Autora: Lena B. | Beta: Ste Pacheco | Capista: Belle

Capítulos:
| 01 |

Esta página possui conteúdo indicado para maiores de 18 anos. Se você for menor de idade ou estiver acessando a internet de algum país ou local onde o acesso a esse tipo de conteúdo seja proibido por lei, NÃO PROSSIGA. O Ficcionando não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias postadas no site e nem por quem tem acesso a elas.

Capítulo 1

Mais uma vez checava seu relógio de pulso, reparando que o ponteiro dos segundos estava demorando séculos para passar o tempo. Suspirou fundo, balançando a cabeça e tentando afastar qualquer pensamento sobre qualquer outra coisa que não fosse aquela maldita reunião. Sua cabeça latejava forte, os olhos pulsavam, como se pudessem saltar para fora das órbitas. Estava passando por uma de suas piores crises pós-bebedeira. Porém, ainda tinha uma imensurável sede de Whisky.
- Senhor ? – Uma voz o chamou, e não parecia que era pela primeira vez. Redirecionara o olhar para sua secretária, Amber. – O senhor está bem? Precisa de alguma coisa? – Ela realmente parecia preocupada, o que o fez pensar no quão ruim seu rosto poderia estar.
Sempre tão prestativa e nada, nada atrativa, pensou, sentindo-se um misógino e lembrando da primeira pessoa que o chamara daquele jeito. Cara, havia muito que não pensava no passado ou com quem o dividira.
- Estou bem, obrigado, Amber. – Agradeceu a jovem garota, vendo-a assentir, ainda lhe entregou um envelope pardo e se retirou, provavelmente de volta para sua mesa, mas, mais ainda, certamente acabaria na copa comunitária para os funcionários, flertando com os estagiários.
- Senhores – Começou Mr. Parker, o diretor de marketing da Enterprises, chamando a atenção de todos mais uma vez, que até então reverberavam seus ideais, todos ao mesmo tempo. Seria impossível entender o que qualquer um deles estivesse falando. – Posso presumir que estão de acordo com a campanha apoiando energia eólica alternativa? – Questionou, erguendo sua sobrancelha cinza devido à sua idade. Fitou a todos e naquele momento todos possuíam a mesma expressão. Dificilmente alguém iria negar uma proposta daquelas, a própria empresa tinha como incentivo a preservação da natureza e a todos praticarem meios mais ecológicos.
Todos assentiram sem discutir. E as últimas palavras, como de praxe, ficariam a mercê de . Ele, por sua vez, cedeu-as a Mr. Parker. assistia todos sem dizer uma única palavra, muitos lhe lançavam olhares de soslaio, era realmente estranho, o Diretor sempre dava sua opinião em relação ao que era sugerido em todas as reuniões, porém, naquele dia, estava com a cabeça cheia e seu único pensamento era um copo de whisky em sua mão, e ele ansiava por aquilo desde que sentara naquela cadeira de couro.
- Senhor ? – Mr. Parker o chamou, vendo-o fitar o nada e logo mirou seus olhos castanhos no senhor de idade. Soube de início que não conseguiria escapar dele. – O senhor concorda conosco? – Desde que dera o cargo de Diretor de Marketing, Parker havia feito um trabalho excelente.
- Concordo com a proposta, Parker, acho que assim o feito, encerramos a reunião? – Disse, com um sorriso amarelo que, para ele, dizia quero sair daqui o mais rápido possível.
Todos levantaram-se de suas cadeiras e se cumprimentaram com um aperto de mãos e logo cada um seguiu seu caminho para fora da sala de reuniões.
dirigiu-se para a porta, dizia um breve adeus a cada um que lhe desejava um boa noite. Antes que pudesse dar um passo para fora, seu braço fora puxado e ele vira Parker o encarando seriamente.
- , quero compreender, o que está acontecendo com o você? Normalmente você está sempre expondo sua opinião e de uns tempos para cá você não diz uma única palavra durante uma reunião. O que está havendo? Está com problemas em casa? – Parker interrogou-o, deixando sua voz baixa para que ninguém do lado de fora pudesse ouvir, pois as portas de vidro não vedavam a possibilidade de alguém ouvir o que se passava lá dentro.
- Está tudo bem, Parker – assegurou. – Estou apenas cansado, pois acabei de voltar de Manhathan e não tive tempo para descansar.
Parker o encarou por alguns segundos como se não tivesse satisfeito com a resposta que lhe foi dada, mas em seguida deu ombros, não querendo contradizer seu chefe.
- Tudo bem então – Parker disse, por fim relaxando os ombros. – Tire uma folga, você está precisando.
riu fraco do homem e o viu saindo da sala de reuniões, seguiu-o, mas foi por outro lado a fim de ir até o estacionamento e pegar seu carro.
O percurso do elevador até o carro fora muito pensativo, pois estava realmente pensando numa possibilidade de tirar uma folga por uns dias, talvez Parker estava certo.
entrou em seu carro, relaxando suas costas na poltrona confortável que seu Audi R8 preto tinha, suspirou fundo, imaginando para onde ele deveria ir sem que fosse a sua casa.
Ligou o motor de seu carro, saindo do estacionamento escuro de sua empresa e direcionou-se para um bar que ele não se recordava o nome, mas já ficara até tarde sem motivo nenhum naquele mesmo lugar, só para colocar seus pensamentos no lugar e quando chegasse em casa talvez Heloise já estivesse dormindo e não quisesse retomar a discussão de mais cedo.
Adentrou o bar depois de deixar seu carro estacionado na frente do prédio com luzes roxas florescentes que destacavam o nome do bar, mas ainda assim não conseguia decorar o nome.
Logo sentou-se num dos bancos altos, procurando com o olhar o barman, mas o mesmo parecia estar mais interessado em fazer graça com algumas mulheres que haviam tido a mesma ideia que .
Bufou, revirando os olhos e tentando ter alguma ideia útil que pudesse fazê-lo pegar seu tão desejado whisky.
- Ei, cara, está tentando pegar alguma coisa? Se eu fosse você, desistia – pôde ouvir uma voz soar ao seu lado, assustando-o. Encarou um homem que aparentava ter seus vinte e oito anos e com seus olhos azuis fitava de forma divertida. – Aquele barman é péssimo para atender os caras, é evidente que irá levar alguma daquelas garotas para casa depois do expediente, eu o invejo, mas não sei fazer malabarismo com garrafa e o único copo que eu encho é o meu. – riu.
- Alguma sugestão para conseguir uma bebida nesse bar? – Perguntou, um tanto impaciente, ele achou o homem amigável, mas a sua sede por um whisky falava mais alto.
- Eu tenho uma tática, espere aqui – O rapaz sumiu entre tantas pessoas que não notara antes.
Viu-o entrar atrás do balcão em que aquele mesmo barman se encontrava e, mesmo que o homem que não descobrira o nome ainda estivesse lá e não trabalhasse no recinto, o barman nem dera importância, pois sua atenção estava centrada nas três garotas que conversavam animadamente com ele.
- O que vai querer? – O homem apareceu novamente já na frente de , com sobrancelha erguida. – Eu mesmo irei pegar uma vodka pura, pois não estou afim de voltar para casa totalmente sóbrio.
- Um copo de whisky, por favor – pediu, vendo o homem agarrando uma garrafa com um líquido meio amarelado e enchendo um copo, logo entregou para .
- Nem lhe perguntei. – O homem atrás do balcão falou, enchendo outro copo com a vodka que ele havia mencionado. – Qual o seu nome, cara? E por que diabos está vestindo um terno?
bebericou sua bebida, apreciando por alguns segundos o sabor, achando graça do papo do outro cara, e tão logo voltou seu olhar para ele novamente.
- Sou . – Disse, estendendo a mão. – E o terno, bem, não me deixaram ir trabalhar de pijama hoje... E nem nunca. – O outro cara ria, devolvendo o aperto de mãos. – É uma droga ser adulto.
finalizou seu copo e o homem encheu-o novamente.
- ? ? – Ele murmurava, mais para si mesmo. – Não me é um nome estranho, você por um acaso não teria nada a ver com a Enterprises?
- Para bem ou para mal, tenho tudo a ver. – erguera as mãos para cima em sinal de rendição.
- Pois bem, já ouvi falar muito sobre você e sobre sua empresa ecológica – O homem riu – Meu nome é Nicholas Hoult, mas me chame de Nick, acredito que facilita a vida de todo mundo, é sério.
- E você? O que faz, Nick? – perguntou, se arrependendo de imediato, acreditava que soara um tanto presunçoso. Maldita falta de contato com outros seres humanos de sua idade.
- Sou advogado, curto defender pessoas que realmente merecem justiça – Hoult disse, abrindo um sorriso de canto. – Então, cara, se precisar demitir alguma funcionária e ela tiver peitos do tamanho de duas bolas de futebol, mande o meu número, adoraria fazer a justiça por ela, se é que você me entende. – Nicholas falou, tirando uma gargalhada de .
Os dois homens ficaram conversando por mais algumas horas, aparentemente até tarde, pois logo Nicholas tivera que atender um telefonema e disse que precisava ir embora. Despediu-se de com um breve aperto de mãos e novamente sumiu do campo de visão de .
Tendo a mesma ideia, deixou algumas notas em cima do balcão, esperando que algum funcionário o pegasse e retirou-se do recinto sentindo-se um pouco leve.
Mais uma vez entrou em seu carro e dirigiu-se, desta vez, para sua casa. Começou a se questionar se Heloise ainda se encontrava acordada esperando-o, ou talvez tivesse desistido de esperá-lo e resolvera dormir.
Parou seu carro dentro de sua garagem, que àquela hora estava escura demais e fora obrigado a usa a lanterna de seu celular para guiá-lo até dentro de casa.
- Heloise? – a chamou da porta da cozinha, esperando que tivesse alguma resposta da esposa.
Por alguma razão, não recebera nenhuma resposta.
Tateou a parede de ladrilhos procurando o interruptor e quando finalmente o encontrou, ele acendeu a luz, acostumado com a escuridão que sua casa emanava, tivera que fechá-los automaticamente para habituar-se com a claridade.
No momento em que conseguira estabilizar a sua visão, encontrou com o olhar a gaveta de talheres completamente escancarada, haviam alguns talheres ainda no chão esperando para serem colocados em seu devido lugar.
franziu a sobrancelha, achando um pouco anormal, mas bufou, deixando-os no chão, estava com a sua cabeça matando-o e mesmo que tomasse várias aspirinas, nada acontecia.
Tentou procurar novamente sua mulher, andou pela sala, vendo-a do jeito que deixara de manhã quando saíra para o trabalho, só faltava o seu gato que tinha com Heloise estar deitado ronronando enquanto se esticava pelo sofá. Percorreu o corredor que tinha ao lado da escada e que levava ao andar de cima, abriu a porta que ia para os fundos da casa e dera uma rápida olhada para ter certeza de que sua esposa não estaria no balanço outra vez encarando a noite sombria e quando a chamasse, ela viraria seus olhos escuros como a própria noite e abriria um sorriso simpático, com seus lábios pouco avermelhados.
- Voltou cedo, amor.
Mas, como previsto, apenas via a escuridão que aquela noite exalava e o balanço que se movia para frente a para trás, de acordo com a vontade do vento.
Bufou e deu meia volta, fechando a porta atrás de si, sua cabeça permanecia latejando fortemente e fez com que colocasse uma de suas mãos no lugar que ele supunha que poderia ser onde estava dolorido.
Subiu as escadas, ainda com a mão em sua cabeça ao mesmo tempo em que continuava a chamar Heloise e novamente não tivera resposta nenhuma.
Deu uma rápida olhada no escritório que Heloise tinha, aquela espécie de escritório era mais uma “pequena biblioteca”, pois havia prateleiras e mais prateleiras lotadas de livros de vários gêneros, cores e etc. Para sua infelicidade, mais uma vez bufou por não a encontrar, apesar de que Heloise passava a maior parte de seu tempo lendo livros. achava interessante o fato dela gostar de ler, já ele não considerava uma de suas atividades favoritas.
Quando foi de encontro à porta de seu quarto, notara que ela estava entreaberta e era possível ver que a luz dentro do quarto estava acesa, fora então que imaginou que Heloise poderia não ter ouvido seu chamado, apesar que aparentava estar gritando a plenos pulmões por ela.
- Heloise? Querida? Estava te procurando, achei que tinha desaparecido, que susto você me deu... – Dizia, enquanto abria a porta, mas quando seu olhar encontrou com sua cama vazia, sentiu um aperto dentro de si. Onde diabos Heloise podia estar?
Sua cama king size que dividia com a esposa, estava totalmente bagunçada, o que era estranho, pois Heloise fazia o possível para deixá-la sempre impecável quando ela ou o próprio levantavam da cama, dois dos quatro travesseiros que sempre permaneciam na cama estavam jogados pelo quarto, o lençol tinha alguns rasgos que passava a mão, tentando pensar como aquele tecido havia conseguido aquelas marcas.
Então notou mais uma coisa errada.
No tapete haviam alguns pingos vermelhos, poderiam ser qualquer coisa, até mesmo a própria Heloise poderia estar em seu período menstrual ou ela novamente havia decidido dispensar sua empregada e resolvera tentar mais uma vez fazer o molho que ela vivia dizendo que era uma especiaria de sua família, então levara juntamente com salgadinhos para o quarto a fim de assistir algum filme na televisão, mas ainda era suspeito o fato de ainda não ter visto sua mulher ou ouvido sua voz desde que chegara. Ela fazia questão de esperá-lo no alto das escadas para recepcioná-lo, fosse com beijos ou xingamentos.
Dando ombros, achando que talvez ela pudesse ter saído e não quis avisá-lo, coisa que estava tornando rotina, resolveu tomar um banho quente antes de se enfiar debaixo de suas cobertas, mas antes trocara o lençol rasgado e colocara os travesseiros no lugar onde pertenciam.
Achando que agora estava tudo em seu devido lugar, andara até a porta do banheiro e antes que pudesse abri-la, sentiu um cheiro terrivelmente metálico, que fizera seus olhos lacrimejarem, cheirou a si próprio, achando que poderia ser um odor de suor que ele havia adquirido durante o dia inteiro longe de casa, mas ele estava emanando o mesmo aroma do perfume que havia passado de manhã mais cedo. Dando de ombros, escancarou a porta do banheiro de uma vez e surpreendeu-se com a luz do mesmo acesa.
Aquilo também não era normal.
Levou seus olhos para os dois lados do banheiro: a parte onde havia a banheira que tinha uma cortina azul bebê cobrindo-a, o chuveiro; o outro lado com a pia com a bancada de mármore e o vaso sanitário.
Ignorando novamente seus pensamentos de que algo anormal estava acontecendo naquela casa, começou desabotoando sua camisa social e a jogando no cesto de roupas sujas, juntamente à sua calça. Jogou os sapatos num canto do banheiro, colocando ao lado suas meias pretas. Quando já estava apenas com sua boxer, abriu a cortina da banheira de uma vez só, e por Deus, como desejaria que não o tivesse feito. surpreendeu-se com o que estava em sua banheira, seus olhos arregalaram-se e o cheiro, que antes havia sentido quando estava na porta do banheiro, veio forte ao encontro das narinas de , fazendo-o tampá-las.
Heloise estava na banheira com a sua cabeça tombada para direita e os seus cabelos caramelos tampavam a visão de seu rosto. Seu frágil corpo boiava na água avermelhada e dava para notar as várias marcas de cortes por todo seu corpo, agora branco como papel.
saiu rapidamente do banheiro, tateando por um telefone no bolso de sua calça e quando o encontrou digitou depressa os números que quase nunca utilizava e pedia involuntariamente que assim que o ligassem viessem o mais rápido possível.
Ainda que estivesse apenas de boxer, colocou uma roupa qualquer e deixou sua casa, sentando-se nos degraus que havia em frente à porta de entrada. Ele sentia que poderia chorar a qualquer momento e o cheiro metálico persistia e aquilo estava lhe dando vontade de vomitar.
Foi então que tivera um flashback de tudo que ele e Heloise haviam feito juntos desde que se conheceram no colegial até o momento em que subiram no altar prometendo amarem-se até a morte.
Até a morte.
Pensar nisso fora como uma facada no peito de , a dor da perda de sua esposa era enorme, ainda que estivessem tendo desavenças durante os últimos meses, mas ainda a amava e não queria que seu fim fosse daquela maneira, na verdade, desejava que a mulher ainda estivesse junto dele, o xingando por chegar tarde, berrando com ele por sua falta de consideração por tudo que ela fazia para tentar manter o casamento saudável. Ele agora sentia falta de suas brigas.
- Senhor ? Sou o policial Steven, me conte o que houve com a sua esposa – O policial falou, fazendo sair de seus devaneios e fora então que notara a presença de inúmeros policiais em seu gramado e seus carros com as sirenes vermelhas e azuis acesas.
explicou o mínimo ao policial sobre o que houvera e logo o viu se juntar aos outros, interditaram a sua casa, passando uma faixa amarela com os dizeres “cena do crime, não ultrapasse”. Os vizinhos se encontravam atrás da faixa amarela que transpassava ao redor da casa, tentando entender o que estava se passando.
Já haviam levado o corpo de Heloise para o IML e alguns outros policiais já haviam lhe feito algumas perguntas do ocorrido e de como havia encontrado a mulher e etc., respondeu o necessário, estava abalado demais para entrar em detalhes sobre o que havia visto em sua casa.
- ? – Ouviu uma voz masculina soar, até aquele momento tinha a cabeça enterrada em suas pernas, evitando as pessoas lhe verem com os olhos marejados. – , vim o mais rápido que eu pude, eu sinto muito pela Heloise.
levantou sua cabeça e encontrou os mesmos olhos azuis que ele mesmo possuía, assim como o cabelo e um pouco do formato do rosto também. conhecia ele por Theodore , seu irmão.
- Você já sabe? – o outro acenou a cabeça, concordando.
- Você está bem? – O irmão mais novo de perguntou, vendo o mais velho levantar-se da calçada e abraçá-lo como se precisasse de consolo. – Eu realmente sinto muito pela Izzy – Theodore falou, chamando a esposa de pelo apelido que eles haviam colocado na mulher, era referência do ex-guitarrista da famosa banda Guns n’ Roses, Izzy Stradlin, da qual Heloise era bastante fã.
- Obrigado, cara. – se soltou do irmão e voltou a encarar sua casa. – Não estou sabendo lidar com tudo isso.
Tentou imaginar em qual planeta ele iria ver sua casa sendo cena de um crime e ainda por cima envolvendo a sua mulher.
- Fica calmo, – Theodore pediu. – Eu realmente não sei como você está se sentindo, mas imagino que deva ser a mesma dor que eu senti quando nossa avó morreu.
Sim, Theodore estava certo.
Na época em que ambos ainda estavam na escola, sua vó viera a falecer devido ao câncer de pulmão que ela vinha batalhando para vencer, mas para a infelicidade da família a doença a venceu. gostava de sua avó, mas não era tão ligado a ela quanto Theodore, o mais novo deveria ser seu neto preferido. Quando noticiaram o falecimento de sua avó, Theodore entrou numa espécie de depressão que só fora tratada depois de longas terapias.
Durante o tempo que ficou na calçada, sempre espiando onde os policiais estavam, o policial que se apresentou como Steven pediu gentilmente para que o acompanhasse até a delegacia. assentiu e pediu ao irmão para ir também, já sabendo que Theodore iria mesmo que não pedisse.
Logo Steven deixara só numa sala que tinha apenas três cadeiras e uma mesa, já vira uma sala como aquelas nos seriados policiais que ele assistia de vez em quando e por um segundo sentiu-se no lugar de ladrões, traficantes, se considerou uma pessoa que desrespeita a lei.
Tentou afastar aqueles pensamentos e focou apenas em suas mãos, que no momento estavam suando, parecia que havia corrido uma maratona e suas mãos precisavam urgentemente serem limpas. Tentou disfarçar, limpando na calça jeans escura que ele usava.
- Senhor ? – Uma voz feminina preencheu o ambiente, fazendo virar sua cabeça para a porta. – Sou a detetive Samanta e sou responsável pelo caso de sua esposa. – A policial era loira, aparentava ter seus trinta e cinco anos, seu rosto era quadrado e tinha olhos azuis que expressavam serem amáveis. Samanta fora seguida por um homem que usava o mesmo distintivo que a policial, mas ele tinha uma feição mais antipática. Seu cabelo era ralo e seu rosto era preenchido por uma enorme barba castanho escura, ele tinha seus braços cruzados e um olhar penetrante. – Esse é o meu parceiro, detetive Frank. – O detetive assentiu com a cabeça, fazendo imitar o gesto.
tentava manter a calma, escondia as mãos debaixo da mesa para não mostrar aos detetives que estava suando igual a um porco, detestava usar essa denominação, mas não havia outra em sua cabeça no momento.
Primeira regra que aprendera em seus seriados era que jamais demonstrasse estar nervoso, pelo contrário, acharão que está mentindo.
- Você já ligou para os pais de Heloise para avisá-los? – Samanta perguntou, mantendo sua voz gentil enquanto William parecia que iria socar sua cara a qualquer momento.
- Nem tinha me lembrado disso, mas acho melhor deixar para depois – explicou, dando ombros. Se ligasse para os sogros, eles surtariam e aquela seria mais uma preocupação para , ele queria manter-se longe de mais um tormento.
- Tudo bem então. – Disse Samanta, trazendo para cima da mesa uma pasta bege e abrindo a mesma. pôde ver de relance fotos do corpo de Heloise na banheira e aquilo o fez ficar um pouco tonto, tentava afastar aquela imagem da esposa, pois tinha vontade de devolver tudo que ingeriu durante o dia inteiro. – Está nervoso, senhor ? – Samanta perguntou, tirando seus olhos da pasta e fitando o homem, que aparentava estar passando mal ou coisa do tipo.
- Está sim, só ainda estou achando isso tudo muito estranho. – falou, sorrindo em falso.
- Ah sim, entendo – Samanta falou, também sorrindo, ela parecia ser amigável, diferente do detetive que estava sentado ao seu lado apenas olhando para . – Poderia responder algumas perguntas? – assentiu, vendo a mulher trazer para a mesa seu celular e viu também ela colocar no gravador. recostou-se na cadeira, tentando encontrar um jeito de ficar confortável. – Vou gravar essa nossa conversa, está bem? – O homem apenas murmurou um “tudo bem”, mas em sua cabeça ele só conseguia pensar que aquela era uma tática policial para ter certeza de que ele, no futuro, não mudasse sua versão da tragédia que acontecera. Talvez estivessem sugerindo que fosse o assassino de sua própria esposa. – Você e Heloise moram juntos há quanto tempo?
- Há quase dez anos. – pensou, sem nem ao menos contar o tempo exato que ele e Heloise dividiam a mesma casa.
- Dez anos? – Samanta perguntou, impressionada. – Desde muito jovens vocês moram juntos?
- Sim, desde que tínhamos dezoito anos. – falou.
- Do que Heloise trabalhava? – Interrogou-o, levando as mãos para a mesa e juntando-as.
- Ela havia feito faculdade de administração, ela era administradora da empresa da qual sou dono, mas uns meses atrás ela se ausentou no trabalho e depois não quis mais voltar. – Respondeu, vendo o parceiro de Samanta estalando os dedos, o som dos ossos sendo estalados fazia sentir um frio em seu estômago.
- E por que ela se ausentou?
- Eu não faço ideia, acredito que foi porque ela estava cansada de todos e eu não queria forçá-la a nada, então aceitei sua decisão. – falou, jogando seu corpo para trás a fim de apoiar seu tronco no encosto da desconfortável cadeira.
- Vocês não têm filhos, certo? – Samanta perguntou, e assentiu, passando a mão na franja de seu cabelo, tentando tirá-lo de cima de seus olhos. – E o que ela fazia em casa? Tinha algum hobbie?
- Eu não sei ao certo, mas quando eu voltava para casa depois do trabalho, ela sempre estava vendo algum filme, série, eu não sei. – Falou, pensativo. – Ela devia fazer várias coisas durante o tempo em que eu não estava em casa. – Disse, por fim.
- Certo, agora nos conte um pouco sobre a família de Heloise, eles moram por aqui? – Samanta interrogou-o.
- Moram no Brooklyn. – Respondeu, dando de ombros como se já houvesse respondido àquela pergunta anteriormente.
- Ela tinha uma boa relação com eles?
- Tinha, ligava quase toda semana para perguntar como estavam indo os estudos da irmã mais nova dela ou se a mãe já se recuperou do recém divórcio.
- Ela tem pais divorciados?
- Sim, eles separaram-se recentemente, logo após a mais nova ter entrado na faculdade. – respondeu, coçando a cabeça e imaginando de onde a detetive tirava tantas perguntas.
- Essa irmã mais nova de sua esposa – Pausa. – Elas se viam com frequência?
- Dificilmente, pois ela está cursando o ensino superior e não anda com tempo nem de respirar, segundo ela. – Disse. – Mas elas sempre combinam de se encontrar no shopping, cafeteria, restaurante. – respondeu, lambendo os lábios ressecados e vendo Samanta o fitar, parecia estar pensando em outra pergunta para o homem.
- Você acha que a Heloise desenvolveu alguma inimizade durante esse tempo em que mora com você? – Novamente pausa. – Digo, algum vizinho, algum colega de trabalho que ela possa ter tido algum desentendimento?
- E-Eu não sei, ela nunca me contou nada semelhante a isso que está me dizendo. – Respondeu, com um tom cansado. – Eu já posso ir embora? Eu realmente anseio tentar dormir.
- Tudo bem, senhor , agradeço a cooperação por hoje – A mulher falou, desligando celular que até então gravava tudo que era dito naquela sala. – Sinto muito pela sua esposa e espero que o senhor recupere dessa perda.
O parceiro de Samanta apenas murmurou um “cuide-se” e então virou as costas para os dois detetives e foi para fora da sala sentindo-se livre.
- Como foi lá, ? – Theodore logo apareceu com um copo de café. – Já podemos ir para casa? – assentiu, recebendo o copo que Theodore trazia consigo.
- Vamos logo, estou exausto.
- Certo, vamos então para a minha casa. – Theodore disse, andando ao lado do irmão pelos corredores da delegacia até encontrarem a saída.
Isso, não queria voltar para aquele lugar. Estava aterrorizado, queria que tudo aquilo fosse um pesadelo e ele tinha que acordar logo, alguém, por favor, me belisque, isso não pode ser real, pensou.
Tudo bem que ele e Heloise não estavam tendo uma relação boa desde uns meses anteriores, mas ainda assim a amava e muito.
Quando percebeu que chegaram ao apartamento de seu irmão, saiu do carro andando como quem não tem direção nenhuma, fora preciso que Theodore agarrasse seu braço e o guiasse até seu apartamento, que ficava no último andar.
Assim que adentraram na residência de Theodore, se jogou no sofá do irmão e cobriu mais uma vez o rosto com as mãos, deve ter ficado nessa posição por alguns minutos, pois logo ouviu o som dos sapatos que Theodore usava se aproximando.
- Eu sei que já devem ter perguntado a você isso várias vezes e sei que você deve estar detestando responder, mas me explique, o que houve? – Theodore perguntou, sentando na mesa de centro da sala. – Se não quiser responder, irei entender.
Theodore o compreendia como ninguém, era incrível o fato de terem uma pequena diferença de idade, mas o mais novo conseguia decifrá-lo com apenas uma olhada de canto e o fitando pelos mesmos olhos que lhe pertenciam.
retirou as mãos de seu rosto e sentou-se direito no sofá de couro do irmão com uma feição petrificada pela lembrança da assustadora cena que presenciou. Ele não queria dizer nada a Theodore, mas via um pouco de curiosidade nos olhos azuis que ele portava.
- E-Eu não sei o que houve – iniciou, com a voz embargada e parecia que ia soluçar a cada palavra que ele proferia. – Eu apenas cheguei em casa depois do trabalho e eu encontrei Heloise nua na banheira, cheia de sangue, a própria água da banheira estava vermelha, eu não sabia o que fazer a não ser ligar para a polícia, foi o que me ocorreu. – explicou, tentando manter a voz firme, como sempre fora.
- Você não está se culpando pelo que aconteceu a Heloise, não é? – Theodore perguntou, arqueando a sobrancelha. assentiu com a cabeça, voltando seu olhar para os seus pés, que estavam calçados por chinelos. – , por favor, a culpa não é sua! Como você saberia que a Heloise estaria morta quando você chegasse em casa?
- Não é por isso que estou me culpando – disse, soltando um muxoxo. – Eu estava fazendo daquele casamento um inferno, não dando a atenção que ela merecia, o amor que eu prometi dar no dia em que nos casamos. Eu estou me culpando pelo fato que acredito que Heloise tenha feito isso a si própria por estar infeliz comigo e ela não ter, talvez, coragem de pedir o divórcio, e-eu não sei, estou muito assustado ainda.
- Por que você pensa isso? – Theodore novamente questionou-o, desta vez o mais novo acreditava que poderia estar ainda muito perturbado pelo estado que encontrara Heloise em sua casa, possivelmente deveria ser pior do que a encontrar na cama com outro homem.
- Como eu falei, eu não estava sendo o marido que eu deveria ser – Disse, por fim, lançando sua cabeça para trás e apoiando-a no sofá.
Fechou os olhos como se quisesse descansar, mas sabia que não iria dormir.
- Tudo bem, vamos encerrar esse assunto e vamos dormir, você deve estar exausto – Theodore supôs, levantando-se e indo para um dos quartos. – O quarto de hóspedes está à sua espera, pode dormir lá.
, depois de mais um tempo sentado naquele sofá, ergueu seu corpo e fora ao quarto de hóspedes. Deitou na cama, aconchegando-se entre os vários travesseiros e o enorme edredom.
Olhou para o relógio que tinha no criado mudo e percebeu que eram três e meia da manhã, ou seja, dali algumas horas teria de levantar para trabalhar, mas os acontecimentos recentes em sua vida o fizeram pensar bastante e chegara à conclusão de que não iria trabalhar na manhã seguinte, ele tinha um enterro para planejar, um enterro que ele nunca esperou que teria de fazer.

Continua...

Nota da autora: Olá!
Primeira vez postando no Ficcionando, espero que tenham gostado do primeiro capítulo, pois eu mesma amei escrevê-lo ahahahahhahaha.
Eu sei que já aconteceu coisa demais logo no primeiro capítulo, mas logo mais vocês irão compreender tudo o que está acontecendo, okay? ❤
Até a próxima, babys ❤
XOXO

Nota da beta: Pobre pp. Encontrar a mulher morta assim deve ser tão horrível! Fiquei com meu coração apertado e super curiosa pra saber o que realmente aconteceu desde já. A história acabou de me conquistar no primeiro capítulo! haha. <3

Encontrou algum erro de português ou html/script? Me envie um email. Obrigada xx.