Autora e Beta: Babi S.

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13. La Decimotercera

Pasito a pasito, suave suavecito
Nos vamos pegando, poquito a poquito
Que le enseñes a mi boca
Tus lugares favoritos

Despacito - Luis Fonsi ft. Daddy Yankee

- Vai, Inès, chuta pro gol!
Seguindo a sugestão de , o pé esquerdo da garota bateu com força na bola, a mandando diretamente na direção das traves improvisadas. Enzo estava defendendo o gol do time adversário e espalmou a bola, a fazendo cair nos pés de Jorhiam, que a passou para Théo. O segundo filho mais novo de Zinédine Zidane não teve muita dificuldade para driblar as primas Inès e Lohenna com o talento herdado do pai, mas precisou de um esforço extra para passar por Luca, um de seus irmãos também tão talentosos, e conseguir chutar a bola com força para o gol em que estava fazendo as vezes de goleira. levantou uma das pernas para impedir o gol do primo e conseguiu segurar a bola antes que algum dos garotos do outro time a pegasse.
- Isso é o melhor que você pode fazer, é? - ela debochou e soltou uma gargalhada quando o garoto revirou os olhos e deu as costas.
Em seguida, recolocou a bola em jogo a arremessando na direção de Lohenna.
A casa de Zizou e Véronique estava cheia, quase a família inteira reunida para comemorar a virada do ano. Além de Malika e Smail, os avós de , seus tios Farid, Madjid e Lila também estavam presentes com suas famílias. Os pais dela eram os únicos que não estavam em Madrid, pois haviam preferido passar o Réveillon em Paris, e a assistente técnica não sabia se deveria ficar chateada ou agradecer por isso, já que ainda não sabia como lidar com os dois depois do ocorrido no Natal. Acabou não tendo muito tempo para pensar sobre o assunto, entretanto, pois se reuniu com os primos no quintal dos fundos da casa e o fato de todos estarem muito bem vestidos para o Ano Novo não os impediu de se dividirem em dois times para jogar futebol.
- - Lila chamou ao surgir pela porta de vidro, atraindo a atenção da sobrinha. - Tem uma moça lá na porta querendo falar com você.
- Quem, tia?
- Ela disse que se chama Amelie. Você conhece?
franziu o cenho em sinal de estranheza, não esperava receber qualquer visita naquela noite, muito menos de Lalie.
- Conheço sim, ela é fisioterapeuta de alguns jogadores do Real Madrid - respondeu, tentando imaginar qual seria o teor daquela visita. - Fala pra ela entrar, já estou indo.
- Certo - a mais velha disse, piscando um olho, e deu meia volta para adentrar a casa novamente.
- Assume o gol, Luca - disse e deu um tapinha na bunda do primo antes de sair caminhando pela grama até onde ela, Lohenna e Inès haviam deixado seus pares de sapatos.
Levantou a saia transparente do vestido longo para calçar as sandálias de salto e, em seguida, entrou na casa. Conforme caminhava na direção da porta de entrada, sentia o frio na barriga aumentar. Ela não conseguia imaginar nenhum outro motivo que levaria Lalie a procurá-la que não fosse o único assunto em comum que elas tinham até aquele momento: .
- Ela preferiu esperar ali fora - Lila disse ao passar pela sobrinha, fazendo o caminho de volta para a sala de estar.
apenas assentiu com a cabeça antes de sair pela porta e encontrar a fisioterapeuta encarando os próprios pés. Amelie levantou a cabeça ao notar sua presença e a encarou em silêncio por algum tempo até pigarrear desconfortavelmente.
- Er, oi, … eu vim na paz, prometo.
- Oi - a outra respondeu, desconfiada, mas baixou a guarda ao perceber que Lalie não parecia ter quatro pedras na mão como em todas as vezes em que elas se cruzaram por Valdebebas nos dias anteriores. - Você queria falar comigo?
- Queria sim, você chegou a olhar seu celular na última hora?
- Meu celular? Não - disse com os olhos minimamente arregalados de preocupação e deu uma olhada para dentro da casa ao mesmo tempo que tentava se lembrar onde havia largado o aparelho.
- Vai lá, eu te espero aqui - Amelie disse, a fazendo voltar a encará-la.
- Tem certeza que não quer entrar?
- Tenho sim, estarei aqui.
- Tá, só um minutinho - disse, levantando a palma da mão, e a outra assentiu com um sorriso tranquilizador nos lábios.
adentrou a casa novamente, passando os olhos por todas as superfícies onde poderia ter deixado o aparelho até chegar à sala de estar.
- Tia, você viu meu celular? - ela perguntou para Véronique em meio ao falatório de seus tios e avós.
- Acho que não - a mais velha respondeu, se inclinando para olhar as mesinhas espalhadas em volta do sofá onde ela estava acomodada ao lado do marido.
- É um desses aqui, ? - Farid perguntou, atraindo a atenção da sobrinha, e balançou dois celulares no ar.
- É esse, tio. Obrigada - ela disse, apontando para um dos aparelhos, e se aproximou para pegá-lo.
Saiu da sala ao mesmo tempo que desbloqueava o celular, mas estancou no meio do hall de entrada da casa quando se deparou com uma mensagem de . A surpresa fez seu coração acelerar e, só naquele momento, ela se deu conta de como havia sentido falta de ler o nome do dentre as notificações.

: Oi, . Você poderia se encontrar comigo na ponte daquele dia que saímos pra andar de bicicleta? Se não for atrapalhar sua noite, é claro, mas eu vou dar uma volta por lá de qualquer forma. Você disse pra eu te procurar quando quisesse conversar e eu quero muito isso.

releu a mensagem algumas vezes, absorvendo as palavras uma a uma, e se assustou ao ver que havia sido enviada meia hora antes. Caminhou até a porta mais uma vez, indo de encontro à Amelie.
- Ele tá realmente me esperando?
- Tá sim - a outra respondeu, rindo de leve do desespero estampado no rosto de . - Mas não se preocupa, ele vai te esperar, eu vim aqui por isso. Será que a gente podia conversar? - questionou e a outra apenas meneou a cabeça. - Bom, primeiro eu queria me desculpar pelo modo que falei com você aquele dia, foi bastante desnecessário, mas o é muito importante pra mim e acabei me alterando mais que o necessário.
- Tudo bem, Lalie. Entendo que você só quis defender o seu amigo, eu faria o mesmo - respondeu, sorrindo levemente. Por mais que tivesse ficado amedrontada com a forma como havia sido confrontada pela fisioterapeuta, compreendia o lado dela, também tomaria as dores de um grande amigo se fosse o caso.
- O e o Jaime tiraram sarro da minha cara o resto do dia, me chamando de guarda costas e pitbull - Amelie disse, rindo, e a francesa deixou uma risadinha escapar pelos lábios. - Você gosta dele?
A seriedade tomou conta do rosto de ao ser pega de surpresa pela pergunta e ela olhou para baixo, fitando as flores coloridas da entrada da casa dos tios. Sentia o coração bater mais forte apenas por pensar em .
- É, eu gosto - respondeu, soltando um suspiro, e, demonstrando sua insegurança, completou: - Só não tenho certeza ainda se isso é algo bom pra ele.
- , tudo que envolve você é bom pra ele, eu nunca o vi assim, nem com a Emma - Amelie disse, fazendo voltar a encará-la ao ouvir o nome da ex-namorada de . - Eu nunca gostei muito dela pra ser sincera.
- Não? Por quê? - ela perguntou, espantada. - Não conheço ela pessoalmente, mas, pelas fotos que já vi dos dois juntos, me pareciam ser quase como o casal perfeito.
- Perfeitinho demais, sem graça, sabe? - a outra disse, fazendo uma careta. - Pensa na versão feminina do , às vezes tinha certeza que ia chegar na casa deles e os dois estariam tomando chá e jogando xadrez. O precisa de alguém que o tire da zona de conforto, não alguém que se afunde lá com ele.
balançou a cabeça em sinal de compreensão. O namoro de com Emma não era exatamente algo que ela se interessava em descobrir mais a respeito, por isso sequer entrava no assunto, mas escutar o ponto de vista de uma amiga próxima a ele que havia acompanhado tudo de perto acabou fazendo nascer uma pequena curiosidade quanto aos anos em que os dois passaram juntos.
- E comigo? Você não acha que seríamos um casal sem graça? - questionou, curiosa por saber a opinião de Lalie.
- Você me parece ser o completo oposto de sem graça e, pra ser sincera, tudo que o precisa nessa nova fase da vida dele, mas só se você também estiver pronta para ser tudo o que ele precisa.
A sinceridade das palavras de Amelie fez uma confusão de sentimentos tomar o peito de .
- Lalie, eu queria poder fazer o feliz, mas tenho medo de não ser a pessoa... certa. E acabar ferrando tudo.
- Do que você tem medo? Porque, se tem uma pessoa que pode te fazer feliz, é ele. O é o tipo de homem que só se encontra uma vez na vida.
- Eu sei que, no meu lugar, qualquer outra mulher não pensaria duas vezes, mas eu tenho medo de não ser boa o suficiente - disse, sendo honesta, e soltou um longo suspiro. - O é um príncipe, ele merece uma princesa.
- Merece, mas isso não quer dizer que você não pode ser quem ele esteja procurando, eu acredito que cabe a ele decidir se te acha boa o suficiente ou não - a outra falou e um sorriso incentivador estampou seu rosto. – E eu acho que nós duas sabemos muito bem o que ele pensa sobre você.
sorriu sem graça e mordeu o lábio inferior, olhando a fisioterapeuta nos olhos.
- Eu quero tentar... Acho que estou pronta pra tentar ser essa pessoa. Se ele não estiver me odiando depois do que aconteceu no Natal - falou, fazendo uma careta.
- Quem estava te odiando era eu - a outra confessou. - Ele me mandou uma mensagem acho que assim que desligou com você, ele estava bastante… chateado.
- Se você estava me odiando, por que tá aqui tentando me ajudar? - questionou, curiosa.
- Na verdade, não estou, estou aqui pelo . Ele está lá te esperando, mas eu queria te pedir que pensasse bem se você vai mesmo ao encontro dele ou não. Se você for, gostaria que fosse decidida a deixar seus medos de lado, mas, se acha que não está pronta, eu prefiro que você não vá. Ele é muito príncipe, como você mesma disse, para que fiquem brincando com os sentimentos dele.
- Minha intenção jamais foi sacanear o - a francesa disse, se defendendo. - Eu só quero o bem dele e, depois de toda essa confusão, eu andei pensando bastante e estou disposta a tentar algo com ele pra valer se ele ainda quiser.
- Acho que você já sabe a resposta para essa pergunta, ela está aí no seu celular.
encarou a tela desligada do aparelho em sua mão enquanto sentia a ansiedade se alastrar por todo seu corpo.
- Tá esperando o quê? - disse Amelie, chamando sua atenção. - Anda, eu te dou uma carona.

O coração de batia cada vez mais forte conforme as duas percorriam o condomínio sentadas lado a lado no carro e imersas em um silêncio, até que Amelie parou o automóvel ao chegarem no local onde esperava pela francesa.
- Vai lá, ele já deve estar prestes a ter um treco - ela disse e não conteve uma risada.
- Obrigada por isso, Lalie - a assistente falou com um sorriso forçado que denunciava o nervosismo que sentia por dentro. Na verdade, era ela quem estava prestes a ter um treco.
- Não precisa, agradeça fazendo meu amigo feliz - a outra rebateu, piscando um olho. - Feliz Ano Novo.
- Feliz Ano Novo pra você também.
abriu a porta do carro, porém, antes de colocar os pés para fora, se virou para a fisioterapeuta e a pegou de surpresa com um abraço apertado. Não se importou muito com o fato de as duas nem terem aquela intimidade toda, ela só precisava demonstrar quão grata estava pelo que Amelie havia feito por ela e, talvez, buscar por um apoio moral antes de estar cara a cara com . Mostrou outro sorriso para Lalie ao soltá-la do abraço, um sorriso mais aliviado, e, finalmente, saiu do carro.
A passos lentos e cautelosos, desceu o pequeno declive, sentindo os saltos afundarem levemente na grama, e, ao longe, pôde avistar a silhueta de iluminada pela luz da lua.
Ela estava tão nervosa que mal se reconhecia. Não estava acostumada a estar do outro lado, a não ter o controle da situação em suas mãos, e aquilo era assustador. estava disposto a ouvi-la e isso era a única coisa que a confortava, mas não sabia se bastaria explicar o que havia acontecido no Natal e tudo estaria bem ou se precisaria falar abertamente sobre seus sentimentos para reconquistar a confiança do . Temia acabar enfiando os pés pelas mãos mais uma vez e não era um medo que ela tinha normalmente, pois sempre encarava sua vida amorosa com praticidade: se desse certo, ótimo; senão, algumas lágrimas seriam o suficiente para ela superar e partir para outra. Só que, daquela vez, não queria ter que partir para outra.
O jogador se desencostou da grade da ponte ao perceber a aproximação e se virou para encontrar caminhando calmamente em sua direção, o som de seus saltos se chocando contra a madeira ecoando pelo silêncio do condomínio. Seu estômago se revirou como sempre acontecia quando seus olhos se encontravam aos da francesa e ele se sentiu aliviado por ela realmente ter aparecido mesmo sem ter respondido sua mensagem depois de visualizá-la.
- Oi - disse quando parou a dois ou três passos dele.
- Oi - ela respondeu, descendo os olhos pelo corpo dele. - Você tá bonito.
- Você tá linda - ele respondeu timidamente antes de suspirar. - Desculpa por ter te feito vir até aqui a essa hora, mas eu precisava falar com você antes que o ano acabasse.
- Não tem problema, , eu fiquei feliz por você ter me procurado - confessou com um sorriso sincero nos lábios. - Eu já estava planejando te mandar uma mensagem à meia-noite.
retribuiu o sorriso e notou que a mulher se encolheu enquanto se abraçava com os próprios braços em resposta à brisa fria que cortou sua pele exposta pelo vestido de tecido leve e mangas curtas.
- Ei, vem cá - ele disse, dando dois passos para frente ao mesmo tempo que tirava o blazer que vestia para, em seguida, colocá-lo sobre os ombros dela. As mãos do envolveram o rosto de e seus polegares tocaram suavemente as bochechas dela. - Você tá gelada.
- Obrigada. Eu deveria ter trazido um casaco - ela disse e um riso baixo escapou por seus lábios conforme se perdia nos olhos de , que, finalmente, não fugiam dela.
envolveu o jogador com os braços e se aconchegou junto a ele quando o sentiu retribuir o abraço e puxá-la para mais perto. Um arrepio a tomou por inteira quando os lábios dele tocaram suavemente seu pescoço para depositar um beijo acanhado e a proximidade a ajudou a reconhecer o aroma do perfume que havia dado para ele de presente de Natal.
O silêncio os envolveu e nenhum dos dois precisou abrir a boca para dizer que tudo estava bem e que não existia nenhum outro lugar no mundo em que gostariam de estar naquele momento, aquele abraço tão repleto de carinho falava por eles.
- Eu queria entender o que aconteceu no Natal - disse, sua voz baixa se sobressaindo na calmaria do momento.
o soltou do abraço e se afastou para que pudesse fitá-lo nos olhos mais uma vez.
- A ceia na casa dos meus pais foi um desastre, mas nada que já não fosse esperado - falou, rindo baixo sem realmente achar graça da situação. - Eu não consigo ouvir certas coisas e ficar quieta, então acabei sendo grossa com eles e a gente meio que discutiu.
- E então você foi encontrar seus amigos e ficou bêbada pra compensar a noite ruim - completou a história, sentindo um aperto no peito ao ver o desânimo estampado no rosto da francesa.
- Mais ou menos isso… - ela confirmou, levantando os ombros, e, em seguida, soltou um longo suspiro.
O silêncio se instalou entre eles por algum tempo. O jogador analisava atentamente o rosto de e enxergava honestidade, mas ainda se sentia frustrado pela impulsividade dela. As coisas não estavam completamente claras para ele, especialmente o fato de ela ter dito que não era como sua ex-namorada. Jamais esperaria que ela agisse como Emma, queria que fosse ela mesma, a mulher por quem ele estava se apaixonando.
- Por que você disse aquilo sobre não ser a Emma? - ele se viu perguntando, fazendo a assistente técnica desviar os olhos dos dele para a água tranquila do lago que refletia a luz da lua. - Eu não entendi por que você se comparou a ela se eu nunca comparei vocês duas.
respirou fundo antes de tomar coragem para voltar a fitar os olhos curiosos do .
- A sua irmã postou uma foto da família de vocês reunida e eu vi que a Emma estava lá com você - ela confessou e suspirou, passando as mãos pelo cabelo.
- É que a gente sempre passou o Natal juntos, . As nossas famílias são muito próximas desde quando éramos crianças, como eu já te falei.
- Eu sei, - a outra disse, mostrando um sorriso tranquilo para ele -, mas eu me senti como uma intrusa, porque vocês se conhecem há tantos anos e são melhores amigos a ponto de as suas famílias passarem o Natal juntas. Por uma simples foto eu pude sentir a sintonia que tem entre vocês.
- O que eu tive com ela foi muito especial, mas acabou e o que nos restou foi a amizade. Nada além da amizade - o jogador falou com convicção.
- É, depois eu me dei conta sozinha de que era besteira me sentir insegura em relação à gente por causa da sua amizade com a Emma, mas é que juntou o estresse com meus pais com uma conversa que eu tive com meu ex-namorado depois e o arrependimento de acabar ficando com outro cara… Sei lá, , tudo isso fez eu me questionar se sou capaz de ser a mulher que você deseja ter ao seu lado.
- Eu gosto de você do jeito que você é, não quero que mude pra ficar comigo. E eu acho que você é capaz de ser você mesma, - ele disse em um tom divertido e riu anasaladamente, levantando os ombros, enquanto sorria em resposta às suas palavras. - Que conversa foi essa com seu ex-namorado?
A outra riu baixo, pensando ter notado um tom enciumado nas palavras do jogador.
- Lembra que eu te contei que, na adolescência, eu era insegura por causa dos meus peitos pequenos e que meu ex foi quem me ajudou a superar isso? - ela perguntou e meneou a cabeça, concordando. - Era o Jérémy. Ele foi meu melhor amigo e, graças a ele, eu aprendi a me aceitar do jeito que eu sou e é muito triste pensar que hoje em dia a gente nem se fala mais. Ver você junto com a Emma como dois bons amigos me fez querer ter tido essa mesma maturidade de preservar a amizade tão bonita que eu tinha com ele, o problema foi que eu não enxerguei nada além do meu próprio umbigo na época que terminei com ele pra vir pra Madrid fazer a pós e acabei fazendo ele se afastar de mim. Estava tão empenhada em realizar meus sonhos que não me importei com os sentimentos de uma pessoa que sempre me tratou tão bem - disse com um sorriso triste nos lábios. - A gente só se esclareceu quanto a isso.
- Ficou tudo bem entre vocês?
- É, eu fiquei feliz por descobrir que ele não guarda rancor de mim, mas eu acho que, de qualquer maneira, a nossa amizade não existe mais e não vai voltar a existir porque cada um seguiu seu rumo na vida.
- Eu sinto muito.
- Tá tudo bem. Não é como se ele não estivesse muito melhor sem mim - ela disse, dando de ombros, e não pôde evitar sentir um aperto no peito ao se dar conta daquilo.
- … - começou, cauteloso, mas foi interrompido.
- Calma, eu preciso te explicar melhor o que rolou - disse e o jogador apenas meneou a cabeça, dando aval para que ela prosseguisse. - Eu fiquei conversando com esse amigo do Jérémy que estava por lá e, como a gente se deu bem, eu aceitei a carona que ele me ofereceu. Não era minha intenção, mas acabei indo parar no apartamento dele - contou e revirou os olhos para o próprio talento de sempre tomar as piores decisões quando estava sob o efeito do álcool. O cara era bonito, porém, se comparado com o homem que estava à sua frente naquele momento, não tinha nada de especial. - Não aconteceu nada demais, como eu te falei, mas estou muito arrependida de ter ficado com ele. Eu não estava pensando direito, mas acho que fiz isso inconscientemente porque arranjar um jeito de fugir do que me aflige é o que eu sempre faço. E eu não quero mais ser assim, pretendo enfrentar meus medos de forma madura e me permitir viver algo mais intenso do que uma noite vazia com um cara que mal conheço e que não vai me levar a lugar nenhum.
sentiu-se aliviada ao terminar de despejar tudo que estava entalado em sua garganta. Seu maior desejo era que entendesse que ela se importava com o que estava nascendo entre eles.
- Eu realmente gosto de você, - ele falou depois de ficar em silêncio por algum tempo e, apesar de sentir as bochechas esquentarem, se esforçou para que a timidez não o fizesse desviar os olhos dos da francesa. - No início, eu pensava que era o fato de você ser uma novidade que chamava a minha atenção, mas aí a gente se aproximou e eu me vi cada vez mais encantado pelo seu jeito divertido de encarar a vida ao mesmo tempo que é super responsável e determinada. É estranho, mas quando eu paro pra pensar em como as coisas eram antes de você chegar, me parece tudo tão sem graça - disse, rindo baixo, e mordeu o lábio inferior enquanto puxava as abas do blazer que cobria seus ombros, se encolhendo sob a peça de roupa. Estava tremendo, só não sabia se era de frio ou por causa das palavras do . - Eu entendo que você tem outras prioridades e admiro isso, a última coisa que quero é atrapalhar seus planos, mas eu queria uma chance de ser alguém marcante na sua vida também, assim como seu ex-namorado foi. Só que eu não posso sustentar sozinho um possível relacionamento entre nós dois.
abriu a boca duas ou três vezes, mas estava sem palavras diante daquela declaração de , pois havia identificado seus próprios sentimentos nela. Em menos de seis meses, ele havia virado sua vida de ponta-cabeça, era até engraçado lembrar que um de seus primeiros lemas de vida costumava ser não se envolver romanticamente com jogadores de futebol. E, agora, ali estava ela… se apaixonando por um.
Quando, finalmente, ia responder o jogador, se interrompeu ao escutar fogos de artifício estourando ao longe. Os dois olharam na direção das explosões que iluminaram o céu de diversas cores, mas que, assim como começaram, repentinamente terminaram, deixando para trás um rastro de fumaça.
- É o Toni, ele comprou uns fogos pra soltar à meia-noite - comentou, rindo baixo, e mostrou um sorriso que fez a assistente técnica sorrir junto. - Feliz Ano Novo, .
se aproximou do jogador para envolver o pescoço dele com os braços e grudar a testa à dele enquanto as mãos do jogador pousaram em sua cintura. Os dois fecharam os olhos conforme suas respirações se misturavam e mal ouviram a segunda leva de fogos que estourou ao longe, pois estavam ocupados demais apenas sentindo a presença um do outro.
- Feliz Ano Novo - a francesa soprou contra os lábios de . - Não precisa querer ser alguém marcante na minha vida, você já é. Você me faz querer ser alguém melhor, . E eu acho que se envolver com alguém de verdade é isso, né?
grudou sua boca à do lentamente e, assim, os dois ficaram por algum tempo, envolvidos em um beijo que era um simples toque de lábios, mas que fez a confusão de sentimentos que havia tomado o coração de ambos se dissipar até sumir completamente. Ambos sentiam como se as coisas, finalmente, estivessem se encaixando em seus devidos lugares.
puxou pela cintura para mais perto e envolveu o corpo dela em um abraço ao mesmo tempo que aprofundava o beijo que os fez se sentirem extasiados. Nenhum dos dois tinha motivos para reclamar de 2016, havia sido um ano especial para ambos, cheio de mudanças e realizações que estariam guardadas para sempre em suas memórias, mas o sentimento de que 2017 seria um ano ainda melhor estava ali, presente e sendo demonstrado na forma com que suas línguas se acariciavam carinhosamente.
Precisaram quebrar o beijo quando sentiram o celular que estava no bolso interno do blazer que cobria os ombros de vibrar e a francesa pegou o aparelho para entregá-lo para o jogador. De relance, acabou vendo que o nome de Emma estava estampado na tela e apenas apertou a peça que exalava o perfume de em volta de seu próprio corpo.
O revezou o olhar entre o rosto da mulher à sua frente e o aparelho que tocava insistente em sua mão.
- Atende logo - disse, rindo baixo ao perceber o impasse no qual ele se encontrava e se afastou alguns passos, aproximando-se da grade da ponte.
fitou as costas da francesa enquanto aceitava a ligação e levava o celular ao ouvido.
- Oi, Emma.
Não foi tão difícil para se desligar da conversa do jogador ao celular e permitir que seus olhos se perdessem na próxima leva de fogos que começava a queimar no outro lado do condomínio enquanto seus pensamentos vagavam pelas deliciosas sensações que o beijo de havia despertado nela. Finalmente se sentia plena após se libertar da angústia dos últimos dias e contente por algo que ela tinha certeza que valeria a pena estar começando. Pôde ouvi-lo desejar Feliz Ano Novo para Emma e dizer outras poucas palavras entre diversos murmúrios, mas era como se todas as palavras entrassem por um de seus ouvidos e saísse pelo outro.
Poucos minutos depois, finalizou a ligação e colocou o celular no bolso traseiro da calça antes de se aproximar de e apoiar os antebraços na grade da ponte ao lado dela.
- Ela me ligou porque essa é a primeira virada de ano que passamos separados em mais de dez anos - ele comentou, rindo baixo -, mas foi só por isso. Nada demais.
- Essa ligação foi um momento seu com ela, não precisa se explicar.
assentiu com a cabeça e passou o braço pelos ombros da francesa para aconchegá-la em um abraço de lado.
- Eu queria te levar pra jantar amanhã.
- Eu deixo você me levar pra jantar amanhã - rebateu em um tom divertido e riu pelo nariz. - Então vai ser nosso primeiro encontro, uh? Acho que você vai ter que pedir autorização pro meu tio.
O riu levemente antes de segurar o queixo de para depositar um selinho nos lábios dela.
- Não tem problema, o Zizou gosta de mim.

Quando desceu para almoçar no primeiro dia do ano após pular o café da manhã por ter acordado às quase 14h da tarde, encontrou Benzema sentado no sofá confortavelmente e batendo um papo animado com seus avós e tios como se fizesse parte da família.
- Bom dia, pessoal - ela disse em um tom animado, se fazendo ser notada.
Karim olhou a amiga de cima a baixo, reparando como, mesmo vestida com um short jeans, um casaco Adidas e a cara lavada de maquiagem, ela estava radiante, bem mais do que estivera nos últimos dias.
- Resolveu dormir mais do que a cama, é? - ele brincou, se levantando para ir até .
- A Lohenna e a Inès dormiram no meu quarto e a gente ficou conversando até amanhecer - ela explicou, se deixando ser envolvida por um abraço apertado.
- Vim te desejar Feliz Ano Novo. Não sou o melhor amigo do mundo?
- Você é um metido, isso que você é - rebateu com um sorriso aberto estampado no rosto. - Feliz 2017 pra gente.
- Vamos botar pra foder esse ano - o outro falou, a fazendo rir enquanto se soltava do abraço. Em seguida, ele cruzou os braços e semicerrou os olhos ao dizer com desconfiança: - Você tem alguma coisa pra me contar?
mordeu o lábio inferior, contendo um sorriso, e olhou para os familiares entretidos demais na história que Farid contava para estarem prestando atenção nos dois.
- Vem, vamos lá pro meu quarto - ela disse, dando meia volta e fazendo sinal com a mão para que Karim a seguisse até a escada.
O atacante quis matar sua curiosidade antes mesmo de chegarem ao quarto, mas os dois acabaram cruzando com alguns dos primos pré-adolescentes de pelo corredor e ele acabou por manter a boca fechada.
- Karim! - Elyaz exclamou, animado ao ver seu jogador de futebol favorito.
- E aí, moleque? Feliz Ano Novo - o mais velho disse e bagunçou os fios de cabelo do menino como forma de cumprimento.
- Valeu, pra você também - o filho caçula de Zizou respondeu, desviando da mão do jogador. - , leva a gente pra correr de kart?
- Hoje não vai dar, meninos, eu vou sair. Por que vocês não pedem pro Enzo ou pro Luca?
- O Luca sumiu - Elyaz respondeu e bufou sem disfarçar a irritação por procurar o irmão pela casa inteira além de ter tentado ligar para ele meia dúzia de vezes sem obter sucesso. Luca era o que mais gostava de correr de kart, certamente toparia acompanhá-los até o circuito de kart Carlos Sainz Center.
- E o Enzo?
- Vou falar com ele, mas bem que meu pai podia nos deixar ir sozinhos, né? Eu já tenho 11 anos.
e Karim lançaram olhares divertidos um para o outro e a assistente técnica reprimiu um sorriso.
- Vocês não podem sair de casa sozinhos, não. São meus bebês.
Elyaz revirou os olhos e deu um passo para o lado para fugir das mãos de , que tentou apertar suas bochechas.
- A gente vai procurar o Enzo.
A mais velha apenas soltou uma risada ao ver o primo fugir rumo ao primeiro andar da casa, seguido pelos outros dois primos, como sempre fazia quando ela bancava a tia velha chata, e retomou o caminho que fazia anteriormente.
- Conta logo o que aconteceu - Karim falou impacientemente.
- Adivinha - rebateu com um sorriso arteiro nos lábios ao mesmo tempo que fechava a porta logo após Karim entrar no quarto.
- Imagino que tenha a ver com o - ele falou, sentando-se na cama da amiga, e pôde ver o rosto dela se iluminar ainda mais conforme ela meneava a cabeça, assentindo. A encarou por alguns segundos, até a compreensão passar por seus olhos e uma gargalhada por sua garganta. - Vocês transaram!
gargalhou, estalando um tapa no braço de Karim antes de se sentar ao lado dele.
- Não, palhaço, a gente se encontrou ontem. Ele me chamou pra conversar, expliquei tudo o que aconteceu e colocamos as cartas na mesa. Acabou que passamos a virada juntos.
- E não comemoraram com um sexo de reconciliação? - o outro questionou com uma falsa indignação, fazendo rir.
- Idiota - ela xingou, rolando os olhos. - Ele me chamou pra jantar hoje.
- Não acredito que vivi pra te ver comprometida com alguém - Benzema disse em um tom divertido e mostrou o dedo médio em resposta. - Espera aí. Vai ser pra valer agora, né? Ou você tá planejando pegar e sair de fininho como sempre?
- O cara já deixou claro que tem sentimentos por mim. Que tipo de pessoa você acha que eu sou? - ela questionou, soando ofendida, e o outro deu de ombros.
- Olha lá, . Não quero ter que me meter pra te defender se você fizer alguma merda - falou em um tom zombeteiro e fez uma careta em resposta.
- Tenho boca pra dialogar e resolver meus problemas, não preciso de você.
- Deixa só você começar a usar a boca com o pra outras coisas - Karim disse com um sorrisinho safado estampado no rosto.
- Quero - rebateu maliciosamente, piscando um olho, mas riu levemente em seguida. - Lembra que eu te ajudei a escolher a roupa que você usou no seu primeiro encontro oficial com a Lola? Hoje é a sua vez.
- Qualquer coisa que te deixe gostosa tá valendo - Karim prontamente falou ao ver a amiga se levantar e caminhar na direção do closet. - Não que eu ache que isso vai ser um desafio.
- Você não ajudou em nada. Vem aqui!
- Eu não entendo nada de moda, . Não é melhor você pedir ajuda pra uma das suas amigas? - o jogador retrucou, porém, mesmo sem muita vontade, se levantou da cama e foi até onde a amiga analisava cabide por cabide.
- Se estou te pedindo ajuda, é porque quero uma opinião masculina - a outra falou com obviedade. - Vestido, saia ou calça?
- Óbvio que prefiro vestido, que pergunta é essa? - Karim disse e lançou um olhar entediado na direção dele.
- Então eu vou de calça - ela afirmou e o outro, em reação, abriu a boca, indignado. Mostrou dois cabides ao perguntar: - Qual das duas?
Benzema olhou da calça preta para a vinho, pensativo.
- Prefiro essa - disse, apontando para a preta. Com um sorrisinho de canto, completou: - Porque é mais justa.
- Vou com essa - a assistente técnica falou com um sorriso satisfeito, separando a calça vinho, e pôs o outro cabide de volta ao lugar.
- Que porra é essa, ?
A gargalhada da francesa ecoou pelo ambiente, ela estava se divertindo com a indignação estampada no rosto do melhor amigo e apenas por isso estava indo contra suas sugestões. Pegou mais dois cabides, em seguida, cada um com uma blusa de manga comprida diferente.
- Qual é mais bonita?
- Tanto faz, você tá cagando pra minha opinião mesmo - o francês disse, dando de ombros.
- Qual das duas, Karim? - repetiu, revirando os olhos.
- Essa - ele respondeu, apontando para a que gostou mais. - O quase só te vê de uniforme, vai matar o cara do coração se aparecer com um decote desse.
Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de conforme ela analisava a blusa que caía perfeitamente em seu corpo e destacava seu busto. Modéstia à parte, sentia-se bastante gostosa quando a vestia e não pôde deixar de imaginar qual seria a reação de quando a visse à noite. Gostava da forma carinhosa e até um pouco inocente com que o a observava e a fazia se sentir querida, mas não tinha como ignorar a curiosidade que tinha de descobrir o homem que estava escondido por baixo de toda aquela timidez. Sua intenção não era apressar o ritmo de , mas não via mal nenhum em encorajar que ele saísse do casulo pouco a pouco.
- Nessa eu vou te dar razão - ela disse, piscando um olho, e, depois de devolver a blusa que não usaria ao seu devido lugar, mostrou os cabides com as peças de roupa escolhidas. - Vou ficar bonita?
- É hoje que você perde a virgindade - Karim falou em um tom divertido e acabou por rir junto quando soltou uma gargalhada alta.
- Babaca!

só percebeu que suas mãos tremiam levemente quando soltou o volante ao parar o carro em frente à casa dos Zidane. Pegou o celular no bolso interno do blazer que vestia e digitou uma mensagem para , avisando que já estava ali para buscá-la. Esperou pacientemente por longos cinco minutos que mais pareceram uma eternidade, mas a resposta não chegou, então decidiu ligar para a francesa. Não obteve maior sucesso e esperou por mais cinco minutos até, enfim, decidir sair do carro e ir tocar a campainha da casa.
A mulher que abriu a porta mostrou um sorriso aberto ao reconhecê-lo e pôde notar traços de nela.
- Você é ... certo? Meu nome é Lila, sou irmã do Zizou - ela falou, simpática. - Meu inglês não é muito bom, mas vem, entra, eu vou chamar a .
- Merci - ele respondeu com uma das poucas palavras em francês que sabia, senão a única, atitude que fez a mais velha sorrir com apreço ao dar espaço para que ele adentrasse a casa.
- Zizou! - Lila chamou alto enquanto fechava a porta, pois um falatório vinha do cômodo ao lado.
Poucos segundos depois, Zinédine surgiu no hall de entrada e esboçou um sorriso quando se deparou com um de seus jogadores, aproximando-se para cumprimentá-lo com um abraço.
- Ei, ! Feliz Ano Novo.
- Obrigado, Zizou. Pra você também - o outro falou, retribuindo o sorriso.
- Eu vou chamar a - Lila se pronunciou, piscando um olho, antes de sumir rumo ao segundo andar.
- Vocês vão sair, né? - o francês questionou, cruzando os braços com seu jeito calmo de sempre.
- É, a gente vai jantar - respondeu, se sentindo mais tranquilo e confiante diante do treinador, assim como se sentia ao ouvir seus discursos no vestiário.
- Já decidiram aonde vão? Se precisar de alguma dica, posso dar. É bastante provável que eu e a Véronique tenhamos ido em quase todos os restaurantes de Madrid - Zizou comentou, rindo levemente.
- Eu fiz uma reserva no Ramón Freixa, ouvi boas recomendações.
- Ótima escolha. Além de a comida ser deliciosa, também é um restaurante excelente em termos de privacidade. Vocês vão gostar.
sorriu em resposta e ambos tiveram suas atenções tomadas pelo som da aproximação de passos apressados. O sentiu o coração dar um salto dentro do peito ao ver adentrar seu campo de visão enquanto terminava de vestir um blazer e não pôde evitar que seus olhos subissem dos saltos que a deixavam mais alta do que de costume, passando pelo decote que mostrava seu colo, até chegar aos olhos destacados por um delineado grosso.
- Eu só vi a sua mensagem agora, . Desculpa pela demora - ela disse com um sorriso culpado, passando os dedos pelos fios de cabelo para jogá-los para o outro lado, e olhou o jogador disfarçadamente de cima à baixo, perguntando a si mesma como era possível que ele parecesse mais bonito a cada vez que o via. Encarou Zizou ao questionar: - Você não tá perturbando ele, né, tio?
- Só estou perguntando quais são as intenções dele com minha afilhada - Zinédine brincou, passando um braço pelos ombros da sobrinha, que fazia uma careta, a puxando para um abraço de lado. - Ou eu deveria perguntar pra você quais são suas intenções com meu jogador?
olhou de para o padrinho com um sorriso divertido nos lábios e apenas soltou uma risada.
- Vamos? - ela questionou, se aproximando do , e entrelaçou seu braço ao dele.
- Bom jantar pra vocês - disse Zizou, piscando um olho, e se despediu de com um aperto de mão e de com um beijo na bochecha.
A francesa guiou para fora da casa e os dois caminharam silenciosamente até o carro estacionado no meio-fio. Pararam um de frente para o outro e se encararam por algum tempo até um pequeno sorriso estampar o rosto de antes de ela envolver o rosto do jogador com as mãos e colar seus lábios aos dele. a abraçou pela cintura e aprofundou o beijo.
- Agora sim - disse, sorrindo, quando eles se afastaram. - Onde você vai me levar?
- Surpresa - o outro respondeu, piscando um olho, e abriu a porta do passageiro em seguida, convidando para entrar no carro.
- Deixa que eu dirijo, só vai me dizendo pra onde tenho que ir.
- Nem pensar, entra aí - ele rebateu, indicando o interior do carro.
- Você tá se recuperando ainda, - ela disse em tom de aviso. - Não pode ficar esforçando o tornozelo desse jeito.
- Relaxa, tá tudo sob controle. Passei o dia com a perna pra cima e o Jaime me liberou pra dirigir hoje.
- O que eu faço com você, hein? - disse com as mãos na cintura, mas acabou rindo antes de adentrar o automóvel e se acomodar no banco do passageiro.
Observou dar a volta com um sorriso contido, era adorável ver como ele estava se esforçando para tudo sair como o planejado. se sentia uma adolescente desde a noite anterior, mal conseguia manter aquele sorriso bobo fora do rosto.
Percorreram as ruas de Madrid, rumo ao bairro de Salamanca, em um percurso que durou cerca de vinte e cinco minutos, imersos em uma conversa descontraída que proporcionou um clima bastante agradável. encheu o de perguntas, queria saber tudo que tinha perdido nos dias em que estiveram distantes um do outro, como haviam sido suas festas de final de ano e em que pé estava sua recuperação da lesão no tornozelo. Mesmo que sua posição como assistente técnica a fizesse saber de todos os detalhes técnicos, ela queria ouvir da boca de como ele estava se sentindo e lidando com aquilo tudo. Mal viu o tempo passar enquanto fitava os olhos azuis que se revezavam entre ela e o trânsito, ouvindo a voz que tanto adorava ouvir.
parou o carro em frente ao Hotel Único e saiu para abrir a porta para , que segurou a mão estendida do jogador e sorriu em agradecimento enquanto saía do carro, e admirou a fachada elegante do prédio de poucos andares. entregou a chave ao manobrista antes de entrelaçar seus dedos aos de e puxá-la pela mão para dentro do hotel.
O casal foi guiado por um funcionário até o restaurante nomeado a partir do chef catalão Ramón Freixa, onde foram recebidos pelo próprio, que sempre fazia questão de ele mesmo atender os clientes mais importantes, o que, definitivamente, era o caso de e Zidane.
O salão principal do restaurante tinha um ar retrô por conta do mosaico no chão em tons de branco, preto e marrom, além de uma enorme foto da Gran Vía, uma das principais ruas de Madrid, na parede, e um espelho no teto. Os dois, entretanto, seguiram o chef até o salão privado que o jogador havia reservado para que eles pudessem ter um jantar tranquilo, longe de olhares curiosos, e se acomodaram em uma das mesas próximas a uma parede inteiramente espelhada.
- Fiquem à vontade - Ramón falou, entregando um cardápio para cada um, antes de se retirar.
- Já tinha vindo aqui antes? - perguntou, analisando o ambiente.
- Não, foi o Toni que recomendou - respondeu e não pôde deixar de se lembrar do alemão contando sobre quando levou sua esposa ali e insistindo para que ele reservasse também um quarto no hotel para passar a noite com . ainda estava um pouco inseguro sobre a última parte, mas achou que o restaurante era uma boa opção para o seu primeiro encontro com a francesa. - E você?
- Não que eu me lembre, mas é bem aconchegante, né? - a outra respondeu, sorrindo. - E bonito.
- Não como você - rebateu com naturalidade, abrindo o cardápio para relembrar os pratos oferecidos pelo restaurante que já havia dado uma olhada por alto na internet.
olhou com surpresa para o ao mesmo tempo que uma risada baixinha escapou por seus lábios. Ela nada disse, apenas assistiu os olhos de vagarem pelo nomes dos pratos ao mesmo tempo que um vinco se formava entre suas sobrancelhas. Sequer tocou no cardápio enquanto o observava e, em seguida, virou a cabeça para o reflexo dos dois na parede.
- Quer escolher, ? - o jogador questionou, levantando a cabeça, e franziu o cenho em confusão ao vê-la entretida com a parede espelhada. - Que foi?
A assistente esboçou um leve sorriso enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro.
- Nada - ela disse, dando de ombros. - Só estava reparando como a gente forma um casal bonito - completou, fazendo rir.
- Eu já tinha percebido - falou, piscando um olho, e indicou o cardápio. - Escolhe o que a gente vai comer, eu não sei bem do que você gosta.
- Ok, vamos ver o que temos de bom aqui - disse em um tom divertido e tirou o blazer para, em seguida, deixá-lo sobre o encosto da cadeira. Enquanto abria o cardápio, pôde reparar que os olhos do estavam em seu decote e não pôde evitar um sorriso satisfeito. - Você tá olhando pros meus peitos ou pra minha Bola de Ouro?
arregalou os olhos, sentindo o rosto esquentar, e passou uma das mãos na bochecha sem jeito.
- Desculpa, .
- Fala sério, . Se eu não quisesse que você olhasse, eu nem vinha com essa blusa, né? - ela brincou, piscando um olho, e riu da expressão embasbacada no rosto do outro. - Esquece isso, vamos escolher o que a gente vai comer.
voltou a atenção para a lista de pratos elaborados por Ramón Freixa e o jogador soltou um suspiro, sentindo a vergonha se dissipar diante da naturalidade com que a francesa agia, também aliviado por ela não ter se ofendido.
Vez ou outra, mesmo quando o chef catalão apareceu para indagar qual seria a escolha da noite e pediu um salmão selvagem do Alasca com seus respectivos acompanhamentos, ou enquanto os dois degustavam o jantar delicioso, conversando sobre trivialidades, os olhos de desciam para o decote da francesa sem ele sequer se dar conta.
Ao terminar a refeição, o casal foi para a varanda do restaurante, onde, pelas paredes de vidro, podia ver o belo jardim do hotel. O sentiu uma sensação diferente quando os lábios de tomaram os seus e os dois se envolveram em um beijo lento e com gosto do vinho francês do qual ela havia tomado duas ou três taças. Ele a envolveu pela cintura com os braços, fazendo o corpo dela se grudar ao seu, e sentiu um arrepio quando as unhas de deslizaram por sua nuca. Quanto mais intenso o beijo se tornava, mais vontade tinha de beijar .
Quebraram o beijo algum tempo depois, as respirações descompassadas e sorrisos estampados no rosto. riu baixinho quando o jogador enterrou o rosto em seu pescoço, inalando o perfume doce que ela havia borrifado na região, e sentiu os lábios quentes dele depositarem um beijo molhado em sua pele, o que fez crescer o desejo de ter mais daquela carícia em outros locais de seu corpo que imploravam por serem conhecidos por .
- Eu ainda não entreguei o seu presente de Natal - ele sussurrou próximo ao ouvido de , que sentiu os pelos da nuca se arrepiarem.
- Envolve você sem camisa? - ela perguntou em um tom divertido e soltou uma gargalhada, fazendo o outro rir também. - Brincadeira, você sabe que não precisava de presente.
- Claro que precisava - disse, sorrindo, e se afastou para tirar uma caixinha de dentro do blazer para, em seguida, estendê-la para a mulher, que a pegou. - Espero que você goste.
- A última vez que você me deu uma jóia, ela virou meu amuleto da sorte. É claro que eu vou gostar - falou, abrindo a caixinha, e levantou as sobrancelhas em admiração quando se deparou com brincos de ouro com quartzos rosas. - Uau, são lindos.
sabia que não era um presente qualquer, a escolha do quartzo rosa, conhecida como a pedra do amor, não havia sido por acaso. A intensidade com que os olhos de analisavam os seus deixava isso bem claro.
- Eu também queria saber se você quer ser minha namorada.
A expressão no rosto da francesa foi de surpresa quando ela absorveu as palavras ditas pelo homem à sua frente e um risinho nervoso escapou por seus lábios.
A resposta de foi expressa na forma de um beijo.

Era dia de jogo, o primeiro do ano, e o Real Madrid enfrentaria o Sevilla pela partida de ida das oitavas de final da Copa del Rey no Santiago Bernabéu naquela noite. estava tomando o café da manhã sentada ao lado de Toni Kroos em uma das mesas do refeitório da residência dos jogadores na Ciudad Real Madrid, os dois sonolentos demais para terem ânimo de manterem uma conversa. Nesse meio tempo, Dani Carvajal adentrou o refeitório, logo se aproximando dos dois, e se inclinou para dar um abraço rápido no alemão.
A assistente técnica franziu o cenho, pensando ter escutado o espanhol desejar feliz aniversário para o outro, e foi cumprimentada com dois beijinhos na bochecha por Dani, que, em seguida, foi até o buffet escolher o que comeria de desjejum.
- É seu aniversário hoje? - ela perguntou, se virando para Toni e demonstrando sua confusão.
- Você é uma ótima amiga, - ele retrucou, soltando um risinho.
- Se você não falar, não tem como eu adivinhar que dia você nasceu. Não dá pra decorar a data de aniversário do time inteiro, minha memória não é tão boa assim, não - a outra rebateu e fez uma careta. - O meu é depois de amanhã.
- Pode deixar que eu também vou esquecer de te dar parabéns - Kroos brincou entre uma golada e outra no seu copo de iogurte.
- Quantos anos você tá fazendo?
- 27.
- Eu também vou fazer 27! - exclamou, surpresa, e riu da coincidência de ter nascido apenas dois dias depois de justamente Toni Kroos, com quem vivia se bicando, mesmo que por pura brincadeira da parte de ambos.
- Sério? Eu pensava que você era mais velha - o outro disse, a olhando torto.
- Você tá dizendo que eu tenho cara de velha? - a assistente perguntou em um tom indignado.
- Caramba, , você me venera tanto que fez questão de nascer dois dias depois de mim - Toni debochou e soltou uma gargalhada.
- Você é muito chato, Kroos - disse, mostrando a língua, e pegou o celular que havia deixado em cima da mesa. Após alguns cliques, ela puxou o jogador ao seu lado para um abraço. - Alles Gute zum Geburtstag.
- Danke - ele respondeu, sorrindo. - Desde quando você sabe dar feliz aniversário em alemão?
- Desde quando eu tenho um aplicativo do Google Tradutor instalado no meu celular - ela respondeu, balançando o aparelho em sua mão, e Toni revirou os olhos.
O refeitório foi se enchendo conforme os jogadores iam acordando depois da noite concentrados em Valdebebas e o falatório aumentando cada vez mais.
Um sorriso tomou conta dos lábios de quando passou pela porta, este vindo de sua própria casa, já que estava fora da convocação para o jogo por conta de sua lesão. Ele caminhou até a mesa em que seu grupinho de sempre estava sentado, além, é claro, de sua namorada.
- Feliz aniversário, cara - ele disse, abraçando Toni, que havia se levantado para cumprimentá-lo.
Em seguida, se inclinou para beijar a bochecha de , que não o deixou se afastar sem beijá-lo também na bochecha. Os dois ainda não haviam escancarado o namoro de três dias para o time inteiro, apesar de Zizou, Karim, Toni, Luka e Mateo já estarem por dentro da novidade. Agiam carinhosamente um com o outro em todas as vezes que se encontraram pela Ciudad Real Madrid nos dois dias anteriores, mas os dois sempre bastante discretos.
- Olha o sorrisinho dela só porque o namoradinho chegou - Toni Kroos debochou, fazendo Luka, que estava sentado do outro lado da mesa, soltar uma gargalhada e Karim, que prestava atenção na cena a algumas cadeiras de distância, também riu.
- Vai se ferrar, Kroos - disse, estalando um tapa no braço do alemão, e, em seguida, levantou a cabeça para encarar o , que estava em pé com as mãos apoiadas no encosto da cadeira dela. - Vai pegar alguma coisa pra comer, . Você tem que se alimentar direito.
- Eu já tomei café da manhã em casa com a Lalie - ele disse e não pôde evitar um sorriso em resposta à preocupação da assistente técnica.
- Esse negócio de a Lalie dormir na casa dele não te incomoda, ? - Luka questionou por curiosidade.
- Por que me incomodaria? É amiga dele - a outra rebateu sinceramente, levantando os ombros.
- Leva o Karim pra dormir na sua casa, assim vocês ficam quites - Toni falou em tom zombeteiro, fazendo rolar os olhos.
- Não me mete no meio disso, cara - Karim disse em defesa própria e, espirituoso, acrescentou: - Eu batalhei muito pra juntar esse casal.
- Espera aí, vocês estão juntos? - Marcelo perguntou, indicando e com dois dedos, e atraiu a atenção de todo o grupo. Ele estava sentado próximo a eles, ouvindo a conversa sem entender muita coisa, já que seu inglês não era dos melhores.
O casal se entreolhou como se estivessem questionando um ao outro se deveriam ou não abrir o jogo. não via problema algum, já que o time era bastante unido e tinha absoluta certeza de que todos ficariam felizes por eles, mas ainda não sabia se já estava preparada para isso na sua posição de assistente técnica.
- É, a gente tá namorando desde o dia primeiro - foi a francesa quem disse, fazendo o brasileiro tapar a boca com as mãos em surpresa.
- Eu sabia que vocês estavam amiguinhos demais! - ele exclamou, fazendo gestos exagerados, e, em seguida, bateu com a palma da mão no tampo da mesa e disse para Pepe, que estava sentado à sua frente: - Não te falei, porra? E você ficou dizendo que eu estava viajando.
- Tanto faz, Marcelo - o brasileiro naturalizado português disse, fazendo uma careta, e olhou para o mais novo casal ao dizer: - Parabéns aí, e .
Os dois apenas riram, se entreolhando.
- E aí, pessoal? - Cristiano Ronaldo falou sorridente ao chegar no refeitório acompanhado de Amelie.
- Ouviu essa, Cris? - Marcelo questionou e o recém-chegado lançou um olhar indagador para ele. - A e o estão namorando.
- É sério isso? - Álvaro Morata perguntou da outra mesa.
Só então, reparou que o refeitório inteiro já estava a par da novidade e uma confusão de perguntas preencheu o ambiente, todos querendo saber mais detalhes sobre o romance dos dois.
- Eu vou é trabalhar que eu ganho mais - ela disse, se levantando da cadeira, e, se dirigindo aos jogadores sentados em ambas as mesas, disse em um tom divertido: - E vocês deveriam fazer o mesmo, bando de fofoqueiros, vocês têm um jogo hoje.
Depositou um beijo rápido nos lábios de , o que despertou uma gritaria e assobios, e deu meia volta em meio a risos. Cumprimentou Lalie com um sorriso ao passar por ela quando se dirigia à saída do refeitório.
- - a fisioterapeuta chamou, fazendo a francesa estancar no meio do caminho e se voltar para ela -, posso falar com você rapidinho?
pôde notar a seriedade no rosto da outra e meneou a cabeça, assentindo.
- Claro, vamos ali pra fora - disse e seguiu para a sacada ligada ao refeitório.
As duas passaram pela porta de vidro uma após a outra e a assistente técnica convidou Amelie para se sentar em um dos sofás que tinham ali fora.
- É sobre o ? - perguntou ao ver Lalie soltar um longo suspiro.
- Não, não - ela disse prontamente. - Eu só dei um empurrãozinho pra vocês se acertarem, agora é com vocês. E tenho certeza de que vai dar tudo certo, os dois estão radiantes.
sorriu e seus olhos se voltaram para o refeitório e, através do vidro, ela pôde ver uma rodinha em volta de , que apenas ria enquanto era enchido de perguntas.
- Só espero que o pessoal não fique pegando no nosso pé - ela disse, fazendo uma careta. - Então o que você quer me falar?
Amelie respirou fundo, tomando coragem, sob o olhar atento da outra.
- Primeiramente, quero que você saiba que eu pensei muito se deveria te contar isso ou não. Não contei nem pro , porque ele provavelmente falaria pra eu não me meter nisso - ela disse, soltando um risinho, e franziu o cenho.
- Você tá me assustando, Lalie.
A fisioterapeuta chegou mais perto de e, aos sussurros, disse próximo ao ouvido dela:
- Eu vi a namorada do Benzema com o seu primo lá no condomínio, aquele que é a cara do Zidane. Duas vezes. E, nas duas, eles se beijaram.
Se afastou, em seguida, e fitou o rosto inexpressivo de , dando alguns segundos para que ela pudesse digerir a informação.
- Eu vou matar o Luca - a francesa disse entredentes e passou as mãos no rosto.
- Sei que é uma informação vaga e você tem todo o direito de não acreditar em mim, mas achei melhor te contar pra você decidir o que fazer, porque eu não tenho nada a ver com isso. Mal conheço o Benzema e muito menos o seu primo, mas você já viu como sou quando magoam um amigo meu, não me sentiria bem em não te contar sabendo da sua amizade com o Karim.
- Eu acredito em você, Lalie, já tem um tempo que eu desconfio que tá rolando alguma coisa entre aqueles dois - disse e soltou um longo suspiro. - Obrigada por ter me falado, vou ver o que faço antes que a bomba exploda.
Amelie esboçou um sorriso confortador que retribuiu antes de voltar os olhos para o vidro novamente e observar Karim rir de algo que Toni Kroos havia dito. Ela sentia seu coração partir só de imaginar quão chateado o melhor amigo ficaria com aquela punhalada nas costas logo quando pensava que, finalmente, havia encontrado a mulher que o faria esquecer Chloé.

Dois gols de James Rodríguez e um de Raphaël Varane garantiram uma vitória por 3x0 sobre o Sevilla que fez o Real Madrid andar meio caminho rumo às quartas de final da Copa del Rey. Apesar do sentimento de dever cumprido por conta do bom resultado, deixou o Santiago Bernabéu com um aperto no peito. Seus olhos estavam concentrados no trânsito, que estava lento por conta da multidão de torcedores que lotavam as ruas próximas ao estádio, mas seus pensamentos estavam perdidos na confusão em que seu primo Luca havia se metido. Ela passara o dia inteiro pensando sobre aquilo, inclusive durante o tempo em que esteve sentada no banco de reservas durante o jogo. Sabia que teria que se meter, já que dois dos três envolvidos eram seu primo e seu melhor amigo, mas não sabia como deveria fazer isso. Conversar com Luca talvez fosse o primeiro passo mais sensato a ser dado.
, que havia ido até o estádio como espectador, estava acomodado no banco do passageiro do carro de e tentava desvendar o que se passava na cabeça dela enquanto a observava de canto de olho. Não que o silêncio que os envolvia não fosse confortável, mas era estranho ver tão calada daquele jeito.
- Tá tudo bem, ? - ele questionou, quebrando o silêncio e fazendo a assistente despertar de seus próprios pensamentos. - Você tá muito quieta hoje.
fitou os olhos atenciosos do e respirou fundo.
- O Luca tá tendo um caso com a namorada do Karim - contou de uma vez, fazendo o espanto tomar conta do rosto de , e desviou os olhos de volta para o trânsito. - Eu já estava desconfiada desde o Mundial, vi os dois de conversinha lá no hotel, longe de todo mundo, e ele anda meio misterioso, tem saído com uma garota desconhecida. Eu só não tinha certeza, mas se lembra da Lalie me chamando pra conversar hoje de manhã?
- Sim, ela não quis me dizer sobre o que vocês conversaram.
- Foi sobre isso, ela viu o Luca e a Lola duas vezes lá no condomínio se beijando e achou melhor me contar - disse, levantando os ombros. - O problema é que agora eu não sei se devo contar pro Karim. Não gosto de saber que ele tá sendo feito de trouxa, ainda mais porque tá gostando pra valer dessa garota, mas não é um cara qualquer, é meu primo. Não quero que role confusão entre os dois.
- Você não tá se sentindo culpada por isso, tá? - o jogador questionou, preocupado, pois era perceptível que estava entre a cruz e a espada.
- Um pouco - ela confessou em meio a um suspiro. - Você não tem ideia de quão puta estou com o Luca. Ele realmente precisava se envolver com namorada dos outros? Ainda mais um amigo nosso, isso é muita cretinice.
- Ele tá naquela idade de não pensar nas consequências dos atos.
- Você era assim com 18 anos por acaso?
- Não - respondeu, rindo levemente -, mas a maioria dos garotos é. Eu acho que o Karim vai ficar chateado, é claro, mas não vai querer fazer justiça com as próprias mãos.
- O pior é que, se o Karim quiser tirar satisfação, eu não vou nem poder defender o Luca, ele vai tá no direito dele - disse, bufando, e se inclinou para apertar o botão que iniciou a playlist que gostava de escutar enquanto dirigia. - É bom que o Luca esteja com os ouvidos preparados, porque hoje vai me escutar.
Addicted to You, da Shakira, começou a tocar alto, preenchendo o silêncio em que os dois caíram. A francesa cantarolava junto enquanto dirigia pelas ruas agora mais calmas, já que eles se aproximavam de La Finca, até ouvir o toque de seu celular se misturar à música.
- Vê quem tá ligando por favor? - ela disse, indicando o banco traseiro, onde havia largado a mochila ao adentrar o carro.
se inclinou para trás, alcançando a mochila sem muita dificuldade, e a abriu para pegar o celular da francesa.
- É um número desconhecido. Acho que é da França - ele disse, analisando o número de celular estampado na tela.
- Eu não acredito - disse e bufou com irritação. - Pode recusar, é o cara do Natal. Eu já recusei trezentas ligações e ele não se toca que eu não quero papo.
O jogador recusou a chamada, olhando do aparelho para a namorada.
- O cara com quem você ficou? - perguntou, intrigado, devolvendo o celular de volta à mochila, e a outra assentiu com a cabeça. - Você deu seu número pra ele?
- Não, mas não era a tarefa mais difícil do mundo ele conseguir meu número. Deve ter pegado com o Jérémy - a outra respondeu, rolando os olhos. - Juro pra você que eu não dei abertura nenhuma pra ele me procurar, ele que tá insistindo. Eu vou dizer pro Jérémy falar pra ele parar de me ligar.
meneou a cabeça, assentindo. Não tinha motivos para achar que pudesse estar contando meias verdades, mas também não sabia bem o que pensar sobre aquilo. Ela era uma das mulheres mais bonitas que ele já havia visto em sua vida, não era difícil de entender por que aquele cara estava atrás dela mesmo tendo sido ignorado tantas vezes, assim como provavelmente muitos outros já haviam ficado e ainda ficariam. Seria difícil, mas sabia que teria que aprender a conviver com isso e confiar no sentimento que os unia e se fortaleceria aos poucos.
- Eu passo pra te buscar em meia hora, tá bom? - disse ao parar em frente à casa do , seu primeiro destino ao chegar a Los Lagos.
- Tá bom. Boa sorte com o Luca.
- Obrigada.
A francesa esboçou um sorriso antes de se inclinar para beijar nos lábios. Um beijo rápido, já que os dois logo se veriam novamente para irem até a casa de Toni Kroos, onde teria uma pequena reunião com os mais chegados para comemorar seu aniversário.
Depois de deixar em casa, seguiu para a sua própria. Estacionou o carro, notando que o de Luca estava por ali, o que significava que ele estava em casa, e agradeceu mentalmente por isso. Cumprimentou a tia rapidamente, que esperava pela chegada do marido, que ainda voltava do estádio, para que os dois fossem jantar fora, e subiu direto para o quarto do primo.
Não fez questão de anunciar sua chegada antes de adentrar o quarto e bater a porta atrás de si, assustando o garoto que havia acabado de sair do banho e estava apenas de cueca, escolhendo a roupa que vestiria dentro do closet.
- Caramba, ! - ele falou, vestindo rapidamente a calça jeans que tinha em mãos. - Existe uma porta pra você bater nela antes de entrar.
- Jura? E existem mulheres solteiras pra você não pegar as que têm namorado.
Os olhos de Luca se arregalaram em resposta às palavras da prima.
- Você tá doida - ele murmurou sem encará-la, tirando uma camisa do cabide.
- Não, quem tá doido é você - disse, parando de braços cruzados na porta do closet. - Porra, Luca, ela é namorada do Karim. Você parou pra pensar na confusão que tá se metendo por puro capricho?
O garoto vestiu a camisa de cara fechada, fechou botão por botão silenciosamente enquanto sentia o olhar de queimar suas costas.
- Ela nem gosta dele - ele disse depois de algum tempo.
- Se ela gostasse, não estava traindo ele - a outra rebateu com obviedade. - E não se iluda achando que com você é diferente. Eu desconfiei dela desde quando a conheci na nossa viagem pra Marbella, porque ela ficou se insinuando pra você e pro Enzo, mas dei uma chance porque não acho que devemos julgar as pessoas sem conhecê-las antes. Ela não está ficando com você porque gosta de você, Luca, é só porque foi você que deu mole. Provavelmente, ela quis garantir um dos filhos do Zidane pro caso de não dar certo com o Karim.
- Você tá dizendo que não existe nenhum motivo pra alguém gostar de mim além do fato de eu ser filho do Zidane?
- Claro que não! Se estou aqui tendo essa conversa com você, é justamente porque eu acho que você merece mais do que as migalhas que essa garota tá te dando - disse e suspirou longamente, demonstrando seu cansaço. - Além disso, é sacanagem fazer isso com o Karim.
- Eu gosto dela - Luca sussurrou, encarando os próprios pés descalços sem coragem de olhar para a mais velha.
- Por favor, Luca, cai fora dessa enquanto ainda é tempo. Você não gosta dela, só tá assim porque tá encantadinho. A garota certa pra você vai aparecer mais cedo ou mais tarde - ela falou em um tom mais calmo, tentando se mostrar compreensiva. - Eu vou contar pro Karim, ele é meu amigo e merece saber o que tá acontecendo, mas vou te dar uns dias pra terminar com ela. Talvez ele fique menos chateado assim, eu não quero ter que me meter pra te defender.
- Eu não preciso que você me defenda, - ele disse secamente. - Também não preciso dos seus conselhos, você não sabe o que tá rolando entre a gente e não tem nada a ver com isso.
As palavras adentraram os ouvidos de e ela sentiu como se tivesse acabado de levar um tapa na cara. Era difícil de acreditar que o Luca que estava à sua frente, a encarando com um olhar duro, era o mesmo que havia segurado no colo quando era apenas um bebê recém-nascido, o primo que sempre foi o mais apegado com ela. Era complicado não vê-lo mais como aquele garotinho que vinha para o seu colo sempre que se machucava jogando futebol, mas, naquele momento, ela se deu conta de que, talvez, ele realmente não precisasse mais de sua proteção, pois já era um homem e poderia arcar com as consequências de seus atos por si próprio.
- Você tem três dias - ela disse em um tom sério. - Se vai terminar ou não, o problema é seu, mas eu vou contar pro Karim. Você se resolva com ele.
não esperou por uma resposta, deixou o quarto de Luca e seguiu para o seu próprio com um nó na garganta. Permitiu algumas lágrimas caírem durante o banho e, também, ao contar para como havia sido a conversa quando atravessavam o condomínio na direção da casa de Toni Kroos, mas esboçou um sorrisinho quando ele a envolveu em um abraço apertado e disse que iria ajudá-la se sentir melhor.

Era o sexto dia do ano, dia em que Zidane completava mais um ano de vida. Seu aniversário de 27 anos começou um tanto estranho quando pegou o celular para olhar as horas e viu uma mensagem de sua mãe pedindo para que a chamasse no Skype assim que acordasse. Foi o que fez e acabou passando os quarenta minutos seguintes batendo papo com Sylvie por vídeo, ainda deitada na cama. As duas tiveram uma conversa de mãe e filha que há tempos não acontecia e ficaram a par de todas as novidades que deveriam ter contado uma para a outra no Natal. O sorriso não saiu do rosto de enquanto ela narrava seu envolvimento com , algo que sua mãe notou e, inclusive, comentou. A ligação terminou com Sylvie prometendo que ela e Nourredine a visitariam em Madrid em breve.
bloqueou o celular e se levantou da cama se sentindo diferente, mais leve. Mesmo as duas não tendo conversado sobre o desentendimento no Natal, ela sabia que aquilo havia ficado para trás e desejou que o clima descontraído se mantivesse para que as duas pudessem ter outras conversas como aquela. Às vezes sentia falta de quando era mais próxima à mãe na infância e início da adolescência.
Depois de fazer sua higiene matinal, trocou o pijama pelo uniforme de assistente técnica e desceu para tomar o café da manhã. Como de costume, encontrou os tios sentados à mesa da sala de jantar e ambos sorriram ao vê-la passar pela porta.
- Bom dia, aniversariante - Zizou disse, piscando um olho, e se levantou para abraçar a sobrinha. - Feliz aniversário, .
- Obrigada, tio - ela respondeu, também sorrindo, e, depois de cumprimentar o tio, se aproximou de Véronique, que a aguardava de braços abertos.
- Parabéns, querida - a mais velha disse, a abraçando com força. - Muita saúde e juízo, viu?
- Juízo eu já tenho de sobra - rebateu em um tom divertido, se separando do abraço.
- Você passou pela sala? - a outra questionou, a fazendo franzir o cenho ao mesmo tempo que negava com a cabeça. - Se eu fosse você, daria uma passadinha lá antes de me sentar pra comer.
revezou o olhar entre os outros dois e pôde notar que Zinédine prendia o riso sem muito sucesso, pois tinha um sorriso aberto estampado no rosto. Ela, então, deu meia volta e caminhou até a sala de estar, onde parou sob o portal, chocada, ao se deparar com um enorme buquê de tulipas rosas e roxas sobre a mesa de centro. Não demorou a se dar conta de que aquelas flores eram um presente para ela e se aproximou delas com um brilho nos olhos. amava tulipas.
Entre as flores, encontrou um cartão que pegou e abriu com curiosidade, encontrando uma mensagem escrita com uma caligrafia apressada, apesar de caprichosa.

São 270 tulipas pelos seus 27 anos. Me disseram na floricultura que o roxo, além de transmitir calma, representa respeito e sabedoria, e, o rosa, feminilidade e sensualidade. As tulipas são beleza e prosperidade. Não entendo de flores, muito menos de cores, mas achei que elas combinam com você.
Seu presente de aniversário vai ter que esperar até termos alguns dias de folga, vou te levar pra passar dois dias em Marbella, já que é uma das suas cidades favoritas. Espero que vire uma das minhas também.
Feliz aniversário, .

xx

O coração de batia forte enquanto lia e relia as palavras escritas pelo . Fazia tanto tempo que não recebia flores como um gesto romântico que mal se lembrava de qual era a sensação, mas, como tudo que envolvia , daquela vez estava sendo diferente. Não sabia se era por ter sido pega desprevenida, por ele ter escolhido justamente sua flor favorita ou pela mensagem bonitinha, o que tinha certeza é de que estava louca para encontrá-lo dali a alguns minutos para abraçá-lo e enchê-lo de beijos antes de ir para o treino do dia e ele para a sala de fisioterapia com Jaime e Lalie.
- O é um amor - ela escutou a voz de Véronique dizer atrás de si e, em resposta, apenas meneou a cabeça, concordando, com um pequeno sorriso nos lábios. - Já está valendo a pena ter se dado uma chance de estar com um cara bacana, uh?
- Tá sim, tia - disse, dando meia volta para encarar a outra. - Eu devo estar parecendo uma boba, né? É assim que eu me sinto.
- Você parece feliz - a outra rebateu, piscando um olho. - Vai fazer alguma coisa pra comemorar seu aniversário?
- Sim, o Karim tá organizando tudo. Vamos nos reunir com o restante do time na Banloo, aquela boate famosinha entre os jogadores, sabe? Eu chamei meu tio, mas ele disse que não vai por causa do Théo e do Elyaz, e também pra dar privacidade pros jogadores. O que é uma besteira, né? Todo mundo adora ele - a assistente técnica disse, fazendo uma careta. - Tenta convencer ele, tia.
- Vou tentar, mas acho complicado a gente ir por causa do Théo e do Elyaz mesmo. Eles vão ficar chateados, é difícil que deixem entrar menor de idade.
- A gente sai pra jantar qualquer dia desses - a outra disse, piscando um olho. - Eu preciso comer alguma coisa, daqui a pouco tá na hora de ir pra Valdebebas. O que faço com essas flores?
- Eu vou pedir pra Dona Carmen colocar em vasos e deixar lá no seu quarto.
- Tá bom - concordou, mas, logo em seguida, teve um clique. - Espera aí! Deixa eu colocar uma roupa bonitinha pra tirar uma foto antes.
Véronique gargalhou, vendo a afilhada sair apressadamente em direção ao segundo andar.

Apesar de fazerem parte de um time bastante unido, eram raras as vezes que o elenco inteiro do Real Madrid se reunia fora das dependências do clube. Cada um dos jogadores tinha uma vida à parte do futebol, uma família para dar atenção nos momentos de folga e suas próprias companhias para curtir as noites madrilenhas. Mesmo assim, eles sempre davam um jeito de, uma ou duas vezes na temporada, se juntarem para jantar em algum restaurante renomado ou curtir uma das festas privadas promovidas por Alberto Garrido, o homem de confiança de muitos jogadores e ex-jogadores da equipe madridista que, há mais de uma década, cuidava de todos os detalhes para que os futebolistas não precisassem se preocupar com a repercussão de suas saídas noturnas na mídia.
O aniversário de foi a desculpa perfeita para que todos saíssem da rotina no meio da temporada mesmo que tivessem treino marcado para a tarde do dia seguinte. Karim contatou Garrido e fez questão de cuidar de todos os detalhes para dar à amiga uma festa memorável. Para isso, reservou uma das salas privadas da Banloo, uma casa noturna de Madrid, para que todos pudessem se divertir à vontade e contratou um DJ de cumbia e reggaetón, já que sabia mais do que ninguém como a francesa adorava se divertir ao som dos ritmos latinos.
A sala conhecida por Love & Sex era ampla e tinha o branco como cor predominante não apenas no piso e nas paredes, mas também nos sofás brancos que circundavam a sala, e vários pontos de iluminação davam um toque moderno ao espaço, dentre eles estavam as mesinhas de vidro em formato de caixa espalhadas por todo o local que tinham lâmpadas internas. O time inteiro do Real Madrid estava por ali, além de suas namoradas, esposas e de alguns dos profissionais que trabalhavam com a primeira equipe. Alguns dançavam, outros apenas riam e bebiam, totalmente alheios à partida que teriam contra o Granada dali a dois dias.
Enquanto esvaziava pouco a pouco mais um copo do drinque recomendado por James Rodríguez, frequentador assíduo da Banloo, extravasa o entusiasmo que sentia dentro de si na pista de dança. Quase não havia saído dali desde que chegara cerca de uma hora e meia antes e, devido ao suor, já sentia alguns fios de cabelo grudados à nuca.
- Él nunca supo amarte como yo lo sé, él no conoce cada espacio de tu piel - cantava enquanto se movia no ritmo da versão remix de Me Llamas, dos colombianos do Piso 21 com a participação de Maluma, passando a mão livre suavemente pelo próprio corpo.
- Uau, ! Não sabia que franceses tinham esse gingado todo - em um tom divertido, Daniela, esposa de James Rodríguez, berrou para que pudesse ser ouvida, dançando próxima à aniversariante.
- São muitos anos imitando a Shakira na frente do espelho, guapa - a outra rebateu em meio a risos e piscou um olho.
e Andrea, mulher de Keylor Navas, observavam Daniela dançar em um vestido preto justo que deixava suas pernas compridas e invejáveis à mostra e tentavam imitar seus movimentos. Ela não negava o sangue colombiano que corria em suas veias com os quadris tão soltos que faziam parecer que rebolar daquele jeito era a coisa mais simples do mundo.
- Cuando tú quieras me llamas. Tú me llamas. Soy el que te dio amor y el que te lo da hoy - a francesa cantou junto à colombiana de forma exagerada, fazendo caras e bocas. Seus olhos acabaram encontrando os de , sentado a alguns metros dali na companhia de Luka Modrić e Toni Kroos, e, notando que a atenção dele estava completamente voltada para a performance dela junto às outras duas, fez um gesto de telefone com a mão, apontando para ele. - Cuando tú quieras me llamas. Tú me llamas.
Os lábios de se curvaram para cima, formando um singelo sorriso, e ele deixou escapar um riso anasalado. Seu principal entretenimento naquela noite estava sendo assistir dançar, ela estava tão bonita e radiante que seus olhos não desgrudavam dela por um segundo. Nem mesmo Sergio Ramos e Amelie tentando ensinar Luka a rebolar, uma cena impagável, havia conseguido tirar sua atenção da francesa que se esbaldava na pista de dança. Estava sendo bastante zoado pelos amigos por isso, inclusive. Toni, Mateo, Luka e Lalie o incentivavam a ir dançar com a namorada, mas ele não tinha certeza de que conseguiria manter o controle de seus membros com rebolando daquele jeito tão próxima a ele e estava preferindo apenas assisti-la de longe.
- Galera - o DJ disse ao microfone quando a música terminou, tomando a atenção de todos os presentes para si -, a próxima é inédita, vai ser lançada só semana que vem. É uma parceria do Luis Fonsi com o Daddy Yankee, meu parceiro, e foi ele quem autorizou que eu tocasse ela hoje. É um presente de aniversário, , espero que você goste - falou, levantando o polegar no ar ao mesmo tempo que piscava um olho e a aniversariante, com um sorriso aberto estampado no rosto, levantou o copo que segurava em resposta. - Fiquem com Despacito.
A música que seria um sucesso gigantesco no mundo inteiro dali a algumas semanas soou alto pelo ambiente e não precisou de muito para envolver a todos. Já no segundo refrão, um coro de “des-pa-cito” acompanhava Luis Fonsi. , junto a Daniela e Andrea, improvisava alguns passos enquanto tentava cantar a música com muitos “na na na” em meio a palavras desconexas, o que causou muitas gargalhadas.
James Rodríguez se aproximou das três e deu um beijo rápido nos lábios da esposa antes de puxá-la para dançar colada a ele, mas logo a soltou para, em seguida, tirar o copo da mão da assistente técnica e largá-lo sobre a bandeja de um garçom que passava por ali. Os olhos de se arregalaram em surpresa quando o jogador colombiano a puxou pela cintura, grudando seus corpos, e uma gargalhada escapou pela sua garganta. Ela se deixou ser conduzida no ritmo da música por James, que ora fazia com que seus quadris se movessem em sincronia, ora se afastava segurando a mão de para fazer com que ela girasse sobre seus saltos.
Durante um desses giros, a francesa pisou em falso, o que ocasionou uma leve torcida no pé.
- Meu salto quebrou! - ela exclamou em meio a gargalhadas, se apoiando em James para recuperar o equilíbrio.
- Você se machucou? - o outro questionou, preocupado, mas acabou rindo junto ao vê-la em uma crise de risos.
- Eu não, mas não podemos dizer o mesmo da minha sandália - ela falou, fazendo uma careta divertida, e se abaixou para se livrar dos saltos.
franziu o cenho ao ver caminhar na sua direção de pés descalços, segurando cada sandália em uma mão, pois não tinha entendido bem o que havia acontecido de longe.
- Vou ter que ir em casa trocar de sapato - ela anunciou quando estava próxima o suficiente para ser entendida.
- O que aconteceu, ? - Lalie perguntou depois de um gole sedento em um drinque, pois também estivera na pista de dança junto a Vanja e Jessica, esposas de Luka e Toni, até pouco antes e estava morrendo de sede.
- Consegui a proeza de quebrar o salto enquanto dançava com o James - a outra respondeu, fazendo uma careta. - Você vem comigo, ?
- Vou sim - o disse, se levantando.
- Eu só vou avisar o Karim que a gente vai dar uma saidinha pra ele não surtar, tá? Tenta arranjar um táxi - disse e o outro assentiu antes de cada um ir para um lado.
A assistente encontrou Benzema em uma rodinha com alguns amigos franceses que havia chamado para a festa e cutucou a cintura dele, o fazendo olhar para trás.
- Estou indo em casa rapidinho, o salto da minha sandália quebrou - disse, mostrando o par de sandálias que segurava.
- Vai sozinha?
- Não, o vai comigo.
- Espera aí, eu vou com vocês - ele falou antes de pedir licença para os outros caras.
- Pra quê? Eu só vou trocar de sapato, seu doido. Já vou voltar.
- Você realmente acha que vou arriscar que você e o acabem atracados e você não volte pra festa que eu organizei? - Karim rebateu, fazendo rolar os olhos enquanto o empurrava de leve com o ombro.
- Eu não abandonaria minha própria festa pela metade por mais tentador que isso que você tá insinuando seja.
, que já havia conseguido um táxi na porta da casa noturna, estranhou quando apareceu acompanhada por Benzema.
- Ele tá com medo de a gente não voltar - ela explicou antes mesmo que ele questionasse qualquer coisa.
- É só pra garantir que vocês não vão arranjar algo mais divertido pra fazer em casa.
soltou um risinho um tanto sem graça ao entender o raciocínio do colega, mas não se pronunciou, apenas abriu a porta do banco traseiro para a namorada e deu a volta para entrar pelo outro lado enquanto Karim se acomodava no banco do passageiro.
Cerca de quinze minutos depois, o automóvel estava parando em frente à casa dos Zidane e , após pedir para que o taxista os aguardasse, desceu às pressas do carro. Os outros dois a seguiram com mais calma e adentraram a casa silenciosa. Karim, mais à vontade, caminhou até a sala de estar e se jogou em um dos sofás.
- Senta aí, aposto que ela vai acabar trocando de roupa também pra combinar com os sapatos. Você sabe como são as mulheres… - ele disse em um tom divertido, fazendo o outro rir enquanto se sentava em uma poltrona.
Um silêncio se instalou entre os dois e, poucos minutos de espera depois, revezava o olhar entre o francês distraído com algo em seu celular e a escada, calculando quanto tempo levaria até reaparecer.
- Karim - ele chamou, fazendo o outro levantar os olhos para encará-lo -, posso te fazer uma pergunta?
- Claro que pode - Karim respondeu, dando de ombros. - Manda.
- Você acha que… - o começou, buscando pelas palavras certas para externalizar sua dúvida. - É conveniente eu chamar a pra dormir lá em casa hoje?
- Cara, eu acho que você não precisa nem chamar, é só levar ela pra sua casa - Karim disse e soltou um risinho. - Se vai rolar alguma coisa, é com vocês, mas você sabe que a é tranquila. Não precisa ficar cheio de dedos.
- Eu sei que não, mas é que… - disse, mas logo se interrompeu ao escutar saltos descendo os degraus. Para a sua surpresa, entretanto, não foi quem seus olhos encontraram parada ao pé da escada.
- Até que enfim! - Karim exclamou, se levantando, mas parou, estático, ao se virar. - Lola? Tá fazendo o que aqui?
O espanto tomou o rosto da espanhola, que arregalou os olhos e balbuciou algo incompreensível. Segundos depois, Luca também desceu os degraus e parou ao lado dela.
- Vamos, amor? - ele disse, pondo uma das mãos na cintura de Lola, e franziu o cenho enquanto seguia o ponto que ela olhava fixamente. Seu coração gelou quando se deparou com Karim Benzema na sala de estar.
- Que porra tá acontecendo aqui? - o jogador questionou em um volume de voz mais elevado, dando um passo à frente, e prontamente se pôs de pé e o segurou pelo braço. - Essa é a sua viagem a trabalho, Dolores?
, que saía de seu quarto com um vestido diferente e sandálias em perfeito estado nos pés, se espantou com o tom irritado do amigo e, nem por um segundo, teve dúvidas do que estava acontecendo no andar inferior. Se apressou na direção das escadas e desceu os degraus esbaforidamente.
- Mas que merda, Luca! - ela exclamou, furiosa, quando se uniu à cena que se desenrolava. - Meus parabéns, você conseguiu o que queria.
- Karim - Lola começou em um sussurro, os olhos tomados por lágrimas, mas foi interrompida.
- Eu não tenho interesse de ouvir explicação nenhuma, não perca o seu tempo e nem me faça perder o meu - Karim disse exasperadamente, puxando seu braço sem delicadeza para que o o soltasse. - Se você tivesse qualquer consideração por mim, não estaria fazendo isso. E, no fundo, eu não estou surpreso, porque achei mesmo que a gente não tinha futuro de início, mas decidi que valia a pena me dar uma chance de mudar de ideia - continuou com uma leve mágoa expressa nas palavras ditas. Por mais que tivesse entrado naquele relacionamento sem expectativas, não podia negar que estava se afeiçoando à modelo e gostando de estar com ela. - Mas de você, Luca, eu realmente não esperava isso. Te conheço desde que você era um pirralho, seu pai é quase um irmão mais velho, pensei que tivesse mais respeito por mim.
Um silêncio sepulcral se arrastou por alguns segundos. Lola e Luca não tinham ideia de como lidar com a situação, jamais imaginariam que a noite terminaria daquele jeito. Karim estaria na festa de e a casa vazia, pois Zinédine, Véronique, Théo e Elyaz iriam jantar fora; a ocasião era perfeita e o encontro deles estava planejado em cada detalhe.
- Vai embora, Lola - disse em um tom duro, quebrando o silêncio. - E você, Luca, vai pro seu quarto. É melhor vocês conversarem quando não estiverem de cabeça quente.
- Não foi nada planejado, Karim... - a espanhola tentou se defender com a voz chorosa, mas novamente foi interrompida.
- Por favor, Lola, vai embora - a outra disse, apontando para a porta.
- Você deve estar adorando isso tudo, né? - Lola retrucou, se voltando para , e soltou um riso amargurado. - Você nunca foi com a minha cara, deve estar se deliciando com o fato de, finalmente, estar mostrando pro Karim como eu não presto.
- Só pra você saber, eu poderia ter dito pro Karim não perder o tempo dele com você e ele provavelmente levaria minha opinião em consideração, mas eu fui a primeira a apoiar esse namoro porque não gosto de julgar os outros.
- E você é quase uma santa, né? - a outra rebateu ironicamente. - Além de ser sobrinha do técnico, já se garantiu com um dos principais jogadores do time. Você não é tão melhor do que eu assim, .
O sorriso maldoso nos lábios de Lola fez a francesa sentir o sangue ferver e, antes que pudesse se dar conta, estava partindo para cima dela. Entretanto, seu corpo se chocou contra o de , que havia se posto em seu caminho, e os braços dele a envolveram.
- Me solta, eu vou enfiar a mão na cara dessa garota pra ela deixar de ser palhaça!
- Deixa isso pra lá, - o disse, afastando a namorada da modelo, que gargalhava com satisfação.
- Pra você ter se afetado tanto assim, é porque sabe que é verdade.
- Chega, Lola - Karim falou, andando a passos largos até ela e a empurrou na direção da porta. - Só vai embora.
- Me larga - a outra disse de forma rude e, sem olhar para trás, se retirou da casa.
Benzema fechou a porta e, aos poucos, foi liberando de seus braços conforme percebia que ela se acalmava.
Luca apenas observava toda a cena de cabeça baixa. Se sentia envergonhado por ter sido o responsável por aquela confusão, mas simplesmente não havia conseguido evitar. Lola era uma mulher tão bonita e simpática, nenhuma das garotas que ele conhecia parecia chegar aos pés dela. Ela havia garantido que terminaria o namoro com Karim para que eles pudessem assumir o romance para todo mundo e ele não viu motivos para duvidar daquilo e não continuar se encontrando com ela às escondidas até que aquilo se tornasse realidade. Não tinha a intenção de brigar com Benzema, alguém por quem tinha muita consideração e, muito menos, decepcionar sua prima, uma das pessoas mais importantes de sua vida.
- Você sabia disso, ? - Karim perguntou e suspirou longamente, desejando que a resposta fosse negativa, apesar de ter praticamente certeza de que não seria. não pareceu surpresa em momento algum.
- Eu desconfiava, mas não tinha certeza e achei melhor não acusar ninguém. Faz dois dias que eu descobri que eles realmente estavam tendo um caso e estava esperando o momento certo pra te contar.
- Há quanto tempo você desconfiava disso?
- Desde quando a gente estava no Japão - a outra confessou, deixando seus ombros caírem em sinal de desânimo.
- E me deixou fazendo papel de otário esse tempo todo - o jogador afirmou em um tom magoado. - Eu pensei que você fosse minha amiga.
- Eu sou sua amiga - disse, ultrajada. - Mas eu não queria ser injusta com ninguém e ainda era o meu primo envolvido. Você precisa entender o meu lado.
- Sabe por que eu nunca deixei o Gressy se engraçar pro seu lado mesmo ele sendo louco pra ficar com você? - Benzema questionou e a outra permaneceu em silêncio, dando espaço para que ele finalizasse o raciocínio. - Porque ele é meu irmão e eu sei como ele é. Eu te considero da minha família, . Sei que você é uma mulher incrível e que é demais pro caminhãozinho dele. Esperava que você tivesse essa mesma consideração por mim, mas, pelo visto, ser a pessoa que te acolheu de braços abertos quando você chegou a Madrid sem conhecer ninguém não foi o suficiente pra você não ficar do lado do seu priminho querido.
- Não é questão de escolher um lado. Vocês dois são importantes pra mim, eu só queria que pudessem resolver isso de uma forma amigável.
O francês encarou os olhos arrependidos da amiga por algum tempo, mas estava sem cabeça para aquela conversa naquele momento, então levou a mão à maçaneta e abriu a porta.
- Vocês vão voltar pra festa? - questionou, encarando , que olhou para , deixando a decisão na mão dela.
- Karim... - ela falou em um tom que suplicava para que ele a compreendesse.
- Espero vocês lá fora - Benzema disse antes de sair da casa e fechar a porta.
respirou fundo e se virou para encarar o primo.
- Eu espero que a sua foda tenha sido realmente muito boa, Luca, porque você conseguiu estragar o meu aniversário - disse, nervosa, apontando o dedo na direção do garoto que a fitava com impassibilidade. - Vamos, .
O prontamente a seguiu e os dois deixaram a casa para se acomodarem no banco traseiro do táxi mais uma vez. Um clima péssimo tomou o automóvel, pois o taxista estava irritado com a demora, Karim e de cara fechada, mais interessados em observar as ruas pelas quais passavam pelas janelas, e não tinha ideia de como agir na situação em que se encontrava. Apenas passou um braço pelos ombros da namorada e a fez se aconchegar junto a ele.
tentou aproveitar as horas restantes de sua festa de aniversário, mas, toda vez que cruzava com Benzema, ele virava a cara e isso a fazia se sentir ainda pior.

estava lutando para manter os olhos abertos. Além de o cansaço ter tomado seu corpo depois de horas na pista de dança, estava um tanto bêbada e aconchegada nos braços de , sentindo os dedos dele deslizarem por seu braço em uma leve carícia, no quarto silencioso. Ele havia a convidado para passar a noite em sua casa quando os dois pegavam um táxi em frente à Banloo e ela não pensou duas vezes antes de aceitar, pois não queria perder a oportunidade de desfrutar mais um pouco da atenção redobrada que ele vinha lhe dando desde a discussão com Karim.
- Tá acordada, ? - a voz do questionou em um sussurro.
- Acho que sim.
Alguns segundos de silêncio seguiram a resposta sonolenta de antes de a voz cautelosa de ecoar pelo quarto.
- Como foi a sua primeira vez?
- A primeira vez... que fiz sexo? - rebateu a outra, levantando os olhos para encarar o namorado com uma mistura de desconfiança e curiosidade.
- Ahã - ele murmurou, pronto para uma batalha interna contra um possível arrependimento que poderia dar as caras a qualquer momento.
- Foi bem estranha - disse e não pôde evitar que lembranças tomassem seus pensamentos. - Por que a pergunta?
- Só curiosidade - ele respondeu, desviando os olhos dos intimidadores da francesa.
- Você tá querendo transar e não sabe como ir direto ao ponto? - ela perguntou sem rodeios e o outro soltou uma risada sem graça que a fez rir também. - Estou brincando, mas por que bateu essa curiosidade em você? Não deve ter sido do nada.
Os olhos azuis de , iluminados apenas pelos spots de luz sobre a cama, fitaram com tamanha intensidade que ela sentiu um arrepio correr pelo corpo.
- Eu sei como ir direto ao ponto, ok? O problema é que você teve mais experiências do que eu e isso me intimida um pouco - ele confessou.
- Que besteira, - a francesa rebateu, injuriada. - Sim, eu tive algumas experiências a mais do que você, mas não sou nenhuma rainha do sexo. Você é meu namorado, a gente tá aqui pra aprender um com o outro. Conforme for rolando, eu vou te dizer o que eu gosto e o que não gosto e espero que você faça o mesmo. Com o tempo, vai virar algo natural e a gente vai saber o que fazer sem precisar que o outro fale - disse e se virou de bruços para apoiar o queixo no peitoral de . Enquanto brincava com os botões da camisa que ele vestia, contou: - Minha primeira vez foi no dia do meu aniversário de 19 anos, em uma viagem que fiz com meu ex-namorado e meus amigos pra Paris. E, se você quer saber, foi bem mais ou menos, porque ele não tinha muita experiência e eu mal sabia o que fazer. Com o tempo, a gente foi conhecendo não apenas um ao outro, mas a nós mesmos também, e o sexo foi ficando melhor. Acredito que seja assim com todo mundo - finalizou, dando de ombros, e esboçou um sorriso. - E a sua? Como foi?
- Foi… constrangedora. Eu tinha 18 anos e não sabia nem por onde começar a tirar a roupa dela - o jogador revelou e riu levemente. - Foi depois de eu e a Emma ficarmos alguns meses sem nos ver, ela foi me visitar em Londres e aconteceu.
- , você não é o único vivendo uma situação diferente aqui - retrucou e riu levemente antes de continuar: - Isso é uma coisa péssima pra se falar, mas eu nem lembro qual foi a última vez que deitei na cama com um cara vestida.
- Você não tá entendendo. Estou me sentindo um adolescente virgem, - o outro disse, arrancando uma gargalhada da mulher.
- E eu como se nunca tivesse tido um namorado na vida - ela disse, fazendo uma careta. - Relaxa, por favor.
tinha um sorriso doce estampado no rosto quando se esticou para depositar um selinho rápido nos lábios de .
- Se você não souber como tirar minha roupa, pode ficar tranquilo que eu mesma tiro - ela respondeu com uma leve malícia na voz.
- Striptease? - o outro perguntou seriamente, mas acabou soltando uma risada quando uma expressão exageradamente espantada tomou o rosto de . - Eu dou o maior apoio.
- Pra um adolescente virgem, você tá muito saidinho, hein? - ela disse, rindo, e deu um beliscão na barriga do jogador. - Você que deveria fazer um striptease pra mim, é meu aniversário.
- Já passou de 1h da manhã, não é mais seu aniversário, então temos direitos iguais - ele rebateu em meio a risos.
colocou uma das mãos no peito, fingindo estar ofendida.
- Depois dessa grosseria, eu vou até tomar meu banho quentinho e relaxante - disse enquanto se levantava da cama e, em pé, ajeitou o vestido que estava todo torto em seu corpo.
Ainda rindo, se levantou em um pulo e a puxou pela mão para beijá-la rapidamente.
- Eu deixei uma toalha e uma roupa que deve servir em você ali no banheiro - comunicou e a outra balançou a cabeça, concordando, antes de caminhar até o banheiro e fechar a porta.
O jogador aproveitou para ir até o closet separar uma bermuda e uma cueca limpa para colocar depois que também tomasse banho. Voltou para o quarto em seguida, deixando as peças sobre a cama, e se sentou no colchão. Pegou o celular para passar o tempo e se distrair do misto de nervosismo e ansiedade que o tomava enquanto escutava cantarolar a bendita Despacito (que ela havia pedido para o DJ tocar mais umas três ou quatro vezes ao longo da festa) em meio ao som do chuveiro.
Estava um pouco mais tranquilo depois da conversa que haviam acabado de ter, mas ainda se sentia apreensivo ao pensar sobre quando a hora H chegasse. Era humilhante admitir isso, inclusive para si mesmo, mas ele morria de medo de que, por conta dos vários meses com a vida sexual inativa, sua performance não fosse lá grandes coisas ou, pior, de que acabasse sendo rápido demais. Uma mulher como jamais ficaria com um cara que não soubesse a satisfazer direito.
O toque do celular de o despertou dos pensamentos que o afligiam e ele largou o seu próprio para ir até a poltrona onde a francesa havia deixado suas coisas. Na tela, piscava o mesmo número desconhecido do outro dia e que ele sabia pertencer ao tal Ken.
fitou o celular por algum tempo e, quando seu dedo estava prestes a recusar a ligação, acabou mudando de rumo. Ele aceitou a chamada e levou o aparelho ao ouvido ainda sem saber o que estava fazendo.
- Alô.
- Ce numéro est à ? - a voz grave do outro lado disse, o fazendo franzir o cenho em confusão.
- Eu não falo francês.
- Esse, hm... número... é da ?
- Sim, mas ela não pode atender agora. Aqui é o namorado dela - se pegou dizendo sem ao menos pensar. - Quem tá falando?
- Namorado? - o outro perguntou, nitidamente surpreso.
- Exatamente.
- Salope - Ken murmurou do outro lado o que soou como um xingamento para . - Desde quando vocês estão namorando?
- Desculpa a sinceridade, mas eu acho que isso não te interessa - ele rebateu em um tom levemente sarcástico.
- Você sabia que a sua namorada esteve aqui na minha casa outro dia?
- Cara, deixa a em paz, tá? - disse e soltou um suspiro cansado. - Desiste. Se ela estivesse interessada, teria atendido as suas ligações.
- Você é aquele , não é? - o outro falou ao reconhecer a voz do jogador das diversas entrevistas que já havia visto na televisão e soltou uma risada debochada. - Diz pra aquela vadia interesseira que ela vai se arrepender de não ter terminado o que começou.
- Não liga mais pra ela - disse em um tom seco e, em seguida, finalizou a ligação antes que dissesse algo de que pudesse se arrepender mais tarde.
Havia dado aquele assunto por encerrado e não deixaria que, agora que as coisas estavam começando a dar certo com , aquele cara atrapalhasse. Além disso, se recusava a ouvi-lo falar daquela maneira sobre sua namorada.
- Que cara é essa, ? - perguntou ao sair do banheiro, trazendo consigo o aroma do shampoo que encontrou no banheiro, o mesmo que o costumava usar para lavar o cabelo. Sua voz ecoou pelo quarto e o fez voltar para a realidade.
- Aquele cara te ligou de novo - ele respondeu, mostrando o celular antes de deixá-lo novamente na poltrona, e a outra revirou os olhos, irritada.
- Eu não acredito que vou ter que trocar de número por causa desse infeliz.
- Eu atendi - anunciou e recebeu um olhar bastante surpreso.
- Sério?
- Desculpa, eu nem parei pra pensar se você gostaria ou não que eu atendesse.
- Claro que não tinha problema - o tranquilizou. - O que você disse pra ele?
- Que era o seu namorado e pra ele parar de te ligar - respondeu, dando de ombros. - Ele ficou puto.
- Esse babaca tá com a masculinidade afetada porque eu não quis transar com ele - a francesa disse, rolando os olhos, e suspirou longamente. - Me desculpa por ter te feito passar por isso, .
- Esquece isso, . Acho que ele não vai mais te perturbar - ele disse e esboçou um pequeno sorriso antes de ir até a cama e pegar a bermuda e a cueca que havia deixado ali minutos antes. - Eu vou tomar banho.
o observou dar meia volta e se trancar no banheiro e ficou alguns segundos encarando a porta fechada. Tinha vontade de ligar para Ken e botá-lo em seu devido lugar, mas estava exausta demais para aquilo. Só esperava que ele não tivesse dito algo que pudesse chatear .
Depois de deixar seu vestido sobre a poltrona em que havia largado o celular e a carteira, só então ela parou para observar o quarto de . Era a primeira vez que entrava ali, apesar de já ter estado na casa dele em ocasiões anteriores. O cômodo era amplo e possuía uma decoração bem moderna e clean, nada diferente do que se imagina para o quarto de um jogador de futebol solteiro e que mora sozinho.
Seus olhos bateram em alguns quadrinhos grudados a uma das paredes, alinhados uns aos outros para formar um quadrado, e se aproximou para observá-los de perto. Eram porta-retratos com fotos de junto a familiares e amigos. Dentre diversos rostos desconhecidos, reconheceu os pais, a irmã e os sobrinhos dele. Sorriu ao ver imagens do jogador mais jovem, com cara de garoto, e se pegou imaginando quão diferente aqueles Gareths das fotos eram do que ela conhecia e que a encantava mais a cada dia que se passava.
Olhando cada um dos quadrinhos individualmente, o que levou alguns minutos, se deparou com uma foto em que o estava sentado ao lado de Emma, a abraçando de lado. O cenário atrás deles era uma praia, o que a fez imaginar que aquela foto havia sido tirada em alguma viagem dos dois.
O som dos passos de fez tirar os olhos da foto para observá-lo sair do banheiro vestido apenas com uma bermuda e secando o tronco úmido com uma toalha depois de tomar uma ducha rápida.
- Quero uma foto minha aqui, hein? - ela disse, o fazendo levantar os olhos.
Um sorriso surgiu nos lábios do jogador quando este se deu conta de que se referia ao “mural de fotos” onde estavam todas as pessoas importantes de sua vida.
- Talvez eu coloque alguma das que a gente tirou hoje - ele respondeu, dando de ombros.
- Quantos anos vocês tinham aqui? - questionou e se aproximou para ver de mais perto a foto que ela indicava.
- Acho que eu tinha 23, ela 21 - ele disse ao constatar que era uma em que estava com Emma em Ibiza. Cauteloso, acrescentou: - Eu esqueci de tirar essa foto daí.
- Tirar? Por quê? - a outra questionou, surpresa. - Eu perguntei só por curiosidade mesmo, não foi pra fazer você tirar a foto daqui.
- Mas eu acho que não tem nada a ver ter foto da minha ex-namorada no meu quarto, né? - ele perguntou, um pouco sem graça.
- Ela é sua amiga - ela disse com obviedade, frisando a última palavra. - , você não precisa apagar o seu passado por minha causa. Eu não vou me importar com a amizade de vocês, a não ser que eu tenha algum motivo pra isso.
- Tá bom - o jogador falou, levantando os ombros, e, conformado, suspirou longamente. - Eu nunca imaginei que estar namorando pela segunda vez seria mais difícil do que foi namorar pela primeira - disse, fazendo a outra gargalhar.
- Você é quem tá complicando as coisas, que isso fique bem claro - ela falou e ficou na ponta dos pés. Com os lábios roçando aos dele, completou: - A gente só precisa se beijar e ser feliz. Não é tão difícil assim.
sentiu um arrepio correr pelo corpo quando as mãos de tocaram seu abdômen ao mesmo tempo que a língua dela procurava pela sua e os dois se beijaram carinhosamente. Algum tempo depois, quebrou o beijo com uma leve mordida no lábio inferior do e mostrou um sorriso fechado.
- Eu ainda não te agradeci por ter se esforçado tanto pra me distrair depois da minha briga com o Karim.
- Não precisa agradecer, é o mínimo que eu poderia fazer. Não ia deixar isso estragar seu aniversário.
- Nunca tinha rolado um desentendimento assim entre eu e ele. A gente vive implicando um com o outro, mas não passa de brincadeira - disse, levantando os ombros, sem disfarçar o desânimo que sentiu ao tocar naquele assunto.
- Vocês só precisam sentar e conversar com mais calma, tenho certeza de que tudo vai se resolver - o outro disse e mostrou um sorriso que confortou a francesa.
- Espero que sim - ela disse com um sorriso fraco nos lábios e, em seguida, fez uma careta. - Eu exagerei com o Luca, né?
- Talvez, mas você estava no seu direito de explodir. Ele que arrumou essa confusão toda - falou enquanto caminhava até o banheiro para deixar a toalha que ainda segurava.
- Cada hora é um drama diferente na minha vida. Eu não aguento mais! - exclamou antes de se jogar de bruços na cama. - Eu sou uma péssima amiga. E uma péssima prima também.
O jogador riu levemente ao encontrar a namorada estirada no colchão quando voltou para o quarto e se deitou por cima de , se apoiando em seus braços para aliviar o peso de seu corpo sobre o dela.
- Por enquanto está sendo uma ótima namorada - ele disse em um tom descontraído e estalou um beijo no ombro de .
- Só até a primeira mancada que eu der - ela rebateu, sua voz abafada pelo cobertor. - Eu preciso de carinho, .
riu anasaladamente e afastou os fios de cabelo da francesa para ter livre acesso ao pescoço dela, onde depositou alguns beijinhos demorados que a fizeram se arrepiar dos pés à cabeça. Se afastou quando se virou na cama para que eles pudessem ficar cara a cara e os dois se fitaram por alguns segundos, sorrindo um para o outro. Um beijo calmo se iniciou quando grudou seus lábios aos dela e, conforme se deliciavam com o gosto um do outro, ele pôde sentir os dedos finos deslizarem suavemente por suas costas.
permitiu que a língua do ditasse o ritmo do beijo conforme se deixava levar pela calmaria que a tomava e fazia todo e qualquer pensamento se esvair pouco a pouco de sua mente. Por maior que fosse a vontade de jogá-lo contra a parede e beijá-lo da forma mais indecente possível na maioria das vezes, ela vinha gostando cada vez mais dos beijos tranquilos de que a faziam se sentir querida. Era como se eles tivessem a vida inteira para desfrutar de momentos como aquele.
A assistente técnica relaxou ainda mais no colchão macio quando finalizou o beijo com um selinho demorado e, em seguida, escorregou a boca pelo maxilar dela até chegar ao pescoço. Ele roçava os lábios pela pele macia de , a fazendo morder um sorriso, ao mesmo tempo que uma de suas mãos adentrava a camisa cinza Adidas que havia a emprestado.
- Você tá brincando com fogo, - ela disse, ainda de olhos fechados, se deliciando com os beijos que eram depositados pela região de sua clavícula enquanto os dedos atrevidos dele apertavam sua cintura de leve.
O outro apenas riu levemente enquanto descia ainda mais seus lábios, beijando sobre a camisa. Passou por entre os seios da francesa, chegando à barriga, e suas mãos seguraram as laterais das coxas dela, que soltou um longo suspiro em reação às carícias.
, em seguida, retornou pelo caminho que havia percorrido, voltando a cobrir o corpo de com o seu e alcançou os lábios dela mais uma vez para envolvê-la em um beijo mais desinibido do que os anteriores. As pernas de se entrelaçaram às dele conforme suas línguas se embolavam de forma intensa em um beijo que foi interrompido com ambos ofegantes e ansiosos por mais.
- Feliz aniversário, - ele sussurrou contra os lábios dela.
- De novo? - ela rebateu, rindo levemente.
- No meio do refeitório com o time todo zoando a gente não conta - explicou o jogador ao se lembrar de mais cedo, quando beijou timidamente em meio às zoações dos colegas.
- Você é muito bobinho, mas obrigada - a outra disse com um sorriso aberto no rosto e depositou um selinho rápido nos lábios dele. - Vamos dormir? Eu tô morta.
sorriu, concordando, e saiu de cima da francesa para que os dois pudessem se aconchegar debaixo do cobertor.
Apesar do cansaço depois do dia agitado, demorou a pegar no sono. Foi bastante complicado, para ela, ignorar os braços que a envolviam e o desejo que sentia por . Não se importou, entretanto, de nada a mais ter rolado naquela noite. Ver o namorado confiando nela e se soltando aos pouquinhos já a deixava extremamente satisfeita.

Continua...

Nota da autora: (19/08/2017) Hola, chicas! Demorei, mas cheguei com mais um capítulo gigante (isso porque eu tinha prometido pra mim mesma que capítulos enormes não virariam rotina hahaha). Mas acho que a demora valeu a pena, né? Alaina e Bale finalmente se acertaram e tiveram tantos momentos fofinhos nesse capítulo que até perdi a conta. Me contem qual foi o favorito de vocês!
Mas, como nem tudo são flores, teve esse rolo entre Karim, Luca e Lola que acabou sobrando pra Lena. Já tinha gente desconfiando de que isso aconteceria, mas, agora que a bomba explodiu, não odeiem o coitado do Luca. Ele só foi bobão hahahaha. E quem leva a sério que o Karim vai conseguir ficar chateado com a Lena por muito tempo? Ou será que vamos nos surpreender? Muahaha.
Espero que tenham gostado do capítulo e de descobrir que Alaina Zidane fez o sucesso de Despacito. 😂
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Beijos e até o próximo capítulo!

Spin-offs de Bola de Ouro:
Private Show (Esportes - Kevin Trapp)
Boom! (Esportes - Zinédine Zidane)

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