o tempo de descer o elevador, Albert. Eu já estava pronta. – expliquei, calmamente enquanto colocava o cinto de segurança.
- Está bem. – Me olhou por alguns instantes. - O vestido ficou bem em você, . Acertei o tamanho. – comentou, de uma maneira bem indiferente e logo deu partida no carro.
- Obrigada pelo presente, Albert. – sorri de leve, mas sem ao menos ele ter prestado atenção.
- Hoje acontecerá uma festa importante, todos os sócios estarão presentes e muitos artistas que são agenciados pela Modest também estarão lá. Você não poderia ir vestida de qualquer jeito, não é mesmo? – comentou, de uma maneira bem arrogante, sem tirar os olhos por um segundo da estrada.
Respirei fundo, pois não queria criar atrito. Ele deveria estar um pouco cansado e não queria aborrecê-lo. - Sabia que o irmão da apresentou melhoras e logo será transferido para um quarto? Isso não é ótimo? – falei, com entusiasmo. Quem sabe essa notícia o animaria.
- Sim. – Respondeu, de uma forma automática e distante. Como se praticamente nem tivesse me ouvido. – Agora me lembrei de mais uma coisa, não me faça passar vergonha, mantenha-se discreta, imagem é tudo nesse meio, você sabe disso.
- E alguma vez te fiz passar vergonha por acaso? – perguntei, com o tom de voz mais elevado. Aquilo era demais pra mim. Nos últimos tempos era sempre assim, ele a cada dia se tornava mais frio e insensível. – O que você tem, afinal?
- Não tenho nada, apenas fiz um comentário. Não precisa ficar toda ofendida. Já estamos quase chegando, por favor, se acalme e mantenha sempre um sorriso no rosto.
Ele manobrou o carro até o estacionamento do local. E assim que saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para eu sair e entramos de mãos dadas.
O clube estava cheio, logo tratou de me apresentar aos sócios, que estavam todos reunidos em uma só mesa e em seguida a Richard, o aniversariante e sócio majoritário da Modest.
Depois de certo tempo, Albert me deixou totalmente de lado. Eles ficaram conversando somente sobre trabalho e outros assuntos que estavam me deixando entediada.
Pedi licença para ir buscar algo para beber, mas era como se eu fosse invisível. Apenas dei às costas e me direcionei até um banco vago junto ao bar.
Entre um gole e outro do meu drink, fiquei dali apenas observando Albert com um copo na mão, se divertia e ria de uma maneira como nunca havia visto, sem ao menos ter percebido minha ausência. Já havia estado em alguns outros eventos com ele ano passado, mas foram poucos e esta era a primeira vez em que me senti totalmente excluída. E não há como explicar essa solidão mesmo estando rodeada de tanta gente.
Girei meu banco para ficar de frente para o garçom e pedir mais uma dose. Ao fazer esse movimento, acabei esbarrando em alguém que havia acabado de pegar um copo de bebida, fazendo assim derramar quase todo líquido em meus pés.
- Ai, me desculpa... – dei um pulo, levantando-me do banco. – Deixa que eu pego mais uma bebida pra você. Nossa, sou muito desastrada mesmo. – enquanto falava, me virei de lado para o garçom e pedi mais uma bebida.
- Não se preocupe, eu que peço desculpas... Também estava distraído. – ele me alcançou alguns guardanapos. Nesse instante, nossos dedos acabaram se encostando, fazendo assim com que eu voltasse minha atenção à pessoa que estava diante de mim. Nesse momento, meu estômago se embrulhou, Albert jamais me perdoaria de fazer esse fiasco, de derrubar a bebida de um dos queridinhos dele, justamente um dos garotos do One Direction. Era tudo que eu ouvia Albert falar ultimamente. E para piorar a minha situação, tive um lapso de memória, fiquei tão atônita que sequer lembrava o nome dele, era como se todos os nomes estivessem embaralhados em minha cabeça.
- Vou ter que pagar sapatos novos pra você. – Ele riu, enquanto me observava secar os sapatos.
- Não se preocupe, não vai estragar, não. – respondi, timidamente. – Mais uma vez, me desculpe pelo incidente, nem sempre sou assim tão desastrada... – Coloquei os guardanapos em cima do balcão. – Melhor eu parar de importunar e deixar você curtir a festa. Já tive a minha cota de papelão pela noite. – baixei a cabeça e fui me afastando antes de cometer mais uma gafe.
- Espera... – Ele então me segurou gentilmente pelo braço. – Posso ao menos saber seu nome? – me pediu, com um sorriso tão simpático estampado em seu rosto, que não poderia ser tão rude e ignorar.
- Meu nome é . – Respondi, olhando diretamente para aqueles olhos castanhos.
- Você trabalha na Modest? – perguntou, aproximando-se um pouco mais.
- Não... E-Eu... Eu sou a namorada do Albert. Acho que é assim que me intitulam. - não pude conter um riso nervoso. - Normalmente quase ninguém sabe meu nome. – Tentei parecer o mais descontraída possível.
- Namorada do Albert? – o sorriso dele desapareceu na hora. – Até sabíamos que Albert tinha uma namorada, mas... É que ele... E você é... – franziu a testa, entreolhando para Albert.
- Eu o quê? – indaguei, sem entender o que ele quis insinuar.
- Nada não... – balançou a cabeça. – O que eu quis dizer é como que ele te deixou aqui sozinha no bar?
- Ele está um pouco ocupado... E como não entendo e não gosto muito dos assuntos que eles estavam conversando, decidi não atrapalhar e ficar por aqui mesmo. – respondi, transparecendo que não estava muito contente com a situação. Sentei-me novamente no banco próximo ao bar e olhei na direção onde estava Albert em seu círculo de “amigos”. Ele ainda ria muito e conversava de maneira bem expansiva.
- E se importa de eu lhe fazer companhia? Prometo tentar não estragar a sua diversão. – Tomou um gole de sua bebida.
- Claro que não me importo, mas acho que é mais fácil eu estragar a sua diversão esta noite.
- Impossível. – Respondeu, com um sorriso. - Espero que você não conte para o Albert, mas essas festas são um porre, eu tive que vir apenas para cumprir com agenda e essas coisas.
- Nisso tenho que concordar com você. Realmente isto está longe de se chamar de festa. – eu ri.
- Pelo seu sotaque percebi que não é daqui, certo? – perguntou, assim que sentou-se no banco ao meu lado.
- Eu sou do Brasil, estou morando em Londres fazem dois anos. Vim para fazer intercâmbio, estudar e aprimorar meu inglês e acabei ficando depois que conheci o Albert.
- E como você o conheceu? Quanto tempo vocês estão juntos? – Perguntou, me deixando um pouco sem jeito. - Desculpe pela pergunta, eu sou meio intrometido às vezes, nem precisa responder se não quiser.
- Por mais clichê que pareça, eu trabalhava em uma loja da Armani no shopping e certo dia ele apareceu para comprar um terno e a partir deste dia ele começou a ir até a loja com mais frequência. Até que um dia, depois de algumas investidas dele, acabei aceitando seu convite para jantar. Estamos juntos há um ano e meio. – dei uma breve pausa. - Mas chega de falar sobre mim. E então, você foi o único da banda a ser obrigado a marcar presença aqui hoje?
- Não, o Harry e o Niall também tiveram que vir, mas eles saíram um pouco antes do nosso pequeno “acidente” aqui no bar. Eu também ia embora, mas mudei de idéia. – ainda me olhando, tomou o último gole de sua bebida.
Por eliminação, constatei que haviam sobrado apenas três nomes, Liam, Louis e Zayn. Eu ouvia falar quase sempre deles e agora não consigo lembrar um simples nome? Pensa, , como eu posso tentar descobrir sem ter que pagar mico?
- E os outros não foram chamados? O... – tentei me fazer não lembrar apenas o nome de um.
- O Zayn? O Louis? – ele perguntou, automaticamente respondendo a minha pergunta.
- É... Eles. Por que não vieram?
- O Louis estava com a família e o Zayn resolveu aproveitar uma folga e levar a Perrie jantar, não sei bem.
Fiquei aliviada que pelo menos não ia dar essa bola fora de ter que perguntar o nome dele. Conversamos por um tempo sobre vários assuntos, até rimos de algumas pessoas que já haviam bebido demais na festa. Era como se eu nem lembrasse que Albert havia me ignorado o tempo todo. Então Liam virou-se pra mim.
- Posso te fazer mais uma pergunta? - concordei com a cabeça, segurando o copo do drink com as duas mãos. – Você parecia um pouco triste e desanimada antes ou foi apenas impressão minha?
- Não... Não exatamente... Digo... É que aconteceram algumas coisas...
Nesse instante, fui interrompida ao sentir alguém tocar em meu ombro. Virei meu rosto para ver, era Albert.
- Vejo que encontrou alguém com a mentalidade parecida com a sua para conversar. – Albert proferiu, debochando, percebia-se que ele estava levemente embriagado. – Então, Liam, minha namorada não estava te importunando por um autógrafo, não é mesmo? – Albert gargalhou.
Liam apenas o encarou com um olhar de reprovação.
- Vamos, querida, temos que ir para casa agora. – Albert me puxou bruscamente pela mão, então tive que esticar o braço para alcançar minha bolsa que estava pendurada no banco. Na pressa, acenei para me despedir de Liam, que apenas me acompanhou com seu olhar até eu sair.
No momento em que saímos do elevador no andar do estacionamento, Albert soltou minha mão e entrou rapidamente no carro e assim que eu entrei ele deu partida.
Durante o trajeto de volta, permaneci calada e desta vez quem rompeu o silêncio foi Albert.
- Tenho que dizer, você está de parabéns hoje, se comportou muito bem diante de todos, até recebi elogios seus. O vestido que lhe dei surtiu efeito. – Sorriu maliciosamente. – O que tanto você e aquele garotinho conversavam? Não deu uma de fã louca pra cima do coitado, não é mesmo?
Realmente, isso estava me deixando nervosa e sem paciência, quem ele achava que era pra estar falando comigo dessa maneira, às vezes ele era frio e distante, mas esse jeito asqueroso e arrogante está passando dos limites.
- Sim, é bem como sou. Uma louca desequilibrada, que não sei me comportar na frente de pessoas famosas. Um ano e meio de convivência comigo e não tinha percebido? – respondi, extremamente irritada. – Quando é que eu te fiz passar alguma vergonha? Me diga! – exclamei, com raiva.
- Fica calminha, estou só brincando com você, meu docinho. – respondeu, passando a mão na minha coxa. Fazendo eu me afastar daquele toque. – O que foi? Tá ofendida agora, é? Amanhã te compro algo novo e garanto que já passa essa birra. – Riu de uma maneira bem irônica.
No fundo, queria acreditar que ele estava dessa forma por causa da bebida, mas não podia negar que já fazia algum tempo que ele estava me tratando assim. E eu que pensei que esta seria a noite perfeita para que tudo voltasse como era no início. Doce ilusão a minha.
Assim que chegamos ao apartamento, ele abriu a porta, jogou as chaves em cima da mesa e foi direto para o quarto. Eu o segui e assim que ele cruzou a porta do quarto, apenas jogou seus sapatos em um canto e mergulhou na cama.
Mantive toda minha calma para não iniciar uma discussão, então tranquilamente fui até o banheiro fazer minha higiene, tirar a maquiagem e colocar meu pijama. Enquanto escovava meus dentes, minha mente viajou um pouco e veio a imagem do sorriso de Liam e uma sensação de tranquilidade tomou conta de mim nesse instante, levando embora toda irritação que Albert provocou alguns minutos atrás. Senti como se eu e Liam nos conhecêssemos há tempos. Jamais imaginei que ele fosse assim tão simpático e uma pessoa tão agradável de conversar.
Sequei meu rosto e ao me encarar novamente no espelho era como se todas as minhas verdadeiras emoções, necessidades, realizações, medos e carências refletissem ali, diante dos meus olhos. O que havia acontecido comigo e com Albert? Sentia como se esse tempo que passamos juntos estivesse se esvaindo por entre meus dedos e algo estivesse mudando dentro de mim, mas espero se tratar de uma fase e que possamos superar tudo isso.
Ao sair do banheiro, me aproximei da cama e tive que juntar toda minha força para empurrar Albert, que estava estatelado na cama parecendo uma estrela do mar, para que eu tivesse um espaço onde pudesse dormir. Ele já estava em um sono tão profundo que chegava a roncar alto. Acomodei-me um pouco encolhida, puxei o lençol, fechei os olhos e logo acabei pegando no sono.

Capítulo Dois

Na manhã seguinte, já eram nove da manhã e Albert tinha saído de casa fazia um bom tempo. Sequer havia se despedido. Levantei-me um pouco desanimada e vesti meu robe que estava pendurado ao lado da minha cama. Quando eu estava prestes a sair do quarto, a porta se abriu.
- Bom dia, ! Que bom que já está acordada, quer tomar café, querida? – perguntou Lydia.
- Sim... Obrigada, Lydia. – Respondi, terminando de amarrar meu robe e a acompanhei até a cozinha.
- Sabe que horas Albert saiu? – perguntei, sentando-me à mesa enquanto Lydia servia o meu café.
- Logo que cheguei o Sr. Albert saiu. Mas antes me pediu para lhe passar um recado. Que por volta do meio dia ele irá passar para te buscar. Parece que vai ter um almoço na casa de um dos sócios. – falava, enquanto servia alguns pães no prato em minha frente. - Acho que era isso, se entendi bem. Também pediu para você ir apresentável, foi essa palavra que ele usou. Ele falou que provavelmente terá fotógrafos por lá. Foi tudo que ele disse, desculpe, só estou passando o recado, .
- Eu sei, Lydia, já estou acostumada, ultimamente é sempre assim, mas prometi a mim mesma não deixar isso me afetar mais. Talvez seja apenas uma fase por ele estar trabalhando muito. – peguei a faca e passei manteiga no meu pão.
- É... Pode ser... – Lydia concordou, e direcionou-se até a pia.
Lydia trabalha há anos para Albert, apesar de eu gostar muito dela e ela sempre demonstrar ter afeição por mim, não sabia se de fato poderia confiar nela para desabafar o que eu estava passando.

Liguei para minha para ver se estava bem, como estava seu irmão e se já haviam o transferido para o quarto, mas o médico pediu mais uns exames e amanhã mesmo ele iria para o quarto. Essa notícia me animou e então me tranquilizei. Depois de ter finalizado a ligação, abri meu armário para procurar algo “apresentável”, como Albert falou para Lydia. Enquanto passava meus dedos pelos cabides, fiquei pensando no motivo pelo qual me chamou para dois eventos seguidos de seu trabalho. Talvez essa fosse a minha chance, eu precisava fazer ele me notar novamente, não estava mais aguentando tanto desprezo da parte dele.
Puxei um nos últimos cabides e encontrei em meio às minhas roupas um terno do Albert, Lydia provavelmente não havia percebido e guardou no lugar errado. Tirei do cabide e joguei em cima da poltrona que tinha no closet. Quando o terno pousou no braço da poltrona, caiu um papel de dentro do bolso dele. Juntei do chão para ver e era um cartão de visita da própria Modest, mas tinha algo escrito à mão atrás:

“Sábado às 20:00 - 6 Frith St, London W1D 3JA... 020 7212 1235 Vou contar os dias, babe! – Shannon.”

Nesse instante, uma raiva tomou conta de mim. Era muito óbvia a sua mudança, agora tudo fazia sentido. Por isso ele andava me tratado com tanta indiferença.
E deixar esse tipo de bilhete no bolso do terno era a coisa mais clichê e vulgar que existia. Eu podia aguentar o mau humor dele e algumas palavras rudes, mas mais uma vagabunda? Isso era inadmissível. Final do ano passado, havíamos brigado pelo mesmo motivo, mas como ele implorou pelo meu perdão acabei aceitando, realmente acreditei que ele me amassse e fosse apenas um erro e que ele mudaria.
Como ele pôde fazer isso novamente? Como tudo isso me doía, sempre fui fiel e o tratei muito bem e foi assim que ele me retribuiu?
Depois do acidente do irmão da , percebi o quanto a vida é curta para aceitar a infelicidade. Não posso negar que esse bilhete havia me destruído de vez por hoje, por mais que ele anda totalmente alheio a mim nos últimos tempos, não conseguia deixar de sentir a dor de estar sendo traída mais uma vez. Engoli meu choro e orgulho, afinal, ainda dependia financeiramente dele e no momento não tinha outro lugar onde ficar. No momento teria que fingir nunca ter encontrado esse bilhete, a única questão é que não sei por quanto tempo irei aguentar.

Albert sempre foi muito pontual, aproveitei e fiquei pronta antes do horário e o esperei na sala. Assim que ele chegou, praticamente nem me olhou, me cumprimentou com um breve beijo no rosto, passou com pressa até o escritório para buscar uma pasta e logo em seguida pegou as chaves para sairmos.
Ele parou na porta e me olhou de forma distante.
- Antes de sairmos, quero avisar que é uma reunião com um brunch, será na mansão do Richard e terá alguns fotógrafos, pois os garotos do One Direction estarão por lá. Eles irão fazer uma sessão de fotos para uma revista, pra divulgação do novo CD e tudo mais, enfim, coisas que você não entende, mas você pelo menos tem que saber para não dar nenhuma bola fora. – me explicou, com descaso.
O fitei com certa indignação, mas logo me recompus. Eu estava me controlando ao máximo, não sei de onde estava tirando tanta frieza, para não gritar, pegar aquele bilhete e jogar na cara dele. Então tudo que ele dizia eu apenas concordava com a cabeça. Porque se eu abrisse a boca acho que iria me descontrolar de vez e iríamos brigar pra valer e esse não era o momento.

Do lado de fora da mansão, perto dos portões de entrada, vários paparazzi e alguns repórteres estavam a postos. Antes de passarmos pelo portão, Albert abaixou os vidros do carro e me mandou sorrir, fazer a ceninha do casal perfeito e feliz.
Em seguida passamos pelos portões e enquanto Albert estacionava o carro, resolvi romper o silêncio.
- Por que você me trouxe em mais um desses eventos se praticamente nem anda falando comigo? E quando fala é apenas para me ofender?
- Do que você está falando? Esqueceu que você é minha namorada? Claro que irei trazer e apresentar a todos a minha namorada. – Ele fazia questão de enfatizar a palavra “minha”. Por quê? Parecia que eu era propriedade dele, algo que ele havia comprado. Não estava mais suportando olhar pra ele. – Se socialize um pouco mais dessa vez. Não fique muito com as “crianças”. – riu ironicamente.
Assim que saímos do carro ele me deu a mão, então senti uma aversão enorme ao seu toque, senti um asco. Como pode alguém se transformar drasticamente diante de mim, como se um grande véu houvesse caído dos meus olhos e eu estivesse vendo a verdadeira face de Albert pela primeira vez. – Sorria. – Ele falou, baixo, de canto para mim.
Tive que sorrir e abraçar todos que estavam presentes. E eu não era a e sim a famosa namorada do Albert. Não sei por quanto tempo esse meu sorriso falso permaneceria no meu rosto, eu queria sumir daquele lugar.
O brunch foi servido na área externa da casa, todos conversavam e mais uma vez fiquei um pouco isolada, os homens foram discutir sobre trabalho em outra mesa. Suas respectivas esposas se reuniram em outra mesa. Ficava claro que não me incluíam no seu clubinho, talvez por eu não ser casada com o Albert, provavelmente já estavam pré julgando como sendo apenas mais um “casinho” dele. Fui até a mesa principal buscar algo para comer, assim me livrando por alguns minutos daqueles olhares críticos pra cima de mim.
Nesse instante, os garotos chegaram e toda atenção foi voltada a eles. Fiquei parada ao lado da mesa, com o prato na mão, apenas observando a maneira como os tratavam, só faltava alguém chegar e carregá-los no colo. Como eu não suportava ver tanta bajulação assim.
Albert, todo animado, chegou até mim e me pegou pela mão, me fazendo largar o prato no canto da mesa. Foi me levando até onde eles estavam para me apresentar.
- Estes são o Harry, Niall, Zayn, Louis e o Liam, que você conheceu na festa ontem à noite. – Liam deu um sorriso tímido, então Albert me puxou pela mão, entrelaçando nossos dedos. – E, pessoal, esta é a minha noiva, .
NOIVA? Eu havia escutado direito? Tentei não demonstrar tamanho desconforto no momento em que escutei essa palavra. Mas creio que não consegui disfarçar muito bem minha cara de espanto ao olhar intrigada para Albert.
Cumprimentei um a um, com um sorriso fraco e mantendo minha educação, mas ainda estava um pouco atordoada com o que acabara de escutar. Não sei por quanto tempo ainda suportaria aquele teatrinho.
- Não sei se vocês estão sabendo, mas ontem recebi a notícia que serei o novo responsável por vocês. Nada passa sem minha permissão... E tudo que precisarem podem contar com o Albert aqui. – fez sinal, encostando o polegar direito em seu peito. – O brunch já está servido, se quiserem, podem ir comer algo agora, pois logo começará a sessão de fotos e a entrevista. – Assim que terminou de falar, me puxou para um beijo e eu acabei virando o rosto, percebi que ele não se agradou da minha atitude, mas apenas deu um risinho sem graça e se afastou novamente.
- Podem ficar a vontade... Vou terminar meus assuntos com o Richard, depois eu aviso quando tudo estiver pronto para as fotos, com licença. – então deu as costas, me deixou ali e voltou até a mesa onde estavam Richard e mais alguns sócios. Ele não iria criar cena na frente dos queridinhos dele. Meu humor não era o dos melhores e fiquei um pouco sem jeito em ficar diante deles.
- Eu também vou pedir licença, vou buscar algo pra comer. Foi um prazer conhecer vocês. – terminei de falar e me virei para voltar e pegar o meu prato.
- Espera! – Liam chamou.
- Nós também queremos saber onde está a comida. – Complementou Niall.
- Sim... – sorri. - Podem vir comigo então... - Fomos os seis em direção à mesa.
Depois de servirmos nosso pratos, sentamos todos em outra pequena mesa ali perto.
- Então você é noiva do Albert... – Harry comentou. - Quando vai ser o casamento? – Perguntou, enquanto puxava a cadeira e sentava-se ao lado de Zayn.
Fiquei um pouco sem graça, afinal, nem eu mesma sabia a resposta.
- Não sei. – dei com os ombros e continuei a comer, mantendo minha boca cheia para evitar falar qualquer besteira, ainda mais que ainda estava com muita raiva de Albert pela situação que ele criou. E quando eu estava com raiva, costumava falar o que não devia.
- Não repara nas perguntas do Harry. Às vezes ele sabe passar dos limites. – respondeu Liam, dando um leve empurrão de lado no ombro de Harry.
- É que ficamos surpresos com a notícia... Só isso. – Louis explicou.
- Não, tudo bem. Pra ser sincera, eu fiquei surpresa tanto quanto vocês com essa história do noivado porque... – limpei a garganta.
- É que hoje o Liam contou que ontem havia conhecido a namorada do Albert, não a noiva... – Louis arregalou os olhos e olhou para o Liam. – Foi ela que você conheceu ontem a noite, não é mesmo?
- Foi ela sim.
- Nossa, que susto, pensei que... Já pensou se não fosse? – Louis riu.
- Depois sou eu que não entendo de limites. – retrucou Harry.
Um silêncio um pouco constrangedor pairou por alguns segundos.
- Então, nunca me imaginei que estaria aqui, em um brunch, com o One Direction. Fiquei sabendo que vocês vão lançar um novo CD? Quando é o lançamento? – Perguntei, tentando mudar o foco da conversa.
- Sim. Daqui a um mês é o lançamento oficial – Liam prontamente respondeu.
- Nossa, parece até que sou quem vai entrevistá-los daqui a pouco, sou péssima em tentar mudar o foco do assunto... – Ri um pouco envergonhada, tentando disfarçar meu nervosismo.
- Espera aí, agora eu que vou entrevistar. – Niall pegou um garfo como se fosse um microfone. – Então, , quantos anos você tem? Qual sua carreira? Tem filhos? Tem algum animal de estimação? Natural de onde? Sua comida preferida? – Fazendo uma voz diferente, como se fosse um entrevistador. – O público aguarda suas respostas... – concluiu Niall.
- Nossa, quanta pergunta! Vejamos... Eu tenho 25 anos, no momento não estou atuando na minha área, infelizmente, digamos que estou desempregada, não tenho filhos, amo cachorros e gatos, mas não tenho porque Albert é alérgico... Sou importada do Brasil. – fiz uma pausa, tentando lembrar a última pergunta. – E... minha comida preferida é sushi! Consegui responder todas? – perguntei, com uma risadinha.
- Então, pessoal, acabamos de desvendar os mistérios da famosa . Por hoje é só, fiquem ligados para a próxima! – Niall largou o garfo e todos começaram a rir. – Só eu tive a coragem de perguntar o que todos estavam curiosos em saber, mas não tinham coragem de perguntar... – ao terminar de falar, olhou diretamente para Liam, que em seguida lançou um sorriso para mim, fazendo com que eu sentisse um frio no estômago e isso foi estranhamente bom.
Fui despertada de meus pensamentos no instante que Albert, um pouco mais de longe, gritou e sinalizou com a mão para eles se direcionarem até a lateral da mansão, onde aconteceria a sessão de fotos e a entrevista.
- Por que você não vem junto? – Liam me perguntou, assim que se levantou.
- Não sei se é uma boa ideia... Não quero atrapalhar... – respondi, timidamente.
- Atrapalhar? Prometo que não irá se arrepender. Vem com a gente. A não ser que não queira. – falou Liam, de uma maneira tão doce que seria praticamente impossível de negar este convite.
- Eu quero sim... – Olhei em direção a Albert, que estava um pouco mais distante, bem entretido conversando com Richard, sua esposa e mais um pessoal. Pensei por alguns segundos e não poderia recusar a esse pedido. – Está bem, eu vou, nunca estive em uma sessão de fotos assim, é minha primeira vez. – Ri.
- A primeira vez nunca se esquece. – Niall comentou, e riu alto.

Estava tudo montado em uma sala enorme na lateral da mansão, onde tinha uma porta de vidro que dava acesso a área externa. Sentei em uma cadeira perto da porta, de frente para um grande sofá onde eles fariam a entrevista e seriam fotografados.
Depois de terem respondido às perguntas da revista, sobre shows, o CD e algumas perguntas de algumas fãs, começou a sessão de fotos. Definitivamente, eu não esqueceria esse dia, eles realmente demonstravam estar bem à vontade e se divertiam muito com tudo isso, a cada foto tirada uma brincadeira. Todos riram muito quando Louis escorregou do sofá e caiu no chão. Depois Niall ficou imitando alguns sotaques, o ambiente estava totalmente descontraído. Toda essa diversão acabou me contagiando. Diversão, aí está uma palavra que há certo tempo eu não tinha em meu vocabulário. Na última foto da sessão em grupo, Liam acenou pra mim, então todos fizeram o mesmo e eu acenei de volta. Parecia que tudo era motivo para uma piada.
No momento que começaram a fazer fotos individuais, Liam sentou-se ao meu lado para aguardar a vez dele.
- E aí, o que está achando? Que somos loucos, não é mesmo?
- Só um pouquinho. – fiz o gesto com os dedos e ri. – Há tempos que não ria tanto. Era exatamente o que eu estava precisando hoje. – Respirei fundo.
- Que bom. Falei que você não ia se arrepender. – sorriu de leve.
Ficamos em silêncio por alguns minutos e então Liam perguntou:
- Você deve estar feliz por ter sido pedida em casamento, não é mesmo?
Ele me fez lembrar exatamente o que eu estava tentando esquecer. Mas algo me fez não conseguir mentir para ele naquele momento.
- Na verdade, não fui... – respondi, quase como em um desabafo. - Ainda não sei por que Albert fez aquela ceninha lá fora. Está vendo? – mostrei minha mão. – Sem anel. Só mais uma das tantas mentiras dele... Quero dizer... Uma mentira... Digo... Esquece tudo que eu disse. – Não entendi o porquê acabei falando isso a ele, então antes que eu falasse mais do que devia, baixei a cabeça, um pouco envergonhada. Foi quando senti ele encostar sua mão na minha, o toque quente e macio de sua mão fez com que eu o olhasse imediatamente. – Você que deve estar achando que sou pirada. Nem sei por que te falei tudo isso.
Meu celular tocou. Eu havia recebido uma mensagem. Afastei nossas mãos e peguei o celular de dentro da minha bolsa. Uma mensagem de , pedindo para eu passar mais tarde na casa dela. Assim que terminei de ler a mensagem, fiquei com o celular na mão.
- Desculpe... Era minha amiga, precisava saber o que ela queria, pois o irmão dela ainda está no hospital. – Larguei meu celular no colo.
- Não, tudo bem. O que aconteceu? – Perguntou, preocupado.
- Ele sofreu um acidente de carro semana passada, mas desde ontem apresentou melhoras significativas e logo será transferido para o quarto. Estamos no aguardo para que não tenha ficado nenhuma sequela do acidente e ele tem apenas 18 anos.
- Nossa... Espero que tudo corra bem e ele se recupere logo. – disse, e discretamente pegou meu celular do meu colo.
- Ei, o que está fazendo? – Perguntei, surpreendida pela atitude dele.
- Só anotando um número de emergência pra você... – Devolveu meu celular. – Quando precisar de alguém pra conversar, é só me ligar. – Lançou um sorriso doce para mim.
- Aí está você! – Albert apareceu na porta. – Estava te procurando por toda parte... – Agarrou meu braço com muita força. – Vamos! Temos que ir agora, mais tarde tenho outro compromisso e não posso me atrasar.
- Sim... Só me solta que você está me machucando, Albert. – Falei, um pouco baixo para não causar nenhum escândalo.
Liam rapidamente se levantou e o encarou firme, demonstrando estar descontente com a atitude de Albert, que ao se dar conta, imediatamente largou meu braço e o olhou um pouco desconfortável.
- Calma, vou só pegar minha bolsa que caiu no chão. – falei para Albert.
- Está bem... Vamos... – Deu as costas e foi apressadamente em direção à porta de saída.
No instante em que me virei para pegar minha bolsa, Liam me alcançou sem pronunciar sequer uma palavra, apenas me olhava assustado pela cena que acabara de presenciar.
- Obrigada, Liam. – sorri de canto e ele segurou minha mão.
- O número de emergência é 24 horas, está bem? – apenas concordei com a cabeça e então corri atrás de Albert, que já estava do lado de fora.
- Espera, Albert... – Gritei, ao ver que ele estava entrando no carro. – Nossa, não poderia ter sido mais rude? Não consegue mais se controlar nem na frente dos outros? – Perguntei, assim que sentei dentro do carro e coloquei o cinto de segurança.
- Não tenho culpa, você que desapareceu de repente. E eu estava com pressa e tenho outros compromissos. Você sabe... E mais, não pega bem pra minha imagem você ficar fugindo de mim, principalmente agora que vou trabalhar diretamente com a banda. Eu consegui uma promoção e vou ganhar grande porcentagem com esses garotos. Então, por favor, não estrague com tudo. – Explicou, nervoso.
- Mas não são bem minhas ações que estão estragando alguma coisa, não acha? – perguntei, de uma maneira desafiadora. Na maioria das vezes sempre aguentava calada todas as acusações, mas hoje não.
- Como assim? – ficou surpreso com meu posicionamento.
- Sim, primeiro anuncia um falso noivado na frente de todos e depois quase me arrasta pro fora da casa do Richard... Não sou eu que estou tendo atitudes de gente maluca.
- Primeiramente, sobre ter dito que você era minha noiva, eu ia te contar, mas não deu tempo. É que eu precisava de mais credibilidade entre eles, todos são casados menos eu, então surgiu essa ideia de casamento. Foi quando eles ficaram mais seguros e assim consegui a promoção, entendeu? – enquanto dirigia, me olhou de canto. - Só não se anime muito, porque vai ser difícil um dia eu me amarrar assim, hein... – falou, com ar de deboche.
A cada dia ele estava se tornando um completo imbecil. Apenas franzi a testa, com um olhar de reprovação.
– Mas não se preocupe, meu amorzinho, vou te presentear com um anel lindíssimo para você usar, tenho que dar mais veracidade para a história, não é mesmo? Assim nós dois lucramos. – Sorriu e de repente me encarou sério. – E por que está emburrada, você não tem tudo que precisa?
- Não, Albert... Falta o mais importante, carinho e respeito. Você acha que eu sou o quê? – Meus olhos encheram de lágrimas.
- Ai não... Não vai chorar... Detesto isso! Eu ando cheio de trabalho e você só reclama? Nunca deixo faltar nada dentro de casa. Não quero discutir, logo mais eu tenho uma reunião e não quero ficar nervoso. – deu um longo suspiro. - Quer que eu me desculpe, é isso? Então está bem... Me desculpa, satisfeita? – Pediu, com um ar de superioridade e desdém.
Finalmente chegamos e então parou o carro na garagem do prédio.
– Eu não vou subir, pois já estou atrasado. Só vim te deixar em casa e não sei que horas vou voltar. – Tirou o cinto e virou-se para mim. - Me dá um beijinho pra mostrar que me desculpou?
- Albert, você só pode estar de brincadeira, né?
- Por quê? Você sabe que eu sou assim, mas eu te amo! – Veio em minha direção e me segurou, forçando um beijo.
O empurrei de leve, tirei o cinto e saí o mais rápido possível do carro, batendo a porta. Ele simplesmente pisou no acelerador e foi embora.
Assim que cheguei ao apartamento, percebi que Lydia já havia ido embora. Larguei as chaves na mesa e fui direto para o quarto, totalmente desanimada, fechei a porta e encostei minhas costas contra ela, fechei os olhos e depois de um longo suspiro, não pude mais conter minhas lágrimas, como uma forma de desabafo.
Como Albert estava a cada dia se transformando diante dos meus olhos? Não estava mais aguentando aquela situação, eu precisava deixar o Albert, mas ao mesmo tempo não podia. Como uma pessoa que uma vez me fez sentir especial agora me causava tanta tristeza e me fazia me sentir tão inferior?
Ele finalmente conseguiu fazer com que eu me sentisse um lixo, a pior mulher do mundo. Sinto-me uma inútil por ter criado tamanha dependência dele. Eu havia me anulado ao seu lado, não poderia mais deixar que isso continuasse a acontecer, precisava resgatar a antiga de dentro de mim.
A única saída seria tentar convencê-lo de me deixar voltar a trabalhar, assim aos poucos poderia juntar um dinheiro para conseguir me sustentar sozinha.
Ainda em prantos, peguei meu celular da bolsa e mandei uma mensagem para , dizendo que não poderia ir até a casa dela hoje, acabei não dando muitos detalhes para não preocupá-la.
Assim que acabei de enviar, continuei mexendo no celular e vi o último contato adicionado: –SOS Payne –. Nesse instante, em meios às lágrimas, consegui sorrir de leve. Encarei por alguns instantes aquele número, lembrando da tarde divertida e descontraída que eu havia tido. Meu celular começou a tocar e foi quando tomei um susto quando na tela apareceu SOS Payne. E agora? Que eu faço? Será que atendo? Ignoro a ligação? - Alô? – ainda com a voz um pouco rouca, atendi.
- Oi, . Desculpe incomodar, mas estava tentando ligar no celular do Albert e ele não atende e então resolvi te ligar. – Aquela voz com aquele sotaque era de arrepiar.
- Tudo bem... – dei uma fungada, abafando o choro. – Aconteceu alguma coisa? É que o Albert não está em casa.
- Na verdade, não é nada urgente... Ele vai demorar a voltar para casa?
- Na verdade... Não tenho certeza se ele volta hoje...
Um silêncio prevaleceu por alguns segundos.
- Você está bem? – perguntou, demonstrando preocupação.
- Estou... – dei um longo suspiro, me recompondo.
- Mas pela sua voz não parece estar... Você tem certeza que está bem?
- Eu estou bem sim. – minha voz saiu falha.
- Eu liguei inclusive para convidar vocês para comer pizza aqui em casa mais tarde. Harry, Zayn e Niall vão vir também para aproveitarmos a folga de hoje. Não é nada formal. Por mais que Albert tenha saído, você continua convidada, não está afim de se juntar a nós? Assim você se distrai um pouco, o que você acha?
- Não sei se é uma boa ideia... – a minha vontade no momento era dizer, “claro, estou indo agora mesmo”, mas se o Albert descobrisse, ele ficaria furioso.
- Tudo bem, você é quem sabe, não quero causar problemas, só achei que conseguiria te animar um pouco... Mas o convite está de pé se você mudar de ideia. Vou te mandar o endereço por mensagem, ok?
- Está bem... E muito obrigada pelo convite e... Se caso eu decidir ir, posso levar uma amiga minha junto? Digo, no lugar do Albert, é claro.
- Claro que sim... – falou, em um tom de voz animado. - Você será mais do que bem vinda e sua amiga também. Espero que você mude de ideia e venha.
- Vou pensar bem... – eu dei um risinho. - Tchau!
- Tchau!
Assim que finalizei a ligação, aquela tristeza toda de repente foi substituída por uma sensação tão boa, um convite inesperado mudou minha noite de repente. Como a vida nos surpreende, assim como existem pessoas que insistem em nos derrubar, tem aquelas que chegam para nos levantar.
Provavelmente Albert tinha o encontro “secreto” dele nesta noite, por que eu deveria que ficar chorando em casa?
Um ânimo tomou conta de mim e imediatamente fui tomar um banho, lavei bem meu rosto, para tirar qualquer vestígio do meu momento de fraqueza e me arrumei para sair.
Quando fiquei pronta, subi até o andar onde mora e toquei a companhia, torcendo para que ela não tivesse saído ou feito outros planos, afinal, há alguns minutos havia mandado a mensagem avisando que não iria poder ir à sua casa hoje.
- Já vou! – Gritou, lá de dentro. Alguns segundos depois ela abriu a porta, usando um roupão estampado com corações. – Oi, ... Como assim? Que aconteceu que decidiu vir? Entra.
- Eu não estava muito bem antes, só isso... E seus pais ainda estão no hospital?
- Sim, mas hoje minha mãe vai passar a noite lá e meu pai vai para o seu apartamento novo e não vai voltar para cá. – respondeu, com a voz desanimada.
- Ele realmente decidiu sair de casa, ? – ela apenas balançou a cabeça afirmativamente. – É que eu vim para tentar te animar, mas acho que não é o momento, vou até mandar uma mensagem avisando que não vou poder ir... – peguei o celular na mão.
- Desmarcar o quê? – ficou me encarando intrigada.
- É que eu pensei que... Sou idiota mesmo, você está passando por uma situação difícil, você nem ia poder sair de casa.
- Do que você está falando? – perguntou, novamente, ainda mais confusa.
- Não lembro se te contei que Albert foi promovido?
- Lembro... E... – me olhava cada vez mais atenta.
- Bom... Você conhece a banda One Direction, não é mesmo?
- Sim... – Arregalou os olhos.
- Acontece que eu os conheci, pois o Albert é o novo empresário deles, e...
- Você só veio esfregar isso na minha cara? Muito amiga você, hein...
- Não, ... Espera eu terminar de falar. – olhei firme para ela. - É que recebi um convite para ir à casa de um deles, todos vão se reunir lá para comer pizza... E... – respirei fundo. – Achei que seria uma boa oportunidade de você se animar depois de tudo que aconteceu com o seu irmão e a separação dos seus pais, mas realmente não é o momento, principalmente que bem hoje seu pai resolveu sair de casa...
- Espera aí! – descruzou os braços e me segurou pelos ombros. - Eu ouvi bem? Eu vou desmaiar eu acho... É uma brincadeira sua, só pode... Tá zoando com a minha cara. Eu não estou acreditando, afinal, depois de tanto bombardeio desse drama familiar que ando nesses últimos tempos. – começou a andar de um lado para o outro.
- Não é brincadeira. Só que como Albert saiu e provavelmente é uma das noites que ele não voltará para casa, pedi para levar você no lugar dele. – expliquei.
- Ai, finalmente. – me deu um breve abraço. - Ontem a melhora do meu irmão, hoje apesar de meu pai ter decidido ir embora de casa, isso acabou de me animar.
- É que eu acabei me sentindo tão insensível. Será que a sua mãe não vai se importar?
- Eu ligo pra ela, mas duvido. Hoje ela vai passar a noite lá com meu irmão e com certeza vai querer que eu me divirta um pouco depois de tudo que passamos.
Era muito bom ver tão radiante novamente. Agora sinto que fiz a escolha certa em convidá-la.
- Cinco minutinhos e estou pronta! – respondeu, empolgada e praticamente voou para seu quarto.
- No caminho vou te contar tudo que andei descobrindo sobre o Albert. – Sentei confortavelmente no sofá enquanto aguardava se arrumar.

- Acho que é aqui. – verifiquei o endereço na mensagem, conferindo com o GPS. – Estaciona um pouco mais longe, em frente aquele outro prédio ali. – apontei.
Antes de sairmos do carro da , peguei de dentro da mochila uma peruca ruiva e coloquei. Eu realmente precisava tomar cuidado, não sabia se ficavam paparazzis rondando a casa de Liam e não queria que Albert descobrisse que eu havia estado com seus protegidos sem a sua autorização.
Enviei uma mensagem para Liam, avisando que estávamos chegando, mas pedi para ele não passar o meu nome na portaria e sim o da minha amiga, afinal, todo cuidado é pouco, principalmente depois que meu nome havia sido divulgado por causa do “noivado” com Albert.
Assim que chegamos, o porteiro liberou nossa entrada. Dentro do elevador, tirei a peruca e guardei de volta na mochila, me olhei no espelho, dei uma leve ajeitada no meu cabelo e pedi para se acalmar e agir com normalidade.
Toquei a campainha e Liam logo abriu a porta com aquele sorriso lindo estampado em seu rosto.
- Oi! – o cumprimentei, sorrindo.
- Que bom que você veio... – falou, e me puxou para um abraço.
- Esta é a . – apresentei minha amiga.
- Prazer! – ela sem pronunciar uma palavra, ainda tentando se situar, apenas estendeu a mão e o cumprimentou. - Podem ir entrando e fiquem à vontade. Estávamos aguardando vocês chegarem para pedir as pizzas. – então fechou a porta.
Fomos até a sala, onde os outros garotos estavam. Harry e Niall estavam jogados no sofá, assistindo Zayn e Louis jogarem vídeo game.
Assim que nos viram, largaram os controles e se levantaram para nos cumprimentar. Em seguida Niall se manifestou.
- Que bom que chegaram, assim já podemos pedir as pizzas! – exclamou, correndo para pegar o telefone e ligar.
Harry se ajeitou no sofá, liberando um espaço para que eu e pudéssemos nos sentar.
- Vamos pedir duas pizzas, que sabores vocês querem? – Perguntou Liam.
- Uma pode ser aquela Margherita Basilico, que vai mussarela e tomate... Todos aqui gostam? – Sugeriu Louis. Eu e concordamos.
- E a outra Tutto Salumi. – Niall apontou no cardápio. – Tem pepperoni e vários tipos de salame...
- Pode ser, eu adoro salame! – exclamou, e deu um pulinho. Eu então a cutuquei. – Que foi? – Me olhou intrigada.
- Nada... – balancei a cabeça negativamente. Havia esquecido que somente pra mim isso tinha um sentido conotativo. – É que a minha mente aqui pensou em uma piada idiota quando você falou que adorava salame, mas que pra vocês não tem sentido algum...
- Agora fiquei curiosa, . Conta... – pediu.
- É, eu também quero saber. – Harry reforçou o pedido de .
Minhas bochechas ficaram vermelhas quando todos voltaram a atenção a mim, esperando saber o que eu havia pensado.
- Eu tenho um pouco de vergonha de contar. É que lá no Brasil... Bem, às vezes para algumas piadas o sentido da palavra salame pode ser outro... Usado para chamar outra coisa... Sabe... Outra coisa... – fiz um gesto com as mãos tentando indicar o que era. E até pelo fato de eu ter ficado praticamente roxa de vergonha, eles entenderam o que eu quis dizer. E começaram a rir. Assim eles se interessaram em querer aprender outras palavras desse gênero em português. Eu ria da reação deles em relação a certas palavras.
Quando a pizza finalmente chegou, nos acomodamos em volta da mesa de centro. Liam sentou-se bem ao meu lado, o que não foi nenhum problema para mim. Logo no início, admito que estava um pouco retraída, mas aos poucos ele foi tentando fazer com que eu me soltasse mais. Em alguns momentos que eu me distraía, ele roubava alguns pedaços das minhas fatias de pizza do meu prato.
Louis começou a contar algumas piadas e então rimos muito. Algumas eu não entendia, é claro, mas a melhor parte foi quando Niall começou imitar alguns sotaques como ele fez na sessão de fotos e também imitou alguns artistas, inclusive chegou até imitar o Zayn. Por um instante, cheguei me descontrolar e tive que segurar minha barriga, que chegava a doer de tanto rir.
Fizeram-se me sentir totalmente à vontade, eu estava me divertindo como nunca, com certeza estaria arrependida se tivesse ficado em casa, me lamentando por tudo que ouvi de Albert.
- O último pedaço é meu. – Gritou Niall, fincando o garfo na última fatia de pizza.
- Claro, Niall... Sempre! – tranquilamente, respondeu Zayn.
Rapidamente, Niall colocou o último pedaço em seu prato.
- Muitos segredos foram revelados nesta noite. – Louis virou o rosto para mim. - , você por acaso não está aqui hoje como espiã do Albert, não é mesmo? – perguntou, em tom de brincadeira.
- Bem pelo contrário, ele nem sonha que estou aqui. Eu é que vou pedir pra vocês me acobertarem nessa...
- Daqui é que essas informações não saem, com certeza... A não ser que a espiã seja a . – Harry a cutucou.
- O segredo de todos vocês está a salvo comigo! – largou seu copo no chão e fez um sinal, beijando os dedos indicadores, prometendo segredo. Nesse momento, percebi que ela e Harry começaram a trocar alguns olhares.
- Você é tão divertida, não entendo como que está com o Albert. – Assim que Zayn terminou de falar, imediatamente todos ficaram sérios e voltaram a atenção a ele.
- Zayn! Acho melhor terminar de comer esse pedaço de pizza aí do seu prato. – Liam chamou sua atenção.
- Que foi? Só falei o que todos estavam pensando. – respondeu, bem despreocupado e todos ficaram mudos de repente. Então resolvi romper o silêncio.
- Ultimamente, ando me perguntando a mesma coisa. – Ri e continuei comendo. – Mas e aí, vai ter o que de sobremesa? – Decidi mudar de assunto.
- Tem sorvete e eu fui até o Gail’s hoje e comprei cheesecake. – Liam respondeu, e imediatamente levantou-se e se dirigiu até a cozinha para buscar.
Logo bateu aquela frustração e preguiça assim que terminamos de comer.
- O melhor cheesecake que já comi até hoje. – comentei, largando a tacinha de sobremesa na mesa de centro.
- E nós temos que ir. - Zayn e Louis se olharam e logo levantaram-se, apenas disseram que tinham outro compromisso e Niall aproveitou e também se despediu para ir embora com eles. Acredito que estavam escapando para não ajudar a organizar a bagunça. Liam os acompanhou até a porta e depois voltou para a sala.
- É, todos se mandaram e deixaram a bagunça por aqui... – falei, brincando e me abaixei para pegar meu copo. – Mas pode deixar que eu e a ajudamos. – olhei para minha amiga, que estava confortavelmente sentada no sofá ao lado de Harry, que nem prestou muita atenção no que eu havia dito.
- Não, , pode deixar isso aí mesmo... Você é minha convidada. – Liam falou, e se aproximou, recolhendo os copos que estavam no chão, levando-os até a cozinha.
Enquanto Harry e estavam mais ocupados conversando entre eles, não quis atrapalhar então continuei a recolher os pratos e resolvi ajudar Liam. Depois de tudo que ele havia feito essa noite, me senti na obrigação.
Equilibrando os pratos em um braço e alguns copos na outra mão, entrei lentamente na cozinha. Liam estava de costas e assim que notou minha presença virou-se rapidamente.
- , não precisava... Eu mesmo cuido de tudo... – veio até mim, pegando os pratos que eu estava segurando em um braço.
- Por favor, me deixe ajudar, afinal, é o mínimo que posso fazer, está bem? E mais, acho que está rolando um clima na sala, assim eu não atrapalho. – comentei, largando os copos em cima da pia. Então tirei meu cardigan para não molhar e o pendurei em um banco.
Liam foi pé por pé até a porta da cozinha para espiar e voltou rapidamente.
- É acho que você tem razão... – Ele riu. – Melhor ficar por aqui mesmo... Já está lavando? – franziu a testa assim que me viu diante da pia, enxaguando um prato. - Então deixa que eu seco a louça. – pegou um pano de prato e parou ao meu lado.
- Sei que fui convidada por causa do Albert, mas mesmo assim queria agradecer pelo convite, acho que nem lembro a última vez que havia me divertido tanto. Era exatamente o que eu estava precisando essa noite.– Virei o rosto para ele, enquanto alcançava mais um prato para ele secar.
- Fico feliz que você veio e que de alguma maneira pude ajudar. – Deu um meio sorriso, enquanto secava o último prato.
Ficamos em silêncio por alguns segundos enquanto eu lavava a louça.
- Agora só falta mais esse copo e acabamos. – Quando alcancei o copo a ele, nossos dedos se tocaram e senti meu braço arrepiar. Foi uma sensação estranha, mas ao mesmo tempo tão agradável.
- Eu queria te perguntar algo. Só espero que você não se chateie comigo... - Ele me olhou e largou o copo na bancada. – Eu notei que seu braço está um pouco roxo. – Liam virou-se de frente para mim e pegou de leve em minha mão. Deslizou seus dedos onde estava localizado um pequeno hematoma um pouco acima do pulso, provocado por Albert hoje à tarde. Minha pele reagiu ao seu toque quente, era como se algo dentro de mim despertasse e as batidas do meu coração aceleraram. – Foi o Albert, não é mesmo? – continuou segurando suavemente meu braço e me olhou com olhar preocupado. Apenas baixei minha cabeça envergonhada, foi quando Liam levou sua mão até meu queixo, erguendo gentilmente meu rosto. Nossos olhares fixaram-se um no outro, admito que fiquei uma pouco assustada, mas não recuei. – Eu sei que foi ele. Não precisa dizer nada, só posso afirmar que alguém capaz de fazer isso não te merece.
Eu não sabia nem o que responder, ele me pegou tão desprevenida. Meus olhos percorreram por cada detalhe de seu rosto e a maneira como ele me olhou, sem desviar por um segundo do meu olhar, fez com que minha respiração acelerasse.
- ? – repentinamente, entrou na cozinha, me resgatando do estado de transe em que eu me encontrava. – Nós temos que ir daqui a pouco, está ficando tarde... - Então parou de falar, nos olhou e perguntou. – Desculpe... – Ficou um pouco constrangida. - Atrapalhei algo?
- Como? – soltei imediatamente meu braço. – N-Não estávamos só... Conversando... – Me afastei imediatamente de Liam e fui em direção a . – Acho melhor irmos, está tarde mesmo. – Praticamente corri para fora da cozinha, indo até a sala para pegar minha bolsa.
- , não precisa ter tanta pressa, espera... – veio atrás de mim. – Só vim avisar, porque amanhã de manhã tenho que ir ao hospital.
- Vocês podem ficar o tempo que quiserem. – disse Liam, que também vinha logo atrás, nos acompanhando.
- Eu também lembrei que não sei que horas que Albert vai chegar, melhor não arriscar... – Apressada, peguei minha bolsa, pendurando-a em meu ombro.
- Espera que eu vou acompanhar vocês até o elevador. – falou Liam.
- Calma aí... Também vou descer. Tenho que ir para casa também. – falou Harry, pegando seu casaco e indo em direção à porta.
Fui a primeira a sair no corredor. Na verdade, nem sei exatamente o que me deu que saí com tanta pressa daquele apartamento. O elevador já se encontrava parado no andar e antes de entrarmos Liam se despediu de nós, segurando a porta do elevador.
- Que bom que vocês vieram. – Falou para mim e pra .
- E eu? Um ser insignificante... Agora feriu meus sentimentos... – Harry fez de conta que estava triste, debochando de Liam. - Sim, sim, você também, Harry. – Riu e o empurrou pra dentro do elevador.
Em seguida, eu e também entramos e enquanto a porta ia se fechando Liam acenou e antes de fechar completamente, ele segurou a porta, me olhou e então sorriu, dizendo:
- A noite foi ótima. – Então largou a porta, deixando o elevador descer.
- Hummmm... – e Harry se olharam e começaram a rir.
- Quê? O que foi? Podem parar com isso, vocês dois...– Apontei para e Harry.
- Não dissemos nada. – Harry se defendeu e colocou o braço em volta de . – Só lembramos uma piada de antes, né, ?
- Sei... piada... Acredito em vocês. – Os ignorei por alguns segundos e tirei a peruca de dentro da bolsa e a coloquei novamente.
- Pra que essa peruca? – Perguntou Harry.
- Nunca se sabe quando vai ter paparazzi ou fãs escondidos perto de onde vocês moram, não é mesmo? Não posso me arriscar desse jeito, Albert não pode descobrir que estive aqui hoje, senão ele me mata. – Dei um riso nervoso.
- Nossa, parece que você está falando de um pai ou algo assim, que tem que sair escondida... E que lugar era mais importante pra ele estar do que em casa com noiva em plena sexta-feira à noite? – Harry perguntou, de uma maneira bem direta.
- Com a amante. – respondeu, instantaneamente, quase como se as palavras estivessem escorregado de sua boca. Após ter falado, arregalou os olhos e tapou sua boca com as duas mãos. – Ai, desculpa, ... E-era... brincadeira, Harry. - tentou consertar o que tinha dito, mas ficou ainda pior. – Às vezes eu a brincamos falando essas coisas do Albert.
Finalmente o elevador chegou ao térreo, senti um alívio antes que aquele assunto tomasse uma proporção maior.
- , não se preocupe, o que acontece no apartamento do Liam, fica no apê do Liam, ok? – Harry então se despediu de mim com um abraço. – E, , não vai se despedir de mim? – abriu os braços e a abraçou bem apertado, a puxou pela cintura, de maneira com que os pés da minha amiga ficassem suspensos no ar.
- Aiiii, pronto, agora me solta! – gargalhava. Ele então a soltou de volta no chão. – Boa noite... – depositou um beijo no rosto de Harry.
- Até mais, Hazza! – Acenei pra ele e seguimos até o carro.

Calmamente, abri a porta do apartamento, liguei as luzes e fui direto para o quarto, o relógio marcava 02h30min da madrugada e nenhum sinal de Albert. Senti até um alívio por ele não estar em casa, pela primeira vez não me importava com sua ausência. Antes de me deitar, coloquei meu celular em cima do criado-mudo e então enquanto puxava as cobertas para deitar, escutei um barulho de chave na porta. Rapidamente, entrei para baixo das cobertas e fingi já estar dormindo.
Albert entrou no quarto não se importando em fazer barulho. Escutei quando jogou as roupas no chão e deitou-se ao meu lado. Consegui sentir o cheiro forte de perfume feminino, um aroma extremamente adocicado misturado com um cheiro forte de whisky. Albert se aproximou, colocando seu braço por cima de mim, causando um extremo desconforto. Esperei até ele pegar no sono e afastei delicadamente seu braço para não acordá-lo, mas no estado em que ele se encontrava acredito que nem se eu tentasse removê-lo com uma escavadeira ele acordaria.
Eu estava impaciente, agitada e não conseguia dormir, então me levantei sem fazer barulho algum, peguei meu celular e fui para o quarto de hóspedes, não conseguia ficar mais um minuto naquela cama.

Capítulo Três

Olhei para o relógio e eram 08h10min. Acordei cedo apesar de ter ido dormir tão tarde, mas eu estava tão disposta, nada como uma boa noite de sono longe do ronco de Albert. Levantei e abri as cortinas, deixando os raios de sol invadirem o quarto, me sentia leve e ao me lembrar da noite anterior, uma vontade de sorrir tomava conta de mim. Estava diante da janela, apenas contemplando o novo dia, quando escutei uma mensagem recebida em meu celular.

Xx Bom dia, ! Será que te acordei? Queria avisar que você esqueceu seu casaco aqui em casa... Como faço pra te devolver? – Liam xX

Não sei o que estava acontecendo comigo, mas parecia uma idiota lendo a mensagem com um sorriso bobo nos lábios, lembrando-me da noite anterior. Em seguida, comecei a digitar para responder a mensagem.
- O que você está fazendo aqui neste quarto? – Albert surgiu atrás de mim repentinamente. Com o susto que tomei, acabei derrubando o celular no chão.
- Nossa, você me assustou, Albert. – respondi, um pouco ofegante.
- Acordei e você não estava lá... Dormiu aqui? – olhou para a cama, que estava desarrumada. - Por quê? – Voltou a me encarar sério.
- E por que será, Albert? Não será porque você chegou e capotou do meu lado? Nem sequer me deu alguma satisfação e, pra completar, veio com um cheiro horrível de um perfume doce misturado com o da bebida... Por favor... Você realmente acha que eu sou idiota? E que eu tenho que ficar aguentando tudo calada? – Não me aguentei, falei quase tudo que estava atravessado na minha garganta.
- Eu estava em uma reunião... E tinha mulheres junto, minha assistente estava lá também. Vai ver era o perfume dela, não sei... – Ele se explicava, com certo sarcasmo. – Está com ciúmes, meu amorzinho? – Veio em minha direção, tentando me abraçar.
- Nem chega perto. – Afastei seus braços antes que me encostasse. – Eu não aguento mais essa sua arrogância e falta de respeito comigo. Eu não mereço isso. – sentei na cama e coloquei minhas mãos no rosto, não queria chorar na frente dele.
- Nossa, quanto drama... – foi andando até a porta do quarto. – Pode deixar que vou me redimir por ter chegado tarde. Agora vem tomar um café com seu noivo. – Estendeu a mão para que eu o acompanhasse. Veio à minha mente que eu ainda não tinha outro lugar para ficar e da maneira como Albert era impulsivo, com certeza me colocaria imediatamente para fora de casa. Respirei bem fundo, engoli meu orgulho, enxuguei uma única lágrima que teimou em escorrer e decidi o acompanhar até a cozinha.
Não trocamos muitas palavras na mesa. Albert, entre um gole e outro de seu café, passava os dedos pela tela de seu iPad.
- Agora que sou um dos encarregados de cuidar da imagem daqueles garotos, é bom ficar de olho em tudo que eles fazem. – continuou com os olhar fixo para o visor. – Olha aqui! Saiu neste site sobre o brunch que fomos. Aqui eles falam da banda, blá, blá blá... Aqui! Olha tem uma foto nossa que diz na legenda: O empresário Albert Wright Cole e sua adorável noiva compareceram ao brunch, realizado na mansão de Richard G. Timmons.
Sem dar muita importância, tomei mais um gole do meu café e continuei observando Albert.
- Valeu a pena ter dito que iríamos nos casar! – Ele riu, colocando o tablet mais para o lado. – Sempre levam mais a sério um empresário da minha idade se tem algum compromisso sério. – lançou um sorriso cínico. – Hoje vou te levar almoçar para compensar meu erro, está bem?
Albert só podia ser bipolar, me olhava de uma maneira tão animada e fiquei sem entender aquela mudança repentina de humor. Totalmente confusa, apenas concordei com a cabeça.
- Temos que escolher sua aliança, afinal, estamos noivos. E semana que vem teremos um evento beneficente, os meninos irão cantar para arrecadar dinheiro para uma organização que eles são embaixadores e agora eu também estou ajudando, acho que é a instituição Rays of Sunshine. E como eu estou organizando este evento, você tem que estar usando a aliança neste dia, para ficar mais real. A atenção vai estar voltada a mim. – Sorriu e então segurando sua xícara, retirou-se da mesa e foi em direção ao seu escritório.
Permaneci ali na mesa, pensando em como Albert podia ser tão frio, a ponto de apenas ter noivado comigo por aparência, para subir de cargo. Eu realmente não tinha mais nenhum real significado na vida dele e as palavras daquele bilhete martelavam em minha cabeça. Quem era essa tal de Shannon?
Assim que terminei meu café, lembrei que havia deixado meu celular no chão do outro quarto, corri até lá para buscar. Ao passar pela porta do escritório, que estava entreaberta, pude escutar que Albert conversava com alguém no celular, mas não parei e corri para o quarto de hóspedes, peguei meu celular e liguei para , perguntando que horas ela estaria em casa e saber mais como estava o estado do seu irmão. Ela acabou me convidando para ir à sua casa esta noite que ela faria um jantar para nós duas e ao desligar aproveitei para responder a mensagem de Liam.

Xx Hoje à noite ficarei no apartamento da ... Se você puder deixá-lo por lá, senão eu pego outro dia, sem problema. ;) xX

Logo depois que almoçamos, Albert passou na Tiffany & Co para escolhermos a aliança de “noivado”. Na frente das vendedoras da loja, ele se portou como o futuro marido perfeito, cheio de declarações e elogios. Colocou a aliança em meu dedo, fazendo com elas ficassem encantadas pela sua encenação.
Foi só chegarmos em casa para que o novo, ou diria o verdadeiro Albert se revelasse novamente. Algumas horas depois, começou a ficar inquieto e não tardou para que arrumasse uma desculpa para sair de casa. Sempre dizendo que tinha uma reunião e resolver alguns assuntos relacionados ao trabalho. O engraçado é que era sábado, o relógio marcava 18h00min e ele nem fazia questão de inventar uma desculpa melhor.
Mas nos últimos tempos ele ficava sempre impaciente e ansioso dentro de casa, mas como a única prova que eu tinha em mãos era um bilhete, não podia confrontá-lo, ainda.
- Tenho um jantar só com os sócios. Volto tarde. - Com um beijo em minha bochecha se despediu e saiu apressadamente de casa.
Esperei alguns minutos e subi até o apartamento de . Assim que toquei a campainha, ela abriu a porta, parecia que já estava me aguardando.
- Oi, ! Nossa, estava em frente à porta que atendeu tão rápido?
- Oi, ! – fez sinal para que eu entrasse. – Minha mãe acabou de sair, foi de volta para o hospital. Meu irmão finalmente foi transferido para o quarto.
- Que notícia boa, ! E você também vai sair? Achei que iríamos jantar aqui. – perguntei, ao perceber que minha amiga estava com um pincel de blush na mão, terminando de se maquiar.
- Não... É que... Adivinha quem me ligou agora pouco?
- Quem? – A segui até o quarto.
- O Harry! Harry Styles me ligou, graças a você! – terminou de colocar os brincos e me abraçou forte. – Ontem quando você e o Liam foram pra cozinha, conversamos bastante e até trocamos telefone, mas nunca iria imaginar que ele realmente me ligaria... E como minha mãe vai passar mais uma noite no hospital, o convidei pra vir aqui. – olhou as horas. – Inclusive deve estar chegando a qualquer momento.
- Sério? Acho melhor eu ir embora, então.
- Não... Não é um encontro nem nada, você sabe que não dá pra sair assim em público com alguém famoso sem que o mundo fique sabendo. Estamos nos conhecendo, só isso. Só aceitei de ele vir porque sabia que você também estaria aqui, assim não fico tão nervosa.
- Ah, claro, ficar de vela, tudo que eu preciso hoje...
- Bem capaz, ... Ele me disse que o Liam vem trazer seu cardigã. – disse, com um sorriso sarcástico.
- Não sei se é uma boa idéia. – comentei, um pouco receosa.
- Finalmente as coisas estão voltando a melhorar e ontem nos divertimos tanto. Vai ficar, né?
- Está bem, eu faço esse sacrifício por você. – eu ri. Claro que não iria negar a esse pedido.
- Baseado no que eu vi ontem à noite, será um grande sacrifício. – falou, sarcasticamente, enquanto ia em direção à cozinha. – Me ajuda a arrumar a mesa para o jantar?
- Claro. - a segui. – Nossa, o cheirinho está delicioso. Não sabia que você cozinhava.
- Na verdade, vamos fazer de conta por esta noite que sim. – ela riu. – É do restaurante da outra rua. Promete segredo? – ela pediu, enquanto me alcançava os pratos.
- Pode deixar comigo. – fomos até a sala.
Enquanto estávamos dispondo os pratos e os copos, arregalou os olhos.
- O que é isso? – apontou para meu dedo. – Que pedra é essa que está me cegando?
- Isso? – ergui o dedo, assim que larguei o último prato na mesa. – Presentinho de um Albert com a consciência pesada. – respondi, com descaso. – Na verdade, nem sei se posso chamar de presente, pois pela maneira que ele disse é para dar continuidade ao teatro do nosso “noivado”.
- Mas você está tão calma com tudo isso... Se fosse eu, já tinha jogado a aliança na cara dele. – falou, com raiva.
- Agora eu sinto como se eu estivesse anestesiada, pela maneira como ultimamente ele foi me afastando. De certa maneira, ele está acabando com todo sentimento que eu tinha por ele, sabe? E desde que encontrei aquele bilhete, sei lá. – dei com os ombros.
- Desculpe falar, mas eu nunca fui com a cara dele, acho que é um sexto sentido, não sei explicar. Ele sempre foi frio ao tratar você e no prédio as pessoas têm certo receio dele.
- É... Acho que eu não percebia a maneira como ele me tratava, não sei... – dei um longo suspiro. – Mas é como se agora eu enxergasse de fato.
- E você nunca teve aquele brilho nos olhos ao falar dele, sabe? Nunca senti isso pelo menos... Ontem à noite eu vi uma totalmente diferente, mais animada e feliz, como nunca havia visto antes...
- Infelizmente, vou ter que concordar com você. É estranho mesmo, pois eu nunca havia me sentido assim antes. Não precisei ficar medindo minhas palavras e atitudes, estava tão à vontade.
Nesse instante, o interfone tocou e deu um pulo.
- Ai, , como estou? – perguntou, nervosa, arrumando a roupa e indo em direção à porta.
- Está ótima... – eu ri da maneira afobada da minha amiga, que correu até o interfone.
- Sim, pode deixar subir. – respondeu ao porteiro.
Rapidamente, terminamos os últimos detalhes na mesa de jantar. Nunca vi tanta agilidade da minha amiga antes. Alguns instantes depois, Harry e Liam chegaram e correu para abrir a porta enquanto eu levava a última travessa para a mesa.
- Podem ir sentando que o jantar está servido. – foi os direcionando até a mesa.
- E aí, ! – Harry me cumprimentou, e me deu um abraço. – Nossa, que jantar caprichado! - Puxou a cadeira, sentando-se como se já fosse de casa.
Seguido de Harry estava Liam com meu cardigã dobrado em seu braço.
- Sinta-se em casa... Assim como o Harry – riu ao ver a maneira como ele já estava bem à vontade. – Vou só até a cozinha buscar um saca-rolhas para abrirmos a garrafa de vinho.
- Oi, , acho que isso é seu... – gentilmente me alcançou a peça e lançou um leve sorriso.
- Obrigada, Liam. – peguei o cardigã e o pendurei atrás da cadeira na qual iria me sentar. – Eu sou muito esquecida mesmo. – No instante em que eu ia me sentar, Liam puxou lentamente a cadeira para que eu me sentasse. Fiquei impressionada, não estava acostumada com esse tipo de gesto.
- Pronto... – disse , ao tempo que enchia a taça de cada um. – Vinho branco! Esse meus pais comparam há uns dois meses, quando fomos à França... – contou, enquanto terminava de nos servir. - Acho que é bom, não entendo de vinhos... – Riu e largou a garrafa na mesa.
- Antes de começarmos a comer, vamos brindar? – ergueu a taça. – À recuperação do meu irmão e às novas amizades. – brindamos.

Após o jantar, ligou uma música, ficamos na sala conversando e ela abriu mais uma garrafa de vinho.
Perdi a conta de quantas taças havíamos tomado. Recostei-me no sofá quando comecei a sentir um pouco de sono, então olhei para o relógio, que já marcava 01h40min da madrugada, o tempo havia voado.
Uma pequena discussão iniciou-se entre Harry e , sobre qual dos dois era o maior fã dos Rolling Stones. Liam e eu nos calamos e ficamos apenas observando.
- Vem, vou te mostrar uma coisa... – minha amiga se pôs de pé em frente a Harry. – Eu tenho uma sala que é praticamente um santuário, tenho tudo que você pode imaginar deles.
- Isso eu quero ver de perto... – Harry, ainda se mostrando duvidar dela, levantou-se rapidamente e acompanhou .
- Vocês também querem vir? – virando-se para Liam e eu, perguntou.
- Eu já vi... Vou esperar aqui e depois vou pra casa que o vinho já fez o seu efeito... – comentei. - Talvez o Liam queira ver. – disse, ao virar meu rosto para ele.
- O Harry definitivamente é muito mais fã que eu, vou esperar aqui também. – respondeu Liam, largando sua taça vazia na mesa de centro.
- Está bem, já voltamos, vou provar para certo alguém... – olhou fixamente para Harry. - Quem é a maior fã aqui neste apartamento... – a morena ergueu uma sobrancelha, encarando Harry. – Vem. – o conduziu pela mão até o outro cômodo.
No instante em que me vi sozinha na sala, sentada naquele sofá ao lado de Liam, na tentativa de disfarçar meu nervosismo, peguei minha taça para tomar o último gole de vinho, foi quando pude perceber que Liam me olhava discretamente. Prolonguei aquele último gole o maior tempo possível, pelo fato de não saber exatamente o que falar ou como agir. Calmamente, larguei a taça no canto da mesinha e um pouco hesitante voltei minha atenção a ele.
- Você... – tentei puxar um assunto, mas acabamos por falar os dois ao mesmo tempo.
- Pode falar. – um pouco atrapalhado, pediu para que eu continuasse.
- Não era nada importante... Só ia perguntar se você queria mais vinho. – parece tolice, mas o modo como ele me olhava fazia com que as palavras sumissem da minha cabeça.
- Não, obrigado. – agradeceu, e acomodou-se melhor no sofá. Em um movimento lento, deixou seu corpo bem próximo ao meu. - Eu queria me desculpar por ontem à noite, acho que acabei falando demais. Eu sei que você é noiva de um dos nossos empresários e...
- Não... Tudo bem. Não tem nada do que se desculpar. – sorri e dei um longo suspiro. Por que ele tinha que me lembrar desse noivado?
- Só acho que você merece alguém que além de ter orgulho de estar com você, também corresse qualquer risco pra ficar ao seu lado, que não se importasse com nada além de você e que soubesse dar valor à mulher incrível que você é. – o seu olhar não desviava por um segundo sequer, como se aguardasse uma reação ou uma resposta minha, mas permaneci calada, surpresa pelo que eu havia acabado de escutar. – Ai, olha eu falando demais mais uma vez... – disse, timidamente e desviou seu olhar por alguns segundos.
De fato, aquelas palavras haviam mexido comigo e me deixado um pouco confusa, mas ao mesmo tempo um bem estar e uma sensação de paz prevalecia. E esse sentimento andava se tornando constante cada vez que ele estava perto, eu estava até um pouco zonza, então não sabia se tudo isso era culpa do vinho ou não.
Tentei parecer o mais indiferente possível, afinal, isso só podia ser um pouco de loucura da minha cabeça. E ele deveria estar apenas sendo gentil por eu ser noiva do Albert.
- Não. – respondi, seguramente. – É que... Há muito tempo não ouvia algo assim a meu respeito. – Esbocei um sorriso meio contido.
- Falei o que penso de verdade. – pronunciou, com a voz um pouco mais baixa. E ao vê-lo sorrir novamente para mim não pude me controlar e meu sorriso se alargou bobamente. Vou matar a por ter aberto essa segunda garrafa de vinho, pois só pode ser culpa da bebida eu ficar de risinhos assim.
Fomos interrompidos pelo toque incessante vindo do meu celular. Gentilmente, pedi licença e, me segurando na beirada do sofá, me afastei um pouco e sentei no braço do sofá para atender a ligação.
- Alô?... – Estou aqui na ... – Sim... - Não precisa falar assim... – Sim... - Calma. - Já estou indo... TÁ!... – Desliguei o telefone e era como tivessem jogado um balde de água fria e fiquei em silêncio, encarando o celular por alguns instantes.
- Era o Albert? – com a expressão séria, perguntou Liam.
- Era... – larguei o aparelho no canto do sofá e voltei minha atenção a ele. – Ele... Acho que ficou preocupado por eu não estar em casa e... É melhor eu ir para casa. – apreensiva, dei a volta no sofá. – Depois avisa a que precisei ir e amanhã eu falo com ela. – peguei minha chave que estava em cima da mesa, meu cardigã de cima da poltrona e me dirigi até a porta. Antes de sair, me virei para ele que já estava atrás de mim.
- Ah! E deixa um abraço para o Harry também. – ao me virar de costas para abrir a porta, Liam me chamou.
- Não está esquecendo de nada? – olhei intrigada para ele, não sabendo do que ele estava falando. - Cada dia deixa algo pra trás, hein? – Rindo, me alcançou meu celular.
- Sou sempre assim mesmo, mais avoada impossível. – balancei a cabeça, abri rapidamente a porta e antes que pudesse dar um passo para fora do apartamento, Payne me segurou pelo braço. – Eu esqueci mais alguma coisa? – indaguei, olhando ao redor para ver o que mais essa minha cabeça de vento havia deixado para trás.
- Sim... E o meu abraço? – pediu, com um sorriso doce, enquanto calmamente se aproximou. Meus joelhos até tremeram no momento em que seus braços fortes me envolveram naquele abraço. Eu acabei por abraçá-lo mais forte nesse momento, fechei meus olhos e era como se de repente eu me sentisse segura, protegida e uma sensação de alívio e conforto tomou conta de mim. Por um momento, desejei não precisar me separar daquele abraço.
- Boa noite, Liam. – falei, e um pouco relutante me desvencilhei de seus braços.

Todo sentimento de euforia foi substituído pelo de aflição, quando lentamente fui abrindo a porta do meu apartamento, sem fazer muito ruído para não acordar Albert, caso já estivesse deitado no quarto. Ao entrar pé por pé, meu coração disparou quando a luz do abajur da sala se acendeu. Albert estava na poltrona, sentado, me esperando no escuro, parecia uma alma penada daquele jeito, só o reflexo da lâmpada refletia em seu rosto.
- Nossa! Que é isso? – perguntei, alarmada com a mão em meu peito.
- Por que não estava em casa? – Levantou-se e veio caminhando em minha direção, acendendo as outras luzes da sala.
- Eu falei que estava na . A mãe dela foi passar mais uma noite no hospital e como eu também estava sozinha, resolvi ir fazer companhia a ela.
- Mas até a essa hora? – perguntou, em um tom alterado, apontado para seu relógio. – Quem mais estava lá? Ela por acaso não estava fazendo alguma festinha no apartamento, não é mesmo? – perguntou, insinuando algo.
- Até parece, Albert... Ficamos conversando e acabei esquecendo as horas. – respondi, calmamente, caminhando até o quarto. – E olha quem fala da hora, você nem sequer dá mais satisfação... E ainda quer exigir alguma coisa? Está fazendo algo errado que tem tanto medo que eu esteja aprontando também? – o desafiei.
- Está louca, é? Estou cheio de trabalho... Tudo para conseguir sustentar seus luxos! E você ainda se acha no direito de falar essas asneiras? – se aproximou e pegou repentinamente minha mão. – De onde saiu o dinheiro para comprar essa aliança? – apertava com força meus dedos.
- Você que inventou essa história, não venha jogar a culpa em cima de mim. – puxei minha mão bruscamente até me soltar. – Eu não preciso disso, Albert. Ultimamente só me despreza, nunca está em casa... E de repente eu tenho que ficar fazendo teatrinho da noiva feliz só porque você comprou um anel de noivado?
Sua feição mudou de repente e ficou mais calmo.
- Não que eu nunca vou querer me casar com você, só que não agora... Mas como estavam querendo dar o cargo para outro sócio, porque era casado e passava uma imagem mais séria eu resolvi dizer que íamos casar, eles já não estavam me levando muito a sério. E como todos simpatizaram com você... Entendeu? – Ficou bem próximo de mim, me encarando. – Um dia casaremos... Prometo. – Ele riu. – Está bem, meu docinho? Não se preocupe... Eu sei que estou um pouco distante, mas é só por causa do trabalho... – Cada vez mais próximo, ele me puxou pela cintura. Esquivei-me, tentando me livrar de seu toque e ele me segurava cada vez mais forte. – Que foi? – franziu a testa. – Você bem que poderia colaborar um pouco, não é mesmo? – Um sorriso debochado surgiu no seu rosto.
- Eu só quero ir dormir, Albert. Amanhã conversamos melhor, está bem? – Tentei me manter o mais calma possível, afinal, ainda estava irritada com ele.
- Está bem... Só porque hoje estou cansado. A reunião foi exaustiva... Mas um beijinho antes de deitar eu exijo. – me envolveu pela cintura e me beijou. Mesmo eu estando um pouco contrariada, acabei cedendo ao seu beijo, mas o gosto e o desejo não era o mesmo de antes, tudo parecia tão diferente e estranho.

Capítulo Quatro

Mais uma semana se iniciava e hoje não podia ser diferente como dos últimos dias. Quando acordei, Albert não estava mais em casa. E pelo silêncio no apartamento, Lydia também não e logo lembrei que Albert havia dado a ela mais um dia de folga.
Após ter ido almoçar no shopping, decidi dar uma passada no hospital para ver como estava o irmão de . Enquanto dirigia, estranhei ao ver que Albert estava me ligando. Logo que cheguei ao estacionamento do hospital, liguei para ver o que ele queria. Pediu para que eu fosse o quanto antes ao escritório da Modest para conversar com ele, fiquei intrigada, pois ele parecia ansioso no telefone. Depois de ter feito uma visita extremamente rápida, segui direto para a Modest, saber o que era este assunto tão importante que Albert precisava tratar comigo.
Apertei no 6º andar, onde ficava o escritório dele. Nesse tempo que estávamos juntos, nunca havia ido visitar Albert no seu trabalho, essa era a primeira vez.
Assim que o elevador parou no andar, me dirigi até uma recepcionista e avisei que Albert estava me aguardando. Ela gentilmente me acompanhou através de um corredor, onde à direita localizava-se um espaçoso escritório, com janelas enormes e uma linda vista.
- Pode aguardar por aqui, Albert está na sala do Richard, mas logo retorna. – disse, com uma voz suave e muito gentil.
- Obrigada... – olhei para seu crachá. – Brianna. – Sorri e em seguida ela se retirou.
Caminhei até a janela, atrás da mesa de Albert, cruzei os braços e fiquei observando a rua e um pequeno parque lá embaixo.
- Albert, eu... – ao escutar uma voz se aproximando, me virei rapidamente. – Desculpe, pensei que o Albert estivesse por aqui. – falou uma moça alta, de cabelos cacheados, castanhos e longos até a cintura. Ela segurava algumas pastas em seus braços e parou na entrada da porta.
- Se quiser esperar, logo ele vem, também o estou aguardando. – respondi, me distanciando da janela e indo em direção a uma cadeira ao lado da mesa dele.
Ela nada respondeu, apenas me olhou dos pés à cabeça e assentiu com a cabeça.
- Você é a namorada dele, não é mesmo? – perguntou, ainda escorada perto da porta. – É a... – rolou os olhos, como se tentasse lembrar meu nome. – A...
- . – respondi, um pouco seca, não estava gostando muito da postura daquela mulher. Procurei com os olhos por algum crachá para tentar identificá-la, mas sem sucesso resolvi perguntar. – E você, quem é?
- Eu sou a assistente do Albert. – respondeu, em seguida entrou no escritório e largou as pastas em cima da mesa dele. – Meu nome é Shannon. – virando-se de frente para mim, estendeu a mão para me cumprimentar.
Shannon? Será que ouvi bem? Um frio chegou a percorrer minha espinha nesse momento. Será que é a mesma Shannon do cartão que eu encontrei, não poderia ser coincidência a assistente ter o mesmo nome. Cumprimentei-a de volta, um pouco perplexa pela minha provável descoberta.
Neste exato momento, Albert passou pela porta, parando ao meu lado.
- Querida, essa é a minha assistente. – Ou eu estava errada em minha suspeita ou Albert era muito dissimulado, falava numa tranquilidade. Pensei que ficaria nervoso, mas pelo contrário, chegou inclusive a passar o braço sobre meu ombro. – Por favor, Shannon, deixe-nos a sós um minuto, tenho que conversar com a minha noiva, depois eu te chamo. Está bem?
A morena não pareceu muito contente, apenas acatou a ordem e retirou-se da sala, praticamente desfilando.
- Sente-se. – pediu, ao sentar-se em sua grande cadeira. – Eu te chamei na verdade aqui a pedido do Richard. – repousou as costas na cadeira, ficando mais confortável. – Bom, o pouco que você conversou com a esposa aquele dia no brunch, você comentou que quando morava no Brasil, trabalhava com consultoria de moda e essas coisas e isso acabou chamando a atenção dela. E quando ela ficou sabendo que a assistente da Personal Stylist de uma das bandas que a Modest agencia pediu demissão para trabalhar em outro lugar, a esposa dele sugeriu para Richard que tentasse chamar você para trabalhar no lugar dela. Mas claro que tentei explicar que você não se interessa e não precisa desse trabalho, mas... – limpou a garganta. – Richard continua sendo meu chefe e...
- Mas eu fiquei muito interessada sim. – respondi, animada, o interrompendo.
- Como? – franziu a testa. – Mas está te faltando algo? – sua voz começou a se alterar. - Ou é pra me vigiar mesmo? Não entendi... – me indagou, irritado, desencostando suas costas e ficando tenso.
- Até parece, Albert... Não se preocupe, não quero te vigiar. – respondi, com descaso. – Acho que é uma boa oportunidade, passos os dias em casa. Preciso de uma ocupação, principalmente algo que eu adoro fazer.
- Se bem que não é uma má ideia. – recostou novamente suas costas na cadeira. – Agora que diante dele estamos noivos, isso pode ser até um bônus. – sua voz estava mais calma, olhou para o teto, como se planejasse algo. – Vou até chamar imediatamente Richard e dar a notícia. – esticou o braço e apertou um botão, avisando que eu iria até a sala de Richard.
Por um instante, cheguei até a me arrepender da minha decisão, pois pela cara de Albert, tudo se tratava para o seu próprio benefício.
- Richard está te aguardando na sala dele para passar todas as informações. – lançou um sorriso amplo. - Hoje à noite poderíamos ir àquele restaurante de comida italiana que fomos no nosso primeiro encontro para comemorarmos, o que você acha? – perguntou, de uma forma tão serena. - Eu irei me atrasar só alguns minutinhos, pois tenho uns assuntos para resolver. Mas vou deixar a reserva pronta para as 19h00min e você me aguarda lá que vou direto daqui. Mas vai de táxi que assim voltamos juntos com meu carro. – pegou o telefone na mão. - Nem lembro quando foi a última vez que fizemos algo assim. – falou, sorrindo enquanto discava.
Há tempos não o via assim tão carinhoso e disposto a sair comigo, até concordei com a ideia.

- Reserva no nome de Albert Wright Cole. – o Maítre verificou o nome e então me encaminhou até a minha mesa.
- A Sra. deseja pedir algo enquanto aguarda o Sr. Cole? – perguntou, ao me alcançar a carta de vinhos do restaurante.
- Pode ser o Vinã Gravonia Crianza, safra 1998. – pedi, alcançando de volta a ele. Lembrei que este era o preferido de Albert.
- Com licença. – Virou-se de forma educada e retirou-se.
Enquanto enchia mais uma taça de vinho, olhei mais uma vez impaciente para o celular, onde as horas marcavam exatamente 19h50min horas e nenhum sinal de Albert. Depois da sexta tentativa de entrar em contato, mais uma vez na caixa de mensagens. Entornei em um gole o resto de vinho que ainda continha na taça e chamei o garçom.
- Pode trazer a conta, por favor? – pedi, mantendo meu tom de voz baixo para não explodir de raiva ali mesmo. Eu ainda não estava acreditando que Albert havia me deixado plantada ali feito uma idiota.
Todos conheciam Albert, eu estava morrendo de vergonha. Pensei que era apenas uma crise, doce ilusão a minha de que Albert se importava ainda comigo. Até estava usando uma blusa que ele havia me presenteado no meu aniversário ano passado.
– Que droga! – Pensei, ao lembrar que estava sem meu carro, pois, a pedido de Albert, vim de táxi para não voltarmos para casa em carros separados. Paguei a conta e saí bufando daquele restaurante. Naquele momento, nem fome mais eu tinha de tanta raiva, caso contrário, poderia ter ficado e pelo menos ter jantado, assim pelo menos não perderia totalmente a noite.
Do lado de fora do restaurante, tirei meu celular da bolsa mais uma vez, dei uma conferida se não havia nenhuma ligação e pude ver que já eram 20h15min. Desci uma quadra a pé para me acalmar um pouco antes de chamar um táxi.
E como sempre, quando algo dá errado, a probabilidade de mais coisas erradas acontecerem triplicam. Enquanto eu caminhava e respirava fundo, o salto do meu sapato quebrou e acabei torcendo meu pé.
- Merda! – praguejei, segurei o sapato e fui mancando até um banco que avistei logo adiante. Sentei e cruzei a perna, girando de leve meu pé, na tentativa amenizar um pouco a dor que senti ao torcê-lo. – Que lixo de sapato. – O coloquei de lado, peguei meu celular e quando fui ligar para o táxi, acabou a bateria daquele maldito aparelho. – O que mais falta acontecer? – perguntei a mim mesma, quase chorando de raiva. Com meus cotovelos encostados nos joelhos, coloquei as mãos no rosto e baixei um pouco a cabeça. Inspirei e soltei o ar várias vezes, me acalmando, esperando toda a raiva dissipar, pois não me permitiria chorar por essa situação no meio da rua.
- ? – escutei uma voz familiar me chamar. Ergui lentamente a cabeça e pude ver um Toyota parado e com o vidro de película escura semi-abaixado. Minha visão estava um pouco embaçada, estreitei meus olhos para tentar ver quem estava dentro do carro.
- Liam? – com certa dificuldade, consegui identificar o dono da voz que me chamou.
- O que está fazendo sozinha por aqui? Está esperando alguém? – perguntou, ao abaixar totalmente o vidro.
- Não... Só estou... – Estou com muita raiva porque o Albert não apareceu no nosso jantar, quebrei o salto do meu sapato, estou sem bateria no meu celular e, ainda por cima, agora sim estou ficando com fome por ter saído do restaurante sem ter comido absolutamente nada. E para completar, me sinto um pouco zonza por ter apenas tomado algumas taças vinho com o estômago vazio. Pensei. – Estou... Procurando um lugar para jantar.
- Sentada aí e sem um sapato? – perguntou, rindo.
- É, bem... – olhei para o sapato que estava ao meu lado. – Digamos que eu ia jantar, mas... - dei um risinho nervoso.
- Onde está seu carro? Que eu te levo, não vai ir assim sem um sapato.
- Eu vim de táxi e eu ia chamar outro, mas acabou a bateria do meu celular. – expliquei, enquanto guardava o aparelho “morto” dentro da bolsa.
- Mas então pode vir de carona comigo. – destravou as portas do carro. – Eu te levo no restaurante que você ia ir.
Por alguns instantes, pensei em recusar, mas era o momento de dar um basta nesta minha frustrante noite.
- Está bem... – levantei-me, segurei minha bolsa e meu sapato, mas antes de abrir a porta olhei para ele através da janela. - Vou aceitar, mas só se prometer não me sequestrar. – ironizei.
- Prometo. – ergueu uma de suas sobrancelhas e lançou um meio sorriso.
Ao colocar o cinto, Liam perguntou:
- Então... Qual é o destino?
- Burger King! – respondi, em um só fôlego. Queria um lugar totalmente o oposto que Albert e eu sempre costumávamos jantar. Estava com fome e há séculos não comia fast-food.
- Sério? Você veio até aqui e se arrumou assim para ir sozinha ao Burger King? – perguntou, espantado, me olhando de cima a baixo. Murmurei um “uhum”, concordando com a cabeça. – Mulheres... – disse, balançando a cabeça e continuou a dirigir.
- Provavelmente, estraguei alguns planos seus esta noite, afinal, a sua casa fica do outro lado... – comentei, tentando descobrir o que ele estava fazendo naquele bairro.
- Não... Eu estava no apartamento do Niall, ele mora por ali, você não sabia? – me olhou e eu neguei com a cabeça. – Eu estava voltando para casa quando te avistei, mas só tive certeza que era você quando encostei o carro. – ele sorriu, mas seu olhar estava atento ao trajeto.
Enquanto ele dirigia, fiquei momentaneamente hipnotizada, percorrendo meu olhar por cada traço de seu rosto, sua barba, seu nariz, sua boca e... Corpo. Ele vestia uma calça jeans azul escuro e uma camiseta preta de manga curta, continuei a observar suas mãos no volante e seus braços que estavam descobertos e... Que braços. Nesse instante, soltei um leve suspiro.
- Chegamos. – Ele riu, me acordando do meu estado de hipnose.
Provavelmente, deve ter percebido. Que é isso ? Estou retrocedendo no tempo e agindo feito uma pré-adolescente? Só posso estar ficando maluca.
Senti até minhas bochechas ficarem quentes. Que maravilha, agora eu devo estar parecendo um pimentão na frente dele. Rapidamente, segurei minha bolsa que havia largado em meus pés e retirei o cinto, tentando disfarçar meu constrangimento.
- Obrigada... – agradeci. – Posso abusar um pouquinho mais da sua boa vontade e pedir pra você esperar eu buscar meu lanche?
- Claro, nem precisava pedir. Olha bem se deixaria você aí mancando atrás de um táxi. – me olhou sorrindo e desligou o motor do carro. – E mais, pode esperar por aqui que vou buscar pra você, não vou deixar sair descalça por aí. – soltou seu cinto de segurança.
- Imagina... Eu vou rapidinho e...
- Nem pensar. Me espera aqui que eu também estou com fome e pego para nós dois. – disse, de uma maneira firme, porém tão doce ao mesmo tempo. Percebi neste momento o quanto eu não estava mais acostumada com tanta gentileza.
Uns vinte minutos haviam se passado e nada de Liam voltar. O lugar nem estava tão cheio para demorarem tanto para atender um simples pedido. Quando pensei em sair do carro para ver o porquê da demora, ele entrou apressadamente dentro do carro.
- Segura aqui pra mim, por favor? – falou, um pouco afobado enquanto me alcançava dois pacotes da nossa super saudável refeição. Assim que travou as portas e ligou o motor do carro, algumas fãs enlouquecidas começaram a bater no vidro e flashes do lado de fora me fizeram entender o que estava acontecendo.
Ele dirigiu com muita cautela para não machucar ninguém que estava do lado de fora, assim que viu que elas haviam ficado para trás, pisou no acelerador.
- Viu? Se tivesse deixado eu ir, não ia precisar sair assim como um fugitivo. – o repreendi, em tom de brincadeira.
- É... Talvez... Mas assim foi mais emocionante. – abriu um amplo sorriso enquanto diminuía a velocidade. – Você precisa ir para casa ou... – fez uma pausa.
- Acho que devemos comer logo antes que isso fique com gosto de papelão. – olhei para os pacotes do Burger King que estavam em meu colo.
No instante em que terminei de falar, Liam deu uma virada brusca no volante, dobrou a esquina e acelerou novamente. De reflexo, segurei tudo para não derrubar. E alguns minutos depois desacelerou bem em frente a um prédio, o qual eu reconheci, mas não era onde eu residia e sim o prédio onde Liam morava.
- Pronto. – Antes de estacionar, abriu o portão ao lado e dirigiu até o estacionamento. – Chegamos. – desligou o motor.
- Como assim? – perguntei espantada. – Que eu saiba, não somos vizinhos.
- Era o lugar mais próximo e aqui não tem paparazzi. Assim podemos comer tranquilamente. – tirou o cinto e virou-se para pegar um dos lanches. – Depois eu prometo que te levo para casa. – abriu a embalagem, retirando um delicioso Steakhouse. – Peguei um igual para você, espero ter acertado no pedido.
- Eu não como nada no Burger King há séculos. - Meu estômago já estava roncando. Abri aquele pacote o mais rápido que pude e dei uma grande mordida naquele hambúrguer. Nunca pensei que fosse saborear com tanta vontade uma simples comida de fast-food. – Nunca tinha experimentado esse... Que delícia. – disse, enquanto terminava de engolir.
- É um dos meus preferidos. – comentou.
Assim que terminamos de comer, Liam abriu outro pacote, o qual continha uma coroa do Burger King. Desdobrou e colocou em minha cabeça.
- Agora sim! – ele riu e fez um gesto de reverência com os braços. – Rainha, digna de quem acabou de devorar um Steakhouse e uma porção de Satisfries em tempo recorde.
- Que exagero... – estreitei os olhos. – Talvez eu estava com só um pouquinho de fome. – ironizei.
- E não pense que não vi quando você pegou algumas das minhas batatinhas fritas. – ergueu uma de suas sobrancelhas e eu ergui os ombros, me fazendo de desentendida e ele acabou por rir.
E, de repente, era como se eu pudesse ser eu mesma novamente, sem medos e receios, meus sorrisos eram verdadeiros, tudo fluía naturalmente e não precisava fingir nada ao lado dele.
E o que era para se tornar uma noite frustrada, acabou se transformando em uma das noites mais agradáveis e divertidas que já tive.

Entrei tranquilamente dentro de casa e o silêncio reinava no apartamento, somente o barulho das minhas chaves em contato com a mesa de vidro. Ainda descalça e com meus sapatos na mão, me dirigi até o quarto, assim que os larguei dentro do closet, coloquei meu celular para carregar.
Não sei se diria para minha surpresa ou era o que eu esperava, mas ao ligar o dispositivo não havia sequer uma mensagem ou ligação de Albert, nenhum sinal dele e era como se a terra o tivesse tragado.
Estava me preparando para dormir e ao sentar na cama antes de me deitar, ouço o barulho da porta abrindo-se e fechando e logo em seguida alguns passos. Permaneci na mesma posição, apenas aguardando Albert passar pela porta do quarto.
- Oi, . – o ouvi se aproximar e continuei de costas, permanecendo sentada, totalmente imóvel. – Nossa, você não vai acreditar no que aconteceu. – parou diante de mim, fazendo com que eu apenas erguesse meu olhar para ver qual seria a desculpa esfarrapada que ele inventaria desta vez. – Fiquei preso em uma reunião de última hora e... – continuou se explicando. – O tempo voou e meu celular ficou sem bateria.
Não expressei uma reação diante de tamanha mentira. Eu sentia o mesmo perfume adocicado que me causava náuseas, misturado novamente com aquele odor de álcool que exalava de sua pele.
- Com quem você estava, Albert? – perguntei, com frieza.
- O-O quê? – arregalou os olhos. – Acabei de te contar o que aconteceu, está surda?
- Pelo contrário, escutei perfeitamente e além da minha audição estar em perfeito estado, meu olfato também está. – levantei-me, ficando de frente para ele. – Ela não tem um “perfuminho” melhor, não? – expressei nojo, balançando minha mão, fazendo um vento diante do meu nariz.
- Ela? De quem você está falando? – se fez de desentendido e me deu as costas, tirando seu terno e jogando-o no braço da poltrona. – Eu estava em reunião, até admito que serviram Whisky e eu acabei tomando um pouquinho. – desabotoou a camisa e começou a soltar o cinto.
- Albert! Chega de mentiras. – o segurei pelo braço. – O que você ganha com isso? Eu fiquei que nem uma idiota no restaurante praticamente uma hora esperando e você não teve sequer a decência de me avisar que não apareceria... – meu tom de voz começou a se elevar.
- Quanto drama pra nada. Me desculpe mesmo... – falava, de um modo cínico. – Eu prometo que isso nunca mais vai acontecer. E... – jogou o cinto em um canto. – Você fica imaginando coisas, acho que está ficando louca, só pode.
- Louca? Só se for louca por ainda acreditar que você vai mudar. – minhas mãos tremiam ao ver tamanho cinismo da parte dele. – Eu só quero a verdade, Albert!
- Essa é a verdade, se você quiser acreditar ou não, o problema é seu. Eu já pedi desculpas por ter deixado você esperando. E eu prometo que vou te recompensar por isso. Eu sinto muito, você sabe que esse trabalho anda me consumindo ultimamente. – falou, enquanto atirou sua camisa em cima do seu terno. – Só chega de devaneios por hoje, está bem? – pediu, de maneira rude.
- Mas... – bufei. Parecia que eu estava tentando argumentar com uma porta. Aquela discussão não estava indo a lugar algum.
- Olha. – Me segurou pelos ombros. - Você sabe que eu não tenho ninguém além de você, meu bem. – sorriu, com um ar petulante. Não conseguia acreditar nas palavras dele. – É só você. – aproximou seu rosto do meu e depositou um rápido selinho em meus lábios. – Agora vamos dormir, pois não esqueça que amanhã nós dois temos muito trabalho pela frente.
Assim que me soltou, deu a volta na cama e deitou-se apenas de cueca. Nem mesmo foi tomar um banho antes de se deitar e tirar aquele cheiro repugnante.
Sentia meu relacionamento com Albert escapar por entre meus dedos, quanto mais eu me esforçasse para manter essa relação, mais ele se afastava e tinha atitudes que estavam destruindo qualquer sentimento que existia ainda dentro de mim.
Mas era nesse meu novo emprego que deveria depositar toda a minha concentração e foco. Amanhã eu seria apresentada aos garotos da 5 Seconds of Summer, a nova banda a qual eu estaria responsável pelos seus looks e produção de agora em diante e não poderia deixar meus assuntos pessoais interferirem na qualidade do meu trabalho.

Capítulo Cinco

Nestes últimos dias, Albert andava bem atarefado, mas estava bem mais cauteloso comigo e inclusive havia me presenteado com uma roupa nova para o evento desta noite, sempre com o pensamento de que bens materiais corrigiriam seus erros comigo. Era óbvio que eu ainda não havia engolido toda aquela história de segunda-feira, mas ele negava sempre todas as minhas acusações e ainda não tinha provas suficientes para confrontá-lo. E esse era um evento importante não apenas para ele, mas para todos que estavam envolvidos nesta causa.
Enquanto eu me aprontava no quarto, a cada cinco minutos Albert gritava da sala para saber se eu já estava pronta. Eu sabia perfeitamente que precisávamos chegar um pouco antes, mas ele fazia questão de ficar aos berros me apressando.
Olhando-me no espelho enquanto terminava de passar meu batom, Albert me chamou mais uma vez.
- Já está pronta? – Albert gritou, impaciente. – Vamos!
- Sim, já estou indo... – Gritei, de volta.
Guardei rapidamente o celular na bolsa, dei uma última conferida no espelho, borrifei meu perfume e estava pronta para encarar uma bela encenação. Só eu sabia a tormenta que era ter que fingir estar perfeitamente feliz com alguém quando tudo por trás estava desmoronando.
O que me confortava era que estaria presente, pois seu pai era um dos colaboradores da instituição. E como seus pais estavam separados, ela o acompanharia no lugar de sua mãe.

Quando chegamos ao portão principal, nos deparamos com várias fãs e muitos fotógrafos.
Em seguida, seguimos pelos corredores do local onde haviam alguns quadros com fotografias espalhadas pelas paredes de algumas crianças que tiveram seus desejos realizados pela Rays of Sunshine. Mais adiante, entramos na sala de imprensa, haviam mais fotógrafos e a equipe de televisão que estava fazendo a cobertura do evento. Posamos para algumas fotos e Albert inclusive deu uma pequena entrevista, afinal, ele estava agenciando os garotos do One Direction e foi um dos colaboradores principais para que o evento acontecesse. Ele também me apresentou, com bastante orgulho em dizer que “sua noiva” era a nova Stylist dos garotos da 5SOS, que inclusive haviam entrado minutos antes que nós.
No momento em que iríamos passar para o salão principal, a imprensa se agitou quando Harry, Zayn, Niall, Louis e Liam chegaram logo atrás de nós.
- Chegaram meus garotos! – Imediatamente, Albert soltou minha mão e correu até eles. Aproveitou para ser fotografado ao lado deles. Fiquei apenas observando enquanto eram fotografados e entrevistados perto da porta de onde eu estava. Todos eles estavam de preto, mas obviamente foi Liam que mais me chamou atenção naquele momento, usava por cima da camisa uma jaqueta preta de couro, estava de tirar o fôlego. Sei que não devia reparar nele dessa maneira, mas foi quase que inevitável. Hoje era como se não o visse mais como uma celebridade e sim lembrava a maneira como me fazia sentir cada vez que estávamos juntos e de nossa conversa na segunda-feira. Assim que me avistou, lançou um sorriso e eu retribuí com um pequeno aceno.
Depois que cruzaram os flashes, Albert veio até mim, entrelaçou nossos dedos e os chamou para entrarmos todos juntos. Ao passarmos pela porta principal, a equipe organizadora nos guiou até as mesas indicadas. Duas mesas ao lado da minha estava com seu pai e outras pessoas que eu não conhecia, então apenas acenei para ela.
Paramos diante de nossa mesa e todos os assentos estavam devidamente indicados onde cada um deveria sentar. Sentei-me ao lado da esposa de Richard. Outros sócios também estavam presentes na nossa mesa, mas, para a minha infelicidade, Shannon estava na mesa ao lado da nossa. No instante em que chegamos, não disfarçou alguns olhares para Albert e percebi o quanto me analisou de cima a baixo no momento em que me viu. Mas não deixaria uma qualquer arruinar essa noite que tinha uma causa tão nobre.
Na mesa à frente da nossa, estavam Luke, Michael, Calum e Ashton. Estava orgulhosa por terem aceitado usar as roupas que eu escolhi, esses meninos tinham personalidade forte e foi um grande triunfo convencê-los e entrar em um consenso entre o gosto deles, o que a Modest propôs para a imagem deles e o que eu havia sugerido. Estava muito satisfeita com o resultado final. Na mesma mesa, sentaram-se Zayn, Liam, Niall, Harry e Louis.
Alguns garçons transitavam pelo ambiente servindo champagne, a decoração do local estava impecável. Enquanto mostravam em um telão, próximo ao palco, um vídeo com todas as ações e os colaboradores da instituição, Albert envolveu seu braço em meu ombro e não desgrudou por um segundo.
- Boa noite, senhoras e senhores! Gostaria de chamar para fazer o discurso de abertura, um dos organizadores deste evento, Sr. Albert Wright Cole. – Albert subiu ao palco todo sorridente, ajustou o microfone à sua frente e então iniciou seu discurso.
Ao finalizar, anunciou o primeiro show, chamando ao palco Rita Ora. Ao retornar à mesa, se grudou ao meu lado, comecei a ficar extremamente desconfortável ao perceber que eu estava no meio de certa provocação entre Shannon e Albert. Então delicadamente tirei o braço de Albert que me envolvia, não queria criar nenhuma cena. Obviamente, eu não queria parecer uma doida na frente de Richard e sua esposa, afinal, ninguém sabia de nada e eu não podia negar que os dois sabiam disfarçar muito bem diante dos outros.
Em alguns momentos, olhava com certo desespero para , mostrando a minha insatisfação de estar ali e ter que fingir algo que eu não sentia mais. Mas os olhares de alternavam entre eu e Harry, nem preciso dizer quem obteve a maior atenção da minha amiga, com certeza um moreno de olhos verdes foi quem levou a vantagem. Albert pediu licença, se retirou da mesa sem dar nenhuma explicação e depositou um beijo em meu rosto.
A apresentação de Rita estava quase no final e em seguida seria a apresentação da 5SOS, levantei-me para acompanhá-los, pois eu seria a encarregada de anunciá-los no palco. Assim que começaram a tocar voltei para minha mesa, mas antes de retomar ao meu lugar, parei para cumprimentar Niall, Harry, Zayn, Louis e Liam. Estranhei que, ao voltar à mesa, Albert ainda não havia voltado e quando me virei para a mesa ao lado, coincidentemente Shannon também não estava. Permaneci em pé, próxima à minha cadeira e olhei para os lados, mas não o avistei. Bufei, pois meu sexto sentido me dizia que algo errado estava acontecendo, foi quando percebi que Richard e sua esposa me observavam estranhando minha atitude, então resolvi sentar.
- Que linda sua aliança! – Marla exclamou, pegando minha mão para vê-la de perto. – Você e o Albert vão casar quando? – Me olhou atentamente, aguardando minha resposta.
- Nunca... – pensei. – Obrigada, Marla... Não sei... – respondi, totalmente desanimada e um pouco rude.
- Como não sabe? - Marla olhou intrigada pra Richard.
- Não, não, Marla... – Tentei explicar, não queria ter sido tão indelicada com ela. - É que... Ainda estamos tentando decidir a data, sabe como o Albert é, gosta que tudo saia perfeito. – falei, lançando um sorriso falso.
- Sim... O Albert é assim mesmo, com ele tudo tem que sair perfeitamente do jeito dele. É um homem muito responsável e dedicado. Você tem muita sorte. Vocês formam um casal muito bonito. – sorriu de maneira muito simpática. – Você não concorda, Richard? – olhou para o marido, que parecia distante olhando para os lados. – Richard? – ela o chamou a atenção.
- Sim? – voltou a atenção a nós. – Sim... Claro, querida. – sorriu e tomou um gole de seu champagne.
Aquele papo de casamento e que Albert era o homem perfeito e ideal estava revirando meu estômago. Foi nesse instante que Albert retornou ao seu lugar, puxando a cadeira ao meu lado.
- Albert, onde você estava. – falei, um pouco baixo, nitidamente nervosa assim que ele sentou ao meu lado.
- Por aí, precisava fazer o social e cumprimentar alguns conhecidos... Onde mais eu estaria? – puxou a cadeira, acomodando-se melhor. Pude então perceber que a ponta de sua camisa estava para fora do cinto. E alguns minutos depois, por pura coincidência, Shannon também voltou à mesa ao lado. - Está tudo correndo bem, não é mesmo? Esses garotos são fantásticos mesmo! – comentou com Richard, sem tirar sua atenção do palco.
Um sentimento de ódio tomou conta de mim, então senti meus olhos encherem de lágrimas. Ele era mais sujo e imoral que eu imaginava. Não poderia ficar mais nenhum segundo naquela mesa, eu precisava me acalmar para não tomar nenhuma atitude precipitada.
- Vocês me dão licença? – rapidamente, saí daquela mesa. Assim que cruzei a mesa onde estava Shannon, ela me olhou e lançou um risinho cínico, só confirmava minha suspeita, fazendo com que eu ficasse ainda mais irritada. Direcionei-me até o corredor que dava acesso aos banheiros e corri antes que eu perdesse totalmente minha compostura e esfregasse a cara daquela vadia no chão.
Tudo que eu conseguia pensar no momento era como Albert podia fazer aquilo comigo? Não ter mais um pingo de respeito por mim, não se importar mais sequer com a minha presença. Fazia o maior esforço para não chorar até chegar ao banheiro, não queria que ninguém me visse naquele estado.
Caminhava a passos largos, aquele corredor parecia infinito, só parei quando esbarrei em alguém.
- Desculpa... – ao tentar prosseguir, percebi em quem havia esbarrado. – Liam? – eu ainda estava um pouco desnorteada.
- Opa... – me segurou pelo braço. - Quanta pressa... – sorriu, mas logo seu sorriso se desfez quando inevitavelmente uma lágrima a qual eu estava segurando resolveu escorrer pelo meu rosto. – O que houve? – questionou, apreensivo. Aproximou seu polegar e limpou a lágrima do meu rosto.
- N-nad... – Eu não tinha vontade de falar para não parecer ridícula em começar a desabafar com ele. – Nada relevante. – dei um longo suspiro.
- Você tem certeza? – seu olhar era atento e preocupado. Fitava-me de maneira tão intensa, fazendo com que eu perdesse a fala por alguns minutos. Nossos olhares estavam fixos um ao outro e eu como resposta apenas balancei a cabeça afirmativamente. Acho que se começasse a falar eu desabaria e a última coisa que queria naquele momento era ter uma crise de choro na frente dele, então baixei a cabeça. – Vou fingir que acredito... – deu um passo à frente, se aproximando mais de mim. Um calor começou a percorrer minha pele no momento em seus dedos tocaram meu rosto, afastando gentilmente uma pequena mecha de cabelo que estava perto do meu olho. – A propósito, você está ainda mais linda esta noite... – Sorriu de canto no instante em que ergui meu olhar até encontrar seu rosto, que estava extremamente próximo ao meu.
- Obrigada. – minha voz saiu um pouco rouca, ligeiramente tímida. Afinal, não estava esperando por aquele elogio.
Mais uma vez um silêncio veio à tona, durante alguns segundos, nos olhávamos apenas ao som de Luke, Michael, Calum e Ashton que ainda estavam tocando. Eu não conseguia ter reação alguma, as palavras pareciam não fluir e apenas continuei a encarar aqueles olhos castanhos, que de certa maneira pareciam me decifrar. Ele me passava tranqüilidade e ao mesmo tempo conseguia sentir sua inquietação. E um toque suave e inesperado em meu queixo fez com que minha pele inteira arrepiasse. Estava ali totalmente entregue àquele momento, envolvida pela troca de olhares e um leve friozinho no estômago, minha respiração começou a ficar pesada, todo esse sentimento começou a me deixar assustada.
- Finalmente te a-ach... - Zayn apareceu afobado. Imediatamente, eu dei um passo para trás. Ele parou ao lado de Liam e limpou a garganta. – Só vim avisar que somos os próximos e... Albert está aguardando. – Intercalou o olhar entre nós dois.
- Estou indo... – respondeu para Zayn e em seguida voltou sua atenção a mim. – Eu tenho que ir, mas não fique mais assim, está bem? – Liam falou, antes de acompanhar Zayn. Assim que se afastaram, fiquei por alguns minutos parada em meio ao corredor, tentando entender o que de fato acabara de acontecer. Distante em meus pensamentos, fui despertada por um cutucão em meu ombro.
- Que está fazendo aqui parecendo um pilar? – perguntou , ao parar à minha frente.
- Nada... – voltei meu olhar a ela. - Eu estava voltando para a mesa.
- Não, não... Antes vem comigo até o banheiro que essa sua cara aí não me engana.

- E esta está sendo a minha noite fantástica. – ironizei, assim que finalizei minha história enquanto revirava suas mãos embaixo do secador de mãos. - Mas é um desgraçado mesmo... - virou-se de frente para o espelho para dar uma retocada na maquiagem. - Desculpe a sinceridade, mas acho que você tem que dar um basta nisso tudo. Eu sei o quanto você andou se esforçando por esse relacionamento, mas pelo visto ele não tá dando a mínima. – deu com os ombros e virou-se novamente para mim. – Você mesma disse quando aconteceu o acidente do meu irmão que a vida é curta demais para fazer rascunho dela. E eu ando seguindo esse lema e você também deveria segui-lo.
- Eu sei... Vou tentar começar a seguir meus próprios conselhos. – respirei fundo.
- Sabe... Eu aceitei em ir a uma festa com o Harry assim que acabar esse evento e... Ai... – arregalou os olhos. - Vamos voltar logo que estou escutando quem começou a tocar. – me pegou pela mão e foi me levando até a porta.
- Pelo menos para uma de nós a noite está sendo ótima, não é mesmo? – ri, enquanto praticamente estava sendo arrastada pela minha amiga através do corredor. Tão apressada que praticamente nem me escutava.
Eu nem sequer existia mais ao lado de , sua atenção estava totalmente voltada ao palco. Pude perceber que o olhar do Sr. Styles também estava direcionado à minha amiga.
- ... Vou voltar para a minha mesa. Depois nos falamos.
- Uhum. – murmurou.

Na saída, ainda tivemos que posar para mais algumas fotos, em seguida Albert me deixou sozinha para orientar seus queridinhos.
Logo avistei um pouco mais distante e consegui apenas me despedir com um aceno, pois uma fotógrafa de uma revista de moda queria uma foto minha com os garotos da 5 Seconds, me entrevistando como a nova personal stylist da banda.
Após me despedir de Luke, Ash, Mike e Calum, olhei ao meu redor e não avistei mais Albert. Perguntei para Richard, mas ele também não havia falado com ele. Decidi ir até o estacionamento, o carro ainda se encontrava estacionado por lá, calmamente, me aproximei e me escorei na traseira do carro, alguns minutos depois, Albert apareceu.
- Estava te procurando. – falou, inquieto. – Vamos... Tenho mais um compromisso daqui a pouco. – olhou para o relógio e entrou rapidamente no veículo.
- Como sempre... – murmurei, irritada, entrando sem muita pressa no carro.

No momento em que pisei no apartamento e vi Albert feito um furacão passar até o quarto e pegar uma pasta, senti que não poderia mais deixar essa situação se prolongar. Todos esses sumiços de Albert, as mentiras, estavam me corroendo por dentro e eu não podia esperar mais nem um dia.
- Albert... – o chamei, mas sem muito sucesso em chamar sua atenção. – Albert... – falei, mais alto, conseguindo apenas com que ele olhasse brevemente para mim. - Nós precisamos conversar.
- O que foi? Não pode deixar pra amanhã? Não está vendo que estou com um pouco de pressa? – virou-se novamente, indo em direção ao closet para pegar outro casaco.
- Não, Albert. É justamente sobre esse seu comportamento, por nunca ficar em casa e... - continuei falando enquanto o seguia. – Sempre saindo tarde da noite...Tem que ser agora.
- Eu já falei um milhão de vezes. Ando muito atarefado com o trabalho. – bufou. - Mas você nunca está satisfeita, tudo para poder continuar proporcionando a sua vidinha perfeita, seu carro, suas roupas, as jóias... – explicou, com descaso.
- Pára, Albert! – o puxei pelo braço. – Chega de desculpas esfarrapadas... Por onde você andou boa parte da noite? – o soltei no instante em que ficou de frente para mim.
- Onde mais eu estaria? – começou a ficar impaciente. - Estava muito ocupado por causa deste grande evento, você acha que é fácil? Ter que fazer o social com todo mundo e manter tudo em perfeita ordem? – seu tom de voz estava extremamente alterado.
- E a Shannon? Também estava fazendo o “social”? – indaguei, em tom de provocação.
- O quê? – elevou mais sua voz e me olhou juntando as sobrancelhas. – Do que está falando?
Então me virei no closet, estiquei meu braço até o fundo da gaveta ao meu lado e de lá tirei o cartão que havia encontrado alguns dias atrás, no bolso do terno de Albert.
- Isso aqui. – balancei aquele pedaço de papel diante dos olhos dele. E ele apenas demonstrava uma expressão confusa. – É muita coincidência sua assistente ter o mesmo nome, não é mesmo?
Imediatamente, arrancou o pequeno cartão por entre meus dedos.
- Que porcaria é essa? De onde você tirou isso? – perguntava, aos berros.
- Estava no bolso de um terno seu... – respondi.
- Nem sei o que é isso. – leu rapidamente. - Isso não é meu. Está vendo meu nome aqui por acaso? – amassou o papel e jogou em meus pés. – Agora você deu para ficar vasculhando minhas coisas e inventar coisas ao meu respeito? Não tem mais o que fazer não? – falava, rispidamente. – Pensei que agora trabalhando iria ocupar essa sua cabeça de vento e deixar de tanta neurose.
- Cala a boca, Albert. – minha voz saiu um pouco tremida, como ele podia ser tão grosseiro comigo?
- Como você pode ser tão ingrata? – gritava, enfurecido.
- Ingrata, eu? Ultimamente, ando tentando salvar esse relacionamento mais do que tudo e como resposta recebo apenas sua ausência e gritos. Não tente mais me enganar, Albert, onde mais você tem que ir agora, à meia noite? Eu sei que você tem outra e...
- Você está ficando maluca, é? – me segurou violentamente pelos pulsos.
- Me solta, Albert... – pedi com a voz um pouco trêmula ao sentir a pressão de seus dedos começarem a me machucar. Ele respirou bem fundo, então me soltou e passou as mãos em seus cabelos.
- Estou de saco cheio dessas suas baboseiras. – bufou, dando dois passos para trás.
- Então acho melhor terminarmos. – falei, em um impulso, como se aquela frase houvesse escorregado de minha boca, gerando certo alívio.
Albert arregalou os olhos.
- O quê? – balançou a cabeça. - Quer saber... Acho que você não está muito bem essa noite, talvez o champagne que você tomou não está te deixando pensar racionalmente.
- Eu nunca estive tão lúcida na minha vida... – o encarei bem séria. – Isso seria melhor para nós dois e.. - Nesse instante, meu celular começou a tocar. Ele apenas me olhou, aguardando eu ir atender, mas ignorei por alguns minutos, necessitava de uma resposta dele e resolver isso tudo de uma vez por todas, mas o aparelho não parava de tocar. Fui então obrigada a interromper a discussão e corri para atender.
- Quem era? – Albert se aproximou e perguntou, um pouco preocupado ao ver o meu nervosismo.
- Era a ... O irmão dela... – fui guardando o celular na bolsa e voltei até ao closet para trocar de roupa. – Eu não consegui entender muito bem, pois ela estava nervosa e chorando. - Tirei o vestido o mais rápido possível, vesti uma calça e uma blusa. – Eu estou indo pra lá... – estava um pouco desnorteada, então peguei uma bolsa maior e ao abrir apenas joguei a outra bolsa que estava usando no evento e a chave do meu carro para dentro.
- Sempre essa família problemática. – deu as costas, pegando sua pasta e também caminhando até a porta de entrada do apartamento.
Não me dei sequer o trabalho de responder e saí sem ao menos olhar para trás. havia me deixado extremamente preocupada, ela mais chorava que conseguia falar.

Passei correndo pelos corredores daquele hospital, parando em frente à recepção. Logo à frente, avistei chorando e corri até ela.
- O que aconteceu? – perguntei, aflita.
- Ainda não sei bem certo... – soluçava. – Eu... Eu estava na festa e minha mãe ligou, cheguei agora pouco e... Meu irmão teve uma complicação... – falava, um pouco atordoada. – Está agora em uma cirurgia bem delicada no coração, ai... – suspirou fundo. – Eu não entendo o que esses médicos falam.
- Calma, ele é forte vai dar tudo certo. – ela continuou a chorar no momento em que a abracei. – Onde está sua mãe? Vamos nos sentar e aguardar.
Fomos andando até a sala de espera. Naquela sala branca onde o silêncio prevalecia, a mãe de estava sentada com a cabeça abaixada e as mãos no rosto.
Calmamente, me aproximei de Rosane.
- Quer que eu busque uma água? Um café? - pousei minha mão em seu ombro, demonstrando um pouco meu apoio. Lentamente, ela ergueu seu rosto, com os olhos inchados, apenas lançou um sorriso fraco.
- Não... Obrigada, querida. – respondeu, com a voz rouca.
Eu e nos sentamos nos bancos à frente dela. De repente, vi um dos seguranças da One Direction cruzando pela porta da sala e em seguida Harry segurando dois copos de café.
- Harry? – estranhei ao vê-lo por aqui.
- Foi ele quem me deu uma carona... – fungou. – Estávamos na festa juntos.
- Sim... Claro, você tinha dito. – balancei a cabeça, me redimindo pela minha distração. O segurança ficou parado na porta enquanto ele se aproximou.
- Oi, ! – me cumprimentou baixo e sentou-se ao lado de , entregando-lhe gentilmente um dos copos.
- Oi, Harry. – o cumprimentei de volta.
- Obrigada. – minha amiga agradeceu e tomou um gole do café.
Depois de algumas horas esperando, acabei cochilando por um instante e ao acordar vi que minha amiga também havia cochilado. Estava repousando sua cabeça no ombro de Harry, que permanecia acordado.
- Finalmente ela conseguiu dormir um pouco. – cochichou Hazza.
- Se você precisar ir, eu cuido dela... - arrumei minha postura na cadeira. - Amanhã vocês têm o dia de folga? – perguntei, baixinho para não acordar .
- Sim. – afirmou com a cabeça. – Mas eu vou ficar. – sorriu e envolveu seu braço ao redor dela.
Olhei para os outros bancos, o pai dela também havia chegado e estava sentado ao lado de sua mãe, muito aflito aguardando por notícias.
No instante em que pensei em levantar para buscar algo na cafeteria do hospital, um médico cruzou pela porta. A passos lentos, ele veio em direção dos pais de . Retirando a touca da cabeça, olhou para eles.
- Sr. e Sra. ? – deu dois passos, ficando bem próximo a eles.
- Sim... – Rosane ergueu-se rapidamente da cadeira, sua respiração estava acelerada, nesse momento, acordou e todos nós nos levantamos para escutar o que o cirurgião tinha a dizer.
- A cirurgia foi extremamente complicada devido ao estado em que Thomas se encontrava. Ele teve uma hemorragia no pulmão que expeliu muito sangue pela traquéia. Seu coração estava fraco demais e seus rins começaram a parar de funcionar. Nossa equipe fez tudo que estava ao nosso alcance, mas... Thomas não resistiu. Sinto muito.
- NÃO! – Rosane gritou, caindo de joelhos diante do médico. Seu choro era incontrolável.
Era como se de repente todo o ar se extinguisse daquela sala. Fiquei paralisada ao ver aquela cena, totalmente em choque, não acreditando no que estava acontecendo. Meu corpo inteiro ficou gelado ao ver cair aos prantos, Harry a abraçava forte tentando de alguma forma confortá-la. E foi quando senti a primeira lágrima começar a escorrer pelo meu rosto, seguido por um aperto no peito. Thomas era tão jovem, o considerava quase como um irmão e então não pude mais conter meu choro, por mais que quisesse permanecer forte para dar todo apoio a eles, foi inevitável.

Capítulo Seis

A mídia caiu em cima de e sua família pelo fato de Harry ter ficado no hospital naquele dia. Apesar das tentativas de manter o público longe da cerimônia, durante o velório todo o caminho do cemitério ficou tomado por fotógrafos, que não respeitaram o momento pelo simples fato que Harry compareceu para dar um apoio a . E como agora eu trabalhava com a 5SOS, Luke, Michael, Calum e Ashton estavam por lá também, então se tornou um prato cheio para notícias e especulações.
Por conta de tudo isso, e sua mãe, um dia após o funeral, viajaram até Portsmouth, onde morava a sua avó, para ficarem um tempo afastadas dessa loucura toda. Esse era um momento extremamente delicado e a mídia não as deixaria em paz.
No primeiro dia, Albert havia sido um pouco compreensivo, mas foi totalmente insensível nos dias seguintes, afirmando que eles não eram de fato minha família, por isso eu não tinha a necessidade de ficar triste e abatida da maneira como eu estava. Quase não havíamos nos falado muito, devido aos compromissos e as entrevistas com a banda. Estavam todos se preparando para os próximos shows da turnê, isso tomava a maior parte de seu tempo. E creio também que ele propositalmente andou me evitando, tentando fugir da conversa que havíamos iniciado dias atrás.
Duas semanas e meia se passaram, ocupei minha mente no trabalho, tentando ao máximo me manter firme, e mandava algumas mensagens para , mas respeitei seu espaço, pois não existem palavras suficientes que confortem alguém nesse momento.
Hoje cruzaria com Albert na Modest, teria que passar pegar a agenda do dia diretamente com ele, pois de agora em diante a 5 Seconds of Summer faria os shows de abertura durante a turnê da One Direction.
Infelizmente, acabei me atrasando um pouco e assim que fiquei pronta, não tive nem tempo de tomar um café, mas no caminho parei na primeira coffee shop pra pegar meu café, afinal, não acordo enquanto não tomo minha dose de cafeína diária.
Chegando à Modest, assim que saí do elevador, a primeira pessoa com quem me deparo é Shannon.
- Oi, . – cumprimentou, me olhando de cima a baixo.
- Oi... – respondi, com desprezo.
- Veio falar com o Albert? – me olhou com cara de nojo. – Eu aviso a ele que você está aqui.
- Não precisa, não. Eu sei exatamente onde é a sala dele, e como ele está me aguardando, vou passar direto. – com a voz firme, ergui a cabeça e segui confiante pelo corredor, a deixando para trás.
- Posso entrar? – Bati na porta da sala dele, que estava entreaberta.
- Sim... – Levantou-se, deu passagem para que entrasse e então fechou a porta.
- Chegou tarde ontem e nem sequer vi quando acordou hoje. – perguntei, enquanto sentava na cadeira em frente à sua mesa.
- Desculpe... Fiquei resolvendo algumas pendências até tarde e hoje pela manhã não quis te acordar. – Foi em direção à sua mesa e pegou uma pasta. – Vamos ao que interessa. Aqui tem uma cópia do que você será responsável de agora em diante, para os shows e todas as obrigações da banda. Você precisa assinar esses papéis para mostrar que está ciente de tudo. – Falou, me alcançando os papéis e depois se direcionou até outra gaveta. – E aqui neste iPad já está toda a agenda deles do mês, está tudo conectado, assim qualquer alteração você será notificada, porque tudo está vinculado. As duas bandas praticamente caminham juntas, então tudo tem que passar por mim, inclusive tudo que você Twittar e postar. Não podemos deixar que nada estrague a imagem de nenhum deles. Entendido?
- Sim... – Albert parecia um robô programado para falar tudo aquilo.
- Esta tarde eles terão uma sessão de fotos para uma revista. O endereço onde você deve pegar as roupas que você vai escolher e todas as informações estão todas especificadas na agenda do seu tablet. Alguma dúvida?
- Sobre isso, por enquanto não... Mas tenho outra dúvida... Quando vamos continuar a nossa conversa?
- Aqui só respondo assuntos relacionados ao trabalho. À noite conversamos, está bem? Agora que todas as informações foram repassadas, você está liberada. Estou muito ocupado agora. – Sentou-se e abriu seu laptop, me dispensando instantaneamente.
- Até mais, Albert. – Guardei tudo dentro da bolsa e saí.

Cheguei ao Corinthia Hotel, onde aconteceria a sessão de fotos. Os fotógrafos e toda equipe já estavam lá e as roupas escolhidas recém haviam sido entregues. Comecei então a organizar nos cabides com os respectivos nomes, foi quando Caroline ligou, avisando que não poderia comparecer na sessão nesta tarde, pois não estava se sentindo muito bem. Por ela estar no final da gravidez, seu médico recomendou que ela ficasse de repouso durante toda a tarde e qualquer dúvida era só ligar para ela.
Tentei me manter o mais calma possível, pois este seria um grande desafio, sozinha, ter que manter a ordem de todos os nove juntos naquela tarde.
No momento em que estava terminando de pendurar o último cabide, consegui escutar os gritos incontroláveis das fãs do lado de fora, foi assim que sabíamos que eles haviam chegado.
Ashton e Niall entraram correndo, em seguida foram um a um me cumprimentando.
- Temos uma nova slylist! – Comemorou Niall, parando do meu lado para tirar uma selfie.
- Não, não... Na verdade, estou emprestada hoje, porque Caroline não estava se sentindo muito bem e precisou do dia para ficar de repouso. – expliquei.
- É... Nem vem, Niall, ela é nossa. – Luke se aproximou correndo e me abraçou de lado.
- Está bem, está bem... – eu ri e me soltei dele. - Agora o dever me chama, pessoal, venham comigo. Todos para o provador agora... – Aprontei, indicando o local. – Que eu vou entregar a roupa de cada um.
Foi só me distrair por alguns segundos e Harry trocou os cabides das roupas dele pelo do Zayn. Será que eram agitados desse jeito sempre? Depois que consegui controlar a situação, todos estavam prontos. A primeira parte eu havia concluído com sucesso.
As fotos estavam ficando incríveis e eles estavam colaborando comigo. Fiquei ao lado para assistir toda sessão.
Durante uma foto e outra, Liam lançava alguns olhares para mim e sorria, ou talvez fosse apenas impressão minha que de uns tempos para cá andava prestando mais atenção nele do que devia.
Depois da segunda e última troca de roupas, Calum resolveu ficar só de cuecas, correu até a janela e abanou para as fãs. Eu deveria prever que logo aprontariam mais uma, afinal, estavam se comportando demais nos últimos minutos.
Mas o importante é que tudo correu bem, dentro do tempo e ainda além de tudo foi uma tarde que rendeu muitas risadas.
A sessão estava acabando e havia cumprido minha tarefa, organizei minhas coisas e as guardei. Em seguida, apenas com um aceno, me despedi de todos para não atrapalhar as fotos finais.
Cruzei pela entrada do hotel e um grupo pequeno de fãs ainda estavam por ali, atravessei rapidamente a rua para pegar meu carro.
- Eu não acredito! – Exclamei, ao ver que por questão de 10 minutos a mais no estacionamento meu carro havia ficado preso. Peguei rapidamente meu celular e liguei para Albert.
- Que droga! Atende, infeliz... – praguejei, ao chamar várias vezes e dar na caixa de mensagens. – Atende logo... – Liguei cinco vezes e nada, sempre na caixa. – Mas que merda... – Chutei o pneu que estava com a trava. Isso nunca havia acontecido antes, não sei nem pra onde ligar, quem procurar. Ainda com o celular encostado em meu ouvido, na esperança de que por milagre Albert atendesse, ficando rodando de um lado para o outro ao redor do carro.
Voltei minha atenção à porta do hotel quando escutei o alvoroço das fãs e me escorei no capô do carro. Havia uma van estacionada e alguns seguranças direcionavam Mike, Calum, Ashton e Luke até ela.
Em seguida, duas caminhonetes estacionaram logo atrás do meu carro. Então Zayn e Louis, após tirarem fotos com algumas fãs, correram até a primeira e o mesmo fizeram Niall, Harry e Liam, mas antes de embarcarem na segunda caminhonete perceberam o pequeno “incidente” com meu carro.
- Precisa de ajuda? – Perguntou Niall, mas logo o segurança foi o empurrando para dentro da caminhonete pelo fato das fãs terem rompido a barreira e estarem atravessando a rua.
- Vem com a gente. – pediu Harry, que já estava sentado no banco da frente. Eu olhei para o meu celular e as 15 chamadas não atendidas para Albert.
- Vamos... Depois alguém vem liberar seu carro... – insistiu Liam.
Os seguranças do outro lado da rua não estavam mais conseguindo conter todas as fãs, então “pulei” o mais rápido possível para dentro da caminhonete, que em seguida rapidamente deu partida.
- O que aconteceu? – Perguntou Niall, se referindo ao meu carro.
- Isso nunca havia acontecido antes. – respondi, preocupada. – Não sei nem como resolver.
- Na verdade, dá para resolver tudo por telefone, aí você paga a multa e alguém reboca o carro, sem problema. Aconteceu isso com um amigo meu uma vez. – Liam comentou.
- E a ? – Harry, do banco na frente do passageiro, virou-se para mim. - Ligou? Como ela está?
- Conversei com ela ontem, parece estar um pouco melhor e me disse que voltará semana que vem, pois terá a semana de provas e não pode mais faltar.
- Que bom... Não consegui falar com ela por esses dias e não quis incomodar. – comentou, virando-se novamente para frente.
Paramos no prédio da Modest, onde todos haviam deixado seus respectivos carros no estacionamento. Logo notei que o carro de Albert não se encontrava por ali.
- Olá, Sr. Franciosi. – Me aproximei da guarita do zelador. – Só gostaria de saber, por acaso o senhor viu Albert saindo? Digo... Se o Sr. Cole saiu?
- O Sr. Cole saiu faz umas duas horas. Avisou que tinha uma reunião e não deu muitos detalhes.
- Só mais uma perguntinha... É que eu precisava repassar uns assuntos com a assistente dele. Sabe me informar se ela o acompanhou nesta reunião?
- A senhorita Shannon... Não tenho certeza, pois ela saiu uns 20 minutos depois do Sr. Cole. – o zelador coçou a cabeça. – Ela saiu sem me avisar nada.
- Eu falo com ela outra hora. Obrigada, Sr. Franciosi. – agradeci e dei as costas, caminhando pelo estacionamento e me direcionando até o elevador. Era como se o que eu havia acabado de escutar não me chocasse mais, eu parecia estar anestesiada em relação à toda essa história de Albert e Shannon. Deveria aproveitar esse sentimento para conseguir conversar com ele esta noite.
- Eu sabia... – comentei, baixinho para mim mesma.
- O quê? – Liam, que estava logo atrás de mim, falou.
- Que susto. – Parei e me virei para ele. - Nada, não... – soltei um riso acanhado e neguei com a cabeça.
- Vai precisar de mais uma carona? – perguntou, sorrindo. – Meu carro está logo ali. – apontou com as chaves na mão enquanto andávamos pelo estacionamento. Fiquei muda por alguns segundos, pensando se deveria mais uma vez aceitar a ajuda dele. Era incrível como sempre ele aparecia nas horas em que mais eu precisava.
- É melhor eu pegar um táxi hoje, porque desse jeito vou ficar para sempre em dívida com você... – ri timidamente.
- É por causa do Albert? Ele vai ficar com ciúmes que eu te leve até em casa? – indagou Liam.
- Com certeza não é isso. Nem sei se o Albert ainda sabe que eu existo. – as palavras acabaram saindo sem eu pensar e imediatamente interrompi meu raciocínio. – Não... Ele não tem muito ciúmes. – tentei consertar, mas o que eu havia dito não tinha como voltar atrás.
- Mas deveria... – respondeu, me olhando de uma maneira que acabou me deixando totalmente sem jeito. Senti até minhas bochechas corarem. Que sensação era essa que ele causava sobre mim?
- E-eu. – Acabei gaguejando. Estava me sentindo perdida, não sabia mais nem o que falar, como se as palavras sumissem da minha cabeça. – Eu... – respirei fundo. – Vou ligar para o táxi, obrigada mesmo assim. – fui abrindo minha bolsa para pegar meu celular.
- Tem certeza? Vai recusar a minha carona? – brincando, fez um beiço com cara de triste e continuou parado à minha frente esperando minha resposta.
Algo me fazia me perder diante daquele olhar, uma voz dentro da minha cabeça martelava em aceitar, mas ao mesmo tempo um medo também me dominava, como se eu estivesse fazendo algo errado. Que mal teria em aceitar novamente uma carona dele?
- Você sempre faz isso para convencer as mulheres a pegar carona com você? – falei, em tom de brincadeira.
- Não... – ergueu uma de suas sobrancelhas. – Mas está funcionando? – sorriu de canto.
Antes que eu pudesse dar uma resposta, o ronco alto de um motor invadiu a garagem. Albert estacionou na vaga ao lado do carro de Liam.
- Albert! – me virei espantada no instante em que ele bateu a porta do carro. Mas pude notar pela expressão em seu rosto que quem estava surpreso era ele.
- ? O que está fazendo por aqui? A sessão de fotos não era no hotel... – estalou os dedos tentando lembrar. – No Corinthia Hotel? – virou brevemente o rosto e cumprimentou Liam.
- Era lá sim, Albert. – Aquele nervosismo só o entregava cada vez mais, principalmente porque em questão de alguns minutos depois o carro de Shannon coincidentemente entrou pela garagem. – Mas por que tanta surpresa em me ver por aqui? – estiquei o pescoço, olhando o carro dela ser estacionado na vaga ao lado. – Também trabalho para a Modest, esqueceu? – perguntei, com cinismo.
- Não foi isso que quis dizer. – me encarou sério. – Pensei que você estaria por lá e... – limpou a garganta. – É que me ligaram sobre o carro e vim buscar uns documentos e... Você sabia que tive que liberar algumas multas? Como eu não sabia que você tinha duas multas atrasadas? Avoada como sempre, depois eu que tenho que arcar com as conseqüências. – sua voz começou a se alterar, sem ao menos se importar com a presença de Liam. – Quer saber? Entra logo no carro que conversamos em casa. – irritado, destravou as portas e entrou novamente no veículo.
- Obrigada mais uma vez, Liam. – agradeci, com um sorriso no rosto. Ele retribuiu sorrindo, então dei a volta no carro. Antes de entrar, pude ver que Shannon observava tudo de dentro do seu Toyota prata, cuidando meus passos e no instante em que olhei, ela virou o rosto em uma tentativa falha de disfarçar.
Assim que chegamos ao apartamento, Albert resolveu despejar toda sua frustração para cima de mim.
- Você não cansa de me trazer problemas? – afrouxou a gravata do pescoço.
- Do que você está falando? Que problemas? – perguntei, sem entender seu mau humor.
- Além de imprudente está com lapsos de memória também? Claro, pois quem vai ter que pagar as multas sou eu, não é mesmo? – Albert estava bem alterado.
- Não precisa pagar, eu mesma agora posso arcar com os custos da multa. Eu juro que não sabia dessas multas atrasadas. – expliquei, mantendo a calma.
- Ah! É assim agora? Está achando que é alguém? – soltou um riso debochado. – Acha que pode se bancar sozinha só porque está trabalhando nesse meio? Você é uma ingrata, sabia? – gritou, apontando o dedo em meu rosto.
- Eu ingrata? - meu sangue ferveu ao ouvir isso. – Quem você pensa que é em falar sobre gratidão? Ultimamente tudo que você me faz passar é humilhação atrás de humilhação... Não se importa mais nem um pouco comigo. Por que ainda quer continuar com isso, não entendo. Pra que fingir esse noivado e depois sempre me tratar que nem lixo? Eu não aguento mais! Por que continuar? Por quê? – desabafei, chorando.
- Porquê... Você sabe porquê... É porque... P-Porque eu te amo... – respondeu, em um tom forçado, não demonstrava sinceridade. Seu olhar era frio como sempre. Aquelas palavras soaram tão vazias, não tiveram efeito nenhum sobre mim.
- Ama? Belo modo de provar... Me traindo com sua assistente. – Ele ficou vermelho e me segurou bruscamente pelos braços. Engoli seco.
- De novo com essa história absurda? Pare de inventar essas besteiras! Quantas vezes vou ter que repetir? – pressionava meus braços com força. – Eu não tenho ninguém! Ninguém! – repetiu, aos berros.
Senti que eu estava andando em círculos novamente, ele sempre negando e como não tinha mais provas além do bilhete que ele afirmou não ter conhecimento, não me restava alternativa a não ser dar um basta nisso tudo.
- Albert... Eu quero terminar... – as palavras que estavam presas na minha garganta há duas semanas.
- O quê? – apertou com ainda mais força meus braços. - Você não pode terminar você é minha noiva, entendeu? – falou, firme. – É minha. - Albert então me empurrou no sofá e me beijou à força. Tentei me soltar, mas ele me segurou pelos pulsos e ficou me encarando com um olhar sórdido, um frio percorreu minha espinha.
- Viu? Eu te amo... – Aquelas palavras pronunciadas por ele naquele momento me causavam certo medo e aversão. – Eu te amo. – sem soltar meus pulsos, começou a beijar meu pescoço de um modo bruto.
- Me solta agora, Albert... Me solta! – Gritei, e com toda minha força o empurrei com meus pés, fazendo-o cambalear para trás. – O que está acontecendo com você? – perguntei, assustada, enquanto me levantava do sofá.
- Você não vai me deixar. – falou, por entre os dentes. - Você não é nada sem mim, nada! – A passos lentos, se aproximava de mim novamente. - Ninguém notaria sua existência se não fosse por mim. Não se iluda com as roupas caras que você usa, pois sem isso você volta a ser uma mulher insignificante. Acha que eu te tirei do lixo para depois me deixar? – parou diante de mim e com uma de suas mãos agarrou meu cabelos, fazendo com que eu ficasse na ponta dos pés pela dor. - Não é assim que funciona, minha querida.
- Albert, me solta! – gritei, em desespero.
- Cala boca! Você está em dívida comigo...– seu rosto estava vermelho de raiva e sua respiração ofegante. – Eu posso tirar esse seu empreguinho em um piscar de olhos, você vai morrer de fome, viro sua vida ao avesso. A escolha é sua, baby... – Assim que terminou de falar, largou abruptamente meus cabelos, fazendo com que eu caísse no chão.
Eu não conseguia conter meu choro, sequer conseguia responder algo.
- Eu não vou ficar aqui essa noite... – Albert deu as costas, indo em direção ao quarto. - Pense muito bem em tudo. Vou para um hotel, colocar minhas idéias no lugar e amanhã conversamos. – Juntou algumas peças de roupa, as chaves e bateu a porta ao sair.
Não sabia como havia despertado tanta raiva em Albert, nunca o conheci de verdade, com quem havia me envolvido? Nunca senti tanto medo na minha vida, estava ali caída ao chão, me sentindo totalmente indefesa e humilhada.

Capítulo Sete

O sol trespassava pelas cortinas e embora o despertador insistisse para que eu levantasse, lembrando-me que eu precisava enfrentar este dia, o meu maior desejo, pelo menos hoje, era ficar debaixo das cobertas e esperar para que toda situação se resolvesse sozinha ou que tudo não passasse de um pesadelo.
Estiquei meu braço até o criado mudo para verificar as notificações no meu iPad. Havia um recado de Richard nos meus e-mails, convocando uma reunião comigo e Albert às 14h00min.
Lembrei que estava sem meu carro, então precisaria pegar o metrô. Totalmente desanimada, lentamente me impulsionei da cama e me direcionei até o banheiro para fazer minha higiene matinal.
Escolhi uma roupa leve, precisava me arrumar e me revigorar, afinal, não me permitiria demonstrar minha fraqueza diante dele. Precisava adotar uma nova postura e não deixar que isso voltasse a acontecer.
Passei uma maquiagem, tentando disfarçar a noite mal dormida e antes de sair me despedi rapidamente de Lydia, que havia acabado de chegar. Avisei que não tomaria café em casa, peguei meu celular e por um instante até pensei em ligar para , afinal, estava precisando tanto de um ombro amigo para desabafar, mas lembrei que não era o momento de chateá-la, ela ainda estava fragilizada, então guardei o telefone na bolsa e saí.
Enquanto estava no metrô, comecei a lembrar da noite anterior e um nó em minha garganta se formou, afinal, ainda não conseguia acreditar nas ameaças de Albert e o quanto ele ficou transtornado. Era como se uma nova face dele houvesse se revelado ontem, ou será que nunca o conheci de fato? Com quem convivi todo esse tempo? Todas essas questões rodeavam minha mente e um desânimo tomou conta de mim, como se eu não tivesse mais forças para nada.

Cruzei a recepção da Modest feito um zumbi, não cumprimentei ninguém, sequer olhei para os lados e peguei o elevador. Logo que cheguei ao andar, avistei do lado de fora da sala de reuniões estava Richard, parado diante da porta e no momento que me viu abriu um amplo sorriso e com um gesto me chamou para entrar na sala.
- Pode ir sentando, . – indicou a cadeira. – E o Albert? – me olhou confuso.
- Ele... – pensei, enquanto me acomodava na cadeira. – Ele... – Não sabia exatamente que desculpa dar. - É que ele precisou... – Nesse instante, Albert entrou na sala.
- Estava agora mesmo perguntando sobre você. – Richard falou, dando um tapinha no ombro de Albert. – Pode ir sentando também.
- Eu fui resolver uns probleminhas com o carro. – explicou. - Mas agora está tudo certo. – Albert me encarou antes de puxar a cadeira ao meu lado.
- Tudo bem. Eu não posso demorar muito, então vamos direto ao assunto. – abriu seu notebook. – Primeiramente, é sobre a turnê. Hoje finalmente consegui fechar para que a 5SOS abra alguns shows da One Direction em algumas cidades.
- Isso é uma ótima notícia, Richard. – Albert, como sempre um grande puxa-saco, abriu um sorriso estúpido. Eu permaneci em silêncio, apenas escutando o que mais Richard tinha a falar.
- É, mas o motivo pelo qual chamei os dois é que devido a tudo isso, vocês sairão em turnê juntos. – Albert instantaneamente me olhou. - Agora posso dizer que está oficialmente em nossa equipe, afinal, tudo que ouvi até agora foram elogios e mais elogios em relação ao seu trabalho e os garotos gostaram muito de você, algo que não aconteceu com a anterior, mas isso não vem ao caso. A sessão de fotos de ontem foi um sucesso e mesmo com a ausência da Caroline, você conseguiu manter todos aqueles garotos em ordem, parabéns!
- Muito obrigada, Richard. – Agradeci, respirando tranqüila por ter sido reconhecida pelo meu trabalho. – E pode deixar que continuarei sempre me esforçando para fazer o melhor.
- Tenho certeza disso. Ainda mais com vocês dois trabalhando juntos, sei que tudo estará em perfeita ordem. Você tem muita sorte, Albert, não deixe essa mulher escapar, hein. – ele sorriu.
- Mas é claro que não... Jamais! Ela é tudo pra mim... - Me abraçou de lado. Albert não poderia ser mais falso? Eu apenas observei calada, respirei profundamente para não falar o que não devia e não causar um grande escândalo ali mesmo.
- É isso aí. A princípio, era isso que queria falar com vocês. Quase ia me esquecendo... Também queria avisar que amanhã à noite não estarei presente na festa de lançamento do CD das meninas do Little Mix e gostaria que vocês me representassem. – Fechou seu laptop e o guardou. – Qualquer dúvida, só me ligar. Deixei o nome de vocês na lista. Agora tenho um vôo agendado e preciso ir. Na volta, nos falamos. Boa festa amanhã e aproveitem por mim. – Apertou a mão de Albert e saiu da sala.
Eu me levantei, mas antes que pudesse passar pela porta, Albert me impediu, me segurando pelo braço.
- Não vai mais falar comigo? – pediu, com a voz calma.
- Depois das ameaças de ontem à noite, eu deveria voltar a falar com você? – respondi, zangada, dando as costas para ele novamente.
- Espera... – mais uma vez, ele me puxou pelo braço. - Eu peço desculpas. Eu sei que me alterei ontem, mas é que você me deixou um pouco descontrolado, a idéia de te perder me deixa louco.
- Me perder? – franzi a testa. - Você nunca fez um esforço para me manter ao seu lado. Cansei dessa loucura e para o nosso bem, isso tem que acabar, cada um segue com a sua vida e pronto. – me soltei dele.
- N-não... – gaguejou. – Por favor, me dá mais uma chance. Eu posso provar que eu vou mudar, por favor? – implorou, com a voz rouca, pareceria que iria chorar a qualquer momento. – E você não tem para onde ir... E comigo você tem um lar. Me dê só mais uma chance? É tudo que peço.
Respirei fundo, estava tudo embaralhado em minha cabeça, afinal, não conseguia tirar da minha mente a imagem de um Albert praticamente psicótico na noite anterior. Não sabia se aquilo se tratava de mais uma encenação ou realmente ele estava arrependido. Meu sexto sentido me fazia duvidar, mas em um ponto ele tinha razão, eu não tinha nenhum outro lugar para morar no momento.
- Está bem, mas... – concordei, desanimada. - Mas que fique claro que é a última chance, Albert. – Ele abriu um largo sorriso e me deu um beijo na testa, me senti uma idiota em dar mais essa chance a ele, principalmente depois da noite anterior, mas na circunstância atual era o que me restava, pelo menos teria um tempo até encontrar um novo lugar para morar.
- Quase esqueci, seu carro já está liberado, inclusive já vou ligar para alguém trazer ele pra você aqui. Assim você pode ir ao shopping e comprar uma roupa nova. Ok? – Pegou o celular e discou um número, assim que desligou, pegou sua pasta, colocou sobre a mesa e tirou alguns papéis de dentro. – Antes que eu me esqueça, preciso que você assine esses papéis. Agora que oficialmente você vai trabalhar direto com a 5SOS. – Me entregou uma caneta.
- O que estou assinando exatamente? – Perguntei, antes de assinar.
- Só um termo de sigilo, a respeito de não poder divulgar certas informações da banda. Essas coisas, você sabe... Não precisa ler tudo, assina aí rapidinho que preciso levar o quanto antes esse documento.
Li os primeiros parágrafos e assinei as quatro folhas.
– Agora tenho outros compromissos. Nos vemos à noite, meu amor... – guardou rapidamente os papéis na pasta, me deu um beijo na bochecha e saiu apressado.
Albert era uma pessoa totalmente imprevisível, não sabia exatamente o que ele estava tramando ou se estava sendo sincero, mas algo me dizia que não podia confiar muito nessa mudança.

A tarde passou voando. Como hoje era dia de ensaio da banda, minha tarde se resumiu a participar de um Workshop de Tendências e depois reunião para a escolha do figurino dos shows da turnê.
Ao voltar para casa, no instante em que estava me aproximando do meu prédio, avistei uma moça de óculos escuros, se parecia com a , mas não poderia ser, o cabelo e o carro eram diferentes do dela. Ela estava de braços cruzados, escorada na lateral de um Meserati branco. Fui diminuindo a velocidade e chegando cada vez mais perto, pude conhecê-la e baixei o vidro.
- ! – exclamou, animada e deslizou os óculos escuros na ponta do nariz. – Estava aguardando você, o porteiro me avisou que você ainda não havia chegado. Resolvi te fazer uma surpresa. – falou, de uma maneira tão animada que cheguei estranhar.
- Oi, . Que surpresa boa. Eu estava com saudades e, a propósito, adorei o cabelo novo. – a cumprimentei, estranhando o carro e observando a mudança de visual.
- Resolvi mudar para combinar com o presentinho que meu pai me deu. – passou os dedos pela porta do seu carro. – Estaciona o seu aí na garagem e vem comigo dar uma volta, quero estrear a minha “Snowflake”. – ela riu.
- “Snowflake”? O que é isso? – franzi a testa.
- É o nome que eu dei para o meu carro novo... – colocou as mãos na cintura. – Ele é branco, então... – respondeu, como se fosse tão óbvio ao ponto de eu ter que saber que ela já havia apelidado seu carro.
- Hum... Claro, muito criativo. – Ela fez uma careta para mim. - Está bem... Aguarde só uns minutinhos e eu já volto. – dei a volta e dirigi até a garagem.

- Eu estou com fome e já sei exatamente onde poderíamos ir. – falou, assim que entrei no carro. – Mas antes temos que ir buscar uma pessoa, pode ser?
- Eu estou de carona hoje, então o que você decidir! – respondi, colocando o cinto de segurança. – E como você está? E a sua mãe? – puxei assunto enquanto ela dirigia.
- Estou melhor... – suspirou. – Decidi voltar antes, não agüento mais tanto choro e tanta tristeza, eu precisava sair de lá. Minha mãe ficou com a minha avó, ela ainda não se conforma. Claro, é tudo muito recente, mas é como se eu nem existisse, entende? É como se só o meu irmão existisse na vida dela. – seus olhos encheram de lágrimas. – Por isso resolvi voltar e vou ficar no apartamento, sozinha, até ela voltar e se eu precisar qualquer coisa eu tenho meu pai. – enquanto uma mão ainda estava no volante, com a outra limpou a lágrima que escorreu em seu rosto. Não quero mais perder tempo da minha vida me lamentando, sei que vai levar tempo até eu superar tudo, mas ficar chorando dia e noite não trará meu irmão de volta.
- Nisso você tem razão. Mas não precisa mais falar sobre isso se não quiser, desculpe ter tocado no assunto.
- Não tem problema. – balançou a cabeça. – É bom saber que você se importa. – ela sorriu.
- Mas então vamos mudar de assunto. Quem é essa pessoa que estamos indo buscar, afinal? – ela não respondeu, soltou apenas um risinho e continuou atenta ao trajeto. - Eu conheço essa cara, ... Quem é ele?
- Deixa de ser tão curiosa, , é só alguém que eu ando conversando muito por telefone nos últimos dias. – diminuiu um pouco a velocidade do carro. - Estamos quase chegando. – dobrou mais uma rua e estacionou em frente a uma mansão com um muro alto. Em seguida pegou o celular e avisou que estávamos aguardando no portão.
De repente, alguém pulou dentro do carro e tapou com as duas mãos os olhos da minha amiga.
- Adivinha quem? – ao me virar, vi Harry rindo.
- Nossa, como saberia? – respondeu, sarcasticamente, desviando das mãos dele e virando-se para ele. – Tá ficando louco? – gritou, ao vê-lo com os pés no assento do carro. - Pode tirar esses pés do meu banco novinho, já! – falou, irritada.
- Sim, senhora! – ele rapidamente sentou corretamente no banco e então se acomodou confortavelmente, esticando os braços para os lados.
- Harry, você sabia que ela estava voltando hoje e não me contou? – perguntei, fingindo estar chateada.
- É que... – ele sorriu, deixando suas covinhas aparecerem. – A me disse que queria fazer uma surpresa pra você e como não sou fofoqueiro... – se acomodou melhor no banco. – Mas isso não é importante... Então, quais sãos os planos? Vão ficar aqui em casa e pedir algo para comer? – inclinou-se entre os nossos bancos, olhando para .
- É que eu tive uma idéia. Tipo... Que tal nos divertimos um pouco e ir a algum lugar pra jantar e depois decidimos a próxima parada? Curtir a vida um pouquinho, que tal? Sem nos importarmos com os paparazzi e nada mais. O que vocês acham? – perguntou, animada.
- Eu topo! – exclamou Harry. – Posso avisar o Liam para ir também? É que ele ficou de vir mais tarde aqui em casa e...
- Claro que pode. – prontamente respondeu e olhou para mim.
- Então, , só falta você. Sabemos que é meio arriscado, mas... Vai ser divertido. – ela incentivou, batendo palmas.
- Não sei, não... – pensei por alguns segundos, lembrando as palavras de Albert: “Não podemos deixar que nada estrague a imagem de nenhum deles” e que tudo deveria passar pela permissão dele. – Não sei se deveríamos atrair tanta atenção assim. – Claro que sair um pouco não afetaria em nada a imagem de ninguém, que problema teria sair para jantar? Dei um longo suspiro e ao ver aqueles dois olhares para mim, apenas no aguardo da minha resposta, não teria como negar. - Está bem, eu topo. – no momento, pensei que só podia ter perdido a cabeça em concordar com essa loucura. Afinal, seria impossível que ninguém o reconhecesse e estávamos sem nenhum segurança.
- Feito! Já sei até aonde podemos ir. Acho que você vai adorar. – comentou, ainda me olhando. – Agora vou colocar uma música para animar... – colocou o cinto e esticou o braço até o visor do rádio. - Tem uma banda que é minha preferida, deixa eu procurar aqui. – Foi passando as músicas na tela. – É de uma banda que tem uns caras muito lindos.
- Aqui, achei! Inclusive, eu tenho um preferido. – Virou levemente o rosto para mim, riu e deu play. Começou a tocar The Wanted - Walks like Rihanna. Espiei Harry através do retrovisor e pude ver quando ele cruzou os braços e ficou emburrado feito uma criança. – Brincadeira... – ela gargalhou. – Essa é a música que eu adoro. – Trocou para Midnight Memories, em seguida pisou no acelerador e fomos até o restaurante que ela sugeriu.

- Demorou um pouco pra chegar, mas aqui estamos. Este é o Katavento, um restaurante de comidas típicas brasileiras, pra você se sentir em casa. Eu só tinha ouvido falar, mas nunca vim antes. Gostou da surpresa, ? – estacionou quase em frente ao restaurante.
- Tá brincando? Adorei. Às vezes sinto muita falta do Brasil. Obrigada! – respondi, animada antes de sairmos todos do carro.
- Daqui alguns dias, estaremos fazendo shows no Brasil. – Harry comentou, e pulou para fora do carro.
- Não sabe usar a porta como uma pessoa normal, não? – passou sermão em Harry.
Para nossa sorte, o local estava praticamente vazio, apenas alguns casais e um grupo de amigos estavam por ali. Era um típico boteco brasileiro, realmente me senti estar no Brasil novamente. O dono, que também era brasileiro, foi extremamente simpático e nos guiou até uma mesa um pouco mais de canto, para não chamar muito a atenção. Fizemos nosso pedido e enquanto aguardávamos alguém se aproximou da mesa.
- Já fizeram o pedido antes de eu chegar? – Liam se aproximou por trás da minha cadeira e ao escutar sua voz, senti um frio no estômago, combinado a uma sensação de bem estar. Em seguida, nos cumprimentou e se sentou na cadeira vaga ao meu lado.
- Não se preocupe, Payne, pedimos o suficiente para todos. – respondeu Harry.
O atendimento foi excelente, ficamos bem à vontade. Garçons muito educados e bem preparados. Tudo estava muito saboroso, as mandioquinhas fritas, os pastéis estavam muito gostosos, adorei a massa principalmente. Crocante e sequinha, lembrando pastel da minha avó, coisa de infância, muito bom.
Jogamos bastante conversa fora, sobre assuntos diversos, a conversa fluía facilmente e o clima era de total descontração. De repente, me dei conta como ultimamente estava vivendo feito uma marionete ao lado de Albert, havia esquecido como era viver de verdade. A cada jantar, festa, eventos, eu tinha que estar perfeita, não podia abrir minha boca e, principalmente, não podia ser eu mesma. E derrubar maionese na minha roupa e rir de mim mesma na frente dele, jamais.
- Com vocês não existe a palavra tédio, não é mesmo? – perguntei, enquanto passava um guardanapo, tentando limpar minha roupa. riu ao ver Hazza colocar duas tiras de mandioca frita na boca, imitando um vampiro e virando-se em direção ao seu pescoço.
- Pode ter certeza que não. – completou Liam, que também ria. – Aqui... – apontou para o canto do meu queixo. – Tem maionese aqui também.
- Claro, a criança aqui não sabe como comer sem fazer uma tremenda bagunça. – peguei outro guardanapo, limpando meu rosto. – Dica para a próxima vez, não encher de maionese o pastel!
- Você acabou espalhando mais... Deixa comigo. - Liam não conseguia conter o riso e eu não podia deixar de reparar o quanto ele ficava mais bonito quando ria. Então pegou um guardanapo e ele mesmo passou no canto do meu queixo. Acabei ficando um pouco sem graça. – Pronto! – ele sorriu de canto. Quando ele sorria daquela maneira, estreitando os olhos, era um sorriso doce. Senti até minhas mãos começarem a suar, ultimamente, andava o “notando” até demais, um sentimento de euforia tomava conta de mim, toda essa proximidade, a cada olhar e a cada sorriso dele. Chega... Eu precisava me controlar.
- Vocês têm que desculpar minha amiga. Ela tem sérios problemas motores na hora de comer! – brincou , me provocando e me ajudando a voltar à minha consciência.
- Sim... Sim... – amassei o guardanapo que estava em minha mão e atirei a bolinha bem no nariz da minha amiga. – Já chega. Não tenho culpa se a maionese tinha vida própria. – continuamos a rir.
- Só você com essas manias loucas de encher um pastel com maionese. – a morena torceu o nariz.
Fomos interrompidos no instante em que algumas meninas que haviam acabado de chegar ao estabelecimento, antes de sentarem-se à mesa ao lado, imediatamente identificaram Harry e Liam. E logo se aproximaram para tirar fotos com eles. Harry, na maior disposição e simpatia, levantou-se para abraçá-las, em seguida Liam o acompanhou e os fotografou.
Assim que eles retornaram à mesa, meu celular começou a tocar e é claro que para estragar o momento só podia ser Albert. Afastei-me um pouquinho para o lado e atendi.
- Alô? – Estou com a ... – Sim, também... Como você sabe? – Como? – Calma, Albert... Não é fim do mundo... – O quê? - Espera, já estou de saída... Pra que tudo isso? Está bem... Sim... – Desliguei rapidamente o telefone.
- O Albert está lá fora me esperando. – Peguei minha bolsa para guardar o celular rapidamente.
- C-Como? Como ele sabia que você estava aqui? – perguntou, espantada.
- Internet! – respondi, e logo fui me levantando. – Sim, parece que alguém fotografou o Harry e Liam entrando aqui... E... E me reconheceram também, não entendi muito bem... A “noiva” do Albert. Foi assim que ele disse e então ligaram para ele. Não sei... – Fui respondendo um pouco atrapalhada, não havia assimilado tudo ainda.
- Espera! - Liam levantou-se. - Vamos sair junto com você. – e Harry também rapidamente se retiraram da mesa e me acompanharam até a saída.
Albert estava encostado ao lado de seu carro, com os braços cruzados e com uma expressão de raiva estampada em seu rosto. Ao ver , Harry e Liam, ele tentou disfarçar um pouco, mas a veia saltada no meio de sua testa denunciava seu real humor.
Estava receosa em me aproximar dele e a pequenos passos andei em sua direção.
- ! – Pronunciou meu nome por entre os dentes. – Entra no carro agora. – Abriu a porta do carro e em movimento brusco agarrou meu pulso. Murmurei por ter sentido um pouco de dor.
- Albert... – Liam se aproximou, nitidamente inquieto. – Acho melhor você se acalmar e soltá-la. – tentou interceder, agarrou o outro braço de Albert.
Sem se importar, Albert se livrou de Liam, virou-se e ainda segurando com muita força meu pulso me conduziu até o banco de passageiro. Só me soltou no instante em que sentei. Fechou a porta com força e então contornou o carro e entrou. Baixou o vidro e chamou Harry.
- Harry, não está com seu carro aí? – perguntou, agora com um tom de voz um pouco mais calmo, mas ainda transparecia sua irritação.
- Não, eu... Estou de carona... Com a . – Apontou para minha amiga.
- Se você quiser, posso te levar ou... – pegou o celular na mão. – Acho melhor eu ligar para algum dos seguranças virem buscar vocês.
- Não, Albert. Eu vou voltar com a minha carona. Já estamos indo para casa. – Hazza respondeu, firme e vagarosamente.
Eu apenas mantive meu olhar para baixo, de tamanha minha vergonha por estar passando por essa situação.
- E o Liam? – Albert perguntou, novamente para Harry.
- Está com o carro dele.
- Está bem. – Albert bufou e largou o celular de lado. – Não esqueçam que amanhã vocês têm que estar no estúdio de manhã bem cedo e sem seguranças vocês precisam voltar imediatamente para casa. - Harry apenas assentiu com a cabeça. Albert fechou o vidro e deu partida no carro.
- Você ficou louco? – perguntei, irritada. Albert não respondeu nada, seu rosto estava vermelho e ele olhava fixo para a estrada. – Pra que fazer toda essa cena? É assim que você pretende que eu continue ao seu lado? – continuei indagando, mas como não estava obtendo resposta alguma, resolvi me calar.

Entramos no apartamento ainda sem trocarmos sequer uma palavra. Albert então trancou a porta, respirou fundo e virou-se de frente para mim. Foi quando quebrei o silêncio, antes que ele pudesse falar qualquer coisa.
- Não entendo sua reação, Albert. Qual o problema em levar eles para jantar? Estava tudo sob controle...
- Como você pôde agir feito uma criança inconseqüente? – Albert me interrompeu e começou a elevar sua voz. – Como que resolvem sair assim sem nenhum segurança? E se algo acontecesse? Você é retardada ou algo assim? Não entende que eles não são pessoas comuns, são reconhecidos em qualquer lugar e... Ahhh. – esbravejou, passando os dedos por entre seus cabelos. – O que eu podia esperar de você. Longe de mim não consegue fazer nada certo. Não posso me descuidar por um minuto? Esqueceu que tudo que se refere a eles precisa passar por mim antes? E ainda por cima levar eles naquele lugarzinho? E com aquela sua “amiguinha”? – fez uma cara de desprezo.
- Olha, Albert. – tentei cessar seu monólogo de ofensas.
- Olha coisa nenhuma. Não me interrompa enquanto estou falando! – gritou, mais alto, apontando o dedo indicador para mim. – Você não é ninguém... Não fique já achando que pode tudo ou que é melhor amiga deles e acha que pode colocar as asinhas de fora? Até parece, eles só vão te tratar bem porque você é minha noiva... Ouviu bem? Minha noiva! – batia forte contra seu peito. - Você não entende mesmo. É muito burra para entender. Quer saber? Faz o seguinte, espero que isso não se repita, pois caso não lembre, tudo... Eu disse TUDO... Tem que passar por minha permissão, entendido? Tudo que afeta a imagem deles afeta meu trabalho, entendeu essa parte pelo menos?
Toda aquela atitude arrogante e grosseira de Albert havia me deixado extremamente nervosa. Ele parou de falar por alguns segundos quando meu celular começou a tocar dentro da minha bolsa, mas ignorei.
- Albert, chega de falar comigo como se eu fosse uma débil mental. – foi a minha vez de gritar com ele. - Não vi problema algum em acompanhá-los em uma simples refeição. De que maneira isso afetaria a imagem deles ou a sua? E mais, resolvemos ir àquele lugar exatamente por ser mais afastado e pouco conhecido, tudo correu bem e nada aconteceu. O porquê de todo esse ataque de loucura? Está com ciúmes?
- Ciúmes? – franziu a testa momentaneamente. – Do que exatamente? Não quis dizer que eu estou com ciúmes de você... – soltou riso de leve. – Não é mesmo? – ele então gargalhou. – Por que teria ciúmes? Eu com ciúmes de você? Você lembra que era apenas uma estrangeira vendedorazinha de loja, não é mesmo? – continuou, com ar de deboche. – Ciúmes... Como se algum deles fosse olhar pra você... E... – gargalhou mais uma vez. – Até que me fez rir com essas suas idiotices. – balançou a cabeça, rindo baixo.
- Pra mim já chega... – falei, quase como se as palavras rasgassem minha garganta. Quem ele pensava que era para continuar me ofendendo e me menosprezando daquela maneira? - Foi para isso que me pediu mais uma chance? Mais uma chance para continuar me tratando mal e me destratar?
- Falar a verdade não é detratar... – desmanchou o sorriso cínico de seus lábios. - E não fica emburrada assim, eu tive um dia péssimo e você não colaborou nem um pouco para que melhorasse. Não quero mais discutir com você, meu bem. – deu dois passos à frente e me segurou pelos ombros, por um momento cheguei a me encolher e então ele beijou minha bochecha. – Sabe como eu sou... Me desculpe, está bem? Estava só um pouco estressado. – Me soltou calmamente. – Inclusive, havia comprado um presentinho pra você. – Deu alguns passos até a mesa, abriu sua pasta e de lá retirou um estojo de veludo preto e me alcançou. – Espero que me perdoe... - Continuei séria ao abrir o estojo. Meu corpo ainda tremia de raiva. – Não gostou? – perguntou, ao ver que não esbocei nenhuma reação quando segurei o colar por entre os dedos. Realmente era uma jóia extraordinária, um Cartier, mas aquilo definitivamente não consertaria todo dano feito, tudo que acabei de escutar e a maneira como Albert havia acabado de me tratar. Eu estava me sentindo um lixo.
- Não é isso, Albert. – tirei o olhar do colar e direcionei a ele. - Você não entende, não é mesmo? – soltei o ar como forma de rendição. – Isso não apaga tudo que acabou de acontecer...
- Não fica assim, benzinho. Esquece tudo que eu disse, eu estava estressado com o trabalho e fiquei nervoso porque se algo acontecesse com eles, eu seria responsabilizado... – passou a mão em meus cabelos e eu novamente me esquivei. - Depois dessas safiras, ametistas e diamantes, eu mereço algo... Algo que pode melhorar o meu humor. – me olhou de cima a baixo e lançou um sorriso extremamente malicioso. Um arrepio percorreu minha espinha, mas não de uma maneira boa e sim, ruim. – Vem... – me segurou pela mão, guiando-me até o quarto.
Eu estava ainda atônita, parecia um robô que estava sendo guiada por ele. Era inacreditável ele agir dessa maneira, senti certo medo por ele ser tão imprevisível e inconstante comigo, me sentia acuada e assustada. Era como se por um momento houvesse perdido minhas forças de agir contra a sua vontade.

Capítulo Oito

Sequer percebi o horário exato em que Albert acordou, pois saiu, discretamente, logo cedo pela manhã. Não que exatamente estivesse surpresa, afinal, isso havia virado uma rotina, mas por um breve momento pensei que nesta manhã poderia ser diferente.
Sentei-me na cama por alguns minutos e comecei a me lembrar da noite passada. Aquele sentimento de aversão no momento em que Albert me tocou. Seu olhar era distante, tudo havia sido tão mecânico, sem sentimento algum de ambas as partes e ele, após se satisfazer, apenas virou-se para o lado, dormiu profundamente, roncando feito um porco, e a única palavra que resumia tudo era repulsa.
Um vazio imenso tomava conta de mim nesta manhã, estava indignada e sentia nojo de mim mesma por ter permitido. Como podia ter me permitido ter sido tão fraca e submissa? Admito que ele me intimidava e foi quase como se eu não tivesse forças para dizer um “não” a ele, mas não podia mais permitir me sentir desta maneira e deixá-lo me tratar feito um objeto. Como ele podia continuar a agir assim comigo? Aqui estou sempre sendo humilhada e menosprezada por ele todos os dias. Agora estava mais do que decidida a terminar tudo com Albert, não havia restado absolutamente nada além de desprezo por ele.
Meu alarme ainda não havia tocado, mas tudo isso havia me tirado o sono. Então me levantei sem muito ânimo e calmamente fui fazer minha higiene matinal e tomar uma ducha para me renovar um pouco, tentar não transparecer meu cansaço e desânimo.
Ao passar pela sala, Lydia estava arrumando a mesa para o café da manhã.
- Bom dia, . – sorridente, me cumprimentou enquanto colocava minha xícara e algumas frutas na mesa.
- Bom dia, Lydia. – sentei-me, peguei o recipiente que continha o leite e servi em minha xícara.
Enquanto tomava meu café, me sentia impaciente, como se precisasse desabafar com alguém. Olhei para o relógio e pude ver que era muito cedo para acordar . Lembrei que ela teria provas no final da manhã, não teria por que acordá-la essa hora sem motivos. E Albert era como se fosse filho de Lydia, então seria a última pessoa com quem poderia expor os problemas do nosso relacionamento.
- Você parece abatida, querida, está tudo bem? – perguntou, serenamente, da maneira como costumava falar comigo. Mas não conseguia confiar plenamente nela, apesar de sempre me tratar bem, havia algo nela que não transparecia ser verdadeira comigo. Poderia estar enganada, mas todo esse cuidado me soava falso.
- Está tudo bem, sim... – continuei séria a tomar meu café.
- Desculpe perguntar... É que... Bem, pensei que você e o Sr. Albert haviam brigado. Ele saiu tão cedo e com tanta pressa quando cheguei... E agora te vejo assim, um pouco cabisbaixa, então pensei... – deu uma pausa e me olhou, colocando uma maçã no meu prato. - Mas que bom que está tudo bem... – lançou um sorriso acanhado.
- Está tudo ótimo. É só o trabalho... Hoje tenho muita coisa a fazer. Só isso... – sorri fraco após tomar meu último gole. – Lydia, muito obrigada pelo café. – Levantei-me com pressa da mesa. – Agora preciso ir, não posso me atrasar.
Eu estava pronta, com tempo de sobra e não queria ficar mais um minuto perto de Lydia e ter que ficar ouvindo as especulações dela, então resolvi ir mais cedo para o estúdio.
Hoje os garotos da 5SOS gravariam um vídeo “promo” de divulgação de alguns shows, eu precisava escolher seus respectivos “looks” e a melhor maneira de manter minha mente ocupada por estar tão impaciente seria adiantar meu trabalho, assim quando chegassem tudo estaria organizado.

Havia acabado e tudo estava preparado, olhei as horas, ainda tinha me sobrado uma horinha livre e como ninguém havia chegado, aproveitei para ir até a salinha dos fundos do estúdio, que era como um depósito. Eu estava precisando falar com a , sabia que por ali teria mais privacidade e aquela sensação de estar carregando o mundo nas costas insistia em permanecer comigo, estava precisando conversar com alguém que me compreendesse de verdade.
Enviei algumas mensagens, mas não obtive nenhuma resposta, ela provavelmente devia estar no banho ou se arrumando para a faculdade, logo entraria em contato comigo.
Resolvi aguardar, então em meio a alguns equipamentos de som e ao lado de uma vassoura e balde, permaneci sentada em um amplificador velho, encarando a tela do celular e vasculhando as mensagens de ontem à noite. Havia várias da , mas senti um friozinho na barriga ao achar uma mensagem de Liam perdida no meio das outras, a data de envio era de ontem à noite, ele também estava preocupado. A cena da noite passada com Albert foi embaraçosa, não tinha nem como poder responder às mensagens depois de tudo que eles presenciaram.
Antes de voltar para a sala onde seria feita a filmagem, continuei por ali, isolada por mais alguns minutos, na tentativa de colocar minhas ideias no lugar.
Este lugar estava me fazendo bem e no instante em que eu havia elegido este como meu ponto preferido para me refugiar do mundo, a porta lentamente se abriu, fazendo com que eu desse um pulo e pusesse-me em pé imediatamente.
- Liam? Que está fazendo aqui? – indaguei, sem conseguir evitar meu nervosismo, afinal, pra mim seria o último lugar que alguém poderia me encontrar.
- ? – juntou as sobrancelhas. – É-É que eu vim procurar um pano para limpar a bagunça de café que o Zayn acabou de fazer perto dos fios da caixa de som. – explicou, enquanto continuava a me olhar espantado. - Mas eu é que te pergunto. Por que está escondida aqui? – entrou, fechando a porta atrás dele.
- É que... E-eu... – gaguejei um pouco. – Eu não sabia que você estaria no estúdio hoje. – tentei mudar o foco, pois se entrasse no assunto eu desabaria. - Pela minha agenda eu estava aguardando Luke, Calum, o Ashton e o Michael.
- Aqui no depósito? – ele riu fraco.
- Não... – franzi a testa e balancei a cabeça negativamente. – Só vim aqui... Bem.... É que cheguei cedo... Vim fazer uma ligação e... – expirei, em sinal de rendição. Não tinha vontade de me explicar, estava cansada de ficar sempre encobrindo a verdade e contornando as situações com desculpas esfarrapadas. O melhor nesse momento era o meu silêncio.
- Mas você está bem? Eu te mandei uma mensagem ontem... – deu dois passos em minha direção. - Fiquei preocupado, Albert parecia um pouco alterado e a sua amiga tentava ligar, mas só dava na caixa de mensagens. Ele não te fez nada, não é mesmo? – falava, sem desviar aqueles olhos castanhos dos meus.
- O Albert... Ele... – nas primeiras palavras e ao mencionar aquele nome, não pude me conter e comecei a chorar. Não sei exatamente o que aconteceu comigo, mas era como se, por um momento, através do choro, eu conseguisse colocar pra fora o que estava me perturbando.
- Eu falei algo errado? – perguntou, apreensivo ao me ver aos prantos diante dele. Apenas movi lentamente a cabeça negativamente, as palavras não saíam pela minha garganta.
Liam, nitidamente preocupado, colocou a mão em minhas costas, puxando-me carinhosamente, fazendo com que recostasse meu rosto em seu peitoral. Minhas lágrimas molhavam sua blusa, mas ele parecia não se importar e sem dizer uma única palavra, pacientemente começou acariciar meus cabelos. As lágrimas ainda insistiam em cair, quando senti sua respiração perto de meu ouvido e em sussurro ele falou:
- Vai ficar tudo bem... – Meu joelho estremeceu e sua voz foi o que bastou para que pudesse começar a me acalmar. Respirei profundamente. Lentamente, entre soluços, fui recuperando minha compostura. Ainda encostada próxima ao seu ombro, respirei fundo uma única vez e ainda não tinha coragem de voltar a encará-lo, eu estava totalmente vulnerável diante dele naquele instante, mas, ao mesmo tempo, senti-lo assim tão próximo era como um alívio para tudo que eu estava passando. Afastou brevemente seu corpo do mim, porém seu braço ainda me envolvia de uma forma tão protetora. De repente, senti seu dedo indicador em meu queixo, me fazendo levantar a cabeça para que eu o olhasse. Com a outra mão, enxugou levemente minhas lágrimas e aquele toque suave e inesperado fez com que todo aquele sentimento ruim desaparecesse, me senti tão bem, mas ao mesmo tempo sabia que não era certo me envolver desse modo em relação a Liam.
- Desculpa, Liam... – minha voz saiu fraca. Eu estava envergonhada por ter desmoronado emocionalmente em sua frente, ele não deveria me ver dessa maneira.
- Não precisa se desculpar... Só queria que você soubesse que eu me importo com você. E muito mesmo, não esqueça disso... – sorriu de leve e ele parecia me compreender tanto, sem ao menos eu ter lhe contado nada, era como se soubesse exatamente o que estava acontecendo comigo. Não conseguia desviar meu olhar do dele, a maneira tão carinhosa que me olhava me fazia ter vontade de largar tudo, ignorar a razão e deixar a emoção agir por mim, tudo parecia tão insignificante comparado ao sentimento que estava crescendo a cada dia. Dei mais um longo suspiro e meu choro cessou por completo. Era inevitável como meu corpo reagia quando ele me olhava daquela maneira. Seus olhos estavam fixos nos meus, conseguia sentir certo desejo em seu olhar e por mais estranho que podia parecer, isso não mais me assustava, pelo contrário, me trazia tranqüilidade e era como se tudo se encaixasse perfeitamente. Ele estava tão próximo que conseguia sentir sua respiração misturando-se com a minha, nossos olhares continuavam fixos um no outro, senti sua mão segurar meu quadril com firmeza, meu coração parecia que iria saltar pela boca. Nossos corpos estavam perigosamente próximos, quando algumas vozes ecoando pelo corredor me fizeram recobrar meus sentidos e evitar o que estava prestes a acontecer. Ao mesmo tempo em que fiquei frustrada, também senti certo alívio, não podia envolver Liam na bagunça que estava minha vida no momento e, acima de tudo, não podia deixar de manter meu profissionalismo e bom senso, afinal, sabia que isso poderia prejudicar sua carreira.
- Acho que eles já chegaram. – falei, me referindo aos garotos da 5SOS e em seguida me afastei, caminhando rapidamente em direção à porta. Com a mão na maçaneta, me virei e Liam continuava estático no mesmo lugar. – Você vai ficar por aí?
- N-Não... – balançou a cabeça. – Onde deixei o pano? – olhava de um lado para o outro, desnorteado.
Por um instante, até quis rir pelo modo confuso em que ele se encontrava, cheguei a segurar meus lábios levemente, mas um riso discreto acabou escapando.
- Tem um aqui do lado da porta. – me abaixei para pegar. Em seguida abri a porta. – Vamos... – estiquei meu braço, o chamando. - Antes que alguém venha te procurar. – Alcancei o pano a ele.
Ele me acompanhou até a primeira sala, onde seria gravado o vídeo “promo” com a 5SOS. Antes de eu abrir a porta, me virei para ele e disse:
- Obrigada, Liam.
- Não quero mais te ver triste, está bem?
Sorri fraco, assenti com a cabeça e ele balançou a cabeça negativamente.
- “I catch your eye, then you turn away. But there's no hiding the smile on your face. Inside and out, baby, head to toe. He's not around, girl, you let me know.” (Eu chamei sua atenção, mas você se virou. Mas não teve como esconder o sorriso em seu rosto. Por dentro, por fora, querida, da cabeça aos pés. Ele não está por perto, garota, me avise). – cantarolou para mim um trecho da música “Does He Know”. Não pude me conter e acabei rindo pela música escolhida. - Agora sim. – ele então abriu um largo sorriso e seguiu em frente até a próxima, onde ele iria ensaiar com a banda.

Eu já havia entregado as chaves do meu carro ao manobrista e fiquei alguns pilares adiante da entrada da Maddox, aguardando , exatamente como tínhamos combinado. Não podia contar apenas com a palavra de Albert, precisava garantir sua entrada caso ele não tivesse colocado o nome dela na lista de convidados.
Notei que ela estava um pouco atrasada, até conferi minhas mensagens se caso havia passado o nome do local correto e a hora.
Vários convidados haviam entrado. Os paparazzi iam à loucura, era flash para todos os lados. De repente, avistei Zayn e sua noiva, Perrie, chegando. Logo em seguida, Louis e Eleonor também entraram, escapando rapidamente daquele alvoroço.
- Cheguei! – apareceu repentinamente ao lado.
- Que susto... – dei um pequeno pulo.
- Ninguém manda ficar aí distraída. Hummm... Deixa eu ver, caprichou no visual, hein. Gostei de ver. – levantou os dois polegares, aprovando.
- Obrigada, e você então? Uau, “Sra. Comprei vestido novo para o Harry”. – a provoquei.
- Tá bom, tá bom... Estamos maravilhosas. Chega de tanta bajulação e vamos entrar agora, ou estamos esperando mais alguém? – perguntou. - Espero que não seja o Albert. – franziu a testa ao falar o nome dele. - Não estou com vontade de olhar para a cara dele depois de tudo que você me contou.
- Não... O Albert vem depois, me avisou por mensagem. Mas falando de outro assunto melhor. Parece que a nossa saída ontem com o Harry e Liam rendeu boa publicidade, você viu? Graças à sua idéia de levá-los naquele restaurante.
- Eu vi as notícias na internet, por isso caprichei no look... A mídia está falando sobre mim. – sorriu e colocou as mãos na cintura. – Olha lá quem está entrando, . – Apontou para Liam e Niall, que neste instante estavam entrando na Maddox.
- Vamos... – a segurei pela mão e seguimos em frente na calçada, passando pelo enxame de paparazzi e fãs. Pela primeira vez, fui reconhecida e também, começaram a nos fotografar e me perguntavam sobre o Albert e quem era a minha amiga, qual era a relação dela com o Harry e se estavam namorando. Calmamente, sem dizer uma palavra, apenas sorrimos e seguimos até chegar à entrada do clube.

[Play]

Assim que entramos, a pista já estava lotada, subimos até a área VIP. Logo avistamos Zayn, Perrie, Louis e Eleonor sentados em um dos sofás, junto com as outras meninas da Little Mix, a Jade, Jesy e Leigh-Anne. Um dos meus deveres depois de ter começado a trabalhar na Modest, apesar de não ter muito contato com elas, era no mínimo saber o nome de quem a agência gerenciava as carreiras. Paramos para cumprimentá-los e aproveitei para parabenizá-las pelo lançamento do CD, então escutei alguém gritar meu nome. Ao olhar para trás, Niall, com um copo na mão, acenou, me chamando, ele estava em uma mesa mais ao fundo com Liam e Ashton. Pedimos licença e fomos em direção à mesa deles.

- Oi, ! – Ashton largou o copo na mesa e me abraçou. – Oi, ! – fez o mesmo com ela. - Hoje escolhi sozinho as roupas, ficou bom? – falou, puxando a lapela da jaqueta.
-Está ótimo, Ash. – respondi, sorrindo.
Niall, logo em seguida, veio me dar um abraço.
- E, pelo que vejo, o joelho já está bem melhor, está sem as muletas. – comentei, pois semana passada ele havia batido seu joelho que há alguns meses ele tinha operado e teve que voltar a usar suas muletas.
- Está bem melhor... Pronto para dançar. – Deu uma leve requebrada.
Liam se aproximou e também nos cumprimentou.
- Vocês vão querer beber alguma coisa? – Liam perguntou. Não pude deixar de notar seu olhar pairando sobre mim. - O garçom já deixou duas garrafas de champagne aqui na mesa. – Já nos alcançando duas taças.
- Obrigada. – Agradeci, e em seguida e eu sentamos no sofá.
- E o Harry? Será que não vai vir? – minha amiga falou, em meu ouvido.
- Acho bom você olhar melhor... – Apontei discretamente para quem estava subindo as escadas.
Harry chegou acompanhado de Gemma e assim que ele nos enxergou, vieram e juntaram-se a nós.
Após Liam encher novamente nossas taças com champagne, sentou-se ao meu lado. Harry ficou de pé perto de , Ashton não perdeu tempo e sentou-se na poltrona ao lado de Gemma, enquanto Niall, de olho na pista, dançava em frente à mesa.
- Sabia que nós estamos namorando? – Hazza ainda de pé, apontou para ele e . – Descobri hoje pela internet. As nossas fotos no restaurante brasileiro ficaram ótimas. É que eu sou muito fotogênico. – Ele riu e serviu a bebida em sua taça. – Até que não seria má ideia... – Deu uma piscada para minha amiga e abriu um sorriso que deixava à mostra suas covinhas. Pegou a taça, sentou-se ao seu lado e a envolveu com o braço.
- Mas você é um folgado, né? – fez uma careta. - Mas saiba que vai ter que se esforçar mais para alcançar esse objetivo. – Tomou um gole de sua bebida.
- Isso não será um problema. – Ele respondeu, estufando o peito e lançando um sorriso malicioso.
- Hummm... – me pronunciei, quebrando um pouco o clima de flerte dos dois.
- E aí, . O que foi tudo aquilo ontem? Onde está o Albert? – Harry me perguntou, olhando para os lados.
- Desculpe por ontem, tenho até vergonha de lembrar, mas agora está tudo bem. Não sei do Albert, falei com ele à tarde por telefone e depois não o vi mais. Espero não cruzar com ele essa noite, pois eu quero esquecer tudo que aconteceu ontem e aproveitar hoje. – sorri fraco e peguei a taça, ingeri um gole da bebida.
- É isso aí. Viemos para curtir a noite! – comemorou . – Não vamos mais pronunciar aquele nome asqueroso que começa com a letra “A”, pra não atrair coisas ruins, vai que ele aparece. – Fez uma cara feia.
Harry e começaram a se provocar e ficar de brincadeiras entre eles e nos ignoraram completamente.
Enquanto Liam nos servia com mais champagne, meu celular deu sinal de vida, era uma mensagem de Albert, avisando que eu devia representá-lo bem esta noite, que provavelmente ele não conseguiria chegar a tempo, pois estava resolvendo outros assuntos.
Visualizei a mensagem com total cara de descaso, em seguida apenas desliguei o celular e guardei de volta na bolsa. Eu nem me importei, pois sabia exatamente qual era o nome dos “outros assuntos” dele. Apenas me senti aliviada por não ter que suportar a presença dele esta noite.
- O que foi? – Perguntou Liam, me entregando a taça cheia de volta. Provavelmente deve ter percebido minha alteração de humor ao ler a mensagem. – Era o Al... Digo... Era?
- Era. - Assenti com a cabeça. – Segundo a mensagem que recebi, é quase certo que hoje ele não aparece por aqui...
- Que bom. – respondeu, rapidamente, deixando escapar um sorriso. – Quer dizer... Q-que bom pra você, eu acho... – Tomou um gole, interrompendo imediatamente o que estava falando.
- Sim... Isso é ótimo. Acredite. – Sorri. – Afinal, isso sim é uma festa e eu quero me divertir. – falei, animada. - Nem se compara como a do dia que nos conhecemos...
- Nossa, não tem comparação... Mas tenho que confessar que de todas essas reuniões da Modest foi a que mais valeu a pena eu ter ido.– Fixou seus olhos nos meus, deu um meio sorriso e eu retribuí com um largo sorriso.
Niall veio de repente e se jogou no canto do sofá, ao lado de Liam.
- Será que todos vieram aqui só pra conversar? Ninguém vai me acompanhar na pista?– perguntou o irlandês, que provavelmente por causa da bebida o seu sotaque estava ainda mais acentuado. Nesse momento, o DJ começou a tocar uma música em comemoração ao lançamento do CD da Little Mix. A batida da música me chamava para dançar, não poderia ficar por ali sentada.
- Eu vou! – Respondi, me levantando rapidamente e largando minha taça na mesa.
- Eu também... – rapidamente se ergueu do sofá, puxando Harry para acompanhá-la.
Niall foi à frente descendo as escadas, seguido por e Harry, e Gemma, e Ashton.
- Você não vem? – Perguntei, me virando para Liam que ainda estava sentado terminando sua bebida. – Não vai me acompanhar? – Estiquei meu braço em direção a ele.
- Achei que não ia convidar. – Fez um beiço e depois sorriu. Ainda sentado, me entendeu a mão e largou sua taça na mesa.
- Tá bom, né... Vamos nos divertir. – O puxei, tentando erguê-lo, então ele se levantou e me acompanhou, descendo calmamente os degraus. Quando chegamos à pista, todos dançavam animados, principalmente , que com as mãos de Harry em seu quadril, movia-se ao ritmo da música. Eu que pensei que o Harry era meio lerdo, mas era nítido como esses dois já estavam bem íntimos. Mas ao olhar para o outro lado, pude perceber que não eram os únicos. Gemma e Ashton digamos que também estavam bem à vontade um com o outro.
Aos poucos fui me soltando, admito que ainda estava tímida em relação a Liam. Acredito que ele também, afinal, dançava um pouco travado ao meu lado. Foi quando Niall me puxou para dançar, ele estava bem empolgado. A mistura da música alta, o público animado, as luzes pulsando e o álcool começaram a fazer efeito, me deixando cada vez mais solta. Deixei-me envolver pela música e não me importava com nada ao meu redor. Não conseguia lembrar quando teria sido a última vez que havia dançado assim, me sentia livre e era como se flutuasse.
Outras músicas tocaram e continuei na pista. Eu estava me divertindo como nunca, Niall e Liam me acompanhavam na dança. As luzes piscavam conforme a batida, eu estava ficando um pouco tonta, cheguei a me desequilibrar um pouco por causa do salto, mas Liam rapidamente me segurou.
- Nossa, que reflexo. – exclamei, enquanto me reequilibrava sozinha, me afastando de seu toque. Depois da tarde de hoje, tive mais que certeza que precisava me manter no controle da situação. - Acho melhor eu ir me sentar... – Falei, me direcionando novamente para a área VIP. Não queria fazer nenhum fiasco, como me estatelar no meio da pista. Como me conheço bem, era algo bem provável de acontecer.
- Eu também vou. Assim posso garantir que você não vai cair na escada. – Liam brincou.
- Sim... Claro... Também não é pra tanto, eu bebi pouco.
Fomos subindo as escadas calmamente, porque realmente eu era fraca para bebida e assim que me aproximei daquele sofá, eu praticamente despenquei por ali. Para ajudar, aquele definitivamente não era o sapato mais confortável, meus pés estavam um pouco doloridos, mas não iria tirá-los, então apenas estiquei um pouco as pernas em um pequeno pufe que tinha na minha frente.
Liam chamou o garçom, pediu uma água e assim que ele se afastou, sentou-se de lado com o braço escorado no sofá, ficando bem próximo e de frente para mim.
- A água já vem. E agora sem beber mais nada de álcool, viu? – Liam ordenou, rindo.
- Até parece. – franzi a testa. - E só pra constar, foi culpa do salto do sapato e não da bebida. Te desafio a ficar equilibrado em cima deste salto a noite inteira. – dei um leve empurrão em seu ombro.
- É... Acho que você tem razão. – respondeu, olhando para os meus pés. – Vou acreditar nessa sua teoria. – debochou. Pude perceber que seus olhos subiram lentamente, analisando minhas pernas e depois seu olhar subiu mais de encontro ao meu. Por incrível que pareça, não me senti constrangida, pelo contrário, me fez sentir tão bem, estava me sentindo desejada, não sabia o que era essa sensação há tempos.
O garçom trouxe a água, serviu em um copo e depois se retirou. Tomei um pouco e coloquei o copo de volta na mesa.
- , vejo que está bem mais animada, assim que gosto de te ver.– abriu aquele sorriso encantador que só ele tinha e eu sorri de volta. – É só esse sorriso que quero ver estampado de hoje em diante. – Assim que terminou de falar, pousou sua mão sobre minha.
- Vou tentar, pena que não é tão simples assim. – baixei meu olhar, lembrando o único motivo que me causava essa tristeza.
- Não desanima, por favor... Só porque uma certa pessoa não te valoriza, você tem que parar de pensar que ninguém te nota ou se preocupa de fato com você. Não pode se conformar com essa situação, acha que passa despercebida por aí? Pode ter certeza que não... Os caras te notam e não adianta me dizer que ainda não percebeu. Você é uma mulher incrível, não é esse tipo de mulher comum que se conhece por aí, nas baladas, que se conquista só por uma noite. Você é você, única, tenha certeza disso. – Terminou de falar e então virou um pouco o rosto, desviando seu olhar do meu. – Acho que falei mais do que devia...
Fiquei por alguns segundos perplexa, em silêncio diante daquelas palavras que jamais imaginaria escutar. As batidas da música pareciam ecoar na minha cabeça, estava desnorteada, sem saber como reagir, pois neste instante tudo que eu conseguia fazer era analisar cada centímetro de sua boca e meu pensamento martelava em como seria beijá-lo agora mesmo. Acho que o álcool havia se espalhado demais em meu organismo e não estava conseguindo mais raciocinar direito.
Em um impulso, levei minha mão direita em direção ao seu rosto, virando gentilmente de frente para o meu. Senti sua pele quente em contato com minha mão, que estava um pouco fria devido ao meu nervosismo. Aqueles olhos castanhos que me fitavam intensamente, fazendo com que eu perdesse minha razão por completo, era como se meu corpo agisse por conta própria. Seus lábios estamparam um sorriso doce e meu coração acelerou 1000 por hora. Calmamente, fui me aproximando, senti sua respiração a poucos centímetros da minha boca, que implorava para ser beijada. E como um estalo em minha cabeça, um momento de clareza veio à minha cabeça e imediatamente me distanciei dele.
- O que estou fazendo? – Rapidamente, me levantei e Liam ficou sentado, me olhando confuso. – Vou até o banheiro, com licença. – Apressadamente, me direcionei ao andar abaixo, sem sequer olhar para trás.
Ainda um pouco desorientada, fui passando pelo meio da multidão, com tanta pressa, acabei esbarrando de lado em algumas pessoas, até que finalmente cheguei ao banheiro.
Parei em frente à pia e me olhei por alguns instantes no espelho. Estava enfrentando um conflito interno entre o certo e o errado. Em que eu estava pensando? Poderia arruinar tudo, inclusive a carreira dele, e se alguém nos fotografasse? Isso era loucura, eu não podia me deixar levar por minhas emoções. Respirei bem fundo e passei um pouco de água em minha nuca para me recompor. Sequei minhas mãos e saí.

[PLAY]

Lentamente, fui caminhando por aquele corredor que parecia não ter fim. Todas aquelas luzes pulsando estavam me deixando zonza, comecei a perceber o quão grande era aquele clube. Não estava encontrando a dita escada de volta, cheguei por um momento a pensar que estava perdida. Enfim, avistei a escada de acesso para voltar até a área VIP, mas antes que pudesse dar um passo adiante para subir, alguém de surpresa me pegou pela mão e me puxou até um canto vazio atrás da escada.
- Liam? – apesar de escuro, as luzes piscavam e revelavam seu rosto. - O que você está fazendo? – perguntei, assustada. Ele me olhou firme e então prensou suavemente meu corpo contra a parede. Deixei escapar um breve gemido quando uma se suas mãos apertou meu quadril. – Liam, acho melhor não. É arriscado... – Minhas palavras não condiziam com minha atitude, eu estava imóvel, sequer tentava escapar dali e também não tentei impedi-lo.
- O que não sai da minha mente, com certeza, vale o risco. – Foram as únicas palavras que ele pronunciou em meu ouvido e meu corpo inteiro estremeceu. Suavemente, passou seus dedos pelo meu rosto e deslizou até minha nuca. Como era bom poder sentir aquele toque que causava arrepio extremo por todo meu corpo. Entrelaçou seus dedos por entre meus cabelos e minha respiração começou a ficar descompassada, na expectativa do que viria a seguir. Sem por um segundo desviar nossos olhares, calmamente, ele aproximou seu rosto, sua respiração estava cada vez mais perto. Fechei os olhos e senti seus lábios quentes e macios encostarem nos meus de maneira tão suave e calma. Todos os meus sentidos se afloraram naquele instante, meu corpo estava totalmente entregue e a música alta fazia com que eu sentisse uma adrenalina ainda maior, então comecei a ceder àquele beijo, que se iniciou lento, mas foi se tornando cada vez mais ardente e intenso, era como se nossos lábios se encaixassem perfeitamente.
O ritmo e o calor ia aumentando e cada vez mais ele pressionava seu corpo contra o meu. Eu não conseguia mais me controlar e involuntariamente, conduzida pelo momento, o agarrei pela nuca e com minhas unhas o arranhei bem de leve, como resposta, ele apertou mais forte minha cintura e eu correspondi cada vez mais, acelerando o beijo. Podia sentir meu rosto queimando, sentia como um delírio e passava minhas mãos pelo seu cabelo. Seus beijos começaram a seguir uma trilha até meu pescoço. Sua barba roçando em minha pele e sua respiração quente e ofegante proporcionavam sensações as quais nunca havia sentido antes, era como se eu estive em chamas. Recostei minha cabeça contra a parede, me entregando aos beijos que ele distribuía pelo meu pescoço e colo.
Quando pensei estar totalmente envolvida pelo momento, recobrei minha consciência por alguns segundos e extremamente relutante, afastei de leve seu corpo do meu e abri meus olhos. Liam me encarou ainda um pouco desorientado, sem dizer nenhuma palavra. Apenas segurei seu rosto e selei delicadamente nossos lábios, finalizando com um selinho.
- Liam... – pronunciei seu nome, na tentativa de recuperar meu fôlego.
- Eu sabia que ia valer o risco. – falou, em meu ouvido e depois lançou um sorriso de canto. Seu olhar estava fixo em mim e suas mãos ainda firmes não soltavam minha cintura.
- E agora? – coloquei as mãos no rosto. – O que foi que fiz? Isso é errado! – falei, angustiada e passei a mãos pelos meus cabelos, tentando arrumá-los. Liam apenas observava meu surto de consciência. - Deve ter sido a bebida. A culpa é minha... E se alguém nos viu? Precisamos voltar rápido. – comentei, apreensiva e ainda com a respiração ofegante.
- Não faz isso. – suplicou. – Não fale como se fosse um erro. Eu sei que você sentiu o mesmo que eu. – me puxou pela cintura. - Fala que não sentiu. – Lançou aquele olhar doce, que só ele tinha.
- Isso não importa, Liam. Não é justo com você. – respondi, agora um pouco mais controlada. - Isso só iria te prejudicar, tem muita coisa envolvida. – Meu tom de voz estava um pouco mais elevado por causa da música alta.
- Não importa. Não me importo com os outros, o preço que eu tenho que pagar, porque desde aquele dia que você esbarrou em mim, tudo mudou.
- Não, Liam. – respondi, firme. - Você não pode, eu não posso... Você fala como se fosse tudo muito simples, mas, infelizmente, não é. – continuei, tentando me soltar dos seus braços.
- O Albert não te merece, eu sei que ele não te faz feliz. Eu sei que...
- Liam. - o interrompi e respirei bem fundo. Aquele não era o local para se ter essa conversa. – Com essa música alta não dá pra conversar direito, vamos voltar... Depois conversamos melhor. Eu vou primeiro e você espera uns minutos, depois volta, está bem? – Rapidamente, dei um beijo em seu rosto e voltei até a pista de dança para ver se encontrava para avisar que eu iria embora. Não tinha condições de eu continuar aqui e correr o risco de continuar a besteira que comecei. Dei uma olhada ao redor e vi Niall, Zayn e Perrie dançando, me aproximei e pedi se tinham visto a , me responderam que ela deveria estar com o Harry na área VIP. Subi correndo aquelas escadas, que não sei como não caí rolando. Ao chegar lá, os dois estavam sentados abraçados no sofá e digamos que bem afetuosos entre si.
- Desculpe interromper... – voltou sua atenção a mim. – Eu só queria avisar que eu para casa. – Me aproximei da mesa, pegando minha bolsa.
- Essa pressa toda por quê? Garanto que você já encontrou o arruinador de festas. - minha amiga falou, em um tom de descaso.
- Como assim? Arruinador de festas? – Perguntei, sem entender do que ela estava falando.
- Não encontrou “o mala” do Albert? Ele estava te procurando...
Meu coração congelou na hora que ela terminou de pronunciar o nome dele.
- Aí está você. – Em pulo, me virei, me deparando com Albert atrás de mim. – Por onde você andou, te procurei no bar, na pista e não vi você.
- E-Eu tinha ido ao banheiro. – Cheguei gaguejar, acredito que eu estava com uma cara de quem viu um fantasma. – É que eu bebi um pouco mais do que devia, estava me recuperando.
- Isso explica por que está um pouco pálida. Mas por que já está pegando a bolsa, vai embora? Justo agora que cheguei, meu bem?
- Sim. Não estou me sentindo bem... - “Principalmente agora que você chegou.” pensei. Naquele mesmo momento, Liam subiu as escadas e ficou bem atrás de Albert.
- Liam! – Albert se virou e o cumprimentou, dando um tapinha em suas costas. – Aproveitando bem a festa? Já avisei o Harry ali pra não beberem muito e não fazerem nenhuma besteira. Vai que alguém fotógrafo aí já imaginou mais fofocas amanhã, depois eu é que tenho que limpar a sujeira de vocês, hein. – Riu sarcasticamente. – Brincadeira. Aqui ninguém pode fotografar, caso contrário, vão ter que se entender com os nossos advogados. – Gargalhou.
Liam não expressou nenhuma reação ao comentário de Albert.
- Albert... – o puxei pelo braço. – Eu vou pra casa. Você fica, afinal, não faz muito que chegou. – Liam ainda estava parado perto de Albert, apenas nos observando.
- Está bem. Vou ficar mais um pouco, curtir a festa aqui com a pessoal! Depois eu vou pra casa, querida. – respondeu, ironicamente e bruscamente me puxou pelo braço, me dando um selinho forçado, então o empurrei de leve. Senti vontade de vomitar ali mesmo. Olhei com os olhos semicerrados para ele, expressando minha insatisfação.
Apenas me virei e acenei pra Harry e , então Albert logo em seguida me deu as costas e foi até a mesa buscar uma bebida.
Liam foi até perto da escada, trocamos olhares e ao me despedir dele discretamente, falei, em seu ouvido:
- Não podemos. Você não pode gostar de mim. - depois dei um leve aceno enquanto descia as escadas em direção à saída.

Cheguei em casa, fui direto para banheiro, tirei meus sapatos, tomei uma ducha rápida e coloquei meu pijama. Antes de me deitar, enquanto puxava as cobertas e arrumava meu travesseiro, comecei a pensar no que havia acontecido e ao mesmo tempo em que me sentia culpada, também me sentia feliz. Eu não conseguia parar de pensar naquele beijo, sentia como se meu corpo flutuasse e uma sensação de paz e alegria invadia meu peito, lembrava do toque de seus lábios em minha pele e eu já sentia falta de tudo isso.
Estava deitada e antes de apagar o abajur ao meu lado, meu celular vibrou. Era uma mensagem recebida e, para minha surpresa, no visor mostrava SOS Payne.

Xx “Por que eu gosto de você?” Talvez seja o fato de que aos meus olhos você é perfeita, sempre tento achar uma maneira de estar perto de você e quando estou, tudo que consigo fazer é sorrir. – Liam xX

Li e reli a mensagem várias vezes, não sabia se deveria responder ou não, mas meus sentimentos falaram mais alto e acabei respondendo:

Xx E é só mesmo esse seu sorriso pra dar algum sentido à bagunça que anda a minha vida. ☺ xX

Capítulo Nove

Meu domingo começou com meu sono sendo interrompido pelo toque insistente do meu celular. Ainda com os olhos fechados, apalpei meu criado mudo até achar o aparelho. Ao encontrá-lo, apenas deslizei meus dedos na tela do dispositivo.
- Alô? – atendi, sonolenta e com a voz rouca.
- ... Não vai acreditar, acabei de aparecer no E! News, você viu? Viu? gritava, do outro lado da linha, me deixando atordoada. – Está me ouvindo? O que você está fazendo?
- Em pleno domingo, com esse barulho bom de chuva lá fora, o que mais poderia estar fazendo às... – Abri de leve os olhos, para a claridade do aparelho não me cegar, coloquei o celular diante do meu rosto e espiei as horas. – Às 09h10min da manhã?
- Eu te acordei?
- Capaz... Impressão sua. – respondi, ironicamente.
- E acordou mal humorada ainda. Levanta rápido que preciso falar com você. Vem logo, vou deixar a porta aberta, só entrar.
- Está bem. – respondi, automaticamente e desliguei e seguida.
Ao me virar para o lado, percebi que Albert não estava ali, mas as cobertas estavam desarrumadas. Parecia estar convivendo com um espírito ultimamente, pois não havia notado a hora que ele chegou e que horas levantou, não fez um ruído sequer.
Com muita preguiça e sem muita pressa, praticamente me arrastei para me levantar da cama.
Assim que troquei de roupa, fui até a cozinha, havia ainda a possibilidade de que Albert estivesse por ali, lendo suas notícias em total silêncio como costumava fazer aos domingos, mas estranhei ao ver que o apartamento encontrava-se vazio. Ao olhar mais atentamente, sobre o balcão da cozinha, havia um bilhete:

Precisei sair logo cedo e não quis te acordar. Tive que fazer uma viagem de última hora.
Volto amanhã.
Al.

Ao mesmo tempo que senti certo alívio por ter esse dia de folga do Albert, fiquei com raiva por ele continuar tentando me fazer de idiota, então peguei aquele pedaço de papel, amassei e joguei no lixo. Afinal, eu desconfiava ou, deveria dizer, tinha certeza com quem ele passaria o final de semana.
Nesta manhã, eu me sentia diferente, a lembrança da noite anterior me fez sentir mais forte e confiante, pensar em Albert e Shannon juntos não me machucava mais e as atitudes de Albert não me atingiam na mesma intensidade como antes, era como se eu tivesse despertado desse relacionamento nada saudável, que apenas me desgastava.
Acabei só esquentando um café e em seguida subi até o apartamento de .
- Cheguei. – Bati e abri devagar a porta.
- Finalmente! – gritou, e saiu correndo da cozinha.
- Que cheirinho bom. Estou com uma fome. – comentei, rindo.
- Eu passei na padaria e comprei uns “muffins”. Estão no balcão da cozinha. Tem chá também, é só pegar.
Caminhei até a cozinha, peguei um prato e servi dois.
- Você acordou cedo e disposta, para ter ido até à padaria com esse tempo. Sabe, hoje tenho o dia livre, o Albert foi viajar. – com o prato na mão, fui a seguindo em direção à sala. - Pode começar a falar. – disse, de boca cheia.
- Então temos bastante tempo. Senta aí. – apontou para o sofá. - A primeira coisa que fiz quando acordei hoje foi ligar a televisão. Trocando tranquilamente de canal, quando passei pelo E! tomei um susto e fui obrigada a parar. EU! EUzinha... Estava lá. Fotos minhas e do Harry ontem depois que saímos da Maddox. Estavam falando sobre mim. Uma reportagem inteirinha, as fotos daquele dia que fomos comer no Katavento e até... – respirou fundo. – Bem, eles mencionaram o velório do meu irmão, se eu era a mesma garota daquela vez. – seu tom de voz mudou ao mencionar seu irmão.
- É, esse é o preço, . Agora sua vida está totalmente exposta, infelizmente.
- Eu sei, mas antes eram apenas especulações e agora com essas fotos. É estranho ver fotos minhas assim, tipo, sem ao menos eu ter visto alguém tirá-las, sabe? Estavam um pouco borradas, mas dava para nos reconhecer. E diziam que agora era oficial e ser chamada de namorada do Harry Styles, sem ao menos ter sido pedida em namoro... – soltou a respiração. - É muita informação pra minha cabeça.
- Sim, mas... Mas são muito comprometedoras essas fotos? – perguntei, voltando à parte das fotografias.
- Não, não exatamente... Ele só me acompanhou até meu carro na saída do clube. Então ele foi se despedir de mim com um abraço e... – limpou a garganta. – E... Bem, é que rolou só um beijinho depois... só um, eu juro! – soltou um risinho.
- Eu sabia! Um beijinho, sei... Pra virar reportagem no E! News, sei bem que foi só um beijinho. – Ri e joguei um pedaço do bolinho nela.
- Ai! – desviou. - Vai sujar meu sofá, sua bitch...
- Só espero que o Albert não complique, sabe que ele não vai muito com a sua cara, então a partir de agora é bom vocês serem mais discretos. Albert é capaz de qualquer coisa para que nada interfira na imagem deles. Mas no que depender de mim, ninguém vai atrapalhar vocês dois. – Sorri.
- Sabe, eu e ele temos muita coisa em comum mesmo. E ele é tão divertido, querido e beija bem. – ela riu. - Não sou de ficar me derretendo por ninguém, mas tenho que admitir que adoro estar na companhia dele. E depois de tudo que aconteceu com meu irmão, tudo que eu e minha família passamos, é como se agora finalmente sentisse que as coisas boas estão voltando a acontecer na minha vida. Eu só não quero colocar tudo a perder. – Dobrou as pernas em cima do sofá. – Antes que eu esqueça, também estavam falando sobre seu noivado com Albert. Tinha várias fotos de seu discreto anel. Até deixei aberto aqui no notebook, fui procurar umas notícias e achei essa. Olha aqui. – abriu a tela e virou para que eu pudesse ler:

“Até agora, tínhamos apenas ouvido falar no anel de noivado milionário com o qual o empresário Albert W. Cole teria presenteado a amada. Temos aqui imagens da joia, que teria custado cerca de US$500 mil. foi flagrada por paparazzi enquanto entrava na casa noturna Maddox, embora tenha chegado com sua amiga e desacompanhada de seu noivo. Albert chegou um pouco mais tarde. Ela estava usando um vestido Emilio Pucci e com sua clutch Alexander Mcqueen, ela esbanjava elegância e ainda mostrou que o cara não está de brincadeira. Olha só o tamanho do brilhante!”

- Fico impressionada como eles sabem até o valor da aliança, nem eu que estava junto na loja sabia. – fechei a tela, pois não queria mais ler nada sobre essa mentira toda.
- Esse pessoal não dorme no ponto. Mas e você? Por que saiu tão apressada ontem? O que aconteceu afinal?
- Eu não estava me sentindo bem. – terminei de mastigar. - E quando o Albert chegou, aí sim que fiquei pior e decidi voltar pra casa o quanto antes. – coloquei mais um pedaço do “muffin” na boca.
- Ah, não. Você está querendo me contar algo. Você fez aquele “olhar”. Aquele que você faz quando está louca pra me contar algo, mas não sabe se deve.
- Que olhar? Como assim? – continuei, mastigando um pouco mais rápido.
- Este aí. – apontou para mim. – Você fez de novo. Pode começar a falar, eu não vou sossegar, você sabe. – me encarou firme e cruzou os braços. – Pode contar e agora...
- Está bem. – Suspirei e larguei o prato na mesa de centro. – Não sei nem como contar... – apenas me observava atentamente. Limpei as mãos no guardanapo e me acomodei melhor no sofá. – Bom... Lembra quando vocês estavam na pista dançando e eu resolvi voltar para o andar de cima para descansar um pouco?
- Lembro vagamente.
- Então... o Liam resolveu me acompanhar e ficamos conversando por um tempo. Ele começou a falar algumas coisas pra mim e acho que por causa da bebida, um clima acabou pairando no ar e eu... quase o beijei... – fiz uma pausa. - A bebida estava falando mais alto. - me expliquei.
- Quase? – fez uma cara de decepção. – A bebida, tá bom, .
- Eu acabei entrando em pânico e corri até o banheiro antes que fizesse uma besteira. Depois que me recompus, saí do banheiro, mas antes que pudesse voltar à área VIP, fui puxada pelo braço até um lugarzinho atrás da escada... E... – dei uma pausa e falei, em um só fôlego. - Liam me beijou.
- Ai, meu Deus! – exclamou, e colocou as mãos na boca. – Que emocionante! E aí... Como foi? – perguntou, extremamente animada.
- Foi... - abaixei um pouco o rosto e soltei um riso acanhado. – Foi mais do que bom, posso dizer que nunca me senti do modo como me senti por causa de um simples beijo. E tenho total convicção em dizer, não lembro de alguém ter despertado esse tipo de sentimento em mim antes.
- Ai... – se abanou. – Eu te entendo. – ela riu.
- Por isso não podia ficar lá, principalmente depois da chegada do Albert, eu entrei em pânico. E pra completar, quando cheguei em casa, Liam me mandou essa mensagem. – Peguei meu celular do bolso da calça e mostrei a ela.
- Nossa... Até me arrepiei agora. – Esticou o braço, me mostrando. – São muitas emoções para um dia só! Bem feito pro otário do Albert. Quem não dá valor perde, simples assim.
- Ai, , estou tão confusa. Não tenho mais coragem de olhar para a cara do Albert, parece que ele vai descobrir no momento em que me olhar. Estou me sentindo tão culpada.
- Espera um pouco... Culpada? O Albert tem outra, te trata mal, em todas oportunidades que tem ele te humilha e ainda você se sente culpada? Pelo quê? – indagou, indignada. - Não estou dizendo pra você dar uma de louca e largar tudo assim só por causa de um beijo. Só que eu acho que está na hora de pensar em você agora, chega de ser a sombra do Albert. – franziu a testa e me encarou. – Dê um basta em tudo isso, se o único fator que te prende é por não ter onde ficar, eu posso ter uma solução pra você... Se precisar, eu falo com meu pai pra alugar pra você um apartamento que ele tem, fica em Haggerston e é pertinho da Columbia Road Flower Market. Se não me engano, está desocupado. Tem só um detalhe, fica um pouco longe da Modest.
- , isso ia ser ótimo. – disse, animada. - E quanto à Modest, não tem problema, não é sempre que preciso comparecer lá, preciso estar onde o pessoal da banda precisa de mim. Só espero que o Albert aceite eu sair de casa, pois quando tentei ele não reagiu muito bem.
- É mesmo. Cada vez mais eu odeio esse Albert. – fez uma cara feia.
- Eu já te falei, , com ele eu vou ter que agir com cautela, ele é muito imprevisível.
- Mas e quanto ao Liam? Como vai ser depois do que aconteceu ontem?
- Eu não tenho a mínima ideia de como vai ser quando vê-lo novamente. Até pensei em evitá-lo até conseguir achar um meio de lidar com a situação. E como vou estar tão envolvida trabalhando com os garotos da 5 Seconds of Summer, praticamente nem vou ter tempo de pensar nele e não vamos nos cruzar assim tão seguido.
- Acho que devia falar com ele o quanto antes, porque depois que você foi embora ele tomou um tremendo de um porre, que o Harry precisou ligar para aquele amigo dele, o tal do Andy, para vir buscá-lo.
- Será que devo ligar para ele? O que vou dizer? O que eu posso fazer sem que complique mais a situação? Talvez seja melhor deixar as coisas assim mesmo, agir como se nada tivesse acontecido.
- Acho meio impossível, pois é nítido o quanto ele mexeu com você. E não falo só de ontem, eu consegui perceber sua mudança que eu chamo de antes e depois de Liam. Sinto te informar, amiga, mas acho que não vai ser tão fácil ignorá-lo quanto você pensa.
- Mas semana que vem irão retomar a turnê e vão voltar a viajar bastante. Assim vamos ficar um tempo afastados.
- É, pode ser que isso ajude, um pouco. Mas acho que você não deve ignorar seus sentimentos. Não quero ver você triste pelos cantos, principalmente por causa do idiota do Albert. Sabe que pode contar comigo para o que precisar. – sorriu e me abraçou forte. Eu sentia um carinho imenso por e era recíproco, podia confiar plenamente nela e podíamos sempre contar uma com a outra, ela era como uma irmã para mim. – Semana que vem já vou ligar para o meu pai e pedir sobre o apartamento. - O telefone de começou a tocar neste instante. – Espera aí, meu celular está lá no quarto, já volto.
Depois de alguns minutos, ela voltou bufando, com o celular na mão.
- Era meu pai... Disse que está vindo aqui me buscar. Minha mãe viu na TV as notícias, reconheceu eu e meu carro e ligou pra ele. E agora está vindo para me levar almoçar e ter uma “conversinha” comigo, acredita? Era só que me faltava. – jogou o celular no sofá. – Praticamente esqueceram de mim desde a morte do meu irmão e de repente eu voltei a existir? E agora ele quer vir dar uma de pai que se importa? – andava de um lado para o outro. – Me passou um mini sermão no telefone, imagina pessoalmente. E a minha mãe? Não teve a decência de me ligar para falar diretamente comigo? Ligou pra se queixar pra ele? Que eu era uma imoral de ter fotos publicadas de novo com Harry, ficou lembrando meu pai que por culpa dele não respeitaram nem o velório do meu irmão e que ficaram nos perseguindo por um tempo e eu ainda tinha coragem de continuar com ele? E ainda por cima ficar de amassos por aí? – chegava estar corada de tanto nervosismo. – Imagina querer controlar com eu devo sair? O porquê disso agora?
- Calma. Respira. – sei que falar não a acalmaria de fato. – Então é melhor eu ir embora. Eu volto mais tarde, me avisa quando você voltar. – Ergui-me do sofá.
- Não precisa ir. Pelo contrário, preciso de você junto comigo. Meu pai é meio cabeça dura e assim você me ajuda. Fica, por favor? Assim você me acompanha... Fico te devendo essa pra sempre. Por favor? Por favor? – implorou.
- Que situação que você está me colocando, hein. – pensei por alguns instantes. - Está bem... Eu vou junto com vocês. - Não tinha como negar ajuda a ela e no fundo sabia que com uma boa conversa seu pai sempre cedia às suas vontades e nunca conseguia ficar muito tempo zangado, não era de seu temperamento. – Só espero que ele não se incomode, . Antes preciso passar no meu apartamento, pegar minha bolsa e um casaco.
- Não mesmo, você sabe que ele te adora. Assim não vai fazer nenhum escândalo na sua frente. Vamos descendo que logo está passando me buscar. – pegou as chaves e a bolsa e saímos do apartamento.

Liam’s POV on

Um barulho estrondoso alcançou meu ouvidos e fui forçado a abrir meus olhos. Devia ter sido um trovão, pois escutava o barulho da chuva batendo na janela. Meu quarto estava escuro, mas fui tateando até que encontrei meu celular no criado mudo para verificar as horas. A claridade da tela era insuportável, senti meus olhos arderem, os forcei mais e finalmente consegui abri-los por completo.
- Merda! - uma pontada desgraçada atingiu minha cabeça, parecia uma faca atravessando meu crânio e pude sentir que tudo estava girando. Joguei celular pro lado, era uma hora da tarde, me levantei aos poucos, sentindo meu corpo cansado e cocei os olhos, eu estava apenas de cueca. Não lembrava do momento que havia tirado a roupa, na verdade, nem como havia chegado em casa.
Mesmo um pouco cambaleando, corri até banheiro, meu estômago estava de mal comigo. Precisei de um banho urgente para tentar me livrar daquela maldita ressaca. Logo que liguei o chuveiro, tudo que aconteceu na noite anterior começou a vir em flashes em minha mente. Eu conseguia lembrar exatamente de tudo até o momento em que foi embora e quando mandei uma mensagem pra ela.
Lembro também quando acabei escutando a conversa do idiota do Albert, que estava com outros funcionários da Modest. Ele falava sobre o casamento, o anel que havia comprado pra , se vangloriando de tudo, mas comecei a ficar irritado quando ele começou a soltar piadinhas de como não era nada sem ele e até como ela era na cama. Eu estava perdendo a paciência, como ele podia não ter um pingo de respeito por ela? Tudo aquilo estava me deixando nervoso e eu não podia fazer e nem falar nada, tive que sair de perto o mais rápido possível antes que eu fizesse uma besteira e foi quando no minuto seguinte eu estava virando copos e copos com bebidas fortes, me lembro que tomei vodca e whisky, entre outros drinques estranhos. Lembro também de Harry me alertando sobre o exagero que eu estava cometendo e em seguida nocaute.
Ao sair do chuveiro, tive que garimpar minha toalha que estava embolada embaixo das minhas roupas de ontem. Nossa, também não lembro como elas vieram parar ali. Ao puxar aquele emaranhado de roupas, caiu do bolso da minha calça um brinco. Havia esquecido que eu havia recolhido e guardado no bolso da minha calça no momento que o perdeu no sofá e saiu correndo para o banheiro.
Segurava ainda o brinco e não conseguia deixar de pensar no que havia acontecido entre nós na Maddox, por um momento, eu estava parecendo uma mulherzinha, sorrindo feito um babaca. Então comecei a me perguntar se Albert havia desconfiado de algo e se ele descobrisse, mas nada disso mais importava, eu não estava mais nem ligando, porque a vontade de beijá-la novamente e o desejo de tê-la era maior que qualquer coisa.
Enrolei a toalha na cintura e me dirigi até a sala, deixando pegadas d’água como sempre costumava fazer.
Larguei aquele brinco na mesa de centro, liguei a TV e me joguei no sofá. Não estava conseguindo prestar muita atenção, minha mente estava distante e trocava de canal a cada 10 segundos. De repente, escutei um barulho vindo da fechadura da porta.
- Droga! – Dei um pulo do sofá, segurando rapidamente a toalha que quase escapou, revelando mais do que devia. – O-O que você está fazendo aqui? – fiquei quase sem reação ao ver Sophia entrando pela porta de entrada, como ela tinha as chaves do meu apartamento?
- Oi pra você também, estranho. – trancou a porta atrás dela, largando as chaves e uma sacola de papel da coffee shop que tinha perto de casa, em cima da mesa. – Finalmente, a donzela acordou. – veio caminhando tranquilamente em minha direção. – Fui comer fora e te trouxe um café...
- Como? – perguntei, ainda sem conseguir entender nada do que estava acontecendo. – O quê? O que você veio fazer aqui? Como tem as chaves do meu apartamento? – indagava, nervoso, afinal, nem quando estávamos namorando ela possuía uma cópia das chaves.
- Não lembra quem foi que te colocou na cama? – a pequenos passos foi se aproximando. – Não precisa segurar tanto essa toalha, não tem nada aí que eu não tenha visto. – sorriu maliciosamente, ficando a poucos centímetros de distância. – Não se preocupa, o Andy me chamou ontem para te resgatar. Pode ficar tranquilo, fiquei sabendo que você bebeu todas ontem, porque anda sentindo a minha falta. – passou os dedos pelo meu peito ainda úmido, dedilhando para baixo, seguindo um caminho perigoso.
Antes que ela pudesse ir mais adiante, rapidamente segurei sua mão, afastando-a imediatamente. E a encarrei sério, demonstrando minha insatisfação.
- Nossa, Liam... – juntou as sobrancelhas estranhando minha reação. – Pensei que hoje poderíamos, sabe... Relembrar nossos melhores momentos. – deu um risinho. – Já que ontem você chegou tão acabado que apagou. – aproximou-se novamente, tentando desatar minha toalha.
- Chega, Sophia! – segurei com força a toalha, dando três passos para trás. – Que merda é essa? Quem você pensa que é? Esqueceu que foi você que terminou comigo, dizendo que éramos para seguir cada um o seu caminho? E toda aquela história de que você queria conhecer novas pessoas? Que estava estressada com a minha rotina?
- Calma... É que ontem quando o Andy me ligou e no instante que te vi, percebi que cometi um erro. – falava, tranquilamente. – Não quero mais que você fique assim por minha causa, está bem? Eu também senti a sua falta. – a curtos passos ficou diante de mim, eu recuei novamente, mas mesmo assim ela me beijou. E tudo que senti foi apenas um contato de sua boca com a minha. – O que foi? – se afastou e me olhou intrigada. – Não precisa dizer nada... Você ainda está um pouco surpreso por eu estar aqui, não é mesmo? Mas quero dizer que quero sim voltar com você.
De onde ela havia tirado a ideia de que eu queria voltar com ela? Tudo que eu precisava era ficar sozinho naquele momento.
- Sophia...
- Eu não gosto que me chame assim, gosto quando me chama de Sophie. – falou, manhosa, me interrompendo.
- Sophia... – repeti, firme. – Eu preciso pensar, eu acabei de acordar e ainda estou com uma ressaca desgraçada. Eu quero que você vá embora.
- Liam, o que houve com você? Nunca me tratou assim. Mas se é isso que você quer, eu entendo, vou dar esse tempo. Você ainda deve estar com dor de cabeça. – depositou um beijo na minha bochecha, caminhou até a saída e pegou sua bolsa que estava pendurada em um cabide perto da porta. – Eu vou esperar. – abriu a porta. - O tempo que for preciso. – piscou para mim e saiu.
O que acabou de acontecer? Agora sim estava sem entender absolutamente nada. Por que justo agora Sophia decide que quer voltar comigo? Por que Andy ligou pra ela? Muitas dúvidas estavam rondando minha cabeça, que insistia em latejar. – Maldito whisky! – coloquei a mão na cabeça e corri pelo apartamento em busca de um analgésico.
Mais recuperado e depois de devorar uma fatia de pizza, a única coisa pronta que encontrei na geladeira, fui até o quarto buscar uma jaqueta e a carteira, Niall estava a caminho para passar me buscar.
Um amigo do Niall está na cidade por uns dias, então havia combinado com Niall de levarmos ele para sair, não sei onde estava com a cabeça em aceitar sair assim duas noites seguidas, principalmente depois do porre de ontem. Só sei que eu estava com muita fome, então espero que ele tenha escolhido um lugar com boa comida.

Liam’s POV off

Depois de ter almoçado com e o Sr. , decidi voltar para meu apartamento. O dia estava chuvoso, queria aproveitar a ausência de Albert e poder tranquilamente assistir uns filmes e comer porcarias durante a tarde.
Trocando de canais, achei um filme que recém havia começado, Para Sempre. Peguei o pacote de cookies, acomodei as almofadas e os travesseiros, e me deitei confortavelmente em minha cama.
O filme estava no fim e como em todos os filmes de romance que eu assistia, eu estava a me desmanchar em lágrimas. Quando os créditos dos filmes começaram a rolar na tela, olhei para minha mão e não entendia o porquê ainda estava com aquela aliança, fiquei olhando por alguns instantes para aquele brilhante e a noite passada insistia em martelar em minha mente, fazendo com que meu corpo inteiro arrepiasse ao lembrar do toque de Liam. Imediatamente, a retirei do meu dedo e guardei na gaveta do criado mudo. Foi quando escutei a campainha tocar. Que estranho... Quem pode ser a essa hora? Pensei.
Dei um pulo da cama, enxuguei meus olhos, bati as migalhas que estavam em meu colo e fui correndo atender.
- Estou indo... – gritei.
Ao abrir a porta, estava toda arrumada diante da minha porta.
- Meu Deus, ! Que é isso?
- Que foi?
- Essa cara inchada, toda descabelada... Passou um trator em cima de você, foi? – foi entrando porta adentro enquanto falava. - Vai se arrumar imediatamente. – ordenou, apontando para o meu quarto.
- Ficou louca, é? Me deixa curtir minha folga aqui...
- Pode ir tirar essas migalhas da cara que nós vamos sair.
- Nós? Sair? – franzi a testa e passei os dedos, batendo os farelos do canto da boca. - E o que te fez criar tanto entusiasmo pra sair hoje de novo?
- Nada... Olha bem se irei desperdiçar de sair para me divertir livremente com a minha amiga sem o chato do Albert na sua cola. – foi me empurrando de leve até meu quarto.
- Eu te conheço... Aí tem algo mais. Você havia ficado tão chateada por seu pai ter tirado seu carro por um mês por causa das fotos e agora está toda animadinha assim. Pode falar a verdade. – me virei para ela e cruzei os braços, aguardando uma explicação.
- Está bem, está bem... É que o Harry foi para LA hoje à tarde, ele até me convidou para ir junto, mas contei o que havia acontecido, sobre meu pai e tudo mais e decidimos que é melhor não sermos vistos juntos. Assim, saindo sozinha dá pra dar uma despistada, sabe? Vou esperar a poeira baixar e assim meu pai tem um tempo para convencer minha mãe a respeito do Harry. E nada melhor que uma noite só nossa para eu me distrair e não ficar pensando e ficar checando o Twitter a cada 10 minutos tentando descobrir o que ele está fazendo em LA. E também não quero ficar vendo alguns comentários maldosos sobre mim na internet. Um pessoal da minha turma também vai e não vou deixar você sozinha aí.
- Está bem, vai ser bom eu também me distrair um pouco. Só me ajuda a escolher algo. – falei, enquanto ia em direção ao closet. – E posso saber onde iremos exatamente? – perguntei, ao começar a vasculhar minhas roupas.
- Combinamos de ir ao The Lock Tavern. Fica perto do Camden Market. – se escorou na porta do closet.
- Não conheço... – coloquei minha blusa e em seguida peguei uma calça e vesti. – Mas sei onde fica mais ou menos, você vai me indicando o caminho.

- Vamos querer este Fritas & Peixe. – apontou no cardápio, fazendo seu pedido ao garçom, que acabara de nos trazer nossa bebida. - Logo meus colegas estarão aqui. Então, o que está achando? É legal o lugar, né? – perguntou, sem tirar o olho do celular.
- É legal, mas eu estou bem aqui. - coloquei a mão na frente da tela do dispositivo. – Você disse que queria sair pra se distrair e não ficar checando o celular a cada cinco minutos, então...
- É que eu havia recebido apenas uma mensagem do Harry assim que ele chegou lá e... Desculpa, você tem toda razão. – guardou o aparelho dentro da bolsa.
No momento em que o garçom colocou nosso pedido na mesa, os colegas de chegaram.
- Olá! – levantou-se. – , esses são o George, a Caileen, Maddie, o Aaron e o Nathan. E, pessoal, essa aqui é a .
- Prazer! – acenei, cumprimentando a todos e então, ainda sentada, me afastei mais no banco para dar espaço para que pudessem se juntar a nós.
- Não lembro a última vez que saímos juntos, . – Caileen comentou.
- Verdade. Foi bem antes do acidente do meu irmão. – respondeu, com a voz levemente embargada. Pegou sua bebida e bebeu um longo gole.
- Desculpa, não queria tocar no assunto. – Caileen se desculpou.
- Sentimos falta das nossas saídas. – Nathan interviu. – , não sei até onde você conhece o lado festeira da senhora aqui. – sorriu, quebrando o clima que havia se formado.
- Pouco, mas posso imaginar. – eu ri e olhei para , que nesse momento demonstrava estar mais animada.
O ambiente era extremamente agradável, música ao vivo, a conversa fluía tão bem e os colegas da eram muito divertidos. Resolvi pedir mais uma rodada de cerveja para nós, tudo que queria era aproveitar aquela noite.
- Assim vai nos deixar mal acostumados. Mais uma rodada? Isso merece até um brinde. – falou Aaron, todo animado.
- Com certeza. – todos concordaram e repetiram seu gesto, segurando seus copos e então brindamos.
- Desse jeito estou me apaixonando pela sua amiga aqui, . – brincou Aaron.
- Calma, calma, Aaron. Ela é uma mulher comprometida. Não tão bem comprometida. – debochou. – Mas... Espera aí... – largou o copo na mesa. - Agora que estou notando algo de diferente, ou diria, algo que está faltando em seu dedo. Você perdeu ou...
- Deixei em casa. – completei. – Eu não estava mais suportando usá-lo, estava me incomodando, sabe? – sorri pra do jeito que ela sabia ao que me referia.
- Isso, definitivamente, merece mais um brinde. – riu e ergueu seu copo novamente.
- Estamos um pouco perdidos na história, mas tudo bem. – George, que estava mais quieto, se pronunciou. – Vamos beber!
- Só tenho uma coisa a dizer: que mesmo que esteja comprometida, vou lutar pelo seu amor, minha querida. – Aaron continuou com suas brincadeiras e me abraçou de lado, com apenas um braço, cheguei pensar que ia me esmagar de tanta força. Também, com todos esses músculos.
- , sinto muito, mas ninguém resiste ao charme do grande Aaron, 1,92 cm de pura gostosura. E como resistir a esse moreno de olhos azuis? – Maddie apontou para ele rindo. – E falando em gente comprometida, dona . Quer dizer que está namorando uma celebridade, hein? Queremos saber todos os detalhes.
- O quê? – minha amiga se fez de desentendida. - Não estou. Somos apenas amigos. – explicou. – Essa música... Até que estou gostando desse DJ que começou a tocar, porque a banda de antes... – fez uma cara feia e mudou imediatamente de assunto. – Não curti, não.
- Tem razão, , me bateu até uma vontade de ir ali dançar. Quem topa? – propus, ajudando a se livrar de qualquer interrogatório a respeito de Harry.
Em um só coro, todos concordaram imediatamente e se levantaram da mesa, sem contestar. Fiquei surpresa apenas olhando, pois foi tão rápida a resposta de todos que de início fiquei sem reação, acho que a bebida havia deixado mais lentos meus sentidos.
- Vamos. – Aaron esticou o braço, me puxando para acompanhá-los para perto do palco.
- É, , por enquanto a senhorita se livrou, porque estou com muita vontade de dançar, mas depois você não me escapa de contar sobre seu novo namorado. – Maddie a cutucou. O pub estava realmente lotado e eu estava ficando com muito calor. Todos estavam dançando e rindo muito. Aaron começou a se passar um pouquinho pro meu lado, então resolvi ir até o bar buscar mais uma cerveja.
Segurei forte minha caneca para não derrubar em ninguém, mas estava bem cheio então foi meio que inevitável e ao me virar do bar alguém acabou esbarrando em mim e espirrou um pouco de cerveja na minha blusa.
- Droga! – exclamei, olhando para a minha blusa e segurei firme o copo para não derramar mais.
- Descul... ?
Ergui a cabeça e não conseguia acreditar em quem estava à minha frente.
- Liam? – senti um friozinho no estômago.
- Nossos encontros serão sempre assim, um esbarrando no outro? – Ele falou, em tom de brincadeira e depois sorriu.
- Assim? O-O que você... Como? O quê? Você está fazendo... aqui... – eu estava tão surpresa de encontrá-lo que as palavras não saíam exatamente como eu queria.
- É sempre assim quando você fica nervosa? Mistura o inglês com o português? Tenho que admitir que fica uma graça. – ele riu novamente.
- Não achei engraçado. – permaneci séria e franzi a testa. Tomei um fôlego e falei, mais pausadamente: – Eu quis dizer o que você está fazendo por aqui? Está sozinho? – Nessa hora pensei: por que não me calo de uma vez? Que pergunta estúpida, o que mais ele estava fazendo em um pub? E o que me interessa se ele está sozinho? Como sou idiota.
- Eu vim com o Niall e um amigo dele, mas e você? – olhou para os lados. – Resolveu sair um pouco com o Albert? – perguntou, sério.
- Não... Ele está viajando. Estou com a e uns colegas dela da faculdade. Ela não gosta de me deixar sozinha em casa e então me arrastou para sair com ela. – soltei um risinho e tomei um gole bem grande da minha cerveja antes que eu derrubasse o que ainda havia sobrado.
- Eu queria mesmo falar com você... – me puxou de leve mais para o canto do bar. – É sobre ontem... Eu queria dizer que eu sei que você está noiva e...
- Eu sei que você havia bebido ontem, então não precisa dizer nada, Liam. – o interrompi.
Antes que ele pudesse dar continuidade à nossa conversa, senti alguém envolver os braços em minha cintura. Eu me virei assustada.
- Aaron! – tentei gentilmente me soltar dele.
- Vim ver por que estava demorando. Estavam pedindo por você e resolvi te procurar. – Aaron estava enrolando a língua, claramente embriagado. – Vejo que está me trocando por outro já? – Aaron riu e depois encarou Liam, mas desta vez se mostrou um pouco ácido e mais agressivo na forma de falar, diferente de como estava se portando antes.
- Ai, Aaron, chega dessas piadinhas. Liam, esse é um dos colegas da .
- Prazer. – Liam, com uma cara nada amigável, estendeu a mão para Aaron.
- Está bem. – Aaron ignorou Liam, deixando-o com a mão estendida. – Você não é um daqueles carinhas lá... – colocou a mão no queixo. – Como é mesmo? Daquela bandinha, que as menininhas ficam gritando, como é? One... – estalou os dedos, tentando lembrar. – One... Sei lá...
- Da One Direction. É ele sim. – prontamente respondi, na tentativa de interromper as provocações de Aaron.
- Minha priminha de 11 anos que gosta. – fez uma cara de desprezo. - Agora vamos? – me segurou forte pela mão.
Realmente, agora Aaron estava sendo muito inconveniente, como alguém que eu acabara de conhecer estava achando que tinha esse direito sobre mim? Não queria criar caso, afinal, ele era amigo da , mas ele estava me deixando irritada.
- Pode ir, Aaron, avisa que logo volto com o pessoal, está bem? – tentei me manter o mais calma possível, afinal, ele havia bebido e aquele provavelmente não era seu estado normal. Ele apenas concordou com a cabeça, me olhou com cara amarrada e deu as costas.
- Simpático esse seu amiguinho. – Liam comentou, sarcasticamente.
- Não é meu amigo, ele é um colega da faculdade da e eu o conheci hoje. Acho melhor...
Fui interrompida por duas moças que pararam para tentar tirar uma foto com Liam. Aproveitei a deixa para me afastar dele.
- E eu vou voltar com o pessoal. – o avisei, e dei as costas rapidamente antes que ele pudesse me impedir de ir. Nem olhei para trás e fui reto em direção aos banheiros.
Aaron me abordou um pouco antes de eu chegar ao banheiro feminino.
- Hey, . – me segurou pelo pulso. – Como a nunca havia mencionado que tinha uma amiga tão linda? – começou a me puxar para mais perto dele. Apenas dei um sorrisinho forçado, não estava com muita paciência pra cantada barata e abusada. – Estou falando sério. Acho que estou apaixonado. – me segurou contra a parede.
- Aaron, por favor, me solta que eu quero ir ao banheiro. – Não estava conseguindo me soltar, além de alto ele realmente era forte. Tentei escapar sutilmente, mas sem sucesso.
- Não precisa ter pressa, gostosa. – deu um apertão na minha bunda. Mas que desgraçado, meu sangue ferveu nesta hora.
- Agora chega, Aaron, me solta agora. – falei, furiosa. Havia dois casais se amassando ao meu lado que sequer estavam prestando atenção em mim. Por que esses malditos banheiros tinham que ser tão escondidos?
- É só um beijinho, sei que você também ficou atraída por mim... – Me segurou forte contra a parede.
- Chega, só pode estar de brincadeira... Eu não quero. Tentei ser educada, mas se não me soltar vou ser obrigada a fazer um escândalo. Me solta agora. – falei, alto e firme. Ele ficou sério me olhando e então resolveu me largar.
- Que nervosinha... Ainda vai implorar por um beijo meu. – Aaron disse, de forma arrogante, por um instante lembrei de Albert. Ele então se virou e saiu andando calmamente em direção à saída da área dos banheiros.
Respirei fundo e pude sentir minhas pernas um pouco bambas. Eu nesse meu tamanho, perto daquele brutamontes, tomei um tremendo susto e cheguei inclusive a perder a vontade de ir ao banheiro. Cruzei o pub, em uma velocidade relâmpago à procura de , havia perdido a vontade de ficar neste lugar, tudo que eu queria era ir embora imediatamente.
A encontrei na mesa em que estávamos antes e, para minha tranquilidade, Aaron não estava ali. Junto com ela estavam apenas Caileen e Maddie.
- , estou indo embora. Não estou me sentindo muito bem.
- Que aconteceu? Está pálida. É por causa de alguém? Alguém que acabei de ver aqui?
- Quem? Não... – franzi a testa. - Não é nada, só um mal-estar.
- Pensei que era... Sabe? Como vi o Niall saindo há pouco...
- Não é por isso, realmente não estou me sentindo bem e preciso ir embora. Vamos? – respondi, de forma até um pouco rude. Não iria entrar em detalhes, pois queria sair o mais rápido possível, antes de ter que me deparar com o Aaron.
- Você está bem pra ir dirigindo e voltar sozinha? É que vou ter que levar o Aaron pra casa. Tadinho, ele não está em condições de dirigir, estou esperando ele voltar do banheiro. E como a Caileen estava de carona com ele e não sabe dirigir, vou levar ela também. O Nathan já foi embora e o George vai levar a Maddie. E depois vou dormir na casa da Caileen hoje. Estou te achando muito estranha, você não está bem...
- Imagina, . Fica tranquila, eu estou ótima pra voltar sozinha, não se preocupe. É sério. Eu vou indo então, amanhã conversamos. – em seguida, me despedi das meninas na mesa e praticamente fui correndo até a saída do pub, tudo para não cruzar o caminho de Aaron novamente.
Antes de pisar para fora da porta do pub, percebi que uma chuva fina começou a cair. E foi no instante seguinte que ouvi alguém chamar meu nome.
- , espera... – Liam apareceu atrás de mim na porta. – A pediu para te alcançar as chaves do carro.
- Sempre acabo deixando algo para trás. – saí tão rápido que acabei esquecendo que havia deixado na bolsa dela, porque era maior que a minha. – Obrigada.
- Está começando a chover. Vamos, eu te acompanho até o carro. – falou, e segurou as chaves com ele.
- Está bem, mas meu carro está do outro lado da rua. – apontei.
Assim que pisamos na calçada ele tirou sua jaqueta e colocou sobre a minha cabeça, pois a chuva começou a ficar mais forte, então começamos a correr até meu carro. Chuva, mais , mais minha falta de coordenação e correr de salto alto, era meio previsível que o resultado dessa soma não seria bom. Meu salto virou em uma poça d’água, fazendo com que eu tropeçasse e caísse de joelhos no meio da rua. Juro que se tivesse um bueiro aberto ou qualquer outro buraco mais próximo eu me enfiava dentro e não saía de lá até o dia seguinte, tamanha era a minha vergonha.
Logo apareceram alguns paparazzi e começaram a perguntar se eu estava bem, juro que não sei de onde eles surgem assim tão de repente. Mesmo abaixo de chuva eles não davam trégua. Que ótimo, era tudo que eu precisava, fotos minhas estatelada e molhada na saída de um pub. Liam gentilmente me ajudava a levantar em meio àquele aglomerado de paparazzi.
Rapidamente, me escorei em Liam e começamos a andar mais rápido para nos livrarmos da chuva e dos flashes. Ele destravou as portas e me guiou até o banco de passageiros. Todos aqueles flashes estavam quase me cegando. E, em uma incrível velocidade, ele deu a volta e entrou no carro.
- Precisamos sair daqui. – Liam sorriu e colocou o cinto. Fiquei sem entender nada e como estava um pouco desorientada, não consegui sequer dizer nada e logo ele arrancou com o carro para poder se livrar logo daqueles paparazzi.
Ficamos em silêncio por um tempo e assim que tomamos uma certa distância daquela rua, Liam falou:
- Desculpa por roubar seu carro. – deu uma risadinha e me olhou de lado.
- Tudo bem... – me arrumei no banco e coloquei a jaqueta dele, que estava molhada, no banco de trás.
- Acho que não adiantou muito. – comentou, se referindo à jaqueta. – Acabou se molhando toda.
- Ajudou um pouco... – assim que respondi, acabei rindo ao me olhar e ver que estava encharcada, com minha calça suja e os joelhos esfolados. - Que ótima noite para ter escolhido usar esse jeans. – mencionei, ainda analisando meu estado.
- Seu joelho está sangrando. – disse Liam, desnecessariamente em um tom preocupado. – Quer que eu te leve ao hospital?
- Que exagero para um cortezinho de nada. – abri o porta-luvas e revirei um pouco, então tirei de lá uma caixa de lenços de papel. Peguei uns dois lencinhos e fui passando de leve para tentar limpar um pouco. – No máximo, vai ficar um hematoma amanhã.
- Isso se também não render um resfriado. – disse, no momento em que reduzia a velocidade, ao se aproximar de seu prédio.
- Posso dizer o mesmo pra você, pois com certeza se molhou mais que eu.
- Espero que não, amanhã temos entrevista na rádio logo cedo. – continuou manobrando até a garagem. - Obrigado pela carona forçada. – falou, rindo assim que desligou o motor do carro.
- Da próxima vez, é só pedir. – sorri para ele.
No instante em que retirei o cinto de segurança, Liam segurou minha mão e então levantei meu rosto, voltando minha atenção a ele.
- Lá no pub percebi que você estava me evitando, mas eu até entendo o porquê. – soltou um breve suspiro. – O que aconteceu na Maddox... Bem, talvez você deve estar achando que eu sou um idiota imaturo, que costumo agir por impulso, mas não. Isso não significa que eu esteja arrependido, mas eu não tinha esse direito. Então me desculpa... – deu uma pausa olhando em meus olhos. - Eu nunca devia ter te beijado.
- Não, Liam, não é que eu estava te evitando, é só que... bem, o problema é que... – pensei por alguns instantes, mas eu precisava falar a verdade. - É que eu também queria te beijar e isso me deixou muito confusa, só isso.
Sua mão então se aproximou de meu rosto, aquele toque fez meu rosto ficar quente, pisquei pausadamente e respirei fundo. Senti-lo assim tão perto novamente me deixava um pouco desorientada e então temi ir adiante, afinal, e se alguém nos fotografasse? Foi quando precisei dizer algo que na verdade não sentia, mas era necessário falar para que tudo não ficasse mais confuso do que já estava. - Acho melhor esquecermos tudo e continuar como se nada tivesse acontecido. – ao terminar de mencionar essas palavras, senti meu estômago revirar, afinal, a última coisa que queria era esquecer o nosso beijo.
- É isso mesmo que você quer? – franziu a testa e se afastou um pouco, arrumando sua postura no banco.
- É claro que não, tudo que eu queria era poder repetir a noite anterior, sem me importar com mais e nada e mais ninguém. – Pensei. – Sim. – respondi, firme. - Porque estou noiva. – Disse, sem muita convicção e engoli seco.
- Então repete, porque seus olhos dizem o contrário. – virou-se de novo e segurou de leve meu braço, causando novamente um leve formigamento e aquele friozinho no estômago que só seu toque me proporcionava. – Não vou cansar de repetir... Ele não te merece. – fez um carinho com seu polegar.
Fiquei sem conseguir pronunciar sequer uma palavra e logo eu estava perdida naqueles olhos, que insistiam em continuar a me olhar profundamente, o modo como ele me atraía era como um imã e não podia negar que o que eu mais queria agora era beijá-lo novamente e não me distanciar mais dele.
- Atchim! – virei o rosto para o lado. De certa forma, aquele espirro me impediu de ter que repetir o que não queria dizer e ao mesmo tempo evitou que algo pudesse ir mais adiante dentro deste carro. – É melhor eu ir, estou precisando trocar de roupa... – passei as mãos pelo meu jeans molhado.
- Claro. Não quero ser responsável por uma gripe depois. – concordou, e virou-se para sair do carro.
E era como se naquele instante meu corpo estivesse formigando de ansiedade, algo mais forte me controlava e em um impulso, antes que ele abrisse a porta, eu o segurei pela mão.
- Espera. – falei, em um só fôlego.
Liam virou-se de frente para mim e pareceu surpreso pela minha atitude. Respirei fundo enquanto ele atentamente olhava em meu olhos. Eu não estava mais aguentando, nada mais importava naquele momento, apenas me lembrava de toda eletricidade entre nós na noite passada e como eu queria sentir tudo aquilo novamente. Subitamente, o agarrei pela gola da sua camiseta e o puxei para mais perto de mim. Deixei meu bom senso de lado e selei nossos lábios em um beijo impetuoso e cheio de desejo, como se eu tivesse uma sede insaciável de seus lábios. Senti suas mãos deslizarem até minha cintura, a segurando com força. Meu coração começou a bater mais forte, eu queria desfrutar de cada segundo.
Assim que deslizei minha mão até sua nuca, eu pude sentir sua respiração acelerar. Sem afastar nossos lábios, ele gentilmente encostou minha cabeça contra o vidro do carro e continuou seus beijos pela lateral do meu pescoço. Sua língua então começou a contornar o lóbulo da minha orelha e sua respiração quente e acelerada fez meu corpo inteiro estremecer. Seus lábios voltaram ao encontro dos meus e nosso beijo continuava no mesmo ritmo, ele então dava leves mordiscadas, me provocando. Nossos toques foram ficando mais intensos, totalmente ofegante, eu passei minhas mãos por cima de sua camiseta e agarrei suas costas com força, o fazendo soltar um gemido.
Sentia o peso de seu corpo sobre o meu e uma de suas mãos percorreu até a barra da minha blusa, fazendo seus dedos tocarem de leve minha barriga, não consegui conter um suspiro. Era um toque suave e carinhoso, parecia fazer meu corpo flutuar. Um turbilhão de sensações invadiam meu corpo e eu estava totalmente dominada por toda aquela atmosfera quente que pairava dentro daquele carro.
Comecei a estranhar quando de repente ele foi mudando o ritmo do nosso beijo, agora ele me beijava com mais calma, parecia estar querendo apenas me manter ali envolvida em seus braços, sentia todo seu desejo por mim transparecer, mas mal sabia ele que isso era tudo que eu mais precisava, simplesmente estar com ele e nada mais.
Liam então separou lentamente seus lábios dos meus, como se não desejasse fazer isso.
- ... – pronunciou, baixo, quase como em um sussurro. – Acredite, eu quero mais... Pode até parecer loucura o que irei dizer, mas quero que você seja só minha e a cada dia estou mais certo disso. Mas não quero as coisas pela metade, não sou assim. – dizia, enquanto acariciava meus cabelos. – Eu olho pra você e lembro do dia que nos esbarramos e eu te desejei desde então.
- E por que você insiste em me deixar sem jeito e sem palavras? – sorri um pouco acanhada, me afastando um pouquinho e arrumando minha postura no banco do carro. – Você sabe que é complicado. Não só pelo meu relacionamento com Albert, afinal, nosso prazo de validade expirou, mas sim por quem é Albert Cole. E dessa vez quem deve desculpas sou eu. Deveria ter pensado antes de agir e... a partir de hoje, o melhor é nos mantermos afastados, é tudo muito arriscado.
- Pelo contrário... Depois de hoje não posso prometer isso. – sorriu de canto. Pegou minha mão, depositou um beijo nela e rapidamente saiu do carro. – Bons sonhos, . – falou, através da janela e correu através do estacionamento, me fazendo perdê-lo de vista sem me dar a chance de uma resposta.
Ele me trazia a paz que eu tanto buscava, ele me desafiou a abrir os olhos para a vida e me fez me sentir tão completa e feliz. Resgatou sentimentos que estavam adormecidos dentro de mim.
Realmente, as coisas não seriam mais as mesmas depois de hoje, eu poderia dizer que estava apaixonada? Ou melhor, deveria dizer que entrei em um caminho sem volta, um caminho deliciosamente arriscado? Só precisava me entregar, ou não. Batia aquele receio, uma insegurança, aquele medo da paixão repentina e de tudo não passar de uma amarga ilusão. Talvez isso fosse uma grande confusão da minha cabeça ou talvez não. Precisava urgentemente colocar minhas ideias em ordem... Mas se isso não era o certo, o que era então?
Tudo que eu precisava agora era ir para casa e deixar o tempo responder. Nada como uma boa noite de sono e um dia atrás do outro. Saí do carro e o contornei para o banco do motorista, então dei partida no carro e saí imediatamente daquele prédio.

Capítulo Dez

Antes de ir à reunião que Richard havia convocado na Modest, eu precisava passar em alguns lugares para buscar as roupas que os garotos da 5SOS iriam usar em um show local quarta à noite.
Enquanto dirigia, retirei uma das mãos do volante, sem tirar minha atenção da estrada, estiquei meu braço até o banco traseiro e tateando consegui alcançar a jaqueta que Liam havia esquecido. Puxei-a para frente e mesmo tendo pego chuva, seu perfume ainda estava nela. Eu ainda não conseguia acreditar que eu havia o beijado ontem à noite, onde eu estava com a cabeça? Nunca havia feito algo tão impulsivo assim. Mas tenho que tomar consciência que isso nunca poderá ir adiante, as coisas não são assim tão simples, pois é aí que o nome Albert vem à tona e sua assustadora reação de quando tentei terminar nosso relacionamento martelam em minha memória sem parar.
Com tudo resolvido, precisava ir até a Modest. Durante o percurso, resolvi sintonizar a rádio para tirar toda aquela imagem ruim que havia retornado à minha mente.
- Não é possível... – falei, comigo mesma, ao ver que a música que estava tocando na rádio era “Right Now” da One Direction. Assim que a música terminou, o radialista continuou a transmissão:

Klein: Estamos quase encerrando a programação especial One Direction. Vamos continuar com o “Verdade ou Desafio”. Essa é para o Niall... Verdade ou Desafio?

É claro, tinha esquecido completamente, ontem Liam havia mencionado que hoje fariam uma entrevista na rádio pela manhã.

Niall: Desafio.
Klein: Faça uma declaração de amor para a ouvinte que vamos ligar agora, usando o nome de três músicas de vocês. (...) – Alô? Quem fala?
(Ouvinte1): É a Emily.
Klein: Oi, Emily. Aqui é da rádio LBC FM. Tem alguém aqui que quer te falar uma coisa.
(Ouvinte1): Ai, meu Deus! Aiiii, estou... Ahh!
Niall: Olá, Emily...
(Ouvinte1): Ai, Niall... Não acredito! Meu Deus... Ahhh!
Niall: Respira, calma que eu tenho algo pra lhe falar: Estou tão apaixonado por você que fico “up all night” e desde a primeira vez que te vi, eu quis “kiss You” e logo pensei que seríamos para sempre “You and I”.
(Ouvinte1): Ahhh! Hoje é o dia mais feliz da minha vida! Ai, meu Deus. Eu te amo, Niall...
Klein: Pelo visto é recíproco (rs). Emily, mantenha a calma aí. Pela sua participação, você acabou de ganhar um par de ingressos para o próximo show da One Direction. É só permanecer na linha para confirmar seus dados e combinar a retirada do ingresso. Obrigado, querida.(...) Agora vamos para uma ouvinte que está conosco pelo telefone.
Klein: Bom dia, querida directioner, qual é o seu nome?
(Ouvinte2): Faith.
Klein: Esta é para o Liam. Verdade ou Desafio?
Liam: Eu escolho... Verdade.
Klein: Faith, pode fazer sua pergunta.
(Ouvinte2): “Liam, eu li em um site que você e a Sophia voltaram ou estão prestes a voltar? Diz que ela foi vista saindo do seu prédio ontem pela manhã. Eu “shippo” tanto vocês! Isso é verdade?”
Klein: E então, Liam, você escolheu verdade... (risos) Não vai deixar suas fãs sem resposta, não é mesmo?
Liam: - Klein... E Faith... Só tenho a dizer que nem tudo que esses sites dizem é verdade.
Klein: Isso seria um não? Um talvez?
Liam: Que tal uma pergunta para o Harry?

Essa pergunta chegou a me causar um calafrio, ouvir o nome da ex dele, se eles haviam voltado ou não, me causou total desconforto. E que história era essa de ela ser vista saindo do prédio dele de manhã? Claro que eu não estava em uma posição de poder fazer exigências, mas depois de ele ter me beijado? E todas as coisas que ele me disse? Um embrulho chegou a se formar no meu estômago e resolvi desligar o rádio como que em um impulso, não queria ouvir mais nada. Eu não podia ficar encanada com tudo isso, afinal, eu sabia também o quando esse meio é cheio de rumores e eu precisava manter o foco no trabalho agora. Dobrei a última rua e estava quase chegando ao meu destino.

Assim que cheguei à Modest, bem humorada, cumprimentei a todos e antes de cruzar a recepção, pedi ao Collin para ajudar a subir as roupas que estavam em meu carro até o penúltimo andar.
Dentro do elevador, decidi parar alguns andares antes e dar uma passada na sala de Albert, para confirmar o horário da reunião com Richard depois. Bati na porta e resolvi abrir, mas ele ainda não havia voltado e, para minha surpresa, em cima de sua mesa estava seu celular, o qual vibrou naquele mesmo instante. Olhei para os lados, resolvi entrar e fechei a porta. Peguei o dispositivo e era uma mensagem recebida, então aproveitei para dar uma espiada. Vinha de um número desconhecido e dizia:

Xx Vou me atrasar, amor. Estava um pouco cansada do final de semana extraordinário que tivemos, mas nos vemos mais tarde, está bem? Lov, sua Shan. Xx

O número poderia não estar gravado, mas o remetente com certeza não era tão desconhecido assim, “Shan” realmente não escondia a identidade. “Lov, sua Shan” que coisa mais ridícula. Logo me arrependi de ter lido aquela porcaria de mensagem, então larguei rapidamente o aparelho de volta na mesa. Albert não podia nem sonhar que eu havia mexido em seu celular.
Toda minha desconfiança sobre o final de semana havia se confirmando, mas aquilo nem me abalava mais, pelo contrário, só me fazia cada vez pegar mais nojo dele. E qualquer pingo de culpa por ter beijado Liam desaparecia.
Saí de sua sala o mais rápido possível, corri e peguei o elevador para o penúltimo andar, onde seria feita a prova das roupas, e aguardei todos por lá.
- Bom dia, Robbie. – Cumprimentei o fotógrafo que faria a sessão de fotos hoje e larguei minha bolsa em uma pequena mesa perto das caixas de roupas.
- Bom dia, . Está animada, hein? Tomara que hoje eles colaborem conosco, porque o tempo está corrido. – comentou, enquanto ajustava sua máquina. – Pensei que o Albert chegaria com você, ele falou que acompanharia a prova de hoje.
- Como? – arregalei os olhos. - Não estou sabendo de nada. – após ouvir isso, era como se tivessem me acertado um soco no estômago. – Quero dizer, acho que ele comentou meio por cima. Talvez ele venha mais tarde. – tentei não parecer mais tão surpresa. Comecei a separar algumas camisetas e então me direcionei até os cabides para continuar organizando.
Pelas risadas que ecoavam pelo corredor, pude perceber que eles estavam se aproximado.
Michael e Luke entraram rindo, logo atrás Callum e Ashton, um pouco mais quietos.
Mal tiveram tempo de me cumprimentar e logo entreguei um cabide a cada um e os mandei para os provadores, afinal, estávamos correndo contra o relógio.
- Nossa... Nem um chá antes? Ou uma piada? – Luke brincou, antes de ir provar a roupa. – Está muito séria hoje, . - me apertou a bochecha com uma das mãos, sendo que a outra segurava o cabide.
- Ai, Luke... – fiz uma expressão de dor e depois esfreguei a bochecha. – Não, é que quero terminar logo. Eu tenho uma reunião depois com o Richard, só isso. – sorri fraco. - Entendi. – jogou seu cabide nas costas.
- E se sobrar tempo... – olhei para os quatro. - Peço para Zoey buscar aqueles cookies que vocês adoram na padaria do outro lado da rua, combinado?
- Agora falou minha língua! – Michael correu para o provador, quase escorregando por estar apenas de meias.
Mais uma vez, eu tentava manter a ordem enquanto eles trocavam de roupa. O tamanho da calça de Ash estava errado, então ele saiu do provador e me mostrou que não conseguia se mexer, fazendo um rasgo no meio das pernas. Luke saiu de cuecas e ficou na frente da câmera cada vez que tentavam fotografar o figurino do Callum, enquanto Michael filmava tudo que acontecia com seu celular. Claro que não me importava com tudo isso, pois apesar de estarem agitados, eles estavam colaborando, estávamos dentro do horário, ainda sobraria tempo e tudo isso mantinha o clima descontraído e divertido.
Alguns minutos depois, Zoey chegou para me auxiliar. Ela era minha nova assistente, porque conseguir controlar todos era uma missão quase que impossível algumas vezes.
- Zoey, veja se consegue controlar o Mike e o Luke que hoje estão bem agitados. E alcança pra eles aqueles dois cabides que estão separados ali. – apontei para a arara de roupas.
- Pode deixar, . - Zoey prontamente respondeu.
Naquele instante, Albert cruzou a porta, batendo os pés e parou diante de mim.
- Preciso falar com você agora. – me olhou sério. – Vem comigo. - me segurou pela mão e me guiou até um canto perto dos banheiros.
- O que foi desta vez, Albert? – soltei a respiração. Aguardando qual seria a reclamação agora.
- Quero saber sobre ontem à noite. – mostrava-se nitidamente irritado.
- Ontem à noite? Como assim? – meu coração disparou.
- Sim! A primeira notícia que vejo... – Apontou para a revista que estava segurando. – Olhe! – Quase esfregou a página em meu nariz. – Olhas essas fotos que os paparazzi tiraram. Agora todos estão comentando que você estava sem a aliança, especulando sobre o término do nosso noivado. Como isso aconteceu? – Começou a elevar seu tom de voz.
- O quê? Do que você está falando?
- Está ficando cega, é? Olha isso aqui! – posicionou novamente a revista diante dos meus olhos. – Que história é essa de sair à noite enquanto eu estava fora e junto com a aquela nossa vizinha? Olha bem essas fotos! – continuava, cada vez mais nervoso. – Olha isso aqui... – abriu a revista e folheou algumas páginas. – Aqui... Você estava sem a aliança? Logo pela manhã tenho que lidar com tudo isso? Todos especulando o término do nosso noivado e você saindo sozinha sem a aliança. – ele foi elevando seu tom de voz. - Ficou louca, é? Ainda tem mais... – virou a página, quase rasgando. – Olha você aqui caindo de bêbada na saída. E o Liam tendo que recolher você do chão? Olha a vergonha que você me faz passar. Vou ter que me desculpar por você ter feito ele passar por tudo isso, agora o nome dele relacionado a esse fiasco. Ter o nome dele estampado nas notícias de hoje recolhendo você do chão de tão bêbada o ainda o coitado teve que te levar com seu carro? Isso é demais, . – meu nome parecia um xingamento nesta hora. Balançou a revista perto do meu rosto e a jogou em um canto no chão. – Não tem nada a dizer, não? Fica aí com essa cara de sonsa, sem dizer nada.
- Primeiramente, acho melhor você se acalmar e baixar o tom de voz. – olhei diretamente para aquele semblante extremamente irritado, estava tão acostumada a vê-lo daquela maneira ultimamente que não me causava mais nenhum espanto. – Eu saí, sim... Não tem como negar, né? – respondi, com um tom de deboche. – O que você esperava? Que eu ficasse trancada dentro de casa enquanto você fazia a sua viagem “urgente”? – fiz o gesto de aspas com as mãos. – Fui acompanhar a , sim. Tirei a aliança para tomar banho e acabei esquecendo de colocá-la de volta, afinal, ela não tem nenhum significado verdadeiro, então fica fácil de esquecer. E eu não estava bêbada coisa nenhuma, apenas escorreguei por causa da chuva, o Liam gentilmente me ajudou e como havia batido meu joelho no chão, ele se preocupou e resolveu dirigir, ou seja, gentileza é uma palavra que não está no seu vocabulário, por isso tanta surpresa neste ato, não é mesmo, Albert? – finalizei, com um risinho cínico nos lábios. Percebi pelo breve silêncio que o havia deixado mais irritado ainda.
- Você se acha muito esperta, né? – Me agarrou pelo pulso. – Eu já estou cansado dessa sua irresponsabilidade. – apertava cada vez mais forte. – Você é extremamente egoísta, imatura e... e... Será que de agora em diante preciso mandar alguém vigiá-la? Você não faz nada certo mesmo. – bufou, enquanto continuava a torcer meu pulso.
- Me solta, está me machucando. – A dor de seus dedos cravados em meu pulso começou a aumentar devido a uma pulseira que eu usava. A dor se intensificava e meus olhos começaram a encher de lágrimas. – Se eu sou tudo isso e causo tantos problemas pra você, por que não me deixa livre de uma vez? Assim cada um segue sua vida e assim você não tem que me aguentar mais. – Alterei meu tom de voz, um pouco embargada.
- Cala essa boca. Hoje mesmo você volta a usar a aliança ou...
- Ou o quê? – o desafiei, ao mesmo tempo em que tentava me soltar, mas sem sucesso.
- Está tudo bem aí? – Ashton apareceu no corredor, claramente preocupado. Albert imediatamente largou meu pulso.
- Está sim. – Albert respondeu. – Foi só um pequeno desentendimento, não é, amor? – olhou diretamente para mim. – Briguinha de casal, nada demais. Já está tudo resolvido. – Passou os dedos por entre meus cabelos. Apenas assenti com a cabeça, não estava conseguindo encarar Ash naquele estado. – À noite tudo fica melhor, né, querida? Nada que em quatro paredes não resolvamos. – Falava, de uma maneira muito asquerosa, então, sem pronunciar sequer uma palavra, me retirei e entrei no banheiro.
Molhei um pouco meu rosto e ainda com a torneira ligada posicionei meu pulso um pouco debaixo da água fria, pois estava bem avermelhado e estava começando a arder. Retirei a pulseira e a guardei no bolso. Enquanto encarava meu reflexo no espelho, me senti muito envergonhada por agora Ashton ter presenciado aquela cena.
- , está aí? Preciso da sua ajuda. – Zoey batia insistentemente na porta. – Não estou achando uma das camisetas do Luke.
- Já estou indo, Zoey. Dois segundos. – Enxuguei minhas mãos, respirei fundo e abri a porta.
- Me ajuda, por favor... Que o Albert está me deixando louca, falando que estamos atrasadas. – Zoey falava, um pouco afobada.
Logo que olhei entre os cabides, encontrei a camiseta que faltava e entreguei a Zoey. Depois de tudo estar pronto e separado, finalmente Albert sossegou, disse que estava indo para a reunião com o Richard, que começaria dali uns 20 minutos, e avisou novamente que não era para eu me atrasar, então deu as costas e se retirou.
Em seguida, um dos segurança veio avisar que a van estava aguardando os garotos.
- E os nossos cookies? – Michael, Luke, Callum e Ashton reclamaram, quase que em coro.
- Pessoal, calma... Prometo na próxima deixar separado para vocês antes, está bem?
- Promessa é dívida, hein, . – disse Mike.
- Mas é claro, podem confiar em mim. – eu sorri enquanto ia os acompanhando até a porta.
Assim que todos foram embora, ficamos apenas eu e Zoey para terminar de recolher o que faltava.
- Desculpe falar, mas ele é sempre assim? Tão... Tão... – Zoey parou do meu lado enquanto eu acabava de guardar minhas coisas.
- Quem? – parei e olhei para ela.
- O Albert. – ela respondeu, timidamente.
- Você quer dizer tão insuportável? – foi inevitável falar, mas pela sua cara acredito que tirei as palavras de sua boca.
- É... - riu timidamente e coçou a cabeça.
- Não... Na verdade, ele é cem vezes pior que isso. – Eu estava com tanta raiva que não me contive. – Desculpe... Não devia falar essas coisas.
- Tudo bem. Às vezes é bom desabafar. – ela riu novamente, terminando de dobrar uma camiseta.

Ao entrar na sala de reuniões, Richard me olhou simpático como sempre, com um sorriso estampado em seu rosto e em seguida pediu gentilmente para eu me sentar.
- Senta aqui, querida. – apontou para a cadeira próxima à janela.
Albert apenas me olhava com aquela cara amarga que possuía.
- Marquei essa reunião para repassar alguns detalhes sobre a volta de turnê da One Direction. Como vocês sabem, o médico de Caroline pediu para ela antecipar para a semana que vem sua licença maternidade e obviamente não poderá viajar. E vocês lembram que eu havia fechado alguns shows da 5SOS para abertura nos próximos shows durante a turnê? – olhou animado para o Albert.
- Sim, Richard. Claro que lembro. – falou, com descaso.
- Como falei antes, Caroline não poderá acompanhá-los nas próximas viagens e ela ainda não conseguiu encontrar uma substituta. O que eu ainda não havia informado é que estará encarregada das duas bandas nos próximos shows. Em outra reunião, eu havia informado que você sairia em turnê junto, mas ainda não havíamos acertado as datas. Antes você precisaria acompanhar apenas alguns shows, mas agora preciso você firme até o final da turnê, posso contar com você? Foi inclusive indicação da Caroline, que até chegou a entrevistar outras, mas ela acredita, assim como eu, que você é a mais qualificada. Eu e todos com quem falo estão muito satisfeitos com seu trabalho e acredito que dará conta de tudo. – Richard era só elogios. – Sei que é trabalho dobrado, mas o salário será dobrado também. Aceita minha proposta? – ele sorria no aguardo da minha resposta.
Olhei para os olhos arregalados de Albert, demonstrando estar muito mais surpreso do que eu com a proposta de Richard. Era uma proposta a qual sequer precisava pensar e ver aquela cara petrificada de Albert aguardando minha resposta era impagável. Era óbvio, não podia negar uma oportunidade daquelas.
- É claro que aceito, Richard. Vou fazer o meu melhor.
- Isso eu tenho certeza. E não se preocupe que a sua assistente irá acompanhá-la também, pra você não ficar sobrecarregada. Nesta quarta ainda não precisará viajar, porque os shows da 5SOS iniciarão a partir do final do mês. Então fique de malas prontas para o fim do mês em diante, quinze dias serão o suficiente para se organizar e depois... Pé na estrada! – Richard falou, animado.
Albert ficou mudo, parecia estar em estado de choque.
- Só mais um assunto, é sobre o Harry. Albert, eu vi as fotos e algumas notícias sobre ele e uma garota. Queria ter certeza se é aquela sua conhecida?
- É sim, Richard. Ela é nossa vizinha, amiga da . O nome dela é . – explicou Albert.
- Então tudo bem. Assim posso contar que nada sairá do controle, só peço um pouco mais de discrição. – virou seu rosto mim. - , mantenha Albert informado dos lugares que eles planejarem ir, está bem? Não quero a vida deles muito exposta, principalmente, durante essa época de turnê, e final do ano teremos lançamento de mais um álbum, então nada pode atrapalhar, entendido?
- Está bem, Richard. – concordei com a cabeça.
- E hoje à noite não esqueçam da festa de aniversário do Olly Murs, você não pode deixar de ir, Albert, afinal, você é antigo empresário dele. – Richard deu um tapinha nas costas de Albert e então voltou sua atenção a mim. – , alguma dúvida?
- Não, Richard. Por enquanto, está tudo certo. – sorri.
- Qualquer coisa que precisar, é só me ligar. Agora está liberada, não vou mais tomar seu tempo. Eu ainda tenho mais uns assuntos para tratar com Albert. Tenha um bom dia.

O relógio marcava 19h00min e Albert entrou apressadamente apartamento adentro.
- Está pronta? – me olhou dos pés à cabeça.
- O que você acha, Albert?
- Sim... Sim... E onde está a sua amiga? Não podemos nos atrasar.
Como ganhamos um convite a mais, óbvio que minha acompanhante extra era . Assim que desliguei o telefone, mandei uma mensagem para ela, avisando para nos esperar na garagem, pois estávamos de saída.
Durante todo o caminho até chegarmos ao hotel para a festa, ninguém trocou uma palavra sequer.
Olly logo nos avistou. Assim que chegamos ao terraço, veio correndo nos recepcionar. O parabenizamos e apresentei a .
Albert e Olly pareciam velhos amigos colocando as fofocas em dia. E não era novidade alguma ele me ignorar completamente.
- Albert, a e eu vamos até o bar. – ele apenas acenou a cabeça e continuou conversando.
- Nossa, seu noivo, um poço de companheirismo. - debochou, assim que demos as costas para ele. – Vamos procurar o Harry? Ele me mandou uma mensagem há alguns minutos, dizendo que já estava por aqui.
A festa estava cheia e fomos andando até a parte externa, na área da piscina.
- , olha lá. – minha amiga parou de andar e com suas mãos virou meu rosto para uma mesa perto da piscina do lado oposto ao nosso. – Está vendo o mesmo que eu? Tem umas oferecidas se jogando pra eles. – uma enciumada falou, ao ver Niall, Harry e Louis, todos de pé e dando atenção a umas garotas que estavam por ali.
- Calma, , ele está só conversando. – tentei acalmá-la, mas ela estava com o olhar fixo neles. - Eles estão sendo educados, afinal, eles têm que tratar todos bem e você sabe disso. E se pretende continuar a vê-lo, é bom ir se acostumando. Não sabia desse seu lado tão possessiva. – brinquei.
- Há-Há... – me olhou torto. - Eu sei, mas agora vejo que não é fácil. – suspirou alto e voltou a olhar para o outro lado. – Acho bom você olhar a outra mesa, mais atrás deles... – limpou a garganta. – Agora quero ver você dizer o mesmo... Olha lá. – virou novamente meu rosto em direção à outra mesa perto da piscina. – O que você dizia, mesmo? Duvido você manter a calma com aquela ruiva peituda esfregando os peitos na cara do Liam.
Liam estava sentado em uma cadeira, segurava um copo de bebida na mão e ao seu lado, em outra cadeira quase que colada na dele, estava uma “moça” ruiva, com um decote quase no umbigo, conversando animadamente com ele. Por que ela precisava conversar com as pernas roçando nele? Mais um pouco, ela senta mesmo no colo dele. Ver aquela cena realmente me pegou de surpresa, fez com que meu coração palpitasse e engoli seco. O fato de eu não poder exigir ou fazer nada a respeito, me deixou extremamente tensa. Aquilo realmente estava me tirando do sério, meu estômago ficou totalmente embrulhado ao vê-la passando as mãos pelo braço dele.
- Que exagero, . – tentei responder, da forma mais calma que consegui, e virei meu rosto para não continuar vendo. – Eles estão apenas conversando, assim como o Harry. – continuei tentando não demonstrar a minha real vontade de arrancar aquela menina de lá pelos cabelos. - E tem mais, o Liam é livre pra fazer o que ele quiser.
- Se você diz... – deu com os ombros. - Mas me desculpa, porque eu não tenho sangue de barata. E posso notar pela sua cara que você também não tem. Admita que está com ciúmes, a mim você não engana, senhorita .
- Mas que coisa, . – bufei.
- Olha aí, posso ver, você não consegue nem olhar. – me provocou mais.
- Está bem! – admiti, afinal, não conseguia enganar minha amiga. – Não gosto nem um pouco do que estou vendo, satisfeita? E quer saber? Já que eles estão se divertindo, nós também vamos. – Segurei minha amiga pela mão e a guiei até o bar.
Pedimos um drink que estavam servindo, não sei exatamente o que era, mas a cor era tão bonita que nos chamou atenção. Estávamos no terceiro copo, quando Albert apareceu do nosso lado.
- Aí está você. – me deu um beijo na bochecha, me pegando desprevenida. – Quantos desses você já tomou? – Me olhou com reprovação. - Sei lá, Albert. – mexi no gelo da minha bebida.
– Vai começar a beber e fazer besteiras de novo? – perguntou, perto de meu ouvido, tentando ser discreto.
- Até aqui, Albert? Nunca me dá uma trégua, não? – franzi a testa e afastei meu rosto. Não suportava ficar tão próxima a ele.
- Precisamos ir tirar algumas fotos. Mostrar que o nosso noivado continua. Você está usando a aliança, não é mesmo? – pegou minha mão para conferir. me olhava indignada, enquanto continuava a tomar a sua bebida. – Vem comigo... – entrelaçou nossos dedos, me fez levantar para acompanhá-lo até onde estavam os fotógrafos e eu rapidamente larguei meu copo na bancada do bar.
Eu estava estampando o sorriso mais forçado do mundo e assim posamos para algumas fotos. Segui tudo como se fosse um roteiro, não queria mais brigas, principalmente publicamente, então estava tentando colaborar ao máximo com Albert para não dar nenhum motivo para seus ataques.
Enquanto tirávamos as últimas fotos com mais alguns convidados, fiquei a poucos metros de distância da piscina, vi que Liam permanecia sentado no mesmo lugar de antes e não pude deixar de notar que a mesma ruiva continuava grudada nele. Harry, Niall ou Louis não estavam mais por ali, apenas os dois. E enquanto eu os observava, Liam desviou sua atenção daquela ruiva, foi quando seu olhar encontrou o meu e ele me lançou um sorriso discreto, mas eu não correspondi.
- ... – Albert me chamou, me dando um leve puxão pela mão.
- Sim... O quê? – virei meu rosto, voltando minha atenção a ele.
- Está em que planeta? O fotógrafo está ali. – apontou na outra direção.
Após esse último flash, eu não estava mais disposta a continuar aquela encenação.
- Pronto, Albert? Fiz exatamente como você pediu.
- Sim, hoje você está obediente. – falou, irônico. – Vou só pegar uma bebida e depois podemos ir embora. – soltou minha mão.
Ele foi caminhando na frente e eu atrás, assim fui o acompanhando até o bar. Não quis olhar para trás para ver se Liam ainda estava me olhando. Nos aproximamos e ainda estava por ali, mas agora acompanhada de Harry, que estava escorado no bar e a segurava pela cintura.
- Tudo bem, Harry? – pegou um drink com o garçom. – Sem muito agarramento aí com a minha vizinha, hein? Exijo bom comportamento. – comentou, rindo em tom sarcástico.
- Pode deixar, Albert. Sei como respeitar uma mulher. – Harry respondeu, de forma bem direta. Ele não se deixava atingir pelos comentários estúpidos de Albert.
- Sim, sim. – ele ficou sem jeito. – Estou brincando. Com licença, só um minutinho e logo volto. – largou o copo na bancada. – Quando eu voltar, podemos ir para casa, está bem, querida? – deu as costas e logo o perdi de vista.
- Já vai tarde. – murmurou . – Finalmente nos livramos daquela criatura. Ele é completamente louco e dissimulado.
- Esses dias ele do nada começou gritar com um assistente de som durante um ensaio. Tudo porque não estava de acordo como ele queria e de repente ele voltou a falar calmamente com todos nós, como se nada tivesse acontecido. Parecia um doido e o ensaio ficou tenso depois disso. Só que não foi a primeira vez que ele faz dessas. Ele está a cada dia mais estranho, . – Harry contou.
- É... Eu que sei bem. – suspirei.
- O temperamento dele não é dos melhores, uma prova disso é só olhar para o seu pulso. – pegou minha mão.
- Eu sei... – me soltei dela. – Eu... Eu estou tentando me livrar dessa situação. – tentei explicar.
- Olha quem está vindo. – fez sinal com a cabeça, cortando a conversa.
Pensei que Albert estava voltando, bufei e me virei, mas, para minha surpresa, não era ele.
- Liam? – meu coração palpitou e me virei de frente para ele.
- Vi que o Albert não estava por perto, então aproveitei para vir falar com você. Como está o joelho? – sorrindo, olhou em direção à minha perna.
- , Liam, vocês nos dão licença? Vamos dançar... O DJ está tocando uma música que gosto. – tocou em meu ombro e em seguida saiu de mãos dadas com Harry, eu só concordei com a cabeça e virei meu rosto de volta para Liam.
- Só um pouco dolorido, logo está 100%. – respondi, com um pouco de descaso. – Não precisava vir até aqui pra me perguntar isso, pode voltar com seus amigos.
- Não entendi. Por que está agindo assim? Aconteceu alguma coisa?
- Não... Nada... – desviei meu olhar. – Eu tenho que ir.
- O que houve? – Liam rapidamente segurou em meu braço. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele me pegou pela mão e me guiou até um lugar atrás do bar. Soltou minha mão assim que entramos.
- Pronto. – Ligou a luz e fechou a porta atrás dele. Estávamos em uma pequena despensa, com várias caixas de bebidas. – Agora você pode me contar o que está acontecendo.
- Não é nada, Liam...
- Bom... Eu não saio daqui até você me contar. – escorou suas costas contra a porta e cruzou os braços.
- Nossa, então vai deixar sua amiga sozinha o resto da noite? – a pergunta saiu como se escorregasse pela minha garganta. Eu estava com raiva dele. Embora não tivesse esse direito, eu não conseguia evitar, aquele sentimento estava me corroendo por dentro.
- Que amiga? – juntou as sobrancelhas, estranhando minha pergunta.
- A ruiva... – continuei. - Aquela que você estava bem à vontade perto da piscina... – ele ainda me olhava de uma maneira, como se tentasse entender sobre o que eu estava falando e então descruzou os braços. Por que eu acabei de dizer isso? - Deixa pra lá, Liam, eu tenho que ir embora. – caminhei em sua direção até a porta e a poucos centímetros de seu corpo, tentei movê-lo para o lado para tentar sair, mas ele me segurou pelo braço, impedindo que eu sequer alcançasse a maçaneta.
- Quem? A prima do Olly? – ele então me soltou, mas permaneceu na porta. Por que agora eu me sentia uma completa idiota em ter mencionado isso tudo? - Espera... – seu semblante confuso se transformou em um pequeno sorriso. - Por acaso você está com ciúmes? – Ele riu, estampando um sorriso largo e satisfeito, me deixando ainda mais irritada.
- Eu... Ciúmes? Imagina... Por que deveria estar? Não estou com ciúmes. – cruzei os braços, tentando parecer o mais desencanada possível e olhei para o lado, tentando disfarçar. Foi quando ele começou a rir mais e senti meu rosto ficar vermelho. – O que foi? – o fuzilei com o olhar quando percebi que ele estava se deliciando com a situação.
Me arrependi de ter bebido aqueles drinks, minha boca acaba sempre falando mais do que deve.
- Nada... É que... - fez uma pausa e me olhou. - Então você está com ciúmes. – afirmou, novamente, ainda com aquele sorriso que não se desmanchava de seu rosto.
- Não... – neguei mais uma vez. - Apenas fiquei um pouco desconfortável com o que vi... Só isso.
- Só isso? – parou de rir e respirou fundo. – Sei... um pouco desconfortável. – limpou a garganta.
- Olha, Liam, não tenho por que ter ciúmes. – engoli seco. - Você é solteiro, tem vinte anos e... E... Fica com quem você quiser. – dei com os ombros, me virei de costas para ele e caminhei um pouco mais para frente, me afastando dele.
Eu estava agindo feito uma criança e encarar aquelas caixas enfileiradas na parede me pareceu a coisa mais sensata a fazer naquele momento.
- Só porque eu tenho vinte anos, não quer dizer que eu não saiba o que eu quero. – escutei alguns passos em minha direção e senti sua mão tocar meu ombro, me fazendo virar novamente de frente para ele.
- Não foi isso que eu quis dizer, Liam. - Ergui meu olhar até ele. – Desculpe... Por agir feito uma idiota.
- Sabe de uma coisa? – ele sorriu. – Agora não me sinto mais tão estúpido por ter ficado louco de ciúmes antes... – coçou a parte de trás da sua cabeça. – Você não tem ideia como fico... Quero dizer, como fiquei quando te vi de mãos dadas e tirando fotos com o Albert.
- Liam, eu...
- Eu sei. – me silenciou. - Não consigo evitar, mas... É difícil, ele com você... - ele baixou seu rosto e segurou em uma de minhas mãos. Cada vez que ele me tocava me sentia diferente e mesmo suas mãos estando frias, um calor percorreu meu corpo. Seu olhar voltou ao meu. A maneira como ele me olhava, criando aquela conexão entre nós, aquele olhar doce me desarmava por completo. – Só queria que soubesse que desde o dia em que nos esbarramos na festa do Richard, perdi o interesse em conhecer outra pessoa. – Eu fui incapaz de me conter e sorri para ele. Sem soltar da minha mão, ele deu mais um passo, deixando seu corpo bem próximo ao meu e continuou olhando diretamente em meus olhos. – E não consigo explicar o modo como me sinto quando você está perto. Eu sei que é loucura, você é noiva de um dos meus empresários. E claro que andei pensando nisso ultimamente. – ele soltou o ar, frustrado. – Que droga... Ando fazendo um tremendo esforço pra não pensar em você, mas é aí que mais eu penso e mais tenho vontade de estar junto, de te tocar – acariciou de leve meu rosto. – E...
- Você, definitivamente, deveria parar de fazer isso. – o cortei e ele parou de me tocar, soltou minha mão da dele e apenas continuou me olhando. – Você tem que parar de dizer essas coisas. Você sabe, de falar essas coisas que acabam me deixando sem resposta e me fazem ter vontade de... - fiz uma breve pausa e tomei coragem. – De te abraçar e te beijar, sem me importar com mais nada e mais ninguém. E acabar de vez com a farsa desse relacionamento, desse... Dessa porcaria de noivado. - Meu querido álcool, que insistia mais uma vez em anular os sentidos do meu cérebro e fazer com que as palavras saíssem livremente da minha boca.
E foi quando Liam novamente estampou aquele lindo sorriso único e radiante em seu rosto, que deixa seus olhos estreitos do jeito que eu adorava, fazendo com que eu quase esquecesse onde estávamos e todo o risco que corríamos. Todas as emoções mais fortes que possam existir estavam concentradas em nós. As mãos de Liam agarraram minha cintura em um movimento impetuoso, colando meu corpo junto ao dele. Minha respiração acelerou, eu sentia que estava brincando com fogo, mas naquele instante eu não possuía mais controle sobre mim. Ele aproximou seu rosto e encostou de leve seu nariz no meu, sua respiração estava acelerada e lentamente começou a passar sua língua pelo meu lábio inferior, como provocação. Senti sua barba rala roçar em meu queixo, meu corpo ficou tenso e então cedi ao meu desejo, o agarrei pela nuca e iniciei um beijo lento e antes de aumentar a intensidade mordi levemente seu lábio, obtive um quase inaudível gemido de Liam. Percorri meus lábios até seu queixo, dando mais uma leve mordida e depois desci até seu pescoço, com a ponta da minha língua trilhei um caminho até o lóbulo de sua orelha.
– É-É... melhor eu parar. – sussurrei.
Liam, imediatamente, deslizou a palma de sua mão contra minhas costas e em um solavanco me segurou ainda mais firme contra seu corpo. Sua respiração estava ofegante e ele avançou em um beijo voraz, sua língua de encontro com a minha me deixou sem fôlego. O beijo começou a ficar mais intenso e cheio de necessidade e retribuí no mesmo ritmo. Uma de suas mãos começou a percorrer desde o meu quadril até o meu pescoço, entrelaçando suavemente seus dedos entre meus cabelos. Por cima de sua camiseta, cravei minhas unhas em suas costas e ele apertou com mais força meu quadril. Abri ligeiramente meus lábios, em busca de ar. Ele só afastou seus lábios dos meus para movê-los até a dobra do meu pescoço, passando sua língua em movimentos tortuosamente circulares e sugou de leve a minha pele, meu corpo amoleceu e ao me desequilibrar, bati com minhas costas na prateleira atrás de mim, mas Liam me segurou firme para amortecer o impacto, meu coração estava sendo bombardeado por um turbilhão de sensações. Meu corpo não estava aguentando, eu ansiava por mais. Minhas mãos percorreram até a barra da sua camiseta e passei meus dedos por baixo dela, comecei a roçar a ponta dos meus dedos em seu abdômen, aquele contato com sua pele quente era tentador, sentir a reação de seu corpo contrair ao meu toque. Pequenos gemidos escapavam durante o beijo e suas mãos cravavam mais forte em meu quadril, enquanto continuava a tocá-lo de maneira provocante, o deixando cada vez mais ofegante.
- ... – falou, pausadamente, em meio à sua respiração. – A-amanhã... eu...
Tirei minhas mãos debaixo da sua camiseta, voltei a envolvê-las em sua nuca e comecei a distribuir leves mordidas ao redor de seu pescoço.
- Liam! – uma batida veio da porta, nos separamos instantaneamente e com o susto acabei me batendo novamente contra a prateleira atrás de mim, uma garrafa vazia acabou caindo no chão, quebrando em mil pedaços. Ficamos em choque e apenas nos olhamos, torcendo para que a pessoa não insistisse mais uma vez. – Liam, está aí? – a pessoa chamou de novo.
- Parece ser a voz do Niall. – Liam disse, em voz baixa enquanto se recompunha. – Vamos fazer silêncio, aí ele vai embora. – desamassou sua camiseta, a puxando para baixo.
- Eu te vi entrando aí... É urgente, abre logo. – ele batia insistentemente na porta. – Abre... E eu sei que você não está sozinho aí... Abre logo, é pro seu próprio bem. – a voz de Niall era de preocupação.
- Vou abrir... – ele gritou, foi em direção à porta e eu permaneci no mesmo lugar.
Assim que Liam destrancou a porta, Niall entrou correndo e fechou a porta novamente atrás dele. Ainda em silêncio, olhou para mim, depois para Liam e balançou a cabeça de um lado para o outro.
- Cara, você é louco ou o quê? – deu um soco no ombro do Liam. - Acho que só fui eu que vi vocês dois entrando aqui... Espero... – passou a mão pelos cabelos.
- Do que você está falando? Eu e a... – Liam tentou explicar. Eu permaneci em silêncio diante daquela situação embaraçosa.
- Não quero nem saber o que vocês estavam fazendo aqui... – Niall o silenciou, erguendo as mãos para o ar. – Vocês têm sorte que eu estou aqui. O Albert está que nem louco te procurando, . Eu tive que inventar que você havia bebido e descido até o lobby do hotel, então isso nos dá alguns minutos até ele voltar mais enfurecido. Eu me certifiquei que não tinha nenhum fotógrafo na minha cola, então, Liam, se manda daqui agora. – ele abriu a porta e apontou para fora. – Que eu vou dizer que encontrei a saindo daqui agora, que havia se confundido que aqui era o banheiro ou que ela havia passado mal e... Sei lá, algo assim... Você sabe se sua amiga já foi embora? – Niall me perguntou.
- Acho que não, ela estava de carona comigo.
- E ela sabe disso? – apontou para Liam e eu.
- Sabe... – respondi, timidamente.
- Assim temos mais uma pessoa com quem contar. Vamos tentar encontrá-la, assim ela confirma a história do banheiro e tudo mais. – olhou para Liam mais uma vez. – O que você está fazendo aqui ainda? Já disse, se manda daqui. – Niall ordenou, mais uma vez. Liam me olhou e então saiu porta afora.
- Vem, . Finja que está bêbada, não sei... Estou só tentando ajudar.
- Obrigada, Niall. – Saímos juntos daquela pequena despensa.

Niall fez de conta que estava me ajudando e foi me guiando pela mão, me fez sentar em uma poltrona em um local onde haviam sofás e pequenas mesas, mas como todos estavam lá fora festejando, a sala estava vazia.
- Aí está você! – Albert gritou, assim que entrou na sala e me viu. Veio caminhando e bufando em minha direção. – Niall... – ele desviou sua atenção de mim e olhou para ele. – Onde ela estava? Por que me fez descer até o lobby? – perguntou, irritado.
- É que haviam me dito... Mas encontrei ela em uma despensa atrás do bar, acho que ela bebeu um pouco a mais e pensou que era o banheiro lá... e... Agora trouxe ela pra cá, eu ia agora mesmo te avisar.
- Meu Deus... Só faz besteira essa mulher. – Albert falou, indignado.
- Não, Albert. Eu mesmo achei que lá era o banheiro antes. Acontece. – Niall tentou me defender.
- Está bem. Pode deixar que agora eu assumo. – o dispensou. – Pode voltar para a festa. Obrigado. – sua voz estava falsamente calma.
- Tem certeza? Não precisa que eu busque uma água? Nada? – Niall parecia preocupado.
- Tenho... certeza. – replicou, pausadamente por entre os dentes. – Agora pode ir, Horan.
Ele deu as costas e saiu da sala, deixando Albert e eu sozinhos.
- Mais uma, hein, ... – bufou nervoso. – Não cansa de me fazer passar vergonha, não? – começou a elevar seu tom de voz. – Você sabe que ainda estou provando meu trabalho ao Richard, não posso colocar tudo a perder. Só quero que deixe de ser tão egocêntrica e veja o quanto esse trabalho é importante para mim. – parou em frente à poltrona em que eu estava sentada.
- Eu, egocêntrica? – soltei o ar pesadamente. – Acabamos batendo sempre na mesma tecla, você ultimamente só sabe me acusar e brigar por qualquer coisa, credo. – ergui meu rosto para ele e então me levantei.
- Pode sentar aí. Agora você vai me ouvir. – com força, empurrou meus ombros e eu caí sentada de volta na poltrona.
- Que é isso? Aqui no meio da festa? Com todas aquelas pessoas lá fora? Realmente, você perdeu o juízo. – reclamei, alto.
- Não fale comigo assim. Eu exijo respeito! – ergueu uma de suas mãos e cerrou o outro punho. – Cala essa boca! – automaticamente, me esquivei e coloquei minhas mãos na frente do rosto.
Um barulho na porta fez com que Albert abaixasse a mão. Ele olhou para trás.
- Liam! – Albert amansou a voz. – Não tinha te visto antes. Eu precisava mesmo falar com você.
- Eu vim... – Liam se aproximou e me olhou assustado. Provavelmente, eu estava pálida pelo susto da reação de Albert poucos minutos antes.
- Eu queria me desculpar, pelo fiasco da minha noiva ontem à noite. – Albert colocou a mão sobre o ombro de Liam. - E queria lhe dizer para não se preocupar que não voltará a acontecer. Não é mesmo, ? – Albert lançou sobre mim um olhar zangado. – Pelo visto terei que contratar um segurança para ela, só pra não deixar ela beber novamente ou deveria dizer que tenho que contratar uma babá? – gargalhou, de forma grosseira. - Pode deixar que não vou deixá-la importunar mais você. E me desculpe mais uma vez pelo comportamento inadequado dela. – soltou mais um risinho nervoso.
- Se desculpar por qual comportamento inadequado? – Liam indagou, inquieto. – Acho que o único que está se comportando de forma inadequada é você, Albert. Se você está se referindo às fotos da saída do pub ontem, ela não fez nada de errado. Se por um instante você prestasse atenção na mulher que você tem ao seu lado, perceberia que na verdade ela não estava bêbada e sim havia machucado seu joelho. Por isso achei que ela não estava em condições para dirigir. E no fim foi ela quem acabou me ajudando, pois eu estava sem meu carro. – respirou de maneira como se tentasse recuperar a calma. - Ela nunca me importunou, pelo contrário, me ajudou e muito. Isso só demonstra que você não conhece a de verdade... – explicou, lançando um sorriso para mim. - E quem deveria se desculpar por algum comportamento inadequado seria você, por não saber o que aconteceu de fato e sair julgando pelo que lê na mídia. Nossa, Albert, você está há tanto tempo neste meio, que por um momento pensei que soubesse que nem tudo que é divulgado é exatamente o que parece. – finalizou, sarcasticamente, deixando Albert sem palavras.
- É-É... você tem razão. – Ficou estampado que Albert estava furioso por não ter como rebater. - Está bem então... – Albert fingiu fazer pouco caso, como se nem tivesse ouvido uma palavra sequer que saiu da boca de Liam. – Precisamos ir embora, meu amor. – me pegou pela mão e eu instintivamente soltei. – Vamos? – me encarou com o olhar tenso.
- Você pode ir... – respondi, rispidamente.
- Por quê? Vai voltar a pé? – riu nervoso e olhou um pouco acanhado para Liam. Agora ele não queria criar cena. – Mas como preciso ir agora, você também precisa ir. – falava, pausadamente por entre os dentes. Era visível que ele estava ficando mais irritado que antes.
- Preciso? A festa está boa e eu queria ficar mais um pouco, querido. – respondi, de maneira irônica.
- Mas você é minha noiva e não deve ficar por aí sozinha. - continuou insistindo.
- Está bem... – soltei o ar em rendição. Era pior confrontá-lo dessa maneira e ficar com essa discussão estúpida na frente do Liam não ia levar a nada. – Eu preciso chamar a , afinal, ela está de carona conosco, lembra? E em seguida podemos ir.
- Tudo bem, meu amorzinho. – Sua veia da testa estava quase criando vida para fora de seu rosto. Se aproximou e me deu um beijo no rosto. – Vou buscar meu casaco e me despedir do Olly. – deu as costas e ao sair da sala bateu a porta com força.
- Liam, eu preciso ir... Você sabe... – Me despedi, mesmo contra a minha vontade.
- Na verdade, não sei. – balançou a cabeça negativamente. – Eu não te entendo... Por que acaba sempre cedendo a tudo que ele pede? Olha a maneira como ele te trata. – disse, inconformado.
Fiquei o encarando por alguns instantes, não tinha a resposta certa para isso ou seria medo a resposta correta? Era como se eu fizesse tudo automaticamente quando se tratava de Albert, tudo para não aborrecê-lo ou deixá-lo zangado. Eu não teria como explicar o que havia acontecido minutos antes de ele chegar, ainda não estava entendendo de fato se Albert teria a coragem de me bater mesmo ou foi só um impulso de erguer a mão para mim.
- É sério, não consigo mais ver ele te tratar assim. - Seu olhar caiu sobre mim em uma expressão séria, mas ao mesmo tempo demonstrava preocupação.
- E-eu... Eu também estou cansada disso tudo... Mas é que... É complicado tentar explicar... – Desabafei, demonstrando um pouco de minha confusão.
- Mas... Você o ama? – perguntou, com a voz arranhada.
- Não. – minha resposta saiu tão clara e imediata, sequer pensei por um segundo ao responder.
- Desculpa, mas agora entendo menos ainda. – Liam coçou a cabeça.
- Viu? A minha vida é uma confusão mesmo, por isso a melhor coisa é você se afastar dessa loucura. Eu não sirvo pra você.
- É tarde demais para eu me afastar. Talvez esse não seja o momento de você parar de dar desculpas e deixar alguém te ajudar a organizar essa “bagunça”? – disse, com meio sorriso nos lábios, voltando a dar um passo adiante, ficando extremamente próximo. O olhei com serenidade e respondi:
- Talvez este seja o momento de eu enfrentar meus próprios medos e me reerguer sozinha. – suavemente, passei a mão pelo seu rosto e ele então a segurou.
- Mas se precisar de ajuda, sabe onde encontrar. E só pra avisar, eu não vou desistir de você e estarei com a mão estendida só aguardando você se reerguer.
Sorri para ele e me afastei, pois naquele instante várias imagens do nosso beijo e do nosso primeiro “esbarrão” invadiram minha mente, pude perceber que possuíamos uma conexão que rompia qualquer barreira e nos encaixávamos em vários sentidos, pois cada vez que ele estava perto me sentia segura de alguma maneira e sempre vinha aquela sensação de que tudo ia dar certo e tudo fluía naturalmente. Ele tinha esse poder de me fazer sentir tão bem sendo eu mesma. Eu não precisava usar máscaras ou ponderar minhas palavras com ele.
- Você não existe, Liam Payne. – falei, ainda sorrindo e o abracei, não me importando com o lugar onde estávamos. – Não quero ir, mas agora realmente preciso. – sussurrei, perto de seu ouvido e me afastei lentamente. Ele me olhou sorrindo e em seguida dei às costas, eu não podia arriscar ficar mais tempo na festa, afinal, não confiava em mim nem mais um minuto perto de Liam naquela noite.
Resolvi imediatamente procurar , que ainda estava desaparecida, para irmos embora. Ao passar por um dos sofás, perto de um pequeno gazebo, vi um casal em altos beijos, cuja morena era muito familiar. Limpei a garganta para tentar chamar a atenção, interrompendo o clima.
- Não queria atrapalhar, mas... – ligeiramente se separou de Harry e se ajeitou no sofá, me olhando timidamente. – Albert quer ir embora e vim ver se vai querer carona ou...
- Espera, eu vou sim com você... Eu... Nós... Digo... – Um pouco desatinada, levantou-se rapidamente do sofá, enquanto Harry permaneceu sentado e arrumou seus cabelos para trás da orelha.
- Desculpa aí, Hazza... – dei um risinho. – Agora que já atrapalhei, só vim me despedir. Até amanhã. – acenei e ele repetiu o gesto. Em seguida, me afastei e parei no segundo degrau do gazebo, aguardando despedir-se de Harry.
Ao me virar, percebi que ainda estava perto do sofá, vestindo sua jaqueta e antes dela se afastar para me acompanhar, Harry se levantou e a puxou bruscamente pelo braço, fazendo com que ela ficasse cara a cara com ele. – Não ia se despedir de mim? – assim que terminou de falar, com aquela sua voz meio rouca, parou diante dela e a beijou de forma tão apaixonada que fiquei até um pouco envergonhada e resolvi esperá-la um pouquinho mais longe.

e eu descemos até o lobby à procura de Albert. E ao perguntarmos para alguns funcionários, um deles informou que ele havia ido embora.
- Mas é um filho de uma puta, desgraçado. - praguejou até não poder mais. – Como pode existir um ser assim? - ergueu as mãos para o alto.
- Calma, . Vamos pegar um táxi. Não vou deixar Albert estragar nossa noite.
- Calma? E você vai voltar para casa e encontrar aquele traste lá? Eu tenho vontade de esganar aquele Albert. – trincou o maxilar ao pronunciar o nome dele.
- Sim... Porque... Você sabe, se der tudo certo com o apartamento que você falou, logo tudo isso termina e...
- É verdade! - bateu na testa. - Esqueci de falar com meu pai, mas amanhã mesmo te dou uma resposta. Mas pode contar que é quase certo.
- , eu vou pegar o táxi, mas se você quiser subir de volta e ficar com o Harry... – minha amiga logo abriu um sorriso.
- Sério? Eu ia perguntar isso, mas fiquei envergonhada... Não tem problema mesmo? – ela riu fraco.
- Claro que não, . Aproveita mais a festa... Amanhã conversamos.
- Ai... Você é a melhor amiga que alguém pode ter! – me abraçou forte.
- Eu sei! Agora vai lá com o seu Styles. – eu ri e ela correu para o elevador.

Dentro do táxi, recebi uma mensagem. Deslizei o dedo pela tela, era do Albert. O que ele queria agora, depois de ter me abandonado ali?

Xx Depois de tudo que você me fez passar na festa de hoje, vou dormir no hotel. Amanhã conversamos sobre isso. – Albert xX

– NÃO! Eu não li uma coisa dessas! Como pode ser tão idiota... Credo! – falei, comigo mesma. Ele só podia estar de brincadeira. Eu juro, se o táxi não estivesse quase chegando, eu daria meia volta e ficaria na festa. Tem horas que penso que isso não é verdade, não pode existir alguém tão imprevisível quanto o Albert e o que eu fiz para merecer tudo isso? Só não consigo entender uma coisa, se ele tem a dita da Shannon, por que ele ainda quer insistir com essa história de noivado? E ele é tão óbvio que poderia ter substituído a palavra hotel na mensagem por Shannon mesmo.

Capítulo Onze

Após ter uma noite tranquila de sono, longe de Albert, acordei com ruído de voz. Levantei, calcei meus chinelos e sorrateiramente fui me aproximando da porta do quarto. Abri sem fazer nenhum barulho, pude notar que a voz vinha do escritório de Albert, era como se ele falasse baixo e parecia estar ao telefone com alguém. A porta estava semiaberta, então, pé por pé, fui me aproximando para tentar escutar melhor.
- Não... Não é bem assim... Calma, benzinho. Eu... Eu sei... mas... Não... Eu já te disse que preciso mais tempo, eu vou deixar a . Mas ainda preciso mantê-la por perto, você sabe... É mais seguro, afinal, ela não pode... Eu... O quê? Fazer o quê? Por quê? Está louca? Quantas vezes tenho que repetir que você é mais importante na minha vida. O quê? Não... Calma, meu amor... Eu preciso de mais uns meses, é tudo que te peço, por favor, Shan... Eu sei que você já largou o Richard, mas... Mas... Preciso que me dê o tempo de acabar a turnê pelo menos... Eu sei que você não aguenta mais, eu também não... Mas você sabe... Não... Há tempos não encosto sequer um dedo nela, você sabe disso, por que tudo isso agora? Não... Não é...
Que cretino... O Albert era pior do que eu pensava. E o Richard? Será o mesmo Richard que eu conheço? Se for, coitada da Marla. Ainda não estava acreditando no que estava ouvindo.
Eu prometo... Não podemos colocar tudo a perder, você sabe que eu preciso terminar o que comecei e... Sim... Sim... Você sabe que está comigo nessa. Pode deixar, e no fim o babaca do Richard vai... Espera um pouco... acho que ouvi um barulho...
Meu sangue congelou, quase escorreguei com meus chinelos pela velocidade em que voltei para o quarto e me atirei na cama, puxando rapidamente o edredom por cima da cabeça, fingindo ainda estar dormindo. Segundos depois, Albert entrou devagar no quarto, pude apenas escutar os passos e então em seguida ele fechou a porta. Minha respiração estava ofegante, eu estava apavorada. E se ele descobrisse que ouvi sua conversa? Não queria nem pensar nisso. Não conseguia acreditar naquela Shannon, será que havia passado por todos os seres masculinos daquela Modest? Eu sentia uma revolta no estômago em lembrar suas palavras: “Não... Há tempos não encosto sequer um dedo nela.”, tudo que me vinha na memória era como ainda não me conformei por ter cedido ao Albert alguns dias atrás, mesmo depois de tudo que ele havia me feito. Outra coisa que eu ainda não estava entendendo era por que ele precisava de mais alguns meses? O que ele pretendia afinal?
Eu ainda estava feito uma criança assustada debaixo das cobertas, quando meu despertador tocou, fazendo eu sair rapidamente do meu “esconderijo”.
Entrei na cozinha fingindo ter recém acordado, calmamente fui pegando a cafeteira, o pote de café e o filtro para passar um fresquinho. Naquele instante, escutei Albert sair do escritório e vir em direção à cozinha.
- Bom dia, . – me cumprimentou, de maneira fria como sempre.
- Bom dia. – coloquei duas colheradas de café no filtro. – Precisamos conversar, Albert.
- Tirou as palavras da minha boca, afinal, depois da noite passada... Não estou gostando nada de seu modo de agir ultimamente.
- Meu modo de agir? – falei, baixo. - Não... – larguei a colher na pia e fiquei de frente para ele. – Dessa vez, vou ser direta. Eu quero terminar, Albert. Eu não estou mais feliz neste relacionamento. Se é que dá pra chamar isso que temos de relacionamento. – respirei fundo.
- O quê? – gritou. – De novo com essa estupidez?
- Olha, Albert... Não faz mais sentido ficarmos juntos, é tão óbvio que não existe nenhum sentimento de ambas as partes. Chega de tanta mentira, você não me respeita mais há tempos, eu cansei! – falei, em um só fôlego.
- Cansou do quê? – franziu a testa. - Da Mordomia? Do carro? Da vida boa que você leva? Você que acaba me estressando com tudo isso.
- Para, Albert! Você não se escuta, não? – alterei meu tom de voz. - E não me escuta também. Pra mim já chega, não quero mais. Pode ficar com seu dinheiro e... Eu só quero viver minha vida e você segue a sua, com quem você quiser.
- Acho que o álcool de ontem à noite ainda não saiu do seu sangue. – balançou a cabeça, ignorando tudo que acabara de falar.
- Albert! Viu só? Nunca podemos conversar civilizadamente. Por favor, estou tentando terminar em paz, não quero mais brigas e estou exausta de ter essas discussões de gente louca, estamos sempre andando em círculos. É sério, Albert, chega... Quero terminar e pronto. – retirei a aliança do meu dedo e estendi a minha mão para alcançar a ele.
Albert ficou em silêncio por alguns instantes, algo inédito, apenas encarando o brilhante em minha mão. Pensei que ele fosse gritar, rolar, quebrar a casa, mas não. Pela primeira vez depois muito tempo, vi um Albert respirando profundamente em minha frente, tentando se acalmar. Voltou seus olhos à mim, mas seu olhar era vazio, não tinha como prever o que viria a seguir.
- ... Você não pode estar falando sério. Não deve estar muito consciente das suas ideias, afinal, recém acordou. Eu sei que prometi mudar, mas você também precisa colaborar, não acha? Quer saber? Como amanhã irei viajar, vou te dar esse tempo pra pensar melhor e...
- Não. – o interrompi, imediatamente. – Não tem mais o que se pensar, Albert. – saiu quase que em um grito. - Eu sei que estamos trabalhando juntos e vamos ter que pensar em uma maneira de isso não interferir. Isso será o melhor para nós dois, acredite. Nós dois... Quero dizer, está tudo desgastado, não adianta insistir. Já tentei dar todas as chances possíveis desse relacionamento funcionar. – tentei explicar, sem ter que jogar o nome da Shannon no meio disso tudo para não piorar. – Mas estou esgotada, Albert. Eu não quero mais e espero que você pelo menos respeite a minha decisão. Só quero viver minha vida, você sabe que nós dois juntos não estamos mais dando certo. É tudo que peço, não quero nada seu. Se é isso que te preocupa, não quero um centavo.
- Mas, ... – deu um passo à frente, na tentativa de segurar em meu ombro, mas institivamente dei dois passos para trás, tentando evitar que ele me encostasse. – Está bem... – baixou os braços. – Eu só queria pedir um favor. Quero que você fique no apartamento até eu voltar e que não conte a ninguém sobre o término do nosso noivado, está bem? A mídia não pode saber que terminamos.
- Por que, Albert?
- Vou ficar quinze dias longe e não estou disposto a lidar com isso agora. Ter que dar explicações tanto para o Richard quanto para a mídia. Não vê que estou sofrendo?
Sofrendo? Ele falou isso mesmo? Mais parecia um Albert anestesiado do que sofrendo. Algo estava muito errado, depois de todas as brigas e os ataques de raiva dele e de repente ele concorda terminar assim tranquilamente? Aquilo estava muito estranho. Um calafrio passou pela minha espinha, não conseguia mais confiar cegamente nas palavras de Albert. Não... Eu não podia pensar assim, afinal, por que estava me questionando? Se ele concordou que terminamos, eu me contentava com isso e aceitaria seus termos.
- Sim... Sim, sofrendo. – debochei. - Tudo bem, Albert, aceito suas condições, mas já vou avisando que vou me mudar logo que você voltar.
- Você já tem até outro lugar para ficar? Estava planejando tudo isso? – seu semblante, de repente, se fechou.
- Não... – isso aí, , vai e estraga tudo de uma vez. – Eu quis dizer... Que assim que você voltar, vou ficar um tempo com a até achar outro lugar para morar.
- Ah bom. – suavizou sua feição novamente. - Só continue usando a aliança e não abra o bico para essa nossa vizinha linguaruda. – Deu as costas e se direcionou até o quarto.
Eu ainda não estava acreditando, será que finalmente eu estava livre do Albert? Isso realmente aconteceu? Peguei minha xícara da cafeteira, me escorei na bancada e tomei alguns goles, estava em estado de choque, poderia assim dizer. Sabe quando tudo sai melhor do que você imagina e você acaba até achando que não é real?
Alguns minutos depois, Albert apareceu novamente na porta da cozinha, arrastando uma mala grande de rodinhas.
- Eu tenho uma reunião hoje, depois vou para o hotel e de lá amanhã de manhã vou partir em viagem com a banda. A Lydia vem só amanhã, hoje ela precisava ir ao médico. Eu quero que você pense muito bem se essa é a decisão final... Nos vemos daqui quinze dias, terá tempo suficiente para tomar a decisão correta. Até a volta. – deu as costas, sem dar a chance de eu falar algo. Escutei ele fechar a porta ao sair.
E para completar minha terça-feira, recebi uma mensagem de Richard dizendo que hoje me daria uma folga para me preparar para o show de amanhã da 5SOS, pois precisariam de mim logo cedo.
Com o dia inteiro de folga, fui organizar algumas coisas no closet. Precisava pelo menos organizar minhas roupas, seria tudo que levaria de mudança daquela casa. Enquanto separava o que ia para doação, o que ia fora e o que levaria, achei uma pequena gaveta, que ao tirar tudo pra fora, percebi ter um fundo falso. Estranhei nunca ter notado, mas aproveitei estar sozinha para dar uma vasculhada. Lá encontrei um envelope grande, pardo e como não havia nada escrito pelo lado de fora e não estava selado, abri rapidamente. Puxei alguns papéis que no cabeçalho estava escrito “Banco da Inglaterra” e com o timbre. Comecei a ler por cima e percebi que se tratava de um contrato de abertura de conta, tinha muitas cláusulas, mas o que me chamou a atenção foi ler o meu nome como titular da conta, em momento algum lembrava de ter uma conta naquele banco. Pulei algumas páginas e pude ver a minha assinatura, como isso era possível? Não lembrava de ter assinado aquilo. Comecei a ler então com mais calma para tentar entender certo que conta era aquela.
Se tratava de uma conta bancária aberta há poucas semanas, a qual a única titular era eu e ao revirar mais o envelope, haviam alguns extratos com as movimentações feitas na conta, eram apenas depósitos, o saldo estava bem alto, ninguém havia sacado nada e entre os papéis caiu o cartão do banco, este com meu nome gravado. Que estranho, afinal, eu tinha minhas economias em outra conta e em outro banco. Como eu não tinha conhecimento daquela conta?
O barulho do meu celular vibrando em meu criado mudo me fez colocar tudo de volta rapidamente onde estava, não podia arriscar caso Albert voltasse de surpresa. Corri para atender.
- Oi, ! Eu estava pensando em te ligar...
- É que você não aguenta de saudades minhas. – gargalhou. - Eu liguei pra saber se caso não tiver muito trabalho, podíamos almoçar juntas hoje?
- Você leu meus pensamentos. – eu ri. – Hoje estou de folga e como tem sol, pensei que poderíamos passar a tarde em Bournemouth, o que você acha?
- Amei a ideia! - gritou, do outro lado da linha.
- Isso que é animação. Afinal, quando tem sol, temos que aproveitar. Daqui meia hora estou pronta e te espero no estacionamento. Bye.
Era o que nós duas precisávamos para nos distrair no dia de hoje e eu de certa maneira queria comemorar minha “quase” liberdade de volta.

Estávamos no carro, no momento seguinte em que colocamos o cinto e dei partida no carro, não consegui me aguentar e logo perguntei:
- E então? Como foi ontem com o Harry? Conversaram? O que decidiram? Porque pelo que vi a hora em que fui lhe chamar... Conte-me. – comecei a indagar, empolgada.
- Ai, , não tem muito o que contar... – abriu um amplo sorriso. – Conversamos sobre tudo... Sabe... Se tentaríamos continuar ou não. E bem... Ele disse que não queria continuar com enrolação e me pediu oficialmente em namoro. – ela sorriu novamente.
- Sério? Isso é ótimo! Nem acredito. – eu estava radiante com a notícia.
- É... Nem eu estou acreditando... Quer dizer, isso tudo nem parece real. E tem mais... Ele falou que assim que tiver a primeira folga da turnê, quer conhecer meus pais. Só tenho medo da reação da minha mãe. – fez uma careta. – Mas já vou preparando eles e sei que depois de conhecerem o Harry, vão gostar dele. Eles nem sabem que tipo de banda que ele faz parte, porque na cabeça da minha mãe ele é um viciado e sei lá mais o que, nem lembro tudo que ela falou no telefone esses dias, você sabe como ela é.
- Pode ter certeza que sua mãe vai acabar se rendendo ao charme de Harry Styles e não vai mais se opor.
- É, acho que sim. – trocou a música que estava tocando no rádio. – Deixa eu te contar, você não acredita que hoje fui surpreendida por uma entrega logo de manhã cedo... Um balão de gás em formato de coração, com um bilhetinho vindo do Harry. – ela abriu novamente um amplo sorriso. - Ele é tão... tão... – me olhou, tentando pensar em alguma palavra. – Ai, , ainda não caiu a ficha, sabe?
- Sei... Eu entendo. Mas eu estou adorando essa ideia, senhorita Styles. – gargalhei.
Meu celular de repente apitou para uma mensagem recebida. rapidamente o pegou de dentro da minha bolsa para ler.
- Hey! Quem te deu permissão? – permaneci com uma mão no volante e a outra eu balançava, na tentativa de tirar o aparelho de sua mão.
- Hummm... É do Albert... Ugh! – colocou a mão no estômago. - Vamos ver o que esse chato quer...
- Me dá aqui. – Tentei pegar o celular das mãos da , mas ela se virou de lado, impedindo que eu alcançasse.
- Você está dirigindo. Deixa que eu leio pra você.

Xx Sobre nossa conversa... Por favor, pense bem e não esqueça de continuar com a aliança. E espero que assim que se decidir, esteja cem por cento certa para depois não se arrepender. Al. xX

- Que nojo dele.– jogou o celular no banco de trás do carro.
- Isso! Vai e estraga meu celular, sua... – dei um tapa em seu braço.
- Que conversa? Que decisão? Como se arrepender? Estou perdida. – ergueu uma de suas sobrancelhas. – Me ferve o sangue lembrar de ontem à noite a desfeita que ele fez, nos deixar lá, desgraçado...
- Calma, . Não é bem assim...
- Por que você ainda defende ele?
- Não estou defendendo. É que... – pensei por alguns instantes. - Eu preciso que você me prometa segredo, por favor.
- Prometo. – ergueu a mão em forma de juramento. – Fala logo.
- Hoje de manhã rompi o noivado com o Albert.
- Espera aí... Eu estou ouvindo bem? – ela arregalou os olhos. – Mas e ele? Quebrou o apartamento? Deixa eu olhar bem para você, está tudo bem? – ficou me analisando.
- Estou ótima. Ele concordou, por incrível que pareça. Vou admitir que achei um pouco estranha a atitude dele, talvez ele finalmente tenha se dado conta que não sentimos mais nada um pelo outro, não sei. Mas claro que tem um porém, afinal, não seria o Albert sem ter algumas condições. Ele pediu para eu continuar usando a aliança e também exigiu segredo só até ele voltar de viagem. Disse que a mídia não pode descobrir... E depois eu posso me mudar. Só não entendi o porquê, apenas aceitei para me ver livre dele assim que ele voltar. Por isso te peço, , não fale nada. Não quero complicar as coisas.
- Pode deixar... – ela fez sinal com os dedos, como se fechasse um zíper em sua boca. - Não dá pra entender ele mesmo. O que ele ganha com esse relacionamento de fachada? Ele tem a Shannon... Talvez ele queira as duas. – deu com os ombros. – Também pouco importa, logo você se livra daquele atraso de vida.
- Assim espero. Torço para que realmente ele tenha entendido que agora acabou mesmo e me deixe em paz. E que não tente me prejudicar no trabalho. Não quero nem pensar nessa possibilidade. – balancei a cabeça, na tentativa de afastar esses pensamentos. - Chega de falar dele por hoje. – levantei a capota do carro e aumentei o volume do rádio. – Faz tempo que não ouvia esta música. E hoje estou me sentindo tão bem. – gritei, então soltei as mãos do volante e fechei os olhos.
- Sua louca! – gritou, assustada. - Segura essa porcaria de volante, quer nos matar? – rapidamente, segurou a direção por mim.
- Não. – respondi, rindo enquanto sentia o vento transpassar meus cabelos. Abri os olhos e assumi a direção novamente.
- Estou vendo que você está radiante mesmo. Acho que um certo alguém despertou essa nova , hein. – ela sorriu. – E ontem? Debaixo do nariz do Albert, quem diria? O Niall contou para o Harry. Já que você não me conta. – fez um beiço.
- O quê? Eu ia te contar, mas... O quê? Agora todos sabem? – arregalei os olhos.
- Bom, agora além do Harry e eu, o Niall, é claro. Porque vocês são tão discretos às vezes. Só o trouxa do Albert que não percebe mesmo. Garanto que vocês aproveitaram o depósito, né? – ela riu.
- E se o Niall conta para mais alguém? E se...
- Ele não vai contar, deixa de devaneio. Ele acobertou vocês, não é mesmo? Se ele quisesse ter falado alguma coisa, já tinha contado. Caso não tenha percebido, nenhum deles é muito fã do Albert. Só você para aturar aquele mala mesmo. Mas como prometemos não falar mais desse fulano... Agora é a minha vez! – ergueu o volume e levantou os braços. – Adoro esse vento e... So call me maybe...– gritou, com os braços ainda erguidos. – Isso é libertador.

- Vamos nos sentar por aqui mesmo. – Arrumei minha cadeira na areia.
- Nada como uma tarde livre para tomarmos banho de sol e relaxar. – falava, enquanto pegava o protetor solar da bolsa. – Não te falei uma coisa antes.
- O quê? – parei e larguei o tubo do protetor do lado da cadeira.
- Mais tarde o Harry me convidou para ir até a casa dele. – ela falava, um pouco acanhada.
- E qual é o problema?
- É que... O Harry convidou você também, como amanhã cedo eles vão sair em viagem e ficar 15 dias longe e...
- Olha, eu sei que o Richard meio que pediu para ser a babá do casal Styles, mas... Não vou fazer isso. – eu ri e ajeitei meus óculos escuros.
- Não é isso. É que vai ter alguém mais lá, entendeu? Eu prometi a ele que levaria você junto. – ela deu um risinho.
- Só isso? Podia ter ido direto ao assunto.
- Eu queria fazer um pouco de suspense. – ela riu. – Então temos compromisso certo esta noite? Isso foi um sim?
- Acho que não é uma boa ideia, e se o Albert...
- De novo? - reclamou. – Só me responda uma coisa. Você quer ver o Liam esta noite, sim ou não?
- Não é que eu não queira... – ela me olhou torto. – A resposta é sim, claro que quero. – minha amiga instantaneamente abriu um sorriso. – Mas... Ele é o Liam Payne, não quero me iludir que com o Albert fora da minha vida as coisas vão dar certo. Quero dizer, é complicado... Ele não vai e não pode colocar a carreira dele em risco por causa de uma aventura ou sei lá o que ele deve achar que sou. Então... – baixei os olhos enquanto mexia na minha bolsa procurando uma presilha de cabelo.
- “Aventura”? Não sei, não... Depois que eu voltei para a festa ontem, se você tivesse visto o modo como ele perguntava por você. Vou confessar que acabei contando o que Albert fez, desculpa, mas eu estava tão furiosa que acabei falando. Ele chegou ir atrás de você até o lobby, mas você não estava mais lá. E quando ele foi te ligar eu o impedi, fiquei com medo que talvez você já estivesse chegado em casa e se o Albert estivesse lá, não sei, foi o que me passou pela cabeça naquela hora.
- Mesmo assim, temos que ser realistas, o “magnífico Albert Cole” jamais permitiria eu me aproximar de Liam, um dos queridinhos de ouro dele. – ironizei. - Sabe quando parece que tem tantos contras que acabam me deixando confusa?
- Eu sei, , agora consigo entender perfeitamente que tem muita coisa em jogo. Se ele não fosse tão famoso, com certeza seria mais simples e claro, entendo que você sendo agora “ex” noiva do empresário deles é um agravante a mais... Mas uma coisa que eu consigo ver nitidamente são os efeitos do Liam sobre você, é como se fosse uma nova .
- Eu também me sinto renovada, não me sentia assim há séculos. – foi inevitável sorrir. – Sabe quando apenas um olhar basta e você sente como se tudo no mundo fizesse sentido?
- É, minha amiga, então só tenho uma coisa para te dizer, não se afaste do que te faz feliz por causa de medo ou achar que as coisas não vão dar certo, porque pode se arrepender um dia e aí será tarde. Deixa as coisas rolarem, sabe? Esqueça a fama dele, o chato do Albert e viva o hoje.
- Nossa, está inspirada hoje, hein... – sorri de leve.
- Também... Não é todo dia que se começa um namoro com Harry Styles, tenho que estar inspirada. – ela riu enquanto amarrava seu cabelo em um coque.
- Eu não quero bancar a sofredora, porque apesar das desavenças e certas coisas que acabo passando com o Albert, mesmo assim sei que tenho muita sorte mesmo. Mas tenho medo de avançar as coisas com Liam e acabar me machucando de novo, sabe? – continuei.
- Olha, eu não tenho um Albert doido na minha vida, mas acredite que eu também estou apavorada em me apegar muito ao Harry, de repente ele encontrar alguma cantora linda ou uma modelo maravilhosa e me trocar em um piscar de olhos... Sim, essa madrugada dormi pouco só imaginando essas possibilidades. E só pela manhã me dei conta que não adianta e nem quero pensar nisso, a morte do meu irmão me ensinou... – engoliu o choro. – A ser mais forte, confiante e viver um dia de cada vez como se fosse o último. Tão clichê, mas tão verdadeiro.
- Acho que você tem razão, , tenho que parar de me preocupar com o “Se”... Eu fiquei muito tempo calada, aceitando as ordens do Albert, vivendo uma vidinha morna e regrada, por isso que tudo que venho sentindo ultimamente anda me assustando, deve ser isso. – me levantei da cadeira e fiquei de frente para minha amiga. - Acho que vou ali molhar meu pés um pouco no mar, você vem?
- Não, pode ir... Eu vou me bronzear mais um pouquinho por aqui mesmo. – riu recolocando seus óculos. – Afinal, tenho um encontro hoje à noite, esqueceu? E você não me respondeu ainda, vai ou não?
- Vou sim... – eu sorri. – Afinal, quem está de motorista particular sua ultimamente? – ri e bati na aba de seu chapéu tapando seus olhos e fui caminhando até o mar.

- Para aí que eu toco o interfone. – esticou o braço para fora da janela. – Chegamos! – falou, bem perto ao segurar o botão do interfone da casa de Harry.
O portão se abriu para que entrássemos com o carro. Assim que estacionamos, avistamos Harry nos aguardando escorado na porta da casa.
- Sejam bem vindas. – Harry usava uma camisa de botões estampada, uma bermuda preta e chinelos. Abriu os braços amplamente e me deu um abraço apertado. Em seguida, recepcionou com um selinho. – Podem ir entrando, vamos lá trás. Estávamos só esperando vocês pra entrar na piscina.
- Mas, Harry, eu não trouxe biquíni. - reclamou .
- Isso não é um problema. – Olhou maliciosamente engraçado para ela, enquanto a guiava pela mão, passando pelos cômodos da casa.
Harry abriu as portas de vidro, permitindo nossa passagem até a área externa.
- Olhem só... – apontou para a mesa que estava posta perto da porta. – Como eu como sou super chef de cozinha, preparei uns mini sanduíches, que são minha especialidade.
- E isso deve ser obra sua também? – Perguntei, rindo ao ver aquela pera “enfeitada” na mesa.
- Não. Logo ali adiante, apresento-lhes o criador dessa obra. Ele é mestre com frutas. – zombou de Liam, que estava sentado à beira da piscina. Ele vestia uma camiseta cinza de manga curta e uma calça de moletom preta.
Liam levantou-se rapidamente e de pés descalços veio ao nosso encontro com um largo sorriso no rosto.
- Que bom que você veio. – me abraçou carinhosamente. Pude sentir seu respirar na curva do meu pescoço e no momento em que me soltou para cumprimentar a , era como se já sentisse sua falta. - Oi, . Tudo bem? – a cumprimentou com um breve abraço.
- E aí gostaram da minha pera? – Liam sorriu.
- Sabemos que se você algum dia desistir de cantar, pode tentar ganhar a vida fazendo esculturas de frutas. – comentei, rindo.
- Tem talento... - brincou. – Eu posso experimentar seus dotes culinários, Harry? – perguntou, ao ficar encarando o prato de sanduíches. Nós duas estávamos sem comer desde o almoço e quase toda tarde debaixo do sol, junto ao mar, só abriu mais nosso apetite.
- Mas é claro... – Harry puxou o prato para que ela se servisse.
- Hummm... Tenho que admitir que sanduíche miniatura já sabe preparar. – minha amiga disse, e em seguida pegou mais um.
- Viu como sou um ótimo partido e um bom namorado? – Sorriu e abraçou de lado.
- Calma. Isso veremos ao longo do tempo. – riu enquanto devorava mais um petisco.
- Eu também vou comer, porque o Harry proibiu antes de vocês chegarem. – Liam pegou dois sanduichinhos e me alcançou um.
Depois de apreciarmos o “talento gastronômico” de Harry, sanduíches de vários sabores, nos sentamos à beira da piscina, com os pés na água morna e assim continuamos a conversar sobre diversos assuntos, histórias sem noção e rimos muito. Paramos quando percebemos que o sol começou a se pôr e começamos a apreciar a chegada da noite.
- Agora é hora de entrar na água. – Liam gritou, e levantou, ficando na beira da piscina. Em seguida, tirou as calças e por baixo ele tinha um calção de banho. Arrancou a camisa, a jogou para trás e mergulhou na piscina. – Vem, . – passou o dedos pelos cabelos molhados e me chamou com a mão. Sorri e sem dizer uma palavra, movimentei meu dedo indicador, negando.
- Agora é minha vez – Harry se levantou e então jogou sua camisa e seus chinelos longe, repetindo o ato de Liam. – Entra, , a água está quente. - bateu a mão na água, espirrando contra os pés dela. – Vamos logo, vocês duas. A água está ótima.
- Nem pensar. Olha como estou vestida, Harry. Deveria ter me avisado, assim teria vindo com biquíni. – explicou , encolhendo os pés.
Harry deu mais um mergulho e depois nadou até ela de volta. Saiu da piscina e sentou-se novamente ao seu lado. Quando ela estava distraída, a segurou pela cintura, fazendo com que mergulhassem juntos. Assim que retornou à superfície d’água, tossindo e cuspindo água, gritou:
- Vou te matar, Harry Styles! – Dava socos na água enquanto Harry se divertia às custas da fúria da minha amiga. Não me aguentei e caí no riso. Na minha distração, fui surpreendida sendo pega no colo por Liam, que também me jogou na água.
- “Puta Que Pariu!” - xinguei, em português claro aos quatro ventos, assim que tirei a cabeça para fora da água e comecei a tossir.
- É... , foi mais engraçado quando foi comigo, né? Não sei exatamente o que você acabou de gritar, mas tenho certeza que não foi nenhum elogio. – falava, menos enfurecida. Estava mais calma pelo acontecido, inclusive demonstrava sinais que estava achando engraçado. Começou então a rir pelo o fato dos meus cabelos estarem escorridos na minha cara.
- Querem nos matar, só pode... – mergulhei minha cabeça para trás, arrumando meus cabelos para tirá-los da frente dos meus olhos.
virou-se em direção ao Hazza e calmamente atravessou a piscina a nado até alcançá-lo. – Hoje você mostrou que não tem medo da morte. – agarrou-se no pescoço dele e o empurrava pelos ombros, tentando afogá-lo, mas era uma tarefa praticamente impossível. Ele apenas ria, evidenciando mais ainda suas covinhas e acabou desistindo quando ele a segurou pelos braços e então grudou seus lábios aos dela, roubando-lhe um beijo. Com certeza, agora minha amiga não estava mais zangada. Harry saiu da piscina e buscou algumas toalhas. Alcançou uma a que também resolveu sair da piscina.
- Vou buscar algo para tomarmos, preparar uns drinks. – Harry cobriu-se com a toalha. – Você me ajuda, ?
- Claro. – enrolou a toalha em seu corpo, esticou seu braço, ele a segurou pela mão e entraram de mãos dadas para dentro da casa.
- Esses dois... – comentei, baixo e me virei de frente para Liam. – E quanto a você, Payne... Quanta maturidade. Nossa. – balancei a cabeça e nadei, ficando mais próxima dele.
- Só quis me igualar pela sua cena de ciúmes ontem. - Ele riu e então de surpresa agarrei seus ombros e projetei meu peso sobre eles, fazendo com que ele submergisse na água. Antes que ele colocasse a cabeça para fora d’água, me afastei dele.
Fui nadando o mais rápido que consegui até a beira da piscina. Precisava sair antes que ele tentasse uma “vingança”. Segurei firme com as duas mãos na borda, peguei um grande impulso, mas o peso das minhas roupas molhadas estavam dificultando a minha saída e antes que eu conseguisse sair, fui puxada pelo pé, caindo novamente dentro da água.
- Não tão depressa... – Liam me ergueu levemente pela cintura e girou meu corpo, fazendo com que eu ficasse de frente para ele. Com as mãos ainda em minha cintura, me empurrou suavemente, prensando-me contra a parede da piscina. – Achou mesmo que ia conseguir escapar? – sorriu, arqueando uma de suas sobrancelhas.
- Não tenho mais certeza se quero escapar... – respondi, baixo, mas eu queria ser ouvida. Eu estava tão cansada de meias verdades e tanta farsa que eu queria sempre aproveitar o único momento em que eu podia ser eu mesma, o momento em que eu estava com ele.
Liam abriu um sorriso satisfeito pela minha resposta.
- Eu queria que você soubesse de uma coisa... – sua expressão ficou séria de repente. – Eu sei que não devia agir assim, mas não consigo evitar quando estou perto de você e... Tenho que confessar que estou pouco ligando se o Albert descobrir, porque ele é um idiota que não te deu a atenção que você merece. Não sei exatamente o que te prende a ele ainda, mas quando estamos perto eu sinto que você quer o mesmo que eu...
- Liam, eu... Na verdade... Eu e o... – balancei a cabeça negativamente. Eu queria contar, mas não sei se seria o hora certa em dizer que acabei tudo com Albert, afinal, ainda estava usando a aliança, mas estar com ele parecia tão certo, como se tudo ao lado de Liam fosse possível. Mas enquanto eu não tivesse tudo cem por centro resolvido era melhor não falar nada. – Eu... Olha o que você faz comigo... Já nem consigo raciocinar direito. – eu ri.
- E eu consigo? - Liam subiu uma de suas mãos e com seu polegar acariciou meu rosto, sentia seu toque úmido deixar trilhas de calor sobre minha pele.

[PLAY]

- L-Liam... – Minha respiração tornou-se irregular quando aqueles olhos castanhos fitaram-me profundamente, com muito desejo, instigando todos os meus instintos. Foi quando uma mistura de loucura e razão começaram a me confundir. Sem pensar muito, fiz o que queria fazer desde o momento em que ele tirou a camisa. Levei minhas mãos até seu peitoral, lentamente fui deslizando meus dedos, fazendo carícias e percorri até seus braços, que me seguravam fortemente contra a borda da piscina. Passei a ponta dos dedos sobre a pele tatuada em seu antebraço. Ele apenas acompanhava com o olhar e como resposta vi os movimentos da sua respiração acelerarem, formando pequenas vibrações na água.
- Essa é a que eu mais gosto. – minha voz saiu quase que em um sussurro, quando passei novamente minha mão pela tatuagem de pena em seu antebraço.
- É-É... mesmo? – perguntou, pausadamente, por entre a respiração pesada. – Por quê?
- Porque... – olhei em seus olhos, que me observavam atentamente. - Porque sim. – lancei um leve sorriso tímido. Ele parecia ansioso, olhava fundo em meus olhos. O toque de nossas peles, todo aquele contato estava se tornando insuportável, aquele magnetismo puxava seu corpo ao meu e eu necessitava mais, muito mais.
Calmamente, ele foi aproximando seus lábios dos meus e eu não relutei, pois a ansiedade de sentir seu sabor novamente me dominava. Devagar ele passou a língua pelos meus lábios, me preparando para o beijo doce e carinhoso que veio a seguir. Fechei meus olhos e comecei a me render àquele beijo, sem pressa, pois tudo que eu queria era desfrutar de cada segundo. Ele me prensou mais ainda contra a parede da piscina, garantindo que nosso contato fosse completo. O agarrei pelos ombros e logo nosso beijo foi se intensificando, cada vez mais ardente e eu retribuía com mais força e desejo.
Tentei reprimir um gemido quando senti suas mãos deslizando até minhas coxas, seu toque era suave e excitante. Na ponta dos pés, dei um impulso na água, envolvi minhas pernas em seu quadril e meus braços ao redor do seu pescoço, colando ainda mais seu corpo junto ao meu. Mesmo em contato com a água morna que nos envolvia, meu corpo inteiro se arrepiou. Podia sentir meu coração bater na garganta. Então fui descendo meus beijos e passando minha boca pelo seu queixo, deixando roçar sua barba rala pelos meus lábios. Dei leves mordidas pelo seu pescoço e sua pele úmida arrepiou-se. Comecei a provocá-lo ainda mais, mordiscando o lóbulo da sua orelha e como reação ele agarrou mais forte minhas coxas e soltou um leve gemido.
O vapor da água se misturava com o calor que exalava de nossos poros, era como se eu estivesse em chamas. Sentir seu corpo reagir a cada toque me deixava cada vez mais excitada. Com minhas mãos em sua nuca, continuei a beijá-lo loucamente, tinha sede dos seus lábios e era como se eu não conseguisse mais parar, meu corpo ansiava por mais, adorava sentir sua barba roçar na minha pele e suas mãos fortes tocando meu corpo era algo que eu não queria que tivesse fim. Podia sentir o poder imenso que ele tinha sobre mim, quando nos tocamos tudo se encaixava, eu ia à loucura e acabávamos esquecendo do mundo.
Ele rompeu o beijo, afastou meus cabelos do meu ombro e foi passando sua língua através do meu pescoço, o calor de seus lábios estavam me fazendo delirar. Meu corpo inteiro estremeceu quando uma de suas mãos começou a explorar mais meu corpo, seus dedos faziam movimentos provocantes pelo cós do meu shorts, conseguindo arrancar um grande suspiro que não consegui conter. Em seguida, começou a distribuir pequenos beijos pelo meu ombro. Eu o segurei mais forte por entre minhas pernas, podendo sentir sua excitação.
- Isso é covardia, sabia? – Sussurrou, em meu ouvido e então suas mãos moveram-se até às minhas costas, acariciando por baixo da blusa, fazendo meu corpo ser tomado por um calor intenso. Enquanto me beijava, foi dedilhando suavemente até soltar meu sutiã e como não tinha alças acabou escorregando na água. Ele parecia nervoso e então senti uma de suas mãos deslizar até meu seio, sua respiração ficou ainda mais ofegante e eu larguei minha cabeça na dobra do seu pescoço, mordendo sua pele para conter um gemido alto quando ele começou a passar o polegar pelo meu mamilo, em movimentos lentos. Quando sua outra mão, ainda por baixo da minha blusa suavemente deslizou até minha barriga, chegando até o botão do meu shorts, meus joelhos estremeceram. De repente, ouvi um barulho vindo da porta, me despertando daquele momento tão prazeroso e impedindo que as coisas fossem mais adiante.
- Você ouviu? – perguntei, ainda com minha respiração descompassada.
- Ouvi o quê? - Visivelmente frustrado, ele me olhou confuso e um pouco perdido.
- Um barulho da porta. Pensei que fosse o Harry e a que estivessem voltando. - o afastei delicadamente, enquanto desprendia minhas pernas de sua cintura.
- Não... – olhou em direção à porta. – Ainda estão lá dentro. A porta deve ter batido com o vento.
- Acho que sim... – respondi, e meu queixo acabou tremendo. Todo calor do momento havia se dissipado e o vento londrino se fez presente. Liam riu, me abraçou forte e selou nossos lábios em um pequeno beijo rápido para que meu queixo parasse de tremer. - É melhor eu sair e pegar uma toalha, está começando a cair a temperatura e não podemos ficar gripados. – acariciei mais uma vez seu rosto, limpando algumas gotas d’agua. – E logo eles vão voltar mesmo. – concluí.
- A-acho que você tem razão. – concordou, mas demonstrando insatisfação pelo nosso momento ter sido interrompido.
Assim que me soltei de seus braços, me virei de costas e saí da piscina com certa dificuldade, porque além do fato das minhas roupas estarem encharcadas eu ainda estava com minhas pernas um pouco bambas.
Quando já estava do lado de fora, percebi que Liam permaneceu ainda dentro da piscina.
- Não vai sair também? – Perguntei, enquanto torcia a ponta da minha blusa.
- Ainda não... Não posso sair... Ainda... Nesse estado. – deu um risinho, olhando para baixo. - Só mais uns minutinhos até eu me “recuperar”.
- Ah, entendi... – Dei um sorriso tímido e então peguei uma toalha que estava dobrada em cima de uma espreguiçadeira. Na tentativa de me enxugar um pouco, envolvi a toalha ao redor do meu corpo.
Meus pensamentos viajaram ao observar Liam saindo da piscina, a água escorrendo em seu corpo, a luz da lua que refletia e a maneira como ele passou a mão pelos seus cabelos, colocando-os para trás. Parecia que vinha em câmera lenta, caminhando em minha direção.
- Pronto... Acho que isso é seu. – parou em minha frente, sorrindo e segurando meu sutiã.
- E como sempre, a deixando seu pertences para trás. – eu disse, e então peguei a peça e a enrolei na ponta da toalha.
Liam pegou outra toalha que estava dobrada ao meu lado e se enxugou rapidamente.
- É melhor nós entrarmos, vou buscar na minha mala uma camiseta minha pra você vestir. Não pode ficar com a roupa ensopada, vai acabar ficando doente.
Fomos até a sala e eu preferi esperar em pé, não iria encharcar o sofá do Harry.
- Eu já volto. – Liam correu até às escadas.
Alguns minutos depois, ele voltou, havia trocado de roupa e estava segurando uma blusa para eu vestir e mais uma toalha seca.
- Obrigada. – peguei a roupa e fiz um gesto para que ele se virasse de costas. Podia soar ridícula minha atitude perante o fato que minutos atrás estávamos bem “íntimos”, mas ele de fato ainda não havia me visto nua, então fiquei um pouco envergonhada.
- Desculpe... – virou-se de costas e cruzou os braços. – Nem uma espiadinha? – ele brincou.
Minha blusa parecia pesar uma tonelada, a enrolei junto com meu sutiã na toalha e deixei de lado. Ao vestir seu moletom, pude sentir o aroma de seu perfume próximo à minha pele.
- Agora sim. – avisei, assim que me vesti.
Virou-se e estampando um sorriso em seu rosto falou:
- Olha... Ficou bem melhor em você do que em mim.
- Não sei, não. – estiquei as mangas. – Acho que tem uma pequena diferença no tamanho que costumo usar. – Ri e segurei a bainha da blusa. Peguei a toalha e a estendi no chão para poder sentar em cima.
- Não. No sofá, nem pensar que vai sentar no chão. – Liam pegou o controle da televisão, praticamente se jogou no sofá e bateu com a mão ao seu lado para que eu me juntasse a ele.
- Nem pensar. Vou ensopar o sofá do Harry. – sentei em cima da toalha, escorando minhas costas contra o sofá.
- Vou ser obrigado a me juntar a você então. - Liam gentilmente pediu licença para fazer companhia ao meu lado e eu movi meu corpo um pouquinho mais para dar espaço a ele.
- Sabe... – sentou-se ao meu lado. – Não ia conseguir viajar tranquilo amanhã se não conseguisse ter visto você hoje.
- E eu não vou negar que não me perdoaria se não tivesse vindo. – respondi, com um leve sorriso nos lábios.
Liam me olhou carinhosamente e assim que percebeu que minhas pernas estavam arrepiadas, por eu estar com um pouco de frio, afinal, ainda estava com meu shorts molhado e a pele um pouco úmida, ele envolveu meu ombro com um braço, me acolhendo em um abraço caloroso. Eu encostei minha cabeça em seu peito, seus braços eram tão aconchegantes que eu queria permanecer assim.
Eu podia tentar definir tudo que estava sentindo agora em uma palavra, mas seria impossível. Eu estava ali e também livre de Albert, era como se tudo estivesse se ajeitando na minha vida, então fechei meus olhos, me encontrei em um ponto de paz e tudo que eu poderia fazer agora era aproveitar aquele tempo.
- Seu joelho está bem melhor. – lançou um olhar para as minhas pernas. – Prometa que não vai mais cair enquanto eu estiver longe, se não quem vai te socorrer do chão? – ele brincou.
- Pode deixar, depois de ter esse tombo estampado em várias revistas, acho que a minha cota de ser desastrada no mês já foi atingida. – gargalhei. Liam riu e me abraçou mais forte de lado.
Ele começou a tentar escolher um filme para assistirmos e ficamos alguns minutos apenas desfrutando a presença um do outro. Foi quando e Harry desceram as escadas, conversando e rindo entre si.
- Ah! Vocês estão aí. Olha... Meu nome é Harry Styles! – imitava Harry e segurava um copo todo enfeitado na mão. Estava com os cabelos penteados e úmidos, vestia uma camisa com estampas triangulares e uma calça jeans. – Que tal? – Parou na nossa frente e colocou uma das mãos na cintura.
- Está faltando só o chapéu. – Liam comentou, enquanto ria.
- Pelo visto não fui a única que ganhou roupas novas. – apontou para mim.
- É... O mínimo depois de terem arruinado nossas roupas, né? – franzi a testa e olhei para Liam.
- Onde vocês estavam quando subi pra pegar as coisas na minha mala? – Liam perguntou para Harry.
- Preparamos os drinks e fomos trocar de roupa. Estávamos no meu quarto. – olhou de canto para minha amiga.
- Só fomos trocar de roupa. Que fique bem claro, hein. – completou , olhando diretamente para Liam. – Sem conclusões de vocês dois aí. – intercalou seu olhar entre nós.
- Ninguém falou nada. – eu ri e olhei para Liam.
- O que vocês estão assistindo? – Harry perguntou, ao se virar para a televisão.
- Um episódio de “Happy Valley”.- Liam respondeu.
- Que série é essa? Não conheço... Que tal assistirmos um filme enquanto colocamos as roupas da para secar? – sugeriu Harry.
- É melhor irmos embora, está tarde... – olhei para . - Não acho que seja uma boa ideia ir para casa com as roupas molhadas. Eu já deixei as minhas na secadora, . – prontamente respondeu. – As suas roupas estão emboladas nessa toalha? – ela olhou para o chão.
- Sim, mas não tem problema, eu seco elas em casa.
- Pode me alcançar que é rapidinho, depois vocês vão para casa. – Harry esticou o braço, esperando que eu alcançasse as roupas.
- Eu entendo que você tenha que voltar logo por causa do Albert. – Liam disse, baixando seu olhar.
- Na verdade, ela não precisa mais. – não conseguiu manter sua boca fechada por muito tempo. Logo em seguida, percebeu que havia falado mais do que devia ao ver o olhar que lancei a ela.
- Como assim? – Harry e Liam perguntaram, ao mesmo tempo, me olhando intrigados.
- Não... Ela quis dizer que o Albert vai passar a noite no hotel perto do aeroporto e não em casa. – expliquei, rapidamente, sem dar muitos detalhes.
- É... isso... Isso mesmo que eu quis dizer. – ela concordou, ficando totalmente sem jeito.
- Mas então não tem problema. Vamos assistir ao filme ou não? – Harry perguntou, e me olhou sem jeito.
- Está bem. Depois das roupas secas, nós vamos. – respondi, enquanto ia me erguendo do chão. E como eu estava com minha bermuda molhada, resolvi aceitar a oferta de secá-la antes de irmos embora. – Harry, pode deixar que eu mesma levo, só me dizer onde fica.
- Eu vou buscar as minhas que já devem estar secas e acompanho ela, Harry. - se manifestou rapidamente.
Enquanto nos direcionávamos até a lavanderia, discretamente dei um pequeno beliscão no braço da minha amiga e falei bem baixinho perto de seu ouvido: “Quase, né, dona ?”.

Capítulo Doze

Logo cedo precisei comparecer na Modest para conversar com Richard sobre alguns detalhes do show de hoje à noite. Ao cruzar o corredor em direção à sala do Richard, percebi a porta entreaberta da sala do Albert, estranhei um barulho vindo de dentro e não pude conter minha curiosidade. Calmamente, empurrei a porta e logo identifiquei uma bunda empinada para cima e uma cabeça morena vasculhando uma gaveta.
- Uhum. – limpei a garganta, chamando a atenção.
- Que susto. – Shannon rapidamente levantou-se, movimentando seus cabelos longos para trás, quase que como de um comercial de shampoo.
- Quer uma ajudinha aí? – Pedi, ironicamente, ainda parada diante da porta com meus braços cruzados.
- Não. – ela bateu a gaveta, fechando-a com força. – Os documentos que preciso não estão aqui. – contornou a mesa, sentou na beirada e cruzou as pernas. – E você? – me olhou com desprezo. – O que está fazendo aqui?
- Quem devia perguntar isso seria eu, não acha? Por acaso não deveria estar viajando com seu querido chefe? Ou ele te dispensou? – eu ri e ela então levantou-se e caminhou em minha direção, a passos lentos com aquele salto quinze.
- Na verdade, ele precisou que eu ficasse um dia a mais por aqui, mas amanhã mesmo é o meu voo. O Al não consegue ficar muitos dias longe de mim. Imagina uma semana, ele deve estar perdido, eu tenho que estar sempre ao lado dele. – enquanto falava, mansamente, ela movia-se feito uma cobra até parar na minha frente. Ela cruzou os braços e continuou a me encarar com aquela cara de nojo que possuía. “O Al”, ao escutar isso precisei conter meu riso. Será que realmente ela pensou que aquilo me atingiria?
- Isso é o melhor que você consegue? Sério? – lancei um sorriso sarcástico. – Vamos lá, posso até te dar mais uma chance para melhorar a provocação... – por um instante, pensei que Shannon me estrangularia com seu olhar.
- “Trouxa” – Ela espirrou a palavra, colocando a mão em frente à sua boca.
- Francamente, Shannon, você me surpreende com atitudes e respostas tão maduras. Estou impressionada. – sorri de canto. – Mas sinto informar que não tenho mais tempo para seus comentários tão insignificantes. Até poderia continuar vendo sua demonstração de ignorância, mas o Richard está me aguardando, com licença. Vou deixar você continuar a procurar seu cérebro aí na sala do Albert, com certeza irá precisar... – Shannon chegou abrir a boca na tentativa de dar uma réplica, mas percebi que nenhum som saiu, apenas suas bochechas avermelharam de raiva, então virei as costas e saí em direção à sala de Richard.

Eu havia conseguido uma entrada para o “backstage” do show desta noite da 5SOS para , claro que já havia desculpado pela sua língua solta e não conseguiria ficar de mal com ela por muito tempo, ainda mais depois de ter passado a semana inteira me pedindo desculpas.
Durante o show, Gemma e não se desgrudaram, bateu até uma pontinha de ciúmes. Inclusive, após o show, Gema fez questão de que a acompanhasse para levar o Ashton para casa, depois do pequeno acidente definitivamente eles não iriam para o “after party”, então como fiquei sem companhia, decidi voltar para casa.
Cheguei em casa exausta, mas ao mesmo tempo tão relaxada, tão zen e leve, com vontade de rir por qualquer coisa. O silêncio do apartamento vazio me trazia uma sensação de que tudo estava começando a se encaixar no seu devido lugar, eu me sentia diferente.
Ao me deitar, segundos antes de apagar meu abajur, como estava um pouco inquieta, resolvi pegar meu celular, afinal, nem havia dado tempo de olhar se havia alguma chamada ou mensagem durante toda a noite. E como todos os dias durante essa semana eu recebia alguma mensagem de Liam, hoje não foi diferente. Liam enviou uma avisando que estavam no hotel no Rio de Janeiro. Assim que respondi sua mensagem, outra veio logo em seguida.

Xx São dez e meia e estou aqui confinado neste quarto de hotel. Está muito ocupada agora? Será que posso te ligar no Skype agora? – Liam xX

Após responder a mensagem, peguei meu laptop e me acomodei na cama. Posicionei sobre meu colo e aguardei a chamada. Assim que atendi, a primeira imagem que aparece é a de Liam sorrindo, sinceramente, desconheço sensação melhor para finalizar minha noite.
- Hey, ! – Liam acenou para a câmera. – Desculpa te incomodar tão tarde... Aí devem ser...– baixou o olhar para o relógio. – Uma da manhã?
- Duas e trinta e três, mais precisamente. – eu sorri.
- Oh... Eu te acordei, não foi? – perguntou, preocupado. – Maldito fuso horário...
- Não, na verdade, estava recém indo dormir. Trabalhei até agora pouco...
- Então você deve estar muito cansada pra conversar agora.
- Pra conversar com você não estou cansada. – ele logo estampou um largo sorriso. – E pra falar a verdade, estou sem sono. Então, me conte, como foram de viagem? O que está achando do Rio de Janeiro até agora?
- Foi cansativa... Ainda não tivemos a oportunidade de ver muita coisa, apenas a vista que temos do hotel. Você sabe que temos que ficar presos no quarto de hotel e, principalmente pelo humor de Albert, não sei se teremos como conhecer algum lugar por aqui.
- É, ele sabe como ser um estraga prazeres mesmo... – bufei.
- É mesmo... – fez uma careta. - Mas e você? Muito trabalho no show de hoje?– perguntou, interessado.
- O show foi tranquilo, correu tudo bem. O problema foi depois, quando Ashton resolveu carregar a Gemma no colo, que acabou caindo nos últimos degraus da escada, torcendo o tornozelo. Logo veio a equipe médica e tudo se resolveu, mas no fim perdi minha melhor amiga para a Gemma – eu ri. – Ela é quem foi junto para levar o Ashton para casa.
- Acho que o Harry não ia gostar nada se o Ashton tivesse esmagado a irmã dele. – Liam riu.
- Verdade... E vocês ficaram a tarde toda encarcerados no quarto?
- Saímos um pouquinho. Pelo menos aproveitamos a piscina do hotel à tarde e... Deixa eu te mostrar meu quarto. É de frente para o mar. Espera... – pegou o laptop na mão, fazendo um tour pelo cômodo. Inclusive mostrando a bela vista direto para a praia de Ipanema.
- Nossa, que vista... Muita inveja neste momento. – eu ri.
- Sabe... – se afastou da janela e sentou-se novamente na cama. – Eu notei que tem algo faltando neste quarto. – ajustou o laptop de frente para ele de novo.
- Como assim? Pelo que vi tem de tudo... Eu sabia que a fama muda as pessoas, mas estou achando você muito exigente, Liam Payne. – reforcei seu nome e balancei a cabeça.
- Ando mesmo, porque o que falta aqui é quem está do outro lado da tela. – fez uma cara de triste e bateu o dedo na câmera.
Em seguida, ele estampou aquele sorriso que me encanta a cada dia mais. Eu então sorri de volta, recostei mais minhas costas na cabeceira da cama.
- Eu preciso confessar uma coisa – disse, e ajustei melhor o laptop sobre meus joelhos.
- O quê?
- Na verdade, eu preciso admitir algo. Eu não imaginava que sentiria tanto sua falta.
- Sério? Porque... Eu tinha certeza que você sentiria a minha falta. – Ele riu e passou o dorso da mão em sua barba. – Como não sentir falta de todo esse charme aqui? – ainda rindo, arqueou uma de suas sobrancelhas.
- Claro... Senhor irresistível. – brinquei. – Está tão convencido que acho que vou desligar. – baixei um pouco a câmera, ameaçando fechar a tela.
- Não... Eu...– ele ficou calado por alguns segundos. – Meu Deus... O calor daqui acabou tirando um pouco do meu sono, mas agora... Te ver assim, só com essa... Suponho que seja uma camisola, perdi o sono de vez... – rapidamente, levantei a tela do laptop na posição que estava anteriormente.
- Liam James Payne. – o repreendi, em tom de brincadeira.
- Você é sempre assim tão... tão... sexy quando vai dormir? Minha imaginação voou alto agora. Lembrei daquela noite na casa do Harry... Na piscina...– ele pegou rapidamente o notebook em seu colo, de um modo meio atrapalhado, posicionando mais perto dele e sem por um segundo desviar seu olhar da tela. E foi inevitável não rir da reação dele. – Já não estou mais aguentando essa distância entre nós. Estou passando mal em não ter você aqui comigo.– balançou a cabeça. - Acho que vou precisar de um um banho gelado..
- Payne? – sorri com malícia. – Você sabe como o Skype acaba diminuindo um pouquinho distância entre as pessoas, né? – falei, de uma forma melosa, passando levemente meus dedos pelo meu colo até meu ombro. – Opa... – o provoquei, largando uma das alças de minha camisola. Na câmera, apenas meus ombros e colo estavam a mostra.
- Oh... Acho que vou pirar aqui. – posicionou seu notebook ao seu lado na cama e arrancou a camisa.
- Querendo me provocar também? – mordi o lábio inferior e soltei a outra alça de minha camisola, revelando meus ombros nus, em uma tentativa boba de seduzi-lo. Era deliciosamente divertido esse tipo de joguinho, será que eu havia perdido o jeito? Mas ele me deixava tão a vontade que eu queria continuar.
- N-não... – engasgou um pouco as palavras e pegou seu laptop novamente em seu colo. – A cada dia me surpreende, você é incrível, sabia? – sorriu de canto.
- Claro, só porque estou prestes a me despir diante da webcam pra você. – torci o nariz e ri de leve.
- Não é por isso... – fez uma careta. – Mas... Você disse “despir”? “Para mim”? Ouvi bem? – abriu um largo sorriso.
- A não ser que não queira. – dei com os ombros e puxei de volta apenas uma alça.
- Não faz isso comigo, . – fez uma cara de triste.
- Sabe que eu não resisto quando você faz esse biquinho aí. – apontei e ri.
Em seguida, bem devagar, soltei novamente a alça da minha camisola, deixando-a deslizar pelo meu ombro. Com uma mão ainda segurei a camisola sobre meu busto e com a outra mão afastei um pouco mais o laptop, para ampliar a visão da câmera. Liam ficou em silêncio, seus olhos estavam vidrados em cada movimento meu.
- O que você quer que eu faça para você Liam? – perguntei, com a voz suave.
- Continue... Digo, pode continuar tirando essa camisola tão desnecessária. – riu maliciosamente.
- Hoje é você quem manda, Payne. – desci lentamente o restante da seda preta que ainda cobria meus seios.
- Ah, meu Deus... – podia ver seu peitoral subindo e descendo rapidamente. Pude notar em seguida um movimento de seu braço, mas visão da câmera não me permitia ter certeza.
“- Assistindo pornografia?”– Uma voz masculina surgiu no quarto de Liam e de repente minha tela ficou preta.

Liam’s POV

- Ah, meu Deus... – Eu ainda não estava acreditando, não estava mais nem pensando direito. O meu corpo correspondeu prontamente com uma ereção vigorosa. Tudo que eu queria era estar do outro lado da tela.
“- Assistindo pornografia?”
- Porra! – gritei, e levantei rapidamente, fechando o botão da minha bermuda e quase derrubando o notebook no chão. – Mas que merda, Zayn!
- De quem são esses peitos? Gostosa, quem é? – ele virou o notebook de frente para ele e sentou na ponta da cama.
- Cala a boca – praticamente arranquei o computador de suas mãos. Desesperadamente, apertava em tudo que era botão na tentativa de fechar o Skype, mas sem sucesso. Por que travou justo agora? Fechei a tela de uma vez e larguei o notebook em uma pequena mesa no canto do quarto. - Que está fazendo aqui? Como entrou, cara?
- Eu bati, mas você não abriu... Agora vi o porquê. – gargalhou. – Eu tenho meus meios de conseguir as coisas, então descolei uma chave extra e entrei. Estou entediado, vamos beber lá no bar do hotel. A não ser que você queira ligar ali pra sua gostosa e ver se ela não tem uma amiga para uma “conversinha” assim no Skype comigo, que tal?
- Não. Vamos para o bar mesmo. – sentei na cama para calçar meu tênis. - E se quiser tanto conversar pelo Skype, é só ligar para a Perrie do seu quarto. – falei, firme.
- Calma aí. Estava só brincando. – balançou os braços no ar. – É, acho que não devia ter interrompido, assim não estaria tão mal humorado. – gargalhou.
- Cala a boca. Vou só colocar uma camiseta e vamos.

Uma semana depois...

Liam me contou o que havia acontecido aquele dia e pouco nos falamos depois, devido aos shows ele não teve muito tempo. Ainda bem que essa última semana andei bastante ocupada, algumas reuniões com Richard, mais alguns eventos e workshops e até pela minha mudança para o apartamento que consegui com o pai da , assim os dias passaram rápido.
Depois do meu último dia de workshop de moda e mídia, fui chamada até Modest, a respeito de uma encomenda que haviam deixado para mim. Assim que cheguei à recepção, me entregaram um lindo bouquet de rosas. Não estava entedendo qual era a ocasião, meu aniversário era daqui um mês. Um pequeno cartão se encontrava no meio.

“Estou com muita saudade sua. Amanhã estarei de volta e me desculpe pelo meu comportamento. Com amor, seu noivo Albert.”

Pisquei várias vezes, pois não estava acreditando no que estava lendo, algo estava muito errado. O que havia acontecido durante esses dias? Será que ele fumou alguma coisa enquanto passaram pela Colômbia? Ou ficou amigo de alguém que forneceu drogas para ele no Brasil e acabou esquecendo da conversa que tivemos antes dele viajar? Agora nada mais está fazendo sentido.
Cheguei em casa e assim que coloquei as flores em cima da mesa, pensei em ligar para Albert, para saber o que estava acontecendo, talvez as flores nem fossem para mim. E no instante em que peguei o celular na mão, ele mesmo estava me ligando.
- Albert? – atendi, desconfiada.
- Recebeu meu presente, querida? – falava, com uma voz doce. – Pedi para encomendarem e entregarem para você.
- O que, Albert? O que está acontecendo?
- Estou ótimo, gostou das flores? - Você não pode estar falando sério. Esqueceu tudo que falei antes de você viajar? – perguntava, meio desacreditada.
- Ai, que coisa boa, meu amor! Sabe como gosto de mimar a minha noiva. – ressaltou alto “minha noiva”. – Estou com saudades, mas amanhã já estaremos juntos novamente. – ele não estava dizendo coisa com coisa e falava de forma toda carinhosa, isso soava muito estranho.
- Você está bêbado? Errou o número ou o quê?
- Ai, eu também! Como você é atrevida... Claro que não... – ele riu. – Também estou morrendo de saudades! E me espere linda e perfumada amanhã, agora tenho que desligar. Um beijo nessa sua boquinha linda.
- O quê? – gritei. - Do que você está falando?
- Sim, minha querida... Eu também, amorzinho... Tenho que desligar agora. Até amanhã.
Desliguei totalmente confusa. Fiquei encarando o dispositivo por alguns instantes, incrédula pela conversa mais doida que já tive na minha vida. Aquele não era o Albert, jamais havia agido dessa maneira comigo, nem quando nosso relacionamento ainda estava bem. Aquilo me causou um mau pressentimento.

Incrível como duas semanas me fizeram perceber a diferença que Liam havia feito em minha vida e a falta que ele andava fazendo, mas o sentimento de saudades dele foi subitamente sobreposto pelo sentimento de angústia em saber que a qualquer momento Albert cruzaria por aquela porta.
Apenas uma mala havia sobrado, afinal, tudo que levaria seriam minhas roupas. Eu estava ansiosa para terminar com aquela situação de uma vez, deitei no quarto e as horas foram passando e ao ficar trocando de canal em canal, acabei pegando no sono.
Acordei com um raio de sol batendo em meus olhos. Ao pegar meu celular, percebi que ele não havia despertado. Levantei em um pulo, estava atrasada e Albert sequer tinha passado em casa. Estava atrasada para a reunião com Richard.
Peguei a minha roupa e acredito que nunca havia me arrumado tão depressa. Cheguei à Modest e corri até a sala de reuniões.
- Com licença... - Um pouco ofegante, dei três batidinhas na porta. – Desculpe meu atraso, Richard.
- Não tem problema. Albert avisou que você se atrasaria. Pode entrar, . Depois Albert repassa as informações que você perdeu. Hoje é mais um comunicado do que de fato uma reunião. Por favor, sente-se.
- Vem aqui do meu lado. – Albert indicou a cadeira vaga. – Eu expliquei a eles que você estava cansada de ontem à noite. – Riu sarcasticamente. – Sabem como é... Eu fiquei longe todo esse tempo. – Deu uma piscada.
Olhei confusa para ele, Albert não estava batendo bem da cabeça. Depois olhei para Liam, que permanecia sério.
- Está bem, Albert, já entendemos da primeira vez que você contou. Agora vamos voltar ao assunto sobre os próximos shows. Bom, , você sabe que agora na próxima viagem vai acompanhar os nossos garotos de perto. Viajará para Amsterdam. Irá auxiliar mais ativamente nos backstages para vermos como você se sai. Mas acredito que fará um ótimo trabalho, principalmente depois do treinamento que você fez nesses últimos dias. E Zoey estará com você o tempo todo.
Enquanto Richard passava mais outras informações a Ashton, Luke, Calum e Michael, Albert me lançava alguns olhares cínicos. Eu nem devia ter acordado direito, pois não estava entendendo nada. O mais estranho era ver que Liam desviou seu olhar para mim todas as vezes.
- Acho que por fim era isso, vocês têm alguma dúvida? – Richard olhou para Harry, Zayn, Liam, Louis e Niall que apenas balançaram a cabeça negativamente. – Então estão dispensados.
- Esperem, antes quero fazer um convite, aproveitar que você está aqui também, Richard. – Albert se pôs de pé. – Era uma surpresa para , mas... Bem eu acabei de comprar uma casa nova e queria inaugurar dando uma festinha amanhã à noite, para comemorar o sucesso da banda e dos shows, enfim... E como na sexta voltaremos a viajar e não vamos ter muitos dias de folga, pensei em uma boa oportunidade para nos divertimos, que tal?
- Acho isso uma ótima ideia, Albert. Pode contar comigo e com a Marla. – Richard respondeu, animadamente.
- E vocês, garotos? Afinal, quero dar essa festa não somente pela comemoração da casa nova e sim em gratificação a vocês, pelo ótimo trabalho que vem fazendo. – A boca de Albert parecia que iria rasgar em sorrisos. – Posso contar com um sim de todos?
- Uma festa sempre é bem-vinda. – comentou Louis.
- Pode contar com a gente sim. – Niall e Zayn concordaram.
- Comigo também. – Harry respondeu.
- E você, Liam, também vai, não é mesmo? – Albert perguntou.
- É... Acho que vou. – respondeu, claramente desanimado antes de sair da sala de reuniões.
- Então está tudo certo. Estão liberados, pois precisam se preparar para mais uma entrevista hoje à tarde. Agora preciso ir. Com licença. – Richard fechou sua pasta e saiu apressadamente da sala.
- Harry. – Albert segurou em seu braço antes que chegasse até o elevador. - Você pode levar a sua namorada, afinal, ainda não vi os dois juntos de verdade, só fotos meio borradas e por mais que ela seja minha vizinha, acho que está na hora de conhecê-la melhor, né, ? – virou brevemente o rosto para mim.
- Pode deixar que levo ela sim... – Harry, com um olhar confuso, falou. Não era apenas eu que estava estranhando esse comportamento de Albert.
- Quem sabe a partir dessa festa, podemos pensar a respeito em divulgar a informação do namoro e torná-la oficial. – Deu um tapinha nas costas dele. – E você, Liam, não tem ninguém que você queira levar junto na festa?
- Não. – olhou de relance para mim.
- Como não tem ninguém? Acho que está escondendo o jogo. – comentava, com certo ar de cinismo. – Mas se você quiser, é só me avisar que eu acho uma garota linda para você. É só me dizer... Seu desejo é uma ordem. – sua voz tinha um tom de ironia. E meu estômago começou a ficar embrulhado ao ficar escutando tudo isso. – Eu já tive a sorte de encontrar alguém para mim. – me abraçou forte de lado, eu estava a ponto de explodir com aquela atitude de Albert e o empurrei de leve, me soltando dele.
- Lembrei que preciso fazer umas ligações. Fiquei de confirmar sobre algumas marcas que oferecem para lançar uma linha de roupas da 5SOS. Com licença... – respirei fundo, saí o quanto antes de perto deles, corri para a minha sala e fechei o mais rápido possível a porta, não conseguia ver Liam daquela maneira, conseguia perceber que ele não estava bem. Era como se faltasse ar dos meus pulmões ao vê-lo e não poder conversar com ele, aquela situação estava acabando comigo.
Fechei a porta da minha sala, sentei à minha mesa e liguei meu notebook para conferir os compromissos do dia, assim tiraria o foco dos meus pensamentos, que estavam voltados à atitude estranha de Liam, afinal, deveria ser coisa da minha cabeça mesmo, ele deveria estar apenas cansado.
Enquanto enviava alguns e-mails, alguém bateu na porta. Levantei e fui abrir, pois lembrei que havia trancado a porta. Nem sei o porquê de eu ter feito isso.
- Liam! – não pude conter minha surpresa. – Eu tenho que te contar uma coisa. – eu sorri.
Ele não falou nada e apenas entrou nervoso porta adentro.
- O que houve? – franzi a testa.
- O Albert e você estão numa boa, é isso? Se acertaram? Eu só quero saber se eu estou sobrando aqui ou... – Escorou-se na minha mesa, me analisando com um olhar abatido.
- O quê? – aquelas palavras saíram automaticamente, de uma forma extremamente aguda. – Como? – baixei o tom da minha voz. – Ficou maluco, é? De onde você tirou isso? – perguntei, confusa.
- Ele não te mandou por acaso flores? – ele falava, de maneira ríspida. - Ele não parava de falar de como você também estava com saudades dele e... Hoje na reunião, a noite maravilhosa que tiveram. – baixou os olhos e agarrou firme a borda da mesa.
- Como você sabe das flores e... Espera. Eu não estou acreditando. - Eu achava que o Albert tinha bebido quando havia feito aquela ligação e fiquei sem entender nada. Coloquei a mão na cabeça. Tentando assimilar tudo que Liam havia acabado de contar sobre Albert.
- Então, é verdade? – me indagou novamente, visivelmente chateado, seus olhos estavam marejados.
- Liam... Como você pode acreditar nisso? Ontem à noite sequer ele apareceu. Sei que não demonstrei firmeza diante do Albert e muitas vezes me deixei manipular, mas não mais. Talvez tenha demorado pra eu ter percebido quem o Albert era de fato e eu me permiti estar nessa situação e da minha maneira decidi mudá-la. Pensei que você havia percebido quem de verdade eu sou e eu não sei fingir sentimentos, muito menos fazer esse tipo de jogo. Eu não sei onde o Albert quer chegar com tudo isso, afinal, hoje mesmo estou me mudando do apartamento. Era isso que eu queria te contar. – falei, desanimada e caminhei em direção à porta. – Olha, eu não sei que tipo de mulher você pensa que sou, então... E se você realmente acha que faria algo assim, acho melhor você ir. – me virei para a porta e segurei a maçaneta, mas antes que pudesse girar, a mão de Liam impediu.
- Eu sou um idiota mesmo... – falou, com certa dificuldade e deu um longo suspiro. – Eu precisava olhar nos seus olhos para saber a verdade. Desculpa por sequer ter duvidado um minuto. É que só de pensar em vocês dois juntos, isso me acaba. – ele respirava profundamente. - Eu tive que controlar, afinal, ele é o “Albert Cole” e não podia simplesmente meter meu punho na cara dele sem que isso se tornasse um escândalo para todos os tabloides de plantão.
Sua mão permanecia sobre a minha e um calor tomava meu corpo, ao mesmo tempo em que estava chateada por ele ter acreditado em toda aquela mentira e por ter duvidado de mim, eu estava sim com muita saudade dele.
- Liam... – Olhei firme em seus olhos. – Acho melhor você ir. – engoli seco e girei lentamente a maçaneta, abrindo de leve a porta.
- Então eu já vou... - Liam segurou a porta e vagarosamente a fechou novamente. Em um movimento impetuoso, me agarrou pela cintura e me prensou contra a porta. - Eu senti muito a sua falta, sabia? – sussurrou, a milímetros de distância da minha boca.
- Agora sim, pirou de vez, é? Aqui não, Liam. – cochichava, pois estávamos tão perto da porta. Neste momento, eu estava lutando contra a minha vontade de estar em seus braços e acabar com essa pequena distância entre nós.
- Eu não ligo mais, só me importo com você... Percebi que minha sanidade depende de você. E como que você ainda quer que eu finja que o que escutei não me atinge? – selou em um impulso nossos lábios em um beijo que fez meu corpo inteiro arrepiar em um segundo, me rendi sem hesitar. Ele me beijou com fervor e todo aquele calor envolvente tomava conta de meus lábios, a saudade de sentir sua língua na minha me extasiava. Suas mãos habilmente percorriam pela minha cintura e quadris. Nosso beijo se intensificava cada vez mais, era cheio de necessidade e uma de suas mãos agarrou minha nuca, entrelaçando seus dedos por entre meus cabelos. Meus sentidos foram à loucura e eu agarrei com força o tecido de sua camiseta, um leve gemido saiu de seus lábios, fazendo um calor intenso percorrer pelo meu corpo.
Parei o beijo ao sentir a maçaneta bater nas minhas costas, resgatando minha consciência ao local onde nos encontrávamos. Mas ao escutar alguém bater na porta, fez meu coração congelar.
Rapidamente, nos separamos e eu, um pouco desajeitada, tentei desamassar minha blusa e me recompor antes de abrir. Liam sentou-se na poltrona perto da janela e então eu me virei e abri a porta.
- ? – respirei aliviada. – O que você está fazendo por aqui?
- Esqueceu que fiquei de me encontrar com o Harry e também vinha te trazer a chave do apartamento? – balançou um pequeno molho de chaves e me olhou estranho. – Por que está com batom no queixo? – franziu a testa. - O quê? – passei meus dedos, na tentativa de limpar.
então esticou a cabeça para dentro da sala. – Entendi... – ela deu um risinho e acenou para Liam, que repetiu o gesto de volta e então se levantou.
- Eu preciso ir, mais tarde a entrevista, lembra? – sorriu para mim, discretamente passou sua mão pela minha ao sair da minha sala e se despediu também da . - . – me puxou para dentro da sala. – Você não saiu do apartamento ainda... Vai com calma. – minha amiga falou, baixo, preocupada e me entregou as chaves.
- Eu sei, . Mas esta noite tudo se resolve. – segurei forte aquele pequeno molho de chaves. – Muito obrigada, por tudo. – a abracei forte.
- Imagina, . Se você quiser, eu vou poder te dar carona até seu novo apartamento. Hoje meu pai decidiu me devolver o carro com a condição de conhecer bem, como ele disse? – estralou os dedos, tentando lembrar. – “Quero conhecer bem esse tal do Harry Styles da banda One Direction”. – falou, imitando a voz do pai dela. – Sim, ele deu um “Google” no Harry. – ela riu.
- Logo ele vira fã. – comentei, rindo.
- O difícil mesmo vai ser a minha mãe, mas... Se meu pai aprovar, tenho certeza que me ajuda a convencer a fera. , agora preciso ir, porque deixei o Harry esperando no estacionamento. Nós vamos almoçar juntos depois. E você, juízo aí. – gargalhou. – Até a noite. – acenou, ela mesma abriu a porta e saiu em direção ao elevador.
Fiquei olhando por alguns instantes aquela chave na minha mão, com aquela ponta de esperança de que nesta noite eu daria o primeiro passo em ter a minha vida de volta, eu estava ansiosa e ao mesmo tempo sentia um pouco de medo, principalmente depois das flores e a maneira como Albert se comportou antes. Respirei bem fundo para afastar qualquer pensamento ruim e falei para mim mesma: “Desta noite não passa, . Albert não tem mais o poder de te intimidar.”

Capítulo Treze

No instante em que pisei no apartamento, escutei ruídos vindos do quarto, percebi que Albert estava em casa. Fui me aproximando tranquilamente e entrei no cômodo. Albert estava sentado na cama, apenas de cueca e secando seu cabelo com a toalha.
- Oi, meu bem. – Albert me cumprimentou e logo estranhei o tom de voz animado dele e suas palavras.
- “Meu bem”? – franzi a testa.
- Agora não posso ser gentil com a minha noiva? – falou, de forma totalmente calma. Nesse instante, fiquei literalmente de boca aberta. – Então, gostou das flores? Tem que colocá-las na água para não murchar. – ele continuou.
Permaneci o olhando fixamente, descrente ao ouvir as palavras que saíam da boca de Albert e ainda por cima de um modo suave e tranquilo? Esse comportamento estava me deixando assustada.
- O que foi? Não posso te fazer um agrado? – franziu a testa, me encarando.
- Você sofreu algum acidente durante a viagem? – finalmente consegui dizer algo.
- Não. Por que, querida? – perguntou, serenamente.
- “Querida?” “Meu bem”? - Balancei a cabeça negativamente. – O que aconteceu? Você só pode ter batido a cabeça para ter esquecido tudo que conversamos e o que foi decido antes de você viajar. Você não viu a minha mala? – olhei brevemente para o lado. – Esqueceu o que combinamos? Que assim que você voltasse eu me mudaria?
- Do que você está falando? Vamos dormir. – entrou no closet para pegar uma camiseta, me ignorando completamente.
- Albert? – o segui. – Você me ouviu? Eu estou saindo de casa. – falei, pausadamente.
- Você está cansada, vamos dormir. – deu a volta por mim e seguiu em direção à cama.
Isso só podia ser algum teste para meus nervos. Parecia que eu estava falando com as paredes.
- Se você não quer me escutar, tudo bem. – respirei fundo e me direcionei até perto da porta do quarto, onde estava localizada minha mala. – Eu cumpri a minha parte e não falei nada sobre o término do noivado até você voltar, agora chega. Vou deixar as minhas chaves do carro e do apartamento em cima da mesa. – destravei o puxador da mala e comecei a arrastá-la até a sala.
- Não... Espera, não vai. – Albert correu e me segurou pelo braço. – Eu pensei que não estava falando sério. – instantaneamente, puxei meu braço para me soltar dele. – Achei que era algum surto seu, TPM, sei lá. – deu com os ombros. – Vamos conversar.
- Não tem mais o que conversar, Albert. Chega! – falei, em um só fôlego. – Você realmente não me escuta. Que parte do “eu não suporto mais essa situação e vamos cada um seguir a própria vida” você ainda não entendeu? Eu só quero que tudo termine na melhor forma possível. Eu não estou pedindo mais nada, Albert, nada de você. Já deixei a aliança em cima da cômoda e vou repetir pela última uma vez, não quero nada seu. Estou levando apenas o que é meu, minhas roupas. Inclusive, os presentes que você me deu estão todos no closet, pode até conferir se quiser.
- Não, . O porquê disso tudo agora? Por acaso você tem outra pessoa? É isso? Quem é ele? – assim que ele perguntou, cheguei engolir seco, mas permaneci firme.
- Não, Albert, é você que tem outra. Cansei de todas as mentiras e de tantas vezes que tapei os olhos para a realidade. Infelizmente, eu não havia notado antes o quanto você me diminuía e me desrespeitava. Esse relacionamento é tóxico, só me faz mal. Portanto estou dando um basta nisso tudo. – puxei minha mala e parei diante da porta.
- Eu já falei que é só você na minha vida! Você não pode ir. – elevou o tom de voz. – Você não pode me deixar, eu não permito. – se pôs à minha frente na porta, barrando minha saída, visivelmente irritado. E aí estava, finalmente o verdadeiro Albert se revelou novamente. A máscara que ele vestiu por alguns minutos começou a cair, afinal, aquela atuação não poderia durar tanto tempo.
- Por favor, Albert. Não complique as coisas, você havia concordado. Estava tudo decidido. E quem é você para permitir ou não algo em minha vida? – perguntei, com indignação. – Eu não acato mais suas ordens, Albert.
- Você não pode e não vai ir... – segurou a maçaneta da porta de forma bruta.
- O que você quer? – gritei. - Vai me trancar aqui? Vai querer que eu fique através de ameaças? Esse é seu grande plano? – continuei gritando. - A está me esperando e se eu não aparecer daqui alguns minutos com certeza ela virá atrás de mim aqui. Não vai querer que eu faça um escândalo agora e chame a atenção de todos os vizinhos. Acho que isso não seria nada bom para sua imagem, não é mesmo? – o ameacei, com a voz firme. Não me sentia mais intimidada por ele, eu estava com raiva.
- Está bem. – exclamou, frustrado, destrancando a porta. Contrariado, ele respirou fundo, saiu da minha frente e parou ao lado da porta, ainda segurando a maçaneta.
- Se está tão decidida, pode ir... – abriu a porta. - Amanhã só preciso que esteja presente na festa, de preferência que chegue um pouco antes dos convidados, pois irei anunciar oficialmente o término do nosso noivado, pode ser? – pediu sério, mas sem perder o ar de superioridade.
- Para este propósito, claro que sim. – concordei, para sair o mais rápido possível daquele apartamento. Puxei minha mala até o corredor e chamei o elevador. Estava de costas quando escutei Albert bater a porta do apartamento. Assim que o elevador parou no andar da , respirei aliviada, enfim me sentia livre, como se agora eu tivesse minha vida de volta. Comecei a pensar em tudo que eu estava me livrando, em não mais precisar viver com inseguranças e medo.

Ao descer do táxi, Albert estava à minha espera em frente à sua nova propriedade.
- Eu estava precisando me presentear e nada melhor que uma casa nova. – Albert falava, orgulhoso, parado diante daquela linda mansão.
- É... Muito bonita mesmo, Albert. – respondi, sem muito entusiasmo enquanto nos direcionávamos a porta principal.
- Vamos, entre. – abriu aquela gigantesca porta. – Olha como ela é ainda mais bonita por dentro. Olhe bem tudo que você está perdendo... - balançou a cabeça e nesse mesmo instante seu celular tocou, posso até dizer que ele havia ficado pálido ao olhar o visor do celular. – Com licença, preciso atender.
O esperei naquele hall de entrada enorme, chegava ser frio de tão grande.
- Quero lhe mostrar a casa, pois logo o pessoal de organização da festa chega. – voltou, claramente inquieto depois da ligação que recebeu.
- Eu só quero saber onde está o jornalista que você me avisou que estaria aqui? – antes que ele pudesse responder, o interfone ecoou por toda a casa.
- Devem ser os fotógrafos e os jornalistas que convidei. Quero que esta festa seja memorável, quero estampada em todas as notícias amanhã. Pelo menos você está bem vestida. – me olhou dos pés a cabeça. – Deixou seus melhores vestidos no apartamento, mas esse aí dá pro gasto. – disse, e deu as costas para atender à equipe. Evitando que eu pudesse responder.
Calmamente, fui caminhando atrás daquele hall de entrada gigantesco. E vi Albert perto da porta conversando com os fotógrafos.
- Quero fotos estampadas em todas as revistas amanhã, viu? – ele solicitava, enquanto fotografavam cada canto da casa.
Pela primeira vez, estaria nessas festas sem precisar me preocupar com o que o Albert pensaria a respeito de como me comportar, quando lembro soa tão ridículo. Eu sentia um frio na barriga, pois acho que passei tanto tempo recebendo instruções que de certa maneira me senti um pouco desorientada, mas ao mesmo tempo essa sensação era muito boa. Só não entendia por que uma pontinha de medo insistia em permanecer dentro de mim?
A casa começou a ficar tomada pelos convidados que não paravam de chegar e nada de Albert falar sobre o término do noivado. O garçom sempre mantendo com que minha taça não ficasse vazia e conforme as pessoas iam chegando era inevitável meus olhos vasculharem por um convidado específico.
Eddie Halliwell acabara de chegar, ele foi o DJ escolhido para a “simples” festinha do Albert. E depois da quarta taça e os flashes quase me cegarem, finalmente avistei quando chegou com Harry. Nesse momento, a atenção foi toda voltada a eles, então Albert correu prontamente para recepcioná-los. Era foto que não parava mais. Assim que os fotógrafos mudaram o foco para Louis, Eleonor, Zayn e Niall, que chegaram logo em seguida, e Harry vieram em minha direção.
- Agora é oficial... – Harry falou, rindo com suas covinhas a mostra. Depois olhou para e a abraçou forte de lado, quase esmagando minha amiga e a erguendo do chão.
- E agora sim, minha mãe... Se ela ligar o canal de fofocas que ela costuma assistir de tarde... Amanhã... Ai, estou vendo... – nervosa, ela não parava de falar. - Quer dizer, estou já escutando os gritos dela pelo telefone e... – Harry rapidamente calou sua namorada com um beijo rápido.
Continuamos conversando até que fomos interrompidos pela presença de Albert.
- Quero apresentar vocês para uma convidada especial. Essa é a Kendall Jenner e esta é a minha noiva .
- Ex-noiva, Albert. Ex. – reforcei.
- S-Sim... Vou ter que me acostumar. – riu, meio sem jeito.
- O Harry não precisa de apresentações, não é mesmo, Kendall? – Albert deu um risinho cínico. – E essa é a nova namoradinha dele. – disse, com desdém, deixando sem graça. E essa era a especialidade do Albert.
- Bom, eu a convidei, pois estava precisando de uma modelo para ajudar em um novo projeto que ando trabalhando que achei perfeito para ela. Sabe, Harry, estou até pensando na possibilidade de ela fazer alguma participação em um clipe de vocês, talvez. – voltou sua atenção à Kendall. - Estou analisando algumas ideias, o que você acha, Kendall? – sorriu de lado. - Isso é ótimo, Albert. – ela respondeu, animada. – Eu vou adorar trabalhar com você, Harry – segurou em seu braço.
- Você não se importa de ter uma linda modelo trabalhando junto com ele, não é mesmo, ? Ou já está preocupada com isso? – era nítido que Albert estava a provocando. Aonde ele queria chegar com isso?
Pensei que fosse pular no pescoço de Albert e da Kendall nesse instante. Mas com um largo sorriso no rosto, ela respondeu:
- Mas é claro que não me importo, Albert.
- E por que ela deveria se preocupar com isso? – Harry rebateu, não gostando das insinuações e afastando delicadamente seu braço de perto da Kendall.
- Albert... – cutuquei seu ombro. – Olha.. – apontei. - O Olly acabou de chegar. – aproveitei a chegada do Olly para quebrar a situação que estava se formando.
- Claro... Me dão uma licença. Continuem aproveitando a festa e se conhecendo melhor. – deu as costas rapidamente em direção à entrada.
- Então, Kendall, você desfila para quais marcas? – me virei para ela. - Eu tenho um conhecido que com certeza se interessaria em colocar você em um dos desfiles da Givenchy. Inclusive, ele está hoje aqui na festa. Posso apresentar ele à você, tem interesse?
- Ai! Claro! Seria super! – bateu palmas. – Eu quero sim.
- Então vem comigo. – Inclinei meu rosto para o lado e apenas moveu os lábios a palavra: “Obrigada”.
Estava percebendo que esse “projeto” do Albert era na verdade para aos poucos ir plantando certas sementinhas da discórdia entre todos, mas o que dependesse de mim isso não iria acontecer.
Deixei Kendall conversando com Jay sobre os próximos desfiles da Givenchy, assim consegui me livrar dessa menina mimada.
Ao voltar à sala principal, pude notar novamente o alvoroço dos fotógrafos, Liam havia acabado de chegar. Naquele exato momento, me senti meio boba, pois meu coração chegou a disparar. Aproveitei que ele estava cercado e me direcionei à outra sala, a melhor coisa seria evitá-lo nessa noite, não confiava em minhas ações perto dele.
Consegui encontrar Richard e ficamos conversando alguns minutos, ele começou a perguntar sobre a mansão, perguntou se eu havia ajudado Albert a escolher e depois começou com umas perguntas estranhas, sobre quanto havia custado a mansão até que fui obrigada a contar que não sabia de nada e que inclusive eu havia saído de casa e que Albert e eu rompemos o noivado. Percebi que ele suspeitava de algo, mas Richard era um homem muito discreto e não deixava transparecer o que realmente ele pensava. Logo em seguida, ele se distanciou para dar atenção ao Simon Cowell, que havia acabado de chegar.
No momento em que o garçom parou em minha frente, me alcançando um drink, Liam passou por trás de mim, esticou seu braço até a bandeja para pegar uma taça e então sussurrou em meu ouvido.
- Finalmente te achei. Você está maravilhosa. – o som da sua voz com aquele sotaque fez meu corpo inteiro arrepiar.
Apenas tomei um pequeno gole da minha bebida, tentando disfarçar o rubor de meu rosto. Quando o garçom se distanciou, aproveitei o breve momento que todos estavam dispersos, me virei para Liam e apenas abri um amplo sorriso.
- Vem comigo? Vamos escapar dessa festa... Vamos sair daqui? – ele propôs. - Eu não aguento mais...
- Você só pode estar bêbado. – eu ri.
- Não. Eu sei que você quer também... Vamos? – Insistiu e deu um passo à frente, deixando nossos corpos bem próximos. Cada vez que ele se aproximava era como se o lugar se esvaziasse e existíssemos apenas eu e ele, onde não existe certo e errado, como envoltos dentro de uma bolha. Mas infelizmente, como sempre, essa não era a realidade e o local estava minado de fotógrafos.
- Liam... – Olhei para os lados, mas ninguém nos observava e nem sinal do Albert.
- Pega. – pegou minha mão e sobre a palma colocou uma chave. – É a chave do meu apartamento, vou te mandar por mensagem a senha da garagem e avisarei o porteiro e os seguranças do prédio para deixarem você subir.
- Mas, Liam, você sabe que não tenho mais meu carro... É arriscado demais.
- Quanto a isso não tem problema, você pode ir com o Harry, assim ele pode entrar direto na garagem. E eu já te falei que desde o momento em que te vi na festa de aniversário do Richard, você vale cada risco. – sorriu e ergueu uma de suas sobrancelhas. Senti um friozinho gostoso no estômago.
- E se...
- , vou estar te esperando. – Liam me interrompeu e sussurrou novamente em meu ouvido, depois se afastou sorrindo.
- . Preciso que você venha comigo até a outra sala. - Richard gentilmente se aproximou e me chamou para tirar foto com os meninos da 5SOS e isso fez com que eu perdesse Liam de vista.

Alguns convidados começaram a ir embora, então aproveitei para procurar a e Harry. Ao cruzar um dos corredores, uma porta do banheiro estava entreaberta e pude escutar duas mulheres conversando. Foi inevitável parar para escutar ao ouvir meu nome e o do Albert, minha curiosidade foi maior e parei discretamente para tentar ouvir a conversa.
- Se a Carol visse tudo isso... Tenho certeza que se arrependeria de ter ficado calada.
- Sei que já fazem uns dois anos praticamente, mas ainda não me conformo... Acho que ele nos convidou só para esfregar na nossa cara o quanto ele está bem. Talvez ele pense que ainda temos algum tipo de contato com a Carol.
- Será que essa noiva dele não vai abrir os olhos nunca? Chego a ter pena da coitada. É óbvio que esse noivado serviu apenas para conseguir a promoção. Porque se o Richard não tivesse ameaçado demiti-lo, caso não entrasse nos eixos e se mostrasse alguém sério e que parasse de dar em cima de todas que trabalhavam na Modest, tenho certeza de que ele não estaria noivo coisa nenhuma. E é muita coincidência logo em seguida que ele anunciou estar noivo conseguiu a tão sonhada promoção.
- Verdade... Não sei quem é mais trouxa, a ou o Richard, por ter acreditado nessa mudança repentina do Albert. Isso é que mais dá raiva, porque a Carol era uma ótima funcionária, não teve culpa em cair nas garras desse idiota. Só porque ele virou o Sr. Albert W. Cole, fica sempre impune das situações. Por favor...
- Infelizmente, é assim... Só que a Carol foi impulsiva ao revelar a ele que contaria tudo. Ela devia ter feito de uma vez e não ameaçado antes. Só porque ficou com raiva quando pegou ele aos beijos com uma nova estagiária, aí agiu sem pensar.
- Mas ela não tinha provas concretas do relacionamento dos dois, apenas presentes, joias que no começo ele dava a ela, mas isso não provava nada. Tudo que se ouvia eram rumores do romance deles e então era a palavra dela, uma mera funcionária contra a dele.
- Mesmo assim, ela devia ter colocado todos os podres dele no ventilador. Porque ela sabia muito mais coisas do que nos contou na época... Porque olha agora, ele todo feliz, de mansão nova e ela teve que largar toda vida dela, foi humilhada e precisou recomeçar, sabe-se lá onde.
- Não é justo, mas eu acho que ela realmente estava muito apaixonada por ele, estava cega e para não se incomodar mais, aceitou os termos da Modest e o dinheiro do Albert. Só acho que a não deve saber metade da história.
- Por favor, não conta para ninguém, mas ouvi falar que o Albert... Olha talvez sejam apenas boatos, mas... Sei lá... Depois da compra dessa mansão e juntando as peças com que eu ouvi na época da Carol, dizem que ele...
Escutei um ruído e rapidamente saí de perto da porta e corri até o outro cômodo, esbarrando em Albert.
- Aonde está indo com tanta pressa? Eu estava te procurando.
- E-eu vou... Estou indo embora. – respondi, recuperando o fôlego.
- Ainda não... – Albert balançou a cabeça negativamente.
- Estou indo... Estou cansada, amanhã tenho mais uns outros compromissos antes da viagem, preciso deixar tudo organizado.
- Precisa de uma carona? Eu te levo. – segurou em meu ombro.
- Eu tenho carona, obrigada. – calmamente, me livrei de seu contato. – Vou precisar falar com algum jornalista ou você já tornou oficial o término do nosso noivado?
- Pensei e acho melhor deixar para mais adiante. – respondeu, com descaso. – Vai que você muda de ideia.
- Eu só posso estar ficando louca em estar ouvindo isso. Albert, vou repetir mais uma vez... ACABOU. – passei a mão pelo meu rosto. – E tem mais, já contei para o Richard sobre o término, então... – dei com os ombros.
- O quê? Você o quê? – agarrou meu braço e praticamente me arrastou para o outro corredor próximo às escadas, ficando só eu e ele. – Como se atreve? Quem você pensa que é em falar com o Richard pelas minhas costas? – falava, por entre os dentes. – Isso era responsabilidade minha... – bateu no peito. – Somente minha. Anda se achando muita coisa ultimamente. Só o que me faltava...
- Ele perguntou e eu respondi. Simples assim. – mantive a calma ao responder. – Isso não diz respeito somente a você, então chega com esse discurso que já me cansou. – o ignorei e dei às costas, mas antes que eu pudesse dar um passo à frente, ele me puxou bruscamente de volta.
- Sua... Sua... – travou o maxilar e suas pupilas chegavam estar dilatadas. Ergueu uma de suas mãos e tudo eu senti em seguida foi um ardor em minha face, ao contato de sua mão pesada com meu rosto. Cheguei a cambalear e levei minha mão em minha bochecha logo em seguida. E assim que voltei o meu olhar para cima, seus olhos não demonstravam sequer arrependimento de seu ato.
- Nunca! Mas nunca mais encoste um dedo em mim. – proferi, com raiva em corri para fora o mais depressa que pude, não queria mais ficar um minuto ali. Meu rosto ardia e aproveitei o portão aberto enquanto alguns convidados saíam e desci a pé sem olhar para trás, sequer me lembrei de chamar a . Apenas liguei para um táxi e mandei uma mensagem a ela dizendo que havia ido embora da festa.
Enquanto eu aguardava o táxi, só para variar aqui em Londres uma chuva leve começou a cair. O bom que logo o táxi chegou, evitando que eu me molhasse mais. Rapidamente, sentei no banco traseiro, bati a porta e foi inevitável quando senti meu rosto arder, uma lágrima escorreu.
- Para onde, moça? – virou-se para mim.
Larguei meu celular na bolsa e encontrei uma chave, digo, a chave. Encarei por uma fração de segundos aquele objeto prateado na palma de minha mão e pensei: Que se dane, chega de tanta preocupação, chega de pensar demais, chega de colocar tantos empecilhos. Eu não podia mais negar meus sentimentos e minhas vontades. Sorri de canto e passei o endereço ao taxista.

Capítu lo Quatorze

No momento em que o táxi chegou ao destino, trovões começaram a indicar que a chuva logo iria piorar. Paguei o taxista e assim que pisei para fora do veículo, a chuva decidiu engrossar e precisei correr até a portaria do prédio. Curvei meu corpo e posicionei minhas mãos sobre a cabeça, como se isso fosse impedir de me molhar e acabei me encharcando de qualquer jeito. Falei com o porteiro e assim que disse meu nome, ele imediatamente liberou minha entrada.
Entrei no elevador e me virei de frente para o espelho, passei de leve meus dedos abaixo dos olhos, para limpar a maquiagem que estava borrada e ao observar meu reflexo pude notar o lado esquerdo da minha face levemente vermelho. Meus cabelos estavam encharcados, mas puxei uma mecha para tentar tapar um pouco, meu estômago chegou embrulhar só de lembrar o que havia acontecido há pouco, ainda não estava conseguindo acreditar que Albert realmente havia chegado a este ponto. Tudo isso começou a girar em minha cabeça e por um instante pensei em apertar o botão para descer e voltar para casa, mas assim que o elevador parou no andar e as portas se abriram, tudo clareou em minha mente e segui adiante.
Eu estava com a chave na mão, mas não tive coragem de destrancar a porta e resolvi tocar a campainha. Alguns instantes depois, Liam abriu a porta, sem camisa e de pés descalços, vestindo apenas uma calça de moletom preta.
- , pensei que não viria mais... - Ele me recepcionou com um amplo sorriso. Aquele sorriso doce que a cada dia fazia com que eu me apaixonasse mais. Foi quando um sentimento de conforto e euforia tomaram conta de mim e assim eu soube que eu estava no lugar certo e fazendo a coisa certa.

[PLAY]

Sem pensar em mais nada, dei dois passos à frente, deixei cair minha bolsa no chão e o peguei desprevenido, envolvendo minhas mãos em sua nuca, o puxando para mim, juntando os lábios dele nos meus. Meus lábios estavam frios, os dele estavam quentes e esse choque fez meu corpo inteiro estremecer, como se uma onda de calor percorresse por minhas veias e assim me rendi de vez em seus braços, deixando o beijo aflorar. Seus braços me envolveram firmes pela cintura e os meus ao redor de seu pescoço. Enquanto me beijava, Liam com apenas uma perna empurrou e fechou a porta.
Em um movimento rápido, ele me pegou no colo, fazendo com que minhas pernas se encaixassem em sua cintura, cheguei a soltar um suspiro, ele lançou um sorriso provocante e ao olhar dentro de seus olhos uma vontade de nós dois que há algum tempo existia, transpareceu e agora não conseguiríamos mais nos conter.
Suas mãos agarraram com força minha bunda e ele não hesitou em recomeçar o beijo, assim que a minha língua circulou para dentro de sua boca, pude sentir um gosto amargo de tabaco mesclado com o sabor doce da bebida, embora odiasse quando ele fumava, para mim o seu beijo já havia se tornado singular. Nossos lábios sempre se encaixavam perfeitamente, ele sabia como me fazer sentir desejada e única. Ele me beijava de maneira doce, parecia querer preservar um ritmo lento, mas logo ele começou a guiar o beijo e o ritmo começou a aumentar, agora era um beijo voraz e assim ele foi me conduzindo até o quarto.
Aquele som gostoso da chuva que caía lá fora só intensificava o momento e em seu quarto apenas a luz do abajur estava acesa. Senti como se meu coração fosse saltar para fora do peito no minuto em que ele com todo cuidado me deitou em sua cama e depois separou lentamente nossos lábios, então começou a distribuir beijos pelo meu pescoço. Eu estava dominada por todas aquelas sensações que só ele me fazia sentir.
Com os cotovelos apoiados no colchão, ele permaneceu com seu corpo sobre o meu, então Liam acariciou meu rosto, afastou de leve meus cabelos molhados e me olhou intensamente por um minuto. Ele me faz perder a cabeça quando me olha dessa maneira.
- , nunca imaginei que fosse possível eu me sentir assim... – falou, ainda com sua respiração acelerada, quase que como um sussurro. Em seguida, ele carinhosamente selou nossos lábios em um beijo rápido.
Eu sorri e como resposta minhas mãos escorregaram pelo seu abdômen, passando por baixo dos seus braços, agarrei com força suas costas nuas e cravei de leve minhas unhas, o puxando para mim e trazendo sua boca de volta à minha, arrancando um leve gemido dele.
Com meus os olhos fechados, pude sentir a ponta de seus dedos deslizando pelo meu pescoço até minha nuca. Aquelas mãos grandes e quentes percorrendo por minha pele úmida faziam minha necessidade por ele aumentar. Estava totalmente entregue a ele e aos seus beijos. Meu corpo não obedecia mais aos meus comandos e minha respiração se tornou totalmente descompassada.
Liam começou a tatear a procura do zíper do meu vestido, arqueei minhas costas tentando facilitar. Por um momento, ele parecia ter certa urgência ao querer me despir, mas assim que desceu o zíper, começou a deslizar lentamente a peça de roupa por minhas pernas, era como se ele quisesse explorar cada curva do meu corpo com calma, aproveitar cada segundo, seus dedos gentilmente passearam pela minha pele e isso só me enchia de prazer. O contato de sua pele com a minha fez meu corpo arder em desejo. Perdi o ar no momento em que ele começou a depositar leves beijos, iniciando pelo meu colo e foi suavemente descendo até meus seios. Com sua boca em meu seio direito, sua língua fez leves pressões contra meu mamilo, ele o sugava com vontade, segurei seus ombros com força e não consegui conter um gemido. Minha pele inteira arrepiou-se quando lentamente ele foi descendo sua língua molhada até meu umbigo, enquanto explorava a região suas mãos fortes pressionavam meus quadris. Em seguida, trilhou seus lábios até meu ventre, roçando de leve sua barba e assim que Liam começou a passar a língua pela borda da minha calcinha, me incitando, mordi meu lábio inferior na tentativa de reprimir mais um gemido. Esse ritmo lento era deliciosamente torturante. Desceu um pouco mais e a cada movimento circular de sua língua por cima da calcinha, que já estava úmida, fazia minhas pernas tremerem.
Liam segurou firme minhas coxas, continuando a dar leves mordiscadas por cima do pano, eu não estava mais aguentando, minha respiração estava extremamente acelerada e entre alguns gemidos meus ele aproveitou para pausar, no mesmo instante, resmunguei, lamentando, e ele me olhou de maneira instigante, como se quisesse que eu implorasse por mais.
- Liam... – com a voz rouca, murmurei, em um tom de reclamação. Ele sorriu com satisfação, sabia exatamente como me deixar à mercê de seu corpo. No mesmo instante, calmamente foi tirando minha calcinha e então continuou. Sua língua iniciou o percurso até a região que eu ansiava, com movimentos lentos, tocava sua língua, desenhando círculos. Joguei minha cabeça para trás quando ele penetrou um dedo, gemi alto, então ele começou a movimentar o seu dedo lentamente dentro de mim, mas seu dedo levemente se mexia, ele esfregava os dedos com carinho e delicadeza, e eu estremeci. Enquanto meu corpo tinha reações totalmente alucinantes, senti ele retirando seus dedos inteiramente de dentro de mim e o anseio por mais estava se tornando insuportável.
Eu sorri de lado, passei as mãos pelos seus cabelos e puxei seu rosto para um beijo muito mais quente e apaixonado, logo minhas mãos passearam pelo seu abdômen, desatei o nó de seu moletom, sem partir o beijo o ajudei a descer a calça e ele rapidamente com os pés a jogou no chão. E então foi a minha vez de provocá-lo, entrelacei meus dedos entre o elástico de sua cueca e a ponta de meus dedos delicadamente tocaram sua barriga, ele gemeu por entre meus lábios. Comecei a tocar toda extensão de seu membro ainda por cima do tecido, o contornei por inteiro, usando um pouquinho de força, Liam separou nossos lábios e gemeu ofegante em meu ouvido, me deixando ainda mais excitada.
Assim que ele voltou a procurar meus lábios, eu o afastei e resolvi inverter as posições, fiquei por cima, eu queria estar no controle. Segurei Liam pelos pulsos por alguns minutos e sentei sobre suas pernas. Seu olhar estava atento a cada movimento meu e transparecia toda sua vontade. Estendida sobre ele, colei nossas bocas e com minha língua percorri desde os seus lábios até seu pescoço e assim fui descendo até chegar em seu tórax, depositando vários beijos em seu peitoral firme. Seus gemidos e sua respiração descompassada me fizeram querer descer ainda mais, com a ponta da língua cheguei até sua barriga e com leves mordidas alcancei a borda de sua boxer e sem mais delongas puxei para baixo a última peça que restava, o suficiente para libertar sua excitação. Montei em seus quadris, ele me olhava com anseio, segurei seu membro com uma mão e então deslizei vagarosamente, o tomando para dentro de mim, ele arfou quando comecei a me mover para cima e para baixo e relaxei com a sensação de tê-lo por completo em mim, o encaixe era perfeito. Seu polegar friccionava minha intimidade, sentia todos os músculos do meu corpo tencionarem. O suor de nossos corpos se misturavam e eu estava quase chegando ao meu ápice. Apoiei minhas mãos sobre seu peitoral e fui acelerando os movimentos, minhas pernas já estavam fraquejando.
- ... - Liam gemeu alto. - Mais devagar, senão... - segurou meus quadris com mais força, controlando o ritmo. Com só uma mão me controlando, seu polegar voltou a me estimular e ele continuou a se mover dentro de mim sem parar, de forma lenta e não consegui mais me conter, meu corpo estremeceu e se contraiu, com uma mão me apoiei em seu peito e com a outra agarrei os lençóis, lutando para não deixar um grito ultrapassar meus lábios, mas assim que atingi meu prazer máximo, foi inevitável. Um grito escapou pela minha garganta e simplesmente deixei aquela sensação se apoderar do meu ser, meu corpo inteiro queimava. Liam me segurou firme pela cintura quando meu corpo amoleceu. Ele respirava alto e sorriu satisfeito ao me ver atingir o orgasmo e com as mãos em meus quadris acelerou novamente as investidas, comecei a subir e descer com mais intensidade, ignorei minhas pernas que ainda estavam bambas, pois queria dar o mesmo prazer que ele me proporcionou, intercalei com movimentos rápidos e lentos. – Isso... Continua, eu... – ele gemeu alto, fechou os olhos, sua respiração acelerou mais ainda e senti quando sua rigidez pulsou fortemente dentro de mim. Ele ficou submerso em seu próprio prazer, seus braços estremeceram e soltaram meu quadril, exausto. Fui parando lentamente meus movimentos e colei meu corpo junto ao dele, selando nossos lábios em um beijo calmo, para aos poucos recuperar nossos fôlegos.
Liam passou seus braços ao meu redor, me segurando junto a ele. Recostei minha cabeça em seu peito, que se movia rapidamente, recuperando o fôlego, pude escutar seus batimentos cardíacos acelerados. Em seus lábios entreabertos, notei sua respiração cansada, que escapava esporadicamente. Uma pequena fresta da janela estava aberta, pude sentir um arrepio de frio pelo vento da noite, soprando em minhas costas, minha pele eriçou-se mais uma vez. Liam me segurou mais forte, puxando-me ainda mais perto para me aquecer. No momento em que aconcheguei meu queixo na curva de seu pescoço, pude sentir que quem tremia era ele.
- Está com frio? – perguntei, e puxei o lençol para nos cobrirmos.
- Não. – ele balançou a cabeça negativamente, acariciando meus cabelos baixou seu olhar para mim e sorriu de uma maneira carinhosa. – Eu me pergunto, onde você andou todo esse tempo?
- No Brasil. – respondi, e rimos. Seus dedos moviam-se suavemente para cima e para baixo pelo meio das minhas costas.
- Você está arrependida de ter vindo até aqui esta noite? – perguntou.
- Jamais... – peguei uma de suas mãos e entrelacei nossos dedos. – Não vou mentir pra você, Liam, que tenho sim um pouco de medo, afinal, agora não tem mais volta, tudo que sinto e passamos não consigo mais apagar ou esquecer. – respondi, e ele depositou um beijo no topo da minha cabeça.
- Sabe... – ele continuou. – Agora mais do nunca, me sinto capaz de tudo, inclusive enfrentar o Albert ou qualquer situação contrária, porque nada faz mais sentido sem você. – Apesar de ele ter citado aquele nome que me causava calafrios, Liam me acalmava. “O meu corpo é testemunha do bem que ele me faz” Chico Buarque não poderia descrever melhor minha situação.
- É ilusão achar que as coisas serão fáceis... – suspirei.
- Eu sei que não vai ser fácil, mesmo assim eu quero fazer isso, porque eu quero você. Eu já te falei que eu não vou desistir. – assim que ele terminou de falar, ergui meu olhar a ele e em meus lábios foi inevitável brotar um sorriso genuinamente feliz. Eu sequer tinha alguma resposta naquele momento, não queria me preocupar com o amanhã, queria usufruir cada segundo. Enquanto Liam continuava a acariciar minhas costas, meus olhos começaram a piscar, uma leve sonolência começou a pesar.

Abri os olhos lentamente, olhei para o lado e Liam estava de bruços, dormindo. Virei o rosto para o relógio em cima de seu criado mudo, ao ver a hora que marcava, lembrei de tudo que teria a fazer durante o dia de hoje, não poderia me atrasar para resolver os últimos detalhes antes de iniciarmos a turnê amanhã. Vagarosamente, me levantei e me abaixei para catar minhas roupas que estavam jogadas pelo chão. Meu vestido estava completamente amassado e levemente úmido, mas era a única roupa disponível, então me direcionei silenciosamente até o banheiro.
No instante em que saí, Liam estava se espreguiçando na cama.
- Bom dia! Hora de acordar, dorminhoco... – sorri e sentei ao seu lado no colchão.
- Bom dia... – ele abriu um amplo sorriso, esticou seu braço e me puxou pela minha nuca para um selinho. – Como já está vestida? Assim não vale, eu ainda estou aqui sem nada... Pode voltar aqui para baixo desse lençol comigo. – rindo, ele ergueu o lençol ao seu lado.
- Não, não... Pode ir levantando, Liam James Payne. Temos muitos compromissos hoje. – tentei puxá-lo pela mão.
- Vamos esquecer o mundo hoje? – resmungou. - Deixa todos esses compromisso de lado e deita aqui comigo? – fez um beiço e fui obrigada a rir.
- Eu já vou chegar atrasada. Eu preciso ainda passar em casa, tomar banho e trocar de roupa. E...
- Toma banho aqui e pronto. E eu vou lá preparar um café pra você.
- Bem que eu gostaria, mas eu tenho horário, Liam... E se você não me acompanhar até a porta, eu vou sozinha. – falei, firme, mas sorrindo e me coloquei em pé.
- Está bem, já vi que não vou conseguir te convencer... – sentou-se na cama, apenas com o lençol sobre suas pernas e olhou para o chão. – Onde foi parar minha cueca? – arqueou uma sobrancelha, levantou-se e começou a procurar. – Olha tudo que está perdendo nessa manhã. – falou, enquanto passeava nu pelo quarto. – Aqui está. - encontrou a peça e riu enquanto a vestia. – Agora que já me usou quer ir embora. – rindo, se aproximou e me segurou firme pela cintura.
- É, agora já consegui o que eu queria... – brinquei, e encostei de leve nossos lábios, em um beijo afetuoso e breve. – Eu realmente preciso ir. – falei, relutante.
- Espera... – ele tocou suavemente o lado esquerdo da minha face. – O que aconteceu? Por que está tão vermelho? Estava assim ontem a noite? Ou... Eu não lembro... – ele perguntou, preocupado e eu me esquivei.
- Não foi nada... Acho que ontem a noite devo ter me batido, não sei... Ou é falta de maquiagem. – ri um pouco nervosa porque não queria me lembrar desse ocorrido da noite passada.
- Mas... - Ele me olhou meio desconfiado e de repente ouvimos um barulho vindo da porta da sala.
Liam correu até o outro cômodo e eu o segui, afinal, eu precisava ir logo.
- Andy? O que está fazendo aqui essa hora? – Liam perguntou ao seu amigo, que havia acabado de entrar e largar as chaves em cima da mesa.
- Liam, eu... – ele olhou para mim, estranhando a minha presença. – Foi mal, não sabia que você estava acompanhado... – coçou a cabeça envergonhado. – Eu... Nós tínhamos combinado de almoçar hoje, mas... Combinamos outro dia. – foi se virando de volta até a porta, a abrindo e esticando o braço, recolhendo de volta as chaves.
- Não, eu já estou indo embora... – intervi, aproveitando a deixa para sair.
- . – Liam tocou em meu braço.
- Eu estou atrasada e tenho um milhão de compromissos... – dei um beijo na bochecha de Liam. – Nos falamos mais tarde. – Cheguei perto da porta e juntei minha bolsa que ainda estava no chão. – Tchau. – me despedi rapidamente de Andy, que estava ainda estático próximo a porta, sem muita reação ele balbuciou um “Tchau”, então dei a volta por ele e saí até o corredor, me direcionando até o elevador.

O dia de ontem foi agitado, mal parei em casa. E apesar de ter visto algumas chamadas não atendidas do Albert em meu celular, tive sorte de não o encontrar durante o dia todo. E somente durante a noite terminei de organizar tudo para a viagem e foi quando consegui finalmente falar por telefone com Liam, pois ele também estava com a agenda cheia.
Estava quase na hora de viajarmos. Vesti algo confortável para encarar horas dentro de um ônibus. Eu havia combinado com a que esperaria a van que nos levaria até o local onde estaria o ônibus da turnê no lobby do prédio onde eu morava antes, não queria correr o risco de o Albert descobrir meu novo endereço.
Eu estava sozinha, aguardando no lobby e não demorou muito para a van estacionasse em frente à porta. Nesse mesmo instante, saíram do elevador e Harry.
- Que é isso? Vai viajar por quantos meses, ? – apontou para minhas malas.
- Estou levando apenas o essencial... – franzi a testa e eles riram.
- Amsterdã! Aí vamos nós e ninguém nos segura por lá! – Harry gritou, erguendo os braços para cima. então olhou feio, dando um beliscão no braço dele, o repreendendo. – É brincadeira... – ele debochou, dando um beijo rápido na bochecha da minha amiga. – Olha que linda que ela fica zangada assim. – ele riu e ela balançou a cabeça sorrindo. - Agora me dá um beijo? – olhou para ela e sorriu. - Eu sei que você não vai aguentar de tanta saudade minha. – Harry, com seu jeito brincalhão, agarrou pela cintura e a beijou.
- Tá... Agora chega de tanto beijo aí e vamos que a van está nos aguardando. – Caminhei a passos largos em direção à saída, arrastando minhas duas malas de rodinhas.

Chegamos ao hotel em Amsterdã de madrugada e eu estava exausta. Acabei nem cochilando no ônibus, Luke e Michael estavam agitados e cantaram quase a noite toda, joguei carta e outros jogos com Calum e Ashton, apesar de estar cansada, nos divertimos muito durante a viagem.
Ao conferirmos os quartos, como as reservas já haviam sido feitas antes de eu começar a trabalhar na Modest, para minha felicidade, quem substituísse a Caroline ficaria em um quarto sozinha.
Entrei rapidamente no quarto, larguei minhas malas em um canto, tirei meu sapatos e corri para o banheiro, pois nada melhor que um banho relaxante pra conseguir dormir.
Infelizmente ao me deitar, não conseguia pegar no sono, não tinha visto Liam desde a manhã de ontem, quando nos vimos de longe ao embarcarmos em ônibus separados. Antes que eu pudesse levantar e ir remexer na minha mala para pegar meu celular, o efeito do banho começou a fazer efeito e acebei pegando no sono.

Dormi tão bem que acordei bem cedo e disposta. Desci para ir tomar café, em seguida voltei ao quarto e me troquei para aproveitar a piscina do hotel. Coloquei meus fones de ouvido, sentei à beira da piscina, molhando apenas meus pés.
Enquanto cantava baixinho, inesperadamente fui resgatada de meus pensamentos quando alguém se jogou na piscina, respingando água em mim, me assustando.
- Que droga... – resmunguei, tirando meus fones.
- Desculpe... Mas é que quando entrei e te vi tão distraída, foi inevitável. – Liam riu alto.
- Não teve graça... – tirei os pés da água e me virei de lado, não queria que ninguém nos visse tão próximos.
- Que foi? – apoiou seus braços na beira da piscina, ficando de frente para mim. – Eu sei que não posso me aproximar muito, mas vi que todos recém desceram para tomar café, melhor dizendo, o Albert, então... Isso nos dá alguns minutinhos a sós. – Segurou na ponta dos meus pés e eu imediatamente os encolhi.
- Liam... – o repreendi, e olhei para o lado, conferindo se ninguém estava por perto.
Larguei meu IPhone de lado, coloquei meus pés na água novamente e então Liam me agarrou pelos pés, fazendo com que eu perdesse o equilíbrio e caísse na água.
- De novo? – esbravejei, batendo as mãos na água.
- É só para relembrar. – ele riu e me segurou perto da borda da piscina. – Que tal um replay daquela noite no Harry? – sorriu de canto e eu respirei fundo, tentando me manter consciente.
- Até que não seria uma má ideia. – sorri com malícia, coloquei minhas mãos em seu peitoral e o afastei, jogando alguns pingos d’água em seu rosto.
Nesse mesmo instante, Niall entrou correndo e pulou na piscina, dando mais um banho em nós dois.
- Desculpa, ... – se desculpou, rindo. – O meu alvo era o Liam...
- Ah... – Niall tossiu, cuspindo a água. – E um alerta porque o Albert está vindo pra cá. – ele falou, assim que conseguiu recuperar o fôlego e então me jogou água.
- É guerra, é? – repeti o ato, jogando água no rosto dele.
- Não... Mas é que alguém tem que vir pra salvar vocês dois. – Niall ria entrando na brincadeira e então me agarrou pelas pernas, me colocando sobre seus ombros e me jogando na água.
Enquanto nós três ríamos e nos divertíamos feito crianças na piscina, Luke e Calum chegaram e juntaram-se à brincadeira. Infelizmente, toda alegria tinha que ser interrompida, obviamente por Albert.
- ! O que é isso? – Albert gritou, ao se deparar com a cena. – Saia imediatamente daí... - Fiquei até com raiva, pois aquilo era patético, eu não era obrigada a obedecer aos seus comandos feito um cachorrinho treinado. E ele agia com a maior naturalidade, sequer havia tocado no assunto de ter me dado um tapa na noite da festa na sua mansão, era como se nada tivesse acontecido.
- Você só pode estar brincando... Desde quando tenho que seguir suas ordens? E caso não esteja enxergando bem, isso se chama momento de descontração, Albert. – o desafiei. – Que eu saiba, alguns momentos de diversão dentro da piscina do hotel não são proibidos ou tem algo escrito no contrato que não estou me recordando no momento?
- Não... – engoliu seco sua raiva por não poder fazer uma cena maior na frente de todos. – M-mas... - deu uma leve gaguejada, provavelmente por não esperar que eu o enfrentasse. Albert dirigiu sua atenção a Liam. – Liam, depois tem uma pessoa que está hospedada aqui e pediu para ver você depois da entrevista. E, ... - olhou novamente pra mim. – Mais tarde precisamos conversar. É um assunto muito importante. – deu às costas e saiu do ambiente.
Eu não gostei do tom que ele falou, mas não iria mais ficar intrigada com as coisas que Albert falava, ignorei e voltamos a nos divertir na piscina.

Enquanto eles cumpriam alguns compromissos durante toda tarde, entrevistas em canais locais e na rádio a qual faria um sorteio de alguns ingressos para o show de amanhã, eu aproveitei a folga para conhecer um pouco Amsterdã e claro, fazer umas comprinhas, afinal, amanhã era meu aniversário e decidi eu mesma me presentear.
Quando estava quase chegando ao hotel, aproveitei minha fome para entrar em um restaurante que avistei ali perto. Enquanto aguardava meu pedido, meu celular vibrou e recebi uma mensagem:

Xx Que você está fazendo? Deveria estar aqui, não estamos mais aguentando o Albert. Ele fica só nos olhando assim: [Foto] XD Liam xX

Foi inevitável rir após visualizar a foto. Tirei uma foto do prato que estava na minha mesa e respondi a mensagem:

Xx E eu estou apenas curtindo a folga, comendo! E de sobremesa... Acho que é Stroopwafel, nem sei direito o nome disso aqui, mas é uma delícia! Até depois e aguentem firme aí!  xX

A tarde passou voando, visitei alguns lugares e o sol já estava se pondo quando retornei para o meu quarto no hotel. Larguei as minhas sacolas de compras em cima da cama e fui direto para o banho. Quando terminei e saí do banheiro tranquilamente, fechando meu roupão, fui surpreendida com Albert sentado na beira da cama, de braços cruzados. Pensei que meu coração fosse saltar pela garganta.
- Que susto! – coloquei a mão no peito. – O que você está fazendo aqui? Como entrou? – amarrei mais forte o cinto do roupão.
- Como entrei? Isso não interessa... – calmamente, ergueu-se da cama. – Achou que ia se livrar de conversarmos sobre sua atitude hoje de manhã e como se comportou na festa? – a passos lentos foi se aproximando. – Ultimamente, anda colocando as “garrinhas” de fora, não é mesmo? Tenho mais um aviso pra você, jamais me desrespeite na frente deles novamente. Escutou bem? – curvou-se, ficando cara a cara comigo. Seus olhos estavam vidrados, sem piscar. – Acho que você anda com algum lapso de memória... Esqueceu que você está trabalhando para mim? – bateu no peito, enfatizando a última palavra. Eu cheguei a dar um passo para trás. – Pensa que vai ser fácil se livrar de mim? Eu não sou o tipo de pessoa que costuma perder. E você acha mesmo que pode me desafiar assim? – agarrou a gola do meu roupão.
- Albert... Não. Se você não me soltar eu vou gritar feito louca aqui... – meu corpo tremia. – Me solta agora. – pedi, com a voz firme.
- Nenhum “super-herói” virá te salvar. – debochou. – E eu vou descobrir se você anda saindo com alguém... Eu descubro tudo e tenho certeza que esse seu “casinho” deve ser um zé ninguém, porque olhe bem pra você. – Me olhou com muito desprezo de cima a baixo.
- Cala boca, Albert... Nem sei do que você está falando, me deixa em paz. Só isso que te peço. - segurei em seus punhos, na tentativa de fazer ele me soltar.
- Pode negar, mas se eu descobrir que você está tentando me fazer de trouxa... – bufou. – Você vai se arrepender, pode ter certeza disso, porque ninguém me faz de idiota, entendeu?
- Eu não sei o que você quer de mim, mas eu não tenho mais medo de você, pode me ameaçar o quanto quiser. Vai se mostrar machão e me bater de novo, é isso? – meu coração estava disparado, mas tentava me manter forte, não podia demonstrar fraqueza na frente dele, não mais.
- Mas é uma abusada mesmo. – Albert gritou e me segurou com mais força pela gola e me sacudiu. Nesse instante, alguém bateu na porta. – Serviço de quarto! – gritaram, do lado de fora.
- Esse foi apenas mais um aviso. – falou, por entre os dentes e me jogou contra o armário com bastante violência, fazendo com que eu batesse as costas contra o puxador de ferro da gaveta. – Nunca mais tire a minha autoridade na frente deles! E nunca mais fale comigo nesse tom... – apontou o dedo para mim e em seguida saiu porta afora apressadamente.
- Você está bem? – a moça com o carrinho entrou rapidamente ao me ver sentada no chão chorando. – Quer que eu chame alguém? Relate para o gerente? Ele te fez alguma coisa? – Ela me perguntava, assustada.
- Não se preocupe... – ainda com dor, fui me levantando com a ajuda dela. – Logo fico bem... Eu só tropecei e acabei me batendo as costas aqui. Estou bem. – respondi, enquanto arrumava meu roupão. – Pode deixar ali. – apontei para o champagne que estava no carrinho. Nesse momento, havia perdido totalmente o ânimo de abrir aquela garrafa.
- Está tudo bem mesmo? Não vai precisar de um atendimento médico? – Perguntou, ao ver que eu fui mancando em direção à cama. Eu apenas neguei com a cabeça. – Então está bem. Com licença. – Assim que ela fechou a porta, fui lentamente até a frente do espelho, pois estava doendo muito. Ao retirar o roupão, havia um grande raspão nas minhas costas, só não havia cortado pelo fato do roupão grosso ter amortecido um pouco o impacto.
Um milhão de coisas começaram a passar pela minha cabeça, eu queria sumir daquele lugar. Mas eu tinha um compromisso e um contrato de trabalho que não poderia e não queria abandonar. Pela primeira vez na minha vida eu estava fazendo o que eu gostava, um trabalho o qual eu realmente me identificava. Meu corpo tremia de ódio pelo Albert. Eu não podia mais deixar isso ir adiante, Albert iria me pagar por tudo isso, eu não era mais a , fraca e indefesa, mal ele sabia as armas que eu tinha contra ele, agora era só uma questão de tempo.
Vasculhei minha mala atrás de algum analgésico e achei, acabei tomando junto com um gole do champagne mesmo. Quem sabe assim a dor passava mais rápido.
Alguns minutos depois que deitei na cama, liguei a TV, estava passando uma maratona de Sex and the City. O remédio começou a fazer efeito, a dor estava diminuindo e meus olhos começaram a pesar, quando de repente alguém bateu na porta. Não tinha quase forças para levantar, com dificuldade, praticamente me arrastei até a porta.
- Oi... Já estava dormindo? – Liam perguntou. – Eu vim convidar para ir junto com o pessoal até o bar aqui do hotel. Você quer ir?
- Acho melhor não, Liam. – estiquei um pouco a cabeça para fora da porta para me certificar que não tinha ninguém no corredor. – Estou um pouco cansada.
- Você não está bem... – juntou as sobrancelhas com um olhar preocupado. – Será que vai ficar doente? Precisa de um remédio? – colocou a mão na minha testa.
- Estou bem, só cansada... - Vão se divertir vocês. Prometo que amanhã já estou melhor, está bem? – sorri fraco.
- Tem certeza? Senão vou ficar aqui com você... É só você pedir que eu fico. – falou, baixinho, bem próximo do meu rosto. - Acho que vou ficar aqui com você... – deu um passo à frente, tentando entrar no quarto.
- Você é louco, olha, tem as câmeras de segurança. – com a palma da mão o segurei para que não entrasse.
- Louco? Só se for louco de vontade de te beijar agora mesmo. – aproximou novamente seu rosto do meu. – Vontade de...
- Para... – eu ri fraco, o afastando novamente, contra a minha vontade.
- É sério, vou ficar por aqui... E...
- Liam? – uma voz feminina surgiu no corredor. E para minha surpresa, era ninguém menos que sua ex-namorada, Sophia.
- Sophia? – espantado, Liam olhou para trás. – O quê? Como você está aqui? Digo... – ele se atrapalhou nas palavras.
- Eu vim para Amsterdã assistir ao show de amanhã de vocês, eu falei com o Albert hoje pela manhã, ele não passou meu recado? Você sabe que ele e meu pai são conhecidos, assim eu soube que hotel você estaria, preciso conversar com você. – Sophia se aproximou mais de Liam. E eu ainda na porta assistindo isso tudo. – Oi. – Ela olhou para mim. - Você por acaso não é a noiva do Albert? Eu vi nas revistas... Meu pai me disse que você trabalha com a 5SOS.
- Ex noiva... Ex... E sim, trabalho. – respondi, seca.
- Humm... Vem, Liam, estou indo no bar... Vamos... – o segurou pelo braço, praticamente tentando o arrastar até o elevador.
- Não, Sophia eu... – ele me olhava confuso.
- Como? – olhou intrigada para ele e depois balançou a cabeça. – E você não vem, ? – ela convidou.
- Não... – respondi, séria. – Vão vocês dois. – engoli seco.
- Logo eu vou, Sophia... Pode ir primeiro. – Liam tentou soltar seu braço dela.
- Então eu espero... – enroscou seu braço no dele. A minha vontade era de pegar aquela menina e arrastar ela pelos cabelos e encerar o piso do corredor.
- Quer saber, vão de uma vez... Eu vou ficar por aqui, podem se divertir por mim. Está bem? – o encarei por alguns segundos e calmamente fechei a porta na cara deles. Eu não estava mais conseguindo ver aquela cena, meu estômago ficou embrulhado, mas eu não podia fazer nada, absolutamente nada a respeito e isso fazia minha cabeça latejar e um milhão de coisas começaram a passar pela minha cabeça, eu estava ficando louca em pensar nela tocando no Liam. Respirei fundo para afastar todos esses pensamentos e meu corpo começou a ficar mole, aquele remédio era forte mesmo. Deitei novamente e simplesmente apaguei.

Capítulo Quinze


Liam’s POV on

A cada gole, ficava me perguntando o que havia de errado com ? Ela parecia triste, sabia que ela não estava bem, mas não necessariamente sabia o porquê. Eu sei que as coisas entre nós não são tão simples, mas... Que merda, nessas horas percebo o quanto a fama atrapalha minha vida. Mas eu estava me sentindo diferente, queria subir e poder conversar, vê-la, tocá-la, não sei, apenas estar junto. Meus pensamentos voltaram para a noite no meu apartamento. Qual é o meu problema, afinal? Por que estou aqui se a minha vontade é estar com ela? Mas será que essa é a vontade dela também?

- O que houve? Você está distante essa noite, Liam. – Sophia tomou um gole de sua bebida. – O que posso fazer para te prender atenção? – ela abriu um sorriso inocente no canto dos lábios, levantou-se do banco, parou ao meu lado e me encarou. Nesse instante me resgatou de meus pensamentos que haviam viajado, mais especificamente para o 11º andar, no quarto 1106. – Você não me ligou, não sente mais a minha falta? – perguntou bem próximo ao meu ouvido.

- Como? – finalmente voltei minha total atenção à ela. - Sophia, o porquê de tudo isso agora? – afastei meu rosto. - Viajar até aqui e se hospedar no mesmo hotel? Não consigo entender. – falei e assim que o garçom repôs minha bebida no balcão, girei meu banco para o bar.

- Como porquê? Não está claro? Eu sinto a sua falta. – pousou sua mão sobre a minha no balcão. Estranhei ao ter um sentimento de que aquilo não era certo. Pelo menos não mais. E em uma fração de segundos a imagem da invadiu minha mente, novamente.

- Sophia... – com calma, afastei minha mão da sua. - Você já esqueceu? Todas minhas ligações que você ignorou? Lembra quando fui até a sua casa e implorei por mais uma chance? E qual foi a resposta? Não lembra mais de tudo que você me falou? Você fez questão de deixar bem claro que estava tudo acabado. E porque esperou até agora para vir atrás? – Foi quase como um desabafo falar isso a ela. Respirei fundo e segurei meu copo e tomei um longo gole de “whisky”.

- Eu sei... Eu errei mais uma vez, mas... Me perdoa? – pediu meio sem jeito e me encarou firmemente em meus olhos. – Eu fui imatura e impulsiva, pensei que ia ser melhor assim, mas...

- Não... – a cortei. – Não é simplesmente chegar aqui, me olhar assim e achar que tudo será como antes. Foi uma escolha sua e admito que fiquei na pior quando terminamos e teve dias em que até esperei que voltaríamos mais uma vez. Fiquei tentando entender porque não havia dado certo, mas agora passou. Sem mais recaídas e arrependimentos. Eu estou muito bem agora. – respondi tranquilo e sorri de leve. Eu até me senti aliviado, como se eu estivesse colocando um ponto final de uma vez por todas.

- Você está saindo com outra pessoa? É isso? – perguntou alarmada.

- Quem te contou? Digo... De onde você tirou isso? – perguntei rapidamente com o tom de voz mais baixo.

- O Andy comentou que viu você acompanhado, mas eu não acreditei e então eu resolvi vir até aqui para...

- O que o idiota do Andy tem que se meter? – franzi a testa e balancei a cabeça negativamente. – Agora entendi... – empinei um gole, larguei o copo sobre o balcão e girei o banco parando de frente para ela. – O que ele te disse afinal?

- Nada, Liam... – ela respondeu emburrada. - Você sabe que essas “groupies” de uma noite só não conta e...

- Ela não é de uma noite só... – meu sangue subiu na hora, foi como um reflexo e respondi zangado. Acho que nunca havia me alterado dessa maneira com Sophia antes, mas não consegui evitar.

- Calma... – ela arregalou os olhos e sentou-se novamente em seu banco.

- Desculpa... – dei um suspiro. - Mas não deveríamos estar falando sobre isso. Eu e você já acabou Sophia, não devo mais nenhuma explicação da minha vida. – virei-me novamente para o balcão, escorei meus cotovelos e bebi mais um gole do meu “whisky”.

- Eu pensei que... Quer dizer, acho que você... – ela virou a taça e tomou o resto em um gole só e mais uma vez levantou-se e parou ainda mais próxima do meu banco. – Acho que você está só tentando me fazer ciúmes, se vingar... Não sei... – deu com os ombros, visivelmente chateada. – Olha pra mim... – virou de leve meu rosto para me olhar nos olhos. - Eu faço qualquer coisa para reparar meu erro. Preciso de mais uma chance. – Desviou seu olhar para o chão por alguns segundos e depois voltou sua atenção a mim. – Eu... Eu te amo, Liam. – falou em tom de voz baixo próximo ao meu ouvido.

Fiquei totalmente sem reação e permaneci em silêncio por alguns minutos, tomei o último longo gole e larguei novamente meu copo sobre o balcão.

Liam’s POV off


Escutei alguém batendo na porta, eu estava um pouco atordoada, aquele remédio realmente havia me nocauteado. O barulho parecia distante, mas foi aumentando conforme eu ia abrindo meus olhos. A dor em minhas costas infelizmente ainda permanecia, mas estava mais amena. Lentamente me estiquei para pegar meu celular e ver que horas eram, marcavam uma e meia da manhã. Achei muito estranho e fiquei até um pouco assustada. As batidas pararam, mas mesmo assim resolvi me levantar e descobrir o que estava acontecendo.

Destranquei a porta com cautela e me surpreendi por encontrar Liam escorado ao lado da porta.

- ... Eu precisava falar com você. – as palavras saiam um pouco arrastadas da boca de Liam, demonstrando estar levemente embriagado. Virou-se junto à porta e então me agarrou forte pela cintura. – Eu queria... – meu coração acelerou naquele instante. Medo? Excitação? Saudade? Ou um pouco de tudo?

- Liam, não. – pronunciei com a voz baixa. – Liam... - Tentei afastá-lo sem êxito. Ele era mais forte que eu. – Liam... – cochichei mais uma vez, para não acordar ninguém. Se alguém aparecesse no corredor nesse momento, seríamos pegos. Ele com apenas uma mão, pressionou levemente minhas costas, colando mais nossos corpos. Apesar do desconforto que estava sentindo em minha costas, seu toque era como se anestesiasse. Seus olhos não desviavam dos meus, fazendo meu corpo inteiro arrepiar.

- O que você está fazendo aqui a essa hora? - cochichei e antes que alguém nos flagrasse juntos na porta do meu quarto, me afastei rapidamente e o puxei para o corredor. – Você precisa ir para o seu quarto.

- Só vou se você for junto. – travou no meio do corredor, feito uma criança emburrada. Claro que não iria deixá-lo plantado por ali.

- Vem comigo... – Peguei em sua mão e fui o guiando até a sua porta. - Onde está a chave? – perguntei e ele apalpou o bolso de trás e então me alcançou o cartão.

- Você sabe... – disse assim que paramos diante da porta do seu quarto. - Não tem mais volta. – ele enrolou um pouco a língua e respirou fundo. – Não tem mesmo... – ele continuou, enquanto eu abria a porta e o conduzia até o interior do seu quarto.

- Volta do que? – franzi a testa e fechei a porta atrás de mim. - Do que você está falando? – Continuei o direcionando até sua cama, sem entender o que ele queria me dizer.

- Eu juro pra você... – continuou e largou seu corpo sobre a cama, sentando-se em seguida - Só tem uma pessoa que eu quero. – segurou suavemente em minha mão. - Eu e a Sophia não existe mais...

Eu estava de pé diante dele e minhas mãos congelaram assim que ele mencionou o nome dela. Por que ele estava me dizendo isso?

- E não me importo em repetir quantas vezes forem necessárias. É você... E ela é passado... E-eu precisava te dizer isso. – sua voz saiu arrastada e ele me puxou para que eu sentasse ao seu lado.

- Por que isso agora, Liam? - ele estava me assustando, não fazia sentido o que ele estava dizendo. – O que aconteceu? – perguntei desconfiada.

- Nada... Não... É que... – soltou um suspiro pesado. – Você e o Albert? Não vão voltar? Eu... – ele se embaralhou um pouco. – Não tem mais volta, né? Você e...

- O quanto você bebeu, Liam? Deve ter sido muito mesmo, para falar essas besteiras... – balancei a cabeça negativamente e ele riu fraco.

- Não é besteira... E não bebi muito... É que... – fez uma pausa. - Sabe? – pousou sua mão sobre a minha perna e ficou me encarando. - Está cada dia mais insuportável ficar longe de você. – um sorriso brotou em meus lábios e ele aproximou seu rosto do meu e sem quebrar nosso contato visual, pousou sua outra mão em meu rosto. – Adoro o modo como sorri para mim. - Uma sutil distância ainda existia entre nossos lábios. Respirei fundo sentindo seu perfume amadeirado mesclado ao cheiro do álcool que ele exalava naquele instante. Tudo parecia em câmera lenta e eu necessitava ter seus lábios macios e quentes pressionados contra os meus novamente. Impetuosamente ele selou nossos lábios em um beijo ardente, urgente e cheio de desejo. Um formigamento percorreu minha pele e minha pulsação aumentou. Ele me beijava como se estivesse faminto. Eu correspondia na mesma intensidade, agarrei sua nuca e aprofundei mais ainda o beijo. Minhas pernas amoleceram, perdi total controle e meu corpo estava inteiramente dominado por ele. Suas mãos moveram-se agilmente até minha cintura, deitando-me por completo na cama. Liam debruçou seu corpo sobre o meu, sem romper nosso beijo.

[PLAY]

Senti relutância da parte dele assim que o afastei para recuperar o fôlego. – Eu... – segurei em seus ombros e parei de falar assim que encarei aqueles olhos castanhos extremamente envolventes. Pude então notar o quão cansada estava de resistir às minhas vontades e reprimir meus verdadeiros sentimentos, queria na verdade me deixar me levar pelo momento. Todas minhas estruturas ficaram abaladas e meu raciocínio lógico não existia mais. Que efeito era esse que ele tinha sobre mim? Principalmente toda vez que sentia o contato da sua pele com a minha. Depois de ter experimentado as sensações que ele me fez sentir, não havia como voltar atrás e tudo que eu queria era experimentar mais uma vez.

Então levei minhas mãos até sua nuca e o puxei com força para mais perto, colando mais uma vez nossos lábios e dando continuidade àquele beijo enlouquecedor. Meu corpo já suava frio e me entreguei ainda mais, intensificando o ritmo do beijo.

Liam deixou correr seus lábios pelo meu pescoço descoberto. Nossa, como seus toques me deixavam louca. Não demorou muito para que Liam soltasse o nó do meu roupão, revelando minha camisola rosa de cetim. Liam me fitou de forma que transparecia todo seu desejo e mordeu de leve seu lábio inferior. Sem enrolar, ergui meu corpo e arranquei aquele roupão, totalmente desnecessário. Não demorou para Liam voltar seus lábios até o meu pescoço e com uma de suas mãos livres, agarrou meu seio esquerdo por cima daquele fino tecido, arrancando um gemido rouco da minha garganta. Nossos corpos imploravam por mais. Passei minhas mãos por baixo de sua camiseta e depressa a puxei pela sua cabeça, jogando-a em algum canto do quarto. Eu necessitava daquele contato, eu precisava tê-lo mais uma vez e seu corpo não negava todo aquele anseio todo por mim. Minha pele eriçou-se ainda mais quando seus dedos começaram a percorrer através das minhas coxas, ao mesmo tempo em que distribuía beijos pelo meu ombro e colo. Levei minhas duas mãos até seu rosto, puxando-o novamente para mim, eu queria seus lábios nos meus. Sem romper o beijo, desci minhas mãos até o cós da sua calça jeans, roçando de leve minhas unhas. Senti seu abdômen contrair e eu tinha pressa em me livrar daquela peça de roupa. Abri rapidamente o botão da calça e desci o zíper. Liam estava perdendo o fôlego e parou o beijo por alguns segundos, me olhou de forma doce, mas ao mesmo tempo provocante e soltou um suspiro fraco, antes de se livrar de vez daquela calça.

Sorri para ele de volta com malícia e assim que ele se aproximou, cravei minhas unhas em suas costas o trazendo de volta para mim e ele gemeu por entre meus lábios. Pude sentir sua pele arrepiar pelos meus dedos. Seu corpo quente sobre o meu, me deixava extasiada. Liam parecia insaciável esta noite. Mas não era apenas ele, pois eu estava pouco me importando onde estávamos e a todas as circunstancias que nos cercavam, eu precisava dele e isso me bastava, meu corpo e coração gritavam mais alto.

No instante em que tentei inverter as posições, Liam me segurou pelos pulsos e negou com a cabeça. – Não, não... – mordeu o lábio inferior e com apenas uma mão continuou segurando meus pulsos sobre minha cabeça e com a outra lentamente foi abaixando uma das alças da minha camisola. O tecido gelado deslizava sobre minha pele, causando leves arrepios e logo meus seios ficaram à mostra. Minha respiração começou a ficar totalmente descompassada, pois eu sabia o que viria a seguir. Sem dó abocanhou um de meu seios, sugando com vontade, oras apenas passando a língua de leve pelo mamilo, oras dando leves mordidinhas, segurei meus lábios por entre os dentes segurando meus gemidos. Ele sabia como me deixar totalmente submersa àquelas sensações. Essas carícias lentas me torturavam, eu necessitava senti-lo mais.

Soltou meus pulsos, para poder terminar de deslizar a camisola pelas minhas pernas e a jogou no pé da cama. Imediatamente seus lábios voltaram a ter contato com a minha pele, distribuindo leves beijos pela minha barriga. Seus lábios quentes rondavam meu umbigo e assim ele contornou e pulou até minhas coxas, onde começou a dar suaves mordidas, resultando em mais arrepios através de todo meu corpo. Lentamente chegou até a borda da minha calcinha e com os dentes, puxou o elástico dela. Meu abdômen contraiu e soltei um suspiro de excitação. Com suas mãos fortes ele foi terminando de retirar a última peça que me restava. Segurou firme minhas coxas e se posicionou entre elas. Roçou de leve sua barba, pelo meu ventre, me provocando. Eu estava toda arrepiada e ele sorriu satisfeito ao perceber as reações que causava em mim.

A movimentos lentos, sua língua começou a percorrer pela minha intimidade. Agarrei os lençóis com força, sua língua fazia movimentos circulares e a cada toque torturante da sua língua naquela região tão sensível, fazia meu corpo arder e se contorcer. – L-Liam... – seu nome saiu com dificuldade em meio a suspiros. Assim que senti ele me penetrar lentamente com dois dedos, um gemido mais alto, escapou da minha garganta. Liam afastou seus lábios e sorriu de leve, se deliciando ao ver o prazer que ele me proporcionava. Ele continuou alternando movimentos lentos e rápidos e sua língua era impetuosa. Fechei meus olhos para me entregar por completo ao seu toque suave e excitante. Eu estava delirando, logo atingiria meu prazer máximo, não estava mais conseguindo me controlar. Gemi baixo, em meio àqueles movimentos tão precisos, minhas pernas começaram a se contrair e Liam retirou sem dó seus dedos, fazendo com que eu murmurasse, reclamando e implorando por mais e ele sorriu de canto e em um movimento rápido e desesperado arrancou sua cueca. Mordi o lábio inferior ao ver seu membro tão rígido. Liam se debruçou contra o meu corpo, que estava queimando e implorando por ele.

- Quero você... – ele segurou meu rosto por entre suas mãos. Eu nada respondi apenas sorri e me deixei ser tomada por ele de novo, senti seu membro me invadir de uma só vez, fazendo meu corpo estremecer. Ele dava leves mordidas em meu ombro, conforme ia me penetrando com mais e mais força. Tudo que pude fazer foi cravar minhas unhas em suas costas. A cada investida dele eu não continha mais meus gemidos, pouco me importava se alguém fosse passar no corredor e escutar. Nossos corpos se chocavam com mais e mais força. Liam estava fora de controle. E quanto mais o ritmo aumentava, mais meu corpo correspondia, eu estava quase chegando ao orgasmo. Gostava da forma como Liam forçava seu corpo contra o meu, a forma como ele me segurava, toda possessividade em seus movimentos. Então o segurei com força, não o deixando parar. Com minhas pernas envoltas em sua cintura o fazia chegar mais fundo, eu estava no meu limite. Nossos corpos chocavam-se contra o outro em uma velocidade enlouquecedora. Eu não queria parar, mas não conseguiria mais me conter. Mordi meu lábio, fechei meus olhos com força, agarrei seus ombros e um gemido alto preencheu o quarto e joguei minha cabeça para trás. Meu corpo inteiro estremeceu e minhas coxas se contraíram contra o corpo de Liam, o prendendo mais firme e então meu corpo relaxou. Meus lábios estavam um pouco trêmulos quando Liam quase sem fôlego, colou seus lábios nos meus, em um beijo suave. Toda aquela onda de satisfação percorreu por todo meu corpo e o prazer era tanto que a dor nas minhas costas se tornou inexistente.

Tê-lo por completo dentro de mim, fazia meu corpo queimar. Liam me segurou firme e começou a intensificar novamente seus movimentos, eu sabia que logo ele também atingiria seu orgasmo, ele não aguentaria por muito mais tempo, seu corpo estava suado, sua respiração estava falha e após mais alguns movimentos rápidos e lentos, Liam apertou forte minha cintura e continuou a me penetrar com vigor até que fechou seus olhos e soltou um gemido rouco e assim aos poucos foi perdendo suas forças, diminuindo os movimentos até parar e deixar seu corpo cair, com todo cuidado, sobre o meu. Nossas respirações aceleradas e descompassadas se misturavam. Meu coração parecia que ia saltar para fora do peito. Pousei delicadamente minha mão sobre seus cabelos e comecei o acariciar calmamente. Logo ele reagiu e soltou um suspiro leve, recuperando aos poucos a velocidade normal de sua respiração. Suavemente saí debaixo dele, não tinha forças suficientes para suportar seu peso, meu corpo estava mole. Segurei seu braço e coloquei por baixo da minha cabeça, invertendo a posição. Fiquei próxima ao seu peito e pude ouvir seus batimentos cardíacos acelerados. Então ele me abraçou com mais força, colando ainda mais nossos corpos.

- Liam... – sussurrei ainda recuperando meu fôlego. – Posso te pedir uma coisa? – perguntei enquanto lentamente ele passava a ponta dos dedos pelo meu braço.

- Uhum... – respondeu sonolento.

- Você estava no bar do hotel até a hora de subir para o meu quarto? – assim que pedi, ergui a cabeça e olhei para ele.

- Sim... – ele sorriu fraco e estava com os olhos estreitos, quase dormindo.

- E... – hesitei alguns segundos. – A Sophia estava com você? Digo... O que aconteceu no bar? – continuei o interrogatório, um pouco apreensiva, com receio do que ele contaria, mas ao mesmo tempo não queria parecer insegura. Ele se mexeu na cama, despertando um pouco.

- , não... – ele se enrolou um pouco. – Não aconteceu nada... – as palavras saiam mais lentas por ter bebido e estar cansado. - Só conversamos e... Ela vai ir embora amanhã. Está tudo resolvido. – ele sorriu fraco. - E não vamos ficar falando disso... – depositou um beijo na minha testa. - Eu quero te dizer que você é toda minha. - riu e me puxou para cima dele. Eu fiquei de bruços sobre seu corpo e ele me abraçou forte, apertando o local machucado.

- Ai... – um murmuro de dor acabou escapando por entre meus dentes. Aquela maldita dor que até minutos antes havia esquecido que ela existia, voltou e senti minhas costas latejarem novamente.

- O que houve? – ele me soltou rapidamente e me olhou apreensivo. – Não te apertei tão forte assim...- eu me virei de volta, deitando sobre seu braço mais uma vez.

- Não foi nada, Liam... – puxei o lençol para tapar minhas costas. – Eu que... Sabe como sou desastrada. Eu cai e bati as costas no puxador da gaveta no meu quarto... – ri fraco.

- Deixa eu ver... – escorou o cotovelo no colchão e se impulsionou para ver minhas costas.

- Não é nada.. Está só um pouco dolorido... – me tapei mais com o lençol e sentei na cama. - Eu preciso voltar para o meu quarto. – troquei o foco do assunto, não queria estragar o momento lembrando da fúria do Albert.

- Dorme aqui comigo? – passeou com a ponta dos dedos pela minha coxa, deixando toda minha perna arrepiada. - Assim eu cuido de você... – puxou minha mão que estava sobre meu colo e depositou um beijo rápido. - Não deixo mais suas costas doerem... – deu um risinho. Ele agindo dessa maneira, me deu vontade de ficar ali mesmo, mas eu precisava ser realista naquele momento.

- Realmente você é louco, Liam Payne... – balancei a cabeça e ri. – Claro, vamos nos arriscar mais e mais... E já imaginou, cedo pela manhã quando o Albert vem acordar todos... – falei pausadamente e sorri. – Na verdade, acho que a louca aqui sou eu. Estou pensando em como irei sair do seu quarto a essa hora sem ninguém me ver. – ri e dei um beijo em sua bochecha antes de passar o lençol ao redor do meu corpo e me levantar da cama.

- Está bem... – soltou um suspiro frustrado e virou-se no colchão, de barriga para cima e com os braços atrás de seu pescoço. - Quando será o dia em poderei ter você ao meu lado, sem precisar mais ter que me esconder ou ter que fingir? – virou-se de lado novamente, me observando enquanto eu vestia minha camisola.

- Nem eu tenho essa resposta, Liam. Eu também gostaria que tudo fosse mais simples, afinal com você tudo vira notícia, fofocas e tudo mais... Você sabe. – continuei falando enquanto andava pelo quarto a procura da minha calcinha. – E... – me abaixei perto do pé da cama. – Achei. – balancei a peça no ar e ri, fazendo ele rir também. Vesti meu roupão e sentei novamente ao seu lado na cama. - Por mais que eu e o Albert não tenhamos mais nada, eu ainda trabalho na Modest e é complicado... Acredite, a cada dia está mais difícil me manter longe de você. – fiz um carinho em seu rosto.

- Eu não tenho medo do que terei que enfrentar... Mas... Sou paciente e vou esperar... Afinal o fim do seu noivado está tão recente, não quero te prejudicar. – puxou meu braço e me deu um beijo calmo. – Minha ? - Ele falou “minha”? Assim que escutei foi inevitável eu rir baixo. – Feliz Aniversário. – ele então abriu um amplo sorriso, que me fez sorrir também.

Poucas pessoas sabiam do meu aniversário, eu realmente não lembrava de ter contado a ele. Não que fosse algum segredo, apenas estranhei.

- Obrigada. E durma bem, Liam... – Contra minha vontade me levantei da cama.

Em seguida ele fechou os olhos e percebi que logo pegou no sono. Calmamente abri uma frestinha da porta e vi que não havia ninguém no corredor, fechei a porta rapidamente do seu quarto e voltei correndo na ponta dos pés até o meu.

Eram nove horas da manhã e fui direto para baixo do chuveiro. Vesti uma blusa mais soltinha, para que não ficasse desconfortável. Eu estava terminando de me arrumar quando o serviço de quarto bateu à minha porta. Coloquei meu brinco e caminhei até a porta. Abri, olhei para os lados e não havia mais ninguém no corredor, apenas o carrinho e sobre ele uma bandeja com uma pequena caixa em cima. Puxei o carrinho para dentro do quarto. Abri aquela embalagem e haviam seis “cupcakes” dentro e ao lado havia um pedaço de papel que estava escrito:

“Hoje é dia de festejar... Happy B-day, ! Hoje é o seu grande dia e que ele seja inesquecível. Faça um pedido, tem uma vela junto dentro da caixa.

PS: Achou mesmo que a surpresa seria essa? O presente mesmo vem depois... Nos vemos antes do show.  Love Liam



Estava sentada no lobby do hotel, fuçando no meu celular, enquanto aguardava Luke, Michael, Calum e Ashton descerem. Aproveitei também para responder a mensagem que minha mãe havia mandado, como eu estava com saudades de casa, bateu uma nostalgia, afinal era meu terceiro aniversário longe da minha família. Guardei meu celular na bolsa e senti meu coração apertado.

- Surpresa “Birthday Girl”. Happy Birthday! – Ouvi uma voz familiar por trás de mim.

- ! – Levantei-me do sofá. – Mas como? Como você está aqui? Digo, que bom que veio!

- Eu queria fazer uma surpresa pro seu aniversário. E aqui estou! Tem presente melhor que a minha presença? – ela sorriu e me deu um abraço apertado. Senti uma fisgada de dor e discretamente me esquivei. – Que foi? – percebeu, mesmo eu tentando não demonstrar.

- Nada... Só um pouco de dor nas costas. – respondi.

- Hummm... – me olhou desconfiada.

- Quando você chegou? – perguntei rapidamente, para não entrar em detalhes.

- De madrugada. Achou mesmo que eu ia perder seu aniversário? E ainda de bônus poder ver meu namorado? – ela riu.

- Então senhorita Styles... – ergui uma sobrancelha. – Embora eu saiba que eu não sou o motivo principal da sua vinda, eu estou feliz que esteja aqui. – falei animada.

- Ai, que ingrata... – deu um tapa no meu ombro.

Fomos interrompidas assim que Zoey, Calum, Mike, Ashton e Luke chegaram.

- Feliz Aniversário, ! - Ashton foi o primeiro que correu em minha direção e me abraçou pela cintura, levantando-me do chão. Em seguida Calum, Michael, Luke e Zoey, também me abraçaram. Para minha sorte nenhum me abraçou com muita força.

O segurança da banda veio nos chamar, avisando que a van que nos levaria até a “Amsterdam Arena” havia chegado. Rapidamente me despedi da e que mais tarde nos encontraríamos no show.


Enquanto a 5SOS estavam fazendo a passagem de som, fiquei no camarim terminando de organizar os figurinos e outros detalhes com a ajuda de Zoey. Deixei ela para finalizar os últimos ajustes por ali e para agilizar peguei algumas caixas que estavam escritas “One Direction”, coloquei em um carrinho e me direcionei até a área do camarim deles, estranhei por ainda não estarem ali, mas pelo horário, logo chegariam.

Mais uma hora havia se passado e eu continuava correndo feito uma louca para lá e para cá, eram muitos detalhes e eu ainda não havia cruzado com Liam. Faltavam apenas duas horas para a 5SOS subir ao palco, eu continuava correndo pelos backstages, terminando de organizar tudo e através dos corredores notei que os portões haviam sido abertos, ao escutar os gritos das fãs que ecoavam por todo estádio.

Recebi uma mensagem estranha de Zoey, dizendo que precisava da minha ajuda urgente. Eu estava um pouco perdida, mas logo avistei a sala a qual ela indicou na mensagem. A porta estava fechada e assim que entrei, fui surpreendida por Zayn, Louis, Niall, Harry, Liam, a Zoey, Michael, Calum, Ashton, Luke, a Lou e várias pessoas da equipe, cantando Parabéns. Zoey segurava um bolo e veio em minha direção para eu apagar as velas.

- Faz um pedido. – gritou Niall.

Pensei por alguns segundos, inspirei bem forte o ar e então soprei as velas.

Em seguida todos vieram correndo para me dar um abraço, tentei me esquivar um pouco, para não demonstrar a dor que estava sentindo. Niall, inclusive resolveu tirar uma selfie comigo para postar.

Harry começou a servir o bolo para todos. Eu ainda não estava acreditando, estava muito feliz com essa surpresa.

- Essa era a urgência, dona Zoey? Por isso não encontrava ninguém. – eu ri. - Muito obrigada a todos. – agradeci com um largo sorriso no rosto. – Vocês não sabem como fiquei feliz com essa surpresa.

- Será que dá tempo de comer mais um pedaço de bolo? – Michael perguntou.

- Estão todos prontos? – De repente Albert abriu a porta. Respondendo a pergunta do Michael. – As fãs já estão aguardando. Vamos. – bateu palmas, chamando todos para fora e acabando com o momento. Aos poucos, um a um saíram e se dirigiram para sala ao lado onde aconteceria o Meet&Greet.Vamos rápido... – Albert gritou do corredor para apressar todos.

Eu estava perto da mesa, ao lado da porta, guardando o que sobrou do bolo. Enquanto todos estavam saindo, Liam se aproximou discretamente e me entregou uma pequena caixa azul.

- Espero que você goste. – Deu um passo a frente e me abraçou forte, enroscando seu braço em minha blusa, fazendo com que eu soltasse um gemido de dor. – O que foi? – me olhou preocupado. – Ainda está com dor?

- Um pouco. - me afastei, olhei para os lados e arrumei minha blusa. - Obrigada pelo presente e pela surpresa hoje de manhã.

- É o mínimo que você merece... – lançou um sorriso terno.

- Cadê o Liam? – Albert gritou do corredor.

- É melhor você ir, nos falamos mais tarde. – sorri de leve e antes de ele se afastar, discretamente deslizou seus dedos pela palma da minha mão e então foi se distanciando ainda um pouco relutante.

Quando fiquei sozinha na sala, aproveitei e me sentei para abrir o presente. Dentro da caixa haviam dois pingentes e em cada um tinha um pequeno bilhetinho. No primeiro [Always Remember Me¹] e no segundo [Use-os juntos] e no fundo da caixa mais um pequeno bilhete: “Apesar de ser complicado, não quero que você desista de querer ser minha .”

Liam realmente sabia como me surpreender cada dia mais, com esses gestos que me deixam mais e mais encantada. Essa vontade boba de ficar sorrindo sempre prevalece quando se trata dele, acho que jamais imaginei que alguém pudesse mexer tanto assim comigo. Parece meio idiota, mas com ele sinto minha alma clarear, mesmo quando tudo ao redor às vezes tenta me apagar e me colocar para baixo.

Um pouco antes da 5SOS saírem do palco, apareceu do meu lado, animada por ter conseguido uma credencial. Logo em seguida foi dado início à abertura, as fãs enlouqueceram.

Esse era o primeiro show da turnê que eu estava presente. acompanhava todas as músicas, sem errar uma. Após tocarem “Moments”, o telão exibiu pedidos de fãs por vídeo. E antes de finalizarem o show, Liam chamou atenção de todos.

- Hoje tem alguém muito especial que está de aniversário. Ela é nossa nova stylist ! Vamos todos cantar para Parabéns? – Quando ele terminou de falar fui focada pela câmera no telão, ao mesmo tempo que não conseguia me conter de felicidade, não sabia onde me esconder de tanta vergonha. Então todos em um coro cantaram Parabéns para mim, foi muito emocionante, não consegui conter a emoção e meus olhos encheram de lágrima, não estava acreditando que isso realmente estava acontecendo. Era muita coisa para um dia só.

Depois uma queima de fogos encerrou o show.

Assim que chegamos ao lobby do hotel, Albert aproveitou a presença de todos e anunciou que um jantar iria ser servido em comemoração ao meu aniversário quem quisesse participar, que depois teria o after party no clube Paradiso. E assim que todos estivessem prontos se direcionassem ao salão de eventos.

Voltando sua atenção à mim, Albert ficou bem próximo e cochichou:

- Achou que eu tinha esquecido do seu aniversário, meu bem? – lançou um sorriso cínico e passou seus dedos pelo meu rosto, causando um arrepio na minha espinha, meu estômago chegou ficar embrulhado, pensei até que fosse vomitar ali mesmo. Em seguida ele foi conversar com o recepcionista do hotel.

Não estava nem um pouco animada para este jantar, na verdade cada vez que Albert vinha com algum gesto de “bondade” na frente dos outros, isso me causava certo receio, mas meu dia estava muito bom e nada estragaria isso, muito menos o Albert.

Assim que me arrumei, saí do meu quarto e encontrei meio perdida no corredor.

- ? – a chamei assim que fechei a porta.

- Ainda bem que te achei, pensei que tinha errado o andar. Não vi nenhum segurança perto do elevador. – ela sorriu e caminhou em minha direção. - Eu tinha ido me trocar. Mas pelo visto eu fiquei pronta antes que meu querido namorado... – ela riu.

- O Harry te avisou que antes do after party, teremos um jantar que o Albert está oferecendo pelo meu aniversário?

- O quê? Mas já são onze e quinze. – fez uma careta. – Cada vez mais me surpreendo com a loucura desse aí... – olhou em seu celular.

- Que bagunça é essa no corredor? – Harry gritou assim que saiu do quarto. Ele riu e se aproximou de a pegando pela cintura e depositando um beijo em seu rosto. – Faz tempo que estão aí? – passou as mãos pelos cabelos. – Podia ter batido ali no quarto, assim me dava uma ajudinha. – ele sorriu de canto para minha amiga, realçando suas covinhas.

- Estávamos fofocando aqui, assuntos nossos. – piscou pra mim e riu e em seguida deu um selinho nele. – Então vamos, que estou morrendo de fome. – falou assim que o elevador chegou ao andar e Harry estampou um largo sorriso e a agarrou pelas pernas, colocando-a sobre seu ombro, deixando ela de bunda pra cima e começou a carrega-la para dentro do elevador. começou a gritar:

- Amor, para minha bunda está aparecendo. – ela segurava seu vestido para baixo. – Quer ficar solteiro, Styles?

Não me aguentei de ri daquela cena e então apertei o botão do elevador.


Todos nos aguardavam no salão, uma grande mesa estava posta. Liam também já estava por lá, sentado ao lado de Zayn e Louis. Albert estava em pé e fez um sinal com a mão para mim, indicando o lugar vago ao seu lado, mas decidi dar a volta na mesa e sentar perto onde Harry e sentaram-se. Percebi a irritação de Albert por eu ter escolhido outro lugar, mas ele tentou disfarçar.

- Agora a aniversariante chegou, podem servir o champagne. – Albert anunciou ainda de pé. – Depois de brindarmos podem servir o jantar. – falou para o garçom que estava enchendo as taças. – Hoje é o aniversário de uma pessoa muito importante em da minha vida. – Olhou para mim. – Só tenho a dizer que sou um homem de muita sorte, por tê-la conhecido. – Nesse instante olhou de canto para mim. – Infelizmente o trabalho corrido, acabou nos afastando um pouco e sei que estamos dando um tempo no nosso relacionamento. Eu decidi que assim seria melhor, por agora. Mas também sei que a vida há de nos unir novamente. – ele olhou novamente para mim, eu estava sem reação diante daquele discurso ridículo. Como ele havia decidido? Se bem que pouco me importava se ele pensava assim, o fato de não estarmos mais juntos era o que me bastava. - Só tenho a desejar o melhor para a minha amada, . Feliz Aniversário. – Ergueu a taça para o alto simbolizando o brinde. E todos repetiram o gesto e acredito que eu não era a única sem entender as palavras do Albert. Pude notar que muitos se entreolharam. Mas aquela atitude não me surpreendia tanto, afinal ele sempre gostava de dar um showzinho.

- Feliz Aniversário! – Todos brindaram e beberam.

me cutucou por baixo da mesa.

- O que foi isso? – ela perguntou extremamente baixo em meu ouvido e eu apenas ergui os ombros, também sem entender o que estava acontecendo. Também nem me importava mais, apenas queria manter a boa convivência, sem criar atritos, afinal eu teria que aturá-lo por causa do trabalho, então preferi não me manifestar a respeito desse discurso e apenas ignorei. As palavras dele não têm mais valor para mim.

Durante o jantar, percebi que Liam não tirava os olhos de mim e eu correspondi algumas vezes. Ele fez um sinal discreto, a respeito de que eu estava usando o presente que ele havia me dado. Tudo estava correndo muito bem, todos conversando e rindo. Estavam falando sobre o show desta noite e sobre o destino de amanhã, que seria Portugal. Apesar do Albert estar presente, o clima estava bem descontraído.

Louis e Zayn foram os primeiros a sair, voltaram para o seus quartos assim que terminaram de jantar. Logo os garçons começaram a servir a sobremesa e em seguida Luke, Calum, Ashton e Niall, aproveitaram e foram com primeira van para o after party. Sobraram apenas e Harry, Liam, Michael, Zoey e a Lou. Enquanto comia sua sobremesa, Albert voltou sua atenção para Liam.

- Então Liam, uma pena que Sophia não pode ficar para o jantar. Por que ela foi embora hoje pela manhã?

- Acho que porque ela quis, Albert. – Liam respondeu tranquilamente enquanto comia sua sobremesa.

- Que estranho, porque ontem quando passei por vocês, pareciam estar se dando bem... Bem até demais, não é mesmo? – sorriu sarcasticamente e tomou um gole de sua água.– Mas claro isso não é assunto para a mesa... – gargalhou de forma debochada encarando Liam.

Imediatamente soltei minha colher e respirei fundo, tentando ao máximo não demonstrar minha insatisfação com aqueles comentários. Onde ele queria chegar com aquela conversa? O que realmente aconteceu na noite passada? E por qual motivo Albert estava trazendo esse assunto agora?

- Ontem à noite? – Liam parecia confuso e todos permaneceram em silêncio. Um clima constrangedor havia se instaurado na mesa naquele instante. – Do que você está falando? Mas...

- Era segredo de vocês dois... Ops... – Albert segurou os dedos imitando fechar um zíper um sua boca. – Vamos mudar de assunto, Liam quer manter segredinhos, eu vou respeitar. – Albert falava de forma debochada. Realmente estava demorando para ele começar a agir assim.

- Eu não tenho segredo nenhum. – Liam demonstrou sua irritação com Albert.

- Calma... Namorar a Sophia está liberado, não se preocupe, tem todo meu apoio, ou seja, de toda a Modest e sei que das fãs também. Todas as fãs adoram vocês, ia ser ótimo se decidissem retomar o relacionamento. – Albert riu novamente.

- Nós não estamos mais juntos. – Liam respondeu rispidamente.

- Albert, estamos de saída. – Harry interrompeu. - Eu e a . Estamos indo para o Paradiso– levantou-se da mesa.

- Tudo bem, Harry. – Albert respondeu.

- , você vai vir com a gente? – antes que eu pudesse me retirar da mesa, Albert voltou a falar com Liam.

- Que pena Liam... Desculpe, é que pensei que vocês tinham voltado, afinal.... Como vi você e a Sophia no bar ontem. E bem na hora em que passei novamente por lá, o clima estava quente, digo... Estavam aos altos beijos. – deu com os ombros. – Deduzi que tinham voltado... Mas foi só uma recaída, então? – ele riu sarcasticamente e em seguida fez sinal para o garçom, solicitando para encher sua taça.

Meu chão caiu nesse instante. Senti meu corpo congelar e Liam me olhou rapidamente e eu baixei a cabeça, um nó se formou em minha garganta. Só aquele olhar que Liam lançou o entregou, que pela primeira vez na vida Albert havia falado uma verdade.

- Eu já terminei. – engoli seco. – Obrigada pelo jantar, Albert. – empurrei minha cadeira e me retirei da mesa.

- Já vai? Talvez eu apareça depois por lá, querida. – lançou um sorriso debochado. Não acredito que Albert podia estar desconfiado de algo. Ou sim? Eu nem consigo raciocinar direito, só preciso sair daqui o quanto antes.

- Esperem que eu vou com vocês. – sem esboçar sorriso algum dei as costas e acompanhei Harry e até o elevador. Eles também ficaram sem palavras pelo que haviam acabado de escutar.


A música estava alta quando chegamos no Paradiso e me direcionei direto para o bar. Necessitava de uma bela quantidade de álcool para apagar tudo isso, nem que fosse apenas por hoje, pois estava me sentindo uma idiota pela noite passada. Por que ele não me disse nada quando perguntei? E eu queria esquecer as palavras “beijo”, “Sophia” e “Liam” da mesma frase.

Harry sentou-se ao meu lado no bar e tentou explicar que talvez Albert estivesse inventando tudo ou que as coisas não haviam acontecido exatamente assim. também não acreditava que Liam fosse capaz de fazer algo assim, mas eu não disse uma palavra sequer a respeito disso.

- Vocês vieram se divertir, logo acompanho vocês. Eu prometo. – ri fraco. – Vou só aguardar meu drink. Podem ir dançar. – quase os expulsei do bar, não queria atrapalhar os planos dos dois. – Logo eu vou.

- Tem certeza? – insistiu. – Não vai ficar aí a noite toda, né?

- Claro que não. – abri um amplo sorriso para que ela acreditasse.

- Acho bom, porque senão eu mesmo venho te buscar aqui... – Harry completou e riu. Então os dois deram as costas e foram até a pista de dança e eu me virei novamente para o bar. O barman logo me entregou meu drink. Resolvi permanecer ainda no bar e fiquei observando a pista que estava lotada, havia perdido de vista e Harry. Vi até o Niall, Ashton e Calum por lá.

Ao relembrar do que Albert havia falado no jantar, me virei para o barman e pedi uma dose de tequila. Aquela dose desceu queimando e pedi mais uma. Eu era fraca para bebida e assim que virei essa última dose senti o efeito do álcool me atingir. Passei meus olhos pelo local, aquelas luzes piscando e a batida forte da música, me deixaram levemente zonza. Ainda parada no bar, eu não estava conseguindo localizar minha amiga, meu olhos percorriam por cada rosto e nada. Onde aqueles dois haviam se metido? Enquanto meu olhos ainda vasculhavam em busca deles, meu coração disparou ao avistar um rosto conhecido cruzando a pista de dança. Antes que ele me visse, virei-me de costas de costas e rapidamente chamei o barman. Eu necessitava de mais duas doses de tequila. Virei aqueles copinhos com vontade e eu já estava anestesiada. Não era possível ele estar aqui. Quer dizer, eu sabia que ele viria para o after party, mas não queria ter que encará-lo essa noite.

- ? – aquela voz que me arrepiava inteira, pronunciou meu nome extremamente próximo ao meu ouvido. Larguei o copo no balcão e pisquei tentando manter minha consciência. – Podemos conversar? – Liam tocou de leve em minha cintura, fazendo com que eu me virasse de frente para ele.

- Conversar? – dei com os ombros. – Eu estou indo dançar... – dei um passo e acabei de desiquilibrando e ele me segurou pelo braço, evitando com que eu torcesse meu pé. – Esse salto... – reclamei alto, me soltando dele.

- Claro... O salto. – sorriu de canto. – Vem comigo, . Eu... Precisamos conversar, mas aqui não dá. – falou um pouco mais alto, perto do meu ouvido, devido a música alta. – Vem comigo? – Pegou na minha mão e senti aquele maldito friozinho no estômago.

- Agora não posso, vim até aqui pra me divertir... – me afastei de seu toque. – Não posso agora, Liam. – o álcool estava me fazendo transbordar toda minha frustração do que eu havia escutado no jantar e assim que avistei o primeiro cara a minha frente, dei dois passos a frente e sem pensar agarrei aquele estranho pela nuca e o beijei ali mesmo na frente de Liam. Não sei exatamente o que deu em mim, em agir daquela maneira, mas cheguei me assustar, quando o cara me segurou firme na cintura e logo em seguida, senti alguém me puxar forte pelo braço.

- O que você está fazendo, . – Liam rapidamente me virou de frente pra ele. – Não faz isso. – ele balançou a cabeça e um sentimento ruim me invadiu, quando senti seu olhar decepcionado sobre mim, mas logo as palavras “beijo”, “Sophia e Liam” voltaram a me perturbar.

- Eu estou aqui com o... – olhei para o lado, na tentativa de descobrir o nome do desconhecido que eu acabara de beijar.

- Henry... – o rapaz estava confuso. – Mas eu... – coçou a nuca. - Tenho namorada.

Arregalei os olhos, ao perceber a idiotice que eu havia feito. Eu deveria ser proibida de ingerir qualquer bebida de álcool, principalmente quando estivesse chateada com alguma coisa.

- Vem comigo. – pegou firme em minha mão. Não iria conseguir negar naquele instante e me deixei ser guiada por ele até a porta dos fundos do clube. Além de eu ter ficado sem reação diante do tal Henry, meu corpo estava um pouco mole e meus sentidos um pouco lentos, mas totalmente consciente de tudo ao meu redor. Antes de sairmos Liam chamou seu segurança que dispersou alguns paparazzi que estavam ali e em seguida outro segurança entrou e me levou até a van que estava estacionada bem a frente.

- Que é isso? – arrumei minha postura no banco. - Um sequestro? – perguntei assim que Liam também entrou na van.

Ele nada respondeu e quando bateu a porta da van, senti de leve como se tudo girasse e encostei minha cabeça para trás no banco por alguns segundos. A van começou a se movimentar e me senti um pouco mais zonza.

- Por que você fez aquilo? – perguntou e juntou as sobrancelhas.

- Eu não sei, Liam. – respondi seca, ergui minha cabeça de volta e respirei fundo. – Só preciso dormir.

- Se o objetivo era me atingir, conseguiu... – soltou o ar pesadamente.

- Liam... – me virei para ele e chamei sua atenção fazendo um sinal com a cabeça apontando o segurança que estava dirigindo.

- Ele não vai falar nada... É de confiança. – respondeu de uma maneira calma, mas um pouco abatido. - E mais ele dirige com os fones de ouvido. Não se preocupe. – voltou sua atenção à mim. – Não consigo nem explicar o que senti, quando você... E aquele... – ele parou de repente de falar.

Eu também fiquei em silêncio, não queria dizer o real motivo daquela minha atitude impulsiva dentro do clube. E logo Liam resolveu voltar a falar.

- Eu não beijei ela. – Liam disse de uma só vez. E eu olhei atenta para ele. – Quero dizer... Eu... – ele baixou a cabeça.

- Olha... Se vocês decidiram voltar, tudo bem. Eu não quero explicação, Liam. Afinal, o que temos é casual, não é mesmo? Eu não me importo e se você...

- Para com isso. – ele me cortou. – Não fica agindo desse jeito... – franziu a testa. - Eu quero sim explicar o que aconteceu, porque eu me importo. E pra mim não é casual. Eu não sou assim. – balançou a cabeça irritado. – Eu vou repetir, não vou voltar com a Sophia. Isso é passado. – falou de maneira firme. – Eu falei isso pra ela na noite passada, resolvemos tudo e sim aconteceu um beijo. – senti nesse momento meu corpo gelar. – Mas não como você imagina ou como o Albert contou. Eu disse a ela que não tinha mais volta e ela decidiu que não queria mais ficar mais um minuto no hotel, não quis ficar nem para o show de hoje. Só que quando ela foi se despedir... Bem... – ele respirou fundo. - Ela acabou me dando um beijo. Mas foi rápido e assim que eu a rejeitei, ela foi embora. Foi tudo que aconteceu, eu juro pra você. Eu não sinto mais nada por ela. Sei que isso não tira minha parte de culpa, mas... Me desculpa, por não ter contado quando fui até seu quarto. Você acredita em mim? – pegou minha mão novamente. – Eu...

- Chega, Liam... Talvez seja melhor assim. “Nós” – apontei para mim e para ele. – É complicado. Isso foi pra mostrar que não vai dar certo. Não quero sempre estar saindo escondido de um clube e cuidando para que nenhum dos paparazzi apareça. Chega de colocar sua carreira em risco, por algo que provavelmente não terá um futuro. Vá ficar com alguém que não tenha um ex que seja empresário da banda e um louco. Eu e você é impossível. – desabafei com o coração apertado.

- Você não está falando sério. – ele engoliu seco. – Não pode... – ele balançou a cabeça negativamente. – Não... Eu não consigo mais tirar seu cheiro, seu gosto, esse seu jeitinho, seu sorriso da minha cabeça. Não tem como apagar tudo isso. – ele encostou sua mão em meu rosto, acariciando minha bochecha com seu polegar. Assim que senti seu toque, cheguei a fechar meus olhos por alguns instantes. A quem eu queria enganar, eu também não conseguia mais me manter longe dele. Quando abri meu olhos Liam entrelaçou seus dedos aos meus, o calor de suas mãos fizeram meus batimentos cardíacos acelerarem na expectativa por uma aproximação maior. – A cada dia mais percebo que não dá mais, não consigo ficar longe e... - Guiou minha mão, apertando firmemente contra o seu peito. Levou sua outra mão até a curva do meu pescoço e seus dedos deslizaram até minha nuca. Minha respiração ficou descompassada ao sentir seu hálito quente perto de meus lábios e então roçou levemente seu nariz no meu. Liam deu uma leve mordiscada em meu lábio inferior e então juntou nossos lábios em um beijo de verdade, um beijo quente e cheio de vontade. Uma sensação de conforto invadiu minha alma e eu não conseguia mais lutar contra, eu estava viciada em seu toque, em seus lábios. Um anseio de permanecer aqui com Liam era insuportável. Seus lábios percorreram toda linha da curvatura do meu pescoço, eu adorava a sensação da sua barba roçar na minha pele. Deixei escapar um gemido enquanto eu sentia seus lábios se moverem com um sorriso em meu pescoço. Rapidamente sua boca voltou ao encontro da minha intensificando cada vez mais seu beijo e um calor incontrolável começou a invadir meu corpo.

O barulho do motor da van parou e foi aí que rompemos o beijo, recobrando novamente nossa consciência.

Um silêncio tomou conta da van por alguns minutos, como se não precisássemos de palavras para nos comunicar, nossa troca de olhares falava por si.

- Chegamos ao hotel... – o segurança virou-se para trás nos avisando e alguns instantes depois ele abriu a porta da van para nós.

O mesmo segurança nos escoltou até o nosso andar. Não trocamos mais nenhuma palavra dentro do elevador, apenas trocamos mais alguns olhares. Então Liam me acompanhou até a porta do meu quarto.

- Não vou desistir e vou te provar que a gente vai dar certo. – Liam falou baixinho e sorriu daquele jeito que eu adoro, quando ele fica com os olhos estreitos. Ele sorri de uma forma tão carinhosa que é impossível eu não sorrir de volta.

- Boa noite, Liam. – me despedi ainda sorrindo e fechei a porta.

Meu corpo ainda estava pesado devido ao álcool e eu estava sorrindo feito uma boba, mas sabia dizer que o que eu estava sentindo era intenso, único e especial. Eu tinha confiança nele, pois sentia que entre nós havia carinho, atenção e entrega. Eu não tinha motivos para duvidar dele. Parei para pensar em como eu também estava disposta a tentar para que tudo desse certo entre a gente.

Tranquilamente tirei meu sapatos e liguei a luz ao lado da cama. Tomei uma ducha rápida e ao sair do banheiro, escutei alguém bater a porta. Novamente eu estava recebendo visitas de madrugada. - Aposto que deve ser o Liam. - Pensei. Amarrei forte o meu roupão e rindo fui abrir a porta.

- O que você está fazendo aqui? – meu sorriso se desfez e franzi a testa.

Capítulo Dezesseis


- O que você está fazendo aqui? – meu sorriso se desfez e franzi a testa.

- Oi, pra você também, . – Shannon deu um sorriso debochado. Ela seria a última pessoa que imaginaria encontrar a minha porta. E mais, quando ela havia chegado, afinal? Mas isso pouco importava, só sei que eu não estava com paciência para aturá-la. Decidi então fechar a porta bem no seu nariz, mas ela rapidamente a segurou. – Eu realmente preciso falar com você. – suas feições mudaram e ela ficou séria de repente. – Posso entrar?

Aquela atitude realmente me causou certo espanto e por um instante até pensei em manda-la embora, mas fiquei curiosa em saber o que Shannon queria comigo, àquela hora. E até onde eu tinha conhecimento ela não deveria estar aqui e sim em Portugal nos aguardando.

Tenho certeza que ela não se sujeitaria vir até aqui só para querer implicar comigo por besteiras. Ela já sabia que eu e Albert não estávamos mais juntos, que outro assunto ela teria a tratar comigo? Apenas balancei a cabeça concordando e dei passagem para ela entrar. Assim que entrou ela mesma fechou a porta atrás dela e andou tranquilamente pelo meu quarto.

- Fica a vontade. – falei com tom irônico, assim que vi ela sentar-se confortavelmente na poltrona. Como resposta Shannon revirou os olhos.

- Olha, . Acredite que você é a última pessoa que eu desejaria falar. – bufou. – Eu vou tentar ser breve. Eu cheguei não faz muito e estou exausta. – em um movimento breve esticou os braços para cima e acomodou-se melhor na poltrona. – Eu estava te esperando no lobby, mas você não me viu. Afinal chegou acompanhada do Liam. – ela ergueu uma sobrancelha.

- Estávamos voltando do “after party” e qual é o problema? – logo me defendi.

- Nenhum, ... – ela deu uma risadinha.

- Olha Shannon, se veio até só para fazer esse tipo de insinuações, nem sequer perca seu tempo. Pode se retirar agora mesmo do meu quarto. – proferi irritada e apontei para a porta.

- Calma... – fez sinal com as duas mãos. - Esse não é o foco do assunto. Pelo menos não agora. – cruzou as pernas. – Vou ser mais direta... Eu preciso de algo que tenho certeza que está com você.


O dia foi um pouco corrido desde o momento em que pousamos em Portugal. E apesar de ter dormido pouco, a conversa com Shannon havia me deixado agitada.

O Estádio do Dragão já se encontrava lotado e eles ainda estavam experimentando algumas roupas, pois logo mais a MTV local viria fazer uma matéria.

- Zoey... Pode pegar a roupa do Zayn? – pedi enquanto dobrava algumas peças.

- Pode deixar, ...- Zoey respondeu prontamente. - Acho que não serviu a roupa do Liam, de novo. Ele está te chamando no último provador.

Corri ainda com algumas peças de roupa nos braços.

- O que houve Liam? – perguntei assim puxei a cortina do provador.

- Dessa vez a calça está apertada demais... – Tentava se equilibrar com apenas uma perna da calça vestida. – E agora não consigo tirar. – Pulou com uma só pé na tentativa de manter o equilíbrio, mas acabou caindo no chão. – Já que foi você que escolheu a roupa, vou precisar da sua ajuda. – Esticou o braço e me olhou com uma sobrancelha arqueada. E eu me controlava para não rir da cena. Larguei as peças de roupa que estavam comigo, no chão, e entrei no provador. Logo estiquei meu braço para ajudá-lo a se levantar. Assim que ele segurou em minha mão, me puxou fazendo com que eu caísse quase que em cima dele, deixando uma distância extremamente perigosa entre nós, ficando milímetros de sua boca. Nossa respiração começou a ficar acelerada, ele então passou sua mão pela minha nuca e selou nossos lábios, mas antes que me deixasse envolver mais, rompi o beijo antes que alguém nos flagrasse.

- Pirou de vez, é? – disse assustada e ele apenas deu uma risada gostosa. – Não ri... – fui me levantando um pouco desnorteada. – E se aparece alguém? – parei perto da cortina do provador.

- Não consegui me controlar. – continuou a rir e sem desviar seu olhar de mim, sentou-se no chão para tirar de vez a calça.

- Eu te perdoo por essa... – sorri fraco. - Experimenta... – me abaixei para pegar outra calça em meio às roupas que eu havia deixado no chão. – Essa. – olhei o tamanho na etiqueta. - Acredito que vai servir. – ao vê-lo apenas de cueca, dei meio sorriso, pois meus pensamentos não eram os melhores naquele momento.

- Admite, ... – de forma debochada ele ergueu uma sobrancelha.

- Admitir o quê? – respondi voltando de meus pensamentos.

- Que não está resistindo me ver assim... – Pôs-se de pé e caminhou até mim. – Sem calça. – falou em tom de brincadeira e então lançou um sorriso com certa malícia.

- Sim, Liam Payne. – o provoquei, falando baixinho e próximo ao seu ouvido. – Só mais uma coisinha... – afastei então meu rosto. - Veste aí. – ri e empurrei a calça contra o seu peito. – Veste logo, antes que eu me descontrole de vez dentro desse provador e...

Ele abriu um sorriso, que se não fosse a voz estridente da Zoey ecoar pelo ambiente, realmente não me controlaria mais um minuto.

- ! – Zoey me chamou. – !

- É, não vai ser dessa vez, Liam. – suspirei. – Não irei realizar a minha fantasia dentro de um provador... - brinquei e balancei a cabeça. – O dever me chama... – abri a cortina e me virei novamente pra ele dando uma última olhada de cima a baixo, com um sorriso no lábios. – Infelizmente... – saí então do provador, mesmo a minha vontade sendo outra.


Faltavam apenas duas horas para o show e a MTV da Portugal estava fazendo uma entrevista com as bandas, sobre os bastidores, preparação e tudo mais. Enquanto aguardava Zoey chegar, aproveitei para ficar por ali assistindo.

Albert ficava dando as instruções e o que podiam ou não responder. Um pouco antes da entrevista terminar ele se retirou da sala rapidamente, pois foi chamado para organizar o último Meet&Greet na sala ao lado. Dava inclusive para escutar o alvoroço de algumas fãs.

Antes de terminarem a entrevista um dos assistentes de produção entrou na sala e para minha surpresa e decepção ao mesmo tempo era Aaron, amigo da . As entrevistas recém haviam terminado e enquanto a equipe recolhia os equipamentos, Aaron se aproximou sorridente.

- Oi, . – me cumprimentou um pouco sem jeito.

- Oi, Aaron. – respondi sem ânimo, afinal nosso “último”, melhor dizendo, nosso primeiro contato me causou uma das piores impressões dele.

- Nossa! Cada vez mais bonita, hein. – me olhou de cima a baixo a ponto de me deixar constrangida. – Jamais imaginaria te encontrar por aqui.

- Eu posso dizer o mesmo. – respondi olhando diretamente para o seu crachá.

- É, consegui estágio de assistente de produção da MTV... – ele sorriu, expondo aqueles dentes brancos de propaganda de creme dental. – Sabe... Eu queria me desculpar por aquele dia. Eu... – coçou a nuca. – Havia bebido demais e justo naquela semana minha “ex” tinha terminado comigo e sei que não é desculpa pelo modo que agi, mas eu estava enfrentando muitos problemas pessoais. Fiquei tão envergonhado, que acabei nem pedindo seu número para a . Mas queria mesmo ter me desculpado com você antes. – se explicou um pouco acanhado.

- Não vou mentir que a minha vontade era nunca mais ver a sua cara na minha frente. – permaneci séria. - Mas eu aceito suas desculpas.

- É sério mesmo, me arrependo do modo que te tratei. Agi feito um homem das cavernas. – ele realmente se mostrava diferente do Aaron que conheci aquela noite. – Quando eu for a Londres, podemos combinar de sair com a , aí quem sabe você tem outra impressão minha, que tal? – ele riu nervoso.

- É, pode ser. – não sei explicar, mas algo não me deixava a vontade com ele.

- Legal você trabalhando com a banda essa aí... A 5SOS e a One Direction, certo?

- É... – fui monossilábica.

- Acho que a deve ter comentado um dia que você é Stylist, isso? – continuou a perguntar.

- É sim, mas agora eu preciso ir, Aaron... Falta pouco para começar o show e...

- Espera. – Aaron segurou meu braço. – Eu adoraria ter o número do seu telefone, assim podemos conversar melhor outra hora. Até para eu poder avisar quando for a Londres.

- Outra hora, eu tenho que ir mesmo. – mexi o braço me soltando dele. – Eu estou com um pouquinho de pressa.

- Mas eu fiquei sabendo que você está solteira agora... – ele falou em um tom debochado. – Pode me passar o número...

- Que diferença isso faz? – balancei a cabeça. – Enfim... Olha, Aaron preciso ir... – tentei ainda manter minha educação.

- Mas é só o número, rapidinho. – ele me segurou de leve no ombro e retirou seu celular do bolso com a outra mão. – E pra quando quiser me ligar, também pode. Podemos combinar de sair só nós também...

- Eu não quero ser rude, mas preciso mesmo ir, o show vai começar logo. Você avisa a , aí combinamos algo, está bem? – falei firme, estava me sentindo incomodada mais uma vez por ele, que insistia em não me deixar ir.

- Qual o problema? Não vai levar nem dois segundos. – ele passou o polegar na tela desbloqueando o celular. – Olha, é bem rapidinho... - Eu devia ter aprendido com minha experiência com o Albert que as pessoas não mudam. – Não se faça de tão difícil, é apenas um número.

- Que parte você não entendeu? Eu não quero passar meu número. – respondi nervosa e esquivei meu ombro para me afastar dele. - Eu... – respirei profundamente. - Você deveria...

Antes que eu pudesse dar continuidade ao que estava prestes a falar, Zoey entrou na sala e me chamou na porta com certa urgência.

- ! Não temos mais tempo. Agora. – Aproveitei a deixa e saí o mais rápido que pude daquela sala, antes que me complicasse por um idiota desses.

Saí bufando de lá, estava tão indignada com Aaron que mal olhei quando Liam cruzou por mim no corredor, mais tarde eu falaria com ele.


Liam POV on

Saí da sala do Meet&Greet por alguns minutos a procura de um banheiro mais próximo e vi deixando a sala das entrevistas. Ela estava de cara amarrada e caminhando a passos largos, estranhei que ao cruzar por mim, mal me olhou e apenas me cumprimentou rapidamente. O que será que havia chateado ela? Resolvi então entrar na sala, aproveitando o fato de que ali provavelmente deveria ter um banheiro.

Apenas três pessoas da equipe da MTV ainda estavam por ali. Olhei ao redor para ver se descobria o porquê a saiu daquele jeito e acabei me deparando com um rosto familiar. “Eu acho que conheço esse cara de algum lugar. - pensei. Ao passar por ele, olhei para o seu crachá. – Aaron. – e então lembrei de onde o conhecia. Logo ele me cumprimentou.

Apenas sorri fraco e contornei o caminho para ir até o banheiro.

- Hey, Liam? – Aaron me chamou e eu me virei. – É Liam, certo? – apenas balancei a cabeça positivamente.

- Nos vimos uma vez no Lock Tavern., lembra? – ele riu. – Agora com meu novo trabalho estou conhecendo melhor algumas “celebridades” – fez sinal de aspas com as mãos.

- Sim, agora lembrei.

- Já que somos conhecidos. – ele riu e pousou sua mão sobre meu ombro. - Bem que você podia me dar uma ajuda, né? A pouco descobri que a trabalha com vocês. Acredito que você tenha o contato de todos que trabalham com a banda e... – coçou o queixo. Comecei a ficar impaciente, afinal aonde ele queria chegar com isso? – Vou ser bem direto... Como consigo o telefone dela? Eu estou querendo pedir umas dicas de moda, umas “boas” dicas de moda, se é que me entende. – deu uma piscada. – Podia me dar essa ajuda né? Sabe, essa Stylist de vocês até que é bem “gostosinha”.

Minha respiração acelerou e meu sangue ferveu na hora e tudo aconteceu tão rápido, meu punho foi de encontro ao nariz dele, fazendo-o cambalear para trás. Senti uma ardência na minha mão e a chacoalhei, em seguida olhei para Aaron que estava me encarando apavorado, com as mãos no rosto, tentando conter o sangue que saia de seu nariz.

- Você ficou louco? – Aaron gritou e mesmo com o rosto ensanguentado ele veio em minha direção e me empurrou com força. Ele me pegou um pouco desprevenido, então acabei torcendo o pé e caí.

A merda já tinha sido feita e então criou-se um tumulto, pois ninguém entedia o que estava acontecendo. Quando pensei em me levantar, mais gente entrou para me segurar e outros correram para socorrer Aaron.

- Payne! – Albert entrou correndo. – O que você está fazendo aqui ainda? Eram dois minutos apenas... – ele berrava no meu ouvido.

- Eu estava saindo e... – tentei me explicar, mas sem sucesso.

- Que confusão toda é essa, Payne? Alguém traga gelo aqui! – gritou olhando para os lados. – Você andou bebendo?

- Não. – respondi ríspido.

- Então que diabos aconteceu com você? – Albert continuava aos gritos.

- Foi um mal-entendido, pensei ter escutado ele ofender alguém da minha família... Agi por impulso. – expliquei enquanto pressionava uma bolsa de gelo em cima da mão, mas era meu pé que me causava desconforto.

- Alguém chame a equipe médica aqui! – Albert continuou aos gritos. – O que você tem na cabeça? O show logo vai começar. E... – bufou. – Vai estar estampado por tudo que é lugar, sites, revistas, essa merda que você fez. – passou as mãos pelos cabelos.

Eu estava pouco ligando para as notícias, se pudesse faria tudo de novo.

- Quer saber Liam? Vai... Vai lá... Logo o show vai começar. Não podemos atrasar. Eu me resolvo aqui. – virou as costas e caminhou em direção ao Aaron.

Joguei a bolsa de gelo em uma poltrona, próximo a porta e saí devagar de lá. Não estava nem um pouco arrependido. Quem era esse tal de Aaron afinal, para falar daquele jeito da ?


Ao subir no palco aquela dor persistente no meu tornozelo insistia em tentar me atrapalhar, mas assim que escutei os gritos das fãs, o incômodo não tinha mais importância. Toda aquela energia era contagiante, mal sentia dor, mas quando quis correr pelo palco, senti uma fisgada e caí, torcendo novamente o mesmo tornozelo.

- Maldição! – pensei, quando não consegui mais ignorar meu tornozelo latejando e ainda por cima havia batido meu joelho também. Respirei fundo e me levantei, o show precisava continuar. Aguentei mais uma música e precisei terminar o show sentado.

Assim que o show terminou fui levado pela equipe médica até uma ambulância, o tombo havia ocasionado uma torção, mas nada que alguns remédios para dor, imobilização, repouso e uma bolsa de gelo não resolveriam.

Depois de ter sido carregado até meu quarto, precisei ficar com meu pé imobilizado para cima. Apesar de todo esse transtorno eu estava sem sono. Liguei a TV e peguei meu celular para checar o Twitter, não era nenhuma surpresa ao ver que vídeos e fotos do meu tombo já estavam circulando e “#GetWellLiamWeLoveYou” havia atingido os “top trends”, mas não era a única coisa que estavam falando sobre mim. Haviam vários comentários sobre meu surto com certo assistente da MTV, então larguei o celular de lado e voltei minha atenção para a televisão, aqueles comentários eram só pra me perturbarem. Comecei a procurar algum filme para me distrair, quando escutei alguém bater a porta.

Com dificuldade, calmamente me desloquei e desci da cama.

- Já vou... – gritei enquanto tentava me equilibrar em uma só perna e pulando cheguei até à porta. – ... – ela ergueu uma sacola na mão esquerda e enquanto segurava uma caixa na outra.

- Trouxe alguns cookies e... Remédio. – fiquei um pouco sem reação olhando para , ela estava com os cabelos soltos, jogados para o lado e estava vestida de maneira mais despojada e com essa blusa que deixava um ombro a mostra, nossa eu tinha vontade de agarrá-la ali mesmo, mas sabia que não podia, pelo menos não na porta. Como ela conseguia me deixar assim?

- Não vou poder entrar? – ela pediu inclinando a cabeça para o lado.

- Pensei que só eu tinha a mania de fazer visitas pela madrugada. – eu ri e abri mais a porta permitindo que ela entrasse.

- Eu fiquei sabendo do tombo... – fechou a porta atrás dela, olhou para o meu pé e então segurou a caixa na mesma mão da sacola. – Vem que eu te ajudo. – Não tinha como negar e passei meu braço em seu ombro, me apoiando nela. – Sabia que ia precisar de uma enfermeira. – ela disse enquanto me ajudava a sentar na cama. Em seguida largou a caixa de cookies e a sacola ao lado, no criado mudo.

- Cookies, enfermeira gostosa e atendimento no quarto... É, acho que devo cair mais vezes no palco. - riu da minha resposta e arrumou mais um travesseiro. – Ai, ai... – gritei quando a , pegou meu pé para posicioná-lo em cima.

- Ai desculpa... – ela soltou imediatamente e me olhou apavorada.

- Eu estou brincando... – não me aguentei e comecei a rir alto.

- Filho da mãe! – ela colocou a mão no peito. – Isso não se faz... Acho que vou pro meu quarto, não precisa mais da minha ajuda.

- Não... Está doendo mesmo... – a chamei de volta. – Preciso sim. – Nessa hora eu mais parecia uma criança, implorando pra ela ficar. A cada dia eu percebia o quanto eu a queria sempre perto de mim.

- Você tem que parar de fazer essa carinha aí... – ela apontou. – Assim não vale, Liam Payne! Mas vou ficar pelos cookies. – ela gargalhou e se aproximou pegando a caixa.

- Fica aqui comigo? – me arrastei um pouco mais na cama, dando mais espaço. – Só assim meu tornozelo vai parar de doer. – dei um meio sorriso e ela lentamente subiu na cama e se acomodou, sentando-se bem ao meu lado.

- Então... Não pense que não fiquei sabendo que você andou quebrando o nariz de um dos assistentes da MTV hoje. Escutei ele aos berros falando com o Albert no corredor durante o show. – ela me olhou de canto enquanto abria a caixa em cima de suas pernas. – O que deu em você pra fazer algo assim?

- Ele estava me perturbando com umas perguntas idiotas. E acabou me irritando, só isso. – peguei um cookie.

- Se bem... Aquele Aaron... Imagino que deve ter merecido mesmo. – ela deu com os ombros, não insistindo na conversa.

- Por que você acha isso? – perguntei curioso devido ao comentário.

- Não é isso, Liam... Não lembra dele no pub? Os comentários que ele fez? Só acho que ele é impertinente mesmo e sabe como tirar a paciência de alguém. – deu uma mordida em seu cookie. - Deixa nesse filme. – ela falou entusiasmada, olhando para a TV. – Adoro animações, ainda não vi essa. – fiquei encantado ao vê-la tão animada assim, que até esqueci o que eu ia perguntar. Pouco importava se eu havia visto essa animação semana passada no hotel, ela tinha um jeitinho único, que a cada dia eu adorava mais. Eu tirei seus cabelos do ombro delicadamente pra trás e acariciei de leve seu pescoço e sua pele ficou arrepiada.

- Liam... Não sabia que “As aventuras de Peabody e Sherman” te animavam tanto assim. – ela abriu um amplo sorriso e largou a caixa de cookies de volta no criado mudo.

- Não é o filme... – sorri de volta para ela e ajeitei melhor meu travesseiro para me deitar. me olhou fixo e então aproximou seu rosto do meu depositando um beijo suave e calmo. – Isso sim é remédio, não sinto mais dor. – comentei e logo estiquei meu braço para que ela se acomodasse próximo ao meu peito. – Quando voltarmos para Londres, quero te convidar para jantar lá em casa. Eu quero pelo menos... Começar. Quero dizer, acho que você merece ter um primeiro encontro de verdade. Você aceita?

- Liam... – ela levantou o rosto para me olhar e parou de falar por alguns instantes.

- É serio... Eu não sou de ficar enrolando e...

- Aceito sim. – ela me cortou sorrindo e então deitou sua cabeça de volta em meu peito.

Eu acariciava suavemente seus cabelos, sentindo o aroma doce de seu perfume e ouvindo sua risada durante o filme. Eu podia sentir meu coração acelerar, talvez por esse turbilhão de sentimentos ou apenas pelo fato de tê-la aqui em meu braços. Não posso e não quero mais ficar sem tudo isso que venho sentindo ultimamente toda vez quando estamos juntos.

O cansaço bateu e acabei cochilando, quando acordei outro filme estava passando na TV. Estiquei um pouco meu pescoço e afastei com calma meu braço e pude perceber que estava dormindo. Fiquei na dúvida se a acordava ou não, mas ela estava tão linda e tão tranquila que não tive coragem, apenas retirei delicadamente meu braço debaixo de seu pescoço e a deitei no travesseiro. Infelizmente ela tinha o sono leve, logo ela abriu os olhos.

- Que horas são? – perguntou um pouco assustada e então sentou-se na cama.

- Quatro e meia da manhã. – respondi ao olhar no visor da televisão.

- Eu preciso voltar pro meu quarto. – coçou os olhos e saiu da cama. – Às nove precisamos sair para ir para o aeroporto e... – ela calçou seus chinelos. – Espero não encontrar ninguém no corredor essa hora. – bocejou e foi em direção à porta. De repente ela voltou em uma corrida e me deu um beijo rápido e em uma velocidade maior ainda ela saiu do quarto.

Liam POV off


Todos estavam no lobby, quando lembrei que havia esquecido minha “nécessaire” em cima da pia do meu quarto. Corri para busca-la. Fui direto para o banheiro e lá estava ela. Logo que saí do quarto a camareira já estava na porta.

- ?

- Sim... – juntei as sobrancelhas estranhando ela saber meu nome.

- Eu... – ela olhou para os lados, como se estivesse preocupada em ter alguém por perto. – Eu queria ter vindo falar com você antes, mas não sabia se devia ou não e... – ela respirou fundo. – Mas acho que foi me dada essa oportunidade agora por algum motivo.

O que será que aquela moça que aparentava ter por volta da minha idade queria comigo? E de onde ela me conhecia? Nunca havia estado nesse hotel antes.

- Eu te vi na televisão. Você é ou era noiva do Albert Cole, certo? - Continuei parada diante dela, sem saber sequer o que falar. Será que ela pediria para tirar foto comigo? Isso seria muito estranho.

- Sim... Digo... Eu era. Sou ex noiva dele, mas estou com um pouco de pressa. Estão me aguardando no lobby.

- Desculpe... Eu só preciso de cinco minutinhos. Perdoe meus modos, eu me chamo Carol. – ela se apresentou e aquele nome meio que ecoou na minha cabeça. – Você não me conhece, mas eu já trabalhei na Modest um tempo atrás. – aquele nome não apenas ecoou, mas prendeu toda minha atenção à ela. Olhei para o relógio e ainda tinha tempo para escutá-la.

- Então, Carol o que você precisa me dizer de tão urgente?

- Não subestime o Albert, jamais... – ela olhou apreensiva mais uma vez para os lados. – Olhe onde eu vim parar... Precisei trocar inclusive a cor dos meus cabelos assim que soube que a banda iria se hospedar nesse hotel, mas não foi difícil me manter escondida por esses dias. – ela riu fraco. – Eu preciso te contar algo sobre o Albert, que talvez você consiga algo que eu não consegui... Talvez por estar muito apaixonada e cega na época. Quem sabe você consiga desmascará-lo para o Richard. Eu fui muito impulsiva na época e... – soltou o ar pesadamente. – Ele conseguiu me manipular de todas as maneiras.

- Desmascarar como? O que você sabe afinal? E como você sabe que pode confiar em mim? – eu estava aflita, pois eu precisava saber, mas o tempo era curto e ao mesmo tempo não sabia se de fato podia confiar nela.

- Eu acompanhei algumas coisas sobre o Albert nas revistas e... Quando vi que vocês romperam o noivado algo me fez desconfiar que ele havia mostrado o outro lado dele.

Meu celular começou a tocar e ao olhar no visor era Albert, mas não atendi.

- Eu sei que você precisa ir, então aqui está... – ela me entregou um pequeno pedaço de papel. – Esse é meu telefone, quando você chegar em Londres, assim que puder pode me ligar. Assim terei tempo para te contar mais a respeito do Albert. E tudo que você quiser saber. - sorriu de canto e mais uma vez o toque do meu celular insistiu em me apressar.

Quando estava saindo para o meu “primeiro encontro” com Liam, olhei para o papel, com aquele número que me encarava há dias na mesinha da sala. Faziam cinco dias que havíamos voltado para Londres e eu ainda não tinha ligado para Carol, mas foram cinco dias corridos que eu nem sequer ainda havia desfeito minhas malas, mas amanhã eu teria o dia todo de folga e ligaria sem falta para ela.

Por mais que Albert andava mais calmo e não havia mais me importunado, não poderia esquecer de tudo que ele já fez. Não poderia deixar passar essas supostas informações que Carol dizia ter, mas não deixaria nada disso interferir na minha noite de hoje.

Liam POV on

A mesa estava posta e para finalizar coloquei um gérbera rosa próximo ao seu prato, pois sabia que essa era sua flor preferida. O jantar estava pronto e era estranho eu estar tão impaciente, olhando as horas. Sabia que não era de fato o primeiro encontro, mas uma sensação diferente tomava conta de mim, era um certo nervosismo, não sabia explicar.

Ao escutar a campainha senti um gelo no estômago, parei diante da porta da respirei fundo, me senti até um pouco idiota de estar agindo dessa maneira, mas eu queria que tudo desse certo, queria impressioná-la e jamais decepcioná-la.

- Oi, Liam... – assim que a vi, uma pontada de ansiedade ainda batia em meu peito. Mas eu havia planejado tudo para essa noite, era só me manter calmo.

- . - quando ela sorriu ficou ainda mais bonita. - Entra, por favor. – Dei passagem e tranquei a porta em seguida.

- O cheirinho está ótimo. – ela disse enquanto me acompanhava até a sala. – Não sabia desses seus outros talentos, Payne.

- Aos poucos você vai descobrindo cada um deles... – brinquei e fui caminhando até a cozinha, para buscar a travessa de comida.

- A cada dia você me surpreende mais. – ela segurava a flor na mão, estampando um largo sorriso. – Paro e penso se isso tudo é real mesmo. – eu sorri de volta assim que coloquei os raviólis de caranguejo ao molho branco. Sim, obriguei minha mãe vir aqui hoje a tarde me ajudar a cozinhar, mas isso a não precisava saber.

A conversa sempre fluía naturalmente, sua companhia fazia o tempo voar. Eu era o rei dos clichês então era óbvio que a minha surpresa precisava ser na hora da sobremesa.

- Vou buscar a sobremesa... – rapidamente me levantei da mesa e corri até a geladeira.

- A janta estava deliciosa... E ainda tem mais a sobremesa? – ela falou alto da sala. – Realmente, acho que você não existe Liam.

- Uma coisa tenho que confessar, a sobremesa eu encomendei... – comentei enquanto voltava para a sala com os dois pratinhos o Tiramisu de Framboesa. Alcancei uma colher diferente da minha para ela.

- E a minha colher ainda vem com um lacinho? – ela riu e deu a primeira colherada na sobremesa.

- É que essa é uma colher especial. – sorri, comendo lentamente o doce, sem tirar meus olhos dela. – Foi feita exclusivamente pra você. – ela me olhou como se tentasse entender do que eu estava falando. E continuou a comer e como ela ainda não havia percebido nada de diferente no talher, precisei falar mais. Não estava mais me aguentando. – Mandei gravar o seu nome. – ela rapidamente tirou a colher da boca e começou a observar, até que leu o que estava escrito dentro da colher.

- “, quer ser a minha garota? Aceita namorar comigo?” – ela leu em voz baixa.

- Você sabe que eu não sou de ter “casinhos”. E antes que você diga: “É impossível... Não podemos ou e o Albert e todas essas coisas...”, só vou te falar uma coisa. – puxei minha cadeira mais próxima da dela e peguei em sua mão e ela ficou me ouvindo atentamente. - Tudo isso, esses obstáculos aí são temporários, mas uma coisa é certa, tudo eu sinto por você não é temporário. Disso eu tenho certeza. - Pude ver que seus olhos ficaram levemente marejados e ela então deu um meio sorriso. – Só a sua resposta me basta e...

- Minha resposta é... – ela me interrompeu. - Sim. - me segurou pela nuca e uniu sua boca à minha em um beijo lento e carinhoso, mas intenso ao mesmo tempo. Meu coração batia mais e mais forte, não apenas pelo beijo, mas também por sua resposta. Seus dedos delicados percorreram pela minha nuca até os meus cabelos e eu coloquei minhas mãos em seus quadris. Pausei o beijo por uns instantes para recuperar o fôlego. – A melhor coisa que já me aconteceu, foi você ter esbarrado em mim naquele coquetel. – depositei incontáveis beijos rápidos em seus lábios. E ela me deu novamente aquele sorriso, que me deixava sem rumo. Como em pouco tempo alguém poderia mexer tanto assim comigo, tem algo no seu olhar, uma felicidade simples que só ela me proporcionava.

- Você realmente está pronto pra enfrentar tudo, quando a notícia vazar? – ele perguntou e dava pra sentir a preocupação em seu tom de voz.

- A pergunta é, você está preparada? – depositei um breve beijo na ponta de seu nariz.

- Desculpa, mas isso ainda soa tão estranho... Acho que ainda tenho um pouco de medo da reação do mundo, não sei... – ela suspirou.

- Eu não vou falar nada até o tempo que você quiser, porque a minha vontade era amanhã mesmo contar na frente de todos, que você é minha namorada. – ela riu. – E sei também que a “minha” namorada não trabalha amanhã, então...

- Então, ela tem mil coisas para fazer amanhã, exatamente por estar de folga. – ela sorriu de canto e levantou-se.– Nada de fazer essa carinha aí, sabe que preciso ir... Não vamos arriscar assim logo de cara. – ela passou a mão pelo meu queixo.

Admito que não fiquei muito satisfeito com a resposta, mas ela tinha razão.

- Mas antes de você ir, quero te mostrar a música que te falei durante o jantar, aquela que estou escrevendo. – Também me levantei e a peguei pela mão guiando-a até o outro cômodo da casa.

Capítulo Dezessete


Liam POV on

- Espera... Fecha os olhos. – pedi assim que parei diante da porta do pequeno estúdio que eu possuía em meu apartamento.

- O que você está aprontando, Payne? – ela perguntou desconfiada.

- Relaxa, essa porta não dá para um quarto vermelho da dor, como em “50 tons de cinza”. – eu ri.

- Que pena... – ela gargalhou. – Pensei que realizaria minha maior fantasia obscura. – ela continuou rindo.

- Sério? – parei de rir e perguntei antes de girar a maçaneta da porta.

- Talvez... Mas eu confio que deve ser bem melhor a surpresa que tem aí. - Ela sorriu e fechou os olhos.

- Não pense que vou esquecer... Depois vou querer saber mais sobre essa tal fantasia. – comentei enquanto abri lentamente a porta. - Não vale espiar. – a repreendi, enquanto a guiava para dentro da sala. – Senta aqui. – A direcionei calmamente até um pufe que havia por ali. – Só mais um pouquinho. – estiquei o braço para pegar um controle remoto. Em seguida sentei-me em outro pufe ao seu lado. – Pode abrir. – seus olhos imediatamente fixaram-se em na grande tela do computador que estava a nossa frente. Onde havia uma foto nossa tirada durante o show da turnê no dia do seu aniversário.

- Liam... Não lembrava que havíamos tirado essa foto e.. – ela sorriu fraco e me olhou.

- Calma, não fala nada ainda que tem mais uma coisa... – mirei o controle para o computador e pressionei o play. – A música se chama One Drop. – ainda sentado me virei de frente pra ela e segurei em suas mãos e comecei a cantar:

I know it sounds crazy
(Sei que parece loucura)
Deep down I know you will be mine and I will be yours
(Sei que você será minha e eu serei seu)
Even if it takes more time
(Mesmo que leve algum tempo)
Your heart don’t belong to me, but deep down i can fell it
(Seu coração não me pertence, mas lá no fundo eu sinto)

‘Cause my dreams never lie
(Por que meus sonhos nunca mentem)
And all I need for now
(E tudo que eu preciso por agora)
It’s a little drop, a little drop of hope
(Uma pequena gota, uma pequena gota de esperança)
A drop of happiness
(Uma gota de felicidade)

Refrão:
You’re far away, but miles dont mean a thing
(Você está longe, mas milhas não significam nada)
Since you stole my heart, I know its real
(Desde que você roubou meu coração eu sei que é real)
I feel its so real
(Eu sinto que é tão real)
So close and so far at the same time
(Tão perto e tão longe ao mesmo tempo)
I hope you wake up and see it
(Espero que você acorde e veja)
So real to me, I can fell it
(É tão real para mim, eu posso sentir)

Im in love and i know its real
(Eu estou apaixonado e é real)
So all i need for now
(Então tudo que eu preciso por agora)
Just a drop of hope
(Apenas uma gota de esperança)
That you will be mine
(Que você será minha)

- É tudo que tenho por enquanto... – me olhava fixamente, seus olhos brilhavam mais que o normal. – Sei que vai parecer estranho, mas escrevi no dia em encontrei você sem sapato e fomos até o Burger King. – eu ri timidamente.

- Liam... Eu nem sei... – sua voz começou a falhar e então de repente ela começou a chorar.

- Não... – fiquei por alguns segundos sem saber o que fazer então a abracei forte. – Não chora... Que foi que eu disse?

- Nada... É... – ela fungou. - É que... – respirou profundamente. - Aquele dia... – ela se afastou e em meio às lágrimas sorriu. – É tudo tão... tão... E eu devo estar com TPM. Ando muito emotiva mesmo. – ela enxugou o rosto. – E não tenho culpa de você estar sempre me surpreendendo desse jeito Liam Payne. – ela segurou meu rosto com as duas mãos e selou nossos lábios rapidamente.

- Sou ou não sou o melhor namorado do mundo? – ri estufando o peito e ela então sorriu.

- Não sei não... Estou começando achar esse namorado um pouco convencido. – arqueou uma sobrancelha. – Por um minuto até pensei em ficar, mas estou mudando de ideia e vou para casa mesmo. – ameaçou levantar-se do pufe.

- Ah... Mas já faço mudar de ideia de novo... – em um movimento rápido a puxei pela mão fazendo com que ela caísse sentada em meu colo. Envolvi meus braços ao redor de sua cintura. E pude sentir ela deixar escapar um suspiro. – Agora não tem como você fugir. – sorri de canto e a virei de frente, encaixando perfeitamente meu corpo por entre suas pernas.

- Tem só um problema... – ela aproximou sua boca da minha orelha. - Eu não pretendo fugir. – quando ela fala assim, eu sinto uma agitação dentro de mim. Meus pelos eriçaram quando ela mordeu de leve o lóbulo da minha orelha. Nossa, essa mulher me enlouquece com apenas um toque. Ela roçou seus lábios em meu queixo fazendo um súbito ardor passar pelas minhas veias ao mesmo que tempo que suas mãos tão suaves passavam pelos meus ombros e desciam até a barra da minha camisa. Cada vez que estou com ela, sinto que devo tocá-la como se fosse a primeira vez, ela me domina e me sinto às vezes inexperiente. A puxei ainda mais firme contra meu corpo, precisava senti-la toda bem perto de mim. E continuou seus beijos pelo meu pescoço enquanto seu corpo continuava a movimentar-se em cima de mim, minha respiração começou a acelerar e o fato de ela estar de saia, não ajudava em nada a manter o meu controle.

- Querendo me enlouquecer, não é? – sussurrei em seu ouvido e ela lançou um sorriso cheio de malícia. Eu a puxei pela nuca em um beijo quente e cheio de desejo. Minhas mãos deslizaram até suas coxas e as apertei com força, fazendo-a gemer baixinho contra meus lábios. E quanto mais nosso beijo foi se intensificando, mais ela rebolava com vontade em cima de mim. Eu estava perdendo o raciocínio e minha mão percorreu por baixo de sua blusa, agarrando seu seio direito. Com nossos lábios colados, ela gemeu meu nome e começou a roçar mais seu corpo contra o meu, o que me deixava ainda mais duro e mais fora de mim.

Ainda ofegante ela rompeu o beijo e começou a desabotoar a minha camisa, enquanto minhas mãos escorregavam sem pressa por suas coxas macias. Botão por botão ela me olhava de um jeito deliciosamente malicioso, de uma maneira que roubava meus sentidos. Só afastei minhas mãos do seu corpo, para me livrar de vez da minha camisa.

- Liam... – ela mordeu o lábio inferior. - Payne... – Ela pronunciou meu nome de uma forma provocante e minha pele arrepiou-se ao sentir o toque delicado da ponta de seus dedos fazendo movimentos para cima e para baixo em meu peitoral. – O... – se aproximou e beijou de leve minha boca. – melhor... – depositou mais um pequeno beijo no meu queixo. - ... namorado... – desceu mais um pouco e beijou meu peitoral. – do... – desceu um pouco mais seus beijos. – mundo. – beijou suavemente a minha barriga, fazendo meus músculos se contraíssem. Ela se afastou e deu uma risada gostosa que preencheu o ambiente.

Eu sorri e ao observá-la no meu colo, cada detalhe dela, do seu rosto e corpo, tudo que eu queria era naquele instante era sentir suas mãos macias deslizando por minha pele e me causando incontáveis e indescritíveis tipos de sensações. – Minha ... – falei em um sussurro e a segurei firme pelas costas. Retomei o beijo inicialmente calmo, dando leves sugadas no seu lábio inferior, a provocando. Voltei a me perder em meus pensamentos quando ela se pressionou com anseio contra mim, movimentando seus quadris em forma circular. – Oh... Está querendo me matar. – disse baixo ao pé do seu ouvido.

- Não... Quero você bem vivo esta noite, meu Liam. - ela sussurrou e levou sua mão astuciosa até a região saliente da minha calça, acariciando a ereção enquanto me olhava de uma maneira deliciosamente provocante. Com um pouco de pressa busquei pelos seus seios ainda cobertos por sua blusa. Desci meus dedos até a barra da blusa e puxei aos poucos retirando a peça, passeando minhas mãos pelos seus braços, sentia sua pele arrepiar-se pelos meus dedos, a cada novo toque meu. Ela estava de tirar o fôlego, aquele sutiã roxo rendado, apenas valorizava mais seus seios, mas tudo que imaginei naquela hora era tirar essa peça o mais rápido possível. Desci minhas mãos para seus quadris, alisando todo o trajeto sem pressa, sentia um certo desconforto por causa da minha calça que estava ficando apertada. Eu respirei fundo e a abracei, escondendo meu rosto na curva de seu pescoço. Encostei meus lábios ali e dei breves beijinhos, enquanto tirava lentamente seu sutiã.

, voltou a me beijar calorosamente, encostando os bicos de seus seios contra a pele do meu peitoral. E as mãos que antes percorriam minhas costas, foram lentamente indo em direção à borda da minha calça e habilmente ela desprendeu meu cinto e botão da calça em um só movimento. Lentamente ela desceu o zíper e seus dedos pousaram sobre minha ereção. Gemi baixo contra os seus lábios, apertando sua cintura com vontade, descendo para os quadris e depois subindo novamente para os seios e assim os senti arrebitados sob o meu toque impetuoso. Sua respiração começou a ficar mais descompassada e ela acelerava os movimentos dos quadris me provocando cada vez mais. Minhas mãos largaram seus seios e voltaram para suas coxas e com anseio minhas mãos percorreram por baixo de sua saia, passando meu polegar sobre sua intimidade ainda coberta por sua calcinha. Podia sentir aquele pedaço de pano mínimo, levemente úmido, pressionei de leve a região e fui ao delírio ao ouvi-la gemer, justamente porque sentia que ela queria mais, assim como eu. Em um movimento inesperado ela afastou minha mão. – Ainda não... – ela pronunciou com a voz levemente rouca. Segurou meus punhos ao lado do seu quadril e então aproximou sua boca do meu peitoral e com a ponta da língua, começou a fazer uma trilha molhada e quente pelo meu corpo, foi descendo sua boca até alcançar a borda da minha cueca. Ela de repente me soltou e saiu do meu colo. Somente de saia ela parou à minha frente, sorriu e lentamente foi descendo sua calcinha de forma extremamente provocante, sem retirar a saia. Eu apenas assistia admirado e isso só acendia mais a vontade de puxá-la novamente para o meu colo. Ela se aproximou novamente e com calma pegou a borda da minha calça e começou a tirá-la. Eu não estava mais conseguindo me conter e tentei apressar empurrando a calça com as pernas, mas quando fui tentar tirar minha cueca fui impedido. Ela rapidamente segurou minha mão e balançou a cabeça negativamente. Um sorriso perverso se alargou em seu rosto e ela sentou-se sobre mim mais uma vez, roçando diretamente sua intimidade sobre o fino tecido que ainda nos separava. Ela esfregava mais a região e eu a sentia quente e pronta pra mim.

- Eu imploro, ... - pedi vacilante, não sabendo mais por quanto tempo aguentaria. – Isso é tortura, me deixa... Deixa eu te sentir mais. - Sem perder tempo, voltei a beijá-la, tão intensamente como antes, sentindo suas mãos descerem novamente pela minha barriga e arranharem de leve a região. Cheguei a me arrepiar por toda eletricidade que suas carícias me causavam, soltei um gemido baixo assim que senti ela continuar a me provocar por cima da minha cueca. Meu membro estava tão rígido que chegava doer. Meus beijos desceram até seu pescoço, onde suguei a região com ansiedade sem me importar se deixaria alguma marca. Desci um pouco mais e suguei seu seio com vontade, eu estava ficando fora mim. Senti sua respiração ficar falha assim que passei de leve meus dentes pelo mamilo. Sem afastar meus lábios, movi minha mão na tentativa de me libertar de minha cueca, mas fui barrado mais uma vez.

- Calma... – ela respondeu em um sussurro. Ao mesmo tempo que eu tinha pressa, também queria prolongar aquele momento, desfrutar dessa sensação ao máximo, mas era difícil afinal não conseguia mais responder ou pensar direito com sua voz gemendo em meu ouvido, toda razão havia deixado meu corpo. Eu a puxei mais forte pela cintura e deslizei uma de minhas mãos que ainda estavam em sua coxa, até a sua intimidade. Eu estava pirando, ao passar o dedo e senti-la tão molhada assim, eu estava perdendo a cabeça de vez. Assim que ela sentiu eu tocá-la naquela região tão sensível, seu corpo estremeceu. Como eu gosto de ver a maneira que ela reage aos meus toques.

- Eu... – tentei falar, mas não conseguia responder ou raciocinar direito, ter sua voz que estava praticamente rouca, gemendo ao pé do meu ouvido mais uma vez, fez com que o que ainda havia restado de lucidez em meu corpo fosse embora. Ela respirou fundo se recompondo e em seguida mais uma vez afastou minha mão. Foi quando ela voltou seus dedos até a barra da minha cueca e foi retirando-a de forma tortuosamente lenta. Ela se colocou em pé novamente e terminou de baixar aquele pedaço de pano, passando suavemente pelos meus pés. Ela desceu seu olhar até a minha ereção e então pôs-se de joelhos à minha frente. Lançando um olhar sexy voltou seu olhar para mim. Minha mente e corpo estavam focados nela, meu corpo inteiro estremeceu em espasmos de prazer, quando uma de suas mãos quentes e macias envolveu firmemente meu membro. Eu apenas acompanhava ansioso a cada movimento. Já prevendo o que ela faria a seguir, recostei minha cabeça na almofada do pufe e soltei um gemido contido ao sentir seus lábios sobre minha rigidez, em seguida sua língua quente fez movimentos circulares ao redor daquela região, ela estava elevando o nível de tortura ao extremo. Ela roçou delicadamente os dentes e então colocou meu membro inteiro na boca, fazendo-o pulsar, chupando o máximo que conseguia da extensão de minha rigidez. Ela o sugava alternando com lambidas e fazendo movimentos de vai e vem. A cada segundo aumentava sua velocidade, fazendo meus gemidos ficarem mais altos roucos e preencherem aquele estúdio, eu estava me controlando para não terminar logo com aquilo. Consegui sentir o suor escorrendo pela minha testa, eu estava extasiado com sua imagem ajoelhada de frente para mim. Sua língua tocava a base e percorria toda a minha rigidez, tremi perante aqueles movimentos prazerosos. Ela parecia sedenta por mim. Fechei os olhos. – Oh... céus... , eu... - não era normal que eu me sentisse assim, que alguém me proporcionasse tanto prazer. Eu não conseguia pronunciar mais nada, meu tesão se multiplicou e logo não conseguiria mais aguentar. Sem conseguir emitir qualquer som, ainda em êxtase por todo esse prazer, acariciei seu rosto para que parasse. Então a puxei para cima com toda a agilidade que pude, ela se sentou sobre mim novamente, encostando agora sua intimidade cheia de lubrificação natural diretamente contra mim. A puxei levemente para cima e a penetrei de uma só vez com uma força que jamais havia feito antes. Ela gemeu alto e apertou meus ombros, por conta da minha atitude inesperada. Ainda com a respiração ofegante, ela me olhou com doçura mas ao mesmo notava-se perversão em seu olhar e então envolveu minha nuca com as duas mãos e começou a me beijar da forma mais sensual que era capaz e seu corpo subia e descia rapidamente. Seus gemidos acompanhavam os meus, todo efeito que ela causava em meu corpo e a sensação de estar dentro dela era novamente, extraordinária. Continuei investindo rápido, meu polegar estava bem no centro de sua região íntima, assim a cada investida, a friccionava com a ponta desse dedo. Ver e sentir ela se movimentar para cima e para baixo, de um jeito gostoso e molhado em cima de mim, em um ritmo alternando entre o lento e rápido, era delirante, sabia que não aguentaria mais por muito tempo. Eu fui perdendo minha sanidade, seus gemidos estavam cada vez mais incontroláveis.

- Continua Liam. – ela exigiu ofegante. Ela me abraçou firme contra seu corpo e o ritmo de sobe e desce aumentou mais, seus seios estavam mais pressionados contra meu peitoral. – Eu... – ela gemeu mais uma vez. Droga, eu estava precisando de muito controle para não gozar agora. Sabia que logo ela atingiria seu orgasmo, seus movimentos aceleravam e seus lábios um pouco trêmulos pousaram na curva do meu pescoço dando leves mordidas enquanto eu continuava a pressionar com leves toques seu clitóris. A segurei mais firme pelas costas, trazendo seu corpo ainda mais próximo ao meu e então fechou os olhos com força e preencheu o quarto com um gemido agudo. Nesse momento senti suas pernas tremerem, sua respiração ficou extremamente pesada, seu corpo ficou tenso e amoleceu por completo e por fim afundou seu rosto em meu ombro. Sentir ela ter um orgasmo em cima de mim me deixava ainda mais excitado, mal ela sabia todos os efeitos que causava em mim e o quanto cada vez mais eu me tornava dependente dela. A segurei pela cintura para continuar os movimentos, ela logo continuou a se mover cada vez mais rápido e a cada investida a minha vontade dela só aumentava. Tentei prolongar ao máximo, com movimentos mais lentos a penetrei ainda mais fundo. Procurei controlar o ritmo da penetração, até o momento em que foi impossível continuar me contendo e acabei gozando, coincidentemente a senti estremecer novamente. Nós dois acabamos gemendo alto ao atingirmos ao orgasmo e eu a segurei firme quando senti ainda seu corpo contrair e estremecer em meus braços. Foi muito intenso e após liberar tudo, só sentia meu coração bater acelerado. Fiquei ainda um pouco desorientado, devido ao efeito dessa imensa onda imensa de prazer.

- Nunca imaginei que o melhor investimento desse estúdio seriam esses pufes grandes. – pensei. Ela deitou-se e eu me juntei à ela, me deitando ao seu lado. ainda estava em silêncio também recuperando o fôlego e me perguntei o que se passava na sua cabeça naquela hora.

- Você está bem? – perguntei por estranhar ela encarando o teto e ainda não ter falado nada. Ouvia-se somente sua respiração que ainda estava bastante acelerada. Ela, respirou profundamente, virou-se para mim e me deu um beijo calmo.

- Eu... - fez uma pausa respirando mais fundo. - Estou ótima. – respondeu ainda ofegante. - Estou me recuperando. – ela sorriu novamente. – Orgasmos múltiplos não são sempre... - seu peito ainda subia e descia de forma rápida e então ela virou seu corpo sobre o meu e me beijou novamente.

- Verdade? – perguntei um pouco pasmo, afinal ainda não conseguia acreditar, mas ao mesmo tempo me sentia orgulhoso. - Nossa! - puxei-a para mim mais uma vez. Distribuí incontáveis beijos pelos seus lábios e pescoço. Eu não conseguia me conter, afinal meu ego estava nas alturas. Ela me deixava sem ar, ela conseguia abalar minhas estruturas. Não conseguia ainda acreditar ter conseguido proporcionar tamanho prazer a ela, isso tudo era indescritível. – Nem sei o que dizer... – falei sorrindo feito um bobo e logo tratei de abraçá-la, recostando meu rosto na curvatura do seu pescoço ainda suado, mas seu perfume permanecia em sua pele.

- Acho que devia ter algo afrodisíaco no seu jantar. – ela riu, enquanto acariciava meus cabelos. Não consigo explicar tudo que ela me faz sentir, essa sintonia que nós temos a maneira como ela me transmite paz e confiança. Como se tudo fizesse sentido e não quero jamais perder tudo isso. - Acho que precisamos de um banho. – ele respirou fundo e limpou algumas gotas de suor que ainda estavam na minha testa.


Acordei com uma mensagem do Harry em meu celular, convidando para um jantar na casa do Ed. Percebi que ainda dormia profundamente. Eu ainda penso se estou sonhando, ao vê-la assim tão serenamente dormindo na minha cama, apenas o lençol cobrindo seu corpo. O fato de ficar observando ela dormir, me trazia uma sensação boa, uma felicidade simples que só ela me proporcionava.

Não quis fazer nenhum ruído, apenas a cobri com o lençol e me levantei. Fui até a cozinha organizar o café da manhã e voltei para o quarto, como ela ainda estava dormindo aproveitei para ir até o banheiro tomar um banho. Liguei o chuveiro morno, comecei então a cantar enquanto eu pensava sobre tudo que andava acontecendo ultimamente. Como alguém em pouco tempo consegue consertar tudo que outra pessoa antes deixou devastado? era tão delicada e me fazia querer simplesmente estar ao seu lado, fazer parte da sua vida, protegê-la e fazê-la feliz. Essa garota realmente havia me conquistado. O que eu sinto por ela, simplesmente não consigo explicar, mas posso dizer que é ela, é a única. É como se todo meu passado fosse apagado, toda mágoa por um relacionamento anterior que não deu certo. Eu posso sentir, que desta vez eu consegui algo real.

Enrolei a toalha ao redor do meu quadril e assim que abri a porta, estava acordada, espreguiçando-se.

- Bom dia, ... – fui caminhando até ela.

- Bom dia, meu cantor preferido! – ela sorriu e encolheu as pernas sentando-se na cama. – Nem no chuveiro você tira folga? – ela riu.

- É que hoje acordei animado. – eu sorri para ela. – E espera um pouco... Não levanta ainda. – corri até a cozinha para buscar e terminar de preparar o café.

Depois de alguns minutos eu voltei para o quarto. Parei diante da porta, segurando a bandeja de café da manhã e fiquei olhando que estava de tirar o fôlego usando apenas uma camiseta branca minha.

- Espero que não se importe... Minhas roupas ficaram lá no estúdio e... – ela deu com os ombros e sorriu com certa malícia.

- Imagina... Realmente as minhas roupas ficam bem melhor em você que em mim. – eu ri e coloquei a bandeja de café da manhã na cama. Eu havia colocado mais uma gérbera rosa para decorar.

puxou o travesseiro e sentou-se se acomodando melhor na cama. – Assim você vai me deixar mal acostumada, Liam.

- Essa é a minha intenção. – eu ri e me juntei a ela na cama, para tomarmos café da manhã juntos.

- Nossa, você fez tudo isso nesses minutinhos? – ela falou encantada olhando para a bandeja.

- É que já havia deixado organizado antes de entrar no banho, mas é que você dorme, hein... Sequer percebeu quando levantei. – eu ri. – O importante é... Você gostou?

- E você ainda tem dúvidas? – ela sorriu e segurou a flor. Seu sorriso era perfeito, adorava vê-la assim tão feliz. – E ainda tem geleia de morango? – olhou novamente para a bandeja. - Nossa, Liam. – ela demonstrava estar radiante, então tocou meu rosto e roçou seus lábios nos meus. – Eu já te falei que a cada dia você me faz eu me apaixonar mais por você?

- Não, não disse... – contive um sorriso. – Mas pode falar se quiser... – eu disse rindo.

- Estou apaixonada por você, Liam James Payne. – ela pronunciou bem alto, com aquele sorriso, que iluminava o ambiente, estampado em seu rosto.

- Sério? – arqueei uma sobrancelha. - E eu simplesmente... – depositei um beijo no canto da sua boca. – Estou verdadeiramente, loucamente, profundamente, estupidamente apaixonado por você . – declarei alto e claro dentro daquele quarto e então selei nossos lábios em um beijo suave.

- Não vai comer? – brinquei pegando um biscoito da bandeja. Dei uma mordida e ofereci outro a ela. – Eu estou morrendo de fome.

Ela pegou o biscoito e começou a comer, em seguida tomou um gole do suco de laranja.

- Liam... Queria que você soubesse de uma coisa. – ela acariciou meu rosto. - Sabe houve noites em que realmente pensei que você fosse um erro, que tudo não passava de uma ilusão… Mas era eu é quem estava errada em pensar assim, você foi o acerto em minha vida, colocou tudo que dentro de mim antes estava em completa desordem em seu devido lugar. Abriu meus olhos para muita coisa que eu não estava querendo ver. Muitas vezes parei para pensar em como gostaria de mudar algumas coisas no meu passado, mas jamais quis mudar o dia em que conheci você. – foi impossível não sorrir ao escutá-la dizer aquilo, era tudo que eu precisava ouvir.

- E eu tenho que confessar algo... – peguei um pedaço de fruta e coloquei em sua boca. – Naquela noite no aniversário do Richard, eu te vi no bar... E bem... Eu não fui até lá por acaso quando você esbarrou em mim. E vamos dizer que eu também andava com uma certa confusão dentro de mim antes de você aparecer. Mas desde aquele dia senti algo diferente e sabia que o Albert não era a pessoa certa pra você. – ela baixou o olhar por alguns instantes. – Eu percebia o quanto ele não te travava da maneira que você merecia. Desculpa tocar nesse assunto. – segurei de leve em seu queixo. – Vamos mudar de assunto. Eu tenho um convite para te fazer. – resolvi mudar o foco, não queria estragar o momento. – O Harry me mandou uma mensagem, convidando para um jantar hoje na casa nova do Ed e...

- Ed? – ela perguntou intrigada.

- Sheeran… - completei.

- Claro! – ela riu.

- E eu queria muito que você fosse comigo. Que você acha?

- Eu não sei, Liam... Não ficaria muito evidente? Não acho uma boa ideia. – ela terminou de tomar o seu suco.

- Mas a vai, ela é sua amiga e... E eu posso apenas ser a pessoa que te deu uma carona. De ida e de volta – gargalhei. – Não vamos mais nos esconder... Eu não queria voltar no assunto Albert, mas talvez você devesse ver isso. – peguei meu celular e abri o Twitter. – Espera... Aqui. – mostrei a ela as notícias.

-“Albert Cole e um novo affair?” – ela começou a ler. – “A modelo canadense Jessica Stam, foi vista jantando com o empresário Albert W. Cole nesta última noite... Os dois pareciam muito íntimos...” – ela continuou lendo baixinho. – Mas e a Shannon? – ela de repente perguntou espantada.

- A Shannon? A assistente dele? – perguntei, tentando entender o que ela queria dizer.

- Sim... Eu, eu preciso ir, Liam... – empurrou o lençol para levantar-se da cama.

- Por quê? - Nesse instante escutei a campainha tocar. – Espera aí... - Levantei-me rapidamente e vesti uma calça de moletom que estava na poltrona perto da cama.

Corri para atender e me espantei ao me deparar com Sophia.

- Sophia? – estranhei ao vê-la novamente aqui no meu apartamento. Depois de tudo que havíamos conversado. – O quê? O que você está fazendo aqui?

- O Andy me avisou que você estava de volta e eu acho deixei minha jaqueta aqui... Aquela azul marinho. – ela falava séria. – Acho que esqueci aquele dia em que vim te ajudar, por causa do seu porre. Lembra? – perguntou enfatizando a última palavra.

- Sim... Mas... Acho que não tem mais nada seu aqui. – Por que mais uma vez o Andy insistia em mandar a Sophia para o meu apartamento? Ele iria me pagar por essa. – Se eu achar eu mando alguém levar para você, está bem? – estava tentando me livrar o quanto antes dela.

- Nossa Liam... Nem minha amizade mais serve pra você? Precisa me tratar desse jeito? – ela perguntou de forma ríspida.

- Não é isso, Sophia. Se for o caso até compro uma nova e mando pra você, está bem? – tentei parecer o mais tranquilo possível.

- Tem alguém aí? – ela esticou o pescoço. – Escutei um barulho... – deu um passo à frente.

- Não... Deve ser a televisão. – tentei bloquear a visão dela.

- Está bem, se você encontrar me liga. Combinamos de ir tomar um café, resolver as coisas. Pelo menos mantermos a amizade. Ou não podemos ser mais amigos? – ela sorriu de canto.

- Se eu... – nesse instante passa pela sala indo em direção ao estúdio. Sophia imediatamente empurrou meu ombro e entrou porta a dentro.

- O que é isso? – perguntou alarmada. - O que ela está fazendo aqui? – ela quase em um grito manifestou seu espanto ao ver , usando apenas uma camiseta minha. – O que? – ela intercalou o olhar entre e eu. – A noiva do Albert? – ela pediu ainda com a voz mais estridente.

- Ex noiva. – a corrigi imediatamente. – Calma, Sophia. – segurei em seu braço, mas ela logo se soltou e foi caminhando em direção à .

- Era ela? O tempo todo? – ela estava descontrolada. – O Albert já está sabendo dessa palhaçada aqui? - olhava assustada para Sophia. – Foi ela que o Andy falou daquela vez?

- Sophia... – quis intervir. – Por favor...

- Isso é ridículo... – Sophia caminhou até a porta e então voltou em direção à . – Sabe o escândalo que vai ser? – ela me olhou. - Quer mesmo sujar seu nome por nada? Noiva, Ex... Sei lá do Albert. Que nojo de você. – ela voltou sua atenção à . - Quando eu falar pro meu pai ele vai contar logo para o Albert. São amigos há anos e ele sempre fala pro meu pai que logo vocês iam retomar o noivado! Coitado do Albert, sendo feito de idiota por você. – ela apontou o dedo para .

- Você não sabe do que está falando Sophia. – confrontou ela. – Pode ir abaixando seu tom, menina. – ficou de frente para Sophia.

- Já chega... Quero por favor, que você vá embora, Sophia. – pedi firme a ela. Isso não podia continuar.

- Agora veio tirar vantagem do Liam? Querendo ganhar fama às custas dele? – ela continuou com as acusações.

- Chega, Sophia! – a repreendi, puxando-a pelo braço, mas ela soltou-se novamente.

- Não vou ficar quieta, Liam. O Albert se livrou isso sim. – seus olhos estavam vidrados em . - O Albert nem sabe que estava noivo de uma vagabunda. – em um movimento rápido virou um tapa no rosto de Sophia.

- Vai embora agora, Sophia. – proferi por entre os dentes e a puxei até a porta. Abri escancaradamente a porta. – E se quiser contar, fique à vontade... – falei com descaso. - Não tenho nada a esconder.

Sophia saiu com a mão no rosto, batendo os pés. Então parou diante do elevador e disse:

- Só não vou falar nada, por você, Liam. – apertou o botão e então virou-se para mim antes que eu fechasse a porta. - Por que ainda tenho muita consideração por você, mas abra os olhos antes que seja tarde. Não se arrisque por uma qualquer. – o elevador chegou e ela entrou.

Fechei a porta e estava sentada no sofá, com seus cotovelos apoiados em seus joelhos e as duas mãos no rosto.

- ... Você está bem? Desculpa por tudo isso... – me sentei na mesa de centro, ficando de frente para ela.

Ela ergueu a cabeça e me olhou com os olhos marejados.

- Eu... – ela fungou. E de repente levantou-se e correu em direção ao banheiro e eu fui atrás dela. – ! – bati na porta preocupado. – O que houve? – escutei o barulho da descarga e depois da torneira.

- Não foi nada... – ela abriu a porta, um pouco abatida. – Acho que fiquei nervosa... Meu estômago embrulhou com tudo isso. – ela respirou fundo. – Eu preciso ir, Liam. – Ela desviou de mim e caminhou em direção à sala do estúdio.

Parei junto à porta, observando ela vestir-se rapidamente e assim que prendeu seus cabelos em um rabo de cavalo, pendurou sua bolsa no braço. Eu nem sabia direito o que dizer depois de toda aquela cena da Sophia.

- Você não precisa ir agora... E...

- Preciso sim... Eu preciso resolver algumas coisas e depois do que aconteceu... – ela balançou a cabeça. – A bomba vai estourar logo. E eu sei que não conseguiríamos esconder por muito tempo, mas não estava contando que ia ser dessa maneira. – ela deu suspiro.

- Desculpa, pelo que a Sophia disse. Ela jamais deveria ter falado aquilo... – me aproximei dela. - Mas acho que foi só da boca pra fora, ela não vai falar nada...

- Liam, eu não sei... Ainda mais depois do meu ato de impulsividade.

- Eu vou falar com ela e...

- Não, deixa assim. Só sei que tenho algumas coisas para resolver e torcer que ela ainda mantenha a boca fechada. Só que é nítido que ainda existem alguns sentimentos mal resolvidos aí. – ela baixou o olhar.

- Não há. – afirmei e ergui seu rosto para que ela me olhasse. – Ela não é uma má pessoa, mas sabe ser mimada quando quer. Isso logo vai passar, acredite. Ela não vai querer prejudicar ninguém. – tentei tranquiliza-la, apesar de eu não estar muito tranquilo naquele momento.

- Espero que você esteja certo. Nos falamos mais tarde está bem? – ergueu seu rosto e acariciou meu rosto levemente e selou nossos lábios. Eu então aprofundei o beijo e envolvi meus braços em sua cintura a segurando bem junto ao meu corpo, deixando-a nas pontas dos pés.

- Estamos juntos nessa, não estamos? – rompi o beijo mas ainda sem soltá-la.

- O convite para te acompanhar hoje a noite ainda está em pé? - Ela abriu um amplo sorriso.

- É claro que está... – eu sorri de volta para ela.

- Então sim... – ela riu. – Quando aceitei seu pedido ontem a noite, eu sabia que teríamos alguns obstáculos. – ela deu um suspiro. – Mas agora me sinto mais preparada para encará-los.

Liam POV off

Cheguei em casa e logo peguei meu celular e disquei um número.

- Shannon?

- Não, é o Príncipe Harry... O que você quer?

- Educada como sempre... – retruquei. – Não preciso nem perguntar se você já viu as últimas notícias, não é mesmo?

- Sim, infelizmente eu vi. – ela respondeu com descaso. – Me ligou só pra me jogar isso na cara? Depois eu que sou a imatura.

- Deixa de ser idiota. Só liguei para dizer que aceito a proposta que você me fez aquele dia.

- Finalmente abriu essa sua cabecinha, hein, ...

- Só que irei precisar de um favor seu antes de tudo... Mas primeiro preciso que você venha até a minha casa, então te explico melhor. Está bem?

- Já que agora estamos falando a mesma língua... – ela riu. – Está bem, me passe o endereço que logo estarei aí.

Assim que encerrei a ligação com Shannon, peguei o pedaço de papel que passou dias me encarando em cima do balcão e finalmente tomei coragem para ligar.


- Estava com saudade sua, amiga. – falou assim que entrei em seu carro.

- Eu também... – respondi enquanto colocava meu cinto.

- Aquele prédio não é mais o mesmo sem você... – ligou o motor do carro. – Não te contei uma... Ontem minha mãe voltou para casa.

- Nossa, isso é muito bom e como ela está? Mais conformada agora?

- Não... Parece um zumbi dentro de casa, mas semana que vem ela volta a trabalhar. Quem sabe retomando o trabalho, ela vai conseguindo reagir aos poucos. Ela falou pouco comigo, eu até disse que ia sair com o Harry e ela se fechou no quarto do meu irmão.

- Que triste isso, ...

- É, mas eu estou bem viva e não vou mais deixar ela me afundar nisso. – ela balançou a cabeça. – Mas, não vamos mais falar disso... Quero saber de duas fofocas, uma é... O Harry me disse que você passou a noite no Liam? – ela de um meio sorriso.

Fomos conversando durante todo trajeto, contei tudo desde o pedido de namoro até o encontro desastroso com ex namorada pela manhã. também me contou que havia apresentado Harry ao seu pai e de cara os dois se deram muito bem. Fomos rindo, cantando e fofocando, como costumávamos fazer.

- Chegamos... – arregalou os olhos. – Que casinha singela do Sr. Ed Sheeran. Wow! – ficamos de boca aberta com sua nova propriedade. – Nem estou acreditando que estou indo jantar com o Ed. – bateu palmas animada, enquanto o portão se abria.

Ela estacionou em uma vaga próximo à porta de entrada. Haviam outros carros por ali. Assim que ela abriu a porta do veículo, foi surpreendida com alguém agarrando seu braço, fazendo ela dar um grito.

- Só podia ser, né? O doido do meu namorado! – ela falou irritada. – Que bela recepção, quase me matando de susto. – ela bateu a porta do carro e eu também saí.

- Não tenho culpa de ter uma namorada tão assustada. – envolveu ela pela cintura. – Olha só, ... – olhou para . - Tudo que tem de assustada tem de tão lindinha. – começou a distribuir vários beijos nela. Desde a testa, na ponta do nariz e na bochecha.

- E cadê o seu namorado? – Harry me perguntou e olhou para os lados.

- Mandou uma mensagem que se logo estaria chegando. – respondi.

- Eu falei pra ele, 20:00 horas. Não sei como demora só pra arrumar um topete. – rindo ele passou as mãos pelos cabelos. – Falando na princesa, Leia... – apontou para o carro de Liam estava entrando pelo portão.

- Hey! Vocês vão ficar aí fora a noite toda? – Da porta Ed gritou e abanou nos chamando.


- Você não me avisou que teria tanta gente. – cutuquei Liam assim que entrei e me deparei com o local lotado. – Um jantar, Liam? – ergui uma sobrancelha olhando para ele.

- É... Um jantar, meio festa. Mas tem comida. – ele sorriu acanhado.

Olhei para o lado e pela cara de surpresa de eu não era a única a ter sido enganada.

Havia bebida a vontade e alguns garçons passavam oferecendo canapés e outros petiscos. Até um DJ tocando na parte externa, e muitos dançando no gramado.

- O Niall e o Louis estão lá naquela mesa. – Harry nos chamou.

Caminhamos até uma varanda onde estavam Niall, Louis e a modelo Cara Delevingne na mesma mesa.

- Bem... Se não é o meu amigo desaparecido Harry Styles. – Cara brincou e abraçou Harry. – Agora que está comprometido esquece dos amigos. – ela riu. – Ao invés de vir apresentar, né? – Cara esticou o braço para cumprimentar . – Prazer, Cara.

- Prazer, . – Minha amiga a cumprimentou timidamente.

Cara então nos cumprimentou também com aperto de mão e todos começamos a conversar, sobre assuntos diversos.

Louis começou a contar algumas histórias engraçadas sobre cada um da banda.

- Sim... – Louis continuou. – Aquela vez que o Liam trocou de quarto por causa de um besouro...

- E ele teve que ir dormir comigo... – Harry completou. – Ficou me agarrando a noite toda. – ele gargalhou.

- Sim, não resisto a esse corpo. – Liam brincou passando a mão pelo braço do Harry.

- Mas em relação à quarto e o Liam, uma coisa é certa. – Niall começou a contar. – A partir de agora não fico mais no quarto ao lado dele. – ele olhou de canto para Liam e eu. E soltou uma risadinha. – Desde nossa viagem à Portugal, acho que vou fazer companhia ao Louis no ônibus da turnê. – Niall e Louis riram e Liam deu um soco no ombro do Niall.

- Oi. – estava rindo e no mesmo momento parou e sua expressão mudou. – Cara! – Kendall gritou e a abraçou.

- Olá pessoal. – ela acenou para todos nós na mesa e então virou sua atenção a Harry. – Que bom te ver aqui, Harry! – ela o puxou para um abraço. – virei imediatamente meu rosto para e nos entreolhamos estranhando aquela atitude exagerada pra cima do Harry.

Kendall então puxou um banco e sentou-se ao lado de Harry. me olhou, demonstrando estar incomodada, mas dessa vez eu não podia fazer nada.

- Tenho uma novidade... O Albert está me dando o maior apoio, para gravar um episódio do reality, durante a turnê junto com você Harry... – ela olhou para todos na mesa. – Digo, com a banda. Ainda não decidimos a data, pois tenho que conferir com a minha agenda. – ela riu. – Mas logo estaremos viajando juntos. – ela bateu palmas animada. – Isso não vai ser divertido, Harry?
Pude ver minha amiga arregalar os olhos imediatamente. Kendall agia como se na mesa estivesse presente apenas e o Harry.

- É... – ele deu com os ombros. – Vamos dançar, babe? – Levantou-se e pegou pela mão. – Com licença, que vou ir exercitar meu lado dançarino profissional aqui com a minha garota. – Então os dois foram até onde estava o DJ.

- Albert e suas ideias geniais, não é mesmo? – ironizei e levantei-me da mesa. – Acho que também vou ir dançar, quem me acompanha? – olhei para Liam.

- Eu vou... – ele rapidamente levantou-se.

- Eu também. - Niall se manifestou e logo em seguida Cara também nos acompanhou.

-Enquanto dançávamos, senti meu celular não parar de vibrar dentro da bolsa e me afastei para conseguir ver quem era. Um frio percorreu a minha espinha ao ler o nome que estava na tela. – O que o Albert quer comigo a essa hora? – pensei receosa em atender.

- Alô? – atendi sem vontade. – O que você quer, Albert?

- Onde você está? Preciso falar com você.

- O que você precisa de tão urgente que não pode esperar até amanhã? Não temos reunião logo pela manhã?

- Mas não é assunto do trabalho...

Meu coração palpitou, ele deve ter ficado sabendo. Estranhei por ele estar calmo, mas sendo o Albert tudo é possível.

- Amanhã na Modest conversamos, Albert.

- Não posso esperar... – ele me cortou. – Eu... – deu uma leve gaguejada. – Eu estou sentindo a sua falta, ... Que droga, muito mesmo. – ele de uma leve engasgada, se ele não fosse tão dissimulado diria até que sua voz estava embargada, a ponto de chorar.

- O que houve? – dei um pequeno pulo quando Liam tocou meu ombro. – Que aconteceu? – pediu baixinho novamente. Estranhando a minha cara que deveria ser de total espanto ao que estava escutando do outro lado da linha. Como resposta apenas dei com os ombros.

- Está ainda aí, ? Eu preciso de você... - eu fiquei totalmente sem reação. - Está me ouvindo?

- Estou sim... Mas agora preciso desligar. Nos falamos na reunião. – Encerrei rapidamente aquela ligação e desliguei o aparelho, para não ter que lidar com tudo aquilo agora.

- Quem era? – Liam estreitou as sobrancelhas. – Por que você ficou assim?

- Não foi nada, Liam. – não queria aborrecê-lo e não queria entrar nesse assunto. – Vamos voltar a dançar? – peguei e sua mão e voltamos para a pista.

Amanhã eu lidaria com o Albert, não queria ter que pensar sobre isso essa noite.

Capítulo Dezoito


Tomei um longo banho, vesti algo bem confortável e para colaborar com meu humor, Londres havia amanhecido com o céu limpo e um sol radiante. Enquanto tomava meu café, chequei o Twitter, mais alguns sites de fofoca e por enquanto Sophia realmente estava mantendo a boca fechada.

Apesar da ligação do Albert ter me deixado intrigada na noite passada, eu estava de bom humor. Sabe, aqueles dias em que levantamos com o pé direito? Eu ria sozinha enquanto ouvia minhas músicas e saboreava serenamente meu café da manhã. Neste instante recebi uma mensagem, era da Carol, me avisando sobre o e-mail que ela havia acabado de me enviar. O dia não poderia ter começado melhor, agora faltavam apenas mais algumas informações e um pequeno detalhe para desmascarar de vez o Albert.

Percorri tranquilamente o corredor da Modest e ao entrar em minha sala, me surpreendi ao encontrar em cima da minha mesa, uma pequena caixa preta com um laço dourado. Aproximei-me e peguei o cartão que a acompanhava.

“Quero que você saiba o quanto estou arrependido e percebi o quanto você me faz falta, . Isso é apenas um presente para demonstrar o quanto eu te amo e estou disposto a ter você de volta. Ass: Albert.”

Fiquei paralisada por alguns instantes com aquele cartão na mão. Eu não conseguia acreditar no que havia acabado de ler. Resolvi então abrir a caixa para saber o que Albert estava planejando de fato e dentro dela havia uma chave da Nissan.

- Só pode ser brincadeira. – proferi para mim mesma e então escutei alguém bater na porta.

- Pode entrar! - Guardei a chave de volta na caixinha.

- Bom dia, . – Albert abriu com cautela a porta. – Vejo que já encontrou o presente.

- É, parece que sim. – respondi com desprezo. – Inclusive, agora mesmo estava indo devolver a você. – segurei a caixa e o cartão e contornei minha mesa indo em direção a Albert.

- Como devolver? Eu não quero de volta. É seu. – ele sorriu fraco. – Eu comprei pra você. Não quero mais que fique a pé e andando de metrô por aí. Não aceito de volta, . – ele empurrou a caixa de volta para mim.

- Albert, você realmente desconhece a palavra limite... – soltei o ar pesadamente. - Eu não sei exatamente o que você está planejando, mas eu não preciso de um carro no momento. Assim que eu precisar eu mesma compro. – estiquei minha mão para devolver a caixa a ele novamente.

- , é seu. Os documentos estão dentro do carro, pode conferir. – ele colocou as mãos no bolso. – Não adianta que eu não irei pegar de volta. É seu e você pode fazer o que quiser com ele. Só existe uma coisa que quero de volta. E é você. – Cheguei ficar sem palavras por alguns segundos, pois ele só podia estar de brincadeira comigo. Queria pegar aquela chave e esfregar na cara dele.

- Essa deve ser a piada do ano... - não consegui conter uma risada.

- É sério, . Eu quero você de volta. Retomar nosso noivado e...

- Acho que vou vomitar... – o cortei. - Então eu não sei o que você vai fazer, porque não tem mais volta. Acho melhor pegar a chave, que isso sim é a única coisa que terá de volta.

Ele balançou a cabeça negativamente e ficou calado por alguns segundos me encarando, mas eu nunca conseguia decifrar o olhar do Albert. Ele possuía sempre um olhar distante e frio, nunca sabia o que esperar dele.

- Vamos para a reunião, . Sei que você ainda mudará de ideia. – ele soltou uma risadinha cínica. – Sabe que não desisto fácil do que eu quero. E tudo que quero eu consigo. – piscou e então deu as costas e caminhou em direção à sala de reuniões.

Albert não cansava de tirar a minha paciência com tanta arrogância, mas não daria a ele esse gostinho de me descontrolar e descer ao nível dele. Pelo menos não agora.


Encerrada a reunião, todos haviam se retirado da sala, apenas eu permaneci para poder conversar com Richard.

- E então, . Conseguiu? – ele trancou a porta.

- Aqui está Richard. – Alcancei a ele uma pasta. – Pode deixar que o manterei informado sobre tudo que acontecer em Los Angeles.

Richard sorriu e abriu a pasta, foleando os papeis que eu acabara de entregar. Todos os e-mails que Carol havia me enviado, com algumas mensagens do Albert para ela e cópias da documentação da mansão que Albert havia comprado e os documentos da conta que estava em meu nome.

- Esse filho da mãe... Eu desconfiava que ele andava aprontando. – Richard balançou a cabeça. – Mas infelizmente não conseguirei pegar o dinheiro de volta. Ele fez tudo muito bem feito. – ele bufou.

- Não tão bem feito, Richard. – lancei um meio sorriso.

- Como assim? – estreitou as sobrancelhas.

- Não viu que muita coisa ele colocou no meu nome? Eu já me informei sobre a conta. Sei que não consigo retirar o dinheiro sem uma assinatura dele, mas eu tenho outros meios de conseguir.

- Mesmo que consiga uma assinatura, o dinheiro não volta para a Modest. E pelo que conheço de você, não gostaria de ficar com um dinheiro que não é seu, não é mesmo? – Richard lançou um olhar preocupado.

- Claro que não, Richard. Eu tenho uma ideia melhor e que vai deixar Albert furioso, mas ele não poderá resgatar esse dinheiro.

- E posso saber como? – perguntou curioso.

- No tempo certo. Confia em mim, Richard. Amanhã em Los Angeles terei mais algumas das informações que precisamos e você estará livre do Albert. – sorri.

- Desculpe ter te envolvido nessa, . – pousou a mão sobre meu ombro.

- Richard, aquele dia quando você me contratou aceitei os termos, porque eu quis. Eu sabia exatamente o que teria que enfrentar, não se preocupe.

- Eu que pensei que conhecia o Albert. – guardou os papéis de volta na pasta. – O defendi quando ele afirmou que Carol estava obcecada por ele. Eu mesmo garanti que ela nunca mais pusesse os pés na Inglaterra. Que vergonha. Bom, é que... – limpou a garganta. – Você sabe que também tive meu momento de deslize e pago por isso até hoje. – baixou brevemente o olhar.

- Eu gosto muito da Marla, mas não estou aqui pra julgar ninguém. O nosso foco é outro, está bem? Mas agora eu preciso ir, sabe, né? Faltam mais coisas para organizar antes da viagem.

- Sim, claro... – Richard sorriu e caminhou até a porta. – Faça uma boa viagem, . – destrancou e abriu a porta para mim.

Desci até a garagem para ver o “presentinho” do Albert. Um Nissan Murano vermelho estava estacionado com um grande laço no topo. Com certeza era esse. Retirei o laço e destravei com a chave. Joguei aquele laço gigante no banco traseiro e os documentos do carro estavam no banco da frente.

- É, realmente o carro está no meu nome. – Peguei a papelada e sai do carro. Lembrei das palavras do Albert “É seu e você pode fazer o que quiser com ele.”. Então caminhei até a guarita. - Bom dia, Sr. Franciosi.

- Bom dia, senhorita . – estampou um sorriso simpático no rosto.

- Londres ensolarada, um dia lindo não? – puxei conversa.

- Tem razão, está um dia muito bonito. – ele concordou.

- Eu soube que ontem foi seu aniversário... E queria lhe dar algo. – alcancei a chave do carro. – E antes que você fale qualquer coisa. O carro é meu e estou dando de presente para o senhor, por favor. Só peço que aceite.

- Mas, senhorita ... Eu não posso.

- Pode sim. É um presente, considere como um presente da Modest por esses anos que trabalha aqui. – posicionei a chave diretamente na palma de sua mão. – Feliz Aniversário. – eu sorri.

- Obrigado, mas... – ele estava um pouco nervoso.

- Não me agradeça, apenas aceite. De certa maneira estará me ajudando também, então apenas aceite esse presente da Modest. E não se preocupe que eu mesma me encarrego de passar a documentação para o seu nome.

- Mas...

- Sem nenhum, “mas”. – o interrompi. - Ficarei extremamente ofendida se não aceitar. Por favor, aceite. É um presente de aniversário e pronto.

- Muito, mas muito obrigado. – ele não conseguia conter o sorriso.

- Tenha um bom dia, Sr. Franciosi. – me despedi e caminhei em direção ao elevador de saída.

Consegui organizar tudo que precisava a tempo de ir almoçar com a hoje. Ela havia feito reserva no The Ledbury.

Assim que cheguei o garçom me direcionou até a mesa onde estava me aguardando.

- Desculpa o atraso, , mas ainda faltavam algumas coisas para resolver. – Pendurei minha bolsa na cadeira e sentei-me à mesa com ela.

- Não tudo bem... Eu sei. – ela sorriu. – Um vinho? – segurou a carta de vinhos a sua frente. – Este, Chardonnay, 2008 Giaconda, Beechworth. – Olhou para o garçom que logo recolheu a carta de vinhos e retirou-se.

- Entendida agora nos vinhos agora... – comentei e puxei a cadeira me acomodando ficando mais próxima a mesa.

- Que nada, só passei o dedo e escolhi o que mais me agradou o nome. – ela riu fraco. – E amanhã rumo a LA, então? – ela perguntou não demonstrando estar muito animada.

- Sim... Não será a mesma coisa sem você lá. – desviei o olhar brevemente quando o garçom se aproximou e serviu nossas taças com vinho. - Está tudo bem, ? – Perguntei ao estranhar minha amiga um pouco abatida. – Algo com a sua mãe?

- Por incrível que pareça, desta vez, não é com ela. – ela tomou um gole de sua taça. – É que amanhã vou ficar sozinha. No dia do meu aniversário, meu namorado e minha melhor amiga em LA e eu aqui. – fez uma expressão de triste.

- Ai , é mesmo... Não tinha me dado conta.

- E pra piorar ainda mais... Tem o fator Kendall. - ela rolou os olhos. – Odeio dar de namorada desconfiada e ciumenta, mas... – empinou mais um gole. – Você sabe que lá ele tem a própria casa e não vai ficar no hotel e... E essa dita cuja da Kendall vai estar por lá. – ela fez uma cara feia ao pronunciar o nome.

- Acho que você não tem o que se preocupar com ela ... – antes que eu continuasse o garçom se aproximou e serviu o prato de entrada. – Não meto a mão no fogo por ninguém, mas ele demonstra estar bem comprometido com você.

- Então alguém avise ela, por favor. Hoje pela manhã adivinha quem ligou pra ele? – ela remexeu a comida com o garfo.

- Não pode ser... – arregalei os olhos.

- Sim... Ter que acordar e ver ele atender o telefone e me dizer que era ela. Contando que ela havia conseguido com o Albert para gravarem um episódio quando estivessem em LA. Acredita?

- Que abusada e atirada... E Albert sendo o mesmo Albert merda de sempre. Espera... De manhã... – lancei um sorrisinho malicioso para ela. – Você não me conta mais nada mesmo.

- Ai, ... – ela se obrigou a rir e balançou a cabeça. – Esse não é o foco. Sexo com Harry não vem ao caso nesse momento. – ela continuou a rir.

- Mas é melhor que ficar falando daquela mimada sem cérebro. – argumentei. – Com certeza ela não faz o tipo dele. Ela não é você. – tentei mudar o pensamento da minha amiga, fazer ela parar de neuras.

- Mas admito que não está sendo fácil, não. – deu uma garfada na sua salada.

- Pode deixar que vou fazer o meu papel de melhor amiga e ficar de marcação e afastar essa daí. – eu sorri e tomei mais um gole do meu vinho. – Sinceramente, acho que você está se preocupando a toa.

- É pode ser... – ela deu com os ombros enquanto continuávamos a comer. – Claro que devemos toda essa aproximação ao seu querido ex... Aquele Albert vindo direto do inferno. – ela pronunciou com raiva, mas ao mesmo tempo foi engraçado.

- ! – a repreendi, não por ter falado mal do Albert, mas por ter mencionado aquele nome durante a refeição. – Estamos almoçando e falar disso aí não ajuda em nada para comermos em paz.

- Eu sei... Mas sério estou saturada dessas ideias dele.

- Albert sempre espalhando alegria por onde passa. – comentei sarcasticamente. – Só posso dizer que se tudo correr como planejado, logo ele estará fora da Modest. – sorri de canto e arregalou os olhos.

- Como? Quando? É sério? – soltou os talheres e voltou toda sua atenção à mim.

- Não posso entrar em detalhes, ... É que o Richard me pediu sigilo quanto a isso, mas prometo que logo você saberá de tudo.

- Está bem, sou curiosa, mas sei esperar. – ela riu. - Aquela ali não é a Sophia chegando com o tal do Andy? – perguntou olhando em direção à entrada do restaurante. Virei meu corpo rapidamente e olhei de forma nada discreta para trás.

- É, são eles mesmo, . – nossa mesa estava um pouco distante da entrada, mas resolvi me virar de volta para , para não correr o risco da Sophia me notar ali.

- Não sabia que os dois eram tão amigos. Pensei que ele era amigo apenas do Liam. – comentei por ter estranhado a proximidade de Andy e Sophia. - Mas não quero falar dela, isso já está me causando um embrulho no estômago. Vamos falar de outra coisa, que tal você ir lá na minha casa esta noite, pegarmos uma pizza e um bolo para comemorarmos seu aniversário? – propus animada.

- Sabe que é uma ótima ideia. Noite só nossa, para fofocamos a vontade, aí sim posso te contar das minha noite selvagem com Harry Styles. – ela gargalhou.

O garçom se aproximou para trocar os pratos e servir o prato principal.

- Sei que você não quer falar de certa pessoa que está sentada à algumas mesas de distância da nossa, mas acho que você deveria se virar discretamente agora e ver exatamente o que meus olhos estão visualizando neste exato momento. – disse com os olhos vidrados atrás de mim.

Movi apenas meu rosto, da forma mais discreta que consegui para trás e eu não conseguia acreditar no que estava acabando de ver. Andy estava fazendo carinho sobre mão de Sophia? E para completar agora ele beijou a sua mão? Era isso mesmo? Virei-me rapidamente de volta para .

- O que? – ainda espantada falei para . – É isso mesmo que estamos vendo? Não é o vinho que está me fazendo ter alucinações, certo?

- Será que é recente? Ou... – ergueu uma sobrancelha. – É caso antigo? – ela deu um risinho.

- Deve ser recente, porque ela não teria ido atrás do Liam até Amsterdã e depois ir até o apartamento dele se estivesse ficando com o amigo dele. – expliquei, mas minhas próprias palavras não me convenciam por completo, mas meu sexto sentido feminino levantava uma leve dúvida se era recente mesmo.

- Será que Liam já sabe disso? – perguntou.

- Acredito que não. – rapidamente respondi. - Não sei. – baixei o olhar remexendo com o garfo meu camarão. - Ou sabe... – Dei com os ombros. - Também não importa, não estão mais juntos mesmo. – me alterei um pouco. – Devíamos ter escolhido outro lugar para almoçar mesmo.

- Desculpa, . Só achei estranho os dois, só isso. Tem razão, o Liam não tem nada que ver com isso, ele está muito bem com você. E... – ela ficou muda de repente. – Eu não ia mais falar, mas... Eles estão bem juntos mesmo. – ela arregalou os olhos. – Aquele beijo ali não mente.

Em um impulso virei meu rosto para espiar, não ia aguentar de curiosidade.

- É... – voltei minha atenção à . – Acho que agora ela não volta mais a procurar o Liam. – comentei um pouco aliviada. – Não que eu me preocupe com isso. – baixei o olhar e continuei a saborear meu camarão.

- Sei que não. – debochou.

- Vamos falar de outra coisa. Isso está me dando enjoo. E a sua cunhada como está? O Ashton não quis comentar muito, mas notei ele meio cabisbaixo. É verdade que não estão mais juntos?

- É, parece que não... – ela respondeu.

Continuamos conversando, afinal não queria sair antes do “novo” casal, para não ser vista por Sophia. Aguardamos até eles saírem por primeiro.

Como havíamos combinado durante o almoço, chegaria daqui uma hora em minha casa. Estava quase tudo pronto, ela nem suspeitava da festa surpresa que eu estava preparando com o Harry a semana inteira. Ela tinha uma chave reserva e eu havia dito a ela que se eu não atendesse a porta era porque estaria no banho e ela poderia entrar direto.

- Liam termina de amarrar os balões ali no canto. – Harry começou a dar as ordens.

A campainha tocou e assustou a todos. Corri até a porta e todos ficaram em silencio. Olhei pelo olho mágico, era o Louis e o Zayn, então abri rapidamente a porta.

- A bebida chegou. – Louis gritou segurando alguns engradados de cerveja. Então entrou seguido por Zayn que também estava carregado com garrafas de bebida.

- E a Eleonor não quis vir? – perguntei ao Louis.

- Eles estão dando um tempo. – rapidamente Zayn respondeu.

- Eu não tenho boca pra responder. – Louis irritou-se com Zayn. – É... As viagens, a turnê acaba desgastando um pouco. Quando voltar iremos conversar. – Louis me explicou.

- Niall, está torto esse “Happy Birthday” – Harry gritou, fazendo minha atenção voltar a ele. – Que descoordenado, arruma logo isso aí.

Fui obrigada a rir do jeito que o Harry estava ansioso.

- Está tudo pronto. – falei e me dirigi até a cozinha. – Vou pegar o bolo que logo ela está chegando. – Posicionei o bolo na bancada. – Onde estão as velas? – perguntei ao Harry.

- Pensei que você ia comprar. – ele respondeu.

- Você falou que ia comprar, esqueceu? – ele me olhou como se lembrasse que havia dito isso e passou as mãos pelos cabelos. – Tem um mercadinho aqui na esquina, se eu correr ainda dá tempo de pegar.

Corri mais que o Forrest Gump até o mercadinho. Passei por várias prateleiras e nenhuma vela de aniversário, até que encontrei um conjunto de velas fininhas e bem pequenininhas, mas naquela altura, era o que me restava e então comprei.

- Cheguei. – parei na porta com as mãos nos joelhos e ofegante. – Aqui... – alcancei o pacote para Harry.

- Olha o tamanho dessas velas. – Ashton gargalhou.

- Cala boca, Ash... – eu ri. – Foi o melhor que encontrei. – fui até a cozinha e peguei um isqueiro. Então todos nos posicionamos e eu fiquei perto da porta de entrada aguardando a . Logo escutei o barulho do carro estacionando.

- Ela está chegando, silêncio todo mundo. – apaguei as luzes e corri para perto do Harry para aguardar o momento de acender as velas.

Ela tocou a campainha uma vez, aguardou e tocou mais uma. Rapidamente fui acendendo as velas. Escutamos ela colocar a chave na fechadura, olhei para o bolo e as velas já estavam terminando e derretendo sobre o bolo.

- Não... – Harry reclamou baixo.

Assim que abriu a porta, as velas haviam se apagado.

- SUPRESA! – gritamos em coro tudo no escuro. Dando um tremendo susto nela. rapidamente achou o interruptor de luz ao seu lado e acendeu as luzes. Olhamos para o bolo com as velas todas derretidas sobre ele.

- Ai que lindo! – ela colocou as mãos no rosto. – Nunca ganhei uma festa surpresa antes.

- Deu tudo errado. – Harry resmungou olhando ainda para o bolo.

- Não, eu adorei. – ela se aproximou do namorado e deu um beijo em sua bochecha. – Está tudo lindo ela olhou para os lados e então me abraçou.

- Feliz aniversário, . – abracei forte minha amiga.

Todos se aproximaram para cumprimentar . Harry ainda estava chateado pelas velas e foi tentando tirar uma a uma que estavam derretidas sobre a calda de chocolate.

- Pessoal, nunca ia imaginar. Quem planejou tudo isso? Só pode ter sido coisa sua né dona ?

- Está errada, eu apenas ajudei, pois a ideia partiu do seu namorado aí. – apontei para Harry que continuava cavando o bolo. o abraçou mesmo ele ainda estando de costas. Harry sorriu, evidenciando suas covinhas e então virou-se de frente para , erguendo-a pela cintura e começou a beijá-la.

- Agora chega dessa “melação” aí. – Michael chamou a atenção. – Queremos bolo.

- É isso aí Mike. – Niall concordou. – Cadê a comida? O que é um aniversário sem comida? – ele gargalhou.

- O bolo está arruinado... – Harry reclamou.

- Ainda dá pra comer, só tirar essa parte. – Aproximei-me para dar uma ajuda ao Harry. – Ainda conseguiremos comer o bolo que você fez Harry.

- O meu namorado fez um bolo pra mim? – olhou para Harry extremamente surpresa e com um sorriso escancarado no rosto. E ele aproveitou para sujar o nariz dela com um pouco da cobertura de chocolate.

Entre tantas demonstrações públicas de afeto olhei para Liam e sorri, afinal pouco havia lhe dado atenção nesta noite, pois os únicos que sabiam sobre nós dois eram o Harry, e o Niall, então estávamos tentando manter tudo com muita discrição. Mas no instante em que ele sorriu de volta para mim, juro que bateu uma vontade de agarrá-lo ali mesmo.

Depois que conseguimos salvar o bolo, que realmente estava muito bom e não sobrou sequer um pedaço, Ashton sugeriu fazer alguma brincadeira com a bebida que o Zayn trouxe.

- A brincadeira é estilo roleta russa, só que com doses da tequila. – começou a explicar. – Vamos separar aqui dois copos iguais, em um vou colocar uma dose de tequila e no outro a mesma medida de água. Mas ninguém pode ver qual é do que. Em uma roda vamos começar a cantar uma música, passando os copos para o seguinte. Quando a música parar, quem estiver com o copo na mão vira de uma vez só. Quem topa?

É obvio que todos concordaram e sentamos na varanda onde havia mais espaço.

- She's a good girl, she's daddy's favourite, he saved for harvard, and he knows she'll make it. - Ashton foi quem começou a cantar e passar os copos. - She's good at school, she's never truant. She can speak french... - Ele parou de cantar e um copo estava na mão do Liam e outro com o Luke. Ao mesmo tempo os dois empinaram a dose, mas pela cara de decepção do Luke, foi ele quem tomou a água.

Demos continuidade ao jogo, ao longo das rodadas as letras das músicas já estavam saindo invertidas. Na maioria das rodadas quem mais acabou pegando o copo premiado foi Liam, que a essa altura não parava de me olhar. Eu acabei pegando o copo d’água na maioria das vezes. Encerramos o jogo, porque amanhã ao meio dia todos precisavam estar prontos para a van buscar e leva-los ao aeroporto.

Niall foi embora com o Louis e o Zayn e em seguida o segurança do Calum chegou para busca-lo e foram de carona com ele Luke e Michael.

- Vamos, Liam. - Harry tentou puxa-lo, mas sem sucesso. Ele continuou estatelado no sofá.

- Eu vou ficar aqui. – Liam teimou e pegou um almofada e se acomodou melhor.

- Acho melhor você levarmos o Ashton e depois a chama um táxi para o Liam. – sugeriu. – Senão vamos ter que percorrer Londres inteira só pra entregar dois bêbados. – gargalhou. – Aí não vai sobrar tempo pra nós. – ela deslizou a ponta dos dedos braço do namorado.

- Opa... Vamos agora mesmo. – Harry se animou e logo pegou as chaves do carro. – Levanta logo daí Ash... Você vai junto com nós. – chamou Ashton que estava entregue sentado na poltrona. Afinal Ashton havia sido o segundo maior premiado do copo de tequila.

Os acompanhei até a porta e me despedi. Voltei até a sala e Liam estava dormindo do sofá. Calmamente fui me aproximando e sentei próximo a ele em um espaço no sofá.

- Liam... – passei meus dedos entre seus cabelos. – Liam. – Delicadamente estava tentando acordá-lo. – Liam eu já chamei um táxi. – Poderia dizer que ele assim era uma visão encantadora. Embora eu quisesse, ele não poderia passar a noite aqui. Logo pela manhã uma van passaria me buscar, pois eu precisaria passar na Modest antes de ir ao aeroporto. – Hoje você não pode ficar. – ele resmungou, mas estava ainda de olhos fechados. - Liam, por favor, colabora.

Liam subitamente abriu os olhos e segurou minha mão.

- Vou colaborar. – então sorriu abertamente e me olhou com certa malicia evidente em seu olhar. E sem me soltar ele me puxou impetuosamente selando rapidamente nossos lábios, dando início à um beijo suave cheio de amor e carinho, a cada beijo a cada toque sabia que era em seus braços onde eu pertencia. Eu já estava viciada na sensação que o seu beijo me proporcionava, seu gosto, eu estava indo a loucura, o efeito que ele tinha sobre mim se renovava todas as vezes.

Meu corpo estava sobre o dele e delicadamente fui passando meus dedos por baixo de sua camisa, pude sentir sua pele arrepiar quando arranhei bem de leve minhas unhas em seu abdômen. Ele apertou forte meu quadril me beijando ardentemente, só afastou sua boca da minha para recuperar o fôlego e começou a beijar meu pescoço.

- E eu que pensei que você estava dormindo... – pronunciei baixinho e ri involuntariamente quando ele mordeu de leve um ponto no meu pescoço, que acabou me provocando cócegas.

- E eu consigo dormir com você por perto? – sussurrou e roçou a ponta da sua língua abaixo da minha orelha. – Você me deixa bem acordardo. – colocou suas mãos por dentro da minha blusa, acariciando minha barriga e subindo delicadamente até minhas costelas. Seu toque era deliciosamente torturante, fazendo meus joelhos tremerem. Logo seus dedos alcançaram meu sutiã. E neste exato momento uma buzina me fez recobrar meus sentidos ou parte deles.

- O táxi! – dei um pulo meio desajeitada do sofá.

- Que balde de água fria, hein... – Liam lentamente levantou-se do sofá, visivelmente desapontado. – Não pense que vou deixar passar. Vai ter volta. – ele riu e me deu um selinho e me segurou pela mão para que eu o acompanhasse até a porta.

- Que vingativo, Liam Payne. – balancei a cabeça em meio a risos.

Abri a porta e o acompanhei até o táxi. Assim que ele abriu a porta, me puxou pela cintura, colando abruptamente nossos corpos e então me beijou novamente e acabei cedendo ao beijo, mas logo separei nossos lábios, pois lembrei que estávamos na rua e poderia ter paparazzi de plantão em algum canto. E não queria que tudo fosse descoberto dessa maneira, por meio de tabloides.

- Boa noite, Liam. – sorri me despedindo enquanto ele entrava no táxi.

- Boa noite e nos vemos no aeroporto, minha . – deu uma piscada e fechou a porta e eu acenei quando o taxista deu partida. Antes de eu fechar a porta de casa, pensei ter visto alguém correr para trás de uma árvore. Pisquei e olhei mais uma vez e não consegui enxergar mais ninguém, talvez fosse impressão minha ter visto alguém. Entrei dentro de casa e tranquei a porta, só podia ser coisa da minha cabeça mesmo.

Capítulo Dezenove


- Nunca passei tão mal em uma viagem, não devia ter comido aquele “Croissant” no aeroporto. – comentei com Zoey enquanto abria a porta do quarto do hotel e puxava a mala para dentro.

- Não será uma virose? – ela me olhou alarmada. Havia esquecido que Zoey era um pouco neurótica em relação à qualquer sintoma de enfermidade.

- Talvez... Ou só uma indisposição, ainda estou me adaptando essa rotina de viagens. Fuso horário e tudo mais. E uma dica, não coma com pressa comida de aeroporto. – alertei rindo.

Sabia que logo eu estaria novinha em folha, isso tudo com certeza não passava de alguma crise de estresse. Apesar de eu estar muito bem com o Liam, existia certa pressão desse namoro e isso acabava me perturbando de alguma maneira. Principalmente desde que Sophia ameaçou contar ao Albert e agora essa estranha vontade repentina em ele querer se reaproximar, realmente isso estava me incomodando e muito nesses últimos dias.

Coloquei minha mala e bolsa em cima da primeira cama e Zoey largou as suas na segunda.

- Não entendo porque a Shannon conseguiu um quarto só para ela. – Zoey reclamou. – Não que eu não esteja feliz em dividir o quarto com você. – rapidamente ela quis se corrigir. – Eu estou! E muito. – riu na tentativa de contornar a situação. Acabei rindo do jeito de Zoey, afinal eu havia entendido perfeitamente sua reclamação.

- Privilégios de Shannon. – balancei a cabeça.

- Eu não gosto muito dela. – torceu o nariz.

- Zo, compartilho do mesmo sentimento. – eu ri. Apesar de eu ter me aliado a Shannon, não significava que havíamos nos tornado melhores amigas. Eu ainda tinha um pé atrás com ela.

- Posso ir primeiro pro banho? – Zoey pegou uma toalha e seguiu em direção ao banheiro. – Quero me arrumar bem para esta noite. – ela deu uma risadinha. – Agora que o Louis está solteiro. – deu uma piscadela.

- Só você mesmo, Zo. – balancei a cabeça e ri enquanto separava minhas roupas da mala. – Estou vendo que hoje a Project Club, promete.

- Promete mesmo. Afinal, não posso dormir no ponto, né? – ela sorriu e fechou a porta do banheiro.

Eu não estava em clima de festa, ainda estava cansada da viagem. Eu vim apenas por insistência da Zoey que só falava no Louis e o quanto ela precisaria da minha ajuda essa noite. Não sei exatamente como poderia ajudar, mas cá estou sentada nesta área VIP, tomando minha água observando Zoey, ao meu lado, animadamente bebendo e conversando com o Louis, este, sentando em um pufe de frente para ela. Liam e Zayn bebiam, sentados no pequeno sofá a frente de onde eu estava, afinal precisávamos ainda manter certa “distância”. E para completar eu tinha que suportar a presença de Albert no mesmo ambiente, mas pensando melhor talvez seria uma ótima oportunidade de conseguir alguma prova contra o Albert. Eu só estava estranhando por Shannon não ter vindo acompanhar o seu querido Albert.

- Manda mais uma. – Albert balançou a garrafa e chamou o garçom. – Melhor, manda mais duas. – ele gargalhava de forma expansiva e repugnante. Realmente dinheiro não consegue comprar classe e educação, pois ele praticamente jogou-se bem ao meu lado no sofá, expulsando Zoey que estava na ponta contrária. – Divertindo-se? – ele passou o braço sobre meus ombros, me causando asco. Soltei o ar pesadamente, peguei sua mão e me livrei de forma ríspida daquele contato, logo pude ver Liam mudar sua expressão e largou seu copo bruscamente na mesa.

- Zoey, vamos dançar... – Ignorei completamente Albert e levantei-me em um pulo, antes que Liam tomasse alguma atitude impulsiva em relação ao Albert. Fiz um sinal discreto com a cabeça para que Liam também nos acompanhasse.

Harry e Niall estavam na pista e assim que nos aproximamos, Harry parou bem ao meu lado e disse alto.

- , tenho uma surpresa pra você. – riu e em seguida deu às costas logo misturando-se na multidão. Acabei o perdendo de vista, Zoey e eu nos entreolhamos e eu dei com os ombros, tentando entender o que estava se passando.

Continuamos todos na pista a dançar. Tentei me manter o mais “longe” que consegui de Liam, mas era inevitável a nossa troca de olhares. Niall era quem nos mantinha “afastados” por assim dizer, dançando ao meu lado e de Liam. Zoey estava com tudo e não perdeu tempo em tentar uma aproximação maior do Louis. Nunca havia visto ela tão animada e digamos assim “soltinha”. Harry então retornou, rindo.

- O que você está aprontando, Styles? – perguntei desconfiada.

- Nada... – ele continuou a rir e logo o DJ trocou de música. E ao escutar o que começou a tocar, só então entendi o que Harry estava aprontando.

- Sério, Harry? – cruzei os braços e ergui uma das sobrancelhas.

- Vamos, ... Eu pedi pra ele uma música brasileira. Não pode ficar parada não... – ele gargalhava deixando suas covinhas a mostra.

- Só se a Zoey me acompanhar. – a peguei pela mão.

- Mas... Eu não sei dançar essa música. – ela se atrapalhou toda.

- Eu também não sei direito, segue meus passos, a batida da música e pronto. – a puxei mais perto e comecei a rebolar até o chão e ela me acompanhou. - Desce, sobe, empina e rebola. Toda delícia, toda gostosa... Desce, sobe, a noite toda... – cantarolei enquanto dançava. Liam, Niall, Louis e Harry não continham o riso, aproveitei que estavam todos em momento de descontração e puxei Liam para me acompanhar. Harry começou a dançar de forma meio desengonçada tentando imitar os passos, não pude conter em gargalhar ao presenciar essa cena. Na hora lembrei-me da , que precisava estar aqui para presenciar tudo isso, mas graças à tecnologia ela poderia ver. Com meu celular em mãos consegui filmar alguns movimentos do grande dançarino Styles e mandei para minha amiga.
Zoey aproveitou o momento para pegar na mão de Louis e pediu para que ele a acompanhasse na dança. Jamais comentaria isso com Zoey, mas Louis estava se saindo muito melhor que ela no rebolado.

Depois de tanta dança e passos inventados por Harry e Niall, retornamos a área VIP. Zayn estava conversando com algumas garotas. Na mesa de canto o pessoal da equipe estava por ali bebendo e pude notar a ausência de Albert, logo lembrei que precisava ficar atenta a todos seus movimentos. Olhei para os lados e nada, como pude me descuidar justamente hoje?

- Eu já volto... – avisei a todos e logo me direcionei para o andar de baixo. Apressadamente decidi sair em busca das provas que precisava, eu pressentia que Albert estava aprontando alguma.

Como fui bobear desse jeito? De que maneira encontraria Albert no meio dessa multidão? Tudo que eu precisava era de uma simples foto, como fui esquecer do meu objetivo?

Passei pelo bar e nada. Cruzei novamente a pista e nem sinal dele. Em seguida resolvi rondar perto do corredor que dava acesso aos banheiros, afinal lá haviam alguns lugares mais escondidos, mais reservados. Eu estava perdendo minhas esperanças, quando avistei mais ao fundo deste corredor uma porta entreaberta. Ao chegar mais perto, parecia ser uma sala de equipamentos de som, estava pouco iluminada. Cuidadosamente, me aproximei e notei alguns ruídos, aquela pequena sala não estava vazia. Pé por pé fui entrando cuidadosamente e ouvi vozes, claramente pude identificar que uma delas era de Albert. Não podia ter tido uma intuição maior em vir até aqui. Fiquei abaixada, entre a porta e próxima à uma grande caixa preta. Estiquei o pescoço para espiar e me certificar de que o dono da voz era sim do Albert e junto com ele havia um rapaz, aparentando em torno de uns 23 a 25 anos, no máximo. O que eles estavam fazendo ali? Fiquei prontamente com meu celular em mãos e comecei a filmar.

- Exatamente a quantidade que me pediu. – o rapaz falou entregando uma maleta à Albert. – Pode conferir, é de qualidade. E está tudo aí.

- Claro que irei conferir. - Albert puxou a maleta para perto. - Pode avisar o Lance que o dinheiro já está na conta. – Espera... – bufou. - Está faltando mercadoria, seu filho da puta.

- E-Eu? N-não... – o rapaz gaguejou.

- Andou passando a mão e achou que eu não notaria? – ele começou a se exaltar e agarrou o garoto pela gola da camisa. – Eu tenho uma entrega depois de amanhã em Las Vegas. Um dos meus melhores clientes. – proferiu por entre os dentes. – Mas... – respirou fundo e baixou seu tom de voz. - Hoje você está com sorte, pois estou de bom humor e vou te dar uma chance. Vou te dar só o tempo de me levar o que está faltando no hotel, mas seja extremamente discreto, seu “bostinha”. – empurrou o rapaz contra algumas caixas, deixando-o cair no chão. – Você não tem ideia com quem está lidando. Se tem o mínimo apreço à sua vida, não queira me irritar, garoto. – Albert o ameaçou e fechou com força a maleta. – Daqui uma hora estarei no hotel. Se o que está faltando não aparecer. – ele soltou um riso cínico. – Sinto muito... Então você terá ideia com quem está lidando. – gargalhou grotescamente.

Engoli seco e parei de filmar neste exato momento. Não pensei duas vezes e sorrateiramente saí dali o quanto antes. Eu não queria nem imaginar o que Albert faria se me encontrasse por ali. O tom de ameaça na voz de Albert, me assustou. Sabia que ele não prestava, mas comecei a perceber que era muito pior do que eu imaginava. Cruzei a passos largos pela porta vai-e-vem, que dava acesso à pista. Eu ainda estava ofegante e com o coração a mil, mas um pouco mais aliviada ao me ver rodeada de pessoas novamente. Guardei meu celular na bolsa e de repente senti alguém agarrar meu braço e me puxar para trás de um grande pilar e meu sangue congelou nesse instante. Apesar de escuro, um leve formigamento em minha pele, revelou um toque confortavelmente familiar. E foi como um “déjà vu”.

- Liam... Que sus... – antes que pudesse continuar senti seus lábios quentes em contato com os meus. Eu sabia que estávamos expostos naquele clube, mas a sensação que ele passava através do seu beijo, fazia eu esquecer o mundo ao meu redor. Esse beijo cheio de vontade e paixão, que sempre me fazia ansiar por mais. Liam me beijava docemente enquanto deslizava habilmente suas mãos até minha cintura, pude sentir então meu coração disparar. Prensou-me mais contra o pilar, então sua boca foi diretamente em meu pescoço e em meio aos beijos deu algumas mordiscadas. Deus, como ele me enlouquecia, aquele roçar lento e suave de sua barba em contato com a minha pele me levava ao delírio. Seu toque deixava um rastro de formigamento pela minha pele, trazendo todo entusiasmo do nosso primeiro beijo à tona, como se uma chama percorresse minhas veias. Uma de suas mãos segurava firme em meu quadril, enquanto a outra emaranhava-se em meus cabelos, puxando-me novamente para um beijo ainda mais quente e fervoroso. Minhas mãos então agarraram com força suas costas, cravando meus dedos por cima de sua camisa, prendendo seu corpo mais próximo do meu. Era como uma necessidade ter essa proximidade, seu corpo colado ao meu. Seu sabor era inebriante, a sensação de seus lábios tocando os meus me consumia e eu estava totalmente entregue àquele momento quando Liam começou a diminuir o ritmo do beijo até finalizar, selando suavemente nossos lábios por diversas vezes. Minha respiração ainda estava descontrolada e em meio às luzes piscando pude ver a doçura em como me olhava, enquanto seu polegar acariciava minha bochecha, que nesse momento estava quente.

- ... – ele continuava ofegante. – Queria ter feito isso no meio da pista quando você começou a dançar. – abriu um amplo sorriso. – Sempre tão linda... – ele segurou a ponta do meu queixo e continuou a acariciar minha bochecha com seu polegar. – E antes que você diga algo... Estou pouco me importando que o Albert está por perto. – depositou um rápido beijo na ponta do meu nariz. – Afinal, agora você é minha, só minha. – beijou minha testa.

- Você é louco, sabia? – eu não consegui controlar um grande sorriso brotar em meus lábios.

- Sim... Mas louco por você. – Com seu olhar fixo em mim, ele riu estreitando os olhos, daquele jeitinho que me deixava encantada e só aumentava minha vontade de enchê-lo de beijos novamente. – E por mim, hoje mesmo tornaria tudo público entre nós.

- Eu também não quero mais esconder, mas eu só preciso de mais um tempo. Eu preciso pelo menos falar com o Richard antes, está bem? Ele me ajudou muito com o emprego na Modest e ele também vai saber ajudar em relação ao Albert, que tenho medo de pensar na reação dele.

- Medo? Por quê? – ele franziu a testa. – Vocês não estão mais juntos e... Ele te ameaçou ou algo assim? - Um silêncio pairou por alguns segundos. - Eu lembro da vez que seu pulso ficou machucado. Ele já tentou algo contra você? – seu tom de voz mudou. - Ou já te bateu? – seu olhar era de preocupação.

Aquela pergunta era um assunto extremamente delicado, aquele não era o lugar nem o momento de falar sobre isso. Eu me sentia envergonhada por ter me permitido aceitar tanta coisa ao lado do Albert e não gostava de lembrar disso.

- Não quero falar disso. – soltei-me dele. – Eu vou voltar pro hotel, estou cansada e amanhã tenho muitas coisas a fazer antes do show.

- Esse filho da puta do Albert. – ele bufou. - , parece que você não confia em mim.

- E aqui é lugar pra falar disso? – olhei ao redor, mostrando que estávamos escondidos atrás de um grande pilar e em uma casa noturna, com música alta, apesar de ali o som estar mais abafado, não havia muita privacidade.

- Quando tiver uma oportunidade ele me paga. – Liam continuou.

- Liam... – parei de frente pra ele. – Não se meta com o Albert, por favor. Deixa as coisas assim e quem tem que confiar em alguém aqui é você. Confia em mim que eu sei como lidar com tudo isso, está bem? Só não tente nada contra ele, só isso que te peço.

- Por quê? E porque você defende ele?

- Quem aqui está defendendo o Albert? – soltei o ar em rendição. Realmente homens escutam o que querem. - Eu só quero distância de tudo que se relacione à Albert e não quero você envolvido nisso e é só. E chega de discutir eu vou pro hotel. – dei as costas e o deixei ali, sequer olhei para trás. Eu não estava acreditando que estávamos discutindo sobre o Albert.

Liam’s POV on

Esperei mais alguns minutos atrás daquele pilar, fiquei pensando o porquê afinal havíamos discutido. Percebi que agi feito um idiota, mas é que me tirou do sério a ideia de pensar em Albert encostando um dedo na . A minha vontade era de agora mesmo ir lá e quebrar a cara dele. Assim que me acalmei mais, pensando mais racionalmente, não queria estragar tudo com a , sendo um estúpido. Estragar de vez algo que recém começou. Iria avisar o Niall que eu voltaria para o hotel, não estava mais com cabeça de continuar por ali.

Voltei até a área VIP e estranhei ao me deparar com o que parecia uma equipe de filmagem. De onde saiu esse pessoal com câmeras e microfones? Não vi mais a , nem Zoey ou Louis. Para minha infelicidade Albert estava ali e estranhei que junto estava Kendall Jenner e conversavam com Harry que estava sentado no sofá.

- Eu estou bem. – com a língua toda enrolada Harry falou.

- Bem, Styles? E a ressaca? Esqueceu do show de amanhã. – Albert o repreendeu. – Isso não pode ir pro reality de jeito nenhum, estão me ouvindo? – virou-se para a equipe.

- Não se preocupe, Albert. – Kendall o acalmou. – Eu levo ele até a casa dele, não tem problema. Saíremos por uma porta dos fundos, já conversei com uns conhecidos meus.

- E a van? – perguntei, pois não estava entendendo porquê ela teria que leva-lo.

- A van vai nos levar, Liam. Deixa a Kendall, está apenas ajudando. Os paparazzi estão tudo perto das vans, não quero isso estampado nos tabloides. Fotos de Harry Styles sendo carregado de tão bêbado. – voltou sua atenção ao Harry. – Olha, Styles. Amanhã ao meio dia quando passarmos te buscar, não quero cara de ressaca. Ouviu bem? – continuou o sermão.

- Eu estou ótimo, “A-Albet” – enrolou mais ainda a língua, mal conseguiu pronunciar o nome do Albert.

- Vocês vão pra van, que eu irei acompanhar o Harry com a Kendall. Assim vocês já despistam os paparazzi. – Albert foi dando as instruções.

Fiquei na dúvida em acompanhar ou não o Harry, mas queria evitar ao máximo ficar perto do Albert, principalmente hoje. Eu queria voltar logo pro hotel, o fato de saber que a foi embora chateada comigo, não estava me permitindo raciocinar direito, então não pensei duas vezes e fui em direção à saída. O Harry ficaria bem.

Liam’s POV off

Vesti meu pijama e ao sentar na cama, uma mensagem apitou em meu celular. Estiquei o braço até o criado mudo:

Xx A Zoey está aí? Você está dormindo? Quer conversar com um idiota arrependido, que está parado na frente da porta do seu quarto?  - Liam xX

Naquele instante também havia percebido que havia me irritado por tão pouco com ele, eu tinha que parar de deixar esse assunto me afetar tanto. Precisava encarar e deixar como uma experiência passada, que serviu para eu abrir os olhos e jamais voltar a ser aquela . Caminhei até a porta e abri lentamente e lá estava ele feito uma estátua na frente da porta.

- Entra, idiota arrependido. – ri ao usar as palavras dele. – A Zoey não voltou ainda.

- Queria pedir desculpas por ter pressionado sobre aquele assunto. – ele foi entrando meio sem jeito.

- Liam, não... Eu também não devia ter reagido daquele modo. É que... Eu não gosto de lembrar. – olhei para baixo. – Mas não pense que era frequente... Foi uma vez de fato. – não ia entrar em detalhes de toda agressão verbal, humilhações que o Albert me fazia passar. Isso não tinha mais que ser lembrado e eu queria apenas encerrar aquele assunto. – E foi um tapa. E por isso te pedi para não se meter com ele, Liam. O Albert é muito imprevisível, não tem necessidade alguma de tenta provoca-lo, está bem?

- Ai . – ele respirou fundo. – Vou precisar de muito auto controle pra não ir atrás dele agora mesmo.

- Liam, por favor. É passado, está bem? – peguei em sua mão. - É por isso que não queria falar sobre isso, eu só quero esquecer que isso aconteceu na minha vida. Eu não quero que ninguém sinta pena de mim. Já é difícil ter que trabalhar com ele e fingir que nada aconteceu, então só preciso de você do meu lado.

- Mas ainda não posso acreditar, queria ter feito algo...

- Você já fez e muito, acredite. – eu sorri e entrelacei nossos dedos. – Podemos não falar mais sobre isso? – fiquei na pontas dos pés e depositei um selinho em seus lábios, fazendo-o sorrir.

- Está bem... – em um movimento rápido ele me segurou pela cintura e me puxou para perto dele. Selando nossos lábios em um beijo mais longo. Um barulho de vozes no corredor bem próximo à porta, nos interrompeu.

Ficamos sem reação, pois as vozes pararam bem diante da porta do quarto. Eram risos e alguns cochichos e logo a porta se abriu, revelando Zoey e Louis em altos amassos.

- ? – Zoey ficou tão espantada em me ver ali do lado da porta que sequer notou a presença do Liam. – Eu...

- Eu só vim acompanhar ela. – Louis explicou totalmente despreocupado. – Liam... – Louis o cumprimentou.

- Eu já estava indo... , boa noite, obrigada pelas dicas. – Liam saiu. – Boa noite, Zoey. Vamos, Louis? Já que estamos indo para o mesmo andar. – Liam estava se controlando para não rir, pois a cara da Zoey era impagável.

- Boa noite, Liam e Louis. – Zoey apenas acenou e entrou no quarto.

Ela então fechou a porta e um pouco envergonha tentou se explicar.

- Eu... Pensei que você ainda estava na Project. E...

- Calma, Zo... Mas esse não era seu objetivo essa noite? Não precisa se explicar pra mim.

- Ai, . – ela enfim respirou. – É que, eu não sou assim. Não quero que você pense que saio me agarrando com qualquer um por aí.

- Qualquer um? – dei um meio sorriso. – Louis Tomlinson? – gargalhei. – Não se preocupe, não direi nada a ninguém. – Zoey sorriu e sentou na cama tirar os sapatos. – Assim como não sai daqui que o Liam passou por aqui.

- Que Liam? – ela respondeu e deu com os ombros. – Estou exausta, amanhã o dia será corrido. – levantou-se, pegou uma toalha e foi em direção ao banheiro.

Zoey sempre demonstrou ser uma pessoa de confiança, uma menina doce e esforçada. Não podiam ter escolhido uma pessoa melhor para trabalhar comigo, ela é o tipo de pessoa que você vê pelo olhar a sinceridade.

Consegui assistir algumas músicas enquanto a 5SOS estavam tocando, eles já estavam finalizando o show. Corri pelos backstages para garantir que estava tudo em ordem, logo a One Direction subiria no palco. Fiquei surpresa ao encontrar Kendall com o crachá circulando por ali.

- Zoey. – A chamei assim que ela passou por mim. – O que aquela ali está fazendo aqui?

- Não soube? Ela está fazendo aqueles episódios pro reality. O Albert não te avisou não? – apenas balancei a cabeça negativamente. – Ela estava ontem também lá na Project Club, não viu? Estava toda equipe junto.

- Eu não vi nada disso. – respondi. - Espero que seja só isso e vá embora. – Não queria dar razão para , mas essa Kendall rondando feito mosca, não estava me deixando nenhum pouco confortável, mas amanhã estaremos em Las Vegas, então não terei mais com que me preocupar.

Enquanto terminava de organizar e esvaziar o camarim, senti meu celular vibrar. Larguei a caia que eu segurava no chão. Levei minha mão até o bolso traseiro da calça e peguei meu celular.

- Nossa, quinze chamadas não atendidas da . O que será que aconteceu? – indaguei a mim mesma. Com toda correria durante do dia, mal tive tempo de checar meu celular. Imediatamente tentei ligar de volta, mas caía apenas na caixa de mensagens, me deixando ainda mais aflita. Tentei ligar mais algumas vezes, mas sem sucesso. Eu estava correndo contra o tempo, pois daqui algumas horas estaríamos embarcando para o nosso próximo destino, precisava terminar logo tudo por aqui e no hotel eu tentaria ligar novamente para minha amiga.

Capítulo Vinte


Não estava conseguindo descansar neste vôo, a preocupação com a me consumia. Louis e Zoey não calavam a boca do meu lado nem por um minuto sequer.

- “Aquilo que na vida tem sentido, mesmo sendo qualquer coisa de mínimo, prima sobre algo de grande, porém isento de sentido.” – Louis citou, mas eu estava perdida na conversa dos dois, não sabia exatamente sobre o que estavam falando.

- Além de cantor, é poeta agora? – Zoey perguntou.

- Não, apenas sei algumas coisas de alguns filósofos.

- Cite algum. – Zoey pediu.

- Patati e Patata.

- Quem são? – Zoey franziu a testa.

- Uns filósofos contemporâneos brasileiros. – Louis respondeu e me olhou de canto.

Não, ele não iria usar aquela piada daqueles palhaços do vídeo que mostrei à eles no dia em que comemos pizza na casa do Liam.

- Fale algo deles. – Zoey se mostrou interessada.

- “Se você quer sorrir, é com Patati. Se você quer brincar é com Patata, se você quer sorrir e brincar é com Patati e Patata.” – Louis começou a gargalhar e Zoey ficou séria, sem entender absolutamente nada. E eu não estava acreditando que ele se deu o trabalho de traduzir a música para o inglês, e pior, decorar isso?

- O que é Patati Patatá? – Zoey perguntou extremamente séria e perdida ao ver Louis rindo.

- Que sem graça você. – Louis logo cessou o riso e ficou emburrado. – Explica aí pra ela, . – ele me cutucou. – Conta do dia lá na casa do Liam... Dos vídeos. – ele cruzou os braços, feito uma criancinha.

- Nem lembro como chegamos nesses palhaços. – Eu dei de ombros. – Nossa Louis, não imaginei que você gostasse tanto assim de palhaços. A ponto de decorar essa música e passa-la para o inglês. – me obriguei a rir.

- Era uma piada? – Zoey continuava perdida na conversa.

- Acho que o Tomlinson estava tentando te impressionar e te fazer rir. – Liam que estava no banco de trás resolveu se meter no assunto. – Vai ter que se esforçar mais aí. – bateu no ombro de Louis e riu.

- Ah esquece... Me fizeram ficar sem graça agora, estão vendo? Vou lá com o Niall. – removeu o cinto, rapidamente levantou-se e foi até os bancos no fundo do avião.

- E eu lá tenho culpa que não entendi? – Zoey tentou explicar-se, visivelmente chateada.

- Não liga, não... O Louis é temperamental mesmo. – Liam respondeu. – Logo ele se acalma... – riu e acomodou-se novamente em sua poltrona.


- Las Vegas, baby! – Luke ergueu os braços assim que pisamos no lobby do hotel.

- Eu sempre quis conhecer Vegas. Um dos meus sonhos recém realizados. – Zoey bateu palmas.

Estávamos agora dentro do elevador, este que parecia mover-se em câmera lenta. Eu tinha pressa em falar com a minha amiga, pois havia ficado sem bateria no celular e ainda não tinha conseguido ligar para ela e como o Harry não havia comentado nada, pensei em não preocupa-lo antes de saber o que aconteceu.

Dessa vez havíamos conseguido um quarto para cada um. Abri o mais rápido que consegui a porta do meu quarto e joguei as malas para dentro. Corri até a tomada mais próxima e conectei o carregador ao celular. Logo que liguei o dispositivo, várias mensagens chagaram, inúmeras da minha amiga. Abri uma delas.

Xx : , porque não consigo falar com você? Só dá na caixa de mensagens... Por favor, me explica as fotos que saíram no The Sun... Diz que é montagem, não sei. Dá um sinal de vida, please... xX

- Que fotos? Do que será que ela está falando? – sentei na cama e acessei o site do The Sun. Eu precisava ver o que estava acontecendo antes de ligar para ela. – O que é isso? – comecei a ler a chamada. – “Harry Styles e Kendall Jenner juntos?” – cliquei na notícia. – “Estaria Harry Styles traindo sua namorada , com Kendall Jenner?”. – deslizei o dedo e rolei notícia mais para baixo. – “Fotos da saída da casa noturna Project Club em Los Angeles.” – rolei mais um pouco e não estava acreditando no que estava vendo. Algumas fotos do Harry entrando no carro com a ajuda de Kendall e claro Albert, mas e porque só os dois entraram no carro e Albert ficou? Dá pra ver nitidamente que Harry estava embriagado ao entrar no carro. Não posso acreditar que o Albert e essa Kendall se aproveitaram da situação. Rolei mais e um pouco e haviam mais fotos. – O quê? – exclamei em voz alta. – Ela entrou junto na casa dele?

Não era possível, algo nessa história não fazia sentido. Eu estava enojada daquelas fotos. O que eu iria falar para ? Eu precisava conversar com o Harry antes, sei que ele estava bêbado, mas não é desculpa. Quero quebrar a cara dele, se ele realmente fez algo com aquela lá. Calma, respira fundo, fui mentalizando, tentando assimilar tudo. Pelo fuso horário seria inútil ligar para ela agora, pois a essa hora ela deveria estar na aula. Bom, pelo menos assim eu teria o tempo de tomar um banho e conversar com o Harry antes de ligar para minha amiga.

Tomei o café da manhã que foi servido em meu quarto e logo em seguida corri para o banheiro, precisava urgente de um banho, principalmente um de: BANHEIRA! Não qualquer banheira uma mega banheira, espaçosa. Pelo menos uma hora relaxando por aqui eu mereço ficar.

Depois de sair com os dedos todos enrugados da banheira, me arrumei para dar uma volta no Cassino com a Zoey, aproveitar as horas de folga que teríamos antes de irmos para o MGM Grand Garden Arena e organizar tudo para o festival de música da rádio IHeart. Enquanto me maquiava escutei alguém bater à minha porta. Larguei o batom e tranquilamente me dirigi para abrir a porta.

- Shannon? – não pude conter minha cara de insatisfação.

- Vamos ter uma sessão de fotos no último andar e precisamos de você agora. – ela continuava com sua educação e simpatia no mesmo nível de sempre comigo. – Eu não vou ficar te esperando, é só subir que estaremos todos lá. E avisa sua “assistentezinha”, porque não sou a mensageira de todos.

- Está bem. Já vou subir... Shannon. – enfatizei seu nome. – Devo ser muito especial pra ter vindo até minha porta passar o recado. – ironizei.

- Na verdade, eu precisava deixar isso com você. – me alcançou um envelope pardo. – Era parte do nosso trato, não?

- Por um momento duvidei que você conseguiria. - Peguei rapidamente aquele envelope de suas mãos.

- E por um momento até pensei em desistir, mas... – ela deu de ombros. – Mas acho que cansei de certas coisas, sabe? – suspirou fundo. - Enfim... Não se acostume comigo sendo boazinha que não é sempre. Continuo não gostando de você. – ela torceu o nariz. – Mas acho que estou começando a confiar em você. – deu as costas e foi em direção ao elevador.

Fechei rápido a porta, precisava ver com meus próprios olhos se ela realmente havia cumprido sua parte direito. Abri o envelope e lá estavam as assinaturas do Albert nos papeis do banco. Não sei como ela havia conseguido, mas agora pouco importava. Só sei que agora sim, conseguiria fazer a transação que eu precisava. E para minha surpresa havia um pen drive no fundo do envelope e um papel dobrado que estava escrito:

“Considere como um bônus. Presentinho de Natal antecipado. Ass: S”



Depois de finalizada a sessão fotos com o Luke, Calum, Ashton e Michael, me vi sozinha com Albert naquela sala. Todos haviam ido até a área da piscina, no mesmo andar. Continuei guardando minhas coisas e sequer olhei para Albert, mas antes que eu pudesse sair, ele rapidamente me segurou pelo braço.

- Espera... – ele me puxou mais para o canto ao lado da porta e a fechou. Um frio percorreu minha espinha. - Não consegui falar com você desde que voltamos de Los Angeles. Sabe, a noite lá na Project LA, eu percebi... – engoli seco quando ele falou daquela noite. Será que ele descobriu que eu o andei espionando?

- Percebeu o que? – tentei me manter calma.

- Você sabe... Eu vi quando você estava se insinuando para mim na pista de dança naquela noite. – ele abriu um sorriso asqueroso. – Rebolando e olhando para mim. Eu vi tudo lá de cima. – ele me olhou de cima a baixo, me causando asco. – Sei que você quer voltar comigo. Você ainda me quer. - passou os dedos por entre meus cabelos.

- Eu não ouvi isso. – gargalhei e me afastei de seu toque. - Albert, você não deveria beber logo antes do almoço... Não te faz bem, hein. Está delirando novamente. – debochei e ele estreitou as sobrancelhas.

- Sei que quer sim. – falou firme e me segurou forte pelos ombros, pressionando meu corpo contra a parede. – E saiba de uma coisa. Eu nunca perco. – ele estreitou o olhar. – Quer voltar comigo, sim. E vai voltar, sim. – falou por entre os dentes e aproximou seu rosto do meu.

- Eu já falei que... NÃO. – a palavra “não” saiu com ênfase. Ele não mais me intimidava.

- Ninguém diz não para Albert Cole. – continuou sem me soltar e eu podia sentir seu hálito quente extremamente próximo ao meu rosto.

- Pois é... – meu sangue ferveu nesse momento. - Mas eu não sou “Ninguém”. Caso ainda não saiba, eu sou . – com toda raiva que senti naquele momento virei um tapa na cara do Albert, que cheguei sentir meus dedos queimarem do contato com a pele de seu rosto.

Ele me soltou no mesmo instante, levando sua mão até o lado direito da sua bochecha. Eu o havia pego de surpresa e seus olhos irradiavam ódio naquele instante, meu corpo inteiro tremeu e instintivamente minha mão foi direto para a maçaneta e assim que abrir a porta, ele me puxou com força de volta.

- Não pense que esqueci a desfeita que você fez com o presente que eu te dei... – ele cravou seus dedos em meu braço. – Sua piranha ingrata.

- Cala essa maldita boca... – gritei e tentei puxar com mais força, para me soltar. Mas todo meu esforço parecia ser em vão, Albert era muito forte. Não consegui controlar meu choro, por não estar conseguindo me soltar dele.

- Eu já falei que odeio quando você chora... Para de fazer cena aqui... Deixa de frescura, ! – ele sacudiu meu braço.

- Chega! – Liam entrou em uma velocidade dentro daquela sala, afastando com fúria Albert de perto de mim. – Agora você vai aprender a respeitar uma mulher. - empurrou Albert, fazendo-o cambalear para trás. – Seu covarde, filho da mãe! – Nunca havia visto Liam tão irritado assim.

- Liam, não... – gritei e enxuguei minhas lágrimas.

- Eu sei muito bem como tratar minha noiva. – Albert nunca tirava aquele sorriso cínico dos lábios. E como ele ainda tinha a coragem de continuar falando esse tipo de asneira.

Liam enraivecido partiu para cima de Albert, acertando-o com um soco certeiro em seu olho esquerdo. Fiquei por alguns instantes sem saber se deixava Albert apanhar, afinal ele merecia, mas Liam era quem não merecia estar nessa situação então gritei na porta, chamando os seguranças.

Enquanto ninguém chegava corri e me segurei no braço de Albert antes que ele pudesse revidar, claro que foi em vão, pois ele facilmente me empurrou para o canto, fazendo com que eu batesse as costas na parede.

Liam ficou ainda mais furioso e desferiu outro soco no queixo de Albert, mas o mesmo se esquivou, fazendo Liam atingir uma grande luminária de ferro que estava ao lado. Liam gritou e se afastou e logo os seguranças chegaram para apartar a briga, que no fim foi interrompida pela luminária.

A equipe médica foi rapidamente acionada, pois Albert sangrava muito com um corte em seu supercílio e Liam ao que tudo indicava parecia ter quebrado sua mão. Mal pude me aproximar e logo os dois foram levados pelos paramédicos até a ambulância que os aguardava.



Liam’s POV On

E mais uma vez eu estava em uma ambulância. Minha mão doía pra caralho, apesar de já estar imobilizada. Por que eu precisava esperar terminarem de dar os pontos naquela cara estúpida do Albert, antes de me levarem até o hospital para o raio-x? Será que não estão vendo que o meu caso é mais urgente?

- Não vê que a é dramática? Ela sempre se faz de vítima. Eu não fiz nada, estávamos apenas conversando. – Albert começou a se explicar e isso estava me irritando mais ainda. – Devia estar chorando pra eu aceitar ela de volta. Ai! Vai com calma. – gritou com o paramédico que estava fazendo os pontos. – E eu só a empurrei, porque... Foi no impulso, para ela não se machucar. O que deu em você, Payne? Dando uma de machão é? – debochou. – Não adianta, porque eu sei o motivo que ela anda assim...

Eu só não terminava de quebrar a cara dele agora mesmo, porque o estrago na minha mão já estava feito. Não sei porque ele não calava a boca de uma vez.

- Você vai ver... Assim que ela voltar pra mim, essas crises de choro vão parar. Vai ficar mais calma. – aquele tom de cinismo sempre prevalecia quando Albert abria a boca. – Ela quer só aparecer, se fazer de vítima, só chamar atenção. Vocês dão muita importância para essas loucuras dela.

- Cala boca. Ela não vai voltar com você. – aquilo saiu em um impulso. O paramédico chegou parar e me olhar por uma fração de segundos, mas logo continuou a remendar a cara do idiota. E agora eu não ia parar, precisava calar de vez esse babaca. – Tenho certeza que esse não era o motivo, afinal ela é esperta, bem equilibrada, linda, sabe como deixar um cara louco por ela... Ou seja, tudo que um homem quer e precisa e você a perdeu.

- O que? – ele ergueu a cabeça assim que o paramédico guardou os instrumentos médicos. – O que você disse? – ele arregalou os olhos.

- Senhor, Albert? Vamos, você precisa ir. O senhor já está liberado. – o paramédico disse a ele. – Precisamos levar o Liam para fazer o raio-x no hospital.

- M-mas... – ele gaguejou e continuou a me encarar enquanto era retirado de dentro da ambulância. E mesmo com dor, não pude deixar de rir ao ver a cara que ele fez.

Liam’s POV off

Depois de toda a confusão, não me senti muito bem e resolvi permanecer em meu quarto, até eu ter alguma notícia do Liam. Sequer havia almoçado, comi algumas porcarias do frigobar, cochilei e passei a tarde fechada por aqui.

Lembrando de tudo que se passou hoje de manhã, foi bom ver Albert levando uma surra, mas ao mesmo um sentimento de culpa começou a me perturbar. O fato do Liam ter se machucado por minha causa, me deixava angustiada. Ele saiu com a ambulância aqui do hotel, como tudo seria explicado sem virar uma grande fofoca?

Liguei novamente televisão para me distrair um pouco, ficar pensando nisso tudo não estava ajudando em nada. Durante a troca de canais acabei parando onde? Obviamente no canal em que estavam falando sobre as fofocas de Harry e Kendall. Nesse instante lembrei que precisava falar com a , tudo bem que eu ainda não havia conseguido conversar com o Harry, mas mesmo assim decidi pegar o celular. Disquei o número e mais uma vez caiu na caixa de mensagens. Por que ela não atende? Enviei a ela uma mensagem de texto:

Xx ! Estamos só nos desencontrando... Eu vi as notícias, mas não se preocupe que devem ser boatos. Nem tudo é o que parece, fica tranquila. Assim que eu conseguir te ligo de novo. Não surta, está bem? Beijos Xx

Claro que conhecendo bem minha amiga, sei que já havia surtado mil vezes nesse tempo. Minha atenção voltou para a TV, quando apareceu uma foto da entrando em um restaurante, junto com James Maslow. -O quê? - Ergui o volume, para escutar melhor o que estava se passando.

“Teriam e Harry terminado? Enquanto Harry passa um tempo na América com Kendall, aproveita os melhores lugares de Londres com James? Será que James Maslow veio somente fazer o show na cidade ou ficará por mais tempo? Logo mais nessa edição do E!News.”

O que estava acontecendo? Que confusão toda era essa? Eu lembro de ela ter me contado uma vez, sobre um lance de verão quando ela foi passar umas férias em Nova Iorque. E quando saiu em uma noturna de lá ela conheceu o James, mas não sabia que ainda mantinham contato. Isso era demais para um dia só. Minha atenção da TV foi desviada por ter alguém batendo em minha porta mais uma vez.

- Já vou. – levantei-me da cama, torcendo para que não fosse o Albert. Talvez fosse a Zoey, olhei para o relógio. Se bem que ainda faltam mais algumas horas para irmos até o MGM.

- Liam? – olhei para os lados no corredor. – Entra... – fechei a porta.

Liam’s POV on

- Você está bem? – me aproximei de e acariciei seu rosto.

- Se eu estou bem? – balançou a cabeça. – Olha essa mão, Liam! – ela pegou delicadamente minha mão fraturada e engessada.

- Isso não foi nada... – olhei para a minha mão fraturada. - Quero saber o que aconteceu. – eu precisava saber se o Albert havia feito algo, eu não ia sossegar sem saber de toda verdade.

- Nada... Ele continua sendo o louco de sempre e discutimos... – ela respirou fundo. – Liam, eu só te trago problemas.

- Não... O único problema aqui é o idiota do Albert. Olha, acho melhor tornar tudo público. – sugeri. Estava cansado de tanto segredo.

- Contar sobre nós? - perguntou com um tom aflito.

- Sim... – respondi. – Pode ser hoje mesmo, não temos mais que esconder, assim ele para com tudo isso. – então ficou calada e me encarou por alguns minutos.

- Hoje? Acho que não é uma boa ideia. O melhor é quando voltarmos para Londres, pode ser? Preciso contar ao Richard antes.

- Mais uma semana? – reclamei. – Não entendo porque esperar tanto. – soltei o ar frustrado.

- Liam, eu também não quero mais que tudo fique escondido, acredite. Só mais esse tempo. – passou seus dedinhos delicados pela minha barba. Ela sabia meu ponto fraco, não conseguia ficar zangado e ela sabia exatamente como me deixar ainda mais apaixonado por ela.

- Assim, não vale... Está bem. – concordei, apesar da vontade era hoje mesmo acabar com todo esse segredo. - Se é assim que tem ser. – sorri fraco para ela e depositei um selinho em seus lábios.

- Está chateado comigo? – ela perguntou de forma manhosa.

- Um pouco. – cruzei os braços um pouco sem jeito, afinal ainda não estava acostumado com essa tala no punho, e baixei o rosto, fingindo realmente estar chateado.

- Não fica assim. – ela pediu e segurou em meu queixo. – Só mais uma semana.

- Uma semana. – repeti. – Promete? – Levei minhas mãos até seu rosto, para que nossos olhares não se desviassem.

- Eu prometo. – ela sorriu. Era hipnotizante a maneira como ela movia seus lábios ao estampar aquele sorriso. Eu não pude deixar de sorrir também e assim eu já não conseguia mais resistir à ela.

Eu a segurei pela cintura com apenas com a mão esquerda e a puxei de maneira que nossos corpos ficassem colados.

- Acho que ainda temos algumas horas livres. – ela me olhou de forma provocante e arqueou uma sobrancelha. Eu não pensei duas vezes, a encostei contra a parede e aproximei meu rosto pressionando meus lábios nos seus. Iniciei um beijo intenso, sentir o gosto de seus lábios me fazia perceber o quanto eu não me imaginava mais um minuto longe dela. Ela foi correspondendo ao beijo, mantendo o ritmo. Sorri em meio ao beijo ao sentir o suave toque de seus dedos pelo meu abdômen.

Fico até meio perdido diante de seus toques. Desci meus beijos até a curva de seu pescoço e sem por um minuto me soltar dela, fui a guiando até a sua cama. A deitei delicadamente na cama e me coloquei sobre ela e então rompi nosso beijo. Aproximei meu rosto na região de sua clavícula e passei suavemente meu nariz sobre sua pele, inalando profundamente seu cheiro, o que me deixou com mais vontade dela. Apoie-me no colchão em meu braço direito e com a mão esquerda, apesar do gesso, consegui tocar em seu rosto com a ponta dos meus dedos.

- Pra mim nada mais importa, só você. – Sussurrei em seus lábios. Seu sorriso resplandeceu em seu rosto meigo. Ela desperta o que há de melhor em mim.

- Liam... Você me fez conhecer um sentimento indescritível. – ela então me puxou pela gola da minha camiseta, colando nossos lábios em um beijo doce e suave, mas logo foi se intensificando. A tala podia atrapalhar um pouco, mas não me impedia em acariciar a lateral do seu corpo. Ergui um pedaço de sua blusa e desci até a sua barriga depositando vários beijos pela região. , emaranhou seus dedos em meus cabelos, sua barriga subia e descia rapidamente e sua pele estava inteiramente arrepiada. Com um pouco de dificuldade comecei a tirar lentamente sua blusa, logo ela ergueu-se para me auxiliar, tirando a peça de uma só vez. Ambos sentamos na cama e , parecia ter pressa, em um movimento rápido ela puxou a barra da minha camiseta e a arrancou, jogando-a no chão. Sentou em meu colo e voltou a me beijar cheia de desejo. Suas mãos quentes percorriam suavemente por todo meu abdômen, ela se manteve em meu colo e enquanto com uma de minhas mãos eu tentava remover aquele sutiã, ela dava leve mordiscadas pelo meu ombro, me causando arrepios e me desconcentrando totalmente da tarefa de soltar aqueles malditos ganchinhos.

- Eu te ajudo. – em um só movimento ela levou o próprio braço até suas costas, deixando cair aquela peça de algodão entre nós. Logo suas mãos foram parar em minha nuca, me puxando para um beijo mais quente e desejoso do que o anterior. Lentamente ela foi se impulsionando e deitando seu corpo contra o meu. Apesar de todo calor do momento, notava o cuidado que ela tinha com o meu braço.

Separou nossos lábios e sorriu de forma maliciosa e deu uma leve mordida em meu queixo e suas mãos foram descendo pelo meu tórax, minha respiração acelerou-se ao sentir ela brincar com a ponta de seus dedos em meu abdômen enquanto abria lentamente os botões da minha calça jeans.

Cada vez que ficávamos juntos, nossa sintonia apenas melhorava, o prazer era ainda maior. Ela possuía algo inexplicável, que apenas me fazia me sentir completo. A maneira como ela se movimenta em cima de mim, cada toque, cada gemido com meu nome, cada beijo meu corpo necessitava cada vez mais dela, assim como todo meu ser. De forma mais perfeita e prazerosa ela me levava à loucura.

Com a respiração ainda descompassada, ela se jogou ao meu lado na cama. E com o braço sem a tala, a puxei pertinho de mim. Aquele sorriso em seu rosto, enquanto seu corpo ainda estava um pouco trêmulo, sob os efeitos do último orgasmo.

- Liam... Que remédio te deram no hospital? – ela falou ainda com a voz um pouco rouca.

- Esse é o efeito que você causa em mim. – respondi e sem me controlar comecei a depositar incontáveis beijos pelo seu pescoço e lábios. A abracei bem apertado, mas logo soltei um pouco pelo desconforto em meu braço machucado. Não queria mais sair daquele quarto, só ficar assim abraçado com a , era o que me bastava.

- Ficar assim, aqui com você é tão bom. – sorri ao escutar o que ela disse, pois era exatamente o que eu sentia.

- ? – ela ergueu o olhar para mim. Agora eu tinha sua atenção. – Eu te amo. – ela precisava saber, que ela era a pessoa que a cada dia estava deixando minha vida mais completa. Pude notar um brilho em seu olhar assim que terminei de falar, mas o silêncio dela me apertou o peito.

- Eu também... – ela sorriu de canto. - Eu também te amo, Liam James Payne. – acho que nesse momento eu abri o sorriso mais idiota que eu podia esboçar. Ela moveu seu corpo um pouco mais para cima e selou nossos lábios em um beijo terno e rápido. Ela voltou a deitar em meu peito, enquanto eu acariciava seus cabelos.


Eu já não conseguia desviar minha atenção de Liam no palco, sei que ainda não queria tornar tudo público, mas também não conseguia mais esconder toda aquela admiração que estava sentindo naquele momento e óbvio que as palavras ditas antes ainda me faziam ficar sorrindo feito uma abobada.

- Vai continuar babando aí? – Zoey me deu um cutucão me provocando. – Deixa eu pegar esse guardanapo aqui... – debochou, pegando o guardanapo da mesa e passando em meu queixo.

- Para, Zo... – eu ri e empurrei sua mão para o lado. – Estou ainda mais feliz que o Albert não pode vir. – comentei voltando minha atenção à Zoey.

- Sim... – Zoey respondeu. - Tá escondendo a cara remendada. – rimos juntas.

- E qual foi a desculpa dele? – perguntei e tomei um gole da minha água.

- Disse à imprensa que estava mal do estômago, algo assim. – Zoey olhou para o lado e fez um sinal chamando um garçom. – Quero esses canapés de camarão.

No instante em que o garçom se aproximou com a bandeja, senti o cheiro forte do camarão, aqui me embrulhou o estômago de um jeito.

- Ai, Zo... Esse camarão tá estragado? – aquele cheiro se tornou insuportável, sai correndo até o banheiro mais próximo.

Enquanto estava lavando minhas mãos, Zoey entrou no banheiro e sem dizer nada me alcançou um pequeno saco de papel.

- O que? – não estava entendendo nada. – Zoey o que é? – abri o saco e de lá tirei uma caixa. – Um teste de gravidez? – olhei rapidamente para Zoey.

- É... Ficou braba comigo né?

- Não é que... De onde você tirou esse teste? Justamente agora?

- Eu ia te levar no quarto, mas... – ela ergueu uma sobrancelha. – O Liam chegou antes, então acabei guardando dentro da minha bolsa. Desculpe me meter nisso, mas é que... Esses seus mal estar constantes... – ela deu de ombros.

- Acho que com a correria e tudo que vem acontecendo não havia parado para pensar. – segurei aquela caixa, sentindo um certo frio na barriga. Como não havia me dado conta? Os dias estavam passando tão rápido e minha menstruação nunca foi muito regular e é claro que poderia ser apenas estresse, mas precisava tirar essa dúvida.

- E aí, vai ficar aí parada olhando para a caixa? Acho que o resultado não sai só de ficar encarando a embalagem. – Zoey riu. – E não temos a noite toda, eu tranquei o banheiro e por mais que tem mais outros disponíveis, logo alguém vai reclamar.

- Está bem. – respirei fundo e me direcionei até o banheiro. Em seguida larguei aquele palitinho em cima da bancada do banheiro, lavei minha mãos e juro que fiquei com muito medo de dar positivo, pois naquele instante lembrei que dependendo de quantas semanas, havia uma pequena possibilidade de eu estar grávida do Albert. Só de imaginar essa possibilidade, meu estômago embrulhou. Seria meu pior pesadelo. Eu encarava ansiosa aquele palito de plástico, mas antes mesmo de completar os minutos de espera da caixa eu pude ver o resultado.

Capítulo Vinte e Um


Peguei aquele objeto com a mão um pouco trêmula. Zoey saiu de perto da porta e se aproximou rapidamente.

- E aí? Quer me matar de curiosidade aqui? – esticou o pescoço tentando ver o resultado.

Apenas ergui meu olhar para ela e não consegui dizer nada. Eu ainda não estava acreditando, senti um misto de felicidade com preocupação, mas a angustia em ter aquela única possibilidade, a qual eu nem queria mais pensar a respeito, insistia em me incomodar. Eu não ficaria em paz até saber exatamente o tempo da gestação, só quando voltasse para Londres poderia consultar um médico para me certificar. Não queria me preocupar antes do tempo, afinal testes de farmácia podiam dar um falso resultado.

Zoey arregalou os olhos, esperando alguma reação positiva minha e o silêncio foi que prevaleceu no ambiente. Não quero mais nem imaginar a possibilidade de ser do Albert. Joguei o palitinho no lixo e abri a torneira para lavar minhas mãos novamente.

Finalizada a transmissão do iHeart Music Festival, fomos todos convidados para o after party. Liam insistiu para que eu fosse, mas minha cabeça estava longe e como tudo estava incerto, eu ainda não podia falar nada para ele, então decidi evita-lo nessa noite.

- Liam, pode ir... Eu vou para o meu quarto. Preciso tentar falar com a .

- Então, eu também não vou.

- Você precisa ir... Esqueceu da Kendall? Com certeza o Albert vai tentar empurrá-la mais uma vez para cima do Harry.

- Tentando se livrar de mim? – Liam brincou.

- Não... – Respondi rindo. Sim, essa noite estava tentando me livrar do Liam. Eu ainda não havia assimilado todas as informações.

- Que bela missão a minha, ser babá do Harry. – ele fez uma cara feia.

Como haviam muitos fotógrafos apenas nos despedimos discretamente com uma troca de olhares e um sorriso.

Assim que cheguei à porta do meu quarto, entrei feito um furacão. Eu precisava encontrar minha agenda, com certeza lá eu teria alguma anotação da minha última menstruação, não sei. Eu precisava ter aquela informação.

Joguei desesperadamente tudo para fora da mala e para minha tristeza era óbvio que a deixei em casa. Soltei o ar frustrada e sentei no chão com as costas escoradas na cama. Respirei fundo e passei as mãos pelos cabelos. Posicionei minhas mãos sobre minha barriga. – Tenho certeza que é do Liam, eu sinto. – Uma lágrima escorreu em meu rosto, a maldita dúvida não me deixava em paz.

O toque repentino do meu celular me fez tomar um susto. Levantei-me para pegá-lo.

- Finalmente, a . – falei antes de atender.

- !! – gritei assim que atendi a chamada.

- Nossa, que me deixar surda? – ela respondeu do outro lado da linha em tom de brincadeira.

- Deixa de ser boba... Finalmente você retornou a ligação.

- ! – Ela então começou a chorar de repente. – Meu mundo tá desmoronando aqui. Quando você volta? – eu ouvia ela soluçar.

- Calma, ... Logo eu volto, só mais alguns dias. E tenho certeza que o Harry vai te explicar tudo e...

- O que? Então é tudo verdade? Não são boatos?

- Não! – a cortei. – Não foi isso que eu disse, pelo contrário. Tenho certeza que não houve nada entre eles, foi armação do Albert para parecer que houve. – tentei explicar.

- Mas... Ela entrou na casa dele. – sua voz ainda estava rouca do choro.

- ... Nem tudo é o que parece ser. Você sabe que com algumas fotos pode se criar qualquer situação, é tudo que os tabloides querem, distorcer a verdade. Mas e ele não tentou falar com você?

- Tentou e tentou várias vezes, mas... – ela fungou. – Eu não atendi as ligações dele.

- ! – a repreendi. – E então de vingança você decidiu dar umas “voltinhas” com James Maslow?

- Como você soube? Quer dizer, claro nos fotografaram. – ela soltou o ar pesadamente. – Mas não... Não é bem assim. Foi só uma coincidência. É que o James estava na cidade para fazer um show e me ligou dizendo que queria muito me ver e... Sim, eu estava magoada e aceitei o convite dele e depois fui ao show. E não me importei com os paparazzi.

- Não acredito... Com tudo isso só quem saiu lucrando foram os tabloides mesmo. E mais, sair com ex nunca é uma boa ideia, principalmente quando se está de cabeça quente, .

- Eu não tinha como negar... Ele falou estrearia uma música e que era dedicada para mim. Se chama “Lies” e... – ela soltou um suspiro. – Tenho que admitir que acabei balançando um pouco.

- Meu Deus! Realmente isso tá mais complicado do que pensei. – a interrompi. – Nem ouvi a música, pra ter te afetado assim eu até imagino... Pode começar a contar tudinho. – sentei-me na cama e me acomodei melhor.

- Na verdade não tenho muito o que contar. Só que... – ficou tudo em silêncio.

- ? ? Alô? – não estava acreditando que a ligação havia caído.

Tentei ligar de volta, mas foi direto para a caixa de mensagens. Fiz mais três tentativas e nada, o melhor era aguardar ela me ligar de volta mais tarde.

Larguei o celular de volta no criado mudo e resolvi me deitar um pouco e liguei a televisão. Meus olhos começaram a pesar, eu estava exausta.

Acordei assustada com o meu celular despertando ao meu lado. Olhei as horas e já eram nove horas da manhã. Eu devo ter entrado em coma, só pode. Haviam até algumas ligações do Liam e mais uma da , como não ouvi?

Levantei-me e fui tomar um banho. Eu ainda estava usando a roupa da noite anterior e nem a maquiagem havia tirado. Eu realmente estava muito cansada.

Depois de pronta e um pouco antes de eu sair do quarto para ir tomar o café, alguém bateu à minha porta.

- Liam! – olhei para os lados e o corredor estava vazio.

- Você está bem? Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupado. – Eu tentei te ligar e você não atendeu.

- Estou bem, mas eu estava exausta, acabei dormindo e não ouvi nem meu celular tocar. Foi só isso.

- Tem certeza? – ele insistiu.

- Tenho. – respondi seca, apesar de eu estar animada por ele estar na minha frente, ao mesmo tempo algo ainda me incomodava e estava me deixando de mau humor. – Vamos tomar café? – tentei amenizar, afinal ele não tinha culpa por eu estar me sentindo assim.

- Vamos. – ele então abriu aquele sorriso único, que acabou me fazendo sorrir também. – E deixa eu te contar que fui uma ótima babá e o Sr. Styles sequer bebeu uma gota na festa. Na verdade achei ele pra baixo demais, mas a minha missão eu cumpri. Sem Kendall por perto. – ele riu. – Acho que mereço um beijo. – me olhou assim que paramos diante do elevador.

- Liam Payne, com você tudo tem que ter recompensa? – coloquei as mãos na cintura e ri de volta para ele. Ele sempre conseguia me fazer sorrir, independente de como eu estava me sentindo, meu humor ao lado dele sempre melhorava.

- Tem. – Ele então rapidamente selou nossos lábios em beijo e me segurou firme pela cintura.

-Liam! - Rapidamente o afastei de leve. – Estamos no mesmo andar do Albert e da Shannon. – o alertei.

- Eu não me importo, eles vão saber de qualquer jeito. – deu com os ombros e sorriu de canto. O elevador então abriu as portas. – Acho até que vou te encher de mordidas dentro do elevador. – continuou.

- Se controle, Liam! – comecei a rir. Entramos rindo no elevador e nesse momento eu podia jurar que escutei um barulho de uma porta de um dos quartos bater antes de o elevador se fechar por completo, ou será que eu estava um pouco paranoica mais uma vez.

Hoje era o terceiro dia de gravação do clipe “Steal My Girl”. Voltamos para L.A e os últimos dias foram extremamente corridos, e eu parecia estar com a cabeça nas nuvens. Admito que andei até um pouco distante do Liam, mas devido às gravações acredito que ele não tenha notado muito, afinal os dias estavam passando voando.

E aqui estou mais um dia nesse lugar quente e hoje pra ajudar acordei um pouco indisposta, os enjoos recomeçaram. Enquanto eu separava mais um figurino, Albert se aproximou e isso já me causou certo desconforto.

- Credo... Tá pálida. Vai passar uma maquiagem. – Albert me provocou. Não dei ouvidos e continuei a organizar os cabides. – Olha pra mim quando estou falando. – agressivamente como sempre, ele agarrou meu pulso. Antes que eu pudesse falar algo, senti uma tontura e tudo ficou esbranquiçado a minha frente.

Acordei em uma maca com o pessoal da produção ao meu redor e Zoey me abanando. Escutava várias vozes pedindo se eu estava bem. Até que ouvi alguém pedindo para chamar um médico e foi o que mais me despertou de fato. Imediatamente comecei a me levantar.

- Não... Não, precisa de médico. – olhei firme para Zoey e me sentei. - Já estou bem, foi só o calor. Juro! – virei meu rosto para Liam e notei que estava nitidamente preocupado.

- Ela não tomou café da manhã hoje. – Zoey tentou me ajudar.

- É foi isso. Eu estou bem agora. – Me coloquei em pé. – Não vamos atrasar tudo, só por um mal-estar passageiro.

- É... – Albert olhou com descaso. - A não tem nada. Vamos voltar ao trabalho. – Albert bateu palmas, fazendo com que todos dispersassem e voltassem às suas devidas funções.

- Melhor chamar o médico da equipe, pra garantir que está tudo bem. – Liam falou para o Ben.

- Eu estou bem melhor. Eu juro. – falei para eles.

Ben já havia tirado o celular do bolso e foi quando Zoey o impediu de ligar.

- A , vai voltar pro hotel e eu cuido das coisas por hoje. – Zoey prontamente se manifestou. – Lá o médico examina para ver se está tudo certo, né . – inclinou a cabeça para me olhar.

- Sim... Isso mesmo. Não precisa chama-lo até aqui. Vou ver se um dos motoristas está disponível para me levar. – não ia negar, afinal tudo que eu precisava agora era aquela cama maravilhosa e macia do hotel.

- Vamos Liam... – um dos assistentes o chamou. – Estão te esperando, rápido. – ele ficou me olhando e praticamente foi arrastado de volta ao set, pelo assistente.

- É Zoey, melhor assim. – Ben guardou o celular no bolso novamente. – , melhor você descansar. Espera aqui que já vou falar com um dos motoristas disponíveis. – Ben virou-se e foi atrás de um dos motoristas e Zoey o acompanhou.

Enquanto aguardava, Shannon puxou uma cadeira e sentou-se ao meu lado. O que ela queria agora comigo?

- Então... Tonturas, hein? – Shannon arqueou uma sobrancelha. – Lembrei que durante a viagem você teve enjoos, não? – deu um risinho cínico.

- Está querendo insinuar algo? Pois seja breve que logo estou voltando pro hotel. – cruzei os braços.

- Não sei... Diga você... – ela riu de forma sarcástica. – Talvez eu precise de um certo colar para ficar calada.

- Ameaças suas não me atingem. E estou sem paciência pra você, Shannon. O nosso trato já terminou lembra? Eu já paguei a sua parte. Ou você já esqueceu do seu trabalho anterior à Modest? Acho que você não gostaria de voltar a trabalhar naquele clube, não é mesmo “Sharon Perez”? – enfatizei seu verdadeiro nome. - Então não temos mais nada pra conversar. – soltei o ar pesadamente.

- Não esqueci... – ela franziu a testa. - Agora vejo que deveria ter exigido mais. – deu com os ombros. - Você tem razão. Não temos mais o porquê conversar. – ela se levantou bruscamente da cadeira. – Mas, a verdade sempre aparece, nada fica escondido muito tempo, né? – gargalhou e deu as costas.

O pouco de simpatia que havia adquirido por ela, por toda colaboração se esvaiu nesse exato momento. Nossa, essa mulher não perdia a oportunidade de me importunar, mas eu não podia me deixar intimidar por suas ameaças, o que conta a palavra dela? Seriam apenas boatos sem prova alguma. E eu tinha problemas com letra “A” maiúscula com que me preocupar no momento, Shannon era fichinha perto das minhas preocupações.

Capítulo Vinte e Dois


Eu precisei voltar dois dias antes para Londres, junto com a 5SOS, por causa de um show que estava marcado para amanhã. Zoey acabou ficando em LA para auxiliar Albert e a banda nos últimos dias por lá.

Mal larguei as malas em meu quarto e logo peguei o telefone para marcar uma consulta com meu médico. Consegui para amanhã a tarde, claro que o fato de trabalhar com pessoas famosas acabam facilitando encaixar um horário com tanta facilidade. Em seguida corri até minha escrivaninha, em meu quarto, para procurar a minha agenda.

Comecei a folear as páginas, achei o calendário e para minha surpresa eu havia esquecido de anotar as datas desde que havia começado a trabalhar. – Que droga, eu não acredito. – maldisse a mim mesma, eu estava com raiva por ter sido tão descuidada e ter parado de tomar meu remédio nos últimos meses.

Tomei um banho, me arrumei e com certeza não ficaria em casa pensando besteiras. Antes de ir até o apartamento da , eu precisava passar no banco e terminar de vez com toda a pose do Albert.

Depois de ter feito a doação do ano, liguei para Richard avisando o que eu havia feito. Richard gostou muito do meu plano, mas me pediu bastante cautela em relação ao Albert e o que estivesse ao alcance dele, ele faria para me proteger.

Em seguida peguei um táxi para ir ao apartamento da minha amiga, porque além de eu estar com saudades e morta de curiosidade para saber a história com o James eu também iria contar a “novidade”, afinal amanhã precisaria da companhia dela.

Toquei a campainha e não demorou para que a mãe da atendesse.

- Oi Rosane! – fazia muito tempo que não a via.

- , estava com saudades suas. – ela sorriu de leve e me abraçou forte. – Entra, por favor. – ela abriu mais a porta permitindo minha entrada. – A está lá no quarto, pode ficar a vontade. – percebi que ela havia perdido todo o brilho que tinha uma vez, ela possuía um desanimo em sua voz. – Eu preciso terminar algumas coisas no meu escritório.

- Tudo bem. – caminhei até o quarto da minha amiga. Uma música estava tocando e a a porta estava entreaberta, bati de leve e ela pediu para que eu entrasse.

- Amiga! Parece uma eternidade que não te vejo. – ela levantou-se da cama e me abraçou. – Senta ali, que preciso urgente desabafar.

- É, quero saber direito essa história aí do James. – puxei o pufe e me sentei. - Por acaso essa música que você está ouvindo não é dele, não é mesmo? – ela me olhou e deu um risinho sem graça. – É mais sério do que pensei.

- Não é bem assim, . Eu fiquei destruída quando vi aquelas fotos do Harry e da Kendall, sim minha mente criou toda cena depois que entraram na casa dele, com direito inclusive a efeitos sonoros e tudo mais. E na manhã seguinte recebi uma ligação do James me convidando para almoçar com ele. – ela fez uma pausa e dobrou as pernas e se acomodou melhor na cama. – Enfim, conversamos bastante, ele me fez esquecer daquelas malditas fotos e até desliguei o celular para não ter que ouvir alguma desculpa esfarrapada do Harry. E foi quando ele me convidou para ir ao show dele e também me contou sobre a música, então não pude negar. Ele me encarando com aqueles olhos verdes e aqueles cílios de propaganda da máscara da Maybelline. – ela parou e me olhou firme. – Não adianta lançar esse olhar julgador aí, viu?

- Que olhar? Estou apenas escutando... – me defendi. – Não estou julgando, só estou confusa...

- Eu também estou... – ela pegou o travesseiro e cobriu o rosto.

- E o Harry como fica nisso tudo? E eu tenho certeza que ele não te traiu com a Kendall.

- Ai... – ela pousou o travesseiro no colo. – Estou me sentindo péssima, mas antes que você ache que eu traí o Harry, eu não fiz isso está bem? Eu... O James... Ele... Mas quase... Quase rolou um beijo.

- Não acredito! – arregalei os olhos.

- Calma... É que no final do show... Bom, teve toda essa história da música e eu admito que até fiquei balançada, sabe? Ele tentou me beijar, mas na hora eu recuei. A imagem do Harry veio a minha mente e... – ela suspirou. – Apesar de estarmos namorando a pouco tempo, o Harry é tão... tão... tão... Ah, tão Harry. – Ela sorriu. – Não podia fazer isso. Olha... – ela pegou o travesseiro na mão. – Ele que me deu de aniversário, tá vendo? – Ela mostrou de frente o travesseiro preto que continha números grandes estampados na cor branca. - É data do dia em fomos comer pizza na casa do Liam, acredita? – ela sorriu de canto. – Ele mandou entregar na manhã do meu aniversário, junto com uma cesta enorme de café da manhã. Tinha até um pote enorme de Nutella! – ela falou com entusiasmo.

- Então, porque você está confusa?

- Por causa das fotos e não sei como vai ser quando ele voltar. – um certo desânimo saiu da sua voz. – Eu estou com saudade dele, mas...

- Sem mas... Conversem primeiro, nada de conclusões precipitadas dona . O Harry não anda nada bem, o Liam mesmo me contou, o quanto ele odiou quando viu aquelas fotos. E eu acredito no Harry, sei que ele não faria nada para te magoar.

- Pode ser... Só vou saber quando ver ele pessoalmente. – jogou o travesseiro para o lado. – E como foi em L.A e em Las Vegas? E a gravação do vídeo?

- Foi tudo bem... O hotel em Las Vegas, muito luxuoso. Mas pra mim Vegas vai ficar marcado por outro motivo. – comecei a me preparar para contar.

- Como assim? – juntou as sobrancelhas.

- Bem... Zoey comprou um teste de gravidez e...

- Meu Deus! A Zoey está grávida? De quem? – minha amiga me interrompeu alarmada.

- Ela comprou... Mas o teste era... Era pra mim. – ficou calada, me encarando assustada.

- Não... – cobriu a boca com uma mão. - E... - continuou a me encarar esperando a minha resposta.

- Deu positivo. – falei de uma só vez.

- Ai ! – ela levantou em um só pulo da cama. – Então teremos um baby Payne a caminho? – ela estava radiante.

- Espero que seja... – cortei a sua empolgação.

- Agora não estou entendendo... De quem mais... – ela arregalou os olhos. – Você... Não pode... Do Albert? Que nojo!

- A possibilidade é mínima, é que como sou desregulada nos meus dias... Sabe, eu não sei de quantas semanas estou e teve aquela última vez com o Albert há uns dois meses e meio por aí, antes de terminarmos, óbvio.

- Não me diga uma coisa dessas. Não pode ser dele. – Ela afirmou.

- Eu queria saber se você vai ao médico comigo amanhã? Para confirmar, vai que nem grávida estou e o teste deu um falso positivo...

- Mas é claro que vou com você. – ela sorriu.

- Pensei que você não vinha... – disse para assim que ela entrou na sala de espera do consultório.

- Desculpa, eu tinha um trabalho da aula e acabei demorando mais que o esperado. Mas aqui estou. – ela riu.

- . – a enfermeira chamou. – Pode me acompanhar.

decidiu me acompanhar até a sala de exame.

Depois de estar deitada naquela posição extremamente desconfortável, minha amiga sentou em uma cadeira ao meu lado, do lado contrário do monitor de ultrassom. Logo em seguida o médico entrou.

- Bom dia! – ele cumprimentou nós duas e sentou em sua cadeira em frente ao aparelho. Ele segurava minha ficha. - , vejo aqui que você não lembra da data da última menstruação, certo?

- Realmente não lembro. – respondi meio sem jeito.

- Bom, então vamos ver de quantas semanas você está. Você vai sentir um leve desconforto. – o médico deu início ao exame.

Então no monitor apontou um pequeno pontinho e ele começou a explicar cada detalhe do exame.

- Aqui está... – o médico marcou no monitor, o embrião. – Aqui pelas medidas do embrião, você está de seis semanas e um dia exatos, de gravidez.

Quando o médico acabou de falar a idade gestacional, eu e a nos olhamos. Um alívio e felicidade foi o que senti naquele momento, realmente não era do Albert. E quando o médico colocou pra escutarmos o coraçãozinho, não contive minhas lágrimas, uma emoção sem tamanho transbordou naquele instante, esse era o meu bebê. também não conseguiu conter algumas lágrimas e segurou forte em minha mão.

me deu carona até a Modest. Entrei naquele prédio irradiando felicidade. Guardei meu exame na bolsa e antes de chegar à minha sala, Richard que estava na sala de reuniões me chamou.

- , essa doação para a Rays of Sunshine em nome da Modest, foi genial, porque além de tirar o poder que o Albert tinha, o bem foi feito. – Richard era só sorrisos. – Quando ele descobrir não ficará nada contente... Mas com todas aquelas fotos que você me enviou. Ele está de mãos atadas.

- Fico feliz que consegui ajudar Richard. Aqui... – alcancei a ele o pen drive que a Shannon havia me dado. – Aqui tem mais um pouquinho. Todos registros de ligações e transferências ilegais feitas pelo Albert, inclusive no nome dele existiam duas medidas de restrição em relação à duas mulheres por motivos de agressão. – Richard segurou aquele pen drive, quase como se fosse uma granada.

- Quem é Albert? – Richard se perguntou. – Ainda é difícil acreditar em tudo isso. – balançou a cabeça. – Como você conseguiu tudo isso?

- Tenho minhas fontes. – ri fraco.

- Sabe o que achei curioso? Shannon voltou antes de viagem também, hoje cedo pela manhã veio deixar uma carta de demissão. Foi estranho, mas não a impedi.

- Estranho mesmo. – franzi a testa. Agora que ela estava livre do Albert e das acusações contra ela, porque será que pediu demissão, isso não estava certo, tinha algo por trás de tudo isso e com certeza não era algo bom.

- Enfim... Mais uma vez muito obrigado. – Richard apertou minha mão. – Amanhã pela manhã demitirei e desmascararei o Albert, fique o mais longe que puder, está bem. Estou inclusive lhe dando alguns dias de folga até a poeira baixar.

- Está bem, Richard. Eu tinha mais uma coisa para lhe perguntar, melhor dizendo... Para te contar. É sobre o Liam.

- O que aconteceu com ele? É sobre a mão que ele quebrou, isso eu já sei.

- Não... – mexi no cabelo, colocando uma mecha para trás da orelha. – Eu estou torcendo que você não se zangue comigo, mas foi algo que aconteceu e juro que não era a minha intenção quando aceitei o trabalho.

- Você está me assustando, .

- Eu e o Liam... Acabamos nos envolvendo, sabe? – eu parecia uma criança toda envergonhada para contar algo que fez de errado ao pai. – A última coisa que quero é prejudicar a Modest, a banda e principalmente ele, por isso mantemos segredo até eu vir conversar com você.

- Isso não é bom. – Richard permaneceu sério. E não foi a resposta que eu queria escutar. – Por favor, termine com ele. Ou se afaste por um tempo, agora com tudo isso do Albert é o pior momento. – Richard balançou a cabeça em reprovação. – Eu sei que essas coisas acontecem, mas... O álbum novo está para ser lançado, tem muita coisa em jogo. E você, ex do empresário corrupto deles, isso é péssimo. – Richard estava nitidamente chateado. E eu estava totalmente sem palavras, um nó se formou em minha garganta, afinal pelo menos o apoio dele eu esperava, depois de tudo que eu me arrisquei, me senti uma total inútil. - Eu acharia melhor vocês ficarem um tempo afastados, vou deixar a Zoey encarregada e você fica só com os garotos da 5SOS...

- Mas Richard...

- , me dê um tempo... Isso foi mais uma bomba, me pegou totalmente despreparado. Por favor, mantenham segredo mais tempo se for o caso, isso não pode vazar de jeito nenhum por agora. Eu preciso pensar e conversar com os outros sócios, está bem?

- Tudo bem, eu espero... – isso foi como um balde de água fria. Ainda mais hoje que me certifiquei que estou grávida sim e do Liam. Nossa, aí sim se ele soubesse ia surtar. Quando as coisas começariam a se ajeitar e deixar de serem tão complicadas?

Depois do show, cheguei cansada e um pouco desanimada em casa. Lembrei novamente da minha conversa mal sucedida com Richard, isso até me fez perder o sono. Puxei um coberta no sofá e liguei a TV para me distrair e foi quando recebi uma mensagem de Liam:

Xx Hey, bae! Mais algumas horas e estou quase chegando, não aguento mais de saudade. - Liam Xx

Sim, aquela mensagem me fez sorrir. E eu não iria me deixar abalar pelo que o Richard havia dito, não desistiria do Liam apenas porque a Modest achava que eu era pouca coisa? Ou que mancharia a imagem dele? Depois de tudo que eu fiz pela Modest, o Richard me tratou daquele jeito? Poderia sim, manter segredo por mais um tempo, até para não piorar a situação em relação ao Albert e não prejudicar o Liam, mas terminar? Isso o Richard jamais me convenceria.

Levantei-me e fui até a cozinha preparar umas pipocas, bateu aquela fome noturna. Antes de eu entrar na cozinha, a campainha tocou. Estranhei o horário, mas fui atender.

Destranquei e abri lentamente a porta.

- Liam? – fiquei surpresa, afinal eu havia acabado de receber sua mensagem avisando que chegaria mais tarde.

- Quem mais faz visitas pela madrugada? – ele sorriu. – Ou tem mais outro que faz isso? – ergueu apenas uma sobrancelha.

- Deixa de ser bobo, entra... – dei passagem para ele entrar. – Pensei que chegaria mais tarde, acabei de receber sua mensagem.

- Acho que seria bom checar a hora que enviei... – ele riu. – Eu não ia aguentar até amanhã... – me abraçou forte, fazendo com que eu ficasse na ponta dos pés. E então começou a depositar incontáveis beijos pelo meu pescoço. – Como sentia sua falta.

- Eu também senti sua falta. – eu ri, pois ele já estava me fazendo cócegas de tanto beijo. – Liam, precisamos... – eu sei que eu precisava conversar com ele, mas a cada toque dele eu me entregava mais. Nossa, como eu também estava sentindo falta disso tudo.

Sua língua contornou o lóbulo da minha orelha e um arrepio gostoso tomou conta do meu corpo, fazendo com que eu me perdesse por completo.

- Esse seu perfume, me deixa doido. – afundou seu nariz em minha pele e me segurou firme pelo quadril. E em meio aos beijos, que estavam se tornando cada vez mais urgentes, ele foi me guiando até o sofá.

Quando alcançamos o sofá ele sentou e me puxou para ficar sentada em seu colo, de frente para ele. Não sei se era a saudade, os hormônios, mas era como se meu corpo estivesse implorando por mais. Liam despertava sensações inexplicáveis sobre mim.

Sua mão suavemente passeava por minhas costas, por baixo da minha blusa, com o auxílio da tala ele segurou minhas costas e com a outra mão conseguiu soltar meu sutiã.

- Estou percebendo o quanto você estava com saudade, hein? – brinquei maliciosamente ao sentir o volume por baixo da calça.

- Você não viu nada ainda... – ele sorriu de canto e um movimento rápido ele segurou a barra da minha blusa e a jogou para um canto da sala. Com sua mão esquerda ele segurou firme minhas costas e então abocanhou um de meus seios, arrancando um gemido longo de minha garganta. Aquele arrepio delicioso que percorria pela minha espinha, sensações que apenas ele me proporcionava.

O empurrei contra o sofá e quem estava com pressa era eu, arranquei sua camiseta e com a ponta dos dedos em seu abdômen, desci de maneira provocante até a barra de sua calça e lentamente a desabotoei. Eu precisava dele, precisava senti-lo.

Ele me deitou gentilmente no sofá e rapidamente tirou suas calças e as largou no chão. Ele deitou sobre mim e voltou a me beijar. Meu corpo pulsava de desejo por ele, era como se meu coração de movesse em sincronia com seu corpo. Ele tem aquele jeitinho, único que me deixa louca e minha pele fica toda arrepiada.

Não precisamos mais de palavras para nos entender, apenas pelo toque. E então nos entregamos mais uma vez àquela paixão sem medidas, cheia de desejo e sem mistérios, mas ao mesmo com a sensação da primeira vez.

Acordei tranquilamente, espreguicei-me e ao me virar na cama, estranhei ao ver Liam sentado de costas mexendo no celular.

- Já acordado? – perguntei com a voz ainda rouca.

- Eu não quis te acordar, mas... – ele virou-se para mim e me alcançou seu celular

- O quê? – estreitei os olhos, ainda me adaptando com a luz. Sentei na cama e peguei o celular na mão. – Não pode ser... – arregalei os olhos ao ler o bombardeio de fotos e noticias no Twitter, sobre eu e o Liam.

- É, acho que agora não é mais segredo. – Liam comentou, com a voz tranquila.

Definitivamente esse não foi a melhor maneira de acordar hoje.

Capítulo Vinte e Três


Eu ainda não estava conseguindo entender de onde haviam saído certas fotos, era como se alguém durante certo tempo estivesse nos vigiando.

Tudo que eu desejava agora era voltar a dormir e perceber que tudo não passava de um pesadelo.

Incrédula de tudo que estava lendo, eu continuei a deslizar o dedo pela tela daquele celular. Eram várias “hashtags”, acusações e óbvio muitos xingamentos em meu twitter.

- Não quero mais ver isso. – Olhei para Liam e devolvi seu celular. – Eu... – passei meus dedos entre meus cabelos, puxei o lençol junto ao meu corpo e nesse momento pude ver meu mundo desabar.

- Não liga pra essas besteiras. Sabíamos mais dia menos dia, tudo viria a tona. – A serenidade em sua voz, apenas me deixava mais aflita, pois a reação de Richard ontem deixou bem claro que eu não tinha o seu apoio. – Não fica assim... – Liam juntou-se a mim novamente na cama e me abraçou de lado, sentir o seu toque me confortava. Recostei minha cabeça em seu ombro, soltei um suspiro e fechei meus olhos ao sentir seu carinho. – Nós vamos enfrentar isso juntos, eu não me importo com o que dizem. – beijou minha testa.

- Mas não era pra ser assim... É que... – respirei fundo, tentando dissipar o nó que havia se formado em minha garganta. – Tem tanta coisa, Liam. – Como diria a ele que eu andava investigando Albert e que ele havia desviado muito dinheiro? E que hoje seria desligado da Modest? Que eu me uni à Shannon e todo dinheiro roubado pelo Albert, foi para uma instituição? E a notícia que eu mais temia em contar, sobre a gravidez. Eu não sabia nem por onde começar ou talvez nem devesse falar nada, apenas o que realmente importava. – Liam, eu preciso te contar uma coisa.

Antes que eu pudesse continuar, meu celular começou a tocar incessantemente, admito que havia entranhado ter demorado para isso acontecer. Afastei-me brevemente de Liam e estiquei meu braço até o criado mudo para alcançar o aparelho. Olhei no visor e era Richard, mais uma vez um frio percorreu minha espinha e com certo receio atendi a ligação.

Pouco entendi o que Richard, em um tom nervoso dizia, apenas que era para eu ir até a Modest imediatamente. Depois dessa ligação senti um aperto no peito, uma apreensão.

- O que houve? – Liam perguntou preocupado ao ver minha expressão ao desligar o telefone.

- Você pode me prometer algo? – dobrei minhas pernas, abaixo do meu corpo e me virei de frente para ele.

- O quê?

- Que mesmo quando eu quiser partir você não vai deixar? Porque se isso acontecer, com certeza será o momento em que eu mais vou precisar que você não me deixe. Promete? – Algo me fez sentir em pedir isso à ele, após a ligação de Richard.

- , porque você está dizendo isso? – Liam estreitou as sobrancelhas.

- Não sei, é que... Só preciso que me prometa. – acariciei de leve sua bochecha.

- Eu prometo. – ele segurou minha mão junto ao seu rosto e aqueles olhos castanhos não desviavam sua atenção dos meus, transmitindo toda segurança que eu precisava naquele momento.

- Liam, eu preciso ir até a Modest agora. O Richard quer falar comigo. – respirei fundo.

- Eu vou com você, eu mesmo falo com ele e...

- Pode deixar, com o Richard eu me entendo. E daqui algumas horas você tem ensaio com a banda, lembra? Não quero dar mais motivos para a Modest achar que estou interferindo na sua carreira.

- Não está. – ele prontamente afirmou. – Mas sei exatamente como eles são... – bufou e desviou o olhar brevemente. – Agora lembrei, a noite você vai jantar comigo, combinado? – ele voltou seu olhar para mim e sorriu.

- Combinado. – selei nossos lábios em um beijo rápido e levantei-me em direção ao banheiro.

Agora que tudo já havia vindo a tona, não tínhamos mais o porquê nos esconder. Abri a porta de entrada e enfrentamos alguns paparazzi que estavam de plantão na porta da minha casa, corremos até o carro e Liam me deu uma carona até a Modest.

- Tem certeza que não quer que eu vá com você? – perguntou assim que parou o carro no estacionamento.

- Tenho... Você tem outro compromisso e não pode se atrasar, não quero dar mais motivos para o Richard reclamar. – soltei o cinto de segurança.

- Tudo bem, mas eu vou falar com ele amanhã...

- Sim. Nos vemos a noite... – Inclinei-me para dar um beijo rápido, mas Liam segurou meu rosto, tornando o beijo mais longo do que o planejado.

- Às oito. Você vai experimentar o melhor hambúrguer do mundo. The Payne’s Burger. – ele riu.

- Estarei lá, pontualmente. – sorri e então saí do carro.

Já dentro do elevador, que parecia subir em câmera lenta, cada andar que se aproximava, um angústia tomava conta de mim. Quando o elevador abriu as portas no 7º andar, acho que o bebê não aguentou a pressão e logo meus enjoos voltaram e antes de ir até a sala do Richard, corri até o banheiro mais próximo.

Lentamente me aproximei da mesa da secretária do Richard. Cynthia me anunciou e logo ele pediu para eu entrar.

- Bom dia, Richard. – tentei me manter o mais calma possível.

- Sente-se, . – ele não esboçava nenhum sorriso ou simpatia, não estava acostumada vê-lo assim tão sério. – Não quero enrolar, então vou direto ao ponto. Sabe, a única coisa que ameniza os fatos é que você havia me contado antes de tudo estourar. – Ele começou a caminhar de um lado para o outro. – ... Mesmo assim, você devia ter vindo conversar comigo logo que tudo iniciou. Eu confiei em você e olha no que deu agora. – Richard começou a passar um sermão. – Enfim, agora não podemos voltar no tempo. Acabei de ligar para o The Sun e também contatei outros tabloides e tentei ameaçar em processar cada um deles, na tentativa de tirar o máximo de informações e fotos que eu conseguisse de circulação, mas... – ele respirou fundo. – Foi em vão, pois a informação foi vendida, por alguém daqui da Modest.

- O quê? – foi inevitável o tom da minha voz sair mais estridente do que eu esperava.

- Sim... Essa também foi a minha reação ao descobrir isso, mas a partir daí consegui contatar um conhecido que tenho na imprensa, para que tentasse descobrir de onde vazaram todas aquelas fotos e informações. Não demorou muito para que ele cedesse essa informação para mim. E para minha surpresa, ou talvez não diria que fiquei tão surpreso assim, mas foi a Shannon, quem vendeu.

- Eu não acredito. – levei minha mão até minha boca.

- Claro que então tudo fez sentido, afinal ela se demitiu um dia antes da matéria completa ser publicada no The Sun. E agora não temos sequer uma informação do paradeiro dela, ela sumiu do mapa. Olha, ... – Richard escorou-se na mesa e me olhou. – Eu não queria fazer isso, mas eu não tenho outra escolha. Tudo isso foi um choque, o nome da Modest ficou bem afetado, as fãs estão revoltadas e em questão de números, só hoje pela manhã notamos uma queda na pré-venda do novo álbum. Os outros sócios me pressionaram e eu acho que o melhor a fazer agora é que você trabalhe com as meninas do Little Mix. – Ele cruzou os braços e respirou fundo, acalmando-se. - Assim você ficará longe por uns meses, esperar toda essa fofoca acalmar. Afastar você do Liam todo esse tempo, é o melhor a fazer. Essa foi a solução que conseguimos chegar, para não precisar demitir você. Assim todos saem ganhando. Vocês vão passar um tempo no EUA, temos que divulgar o álbum das meninas por lá e...

- E eu não tenho o direito de opinar? – levantei-me imediatamente. - Sou o que aqui dentro? Mais uma peça que vocês remanejam pra onde querem e como querem? Números, dinheiro... É só isso que importa, não é mesmo Richard?

- Calma, . É que... Para a imagem da banda e do Liam, um relacionamento com a ex noiva do Albert, isso pesa demais. O Albert foi afastado da Modest há algumas horas... E... Infelizmente eu não pude mandar prendê-lo, mas algumas notícias sobre ele irão repercutir na mídia, então o quanto menos escândalos, melhor.

- Como? – a cada palavra que saíam pela boca de Richard eu ficava mais nervosa. – Depois de todas as informações que eu consegui, todo o dinheiro que ele roubou... Tudo que ele fez, o envolvimento inclusive com drogas e foi tudo em vão?

- Ele... Ele... – Richard deu uma ele gaguejada. – É complicado... Olha, . Eu tive alguns erros no passado e não me orgulho, está bem? Mas é isso que o mantem com alguma vantagem sobre mim, então fizemos um acordo e ele concordou em ir embora de Londres, você não tem com o que se preocupar.

- E mais uma vez o Albert saiu por cima de toda história. – proferi indignada.

- Quer saber, Richard? Eu não aceito a sua proposta em me afastar. Eu sempre tive muita consideração por você, mas tudo não passa de status e imagem, eu sou uma pessoa, tenho sentimentos... Que merda. – esbravejei. - Olha, Richard, eu não posso passar meses longe, sabe porquê? – respirei profundamente, antes de falar. – Eu estou grávida... E sim é do Liam. – Richard arregalou os olhos, ficou me encarando atônito. – E tem mais, eu me demito da Modest. Não tenho mais o porquê continuar trabalhando pra vocês.

- Mas, mas... . Como? Você está falando sério? Digo... – Richard estava se atrapalhando com as palavras. – Sobre tudo. A demissão e... Grávida?

- Sim e sim. – abri a porta para me retirar da sala. – Estou indo agora mesmo até o RH. E não se preocupe, você é o único que sabe por enquanto. – saí porta afora, com um sentimento de alívio em meu peito. Estava cansada de ter que dar satisfação de tudo, sempre com aquele sentimento de estar sendo monitorada 24 horas por dia. Cada palavra, cada movimento meu parecia ser controlado para não prejudicar a imagem da bendita Modest.

Saí do prédio da Modest e a primeira pessoa que eu precisava ver agora era a , precisava de um ombro amigo nesse momento.

- Desculpa, não ter ligado antes. – Disse assim que abriu a porta, vestida ainda com seu pijama, apesar de ser quase meio dia.

- Amiga, entra... – com lágrimas nos olhos entrei no apartamento da . – O que aconteceu? – ela perguntou aflita.

- Não tinha certeza se você tinha aula hoje. – sentei-me no sofá.

- Hoje não e como minha mãe foi viajar, aproveitei pra dormir mais. – juntou-se ao meu lado no sofá. – Mas o que aconteceu? Que cara é essa?

- Você não viu ainda? As notícias?

- Eu acabei de acordar. Não se preocupe que não foi você que me acordou. – bocejou e riu. – É que fui dormir muito tarde e... Que notícias?

- Agora tudo sobre Liam e eu já não é mais segredo. Com fotos e muitos detalhes. O mundo já sabe. – soltei o ar pesadamente.

- Ai, ... Pela sua cara, com certeza não foram vocês quem decidiram contar, não é mesmo? – eu apenas balancei a cabeça negativamente.

- E pra completar, adivinha quem andava nos espionando e acabou vendendo toda história para os tabloides? – me olhava atenta. – A cobra da Shannon.

- Não creio! – ela arregalou os olhos. – Está certo que ela nunca foi uma pessoa confiável, mas isso?

- Por dinheiro aquela faz qualquer coisa. E tem mais uma coisa, o Richard foi um completo idiota quanto a isso, então eu aproveitei para me demitir da Modest. Depois tudo que eu ajudei! – suspirei. – E acredita que o Albert ainda saiu livre?

- E agora? – demonstrou nervosismo. – Aquele louco soltou por aí... Sabendo de você e do Liam e quando ele souber do rombo na conta?

- O Richard me garantiu que fez um acordo para ele ir embora de Londres. E o Albert concordou. – tentei tranquiliza-la, mesmo eu tendo essa mesma preocupação.

- Mas enquanto não tivermos certeza que o Albert realmente foi embora, não fique sozinha. Hoje estou com o dia livre, fica por aqui.

- Está bem... A noite eu vou jantar com o Liam e daí sim vou poder contar sobre... – pousei a mão sobre minha barriga.

- Achei que já tinha contado... Ainda bem que não abri minha boca para o Harry nessa madrugada.

- Então conversou com o Sr. Styles? – eu sorri.

- Ontem a noite eu havia saído com uns colegas da faculdade e quando voltei, me deparei com o Harry sentado na porta aqui do apartamento, acredita? O porteiro não ia negar a entrada dele, né? – riu e eu continuei prestando atenção no que ela estava contando. – Quando o vi ali, aquele frio na barriga, não me deixou dúvidas do quanto eu estava com saudades dele.

- Ohh... – não me contive e sorri.

- Mas... Sabe que eu sou mega orgulhosa e teimosa, né? Adivinha o que eu fiz? Mandei ele ir embora.

- !! – pronunciei seu nome, frustrada.

- Calma... Não briga comigo antes do tempo. Mas, Harry sendo o Harry de sempre, é óbvio que ele não deu ouvidos aos meus devaneios. Ele se levantou e parou diante de mim, então me olhou com aqueles olhos verdes, cheios de lágrimas e disse que não queria me perder. Pensa... Sou durona, mas não de ferro. Então, pedi pra ele entrar para que pudéssemos conversar melhor. Ele deu sorte que a minha mãe não estava, né.

- Com certeza... Se estivesse, ela colocaria ele a correr. – eu ri.

- Bom, resumido ele me jurou que nada aconteceu com a “bitch” da Jenner. Que não era para eu acreditar nesses boatos e que não queria de jeito nenhum me perder, muito menos para o James. Ele estava tão fofo e eu acreditei nele, sei que muita coisa a imprensa publica só pra criar caso mesmo. E eu claro que só não contei a parte que o James me beijou, pulei esse detalhe e então nos acertamos e está como tudo deveria estar. – ela abriu um amplo sorriso. – Aí claro que ele aproveitou para passar a noite, mas os compromissos o fizeram sair bem cedo pela manhã. E foi isso que aconteceu.

- Assim fico aliviada em saber que vocês conseguiram se resolver.

- Sim, percebi que não consigo ficar sem meu Styles. – ela sorriu de canto. – Mudando de assunto, eu estou morrendo de fome. – levantou-se rapidamente do sofá. – Vamos pedir o que para comer? Sabe... Eu como madrinha quero que o baby Payne receba o melhor tratamento. – ela riu.

- Só o bebê merece o melhor tratamento? – fiz uma careta.

- Ah... Você já é de casa, quem é novo por aqui é ele. – apontou para a minha barriga.

Como a tarde estava chuvosa, passamos o dia no apartamento da , comendo besteiras, rindo, assistindo filmes e nos divertindo como fazíamos uma vez.

Quando olhei as horas lembrei do meu jantar com o Liam e estava quase na hora.

- Até de ofereceria um carona, se não tivesse emprestado meu carro para minha mãe viajar. A não ser que queira esperar, o Harry vem me buscar depois, para irmos até a casa dele.

- Imagina, não tem problema, . Vou chamar um táxi, prometi estar pontualmente às oito. – peguei minha bolsa e fui me direcionando até a porta e saí até o corredor. – Amanhã podemos combinar algo nós quatro, antes que eles voltem para a turnê. – chamei o elevador.

- Claro. Agora não temos mais nada a esconder, vai ser ótimo.

- Até amanhã. – me despedi e entrei no elevador.

Apertei no térreo. O elevador parou no andar de baixo e um frio percorreu minha espinha. A porta abriu-se lentamente, revelando o meu pior pesadelo parado diante de mim.

- Oras! – Albert deu um passo para dentro do elevador. – E não é que o destino realmente coloca a pessoa certa, na hora e lugar certos, não é mesmo?

Eu nada falei, apenas engoli seco e mentalmente rezei para que ele saísse dali. Albert manteve a porta do elevador aberta e então em um movimento inesperado, segurou me pulso e me puxou para fora do elevador.

- Me solta! – eu gritei e ele segurou minha boca.

- Eu preciso falar com você. Não precisa ter medo, querida. – falou bem próximo ao meu ouvido. – Eu só preciso te devolver umas coisas. Não é pra gritar. Olha... Só preciso da sua atenção dois minutos. – ele foi me guiando até o apartamento. Meu corpo estava trêmulo. – Com a mão livre ele tirou a chave do bolso e abriu a porta e empurrou com o pé. – Entra aí... – Ele me empurrou para dentro. Rapidamente ele puxou uma pasta que estava próximo à porta e a bateu com força e depois a trancou.

Eu estava em um estado de choque, aquilo não estava acontecendo. Por um minuto me vi em um beco sem saída, sem esperança de sair dali.

- Quero que você venha ver uma coisa. – sua voz demonstrava inquietação. Ele foi me guiando pelo braço até a sala.

Ele me empurrou na cadeira, em frente à mesa, onde se encontrava seu notebook aberto.

- Dessa vez você passou dos limites – Albert parecia que entraria em colapso a qualquer momento. – Olha... – Apontou para a tela, mostrando várias manchetes nos sites:

“OMG GOSSIP: LIAM PAYNE ENTROU EM BRIGA COM APRESENTADOR DA MTV MÊS PASSADO, POR QUÊ? AQUI TODOS OS VERDADEIROS DETALHES.”

“CONSELHOS DE MODA DE MADRUGADA AO SR. PAYNE”.

“SERIA LIAM PAYNE O PIVÔ DO FIM DO NOIVADO DE ABERT W. COLE COM ?”

“PAYNE VS ABERT W. COLE.”

- Qual você quer ler primeiro? Tem uma lista... Vamos escolha! – Ele berrava ao meu lado, batendo a ponta do dedo na tela do notebook.

- Albert... Chega! – com os cotovelos apoiados na mesa coloquei minhas mãos em meus ouvidos.

- Não! Eu tenho uma ideia melhor... Que tal assistirmos um vídeo? – clicou no link. – Que tal esse aqui, onde diz: “Imagens vazadas das câmeras de segurança do hotel”. Essa é muito interessante. – Segurou meu rosto, forçando-me olhar para a tela. – Olha quem está entrando no seu quarto? Não é Liam? – mencionava debochadamente, mas com muita raiva. – E olha bem a hora... E tem mais... – balançou a cabeça negativamente passando as mãos pelos seus cabelos. – Vocês dois me fazendo de trouxa, debaixo do meu nariz... E agora todos estão sabendo! Olha a humilhação que você me fez passar... – parou de frente para mim. - E tem a pior parte, eu quero meu dinheiro de volta, sua vadia!

- V-Vadia? Vadia? Você não tem o direito de falar assim comigo. – minha voz saiu um pouco trêmula. – Eu não tenho mais nada com você. E não sei do que você está falando, que dinheiro? - Tentei me fazer de desentendida.

- É vadia sim. – seus olhos transmitiam cada vez mais ódio. – Quero o meu dinheiro de volta, cada centavo. Você não sai daqui, sem me dizer onde está.

- Eu não sei que dinheiro é esse. Eu só quero ir embora, me deixa em paz.

- Não se faça de louca. Tenho certeza que você me roubou... – as veias de seu pescoço saltavam a cada berro que ele dava. – Ninguém me faz de idiota assim. Além de eu estar sendo mal falado, perdi meu emprego e você ainda esconde todo o meu dinheiro! Isso não vai ficar assim... Fala!

- Não sei de NADA! – gritei. – Eu só quero ir embora. – levantei-me e rapidamente na tentativa de chegar até a porta.

Albert correu atrás de mim e me segurou pelo braço, virando-me de frente pra ele. E em um ímpeto de fúria ele me acertou com um tapa tão violento, que fez com que eu caísse no chão.

- Não subestime minha inteligência, sua imbecil. – falou por entre os dentes. – É melhor falar. – Suas pupilas chegavam estar dilatadas de tanta raiva. – Você não seria nada sem mim... Sua ingrata. Acha mesmo que o Liam sequer olharia pra você, se não fosse pelo meu dinheiro? – enquanto eu estava caída no chão me acertou um chute no estômago, me faltou ar por alguns instantes. Não consegui mais controlar minhas lágrimas. Encolhi meu corpo por causa da dor, aquilo era um pesadelo, meu corpo inteiro tremia, não tinha forças para me levantar. – Nunca mais ouse me fazer de palhaço. – com os cabelos em meu rosto, por uma fresta, o vi aproximar-se novamente, ele se ajoelhou em minha frente e com muita fúria, levantou-me do chão pelos ombros, conseguia sentir seus dedos afundando em minha pele. Minha respiração ficou extremamente acelerada. – Para de chorar. Agora... – gritou. – Mas eu não conseguia controlar, as lágrimas rolavam sem parar, nem minha respiração conseguia sair direito. – Para de chorar, além de vadia agora é surda? – com uma de suas mãos puxou meus cabelos, fazendo-me gritar de dor. – Eu te avisei... Ninguém me faz passar por esse tipo de humilhação! Ninguém! – Seus berros ecoavam por todo apartamento.

- A-Albert... Por favor...- As palavras agora saiam com dificuldade da minha garganta seca.

- Agora não adianta... Se a tentativa era me arruinar, se deu mal... Você realmente acha que vocês vão ficar juntos agora? Eu já te falei o quando você é um nada. Vou fazer da sua vida um inferno, assim como você fez com a minha. - falava quase cuspindo na minha cara. - Tudo que resta a você será uma vidinha medíocre, voltar a ser o lixo que era antes de eu te resgatar. – Ao soltar meu cabelo, suas duas mãos foram de encontro ao meu pescoço, apertando com força. Sem conseguir respirar, me agarrei em suas mãos na tentativa de soltar seus dedos. Comecei a me debater na ânsia de tentar respirar, minha visão começou a embaçar e meus sentidos foram enfraquecendo, foi quando ele afrouxou seus dedos.

Imediatamente comecei a tossir e tentei sem êxito me levantar. Albert me olhou firme, o ódio transpassava por seus olhos, então fechou o punho e acertou um soco em meu olho direito me derrubando novamente no chão. Como era doloroso o contato do meu rosto com aquele chão gelado, de repente senti o contraste de algo quente que escorreu através do meu olho, pisquei e no piso branco caíram algumas gotas vermelhas.

Lentamente, Albert levantou-se enquanto me deixou prostrada. – Aí que é o seu lugar, no chão, rastejando... – com a ponta do seu sapato chutou a lateral da minha coxa.

- C-chega...– eu soluçava em prantos, quase nem tinha forças para falar. Enquanto eu tentava me arrastar na tentativa de chegar à porta, ele me pegou pelos cabelos novamente e me arrastou de volta.

- Eu ainda não terminei... – gritou. – Isso é pra você aprender com quem está lidando. – se agachou e com apenas uma mão segurou meu rosto. – Engole esse choro de uma vez e me responda, o que você pretendia com tudo isso? Acha que é fácil derrubar Albert Cole? – afundou seus dedos em minhas bochechas. Seus olhos que irradiavam ódio, não desviavam dos meus. – E pra completar, por sua culpa a Shannon me abandonou! – seus dedos continuavam a me apertar com mais força.

Eu estava fraca demais e não conseguia pronunciar sequer uma palavra, meus olhos ardiam e eu já não tinha mais controle das minhas lágrimas. O desespero e um medo do que mais ele poderia fazer, prevalecia.

Eu estava totalmente desolada e sem esperanças quando pude ouvir um barulho de chave vindo da porta.

- Albert. – era a voz de Lydia. – O que ainda está fazendo aqui... Digo... – Ela ficou parada diante da porta da sala perplexa ao se deparar com aquela cena. – O-O quê aconteceu?

- Lydia... Esse assunto é entre eu e a , não se meta.

- Albert. – Deu alguns passos a frente. – Meu filho... – “Filho”? eu havia escutado bem? - Não faça nada que possa se arrepender depois, isso pode prejudicar sua vida. – ela falava serenamente com ele. – Deixe-me ajudá-lo... Você está muito nervoso. – parou ao seu lado, tentando acalmá-lo.

- Vamos até a cozinha, que a sua mãe lhe prepara aquele chá que você adora. De cabeça quente nada se resolve. Deixe a ir. Não vale a pena se prejudicar por ela.

Eu estava sem reação e com muita dor para conseguir assimilar tudo que estava acontecendo naquele instante.

- É... – olhou para ela por um instante e o vi baixar a guarda. – Essa coisa aí... – lançou um olhar de desprezo para mim. - Não vale a pena mesmo. – ele respirou fundo e virou de costas para mim.

- Pode ir até o quarto, que eu levo o chá pra você. Pode deixar que eu resolvo tudo por aqui, está bem? – Albert a passos lentos foi andando até o quarto.

Lydia entendeu a mão, me ajudando a levantar daquele piso gelado. Mancando e com seu apoio ela me direcionou até o sofá da sala e me alcançou minha bolsa.

- Ele vai se tratar, não denuncia ele, por favor... – Lydia suplicou. - Eu juro que vou levar ele para outro lugar. E ele vai voltar a ficar bom.

- Eu só quero sair daqui. – minha voz saiu fraca. – Você não viu que ele quase me matou? – aquela mulher era tão doente quanto ele.

- Ele... Ele... – Lydia gaguejou. – Por favor... Eu vou chamar um táxi para leva-la até o hospital. – ela foi até o balcão e pegou o telefone sem fio e começou a discar.

- Eu quero ir embora. – Não queria ficar mais um minuto naquele apartamento. Peguei minha bolsa e ainda com certa dificuldade, levantei-me do sofá.

- , não denuncia ele. – uma lágrima escorreu pela sua face. Diante de toda aquela situação, ela não me comoveu. – Eu vou cuidar dele agora. Ele não vai voltar a te fazer mal, eu prometo. Nós vamos voltar para minha cidade.

Concordei com a cabeça, só para sair o quanto antes daquele lugar. Então Lydia fez com que eu me apoiasse nela e me acompanhou até o elevador.

- Você consegue ir sozinha? – embora ela demonstrasse estar preocupada, não me convencia, afinal a real preocupação dela era com o bem estar do bandido do filho dela. - O táxi vai te aguardar nos fundos da saída da garagem, pois na entrada têm alguns paparazzi.

- Eu aguento Lydia. – respondi baixo e respirei fundo. Só o fato ainda estar viva e a pressa que eu tinha em sair daquele apartamento, faziam com que eu ainda ficasse de pé e sequer sentisse alguma dor.

Assim que entrei no táxi, as dores se manifestaram, então senti uma forte cólica e meu corpo inteiro estremeceu. Não, isso não podia acontecer.

- Pro hospital, o mais rápido possível. – com a voz embargada, falei para o taxista.

Capítulo Vinte e Quatro


- Pro hospital, o mais rápido possível. – com a voz embargada, falei para o taxista. E sem delongas ele pisou o pé no acelerador. Meu corpo tremia e naquele momento tudo que senti foi medo de estar perdendo meu bebê.

Liam’s POV on

O relógio marcava oito e meia, comecei a achar estranho a ainda não ter chegado ou sequer ter mandado uma mensagem avisando que iria se atrasar.

Peguei meu celular e liguei para ela. – Já é a quarta vez e só chama e não atende. – murmurei comigo.

No instante em que eu ia ligar mais uma vez, senti um alívio ao escutar a campainha tocar. Corri até a porta e abri rapidamente.

- Já estava preocu.... – parei de falar no instante em que me deparei com Sophia à minha frente. – Sophia? – franzi a testa. – O que você está fazendo aqui?

- Nossa, como sou sempre bem recepcionada por você, Liam.

- Não, é que... – balancei a cabeça e franzi a testa. – Mas, não entendo o que você veio fazer aqui? A esta hora?

- Eu vi todas as notícias, sabe? Os vídeos e tudo mais e me preocupei com você, só isso. Vim ver como você estava, se precisava de uma amiga pra conversar e... Não sei. – ele deu de ombros.

- Eu estou bem, eu sabia que tudo não iria ficar escondido por muito tempo. Só foi um pouquinho antes do planejado. – expliquei calmamente.

- Que bom. Eu posso entrar?

- Olha Sophia, sinto muito, mas acho melhor não.

- Ah... A está aí?

- Na verdade ela vai chegar daqui a pouco. – olhei brevemente para as horas em meu celular.

- Tudo bem, não quero atrapalhar em nada... – ela olhou para o chão, nitidamente chateada. – Eu só queria conversar um pouco... Afinal eu também estou precisando de um amigo hoje. – suspirou profundamente.

- Está bem, Sophia... Entre. – dei passagem para ela entrar. Dei mais uma olhada em meu celular, verificando as horas e também notei ainda não ter sinal algum de mensagem da .

Sophia sentou-se no sofá e eu permaneci em pé e larguei o celular na mesa de centro. Cruzei os braços aguardando o que ela tinha para falar, achei tudo um pouco estranho, pois não estávamos mais nos falando há algum tempo.

- Isso tudo é muito estranho, Liam... Parece que agora existe uma barreira entre nós. E... Eu gostaria de tentar voltar ser sua amiga pelo menos.

- Eu não te entendo, Sophia. Agora seguimos caminhos diferentes e não acho q esse seja o momento para termos algum tipo de amizade. Principalmente agora que eu estou muito bem com a e... – fiz uma breve pausa. – que você e o Andy estão juntos.

Sophia arregalou os olhos, como se aquilo realmente fosse um grande segredo.

- Eu... – ela respirou fundo. – Na verdade eu e o Andy não... - Sophia parou de falar no instante em que um cheiro de queimado invadiu a sala.

- O hambúrguer! – corri feito doido até a cozinha e quase me sufoquei na fumaça. – Droga... – rapidamente desliguei o fogo e com o primeiro pano de prato que avistei peguei e joguei tudo na pia mesmo. Liguei a torneira e nesse momento pensei ter escutado o toque o meu celular, mas assim que desliguei a água não escutei mais.

- Devo estar escutando demais – Pensei.

Liguei novamente a torneira e abri a janela da cozinha e com o pano comecei a abanar a fumaça. Depois de ter dado uma leve organizada, voltei para a sala.

- Alguém me ligou? – perguntei ao ver Sophia largando meu celular de volta na mesa de centro.

- Não. Você tinha deixado em cima do sofá, apenas estava colocando ele aqui, para que não sentasse em cima quando voltasse.

- Podia jurar que tinha deixado ele na mesa. – dei com os ombros. Aproximei-me e peguei o aparelho para verificar se havia alguma mensagem, mas não havia nenhuma ainda.

- Anda cozinhando agora, Payne? – Sophia perguntou com certo sarcasmo.

- Tentei... – sentei-me no sofá. – Com o tempo, talvez possamos ser amigos, mas agora não é o momento, está bem? O Andy já deve ter contado que não estamos mais nos falando. Eu não sei o que você espera de mim, Sophia.

- Desculpa se te magoei, Liam... Eu percebi que o Andy não é o que ele parecia ser... E... Hoje a tarde, o Andy e eu tivemos uma briga e terminamos... – ela soltou um suspiro.

- E eu deveria dizer que sinto muito? Você só pode estar de brincadeira, mas eu não tenho obrigação de ser seu “conselheiro amoroso” só porque era amigo do Andy. Eu já fui paciente demais com tudo... E você sabe que segui em frente, não quero mais misturar passado com o meu presente.

- Liam você está com ciúmes? Eu não queria te magoar mais... – ela estendeu sua mão tentando aproximar de meu rosto.

- Chega, Sophia. Você ao menos está se ouvindo? – levantei-me bruscamente do sofá. – Você não me deve desculpas e muito menos explicações. Não temos mais nada. Só quero que você vá, se resolva sozinha com o Andy que eu estou esperando a chegar. Que é com ela que eu estou agora e não é nenhum segredo o quanto ela me faz feliz.

- Mas... – Sophia levantou-se e foi me acompanhando até a porta. – Eu não quero que você fique assim.

- Deixa tudo como está... É melhor você ir. – abri a porta. – Tenta ir conversar com o Andy, acertarem as diferenças de vocês e cada um segue seu caminho, está bem?

Sophia nada falou, apenas concordou com a cabeça e seguiu em direção ao elevador.

Ao fechar a porta, senti um certo alívio, aquela sensação de ter feito ao coisa certa. Voltei a verificar meu celular e percebi que algo estava acontecendo, ainda não havia dado nenhuma notícia. Tentei mais uma vez ligar, mas sem êxito, a caixa de mensagens insistia em me deixar ainda mais preocupado.

No mesmo instante liguei para a .

E a cada toque eu ficava mais aflito. - Por que ela não atende?- Respirei fundo e depois de mais três chamadas não atendidas, liguei para o Harry.

- Hey!

- Fala ai, Liam...

- Por acaso a está aí com você?

- Ela ia vir aqui em casa, mas me ligou cancelando... Por quê?

- Eu só pensei... O celular da cai só na caixa de mensagens e ficamos de jantar juntos e até agora não tive nenhuma notícia, pensei que talvez a saberia onde ela está. – apreensivo, comecei a andar pela sala.

- A disse que tinha um assunto da mãe dela para resolver e não deu muitas explicações... Se bem que... – Harry ficou em silêncio por alguns instantes.

- O quê? – perguntei impaciente.

- Não, é que quando liguei mais cedo, a estava na casa dela.

- Com certeza alguma coisa aconteceu.

- Do que você está falando?

- Mais tarde eu te ligo, Harry.

Liam’s POV off

Eu estava assustada, logo fui encaminhada para a sala de exames por uma enfermeira. Ela me posicionou na maca e com a voz tranquila ela foi conversando comigo.

- Só preciso que você diga o que aconteceu para podermos encaminhar para os devidos exames.

- Eu... – respirei profundamente. - Só preciso saber se meu bebê está bem.

- Você está grávida? – conseguia ver através de seus olhos certa preocupação ao me olhar. – Fica calma eu vou só tratar desse corte acima do olho e depois você vai passar por alguns exames assim que o médico chegar. Vai ficar tudo bem.

A serenidade da enfermeira estava me acalmando, mas no momento em que a entrar foi quando realmente me senti mais tranquila.

- Eu recebi uma ligação do hospital e corri para cá... – enquanto guardava seu celular na bolsa, ela me olhava apavorada. Logo comecei a ficar um pouco nervosa novamente. – O que aconteceu?

A enfermeira então retirou-se para ir chamar o médico.

- Foi... – comecei então a chorar, não consegui me conter.

- O quê? – Segurou em minha mão. - Foi atropelada? Assalto? – Ela me analisava tentando decifrar o ocorrido.

- O... – suspirei contendo o choro. – Foi o A-Albert. – aquele nome saiu rasgando pela minha garganta.

- O QUÊ? – praticamente berrou, mas logo se recompôs, dando-se conta estar dentro do hospital. – Como? Mas... Não entendo.

- Quando saí do seu apartamento... – comecei a contar pausadamente. – O encontrei no elevador e... – Silenciei assim que o médico adentrou na sala.

- Boa noite. - a pequenos passos ele foi se aproximando.

- E o bebê, doutor? – Foi a primeira coisa que perguntou.

- Pelo que consta aqui, a paciente teve um leve sangramento, não tenho como dar uma posição. Ela agora passará por alguns exames clínicos, de imagem e laboratoriais, assim teremos uma resposta mais conclusiva.

O celular da começou a tocar insistentemente.

- Desculpa... – rapidamente ela o silenciou e o jogou na bolsa mais uma vez.

Antes de me levarem para outra sala de exames, verei meu rosto para a minha amiga.

- , não fala nada pro Liam, por enquanto, está bem? E por favor, liga para o Richard, vou precisar da ajuda dele.

- Pode deixar. – ela apertou firme a minha mão e então fui guiada até a outra sala.

Liam’s POV on

Peguei meu carro e não sei como fiz para chegar tão rápido ao prédio onde mora. Eu sentia que algo havia acontecido e precisava descobrir o que era.

Cruzei a portaria feito um relâmpago, só fui parado ao esbarrar em alguém que estava saindo apressadamente do elevador.

- Olha por onde anda! – a pessoa gritou e minha atenção foi voltada a essa voz familiar.

- Albert? – a porta do elevador fechou-se e ele soltou a mala que segurava, no chão e sem dizer nada deu mais um passo em minha direção e me encarou com fúria.

- Desgraçado! – suas duas mãos foram parar em meu pescoço, prensando-me contra a parede, sem ao menos me dar a chance de conseguir reagir.

Eu tentei me livrar empurrando suas mãos e o porteiro correu para tentar me ajudar.

- Senhor, solte o rapaz... – o porteiro continuou.

- Albert! Vamos! – a voz de uma senhora o fez soltar meu pescoço imediatamente. Tossi e então o empurrei para longe de mim.

Albert deu uma leve cambaleada, mas logo pegou a mala e sem falar nada saiu rapidamente em direção à porta junto com a senhora que o chamou.

Levei minhas mãos ao meu pescoço, tossindo e ainda recuperando meu fôlego. O porteiro se aproximou e me olhava confuso.

Não tinha tempo a perder com essa loucura temporária do Albert, logo pedi ao porteiro se a estava em casa.

- Ela saiu... – coçou o queixo. - Faz um tempo já.

Soltei o ar pesadamente, frustrado.

- E a estava com ela? – perguntei receosamente.

- Não... Ela saiu tão apressada que hoje nem falou se iria demorar. Espera... – o porteiro balançou a cabeça para cima e para baixo, como se tivesse acabado de lembrar algo. – Eu vi as notícias... Por isso o Sr. Albert estava assim alterado com você. O olhei nada contente com o que ele havia acabado de comentar. – Desculpa... Não devia ter dito isso... É... Desculpa mesmo, Liam. – ele começou a gaguejar e ficar sem jeito.

- Tudo bem... Eu preciso ir. Obrigado pelas informações.

Voltei para o meu carro e recostei minha cabeça no volante. Fiquei por alguns instantes assim, sem saber para quem ligar ou para onde ir. Isso tudo estava muito estranho. De repente um flash me obrigou a dar partida no carro e sair dali. O melhor seria ir até a casa do Harry, quem sabe a ligaria pra ele, não sei, não estava conseguindo pensar direito naquele instante.

Liam’s POV off

Eu já havia sido transferida para o quarto e recém e Richard haviam ido embora. Depois de eu ter contato tudo o que aconteceu, Richard se mostrou muito prestativo e tomou a frente de tudo, inclusive acionou a polícia imediatamente. Contatou a todos que ele conseguiu para que a notícia de que eu estava no hospital não se espalhasse, até para que o Albert não descobrisse. Consegui ver aquele Richard de antes.

[PLAY]

Depois de toda agitação o quarto estava vazio. E antes mesmo que eu conseguisse puxar meu pulso que estava envolto pelas minhas cobertas, algumas lágrimas escorreram pelo meu rosto. Movi minhas pernas sob a coberta, tentando achar uma posição confortável, senti o atrito do cobertor pesar em meus ferimentos. Mais lágrimas insistiram rolar em minha face, fazendo com que eu sentisse um ardor no canto de minha boca, assim que uma atingiu o corte

Eu ainda não estava aceitando a situação em que me encontrava no momento. Minha vida estava escancarada pelos sites, jornais e revistas. Estava me sentindo extremamente exposta e desamparada. Aquela imagem do olhar virado em fúria do Albert, estava fixo em minha mente e se não fosse Lydia chagar naquela hora, acredito que ele poderia ter me matado.

Coloquei minha cabeça no travesseiro, tudo girava, era como se eu estivesse dentro daqueles globos de neve e alguém o tivesse agitado. Lentamente os remédios foram amenizando as dores que eu sentia por todo corpo.

Decidi deixar todos aqueles pensamentos horríveis de lado, então comecei a visualizar o rosto do Liam, lembrar do seu sorriso, o qual fazia todas as dores irem embora, menos uma que insistia em martelar o meu coração. Tudo que eu precisava agora era do seu abraço, que me levasse para bem longe daqui.

Só havia uma dor que nem ele conseguiria fazer parar agora. A dor que me fez gritar internamente, aquela dor que está pedindo justiça, a dor insuportável não me permitia mais ter medo do Albert e sim ódio. Como o odeio, com todas as minhas forças. Maldita dor que remédio nenhum faz passar. A dor que faz novamente eu não ter controle sobre minhas lágrimas que deslizam em minha face sem parar. Algo tão pequeno, mas tão importante para mim. Essa dor... A dor da perda... Sim, da perda do meu bebê.

Enxuguei minhas lágrimas assim que a porta se abriu.

- Amiga, dorme um pouco... Vou passar a noite aqui com você. – ajeitou uma coberta na poltrona ao meu lado.

Capítulo Vinte e Cinco


Despertei aos poucos com um ruído baixo de TV ligada. Vagarosamente abri meus olhos, ainda pesados. Aqueles remédios realmente eram fortes. Virei meu rosto para o lado e vi que já estava acordada.

- Que horas são? – perguntei com a voz rouca.

olhou para o seu relógio no pulso.

- Dez e meia. Eu te acordei? Eu fui comer e agora que voltei resolvi ligar a televisão, mas se te atrapalha eu desligo.

- Não. – me virei calmamente na cama. – Só quero ir para minha casa. – soltei um suspiro.

- Lembra que o médico falou que hoje mesmo você terá alta. Precisa de alguma coisa? Eu chamo a enfermeira.

- Estou bem. – não podia ser mais mentirosa que isso, afinal estava me sentindo um trapo. – Só preciso de ajuda para ficar mais sentada, estou com um pouco de dor na minha perna.

levantou-se e me ajudou a me acomodar melhor na cama. Meu corpo estava todo dolorido.

- O Liam te ligou? – perguntei assim que me dei conta que havíamos combinado de jantar ontem e meu celular ficou sem bateria.

- O Liam? Ele... – parou de falar e me olhou de uma forma estranha. – Eu tentei ligar para avisar e... – ela olhou para a porta e virou o rosto de volta para mim. - Você tem certeza que não quer que eu chame a enfermeira?

- ! – chamei com ênfase seu nome. – O que você disse a ele? O que aconteceu?

- Nada... Eu só não falei com ele. – ela voltou a sentar na poltrona. – Lembra que você pediu para não falar nada ainda para ele?

- Sim, eu lembro, mas ele não tentou te ligar? - Será que o Liam não estava nem um pouco preocupado por eu não ter ido até a casa dele?- Pensei.

- É que... Eu desliguei o celular e só o liguei de volta agora pouco. – desviou seu olhar e focou na televisão. – Daqui a pouco a enfermeira vem para lhe dar os remédios e depois você tentar ligar para ele.

- Mas, ele...

- O que é isso? – me cortou, estendeu a mão com o controle remoto e ergueu o volume.

- Não tenta mudar de assunto... – ao ver a cara de espanto da e ouvir mencionarem a banda One Direction, a minha atenção voltou-se imediatamente para a televisão.

“Há pouco recebemos a informação sobre um acidente envolvendo um dos empresários da banda One Direction, Albert Wright Cole. Mais informações sobre esse acidente, em breve... Fiquem ligados.”

- Acidente com o Albert? – minha voz saiu fraca. permaneceu com o olhar fixo para a televisão. – Eu fiquei em coma? Que dia é hoje, ?

- , será que o Albert morreu? – Virou seu rosto para mim. - Eu sou uma pessoa má por estar torcendo que sim? – ela se levantou da poltrona.

- Não é a única. – só de pensar nessa possibilidade uma sensação estranha de alívio me preencheu. E isso me fazia uma pessoa tão ruim quanto ele?

Então nossa atenção voltou para a televisão, assim que o programa voltou dos comerciais. cruzou os braços e vidrou seu olhar na tela.

“Voltamos com mais notícias sobre o acidente envolvendo o carro do empresário da One Direction, Albert Wright Cole. Recebemos informações de que houve um capotamento na auto estrada M11, próximo a Crambrige. A princípio foi encontrado em meio às ferragens o corpo de uma mulher de aproximadamente 60 anos, ela estava no banco de carona e foi resgatada sem vida. Ainda não temos informações sobre o empresário. Os bombeiros seguem no local com o resgate e busca, pois o que nos foi passado até este momento é que o corpo do empresário ainda não foi localizado, pode ter sido arremessado na colisão, pois haviam sinais de que o cinto de segurança estava solto. E próximo ao local do acidente, existe um pequeno córrego, portando as buscas continuam.”

- Não encontraram ainda, porque a terra o engoliu ou garanto que o desgraçado foi direto pro inferno... Só pode. – comentou indignada.

- Ai meu Deus, . Tenho certeza que era a Lydia... – pus minha mão próxima à minha boca. – Não estou acreditando... Que sensação ruim que me deu. – senti meu coração gelar. - Apesar de tudo que aconteceu, isso é horrível. – ... Eu não tinha te contado, mas a Lydia era mãe do Albert.

- O quê? – ela arregalou os olhos. – Como assim? E aquilo lá tinha mãe por acaso? – continuou sendo sarcástica.

Continuei a contar tudo para até o momento em que a enfermeira entrou no quarto para dar meus remédios. Logo que ela deixou o quarto, para minha surpresa Richard apareceu por ali. Ele estava com seu semblante abatido e entrou calmamente no quarto. Olhou para o lado, visando a televisão e depois voltou sua atenção à mim.

- Vejo que já ficaram sabendo... – ele se referiu ao acidente. – Eu estava a caminho do hospital quando me ligaram da Modest.

- E já o encontraram? – antecipou a minha pergunta.

- Ainda não... – balançou a cabeça. – Eu ainda estou em choque. Apesar de todos os últimos acontecimentos, foram anos trabalhando lado a lado com Albert, sabe? – baixou o olhar.

Eu estava me sentindo péssima, por naquele momento não estar sentindo nada, simplesmente um desejo mórbido de que a notícia de que o encontraram sem vida aparecesse na televisão.

- Mas, . – Richard voltou a me olhar. – Ligaram avisando que você iria ter alta, por isso resolvi vir te buscar. Sua vida já está muito exposta e não queremos que ninguém te veja nesse estado, é demais para esses últimos dias. Não posso virar as costas para você nesse momento. – ele se aproximou da cama e gentilmente passou a mão pelos meus cabelos. – É... Acho que o Albert já pagou pelo que fez com você... – respirou fundo. - E sinto muito por tudo isso. Nunca imaginei que tudo acabaria assim. Mas o que tiver ao meu alcance, farei para te ajudar, pode ter certeza disso, está bem? Espero que me perdoe por eu ter pensado apenas na Modest...

Eu estava muito fragilizada e sem conseguir pronunciar uma palavra, meus olhos encheram-se de lágrimas, pois fui tomada por um sentimento de alívio misturado com uma mágoa, junto com as dores e o esgotamento de tudo, não havia o que falar naquele instante. Apenas me calei e deixei algumas lágrimas rolarem, transbordando toda essa mistura de sentimentos acumulados.

Assim que o carro parou em frente a minha casa, insistiu para ficar, mas eu notava o cansaço estampado em seu rosto, ela estava tão esgotada quanto eu.

- Eu vou ficar bem, . Vai para casa. - Ela já havia feito tudo que podia por mim e necessitava descansar. – Juro que se eu precisar eu ligo.

Despedi-me dela e o motorista do Richard a levaria em seguida para sua casa.

Assim que entrei em meu apartamento, cruzei reto até o banheiro, sentia que eu precisava urgente de um banho.

Aquele banho acabou me relaxando um pouco. Saí do chuveiro e com certo cuidado me enrolei na toalha. Tudo havia acontecido tão rápido e eu ainda não havia assimilado tudo.

Passei a mão pelo espelho embaçado e comecei a me olhar mais detalhadamente. Os hematomas, meu olho estava um pouco inchado e contei os pontos que haviam em meu supercílio.

- E esse foi o estado em que Albert me deixou. - Pensei, enquanto continuava a me analisar calmamente. Passei os dedos pelo meu rosto e meu lábio estava parcialmente inchado e possuía um pequeno corte no canto. Parecia que hoje a dor havia se alastrado por todo corpo. Meu olhar desceu para até minha coxa onde possuía um grande hematoma. Ao respirar minhas costelas doíam muito. Por cima da toalha, mais uma vez toquei minha barriga, um nó formou-se em minha garganta e senti meu peito apertado. Respirei fundo e ao encarar mais uma vez o meu reflexo, era como se eu pudesse novamente sentir a pressão dos dedos de Albert em meu pescoço, a lembrança daqueles olhos vidrados de ódio não saiam da minha mente. Balancei a cabeça na tentativa de me livrar de todas aquelas imagens da noite anterior, tudo que eu queria era conseguir esquecer de uma vez. Albert estava morto, nunca mais o veria na minha frente, aquele filho da mãe nunca mais me atormentaria ou iria encostar um dedo em mim. E tudo se resumia a nojo, não tinha um pingo de pena pelo que havia acontecido com ele, inclusive de certa maneira achava tudo meio injusto, queria vê-lo sofrer, pagar realmente de fato por tudo que me fez passar. Virei o rosto, pois não conseguia mais me olhar desse jeito naquele espelho, não me reconhecia, aquela não era eu.

Agora com a cabeça um pouco mais “tranquila”, finalmente peguei o carregador e coloquei meu celular na tomada. Eu precisava ligar para o Liam, pois as últimas palavras que trocamos foram para combinar do nosso jantar, precisava avisá-lo que estou bem, na verdade não tão bem assim, mas precisava dizer algo a ele.

Logo que liguei o dispositivo, apareceram milhares de mensagens, muitas eram do Liam e até do Harry. Não abri nenhuma e sim procurei o contato “L. SOS”, até hoje não havia mudado o nome na agenda. Antes de apertar em discar, perdi a coragem e larguei o celular no criado mudo. Não podia chama-lo até a minha casa, não queria que o Liam me visse nesse estado. Só que ao mesmo tempo eu precisava esclarecer sobre a Sophia ter atendido seu celular, aquilo estava me perturbando. Que indecisão desgraçada.

Enquanto tentava recuperar minha coragem, resolvi me arrumar, pois precisava sair para pegar os remédios que o médico tinha receitado.

Havia uma farmácia na quadra ao lado. Peguei minha bolsa, coloquei os óculos escuros e deixei os cabelos soltos no rosto, tudo para tentar disfarçar ao máximo os hematomas.

Entrei na farmácia e tentei me manter o mais tranquila que pude, para não chamar a atenção. Como era horrível ter a sensação que tem alguém seguindo você ou de estar sendo vigiada, um medo constante estava pairando sobre mim. Tudo isso era muito angustiante, só queria voltar o mais rápido possível para casa, sem que ninguém me fotografasse. Infelizmente tive que tirar os óculos para poder me dirigir ao caixa e por mais maquiagem que eu havia passado por cima, meus machucados eram muito recentes e visíveis ainda.

Notei que a caixa tentou disfarçar, mas consegui perceber o seu olhar de pena pousando em mim. Ela foi guardando minhas compras sem pronunciar uma palavra, apenas me observava discretamente.

- Eu sofri um acidente. – Não sei por que tive a necessidade de me explicar para uma estranha.

- Tudo bem... – Ela respondeu um pouco acanhada. – Tenha um bom dia e melhoras. – falou ao me entregar meu pacote.

Recoloquei meus óculos e segui meu caminho de volta ao apartamento.

Fechei rapidamente a porta, as cortinas e me isolei novamente. Não queria mais precisar sair dali e ter que receber esses olhares de pena novamente.

Passei pelo menos uns dez minutos encarando meu celular, para finalmente decidir ligar para o Liam, mas antes mesmo de dar o primeiro toque, ouvi a campainha tocar. Larguei o celular de volta e caminhei lentamente até a porta, pensando em quem poderia ser àquela hora. Conhecendo bem minha amiga, o mais provável era que fosse a , para checar mais uma vez como eu estava. Depois da morte de seu irmão ela ficou mais superprotetora do que já era.

Por precaução, passei a correntinha na porta e abri lentamente, afinal algum repórter poderia ter me seguido.

- Liam? – me assustei. - Oi! – tentei jogar rapidamente mas de forma discreta meu cabelo para tapar meu rosto.

- , finalmente... Passei a noite toda tentando entrar em contato e... – ele parecia afobado e sua voz transparecia bastante preocupação. – Saí o mais rápido do ensaio assim que a me avisou que você estava em casa. O que aconteceu? – ele deu um passo a frente aguardando eu abrir por completo a porta.

- Liam, eu estou bem. – continuei tentando me esquivar por entre o vão da porta, ainda não havia soltado a correntinha. A ia me ouvir depois. - Preciso que confie em mim. Não aconteceu nada, eu resolvi me afastar por um tempo, por causa dos rumores. – Eu era péssima em esconder a verdade, mas eu estava me sentindo humilhada o suficiente para que ele soubesse o que de fato aconteceu. Eu precisava achar um meio de fazer ele ir embora.

- Como assim? Do que você está falando? – Franziu a testa. - Íamos jantar ontem, esqueceu? – sua voz demonstrava agitação. – O que está acontecendo? Por que não abre a porta? – Olhou extremamente preocupado para o lados e a sua volta.

- Eu preciso ficar sozinha... – minha voz estremeceu um pouco e respirei profundamente.

- , me deixa entrar... – ele segurou a borda da porta. - Seu lábio está cortado? – perguntou assim que começou a me observar com mais calma. – Pelo amor de Deus, o que aconteceu, ? – sua preocupação ficou ainda mais aparente naquele instante. Tentei esconder mais um pouco, mas era impossível, somente colocando um saco na minha cabeça. – E o seu olho? Preciso saber o que aconteceu e eu não vou sair daqui. – proferiu de maneira firme.

Eu não tinha saída, precisava deixar ele entrar, antes que realmente do nada surgisse algum paparazzo e aí sim seria muito pior.

- Está bem, Liam. - Soltei o ar em rendição. - Só afasta a mão, não quero prender seus dedos na porta. – fechei a porta para soltar a corrente e então abri para deixa-lo entrar.

Liam rapidamente entrou e fechou a porta atrás dele.

- O que foi isso? – arregalou os olhos e sua respiração estava descompassada. Ele aproximou sua mão afastando meus cabelos do rosto, revelando a agressão de Albert. Eu só conseguia encarar meus pés, não tinha coragem de olhá-lo nos olhos e contar a noite de terror que passei. – O que aconteceu? – ele perguntou mais uma vez, com a voz mais baixa, fazendo com que ao ser questionada mais uma vez, eu desabasse em lágrimas.

Ele então delicadamente me puxou para perto e me abraçou, meu rosto colou junto ao seu peito e enquanto minhas lágrimas escorriam, fechei meus olhos e solucei. Pude então sentir a respiração de Liam extremamente acelerada. O conforto daquele abraço fazia com que eu me sentisse segura, era meu refúgio, mas ao mesmo tempo temia da sua reação no momento em que eu contasse tudo, mas tudo mesmo.

- Você está tremendo... , por favor, me diz o que houve. – sua voz saiu rouca. – Você está me deixando assustado.

- Eu vou... – em meio ao choro minha voz saiu abafada, por ainda estar encostada em seu peito. - Te contar. – afastei meu rosto enxugando de leve minhas lágrimas com a ponta da manga da minha camisa. Liam me encarava apavorado.

Ele me acompanhou até o sofá e assim que me sentei pedi para ele pegar uma pastinha médica que eu havia deixado em cima da mesa. Ali continha desde o primeiro ultrassom até os últimos exames.

- O que é isso? – estreitou as sobrancelhas e me olhou.

- Senta aqui e lê o que tem dentro, assim vou conseguir contar. – meu estomago estava embrulhado e eu estava um pouco apreensiva.

- Quer dizer que... – sentou-se e começou a ler e então ele me olhou novamente, mas agora um pouco espantado. – Você está grávida? É isso?

- Eu ia te contar no jantar, mas... – baixei meu olhar. – Não deu tempo e... – com olhos marejados voltei a encará-lo. – Não estou mais. – respirei profundamente. - Melhor dizendo, não vamos mais ter um bebê. – novamente um nó formou-se em minha garganta.

- , como assim? – ele balançou a cabeça. – Espera... Isso não tem a ver com o Albert, não é mesmo? – sua irritação estava estampada em seu olhar naquele instante. – Por que eu juro... – travou seu maxilar.

- Liam... – baixei o olhar, como resposta da sua pergunta.

- Eu sabia! – Liam passou a mão pelos cabelos, juntando suas mãos na sua nuca. – Aquele desgraçado... – ele encarava a pasta de exames que ainda estava em seu colo. - Se ele ainda não foi pro inferno eu mesmo irei manda-lo pra lá. – ele soltou o ar pesadamente e quando ele voltou seu olhar a mim, pude notar aqueles olhos castanhos que sempre transmitam alegria, naquele momento era nítido ver raiva e tristeza através deles. – Ele fez tudo isso? – passou o dorso de sua mão pelo meu rosto. E eu apenas balancei a cabeça positivamente.- Eu... – Liam respirava alto. – Nunca desejei a morte de alguém como estou desejando agora, que encontrem logo o corpo desse infeliz. – um lágrima rolou pelo seu rosto. – Não consigo acreditar... Eu sinto muito... E-eu... – sua voz saiu falha. – Eu queria muito poder fazer algo. Eu não sei o que eu posso fazer para ajudar.

- Liam, tudo isso dói muito. Apenas me abrace, por favor... – rapidamente ele me segurou firme e me puxou para um abraço caloroso, era incrível como aqueles braços me faziam me sentir tão protegida. Deitei minha cabeça em seu peito e uma de suas mãos acariciava meus cabelos, a tala em seu braço não mais atrapalhava em nada. Fechei meus olhos para sentir mais intensamente aquele carinho. Era tudo que eu precisava naquele instante, não queria que nada estragasse esse momento. De onde vem toda essa segurança que ele transmite, ele me acalma e me dá a esperança de que amanhã será diferente e de que tudo será melhor.

O silêncio reinou por alguns longos minutos, quase me fazendo adormecer em seus braços. Suspirei e então abri meu olhos novamente e afastei meu rosto, mas sem me desfazer de seu abraço. – Me beija e me faz esquecer todo esse sofrimento. – Ele juntou nossos lábios suavemente, mas cheio de necessidade. O meu coração palpitava e a dor se fez inexistente nesse instante, só o calor e a maciez de seus lábios encostados nos meus, anestesiavam qualquer dor que eu pudesse sentir. Toda a falta que eu sentia de seus beijos falava mais alto, seu toque, a intensidade daquele beijo revelava que a saudade era mútua e todo aquela dor e tensão dentro de mim começaram a se dissolver. Fui obrigada a interromper o beijo, por conta do toque incessante do meu celular.

- Deixa que eu pego pra você. – Liam prontamente levantou-se e pegou o aparelho. Ele olhou para a tela e franziu a testa. – É o Richard. – me alcançou o celular.

Atendi o mais rápido que pude, afinal poderia ser alguma informação importante. A notícia que eu estava aguardando, a confirmação da morte do miserável do Albert.

- Alô, Richard?

Depois de finalizar aquela ligação, larguei o celular no canto do sofá, ainda sem acreditar nas palavras que havia ouvido do Richard.

- E então? O que o Richard queria? – Liam perguntou apreensivo.

- Fizeram buscas por toda a região e... – respirei fundo. – Nenhum sinal do Albert.

- Não é possível... Ele não pode ter sobrevivido eu vi as fotos... As fotos do carro. Não pode... – Liam começou a caminhar de um lado para o outro. – Eles têm que encontrar, ele não pode ainda estar soltou por aí.

- A polícia também está atrás dele e amanhã irão fazer mais algumas buscas, mas só para se certificarem. – Eu não conseguia esboçar nenhuma reação. A chance de Albert estar ainda vivo e rondando por aí me causava repulsa, indignação, ódio, muitos sentimentos ruins ao mesmo tempo. Apenas um sentimento não predominava mais em mim em relação ao Albert, o “medo”. A raiva que eu tinha só de imaginá-lo na minha frente era muito maior eu apenas precisava estar preparada dessa vez.

Continua...

Nota da autora: E aí garotas, já vou começar a nota me desculpando pela demora, mas esses últimos meses foram corridos para mim (bastante trabalho) e teve um agravante maior que tenho que confessar que quase, quase mesmo, desisti de Happily, mas a inspiração demorou, mas finalmente ela voltou. Em relação a esse capítulo que foi reescrito mil vezes, espero que tenham gostado e já iniciei o capítulo 26 para tentar ao máximo não demorar toda essa eternidade para atualizar nunca mais! Acho que era isso, não esqueçam de comentar, dar palpites, isso ajuda bastante. Bjãooo e até a próxima atualização.

GRUPO: [Happily]
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