Autora: Aleh Vanessa | Beta: Duda Wimmer | Capista: Pamela

Capítulo 1

Você o odeia pelo simples fato de estar casada com ele, seu sonho era se casar como as princesas da TV desde muito pequena, mas nunca imaginou que sua vida fosse virar um "pesadelo". Casados não por vontade dele, mas sim por uma regra idiota da sua família antiga. Até onde você aguentaria chegar com essa história? E se simplesmente todo esse ÓDIO virasse amor?

É fácil amar alguém quando se está apaixonado e mais fácil ainda quando o sentimento é recíproco, mas e quando você entra na vida de alguém que você nem conhece? Ouvir falar dele todos já ouviram, mas imaginar que casaria com o cantor do McFLY nunca se passou pela minha cabeça. Ele é uma ótima pessoa, me trata da melhor maneira possível e eu, pelo contrário, só o respondo e o trato com patadas, todas as palavras e gestos da minha parte são ofensivos, foi o jeito que encontrei de me defender, estamos casados há três dias, na mesma casa, no mesmo lugar, no mesmo quarto, mas diferente de todos os casais normais que esperam pela lua de mel, eu só queria mesmo era que ele dormisse no sofá, sem contatos, aproximação, ou qualquer coisa do tipo e ele me respeitou. Estava mais uma vez amanhecendo e como os outros dias, eu olhava o amanhecer da sacada do nosso apartamento, a respiração pesada do podia ser ouvida por mim, ele não era de acordar cedo, já havia percebido isso, como nos outros dias ele dormiu em um colchão perto da minha cama, tinha pena dele e às vezes me pegava o olhando, mas só às vezes. Espreguicei-me, tentando me acostumar mais uma vez a ideia de estar casada, a aliança reluzia no meu dedo anelar na mão esquerda, arrumei a camisola e desci as escadas correndo. Durante a "lua de mel", a cozinheira estava dispensada esses dias, para nos dar mais privacidade, aí eu me pergunto: que privacidade? Nosso casamento é uma ilusão criada pelos nossos pais que não tinham realmente nada de interessante para fazer. Pude ouvir um barulho vindo do quarto, anunciando que o havia acordado e basicamente a tortura também, não que viver com o era um grande sacrifício, porque não era nenhum, ele é uma ótima pessoa e não merece uma idiota como eu.

- ? - Chamei-a ainda junto a escada.
- Aqui na cozinha.
Entrei na sala de estar e lá estava ela, com a camisola um pouco acima do joelho, marcando as suas curvas por ser um pouco apertada, estar casado nunca foi tão prazeroso e difícil de lidar. Nunca fui casado, mas pensei que esse assunto fosse bem mais fácil de lidar; era a perfeição que todo homem procurava, cheia de mistérios e digamos que feitiços também, poderia deixar qualquer um caído aos seus pés, o problema era que a mesma não era nada comparada às outras com quem me envolvi, todas queriam ficar comigo por causa da fama, para arrancar uma casquinha do querido , ela era o contrário de todas, e meu conceito deveria mudar também em relação a ela.
- Bom dia. - Dei o meu melhor sorriso.
- Bom. - Falou ríspida e sem nenhuma emoção.
- O que você vai fazer hoje? – Perguntei, em uma tentativa frustrada de ser legal com ela.
- Nada demais, o mesmo de sempre desde que me mandaram vir pra cá.
- , tenta ser um pouco mais gentil pelo menos pela manhã, pode ser?
- Não, , não pode ser. A gente não se ama, você não entendeu?
- Eu entendi sim, perfeitamente para ser sincero, mas você pelo menos poderia disfarçar, eu não tenho nada a ver com essa farsa toda, já parou pra pensar que também posso estar sofrendo? Deixa eu mesmo responder, claro que não, você só pensa em si mesma e não existe nada e nem ninguém além desse seu mundinho cor-de-rosa. - Dizendo isso, voltei para o quarto batendo fortemente os pés, sei que ela não me ama, entendo muito bem isso, é assim que ela quer, então é assim que ela vai ter. Brigamos toda hora em que estamos juntos, não tem um só minuto em que a não solte uma faísca para aumentar o fogo. Resolvi subir pra me arrumar e ir trabalhar, estou de férias por um mês, mas acho que sair um pouco poderia melhorar o meu astral. Fiz minha higiene matinal e evitei o máximo encontrar com , ser rude era complicado pra mim, principalmente quando estava perto dela. Saí de casa entrando no carro que se encontrava na garagem, pude ver a sombra da por trás da janela do "nosso quarto", enquanto tirava o carro. Fiquei dando algumas voltas tentando espantar todos os pensamentos que me rodavam...

~ Flashback On - Três dias atrás ~

- O noivo pode beijar a noiva. - O Padre terminava de falar ao fundo, enquanto eu me aproximava da , agora a minha mulher, toquei em sua mão e a mesma estava fria.
- Vai ficar tudo bem. - Falei colocando uma mexa do cabelo dela para trás, ela chorava olhando pra mim e apenas assentiu, enquanto eu falava, peguei em sua cintura e a beijei, no começo ela estava imóvel como imaginei, mas em um movimento rápido ela se entregou e pude saber que ela havia gostado pelo brilho que estava em seus olhos depois disso.

~ Flashback Off ~

Capítulo 2

Passei o dia sozinha, era como os dias anteriores, ele tentava aproximação e eu o mandava embora, mas dessa vez foi diferente; como de costume, o chegava em casa às nove e meia da noite, sempre bêbado e praticamente não me olhava, mas hoje já passava das onze e quarenta da noite e nenhum sinal do mesmo, confesso que me preocupei dessa vez, liguei e deixei tantos recados em sua caixa postal que perdi as contas de quantas vezes escutei a voz irritante da secretária eletrônica. Já havia tomado banho e colocado o meu pijama recém trocado, quando ouvi o som da porta destrancando, estava na sala assistindo alguma coisa que realmente nem me importei o que era. Um trocando os pés entrou pela porta e o cheiro de álcool era tão intenso que poderia sentir mesmo que não estivesse ali; cabelos bagunçados, gravata frouxa, camisa com alguns botões abertos e, mesmo com a distância entre nós, pude perceber uma marca vermelha em seu colarinho. Filho de uma puta. Respirei fundo, eu merecia isso e não deveria me importar, eu não o amava mesmo, porém um sentimento estranho pulsava dentro do meu ser, uma inveja momentânea ao imaginar uma mulher agarrando aquele corpo que por direito é meu; ele "rastejou" até perto de mim, sentando ao lado de mim no sofá, seus olhos pesados estavam quase se fechando e o mesmo se permitiu cair sem pudor em cima do sofá. Só um pequeno detalhe fora esquecido, eu estava deitada por baixo daquele corpo, agora desacordado. O cheiro do perfume amadeirado ainda estava presente naqueles cabelos bagunçados, que agora eu afagava em uma tentativa de um carinho inocente, me ajeitei embaixo dele, sussurros e palavras sem sentido eram proferidas pelo mesmo, inconscientemente.

- ? - Chamei-o baixinho.
- O que é, ? - Perguntou sem ao menos abrir os olhos.
- Você se lembra de mim, pelo menos. - Sorri irônica.
- Brigar não, , por favor, minha cabeça dói e esse carinho a está melhorando. – Falou, fazendo biquinho.
- Então você se fingiu de bêbado para se aproveitar de mim? Idiota, levanta agora.
- Eu fico quietinho aqui, não grita, . E eu estou bêbado sim, só que dessa vez eu tenho um pouco de consciência - sorrimos.
- Você é muito chato, vamos fazer um acordo?
- Não gosto disso, sempre que começamos a falar, brigamos; se brigamos eu bebo, se eu bebo, eu fico de ressaca, se eu fico de ressaca tenho enxaqueca e quem se ferra sou eu. - Estirei a língua.
- Vai tomar um banho, troca de roupa e prometo que volto a fazer um carinho em sua cabeça, pode ser?
Ele me olhou como uma criança que investiga um lugar que acabou de encontrar, se levantou cautelosamente, direcionando a sua mão à minha testa, seu semblante de bêbado brincalhão me fez sorrir, enquanto ele torcia o rosto e se levantava de vez.
- Você não está com febre. - Fez cara de espanto.
- Idiota, se não for logo eu vou me arrepender e não vou falar novamente.
- Já vou, mamãe. - sorrimos.

Momentos assim, entre e eu, eram raros, nos conhecemos uma semana antes do casamento e, apesar de seu jeito mandão, ele tinha um lado criança que sei que um dia conheceria. A bebida é o refúgio que o mesmo encontrou para fugir de mim, isso doía, machucava e muito, pois mesmo sem sentir nada por ele, não gostaria que o mesmo acabasse assim, mas lá no fundo eu podia saber que essa história não terminaria assim. Subi as escadas indo em direção ao "nosso quarto", o som da água se fazia presente ali, me arrumei na cama, pegando um livro pra ler enquanto o esperava. Alguns minutos depois, um limpo apareceu na minha frente, seus cabelos levemente molhados me faziam querer tocá-los e recomeçar o carinho, ele estava apenas com a parte de baixo do moletom, mostrando o quanto seu abdômen era definido, balancei a cabeça tentando desvencilhar meus pensamentos. Ele já estava pronto para se deitar no seu colchão, confesso que tive pena dele. Coloquei o livro no lugar e iria cumprir com a minha promessa.
- Vem pra cá, . – Falei, batendo no lado vazio junto a mim na cama. O mesmo veio quase voando para o lugar que indiquei, sua cabeça se repousou em cima do meu colo e agora eu podia sentir o perfume amadeirado bem mais de perto. Poucos minutos depois, já havia dormido; sua respiração tranquila me fez sorrir, me ajeitei de um jeito confortável para nós dois e por algum tempo me peguei olhando para ele, uma noite sem brigas, sem ressentimentos e confesso que havia gostado desse nosso lado.

Capítulo 3

Já havia amanhecido e os raios solares entravam sem pudor pela cortina fina do nosso quarto, abri os olhos meio que ainda sem vontade, sentindo um peso descansar em cima de mim, logo me lembrei que era o . O arrumei do outro lado da cama e fui ao banheiro fazer a minha higiene, desci até a cozinha, estava com fome. Resolvi preparar um café bem reforçado pra nós, nunca tinha feito isso, mas alguma coisa me dizia que eu deveria fazer. Estava colocando a mesa quando ouvi alguns passos descendo os degraus; me olhou surpreso, não acreditando no que estava vendo.
- Bom dia, . - Dei o meu melhor sorriso.
- Bom dia, . Vejo que alguém acordou de bom humor, milagre? - Sorrimos.
- É sim, temos que mudar, não é mesmo? Você está melhor?
- Uhum, dormi como um anjo. Obrigado por me deixar usar sua cama, confesso que ela é bem mais confortável que o meu mísero colchão.
- Não foi nada, mas não se acostuma não – sorrimos -, estou brincando, , você poderá dormir na minha cama quando quiser.
- Obrigada, , assim vou me aproveitar de você. – Falou, dando um beijo em minha bochecha, me fazendo arrepiar.
- Agora, vamos logo terminar com esse café, senão o mesmo ficará frio. – Falei, tentando esconder o nervosismo presente em mim.
- Fica apressada não, . - Falou um pouco mais perto do que o normal, logo em seguida sentou junto a mim na mesa e tivemos uma refeição tranquila e amigável, era diferente, mas não posso negar que eu estava mudando.
- Bom, o que vamos fazer agora? O dia está tão tedioso, queria fazer algo diferente. – Falei, colocando as coisas na pia.
- Escolhe, , o que você quiser eu faço.
- O que eu quiser? - Não pude impedir que pensamentos maldosos rondassem a minha decisão, balancei a cabeça em uma tentativa frustrada de afastá-los de mim.
- O que você quiser.
- Bom, eu vou pensar em uma coisa aqui - falei com cara de maliciosa.
- Que cara é essa, em, mocinha? - Sorrimos.
- Nada, , deixa pra lá, que tal um passeio, não sei pra onde, mas hoje não queria ficar em casa.
- Gostei da ideia, , eu já sei de um lugar pra levar você.
- É mesmo? E qual é?
- Surpresa, senhora curiosa. Apenas posso dizer que se arrume. Daqui a pouco te encontro aqui em baixo.

Gustavo’s Pov

Subi as escadas correndo, deixando uma curiosa na cozinha; eu poderia mudar as coisas entre nós e a surpreenderia hoje, um sorriso tomou conta do meu rosto, o primeiro que me lembro desde que entramos nesse casamento. Tomei um banho demorado, ainda era cedo, coloquei uma bermuda jeans, uma camiseta listrada, meu bom e velho all star, baguncei os cabelos e peguei o meu perfume amadeirado espalhando o mesmo por mim, desci voltando para sala, encontrando uma pronta e muito linda por sinal, vestia um short também jeans, blusa regata azul clara, cabelos soltos e molhados, maquiagem leve e nos pés o tão famoso all star vermelho surrado que ela tem.
- Você está linda, . – falei, observando cada detalhe dela.
- Eu sei disso. – falou convencida.

Gustavo’s Pov Off

O caminho foi tranquilo, apesar de não saber aonde iríamos, uma música tocava baixinho e o silêncio entre nós era confortável. O carro começou a perder a velocidade, fiquei surpresa e admirada com a vista que tinha, não conhecia o lugar, mas ele era esplendido. E quanto mais o carro andava, apareciam mais coisas lindas, era simplesmente perfeito. O carro finalmente parou; me lançou um enorme sorriso, desligou o som e saiu, dando a volta no mesmo, abriu a porta pra mim e me estendeu a mão, a peguei e saímos. Ele me guiou até a beira da praia, a areia entrou em contato com meus pés em uma sensação muito agradável. Saí correndo pela areia parecendo uma criança, o vento ia em direção ao meu rosto, fazendo meus cabelos voarem. O me olhou perplexo, acho que com a cena; cheguei mais perto da água jogando meu tênis em algum lugar, entrei no mar deixando a água me molhar. Tinha saudades do litoral, esse ar me trazia lembranças boas, infância, carinho, felicidade e mistérios que nem todos sabem. Ser fechada não é natural, não é por que eu quero e sim por que a vida me tornou assim, complexo? Diferente? Talvez. Quem sabe ache alguém que possa mudar isso? Sorri, olhando para trás, encontrando aqueles olhos que há pouco tempo me abrigavam.

Capítulo 4

Depois de alguns minutos só me encharcando com a água que lavava todo o meu ser, eu voltei para onde o estava, seu sorriso e olhos brilhantes me fizeram sorrir também.
- Vejo que amou o lugar, hein ? - Falei, enquanto a mesma arrumava as pernas sentando ao meu lado.
- Uhum, faz algum tempo que não venho aqui, uns bons dez anos no mínimo, evito vir aqui depois de tudo o que aconteceu. - Supirou.
- Se estiver se sentindo mal, pode me falar, tá? Que a gente vai embora.
- Não, , eu estou bem, nunca estive melhor, as lembranças aqui depositadas nessa praia, hoje voltaram com todo gás, são lembranças boas, porém, às vezes tristes demais. Meus pais, meu irmão e eu, a gente vinha aqui quase todo fim de semana. - Falou pausadamente, não pude deixar de reparar que seus olhos lacrimejavam.
- Irmão? - Falei com um certo espanto, esse tempo que passamos juntos, jamais ouvi falar dele ou fui apresentado ao mesmo.
- Sim, eu tenho um irmão, quer dizer eu tive e tenho, pois ele nunca sairá do meu coração. - Falou, agora já não contendo as lágrimas, a abracei de lado e a mesma encostou sua cabeça em meu ombro.
- Você não precisa falar se não quiser. - Completei.
- Ele era um ótimo irmão, , amigo, companheiro, eu não acredito ainda que ele se foi, sei que faz muito tempo, mas ainda lembro de cada detalhe, sorriso, cabelos bagunçados, o cheiro de menta que emanava dele, eu choro todas as noites ainda como se fosse me ajudar a esquecer, sei que isso nunca vai acontecer, mas alivia. - Suspirou.
- Nem sei o que dizer, . - Falei afagando os seus cabelos. - Eu não sabia dessa história, ninguém me contou.
- Eu costumo não dizer a ninguém, desde que me mudei e que tudo aconteceu, você é a primeira pessoa com quem comento o assunto, geralmente guardo tudo pra mim, por isso queria preservar o casamento, para ele isso era muito importante, sei que é difícil, mas ele era bem conservador e sonhava em me levar ao altar, pena que ele não conseguiu realizar esse sonho. Queria ter filhos, se formar em medicina. - Fungou.
- Queria ter o conhecido, tenho certeza que nos daríamos bem, tirando o fato de estar casado com a irmã dele é claro. - sorrimos.
- Só você mesmo para me fazer sorrir.
- Na alegria e na tristeza... Lembra? Mesmo não sendo "verdade", tenho que cumprir isso, é a lei de Deus.
- Tenho sorte de ter encontrado você. - Falou, fechando os olhos por um momento.
- Não estou reconhecendo a que está aqui comigo.
- É sério, , com toda essa história de casamento arranjado, eu poderia ter casado com um maníaco, mas você é o contrário de tudo o que imaginei que viria.

Não falei nada, apenas a abracei, enlacei meus braços em volta da sua cintura, enquanto ela colocou os seus em volta do meu pescoço e ficamos assim por um bom tempo, olhei para ela que me encarava e fui me aproximando mais e mais, ao ponto de que os nossos lábios se selassem. Ela não resistiu e se entregou ao beijo, nossas línguas dançavam em uma sintônia incrivel e era difícil de acreditar que tudo aquilo estava acontecendo. O sol já estava alto quando resolvemos ir embora. O resto do dia se passou tranquilo, assim como algumas semanas. Tinha dias em que ela era gentil e compreensiva e até tentava se aproximar, outros em que queria ficar sozinha, a respeito quanto a isso, mas não posso negar que isso me irrita.
Amanheceu mais uma vez e com ele a tristeza de se acordar em um colchão nada confortável, olhei em direção a cama, os pés da ainda estavam repousados na mesma. Lembrei da noite passada enquanto a admirava.

~ Flashback On ~

Estávamos sentados no sofá assistindo um filme romântico, acho que o nome era Um Amor Para Recordar que a própria havia escolhido, havia pipoca e coca espalhados pelo centro da sala e pelo chão também, tínhamos feito uma pequena guerra de pipoca e até arrisquei cosquinhas na mesma que caiu na gargalhada. Estava nos créditos do filme e ela tinha a cabeça encostada sobre o meu ombro.
- ? - Falei virando o rosto dela em minha direção iniciando um beijo, estava tudo bem, até que comecei a aumentar a intensidade do mesmo, estava com o corpo sobre o dela e em uma tentativa de me saciar, arranquei a blusa dela e me arrependi de tal ato.
- Por favor, , não. - Falou arfando, ainda tentando voltar a respirar normal.
- Você estava tão bem. - Falei beijando mais uma vez seu pescoço descoberto enquanto a mesma se arrepiava.
- Eu já disse que não. - Falou num grito, me assustando e se levantando, correndo em direção ao nosso quarto.

~ Flashback Off ~

Capítulo 5

's Pov

Levantei vendo o sol entrar pelas cortinas, era segunda e eu iria ter uma reunião com os caras. Já havíamos discutindo um pouco sobre o assunto que, por sinal, não era nada agradável. Quer dizer, poderia até ser, uma turnê no Brasil nunca é difícil, o problema nisso tudo seria passar três meses fora da minha rotina, da minha casa, e isso incluía também ficar algum tempo longe da . Não dava pra imaginar como seria isso, mas posso pensar que poderia nos fazer bem.
Fui até o banheiro tomar um banho, estava tenso, feliz, ansioso e triste ao mesmo tempo, apesar de toda a sua frieza, eu não negaria que iria sentir saudades, havia me acostumado com ela. Entrei no banho, relaxando meu corpo totalmente ao sentir a água fria bater em toda extensão do mesmo, demorei tempo suficiente para sentir minhas mãos e pés enrrugados, sorri com isso e saí do banho enrolado em uma tolha que cobria apenas minha cintura e com outra enxugando os fios rebeldes do meu cabelo. Peguei uma calça jeans, uma camisa social preta, dobrando-a até a altura do cotovelo, sapato esportivo, perfume amadeirado e cabelo bagunçado terminando o meu look. Desci as escadas e uma de camiseta e short (PEQUENO) estavam me esperando, uma cara amassada denunciando que a mesma havia acabado de acordar.

- Bom dia, . - Falei, depositando um beijo em sua testa.
- Bom dia, . - Falou bocejando.
- Dormiu essa noite, não?
- Dormiu mal pra caramba, tive alguns pesadelos e seu ronco não colaborou com isso.
- Eu não ronco, idiota. - Falei, estirando a língua em sua direção.
- Qualquer dia desses eu gravo pra você ver o quão alto é o barulho de urso que sai da sua boca. - Falou, pegando uma maçã da fruteira.
- Queria até ficar discutindo aqui com você, mas eu tenho que trabalhar.
- É sempre assim, não consegue discutir comigo quando eu estou certa e não tem coragem suficiente para dizer que concorda comigo. - Gargalhou.
- Garota, você pediu. - Falei correndo atrás dela em direção a sala, a mesma sorria muito enquanto rodeavamos o sofá, ela acabou se desequilibrando com a pontinha do tapete e caindo bruscamente no chão, me aproveitei disso caindo por cima dela enquanto fazia cócegas ao mesmo tempo, a risada contagiante dela ecoava por toda sala e o vermelho de seu rosto era mais do que aparente, em um pedido de socorro, ela ergueu os braços ainda sorrindo e eu acabei levantando e a ajudando.
- Você me paga, , seu retardado. - Falou cansada e sorrindo.
- Agora tenho que ir - falei triste, direcionando o olhar para o relógio que marcava oito horas e quinze minutos.
- Vai lá. - Falou, depositando um beijo delicado em meu nariz e saindo logo em seguida do meu campo de visão. Como ela consegue fazer isso?
Dirigi cerca de quinze minutos em direção a casa do , uma música baixa tocava na rádio e eu batucava no volante os acordes da mesma. O já havia ligado cinco vezes para mim, percebi que ele estava de TPM. Estacionei na minha vaga, claro eu tenho uma na casa do meu amigo. A moto do estava embaixo de uma árvore, denunciando que todos estavam a minha espera, que ótimo, pensei. Toquei a campainha da pequena casa do e logo três cabeças saíram pela porta.
- Sempre atrasado, meu amor. - O gritava enquanto saltitava em meu pescoço.
- Às vezes você parece tão gay. - Falei sorrindo.
- Você se faz de homem quando estamos acompanhados, mas eu só permito isso quando a está presente. - Falou desapontado, sorrindo em seguida.
- Você sabe que te amo - sorrimos.
- Vamos logo com isso, tenho compromissos. - O se pronunciou.

A reunião foi tranquila, conversamos muito e estava decidido que iríamos viajar daqui a dois dias, saí de lá pensativo, depois do almoço com eles eu fui passear um pouco, pensar não me faria mal. Parei o carro num parque infantil, vários balões e brinquedos dos mais diversos estavam espalhados por ele, enquanto crianças de todos os tamanhos corriam por ambos os lados, umas chorando, outras sorrindo, mas o sorriso de uma delas me chamou atenção por conter apenas quatro dentinhos e a boca toda melada de chocolate. Era um garoto, de pouco mais de oito meses, estava sentado no chão apenas de fralda em cima de uma toalha com uma moça que parecia ser sua mãe, a mesma conversava com ele, os cabelos enrolados, olhos castanhos brilhantes e a pele parda estavam em evidência, um sorriso sincero capaz de mudar o seu dia inteiramente. Apesar dos problemas, as crianças são a fonte de alegria que nos recarrega e isso me fez lembrar da , a minha criança que, apesar de não ser pequena, precisava da minha proteção.

Capítulo 6

's Pov

Depois que o cruzou aquela porta, me permiti sorrir abertamente com tudo aquilo, ele era especial, era sem igual e, digamos assim, era perfeito. Ele me faz a pessoa mais feliz e idiota ao mesmo tempo e até mesmo me faz esquecer os problemas que a tanto tempo me atormentam, quando estou perto dele os pensamentos tristes somem e dão lugar somente a alegria. Emoções cruzavam o meu ser em apenas um toque dele, nunca me senti assim e nem sei explicar o que seria isso, gratidão? Carinho? Amor? Como assim amor? Será?

's Pov Off

's Pov

Não fui pra casa como deveria, depois do parque eu resolvi inovar, pensar e agir; se a precisa de mudanças e eu quero ajudar, a mudança tem que começar por mim. E como ajudar uma pessoa bipolar como ela? Um dia está rindo, me chamando de idiota e no seguinte está chorando e mandando eu dormir no colchão... Mulher nenhuma já havia feito isso comigo e eu nunca permitiria isso, mas simplesmente eu não conseguia dizer não a ela. Diferente de todas, eu não precisava do seu corpo para me sentir satisfeito, apenas com o sorriso dela ao chegar em casa me faz rir instantaneamente.

’s Pov Off

's Pov

Já era noite e o céu estava completamente escuro, os barulhos dos trovões já podiam ser ouvidos por mim, junto com as gotas grossas da chuva que caíam sobre o telhado. Confesso que nunca fui fã desses fenômenos naturais, tenho medo e quando se está sozinha em casa não é nada legal. Estava com a minha coberta deitada e encolhida no sofá, assistindo algum programa idiota que passava na TV, quando o primeiro clarão se fez presente na sala escura, fazendo com que eu me escondesse embaixo do lençol quentinho; já se passava das oito da noite e nada do , sabia que ele chegaria bêbado, não era novidade, mas com uma tempestade dessa ele já deveria está em casa. Estranhei e pulei desesperadamente do sofá quando o som da campainha me despertou dos meus pensamentos, quem em sã consciência faria uma visita a alguém em plena "tempestade" quando se pode ficar em casa? Não seria o , pois ele tem a chave. Um pequeno arrepio percorreu meu corpo ao imaginar que poderia ser um maníaco. Você é muito idiota mesmo, , falei, balançando bruscamente a cabeça, enquanto andava em direção a porta.
- Oi. - Já ia falando, mas parei quando percebi que não havia ninguém ali, o corredor do último andar onde ficava a nossa cobertura estava vazio, assim como todas as luzes, que estavam apagadas; reparei direito e uma pequena caixa repousava em cima do tapete de boas vindas, aquilo era muito estranho, mas a curiosidade falou mais alto e a peguei, balançando-a em seguida, um bilhete estava dentro dela.

"Boa noite, Senhora , posso dizer que é um prazer te trazer um presente, vá até a varanda e você entenderá tudo"
Ass: Alguém que se importa com você!

Um sorriso tomou conta do meu rosto e eu praticamente corri pra varanda, como a mesma era sem proteção, porque que o adora tomar banho na piscina e quer se bronzear, o vento frio veio em minha direção. Olhei em toda extensão da pequena "cobertura do " e havia novamente uma caixa, diferente da outra, essa era menor. Abri rapidamente e lá estava o bilhete.

"Está quase perto, eu queria te mostrar algo, mas tenho medo da sua reação, saiba sempre que: It's all about you"

Olhei novamente com mais cautela em direção ao nosso terraço e ele estava lá, sentado no chão, com o violão no colo, olhando em direção a pequena cidade de Londres que tinha sobre seus pés, uma melodia baixa era cantada por ele, em um gesto simples com a cabeça pediu que me aproximasse e assim o fiz. O silêncio entre nós se fez presente, mas logo ele começou a tocar.

Yesterday you asked me something I thought you knew
(Ontem você me perguntou algo que pensei que você sabia)
So I told you with a smile, it's all about you
(Então te disse com um sorriso "É tudo sobre você")
Then you whispered in my ear and you told me too
(Então você sussurrou em meu ouvido e me disse também)
Said you'd make my life worthwhile, it's all about you
(Disse "Você faz minha vida valer então é tudo sobre você")
And I would answer all of your wishes
(E eu realizaria todos os seus desejos)
If you asked me to
(Se você me pedisse)
But if you deny me one of your kisses
(Mas se você me negasse um dos seus beijos)
Don't know what I do
(Não sei o que eu faria)
So hold me close and say three words like you used to do
(Então, abrace-me forte e diga três palavras como antes)
Dancing on the kitchen tiles, it's all about you, yeah
(Dançando nos azulejos da cozinha é tudo sobre você)

As lágrimas grossas e quentes nem se importavam mais em se esconder, caíam sem pudor sobre a minha blusa, ele me olhou com aquelas bolas castanhas brilhantes e pude jurar que ele também havia chorado, deixou o violão de lado e me abriu os braços, levantei correndo de onde estava e caí em seu colo, um abraço apertado estava entre nós, sem palavras, brigas ou qualquer outra coisa, apenas ele e eu, algum tipo de elo forte que sabia e tinha certeza que não iria acabar amanhã.
Estava tudo ótimo, aquele contato entre nós, a respiração dele em meu pescoço, a chuva e até mesmo os trovões que agora não me incomodavam mais. A música tinha tocado comigo, queria dizer que ele se importava e queria me proteger.

's Pov Off

Capítulo 7

- Obrigada. - Sussurrei baixo, depois de um tempo.
- Nem precisa agradecer, minha marrentinha. Como a música disse, é tudo sobre você e mesmo longe eu sempre estarei aqui.
- Por que tudo isso? - Perguntei, já fungando.
- Não sei, , gosto de ficar perto de ti e sinto que necessito te proteger, não posso dizer que te amo ainda, mas sinto saudades quando você não está perto, mas se for pra ser, eu sei que você estará aqui quando eu voltar.
- Voltar?
- Sim, vou viajar, três meses em turnê pelo Brasil, conhecer as praias que não tive tempo por causa da correria do último show, rever as fãs brasileiras que tem um "calor" atrativo por nós, ah, o Brasil me hipnotiza.
- Como assim, ? - Falei, virando em sua direção, ignorando todo aquele papo, principalmente o fato de "Rever as fãs brasileiras que tem um calor atrativo por nós", confesso que um arrepio me percorreu a espinha ao escutar aquilo, ciúmes? Jamais, tenho certeza.
- Turnê com os caras, , não posso negar que sou um artista e não posso ficar sem trabalhar, vai ser difícil pra mim, mas sei que se tudo for difícil pra você, te deixarei ir. Sei que você não gosta daqui e não vou te obrigar a isso.
- Eu não quero ir embora. - Falei me agarrando a ele, em um abraço urgente.

’s Pov Off

Eu não consegui respondê-la, apenas a abracei, ficamos assim por um tempo e o choro de cessou, estava olhando a chuva grossa que ainda caía e nem percebi que ela havia dormido, ajeitei seu pequeno corpo junto ao meu e com um pouco de dificuldade, levantei sem cairmos, andei vagarosamente pela casa tentando ao máximo manter o quanto pudesse aquele momento, nem no nosso casamento eu a carreguei...

~ Flashback On ~

- , desmancha essa cara, poxa, parece que você está indo para a forca. - Eu falava enquanto andava atrás da mesma.
- Eu estou indo para forca. - Falou ríspida.
- Mas ninguém precisa saber disso e lembrando a você, eu não tenho nada a ver com isso. - Falei, abrindo a porta do nosso apartamento.
- Eu sei. - Falou, entrando rapidamente.
- Aonde pensa que vai? - Falei segurando seu braço.
- Entrar? - Falou como se fosse óbvio.
- E a tradição da esposa entrar nos braços do marido? Significa... Ah, o que importa? Não sei o que significa, mas dizem que é bom. - Falei, me atrapalhando com as palavras.
- , entenda, não somos casados na vida real, quantas vezes vou repetir isso?

~ Flashback Off ~

As palavras proferidas por ela aquele dia ainda ecoavam em minha cabeça como se acabasse de ter acontecido, sabia que não éramos casados, mas será que nosso relacionamento mudou? Perguntas como aquelas não poderiam ser respondidas agora, ainda mais com uma viagem se aproximando, coloquei-a cuidadosamente na cama, seus cabelos soltos se moldaram em cima do travesseiro e seu cheiro doce agora estava em mim. Fui até o banheiro, precisava de um banho quente, os meus problemas alérgicos pareciam estar voltando. Tomei um banho quente e demorado, vestindo, em seguida, meu conjunto de moletom, o nariz entupido anunciava que não conseguiria levantar da cama no dia seguinte, bom sinal? Não sei, mas eu ficaria muito mal.

’s Pov Off

A madrugada estava fria e acordei mesmo contra a minha vontade, porque alguém dentro daquele quarto não parava de tossir, não me lembrava de ter chegado até a cama, mas isso não importa, o barulho aumentou e meio atordoada, me lembrei do . Estava enrolado da cabeça aos pés e virava de um lado para o outro naquele colchão. Desci da cama, me arrependendo de colocar os meus pés quentinhos no chão frio, fui até ele, puxando seu cobertor.
- Eu to com frio. - Resmungou, fazendo bico.
- Eu sei, o que deu em você? - Falei tocando sua mão que estava bem quente.
- Crise alérgica, apresento você a . - Falou cínico.
- Idiota, você está com febre.
- Novidade, eu acho que já sei disso.
- Você ta chato pra cacete, , só quero ajudar, levanta. - Ordenei.
- Não. - Fez birra.
- Então fica aí mesmo, enquanto eu tenho toda aquela cama só pra mim. - Falei levantando e correndo em direção a minha cama, se ele é birrento, eu sou o dobro.
- Você é má. - Fez carinha de cachorro sem dono.
- Vem, . - Falei sorrindo, dando espaço para ele na cama. O mesmo levantou cambaleando e deitou sem jeito perto de mim, nos cobri, estava tudo tranquilo se ele não estivesse tremendo junto a mim.
- Para de tremer, .
- Querido corpo meu, você está irritando a , por favor, pare de tremer. Como eu vou fazer isso?
- Assim. - Falei sem pensar, juntando nossos corpos, me surpreendi ao perceber que o dele estava frio. Me aconcheguei perto dele, com o tempo tudo passou e adormeci em seguida.

Capítulo 8

Acordei dolorida e com o despertador do alertando pela casa, olhei em direção ao relógio de cabeceira e eram sete e quinze da manhã, o lado da cama vazio anunciava que ele já havia acordado, fui até o banheiro para me olhar no espelho: cabelos soltos e armados, cuidei logo de prendê-los em um coque frouxo, lavando meu rosto em seguida, terminei minha higiene voltando ao quarto, segui até a sala e lá estava ele sobre o sofá.
- Caiu da cama? - Falei sentando no braço do sofá, bocejando em seguida.
- Não, a crise alérgica voltou a piorar agora cedo e não queria acordar você. - Falou também bocejando. - Mas vejo que acordou cedo mesmo assim.
- Seu celular me acordou. - Fiz careta. - Melhorou da febre?
- Acho que sim, depois de um monte de analgésico que tomei.
- Toma cuidado com isso, não quero meu marido famoso morto por overdose, vão pensar que fui eu quem te matou. Aí vou ser presa por nada e nem vão me agradecer por salvar a humanidade de um traste desses como você.
- Pensei que ia dizer que sentiria saudades. - Falou estirando a língua em minha direção. - E não fala assim de mim, as minhas fãs dariam tudo para estar no seu lugar, ingrata, e quando falo tudo, é TUDO. - Falou com uma cara maliciosa.
- Saudades de você? NUNCA. - Falei rápido demais, ignorando a segunda parte da frase por ele dita, não deixando de imaginar o que esse TUDO incluía, cabeça idiota a minha, sempre imaginando as coisas perfeitamente bem.
- Nunca diga NUNCA, .
- Acordou filósofo hoje? - Falei levantando.
- Não, acho que a febre atacou meu cérebro. - Sorrimos.
- Então você tem febre sempre. - Gargalhei.
- Idiota, vou deixar pra descontar essa depois, to muito cansado para suas gracinhas.
- Ownt, tive até pena de você agora, mas já passou.
- Quando digo que você é idiota aos meninos, eles não acreditam, como pode uma mulher tão linda, ser assim como você descreve... Eles pensam e acham que você é linda em todas as partes, até concordo com eles, mas...
- O que você responde? - Falei escorregando para perto dele, o interrompendo, fazendo com que a proximidade fosse inevitável.
- Que você é lerda, todo o capricho que seus pais fizeram ao te criar foi no seu corpo, olhos, sensualidade, bun...
- Pode parando, , AGORA. Me respeita idiota. - Falei, o estapeando.
- Isso doí. - Gritou.
- Se você me respeitasse, não estaria doendo agora.
- Se você me amasse não estaríamos assim agora, você estaria aproveitando o último dia antes da turnê com o seu lindo marido, estaria cuidado de mim, pois estou doente, preciso de carinho, to sozinho, . - Falou passando a mão por volta da minha cintura, toda a distância que ainda existia, quer dizer, os poucos centímetros, não existiam mais. A pele quente e macia do seu tórax se encontrava com o tecido fino de seda da minha camisola. Seus olhos encontraram os meus e um brilho repentino no seu olhar fez com que os meus não se desviassem dos seus, sua boca estava próxima a minha, se abrindo lentamente para a passagem da sua respiração pesada, virei o rosto levemente permitindo que aquele hálito quente tocasse a pele descoberta do meu pescoço, um arrepio conhecido passou por toda a minha espinha, fazendo com que aquela emoção já conhecida percorresse o meu ser.
- Eu te adoro tanto, mas... - Falei, me agarrando ao seu pescoço.
- Sempre tem um mas, que termina com um não me ama, eu sei, . - Falou, tentando se levantar, mas eu o impedi.
- Eu não disse isso, você é apressado demais, , eu não falei um NÃO, apenas um espere, mas se você não for capaz de me dar esse tempo, eu vou sentir muito. Eu preciso de um tempo, mas também preciso de você, tenho raiva às vezes porque você parece uma droga que me viciou desde a primeira vez em que nos beijamos, tento ficar distante, mas sempre vem mais uma vez a vontade compulsiva e eu vou novamente me entorpecer com tudo o que você me oferece, mas diferente dos outros casais "normais", eu não preciso necessariamente te ter carnalmente como meu homem, apenas um beijo seu, o cheiro contagiante do teu perfume são capazes de me enlouquecer, o que eu faço contigo, ?
- Você é tão complicada às vezes, vem com esse monte de palavras apenas pra me dizer que mesmo desse seu jeito diferente, você me ama, acho que a solução necessária será esse tempo pra nós, cada um na sua, nós vamos descobrir o quanto estamos ligados ou não. - Falou me abraçando novamente.
- Só às vezes? - Falei, encostando os nossos narizes num famoso beijo de esquimó.
- Se eu disser sempre, você vai me bater? - Fez aquele bico que dá vontade de morder e claro que foi isso que eu fiz.
- Claro que sim, eu não sou complicada, vocês homens que não sabem os nossos segredos ou vontades.
- O homem que descobrir será um cara de sorte. - Falou me dando um beijo no pescoço.
- Mas você não precisa de nada.
- Por quê?
- Porque você já me deu tudo o que eu precisava até AGORA.

Passamos o dia assim sem nada, sem ninguém de fora pra atrapalhar, só nós dois e aquele sofá, o corpo quente do junto ao meu e os frequentes espirros dele seguidos de uma carinha de criança doente.
- Você tem que ir ao médico, . - Falei, tocando a sua testa.
- Eu sempre tenho isso, , não precisa se preocupar. - Falou enterrando o seu rosto na pele macia do meu pescoço.
- Manhoso. - Falei puxando os seus cabelos, enquanto o mesmo me abraçava ainda mais.
- Se eu soubesse que casar era tão bom, já teria casado a muito tempo.
- É? E eu como ficaria? - Falei inconformada.
- Acho que mesmo fugindo dariam um jeito de nos juntar, você me persegue.
- Vou sentir saudades.
- De quê? - Falou se ajeitando, permitindo que eu deitasse sobre seu peito.
- De tudo, de te provocar, de te irritar, da sua presença, dos seus beijos, é muito tempo. - Falei fazendo careta.
- Vai passar rapidinho e a gente nem vai sentir, prometo. - Falou me beijando mais uma vez, não sei quanto tempo fiquei o olhando e nem percebi quando adormeci.

's Pov

A noite chegou e assim rápida ela se foi, o dia se fez presente e agora me encontrava na porta do aeroporto com o em meu encalço. Os outros vinham em seguida e eu tentava ser forte, não chorar, pelo menos não agora, era o que eu repetia pra mim mesma, mas como poderia fazer isso? As lágrimas que tanto guardava se fizeram constantes ao sentir aquele corpo junto ao meu, o beijo suave em meu pescoço, os braços rodeando a minha cintura, o cheiro impregnante invadindo o meu ser. É, o momento da despedida havia chegado.

Capítulo 9

- Não faz assim comigo, . - Falei, já não resistindo a ele.
- Eu só quero me despedir como você merece. - Falou cheirando mais uma vez o meu pescoço.
- Mas assim eu vou sofrer mais, porque o seu cheiro vai ficar na minha roupa.
- Assim você vai sofrer sempre, quando estiver no sofá, na cama, no corredor, na casa inteira, pensa assim que daqui a pouco eu volto, amor. - Falou me virando de frente para ele, olhando em meus olhos em seguida.
- Daqui a aproximadamente noventa dias, o que eu vou fazer daqui até lá?. - Fiz careta. - É muito. - Concluí perdida.
- Bom, vá ao shopping, parque, salão de beleza, algo que sei e aprendi é que vocês gostam muito de se embelezar e gastar dinheiro quando estão entediadas e estressadas. - Sorriu enquanto enrolava uma mecha do meu cabelo.
- Idiota. - Dei língua pra ele.
- O que foi que eu fiz?
- Nada, , nada. - Falei mexendo carinhosamente em seus cabelos, mas como sempre, alguém atrapalha...
- Ei pombinhos, o voo já foi anunciado novamente e não é porque somos famosos que vão ficar nos esperando até vocês terminarem os amassos aí ou seja lá o que for que vocês estejam fazendo, deixem para quando voltarmos, guardem as energias pra depois, sei lá... Não deu pra aproveitar em casa, não? - falou rapidamente, fazendo cara de nojo em seguida.
- Cala a boca, . - Falei, sentindo as minhas bochechas ficarem mais coradas.
- Tinha que ser você, eu te pego cara. - Falou o empurrando.
- Só sabe falar, na prática não corre nem quinze metros atrás de mim, fica logo cansadinho, para de falar, , e vem AGORA.
- Virou meu pai?
- Eu não, Deus que me livre. - Deu língua em nossa direção.
- Eu tenho que ir, , mesmo contra a minha vontade. - Falou enlaçando a minha cintura com os seus braços, me suspendendo no ar.
- É, eu sei. - Falei, já sentindo meus olhos marejarem.
- Não chora, pequena, eu volto antes mesmo que você sinta a minha falta e prometo ser TODO seu quando voltar, se você quiser, lógico. - Fez aquela cara de malícia e sorriu.
- Vou esperar ansiosamente pela sua volta. - Sorrimos. - Eu te amo. - Falei, o abraçando.
- Não mais do que eu. - Falou já selando nossos lábios, deixei as emoções fluírem e um beijo rápido e bom aconteceu, quando menos dei por mim e abri meus olhos, ele já não estava mais lá.

’s Pov Off

As pouco mais de onze horas de viagem foram bem tediosas, nem o celular junto com toda a sua tecnologia foi capaz de atrair minha atenção durante o voo, sempre quis repetir a minha viagem ao Brasil, gostei muito de lá e queria rever o Rio de Janeiro e São Paulo, que eram algumas das cidades da turnê, acho que esse são os nomes, mas confesso que não queria ir agora, nem às praias e toda a beleza atrativas iriam adiantar, vários shows, as chatices do nosso empresário em relação as saídas, as bebidas, as festas, já até imaginava como seria. Acho que acabei cochilando dez horas seguidas e acordando com um dos meninos me estapeando.
- O que é, porra? - Falei esfregando os olhos.
- Olha a gente na TV, cara.
- Que novidade, como se a gente nunca tivesse aparecido ali.
- Você viu a propaganda do show?
- Não me interessei, por que eu deveria?
- Acho que você deveria sim ver, acho que tem alguém que vai te interessar por lá. - O se meteu na conversa.
- Por que, posso saber? A vem?
- Se lembra da Letícia, aquela cantora que não tinha muito sucesso da última vez que a gente veio? Não tem nada a ver com a , cabeção. - Me deu um tapa.
- Acho que lembro sim, por quê?
- Ela vai fazer tudo novamente, quer dizer participar do show, te dar bola e você poderá até se divertir com ela, mas eu acho bom o senhor se orientar dessa vez, lembrando que não deve esquecer dessa aliança que carrega no dedo.
- Eu não gosto mais da Letícia, aliás, aquilo foi só pegação de uma noite, foi apenas diversão.
- Tem certeza?
- Absoluta. - Falei tranquilamente, mas dentro de mim as coisas não estavam muito bem, eu estava sem a , com a Letícia do lado isso não iria prestar, mas tenho certeza que conseguiria me controlar, eu acho.

’s Pov Off

's Pov

Peguei um táxi pra poder voltar pra casa, a tristeza apertava dentro do peito, o táxi passou pelos mesmo lugares por onde eu tinha vindo com o , mas um detalhe chamou mais a minha atenção. Paguei a conta do táxi e o dispensei, desci do mesmo andando em direção a um lar para cães abandonados, entrei sem ao menos pensar e fui em direção aos latidos insistentes daqueles animais que ansiavam por carinho.
Andei rapidamente por todas as jaulas, mas nenhum havia me chamado atenção, até eu chegar em uma pequena cadelinha que usava um laço vermelho. Como dizem, foi amor a primeira vista - Sorri com o pensamento, só não sabia se o iria gostar, mas não me importaria com isso agora. - Resolvi tudo o que precisava e logo a pequena Molly estava saindo de lá comigo.

Duas semanas se passaram desde que o saiu em turnê com os garotos, estava deitada na cama depois de mais uma das conferências de vídeo que fazíamos diariamente, o sorriso dele estava ainda mais lindo do que antes e confesso que estava com muita saudade, mas logo nós a mataríamos, pois em um mês seria o aniversário dele e eu já tinha tudo planejado.

's Pov Off

Capítulo 10

Alguns bons dias depois...

Amanheceu o dia, digamos que de um jeito diferente, estava ansiosa e todos percebiam isso, amanhã seria o grande dia e esperava que ninguém o estragasse. Já estava tudo planejado: o hotel, a festa, a viagem, a lingerie, enfim tudo, o sorriso que estava em meu rosto hoje superava todos os dias de tristeza que tive, a Molly estava deitada em cima da minha cama, digamos que ela se adaptou muito bem comigo, depois de muitos dias de "treinamento". Estava mais uma vez com o notebook no colo, na hora marcada de sempre esperando o amor da minha vida entrar pra que tudo ficasse ainda mais completo.
- Olá, amor. - O nome dele piscou na minha frente, aparecendo logo em seguida seu rosto na tela.
- Oi, amor, que saudade. - Sorri.
- Uhum, to com muita, mas só falta bem dizer um mês pra que tudo volte ao normal.
- Não sei se aguento isso tudo, ainda mais que amanhã é seu aniversário e nem comemoraremos juntos. - Falei fazendo bico.
- Mas teremos muito tempo pra comemorar quando eu voltar. Cadê a Molly? Parou de usar sua cama como banheiro? - Gargalhou.
- Engraçadinho, minha Molly é uma lady. - Falei sorrindo, acompanhando a risada dele.
- Amor, tenho que ir agora, os meninos estão me esperando lá fora, eu pedi cinco minutos pra falar com você, eu te amo tá? Se cuida, amor. - Falou jogando beijinhos.
- Também te amo. - Falei mais pra mim do que pra ele, pois ele não estava mais na tela em minha frente. Levantei da cama contrariando totalmente a vontade do meu corpo de querer permanecer deitado na mesma, mas o dia estava tão lindo lá fora, queria passear, sorrir e pedir a força divina que me ajudasse com tudo amanhã.
Vesti uma roupa leve, um short jeans e uma regata branca por debaixo um biquíni azul de estampa lisa, cabelos presos em um rabo de cavalo alto, sandália rasteirinha seriam meu figurino de hoje, queria ir a praia, queria ver o sol. Peguei o carro que estava na garagem, ignorando a minha realidade que era eu ter um medo extremo de volante, carro ou qualquer coisa que me deixassem sob o controle. Parece exagerado, eu sei, mas eu sou exagerada. Sorri balançando a cabeça, espantando todos os pensamentos e colocando o carro em movimento logo em seguida. O bom trânsito daquela manhã me permitiram mínimas paradas durante o percusso, me senti feliz e realizada por conseguir pegar o carro sem batê-lo no primeiro poste que tinha na minha frente. Acho que as coisas mudaram para mim e entendi o que foi: o amor transforma, muda e pode mudar as coisas mais inevitáveis.
Estacionei o carro, olhando a imensidão do mar a minha frente, a areia fina entrando em contato com meus pés me davam uma sensação de liberdade. Não sei quanto tempo fiquei lá curtindo o sol, mas quando dei por mim já estava entrando em casa com a pele bastante rosada, o dia tinha sido bem proveitoso e o fim da tarde já se pronunciava lá fora. Tomei um banho demorado, caindo na cama em seguida, o sorriso grande no rosto me lembrava o que me esperava amanhã, a noite seria bem longa, mas quem se importa? Amanhã estarei nos braços da pessoa que me ama e sei que é recíproco. Alguns pesadelos rodaram a minha noite e as constantes idas ao banheiro ou cozinha me atrapalharam bastante. Acho que o nervosismo cooperou pra isso, eram cinco da manhã, estava devidamente pronta para pôr meu plano em prática. Iria deixar a pequena Molly com a empregada, mas existia algo dentro de mim; uma angústia, um gosto amargo na boca me fizeram questionar se isso seria a coisa certa a fazer, mas eu respirei fundo e entrei no táxi, nada iria atrapalhar meus planos, pelo menos era isso o que eu pensava.

’s Pov Off

Era seis horas da tarde, estava dentro do camarim esperando os últimos minutos para que o show começasse, olhando para o monte de presentes que havia ganhado, mas nenhum deles era capaz de me satisfazer. A passou o dia inteiro sem ligar pra mim, nenhuma chamada de vídeo ou qualquer mensagem de texto para me felicitar, NADA. A bebida começava a fazer os primeiros sinais dentro do meu sangue, eu não devia ter bebido tanto, se errasse alguma música no palco os meninos iriam me matar.
- Você tem cinco minutos, . - A voz da Letícia se fez presente em meus ouvidos enquanto a mesma fechava a porta atrás de si.
- Obrigado por avisar. - Falei jogando a lata que estava em minhas mãos no lixo, a mesma caiu no chão, derramando o resto do líquido que ainda havia dentro no tapete. numa tentativa falha de limpar o chão, abaixamos juntos e o grande decote que ela estava usando quase gritou pra mim, ela ergueu a cabeça, colando as nossas testas e em um instante falho eu pensei que fosse ela, a minha pequena, eu queria tanto que ela estivesse aqui, ela se aproximou mais e as nossas bocas se juntaram e eu cedi ao seu beijo. Sabia que era errado e eu prometi não me envolver, mas a carne é fraca, a empurrei pelos ombros a tempo suficiente de ver a minha junto da porta. O presente nas mãos caiu aos seus pés, as lágrimas grossas escorriam pelo seu rosto e eu tentei me aproximar, mas ela fez um sinal com as mãos para que não a acompanhasse e assim eu fiz, fiquei parado com a boca entreaberta observando a minha pequena ir.

’s Pov Off

Capítulo 11

Corri o quanto minhas pernas permitiram. O show era perto de uma praça bem movimentada, não conhecia o lugar, só queria sair de lá sem que ninguém percebesse ou me perguntasse o que havia acontecido, precisava reunir as ideias dentro da minha cabeça, as imagens giravam vivas, sem receio de nada, de ninguém. Ele havia me abandonado e eu nem tinha me dado conta disso. Sentei num banquinho perto de uma lagoa, o vento frio da noite fizeram com que eu me arrepiasse, mas nada tirava aquilo da minha mente.

~ Flashback On ~

Arrumei a minha roupa, tirando os vestígios de qualquer amassado visível na mesma, o sorriso bobo crescia ainda mais a medida em que me aproximava da sala onde ele estaria; não tinha muito tempo, mas não faria mal, afinal, aproveitaríamos o resto da noite. Alguém da segurança me indicou o lugar onde ele estaria e lá estava eu, girando a maçaneta.
- Com licença. - Comecei falando, mas ninguém notara a minha presença, estavam bem ocupados para perceber alguém ali. O presente que estava em minhas mãos escorregou caindo aos meus pés ao ver aquela cena patética dos dois se beijando, seus olhos encontraram os meus em um pedido suplicante de desculpas, mas já era tarde demais, insinuou um movimento de aproximação, mas eu neguei, só iria piorar, o sorriso vitorioso da idiota que estava o beijando fez minha raiva aumentar ainda mais. Saí sem olhar para trás, entrando no elevador logo em seguida.

~ Flashback Off ~

O que eu faria agora? Voltaria pra casa, pegaria minhas coisas e o deixaria para trás? Eu iria sofrer, mas não ia ser tanto e iria me recuperar, enxuguei as lágrimas que insistiam em cair, mas eu tinha uma ideia melhor para nós, eu seria forte em executá-la, pelo menos era assim que eu pensava, eu precisava falar com a .

's Pov

Eu deixei ela se virar e ir embora. Letícia tinha um sorriso grande nos lábios, o que me fez ter ainda mais raiva dela; acabei gritando com a mesma, mandando-a ir embora, bastava os meninos ficarem sabendo e a merda estaria feita, afinal, eles me avisaram, muitas vezes, para ser sincero, e eu acabei caindo na burrada. Ela tinha vindo me ver e eu ao menos agradeci, pelo contrário, acabei agradecendo beijando outra mesmo, tendo jurado voltar só pra ela. Sabia que quando voltasse ela não estaria lá, mas eu tinha que me conformar, fui eu quem procurou.
- Eu te avisei, idiota. - O entrou gritando.
- Todos avisamos, . - O resto da turma entrou esbravejando.
- Em pensar que eu a ajudei com tudo, estava tão satisfeita em poder vir e você estraga. - continuou.
- Quem contou a vocês?
- Todos vimos, , ela estava tão entretida com a tristeza que transbordava em seus olhos que nem percebeu a nossa presença e, você, como um besta, idiota e lesado que é, nem foi atrás dela.
- Ela disse para que eu não fosse, quer dizer, mostrou que não queria que eu chegasse perto.
- Mulheres estão certas em todos os momentos, , você tem que entender, mesmo quando estão erradas e quando mandam a gente se afastar, é o momento em que mais elas querem carinho. A gente fica a uma distância segura, claro, mas sempre tem que ir ver como elas estão. - O completou.
- De onde saiu essa sua experiência toda, cabeção? - O perguntou.
- Convivência com a mamãe. - Sorriram.
- Mas e o show? Eu tenho que participar.
- Enquanto a for sempre a segunda opção da sua vida, vocês nunca conseguirão viver em paz; sempre haverá algo que os tirarão do sério. Pensa nisso, . - Saíram daqui, me deixando sozinho com todas aquelas palavras. Respirei fundo, colocando todas as ideias em ordem, eu não iria falar com ela, não agora.

’s Pov Off

- Best, pensei que havia esquecido de mim depois do casamento. - A sorriu do outro lado da linha.
- Idiota, eu te esqueci, confesso. - Falei sabendo o que viria a seguir.
- Também te amo, , o que fez a senhora lembrar que eu existo agora?
- Eu preciso de conselhos, ajuda, sei lá, o que mais queria era um abraço. - Falei, jogando as peças de roupa no chão assim que passei na porta do meu quarto.
- O que foi, ?
- Eu peguei o me traindo.
- O quê? - Gritou.
- Isso mesmo que você ouviu, eu ia fazer uma festa especial para nós dois, afinal, hoje é aniversário dele e estamos à aproximadamente dois meses sem nos ver, eu pensei em fazer essa surpresa, fui até o e você sabe que tenho um pouco de receio dele, porque é o que menos tenho contato, mas mesmo assim ele agendou tudo direitinho pra mim, porém quando cheguei lá ele estava beijando outra mulher. - Suspirei cansada. - Tudo está muito confuso na minha cabeça, eu sei o que sinto por ele e mesmo apesar de tudo, eu estou sofrendo, tive pensando em desistir e eu não vou fazer isso, pelo menos é isso que eu acho. - Sorri sem humor.
- Você não vai desistir nem morta, mocinha, você lutou tanto para chegar até aí e vai morrer na praia? Claro que não. - Completou mesmo sem que eu respondesse. - Eu já sei do que você precisa, não fale com ele, volte pra casa assim que amanhecer e siga as minhas instruções. - Sorriu vitoriosa.
- O que você tem em mente?
- Você vai mostrar a ele a que o mesmo jamais quis conhecer, o seu lado grosso, rude, lindo e sensual de ser. O vai implorar por um beijo seu, vai te desejar e você não será aquela besta que cede a todos os gostos e favores dele, ele vai pedir, rastejar para ter você.
- Eu não sei se serei tão forte a esse ponto.
- Porra, , você vai tentar, eu não to mandando você andar nua pela casa o provocando, eu to pedindo para que você, sei lá, use vestidos provocantes quando for jantar com ele, peça ajuda para ele atacar uma lingerie. São pequenas coisas.
- Eu to começando a gostar desse plano.
- Sim, mas temos a parte principal, você o provoca, o deixa pensar que está tudo bem, mas não está, quando ele estiver caidinho, você foge, seja fria e provocante, ele vai implorar com todas as letras por você e assim você vai descobrir se ele é apaixonado por você ou só quer se aproveitar. Sei que você vai se sair muito bem. Vou indo, maninha linda, qualquer coisa manda um sinal até de fumaça, que eu sei que é você, te amo. - Sorriu e desligou sem que eu me despedisse. Agora seria comigo e tinha algo dentro de mim que estava louco para pôr em prática tudo aquilo que tinha sido dito pela , um lado meu calculista e frio que até eu não conhecia. Chegou a hora de jogar, , e o é convidado a perder.

Capítulo 12

Os dias me atormentaram bastante, trabalhei minha mente para que todo o plano desse realmente certo, um frio na barriga se instalava em mim toda vez que amanhecia e eu ia até o calendário marcar mais um dia para a volta do , eu sofri, chorei, mas resisti, atendi as ligações e não o ignorei nas chamadas de vídeo, mas hoje era o dia, não atenderia o celular nem entraria nas redes sociais, pois o veria pessoalmente e a provocação começaria, x em uma disputa onde eu sabia com toda a convicção que venceria. Levantei do sofá depois de tomar um café reforçado, assistindo a algum desenho na tv, vesti um short jeans e uma regata branca, sapatilha preta, maquiagem leve e cabelos soltos, nada tão espetacular para ir ao shopping fazer compras. Já era tarde quando terminei, finalizando minha saída com uma ida ao cabeleireiro, pra falar a verdade fui visitar o meu amigo e aproveitei para dar um retoque nos cabelos, o mesmo prometeu me deixar linda para o meu marido, sorri com tanta conversa enquanto ele cortava o meu cabelo, tentei não chorar, mas foi impossível ver meu cachos repousados no chão, mas o resultado foi inexplicável e com certeza eu não descreveria como me vi quando ele terminou...
- Gato, você arrasou. - Comecei falando enquanto ele girava a cadeira onde eu estava sentada.
- Com uma modelo dessas, quem não arrasaria? Você ajudou no look e não fiz nada demais, só retoquei algumas mexas, mexi no comprimento e... - O interrompi.
- Deixa de conversas que já estou atrasada, amor, prometo aparecer e contar as novidades que esse cabelo novo me proporcionou. - Pisquei sorridente em sua direção enquanto depositava um beijo estalado em sua bochecha.
Saí sorridente do shopping, arriscando até cantar algumas músicas no percusso de volta para casa, o trânsito estava ao meu favor e em pouco tempo estava estacionando na entrada de casa, peguei as sacolas e corri para o banheiro me despindo pelo caminho, não tinha muito tempo, pois as sete o voo chegaria e eu estaria lá para recepcionar o MEU marido. Liguei o som alto assim que saí do banho, Pitty estrondava dentro de casa, sorri cantando com a escova de pentear, retoquei alguns fios que se "revoltaram", passei a maquiagem que estava em tons de marrom e preto com detalhes em dourado, o vestido já repousava sobre o meu corpo, os cachos do cabelo repousados no meu ombro e salto não muito alto finalizaram tudo aquilo, espero não ter exagerado. Sorri, olhando o resultado no espelho central do meu quarto, peguei o batom passando em seguida, estava pronta. Suspirei indo em direção ao carro.

's Pov

Estava voltando pra casa, os meninos cantavam festejando o sucesso da turnê, mas eu não estava muito a fim, peguei o celular querendo ligar pra , desistindo mais uma vez, o avião pousou e eu acabei ligando de uma vez pra ela, que atendeu na terceira chamada.
- Oi, .
- Olá, , pensei que me ignoraria novamente. - Falei percebendo o barulho que vinha do outro lado da linha.
- Não te ignorei, amor, é que andei bem ocupada hoje, desculpa. - Sorri sem humor.
- Onde você está?
- Ah, é mesmo, esqueci de comentar da festa que a Thay daria hoje, acabei escapando pra casa dela que, por sinal, está cheia de caras gatos.
- Você está no zoológico? - Sorriu cínico.
- Claro que não e não sinta ciúmes, meu caro , eu sei me controlar, ao contrário de certas pessoas.
- Eu não tenho ciúmes de você.
- , gata, quanto tempo, princesa. - Escutei enquanto a mesma falava com algum marmanjo do outro lado. - Pigarreei enquanto ela voltava a falar comigo. - Desculpa, foi um ex.
- Você está muito engraçadinha hoje, né? - Falei pegando a minha mochila para sair do avião.
- Acho que acordei de bem com a vida hoje, meu lindo. Chegou já?
- Sim, estou na sala de desembarque. - Parei escutando a gritaria, a porta automática se abriu e muitas fãs estavam presentes, gritavam os nossos nomes, cartazes dos diversos até um com ", casa comigo" em meio a toda aquela euforia tinha uma mulher parada com o celular nas mãos, ela sorria em minha direção e aquele sorriso eu conheceria em qualquer lugar. Ela estava com os cabelos ainda mais negros e um pouco curtos repousados nos ombros, vestido creme tomara que caia, acima do joelho, muito acima, para ser sincero, com um laço um pouco abaixo do busto que por sinal estava colado nas partes em que mais me interessavam, maquiagem que realçava ainda mais o seu olhar, ela estava virada em minha direção sem reação, devia estar olhando para o ser abestado que estava em sua frente, andei apressadamente até ela, que sorriu pra mim.

’s Pov Off

's Pov

- Mentindo pra mim, ? - Foi por uma justa causa. - Você não tem ideia de como eu senti saudades. - Falou se aproximando, mas eu coloquei a mão em cima de seus lábios.
- Só em casa. - Sussurrei em seu ouvido, vendo-o se arrepiar.
- Nunca esperei tanto para chegar em casa. - Falou, me puxando pela mão.
- Vou dar boas vindas aos meninos, calma.
- , não dá, depois você fala com eles.

Saímos do aeroporto praticamente correndo, entramos no meu carro e logo estávamos em casa, o mesmo me agarrou assim que cruzamos a porta de entrada, ele tirou a calça, a camiseta e eu me permiti até deixar que ele tirasse o meu vestido, sua boca procurou a minha desesperadamente e o mesmo rapidamente aprofundou o beijo, me jogando em seguida em cima do sofá.
- Eu te amo. - Ouvi-o dizer e quase vacilei, sua ereção já estava muito evidente e seu amiguinho pronto para se divertir, ele fez menção de retirar a última peça dele que nos separava, mas foi exatamente aí que eu parei. Levantei sem ao menos ele entender, estava suado e atormentado para ligar os fatos a tudo o que estava acontecendo, levantei a alça do sutiã que estava caída e subi as escadas.
- Quer terminar no quarto? - Sorriu.
- Terminar?
- Sim, amor. - Sorriu perverso.
- Hoje não, amor. - Sorri, voltando para pegar o meu vestido que estava a sua frente, permitindo que o mesmo se torturasse com o decote da minha lingerie.
- Hoje não, como assim?
- A gente não fez nada, só foi pegação, querido.
- Mas e eu, como fico, ? - Falou apontando para si, quer dizer, mais para o Jr.
- Eu é que vou saber? Você dá seus jeitos aí no sofá, AMOR. - Sorri subindo as escadas.

Capítulo 13

's Pov

Foi difícil resistir aos beijos quentes de , seu corpo suado e quase nu debaixo de mim, sua respiração descompassada e sua voz rouca perto do meu ouvido quase me fizeram desistir do meu plano; mas eu fui forte o suficiente para deixa-ló sozinho com seu amiguinho pronto para brincar comigo. Até agora não sei de onde tirei forças para fazer tal ato, afinal, ter caindo aos seus pés, implorando pelo seu corpo não se tem todo dia.
Caí deitada na cama ainda tentando regularizar a minha respiração e os meus hormônios que gritavam para que eu não fizesse essa loucura, me entregasse de vez voltasse lá embaixo, dissesse que era só uma brincadeira e gritasse que eu estava pronta pra ele. Balancei a cabeça mandando aqueles pensamentos pecaminosos embora, um banho frio resolveria o meu problema, eu acho.
Suspirei indo até o banheiro tirando as últimas peças que ainda estavam em meu corpo e caindo logo em seguida debaixo da água gelada.

's Pov Off

's Pov

Eu ainda não entendi o que aconteceu, foi tudo tão rápido, num minuto ela estava junto a mim me enchendo de carícias e no outro estava subindo as escadas me deixando só. Francamente, eu não entendo, as mulheres são muito complicadas. Pensando bem ela não viria assim tão fácil ao meu encontro, deveria suspeitar de tudo isso. "Agora me encontro assim" falei olhando para meu estado. - Mas isso não ficaria assim. Teria volta, ah se teria.

Cinco dias se passaram e eu andava evitando-a como o diabo foge da cruz, mas isso não era a coisa mais fácil de se fazer. Todos os dias ela tinha um jeito diferente de me provocar, desde camisolas de seda minúsculas para dormir ao meu lado - sim, ela estava dormindo comigo, fazendo muita questão disso -, a andar só de tolha pela casa. Quer dizer, aquilo era uma tolha, mas imaginem a minha situação: era a toalha de rosto, aquelas que ficam de enfeite no banheiro para quando alguma visita aparece na sua casa. Sim, aquele pedaço de pano para enxugar as mãos, era esse mesmo pedaço de pano que escondia o corpo de , ou pelo menos tentava nesse exato momento.
- Bom dia, . - Ela sorriu pra mim enquanto enxugava seus cabelos.
- Bom dia, . - Falei educadamente sem nem olhar pra ela.
- Que bicho te mordeu? - Perguntou indo até o banheiro.
- Nenhum, , o que você quer?
- Nada, só um bom dia decente. - Falou tentando não fraquejar na voz. Como assim ela estava sofrendo? - Acordou carente?
- Não. - Sorriu sem humor, saindo do banheiro já devidamente vestida, mas algo de estranho existia em seu olhar. Mas eu não caíria no jogo dela, iria ser indiferente, não me importaria.
- Ok, então, vou indo encontrar com os garotos, devo voltar para o almoço. - Falei, passando por ela que se manteve sem reação, logo depois fechando a porta atrás de mim.
Trabalhei a manhã toda iniciando um novo projeto para nossa banda, algumas músicas e vídeos seriam lançados e eu e os meninos estávamos bastante empolgados. Ficamos até mais tarde planejando tudo e, como era sexta-feira, decidimos sair para comemorar. Acabei esquecendo que havia me ligado dizendo que precisava conversar comigo; estranhei a sua voz, mas como ela estava me evitando, nada melhor do que devolver com a mesma moeda.
Os meninos já estavam pra lá de bêbados. Eu deveria estar também, mas por algum motivo que não sei explicar, não estava querendo me embriagar hoje. Tomei apenas uma dose para não perder o costume. Olhei no relógio e se passava das 2 da manhã, eu estava curtindo a festa e até me permiti dar uns pegas numa mulher que estava dando em cima de mim, mas nada que passasse do controle. Me despedi deles, indo em direção ao estacionamento e me impressionando com a chuva que caía lá fora. Corri em direção ao meu carro tentando me molhar o menos possível.
Meu coração estava apertado, parece coisas de mulheres sentimentais, mas acho que deveria ser o cansaço. Abri a porta de casa e tudo estava devidamente em seu lugar exceto pela luz do abajur acesa. Percorri a sala rapidamente com o olhar e lá estava ela, sentada no sofá, frágil, sozinha como eu nunca havia visto antes; maquiagem borrada e se mantendo abraçando as pernas em sinal de proteção. Mas logo volto a mim, lembrando-me que deveria ser mais um de seus joguinhos e eu não cairia nesse como ela imaginava.
Subi as escadas, ignorando seu olhar apelativo sobre mim, tirei a roupa e fui para debaixo do chuveiro. A água quente me fez tão bem, demorei alguns minutos saindo de lá quando meus dedos já estavam enrugados; vesti a calça do moletom e fui para cama, me cobrindo em seguida.
Acredito que acabei cochilando, até dormiria mais se algo não estivesse estranho. Ela não estava do meu lado me provocando hoje, o quarto estava escuro e do mesmo jeito de quando entrei. Virei para o outro lado tentando ignorar tudo, ela que se lascasse, mas acabei vencendo minha preguiça. Levantei, peguei a primeira camisa que achei jogada em cima da cadeira e fui até a cozinha, mas antes que completasse o percusso os soluços dela chegaram até mim.
- Que porra é essa, hein, ? - Falei coçando os olhos tentando a enxergar melhor, mas nada ela disse, apenas se encolheu mais. - Desculpa. - Suspirei. - O que aconteceu?
- Nada, , não precisa se preocupar comigo.
- , fazendo cena essa hora da noite? Vem, vamos dormir, amanhã a gente briga mais. Vem. - Falei estendendo a mão em sua direção, mas ela não fez nada. - Tá bom, então fica aí. - Falei indo em direção a cozinha e logo seus fungados recomeçaram. Suspirei novamente e voltei até lá. - Já te vi de TPM, mas esse mês tu se superou. - Ri para ver se ela mostrava alguma reação, mas nem um sorrisinho eu consegui. - , pelo amor de Deus, quem morreu? - Falei sentando junto a ela. Ela nada disse, apenas suspirou e começou a chorar novamente. - Tá doendo alguma coisa? - Falei realmente preocupado.
- Aqui. - Falou colocando a mão em cima do coração.
- Ô, pequena, vem cá. - Falei a abraçando, sentindo suas lágrima escorrerem e molharem a minha camisa. - O que aconteceu?
- Meu pai, .
- O que tem ele?
- Ele está na UTI.

Continua...

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