Autora: Li | Beta: Babi S.

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Capítulo 1

Blue Ridge, Georgia - Estados Unidos.

- And I’ll never let go cause there’s something I know deep inside. - ela ergueu a colher de pau no alto, e depois apontou para Sky, que a encarava e abanava o rabo. - You were born to be my baby and baaby I was made to be your man.
cantava, fazendo do utensílio de cozinha o seu microfone, ela balançava o corpo no ritmo da música, e ria quando Sky latia, claramente adorando a bagunça que sua dona fazia.
- My heart beats like a drum… flesh to flesh, one to one. - ela continuou a cantar, mas voltou sua atenção para a massa de brownie que mexia na vasilha, o forno já estava ligado, então não podia perder muito tempo.
Ela remexia o quadril enquanto despejava o conteúdo marrom na assadeira de alumínio, se virou e com uma mão abriu o forno, colocou a tijela lá dentro, girou o corpo para bancada novamente e começou a pegar o que estava sujo.
- Ué. - colocou a mão na cintura, franzindo a testa.
notou que a colher de pau não estava mais na bancada, olhou para o lado e reparou que sua cachorra também tinha sumido.
- Sky, cadê você? - gritou, a chamando.
Andou até a sala, e suspirou ao ver o animal de grande porte deitado no sofá, mordendo a colher de pau com vontade.
- Sua louca, me devolve isso. - ralhou com a cachorra, que ergueu a cabeça, encarando sua dona. - Não ouse! - a mulher apontou o dedo pra outra, notando que ela pretendia fugir. - Sky! - gritou novamente, vendo a cachorra sair em um pulo do sofá e parar em frente à porta de entrada da casa.
suspirou, sua cachorra tinha quatro anos de vida, mas tinha a mentalidade de um filhote, e sempre que era flagrada com algo proibido, ela saía correndo com o objeto na boca.
- Me dá isso. - correu até Sky, que também correu, dando a volta no sofá, indo para a cozinha.
A mulher rolou os olhos, andando rapidamente até o cômodo, sorriu ao ver que Sky estava encurralada no canto na parede, foi até ela e se ajoelhou, agarrando a colher de pau.
- Solta isso, menina. - puxou o objeto o mais forte que conseguia. - Vai ficar uma semana sem osso. - murmurou, após pegar a colher e notar que estava destruída. - Você é impossível. - se levantou, balançando a cabeça negativamente, e jogou a colher no lixo.
A mulher ouviu a porta da sala sendo destrancada e foi até lá, viu sua vó entrando em casa, ela carregava uma pequena caixa nas mãos, deu alguns passos rápidos e tirou o pacote da mão de Bernice.
- Vejo que a senhora ganhou algo no bingo. - comentou sorrindo, olhando para o objeto em suas mãos.
- Ih, minha filha, você sabe que sou profissional nisso. - a senhorinha comentou, fazendo a neta rir.
A mais velha trancou a porta, deixando sua bolsa no sofá.
- E esse cheiro? O que está aprontando?
- Brownie, Vó. - respondeu, andandou até a cozinha. - O que tem aqui? - colocou a caixa no balcão.
- Produtos de higiene, essas coisas. - explicou, e foi até a neta, parando na frente dela. - Menina, você não tem que ir pro bar hoje? - perguntou, olhando para o relógio de pulso.
- Sim. - respondeu, abrindo a caixa e fuçando no que tinha ali dentro. - Mas ainda tenho tempo.
- Já é quase sete horas, .
- O quê? - ergueu a cabeça, arregalando os olhos.
Bernice mostrou o relógio pra neta.
- Nossa, Vó! A senhora olha o brownie pra mim? Vai ficar pronto em vinte minutos. - pediu, e viu a mulher assentir, então ela correu para as escadas, tinha que tomar um banho e se arrumar para ir trabalhar no seu segundo emprego.

era uma jovem Americana, que morava com sua avó Bernice no interior do Estado da Georgia, mais especificamente na pequena cidade de Blue Ridge, que tinha aproximadamente dois mil e trezentos habitantes. tinha dois empregos, durante o dia trabalhava numa pequena loja no centro da cidade, e de sexta a domingo cantava no bar de um amigo da família. Ela sempre teve talento para música, desde pequena já demonstrava que queria ser artista, vivia cantando pela casa e participando de concursos musicais quando era criança. Mas nunca teve grandes ambições em sua vida, nunca desejou ser famosa ou ter muito dinheiro, então não passava pela sua cabeça ser cantora profissional e no fundo acreditava que não tinha talento para tanto.
Há dois anos ela cantava regularmente no The Last Stop, o bar mais movimentado da cidade, o dono do local era Chad, um grande amigo da família, que tinha estudado com Shelby, a mãe de . Então, ele a conhecia desde que ela era um bebê e sempre soube do talento dela para música, e quando herdou o bar de seu falecido pai, uma das primeiras coisas que fez foi chamá-la para cantar lá e até hoje sabia que isso tinha sido a decisão mais acertada de todas.
- Vó, como estou? - ela indagou, após descer as escadas e chegar na sala.
Bernice tirou sua atenção da televisão e olhou para a neta, sorriu ao ver como ela estava linda, podia ser coisa de vó coruja, mas tudo que a vestia ficava bem nela, era impressionante.
- Está de matar. - afirmou, fazendo a outra rir.
A mais nova balançou a cabeça, ainda se surpreendia com as brincadeiras de uma senhora de quase sessenta e cinco anos, sua avó era muito moderna para a idade.
- O seu brownie ficou pronto. - a informou, e ela assentiu.
foi até a cozinha, e viu que o brownie já estava em uma tijela de vidro.
- Obrigada, vó. - agradeceu, pegando o recipiente e em seguida a chave de seu carro. - Já volto. - avisou, abrindo a porta da casa, ela saiu do imóvel e desceu os degraus da pequena varanda, indo até o seu veículo, onde colocou o brownie no banco do passageiro.
- Volta que horas? - ouviu Bernice indagar assim que ela entrou em casa novamente.
- Não sei não. - mordeu o lábio inferior. - Mas não precisa esperar por mim. - falou, observando a senhora assentir.
olhou ao redor, vendo Sky deitada no outro sofá que elas tinham na sala, andou até ela e fez um carinho em sua cabeça.
- Vou indo, Vó. - avisou, se aproximando da mais velha e se inclinou, lhe dando um beijo na bochecha.
- Boa cantoria. - desejou, sorrindo para a neta, que agradeceu assentindo.

A casa delas não ficava muito longe do centro de Blue Ridge, então pouco tempo depois a mulher estacionou o carro na avenida principal da cidade, que era onde o The Last Stop ficava. notou que alguns carros que estavam por ali tinham placas de outros lugares, o que era comum, afinal, uma rodovia interestadual passava pela cidade, o que fazia do local um ponto de parada para muitos viajantes.
sorriu quando um homem segurou a porta do bar pra ela, já que a mulher tinha uma vasilha nas mãos, entrou no local e notou que o movimento estava bom, mas sabia que ainda ficaria mais cheio, andou até o balcão e viu a esposa de Chad sorrir ao notar sua presença no local.
- Ei, garota. - acenou, deu a volta no balcão, andando lentamente até , que sorriu para a mulher.
- Holly, está cada dia maior. - brincou, mencionando a barriga de cinco meses de gravidez dela.
- E cada dia mais faminta. - afirmou, com um sorriso no rosto. - Isso é o que estou pensando? - apontou para as mãos de , que segurava uma tijela de vidro, com um pano por cima.
- Promessa é dívida. - garantiu, piscando pra ela. - Seu brownie. - esticou a vasilha pra ela.
- Ai, você é um anjo. - sorriu, sentindo os olhos lacrimejarem, graças aos hormônios da gravidez.
- Que isso, só não queria carregar a culpa do seu filho nascer com cara de brownie, né. - riu de leve, vendo a outra balançar a cabeça negativamente.
- Se você me dá licença, vou levar isso lá pra cima. - informou, e a outra assentiu.
Chad e Holly estavam casados há quase três anos, e esperavam o primeiro herdeiro, que chegaria em quatro meses. O casal morava na pequena casa que ficava em cima do bar que possuíam, o que facilitava em muito a vida deles. Holly era de Atlanta e trabalhava para uma das distribuidoras que vendiam produtos para o bar de Chad, os dois demoraram muito assumir o que sentiam um pelo outro, mas, quando perceberam que estavam apaixonados, nunca mais se desgrudaram. Holly abandonou sua vida na cidade grande e se mudou para casa do homem, ela nunca se arrependeu de sua decisão, pois estava correndo atrás de sua felicidade e de seu amor.
- . - Chad cumprimentou a moça, enquanto saía da cozinha do bar.
- Oi, chefe. - sorriu, acenando pra ele.
- Já falei para não me chamar assim. - rolou os olhos, ajeitando as bebidas no balcão. - Rudy não vem hoje. - a avisou, e ela bufou.
Rudy era um jovem da cidade que tocava violão, enquanto ela cantava no bar. O problema era que por ser muito novo, ele não era tão responsável igual a ela, e a deixava na mão muitas vezes. sabia tocar violão, não tinha problema algum com isso, só preferia não tocar enquanto cantava, era um gosto pessoal mesmo.
- Paciência. - deu de ombros, olhando para o pequeno palco em um dos cantos do bar. - Vou lá me ajeitar. - indicou o local com a cabeça, e viu Chad assentir.
- Não esquece sua água. - a lembrou.
Antes de ir até o palco, foi para trás do balcão do bar e guardou sua bolsa no local de sempre, aproveitou e pegou uma garrafinha de água, como seu chefe tinha lhe dito para fazer. Ela andou na direção do palco, e subiu o pequeno degrau do mesmo, começou a ligar todos os aparelhos eletrônicos do local, em seguida verificando se o violão estava afinado, depois testando o seu microfone. Sentou na banqueta e ajustou o pedestal para a altura que desejava.
- Boa noite. - falou no microfone, chamando a atenção das pessoas que estavam ali. - Meu nome é e vou cantar para vocês. - sorriu, dandos os primeiros acordes no violão.
O repertório dela servia para todos gostos, a primeira música foi Paradise City, do Guns N’ Roses, seguida de One Last Breath do Creed, depois foi para Adele, cantando Rumor Has It, continuou nas mulheres com Blown Away, da Carrie Underwood, e depois Breakaway da Kelly Clarkson, voltou aos clássicos com Sweet Home Alabama do Lynyrd Skynyrd, e depois Livin’ on a Prayer do Bon Jovi, seguida de Best of You do Foo Fighters.
- Essa música é maravilhosa. - Holly suspirou, quando a amiga começou a cantar Pretty Hurts da Beyoncé. - Ai, não me aguento. - falou, secando algumas lágrimas que já desciam por seus olhos.
Algumas pessoas bateram palmas para assim que ela finalizou a música, a plateia conseguia sentir a emoção da cantora. A mulher chacoalhou a cabeça, e suspirou, buscando energia para cantar mais algumas músicas, ficando nos clássicos de rock dessa vez. Meia hora depois, ela finalizou sua setlist e agradeceu ao público, acenando para todos, sorriu e foi até o bar, onde sua porção de batata fritas já esperava por ela no balcão.

pegou o copo de coca-cola e bebeu boa parte do conteúdo, sentiu um arrepio ao perceber como o refrigerante estava gelado, ela sabia que isso poderia prejudicar sua voz, mas amava a sensação do frio descendo por sua garganta. Ela apreciava sua batata frita quando um homem sentou em um banco ao seu lado, não o reconheceu, então pensou que talvez ele pudesse ser um viajante que tinha parado em Blue Ridge para descansar.
- Quanto você cobra? - o ouviu indagar, sua voz era rouca e baixa.
Virou o rosto na direção dele, arqueando uma sobrancelha, segurou uma risada ao ver que ele deu uma piscadinha.
- Desculpa, sou leal ao Chad, só canto aqui mesmo. - explicou, pegando outra batatinha.
- Não estou falando disso. - falou, tossindo em seguida.
não era idiota, ela sabia muito bem do que aquilo se tratava e, infelizmente, era muito mais comum do que ela gostaria. Certos homens tinham essa mentalidade atrasada de que toda mulher que se apresentava em público estava disposta a fazer tudo por dinheiro, o que não era o caso dela. Mas já estava calejada, e tinha um jeito bem peculiar de se livrar dos homens que se aproximavam dela perguntando quanto ela cobrava para dormir com eles.
- Não? - franziu a testa, se fazendo de sonsa. - O que é então? - o fitou rapidamente.
- Você sabe. - riu fraco, a encarando.
- Sei? - apontou pra si própria.
notou um outro homem parando no balcão, mas não tão perto quanto o que ela conversava.
- 150 dólares? - o estranho indagou.
- Pelo quê? - voltou a questioná-lo.
O homem suspirou, balançando a cabeça negativamente. Ela olhou o outro cara, que conversava algo com Chad, ela o conhecia de algum lugar.
- 200? - escutou o homem ao seu lado falar, e dessa vez ela riu.
- O que te faz pensar que eu sou prostituta? - mais direta impossível, o que fez o homem quase engasgar com a própria saliva. - É o batom vermelho? - citou a cor que seus lábios estavam pintados. - Ou ser cantora em um bar? Hein?
o encarava, percebendo que ele estava surpreso com a atitude dela.
- Desculpe. - o homem pediu.
- Algum problema aqui? - Chad se aproximou, após ouvir as perguntas da amiga.
- Não. - ela garantiu, fitando o cara ao seu lado. - Ele já está de saída.
O homem olhou para Chad e depois , assentiu e se levantou, em seguida indo em direção a saída do bar.
- Babaca. - resmungou, sugando o canudinho de sua bebida. - Uma mulher não pode sair sozinha sem ser incomodada por um cara? - fitou o amigo, que deu de ombros.
se lembrou do homem que conversava com Chad, ela olhou para o lado e viu que ele não estava mais ali, franziu a testa tentando se lembrar de onde o conhecia.
- Que foi, ? - a voz do amigo chamou sua atenção.
- Quem era o rapaz que você estava conversando?
- Agora? Era o . - respondeu, o que não lhe ajudou em nada.
- O conheço de algum lugar, mas não sei de onde.
- Claro que conhece, é o , quem não conhece o sobrenome nessa cidade?
Ela arregalou os olhos brevemente, se dando conta de quem era o rapaz. Como poderia ter esquecido fisionomia dele? O conhecia de vista desde sempre, e ele ainda era vizinho da sua melhor amiga. Não entendia como não o reconheceu de imediato, será que estava com problema na visão?
- Por quê? - Chad perguntou.
- Curiosidade. - deu de ombros. - Ele vem sempre aqui? Chad estreitou os olhos, tentando entender o súbito interesse dela no homem.
- É cliente regular. - explicou, a vendo assentir.
se virou, olhando ao redor brevemente, e até onde conseguiu ver, notou que o rapaz não estava mais por ali, mordeu o lábio inferior e voltou a comer sua batata frita.

Na manhã seguinte, ela acordou com o sol que invadia a janela de seu quarto, se xingou mentalmente por ter esquecido de fechar as cortinas na noite anterior, suspirou e sentou-se na beirada da cama e olhou para o seu criado-mudo, pegando o porta-retrato que tinha ali. Segurou o quadro com as duas mãos, analisando a foto em que ela e sua mãe estavam sentadas na varanda da casa, abraçava a mãe pelo pescoço e as duas tinham um lindo sorriso em seus rostos.
- Como você faz falta, mãe. - lamentou, alisando a foto.
Shelby tinha acabado de se formar no ensino médio quando descobriu que estava grávida de , ela não estava planejando ser mãe tão cedo, queria poder fazer sua tão sonhada faculdade de Enfermagem, se estabilizar financeiramente e depois teria filhos. Seu namorado na época tinha o mesmo pensamento que ela, e ele nunca aceitou a gravidez da namorada, um pouco antes da filha deles nascer, o rapaz foi embora de Blue Ridge e nunca mais deu sinal de vida, ele tinha fugido de suas responsabilidade.
Shelby criou com a ajuda de seus pais e, quando a pequena estava com três anos de idade, a mulher realizou seu sonho de entrar na faculdade, e, logo após sua formatura, ela conseguiu um emprego no Hamilton Medical Center, um hospital numa cidade próxima, e trabalhou ali até o seu último dia de vida.
Era mais um dia normal na vida de , a rotina era sempre a mesma, sua mãe a levava para a escola e depois ia para o trabalho, não tinha nada de estranho naquilo. Até que na hora do intervalo chamaram a menina de apenas catorze anos na diretoria, sua avó tinha vindo lhe buscar mais cedo e no momento em que viu o estado que a senhora se encontrava ela sabia que algo tinha acontecido. Shelby nunca chegou ao trabalho naquele dia, o pneu de seu carro furou a fazendo perder o controle do automóvel, invadindo a pista contrária da rodovia, colidindo frente com outro carro. Nenhum dos motoristas sobreviveram ao impacto, duas vidas se perderam naquele dia, duas famílias foram destruídas.
não sabia que era possível sentir tanta dor, aqueles foram os piores dias de sua vida.
Quando ela tinha seis anos seu avô teve um ataque cardíaco e acabou falecendo, mas naquela época ela era muito pequena para entender completamente o que tinha acontecido. Mas quando sua mãe faleceu ela já era adolescente e tinha plena consciênca de tudo, tinha perdido sua companheira, sua amiga, sua confidente e a pessoa que ela mais amava nesse mundo.
acabou perdendo o ano escolar, pois não tinha ânimo para nada, Bernice temendo pelo pior, levou a neta para se consultar com um psicólogo para que ela conseguisse seguir em frente, não foi fácil, mas após as primeiras consultas a menina foi melhorando, foram meses de tratamento até voltar a fazer as coisas básicas do dia a dia e sorrir.
Nove anos tinham passado desde aquele dia, a saudades que sentia de sua mãe ainda era gigante, mas hoje ela sabia lidar com aquele sentimento, tinha aprendido a conviver com a ausência de Shelby.
- ? - escutou sua vó a chamando, em seguida duas batidas na porta de seu quarto.
- Já vou. - avisou, se levantando e indo até a porta.
- Bom dia, minha querida. - a senhora desejou, vendo a neta sorrir. - Você pode descer? Precisamos conversar.
franziu a testa, buscando em sua memória se tinha feito algo de errado.
- O que aconteceu? - perguntou.
- Nada grave. - fez um gesto com a mão. - Te espero na cozinha. - avisou.
- Só vou tomar um banho, e já desço. - falou, observando sua avó assentir e se virar, andando na direção das escadas.
se apressou, sua curiosidade estava aguçada para saber sobre o que Bernice queria conversar. Tomou uma ducha rápida, vestiu um shorts e uma regata confortável, deixou seus cabelos secarem ao natural.
- Vó? - desceu as escadas, já chamando pela senhora.
- Na cozinha, . - informou.
A mulher chegou no cômodo, vendo a avó encostada no balcão.
- Lembra quando conversamos sobre a cerca dos fundos?
- Ah sim, é isso? - suspirou, aliviada. - Lembro sim, o que tem?
Bernice andou até a porta da cozinha que levava para o quintal da casa, seguiu a avó, as duas saíram da casa e desceram os pequenos degraus que levavam ao gramado, caminharam um pouco até a cerca antiga que rodeava o terreno inteiro.
- Olha como está. - a senhora apontou para o estado deplorável da madeira.
- Nossa. - a mais nova fez uma careta, notando que metade da cerca estava destruída, com pedaços de madeira se soltando, ela tocou no cercado e reparou que não estava muito firme. - Acho que não dá mais pra adiar. - murmurou. - Vou ter que vender qual órgão pra arrumar isso? - brincou, vendo Bernice a repreender com o olhar.
- Tenho algum dinheiro no banco. - a senhora comentou.
fitou sua avó, agradecendo pela mulher sempre fazer suas economias e guardar dinheiro.
- Eu também. - garantiu. - Metade do que ganho no Chad vai pro banco, então posso usar pra comprar os materiais.
Bernice assentiu, e indicou a casa com a cabeça, elas retornaram para cozinha.
- Conversei com algumas pessoas e me disseram que um profissional ia cobrar muito caro. - a senhora começou, atraindo a atenção da mais nova, que tinha parado em frente a geladeira. - A mãe da me indicou o rapaz que consertou a varanda dela, peguei o telefone dele e ele se ofereceu para vir aqui ver.
- Quem é? - abriu a geladeira, pegando o leite.
- É o menino do . - informou, sentando na pequena mesa redonda que tinha ali.
- ? O vizinho da ? - franziu a testa.
- Ele mesmo. - confirmou.
mordeu o lábio inferior, quase rindo das coincidências da vida. Ontem mesmo ela o viu no bar em que cantava, e hoje, sua avó falava dele.
- Ele é mecânico e eletricista, mas parece que sabe mexer com construção também. - Bernice comentou, bebericando um pouco de café.
A mais nova colocou a caixa de leite na mesa, em seguida pegou uma xícara.
- Bom, se a mãe da o indicou, ele deve ser de confiança, certo? - mordeu o lábio inferior, e sentou-se.
- É sim, vi aquele menino crescer. - Bernice garantiu. - O problema ali sempre foi o pai e irmão, sempre foi um bom menino.
riu da forma que a sua avó se referia ao mais novo da família .
- Vó, a senhora sabe que ele não é mais um menino, né? - sorriu, a vendo assentir.
- Claro que sei, ele se tornou um belo homem. - fitou a neta. - Um ótimo partido para qualquer mocinha dessa cidade.
- Sei… - ela balançou a cabeça. - Quando ele vem?
- Pode ser hoje à tarde? Imaginei que você gostaria de estar aqui.
- Tudo bem. - assentiu. - Só preciso ir na rapidinho, e depois vou ficar o dia todo em casa.
Bernice sorriu para neta, era tão bom poder contar com , saber que ela sempre estaria ali para lhe ajudar com o que fosse necessário.

Continua...

Nota da autora: (19/08/2017) Oi gente...nunca sei o que escrever por aqui, ainda mais na primeira nota.
O que acharam desse primeiro capítulo? Aos poucos vamos conhecendo os personagens dessa história, espero que gostem.
Algum fã de The Walking Dead por aqui? Pois o personagem principal é inspirado no adorável Daryl Dixon hahaha como não amar esse homem?
E a Sky? Prometo muitos momentos de fofura com ela.
Não esqueça de deixar um comentário para eu saber a sua opinião, viu?
Beijos e até a próxima.

Nota da beta: Já amei essa PP toda dedicada aos trabalhos, responsável e que não se deixa abalar fácil. Sinto que vamos nos apaixonar por ela fácil, fácil. Adorei o capítulo, Eli! Ansiosa pra ver o que vai rolar nessa história. ❤️


Se encontrar algum erro, me avise pelo e-mail.