Autora: Emilly Geller | Beta: Babi S.

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Capítulos:
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It’s like I loved you so much, now I just hate you...

Capítulo Um

Respirei fundo, sentindo ar puro bater contra meu rosto.
Ah, o cheiro do lar!
Não pude deixar de sorrir sozinha com tal pensamento. Eu não pisava em Londres há dois anos, desde que... Deixa pra lá! Não quero pensar em coisas melancólicas agora.
Caminhei por entre as pessoas, carregando meu carrinho lotado de malas. O aeroporto estava lotado, como sempre, mas isso não me incomodava, eu estava feliz por estar novamente no meu país depois de tanto tempo.
Não foi preciso muito tempo para que eu achasse um táxi, e logo eu estava dentro do veículo, rumando para o meu antigo apartamento.

Eu não tinha contado para ninguém que estava de volta, queria fazer surpresa para os meus familiares e amigos. Apesar de ter perdido contato com alguns deles, eu sabia que iria ficar feliz em rever todos depois de tanto tempo.
- Senhorita, já chegamos - o taxista me chamou, tirando-me do mundo da lua.
- Ah, claro. - Sorri e desci do carro em seguida. Após tirar todas as minhas malas de dentro do carro, paguei ao taxista, que logo embarcou no carro e foi embora.
Parei ao lado de minhas malas, apenas para observar o prédio à minha frente. Nada tinha mudado, por fora ele continuava do mesmo jeito que eu me lembrava e, ao contrário do que eu pensava, isso me trouxe uma paz enorme.
- Senhorita ? - o porteiro, Jack, apareceu no portão com a expressão de surpresa.
- Jack! Quanto tempo!
- Faz um bom tempo sim, senhorita. Pensei que nunca mais a veria.
- Que isso, Jack. Só precisei dar um tempo daqui, mas estou de volta, agora pra ficar!
- É muito bom ouvir isso, senhorita.
- , por favor, Jack.
- Claro, me desculpe. - Ele riu. - Deixe-me ajudá-la a levar as malas para cima. - Ele pegou algumas das minhas malas, e adentramos o prédio em seguida.
- Obrigada. - Sorri. - Fico muito feliz que você ainda esteja trabalhando aqui.
- Que bom, fico muito feliz de ouvir isso. - Apertei o botão do elevador, e logo as portas foram abertas. Entramos dentro do cubículo e um silêncio mórbido se seguiu até chegarmos no meu andar. Caminhamos lentamente até a porta do meu apartamento, lembranças invadindo a minha cabeça a cada passo que eu dava. Por mais que tentasse, eu nunca iria esquecer da última vez que estive nesse apartamento.
- Está tudo bem? - Jack perguntou, ao me ver hesitar em abrir a porta.
- Mais ou menos - suspirei. - Eu preciso perguntar algo.
- Claro, se eu puder ajudar...
- Eu preciso saber se ele... Se ele... - Não consegui terminar a frase, mas Jack pareceu entender o que eu quis dizer, porque respondeu:
- Não, senhorita, ele não vem aqui desde do dia em que veio aqui e a senhorita já tinha ido embora.
Não pude evitar me sentir aliviada ao saber disso, pois não estava preparada para entrar em meu apartamento e ter algum tipo de surpresa desagradável. Girei a chave na porta e empurrei-a, revelando o cômodo tão conhecido por mim. Tudo estava do jeito que eu deixei, o que significava que nem ele e nem ninguém da minha família mexeu nas minhas coisas.
- Você pode deixar minhas malas aí no canto, Jack. - Ele colocou minhas malas cuidadosamente no canto da porta. - Obrigada.
- Por nada. Qualquer coisa que precisar, é só chamar. - Sorri em agradecimento e ele saiu do apartamento, fechando a porta ao passar. Completamente sozinha, olhei ao redor de todo o apartamento mais uma vez. Lembranças das quais eu não queria lembrar invadiram minha mente, sem permissão. Quantos momentos felizes eu tinha passado ali com ele. Era incrível o quanto eu me lembrava de tudo, nos mínimos detalhes, como se tudo tivesse acontecido ontem, quando, na verdade, já tinham se passado dois anos.

Flashback

Era fim de tarde de uma sexta-feira, e eu e meu namorado, agora noivo, , estávamos assistindo a um filme. Quer dizer, eu fui forçada a assistir a um filme horrendo, que eu odiava.
- Eu não aguento mais assistir a esse filme! - Já era a terceira vez que eu reclamava e tudo que ele fazia era rir da minha cara.
- Amor, você prometeu que iria assistir ao filme que eu quisesse dessa vez.
- Se eu soubesse que era esse, não tinha prometido. - Cruzei os braços, emburrada.
- Tudo bem. - Ele pegou o controle e desligou a TV. - O que você quer fazer?
- Você finalmente conseguiu um tempo para passar comigo, não quero desperdiçar assistindo a filme.
- Hmm... Acho que posso dar um jeito nisso. - Ele sorri de lado e me puxa para o colo dele, fazendo com que eu fique sentada em seu colo, de frente pra ele.
- Eu senti sua falta - murmurei. - Odeio quando você vai gravar fora do país. - Ele sorri docemente e me dá um selinho.
- Pense pelo lado positivo, eu não vou precisar ir a lugar algum por um bom tempo.
- É um ótimo ponto positivo. - Sorrio e passo os braços ao redor do pescoço dele. - só pra mim por tempo indeterminado. - Ele ri e, então, me beija apaixonadamente. Suas mãos apertam minha cintura levemente, enquanto nossas línguas brincam uma com a outra de uma forma incrível e que sempre me dá borboletas no estômago. Ah, que sensação maravilhosa.
- Eu te amo - ele sussurra, quando separamos os lábios.
- Eu também te amo. - Sorrimos um para o outro e, logo, nos beijamos novamente.

/Flashback

Lembrar aquilo ainda era doloroso. Eu não me arrependo de nenhum dos momentos que vivi com e, apesar dos altos e baixos que o nosso relacionamento teve devido à fama dele e das viagens para gravações de filmes, eu o amava tanto que achava que não era possível viver sem ele. Porém, nem tudo são flores, e nem tudo dura para sempre. Eu aprendi isso da pior maneira possível.

Flashback

- Amiga, essa correspondência estava lá em baixo - minha melhor amiga, , me entregou um envelope assim que abri a porta pra ela no domingo à tarde.
- Obrigada. - Peguei o envelope, o analisando. - Que estranho, não tem remetente. - Franzi o cenho, confusa.
- Eu vou pegar meu livro e já vou indo, eu já estou atrasada e prometi ajudar minha irmã com a tarefa de casa.
- Claro, fique à vontade. - Sentei-me no sofá, com o envelope em mãos. Quem será que me mandou isso?
Sem mais delongas, abri o envelope, a curiosidade praticamente me matando. Porém, no minuto seguinte, eu preferi não ter aberto, e, definitivamente, a curiosidade me matou.
Dentro do envelope, havia várias fotos de com uma mulher desconhedida. Tinha foto deles aos beijos, foto deles dentro do carro, saindo de um motel e, por fim, tinha um recorte de uma revista que dizia:

Estaria traindo a sua esposa com uma mulher misteriosa?

Como é que eu não vi isso antes?
O choque tomava conta das minhas feições e do meu rosto, e eu me vi paralisada, olhando aquelas fotos fixamente. Ao longe, ouvi a voz de se despedindo e, em seguida, ouvi a porta se fechando, mas não tive tempo para assimilar nada e lhe responder.
estava me traindo. E ele nem fez esforço para esconder isso.
Com uma repentina raiva crescente dentro de mim, levantei-me do sofá e andei, decidida, até o quarto, enxugando qualquer resquício de lágrima que estivesse em meu rosto. Adentrei o quarto em um rompante e estava sentado na cama, mexendo em seu laptop.
- Hey, amor, o que houve? - Não lhe respondi, apenas joguei as fotos em cima dele.
- Como que você me explica isso? - Ele pegou as fotos e arregalou os olhos ao ver do que se tratava.
- , não é o que você está pensando!
- NÃO É O QUE EU ESTOU PENSANDO? - explodi. - ISSO É TUDO O QUE EU ESTOU PENSANDO, .
- Calma, por favor. - Ele se levantou e andou até mim.
- Não encosta em mim! - Recuei quando ele tentou tocar no meu braço.
- , não aconteceu nada com essa garota.
- Você acha que eu sou cega? Ou burra? Tem fotos de vocês dois saindo de um motel... DE UM MOTEL! Você não teve nem a decência de esconder.
- , me deixa explicar...
- Não tem nada para ser explicado, . Eu vi as fotos, elas foram mandadas pra mim. - Sentei-me na cama, sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto. Aquilo não podia estar acontecendo comigo.
- ...
- Vai embora, . Acabou.
- Não, ...
- Eu não quero mais te ver, vai embora. - Andei até a porta do quarto e segurei a mesma, apontando para fora.
- ...
- VAI EMBORA, - gritei. Por que ele não ia embora logo?
Ele abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas pareceu desistir. Vestiu a camisa e, sem falar mais nada, saiu do quarto. Não esperei para ver se ele iria realmente embora, apenas fechei a porta com força e me joguei na cama aos prantos, com o coração dilacerado.

/Flashback

Enxuguei uma lágrima, que descia por meu rosto, e peguei as minhas malas, decidindo deixar as memórias daquele relacionamento de lado. Eu não tinha notícias de desde que terminamos e, sinceramente, preferia que continuasse assim. Eu evitava todo tipo de meio de tentar notícias dele, seja em sites, revistas e até mesmo através da minha família.
Com um suspiro melancólico, peguei duas malas das quais o porteiro tinha deixado minutos atrás e segui para o quarto. Mais um lugar cheio de memórias. Talvez eu devesse simplesmente me mudar.
Coloquei as malas no closet e caminhei diretamente para minha cama macia, me sentindo cansada de toda a viagem que fiz da Itália para cá. Ir para a Itália foi uma das melhores coisas que já fiz. Depois do fim do meu relacionamento, eu não tinha mais nada que me prendesse aqui, então acabei por aceitar um papel de personagem principal de um filme, na Itália. Era o meu primeiro trabalho como atriz e, como não tinha nada para me prender, acabei decidindo ir. Depois que as gravações acabaram, acabei ficando por lá, fazendo algumas participações em novelas e seriados, até que decidi que era hora de voltar para casa.
Acomodei-me em minha cama, sentindo o cansaço tomar conta de todo o meu corpo, e não demorou para que meus olhos se fechassem e eu me entregasse ao mais profundo sono.

A luz da manhã batia em meu rosto, despertando-me do melhor sono da minha vida. Apesar das circunstâncias e de todas as memórias desse lugar me atormentando, eu dormi perfeitamente bem.
Levantei-me e caminhei preguiçosamente para o banheiro. Parei em frente à pia e olhei minha aparência no espelho. É, até que eu não estava tão mal. Lembrando que os meus pertences ainda não estavam ali, voltei para o quarto apenas para pegar minha bolsa e logo já estava de volta ao banheiro, onde fiz toda minha higiene matinal e retirei toda minha roupa para que tomasse um banho quente e relaxante. Entrei dentro do Box e liguei o chuveiro, me verificando de que a água estava quente antes de deixar que a água escorresse por meu corpo.
Alguns minutos depois, desliguei o chuveiro e puxei a toalha que havia separado para mim, enrolando-a no meu corpo em seguida. Caminhei de volta para o quarto e coloquei uma das minhas malas em cima da cama, para que eu pudesse procurar uma roupa para vestir. Suspirei ao notar a bagunça ali dentro e comecei a tirar todas as roupas de dentro da mala e jogá-las na cama; eu tinha plena consciência de que teria que arrumar tudo, mas isso iria ter que esperar, agora eu tinha outros planos.
Depois de muitas roupas jogadas em cima da cama, finalmente consegui escolher uma roupa que me agradasse e não estivesse completamente amassada. Vesti minha lingerie vermelha favorita e uma calça jeans rasgada e uma regata brancas. De outra bolsa, tirei minha maquiagem e todos os objetos necessários para arrumar minha aparência. Parei em frente a um espelho, que estava levemente empoeirado, e comecei a fazer minha maquiagem. Por ser de dia, deixei minha aparência a mais básica que consegui, e deixei os cabelos soltos. Por último, calcei meu par de sapatilhas favoritos e passei meu melhor perfume. Em seguida, peguei meu telefone, dinheiro, as chaves e saí do apartamento. Estava na hora de ver a família.
Parei em frente ao prédio para decidir se pegaria ou não um táxi para a casa da minha mãe. Por fim, acabei decidindo por ir à pé, já que a casa ficava a apenas alguns quarteirões dali.
Enquanto caminhava, não pude evitar pensar em como minha família estaria e como eles reagiriam quando me vissem depois de dois longos anos. Eu esperava que agissem bem.
Eu não cheguei a falar com eles sobre e o motivo do fim do nosso relacionamento, era muito doloroso e eu sequer aguentava ouvir o nome dele. Eu ainda não suporto.
Respirei fundo e busquei afastar as memórias da minha cabeça assim que parei em frente à casa dos meus pais. Sorri, feliz, ao ver que tudo estava do mesmo jeito que eu lembrava. Parecia que nada tinha mudado desde que eu fui embora e, de certa forma, isso era reconfortante.
Abri o portão e adentrei o local, sorridente, caminhando por entre a grama e o jardim de flores. Respirei fundo, sentindo o ar puro e o cheiro de casa. Era isso, eu estava em casa.
Toquei a campainha e esfreguei as mãos ansiosamente, enquanto esperava que alguém viesse abrir a porta. Pude ouvir passos e vozes do outro lado da porta e meu coração acelerou em expectativa, quando a tranca girou e a porta foi aberta. Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver minha mãe ali, parada e com uma cara incrédula, como se não acreditasse que eu estava ali na sua frente.
- Mãe... - murmurei, emocionada.
- ... - ela balbuciou, alguns segundos depois, incrédula. - AI MEU DEUS, NÃO ACREDITO! - ela exclamou e eu não me contive, a puxei pra um abraço, as lágrimas de felicidade escorrendo por meu rosto.
- Mãe, que saudade! - murmurei, a abrançando apertado. Ah, como eu senti falta dos abraços da minha mãe, como eu senti falta de casa.
- Minha menininha. - Ela se afastou para me olhar. - Você está linda - ela disse, passando a mão pelo meu rosto. Sorri, e inclinei meu rosto em direção ao seu toque, apreciando o carinho. - Quando foi que você chegou? Por que não avisou que estava vindo?
- Estou de volta, mamãe, e dessa vez não vou mais embora. - Ela sorriu largamente. Eu sabia que ela ia gostar da novidade, pois ela não aprovou quando eu decidi ir embora anos atrás. - Não avisei porque queria fazer surpresa.
- E é a melhor surpresa de todas que você poderia me fazer - ela passou a mão por meu rosto, enxugando minhas lágrimas. - Vem, vamos entrar! - ela me puxou para dentro, sem ao menos me dar tempo para fechar a porta atrás de mim ao passar. - Olha quem está aqui - ela disse ao chegar na sala, ainda me arrastando.
- NÃO ACREDITO! ! - apenas ouvi diversos gritos, mas não tive tempo de ver nenhum rosto em específico. Vários braços me envolveram, gritando meu nome de felicidade e o típico “que saudades!”, e tudo que eu fazia era rir e chorar ao mesmo tempo. Ah, como eu senti saudade de toda a minha família.
- Deixem a minha filha respirar um pouco - minha mãe interveio, e logo o aperto sufocante, mas que só me fazia bem, foi desfeito.
Olhei ao redor, vendo praticamente toda a minha família ali. Minha irmã , que tinha apenas 16 anos e estava linda da mesma forma que eu me recordava; Meu irmão, Josh, e sua esposa estavam lado a lado, sorrindo para mim. Era muito bom saber que eles ainda estavam juntos. E, por último, os dois filhos do meu irmão e meus sobrinhos, que me olhavam com os olhos brilhando de felicidade. Ao ver aquilo, meu coração se encheu de felicidade, e a única reação que tive foi de me ajoelhar no chão e abrir os braços para que eles me abraçassem novamente. E foi o que eles fizeram.
- Tia , trouxe presentes pra mim da Itália? - Lauren, a mais nova dos dois, perguntou, ainda com os olhos brilhando.
- Você tá linda, tia - Mike, o mais velho, disse e meu sorriso se alargou ainda mais.
- Você que está lindo. - Baguncei o cabelo dele e depositei um beijo em seu rosto. - E eu trouxe presentes pra todo mundo, mas eu deixei no meu apartamento. - Fiz uma expressão de desapontamento.
- Tudo bem, depois eu pego - ela disse e se afastou, voltando para perto dos seus pais. Levantei-me e olhei para as pessoas ao meu redor.
- É muito bom te ter de volta, pirralha. - Meu irmão sorriu e se aproximou para me abraçar novamente. E, assim, se seguiu os cumprimentos de saudade.

Eram quase dez horas da noite quando meus pais finalmente me deixaram voltar para casa. Meu irmão e sua família tiveram que voltar para casa depois do almoço, mas prometeram que iriam me visitar no meu apartamento. A tarde com minha mãe e meu pai foi maravilhosa, eu contei quase tudo o que aconteceu comigo durante os dois últimos anos - o que não foi muita coisa -, e eles me contaram tudo o que eu tinha perdido nesse tempo. Eles me contaram que se casou, mas disseram não saber o nome do cara - o que eu achei que era mentira, mas não comentei nada. Me senti mal por ter perdido esse dia tão importante para minha amiga - ou ex amiga, não sei mais o que somos -, já que perdemos o contato, mas tinha certeza de que ela estava bem e, talvez, um dia eu até a reencontre e conheça o sortudo que teve a sorte de se casar com ela.
Entrei em casa me sentindo exausta. Eu tinha amado o dia de hoje, mas a realidade parecia praticamente bater em minha porta, já que amanhã seria segunda e eu teria que ir procurar um emprego novo, além de ter que contratar alguém para fazer uma faxina em meu apartamento.
Passei o restante da noite desfazendo as malas e arrumando as roupas no closet. Quando finalmente terminei, tomei um banho rápido, vesti uma roupa confortável, e caí na cama. Ainda tentei planejar todos os meus passos de amanhã, mas minha mente estava tão cansada que acabei adormecendo antes que pensasse em algo útil.

Alguns dias depois…

Pela primeira vez desde que voltei minha vida estava organizada. Me livrei de todos os meus pertences antigos - principalmente os que me faziam lembrar de coisas que eu queria esquecer -, e comprei tudo novo. Tudo mesmo. Meu apartamento passou por uma “reforma” e eu estava amando a forma como ele estava agora. Já estava na hora de seguir em frente e fazer novas memórias. Eu demorei demais para acordar e perceber que ficar lembrando do passado não me fazia bem e nem iria trazer aqueles momentos de volta. Aliás, eu não queria aqueles momentos, porque o que aconteceu não tem e nem iria ter perdão.
O toque do meu telefone interrompeu meus pensamentos, trazendo-me de volta para a realidade. Mexi, mais uma vez, o molho na panela e a tampei antes de pegar o aparelho em cima do balcão. O nome do meu agente piscava na tela e deslizei meus dedos pela tela para atender a chamada.
- Oliver! Já estava me perguntando quando é que você ia me ligar.
- Isso tudo é saudade? - o sarcasmo em sua voz era óbvio.
- Na verdade, eu estava mais esperançosa que sua ligação significasse que você tinha um novo papel para mim.
- Ouch! - exclamou, fazendo-me rir.
- E então? - pedi, esperançosa.
- Eu consegui um teste para você em um filme. Se você aceitar, eu te envio o seu texto por e-mail agora mesmo.
- Aceito - respondi, sem hesitar.
- Você não vai querer saber o que se trata primeiro?
- Não.
- Mas, ...
- Eu sei o que você ta pensando, mas eu só quero fazer o meu trabalho, Ollie. Não importa o tipo de papel que eu vou fazer, isso é só um detalhe e eu já fiquei tempo demais parada.
- Tudo bem, você que sabe. Eu vou te mandar o script do teste e um anexo com tudo sobre o filme e o personagem que você vai interpretar.
- Claro, pode mandar.
- E... ?
- Sim?
- Esse filme vai ser muito bom para a sua carreira, então, não deixe que sua vida pessoal atrapalhe isso.
- Por quê eu faria isso?
- É só um conselho, lembre-se disso - disse e desligou. Olhei para telefone com o cenho franzido. Eu não tinha entendido nada.
Balancei a cabeça, dizendo para mim mesma que não era nada antes que começasse a ficar paranoica. Deixaria para decifrar o que Oliver quis dizer uma outra hora. Por hora, eu iria apenas me concentrar na comida que eu estava fazendo.
Depois do almoço, verifiquei meus e-mails e imprimi tudo o que Oliver havia mandado sobre o meu personagem e as falas que eu usaria para fazer o teste. De acordo com o que estava escrito, era um drama e eu seria a personagem principal, que era uma mulher viúva que se apaixona e se envolve com um homem casado. Tão clichê e típico. Deixei essa parte para olhar depois e me concentrei em estudar apenas as falas do teste, mais tarde eu daria um lida em tudo antes de dormir. Peguei as folhas e sentei-me no sofá com as folhas em mãos, decidida a começar a estudar imediatamente.
Horas mais tarde, meu telefone toca, desviando minha atenção das folhas pela primeira vez naquele dia.
- Alô? - atendi, sem ver quem estava me ligando antes.
- , está ocupada? - Identifiquei a voz da minha irmã do outro lado da linha.
- Mais ou menos. O que houve?
- Nada. Eu só queria saber se você quer ir à festa de um ano da filha da hoje à noite.
- Clar... Espera! tem uma filha? - perguntei, espantada. Como eu não sabia disso?
- Tem! Você não sabia? Ela é linda...
- Eu não falei com ela desde que cheguei aqui e nem sabia que você tinha contato com ela.
- Ah, ela vem aqui em casa às vezes.
- Então, papai e mamãe estavam mentindo quando disseram que não sabiam quem era o marido da ? - Ela ficou em silêncio por um momento. - ?
- Você vai ou não?
- Vou, quero ver minha amiga. - E descobrir quem é o marido misterioso.
- Ótimo, tenho que ir, me pega às 19h. Tchau! - E desligou, sem esperar resposta.
Que maravilha! Primeiro Oliver e agora minha irmã, o que eles tão escondendo de mim? Pelo menos alguma coisa eu vou descobrir hoje à noite.
Olhei para o relógio, que marcava exatamente 17:30. Eu teria que me apressar. Larguei as folhas em cima do sofá e segui para o banheiro. Coloquei a banheira para encher e voltei para o quarto, a fim de escolher uma roupa decente para vestir. Acabei escolhendo um vestido azul que eu tinha comprado há uns dias. Deixei a peça de roupa em cima da cama, e voltei para o banheiro, me despindo no caminho. Joguei a roupa na cesta de roupa suja, desliguei a torneira e entrei na banheira, relaxando quase que imediatamente. Era uma pena que eu não pudesse ficar ali o tempo que quisesse.
Ainda não tinha caído a ficha de que, em algumas horas, eu veria . Como será que ela estava? Será que ela ia gostar de me ver? E quem será o marido misterioso dela? Eram tantas perguntas e nenhuma resposta, mas, pelo menos, eu iria conseguir algumas respostas ainda hoje.
Me estiquei para pegar o roupão que estava ali perto e me levantei da banheira, vestindo o roupão logo em seguida. De volta no quarto, abri minha gaveta de roupas intimas e tirei a primeira peça decente que encontrei e vesti, por debaixo do roupão. Em seguida, parei em frente ao grande espelho para que pudesse me maquiar. Já que meu vestido era um azul claro, optei por colocar uma sombra clara em meus olhos e destacar meus lábios com o meu batom vermelho favorito. Com a maquiagem terminada, penteei meus cabelos, os deixando soltos, e vesti o vestido e os meus inseparáveis saltos pretos, voltando a me olhar no espelho logo em seguida. Sorri satisfeita para o meu reflexo. Eu reconhecia que estava diferente, meus cabelos já não eram mais pretos e, sim, ruivos, e muita coisa em minha aparência havia mudado nesses dois anos. Não me admiraria se não me reconhecesse.
Olhei no relógio e me assustei ao ver que já eram 18:59. Eu tinha mesmo levado todo esse tempo para me arrumar? O interfone tocou, o que significava que minha irmã tinha chegado. Hmm... Ela é pontual.
Rapidamente, peguei minha bolsa e meu celular e saí correndo, não esquecendo de apagar as luzes e trancar a porta ao sair.
- Ainda não acredito que papai te deu um carro.
- Nem eu! Me pegou totalmente de surpresa - ela disse, animada. Sorri, feliz por ela; sonhava com esse carro desde os 10 anos. Ela se virou e pegou alguma coisa no banco de trás. - Aqui, pega. É um presente para a filha da , para você não chegar lá de mãos vazias.
- Ai, um presente! - Bati a mão na testa. - Eu tinha esquecido. Obrigada.
- Não foi nada. Eu te chamei em cima da hora, não tinha como você ter comprado um presente em cima da hora.
- Tem razão - concordei e ela deu partida. - Então, a tá diferente?
- Não, ela parece ser a mesma pessoa. Não muda nada.
- Sei... E esse marido dela? Por que tanto mistério? - perguntei, esperando que ela me dissesse algo.
- Não tem mistério algum. Eu só não conheço o cara. - Deu de ombros, com descaso.
- Vocês não foram ao casamento?
- Não - respondeu, rápido demais. - Quer dizer, nós até fomos convidados, mas não pudemos ir.
- Hum...
Resolvi não perguntar mais nada, não adiantaria, ela não iria me responder. Ela deveria ter os motivos dela e, de qualquer forma, eu iria descobrir mesmo. O resto do caminho foi silencioso, até pensei em ligar o rádio para escutar alguma música, mas, quando realmente fui fazê-lo, o carro parou.
- Chegamos - anunciou, enquanto tirava o cinto. - vai ficar louca quando te ver. Talvez nem te reconheça.
- Foi o que eu pensei, dois anos me mudaram em vários aspectos.
- Pode apostar! Você tá mais linda - Ela me olhou, sorrindo.
- Olha quem fala, a irmã mais gata da família. - Rimos. - Vamos?
- Com certeza. - Saí do carro e a segui até a porta da imensa casa. O local era lindo, tinha muito bom gosto.
Paramos em frente à porta e tocou a campainha duas vezes. Não demorou muito para que a porta fosse aberta e uma , totalmente diferente do que eu lembrava e toda sorridente, abrisse a porta.
- ! Que bom que veio. - Ela abraçou minha irmã.
- Não perderia o aniversário da pequena Dulcie por nada - disse, sorrindo. Eu, que estava um pouco afastada, me aproximei, sorrindo nervosamente e atraindo a atenção de . Ela me olhou por um momento com uma expressão de confusão, mas logo a compreensão e o reconhecimento apareceram em sua face.
- ? - perguntou, com a expressão em completo choque.
- - respondi, ansiosa.
- Eu não sabia que estava na cidade - murmurou. Ela parecia meio em choque. nunca soube lidar com surpresas.
- está de volta. Isso não é ótimo? - minha irmã se intrometeu, atraindo a atenção de .
- É... Isso é muito bom - ela disse com um sorriso que me pareceu super forçado. também pareceu perceber, porque falou em seguida:
- Quis trazer ela aqui para te fazer uma surpresa, espero que não seja um problema.
- Não... Er... Não é problema algum. - Ela ainda matinha aquele maldito sorriso forçado no rosto e, por um momento, eu me arrependi de ter vindo. Estava claro que ela não me queria ali. - Entrem, a festa está acontecendo no quintal.
nos deu passagem e entramos na casa. Como imaginei, a casa era grande e bem decorada. Eu lembrava que eu e ela costumávamos a conversar sobre como queríamos que fosse a nossa casa ao casar e, definitivamente, aquilo ali era do mesmo jeito que ela sempre descrevia. Pelo menos uma de nós duas conseguiu o que desejava.
- Aqui, o presente para a sua filha. - Sorri, amigavelmente, porém, só recebi mais um sorriso falso. O que estava acontecendo?
- Obrigada. - Ela pegou o embrulho de minha mão e o colocou junto de outros presentes. - Bem, fiquem à vontade. , você já sabe onde fica o quintal. Eu tenho que ir pegar algumas coisas na cozinha e já volto. - Minha irmã concordou e ela saiu, sem ao menos me olhar.
- Vem, , estou louca para que você conheça a filha da , ela é tão linda - disse, me puxando.
- Posso imaginar.
Deixei que me levasse para a parte de trás da casa. Era muito tarde para me arrepender de ter vindo e, sinceramente, eu ainda queria descobrir o motivo para tanta estranheza da parte de . Eu sabia que a nossa amizade não era a mesma que há dois anos e também sabia que ela não sabia reagir bem a surpresas, mas eu esperava que, pelo menos, ela se sentisse feliz ou me desse um abraço.
O quintal estava lotado de crianças. Como toda festa infantil, o local estava muito bem decorado e tinha alguns palhaços fazendo as crianças rirem com piadas e brincadeiras. Quando pus meus pés no local, alguns olhares se voltaram para mim e, por algum motivo, tive a sensação de que conhecia algumas daquelas pessoas, mas não tive tempo de analisar bem, pois minha irmã me puxou mais uma vez, fazendo com que eu desviasse o foco.
- Olha ela ali - ela apontou para uma criança meiga nos braços da mãe de . soltou minha mão e correu até as duas e foi logo pegando a menina no braço. Sorri e resolvi observar a cena de longe, pois, apesar de e eu termos sido muito amigas, nunca gostei de sua mãe e o sentimento era recíproco.
Uma sensação de que estava sendo observada tomou conta do meu corpo de repente, deixando-me desconfortável. Por reflexo, olhei para o lado rapidamente, mas tive que olhar novamente para ter certeza de que estava vendo direito e não era apenas um fruto da minha imaginação.
Ali, sentado junto com o pai e os avós de , estava nada mais, nada menos que . Meus olhos se arregalaram em choque e confusão e, por um momento, eu achei que não fosse conseguir ficar em pé por muito tempo. Meu coração acelerou e eu não consegui desviar meu olhar. Aparentemente, ele também não. A feição dele era tão assustada como a minha, e tenho certeza que, assim como eu, ele se perguntava o que eu estava fazendo aqui. Pelo que eu lembrava, ele não conhecia a família de e vice versa.
De repente, apareceu na mesa, desviou o olhar para ela e falou algo. Ele deve ter perguntado sobre mim, porque ela olhou em minha direção por um momento e depois voltou a falar algo para ele, em seu ouvido. Franzi o cenho, me perguntando de onde surgiu toda essa intimidade, mas logo minha pergunta foi respondida, quando eles simplesmente se beijaram.
era o marido de .
Tive que me segurar para não deixar que meu queixo e minhas feições não demonstrassem tamanho choque. E, de repente, toda a hesitação da minha família e de fizeram todo sentido.
- Ai, você descobriu! - apareceu em minha frente, com a feição hesitante. - Você está bem?
Demorei um pouco para responder. Eu ainda estava tentando processar toda aquela informação.
- Se eu estou bem? - Ri, sem acreditar que ela estava me fazendo aquela pergunta. - Como é que você me traz aqui, sabendo de tudo isso e não me conta?
- Eu quis que você descobrisse por si mesma. Você tinha que saber, mas eu não podia te contar.
- Eu quero ir embora. Eu não devia ter vindo aqui, em primeiro lugar, e eu não viria, se você tivesse me contado tudo.
- Eu não posso ir embora agora, acabamos de chegar! - protestou.
- E você acha que eu vou ficar aqui, na festa de aniversário da filha do meu ex, que me traiu, e da minha ex amiga?
- Não, mas... - A interrompi.
- Você quer ficar? Então fique, mas eu não fico mais um minuto aqui - disse e, sem esperar resposta, caminhei em direção à saída daquele lugar. Eu seria idiota se ficasse naquele lugar até o final daquele aniversário. Agora estava explicado o motivo de todos aqueles olhares em cima de mim assim que cheguei, ou até os sorrisos forçados de quando me viu. Não era para eu estar aqui.
- ! - escutei minha ex melhor amiga me chamar e me virei em sua direção.
- Você já está indo?
- Sim, eu não devia ter vindo. - Dei um sorriso forçado, ao mesmo tempo em que ia andando de costas em direção à porta.
- Me desculpe.. Eu... Eu devia ter te dito antes sobre mim e . Na verdade, eu achei que você já soubesse...
- Não, não sabia. - Vi atravessar a porta que dava do quintal para a sala. Droga, eu não aguentaria ficar mais nem um segundo aqui dentro. - Olha, , eu tenho mesmo que ir... - disse, já abrindo a porta. - Até mais. - E bati a porta sem esperar resposta.
Andei pelas ruas, sem uma direção exata. Eu só queria me afastar o máximo que eu pudesse daquela casa. Caminhei por minutos, até minhas pernas pedirem arrego. Sentei-me no banco da praça e me permiti pensar em tudo o que tinha acabado de acontecer.
e casados e com uma filha.
Se alguém me contasse, eu provavelmente não acreditaria. Mas não, eu vi com os meus próprios olhos.
Como ela pôde? Como ela teve a capacidade de fazer isso comigo? Tantos homens em Londres e ela teve que ir logo atrás do ? E pela idade da filha deles, eles começaram a se relacionar pouco tempo depois do nosso término.
Será que ela sempre gostou dele e eu nunca percebi? Que burra que eu fui.
Eram tantas perguntas em minha mente e tão poucas respostas. Eu sabia que não devia me sentir mal, ainda mais depois de tanto tempo, mas ela costumava ser minha melhor amiga e, de certa forma, isso me soava como uma traição. Eu me sentia traída... Quer dizer, ela poderia ter me dito, não é? Eu sei que fui embora, mas telefone existe aí para isso, né?
Ok, eu podia estar sendo um pouco estúpida, afinal, foi eu que terminei o relacionamento, mas eu demorei tanto tempo para superar - na verdade, nem sei se superei completamente -, e parece que foi tão fácil para o seguir em frente e a se relacionar com ele sem ao menos sentir um pingo de consideração por mim ou pela nossa amizade.
Uma buzina de carro despertou-me de meus pensamentos e eu levantei a cabeça, dando de cara com minha irmã.
- Ai, . Até que enfim te achei! - ela saiu do carro e veio em minha direção com a feição preocupada. - Você é louca por ficar em um lugar desse sozinha a essa hora da noite. Se alguma coisa te acontecesse, eu não sei o que faria.
- Eu estou bem, . - Revirei os olhos.
- Não, não está - ela tocou minha mão. - Me desculpe por ter te levado àquela festa, eu deveria ter te contado.
- Deveria. Mas tudo bem, o que importa é que eu já sei.
- E como você tá se sentindo?
- Não sei... Traída? - Suspirei. - Está tudo confuso.
- Eu entendo.
- Digo, se eu fizer as contas, não demorou nem tanto tempo para eles ficarem juntos depois do fim do meu noivado.
- Eu sei e eu juro que tentei não gostar desse relacionamento, mas eu não consegui resistir à Dulcie - ela disse, se desculpando.
- Tudo bem, irmã. Você pode gostar de quem você quiser - sorrimos uma para outra.
- Vamos pra casa? Esse lugar está me deixando nervosa. - Ela olhou ao redor e eu ri.
- Vamos. Se você quiser, pode dormir lá em casa. Vai ser ótimo ter uma companhia hoje. - Levantamos e seguimos para o carro.
- Você não tem que trabalhar? - perguntou, em dúvida.
- Só tenho que decorar umas falas pra um teste, nada que atrapalhe.
- Ok, então liga pra mamãe para avisar. - Ela me entregou o telefone dela.
O caminho de volta foi mais tranquilo. Depois que desliguei o telefone, sob mil e uma recomendações de minha mãe, ligou o rádio e me manteve distraída com vários dos seus dilemas com garotos da escola. Em parte, eu fiquei muito agradecida por essa atitude dela, pois evitava que eu pensasse em assuntos que deveriam ser esquecidos, pelo menos por agora.
- Meu Deus, que garoto idiota! - exclamei, rindo junto com enquanto entrávamos em meu apartamento. - Como você conseguiu gostar desse garoto?
- Eu me pergunto isso até hoje, acredite. - Tranquei a porta e coloquei as chaves no porta-chaves ao lado da porta. - Wow, ainda não tinha visto como seu apartamento ficou depois da reforma.
- Gostou?
- Ficou lindo, bem o seu estilo.
- Obrigada. - Sorri. - Bem, você pode fazer o que quiser, sinta-se em casa. Eu vou estudar um pouco as falas.
- E eu vou atacar sua geladeira - disse, rindo.
Balancei a cabeça, rindo, e segui para o meu quarto. Me livrei do salto e troquei a roupa por algo mais confortável, retirei toda a maquiagem do rosto, separei uma roupa para emprestar à minha irmã e, em seguida, saí do quarto. Entrei em meu escritório e, após pegar todos os papéis necessários, sentei em minha poltrona da maneira mais confortável que consegui.
Folheei as páginas com as informações da personagem que eu iria interpretar, mas não consegui me concentrar muito naquilo, então passei a me focar nas falas que falaria amanhã no teste. Em alguns momentos, sem que eu percebesse, minha mente viajava para os acontecimentos de horas atrás, mas, com algum esforço, consegui colocar esses pensamentos de lado e me focar no trabalho.
Depois de ler e reler todas as falas um milhão de vezes e ter certeza de que a minha intonação estava perfeita, coloquei as folhas em cima da mesinha ao lado da poltrona e afundei na mesma, sentindo-me extremante exausta. Fechei os olhos, por um momento e peguei-me pensando novamente em e . Eu não sabia o que tanto me incomodava nessa descoberta. Talvez ainda não tivesse caído a ficha completamente, mas também tinha tanta coisa envolvida e tantas perguntas em minha mente, que eu não era surpresa nenhuma que eu estivesse com esse mix de sentimentos quando minha cabeça estava um completo nó. Porém, eu iria ter que arrumar um jeito de seguir em frente, mais uma vez, e esquecer de toda essa história sem ter conseguido todas as respostas que eu necessito, porque eu sei que as únicas pessoas que podem me dá-las são e e, definitivamente, eu não iria procurar nenhum dos dois para tirar “satisfações”. Quer dizer, que direito eu tinha de fazer isso depois de dois anos? Isso mesmo, nenhum.
Knock, knock. Batidas na porta chamaram minha atenção. Levantei a cabeça, vendo minha irmã parada na porta.
- Posso entrar?
- Claro - assenti. Ela entrou, deixando a porta aberta ao passar, puxou uma cadeira e sentou-se de frente para mim.
- Está tudo bem? Você parece pensativa.
- Ah, só estava, você sabe... Pensando sobre mais cedo.
- Você não sabe o quanto me sinto culpada por ter feito isso com você.
- Não, tudo bem. Eu iria descobrir, eventualmente.
- Sim, mas não dessa forma... Bruta.
- Não se culpe mais por isso, . Eu já descobri, não tem mais como voltar atrás e mudar isso.
- Isso deve ter te deixado um pouco confusa, não é?
- E muito. - Suspirei. - Tenho tantas perguntas sem respostas rondando na minha cabeça... Mas eu tenho que deixar isso pra lá.
- Por quê?
- Porque são perguntas que só o ou a podem me responder, e eu não vou atrás deles para perguntar. O melhor é esquecer que eles existem ou que um dia fizeram parte da minha vida.
- Isso não é um pouco precipitado?
- E o que você quer que eu faça? Eu não posso simplesmente chegar pra eles e perguntar coisas da vida pessoal deles depois de dois anos. Eu sou só a ex-noiva e a ex-melhor amiga para eles.
- Você pode pesquisar na internet. Aposto que o deve ter falado algo nas entrevistas e isso deve esclarecer as coisas um pouquinho para você.
Parei para pensar um pouco. Era uma solução e eu não precisaria ir atrás do casal para perguntar algo... Mas será que eu queria mesmo mexer nessa história e descobrir algo que eu não queria? Não, eu definitivamente não queria.
- Não, é melhor deixar as coisas do jeito que estão. Já se passou tanto tempo. Eles já seguiram com a vida deles e eu com a minha, é assim que tem que ser.
- Se é assim que você prefere, quem sou eu para dizer algo, não é? - Rimos. - Bem, vamos deixar esse assunto de lado... O que você quer fazer?
- Sinceramente? Quero dormir. - Fiz careta e ela riu.
- Ótimo, porque eu também quero - ela disse, se levantando.
- Então, vamos dormir. - Levantei-me também, a abracei de lado e seguimos para o quarto dessa maneira. - Estou morta e amanhã tenho que levantar cedo.
- Estou gostando de saber que você vai começar a trabalhar de novo. Você tava muito sedentária - comentou, brincando.
- Quê? - minha voz saiu meio esganiçada, o que só a fez rir ainda mais.
- Ah, admita!
- Não admito nada, pirralha - rebati e joguei a almofada em sua cara de brincadeira.
- Depois eu que sou a pirralha, né? - Ela tirou a almofada de seu rosto, rindo. Dei-lhe língua, mas não aguentei e comecei a rir também.
- Eu separei uma roupa para você. - Apontei para o par de roupas que havia deixado em cima da cama.
- Olha só. - Ela pegou a roupa, analisando. - Acho que você acabou de perdê-las, .
- Nem ouse roubar minhas roupas - ameacei, mas um sorriso de canto permanecia em meu rosto.
- Too late! - cantarolou e correu para o banheiro, rindo.
Sentei-me em minha cama, sentindo-me feliz. Ter a companhia da minha irmã foi a melhor decisão que eu fiz essa noite. Enquanto eu estivesse com ela, eu sabia que não ia pensar em outras coisas e que ia sempre ter um motivo para rir. De repente, uma ideia maravilhosa passou por minha cabeça e eu dei um pulo, animada, ao mesmo tempo que minha irmã saiu do banheiro.
- O que aconteceu? - Ela me olhou, espantada.
- , o que acha de vir morar aqui comigo? - Ela me olhou sem acreditar no que eu tinha acabado de falar.
- Morar com você? Você tá falando sério?
- Sim, por que não? Eu estou morando sozinha, não vou mais me casar... Então, quer melhor homie do que minha irmã?
- AAAAHHHHHH, NÃO ACREDITO! - ela gritou, pulando em cima de mim, me assustando. - Eu quero, eu quero, eu quero! - exclamou várias vezes, fazendo-me rir.
- Ótimo, só vamos ter que convencer mamãe.
- Ah, tenho certeza que você consegue. - Ela abanou a mão, com descaso. - Mamãe faz tudo o que você quer.
- Nem tudo, mas você vai me ajudar nessa.
- Claro, claro, faço tudo que você quiser - disse, me abraçando.
- Tá bom, chega de tanto abraço. - Empurrei-a, rindo. - Vamos dormir, mas vê se não toma todo o espaço da minha cama, sua espaçosa.
- Sim, senhora - respondeu, rindo, e correu para o outro lado da cama.
Apaguei as luzes, deitei do meu lado da cama e puxei a coberta, cobrindo o meu corpo.
- Boa noite, .
- Boa noite, .
Aconcheguei-me em meu travesseiro e fechei os olhos, deixando que o sono me dominasse e me levasse para um mundo de sonhos... Ou pesadelos.

Capítulo Dois

O barulho do celular me despertou, na manhã seguinte. Até tentei ignorar as chamadas, mas, quando meu telefone tocou pela terceira vez, desisti e peguei o aparelho, atendendo a ligação sem ao menos ver quem era.
- Alô?
- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ AINDA ESTÁ DORMINDO, ! - Afastei o telefone do ouvido devido aos gritos.
- Calma, Ollie.
- Calma? CALMA? - ele gritou ainda mais. - VOCÊ TÁ ATRASADA, CRIATURA! - Abri os olhos, procurando o relógio. 10h da manhã.
- Puta que pariu - xinguei, dei um pulo da cama e corri para o banheiro, ainda com o telefone na orelha.
- Eu quero você aqui em 15 minutos, , depois disso, o teste já era pra você e pode dar adeus a esse papel. - E desligou. Merda, merda, merda. Eu não podia perder esse papel, não podia.
Não sei como consegui fazer isso, mas em exatos 8 minutos, eu já estava pronta e com tudo que precisa nas mãos, saindo do apartamento. Apertei o botão do elevador freneticamente, até que a maldita porta se abriu e apertei o botão da garagem, ao entrar no cubículo.
Quando cheguei à garagem, corri diretamente para minha moto recém-comprada, sem nem pensar duas vezes. O meu carro não seria muito útil agora e só faria com que eu me atrasasse ainda mais, devido ao trânsito. Coloquei o capacete e montei na moto, ligando-a e dando a partida logo em seguida. Enquanto corria o mais rápido que o desejável, pensei em como fazia tempo em que eu não me atrasava para algo assim e, só então, lembrei que minha irmã não estava mais ali quando acordei. Aquela vaca foi embora e sequer me acordou. No mínimo saiu as pressas para a escola.
- Até que enfim! - Ollie exclamou quando me viu entrar no local. - Mais uns minutos e você ia perder o teste.
- Estou aqui. - Ele me entregou um copo d’água. - Podemos começar?
- Imediatamente. - Ele pegou o copo de minha mão e me empurrou para dentro de alguma sala e fechou a porta.
Olhei para todas as pessoas presentes na sala e dei um sorriso nervoso. Com tanta correria, eu não tinha tido tempo de pensar nem de ficar nervosa, e agora eu estava sentindo tudo de uma vez.
- Bom dia, desculpe-me pelo atraso. - Sorri amarelo. O diretor me deu um sorriso contido e eu levei isso como um bom sinal. Era melhor um sorriso contido do que uma cara feia.
- Ok, Srta. , pode começar - o produtor se pronunciou.
- Okay - limpei a garganta, me posicionei no lugar indicado e comecei a falar as falas decoradas.
Durante todo teste, o diretor, produtor e outras pessoas que estavam lá, permaneceram imparciais e sequer demonstraram algum tipo de reação que indicasse se eu estava ou não indo bem. Vez ou outra o diretor me interrompia ou me pedia para repetir as falas com outra intonação. Esses foram os únicos momentos em que eu achei que estava indo bem.
- Muito bem, Srta. - o diretor se pronunciou, quando eu terminei de repetir as minhas falas pela milésima vez. - Iremos avaliar o seu teste e, se for aprovada, entraremos em contato até o fim do dia.
Agradeci a todos que estavam no local e me despedi da maneira mais simpática possível. Eu sabia que para esses testes eu teria que causar uma boa impressão, e era isso que eu estava tentando fazer. Saí da sala, me sentindo um pouco confiante. Eu sabia que minha atuação era boa e, além do mais, essa não era a primeira vez que eu fazia um teste.
- E aí? - Ollie perguntou, assim que me viu.
- Acho que fui bem. Ele disse que, se eu for aprovada, entra em contato até o final do dia.
- Você foi bem, tenho certeza.
- Espero que sim.
- Você é uma das melhores atrizes que já conheci, sem brincadeira. A única coisa que podia te prejudicar foi o seu atraso, mas esse é um dos menores problemas quando se tem talento.
- Desculpa pelo atraso - desculpei-me. - Tanta coisa aconteceu ontem que eu acabei esquecendo de colocar o meu celular para despertar.
- O que aconteceu? - ele me olhou, preocupado.
- Ollie, além de meu agente, você é meu melhor amigo, e você foi o único daqui que eu mantive contato durante esses anos que estive fora, por motivos óbvios. - Ri. - E, no momento, você é a única pessoa que eu realmente confio...
- Onde você tá querendo chegar com isso, ? - perguntou, sem entender.
- A - disse e a compreensão tomou conta de sua expressão.
- Você descobriu - disse, simplesmente.
- Sim e não foi nada legal. Digo, ela era minha melhor amiga e...
- Ela nunca foi sua melhor amiga, - ele me interrompeu.
- Como?
- Ela sempre quis o , só você não via.
- Como? - repeti, incrédula demais para pronunciar outra coisa.
- Me desculpa, mas é a verdade. Talvez a amizade tenha sido verdadeira no início, mas, depois que você começou a namorar o , todo mundo percebeu que mudou, só você que não.
- Ok, acho que eu preciso me sentar. - Sentei-me em um banco que tinha ali perto e Oliver sentou-se ao meu lado.
- Eu nunca te disse nada, porque sabia que você não acreditaria e brigaria comigo - continuou. - Mas só bastou o noivado de vocês acabar para a ir atrás do .
- Eu não quero mais saber de nada disso - disse. - Ainda estou tentando assimilar as coisas desde ontem. Isso é muito pra mim, eu não aguento.
- Como foi que você descobriu?
- Eu fui à casa dela ontem, para a festa da filha dela.
- Ela te convidou? - perguntou, parecendo chocado.
- Não, que me chamou para ir.
- Sua irmã é louca? Não era pra você ter descoberto dessa forma! Não me admira que ainda esteja processando tudo isso.
- Está tudo bem, eu só preciso de um tempo pra ficha cair. Mas eu não devo me importar, não é? Afinal, eu e terminamos há um bom tempo.
- Não tem problema em se importar, . O seu relacionamento com foi longo, então é normal, ainda mais quando a pessoa com quem o seu ex seguiu em frente foi sua melhor amiga.
- Ex-melhor amiga - corrigi.
- Que seja. - Deu de ombros. - Só não deixe que isso te afete, ok?
- Acho um pouco difícil, mas eu vou tentar.
- Ótimo. - Ele sorriu. - Que tal irmos almoçar no seu restaurante preferido?
- Acho ótimo. - Nos levantamos e seguimos cada um para o seu veículo.
Dez minutos depois, chegamos ao local. Desci da moto e, logo, Ollie apareceu ao meu lado.
- Você parece uma daquelas fodonas de filmes de ação em cima dessa moto - comentou, fazendo-me rir.
- Por favor, eu sei. Olha só pra mim. - Faço um gesto com as mãos, apontando meu corpo de cima a baixo.
- Estou olhando. Você tá muito gostosa.
- Ollie! - dou um tapa em seu braço.
- Que foi? Tô sendo sincero, ué. Você ia querer que eu dissesse que você tá feia?
- Não.
- Então...
- Ai, cala a boca e entra logo no restaurante. - Ele riu e me puxou pela mão para dentro do local.
Ao entrarmos no local, Ollie e eu seguimos para a mesa perto da janela. Assim que nos sentamos, um garçom surgiu do nada - isso sempre acontecia -, já nos entregando o cardápio para que escolhêssemos o que comer.
- Quer escolher a bebida ou...? - Ollie perguntou, após escolher o seu pedido.
- Pode escolher, eu ainda estou enrolada tentando decidir o que comer. - Ele riu e voltou a olhar o cardápio.
- Pode me trazer o seu melhor vinho - ele disse para o garçom e o mesmo anotou o pedido no bloquinho.
- E a senhorita... O que vai querer? - perguntou-me.
- Hum... Acho que vou querer o fish and chips.
- Acha ou vai querer? - Ollie fez piada.
- Vou querer. - Fechei o cardápio e entreguei para o garçom, que se retirou logo em seguida.
O bip do meu celular indicava que uma mensagem tinha chegado. Retirei o aparelho da bolsa e destravei o mesmo, vendo o nome de estampado na tela.
Abri a mensagem.

Bom dia, maninha! Desculpa por ter saído sem avisar. Saí praticamente correndo para casa ou iria me atrasar para escola. Espero que tenha corrido tudo bem no seu teste! Xx,

Sorri enquanto respondia a mensagem. Apesar de querer matá-la por não ter me acordado, eu entendia que ela não fez por querer. Minha irmã conseguia ser mais destrambelhada do que eu.
- Hmm... Cheia de sorrisos - Oliver falou, sua voz cheia de segundas intenções. - Posso saber quem era?
- Não é nada disso que você tá pensando. - Revirei os olhos. - Era só a .
- Ah, mas vai me dizer que você não está saindo com ninguém?
- Não estou - respondi. - Eu não gosto de falar sobre isso.
- Você não gosta de falar sobre muitas coisas - rebateu.
- Ollie, você é meu melhor amigo e sabe praticamente tudo sobre mim. Então, não deve ser novidade pra você que eu não estou saindo com ninguém.
- Não é... Mas eu queria ter certeza.
- Bom, agora você tem - concluí.
- Tenho e não entendo.
- Por quê? - franzi o cenho.
- Olha só pra você. Você é linda, inteligente e bem sucedida. Não dá pra acreditar que apenas um relacionamento que deu errado destruiu toda a fé que você tinha no amor.
- Amor é para os fracos, Ollie.
- Não é, - discordou. - Só porque o seu relacionamento anterior não deu certo, não significa que você não possa achar outra pessoa para compartilhar a sua vida.
- Não é tão fácil assim. Não existe um relacionamento sem confiança e, sinceramente, eu mal tô conseguindo confiar na minha própria sombra.
- Eu entendo, mas eu não quero ver minha amiga se fechando para o mundo por causa de um idiota.
- Eu não estou me fechando para o mundo. Eu só decidi que não vou mais deixar a vida me dar rasteira. - Ele abriu a boca para responder, mas o garçom apareceu com os nossos pedidos. Ele pôs o meu prato à minha frente e serviu vinho em nossas taças. Oliver agradeceu e, logo, o garçom se retirou novamente. - Olha, não vamos mais falar sobre isso. Se um dia eu tiver que sair com alguém, você será o primeiro a saber.
- Tudo bem, não adianta mesmo discutir com você. É mais teimosa que uma pedra!
- Ainda bem que você sabe disso. - Ri e tratei de me concentrar em minha comida. Eu estava faminta.
- Vai com calma, coisinha! - exclamou ao ver a forma que eu comia.
- Desculpe - falei com a mão em frente à boca. - Você sabe que não sou a pessoa mais educada quando estou com fome.
- Eu sei, mas vai com calma... Já pensou se sai fotos de você comendo como uma ogra?
- Ai, credo! - Arregalei os olhos e comecei a comer direito. - Às vezes eu esqueço de todo esse lance de ser famosa.
- Ainda bem que estou aqui para te lembrar. - Piscou para mim.
- Não sei se agradeço por isso ou se peço ajuda a Deus - zombei.
- Olha, eu vou ignorar isso e não vou me ofender, tá?
- Acho bom mesmo. - Ele me deu língua antes de colocar mais uma porção de comida na boca. - Sabe - falei, depois de dar um gole no meu vinho -, estávamos aqui só falando de mim, mas agora eu quero saber de você.
- De mim? - perguntou, surpreso.
- Sim, de você - afirmei.
- O que você quer?
- Como anda esse coraçãozinho?
- Batendo, ué - disse, como se fosse óbvio.
- Você sabe o que quero dizer.
- Tenho saído com algumas garotas, mas nada sério.
- Nadinha?
- Nah, não estou em busca de um relacionamento sério.
- Até alguns minutos atrás você estava fazendo um discurso sobre como eu deveria acreditar no amor e agora vem me dizer que não quer relacionamento sério? - Arqueei a sobrancelha.
- Mas eu acredito no amor, só não quero relacionamento sério com alguém agora.
- Hum... Tá bom - cerrei os olhos, sem acreditar.
- É sério. - Riu, envergonhado. - Quero aproveitar minha liberdade.
- Certo, você é jovem, tem que aproveitar mesmo.
- Você também.
- Não vamos voltar a falar sobre isso, ok? - pedi e ele assentiu, voltando a comer em silêncio, logo em seguida.
O restante do almoço permaneceu assim, silencioso. Por um lado, fiquei agradecida por ele não tocar no assunto “ter fé no amor”, mas por outro, fique tensa, porque sabia que ele tinha ficado chateado comigo. Eu sei que ele queria que eu me abrisse e contasse tudo a ele, mas eu simplesmente não conseguia. Não que eu não confiasse nele, eu confiava e muito. Talvez Ollie fosse única pessoa que eu realmente confiasse no momento.
No entanto, o problema não era com ele, era comigo.
A vida já tinha me dado tantas rasteiras e já tinha me mostrado de tantas maneiras que eu não deveria confiar em todas as pessoas ao meu redor, que eu acabei me tornando a pessoa que guarda tudo o que sente ou qualquer detalhe da minha vida pessoal para mim mesma. E, agora, que eu tinha me tornado uma celebridade, isso tinha se tornado ainda mais crucial.
Apesar de saber que Oliver não se encaixava entre as pessoas “não confiáveis”, eu simplesmente não conseguia me abrir. Acho que eu preciso de um psicólogo.
- Ollie... - Segurei sua mão por cima da mesa, fazendo com que ele me olhasse. - Não fique bravo comigo... Por favor.
- Não estou bravo com você. Eu só... Não consigo entender o porquê de você não confiar em mim.
- Eu confio... Eu confio! - disse, repetidamente. - O problema não é você, o problema sou eu. - Suspirei. - Eu passei tanto tempo sozinha na Itália que uma barreira foi criada ao meu redor e eu não sei se quero quebrar.
- Olha, eu te entendo, mas você está entre amigos agora, não precisa mais ser assim.
- Eu sei. É só que... Eu não sei como fazer isso - confessei.
- Não se preocupe. Eu estou aqui para te ajudar. - Ele apertou minha mão, me passando confiança.
- Obrigada. - Sorri, sinceramente. Oliver era realmente a melhor pessoa do mundo.

Minutos mais tarde, estava eu novamente entrando em meu apartamento. O almoço tinha sido divertido, apesar de todo aquele interrogatório e conselhos sobre a minha vida amorosa inexistente. Eu gostava de sair com o Oliver e saber que eu podia contar com ele não só na minha vida pessoal, como na minha vida profissional, era reconfortante.
Joguei as chaves em cima da mesa ao lado do sofá e caminhei diretamente para o quarto. Eu estava precisando de um bom banho. Enquanto separava uma roupa confortável para ficar em casa e preparava o meu maravilhoso banho de banheira, não pude deixar de pensar no resultado do teste que tinha feito mais cedo. Se tudo desse certo, eu seria oficialmente a personagem principal daquele filme que tem tudo para ser um sucesso mundial. Era tudo o que eu precisava para decolar minha carreira profissional de vez.
O barulho da campainha soou abafado dentro do banheiro. Desliguei a torneira da banheira e segui para a sala, me perguntando quem poderia ser. Deveria ser alguém conhecido, pois o interfone sequer tocara. A campainha tocou mais duas vezes e eu apressei meus passos em direção à porta. Fosse quem fosse, devia estar com pressa.
Abri a porta sem olhar pelo olho mágico e encarei, demonstrando totalmente minha surpresa, a pessoa parada à minha frente.
- O que você tá fazendo aqui? - balbuciei, ainda afetada pela surpresa.
- Nossa, eu esperava uma recepção calorosa vinda da minha melhor amiga - disse com um sarcasmo explícito na voz e adentrou o meu apartamento sem ao menos esperar o meu consentimento.
- Eu não sou sua melhor amiga. - Fechei a porta e me virei para ela, que mantinha um sorriso irônico no rosto. - Eu vou perguntar mais uma vez. O que você está fazendo aqui?
- Vim retribuir a visita, fiz mal? - perguntou. - Aliás, estou até um pouco surpresa que você tenha ficado com o apartamento. Eu sei que você adora se livrar das lembranças.
- Nada que uma boa reforma não resolva.
- Posso perceber. - Ela olhou ao redor, mas logo voltou o seu olhar para mim. - Não vai me convidar para me sentar?
- Não. - Cruzei os braços. - Só me diga logo o que veio fazer aqui e vá embora.
- Que feio, . Eu não te tratei assim quando você foi à minha casa sem avisar.
- Imagino o porquê - respondi, sarcasticamente. - E, me desculpe, não deveria ter ido à sua casa. Só fui por insistência da minha irmã e porque achei que eu ainda tinha uma amiga.
- Ah, não se faça de santa! Não venha me dizer que não sabia de mim e , quando o nosso casamento foi estampado em todas as revistas e noticiários.
- Eu não passei dois anos da minha vida pesquisando sobre a vida do , . Então, sinto muito se toda a sua tentativa de me fazer saber que você estava se casando com o meu ex não deu certo. - O sorriso que ela mantinha no rosto desapareceu. Ela estava começando a ficar irritada.
- Exatamente, seu ex, meu marido! Então, se você voltou achando que ia pegar ele de volta, você tá muito enganada!
- Você acha mesmo que eu o quero de volta? Que eu voltei por causa disso?
- Eu vi o quanto você ficou abalada ao me ver com ele, ou você acha que eu não percebi? - Ela se aproximou, apontando o dedo na minha cara.
- Ah, entendi tudo agora. Você veio aqui para marcar território e esfregar na minha cara que o é seu. - Não me contive e soltei uma gargalhada. Pude vê-la cerrar os punhos e, se eu a conhecia bem, ela estava doida para pular no meu pescoço. - Pois que faça bom proveito dele. Eu não tenho nenhuma vontade de ter o de volta na minha vida. - Andei até a porta e a abri. - Agora saia e se contente em passar o resto da sua vida com as minhas sobras. Porque, se eu não tivesse terminado com ele naquele dia, tenha certeza de que não seria com você que ele estaria agora.
Ela me olhou de uma forma que eu achei que ela voaria no meu pescoço naquele instante, mas, ao contrário do que pensei, ela apenas ajeitou a bolsa e andou até a porta.
- Sobras ou não, é comigo que ele está casado e é comigo que ele tem uma filha. Sou eu que o faço feliz e não você.
- Sério? Se ele fosse tão feliz com você como você clama, você não teria vindo aqui marcar território e fazer com que eu me sentisse miserável com isso. Mas adivinha só, fofa: eu estou muito feliz do jeito que estou e estou pouco me fodendo para o que acontece na sua e na vida do . Você só perdeu o seu tempo vindo aqui. - Dei um sorriso vitorioso e fechei a porta na cara dela.
Era muita audácia dela vir aqui na minha casa e falar todas aquelas coisas como se tivesse algum direito sobre minha vida, em pensar que algum dia ela tinha sido minha amiga. Se é que a amizade tinha sido verdadeira. Segundo Oliver, não tinha. Era difícil, para mim, acreditar que tinha sido tão burra em não ter percebido em nenhum momento a falsidade de .
Voltei para o banheiro, decidida a esquecer do acontecimento de minutos atrás. Não valia a pena e de forma alguma que eu iria ficar perdendo o meu tempo pensando em algo que não me faria bem. Afinal, quem vive de passado é museu.

- Você tem certeza de que não vai se arrepender? - minha mãe perguntou pela milésima vez.
- Eu não vou me arrepender, mamãe. Vai ser ótimo ter a morando comigo - repeti a mesma frase que já tinha repetido pelo menos 10 vezes nos últimos cinco minutos.
- Não sei, ...
Já fazia exatamente meia hora que eu tentava convencer minha mãe a deixar minha irmã morar comigo. No início, ela apresentou um pouco de resistência, mas agora ela estava quase deixando, só precisava de mais um empurrãozinho.
- Por favor, mamãe. Eu estou sozinha nesse apartamento enorme, vai ser ótimo ter alguém morando comigo - insisti. Ela ficou em silêncio, provavelmente considerando o meu pedido.
- Ok, ela pode ir, mas primeiro tenho que falar com seu pai.
- Ótimo, deixe-me saber quando estiver pronta para fazer a mudança.
- Eu tenho que desligar agora, o jantar tá no fogo e eu vou acabar deixando queimar alguma coisa se continuar no telefone. - Ri, lembrando das várias vezes que minha mãe se descuidou com o telefone e deixou a comida queimar.
- Ok, mãe. Eu te ligo outra hora. - Nos despedimos e desliguei o telefone, jogando-o ao meu lado no sofá. Liguei a televisão e comecei a zapear os canais, em busca de algo decente para assistir. Afundei no sofá, sentindo-me sedentária. Já se passava das 6h da tarde e eu não conseguia pensar em mais nada para fazer. Minha vida social estava um lixo. Eu, definitivamente, precisava fazer novas amizades.
De repente, o toque do meu celular desperta minha atenção e eu dou um pulo, pegando o aparelho e colocando-o no ouvido, sem ao menor verificar quem era antes.
- Alô?!
- Isso é ansiedade ou desespero? - a voz de Oliver soou em meu ouvido.
- Os dois. - Ri fracamente. - Estou sem nada pra fazer e isso tá me deixando louca.
- Então se arruma e vamos sair para comemorar, porque o papel é seu! - ele disse, gritando no final.
- QUÊ? - levantei-me em um pulo, sem acreditar.
- Você conseguiu, gata. Você é a mais nova protagonista do Black Widow.
O grito que escapou da minha garganta foi tão alto que eu tinha certeza que todos do prédio tinham escutado, mas eu não ligava. Eu estava feliz mesmo.
- OLIVER, EU TE AMO! - continuei gritando, sem me importar se estava deixando meu amigo surdo com os meus gritos.
- Coisinha, eu sei que é uma notícia maravilhosa, mas também não precisa me deixar surdo, né? - reclamou ele.
- Desculpa, mas é que essa é a melhor do meu dia!
- Tá tudo bem, você já estava perdoada a partir do momento que disse que me amava - disse e eu tinha certeza que ele estava sorrindo do outro lado.
- Besta. - Ri.
- Então, vamos sair pra comemorar ou não?
- Pra onde vamos?
- Ainda to decidindo. Se arruma que eu passo pra te pegar daqui a meia hora.
- Meia hora? Como é que você pede para uma dama se arrumar em meia hora? - questionei, indignada.
- Pedindo, ué - zombou. - Até daqui a pouco. - E desligou sem ao menos me deixar responder. Que filho da puta. Onde estava o meu direito de protesto?
Joguei o celular em cima do sofá de qualquer maneira e segui para o banheiro da minha suíte. Contrariada, tomei um banho o mais rápido que consegui e, logo, já estava de volta ao quarto, enrolada na toalha e procurando algo para vestir.
Eu odiava Oliver por me fazer tomar banho rápido e, consequentemente, me arrumar rápido.
Depois de vestir um vestido vermelho curto e que marcava bem as minhas curvas - porém, não no estilo "puta" -, fui para frente do espelho fazer a minha maquiagem. Procurei ser rápida, já que faltavam apenas 10 minutos para que Oliver começasse a buzinar do lado de fora feito um louco.
Outra coisa que eu detestava em Oliver era a sua pontualidade. Mas eu apenas odiava isso quando eu precisava de mais tempo pra me arrumar... Tipo agora.
Com a maquiagem feita, segui para o closet, em busca de um sapato que combinasse com meu vestido. Acabei por escolher uma sandália preta com algumas tiras e, por fim, peguei uma bolsa, onde coloquei alguns pertences. Me olhei no espelho e sorri para o meu reflexo, aprovando o que via. Para quem se arrumou rápido, até que eu não estava mal.
A buzina soou do lado de fora e do quarto eu pude ouvir o bip de nova mensagem no meu celular. Corri para a sala, peguei o aparelho em cima do sofá e saí de casa, ao mesmo tempo em que tentava responder a mensagem de Oliver, avisando que já estava descendo.
- Wow, wow, wow... Que gata é essa? - Oliver disse quando me aproximei. - Eu disse que meia hora era o suficiente.
- Cala a boca, otário. - Ri, o abraçando. - Olha quem fala de beleza aqui. Se você não fosse meu melhor amigo, eu te pegava.
- Sinta-se à vontade para me pegar, princesa. Não vai ser sacrifício nenhum pra mim - ele sorriu maliciosamente e piscou pra mim.
- Ah, deixa de graça vai. - Revirei os olhos e entrei no carro. - Vamos logo para... Pra onde vamos, afinal?
- Pra um motel, pode ser? - Ele piscou novamente, antes de colocar a chave na ignição.
- Engraçadinho. - Fiz careta e ele riu.
- Vamos para o seu pub favorito.
- O The Time? - perguntei, me animando. Eu amava aquele lugar.
- Yep! - ele fez um barulho estranho com a boca em confirmação.
- Ai, faz tanto tempo que eu fui lá, mas a fila deve tá enorme... Não vamos conseguir entrar lá - disse, já me preocupando.
- Pelo amor de Deus, . Você já viu Oliver Carter ficar esperando em fila? - Ele me olhou por um instante, parecendo indignado. - Eu tenho tudo sobre controle, então relaxa e só diga que eu sou demais.
- Você se acha, não é? - Ri dele. - Seu ego já é enorme o suficiente, não preciso dizer mais nada.
- Chata - responde ele, emburrado. Dou risada de suas gracinhas. Eu me sentia bem perto do meu melhor amigo, ele me fazia rir pelas mínimas coisas. Na verdade, acho que me fazer rir era uma das prioridades dele, já que eu não via muito motivo para rir há muito tempo. Podia-se dizer que ele estava fazendo o trabalho dele muito bem.

Quando chegamos ao pub, a fila estava enorme, como eu já imaginava. Saímos do carro e andamos pela calçada, em direção ao início daquela fila. Enquanto passávamos, algumas pessoas chamaram meu nome, pedindo pra tirar foto, o que me surpreendeu, já que eu só havia feito um filme na Itália e algumas participações em novela. Eu nem era tão famosa assim. Tirei as fotos de bom grado e, logo, me juntei a Oliver novamente.
- Aproveita que daqui pra frente vai ser muito mais gente que isso - ele cochichou para mim.
- E você acha que eu não sei? - perguntei, sorrindo. Eu estava totalmente de boa em ter que tirar foto com fãs, não importando se são dois ou vários. A sensação era ótima de qualquer maneira.
Nos aproximamos do portão e Oliver foi diretamente falar com o segurança responsável pela entrada. Não pude ouvir o que eles dois conversavam, mas logo o segurança nos deixou entrar, após verificar algo em uma lista.
- Te disse - Ollie se gabou, quando passamos pela porta. Ignorei-o e o puxei para o meio daquela loucura. Estava tão lotado que eu duvidava que alguma daquelas pessoas entrasse sem que alguém saísse daqui antes. Andamos até o bar lotado e me infiltrei em meio às pessoas, a fim de conseguir falar com o barman, que por sinal era muito gato.
- Ei, me vê uma Sex on The Beach e uma cerveja pro meu amigo aqui - gritei para que ele me escutasse. Ele, por sua vez, piscou para mim e começou a preparar a minha bebida, após me entregar a cerveja. Virei-me apenas para entregar a bebida a Ollie e voltei minha atenção ao barman gato.
- Aqui sua bebida, gostosa - falou, me entregando o copo. Dei graças a Deus por estar escuro e ele não poder ver o quanto fiquei vermelha. Eu não sabia lidar com elogios, ainda mais quando eles vinham com várias outras intenções. Me limitei a sorrir para ele e saí dali.
- Uma Sex on The Beach, sério? - questionou Ollie, em tom de deboche.
- Uma cerveja, sério? - o imitei.
- Ei, foi você que escolheu, não eu! - protestou.
- Ah, claro. E o que você escolheria?
- Sei lá, uma tequila... Estamos comemorando! Merecemos uma bebida mais forte que essa!
- Hum, tá bom. Vai lá e pede o que quiser que eu tomo! - Entreguei meu copo vazio a ele.
- Eu peço, mas estamos aqui não só pra comemorar, mas para nos divertir também, então quero te ver se divertindo - advertiu.
- Está dizendo que eu não sei me divertir? - Ergui a sobrancelha e cruzei os braços.
- Estou. - Ele me olhou de forma desafiadora, quase que me convidando a negar.
- Pois eu vou te mostrar que eu sei me divertir, sim! - berrei e eu mesma segui para o bar. - Ei, barman gostoso, eu quero uma das bebidas mais fortes que você tem aí.
- É pra já. - Ele começou a misturar umas bebidas e logo me entregou o copo com um líquido de uma cor que não consegui distinguir, mas não perguntei, apenas coloquei o líquido para dentro de uma vez, o sentindo queimar minha garganta a cada gole que eu dava. Olhei para o lado e vi que Ollie me observava com um sorriso nos lábios, enquanto bebia algo. O sorriso dele era uma mistura de desafio com deboche. Ele estava praticamente me convidando a mostrar que ele estava certo e eu errada. Ah, mas ele ainda não viu nada.
Pedi mais uma dose da tal bebida e, após beber tudo em um só gole, fui até ele e o puxei para a pista de dança. Tocava um remix de uma música da Beyoncé, então, não foi difícil para que eu entrasse no clima e logo eu e Ollie estávamos frente a frente dançando no ritmo da música.
- Sabe, beber e dançar é muito fácil pra você - ele gritou para que eu pudesse ouvir. - Quando eu falei diversão, eu quis dizer diversão por completo, com direito a tudo, inclusive arrumar alguém. - Revirei os olhos.
- Pensei que tínhamos vindo comemorar juntos.
- E viemos, mas isso não te impede de pegar algum cara e comemorar de outra forma. - Ele deu uma risada maliciosa.
- Então vamos nos divertir de outra forma, ué. - Ele me olhou, parecendo surpreso com a minha resposta.
- Você primeiro. Arrume um cara e depois eu vou atrás de alguém.
- Acho que já arrumei.
- É? Qu... - Puxei-o pela gola da camisa e selei nossos lábios, não deixando que ele terminasse de falar. Oliver pareceu surpreso com a minha atitude em certo momento, mas logo pareceu se recuperar do choque, pois suas mãos foram para minha cintura e o beijo foi aprofundado. A verdade é que eu também estava surpresa com a minha atitude, eu nunca tinha me imaginado beijando meu melhor amigo, mas se ele queria tanto que eu me divertisse e, já que viemos para cá comemorar juntos, por que não ele? Era melhor ficar com alguém que eu já conhecia do que com alguém que eu nunca tinha visto na vida. - Wow, o que foi isso? - perguntou ele, meio atordoado.
- Um beijo. Você queria que eu comemorasse de outra forma, então, estamos comemorando - respondi, enfiando minha mão por dentro de sua camisa e arranhando sua barriga. Pude senti-lo se contrair.
- Tem certeza?
- Toda. - Mordi o lábio inferior dele e voltamos a nos beijar.
Quando nos separamos novamente, o puxei para fora da pista de dança e subimos uma escada. Como esperado, a parte de cima estava um pouco mais vazia do que o térreo. Andei por entre as pessoas e logo empurrei Ollie para que se sentasse na poltrona, e me sentei em seu colo em seguida.
- O que você está fazendo?
- Me divertindo, oras. - Ri. - Não se preocupe, aqui está escuro o suficiente para que ninguém nos veja. Beijamo-nos novamente e as mãos de Ollie foram para minhas coxas descobertas, apertando-as.
Passei a beijar seu pescoço avidamente, enquanto uma das minhas mãos descia por seu peito, em direção ao caminho da felicidade. Passei meus dedos por seu membro e o apertei levemente, sentindo-o ficar duro dentro da calça. Oliver gemeu perto do meu ouvido, o que fez com que eu ficasse ainda mais molhada. Voltei a subir minhas mãos, desabotoando a calça no processo e, por fim, segurei a barra de sua camisa, puxando-a pra cima, e a peça foi retirada e jogada ao nosso lado.
Ollie, por sua vez, empurrou seu corpo contra o meu, causando fricção das nossas intimidades e começou a distribuir beijos por meu colo, descendo até o meu seio direito, onde abaixou o meu vestido tomara que caia e tomou o meu mamilo com os seus lábios enquanto sua mão massageava o outro. Joguei a cabeça pra trás, gemendo e cheia de tesão. Eu já imaginava que Oliver fosse bom, mas ele estava superando minhas expectativas.
Com a mão livre, Ollie levantou meu vestido e, sem pensar duas vezes, rasgou minha calcinha fina de renda. Eu não reclamei, na verdade, eu sequer me importava com isso. Não demorou para que ele começasse passar os dedos por minha intimidade. Estremeci em seu colo, quando ele passou o dedo ao redor de minha entrada.
- Ah, , tão pronta... - ele murmurou, perto de meus lábios. - mexi meu quadril sobre o seu dedo e ele enfiou seu dedo em minha entrada, fazendo-me gemer seu nome. Ele tirou o dedo e deslizou por minha vagina até chegar ao meu ponto de prazer, onde ele pressionou o dedo delicadamente. Porra! Ele estava me torturando. Porque ele não me fodia logo?
Como se lesse meus pensamentos, ele afastou a mão de minha intimidade e me suspendeu para que ele pudesse abaixar a calça e a cueca o suficiente para liberar o seu membro duro. Ele me olhou mais uma vez, como que para confirmar se eu tinha certeza do que estava fazendo. Assenti para ele, louca para senti-lo dentro de mim e, em um único movimento, ele me penetrou, fazendo-me arfar e revirar os olhos de prazer.
Comecei a me movimentar e Ollie colocou as mãos em minha cintura, para me ajudar com os movimentos. O membro dele entrava e saía em um ritmo constante. Ambos gemíamos o nome do outro e, vez ou outra, trocávamos beijos para abafar os gemidos. Não que alguém fosse escutar a gente, devido a música alta, mas sempre era bom se prevenir.
- ... Se eu soubesse que você era tão gostosa assim, tinha tentado antes - Ollie sussurrou em meu ouvido, enquanto dava investidas fortes. Gemi em resposta, sem conseguir dizer nenhuma palavra. Caralho! Eu tinha esquecido o quanto sexo era bom.
As investidas de Ollie ficavam cada vez mais rápidas e frequentes. Meu corpo todo se contraía em sinal de que eu já estava quase lá... E, então, eu explodi. Os espasmos tomaram conta de meu corpo enquanto eu sentia a maravilhosa sensação do orgasmo. Oliver também chegou ao ápice, após mais duas investidas e relaxou o corpo, jogando os braços ao lado do corpo. Encostei a testa em seu ombro, tentando normalizar a minha respiração.
Eu tinha acabado de fazer sexo com meu melhor amigo, praticamente no meio de um pub. Tem noção do quanto isso era louco? Ri do meu pensamento e me afastei de Ollie, mas ele me segurou, me impedindo de me mover.
- Do que está rindo?
- Do quanto essa situação é louca... Você é meu melhor amigo! - ele riu também. - E você ainda disse que eu não sei me divertir.
- Eu estava errado, tenho que admitir - ele sorriu. - Mas... Você não acha isso estranho?
- Isso não arruinar nossa amizade, se é o que você quer dizer - sorri. - Tô até feliz de que tenha sido com você e não com um estranho qualquer.
- Claro, é muito fácil não se envolver com ninguém quando se tem um amigo gostoso à disposição, né - debochou.
- Deixa de ser besta! - dei um tapa em seu braço e ele soltou um “ouch”. - Você destruiu minha calcinha! - reclamei, fingindo estar indignada.
- Você não pareceu se importar, minutos atrás... - Ele deu de ombros.
- Eu estava com tesão, a única coisa que eu queria era que você me comesse. - Ele abriu a boca, chocado.
- Que palavreado feio para uma dama - disse, com um sorriso zombeteiro.
- Ah, vai te ferrar, Carter. - Ri e me levantei. Arrumei meu vestido e meus cabelos. Eu teria que ir ao banheiro retocar a maquiagem. Oliver ficou em pé também e logo se posicionou ao meu lado, todo vestido. - Se alguém notar que eu estou sem calcinha, eu te mato! - ameacei.
- Anda logo, gata. Vamos voltar a nos divertir - disse e deu uma tapa em minha bunda. O olhei chocada, mas ele apenas piscou pra mim e andou em direção às escadas. Balancei a cabeça, rindo, e o segui.

Minha cabeça estava quase explodindo quando acordei na manhã seguinte. Ou era tarde? Eu não sabia.
Um bilhete de Ollie estava ao meu lado na cama, pedindo para que eu tomasse os remédios que ele tinha deixado em cima da mesinha de cabeceira. Sorri, pensando no quanto meu amigo era um anjo por cuidar de mim. Eu não cansava de dizer para mim mesma que eu tinha sorte de tê-lo como amigo, e não tinha como eu não dizer. Era a mais pura verdade.
É claro que eu não lembrava todos os acontecimentos de ontem à noite, mas eu me lembrava perfeitamente do momento de prazer que eu tive com ele. Eu não me arrependia do ocorrido, apesar de nunca ter imaginado que um dia isso aconteceria com ele. Eu sabia que nada disso afetaria nossa amizade, Oliver sabia que nós nunca seríamos algo além disso e ele estava de bem com isso. Nós estávamos de bem com isso.
Depois de tomar um bom banho gelado e um café quentinho, sentei-me no sofá para assistir alguma coisa na TV. O relógio marcava 2h da tarde e eu não teria nada pra fazer hoje, a não ser ficar em casa, vendo TV o dia todo. Com o controle, mudei os canais em busca de algo que prestasse pra assistir e acabei por deixar em um seriado de TV chamado Once Upon A Time. Era a primeira temporada e parecia ser bem interessante. Eu amava contos de fadas e, pela história ser bem diferente, me chamou ainda mais atenção.
Contanto, eu não estava preparada para o que veio a seguir. O personagem do xerife da cidade era, nada mais, nada menos, que . Que droga, até no seriado que eu já estava gostando, ele tinha que aparecer?
Desliguei a televisão, me sentindo frustrada. É claro que alguma hora eu me depararia com a imagem de em algum filme ou série, afinal, ele era um ator, mas eu ainda não conseguia olhá-lo, mesmo que fosse na televisão. Já tinha sido bem difícil vê-lo dias atrás, ainda mais na recente situação que ele se encontra: casado com a minha ex-melhor amiga.
Eu não sabia o que faria se algum dia eu tivesse que contracenar com para algum filme. Eu só esperava que isso nunca acontecesse.
De repente, meu celular toca e eu pego o aparelho e atendo, após ver que era Oliver que estava me ligando.
- Oi.
- Está melhor? - perguntou ele, preocupado.
- Estou sim, obrigada por ter deixado aquele comprimido pra mim.
- Que isso, os amigos são pra isso... Só não abusa. - Ele ri e eu o acompanho. - Tenho novidades pra você.
- Diga - me ajeitei no sofá, a curiosidade transbordando em minha voz.
- Trevor, o diretor do filme, quer que você vá até o set de gravações no fim da tarde.
- De que horas?
- Você tem que tá lá às 5h - respondeu. - Ele quer que você conheça o resto do elenco, incluindo o ator que vai fazer o seu par romântico.
- Certo - concordei, já sentindo um nervosismo antecipado.
- Você quer que eu vá com você?
- Quero - respondi, sem pensar duas vezes. - Eu preciso de alguém comigo para que eu não faça ou fale besteira.
- Tudo bem, eu passo pra te pegar às 4:30. Esteja pronta, não podemos nos atrasar.
- Ok, sem atrasos - concordei. - Obrigada, Oliver. Você é demais.
- Eu sei. - Ele riu. - Até mais.
- Até. - Desligamos. Voltei a afundar no sofá, me sentindo totalmente ansiosa. Quem seria o ator que iria contracenar comigo? Eu esperava que ele, pelo menos, fosse bonito.

- Nervosa? - Ollie perguntou, assim que entrei em seu carro.
- Um pouco.
- Vai dar tudo certo. - Ele pegou minha mão, me passando força. - Eu vou estar lá do seu lado.
Sorri para ele, assentindo, e ele voltou a olhar para frente, ligando o carro e dando partida. Liguei o som para ver se conseguia me distrair com alguma coisa.
- Eu achei que você fosse ficar estranha depois de ontem - Ollie disse, de repente.
- Quê? Por quê? - Franzi o cenho, sem entender.
- Bem... Você sabe por quê.
- Ah... Não, não - neguei prontamente. - Claro que não. Nós somos adultos, Ollie. Se eu não soubesse lidar com a situação de, uh, ter relações com meu melhor amigo e ainda continuar a amizade, eu não teria dado o primeiro passo.
- Então você está de boa com o que aconteceu?
- Claro, você não? - devolvi a pergunta.
- Estou, já tivemos essa conversa antes, lembra? Nada mudou.
- Nada mudou pra mim também. - Pisquei pra ele.
Há exatamente um ano, Oliver e eu conversamos sobre o que faríamos se, algum dia, tivéssemos qualquer tipo de relação física e ambos chegamos ao consenso de que, independente do que acontecesse, não deixaríamos que isso afetasse a nossa amizade. E era isso que estávamos fazendo.
- Chegamos - ouvi a voz dele e olhei para fora, vendo a enorme entrada para o set.
- Vamos logo com isso. - Tirei o cinto e saltei do carro. Oliver se juntou a mim e, juntos, entramos no local.
- Como se sente?
- Ansiosa. Esse papel é importante, e confesso que estou louca pra conhecer o resto do elenco.
- ... - Ele parou, fazendo-me parar também. - Vai com calma, ok?
Ele parecia um pouco receoso, mas não dei muita importância a isso. Ele só estava com medo de que eu estragasse tudo. Bem, isso não ia acontecer.
- Relaxa, está tudo bem. Não vou fazer nenhuma besteira - assegurei e ele pareceu se acalmar.
Voltamos a andar pelo set e não demorou para encontrarmos o diretor. Ele não nos viu logo de cara, pois estava muito entretido em uma conversa com homem que não pude identificar, pois estava de costas, mas, assim que me viu, sorriu para mim, como se estivesse feliz por me ver. Bom sinal.
- Aí está a nossa estrela! - exclamou e a pessoa que estava de costas se virou para mim.
Eu preferia que isso não tivesse acontecido.
Parei bruscamente, em choque e surpresa. O sorriso que estava em meu rosto desapareceu instantaneamente. Bem à minha frente estava .
O destino só podia está mesmo de brincadeira com a minha cara.

Capítulo Três

Não sei por quanto tempo fiquei ali, estática, sem acreditar no que estava vendo. estava ali e isso era um sinal de que ele iria fazer parte do mesmo filme que eu. Ele era parte do elenco e eu não sabia se conseguiria lidar com isso. Parecia ser demais para mim.
Senti um aperto na minha mão e desviei o olhar, encontrando o de Ollie. Ele sussurrou algo como “controle-se” e apontou para o diretor com a cabeça. Voltei a olhar para frente e sorri um pouco forçado para Trevor, ignorando um visivelmente atordoado.
- Oi, Trevor. Tudo bem? - perguntei educadamente, depois que ele me abraçou em cumprimento.
- Tudo ótimo! - ele abriu um sorriso de orelha à orelha. - Vem cá! - ele me puxou para perto do . - Eu sei que vocês se conhecem - ele sorriu para mim, se desculpando -, e sei que isso é uma situação meio constrangedora, mas vocês serão colegas de trabalho agora... Melhor ainda, ele será o seu par romântico... Então, espero que não seja um problema.
Arregalei os olhos e imitou minha expressão. Acabou de ficar pior do que eu imaginava.
Eu queria poder gritar que, sim, seria um problema, que eu não queria fazer parte de um mesmo filme que o , quanto mais ser par romântico dele, mas, infelizmente, no mundo dos famosos não era assim que funcionava. Eu precisava daquele papel para decolar com a minha carreira e não ia jogar tudo fora por causa dele. Ele já arruinou minha vida uma vez, eu não iria deixar que isso acontecesse novamente.
Então, o que me restou foi colocar um sorriso completamente forçado no rosto e encarar um diretor de feições ansiosas.
- Não, não será nenhum problema.
- Maravilha! - exclamou Trevor, feliz da vida. - Venham, vou apresentar vocês ao resto do elenco e da produção! - disse e, sem esperar resposta, começou a arrastar nós dois para algum lugar. Olhei para trás, encontrando Oliver, mas ele apenas fez um gesto me desejando boa sorte.
Voltei a olhar para frente, me sentindo a pessoa mais sem sorte do mundo. Eu devia ter feito algo muito ruim para receber um castigo desses. Durante o caminho, mantive meu olhar no chão, eu não queria ter que olhar para e lembrar coisas que deixassem essa situação ainda mais desconfortável.
- Achei você! - Trevor exclamou e eu levantei o olhar, dando de cara com uma morena bonita. Espera... Eu a conheço de algum lugar.
- Knowles? - arregalei os olhos, completamente surpresa.
- Eu mesma - ela sorriu para mim e eu tive que controlar os meus nervos de fangirl. - Você é a , né?
- Sou. , prazer - estiquei minha mão e ela apertou amigavelmente. - Eu sou muito fã do seu trabalho.
- Ah, obrigada. É muito bom saber disso.
- Ótimo, já vi que vocês vão se dar bem - Trevor se intrometeu. - Continuem assim, pois vocês vão ser melhores amigas no filme. - O celular dele começou a tocar e fez um sinal de “já volto” e se afastou.
Ok. Agora eu tive que me controlar para não soltar um grito de felicidade. Melhor do que contracenar com Knowles, era, com certeza, fazer o papel de melhor amiga dela. Meu Deus, uma boa coisa acontecendo no meio de tanto azar!
- Vai ser um prazer contracenar com você, - disse, sorrindo de orelha à orelha.
- Me sinto da mesma forma em relação a você - ela respondeu e eu tive vontade de abraçá-la. - E , vai ser ótimo contracenar com você novamente - ela disse, se dirigindo ao ser que estava parado ao meu lado. Até tinha esquecido que ele estava ali. abriu a boca para responder, mas Trevor voltou, interrompendo.
- Desculpem, mas eu tenho que ir resolver uma coisa urgentemente - disse e se virou para . - Você pode apresentar eles ao resto do elenco?
- Claro - ela respondeu sorrindo.
- Ótimo! Vejo vocês daqui a dois dias para o inicio das gravações - concordamos e, logo, ele deixou o local.
- Bem - pigarreou, chamando minha atenção -, eu vou apresentar vocês ao resto das pessoas.
Ela olhou de mim para por um segundo, mas o suficiente para saber que ela sabia de todo o drama mexicano que nos envolvia. pigarreou, parecendo desconfortável e, eu, por outro lado, fingi que não tinha percebido e tratei de segui-la pelo set.
Ao contrário do que eu esperava, os minutos que se seguiram passaram rápido e, quando dei por mim, eu já tinha conhecido todo mundo que eu precisava conhecer e até quem não precisava. tinha sido bastante atenciosa e a todo tempo puxava conversa comigo sobre algo e, apesar de estar diretamente envolvido em tudo, eu não me senti tão desconfortável como eu imaginei que iria. Eu teria que me acostumar, eventualmente. Afinal, iria ser meu par romântico e eu teria que o ver todos os dias.
Era algo novo pra mim e que eu nunca tinha pensado em fazer, mas eu não iria deixar que minha vida pessoal atrapalhasse a minha vida profissional.
Porém, toda essa minha confiança foi para o buraco quando teve que ir embora e eu me vi sozinha com . Onde Oliver tinha se metido?
Mantive o meu olhar sempre à frente enquanto seguíamos todo o caminho de volta à entrada. O clima tinha ficado tão tenso e pesado que qualquer um ali perceberia na hora. O silêncio entre a gente estava tão incômodo que eu tinha vontade de sair correndo dali, porém, eu não ia quebrá-lo. Eu não tinha mais nada para falar com ele.
- Você tá diferente - a voz dele saiu tão baixa que, por um momento, eu achei que estava alucinando. Virei minha cabeça lentamente na direção dele, buscando em minha mente uma resposta.
- Você também está - disse, simplesmente.
- Eu deveria ter te contado - ele disse, depois de alguns segundos de silêncio. Olhei para ele sem entender. - Sobre eu e , quero dizer - esclareceu.
- Você não me deve explicações, - respondi. - Você me traiu, eu terminei com você e fui embora. Você dormiu com minha melhor amiga pouco tempo depois, casou com ela e vocês tiveram uma filha. Eu não vou te julgar por ter seguido em frente.
- Não é o que tá parecendo.
- Eu só queria que ela tivesse me contado, só isso - disse. - Mas, agora eu sinto como se nunca tivesse a conhecido de verdade. Na verdade, eu sinto como se todo o meu passado tivesse sido uma mentira.
- Ei - ele tocou o meu braço, fazendo-me parar de andar e olhá-lo -, o que nós vivemos não foi mentira. Eu te amei, , de verdade.
- Me desculpe por não acreditar nisso - retruquei friamente. - E me desculpe por ter aparecido na sua casa sem avisar, eu só queria rever a amiga que eu achava que tinha.
- Ver você na minha casa depois de um tempo foi um choque, sim. Tanto pra mim, como pra . Afinal, achávamos que você sabia de tudo.
- Não, eu não sabia e eu realmente não quero continuar essa conversa com você - revirei os olhos e voltei a andar.
- Olha, eu sei que você provavelmente me odeia - ele continuou, me seguindo -, mas, eu não quero que você deixe que isso afete o nosso trabalho. Esse papel é importante pra mim.
- É importante pra mim também - rebati. Felizmente, estávamos chegando à entrada e eu já podia ver Oliver. Olhei para mais uma vez, parando à sua frente. - Não se preocupe, , eu não vou deixar que meu ódio por você afete o nosso trabalho. Eu sei ser profissional - disse e, sem esperar resposta, dei as costas e andei em direção ao meu melhor amigo.
- O que aconteceu? - Ollie perguntou assim que me aproximei.
- Eu não vou aguentar conviver com ele todos os dias.
- Calma. Ele disse alguma coisa pra você? - perguntou, preocupado.
- Ele veio dizer que devia ter me falado sobre ele e . - olhei para baixo, suspirando, mas logo voltei minha atenção para ele. - É muito pra assimilar. Eu só queria um pouco de paz. - suspirei mais uma vez, me sentindo cansada emocionalmente.
- Ei, não fique assim. Você é forte e já passou por muita coisa, eu sei que vai conseguir passar por mais essa. - ele colocou as mãos nos meus ombros, como que para me passar confiança.
- Não estou tão confiante assim.
- Pare com isso. já estragou demais a sua vida. Ele não merece uma lamentação sequer sua!
Parei para pensar nas palavras dele. Ele estava com toda a razão. Essa não era eu. Eu não me lamentava por homem nenhum, não mais. Eu já tinha sofrido demais por nos últimos dois anos, enquanto ele estava aqui, construindo uma vida, uma família com a pessoa que eu considerava minha melhor amiga. Isso tinha que parar. Eu era melhor do que isso.
- Você tem razão. Eu sou melhor do que isso.
- É esse o espírito! - ele sorriu e eu o acompanhei. - Agora vamos pra casa, você tem que descansar.
- Ah, eu estou precisando. Sinto como se não tivesse recuperado todas as minhas energias ainda.
- Nossa, eu já sabia que era bom, mas você falando dessa forma... - Ele abriu a porta do carona e ficou me olhando com um sorriso malicioso. Minhas bochechas coraram e eu olhei para o lado, evitando o seu olhar. De longe, pude ver entrando em seu veículo. Por um momento, nossos olhares se cruzaram, mas logo tratei de desviar o olhar e entrei no carro. Oliver assumiu o seu lugar no banco de motorista e, logo, saímos do local.

- Entregue, senhorita - Oliver disse assim que parou o carro em frente ao meu prédio.
- Obrigada por ter ido comigo hoje.
- Você tem que parar de me agradecer por tudo - revirou os olhos. - Só faltou me agradecer por ter te dado o melhor orgasmo da sua vida ontem.
- Bem... Eu não diria melhor orgasmo da minha vida - retruquei e um sorriso surgiu no canto dos seus lábios.
- Meu ego é enorme o suficiente para eu não me sentir afetado com isso.
- Foi o que eu imaginei - ri e abri a porta do carro. - Você quer subir?
- Calma, gata! Pensei que quisesse recuperar as energias.
- Você não tem jeito - revirei os olhos. - Retiro o meu convite.
Ele riu e se esticou para me dar um beijo no rosto. Saí do veículo, fechei a porta e me apoiei na janela quando o ouvi falar.
- Até amanhã, tampinha.
- Ah, agora vai ficar me dando apelidos, é? - cerrei os olhos.
- É mais forte que eu - deu de ombros. Revirei os olhos, sorrindo.
- Até amanhã, Oliver. - Me afastei e segui meu caminho para dentro do prédio.
Cumprimentei o porteiro ao passar e, logo, segui para o elevador. Alguns minutos depois, adentrei meu apartamento e segui direto para o meu quarto, tirando os sapatos de salto no caminho. Olhei para minha cama, me sentindo exausta, e não pensei duas vezes antes de me jogar na mesma, adormecendo em questão de segundos.

- Você tem mesmo certeza sobre isso, ? - minha mãe perguntou pela milésima vez naquela manhã.
Eu tinha acordado mais cedo do que devia, porque minha irmãzinha não conseguiu esperar até o fim de semana e queria se mudar naquele dia, no meio da semana. Ignorei o fato de que eu teria que ficar em casa e ensaiar o roteiro para o primeiro dia de gravações no dia seguinte e cá estou, na casa da minha mãe, no meio de milhares de caixas de mudança. Sim, eu não estou exagerando. Quer dizer, eu já sabia que uma adolescente normal teria muitas coisas, mas era fora do normal, sério.
- Tenho mãe, já disse isso mil vezes.
- Desculpe, eu só quero ter certeza.
- Eu sei que deve ser difícil deixar sair de casa, mas ela vai estar em boas mãos e eu já tenho 22 anos.
- Eu sei que você é responsável, mas você já tem que se preocupar com o novo filme que vai gravar. Não quero te dar mais uma responsabilidade.
- sabe o que está fazendo, mãe - adentrou a sala carregando mais uma caixa. - Além do mais, eu sei me comportar.
- Eu sei. Acho que ver você ir é mais difícil do que eu pensava - minha mãe suspirou, derrotada.
- Não seja tão dramática, mamãe - revirou os olhos. - Só estou mudando de casa, não de país.
- Tudo bem - ela ergueu as mãos, se rendendo. - Só não esqueça que tem mãe.
- Ela não vai esquecer - disse. - Além do mais, você pode ir visitar suas filhas sempre que quiser.
Ela assentiu, conformada. Eu entendia minha mãe, não era fácil ver mais uma de suas filhas sair de casa. Ela tinha tido a mesma reação quando eu decidi morar sozinha anos atrás e ela teve uma reação ainda pior quando eu decidi mudar para a Itália há dois anos.
- Que tal vocês virem me ajudar ao invés de ficarem de conversa fiada aí? - reclamou, enquanto trazia mais uma caixa de seu quarto. Sério, essas caixas não paravam de vir?
- Sim, senhora - minha mãe e eu dissemos ao mesmo tempo e a seguimos, rindo.

- Okay - soltei a última caixa em cima do sofá e suspirei, cansada. - Como você planeja levar essa montanha de coisas para minha casa? - questionei. Já se passava das 6h da noite e eu sequer tinha estudado o meu roteiro como qualquer atriz profissional faria.
- Eu chamei uns amigos para me ajudar, eles vão chegar aqui a qualquer minuto.
- Certo - concordei. - Eu vou andando e espero você lá.
- Tudo bem, eu sei que você tem estudar o seu roteiro e você já ajudou muito, não quero atrapalhar.
- Fazer essa mudança toda não atrapalharia? - minha mãe interveio. - Talvez seja melhor você só ir amanhã.
revirou os olhos e eu não contive o sorriso. Era muito fofo ver a relutância da minha mãe em deixar minha irmã sair de casa, mas também não era para menos, minha irmã só tinha 16 anos.
- Não vai atrapalhar, não se preocupe - disse.
- Esse é o problema, . Ela se preocupa demais - revirou os olhos, mais uma vez.
- Enfim - resolvi falar algo, antes que as duas começasse uma discussão sem fim -, eu vou indo... Até mais.
Dei um beijo na minha mãe e um abraço rápido em . Minha mãe, por sua vez, fez questão de me levar até a porta, fazendo mil e uma recomendações durante todo o trajeto. Ela conseguia ser mais exagerada que .

Quando eu, finalmente, entrei em casa, tudo o que se passava na minha mente era o quanto eu queria dormir e o quanto eu não podia fazer aquilo naquele momento. Eu sabia que tinha que estudar o meu roteiro e eu sequer sabia a história certa do filme, além de que eu seria amante do personagem principal, que por sinal era . Suspirei ao lembrar-me de tal fato e segui para cozinha. Eu não conseguiria me concentrar direito sem uma boa dose de cafeína no sangue.
Enchi minha xícara de café e bebi um gole e, imediatamente, me senti um pouco melhor. Com a xícara em mãos, saí da cozinha, peguei meu celular na sala e segui para o corredor, em direção ao meu escritório. Assim que me sentei na minha confortável poltrona, meu celular apitou e, imediatamente, peguei o aparelho, logo identificando uma mensagem do meu melhor amigo na tela.

E aí, está gostando do roteiro do filme? Xx

Senti vontade de rir. Ah, se ele soubesse que eu não tinha lido sequer uma folha.

Não me mate, mas eu ainda não li nada.

Mordi o lábio e cliquei no botão “enviar”, sabendo que eu receberia uma bronca.

QUÊ?
Você está louca?

Dei um riso nervoso. Eu sabia que Oliver não estava aqui e não podia me ver, mas eu o conhecia tão bem que sabia que ele estava puto comigo.

Minha irmã inventou de se mudar hoje e eu tive que ajudá-la.

Respondi rapidamente e não demorou nem cinco segundos para que meu celular vibrasse novamente, mas dessa vez não era mensagem. O nome de Oliver piscando na tela demonstrava claramente que aquilo era uma ligação.
Que merda.
Fechei os olhos com força e atendi a ligação, já preparada para um dos ataques de Oliver, porém, dessa vez ele tinha razão.
- Oi...
- VOCÊ ESTÁ LOUCA? - ele gritou e eu afastei o telefone do ouvido para que não acabasse ficando surda. - COMO VOCÊ VAI AJUDAR SUA IRMÃ AO INVÉS DE ESTUDAR O ROTEIRO?
- Calma - pedi. - Eu estou estudando agora.
- , ISSO NÃO É UMA DAS NOVELAS ITALIANAS QUE VOCÊ PROTAGONIZOU! ISSO É UM FILME DE FUTURO SUCESSO MUNDIAL! - esbravejou.
- Eu sei disso e estou dando o meu melhor, ainda mais depois de saber que é...
- Não ouse! - me interrompeu. - Não coloque no meio disso, você precisa ser profissional.
- Eu sei...
- MAS NÃO PARECE! - ele suspirou e voltou a falar, agora mais calmo. - Eu falo sério quando digo que esse papel vai ser ótimo pra sua carreira, . Você tem que dar muito mais do que o seu melhor pra isso, tem que se comprometer.
- Você tem razão, me desculpe.
- A partir de agora, você tem que pensar em como o seu parceiro de filme e não como seu ex-noivo canalha. Você pode fazer isso?
- Posso - suspirei. É claro que eu podia, não é? não significava mais nada pra mim.
- Então me mostre que é mesmo capaz começando a ser mais profissional e se dedicando mais ao papel que você vai protagonizar - ele disse e desligou. Olhei para o telefone, atordoada com as palavras duras dele. Eu sabia que Oliver estava puto comigo, mas também sabia que ele estava com a razão.
Respirei fundo, deixei o celular de lado e puxei as folhas do roteiro pra minha frente, decidida a me concentrar e não deixar que nada afetasse a minha concentração aquela noite.
Nas próximas horas permaneci tão concentrada em ler tudo sobre o filme e estudar as primeiras falas, que eu sequer ouvi quando minha irmã e sua enorme mudança chegaram. Ela não veio me procurar, o que foi ótimo, pois eu não poderia perder mais nenhum segundo de distração com algo que não fosse minhas falas.
Lendo o roteiro, descobri que o filme era muito mais do que um affair de uma viúva com um homem casado. Minha personagem, Melissa Summers, era uma espiã designada a espionar a vida do personagem do , Otto Smith, um criminoso perigoso e marido da melhor amiga da personagem principal. É um verdadeiro drama misturado com um pouco de ação, pelo menos a história do filme era interessante, o que facilitou muito.
Quando dei o décimo bocejo em menos de dez minutos, decidi parar um pouco e me assustei ao verificar as horas e ver que já se passava da meia-noite. Me espreguicei e me levantei da cadeira, decidida a ir dormir, pois eu teria que acordar cedo e, a essa altura, eu não conseguiria ler mais nenhuma linha. Eu precisava urgentemente descansar se quisesse estar bem disposta amanhã.
Larguei os papéis em cima da mesa e saí do local, dando de cara com minha irmã ao abrir a porta.
- Você está acabada.
- Obrigada pela sinceridade - sorri com humor.
- É sério, você precisa descansar.
- Eu sei, você também. Ou você acha que eu esqueci que você tem aula? - ela revirou os olhos.
- Não planejo faltar amanhã, se é o que te preocupa.
- Então é melhor você ir dormir - empurrei-a em direção do quarto de hóspedes, que agora seria o quarto dela. - Que bagunça! - exclamei ao notar o quarto cheio de caixas vazias.
- Tem mais na sua sala, mas amanhã eu arrumo tudo, prometo.
- Acho bom mesmo.
- Tá bom, agora vai dormir - foi a vez de ela me empurrar para fora de seu quarto.
- Boa noite - joguei beijos no ar para ela e entrei no meu quarto em seguida.

- Bom dia - cantarolei ao sair do carro e dar de cara com Oliver me esperando. Ele ergueu a sobrancelha, provavelmente se perguntando de onde vinha todo aquele animo.
- Bom dia - ele respondeu. - Nervosa?
- Nem um pouco - respondi confiante e ele me olhou como se não acreditasse. - Quê? - soltei um riso forçado.
- Você tá confiante demais, gosto disso - concluiu e um sorriso verdadeiro apareceu em seus lábios.
- Bem, eu tenho que ser depois de todo aquele sermão. - Ele cerrou os olhos, mas o sorriso permaneceu em seus lábios.
- Você mereceu.
- Eu sei.
Ele se aproximou de mim e envolveu meus ombros.
- Vamos? Quero acompanhar o seu primeiro dia de pertinho - ele começou a andar, forçando-me a fazer o mesmo e, logo, entramos no set.
- Você sabe que isso não é necessário - olhei para ele.
- É mais do que necessário - retrucou. - Você está toda confiante, mas não quero ver você confiante só agora, quero que mostre confiança lá dentro também, principalmente na frente do .
- Eu não vou deixar que ele ou qualquer coisa que eu já tive relacionada a ele me afetar, Oliver. Já tivemos essa conversa.
- Você não deve dizer isso só pra mim, . Repita isso pra si mesma, várias vezes, até você se sentir confiante o suficiente pra enfrentar esse filme sem se abalar.
- Oras, e você acha que eu já não fiz isso? - revirei os olhos.
- Ótimo, continue assim e arrase no seu primeiro dia - disse. Abri a boca para responder, mas fui interrompida pelo meu amado diretor.
- ! Que bom que chegou cedo - ele se aproximou sorridente. - Oliver - ele acenou para meu amigo, que retribuiu o gesto.
- Olá, Trevor.
- Está ansiosa? - perguntou curioso.
- Sim, mal posso esperar para começar a gravar.
- Ótimo! Venha comigo, quero te dar algumas instruções.
Olhei para meu melhor amigo, que apenas assentiu e eu segui Trevor para o que parecia ser a sala dele.
- Entre, senhorita - ele abriu a porta e deu espaço para que eu passasse primeiro. Sorri em agradecimento e adentrei o local, que era bem simples, por sinal. - Sente-se - ele apontou para a cadeira e eu não pensei duas vezes antes de me sentar. Trevor fez o mesmo e se sentou em sua cadeira, à minha frente. - Imagino que já deve saber sobre o que o filme se trata, certo?
- Sim, senhor - concordei.
- Por favor, não precisa ser formal - ele riu.
- Claro - sorri nervosamente.
- Bem, , eu vou ser direto. Você sabe que você vai ser o par romântico, se pudermos colocar assim, do seu ex-noivo, , e eu pude perceber que você não ficou muito satisfeita com isso - ele parou e me analisou por um momento. Ah, não. Isso não era um bom sinal. - E, como o diretor desse filme, eu quero que ele seja um sucesso e que nada dê errado. Então, eu preciso saber se você é capaz de deixar as diferenças pessoais de lado e trabalhar com o normalmente, pois eu não vou tolerar comportamentos que prejudiquem o andamento do meu filme.
Engoli a seco. Levar broncas do meu chefe não era algo que eu estava esperando para o meu primeiro dia, ainda mais sem eu ter feito nada.
- Não se preocupe, Trevor. Eu estou disposta a ser o mais profissional possível e não irei misturar com a minha vida pessoal - respondi, tentando passar para ele a mesma confiança que tinha passado para Oliver.
- Assim espero - ele sorriu, satisfeito. - Já tive essa mesma conversa com e ele também concordou que trabalhar com você não será problema.
Claro que ele concordou. Deixar minha vida mais fácil ninguém quer.
Se eu soubesse que voltar para Londres iria me tratar tantos problemas e coisas das quais eu tinha fugido por dois anos, eu teria ficado na Itália.
- Que bom - dei um sorriso forçado, mas ele não percebeu.
- Outra coisa que eu quero tratar com você, é que, talvez, você tenha que fazer algumas mudanças no seu visual e eu preciso saber se você está de acordo antes de passar as instruções pro pessoal que irá cuidar disso.
- Claro, podem mudar o que quiserem - concordei prontamente. Com tanta coisa acontecendo à minha volta, mudar o meu visual é o menor dos meus problemas.
- Ótimo - ele sorriu. - Pode ir para o seu trailer - ele se levantou e eu fiz o mesmo. - Vai ser um prazer ter você como minha atriz, senhorita - disse e estendeu a mão pra mim.
- O prazer vai ser meu, Trevor - apertei sua mão e, em seguida, ele me guiou até a saída de seu escritório.
Assim que pus os pés fora, olhei para os lados a procura de Oliver, mas não o encontrei em canto nenhum, então, não me restou outra alternativa a não ser procurar meu trailer sozinha. Felizmente, não precisei andar muito e, assim que achei o lugar onde eu faria a troca de roupa e maquiagem, entrei no mesmo, trancando a porta ao passar para evitar surpresas nem um pouco agradáveis.
Com a porta trancada, olhei ao redor, me sentindo maravilhada com o tamanho daquele lugar. Além de todas as roupas que eu obviamente usaria durante todo o filme, tinha também a penteadeira com inúmeros produtos de maquiagem e cabelo, um sofá que parecia ser bem confortável, uma TV e um frigobar. Vale dizer também que tinha um banheiro e uma cama que parecia ser bem mais confortável que a cama que eu tinha em casa. Dava pra morar aqui! E olha que eu não acharia ruim, pelo menos eu não corria o risco de me atrasar. Em cima do sofá tinha uma copia do script com todas as minhas falas e eu tratei de pegar o papel, agora me sentindo mais ansiosa do que já estava para começar logo a gravar. Tudo bem que eu já tinha gravado um filme antes e algumas novelas, mas algo aqui tornava tudo maior, como se fosse outro nível e, enfim, eu pude entender o que Oliver quis dizer quando ele disse que esse filme ia ser ótimo pra minha carreira. Eu sequer tinha começado a gravar, mas toda a seriedade que o ambiente me passava, me mostrava o quanto isso aqui era mesmo importante. Podia até parecer estúpido se falado em voz alta, mas era a verdade.
Batidas na porta me trouxeram de volta à realidade. Joguei os papéis em cima do sofá e andei até a porta, abrindo sem ao menos perguntar quem era. Não era necessário.
- Já veio se esconder aqui depois da bronca do diretor? - Oliver disse, adentrando o trailer sem ao menos esperar permissão.
- Eu não levei bronca! - exclamei, mas minha voz saiu esganiçada. Primeiro sinal de que eu estava mentindo e Oliver sabia disso.
- O que ele disse?
- Ele só queria saber se eu conseguiria fazer o filme com o sem causar problemas - dei de ombros.
- E você consegue? - ele perguntou com a sobrancelha arqueada.
- Ollie, por favor, já tivemos essa conversa.
- Tudo bem, não falo mais sobre isso - disse, se rendendo.
- Olha só esse lugar! - falei, minha empolgação voltando. - Tem até cama!
- Você nunca esteve em um trailer? - perguntou, achando graça.
- Já, mas esse aqui é diferente - disse, como se isso fosse uma grande coisa. Não era, mas eu achava.
- Essa cama é bem confortável - ele disse, sentado em meu colchão. Sentei ao seu lado.
- É mesmo - concordei. - Eu poderia dormir aqui.
- Ou transar... - ele disse, com um sorriso sugestivo nos lábios.
- Ollie! - exclamei, horrorizada. Esse menino não sossegava?
- Que foi? - ele riu.
- Aqui é ambiente de trabalho, não de safadeza! - ele explodiu em gargalhada e eu o olhei séria, mas não consegui e logo estava rindo junto com ele.
- Para! - pedi, tentando parar de rir.
- Desculpe, mas foi engraçado.
- Ha ha - retruquei, debochada.
- Ah, vem cá, vem - ele me puxou para um abraço.
- Sai! - o empurrei, rindo fraco. - Às vezes você parece uma bicha - disse, me arrependendo no momento seguinte. Oliver me olhou de um jeito maníaco e se aproximou de mim, devagar.
- O que você disse?
Eu tentei correr, juro, mas as mãos dele me impediram e, logo, me vi deitada na cama, com ele por cima de mim, segurando meus braços e com o sorriso mais pervertido que eu já tinha visto na vida.
- Ollie... O que você vai fazer? - disse, tentando ficar séria, sem sucesso. Eu sabia que ele não me machucaria.
- Te mostrar o quão bicha eu sou - disse, antes de diminuir a distância entre nossos lábios e me beijar violentamente, mas de um jeito bom. Retribui o beijo à altura e tentei soltar meus braços para que eu pudesse tocá-lo, mas ele não permitiu. Logo, ele passou a beijar meu pescoço avidamente e eu ergui o corpo, em busca de mais contato.
Não vou mentir, pegar meu melhor amigo era um enorme prazer, até porque ele era um tremendo de um gostoso e eu sabia que nossa amizade iria continuar a mesma, então eu não corria risco de me magoar.
Oliver passou a mão por entre as minhas pernas e encostou em minha intimidade, ainda por cima do jeans, fazendo com que eu parasse de pensar em qualquer outra coisa que não fosse no toque dele. Eu não duvidava que ele conseguisse me fazer gozar sem ao menos encostar diretamente em minha intimidade.
- Oliver, por favor, me solta... - implorei, mas ele apenas negou com a cabeça e com um sorriso nos lábios, abriu o botão da minha calça e abaixou a peça, juntamente com a minha calcinha, com apenas uma mão, já que a outra estava ocupada, segurando os meus braços.
Me contorci quando ele passou o dedo indicador por minha intimidade e começou a estimular meu clitóris, ao menos tempo em que penetrava um dedo em minha intimidade. Gemi, me contorcendo sobre o seu dedo e tentando me soltar, sem sucesso. Oliver soltou um risinho completamente sujo e continuou me estimulando, enquanto soltava algumas palavras sujas, como “gostosa” ou “geme meu nome, safada”. Eu não me importava com nada daquilo, na verdade, eu obedecia de muito bom grado. Eu sentia que estava perto do maravilhoso orgasmo e Oliver parecia saber disso também, pois ele retirou os dedos de minha intimidade, fazendo com que eu soltasse um muxoxo descontente.
Com um sorriso satisfeito e safado no rosto, ele abaixou sua calça e cueca, revelando o seu maravilhoso pênis e finalmente soltou meus braços. Tirei minha própria blusa e o vi repetir o meu gesto com a sua própria peça e ambos jogamos a peça de lado, sem se importar onde iria parar. Ele se encarregou de se livrar do meu sutiã e, logo, eu o puxei para que pudéssemos trocar mais um beijo quente e cheio de desejo. As mãos deles apertaram minhas coxas e, logo, ele me penetrou fortemente, fazendo com que eu soltasse um gemido em meio aos beijos. Oliver, por sua vez, separou os nossos lábios e passou a beijar os meus seios, ao mesmo tempo em que entrava e saía de minha intimidade. Os gemidos preencheram o local de forma contida, já que estávamos em um local inapropriado para se fazer sexo e não demorou muito para que eu chegasse ao ápice, seguida por ele. Oliver se jogou ao meu lado e eu fechei os olhos, aproveitando aquele momento de êxtase e prazer.
- Quem é a bicha agora, huh? - ele murmurou. Ri e me virei para ele.
- Acho que eu estava errada em duvidar da sua masculinidade.
- Ainda bem que pude provar que você estava errada - ele sorriu e me puxou para um beijo.
- Ai meu Deus, eu acabei de fazer sexo no meu trailer! - exclamei, depois que me afastei.
- Eu disse que a cama era boa pra transar - ele riu, divertido.
- Agora eu nunca mais vou olhar pra essa cama de forma diferente - retruquei, enquanto me vestia.
- Não posso dizer que vou achar isso ruim - respondeu, se vestindo também.
- Safado!
- Com prazer - rimos.
Batidas na porta, no entanto, interromperam nossas risadas. Dei um pulo da cama e corri em direção à porta, não esquecendo de me olhar no espelho para ver se estava tudo em ordem. Tudo que eu menos queria era que alguém descobrisse que eu estava, fazendo coisas inapropriadas no meu local de trabalho no primeiro dia.
Parei em frente à porta, arrumando a roupa e, pelo canto de olho, vi Oliver sentar no sofá e ligar a TV em um canal qualquer, como se ele estivesse fazendo aquilo desde que chegou. Voltei minha atenção para a porta quando bateram novamente e pigarreei antes de girar a maçaneta.
- Jane! - exclamei ao me deparar com a garota que eu tinha conhecido dois dias atrás. Ela seria minha assistente durante as filmagens. - Entre.
- Não será necessário, senhorita. Estou aqui porque estão a chamando para discutir os detalhes da mudança do seu visual com o cabeleireiro.
- Ah sim, estou indo. Obrigada por avisar.
- Por nada - disse e se retirou.
- Vai ficar aí? - perguntei a Oliver e, em resposta, ele desligou a TV e me seguiu para fora do trailer.
O cabeleireiro era bem engraçado, o que facilitou muito minha comunicação com ele e não tivemos nenhum problema com a decisão de como minha aparência ficaria. Não demorou muito para que eu estivesse sentada em uma cadeira, deixando que ele cuidasse do meu cabelo sem que eu ao menos olhasse no espelho até que estivesse pronto. Oliver, ao contrário do que eu imaginei, ficou o tempo todo por perto e pelas expressões faciais que ele fazia, eu poderia garantir que eu estava ficando bonita. Apesar de saber qual cor meu cabelo ficaria, eu não tinha muita certeza em relação ao corte.
- Você está ficando linda, honey - Sam, o cabeleireiro, se pronunciou depois de quase meia hora de silêncio.
- Todo esse suspense está me deixando nervosa - mordi os lábios, desejando profundamente que tivesse um espelho no alcance de minha visão.
- Você vai gostar. Seu namorado parece está gostando - ele falou, apontando com a cabeça para Oliver.
- Ah, não. Ele não é meu namorado - dei um sorriso envergonhado. - Ele é meu melhor amigo.
- Querida, não existe essa de “melhor amigo” com um gostoso daquele! Não venha me dizer que você não deu nenhuma provadinha?
- Bem... - mordi o lábio inferior e desviei o olhar, sentindo meu rosto corar. Eu sempre me sentia envergonhada com essas conversas.
- Sabia! Não precisa dizer mais nada - ele riu. - Não tem como resistir a um pedaço de mau caminho como aquele! Ah, se ele fosse gay... - ele disse, se abanando. Ri da situação, mas eu entendia Sam perfeitamente. Oliver era mesmo um pedaço de mau caminho.
Enquanto ele terminava o meu cabelo, permiti que meus olhos pousassem em Oliver, apenas para observá-lo. Por um momento eu me deixei pensar em como seria caso eu e Oliver fossemos um casal. Digo, ele era divertido, me conhecia bem e, principalmente, me entendia. Ele não me julgava, me dava conselhos, era um tremendo de um gostoso e ótimo de cama. Talvez eu nunca tivesse conhecido , nem nunca tivesse me machucado como fui anos atrás e, talvez, minha vida não fosse essa bagunça que é hoje.
Oh, Deus, por que tudo não podia ser mais simples?
- Pronto, darling - a voz de Sam me trouxe de volta à realidade e ele girou minha cadeira para o espelho.
No primeiro momento em que vi meu reflexo, eu juro que não me reconheci. Eu pisquei uma, duas, três vezes, para que minha ficha caísse e eu acreditasse que aquela ali era eu mesma e não outra pessoa. Meus cabelos agora não estavam mais ruivos e longos e, sim, loiros e curtos, o que me dava o ar superior e poderoso, exatamente como queria que a minha personagem fosse.
- Ficou lindo, eu amei - falei, passando a mão por meus cabelos, admirada.
- Eu sabia que ia gostar, você ficou uma perfeita diva!
- Obrigada - me levantei e o abracei.
No momento seguinte, Jane apareceu novamente dizendo que eu teria que voltar para o trailer, fazer a maquiagem e trocar de roupa, pois as gravações começariam em meia hora. Me despedi apressadamente de Sam e corri para o trailer com Oliver em meu encalço.
- Eu vou ter que ir embora - Oliver disse assim que paramos em frente ao meu trailer.
- Mas eu pensei que você fosse ficar até o fim!
- Eu ia, mas eu acabei de receber uma mensagem importante e eu preciso ir.
- Mensagem importante?
- Sim. Foi uma proposta que recebi, mas eu te falo isso mais tarde, ok? Tenho que ir.
- Certo, te vejo mais tarde. - ele deu um beijo na minha testa e, em seguida, correu em direção à saída do local. Franzi o cenho, tentando imaginar em qual proposta ele tinha recebido, mas acabei decidindo que deixaria para pensar nisso depois e tratei de entrar logo no trailer.
As maquiadoras já estavam lá e não demorou muito tempo para que eu estivesse com a maquiagem pronta. Elas se retiraram logo em seguida, me deixando sozinha para que eu vestisse as roupas, que, por sinal, já estavam devidamente separadas em cima da cama.
Quando Jane retornou para me chamar, eu, pela primeira vez desde que cheguei aqui, parei para lembrar de que eu sequer tinha visto durante toda a manhã, e isso fez com que meu coração se enchesse da esperança de que, talvez, eu não tivesse que gravar com ele hoje. Mas, é claro que toda essa esperança foi para baixo quando eu saí do trailer e dei de cara não só com ele, mas com e a filha deles, conversando e rindo de alguma coisa. Eu até pensei em dar meia volta e me esconder no trailer, mas, quando dei o primeiro passo para trás, o olhar de caiu sobre mim e eu percebi que já era tarde demais.
- ! - ela abriu um sorriso completamente falso. - Você está diferente.
olhou em minha direção e abriu um sorriso que eu não consegui identificar.
- Pois é - fechei a porta e desci os degraus. Eu tinha que sair dali o mais rápido possível. Por sorte, Jane apareceu mais uma vez, me chamando. Eu quase a abracei, mas me contive e me limitei em apenas dar um sorriso amarelo para o casal 20 e saí de lá o mais rápido possível.
Lidar com era uma coisa, mas lidar com ele, e a filha era demais para mim. Eu deveria saber que apareceria aqui, ainda mais depois de descobrir que eu contracenaria com o marido dela e, principalmente, depois da conversa que tivemos. Ela não perderia a oportunidade de esfregar na minha cara o quão felizes eles dois são. Como se eu me importasse.
Quando entrei no set, Trevor estava dando instruções para todos os presentes. Ele parecia bem animado e foi impossível não me animar também. Apesar de todos os pontos negativos, eu estava feliz de participar daquilo tudo. Era o que eu amava fazer.
Alguns minutos depois, entrou no set, acompanhado de , que carregava a filha deles, Dulcie, no colo. Como se soubesse que eu estava olhando, olhou em minha direção e deu um sorriso cheio de malícia, como se quisesse dar a impressão de que ela tinha algo que eu queria muito e isso a fazia superior. Pode ser que isso seja apenas uma dedução louca da minha mente, mas, se era a mensagem que ela queria me passar... Bem, mensagem recebida.
Trevor logo começou a falar com e não demorou para que ele nos pedisse para ficarmos em posição para a primeira cena do filme.
- Vamos, vamos, todos em posição - Trevor ordenou.
A primeira cena era de uma jantar entre a minha personagem, Melissa, Otto e a personagem de , Danielle. Era uma cena bem fácil de se gravar e eu não tive muitos problemas gravando, pois eu não tinha muita proximidade com , intimamente falando. Se bem que, por um momento, eu desejei que tivesse algo, apenas para ver a cara de ódio de . Ela merecia só por ter sido uma vadia comigo e ter fingindo ser minha amiga por todos esses anos.

- CORTA! - gritou Trevor no final da cena. - Perfeito, perfeito! , você foi incrível, continue assim.
- Obrigada - agradeci com um largo sorriso estampado no rosto. Era ótimo saber que eu estava agradando, mesmo sabendo que era só o inicio das gravações. A primeira impressão é a que fica, certo?
Gravamos mais algumas cenas, mas nada que me envolvesse tão diretamente com o . Quando Trevor deu as gravações por encerradas, já se passava das 10h da noite e, felizmente, já não se encontrava no mesmo ambiente que eu. Ela tinha voltado para o trailer do há algumas horas atrás, bufando de raiva pelo que pude perceber, mas aquilo não era da minha conta. Eu me senti feliz só pelo fato de não respirar o mesmo ar que ela.
- Você foi muito bem - surgiu ao meu lado, caminhando também em direção ao trailers. tinha ficado para trás, conversando com o diretor.
- Obrigada, estou dando o meu melhor.
- Eu sei como deve ser difícil pra você - ela murmurou e não foi preciso que ela falasse o nome, para que eu soubesse que ela estava falando de .
- É, um pouco. Mas esse filme é minha prioridade agora e eu não pretendo deixar que minha vida pessoal atrapalhe.
- É isso aí - ela sorriu, concordando. - Escuta, eu vou dar uma festa amanhã pra comemorar o início das gravações na minha casa. Você está convidada.
Arregalei os olhos ao ouvir aquilo e tive que me controlar muito pra não soltar um grito. Uma festa na casa de Knowles, minha ídola e eu estava convidada!
- S-Sério? - gaguejei, sem acreditar.
- Sim, sério - ela riu, provavelmente achando a minha reação engraçada e tirou um cartão do bolso. - Aqui, meu número. Me liga amanhã e eu te passo meu endereço.
Peguei o cartão da mão dela e assenti debilmente, ainda sem acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Não me julgue, qualquer pessoa reagiria assim diante de um convite daquele vindo do ídolo.
Ok, talvez eu estivesse sendo um pouco patética, mas eu estava pouco ligando pra isso.
Depois disso, ela se afastou e eu segui caminho para o meu trailer feliz da vida. Porém, como felicidade de pobre dura pouco, minha felicidade desapareceu e o sorriso que eu mantinha no rosto sumiu, quando eu encontrei a última pessoa que eu queria ver, sentada no meu sofá como se fizesse isso sempre.
- Sinceramente, eu estou cansada de ter essas surpresas desagradáveis. O que você quer?
não respondeu de imediato. Ela se levantou com um sorriso prepotente nos lábios e deu alguns passos até parar na minha frente.
- Vim só te dar um aviso.
- Não estou a fim de ouvir seus latidos, .
- Mas você vai ouvir mesmo assim! - esbravejou. - Eu sei que você quis fazer esse filme pra ficar perto do meu marido e achou que eu não iria ficar sabendo, mas fique sabendo que ele me conta tudo, TUDO e agora que eu descobri seu joguinho, eu não vou permitir que você se aproveite dessa situação pra se aproximar dele, entendeu? - finalizou, apontando o dedo para o meu rosto. E, então, eu explodi em gargalhada, o que só a deixou ainda mais irritada, porque ela levantou a mão para bater no meu rosto, mas eu a segurei a tempo.
- Não encoste em mim! - a empurrei para trás e ela caiu sobre o sofá. - Você está ficando louca, .
- Não se faça de sonsa, . Eu te conheço.
- Não, você não me conhece. - grunhi. - Quem você pensa que é pra invadir meu trailer assim e ficar exigindo coisas de mim? Você não é nada, , e todo esse show que você dá não significa nada pra mim. Então, pare de dar uma de mulher insegura, que isso fica feio pra você. Ao invés disso, vá atrás do seu marido e aprenda a segurar ele, já que aparentemente você se acha incapaz.
- Eu não preciso segurar meu marido, ele me ama!
- Ah, é? Acho que se você tivesse certeza disso não estaria aqui, não é? - andei até ela e a puxei pelo braço, arrastando-a até a porta do trailer. - Agora saia daqui e não apareça na minha frente nunca mais. - Joguei-a pra fora e, por força do destino ou não, ia passando naquele mesmo momento.
- O que está acontecendo aqui? - questionou, olhando de mim para .
- Controle a sua mulher, e a ensine a não invadir meu trailer apenas para me fazer ofensas - disse, e sem esperar resposta, fechei a porta com força.
Porra, eu não tinha um minuto de paz?

Enquanto dirigia de volta pra casa naquela noite, não pude deixar de pensar no quanto a minha vida parecia uma novela mexicana. Eu odiava que acontecesse tanto drama à minha volta, ainda mais quando não partia de mim mesma. Digo, eu não vou ser estúpida e dizer que tudo o que fez foi esquecido e eu segui em frente, porque isso claramente não aconteceu. Mas, eu também não vou ser ingênua o suficiente para dizer que eu ainda sou apaixonada por ele ou que eu o odeio, porque isso seria mentira. O fato era que eu não sabia o que eu sentia, talvez fosse só magoa e ressentimento, mas, bem no fundo, tinha algo mais que eu não sabia identificar. Talvez fosse ódio, mas eu me recusava a sentir algo parecido por alguém. Eu não era uma pessoa rancorosa e, mesmo com toda essa situação com , eu não a odiava. Na verdade, eu preferia não sentir nada por ela; Ela não era digna de tamanha importância. Talvez nem fosse. Os dois se mereciam.
Eu queria desesperadamente seguir em frente, só não sabia como eu faria isso. Talvez eu só precisasse de um empurrão. O problema era que eu não tinha a menor ideia de como conseguir isso.
O apartamento estava completamente escuro quando cheguei. Um bilhete da minha irmã estava sobre a mesinha, dizendo que iria dormir na casa de uma amiga. Pelo menos ela tirou todas aquelas caixas do meio da sala. Entrei em meu quarto e fui direto para o banheiro a fim de tomar um banho relaxante. Eu estava exausta e tudo o que eu queria era deitar e dormir, mas, além disso, também tinha a fome que me consumia, e então eu me dei conta de que eu não tinha comido nada o dia todo. Enquanto a banheira enchia, voltei para a sala e disquei para o delivery de comida japonesa. Assim que o pedido foi feito, avisei ao porteiro e voltei para o banheiro.
De volta no quarto, agora enrolada na toalha, abri o closet para que pudesse escolher alguma roupa confortável para dormir. Como o clima estava quente, acabei por vestir apenas uma calcinha e um blusão que ia até as coxas, penteei os cabelos e, logo, já estava de volta na sala.
A campainha tocou no momento em que eu me sentei no sofá. Minha barriga roncou só de pensar na comida que me esperava do outro lado da porta.
Corri até a porta e a abri sem olhar quem era, mas me arrependi disso no segundo seguinte. Arregalei os olhos sem acreditar que ele estava parado em minha porta àquela hora da noite.
- Precisamos conversar.

Capítulo Quatro

- ? - balbuciei, surpresa. - O que você está fazendo aqui? - ele pareceu não entender minha pergunta de primeira. A boca dele estava meio aberta em surpresa, enquanto ele encarava minhas pernas de forma descarada. Droga, eu estava só de blusão e calcinha!
No início senti vergonha por estar vestida assim na frente dele, mas logo esse sentimento foi substituído por raiva. Ele não tinha nada que ter aparecido aqui sem avisar. Quer dizer, ele não tinha que ter aparecido aqui de maneira nenhuma! Cruzei os braços e pigarreei, chamando a atenção dele para mim.
- Eu queria conversar com você - disse, meio atordoado.
- Conversar? O que possivelmente ainda tem pra ser conversado entre a gente? - questionei sem nenhum medo de soar grossa. Eu não tinha que fingir que gostava da presença dele ali, na minha casa. Ainda mais quando ele não tinha sido convidado e estava encarando minhas pernas sem nenhum pudor.
- Precisamos conversar sobre o que aconteceu mais cedo... Com a .
Ouvir aquele nome fez meu estômago se revirar. Ainda não estava acostumada com o fato de que eles eram um casal.
- Não tenho nada pra falar sobre a sua esposa, . Foi ela que invadiu o meu trailer, eu só a coloquei pra fora - exclamei, na defensiva. - E, se você veio aqui pra defendê-la ou, sei lá, me dar algum sermão, por favor, guarde isso pra você e vá embora daqui.
Eu não era obrigada a escutar ele defendendo ela, ainda mais quando eu era a que estava certa.
- Não vai me convidar pra entrar? - perguntou, ignorando o meu mini ataque.
- Você não ouviu o que eu disse?
- Ouvi. Mas eu não vou sair daqui até você me ouvir.
Bufei. O que eu conhecia não sairia mesmo até que eu o escutasse. Acho que algumas coisas nunca mudam.
- Tá bom, entra de uma vez - resmunguei, contrariada, e dei espaço para que ele passasse. Enquanto fechava a porta, pude perceber pelo canto do olho que ele estava observando os detalhes do apartamento. Talvez notando as mudanças, ou se lembrando dos momentos em que passamos juntos. De qualquer forma, eu não me importava. Cheguei até cogitar em ir colocar uma roupa decente, mas eu estava na minha casa e não iria me trocar só porque ele resolvera aparecer do nada. - Pode falar - cruzei os braços e o encarei, esperando que ele acabasse logo com isso e fosse embora de uma vez.
Ele franziu os lábios, parecendo pensar em como começar e, em uma atitude completamente inesperada, se sentou no meu sofá, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Franzi o cenho para aquilo, indignada com aquela atitude folgada. Quem ele pensava que era pra sentar assim no meu sofá sem ao menos ser convidado?
- Senta aqui - disse, batendo no espaço vazio ao seu lado. Ergui a sobrancelha para aquele pedido, mas decidi que seria melhor sentar e escutá-lo, assim ele iria embora mais rápido. Me aproximei do sofá e ao invés de sentar ao seu lado, sentei em uma poltrona, longe o suficiente para não sentir a presença dele. Eu ainda não estava preparada para ficar tão perto dele assim depois de tudo o que aconteceu.
- Pronto, agora pode falar - falei, direta.
se ajeitou no sofá, de modo que ficasse de frente pra mim e pigarreou. Seus olhos fitaram o chão por um segundo, enquanto ele provavelmente organizava os pensamentos, mas logo ele ergueu os olhos, me fitando intensamente. Entretanto, não tive tempo de decifrar o que aquele olhar queria dizer.
- Bem... Primeiramente, eu queria pedir desculpas pela atitude de hoje.
Ok. Eu até tentei me controlar, mas a risada irônica que escapou por meus lábios, demonstrou claramente toda a minha incredulidade. Eu não acreditava que ele podia sequer pensar que podia se desculpar por aquela... aquela... Argh, eu nem sabia a definir com um adjetivo que não fosse ofensivo.
- Desculpar? Você acha mesmo que pode simplesmente vir se desculpar por ela e eu vou aceitar numa boa?
- Eu sabia que você ia dizer isso.
- Então, por que se deu ao trabalho?
- Eu tive que tentar. O que fez hoje não foi certo.
- Você tem razão, não foi certo. Ela está completamente fora de si e eu não vou aturar os ataques sem sentido dela. Você precisa controlar a sua mulher!
- Ela só está se sentindo insegura.
- Não - balancei a cabeça. - Ela está querendo chamar atenção e, sinceramente, eu não tenho tempo e nem paciência pra aguentar isso. Não quando isso pode destruir minha carreira.
- Não é só sua carreira que tá em risco, ! A minha também está.
- Ah é? Então, que tal começar a pôr sua esposa na linha, pra que assim ninguém seja prejudicado? - retruquei, acidamente. - Já é ruim ter que conviver com você todos os dias, agora ter que aguentar os dramas da já é demais!
arregalou os olhos e engoliu em seco, claramente surpreso com a minha atitude. Ele abriu a boca algumas vezes, mas em todas elas pareceu desistir ou não saber o que falar. Por um momento eu até que me senti um pouco mal pelo que tinha acabado de falar, mas, logo tratei de afastar esse sentimento. não o merecia.
- Você nunca vai me perdoar, não é? - ele perguntou tão baixo, que eu demorei uns segundos para processar o que eu tinha escutado.
- Não - disse secamente. - E se perdoasse, não iria esquecer, ainda mais agora.
- Entendo - ele assentiu brevemente.
- Só porque eu tenho que conviver com você por causa do filme, não significa que eu vou querer ser sua amiga - deixei claro. Ele precisava saber que tudo o que eu menos precisava era que sua presença fosse ainda mais constante na minha vida.
ficou me encarando como se eu tivesse sete cabeças e não apenas uma. Se eu o conhecesse bem, como eu achava que conhecia, eu diria que ele estava querendo me dizer algo e estava buscando coragem para dizer. Por um momento, fiquei tentada a perguntar e sanar minha curiosidade, mas eu não iria dar o braço a torcer e abrir uma brecha qualquer brecha de intimidade que poderia surgir caso ele resolvesse falar sobre seus sentimentos. Além de que, eu também não queria ouvir novamente o seu pedido de desculpas e nem que ele falasse qualquer coisa que demonstrasse pena. Já era o suficiente eu sentir pena de mim mesma por não conseguir seguir em frente e continuar remoendo essa história.
- Claro... Entendo... - ele, por fim, murmurou.
- Eu só quero que você mantenha a longe de mim - pedi. - Não estou exigindo que você a proíba de ir para o set com você. Só quero que ela se mantenha distante e não cause problemas, nem pra mim e nem pra você.
- Não se preocupe. Ela não vai mais causar problemas.
- Ótimo! - me levantei e caminhei até a porta. - Bem, você já falou o que tinha pra dizer... - não precisei terminar a frase, a porta aberta era o suficiente pra ele entender que eu queria que ele fosse embora. Ele se levantou e caminhou até a porta, parando à minha frente após passar por mim. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas eu não permiti. O meu instinto sabia que ele iria falar algo que eu não iria gostar. - Tenha uma boa noite, . - disse e fechei a porta na cara dele. Que se fodesse os bons modos.
Encostei meu corpo na porta fechada, fechei os olhos e respirei fundo. De repente, ter saído da Itália não me pareceu ter sido uma boa ideia. Eu teria evitado tanta coisa se eu tivesse continuado lá. E agora, eu tinha que lidar com coisa que nunca sequer pensei que fosse possível. E o pior de tudo é ter a plena consciência de que eu era uma pessoa amarga o suficiente pra não esquecer o que aquele maldito fez comigo anos atrás. Ou, talvez o problema fosse o fato de que a minha ex melhor amiga tinha conseguido tudo o que eu um dia quis: se casar e ter filhos. E ela tinha conseguido tudo isso com o homem que eu costumava amar e ia me casar.
Não. Eu me recusava a ter esse sentimento. Eu não tinha inveja de . Não tinha e nem nunca vou ter.
Talvez eu devesse seguir o conselho de Oliver e arrumar um namorado. Seria uma ótima forma de deixar toda essa confusão relacionada ao e a pra lá.
A campainha tocou, despertando minha atenção e imediatamente me virei para abrir a porta. Comer era exatamente o que eu tava precisando nesse momento. Porém, ao abrir a porta, me deparei com Oliver e não com o entregador como o esperado.
- Peguei o seu jantar lá embaixo - ele levantou o braço, mostrando o pacote em sua mão. - Que cara é essa? Parece que viu um fantasma - disse, adentrando o apartamento sem esperar que o convidasse.
Não tinha sido um fantasma que eu tinha visto, mas a sensação foi a mesma. Enquanto fechava a porta, pensei se deveria ou não contar a Oliver que tinha saído daqui há exatos dez minutos, mas, acabei decidindo não falar nada, pois sabia exatamente como ele iria reagir e, definitivamente, não estava afim de ver um Oliver bravo à essa hora.
- Você sabe como eu fico quando estou com fome - dei de ombros.
- Então vai comer, que eu quero você com a atenção totalmente focada em mim quando eu te contar uma novidade.
- Arranjou uma namorada?
- Não - revirou os olhos. - Se alguém aqui tem que arrumar um namorado é você.
- Talvez você tenha razão...
- Eu sempre tenh... Espera... QUE? - gritou, me olhando assustado.
- Você é muito escandaloso, sabia? - tirei o recipiente com meus amados sushis da sacola e sentei no sofá.
- Não desconverse! - se sentou ao meu lado. - O que te fez mudar de ideia?
- Nada em particular... - respondi vagamente. - Só venho pensando sobre isso...
- Desde quando? - ele cerrou os olhos, desconfiado. - Ainda ontem você estava clamando por aí que não queria se envolver com ninguém romanticamente.
- Uma pessoa pode mudar de ideia - retruquei. Claro que eu não iria dizer a ele que eu queria arrumar alguém pra me desprender do meu passado com .
- Isso tem a ver com o ? - perguntou, sem arrodeio.
- Que? Claro que não! - minha voz saiu mais esganiçada do que eu pretendia. Primeiro sinal de que eu tava mentindo e Oliver sabia disso. Merda!
- O que está acontecendo, ?
- Nada - respondi rápido demais.
- ... - advertiu. Eu sabia que ele iria insistir até que eu o contasse tudo, mas isso não ia acontecer. Eu já me sentia estúpida o suficiente só em pensar naquilo, imagina exteriorizar meus pensamentos. Aquilo estava fora de cogitação.
- Eu não quero falar sobre isso - disse, por fim. - Por favor, vamos deixar esse assunto de lado - implorei. Ollie ficou me encarando; seus olhos vasculhando meus traços em busca de alguma resposta. Felizmente, ele pareceu não encontrar nada.
- Tudo bem - resmungou a contra gosto e eu suspirei aliviada.
- Vamos falar de você - mudei de assunto. - Qual é a novidade?
Ao mencionar a tal novidade, ele pareceu esquecer o assunto anterior e abriu um largo sorriso.
- Eu recebi uma proposta pra ser o mais novo modelo da Calvin Klein! - exclamou, feliz.
- QUÊ? - abri a boca em choque. - Por Deus, me diga que você aceitou!
- Aceitei! - ele balançou a cabeça positivamente e eu gritei. Sim, eu gritei. Eu sabia que o sonho do meu melhor amigo era ser modelo, sabia que ele sempre quis isso e eu não podia me sentir mais feliz por isso.
- ISSO É MARAVILHOSO! - coloquei o recipiente vazio em cima da mesinha à minha frente e me joguei em cima dele, o abraçando fortemente. Ele apertou os braços ao meu redor, rindo feliz. Seus olhos brilhavam e era aquilo que eu gostava de ver: meu melhor amigo feliz. - Eu estou tão feliz por você!
- Isso é tudo o que eu sempre quis, nem acredito que consegui.
- Já estou até imaginando todas as garotas babando em você todo gostoso nas fotos... Se você me trocar, eu te mato, viu? - ameacei apontando o dedo na cara dele e ele riu.
- Nunca! Você é insubstituível, coisinha.
- Hm, acho bom mesmo - bati levemente em seu peito e o abracei. - Precisamos comemorar isso!
- Nada de bebidas, você tem que trabalhar amanhã.
- Ah, é verdade - murmurei desanimada, mas, logo me lembrei de algo importante. - Podemos comemorar amanhã na festa da .
- Festa na casa da Knowles? Tô dentro!
- E me diga quando é que você rejeita uma festa?
- Rejeitar festas não existe no meu vocabulário - revirei os olhos e me levantei para jogar o recipiente no lixo. - Mas sabe... Sempre tem outras maneiras de comemorar.
- Ah, é? - virei-me em sua direção. - Posso saber quais?
- Ah... Você sabe... - ele envolveu minha cintura com as mãos, colando nossos corpos. - Maneiras divertidas... - soprou contra meus lábios, me deixando completamente entregue. Envolvi meu pescoço com as mãos e seus lábios roçaram os meus em uma provocação. Arranhei sua nuca levemente, antes de puxá-lo o suficiente para que meus lábios capturassem os seus. O beijo que foi iniciado foi tão ardente que arrepiou todos os pelos de meu corpo. Eu nunca imaginei que pegar meu melhor amigo seria tão gostoso assim. Pensando bem, eu não precisava arrumar ninguém. Ter o Oliver na minha vida já era o suficiente. Eu sabia que estava segura enquanto ele estivesse por perto, ele era meu porto seguro.
Meu corpo foi prensado contra a geladeira e eu aproveitei que os lábios dele agora percorriam o meu pescoço para desabotoar os botões de sua camisa. Ollie desceu as mãos por meu corpo, parando ao chegar na barra do blusão que eu vestia e puxou o pano pra cima, se afastando o suficiente para que a peça fosse completamente tirada e jogada no chão juntamente com a sua camisa.
Oliver olhou meu corpo apenas com a calcinha e mordeu os lábios sensualmente. Suas mãos logo foram para os meus seios, massageando-os, enquanto seus lábios voltavam a se aproveitar do meu pescoço exposto.
Naquele momento eu me sentia incrivelmente molhada e olhe que ele nem havia me tocado direito. Oliver era a pura definição de pecado e, sinceramente, eu me perguntava como eu tinha sido capaz de resistir a ele todos esses anos.
Quando os lábios dele tocaram meu mamilo duro, eu fui ao céu e voltei. Minhas unhas cravaram a pele de suas costas e um gemido de puro prazer escapou dos meus lábios. Oh, céus, aquele homem era um furacão.
Eu sempre soube que Oliver fazia um estrago - no bom sentido - na cama, ele sempre se gabava por isso, mas ter essa experiência própria era algo surreal e muito, muito bom.
Em busca de mais contato, impulsionei meu corpo e cruzei os braços ao redor de sua cintura. Nossas intimidades encostaram e eu pude sentir seu membro duro através da calça que ele vestia. Embrenhei meus dedos em seus fios e os puxei sem dó, atraindo sua atenção para mim. Sem dizer nada, choquei nossos lábios, iniciando um beijo quente e saboroso. Oliver, por sua vez, começou a andar pelo apartamento, comigo em seu colo. O beijo ardente que trocávamos só foi interrompido, quando meu corpo foi jogado na cama. Me apoiei nos cotovelos à tempo de ver Oliver tirando o restante de suas roupas e se protegendo com a camisinha, antes de subir na cama e ficar por cima de mim. Ele sorriu sacana e seus dedos engancharam nos lados de minha calcinha, retirando-a devagar, enquanto seus olhos percorriam cada parte descoberta de meu corpo.
- Pronta para ver estrelas, gostosa? - ele perguntou sacana. Um sorriso puramente malicioso surgiu nos meus lábios.
- O que está esperando?
Ele soltou um risinho, antes de me penetrar e me fazer ver estrelas pelo resto da noite.

O toque do despertador me acordou naquela manhã ensolarada. Ao meu lado se encontrava um papel com um recado de Oliver. Ele deve ter ido embora no meio da noite.

Tiver que ir embora, não quis te acordar.
Te ligo amanhã.
Do seu melhor amigo gostoso, Oliver.

Ri ao ler a última frase. Oliver e o seu ego do tamanho do mundo. Mas ele era gostoso mesmo, fazer o que, né?
Não demorei a levantar e entrar no banheiro. A minha cama era ótima e eu adoraria passar o dia todo nela, mas a realidade me chamava... Eu precisava ir trabalhar.
Acabei por passar mais tempo do que o considerado no banheiro e, por isso tive que me arrumar às pressas e correr para o set sem ao menos tomar café. Eu não podia me dar o luxo de me atrasar novamente, eu tinha que me mostrar ser profissional ou eu iria perder o papel no segundo dia de gravação. E se isso acontecesse, pode apostar que o meu enterro seria no dia seguinte, porque Oliver me mataria e com razão.

Faltava apenas dez minutos para as oito, quando estacionei o carro. Saí do veículo e corri em direção ao trailer, ciente de que teria apenas alguns minutos para me vestir de Melissa Summers, antes que Trevor aparecesse.
- Srta. ! - Jane apareceu, quando eu já estava entrando no trailer. - Eu a estava procurando.
- Me chame só de , por favor - pedi. - Eu sei que estou atrasada, mas...
- Não, não - ela me interrompeu. - Você chegou na hora. As primeiras cenas a serem gravadas hoje vão ser com e .
O alivio foi imediato.
- Ufa! Já pensava que estava com problemas - ela balançou a cabeça, compreensiva. - Quer entrar? - apontei para a porta aberta.
- Ah, não. Vou avisar ao maquiador que você já chegou.
- Claro.
- As roupas do figurino da Melissa já estão separadas.
- Obrigada, Jane.
Ela sorriu em resposta e se afastou logo em seguida. Entrei no trailer um pouco mais calma agora que sabia que não estava atrasada. Antes de analisar as roupas que eu usaria, peguei o script em cima da mesinha no centro do trailer apenas para verificar quais cenas eu teria que gravar hoje. Uma cena se tratava sobre a agência de espionagem, onde Melissa iria receber a missão de espionar Otto Smith, o personagem de e a outra cena... Oh, não!
Reli mais uma vez para ver se eu estava alucinando, mas eu não estava. Eu vou ter que contracenar com hoje e a cena vai ser bastante íntima.
Droga!
Joguei os papéis de volta na mesa e comecei a andar de um lado pro outro. Eu iria ter uma cena íntima com o . Certo que pelo que tava escrito, não iria ter beijo ainda, mas, eu simplesmente não podia evitar me sentir nervosa com a mera possibilidade de fazer uma cena intima com ele.
“Eu não vou conseguir”, “Onde eu estava com a cabeça quando eu aceitei fazer isso?”, uma vozinha em minha mente perguntava.
Eu sabia que ia ter que fazer isso, sabia no que tava me metendo quando aceitei continuar nesse filme mesmo sabendo que ele faria meu par romântico, então, porque eu estava tão nervosa? Não vai nem ter beijo!
Eu tinha dito tantas vezes que conseguia, que era capaz de deixar os problemas pessoais de lado e se profissional e agora eu já não tinha mais certeza disso. Olha só como eu estou só porque vai acontecer uma cena intima boba!
Eu precisava me acalmar, ou eu iria surtar e ninguém quer ver uma surtada, eu tenho certeza.
Onde estava Oliver quando eu precisava dele?
Vasculhei minha bolsa em busca de meu celular, porém meus planos de ligar para meu melhor amigo foram completamente destruídos com batidas na porta. Respirei fundo, em uma tentativa falha de me acalmar e joguei o telefone de volta na bolsa, antes de caminhar até a porta e abrir a mesma para que a equipe de maquiagem pudesse entrar.
Enquanto era preparada para a primeira cena, tentei me acalmar e me concentrar. Eu poderia fazer isso, sabia que podia. Eu não podia ficar abalada toda vez que eu tivesse que fazer uma cena com ele. Minha carreira estava em jogo, ser atriz era a vida que eu tinha escolhido pra mim e eu não podia permitir que meus sentimentos e problemas afetassem minha vida profissional. Eu já tinha repetido para mim mesma e pra quem quisesse ouvir que eu conseguia, sim, interpretar esse papel, porém repetir para mim mesma já não era o bastante. Eu precisava acreditar. Assim como Oliver acreditava, assim como Trevor acreditava, assim como minha família acreditava. Várias pessoas estavam contando comigo nessa e eu não podia e nem iria desapontá-los. Eu já tinha dado um ponto final na minha história com o , já tinha decidido que não deixaria ele me afetar de nenhuma maneira. já tinha deixado o passado pra trás e era essa inabalável que era capaz de fazer tudo. E foi com essa determinação que eu vesti meu figurino e marchei em direção ao local das gravações.

Já era possível ouvir os gritos de Trevor antes mesmo que eu pudesse aparecer no seu campo de visão. Ele estava bravo e isso claramente não devia ser bom.
- VAMOS TENTAR MAIS UMA VEZ E DESSA VEZ EU NÃO QUERO ERROS! - esbravejou. Seu rosto estava vermelho como um pimentão, demonstrando sua tamanha irritação. Lembro-me que Oliver chegou a mencionar que Trevor gostava de tudo na maior perfeição e não admitia muitos erros. Eu não levei tão a sério quando ele me disse, mas, agora que tinha visto com meus próprios olhos, não pude deixar de me sentir um pouco receosa.
Me mantive afastada enquanto os outros ainda gravavam. Não queria atrapalhar algo e acabar levando uma bronca também. Enquanto esperava, passei a analisar a cena que estava sendo gravada. Era uma cena simples, mas sempre tinha alguém que fazia ou dizia algo errado, o que irritava Trevor. Confesso que cheguei a torcer para que dissesse algo errado e levasse uma bronca, mas o filho da puta fazia tudo com perfeição e o erro nunca partia dele. Isso não me surpreendia, no entanto. Eu melhor do que ninguém sabia o quão bom ator era e também sabia que quando ele estava comprometido com algo, tudo tinha que sair na mais perfeita ordem. Isso era uma das coisas que eu mais admirava nele.
Depois de mais duas tentativas, as gravações pareciam estar indo na direção certa. Um sorriso apareceu em meus lábios, quando, mais uma vez fez tudo com perfeição e Trevor gritou dando fim a gravação da cena aparentemente satisfeito.
- Maravilha. Maravilha! - Trevor disse aplaudindo. - , você foi incrível, continue assim!
- Obrigado, Trevor.
Sorri, sem ao menos perceber. Um sentimento de orgulho invadiu meu peito e, apesar daquilo ser um pouco estranho e assustador, eu não reprimi. Era normal sentir orgulho dos colegas de trabalho, não era?
- Você foi incrível meu amor! - o sorriso sumiu do meu rosto, assim que eu ouvi a voz de taquara rachada da . Ela se aproximou de , o abraçando. - Estou tão orgulhosa de você! - disse e o beijou, mas não antes de me lançar um olhar carregado de deboche.
Fiz uma careta diante daquela cena patética. Sério que ela tava tentando me atingir? Eu só podia ter feito algo muito ruim pra merecer um castigo desses.
- Deixem pra se agarrar em casa, por favor - disse Trevor. - , vá trocar de figurino. Sua próxima cena é com .
A expressão da a simples menção do meu nome foi impagável. Ela não conseguiu disfarçar o repúdio que ela sentia a mera possibilidade de me ver próximo a . Ela virou a cabeça em minha direção e me olhou com os olhos cerrados. Ela estava tentando me intimidar? Senti vontade de rir e provocá-la de alguma forma, de mostrá-la que ali era o meu território e ela não podia fazer nada em relação a isso. Porém, os olhares de e Trevor também viraram em minha direção, percebendo minha presença só naquele momento.
- Você já está aqui! Ótimo! - Trevor disse, já andando em minha direção.
Não olhei para Trevor de imediato. Meu olhar continuou fixo no casal à apenas alguns passos de distância. segurava o braço de com firmeza, como uma leoa protegendo os filhotes. Era ridículo a pose que ela assumia toda vez que eu estava perto. Papel de mulher insegura era algo que não combinava com ela. Além do mais, eu não sabia o motivo de tanta insegurança. Não é como se eu fosse atacar e pegá-lo para mim. Eu sequer queria algo com ele. , por outro lado, me encarava de maneira intensa e relaxada. Por um momento, me perguntei se ele tinha contado a sobre a visita que ele tinha me feito na noite anterior. Eu duvidava. Se ele tivesse dito, tinha vindo me procurar, eu tinha certeza disso.
- Podemos começar? - Trevor perguntou, chamando minha atenção para si.
- Claro - assenti. Trevor começou a gritar coisas novamente para equipe e, logo, começamos a gravar a próxima cena.

’s POV

- Eu vi a forma que ela tava te olhando! Ela te quer de volta, eu sei disso!
Entrei no trailer, seguido por . Ela reclamou durante todo o percurso de volta para o trailer e, sinceramente, aquilo já estava me tirando do serio.
- Para com isso. Você tá vendo coisa onde não tem - falei enquanto retirava a blusa.
- NÃO ESTOU! - gritou, mas logo se calou ao se lembrar de que nossa filha dormia ali. Revirei os olhos, cansado de todo aquele drama. Desde que voltara da Itália, tinha cismado com a ideia de que me queria de volta e isso não fazia o menor sentido. - Eu vi o olhar dela pra você. Ela ainda te ama, eu sei!
Respirei fundo. Eu realmente estava cansado de toda aquela conversa.
- , por favor, já conversamos sobre isso. Esse filme é importante pra mim.
- Eu sei, mas...
- Você me prometeu que ia manter distância dela e que não ia se meter em confusão.
- Eu sei e eu vou, mas eu não posso fingir que não percebo as coisas ao meu redor!
Esfreguei as mãos no rosto. Quando minha esposa enfiava algo na cabeça ninguém tirava.
- Meu amor, é com você que eu to casado e não com ela. É você que eu amo e não ela.
- Eu sei...
- Então... Pra que tanta insegurança?
- Eu não sei... Eu só tenho medo de te perder.
Me aproximei dela e tomei seu rosto com minhas mãos. era mesmo uma boba.
- Quanta bobagem. Você não vai me perder. Eu amo você e não ela.
Ela abriu um largo sorriso e me abraçou.
- Eu te amo muito, . Não consigo imaginar minha vida sem você. Só de pensar que ela...
- Shh... Nada vai acontecer.
- Tudo bem, eu acredito em você.
Sorri aliviado e selei seus lábios, antes de me afastar para trocar de roupa. Algo me dizia que essa era só o começo das longas discussões que eu ainda teria durante a gravação desse filme.

Voltei sozinho para o local das gravações. tinha decido ficar no trailer com a Dulcie e eu não contestei. Seria bom que ela estivesse longe quando eu estivesse gravando a cena com . Eu sabia o quanto minha esposa era esquentada e eu não queria que ela acabasse fazendo algo que não devia.
A cena que estava gravando já tinha acabado e ela já estava com outro figurino, o que só significava que a cena tinha sido gravada mais rápido do que eu pensava. Ela devia ser mesmo uma boa atriz.
- Até que enfim! Estava prestes a mandar alguém te buscar - Trevor disse, assim que me viu.
- Pensei que demoraria um pouco mais pra terminar de gravar a última cena.
- Era uma cena simples, foi fácil de ser gravada - surgiu a meu lado com um sorriso largo no rosto. Eu conhecia esse sorriso, ela estava orgulhosa de si mesma.
- está se saindo melhor do que o esperado. Se continuarmos assim, terminaremos as gravações antes do prazo! - o sorriso dela aumentou ao ouvir as palavras de Trevor. Me controlei para não revirar os olhos. O ego dela deveria estar quase explodindo com toda aquela babação de ovo.
- Obrigada, Trevor, mas o mérito não é só meu. A equipe toda é maravilhosa.
Ele sorriu em aprovação. Não era preciso de muito pra saber que já era a favorita do diretor.
- Podemos começar? - resolvi me intrometer, antes que toda aquela troca de elogios continuasse.
- Devem - Trevor disse e se afastou, gritando para todos se preparem para começar a gravar. Olhei para e seu sorriso havia sumido. Ela não me olhava, seu olhar estava fixo no chão.
Ela estava com vergonha?
- Ei, tá tudo bem? - me aproximei cautelosamente. havia deixado bastante claro que não gostava da minha presença, então, eu precisava calcular todos os meus passos quando estivesse perto dela. Não queria acabar fazendo algo errado e que nos prejudique no trabalho. - Se não estiver se sentindo bem podemos gravar depois.
Ela não me respondeu de imediato. fechou os olhos e respirou fundo como se estivesse repetindo um mantra pra si mesma, em seguida abriu os olhos e a vergonha ou indecisão havia sumido.
- Está tudo ótimo - respondeu firmemente. - Vamos acabar logo com isso.
Andamos até onde Trevor estava dando as últimas instruções antes de começar a gravar. Na cena, Otto vai ser seduzido pela Melissa e eles vão quase se beijar, mas vão ser interrompidos pela secretária.
Não vou mentir e dizer que estava totalmente confiante em fazer aquilo, porque eu não estava. Era a primeira vez que eu ficava tão perto assim de desde que terminamos e, mesmo que eu não sinta mais nada por ela, era impossível não se sentir estranho com toda aquela situação e tinha certeza que ela também se sentia da mesma forma. Aquilo era no mínimo bizarro. Ainda bem que não estava aqui para ver ou isso daria merda.
- O QUE ESTÃO ESPERANDO? COMECEM! - ouvir o grito de Trevor. Olhei para , mas ela estava de costas. Quando ela se virou, a aura ao seu redor era outra. Aquela a minha frente não era mais a , aquela era Melissa Summers.
Pigarrei e me foquei no meu personagem. A primeira fala era a minha.

- A que devo a honra da sua visita, Melissa?
Ela caminhou em minha direção com um sorriso misterioso no rosto.
- Achei que não fosse me receber...
- Você foi muito insistente - sentei na grande cadeira. - E estou curioso para saber o que quer de mim. Por favor, sente-se.
Ela não se sentou, no entanto. , ou Melissa contornou a minha mesa e se sentou na mesma, cruzando as pernas. Tal movimento fez com que a sua saia levantasse e suas coxas ficassem amostra e ao alcance da minha visão.
Agora seria o momento em que ela implantaria o escuta embaixo de minha mesa.
- Estava pensando em comprar um presente para você e Danielle. - Ela levou a mão até a coxa descoberta, acariciando-a inocentemente e atraindo o meu olhar.
- Um presente? - me levantei, agora ficando de frente para ela.
- Sim... Pelo aniversário de casamento - ela passou a mão pela gola da minha camisa, me puxando discretamente. Coloquei a mão em sua coxa, apertando-a firme.

O perfume de adentrou minhas narinas. Eu me lembrava muito bem daquele cheiro, do cheiro natural dela de rosas. Meu coração começou a bater acelerado no peito e, por um momento, eu esqueci que estava gravando, que tinha pessoas ao meu redor. Porém, a fala de me trouxe de volta a realidade. Foco, , foco!

- Que presente você quer ganhar? - o puxão dela na gola da minha camisa foi mais forte dessa vez. Subi minhas mãos por sua cintura, apertando-a ali. - Posso pensar em algumas coisas... - aproximei o rosto do dela, pronto para beijá-la. arfou e sua respiração bateu em meu rosto.

- CORTA! - ouvi a voz de Trevor gritando ao fundo, mas eu não consegui mover um músculo. Meu olhar estava preso ao de e ela parecia no mesmo estado de transe que eu. As mãos dela ainda apertavam a gola de minha camisa e sua respiração estava tão alterada quanto a minha. - EU DISSE CORTA! - Trevor gritou outra vez e, dessa vez, pareceu funcionar. me empurrou e desceu da mesa. - Por hoje é só, vocês estão dispensados.
se despediu brevemente de Trevor e saiu em disparada em direção aos trailers sem ao menos me olhar.
Eu ainda estava tentando entender o que é que tinha sido aquilo.
Eu senti... Eu queria beijá-la.
Não, eu não podia querer. Deveria ter sido só o momento da cena. Eu apenas tinha incorporado demais o personagem, era só isso, eu tinha certeza.
- Ei, ! - virei-me para ver quem me chamava. Era .
- E aí! Pensei que você não vinha hoje.
- Só vim resolver umas coisas com Trevor - explicou. - Você vai pra minha festa, né?
- Não sei se vai dar - torci o nariz. - está aí com Dulcie, acho que ela não vai querer ir.
- Então vá sem ela, ué - abri a boca para dar mais uma desculpa, mas ela não permitiu. - Eu não aceito um não como resposta.
- Mas...
- Vem, por favor! Vai ser divertido.
É, talvez eu precisasse mesmo me divertir um pouco.
- Tudo bem - cedi, por fim.
- Yay! - disse, batendo palmas de modo infantil. - Te vejo lá, então.
Ela foi embora e eu voltei para o trailer.

O caminho de volta para casa foi silencioso, o que foi bom, porque eu pude pensar em tudo que tinha acontecido mais cedo.
Eu quis beijar .
Eu já não tentava mais negar isso. Tocá-la, ficar próximo e sentir seu perfume tinha me trazido uma sensação de dèjá vu enorme e eu precisava aprender a controlar isso, antes que me causasse algum problema com a minha família.
Eu precisava entender e consertar essa reviravolta que estava dentro de mim, ou trabalhar com iria ser um grande problema.

’s POV

Qual era o meu problema?
Eu me amaldiçoaria eternamente por ter aceitado fazer aquele filme idiota. Maldita hora em que eu aceitei o papel sem o menos saber do que se tratava. Maldita hora em que Oliver tinha me oferecido aquele papel. Maldita hora que eu voltei para Londres. Eu devia ter ficado na Itália, apenas interpretando novelas e sem nenhum ex na minha vida.
Eu já sabia que conviver com só me traria problemas. Ser o par romântico dele em um filme já dizia por si só o tamanho do problema que eu iria enfrentar, mas eu preferi ser teimosa e ignorar o grande aviso de neon, dizendo que aquilo era “bad news”. Eu merecia uma surra por isso.
Eu tinha sentido vontade de beijá-lo.
Aquilo não estava certo. Nada na minha vida estava certo, mas agora era tarde demais para isso. Eu não poderia mais voltar atrás.
O problema era que, se eu tinha sentido vontade de beijá-lo em uma cena que nem envolvia beijo, imagina o que eu iria sentir se tivesse que o beijar de verdade? Eu ainda não estava pronta pra isso e, sinceramente, não tinha a menor ideia se tinha como ficar pronta para o que estava por vir.
Eu precisava conversar com alguém ou eu iria enlouquecer.
Entrei no meu apartamento e joguei a chave e bolsa em cima do sofá mais próximo. Um barulho de música vinha do corredor, denunciando que minha irmã já tinha chegado da escola. Segui em direção ao seu quarto e parei em frente a porta fechada, me decidindo se deveria ou não importunar minha irmã com os meus problemas. Porém, antes que eu pudesse me decidir, a porta foi aberta.
- ! - exclamou, afobada. - Você chegou cedo.
- Terminamos mais cedo.
- Eu estava indo fazer um sanduíche pra mim. Quer que eu faça pra você também?
Minha barriga roncou em resposta. Só agora me toquei que não tinha comido nada o dia todo.
- Por favor. Estou faminta.
Seguimos para a cozinha.
- Como está indo as gravações?
- Bem...
- Ah, não. Alguma coisa está errada, o que aconteceu?
Ri. Minha irmã me conhece tão bem.
- .
- O que aquele babaca fez? - perguntou brava. Sorri levemente. Minha irmã era mesmo um amor.
- Tivemos que gravar uma cena, hm, íntima, hoje.
- Vocês se beijaram? - ela arregalou os olhos.
- Não exatamente. Mas foi um quase beijo.
- Não foi estranho?
- Esse é o problema. Foi muito estranho!
- Você sentiu alguma coisa?
Mordi o lábio inferior. Esse era outro problema, eu não sabia o que tinha sentido direito.
- Não sei. - confessei. - Teve um momento em que a gente ficou muito próximo e...
- E...? - Ela agora me olhava, muito interessada no que eu tinha pra dizer.
Torci os lábios, decidindo se deveria dizer ou não.
- Eu senti vontade de beijá-lo - disse, por fim. abriu a boca em choque e arregalou os olhos. - Não é nada do que você está pensando! - me adiantei, antes que ela começasse a falar que eu ainda gosto do e blá, blá, blá.
- E o que eu estou pensando? - ela cruzou os braços e ergueu a sobrancelha, me desafiando.
- Você sabe muito bem! - retruquei. - É só que... Ficar tão perto dele depois de tanto tempo me deixou confusa e eu acabei imaginando coisas, mas já passou.
- Você tem certeza que foi só isso?
- E o que mais poderia ser?
- Não sei. Eu só não quero que se machuque. Você sabe... é casado com .
- Eu não me esqueci disso, - revirei os olhos. Eu não precisava que todo mundo me lembrasse disso. Esse já era um trabalho que desempenhava muito bem todos os dias com a sua presença constante.
O telefone de começou a tocar e ela largou os sanduíches e saiu resmungando algo como “aposto que é a mamãe novamente”. Eu não duvidava que fosse. Minha mãe era muito protetora, ainda mais quando se tratava da . Enquanto minha irmã atendia o telefone, me prontifiquei a terminar os sanduíches.
Eu não tinha conseguido nada com aquela conversa, além de fazer minha irmã pensar besteira. Mas eu já deveria esperar que ela agisse assim, afinal, eu agiria da mesma forma se ela viesse me falar que tinha sentido vontade de beijar o ex. O que me restava era só esquecer aquela história. Se eu for ficar desse jeito toda vez que eu tiver que fazer uma cena intima com , eu vou enlouquecer. Além de que aquilo não era nada saudável. Eu tinha que me manter firme e forte ou eu iria acabar sabotando a mim e a minha carreira.

- Te juro que se minha mãe ligar novamente, eu jogo meu telefone na privada - disse ao se aproximar.
- Ela só está preocupada. Deixa ela se acostumar com a ideia de que você não mora mais com ela e o papai.
- Eu entendo, mas não é como se eu tivesse morando com uma completa estranha, não é?
- Você sabe o quanto nossa mãe é exagerada.
- Pior que sei mesmo - ela revirou os olhos e deu uma mordida em seu sanduíche. - Mudando de assunto... Quais são os planos pra hoje a noite? Podemos assistir filme, sair pra jantar, ir à alguma festa... - ela sorria empolgada enquanto listava as coisas que poderíamos fazer.
- Hm... Eu meio que... Já tenho planos para hoje... - O sorriso dela murchou quase que de imediato. Me senti terrível por aquilo. - Eu vou à uma festa na casa da Knowles com Ollie.
- Ah, tud... - ela parou de falar e arregalou os olhos. - Espera aí... Você disse Knowles?
Oh, Deus. Ela sabia que ela não ia deixar aquele nome passar. Minha irmã era tão fã da quanto eu e eu ainda não tinha tido a oportunidade de contá-la que ia contracenar com ela. Ela iria pirar.
- Disse. Ela também é parte do elenco do filme.
Aconteceu tudo muito rápido. Em um momento minha irmã sentada me olhando e no momento seguinte ela estava pulando e gritando no meio da cozinha.
- MINHA IRMÃ E KNOWLES NO MESMO FILME, ISSO É INACREDITÁVEL!
Ri de toda aquela cena. Apesar de eu não ter exteriorizado, aquela tinha sido exatamente minha reação. Eu tive que ser profissional e agir como uma pessoal normal no momento que eu sou, mas por dentro eu tinha pulado e gritado como uma louca.
- Se acalma louca - a puxei para se sentar de novo na cadeira. Se eu deixasse ela iria ficar pulando de felicidade a noite toda.
- Como você não me conta uma coisa dessas?!
- Eu não tive oportunidade.
- Você tem que me apresentar a ela, ! É o meu sonho, você sabe.
- Achei que o seu sonho fosse se formar em medicina - brinquei.
- Esse sonho pode esperar. Estamos falando da Knowles. Diz que vai me apresentar a ela, por favor, por favor, por favor! - implorou. - Eu faço o que você quiser.
- Tá bom! - disse e ela comemorou. - Eu vou ver o que posso fazer, mas não pode ser hoje. Eu não posso te levar para festa.
- Não tem problema - disse, quase que de imediato. - O importante é que o encontro aconteça, não importa quando. - Fiquei surpresa com aquela atitude dela. Confesso que esperava um pouco de insistência. - Mal posso esperar para contar pra todas as minhas amigas. Elas vão se morder de inveja!
Balancei a cabeça, rindo. Minha irmã e eu éramos mais parecidas do que eu pensava.
- Bem, eu vou ligar pro Oliver e começar a me arrumar para a festa.
- Quer ajuda pra escolher a roupa?
- Não precisa, pode comer seu sanduíche.
- Te amo - disse, fazendo um coração com as mãos. Cerrei os olhos para ela.
- Interesseira! - ela riu e eu saí da sala, antes que ela mudasse de ideia e começasse a me pedir para ir à festa comigo.

Antes de ligar para meu melhor amigo, achei melhor que seria melhor ligar para . Eu precisava saber o endereço dela e aproveitaria para perguntar se poderia levar um amigo, afinal, ela não tinha mencionado e eu não queria fazer Oliver passar vergonha.
Depois de ter certeza que estava tudo bem em levar meu melhor amigo e de anotar o endereço da possível mansão de , foi a vez de ligar para Oliver. Disquei os números tão conhecidos por mim e não demorou para que ele atendesse a ligação.
- Coisinha! Achei que você não fosse me ligar.
- Eu odeio quando você me chama assim.
- Por isso mesmo que eu chamo meu amor.
- E eu te odeio por isso.
- Coisinha, nós sabemos que você me ama.
- Cala a boca vai - retruquei e ele riu.
- Se for pra calar a boca, acho melhor desligar então...
Bufei, mas foi impossível não sorrir. E eu sabia que ele estava sorrindo também.
- Você tá muito engraçadinho hoje.
- É uma das minhas qualidades.
E era mesmo. Oliver era sempre alegre e eu nunca tinha o visto triste. As vezes eu ate o invejava por isso.
- Você vai a festa hoje, não é?
- Mas é claro! Você achou que eu tinha esquecido?
- Eu te conheço, você não esquece nada quando se trata de festas.
- Você me conhece tão bem.
- Me pega as oito, pode ser?
- Te pego a hora que você quiser, gata - ri da sua cantada barata. Ta aí uma coisa em que Oliver não era bom.
- Você precisa melhorar essas cantadas. Tá explicado o motivo de você não ter namorada.
- Olha, depois dessa eu vou desligar e deixar você se arrumar.
- É bom mesmo. Não quero me atrasar.
- Você não é nem louca de se atrasar, coisinha - bufei. Eu realmente odiava aquele apelido.
- Você não vai mesmo parar de me chamar de coisinha?
- Não - disse, achando graça da minha irritação.
- Tchau, Oliver.
- Tchau, coisinha. - grunhi e desliguei o telefone. Oliver sempre gostou de me dar apelidos, mas aquele era o que eu mais odiava. Eu até tentei fingir que não me importava algumas vezes só pra ver se ele parava, mas não obtive nenhum sucesso.
Deixando o problema com os apelidos pra lá, me aproximei do meu closet pronta para enfrentar outro problema: escolher a roupa que eu iria vestir. Não que eu fosse uma garota fútil que passava horas escolhendo uma roupa e que não vestia a mesma roupa duas vezes, porque eu não era. Mas aquela não era uma festa qualquer e, eu sabia que não iria ser a única famosa no local. Esse tipo de festa sempre costumava ser notícia em todos os sites de fofoca e eu queria causar boa impressão.
Não sei quanto tempo eu passei em meio as roupas, mas quando eu finalmente achei algo perfeito e que combinasse, já se passava das seis e meia, então eu tive que correr para o banheiro. Por ser meio atrapalhada, eu sempre acabava me atrasando, mas como era Oliver que vinha me buscar, isso não poderia acontecer. Ele era o rei da pontualidade e se eu atrasasse um minuto sequer ele arrancaria o meu fígado, disso eu tinha certeza.

A campainha tocou. O relógio de parede marcava oito horas em ponto. Oliver tinha chegado e eu ainda não tinha terminado de me arrumar.
Ollie e sua maldita pontualidade.
Ele iria me matar.
- Não acredito que você ainda não está pronta - ele disse, entrando no quarto sem ao menos bater. O olhei indignada pelo reflexo do espelho. - Tá me olhando assim por quê? Você que tá atrasada...
- Você entrou sem bater. E se eu tivesse pelada?
- Ah, pelo amor de Deus. Não é como se eu nunca tivesse te visto sem nada, né? - respondeu irônico.
- Mesmo assim - revirei os olhos. - E eu acabei me distraindo, por isso me atrasei.
- Por que não estou surpreso com isso? - bufou irritado.
- Desculpe se eu não sou a rainha da pontualidade.
- Engraçadinha. Você tem cinco minutos pra ficar pronta ou eu vou embora sem você - e saiu do quarto, batendo a porta com força.
Que ótimo, agora ele estava puto comigo por um motivo totalmente idiota. Eu não tinha culpa se ele tinha problema com atrasos, ele que fosse procurar um psicólogo. Terminei o restante da minha maquiagem o mais rápido que consegui. Borrifei um pouco de meu perfume favorito na pele e sorri satisfeita para o meu reflexo. Eu estava pronta.
Peguei minha bolsa e saí do quarto antes que Ollie viesse me arrastar pelos cabelos ou que ele cumprisse a ameaça e fosse embora sem mim. Pude ouvir algumas risadas quando me aproximei da sala. Minha irmã estava sentada ao lado de Oliver no sofá e ela ria exageradamente e tocava o braço dele constantemente, visivelmente deslumbrada. Eu sabia que minha irmã tinha uma queda enorme por Oliver e ela obviamente estava flertando e ele sequer tinha percebido! Oliver podia ser lento demais as vezes.
Pigarreei, atraindo a atenção de ambos pra mim. A primeiro momento, me olhou assustada e suas bochechas coraram. Ela sabia que eu tinha percebido todo aquele flerte. No entanto, ela logo se recompôs e abriu um largo sorriso, enquanto me analisava dos pés a cabeça.
- Você está tão linda! - disse, batendo palmas de modo infantil.
- Obrigada - sorri para ela. - Você vai ficar bem sozinha?
- Não se preocupe, eu não vou destruir seu apartamento - respondeu, brincando.
- Acho bom mesmo - rimos. Desviei meu olhar para Oliver. Ele me analisava meticulosamente com a expressão fechada. Ele ainda estava com raiva pelo meu atraso. - Qualquer coisa, pode me ligar, meu celular vai está ligado o tempo todo.
- Relaxa, . Só vai se divertir - ela disse, rindo.
Ri também, por que sabia que estava parecendo uma mãe deixando várias instruções pros filhos antes de sair de casa. Mas, era como eu estava me sentindo, afinal, a responsabilidade ali era minha.
Oliver se despediu de minha irmã e se encaminhou até a saída do apartamento e, eu decidi que seria melhor segui-lo antes que ele ficasse ainda mais bravo. Caminhamos lado a lado até o elevador. Enquanto esperávamos que o elevador subisse, arrisquei olhar para Oliver. Ele olhava pra frente e em nenhum momento me encarou de volta. Toda aquela birra estava me irritando. Ta certo que eu me atrasei uns minutinhos, mas aquilo não era o fim do mundo. Ele que estava exagerando... Como sempre.
- Vai ficar com essa birra até quando? - resolvi perguntar quando já estávamos no elevador e, como já era de se esperar, não houve resposta. Bufei. - Sério que você vai ficar com raiva por causa de 5 minutos de atraso? Quantos anos você tem? Cinco?
Não esperei que ele respondesse. A porta do elevador se abriu e eu saí do mesmo pisando firme e decidida a pegar um táxi. Se fosse pra ele ficar agindo feito uma criança o resto da noite, era melhor que eu fosse sozinha.
- , espera! - ele segurou meu braço, me puxando pra trás. Virei para ele fumegando de raiva.
- Me solta, eu vou sozinha - tentei puxar meu braço, sem sucesso. O filho da mãe me olhou sério por um instante e então começou a rir. Aquilo só aumentou minha raiva. - Do que está rindo, idiota?
- Ah, coisinha... Você fica tão linda quando está brava.
- Não me chama de coisinha - rosnei.
- A propósito, você tá bem gostosa nessa roupa - ele escorreu os olhos por meu corpo e mordeu os lábios. Cerrei os olhos pra todo aquele atrevimento, quem ele pensava que era?
- Qual é o seu problema?
- Nenhum - respondeu, balançando a cabeça. - Você só me tira do sério quando se atrasa desse jeito. Você sabe que eu odeio isso.
- Eu sei, mas não precisa agir como um babaca por causa disso.
- Desculpe - disse, me soltando.
- Tudo bem. Agora vamos logo, já estamos atrasados o suficiente - disse, já caminhando em direção a saída.
- Ei - ele me chamou. Olhei para trás e ele sorriu, antes de falar: - Você está mesmo linda. - Abri um sorriso envergonhado. Eu nunca sabia lidar com elogios.
- Obrigada. Você também não está nada mal.
- Nada mal? Eu estou maravilhoso, pode admitir.
Revirei os olhos e sorri. Oliver era cheio de si, mas ele tinha razão. Eu duvidava que fosse possível ele ficar feio de alguma forma; A beleza dele era fora do normal.

- Minha irmã tem uma queda por você - disse, de repente. Oliver olhou pra mim com os olhos arregalados de surpresa.
- Sério? - assenti, afirmando. - Eu nunca percebi.
- Claro... Como também não percebeu que ela estava flertando com você lá na sala.
- QUÊ? Ela estava...?
- Você não percebeu? - ele negou. - Como você é lerdo! - ri dele. Aquele flerte estava tão obvio que qualquer um perceberia.
- Eu não sou lerdo! - retrucou. - Eu só não vejo sua irmã dessa forma, por isso não percebi.
- Ah, pelo amor de Deus. Você é lerdo mesmo e nem tente negar.
Ele abriu a boca algumas vezes para contestar, mas, por fim, acabou desistindo. Ele sabia que eu tinha razão.
- Não vou discutir com você.
Gargalhei. Claro que ele não iria admitir que eu estava certa. Era de Oliver que estávamos falando.

Não demorou muito para que o carro estacionasse em frente a grande mansão de . Desci do carro, olhando admirada para aquele lugar enorme e lindo. Do jardim já se era possível ouvir a música alta e dançante.
Andamos até o hall da casa, onde tinha dois seguranças parados em frente a grande porta. Um deles estava com uma prancheta na mão.
Pelo visto, não era qualquer um que entrava ali.
- Boa noite - cumprimentei os seguranças educadamente.
- Qual é o seu nome, senhorita? - o que estava com a prancheta perguntou.
- , e esse é o meu amigo, Oliver Carter.
O segurança olhou para lista, procurando meu nome.
- Tudo certo, vocês podem passar.
O segundo segurança abriu a porta e eu puxei Oliver para dentro, me sentindo a pessoa mais importante do mundo. Eu estava na lista de convidados da festa de minha ídola, Knowles. Eu tinha zerado a vida só com essa.
O lugar estava lotado. Olhei ao redor, admirada com o tamanho e a beleza que aquela casa era por dentro. Os quadros, os móveis, tudo naquela casa parecia ser extremamente caro, mas também era extremamente lindo.
- Eu acho que eu vi o Brad Pitt! - Oliver exclamou parecendo estar tão maravilhado quanto eu.
- Que? Onde? - olhei para os lados. - AI MEU DEUS! Acho que eu vi a Beyoncé! - disse, pulando feito uma retardada. - Eu não estou vendo coisas, era ela!
- , eu te amo por me trazer a essa festa!
- Como conseguiu que eles viessem? Eles sequer moram em Londres!
- Contatos, coisinha, contatos - ele disse como se fosse óbvio. - Tá esperando o que pra se misturar? Essa é sua oportunidade!
- Tem razão - concordei. Aquela era minha oportunidade de me enturmar, de fazer novos contatos. Minha carreira estava apenas começando.
- ! - me virei em direção a voz, dando de cara com . Ela veio até mim e me abraçou. - Estou muito feliz de te ver aqui - e então se virou para meu amigo. - E quem é esse gostoso? - arregalei os olhos, sem acreditar que ela tinha mesmo dito aquilo, e ela não estava bêbada, o que me fez acreditar que ela era mesmo sincera. Até demais.
- Sou Oliver, amigo de - ele segurou a mão dela e a beijou, um sorriso completamente interessado nos lábios.
- Sou ... É definitivamente um prazer te conhecer - ela disse descaradamente.
Cerrei os olhos para aquela cena. O que diabos estava acontecendo ali?
- Igualmente, - eles deram uma risada, que demonstrava todas as intenções subentendidas naquela troca de gestos e palavras. De repente me senti complemente excluída daquela conversa e confesso que a sensação não foi nada agradável.
- Então - me intrometi, chamando a atenção para mim. - Pode me apresentar a algumas pessoas?
- Claro! Venha - disse e, sem esperar resposta, me puxou para o meio das pessoas. Tudo aconteceu muito rápido. Em um momento eu estava sendo puxada entre as pessoas e no outro eu já estava com uma taça na mão e em uma roda conversando com umas pessoas tão famosas quanto , se não mais e que eu costumava a ver apenas em televisão.
Aquilo era maravilhoso. Eu estava deslumbrada e feliz. Nunca tinha sentindo que pertencia a algum lugar e naquele momento eu me sentia daquela forma. Aquele era o meu lugar, eu estava no caminho certo e era aquilo que importava. Que e que se danassem, nada iria me tirar do meu caminho, do que eu queria fazer na vida. Agora eu percebia isso, agora eu via que atuar era a minha vida, era o que eu tinha nascido pra fazer e, naquele momento, eu decidi que não ia deixar que nada me atrapalhasse de chegar ao topo, de ser um sucesso, nem mesmo . Eu o beijaria centena de vezes se fosse necessário. Eu não iria deixar mais que aquilo me afetasse e dessa vez aquilo não seria apenas palavras que eu dizia pra mim mesma, para me confortar e fazer eu me sentir melhor. Não, agora eu estava disposta a por em prática tudo aquilo. Eu estava disposta a deixar que outra nascesse.

Já fazia mais de meia hora que eu não via Oliver. Mais precisamente desde que tinha começado uma conversa com alguns amigos de . Encerrei a conversa e me afastei, decidida a procurar meu melhor amigo. Ele nunca ficava sumido por tanto tempo, a não ser que estivesse com alguma outra mulher. Aquele pensamento me incomodou. Ele tinha vindo comemorar comigo, então não tinha motivo pra ele estar com outra pessoa, certo?
Caminhei entre as pessoas, agora mais empenhada que nunca em achar meu melhor amigo. Porém, não precisei de muito para encontrá-lo. Oliver sempre se destacava entre as pessoas e naquele momento não foi diferente e, mesmo que ele estivesse longe o suficiente, eu o reconheceria a quilômetros de distancia. Ele estava de costa pra mim, então caminhei apressadamente até ele, antes que ele sumisse de minha visão. Contanto, eu não precisei me aproximar muito pra perceber que ele não estava sozinho. E também não foi preciso me esforçar muito pra ver que era que ele prensava contra a parede e beijava avidamente.
Aquela cena não me agradou, mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Oliver era apenas meu melhor amigo e ele era livre pra ficar com quem quisesse. Só porque a gente se pegava de vez em quando, não queria dizer que ele não podia sair com outras. Afinal, éramos amigos acima de tudo, não é? Tínhamos concordado com isso, porque éramos maduros o suficiente pra não deixar que aquilo afetar nossa amizade.
Mas por que aquilo estava me incomodando tanto?
Resolvi parar de encarar, aquilo já estava ficando ridículo. Eu precisava de uma bebida mais forte que champanhe.
Caminhei até o bar praticamente vazio e, me sentei em um dos bancos. O barman se aproximou e tratei de pedir uma bebida qualquer, nomes não importavam, contanto que fosse álcool. Não demorou para que a bebida fosse posta à minha frente e eu virasse o líquido todo de uma vez, pedindo por mais logo em seguida. O barman me olhou um pouco assustado, mas não contestou e encheu meu copo mais uma vez.
- Você não costumava a beber assim - ouvi uma voz conhecida ao meu lado. Fechei os olhos com força, desejando que aquilo fosse uma alucinação, que fosse apenas efeito da bebida. Porém, ao virar a cabeça em direção da voz, ficou mais do que claro que aquilo não era uma alucinação e estava sim ali do meu lado.
- As pessoas mudam - disse, por fim.
- Disso não posso discordar - a ironia transbordava de sua voz.
- Cadê a sua mulherzinha? Não veio? - questionei, depois de verificar que ele estava sozinho ali.
- Ela teve que ficar com Dulcie em casa.
- Ah, que conveniente - dei risada. - A mulher fica em casa, enquanto o marido vem se divertir.
Ele franziu o cenho, sem entender o motivo de eu estar falando aquilo. Nem eu entendia, só estava falando o que me vinha a cabeça.
- Eu não sei como isso pode ser da sua conta, mas eu sou completamente fiel à minha esposa.
- Fiel? - dei mais uma risada irônica. - Bem... Essa é a primeira.
Bebi o líquido mais uma vez e me virei para sair dali. Mas segurou meu braço, me impedindo de dar um passo sequer.
Mas que inferno, hoje todo mundo resolveu me impedir de fazer o que eu quero? Eu só queria paz.
- Sim, fiel, sim. Eu amo minha esposa e não seria capaz de magoá-la.
- Não me interessa - puxei meu braço com força. Eu não queria e não precisava saber o quanto ele era feliz com ou o quanto ele a amava. Isso só demonstrava que eu não tinha sido o suficiente pra ele, que ele não tinha realmente me amado. Eu já tava com meu orgulho ferido demais.
- Realmente, não te interessa - rebateu.
- Então me deixa em paz e volta pra sua vidinha de merda! - o empurrei e saí pisando firme. Enquanto andava em meio às pessoas, acabei por ver que Oliver não estava mais acompanhado. Ótimo!
Marchei até ele bufando de ódio. Eu estava com raiva de Jaime por ser tão estúpido, de por ser uma vadia e de Oliver por estar com outra enquanto ele podia estar comigo, me fodendo em um dos quartos. Meu estômago revirou com esse pensamento e eu apressei meus passos em sua direção. Ollie só notou minha presença quando eu estava só a alguns passos de distância.
- ! Onde v...? - não deixei que ele terminasse. O empurrei contra a parede e avancei, beijando os seus lábios com força. Ele, por sua vez, não teve uma reação de imediato devido a surpresa, mas, logo, suas mãos foram pra minha cintura e o beijo foi correspondido com vigor. Enfiei minhas mãos por debaixo da camisa dele e passei minhas unhas levemente em seu abdômen definido. Oliver, por sua vez, desceu a mão até minha coxa direita e puxou minha perna pra cima, encaixando-a em seu quadril. Me aproveitei da situação e encaixei minha outra perna em seu quadril também e Oliver inverteu nossas posições, agora me prensando na parede. Os lábios dele deixaram de beijar minha boca e passaram a beijar meu pescoço, deixando um rastro de saliva por onde sua língua passava. Encostei a cabeça na parede e arfei, me sentindo extremamente excitada. Toda aquela raiva estava sendo substituída por tesão. As mãos dele apertavam minha coxa com posse e seus lábios me beijavam por completo, me despindo. Eu seria capaz de deixar ele me foder ali mesmo, pra todo mundo ver. Eu estava disposta a isso, se não fosse aqueles olhos. Eu os senti queimando sobre minha pele antes mesmo que eu pudesse abrir os olhos. Do outro lado do salão me olhava fixamente e de longe eu pude ver a reprovação em seus olhos. Eu deveria não me importar, mas aquilo me travou e eu percebi o que eu estava fazendo. Eu estava em uma festa cheia de celebridades, aquilo não era uma festa da faculdade ou do ensino médio. Se aquilo saísse na mídia, eu estaria perdida e poderia dar adeus ao filme. Tudo o que eu menos precisava naquele momento era de um escândalo na mídia.
Firmei minhas pernas no chão novamente e empurrei um pouco Oliver, para que eu pudesse respirar novamente. Ele me olhou sem entender, mas não forçou a barra.
- Não posso perder o controle - expliquei. - Não quero correr o risco de sair algo desagradável na mídia.
- Tudo bem - concordou. Eu sabia que ele iria entender. - Podemos ir pra outro lugar... - ri. Sabia que ele iria propor algo assim, éramos do Oliver que estávamos falando.
- Não - neguei. - Pode voltar a pegar a .
- Epa! Que tom é esse que estou detectando? Ciúme senhorita ? - disse com um sorriso zombeteiro nos lábios.
- Não seja idiota - revirei os olhos e o sorriso dele só pareceu aumentar. - Tá sorrindo por quê?
- Você está com ciúme - ele repetiu, rindo descaradamente da minha cara. Cerrei os punhos, começando a ficar irritada. Eu? Com ciúme? Pff! Que coisa mais idiota de se pensar!
- Não estou não - grunhi.
Estava ciente de que estava parecendo uma criancinha birrenta e o sorriso zombeteiro de Oliver mostrava o quanto ele estava adorando aquilo. E era justamente nesses momentos que eu odiava que meu melhor amigo fosse tão cheio de si. Ele deu um passo a frente, se aproximando mais do que o recomendado, mas antes que ele pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, apareceu.
- Desculpa pela demora - disse ela afobada. - ! Você tinha sumido!
- É, eu estava por aí. Er... Eu vou deixar vocês sozinhos. - falei e saí de lá rapidamente. Não olhei para trás em nenhum momento, não queria presenciar algo que me deixasse desconfortável. De certa forma, não era legal saber que em um momento Oliver estava aos beijos comigo e no momento seguinte ele estava agarrando outra.
Peguei uma taça de bebida do primeiro garçom que passou por mim e segui em direção as escadas. Eu precisava de um lugar onde eu pudesse respirar fundo e acalmar os ânimos. O primeiro andar não estava muito cheio, então não tive nenhum problema para chegar a varanda no fim do corredor, que por sorte estava completamente vazia. Respirei fundo, deixando que o vento fresco batesse no meu rosto. Dali dava pra ver a London Eye perfeitamente e pra mim aquela era uma das mais lindas vistas de Londres. Eu costumava visitar a London Eye sempre que podia e só agora eu percebi que não tinha ido lá uma vez sequer desde que voltei da Itália. Eu tinha tantas memórias boas e ruins naquele lugar. Tinha sido ali, no todo daquela roda gigante, que tinha me pedido em casamento. Lembro o quanto eu tinha ficado feliz e gritado pra quem quisesse ouvir que eu queria, sim, casar com ele. Eu estava tão certa que ele era o cara certo pra mim. Como fui estúpida.
- Eu me lembro perfeitamente daquele dia também - sobressaltei de susto e olhei para figura de parado ao meu lado. A quanto tempo ele estava ali?
- Do que está falando? - franzi o cenho, fingindo confusão. É claro que eu sabia do que ele estava falando.
- Não precisa fingir que não sabe do que eu to falando - agora ele lia mentes?
- É algo que eu prefiro não lembrar - respondi. E era verdade. De certa forma, lembrar me machucava, não na mesma intensidade que antes, mas ainda assim, doía.
- Por favor, não - disse e sua voz parecia conter algum tipo de dor. - Eu entendo, você me odeia pela dor que eu te causei, mas não apague as nossas memórias.
- Pra que eu vou querer memórias de algo que foi uma mentira? - questionei, amargamente.
Ele fechou os olhos por um momento e quando ele os abriu novamente, outro estava ali na minha frente. O que eu conhecia antes de tudo, o meu .
- Eu me odeio pelo que eu te causei, eu sei que não mereço o seu perdão, mas... O que a gente viveu não foi uma mentira, você era a mulher da minha vida, eu te amava. Então, por favor, não apague isso, não apague as memórias boas, porque eu não apaguei.
Desviei o olhar do dele, sentindo os meus marejarem. Eu não estava preparada para aquilo, as feridas que o fim daquele relacionamento tinha me causado ainda não tinham cicatrizado e era por isso que era tão difícil seguir em frente. Eu não queria ter que lidar com os meus sentimentos, ainda mais agora que eu tinha que conviver com ele todos os dias.
- Eu... Eu não acho que eu consigo - enxuguei a lágrima que desceu por minha bochecha, mas outras vieram. - Eu prefiro não tê-las se isso significa que a dor vai embora.
Ele deu um passo hesitante em minha direção. Não me afastei, eu não tinha forças pra isso.
- Me desculpa pelo que te causei. Eu sei que nem se eu pedir desculpas mil vezes não vai ser o suficiente, e eu sei que eu não tenho direito de te pedir nada, mas não deixe que as memórias ruins apague as boas; Nós fomos felizes juntos.
Nós tínhamos mesmo sido felizes... Até ele estragar tudo.
- Por que você está falando essas coisas? - questionei.
- Não sei... - respondeu ele, parecendo perdido.
Enxuguei as lágrimas de meu rosto, me proibindo internamente de chorar novamente na frente dele. Era patético. Eu era patética.
- Você não pode me culpar por querer esquecer tudo relacionado a você. Eu sofri muito e é impossível lembrar as coisas boas e não lembrar as ruins.
Ele simplesmente não podia chegar do nada e me fazer um pedido desses. Ele achava que eu não tinha sentimentos?
- Me desc...
- Pare de pedir desculpas! Isso não vai mudar nada.
Ele assentiu concordando. Voltei a olhar pra frente, esperando que ele fosse embora e me deixasse sozinha, mas como ninguém gostava de facilitar a minha vida, é claro que ele não foi embora.
- Então... Você e Oliver, huh?
Senti vontade de gritar. Não dava pra acreditar que ele estava querendo ter essa conversa comigo.
- Sem querer ser grossa, mas isso realmente não é da sua conta.
- Tem razão, desculpe. - fiz careta. Eu não aguentava mais ouvir aquela palavra. - É só que eu não imaginava que um dia eu iria ver vocês, huh, no maior amasso.
Olhei para ele com os olhos cerrados. Algo no tom de voz dele tinha me chamado atenção, porém não consegui identificar o que era e preferia pensar que não era julgamento. Definitivamente, aquela conversa não poderia ficar mais estranha.
- Eu vou embora - sentenciei. O ar ao meu redor estava tão pesado, que já estava começando a me sufocar. não disse nada, apenas balançou a cabeça em despedida. Acho que ele tinha percebido o quanto aquela conversa estava extremamente desconfortável. Percorri o caminho de volta para o térreo, onde a festa rolava. Ainda era cedo e todos dançavam alegremente no meio do salão. Por um momento senti inveja de todas aquelas pessoas que estavam se divertido. Eu não tinha nenhum motivo para estar animada e, nem o fato de que eu estava arrodeada de pessoas famosas me deixava empolgada como eu estava assim que cheguei. A verdade é que eu não sabia me divertir sem meu melhor amigo, eu já tinha ficado dependente dele e, talvez tenha sido aquele o motivo de eu ter ficado tão incomodada por ele estar com e não comigo.
Sentei-me no sofá, desejando ir pra casa. Eu só esperava que Oliver não esquecesse que tinha que me dar uma carona de volta pra casa. Eu só queria ver um rosto conhecido.
- Não acredito no que eu estou vendo! - virei meu rosto em direção a voz, encontrando com Jane, a minha assistente.
- Jane! Não acredito que você está aqui!
- E eu não acredito que você está sentada aqui! Isso é um crime!
Ri da pose que ela fez. Eu não conhecia esse lado maluco dela, mas talvez pudesse ser o efeito do álcool.
- Eu não conheço muitas pessoas - “e meu melhor amigo me abandonou”, completei mentalmente.
- Bem, você me conhece. Venha, vamos dançar! Não quero te ver mais nenhum minuto nesse sofá! - ela disse e esticou a mão para mim.
Me levantei e peguei sua mão, apenas para ser arrastada para o meio das pessoas. Ficamos uma de frente pra outra e começamos a nos mover de acordo com a música. Estava feliz que Jane tinha aparecido, eu tava precisando de alguém que me tirasse daquela “bad”. Além do mais, eu pude perceber que eu não precisava de Oliver pra me divertir; Eu podia me divertir com outras pessoas e, principalmente, não tinha problema em se divertir sozinha. E foi isso que eu fiz pelo resto da noite.

Capítulo Cinco

Já se passava das cinco da manhã quando entrei no meu apartamento. Jane tinha me dado uma carona, já que, aparentemente, Oliver tinha sumido com . Apesar de não ter meu amigo comigo, eu me diverti mais do que achava ser possível e aquilo era algo que eu, definitivamente, iria adorar repetir no futuro. Mas, agora, tudo o que eu mais queria era cair na cama e dormir o resto do dia. Meus olhos teimavam em fechar e eu cambaleei pela sala, procurando o sofá antes que eu caísse no chão. Por não estar realmente prestando atenção no caminho, acabei tropeçando e caindo com tudo no chão. Esperei pela dor, mas ela não veio. O chão estava mesmo macio, ou eu havia caído em cima do sofá e não percebi?
Espera... O chão estava se movendo?
- Se tivesse dito que eu acordaria com uma gostosa em cima de mim, eu não teria relutado tanto em vir.
Abri os olhos rapidamente, ao ouvir aquela voz masculina e rouca perto do meu ouvido. Um par de mãos segurou minha cintura e eu dei um grito, me levantando completamente assustada.
- QUEM É VOCÊ?
- Sou Jeremy, amigo da - ele riu, parecendo se divertir com a minha reação.
- E o que você tá fazendo aqui?!
- Dormindo, até acordar com você em cima de mim.
Abri a boca, mas nenhum som saiu dela. Meu rosto corou violentamente e eu quis cavar um buraco no chão e me jogar dentro.
- Desculpa por isso - murmurei, sem graça. - Eu não estava exatamente vendo por onde estava indo.
- Não se preocupe, não foi exatamente uma coisa desagradável - e sorriu maliciosamente. Abri a boca novamente, ultrajada. Quantos anos esse garoto tinha? Uns 15? Era uma criança pra mim!
- O que está acontecendo aqui? - apareceu juntamente com uma garota, que supus ser sua amiga. - ? Você tá chegando agora?
- Sim e tô indo dormir. Quando acordar, vamos conversar sobre isso.
Segui para o quarto sem olhar pra trás. Não teria coragem de olhar para aquele garoto depois do papelão que passei e das coisas absurdas que ele disse. Naquele momento eu só queria dormir e esquecer que aquilo tinha acontecido.

Minha cabeça latejava. Eu nunca mais misturaria champanhe, com vodka e qualquer outra bebida que agora não me lembrava do nome. Abri os olhos lentamente e fui tomada pela escuridão. Já era noite? Não, eu não tinha dormindo tanto assim, era impossível!
Estiquei minha mão e tateei a cômoda em busca do celular. Quando achei, trouxe o aparelho para perto do rosto e apertei um botão qualquer para que pudesse ver a hora. A luz do aparelho quase me cegou, mas quando consegui enxergar, custei a acreditar que eram exatamente nove da noite. Alguma coisa estava errada.
Levantei da cama em um pulo, me arrependendo logo em seguida. Minha cabeça latejou fortemente e eu tive que me segurar na cômoda para não cair. Com uma mão na cabeça, caminhei até a janela, abrindo as cortinas abruptamente. O céu escuro e estrelado não me deixava mais nenhuma dúvida. Estava mesmo de noite.
Nunca tinha dormido tanto na minha vida.
Depois de um bom banho gelado e uma aspirina, eu me sentia renovada. Ressaca era a pior coisa do mundo, mas pelo menos me impedia de pensar em coisas estúpidas, tipo a conversa estranha que tinha tido com na noite anterior. Eu não tentaria entender o que tinha sido aquilo ou o motivo de ele ter feito um pedido daqueles pra mim. Eu também não iria atrás dele em busca de respostas. Eu tinha meu orgulho e tinha tomado minha decisão. Jaime tinha uma família, ele tinha seguido em frente. Então eu pararia de choramingar pelos cantos e faria o mesmo. Estava na hora de voltar a ser uma mulher resolvida e confiante de si. A segura de si estava de volta e ela ia se resolver com o melhor amigo traíra, que a abandonara na noite anterior.
Bem... Ela iria logo depois que se alimentasse devidamente.
Abri a geladeira em busca de algo interessante e que matasse a minha fome. Nem acreditei quando vi uma caixa de pizza praticamente implorando pra que eu a pegasse. Minha irmã devia ter deixado pra mim. Coloquei alguns pedaços no prato, coloquei para esquentar no micro-ondas e peguei a jarra de suco e um copo e coloquei-os em cima do balcão. Ainda teria que conversar com sobre aquele garoto abusado que estava aqui hoje cedo. Eu não a culpava por trazer amigos aqui, afinal, a casa agora era dela também e eu não era tão chata assim, mas, não custava me avisar que iria chamar alguém pra dormir aqui, né? Olha só o micão que eu passei.
O micro-ondas apitou, me deixando saber que a minha janta super saudável estava pronta. Peguei o prato, me sentei no banco e me pus a comer como uma esfomeada.
O bipe do celular chamou minha atenção e eu soltei o garfo por um segundo, para pegar o aparelho. Mensagem de .

Tô na casa dos nossos pais. Mamãe me pediu para dormir aqui hoje. Xx

Cerrei os olhos. Ela estava fugindo de mim? Respondi:

Se não quiser dormir aí, eu vou te buscar. Ainda temos que ter aquela conversa... Mas não fique assustada, eu não mordo.

A resposta veio dez segundos depois.

Não sei se isso foi sarcasmo, mas eu vou optar por dormir aqui mesmo. Até amanhã.

Soltei uma risada. Minha irmã era mesmo uma medrosa. Como se eu fosse dar uma bronca nela por trazer os amigos. Pff! Eu não era tão horrível assim. Agora só me restava ir atrás do ingrato do Oliver, que por um acaso não tinha me mandado uma mensagem sequer até agora.
Quando terminei de jantar, coloquei a louça na pia e saí de casa após pegar o celular e as chaves da moto. O caminho até a casa de Oliver foi curto e, logo, eu estava estacionando em frente ao prédio que ele morava.
Enquanto o elevador subia, minha mente se encheu de dúvidas. Será que ele estava em casa? Se estivesse, eu esperava que não estivesse com a . Não que eu tivesse algo contra ela, porque eu não tinha, ela ainda era a minha ídola. Mas imaginar ela com Oliver me incomodava e eu não sabia dizer o porquê.
Toquei a campainha três vezes seguida e, para o meu alívio, não foi ou qualquer outra mulher que abriu a porta e, sim, Oliver.
- Quer explodir minha cabeça, coisinha?
- Você tava dormindo? - passei por ele e entrei no apartamento sem esperar convite. Não era necessário.
- Claro! Que horas são? Duas da tarde?
- Dez e meia.
- Da manhã? Eu não acredito q...
- Da noite, Oliver.
Ele arregalou os olhos e virou a cabeça para confirmar no relógio de parede.
- NÃO ACREDITO! AI! - exclamou, levando a mão na cabeça.
Abri o armário, que eu sabia que tinha uns remédios e tirei a uma aspirina. Enchi um copo d’água e entreguei a ele juntamente com o remédio.
- Vem, vamos curar essa ressaca. - peguei na mão dele e o puxei em direção aos quartos.
- Não acho que sexo vá me ajudar a curar ressaca, mas podemos tentar...
- Não é nada disso, idiota. - revirei os olhos e o empurrei para dentro do banheiro. - Tira essa roupa! - ordenei e entrei no box para ligar o chuveiro.
- Banho frio? Nãooo! - choramingou.
- Banho frio, sim - o puxei pelo braço e, com algum esforço, consegui colocá-lo debaixo do chuveiro. Às vezes Oliver parecia uma criança de cinco anos.
Alguns minutos depois, ele saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura e com outra na mão, enxugando os cabelos. Mordi o lábio inferior involuntariamente. Por que eu tinha que ter um amigo tão gostoso assim, Deus? Alguma coisa de bom eu deveria ter feito.
- Eu sei que sou gostoso, coisinha, mas não precisa ficar me comendo com os olhos.
Corei, envergonhada por ter sido pega. Mas logo tratei de deixar a vergonha de lado. Eu ainda estava brava por ele ter me deixado sozinha a noite toda.
- Separei essa roupa pra você. Vou deixar você troc... - antes que eu pudesse terminar a frase, ele deixou a toalha cair no chão, ficando completamente nu na minha frente. Abri a boca, sem acreditar. Quer dizer, não é como se eu nunca tivesse visto ele daquela forma, mas eu estava tentando manter o foco para a conversa séria que nós teríamos e aquilo não estava ajudando.
- Quê? - perguntou de forma inocente. - Não é como se você nunca tivesse me visto sem roupa.
Corei novamente e virei de costas. Oliver riu, provavelmente achando minha atitude engraçada. Era compreensível, pois até eu estava me sentindo patética.
- Você é um amigo terrível - me virei pra ele, após certificar de que era seguro. Oliver franziu o cenho, a expressão de confusão. - Você me deixou sozinha a noite toda.
- Você sumiu, não é minha culpa.
- Eu não sumi! Você que sumiu! - acusei. - Com a .
A expressão dele mudou de confusão para esclarecimento e aquele mesmo sorriso prepotente da noite anterior apareceu em seu rosto.
- Esse tom... Ciúmes de novo?
- Para de dizer que é ciúme! - retruquei, com raiva. - Eu não estou com ciúmes, estou com raiva! Nós fomos pra aquela festa comemorar juntos e você me troca pelo primeiro rabo de saia que passa!
- Você tem noção que esse rabo de saia foi a Knowles, não tem? E ela está bem interessada em mim, até meu número de telefone ela pediu! Quem sabe ela não é a garota certa pra mim - ele disse com um sorriso bobo no rosto.
Meu estômago revirou com aquela possibilidade. E não foi de uma maneira boa. Eu não queria Oliver namorando e não era porque ela era minha colega de trabalho e meu ídolo.
- Ótimo! Então acho melhor me conformar que vou ser deixada de lado toda vez que ela estiver por perto.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu marchei para fora do quarto, decidida a ir embora.
- Ei, espera! - ele me puxou pelo braço e meu corpo foi de encontro ao dele. - Que papo é esse?
Me soltei de seu toque e me afastei.
- Você me deixou sozinha ontem, sequer se lembrou de que eu precisava de carona pra voltar pra casa. Se você for ficar com ela, eu já sei em que posição eu vou ficar nessa história.
Ele me olhou atônito e o arrependimento tomou conta de sua expressão.
- Eu... Me desculpa! - ele tentou segurar minha mão, mas eu não deixei. - Eu fui um amigo terrível, mas isso não vai mais acontecer.
- Não, não precisa se desculpar. Você estava somente se divertindo com outra pessoa, eu entendo.
- Não, não, não. Eu errei, eu deveria ter ficado com você - ele deu dois passos pra frente, ficando bem próximo a mim. - Não fique chateada comigo, eu não fiz por mal.
- Eu sei e eu não vou te fazer escolher, não se preocupe.
- Não tem competição, . Eu jamais ficaria com alguém, se isso significasse que teria que te abandonar.
- Oliver, eu não... - ele não deixou que eu terminasse a frase. Os lábios dele tomaram os meus com posse, o braço direto envolveu minha cintura, puxando meu corpo para perto do seu, a mão livre perdida entre os meus cabelos, puxando os fios quando necessário e com a força necessária. Meu estômago revirou e o coração acelerou, enquanto eu envolvia o pescoço dele com meus braços e retribuía aquele beijo da melhor maneira possível.
Beijar Oliver era indescritível e dessa vez tinha desencadeado uma porção de sentimentos conflitantes dentro de mim. Eu queria mostrar pra ele que eu beijava melhor que , que ele não precisava de mais ninguém enquanto ele pudesse me ter a hora que quisesse. Podia soar um pouco egoísta da minha parte, mas eu só estava com medo de ser deixada de lado. Oliver era a única coisa constante na minha vida, o único amigo de verdade que eu tinha e a única pessoa que eu conseguia me relacionar e continuar com uma amizade saudável. Eu não queria perder isso.
- Mais calma? - perguntou, assim que separou nossos lábios.
- Sim - suspirei. - Me desculpe, eu estava sendo infantil.
- É como eu disse, não tem competição. Você é minha melhor amiga e eu nunca vou te colocar de lado por causa de alguma garota. Mesmo que essa garota seja a Knowles.
- Eu sei, me desculpe.
- Não tem que se desculpar, gata. Só precisa colocar um sorriso nessa sua boca linda e já basta.
Sorri. Sorri porque meu melhor amigo era o máximo, porque ele não precisava fazer muito esforço pra me fazer sorrir e, principalmente, sorri porque eu me considerava uma mulher de sorte por ter uma pessoa como Oliver na minha vida. Ollie me fazia bem, fazia eu me sentir segura e, quando eu estava com ele, eu sentia que podia enfrentar qualquer coisa. Ele era mais que um melhor amigo pra mim, ele era minha família, meu porto seguro.

- Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando deixei você escolher esse filme! - Ollie reclamou pela terceira vez em menos de meia hora. Estávamos assistindo a Jogos Vorazes e o filme estava quase no fim, mas Oliver insistia em reclamar a cada dez minutos.
- Você é um chato! - pausei o filme. - O que tem de errado com esse filme?
- É irritante e tem o famoso clichê que todo filme da atualidade tem: triângulo amoroso. Todo mundo sabe que ela vai ficar com o padeiro anão, mas insistem em criar drama com o outro coitado. - Gargalhei. Oliver conseguia ser hilário quando estava indignado. - Tá rindo por quê?
- To rindo de você, bobão - dei língua. - O filme é ótimo, você que gosta de por defeito nos meus filmes favoritos.
- Não é minha culpa se você só gosta de filme ruim.
Abri a boca, indignada.
- Que absurdo! - cruzei os braços. - Você, como meu amigo, deveria saber que falar dos meus filmes favoritos é um crime.
- Ah, que dó - ele riu.
- Oliver Carter, nesse momento, eu te odeio - estapeei o seu peito e me levantei.
- Nada disso, volta aqui - ele me puxou de volta e, no momento seguinte, estava deitada no sofá, com ele em cima de mim.
- Sai de cima de mim, idiota - o empurrei pelos ombros, mas ele não saiu do canto.
- Eu sei que você não quer que eu saia, coisinha.
- Ah, e como você tem tanta certeza do que eu quero?
- Porque é o mesmo que eu quero.
E dito isso, ele me beijou. Eu não fui capaz de recusar, eu não queria recusar, assim como eu realmente não queria que ele saísse de cima de mim; eu só queria que ele ficasse assim, me beijando a noite toda.
Os lábios dele passaram a beijar meu pescoço avidamente e pararam só para que a camisa dele fosse retirada rapidamente. As mãos dele apertavam toda pele que estivesse ao seu alcance, me possuindo com veracidade. Oliver sabia o que estava fazendo, sabia onde me tocar e era aquilo que me deixava completamente a mercê dele e de suas vontades. Ele poderia fazer o que quisesse comigo, naquele momento, eu era dele.
Eu era dele?
Que merda de pensamento era aquele? Abri os olhos, encarando o teto, enquanto tentava entender o que aquilo significava. Oliver era meu melhor amigo, com quem eu, ocasionalmente, fazia sexo, mas era só isso. Nós não falávamos sobre e sempre agíamos como se nada tivesse acontecido, já tinha se tornado uma coisa natural. No entanto, algo não parecia certo e meus sentimentos estavam embaralhados demais para que eu pudesse entender alguma coisa. Porém, quando Oliver olhou nos meus olhos, eu entendi. E aquilo me assustou pra caralho.
Eu tinha me tornado dependente dele. Algo que era pra ser natural, passou a ser algo constante, um hábito e, talvez, isso pudesse estar fazendo com que eu criasse sentimentos por ele. Isso não podia acontecer.
De repente tudo passou a fazer sentido. A minha raiva por ter sido deixada de lado por causa da , o medo de perder Oliver... Eu estava perdendo o controle dos meus sentimentos e eu não podia permitir que isso acontecesse, eu não poderia me apaixonar pelo meu melhor amigo, isso estava fora de cogitação.
- ? - meu ombro foi sacudido levemente, fazendo-me voltar a realidade. Encarei Ollie, que, por sua vez, me encarava com o cenho franzido. - Está tudo bem?
- E-Está - o empurrei levemente, e dessa vez ele se afastou, confuso. Sentei-me, levantando a alça do sutiã. - Está tudo ótimo.
- Você ficou estranha de repente... Tem certeza que está tudo bem?
- Tenho sim - forcei um sorriso, na tentativa de convencê-lo. Não deu muito certo. - Eu só estou cansada - coloquei a mão na boca, fingindo um bocejo e ele pareceu acreditar.
- Mas já? - fez bico e eu me senti péssima por cortar o clima daquela forma.
- Sim, me desculpe - e eu realmente sentia muito. Oliver não merecia ser deixado na mão daquela forma.
- Não se preocupe, coisinha. Eu vou arrumar a cama pra você dormir. - ele levantou. - Já volto.
Afundei no sofá, assim que ele saiu do meu campo de visão. Como eu diria para ele que deveríamos parar de trocar saliva, porque ele estava começando a mexer comigo de uma forma errada? Eu não queria destruir a nossa amizade por causa da minha estupidez.
Alguns minutos depois, escutei os passos dele se aproximando e fechei os olhos, fingindo que estava dormindo. Eu não seria capaz de encará-lo agora, não enquanto estivesse com todos esses sentimentos confusos dentro de mim.
Senti os dedos dele passarem pelo meu rosto e, por o conhecer tão bem, eu sabia que ele estava sorrindo. Aquilo fez com que eu me sentisse mal. Não acredito que tinha chegado ao ponto de ter que fingir que estava dormindo só para não encará-lo. Ele passou os braços por minhas pernas e suspendeu meu corpo, sem o menor esforço.
- Tá ficando pesada, coisinha - sussurrou em tom de brincadeira. Tive vontade de sorrir, mas me segurei ou iria me entregar.
Ele me colocou na cama e me cobriu cuidadosamente. Depois, só pude ouvir os passos dele pelo cômodo e, por um momento, quis abrir os olhos para saber o que ele estava fazendo, mas, mais uma vez, me contive. Logo, a cama atrás de mim afundou e Oliver passou o braço por minha cintura, me puxando mais pra perto dele. Meu coração acelerou e eu tive vontade de me afastar, mas aquilo me entregaria e, confesso, que a sensação dos braços dele ao meu redor era ótima. Então, só me aconcheguei em seus braços, e me permiti dormir naquela posição estranhamente confortável.
- Boa noite, coisinha.
Foi a última coisa que escutei, antes de finalmente adormecer.

Na manhã seguinte fui a primeira a acordar. O braço de Oliver ao redor da minha cintura me deixava saber que ele não tinha me soltado em nenhum momento naquela noite. Virei o rosto em sua direção e sorri ao me deparar com o seu rosto sereno.
Oh, céus, eu estava mesmo gostando dele.
Respirei fundo e balancei a cabeça, afastando tais pensamentos. Eu não podia continuar com aquilo, aquele sentimento tinha que desaparecer ou eu iria destruir a nossa amizade. Eu tinha dito que não iria misturar as coisas, tinha concordado com aquilo e eu não iria perder a única pessoa que eu tinha por causa de um sentimento estúpido que não deveria existir e que talvez nem exista. Eu torcia para que tudo fosse apenas um jogo da minha mente, para me enlouquecer.
Devagar, tirei o braço dele de cima de mim e levantei, indo até o banheiro em seguida. Tranquei a porta, para evitar surpresas caso Ollie acordasse e parei em frente ao espelho, vendo minha cara amassada através do espelho. Joguei um pouco de água no rosto e escovei os dentes com o dedo mesmo, já que não tinha escova de dente ali. Me apoiei na pia e encarei meu reflexo, sentindo-me cansada mentalmente. Eu não sabia o que fazer, ou o que diria a ele. Como eu agiria quando eu o visse, sabendo que eu estava com essa confusão de sentimentos sobre ele? Pior! Eu não queria nem imaginar qual seria a reação dele caso ele descobrisse ou desconfiasse de alguma coisa.
Tirei a roupa vagarosamente, deixando-a no chão mesmo e entrei no box para tomar um banho, ignorando o fato de que eu não tinha roupas limpas ali. A água morna escorreu por minha cabeça e corpo até o chão, levando com si parte do peso que eu carregava desde que acordara, a outra parte ainda permanecia em minha cabeça, martelando e se questionando sobre as atitudes que eu deveria tomar sobre os meus sentimentos. Balancei a cabeça, tentando deixar aquele assunto de lado ou não iria conseguir encarar Oliver, caso ele estivesse acordado quando eu saísse do banheiro.
Alguns minutos depois, desliguei o chuveiro e me enxuguei rapidamente, vestindo a mesma roupa da noite anterior. “Talvez Oliver ainda não estivesse acordado e eu poderia ir embora sem encará-lo”, pensei. Porém, como a sorte não parecia estar nunca do meu lado, assim que abri a porta do banheiro dei de cara com Oliver, o que me deu um baita susto.
- Ai que susto! - coloquei a mão no peito, meu coração batia acelerado.
Ollie deu uma risadinha e se aproximou, me encurralando contra a porta do banheiro.
- Pra quê tanta pressa, coisinha? Parece que quer fugir... - “é exatamente isso que eu quero!”, minha mente gritou.
- Não - apressei-me a dizer. - Eu só... - vasculhei a mente em busca de alguma desculpa plausível, mas com ele tão próximo assim de mim tava difícil. - Eu só... - tentei novamente, mas nada veio.
Ele, no entanto, pareceu achar que minha falta de palavras se devia a aproximação dele - o que, em parte, era -, porque ele soltou mais uma risadinha, segurou minha cintura com as duas mãos e colou seu corpo no meu. Ele passou o nariz na curva do meu pescoço devagar e eu prendi a respiração; meu coração parecia que ia sair pela boca.
- Cheirosa... - sussurrou. Minha pele se arrepiou quase de imediato e eu fechei os olhos, buscando resistência em algum lugar dentro de mim.
- Oliver... - coloquei as mãos em seus ombros, na intenção de afastá-los, mas tudo o que eu consegui fazer foi apertá-los quando Oliver mordeu a pele de meu pescoço.
Céus, que homem é esse?
Eu não conseguia lidar com aquela situação, o meu corpo gritava por ele, os meus lábios gritavam por seu beijo. Eu não iria conseguir resistir a toda aquela tentação, era tarde demais.
Ollie estava quase me beijando quando, felizmente - ou não -, meu telefone tocou. Dei um pulo e o empurrei, correndo em busca do telefone em seguida. Atendi sem ao menos ver quem era.
- Alô? - falei afobada.
- Nossa, você atendeu rápido - ouvi a voz de do outro lado. Revirei os olhos. - Enfim, mamãe mandou te chamar pra almoçar aqui hoje.
- Claro, vou sim. Só vou me arrumar, chego aí daqui a uma hora.
- Certo... Espera aí - ouvi algumas vozes do outro lado. Provavelmente minha mãe mandando algum recado. - , mamãe tá pedindo pra você convidar o Oliver. Ela disse que tá com saudades dele.
Ah, claro. Tinha esquecido que ninguém gosta de facilitar a minha vida.
Olhei para Oliver e ele me encarava com uma sobrancelha erguida. Dei um sorriso amarelo, enquanto respondia a minha irmã e me despedia da mesma. Eu sabia que no minuto que eu desligasse o telefone, ele iria começar com o questionamento, coisa que eu estava pronta pra evitar.
- O que... - ele começou a falar, assim que desliguei o telefone, como havia premeditado, mas não permiti que ele terminasse.
- Minha mãe te convidou pra almoçar lá em casa, então é melhor você ir se arrumar logo, ou estaremos atrasados - disse rapidamente.
Oliver cerrou os olhos, mas não disse mais nada. Suspirei aliviada, sabia bem que só a menção da palavra “atraso” era o suficiente pra acabar com qualquer interrogatório que ele tivesse. Peguei a minha bolsa em cima do sofá, gritei para ele que eu iria para casar trocar aquela roupa e saí da casa sem esperar que ele respondesse. Ele não iria reclamar desde que eu estivesse pronta assim que ele chegasse pra me buscar.

Ao chegar em casa, fui direto para o quarto. O dia estava quente, então tive a liberdade de escolher uma roupa mais confortável. Optei por vestir um short jeans cintura alta e uma blusa branca comportada e com uns redados nas mangas; nos pés calcei minha rasteirinha favorita.
Estava terminando de colocar alguns acessórios na bolsa quando a campainha tocou. Franzi o cenho, Oliver já tinha chegado? Eu esperava que ele me avisasse por mensagem. Pendurei a bolsa no ombro e apressei os meus passos, quando a campainha foi tocada mais duas vezes. Não queria deixar meu amigo irritado, já bastava a minha atitude estranha mais cedo.
- Já vai - gritei, já chegando a porta. - Eu pensei qu... - uma folha foi jogada na minha cara, interrompendo minha fala. Tirei o papel do meu rosto, encarando a figura à minha frente. - Que merda é essa? O que você tá fazendo aqui, ?
- Eu tava certa o tempo todo sobre você, sabia que você queria vingança - ela adentrou meu apartamento, sem ao menos esperar convite. Porra, ela achava que aqui era a casa da mãe Joana?
- Quem você pensa que é pra invadir minha casa dessa forma, ? Pensei que você tinha dito que iria se afastar...
- PENSOU ERRADO! - esbravejou, me assustando. Ela estava completamente fora de si. - EU NÃO VOU ME AFASTAR E DEIXAR VOCÊ CORRER ATRÁS DO MEU MARIDO.
- Essa conversa de novo? Troca o disco, por favor.
- NÃO SE FAÇA DE SONSA, ! - ela andou até mim, arrancando o papel que ela tinha jogado em mim das minhas mãos. - VOCÊ ACHOU QUE IA SE APROXIMAR DO MEU MARIDO, QUE IA TENTAR TIRAR ELE DE MIM E EU NÃO IA SABER? EU SEI DE TUDO - ela sacudiu o papel em minha direção e eu o peguei, observando algo que parecia ser uma notícia impressa de algum site.
Era uma foto minha e de na varanda da casa de . O título da notícia era claro:

e ainda estariam apaixonados? Casamento estaria em crise? Estamos ansiosos para saber de todos os babados desse possível triângulo amoroso”.

Ridículo, era o que aquilo era. Triângulo amoroso? Aquilo tinha sido a coisa mais absurda que eu tinha lido até agora. A foto não estava clara, pois estava de noite, mas eu e estávamos próximos e eu sabia muito bem como aquilo poderia ser interpretado. A prova daquilo era a gritando feito louca na minha sala. Malditos paparazzi.
- , pela milésima vez, eu não estou tentando voltar com .
Ela riu alto em resposta. Uma risada irônica e incrédula.
- VOCÊ NÃO ME ENGANA MAIS - gritou, apontando o dedo pra minha cara. - AGORA QUE EU SEI DO SEU JOGUINHO, EU NÃO VOU DESGRUDAR DO MEU MARIDO. EU TÔ DE OLHO EM VOCÊ, .
- Será que você pode parar de gritar? - pedi, tentando manter a calma. Eu não iria me estressar por causa das loucuras de , mas não ia mesmo.
- Eu sei que você quer se vingar de mim, mas você não vai conseguir - falou baixo dessa vez.
Agora foi minha vez de rir de incredulidade.
- Me vingar? Você já está alucinando, . Eu não quero nada de você e, definitivamente, não vou gastar o meu tempo nutrindo algum sentimento de vingança por você. Você não é digna de nenhum sentimento meu, nem mesmo o de pena.
- Eu tô de olho em você, . Você não me engana.
- Eu estou pouco me fodendo pro que você pensa, . Estou com minha consciência limpa. - me aproximei da porta aberta, segurando-a. - Agora se ponha daqui pra fora e nunca mais invada minha casa ou fale comigo novamente. Da próxima vez eu faço questão de entrar na justiça com um pedido de restrição contra você.
- Você não vai pegar meu marido de mim, eu não vou deixar.
- Eu não quero o seu marido, já estou cansada de repetir isso. - ela passou por mim, e se virou para dizer mais alguma coisa, porém, não lhe dei tempo de falar. Fechei a porta na cara dela.
que fosse para o inferno com toda aquela insegurança.


Dez minutos depois, Oliver me mandou uma mensagem, avisando que estava me esperando. Tranquei a porta de casa e desci. Agora eu não tinha só um problema, eu tinha dois. Já não bastava todo o drama que estava fazendo na minha vida, também tinha o fato de que eu estava nutrindo sentimentos inapropriados pelo meu melhor amigo e eu não fazia a menor ideia de como faria para lidar com aquilo sem destruir a nossa amizade no processo.
- O que aconteceu? - Oliver perguntou, assim que entrei no carro. Não me surpreendi, ele era meu melhor amigo e me conhecia melhor que ninguém.
- ... - disse simplesmente.
- O que ela fez agora? - perguntou. Não respondi, peguei meu telefone e digitei rapidamente no navegador o site que tinha postado aquela notícia. Oliver ergueu a sobrancelha e a compreensão se espalhou por seu rosto. - É por isso que você está agindo estranha?
- Quê? Não! - exclamei. - Eu e só conversamos, ele veio com um papo estranho e eu o cortei. O problema é que veio até a minha casa fazer escândalo. Ela parecia uma louca.
- Papo estranho?
- Sim, mas eu não quero falar sobre isso. Eu quero que e se explodam - bufei. Eu estava cansada daquilo tudo. Só queria seguir minha vida sem problemas, isso era pedir demais?
- Se não é esse o motivo, então por que você está agindo estranho então? - perguntou.
Desviei o olhar, desconcertada. A verdade é que eu não sabia o que dizer, eu não tinha uma desculpa boa o suficiente para a forma que eu estava agindo, e também sabia muito bem que não seria capaz de enganar meu melhor amigo. Ele me conhecia bem demais.
- Não estou agindo estranho - disse, por fim, mesmo sabendo que ele não acreditaria naquilo.
- Por favor, eu te conheço - ele disse. - Me fala... Você ainda está chateada comigo por causa do que eu fiz na festa?
- Não é nada disso - neguei. - Podemos falar sobre isso uma outra hora?
Ele escorreu os olhos por meu rosto, provavelmente tentando descobrir o que eu estava pensando. Eu conhecia bem aquela expressão e sabia muito bem que ele não iria descansar até descobrir o que eu escondia.
- Tudo bem - disse, por fim -, mas nós vamos continuar essa conversa mais tarde.
Assenti e suspirei parcialmente aliviada. Pelo menos teria mais algumas horas para chegar a uma solução. Oliver deu partida e eu liguei o som para preencher o silêncio que se instalou nos minutos seguintes. Encostei a cabeça na janela fechada e fechei os olhos, buscando em minha mente uma resposta pra tudo aquilo, mas eu não tinha a menor ideia do que fazer. Eu sempre achava uma solução para tudo, tinha que ter uma solução para aquilo também.
Felizmente, não demorou muito para que Oliver estacionasse em frente à casa de meus pais. Desci do carro sem esperar que ele abrisse a porta pra mim como costume. Não conseguiria encarar Oliver sem pensar em todos os sentimentos conflitantes que agora existiam dentro de mim. Enquanto caminhávamos lado a lado até a entrada, não pude deixar de pensar que tinha passado tantos anos amando um único homem e depois passei dois anos tentando colar os pedaços de meu coração para, no fim, me apaixonar justamente pela única pessoa que eu não deveria. Pelo visto meu coração continuava estúpido e não cansava de apanhar.
Tocamos a campainha e a porta logo foi aberta por minha irmã. Não pude deixar de notar o largo sorriso idiota que ela abriu assim quando viu Ollie. A paixonite de por Oliver ainda era meio cômica, ainda mais porque ele não fazia a menor ideia de que ela estava derretida por ele... Não até que eu o contei, é claro. Agora, eu tinha certeza que ele estava prestando atenção nos sinais. No entanto, não fiquei prestando atenção naquela cena, cumprimentei minha irmã com um abraço e entrei na casa, deixando-a com Oliver para trás. Naquele momento, qualquer distração era útil. Enquanto me aproximava da sala, era possível ouvir as risadas e gritos do meu pai e do meu irmão. Eles estavam assistindo algum jogo de futebol que não prestei atenção; no chão próximo ao sofá estavam meus sobrinhos, ambos jogados no chão, tentando montar uns quebra-cabeças.
- TIA - Mike gritou assim que me viu, atraindo a atenção dos outros. Logo, as duas crianças correram em minha direção e me abraçaram fortemente. Sorri e me agachei, retribuindo os abraços.
- Meus amores, que saudade eu tava de vocês - depositei um beijo na bochecha de cada um.
- Também estávamos com saudade, tia - Lauren disse e me abraçou novamente. Não preciso dizer que me derreti toda, certo?
- Olha só esse vestido! - disse, a analisando. Eu conhecia bem aquele vestido, eu a tinha dado de presente. - Você está parecendo uma princesa com ele.
- Se eu sou uma princesa, você é a rainha - ela falou e eu quase mordi a bochecha dela com tanta fofura.
- Pensei que eu fosse a rainha - Martha, a esposa do meu irmão, apareceu atrás de mim. Lauren olhou de mim para a mãe, sem saber o que dizer. Ri, achando graça.
- Tenho certeza que sua mãe não vai se importar de dividir o trono comigo - me levantei e enganchei meu braço no de Martha. - Certo?
- Claro - concordou e Lauren suspirou aliviada por não ter que fazer uma escolha. Ela me abraçou mais uma vez e correu de volta para o quebra-cabeça.
- Tia, vamos jogar videogame comigo? - Mike perguntou.
- Claro, mas pode ser depois do almoço? Eu preciso falar com a vovó primeiro.
Ele assentiu compreensivo. Nesse momento, Oliver entrou na sala, cumprimentando meu pai e meu irmão.
- Mas enquanto isso você pode brincar com o tio Oliver.
Falei alto o suficiente para que ele escutasse. Ollie olhou para mim com os olhos arregalados. Ele tinha pavor de ficar sozinho com crianças, longa história. Fiz uma cara de inocente e sorri, enquanto ele era arrastado por Mike para o quarto que pertencia ao meu irmão. Martha riu da cara de sofrimento dele; assim como eu, ela sabia do medo de meu melhor amigo.
- Esses dois não vão desgrudar da TV enquanto esse jogo não acabar - ela disse. - Vem, sua mãe está na cozinha.
A segui até a cozinha. O cheiro maravilhoso e conhecido que vinha do local me deixou perceber que minha mãe estava fazendo minha comida predileta. Ela estava de costas pra mim, mexendo em algumas panelas e também estava ali cortando algumas verduras.
- ! - ela soltou a colher e limpou as mãos no avental, enquanto andava em minha direção. - Que bom que já está aqui!
A abracei. Não fazia muito tempo que eu tinha vindo visitá-la, mas sempre que eu abraçava, parecia que eu estava a abraçando pela primeira vez em muito tempo. Talvez seja a saudade dos dois longos anos que passamos separadas que ainda não tinha sido suprida.
- Não perderia esse almoço por nada - sorri. - Precisa de ajuda com alguma coisa?
- Não, já estamos terminando - respondeu. - Venha, sente aqui e me conte tudo sobre a sua semana.
Fiz o que ela pediu e comecei a contar tudo. Não poupei detalhes, elas mereciam saber de tudo e sabia que elas não me julgariam ou interpretariam uma ação minha da forma errada. Eu estava entre família e é claro que eles me apoiariam.
- Você tem certeza que vai conseguir trabalhar com ele, filha? - minha mãe perguntou, assim que terminei de contar tudo.
- Não tenho certeza, mas tenho que tentar - dei de ombros. - Esse papel é importante e pode ser a chave que eu preciso para que mais portas de oportunidade se abram pra mim.
- Eu entendo, mas, passar por todas essas dores de cabeça com ele e com a vai valer a pena?
- Vai sim, tem que valer. E, de qualquer forma, eu estou fazendo o que eu amo, então, qualquer dificuldade que eu passar vai valer a pena no final.
- Se você tem tanta certeza, então, quem sou eu pra discordar de você, certo? Eu vou te apoiar sempre em qualquer coisa que você decidir, desde que seja o melhor pra você.
- É o melhor pra mim, mãe. Obrigada pelo apoio.
- Posso comentar o quanto eu estou odiando a ? - Martha se intrometeu. - Você sabe que eu nunca gostei dela, . Sempre a achei uma falsa e invejosa.
- Às vezes eu não acredito no quanto eu fui cega e não percebi quem ela realmente era - falei.
- Ela era sua melhor amiga. Às vezes somos cegos quando se trata das pessoas que amamos.
- Talvez você tenha razão, mas, mesmo assim, eu deveria ter percebido. Eu não fui só cega, eu fui burra também.
- Bem... - minha mãe começou. - Não adianta ficar chorando pelo leite derramado, então, vamos parar de ficar falando daquela mulher e vamos comer? O almoço tá pronto.
- Epa! - levantei da cadeira e segui-as até a mesa na sala de jantar. Minha barriga já estava rocando de fome.
Martha foi chamar os outros e, logo, todos estavam sentados na mesa, nos deliciando da comida maravilhosa de minha mãe. Estava tudo tão gostoso que cheguei a repetir o prato. Aquela era a primeira vez que eu comia algo decente e, me fez pensar de que, talvez, eu devesse contratar uma empregada já que não tinha tempo pra cozinhar.

Depois do almoço, eu lavei a louça, após insistir muito e se ofereceu para me ajudar. Resolvi aproveitar que estávamos sozinhas, para conversar sobre o acontecido de sábado.
- Aquele seu amigo é bem abusado, né? - fui direta. Ela paralisou na mesma hora e arregalou os olhos. Conhecendo a minha irmã, ela tinha esquecido sobre aquilo.
- Desculpa irmã. Jeremy é mesmo um sem noção, mas eu já tive uma conversa e aquilo não vai se repetir.
Desliguei a torneira e me virei para ela.
- Eu não estou brigando com você. Meu apartamento também é seu apartamento e você pode trazer quantos amigos você quiser, mas eu preciso que você me avise antes. Aquela situação foi bastante constrangedora e, se você tivesse me avisado que ia chamar seus amigos, eu teria tomado mais cuidado ao entrar feito uma bêbada desorientada.
- Mas você estava bêbada!
- Em minha defesa, eu também estava com sono, ok? - ela riu.
Assim que os pratos estavam lavados, fomos para a sala.
- Tia , vem brincar comigo agora! - Mike apareceu na minha frente e começou a me puxar em na direção oposta.
- Deixa a sua tia, Mike - Martha o repreendeu. - Ela quer conversar com os adultos.
- Não, tudo bem. Eu vou brincar com ele - a tranquilizei e o garoto comemorou.
Mike me arrastou escada acima até o quarto de Josh.
- Que jogo você quer jogar?
- Olha, eu não entendo muito de jogo, então como já sei que vou perder, você pode colocar qualquer um.
- Futebol, pode ser? - perguntou, me mostrando o jogo.
- Claro, o que você quiser meu anjo.
Ele ligou o videogame e se sentou ao meu lado, após me entregar um dos controles. Logo, o jogo começou. Deixei que Mike escolhesse um time qualquer pra mim e logo começamos a jogar de verdade. Até que não era tão difícil quanto parecia e, mesmo que eu não soubesse direito o que estava fazendo, eu consegui fazer um gol.
- Você disse que não sabia jogar - acusou.
- Eu juro que não sei o que tô fazendo - ri.
- Pelo menos você joga melhor que o tio Oliver - gargalhei. Ollie era mesmo ruim no videogame.
- Eu ouvi isso, hein - Oliver disse, em algum ponto atrás de mim. Pausei o jogo e olhei pra trás, o vendo encostado na porta, nos observando com um sorriso no rosto.
- Há quanto tempo você ta aí? - perguntei.
- O suficiente pra ouvir esse tampinha falando que eu jogo mal.
- Mas você joga mesmo - Mike cruzou os braços. Sorri, achando aquela cena engraçada. - Aposto que a tia te vence no jogo.
Gargalhei alto da cara indignada que Oliver fez.
- Ah é? Pois eu aposto que sua tia perde - ele cruzou os braços, imitando Mike.
- Eu ainda estou aqui sabe - protestei. - E eu concordo com o Mike. Te venço fácil no videogame.
Ele abriu a boca chocado. Sorri vitoriosa, sabendo que tinha atingido Ollie com aquela provocação. Ele não deixaria barato, disso eu tinha certeza.
- Está apostado, coisinha - ele caminhou até meu sobrinho e pegou o controle da mão dele. - Que vença o melhor.
Mike soltou um gritinho animado e se sentou na cama para assistir. Ollie reiniciou o jogo e ambos selecionamos um time. Como eu não tinha um preferido, já que não gostava de futebol, escolhi um qualquer como da primeira vez.
O jogo começou e o jogador de Oliver pegou a bola logo de cara. Eu apertava os botões de qualquer jeito, sem saber o que tava fazendo. Só queria ganhar e mostrar a Oliver que eu podia ganhar dele na sorte, já que ele, obviamente, era um viciado e sabia perfeitamente como jogar. Mike quicava na cama, enquanto gritava frases de incentivo como: “vai tia , você é a melhor!”. Olhei para Ollie de relance; seus olhos estavam cerrados e ele mordia o lábio inferior, sua expressão completamente concentrada na partida do jogo. Era incrível a forma como ele conseguia ser sexy mesmo quando não tinha a intenção. Confesso que cheguei a me sentir tentada a parar aquele jogo e me jogar em cima dele, mas me contive e continuei focada em ganhar aquela partida custe o que custar.
No entanto, não demorou muito pra que Oliver fizesse o primeiro gol... E o segundo. Ele comemorava a cada vez que eu fazia um passe errado ou cometia uma falta, enquanto eu me limitava a bufar e continuar apetando os botões de qualquer maneira.
- Não conte com a vitória antes do tempo, Ollie - retruquei raivosa, quando ele fez o terceiro gol. Ele riu, irônico.
- Você acha mesmo que ainda pode me vencer?
- Eu acho que você ta contando muita vantagem... - falei, arrancando mais uma risada irônica dele. Oliver era extremamente competitivo, eu sabia bem disso. Mas eu também era e não acabaria esse jogo sendo a perdedora, não mesmo.
E talvez tenha sido essa determinação, ou, a sorte decidiu ficar do meu lado, mas eu consegui fazer um, dois, três gols. Faltava apenas dois minutos pra acabar o segundo tempo e, Oliver estava começando a ficar nervoso. Ele sabia jogar, mas talvez o fato de que eu estava apertando todos os botões de qualquer maneira tenha me ajudado um pouco. Puro golpe de sorte.
- Eu disse que você tava contando muita vantagem - cantarolei e, em um passe que eu nunca vou saber como fiz, o meu jogador fez o quarto gol, exatamente nos últimos segundos. Dei um gritinho de felicidade, enquanto Oliver bufava e colocava o controle de volta no lugar. Olhei para onde o meu sobrinho tinha sentado pra assistir, mas ele estava dormindo. Ele devia estar exausto.
- Você sabe que essa dancinha da vitória é ridícula, não sabe? - retrucou emburrado.
Gargalhei de sua atitude infantil. Aproximei-me dele e passei os braços ao redor de seu pescoço.
- Não precisa ficar assim, meu amor - sussurrei. - Eu te disse que iria ganhar.
Ele revirou os olhos e encarou o teto, fingindo que eu não estava ali. Ri baixinho, eu sabia muito bem como acabar com toda aquela birra. Aproveitei que o pescoço dele estava exposto e aproximei os meus lábios do local, beijando delicadamente, antes de escorregar meus dentes por sua pele arrepiada. Oliver suspirou, mas não cedeu, continuou olhando pra cima, fingindo que eu não estava ali. Teria que investir de maneira diferente.
Subi os beijos até chegar à sua orelha, ao mesmo tempo em que minha mão embrenhava em seu cabelo, puxando os fios de cabelo precisamente.
- Vai mesmo continuar me ignorando? - Sussurrei perto de seu ouvido, depois mordi o lóbulo.
Ollie soltou o ar com força e, eu sabia que ele estava quase desistindo, por isso, continuei. Fiquei na ponta dos pés o máximo que pude, de forma que consegui ficar com a boca próxima a sua. Beijei no canto de sua boca e ele fechou os olhos, entregue. As mãos dele envolveram minha cintura, puxando meu corpo para si e ele colou nossas bocas, iniciando um beijo. Passei minhas unhas por sua nuca e o beijo foi aprofundado, a língua de Oliver massageando a minha com desejo e luxuria. Ollie escorregou a mão da minha cintura para minha bunda e apertou aquele local em específico com vontade.
- Argh, isso foi golpe baixo - ele murmurou contra meus lábios.
- Não tenho culpa se sou irresistível - mordi seu lábio inferior, puxando-o devagar.
- Ah, garota, você acaba comigo - disse e voltou a me beijar com força. Respondi a carícia à altura, mas parei ao lembrar que tinha uma criança ali que poderia acordar a qualquer momento.
- Mike pode acordar a qualquer momento. Vem, vamos sair daqui - disse, já o puxando pra fora. No entanto, só foi sair do quarto que Ollie me empurrou pra parede mais próxima, me beijando vorazmente. Ri, mas correspondi. Eu não seria capaz de negar nada a ele, não quando ele me pegava daquele jeito.
- Qual é o seu quarto? - perguntou, enquanto beijava meu pescoço.
- Não vamos fazer sexo na casa dos meus pais - ri baixinho e ele bufou.
- Então vamos embora... - pediu manhoso.
- Você sabe que não posso - ele suspirou derrotado e se afastou. - Vamos descer e fazer um pouco de companhia pra minha família e, talvez, mais tarde, eu dê um jeito em você.
Ele sorriu, ladino e assentiu, meio que contrariado. Descemos para a sala, onde estava os outros. Oliver logo se juntou a meu pai e meu irmão pra assistir a mais algum jogo - os homens pareciam fazer só aquilo naquela casa - e eu me juntei à minha mãe, Martha e . Lauren dormia profundamente no colchão colocado estrategicamente no chão.
- Mike adormeceu - anunciei, me sentando ao lado de minha mãe.
- Ele brincou muito, estava cansado.
- E a vida amorosa, ? Tá saindo com alguém?
Senti o sangue esquentar minhas bochechar e eu olhei pro lado, evitando olhar pra elas. Que resposta eu daria? Certamente não poderia dizer que estava em uma espécie de amizade colorida com Oliver e agora achava que estava apaixonada por ele. Minha mãe não aprovaria, eu tinha certeza. Então, a única coisa que me restava era mentir.
- Estou só focada no trabalho no momento.
- Ah, fala sério, você corou! - minha irmã acusou.
- Oliver parece ser um ótimo pretendente, ele está sempre com você - minha mãe continuou.
- É verdade, vocês nunca tiveram nada? - agora foi a vez de Martha perguntar. Todas elas olharam para mim, esperando uma resposta e tudo o que eu queria era enfiar minha cabeça no buraco e morrer. Por que diabos eu não tinha aceitado a proposta de Oliver? Ela soava ainda mais tentadora agora.
- Pra quê esse questionário, gente? - revirei os olhos, tentando desviar o assunto.
- Não enrola . Responde logo! - exclamou . - Não é possível que você nunca tenha dado um beijo sequer no gostoso do Oliver.
- ! - a repreendi.
- Nem vem, vai bem dizer que é mentira? - ela arqueou a sobrancelha.
- Não, mas...
- Então confessa logo!
- Quanta pressão! - arregalei os olhos. - Tá bom... Talvez, eu tenha ficado com ele algumas vezes.
- EU SABIA! - ela gritou e eu tapei sua boca rapidamente.
- Cala a boca sua maluca - ela empurrou minha mão, rindo.
- Não tem como resistir a ele, você não é de ferro.
- Olha, que seu irmão não me escute dizendo isso, mas sua irmã tem razão.
- Viu?
- Será que dá pra vocês pararem? - revirei os olhos. Oliver já era convencido o suficiente, imagina se ele escutasse tudo isso? Eu estaria perdida. - Mãe, dá uma ajudinha aqui, por favor?
- Eu acho que se vocês tem alguma coisa e você gosta dele, você deveria dizer isso a ele.
- Não foi esse tipo de ajuda que eu pedi - retruquei.
- E nem precisou. Você é minha filha e eu a conheço o suficiente para saber que tem algo a mais aí dentro - disse, apontando pro meu coração.
- Não tem não - neguei, assustada. Eu odiava o quão fácil minha mãe podia me decifrar. Era humilhante.
- Só pense no que falei. Oliver é um bom rapaz e ele te faria muito feliz. - Bem, aquilo eu tinha que concordar. Oliver se importava bastante comigo, mas as coisas eram bem mais complicadas que isso.
- Podemos mudar de assunto, por favor? - pedi, incomodada.
Depois daquilo, elas finalmente mudaram de assunto e eu não pude ficar mais agradecida por isso.

Já era noite quando me despedi dos meus pais. voltaria comigo, então decidi ir com ela no carro e dispensei Oliver. Ele até tentou protestar e me convencer a ir com ele, mas logo desistiu quando percebeu que eu não iria ceder.
Bom, eu precisaria de espaço se quisesse descobrir o que realmente sentia por ele. Meu coração tinha passado muito tempo quebrado e talvez eu nem soubesse mais o que o amor significava. Talvez eu só quisesse sentir alguma coisa diferente depois de tanto tempo remoendo um relacionamento que não acabou bem. Se fosse aquilo, não valia a pena estragar uma amizade de anos por minha estupidez. Além de que ele provavelmente não sentia nada por mim além de afeto de amigo e desejo. Logo, ele apareceria com uma namorada e eu ficaria, mais uma vez, com o coração quebrado. Não queria isso pra mim novamente.
Chegando em casa, fui direto pro meu quarto. Estava cansada e queria dormir, o dia tinha sido cheio e amanhã seria mais um dia intenso de gravações.
- - minha irmã chamou, abrindo a porta do quarto devagar.
- Pode entrar, - sentei-me na cama.
- Já vai dormir?
- Sim, estou cansada. Mas pode falar, aconteceu alguma coisa?
- Não, não - negou. - Só queria um pouco de companhia.
- Com medo de dormir sozinha? - zombei.
- Engraçadinha - deu língua. - Eu só queria companhia mesmo.
- Vem cá - bati no espaço vazio da cama ao meu lado. - Hoje eu deixo você dormir comigo.
- Você ta fazendo com que me sinta uma criança. - revirou os olhos, mas se deitou ao meu lado.
- Mas você é uma criança - disse, a fazendo cócegas.
- Para - pediu, rindo.
- Só vou parar porque não quero que você molhe minha cama.
- Sai, palhaça - jogou o travesseiro na minha cara e riu.
Ri também e me deitei ao lado dela. Era bom ter minha irmã por perto, daquela forma eu não ficava sozinha naquele apartamento enorme.
- Boa noite, mana - olhei para ela.
- Boa noite, coisinha - respondeu sarcasticamente. Revirei os olhos, eu odiava aquele apelido, Oliver iria me pagar por aquilo.

Na manhã seguinte, levantei uns minutos antes do despertador tocar. Minha irmã se levantou junto e correu para o próprio quarto para se arrumar para ir à escola.
Tomei um banho rápido e me arrumei mais rápido ainda. Vesti um short jeans, uma blusa preta e um par de botas de cano curto. No rosto, passei apenas base e um batom. Coisa simples, já que tudo seria tirado quando chegasse ao set.
Minha irmã já estava pronta quando cheguei à sala.
- Que bom que você já está pronta, vem, vamos tomar um café da manhã fora hoje. - disse, já caminhando para porta. Minha irmã colocou a bolsa no ombro e me seguiu.
- Você precisa contratar uma empregada.
- Eu sei, mas isso vai ter que ficar pra depois.
Entramos no elevador e eu apertei o botão da garagem.
- , se importa de me levar e buscar na escola hoje? É que eu tô quase sem gasolina - se explicou.
- Eu te levo sim.
- Obrigada, você está salvando meu dia hoje. Detesto ir à pé.
- Nunca que eu te deixaria ir à pé, . Além do mais, quando precisar de dinheiro pra colocar gasolina no carro, pode me pedir. Você é minha responsabilidade agora.
- Você é demais, - ela bateu palmas e me abraçou.
Ri, achando graça. A porta do elevador se abriu e saímos em direção ao meu carro.
Após tomarmos café da manhã e eu deixar na escola, tive que praticamente correr até o set. Faltavam apenas dois minutos para oito e eu queria chegar pontualmente. Afinal, pontualidade é tudo.
- Bom dia, Jane! - cumprimentei a garota, ao passar por ela na entrada. Ela imediatamente veio em minha direção.
- Trevor pediu para avisá-la para ir até à sala dele antes de se trocar para as gravações.
Travei. O que será que ele queria? Será que tinha a ver com as fotos? Arregalei os olhos ao me lembrar das fotos, eu não tinha pesquisado sobre, então não sabia o nível de repercussão. Se eu perdesse aquele papel, iria cometer um homicídio.
- Obrigada por avisar, Jane. - sorri para a garota.
- Tudo o que você precisa já está no seu trailer. Vou falar para os maquiadores irem esperá-la.
- Obrigada, você está sendo de grande ajuda.
- Que isso, só estou fazendo meu trabalho - ela sorriu timidamente.
- Bem, vou lá ver o que o chefe quer.
Acenei para ela e segui em direção à sala de Trevor. Fiquei tentando imaginar um outro motivo pra ele querer falar comigo assim, antes mesmo que eu me trocasse, mas a única coisa que vinha a minha cabeça eram as malditas fotos.
Parei em frente à porta e respirei fundo, antes de criar coragem e finalmente bater na porta. Escutei um "entre" e girei a maçaneta devagar.
Confesso que senti um alívio quando vi e ali dentro. Se ela estava lá, não era nada a ver com as fotos. Pelo menos era isso que eu esperava.
- Bom dia. Jane disse que queria me ver.
- Sim, sim. Entre, - ele disse, levantando-se. Obedeci e entrei na sala. Sorri para meus colegas brevemente, mas logo voltei minha atenção para Trevor.
- Algum problema? - perguntei hesitante.
- De maneira alguma. Na verdade, os chamei aqui para contar uma novidade.
- Fale, pelo amor de Deus, eu estou morrendo de curiosidade! - exclamou exasperada.
Trevor riu, assim como eu e .
- Bem, vou ser direto. Nossas próximas gravações vão ser no Estados Unidos.
soltou uma exclamação de felicidade. Já eu, não me senti feliz assim. Eu tinha escutado direito.
- Como é? - perguntei.
- É isso mesmo que você ouviu, . Nós vamos viajar para o Estados Unidos.

Capítulo Seis

Estaria mentindo se dissesse que depois daquela novidade eu não tinha tido problemas de concentração durante as gravações do dia. Eu poderia esperar tudo daquela conversa, uma bronca por causa da foto ou até mesmo uma advertência, mas, nunca em um milhão de anos eu iria imaginar que era pra falar sobre uma viagem, ainda mais para o outro lado do oceano.
- CORTA! - Trevor gritou em certo momento. - Pelo amor, qual é o problema de vocês dois hoje? - esbravejou, se aproximando de mim e de . Eu não era a única que estava com problemas de concentração.
- Será que você pode me dar só uns minutinhos de intervalo? - pedi.
- Se for isso que você precisa pra voltar a prestar atenção nas suas falas - ele revirou os olhos, visivelmente irritado. - QUINZE MINUTOS DE INTERVALO! - gritou. - E, por favor, traga a minha estrela de volta - disse, antes de se afastar.
Saí do local em busca de ar puro. Teria apenas quinze minutos para relaxar e digerir toda aquela informação. Trevor tinha dito que partiríamos em dois dias. Iríamos ficar em New York por três semanas e aquilo era tempo demais para se passar longe de casa. Longe de casa e perto de , tudo o que eu não precisava. Sentei-me em um banco e apoiei a mão no queixo, pensando em uma solução para aquilo. Poderia chamar Oliver para ficar comigo essas três semanas, mas eu precisava de espaço para decifrar os meus sentimentos por ele, além de que eu não sabia se ele poderia ir com toda essa nova carreira de modelo dele começando. Cerrei os punhos, frustrada com aquela situação. Não queria ter que ficar sozinha com e, possivelmente, , longe de casa, em outro país. Porém, parecia que tudo estava contra a mim e eu não tinha escolha além daquela que fora imposta por Trevor.
- Posso me sentar aqui? - perguntou , me arrancando de meus devaneios. Olhei para ele e suspirei. Será que eu não podia ter um minuto de sossego?
- O que você quer ? - questionei, cansada.
- Uma hora ou outra você vai ter que aprender a tolerar minha presença, - ele disse, se sentando ao meu lado.
Suspirei novamente. É, definitivamente, sossego era algo que fora arrancado do meu dicionário e da minha vida.
- Eu sou obrigada a tolerar a sua presença, mas não estamos gravando agora.
Ele não respondeu. Ficamos um minuto, ou dois em silêncio até que ele voltou a falar.
- Você viu a foto? - perguntou hesitante.
- Claro que vi - revirei os olhos. - Sua mulher fez questão de ir até a minha casa fazer um escândalo por isso.
Ele olhou para mim, sua expressão surpresa com a minha afirmação.
- foi atrás de você?
- E você não sabia? - ri debochada. - está bem desequilibrada. Talvez você deva interná-la.
- Ela só está com ciúmes.
- E por acaso ela tem motivos para ter ciúmes? - ergui a sobrancelha. - Porque, por mais que eu diga que não quero nada com você, ela parece simplesmente não acreditar.
- Eu vou conversar com ela.
- Você só fala isso, mas ela continua perturbando a minha paz! - me exasperei. - Da próxima vez que ela aparecer sem avisar na minha casa com acusações sem sentido, eu vou abrir um processo de restrição contra ela!
Ele arregalou os olhos, assustado.
- Calma, não precisa chegar a tanto - tentou me acalmar.
- Espero que não precise mesmo - retruquei. - Vamos passar não sei quanto tempo nos Estados Unidos e eu não quero impedir você de levar a sua esposa, mas também não a quero perto de mim.
Ele assentiu e não falou mais nada. Achei melhor assim, se ele falasse mais alguma estupidez eu não responderia por mim. Dado os quinze minutos de intervalo, me juntei a equipe e procurei dar tudo de mim naquelas últimas horas de gravação do dia. Felizmente, eu não tive que fazer nenhuma cena que envolvesse muito contato físico com , só mais algumas provocações, mas nada que envolvesse beijo ou algo a mais.
Depois que consegui sair do set, dirigi até a escola de para buscá-la. Ela já se encontrava na frente, conversando com uns amigos, o que foi ótimo, pois eu não queria ter que ficar procurando-a por todos os cantos daquele lugar.
- Está tudo bem? - ela perguntou assim que entrou.
- Minha cara está tão feia assim? - arregalei os olhos.
- Até parece - ela riu. - É que eu te conheço e sei quando tem algo te incomodando.
- Eu odeio ser transparente assim para as pessoas - resmunguei.
- E eu odeio quando você enrola pra falar - ela revirou os olhos.
- Eu vou ter que viajar para as próximas gravações.
- Sério? Pra onde você vai?
- Estados Unidos.
- E você ta achando isso ruim? - ela me olhou chocada.
- Estou achando ruim a parte em que eu vou ter que passar três semanas do outro lado do oceano sozinha com e .
- Você não vai tá sozinha, toda a equipe de gravação e o diretor vão estar lá. Além do mais, você pode chamar Oliver pra ir com você - lembrou.
- Acho que ele não vai poder ir, está trabalhando muito esses dias - expliquei.
- Me leva com você então - olhei para ela, que tinha um sorriso esperto no rosto.
- Até parece que eu vou deixar você perder três semanas de aula - respondi irônica. Ela murmurou um “droga” em resposta, arrancando uma risada de minha parte. - E tem mais... Você sabe que vai ter que ficar na casa da nossa mãe enquanto eu estiver fora, né?
- Ah, não - lamentou. - Eu não posso ficar lá sozinha? Prometo que tomo conta de tudo.
- Até parece que nossa mãe vai deixar você sozinha naquele apartamento enorme.
- Tem razão - ela bufou. - Tudo bem, eu já morei naquela casa por quinze anos, o que são mais três semanas?
- Esse é o espírito.

Entrei no meu quarto e segui diretamente para o closet. Peguei uma das minhas enormes malas e a coloquei em cima da cama, abrindo-a, antes de voltar para o closet pra escolher as roupas que eu iria levar. Eu sabia que tinha um dia e algumas horas para fazer aquilo, mas quanto mais cedo começasse melhor, assim evitava que eu acabasse esquecendo alguma coisa, coisa que era bastante frequente. Não duvidava que tivesse esquecido algo na Itália.
Depois de conversar um pouco com , já estava me sentindo mais conformada com toda aquela viagem. Eu deveria ter desconfiado que as filmagens não fossem acontecer todas em Londres; a maioria dos filmes nunca são filmados em um lugar só e eu fui muito ingênua em achar que isso aconteceria agora. Eu só esperava que aquela viagem não me desse dor de cabeça, já bastava as que eu estava tendo aqui.
Por outro lado, tentei encarar aquela viagem inesperada como o sinal que eu precisava para me manter longe de Oliver. Eu sei que toda a história de que eu não sabia como me sentia em relação a ele e não queria estragar a nossa amizade estava soando repetitiva até pra mim mesma, mas era algo que eu não podia evitar, não até que todas as minhas dúvidas fossem sanadas de uma vez por todas.
Fechei a mala e coloquei-a no canto do quarto, certa de que aquela não era suficiente para se passar três semanas em Los Angeles. Sim, as próximas gravações serão lá... Se Trevor não resolver mudar de cidade no processo. Entrei novamente no closet e peguei uma segunda mala, agora para colocar os meus calçados. Separei alguns dos meus favoritos e que eu não usaria nos próximos dias e joguei-os dentro da mala da forma mais organizada que consegui. Coloquei a mala fechada junto à primeira e me joguei na cama, decidindo que deixaria para terminar no próximo dia, mas logo tive que me levantar novamente quando meu telefone começou a tocar dentro de minha bolsa.
- Alô? - murmurei ao atender ao telefone.
- Hey, - reconheci a voz de .
- ? Q-Que surpresa - gaguejei. Às vezes ainda era difícil acreditar que eu poderia falar com o meu ídolo, a atriz e cantora que eu tanto idolatrava, quando eu quisesse e vice versa.
- Você tem planos para agora?
- Se ficar na cama pelo resto da noite for considerado um plano de verdade - ri e ela me acompanhou.
- Bem, eu estava pensando aqui e percebi que nós não tivemos tempo de nos conhecer melhor... Então, o que acha de sair pra jantar?
Meu queixo caiu de tão surpresa que eu fiquei. Já não bastava aquela ligação inesperada, ela também estava me chamando pra sair? Aquilo era simplesmente bom demais pra ser verdade, eu deveria estar sonhando.
- ? Tá aí? - me chamou e eu percebi que tinha ficado tempo demais calada.
- Hmm, sim... Desculpe, eu só fiquei um pouco surpresa.
- Entendo... Mas você quer ir?
- Claro! - exclamei já me animando. - Onde posso te encontrar?
Ela me passou o endereço e, assim que desliguei o telefone, corri para o quarto para me arrumar. Tomei um banho rápido e vesti a primeira roupa decente que encontrei no closet; em seguida, arrumei o meu cabelo, deixando-os completamente soltos e passei uma maquiagem simples, nada de exageros ou iria me atrasar. Joguei alguns acessórios, incluindo o celular dentro da bolsa e corri para a porta, enquanto gritava para minha irmã que iria sair, mas voltava logo.
Enquanto dirigia em direção ao endereço que tinha me dito, me peguei pensando no quão louco a minha vida tinha se tornado. Ser uma atriz era algo que sempre tinha ficado em segundo plano caso os meus verdadeiros planos dessem errado e, agora, depois de um relacionamento fracassado e, dois anos exercendo a profissão que eu nunca imaginei que iria exercer, ainda era difícil pra eu acreditar que tinha chegado ao ponto de gravar um possível filme de sucesso e, ainda por cima, contracenar com a minha ídolo, a atriz que eu sempre idolatrei e me espelhei. Se eu estava com dificuldade de acreditar que aquilo estava acontecendo, imagina agora que eu estava prestes a sair para jantar com ela! Aquilo era o sonho de toda fã.
Estacionei o carro em frente ao restaurante do endereço e entrei a chave ao funcionário antes de entrar no restaurante.
- Boa noite, Srta. - o maitre surgiu com um sorriso largo estampado no rosto. - A Srta. Knowles já está a sua espera. Por aqui, por favor - disse, apontando o caminho que eu deveria seguir.
Acompanhei o maitre até uma mesa um pouco reservada. Não gostava de sentar em lugares tão escondidos, mas sabia que eu deveria me acostumar com aquilo se não quisesse que paparazzi ficassem me importunando durante o jantar. Nesses casos, quanto mais longe da janela, melhor.
- Ei, ! Que bom que chegou - se levantou e nos abraçamos rapidamente em cumprimento.
Agradeci ao maitre, que puxava a cadeira para mim de frente para .
- Desculpa pela demora. O trânsito estava uma loucura.
- Não precisa se desculpar, eu entendo - ela sorriu amigavelmente.
Um garçom se aproximou para nos entregar o cardápio. Passei os olhos rapidamente pela lista e escolhi o primeiro prato que me pareceu apetitoso. fez o mesmo, além de escolher o vinho que iríamos beber. Ela até que pediu minha opinião, mas como eu não entendia muito sobre vinhos, preferi deixar que ela escolhesse.
Mexi as mãos nervosamente embaixo da mesa. Era impossível não me sentir nervosa na presença de Knowles, além de ser minha ídolo, aquela mulher exalava poder e beleza. Não é atoa que Oliver ficou encantado depois de ter ficado com ela.
- Então ... Posso te chamar de , né?
- Claro - assenti.
- Então ... - repetiu. - Você tá causando uma boa impressão durante as gravações, você atua muito bem.
- Ah, eu tento dar o meu melhor. Tenho que fazer valer a pena a confiança que Trevor teve em mim.
- Ah, tenho certeza que ele está bastante impressionado - ela riu. - E eu também.
Um sorriso enorme e espontâneo surgiu em meus lábios. Jantar com o ídolo e, ainda por cima receber elogios? Eu estava no céu e não sabia, só podia ser!
- Obrigada. Eu estou muito feliz de estar contracenando com você, é como um sonho se tornando realidade.
- Que isso, o prazer é meu - ela sorriu verdadeiramente. - Você já atuou antes, certo?
- Sim, eu passei dois anos na Itália trabalhando como atriz. Não era muita coisa, mas acho que foi o suficiente para conseguir algum tipo de experiência.
- Tenho certeza que você nasceu para atuar - disse ela. - Você ainda é nova no ramo da atuação, mas já posso dizer que você vai longe.
- Você acha? - perguntei.
- Tenho certeza.
- Obrigada. - o garçom voltou com os nossos pedidos e com a garrafa de vinho. Ele nos serviu e, logo, se retirou novamente. - Eu estaria sendo muito fangirl se dissesse que eu me inspirei em você na minha atuação?
- De maneira alguma - ela soltou uma risada divertida. - Eu me sinto lisonjeada de saber disso, de verdade.
- Que bom - suspirei aliviada, rindo também.
- Mas confesso que me sinto em desvantagem aqui. Quero dizer, você sabe quase tudo sobre mim, mas eu não sei nada sobre você.
- Ora, pode perguntar o que quiser e eu respondo.
- Qualquer coisa? - ela mordeu o lábio, parecendo hesitante.
- Claro - dei de ombros, indiferente. Se eu quisesse que ser amiga dela, ela teria que me conhecer completamente, certo? Incluindo as partes que eu não gostava de falar.
- Você é nova na mídia como atriz, mas eu já tinha ouvido falar de você antes... Você sabe...
- Como a noiva de - completei e ela assentiu.
- Sei que deve ser chato ser conhecida por ser noiva de alguém, quando você tem outras coisas para oferecer. - E era mesmo, mas o que eu podia fazer?
- Um pouco, mas isso já é passado.
- Desculpa se estou sendo intrometida, mas foi impossível não saber sobre os conflitos que você teve com a atual esposa dele no camarim. Digo, até entendo os seus motivos, eu também não suporto aquela mulher, mas, eu não consigo evitar me perguntar... Qual é a sua relação com ela?
Suspirei antes de responder qualquer coisa. Eu já sabia que o assunto ia acabar surgindo e não me importava de responder, o problema era que falar da não era um dos meus assuntos preferidos.
- Eu e costumávamos ser melhores amigas - ela arregalou os olhos, demonstrando que aquilo era notícia nova para ela. - Éramos aquele tipo de amigas inseparáveis, sabe? Ou pelo menos eu achava que éramos.
- Desculpe , eu não sabia disso - falou. - Nossa... Agora até me sinto mal de ter tocado no assunto.
- Não, está tudo bem - garanti. - A verdade é que, a traição de era algo que aconteceu de qualquer forma, mas o pior foi que ela se aproveitou da situação para conseguir o que queria.
- Agora eu entendo completamente a sua raiva - disse. - Se eu já não simpatizava com ela, agora eu tenho mais um motivo.
Sorri, achando aquilo fofo da parte dela. Claro que eu sabia que ela estava tentando fazer com que eu não me sentisse mal com aquele assunto, mas só de saber que tinha mais alguém além de mim que não gostava da , já era ótimo o suficiente para que eu não me sentisse mal. Se eu achava que não tinha como admirar Knowles ainda mais, ela acabou de me provar o quanto eu estava errada.
- Eu não me importo com a presença dela, desde que ela não venha com as paranoias dela pro meu lado - revirei os olhos e ela riu.
- Sinceramente, te admiro por ser tão calma. Não sei se teria a sua paciência pra lidar com mulher de ex.
- Às vezes até eu me impressiono comigo mesma - ri. - Enfim... Tá animada com a viagem?
- Muito! - ela bateu palmas, se animando de repente. - É a melhor parte das filmagens, viajar para outros países. E você?
- Confesso que não fiquei muito animada com a ideia não - confessei.
- Ora, mas por quê? - perguntou, assim que terminou de mastigar. - Por causa do ?
- Não só por causa dele, mas eu já consigo imaginar o desastre que vai ser se ele for e levar a junto - suspirei. - Além de que eu não vou ter Oliver ou qualquer um da minha família por perto.
- Ah, Oliver não vai te acompanhar? - ela perguntou, parecendo um pouco desapontada. Sério que essa foi a única coisa que ela ouviu?
- Ainda não falei com ele sobre a viagem, mas tenho certeza que ele vai estar ocupado.
- Ah... Que pena... - lamentou.
Por um momento, me senti completamente feliz por saber que Oliver indo para essa viagem comigo era uma possibilidade praticamente nula. Era inacreditável que estivesse tão encantada por Oliver assim. Quer dizer, não tão inacreditável assim porque eu sabia muito bem das habilidades do meu melhor amigo, mas, eu simplesmente me recusava a acreditar que estava realmente interessada nele. Afinal, tinha sido algo de apenas uma noite, não é?
- Posso te perguntar uma coisa? - perguntou, de repente. Tomei um gole do vinho e depositei a taça de volta à mesa, antes de responder.
- Claro - afirmei.
- Eu estava pensando em ligar para ele - ela começou -, mas, eu não sei se devo.
- Ligar para quem? Para o Oliver?
- Sim... - ela pigarreou e desviou o olhar por um momento, parecendo tímida. - Eu sei que isso pode parecer ridículo, considerando que ele não me ligou no dia seguinte e que foi apenas uma noite, mas... Eu queria vê-lo novamente.
Realmente, era ridículo e eu tive vontade de falar isso em voz alta, mas não o fiz. Apesar de me sentir secretamente feliz por saber que Oliver não tinha ligado, eu não seria maldosa com ela.
- Te entendo. Oliver é maravilhoso, mas, para ser sincera... Se ele não ligou, é porque não tá interessado.
- Então, você tá dizendo que eu não devo ligar?
- Não, você pode ligar. Possa ser que eu esteja enganada e ele adore a sua ligação - sorri, mas pareceu um pouco forçado. Eu odiava me sentir enciumada e sentir que deveria ter certa propriedade sobre Oliver, mesmo sabendo que as coisas não funcionavam dessa forma. Oliver só me via como uma amiga que ele podia foder às vezes. Não era culpa dele que eu estava começando a nutrir sentimentos. Eu simplesmente não podia destruir a nossa amizade por causa de sentimentos não resolvidos e muito menos podia decidir quem ele deveria sair. Não cabia a mim fazer isso com ele e eu não faria.
- Tudo bem, eu farei isso. Talvez a gente possa marcar alguma coisa antes da viagem - ela sorriu animada.
Limitei-me a sorrir e continuar minha refeição. Não tinha como responder aquilo, eu não saberia como e nem queria. Imagens de Oliver e em um possível encontro fez com que meu estômago embrulhasse, então, tentei ao máximo afastar meus pensamentos para qualquer outra coisa que não envolvesse minha ídolo e meu melhor amigo juntos.

Quando cheguei em casa, já se passava das onze da noite. O restante do jantar com foi maravilhoso e ela não tocou no nome de Oliver novamente, então podemos conversar sobre outras coisas que não fosse meu melhor amigo ou e . No final, ficamos tão distraídas conversando, que acabamos perdendo a noção da hora e quase fomos expulsas do restaurante, o que nos causou boas risadas.
Abri a porta, meio cambaleante. Eu tinha exagerado um pouco no vinho, mas eu não tinha sentido realmente algum efeito até chegar em casa. Busquei o sofá com certa pressa e me deitei no mesmo desajeitadamente, enquanto esperava a tontura passar. O efeito do vinho sobre mim era bem pior do que qualquer outra bebida alcoólica e como eu era fraca para bebida, o efeito se tornava dez vezes pior.
- ? Você tá bem? - minha irmã apareceu, a feição preocupada.
- Estou só um pouco tonta - apertei os olhos e os abri, piscando algumas vezes para que minha visão melhorasse e eu pudesse ver minha irmã claramente.
- Você bebeu?
- Vinho.
- Ai, ai . O que eu faço com você? - ela suspirou e, se eu a conheço bem, ela estava revirando os olhos. - Vem, eu te ajudo a ir para o quarto.
Não tive tempo de protestar e falar que conseguiria me mover sozinha assim que a tontura passasse; minha irmã me puxou com uma força que eu não imaginava que ela tinha e passou meu braço ao redor de seu pescoço ao mesmo tempo em que me abraçava pela cintura. Ri, achando graça de toda aquela situação. Quem olhasse de fora, iria jurar que eu estava caindo de bêbada ou então que era uma doente que necessitava de ajuda. Bem, eu não era nenhuma das duas coisas, mas não reclamei, muito pelo contrário, eu apreciava aquela atitude de minha irmã. Eram naqueles momentos, que eu sabia que tinha uma irmã maravilhosa e que sempre podia contar com ela.
- Obrigada, - murmurei, me deitando na cama. Além de estar tonta, eu estava exausta.
- Sinceramente, não sei o que seria de você se eu não estivesse aqui pra te ajudar - ela colocou as mãos na cintura, fazendo pose.
- Estou feliz que esteja aqui, de verdade - sorri verdadeiramente. Ter minha irmã morando comigo tinha sido uma das melhores decisões que eu tinha tomado.
- Bem, eu vou deixar você sozinha. Se precisar de mim, estarei no quarto ao lado. - assenti e ela se foi, me deixando sozinha.
Olhei para o teto por alguns segundos, mas logo precisei fechar os olhos novamente, porque já estava ficando enjoada ao ver as paredes girando ao meu redor. Eu sabia que tinha que me levantar e trocar de roupa, mas meu corpo se recusava a obedecer meus comandos e, honestamente, eu estava cansada demais para que eu me forçasse a fazer algo que não queria. Então, mantive os olhos fechados e esperei pelo sono que não demorou a aparecer.

A dor de cabeça me atingiu antes que eu acordasse completamente. Mesmo com os olhos fechados, a claridade que vinha da janela me incomodava e fazia com que minha cabeça latejasse fortemente. Xinguei-me mentalmente por não ter fechado as cortinas e me levantei devagar, abrindo os olhos vagarosamente para que eles se acostumassem com a claridade aos poucos.
Ressaca de vinho era mesmo a pior de todas e, mesmo que eu não tenha bebido muito, a dor de cabeça estava aí pra comprovar o quanto eu era fraca pra qualquer tipo de bebida.
Um copo d’água estava em cima da cômoda juntamente com uma cartela de comprimido, o que só poderia significar que minha irmã tinha deixado ali para quando eu acordasse. Nem preciso dizer que eu a amei ainda mais naquele momento, não é?
Após engolir o comprimido, caminhei até o banheiro, onde pude me livrar das roupas do dia anterior. Eu me sentia imunda e era sempre naquele momento que eu me arrependia de não ter tomado um banho antes de dormir na noite anterior. Girei a torneira, permitindo que a água gelada escorresse por meu corpo causando um relaxamento imediato. Estava dando graças aos deuses por hoje não ter que ir para o estúdio, porque eu não estava em condições de ficar horas gravando falas decoradas, além do mais, tinha certeza de que Trevor arrancaria meu couro assim que me visse no estado deplorável de ressaca que eu estava. Iria ser humilhante.

Saí do banheiro me sentindo muito melhor. A dor de cabeça tinha amenizado e eu não me sentia mais suja como antes. Vesti uma regata e shorts jeans e calcei minhas havaianas já que não tinha planos para sair de casa. Teria que arrumar o restante das malas já que a viagem seria no dia seguinte. Peguei o celular, que ainda estava dentro da bolsa e segui para a cozinha, sob protestos do meu estômago.
Abri a geladeira, mas não encontrei nada que quisesse. Para falar a verdade, minha geladeira estava praticamente vazia; não me admirava que minha irmã quisesse que eu contratasse uma empregada. Eu não era mesmo uma boa dona de casa. Por ora, isso iria ter que esperar; não dava pra contratar uma empregada agora que vou passar algumas semanas longe de casa, além de que, eu não poderia contratar qualquer uma, então, teria que pedir ajuda do meu queridíssimo melhor amigo para isso.
Por falar em Oliver, onde ele se meteu?
Chequei meu telefone, mas nem sinal dele. Nem uma mensagem ou ligação, nem sinal de fumaça. Achei aquilo estranho, pois não era do feitio de Oliver sumir desse jeito. Imediatamente disquei o número tão conhecido por mim. Ele atendeu no terceiro toque.
- Bom dia, coisinha! - exclamou, animado como sempre.
- Por que você sumiu? - fui direta.
- Own, que fofa. Sentiu falta do amigo gostoso que alegra os seus dias? - perguntou de forma presunçosa.
- Como você é convencido - revirei os olhos, rindo. Ele riu também. - Só fiquei preocupada. Você não costuma sumir assim.
- Ah, desculpe. Ontem fiquei o dia todo resolvendo alguns assuntos pedentes e tive uma reunião com a agência. Cheguei em casa acabado e caí na cama sem nem pensar duas vezes.
- Você tá ocupado agora?
- Não, sou completamente seu.
Me deu um frio na barriga e o meu coração acelerou ao ouvir aquela frase vinda dele. Fechei os olhos, me xingando mentalmente. “Se controla . Nada de sentimentos bobos agora”, pensei.
- Quer sair pra tomar café da manhã comigo?
- Café da manhã? - ele deu uma risada gostosa do outro lado e foi impossível não sorrir junto. - Você já olhou as horas, coisinha?
- Não, por quê?
- Porque de acordo com o meu relógio já está na hora de almoçar, não de tomar café.
Arregalei os olhos e procurei o relógio mais próximo. Já se passava do meio dia.
- Espera... - ele falou, de repente. - O que você tá fazendo em casa a essa hora que não tá no estúdio?
- Eu não perdi um dia de gravações, se é o que você tá pensando - o acalmei. - Trevor nos deu uns dias de folga, porque vamos viajar para Los Angeles amanhã.
- Enten... O QUÊ? - gritou.
- Não grita, por favor - “ainda estou me recuperando de uma ressaca”, completei mentalmente.
- Quando é que você planejava me contar que ia viajar? Quando já estivesse no avião?
- Eu ia contar, mas ontem não nos falamos então, to contando agora, ué.
- Quanto tempo você vai passar fora?
- Três semanas.
- TRÊS? - afastei o telefone do ouvido, devido a gritaria. Se continuasse daquela forma eu iria ficar com sérios problemas de audição.
- É...
- Eu chego aí em meia hora. - disse e desligou o telefone.
Olhei para o aparelho com cara de idiota, mas, logo me toquei do que estava acontecendo. Corri para o quarto, arrancando a roupa que vestia rapidamente e entrei no closet para buscar uma roupa mais arrumada. Sabia que Oliver já tinha me visto desarrumada muitas vezes, mas aquela ocasião era diferente. Eu sentia a necessidade de fazer com que ele me olhasse e me visse como algo mais do que uma amiga que ele fode às vezes. Também sabia que estava pisando em campo minado, que ter sentimentos era algo que não fora combinado entre nós dois e que era exatamente por esse motivo que tinha me envolvido com ele, mas agora, querendo ou não, estava envolvida emocionalmente e não tinha nada mais o que fazer. Era tarde demais.
A campainha tocou no minuto em que acabei de amarrar o cabelo. Borrifei perfume na pele rapidamente e corri para a porta, não querendo deixá-lo esperando muito tempo.
- Ainda não estou acreditando que você vai viajar amanhã - disse, entrando no apartamento sem ao menos me cumprimentar.
- Oi para você também, coisinha - ironizei, usando o apelido que ele costumava me chamar.
- Epa! Esse apelido é seu, não meu - retrucou e se virou para mim. - Vem cá, coisinha - ele me puxou, me abraçando. - Parece que faz séculos que não te vejo.
- Exagerado - retruquei, mas por dentro eu estava sorrindo de orelha a orelha. Era mais do que maravilhoso saber que ele sentia minha falta.
- Se não fosse o meu mais novo trabalho, juro que iria para L.A. contigo.
- Era tudo que eu queria - suspirei. - Já tô imaginando ter que ficar três semanas do outro lado do país com e, provavelmente, .
- Relaxa, você vai se sair bem - ele segurou meus ombros, me olhando firmemente nos olhos. - Você sabe que qualquer coisa, basta me ligar e eu largo tudo e vou te salvar, não sabe?
Assenti incapaz de falar. Tinha quase certeza de que se eu falasse algo, iria chorar. Às vezes me odiava por ter me tornado tão dependente de Oliver como se ele fosse meu pai, ou meu irmão. Ollie me abraçou carinhosamente e eu me aconcheguei em seus braços, me sentindo completamente segura. Porém, o telefone dele começou a tocar, quebrando todo o clima. Senti vontade de pedir para que ele não atendesse, que continuasse abraçado comigo, mas, antes que eu abrisse a boca, ele se afastou, enquanto tirava o celular do bolso e atendeu prontamente assim que viu quem era no visor do aparelho. Ele estirou o dedo para mim, pedindo licença e se afastou, mas antes ele saísse completamente do meu campo de visão, ouvi claramente ele falar um “Oi, da forma mais animada possível.
Então ela tinha mesmo decidido ligar.
Foi inevitável não me sentir a criatura mais burra do mundo por ter dado o cara que eu, aparentemente, estava começando a nutrir sentimentos de bandeja para , minha colega de trabalho e minha ídolo. Que tipo de pessoa fazia aquilo? Eu, claro.
Burra, burra, burra, burra.
Estava mais que óbvio que Oliver iria aceitar o convite. Afinal, era de Knowles que estamos falando. Não tem como competir com ela, ainda mais quando ele sequer sabe que eu sinto algo a mais que amizade.
Aquela situação era patética. Eu era patética.
- ? Tá aí? - escutei Oliver chamando.
Balancei a cabeça para afastar os pensamentos e olhei para meu amigo.
- Desculpe, eu estava pensando em outra coisa... O que você estava dizendo?
- acabou de me ligar, me chamando pra sair com ela hoje à noite! Dá pra acreditar?
- E você vai?
- Bem, eu sei que você vai viajar amanhã, mas eu pensei em passarmos a tarde juntos e a noite eu sair com a ... Pode ser?
De que adianta ele pedir a minha opinião, se eu já sei que ele combinou tudo com ela? Homens...
- Claro. Nenhum problema - dei um sorriso puramente falso, mas que ele não pareceu perceber.
Eu não sabia se eu me achava mais burra por ter dado aquela dica para , ou por ter achado que Oliver poderia me notar como algo mais que amiga. Agora estava óbvio que aquilo nunca ia acontecer e eu estava apenas me iludindo.
- Então, vai querer sair para comer em algum canto ou prefere pedir? - Com todo o alvoroço de emoções, tinha até esquecido que estava com fome.
- Pedir é melhor. Tenho que arrumar as malas e também não tô a fim de sair.
- Tudo bem. Vou pedir algo pra gente comer então - respondeu, já pegando o telefone.
Assenti e, enquanto ele fazia o pedido, voltei para o quarto pra separar mais algumas coisas para levar. Peguei uma mala, onde coloquei alguns pares de sapatos que seriam necessários na minha estadia. Coloquei essa mala fechada, juntamente da outra mala que eu tinha arrumado no dia anterior e peguei uma bolsa menor para colocar meus produtos pessoais e de higiene.
- Nossa, quanta bagagem! - ele exclamou ao entrar no quarto. - Pra quê essa mala? - perguntou, apontando para a mala vazia aberta em cima da cama.
- São coisas que eu preciso - respondi enquanto colocava algumas peças intimas dentro da mala. Oliver se aproximou e pegou uma das minhas peças íntimas. - Ei! - protestei, tentando tomar a peça dele, mas ele levantou o braço para que eu não alcançasse.
- Bela calcinha... Fico imaginando como você ficaria apenas com ela... - murmurou safado.
Aquele comentário me afetou de duas formas. Primeiramente, eu tinha certeza que meu rosto estava tão vermelho quanto um tomate. Segundamente, meu estômago estava revirando de alegria por saber que ele ainda sentia algum tipo de desejo por mim, mesmo depois de ter combinado de sair com a . Quer dizer, aquilo poderia soar bobo, mas não vou negar que passou pela minha cabeça a hipótese dele não querer mais ficar comigo por causa da minha colega de trabalho.
- Me dá isso aqui! - arranquei a peça da mão dele e joguei novamente dentro da mala, enquanto ele ria da minha cara.
Fechei a mala que faltava e coloquei junto das outras. Oliver se aproximou, ficando atrás de mim e me puxou, de forma que nossos corpos ficaram colados.
- Um dia eu quero que você vista aquela calcinha pra mim - sussurrou no pé de meu ouvido e, automaticamente, os pelos do meu corpo de arrepiaram. Prendi a respiração e fechei os olhos, completamente afetada com sua presença. - Quero te ver com ela só para que eu tenha o prazer de tirá-la com os dentes antes de te foder de quatro ou de qualquer outra posição que você desejar.
Porra!
Aquilo foi o suficiente para me deixar molhada. Oliver era incrivelmente bom com as palavras.
Deitei a cabeça em seu ombro e embrenhei minha mão em seus cabelos, puxando os fios com urgência. Eu queria que ele me beijasse, me fizesse dele, porque naquele momento eu era dele, mesmo que ele não soubesse e nem fizesse a menor ideia dos meus sentimentos. Naquele momento, eu tive a certeza de que ficar longe por três semanas não iria apagar aquele sentimento novo. Eu teria que lidar com ele, só não sabia como.
Com um movimento brusco, Oliver me jogou na cama e se ajoelhou na cama, de modo que meu corpo ficasse entre suas pernas. O observei enquanto ele se livrava da camisa e, logo, ele se curvou para me beijar pela primeira vez naquela tarde. Envolvi meus braços ao seu redor quase que imediatamente, minhas unhas arranhando a pele de suas costas, enquanto ele me beijava firmemente. Oliver mantinha a mão direita nos meus cabelos e a esquerda passeava por minha pele, vez ou outra parando em um dos meus seios por cima do pano da blusa.
Os beijos logo passaram para o pescoço, lugar que ele não hesitou em dar algumas mordidas e chupões. Logo, suas mãos foram para a barra da minha blusa e, entendendo suas intenções, ergui o corpo para que a peça fosse retirada de meu corpo com sucesso. Aproveitei-me para inverter as nossas posições, retirando meu sutiã no processo e jogando-a em uma direção qualquer. De imediato as mãos de Oliver foram para o local, apertando a carne com vontade. Fechei os olhos e suspirei, me deliciando com aquelas sensações.
- Porra! - murmurei ao sentir os lábios dele abocanhar um dos meus seios. Agarrei seus cabelos, puxando-os sem a mínima delicadeza. Já era possível sentir o seu membro duro dentro da calça e aquilo me deixou ainda mais excitada.
Empurrei Oliver para deitar na cama novamente e saí do seu colo. Ele me olhou confuso, mas um sorriso malicioso surgiu nos seus lábios, quando percebeu o que eu faria.
Abri o botão e desci o zíper de sua calça, e logo, puxei a peça de roupa juntamente com a cueca box para baixo, libertando o seu membro ereto. Toquei-o com delicadeza, mas aquilo foi o suficiente para que Oliver soltasse um gemido gostoso. Ele era gostoso por completo. Olhei para ele uma última vez e ele mordia os lábios, os olhos brilhavam de expectativa. Aquilo foi o suficiente para que eu abocanhasse seu pau sem ao menos pensar duas vezes.
- Puta que pariu, ! - ele gemeu. Sorri e mantive o olhar nele, enquanto continuava a chupá-lo. Eu queria dar o meu melhor, para que ele nunca esquecesse que nenhuma garota iria saber fazer aquilo melhor que eu, nem mesmo a Knowles. - Caralho, que boquinha gostosa.
De repente, ele me puxou, fazendo com que eu deitasse na cama de bruços, retirou o restante das minhas roupas rapidamente e ajeitou a minha posição, me deixando de quatro. Ouvi o barulho de plástico rasgando e virei minha cabeça a tempo de vê-lo colocando a camisinha no seu pau duro. Oliver logo se posicionou atrás de mim e me preencheu sem nenhum pouco de delicadeza. Gemi alto juntamente com ele.
- Que boceta deliciosa - ele disse entre gemidos. O membro dele entrava e saía com brutalidade e eu só fazia gemer, incapaz de dá-lo uma resposta a altura. De longe, pude escutar a campainha tocando, mas nenhum de nós dois fizemos a menção de parar. Que se fodesse a comida. Aquilo estava bom demais para parar agora.
Quando eu achava que não podia ficar melhor, Oliver tocou meu clitóris com os dedos, massageando-os. Aquilo foi demais para mim. O puxão na minha barriga foi forte e eu gozei, ficando extasiada enquanto os espasmos tomavam conta de meu corpo. Duas estocadas depois, Ollie também gozou, gemendo roucamente.
Caí na cama, ainda de bruços, me sentindo exausta. Eu não tinha palavras para descrever o que aquilo tinha sido. Meu coração batia fortemente no meu peito e a minha respiração estava completamente acelerada. Minutos depois Ollie também deitou ao meu lado, parecendo extasiado.
- Uau... - disse, me olhando.
- Eu sei, isso foi...
- Incrível - completou, fechando os olhos.
Balancei a cabeça em concordância e permaneci ali, observando cada traço de seu rosto.
- Ollie...
- Hmm... - ele abriu os olhos, me fitando intensamente. Existia tanta coisa que eu queria dizer para ele. Eu queria que ele soubesse dos meus sentimentos, queria que ele dissesse que tais sentimentos não iria destruir a amizade que a gente tinha, acima de tudo, queria que ele retribuísse meus sentimentos, mas eu sabia que aquilo não era possível.
- Eu vou sentir sua falta. - Também vou, coisinha. Mas lembre-se: Você pode me ligar sempre que estiver disponível. - ele levantou. - Bem, vou tentar salvar a nossa comida - riu e saiu do quarto em seguida.
Abracei o travesseiro, me sentindo patética. É claro que ele não sentia nada por mim, se ele sentisse, não iria ao encontro com .

Empurrei o carrinho com as malas pelo aeroporto apressadamente. Não era novidade nenhuma que tinha chegado atrasada e meu voo sairia em 10 minutos. Passei tempo demais me despedindo de minha família e resultou nisso: atraso total. Minha sorte foi que Oliver estava no aeroporto e, por isso, ele fez o check-in por mim, enquanto eu não chegava.
De longe pude avistá-lo e andei em sua direção com um sorriso no rosto. Ele estava lindo como sempre, não era de se admirar. Porém, meu sorriso logo desapareceu, quando notei que ele estava abraçado com .
Ah, não.
Aparentemente o encontro tinha sido melhor do que eu esperava. Por ele estar de costas, foi a primeira a me ver quando me aproximei.
- , até que fim! Trevor estava a ponto de enlouquecer - disse. Oliver se virou em minha direção.
- Estou sempre te salvando, não é? - sorriu esperto e se soltou de para que pudesse me abraçar. Sorri meio que forçado e retribuí o abraço dele. No fundo eu sabia que não tinha o direito de me sentir assim, mas foda-se. Estava cansada de me reprimir por ter sentimentos.
- Obrigada por isso - murmurei. Apesar de sentir como se facas estivessem enfiadas em meu coração, eu não era mal agradecida. Ollie ainda era meu melhor amigo.
- ! Já estava começando a achar que você não vinha mais - Trevor apareceu. O alívio em sua expressão era nítido.
- Desculpe Trevor. Tive que deixar minha irmã na casa dos meus pais e acabei perdendo a noção do tempo.
- Bem, estamos atrasados então temos que correr! , a esposa e a filha já estão no avião com o resto da equipe. Só faltava você chegar e largar do namorado.
Namorado? O que eu perdi?
- Em minha defesa, só estava esperando chegar - ela rebateu.
- E ela já chegou então vamos, vamos, vamos - falou batendo palmas e saiu em direção ao portão de embarque.
- Eu te ligo assim que chegar lá - ela disse para Oliver, que assentiu e eles se beijaram.
Virei o rosto, sentindo-me enjoada com aquela cena patética. Eles eram namorados agora? Que merda?!
Eles se separaram e ela seguiu para o portão de embarque.
- Você me ligue também, viu? - Ollie disse, me puxando para um abraço.
- O que está rolando com a ? - não me contive, tive que perguntar.
- Depois te conto, agora vá, antes que você perca o voo.
Ele me deu um beijo na testa e me empurrou em direção ao portão de embarque. Suspirei insatisfeita, mas não insisti ou iria mesmo perder o voo. Acenei para ele uma última vez e segui meu caminho.

Para completar, assim que entrei no avião dei logo de cara com o casal 20, e , se engolindo na poltrona, enquanto a filha deles dormia no colo da megera. Parecendo sentir minha presença, abriu os olhos e assim que me viu, sorriu e continuou beijando o marido. Revirei os olhos. Se eu me achava patética, tinha acabado de me provar que ela mais patética ainda. Não me conformava imaginar que ela pensava que ver ela e se beijando me afetava. Sério, aquilo era tão infantil da parte dela que não dava nem pra sentir pena. Na verdade, eu sentia pena de mim mesma por não ter percebido quem realmente era a pessoa que costumava chamar de melhor amiga.
Sentei em minha poltrona, que felizmente era afastada deles dois. já estava sentada na poltrona ao meu lado e, por um momento, me senti aliviada por ser ela e não o casal que se agarrava mais a frente. Além de que, eu poderia perguntar sobre o Oliver e saber o que estava acontecendo entre os dois.
Felizmente, eu não precisei perguntar nada, porque só bastou que eu me acomodasse em minha poltrona, para que ela começasse a falar.
- Tenho que te agradecer por ter me dado o conselho de ligar para Oliver - ela começou, o sorriso enorme no rosto.
Abri um sorriso totalmente forçado. Em outra ocasião, eu ficaria morrendo de felicidade por ela, mas, devido aos recentes eventos e a pessoa em questão, não dava pra sentir nada.
- Estou vendo que o encontro foi maravilhoso.
- Ah, ele te contou que íamos sair ontem?
- Sim - “logo antes de me comer de quatro em minha cama”, completei em pensamento.
- Bem, o encontro foi mais que perfeito. Fomos à um restaurante e nos divertimos bastante. Oliver é maravilhoso - ela suspirou encantada.
- Vocês estão namorando?
- Não. Decidimos ir devagar, nos conhecer melhor e depois que vamos decidir o próximo passo no nosso relacionamento.
Relacionamento... Aquela palavra não poderia me machucar mais.
Não dava pra entender aquilo. À tarde ele estava comigo, nós ficamos juntos, trocamos beijos, transamos e à noite, depois de um encontro, ele decide que vai ter um relacionamento com ? Digo, outro dia ele estava me contando que não queria relacionamento até encontrar a garota certa. Será que ele achava que era a garota certa?
- Ei, está tudo bem? - ela tocou meu braço, chamando minha atenção.
- Sim, desculpe... - sorri sem mostrar os dentes. - É que é surreal imaginar que até outro dia desse a gente nem se conhecia e agora, além de sermos colega de trabalho, você também está saindo com meu melhor amigo.
E aquilo era surreal mesmo. Quando é que eu iria imaginar que um filme iria mudar tanto minha vida assim? Às vezes eu achava que a ficha ainda não tinha caído completamente.
- Te entendo completamente - ela disse. - Mas, espero de coração que você não se importe com o meu relacionamento com Oliver.
Tive vontade de dizer que me importava, que Oliver deveria ficar comigo e não com ela, mas não o fiz. Se meu melhor amigo achava que ela iria fazê-lo feliz, então eu teria que me conformar e ficar feliz por eles.
- Ao contrário, fico bastante feliz por Oliver ter encontrado alguém.
- Sério? - assenti e ela sorriu largamente. Abri a boca, sentindo o sono já dar sinal de vida. Eu mal tinha dormido durante a noite com medo de perder a hora e acabar perdendo aquele voo. - Eu vou para de falar um pouco e deixar você descansar. Algo me diz que não vamos ter muito tempo para descansar assim que chegarmos em L.A..
Ajeitei-me na poltrona, me sentindo completamente agradecida por ela ter decidido parar de falar. Na minha atual situação, não sei se aguentaria a ouvir falando do possível relacionamento dela com Oliver durante toda a viagem. Fechei os olhos, decidindo que não me preocuparia com aquilo por enquanto. Muitas coisas poderiam mudar em três semanas, certo? Mesmo que eu não achasse que fosse conseguir, eu tentaria esquecer meus sentimentos por meu melhor amigo e, felizmente, eu teria três semanas para fazer aquilo acontecer.

Saí do táxi e parei em frente ao prédio que seria minha moradia durante três semanas. Quando chegamos ao aeroporto, milhares de fãs esperavam para ver Knowles e de perto. Todo aquele furdunço nos custou tempo até que vários seguranças apareceram para nos escoltar para fora do local. Enquanto saia do aeroporto, lembro-me de desejar que o dia uma multidão aparecesse para me ver em qualquer lugar que fosse. costumava me dizer que a sensação era maravilhosa, pois significava que ele estava seguindo um caminho certo e que as pessoas estavam gostando do trabalho dele. Aquilo era no mínimo recompensador por todo o trabalho duro que ele dava nos filmes ou séries que ele participava. Acho que o mesmo servia para . Particularmente, como fã, acho que ela é incrível e certamente me considero sortuda por ter conseguido trabalhar com ela assim no início de minha carreira.
Entrei no hotel, seguida pelo carregador de malas e caminhei até o balcão da recepção para fazer o check-in. e já estavam lá, juntamente com e Trevor.
- Ela chegou - Trevor disse, assim que me viu. A recepcionista me deu um formulário para preencher e, depois de preenchido, ela me entregou a chave do meu quarto, assim como a do restante. - Que cara amassada é essa? - Trevor perguntou enquanto caminhava ao meu lado em direção ao elevador.
- Dormi muito - disse simplesmente.
- Cuide de arrumar essa cara, porque vamos começar a trabalhar hoje mesmo.
- O QUÊ? - e perguntaram ao mesmo tempo. Soltei uma risada. Por que eles estavam surpresos? Era de Trevor que estávamos falando.
- Ah, não. Estava querendo sair para conhecer a cidade com o meu marido hoje - reclamou. Imediatamente minha língua coçou, pronta para dar uma resposta nenhum pouco gentil, mas Trevor fez isso por mim.
- Minha querida, achei que você soubesse que está aqui para trabalhar e não para sair a passeios como se estivesse de férias.
Tive que olhar para o teto e pensar em uma coisa aleatória para não me explodir em gargalhadas ali, dentro do elevador. Para minha sorte, a porta do elevador se abriu exatamente no andar em que eu ficaria. Falei um “até daqui a pouco” para eles e saí do elevador, caminhando apressadamente até o meu quarto. Porém, foi só a porta do elevador se fechar para que a risada que eu estava guardado saísse de forma escandalosa. Não tinha melhor pessoa para colocar no lugar dela e deixá-la com cara de bosta do que Trevor. Sério, depois dessa, eu trabalharia até de madrugada se ele quisesse.
Abri a porta do quarto e meu queixo praticamente caiu quando vi o tamanho do quarto. Aquilo ali certamente estava mais para um apartamento do que para um quarto, quer dizer, tirando a parte da cozinha inexistente e alguns outros cômodos que um apartamento deve ter. Tirando a cama enorme e aparentemente confortável, tinha uma TV gigante pendurada na parede e um sofá de dois lugares bem próximo. O guarda-roupa também era enorme, o que era completamente desnecessário, porque mesmo que eu tenha trazido uma quantidade exorbitante de malas, ficaria sobrando muito espaço ali. Abri a porta que deveria ser o banheiro e meus olhos brilharam de felicidade com o que vi. Dentro do banheiro tinha uma banheira de hidromassagem, além de um chuveiro que certamente me custaria uma fortuna se eu comprasse um para meu apartamento. Além de que, tinha uma pia linda de mármore e uma estante onde eu poderia colocar todos os meus produtos higiênicos.
Não demorou muito para que o carregador trouxesse minhas malas. Certa de que não demoraria muito para que Trevor ou alguém da equipe batesse em minha porta, resolvi tomar um banho e me aprontar logo. Ante de entrar no banheiro, mandei uma mensagem para Oliver avisando que tinha chegado em Los Angeles. Ele ainda tinha muito o que me explicar, mas decidi que era algo que poderia ser deixado pra ser resolvido depois. Entrei novamente naquele banheiro maravilhoso e sem nem pensar duas vezes, fui diretamente para banheira. Enquanto a banheira enchia, separei os sais que achei que eram necessários e retirei os produtos da nécessaire, arrumando-os devidamente na estante. Assim que a banheira estava cheia o suficiente, despejei um pouco dos sais de banho, retirei minha roupa e entrei, sentindo meu corpo relaxar quase que imediatamente. Tudo o que faltava naquele momento era uma bela taça de champanhe e uma boa música para que tudo ficasse ainda mais perfeito, mas, pelo menos dessa vez, eu poderia aproveitar o bom silêncio. Me encostei na banheira e fechei os olhos, completamente relaxada. Eu poderia ficar ali por horas, que não reclamaria de nada.
Porém, o barulho do toque do celular foi o que fez com que eu saísse da minha paz. Enrolei-me na toalha, saí da banheira tomando cuidado para não escorregar e voltei para o quarto a tempo de atender a ligação antes que ela caísse.
- Alô?
- Por que não me ligou? - reconheci a voz de Oliver.
- Eu mandei uma mensagem avisando que cheguei.
- Não era o suficiente, eu queria conversar com você.
Segurei-me para não suspirar alto. Era óbvio que ele queria falar sobre o relacionamento dele e eu não estava com a menor cabeça pra aquilo.
- Agora não é um bom momento, Ollie. Acabei de chegar em Los Angeles e já tenho que trabalhar.
- Nossa, você não vai poder descansar nada?
- Já descansei o suficiente durante o voo e, com certeza, Trevor só quer nos mostrar o ambiente onde vai ocorrer as próximas gravações.
- Entendo, mas eu quero muito conversar com você sobre... Bem, você sabe, sobre eu e .
Fechei os olhos, tentando controlar meus sentimentos diante daquela situação.
- Podemos falar sobre isso outra hora? Eu realmente estou com pressa aqui - respondi, um pouco ríspida. Juro que saiu sem querer!
Ele ficou em silêncio por alguns longos segundos.
- Tudo bem - disse, por fim. - Me liga quando estiver desocupada, não quero te atrapalhar.
Concordei e, logo, nos despedimos. Suspirei, me sentindo extremamente culpada. Oliver não merecia que eu o tratasse daquela forma, afinal, quem estragou as coisas foi eu quando me envolvi emocionalmente. Agora teria que batalhar para apagar aquele sentimento de dentro de mim.
Batidas na porta ecoaram pelo quarto. Deveria ser Trevor ou alguém da equipe de produção. Pedi para que a pessoa aguardasse e caminhei até a porta, abrindo-a sem perguntar quem era e me deparei com um já trocado de roupa.
- Trevor me pediu para que eu... - franzi o cenho, sem entender motivo pelo qual ele tinha parado de falar. Ele me encarou de cima a baixo e eu segui seu olhar, procurando saber o que tinha de errado. Foi então que percebi que estava apenas de toalha.
Puta que pariu!
Como eu fui me esquecer de pôr uma roupa antes de abrir a maldita porta? Agora estava ali, me encarando como se eu fosse um pedaço de carne e aquilo era, no mínimo, constrangedor.
- Desculpe. Completamente esqueci que estava só de toalha - me expliquei, enquanto me escondia detrás da porta.
Ele pigarreou, se recompondo, antes de responder.
- Não tem problema - disse. - Enfim, eu só vim te chamar. Trevor está nos esperando lá embaixo.
- Ah, claro - assenti. - Pede pra ele esperar só mais um pouquinho que eu já desço, ok?
- Certo - concordou. - Mas não demora, você sabe como ele é.
- Sei bem - revirei os olhos e ele riu, acenou e desapareceu pelo corredor.
Fechei a porta, me sentindo completamente exposta. Era a segunda vez que aparecia em minha porta e me encontrava seminua, e o descarado sequer disfarçava os olhares que ele dava no meu corpo. Homens...
Me arrumei o mais rápido possível, tanto que nem passei muita maquiagem ou tive tempo de escolher uma roupa da forma que gostaria, peguei a primeira que vi dentro da mala e vesti de forma apressada, da mesma forma em que arrumei o cabelo e fiz a maquiagem. Peguei a minha carteira e o celular e saí do quarto, rumo ao lobby, onde Trevor e estavam me esperando. Enquanto descia no elevador, torci mentalmente para que não estivesse junto, mas, minhas esperanças logo se esvaíram assim que a avistei agarrada no braço de como se ele fosse um objeto somente dela. A filha deles estava nos braços de e, por um momento, peguei-me admirando a figura materna que meu ex-noivo tinha se tornado. Era exatamente como eu imaginava que seria quando tivéssemos os nossos filhos, mas eu nunca tive a oportunidade para comprovar até aquele momento. Só era uma pena saber que nossas vidas viraram ao avesso de forma que ele não foi e nunca será pai de um filho meu, se é que eu pretendo ter um algum dia.
- Até que fim a princesa chegou - ouvi dizer desgostosa, mas não dei bola ou sequer olhei na direção dela.
- Podemos ir, Trevor - disse para o meu chefe.
Ele assentiu, trocou um olhar com e caminhou em direção a saída do hotel, seguido pelo casal e a filha.
Seria tudo tão mais fácil se aquela megera não estivesse aqui. Mas, como eu sempre falo, ninguém gosta de facilitar a minha vida, principalmente a então, só me restava aceitar e engolir a presença dela pelas próximas semanas.
Suspirei e segui os três para fora do hotel.
É, aquela viagem estava apenas começando e algo me dizia que aquelas três semanas não iriam ser nada fáceis.

Capítulo Sete

Felizmente, minutos depois, se juntou a nós em frente ao hotel. Não dava pra imaginar um passeio apenas comigo, Trevor, , e a filha deles, pois, mesmo que aquilo fosse somente para conhecer a cidade e os possíveis lugares que iríamos gravar, daria um jeito de me alfinetar e eu sabia bem que não tinha a paciência necessária para ficar calada e não meter a mão na cara dela.
Por outro lado, não sei se ficar na presença de , escutando ela falar o tempo todo sobre Oliver era a melhor opção, mas estava disposta a tentar.
- Aqui será onde vamos gravar as próximas cenas então, se familiarizem com o local - Trevor falou, apontando para alguns locais que passávamos. - Falando nisso... - ele mexeu na bolsa que carregava, tirando alguns papéis e entregando a mim, e . - Aqui está o script de vocês. Divirtam-se.
Olhei para as folhas rapidamente, mas acabei esbarrando em uma lixeira, então achei melhor analisar outra hora. Continuamos caminhando pelas ruas, até que Trevor parou em um lugar que se parecia muito com o estúdio que tínhamos em Londres.
- Assim como em Londres, vamos ter um estúdio de gravações aqui também, mas basicamente só será usado para a troca de figurino no trailer-camarim de vocês e, caso queiram, ensaiar as falas.
- Então as gravações só vão ser feitas fora do estúdio? - perguntou.
- A maior parte sim - respondeu, enquanto checava algo no telefone. - Eu vou ter que voltar para o hotel para resolver algumas coisas, mas um carro está vindo pegar vocês para levá-los para o estúdio. Lá, se quiserem, podem começar a ensaiar as falas de amanhã.
- É sério isso? precisa descansar um pouco ou... - começou a falar, mas Trevor o interrompeu.
- Para trabalhar comigo não tem moleza e tenho certeza que seu marido sabia disso antes de participar da audição para o meu filme.
Ela abriu a boca para dar mais alguma resposta, mas foi mais rápido.
- Pode ir tranquilo, Trevor.
- Eu vou, mas sua esposa vem comigo, não quero ela atrapalhando os ensaios ou brigas dentro do meu set - ele olhou de relance pra mim e eu soube exatamente a que ele se referia. abriu a boca novamente para protestar, mas interferiu novamente.
Qual é, eu queria ouvir a cobra levar mais um esporro de Trevor! Confesso que estava adorando.
- Ela vai com você - disse. o olhou com a feição claramente indignada, mas só bastou um olhar firme do marido para que ela abaixasse a cabeça e concordasse. Aquilo me surpreendeu, eu nunca tinha visto abaixar a cabeça para nada e nem ninguém até aquele momento.
- A gente se vê no hotel - ela murmurou obviamente contrariada e ela e trocaram um beijo antes dela se afastar com Trevor e Dulcie. Ela não fez questão de se despedir de mais ninguém, o que também não fiz muita questão.
O carro logo chegou e seguimos para o que seria o nosso estúdio de gravação. Durante todo o percurso, parecia entretida demais com o telefone e vez ou outra dava uma risadinha idiota. Confesso que estava curiosa para perguntar com quem ela conversava, mas tinha receio de que ela dissesse que era Oliver. Então agradeci aos céus quando o carro parou em frente ao enorme estúdio e pude sair daquele pequeno espaço que estava começando a me deixar sufocada.
Andamos pelo lugar por alguns minutos e vez ou outra trocávamos algumas palavras. Chegamos aos camarins e não pensou duas vezes antes de entrar no que continha o nome dela na porta. Pensei em entrar no meu e procurar um lugar confortável para ensaiar minhas falas, mas antes que pudesse dar um passo, se pronunciou.
- Você não quer... Er... Ensaiar comigo?
Virei-me para ele, a expressão confusa.
- Não acho que seja necessário.
Ele coçou a nuca, parecendo um tanto desconcertado.
- A próxima cena é um pouco... Complexa.
Franzi o cenho, ainda sem entender.
- Complexa como?
- Dê uma olhada - ele apontou para os papéis em minha mão. Fiz o que ele pediu e arregalei os olhos quando li do que se tratava a próxima cena. - Mas já?
- É... - disse. - Por isso acho que devíamos ensaiar juntos, Trevor amanhã vai querer tudo perfeito.
Ele até tinha razão, mas eu não estava preparada pra fazer aquela cena, quem diria ensaiar?
- Tudo bem - disse, quando percebi que não teria saída. Eu já tinha começado a gravar aquele filme, sabia bem o que tinha que fazer, então era melhor que fizesse logo, afinal, não poderia deixar que um problema pessoal afetasse minha vida profissional.
- No seu trailer ou no meu?
Arregalei os olhos, aterrorizada com a possibilidade de ficar sozinha com em um trailer. Não era preciso ser muito inteligente pra saber que aquela não era uma boa ideia.
- Acho melhor que seja em um dos sets em que vão ocorrer a gravação.
Ele assentiu e seguimos em silêncio para um dos locais de gravação. Acabamos por escolher um que mais se encaixava com a descrição no script. A cena que iríamos ensaiar era a que eu mais temia: a do beijo. E a pior parte não era nem essa e sim a cena de sexo que faríamos logo depois dessa. Nesse momento agradeci por não estar aqui ou a briga seria feia.
- Podemos começar? - questionou.
Assenti, ainda um pouco insegura, mas me mantive firme. Ele disse a primeira fala perfeitamente e eu o segui, ainda um pouco receosa, mas, conforme continuamos, acabei ficando confiante. Bem, isso até ele se aproximar demais até ficar a míseros centímetros de distância de mim. Apesar de saber que ele estava só seguindo o script, o nervosismo veio com força e tudo o que eu pensava era que estávamos ali sozinhos e ele estava perto demais.
- Está tudo bem? - assenti, mesmo que não tivesse certeza daquilo. - Eu vou te beijar... - percebi que ele também estava com certo receio.
- Para de narrar o que vai fazer e faz de uma vez o que está no script - reclamei. Eu já estava nervosa e ele ficar narrando não estava ajudando em nada.
Ele assentiu e disse a última fala, antes de dar o passo final e me beijar.
Eu não sabia dizer o que estava sentindo. Na verdade, eu não deveria sentir nada, mas ter os lábios de nos meus e as mãos dele segurando minha cintura depois de tanto tempo despertou algo desesperador dentro de mim. Sabia que era um beijo técnico, que não tinha nada sentimental envolvido, mas ainda assim, foi impossível não me sentir familiarizada com aqueles lábios, com a maciez dos seus cabelos entre os meus dedos, com o seu toque firme em minha cintura.
E tudo só piorou quando meu corpo foi prensado contra a parede o os lábios dele foram para o meu pescoço. Flashes de quando estávamos juntos vieram de uma só vez e, por puro instinto, o empurrei com um pouco de força. me olhou confuso, os lábios vermelhos e, por um momento, pensei em agarrá-lo novamente, mas me contive a tempo.
Que merda de pensamento era aquele?
- Eu só estava seguindo o script - ele se explicou.
- Eu sei - suspirei. - Acho que está bom, só temos que repetir isso amanhã...
- É... - ele coçou a nuca e eu percebi que ele estava tão desconcertado quanto eu.
Acho que não era a única que não me sentia pronta pra fazer essa cena, a forma como ele estava agindo denunciava isso completamente.
- Vamos parar por hoje, eu realmente quero ir para o hotel agora.
- Certo, vou chamar a e a gente volta.
Assenti e ele saiu em direção aos camarins. Coloquei as mãos na cabeça e respirei fundo, expirando todo o ar em seguida. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei fazer aquele filme mesmo? Já tinha perdido a conta de quantas vezes eu tinha me feito aquela pergunta desde que as gravações começaram e ainda não tinha chegado a nenhuma conclusão plausível. Bem, eu deveria estar é louca, isso sim.
Beijar tinha sido completamente estranho e olhe que estávamos sozinhos, imagina amanhã quando tiver todas as câmeras e Trevor por perto. Eu não sabia como seria, mas também não queria criar expectativas ou ficar me lamentando por estar naquele filme. Eu aceitei o papel e deveria aceitar as consequências, afinal, nada vem fácil, certo?
Não demorou pra que voltasse com e, finalmente, voltamos para o hotel. Durante todo o trajeto de volta até o momento em que nos separamos, eu e conversamos pela primeira vez e, admito que foi uma boa conversa. Talvez tudo não estivesse perdido e nós ainda fossemos capazes de conviver sem nenhum problema, afinal, nem tudo deveria ser baseado no nosso noivado que não deu certo; já estava mais do que na hora de deixar essa história para trás. , por sua vez, continuava mandando mensagem para quem quer que fosse e, mais uma vez, tentei evitar pensar em que ela e Oliver estivessem tão firmes assim a ponto de trocarem mensagens a noite toda.

Entrei no meu quarto desejando deitar e dormir como nunca na vida e foi exatamente o que eu fiz. Joguei o par de sapatos que usava perto da cama, tirei a roupa e me joguei na cama somente de lingerie. Uma massagem naquele momento seria ótimo, mas sabia que não teria como.
Estava quase cochilando, quando meu telefone tocou dentro da bolsa. Soltei um gemido frustrado e levantei com a maior lerdeza do mundo, apenas para pegar o aparelho dentro da bolsa. O nome de Oliver piscava na tela.
- Espero que seja bom, ou eu vou dar um jeito de te matar via ligação mesmo - ameacei assim que atendi.
- Nossa, quanta agressividade, coisinha - escutei sua voz do outro lado da linha. - É assim que você trata seu melhor amigo que estava com saudade?
- Quando o amigo interrompe meu sono, sim, é assim que eu trato.
- Foi mal, não sabia que já estava dormindo.
- Estou exausta, Trevor nos mostrou vários lugares, além de nos mandar para o estúdio ensaiar.
- Ah, me contou essa parte.
Revirei os olhos, ele tinha que citar o nome dela?
- Então, você deve imaginar o quanto estou cansada.
- Você sabe, nós ainda tempos que conversar...
Suspirei alto. Será que ele não entendeu que eu não queria saber sobre o relacionamento dele? Eu amava a , ela era meu ídolo, mas foi um péssimo momento pra começar a namorar Ollie. Não que ela ou ele soubesse dos meus sentimentos, mas mesmo assim.
- Eu sei, mas agora eu quero mesmo dormir. Podemos nos falar em outro momento?
- Claro - respondeu compreensivo.
- Então... Boa noite.
- Boa noite, - respondeu.
Desliguei o telefone, o depositei em cima da mesa e me deitei na cama novamente, pronta para voltar a dormir e esquecer o mais novo casal.

Tudo estava a maior correria. O movimento no meu camarim estava fora do normal e isso se devia ao processo de me deixar pronta para gravar as próximas cenas. Confesso que foi um alívio quando a manicure terminou de pintar minhas unhas e o cabeleireiro terminou de fazer o quer que estivesse fazendo em meus cabelos, faltando só fazer a maquiagem e trocar a roupa.
Estava um pouco nervosa, confesso. Assim que saísse daquele camarim seria para gravar a cena com e agora teria dezenas de pessoas ao meu redor vendo tudo acontecer. Normalmente eu não me preocuparia com isso, afinal, já fiz dezenas de cenas daquela forma, mas era diferente quando se tratava de , ainda mais com todo o passado que tivemos juntos.
- Está pronta? - Ouvi Jane perguntar, depois de dar duas batidas na porta do camarim.
Encarei meu reflexo no grande espelho a minha frente. Ainda não tinha me acostumado com os fios curtos e loiros de meu cabelo, mas não podia negar que tinha caído bem. Sorri para mim mesma, gostando do jeito que estava vestida. Definitivamente, Melissa Summers sabia como se vestir.
Caminhei até a porta e a abri, dando de cara com minha assistente.
- Estou - respondi.
- Então vamos - fechei a porta do camarim e a segui por entre os trailers. - Como você já sabe, a primeira cena será gravada em um restaurante, então, Trevor estar quase arrancando os cabelos enquanto espera.
- Até imagino - ri. Sabia bem o quanto meu chefe era impaciente.
Logo, entramos em um carro e seguimos para o restaurante. Não vi nenhum dos meus outros colegas durante o percurso e imaginei que talvez eu fosse a única atrasada ali. Bem... Não era exatamente minha culpa, certo? É... Talvez eu tenha enrolado um pouco para me vestir, mas ninguém precisava saber disso.
Como imaginava, todos já estavam no local assim que cheguei. As câmeras já estavam prontas em todos os lugares necessários e já se encontrava dentro do restaurante, aparentemente recebendo algumas instruções de Trevor, assim como que estava parada ao lado dele.
A cena que se desenrolaria seria dos três em um almoço. Em certo momento a personagem de teria que sair para resolver algo importante, deixando Melissa e Otto à sós e seria aí que minha personagem entraria em ação.
- Bom dia - cumprimentei o me aproximar deles.
- Vamos dispensar os cumprimentos e partir pra ação, sim? - Trevor disse, já se afastando. Revirei os olhos, causando risada dos outros dois.
- Bom dia, - cumprimentou, me abraçando rapidamente. - Vou me posicionar antes que leve uma bronca - disse e saiu em direção a uma das mesas. Meu olhar se cruzou com o de e ele sorriu amigavelmente antes de falar:
- Vamos? - assenti e seguimos para o mesmo lugar que tinha ido.
As gravações começaram e tudo estava correndo bem como o esperado. O nervosismo ainda se fazia presente, mas em menores proporções do que antes. Talvez fosse o clima ou a sintonia que tínhamos que fez com que tudo ficasse mais confortável e natural. Logo, a personagem de saiu de cena e a tão esperada hora chegou. Encerramos a cena no restaurante e, em seguida, seguimos para o hotel em que ocorreriam as próximas gravações. Não tivemos que percorrer um longo caminho, pois o hotel era a apenas dois quarteirões de distância.

Quando chegamos ao local, o cenário já estava montado, assim como as câmeras dentro do quarto. Por um momento cheguei a me sentir um pouco intimidada com todas aquelas câmeras prontos para gravar uma cena íntima, mas logo deixei a timidez de lado, pois não queria e nem iria parecer uma amadora que nunca foi filmada gravando cenas de sexo.
As gravações começaram novamente e Melissa pegou uma garrafa de champanhe, colocando em duas taças e entregando uma a Otto. Melissa tinha apenas dois objetivos, seduzir e embebedar Otto para conseguir informações sobre os crimes que ele cometeu e que iria cometer. Tudo ocorreu normalmente, até chegar a cena que foi ensaiada na noite anterior. Quando se aproximou de mim, eu senti vontade de correr para o mais longe possível, mas me contive, assim como tive que me controlar para não olhar para nenhuma das câmeras. Respirei fundo, enquanto tentava não entrar em pânico e, mais uma vez, entrei no personagem. Eu não poderia errar, era inaceitável. E foi com esse pensamento que eu fechei os olhos e deixei que me beijasse pela segunda vez consecutiva.
Os lábios dele tocaram os meus e aquela mesma sensação de familiaridade apareceu, mas foi ignorada com sucesso. Envolvi os ombros de e deixei que ele continuasse me beijando enquanto repetia mentalmente que aquilo tudo era para o filme, que tinha câmeras ao meu redor e aquilo pareceu funcionar por um tempo.
Até alguém puxar meus cabelos, me puxando para longe de .
Abri os olhos, confusa enquanto sentia uma dor alucinante no couro cabeludo e alguns gritos no fundo.
- SAI DE PERTO DO MEU MARIDO - esperneava perto de mim, enquanto alguém da equipe a segurava. - EU SABIA QUE VOCÊ SÓ ESTAVA ESPERANDO UMA CHANCE PRA SE APROVEITAR, EU SABIA!
Ela tinha acabado de puxar meu cabelo?
O sangue subiu e eu literalmente vi vermelho. Dei um passo em direção a ela, pronta pra acabar com aquela vadia, mas braços envolveram minha cintura, me impedindo de dar um passo se quer. Tentei me soltar, mas meus esforços foram completamente em vão.
- QUE PORRA VOCÊ PENSA QUE TÁ FAZENDO? - Trevor entrou na minha frente, o rosto vermelho virado pra . Ele estava puto. - EU QUERO VOCÊ SAIA DAQUI E ENTRE NO PRIMEIRO AVIÃO DE VOLTA PRA LONDRES AGORA MESMO - gritou furioso e se virou para mim. - TIRA A LOUCA DA SUA MULHER DAQUI ANTES QUE EU TE TIRE DESSE FILME.
O aperto em minha cintura afrouxou e, só então, percebi que que me segurava esse tempo todo. Ele marchou em direção a , a pegando pelo braço de um jeito nada delicado e a arrastou para fora do quarto.
- Não sei onde estava com a cabeça quando pensei que esse filme não iria me dar dor de cabeça - ele passou a mão no rosto e olhou para mim. - Você está bem?
Esfreguei a mão em meu coro cabeludo, sentindo uma dor de cabeça começar a se manifestar.
- Estou, só preciso tomar um remédio para dor de cabeça.
- Eu vou providenciar um para você - disse. - Espero não ter que ver a cara daquela louca nunca mais. Mulherzinha desequilibrada.
Assim que ele se afastou, sentei-me na cama enquanto esperava que alguém me trouxesse o bendito remédio. Não demorou muito para que Jane aparecesse com o comprimido, assim como não demorou para que voltasse e se sentasse ao meu lado em silêncio.
- Desculpa pelo ocorrido - ele murmurou, de repente. - Eu não sei o que deu nela.
Coloquei o copo d’água em cima da mesinha ao meu lado e me virei para ele.
- Você precisa parar de se desculpar pela - respondi. - Eu já disse que ela está desequilibrada.
- Eu a mandei voltar para Londres. Não vou perder meu emprego por causa de uma atitude sem sentido da parte dela.
O olhei surpresa. Apesar de Trevor ter ordenado que ela voltasse para Londres, não imaginei que ele realmente fosse mandá-la voltar.
- Mas está tudo bem entre vocês, certo? - resolvi me certificar. Apesar do que aconteceu, eu não desejava que o casamento de acabasse por minha causa e por causa desse filme.
- Está - garantiu. - Antes de deixá-la no aeroporto ainda vou ter outra conversa com ela.
Assenti, sem ter mais o que dizer. A verdade é que depois daquele barraco o clima para gravar era zero, mas sabia que não tinha o direito de escolha. Logo, Trevor voltou, ordenando que voltássemos a gravar.

A cena não foi tão difícil de gravar e também não tivemos muito mais cenas para gravar depois de todo aquele barraco então, logo já estávamos de volta ao hotel.
Perdi a conta de quanto tempo fazia que estava jogada na cama apenas olhando para o teto. Assim que cheguei, a banheira de hidromassagem foi muito bem apreciada, mas logo se tornou tedioso. Na TV também não passava nada interessante, então me restou ficar deitada, olhando para o teto, desejando que Oliver estivesse aqui para me tirar do tédio. Porém, eu sabia muito que se ele estivesse aqui, não seria comigo que ele estaria agora.
O telefone tocou, anunciando que uma nova mensagem tinha chegado. Peguei o aparelho, observando o nome de Oliver na tela.
Ele lia pensamentos?

Como você está?
Fiquei sabendo sobre o que aconteceu nas gravações mais cedo... Quando puder, me liga! Xx, Oliver.

Mas é claro que ele sabia.
Eu amava , mas ela estava me saindo uma bela de uma fofoqueira.
Disquei os números tão conhecidos por mim rapidamente e coloquei o aparelho no ouvido. Ele atendeu no terceiro toque.
- Estou bem - disse, respondendo a pergunta feita na mensagem.
- Aquela mulher é louca, não é possível - disse, o tom de voz de pura indignação.
- Pois é... Mas ela não será mais um problema. Trevor ordenou que ela fosse embora.
- Melhor assim ou ela ia acabar te prejudicando.
- Ou o .
- Ah, verdade. Mas ele conhece a louca que tem em casa, com certeza deve ser fácil de domar.
Ri pela primeira vez no dia. Oliver detestava tanto quanto eu. Ficamos em silêncio por um momento, até que resolvi me manifestar.
- E você? Como está?
Eu sabia bem a que conversa essa pergunta iria levar, mas eu estava cansada de fugir, uma hora eu teria que ceder e ouvi-lo me falar sobre ela.
- Estou com saudades de você.
Meu coração deu um salto ao ouvir aquelas palavras vinda dele. Pena que não possuíam o mesmo significado que o meu coração bobo desejava.
- Também sinto sua falta, Ollie.
- Então porque parece que você está me evitando?
Porque eu estou apaixonada por você idiota!
- Só tenho estado muito ocupada e estressada.
- Você sabe que temos que conversar.
- Eu sei... - suspirei já me preparando para o que estava pra vir. - Sou toda ouvidos.
- Como você já sabe, eu e estamos namorando... - ele começou cauteloso. - Mas eu lembro que tivemos uma discussão por causa dela e, eu só queria dizer que não vou te deixar de lado, afinal, você é minha melhor amiga e você vem sempre em primeiro lugar.
Foi como se ele tivesse cravado uma faca em meu coração. Tudo o que eu não queria era ser só uma melhor amiga pra ele.
- Está tudo bem, Ollie. Sua felicidade é o que importa - murmurei, cansada de toda aquela conversa.
- Sério? Obrigado, . Você não imagina o quanto estou feliz com ela. Acho que estou apaixonado.
Apaixonado.
Aquela palavra ficou repetindo em minha cabeça e um nó se formou em minha garganta, enquanto eu tentava de todas as maneiras não chorar no telefone.
- Fico feliz por você, Ollie - e apesar de tudo, eu ficava mesmo. Meu melhor amigo merecia toda a felicidade do mundo, mesmo que essa felicidade não fosse comigo.
- Obrigado. Olhe, eu tenho que ir, mas prometo que te ligo amanhã.
Concordei e, desliguei após nos despedirmos. Algumas lágrimas teimosas caíram dos meus olhos, mas tratei de enxugá-las. Não iria chorar por causa dele. A vida e o amor tinha me dado mais uma rasteira, mas dessa vez eu iria seguir de cabeça erguida.

Batidas em minha porta chamaram minha atenção e eu levantei da cama, rezando para que não fosse . Abri a porta, me deparando com .
- Oi - ele disse com um sorriso tímido nos lábios.
- Estava indo para o bar do hotel, quando pensei em vir aqui te chamar para me acompanhar... Você sabe, como forma de pagamento pelo que aconteceu mais cedo.
O encarei como se ele tivesse duas cabeças. Eu precisaria no mínimo de uma semana para assimilar os motivos pelos quais ele estava me chamando para acompanhá-lo para algum lugar. Quer dizer, geralmente seria normal para dois colegas de trabalho, mas a situação aqui era bem diferente.
- Então... Topa? - perguntou. Ele parecia ansioso demais para saber a minha resposta, aquilo estava nítido em suas feições e era somente mais um motivo para eu dizer não e mandá-lo pastar. Mas não foi isso que eu fiz.
- Claro, por que não?
Ele abriu um sorriso que quase fez com que me arrependesse de ter aceitado o maldito convite. Pedi para que ele aguardasse um pouco e fechei a porta para que eu vestisse uma roupa melhor do que a que estava usando. Não demorei muito e fiz questão de deixar o celular, pois não queria ficar presa no meu próprio drama em relação ao novo relacionamento de Oliver pelo resto da noite.

O local estava parcialmente vazio quando entramos, mas ainda assim, algumas cabeças se viraram na nossa direção. Ignorei os possíveis comentários que poderiam aparecer por eu estar com e o segui até o balcão. Deixei que fizesse os pedidos e, logo, nossas bebidas foram postas à nossa frente.
- Você ainda lembra que essa é minha bebida favorita? - perguntei surpresa ao reconhecer o gosto adocicado de Pina Colada.
- Não tenho motivo pra esquecer, . Vivemos juntos por tanto tempo que é impossível esquecer algumas coisas.
Naquilo ele tinha razão. Eu ainda lembrava muito bem de diversas coisas sobre ele e olhe que não foi por falta de tentativa de esquecer.
- Bem, o tempo passa, mas algumas coisas não mudam, não é? - beberiquei um pouco da minha bebida, me deliciando com o gosto.
Um silêncio se instalou entre nós, mas não por muito tempo, logo engatou em uma conversa sobre o filme e sobre o que ele esperava das próximas gravações, o que logo se transformou em uma conversa agradável. Quando dei por mim, já estava contando histórias sobre o tempo em que passei na Itália. Não que tivesse muito o que contar, mas ele parecia tão interessado em escutar, que a conversa fluiu naturalmente.
- Sua vida na Itália foi bem agitada - ele observou, quando terminei de contar mais uma história.
- Não muito, na verdade. Eu não tinha amigos lá e, a pessoa mais próxima que eu tinha de amiga, era a produtora de uma das novelas, então ela me forçava a sair de vez em quando, mas, no geral, eu preferia focar no trabalho.
- Isso não me surpreende, você sempre foi assim mesmo antes de ser atriz.
- Acho que você tem razão - concordei. - Mas e você, o que fez nos últimos anos?
- Gravei alguns filmes, fiz participação em algumas séries, mas tudo ficou um pouco parado depois que me casei e a Dulcie nasceu. Já fazia meses que eu não conseguia nenhum papel, quando fiquei sabendo desse filme.
- Mal sabia que esse filme iria te dar tanta dor de cabeça, huh?
- Nem me fala - ele revirou os olhos.
- foi mesmo embora? - perguntei o que estava martelando em minha cabeça desde que ele apareceu na porta do meu quarto.
- Contra a vontade dela, mas foi - ele suspirou. - Não queria ter brigado com ela, mas espero que ela entenda.
Me senti mal ao ouvir aquelas palavras vindo dele. Apesar de não gostar de , não era minha intenção prejudicar o casamento de . De certa forma, não era legal saber que eu era o motivo das brigas constantes do casal, ainda mais por causa de um papel de um filme.
- Me desculpe - murmurei, de repente. desviou o olhar do copo que segurava e me olhou com o cenho franzido em confusão.
- Pelo quê?
- Por causar todo esse problema pra você e ela. Se eu tivesse desistido do filme...
- Ei, ei, ei - ele me interrompeu. - Não fala isso. Você não tem culpa de nada e, sinceramente, eu não consigo ver outra pessoa mais perfeita pra esse papel do que você.
- Mas...
- Sério, . Não se culpe por isso. que deveria saber separar a vida pessoal da profissional. Se alguém tem que pedir desculpas aqui sou eu, não só por tudo o que a fez ultimamente, como também por todo o mal que te causei no passado.
- O passado já está esquecido, - coloquei minha mão por cima da dele, atraindo sua atenção pra mim. - E quanto ao que aconteceu, está tudo perdoado desde que sua mulher não venha mais atrás de mim feito uma louca.
- Ela não será mais um problema, não se preocupe.
- Então está tudo numa boa - sorri e ele retribuiu o gesto. Ficamos nos encarando em silêncio e só então percebi que aquela era a primeira vez em que eu conversava com amigavelmente e sem estar na defensiva o tempo todo. Talvez pudéssemos nos tornar bons amigos, afinal. - Bem... - retirei a mão de cima da dele, antes que o clima ficasse estranho. - Acho que vou voltar para o meu quarto.
- Ah, também vou, já está tarde.
Ele pagou pelas bebida e, logo, estávamos no elevador.
- Obrigada pela bebida e pela conversa.
- Eu que te agradeço pela companhia - ele respondeu. - Devemos fazer isso mais vezes.
- Claro. - As portas do elevador se abriram. Era a minha deixa. - Boa noite, - acenei e saí do elevador, antes que as portas se fechassem novamente.
- Boa noite, .
Foi a última coisa que escutei antes das portas se fecharem.

Entrei no quarto me sentindo estranhamente feliz. O sentimento de rancor que antes sentia por tinha desaparecido e aquilo fazia com que eu me sentisse bem comigo mesma. Talvez eu estivesse louca, mas a possibilidade de me tornar amiga dele não era mais ignorada por mim e eu sabia que aquela aproximação me ajudaria a tornar as coisas mais fáceis no trabalho.

A tarde estava bastante agitada, mas não era nada com que eu já não estivesse acostumada. Os últimos três dias tinham sido intensos nas gravações e eu já tinha ido gravar em tantos lugares diferentes ao redor da cidade que estava me sentindo exausta, porém, descanso era algo que eu não podia me dar o luxo de ter. Não quando Trevor estava por perto pelo menos.
A minha nova amizade com estava de vento em poupa e, apesar da novidade tenha me causado uma longa discussão com Oliver, eu me recusava a evitar essa nova amizade, não quando ele mesmo passava a maior parte do tempo ligando pra nova namorada e só lembrava que tinha amiga quando lhe convinha.
Aquele novo relacionamento ainda me incomodava, mas eu não tentava pensar muito nele e assim evitava de ficar me lamentando pelos cantos. Além de que todo esse afastamento do Oliver estava servindo para que eu canalizasse o sentimento que tinha por ele e ficasse menos frustrada por ser tão azarada quando se trata do amor.
- Terra chamando - dois dedos estalaram em frente aos meus olhos, chamando minha atenção. Olhei para o lado, dando de cara com .
- Desculpa. Você estava dizendo algo?
- É a nossa vez de gravar. Trevor está bem nervoso.
- Estamos esperando o quê então? Vamos gravar - o puxei em direção ao local onde as câmeras estavam prontas nos esperando.
- Vamos logo com isso e não errem por favor - Trevor disse e voltou a se sentar em sua cadeira. - UM, DOIS, TRÊS... GRAVANDO!

A cena começou a se desenrolar e eu estava indo muito bem, assim como . Desde que começamos a nos tratar como bons amigos, nossa performance tinha melhorado muito e, inclusive, já tínhamos recebido vários elogios de Trevor.
Uma movimentação chamou minha atenção e arregalei os olhos quando vi Oliver parar ao lado de sua namorada atrás da cadeira de Trevor, mas, logo tratei de me recompor e ignorar as batidas fortes de meu coração e voltei minha atenção para e as falas que estavam sendo proferidas.
A gravação terminou rapidamente e, após sermos elogiados mais uma vez por Trevor, fomos dispensados. Ao longe pude ver Oliver e conversando em sua própria bolha e decidi que não atrapalharia o casal. Era mais que óbvio que ele tinha atravessado o oceano para ver a namorada e não a melhor amiga estúpida, que tinha sentimentos estúpidos por ele. Então apenas virei as costas e segui meu caminho em direção ao camarim.
- Ei, - parei ao ouvir me chamar. - Você vai fazer alguma coisa hoje?
- Planejo apenas deitar e hibernar até segunda. Por que?
Ele riu e desviou o olhar, parecendo sem jeito.
- É que, desde que estamos nos dando tão bem, pensei em te chamar pra me fazer companhia no jantar hoje.
- Queria muito aceitar, mas hoje não tô afim de sair do hotel.
- Mas eu pretendo jantar no restaurante do hotel mesmo.
- Ah, então eu aceito.
- Certo. Passo no seu quarto às sete, okay?
- Tudo bem. Até mais tarde, então.
Ele assentiu e seguiu caminho para o próprio camarim. Fiz o mesmo, mas antes que pudesse abrir a porta, alguém agarrou o meu braço, me puxando para trás.
- Fugindo de mim, coisinha? - olhei para meu amigo parado a minha frente com um sorriso discreto nos lábios.
- Não estou fugindo de ninguém, Oliver - puxei meu braço bruscamente e abri a porta do camarim. - Só não quis atrapalhar o seu momento com a sua namorada.
Entrei no local e Oliver entrou atrás de mim, fechando a porta ao passar.
- Você está diferente. O que está acontecendo?
- Nada.
- Como assim nada, ? Você está esquisita, anda me evitando e não diga que é mentira, porque eu percebi! - acusou.
- Tem certeza que sou eu que estou distante, Oliver? - olhei para ele puta da vida. - Você que se afastou desde que começou a namorar!
- Você só está dizendo isso porque está com ciúmes.
- EU NÃO ESTOU COM CIÚMES! - ok, talvez eu estivesse, mas aquilo não vinha ao caso. - Quantas vezes você me ligou nos últimos dias, uh? Três vezes e uma foi pra brigar comigo por causa da minha amizade com o , que foi a sua namorada que contou! Se passaram cinco dias desde que a gente veio pra Los Angeles e você já veio atrás dela e não diga que foi pra me ver também porque é mentira.
- ...
- O fato é que você não precisa mais de mim. Enquanto eu estava ali, sendo a amiga com quem você fodia sempre que queria, você estava disponível pra me dar a sua amizade em troca. Mas agora você tem a , pra quê você vai precisar da otária aqui, não é?
Ele arregalou os olhos, a expressão deixava claro que ele não acredita no que estava escutando, mas eu não me importava. Estava farta de ser deixada como segundo plano, então Oliver que se fodesse, eu não iria ficar mendigando a sua presença ou a sua amizade. Eu ainda tenho meu orgulho.
- Você tem noção do quão ridículo isso soou? Sério mesmo que você pensa isso de mim?
- Você que está me dando motivos pra pensar, Oliver. Eu cansei de ficar mendigando a sua amizade e a sua atenção, então pode voltar pra sua namorada e me deixar em paz - me virei de costas, apenas para esconder as lágrimas que já começavam a ser formar nos meus olhos.
- Eu sei que você está dizendo tudo isso da boca pra fora, então eu vou embora. A gente conversa quando você estiver mais calma.
Escutei seus passos pelo camarim e em seguida a porta bater, me deixando saber de sua partida. Não contive mais as lágrimas. Sentei-me na cadeira, chorando copiosamente. Todas aquelas palavras ditas a ele tinha machucado a mim mais do que o imaginável e mesmo que a maioria tenha sim, sido dita da boca pra fora, era horrível imaginar que tudo aquilo pudesse ser verdade. Eu já não aguentava mais chorar e ter meu coração esmagado por homens, mas eu tinha que começar a aprender com meus erros ou eu iria sofrer pro resto da vida.
Quando a crise de choro diminuiu, peguei minha bolsa e saí daquele lugar. Entrei no primeiro táxi que apareceu e dei as coordenadas para o hotel. Esfreguei o rosto, secando o resquícios de lágrimas e peguei o celular para checar as horas. Seis e meia. Em meia hora teria que estar pronta pra ir jantar com , mas depois daquela briga com Oliver, eu só queria ficar trancada no quarto pelo resto da noite.

Entrei no meu quarto as pressas e corri para o banheiro, tirando a roupa no meio do caminho e jogando em um canto qualquer. Tomei um banho rápido e vesti uma roupa simples, já que não sairíamos do hotel. Passei maquiagem para esconder a cara de choro e, assim que terminei de passar perfume na pele, batidas na porta chamaram minha atenção.
- Ei - disse, assim que abri a porta.
- Ei - falou, depois de me analisar por um instante. - Está tudo bem?
- Está - dei um sorriso completamente forçado e ele pareceu perceber.
- Eu te conheço. Se não quiser ir, tudo bem...
- Não é isso - suspirei. - Eu briguei com Oliver e agora perdi a vontade de sair.
- Não precisamos sair então. Podemos pedir o jantar no quarto e comer aqui mesmo, enquanto você me conta o que aconteceu.
- Você não precisa fazer isso por minha causa, eu estou bem.
- Eu insisto - disse. - Se você não quer descer, então eu fico aqui pra te fazer companhia. Não precisa me contar o que aconteceu, se não quiser.
- Tudo bem - suspirei e dei passagem para que ele passasse.
Aquilo era um pouco estranho, ter o ex dentro do meu quarto. Mas bem, éramos amigos e não vamos fazer nada além de conversar. - Vou pedir a nossa janta - disse, já discando o número do restaurante do hotel. Enquanto fazia o pedido, sentou-se na minha cama e ligou a televisão em um canal de filme qualquer. Logo, desliguei o telefone e me juntei a ele.
- O que está passando?
- Velozes e Furiosos.
- Sério que você ainda gosta desse filme?
- Claro que sim! É o melhor filme que já assisti.
Fiz careta, mas não disse mais nada. Gosto era gosto, se ele curtia, fazer o que, né?

Não demorou para que o nosso jantar chegasse e aquele filme asqueroso foi deixado de lado por alguns minutos. Tomei cuidado para que não vissem ao receber o carrinho com as bandejas de comida, pois não queria que rumores mentirosos se espalhassem por aí e acabasse prejudicando um de nós dois ou ambos. Assim que o caminho estava livre, se aproximou e me ajudou a levar as bandejas para cama, onde sentamos frente à frente. Foi impossível não lembrar das milhares de vezes que fizemos isso quando estávamos juntos.
- Sua comida tá com uma cara bem melhor que a minha - comentou de repente.
- Algumas coisas realmente não mudam - respondi, rindo.
- Quê? - perguntou, se fazendo de desentendido.
- Você sempre começava com esse argumento quando queria roubar minha comida.
Ele riu em resposta.
- Em minha defesa, não é minha culpa se você sempre escolhe algo mais apetitoso que eu.
- E como eu costumava dizer: lide com isso. Eu não vou te dar da minha comida.
- Nem um pouquinho? - ele fez cara de cachorrinho que caiu da mudança.
- Você sabe que essa cara não funciona comigo - debochei.
- Droga! - ele murmurou, fazendo-me rir.
O silêncio se instalou entre nós enquanto comíamos. Não foi uma boa opção, porque isso permitiu que meu pensamento voasse para longe, mais especificamente, para meu melhor amigo e a nossa briga de mais cedo. Era horrível pensar que tinha perdido meu melhor amigo por causa de um sentimento não correspondido. Eu sentia vontade de me bater só por ter sido estúpida o suficiente para ter me permitido a ter tais sentimentos por quem não deveria. E a pior parte era que meu telefone não havia tocado nenhuma vez desde a nossa briga, o que só significava que ele estava muito puto comigo ou estava me dando espaço para esfriar a cabeça. Preferia achar que era a segunda opção.

O toque de celular chamou a minha atenção e eu procurei pelo meu, na esperança de que poderia ser Oliver, mas minhas esperanças foram estroçadas ao ver que não era o meu e sim o celular de .
Observei meu ex noivo verificar o celular e deixá-lo de lado, ignorando completamente a ligação. Ergui a sobrancelha, curiosa para saber quem era a pessoa ignorada.
- Era - ele disse ao perceber meu olhar curioso.
- Por que não a atendeu?
- Não estou com paciência para ouvir mais ataque de ciúmes.
Assenti, compreendendo. Era realmente um saco ter um relacionamento com alguém que vive paranoico por causa de ciúmes. Apesar de que, de certa forma, eu entendia o lado dela.
- Relacionamentos são complicados.
- Nem me fala - ele suspirou. - Às vezes fico me perguntando se eu deveria insistir em levar esse casamento adiante.
Meu coração deu um salto. Definitivamente, eu não esperava ouvir aquilo de .
- Acho que se tem amor, tudo vale a pena.
- É mais complicado que isso - ele suspirou.
- Todo relacionamento é complicado.
- Que nem o seu e o de Oliver? - perguntou.
O olhei surpresa.
- Quê?
- Eu percebi o jeito que você olha pra ele. Era o jeito que você olhava pra mim quando estávamos juntos.
- Eu não sou apaixonada por Oliver.
- Não precisa mentir pra mim, . Eu te conheço - desviei o olhar, constrangida demais pra olhar pra ele. - É por isso que você está tão abatida?
- Sinceramente? É sim. Mas não importa mais; Ollie tá namorando a e não me restou mais nada além de ficar feliz por ele.
- Não desistir sem lutar?
- Não tem porque lutar por algo que nunca vai acontecer - dei de ombros. - Não quero mais me machucar.
Ele ficou em silêncio. Ele sabia que eu me referia ao fim do nosso relacionamento e o quanto aquilo me machucou. Decidi que não deixaria que a melancolia e tristeza me afetassem mais naquela noite. Levantei da cama e caminhei até o aparelho de som, o ligando em uma estação de rádio qualquer. Cake by The Ocean do DNCE começou a tocar no mesmo momento.
- O que está fazendo? - ele me olhou de forma curiosa.
- Vem - estiquei a mão para ele. - Música sempre faz com que a gente esqueça dos problemas.
- Você sabe que eu não sei dançar.
- É só me acompanhar. Vem!
Relutantemente, ele pegou minha mão e se levantou, ficando na minha frente. Começamos a balançar nossos corpos de acordo com a música e, logo, dançávamos de forma sincronizada. Aquele momento me lembrou de que quando estávamos juntos, eu sempre forçava a dançar comigo e, por um tempo, ele até que tinha aprendido a dançar de forma menos vergonhosa. Ele tinha perdido o jeito, dava pra perceber, mas também não era nada que fosse impossível de resolver.
Depois de quatro músicas e muitas risadas, sentamos na cama lado a lado.
- Acho que estou fora de forma - inspirei, me sentindo extremamente cansada. - E você desaprendeu a dançar - não perdi a oportunidade de zombar da cara dele.
- Ei! Eu consegui te acompanhar sem nenhum esforço - retrucou.
- Depois das primeiras duas músicas - ri e ele fez um bico emburrado, mas logo ele riu também.
- Realmente não tem algo melhor pra esquecer os problemas do que música.
- Viu? Eu sempre tenho razão.
- Bem... Acho que vou indo; já está tarde.
Olhei o relógio na cabeceira e percebi que já se passava da meia noite.
- Putz, nem percebi o tempo passar.
Ele se levantou e eu o acompanhei até a porta.
- Obrigada por ter passado esse tempo comigo - disse. - Se não fosse por você, eu teria ficado me lamentando a noite toda.
- Não precisa me agradecer. Foi um prazer - ele sorriu. Retribuí o sorriso. - A gente se vê amanhã?
- Claro - confirmei. - Boa noite.
Para minha surpresa, ele se aproximou e depositou um beijo em minha bochecha.
- Boa noite, .
Assim que ele sumiu da minha vista, fechei a porta e caminhei até a minha cama com um sorriso idiota no rosto. Eu me sentia bem com a ideia de me tornar amiga de e, apesar de saber que aquilo podia ser uma furada e que não gostaria nada de saber dessa amizade, eu não ligava. Desde que aquilo funcionasse e me fizesse bem, eu não iria permitir que outras pessoas se metessem na minha vida ou ditasse se eu deveria ou não me tornar amiga do meu ex.
E foi com esse pensamento que eu fui dormir, tranquila e feliz.

Capítulo Oito

O ar daquela manhã de sábado estava bem mais leve do que o normal e eu não soube explicar por que eu me sentia tão de bem com a vida, mesmo que minha vida amorosa estivesse literalmente desmoronando novamente. Evitei tomar café fora do quarto ou fazer qualquer coisa que envolvesse sair do meu casulo só para ter que evitar olhar para Oliver e agindo como um casal feliz; além de que eu ainda estava chateada pelo acontecido da noite anterior e pelo fato de que ele sequer tinha enviado uma mensagem para mim, o que só podia significar que ele não tinha o menor interesse em fazer as pazes. Aquilo só fazia com que eu me odiasse ainda mais por ter cultivado sentimentos que não devia, pois agora eu estava aqui trancada me martirizando, ao contrário dele que deveria estar muito feliz com a sua nova namorada. Eu também me odiava por me sentir tão dependente dele. Só agora eu percebi que sem Oliver, eu não sabia o que fazer para me distrair. Nos últimos anos eu sempre dependi dele para me divertir, era ele que sempre me animava mesmo estando longe; agora nem isso eu tinha e era um saco.
Já perto da hora do almoço, decidi que não ficaria mais me escondendo feito uma adolescente insegura enquanto ele não tinha a menor preocupação comigo. Tomei um banho e vesti a melhor roupa que eu tinha nas gavetas do closet: uma saia curta azul com umas pontinhas brancas, uma blusa de manga com botões branca e sapatos alto azul. Olhei para o meu reflexo produzido no espelho e sorri, aprovando o que via. Eu não iria superar Oliver trancada no quarto e pensando nele o tempo todo.
Depois de sair e trancar a porta do quarto, caminhei até o elevador e pressionei o botão para que o elevador descesse até o meu andar. Alguns segundos depois as portas se abriram, revelando ali dentro. Ele falava no telefone com alguém, então apenas entrei e o cumprimentei silenciosamente.
- Eu não vou mais discutir isso com você - ele falou para a pessoa no telefone e ficou em silêncio por longos segundos enquanto a outra pessoa falava. Pelo tom de voz que saía do celular, pude deduzir que ele estava falando com . - , agora estou ocupado, mais tarde a gente se fala, okay? - disse com a voz visivelmente cansada. Como é que ela não percebia o quanto ele odiava aquele tipo de comportamento?
A porta do elevador se abriu e eu saí, sem esperar para ver como aquela conversa ia acabar. Não queria que parecesse como se eu tivesse espionando a vida pessoal dele.
- Ei - parei de andar ao ouvi-lo me chamar e esperei que ele me alcançasse.
- Ei - sorri para ele. - Problemas no paraíso?
- Nada muito fora do comum - ele deu de ombros. - Você está indo almoçar?
- Estou. Só espero não me perder.
- Posso te fazer companhia?
- Claro - ele sorriu e se virou em direção a porta.
- Damas primeiro - apontou. Sorri em agradecimento e andei, sendo acompanhada por ele. - Eu conheço um restaurante muito bom perto daqui. É o meu favorito.
De repente, me lembrei de algo que estava guardado bem no fundo de minha memória.
- É aquele que você prometeu me levar, caso um dia viéssemos a Los Angeles?
- É esse mesmo! - ele me olhou surpreso. - Parece que vou poder cumprir minha promessa no final das contas.
Sorri animada. Quando estávamos juntos, sempre me falava desse restaurante então eu sempre quis vir e ver com os meus próprios olhos como o local era, além de provar a comida e ver se era realmente boa. E agora, finalmente, eu poderia conhecer o local e eu não poderia estar mais ansiosa por isso.
- Você está bem? - ele perguntou, de repente.
- Estou sim, não precisa se preocupar.
- Eu sempre vou me preocupar com você. Mesmo sabendo que você sabe se cuidar muito bem sozinha.
Eu já não tinha tanta certeza de que sabia cuidar de mim mesma.
- Eu aprecio a sua preocupação, mas eu estou bem.
- Tem certeza?
- Sim. Não vou ficar sofrendo por alguém nos cantos do quarto, eu sou melhor que isso.
- Sim, você é - ele disse e eu sorri. - Oliver que está perdendo uma garota incrível, assim como eu também perdi porque não soube dar valor.
Olhei para ele completamente surpresa com aquela resposta.
- ... - alertei.
- É apenas a verdade, - ele deu de ombros. - Se eu tivesse te dado o devido valor, talvez estivéssemos juntos até hoje.
Olhei para o chão, sem saber o que dizer ou fazer. Não é todo dia que se escuta o ex dizer que sente muito por não ter dado o devido valor ao relacionamento. Felizmente, eu não tive que dizer nada, pois chegamos ao restaurante e os minutos que se seguiram foram preenchidos por tentando nos conseguir um lugar reservado, onde não pudéssemos ser importunados por paparazzi. A última coisa que eu precisava no momento é ser notícia em algum site de fofoca especulando uma possível recaída ou qualquer coisa do tipo que a mídia adora inventar.
Logo fomos guiados para uma mesa no canto mais afastado do restaurante. puxou a cadeira para que eu sentasse antes do mesmo arrodear a mesa e sentar no lugar vago à minha frente. O garçom apareceu em seguida e nos entregou o menu. Dei uma boa olhada no cardápio, deparando-me com vários pratos que me pareciam ser deliciosos.
- Acho que vou ficar com o spaghetti com meatballs - apesar de ser algo que eu comia com frequência quando estava na Itália, eu me lembro de falar que era a especialidade daquele restaurante e óbvio que eu queria tirar a prova.
- Vou querer o mesmo - disse. Um sorriso misterioso brotou em seus lábios, me deixando curiosa pra saber o que ele estava pensando.
- E para beber? - o garçom perguntou.
- Traga-me o seu melhor vinho branco - respondeu ele. O garçom assentiu e se retirou, dizendo que o pedido seria trazido dentro de alguns minutos.
Olhei ao redor, analisando o local com cuidado. Parecia ser um restaurante chique, mas também tinha um toque de modéstia. tinha mesmo razão quando dizia que aquele lugar era aconchegante.
- Gostou? - perguntou ele, tomando minha atenção para si.
- Até agora estou curtindo bastante - disse. - Estou ansiosa para saber se a comida é mesmo maravilhosa como você disse.
- Estou surpreso que você lembra de tanta coisa que eu falei.
- Eu não tenho motivo pra esquecer, - repeti a frase que ele tinha me dito alguns dias atrás. - Só porque não somos mais um casal, não significa que eu tenha que esquecer os momentos bons que passamos juntos.
- Você tem razão - ele assentiu, concordando. - É só que... Eu achei que você tivesse apagado toda a nossa história de dentro de você.
- Eu tentei - fui sincera. - Mas no fim eu percebi que não tinha sentido tentar apagar algo que fez parte da minha vida por tanto tempo e que foi bom enquanto durou.
- Entendo - ele sorriu tristemente.
- A vida é uma coisa louca, não? - disse mais para mim mesma do que pra ele. - Até alguns dias atrás, te ter de volta na minha vida, ou ao menos a ideia de conversar normalmente com você como amigos sequer passava pela minha cabeça. Olha só pra nós dois agora, sentados à mesa em um restaurante conversando civilizadamente e, ainda por cima, parceiros de filme.
- Realmente... - concordou. - Eu costumo acreditar que tudo na vida acontece por um motivo. Então, se a vida fez com que a gente se encontrasse novamente, talvez, era porque ela queria que a gente se acertasse.
- E nos tornássemos amigos - completei.
- Isso.
- O que acha que achará disso? - questionei. Ele abriu a boca pra responder, mas foi interrompido pelo garçom que voltou com as nossas comidas. - Obrigada - agradeci e o garçom se retirou novamente.
- Ela não vai gostar - ele respondeu alguns minutos depois. - Mas ela vai ter que lidar com isso.
- Isso não vai te causar problemas?
- Alguns, mas eu não vou deixar de ser seu amigo por causa dos ciúmes de minha esposa.
Tentei imaginar um cenário onde descobria da minha amizade com . Na minha mente aquilo provavelmente acabaria com ela na minha porta, me xingando de todos os nomes possíveis. Procurei deixar aquele pensamento de lado e foquei na comida a minha frente, que estava realmente uma delícia.
Certa movimentação na porta chamou a minha atenção e eu olhei para o local, apenas para me arrepender no momento seguinte. Oliver e entravam no restaurante de mãos dadas como um casal prodígio de Hollywood. Porra, aquilo era perseguição? Virei o rosto, na intenção de impedir que eles vissem que eu estava ali e me deparei com , também observando os recém-chegados.
- Isso só pode ser perseguição - retruquei.
- Se você quiser, podemos ir embora.
- Não! - respondi rápido. - Não vou embora só porque Oliver está aqui. Eu posso lidar com isso - eu tinha que lidar com aquilo, estava cansada de fazer drama com tudo. assentiu, mas não disse nada. Fiquei aliviada em saber de que pelo menos ele eu conseguia convencer, quando eu mesma não tinha certeza de nada.
O restante o almoço foi silencioso e eu sequer pensei em virar o rosto para o lado, só para não ser reconhecida ou vista por um dos dois. Porém, quando a refeição estava no fim e eu percebi que teria que atravessar aquele salão para sair do restaurante e, com isso, provavelmente seria vista, o nervosismo se apossou do meu corpo e eu entrei em pânico.
- Por que está com tanto medo de que ele te veja? - perguntou, percebendo meu aparente nervosismo. - É por minha causa?
- Não! - respondi automaticamente. A última coisa que eu pensava era qual seria a opinião de Oliver quando me visse almoçando com . - Acho que menti pra mim mesma quando disse que podia lidar com isso...
- Você acha? - ele riu ironicamente.
- A última coisa que eu preciso agora é que você me julgue - retruquei.
- Desculpe, mas é que eu não entendo. Você gosta dele, mas não quer lutar pra ficar ao lado dele e agora está agindo assim, se escondendo. Isso não é algo que combina com você.
- E não combina mesmo - concordei. - É só que... Não sei como agir depois do que aconteceu, depois da briga.
- Seja você mesma - disse ele, atraindo meu olhar. - Você não tem que mudar as suas atitudes por causa de ninguém, . Não é sua culpa se você nutriu sentimentos por ele e, se você realmente quer que isso vá embora, se você não quer mesmo lutar pra ficar com ele, então se afaste, mas não fique se escondendo quando ele aparecer, enfrente isso de cabeça erguida, como a mulher corajosa e brava que eu sei que você é - ele segurou minha mão por cima da mesa, a apertando levemente. Sorri para ele agradecida.
tinha razão. Eu tinha que enfrentar aquilo de cabeça erguida. Se eu não podia ter Oliver como algo a mais que amigo, então eu me contentaria com a sua amizade, mas primeiramente eu precisava ter um tempo pra mim mesma. Eu precisava manter Oliver afastado de mim e dos meus pensamentos e eu já sabia exatamente o que iria fazer pra conseguir.
- Vamos pedir a conta e vamos dar o fora daqui - falei decidida.
sorriu, entendendo a mensagem e soltou minha mão para que pudesse chamar o garçom e pedir a conta.
Não deixei que ele pagasse a conta por completo e, como era de costume quando éramos noivos, paguei metade e deixei que ele pagasse o restante.
- Podemos ir? - ele parou em minha frente e esticou a mão para que eu a pegasse. Aceitei sua mão e me impulsionei para levantar, me sentindo confiante pela primeira vez desde que Oliver entrou naquele restaurante. entrelaçou meu braço no dele e me guiou para fora do restaurante com um sorriso no rosto. - Continue caminhando de cabeça erguida, não olhe para os lados - ele murmurou entre dentes, antes de cumprimentar a mulher que nos tinha recebido com um aceno de cabeça. Assenti para ele e mirei no caminho à minha frente.
Quando atingimos o lado de fora do restaurante, soltei o ar fortemente e só então percebi que estive prendendo a respiração esse tempo todo. Continuamos caminhando lado a lado e eu pude refletir sobre o que tinha acabado de acontecer e no quanto era incrível que justo , a pessoa que mais me magoou no passado, era a pessoa que hoje estava me ajudando. Se alguém me contasse que isso iria acontecer, eu definitivamente não acreditaria.
- Obrigada - disse, chamando a sua atenção para mim.
- Pelo quê?
- Por ter me ajudado lá no restaurante.
- Não precisa me agradecer por isso - ele sorriu e parou à minha frente, me fazendo parar também. - Eu me preocupo com você e só quero que você seja feliz.
- Eu não mereço que você me trate bem desse jeito quando a única coisa que eu fiz foi te tratar mal desde o início das gravações.
- Eu mereci aquilo - respondeu. - E, além do mais, estamos nos dando bem agora e é isso que importa.
Sorrimos um pro outro. Realmente o passado não importava mais agora. Ele ficou no lugar que pertence: no passado; não vale mais a pena ficar remoendo coisas por causa dele.
- Quais são os planos para o primeiro fim de semana longe de casa? - voltamos a caminhar.
- Vejamos... Ficar no quarto, comer, ensaiar, dormir e repetir tudo de novo - rimos. - E os seus?
- Basicamente o mesmo.
- Podemos ensaiar juntos - ele deu a ideia.
- Ia ser ótimo! - concordei. Pelo menos eu não ficaria sozinha 100% do tempo.
- Ensaiar com você vai ser melhor do que ensaiar com a parede ou o espelho.
- Posso te dizer o mesmo.
Entramos no hotel e caminhamos diretamente para o elevador.
- Começamos daqui a uma hora? - perguntou ele quando entramos no cubículo.
- Claro - apertei o botão do meu andar. As portas se fecharam e o elevador começou a subir.
- No meu quarto ou no seu?
- No seu, se você não se importar.
- Não me importo - respondeu. As portas se abriram no meu andar e eu saí do mesmo.
- Te vejo daqui a pouco - acenei para ele e as portas voltaram a se fechar.
Caminhei até o meu quarto e entrei no mesmo, fechando a porta ao passar. Aquele dia em particular estava mais quente que o normal e eu senti necessidade de tomar o meu segundo banho do dia. Retirei a roupa que vestia, colocando-as no cesto do banheiro, entrei no box e liguei o chuveiro, permitindo que a água parcialmente morna caísse sobre meu corpo. Enquanto me ensaboava, pensei no que teria que ensaiar para as próximas cenas. Eu já tinha dado uma rápida olhada no script e sabia que a maioria das minhas cenas a partir de agora envolvia meu personagem e o de se pegando pelos cantos, escondidos da mulher e melhor amiga de ambos. As gravações do filme já estavam praticamente na metade, o que particularmente estava fazendo de Trevor um homem muito, muito feliz e talvez seja por esse mesmo motivo que ele não vinha pegando tanto no nosso pé. Esperava que continuasse daquela forma.
Desliguei o chuveiro e puxei a toalha, enxugando meu corpo antes de passar o pano ao redor do mesmo e caminhar para fora do banheiro. Já dentro do closet, escolhi uma lingerie vermelha e uma roupa mais simples já que não sairia do hotel; nos pés calcei uma sandália rasteira. Não passei maquiagem, pois não achei que fosse necessário. Andei até minha mesinha, em busca do script e, assim que o encontrei, caminhei para a saída do quarto. Abri a porta e, para minha surpresa, dei de cara com Oliver com a mão levantada, o que indicava que ele estava prestes a bater na porta quando eu a abri.
O olhei sem reação. Não esperava que ele batesse na minha porta tão cedo, ainda mais depois da nossa briga.
- Oi - ele disse, me olhando com uma expressão séria. Ignorei as batidas rápidas de meu coração e me obriguei a tirar a cara de tacho e falar algo.
- O que está fazendo aqui? - foi tudo que eu consegui falar.
- Eu preciso falar com você.
- Eu estou de saída.
- Não vai levar muito tempo. Cinco minutos é tudo que preciso.
Suspirei. Talvez aquela fosse a minha oportunidade de tomar a atitude que eu sabia que afastaria Oliver o suficiente para me dar o espaço que preciso.
- Tudo bem. Entre... - dei espaço para que ele passasse e fechei a porta assim que ele entrou.
- Eu não consigo parar de pensar na nossa briga.
- Oliver...
- A gente nunca brigou dessa forma - ele disse e sua expressão se contorceu. - Eu preciso saber se você realmente pensa tudo aquilo de mim ou se você apenas falou aquilo da boca pra fora.
Desviei o olhar do dele. Eu não aguentava ver que ele estava mal assim por causa do que eu disse. Pelo menos, ele não parecia nada mal no restaurante com .
- Oliver... - olhei para ele. Eu precisava que ele compreendesse bem o que eu queria dizer. - Não tá dando pra lidar com minha vida pessoal e a do meu trabalho. Está tudo tão confuso e eu vou acabar misturando coisas que não devo.
- O que você tá querendo dizer?
- Que eu preciso de um tempo - ele arregalou os olhos como se não acreditasse no que eu tinha dito. - Toda essa briga serviu para me mostrar que eu preciso de um tempo pra mim mesma. Não me entenda mal, eu não estou pedindo pra ir embora... Você pode ficar, curtir sua namorada, fazer o que quiser, eu só... Quero que você me dê um pouco de espaço para organizar minhas ideias, clarear a mente, entender as coisas que eu sinto, entende?
- Não. Eu não entendo - ele falou, a expressão contorcida de forma que não consegui identificar o que ele estava sentindo. - Eu sei que brigamos feio ontem, mas isso não é motivo pra que você me peça pra me afastar de você, ! Eu preciso saber o que realmente está acontecendo. Você está estranha e agora está toda amiga do - ele falou o nome de com um nojo explícito. - Isso é por causa dele? Você e ele estão...
- Não ouse completar essa frase - alertei.
- Se não é isso... - ele se aproximou e segurou meus ombros. - Me diga por que você me quer longe, eu preciso saber, preciso que você me diga - fechei os olhos com força; aquilo era muito doloroso. - VAMOS, ME DIGA ! - ele gritou.
- PORQUE ESTOU APAIXONADA POR VOCÊ, MERDA! - gritei de volta, não aguentando mais toda aquela pressão. Oliver arregalou os olhos, me soltou e deu um passo pra trás como se eu tivesse lhe dado um choque.
- C-Como?
Passei a mão no cabelo e suspirei, percebendo o que tinha feito. Agora não tinha mais volta.
- Eu estou apaixonada por você - repeti, olhando nos olhos dele. - Entende agora por que eu quero me afastar?
- Não, isso não é possível - ele balançou a cabeça em negação e começou a andar pelo quarto. Ele sempre fazia isso quando estava nervoso.
- É possível.
- ... E-Eu pensei que... A g-gente conversou...
- Eu sei e me desculpe, aconteceu... - meus olhos encheram de água e eu tinha certeza que dessa vez não iria dar pra segurar o choro. - Eu não planejei me apaixonar por você, mas aconteceu.
- Há quanto tempo? - ele me olhou. Pela expressão dele, eu poderia dizer claramente que ele estava tão perdido quando eu.
- Alguns dias...
- Deus, como eu não desconfiei disso antes? - ele falou baixo, mas eu escutei.
- Porque homens nunca percebem esse tipo de coisa - falei como se fosse óbvio.
- Você devia ter me contado - ele acusou.
- Eu não queria destruir a nossa amizade - me aproximei dele e tentei segurar sua mão, mas ele recuou. - Oliver... Eu não quero perder a sua amizade. É por isso que eu te pedi um tempo, pra reorganizar minha cabeça e cortar esse sentimento pela raiz.
Ele não respondeu. Oliver voltou a andar pelo quarto com as mãos na cabeça, enquanto murmurava coisas que eu não consegui compreender.
- Oliver, olha pra mim - pedi, mas ele me ignorou completamente. - Por favor, diz alguma coisa... - Eu já não tentava mais conter as lágrimas e elas escorriam livremente pelo meu rosto.
- Eu... Eu não sei o que pensar - ele disse visivelmente perturbado. - Você não devia ter se apaixonado por mim.
- Eu sei... - respondi, em um fio de voz.
- Eu... Eu vou dar o espaço que você precisa - ele disse já se encaminhando para a porta.
- Oliver...
- Por favor, não diz mais nada - ele segurava a porta aberta e sequer me olhou ao responder. - Não tem mais nada pra ser dito - e com isso, saiu de vez do quarto, batendo a porta ao passar.
Sentei-me na cama já não tendo mais forças para ficar em pé. Meu coração doía e, mesmo que esse fosse um sentimento já familiarizado por mim, a dor parecia ser duas vezes pior dessa vez. O medo de perder meu amigo veio à tona e agora eu realmente não sabia mais o que fazer. Eu sequer lembrava o que ia fazer antes de Oliver chegar e tudo desmoronar. Tudo que eu pensava e queria era fazer com que essa dor parasse e, no momento, só tinha uma forma disso acontecer.

- Eu quero a bebida mais forte que você tiver aqui - pedi à bartender. Eu não me dei ao trabalho de limpar a cara de choro e mostrar a todos que eu estava acabada. Foda-se o que todos pensam, eu não ligava pra nada além da minha dor. Um copo de bebida foi posta à minha frente e eu virei tudo de uma vez, apenas para pedir por mais. Perdi a conta depois do quinto shot. Eu era bem fraca para bebidas, então meu nível de embriaguez estava praticamente explodindo. - Homens são muito babacas - falei para a mulher à minha frente, que enchia o meu copo pela milésima vez. - Eles nunca percebem quando uma mulher está apaixonada por eles.
- Sabia que isso tinha a ver com homem - ela murmurou pra si mesma, mas eu ouvi.
- Que foi? Vai dizer que você nunca sofreu por amor? - perguntei meio embolada.
- Já, senhorita, .
- Expera... Como voxê xabe meu nome?
Ela riu, provavelmente achando graça no fato de eu estar pronunciando a maioria das palavras errado.
- É impossível não saber. Todo mundo aqui sabe quem você é.
- Ahhhhh... Exqueci que xou famoxa - bati a mão na testa e gargalhei da minha idiotice. - Maix - apontei para o copo vazio.
- Senhorita... Acho que já bebeu demais por hoje.
- Olha... - comecei a falar, pronta pra dizer umas boas verdades a ela, mas fui interrompida por uma voz conhecida.
- ? - virei, me deparando com .
- - exclamei mais feliz que o normal.
- Você está bêbada? - perguntou, parecendo não acreditar no que estava vendo.
- Não - balancei a cabeça. - Tá bom. Talvez só um pouquinho - gargalhei.
Ele não respondeu. Tirou um dinheiro do bolso e entregou para a bartender.
- Vem... Chega de beber por hoje - ele colocou meu braço ao redor de seu pescoço e segurou minha cintura.
- Voxê é muitxo chato - reclamei, mas fui com ele. De repente, a vontade de chorar voltou e explodi em lágrimas.
não disse uma palavra até o meu quarto, só continuou me arrastando, até que eu estivesse debaixo do chuveiro e a água fria me molhasse por completo. Ele segurou meu cabelo quando o vômito veio e eu tive que correr pra privada e acabei molhando o banheiro todo.
- Eu vou te deixar tomar banho - ele disse e saiu.
Tomei o banho frio e conforme um pouco da minha sobriedade voltava, mais estúpida eu me sentia. A dor no meu peito ainda estava lá, nada tinha mudado, eu não tinha esquecido Oliver e, de brinde, tinha perdido a sua amizade. Enxuguei meu corpo e vesti uma lingerie limpa que eu tinha deixado ali mais cedo. Como não tinha nenhuma roupa por ali, me contentei em vestir um roupão seco. me esperava no quarto. Assim que ouvi movimentação na porta do banheiro, ele levantou os olhos e me encarou preocupado.
- Você está bem?
- Não - balancei a cabeça. Eu sentia vontade de chorar, mas acho que já tinha esgotado minha cota de lágrimas. - Ele sabe.
Eu não precisei dizer mais nada para que ele soubesse de quem eu estava falando.
- Senta aqui - ele apontou para o espaço vazio ao seu lado. - Conte-me o que aconteceu.
- Ele veio aqui, a gente conversou, eu pedi um tempo e ele me pressionou para saber o real motivo e... Eu não aguentei. - olhei para , me sentindo a pior pessoa do mundo. - Acho que o perdi, . Nem a amizade dele eu vou ter mais.
- Shhh... Não diga isso. Não tem como você saber.
- Tem sim. Ele sequer olhou na minha cara. Eu já sabia que ele não sentia nada por mim, mas a reação dele doeu muito mais.
- Então ele que está perdendo - ele disse com convicção. - Tenho certeza que ele vai perceber que foi babaca e vai vir correndo atrás de você - ele me abraçou e automaticamente eu me senti mais calma. - Vai dar tudo certo, .
- Obrigada, . - afastei-me, apenas para olhá-lo. - Você é sempre tão maravilhoso comigo.
- Você não tem que me agradecer por nada, - ele afastou meu cabelo molhado e acariciou minha bochecha com o polegar devagar. - Eu vou sempre estar aqui pra você.
Encarei seus olhos azuis e vi completa sinceridade em tudo o que ele dizia. Nesse momento eu me perguntei por que tudo deu errado entre a gente. Aquele ali que eu via era o por quem me apaixonei, o que roubou meu coração. Segurei a mão que estava em meu rosto e fechei os olhos, apreciando o carinho. No segundo seguinte, tudo o que eu pude sentir era o toque dos lábios dele junto aos meus. Ao contrário do que achei que fosse sentir, ou de como eu reagiria em uma situação dessas, tudo o que senti foi calmaria e a minha reação foi a de retribuir aquele beijo sincero. A familiaridade que sempre me atingia quando ele me beijava no set, fez o mesmo efeito, mas tinha um toque diferente e era isso que me adormecia. Talvez eu ainda estivesse um pouco embriagada ou talvez toda essa situação tivesse me deixado carente e sem juízo. Não importava. Naquele momento eu estava pouco me lixando para as consequências dos meus atos ou para o fato de que ele era casado e meu ex.
Nos separamos e nos encaramos, ainda presos no momento e no que tinha acabado de acontecer.
- ... - começou a falar, mas não deixei que ele terminasse.
- Shhh... - depositei os dedos em seus lábios, o calando. - Não fala nada, por favor.
E, antes mesmo que ele falasse algo que fizesse com que eu me arrependesse, enterrei minhas mãos em seus cabelos e o puxei para mais um beijo. hesitou por breves momentos, mas logo se deixou levar e segurou minha cintura com firmeza, enquanto o beijo era aprofundado. Ele ajeitou sua posição na cama e seus dedos escorregaram de minha cintura para o nó de meu roupão, que foi desfeito com gentileza e ele pode tocar minha cintura agora sem o pano atrapalhar. Uma vozinha em minha cabeça insistia em perguntar se o que estava acontecendo era certo ou errado, mas afastei qualquer questionamento de minha mente e me deixei levar. Naquele momento, a dor e Oliver estavam esquecidos e era isso que importava.
Meu corpo foi repousado na cama e ficou por cima de mim, já sem camisa. Tentei não pensar muito no momento em e ele tirou a peça sem que eu percebesse e foquei nos seus beijos em meu pescoço e no prazer que aquilo estava me proporcionando. Com as unhas, arranhei aquele abdômen definido e estranhamente conhecido por mim e sorri ao vê-lo se encolher ao meu toque. Minhas mãos atrevidas desceram até o botão da calça que ele vestia e tratei de desabotoá-lo, mas não antes de sentir um pouco de seu membro parcialmente duro. gemeu ao sentir meu toque e aquilo apenas o instigou para que ele tirasse o meu sutiã e sugasse meus mamilos lentamente, um por um. Em resposta, cravei a mão livre em suas costas enquanto a outra tinha o trabalho de descer a calça dele com a ajuda dos meus pés. Quando a peça já estava em seus tornozelos, mesmo se desfez da peça, chutando-as para longe. Voltamos a nos beijar, as nossas mãos uma percorrendo o corpo um do outro, ambos entregues a um prazer que estava por vir. Logo, as últimas peças que restaram foram tiradas e se posicionou entre minhas pernas abertas, pronto para me invadir.
- Camisinha - lembrei e me estiquei para pegar uma dentro da gaveta.
Ele se preveniu e voltou a se posicionar entre minhas pernas. Seus olhos procuraram os meus e então ele me preencheu. Fechei os olhos e soltei um gemido arrastado. Não dava pra descrever aquela sensação. Era prazer, mas era diferente, não continha amor, era apenas... Prazer. passou a investir, o membro dele entrando e saindo em um gostoso vai e vem. Vez ou outra ele gemia o meu nome e beijava o meu lábio ou alguma parte do meu corpo, enquanto eu descontava toda a tensão em suas costas e braços. Tive que me controlar para não arranhá-lo com força demais, mas estava difícil.
Não demorou muito para que o prazer me atingisse, e eu gozasse com um gemido pleno e arrastado. gozou logo depois de mim e se jogou ao meu lado com a respiração pesada. Olhei para ele completamente extasiada e sorri para ele, antes de fechar os olhos e apagar completamente.

Abri os olhos em um susto e me sentei na cama, olhando para os lados. Suspirei aliviada quando percebi que estava em meu quarto, apesar de não lembrar muito bem como sequer tinha chegado lá. Lembrava-me perfeitamente da discussão com Oliver e o que minha boca grande tinha me custado. Lembro também de ter ido ao bar encher a cara. Depois disso, minha mente estava completamente vazia e... Oh, não!
Arregalei aos olhos, quando um flash de memória se fez vívida em minha mente. Olhei para baixo, apenas para constatar o óbvio: eu estava completamente sem roupa, apenas com um lençol fino cobrindo meu corpo.
Não, não, não, não, não.
Olhei para o lado rapidamente, encontrando a cama vazia para o meu alívio.
Que merda eu tinha feito?
As imagens dos momentos passados com agora estavam vívidos em minha mente e eu não acreditava que tinha deixado aquilo acontecer. Eu não acreditava que ele tinha deixado aquilo acontecer. Porra! Eu não estava tão sóbria, mas ele estava.
Bela maneira de esquecer que está apaixonada pelo amigo: dormindo com o ex, que ainda por cima é casado! Nossa, parabéns ; dessa vez você se superou.
Levantei da cama, pensando nas várias maneiras no qual eu poderia lidar com aquilo. Não adiantava surtar e chorar pelo leite derramado; eu precisaria enfrentar aquilo como a adulta que eu era. O relógio marcava quase oito da noite e minha barriga roncando, denunciava que era hora de jantar. Resolvi então que resolveria aquilo depois que minha fome estivesse saciada. Liguei para o serviço do hotel e pedi que meu jantar fosse trazido para o quarto. Enquanto esperava, tomei uma ducha rápida e vesti uma roupa confortável. Ainda dei uma olhada no script, coisa que deveria ter feito durante a tarde, mas tive que parar assim que bateram na minha porta, anunciando que o jantar tinha chegado.
Comi o mais lentamente que consegui. Ainda estava tentando digerir o ocorrido e acabei me surpreendendo comigo mesma por não estar fazendo um grande drama em cima do acontecido. Quer dizer, tudo aquilo tinha mesmo feito com que minha mente parasse de pensar em Oliver e aquilo certamente amenizava o tamanho do espetáculo que eu faria normalmente. Mas não era só isso. Depois dos diversos conselhos que o próprio tinha me dado, eu tinha mudado minha visão em relação a muita coisa, incluindo a minha maneira de lidar com situações como essa. Seria embaraçoso? Seria. Mas não há nada que não se possa resolver com uma boa conversa.
E foi com esse mesmo pensamento que eu saí do meu quarto e marchei em direção ao de , dois andares acima. Bati na porta duas vezes e, logo, ela foi aberta por um sem camisa e com o cabelo levemente bagunçado. Ele arregalou os olhos, claramente surpreso em me ver ali aquela hora da noite.
- ... Não achei que fosse te ver tão cedo - ele coçou a nuca, aparentemente envergonhado, ou tímido, sei lá.
- Precisamos conversar e isso não dá pra adiar.
- Ahn... - ele coçou a garganta antes de continuar. - Claro, entre.
Entrei no quarto de hotel e ele fechou a porta. Vire-me para ele, que me encarava com uma expressão assustada.
- Olha, eu... - falamos ao mesmo tempo. Soltei uma risadinha, me divertindo com a situação.
- Você primeiro - ele disse, apontando pra mim.
- Não, comece - retruquei. Estava curiosa pra saber qual era a explicação dele.
pigarreou antes de começar a falar.
- Eu sei que vai parecer que me aproveitei de você e do seu estado, mas não foi isso que aconteceu. Você estava parcialmente sóbria, estávamos conversando e eu fiquei envolvido pelo momento e uma coisa levou a outra... - suspirou. - De qualquer forma, eu peço desculpas. Sei que foi errado, não só com você, mas com e eu assumo toda a culpa em relação a isso.
O encarei totalmente surpresa. Por aquela eu não esperava.
- Você não tem que assumir a culpa sozinho - foi a minha vez de falar. - O que aconteceu foi culpa dos dois... Eu também me deixei levar, eu deixei que acontecesse. Você tem sido tão gentil comigo e eu estava tão mal por causa do Oliver, que acabei te usando pra tentar esquecer meus sentimentos e minha dor. Então, se alguém aqui tem que pedir desculpas, sou eu - falei, sincera.
- Um perdoa o outro então - ele disse, sorrindo minimamente. - Não vamos deixar que isso afete o relacionamento que estávamos construindo.
- De maneira alguma - sorri verdadeiramente e ele me puxou para um abraço. Nunca me senti tão bem por resolver algo de maneira civilizada.
O telefone de tocou e ele se afastou para pegar o aparelho em cima da cama. Ele olhou para mim e pediu silenciosamente para que eu me mantivesse calada, antes de atender a chamada.
- Oi, - ele posicionou o celular em frente ao rosto. Era uma chamada de vídeo.
- Amor. Estou com saudade - escutei a voz irritante dela preencher o quarto. - E a nossa filha também. Ela não para de chamar seu nome.
Eu sei que deveria me sentir mal por ter colocado um par de chifres nela comigo, mas tudo o que eu sentia era satisfação. Pena que ela nunca iria descobrir.
- Onde ela está? Eu quero vê-la - ele pediu. Houve uns segundos de silêncio e então a voz de uma criança preencheu o quarto.
- Papai! Estou com saudade.
O sorriso de se iluminou de uma forma que eu nunca tinha visto antes.
- Meu amor! Papai também está morrendo se saudade.
- Volta pra casa - a vozinha fofa pediu.
- Em breve, meu anjo. Só mais alguns dias e logo estarei com você novamente.
- Te amo, papai.
Se eu achava que o sorriso de não podia aumentar, eu estava enganada. Foi impossível não sorrir também ao ver aquele sorriso tão lindo e cheio de vida no rosto dele.
- Eu também te amo, filha.
- E a mamãe também ama o papai - falou, voltando a atenção para si. - Eu deveria estar aí com você, .
- Já conversamos sobre isso, .
- Eu não consigo parar de pensar que você tá o tempo todo perto daquela...
- Não começa, por favor. Se tem alguém culpado por você não estar aqui, é você mesma.
- Não me venha com essa. Eu sei que você tá adorando ficar aí sozinho com a puta da . Você acha que eu sou idiota? Eu vi a foto de vocês dois saindo de um restaurante.
Revirei os olhos e controlei a vontade de aparecer na frente daquela tela e joga a merda toda no ventilador. Quem achava que era pra me chamar de puta?
Do outro lado do quarto, suspirou de forma impaciente.
- Eu e somos colegas de trabalho. Temos que nos dar bem.
- Eu não quero você saindo com ela.
- Você é minha mulher, não minha dona. Eu faço o que bem entender e saio com que eu quiser.
- Fode com ela se quiser também, né? - falou, irônica. - Você colocou um par de chifres nela. Quem garante que não vai fazer o mesmo comigo?
- Cala a boca, pelo amor de Deus - pediu entredentes. - Tchau, .
- , não ouse... - e ficou mudo. encerrou a ligação e jogou o telefone na cama, logo depois de desligar o aparelho.
- Me desculpe por te fazer ouvir isso - falou. sentou na cama e apoiou os cotovelos no joelho, afundando o rosto entre as mãos. Eu me sentia mal por ele, pois ele não merecia passar por aquilo. Ele estava ali, apenas fazendo o trabalho dele e ao invés de apoiá-lo, sempre estava com crises de ciúmes e tentando manipulá-lo de todas as formas.
- Parece que nós dois estamos passando por tempos difíceis - ri fraco.
- Eu não sei o que faço em relação à - ele suspirou, derrotado. - Eu já sabia que ela era ciumenta, mas isso... Eu não to sabendo lidar. O pior de tudo é que depois do que aconteceu, eu não posso mais dizer que os ciúmes dela são sem motivos.
- Aquilo foi um deslize que combinamos esquecer - respondi. - E independente de qualquer coisa, deveria te apoiar. Ela sabe o quanto esse filme é importante pra você.
Ele ficou em silêncio, a expressão pensativa. O encarei, enquanto tentava imaginar o que se passava pela cabeça dele. Eu sabia que o casamento dele com estava em crise desde o momento que eu pisei naquela casa no dia do aniversário da pequena Dulcie e também sabia que se questionava frequentemente se deveria ou não continuar com aquele casamento, ele mesmo havia mencionado uma vez para mim. Aquela ideia me desesperava, porque eu não tenho e nunca tive a intenção de acabar com o casamento dos dois e, mesmo que a maior parcela de culpa fosse da e de todo o drama que ela causou, eu, certamente, também teria minha parcela de culpa.
- Era tudo tão mais fácil quando eu e você estávamos juntos - murmurou de repente, assustando-me.
- Hã? Por quê?
- Você me apoiava, não dava crise de ciúmes... - abri um sorriso irônico e levantei a sobrancelha de modo questionador. - Ok. Não tinha crise de ciúmes frequentemente - ele se corrigiu. Ri, achando graça. - E a distância era um problema, mas você era sempre tão compreensiva... A gente se entendia de uma forma que eu e não conseguimos.
Assenti, absorvendo aquelas palavras. estava indo para um caminho perigoso e, se eu não tomasse uma atitude, ele iria acabar tomando uma decisão que eu temia e não queria.
- Todo relacionamento é diferente. Você e se casaram há pouco tempo, ainda estão tentando se descobrir como um casal. Isso é totalmente normal.
- Você acha?
- Sim - confirmei. - Dê tempo ao tempo e tudo vai se resolver. Principalmente depois que esse filme acabar.
Ele riu fraco.
- Talvez você tenha razão.
- Eu sempre tenho razão - dei um sorriso convencido e ele abriu ainda mais o sorriso. - Então... Que tal virar a noite ensaiando? - perguntei, mudando de assunto.
- Acho uma ótima ideia. Sequer peguei no script hoje.
- Somos dois - ri. - Mas para sua sorte, eu trouxe o meu comigo. - Mostrei as páginas a ele.
- Do que se trata a próxima cena? - ele perguntou, enquanto vasculhava a gaveta, provavelmente procurando o próprio script.
- Com sorte, uma cena que não envolva os nossos personagens se pegando por aí - brinquei.
- Ah, não. As coisas agora estão ficando mais sérias - ele disse, folheando o script recém-achado.
- Então vamos começar logo, temos muito o que decorar.

Na segunda-feira cheguei ao lugar onde ocorreriam as gravações mais cedo do que deveria. Gravaríamos ao ar livre na maior parte do dia e, em seguida, iríamos voltar para o set e passar a outra parte do dia gravando lá. Eu estava particularmente ansiosa, porque essa seria a minha primeira cena de ação e eu tinha passado o dia anterior todo treinando com para que tudo saísse perfeito. A última coisa que eu queria era Trevor gritando no meu ouvido por estar fazendo tudo errado.
- Você chegou cedo, que maravilha! - Sam disse, assim que me viu zanzando. - Venha, precisamos dar um jeito nesse seu cabelo.
- Bom dia pra você também, Sam - ironizei.
- Ah, deixe de besteira e venha que tenho muito a fazer.
Rolei os olhos. Sam sendo Sam; não esperava nada muito de diferente dele. Sentei na cadeira e deixei que ele fizesse todo o trabalho enquanto me ocupei em mexer no celular e responder as milhares de mensagens que minha irmã tinha me mandado na noite anterior.
- Você está com uma cara péssima - Sam falou, chamando minha atenção. - Problemas com o bofe?
Bofe? As pessoas ainda falavam aquilo?
- Que “bofe”? - perguntei com acidez. - O único motivo por trás da minha cara péssima é meu trabalho.
- Ai... Só perguntei. Não precisava ser rude - reclamou.
- Desculpe. Eu só não dormi muito bem esse fim de semana.
- Sem problemas. Vou me manter calado e trabalhando.
Agradeci silenciosamente por isso e voltei a focar no meu celular. Estava tentando de todas as maneiras tirar Oliver da minha cabeça e pra isso, nada melhor do que manter a mente ocupada e trabalhando. Alguns minutos depois, minha maquiadora também chegou e eu tive que focar meus pensamentos em uma conversa interessante com a mulher fofoqueira que fazia minha maquiagem.
- - escutei a voz de Jane perto de mim. - Suas roupas já estão separadas no seu camarim.
- Obrigada Jane - falei. - Trevor já chegou?
- Sim e ele está com um bom humor.
- Então vamos aproveitar esse milagre - disse e ela riu.
- Estarei por perto caso precise de mim.
- Tudo bem, obrigada.
Minutos depois estava livre para ir vestir o primeiro figurino do dia. Praticamente corri para o meu camarim e troquei de roupa o mais rápido que consegui. No caminho de volta para o local onde iria gravar, esbarrei com .
- Ei, bom dia - disse ele.
- Bom dia - respondi, sorrindo.
- Ouvi dizer que Trevor está de bom humor.
- Eu também. Quero aproveitar o máximo disso - ele riu, concordando.
- Então é melhor não nos atrasarmos pra nada - falou. Apressamos nossos passos e, logo, estávamos junto de toda a equipe e figurantes. também já estava lá.
Logo, começamos a gravar sem parar até a hora do almoço. Tivemos que repetir algumas cenas, mas pelo menos Trevor aparentava estar satisfeito e, se ele estava satisfeito, eu também estava. Dessa vez, eu tive mais cenas gravadas com , o que não foi difícil e isso me surpreendeu. Não que gravar com ela antes fosse difícil, mas agora algumas coisas tinham mudado e eu fiquei feliz em saber que eu sabia ser profissional sem envolver minha vida pessoal no meio.
Depois do almoço, voltamos para gravar mais a tão aguardada cena de ação. Não sei se era porque estava nervosa, mas o ar estava meio tenso e pela primeira vez desde que começamos a gravar o filme, eu me senti acanhada. O nervosismo já era conhecido, mas a timidez... Essa era nova.
Parei no meio do galpão - local onde a cena seria gravada - e olhei ao redor buscando um rosto conhecido que me desse conforto para prosseguir. Naquela cena não teria nem e nem , seria somente o meu personagem e alguns agentes lutando contra os capangas de Otto, personagem de .
- Está pronta? - Trevor me perguntou.
- Estou.
- Eu sei que você nunca fez isso antes, mas relaxe! Você brilha em tudo que faz e tenho certeza que você não vai me decepcionar dessa vez.
O sorriso que se formou em meu rosto foi completamente espontâneo e agradecido. Elogios vindos de Trevor já era comum pra mim, mas aquele em particular foi especial e ajudou bastante. Ele se afastou, me deixando com meus colegas de gravação e respirei fundo, buscando a calma dentro de mim. Quando o grito de Trevor deu inicio a gravação, eu sabia exatamente o que fazer. Não existia mais e sim, Melissa Summers. Toda a cena fluiu naturalmente, como se eu já tivesse feito aquilo centenas de vezes. Nunca tinha sentindo tanto orgulho de mim mesma como naquele momento e todos os elogios que vieram depois tanto de Trevor quanto das pessoas que contracenaram comigo, só comprovaram aquele sentimento que estava dentro de mim.
- Você estava ótima lá! - apareceu na minha frente. - Tem certeza que essa foi a sua primeira vez fazendo uma cena de ação?
- Você sabe que sim. Você viu meu treinamento ontem.
- Ah - ele bateu na própria testa. - Por isso tive a sensação de que já conhecia aqueles movimentos. Me copiando na cara de pau, senhorita ?
- Nada disso, senhor . Você me ensinou os movimentos, eu os melhorei - sorri convencida. Ele fez uma expressão de falso choque.
- Uns elogios e já está toda convencida, huh?
- Sempre meu bem - olhei para ele de forma convencida, mas não aguentei e acabei por rir juntamente com ele.
- Eu sei que o papo está muito bom - Trevor apareceu, chamando nossa atenção -, mas precisamos voltar para o set e continuar as gravações. A van já está a nossa espera - disse e saiu.
- Você ouviu o chefe - disse e eu ri.
- Vamos logo, senhor - o empurrei de leve e segui os passos de Trevor.
Enquanto seguia meu caminho para o carro, tive a sensação de que estava sendo observada e meu olhar automaticamente seguiu em direção ao meu observador. De longe, Oliver estava encostado em um carro e me encarava com uma expressão indecifrável. Meu coração deu um salto e eu quase tropecei nos meus próprios pés. Minha mente iludida e apaixonada se perguntou o motivo de ele estar ali, se ele estava ali para falar comigo, mas logo meus pensamentos foram destruídos quando apareceu do lado dele e ele abriu um sorriso para ela que ele costumava a dar somente para mim. Virei o rosto antes que tivesse que ver a cena dos dois se beijando e entrei na van, sentando no meu lugar perto da janela. O carro seguiu direção para o set e, em menos de quinze minutos, o automóvel estacionou em frente ao estúdio.
O restante da tarde seguiu no mesmo ritmo da manhã e até chegamos a gravar até tarde da noite. Ao chegar ao hotel, estava tão cansada que sequer tomei banho ou troquei de roupa; joguei-me na cama, apagando instantaneamente.

Entrei no meu trailer, exausta e faminta. A semana estava uma loucura e Trevor estava com a corda toda, o que resultou em horas de gravações com pequenas pausas para beber água e beliscar alguma coisa, o que era praticamente nada pra mim. Sentei-me no pequeno sofá com uma garrafa d’água, na qual virei quase toda de uma vez tamanha a minha sede. Geralmente, eu acharia ruim todo esse trabalho, mas ultimamente eu estava tão mergulhada no meu trabalho que não sobrava tempo nem pra pensar, o que era ótimo. Claro que eu ainda esbarrava com Oliver por aí, mas sequer trocávamos um bom dia. Eu preferia não aprofundar meus pensamentos nisso, gostava de pensar que ele só estava me dando o tempo que precisava.
- ? - ouvi a voz de Jane seguida de três batidas na porta.
- Entre!
- Tenho novidades! - ela disse animada. - Trevor liberou todo mundo por hoje.
- Sério? - tinha certeza que meu rosto se iluminou com a novidade.
- Espera, tem mais! - falou. - Ele deu o dia de folga para todo mundo amanhã.
- MENTIRA - me levantei completamente feliz. Por mais que estivesse contente por estar mergulhada no trabalho, eu precisava de um descanso. Não era de ferro, né?!
- VERDADE - ela disse, pulando junto comigo.
- Vou ter um dia de descanso. Obrigada Deus!
- Podemos sair. O pessoal está combinando de ir pra um barzinho perto daqui.
- Ah... Não sei - fiz careta. - Eu acho que vou pra casa descansar.
- Você tem que ir, por favor. Todo mundo vai.
- Não é uma boa ideia, Jane. Deixa pra próxima.
- Por favor, vamos - ela insistiu. - Você não precisa ficar até tarde... Só vem com a gente.
- Quem vai?
- Ah, só eu, alguns figurantes, o pessoal da equipe e acho que vai também.
- E ? - sondei.
- Ela vai sair com o namorado. Então... Você vai?
- Eu vou - cedi. Se e Oliver não iam, já é alguma coisa. Não aguentaria ficar a noite toda vendo os dois juntinhos e pelo menos eu teria para me fazer alguma companhia.
- Eba! - ela comemorou. - Nós vamos daqui mesmo. Vou deixar você se trocar - disse e saiu do trailer, me deixando sozinha novamente.
Saí do trailer e tracei aquele caminho já conhecido por mim até a saída. Jane me esperava com algumas pessoas que eu conhecia por trabalhar diretamente comigo, mas que infelizmente eu não mantia um contato ou amizade o suficiente para saber o nome de todos ali. também estava por perto, provavelmente me esperando também, visto que eu era a última a chegar ali.
- Pronta pra se divertir? - ele perguntou assim que me aproximei.
- Confesso que me divertiria mais no conforto de minha cama, mas já que estamos aqui - dei de ombros e ele riu.
- Vamos nos divertir, eu prometo.
Assenti e seguimos o restante do pessoal. Não íamos precisar ir de carro, já que o bar ficava bastante perto. As ruas estavam bastante movimentadas e de vez em quando uns flashes quase me cegavam, mas eu já estava ficando acostumada com aquilo. Procurei não ficar muito perto de durante esses momentos, pois não queria ser manchete de notícia, apesar de que esses paparazzi sempre arrumam um jeito de fazer com que nada se torne em algo muito escandaloso.
- Chegamos - Jane anunciou.
A primeira impressão que tive foi que aquele lugar parecia muito mais com uma boate do que com um bar. Apesar de ter as características de um bar, como a mesa de sinuca no canto, várias mesas espalhadas e garçonetes caminhando por entre as pessoas, o lugar estava tão lotado que era assustador, ainda mais pelo motivo de que não passava das oito da noite. Pelo tanto de movimento, já dava pra saber adiantado que não ia demorar para que todo mundo se perdesse um do outro e realmente não demorou mesmo, pois cinco minutos depois, já não era mais possível pra eu ver Jane ou qualquer um dos outros além de perto de mim. Manti-me grudada nele o tempo todo, mas eventualmente acabei perdendo ele de vista também.
Bufei, frustrada e arrependida de ter aceitado aquele convite; agora estava sozinha e perdida. Uma música eletrônica tocava alta e meu corpo se balançava conforme a batida. Não restando nada pra fazer a não ser esperar que alguém me encontrasse, caminhei para o balcão e pedi uma bebida qualquer. Bastaram cinco drinks para que alguém me encontrasse.
- Já está bebendo de novo? - perguntou perto de meu ouvido, dando-me um susto.
- Qual é o sentido de vir para um barzinho e não beber? - perguntei. - Bebe comigo.
Pedi mais um copo para o garçom e despejei a bebida no copo, entregando-a para . Ele bebeu tudo de uma vez.
- Isso daqui está parecendo um pub - ele falou, olhando ao redor.
- Foi o que pensei! - disse. - Aquele que sempre costumávamos a ir quando estávamos juntos.
- The Time. É o seu favorito em Londres.
O encarei surpresa.
- Não sei por que ainda me surpreendo por você se lembrar desses detalhes.
- Eu me lembro de tudo relacionado a você, - respondeu sincero. Crazy in Love, da Beyoncé, começou a tocar. - Inclusive, eu sei que essa é a sua música favorita. Quer dançar? - ele piscou e estendeu a mão para mim.
Concordei e ele me puxou para o meio da pista. Balancei meu corpo conforme a música, tentando fazer as coreografias que eu sabia ser da dança. me acompanhava com um sorriso no rosto e eu apostava que ele estava achando aquilo muito engraçado. Eu sabia dançar, mas também não era nenhuma Beyoncé. Crazy in Love acabou e começou Naughty Girl. Soltei um gritinho de animação e deixei que meu corpo fosse levado pela batida da música. Aquela música em especial era bastante sensual e eu estava tão alegre que não me importei de dançar sensualmente, mesmo sabendo que estava ali perto me encarando. Sorri para ele e deixei que meu corpo encostasse ao seu enquanto eu balança o quadril de forma sensual. congelou por um momento, mas logo suas mãos envolveram minha cintura e dançamos juntos no ritmo da música. Nossos corpos colados, nossos olhares conectados enquanto dançávamos de forma sensual. Estávamos tão conectados, que eu esqueci que provavelmente não deveríamos estar nos comportando daquela forma. Minhas mãos tocaram seus braços fortes e imediatamente pensei no quanto ele tinha ficado gostoso desses dois últimos anos pra cá. Não me reprimi por pensar aquilo, pois era a pura verdade.
ergueu a mão, afastando uma mecha do meu cabelo para que pudesse acariciar meu rosto. Seus olhos ardentes desceram pra minha boca e eu mordi os lábios involuntariamente.
- Eu quero te beijar - ele murmurou, olhando novamente em meus olhos.
E aquilo foi o suficiente para que eu tomasse o primeiro passo e chocasse minha boca na dele.

Capítulo Nove

Não sei quanto tempo ficamos ali, parados nos beijando, mas foi o suficiente para que eu tomasse plena consciência de que o que eu estava fazendo era errado e, se tinha uma coisa que eu tinha aprendido, era que persistir no erro era burrice. Então fiz o que tinha que ser feito: encerrei o beijo e me afastei completamente de . Levei meus passos para a saída daquele lugar o mais rápido possível sem ao menos me importar de que deveria avisar a Jane que estava indo embora. Não precisava, ela deduziria isso quando não me encontrasse por ali.
- Ei, espera! - gritou atrás de mim. Continuei andando, tentando ignorar seus chamados, em vão. Não demorou para que ele me alcançasse e se colocasse à minha frente, me forçando a parar.
- Não está certo - disse antes que ele viesse com mais um pedido de desculpas. - Não podemos continuar nos levando pelo momento. Esse foi o motivo pelo qual eu terminei com você e agora você está fazendo o mesmo com a .
- , me desc...
- Não, - o interrompi. - Fui eu que tomei o primeiro passo, você não tem que pedir desculpas quando a culpada sou eu.
- Pare de se culpar sozinha - disse exasperado. - Eu quis te beijar, deixei isso bem claro então também tenho minha parcela de culpa.
- Mas...
- Escute - foi a vez dele me interromper. - Eu não sei o que acontece, não dá pra explicar esse meu tipo de comportamento perto de você. É só que... Estamos nos dando tão bem e isso me lembra de quando estávamos juntos e, agora meu casamento está em crise, eu não tenho tanta certeza se devo continuar com a e... Às vezes eu me pego imaginando como seria caso eu e você voltássemos a ficar juntos ou se nunca tivéssemos terminado - abri a boca pra responder, mas ele levantou o dedo em sinal de que ainda não tinha acabado. - Quero que saiba que não estou te usando pra atingir a ou para ter uma desculpa pra terminar meu casamento. Eu me importo com você e não quero mais te magoar em hipótese alguma.
- Então pare de me colocar como personagem nos seus problemas. Eu sei que temos história, mas eu não quero que alguém passe pelo que eu passei, mesmo que essa pessoa seja a .
- E essa nunca foi minha intenção, eu juro.
- Eu sei, mas você precisa se resolver. Eu sei que minha presença pode causar algum tipo de confusão, como essa que aconteceu, mas precisamos saber lidar com isso. O que tínhamos acabou, agora você tem uma filha e , uma família linda, e eu não vou ficar no meio disso.
- Me desculpe.
- Sem mais desculpas. Somos amigos, certo?
- Claro - ele sorriu.
- Ótimo - retribuí o sorriso. - Agora vamos para casa. Minha cama me espera e eu estou pronta pra hibernar.
Enlacei meu braço no dele e assim caminhamos para o primeiro ponto de táxi disponível na redondeza.

Já fazia meia hora que eu me encontrava parada na sacada no meu quarto, observando o movimento dos carros e as pessoas apressadas nas ruas de Los Angeles. A cidade era linda e tinha muito a oferecer. Era uma pena que eu não pudesse explorar todo aquele lugar como queria e com calma, afinal, Trevor sequer nos dava tempo para respirar; já era milagre suficiente que ele tenha nos dado um dia de folga.
Tomei café no quarto mesmo e, depois de uma breve discussão comigo mesma, decidi que iria sair pelas ruas e ver se comprava um presente para minha irmã e até para mim mesma. Como o dia estava quente, decidi me vestir à vontade e colocar uma roupa mais simples. Não encontrei com ou ninguém da equipe andando pelo saguão, então saí na minha própria aventura.
O telefone começou a tocar e eu peguei o aparelho rapidamente, o atendendo sem verificar quem poderia ser.
- Alô?
- Se eu não ligar, você também não liga, né?
Sorri ao identificar a voz de minha irmã.
- ! Que saudade!
- Ah, é? Nem parece - debochou.
- Eu não liguei porque estava ocupada, só hoje que consegui um dia de folga.
- Sério? Trevor tem sido tão carrasco assim?
- Você nem imagina - revirei os olhos só em lembrar o quanto Trevor era exigente. - Está tudo bem por aí?
- Sim, mas estou louca para que você volte. Mamãe está me deixando louca - ri, achando graça.
- Como você é dramática.
- Você fala isso porque não está aqui - reclamou. - Por que eu não posso ficar no seu apartamento mesmo?
- Porque você é menor de idade e precisa de supervisão - ela bufou e eu poderia jurar que ela revirou os olhos.
- Eu não sou mais criança.
- Por isso mesmo. Te conheço e sei que sozinha no meu apartamento, você daria uma festa na primeira oportunidade que tivesse.
- Você tem tanta pouca fé em mim - se lamentou.
- Eu te conheço irmãzinha.
- Chata - retrucou emburrada.
- Estou indo comprar um presente pra você - disse, desviando completamente do assunto.
- Sério? O que você vai me comprar?
- Ainda não me decidi. Mas, mesmo se soubesse, não ia contar. Gosto de surpreender.
- Você está muito chata - bufou. Ri, me divertindo.
- E você é muito curiosa.
- Af. Já que você não vai me dar nenhum tipo de informação, eu vou desligar.
- Diz para mamãe e o papai que eu tô com saudade.
- Vou pensar no seu caso - falou ela. - Se divirta aí em L.A..
- Se divirta aí em casa - ri e ela bufou mais uma vez antes de encerrar a ligação.
Continuei o meu caminho até encontrar uma loja que tinha visto há alguns dias no meu caminho de volta do estúdio. O local era chique e eu apostava que as roupas ali eram supercaras, como qualquer coisa em Los Angeles parecia ser. Observei atentamente cada peça de roupa ali e me controlei para não levar todas as peças daquela loja; tudo era lindo demais para o meu gosto, mas eu sabia que se levasse todas as roupas que eu julgava ser do meu gosto, iria acabar pobre com um monte de roupa chique e que provavelmente teria que vender eventualmente.
Tentei manter o foco e pensar que estava ali para escolher um vestido para minha irmã, mas acabei cedendo a tentação e levando dois vestidos para mim. Depois de pagar pelos vestidos, segui meu caminho em busca do presente perfeito para os meus pais. Acabei encontrando uma boutique e comprei um par de sapatos que sabia que minha mãe iria adorar e, para o meu pai, comprei um dos melhores perfumes que aquele lugar possuía. Com os presentes comprados, segui meu caminho em busca de comprar mais alguma coisa para mim mesma. Resultado disso? Acabei com mais de cinco sacolas nas mãos e uma conta bancária com mais algumas centenas de dólares faltando.
O grande relógio estampado em um painel qualquer, marcava exatamente meio-dia. Minha barriga estava praticamente implorando por comida e eu não sabia como iria conseguir carregar todas aquelas sacolas para algum restaurante. Continuei caminhando com algum esforço pelas ruas, enquanto procurava um lugar para comer. Porém, acabei parando na esquina e olhei diretamente para a vitrine de uma loja do outro lado da rua completamente encantada pelo mais lindo animal de pelúcia que já tinha visto na vida. Completamente encantada, atravessei a rua e parei em frente à vitrine, admirando o tigre de pelúcia. Ele era simplesmente lindo. Sem conseguir me conter, adentrei a loja com o objeto em mente.
- Boa tarde - uma vendedora me abordou assim que pus os pés na loja. - Em que posso ajudá-la?
- Boa tarde - fui simpática. - Eu queria levar aquele tigre de pelúcia da vitrine.
- Claro, vou pegá-lo para a senhorita.
A moça se afastou e logo voltou com o objeto em mãos. Segurei o animal de pelúcia em mãos e ele parecia ainda mais lindo visto de perto. Pedi para que a vendedora embalasse para presente e paguei pelo brinquedo. Saí de lá com mais uma sacola no meio de tantas, mas satisfeita. O sorriso em meu rosto expressava isso claramente.

Depois do almoço, encerrei o dia de compras e voltei para o hotel. Há tempos eu não passava o dia fazendo compras e, apesar de estar sozinha, a sensação continuava sendo ótima.
- Hey - fui abordada por na entrada do hotel. - Quantas sacolas! Decidiu comprar toda Los Angeles?
- Você sabe como eu me empolgo quando faço compras.
- Sei sim - ele riu. - Deixe-me te ajudar - ele pegou algumas sacolas de minhas mãos. Imediatamente me senti aliviada por não sentir mais tanto peso em minhas mãos.
- Obrigada.
Caminhamos lado a lado até o elevador. apertou o botão para que o elevador descesse até nós e esperamos alguns segundos até que as portas se abrissem. Entrei primeiro, seguida por e, logo, as portas se fecharam.
- Falei com Trevor hoje - disse ele, chamando minha atenção. - Vamos voltar para Londres no domingo.
- Mas já? - me assustei com a rapidez que o tempo estava passando. Nem acreditava que já fazia três semanas que estávamos ali. A melhor parte é que não foi tão ruim quanto eu imaginei que seria.
- O tempo passou rápido, não é?
- Verdade. Mas é sempre assim quando estamos gostando de algo.
- Sim, é verdade. Mas você pode voltar aqui sempre que quiser.
- Ah, pode apostar que irei voltar - concordei.
As portas do elevador se abriram e caminhamos pelo extenso corredor até o meu quarto. Abri a porta do quarto e entrei, deixando-a aberta para que também entrasse com o restante das minhas sacolas. Deixei as sacolas que tinha em mãos em cima da cama e fez o mesmo.
- Obrigada - olhei para ele. tinha as mãos nos bolsos e me encarava com um sorriso no rosto. Sua barba já estava crescendo e aquilo o deixava ainda mais bonito. Lembro-me de quando estávamos juntos e eu simplesmente amava quando ele deixava sua barba crescer.
- Não precisa agradecer - respondeu. Olhei para o lado, afastando tais pensamentos. Eu queria tanto deixar o passado de lado, mas continuava lembrando esses pequenos detalhes. Não era errado lembrar, mas não era o momento certo para se fazer tal coisa.
- Ah, tem uma coisa que eu quero te dar - puxei a sacola com o brinquedo que havia comprado mais cedo e estendi para . - É para Dulcie.
- Você comprou um presente pra minha filha? - não sabia se era intencional, mas detectei descrença em sua voz.
- Não fique tão surpreso. Eu sei que não sou exatamente melhor amiga da sua filha e não tenho muito contato com ela, mas quando eu vi o brinquedo na vitrine, lembrei dela na mesma hora e tive que comprar.
- Nossa, obrigada . Tenho certeza que Dulcie vai amar.
- Eu sei que provavelmente não vai gostar, por isso, você pode dizer que o presente foi seu. Não quero te causar problemas.
- Não. Eu vou garantir que minha filha saiba que o presente foi seu.
- Tudo bem - sorri largamente, assim como ele.
- Eu tenho que ir.
- Ah, claro - ele seguiu até a porta aberta.
- Obrigado pelo presente.
- Não foi nada. Espero que Dulcie goste.
Assenti e ele seguiu caminho de volta pelo corredor. Fechei a porta e me voltei para aquele monte de sacola espalhada por minha cama. Já que voltaríamos para casa em alguns dias, decidi começar a arrumar minhas malas, começando pelas roupas novas e os presentes que tinha comprado pra minha família. Acabei por arrumar grande parte das minhas coisas que estavam espalhadas pelo quarto. Fechei a mala com certa dificuldade e coloquei-a no canto do quarto. Depois arrumaria o resto.
Sem mais nada pra fazer, peguei o script da próxima gravação e deitei na cama agora vazia. As cenas anteriores não tiveram muito contato direto com o personagem do , mas esse tinha contato até demais. Procurei não me focar muito no que a minha personagem iria fazer com o e, sim, na história em sim. Li e reli minhas falas, tentando memorizar tudo o máximo que podia. Cheguei até a ficar com dor de cabeça, mas persisti até realmente não conseguir memorizar mais nada. Deixei os papéis de lado e sentei na cama; o relógio no meu celular marcava sete horas da noite e, como se entendesse que era a hora do jantar, meu estômago roncou.
Levantei-me e andei ao banheiro, tirando as roupas no processo e jogando de qualquer maneira no chão. Sem tempo para apreciar a banheira, entrei no box e tomei uma ducha quente e rápida. Enrolei meu corpo com a toalha e voltei para o quarto, a fim de escolher uma roupa decente para vestir. Como sair do hotel não estava nos meus planos, vesti um vestido simples e florido e calcei minhas sandálias rasteira favorita. Não coloquei maquiagem e deixei meu cabelo - que já estava um pouco abaixo dos ombros - soltos. Peguei minha bolsa e coloquei alguns pertences dentro, antes de sair do quarto rumo ao restaurante no térreo.

O local estava praticamente vazio e eu já estava quase agradecendo por não ter ninguém conhecido, quando me deparei com acenando para mim em uma mesa discreta no canto da parede. Coloquei um sorriso forçado no meu rosto, que logo se transformou em um sorriso de alívio quando percebi que ela estava sozinha.
- ! - ela se levantou e nos cumprimentamos rapidamente. - Sinto que não te vejo nunca fora do set.
- Estou sempre trancada no quarto - dei de ombros.
- Entendo. Por favor, sente-se e me faça companhia para o jantar.
- Oliver não vem jantar com você? - perguntei receosa. A última coisa que eu queria era ter um jantar estranho com o mais recente casal.
- Ah, não. Ele teve quer ir resolver alguns problemas de trabalho e não sei que horas ele volta.
Assenti e me sentei na cadeira vazia. O garçom logo apareceu e ambas escolhemos os nossos pedidos.
- Posso te perguntar uma coisa? - ela perguntou de repente. - É só algo que venho martelando há alguns dias.
- Claro - eu não poderia dizer que não, né? Apesar de querer muito.
- Você e Ollie estão brigados ou algo do tipo?
Se eu tivesse comendo alguma coisa com certeza teria me engasgado. Então ele não contou nada pra ela?
- Estamos bem - menti. Se ele não disse nada, porque eu iria dizer? - Só estamos muito ocupados - dei de ombros com descaso.
- Eu sabia que você estava chateada por eu ficar grudada nele o tempo todo - ela disse como se tivesse descoberto algo muito importante. - Eu disse a ele, mas ele achou que eu estava sendo exagerada - me segurei para não revirar os olhos. Claro que ele achou. - Me desculpa, eu juro que vou desgrudar mais dele e vocês poderão passar mais tempo juntos. Não quero que você sinta como se eu tivesse tirando ele de você.
Tive vontade de abraçá-la. Eu sabia que meus sentimentos em relação a minha ídolo tinham sido confundidos por ela estar namorando o homem que costumava ser meu melhor amigo, mas, no fim das contas, ali estava a pessoa que eu sempre idolatrei. era tão amável e se importava com o próximo. Era perda de tempo tentar odiá-la.
- Não se preocupe com isso. Você não tem culpa de nada - disse. A cara dela dizia claramente que ela não acreditava em mim. - Sério! Curta o seu namorado, eu estou super feliz por vocês - okay, aquilo não era totalmente verdade, mas ela não precisava saber. - Além do mais, eu estou mesmo ocupada.
- Trevor não está pegando nada leve, não é?
- Não seria Trevor, se ele pegasse leve.
- Verdade - ela riu.
O nosso jantar chegou e seguimos conversando sobre outras coisas não relacionadas ao meu ex melhor amigo; eu ainda precisava esquecer meus sentimentos por ele e ficar de conversinha com a namorada dele sobre o mesmo não era o caminho certo para isso. Conversar com era muito bom e ela era divertida, o que fazia com que a conversa fluísse naturalmente.
- Então... Percebi que você está se dando bem com - ela comentou eventualmente. Uma hora ou outra ela iria tocar nesse assunto, eu sabia disso.
- Sim. O passado ficou no passado e eu estou bastante feliz por ele e eu estarmos bem com isso.
- É raro ver um ex-casal ficando amigos. Fico feliz por vocês terem se acertado.
- Uma hora isso tinha que acontecer, né? Afinal, somos colegas de trabalho.
- Isso é verdade. Mas eu sei a história de vocês, além das confusões que a mulher dele apronta.
- é outro departamento. Desde que ela fique fora do meu caminho e consiga controlá-la, tudo certo.
- Eu te invejo por isso. Não sei se conseguiria ficar amiga de um ex meu.
- No meu caso, o destino praticamente jogou na minha vida e disse “lide com isso” - ri e ela me acompanhou.
- Vamos brindar a isso então - ela estendeu a taça de vinho e eu fiz o mesmo. Encostamos uma taça na outra e bebemos o liquido logo em seguida.
- Precisamos fazer isso mais vezes.
- Com certeza. Iremos fazer isso de novo sim, pode aguardar.

Assim que pus meus pés dentro do quarto e tranquei a porta, não quis saber mais nada que não fosse a minha cama e o precioso sono que já estava dando sinal de vida. A noite com tinha sido ótima e conversar com ela foi melhor ainda. Pelo menos, ela demonstrou ser o tipo de pessoa que não fica o tempo todo falando do namorado, o que foi um grande alívio, pois a última coisa que eu queria era ficar relembrando coisas sobre Oliver. Joguei-me na cama sem pensar duas vezes e me aconcheguei debaixo de meus lençóis, deixando que o sono me envolvesse de uma vez por todas.

Batidas na porta tiraram-me do meu amado sono. As primeiras luzes do dia entravam pela janela; no entanto, era cedo demais para que eu estivesse atrasada para o trabalho. Enfiei a cabeça pronta para voltar a dormir, mas as batidas continuaram, agora mais desesperadas. Com um suspiro derrotado, levantei-me e segui até a porta pronta para mandar quem quer que fosse para o inferno por ter me acordado tão cedo. Porém, ao abrir a porta, nada consegui dizer ao encarar a pessoa ali parada com nada menos que surpresa. O que diabos ele fazia aqui?
- Oliver?
Ele não respondeu. Suas feições eram cheias de dor e meu coração se partiu só em pensar no quanto ele poderia estar sofrendo por minha causa. Eu não queria ter feito isso com ele, ter destruído nossa amizade daquele jeito, mas não tinha nada que eu pudesse fazer para reparar as consequências do meu coração bobo e apaixonado.
- Desculpe - ele murmurou baixo demais, mas eu consegui ouvir.
- Oliver, eu... - ele encostou dedo em minha boca, me calando.
- Deixe-me terminar... - assenti e ele continuou. - Me desculpe por ter reagido daquela forma, eu não deveria ter permitido que você se afastasse de mim, não deveria ter permitido que você sequer pensasse em me afastar... Eu não deveria ter saído daquela maneira. Me desculpe por ter te feito pensar que o que temos foi destruído e... Me desculpe por não ter percebido antes.
- Ei... - me aproximei dele e depositei minha mão em seu rosto, acariciando-o levemente. Oliver chorava, assim como eu. - Não tem motivos para se desculpar, você foi pego de surpresa... Eu no seu lugar agiria da mesma forma. Além do mais, não tinha como você ter percebido antes... Não foi como se eu tivesse demonstrado o que sentia.
Ele segurou minha mão e fechou os olhos fortemente. Eu nunca tinha o visto tão frágil.
- Você não entendeu - ele balançou a cabeça enquanto falava. - Eu não estava me referindo a ter percebido como você se sentia. - Ele me encarou novamente, seus olhos azuis brilhavam por causa das lágrimas. Franzi o cenho, sem entender. - Eu sei que agi como um idiota e... E demorou um pouco, mas eu percebi.
- Percebeu o quê?
- Que eu te amo também, que eu te quero na minha vida não só como amiga... Que a mulher da minha vida estava bem diante dos meus olhos e eu fui muito desatento pra perceber.
Se eu achava que não tinha como meu coração bater mais rápido, ele acabou de provar que estava errada. Arfei completamente surpresa por tal revelação. Aquilo era bom demais para ser verdade.
- O que você disse? - pedi.
Ele sorriu lindamente, igualmente ao sorriso que eu lembrava.
- Eu te amo, . Eu quero você.
O sorriso que se abriu em meus lábios foi de pura felicidade. Oliver segurou minha cintura e me puxou para perto, antes dos nossos lábios se encontrarem pela primeira vez em muito tempo. O gosto dele ainda era o mesmo que eu me lembrava, a língua dele acariciando a minha era algo extraordinário. Há tempos eu não me sentia assim enquanto beijava alguém e somente Oliver despertava esses sentimentos em mim.
A porta do quarto foi fechada e cambaleamos até a cama entre beijos, nos separando apenas para que nossas roupas fossem retiradas e jogadas pelo chão do quarto. Meu corpo foi jogado na cama e Ollie se ajoelhou sobre o colchão, ficando por cima de mim. Ele distribuía beijos por meu corpo nu, causando-me arrepios por onde seus lábios encostavam. Não demorou muito e seus lábios colaram nos meus novamente. Minhas pernas envolviam sua cintura e era possível sentir seu membro duro contra minha intimidade.
- Oliver... - gemi seu nome perto de seu ouvido e ele mordeu meu ombro em resposta.
- Diz pra mim, - pediu ele. - Eu... Eu preciso ouvir.
Ele não precisou ser mais específico para que eu entendesse o que ele queria que eu falasse.
- Ollie... Eu te amo - sussurrei. Ele gemeu e afastou minhas pernas, se preparando para me invadir.
- Diz de novo.
- Eu te amo - aquelas três palavras foram o suficiente para que ele me penetrasse com força. Soltei um gemido alto e agarrei seus braços, enfiando as unhas sem pena.
Oliver entrava e saia com agilidade. Os nossos corpos se conectavam de forma incrível e aquilo não deixava de me surpreender. Oliver era o homem certo pra mim, agora eu sabia disso. Vez ou outra trocávamos beijos para que os gemidos mais altos fossem abafados. Eu estava quase lá, eu podia sentir.
Um barulho distante chamou minha atenção, mas eu não consegui identificar o que era. Franzi o cenho e me agarrei a Oliver, aumentando a fricção dos nossos movimentos, tentando me concentrar, mas não estava conseguindo. O barulho agora estava ficando mais alto. Fechei os olhos com força, tentando ignorar o barulho, mas quando o abri novamente, Oliver não estava mais ali.

Abri os olhos no susto. Ao lado da minha cama, o despertador tocava. Desliguei o aparelho e voltei a afundar na minha cama. Que sonho tinha sido aquele? Foi tão real...
Eu ainda podia sentir em minha pele agora suada o toque de Oliver e eu estava vergonhosamente molhada. Aquele era um dos raros casos no qual eu teria que terminar o “trabalho” sozinha e aquilo era, no mínimo frustrante. No entanto, nada era mais frustrante do que sonhar com Oliver dizendo que me amava e não passar de uma mera ilusão de minha mente.
Era difícil de admitir, mas aquilo partiu meu coração em mais um pedaço. Eu queria tanto que aquilo fosse verdade, que ele retribuísse meus sentimentos, e agora minha mente estava me pregando peças.
Sem mais delongas, levantei-me e meus passos seguiram para o banheiro. Antes do banho aliviei a tensão que estava me consumindo desde o momento em que acordei e em seguida tomei um banho gelado. Me arrumei às pressas, tendo em mente que sequer teria tempo para tomar um café decente. Aquilo era o de menos, eu só não queria Trevor gritando no meu ouvido por estar atrasada.
Todos já estavam à minha espera no saguão. Hoje a gravação seria em um local diferente e Trevor queria que todo mundo fosse junto para evitar que alguém se perdesse, o que eu particularmente achava que era pouco provável.
- Bom dia! - pulou na minha frente, me dando um susto. - Ai, desculpa. Não era minha intenção.
- Tudo bem - dei de ombros em descaso. Passei por ela, na intenção de seguir meu caminho para a saída juntamente com o resto da equipe. Eu não queria ter que olhar para e lembrar o sonho que tive com o cara que costumava ser meu melhor amigo e agora era namorado dela. Porém, a garota continuou tagarelando de acordo com o qual ela seguia meus passos.
- Dormiu bem? Você parecia bastante cansada quando nos despedimos.
- Dormi sim, até perdi a hora - no meu próprio tom de voz eu pude detectar um tom de ironia e, apesar dessa não ter sido minha intenção, ela pareceu não perceber, ou só ignorou o meu mau humor mesmo.
- Que bom - respondeu ela. - Bem... Eu vou me juntar ao Oliver, ele está me esperando.
Ela tinha mesmo que esfregar na minha cara que tinha um cara maravilhoso esperando por ela? Ok, talvez não tivesse sido a intenção dela, mas mesmo assim. sequer esperou minha resposta e saiu em disparada. Saí logo depois dela e, pude vê-la se aproximar de Oliver, que estava parado no outro lado da rua encostado em um carro.
Foi inevitável não parar para observá-lo. Ele vestia uma camisa xadrez social, calças jeans e sapatos all star; o cabelo estava bagunçado da forma que eu gostava e era possível ver o brilho dos seus olhos azuis de longe, assim como seu sorriso radiante. Aquilo poderia parecer egoísta, mas ele parecia estar bem e feliz sem mim e, só em pensar que o nosso afastamento não o afetou da mesma forma que me afetou, partia meu coração ainda mais, se é que isso ainda era possível.
Um toque nos meus ombros fez com que eu voltasse a realidade e desviasse à tempo de não ver o casal do outro lado da rua se beijando. Olhei para pessoa parada ao meu lado e me deparei com ; seu rosto era sereno e ele tinha um sorriso de compaixão em seus lábios. Eu detestava que as pessoas sentissem pena de mim.
- Vem, Trevor está nos esperando - ele apontou para a van, onde todos já se encontravam dentro, faltando apenas eu e .
Assenti o segui para dentro do veículo. Como chegamos por último, restaram apenas dois assentos e acabamos sentando lado a lado. Aproveitei que estávamos perto um do outro e passei a observá-lo. Apesar de toda a serenidade que ele aparentava apresentar, no fundo dava para perceber que ele estava abatido e a aparência ligeiramente cansada. Eu sabia que o trabalho exigia muito de nós dois, mas, naquele caso em específico, eu sabia que o trabalho não era o único motivo para ele se encontrar daquela forma. Eu conhecia bem demais, talvez melhor do que ele mesmo.
- Aconteceu alguma coisa? - sussurrei para ele. Poderia levar um toco, mas não importava. Eu queria que ele soubesse que eu estava ali para qualquer coisa. Afinal, éramos amigos, certo?
- O que quer dizer? - ele sussurrou de volta.
- Você entendeu. Eu te conheço, sei quando não está bem.
Ele suspirou fortemente.
- Briguei de novo com - seu rosto se contorceu. Ele odiava brigas, eu sabia muito bem disso.
- Por minha causa? - tive que saber.
- Mais ou menos...
Então tinha sido por minha causa.
- Sinto muito - fui sincera. - Nunca quis causar discórdia entre você e ela.
- Você não fez nada.
- Eu tenho que discordar.
- Isso não vem ao caso. O jeito que ela está agindo tá ultrapassando todos os limites.
- Mas nós também ultrapassamos todos os limites, . Eu não quero defender ela, mas mesmo que não saiba do que aconteceu, ela tá no direito dela. Afinal, vocês são casados.
- Eu sei, mas... Eu não sei lidar com isso - ele afundou no banco.
- Tenho certeza que você vai dar um jeito. te ama, mesmo agindo como louca.
- Eu sei disso.
- Então dê valor a mulher que você tem, antes que você a perca pra sempre.
- Que nem eu perdi você? - perguntou ele, direto.
Abri a boca, mas nada saiu. Aquela pergunta me pegou completamente de surpresa. tinha me perdido por causa de uma traição e agora ele fez o mesmo com . Aquilo não era justo, pois eu não gostaria que ela passasse pelo mesmo que eu. Aquele erro ainda dava tempo de consertar.
- É - respondi por fim. - Você não quer perder ela como me perdeu.
Ele assentiu e olhou para frente, dando a conversa por encerrada. Virei meu rosto para a janela com um sentimento de alívio por estar fazendo a coisa certa pela primeira vez na vida.

Alguns dias depois...

- Nem acredito que estou de volta aqui - minha irmã disse, jogando-se no meu sofá. - Você demorou uma eternidade pra voltar.
- Não seja tão exagerada, . Foram apenas três semanas.
- Três semanas que mais pareceram três anos.
Revirei os olhos e me sentei ao seu lado no sofá. Tinha voltado de Los Angeles na noite anterior e, como tinha chegado tarde da noite, não avisei a ninguém da minha família. Agora pode imaginar a felicidade da minha irmã quando eu apareci na porta da casa de minha mãe hoje cedo, certo? Ela ficou tão animada porque ia voltar para meu apartamento que sequer me deixou almoçar e conversar com meus pais direito. Tive que deixar os presentes que tinha comprado de qualquer maneira e nem soube se eles gostaram ou não, porque a criaturinha praticamente me arrastou para fora de casa.
- Você poderia ter demonstrado menos entusiasmo para sair de casa. Mamãe pode não ter demonstrado, mas ela se sente mal com essas suas atitudes.
E ela se sentia mesmo. Minha mãe era muito sentimental e eu me colocava no lugar dela. Ver a própria filha mostrar felicidade porque está saindo da própria casa não deve ser um sentimento bom.
- Tenho certeza que ela entende - ela falou. - Amo morar com a mamãe, mas morar com você tá sendo maravilhoso. Você sabe que eu sempre quis isso.
- Eu sei disso, e sei também que estava cansada de morar naquele lugar...
- Exato! - ela me interrompeu.
- Só tente não demonstrar essas coisas na frente dela. Não quero que ela pense que você está a abandonando.
arregalou os olhos.
- Nunca a abandonaria. Ela sabe disso, não sabe?
- Claro que sabe - a tranquilizei. - Mas você tem que lembrar a ela disso.
- Eu vou fazer isso - ela balançou a cabeça. - Obrigada pelo conselho.
Sorri e abracei minha irmã em resposta. Era bom estar de volta.

- Nós precisamos de uma empregada - minha irmã falou pela terceira vez naquele dia.
- Eu sei, mas não é fácil assim. Tenho que procurar uma pessoa de confiança e, vamos combinar, depois de 2 anos longe de Londres, eu não conheço tantas pessoas assim nem que seja pra fazer uma recomendação.
- Ué, pede para o Oliver te ajudar! - ela falou como se fosse a coisa mais fácil do mundo. E seria, se nós tivéssemos nos falando. Coisa que minha irmã não sabia, só pra constar.
- Não posso pedir ajuda pra ele.
- Por que não?
- É complicado...
Ela soltou a vassoura e se aproximou de mim, o olhar curioso.
- Vocês brigaram?
- Mais ou menos... Mas eu não quero falar sobre isso.
- Eu sou sua irmã! Você sabe que pode se abrir comigo, né?
- Eu sei, mas estou tentando esquecer e seguir em frente. Falar sobre isso não vai me ajudar.
Ela continuou me encarando, provavelmente esperando que eu desse o braço a torcer e falasse algo para ela. Eu não ia. suspirou e voltou a varrer o chão.
Ainda era difícil pra eu acreditar que eu e Oliver estávamos tão afastados. Isso nunca tinha acontecido e, nem em um milhão de anos eu imaginaria que um dia iríamos chegar a esse ponto. Eu só esperava poder reparar a nossa amizade um dia, afinal, ela era a única coisa constante que eu tinha na minha vida... Até eu estragar tudo.

Na semana seguinte as gravações estavam de vento em poupa. Segundo Trevor, tínhamos apenas dois meses para terminar o filme, então, como o esperado, ele estava sendo ainda mais exigente. Felizmente, mais da metade das cenas já estavam gravadas, restando muitas, mas o suficiente pra que déssemos conta em apenas dois meses.
- Já pensou o que vão fazer assim que as gravações acabarem? - puxou conversa na hora do almoço. Estávamos eu, e ela sentados em uma das mesas da cafeteria perto do set.
- Tirar férias - respondi prontamente. - Daqui pra lá Trevor vai ter consumido todas as minhas energias.
- Acho que vou tirar férias também - disse, entrando na conversa.
- Você mais do que ninguém precisa de férias... Mas não do trabalho e, sim, da sua esposa - disse .
- ... - a voz de era séria, como se tivesse tocado em um assunto delicado.
- É sério, . Não sei como você aguenta toda essa pressão que ela coloca em você.
Encarei os dois, sem realmente saber do assunto. Aquilo parecia ser um assunto bastante pessoal e que obviamente eu desconhecia.
- Não quero discutir isso, - ele declarou. - Todo mundo tem problemas no relacionamento, comigo não é diferente.
- Bem, eu não tenho - disse ela. - Eu e Oliver nos damos super bem.
Segurei-me para não revirar os olhos e ignorei as batidas do meu coração ao ouvir o nome do meu melhor amigo. Há dias eu me segurava para não perguntar qualquer coisa relacionada a Oliver para e, cada vez que ela falava sobre o quão bem eles se davam ou o quão perfeito estava a relação deles, eu sentia vontade de ir atrás dele e perguntar o motivo pelo qual ele não tinha vindo me procurar, o motivo pelo qual ele não sentia minha falta como eu sentia a dele. Eu queria Oliver de volta, mesmo que fosse apenas como amigo, mas, infelizmente, ele não parecia querer a mesma coisa.
- Vocês estão apenas no começo... Um dia terão problemas.
- Acho que não. Oliver é maravilhoso demais para que eu imagine a gente brigando futuramente.
Remexi-me na cadeira, desconfortável. percebeu.
- Você não disse o que vai fazer depois que acabarem as gravações - ele falou, mudando de assunto. O olhei agradecida; era mesmo um anjo.
- Ah, eu vou tentar conseguir um papel em alguma série. Não consigo pensar em férias agora.
A conversa continuou até o momento em que tivemos que voltar para o set. Agora que minha personagem estava bastante envolvida com o personagem de , nós tínhamos bastantes cenas juntas. Às vezes, eu comparava as minhas atitudes e pensamentos quando as gravações começaram e eu achava que o fato de ser meu parceiro de cena era um castigo que eu estava pagando por meus pecados, e agora eu não conseguia pensar em pessoa melhor para atuar comigo que não fosse ele. Eu já me sentia confortável em ter que contracenar com e, mesmo que tenhamos tido alguns momentos de deslize em L.A., deixamos tudo aquilo para trás assim que saímos de lá. O que aconteceu em L.A. fica em L.A..

’s POV

Girei a chave na fechadura e empurrei a maçaneta, finalmente entrando em casa. Caminhei de fininho pelo corredor escuro com cuidado para não bater em nenhum móvel no meio do caminho. já deveria estar dormindo, assim como Dulcie. Cruzei a sala e andei em direção as escadas, porém, assim que eu pus os pés no primeiro degrau, um par de mãos delicadas se espalmou em meus ombros e um corpo conhecido encostou-se ao meu. .
- Estava esperando você chegar - ela sussurrou perto de meu ouvido. Em outros tempos, aquele gesto teria causado algum efeito sobre mim, mas agora não me causava um mísero arrepio. - Senti sua falta - ela passou a mão por minha cintura, me abraçando. Eu sabia bem aonde ela queria chegar.
- , amor... - gentilmente tirei suas mãos de mim, libertando-me do seu toque e virei para ela, encarando sua figura na escuridão. - Estou cansado. Tudo que eu preciso é de um banho e cair na cama.
- Podemos tomar banho juntos e depois eu posso te fazer uma massagem para relaxar - ela insistiu, agora deslizando suas mãos por meu tórax.
Fechei os olhos, sem saber como iria rejeitar aquela proposta sem machucar os sentimentos dela. pareceu entender aquilo como um sinal de concordância, pois ela se aproximou ainda mais e seus lábios tocaram os meus, iniciando um beijo. Passei a mão por sua cintura e retribuí a carícia sem a mínima vontade. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas há dias que não sentia vontade de fazer qualquer coisa com , nem mesmo beijá-la. Aquilo era errado, eu deveria sentir atração por minha esposa, certo? E eu juro que tentei sentir, mas forçar aquilo não estava funcionando.
Encerrei o beijo e me afastei dela, deixando claro que eu não tinha pretensão de continuar aquilo.
- É uma ótima proposta, mas eu realmente estou cansado. Me desculpe.
Virei-me e subi as escadas. Ao entrar no quarto, segui diretamente para o banheiro, tirando as roupas no caminho. Joguei as roupas sujas no balde e entrei no box, ligando o chuveiro.
- O que está acontecendo com você, ? - ela entrou no banheiro em um rompante. Eu e minha mania de deixar a porta aberta.
- Não tem nada acontecendo. Só estou cansado.
- Desde que voltou de viagem você está estranho. Eu te conheço bem e sei que nunca nega sexo, algo que você vem negando há dias!
- , por favor... Você sabe que o trabalho requer muito esforço físico meu e Trevor tá pegando pesado...
- Você só fala isso! Estou cansada de ouvir a mesma coisa - ela disse, começando a ficar alterada. - Por que você não diz logo que não me deseja mais?
Como é que eu iria explicar algo que nem eu mesmo entendia? Desliguei o chuveiro e pendurei a toalha na cintura, após enxugar o corpo rapidamente. Voltei para o quarto com me seguindo.
- Não é isso. Eu só estou...
- Cansado. EU SEI! - ela explodiu. - Cansado de quê? Já sabemos que Trevor pega pesado, mas não é o suficiente para que você não queira transar comigo!
- Fala baixo, por favor - pedi.
- Apenas diga que você não sente mais desejo por mim! - ela continuou falando alto. - Diga que você quer comer a vagabunda da ! - Ela arregalou os olhos, a compreensão visível em seu rosto. - Você está comendo ela, não está? - ela se aproximou de mim, os olhos arregalados de raiva. - DIGA, JAMES! ME DIGA QUE VOCÊ ESTÁ COMENDO AQUELA PIRANHA DA GELLER!
- Cala a boca, - ordenei. - Você vai acordar a Dulcie!
- Por que você não me responde? - ela pediu mais baixo. Os olhos dela estavam cheios de lágrimas. - Você está transando com ela, não está? É por isso que você não quer nada comigo?
- Está ficando louca, ? Primeiramente, eu não vou permitir que você se refira a dessa forma. Em segundo, eu e somos amigos, eu não estou transando com ela.
“Não mais”, pensei. Eu não gostava da ideia de ter traído minha esposa, mas também não é como se eu pudesse contar para ela o acontecido.
- Amigos? - ela cuspiu as palavras com nojo. - Eu não quero você amigo dela.
- Você não pode escolher meus amigos - suspirei, cansado. - E é bom você se acostumar com a nas nossas vidas.
- Me acostumar coisa nenhuma! Eu não vou ficar sentada e ver você e ela de papinho como velhos amigos.
- Você não tem escolha, . é minha parceira de cena.
- Então eu quero que você saia desse filme - ela disse, decidida.
- Como é? - a olhei chocado.
- Isso mesmo que você ouviu. Eles que se virem pra achar alguém pra te substituir, mas eu não quero você nesse filme.
- Você só pode tá ficando louca - ri, nervoso. - Quem você acha que é pra dizer o que eu devo fazer ou não? Somos casados, mas a minha vida profissional não te diz ao respeito.
Ela arregalou os olhos, sem acreditar que eu estava mesmo falando aquilo.
- Ah, é? - ela marchou até a cama e juntou meu travesseiro e lençol, jogando para mim. - Então vai você e sua vida profissional dormir no sofá!
Ela me empurrou para fora do quarto e fechou a porta, antes que eu sequer pudesse retrucar.
- , ABRE ESSA PORTA - bati na porta com força, sem me importar quem eu acordaria.
- VAI PARA O INFERNO, - ela gritou de volta. - EU NÃO QUERO MAIS OLHAR PARA SUA CARA HOJE.
Respirei fundo e desisti de tentar entrar no quarto. Estava cansado de tantas brigas e discussões. Ambas eram frequentes entre mim e ultimamente e eu não tinha a menor ideia do que fazer para fazer com que meu casamento desse certo. Segui caminho de volta para sala e arrumei o sofá como havia feito nas inúmeras vezes que me expulsou do quarto ao longo dessa última semana.

’s POV

- Você está totalmente acabado - disse para , assim que pus os olhos nele naquela manhã.
- Eu não dormi muito bem - ele suspirou e eu soube que ele tinha brigado com mais uma vez.
- Dormiu no sofá?
- Como você sabe? - ele demonstrou surpresa.
- É o que normalmente acontece quando casais brigam.
- Como você sabe que briguei com ?
- Eu te conheço, . É fácil descobrir - dei de ombros.
- Não sei por que ainda me surpreendo com essas coisas - ele riu fraco.
- Você precisa descansar - afirmei. - Se você quiser, eu posso falar com Trevor e adiantar as minhas cenas sozinhas e com pra que você descanse um pouco. A cama do trailer sempre vem a calhar nessas horas.
- Você faria isso por mim? - ele perguntou, parecendo surpreso.
- Claro que sim! Não sei por que você se surpreende com essas coisas - repeti o que ele tinha dito minutos atrás. Ele riu juntamente comigo.
- Obrigado, . Fico te devendo uma.
Ele depositou um beijo em minha bochecha e se afastou. Observei ele desaparecer por entre os trailers com um sorriso besta no rosto. O local onde ele tinha beijado formigava de um jeito bom. Aquela sensação que me causava era boa e eu não queria me livrar daquilo.
Falei com Trevor como prometido e ele aceitou na hora. Contanto que não houvesse atraso, estava tudo certo para ele. Gravei algumas cenas sozinhas enquanto não chegava, mas não demorou pra que ela chegasse, acompanhada do namorado. Era a primeira vez que eu via Oliver desde que voltamos de L.A.. Ele estava incrivelmente lindo, mas isso não era novidade para ninguém. Por onde ele passava, as meninas da equipe ou as figurantes praticamente babavam por ele, o que também não era novidade. O sorriso que ele exibia no rosto enquanto falava com exalava felicidade e não tenho vergonha de admitir que senti inveja dela por ter aquele sorriso direcionado só para ela.
Como se soubesse que estava sendo observado, Oliver olhou em minha direção e o sorriso que antes estava em seu rosto, desapareceu sendo substituída por uma expressão que eu desconhecia. Desviei o olhar, constrangida demais para continuar encarando. Não dava para acreditar que agora eu teria essas reações toda vez que visse ele desfilando por aí. Era como se fossemos dois desconhecidos. Eu não gostava daquilo, mas não tinha nada que eu pudesse fazer a respeito.
Com a chegada de , continuamos a gravar as cenas que agora envolvia nossas personagens. Passamos três horas gravando juntas e, isso não só garantiu um bom tempo para que descansasse, como também garantiu a felicidade de Trevor por ter adiantado boa parte das cenas planejadas para as gravações de hoje.
- Quer vir almoçar com a gente? - perguntou, assim que Trevor disse que estávamos dispensadas para o almoço.
- Eu tenho que ir acordar , mas obrigada pelo convite - respondi, tentando ser simpática. Claro que eu não aceitaria o convite. Seria estupidez aceitar.
- Fica para a próxima, então - ela sorriu e seguiu caminho em direção à Oliver.
Segui o caminho oposto ao dela, em direção aos trailers. O camarim de era praticamente vizinho do meu, então não tive muito trabalho em achar. Parei em frente a porta que continha o nome “ ” estampado e bati três vezes na mesma. Esperei um pouco, mas como não houve resposta, bati mais três vezes. Nada. tinha o sono pesado, seria difícil acordá-lo. Bati mais uma vez, sem sucesso de resposta então tentei a maçaneta, que, felizmente estava aberta. O interior do trailer é quase igual ao meu, o tamanho também era o mesmo então não tinha mistério nenhum ali pra mim. Segui caminho pelo pequeno corredor apertado, até encontrar dormindo serenamente em sua cama. Ele estava mesmo cansado. Será que não podia parar de ser egoísta um pouquinho e cuidar do marido dela direito? Aproximei-me da cama e me sentei ao seu lado, observando-o dormir. Senti pena por ter que acordá-lo, mas era necessário.
- ... - toquei seu braço com cuidado, balançando-o levemente. - ... - chamei uma segunda vez e ele se mexeu minimamente. - , acorda... - chamei pela terceira vez. Ele se remexeu e abriu os olhos lentamente, conforme se acostumava com a claridade que entrava pela pequena janela.
- Oi... - murmurou ele, seus olhos agora me observando.
- Já está na hora do almoço. Achei melhor vir te chamar...
- Ah, sim - ele se sentou, espreguiçando-se. - Como entrou aqui?
- A porta tava aberta. Desculpa pela invasão - fiz careta.
- Que isso, não tem problema - ele sorriu.
- Dormiu bem?
- Sim. Nossa, eu estava precisando mesmo disso. Obrigado pela ajuda, .
- Fico feliz por ajudar - respondi sincera. - Está com fome?
- Morrendo de fome - ele riu. - Vou ao banheiro e a gente vai almoçar, está bem?
Assenti e ele se levantou da cama e seguiu para o banheiro. Preferi esperá-lo na entrada. Sentei-me no sofá para esperá-lo, mas ele não se demorou tanto quanto eu imaginava. Logo, estávamos a caminho de algum restaurante próximo ao set. Coincidência ou não, estava lá com Oliver. Tentei passar despercebida, mas notou nossa presença e começou a acenar em nossa direção.
- , ! Venham se juntar a nós! - ela falou um pouco alto, chamando a atenção de Oliver, que se virou para nos olhar.
e eu nos encaramos brevemente. Eu sabia que ele queria saber minha opinião e também sabia que se eu não quisesse, ele inventaria uma desculpa qualquer e nós iríamos sentar em qualquer lugar que não fosse com o casal. A intensidade que Oliver me encarava da mesa também dizia que ele não queria que eu me sentasse ali. Tudo apontava para que eu não aceitasse o convite; seria incrivelmente estranho, eu sabia disso. Porém, eu estava cansada desses dramas. Que minha vida era repleta deles eu já sabia, mas dessa vez eu iria enfrentar a situação de cabeça erguida. Uma hora ou outra isso teria que acontecer, certo? Então, ignorando as batidas fortes do meu coração e as vozes em minha cabeça, eu andei em direção à mesa com ao meu lado.
- Você recusou meu convite, mas parece que o destino quer mesmo que a gente almoce juntas - comentou ela, assim que me sentei à mesa.
Sabe quando eu disse que aceitar o convite dela seria estupidez? Aqui estava eu sendo estúpida mais uma vez.
- Pois é - ri com ela, mas sem realmente achar graça na situação. Eu estava mesmo era nervosa.
- Soube que passou a manhã toda dormindo, - ela passou a atenção da conversa pra e eu não pude ser mais grata por isso. - Problemas pra dormir?
- Não consegui dormir direito durante a noite - ele deu de ombros, tratando aquela situação como descaso. O que obviamente não era.
- Não sei como Trevor deixou que você dormisse. Ele deveria estar de muito bom humor.
- Se ele estava de bom humor, não cheguei a saber. Meu descanso eu devo a , foi ela que falou com Trevor.
Pelo canto de olho pude perceber que Oliver levantou a cabeça, parecendo interessado na conversa.
- Ah, sério? - perguntou surpresa.
- Não foi nada demais - dei de ombros. - merecia descansar e eu o ajudei.
O garçom apareceu com o cardápio, o que deu aquele assunto por encerrado. Céus, tinha como aquilo ficar mais estranho?
Claro que tinha.
E claro que eu não consegui evitar observar Oliver enquanto ele olhava distraidamente o cardápio enquanto e escolhiam o que iam comer. Eu já tinha dito que ele estava especialmente ainda mais lindo hoje? Eu e meu maldito coração apaixonado.
Como se soubesse que estava sendo observado, Oliver levantou os olhos e me encarou. Seus olhos diziam tudo e ao mesmo tempo não diziam nada. Estava impossível decifrá-lo naquele momento e, mesmo que eu tenha sido pega, eu não conseguia desviar o olhar. Meus olhos estavam presos aos dele e eu não conseguiria enxergar mais nada ao meu redor que não fosse ele.
Merda de coração apaixonado.
Tinha tanta coisa que eu queria dizer pra ele. Tanta coisa que eu gostaria de pedir e perguntar. Oliver é a pessoa mais importante na minha vida; ele me conhece como ninguém; eu dividia meus segredos com ele e agora tudo isso estava destruído por causa de um erro estúpido meu. Eu arruinei a nossa amizade.
- ? - a voz de me chamando me trouxe de volta à realidade. Olhei para ele atordoada e só depois que vi sua reação, foi que percebi que estava prestes a chorar. Balancei a cabeça tentando me recompor e me levantei em um pulo.
- Eu vou ao banheiro, com licença - e saí em disparada sem ao menos esperar alguma resposta. Entrei no banheiro e me tranquei em uma das cabines, só então me permitindo desabar de verdade. Onde eu estava com a cabeça quando decidi que seria uma boa ideia enfrentar meus problemas e sentar naquela mesa com eles dois? Fui muito ingênua em pensar que tudo ficaria bem e aquele almoço seria uma maravilha. A realidade é bem diferente daquilo que imaginamos; eu deveria saber disso muito bem.
Após minutos que pareceram uma eternidade, finalmente consegui parar de chorar. Saí da cabine e me aproximei da pia. Meu reflexo no espelho praticamente gritava o quão eu era fraca por ficar abalada assim na frente de todo mundo e depois sair correndo como uma menininha. Liguei a torneira e joguei um pouco de água no rosto, na falha tentativa de tentar melhorar minha aparência. Como eu iria conseguir encarar novamente depois de tudo, eu não sabia, mas também não poderia me esconder ali pra sempre. Fechei a torneira e enxuguei o rosto e saí do banheiro de uma vez por todas. Felizmente, acabei esbarrando com no corredor.
- Pensei que tivesse fugido pela janela - ele brincou.
- Bem que eu queria - ri fraco. - Me desculpe.
- Vem cá - ele me puxou para um abraço. - Você não tem que se desculpar. Eu não deveria ter deixado você ir sentar naquela mesa com eles.
Afundei o rosto em seu peito e aspirei seu cheiro, me sentindo automaticamente mais calma.
- Eu sou muito burra - lamentei-me. - Como eu vou voltar pra lá e encarar os dois agora?
Ele se afastou para poder me olhar.
- Você não precisa fazer isso e você não é burra. Você é a mulher mais incrível que eu conheço.
- Você continua me dizendo essas coisas, mas as minhas ações discordam com você.
- Pare de se botar pra baixo. Você é uma mulher forte e independente, não precisa ficar chorando por causa de um moleque que não soube lidar com os seus sentimentos e ainda assim tentar manter a amizade.
Eu queria acreditar que o que ele falava era verdade, mas era difícil. No entanto, eu apreciava o seu esforço para fazer com que eu me sentisse melhor. Cada vez que agia daquela forma, mais eu o queria por perto.
- Obrigada por estar sendo tão incrível comigo.
- Eu me importo com você e só quero te ver feliz.
O abracei em agradecimento.
- Vem, vamos voltar pra lá.
Ele me encarou em dúvida.
- Tem certeza?
- Tenho - confirmei.
De uma coisa eu tinha certeza. Enquanto eu tivesse do meu lado, eu ficaria bem.

Capítulo Dez

- Você está bem? - me perguntou assim que me sentei à mesa.
- Estou sim. Só foi um ligeiro mal estar, mas já passou.
- Tem certeza? Você não quer ir para o hospital? - ela estava visivelmente preocupada. Se ela soubesse que o motivo do meu “mal estar” era o namorado dela, pelo qual estava apaixonada, essa preocupação toda não estaria ali.
- Não. Estou bem, não se preocupe - garanti.
- O seu almoço chegou enquanto estava fora - ela apontou para o prato de comida à minha frente.
Peguei o garfo e comecei a comer sem nem pestanejar. Enquanto mantivesse minha boca cheia, menos perguntas teria que responder. Não voltei a olhar para Oliver; era mais seguro se eu me fechasse no meu próprio mundo e esquecesse que meu ex-melhor amigo estava ali bem perto de mim.
- Sabe, eu admiro muito a amizade de vocês dois - comentou durante um assunto qualquer que ela estava tendo com . Mantive-me calada praticamente o tempo todo, mas uma hora minha comida acabou e eu tive que enfrentar aquilo que chamavam de conversa entre amigos. Oliver e até chegaram a trocar algumas palavras, o que me surpreendeu até certo ponto, mas, tirando esses momentos, Oliver estava tão calado quanto eu. - É muito raro ver duas pessoas que costumavam ser um casal se tratando como dois amigos.
- Eu e somos diferentes - respondeu e sua mão tocou a minha por cima da mesa. Olhei para ele, que sorria para mim e sorri de volta. - Tivemos alguns problemas no início, claro. Ela me odiava - brincou.
- Ei, eu não te odiava - me defendi. - Eu só... Não suportava respirar o mesmo ar que você por muito tempo.
Ele e riram. Pelo canto do olho pude ver Ollie se remexer desconfortável.
- Fico feliz que consegui mudar isso.
- É, eu também - concordei.
- Tá vendo, é isso que eu admiro - se intrometeu. - Isso nunca aconteceu comigo. Também não posso dizer que gostaria que isso acontecesse - ela revirou os olhos e riu, assim como eu e .
- A conversa está muito boa, mas eu tenho que ir embora - Oliver se pronunciou, atraindo a atenção da namorada para si.
- Ah, eu vou com você - falou, se levantando. - Enquanto você pede a conta ao garçom, eu vou ao banheiro - ele assentiu e ela saiu em direção aos banheiros. No mesmo instante o telefone de começou a tocar e ele também se retirou para que pudesse atender. Vi-me sozinha com Oliver e um clima tenso se instalou ali. Pela segunda vez naquela tarde, peguei-me o observando, só que dessa vez ele não me olhava de volta.
- Quando foi que chegamos a esse ponto? - ouvi minha própria voz perguntar. Oliver me encarou totalmente surpreso. Eu também estava. Pra mim, aquela pergunta tinha sido feita mentalmente, mas parece que meu corpo e minha mente não estavam colaborando comigo.
- Não sei - ele respondeu, por fim. - Talvez quando você me pediu para ficar longe.
A voz dele era fria e cheia de sarcasmo. Aquilo doeu; ultimamente, tudo que era relacionado a Oliver estava me machucando mais do que eu gostaria.
- Me desculpe por ter me apaixonado por você. Eu me odeio por ter destruído nossa amizade dessa forma.
- Eu não quero ter essa conversa - ele balançou a cabeça. - Você pediu para que eu ficasse longe, eu estou ficando. Não entendi o motivo de você ter aceitado sentar comigo e minha namorada para almoçar como se tudo estivesse normal.
- Por que você está me tratando dessa forma? Você acha que eu queria me apaixonar por você? Aconteceu, Oliver. Eu não mando nos meus sentimentos.
- Eu não sei o que posso te dizer, . Já disse que não quero ter essa conversa.
- Eu sinto sua falta - uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto e eu tratei de enxugá-la. Me recusava a chorar na frente dele. - Eu quero meu melhor amigo de volta.
Ele me encarou, a feição indecifrável. Eu queria muito saber o que ele estava pensando, se ele também sentia minha falta, mas, se tinha uma coisa em que Oliver era extremamente bom, era em esconder seus verdadeiros sentimentos. De longe, vi que estava voltando para a mesa.
- Não sei se isso ainda é possível - foi a última coisa que ele disse, antes de se levantar e puxar pra fora do restaurante.
Fechei os olhos com força, tentando de todas as formas impedir que as lágrimas saíssem dos meus olhos. Meu sofrimento nunca acabava?
- Ei, você está bem? - perguntou, sua voz transbordando preocupação.
- Não.
- Vamos sair daqui.
Ele pagou pelo almoço e me puxou para bem longe daquele lugar.

- Eu não vou cansar de te agradecer por ficar do meu lado.
Eu e estávamos no meu trailer, ele sentado no sofá, enquanto eu estava deitada com a cabeça repousada em seu colo. Ainda tínhamos alguns minutos até a hora do almoço acabar e eu aproveitei cada minuto deles pra chorar no colo de .
- E eu não vou cansar de te falar que não precisa me agradecer. Eu sempre vou estar aqui pra você.
- Você tem sido tão bom pra mim.
- E você pra mim - ele respondeu, fazendo carinho no meu cabelo. - Eu gostaria de fazer mais por você.
- Não há mais nada que você possa fazer por mim que você já não tenha feito.
- Eu queria poder te ajudar a curar suas feridas - murmurou baixinho, mas eu escutei. - Consertar os erros que eu cometi e te fazer feliz no processo.
- ... Esse caminho é perigoso.
Sentei-me no sofá, sem deixar de encará-lo.
- Desculpe, é que eu não consigo parar de pensar no quanto eu perdi quando deixei você escapar por entre meus dedos. Eu nunca verdadeiramente te esqueci... E agora ver você sofrer por outro que não te dá valor e não poder fazer nada a respeito me mata.
- , você está casado com ...
- Eu sei - ele suspirou. - Mas estou pensando seriamente se quero continuar com esse casamento - arregalei os olhos com a nova informação.
- , eu não quero ser motivo de separação sua com a .
Eu me recusava a aceitar aquilo. Aquela conversa já era estranha por si só.
- Não é por sua causa. Eu já vinha pensando há algum tempo, mas agora com todas as crises de ciúmes e as brigas, minhas dúvidas só aumentaram.
- Você tem certeza que isso não é só uma crise que vai passar?
Ele suspirou e olhou para o chão. Eu percebia agora o quanto aquela situação com estava o afetando. Senti-me mal por não ter percebido antes, estava tão presa no meu próprio drama que sequer prestei atenção nas pessoas à minha volta.
- Não acho que isso é algo passageiro. A gente briga todo dia, eu não estou dormindo direito e isso tá me estressando bastante. E eu não consigo mais... Você sabe... Sentir tesão.
- Muita informação, muita informação - falei, tentando expulsar a imagem e e transando da minha mente.
- Desculpe - ele riu. - Mas é basicamente isso. Estou cansado de tentar fazer meu relacionamento dar certo, quando tudo que quer é só brigar.
- Realmente, é bastante complicado - ponderei. - Queria poder te ajudar a resolver isso, mas tudo que eu posso fazer é te aconselhar a seguir seu coração.
- Isso já ajuda bastante - respondeu ele.
- Que bom - sorrimos um pro outro e permanecemos em silêncio. Não havia mais nada pra falar, mas ficar em silêncio não me parecia uma boa opção, pois ficou me encarando de forma tão intensa que cheguei a ficar tímida. Ele abriu um sorriso terno e, com a mão, colocou meu cabelo atrás da orelha, deixando minha bochecha livre para o seu toque.
- Você fica ainda mais linda tímida...
E claro que depois que ele falou aquilo, eu fiquei ainda mais tímida. Ele riu, se divertindo às minhas custas. Seus olhos me encaravam intensamente e, mesmo que minha mente estivesse em alerta vermelho e gritasse para que eu me afastasse, eu me encontrava presa ali naquele sofá. desceu seu olhar para minha boca e mordeu os lábios, enquanto aproximava ainda mais o rosto do meu. Senti minha própria respiração acelerar e tentei com todas as minhas forças pensar em algo que me fizesse sair dali.
- , eu... - ainda tentei falar, mas ele me cortou na metade da frase.
- Não diz nada... Você disse pra eu seguir meu coração... Só estou seguindo seu conselho...
Os olhos de tinham um brilho diferente, algo que eu nunca tinha visto antes e, eu me encontrei sem forças para combater aquilo. A tensão que existia entre a gente era mais forte que eu, era algo que não dava pra combater, então deixei que ele se aproximasse mais, que nossas respirações se misturassem e os nossos narizes encostassem um no outro. Fechei os olhos, ansiando para sentir seus lábios nos meus, mas esse momento não chegou a acontecer.
Batidas na porta me assustaram e eu pulei pra longe de devido ao susto.
- , Trevor mandou avisar que o horário de almoço acabou - Jane nunca tinha chegado em um momento tão apropriado como aquele. A esse momento, eu estaria me atracando com o novamente, se não fosse minha assistente.
- Já estou indo - gritei de volta quando me recuperei do susto. Olhei para e ele me observava com uma cara engraçada. - Que foi?
- Nada - respondeu, mas dava pra ver claramente que ele segurava o riso.
- Vamos logo, vai - o empurrei para fora do trailer. - Trevor está nos esperando e não queremos deixar o chefe irritado, certo?
- Certo, madame.
Limitei-me a revirar os olhos e segui em direção ao local destinado às próximas gravações com ao meu lado.

Gravamos mais três cenas durante o resto da tarde. Já se passava das seis da noite quando e eu começamos a gravar a última cena do dia e essa envolvia uma cena na qual a personagem de descobria sobre a traição do marido e de Melissa, minha personagem. Depois de trocar de figurino pela milésima vez naquele mesmo dia, me juntei a e para que a gravação fosse iniciada.
- Okay. Vocês já sabem o que fazer, certo? - Trevor perguntou. Assentimos ao mesmo tempo em resposta. - Ótimo. e fiquem em posição.
Seguimos as instruções de Trevor e nos posicionamos na entrada do que seria o corredor de um hotel. me abraçou por trás, como mandava o script e Trevor se preparou para dar início à gravação da cena.
- Finalmente eu vou poder concluir o que comecei no trailer - ele sussurrou em meu ouvido, me pegando de surpresa. Não tive tempo de processar e responder, no entanto. O grito de Trevor ecoou pelo local e a cena começou a desenrolar.
Tive que colocar toda a minha concentração para não esquecer uma linha sequer do que tinha decorado. Não que tivesse muitas falas nesse momento em particular. Meu corpo foi prensado na porta que daria para o quarto e os lábios de tomaram os meus, iniciando um beijo. Uma coisa era certa pra mim: de profissional aquele beijo não tinha nada. Deixei que ele continuasse da forma que queria, afinal, quanto mais real melhor, certo?
Entre beijos e algumas falas, entramos no quarto e seguimos direto para cama, tirando nossas roupas e jogando-as no chão do quarto no meio do caminho. Caí na cama apenas de lingerie e se aproximou apenas de cueca. Não pude deixar de observar o quanto o corpo dele era perfeito. Não que eu já não tivesse visto outras vezes, mas somente naquele momento eu tinha parado para realmente prestar atenção em como o tempo só havia feito bem a ele. subiu na cama, ficando por cima de mim e encaixou uma de minhas pernas em sua cintura, segurando minha coxa com possessão. Voltamos a nos beijar e, nesse momento, eu sabia que não estávamos agindo como Otto e Melissa. E a pior parte: eu estava gostando daquilo. Estava gostando de ter ele me beijando daquela forma, me tocando daquela forma, do seu corpo no meu... Estava tão presa àquele momento que até esqueci que ali tinha câmeras e pessoas olhando. Só me dei conta do que estava fazendo quando entrou no quarto em um rompante, assustando a nós dois.
Felizmente, ninguém percebeu, pois o susto fazia parte do desenrolar da cena, então tratei de me recompor e entrar no personagem. Olhei para e ele se encontrava na mesma situação que eu. É, pelo visto eu não era a única que tinha saído do personagem.

Entrei no meu trailer, exausta e confusa. Depois que terminamos de gravar e Trevor nos liberou, praticamente corri de volta para meu trailer. Eu já tinha pensado e repensado em possíveis motivos para minha falta de profissionalismo, mas não tinha encontrado nenhuma que justificasse. me fazia bem e com ele eu me sentia segura, mas se eu estava tão apaixonada por Oliver, por que eu ainda sentia tamanha atração quando se tratava de ? Talvez estivesse carente e estivesse tentando substituir Oliver com ele, mas não podia deixar de pensar que estava pisando em ovos. era casado com e mesmo que ele estivesse pensando em acabar com o matrimônio, eu não podia me deixar envolver com ele novamente. Afinal, eu tinha terminado o noivado por causa de uma traição. Por outro lado, não poderia ignorar todas as coisas que ele tinha me dito sobre ter se arrependido e todas as coisas que ele vinha fazendo por mim. estava cuidando de mim mesmo sem eu pedir e ele não estava querendo nada em troca. Ele só queria me ver feliz.
Depois de tirar o figurino e vestir a roupa que tinha vindo para o trabalho mais cedo, juntei minha bolsa e a chaves do carro e saí do trailer, fechando a porta ao passar. Segui caminho por entre os trailers em direção ao estacionamento, porém, um par de mãos me puxou, encostando-me contra um dos trailers com força.
- MAS QUE M... Oliver? - falei ao reconhecer a figura à minha frente.
- Foi por isso que você pediu para eu me afastar? Para que você pudesse ficar com ?
- Como é que é?
- Eu vi o quanto vocês estavam envolvidos gravando aquela cena, . Eu te conheço o suficiente para saber que você não estava sendo profissional ali.
Não acreditei no que estava ouvido. Eu sabia que ele estava certo, mas quem era ele pra vir me crucificar depois da forma que ele me tratou mais cedo?
- E quem você pensa que é pra vir me dar lição de moral, Oliver? - me livrei de seu toque. - Porque você deixou bem claro que a nossa amizade não tem mais volta.
- Você disse que estava apaixonada por mim, você estragou a nossa amizade - ele acusou.
- Sim, eu me apaixonei por você e, sim, eu destruí nossa amizade, mas eu pedi desculpa por isso, eu disse que sentia sua falta e queria meu melhor amigo de volta e o que você disse? Que não queria falar sobre o assunto.
- E isso te dá o direito de correr para os braços do ?
- Eu não corri para os braços dele! Caso você não tenha percebido, tem me dado apoio, tem sido um grande amigo enquanto você escolheu me dar as costas e não estava nem olhando na minha cara porque não soube lidar com o fato que sua melhor amiga estava apaixonada por você!
- Eu sei bem o apoio que ele tem te dado - ele disse sarcasticamente. - Eu posso te dar esse apoio também, se você quiser - ele tocou minha cintura e aproximou seu corpo do meu.
O encarei sem acreditar que aquele era a pessoa que um dia considerei como melhor amigo, a pessoa pela qual eu estava apaixonada.
- Você não tem o direito de brincar com meus sentimentos - afastei suas mãos de minha cintura, tomando devida distância dele. - Quem é você e o que fez com o Oliver que eu conhecia e chamava de melhor amigo? Porque eu não estou te reconhecendo mais e, se você foi sempre assim e eu fui cega demais para perceber, então eu faço questão de reforçar o meu pedido. Fique longe de mim!
Não esperei que ele me respondesse. Dei as costas e corri em direção ao meu carro. Não olhei para trás nenhuma vez e muito menos permiti que as lágrimas caíssem de meu rosto. Eu não choraria por Oliver nunca mais, não valia a pena e agora eu sabia disso.

Um mês depois...

Hoje era o último dia de gravação. Não dava para acreditar que oito meses passaram tão rápido assim. Trevor estava mais feliz que nunca e isso se devia ao fato de conseguimos filmar o filme poucos dias do prazo final. Cheguei ao set bem cedo, apesar de não ser necessário. Havia poucos funcionários no local, então segui diretamente para o local que seria meu trailer pela última vez hoje. Entrei no tão conhecido camarim, deparando-me com os figurinos que usaria pela última vez e o último script. Olhei ao redor, guardando cada pedacinho daquele lugar na minha memória. Cada pedaço daquele lugar equivalia a uma lembrança para mim, a começar pela cama. Lembro perfeitamente do primeiro dia em que deitei naquela cama, Oliver estava comigo e, após uma pequena provocação minha, acabamos transando. Sorri com a memória. Apesar de não ter mais ele em minha vida e ter bloqueado totalmente meus sentimentos em relação a ele, eu escolhi por não deletar as boas memórias de minha mente. Era melhor carregar apenas lembranças boas do que ficar sem nada.
Voltei para a entrada e sentei-me no sofá. Aquele trailer me deu tanto momentos bons como ruins. Brigas com , conversas com , os momentos que eu chorei por causa de Oliver, por causa de estresse, por causa da TPM etc. Tudo aquilo fazia com que eu me sentisse nostálgica e eu me peguei, mais uma vez, com uma vontade imensa de chorar. Eu não estava pronta para dizer adeus pra tudo isso. O filme que eu tanto tinha relutado e me recriminado por ter aceitado no início, tinha passado a ser parte de mim e agora que estava prestes a acabar, eu não tinha ideia do que fazer a seguir.

O toque do celular anunciou que alguém tinha me mandado uma nova mensagem e eu peguei o aparelho. Era uma mensagem de .

Bom dia. Acabei de chegar ao set e não tem quase ninguém aqui. Morrendo de tédio... Que horas você chega?

Ri sozinha. era o único além de mim que chegaria cedo mesmo sem precisar. Bem, eu não o culpava, não era fácil aturar a mulher que ele tinha.
Deixei meu trailer e caminhei até o trailer de . Abri a porta sem me importar em pedir permissão antes. Não era necessário, já tínhamos intimidade suficiente.
- Bom dia, senhor - anunciei minha chegada. estava esparramado no sofá, mexendo no celular. - Nossa, você está mesmo entediado.
- Ainda bem que você está aqui - ele se afastou, dando espaço para que eu sentasse.
- O que faz aqui tão cedo?
- - revirei os olhos.
- O que ela fez dessa vez?
- Sei lá... Ela começou a brigar do nada e eu preferi sair de casa do que ficar escutando ela no meu ouvido. E ainda trouxe a Dulcie comigo - ele apontou para cama e só então notei a pequena dormindo no colchão.
- Por que você ainda está com ela mesmo?
- Porque você não me quer - ele fez bico.
- É sério - dei uma tapinha de leve em seu ombro e ele riu.
- Eu tento conversar com ela sobre a separação, mas parece que ela adivinha e sempre muda o rumo da conversa.
- Eu entendo, mas se você quer acabar com o casamento, é melhor fazer logo do que ficar preso em algo que não te faz feliz.
- Tem razão - concordou. - Você sempre me dando ótimos conselhos.
- Você sabe que estou aqui para o que precisar - garanti. - Agora, chega pra lá e liga essa televisão que eu quero assistir.
- Sim senhora - ele riu e ligou o aparelho, deixando em um desenho que ele sabia que eu gostava. Ajeitei-me no sofá, encostando a cabeça em seu ombro e me abraçou pelo ombro, tornando minha posição mais confortável. Ficamos assistindo por um tempo, até que o choro de uma criança chamou nossa atenção. se levantou e correu até sua filha para acalmá-la. Observei a cena e foi inevitável não sorrir ao ver os dois juntos. Eu sempre soube que ia ser um bom pai e, mesmo que a filha não seja nossa, aquilo ainda era verdade. Ele sabia lidar com crianças e aquilo era essencial.
- Papai, quem é essa moça? - ouvi a garotinha perguntar e olhou para mim rapidamente antes de responder.
- Ela é aquela amiga do papai que te deu o animalzinho de pelúcia, lembra?
Ela assentiu em resposta.
- Posso ir falar com ela? - ela pediu com a sua vozinha fofa.
- Claro meu amor.
A pequena se levantou da cama com a ajuda de e veio em minha direção timidamente. Sorri para ela, a encorajando a se aproximar. A garotinha era linda e apesar de ter muitos traços da , as partes marcantes eram do , como os olhos azuis e o belo sorriso.
- Oi. Qual é o seu nome? - Ela perguntou ao se aproximar.
Me ajoelhei no chão em frente ao sofá, ficando assim na mesma altura que ela.
- Oi, pequena. Eu sou e você deve ser a Dulcie, certo? - ela assentiu. - Muito prazer.
- Você é linda.
Sorri abertamente ao ouvir aquele elogio. Ela era tão fofa e linda que eu tive vontade de roubá-la pra mim.
- Obrigada meu amor. Você também é muito linda, parece uma princesinha.
- Papai fala que eu sou uma princesa.
- Ele tem toda razão.
Olhei pra e ele sorria para mim. Aquela era a primeira vez que eu interagia com Dulcie. Se soubesse daquilo, provavelmente daria um ataque, mas pouco me importava. A filha também era de e, se ele tinha me dado carta branca, por que eu iria me preocupar com o que pensa?
Não ficamos muito tempo dentro do trailer. Dulcie sentiu fome, então decidimos sair para tomar café em uma Starbucks perto do set. O local era aconchegante e discreto, o que precisávamos naquele exato momento. Segui para mesa com Dulcie, enquanto foi fazer os nossos pedidos. Acomodei a garota na cadeira e sentei na cadeira oposta, deixando o lado vago para que sentasse perto da filha. Minutos depois, ele voltou com os nossos pedidos.
- Então Dulcie... - comecei chamando a atenção da garota. - Você gostou do tigre de pelúcia?
- Muito! Obrigada, tia .
Escutar ela me chamando de tia me pegou de surpresa, ainda mais porque ninguém tinha a ensinado isso... Foi totalmente natural.
- Por nada, pequena. Fico feliz que tenha gostado do brinquedo.
Ela sorriu pra mim e continuou a devorar seu café da manhã. Fiz o mesmo, completamente satisfeita pela situação que me encontrava.

Quando voltamos para o set, toda a equipe já estava lá montando os equipamentos, juntamente com Trevor que dava algumas coordenadas enquanto eles montavam os últimos cenários. Achei que seria melhor ir me trocar, então me despedi de e da pequena e corri de volta para meu camarim. O figurino dessa cena era um dos meus favoritos, pois era a roupa que Melissa usava quando estava executando suas missões como espiã. Depois de me vestir e passar pelo maquiador, fui para onde seria o primeiro cenário, onde encontrei com .
- Hey, . Bom dia - ela me cumprimentou quando me aproximei.
- Bom dia - a abracei rapidamente. - Como está se sentindo sabendo que hoje é o último dia?
- Feliz e triste ao mesmo tempo - respondeu ela. - Nem acredito que não vou mais ver vocês diariamente.
- Ainda vamos nos ver muito até o dia da estreia do filme - garanti. - Além do mais, podemos sempre marcar de sair.
- Com certeza - ela concordou. - Nunca imaginei que fosse fazer uma amiga aqui. Estou bastante feliz por ter te conhecido.
- Te digo o mesmo. Quem diria que eu viraria amiga da minha ídolo? - ri comigo mesma. - O mundo acaba te surpreendendo.
- E agora eu também sou tua fã - completou ela.
- Isso é bom demais pra ser verdade. Me belisca aqui - estiquei o braço de brincadeira. - Ai! - dei um gritinho quando ela realmente me beliscou.
- Você pediu - ela se defendeu, rindo e eu acabei rindo junto.
- Posso saber do que vocês estão rindo? - se aproximou.
- Besteira - abanei as mãos, indicando que não era grande coisa. - Cadê a Dulcie?
- A deixei com sua assistente. Tem algum problema?
- Nenhum. Jane adora crianças.
- Estou vendo que o papo tá ótimo, mas essas cenas não vão se gravar sozinhas - Trevor gritou, chamando a nossa atenção. Olhamos uns para os outros e eu segurei a risada. O bom humor do meu chefe nunca dura, nem mesmo no último dia de gravação.

Como de costume, as gravações foram bastante divertidas. gostava de me fazer rir sempre que podia, até mesmo pra descontrair momentos de tensão ou até mesmo quando Trevor reclamava de algum erro bobo que cometemos. Acho que até mesmo Trevor se divertia com a situação, mesmo que não demonstrasse.
Não dava pra acreditar que aquele era o fim. Tanta coisa aconteceu e mudou. Gravar esse filme foi e será uma das minhas melhores experiências e, definitivamente, eu aprendi várias coisas com cada um ali.
- MAIS UMA VEZ - Trevor gritou, quando acabamos caindo na gargalhada por causa de uma brincadeira boba de . - Eu gostaria que você parasse de fazer brincadeiras, .
A cara séria que ele fez desencadeou em um mar de gargalhadas da nossa parte. Trevor ficou vermelho, mas eu sabia que no fundo ele queria rir também.
- Desculpa, vamos ficar sérios agora - disse, tentando segurar a risada. Trevor, por sua vez, revirou os olhos e voltou a dar instruções sobre a cena.

Gravar a última cena não foi fácil. Pensar que, depois que aquela cena acabasse, estaria tudo acabado deixava meus sentimentos à flor da pele. Várias vezes tivemos que parar porque eu errava a fala, mas a verdade é que eu estava me segurando para não chorar e acabava errando sem querer. Confesso que também queria adiar o momento em que Trevor daria tudo por encerrado.
Porém, não podemos adiar as coisas para sempre e, como tudo um dia chega ao fim, a gravação da cena também chegou. Trevor deu o grito final e assim que as câmeras foram desligadas, todo o elenco, figurantes e até mesmo Trevor nos abraçamos em conjunto. Aquilo não foi combinado, simplesmente aconteceu. Ao nos afastar, batemos palmas para nós mesmos, os colegas de trabalho e o nosso diretor.
- Ah, não. Você está chorando Trevor? - se pronunciou e imediatamente olhei para meu chefe, constatando que ele estava mesmo chorando. Aquilo foi o suficiente para que eu começasse a chorar também. E, de repente, todos estavam se debulhando em lágrimas, cada um com seu próprio motivo. Abraçamos uns aos outros e, por fim, eu abracei Trevor fortemente.
- Foi ótimo trabalhar com você, - ele falou depois que nos separamos. - Você é uma artista incrível e tem um caminho longo pra brilhar bem mais do que você já brilha.
Sorri e foi necessário de todo o meu controle para que eu não começasse a chorar de novo.
- Obrigada por tudo, por ter me dado essa oportunidade e ter aguentado todo o drama que minha vida pessoal trouxe. Eu vou sentir muita falta de gravar todo dia.
- Até meus gritos? - ele riu e o acompanhei.
- Até dos seus gritos.
Nos abraçamos novamente e ele se afastou. se aproximou com Dulcie em seus braços.
- Ei, boneca - acariciei o seu cabelo e ela se esticou para que eu a pegasse. Sorri surpresa e a segurei em meus braços. - Tudo bem?
Ela assentiu e deitou a cabeça no meu ombro.
- Ela gostou mesmo de você - comentou.
- Que certa pessoa não descubra - respondi rindo.
- Trevor tá convidando todo mundo pra casa dele. Ele vai fazer uma festinha pra comemorar o fim das gravações e tal. Você vai?
- E perder a chance de conhecer a mansão dele? Claro que vou!
Ele riu.
- Acho que vou também. Só preciso deixar a Dulcie em casa e depois vou direto para lá.
- Tudo bem. A gente se encontra lá então.
Entreguei Dulcie para ele e me despedi da pequena, prometendo que nos veríamos novamente. Pelo menos é o que eu esperava. Fiquei observando se afastar com ela em seus braços e, quando eles sumiram de minha vista, virei de costas e voltei para junto dos outros.
- Quem vê vocês de longe jura que são um casal - apareceu do meu lado, me assustando.
- Quê?
- Você e . A forma que vocês agem um com o outro é tão natural que parece que vocês são um casal.
- Você tá imaginando coisas - ri nervosa. Eu e agindo como um casal? Que papo era aquele?
- Eu só falo o que vejo - ela deu de ombros. - Até dá pra entender o porquê que tem tanto ciúme de você. Eu também teria ciúme se a ex do Oliver agisse com ele da mesma forma que vocês dois.
Abri a boca pra responder, mas não encontrei nenhuma resposta que contra argumentasse aquilo. Eu e estávamos mesmo próximos, mas éramos apenas amigos. Dei de ombros, chegando à conclusão de que não tinha que dar explicação nenhuma para ninguém sobre minhas amizades e a forma que eu ajo com as pessoas que são próximas a mim.
Voltei ao meu trailer para buscar o restante das minhas coisas e, após dar uma breve olhada naquele lugar pela última vez, tranquei tudo e segui para o meu carro, onde dali seguiria para casa de Trevor.

Como era a primeira vez que eu ia até a casa dele, tive que seguir alguns carros dos outros membros da equipe até chegar ao endereço de destino. A mansão do diretor ficava localizada em um bairro bastante rico de Londres, o que não era surpresa, mas, a sua casa, essa sim me surpreendeu. Tinha um jardim enorme na frente e tinha todo tipo de planta e rosas e que você poderia imaginar. A mansão era linda por fora e eu passei a imaginar em como ela deveria ser ainda mais linda por dentro. Estacionei meu carro atrás do carro de Trevor e desci, olhando fascinada ao meu redor.
- Lindo, não é? - parou ao meu lado, tão deslumbrada quanto eu.
- Mal posso esperar para ver como é por dentro.
- Estamos esperando o que então? - perguntou e me puxou em direção à casa.
Subimos os degraus e, logo, passamos pela grande porta aberta. Meu queixo caiu. O local era extremamente lindo. Os móveis rústicos davam tom chique e charmoso à casa. Sem falar que era muito aconchegante. Trevor nos escoltou até a sua grande sala de estar nos indicou o sofá.
- Eu quero levar esse sofá pra casa - disse para . - Eu nem precisaria de cama com um sofá desses.
- Ele sabe mesmo como ter uma vida bastante confortável - ela concordou.
Uma mulher linda e que aparentava ter uns quarenta anos se aproximou de Trevor. Eles sorriram um para o outro e trocaram um breve selinho. Abri a boca, completamente surpresa. Só eu não sabia que Trevor era casado?
- Pessoal, eu quero que você conheça minha esposa, Diana.
- Olá, pessoal. É um prazer conhecer vocês - ela acenou timidamente.
Um a um cumprimentamos a esposa de Trevor. Logo, estávamos todos acomodados no sofá e uma das empregadas trouxe bebidas para todos.
- Eu quero propor um brinde - Trevor se levantou com a sua taça de bebida. - Eu quero dizer que esses últimos oito meses foram uma grande experiência para mim. Eu não poderia ter escolhido um melhor cast para o meu filme e estou muito feliz por termos concluído essa etapa juntos. Então, esse brinde eu dedico à melhor equipe e cast do mundo - ele esticou o braço e assim brindamos.

Depois de um tempo, Trevor colocou música na casa e pudermos nos dispersar. Passei um tempo conversando com e Jane, mas logo Oliver chegou e eu fui obrigada a me afastar. Eu já havia superado os meus sentimentos por ele, mas também tinha me decidido que não iria me humilhar e correr atrás dele e sua amizade.
Decidi que iria dar uma volta pelo jardim e caminhei até a porta, abrindo-a e por coincidência dei de cara com .
- Ei, achei que não vinha mais. Por que demorou tanto?
Ele não me respondeu de imediato. Seu rosto estava sério e aquilo me preocupou, pois eu sabia que ele só ficava assim quando brigava com a . Estava prestes a perguntar o que tinha acontecido, quando ele finalmente me respondeu.
- Acabou. Eu pedi a separação pra .

Capítulo Onze

’s POV

Parei o carro em frente de casa e suspirei, me preparando mentalmente para o que teria que enfrentar. Eu sabia que no momento que passasse por aquela porta, teria que enfrentar mais uma briga com apenas pelo fato de ter que sair novamente ou por qualquer motivo que ela achar que deve brigar comigo. Isso estava acontecendo muito ultimamente.
Saí do carro e abri a porta traseira, retirando cuidadosamente minha filha adormecida de sua cadeirinha. Acomodei-a em meus braços e caminhei até a entrada da casa, parando para abrir a porta. Tudo estava silencioso e a luz da sala estava apagada. Pedi mentalmente para que estivesse dormindo, embora soubesse que era cedo demais para isso. Com Dulcie em meus braços, subi as escadas cuidadosamente e andei até a porta aberta de seu quarto, tomando o maior cuidado para não fazer nenhum barulho e chamar a atenção da , caso ela estivesse em casa. Deitei Dulcie na sua caminha e a cobri com um lençol para que ela não sentisse frio. Sorri ao observar minha pequena dormindo tranquila. Ela estava crescendo tão rápido e sequer tinha noção do que acontecia ao seu redor. Depositei um beijinho em sua testa e me afastei, saindo do quarto antes que aparecesse. Não queria correr esse risco.
Desci as escadas rapidamente e fui direto para a porta, porém, uma voz vinda do alto da escada me parou.
- Pra onde você pensa que vai?
Me xinguei mentalmente e contei até dez antes de virar em direção à minha esposa.
- Vou pra casa do Trevor comemorar o fim do filme.
- Você não vai sequer me chamar pra ir?
- Você sabe que Trevor não quer te ver pintada de ouro depois do que você fez em Los Angeles.
- Então o que você vai fazer lá? - ela desceu as escadas e se aproximou de mim. - Você não tem mais obrigação com ele. Fica com a sua esposa.
- , eu prometi que iria; é importante.
- Prometeu pra quem? Pra ?
Fechei os olhos com força. Lá vamos nós.
- Não começa, por favor...
- Sabe, eu estou bastante feliz que esse filme acabou, só assim você não tem mais que ficar vendo ela todo dia.
- , quer você goste ou não, eu e ainda vamos nos ver. Nós somos amigos e ainda temos muitas coisas relacionadas ao filme pelos próximos meses.
- Vocês são amigos ou amantes? - ela alfinetou. - , eu não sei como você não percebe que ela quer só me dar o troco, que ela quer se vingar de mim por ter roubado de você dela.
- , para. não quer se vingar de você.
- VOCÊ ACHA QUE EU SOU BURRA? - ela se exaltou. Estava até demorando. - EU SEI BEM QUE VOCÊS SAIRAM HOJE COM MINHA FILHA AGINDO COMO SE FOSSE UMA FAMÍLIA FELIZ. ESTÁ EM TODOS OS SITES PRA TODO MUNDO VER: , A CORNA DA VEZ.
Respirei fundo, tentando manter em mente que minha filha estava dormindo no andar de cima.
- , você vai acordar a nossa filha...
- QUE ACORDE! ELA É UMA INGRATA! - ela continuou gritando. - VAI, VOLTE PRA SUA AMANTE. NÃO PRECISA MAIS MENTIR PRA MIM.
- Para, por favor! - tentei segurar seu braço, mas ela puxou violentamente.
- EU ESTOU CANSADA DISSO! VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI QUE SE VOCÊ NÃO TIVESSE A TRAÍDO, VOCÊS ESTARIAM JUNTOS? ELA TE DEU UM PÉ NA BUNDA E FOI EMBORA SEM PENSAR DUAS VEZES. ELA NUNCA TE AMOU DE VERDADE. EU SIM!
- Você não sabe do que tá falando.
- MAS EU SEI, EU SEI! - ela chorava e ria ao mesmo tempo. Aquilo estava começando a me assustar, nunca tinha visto agir daquela forma. - Sempre doeu te ver com ela, mas eu sabia que você pulava a cerca. Todo mundo especulava a sua infidelidade, afinal, vamos combinar que a é sem graça e todas as viagens a trabalho estava desgastando o relacionamento de vocês. Então eu te segui e tirei fotos suas saindo com a sua amante do motel.
Arregalei os olhos com a revelação.
- Então foi você? Você destruiu o meu noivado com a ? - perguntei chocado.
- Não - ela balançou a cabeça. - Você que destruiu quando a traiu. Eu só dei um empurrãozinho.
Passei as mãos no cabelo nervosamente. Esse tempo todinho tinha sido ela. destruiu meu noivado por causa de uma burrice e um deslize meu. Eu ainda era o maior culpado disso, mas ela tinha tido a sua contribuição.
- Deus, quem é você? - cuspi, sentindo nojo de mim mesmo e dela. - Eu não conheço a mulher com quem casei.
- Você me conhece muito bem, . Tudo que eu fiz e faço por você é por amor.
- Amor? Você não sabe o que é amor. Você é louca.
Dei as costas e caminhei até porta decidido a sair dali, não aguentando mais ficar no mesmo ambiente que ela.
- Pra onde você vai? Volta aqui, !
Parei na porta e olhei para ela.
- Eu vou pra bem longe de você. Se eu tinha ainda alguma dúvida, agora não tenho mais. Eu quero o divórcio, .
Ela me encarou paralisada. Não esperei que ela tivesse alguma reação, apenas abri a porta e saí, batendo a mesma com força. Meu casamento tinha chegado ao fim, era impossível adiar mais.

’s POV

Minha mente ainda estava tentando processar toda a informação que tinha me contado. Sorte minha que estava sentada ou então estaria no chão, literalmente. Não dava pra acreditar que ela tinha orquestrado tudo aquilo pra me separar de . Certo que ainda tinha sido uma traição e eu merecia saber, mas, ainda assim, saber que tinha sido para o próprio benefício da pessoa que achei ser minha melhor amiga, tinha me deixado em choque. Oliver tinha me dito que sempre fora apaixonada por e só eu nunca tinha percebido, mas eu nunca imaginaria que ela seria capaz de me apunhalar dessa forma. Todo esse tempo minha amizade com ela tinha sido uma mentira e perceber isso doía bastante.
- Eu achava que ela era minha amiga de verdade e só tinha mudado por causa do casamento, mas esse tempo todo foi uma mentira? Que tipo de pessoa finge ser amiga de outra dessa forma?
- Eu sei, eu sei. Eu também não reconheço a mulher com quem me casei. Não dá pra acreditar no quanto fui manipulado.
estava com ambas as mãos enterradas no rosto. Dava pra ver o quanto aquela situação tinha mexido com ele.
- Como você está?
- Eu não sei o que pensar - ele foi sincero. - Só sei que não dá mais pra prosseguir com esse casamento; eu não consigo.
- É compreensível.
Ficamos em silêncio. Eu sabia que mesmo que ele quisesse aquilo, terminar um casamento não era fácil. amava , mesmo que ela não merecesse um pingo do amor que ele tinha pra oferecer. Porém, dessa vez, ele não era o culpado pelo fim do matrimônio; que era. Ela que cultivou o que plantou depois de todos aqueles barracos sem sentidos, ela que não soube cuidar do marido que tinha.
- Você acha que ela vai querer te dar o divórcio? - expressei o questionamento que estava martelando em minha mente nesses últimos minutos. me encarou, os olhos azuis inexpressivos.
- Não sei. Mas espero não ter que levar isso pra justiça.
Ele suspirou. O encarei com compaixão. Ambos sabíamos que essa separação ia ser bem mais complicada do que imaginávamos.
Suspirei e olhei para a entrada da mansão. Uma música alta fez-se ouvir e eu invejei as pessoas lá dentro por estarem se divertindo.
- Eu sei que não é a hora apropriada, mas... Você quer ir lá pra dentro? Sei lá, tentar esquecer os últimos acontecimentos um pouco?
Ele me encarou em silêncio, parecendo ponderar se deveria ou não entrar. Por fim, se levantou e esticou a mão em minha direção.
- Esquecer um pouco dos problemas não faz mal, né? - sorri fracamente e segurei sua mão, me levantando. entrelaçou nossos dedos e eu encarei as nossas mãos juntas, perguntando-me se aquilo representava algo para nós dois. Decidi não pensar muito e deixar pra descobrir a resposta depois. Um drama por vez.

Assim que passamos pelas portas de entrada da casa, foi abordado por Trevor. Permaneci do seu lado o tempo todo, enquanto ele conversava normalmente com o diretor e sua esposa. Se eu não o conhecesse e nem soubesse dos problemas que passava pela vida do meu colega de trabalho, juraria que tudo estava normal e que ele não estava prestes a se separar. Esse era um dos muitos pontos positivos de ser um ator: se torna bem mais fácil fingir na vida real também.
- não quis vir? - Trevor questionou.
olhou pra mim rapidamente e eu pude notar que ele não esperava por aquela pergunta, ainda mais vinda de Trevor.
- Ela preferiu ficar em casa - respondeu ele.
- Entendo... - Trevor assentiu. - Não quero que ache que sua esposa não é bem-vinda. Ela seria muito bem recebida, desde que soubesse se comportar.
- Sim e eu estou de acordo, mas não foi por esse motivo que ela não veio.
Trevor olhou para mim e um flash de compreensão passou por seus olhos. Esperava eu que não fosse uma ideia errada. Com a conversa encerrada, Trevor se afastou, deixando-me sozinha com novamente.
- Quer dançar? - ele me perguntou.
Assenti em resposta e seguimos para a pista de dança improvisada, onde algumas pessoas já se encontravam dançando e curtindo a música. Uma música que eu não conhecia do The Weekend estava tocando, mas a batida era tão envolvente que não demorou para que eu entrasse no clima.
- Eu já disse que você é um péssimo dançarino? - gritei para devido à música alta.
Ele revirou os olhos em resposta. Ri e continuei aproveitando o máximo da música enquanto ela durou. Logo, a música acabou e começou a tocar uma com o ritmo mais lento. Uma música que eu conhecia muito bem, pois ela era a nossa música. Minha e de . Estava pronta pra sair da pista, mas os dedos de tocaram minha cintura, atraindo minha atenção para si. O observei enquanto ele se aproximava e colava os nossos corpos. Um sorriso brincava no canto de seus lábios e eu soube que ele lembrava; não tinha como esquecer.
Começamos a balançar nossos corpos, dançando lentamente no ritmo da música.
- Quais são as chances dessa música tocar logo hoje? - perguntou, perto de meu ouvido. Minha pele se arrepiou, mas tratei de ignorar.
- ... - o repreendi.
- Só estou falando porque sei o que essa música representou para o nosso relacionamento - ele suspirou e mais arrepios vieram. Fechei os olhos, na tentativa de ignorar os efeitos que aparentemente ainda tinha sobre mim. - Take me into your lovin' arms, kiss me under the light of a thousand stars... - ele começou a cantar ainda próximo ao meu ouvido. - Place your head on my beating heart... - nesse momento ele pegou minha mão e colocou em seu peito, bem em cima do seu coração. Fechei os olhos enquanto sentia o coração dele bater fortemente. - Maybe we found love right where we are.
Seu toque em meu rosto despertou-me e eu abri os olhos, dando de cara com aquela íris azuis me encarando. Seus olhos continham um brilho diferente, um que eu não via há muito tempo e, não sei se era coisa da minha cabeça, mas eu não queria que aquele brilho sumisse. Seus olhos, que antes encaravam os meus, agora observavam minha boca atentamente. Eu sabia onde aquilo ia chegar, aquele momento em específico tinha contribuído para isso e, eu me peguei querendo, desejando que ele me beijasse.
- Eu quero muito te beijar... - ele encostou sua testa na minha, voltando a me olhar nos olhos. - Mas eu não vou fazer isso.
- O que? Por quê? - perguntei, surpresa por aquela atitude.
- Porque eu quero agir certo. Eu acabei de te dizer que vou me separar de e não quero que você tenha uma impressão errada de mim. Eu não quero que você me veja como o cara que traí a esposa na primeira oportunidade que aparece e, apesar de algo ter rolado entre a gente algumas vezes, eu sei que errei e peço desculpas por isso.
Sorri, não acreditando no que estava ouvindo. Que eu e ele estávamos próximos é verdade, mas ainda assim, minha confiança nele não existia pelo simples fato de que ele continuava cometendo os mesmos erros e, mesmo que eu soubesse que ele e estavam em crise, ainda assim não era motivo para ele agir daquela forma. Tudo bem que eu também não tinha agido muito certo, afinal, eu tinha permitido que, o quer que seja que eu ainda sentia quando estava por perto, afetasse o meu julgamento de certo e errado e, consequentemente, minhas ações. Mas, era bom saber que ele tinha percebido e reconhecia que o que ele estava fazendo era errado e, o mais importante: ele estava disposto a mudar.
- Eu... Eu não sei o que dizer - fui sincera.
- Não precisa dizer nada - ele colocou uma mecha de meu cabelo atrás da orelha, ainda mantendo contato visual. - Eu sei que provavelmente não tenho mais nenhuma chance com você, mas se você me ver como uma pessoa diferente já vai fazer uma grande diferença. Talvez... Só talvez, eu ainda seja capaz de te reconquistar.
- Eu não vou te impedir de tentar desde que você realmente esteja tentando mudar.
- Eu estou e vou provar pra você - garantiu ele.
O abracei em resposta. Talvez as pessoas sejam capazes de mudar, afinal.
A música acabou e decidimos que seria melhor procurar algum lugar pra sentar. Eu ainda precisava processar direito tudo o que ele havia me dito e o que aquilo afetava na minha vida, porém eu deixaria para fazer aquilo quando estivesse sozinha.
- Eu vou ao banheiro - declarei, parando na metade do caminho.
assentiu e eu me afastei, deixando-o para trás. Subi as escadas da enorme mansão, deduzindo que o banheiro ficava em algum lugar do primeiro andar. Assim que cheguei no topo das escadas, percebi que a procura seria mais difícil devido ao enorme número de portas que tinha naquele imenso corredor. A decoração era a mesma e tinha alguns quadros lindos pendurados na parede; as portas eram brancas e possuíam detalhes que não deixava dúvida de que elas tinham sido caras.
Decidi arriscar e saí abrindo porta por porta em busca do banheiro. Algumas delas estavam trancadas, o que facilitou na procura. Quando encontrei, tranquei-me no local e parei em frente a pia, me olhando no espelho. As coisas na minha vida tendiam a sair do controle e eu sempre tinha que achar uma maneira de não fazer besteira, o que nunca dava certo - o que aconteceu com Oliver está aí pra comprovar. tinha acabado de se separar da e eu sabia que ele não estava apaixonado por mim, assim como eu não estava mais apaixonada por ele, mas, ainda assim, eu ainda o dei esperança e o fiz acreditar que poderíamos ter algum tipo de futuro. Bem, não custa nada deixá-lo tentar, certo? Eu tinha deixado meus sentimentos por Oliver de lado, mas isso não significava que eu tinha o esquecido e, se me oferecer essa proeza, eu serei mais do que grata.

Depois de alguns minutos, cheguei à conclusão de que ficar trancada dentro do banheiro não iria me dar as respostas que eu precisava. Saí do banheiro e segui o caminho de volta para o andar de baixo. De cima do lance de escadas dava para ver todas as pessoas que estavam no local e não demorou muito para que eu identificasse Oliver e no meio deles. Ambos dançavam bem juntinhos e vez ou outra trocavam beijos nada discretos. Senti inveja daquilo por um momento, pois era algo que eu queria ter, mas nada parecia dar certo para mim. O motivo da minha vida ser tão complicada era algo que ainda queria descobrir.
Desviei o olhar do casal e desci os degraus, traçando meu caminho até onde sabia que estaria.
- Já estava começando a achar que tinha sido raptada - ele brincou quando me viu.
- Quase, mas ainda sei me defender - entrei na brincadeira.
- Não duvido disso.
Sentei-me ao seu lado no sofá e peguei a bebida que ele me oferecia. Era muito bom saber que amanhã não teria que acordar cedo e ouvir os gritos de Trevor durante o dia todo.
- Ainda não acredito que acabou - disse, atraindo a atenção dele para mim.
- O tempo passou rápido, mas agora vem a parte mais difícil: as entrevistas.
- Nem me fale. Já posso imaginar o tipo de perguntas que eles vão fazer.
- Como é trabalhar com o ex? - perguntou ele, imitando a voz de uma repórter.
- Muito chato. Tive vontade de afogá-lo muitas vezes - respondi, entrando na brincadeira.
riu, fazendo com que eu risse também.
- Pensando melhor, podemos tirar proveito da situação e criar momentos que vão render boas risadas.
- Com certeza - concordei.
O telefone dele começou a tocar e ele o tirou do bolso para ver quem era. Como estava do seu lado, consegui ver o nome de piscando na tela. O sorriso de sumiu e ele suspirou, provavelmente prevendo que mais problema vinha pela frente. Não precisava estar na mente dele para saber disso. só vinha causando dor de cabeça ultimamente e agora as coisas só piorariam com a separação.
- Acho melhor eu voltar para casa - ele falou, se levantando.
- Você tem certeza? - perguntei, preocupada.
- Eu sei que ainda vai estar lá, mas a Dulcie também está e eu não posso abandoná-la. Ela vai sentir minha falta e não quero que encha a cabeça dela de besteira.
- Eu entendo - sorri, compreensiva. - Se precisar de um lugar pra dormir, minha casa vai estar a sua disposição.
- Obrigado, .
Ele levantou e eu o acompanhei. Também iria para casa.
Nós despedimos do pessoal e de Trevor com um abraço apertado e um até logo, já que eu sabia que nos veríamos mais vezes em entrevistas e outros eventos relacionados ao filme.
e eu andamos lado a lado até os nossos carros, que, por coincidência, estavam um ao lado do outro.
- Tome cuidado - falei, quando ele abriu a porta do meu carro pra mim. Entrei o veículo e fechei a porta. se apoiou na janela para que conseguisse me ver.
- Tomarei. é louca, mas acho que ela não vai me fazer nenhum mal.
- Mesmo assim... Qualquer coisa me ligue.
- Pode deixar.
Ele se inclinou para depositar um beijo em minha bochecha. Em seguida se afastou, e eu liguei o carro. Acenei para ele uma última vez, antes de seguir meu caminho para fora da casa.

Entrei no meu apartamento aparentemente vazio e joguei minha bolsa em cima do sofá, antes de seguir para a cozinha. Abri a geladeira, tirei a garrafa de água e bebi, sem me importar em pegar um copo.
- Que nojo! - minha irmã apareceu do meu lado, me assustando. - Eu bebo água dessa garrafa, !
Coloquei a garrafa de volta na geladeira e virei para encará-la.
- Deixe de besteira. Eu sei que você faz isso também - acusei.
Ela abriu a boca para responder, mas desistiu quando viu que eu tinha razão.
- Odeio quando você usa minhas ações contra mim mesma.
- É tudo questão de igualdade, irmãzinha - retruquei ironicamente e segui caminho para a sala com ela me seguindo.
- Como foi o último dia de gravação?
- Foi bom... Quando acabou, Trevor nos convidou para ir à sua casa. Era lá que eu estava até agora - sentei-me no sofá e liguei a TV. - Acredita que Trevor chorou?
- Mentira! - ela começou a gargalhar.
- Sério! Chorou igual a uma menininha - falei, fazendo-a rir ainda mais.
- Queria ter visto isso.
- Isso é o mínimo! Acredita que ele é casado?
Ela abriu a boca, chocada com a informação. Não era pra menos; não dava pra acreditar que eu trabalhei pra ele por meses e sequer sabia que ele tinha uma esposa.
- E você nunca percebeu uma aliança no dedo dele? - perguntou ela.
- Acredita que não?
- Acredito - ela balançou a cabeça em desaprovação. - Nunca vi tão distraída.
Apesar de sempre querer, nunca levei minha irmã até o set e, tenho certeza que esse era o tipo de detalhe que ela notaria.
- Em minha defesa, eu não fui a única que não percebi.
- São todos distraídos então - declarou.
Decidi não discutir, ou iríamos ficar debatendo o assunto pelo resto da noite.
- Já está tarde - comentei, após verificar que já se passava das duas da madrugada. - Acho que vou dormir.
- Eu também. Estava só esperando você chegar.
Levantamos do sofá e seguimos pelo corredor até os nossos quartos.
- Boa noite, irmã.
- Boa noite, .
Entrei no meu quarto e tranquei a porta. Olhei para minha cama, ficando tentada em me jogar na mesma e dormir como uma criança, mas aquela roupa estava grudada na minha pele e eu não conseguiria dormir se não tomasse um bom banho antes.
Tomei uma ducha rápida, mas que me deixou sentindo nova em folha e pronta para dormir o quanto quisesse já que não teria que trabalhar no dia seguinte. Vesti um shortinho e uma blusa larga e em seguida me joguei na cama e fechei os olhos, deixando que o sono me envolvesse.

- Bom dia! - cumprimentei minha irmã que estava sentada na sala, vendo algum programa que não prestei atenção.
- Você quer dizer boa tarde, né? - respondeu ela, a voz carregada de ironia.
Dei de ombros e entrei na cozinha, abrindo a geladeira e procurando algo pra comer; meu estômago praticamente gritava por comida.
- O que vai fazer hoje? - ela perguntou alto o suficiente para que eu a escutasse.
- Não tenho nada planejado.
- Mamãe convidou a gente para o jantar.
- Ótimo! Então pode dizer a ela que iremos.
Já fazia um tempo que eu não visitava minha mãe e eu já estava sentindo sua falta.
Peguei os ingredientes necessários para se fazer uma macarronada. Não estava com paciência para preparar algo mais complexo e minha fome também não deixava.
- Quando é que você vai contratar uma empregada mesmo?
entrou na cozinha minutos depois.
- Eu consegui alguns números e vou te deixar encarregada de contratar uma, tudo bem?
- Você está falando sério?!
- Estou.
- E por que você não me disse isso antes, criatura? Já teríamos uma empregada há tempos!
- Eu tinha muita coisa na cabeça e não pensei nisso - admiti.
E aquilo era verdade. Tinha ficado tão presa no meu próprio drama com Oliver e que esqueci completamente das outras coisas que devia fazer.
- Me passa logo esses números que eu vou ligar agora mesmo!
- Você está mesmo desesperada por uma empregada - ri, achando engraçado todo aquele alvoroço.
- Você já olhou para esse apartamento? É enorme! Estou cansada de arrumá-lo todo santo dia.
Revirei os olhos. Minha irmã tendia a ser muito dramática. Comigo fora o dia todo, não tinha muito o que arrumar. Ela só tinha preguiça mesmo.
- Os cartões estão na minha bolsa. Pega lá.
Ela saiu praticamente correndo em direção ao meu quarto, deixando-me sozinha preparando o que seria o nosso almoço. Não que ela fosse de muita ajuda caso tivesse ficado. Enquanto preparava o molho do macarrão, me ocorreu o quão era estranho ter que ficar em casa agora que as gravações tinham acabado. Tudo bem que não seria assim todos os dias, mas ainda assim, era estranho. A pior parte de tudo isso? Não ter Oliver ao meu lado para me tirar do tédio.
Sim, eu ainda sentia falta dele e, mesmo depois de tudo que aconteceu entre a gente, mesmo eu ainda tendo sentimentos por ele e mesmo depois dele ter dito aquelas coisas para mim, eu ainda o queria ao meu lado. Oliver não era apenas meu melhor amigo, ele era meu agente, eu confiava meu trabalho nele e agora eu teria que confiar a outra pessoa justamente pelo motivo de que ele não estava mais ali para mim.
Balancei a cabeça espantando tais pensamentos. Era incrível a minha capacidade de mudar minha linha de raciocínio dentro de segundos. Se eu achava difícil acompanhar meu próprio pensamento, quem dirá os outros que conviviam comigo.
- Pensando na morte da bezerra? - minha irmã falou, atraindo minha atenção. Nem tinha percebido que ela tinha voltado.
- Estava pensando em Oliver.
- Você nunca me contou o que realmente aconteceu entre vocês.
- É complicado - despejei o macarrão em uma travessa e coloquei em cima da mesa da cozinha. Minha irmã tratou de pegar os pratos e os talheres, enquanto eu pegava o refrigerante dentro da geladeira.
- Eu sou sua irmã. Você sabe que pode me contar tudo, né?
- Eu sei – suspirei, decidindo se contava ou não para ela. Detestava despejar meus problemas em cima de outras pessoas. - Eu me envolvi demais e Oliver não soube lidar com isso.
- Você quer dizer que se apaixonou? - ela arregalou os olhos. Mordi o lábio e assenti timidamente. Era a primeira vez que eu estava contando para alguém além do o ocorrido com Oliver. - E ele pulou fora? - assenti mais uma vez. - Mas que filho de uma puta!
- A culpa foi minha - ela franziu o cenho ao ouvir minha afirmação. - Não devia ter me apaixonado por ele. Eu sabia desde do começo que não devia, tínhamos combinado isso, éramos amigos com benefícios e nada mais.
- ... Você deveria saber que isso nunca termina bem.
- Eu sei, mas achei que com a gente fosse diferente.
Ela balançou a cabeça em reprovação. Eu sabia que ela estava pensando que eu tinha sido burra por ter acreditado naquilo. Eu me achava burra e me culpava por isso todo dia.
- Mas isso não justifica a forma que ele lidou com isso - ela falou em minha defesa. - Ele não teve nenhuma consideração por você ou pela amizade que vocês tinham.
Aquilo era verdade. A forma como ele tratou aquilo deixava claro que minha amizade não era importante para ele como eu achava.
- Não quero mais falar sobre isso - suspirei. Falar daquele assunto só me deixava ainda mais deprimida e eu detestava me sentir daquela forma por algo que não tinha mais solução.
- Vamos mudar de assunto então - propôs. - Eu liguei para duas agências de empregadas e eles vão mandar algumas para fazer a entrevista amanhã!
- Nossa, que rápido! – exclamei, impressionada.
Minha irmã não brincava em serviço mesmo.
- Ajuda bastante quando a casa é de uma pessoa famosa.
- Ah, para. Eu não sou famosa assim, minha carreira praticamente começou agora.
- Você não tem mesmo noção, né? - ela riu em negação e pegou o celular em busca de algo. A observei com curiosidade e alguns segundos depois ela virou a tela para que eu visse. Meu perfil do twitter que eu sequer lembrava que existia estava aberto e o número de seguidores que eu tinha ganhado desde a última vez que tinha visto era absurdamente grande. Eram quase dois milhões de seguidores, algo que eu sequer imaginei que seria possível para mim.
- Como isso aconteceu? - perguntei boquiaberta.
- Agora você sabe o seu nível de popularidade. Black Widow é um dos filmes mais aguardados do ano e, irmã, você é a protagonista; não deveria estar tão surpresa assim.
Peguei meu celular e abri o twitter, indo diretamente para as menções. O tanto de pessoas me enviando tweets por segundo era incrível e, meu Deus, eu me senti maravilhada e assustava ao mesmo tempo. Ver que as pessoas estavam ali me elogiando e não me xingando, como acontecia quando estava com , era muito recompensador e fazia tudo o que eu passei nos últimos meses valer a pena.
- Eu sabia que o filme era grande coisa, mas definitivamente não imaginava que seria algo assim.
- Já vi que você vai ficar encarando o celular por um bom tempo, então vou ser uma ótima irmã e lavar a louça do almoço.
Não respondi. Estava muito concentrada em ler aqueles tweets com calma para não perder algum de vista. Sem me dar ao trabalho de tirar a louça suja da mesa, me levantei e caminhei para a sala, me jogando no sofá ainda com o celular em mãos. Um sorriso bobo aparecia em meu rosto a cada tweet que eu lia e eu comecei a responder alguns, favoritar outros ou até mesmo dar um retweet.

e Knowles são a combinação perfeita para esse filme. Mal posso esperar para assistir! #BlackWidow”
“Confesso que mal posso esperar para ver contracenando com . Eles eram perfeitos como casal! #BlackWidow”

Ri muito com esse último tweet. Era engraçado ver que ainda tem gente que imaginava eu e como um casal mesmo depois de quase três anos separados. Acho que da mesma forma que tem aqueles que odiavam a gente como um casal até hoje, também tem aqueles que amavam.
O celular em minhas mãos começou a vibrar de repente e a foto de apareceu na tela, indicando que aquela era uma ligação de vídeo. Deslizei o dedo na tela, atendendo.
- Vi que está ativa no twitter novamente.
- Minha irmã me mostrou meu perfil e eu enlouqueci. Eu estou com quase dois milhões de pessoas me seguindo! Tem noção do tanto de gente que acompanha meu trabalho?
Ele riu, provavelmente achando todo aquele meu espanto engraçado. Claro que era, para ele aquilo era mais que normal.
- Você se acostuma - respondeu por fim. - Mas é bom que você interaja com os fãs. Eu faço isso às vezes e não custa nada fazê-los felizes, né?
- A felicidade deles é a minha felicidade.
E era mesmo. Saber que eles estavam ali me apoiando e felizes, me fazia não só feliz, mas também fazia com que eu me sentisse completa.
- Como está sendo o primeiro dia de férias? - perguntou ele, mudando de assunto.
- Estava um tédio, mas o twitter me salvou.
- Ah, achei que eu tivesse te salvado - ele fez um bico de desapontamento, que, na minha opinião, era fofo e engraçado.
- Meus fãs chegaram primeiro - debochei e ele deu língua. - Meu Deus, quantos anos você tem? Dois? - ele fechou a cara, o que me fez rir mais ainda.
- Você está muito engraçadinha .
- Errado. Só estou de bom humor, então aproveita.
Ele sorriu em resposta. Ele ficava lindo sorrindo, pena que isso não acontecia frequentemente.
- Como estão as coisas? - perguntei depois de uns segundos em silêncio.
Qualquer resquício de sorriso em seus lábios desapareceu e ele respirou fundo, demonstrando seu descontentamento por ter que falar sobre o assunto.
- Ontem foi a pior noite da minha vida - ele começou. - Assim que pus os pés em casa, começou outra briga e ficou reclamando no meu ouvido a madrugada inteira.
- Eu sabia que ela não ia aceitar o divórcio numa boa.
- A pior parte é essa, porque eu não queria ter que resolver isso na justiça.
- Sinto muito.
- Eu mereço isso pelo que fiz com você - ele respondeu. - Se esse é o castigo que tenho que pegar, que assim seja.
- O que aconteceu com a gente não tem nada a ver com o seu casamento com ela. Você não tinha ideia que estava se casando com uma louca, assim como eu não imaginava que nunca tive uma melhor amiga.
- Só espero não ter que aguentá-la por muito tempo. Só estou aqui ainda por causa da Dulcie.
- E onde ela está?
- Amélia? - assenti. - Saiu. Não me disse para onde ia e também não me importei de perguntar.
- Ela levou a Dulcie?
- Não. Ela está assistindo televisão.
Suspirei aliviada. Do jeito que era louca, não dava pra confiar nela sozinha com uma criança de dois anos.
- Eu sei que não deveria me meter mas... Não seria melhor se você ficasse com a Dulcie?
- Eu pensei nisso também, mas não sei o que fazer. Já estou me separando da , não quero que ela ache que estou tomando a filha dela também.
- Dulcie também é sua filha e, sinceramente, não sei se é confiável com uma criança, mesmo que seja a filha dela.
- Não sei. Vou falar com meu advogado.
- Desculpa por me meter.
- Que isso! Você faz parte da minha vida e sua opinião é muito bem-vinda.
- Só não quero que você ache que estou me intrometendo demais - me justifiquei.
- Não penso isso de você.
- Tenho que desligar. Tenho que sair daqui a pouco e sequer comecei a me arrumar.
- Certo. Beijos.
- Se precisar de mim, pode me ligar, okay? - ele assentiu, concordando. - Beijos.

Como já não era surpresa, demorei mais de duas horas para terminar de me arrumar. Minha irmã estava sentada na minha cama há quase meia hora completamente pronta e impaciente por ter que me esperar.
- Se você não demorasse tanto pra escolher a roupa que vai vestir, nós já estaríamos na casa de mamãe há muito tempo.
- Estou quase terminando - falei pela décima terceira vez em menos de dois minutos. Terminei de passar o batom nos lábios e analisei meu reflexo mais uma vez antes de me virar para ela. - Pronto.
- Aleluia - ela levantou da cama exasperada. - Já estava considerando ir embora e te deixar aqui.
- Você não ousaria me abandonar.
- Não duvide de mim maninha.
Revirei os olhos e a segui para fora do quarto. Tranquei a porta do apartamento ao passar e segundos depois, estávamos no elevador, descendo para a garagem. Seguimos até o meu carro e entramos, eu no banco do motorista e na do passageiro.
- Você deveria me deixar dirigir seu carro alguma vez - comentou quando já estávamos a caminho da casa da nossa mãe.
- Nem pensar. Você tem o seu carro. No meu bebê, só eu que dirijo.
- Nossa, que egoísta!
Revirei os olhos e não a respondi. Até parece que ela deixaria eu dirigir o carro dela se eu pedisse. O caminho até a casa da minha mãe era curto, então não demoramos a chegar.
Foi a maior alegria quando ela nos viu, pois realmente fazia tempo que eu tinha a visto e eu sei bem que ela ainda sente falta de ter morando com ela. Josh e os filhos dele também estavam lá, então a alegria foi três vezes maior.
- Senti a falta de vocês - abracei os dois pequenos, recebendo um abraço apertado em retorno. Eu amava crianças e, agora que estava de férias, tentaria passar mais tempo com meus sobrinhos.
Sem mais delongas, minha mãe chamou todos para comer. Minha barriga roncou e minha boca salivou só de sentir o cheiro da minha comida favorita. Minha mãe era demais!
- Isso está uma delícia - falei, enquanto mastigava a comida.
- Finalmente uma comida decente - alfinetou e eu a fuzilei com os olhos.
- Minha macarronada é uma delícia, tá legal? - defendi-me.
- E é tudo que você sabe fazer - Josh falou e minha irmã riu. - Não sei como conseguiu se virar dois anos na Itália.
- O que é isso? Um complô contra mim? - fiz bico e todos riram. - Não é como se você soubesse cozinhar também, né maninha? - alfinetei e na mesma hora o sorriso sumiu de seu rosto.
- Não precisa jogar na cara; assim você machuca meus sentimentos.
Tivemos um momento de silêncio encarando uns aos outros e então caímos na gargalhada.
O jantar foi assim, cheio de gargalhadas e risadas. Sentia saudade de passar mais tempo com a minha família e agora que eu tinha tempo, iria aproveitar. Depois do jantar nos juntamos na sala para conversar. Descobri que Josh e a esposa estavam planejando em fazer uma festa de aniversário de 10 anos de Lauren e imediatamente me voluntariei para ajudar em qualquer coisa que eles precisassem.
- Como está Oliver, ? - minha mãe perguntou, de repente.
- É, faz um tempo que não o vemos - meu pai completou.
Olhei para minha irmã, imediatamente me sentindo desconfortável. Eles ainda não sabiam que eu e Oliver não éramos mais amigos e nem eu queria eles soubessem. Meus problemas eram só meus.
- Ele está bem… So está um pouco ocupado e tal - falei, já querendo acabar logo com aquele assunto.
- Ah, entendo. Diga a ele que venha me visitar quando puder, estou com saudade dele.
Forcei um sorriso e assenti, dando aquele assunto por encerrado. Minha irmã quase que de imediato começou a tagarelar sobre coisas da escola e eu não pude ficar mais grata a ela por isso.

- Nossa! Achei que ela não fosse nos deixar sair mais - falou, se jogando no sofá.
- Você é muito reclamona - me joguei ao seu lado e ela ligou a TV, deixando em um canal de clipes.
- Sou mesmo.
Ficamos em silêncio, ambas olhando para o que passava na tela da TV. Bom, pelo menos parecia estar prestando atenção, porque eu não o quer que estivesse passando não estava conseguindo minha atenção. Não pude deixar de me perguntar como estaria naquela casa com . Saquei meu celular e procurei seu nome na lista de contatos, pensando se deveria ou não lhe enviar uma mensagem.

Como você está?

Digitei e apertei o botão de enviar. Fiquei olhando para tela e segundos depois apareceu que ele estava digitando.

Bem… Na medida do possível. E você?
Cansada. Acabei de chegar da casa de minha mãe…

Enviei e comecei a digitar outra mensagem.

Ela chegou?

Passaram-se alguns minutos, até eu receber sua resposta.

Sim… Infelizmente.

Suspirei, imaginando como ele estava vivendo um verdadeiro inferno morando naquela casa.

Eu queria ir embora, mas não queria deixar a Dulcie…

Eu conseguia entender que ele estava em um dilema, mas uma hora ou outra ele ia ter que sair daquela casa, pois era óbvio que não sairia de lá.

Você falou com o advogado?

A resposta dessa vez demorou mais que cinco minutos, mas ela veio.

Falei. Ele disse que minha situação é complicada, mas que vai ver o que pode fazer em relação à Dulcie. De uma maneira ou de outra, isso vai ter que ser resolvido na justiça.

Me senti mal por ele. não merecia nada disso.

Tudo vai se resolver, você vai ver. Se precisar de mim, é só me ligar.

- se separou de ? - a voz da minha irmã bem próxima a mim me assustou e a eu a olhei com os olhos arregalados. estava praticamente debruçada por cima de mim, olhando para tela do meu telefone.
- Deixa de ser curiosa! - digitei um boa noite rápido para e bloqueei a tela, deixando o aparelho de lado.
- Você estava tão entretida que eu fiquei curiosa mesmo - respondeu ela na cara de pau. - Porque eles estão se separando?
- Isso não é da sua conta, .
- Nossa! Só queria saber…
- Porque é curiosa - revidei. - Mas a vida não é minha, então não vou te contar nada.
Ela fez um bico emburrado e voltou a olhar para a televisão.
- Não sabia que estava tão amiga do - ela alfinetou.
- Sim, estamos amigos. Qual o problema?
- Nenhum. Apenas uma observação - ela ergueu as mãos declarando inocência. Cerrei os olhos, não acreditando em toda aquela inocência. Eu a conhecia muito bem pra saber que ela estava pensando coisas, mas preferi ignorar.
- Bom, já está tarde e eu vou dormir - levantei-me do sofá, antes que ela voltasse a me fazer perguntas inconvenientes. - Boa noite.
- Boa noite - a ouvi responder, quando já estava no corredor. Dei uma última olhada para ela antes de seguir meu caminho para o meu precioso quarto.

As semanas seguintes foram completamente maravilhosas. Eu e minha irmã tínhamos contratado uma empregada e o apartamento brilhava ainda mais, além das comidas preparadas que eram dos deuses. Trevor ainda não tinha entrado em contato para falar sobre entrevistas então estava aproveitando o máximo que eu podia. Passei mais tempo com minha família e minha irmã do que tinha conseguido passar nos últimos meses e aquilo me deixava extremamente feliz, até porque eu sentia uma falta enorme desses momentos com a minha família. Minha mãe às vezes ainda perguntava de Oliver, mas eu conseguia desviar o assunto para qualquer coisa. Fazia dias que eu sequer tinha notícias dele ou de e eu preferia deixar dessa forma, pois não queria que feridas fossem reabertas.
- Nem acredito que você quis fazer compras comigo - falou super animada.
- Eu cumpro o que prometo, irmã.
Estávamos no shopping há algumas horas e já tinha perdido a conta de quantas lojas já havia entrado para comprar qualquer besteira que fosse. Não era muito fã de ficar fazendo compras, mas eu tinha prometido a minha irmã e bem, até que estava sendo divertido, tinha que admitir.
- Acho que devíamos ir ao salão. Seu cabelo está precisando de um tratamento.
Olhei meu reflexo no vidro da vitrine da loja e fiz careta ao constatar que ela estava certa. Antes eu não me preocupava muito porque tinha meus cabeleireiros no set, mas agora que o filme tinha acabado, meu cabelo tinha deixado de ser cuidado e eu admitia que queria me livrar daquele loiro e voltar para o meu amado ruivo.
- Tem razão - concordei, por fim.
Ela deu um gritinho animado e soltou a peça de roupa que estava na mão, segurando em meu braço e me puxando para longe dali. Andamos um pouco até achar um salão e, logo, entramos no mesmo. Minha irmã optou por fazer as unhas, enquanto eu tratava do meu cabelo. Aproveitei para fazer as unhas também. Cuidar de si mesma nunca era demais, certo? Certo.

Encarei meu reflexo no espelho e sorri, aprovando o que via. Depois de meses, meu cabelo ruivo estava de volta e agora ele não iria mais embora. Aproveitei para dar um corte no meu cabelo, deixando-os na altura dos ombros, já que tinha gostado da outra vez que meu cabelo tinha ficado daquele tamanho.
Um grito fino chamou minha atenção e eu virei o rosto, vendo minha irmã dar um chilique no meio do salão. Meu Deus, ela era a rainha do exagero.
- Você ficou ainda mais linda! - ela disse ao se aproximar.
- Eu fico linda de qualquer forma, meu amor - fiz pose e ela gargalhou.
Pagamos pelo serviço e saímos do salão.
- Estou faminta - reclamou.
- Eu também.
Seguimos caminho para a praça de alimentação e entramos em uma das filas para comprar algo pra comer.
- ? - virei em direção a voz e franzi o cenho ao não reconhecer a pessoa. Era uma menina que aparentava ter seus 20 anos.
- Sim?
- Ai meu Deus! É você mesmo! - ela exclamou e abriu um sorriso largo. - Eu sou mega fã sua! Posso tirar uma foto com você? - ela pediu.
Abri um sorriso e balancei a cabeça concordando. A menina sacou o celular e se aproximou de mim. Fiz pose e ela tirou uma selfie de nós duas.
- Qual é o seu nome? - perguntei.
- Hannah - respondeu ela.
- É um prazer te conhecer, Hannah.
- Nem acredito que te conheci! Estou super ansiosa para ver o seu filme!
- E eu estou ansiosa para que você veja. Espero que goste.
- Tenho certeza que vou adorar! - respondeu ela, sorrindo. - Er… Posso te dar um abraço?
- Mas é claro! - abri os braços e ela me abraçou fortemente.
- Obrigada - ela disse, quando nos afastamos.
- Eu que te agradeço pelo carinho - sorri. A abracei mais uma vez e ela sorriu, se afastando em seguida. Olhei para minha irmã e ela sorria abertamente. Assim como eu, ela também ficava feliz por ver que meu trabalho estava sendo reconhecido.

- Aquela comida tava uma delícia! - minha irmã falou, assim que entramos em casa carregando várias sacolas.
- Estava mesmo - concordei.
Coloquei minhas sacolas em cima do sofá e fui direto para cozinha. Precisava beber água urgentemente.
- Vou tomar um banho! - ela gritou da sala e logo ouvi seus passos pelo corredor.
Tomei minha preciosa água e coloquei o copo na pia. Caminhei de volta para a sala e peguei as sacolas para levá-las para meu quarto. A campainha tocou e eu cerrei meus movimentos, largando as sacolas novamente no sofá. Franzi o cenho, tentando imaginar quem podia ser, já que não estava esperando ninguém. Girei a maçaneta e abri a porta, dando de cara com alguém que imaginei que não veria nunca mais; pelo menos não na minha porta.
Fiquei estática. Minha boca abriu e fechou várias vezes, mas nenhum som saia de minha boca. Não dava para acreditar no que eu estava vendo, não podia ser real.
- O-Oliver? - gaguejei. Respirei fundo, tentando me controlar e voltar ao normal. Meu coração acelerado no peito dizia-me que me controlar não era possível. - O que está fazendo aqui?

Continua...

Nota da autora: (19/08/2017) Oi, meninas!
Eu quase não consegui terminar esse capítulo esse mês, pois a minha vida de estudante está bastante complicada. Mas, enfim, saiu! Espero de coração que vocês gostem.
Também quero pedir que tenham paciência comigo, principalmente com LOMD, mas eu prometo que a próxima att que eu mandar vai ser dela. Obrigada a todos que leem minha história e gostam dela e espero que vocês continuem acompanhando até o fim!
Deixem os seus comentários aqui ou no grupo do Facebook, pois a opinião de vocês é muito valiosa pra mim! Vocês também podem me seguir nas redes sociais e, se desejarem, podem me fazer perguntas, seja relacionado a história ou a minha vida pessoal.
Obrigada e até o próximo capítulo!
Xx, Mily

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