Autora: Belle Alves | Beta: Thay





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Assim que desembarquei no portão G eu já pude sentir a diferença de temperatura. Estava chovendo quando embarquei no aeroporto de Heathrow em Londres há um dia e apesar de ter ficado na classe econômica, ainda sentia frio. O avião que peguei tinha duas conexões e quando parou em Abu Dhabi, fiquei seriamente tentada a ficar por lá mesmo. Comprei algumas lembranças para mim mesma nas lojas do aeroporto de lá e logo após já estava no avião com destino a Sydney. Quinze horas depois eu pude ver a incrível paisagem da Austrália. Era completamente diferente de tudo o que eu tinha visto e me apaixonei na hora.
Agora, andando pelo aeroporto de Gold Coast, uma cidade no estado de Queensland na Austrália, via pessoas de vários países, o que imaginava ser comum no verão. Fui até uma agência de aluguel de carros dentro do aeroporto e aluguei um dos mais simples. Não queria muito luxo para viver aqui nos três meses seguintes. Peguei as chaves do carro alugado e com a ajuda de um homem que trabalhava lá, todas as minhas coisas já estavam prontas para sair por aí dentro daquele Toyota. E eu também.
O meu hotel era razoavelmente perto do aeroporto e com a ajuda do GPS, eu não me perdi no caminho. Fiz check-in e cinco minutos depois estava no meu quarto. Não era nada muito sofisticado e tenho certeza de que se meus pais estivessem aqui, eles iriam odiar, o que me fez gostar mais ainda. Mas o que o quarto faltava em decoração, a paisagem compensava. Dava para ver a praia da varanda e era de tirar o fôlego, isso porque estava à noite. Imagina pela manhã. Tomei um banho e resolvi tirar as roupas das malas amanhã, quando o fuso horário não estivesse me afetando tanto.

No dia seguinte, acordei e o quarto estava tão escuro que não conseguia enxergar nada. Tive que ligar a lanterna do celular para achar o interruptor, mas depois percebi que estava de dia, então só abri as cortinas. A luz do sol veio direto no meu rosto e eu fiquei impressionada. Era uma quinta-feira e mesmo assim a praia estava lotada, tinha mais gente surfando do que tomando banho no mar. Ainda meio lesada, coloquei uma música para tocar no celular e fui arrumando as minhas coisas. As duas malas de roupa não demoraram para serem guardadas e os produtos de beleza já estavam no banheiro. Coloquei a minha câmera fotográfica na mesa e fui tomar um banho para o café da manhã.
O restaurante do hotel tinha todos os tipos de comida e eu experimentei o máximo que pude. Decidi sair para conhecer mais a cidade e com a câmera no pescoço, saí andando em direção à praia.
O verão na Austrália era muito mais quente que o da Inglaterra, por motivos óbvios, e eu estava amando cada minuto. Usar roupas curtas e frescas era maravilhoso e ver todas aquelas pessoas se sentindo à vontade daquele jeito era melhor ainda.
Quanto mais eu andava, mais perto da aglomeração ficava. Eram tantas pessoas diferentes que eu já achava que tinha algo de errado. Passar o verão na Austrália tudo bem, mas já em dezembro? Fui passando pelas pessoas em direção à beira mar para ver o que era tudo aquilo e finalmente entendi. Estava tendo um campeonato de surfe e um dos grandes, pelo visto. Várias tendas estavam espalhadas pela areia e alguns surfistas estavam no mar, sendo avaliados por cinco pessoas sentadas em uma tenda só para eles. Fotógrafos e jornalistas estavam por todos os lados e eu acabei seguindo alguns deles à medida que eles chegavam mais perto ainda do local de competição.
Admirada, comecei a tirar fotos dos surfistas e da área a minha volta. Em cada tenda tinha uma equipe de pessoas diferentes e mesmo sem saber qual era o campeonato que estava acontecendo ali, fui registrando tudo.
Consegui chegar bem perto de uma tenda específica que tinha um homem com aquelas roupas apertadas de surfista e uma prancha enorme estava ao seu lado, sendo cuidada por dois outros homens. No momento em que tirei a foto deles, o primeiro olhou para mim e me observou atentamente. Dei um sorriso sem graça e ele veio em minha direção, mas sua expressão não era uma das melhores.
O homem tinha um tom bronzeado natural, o que deixaria vários caras com inveja, principalmente um em específico que deixei em Londres. O surfista parou na minha frente e me avaliou.
– O que você está fazendo?! – ele perguntou sério e eu fiquei sem reação.
– Hã, tirando fotos? – respondi sem ter certeza do que falar, mesmo aquilo sendo óbvio. Ele me olhava bravo e eu não fazia ideia do motivo.
– Por quê? Foi o Medina que te contratou? Fala para aquele moleque que...
– Senhor, me desculpe, mas eu não faço ideia do que você está falando! – por mais que estivesse irritada com aquele homem que parecia que tinha acabado de sair de um filme, mantive a compostura. Pelo visto, ele era tanto bonito quanto parecia ser louco.
– Então por que você está sem a credencial de fotógrafa? A área para torcedores é lá atrás. – ele apontou para uma área onde estavam várias pessoas juntas e eu fechei os olhos sem acreditar. Não tinha nem vinte e quatros horas que eu estava aqui e já tinha feito merda.
– Eu não sabia disso! Me desculpe! – exclamei e ele me olhou não muito convencido.
– Sei...
– Já estou voltando para lá. Me desculpe novamente! – olhei para ele pela última vez e ele deu de ombros, ainda parado me vendo voltar para o lugar de onde tinha saído.
Fora a vergonha que eu tinha passado, a única coisa boa que saiu dali foram as fotos. Conversei com algumas pessoas e já entendia o básico do campeonato, que pelo visto era um circuito mundial de surfe e surfistas de vários países participavam.
Decidi voltar para o hotel tomar um banho, já que tinha areia dentro da minha sapatilha e nas panturrilhas e depois escolheria algum restaurante por perto para almoçar. Passei o resto do dia conhecendo os arredores do bairro onde eu estava e me controlei para não comprar várias coisas. Imagina a minha mala de volta como ficaria. Quando voltei para o hotel já estava na hora do jantar e aproveitei para comer logo, depois do banho eu sabia que ia dormir direto. O meu celular apitava constantemente e eu sabia quem era, portanto o coloquei no silencioso, deixando para ver as mensagens só depois de chegar ao quarto.
Joguei minha bolsa na cama e depois de pronta para dormir, peguei o celular, vendo ligações perdidas pelo Skype e Facetime. Os meus pais me ligaram inúmeras vezes, mas tinha me mandando mensagem além das ligações.
E a ironia da situação não saiu da minha cabeça. Antes, eu procurava saber onde ele estava, que horas ia voltar e coisas do tipo. Afinal, morávamos juntos e como futura esposa, gostava de surpreendê-lo às vezes. Mas só precisou de três traições da parte dele e um fuga inesperada da minha, para que ele viesse correndo atrás como um cachorro sem dono. Na verdade, até um cachorro sem dono é mais fiel que ele.
Visualizei todas as suas mensagens e não respondi nada. Mandei uma breve mensagem para a minha mãe, avisando que eu estava bem e que meu pai nem ela precisariam ficar preocupados. Assim como , os dois não faziam ideia de onde eu estava.
Me apaixonei perdidamente por ele aos 19 anos quando estava na faculdade de Jornalismo e ele na de Direito, em Oxford. Aos 22 eu estava noiva e dois anos depois, com 24, descobri que ele me traiu com a paralegal da empresa da sua família. Fiquei trancada no meu antigo quarto na casa dos meus pais por quase um mês. A última conversa que tive com foi quando falei para ele que não queria mais o ver, mas não usei a palavra término. Então ele todos os dias ia me visitar, mesmo que do outro lado da porta, e pedir perdão até eu ficar de saco cheio da voz dele. Mas quando isso acontecia, eu colocava alguma música no volume máximo e pesquisava destinos de viagem. Foi assim que eu escolhi a Austrália. Eu necessitava de uma mudança drástica na minha vida e nada mais apropriado do que um país onde o Sol estivesse à mostra para todas as pessoas durante o verão, aquecendo cada uma delas. E finalmente eu faço parte disso.
Havia quatro dias que eu estava aqui e a cada dia eu aprendia uma coisa nova, até mesmo palavras. Vendo a praia da varanda do quarto, vi que o circuito ainda estava acontecendo. Peguei a minha câmera e fui para lá outra vez, dessa vez ficando na área dos torcedores para não levar esporro.
Descobri que não havia nenhum britânico na competição, o que não me surpreende, já que surfe não se encaixa exatamente como um esporte popular do meu país.
Fui tirando fotos de alguns turistas e eles sorriam para mim. De repente, uma pessoa alta e com boné para do meu lado com os braços cruzados.
– Então você é uma turista? – o homem se virou para mim e eu o reconheci. Era o surfista que me deu uma bronca, mas hoje ele estava com roupas normais. Uma camiseta que deixava os músculos dos braços bem à mostra e uma bermuda listrada, com chinelos nos pés. Os seus óculos escuros me impossibilitaram de ver seus olhos verdes como no outro dia, mas as sardas estavam bem visíveis.
– Sim. Apenas uma turista. – respondi, abaixando a câmera. – A sua área não é lá não? – apontei para as tendas que estavam distantes e ele riu.
– Na verdade, a minha área é onde eu quiser. Posso ir para qualquer lugar. – ele fingiu se desculpar enquanto falava e eu balancei a cabeça rindo.
– Entendi. E você está usando tudo isso para não ser reconhecido ou o que? – fiz menção aos óculos e ao boné.
– Principalmente para não ser reconhecido, mas também porque a Austrália é ensolarada. – ele tirou os óculos e encarou meu corpo todo. – Você é britânica?
– O que te fez pensar nisso? – perguntei, mas talvez a resposta fosse óbvia. Eu não era do tipo bronzeada, natural nem artificial, e o meu sotaque era mais pesado do que o dele.
– Primeiro, o seu sotaque. O que até passaria por quem não é australiano, o que não é o meu caso. Mas você está com calçado, então definitivamente não é daqui. – assim que ele acabou de falar, eu fiquei confusa.
– Como assim? Você também está com calçado. – arqueei uma sobrancelha e esperei a resposta, que veio em forma de zombaria.
– Sim, mas você tá toda arrumada para se estar na praia. Se você reparar bem, vai ver que algumas pessoas estão descalças. Claro que nem todas são daqui, mas avaliando a roupa e mais algumas coisas você já consegue dizer que menos da metade é turista. – ele foi indicando algumas pessoas e fui entendendo o que queria dizer.
– Vocês andam frequentemente descalços então?
– Quando estamos na praia, sim. Saímos de casa descalços e voltamos descalços, principalmente se moramos por perto. – ele respondeu e começou a andar para a frente, na direção do mar.
– Então por que você não está descalço?
– Porque eu não moro perto e pretendo passar em outro lugar depois daqui. Vem, vamos para lá. – ele continuou andando para perto da beira mar e apesar de ter estranhado, não falei nada.
Depois de passarmos por várias pessoas, chegamos no local onde eu estava há três dias. E dessa vez, não levei bronca.
– Eu não posso ficar aqui, lembra? – ergui as sobrancelhas e ia fazer o caminho de volta quando ele me parou.
– E eu posso ir para qualquer lugar, lembra? Então se você estiver comigo, você também pode isso. – ele sorriu abertamente pela primeira vez e eu tive a certeza de que os australianos eram de outro mundo.
Eu não iria perder a oportunidade de ficar na parte de dentro do campeonato, mesmo nunca tendo me importado com surfe. Crescendo, eu tinha outras obrigações e vontades além de aprender a surfar. E mesmo se eu tivesse tido a louca ideia de querer aprender, meus pais me proibiriam. Desde quando os iam deixar a filha única surfar?! Nunca é a resposta.
O surfista conhecido ia andando ao meu lado e a cada passo nós parávamos para cumprimentar alguém. Nós não, ele, no caso. Desde o outro dia ficou bem óbvio que ele era um surfista profissional e que competia no circuito, então conhecer todas essas pessoas era mais óbvio ainda.
Nós paramos em uma parte mais afastada da concentração de pessoas e nos sentamos na areia. Com a câmera ainda no pescoço, fechei a lente e a desliguei, sentindo que não precisaria dela por um tempo.
– Se você participa desse campeonato, por que não tá na água hoje?
– Por que desde o dia que começou até o dia que vai acabar, as etapas são divididas em grupos de três. Essa é a primeira etapa com 36 participantes, então são 12 grupos de três. Eu fui na primeira bateria e me classifiquei. Agora tenho que esperar o resto terminar para começar a segunda etapa. – ele explicou brevemente e eu assenti.
– Tem quantas etapas? – observei um surfista entrar no mar e logo pegar a primeira onda.
– Onze e eu pretendo participar de todas elas. As três primeiras são aqui na Austrália.
– Onze? É coisa pra caramba.
– Sim, mas o prêmio compensa. Sem contar que eu posso surfar nas melhores praias do mundo. – ele virou a cabeça pra mim e ficou me olhando. – O que você veio fazer na Austrália... eu não sei o seu nome.
Nós rimos com a falta de atenção de cada um. Eu não tinha nem pensado em perguntar o nome dele. Por algum motivo, parecia que eu o conhecia faz tempo, então nomes não eram tão necessários assim.
. Eu também não sei o seu. – ele fingiu estar ofendido por não conhecê-lo.
.
tirou o boné e os óculos de sol, enquanto eu ainda estava com os meus.
– Você já teve a oportunidade de conhecer bem a cidade?
– Se você está falando de shoppings, lojas e alguns quarteirões mais para a frente, sim. – ele rolou os olhos enquanto eu respondia. – O que foi?
– Você ainda não foi no SkyPoint Observation Deck? Nem no Currumbin Wildlife Sanctuary?
– Não! Ainda estou um pouco afetada pelo fuso horário, então todos esses pontos turísticos ainda não foram visitados por mim.
– Você está perdendo tempo. – ele balançou a cabeça e eu suspirei. Eu sabia disso, mas a história do fuso horário era verdade. E eu tinha que me acostumar a fazer tudo sozinha de agora em diante.
– O que você sugere que eu vá ver primeiro?
– SkyPoint Observation ou Climb. É no 77º andar do arranha-céu Q1. Lá de cima dá pra você ver toda a Surfers Paradise. Se você quiser uma companhia, posso ir com você.
Embora eu não estivesse preparada para sair, nem que seja pelos pontos turísticos de Gold Coast, com um surfista profissional, admito que precisava de ajuda. Ainda mais quando a ajuda em questão é um australiano.
– Sim, eu adoraria. – respondi e ele sorriu.
– Ótimo. Mas o Currumbin Wildlife Sanctuary é ainda mais perto daqui, 15 minutos no máximo. Podemos dar uma passada lá também. – ele falou casualmente e eu tentava manter o rosto sem expressão.
Quando alguém como eu beija a mesma boca por cinco anos, algumas coisas se perdem no meio do caminho. Como por exemplo, tentar identificar um flerte. acabou de se oferecer para ir a dois pontos turísticos comigo e não consigo acreditar que seja apenas por causa da bondade do seu coração. Ou talvez realmente seja. Tomara.
– Lá tem cangurus e coalas? – a resposta veio acompanhada de uma risada dele.
– Vários!
– Então é com certeza sim! – sorri, voltando a olhar para a paisagem a minha frente.
O mar azul e com ondas grandes poderia ser apavorante para qualquer outra pessoa, mas não para mim. O que eu precisava no momento era exatamente isso. A linha do horizonte da praia de Snapper Rocks me mostrava que o quer que acontecesse, nem tudo estava perdido.
Na manhã seguinte recebi uma mensagem de . Nós trocamos os números ontem e depois ficamos andando pela praia e vendo a competição rolar. Estava tudo certo para irmos ao Currumbin Wildlife Sanctuary na hora do almoço.
Fui tomar café da manhã e depois passei as fotos de ontem da câmera para o notebook. Algumas ficaram muito boas, principalmente as dos turistas.
Não ia publicar nenhuma delas, até porque seria uma dica enorme para a minha família descobrir onde eu estava.
O tempo passou e já estava na hora de me arrumar. Coloquei um short jeans rasgado com uma blusa azul sem mangas, uma camisa jeans amarrada na cintura e um coturno marrom. Juntei todos os meus documentos e pus dentro da bolsa que iria levar comigo. Como o parque era a 15 minutos do meu hotel, imaginei que seria uma boa ir andando até lá. Tirei várias fotos do caminho até lá e quando percebi já estava na entrada do parque. Antes que eu pudesse entrar para comprar o ingresso, vi chegando. Dessa vez ele estava sem óculos de sol e seus olhos logo encontraram os meus. Sorri, acenando para ele, que apertou o passo e me abraçou rapidamente quando chegou perto. Ainda estava tentando me acostumar com essa parte. Não sou do tipo que abraça conhecidos, só a família e amigos, mas os australianos são muito mais calorosos e essa característica deles eu estranhava um pouco. Um abraço para mim é íntimo, então fiquei um pouco estranha por alguns minutos, mas parecia ser ótimo em fazer as pessoas rirem, o que me fez ficar relaxada durante todo o passeio.
Nós visitamos a arena dos papagaios australianos e tive a chance de segurá-los. Eles eram verdes, exceto pelas penas azuis na cabeça e laranja no peito. Tinham tantos ali que era uma mistura incrível de cores. Na hora fiquei animada para ver o resto dos animais.
Ali por perto tinha a área dos diabos-da-tasmânia e eles não têm nada a ver com o Taz do Looney Tunes. São um pouco assustadores só pelo fato de comerem cangurus, caso necessário. Não quis ficar muito por perto deles, então fomos direto para onde os Tammar wallabies estavam, que no caso são pequenos cangurus. Entramos no espaço destinado a eles e uma mulher que trabalha lá falou que eu poderia alimentá-los. e eu pegamos as frutas que eles comem e lentamente nos aproximamos de dois. Estendemos as mãos e eles, interessados, começaram a comer. Com a mão livre, pegou seu celular e tirou uma foto de nós dois, depois parando para tirar uma só minha. A próxima parada foi na área dos Quokkas e eu nunca quis apertar tanto um animal na minha vida. Eles eram mais fofos pessoalmente e com um pouco de sorte consegui tirar uma foto minha com um deles.
Eu comecei a reclamar de fome, então seguimos para a praça de alimentação. Tinha apenas quatro opções de restaurantes e todas elas eram a céu aberto e entre as árvores. Trabalhar aqui devia ser muito cansativo, já que o parque é gigante, mas com certeza era satisfatório. Só de ver a natureza praticamente intocada tão de perto era incrível. Escolhemos comer no Wild Burgers e tentei não rir de , que pediu dois hambúrgueres, porque segundo ele, um só não mata a fome.
– Mas então , você não me disse o que veio fazer aqui. Ainda mais sozinha. – ele falou entre uma mordida e outra no primeiro hambúrguer.
– Vim conhecer, ué. – me olhou não muito convencido, mas isso era tudo o que eu falaria por enquanto.
– Você só vai ficar por três meses?
– Sim, é o visto de turista. Posso estender até seis, mas acho difícil disso acontecer. – mordisquei o meu hambúrguer e esperei ele falar.
– Por quê?
– Porque eu tenho que voltar para o meu país eventualmente. – falei divertidamente, mas era um sacrifício me lembrar do que eu tinha deixado para trás.
– Por quê? A Austrália é muito melhor. – ele parou de comer e me encarou por alguns segundos.
Sabe aquele tipo de homem que você acha que nunca vai ter uma chance, simplesmente porque ele talvez seja demais para você? Alto na medida certa, bonito, simpático, engraçado e que por acaso tem um corpo escultural? é esse tipo de homem. Um completo oposto de em alguns aspectos.
As pessoas prestam atenção em porque ele é um homem de poder e o jeito com que ele se porta por vezes é sério demais, isso o garante respeito. Já chama a atenção por ser descontraído e carismático, o que deixa a maioria das pessoas encantada com ele. Como ele era um surfista profissional australiano, fomos parados umas cinco vezes por fãs querendo tirar fotos. E todas ele tirava de bom gosto, mas sempre me olhando do canto do olho querendo se desculpar. Já eu não reclamei disso, afinal, é uma das consequências de ser bom no que você faz, e provou isso para todas as pessoas só de estar na World Championship Tour, formada pela elite do surfe mundial.
? – pisquei na direção do australiano e percebi que eu tinha ficado fora da realidade por alguns segundos.
– Ah, me desculpe. Você falou alguma coisa? – foquei meus olhos nele, que soltou uma risada.
– Não, só achei engraçado você distraída. Eu fico assim antes de entrar na água. – sorri com a expressão serena que ele tinha no rosto. – Eu geralmente me alongo e paro por alguns segundos pra observar o mar.
– Como é a sensação de estar lá? – demorou pouco tempo para responder e tive a impressão de que ele estava buscando as palavras certas para descrever.
– Honestamente, é incrível. Parece que eu fui feito pra fazer aquilo. Eu nunca tive um plano B, então estar onde eu estou agora é muito bom.
– Talvez você realmente tenha sido feito pra surfar. – comentei e ele concordou comigo.
– O que você faz no seu país? – além de aceitar ser rebaixada por um homem e ser traída? Essa parte da resposta ficou presa na minha mente, não iria deixá-la escapar.
– Eu sou jornalista. E antes que você fale que eu estava te espionando naquele dia, a minha área é a moda, não o surfe. – observei a reação dele, que riu ao me ouvir falar.
– Eu te devo desculpas por aquele dia, não devo?
– Achei que você nunca fosse perguntar! – fingi estar chateada, mas percebeu a minha brincadeira.
– Desculpa se fui rude naquele dia. – ele falou ao terminar de comer o primeiro hambúrguer, já se preparando para o segundo.
– Ah, tá tudo certo. Não fiquei ofendida porque não entendi o significado do que você falou naquela hora. – ri me lembrando da cena.
– Eu disse que... ah, não importa mais! Mas fico feliz por você ter voltado a praia depois. – ele sorriu de leve enquanto me olhava e para não corar na frente dele, abaixei a cabeça, me concentrando na comida.
Passei o resto da tarde conhecendo o parque com me guiando. De vez em quando ele colocava as mãos na minha cintura e eu paralisava, por mais bobo que fosse o gesto dele. A realidade era que eu não estava pronta para começar tudo de novo com outra pessoa, mesmo que por um pequeno período de tempo. Mas sentir outra pessoa perto era bom, aconchegante, até.
Eu só não tinha coragem o suficiente para deixá-lo chegar perto demais por enquanto.
Estávamos parados em frente ao meu hotel. ofereceu me dar uma carona de volta e eu aceitei. Por mais que o caminho fosse bonito, eu era preguiçosa demais para recusar.
– Então, gostou de hoje? – ele se virou para mim e me observou enquanto eu tirava o cinto.
– Sim! Muito obrigada. Se você não desse certo como surfista, poderia trabalhar lá. – brinquei com ele.
– É, eu mandei meu currículo, mas não deu certo... – ele levantou os ombros e eu me recostei mais no banco.
– É uma pena. Você ficaria muito bem naquele uniforme. – em qualquer coisa, para falar a verdade. Guardei essa parte para mim mesma.
– Vou fingir que acredito! – ele riu e depois se concentrou em mim. – Já que você gostou de me ter como guia, podemos ir amanhã no SkyPoint Observation, o que acha?
Como eu não tinha nada melhor para fazer e iria nesse lugar de um jeito ou de outro, achei melhor ter companhia.
– Eu acho ótimo. – sorri e ele relaxou no banco.
– Que tal irmos amanhã antes do pôr do sol?
– Nossa, deve ser lindo a essa hora. – imaginei a vista nesse horário do topo de um dos maiores prédios da cidade e tenho certeza que na realidade será bem melhor.
– Você não faz nem ideia de como é lá. Uma pergunta: Você tem medo de altura?
– Eu acho que não, por quê? – olhei desconfiada para ele.
– Vai ter que confiar em mim. – piscou e eu corei.
Achei melhor sair do carro antes que ficasse um clima estranho, então me despedi e fechei a porta após desembarcar. esperou que eu entrasse no hotel para ir embora, o que não era totalmente necessário, já que não eram nem sete horas da noite. Fui direto para o meu quarto tomar um banho. Por mais que o dia tivesse sido muito bom, eu precisava de algumas horas para mim mesma. Como se eu já não tivesse isso ao viajar para outro país sozinha, né.
Abri a torneira da banheira e deixei a água encher enquanto tirava a minha roupa e colocando-a no cesto de roupa suja. Separei o meu pijama e já estava pensando em qual filme assistir no Netflix assim que entrei na banheira. Fiquei uns 20 minutos lá e depois corri para a cama ficar debaixo do lençol, não estava frio o suficiente para um edredom. Pedi o jantar pelo telefone e parei para pensar em . Não fazia ideia do que ele estava aprontando, mas quem sai na chuva é para se molhar, certo?
Vi que meu celular tinha algumas chamadas perdidas de , mas não me dei o trabalho de retornar. Eu não iria mais correr atrás dele e esperava que isso ficasse bem claro para ele. Talvez houvesse sim uma vontade bem lá no fundo do meu coração de perdoá-lo, mas enquanto eu tivesse o controle das minhas ações, isso nunca iria acontecer.
Eu me encontrava no septuagésimo sétimo andar do arranha-céu Q1. Daqui dava para ver toda a praia do bairro de Surfers Paradise. Esse andar era somente para que as pessoas apreciassem a vista em um ângulo de 360º. estava ao meu lado observando a minha reação. Já eu tentava salvar essa imagem na minha cabeça. Eu tinha viajado para alguns países da Europa, mas nenhum se comparava a esse. Em questão de beleza natural, a Austrália poderia facilmente ganhar de todos eles.
– Então, tá pronta? – me perguntou e eu respirei fundo antes de responder.
– Sim.
Com isso subimos um andar e apresentamos nossos ingressos. só me falou o plano de hoje quando já estávamos dentro do prédio. Nós iríamos subir até o topo do Q1, literalmente. Vestimos a roupa apropriada e a instrutora passou uma corda grossa, que mais parecia um cinto de segurança, pelo nosso corpo, nos ligando a ela e as outras pessoas que fariam a subida. estava na minha frente e se virou para me olhar. Estava nítido que eu começava a ficar nervosa, até porque não é todo dia que eu fico a 270 metros do solo.
– Agora não tem como desistir mais. Mas você consegue. – ele estendeu a mão para que eu segurasse e sem hesitar, a peguei. Tudo o que interessava no momento era a subida que eu estava prestes a fazer e saberia como tirar meu nervosismo.
O percurso até o topo demorou meia hora e não fiquei com medo da altura. Já que estava na minha frente, eu não precisei olhar para trás e não olhei tanto para baixo, pra não dar espaço para alguma vertigem. Ficamos no topo por uns vinte minutos, o suficiente para que o pôr do sol acontecesse.
O céu estava alaranjado e rosado ao mesmo tempo e eu me sentia apaixonada por aquilo. ficou ao meu lado esse tempo todo e a distância entre os nossos corpos era bem pequena, o que nem me incomodava mais.
A descida foi mais rápida e logo depois estávamos de volta ao 78º andar do prédio. Tiramos o macacão que nos deram e fomos conduzidos ao restaurante dali. Com a vista ainda de 360º, dava para ver as luzes da cidade acesas, dando um ar romântico ao local.
fez os pedidos e me pegando de surpresa, pôs as mãos em cima das minhas na mesa. Tentei não ficar nervosa, mas era impossível. Olhei para as nossas mãos juntas e um sentimento novo me preencheu. Será que é possível gostar de alguém novo quando há um amor antigo no coração?
Quando vi que estava me encarando, desviei o olhar. Ele então soltou um riso leve que me puxou de volta para os seus olhos.
– Você fica sem graça constantemente, sabia? – sua mão se mexeu sobre a minha e percebi que ele estava fazendo carinho.
– Talvez você não deveria me deixar sem graça.
– Você quer que eu pare? – a sua mão parou por alguns segundos e seu olhar continuou fixo em mim. Pude notar que ele tinha ficado inseguro com a minha resposta e não gostei do que isso causou em mim. Se eu não me sentia insegura com ele, não queria que ele sentisse o mesmo.
– Não. – respondi observando seu rosto. Senti o toque da sua mão novamente nas minhas e a apertei de leve.
Após o restaurante fomos passear na rua, tomamos sorvete e ficamos em uma praça ali perto. Descobri um lado diferente de . Ele era atencioso e carinhoso além de tudo o que já era normalmente. No final da noite, quando ele me deixou de carro no hotel, fiquei sem saber como me despedir dele. Sim, nós tínhamos nos abraçado e ficado de mãos dadas o tempo todo, mas nenhum beijo fora dado e eu tenho a absoluta certeza de que entraria em pânico caso isso acontecesse. Escolhi dar um beijo na bochecha dele, que aconteceu de ser bem próximo a boca, devido a minha tentativa de sair de lá o mais rápido possível. Mas antes que eu saísse, ele segurou a minha mão levemente e me deu um beijo na bochecha, também próximo a boca. Senti todos os meus órgãos se revirarem dentro de mim e fiquei parada sem saber o que fazer.
me olhava intrigado e eu tive a terrível ideia de olhá-lo de volta. Não precisava ser um gênio para entender o que estava prestes a acontecer, então eu fugi. Desejei boa noite e saí do carro apressada. Corri tanto para chegar no meu quarto que fiquei sem ar. Eu já sabia o que fazer, mas esperei recuperar o fôlego.

, não sei se deu para perceber pelo tempo em que ficamos sem nos falar, mas não existe mais eu e você. Eu te perdoo pelo o que fez comigo, mas não quero mais saber de você. Tenha uma vida medíocre, porque você merece.

Enviei a mensagem e não esperei uma resposta, bloqueando imediatamente o número dele. Não fazia ideia de que sentiria alívio, mas foi uma surpresa boa. Já estava preparada para seguir em frente com a minha vida.
Uma semana se passou e e eu estávamos íntimos. Não no sentido literal da palavra, mas já havíamos nos beijado. O primeiro beijo foi revigorante para mim. Era como se eu tivesse saído para respirar depois de um longo tempo dentro d’água. E nunca mais voltaria para lá.
Já tinha aprendido quase tudo sobre o campeonato que estava participando e a segunda etapa, na praia Bells Beach, começaria em cinco dias. Ele estava no quarto arrumando a mala quando me chamou. Eu estava na sua casa e caminhei até o quarto dele.
– Oi. – falei me apoiando na parede da porta.
– Eu tenho uma proposta pra te fazer. – estava com um sorriso travesso no rosto e não consegui não rir.
– Diga.
– Você quer ir para Bells Beach comigo? – fiquei surpresa.
Não estava esperando isso dele. Quando ele me falou que iria viajar para outro estado por causa do campeonato, eu imaginei que não o veria mais.
– Você está pensando demais. Se não quiser ir, pode falar. Não vou ficar chateado. Talvez um pouco triste, mas entendo o seu lado. Você veio para cá para conhecer, não pra acompanhar uma competição de...
! – parei na frente dele, que estava sentado na cama, e segurei seus ombros. – Às vezes você fala demais. – sentei no seu colo e comecei a enrolar seu cabelo já cacheado nos meus dedos. – Vai ser legal ir com você.
E iria. Austrália era o paraíso de milhares de pessoas e estava sendo o meu também. Não faria mal algum descobrir mais algumas cidades desse país ensolarado.
– Então você aceita? – ele abriu um sorriso gigante e me abraçou, fazendo com que caíssemos deitados na cama. – Que ótimo, porque eu tive a brilhante ideia de irmos de carro até lá. Você vai amar.
Me aconcheguei no seu peito e não vi a necessidade de responder. Eu já estava amando tudo isso.
No dia seguinte estávamos prontos para partir. Arrumei as minhas malas e avisei ao gerente do hotel que ficaria fora por alguns dias, semanas no caso.
Coloquei tudo dentro do carro de e ele deu a partida. Torquay, a cidade onde a praia Bells Beach ficava, era a 1.800 km de Gold Coast, o que significava que ficaríamos uns dois dias viajando. , pensando sempre em me apresentar as praias do seu país, escolheu o trajeto em que passávamos pelo litoral. Tirei foto de várias praias e guardei na cabeça o nome de todas elas.
Tivemos que parar para dormir pela noite em um hotel e era melhor do que o meu. Dividimos o quarto e por mais que sem camisa me deixasse sem fôlego e causasse algumas outras reações, me segurei. Não estava pronta para ter sexo com outra pessoa e ele não me pressionou.
Depois de acordados, tomamos café da manhã e dessa vez eu que fui dirigindo enquanto era meu copiloto. Peguei ele me observando mais de três vezes, até que perguntei o que era.
– Só estou te olhando, não posso?
– Pode, mas eu fico com vergonha. Você sabe disso. – e ele realmente sabia. Era incrível como ele prestava atenção em mim e percebia coisas sobre mim que eu mesma não estava ciente.
– Eu sei, por isso mesmo que eu amo fazer isso. – sorriu e eu virei meu olhar para a estrada. Não pude deixar de sorrir. Ele implicava comigo, mas sabia que não era por mal.
– Você está tirando a minha concentração.
– Você tira a minha quando eu estou dirigindo também. É bem difícil me manter concentrado com você do meu lado. – ele se inclinou para o meu lado e beijou meu ombro rapidamente. Senti o local formigar e ri baixinho. Se tinha alguém que era capaz de transformar um gesto simples em completa ternura e romance, era .
Depois de horas dirigindo, troquei de lugar com ele. Já estávamos quase perto do nosso destino e o Sol começava a se por. Dava para ver o mar de onde estávamos e fui pegando no sono olhando a paisagem. Se eu já não estava no paraíso, ao menos estava quase chegando lá.
? Acorda. – senti um beijo na minha bochecha e outro na minha testa. Abri os olhos e estava sorrindo na minha frente.
– Já chegamos? – me espreguicei e olhei ao redor. O carro estava parado em frente ao hotel em que ficaríamos hospedados durante a semana.
– Já? Demoramos só quase dois dias pra chegar aqui. – soltei uma risada com a resposta dele e me preparei para sair do carro.
– Pode deixar as malas aqui. O manobrista vai estacionar o carro e depois alguém sobe com as nossas coisas.
Saí do carro só com a minha bolsa e dei a mão a . Eram quase 22h e a rua estava silenciosa. Uma das coisas que eu percebi aqui na Austrália era que a maioria das pessoas ia dormir cedo. Não era como Nova York, onde a qualquer hora tem uma festa para você ir. A população, de Gold Coast, pelo menos, era mais calma.
Entramos no hotel e a recepcionista já estava a nossa espera. Não demoramos muito para chegarmos ao quarto. Era na verdade mais um apartamento pequeno do que um quarto. Tinha uma sala de estar com uma cozinha simples ao lado e no final do corredor era a suíte. Eu precisava de um banho e por mais que tivesse dormido à tarde, meu corpo queria uma cama.
Esperei que as malas chegassem no quarto para que eu pudesse começar a arrumar. foi arrumando as coisas dele e eu as minhas. Quando vi, nós dois estávamos no banheiro. Parei para olhar a cena. colocava alguns de seus produtos em cima da bancada e eu fazia a mesma coisa. Isso me lembrou de quando eu e nos mudamos para a mesma casa. Ele me deixou arrumar tudo do jeito que eu quisesse, não para me agradar, mas sim porque nas palavras dele, ele estava ocupado com coisas mais importantes. Na época eu não tinha dado muita atenção a essas palavras, mas agora eu via o quão egoísta ele era. A casa era de nós dois, seria onde os nossos filhos cresceriam e não tivemos uma conexão formada nesse momento inicial. Era uma casa, mas não era o meu lar.
Ao ver arrumar tudo sem reclamar ou sem me pedir para fazer alguma coisa, finalmente percebi que era um homem mimado. Ele sempre teve tudo aos seus pés e se não tivesse, poderia comprar.
– Você tem estado muito dispersa.
Senti me abraçar por trás e me dar um beijo no pescoço, me deixando arrepiada.
– Desculpa, estou tão cansada que a minha mente tá indo para outros lugares. – segurei seus braços que estavam ao redor do meu corpo e encostei a cabeça no seu peito.
– Vamos dormir então. Vai tomando banho que eu termino de arrumar as coisas lá no quarto. – ele me deu um beijo na têmpora e saiu do banheiro, me dando privacidade.
O banheiro tinha até uma banheira, mas preferi tomar banho no chuveiro mesmo. Queria uma coisa rápida pra poder ir dormir logo. Depois de seca, saí com a toalha enrolada no corpo, indo pegar o pijama na mala.
– O seu pijama tá em cima da cama. – disse quando me viu abrindo a mala.
– Você é muito eficiente. – cheguei perto dele e dei um beijo rápido em sua boca. – Obrigada.
Ele sorriu e me puxou, me fazendo sentar no seu colo.
– Avisei ao Clark que já chegamos e ele me disse que tenho uma entrevista para fazer daqui a dois dias em uma estação de rádio.
Aparentemente, é uma das mais famosas da cidade. – ele falou enquanto soltava meu cabelo e dava pequenos beijos nas minhas costas.
– Clark é ótimo. Ele já chegou? – Clark era basicamente o empresário de . Ele que cuidava de tudo.
– Ainda não, vai chegar no dia da entrevista.
– Então vamos ter dois dias para fazermos o que quisermos? – olhei para ele sorrindo. iria surfar logo no primeiro dia da segunda etapa, que aconteceria daqui a três dias.
– Vou ter que treinar pelas manhãs, do mesmo jeito que fiz em Gold Coast. Mas à tarde e à noite serei seu.
estava sem camisa, então passei minhas unhas pelo seu peito. Ele mordeu o lábio de uma maneira incrivelmente sexy, que me fez desejar atirar a minha toalha pro alto. Aproveitei que estava me sentindo um pouco provocativa e sussurrei no seu ouvido.
– Vai tomar banho, porquinho. – dei um beijo na sua bochecha e saí do colo dele com um sorriso no rosto.
Ele se jogou mais ainda na cadeira e com a cabeça para trás, fechou os olhos. O seu abdome definido era ótimo para se observar, então fiquei ali até que ele me pegou admirando.
– Depois eu que fico encarando. – ele se levantou e mordeu a minha orelha de leve, arrepiando meus pelos, provavelmente pela terceira vez no dia.
Ele foi para o banheiro e coloquei meu pijama. Deitei na cama e estava quase pegando no sono quando se deitou ao meu lado, passando o braço por cima do meu corpo e me trazendo mais para perto dele.
– Boa noite, . – beijou meu ombro e eu balbuciei alguma coisa parecida com um “boa noite” em resposta.
Acordei sentindo cheiro de ovos e bacon, o que me fez pular da cama. Eram quase 9h da manhã e estava fazendo café da manhã. Antes de chegarmos ao hotel, a geladeira foi preenchida por vários ingredientes.
– Bom dia. – me espreguicei e já fui me sentando na mesa. – Você fez tudo isso? – além do bacon e ovos, torradas estavam em um prato junto de um pote de vegemite.
– Bom dia! Pensei em fazer um café da manhã apropriado pra gente. – ele chegou com um suco de laranja e pôs na mesa.
– Você podia ter me chamado pra te ajudar. – falei enquanto montava meu prato.
– Eu sei me virar na cozinha. Além do mais, não quis te acordar. – sorriu para mim e eu sorri de volta. – O que você está fazendo?
– Hã?
– Você não come vegemite? – ele me olhou como se eu fosse um ser de outro planeta.
– Não! Não sei se vou gostar... – mordi a minha torrada enquanto ele ainda me olhava. Um segundo depois ele estendeu a torrada dele com vegemite por cima. – Mas eu não quero.
, só um pedaço. – revirei os olhos e mordi a torrada. Um gosto forte e salgado veio e aquilo era errado. Simplesmente errado. Devolvi a torrada dele na mesma hora e comi uma porção de bacon e ovos na minha.
– Isso é horroroso. – falei depois de sentir o gosto ir embora. estava se divertindo às minhas custas, claramente.
– Você só não se acostumou ainda. Até o final do campeonato eu mudo o seu pensamento.
Estremeci com a frase. O final do campeonato seria no Havaí, mas antes disso, ele passaria pela África do Sul, Taiti, Portugal e mais alguns outros países. Não queria ser pessimista, mas era impossível que eu ficasse todo esse tempo com ele. Não por não querer, mas sim porque eu tinha que voltar para o meu trabalho e para a vida que eu levava em Londres. Sem .
Passamos o resto do dia conhecendo um pouco da cidade. já tinha vindo aqui várias vezes, então ele se lembrava dos pontos legais. Fizemos um piquenique em uma praia e depois fomos até Bells Beach, onde seria o campeonato. analisou algumas coisas, mas como ele surfava nessa praia desde adolescente, era quase como se estivesse em casa.
Voltamos para o hotel por volta das 20h, tomamos banho e jantamos. A entrevista de era no dia seguinte e eu não queria que ele acordasse cansado, então fomos dormir logo em seguida.
Acordei com o despertador e fui me arrumar, já que iria com ele para a estação de rádio. A entrevista estava marcada para as 10h, mas tínhamos que chegar meia hora antes. Pedi o café da manhã pelo telefone e já estava pronto quando a comida chegou. Deu tempo só de escovarmos os dentes e irmos para a estação.
foi parado algumas vezes por fãs que ficaram sabendo da entrevista e estavam o esperando do lado de fora. Encontramos Clark e ele nos conduziu para dentro até a sala onde o programa era transmitido.
está aqui comigo. , obrigado pela sua presença! A sua vaga na segunda etapa do Circuito Mundial de Surfe foi muito bem adquirida. Você teve a maior pontuação entre os surfistas da primeira etapa e a segunda vem aí. O que você espera? – o locutor era animado, o que contagiou .
– Obrigado por me convidar, Jeffrey. Eu não espero nada menos do que ondas gigantes em Bells Beach. Eu surfei aqui várias vezes e por mais que esteja acostumado com as ondas com mais de dois metros que têm aqui por causa do verão, nunca é a mesma coisa. Estou bem animado, para falar a verdade.
– São essas ondas que fazem de Bells Beach uma praia para profissionais. Mas você surfou aqui no Circuito do ano passado e se classificou com uma ótima pontuação. Acha que por já conhecer a área, o mesmo vai acontecer esse ano?
– Como você disse, Bells Beach é uma praia para profissionais. Por mais que você conheça a área muito bem, o mais importante é o que você vai fazer com ela. As duas quebradas pra direita podem te enganar se você não for esperto. – concluiu a resposta e por mais que eu não tivesse entendido algumas coisas, estava feliz por ele.
– Mudando um pouco de assunto, ficamos sabendo que veio de carro para cá. E teve companhia. Já podemos inclui-la na família do surfe? – arregalei meus olhos quando ouvi a pergunta. Isso definitivamente não estava nos planos. Olhei para Clark sem saber o que fazer, mas ele riu. Dava para ver o rosto de de onde eu estava e ele olhou para mim antes de responder.
– Ainda é muito cedo para inclui-la nessa família doida, mas no final das contas só depende dela. Por mim ela sairia viajando comigo o Circuito inteiro. – respondeu tranquilamente e não parecia estar nem um pouco desconfortável.
– É especial então? – Jeffrey continuou insistindo e eu sabia que devia estar vermelha de tão corada.
– Ela é a mais especial, definitivamente. – sorriu e me olhou. Desviei o olhar por não saber o que fazer.
Não prestei muita atenção no resto da entrevista, fiquei encarando o teto ou as minhas unhas até que apareceu do meu lado.
– E aí, como me saí?
– Você foi ótimo! – respondi já sentindo a vergonha ir embora. Ele me abraçou de lado e não perdemos tempo para sairmos dali.
No caminho de volta, foi dirigindo e eu fui pensando no que ele tinha falado sobre eu ser a mais especial. Parando para analisar bem a minha vida amorosa, eu só tinha uma pessoa com quem comparar. Mas em todos esses momentos em que eu comparei com mentalmente, ganhou todas as vezes. não era nem digno de comparação, sendo bem sincera. Se eu pudesse apagar o nosso relacionamento da minha vida, apagaria sem pensar duas vezes.
, o que eu falei lá no estúdio é verdade. – voltei minha atenção para ele, que alternava os olhares entre a rua e eu. – Você é a mulher mais especial que eu conheci na minha vida. – tentei interrompê-lo, mas ele não me deu brecha. – Eu nunca tive um relacionamento sério. Nunca namorei porque nunca achei ninguém que gostasse o suficiente. E você? Já teve alguma coisa séria?
– Não. – respondi imediatamente. Talvez eu devesse falar que há um mês eu estava noiva, mas isso só traria confusão e era a última coisa que eu queria no momento. Porém a minha resposta não era uma total mentira. Sim, ser noiva era uma coisa séria, mas será que contava mesmo depois de você não amar mais a pessoa com quem ia se casar?
fez um carinho na minha perna e eu parei de respirar por uns segundos. Eu não amava mais . Não sei quais foram os passos exatos que fiz para que chegasse a essa conclusão. E com certeza teve uma grande influência nisso, mas eu não amava mais . Soltei uma risada alta e me senti leve pela primeira vez desde muito tempo. me olhou confuso e eu sorri para ele.
– Só estou feliz.
– Eu também estou. – ele concordou comigo.
Chegamos no quarto e não tínhamos mais nada para fazer durante o dia, então ficamos deitados o tempo todo vendo tv ou filme. toda hora me dava beijos perto da orelha e como resposta eu beijava o seu pescoço. Teve um momento, porém, em que aproveitei que o filme estava monótono e o beijei.
A sua boca se encaixava perfeitamente na minha e eu só conseguia pensar naquilo. As mãos dele nunca tinham ido muito para cima ou muito para baixo durante esse tempo em que estávamos juntos, então elas estavam paradas na minha cintura nesse momento. Já as minhas iam para o braço dele, o peito e as costas.
Como estávamos deitados de frente um para o outro, meu braço estava começando a ficar dormente, então mudei de posição. Fui para cima dele, que me olhou surpreso. Passei minhas mãos pelo seu rosto e ele apertou minha cintura. Dei um sorriso de lado antes de voltar a beijá-lo. Estava praticamente sentada em cima dele e quando percebi, o meu quadril rebolava lentamente.
também percebeu o meu movimento e começou a movimentar suas mãos pelo meu corpo. Ele segurou a minha bunda com força e eu gemi entre o beijo, deixando-o excitado debaixo de mim. Fui descendo com a minha boca até o seu pescoço, demorando alguns segundos ali. Sem aviso, me jogou para baixo dele e tirou a camisa acompanhado por mim. Ele voltou as mãos e boca para os meus seios, que com rapidez, me livrou do sutiã. Sua língua passou pelo meu mamilo direito enquanto uma mão pegou o meu seio esquerdo. Enquanto isso, senti o seu pênis duro entre as minhas pernas e arfei. Afastei e tirei meu short junto da minha calcinha. Ele me olhou com desejo e antes de ficar nu, pôs dois dedos dentro de mim para me sentir, tirando logo em seguida e lambendo-os. lembrou de pegar uma camisinha que estava na mala dele e alguns segundos depois ele me penetrou. Gemi com ele dentro de mim. Saí debaixo dele, fazendo com que ele ficasse por baixo. Sentei nele e comecei a rebolar, arranhando o seu peito enquanto isso. Ele fechava os olhos e eu me controlava para não gritar de tesão. ficou sentado comigo sentada nele e eu aumentei a velocidade dos meus movimentos. Estava quase pulando em cima dele quando meus gemidos foram ficando mais altos. Meu clitóris entrava em contato com a pele de , o que me fazia ficar mais excitada.
Senti a sensação do orgasmo vindo e gritei, diminuindo os meus movimentos em cima dele. se movimentava lentamente e fechou os olhos e sorriu quando sentiu que eu tinha gozado. Rapidamente fiquei de quatro e ele me penetrou com mais cuidado, já que eu estava sensível. Minhas pernas tremiam, mas eu já estava voltando a ficar excitada. segurou meus cabelos com força para trás e bateu na minha bunda, me fazendo gemer.
Ele aumentou a velocidade e um tempo depois senti o seu corpo se retesar e ele gemeu assim que gozou. Me deitei na cama e ele veio para o meu lado. Tirou a camisinha, mas deixou o pacote fechado por perto, já sabendo que aquela não seria a única vez da noite.
Eram 7h da manhã e já estava acordado. Ele não parecia estar cansado, mas admito que o que fizemos ontem foi cansativo depois da terceira vez.
A segunda etapa do campeonato só começaria às 10h, mas precisávamos ir bem antes disso. Terminamos de arrumar as poucas coisas que tínhamos que levar e eu abri a porta para sairmos do pequeno apartamento. Uma pessoa bloqueava a minha saída e eu soltei as duas bolsas que levava, fazendo com que elas caíssem no chão. Dei um passo para trás e veio olhar o que estava acontecendo.
, o que houve? – ele olhou para mim e depois para sem entender nada.
... – olhei para ele em súplica. Não queria que ele ouvisse nada do que sairia da boca de .
– Meu amor, quanto tempo! – o meu ex noivo se pronunciou e eu não sabia se sentia raiva ou medo. Ele nunca me machucou, mas só de saber que ele conseguiu descobrir onde eu estava me fazia estremecer. – Tempo até demais, não acha?
– Quem é você? – perdeu a paciência antes mesmo da confusão começar.
– Você não sabe? – soltou um riso falso. – Eu sou o noivo da . – ele fez questão de pronunciar o meu nome do jeito que tinha falado anteriormente.
– O quê?! – olhou para mim e pude sentir a dor dele. – Isso é verdade?
, eu...
– Você mentiu pra mim. Você é noiva e mentiu pra mim! Disse que nunca teve nada sério e agora eu descubro que você é noiva! Porra, ! – ele esbravejou e eu fechei os olhos com vontade de chorar. estava com os olhos vermelhos e eu não sabia o que fazer.
– Me ouve, por favor. – pedi baixinho.
– Eu não acredito que você fez isso, meu amor. Coitado do... , certo? Você enganou o pobre rapaz, . Você foi embora da nossa casa para iludir um surfista? Achei que seria traído por alguém melhor. – abriu a boca mentirosa e eu quase vomitei de repulsa.
– Cala a sua boca agora! – ameacei.
– Foi por isso que você nunca me disse porque tinha vindo para cá! Você é noiva e...
– Ex noiva! – gritei e tive a certeza de que o andar todo me escutou. Olhei nos olhos e ele chorava. Suprimi a minha vontade de chorar e tentei me explicar. – Eu terminei com ele antes de ter qualquer coisa com você!
, querida, você só vai piorar as coisas.
, cale essa boca inútil e imunda! – gritei novamente e se eu pudesse, faria com que ele explodisse só com o meu olhar. – Sai daqui!
– Não! Sai você, . – me olhou com raiva e eu fiquei sem reação. – Ou melhor, saio eu. Mas quando eu voltar, não quero ver você aqui. – os seus olhos verdes estavam transparecendo tanta coisa que tive medo de tentar me aprofundar neles.
Observei pegar as suas coisas e sair de lá, me deixando a sós com , que riu. Nunca tive vontade, ou coragem, de machucar ninguém, mas essa seria uma ótima hora para colocar isso em prática.
– Vai embora.
– Você também vai ter que ir, por que não vamos juntos? – revirei os olhos e respirei fundo.
– O que você quer?
– Você não pode terminar comigo por mensagem e achar que está tudo bem. Estamos juntos há cincos anos...
– Estávamos! E você jogou fora todos esses anos quando me traiu. Entenda de uma vez por todas: eu não sou mais sua noiva. Eu não te amo mais! – falei pausadamente e gritei ao final.
– Você não pode estar falando sério. Você vai me trocar por ele?
, eu estou te trocando por mim mesma! Eu nem quero saber como você descobriu onde eu estava, a única coisa na qual estou interessada é em te ver longe daqui! Sai agora! – peguei as duas bolsas que ainda estavam no chão e as segurei.
, pensa bem no que você está fazendo!
– Já pensei, agora vai embora. Eu não estou brincando. – olhei para ele com toda a raiva que poderia transmitir através de um olhar. abaixou a guarda e deu um passo para trás.
– Tudo bem então. Seja feliz com essa vida medíocre que você vai ter. Você merece. – ouvi-o falar o que eu tinha falado para ele por mensagem e soltei a minha respiração. Antes que eu pudesse fechar a porta na cara dele, ele teve o bom senso de ir embora.

’s POV

Era a minha vez de entrar na água e eu mal conseguia me concentrar.
Estava tentando assimilar tudo o que tinha acontecido, mas não sabia em quem acreditar. Toda vez que eu pensava que estava falando a verdade, me perguntava o porquê de pensar desse jeito. Mas era muito mais difícil acreditar no noivo dela do que nela. Tudo nele me cheirava a prepotência.
Tentei tirar esse assunto da cabeça pelas próximas horas, estava prestes a entrar no mar e não deixaria um cara qualquer acabar com a minha calma e atenção.
’s POV

Estava à noite e já era para ter chegado. Eu poderia ter ido atrás dele depois que foi embora, mas sei que ele precisava de espaço.
Dispensei a camareira e arrumei a sala, cozinha, quarto e banheiro. O que não ocupou nem três horas do meu dia.
Tomei outro banho, retirei todas as minhas roupas do armário, guardei os calçados e tirei tudo o que me pertencia da bancada do banheiro. Estava pronta para ir embora quando pensei melhor. Iria esperar ele chegar do campeonato, iria me desculpar e se ele não quisesse me ver nunca mais, iria honrar o pedido dele.
Meia hora depois ouço o barulho do cartão da porta e vejo entrando. Ele viu que a minha mala estava na sala e me olhou, mas não falou nada.
– Podemos conversar?
, eu não sei o que dizer. – ele puxou uma cadeira da mesa e sentou na minha frente.
– Então só me escuta. Por favor. – disse calmamente. Como não negou, continuei. – Eu fui noiva por dois anos. Nós já morávamos juntos. Descobri esse ano que ele me traía. Saí de casa e um tempo depois, na casa dos meus pais, decidi vir para cá. Ele não sabia para onde eu tinha ido e me mandava mensagem todos os dias. Mas o que você tem que saber é que eu terminei com ele antes de ter qualquer coisa com você.
– Então por que você não me disse isso quando eu te perguntei? Você escolheu mentir, dizendo que nunca teve nada sério. Não tem nada que não seja sério nessa história!
– Eu sei e me desculpe por isso! Mas agora eu vejo que o que tivemos não foi sério. Muito ao menos real.
– Estar de casamento marcado parece coisa séria para mim. – me encarou e eu sustentei o olhar dessa vez.
– O nosso casamento nunca foi marcado. – ele revirou os olhos e ignorou o que eu disse.
– Você pode passar a noite aqui se quiser. Eu vou dormir em outro lugar.
– Não. Você que reservou o quarto, eu que saio. – falei.
– Não. Não vou te fazer sair procurando vaga em hotel em uma cidade que nem conhece a essa hora. Só vou pegar umas roupas e já saio daqui.
Ele foi para o quarto e dez minutos depois estava com a mochila nas costas.
– Tchau, . – ele se despediu, mas nem tive tempo de respondê-lo.
Foi difícil pegar no sono depois disso. Vinte e quatro horas tinham se passado desde que estávamos deitados juntos descobrindo um ao outro. Agora eu não sabia o que ele queria mais. Só sabia o que eu tinha que fazer.
Acordei, me arrumei e chequei o horário. Ele estaria na praia a essa hora vendo os outros surfistas. Peguei um táxi até lá e fui abrindo caminho entre as pessoas, que eram muitas. Avistei Clark e fiz um sinal para ele, que veio ao meu encontro.
– Me deixa ir lá falar com ele, por favor. – implorei.
– Boa sorte. – ele disse e me deixou passar para dentro da tenda onde estava. Antes que eu pudesse chamá-lo, ele me viu e mudou de postura.
– Vamos conversar mais para lá. – não precisei falar nada, foi me guiando para uma parte mais afastada da competição, assim como na primeira vez em que conversamos de verdade.
, eu sei que você está com raiva de mim e tem motivo para isso. – olhei para cima e pedi força ao céu. – Mas eu não estou pronta para desistir de você. Se você gosta de mim o quanto eu acho que gosta, você vai me perdoar eventualmente.
, eu não sei se...
– Não, espera. Você vai me perdoar porque eu vou fazer de tudo ao meu alcance para te mostrar que eu gosto de você mais do que você pensa. – parei para respirar fundo e segurei as suas mãos. – , eu me sentia afogada em um mar de indiferença. Vir para cá foi a melhor decisão que já fiz na minha vida e agora percebo que era o Sol que me faltava. Você é o meu Sol. Era você que me faltava.
Terminei de falar e pude notar um sorriso rápido tomar forma na boca de . Ele apertou as minhas mãos e falou:
– Você não me deixou terminar de falar. , eu não sei se você tem noção do quanto eu gosto de você. Mas se não tiver, vou deixar bem claro todos os dias a partir de hoje. – sorri e relaxei meu corpo. – E eu acredito em você.
Ele soltou as minhas mãos e me beijou, me envolvendo em seus braços ao mesmo tempo.
Nunca achei que vir para a Austrália resultaria em tudo isso, mas às vezes tudo o que você precisa é fazer o inesperado.



FIM

Leia as outras historias que participaram deste Desafio:

Dear announcer, I called to tell to you (Desafio #002 - Outros)
Fireworks (Desafio #002 - Original)
The Wonderful Now (Desafio #002 - Restrita)

Veja as regras do Desafio.
Não esqueça de comentar na sua preferida para que ela possa ganhar.

Nota da Autora: Para quem não conhece a Austrália, como eu, essa fic me fez ficar ansiosa para viajar para lá! Espero que você tenha gostado da leitura e se tiver, fique à vontade para comentar <3. O nome dela é de uma música do Tiago Iorc e ao final da fic, eu fiz referência a um trecho em que tem nela. Vale a pena procurar e se apaixonar. E por fim, preciso agradecer a Lari Carrião, minha miga de longa data e que sempre me ajuda quando preciso! Até o próximo desafio!

Nota da Beta: Se encontrar algum erro, me avise aqui.