Confident

Autora: Ainat Laefor | Beta: Lu Guimarães

Capítulos:
| Prólogo |
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Prólogo

Naquele apartamento, no prédio mais bonito da cidade, eu estava parada à porta, conversando com um homem que eu diria conhecer em outros tempos, mas que agora me era um desconhecido.

Eu procurei por seus olhares como os de antigamente, mas recebi, em vez da doce inocência juvenil, um olhar quase frio. Contudo, era mesmo frieza ali?

Meu melhor amigo agora era aquele homem tão adulto, estranho e quase outra pessoa. Embora eu compreendesse a força do tempo, era difícil evitar o choque ao revê-lo após tantos anos. Não se parecia em nada com o bobo do meu melhor amigo de adolescência.

— Posso ajudar? — Ele falou, parado à porta. Sua voz estava mais grossa e menos carinhosa do que eu me lembrava. Além da altura e da barba também. Aquele era mesmo o que eu conhecera? O corpo, antes magro, agora se mostrava mais robusto, coberto pelo traje social, sem parecer formal demais, em vez das camisas de banda ou lisas mesmo, os jeans e os tênis All Star.

. — Deliciei-me com seu nome entre os lábios, sorrindo logo em seguida.

— Eu mesmo. — Confirmou.

Não era uma pergunta, no entanto, queria apenas ter o prazer de pronunciá-lo daquela forma após tantos anos. Fiquei intrigada. Ele não me reconhecia? Eu havia mudado, é verdade, mas não sabia que tanto. Se bem que a memória do meu amigo costumava ser um pouco fraca, eu lembrava.

— Eu gostaria de fazer algumas perguntas sobre uma antiga amiga sua, um alguém do passado. — Falei, deixando um pouco de mistério no ar antes de completar. — .

mostrou certa surpresa contida, balançando a cabeça afirmativamente e dando um passo para o lado, permitindo a minha passagem. Não entrei de imediato, encarei-o por uns instantes antes de dar o primeiro passo rumo ao interior. Ele me olhava sugestivo, então foi sua risada que fez tudo terminar ali mesmo.

nunca foi bom em manter mistérios nem mentiras por muito tempo.

— Acho que já podemos ser sinceros aqui. — Ele disse, surpreendendo-me por um curto instante, fechando a porta atrás de si. — Ou prefere continuar com o joguinho, ?

Fitei-o com grande espanto, mas logo dei um sorriso torto para ele, que me devolveu o sorriso do mesmo modo, sustentando aquele olhar que eu jamais vira antes no rosto inocente, mas que agora lhe caía muito bem.

— Você costumava gostar. — Comentei apenas, sentando-me no sofá. — E entrou muito bem na brincadeira, onde aprendeu a fazer tão bom teatro?

riu em deboche e divertimento, indo até o bar no canto oposto da sala e pegando uma garrafa, abrindo-a e servindo dois copos.

— Parece que a perspicaz senhorita precisa reaprender muito sobre a minha pessoa. — Ele falou, sorrindo agora maliciosamente.

— Isto é um convite ou um desafio? — Perguntei.

Meu amigo veio em minha direção com um copo de uísque, entregando-me e sorvendo um pouco da bebida que estava em seu próprio copo enquanto fitava-me profundamente.

— A escolha fica a seu critério, senhorita.

Trocamos olhares mais uma vez, enquanto ele se sentou no sofá em frente ao que eu estava.

— O que foi que me entregou, ?

Meu amigo deu uma longa gargalhada, jogando a cabeça para trás antes de se recompor novamente e balançar a cabeça negativamente. Deu uma pausa para me encarar e disse:

— Ninguém pronuncia seu nome de modo tão convencido quanto você mesma, .

Era um bom ponto, para ser sincera. Talvez eu houvesse me esquecido do quão bem ele me conhecia e do quanto eu já dissera meu nome daquela mesma maneira na frente dele antes. Geralmente eu não me dava conta do modo pomposo que eu usava ao dizer meu nome.

— Bem observador da sua parte, . — Ironizei.

— Mas ainda preciso perguntar... — Ele começou, dando outra pausa e bebendo o restante do que havia em seu copo. — Por que voltou? Digo, é ótimo revê-la, mas... Pensei que tivesse ido embora para sempre...

Suspirei. Eu sabia bem por que havia voltado. Eu entendia que havia sido repentina a minha partida, mas o que eu identificava ali era certo... Ressentimento? Ele sentira a minha falta? Pensara em mim de vez em quando durante minha ausência? Um peso no fundo do estômago me incomodou por alguns instantes.

— Sentiu minha falta? — Consegui dizer apenas, logo me arrependendo por dizer algo tão bobo, eu poderia ter sido muito mais legal agora.

Ele soltou um riso nasalado.

— É apenas natural, não é, ? — Disse . Então completou baixinho: — Você era minha melhor amiga naquele tempo...

Senti-me mal. Eu não havia avisado a ninguém, apenas fui fazer faculdade em outro lugar, sem me despedir, sem dizer adeus nem manter contato com mais ninguém. Foi uma atitude ruim da minha parte.

— Eu senti sua falta também. Por isso voltei...

— Você nunca... Bem... Eu entendo. — Disse por fim.

— Não foi minha intenção fazer desta forma, mas...

Meu amigo apenas balançou a cabeça afirmativamente, entregando os rumos da conversa ao silêncio constrangedor que esperava sua chance para surgir entre nós.

— Eu... Eu acho que vou andando. — Falei.

Levantei-me. Abri minha bolsa e peguei um cartão, puxando uma caneta. Anotei meu número de celular e o endereço do meu novo apartamento no verso.

— Você já está instalada por aqui? — perguntou, levantando-se também.

— Sim, já tenho um apartamento e um escritório na cidade. Eu realmente voltei para cá.

— Fico feliz em ouvir isso. Então posso...

— Me visitar? É claro. Sempre que quiser. — Falei, deixando o cartão sobre a mesa de centro da sala. — Eu moro sozinha lá... — Provoquei.

Ele riu.

me acompanhou até a porta, abrindo-a para mim. Dizem que, ao abrir a porta, o dono da casa espera que aquele visitante retorne. Não seria uma ideia ruim. Estes ditados e pensamentos aleatórios sempre me vêm à mente.

— Então, senhor ... Nos veremos em breve. — Anunciei, mas sem ser de modo incisivo, deixei aquele espaço no ar para que ele discordasse, coisa que ele não fez.

— Esperarei por isso, senhorita .

Suspirei, conferindo as horas no meu relógio rapidamente antes de me voltar a ele.

— Sabe onde me encontrar...

— Você também. — Ele respondeu, sacana.

Ficamos sem saber como nos cumprimentarmos, então nossa despedida foi meio sem jeito, como um primeiro beijo ou a primeira vez que alguém fala em público. Mas terminamos optando por um beijo em cada bochecha, um último sorriso. Virei as costas e segui até o elevador, apenas no momento em que entrei nele é que escutei a porta de se fechar, antes que as portas do próprio elevador se fechassem também.

Eu gostava muito do meu antigo , mas o novo senhor também é muito agradável. Um homem feito, importante, elegante. Eu gostava do novo .

E esperaria nosso próximo reencontro.


Continua...

Nota da autora: -

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