Autora: Yass Backs | Beta: Mily | Capista: Paula P.

Capítulos:
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Capítulo Um

- Senhorita ? – Alana entrou na sala após dar leves batidas na porta. – Seu novo paciente está aqui!
- Pode manda-lo entrar e, Alana, é só !
- Oh sim... . – Ela sorriu e saiu da sala.
Esse é meu primeiro ano como psiquiatra depois de me graduar na faculdade. Recebi convites de instituições psiquiátricas para entrar para a equipe, mas decidi tentar um negocio sozinha primeiro. Meu pai me apoiou, já minha mãe, como sempre, me disse que isso seria um fracasso. Mas já me acostumei com ela desacreditando tudo na minha vida.
Eu mesma havia decorado a minha sala. Janelas de vidro, um armário de madeira para livros, meu sofá branco que é mais confortável que qualquer divã da cidade. Eu queria um lugar aconchegante para que meus pacientes se sentissem acolhidos.
- Senhorita ? – Uma voz masculina chamou a minha atenção. Levantei da minha poltrona confortável e me virei para a porta, ficando quase que assustada com o que via. Era uma rapaz com os cabelos loiros e olhos pretos. Usava uma camiseta branca e uma calça preta. Ele tinha um sorriso no rosto, muito lindo por sinal. Esse deve ser . Posso dizer que involuntariamente meus olhos passaram por todo o seu corpo. Seus ombros largos, seus braços grossos... Ah, o abdômen sarado, marcado pela camiseta que ele usava.
- Senhor ! – Falei, depois de discretamente balançar a cabeça afastando os pensamentos indevidos e me aproximei para cumprimenta-lo. – Por favor, sente-se ali! – Apontei para o sofá branco, de frente para a minha poltrona. – Como o senhor está?
- Um pouco ansioso... – Disse ele balançando a perna. – Me chame de você, por favor, me sinto muito velho quando me chamam de senhor.
- Ah, não se sinta! Você tem 28 anos, não é?
- Sim. E você? – Levantei meus olhos de sua ficha e o encarei. Ele olhava sério, mas tinha algo nos seus olhos que parecia ser divertido.
- Uma dama nunca revela a sua idade. – Sorri me sentando na poltrona. – Como você sabe, sou uma psiquiatra recém-formada e agradeço sua confiança em mim. Bom, acho que está ciente que eu gravo as minhas conversas com meus pacientes, para poder prestar atenção neles ao invés de ficar escrevendo e prestando atenção no papel. Você se importa?
- Não. Por mim tudo bem.
- Ok!
Me estiquei e apertei um botão do meu aparelho do gravador.
- Diga seu nome e idade, por favor.
- Sou Stewart . Tenho 28 anos.
- Então, , por que você me procurou?
- Bom, na verdade, foi minha mãe quem me convenceu de vir até aqui. Já passei por outros psiquiatras e meu problema ainda não foi resolvido. Ela está preocupada e, de certa forma, eu também estou.
- E qual é o seu problema, ?
Me inclinei e apoiei os braços em minhas pernas, o observando enquanto falava.
- Eu tenho tido insônia, não consigo dormir mais que duas horas por noite e, quando pego no sono, tenho pesadelos que me fazem acordar gritando a noite. Estou tendo crises de ansiedade quase o tempo todo e, só esse mês, tive quatro ataques de pânico. Isso me afetou tanto que tive que pegar licença no trabalho, pois não consigo trabalhar direito. Estou andando muito irritado e às vezes tenho vontade de socar algo, até que quebre no meio.
- Você tinha isso quando passou pelos outros psiquiatras?
- Sim, mas as crises de ansiedade não estavam tão frequentes e fortes. E ainda não tinha tido nenhum ataque de pânico. Acho que comecei a me desesperar por ninguém ter conseguido me ajudar...
- Você tem claustrofobia? Ou algo do gênero?
- Não.
- Há quanto tempo isso está acontecendo com você?
- Já faz quase dois anos. Mas a ansiedade começou a sair do controle faz poucos meses. Você não tem noção de como fiquei antes de vir ate aqui e conhecer você.
- Tudo bem, vamos começar por partes. Sua insônia. A insônia pode ser causada por vários fatores, por exemplo, grande consumo de cafeína e nicotina, uso de alguns medicamentos para tratar certas doenças, ou estresse pós-traumático. Mas acho que os outros psiquiatras com quem você se consultou já te disseram isso. – Ele assentiu. – Você toma remédio para ansiedade?
- Não, meus antigos psiquiatras diziam que isso era algo da minha mente, que eu poderia curar sem usar medicamentos.
- Você se importa se eu te receitar um remédio para isso? A sua insônia pode estar vindo do fato de você estar muito ansioso e passar por muito estresse. Eu garanto que isso vai te ajudar.
- Você é a doutora aqui. – Sorriu ele outra vez. Havia algo naquele sorriso que estava me deixando intrigada.
- Você passou por alguma situação traumatizante quando era criança? – Abaixei os olhos, procurando pelo meu bloco de papel para anotar o nome do remédio, antes que aquele sorriso entrasse na minha cabeça e eu esquecesse o tinha que fazer.
- Além do fato de ter sofrido bullying todos os anos no colégio, não. – Riu ele com sarcasmo.
- E quando se tornou adulto? Algo aconteceu? – E logo os olhos dele escureceram e ele cessou o riso e se calou, virando o rosto para encarar um lugar qualquer na minha sala. – ?
- Desculpe, é que... Me senti um pouco desconfortável agora.
- Quer um copo d’agua? Você está bem? – Franzi o cenho, enquanto ainda o encarava olhando para o nada. Logo ele se virou para mim e foi como se seus olhos me deixassem nua.
- Será que podemos falar sobre isso em outro dia? Me desculpe, é que ainda não me sinto confortável o suficiente para falar sobre isso com você...
- Está tudo bem, mas preciso de uma resposta, pois você pode ter estresse pós-traumático e eu tenho que entender o que está acontecendo com você para te ajudar. – Sorri. – Pode dizer apenas um sim ou um não.
- Sim, aconteceu algo bem traumatizante recentemente.
- Ok. Você tem fobia social? – Ele negou. – Pois então, a insônia pode estar vindo da sua ansiedade e de algumas outras coisas que ela proporciona, então eu vou passar para você um medicamento para tentarmos controlar isso. Vamos fazer um teste. Daqui a uma semana, na sua próxima consulta comigo, quero que me diga como foi sua experiência com o remédio.
- Tudo bem.
- Quero também que tente diminuir o máximo possível o seu estresse, pois ele é uma causa da insônia também. Você fuma?
- Não.
- Tem dores de cabeça e dores musculares?
- Sim.
- Fadiga, inquietação? Se sente muito irritado ultimamente?
- Bastante.
- Tem dificuldade em se concentrar?
- Sim.
Me levantei da poltrona e fui até a mesa, prescrevendo um medicamento.
– O medicamento que vou te receitar é a venlafaxina. É um antidepressivo e...
- Acha que estou depressivo?
Tirei os olhos do papel e o encarei. me olhava com a cabeça inclinada para o lado e uma expressão de interrogação no rosto.
- Não, esse antidepressivo é usado para o tratamento da TAG, transtorno de ansiedade generalizada que é o que você tem.
- Como sabe que é isso o que tenho? – A voz dele parecia tão admirado com o que falou, que não pude deixar de rir.
- Eu sou a doutora, lembra?
- Mulheres são realmente maravilhosas. – Sorriu ele. – Estou feliz de ter me consultado com você. Os outros terapeutas eram homens e queriam enfiar goela a baixo a historia de que remédios não me ajudariam.
- Só saberemos se dará certo se você tentar, ok? – Arranquei a folha e entreguei a ele. – Siga tudo o que está escrito aqui e tudo o que eu falei. Na próxima sessão, espero que você chegue aqui descansado para conversarmos mais.
- Obrigado, – Ele sorriu, me fazendo sorrir de volta.
- Ainda temos meia hora de consulta, há algo mais que queira me dizer?
- Você tem olhos lindos. – E eu estando totalmente desprevenida, senti minhas bochechas queimarem. E geralmente, quando algum dos meus pacientes me elogiam, eu apenas rio. – E achei que seu esmalte combinou com seus olhos.
- Eu agradeço o elogio, mas eu estava me referindo a você, . – Tentei ser o mais imparcial possível. Eu estava em um relacionamento sério. Não era certo flertar com outro homem, se eu já tinha .
- Tudo bem... Gosto dos seus olhos. São lindos.
- Ah meu Deus. – Abaixei a cabeça, rindo descrente.
- Você tem namorado?
- Sim, eu tenho.
- Sorte dele.
E assim, sorrindo, ele se dirigiu até a porta. – Até semana que vem, Senhorita .
E saiu da sala, acenando para mim.
Ok.
Ele é literalmente o paciente mais atraente que eu tenho e o mais intrigante também.
- ! A senhora Juliet está aqui. Mando ela entrar? – Alana apareceu na porta.
- Me dê 5 minutos e a mande entrar.
- Tudo bem.

Minha sala de consultas ficava em um prédio administrativo no centro da cidade de Los Angeles, no décimo quinto andar. É uma das melhores salas do prédio, pois tem vista para toda a cidade de uma altura perfeita. Moro em Los Angeles desde criança, mas nasci na Grécia, em uma viagem que meus pais fizeram nas férias quando minha mãe ainda estava de sete meses, completando o oitavo.
Estranho, não? Seus pais e a maior parte da sua linhagem ser americana e inglesa, mas você nascer grega? Acho que esse foi um dos maiores motivos de eu ter conseguido ser popular na época do ensino médio, o fato de não ter nascido por aqui. Pois bonita eu posso afirmar que não era, não sei por que, mas só fiquei bonita de verdade, ao meu ver, quando entrei na faculdade e conheci .
Ah, .
Eu fiquei completamente apaixonada por ele quando nos conhecemos em uma festa de uma das fraternidades. Ele fazia medicina e eu psicologia. O começo do namoro foi bem difícil, horários diferentes, estágios em horários ainda mais diferentes. Quase não tínhamos tempo para nos ver. Acho que esse foi um dos motivos pelos quais conseguimos nos suportar por quase sete anos juntos, o fato de não termos muito tempo para nos vermos. Mas agora que temos tempo, não sei, algo mudou entre nós, em questão ao que eu sentia por ele. Eu o amo, mas de uns tempos para cá, me sinto quase que forçada a suporta-lo. Acho que eu mesmo devia me fazer uma consulta.
- Olá querida! – Uma voz familiar disse na porta. Ao me virar, vejo Juliet, uma mulher de quase 50 anos, adentrando minha sala. Ela tem problemas com o marido e com sua autoestima. Eu a adoro. É uma ótima amiga, uma pessoa carismática, só perdeu muito tempo com o marido babaca e estou tentando abrir os seus olhos há quase dois meses, tentando mostrar a ela que ela não precisa de homem nenhum para ser feliz.
- Oi Juliet, como você está?
- Ah, estou tentando, você sabe!
Oh não! Tinha algo errado ali. Ela estava diferente, mais triste.
- O que aconteceu?
- Phill está me traindo com uma garota que tem a metade da minha idade. – E assim caiu aos prantos, se sentando no sofá e escondendo o rosto entre as mãos. Fui até o balcão, que ficava perto da porta e peguei um copo de agua, a entregando. – Eu não sei mais o que fazer, .
- Eu já não me lembro mais quantas vezes eu já te perguntei isso, mas o que ainda está fazendo com ele se te faz tão triste assim? – Me sentei em sua frente.
- Eu o amo.
- Mas e ele? Ele te ama?
- Eu não sei. Está tudo tão difícil...
- Juliet, você tem que entender uma coisa. Amor não machuca, ao contrario, o amor cura, ele fecha as feridas. Se você não se sente bem com ele, deixe-o. Você não precisa se humilhar e muito menos sofrer por alguém que não vale a pena. E não estou falando isso como sua psiquiatra, e sim como sua amiga.
- Mas e meus filhos? Como eles vão reagir ao saber que me separei do pai deles?
- Seus filhos são adultos. Eles não moram mais em sua casa, você não precisa ficar presa a esse relacionamento abusivo só por causa de Peter e Nora!
- Não é um relacionamento abusivo... Phill nunca me bateu. – De repente ela parecia zangada. Tudo bem, meu objetivo aqui é conscientizar e tentar ajuda-la.
- Muitas mulheres não sabem que estão em um relacionamento abusivo antes de saírem dele. E um relacionamento assim não convém só de violência física. Violência verbal, como todas as coisas que ele diz para te diminuir, te manipular, te deixar culpada de algo que você não fez ou mesmo se sentir culpada por ele estar irritado, é sim um abuso. E você não tem que aceitar, mulher nenhuma deve aceitar ser diminuída por homem nenhum.
- O que faço? – E então ela voltou a chorar.
- Se solte mulher! Deixe-o para trás. Vá ser feliz em outro lugar. Você merece. Você só tem de se lembrar que você é linda. E que merece ser feliz.
- Obrigada ! O que eu faria sem você?
- Sou só uma psiquiatra...

Ao longo da semana, tive de três a quatro consultas por dia.
Eu acho que para ser um psicólogo, psiquiatra ou psicanalista você deve ser muito forte, para ajudar as pessoas a resolverem seus problemas e não quebrar com os seus. Se você não tiver um relacionamento bom consigo mesmo e com as pessoas próximas de você, você não irá conseguir ajudar ninguém e nem a si mesmo. É mais ou menos o que está acontecendo comigo. e eu. As coisas estão começando a ficar complicadas.
É sexta feira, e acabei de terminar minha ultima consulta.
Estou agora revisando o áudio que gravei e anotando tudo na ficha do paciente.
- Você quer que eu te espere? – Alana perguntou, enquanto eu organizava as pastas dos pacientes em cima da minha mesa.
- Ah não, vou ficar mais um pouco, quero arrumar esses papeis e analisar um pouco mais.
- Tudo bem, até segunda!
- Até!
E assim ela saiu da sala fechando a porta. Escutei o barulho do seu salto e a porta do consultório sendo fechada. Ok, eu estava sozinha.
Gosto de ficar aqui algumas vezes até mais tarde na sexta feira quando tenho muitos pacientes na semana. É sempre bom revisar seus depoimentos e analisar um pouco mais para tentar entender o máximo possível seus problemas e ajuda-los da melhor forma possível.
- Amanda Walker, transtorno obsessivo compulsivo. – Para mim um dos piores transtornos mentais. Se eu tivesse isso, não conseguiria viver na minha casa, como já deu para perceber, lá é uma bagunça. Preciso de uma empregada. – James Honório, já tentou o suicídio e tem depressão aguda. – Bom, esse caso já está encerrado, o indiquei uma clinica de habilitação onde são tratados pacientes com Lúpus. Ainda não tive noticias dele, espero que tenha melhorado. – ... Transtorno de ansiedade generalizada. – O rapaz de olhos pretos e cabelo tingido que me fez ficar desconcentrada pelo resto da semana. Há algo nele que me deixa muito intrigada. Aquele olhar que penetrou na minha alma e me deixou marcada até hoje.
E saio dos pensamentos quando escuto um barulho vindo da sala de espera. Franzi o cenho. Alana já havia ido embora. Eu não iria chamar por ninguém, sabia bem o que acontecia nos filmes de terror quando os personagens saiam gritando no cenário. Deixei a pasta de em cima da mesa e me levantei, caminhando até a porta.
Hesitei antes de abrir a porta, mas no momento em que girei a maçaneta, alguém empurrou a porta me fazendo dar um pulo para trás e soltar um grito.
- Meu Deus, você devia ter visto a sua cara – E quase caiu de joelhos enquanto gargalhava alto.
- Idiota! – Exclamei e voltei para a minha mesa. As brincadeiras de eram engraçadas... Há sete anos!
- Ah amor, foi só um sustinho! – Disse se aproximando da minha cadeira e me abraçando. – Eu estava esperando você lá no estacionamento, mas a Alana disse que você ficaria por mais algum tempo, então decidi subir para te buscar.
- Me buscar? Para quê?
- Para o nosso jantar em família. Você esqueceu?
- Ah, eu não esqueci, pensei que tínhamos combinado que eu não ia! – Bufei fechando as fichas e as guardando dentro da gaveta.
- Mas sei que pode mudar de ideia.
- Eu não quero ir. – Exclamei guardando minhas coisas na bolsa.
- Amor, minha mãe quer muito ver você...
- Mas eu não quero ver suas primas gêmeas dando em cima de você.
- Elas não vão fazer isso, okay? – Disse ele segurando o meu rosto e me dando um beijo. – Eu amo você.
Quer apostar quanto que vou ser ignorada naquele jantar?

Um pouco mais tarde, chegamos a um restaurante perto do centro, era um tipo de restaurante misturado com bar. Havia inaugurado há poucas semanas e era do pai da namorada do melhor amigo de .
Cléo, mãe de é uma mulher maravilhosa. Já o marido e o resto da família, sem comentários.
- , querida, continua linda como sempre! – Ela me cumprimentou, me dando um beijo no rosto. Então a noite começou. E mesmo Cléo falando comigo, me senti realmente excluída naquela mesa enquanto deixava de me dar atenção para dar atenção as primas dele e os tios tarados comiam a comida enquanto me encaravam, até mesmo a fome eu perdi.
Louise e Emma são as primas de . Ambas com 24 anos e roupinha estilo piriguete. Nada contra quem gosta de um estilo mais periguetona, mas odeio tanto elas. Desde que comecei a namorar com , elas não largam do pé dele e isso está me tirando do sério.
E como eu disse... Já se passava quase uma hora em que me ignorava completamente para conversar com as duas garotas promiscuas a seu lado. Sou uma pessoa muito paciente, mas não suporto que me ignorem na cara dura.
- Com licença – Falei colocando o guardanapo na mesa e me ltando. No mesmo momento, segurou o meu braço.
- Fica.
- Não sou uma cachorrinha que obedece as suas ordens, me solte. – Puxei meu braço de volta. – Quando se lembrar que tem namorada, eu estarei em casa.
E dei as costas, saindo dali. Ao passar pela porta, abracei meu corpo ao sentir o vento frio e comecei a caminhar em direção ao Rover vermelho, estacionando do outro lado da rua.
- Não está muito frio para você sair por aí sem uma blusa? – Escutei uma voz familiar e logo sinto um tecido quente sobre meus ombros. Logo depois, um ser de olhos escuros e cabelos tingidos aparece ao meu lado com um sorriso no rosto. Ele usava uma camiseta de uma cor mais azulada e uma calça Jeans. Ao respirar fundo, sinto seu perfume amadeirado invadir meu corpo. Ele tem um cheiro tão bom.
- ! – Suspirei sem querer e logo senti minhas bochechas queimarem.
- Sou eu!
- O que faz aqui? Está me seguindo? – Perguntei com uma ironia o rosto.
- Claro, adoro garotas bonitas e inteligentes que andam sem roupa de frio em uma noite que está fazendo quase 7 graus. – Sorriu ele, colocando as mãos nos bolsos enquanto me acompanhava pela rua. – Eu estava lá dentro no restaurante quando vi você saindo parecendo irritada. Estou com alguns amigos. Você está bem?
- Sim, só um leve desconforto por ter passado uma hora sendo ignorada por todos da mesa.
- Quem seria burro o bastante para ignorar você?
- Meu namorado e a família dele – Falei, enquanto me encostava no meu carro. Ele parou na minha frente e só aí que fui parar para prestar atenção que ele era uns dez centímetros mais alto que eu e... Uau, como ele era lindo com a luz da lua. – Quero dizer, a mãe dele é muito boa comigo, mas o resto, ou me odeiam por algum motivo desconhecido, ou torcem para que eu e terminemos para tentarem algo comigo.
- Eu seria da turma que torce para vocês terminarem. – Ele riu, me fazendo rir também. – Não se preocupe, famílias são assim mesmo, chega um dia que você se acostuma. Daqui a pouco vocês casam e podem se mudar para bem longe dessa família, só vendo eles uma vez por ano.
- Casar com o ? Acho que não. – Ri irônica e só depois percebi o olhar que lançava para mim. Me senti uma péssima psiquiatra por não saber o que aquele olhar significava. A única coisa que senti foi um frio na barriga e, de algum modo, uma sensação gostosa de ter dito aquilo para ele. Ah, meu Deus, o que eu estou falando?
- Por que não? Você não o ama? – Ele perguntou deixando o sorriso de lado, tornando seu rosto sério e se encostou ao meu lado no carro, mas de frente para mim, me encarando com aquela intensidade quase sufocante que carregava em seus olhos negros.
- Ele está te incomodando ? – apareceu atrás de mim, passando o braço por minha cintura. Ao ver os olhos de descerem até onde a mão de me tocava, me senti desconfortável e me afastei de , saindo do meio dos dois.
- Não. Não está! O que estava me incomodando era você flertando na minha frente com as suas duas priminhas queridas.
- Eu não estava flertando com elas...
- Que seja! – O interrompi e logo me lembrei que e ele não se conheciam. – Esse é , é meu paciente.
- Ah, você é mais um doente mental procurando ajuda?
- ! – O repreendi.
soltou uma risada fria e deixou o sorriso no rosto.
- Está tudo bem, . – Ele frisou meu apelido e senti uma pontada no estomago ao escutar o quão sexy foi escutá-lo falar meu apelido. E então ele se virou para mim. – Eu tenho que ir, meus amigos estão me esperando. Te vejo no consultório na terça? – Assenti, tentando esconder o sorriso. Algo nele me fazia querer sorrir toda vez que ele me olhava. E então se virou para e o encarou. era alguns centímetros mais alto que ele. – Deixa eu te dar um conselho. Deixa de ser babaca com a sua namorada, pois tenho certeza que se vocês se separarem, alguém vai cuidar melhor dela.
ficou estático. Não sei se foi de surpresa ou de raiva. se virou para mim, piscou, sorriu e atravessou a rua em direção á blazer preta estacionada perto da porta. Algumas pessoas saíram no mesmo momento do restaurante e entraram no carro com ele. Ao arrancar, ele me encarou sorrindo e acenou para mim. Panaca!
- Quem esse cara pensa que é? – Escutei bufar ao meu lado. – Eu não quero que ele se consulte com você.
Espera... O que?
- O quê? – Me virei aumentando a voz para ele, com o cenho franzido. Se tem uma coisa nesse mundo que eu não admito, é homem ciumento e inseguro tentando mandar na minha vida profissional e pessoal. Aliás, não admito que homem nenhum tente controlar a minha vida. – E desde quando você acha que eu recebo ordens suas?
- Ele claramente deu em cima de você na minha frente, !
- Beleza, eu o transfiro para outro psiquiatra e você para de falar com suas priminhas gêmeas piranhas.
- Elas são da minha família...
- E ele é meu paciente! Não vou deixar de atendê-lo até que tenha esgotado a ultima chance de ajuda-lo a melhorar. E pelo o que eu saiba, eu trabalhei sozinha para conseguir alugar aquele lugar para abrir meu consultório e nunca peguei um centavo seu para pagar nenhuma conta minha e muito menos minha faculdade, então abaixa essa sua bola aí porque você não manda em mim.
- Sou seu namorado.
- Mas não é meu dono! – O interrompi mais uma vez. – Estou indo embora. Nos falamos amanhã.
- Você não pode me deixar sozinho aqui com a minha família.
- É mesmo? Presta atenção. – Falei pegando a chave dentro do bolso da calça e abri o carro, entrando nele e o liguei, acelerando e saindo dali.
Como eu disse, não sei como consigo suportar essas crises de achando que é meu dono e que vou fazer tudo o que ele quer.
- Vai vendo! – Exclamei, ligando o radio. E só aí percebi que ainda estava usando a jaqueta que havia colocado em meus ombros. Respirei fundo e mais uma vez pude sentir o cheiro do perfume de .
Eu não deveria fazer isso, não é mesmo?


Capítulo 2

Put your hands all over
Put your hands all over me...
Put Your hands all over


- PUT YOUR HANDS ALL OVER ME… – Pulei da cama gritando, enquanto o som de Hands All Over de Maroon 5 tocava no radio despertador. Hoje começa mais um dia de trabalho.
A maior parte das pessoas ficam irritadas em uma segunda de manhã e já acordam querendo dar na cara do primeiro que vê na frente. Na época da faculdade, eu também era assim. Por sair muito para festas, eu chegava tarde e na segunda de manhã, eu mataria o primeiro que aparecesse. Mas hoje em dia, me sinto bem ao acordar cedo, gosto do meu trabalho e do que faço. Talvez se as pessoas gostassem mais dos seus trabalhos ou das suas aulas, elas não ficariam tão irritadas ao acordarem cedo em uma segunda.
O meu final de semana foi uma porcaria, então eu realmente espero que esse dia me salve das péssimas memorias de sábado e domingo.
e eu brigamos, de novo, só pra variar.

Após tomar meu banho e vestir minha roupa, tomei um pouco de café sentada na mesa da cozinha. Ao voltar para a sala para ir em direção à saída, vejo a jaqueta de em cima do sofá. Acredite ou não, passei o fim de semana todo com ela e me sinto terrível por isso. Sinto que estou traindo por estar usando aquela jaqueta, mas ela é tão cheirosa e quentinha. Decidi vesti-la novamente. Ao chegar em casa esta noite, eu teria de lava-la para entregar a na consulta de amanhã.
Saí de casa, trancando a porta e entrando no meu carro. Era hora de ir ao trabalho. Ainda eram seis e vinte da manhã, mas gosto de sair cedo de casa para não pegar engarrafamentos e dar tempo de dar uma revisada nos depoimentos de pacientes que vão ter consulta hoje. Isso abre a minha mente.
- Bom dia, Alana! – Cumprimentei a garota morena, que sorriu e acenou para mim. Alana é irmã da minha melhor amiga, . Eu amo as duas e no momento em que Alana disse que estava economizando para fazer faculdade de engenharia, eu ofereci o trabalho para ela, pois precisava de uma secretária. – Como foi seu fim de semana?
- Enfiei a cara nos livros, mas, na verdade, queria ter enfiado na cachaça. – Ela sorriu, me fazendo rir também. – E o seu?
- Um pouco conturbado. e eu brigamos de novo. – Falei, entrando na sala e colocando a bolsa em cima da minha mesa. – Não sei mais o que fazer. Acho que nós dois já demos tudo o que podíamos.
- Ora , você é linda, vai encontrar alguém que a faça feliz. Se não for ele, será outro alguém.
E a manhã começou.
Tive três pacientes dentre às sete da manhã até às onze. Quase não vi o tempo passar, mas meu estomago sim, pois começou a roncar.
Organizei os papeis e vesti a jaqueta.
Saindo da sala, encarei Alana no balcão de atendimento, ela estava concentrada em alguns papeis.
- Estou indo almoçar... Quer ir comigo?
- Ah não, vou ficar estudando. Trouxe meu almoço de casa. – Ela sorriu. Assenti e saí da sala, pegando o elevador. Tinha um restaurante perto dali, a poucas quadras.
Hoje era um dia raro em Los Angeles: o céu estava nublado e fazia frio. Geralmente havia sol e muito calor a essa hora do dia. Decidi ir a pé até o restaurante, fechei os botões da jaqueta e tive uma sensação estranha, como se alguém estivesse me abraçando. Imaginei que poderia ser .
Não consegui parar de pensar nele desde quando nos vimos na sexta feira, e ficar sentindo o seu cheiro só piorava minha situação.
estranhou eu estar com essa jaqueta o fim de semana todo e me perguntou de quem era, pois era grande de mais para ser minha e não era dele. Eu não quis mentir, mas para não brigar ainda mais, disse que era do meu pai, que ele tinha deixado na minha casa e que comecei a usá-la, pois sinto saudades dele. Até mesmo eu estranhei não conseguir não usar aquela jaqueta. Algo me diz que tem algo errado comigo.
No sábado a noite, e eu brigamos por eu querer ficar em casa assistindo filme e ele queria sair para balada. O resultado disso foi que eu fiquei em casa e ele saiu com os amigos dele.
- Eu ainda não sei porque você ainda deu um pé na bunda desse babaca! – bufou, enquanto fritávamos batata frita na cozinha da minha casa. Eu havia ligado para ela depois de brigar com .
- Eu também não sei... Acho que estou pensando na minha mãe; ela gosta tanto dele...
- Ah , pelo amor de Deus, sua mãe não tem nada a ver com a sua vida mais. Eles nem moram mais em Los Angeles. Você não precisa se prender ao por causa dela.
- É! Eu sei.
É difícil pra eu entender o que ainda estou fazendo com . Não sou mais feliz com ele e sempre aconselho minhas pacientes que sofrem em relacionamentos a darem um tempo a tudo aquilo, mas eu simplesmente não sei o que fazer com o meu próprio relacionamento. Eu amo o ... Pelo menos é o que eu acho. É tão difícil você mesma tomar uma decisão para a sua vida.

Chegando ao restaurante, me sentei em uma mesa mais no fundo e fiz meu pedido. Estou ansiosa por causa de algo e, quando fico ansiosa, a única coisa que quero fazer é comer o máximo possível. Mas se eu comesse demais, poderia passar mal no meio de alguma das minhas consultas, então pedi um prato leve e fiquei mexendo no celular até que o garçom voltasse com meu pedido.
E, quando acabei, paguei a conta e me dirigi até o banheiro, onde peguei uma escova de dente dentro da bolsa e fiz minha higiene bocal. Não gosto de ficar com mau hálito.
Ao sair do restaurante, fiz o mesmo percurso de volta para o prédio.
Ao entrar lá, comecei a remexer na minha bolsa, procurando pelo meu batom enquanto seguia em direção ao elevador. Foi quando bati de frente com alguém e, se essa pessoa não tivesse passado os braços em volta de mim, eu penderia para trás e cairia com força no chão do saguão.
Ao olhar para cima, arregalei os olhos ao encarar aquele olhar misterioso que ficou na minha cabeça o final de semana inteiro. E, oh, aquele sorriso de quem planeja algo malicioso me deixou ainda mais perturbada. Os braços de ainda estavam ao redor de mim, minhas mãos estavam contra o seu peito, onde podia sentir seu coração bater. Comecei a me arrepiar ao sentir sua respiração batendo em meu rosto. Eu queria dizer algo, mas a única coisa que conseguia fazer era sentir uma força me prendendo à ele, não querendo mais me soltar.
- Vejo que gostou da minha jaqueta. Ela te mantem bem quente? – Ele perguntou, deixando o sorriso de lado e ficando uma expressão mais seria no rosto, o que não deixava de ser extremamente sexy. Aquela proximidade toda não estava fazendo bem para mim, estava parecendo uma tola, não conseguindo tirar meu olhar dos olhos dele. – , você está bem?
E então a ficha caiu. Dei alguns passos para trás e limpei a garganta, assentindo.
- Desculpe... Eu iria lavá-la antes de entregar a você. Aliás, o que está fazendo aqui hoje? Sua consulta é só amanhã. – Perguntei, tentando mudar o assunto.
- Eu liguei para a sua secretaria, e pedi para mudar meu horário, não iria aguentar até amanha de ansiedade para vir até aqui. Tem algum problema para você?
- Ah, não! Não. Quando foi que ligou para ela? – Desviei de seu corpo esbelto e segui até o elevador, apertando com força o botão para chama-lo.
- Faz uma meia hora! Acabei de chegar aqui. – Disse ele, parando ao meu lado. – Ela me disse que hoje você só tem mais dois pacientes à tarde e que achava que não teria problema para você.
- E não tem. Eu estava mesmo querendo saber se você estava melhor. – Falei, entrando no elevador e ele me seguiu. Quando as portas se fecharam, uma atmosfera formou entre nós e aquele cheiro parecia estar me puxando para perto dele.
Foi quando meu celular tocou ao som de Hands To Myself, me fazendo procurar desesperada por ele dentro da bolsa.
- Alô!
- Oi, meu amor! Como está sendo seu dia? – !
- Está ótimo, e o seu? – Perguntei sem muita vontade, sentindo os olhos do homem ao lado em cima de mim.
- Está ótimo também. Hoje os caras nos chamaram para a festa de aniversario da Renn. Oito da noite hoje, lá no Black.
- , hoje é segunda feira. Eu tenho uma semana inteira de trabalho pela frente e não vou sair numa segunda à noite para beber com você, seus amigos e com Renn. Ela não gosta de mim e eu não gosto dela. Nós não vamos!
- Mas eu quero ir ! E você devia ir comigo também. Faz muito tempo que não saímos com meus amigos.
- Arrume amigos menos babacas e penso no seu caso. Até lá, não vou ir para lugar nenhum com eles.
- Você pode não ir, mas eu vou. – Falou ele com a voz mais alta do outro lado da linha.
- Faça o que quiser. Tenha uma boa tarde. – E finalizei a chamada, desligando o telefone e o enfiando dentro da bolsa, bufando de raiva.
- Problemas no paraíso? – perguntou.
- Isso parou de ser o paraíso há muito tempo. – Respondi, saindo do elevador quando as portas se abriram.
- , o senhor ligou e... – Alana começou a falar, mas se calou ao ver comigo.
- Tudo bem. , você já pode entrar. Fiz sinal e entrei na sala.
Ele entrou logo depois e fechou a porta. Coloquei minha bolsa em cima da minha mesa e tirei a jaqueta, colocando-a na cadeira. Ao me virar para , ele estava sentado no sofá, me encarando.
- E então? Como foi sua semana usando o medicamento? – Perguntei, me sentando na poltrona e colocando o gravador em cima da mesa.
- Ainda são meio dia e meia. – Ele disse e eu levantei meus olhos para ele. – A consulta começa uma da tarde. Acho que podemos conversar enquanto isso.
- E sobre o que quer conversar, ? – Perguntei, franzindo o cenho, e ele sorriu, encostando as costas no encosto do sofá e apoiando os braços nele.
- Me fale sobre você.
- O que quer saber de mim?
- Há quanto tempo você namora? – Ele inclinou a cabeça e continuou sorrindo.
- Sete anos. Conheci no começo do meu curso na faculdade.
- E você o ama? – Pisquei algumas vezes diante daquela pergunta. Eu já havia dito que o amava para mim várias e várias vezes, mas ninguém nunca havia me perguntado isso.
- Olha, não sei se é apropriado falarmos da minha vida aqui.
- Então quer dizer que podemos falar da minha vida, mas da sua não?
- Exatamente isso. Você é o paciente, eu sou a doutora. – Falei, ligando o gravador. – E nossa consulta começa agora.
Enquanto estávamos na sala, fiz varias perguntas sobre como haviam sido as noites dele depois de começar a tomar o medicamento.
- Foram ótimas. Minhas crises de ansiedade diminuíram bastante, agora consigo dormir por mais horas. Estou menos irritado e mais disposto. Acho que finalmente alguém conseguiu me ajudar. Obrigado, doutora. – Ele me lançou aquele sorriso que faz com que meu corpo inteiro se derreta e só consigo sentir mais arrepios.
- Isso é ótimo. Você quer falar sobre seus pesadelos?
- Ainda não me sinto confortável para falar sobre isso. É algo muito intimo...
- Se quiser, eu desligo o gravador para se sinta melhor.
- Isso não seria o suficiente. Eu ainda não conheço você direito, não conseguiria falar de algo tão intimo com alguém que não conheço bem. – Ele levantou os olhos da mesa para mim. – Acho seu cabelo lindo.
- Obrigada, . – Falei, desligando o gravador. – Eu não sei. – E ele franziu o cenho. – Eu não sei se amo o . Nós passamos tempos bons juntos, mas de uns tempos para cá as coisas mudaram de questão. E você? Ama alguém?
- Estou gostando de uma pessoa. Mas é um amor não correspondido, como sempre acontece comigo.
- Você já tentou falar dos seus sentimentos para essa pessoa?
- Não, eu não acho que eu vá conseguir. Já fui rejeitado antes mesmo de falar com ela sobre o que eu sinto... Imagine se eu falar.
- Por que acha que foi rejeitado? Você é um rapaz gentil, tem senso de humor e é bonito... Aposto que ninguém irá rejeitar você. – Ele sorriu e se inclinou para frente, me encarando com aqueles olhos lindos.
- Ela tem namorado. Acha que devo tentar mesmo assim, doutora ? – Ele nunca havia dito meu sobrenome e, Deus, como fica sexy saindo dos lábios dele.
- Vá devagar com ela, não seja a causa do termino do seu namoro, e, se for para ser, será.
- Pode me dar a sua mão? – Ele perguntou, estendendo a mão para mim. Arqueei uma das sobrancelhas, esperando que ele explicasse o porquê daquilo. – Não se preocupe, não vou machucar você.
- Eu não tenho medo, sei que você não faria nada pra me machucar. – Falei, esticando minha mão e pegando a sua. – Consigo ver em seus olhos.
- E o que mais você consegue ver em mim, doutora? – Perguntou ele, passando as pontas dos dedos nas costas da minha mão, acariciando levemente.
- Vejo que se sente perdido. Que está com medo de algo. Que precisa de ajuda. Que se sente sozinho... – Coloquei minha outra mão por cima da dele. – Mas eu estou aqui, . Estou aqui para te ajudar. Não se sinta sozinho quando estiver comigo, eu estou aqui com você.
- E o que pode fazer para me ajudar? – Ele perguntou, chegando mais para frente, ficando mais perto de mim. Nesse momento, me imaginei pulando aquela mesa, sentando em seu colo e bagunçando aqueles cabelos loiros, arrancando aquela roupa e beijando-o por todo o corpo, e só pararia quando nenhum de nós conseguisse mais mover as pernas sem descansar e só o que nos impedia de nos beijarmos era a mesa entre nós e o fato de eu estar namorando. Mas ele me atraia tanto que era difícil de resistir.
A sua voz dizendo “me beije” entrou na minha mente e tive que balançar a mesma para afastar os pensamentos indesejáveis/muito desejáveis que me afrontava. Soltei a sua mão, me levantando e me afastando dele.
- Eu acho que sua consulta acabou por hoje. – Disse, limpando a garganta e colocando as mãos apoiadas no encosto da minha poltrona, parando atrás dela. – Fico muito feliz que consegui ajudar você. Na próxima sessão quero que tente me contar sobre seus pesadelos para podermos chegar a raiz desse problema e para que eu possa te ajudar ainda mais.
- Antes de sair, posso te perguntar uma coisa? – Ele se levantou e se aproximou de mim. Assenti. – Do que você tem medo, ? E assim aproximou o rosto do meu, me dando um beijo na bochecha, sorrindo e indo em direção à porta.
- Na próxima sessão, pode me responder isso.
E saiu.
O que acabou de acontecer? Eu estava tendo sonhos eróticos lúcidos com um dos meus pacientes. E ele estava flertando comigo... E eu aceitei.
Jesus, eu vou para o inferno.


Capítulo 3

Algumas semanas haviam se passado. Como sempre eu as passei no consultório com meus pacientes, e nos finais de semana, e eu brigávamos por motivos ridiculamente inúteis. Eu simplesmente não sentia mais vontade ficar no mesmo lugar que ele. Me sentia irritada quando sabia que iria vê-lo outra vez, as brincadeirinhas sem graça dele me fazia sentir ofendida, não conseguia mais ver o telefone tocar e seu numero estar na tela, pois me sentia cansada por ter que falar com ele. Conversei bastante sobre isso com e ela me aconselhou como sempre.
- Se você não está feliz amiga, não force isso, não force seus sentimentos e nem seu coração. Você é uma psiquiatra, precisa estar com sua saúde mental em boa forma para ajudar outras pessoas. – Dizia ela, sentada no banco de frente para mim na lanchonete que estávamos.
- Eu sei, mas passamos sete anos juntos, foram sete anos, . Eu preciso pensar primeiro antes de jogar isso fora.
- , você tem que pensar antes de jogar a sua vida fora. Você sabe que nunca apoiei esse seu namoro, sempre achei ele babaca e burro demais pra você. Mas amiga, essa decisão é você quem tem que tomar. E independente dela, ainda vou fazer a festa na minha casa no sábado e você vai!

Tivemos essa conversa ontem a noite, hoje é terça feira. Depois de chegar ao consultório, esperei que meus pacientes chegassem e, enquanto isso, fiquei pensando na decisão que eu ia tomar para seguir a minha vida. Comecei a pensar nos prós e nos contras de estar em um relacionamento com , afinal não posso basear o meu futuro no que aconteceu no passado. Ok.
Prós: Ele é um ótimo cozinheiro, faz o melhor strogonoff de carne que eu já comi na vida, tem bom gosto musical e a mãe dele é maravilhosa. E eu o amo, eu acho.
Contras: De uns tempos para cá ele está ficando insuportável, querendo que eu faça tudo por ele e até mesmo pare de ir trabalhar para ficar com ele. Seus amigos são ridículos, tratam mulheres como pedaços de bife e não como seres humanos. Ele está se tornando machista nato e acha que sou obrigada a lavar a louça que ele suja. Meu Deus, ele mudou tanto desde quando o conheci... Acho que já está na hora de tomar uma decisão...
- ? – Alana bateu na porta e logo após entrou. – Seu paciente chegou.
- Tudo bem, peça-o para entrar, por favor.
- Ok.



Eu estou completamente desanimada para continuar a trabalhar. Hoje está sendo um dia de produtividade zero, estou começando a me sentir incompetente para ajudar meus pacientes diante dos problemas dele, sendo que não estou conseguindo resolver nem os meus.
São quase duas da tarde e faz uma meia horinha que voltei do almoço.
Tinha quase me esquecido que hoje veria , e logo que me lembrei senti um pingo de felicidade.
era um cara legal, fizemos alguns progressos nessas ultimas semanas e sinto que estamos nos tornando mais que amigos. Ele finalmente começou a se abrir mais para mim e conversamos sobre muitas coisas da vida dele na ultima sessão.
Tive pensamentos impróprios com ele nesse ultimo fim de semana e contei a sobre isso.
- Quer dizer que você teve um sonho erótico com um dos seus pacientes? Isso não é meio anti-hético?
- , você transou com o professor de anatomia na época do colegial, e na faculdade pegou o professor de filosofia, não acredito que está falando pra mim que, só porque sonhei que transava com na mesa do meu consultório, é anti-hético. – Ri enquanto encarava o copo de café.
- Mas e aí? Ele é gostoso?
- Bom, ele tem um sorriso lindo e os olhos dele penetram na minha alma. Ainda não o vi sem camisa, então não posso afirmar se é gostoso.
- Ele tem os ombros largos? – Ela perguntou e eu assenti. Logo ela soltou uma risada maliciosa. – Então sim, ele é gostoso. Leve ele na minha festa no sábado.
- , o conheceu e o odiou, se eu levar pra sua festa, aí que ele surta mesmo. – Revirei os olhos e ela fez o mesmo pra mim.
- Primeiramente, eu não convidei para a minha festa, se ele aparecer na minha casa, já vou dar ordens aos seguranças para tirá-lo de lá. E segundo, você nem sabe se vai estar namorando com esse babaca até o fim de semana, acabamos de conversar que você vai pensar em você agora e não nele.
- Você tem razão.
- Eu sempre tenho bobinha.
E pensando nisso agora, ela realmente tem razão, não sei se vou estar com até o fim de semana e posso convidar para a festa, afinal não tem problema sermos amigos.
Ouvi batidas na porta e eu já sabia quem era. Me levantei e a abri, dando de cara com , sorrindo para mim, como sempre. Dei espaço para que ele entrasse e fechei a porta, seguindo até a poltrona.
- Boa tarde, .
- Boa tarde, senhorita ! Como está hoje? – Ele sorriu.
- Estou ótima, e você, como está hoje?
- Bem nervoso. Eu vim decidido a contar algo a você... Sobre meus pesadelos. Nossa ultima conversa me fez pensar que só vou conseguir melhorar se me abrir totalmente para você e eu quero muito melhorar e sair dessa crise terrível.
- Não se sinta pressionado, pode falar quando estiver confortável... – Falei colocando o gravador em cima da mesa.
- Pode não gravar, por favor? É que preciso saber que posso confiar em você totalmente... – Disse ele, batendo o pé no chão e mexendo os dedos.
- Tudo bem, não tem problema. Quando quiser começar, já sabe.
Então ficamos em silencio.
Ele olhou para o lado, encarando a janela de vidro atrás da minha mesa. Levantou e caminhou até ela, se escorando no parapeito e observando a cidade. Seus ombros estavam tensos e suas mãos se apertavam em volta do trilho da janela.
- Eu não nasci em Los Angeles... – Ele começou. – Sou de Londres. Acho que isso já deu para perceber pelo meu sotaque... – Assenti e esperei que ele continuasse. – Minha família e eu nos mudamos para cá há quase três anos. – E se virou para mim. – Quando saí da cadeia. – Franzi o cenho, tirando os olhos de suas mãos e encarei seu rosto que me olhava, talvez esperando minha reação. Tentei ser o mais impassível possível, mas imaginá-lo preso não era fácil.
Fiz um sinal para continuar.
- Há alguns anos, eu tinha uma namorada, Clair. – Sorriu. – Nós nos conhecíamos há bastante tempo, fizemos o ensino médio juntos e nos preparávamos para a faculdade em Oxford. Eu faria engenharia e ela direito. – Ele se calou por alguns segundos. – Ela era tão linda. – E caminhou até mim, parando do meu lado na poltrona, me fazendo erguer a cabeça para conseguir ver seu rosto. Seus olhos pretos pareciam brilhar. – Ela era tão linda quanto você é! Cabelos sedosos que sempre caiam graciosamente em seu rosto e ombros, como os seus cabelos fazem. – Disse pegando uma mexa de meu cabelo, acariciando. – Com olhos azuis como o mar, tão lindos quanto o castanho dos seus.
E se afastou de mim, não deixando de me encarar.
- E a personalidade dela... Uau! Tão explosiva, cheia de vida. Ela era disposta a fazer tudo o que pudesse para ajudar quem precisasse de sua ajuda. Ela debatia questões e mudava opiniões por todos os lugares que ela passava... Tão inteligente.
E seus olhos se entristeceram. Caminhou até o sofá e se sentou, apoiando os braços nas pernas. Ele se calou. Por mais que eu quisesse saber o que ele havia feito para ser preso, eu não podia o pressionar.
- No dia do seu aniversario de 18 anos, nós havíamos brigado por causa de ciúmes meus dos amigos dela. Eram pouco mais que sete da noite e eu estava em sua casa, os pais dela haviam viajado. Então saí no meio da noite e fui para um bar com os amigos enquanto ela ficou na casa dela chorando. Eu fui tão babaca de ter feito isso. – Ele suspirou abaixando a cabeça e fungando.
- , se não estiver se sentindo bem, pode para de me contar e terminar outro dia...
- Não, se eu não contar isso para você agora, vou explodir de ansiedade. – Ele disse aumentando a voz, visivelmente perturbado. Assenti e esperei que continuasse.
- Eu bebi demais e me arrependi de ter brigado com ela, então voltei para lá e entrei na casa. – Ele fez uma pausa e pude ver uma lagrima escorrendo em sua bochecha. Ele respirou fundo e piscou varias vezes. – E... Ela estava caída no chão... Ensanguentada... Ela estava fria e... Toda ensanguentada... E eu não estava lá para protegê-la. – E as lagrimas começaram a serem mais frequentes. Ele tampou o rosto com as próprias mãos e chorou. Chorou com força, pois suas veias do pescoço estavam à mostra e suas mãos apertavam seus cabelos.
Meu coração se acelerou e começou a doer por vê-lo daquele jeito, mas o que aconteceu depois foi pior. Ele soltou o rosto e começou a respirar fundo, como se o ar estivesse acabando em seus pulmões, colocando as mãos no peito e caindo ajoelhado no chão.
- . – Me levantei e caminhei até ele, me ajoelhando em sua frente e empurrando a mesa de centro para longe, para evitar que ele caísse e batesse a cabeça nela. Seu corpo estava tremendo. – ! É um ataque de pânico? – Ele assentiu e caiu sentado no chão, com as mãos no peito. Eu nunca havia tido um paciente que tivesse uma crise de pânico na minha frente. – Está tudo bem . Eu estou aqui. Está tudo bem.
Ele continuava hiperventilando.
- Posso tocar em você? – Perguntei.

Primeira regra ao tratar de um paciente que tenha ataques de pânico: Nunca os toque sem permissão, pois geralmente eles veem isso como uma ameaça e pode atacar você.

Ele assentiu. Agarrei seus braços e o puxei para cima, ajudando-o a se sentar no sofá. Corri até o bebedouro e peguei um copo de agua, voltando até ele e colocando o copo em cima da mesa. Segurei seu rosto, deixando seus olhos na altura dos meus.
- Tudo bem, olhe para mim, inspire e expire comigo, okay? Vamos lá, Um...Dois...
E assim comecei uma espécie de “respiração mutua” ajudando a controlar sua respiração junto com a minha. Enquanto fazia isso, encarei seus olhos e franzi o cenho em questionamento quanto ao que parecia, eles começaram a mudar de cor, a literalmente escurecer. Ele arregalou os olhos e me empurrou para longe, se arrastando para trás, se encolhendo e abaixando a cabeça.
Mesmo sem entender o que tinha acontecido, vi aquilo como um pedido para que eu mantivesse distancia.
- Está tudo bem, , eu estou aqui! – Falei novamente tentando acalmá-lo o máximo possível. Alguns minutos depois, a respiração dele continuava acelerada, mas parecia estar melhorando. Peguei o copo de agua e entreguei a ele. – Você quer dar uma volta? Lugares fechados são péssimos para ficar. – Ele assentiu, ainda estava assustado. Eu também, mas sorri tentando reconforta-lo e segurei sua mão, me levantando. Peguei a bolsa e saí da sala, levando ele comigo em passos lentos, acelerar uma vitima de ataque de pânico não é a melhor opção para ajuda-la.
- Alana, cancele minhas consultas de hoje e remarque para outro dia. – Falei para a garota sentada na recepção. – Depois pegue o resto do dia de folga, preciso resolver algo.
- Tudo bem, tenha uma boa tarde .
E assim saí, indo em direção ao elevador com atrás de mim, segurando minha mão. Apertei o botão do elevador e o esperei chegar.
- Feche os olhos quando entrarmos no elevador e imagine um lugar onde gostaria de estar...
- Gostaria... De... Estar em seus braços... – Ele disse por entre suspiros ofegantes. Que me perdoe, mas eu vou fazer o que ele pediu. Dei alguns passos para dentro do elevador e o levei comigo, apertando o botão do saguão. Passei meus braços em volta de seu corpo e ele fez o mesmo comigo, colocando a cabeça em meu ombro.
- Feche os olhos, !

Ao entrarmos no meu carro, abri todas as janelas para que ele não se sentisse sufocado. Após ligar o automóvel, pegou minha mão direita que estava em minha coxa e colocou sobre a dele, a segurando. Ele sorriu para mim, com os olhos ainda molhados pelas lagrimas. Sorri de volta. Tive que diminuir um pouco a velocidade, pois só usava uma mão para dirigir.
Estacionei perto do shopping e nós entramos, indo até a praça de alimentação que era gigante, bem arejada e iluminada.
Encontrei uma mesa vazia, longe de toda a bagunça das outras mesas.
- Espere aqui. – Disse o sentando em uma cadeira na praça de alimentação do Shopping. – Vou buscar algo para você beber.
- Não me deixa sozinho! – Ele agarrou meu braço me segurando. Sorri e coloquei minha mão em seu ombro.
- Não vou deixar, só vou pegar algo para você beber e te ajudar a se acalmar... Eu já volto.
E assim corri até a lanchonete mais perto, com o salto da bota batendo no chão. Pedi dois copos de suco de maracujá, sem açúcar, e enquanto esperava, me virei de costas e fui até a porta, olhando para , que tinha os braços apoiados na mesa e com as mãos na cabeça. De longe dava para ver que ele ainda tremia. Me senti estranha, com uma vontade de voltar correndo para ele. E foi exatamente o que fiz quando peguei os copos de suco. Corri de volta para ele, tremendo em cima da bota.
- Viu? Voltei rápido. – Sorri, lhe entregando o copo de suco. – É de maracujá, vai te ajudar a se acalmar.
- Eu sou um idiota. – Ele disse. – Fiz você desmarcar suas consultas...
- Está tudo bem, tenho muitos horários livres pela semana. – Falei sorrindo. – Você quer conversar?
- Sobre o que quer conversar?
- Não sei, me pergunte algo que queira saber de mim, ou me diga onde você trabalha. Qualquer coisa que quiser.
- Meu pai é dono de uma mecânica e uma loja de peças no centro. Trabalho na loja de peças com meu irmão.
- É serio? Me passa o endereço das duas porque preciso levar meu carro na revisão urgentemente. E não sabia que tinha um irmão.
- É mais novo, ele se forma esse ano na escola. Você tem irmãos?
- Não, sou filha única. Mas tenho uma melhor amiga que é como uma irmã para mim. Ela é irmã de Alana. Praticamente crescemos juntas...
- Eu tinha um amigo assim também. – Ele disse, cerrando a mandíbula e encarando algum lugar do shopping. – Mas ele me traiu. Nunca mais o vi... Posso terminar de contar sobre Clair?
- Se você quiser. Mas podemos deixar para outra consulta...
- Não, eu preciso contar agora.
- Se é isso o que quer.
- Segundos depois de chegar a casa dela e a encontrar morta no chão, a policia invadiu a casa apontando as armas para mim, me mandando me afastar do corpo. A vizinha tinha ouvido os gritos de Clair e chamado a policia. Me acusaram do assassinato dela.
- Eu sinto muito . – Sussurrei à ele, colocando minha mão sobre a sua.
- Isso nem foi o pior... Não me deixaram ir ao funeral dela, não me deixaram me despedir dela. – E as lagrimas voltaram a cair, foi quando ele se levantou, caminhou até mim e me puxou para cima, me dando um abraço forte. Me arrepiei inteira ao sentir sua respiração no meu pescoço. Meu Deus, o que estou fazendo?

Passamos as ultimas três horas conversando sobre assuntos aleatórios. O processo para acalmar uma vitima de ataque de pânico pode ser bem lento, é preciso que sejamos calmos e tentemos faze-lo esquecer o motivo do ataque.
Era tão confortável estar ao lado dele, ele sabia conversar sobre qualquer coisa e mesmo depois do que aconteceu ele continuava com um bom humor extraordinário.
- Você foi de carro para o consultório? – Perguntei, enquanto caminhávamos pela praça de alimentação. Ele negou.
- De Taxi. Meu carro está na revisão.
- Bom, então vou te levar em casa. Só preciso passar na minha primeiro e deixar minhas coisas por lá.
- Se você quiser, posso chamar um taxi e...
- Não vou deixar você dentro de um cubículo com um completo desconhecido , alias, é meu dever como sua psiquiatra garantir que você fique bem após um ataque de pânico.
- Dever de psiquiatra e amiga, certo? – Ele sorriu.
- Certo!
Assim caminhamos até meu carro e dali dirigi até a minha casa enquanto falávamos de assuntos bobos. Ao parar em frente minha casa, vi que o carro de estava ali e estranhei.
- Algum problema? – perguntou.
- Ah não... Você espera aqui? Não vou demorar!
- Tudo bem.
Saí do carro e enquanto caminhava até a porta da residência, encarei o carro de e não havia ninguém lá dentro. Franzi o cenho ao olhar para a porta que estava apenas encostada. Como ele abriu a porta? Ele não a chave. Pensei. Empurrei-a e entrei já tirando a jaqueta.
- ? – Chamei-o enquanto pendurava a jaqueta no mordomo. Dei mais alguns passos e entrei na sala, o vendo sentado no sofá com minha garrafa de uísque na mão. – O que está fazendo aqui? Como abriu a porta?
- Eu arrombei, já que em sete anos você não teve a decência de me dar uma copia das chaves. – Disse ele com a voz embargada. Ótimo, ele está bêbado e arrombou a porta da minha casa.
- E por que eu faria isso? Não sou obrigada a dar a chaves da minha casa para ninguém.
- Eu sou o seu namorado! – Ele gritou, se levantando, me fazendo parar de caminhar e até dar um passo para trás com cautela. – Mas ao que parece, você se esqueceu disso e está por aí saindo com outros caras.
- Primeiramente, abaixa a sua voz . Você está na minha casa e mesmo se não estivesse, eu não admito que ninguém grite comigo. E do que você está falando?
- Estou falando disso. – Gritou ele, jogando o celular dele para mim. Por sorte, peguei no ar antes que me acertasse e liguei a tela. Havia uma foto. Éramos eu e , abraçados na praça de alimentação. Respirei fundo vendo que aquela gritaria só estava acontecendo por um mal entendido... Mal entendido causado por Renn. A garota amiga de que me odeia com todas as suas forças por um motivo que ainda não fui capaz de descobrir, mandou aquela foto para com a legenda “a vadia está te traindo”.
- Isso não é o que parece ser! – Falei colocando o celular em cima da mesa. – Ele teve um ataque de pânico e...
- E você foi consolá-lo entre os seus braços? – Gritou ele novamente, mas dessa vez jogou a garrafa de uísque aos meus pés, fazendo-a ficar em pedaços e me deixando em modo alerta. Aquilo não ia acabar bem. – Por que você me traiu? – Gritou novamente, vindo em minha direção, segurando meus braços e me empurrando com força contra a parede. Ao bater a cabeça, minha visão ficou turva por um momento e os sons ficaram estranhos. – Ele transa melhor do que eu? É isso?
- O quê? Eu não transei com ele. Não traí você – Falei, sentindo as coisas ficando confusas na minha cabeça e sentindo a dor de cabeça também. – Me solta!
- Mas é claro que transou, afinal você é uma vadia gulosa. – E logo senti sua mão no meu rosto, me jogando no chão com a força do tapa. Gemi de dor. – Acha que só porque você tem aquela merda de consultório você pode sair transando com todos como se fosse uma prostituta em cima daquela mesa, ? – Enquanto ele falava, me arrastei para trás e me virei, me levantando e saindo na sala, me apoiando nas paredes, indo em direção a porta de entrada. ! Preciso de . – Eu vou mostrar pra você o que é sexo de verdade. – E meu corpo começou a tremer quando me puxou pelos cabelos, me jogando no chão, de volta a sala. Estava tudo confuso de mais, imagens e sons, vindo em minha direção e puxando minhas pernas. Eu queria sair dali e fugir, mas minha cabeça doía e meu rosto também. Só sentia que podia fazer uma coisa. - ! – Gritei com todas as forças. No mesmo momento senti um vento invadindo a sala e um vulto passou por mim. A ultima coisa que vi foi caído do outro lado da sala e me pegando pelos braços.
- ! – Sua voz ficou fraca e sua imagem desapareceu do meu campo de visão. Tudo ficou preto.


Capítulo 4

Flashes de memorias e borrões começaram a passar na minha cabeça. ! Eu estava com na minha casa. Eu estava em seus braços, ele passava a mão no meu cabelo, os acariciando e sussurrava palavras bonitas em meu ouvido. Era estranho explicar o que estava sentindo ao estar tão perto dele. Aqueles olhos pretos que me analisavam, seus dedos frios tocando minha pele quente, a sensação de proteção e prazer que me envolvia em um abraço de sentimento. Definitivamente eu queria ir mais fundo com aquilo... Mas, de repente, outra voz conhecida soou na minha cabeça e ao abrir os olhos tive de fecha-los novamente, pois a luz branca os fez arder. Segundos depois os abri novamente. estava parada ao meu lado e parecia aflita. Eu estava deitada em uma cama de hospital. A cor branca do quarto estava me deixando zonza novamente e os aparelhos perto de mim apitavam alto, fazendo meus ouvidos doerem.
- Como cheguei aqui? – Perguntei, sentindo a garganta arder. Eu estava com sede.
- Eu trouxe você. – Desviei meus olhos da minha amiga e olhei para a porta. estava parado lá de braços cruzados, olhando para mim. Como sempre, seus olhos sempre pareciam me analisar. E comecei a me sentir bem novamente, como sempre me sentia quando estava com ele. – Você está bem?
- Minha cabeça dói. – Falei, me esforçando meu corpo para me sentar, mas logo estava ao meu lado me ajudando.
- Se lembra do que aconteceu? – perguntou.
- De poucas coisas, a ultima coisa que me lembro é da voz de .
- Gosto de saber que se lembra da minha voz. – Sorriu ele. – Você desmaiou depois de bater com a cabeça. Tive que te trazer para o hospital para ter certeza de que estava bem. Não poderia suportar a ideia de você ter complicações. Mas felizmente foi só uma concussão.
- ligou para Alana, avisando que você estava no hospital e pediu para me avisar. – Tirei meus olhos de e encarei . – Ele me contou o que aconteceu amiga, e eu juro pra você que se estivesse lá, teria dado uma surra naquele babaca.
- Tudo bem. – Sorri a reconfortando. – Está tudo bem. Felizmente estava lá. Obrigada. – Me voltei para ele, segurando a sua mão. Ele sorriu novamente para mim, e sem tirar os olhos dos meus, pegou uma mexa do meu cabelo e a colocou atrás da orelha.
- . – Um homem apareceu na porta, me assustando, fazendo se afastar e soltar minha mão. Ele estava com um distintivo na mão. – Podemos conversar?
- Eu...
- Ela ainda está muito fraca. – me ultrapassou. – Não acho uma boa ideia.
- Não, tudo bem. Estou bem.
- Eu vou... Buscar um café. – sorriu para mim e saiu do quarto. puxou uma cadeira que estava próxima da cama e se sentou ao meu lado esquerdo, enquanto o policial parava ao meu lado direito.
- Sei que não é uma boa hora, mas preciso do seu depoimento para terminar a queixa. – Falou ele, retirando uma caneta e uma caderneta de um bolso interno de sua jaqueta de couro. – Sou o delegado Bannocks, Erick Bannocks do decimo terceiro distrito. – E estendeu a mão para mim, me cumprimentando. – O senhor chamou a policia para a sua casa, denunciando uma agressão contra a senhora e quando chegamos lá, você estava desmaiada e seu namorado também.
- Ex-namorado. – O corrigi.
- Sim, ex-namorado. Pode me dizer exatamente o que aconteceu lá?
- Eu cheguei em casa e vi o carro de estacionado em frente a minha porta. Quando entrei em casa, a porta estava aberta e estava na sala segurando uma garrafa de uísque. – Comecei ao relembrar, e senti uma pontada no peito, quase não acreditando no que havia acontecido. – Perguntei a ele o que estava fazendo ali e como tinha entrado, pois ele não tem a minha chave. Ele disse que arrombou a porta. Nós discutimos por causa de uma foto minha e de , que uma garota havia lhe mandado, ele achou que eu estava traindo ele. Ficou irritado, jogou a garrafa na minha direção, gritou comigo e me empurrou com força na parede, me fazendo bater a cabeça. – E uma vontade de chorar invadiu meu corpo e senti meus olhos começarem a arder. – Eu comecei a ficar confusa a partir daí, os sons ficaram estranhos e ele começou a brigar comigo de novo, foi quando me deu uma tapa no rosto e eu caí no chão.
- Então Cedrick te agrediu duas vezes? – Perguntou Erick, se referindo a pelo seu sobrenome enquanto anotava algo em uma caderneta.
- Não! – E ele olhou para mim. – Ele fez mais uma vez. Continuou dizendo que eu era uma prostituta e que estava traindo ele com , disse que ia me ensinar o que era sexo de verdade e quando eu tentei sair de casa, ele me puxou pelo cabelo e me jogou no chão, me fazendo bater a cabeça de novo.
Escutei sussurrar algo ao meu lado e ao olhá-lo, ele estava com os braços cruzados, com a mandíbula cerrada e encarando um canto do quarto, com os olhos vidrados, focados. Parecia não estar pensando algo de bom. E assim ele saiu do quarto pisando fundo. Erick o seguiu com os olhos como eu e depois de voltou para mim.
- As ultimas coisas de que me lembro foi de me arrastando até sala e de ter gritado pelo . Logo depois eu apaguei. E só acordei aqui.
- O que o senhor estava fazendo com você?
- Ele é meu paciente, sou psiquiatra. teve um taque de pânico, eu o tirei do consultório para ajuda-lo a se acalmar. Ele estava sem carro e não podia deixa-lo sozinho depois do que aconteceu. Eu estava o levando embora, mas primeiro ia passar em casa para guardar algumas coisas.
- O senhor Cedrick disse que você o traiu com o senhor . Isso é verdade?
- Mas é claro que não! – Respondi aumentando a voz ao ver do jeito que ele me olhava, como se eu fosse culpada por ter parado no hospital. – Por quê? Você acha que isso justifica as ações dele?
- Não! Nada nunca justifica esse tipo de violência. Eu só preciso confirmar algumas coisas do depoimento dele, para saber se ele estava mentindo ou não. – Ele pareceu desconcertado. – Posso lhe fazer só mais uma pergunta?
- Ok.
- Você se lembra o que fez com ?
- Não, vem alguns flashes na minha cabeça, acho que o empurrou, só sei que ele tirou de cima de mim. Mas por que está me perguntando isso? não se machucou!
- Na verdade, ele se machucou sim. deu entrada no hospital com uma concussão e duas costelas quebrada.
- O quê? – Arregalei os olhos ao escutá-lo. Logo comecei a forçar a memoria para tentar me lembrar se eu tinha visto alguma coisa, mas a única coisa que via, eram borrões. Minha cabeça voltou a doer e soltei um gemido colocando a mão sobre ela. – Eu não me lembro de ter visto os dois brigarem.
- Tudo bem, não estou culpando o senhor , e mesmo que ele tenha feito algo, foi em legitima defesa para proteger você.
- O que vão fazer com ? – Perguntei, mais curiosa do que preocupada.
- Ele agrediu você e, pelo o depoimento de , se ele não estivesse lá para ajuda-la, coisas piores poderiam ter acontecido. Vou prendê-lo e encaminhar o caso para o juiz. Mas não se preocupe, ele não irá incomodá-la novamente.
- Obrigada delegado.
- É o meu dever deixar a população dessa cidade segura. – Sorriu ele, guardando a caneta e a caderneta. – Espero que melhore rápido, senhorita ! Tenho que voltar para a delegacia, mas se você se lembrar de alguma coisa, pode ir até lá.
- Tudo bem.
- Tenha uma boa noite, .
E assim ele saiu do quarto, me deixando sozinha, o que me fez imergir em pensamentos. tinha uma costela quebrada. Será que ele e lutaram depois que eu desmaiei? Não, acho que não. parecia ter desmaiado depois de... Depois de o jogar na parede a quase cinco metros de distancia de mim. Que força era aquela? E como ele chegou tão rápido até mim? Era uma distancia significativa do carro até a porta da casa e me lembro que não se passaram nem cinco segundos depois do meu grito quando ele apareceu.
- Senhorita ?
Saí dos pensamentos ao ouvir alguém me chamando. Um homem de jaleco entrou no quarto sorrindo para mim. No crachá estava escrito Doutor Judd.
- Você parece estar se recuperando bem. Se sente bem? – Ele perguntou, ligando uma lanterninha e apontando para os meus olhos.
- Sim, me sinto ótima. Há quanto tempo estou aqui?
- Pouco mais de quatro horas. O homem que chegou depois de você teve de fazer uma cirurgia, está no quarto agora. – Disse ele, levantando meus cabelos e olhando minha nuca. – O delegado disse que aquele homem te agrediu. Eu sinto muito pelo o que você passou. Homem nenhum tem o direito de agredir uma mulher.
- Não está podendo confiar muito nas pessoas hoje em dia. – Resmunguei.
- Pode confiar em mim. – apareceu na porta sorrindo. – Como ela está?
- Ótima! Os exames ficaram prontos e ela está bem. Já pode ir para casa. – O medico sorriu novamente. – Vou preparar os papeis de alta, me espere na recepção, tudo bem? E ah, tente não se esforçar muito para que sua cabeça não doa. Descanse quando chegar em casa.
- Obrigada Doutor!
- Descanse.
- John! – disse o cumprimentando e logo depois parou ao meu lado. – É um amigo meu... Pronta para ir? está te esperando na recepção.
- Sim. – Falei e desci da cama, segurando no braço de para me apoiar.
- Quer que eu carregue você?
- Não, estou bem. Vamos logo embora daqui, não sou fã de hospitais.
- Nem eu. Tem muito sangue por aqui.
Assim saímos do quarto e caminhamos lentamente até a recepção. O fato de estar com costelas quebradas e o fato de que pode ter sido o causador disso ainda estava me intrigando. Um osso não é fácil de se quebrar, e jogar uma pessoa a cinco metros a frente também não é uma das coisas mais fáceis do mundo, isso preciso de muita forte. Bastante força.
Ao chegarmos a recepção, vi conversando com uma das recepcionistas e caminhei para ficar ao lado dela, mas parei de andar ao ouvir alguém me chamando. Ao olhar para trás, vi correndo no corredor, sendo perseguido por policiais com o que parecia ser um bisturi na mão. Perdi o folego quando o vi se aproximando de mim.
E de repente, senti os braços de se passarem em volta de mim, me levantando e me rodando no ar, me colocando atrás dele. Eu estava de costas para a recepção e ele estava de costas para mim, me segurando atrás dele. Fiquei um pouco desnorteada e com as pernas bambas com o movimento rápido, mas segurei em seus ombros para continuar em pé.
- É melhor parar aí mesmo! – rosnou me soltando e colocando as mãos para frente. Me inclinei um pouco para o lado e vi em posição de luta, com o bisturi em uma das mãos, com o olhar cheio de fúria. – Se der mais um passo, quebro suas pernas.
Subi meu olhar de para o rosto de que estava com uma feição assustadora naquele momento. Senti seus ombros ficarem tensos embaixo dos meus dedos e ele apertava tanto suas mãos, que as veias de seus braços estavam à mostra. - Fique longe dela, seu desgraçado! – gritou indo para cima de .
agarrou o meu braço e me puxou para trás, me afastando dos dois. E as coisas aconteceram tão rápido, que no final só vi o bisturi sendo jogado para longe e caído no chão, gemendo de dor. Médicos e os policiais seguraram e o tiraram dali, seu sangue ficou picando no chão a cada passo que ele dava. As pessoas que estavam ali, tiraram os olhos dele e se voltaram para que estava de costas para mim e ainda com os ombros tensos.
Logo ele se virou e passou por mim indo em direção à saída.
Quis ir atrás dele, mas a recepcionista me entregou um papel para assinar. Era minha alta.
Encarei o chão com o sangue de mais uma vez antes de seguir com até a porta de saída.
Lá fora, estava com a cabeça escorada em um dos pilares que sustentavam o teto dali. Seu rosto estava escuro, não conseguia ver seus olhos.
- Vou te esperar no carro, estou na terceira vaga da primeira fila do estacionamento. – Disse ao meu lado, claramente me incentivando a ir até ele. Assenti e ela se afastou.
Caminhei até e parei á alguns centímetros dele. Ergui minha mão para toca-lo e senti seus músculos se enrijecendo ao meu toque.
- !
Ele virou um pouco o rosto para o meu lado. Seu olhar estava escuro, e eu não consegui ver nada neles, era como se toda aquela ternura, tudo aquilo que eu já havia visto nele tivesse sumido e só sobrado um buraco negro em seus olhos. Soltei um sorriso de canto, como um obrigado em silencio, por ele ter me salvado de , mais uma vez.
- Vem cá, vem! – Ele sorriu brincalhão e me puxou para um abraço forte. Sinto que não devíamos estar tão próximos assim, mas ele tinha uma coisa que estava me prendendo a ele desde que o conheci. Escondi meu rosto em seu peito enquanto ele acariciava meus cabelos. – Estou feliz que você esteja bem.
- Obrigada por ter me ajudado. – Sussurrei. – Não sei como te agradecer por isso.
- Só sorria, isso já é um ótimo agradecimento. – Sussurrou ele de volta. Me afastei um pouco e o encarei nos olhos. Ah! Ali está! Os olhos pretos que me olhavam com ternura voltaram. – Eu acho melhor você ir, já está ficando tarde e o doutor disse que você precisa descansar.
- Quer uma carona para casa?
- Não, tudo bem. Vou pegar um taxi. Você vai ficar melhor estando só com a sua amiga. Acho que chega de homens por hoje. – Riu ele, me fazendo sorrir também.
- É verdade... Boa noite, ! – Sorri, mordendo o lábio. Logo me inclinei e lhe dei um beijo demorado na bochecha.
- Boa noite, . – Sussurrou ele, sorrindo para mim também.
E assim caminhei até o carro de .
- Pra minha casa então? – Ela perguntou. Assenti e ela deu partida, saindo dali e indo para a rodovia. – Você está bem?
- Ainda não estou acreditando no que aconteceu. – Resmunguei, olhando pela janela do carro. – A gente vê notícias assim, de namorados atacando as namoradas por causa de ciúmes, mas nunca realmente pensamos que isso poderia um dia acontecer com a gente... Deus, pode ter salvado a minha vida.
- Alana me disse que ele ligou desesperado para ela, contou o que aconteceu e disse para ela ligar para mim, disse que você ia querer uma amiga mulher do lado depois do que aconteceu. Então se precisar de qualquer coisa, pode me falar.
- Obrigada, ! – Sussurrei, soltando um sorriso.

Os dias se passaram, e passei a semana inteira com . Depois das consultas ia para a casa dela e ficamos assistindo filmes. Preferi não cancelar as consultas, seria pior se eu ficasse em casa. Eu ainda estava traumatizada com o que tinha acontecido e ela havia me ajudado bastante. Meu pai sempre me ligava para que eu contasse como estava a semana, eu decidi não contar a ele o que havia acontecido, para não deixar ninguém preocupado. Afinal, no próximo mês eu iria visita-los em Henderson, no interior da Inglaterra. Meus pais moravam com meus avós paternos por lá, para não ficarem sozinhos, se mudaram para lá em menos de três anos. E, no próximo mês, meus avos completariam bodas de ouro, então eu era meio que obrigada a ir.
Voltando a minha rotina aqui em Los Angeles, troquei a fechadura da minha casa e dormia com medo de que pudesse acontecer de novo. Não havia mais tido noticias de e eu realmente não me importava sobre o que iria acontecer com ele. O delegado disse que me ligaria quando decidissem o dia do julgamento e que eu não precisaria me preocupar com isso por enquanto. E era exatamente o que eu estava fazendo.
Hoje é sábado, e neste momento estou ajudando a levar as compras para seu apartamento. Ela daria uma festa hoje e bebida não poderia faltar. O apartamento ficava na cobertura do prédio Palace no centro de Los Angeles, tinha até piscina. O porquê disso? Os pais de eram donos daquele prédio e de mais quatro em torno da cidade.
- Você tem certeza que não comprou bebida demais? Parece que isso aqui da pra embebedar metade do país! – Resmunguei, enquanto colocava tudo no freezer perto da piscina.
- Para de exagerar. Estou comemorando!
- Comemorando o que?
- Mais um dia da minha beleza! – Disse ela petulante. Soltei uma gargalhada e voltei a colocar as bebidas no freezer. Já ela colocou os petiscos em cima da mesa que ficava perto das cadeiras de sol.
Mais alguns minutos passaram e os convidados começaram a chegar, só aí percebi que já estava escurecendo e eram quase sete da noite. Deixei fazer a recepção e fui para o quarto de hospedes. Tranquei a porta e comecei a tirar a roupa, ainda não tinha me arrumado para a festa e me mataria se eu não vestisse a roupa que ela comprou para mim.
Entrei no banheiro e fui direto ao chuveiro.
Ao fechar os olhos e entrar em baixo da agua, a primeira coisa que vi foi o rosto de no hospital quando o atacou com o bisturi.
Ah, ... A ultima vez que falei com ele foi naquele dia. Eu nem sequer o agradeci novamente pelo o que havia feito por mim. Eu estava começando a sentir falta dele.



Após terminar o banho, me sequei e saí do banheiro, indo em direção à cama onde minhas roupas estavam. Ao terminar de vesti a lingerie, peguei o vestido que tinha em cima da cama e no mesmo momento senti calafrios. Escutei passos no corredor e franzi o cenho, o corredor era proibido. Bufei e me vesti, pronta para sair dali e dar uma bronca em quem estivesse caminhando por ali. Sem fechar o zíper atrás do vestido, destranquei a porta e a abri, tomando um susto e quase caindo para trás. estava na porta do meu quarto com uma mão levantada, fechado em um punho.
- Desculpa, não quis te assustar. – Falou abaixando a mão. – Eu ia bater na porta quando você abriu.
- Ah, tudo bem! O que você... Ta fazendo aqui? – Perguntei olhando para os lados do corredor, vendo que não tinha mais ninguém.
- me chamou para a festa e disse que você estava aqui, pediu para te chamar... Uau, você está linda! – Ele exclamou me lançando um sorriso que me fez derreter... Derreter tanto que senti minha calcinha molhando... Deus! Ele é meu paciente, não posso ter esses pensamentos.
- Obrigada, você também está lindo. – Ele usava uma camiseta branca e uma calça Jeans. Os cabelos levemente bagunçados estavam lhe dando tanto charme. – Ah, eu só vou terminar de me arrumar e vou ir... – Disse, me virando de costas e indo em direção à cama onde os saltos estavam.
- Você quer ajuda? Para fechar o vestido?
Oh Droga! Esqueci que ele estava aberto... Mas tudo bem, são só minhas costas, seria pior se fosse meus peitos.
- Se puder fechá-lo para mim, eu agradeceria. – Falei, puxando os cabelos para frente. Seus passos não fizeram barulho, mas senti quando ele parou atrás de mim. Senti seus dedos tocarem minha pele e me arrepiei, eram tão frios, nunca havia reparado nisso.
- Posso te dar uma sugestão? – Ele perguntou, depois de fechar o zíper. Assenti me virando em sua direção. – Não precisa passar maquiagem, você é linda naturalmente, não duvido que seja a mais bonita desse lugar esta noite.
- Você adora me deixar desconcertada com seus elogios, não é senhor ? – Falei com um pouco mais de malicia do que o esperado, sentindo minha bochechas queimarem.
- Gosto de ver suas bochechas rosadas.
- Minhas bochechas não são a única parte rosada do meu corpo. – Disse sem perceber e quando percebei, arregalei os olhos enquanto sorria para mim. – Quero dizer... Só vou calçar o salto e estou indo. – E me sentei de uma vez na cama, abaixando a cabeça para calçar o salto vermelho combinando com o vestido.
Ouvi rir antes de sair do quarto.
Eu sou um desastre.
Minutos depois, saí do quarto trancando a porta e segui até onde a festa acontecia, passei pela sala onde já tinham alguns casais se comendo ao som de The Weekend, e segui em direção à varanda onde estavam todos.
Do outro lado da piscina, vi conversando com e outro rapaz. Parece que no momento em que pisei ali, não tirou mais os olhos de mim, pois ele me seguiu com o olhar até me aproximar deles.
- Amiga, esse aqui é o Castiel, amigo do . – Disse eufórica me puxando pelo braço. O rapaz sorriu e me cumprimentou. Castiel tinha os cabelos pretos e os olhos eram da mesma cor, era quase da altura de e se vestia parecido com ele, camiseta social e calça jeans. Os cabelos eram curtos e estavam levantados em um topete com gel.
- Prazer em conhecê-lo Castiel.
- Pode me chamar de Cass. É um prazer conhecer você também. não parou de falar de você desde o minuto em que te conheceu, . – “Cass” disse, me fazendo rir quando levou um cutucão de .
- Cala a boca, babaca.
- Ele é uma gracinha, não é? – exclamou e eu me virei para ela. Ela segurava uma garrafa de vodca na outra mão. Rolei os olhos.
- Não são nem oito horas e você já tá bêbada! – Falei, pegando a garrafa quase vazia de sua mão. – E você nem deixou pra mim!
- Miga, tem um freezer cheio de birita bem ali. – Apontou, tirando a garrafa de mim. – Agora se me dão licença, Cass e eu vamos dançar.
E assim ela saiu o puxando desajeitada para a pista de dança improvisada que havíamos feito.
- Ela é sempre assim? – perguntou ao meu lado.
- Quase sempre. – Sorri, indo até o freezer e pegando uma garrafa. Ao me virar, segurava os copos. – Ok, vamos beber.

Um, dois, três, seis... Já não me lembrava mais quantos copos de 300 ml eu e havíamos tomado enquanto conversamos, sentados nas cadeiras de sol em frente a piscina. Só sabia que qualquer coisa que falássemos, estávamos rindo como dois telespectadores vendo Dois Homens e Meio ao vivo.
- O delegado disse que me ligaria para avisar sobre o andamento do caso do , mas sinceramente, não estou me importando, ele que se foda! – Exclamei com a cabeça recostada no encosto da cadeira. – Você acha que eu to gorda?
- O que? – riu. – Não, você está é magra demais, mas continua linda.
- Talvez você queira me levar para comer qualquer dia desses. – Sorri, sentindo o rosto formigar... Alias, não sentindo meu rosto.
- Levo você onde quiser ir. – Sussurrou ele, se inclinando para frente. Fiz o mesmo, ficando a centímetros de seu rosto.
- Cuidado, quero ir à muitos lugares... – Sorri. Foi quando escutamos um grito de e olhamos para a pista. Parei para escutar a musica e era a favorita dela. Me levantei e vi o mundo todo rodar por alguns segundos.
- Tudo bem?
- Sim... Só não posso deixar minha amiga passar vergonha sozinha.
- Vou te ajudar a chegar até ela. – Ele riu e nós dois fomos até a pista de dança. A essa altura, já não sabia mais onde estava o meu salto e agradeci por isso, seria mais difícil cair sem eles.
- Everyday is pay day, swipe my card them a do the nae nae. You’re talking to a lady, I want a Kanye-ey not a Ray J… - cantava desafinada a musica enquanto dançava rebolando, deixando Castiel de boca aberta. Pelo visto ela já tinha conquistado a transa noturna. Ao aproximar, ela me puxou e começamos a dançar juntas.
Não sabia mais se estava dançando de um jeito sexy ou se estava parecendo uma lagartixa levando choque naquele momento, a única coisa que sei é que se não estivesse atrás de mim, eu teria caído de bunda no chão, depois de esbarrar com outra garota que estava dançando ali também. Ele passou os braços em volta da minha cintura me colocando em pé e me virando para ele.
- Devia ter mais cuidado. – Ele falou alto, para que eu pudesse lhe escutar por cima da musica.
- Como você sabe que não fiz isso de proposito para você me segurar?
- Ora , se quiser que eu te segure, é só pedir. – sussurrou em meu ouvido, fazendo minhas pernas tremerem. Meu Deus! A atração que eu sentia por ele parecia ter aumentado nos últimos dias. Ou seria a falta de sexo? Mesmo estando namorando com naquela época, já fazia pelo menos uns quatro meses que não fazíamos sexo, já que eu não sentia muita vontade de fazer com ele, mas foi só aparecer e eu tomar uns goles de álcool, que o que não parecia ser um problema antes, fazia meu sexo doer de vontade agora.
- Você disse que me levaria para qualquer lugar que eu quisesse ir...
- Sim.
- Então me leve para a cama. – E assim selei seus lábios, agarrando os seus cabelos e os puxando enquanto suas mãos desceram de minha cintura para meu quadril.
- Com prazer. – Assim, ele me ergueu, me fazendo envolver minhas pernas em sua cintura, desci meus beijos para seu pescoço, enquanto ele caminhava em direção a casa. Ao passar pela porta da sala, desci de seu colo e agarrei a sua mão, o puxando até o corredor, destrancando a porta e entrando.
A noite seria bem longa...


Continua...

Nota da autora: Demorei bastante para atualizar a fanfic, mas a vida não tá fácil para ninguém, não é mesmo? Haha. Espero que gostem das atualizações.

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