Autora: Ariel Miranda e Yasmin Oliveira | Beta: Ste Pacheco | Capista: Marii Luck

Capítulos:
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PRÓLOGO

Antes:
Todas as minhas férias eu costumava passar na casa dos meus tios, onde eu me divertia com os gêmeos, meus primos.
, o qual eu adorava chamar de , o mais quieto e inteligente, o que adorava inventar brincadeiras difíceis!
E , seu irmão, a aparência era a mesma, porém ele era o oposto de , desde pequeno era levado e arteiro, sempre dando trabalho aos seus pais.
E eu era o orgulho da família, sempre fui filha única e me sentia só por isso, então mais um motivo de adorar passar as férias com os gêmeos, com eles eu nunca me sentia só.
- , anda logo, o filme vai começar! - me gritava, fui saltitando até o sofá e me joguei ao lado dele, passava e bufava.
- Filme? Novamente? - o ignorou e eu ri.
- Senta aqui e vê com a gente! - o convidei, e ele soltou uma risada.
- Tenho coisas mais divertidas a fazer, quer vir? - ele sorriu de lado.
- Pode ser depois? – perguntei, e ele fez que sim, já saindo da sala, nunca conseguia dizer não a nenhum deles, cada um com seu toque especial.
Assim eram resumidas minhas férias, me divertindo de diferentes formas com os dois, e adorava, nunca conseguia decifrar qual era a melhor diversão. Ambos eram incríveis e me faziam feliz, adorava fazer parte daquilo! Mas nada dura para sempre...
E quando digo que nada dura para sempre, estou dizendo a verdade! Meus pais decidiram viajar e morar em Londres por um certo tempo, a trabalho. Não sei dizer ao certo quanto tempo eles pretendem ficar por lá. Mas isso me deixou um pouco angustiada, pois as únicas pessoas que realmente me compreendem são os dois idiotas dos meus primos. Apesar das brigas e tudo mais, eu amo eles e me sinto bem perto deles, principalmente o , o meu preferido, ele sempre me ajuda e a gente vive brincando. O é um tremendo idiota, vive fazendo palhaçadas comigo e seu irmão.
Mas apesar de tudo, irei sentir muita falta deles. Em uma tarde fui para casa deles para brincar, que era o normal.
- Meninos, tenho que contar uma coisa - eu disse, sem hesitar.
- Pode dizer - me encarava.
- Lá vem. Desculpa, mas não vou querer ficar com você - disse, com cara de deboche.
- Eu e meus pais vamos nos mudar para Londres, a serviço deles. Vamos morar lá. - eu disse, com os olhos cheios de lágrimas. Ambos ficaram boquiabertos. Então acabou com o silêncio absoluto.
- COMO ASSIM? - Ele dizia, berrando.
- Deus ouviu minhas preces - olhei feio para o e lhe dei um tapa no braço.
- É verdade! Partiremos amanhã cedo, meus pais já estão arrumando nossos pertences.
Não posso chorar. Não posso chorar. Meus pais tinham acabado de chegar para me buscar, pois já estava ficando tarde. Me levantei de onde estávamos. Não queria chorar naquele momento. Então o que fiz? Saí correndo porque sou uma tremenda idiota. Entrei no carro. Quando olhei pela janela, vi que eles vinham em minha direção, mas não adiantava mais. No dia seguinte, já estávamos todos prontos para a viagem.
Partimos direto ao aeroporto. Para a minha grande surpresa, ao chegarmos lá, os meu tios com meus primos estavam nos esperando para nos despedirmos. Abracei meus tios. Todos nós com lágrimas nos olhos. Olhei para os meus primos e os abracei com tanta força que tive medo de quebrar seus ossos.
- Não vá, por favor! - tira de seu pescoço seu colar preferido e coloca em minha mão. Fico espantada com o gesto dele. Ah, , por que você tem que ser assim?
- Espero não te ver tão cedo, Pontinho. - e sua mania de me chamar de Pontinho, só por causa que sou menor que eles. Mas vou sentir falta dele também.
- Vocês não vão se livrar de mim tão cedo.
- Vamos, , nosso voo vai sair daqui alguns minutos. - disse minha mãe, me puxando pela mão. Já estando na fila do embarque, olhei para eles e a vontade de chorar me consumiu.
Olhando o , me deu vontade de sair correndo e abraçá-lo.
Finalmente, entramos no avião. Minha mãe arrumou meu cinto e me ajeitou na poltrona. Poxa! Andar de avião é maravilhoso. Os meus primos iam amar isso. Ai meu Deus, tenho que parar de pensar tanto neles. O avião decolou, meu coração estremeceu, apertei o colar que me deu e me perdi nos meus pensamentos. E lembrei das minhas últimas palavras. Eles não iam se livrar tão cedo de mim.

CAPÍTULO UM

Tocava algum tipo de rock pesado a poucos metros, abri os olhos e logo eles arderam pelo fato da claridade, os esfreguei e olhei em volta, vi que era o despertador do meu irmão, revirei os olhos e me levantei. Fui até o banheiro e tomei um belo banho para despertar, vesti minha típica roupa de escola, camisa, gravata, suéter em cima, calça preta, sapatos e claro, meus óculos.
Me olhei no espelho e ajeitei meu cabelo, me assustei ao ver esbarrar em mim e me empurrar, bufei e o olhei seguir para o banheiro com seu jeito largado e ridículo de ser.
- Você sempre usa essa mesma merda de roupa? – ele zombou, ajeitei meus óculos e saí do quarto. Meus pais tomavam café, mamãe veio até mim e me deu um beijo na testa, papai sorriu e colocou meu suco onde eu sempre me sentava.
- Obrigada e bom dia! – eu disse, me sentando e começando meu café, peguei o livro que estava em meu assento e continuei a ler de onde tinha parado.
- , não gosto que leia enquanto come, mas não vem ao caso, seu irmão está atrasado novamente! – mamãe novamente nervosa pelo milésimo atraso de .
- Não se importe, mãe, ele já estava se arrumando quando desci. – a acalmei e ela sorriu para mim. Voltei a tomar meu café e deixar o livro de lado.
- Aposto que não tem nem lugar para mim, o livro do é mais importante! – ouvi reclamar, assim que chegou à cozinha, ele se vestia todo de preto, com sua jaqueta de couro nojenta.
- Claro que não, meu filho, sente-se, por favor! – mamãe disse, sorridente e indo até ele, apenas o olhava com cara de desprezo.
- O livro tem mais conteúdo, mas pode se sentar. – eu completei, ele mostrou o dedo do meio para mim, nossos pais logo o repreenderam.
- Vou apenas pegar meu pão e ir comendo, tenho coisas a fazer pelo caminho! – ele disse, pegando um pedaço de pão e enfiando na boca, depois pegando as chaves de seu carro.
- , aonde você vai? Por que não pode se sentar e tomar café com sua família? – papai dessa vez que se pronunciou.
- O pode me substituir, afinal, de aparência somos idênticos mesmo, pena que ele tem um péssimo gosto para se vestir! – ele provocou e depois saiu, dei graças a Deus. Não que eu odiasse meu irmão, mas eu sempre fui tímido e quieto, o que nunca me ajudou a arrumar amizades e muito menos namorada, sempre gostei de ler e me trancar em meu mundinho. era o oposto, sempre descolado e metido ao melhor do universo, todos o respeitavam e o obedeciam, ele sempre conseguia todas as garotas que ele quisesse.
Terminando meu café, fui para frente de casa esperar o ônibus escolar, dirigia e tinha seu próprio carro, ele ganhou de presente de aniversário, já eu, pedi que eles depositassem o dinheiro em minha conta para que eu pudesse ir para uma boa faculdade no futuro. Olhei para o meu pulso e vi que aquela droga de ônibus estava atrasado, até que observei um carro parar em frente, uma garota com cabelos loiros e muito bonita dentro dele abaixou o vidro, ela usava óculos escuros e tinha um sorriso encantador, podia jurar que reconhecia esse sorriso. Até que fomos interrompidos com o ônibus parando perto de mim, me apressei e entrei, fui diretamente na janela ver a moça do carro, mas já não consegui vê-la. Me sentei e fiquei perguntando quem será que era, pra parar o carro e sorrir para mim, nenhuma garota bonita jamais tinha feito isso. Ok, até que já, mas eu sempre ficava tímido e gaguejava o que não ajudava em nada.
Acordei pra vida quando fui acertado por alguma coisa pequena e dura, aposto que era um pedaço de borracha, revirei os olhos ao ver os babacas me zoarem, voltei a olhar pela janela e tentar me desligar daquele inferno.

- , foi uma das melhores redações que eu já li, parabéns! – minha professora me elogiava, na frente de todos, claro. Eu já odiava chamar atenção, ela fazendo isso era tudo que eu não queria, mesmo que fosse para me elogiar.
- Obrigado, professora! – agradeci, em voz baixa, ela sorriu e continuou entregando as outras redações, senti meu rosto arder, provavelmente eu estava mais vermelho que o normal. Mais aulas se passaram, mais constrangimentos; conforme o tempo, fui me acostumando a não prestar atenção às besteiras que meus colegas de classe falavam, principalmente, sobre mim. Na hora do intervalo, peguei meu lanche e fui sentar lá fora, embaixo da minha querida e amiga árvore, peguei meu HQ de “The walking dead” e me desliguei novamente do mundo à minha volta.
- Pirralho, seu irmão está te procurando! – olhei por cima do óculos, os empregados trogloditas, amigos do meu irmão, estavam parados na minha frente.
- Primeiro: não sou pirralho, pois tenho a mesma idade do meu irmão, e segundo: ele não tem capacidade de vir aqui e falar comigo? Ou terceiro: vocês não tem inteligência ou livre arbítrio o suficiente de dizer não para ele? – eles me olharam confusos, como se não tivessem entendido nada, revirei os olhos e me levantei.
- Não pensem demais, não, eu vou até ele mesmo! – disse, e me afastei, meu irmão sempre ficava perto da quadra. Chegando lá, ele estava com seus óculos escuros, no meio de várias pessoas que se achavam os melhores, que sempre riam ou pelo menos fingiam que achavam as piadas (ridículas) dele muito engraçadas.
- Fala o que que, . – todos me olharam, ele parou de rir e me olhou também, saiu de cima da mesa e veio até mim.
- Estou pensando em não voltar pra casa depois da aula, você poderia, pelo menos uma vez na vida, ser legal comigo e me acobertar? – ele pediu, colocando as mãos em meus ombros e depois abrindo um sorrisinho, cerrei os olhos.
- E por que eu seria legal com você? – senti ele apertar meus ombros e depois soltar uma risada.
- Sou seu irmão, gêmeo ainda! Já parou pra pensar nisso? – ele disse, ironizando.
- Jura? Não acredito que foi agora que você descobriu isso! Poxa, , depois de dezessete anos e agora que você reparou que éramos gêmeos idênticos? – ironizei mais ainda, desse jogo eu sabia jogar, me livrei de suas pesadas mãos em meus ombros e me afastei.
- Engraçadinho! Mas, , irmão, estou pedindo por favor, eu nunca peço por favor! – ele voltou a dizer e sorrir, seus amigos nos olhavam, algumas meninas me olhavam dos pés à cabeça.
- E se eu continuar a dizer não? Vai pedir para os seus amigos me espancarem? – ele soltou uma risada, todos o acompanharam.
- Agora me senti ofendido, nunca pediria a ninguém para te bater, ! – ele disse, voltando a ficar próximo, depois me olhou, ficando sério. - Eu mesmo te bateria. – coloquei as mãos no bolso da calça e respirei fundo.
- Quer saber? Pode ir, eu acoberto, e se quiser nunca mais voltar, me finjo ser você todos os dias e passo de ano por você, já que você é estúpido e burro pra isso. – eu disse, e depois me virei, seguindo o caminho da sala de aula.
- VALEU, ! – ouvi ele gritar, de longe, dei de ombros. Mais duas aulas, tive que ajudar os alunos de reforço e depois ir para o laboratório de ciências, onde, infelizmente, tenho que aturar meu irmão e a burra da sua namorada, se é que é namorada.
- Faz essa porra direito que a gente fica com nota, todos ficamos felizes! – brigava comigo, quase que eu joguei o vidro com sódio nele.
- Eu não vou relar nesse troço, fiz minhas unhas ontem. – a garota disse, a olhei com desprezo.
- Eu simplesmente não estou afim de fazer mais nada para você hoje, ok? – ele me fuzilou com o olhar e depois bateu na mesa, tirei o avental branco e saí do laboratório.
- , aconteceu algo? – o professor saiu atrás de mim.
- Não estou me sentindo muito bem, meu irmão da conta dessa atividade por mim! – respondi, sorrindo, o professor sorriu de volta e voltou para a sala. Me sentei no banquinho que tinha ali perto e inspirei e soltei.
Faltava alguns minutos para o sinal tocar, me levantei e fui pegar minha coisas no armário. Decidi que não estava bem para esperar o ônibus e fui a pé para a casa. Coloquei meus fones e escolhi “I bet my life- Imagine Dragons”, o tempo estava nublado, eu adorava quando o tempo ficava assim, dava um cenário de filmes de terror. Por exemplo, o bosque que ficava perto da minha casa, ele ficava ainda mais bonito com toda aquela névoa no meio das árvores.
Eu cantarolava a música em voz baixa, olhava para o chão enquanto caminhava, minha casa não era perto da escola, porém também não ficava do outro lado, mas digamos que era uma boa caminhada. Até que senti alguém cutucar meu ombro, tirei um dos fones e me virei, era uma garota que fazia algumas aulas comigo e que sempre sentava no primeiro lugar no ônibus.
- , né? – ela perguntou, sorridente, fiz que sim, ela era baixa e magra, tinha cabelos ruivos cacheados e compridos, suas bochechas eram cobertas por sardas, seus olhos verdes claros ficavam escondidos por baixo de um óculos enorme, ela vestia um vestido cinza que acredito eu fosse de veludo, um suéter preto por cima e sua mochila bem estampada pendurada nas costas.
- Me perdoa, mas não lembro do seu nome! – eu disse, ficando sem graça, ela soltou uma risada baixa e deu de ombros.
- Saphíra, mas não tem problema, ninguém nunca lembra! – ela disse, desviando o olhar do meu, sorri de lado e continuei a encarando, por baixo daquela cabeleira toda ela tinha um sorriso bonito.
- Enfim, você deixou cair seu caderno de desenhos. Me perdoa, mas não pude deixar de vê-los, você desenha muito bem e eles são ótimos. – ela disse, me entregando o caderno, alarguei mais o sorriso e o guardei na minha mochila.
- Muito obrigado mesmo, mas nem são tão bons assim. – respondi, colocando as mãos no bolso da calça, ela riu.
- Você está sendo modesto, são mais do que bons, na verdade! – ela disse, sorrindo, mas logo ficando sem graça, ela ajeitou os óculos e se afastou um pouco.
- DROGA, PERDI O ÔNIBUS! – ela gritou, vendo o ônibus passar, olhei junto, ela resmungava e batia os pés pra lá e pra cá, acabei rindo baixo daquilo.
- Onde você mora? – perguntei, ela me olhou.
- Um pouco longe, na verdade, bem longe! – ela disse, tentando evitar a resposta, continuei a olhando.
- Tudo bem, eu moro em uma fazenda que fica bem afastada da cidade – ela admitiu, ficando com uma cor diferente, me aproximei dela.
- Vamos comigo e lá peço para meus pais te levarem até lá, afinal, a culpa foi minha por você ter perdido o ônibus. – ela não me pareceu convencida, mas sorriu e concordou. Começamos a caminhar.
- Acho que não vai ser uma boa ideia – ela parou de andar, a olhei confuso.
- Por que não? – perguntei, e ela respirou fundo.
- Você é irmão do . – ela disse, mordendo o canto da boca e juntando as sobrancelhas.
- Sim, e daí? – ela soltou o ar.
- Me perdoa, mas ele não tem nenhuma educação, ele já jogou três livros meus dentro da privada do banheiro masculino – ela finalmente disse, abri a boca e depois cerrei os olhos.
- Ele não lhe fará mal, te prometo. – eu disse, estendendo a mão para ela. Pensativa, ela demorou para aceitar, mas depois de um tempinho ela segurou em minha mão e sorriu.
- Obrigada, . – ela disse, sorri de volta e voltei a caminhar com ela ao lado.
- Pode ser só . – sorridente, ela repetiu meu apelido em voz baixa. Ficamos em silêncio por uma parte do caminho, até que resolvi puxar assunto, perguntando sobre sua matéria preferida, ela respondeu “Literatura” e fomos conversando sobre livros, HQ, filmes e séries. Ela realmente tinha um EXCELENTE gosto, deveria ter feito amizade com ela desde que a fez tropeçar na minha frente e eu a ajudei a se levantar, isso foi na oitava série. Chegando à minha casa, notei ela diminuindo os passos, segurei com força sua mão e sorri para ela, isso a fez se sentir melhor e voltar a andar junto comigo. Mamãe estava na porta, com um olhar preocupado.
- Você veio andando, ? – ela perguntou, batendo os pés, revirei os olhos e apontei para a Saphíra com os olhos.
- Mãe, essa é a Saphíra, minha colega de classe – a apresentei. Minha mãe abriu um enorme e exagerado sorriso para ela, que sorria também e estendia a mão.
- E queria perguntar se você ou o papai podem dar uma carona para ela? Ela perdeu o ônibus por minha culpa, é o mínimo que podemos fazer – mamãe nos olhos ainda sorrindo e pediu para que entrássemos.
- Seu pai foi ao centro da cidade com o carro, mas pode levá-la – Saphíra arregalou os olhos ao ouvir isso.
- Não, mãe, pede pro te emprestar o carro e a senhora mesmo leva, por favor – eu pedi, segurando as mãos de minha mãe.
- Que isso, filho, imagina! Seu irmão a levará numa boa, fica calmo, só esperar ele chegar. – ela disse, sorrindo, olhei para Saphíra, que ainda estava apavorada.
- Eu vou junto no carro, relaxa – eu disse, voltando a segurar sua mão, ela ainda permanecia sem expressão, meu irmão era um monstro mesmo.
- Filho, tem uma surpresa muito agradável – mamãe disse, batendo palminhas na porta da cozinha, a olhei curioso.
- O que é? – perguntei, caminhando lentamente para a cozinha, ainda segurava a mão de Saphíra e a levava comigo.
- Vem ver você mesmo! – ela disse, dando espaço, entrei na cozinha e meu coração parou e depois voltou a bater aceleradamente, arregalei os olhos e engoli seco. A loira do carro, que acenou para mim antes da aula, estava sentada na minha cozinha.
- Vai falar que não lembra de mim? – ela se levantou sorrindo. Meu Deus, era minha prima, se passaram tantos anos que nunca achei que a veria novamente.
- ! – gritei, ela sorria mais ainda, até que vi seu olhar descer e ver minha mão entrelaçada com a de Saphíra. Tirei minha mão da dela e fui até abraçá-la.
- Nem acredito que é você! – eu disse, enquanto a apertava no abraço, ouvi ela rir e me apertar também.
- Sou eu mesma. Senti tanto sua falta, meu pequeno ! – ela disse, e depois beijou meu ombro, não sei dizer por quanto tempo aquele abraço durou, mas não o suficiente para ambos, nos separamos ao ouvir alguém pigarrear.
- Você está tão lindo. – ela disse, alisando meu rosto, revirei os olhos e continuei sorrindo.
- Pode parar, você sabe que fico sem graça a elogios. – eu disse, desviando o olhar, ela soltou uma risada.
- Eu sei, mas é que senti falta de ver suas bochechas coradas! – ela disse, rindo. A empurrei de leve e acabei rindo junto.
- Olha só quem resolveu voltar. E aí, pontinho? – ouvimos a voz de meu irmão. o olhou e sorriu de lado. tirava a jaqueta e colocava em cima da mesa, ele tinha um sorriso sacana no rosto e observava nossa prima da cabeça aos pés.
- , quanto tempo! – disse, forçando um sorriso, ele sorriu também e foi até ela, os dois se abraçaram brevemente.
- Aposto que fui o gêmeo que você mais sentiu falta. – ele disse, piscando para ela.
- Você não mudou nada, né? – ela disse, revirando os olhos e rindo.
- Na verdade, melhorei! – ele disse, convencido de si, bufei e olhei para Saphíra, que estava no canto encolhida, fui até ela.
- Olha só quem fez uma nova amiga, mas, para falar a verdade, ela já era minha amiga primeiro – disse, sorrindo e indo até nós, me coloquei na frente dela.
- Não fiquei sabendo disso, não, mas depois conversamos sobre isso. Você vai dar carona pra ela até a casa dela, ok? – ele arqueou a sobrancelha para mim e depois riu.
- Você não me dá ordens, pirralho, mas eu a levo sim. Bom que vamos relembrar nossa amizade, né, ruivinha? – ele disse, piscando para ela.
- Que ótimo. , se não se importa, vamos levar a Saphíra para a casa dela! – eu disse, para minha prima, ela sabia que provavelmente aconteceria uma briga, ela nos conhecia como ninguém.
- Quer saber? Estou morrendo de saudades desse lugar, posso levá-la embora. Preciso arranjar novas amizades e eu amei o cabelo dela! – disse, pegando a chave do carro da bolsa, depois sorriu para Saphíra.
- Eu disse que eu a levaria. – disse, abrindo os braços, cerrei os olhos para ele.
- A vai levá-la e fim de papo. – eu disse, deu de ombros e saiu da cozinha encarando Saphíra, fui até .
- Obrigado por fazer isso. – ela apenas sorriu para mim e chamou Saphíra.
- Obrigada, , nos vemos na escola. – Saphíra disse, antes de sair atrás da minha prima, a observei sair e depois soltei o ar, subi as escadas e fui até meu quarto. estava sentado na minha cama, me esperando.
- O que quer? – perguntei, cruzando os braços.
- Sabe, , vou ser curto e grosso contigo. Posso ser seu irmão gêmeo, mas não pensaria duas vezes em ferrar mais ainda sua vida social se você me desafiar novamente e você mais do que ninguém sabe que comigo não se brinca. – ele disse, se levantando e vindo até mim, me encolhi um pouco, mas continuei o encarando. - Vê se fica esperto, porque não vou falar de novo. – terminando de dizer, ele me empurrou e saiu dali, revirei os olhos e chutei a porta do quarto, eu o odiava!

CAPÍTULO DOIS

Sim, meu irmão me irritava de todas as formas possíveis. Desci as escadas de casa bufando. Mas não seria ele aquele babaca que estragaria meu dia. Peguei minha jaqueta de couro que estava na mesa, coloquei meus óculos de sol, peguei as chaves da moto e saí.
Precisava vê-la, não minha namorada, se é assim que posso chamá-la. Não que eu não goste dela, até gosto, mas ela me irrita com os ciúmes bobo dela. Estacionando minha moto, desci e fui em direção à porta. Depois de bater algumas vezes, a porta se abriu e sim, ela estava magnífica como sempre foi.
- Estava com saudades, Pontinho? - Ela me olhou levantando as sobrancelhas.
- Ainda com essa mania? - ela cruzou os braços, me olhando. Como ela estava sexy.
- Você sempre será meu Pontinho. - sorri de lado e ela abaixou a cabeça, senti que ela estava com vergonha.
- Então, você gostaria de conhecer a cidade comigo?- a convidei e ela sorriu.
- Para a sua informação, eu já conheço a cidade, passei minha infância aqui - ela sorriu e fez cara de deboche.
- Mas aposto que você não conheceu a cidade acompanhada por um cara lindo que nem eu - Ela riu.
- Meu Deus, você não mudou nada, continua o babaca metido de sempre! - não tinha como não rir.
- Te pego às 10 então. - pisquei pra ela e dei de ombros.
- Mas você não perguntou se eu quero ir – me virei e a encarei.
- Se fazer de difícil não é seu forte, . - ela fez uma expressão irônica, como se tivesse sido ofendida. Subi na moto e vi que ela ainda estava olhando de braços cruzados. Fui para casa. E claro, o bastardo do meu irmão estava lendo. Porque só isso que ele fazia. Nem para curtir a vida ele se esforçava. Joguei a almofada nele e ele saiu daquele transe.
- Qual o seu problema? - ele me encarou, fechando o livro.
- Você é meu problema - Sentei ao lado dele no sofá.
- Então vá embora daqui. Arranje uma casa para morar e me deixe. Aposto que não dura dois dias. - Joguei o controle da tv nele.
- Para de ser chato, moleque. Além do mais, você está precisando de uma namorada. Porque você não marca de sair com a ruivinha, a Sara? - sorri irônico pra ele.
- Primeiramente, não estou precisando de conselhos amorosos seus. Segundo, não preciso de namorada. E terceiro, é Saphíra, seu burro! - fiz cara de deboche pra ele.
- Ok. Morra com os livros. - Me levantei e fui direto ao quarto. Já estava anoitecendo. Meu celular começou a tocar. Ah, não!
- Oi, amor! - a implicante da minha namorada.
- Oi, baby. E o nosso jantar, ainda está de pé? - Droga! Me esqueci completamente.
- Nossa, amor, me desculpa, mas hoje não vai dar. O burro do meu irmão tomou vários remédios de uma vez porque um ator que ele gostava morreu, agora ele está passando mal e vou ficar olhando ele a noite toda, pois meus pais não estão.
- Ah, nossa, desde quando você se importa com ele? - Nunca.
- Pois é, mas meus pais me obrigaram a olhar ele porque pode se suicidar.
- Ah, então tá bom, meu bebê. Nos vemos então.
- Ok. Beijos! - desliguei o telefone e mostrei língua para ele. Confesso que estava com ela porque ela é gostosa e popular. Tomei um banho e comecei a me arrumar. Calça jeans rasgada, regata preta e minha jaqueta de couro. Peguei a chave da minha moto, que não foi presente dos meus pais. Fui em direção à casa da . Chegando lá, bati na porta. Ela abriu e estava deslumbrante. Short jeans escuro de cano alto, um corpete preto e salto, com os cabelos ondulados.
- Até que você está bonito. - ela me olhou.
- Até parece que você é uma mulher - ela me olhou de cara feia. Peguei em sua mão, a ajudando a descer. Dei o capacete pra ela, ela segurou em minha cintura, apoiando a cabeça em minhas costas. Seguimos a maior parte do tempo em silêncio. Ela acabou quebrando o silêncio perguntando:
- Para onde estamos indo? - ela me apertava cada vez mais.
- Fica quieta aí. - ela acabou me dando um tapa. Chegamos em uma boate, uma das mais famosas da cidade. Descemos da moto, ela me entregando o capacete.
- Por que eu não estou surpresa? - eu sorri. Quando entramos, estava tocando "Lovers On The Sun" do David Guetta. Ela gritou:
- Eu amo essa música. - Ela saiu, me puxando para a pista de dança. Começamos a dançar, como o lugar estava cheio, ficamos grudados. Ela enroscou os braços em meu pescoço. Segurei sua cintura contra mim, fomos no ritmo da música. Quando a música acabou, ela me olhou e disse que estava com sede. A puxei e fomos pegar bebidas.
- Me dê duas Balkan com limão, por favor! - olhei para a garçonete. Ela se virou para pegar as bebidas e dei uma olhada para a bunda dela. Levei um tapa.
- Ei, para de ser tarado! - se sentou ao meu lado. A garçonete voltou com as bebidas.
- Duvido você tomar esse copo em um segundo. - disse, me encarando.
- Vamos no três! - ela começou a contar. - 1, 2, 3 - Viramos o copo, ela me olhou espantada e demos risadas.
- Cara, eu amo Balkan - ela olhou para o copo e pedi mais dois. Viramos em seguida. A música começou a tocar, " Yellow Flicker Beat" da Lorde. Fomos para a pista, virou de costas e dançamos ao ritmo da música. Fui passando minha mão pela sua barriga, ela com a mão em meu pescoço, alisando suas coxas, nós dois com os olhos fechados. Ficamos a noite toda dançando.
Já acabando a festa, nós saímos e antes de subirmos na moto ela tirou os sapatos. Fomos direto para a casa e no caminho ficamos em silêncio. Olhei para o relógio e já era 7 da manhã. Ela abriu os braços e sentiu o vento em seu rosto. Dei risada baixa da situação. Quando cheguei à porta da casa dela, descemos da moto e me encosto na moto. Ela parou na minha frente.
- Precisamos de mais disso! - sorri de lado.
- E, além do mais, você é um gato! - franzi a testa.
- Você está bêbada. E foi agora que você percebeu isso? - ela sorriu.
- Babaca. - dou um beijo no canto de sua boca e subi na moto.
- Nos vemos por aí. - ela mordeu a boca, sorriu e entrou. Fui para casa, tirei a roupa, me joguei na cama e pensei: Um dia ela vai ser minha!

CAPÍTULO TRÊS

- DÁ PARA ABAIXAR A MERDA DA MÚSICA, ? – gritei, jogando meu sapato na porta do quarto dele, mas, óbvio, ele não ouviu. Revirei os olhos e me levantei, peguei minha camisa xadrez e a vesti, caminhei até seu quarto e entrei sem bater, arregalei os olhos e me virei rapidamente, meu irmão fazendo um ato impuro era a visão que eu tinha acabado de ver.
- PORRA, , NÃO SABE BATER NA PORTA, NÃO? – ele gritou, e ouvi ele cair da cama, soltei uma risada baixa disso.
- , não acredito que você estava fazendo isso com a porta aberta! – eu disse, respirando fundo e me virando para encará-lo, ele me olhava furioso.
- Você só pode estar querendo apanhar, puta merda, ! E outra, esse ato aqui é divino, todos fazem. – ele disse, e depois piscou para mim, fiz cara de deboche.
- Eu não faço, mas nem precisa jogar na minha cara que sou aberração e esquisito, já sei disso. Agora pode voltar a se tocar inapropriadamente! – terminei de dizer e fui até a porta.
- Você, meu irmão, vai morrer virgem e sabe o que é pior? – me virei para olhá-lo e ele apontava para mim, continuou dizendo: - Vai morrer virgem até por você mesmo! – depois soltou uma gargalhada, o ignorei e desci as escadas, indo até à cozinha. Peguei um copo de leite e segui para a sala, mas ouvi baterem à porta, bufei e fui até lá atender.
- ! – era a ruiva cheia de livros nas mãos e sorridente, até que vi seu olhar descer por mim e suas bochechas assumirem outra cor, um rosado.
- Ei, Saphira! – cumprimentei-a e depois segui seu olhar, minha camisa estava aberta, arregalei os olhos e comecei a fechá-la rapidamente.
- Quer estudar biologia comigo? – ela perguntou, voltando a me olhar nos olhos, abri um sorriso para ela.
- Estava tentando estudar mesmo, então claro que sim! – respondi, e dei passagem para ela entrar, logo em seguida fechei a porta e fui até a escada.
- Podemos estudar na cozinha, acho que a luz é melhor. – ela disse, meio sem graça, fiquei confuso, mas aceitei e fui com ela para a cozinha.
- Vamos começar por aqui, ouvi dizer que provavelmente cairá uma dessas questões que ela tinha passado no início do semestre. – ouvi ela dizer, enquanto me sentava ao seu lado, ela já tinha o caderno aberto, me aproximei mais e comecei a ler os exercícios.
Ficamos muito tempo sentados ali, comentando sobre e até discutindo sobre a matéria, fizemos inúmeros exercícios, até que fomos interrompidos por meu irmão passando por nós, sem camisa, notei Saphira encolher na cadeira e desviar o olhar.
- “Yeah I’m going down anyway. I’m on the Highway to hell” – ele cantarolou, e olhou para a Saphira com aquele olhar doentio dele.
- Pronto? Pegou o que queria? – perguntei, o encarando, ele a olhava ainda e se aproximava, Saphira o olhava tentando não demonstrar o medo, mas era inevitável não ver.
- Peguei sim! Fica aí com a garota mais esquisita do mundo, vou ver nossa prima gostosa! – ele disse, piscando e pegando uma camiseta que estava em cima da cadeira, a vestindo e depois piscando para Saphira.
- Você é ridículo e patético, infantil e ignorante mesmo! – eu disse, o enojando, ele apenas arqueou uma sobrancelha para mim e depois riu, logo depois saindo e nos deixando ali em silêncio.
- ? Tudo bem? Fala alguma coisa! – Saphira passava as mãos em frente à minha visão, pisquei algumas vezes e deparei-me com o azul intenso de seus olhos por trás de seus enormes óculos.
- Me perdoa, meu irmão às vezes me deixa assim. – consegui dizer e ela sorriu de lado. - Sei como é, ao mesmo tempo que vocês são idênticos, ele consegue ser o oposto de você! – ela disse, e depois riu de si mesma, concordei e abri um sorriso.
- Acho que talvez estudamos o suficiente! – eu disse, olhando para o relógio, ela arregalou os olhos e se levantou rapidamente.
- Mais que o suficiente, meu Deus! Está tarde, preciso ir. – ela disse, colocando a mochila nas costas e saindo da cozinha, fui atrás dela.
- Vou ligar para um táxi, pode ser? – perguntei, pegando o telefone, ela assentiu. Disquei o número e logo que atenderam fiz o pedido, desligando, abri a porta e ficamos sentados na sacada esperando.
- Ei, ! – levamos um susto ao ver minha prima saindo do carro, levantei-me e abri um enorme sorriso ao vê-la.
- ! – eu disse, e corri para abraçá-la, ela correspondeu, me apertando no abraço.
- Achei que estivesse com o . – ela me olhou sem graça ao me ouvir e deu um sorrisinho.
- Acabamos nos desencontrando, mas queria te ver na verdade. – ela disse, sorridente e segurando minhas mãos, como ela era linda, era como se o sorriso dela fosse o brilho de uma estrela apagada, era incomum.
- É... Tchau, e ! – ouvimos uma voz baixinha e um tanto tristonha, Saphíra se encaminhava para o táxi que havia chegado, acenei para ela e voltei a olhar .
- O que rola entre vocês dois? – minha prima perguntou, arqueei a sobrancelha.
- Nada, ela é uma boa amiga, mas por quê? – soltou uma risadinha e foi em direção à porta de casa.
- Só curiosidade, primo, vem! – ela estendeu a mão para mim e ainda sorria, soltei uma risada abafada e segurei sua mão, entramos em casa e fomos para meu quarto, ela ficou fuçando nas minhas coisas e contando coisas engraçadas que aconteceram com ela. Até que ela foi até o som e colocou o IPOD dela, começou tocar uma melodia que eu não havia escutado ainda, ela balançava o quadril conforme o toque e até que começou a cantar junto com a cantora.

“You're the cure, you're the pain
You're the only thing I wanna touch
Never knew that it could mean so much, so much”

“Você é a cura, você é a dor
Você é a única coisa que eu quero tocar
Eu nunca soube que poderia significar tanto, tanto assim”

Ela se aproximou de mim, sentando-se ao meu lado e tirando meu cabelo da testa, sorri de lado para ela e sem nem perceber meu olhar desceu para seus lábios, ela sorria e de repente cantarolou novamente com a música:

“So love me like you do, lo-lo-love me like you do
Love me like you do, lo-lo-love me like you do
Touch me like you do, to-to-touch me like you do
What are you waiting for?”

“Então me ame como você ama
Me ame como você ama
Toque-me como você me toca
O que você está esperando?”

Levei uma de minhas mãos até seu rosto e o alisei, ela ainda sorria e agora fechava seus olhos, sem me importar muito com mais nada, aproximei meus lábios dos dela, respirei fundo e quando fui finalmente tocá-los, ouvimos alguém pigarrear, nos afastamos e era parado na porta, com os braços cruzados e com uma cara nada boa.
- Me confundiu com ele, ? – ele perguntou, ironicamente, ela o olhou sem graça e depois abaixou a cabeça.
- Vai procurar o que fazer, ! – eu disse, me levantando e indo até ele, mas ele já tinha entrado no meu quarto e fechado a porta.
- Me perdoa, , recebi sua mensagem quando já estava aqui. – ela disse, se levantando também.
- Ah sim, é claro, daí aproveitou para dar uns beijos no outro gêmeo? Somos parecidos nisso também? – ele perguntou, arregalei os olhos e fui até eles.
- Espera aí, vocês se beijaram? – perguntei, olhando para os dois, tinha um sorrisinho no rosto e só observava o chão.
- A vai adorar responder essa e vou adorar ouvir. – ele disse, abrindo mais o sorriso debochado e a encarando, ela o olhou furiosa.
- Por que você não vai se foder? Você nunca muda mesmo, tem que ficar contando vantagem mesmo! – ela cuspiu as palavras e depois me olhou, respirou fundo e disse: - Infelizmente, eu perdi meu tempo beijando seu irmão! – terminando de dizer, ela pegou suas coisas e saiu dali, ainda pasmo e absorvendo tudo que tinha acontecido, olhei para , que estava sem expressão alguma.
- Feliz? – perguntei, e ele me encarou confuso.
- Por tê-la beijado? Claro! – ele respondeu, se virando de frente para mim, revirei os olhos.
- Ótimo para você, mas, pelo que vi, ela não gostou muito e isso já é o suficiente para mim. – terminei de dizer e sorri para ele, depois sentei em minha cama.
- Escuta bem, , maninho! Não há possibilidades de alguém ficar comigo e não gostar, sacou? Ao contrário de você, que pelo jeito nunca beijou. – ele me provocou e soltou aquele maldita risada, o olhei de relance.
- Sai do meu quarto, não discutirei sobre beijo com você que não consegue nem tirar nota azul em Biologia. Aliás, nem em ciências na quarta série você conseguia. – soltei uma gargalhada alta.
- Fica com as matérias e eu com a prática, otário! – ele disse, e saiu do quarto, nunca aguentava uma briga de sabedoria. Mas isso não importava, no momento o que estava em minha mente era minha adorável , quase nos beijamos hoje e seria com isso que eu sonharia pelo resto da noite.
Se tinha razão em uma coisa, era que eu não tinha prática! Nunca tomaria coragem para beijar alguém, mas estava mais que na hora para isso, ou eu poderia perdê-la para sempre, ou até pior, PARA ELE!

CAPÍTULO QUATRO

A claridade da luz solar incendiou meu quarto, quase me deixando cego pela manhã. Olhei o relógio.
- Puta merda – saltei da cama, corri direto para o guarda roupa, vesti o que vi pela frente, calça jeans rasgada e uma camisa preta da banda Arctic Monkeys, lavei o rosto, peguei meus pertences e desci para a cozinha.
- Sente, querido, vou preparar seu café – disse minha mãe, arrumando a mesa.
- Não posso, estou atrasado, não quero chegar na segunda aula – disse, pegando as chaves da moto que já estava em cima da mesa. E já percebi que o bastardo do meu irmão já devia ter saído para a aula. Apertei o passo no corredor da escola, indo direto à minha sala. Abri a porta e todos se viraram para mim.
- Chegando atrasado novamente, Sr. ? – disse a senhora Celeste, a professora de Português mais estúpida que conhecia, ela me odiava, sempre implicava comigo, aposto que ela me desejava, mas quem gostaria de ter uma velha ridícula como aquela?
- O Sr. vai procurar um lugar pra se sentar, ou será preciso chamar a diretora? – a diretora? Sim, pode chamá-la, eu a comeria sem problema na mesa da diretoria. Sorri para a professora, caminhei para o fundo, passei pelo bastardo do , que sentava na primeira mesa. Ignorei a existência dele, passei por Saphíra, que sentava atrás do , dei um sorriso sarcástico para ela, ela se estremeceu e me acomodei na última mesa.
- Antes de começarmos a aula, quero que recebam de bons grados a nova aluna, . Aquele nome soou em meus ouvidos como um relâmpago. Estremeci, não conseguindo acreditar no que eu acabara de ouvir. entrou na sala de aula toda sorridente, como se isso fosse totalmente normal, cabelos soltos, saia curta preta, regata branca e salto.
Vi que meu irmão estava com a mesma reação que eu. se sentou na primeira mesa, a duas do meu irmão. Não pisquei e a cada movimento que ela fazia eu acompanhava com o olhar, estava literalmente de boca aberta. Finalmente, soou o sinal do intervalo, levantei bruscamente e fui na direção da , puxei o braço dela.
- Você está de brincadeira não é? – disse, irritado.
- Estou vendo que é assim que você trata os alunos novos – ela sorriu ironicamente, puxando o braço.
- gritou, vindo aceleradamente.
- O que está fazendo aqui ? – disse ele, espantado.
- Pensei que vocês gostariam da surpresa. Não fiquem com essas caras de que viram a morte, aqui é a única escola boa da região, eu preciso estudar, aliás, eu preciso comer. – deu ombros, ela voltou com uma expressão de que esqueceu algo.
- Saphira querida, você precisa de amizades novas, então venha – ela puxou Saphira, que estava escondida atrás do . As duas saíram.
- Por que essa menina anda sempre encolhida? – disse, olhando pra Saphira. Estava sentado na mesa do refeitório com os meus amigos, fiquei com olhar compenetrado em que estava sentada com Saphira e mais umas meninas de outra turma. estava sentado em outra mesa, olhando para a mesma direção que eu: . Levantei-me e fui em direção à mesa delas.
- Olá, garotas, estão se divertindo e nem me convidaram? – apoiei minhas mãos na mesa, olhando fixamente para , sorri ironicamente. Na mesa era um total de cinco meninas. Elas ficam vermelhas ao me ver e se entreolham como se eu fosse algum tipo de doce que estava na prateleira, me olhava furiosa.
- , seu lanchinho não estava bom? – ela continuou a me fuzilar pelo olhar.
- , meu amor – escutei um grito histérico, Mari me abraçou e me beijou. Afastei ela e olhei pasmo.
- Não sabia que você namorava, priminho! – cruzou os braços, com uma sobrancelha levantada.
- Oi, sou Mari, miss primavera do colégio, líder de torcida, e o mais importante, namorada do ! – ela fez questão de apertar minhas bochechas, aposto que era pra fazer graça.
- Prazer, miss primavera, sou a prima amada do , e nós duas nos daríamos muito bem, eu poderia contar as coisas que seu namoradinho fazia quando era pequeno – me olhou com uma cara de vitória, como se alguém escondesse algo, ela estendeu uma mão para Mari, puxei antes de cumprimentar .
- Vamos, Mari, não perdemos nada com essas patéticas – puxei ela para o mais longe possível. Soou o sinal para irmos embora, todos saíram descontrolados, saiu acompanhada com o , não consegui alcançá-los, fiquei frustrado, os dois partiram juntos.
Vi Saphira passar enquanto chego perto da moto.
- Ei, Saphira – ela passou, fingindo que não me ouviu. Ela apressou o passo, subi na moto, ela andando apressadamente, parei a moto em frente a ela.
- , eu sei que você quer me matar, mas avise logo – ela ajeitou os óculos, por causa do impacto do susto acabou desajeitando.
- Não quero te matar, Shapira.
- Saphira! – ela me olha, me desconcertando.
- Só quero lhe oferecer uma carona, Saphira – disse, de braços cruzados.
- Carona? – ela quase se engasgou com a própria palavra.
- Sim! – sorri de lado.
- Não vou pegar carona com alguém ainda que nem sabe pronunciar meu nome direito, ainda mais você, – ela me olhou, cruzando os braços. - É só uma carona, nada de mais, e além do mais, se você não subir nessa moto, te jogarei na lata do lixo amanhã na escola, estou com saudades disso mesmo – ela desviou o olhar quando me aproximei.
- Seu babaca, sangue ruim – ela pegou o capacete da minha mão e subiu na moto, logo atrás de mim.
- Estou gostando de ver – ela segurou em minha cintura, me apertava cada vez que fazia um movimento brusco, ela tremeu e sorri por isso. Parando a moto em frente à casa dela, ela desceu apressadamente, jogando o capacete contra mim, ela saiu andando.
- Mereço um obrigado, pelo menos – ela se virou, com uma cara não muito boa.
- Você merece um soco e um crucio, fica longe de mim, seu trouxa – ela correu pra dentro, batendo a porta. Fiquei ali parado, soltei uma risada. Caramba, até que ela tinha uma bunda gostosa!
Porra! Tinha um carro na minha vaga do estacionamento da escola. Era um carro roxo escuro. . Eu odiava quando ocupavam minha vaga. Tive que deixar meu carro do outro lado da escola.
A aula já havia começado, e como sempre eu estava atrasado, entrei na sala furioso, e fui direto onde estava sentada. Dei um murro na sua mesa.
- Se o seu carro estiver na minha vaga até a hora do intervalo, é melhor você ter se arrependido de ter comprado um carro.
- ... - a interrompi, e foi que percebi que a sala toda estava me olhando e a professora boquiaberta.
- , que modo são esses? Vá direto para a diretoria. - ela abrira a porta e sem questionar fui pra fora.
- Por que você agiu daquela forma na sala de aula? - dizia a diretora, com toda calma possível.
- Posso pegar um café?
- Claro. Mas, me responda, por que aquele alvoroço? - me levantei e peguei uma xícara de café.
- Por que o café daqui é melhor do que o nosso? Quem faz o nosso lanchinho não gosta muito da gente.
- ! Não distorça a nossa conversa.
- O que a senhora iria fazer se um carro estivesse na sua vaga? Foi o que eu fiz, fui tirar satisfação com minha amada prima.
- Mas fazer aquilo tudo, a escola não é um bordel. - ela cruzou os braços.
- Diga isso às garotas, porque elas não sabem o significado de escola. Agora, se me der licença, preciso ir. - antes de me levantar, ela me interrompeu.
- Não posso deixar você ir antes de uma punição.
- Punição? Mas eu não fiz nada.
- A tarde os jogadores de basquete não arrumam a quadra, então depois da aula do fim da tarde você irá arrumar a quadra, colocando todas a bolas nos lugares.
- Mas o quê? Não vou fazer isso. – levantei furioso, dirigindo-me à porta.
- Ou é isso por uma semana, ou é um mês de suspensão.
Não acredito nisso. Saí batendo a porta e esbarrei em alguém. Virei-me e dei de cara com a Saphira, vei que derrubei seus livros, então a ajudei pegá-los.
- Me desculpe.
- Você sendo gentil? Fico até impressionada. Você deveria vir mais vezes à diretoria.
- Cala a boca, estou te ajudando e é assim que você me agradece? - eu realmente estava furioso, levantei-me, joguei de novo os livros no chão e saí.
Já de tarde, cheguei em casa e sentei no sofá ao lado do , que estava vendo filme.
- Você está fedendo, vá tomar um banho. - sentou do outro lado do sofá.
- Conseguiu estágio de comediante? Ou você é patético assim mesmo? - deitei ali no sofá e tirei um cochilo.
Porra! Já era 6 da noite e tinha que estar na escola. Levantei do sofá peguei as chaves da moto.
- Vai aonde? - perguntou .
- Bater punheta na moto. - saí batendo a porta.
A quadra estava uma zona, comecei a recolher todas a bolas que estavam jogadas e empilhando-as na estante.
- Mas ora ora, quem está aí. - escutei uma voz. Virei e dei de cara com ela.
- O que você está fazendo aqui, ?
- Estou vendo que você não é o único que está de castigo. - ela sorriu com uma bola de basquete na mão.
- Você levou punição?
- Levei por sua causa. Estou arrumando a biblioteca.
- Não mandei você estacionar seu carro na minha vaga.
- Roubaram minha vaga, o que mais eu podia fazer? Pensei que você seria um bom primo e doaria sua bela vaga para mim. - ela chegou perto, tocando minha mão.
- Coloca uma coisa na sua cabeça. Eu não sou bom. E não crie expectativa que sou uma pessoa boa - aquilo saiu como um sussurro. Fomos chegando perto um do outro lentamente, ouvi sua respiração.
- Então vamos ver se você é realmente bom em basquete. - ela saiu correndo pela quadra, ela conseguiu fazer uma cesta e fez uma dança engraçada que me fez rir.
- Tenho uma ideia, cada cesta que errar tira uma peça de roupa. E se um acertar o outro tira - fiz cara de inocente, ela cruzou os braços e sorriu.
- Então você começa. - ela jogou a bola em minha direção. Mirei na cesta e não consegui acertar. Ela dançou de novo. Rimos com aquilo.
- Tem razão, você não é bom em nada. - sorri de lado pra ela, dei uma piscadela e tirei a camisa lentamente, joguei a camisa nela e meio que abri os braços numa forma de mostrar que ela ganhou.
- Puta que pariu. Que porra de corpo é esse? Até parece photoshop. – Gargalhando, joguei a bola para ela. Ela mirou e acabou errando.
- Droga. - ela tirou a camisa lentamente e me olhou.
- Tudo bem, já olhou o suficiente, agora é sua vez. - joguei a bola e acertei, imitei a dança dela.
- Seu babaca, não é justo. - ela cruzou os braços.
- Apenas lamento. - imitei ela e cruzei os braços.
Ela tirou o short, ficando apenas de calcinha e sutiã, então jogou o short em mim.
- Boa visão daqui. - medi ela, mordendo lentamente o canto da minha boca. Observei que ela ficou vermelha.
- Minha vez. - Ela correu até a cesta e acertou. Ela fez careta. Coloquei a mão no rosto de decepção.
Sem tirar os olhos dela, tirei a calça, ela pôs a mão no rosto, cobrindo os olhos e abriu um dos dedos para ver. Sorri.
- Bonitinho. - ela tirou a mão do rosto.
Ouvimos um barulho vindo do corredor.
- Melhor corrermos. - disse a ela. Pegamos rapidamente nossas roupas e corremos para a porta dos fundos, atravessamos a grama correndo até chegarmos à moto. Acelerei e saímos dali rapidamente. Não parávamos de rir. Cada sinal que passávamos as pessoas ficavam olhando.
- Acho que meu corpo está ofuscando tudo.
- Para de ser tão exibido, ! - Rimos.
Chegando à casa dela, ela desceu da moto, entregando o capacete.
- Obrigada.
- Pelo quê? Por eu deixar você me abraçar enquanto eu estou sem roupa?
- Ai, meu Deus. - ela colocou a mão no rosto e riu.
- Tchau, . - Ela caminhou até a porta.
- Você tem uma bela bunda.
- Vá se foder. - ela mostrou o dedo do meio. Ri e fui embora.
Chegando em casa, fui direto à cozinha e vi que a luz estava acessa.
- Mas que porra é essa, ? Cadê suas roupas? Foi assaltado? - estava tomando água e me olhou espantado.
- Não fui assaltado, só estava fazendo coisas.
- Quero nem saber o que você estava fazendo. Você não sente frio?
- Vá se ferrar, .

CAPÍTULO CINCO

A aula de literatura nunca teria ficado melhor se a não estivesse na minha sala e ainda melhor, como minha dupla. Agora ela lia um trecho de “Razão e sensibilidade”, da magnífica Jane Austen.

“- De seu bom senso e de sua bondade - continuou Elinor. - Acho que ninguém que tenha tido com ele uma conversa franca pode duvidar. A excelência da sua inteligência e dos seus princípios só pode ser ofuscada pela timidez que muitas vezes o faz permanecer calado. Conhece-o o bastante para fazer justiça ao seu grande valor. Porém, sobre suas menores inclinações, como as chamas, algumas circunstâncias especiais mantiveram você mais ignorante do que eu. Ele e eu muitas vezes passamos um bom tempo juntos, enquanto você se dedica completamente a mamãe, guiada pelos mais afetuosos princípios. Vi muitas coisas nele, estudei seus sentimentos e ouvi sua opinião sobre assuntos de literatura e gosto: em resumo, ouso dizer que a mente dele é bem informada; que seu gosto pelos livros, excessivamente grande; sua imaginação, viva; sua observação, justa e correta; e seu gosto, delicado e puro. Seus talentos, sob todos os aspectos, ganham com a familiaridade tanto quanto suas maneiras e pessoa. À primeira vista, seu trato certamente não impressiona, e sua pessoa dificilmente pode ser considerada bonita, até se perceber a expressão dos seus olhos, excepcionalmente bondosa e a doçura geral de suas feições. Agora eu o conheço tão bem que o acho realmente bonito, ou pelo menos quase. O que me diz, Marianne?"

Terminando de ler, ela abriu um enorme sorriso, enquanto ela lia ela olhava para mim. Sorri de volta para ela e observei ela corar ao ver que a professora nos olhava.
- Muito bem, ! Realmente, esse trecho é um dos melhores deste livro. – a professora disse, sorridente e seguindo seu caminho para outros alunos.
- Parabéns. – eu disse, voltando a olhá-la. Ela empurrou-me de leve e soltou uma risadinha. - Jane Austen deve estar aplaudindo do céu. – voltei a dizer e agora ela revirava os olhos.
- Para com isso, apenas li e tentei me colocar no lugar da personagem, nada demais! Todo livro dela deveria ser lido assim, quer dizer, ela nos faz ler assim, impossível não se envolver. – ela disse, dando de ombros e ainda sorrindo.
- Você é incrível mesmo! – comentei, já ficando sem graça ao vê-la me olhar surpresa.
- Você acha? Sério? – ela perguntou, arqueando a sobrancelha e se aproximando, engoli em seco e desviei o olhar do dela.
- , dei nosso nome ao professor de Biologia para o trabalho semestral, então podemos combinar quando vamos começar? – fomos interrompidos pela Saphíra.
- Claro, podemos sim! – respondi, sorrindo de lado para a ruiva. sorriu para ela e levantou-se ao ouvir o sinal.
- Divirtam-se fazendo o trabalho de biologia. – ela disse, e pude jurar que ouvi sarcasmo em seu tom de voz. a esperava na porta da sala e observei os dois saírem juntos pelo corredor. BABACA!
- Eles namoram? – ouvi Saphíra perguntar.
- Não, claro que não! Que absurdo. – respondi, indignado.
- Sei lá, é que parece. Posso jurar que há um clima entre eles! – ela disse, revirei os olhos e levantei-me, pegando minhas coisas.
- E o que você entende disso? – retruquei, percebendo que tinha sido grosso.
- Nada, não entendo nada! – ela respondeu, de cabeça baixa, soltei o ar que prendia.
- Saph... – antes que pudesse terminar de dizer seu nome, ela já tinha saído correndo, bem tristonha. Eu que tinha sido o babaca agora!

Estava na sala assistindo “The walkind dead” e observei passar sem camisa na minha frente, revirei os olhos.
- Mas você gosta de ficar sem roupa mesmo! – comentei, irritado. me olhou.
- Gosto mesmo e ainda mais quando estou acompanhado. Mas isso é coisa que você nunca vai saber mesmo. – ele disse, dando de ombros e sorrindo de lado.
- Vamos ver se não. – respondi, sorrindo da mesma forma.
- Opa! Andou ficando pelado, maninho? Com quem? Com a ruivinha, né? Sara! – ele disse, abrindo a boca e sentando ao meu lado.
- SAPHÍRA, PORRA! – gritei com ele.
- Você fala palavrão? Fala de novo, preciso gravar isso! – ele zombou e soltou uma gargalhada.
- Engraçadinho! E não fiquei pelado com ninguém. – respondi, cerrando os olhos e bufando.
- Pois devia, aquela sua amiguinha nerd, a SAPHÍRA, até que tem uma bundinha gostosa. – ele comentou, fazendo um gesto com a mão. O olhei com nojo.
- Não ouse falar assim dela novamente! – o ameacei e ele abriu os braços em rendição.
- Ok, não vou falar da sua namorada de novo. – ele disse, rindo e se levantando. Eu o odiava tanto que nem o sentimento de irmão para irmão eu sentia por ele, que era na verdade obrigação de todo ser humano sentir por algum parente.

Era sábado e meus pais não estavam em casa, estavam viajando para a casa de praia, algo romântico. Saphíra e eu estávamos fazendo o trabalho de biologia, que era construir o sistema reprodutor feminino que ficaria em exposição, então teria que ser muito bom mesmo.
- Agora me respondam uma coisa, o que o entende disso? – levamos um susto ao ver parado na porta do quarto. Ele estava apenas de bermuda e estava molhado, porque é claro que ele aproveitou os meus pais terem viajado para fazer uma festa na piscina com a sua turma nojenta.
- A festa está tão ruim para você ficar assistindo a gente fazer trabalho? – comentei, e ouvi Saphíra rir sem som.
- Está ótima, na verdade, mas vim aqui dar uma dica para vocês, quer dizer, para você, maninho! – ele disse, apontando para mim. Saphíra o olhou desta vez e ele continuou dizendo. - Meu irmão nunca viu uma vagina, então seria muito mais fácil você mostrar a sua para ele e daí sim o trabalho sairia mais realista, digamos assim! – ele disse, piscando para ela, que ficou totalmente sem graça com o comentário ridículo e totalmente inapropriado.
- Sai daqui imediatamente! – levantei e o ordenei a isso, ele soltou uma gargalhada e saiu dali.
- Seu irmão é muito inconveniente. – ela disse, ajeitando o cabelo ainda sem graça.
- Ele é patético e burro, não liga para as coisas que sai daquele bueiro que ele chama de boca. – respondi, revirando os olhos e ela soltou uma risadinha concordando. Depois de longas horas, resolvemos descer para comer e beber alguma coisa. Tocava “ Sweater weather” da banda The neighbourhood, claro que tinha sido eu a mostrar essa banda para o sem noção do meu irmão.
- Seu irmão gosta de “The neighbourhood”? – ela perguntou, bebendo um gole do suco de laranja.
- Quem foi que apresentou a banda para ele? – respondi, levantando a mão e fazendo-a rir e concordar.
- Deveria ter imaginado mesmo, você tem um ótimo gosto! – ela disse, sorrindo, sorri de volta e bebi meu suco.
- Você também tem! – eu disse, e ela fez uma expressão fofa e engraçadinha.
Enquanto preparava sanduíches para nós, Saphíra olhava a festa do pela janela e fazia umas expressões engraçadas e de espanto pelo que via. Acabava rindo com ela, sentamos na mesa e começamos a comer e conversar. Até que entrou na cozinha totalmente bêbado, ambos olhamos para ele. Tocava algum rock na maior altura, balançava a cabeça conforme a batida da música e pegava mais cerveja na geladeira.
- Vai dormir aqui, ruivinha? – ele perguntou, virando-se para nós e dando um gole em sua bebida. Saphíra olhou para o relógio e abriu a boca.
- Meu Deus, já é tudo isso? – ela disse, espantada e levantando-se rapidamente.
- Poderia te oferecer carona, mas não estou em condição para dirigir. – ele disse, rindo.
- Nem sóbrio você tem condição para dirigir. – comentei, revirando os olhos e levantando-me.
- Saph, pode dormir aqui se quiser, está tarde para você ir mesmo! – sugeri para a garota apavorada.
- Posso ligar para os meus pais? – ela pediu, ainda incerta daquilo, fiz que sim.
- Seus pais vão deixar você dormir na casa de dois garotos? – disse, rindo.
- Ninguém está pedindo sua opinião! – eu disse, fazendo um gesto para ele sair dali.
- Ele está certo mesmo, o que eu vou fazer agora? – ela disse, se desesperando.
- Minta! – disse, encostando na mesa e a olhando, ela o olhou por alguns segundos, concordou e pude ver o sorrisinho sacana nos lábios dele.
- Se você não está à vontade com isso, não precisa e eu posso ligar para e pedir para ela te dar uma carona! – eu sugeri.
- Dá pra parar de ser tão virgenzão assim? Puta merda, ! – disse, indignado, mostrei o dedo para ele e revirei os olhos.
- Toma aqui, liga para os seus pais e fala que nosso pai está aqui e que amanhã você vai embora cedinho! Divirtam-se um pouco. – disse, entregando o telefone para ela. Depois de pensar um pouco, ela discou o número, disse exatamente o que tinha falado e não demorou muito para desligar.
- Viram? Machucou mentir? Não, então agora aproveitem e de nada tá, ruivinha? – disse, e depois piscou para ela e saiu dali, ela o acompanhou com o olhar.
- Não tem nenhum problema mesmo? Tipo, para você? – ela perguntou, com cautela, virando-se para mim.
- Claro que não, imagina! Podemos ver um filme, você pode escolher, confio no teu gosto. – eu disse, a fazendo abrir um largo sorriso.
Depois de muito custo, decidimos ver algum filme de terror, fizemos sorteio com alguns filmes e acabou saindo “Livrai-nos do mal”, o qual eu acho muito bom. Sentamos no sofá e coloquei o filme, assim que começou fomos interrompidos pelo meu irmão, é claro.
- Toma isso aqui, está me desconfortando ver você se sentindo desconfortável! – ele disse, assim que jogou uma roupa no colo de Saphíra.
- Não precisa, estou bem assim! – ela disse, sem graça, ele revirou os olhos e puxou ela pelo braço.
- ! – o chamei, e ele ignorou.
- Estou fazendo pelo seu bem, ruivinha, vai lá! – ele disse, amigável, ela pensou um pouco e acabou cedendo e indo para o banheiro vestir sei lá o que ele tinha dado.
- Você é irritante! – eu disse, cerrando os olhos e ele fez uma careta.
- Vamos ver se sua namorada é gostosa mesmo. – ele disse, movimentando as sobrancelhas e depois rindo. Saphíra chegou na sala um pouco acanhada e puxando a camisa xadrez, que não cobria nada de sua coxas. a olhou e sua expressão mudou na hora. Para falar a verdade, ele e eu ficamos muito surpresos. Ela tinha uma tatuagem de coruja enorme na sua coxa direita, e seu corpo pelo que estava à mostra era espetacular. Seus cabelos ruivos um pouco bagunçados sobre a camisa xadrez verde e preta que chegava a cobrir o micro shorts que tinha lhe dado.
- Acredito que isso é uma cueca! – ela comentou, assim que passou pelo e se sentou ao meu lado.
- Ficou excitada em saber que está usando uma cueca minha? Acredite, é um privilégio que com certeza irá para o seu diário! – ele disse, rindo e encarando ela.
- Não se iluda, ! Vamos ver o filme? – ela disse, virando para mim, que ainda estava boquiaberto.
- Quando ia me contar que tinha uma tatuagem na perna? – perguntei, surpreso, ela soltou uma risadinha.
- Você nunca perguntou nada, tatuagem é uma grande paixão que eu tenho, mesmo não tendo nada a ver com meu estilo! – ela disse, sem graça, tentando cobrir sua perna com a camisa.
- Entendi e... Sua tatuagem é bem legal, combina com você! – eu disse, gaguejando e sorrindo de lado, ela abriu um sorriso e olhou-me.
- Obrigada, ! – ela disse, me olhando, seus olhos verdes brilhavam.
- Sessão filme e ninguém me convida? – ouvimos a voz de e meu coração começou a bater mais forte assim que a vi sorridente.
- É porque ninguém quer sua presença, oferecida! – disse, abrindo aquele sorrisinho cínico dele, ela revirou os olhos.
- Claro que queremos, sente-se aqui! – eu disse, rapidamente, empurrando Saphíra para lhe dar espaço, abriu um enorme sorriso e sentou-se ao meu lado, entre a Saphíra e eu.
- Olá, Saph, vai dormir aqui hoje? – perguntou, sorridente para a Saphíra, que parecia um pouco desconfortável.
- Ideia de quem? Pensei que seria uma ótima oportunidade do perder a virgindade, mas já vi que não! – respondeu, se esticando no outro sofá, cerrei os olhos para ele.
- Cala a boca e a única pessoa aqui que não é bem-vinda para a sessão filme é você, seu estraga prazer. – bufei ao terminar de dizer, soltou uma risadinha.
- Sou estraga prazer, priminha? – ele perguntou, em um tom provocativo para , que pigarreava sem responder.
- Desculpa ser chata, mas podemos começar a ver o filme com ou sem o ? – Saphíra disse, parecendo irritada, todos concordaram e dei play no filme.
Durante o filme, senti se aproximar de mim e pela primeira vez na vida tomei atitude e peguei na sua mão. Notei ela sorrir e logo em seguida ela entrelaçou nossos dedos. O olhar do estava fixo em nossas mãos e a raiva era algo bem nítido na sua expressão, até que o olhou e tirou sua mão da minha. Mantive meu olhar em , ele olhou-me e depois virou-se para o filme, fingindo nem ter se importado. Terminando o filme, foi para a cozinha e sem nem pensar duas vezes a segui, deixando Saphíra e o meu irmão na sala.
- O que está acontecendo entre você e o ? – perguntei, parado na porta da cozinha, ela virou de frente pra mim e ficou me encarando pensativa.
- Nada, quer dizer... Droga! Não consigo mentir para você. – ela disse, passando as mãos nos cabelos e soltando o ar.
- Não nega, então, está acontecendo algo entre vocês? – perguntei, novamente, com relutância ela olhou-me e fez que sim com a cabeça.
- Ótimo, sejam felizes! – eu disse, dando de ombros e saindo da cozinha, mas ela segurou meu braço.
- , não fica com raiva de mim. Sei que vocês não se dão bem, mas não consigo viver sem você! – ela disse, se aproximando de mim.
- Que bom que somos gêmeos, não é mesmo? Não farei tanta falta assim! – eu disse, soltando meu braço, mas ela o agarrou novamente.
- São gêmeos, são parecidos, mas não são a mesma pessoa. Você é você e ele é ele, há uma enorme diferença nisso! – ela disse, abri a boca, me fingindo surpreso.
- Bom saber que você acha isso, ! Só que quero que vocês sejam felizes, acho que vocês se merecem mesmo. – eu disse, soltando meu braço e antes que ela o puxasse de volta, exclamei: - Me deixa em paz!

Continua...

Nota da autora:
Ariel Miranda: E ae, peixinhos laranjas, mais uma fanfic, não é mole, não! HAHA Espero que tenham gostado, esses gêmeos ai só vão dar trabalho, só digo isso. NÃO ESQUEÇAM DE COMENTAR, ok?
E sobre a minha parceira, que na verdade é minha prima, minha doida de tudo, na moral, essa menina é loucona mesmo, ela que irá escrever o gêmeo bad boy, então imaginem a bagunça e doidera total que será!
Sobre a nossa MARAVILHOSA beta, poxa, gente, nada mais e nada menos que a diva da Ste Pacheco, uma honra tremenda ter ela lendo e betando a nossa fic! Uma INCRÍVEL escritora que eu admiro pra cara*** mesmo, ela ta ligada já! Enfim, muito obrigada mesmo, Ste, você é foda e eu só tenho a te agradecer e a te aplaudir de pé.
É isso, meus amores, meu grupo.
O trailer da fanfic.

Yasmin Oliveira: Leitores e Leitoras, espero do fundo do meu coração que tenham gostado dessa Fic, fizemos com muito carinho e amor para todas vocês. Nós estamos batalhando para deixar tudo perfeito para vocês, talvez o MUITO obrigado não seja suficiente para agradecer a vocês que estão acompanhando e lendo nossa Fic! Aliás, quem quiser entrar, se comunicar e entrar em contato comigo: Instagram @baquetasdojudd, Twitter @baquetasjudd, Facebook galaxynexa@gmail.com, Whats 12997822917!

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