Autora: Paula Braga | Beta: Janina |



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Capítulo 1

Listen,
Do you want to know a secret,
Do you promise not to tell,
Closer,
Let me whisper in your ear,
Say the words you long to hear,
I'm in love with you

Windsor,UK, muitos verões atrás…

Eram 17:30 quando estava na sacada, o vento de verão não era forte, mas fazia seu cabelo voar, a luminosidade era alaranjada misturada com raios amarelos graças ao sol que se recoava naquele momento. Ela não era romântica, era como se tudo sobre romance houvesse se tornado apenas baboseira da Disney assim que seus pais se separaram, apesar da pouca idade. Mas ela gostava do por do sol, sobretudo aquele por do sol, naquela sacada, naquela casa em Windsor, não era de sua família, mas era da família , conhecida da sua há muito tempo. Todos os verões ia para lá, primeiro com os pais, depois apenas com o pai, poucas coisas a faziam perder aquele por do sol nos verões na casa. Ao seu lado estava , ele fazia isso algumas vezes, sabia que ela gostava de estar ali e não se importava de lhe fazer companhia por várias vezes.
Aquele era o único período do ano em que se encontravam, e não estudavam juntos, e estudava em um colégio interno na escócia, onde seus avós moravam. Ele vinha passar os verões com os pais apenas.
— Você nunca enjoa? — ele quebrou o silencio e ela apenas balançou a cabeça.
— Você vê as cores? Eu queria saber como o sol faz isso, tipo ele tá amarelo e do nada faz ter várias outras cores ao redor, é bonito, não é? — ela o olhou e ele concordou. — Como anda sua escola na escócia?
— Bem, legal. Sabe, só um monte de professores e exercícios. — deu de ombros. — Mas tem as aulas de música.
— Você tem tocado o que?.
— Bateria. É bem legal e esse semestre William vai pra lá — continuou o garoto.
— William, o príncipe? — perguntou para confirmar e concordou. — Ouvi dizer que desde que a mãe dele morreu, ele tem tido problemas.
— É, meu pai comenta também, talvez seja por isso que tão mandando ele para lá. — deu de ombros.
— Talvez — concordou. — Podemos ver se eles estão no castelo, há muito tempo não vejo William. — então deu e ombros, silenciaram-se até o sol finalmente baixar. Esses eram os dias da infância dos dois.

Windsor, UK, Alguns verões atrás...

entrou no quarto de após a mesma concordar, a garota vestia um vestido azul Royal e mantinha seus cabelos agora ruivos intensos presos.
— Acho que você deveria manter seu cabelo solto — ele palpitou e ela o olhou pelo canto do olho.
— Vai ser meu amigo gay e me dar dicas de cabelo? — ela perguntou sem cerimônia e ele riu.
— Não, só gostei do seu cabelo assim, vermelho, é diferente, não sei como a sua mãe permitiu — ele deu de ombros.
— Minha mãe não manda em mim, muito menos no meu cabelo.
— Qual o próximo passo? Tatuar ‘Born to be wild’ no braço? — ele perguntou irônico e ela riu. — Vamos, o motorista está esperando, seu pai e a namorada já estão lá em baixo, meus pais já foram.
— Porque a pressa? É só mais um aniversário do Harry, todo mundo sabe que a festa só começa depois de todos irem.
— Não preciso fazer um discurso sobre a pontualidade britânica que nos recomendam desde o primeiro ano de idade e sobre a tradição de cumprimentar a rainha...
— Ok, eu entendi, já vou — segurou o batom em sua mão, o girou e passou. — Como estou?
— Você nunca está feia — ele respondeu a admirando, ele estava dizendo a mais pura verdade. Em momento algum pensou que ela não era a garota mais bonita do mundo.
— Obrigada, gentil senhor — ela respondeu piscando e avançando pelo quarto para sair, foi logo atrás.
As festas da realeza sempre eram um saco, principalmente para os adolescentes, por felicidade nunca acabavam tarde, por volta das 23 horas todos haviam ido embora, mas Harry, , William, e agora contavam com um novo integrante, , se reuniam na piscina da mansão real para continuar a festa.
— William, sua avó não vai acordar? — perguntou.
— Minha avó já deve estar em Londres — ele deu de ombros acendendo um cigarro.
— Ainda acho incrível como a realeza some do nada — respondeu dando um grande gole na vodka em sua mão.
— O nome disso é helicóptero , , não é tão difícil — Harry, o príncipe, disse e os outros riram.
— Então, , você vai mesmo vir morar na Inglaterra ? — perguntou então.
— Sim, meus pais acham melhor — ele deu de ombros entregando a vodka a esse.
— Onde você vai estudar? — William perguntou.
— Radcliffe Brown, ou alguma coisa assim — o loiro respondeu.
— Bem vindo ao inferno — foi a vez de falar, ela bebia uma garrafa de Chandon.
— O único motivo de lá ser inferno é que você está lá, respondeu e ela deu de ombros.
— Vocês nem sabem de nada, vocês estudam muito longe daqui, por favor, não palpitem — ela respondeu.
— Vocês repararam no cabelo vermelho da ? Dizem as mais línguas que ela tatuou ‘eu amo a Inglaterra’ em algum lugar escondido — a provocou e os outros riram.
— Ela ta ficando rebelde... mas só até onde a mãe dela deixar — William retrucou.
— Por que a marcação comigo? Vocês estão fumando, já secaram uma garrafa de vodka, Harry estava fumando maconha, e eu sou a rebelde? — ela protestou.
— Nós somos homens — Harry respondeu e ela apenas revirou os olhos.
Apenas por volta das 4 horas e mais algumas boas doses de vodka voltaram para casa, precisou ajudar a subir as escadas, mesmo que ela própria capengasse.
, eu realmente preciso que você tente ficar em pé — ela disse quando finalmente chegaram no andar de cima.
— Eu não sei se consigo, porra — ele respondeu alto e ela colocou a mão na boca dele para de ele falasse baixo, ele a olhou rindo. Caminharam até o quarto de , antes de chegarem até lá tropeçou na tapeçaria, caiu e a levou junto,o que lhes fez ter uma crise de riso. ajudou a se colocar de pé, mas assim que o fez ele a encostou na parede e a olhou de um jeito não habitual. — Fica comigo, .
— Eu estou com você, — ela respondeu rindo.
— Não esse ficar, — ele disse com a voz pesada, e colocou a mão no rosto da garota a fazendo olhar para ele, aproximou o lábio e a beijou, sem esperar resposta positiva ou negativa que fosse, mas ela aceitou o beijo, ainda sem jeito conduziu até seu quarto.
Ela estava bêbada, mas sabia o que estava acontecendo, sabia o que aconteceria se não parasse e não queria parar, parte dela sempre quis aquilo, era , o que podia ter de errado? procurou o zíper do vestido dela e baixou até o fim, apenas precisou um puxão para cima para que ele saísse. suspirou e colocou a mão no peitoral de hesitante, aquela seria sua primeira vez, queria ter certeza.
— Não estamos fazendo nada de errado, sou só eu — ele disse para acalmá-la desconfiando que aquele não fosse um momento já vivido, ele voltou a beijá-la, ela empurrou o smoking que ele usava e em seguida abriu os botões da camisa dele. a segurou forte em seus braços a conduzindo para a cama, tirou a própria calça e deitou-se sobre ela. Tiraram sem pressa o que restava de roupa nos dois. foi cuidadoso, carinhoso, não havia nada que não levasse a pensar que aquele era o melhor momento da sua vida. Ela suspirou ao final e ele deitou ao seu lado, praticamente dormindo — Essa foi a melhor noite da minha vida — ele disse com a voz arrastada, o beijou em seu peito e deitou quieta, dormiram.
Antes do amanhecer levantou-se e foi para o seu quarto, no caminho ouviu murmurinhos no andar de baixo o clima parecia estar tenso, minutos depois seu pai entrou em seu quarto, ela fingiu dormir e ele a acordou.
, acorda, filha — ele a tocou e ela então fingiu abrir os olhos lentamente.
— Oi, pai — ela respondeu.
— Se arrume, sua avó está no hospital, sua mãe ligou pediu para que eu fizesse você voltar, o motorista vai te levar — ele disse. se levantou sobressaltada, em pouco tempo estava pronta, seu pai resolveu voltar com ela, apesar de tudo com sua mãe ele havia uma relação boa com sua sogra. Voltaram imediatamente para Londres.
Aquela foi a última vez em um ano que viu , o rapaz ficou sabendo do que havia acontecido com a avó dela, que veio a falecer depois, mas não saberia como ajudar, não se achava apto a estar junto a ela. Foi para a Escócia e não voltou por um ano.

23 de dezembro de 2011...

tirou os óculos escuros do topo da cabeça ao entrar em casa, ouviu risadas da cozinha, a risada era conhecida, largou as coisas no chão e andou até lá.
— Marie? — ela disse alto ao entrar na cozinha e a loira a olhou sorrindo e avançando para abraçar a garota. — O que você ta fazendo aqui? — disse ainda surpresa abraçando a amiga ainda.
— Eu estava passando pela Escócia quando resolvi vir a Londres e adivinha no avião de quem? — ela perguntou.
— Não sei — disse sem saber o que falar.
, que estava voltando a morar em Londres e vai dar uma festa hoje no prédio dele para comemorar a volta e, claro, seu aniversário. E eu, como boa amiga que sou, vim pessoalmente entregar o convite a você com ordens dele — ela então puxou do balcão ao seu lado o convite preto e entregou a ainda surpresa.
— Uma festa de , será que vamos ou claro? — ela perguntou e Marie deu mais um abraço em .
— Ele disse que espera especialmente sua presença lá — Marie disse com uma cara suspeita, mas simplesmente não explicou nada, apenas riu.
— Mas me conta sobre Paris, Escócia, por tudo onde você andou — pediu e Marie prontamente o fez. Eram amigas de infância, famílias amigas, os pais de Marie tinham uma rede de hotéis, mas muito cedo a garota foi morar em Paris, elas mantinham sempre muito contato, na medida do possível.

desceu as escadas da cobertura sabendo que seu motorista já a esperava, vestia um vestido preto com pequenos detalhes em paetê assinado pela Hermés, estava nervosa, afinal, há muito tempo não via , queria não se sentir assim, mas simplesmente se sentia. Havia ficado magoada por um tempo por não ter ficado ao seu lado no momento em que precisou, mas isso não durou muito, ela também não esteve presente em muitos momentos difíceis do rapaz. Também não queria ligar e agir como se tivessem tido alguma coisa além de uma noite, não queria agir como a menina que perdeu a virgindade e agora se achava sua namorada, não queria cobrá-lo, admitir a si mesma que esperava mais.
morava em um prédio no centro da cidade, o prédio era de 5 andares todos ocupados pela sua família, sabia que a cobertura era dele, sempre fora, e provavelmente seria onde a festa aconteceria, ao chegar a frente teve certeza ao ver luzes piscando na cobertura, subiu pelo elevador sozinha e logo enxergou pessoas conhecidas até chegar em que estava com Marie, e William.
— Olha quem chegou, nossa ruiva preferida — William disse piscando e sorriu.
— A cada ano mais gostosa, diga-se de passagem — disse se aproximando e piscando enquanto preparava-se para abraçá-lo, não era um comentário que se esperava dele, mas não fez nada.
— Obrigada, eu acho — respondeu. — — sorriu e Marie a puxou.
— Vamos amiga, vou te levar no open bar, está magnífico — a loira disse puxando a amiga. — Ainda bem que você chegou, desde quando William e são tão idiotas? O que eu perdi?
— O mesmo que eu, também achei super desnecessário o comentário dele sobre mim — disse chegando ao bar — Saquê com morango, por favor.
— Dois — ela disse ao barman. — , você não viu os comentários que estavam fazendo sobre as partes íntimas das outras meninas — Marie disse parecendo atordoada. — Outra coisa: estão usando drogas.
— Maconha, há bastante tempo na verdade — falou como se aquilo não fosse algo que estava sabendo agora.
— Maconha? Amiga, maconha até eu uso, eles estavam com cocaína, e muita — ela disse recebendo sua bebida, não falou mais nada. O comportamento dos três pela noite denotava que realmente Marie estava certa.
Era meio da festa quando procurou o banheiro, andando pelo apartamento e subindo as escadas pensando que provavelmente os de lá estavam livres. Ao abrir a primeira porta, estava com, não apenas uma menina, mas duas em sua cama, olhou paralisada por instantes e a notou.
— Oi, , se não for participar fecha a porta por favor — ele disse com a voz pesada e sarcástica, apenas bateu a porta tentando tirar aquela cena um tanto nojenta da sua cabeça. Desceu e continuou conversando com Marie, não comentou nada, mas definitivamente não era o encontro que ela esperava.
Já ao final da festa quando apenas restavam os três amigos, Marie, William e , apareceu novamente. Ele notavelmente não tava em si, mal conseguia manter-se em pé e pela primeira vez viu inalando cocaína.
— Bem, chega, vou pra casa — Marie disse inconformada ao ver aquilo, se levantando. — William, você vem comigo, já chega de festa por hoje — ela disse ordenando. — Amiga, você tem como voltar não é?
— Sim, vou ligar para o Joseph — concordou levantando-se.
— Você não vai, disse, mas ela não deu importância e ele a segurou pelo antebraço.
— Vamos, ! — e então a puxou para perto.
, me solta, vai — ela disse calmamente e tentou tirar o braço das mão do rapaz que apenas aumentou a força.
— Qual é, , vai se fazer de difícil agora? — ele voltou a perguntar e olhou de seu braço para os amigos.
— ela insistiu puxando seu braço com mais força.
— Vamos, , não é como se você já não tivesse dado pra mim, não banca a fingida agora, eu sei que você gostou — não poderia descrever a raiva que sentiu naquele momento, todos ao redor ficaram tensos e ela puxou seu braço com força e saiu do apartamento sem falar com mais ninguém, não desceu pelo elevador, sabia que Marie viria logo atrás para tentar entender o que aconteceu, sabia que o motorista ainda não estava lá, foi descendo as escadas e não saberia definir se estava com mais raiva de ou com mais raiva de si. Parou entre os andares e sentou na escada, apenas enviou uma mensagem a Joseph para que fosse busca-la e então fechou os olhos, não iria chorar, não iria criar confusão, não iria se diminuir, sabia que o errado já estava feito, mas ela continuava sendo . Esperou algum tempo e então saiu do prédio, pelo jeito todos já haviam ido também.
Os meses posteriores apenas confirmaram as mudanças de , acidentes, drogas, escândalos com mulheres, os tablóides tiveram muito trabalho com ele, sabiam que seu parceiro era o Príncipe William, o que ainda tornava tudo pior, mais exposto. O pai de por várias vezes precisou comparecer a delegacia a pedido de Christian , pai de .
apenas abstraia, não deveria mais ser parte de seu ciclo social, não era bom para sua imagem.



Capítulo 2

The whole damn world is just as obsessed
With who's the best dressed and who's having sex,
Who's got the money, who gets the honeys,
Who's kinda cute and who's just a mess
And you still don't have the right look
And you don't have the right friends
Nothing changes but the faces, the names, and the trends
High school never ends

Era o primeiro dia do último ano de em Radcliffe Brown, havia acabado de voltar de Moscou, resolveu passar algumas semanas com sua avó paterna, Sisi, uma aristocrata muito exigente. se via muito no jeito da avó, apesar de acha-la antiquada em alguns aspectos. Procurou em sua bolsa seu Russian Red, seu batom preferido, nada nela deixava de ser impecável, absolutamente nada. Desceu em frente à escola em seu salto fino boneca e seu material, não demorou a praticamente todos do pátio reparassem que ela havia chegado, era como se um silêncio tomasse conta do local. Mas ela não olhava pra ninguém, apenas andou com seu rosto projetado a cima, ela era superior e todos ali sabiam disso.
, amiga — ouviu a voz de Liz mais a frente, fora Marie, Liz era a menina que ela mais tinha contato, não a considerava amiga, amiga havia um sentimento de relação, e só tinha relação com ela mesma, mas sim, entre todas de RB era com ela com quem andava. Caminhou até lá, vendo a menina sorrir radiante. — Como foi em Moscou?
— Muito bom — disse rasa. — E os Estados Unidos?
— Eu não fui para os Estados Unidos — Liz disse e apenas deu de ombros. — Você quis dizer Escócia — ela disse e novamente deu de ombros. — Perfeito, conheci o cara da minha vida, eu te falei do Har, não é? — é lembrava que havia um menino na mensagem que ela havia mandado para o Facebook. — Ele começa na escola hoje.
— Que bom, bem, vou pra sala — disse já enjoada da voz demasiada fina da menina, antes que ela pudesse falar mais alguma coisa saiu andando. Na sala viu , desde o aniversário de não o via, apesar do garoto sempre estar em jantares de família, lembrou-se do seu pai comentando alguma coisa sobre os pais dele, mas não tinha importância então ela não ligou, alguma coisa sobre acidente. Não o cumprimentou, sentou-se em um dos primeiros lugares da classe e tirou o celular da bolsa.
— ouviu a voz atrás de si e virou-se, era . — Você já tem o horário desse ano?
— Não — respondeu somente e virou-se, aproximou-se e sentou ao seu lado. — Você vai para York na sexta?
— Não acho que tenha escolha — ela respondeu sem olhá-lo.
— Eu vou, digo, seus pais querem que eu vá, eles tem sido bem legais comigo desde tudo — ele explicou.
— Legal que eles são legais com alguém — ela respondeu seca. Achou estranho que seus pais voltassem a programar uma viagem juntos, só por causa de , a verdade é que eles protagonizaram um dos divórcios mais expostos da Inglaterra. Seu pai foi pego com uma amante, sua mãe saiu de casa no mesmo dia. Tablóides perseguiram a família por bastante tempo, Paul quase perde seu título por todas as confusões, perderam muito dinheiro, as vendas de sua mãe caíram, se não bastassem a briga dos dois, ficou no meio, seu pai a tentava afasta-la de sua mãe, sua mãe tentava afastá-la de seu pai, sua avó não a queria com nenhum dos dois, sua mãe conseguiu a guarda solitária da menina e usou isso apenas como um troféu contra seu marido. Depois disso não parou mais em casa, estava sempre viajando, passou dos seus 10 anos até os seus 17 vendo seus pais se odiarem e sendo criada por Leslie, a governanta da casa, que parecia sobretudo a única que se importava com ela, mas como um passe de mágica eles voltaram a fazer planos de viagem, com um garoto que havia aparecido a pouco na vida deles.
— Eles são bons comigo — ele respondeu e deu de ombros, não era de seu interesse saber as obras altruístas de seus pais.
Liz chegou e sentou-se ao lado de .
— Acredita que é o primeiro dia dele aqui e não quer sentar comigo? Vai ficar com um amigo daqui — exclamou a garota e apenas fingiu que não ouvia. Em alguns minutos a porta abriu e apareceu, com seu cabelo em pé, uma calça abaixo do que deveria ser e a gravata aberta, ela realmente não esperava isso, olhou paralisado e então redirecionou o seu olhar, mas sua visão periférica observou o rapaz se aproximando até muito próximo.
— Amor — ouviu Liz dizer ao seu lado e precisou olhar para acreditar, deu um pequeno beijo em Liz e em seguida piscou para .
— disse e ela apenas o olhou por cima e voltou a olhar para o telefone.
— Ah, não, vocês se conhecem? Porque você não me falou antes, chuchu? — Liz perguntou a que apenas riu de canto, parecia ter armado a surpresa de propósito.
— Vou sentar com o — ele disse apenas andando até lá e arrancando olhares por onde passava. Até o fim da semana era o cara que todo cara queria ser. Um: porque todos já o conheciam, conheciam sua fama e dois: porque ele, entre todos da escola, era o mais próximo da família real, além de ter seu pai como membro do parlamento, o que quisesse fazer, simplesmente seria permitido.

chegou ao aeroporto de onde sairia o vôo para York, como já esperava não tinha escolha, estava lá, seus pais não.
— Bem, acho que podemos ir agora — ele disse assim que ela chegou.
— Não vejo meus pais.
— Eles já estão na casa em York, achei que soubesse, seu pai me avisou ontem à noite — ele disse.
— Não, não me avisaram, mas pelo jeito você é o filho preferido agora — ela respondeu sem educação avançando para o hangar onde encontrava-se o avião de seu pai, entraram em silêncio.
, quer? — ofereceu uma pequena garrafa com whisky e negou. — Ok, qual é o seu problema comigo?
— Nenhum — ela disse ignorante, não imaginava quem ele se achava para afrontá-la.
— Eu to tentando ser legal — ele respondeu.
— Eu não preciso do seu tentar ser legal, você pode guardar pra você — ela deu de ombros. — Por favor, só não fique porre, que eu não vou cuidar de ninguém.
— Ah, é isso, você acha que eu sou igual o — ele olhou ficando agora de pé.
— Eu não acho nada — ela respondeu mexendo no seu celular.
— Eu não sou, ok? Eu nunca fui, eu posso beber e ter usado algumas coisas esporadicamente, mas eu não sou prepotente, arrogante, não uso mulher — ele se defendeu e o olhou. — Ele é um idiota.
— Mas ainda é um dos seus melhores amigos, até onde eu sei — respondeu e ele balançou a cabeça.
— Eu tenho consideração pelo que ele era, mas ele anda agindo como idiota, você conhece ele melhor do que eu conheço, sabe que nem sempre ele foi assim — ele respondeu novamente. — Olha, nós não nos falamos muito, mas você me parece uma boa pessoa, age como uma idiota as vezes também, mas ainda sim.
— Se acha porque quer falar comigo? — perguntei.
— Porque esse parece ser o jeito que vocês foram criados pra ser, não os posso culpar — me disse sincero.
— E porque você se acha tão diferente?
— Eu não sou, mas eu nem sempre fui rico, tive título, meus pais batalharam muito, eu tenho tudo que eu quero, mas não na mesma proporção que vocês — ele respondeu e eu apenas o olhei. — Seus pais são bons.
— Se você diz — deu de ombros.
— Você pode pelo menos me dar um crédito — ele disse e ela colocou os óculos escuros de volta no rosto, por ela a conversa estava encerrada.

— Pai — bateu na porta do quarto onde seu pai estava e ele fez sinal para que ela entrasse. — O que aconteceu com os pais do ?
— Eu te contei, , quando você estava em Moscou. Eles faleceram, ha mais ou menos um mês, em um acidente.
— Os dois? — ela perguntou para ter certeza e seu pai concordou, acendendo um charuto.
— O pai dele era um grande cliente do meu escritório e um bom aliado de sua mãe, é nossa vez de ajudá-lo. Agora vá apressá-lo, vamos sair para jantar no Somilier — Paul disse à que apenas concordou, saiu do quarto e foi até o quarto de .
, já vamos sair — ela disse pro trás da porta e então ele a abriu, a olhou e pareceu repentinamente surpreso.
— Uou — ele disse, ela franziu a sobrancelha.
— O que foi? — ela perguntou.
— Parece que você tá sempre mais bonita, toda vez que eu te vejo — ele respondeu e ela o olhou por um tempo não esperando aquela resposta.
— Vamos — ela disse apenas dando as costas e procurando a escada da casa.
Tiveram uma boa noite agradável, como sempre entre seus pais, ficava quieta, sem muito o que falar, nada que envolvessem os dois era muito familiar para ela, ao contrário disso, parecia ser o mais novo filho, eles três tinham uma boa interação.

Já passavam da meia-noite quando ouviu baterem na sua porta, caminhou até lá sonolenta e abriu, era .
— O que foi, garoto? — ela perguntou entediada.
— Vem, vamos fazer alguma coisa legal — ele disse segurando a chave do carro.
— É meia-noite, eu estou de pijama, vai dormir — ela resmungou e ele riu.
— Vamos, eu sei que você também já foi mais divertida, não veio pra York só pra ter jantares fora, né? — ele provocou e ela apenas o observou, ele olhou em seu relógio e voltou a encará-la. — Vou esperar você na garagem até 00:20 — e apenas deu as costas. pensou, olhou para sua cama, e então procurou alguma coisa para vestir.
Às 00:19 a viu saindo da casa em direção à garagem, deu ré e parou em frente a menina com seu Porche Carrer GT, ela entrou no lado do carona.
— Onde você arrumou esse carro? — perguntou .
— Faz parte dos do meu pai, um dos meus preferidos — ele respondeu orgulhoso por isso.
— Imagina o resto — deu de ombros, não ficava de olhos cheios com carros, mas sabia que aquele era um dos mais caros do mundo.
— Qualquer dia eu te mostro, nunca usei ele, vamos ver o que ele faz — saiu da garagem e fez uma manobra rápida para se posicionar na rua e em seguida arrancou.
— Aonde você quer ir, afinal? — a garota perguntou.
— Você vai ver — ele disse olhando para o caminho. — Atrás tem cerveja, pode pegar uma pra mim? Fica a vontade se quiser também — disse e apenas se esquivou um pouco para trás e pegou para ele. — Você não bebe mais?
— Não — ela respondeu.
— Por quê? — perguntou interessado.
— Acho desnecessário os efeitos que o álcool trás — ela deu de ombros.
— Você quer dizer transar com e ser chamada de foda pós festa por ele? — perguntou e o olhou não acreditando que ele realmente falou aquilo.
— Então você se acha menos idiota que ele? — ela perguntou irônica.
— Eu não falei por mal, são só fatos, além do mais o errado é ele, já falei. Não é errado pegar alguém por estar de porre.
— O que você sabe sobre pegar alguém? Você é o maior nerd da escola.
— Então comente mais a sua grande lista e mostre que sabe tudo sobre pegar... — ela novamente o olhou revirando os olhos e ele riu. — Você sempre fica nervosinha com tudo? — perguntou ainda provocando. — Vai, bebe comigo, nada vai acontecer com você hoje.
— Não, obrigada — ela respondeu.
— Vai... Não sei se você tem coragem pra fazer o que faremos se não tiver um pouco porre. Então faz o que eu digo e bebe — ele insistiu, então ela se inclinou novamente e pegou mais uma cerveja dessa vez para ela. Se distanciaram cada vez mais do centro, já pareciam estar na saída da cidade quando percebeu que outros carros do mesmo porte começavam a aparece emparelhados com o de , haviam uns prédios antigos e bem na entrada deles dobrou para a esquerda, e apareceu uma grade, ele baixou os vidros e então elas se abriram, o local era meio mórbido.
— Onde a gente tá? — ela perguntou.
— O que você conhece de York? — ele perguntou.
— Nada — ela deu de ombros e ele bebeu um grande gole da cerveja, a iluminação do lugar só acontecia pelo farol dos carros.
— Aqui era pra ser um bairro planejado, mas aí os caras abandonaram as obras, e agora nos finais de semana uma galera da cidade vem pra cá, se reunir e apostar — explicou e entre os prédios abandonados um som alto começou a surgir, barulho de muitos carros e gente, parou o carro o mais próximo de tudo possível.
— Apostar o que? — já tinha uma leve impressão, viu ambientes parecidos em Velozes de Furiosos, mas queria ter certeza.
— Corrida de carro — respondeu se inclinando e pegando duas cervejas, deu uma para que aceitou de bom grado e saiu do carro, ela apenas o imitou, andando para onde ele ia. conhecia muitos ali, passava algum tempo em York com a família as vezes, andou entre os carros e as pessoas o olhavam, não sabia porque, em Londres ele não parecia ser popular.
— Desde quando te veneram, ? — perguntou provocativa.
— Desde que isso aqui é meu — ele respondeu dando uma leve piscada, ele continuou andando até um grupo de cinco pessoas.
— Grande senhor — um rapaz loiro com a voz tão folgada quando a calça falou com ele.
— Stu — disse abraçando o rapaz. — Quanto já rendeu hoje?
— Pra caralho, mano, isso aqui é a única coisa de interessante na cidade — outro rapaz dessa vez moreno vestindo uma blusa maior que ele falou. — Vai rodar hoje?
— Vou — concordou. — Coloca pra começar — ele bebeu mais um gole de cerveja, e então tirou um pequeno saquinho do bolso, percebeu na hora que era cocaína, e deixou na mesa do centro.
— Você sempre sabe o que a galera gosta — Stu voltou a falar e não se espantou com a presença da droga olhou ao redor e havia muita gente. — Quem é a bonitinha? — o garoto perguntou.
— É uma amiga de Londres, ela é da realeza, não mexe com ela não — disse enquanto o rapaz moreno arrumava carreiras de cocaína.
— Como realeza, você pode fazer as honras, princesa — ele apontou e antes que falasse, interviu.
— Ela não — ele disse sério e então os dois deram de ombros, continuou a beber. — Quer correr ou quer ficar vendo?
— Eu não conheço ninguém, que graça teria ficar vendo? — ela deu de ombros e ele concordou, secou mais uma garrafa de cerveja e inclinou-se na mesa de centro preparando-se para inalar o pó branco.
— Começa lá, Rob — disse, acabou a cerveja e deixou na mesa, uma luz vermelha acendeu e alguns carros ligaram, houve uma movimentação maior como se todos começassem a abrir espaço. — Vamos.
— Você ganha dinheiro com isso? — perguntou e ele concordou.
— Isso aqui já tem desde que as obras pararam sabe, aí eu, o Stu e o Rob começamos a cobrar pra correr, eles tomam conta e eu dou o lugar, como é privado, a polícia não pode se meter, além de que a galera tenta ser discreta — ele explicou e ela entendeu, voltaram para o carro e tomou seu lugar no volante. — Certo, hoje você vai ser minha co-pilota, tudo o que você tem que fazer é me dar cerveja e não morrer.
— Certo — deu de ombros pegando mais uma cerveja na parte de trás do carro e dando a ele. batia a ponta dos dedos no volante, a luz vermelha ficou amarela e então ele ligou o carro, fazendo ele roncar.
— 5, 4, 3, 2, 1... — ele contou baixo e foi tão rápido que nem percebeu quando arrancou mesmo entre o pouco espaço entre os carros e começou a cortar a frente desses, se segurou na porta percebendo que aquilo era extremamente arriscado pela primeira vez.
— ela falou e ele riu, pisando mais fundo, o carro praticamente voava, até quando ultrapassaram vários outros e ficaram apenas dois emparelhados com o de , quando achou que o pior tinha passando surge um muro alto na frente deles e por segundos ela teve a sensação de que iriam bater, ela segurou na mão de que estava na marcha como se pudesse impedir ele de bater, mas antes que percebesse ele dobrou junto com os outros dois, seu coração batia acelerado e apenas ria em vê-la com medo, ele soltou a marcha por instantes e segurou a mão dela, voltando a fazer a marcha desse jeito. estava eufórica demais com a situação para se perceber de mãos dadas com . A corrida toda durava em torno de cinco minutos, e, quando acabou, com em segundo lugar, ainda não conseguia respirar direito.
— Acabou — ele disse a olhando, ela soltou a mão da dele e respirou.
— Nunca mais me mete nisso — ela respondeu seria e ele riu.
— Você gostou, admite — ele disse e o lançou um grande olho de tédio, mas em seguida riu.
— Odeio você, — ela disse e ele riu.
— Espera aqui, vou pegar o dinheiro e mais cervejas — desceu do carro e continuou ali, as pessoas começavam a ir embora agora. De longe ela viu voltar para onde estavam os outros rapazes, receber o dinheiro e inalar mais algumas carreiras de cocaína, ele pegou algumas latinhas de cerveja e voltar para o carro, entrou e colocou as latinhas na parte de trás. — Vou te mostrar um lugar legal — ele ligou o carro e voltou a dirigir entre as ruelas do lugar abandonado.
— É meio macabro aqui — ela disse e ele deu de ombros.
— Era pra ter ficado pronto há pelo menos uns três anos.
— Porque pararam as obras? — perguntou curiosa.
— Algum problema com quem tava fazendo a obra, meu pai queria continuar, talvez agora eu continue — ele respondeu.
— Mas vão perder a pista de Need For Speed — ela respondeu e ele concordou.
— Mas vou ganhar uma cidade, dentro de York — ele respondeu de imediato. — Meu pai tinha muita coisa, em muitos ramos é complicado pra mim, sem experiência nenhuma, me desdobrar. A minha sorte é que ele deixou muita gente bacana ajudando, seu pai e sua mãe são exemplos disso.
— Que bom que eles te ajudam, deve ser complicado pra você ter perdido seus pais, de uma vez assim, você parecia muito ligado a eles — disse e concordou ainda dirigindo.
— Eu não quero ser o órfão depressivo, então eu faço o máximo que eu posso pra não demonstrar nada, mas é complicado. Eu e meus pais tínhamos uma boa relação, melhor do que a que você tem com os seus, ou com a que o tem com os dele também — continuou a falar e subiu mais um pouco a rua e parou, saíram do carro e então percebeu que era o fim do caminho, havia uma pequena descida, mais a frente dava pra ver a cidade em baixo.
— Tem suas vantagens em ter um bairro só pra você — ela disse olhando a vista e bebendo um pouco da cerveja. sentou no capô do carro concordando. — E você é sortudo por ter uma boa relação com seus pais, eu só conheço mais uma pessoa que é assim e, na verdade, penso que é boa porque os pais dela nunca a proíbem de nada.
— Meus pais já me proibiram de muita coisa — ele secou a latinha que tinha na mão e jogou pela descida, saiu do capo, voltou ao carro pegou várias latinhas e deixou em cima do capô.
— Acha que eles gostariam de te ver cheirando meio quilo de cocaína? — perguntou sem saber se tinha intimidade suficiente pra isso, deu de ombros não respondendo.
— Porque você não se dá bem com seus pais? — ele perguntou, realmente parecia ser difícil pra ele não entender isso.
— Você não morou na Inglaterra sempre, né? — ela perguntou.
— Não, morei em quase todo o mundo já.
— É por isso que não sabe — deu de ombros. — Meus pais são egoístas, só pensam em dinheiro e nunca deram a mínima pra mim, eles não ganham o prêmio de pais do ano e eu não ganho o premio de filha do ano, tá tudo certo — explicou.
— Entendo — ele deu de ombros bebericando mais uma cerveja. — E você e o , se conhecem desde quando?
— Desde sempre — ela não queria conversar sobre . — Você sabe muita coisa de mim, eu não sei nada de você pra puxar assunto.
— Você não sabe nada de ninguém a não ser você — ele riu e ela deu de ombros. — Sua fama é muito ruim sabia?
— Sei, e não vejo problemas — ela disse.
— Você é estranha, vocês todos de Londres são estranhos — disse secando mais uma garrafa.
— Como é cheirar cocaína?
— Pra que você quer saber?
— Porque aparentemente todos gostam disso.
— Sei lá, às vezes é bom ter um escape, por algum tempo as coisas ficam melhores.
— Vocês são uns idiotas pra usar isso — ela deu de ombro jogando a cerveja longe e já pegando outra.
— Você também é idiota, só que por outras causas.
— Não ligo pra sua opinião, .
— E é por isso que eu ainda insisto — ele respondeu dando uma piscada.
Beberam por mais algum tempo não falando nada de mais, assim que todas as cervejas acabaram voltaram para casa, quando já estava quase amanhecendo.
me disse que você gostava de pôr do sol, se você quiser, amanhã a gente pode ir pelas ruínas, o pôr do sol é legal lá — disse enquanto andavam pela casa já próximo a escada que levava para os quartos.
— Tá — ela concordou começando a subir, ele ficou parado na escada apenas sacudindo a cabeça, mas ela não ligou dele ter ficado, apenas pensava que deveria ser sortudo por conseguir passar algum tempo com ela, a maioria não conseguia nem bom dia.

Já eram 17 horas quando ouviu baterem em sua porta, apenas resmungou alguma coisa sem parar de passar o batom.
— ouviu a voz de sua mãe e virou-se. — Ouvi dizer que vai às ruínas da cidade com .
— Vamos — respondeu simploriamente.
— Fico muito feliz que se dêem bem — Scarlet disse com um sorriso estranho no lábios, mas apenas deu de ombros. — Você é nova , esperta, você sabe os benefícios de deixar feliz, não sabe?
— Não mãe, não sei — ela disse entendendo onde a mãe queria chegar.
— Pois deveria pensar sobre, ele me parece bem interessado e acho que seria de grande interesse para nós e, claro, você — ela disse sentando-se na cama, simplesmente não acreditava que estava ouvindo aquilo. — Você não quer perder as vantagens que tem, né? O padrão de vida que tem, então eu acho que deveria ser mais esperta, eu e seu pai não sobreviveríamos sem o legado dos .
— Ok, mãe, anotado — ela disse rolando os olhos pegando a bolsa e saindo do quarto, simplesmente não acreditava em sua mãe. Desceu até a garagem, mas ainda não havia descido, se encostou no carro por algum tempo e o viu sair da casa com uma jaqueta de couro e o cabelo em topete, os óculos escuros também dava um bom ar, ele sorriu e destravou o carro, ela apenas desencostou e entrou no carro, sem muito humor.
— Dormiu comigo? — ele disse assim que entrou no carro.
— Ahn? — ela perguntou sem entender o que ele queria dizer.
— É uma expressão pra quando a pessoa não te cumprimenta — ele explicou dando ré para sair da garagem, ainda não tinham se falado naquele dia, marcaram de sair pela empregada da casa.
— Oi, — ela disse dando de ombros.
— Mal humorada? — ele perguntou.
— Não, to de boa — ela deu de ombros. — As ruínas são longe?
— Não, logo chegamos — ele disse e em cerca de dez minutos chegaram onde ficavam as ruínas, era um lugar frio e muito bonito, mais alto do que o resto da cidade. O sol já estava se pondo, olhou para a cena e realmente era bonita, não sabia se mais bonita do que na casa em Windsor, mas tão bonito.
— Deu pra melhorar o dia? — perguntou ao seu lado e ela apenas acenou positivamente com a cabeça. — É bonito, né? Muita gente vem pra cá ver.
— Vale a pena — respondeu.
— Eu te levei pra se divertir, quase matei você, te deixei meio bêbada e te apresentei um dos pores do sol mais bonitos da terra, já podemos nos dar bem?
— Nós já nos damos bem — ela deu de ombros. — Mas porque é tão importante pra você isso?
— Você é diferente , eu sei que todos os guris te dizem isso, mas você é e eu realmente quero me aproximar de você — disse e apenas o olhou, não sabia o que falar.
— Você está se aproximando de mim — ela disse desviando.
— Não desse jeito — ele riu sem graça. — Eu sei como você é, as coisas que passou e passa, e pra mim você só se torna mais incrível — ele disse novamente a deixando sem graça.
... eu to com frio, a gente pode descer? — ela desviou do assunto de vez, ele concordou e fizeram o caminho de volta para o carro calados, o sol ainda não havia ido completamente, mas eles apenas voltaram pra casa, naquela madrugada ainda voltariam para Londres. A cabeça de ficou bem movimentada, não achava-se apta a fazer alguém gostar dela, não era feio, não era idiota, não como , e ficar com ele ia ser uma decisão sábia, uma decisão que tornaria a vida de todos mais fácil, uma chance de seus pais continuarem tão amigáveis quanto estavam, ficar com o rapaz lhe pareceu uma decisão razoável, racional. Saiu de seu quarto e andou até o quarto do rapaz bateu algumas vezes na porta e ouviu a autorização de dentro, estava sentado na cama com um violão e se surpreendeu e vê-la entrar.
, eu não... — se perdeu nas palavras e ela deu de ombros.
— Você toca? — ela perguntou notando o violão e ele concordou. — Toca alguma coisa.
— Não, eu não sei nada de mais.
— Não seja idiota, toca — ela insistiu e ele riu pela falta de delicadeza dedilhou o violão e tocou Michelle dos Beatles, cantarolou levemente enquanto ele tocava, gostou do sotaque do garoto na música lembrava a original. — Você toca bem.
— Obrigado — ele sorriu agradecido. — , sobre hoje de tarde... — antes que ele terminasse ela interrompeu.
— Eu gostaria muito que você se aproximasse, nem que seja pra ver que eu não sou incrível — ela respondeu e ele sorriu novamente surpreso com a resposta dela.
— Você só prova que é — ele deu de ombros, ela levantou-se, se aproximou dele e deu um beijo no rosto do garoto.
— Até a volta para Londres — ela disse e então saiu do quarto, apenas ficou sem fala.

havia acabado de chegar à casa de , seus pais já estavam lá, o garoto havia os convidado para um jantar em sua casa para comemorar alguns pontos positivos nos negócios, não seria nada formal, mas, mesmo assim, estava impecável.
— Que bom que veio — disse assim que a viu entrando, andou até ela e deu um pequeno beijo em sua cabeça, os dois andavam se dando bem depois da viagem a York, passavam algum tempo juntos depois das aulas também, mas era apenas isso.
— Eu não entendi o motivo do jantar , mas aqui estou — ela deu de ombros.
— Depois eu tento te explicar — ele disse e ela concordou. — Vou dizer pra se servirem — ele se afastou e passou a cumprimentar todos que estavam na sala.
A casa de era monumental, era basicamente um palácio no centro histórico de Londres, ele não gostava muito, mas seus pais apreciavam coisas antigas, diziam que devíamos gostar de coisas com historias. ainda não se sentia bem em sair daquela casa, mesmo que agora fosse um tanto quanto triste. O jantar era animado, com muita conversa entre a avó e as tias de com Scarlett e Paul, e o próprio , como sempre nunca conversava muito, não se incomodava, sabia que provavelmente era pela presença de seus pais.
— Fica mais — disse quando os pais de saíram da casa dele e ela ameaçou colocar o casaco.
— Amanha temos aula, é melhor dormir — ela disse.
— Vamos, , tenho Star Wars, De Volta Para o Futuro e sorvete — disse persuasivo e o olhou sorrindo e assim concordando.
— Certo — deu de ombros e deixou o casaco no mesmo lugar de antes. os levou para o quarto de vídeo e escolheram Star Wars, não era um dos filmes preferidos de , mas era o filme preferido de . — Então me faça entender o porquê do jantar.
— Digamos que meu pai tava resolvendo alguns negócios importantes e, bem, eu consegui resolver, não sozinho, mas consegui — ele disse e sorriu.
— Parabéns — ela disse e ele concordou sorrindo. Ficaram quietos por algum tempo apenas vendo o filme.
— Vamos comer alguma coisa, vem — ele convidou levantando dando pause no filme, levantaram e andaram até a cozinha. — Eu to pensando em largar a escola.
— Por quê? — ela perguntou dando de ombros.
— Talvez eu tivesse mais tempo pros negócios.
— Mas também iria ser interessante se formar e uma faculdade pra isso.
— Eu não preciso mais disso, eu já tenho o legado.
— Não seja prepotente, — ela respondeu enquanto entrava na cozinha. — O que tem pra comer?
— Vamos ver — ele disse abrindo a geladeira. — Alguma coisa contra lasanha congelada? — ele perguntou e ela negou, então o rapaz retirou a embalagem e se dirigiu até o microondas, sentou-se no balcão da cozinha, programou o aparelho e andou até ela. — Você não largaria a escola se tivesse oportunidade?
— Não, eu to no último ano e um dia eu pretendo viver sem o dinheiro dos meus pais.
— Você não precisa disso — ele deu de ombros parando em frente a ela de novo.
— Você ta realmente falando sério sobre pensar em largar a escola?
— Não, a única coisa que eu realmente penso serio é em ficar com você — ele respondeu com uma risada no final, ficou impactada com a afirmação por um momento, mas não é como se ele e ela não estivessem sempre prestes a isso ultimamente.
— E o que você está esperando? — perguntou e se aproximou mais, colocando a mão no balcão onde ela estava sentada, se encaravam enquanto isso, aproximou o rosto do dela e a boca.
— Agora, nada — ele respondeu encostando o lábio no da garota, apenas aceitou o beijo deixando a mão na nuca de , o beijo era calmo sem nada muito ousado da parte dele, muito menos da dela, por dentro estava explodindo, ele tinha a garota mais foda do colégio.



Capítulo 3

Nothing seems as pretty as the past though
That Bloody Mary's lacking a Tabasco
Remember when he used to be a rascal?
Oh that boy's a slag
The best you ever had
The best you ever had
Is just a memory and those dreams
Not as daft as they seem
Not as daft as they seem
My love when you dream them up

2 meses depois...

, comprei uma gravata para você ir ao casamento de Lauren — disse assim que chegou em casa e teve a noticia que a esperava em seu quarto, sorriu ao vê-lo e deixou as sacolas no canto.
— Quem é Lauren? — ele perguntou sem atenção olhando para a TV.
— Socialite, ramo da moda, uma das melhores amigas da minha mãe... — tentou fazê-lo lembrar, mas ele apenas deu de ombros. — Certo, tanto faz! Ela vai se casar em Hamptons no sábado, o avião do meu pai vai nos levar.
— Hamptons, NY? — ele perguntou e ela confirmou. — Eu não vou poder ir, amor — ele então olhou a namorada que se desarrumava.
— Como assim você não vai poder ir? — o olhou procurando uma boa explicação.
— Reunião dos sócios da transportadora, eu ainda sou o majoritário, lembra? — ele esclareceu e ela sentou-se na cama.
— Você não pode adiar?
— Já foi adiada — disse calmamente.
— E eu vou fazer o que em Hamptons só com meus pais? — ela rolou os olhos.
— Ninguém mais foi convidado?
— Liz e ... — ela deu de ombros como se não fizessem diferença.
— Ela é sua melhor amiga.
— Que melhor amiga, ? Eu só falo com a garota.
— Bem, ela diz que é sua melhor amiga — ele riu dando de ombros.
— Minha melhor amiga sou eu mesma, e olhe, olhe — ela disse levantando-se.
— Certo — ele bufou. — Agora volta aqui que você não falou comigo direito — ele disse a chamando com a mão, ela negou.
— Aula de Latim agora, vamos — ela disse procurando o uniforme e indo para o banheiro se trocar. apenas desligou a TV e alinhou o uniforme, duas vezes na semana eles voltavam para a escola para cumprirem o horário de Latim e economia. logo saiu do banheiro já devidamente arrumada, ao passar por ele a puxou pela cintura e lhe deu um beijo nos lábios. — Você vai ter que me recompensar por isso.
— Por faltar ao casamento de alguém que eu não conheço?
— Por me deixar um final de semana inteiro com meus pais — ela corrigiu, ele riu e voltou a beija-la.
— Te recompensarei pelo resto da vida — ele disse e os dois riram, dando alguns beijos. — Aliás, não vou voltar pra cá de noite, preciso ir pra empresa.
— Trabalho, trabalho, trabalho... entendi — ela piscou e ele rio concordando, se soltou do abraço do rapaz e procurou o material para a aula.
Liz foi a primeira que viram ao entrar na escola, juntos como já estava sendo a mais um menos um mês e meio, ela acenou para o casal, animada.
— A aula, cadê? — perguntou.
— O professor ainda não chegou, ainda está em tempo de qualquer jeito — Liz respondeu prontamente.
— Liz, e quais são seus planos para Hamptons? — disse sorridente tentando fazer se animar para novamente.
— Infelizmente nenhum, estou de castigo, meus pais vão sozinhos, digo cada um com seus companheiros — ela deu de ombros — meu pai tem uma nova namorada que eu ainda não sei quem é, queria ir para descobrir — revirou os olhos pela quantidade de informação desnecessária. — não vai também, talvez seja bom, fico com ele aqui — essa última noticia animou , ele se esforçava para manter e o mais longe possível, pelo bom senso e pelos ciúmes.
— Aula, acho que tá na hora — disse para cortar o assunto e sem esperar que os dois a seguissem deu as costas.
Mesmo com atraso o professor chegou, ainda chegou mais atrasado ainda, e sentavam-se atrás enquanto e Lizz continuavam mais a frente, em meio a aula notou os dois saindo, ela sabia o que os dois fariam, mas apenas ignorava não iria se dispor com nenhum dos dois, geralmente ao final da aula, quando já estava em si a esperava na saída da porta, aquilo não aconteceu naquela tarde ao contrario disso seu celular tocou .
— Oi — ela disse ao atender.
— Linda, eu estou no píer com , quer vir pra cá? — ele perguntou com a voz meio pesada, — trás a Liz.
— Você ta chapado? — ela perguntou e ele não respondeu.
— Vem pra cá e trás o que eu deixei na sala — ele disse e apenas desligou, ela bufou e foi até as mesas de trás pegar o material dele.
, me pediu pra voltar e pegar o material dele, quer ir no píer?
— Não acho que tenha alternativa — ela deu de ombros. Já passavam das 17h quando elas chegaram ao píer, eles estavam sentados e segurava um pequeno cigarro de maconha. — Suas coisas — ela soltou a mochila perto dele e Liz foi animada para perto de .
— Hey — disse ao perceber.
— Tchau — iria dar as costas quando deu uma pequena segurada em suas pernas.
— Fica, vamos ver o por do sol — ele disse.
— É, , você não costumava ser tão chata — disse provocativo, ela olhou para furiosa.
— Sério que você quer que eu fique? — perguntou e entendeu levantou-se e a segurou pelo braço. — Você tem que voltar para a empresa, tente não chegar chapado lá.
— ele continuou segurando e ela o olhou.
— A deixa ir, , só sabe criar crises, não tem nada que ela entre e consiga ser legal — novamente se meteu e respirou fundo.
— Dentro das suas coisas tem o convite do aniversário da Stella amanhã, tchau, — ela disse e dessa vez definitivamente deu as costas. Odiava quando estava drogado, odiava a amizade dele com e o tanto que ele o influenciava, mas sabia que não adiantaria falar.
Perdeu o horário da aula no dia seguinte e apenas percebeu quando viu 10 ligações de em seu celular, retornou mesmo que ainda dormisse.
— Oi — disse.
— Onde você tá e por que não veio pra aula? — ele perguntou impaciente.
— Perdi o horário — respondeu francamente.
— Tá tudo bem? — ele perguntou.
— Sim — ela respondeu com voz de sono.
— Precisamos conversar sobre ontem — ele disse. — Te vejo hoje à noite?
— Sim, mas não quero conversar sobre nada. Você tem um mar de responsabilidade e você vai saber como lidar, tchau, — ela desligou o celular e voltou a dormir.

Ouviu bater em sua porta e logo a abrirem, era Leslie a empregada de sua casa.
, o carro está pronto — Leslie disse e sorriu ao olhar a garota com o vestido preto e os cabelos soltos que usava. — Está esplêndida.
— Obrigada, Leslie — soltou um sorriso e em seguida olhou-se pela ultima vez no espelhou, pegou a bolsa e partiu para o aniversário de Stella, uma garota de sua classe, nada de especial, mas dava boas festas. O lugar já estava lotado e ela via entre a decoração e garçons pessoas conhecidas, viu , Lizz e em uma mesa mais no canto do lugar, Caminhou até lá.
— Amiga, deixa-me adivinhar, Carolina Herrera — Liz disse assim que a viu, odiava a mania de Liz de tentar saber a marca que usava.
— Sim, Liz — ela respondeu dando um sorriso falso, a olhou e levantou-se indo para perto dela.
— Você tá linda — ele falou docemente, mas não demorou para que ela percebesse o quanto os olhos dele estavam baixos e sabia que aquilo era sinal de que ele não estava sóbrio.
— Obrigada — ela respondeu passando por ele e sentando onde antes ele estava. Como era de praxe não cumprimentou , outras pessoas se juntaram a mesas, mas apenas se serviu de um drink e ficou calada.
, porque você faz tanta questão de demonstrar o quanto está odiando a situação? — Steven, um rapaz da escola, perguntou desaforado após perceber que ela havia virado o olho pra alguma piada que fizeram.
— Por que me incomodaria e desperdiçaria esforço pra fingir que gosto? — ela respondeu sem excitação na voz o que vez alguns soltarem olhares assustados para ela.
— Steven, é assim, TPM 24h por dia. Achei que ia melhorar com o namoro dela com , afinal amor costuma deixar as pessoas com o melhor humor, mas isso não funciona com ela — disse provocativo.
— Melhor ter mau humor do que ser um idiota nato — ela respondeu prontamente.
— Ela deve ser uma delicia se ficar irritadinha na cama também, não é, ? — Stevem perguntou a que não respondeu.
— Ela fica uma delicia na cama de qualquer jeito. Eu sei o que eu to falando, acredite... — disse maldoso.
! — disse não achando graça naquilo.
, qual é o seu problema? — perguntou levantando-se e dando as costas.
— Na moral, , a próxima vez que você fizer esse tipo de comentário sobre a minha namorada eu vou esquecer os bons anos de amizade que temos, fica longe dela — respondeu deixando o copo na mesa e indo atrás de , conseguiu alcançá-la antes que ela chegasse a saída. — Amor, para, espera.
— Eu quero ir pra casa — ela respondeu mal humorada.
— Vamos, eu te deixo — ele disse a olhando, ela apenas desviou o olho e continuou a andar até a saída. — Me desculpa.
— Pelo que? — ela disse enquanto descia a escada da frente do salão, — por ter amigos idiotas?
— Ele era seu amigo também.
— Era, antes de ser idiota — ela não parava de andar e ele apenas a acompanhava.
, eu não tenho culpa se ele te pegou e vocês não se resolveram bem depois disso — ele disse e ela o olhou indignada pelo comentário.
— É assim que você pede desculpa? — perguntou e ele a segurou.
— Presta atenção — disse isso a fazendo olhar para ele. — Eu odeio isso no seu passado, ok? Odeio por ter feito isso também, ele faz com todas, mas não deveria ter feito com você, porque você não é como todas, eu sei disso e ele sabe. Eu odeio que ele faça questão de jogar isso na sua cara também. Mas você é minha agora e ele pode falar o que quiser porque não tem o que eu tenho e isso deve incomodar.
— Você age como um cachorrinho do as vezes, fazendo as coisas que ele faz, usando as coisas que ele usa.
, isso é mais complicado do que parece, não faço isso pra parecer com ninguém, todo mundo tem que arrumar alguma coisa pra enfrentar as merdas.
— Boa desculpa — ela rolou os olhos.
— Tanto faz, só para de ficar braba comigo — ele a puxou para perto dele e a beijou, apenas aceitou e retribuiu, carinhosamente passou os braços ao redor dela. — Eu não me importo com o que ele fala, ele provavelmente sabe o que perdeu.
— Obrigada por ser legal comigo enquanto ninguém é.
— Você é a minha namorada e é o mínimo que posso fazer como o melhor namorado do mundo — ele respondeu com um pouco de soberba na voz o que fez ela sorri.
— Vamos pra casa — ela disse segurando a mão dele e andando.
— Mas você é meio rabugenta mesmo.
— O que você quer dizer com isso? — ela o olhou.
— Que podia conversar com quem está ao redor — ele deu de ombros tentando explicar.
— Eu odeio todo mundo ali, porque eu conversaria? — ela perguntou e ele riu.
— Rabugenta — ele disse ainda rindo e tirando a chave do carro destravou e deu a volta para abrir a porta para ela que apenas entrou.

subiu no avião assim que voltou da aula, seus pais já lhe esperavam e teriam um voo de 10 horas até Nova York e cerca de mais 1 hora para Hamptons, onde seria o casamento. Até onde sabia, Lauren havia reservado um hotel para receber os convidados do casamento, ficou em um quarto apenas para ela o que realmente agradeceu mentalmente, não acreditaria em ter que passar 24h com os pais. Já era madrugada quando chegaram, mas o hotel estava extremamente movimentado, pessoas ficavam de um lado para o outro, não demorou para que conseguissem fazer o check-in e ir para seu quarto, só ali então tomou um banho e trocou a roupa. Resolveu descer e comer alguma coisa, sua surpresa foi ao ver no restaurante Marie, junto com sua mãe e pai, correu até a menina.
— Marie, que surpresa.
— Nem acredito que você veio também, nossa — a loira abraçou a amiga por instantes e se soltaram. — Já sei de várias novidades suas, preciso confirmar todas.
— Temos um final de semana inteiro — disse e então cumprimentou a mãe e o pai de Marie.
— Scarlett está aí? — a mãe de Marie perguntou.
— Sim, provavelmente no quarto — ela respondeu.
— Amiga, vamos sair, soube que tem um pub ótimo aqui perto, Mountalk — ela disse empolgada como sempre fazia.
— Vamos, sem problema — deu de ombros.
— Viu, mãe, estou com — sem contar mais tempo a loira pegou a bolsa e segurou no pulso de . — Você é um anjo do céu, achei que esse seria o final de semana mais maçante da minha vida.
— Imaginei o mesmo, não sabia que seus pais tinham sido convidados — ela disse a amiga enquanto andavam pelo hotel.
— Meu pai é amigo do pai do noivo, alguma coisa assim, eles são donos desse hotel — ela deu de ombros, pegaram um dos táxis em frente ao hotel, Marie sempre bem articulada conseguiu chegar ao pub sem grandes problemas, era um local de madeira, em frente a praia.
— Certeza que é um bom lugar?
— Vamos descobrir, sem frescuras, ok? — ela disse e deu de ombros, havia muita gente no bar, todos novos, pegaram uma mesa, pediu uma cerveja e Marie apenas uma água. — Vamos, me conte, que história é essa de você com ?
— Bem, é uma historia verídica, estamos namorando, há uns dois meses.
— Onde você está com a cabeça, ? Vocês dois não tem nada a ver — Marie rolou os olhos.
— Ele é um bom namorado, Marie — disse firme.
— Seus olhos brilhando quando você fala dele — Marie disse irônica e riu. — Você ta fazendo isso pelos seus pais não é?
— Não — respondeu ofendida.
— Aposto que sim — ela deu de ombros, preparava-se para responder quando houve uma barulho na parte de trás do bar, vindo do banheiro.
— Alguém liga pra ambulância, tem um cara desmaiado aqui — gritaram e então houve um movimento maior ainda.
— Meu Deus, o que será? — Marie perguntou.
— Olha o tipo de lugar que você trás a gente, tem gente morrendo no banheiro — respondeu e Marie riu.
— Emoção é bom às vezes — ela disse dando de ombros, havia um clima tenso e muitos comentários, a ambulância chegou em minutos, os paramédicos entraram e foram até onde parecia ser o banheiro. Marie e a essa altura já estavam em pé para ver o rosto de quem estava ali quando passassem, e a surpresa foi quando Marie falou nervosa.
— É o , , é o — antes que pudesse associar significados a palavra Marie saiu correndo até os paramédicos. — Eu conheço ele, moço, ele tá bem? — ela perguntou e eles apenas deram de ombros, correu também.
— A gente pode ir com vocês? Não somos daqui, somos ingleses — disse e uma moça que estava com eles concordou, rapidamente colocaram ele na ambulância e elas entraram, não parecia real, olhou imóvel e branco, muito branco.
— Qual o nome dele? — um dos paramédicos perguntou com uma ficha.
— Marie respondeu, ele então passou a perguntar para os outros paramédicos, sobre pressão, frequência cardíaca, nada parecia bom para eles.
— O que ele teve? — perguntou.
— O amigo de vocês bebeu de mais — uma delas respondeu.
— Ele vai ficar bem? — voltou a perguntar e ela respondeu balançando a cabeça positivamente elas então se encostaram e esperaram chegar no hospital, foi prontamente atendido e em seguida levado para o quarto, as duas ficaram lá com ele.
— Ele vai acordar logo, a glicemia já está normal — a enfermeira disse e agradeceu com o olhar.
— Você sabia que ele tava aqui? — perguntou a Marie que negou.
— Vi os pais dele, mas não é dessas festas — ela explicou e concordou. — Ele é um sem limites.
— Ele vai se matar, isso sim — bufou sentando-se na poltrona do quarto, Marie estava em pé.
— Vou pegar alguma coisa pra comer, fica com a bela bêbada aí — a loira disse indo em direção à porta, olhou , pelo menos não estava mais tão pálido, ele se moveu e abriu os olhos de vagar, estranhando onde estava.
— ela se levantou e se aproximou ele a olhou bufando.
— O que aconteceu? — ele perguntou.
— Você bebeu demais — ela respondeu com voz de tédio. sem pensar duas vezes levantou-se e tirou sem medo nenhum a agulha que ainda injetava soro em seu corpo, e pressionando em seguida. — , o que você tá fazendo? Você é louco?
— Eu não vou ficar aqui — ele disse mal humorado e meio cambaleante, avançou para ajuda-lo, mas ele apenas fez um sinal de que estava bem, pegou seus pertences que estavam em um dos balcões do quarto e andou até a porta.
, deixa de ser idiota, você quase morreu — ela o seguiu.
— Eu não morri — ele abriu a porta e simplesmente saiu, Marie já se aproximava do quarto e viu a cena.
, você tá louco? Você tava morrendo até meia hora atrás.
— Oi, marie — ele disse ainda andando sem parar, uma das enfermeiras o reconheceu e correu até os três.
— Senhor, não é recomendado que saia do hospital. — Vou chamar a segurança — ela ameaçou.
— Você sabe com quem ta falando? Não queira pagar para me ver acionando meus contatos — ele disse novamente arrogante sem parar de andar, Marie pediu calma a enfermeira e, já na saída do hospital, o segurou mais uma vez.
— Não vai, é sério, você pode passar mal — ela disse e ele riu de canto.
— Tchau, — ele fez um sinal com dois dedos na testa, bufou.
— É isso que se ganha em querer ajudar — ela disse virando para Marie e a enfermeira.
— Vocês não são americanos, não é? — a enfermeira perguntou.
— Não, ingleses — Marie respondeu.
— Sempre mal educados — ela empinou o nariz e deu as costas as duas, Marie riu e riu em seguida.
— Sério, nos merecemos — Marie disse rolando os olhos e andando até a amiga.
— Vamos pro hotel, já tivemos de mais para a primeira noite em Hamptons — e Marie se abraçaram saindo do hospital.



Capítulo 4

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me

O dia posterior foi praticamente todo dedicado aos preparativos do casamento, apenas pela parte da manha e Marie se encontraram na piscina, sem sinal de desde a noite passada.
Já se aproximavam das 18h quando entrou no salão de recepção onde o casamento aconteceria, chamou atenção de algumas pessoas ali e procurou a mesa onde Marie estava.
— Será que chegou? Não sei dele desde ontem — Marie disse ao ouvido da amiga.
— Eu não faço ideia, e espero que tenha morrido pelo caminho — deu de ombros, a cerimônia logo começou, sendo curta e logo servirem o coquetel.
, sua mãe tá namorando? — Marie perguntou e deu de ombros.
— Não sei, por quê? — perguntou e Marie apenas apontou para frente, olhou e sua mãe estava terminando um beijo em um rapaz, olhou de novo e reconheceu, era o pai de Liz, não pode acreditar no que via, sua mãe era inacreditável. — Não sei ainda espero coisa boa de Scarlet — ela respondeu levantando-se, Marie fez menção em se levantar, mas apenas fez um gesto para que ela ficasse.
passou pela festa pegando um whisky pelo caminho, saiu do salão e caminhou até a área da piscina, queria controlar a raiva que sentia, não sabia como podia perdoar a sua mãe, se envolvendo com o pai de uma de suas amigas, era o que lhe faltava.
— Parece que sua mãe nasceu para ser minha sogra — ela ouviu a voz provocativa de atrás de si e bufou.
— Agora não, , dá um tempo — ela disse pronta para dar meia volta e sair dali, mas ele a segurou.
— Desculpa, , só estava brincando — ele disse rindo, segurava um copo de whisky em uma das mãos.
— Você sempre tá brincando — respondeu bufando.
— A verdade é que eu vim te agradecer.
— Pelo que? — ela perguntou.
— Por ontem, eu sei que vocês me ajudaram, eu só não to em uma boa época — ele respondeu e ela concordou.
— Certo, de nada — ela deu de ombros bebericando o whisky.
— Nenhum de nós está, não é? — ele perguntou e ela apenas deu de ombros o olhando. — O que tem pegado com você?
— Nada que te interesse, — ela disse mal educada.
— Estou tentando ajudar — ele respondeu.
— Não atrapalhando você já ajuda muito — ela respondeu prontamente.
, já basta dessa nossa birra, aposto que você nem lembra porque sente raiva de mim.
— Eu sei exatamente porque sinto raiva de você, — ela afrontou rolando os olhos e ele rio de canto.
, eu vi sua cara pra sua mãe com o pai de Liz — ele disse tentando chamar atenção dela.
— E daí? — ela perguntou.
— E daí que ele é pai da sua melhor amiga — ele explicou.
— Minha mãe não precisa da minha permissão — ela respondeu.
— Isso não quer dizer que não te deixe puta em fazer isso — ele a afrontou e ela bufou.
, qual é o seu problema? — ela perguntou não entendendo.
— Você é a única pessoa que eu conheço a minha vida toda e ao contrário de você eu não vejo motivo pra continuar com isso — ele deu de ombros.
— Quer ajudar? Me tira daqui — ela disse olhando para dentro da festa e prevendo que sua mãe a procuraria logo, sorriu e concordou, deram a volta pelo jardim do hotel para a saída.
— Certo, pra onde querem ir?
— Sei lá, eu não conheço Hamptons — ela deu de ombro e ele bebeu mais um pouco do whisky.
— Conheço pouco, mas vamos tentar ir ao píer — anunciou. — Porque não veio, por falar nisso?
— Trabalho — deu de ombros bebericando o whisky também. — Porque Lizz não veio?
— Aparentemente estava de castigo, mas vendo isso agora me parece que foi um castigo forçado — ele respondeu e concordou. — Seu pai?
— Esta aí.
— Como você tem passado por tudo?
— Simplesmente passando.
— Meus pais estão se separando — disse e o olhou atenta. — Seus pais vão sair da evidência, meu pai engravidou a amante, é uma bomba relógio na nossa família — ele disse em tom explicativo.
— Como você tá passando por isso?
— Ficando de porre, minha casa ficou um inferno, meu avô tá doente, minha mãe só chora e briga com meu pai, meu pai tá dormindo no andar da piscina e fica gritando o quanto minha mãe tá arruinando a imagem dele prosseguindo com a separação, que vai tirar tudo dela.
— Eu não imaginei que tivesse passando por tudo isso — disse enquanto continuava andar.
— Como eu disse, não são bons tempos pra ninguém — ele deu de ombros.
— Eles parecem bem.
— O que é mais nojento ainda — ele disse, não estavam longe da praia, então tomou o rumo dela.
— Eu não vou entrar de salto na praia.
— Tira — ele disse simplesmente.
— Não, — ela protestou.
— Vamos, , sem drama — ele disse e ela mordeu os lábios, tirando o sapato em seguida. deu uma pequena virada tomando todo copo de whisky e em seguida jogou na areia. — Porque passou tanto tempo sem falar comigo?
— Porque você parou de ser você — disse andando na areia e ele ficou calado.
— Desculpa por isso — respondeu. — Por tudo, na verdade, eu te coloquei em situações que você não necessitava, boa parte delas por ciúme.
— Ciúme? — ela olhou diretamente da praia para ele.
— Você namora meu melhor amigo — ele disse como óbvio dando de ombros.
— E desde quando você liga pra isso? — continuou indagando e ele rio irônico.
— Desde sempre — ele olhou para areia e então sentou. — De todas os caras do mundo, você tinha que namorar o meu melhor amigo? Você destruiu a nossa amizade — ele disse rindo e ela sentou do lado dele.
— Eu não vou sair de errada na história.
— Não, digo, eu namoraria o se pudesse, e isso é escroto — ele deu de ombros olhando pro mar. — Ele te merece.
— E qual o problema nisso?
— O problema nisso é admitir que alguém tá mais certo em estar com você — ele respondeu.
— Não te entendendo.
— Deixa pra lá — ele riu e a olhou, colocou a mão e um dos bolsos do paletó e puxou um cigarro de maconha e acendeu.
— Qual é a graça de chapar?
— Esquecer que a vida é uma merda — ele disse e ela apenas olhou para o mar, — quer tentar?
— Não — ela disse como se fosse absurdo.
— Deveria, pra relaxar um pouco — ele deu de ombros.
— Eu não to estressada.
— Qualquer um estaria — ele deu de ombros e estendeu pra ela, ela olhou desconfiada. — Vai — segurou o pequeno cigarro.
— Como faz isso? — ela perguntou e riu.
— Igual um cigarro — ela então colocou o cigarro na boca e o tragou. — Não solta, segura — ele disse rápido e ela segurou. — Solta devagar — e ela o fez, assim como ele instruía.
— Não vejo diferença em mim.
— Traga mais umas vezes e você sente — disse pedindo o cigarro de volta. — Essas coisas distraem, saca? Droga, mulher, curtição... amenizam.
— Mas e depois que o momento passa?
— É por isso que eu nunca deixo passar — ele deu de ombros. — Você realmente gosta dele? — ele a olhou esperando pela resposta e ela sacudiu a cabaça confirmando, ele fumou mais um trago e passou pra ela.
— E Liz, você gosta dela?
— Eu nunca gosto de ninguém — ele respondeu olhando pra água. — Isso aqui parece cenário de Revange, não?
— Talvez porque seja — ela disse e ele deu de ombros. — Só é um pouco mais frio do que eu imaginava ser para América — ela disse e ele prontamente tirou o paletó que vestia e colocou nela. — Obrigada.
— Sua mãe esta há muito tempo com o pai de Liz?
— Não faço idéia, pra mim ela sempre só ta trabalhando — respondeu. — Não que eu ache ruim ela ter um namorado, entende? Mas o pai de Liz é um bicheiro fracassado, troglodita — ela reclamou e ele concordou, passaram um bom tempo em silêncio até começar a lembrar sobre algumas coisas da infância deles.
— E você também ficou intragável uma certa hora — reclamou agora um pouco menos sóbrio. — Com todas as suas marcas e saltos, e meninices.
— Ser bonita é status, alguma coisa tinha que sobrar de mim enquanto meus pais saiam em tabloides.
— Mas você precisava ser tão fútil?
— Ocupa a cabeça, cada um lida como pode. E nunca é demais estar bonita.
— Você sempre foi.
— Nem sempre.
— Claro que sim, eu lembro de mim moleque e toda vez que eu te olhava eu pensava o quanto você era bonita. Essas marcas e essa sua cara de fresca por mais que você goste, não é realmente alguma coisa perto do que você é. Bem, eu gosto de quem você é sem tudo isso — disse sincero e ela o olhou.
— Não sei se ainda consigo ser do jeito que eu era antes disso.
— Eu tenho certeza que sim — ele deu uma piscada e ela apenas entortou a boca.
— Vamos? Acho que a festa já acabou — ela respondeu e ele concordou.

— Meu deus, como senti saudade — disse assim que a viu no aeroporto junto com sua mãe.
, que recepção boa — Scarlett disse e apenas sorriu encostando a boca com a de .
— Feliz em te ver — disse colando rapidamente.
— Talvez queira saber que tirei o dia livre pra ficar com você.
— Era o mínimo que podia fazer — ela respondeu e ele riu.
— Fiquem a vontade, vou pegar um taxi — Scarlett disse simpática.
— De jeito nenhum, senhora Scarlett, Lincon veio comigo, ele levará você em casa — o loiro disse solicito e ela concordou. — Nós vamos pra minha casa, almoçar e passar o dia — ele ordenou e apenas concordou. Scarlett foi à frente e entrou na limusine preta que o motorista lhe indicou, e seguiram para o carro do garoto e de lá para casa. — Como foi o final de semana? — ele perguntou assim que sentaram na mesa com o almoço servido.
— Normal — ela disse sem detalhes.
não te perturbou?
— Não, na verdade salvamos a vida dele e talvez isso tenha lhe dado um pouco mais de compaixão — ela deu de ombros.
— Como assim?
— Só mais uma bebedeira — ela disse, não queria entrar em detalhes.
— E você e sua mãe?
— Ela tá namorando o pai da Liz — ela disse rápido e ele ficou quieto, começando a comer, logo percebeu que não era novidade.
— Você sabia? — ela perguntou.
— Peguei eles uma vez na sala dela.
— E não me disse?
— Amor... não estávamos bem.
— Você não tinha o direito de esconder isso de mim, é a minha mãe com o pai da minha melhor amiga.
— Ela não é sua melhor amiga.
— Foda-se — disse emburrada.
— Amor... — disse calmamente.
— Eu tive que esperar pra ver a cena grotesca deles descendo juntos, na frente da festa toda — ela disse magoada e apenas entortou a boca em solidariedade. — Você podia ter me dito.
— Me desculpa — ele respondeu e ele deu de ombros voltando a comer. fez questão pelo dia todo de mostrar que não estava feliz com a postura do rapaz em não lhe contar, falava o mínimo e não lhe retribuía nenhum carinho. — .
— Oi — ela disse em frente ao seu prédio sem vontade nenhuma.
— Desculpa — ele disse e ela deu de ombros saindo de vez do carro.

acordou no inicio da noite com seu celular tocado, o numero não era conhecido, mas atendeu mesmo assim.
? — ela ouviu a voz de do outro lado da linha.
— Oi, — ela disse ainda com voz de sono.
— Desculpa te acordar... — ele respondeu e ela sentou na cama.
— Não, tudo bem... o que foi?
— Nada pra fazer, talvez quisesse sair pra fumar um — ele disse e ela não via razoabilidade no convite, mas não queria dispensar.
— Tudo bem, onde?
— Minha casa, pode vir?
— Posso — ela respondeu.
— Certo, to te esperando, gosta de sushi?
— Gosto.
— Tudo bem — ele então desligou e se arrumou e pegou seu carro ate o prédio de .
? — ela falou assim que viu a porta aberta.
— Pode entrar — ele gritou da cozinha e ela andou entre o apartamento até achar ele na cozinha desembalando o que parecia ser sushi. — Nosso almoço.
— Bom, muito bom — ela sorriu entrando na cozinha e o ajudando a desembalar.
— Vem, vamos pra sala — ele pegou algumas embalagens e levou para a mesa de centro na sala, ela pegou mais duas e fez o mesmo. — Onde está?
— Não sei, não tenho falado com ele.
— Problemas no paraíso?
— Ele sabia do pai de Liz com a minha mãe e não me contou nada — disse virando os olhos.
— Vacilo — deu de ombros sentando no tapete e dando um hashi para a garota.
— Não acho que teria um bom motivo para fazer isso — ela segurou o palito e sentou-se ao lado dele.
— Ele não quis se meter, provavelmente — deu de ombros.
— E Liz?
— Na casa dela, provavelmente.
— Ela não vai querer vir por aqui?
— Provavelmente, mas eu vou estar muito cansado hoje — ele disse e eles dois riram, comeram e em seguida tirou um saquinho de maconha e distribuiu em pequenos papéis de seda, enrolou um e acendeu, mesmo ainda sem jeito e o segurou e fumou. — Nem acredito que passamos tanto tempo sem nos falarmos.
— Parece que nunca paramos, né? — ratificou e ele concordou, ele levou a mão até a mão dela.
— Isso nunca deveria ter mudado.
— Temos tempo pra convertermos — ela disse piscando ao final. — Mas acho que já fumamos o que tínhamos pra fumar hoje.
— Maconha nunca é de mais, aprenda, pequena gafanhota — ele disse rindo e levantando. — Mas na moral, to chapadão.
— Nem to — ela respondeu, saiu da sala e sala apenas o acompanhou com o olho, voltou poucos segundos depois com um saquinho de cocaína e se abaixou ao lado dela.
— Quer?
— Não, já tive minha experiência com ilícitas hoje — deu de ombros e ele também, formando pequenas fileiras e improvisando um canudo para inalar, cheirou duas carreiras inteiras e se jogou para trás fechando os olhos, apenas o olhou intrigada e riu. — Você tá muito chapado.
— Normal, pelo menos assim as coisas ficam bem — ele respondeu e na mesma hora o celular de começou a tocar, ela avançou até ele e viu que era .
ligando.
— Não atende.
— Eu não vou — ela deu de ombros e jogou o celular longe.
— Chateada pela omissão ainda?
— Sim — ela respondeu.
— Sabe, eu também acho que não teria contado.
— Então são dois retardados — ela rolou os olhos e nesse momento ouviram copos quebrando no andar de cima.
— Não, eles são dois retardados — ele apontou pra cima e parecia estar se referindo aos seus pais, outro copo quebrou e apesar do som ligado ainda dava para se ouvir os gritos, segurou a mão de e ele entrelaçou os dedos nos dela. — Acho melhor você ir, isso não melhora — ele disse a olhando, mesmo que chapado ainda parecia bem chateado e ela concordou.
— Eu vou, se precisar de alguma coisa me liga, ok? — ela levantou-se e deu um beijo na testa de , pegou a bolsa e as chaves do carro e então saiu do apartamento.



Capítulo 5

Não se esqueça
Por enquanto
De esquecer alguma coisa pela casa
E vir buscar do nada
Nem vi você chegar
Foi como ser feliz de novo
Nem vi você chegar
Foi como ser feliz
Ainda faz
Um tempo bom
Pra desperdiçar comigo
Podemos enfeitar domingos

Quando entrou na sala na quinta-feira todos estavam em dupla olhou ao redor e não havia ninguém sozinho.
, querida, estamos fazendo uma dinâmica de leitura — a professora disse a chamando para perto, — olhe essas são as listas, se alguém tiver sozinho pode sentar-se junto e escolher — concordou e andou até o seu lugar na terceira fileira, mas em seu lugar habitual estava sentado ao lado de Lizz.
— Amiga, espero que não fique chateada, mas estávamos sozinhos e você não chegava — Lizz se adiantou em explicar.
— Amor, se quiser fazemos juntos — disse solidário e deu de ombros.
— Não, eu faço só — respondeu e andou mais a frente nas cadeiras para sentar, assim que o fez abriu a porta, Lizz abriu um grande sorriso e ele se aproximou.
— Troca de casais? Curti — disse e Lizz riu, rolou os olhos.
— Vem, faz com a Lizz, eu faço com a .
— Relaxa, man, vocês já estão fazendo, acho que conseguimos ficar sem nos matar — olhou pra que deu de ombros.
— Sem problemas — olhou para que deu de ombros, avançou e sentou-se do lado de .
— Eu só quero te dizer que não vou levar esse trabalho nas costas — ele disse se fazendo de intelectual e ela rolou os olhos.
— Menos mimimi e mais trabalho, Sr. — ela respondeu e mostrou a lista, — precisamos escolher um.
— Vejamos...
— Elogio da Loucura, não; Morro dos ventos uivantes, não; O crepúsculo dos ídolos, pode ser; Porque eles não colocam algo legal, tipo Harry Potter?
— Porque só pode ser obras com mais de um século de vida — respondeu sorrindo. — Hamlet.
— Não, não quero dormir.
— Shakespeare é bom.
— É um saco.
— Você, nunca leu, .
— Claro que já, — ele disse e ela riu. — Não dês línguas aos teus próprios pensamentos.
— Recita Shakespeare também, estou impressionada — ela respondeu e ele mandou o dedo do meio.
— Vamos em O Banquete.
— Amor platônico...
— Vai cair bem — ele piscou e ela sorriu.
mais a frente percebia o quanto não estavam nem um pouco incomodados, o que a alguns meses atrás simplesmente impossível, seu ciúme sempre falava mais alto, ele levantou-se e caminhou até eles que estavam em meio a pequenos sorrisos.
— Amor, vamos na lanchonete, isso não precisa ser entregue hoje — ele disse sem humor e imediatamente percebeu.
— Mas nós nem começamos — interveio.
— Vamos... — insistiu e concordou, algumas pessoas acompanharam com olhares enquanto acontecia, saíram em silencio e caminharam até a lanchonete, fez o pedido e sentou-se em uma das mesas dali, ainda calado voltou e sentou-se a frente dela com um copo de Machiatto. — Desde quando você se dá bem com ?
— Prefere quando estamos implicando um com o outro?
— Eu fiz uma pergunta, — ele disse novamente sério.
— Não sei, desde que eu e Marie ajudamos ele, ele tem sido legal, só isso.
— Ele tem sido legal onde? Que até hoje eu nunca vi vocês se falando aqui.
— Isso é ciúme?
— Isso é consciência pesada?
— Você está falando besteira, amor.
— Você nunca me chama de amor — ele riu achando patético que ela tentasse fugir.
, você quer brigar porque? Se você não acredita o problema é seu — ela deu de ombros. — Aliás, se está reclamando porque eu te chamei de amor, você está bem afetado. E se for pra lembrar não sou eu que escondo as coisas de você — ela disse fria e ele engoliu seco, o silêncio reinou por alguns minutos.
— Certo, desculpa — rompeu o silêncio e apenas deu de ombros, ele colocou a mão sobre a dela na mesa e entrelaçou os dedos. — Eu que tenho feito besteiras, uma atrás da outra.
— Tudo bem, , passou — ela respondeu e sorriu sem vontade.
— Lembra daqueles meus amigos que tem uma banda? Vão tocar amanhã, quer ir?
— Você sabe que não é muito do meu gosto ir pra essas coisas — ela respondeu. — Além do mais achei que soubesse que amanhã tem a festa do parlamento.
— Sua mãe me disse, mas sinceramente não quero ir, você sabe que não gosto de todas essas formalidades.
— Bem, eu tenho que ir, esperava que fosse comigo.
— Posso passar essa?
— Você sempre tem passado, né? — ela deu de ombros.
— Se não quiser que eu vá para o show eu vou com você.
— Não, tudo bem — ela disse, sabia que pelo menos iria, seu pai era membro do Parlamento e o deserdaria se resolvesse faltar — coisas da realeza.
— Não são bem minha praia — ele respondeu e ela concordou, ele se inclinou e deu um pequeno beijo nela que sorriu.

, como boa nobre, gostava dos eventos voltados a nobreza, fazia questão de participar de todos, era uma coisa que se inclinava em estar, em estar bem vestida, bem acompanhada, e tão imponente quanto sempre foi. Desceu da limusine usando um longo roxo assinado por Armani e sapatos Miu Miu, alguns flashes explodiram assim que ela saiu do carro, andou até a entrada da festa e se deparou com o salão cheio, cumprimentou algumas pessoas e mais a frente, seu pai conversava com o pai de .
— Boa noite — ela disse e seu pai sorriu.
— Boa noite, querida.
— Sir — ela sorriu o cumprimentando e ela fez uma pequena reverência. — Que bela filha, paul — Chris disse e sorriu. — Sempre achei que ela e fariam um belo par.
— Ela me parece muito feliz com , na verdade é um motivo de grande alegria que ela e estejam juntos, aquele menino é de ouro.
— Sim, ele é um rapaz exemplar, deveria seguir o exemplo daquele garoto.
— Ouvi meu nome, não acho que gostaria de saber por que — chegou com um copo de whisky. — Srta — ele sorriu e fez uma pequena reverencia a , que sorriu.
— Estávamos falando de , que é um bom exemplo para você seguir — Chris disse.
— Pai, eu já tenho você como exemplo, quem mais seria melhor, não é? A propósito, sua concubina está fazendo escândalo ali na frente — disse azedo e seu pai o olhou ofendido. — , me acompanha até o bar? — perguntou a que apenas concordou.
— Cuidado! — Paul sussurrou a ela que apenas concordou.
— Como assim cuidado? Como se eu fosse um péssimo exemplo, odeio como sempre sai de certo da história, ele enche a cara tanto quanto eu, ele cheira tanto quanto eu, já pegou mulher tanto quanto eu, aquela cara se sonso.... já comemos metade de um puteiro juntos e eu sou o mal exemplo? — ele perguntou indignado a ficou calada. — Sinto muito por falar do seu namorado.
— É, eu preferia não saber desses detalhes — ela respondeu sincera.
— Vamos, precisas beber, você é chata sóbria — ele disse e ela concordou indo pegar uma dose de whisky.
— Era sério sobre a amante do seu pai estar fazendo escândalo lá fora? Você parece tranquilo de mais para ser. — ela perguntou encostada no bar.
— Não, na verdade ela está lá fora, mas ela tem que ir antes que a minha mãe chegue, é melhor que meu pai dispense logo — ele deu de ombros — eu to de saco cheio dessa história.
— Vai passar — deu de ombros, em seguida sua mãe apareceu com o pai de Lizz em seu encalço. — Simplesmente inacreditável — ela rolou os olhos.
— Bem, nobreza não é tudo — estendeu um copo como um brinde e ela concordou. — Porque não veio?
— Foi ver amigos tocarem.
— James e companhia? — ele perguntou e não que lembrasse, mas tinha impressão de que era aquilo mesmo. — Eu ia também.
— Seu pai lhe obrigou a vir?
— Também, mas sabia que você viria, achei que precisaria de companhia, lidar com a alta sociedade londrina é para quem entende.
— Você entende?
— Viemos do mesmo lugar.
— Não somos iguais.
— Somos mais do que você pode pensar — ele piscou, — lembra das primas Rudy?
— Sim, uma delas comia meleca.
— Acho que ainda comem, olha, acabaram de chegar.
— Ainda são bizarras — disse e riu. — E William?
— Não sei se vem, está compromissado com uma plebeia e não temos nos falado.
— Faz tempo que não se falam?
— Andamos tendo algumas divergências?
— Do tipo?
— Ele queria te pegar e eu não deixaria.
— Não inventa, .
— Não estou — ele deu de ombros e bebericou o whisky. — Desculpe se impedi que fosse princesa da Inglaterra.
— Eu não ligo pra isso.
— Se ligasse podia ficar comigo de qualquer jeito, eu sou o mais próximo da linhagem real.
— Você tá chapado, né? Você tá falante de mais — ela disse e ele riu.
— Vem, vamos dançar — ele estendeu a mão pra ela que aceitou, tocava uma musica lenta e a segurou bem perto de si, dançaram lentamente. — Seu cheiro continua bom e, a propósito, eu não to chapado.
— Certo — ela riu e continuou dançando.
— Vamos sair daqui? — perguntou e ela concordou, ele segurou na mão dela e andaram para a saída de trás, onde não havia câmeras nem nada, andaram pelas ruas em direção ao London Eye.
, não vou conseguir andar muito, esse salto dói.
— Tira — ele respondeu.
— Não.
... — ele rolou os olhos e ela bufou, tirou os sapatos e sentiu a calçada fria, e ele riu. — Seja livre, borboleta.
, você me acha superficial?
— Acho — ele respondeu depois de algum silêncio. — Não que você realmente seja, esse é nosso jeito de viver, você foi programada assim, é normal.
— Acha que deveríamos ser de outro jeito?
— Não, eu sei quem você é e você é foda e forte e você sabe quem eu sou.
— Você é foda e forte — ela respondeu e ele riu.
— Eu senti sua falta.
— Não precisa mais — ela respondeu e seu estômago esfriou de algum jeito com aquela resposta. Continuaram andando ate as margens do Tamisa próximo ao London Eye, sentou-se em um dos bancos de lá e sentou-se ao seu lado, ele tirou um pequeno cigarro de maconha do bolso e acendeu, tragou e passou para que fez o mesmo. — Você não é uma má pessoa, , mas você é culpado pela forma como as pessoas te veem.
— Ter essa imagem me faz parecer forte, é como se eu não me importasse com nada.
— E você se importa?
— Com tudo.
— Então não finge que não — ela respondeu e ele concordou. — Você me afastou de você, nós podíamos ter tido tudo.
— Ainda podemos — ele respondeu e ela ficou sem resposta. — Eu não quero ouvir resposta, eu só to dizendo.
— E eu só to ouvindo — ela riu. — Digo, as coisas são diferentes agora não é? Você namora a Lizz e eu namoro o e acho que estamos bem assim.
— Talvez — disse, — mas mesmo assim não quero que volte a ser como antes, digo, eu sei que a culpa é minha, mas eu não quero mais que aconteça.
— Acho que isso é o suficiente — disse e ele concordou. — Agora menos mimimi, vamos chapar — ela respondeu e ele concordou.
Já passavam das cinco, o dia raiava quando, risonhos, decidiram ir para algum outro lugar.
— Vem pra casa, é mais perto — convidou e ela concordou ainda com o sapato na mão subiram até o andar onde morava.— Parte ruim, precisamos fazer silêncio porque meu pai tá dormindo na casa da piscina — ele apontou para um pequeno quarto que ficava ao lado da piscina e começou a subir as escadas.
— Seu pai deve estar bem chateado por tudo.
— Não mais do que a minha mãe. Sabe, essa é a pior coisa em casar, eu acho que nunca vou querer.
— É, parece que casamentos são uma merda sempre, definitivamente não está nos meus planos — deu de ombros e viu concordar entrando em seu quarto.
— Fica a vontade.
— Pode me emprestar uma roupa? — ela disse e ele concordou, foi até o guarda-roupa e pegou um par de calças e uma blusa, andou até o banheiro e trocou-se, quando voltou ao quarto, vestia boxers sem camisa e estava na cama assistindo qualquer coisa que ela não prestou atenção, ele a olhou e sorriu, ela gostou do jeito como ele sorriu, parecia que era o único que a via de verdade quando sorria assim. Ele a seguiu com o olhar até ela deitar ao seu lado. — Porque ta me olhando desse jeito?
— Você pode ser superficial e só falar de marcas e coisas que eu não entendo, mas isso tudo é só acessório pra você, eu nunca vi alguém tão bonita em minhas roupas — ele disse e ela riu.
...
— É sério, quando éramos crianças sempre que te via eu pensava que você deveria ser a garota mais bonita do mundo... você continua sendo — ele continuou e ela o olhou, tímida, não respondeu nada, apenas encostou sua cabeça próxima a de e ele a abraçou, ali dormiram.



Capítulo 6

I don't mean to run
But every time you come around
I feel more alive than ever
And I guess it's too much
But maybe we're too young
And I don't even know what's real
But I know I've never wanted anything so bad
I've never wanted anyone so bad
If I let you love me
Be the one adore
Would you go all the way?
Be the one I'm looking for
If I let you love me
Be the one adore
Would you go all the way?
Be the one I'm looking for

... — ela ouviu após ouvir o telefone tocar na sexta à noite.
— Vai me tirar de casa?
— Exatamente, tens sete minutos para se arrumar, vai ter show cover dos Beatles e quem melhor para ir comigo do que você?
— Ninguém — ela respondeu e ele concordou. — Vai se arrumar eu vou te esperar lá em baixo.
— Ok. Por falar nisso, sabe do ?
— Reunião de trabalho — ele respondeu e ela deu de ombros. — São cinco minutos agora.
— Ok, tchau — ela desligou e tratou-se de se arrumar, eles estavam saindo bastante pelos finais de semana sempre sem ou Lizz saberem, ainda achavam que eles não entenderiam muito bem. A verdade toda a aproximação com estava a afastando de , mas o próprio garoto não parecia se importar.
Foram para um pub conhecido na cidade, bem popular, não era um lugar onde pessoas do nível deles iam, percebeu isso, mas não falou nada, não sentia que havia motivo para se incomodar. A banda já tocava quando eles chegaram, ao som de All My Loving. Começaram a cantarolar a música ao mesmo tempo, quando perceberam isso riram juntos e continuaram a cantar. estendeu a mão para ela fazendo passos de rock dos anos 60 e ela segurou a mão do rapaz o acompanhando, se divertiam mais do que deveria ser permitido divertir-se com alguém. Não pararam de dançar, estavam só os dois curtindo as músicas que lembravam coisas importantes para eles.
— Hey, vou pegar o que beber. O que você quer? — ele perguntou.
— Bem, eu não acho que eles sirvam alguma coisa além de cerveja — ela olhou em volta e foi só o que conseguiu ver nas mãos das pessoas.
— Então pode ser cerveja? — ele fez uma cara marota enquanto perguntava.
— Pode — ela assentiu e viu se afastar, enquanto Can’t Buy Me Love iniciava na voz dos quarto garotos a cima no palco. cantou a musica toda enquanto voltava e lhe dava a cerveja. Sempre renovavam seus copos e não paravam de dançar e cantar.
A introdução inconfundível de And I Love Her começara e gentilmente a puxou para perto pela cintura, fez com que os corpos ficassem próximos e encostou a lateral de seu rosto no rosto dela. Ela deixou-se leva por ele, no ritmo que ele a guiava, sentiu o cheiro de que era o mesmo que ela se lembrava, Azzaro.
— A love like ours could never die as long as i have you near me — ele cantou baixo, sem a pretensão que ela ouvisse. Estavam bêbados, despreocupados e sozinhos, em um lugar onde ninguém os conhecia.
Ela passou levemente os braços ao redor do pescoço dele e fechou os olhos, os 2 minutos e 46 segundos da música passaram como horas. se afastou olhando por algum tempo, sentindo que o clima havia mudado entre eles, não podia sentir-se assim, não com ele.
— Preciso ir ao banheiro — ela deu a cerveja para ele que a segurou e apenas esperou ela se afastar. Ela foi ao banheiro e respirou fundo prendendo o cabelo em um coque, o álcool fez finalmente efeito e ela sentiu a cabeça rodar; ‘apenas respira, isso é frescura da sua cabeça’ ela pensou, se olhando no espelho e voltando para perto de .
— Minha cabeça está girando — disse um pouco alto pelo som.
— Bebe que passa — ele respondeu divertido dando a ela um novo copo cheio de cerveja, deu de ombros enquanto voltava a beber. — Fecha os olhos — ele disse a olhando.
— Pra que? — ela perguntou confusa.
— Confia em mim — ele disse e ela fechou os olhos, tirou um saquinho transparente de dentro do bolso o abriu e pegou um pouco do pozinho na ponta do dedo e colocou na boca da garota, que apenas passou a ponta da língua pela ponta do dedo dele, algo que de certa forma atiçou seu libido. Depois ele mesmo pegou um pouco do pozinho e colocou na sua boca, sorrindo para ela enquanto abria os olhos.
sentiu o efeito da droga pouco tempo depois acrescentado ao álcool, era uma sensação de que podia tudo e que tudo estava bem, sem problemas, só diversão. Era a melhor sensação que ela havia sentido, simplesmente não queria que aquilo acabasse. A música ficou mais intensa, tudo parecia mais vibrante, como se nada estivesse errado em lugar nenhum e nunca esteve. Mesmo com o show acabando pouco tempo depois, eles continuaram no pub, evitando que a festa acabasse.
— Vem, vamos sair daqui — ela disse o puxando para fora do pub e andando pela rua ao sair sem muito paradeiro.
— Pra onde você quer ir? — ele disse indo com ela pra onde quer que ela estivesse indo.
— Não sei, eu só quero andar, o clima está bom, Beatles ainda está tocando — ela disse como se tivesse delirando enquanto andava, a segurava pela cintura, agora que percebia que ela perdia a direção facilmente.
— Você está muito chapada, — ele riu e ela também.
— Foda-se, esse é o melhor dia da minha vida — ela disse com um brilho no olhar, virou-se para ao mesmo tempo que ele virou-se para olhá-la ficando com o rosto perto do dele e consequentemente com a boca perto da dele. — Você... senti sua falta — ela disse sentindo novamente a respiração dele na dela. a olhou com os olhos pesados pelo efeito do álcool e drogas, sentindo uma vontade enorme de beijá-la, tudo nela era convidativo: o sorriso, os lábios, a forma que ela o olhava naquele momento, mordeu os lábios e subitamente a empurrou para a parede mais próxima, enquanto mantinha as mãos na cintura dela. pressionou levemente o corpo contra o dela, mantendo as bocas ainda mais próximas, ele fechou os olhos, e passou os lábios no dela quase não os tocando, encostou a testa na dela e abriu seus olhos encarando-a como nunca e então se separou dela, olhou a garota confuso, o olhar dela também estava confuso; respirou fundo, não podia fazer nada com ela, ela não estava em si, não ia aproveitar-se disso.
— Nós estamos muito chapados — ele ratificou segurando a mão dela. — Vem, vamos comer alguma coisa, pra essa coisa passar mais rápido — ele a puxou e ela apenas o seguiu calada, seu pensamento estava lento, não tinha ideia de até onde o que ela viveu ali era real.
Pararam em uma cafeteria próxima e comeram, voltaram para o carro já era por volta das três horas da manhã.
, não quero voltar pra casa ainda, não to apresentável — ela disse com a voz mole, apenas assentiu com a cabeça e a levou para seu apartamento. — É assim que se diverte de verdade.
— É, exatamente.
— Parece errado.
— Quem vai dizer? Você não tem que se importar com mais ninguém a não ser você mesmo e sua felicidade. Se você gosta, faça — ele respondeu e ela sorriu.
— Obrigada.
— Foi só a primeira vez — ele piscou e continuou a dirigir.
Ela sorriu um sorriso bêbado assim que chegaram ao apartamento e disse: — Pode pegar água?
— Uhum — ele assentiu e entrou na cozinha, servindo um copo com água e voltando para sala, mas quando chegou lá estava no sofá dormindo. Ele riu, deixou o copo na mesa de centro e a carregou até o quarto a deitando lá, ficando ao lado dela, se aproximou e deitou a cabeça no peito dele, ele colocou levemente a mão na cabeça dela afagando ali, pouco tempo depois os dois estavam dormindo, abraçados.
acordou e sentiu que estava encostada no peito de , o olhou e continuou quieta, lembrava de tudo da noite anterior, mesmo embaçadas estavam ali todas as lembranças, exatamente todas. Olhou no relógio no pulso de e estava na hora da escola, teriam retorno no sábado, bufou, mas continuou ali um tempo, ela queria ficar ali, era confortável, sentiu se mexer e segurar a mão dela que estava em seu peito, então sorriu. Ele se mexeu novamente.
? — ele falou com a voz morgada.
— Hmm — ela disse simplesmente.
— Perdemos a aula já, não é?
— Não — ela balançou afirmando com a cabeça. — Quer ir mesmo?
— Acho que devemos — ele respondeu ainda de olhos fechados.
— Vamos então — ela se mexeu sentando na cama, ele abriu os olhos observando a garota ainda com cara de sono. se arrumou e deixou a garota em casa.

, você sabe que temos que entregar o trabalho amanha, não sabe? — disse assim que atendeu o telefone naquele dia.
— Não, na verdade achei que nesse feriado só precisasse dormir — ele respondeu e ela riu.
— Não, quem dera, pode vir aqui pra casa?
— Certo, vou arrumar alguma força e vou — ele disse com a cara ainda espremida contra o travesseiro, mesmo assim em uma hora estava tocando a campainha de .
— Que cara de ontem — disse e ele riu. — Estamos só, dispensei Leslie por hoje.
— Ainda bem, trouxe algumas coisas divertidas pra gente hoje — ele mexeu no bolso e tirou um saco com cocaína de lá, sorriu.
— Boa! — ela disse. — Bem, espero que façamos o trabalho primeiro.
— Você quem manda, muito embora eu ache que sairia muito legal um trabalho de literatura feito chapado.
— Não, não inventa — ela respondeu. Iniciaram o trabalho com certa pressa de acabarem logo, assim que se viram perante de um trabalho apresentável, tirou o pequeno saco do pó branco do bolso e afastou tudo o que havia na mesa, jogou parte do conteúdo lá e separou em fileiras e rasgou um pequeno pedaço de papel e enrolando para formar um canudo.
— Tudo seu — ele estendeu o pequeno canudo e ela segurou, se inclinando e inalando uma fileira inteira, voltou e entregou a ele fechando os olhos em seguida, aquilo lhe fazia efeito bem rápido. fez a mesma coisa que ela fez e também se encostou ao seu lado, ela o olhou e rio como se aquilo fosse uma situação extremamente engraçada. levantou e ligou o som da sala, Little Talks do Of Monster and Man começou a tocar e ela dançou com a introdução, pegou um dos controles remotos e fingiu ser um microfone.

Hey! Hey! Hey!
I don't like walking around this old and empty house

Então ela apontou o microfone para para que ele completasse o dueto que a música era. E assim ele o fez, rindo no final.
So hold my hand; I'll walk with you, my dear.
Assim que ele terminou, ela novamente continuou a cantar:
The stairs creak as you sleep, it's keeping me awake.
E como era esperado, continuou:
It's the house telling you to close your eyes.
andou para mais perto dele e sentou-se ao seu lado novamente:
Somedays I can't even trust myself.
a olhou e passou o braço ao redor dela:
It's killing me to see you this way.
Ela então completou:
'Cause though the truth may vary
This ship will carry our bodies safe to shore
Ela riu ao final do refrão e deixou que a musica continuasse. Assim que a letra voltou, ela cantou dessa vez sozinha, como se quisesse que ele entendesse a letra da música e acompanhava silenciosamente a letra, prestando atenção em .
There's an old voice in my head that's holding me back
Well, tell her that I miss our little talks
Soon it will be over and burried with our past
We used to play outside when we were young
And full of life and full of love
Somedays I don't know if I am wrong or right
Your mind is playing tricks on you, my dear
'Cause though the truth may vary
This ship will carry our bodies safe to shore
— Sabe o que Platão escreve? Sobre o amor ser um demônio e cada um ter o seu? — ele perguntou e ela concordou. — Você é o meu — ele disse com uma voz de conformidade.
— E você o meu — ela respondeu o olhando nos olhos, queria ele e ele queria ela, ele pode ler nos olhos dela e antes que ela pudesse tomar a iniciativa, a puxou para si e a beijou. Era um beijo rápido, sem cuidado, meio desesperado. o afastou por segundos como se precisasse pensar no que estava fazendo, afinal ele era e a última vez aquilo não tinha terminado bem, mas o olhou e apenas chegou a conclusão de que não importava queria e iria tê-lo agora, o puxou dela camisa de volta ao beijo. O mais rápido que pode, reagiu colocando a menina em seu colo de modo que ele ficasse encaixado entre suas pernas, subiu a mão pelo tronco da menina subindo sua blusa junto e encerou o beijo encarando o corpo dela, assim como ela era perfeito, levou sua boca ate um dos seios dela enquanto massageava o outro sem pudor. Ao sentir o toque do lábio dele em seu colo apenas sentiu um prazer enorme, gentilmente retirou o sutiã dela e voltou a divertir-se entre os seus seios enquanto sua mão deslizava pelo corpo.
se atreveu a tirar a mão da nuca do rapaz onde deixara sua mão e desliza-la para a costa de subindo com sua blusa em meio de um arranhão de baixo a cima da costa do rapaz. Aquilo pareceu excitar que a olhou cheio de tesão, ela se satisfez com aquele olhar que ele a lançou, voltaram a se beijar e então ele desceu sua mão até a bunda da garota e ao segurá-la com firmeza impulsionou para cima e a carregando pra deitá-la no chão se posicionando por cima dela.
passou a mão por cima da bermuda que usava sentindo o volume ali pulsar em sua mão, levou sua mão até o botão da bermuda com a intenção de abri-lo, assim que o fez a ajudou a tirar de vez a bermuda e a boxer que usava, assim ela pode deslizar a mão pelo pênis do garoto que agora beijava seu pescoço dando pequenas mordidas ali, precisava admitir pra si mesma que sentiu falta do corpo dele, do cheiro dele, da respiração ofegante em seu pescoço, nada disso havia mudado. desceu os beijos pelo corpo dela, até chegar na saia que ela vestia, abriu o zíper e a puxou para baixo junto com a calcinha, deixando beijos pelo ventre dela e descendo pela coxa e finalmente deu um pequeno beijo na vagina dela, voltou a subir e a beija-la enquanto voltava a se encaixar entre as pernas dela, e levava sua mão dessa vez ate o sexo da garota observando o quanto ela estava excitada, não queria esperar mais, havia muito tempo desde que havia sentido ela pela última vez e então a penetrou lentamente no início, sempre atento a expressão de prazer acompanhado de um pequeno gemido quando isso aconteceu.
sentiu cada milímetro de entrar, uma sensação de alívio e ao mesmo tempo tentadora, desceu a mão pelas costas dele o incentivando a que a penetrasse mais, atendeu a isso, assim que a penetrou por completo começou a fazer mais força e rapidez, sem pudor algum. mantinha suas pernas abertas na altura da cintura de e se apoiava no garoto entre as investidas mais fortes, não conseguia conter seus gemidos o que fazia o rapaz sentir mais vontade ainda. Ela era dele novamente, o seu corpo dele era novamente, ele nunca acreditara que um dia a perdera, mas isso já não importava.
Quando sentiu que chegaria ao seu ápice diminuiu o ritmo.
— Não para — protestou e ele prontamente a atendeu mantendo o ritmo anterior e finalmente gozando, ela não demorou para ter seu orgasmo também, soltou um ultimo gemido no ouvido de mais agudo e continuo dessa vez e então ele se apoiou ainda por cima dela ofegante e ela o olhou, ele riu e aproximou o lábio do dela.
— Você tem o melhor gemido da Inglaterra — ele disse e ela riu mordendo o lábio dele, se afastou e sentou-se indo até a mesinha onde havia carreiras de cocaína, ela cheirou uma de cada lado do nariz. — Você deveria pegar leve com isso — ele respondeu passando a unha pelas costas dela, mas ela apenas fingiu que não ouviu.
— Não vai querer? — ela perguntou.
— Não, depois do sexo é bom maconha — ele respondeu e ela sorriu, ele sentou-se ao lado dela e a colocou entre a perna dele, apenas deitou seu tronco junto ao peito dele. Agora Arctic Monkeys tocava no som e voltou a descer a mão pelo corpo da garota que na verdade não sentia grande coisa com o efeito da cocaína, mesmo assim a acariciou lentamente em sua intimidade e ela mordeu apenas o lábio com isso. Não demorou para que eles repetissem a dose mais algumas vezes naquele dia, sempre embalados por música e cocaína.
— Eu acabei de pegar o namorado da minha melhor amiga — ela o olhou deitada em seu peito e ele riu.
— E eu a namorada do meu melhor amigo — ele deu de ombros, — e quer saber? Espero pegar mais — ela rio mordiscando seu queixo.
— Acha que já abriram as buscas depois de passarmos os dias sumidos?
— Não, acho que não — ele disse e então seu celular tocou, ele se inclinou e mostrou a ela o visor que indicava ligando.
— Não atende.
— Se os dois sumirem vai ser pior — ele deu de ombros, limpou a garganta e atendeu. — Oi, ... não, porque eu saberia da ? — ele faz uma voz de desdém e ela riu. — Ela deve estar comprando um vestido mais caro que a sua casa pra dormir — ele disse e ela deu uma mordida no ombro dele em protesto. — Ontem eu chapei, to meio de ressaca, não sei se vou pra aula amanhã...é, né, tem o trabalho, espero que sua namorada tenha feito o nosso... — ele disse a olhando e ela riu. — Ah, você vai viajar, pode crer, então a gente se fala quando você voltar. Tudo bem, até mais.
— Você é muito mentiroso — ela disse e ele fez uma cara convencida.
vai viajar amanhã, então antes que ele venha aqui sugiro que você passe uma mensagem dizendo o quanto está ocupada fazendo o nosso trabalho para amanhã e não pode vê-lo.
— E porque ele não pode vir? É cedo, ele vem depois que você for.
— Eu não vou embora — ele levantou em direção a cozinha e ela riu.
— Vai ficar balançando seu pênis pela minha casa? — ela perguntou.
— Certeza — ele concordou antes de entrar. Ela procurou o celular e tratou de manter o mais longe possível de sua casa naquela noite.
Com longe pelo dia seguinte e final de semana, e estavam livres para estarem quanto tempo quisessem juntos, Lizz nunca foi e nem era um problema, o que dissesse a ela era lei.
Após a entrega do trabalho os horários das aulas ficaram bem livres, estava fazendo média com Lizz enquanto foi até o único lugar que sabia quer não seria incomodada. O antigo colégio possuía varias áreas abandonadas, umas delas era um jardim nos fundos da propriedade, poucos conheciam lá, era um lugar mórbido com algumas estatuas de santos e plantas mortas, mas não se importava com o ambiente, era realmente um lugar de retiro.
Sentou-se em um dos bancos e abriu o caderno que carregava, ela não gostava de pensar que era um diário era mais como um relicário, ela colocava ali tudo o que de alguma forma não queria esquecer, tudo que achava bonito, o que lhe vinha à mente, na maioria das partes eram desenhos que ela fazia de roupas. Sabia o quão era clichê que seu passatempo fosse o trabalho de sua mãe, além do mais isso não importava tanto, tanto seu pai quanto sua mãe já havia decidido que ela deveria estudar Direito e assim daria continuidade ao trabalho do pai, mesmo sua mãe sendo estilista quando mostrou suas primeiras feições à alta costura ela apenas soltou um: — nada novo, aliás você tem mal gosto, morreria de fome — fez uma careta e continuou — é melhor que faça Direito mesmo.
Apesar disso, nunca deixou de desenhar, mas também nunca mostrou a ninguém, afinal não teria a mínima graça ouvir o mesmo desaforo duas vezes, por outro lado ela sabia que era boa estudante, podia ser uma boa advogada. Naquele dia não queria desenhar nada em especial, mas as cenas do seu último encontro com lhe vieram a mente, em como se sentiu, não era normal como ele a fazia sentir-se, não era possível que alguém fizesse o mesmo efeito depois de tantos anos e lembrou-se da música que estava tocando, antes que pudesse transferir o trecho que lhe veio em mente sentiu seu caderno ser puxado.
— Ei, o que você está fazendo? — disse olhando o caderno.
— ela avançou nele para recuperar o caderno e ele o suspendeu sabendo que era bem mais alto que ela. — Não tem graça, me devolve.
— Vamos, você não pode esconder nada de mim — ele disse rindo.
— E não to escondendo, mas não preciso te mostrar tudo também — ela respondeu séria e ele rapidamente a beijou, ela respondeu o beijo e assim que percebeu ele baixar a guarda pegou o caderno, ele percebeu e riu entre o beijo, passou os dois braços ao redor da menina.
— Vai pra minha casa hoje, ok? Meus pais e meus avos foram para Windsor — ele falou assim que interrompeu o beijo.
— Certo — ela concordou. — Aliás, como soube que eu estava aqui?
— Liz disse que viria te chamar porque as aulas foram dispensadas e eu disse que podia vir já que o pai dela já estava a caminho.
— E ela não desconfiou?
— Ela não pensa — ele respondeu fazendo uma careta.
...
— O que? Vai ficar protegendo ela agora por culpa? — ele perguntou e ela negou. — Quer ir direto pra minha casa?
— Não, vou em casa trocar de roupa.
— Aliás, meus pais queriam que eu fosse pra Windsor e eu acho que você gosta de lá, então... não quer ir?
— Não acho que seja bom, , podem desconfiar que ficamos e se ou meus pais souberem, não vai ser legal, precisamos ter cuidado — ela disse passando a mão pela gola dele. — Aliás, agora que o trabalho acabou, não sei que desculpa a gente pode dar pra eu estar na sua casa.
— Ninguém precisa saber que você está lá em casa — ele respondeu.
— Lizz pode aparecer do nada, pode aparecer do nada, alguém pode simplesmente passar na rua e ver meu carro ou o seu.
— Não pira, — ele deu um beijo na testa dela rindo, — vai dar tudo certo — ela concordou. — E se você quiser podemos ir pra qualquer outro lugar, meus pais tem uma casa em Chelmsford, podemos ir pra lá.
— Seria perfeito — ela respondeu e ele sorriu.
— Então esteja na minha casa às 15h e vamos, ok?
— Sim — ela respondeu dando um pequeno beijo nele. — Vamos, estou morrendo de sono — ela disse e antes que se afastasse ele segurou a mão dela e andaram até onde supôs ser seguro, o que significava ninguém os vê, deram um pequeno beijo e seguiram dali como se nada tivesse acontecido.



Capítulo 7

The story of my life I take her home
I drive all night to keep her warm and time
Is frozen
The story of my life I give her hope
I spend her love
Until she's broke inside
The story of my life


acordou depois de dormir um pouco e se arrumou a tempo de chegar pontualmente a casa de , seu motorista havia lhe levado.
— Hans, por favor, não comenta que me deixou aqui com ninguém, ok? Para efeitos gerais eu estou realmente doente e não quero ser incomodada pelo final de semana — ela disse e o motorista apenas concordou, ela desceu com uma pequena mala e entrou no prédio de indo direto para o andar que ele vivia. — ...
— Estou indo — ele gritou do quarto e ela viu algumas fileiras de cocaína espalhadas pela mesa de centro, não pensou duas vezes e procurou o canudo inalando. — Já começou?
— Acho que mereço — ela deu de ombros e inalou outra carreira. — Aliás, onde você consegue isso?
— Onde você não precisa saber.
— Por que? Eu não vou atrás.
— Não mesmo? — ele disse colocando os óculos e rindo sarcasticamente. — Vamos — ele disse e ela levantou-se, aproximou-se dele e deu um beijo em sua bochecha, desceram com as malas e entraram no carro de . — Então o que faremos no fim de semana, além de transar como se não houvesse amanhã?
— Transar não é o suficiente pra você? — ela respondeu e ele riu.
— É nossa primeira viagem juntos depois de muitos anos, acho que podemos fazer mais coisas... embora também me deixe feliz transar com você — ele disse e ela deu de ombros, mexeu no som dele e iniciou a música que estava, era AC/DC e ela automaticamente baixou o volume fazendo uma cara feia.
— Que porra é essa?
— Você não conhece AC/DC? — ele perguntou e ela negou com uma cara afetada. — Pobre criança — ele respondeu, — ouve e não reclama — disse aumentando o som, ela rolou os olhos, mas não mudou de música, com o tempo ela passou a se acostumar com o ritmo pesado e principalmente as letras. No fim, podia até dizer que gostou.
Chelmsford ficava a 30 minutos de Londres o que tornava a viajem bem curta, a cidade era acolhedora e a casa de era pequena, nada que ostentasse uma família da nobreza.
— Porque seus pais tem essa casa? Ela é tão não... real, entende? — ela perguntou, assim que deixou a pequena mala no chão da sala e olhou ao redor. Era tudo muito bonitinho, arrumado e limpo, mas realmente não era nada sofisticado que lembrasse a família de .
— Quer mesmo saber a história? — ele perguntou e ela concordou.
— Meu bisavó era prometido a uma moça da realeza, claro, e se apaixonou pela minha bisavó, que era de uma boa família, mas não era nobre nem rica; então não foi aceita — começou a contar e encostou-se ao corrimão da escada. — Meu bisavô acabou casando com a moça nobre, mas comprou essa casa para que pudesse ficar com a minha bisavó. Ela também casou, mas eles não tiveram filhos e assim que os pais do meu bisavô morreram, eles se separaram, se assumiram e só então ficaram juntos e tiveram meu avô e meus tios avós — ele concluiu ao mesmo tempo que sentou-se na escada ouvindo a história.
— Que história bonita, tipo, eu nunca espero que histórias assim acontecem na realidade — ele concordou e sentou-se ao lado dela.
— É, a deles é bem impressionante, eles passaram a vida toda casados e, sabe, quando a minha bisavó morreu ele escrevia todos os dias pra ela, contando sobre o dia. Até morrer também e não demorou muito — ele colocou os cotovelos no andar de cima.
— Você sabe que isso é uma síndrome médica? É a síndrome do coração partido, quando uma emoção muito forte te abala e te causa sofrimento profundo isso afeta o coração e a pessoa morre — comentou e apenas ouviu. — É morrer de amor, literalmente.
— Me parece um bom jeito de morrer.
— Hoje em dia não é mais tão normal, mas esses casais que passam muito tempo juntos é o que acontece.
— Aposto que eu morreria se você morresse.
— Aposto que você é dramático — ela se inclinou e o beijou rapidamente, ele riu e olhou ao redor da casa.
— Meu avô sempre fez questão de manter essa casa.
— Espero que mantenham, digo, ela é tão perto e uma casa simples com uma história pra sua família.
— É, eu não me desfaria nunca e eu gosto de Chelmsford.
— Não desfaça, nunca — ela sorriu.
— Vamos ao Garden?
— Acho que só fui lá uma vez, por mim tudo bem — ela levantou-se da escada.
— Depois arrumamos tudo — deu um salto e pegou a chave do carro novamente.
O RHS Garden era um dos pontos turísticos de Chelmsford, era um grande jardim e um lugar onde as pessoas passavam seus tempos livres. e caminharam por lá, nesse dia havia um casamento e mais adiante um campo de rosas.
— Aposto que você não chega até as rosas sem sofrer um AVC — disse em um tom implicante.
, você nunca correu na vida — ele disse com voz de tédio.
— Então não tem porque você perder — novamente disse provocadora. — 1,2,3 — e então saiu correndo, logo atrás, mas não demorou para que a alcançasse, segurasse e a empurrasse para trás para que pudesse passar. Assim que chegaram em meio as rosas ele se apoiou no joelho e depois sentou-se na grama, enquanto ela se aproximava. — Você é um trapaceiro.
— Não lembro de você ter estabelecido qualquer regra — ele piscou ainda ofegante, — mas por favor, existem jeitos melhores de me deixar sem fôlego — ela sentou ao lado dele.
— Quero conhecer todos eles — se aproximou e o beijou, ele correspondeu e a puxou para mais perto dela.
— Podemos praticar um deles agora — respondeu enquanto mordia a boca dela.
— Não tenho certeza se as rosas cobririam.
— Podíamos tentar — ele insistiu e ela riu negando, então ele parou de beija-la e a alinhou em meio a sua perna. — Já que você não curte nada publico — ele disse brincalhão e ela riu, — podemos sair para jantar e amanhã podíamos jogar cricket, meus avós ainda são sócios do clube de cricket.
— Você ainda gosta de jogar cricket?
— Se nada der certo e pelo jeito não vai dar, eu vou jogar cricket — ele respondeu e ela riu.
— Por quê? O que você espera que dê certo?
— Que eu consiga montar uma banda.
— Isso é difícil?
— É, a única pessoa que eu conheço que toca é o e ele tá bem mais inclinado na vida dele de empresário.
— É, ele não vai sair desse rumo.
— Fora isso, meu pai quer que eu entre pra política, apesar de muito charmoso esse não é meu dom — ele riu ao terminar de falar isso, — e como eu não vou querer entrar, eles vão me deserdar e aí ou viro jogador de cricket ou moro embaixo de alguma ponte.
— Você pode se prostituir, é bem bonito.
— E a minha dignidade?
— Não é nada que você já não faça de graça.
— Não posso estar com a moral tão baixa assim.
— Acredite! — ela respondeu rindo e dando um pequeno beijo nele.
— E você? O que espera fazer depois desse ano?
— Direito — ela respondeu automaticamente.
— Mas quem escolheu foi seu pai ou sua mãe?
— Ah, os dois.
— E o que você quer?
— Eu não sei.
— Não sabe ou não quer dizer?
— Eu não sei mesmo, eu curto desenhar algumas roupas, mas eu realmente não sei.
— Você pode ir pra baixo da ponte comigo.
— Você pode se prostituir e bancar nós dois — ela concordou e ele também.
— Acho bom que tenhamos planos pro futuro — ele disse irônico e ela riu.
— É bonitinho como os botões das rosas ficam fechadas, parecem morangos.
— Minha mãe fez um campo como esse na casa de Windsor, colocamos o nome de Strawberry Fields.
— Preciso ver isso.
— Vamos em breve, ok? — ele deu um beijo na bochecha dela e então ouviram um apito.
— Vocês! Não podem ficar aí — um guarda disse ao longe, eles riram e levantaram.
— Já estamos saíndo — respondeu alto e então saíram daquele campo de mãos dadas. — Voltamos pra casa?
— Sim. — Eles voltaram para a casa de como haviam combinado, ao chegarem na pequena casa não perderam tempo em irem para o quarto e aproveitarem o tempo juntos da maneira que eles gostavam, na cama.
podia jurar que cada vez que a tocava cada célula sua entrava em transe e tudo o que ela queria fazer era estar com ele, era um tipo de necessidade. Assim que deitou, o telefone dela tocou, ela se debruçou até o criado-mudo e pegou o celular.
— É o — anunciou.
— Atende — ele disse confiante e ela concordou.
— Oi, — ela disse e passou a mão pela sua barriga acariciando. — Eu estou em casa, ontem eu precisava terminar o trabalho, você sabe, nunca faz nada — ela disse e ele riu enquanto ainda a segurava pela cintura e dava pequenos beijos ali. — Como está sua viagem? Ah, bacana, aproveita... mas a minha mãe teve essa ideia do nada? Certo, conversamos sobre isso na segunda, ok? — continuava com os beijos o que lhe causava cócegas e a fez rir. — Não, só estou rindo de uma coisa na TV, conversamos depois, ok? Tá, beijos — ela desligou e olhou para . — Por que você faz isso?
— Porque é divertido.
— Não, você brinca com o perigo — ela disse e ele voltou a beijar a barriga dela.
— Eu sei — ele foi subindo os beijos até os seios dela e ela passou os dedos por dentro do cabelo dele, — você é uma gostosa, sabia?
— Suspeitava — ela riu puxando o cabelo dele. — Mas se vai me fazer transar com você de novo, pelo menos me alimente.
— Só porque eu também to com fome — ele deu um pequeno beijo na boca dela e saiu da cama, — quer comer aqui ou sair?
— Aqui.
— Certo — ele saiu do quarto e ela olhou o celular mais uma vez pra garantir que não tinha perdido ligação nenhuma e então se levantou indo para o banheiro tomar um banho, quando voltou estava na cama apenas de boxer e ela estava com um roupão. Ele sorriu: — Pedi sushi.
— Nossa comida — ela respondeu indo pra cama junto com ele.
— Liz ligou.
— E aí?
— Nada, só dizendo.
— Você namora ela por quê? Você não dá à mínima — ele não respondeu, apenas negou com a cabeça não sabendo.
— Sexo fácil, satisfação de ego fácil, digo, vocês duas são as garotas mais bonitas da escola e eu não podia ter você.
— Mas você conheceu ela antes de estar na escola.
— Mas eu já sabia quem ela era, a fama que vocês duas tinham — ele deu de ombros.
— É, boa parte você ajudou a espalhar sobre a minha fama.
— Eu sou um babaca.
— Mas e agora nós é pra aumentar o seu ego?
— Não — ele respondeu.
— É para o que então?
— Eu estou descobrindo — ele respondeu sincero e ela sorriu.
— Eu não acho que você possa se envolver com alguém, tipo gostar de alguém.
— E você acha que estamos ficando por que?
— Não sei, pra satisfazer seu ego.
— E se for, tudo bem pra você?
— Sim, digo... você namora minha melhor amiga e eu namoro seu melhor amigo, o que mais a gente pode esperar disso? — ele riu em um tom desesperado após ela acabar de dizer isso.
— Você nunca esteve tão errada, — ele disse a olhando e ela também o encarou, teria pedido mais explicações se a campainha não tivesse tocado.
— Nosso jantar chegou.
— Vou pegar e trazer para cá — ele pulou da cama e não demorou a aparecer equilibrando dois sacos e duas long necks de Stella Artois.
, tem pó aí? — perguntou. Ele apontou pra calça dele e ela foi até lá e tirou o saquinho.
— Mas você não vai usar agora, não é? Digo, qual a necessidade de usar agora?
— Precisa ter necessidade? — ela perguntou e ele só a olhou com uma cara de tédio. — Certo, sem cocaína — ela levantou os braços, acabou de organizar o jantar enquanto ela colocou uma camisa dele que viu pela frente apenas pra não ficar andando nua pelo quarto, comeram e logo adormeceu, só então despejou o conteúdo do saquinho pelo criado-mudo e inalou um pouco da droga. Respirou aliviada assim que começou a sentir o seu efeito, não demorou a se aninhar-se ao rapaz e também dormisse.
acordou pela manhã e viu os resquícios da droga sobre o criado-mudo, apenas limpou e fechou o saquinho, alguma coisa dentro dele o fez ficar chateado por ela ter feito aquilo, por ter usado mesmo depois de ele ter chamado a atenção, mas ele decidiu que não falaria nada, aquilo só levaria os dois a uma briga e eles não precisavam brigar. Deitou novamente beijando a costa da garota e a nuca até sentir que ela estava acordando.
— Esse é definitivamente o jeito certo de acordar — ela falou rindo e se virando para a frente dele e o abraçando. se encaixou pelas pernas dela e ela o beijou docemente, ele apenas retribuiu passando a mãos por baixo da blusa dele que ela usava, não demorou para que a tirasse, rompeu o beijo e desceu seus lábios pelo pescoço dele passando a ponta dos dentes e da língua intercaladamente enquanto percebia ele se arrepiar ao toque dela, ele também não deixou por menos desceu a mão até a intimidade da menina sem calcinha alguma e passou seu dedo por ela, já estava completamente molhada. Ela mordeu o pescoço dele ao sentir sua mão lá, com isso ele a penetrou com o dedo e movimentou ali até que ela soltou um suspiro. — Não enrola muito — ele a ouviu dizer em um tom implorativo e riu, dando um beijo em sua mandíbula, apoiou-se na cama e baixou a boxer que usava, sem contar tempo a penetrou sem cuidado, o que a fez gritar o que foi imediatamente abafado pela mão de rindo, as casas em Chelmsford assim como na maioria dos bairros antigos de Londres eram muito coladas uma nas outras. colocou a mão nas costas dele cravando as unhas com certa força, ele finalmente tirou a mão da boca dela. — Não para — ela sussurrou fechando os olhos e, quanto mais ele se movimentava contra ela, mais ela sentia prazer. Subiu a mão para o cabelo dele e o puxou de maneira dolorida para que mesmo assim não parou. passou as pernas ao redor da cintura dele o mantendo perto, quando finalmente gozou, também soltou um gemido alto e folgou as pernas tendo gozado também.
— Como você me destrói assim, logo pela manhã? — ele falou agora relaxado por cima dela.
— Me deixe destruir assim todo dia — ela disse ofegante o abraçando.
— A escolha é toda sua — ele respondeu, dando uma mordida na orelha dela.
— Não sei se consigo andar — ela disse.
— Então agradeça que não precise — respondeu indo para o lado dela, ela deitou a cabeça no peito dele e ele afagou o cabelo dela.
— Lembra que eu te dei um anel para você guardar?
— Lembro, o da sua avó.
— Você guardou?
— Claro — ele disse como se fosse absurdo ela perguntar aquilo, — você lembra o que me disse quando me deu pra guardar? — ela sacudiu a cabeça afirmativamente.
— Que você era a única pessoa que eu tinha certeza que eu teria perto pro resto da minha vida.
— Quando a gente brigou, você duvidou disso?
— Não — ela respondeu. — Por isso eu não pedi de volta, amigos ou não a gente sempre acaba no mesmo meio.
— Então você concorda que é mais forte que a gente? — ele perguntou e ela concordou. — Então nunca mais repete que eu estou contigo por ego ou que eu não possa gostar de alguém porque eu gosto de você — ele completou, ela se inclinou e o beijou.
— Trate de não gostar tanto então — disse e rapidamente saiu da cama em direção ao banheiro.

Capítulo 8

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar.


Era véspera dia de Valentine’s Day em Radcliff Brown, quando chegou e observou que havia corações por todos os lados, faixas em rosa e vermelho, pessoas chegando com presentes. Normalmente aquele clima lhe deixava entediada, mas não naquele dia, a verdade era que a sua situação com estava muito bem, eles se viam quase todos os dias, era algo que ela nunca havia passado e muito menos com ele em meio a tantas atribulações que sempre existiram na história dos dois.
No fundo do pátio, viu Liz com um urso gigante, provavelmente tinha um presente para .
— Acha que ele vai gostar disso? — disse em um tom implicante.
— Espero que sim, foi a única coisa que pensei, você acha muito ruim? — Liz perguntou e deu de ombros, não se complicaria por nada. — Sabe, ele anda distante, basicamente só nos vemos na escola... sexo então, acho que ele não está mais gostando tanto de mim — a voz cabisbaixa de Liz fez se sentir culpada por um instante.
— Aposto que ele vai gostar — ela deu de ombros, — vou para sala — ela desatinou pelo corredor da escola até a sala de aula, ela tinha plena consciência de que esse tipo de sentimento não adiantaria nada, não podia terminar com , então não podia exigir que ele terminasse com Liz, então precisava engolir. Não demorou nem 10 minutos para que Liz entrasse com o urso enorme para a sala.
— Ele adorou, disse que vai me dar meu presente depois — ela disse animada e sorriu forçadamente. — A propósito, eu sei que você deve estar ansiosa pra ver , mas eles dois foram chamados na diretoria.
— Por que? Eles fizeram alguma coisa?
— Não sei, a inspetora foi chamar eles dois no pátio — ela respondeu e deu de ombros.
e estavam na sala da diretoria quando a diretora apareceu com outro aluno que eles sabiam ser mais novo que eles.
— Sente-se, — ela deu a volta na própria mesa e se sentou. — Então meninos, ouvi dizer que vocês tocam e hoje teríamos uma apresentação de dia dos namorados, mas a banda furou e eu queria saber se vocês não se interessam em tocar.
— Mas a gente acabou de se conhecer — foi o primeiro a falar.
— Eu sei, mas vocês acham que é possível? Seria muito bom para não deixa passar sem nada.
— Acho que podemos tentar — deu de ombros. — Se formos dispensados das aulas...
— Plausível — disse curtindo a ideia.
— Vocês, crianças... ok, estão dispensados — a diretora concordou. — Vou fazer a quadra estar a disposição de vocês e os instrumentos também.
— Perfeito — disse sorridente, saíram da sala em silêncio.
— Caras, eu vou falar pra minha namorada, ela já estava achando que eu fui expulso ou coisa assim, então vou avisar e encontro vocês na quadra — disse e eles apenas concordaram.
— O que você comprou pra Liz?
— Flores, mas esqueci no carro, depois eu tiro — ele deu de ombros, ele não ia perguntar o que havia pensado para , seu ciúme não aguentaria.
— Reservei uma suíte presidencial para mim e no Palace, a gente anda distante, acho que precisamos passar algum tempo juntos — ele disse parecendo chateado com a situação e se corroía por dentro, não queria saber daquilo.
— É porque você trabalha bastante, né, e dá conta daqui.
— Sim, e a é complicada, eu tenho que manter perto porque se eu não manter... ela simplesmente some da minha vida, sério, ela ultrapassa as barreiras do normal em ser fria — ele reclamou novamente e riu de canto, sabia que ela não era desse jeito com ele, não era fria, não era distante e que fazia questão de sempre encontrá-lo.
sendo deu de ombros, mas aquilo foi o suficiente para irritá-lo, chegou na quadra e observou que os instrumentos estavam chegando, logo apareceu também.
— Então, e Thomas, não é isso?"
— Só .
— Beleza.
— O que você toca? — perguntou.
— Ah, de tudo, mas sugiro que fiquemos de Beatles e outras baladinhas, tipo as do Blink ou Maroon 5 — disse. — Se me permitirem fazer uma homenagem para minha mulher eu queria tocar She Will Be Loved.
— Olha, um rapaz romântico — ele disse aprovando a ideia.
— Por mim tudo bem — deu de ombros, assim que montaram todos os instrumentos no pequeno palco decorado eles passaram o som com algumas músicas.
já estava aflita com as infinitas possibilidades quando Liz disse que mandou uma mensagem para seu celular avisando sobre. Primeiro ficou chateada porque ele não a avisou também, sabia que era uma besteira ficar chateada por isso, respirou fundo e deixou pra lá, a verdade era que estava com o ego machucado depois de ouvir que o presente de era uma noite com ela em um hotel e mesmo que ela ainda não soubesse disso não queria conversa com ela naquele momento e por isso resolveu mandar a mensagem apenas para Liz.
No intervalo das aulas todos foram para a quadra, estava com Liz em seu encalço como sempre e olhou para o palco com lá, sorriu, parecia ter nascido para estar lá. Ele a olhou e desviou o olhar, ela franziu o cenho com isso, não sabia o que tinha feito pra merecer isso, por outro lado quando olhou para ele sorriu francamente e piscou para ela, ela sorriu fraco apenas para não passar em branco.
— Então, essa música quem pediu pra tocar foi o querido baixista aqui presente, para sua amada Lylia — disse segurando a sua guitarra e tirando uma parte do cabelo do rosto e então ele iniciou os primeiros acordes de She Will Be Loved.

Beauty queen of only eighteen
She had some trouble with herself
He was always there to help her
She always belonged to someone else
I drove for miles and miles
And wound up at your door
I've had you so many times but somehow
I want more

olhou para que continuava a não olhá-la, mas ela insistia em olhá-lo na eminência de qualquer sinal.

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
She will be loved

Tap on my window knock on my door
I want to make you feel beautiful
I know I tend to get so insecure
It doesn't matter anymore

It's not always rainbows and butterflies
It's compromise that moves us along, yeah
My heart is full and my door's always open
You can come anytime you wan

Aquela letra era emblemática e não conseguia não se ver por ela, ele olhou finalmente para os alunos reunidos na frente dele e viu que o olhava e parecia aflita, ele a viu falar com os lábios apenas ‘o que foi?’ e ele deu de ombros ainda parecendo chateado, sabia que alguma coisa havia acontecido e novamente disse ‘para’.

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
And she will be loved
And she will be loved
And she will be loved

I know where you hide
Alone in your car
Know all of the things that make you who you are
I know that goodbye means nothing at all
Comes back and begs me to catch her every time she falls

Tap on my window knock on my door
I want to make you feel beautiful

A namorada de se aproximou dele e ele baixou-se até a borda do palco para que pudesse beijá-la a escolha inteira vibrou, particularmente achou bem fofo.
— Olha que lindo, espero que faça alguma coisa para mim também — Liz disse ao seu lado e ela sorriu amarga, a verdade era que queria ir embora, não tinha necessidade de passar aquele dia observando ser estúpido e Liz esperando que passassem o primeiro dia dos namorados juntos, mas não podia ir, estava lá.

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
And she will be loved
And she will be loved
And she will be loved

Please don't try so hard to say goodbye
Please don't try so hard to say goodbye

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain

Try so hard to say goodbye


cantava e intercaladamente olhava para a namorada, via que ela dava pouca atenção, mas não se sentia incomodado com aquilo, quando ela olhava sempre soltava um sorriso, ele a olhou no final do último verso e ao perceber que ela o olhava disse ‘eu amo você’ apenas com os lábios, na hora todos perceberam e olharam para . Ela percebeu como se esperassem uma resposta dela, ela sorriu e disse ‘eu também’.Ela não soube porque fez aquilo, mas sentiu que deveria, em seguida sentiu os olhos de pesarem em cima dela e mordeu os lábios.
— Liz, eu não estou me sentindo bem, vou pra sala, ok? — ela disse para a garota do lado e não esperou resposta saiu em seguida para a sala, apareceu lá em alguns minutos.
— Ei, o que aconteceu? — ele perguntou ao sentar no lugar que normalmente era de Liz.
— Ah, estou com um pouco de dor de cabeça, vim me sentar — ela respondeu.
— Melhorou? — ele perguntou e ela concordou, ele passou o braço ao redor da cadeira dela e deu um beijo em sua cabeça. — Cancelei todos os meus compromissos hoje e reservei uma suíte no Palace para a gente.
— Acho bom que tenha sido presidencial — ela disse o olhando.
— Você nunca erra — ele respondeu sorrindo e ela fez o mesmo, logo outras pessoas começaram a entrar na sala. — Te pego às 19 horas.
— Tudo bem — ela concordou e ele levantou para que Liz pudesse se sentar em seu lugar, apareceu em seguida com um buquê de flores, andou até ela e entregou a Liz sem nem olhar para o lado.

— Feliz dia dos namorados — ele disse a olhando satisfeito.
— Meu amor, como você é lindo, muito obrigada — Liz se levantou e abraçou o beijando em seguida, as pessoas na sala aplaudiram, não era sempre que era flagrado em um ato romântico. engoliu seco e baixou a cabeça, não choraria nunca, mas a cena a fez enjoar, não demorou para juntar suas coisas e ir embora.
estava vendo qualquer episódio de Sex and The City quando bateram na porta do seu quarto.
— Entra — disse e então a porta abriu revelando . — Sério que depois daquele circo você está aqui?
— Eu não queria vir, mas eu não queria passar hoje sem falar com você.
— Antes não viesse, , você não tem o direito de virar a cara pra mim, me fazer ficar que nem besta tentando entender, fazer uma cena na frente de toda a sala pra dar o presente pra sua namorada, não se importando nem um pouco comigo ali do lado e depois vir aqui na minha casa, pra fazer sei lá o que, dizendo que não queria passar o dia sem falar comigo? Quem você acha que é?
— Você também disse na frente da escola toda que amava o e vai passar a noite com ele na porcaria do hotel.
— Ele te falou? — ela perguntou e ele concordou. — E você está puto comigo por causa disso? — ela perguntou novamente e de novo ele concordou. — Você é um hipócrita, .
— Eu só não quero que você vá.
— Eu não posso não ir.
— Porque você não pode não ir? — ele perguntou.
— Porque não — insistiu.
, você mal olha pra cara dele ele não tem direito de te exigir que passe o dia dos namorados com ele.
, não dificulte as coisas.
, o que a gente está fazendo? — ele perguntou e ela o olhou não entendendo. — Eu e você?
— Eu não sei — ela negou com a cabeça.
, eu vou dizer uma coisa que eu nunca disse pra ninguém. Então, por favor, tente ter uma boa reação — ele engoliu seco e ela o olhou, seu estômago embrulhou na menção do que podia ouvir. — Eu não sei o que eu sinto, e eu queria saber... eu sempre me senti assim, sempre fui muito orgulhoso e em certo ponto otário por não saber lidar e te afastar, mas agora está acontecendo de novo e eu estou sentindo exatamente a mesma coisa. Eu te conheço a minha vida inteira. Eu gosto de ir pra cama contigo... e gosto muito, mas eu também gosto de ficar com você sem nada disso e ao mesmo tempo eu acho que você pode ir embora a qualquer momento sem a mínima explicação porque você tem alguém muito melhor do que eu, alguém que pelo menos sempre fez o melhor que pode por você. Obviamente eu surtei, eu fiquei com ciúmes, fiquei imaginando tudo o que você poderiam fazer, mas, , você é minha, entende? — ele terminou e a olhou. — Fala alguma coisa, por favor! — ele disse incomodado com o silêncio dela.
— Se você quer ouvir como eu me sinto sobre você, eu digo que o mesmo que você, eu acho que isso é evidente desde sempre, eu me afastei porque sabia que as chances de quebrar a cara com você eram grandes e você fez eu me sentir tão humilhada, tão exposta, você se tornou tão superficial em certo ponto que achei que você tivesse se perdido de você mesmo, mas hoje eu vejo que o cara que me fez sentir borboletas continua aqui... Eu também não sei como chamar isso, porque é tão inédito pra mim quanto pra você. Mas isso que temos realmente não vai nos levar a lugar nenhum e nem pode levar — ela respondeu com certo pesar em seu peito por aquilo. — Eu sinto muito por te fazer te sentir tão inseguro assim, mas é que eu não tenho escolha.
— Porque você namora o e eu a Liz? Eles vão entender com o tempo.
— Não, .
— O que você quer então?
— Eu quero ficar como estamos, porque eu não posso te dar mais que isso.
— Você quer que a gente fique escondido pra sempre?
— Eu não quero, eu tenho que querer — ela disse sentada na cama e desviando o olhar para o teto.
, isso é bem pior e bem menos correto.
... eu não posso.
— Por que?
— Porque não — ele disse vazia.
... — ele a olhou esperando alguma resposta.
— Vá embora, , a gente conversa depois, hoje não está sendo um bom dia e eu tenho que me arrumar pra sair com — ela disse e balançou a cabeça concordante e cabisbaixo saiu do quarto, com um nó na garganta se instalando.
De fato esperou mais algum tempo e se arrumou, às 19h, estava em seu carro esperando que ela descesse, como sempre com um sorriso radiante ao vê-la.
— Melhor? — ele perguntou e ela concordou.
— É, nada que dormir não passe — ela respondeu e ele segurou a mão dela e a beijou.
— O que achou de nós na escola hoje?
— Estavam muito bem, vocês são bons. Quem era o baixinho tocando com vocês? — ela perguntou.
— Era o , também conheci hoje — ele deu de ombros, — mas ele tem um gosto muito parecido com o meu e com o do .
— Ele parecia ser.
— Pois é, conversamos sobre tocar mais vezes, seria perfeito, digo... seria melhor se conseguíssemos mais um guitarrista, mas já temos uma formação pelo menos.
— Mas se vocês ensaiassem mais e desse certo, você largaria estar na frente nos negócios pra montar uma banda?
— Com certeza seria uma escolha difícil, não vou pensar nisso agora— ele deu de ombros enquanto dirigia, em pouco tempo e com pouca conversa estacionou na frente do hotel entregando as chaves para que o manobrista, subiram para o último andar do prédio. , atencioso como sempre, a ajudou a tirar o casaco que usava e o estendeu na chapelaria do lugar junto com o seu próprio, um garçom passou da sacada para o quarto.
— O jantar já está a disposição de vocês— ele disse e em seguida se retirou do quarto. fez um sinal pra ela ir à frente.
— Na verdade eu espero que goste, eu sei que você é toda cheia de frescura com comida, mas é salmão.
— Eu vou gostar sim, obrigada, " ela sorriu e sentou-se na mesa. — Tenho uma coisa pra você também— ela mexeu em na sua bolsa e tirou um pacote retangular com um laço prata e o entregou a .
— O que é? — ele segurou o pacote e ela fez um sinal pra ele abrir e ver, ele o fez, era uma caneta prata, parecia ter sido forjada em ouro e prata com pequenas engrenagem cravadas.
— Meu pai sempre disse que um homem de negócios precisa ter a sua caneta, uma que lhe de sorte e que acompanhe em todas as suas grandes decisões. Queria te dar alguma coisa que você pudesse usar— ela disse, era complicado, não queria ter que explicar o que sentia, ela não podia dizer que era infeliz com ou que não gostasse dele de jeito algum, na verdade sentia um carinho muito grande. Aliás, boa parte dela lutava fielmente para que entendesse que a história com estava fadada ao fracasso de várias maneiras, mas não era como deveria ser, não era na intensidade que isso demandava ser, a fazia sentir-se de uma maneira inexplicável e completamente culpável.
— Muito obrigado, vai andar comigo agora — ele se inclinou na mesa e deu um pequeno beijo nela —, eu também tenho outro presente pra você, mas vou dar depois.
— Muito bem— ela sorriu e então jantaram, depois levantou-se e ela o seguiu até o quarto.
— Primeiro, o que temos pra hoje é: De Volta Para o Futuro — ele mostrou a capa do BlueRay a ela que sorriu, era um dos filmes que eles dois haviam repartido e gostavam em comum acordo, não era um plano ruim passar a noite vendo. — E... — ele pegou um envelope e deu a ela, ela olhou meio sem entender, segurou e abriu, revelando dois tickets para o show do Paul McCartney, aquilo era realmente algo que enchia seus olhos.
— Sério? — ela perguntou e ele concordou vendo os olhos dela brilharem. — Nossa, , muito obrigada! — ela disse sorrindo e ele se aproximou dela enquanto ela ainda sorria e tirou o cabelo do rosto dela.
— Eu acho que posso fazer de tudo no mundo pra te ver sorrindo assim — ele disse hipnotizado pelo sorriso dela, se aproximou e a beijou, ela não hesitou. andou com ela até a cama, ela subiu primeiro ficando ajoelhada, até a deitar e ficar por cima dela ainda a beijando, mas assim que ele passou a mão por dentro do vestido que ela usava, pelas suas coxas, ela imediatamente parou.
, eu... eu acho melhor a gente não fazer nada, eu estou naqueles dias e você sabe — ela disse o olhando culpada, realmente estava.
— Tudo bem — ele disse sorrindo e indo para o lado dela, assim que fez isso a trouxe pra mais perto de si. — Você sabe que a sua mãe ainda não desistiu do jantar né?
— Eu não sei, eu não falo com ela.
— Temos algumas aspirações novas na transportadora, com alguns do oriente médio, eles primam muito pela família e sua mãe quer marcar um jantar pra mostrar a nossa.
— Nós temos uma família em comum agora? — ela olhou para ele do canto do olho.
, não somos mais crianças, estamos no final da escola, você vai pra faculdade e eu já tenho o meu negócio, eu não vejo porque não fazermos planos, seus pais apoiam.
— Você conversou com meus pais sobre isso?
— Na verdade mais eles que conversaram comigo, mas eu concordo absolutamente em fazermos isso — ele disse sereno e ficou calada.
, eu sei que você nunca gostou de mim tanto assim e eu sei que seus pais têm grande peso nas suas decisões, não se sinta obrigada a aceitar, mas me faria muito feliz se aceitasse.
, eu só não sei se to preparada pra pensar nisso agora.
— São só planos.
— Não tem mal nenhum em planejar, não é? — ela disse mais para si mesma e ele negou.
— Então, estamos na melhor suíte do melhor hotel da cidade, temos que aproveitar. Quer ir pra piscina? — ele perguntou e ela concordou sorrindo, levantaram e tirou a roupa, ela tirou em seguida ficando de calcinha e sutiã, pulou na piscina primeiro, ela desceu pela escada sentindo primeiro se estava quente o suficiente.
— Está fria, .
— Não está.
— Tá sim, não vou entrar— ela disse ele e ele foi se aproximando.
— Entra primeiro, se não tiver quente eu aumento a temperatura.
— Não, eu já coloquei meu pé e estou congelando — ela disse rindo.
— Ok, então — ele disse na beira da estrada, fingiu por um momento que iria voltar a nadar, pegou ela pela perna e a derrubou na água ao seu lado.
, você está morto — ela disse assim que se recuperou começando a jogar água nele desesperadamente, ele apenas ria se defendendo, até conseguir segurá-la entre seus braços.
— Para — ele disse rindo a segurando —, supera, vai.
— Que idiota que você é — ela riu e ele beijou o queixo dela, depois seu pescoço.
— E você é linda — ele disse contra a pele dela e depois a olhou. — Feliz dia dos namorados.
— Obrigada, feliz dia dos namorados pra você também — ela sorriu e deu um beijo no queixo dele e o abraçou, ele a abraçou de volta.
— Eu amo você, sabia? — ele disse ainda abraçando e ela concordou com a cabeça, se sentia extremamente culpada, não conseguia pensar o quando era desprezível. — Lembra do James, né? — trocou de assunto quando percebeu que não teria uma resposta.
— Sim.
— Ele tem uma casa em Bolton, o que acha de irmos pra lá na próxima vez que eles forem?
— Acho que sim, sem problemas, Bolton é uma cidade legal.
e Liz provavelmente vão também.
— Ótimo — ela disse isso com um pingo de ironia, mas nada que percebesse. Eles não demoraram até que começassem a se sentir quase congelando, secou-se no banheiro e quando voltou com seu roupão, já estava dentro de um com o filme iniciando, ela deitou em seu lado e ele novamente a puxou para perto, deitou então pelo peito dele, mas pelo meio do filme dormiu. mexia no cabelo e cuidava dela de um jeito devotado, a poucas pessoas é possível atribuir um amor tão forte assim.
Quando acordou de manhã, havia uma bandeja de café da manhã e um bilhete de dizendo que tinham telefonado urgentemente do escritório e que por isso não iria para a aula e tão pouco poderia estar lá quando ela acordasse. Comeu um pouco, tomou um banho e se arrumou para a escola, o motorista de já lhe esperava na porta do Hotel, ele sempre era provincial. Chegou à escola um pouco mais atrasada que o normal, mas sem grandes prejuízos, ela era a única que havia ido naquele dia, nem ou Liz estavam na sala ou chegaram depois.
Na saída apenas seu motorista estava na frente da escola, voltou para casa, assim que fechou a porta do seu apartamento seu celular tocou, era .
— Oi — ela disse seca.
— Foda-se se você namora meu melhor amigo, eu quero ficar com você de qualquer jeito — ele disse parecendo meio bêbado do outro lado da linha.
— Onde você está?
— Na frente do seu prédio — ele respondeu e ela correu até a sacada vendo ele parado ali na frente.
, não faz isso, pelo amor do que você acredita, sobe, rápido, por Deus — ela disse agoniada, ele não podia fazer isso, ficar em frente ao seu prédio, se , seu pai ou sua mãe passasse por lá eles certamente entenderiam muita coisa. Não demorou a que a campainha tocasse e um meio bêbado apareceu, ela não sabia o que fazer. — ...
, qual o seu problema, cara? Está tudo bem entre a gente.
— Eu sei, você que está um porre, vem — ela disse o levando para seu quarto o sentou na cama e tirou primeiramente os óculos revelando as olheiras. — Meu Deus — negou com a cabeça.
— O que você quer fazer?
— Te dar um banho.
— Só se você vier comigo — ele disse gracioso ele riu, desabotoou a blusa e a tirou sem reclamações do garoto, em seguida foi ao banheiro e ligou a banheira deixando que ela enchesse.
— Vem — segurou a mão dele e ele levantou da cama, o ajudou a tirar a calça.
, eu não vim aqui pra tomar banho, eu quero conversar com você.
— Você vai conversar comigo quando estiver sóbrio — ela respondeu e assim que ele tirou a boxer, ela levou ele até a banheira e ligou mais o chuveiro para que a água caísse na cabeça dele.
— Eu sei o que estou falando, isso é o suficiente.
— Não para mim, as nossas maiores brigas foram com você bêbado— ela respondeu e ele concordou, ela passou a mão pela cabeça dele agachada do lado da banheira.
— Você transou com ele? — ele perguntou seco a olhando e ela negou. — Você está falando a verdade?
, ele é meu namorado, se eu tivesse transado eu não teria porque esconder. Eu não transei — ela respondeu novamente.
— Por que?
— Porque não — ela passou novamente a mão pela cabeça dele e depois sentou-se ao lado da banheira —, porque não era com ele que eu queria passar o dia dos namorados.
— E por que você me dispensou?
— Porque eu gosto demais de você pra insistir nisso — ela disse e sabia que ela falava a verdade, se inclinou até ela e a beijou, a puxou subitamente para dentro da banheira, onde ela ficou sentada em seu colo com apenas metade da perna pra fora, ela passou os braços ao redor dele insistindo no beijo enquanto a água molhava seu uniforme e o rosto dos dois. deixou sua mão na coxa dela e subia e descia pelo seu corpo. Não demorou para a calcinha que ela estava usando saísse e ela ficasse com entre as suas pernas enquanto era penetrada, não se beijavam apenas mantinham as bocas perto enquanto ela descia e subia mantendo um movimento continuo na penetração. também se impulsionava contra o corpo da menina que rebolava em cima do seu, sentou um gemido alto e mordeu seu pescoço após isso, a água fazia barulho junto e pode sentir assim que chegou ao seu ponto final, mas ela não queria que ele saísse de dentro dela, continuou rebolando. notou que ela gozaria logo, desceu sua mão até a intimidade dela e a tocou em movimentos circulares em seu clitóris fazendo com que a garota finalmente gozasse, assim que fez isso ela se debruçou por cima dele o abraçando, ela a abraçou de volta ela ainda estava ofegante. — Eu to morrendo— ela disse baixo e ele riu, se inclinou e desligou o chuveiro.
— Você sempre fica assim quando tem orgasmo — ele disse tirando o cabelo dela do rosto dela. — Seu gemido, eu amo o seu gemido — ela riu escondendo o rosto com vergonha —, a feição que você faz quando vai gozar — ele disse brincando com os cabelos dela entre os seus dedos percebendo que ela estava envergonhada —, como me prende entre as suas pernas pra como se eu fosse escapar — ela riu novamente ainda com o rosto escondido —, o jeito como está com vergonha agora — ele riu ainda a mantendo próximo. — — ele a chamou e ela desencostou o rosto dele para olhá-lo —, eu não vou desistir de você, se você quer ficar com o tudo bem, se quer manter as aparências tudo bem, eu sou bom nisso, mas você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, eu sou melhor com você e eu não vou simplesmente ir embora.
— Eu não posso te pedir nada, eu sei todos os pontos que eu estou errada, mas, por favor, acredita em mim quando eu digo que eu gosto de você desde a primeira vez que eu te vi e eu nem tenho certeza se eu tinha noção da minha própria existência — ela riu e ele também. — é uma pessoa maravilhosa e provavelmente vale mais do que nós dois juntos, mas não é você e pra mim tem que ser você, entende? — ela perguntou e ele concordou encostando o lábio no dela.
— E eu comprei um presente de ontem pra você — ele disse e afastou-se para pegar a calça jogada no chão, mexeu entre os bolsos e tirou uma caixinha dali e entregou a ela, se aninhou entre as pernas dele e abriu a caixinha dando de cara com dois anéis.
— Como assim?
— Quer ser minha não-namorada? — ele perguntou e ela riu concordando, com os braços ao redor dela pegou a caixinha e segurou as alianças, deixou a caixinha do lado da banheira. — Elas estão gravadas — ele perguntou e ela segurou a mão dele trazendo as alianças pra mais perto para então ler em uma estava escrito Who is your lover? e na outra I couldn't tell.
— De onde você tirou isso?
— Anna Beleyn, ela tinha cinco amantes e nenhum deles nunca confessou e ela morreu por isso.
— Está dizendo que eu tenho que morrer ou está me dando a permissão pra ter cinco amantes?
— É sobre segredo, , ninguém nunca vai precisar saber da gente. Se precisar levar isso pro túmulo, levaremos — ele respondeu.
— Certo, drama queen — ela disse rindo, — quero I couldn't tell — ela respondeu e ele então colocou a aliança no dedo dela segurou a mão e depois deu um beijo ali, ela pegou a outra aliança e colocou no dedo dele.
— Não precisamos usar, é só simbólico, não podemos usar os dois, perceberiam muito fácil — ele disse.
— É, mas eu vou dar um jeito de estar sempre com ela, ok? — ela respondeu e ele concordou. — Agora vamos sair, preciso tomar um banho, de verdade — disse e ele concordou. Saíram da banheira e pode tomar seu banho, a esperou no quarto assistindo qualquer coisa na TV, ela foi até ele e deitou o abraçando nem conseguiu perceber quando havia dormido. ficou lá a noite inteira, apenas pelas 21h eles acordaram.
— Estou com fome — ela disse.
— Também, o que podemos comer?
— Vou ver alguma coisa pra gente comer, tá? — ela rolou pela cama até sair de lá, colocou um robe e saiu do quarto, voltou com alguns pães com queijo, biscoito e suco.
— Sabe, acho que pode ser divertido... ter que esconder nosso caso — ele disse sentando-se na cama.
— Tudo que é proibido é mais gostoso, não é? — ela deu de ombros sentando-se ao lado dele. — Dorme aqui hoje? — ela disse o olhando.
— Tem aula amanhã — ele respondeu pegando o um pão.
— Como se você ligasse pra isso, — ela arqueou a sobrancelha.
— Eu posso tentar me fazer de difícil, não posso? — Ele disse com um ar ultrajado.
— Não para mim — ela riu.
— Agora não adianta mais mesmo — ele riu a olhando e ela fez um sinal negativo com a cabeça.
— Dorme? — Ela o olhou sorrindo.
— Hmrun — ele concordou com a cabeça. — A essa altura acho que as pessoas na sua casa já perceberam que tem alguém sempre com você aqui.
— É... temos que aprimorar nossas desculpas por falar nisso — ela disse o olhando.
— Eu acho que quanto mais bem elaboradas, mais vão desconfiar.
— Eu acho que não.
— Porque você é extremamente metódica.
— Que difamação — ela disse com uma careta ofendida.
— Você sabe que é — ele riu em seguida.
— You know nothing, Jon Snow — ela deu um selinho após se inclinar para isso.
— Você cita Game of Thrones agora? — ele estranhou.
— Ah, andei vendo, é uma boa série.
— Uma boa serie de nerd, aposto que te apresentou.
— Foi — ela concordou e ele riu.


, acorda — dava pequenos beijos no rosto dele. — Hora de ir pra aula.
— Não, hoje não tem aula — ele disse de olhos fechados ainda.
— Deixa de ser preguiçoso, arrumei um uniforme pra você — ela ficou sentada na cama e ele abriu os olhos.
— Como você fez isso? — ele perguntou surpreso.
— Pedi pra Leslie ir lá à sua casa e falar com o seu motorista... eles aparentemente parecem se dar muito bem — disse com uma cara marota.
— E a Leslie sabe sobre nós agora? — ele perguntou.
— Eu disse que você chegou bêbado aqui, mas acho que ela não acreditou mais depois que te viu pelado na minha cama — ela fez uma careta como se dissesse ‘foi mal’.
— A Leslie me viu pelado? — ele perguntou surpreso novamente.
— Metade do sexo feminino em Londres já viu, — ela revirou os olhos e então ouviram barulhos no corredor.
— Senhor , o senhor não pode entrar a senhorita está trocando de roupa — ouviram Leslie praticamente gritar no lado de fora, dando ênfase ao sobrenome de , eles se olharam surpresos, sem saber o que fazer.
— Meu closet, vai pra lá — ela disse baixo e o fez imediatamente. Ela olhou ao redor e estava cheio de roupas de espalhadas, ela as empurrou para baixo da cama. Correu colocando um robe e abriu a porta.
? — ela disse tentando fingir seu desespero.
, eu ia te acordar, mas a Leslie não deixou — disse desgostoso e ela sorriu amarelo.
— Eu dei ordens pra ela não deixar ninguém entrar mesmo.
— Pensei de irmos juntos hoje pra aula — ele sorriu simpático e ela sorriu amarelo de novo.
— Acontece que eu não vou pra aula agora, eu preciso fazer um exame... de sangue, então só vou no segundo horário — ela falou a primeira coisa que passou em sua cabeça.
— Tudo bem, eu posso ir com você — ele insistiu.
— Não, , exames de sangue não são muito confortáveis pra mim, eu não quero que você veja isso — ela fez uma cara sentida olhando para Leslie para procurar apoio e ela concordou com o que a patroa disse. — Eu passo o intervalo com você ok?
— Tudo bem então, nós vemos no intervalo — ele deu um pequeno beijo nela e se distanciou, ela olhou para Leslie agradecendo. Voltou a fechar a porta do quarto e saiu do closet a gargalhadas, como se acabasse de ver a cena mais engraçada do mundo, ao vê-lo assim ela também começou a rir descontroladamente.
— Exame de sangue? Sério? — ele disse rindo mais ainda.
— Você teria desculpa melhor?
— Provavelmente não — ele a puxou pela cintura. — Pelo menos eu sei que você é péssima em mentiras — ele a beijou em meio a um riso.
— Sabe o que eu estou pensando agora? Em você, em mim e em um banho — ela disse com uma voz e um sorriso maroto, ele a pegou no colo e entrou com ela no banheiro. Eles ainda saíram antes que batesse o primeiro horário e ficou enrolando até o segundo para aparecer na escola. Quando se encontraram na aula só se cumprimentaram o mais cordialmente possível, passou o intervalo com Liz e com , como havia combinado. Mesmo ao lado de Liz, mantinha a cabeça do outro lado do pátio onde ele podia ver os cabelos da garota que pareciam pegar fogo ao sol, ela olhava distraída enquanto falava, isso o fazia não querer pensar em mais nada a não ser no que ela estava pensando naquele momento.
— Amor, amor... — ele ouviu Liz a chamar e então a olhou.
— O que? — ele disse simplesmente.
— O que você tem? Você está frio, distante... você me deixou só ontem e no dia dos namorados, e eu tenho quase certeza que quando falamos no telefone você estava de porre — ela o olhou com um ar triste e ele apenas deu de ombros.
— Eu não estava bem, estava querendo ficar só — ele falou seco e olhou para o celular para vê se faltava muito para o intervalo acabar.
— Você não da à mínima pra se eu estou me sentindo desconfortável assim, né — ela disse queixosa novamente.
— Realmente, Liz, eu não me importo... Eu tenho mais coisas pra me preocupar — ele levantou-se do banco em que estava e andou imponente pelo pátio de volta para a sala e Liz ficou no pátio, com algumas pessoas que ouviram a olhando, ela percebeu, mas empinou o nariz e saiu esbarrando nos outros por aí.

Capítulo 9

So they say you're trouble-boy
Just because you like to destroy
All the things that bring the idiots joy
Well, what's wrong with a little destruction?

— Não, como você pode ser tão boa em Guitar Hero? Duvido que tenha pegado em um vídeo game em toda a sua vida — resmungou assim que a música do jogo acabou e havia conseguido mais pontos que ele na batalha, era a terceira consecutiva que a garota ganhava mesmo sem prática nenhuma.
— Vai ver nasci para jogar Guitar Hero — ela disse convencida deixando o controle de lado e dando uma pequena mordida no queixo de ainda emburrado ao seu lado na cama.
— Você nasceu pra outras coisas, em Guitar Hero você só tem sorte de principiante — ele a abraçou contrariado ela soltou uma risada enquanto ele aproximava a boca para um beijo rápido. — Vamos sair hoje... só pra sua informação.
... — ela protestou fazendo uma careta —, você sabe que é complicado de sair, a Liz ou o podem ver, qualquer um pode ver — ela disse desanimada passando o nariz pelo pescoço dele. — Acho muito mais produtivo ficar aqui. —
— Deus sabe o quanto eu adoro ficar em casa transando com você e o quanto é duro dispensar, mas eu quero fazer outras coisas com você, te apresentar pros meus amigos, não os do nosso ciclo, é uma festa em Candem Town, nunca chegou perto dali, muito menos a Liz — argumentou a abraçando pela cintura e falando perto do ouvido dela, ela virou-se e subiu no colo dele ficando com ele entre as suas pernas.
— Não tenho roupa? — disse insistente na ideia de não ir e ele segurou pela sua cintura rolando os olhos.
, é Cadem Town, se você for com uma roupa minha ninguém vai reparar — ele a olhou sério e ela bufou com a falta de argumentos pra não ir. — É festa mesmo, de verdade, como você nunca foi, não essas coisas de gente rica que a gente tá acostumado.
— Olha pra onde você vai me levar, hein? — ela deu de ombros percebendo que realmente iria.
— Pra melhor festa da sua vida — ele piscou encostando o lábio no dela que riu, derrotada.
— Ok, então, confio em você... como vamos pra lá? — ela o olhou enquanto falava.
— Eu te pego em casa — ele piscou e antes que ela protestasse por não gostar que o carro dele fosse visto na porta do seu apartamento ele se antecipou. — Não vou com o meu carro, eu vou arrumar um. Eu nunca vou com nada muito chamativo pra lá, meus amigos não estão acostumados com o nosso mundo.
— Você tentando parecer plebeu deve ser até fofo — ela falou irônica e ele a suspendeu, ficando por cima dela.
— Você não sabe nada de mim — ele piscou novamente de um jeito sexy, ela riu e mordeu o queixo dele.
— Maaas, nesse caso, vou para casa me arrumar — ela fez menção de levantar e ele a segurou.
— São 18h.
— Minha casa é longe e quanto tempo você acha que eu demoro pra me arrumar? — disse sincera soltando um riso.
— Ok, entendi... vou te levar em casa — ele então levantou estendendo a mão para que ela levantasse também, ela o fez procurando pelo quarto algumas roupas suas.
— Eu posso pegar um táxi — disse achando sua saia e a colocando. fazia o mesmo, colocou a calça que encontrou no chão e a blusa em um pufe do seu quarto a colocando em seguida.
— Não, relaxa, eu preciso passar em um lugar antes — ele foi em direção à porta do quarto, acabou de por sua blusa e andou pelo apartamento vendo pegar as chaves do carro, ela pegou sua bolsa e algum material da escola do dia anterior.
— Onde? — perguntou curiosa enquanto abria a porta do apartamento.
— Pegar coisas, , você entende... — ele deu uma olhada significativa e ela entendeu o que era.
— Eu quero ir com você — ela disse o olhando.
— Não, claro que não — ele respondeu de um jeito indelicado, como se fosse absurdo o que ela disse e em seguida chamou o elevador.
— Por quê? — ela indagou não entendendo a postura dele.
— Não é lugar pra você. Eu não te colocaria lá — ele respondeu novamente como se fosse óbvio.
— Você não precisa me proteger de nada, — ela puxou a porta do elevador e entrou com ele junto.
— Não, , simplesmente não... se você quiser, eu vou pego pra você, mas eu não vou te levar lá — ele deu de ombros enquanto o elevador descia, ela bufou.
— Eu sei me defender, — o afrontou.
— Claro que sabe — ele rolou os olhos, irônico, e a puxou para ele sem muita paciência pra uma birra dela por não conseguir o que quer. — Eu não vou te meter em confusão, não vou te levar em qualquer lugar só porque você acha que pode se defender, você é louca? — ele deu um beijo na testa dela que bufou novamente enquanto desciam no andar da garagem, em direção ao carro de .
— Você também não deveria ir nesse tipo de lugar — ela falou enquanto destravava o carro e abria a porta pra ela, que entrou e esperou ele entrar.
— Eu já fui lá várias vezes — ele falou enquanto colocava o cinto e logo depois ligava o carro, fazendo uma pequena manobra para sair da vaga.
— Então não vejo motivo pra eu não poder te acompanhar — ela teimou o olhando, sair do prédio.
— O motivo é que eu não quero. Simples, , pare de dar uma de mimada. Você pode ficar puta por eu querer te proteger e estragar a noite toda ou pode ficar de boa, ir pra casa se arrumar e termos uma noite muito boa — ele disse isso e ela mordeu os lábios, sem argumentos.
Em pouco tempo ela já não ligava mais sobre onde ia, colocou a mão por cima da dele que estava na marcha do carro. — Você realmente não precisa ir lá — ele respondeu a olhando e ela sorriu.
— Tudo bem, passou — ela se inclinou e deu um beijo no ombro dele e ele sorriu. Deixou ela na frente de seu prédio. — Cuidado, tá? — ela disse acariciando o rosto dele.
— Sempre tenho... às 22h30min eu venho — eles se inclinaram tocando seus lábios, logo desceu do carro indo para a cobertura do prédio.
Encontrou uma alguma coisa básica para vestir, não era como se seu guarda roupa fosse cheio de roupas despojadas, mas uma calça jeans com blusa preta lhe parecia o suficiente, completou com uma bota da Chanel e um casaco de couro, podia contar nos dedos de uma mão quantas vezes se vestiu daquele jeito. Primeiro porque sua vida social se resumia a festas da Elite e outras pequenas festas esporádicas na casa de amigos, coisa que ela sempre fazia questão de se vestir o melhor possível, jeans definitivamente não combinava com seu modo de vida. Olhou-se no espelho e apesar de não ser seu campo seguro, se sentia confortável, bonita.
desceu assim que deu o primeiro toque em seu celular. Ela abriu o portão do prédio e ele estava encostado no carro rodando as chaves em seu dedo, com suas calças largas e uma camisa de botões preta apenas com a parte da frente para dentro, era um traje bem típico dele na verdade, usava o cabelo milimetricamente bagunçado e sorrio ao vê-la. O sorriso com que ela sempre se sentia sem graça.
— Quantas vezes eu preciso dizer pra você não ficar assim na frente do meu prédio, ? — ela disfarçou a timidez com uma bronca, mas ele de canto ignorando-a.
— Desculpa, não sou fluente em mimimi e tô preocupado demais tentando me concentrar em não tirar sua roupa — ele disse se inclinando e falando perto do ouvido dela, ela deu uma risada e rolou os olhos sem poder ter outra reação.
— Vai , entra no carro, quem dispensou ficarmos em casa foi você — disse desaforada enquanto dava a volta para entrar no carro.
— Isso, joga na cara... — desabafou tomando o caminho para a porta do motorista também.
— Então, plebeia o suficiente? —
— Me surpreendeu — ele piscou ligando o carro —, já disse que gosto de você sem seus exageros. —
— Talvez eu ande mais assim — ela disse dando de ombros.
— Acho justo — ele piscou e arrancou com o carro em um dos cruzamentos assim que o sinal abriu.
Era longo o caminho até onde seria a festa, mas logo que desceu do carro ela teve certeza que nunca havia chegado perto dali. A primeira coisa que ela não conseguia evitar em reparar eram as roupas, um visual que ela imaginou ser o mais perto da definição de punk do filme CBGB que viu com há algumas semanas atrás, na verdade existiam tantos estilos que sua cognição não conseguia classificar todos; piercing, tatuagens... Ela tinha plena certeza que era a primeira vez que via pessoas com isso de maneira tão próxima. Se há alguns meses atrás lhe perguntassem se era possível lhe ver em um ambiente assim, ela soltaria um não seco e categórico.
segurou em sua mão percebendo que ela percorria todos com o olhar, não deixava de ser engraçado para ele vê-la encarando tanta excentricidade, andaram até a entrada da festa. acenou e a puxou para perto de um grupo, animado, reparou que haviam duas meninas de mãos dadas e dois caras, que tinham o mesmo estilo de e também estavam acompanhados com outras meninas.
— Nossa, finalmente, achei que você tava vindo da Austrália — uma das meninas disse parecendo animada em ver , ela foi a primeira que ele deu um pequeno beijo na cabeça como cumprimento.
— Eu disse que vinha, não que ia chegar cedo — se defendeu passando a cumprimentar a outra garota. — , essa é Kat, uma amiga de muito tempo. —
— Oi, prazer, — a menina disse simpática estendendo a mão, cumprimentou meio sem jeito. — Essa é minha namorada, Penny — apontou para a moça que havia acabado de cumprimentar.
— Prazer — a outra garota disse estendendo a mão também. — Namorada do ? Achei que fosse aparecer com algum tipo de auréola ou asa, pra aguentar isso só sendo um ser divino — ela rolou os olhos dizendo isso e apontando para .
— A Penny só namora a Kat pra tentar ter uma chance comigo, ignora — fez uma cara afetada e Penny mandando o dedo do meio pra ele rindo. — Esses são Carl e Mag, Jake e Leah — continuou a apresentação com a parte do grupo que ainda saudava.
— Não sei por que tanto Ibope pra esperar "a namorada do " como se ele não sempre aparecesse com uma diferente? — Mag disse com cara de tédio e implicante. — Já dá pra entrar, né?
— Não tomou teu remédio hoje, Mag? — perguntou e ela apenas lançou um olhar mortal para ele se apressando para entrar na festa.
— Ela tá sempre esperando você aparecer, só quando aparece acompanhado fica com essa cara de cu — Jake deu de ombros explicando. — Vamos entrar, ignorem ela, é o que todos fazem — concordou e olhou para que deu de ombros rindo, o único insulto era não ser a única megera da festa, título que ela até gostava.
Tinham entrada vip, o que os garantia ficar em um espaço reservado da festa com alguns pufes e open bar. Havia muita gente ali, mesmo na área vip, as pessoas dançavam frenéticas com a batida eletrônica que tocava, imaginava que a área vip deveria ser um lugar maior e não onde todos se debatiam por um gole de bebia de graça. Por algum tempo aquilo a irritou, não gostava de locais tão apertados, mas tentou abstrair, não queria estragar a noite com .
— Vou pegar algo pra beber, quer? — falou no ouvido dela que fez sinal positivo com a cabeça, ele sorriu e se afastou do grupo. O som era estupidamente alto e pesado, uma batida ritmada, além de várias pessoas dançando o próprio grupo iniciava passos de dança.
— Então é namorada do mesmo? — Leah e Kat se aproximaram dela com passos tímidos, mas falando alto pelo som elevado.
— Não, é meio complicado — explicou no mesmo tom —, mas estamos tentando — ela disse e Leah sorriu de maneira cúmplice.
— Não liga pra Mag, se ela for grossa e tudo mais... ela é afim do há décadas — Leah disse simpática.
— Então acho que ela tem uma boa concorrência — deu de ombros após dizer isso, de fato não sentia-se ameaçada por nenhuma garota, nem mesmo por Liz, nem mesmo quanto a , ela realmente não sentia a possibilidade de não ser escolhida.
— Isso aí. Gostei de você — Kat disse rindo, e piscou voltando a ir pra perto da namorada. voltou com dois whiskys dando um a que deu um gole, ele a abraçou por trás, a segurando pela cintura, ela sorriu e dançou próximo a ele; não era nada ruim poder agir como quisesse com ele em público. Ele beijou o pescoço dela como se pudesse saber o que ela estava pensando, ela sorriu acariciando a mão dele em sua cintura.
, trouxe alguma coisa? — Carl apareceu do lado dos dois e assentiu, tirando de seu bolso um saquinho cheio de pó. Carl pegou animado e andou até a mesa alta próxima a eles, arrumou carreiras e improvisou um canudo, ele inspirou umas três carreiras seguidas daquilo pra depois passar para Penny e depois Kat. olhou ao redor, mas ninguém parecia se importar com o consumo da droga.
— Vem — puxou para perto dos outros e com o pequeno canudo inalou uma carreira passando para ela o canudo em seguida, que fez o mesmo.
Com pouco tempo de festa todos estavam chapados, Mag já havia achado outra pessoa para suprir o compromisso de e o resto do grupo dançava e brincavam divertidamente. vezes ou outras beijava extasiada com a possibilidade de ter aquela liberdade em público com ele.
— Acho que to emocionada com o fato de poder te beijar a hora que eu quiser — ela admitiu no ouvido dele que riu e a abraçou pela cintura.
— A escolha é toda sua, você sabe disso — ele responde e ela concordou dando uns beijos pelo pescoço dele.
, vem — Kat se aproximou e puxou pela mão tirando ela dos braços de . Ela não hesitou, apenas a seguiu sem pensar, Kat subiu no balcão do bar e fez sinal para ir também. Sem pensar muito, ela o fez, depois foi a vez de Leah e Penny que se juntou com Kat e ao se beijarem chamaram mais atenção, não demorou para área vip inteira estar olhando para a garotas em cima do balcão. se aproximou observando, as piadinhas e o modo como sempre acabava chamando atenção o deixava enciumado, mas ele tinha plena certeza de que ela não faria nada demais. Logo a atenção que ela chamava lhe inflamava o ego; Kat recebeu uma garrafa do meio da multidão, bebeu um gole e passou uma garrafa de tequila para Leah que bebeu e passou para , que segurou e também virou sem cerimônia e ficou segurando a garrafa em seguida. Ela dançou no balcão feliz e bebendo.
Em meio a sua dança ela não prestou atenção na parte mais baixa do balcão e pisou em falso, mas antes que pensasse sentiu uma pessoa a segurar e em seguida a colocar no chão, olhou para o rapaz de feições gentis e olhos incrivelmente azuis e riu sem graça.
— Você tá bem? — ela ouviu a voz do rapaz e sorriu concordando.
— Desculpa, eu acho que já to de porre — ela falou e ele riu, rolando os olhos.
— Não por isso, aposto que todos os caras estavam bem embaixo de você pra se você caísse — ele brincou e ela riu, sem perceber que as mãos do rapaz continuavam em sua cintura, o que só percebeu quando viu os olhos de fuzilando as mãos dele.
— Você tá bem? — perguntou puxando levemente ela pelo braço para afastá-la e fez um pequeno gesto cumprimentando o rapaz.
— Sim — ela disse sorrindo, olhou para o rapaz. — Obrigada, de novo.
— Se precisar cair de novo não hesite — o rapaz de olhos azuis disse provocativo.
— Deixa que quem cuida dela sou eu, disse ameaçador puxando para longe do rapaz que riu vitorioso.
— Você conhece ele? — perguntou e não respondeu. — Amor...
— Você chapa rápido de mais, — disse mal humorado —, fica quieta aí, chega de dançar, você chama atenção demais — conhecia o rapaz de olhos azuis e não era ninguém que ele quisesse perto de , aquela pouca situação já o deixava puto. riu, não acreditando naquilo, passou o braço ao redor do pescoço dele.
— Você ficou com ciúme — ela disse rindo e ele bufou sem aceitar, ela riu novamente e deu um pequeno beijo nele. — Obrigada— disse e depois o beijou mais propriamente.
— Digam xis — Kat apareceu com um celular e um flash explodiu.
— Kat, como você pegou meu celular? — disse após reconhecer o aparelho e Kat deu de ombros.
— Coisa de chapado não tem dono, o seu é o único que as fotos prestam — respondeu e continuou tirando fotos de todos ali. voltou ao balcão e cheirou mais uma carreira, sob o flash de Kat.
— Vamos virar absinto? Quem cair primeiro paga mais uma rodada — Jake convidou todos.
— Você sempre cai primeiro, Jake — Penny virou os olhos.
— Eu to fora — deu de ombros.
— Vamos ver dessa vez — ela apostou e todos foram para o bar, encheram os copos , no quarto, Meg foi a primeira a desistir. Jake em seguida, Penny terceira, ficaram apenas e Kat que viraram mais dois copos sem desistir, até que não aguentou mais e desistiu, no primeiro movimento que ela fez se encostou em não conseguindo se sustentar, ele rolou os olhos.
— Sábio é quem desiste, amor — ele disse rindo, ele caminhou com ela ate um dos pufes do lugar e sentou-se com ela.
— Eu acho que não to bem — ela disse com a voz pesada e ele riu novamente.
— Eu to vendo — ele concordou com a cabeça e Kat tirou mais uma foto. — Chega, Kat, me dá o celular — ele pediu e ela revirou os olhos entregando. — Sem mais nada pra você, vamos embora.
— Não, amor, eu não quero atrapalhar, continua curtindo — ela disse mole e ele riu.
— Não vou te deixar só, vamos embora, de qualquer jeito já são cinco horas — ele disse levantando e levantando ela junto, eles se despediram dos amigos e deixaram o local, ainda era escuro e frio, ele a ajudou a andar ate o carro e ela já ia quase carregada.
, eu preciso... — ela disse assim que abriu a porta do carro, ele a ajudou mais uma vez a ir até próximo a uma lata de lixo.
— Vomita, amor.
— Não fala assim — ela disse enjoada na borda da lixeira.
— Frescura agora não, , não tem outra coisa, quer vomitar, vomita.
— Meu cabelo — ela disse e ele a segurou, assim que o fez finalmente conseguiu por o que precisava pra fora, ele esperou pacientemente até ela suspender a cabeça sem muito equilíbrio.
— Tudo bem?
— Podemos ficar no carro um pouco? Acho que não aguento sair do lugar — ela disse amarelada e ele concordou indo com ela até o carro, abriu a porta e ela entrou deitando-se, sentou-se no banco e a garota colocou a cabeça sobre a perna dele. — Me desculpa, eu nunca fiz esse tipo de coisa, tipo nada disso — ela disse escondendo o rosto envergonhada.
— Pra tudo tem a primeira vez — ele sorriu e afagou a cabeça dela. — Você bebeu demais.
— Desculpa — ela disse novamente com sua cabeça e olhos pesando.
— Tudo bem, amor. Não teria sido tão bom se você não tivesse comigo — ele responde e ela sorriu. Não demorou a pegar no sono e ele esperou por mais algum tempo.
Assim que o dia clareou, a levou até o apartamento dela, teve que a carregar atpe a cobertura e com a ajuda de Leslie a deitou na cama, tirou a roupa e deitou-se ao seu lado, só então dormiu.

Quando abriu os olhos ela estava em sua cama, apenas de calcinha e sutiã. estava ao seu lado sem sapato e sem camisa, então ela lembrou da noite passada e queria que boa parte das lembranças não fosse verdade, olhou no relógio e passava das 15 horas, levantou-se e foi para o banheiro.
ainda dormia como uma pedra quando ela voltou e o deixou dormir, apenas indo procurar alguma coisa para comer e voltando para o quarto onde ficou vendo filme até dar sinal de vida.
— Hey, bêbada — ele disse enquanto abria timidamente os olhos, ela virou-se até ele e passou o nariz pelo dele.
— Sem comentários — ela falou envergonhada.
— Achei que fosse ter que te levar pro hospital depois daquele teu vômito do demônio — ele foi para perto dela passando seu braço ao redor da garota ao seu lado e ela riu alto com isso.
— Que vergonha — ela virou-se pra ele rindo.
— Que nada, você era a bêbada mais linda da festa — ele disse de maneira divertida.
— Madame Strauss ficaria desapontada — ela se lembrou de sua antiga professora de etiqueta e concordou imediatamente.
— Bastante, imagina se ela visse você colocando tudo pra fora.
— Não lembra essas coisas — protestou novamente.
— Você precisa fazer mais isso, hein — ele a abraçou dando beijos no pescoço dela.
— Que vergonha — repetiu.
— Relaxa, amor — ele procurou a boca dela e antes de beijá-la parou uns instantes. — Você já escovou os dentes?
— Não, por quê? — ela perguntou em perceber que a hesitação dele era pelo vômito da noite passada.
— É nojento — ele fez uma careta.
, você tá com nojo de mim — ela fingiu uma cara ofendida.
— Não é isso, é que é estranho... — ele tentou se explicar.
— Não, você tá com nojo de mim. Que absurdo, como se você nunca tivesse passando mal, seu hipócrita — ela continuou o teatro e ele se sentiu mal por aquilo.
— Não, não é isso.
— Então prova que não é e me beija — ela o olhou desafiando.
...
... — ela disse e ele rolou os olhos, ela avançou e encostou a boca na dele o beijando, ele mal abria a boca e ela riu.
— Eu escovei os dentes — ela fez uma cara marota dizendo isso.
— Eu deveria saber que você só queria me deixar com peso na consciência — ele mordeu o lábio dela. — Que horas são? — ela deu de ombros e estendeu a mão pra pegar o celular.
— Seis horas — ela disse preocupada, havia perdido a hora. — Nossa, você tem que ir, , o vai chegar.
— Pra que? — ele perguntou com a voz séria.
— Algum jantar com a família dele — ela levantou da cama indo até o seu guarda roupa.
— Não vai, inventa uma desculpa — ele disse ainda na cama.
— Eu não posso... amor, eu nunca vejo o .
— E você tá reclamando?
— Não, amor, eu só preciso ver ele de vez em quando.
— Por quê?
— Porque ele é o meu namorado — respondeu e ele concordou com a cabeça.
— Pra que esse desespero?
— Ele vem às seis e meia — ela disse rápido e indo para o banheiro. — , vai! — o homem bufou na cama e levantou-se procurando a camisa, ela voltou do banheiro correndo e encostou a boca na dele. — Desculpa, amor...
— Tudo bem — ele disse notavelmente desgostoso. — Vou me por no lugar — ele colocou os sapatos e pegou a chave do carro.
... já passamos dessa fase — ela disse em uma voz fraca.
— Que fase? A que você sai comigo em uma noite e fica feliz porque podemos ficar juntos sem esconder e no outro dia diz que não pode dar uma desculpa porque o cara é o seu namorado. Você tá de brincadeira com a minha cara, né, , na moral — ele disse mais alto do que normalmente falava.
... — ela protestou, mas ele apenas bufou e saiu do quarto batendo a porta depois de soltar um "bom jantar".
Ela rolou os olhos. Aquela situação era constrangedora, acabou de se arrumar e sem muita demora estava lá.
— Desculpa a demora, — ela disse chegando na sala já arrumada.
— Tudo bem — ele se aproximou dela sorrindo e deu um beijo breve em sua boca, ela sorriu falso largando ele o mais rápido possível.
— Você tá bem? Parece pálida — ele a olhou com atenção.
— Eu to bem, só não dormi direito — ela disse abrindo a porta do apartamento e saindo com ele.
— Tem certeza que quer ir? É só o aniversario da Tia Morgan, sei que é ruim pra você estar com sua mãe agora — disse compreensivo.
— Eu já to pronta — ela disse sem humor andando mais a frente dele.
— Sabe que qualquer coisa eu vou estar do seu lado, né? — ele segurou a mão dela e ela assentiu com a cabeça. — Eu estou afastado, eu sei, disse que ia ficar mais com você, mas não tenho cumprido — ele disse como se pedindo desculpa.
— Tudo bem, , de verdade, eu entendo você — ela deu um beijo no rosto dele.
— Você é uma boa namorada, melhor do que eu sou namorado — eles sorriaram e abriu a porta para ela.
— Não, , tudo bem ok? — ela sorriu voltando a segurar a mão dele enquanto iam para o carro. Era pequena a distância entre a casa de e a da tia de . Seus pais já estavam lá quando ela chegou, ela pode ver a cara de satisfação de sua mãe ao vê-la com , ela não cumprimentou nenhum dos dois que bancavam o casal feliz enquanto conversavam com a avó de . Sua mãe veio até ela após um tempo.
— Porque você não foi nos cumprimentar?
— Porque eu tenho uma cota de filha feliz, se fosse cumprimentar vocês a cota ia estourar rapidinho — disse mantendo um sorriso simpático.
— Mais respeito, , ainda sou sua mãe.
— Você deveria ter percebido isso há um tempo atrás, Scarlett — soltou mais um sorriso vendo se aproximar. — , o jantar já vai ser servido?
— Já, meu bem — ele se aproximou. — Senhora Wesley, vamos? — ele disse educado e a senhora assentiu sorridente indo para a sala de jantar. sentou-se ao lado de , houveram alguns discursos e o jantar foi servido.
, minha querida, quando você e vão passar um dia comigo em Bourmonth? — a avó dele disse simpática, ela era uma das poucas que realmente gostava naquela mesa.
— Nós vamos combinar, não é, amor? — disse olhando da avó para , que assentiu com a cabeça.
— Sim, vamos, há muito tempo não vou em Bourmonth — respondeu sorrindo.
— Vocês são um casal tão bonito — uma das tias de falou.
— Imagina eles se casando... Deus queira que eu viva pra ver isso — a avó dele disse e ficou desconcertada com a ideia de casar, mesmo que soubesse que era a intenção de todos ali naquela mesa, esse assunto ainda lhe embrulhava o estômago. — Vocês pensam nisso, não pensam? — e se entreolharam sem jeito.
— Claro que pensam, imagina... estão juntos há tanto tempo — a mãe de se intrometeu na conversa e as tias sorriram empolgadas.
podia dar o anel da minha mãe quando fosse pedir — a avó de falou animada com a ideia. — É um anel lindo com um diamante grande e algumas safiras.
— Aquele anel é um luxo, imagina o zinho entrando com você — a outra tia falou, cada palavra delas aumentava o nó na garganta de .
— Eu vou desenhar o vestido dela, com certeza será o mais exclusivo de Londres — a mãe de disse com um ar pomposo que chegou a dar enjoou na filha.
— Podia ser na nossa casa de verão em Essex — hoi a hora do pai de . — é como um filho, seria bom tê-lo na família, os vimos crescer. Ficaria muito feliz se casassem — ela não conseguia acreditar no que ouvia.
— O casamento podia ser na Abadia, como uma verdadeira casamento nobre — a avó de voltou a falar e sentia-se sufocada.
— O casamento tem que seguir os moldes reais, afinal é tradição da minha família — o pai de disse.
— Imaginem os filhos deles também — a tia ao lado da avó de disse e todos ao redor fizeram caras comovidas.
— Queria que ela tivesse uma filha para chamar de Elizabeth, o nome da minha mãe — rolou os olhos ao ouvir a voz de sua mãe novamente.
— E agora que meu ficou só, seria bom ter uma esposa como a ... que sabemos que vem de uma boa família e que irá apoiar meu neto. Deus vai abençoar a união de nossas famílias, Scarlet — a senhora olhou para a mãe de que sorriu emocionada. Elas haviam traçado toda a sua vida em menos de dez minutos de conversa, esse era o futuro que ela tinha que seguir se quisesse fazer a vontade de seus pais, o nó na garganta ficou incontrolável.
— Licença — ela disse sorrindo brevemente e indo até o banheiro onde respirou fundo várias vezes, mas o peso em seu peito não aliviou.
Não queria mais ficar lá, ligou para seu motorista e pediu que a fosse buscar imediatamente.
— Eu vou indo, — ela disse baixo para apenas ele ouvir.
— Por quê? Aconteceu algo? — ele perguntou preocupado, sabia que ela não reagia bem ao assunto da mesa.
— Eu estou me sentindo indisposta, pedi para Joseph vir me pegar.
— Eu podia ter te levado — ele disse protestando.
— Não, é aniversario da sua tia, fica tranquilo — ela piscou para ele que concordou.
— Me liga, qualquer coisa, ok? — ele a olhou novamente preocupado.
— Aham — ela concordou dando um pequeno beijo nele e levantando-se novamente. Passou pela entrada da casa pegando seu casaco e carteira.
— Pra onde você vai? Está cedo — ouviu a voz de sua mãe em suas costas e respirou fundo.
— Pra casa — respondeu enquanto colocava o casaco.
— Tá cedo, volte pra mesa. vai ficar só — a mãe dela insistiu.
— Não, eu vou pra casa — ela disse novamente.
— Porque você é tão indisciplinada, ? Eu juro que tentei te dar a melhor educação, apenas fiz o melhor pra você.
— Claro, você me deixou desde os cinco anos pra ser criada pela Leslie porque tava atarefada de mais com a sua profissão, você nunca me ensinou nada a não ser como uma mãe não deve ser — ela disse sem olhar para a mãe.
— Você é parecida demais com seu pai, ligando para o sentimentalismo... amor nunca vai te dar as coisas que você gosta, , direito dá, estar em uma família como a de dá.
— É só pra isso que você liga, não é? Que eu esteja entrando para a família mais rica da Inglaterra.
— Poder é tudo, , você nunca vai entender isso?
— Eu não quero esse poder, Scarlett, eu nunca quis — disse enquanto olhava a mãe, depois deu as costas e saiu da casa dos . Lágrimas teimavam em cair de seus olhos, por sorte Joseph já estava lá. Assim que chegou ao seu apartamento percebeu que não queria estar ali sozinha, que precisava fazer as pazes com , pegou as chaves do seu carro e dirigiu até o prédio de , mas antes que pudesse parar o carro viu o carro dele saindo da garagem. Ela o seguiu sem saber para onde iria, acompanhou o carro dele pelas ruas de Londres com cuidado, até que ele se distanciou bastante do centro, quando ele finalmente parou o carro ela o viu sair e parou o carro, desceu e esperou por ele encostada-se ao carro, não demorou a que ele saísse da entrada que havia indo. Ele a enxergou e caminhou rapidamente até ela.
— Você é louca, ? — ele perguntou alto sem cuidado nenhum.
— O que? Eu só vim atrás de você — ela disse não entendendo porque ele havia ficado tão chateado.
— Entra no carro, vamos sair daqui — ele ordenou abrindo a porta do carro dela, ela entrou e esperou ele entrar no dele e ambos andaram pela cidade de volta para ao prédio dele. Entraram na garagem e ela estacionou o carro ao lado de . — Qual é o seu problema, ?
— Qual é o seu problema, ? Porque você tá gritando comigo? — ela perguntou e ele respirou fundo.
— Eu disse que não queria ver você naquela porra de lugar — ele perguntou e pela primeira vez ela percebeu o que era ali.
— EU nem sabia pra onde você tava indo, eu só vi você sair e segui você.
— Cadê seu namorado perfeito no jantar perfeito da tia perfeita?
— Amor... — ela disse em um tom exausto. — Eu não quero brigar.
— Você acha que eu quero? — ele disse novamente irritado.
— É o que você tá fazendo — ela respondeu e ele bufou passando a mão pela cabeça bagunçando o cabelo.
— Tu tá me deixando louco, — ele respondeu e ela avançou até ele o abraçando, ele respirou fundo e a abraçou de volta. Não demorou a ele notar que ela estava chorando, o que ele nunca havia visto e era desesperador. — Ei, amor, não... desculpa, eu não deveria ter gritado com você — ele disse incerto dele ter provocado aquilo, ela não conseguia parar de chorar mais e ele apenas a abraçou mais forte. — Vamos lá pra cima, vem — ele disse e ela concordou ainda lagrimejando, eles subiram pelo elevador, sentou-se no chão com as costas no sofá. Ele sentou-se ao lado dela. — O que é? Você tá me preocupando.
— Eu só to tento o ataque de pânico, eu acho.
— O que aconteceu? — ele perguntou.
— Tudo, , a minha vida é uma merda, eu sou tão medrosa, eu to decepcionando você, o , meus pais, todos — ela disse rápido voltando a chorar a ponto de soluçar, a olhava, mas não sabia o que fazer primeiro por ainda estar em choque de vê-la daquele jeito e segundo porque nunca realmente soube lidar com esse tipo de situação. percebeu que ele estava desconfortável e se sentiu infinitamente patética por estar chorando daquele jeito, passou a mãos nos olhos pra enxugar a lágrima. — Desculpa, eu só to sendo ridícula.
— Não, ... — tentou explicar, mas ela riu ironicamente.
— Você foi buscar pó, não é? Me dá — ela disse ainda tentando controlar o choro, sem hesitar colocou a mão no bolso e deu o pacote pra ela, separou pequenas fileiras em silêncio apenas com soluços devido ao forte choro e em seguida inalou as carreiras dispostas a sua frente.
, eu não acho que esse não é o modo como você deve lidar com a situação — disse cuidadoso, mas ela apenas ficou calada.
— Eu posso dormir aqui? — ela perguntou e ele concordou com a cabeça.
— Claro que pode — respondeu, ela então se levantou do chão e andou até o quarto dele, tirou o vestido que usava enquanto se aproximava do quarto encostado na batente da porta. — ... acho que deveríamos conversar.
— Não, eu to bem — ela respondeu com a voz embargada, afastou a coberta de um lado da cama e deitou lá, acompanhou os movimentos dela e em seguida entrou no quarto, fechou a porta e sentou ao lado dela.
— Eu sei que você passa por problemas sérios, eu sei que você tá em uma briga interna, eu não sou burro, você pode conversar comigo — ele a olhou, sabia que ele estava querendo ajudar.
— Eu só sinto que no final não vai importar se é com você ou com o e eu vou acabar sozinha e com um lastro de coisas ruins atrás de mim, pra qualquer lado que eu for eu vou acabar infeliz e culpada. Eu sei que vai ser assim eu só ainda não me conformei com a ideia.
— Isso é só medo — ele disse calmo a encarando e ela mordeu o lábio. — Você precisa ter certeza das coisas que você quer, você precisa correr atrás disso.
— Eu quero você.
— Então fique firme, porque escolher você foi a escolha mais estúpida e a mais certa de toda a minha vida — ele a olhou e ela sorriu —, nunca mais chore na minha frente, eu perco o chão — se inclinou e deu um beijo curto nos lábios dela, ela concordou —, e, , eu não preciso dizer pra você não ir naquele lugar, não é?
— Não — ela disse com certeza e ele sorriu, deitou-se ao lado dela e a abraçou, não demorou a que ela dormisse.

Capítulo 10

So fall down
I need you to trust me
Go easy, don't rush me
Help me out
Why don't you help me out?

O celular de tocou, era . Ela mordeu os lábios, estava na cama com , passava das cinco, mas ele estava dormindo, ela levantou-se o mais cautelosamente possível e saiu do quarto às pressas.
— Oi — disse ao atender o celular.
— Saudades — ele disse simplesmente e ela mordeu os lábios desconfortável com a situação.
— Também — mentiu e ouviu um sorriso dele.
— Podemos sair hoje? Naquele restaurante japonês que você gosta, uns amigos meus vão, queria que me acompanhasse — disse do outro lado da linha. — Sinto falta de passar tempo contigo.
— Pode ser — ela disse incerta, enquanto olhava para baixo. Odiava dizer para que iria sair com , ele nunca se acostumava com a ideia, mas também odiava mentir e tinha feito isso com frequência nos últimos meses.
— Então te pego às 20h, ok? — ele disse e ela murmurou algo concordando. Teria que voltar para casa logo, ou se atrasaria. Voltou para o quarto e ainda dormia, ela deitou-se na cama e o olhou, era quase doloroso deixar ele, principalmente deixar para ficar com . Era doloroso fingir que gostava de ser namorada de também, o rapaz merecia muito mais do que ela estava lhe dando, sentia-se culpada por isso e a situação toda nunca ficava mais natural.
— Amor — ela falou baixo e não teve sucesso, passou a mão pelo rosto dele. — Amor — voltou a pronunciar e ele então se mexeu e murmurou algo que entendeu como um: — O que foi? — ela riu e inclinou-se para beijá-lo. — Preciso ir — ele segurou a mão dela e franziu a sobrancelha.
— Você ia passar o dia comigo, lembra? — ele disse com a voz embargada, abrindo levemente o olho, e aquele era o momento que ela sempre temia, mordeu os lábios num sorriso amarelo.
— Eu sei, meu bem, mas meu pai pediu pra jantar com ele — mentiu.
— Tem certeza? — ele perguntou com a voz manhosa, colocando a mão no rosto dela e acariciando ali.
— Eu tenho — ela mordeu o lábio se sentindo culpada por mentir sobre aquilo.
— Depois do jantar eu podia ficar na sua casa — ele disse tentando que o tempo deles não acabasse naquela tarde.
— Ele pode querer dormir em casa, tecnicamente ainda mora no apartamento, mas eu aviso você se puder ir, ok? — ela sorriu fraco tentando convencê-lo.
— Acho que ele precisa se acostumar que mais cedo ou mais tarde o genro dele será eu — ele disse com um sorriso maroto enquanto avançava seus lábio aos lábios dela.
— Não acho prudente que essa fase de convencimento comece hoje — ela riu e o abraçou.
— Então só amanhã? — ele a olhou e ela concordou.
— Melhor — disse do mesmo modo baixo e ele apenas assentiu, ela levantou-se finalmente da cama e colocou a roupa que havia usado no dia anterior, ele ligou a TV e acompanhou ela se arrumar a sua frente.
— Quer que eu te leve em casa? — perguntou solícito.
— Não, tá tudo bem — ela foi até ele e deu um pequeno beijo nos seus lábios —, já sinto saudades.
— Eu também — ele respondeu segurando a mão dela enquanto ela se afastava sorrindo. Ela deixou o quarto e em seguida o apartamento de com as suas chaves do carro na mão.
era pontual, e no horário marcado Leslie a veio avisar que ele estava a sua espera. Ela não sentia vontade alguma de se arrumar de maneira mais preparada, escolheu um conjunto de saia e blusa e uma sapatilha simples. Assim que apareceu na sala , como sempre, sorria a esperando.
— Você tá linda — ele disse enquanto se levantava do sofá e dava um pequeno beijo nela que aceitou e sorriu.
— Obrigada — ela disse com um sorriso fraco —, aliás, que amigos são esses?
— Os da banda que eu te falei — ele respondeu e ela concordou lembrando. — E, , eu queria conversar com você...
— Pode falar.
— Sabe, naquele dia, no aniversario da tia Morgan, nossas famílias foram incisivas, eu sei.
— Tudo bem — disse se lembrando do futuro que elas haviam arrumado para ela e .
— Não vou negar que queria que tudo aquilo acontecesse, mas desculpe pelo jeito delas — ele disse de um modo educado enquanto abria a porta do elevador.
— Tudo bem, , de verdade — ela deu de ombros e apertou o térreo do elevador.
— Por falar nisso, eu sei que não vai lembrar, mas fazemos meses de namoro — ele disse enquanto abria a porta para que ela saísse do elevador. parou e o olhou, não acreditando que esquecera daquilo.
— Nossa! — ela exclamou. Não havia percebido o tanto de tempo que havia passado. — Desculpa, eu...
— Tudo bem, imaginei que não lembrasse — ele disse sorrindo e andando com ela pelo hall do prédio até a saída —, mas fiz uma coisa pra você — disse assim que saiu pelo portão do prédio.
— O que? — ela perguntou interessada.
— No final da noite eu dou, não quero estar perto quando você ler, estragaria a noite — ele disse divertido e ela riu andando até o carro dele, eles entraram e logo tomou rumo do local onde comeriam.
— Me lembrei de você um dia desses, vi a trilogia de Back To The Past — ela disse tentando puxar um assunto enquanto ele dirigia.
— Porque não me chamou pra ver com você? — ele perguntou sentido.
— Não sei quando vou estar te atrapalhando quando ligar... então não ligo — ela disse inventando uma desculpa qualquer, era estranho passar tempo com , mesmo que se dessem bem e tivessem coisas em comum, ele era muito mais um amigo a ter do que um namorado.
— Eu sempre vou dar um jeito pra você — ele sorriu e segurou a mão dela que estava em sua coxa, ela sorriu, mas disfarçadamente tratou logo de separar as mãos.
— Marcamos outro dia, eu realmente gosto desse filme — ela disse dando de ombros e ele concordou. Em pouco tempo estavam no restaurante. Havia mais algumas pessoas lá a espera dos dois, mantinham conversas amigáveis enquanto comiam sushi e outros pratos japoneses, não estava sendo uma noite desagradável.
— Chegou, finalmente, achei que esperaríamos até amanhã — disse apontando para a entrada do restaurante de onde e Lizz apareceram.
ficou gelada ao ver a cena dos dois se aproximando de mãos dadas, aquela era uma surpresa que ela não esperava. enxergou primeiro o cabelo vermelho de e sentiu como se um peso caísse em suas costas, a culpa por ter mentido e agora ter sido descoberta. a olhou notavelmente emburrado e ela engoliu seco. Tentava pedir desculpas pelo olhar, mas parecia não solicito aquilo. e Liz sentaram-se bem a frente de e , o que tornava tudo mais desconfortável.
, realmente precisamos voltar a tocar — disse sorridente enquanto passava os braços ao redor de .
— Agora tem o lá da escola, podemos falar com ele — ele disse tentando desviar seu olhar, Liz mantinha-se deitada com a cabeça no ombro de .
— Vocês estavam fodas com aqueles outros dois, porque acabou? — um garoto loiro falou que havia acabado de conhecer como James.
— Ah, James, sei lá... os caras deram o fora — respondeu dando de ombros.
— Vocês podiam marcar uma audiência com alguns, tipo publicar no jornal. Aposto que apareceriam um monte — outro garoto com cabelos castanhos, chamado Matt, disse.
— É uma opção, Matt. Tem esse baixista na escola e ele me parece alguém com quem nos daríamos bem pra tocar — respondeu dessa vez e espontaneamente afagou o cabelo de Liz. — Por onde tá a Gabi, James? —
— Ela tá no Canadá, fazendo turnê. Disse que não vê a hora de voltar e rever vocês, o verão passado foi divertido — James disse empolgado.
— Fato, temos que fazer de novo... foi com eles que eu estava em Darthmouth ano passado — disse olhando para , como se explicasse, e ela sorriu concordando.
— Lembro, passou um semestre inteiro contando o que fizeram — ela disse simpática aos dois.
— Podíamos fazer de novo — Matt deu a ideia. — Por falar nisso, não vamos roubar sua namorada se você nos apresentar, — ele disse após perceber que Liz não havia aberto a boca.
— Ela nunca me trocaria de qualquer jeito — ele disse divertido. — Liz, esses são James e Matt, eles tem uma banda, o SOD. Dudes essa é a Liz, minha namorada — ele abriu a boca mais que o normal para se referir a Liz, uma atitude que fez o achar patético.
— Prazer, garotos — Lizz disse com um sorriso amarelo.
— Vocês duas poderiam ir dessa vez, podem conhecer a Gabi, minha namorada — James disse sorridente.
— É, pode ser, não sei... — disse concordante e olhando para que parecia estar em dúvida com a ideia.
— Ia ser um ótimo verão em casais — disse irônico olhando para em seguida.
— Não tenho certeza, tinha outros planos pra gente — olhou novamente para a namorada que apenas sorriu.
— Não quero imaginar vocês famosos, vai me dar trabalho demais... se bem que eu espero que o nosso namoro já não seja mais namoro até lá, né, amor? — Liz disse fazendo um carinho no rosto de , que riu sem graça e encarou o teto por um momento, não conseguia acreditar na breguice de Liz. — Você tem a melhor situação, , nunca olharia para outra.
— É, ele já tá no topo, porque desceria de qualquer jeito — ela disse certa de si e Liz sorriu.
— Realmente, porque eu ia querer outra coisa se já tenho o melhor — deu de ombros sorrindo para .
— O é o namorado mais bocó que eu já vi — Matt disse rolando os olhos —, um dia vou olhar pra alguém como ele te olha — ele disse e isso fez baixar os olhos sem graça.
— O amor verdadeiro é comovente — disse amargo.
— Estamos fazendo meses de namoro hoje — disse orgulhoso e virou o saquê em sua frente com vontade como se quisesse engolir seu orgulho naquela hora junto.
— Meus parabéns — James disse empolgado em sua cadeira —, acho que podíamos fazer um brinde especial a isso — ele disse estendendo sua bebida, Matt, e Liz o seguiram prontamente, levantou a sua bebida com dificuldade e apenas levantou o braço.
— Acho justo — disse novamente orgulhoso dando um beijo em em seguida, ela se desvencilhou o mais rápido possível e afastou-se de tom em tempo de ver levantar-se da mesa. Ele voltou alguns minutos depois e anunciou que ele e Liz iriam embora, ela parecia relutante, mas ele concordou. e os amigos ainda ficaram conversado por mais algumas horas até que também resolveram ir embora.
— Amor, você ainda tá se dando bem com ? — perguntou do nada a que mantinha a cabeça encostada no vidro apenas e estranhou a pergunta.
— Por quê?
— Só perguntando... responde — ele disse e ela deu de ombros.
— Não ficamos nos cutucando quando nos vemos, defina isso como quiser — respondeu vagamente e não falou nada.
— Você sabe que ele continua o mesmo merda de sempre, né?
— Porque você diz isso? — ela perguntou e segurou seu celular, mexeu rapidamente e entregou para .
— Isso ele me mostrou de umas noitadas dele no final de semana passado — passou as fotos um tanto pornográficas e ela logo devolveu pra , não precisava ver aquilo, — e ele marcou uma viagem com a Liz, como se fosse super apaixonado por ela.
— É problema dos dois — ela disse amarga e deu de ombros.
sempre vai ser o , ... — disse e apenas concordou por um momento. estava certo, nunca mudaria, nem mesmo por ela. Eles passaram o resto do caminho silenciosos até a casa de .
— Obrigada pelo jantar, , e a carona — ela disse tirando o cinto de segurança em frente ao seu prédio.
— Espera — se debruçou até o porta-malas e tirou um envelope de lá. — É pra você, eu nunca sei o que te dá por que... bem, você tem tudo que quer, então esse é o melhor jeito de expressar o que eu sinto — ele estendeu pra que segurou e sorriu para ele em agradecimento. — Não abre agora, eu não quero estar na sua frente quando você ler.
— Certo, vou abrir lá em cima — ela se inclinou e deu um beijo na bochecha de . — Obrigada... eu quero dizer por tudo. Eu não sou uma boa namorada, nem uma boa pessoa, mas eu sei reconhecer o quanto você é bom pra mim.
— Eu amo você, , eu não tenho outra saída — ele respondeu sincero e ela sorriu novamente encostando a boca na dele —, depois você me diz o que achou — ela concordou, juntou suas coisas e saiu do carro. Assim que entrou no elevador abriu o envelope e leu, era uma música.

(Dream on, dream on, dream on)
Live your life as you please
(So long, so long, so long)
To all the critics and the enemies
My sky has turned vanilla
Like sugar sasparella
And if only you were nearer I'd say

Don't wake me up
Baby I'm in love
And I'm dreaming so much
But I don't ever wanna stop
Don't wake me up
Don't wake me up
I don't wanna stop
Don't wake me up

(Give up, give up, give up)
Time to wipe your soul clean
(Someone to love, to love, to love)
Hair like fire, sunset, tangerine
The nights are getting colder
I'm not getting any older
The chip fell off my shoulder

I won't age a day
and you'll all be gray
and over eighty, baby

Don't wake me up
Baby I'm in love
And I'm dreaming so much
But I don't ever wanna stop
Don't wake me up

No final havia escrito nas letras de — Para quem eu sonho todas as noites — e sua assinatura. sorriu verdadeiramente com aquilo, gostava do jeito carinhoso de . Voltou a por o papel em seu envelope assim que abriu seu apartamento. Olhou para o aparador e as chaves de estavam lá, bufou. Andou até o quarto e o viu debruçado em sua janela fumando.
— Porque você mentiu pra mim? — ele disse jogando o resto do cigarro fora e virando-se para olhá-la.
— Você sabe o porquê — ela tirou o sapato e deixou seu casaco, carteira e a carta do juntos na cadeira, estava no lado oposto da cama e apenas acompanhava seus movimentos por um momento.
— Você não precisava ter mentido — protestou e ela não respondeu nada, abriu o zíper do vestido e o deixou cair. — , eu to falando com você.
— Eu não quero falar com você — ela o olhou pelo canto do olho enquanto desfazia o cabelo.
— Você mente, me faz engolir você e seu namoradinho a noite toda e depois me trata como se eu tivesse fazendo alguma coisa errada.
— Você é um hipócrita, — ela disse com a voz alta —, você quer falar mesmo de mentira? Então começa me contando sobre o final de semana passado... você disse que seus pais tinham brigado e que era melhor eu não ir pra lá, mas você saiu, né? E ficou mandando foto pro ainda.
— Você tá ficando louca, disse exaltado sem acreditar no que ela tava falando. — Quem te falou isso?
— O me mostrou as fotos.
— Eu só tava desviando pra que ele não me convidasse pra sair — respondeu. — Aquilo é antigo, você me ligou, você falou comigo, você sabe que eu não tava em festa nenhuma — ele explicou nervoso pela situação, — ele queria que a gente saísse, mas eu não curto mais sair com o porque é escroto. Eu to apaixonado pela namorada dele, e ele é louco por ela desde o momento que te viu, eu não tenho nem como dizer que eu não sei disso, se for pra sair com ele eu tenho que passar a noite fingindo que não me importo com você e eu não to mais afim disso... eu disse que já tava em outra festa, uma que eu sabia que ele não ia querer ir e mandei as fotos — ele deu de ombros e o olhou sabendo que ele tinha pelo menos uma boa explicação.
— E a viagem... com a Liz?
— A Liz quer fazer isso, eu disse que podíamos ir pra ela não me encher, porque ela tem me enchido o saco, eu disse que íamos viajar pra ele achar que tá tudo bem — ele respondeu calmo. — Como foi que ele te contou todas essas coisas, você perguntou?
— Não, claro que não — ela respondeu como se fosse óbvio —, ele perguntou se ainda estávamos nos dando bem e eu disse que não ficávamos trocando farpa que ele podia definir como quiser e então ele me contou essas coisas, mostrou as fotos.
não é tão besta quanto pensamos pelo jeito.
— Você acha que ele queria minar a gente?
— Você tem dúvidas? — perguntou e apenas sentou na cama pensando sobre isso, sabia deles, ela não fazia ideia de como, mas sabia. se aproximou dela e beijou-a na cabeça —, eu não mentiria pra você, não sobre essas coisas.
— Você sempre briga quando eu falo que vou sair com o .
— Eu entendo porque você mentiu, eu só não gostei... mas eu sou hipócrita, eu sei disso, eu também saí com a Liz — ele admitiu e ela concordou, — temos um problema maior agora.
— Eu acho que ele não tem certeza.
— Mas ele sabe que estamos nos vendo.
— Então precisamos arrumar uma boa desculpa pra isso — deu de ombros antes de puxar para abraça-lá.
— Isso não podia acontecer — ela resmungou e ele concordou a soltando e deitando na cama, ela deitou-se ao seu lado, — desculpa por ter acreditado no .
— Meu passado me condena — ele deu de ombros. — Mas é passado...
— Eu sei — ela sorriu e o beijou.

Era domingo de manha quando ouviu uma movimentação maior na sala de seu apartamento, vestiu um robe e saiu para ver o que tava acontecendo, sua mãe havia chegado com várias caixas.
— O que tá acontecendo?
— Preciso deixar essas caixas aqui, não tenho mais espaços pra ela no meu apartamento — Scarlett respondeu. — me disse que fizeram meses, meus parabéns, é bom que você esteja dando certo com ele.
— Mãe, sobre isso, precisamos conversar.
— O que é? — ela disse não dando tanta atenção.
— Eu e , nós somos bons amigos, mas essa situação entre eu e ele, não pode continuar — ela se encostou na parede esperando a reação de sua mãe, sabia que já estava desconfiado e terminar de uma vez era o melhor a se fazer, Scarlett tirou os óculos escuros, e respirou fundo.
— Você não pode ser tão burra assim, , sem eu e seu pai estamos falidos, quantas vezes precisamos repetir isso? Seu pai está quase sendo preso por fraude tributária, quem você acha que tá salvando a pele dele e pagando tudo? Você é muito fraca, é o melhor namorado que você pode ter e mesmo assim você despreza a oportunidade, eu já tive a sua idade e eu a escolha certa.
— Sua vida com o papai era uma merda, melhorou depois que os pais de morreram e vocês tem quem sugar mutuamente. Papai traiu você em rede nacional e arrumou uma filha...
— Você acha mesmo que seu pai engravidou outra sem o meu conhecimento? Acha que todo o circo daquela época foi apenas um circo? — ela disse com uma voz de escárnio. — Você é realmente muito fraca, minha filha, mas não seja idiota, essa família tá na suas mãos— ela disse isso sem pestanejar, colocou os óculos e não esperou resposta. — Se não quiser ser esperta, pelo menos seja grata ao — disse antes de sair e finalmente bateu a porta.

Capítulo 11

I just can't keep hanging on, to you and me
I just don't know what is wrong, with you and me
Touch me and then turn away
And put your hands into the flame
Tell me if you feel this pain
Cause I don't want to be a ball and chain, no
I just can't keep hanging on, to you and me
just don't know what is wrong

Um longo feriado se aproximava, todos em Radcliffe Brown preocupavam-se com o que fariam em sua semana de folga. estava com quando Liz e se aproximaram, ele sempre com cara de tédio perto dela e ela sempre parecendo bem animada com tudo.
— Então quais são os planos de vocês para o feriado? — Liz perguntou assim que parou em frente à . — Eu e estávamos pensando em ir para Barbados, mas ele não vai poder, então achei que podíamos fazer alguma coisa juntos.
— Londres vai ficar vazia, é a melhor época — respondeu enquanto Liz passava os braços dele e ele ao redor dela.
— Idem — deu de ombros, encostando a cabeça no ombro de . Ela e haviam concordado em parecer amigos, mas não tanto, e serem mais carinhosos com seus respectivos namorados, assim teriam mais chances de não serem descobertos e podia anular as desconfianças, se sentir mais confortável.
— Também não tenho — mantinha seu braço ao redor da cintura de . — Apesar de que Gabi tá na cidade e James quer ir para Lancaster.
— Lancaster não tem nada — Liz disse rolando os olhos. — Amor, porque não vamos pra Windsor?
— Meus avós estão lá — disse parecendo contrário a ideia da viagem, também não fazia questão, não poderiam ficar juntos se fizessem isso.
— A casa do James tem tudo, é bem legal passar um tempo lá — explicou.
— Acho o sotaque das pessoas de lá engraçadas — riu —, mas não conheço quase nada.
— Podíamos ir, então — Lizz sugeriu.
— Eu apoio, Lizz — disse sorrindo. — O que acha, amor?
— Não tenho certeza — mordeu os lábios já sabendo das consequências de ir. — tem razão, Londres fica ótima nessa época.
— Você vai ficar só em casa se não for conosco... não vejo graça em uma cidade vazia — Liz rolou os olhos.
— Também não tenho certeza se quero ir — deu de ombros.
— Você vai, , passamos muito tempo sem fazer nada juntos — ordenou dando um beijo no pescoço dela.
— Certo, vamos — bufou ao dizer isso e ver a cena.
— Por isso que eu te amo — Lizz avançou em , o beijando —, uma semana juntos, vai ser lindo, você vai ver.
— Mal posso esperar — ele rolou os olhos, irônico.
— Então vamos todos no meu avião, vou deixá-los avisados, nos encontrados no aeroporto — disse orgulhoso abraçando a namorada e todos concordaram. olhou pra que a lançou um olhar indecifrável, mas que ela não gostou.

estava na cozinha quando ouviu o barulho da porta da sala.
— Quem é? — perguntou um pouco alto e logo apareceu na porta da cozinha.
— Se não quer que entrem sem permissão você podia trancar a porta — ela disse brincando enquanto entrava na cozinha pegando o copo de refrigerante que ele tomava e bebendo um gole.
— Meu pai paga seguranças e um porteiro justamente pra ninguém desconhecido entrar, eu deixo a porta aberta sempre e você sabe disso — disse isso sem emoção, dando de ombros após falar, isso denunciou que alguma coisa estava errada. Ela rolou os olhos.
— O que foi? — perguntou em um tom impaciente.
— Nada — ele respondeu, denunciando novamente que alguma coisa realmente estava errada.
— Qual é, ? Diz o que é — perguntou novamente impaciente.
— Eu não fico feliz em passar uma semana fingindo ser o namoradinho da Liz e te ver fingindo ser a namoradinha do — ele respondeu ríspido a olhando.
— Eu também não fico nem um pouco feliz com isso, mas já foi, vamos ter que lidar — ela deu de ombros, ríspida também.
— Porque você não falou que não queria ir? — perguntou irritado.
— Eu disse que não, você também disse que não. Eles meio que decidiram pela gente — ela tentou explicar.
— É uma semana que a gente não vai poder ficar, uma semana que vamos ter que fingir sermos amiguinhos, uma semana que eu vou ter que ver o babando seu ovo — ele levantou irritado a voz, falava um pouco mais alto que o normal.
— E você vai descontar em mim? Eu não pedi pra passar uma semana em Lancaster fingindo ser a namoradinha feliz. Você sempre desconta seus ciúmes em mim, você tava lá, viu que não fui eu que escolhi — ela gesticulava com a mão nervosa pelas acusações dele.
— Mas pra você é mais fácil — ele respondeu rapidamente.
— O que é mais fácil, ? — perguntou agora ficando irritada.
— Você tem os dois a hora que quer, você fica comigo e nas horas vagas fica com o , depende do seu humor. Pra você não vai fazer diferença uma semana comigo ou com ele — disse frio, não conseguia acreditar no que tava ouvindo, mesmo irritado ele não tinha o direito de ser cruel.
— Você tá sendo injusto comigo, — ela respondeu com a voz fraca o olhando.
— Você está sendo injusta comigo, , não o contrário — ele disse e ela ficou calada por um momento e então deu as costas para sair do apartamento, era difícil pra ela imaginar porque falava aquelas coisas, porque era nítido que ela era muito mais namorada dele e que ela aquelas palavras não eram verdadeiras. não tentou impedi-la ou qualquer coisa, apenas respirou fundo quando ouviu a porta da frente bater.

saiu da limusine e entrou pelo saguão do aeroporto, logo atrás Joseph trazia suas malas. Viu mais a frente conversando com Liz, agradeceu mentalmente por não ser com , aproximou-se tentando manter um sorriso.
— Bom dia — disse a eles.
— Hey, achei que fosse ser a última — Liz brincou animada.
— O que constantemente acontece não é... Joseph, pode deixar a mala com aquele senhor, ele vai embarcá-las — apontou para um senhor vestindo uma roupa que parecia de comissário, Joseph assentiu e andou até lá com as malas de . segurou as mãos da garota. — Uma semana, só nossa, milagre não é? —
— Com certeza — disse entendendo sozinha a ironia das suas palavras, ele encostou a boca na dela e chegou a tempo de ver a cena. Mesmo por trás dos óculos escuros já parecia de mal humor, Liz o recebeu feliz e deram um pequeno beijo.
— Bom dia pra você também, disse brincalhão e riu amarelo.
— Bom dia, dude — ele respondeu e fez um aceno com a cabeça para .
— Acho que já podemos ir pro avião, não é? Estamos todos aqui — disse sem educação começando a andar na frente dos outros, correu para alcançá-la e segurar sua mão, foram direto para o avião e em pouco tempo estavam a cominho de Lancaster.
— Podíamos jogar truco enquanto não chega — Liz disse tirando cartas da bolsa.
— Eu não sei jogar isso — disse de sua poltrona.
— A viagem dura só uma hora, nem daria para uma partida decente — deu de ombros.
— Odeio truco — bebericou sua vodka.
— Podíamos jogar jogo da verdade — Liz deu a ideia.
— Isso é regressão — rolou os olhos.
— Eu acho uma boa ideia — deu de ombros tomando seu uísque. — O que acha, ?
— Por mim — ele deu de ombros também.
— Me dá as cartas, Liz — pediu e ela o fez. — Quem tirar a carta maior começa — ele estendeu a carta para os amigos e cada um tirou a sua. — Eu tirei um A.
— Quatro — respondeu devolvendo a carta.
— Dez — Liz disse animada.
— Oito — mostrou e Liz comemorou. — Pergunta.
— Eu pergunto para a — Liz disse animada e fez um sinal desanimado para ela prosseguir. — Qual foi a última vez que você e transaram? — riu, não fazia ideia daquilo.
— Não sei, há uns meses, talvez — ela foi sincera e pareceu intimidado.
— Vão poder recuperar o tempo perdido, pelo menos — Liz disse rindo. — Vai, , pergunta.
, qual foi a última vez que você transou com Liz? — ela perguntou na mesma moeda.
— Na quarta? — ele perguntou olhando para Liz como se quisesse ter certeza e ela confirmou, definitivamente não era a resposta que esperava, ela apenas disfarçou e fez um sinal para ele perguntar. — , você concorda com o que dizem sobre o gemido da ?
— O que dizem sobre o meu gemido? — perguntou interessada.
— Lembra do jogador de rugby que você ficou no primeiro ano? — Liz perguntou e concordou.
— Ele disse no vestiário que nenhuma garota tem o gemido mais gostoso que e o seu — completou —, você virou uma lenda desde então.
— É incrível porque eu nunca fiz nada com ele além de uns amassos, ele deve ter sonhado — deu de ombros.
— Mas se quer saber... mesmo que ele tenha sonhado ele estava certo, você tem o gemido mais gostoso que eu já ouvi — respondeu a olhando e ela sorriu vitoriosa, fechou a cara com isso. — E como anda a amizade de vocês dois? — perguntou pra , apontando dela para . Era uma pergunta sadista, ele tinha certeza que só queria ver incomodada e conseguiu, mesmo por trás do óculos escuros deu pra perceber o semblante dela mudar por um segundo.
— Nós não somos amigos — ela respondeu então.
— Mas vocês estão se dando bem agora, não é?
— É... mas não somos amigos.
— Eu vejo que não — respondeu com um sorriso leve no rosto.
— Algum problema, ? — perguntou percebendo a capciosidade das perguntas do amigo.
— Nenhum — ele deu de ombros.
— Liz, o que fala do seu gemido? — perguntou rapidamente para quebrar o clima para Liz que mordeu os lábios.
— Ele nunca falou nada sobre... — ela deu de ombros. — O que você acha do meu gemido, ?
— Gosto dele — ele respondeu sem muitos detalhes. — , você ama o ? — ele perguntou sem rodeios, sábia que aquela era uma pergunta decisiva.
— Eu não amo ninguém — ela respondeu somente o olhando significativamente. — Você, ama a Liz?
— Não — ele respondeu direto o que fez Liz morder o lábio ao seu lado. — Chega dessa brincadeira — ele disse quando percebeu o clima pesado que ficou.
— Vou ao banheiro — levantou-se e andou até o fim do jato, sentando-se em cima da tampa do vazo apenas para respirar longe do resto, sabia que era só o começo. Ao sair de lá deu de cara com a esperando. — ...
— Tem chances de algum dia você me amar? — ele perguntou somente, não estava melancólico ou triste era uma pergunta normal. Mas o abraçou apenas e ele retribuiu, ficaram por bastante tempo naquela posição sem palavra alguma, virou seu rosto para encará-la e beijou-lhe, ela não hesitou, mas ao mesmo tempo o beijo não tinha gosto nenhum, era só como se sua boca se movimentasse, mas sua cabeça estava apenas em acabar logo com aquilo. Separam-se quando ouviram o aviso de pouso, então foram para as suas poltronas e em pouco tempo estavam desembarcando. Havia uma limusine a espera deles, James havia avisado sobre isso. A casa de James ficava a 30 minutos do centro da cidade.
olhou a fachada da casa branca, com vidraças por todos os lados e viu James abrir a porta da frente, sorridente ao seu lado estava uma loira bem alta.
— Que bom que vieram — ela disse animada. — , ! — chamou os dois empolgada.
— Estávamos esperando vocês mesmo — James disse tocando as mãos com . — Meninas, que bom que vieram também — ele estendeu a mão para que o cumprimentou. — Amor essa é a namorada do , . E essa a namorada do , esqueci seu nome — ele fez uma careta já se desculpando.
— Liz — a própria falou segurando a mão da loira.
— Essa é a minha namorada, Gabriela — ele voltou a falar.
fala muito de você, — Gabriela disse e sorriu.
— James também fala muito de você — a ruiva falou rindo.
— O Neil vai levar as coisas de vocês lá pra cima vamos para a piscina, temos mojitos lá — James disse se sentindo o anfitrião, segurou a mão de , Liz segurou a mão de e andaram até lá. reconheceu Matt do jantar que tiveram e havia mais um garoto. — Charlie! Matt! Olha quem chegou — James disse e eles sorriram da beira da piscina.
— Cara, quanto tempo — bateu as mãos com Charlie.
— Desde o verão passado — o rapaz disse sorrindo. — Essa é a ? — ele apontou para a ruiva.
— Prazer, — ela sorriu estendendo a mão.
— Agora entendo porque é tão gamado em você — disse brincalhão.
— É melhor manter ela afastada dele, , acabou de ficar solteiro, não tá respeitando limites — Matt disse divertido enquanto cumprimentava os dois.
— Mojitos para os que chegaram — Gabriela disse dando um copo para cada um.
— E isso é exatamente o que? — Liz perguntou olhando o liquido transparente com folha de hortelã por cima.
— Vodka, refrigerante de limão, açúcar e hortelã — que ainda estava emburrado respondeu.
— Gabriela voltou cheia de bebidas dessa vez — James disse tomando seu mojito.
— Isso é bom, de verdade — disse após o primeiro gole da bebida.
— Depois do terceiro você tenta repetir isso... — disse alertando.
— Nunca tinha visto isso por aqui — falou olhando a bebida novamente.
— Vi isso em Miami, disse que James precisava experimentar e ele amou — Gabriela contou enquanto sentava em uma das espreguiçadeiras.
— Como foi a turnê agora? — perguntou a ela.
— Normal, nosso novo CD teve mais público, pelo menos — ela deu de ombros.
— Você tem banda? — perguntou e ela assentiu.
— The Lunabells — a loira disse.
— Nossa, estamos rodeados de músicos, é isso? — Liz disse divertida. — Tem lugar pra duas sem talento?
— Sim, somos bem receptivos — Matt sorriu, logo todos se sentaram a beira da piscina jogando conversas fora e ingerindo mojitos. E, como já havia dito, no terceiro Liz já havia perdido seu equilíbrio e a capacidade de formular frases.
— Se ela começar a vomitar, você cuida — aprontou para e ele deu de ombros.
— Ela não aguenta nada de bebida — rolou os olhos, — não sei porque se mete — puxou um pequeno saquinho do bolso e o espalhou em carreiras pela mesa. A garganta de ficou seca só em pensar no pó, mas não podia fazer isso na frente de , geraria uma série de explicações que ela não queria dar. a olhou percebendo o interesse dela pelo pó espalhado na mesa.
, me ajuda a levar Liz pra um quarto — ele pediu levantando-se de onde estava.
— Eu disse que você cuidava — ela rolou os olhos.
— Vai lá com ele — disse pensando no que estava prestes a fazer, ele sabia que ela não gostava. virou o resto de bebida que tinha no copo e levantou, segurou Liz e andou com ela pela casa, o ajudou, subiram as escadas e procuraram um quarto que parecia vazio, ela abriu mais a porta e ajeitou a cama.
— Eu não quero dormir — Liz disse com a sua voz porre.
— Não dorme, mas vai ficar aqui, já deu tua cota — disse deitando ela.
— Então fica comigo — ela o puxou para a cama e ele precisou se segurar para não ir.
— Não, dorme, Liz — ele insistiu.
, olha ele — ela disse rindo com a voz mole.
— Ele tem razão, fica um pouco aqui, depois você desce de novo — disse impaciente.
— Ok — Liz disse e fechou os olhos.
— Ela vai dormir — rolou os olhos e andou pra saída do quarto, Liz sentiu sua cabeça pesar e não conseguiu protestar mais.
— Porque me pediu pra vir aqui? Conseguiria trazer ela só — perguntou, Liz ainda conseguia ouvir e tentou se concentrar mais nisso.
— Porque você pularia no para cheirar se continuasse lá — ele disse dando de ombros e indo para a direção da saída do quarto.
— Você sabe que não — ela protestou rolando os olhos e indo atrás.
— Tinha que ver o jeito que olhou — disse dando espaço pra ela sair, ela o fez e ele fechou a porta.
Liz, apesar de porre, abriu os olhos, se questionando sobre o que eles conversavam, não conseguia acreditar que estava usando drogas, mas pela conversa era exatamente isso que acontecia.
— Dá um tempo, os deixa pegarem a liga aí você volta — disse de um jeito protetor ao fim da escada.
— Já parou de ficar com raiva? — ela perguntou o olhando.
— Eu só to te fazendo um favor — ele deu de ombros e sentou-se na escada, ela sentou ao lado dele.
— Você sabe que nada do que você me disse é verdade, não é? — ela perguntou sem entender.
— Não, , eu acredito em cada palavra e eu to sendo idiota em insistir.
— Porque acha que tá sendo idiota? — perguntou sem entender.
— Você não ama ninguém, não é? — ele respondeu, não tinha exaltação na voz, mas parecia chateado.
— Concordamos que sentíamos a mesma coisa e não sabíamos como denominar, eu ainda não sei, mas não dá pra acreditar que depois de tudo que estamos passando você ache que eu não goste de você ou não me importe. E o pior de tudo é que prefiro estar com do que com você, porque não é preciso muito esforço pra ver que eu estou afastada do — ela tentou explicar.
— Mas você prefere manter isso escondido, então pelo menos a prioridade não é minha — ele respondeu.
— Eu não tenho escolha — ela disse de imediato.
— Não? Então me explica porque — ele exigiu.
— Você não entenderia — ela rolou os olhos, — eu não preciso que mais ninguém me julgue.
— Eu nunca te julguei, , só o que eu tenho tentado fazer é ter paciência. Eu tenho me colocado pra trás e você não sabe o quanto isso é difícil pra mim — ele disse levantando-se e indo em direção a piscina, ela levantou em seguida e fez o mesmo caminho. Quando olhou, estava com os olhos baixos e uma cara boba, Matt ao seu lado ria mais que o normal.
— Mais mojitos? — Gabriela ofereceu aos dois, pegou um copo e outro. — , vamos pra piscina, deixa eles chaparem sozinhos.
— Boa ideia. Seria bom poder molhar a cabeça, mas vou me trocar primeiro, ok? — Gabriela assentiu e entrou novamente na casa procurando pro onde haviam deixado suas coisas, assim que achou apenas pegou o biquíni e o trocou, já descendo com apenas um short cobrindo a parte de baixo. Gabriela também já estava de biquíni no colo de James. — Vamos, Gabriela — disse e a garota sorriu levantando-se do colo de James e indo pra perto da garota.
— Eu não poderia pedir mais nada para esse feriadão além da visão delas duas de biquíni — Charlie disse maroto.
— Se ficar olhando dorme no píer, falo por mim e por — James ameaçou e as meninas apenas riram e entraram na água pela escada de mármore que havia na piscina.
— Charlie é sempre o mais folgado — Gabriela disse e riu.
— Gostei de todos eles — respondeu.
— Você está com há quanto tempo? — a loira perguntou.
— Alguns meses — respondeu dando de ombros. — E você com o James?
— Dois anos — a menina respondeu orgulhosa do tempo de namoro.
— Ele me parece ser um cara bacana, você tem sorte — a ruiva disse, simpática.
— Se você acredita em alma gêmea pode pensar nele como sendo a minha — Gabriela brincou com a água e a olhou de um jeito estranho. — , é a sua?
— Não — ela respondeu mais rápido que o normal.
— E quem é? — a loira parecia afronta-la com aquela pergunta, a olhou incerta de onde ela queria chegar.
— Eu não tenho certeza — respondeu com a voz firme estranhando o rumo que Gabriela estava levando a conversa.
— Ouvi sua conversa com , me desculpa, eu estava voltando com mais mojitos foi inevitável — ela fez uma careta se auto recriminando e mordeu os lábios.
— Você não deveria ter ouvido, por favor, Gabriela, não comenta com ninguém.
— Hey, relaxa, eu nem posso me meter, os dois são meus amigos, odiaria colocar qualquer um dos dois em uma situação ruim.
— Obrigada. Você ouviu tudo?
— O ouvi duvidando dos seus sentimentos e dizendo que por isso você mantém escondido e ele dizendo que você o subestima — explicou a garota.
— Bem, quase tudo — deu de ombros.
— Há quanto tempo estão assim? — perguntou curiosa.
— Alguns meses... — ele respondeu com um sorriso de canto.
— Que complicado — a loira disse —, então realmente não gosta dele o suficiente pra tornar isso público?
— Não, eu gosto dele desde quando eu o vi pela primeira vez e eu tinha dois anos — a ruiva riu do próprio exagero, Gabi também riu. — Eu não lembro de algum dia ter chegado perto dele e não ter me sentido estranha.
— Então o que impede? — Gabriela não entendeu.
— Varias coisas... às vezes eu também acho que é bom de mais, ele é e você deve saber o que isso significa — ela disse.
— Já viu o jeito como ele te olha? Ele se jogaria na frente de um carro se você pedisse — ela rolou os olhos enquanto falava. — Eu sei que ele tem um passado complicado, todo mundo naquela mesa tem, talvez não tenha, mas o resto sim e não acho que ainda esteja na mesma.
— Não é só isso — explicou.
— Então diga — disse Gabriela interessada.
— Bem, não estava falando com quando comecei a sair com , então estava tudo bem e acabou que foi bom para os meus pais também, já que o pai do entregou toda a parte jurídica das empresas na mão do meu pai e minha mãe passou a exportar as roupas dela praticamente de graça. Depois com a morte do pai dele meus pais começaram a tratar como filho, um filho que dá muito dinheiro a eles, mas ainda sim filho, meu pai estava a beira de ser preso e ajudou. Agora eles fazem uma pressão muito grande pra que eu fique com ele, até pelo medo de eu terminar e tirar todas as regalias que eles tem. Eu sei que eu tinha o direito de fazer isso, mas minha família é tão problemática que eu não quero ser a que vai piorar tudo — explicou tudo e Gabriela ouviu atentamente.
— Eu entendo você, não é entre e , é entre sua família e você — ela disse compreensiva. — sabe disso?
— Sinceramente eu não sei se ele entenderia, eu tenho medo que ele saiba e tome alguma atitude precipitada como falar com a minha mãe ou meu pai ou falar com , eu não vejo uma saída para isso. Eu to aproveitando antes que vire uma tragédia, pra falar a verdade — disse.
— Mas não é justo você se anular assim.
— Eu prefiro me anular a me sentir culpada por toda a tragédia dos meus pais, sem falar que eles já me ameaçaram de interdição.
— O que é isso?
— Basicamente eles vão me tratar como se eu tivesse algum impedimento psicológico, ou seja, se eles quiserem me internar, me mandar pra algum lugar e tomar conta de tudo que é meu, eles podem.
— Porque eles fariam isso?
— Eles não vão me deixar ficar com , eles vão me mandar pra algum lugar bem longe.
— Entendo, espero que você e ele tenham sorte, merecem, mas sinto pelo , ele realmente gosta de ti — Gabriela torceu a boca para aquilo.
— Obrigada, Gabriela, por entender — sorriu.
— Pode me chamar de Gaby — a loira disse e assentiu.
— Meninas, eu e o vamos na cidade comprar algumas coisas e mais álcool, querem algo? — James disse alto.
— Amor, trás umas pizzas pra gente fazer de noite, e chocolate pra mim — Gaby disse um pouco mais alto.
— Eu não quero nada, obrigada — concluiu e ele apenas assentiu com um sorriso gentil.
— Quer tentar conversar com ? Eu arrumo uma ocupação pra Matt e Charlie.
— Seria bom — concordou, Gabriela piscou para ela e saiu da piscina, a ruiva apenas acompanhou enquanto resmungando Matt e Charlie se afastaram com ela. saiu da piscina e caminhou até , que também veio a acompanhando com o olhar.
— Precisamos conversar — disse e ele concordou.
— Vamos pra trás da casa — ele disse levantando e andando em direção a trás da casa. apenas o seguiu até onde havia um pequeno coreto e pararam ali.
— Gabriela sabe da gente — disse cruzando os braços e ele levantou os óculos escuros, surpreso.
— A Gabriela? Você contou?
— Não e sim, ela ouviu nossa conversa naquela hora, então eu contei o resto — deu de ombros.
— E ela não vai contar tudo? — pareceu preocupado.
— Não acho que vá, acho que ela entendeu toda a situação — ela se encostou ao coreto e ele concordou entendendo a situação.
— Então ela entendeu a parte que eu supostamente não entenderia? — perguntou.
— Sim — ela concordou. — , eu acho que deveríamos dar um tempo.
— Nós já estamos dando um tempo — ele disse de maneira severa e ela concordou. — Isso não vai nos levar a nada, não é?
— A gente só tá brigando.
— Você tem razão — ele disse sério e ela concordou. — Pode ter sua semana feliz com seu namorado.
...
— O que? Talvez eu acabe percebendo que você nunca se afastou mesmo do no final das contas — ele continuou e ela negou com a cabeça.
— Vai se fuder — ela respondeu. — Você não tem direito de falar assim comigo, você continua namorando a Liz, você come ela quando você quer, você fica com ela quando você quer e eu sempre aceito o peso por namorar o , mas você faz a mesma coisa que eu. Eu realmente me afastei dele pra ficar com você e talvez esse tenha sido o pior erro da minha vida — ela respondeu com a voz embargada, não iria chorar na frente de , mas aquelas eram as coisas mais injustas que ela ouvira na vida. então deu as costas para sair do coreto, não demorou para perceber que havia a deixado verdadeiramente magoada e ir atrás, mas assim que segurou pelo seu braço ela se soltou.
...
— Nunca mais toca em mim, — ela disse séria, indo para dentro da casa.

entrou no quarto e viu a namorada dormindo, se aproximou e deu um beijo na sua cabeça.
— Cheguei — ele avisou e ela abriu os olhos timidamente concordando. — Você gosta de Boys Like Girls, não é?
— Gosto.
— Compramos entradas pra nós todos na quarta — ele passava a mão pelo cabelo dela e ela apenas sorriu com a notícia. — Não quer descer e comer?
— Não to me sentindo muito bem, prefiro ficar aqui.
— Quer que eu fique te fazendo companhia?
— Não, , vai curtir seus amigos.
— Eu vim aqui pra curtir você — ele respondeu e ela sorriu —, você é a melhor parte do feriado, já disse... uma semana só nós, é um milagre.
— É, você tem razão — ela concordou —, então fica um pouco aqui comigo, depois você desce — ela pediu e ele concordou realmente feliz de ver que ela o queria por perto, sem hesitar tirou o sapato que estava e se deitou, os dois ficaram de frente um pro outro e sorriu.
— Eu vi uma pesquisa que comprovava que se um casal se olhasse por quatro minutos sem palavra alguma eles tinham mais chances de se apaixonar — ele comentou ainda passando a mão pelo rosto dela.
— Quer tentar? — ela disse rindo e ele sorriu junto.
— Eu não acho que seja possível eu me apaixonar mais por você. Digo, vai ser injusto com todo o resto, porque se eu me apaixonar mais eu acho que largo tudo que você me pedir pra largar.
— Você nunca poderia fazer isso.
— Esse é o ponto, eu não posso, mas eu largaria, porque eu acho que faço qualquer coisa por você — ele respondeu e ela o olhou sorrindo, aproximou a boca da dele e o beijou, correspondeu ao beijo ficando levemente por cima dela, ela o abraçou e ele levou os lábios até seu pescoço e depois colo, colocou as mãos levemente por dentro da blusa de e acariciou suas costas.
Ele rompeu os beijos para tirar sua própria blusa, ela manteve as carícias ali e ele desceu as mãos pelo vestido que usava percorrendo as curvas dela e voltando a beijá-la.
o ajudou a tirar seu vestido e aproximou sua mão da intimidade dela acariciando por cima da calcinha primeiramente e depois por dentro, massageou ali até perceber o quanto sua namorada estava excitada. então tirou a bermuda e a boxer que usava e retirou de vez a calcinha que ela ainda estava. Ele ficou por cima da menina que colocou as pernas ao redor da cintura dele sentindo finalmente ele a penetrando. lhe beijava o pescoço e o colo indo até os seios e voltando, ela percorria a mão arranhando as costas dele e travando as unhas por ali dependendo da força com que investia. Ele não estava sendo tão cuidadoso como costumava ser, mas aquilo não a perturbava. Sentiu se demorar com movimentos e então percebeu que ele havia gozado, o abraçou e ele também o fez, virando-se e a fazendo ficar por cima dele. Ele respirou fundo e fechou os olhos, arfante.
— Tá tudo bem? — ela perguntou baixo e ele riu concordando.
— Só fazia muito tempo que não fazíamos isso — ele disse. — Que eu não fazia isso — ele foi bem categórico nessa frase, nunca teve tanta certeza de que ele suspeitava de alguma coisa.
— É, mas aqui estamos — ela respondeu e ele voltou a concordar.
— Definitivamente precisamos fazer mais isso — disse e ela concordou deitando-se sob seu peito, ele passou a mão pelo cabelo dela até que os dois adormecessem.

acordou primeiro e deu um beijo na testa de indo para o banheiro, assim que voltou de lá a ruiva começava a acordar, já estava escurecendo a noite.
— Vamos descer e comer alguma coisa — ele disse indo até sua mala com a toalha ao redor de sua cintura.
— Tá, eu só vou tomar um banho — ela levantou-se e foi para o banheiro. Quando saiu estava com o controle na mão passando os canais.
— Vai passar Senhor dos Anéis hoje e eu acho que você deveria ver — anunciou e ela riu, ele sempre a fazia ver os filmes que ele gostava.
— Certo, nós vemos — ela concordou juntando o vestido que antes usava e o colocando novamente.
— Gabi tinha perguntado por você mais cedo.
— Eu subi e nem avisei ninguém — ela deu de ombros e ele esperou que ela se arrumasse e desceram juntos, pelo barulho estavam todos na cozinha.
— Olha o casal mil da casa, finalmente apareceu — Charlie disse divertido quando eles apareceram, e Lizz estavam lá, a olhou atordoado, mas ela desviou o olhar para a mesa.
— To morrendo de fome — ela anunciou e só havia um lugar sobrando.
— Quer que eu pegue uma cadeira? — James ofereceu.
— Não, senta, amor — disse cavalheiro.
— Não, senta, eu sento no seu colo — ela disse dando de ombros e ele concordou, sentaram e tratou logo de puxar uma pizza pra perto dos dois.
— Cara, vocês dormem muito — Matt disse olhando pra eles.
— Ah, fazia um tempo que a gente não ficava só, não dá pra ficar com um bando de marmanjo quando a minha namorada tá na viagem — explicou e riu, ela fazia de tudo para não ter em seu campo de visão.
— Nosso maior canoa — James disse divertido. — Por isso que eu gosto do , ele é mais brutal nessas coisas.
— Como se você não fizesse tudo o que a Gabriela manda — Charlie rolou os olhos.
— Por isso eu disse que admirava o , ele não é pau mandando de mulher.
— Ah, você acha isso um problema? Eu resolvo rapidinho, é só a gente terminar — Gabriela disse muito certa de si e James fez uma cara feia.
— Ninguém vai terminar com ninguém aqui.
— Ah, gente, eu não tenho o que reclamar, sempre faz o que eu quero, acho que posso contar nas mãos quando ele não fez — Liz defendeu o namorado que sorriu em agradecimento.
— A verdade é que quando a gente ama, a gente faz o que a pessoa quer — Matt deu de ombros. — E, por exemplo, James e Gabi se veem poucas vezes no ano, eu nem sei como eles continuam namorando. Se eu namorasse alguém a distância, quando visse eu também ia viver pra fazer o que ela mandasse, vou perder mais tempo debatendo? — concluiu, Gabi e James concordaram, ele passou o braço ao redor da namorada feliz com os amigos reconhecendo aquilo.
— É a sorte minha e da , estudamos na mesma escola, se não a gente não se via... e ano que vem ela vai pra Oxford e eu nem sei como vamos fazer isso — apoiou o rosto no ombro da namorada que sorriu. a olhou imediatamente, ele não fazia ideia de que ela iria para outra cidade, se sentiu traído por não ter aquela informação e ser pego de surpresa.
— Vocês vão dar um jeito, digo, nós damos e a nossa distância é bem maior, e eu não tenho o dinheiro que vocês têm — James riu dando de ombros.
— Eu sempre vejo vocês tão distantes, parecem mais amigos... digo, que se beijam às vezes — Liz disse de maneira indiscreta e teve que se segurar pra não rir.
— Não precisamos mostrar nossas feições por aí, isso é tão classe média — respondeu dando de ombros. — é meu namorado e isso não vai mudar, então porque vamos esfregar nossa relação na cara dos outros? — continuou e Liz rio sem graça, bateu o celular na mesa com a resposta o que fez todos o olharem.
— Eu preciso dormir, agora que já to porre — ele disse levantando —, você vem ou vai ficar? — ele perguntou pra Liz.
— Eu vou, amor — ela respondeu e ele apenas saiu andando. Gabriela e trocaram olharem, Gabi sabia que alguma coisa tinha acontecido.
— Cá entre nós, que namorada estranha essa do — James disse como um sussurro. — Ela é foda grátis, né, só pode — riu abraçado com .
— Eu tenho certeza que a vi olhando pro Charlie hoje, sério — Matt disse em um tom revelador e eles riram.
— Eu pegava — Charlie deu de ombros.
— Que maldosos — Gabriela disse rindo, apenas ficou calada.
— Vai passar o Senhor dos Anéis, vocês querem ver? — James perguntou.
— Tem problema se vermos com eles? — perguntou a que apenas negou.
— Amor, coloca lá o canal, você quem sabe — James disse para Gabriela, que apenas concordou, os quatro saíram da cozinha primeiro e levantou-se do colo de pra que fossem também.
não sabia que você ia pra Oxford? — ele perguntou repentinamente e o olhou.
— Por que ele saberia?
— Porque, né... — ele levantou a sobrancelha de maneira irônica e deu um beijo na bochecha dela, continuou andando em seguida.
, você tem alguma coisa pra me falar? — ela perguntou e ele negou com o dedo em seguida Gabi voltou da cozinha.
— Gente, que pizza foi essa — ela falou alto e fez um gesto com o dedo pra ela não falar nada, passou pela loira e foi até perto da sala pra ver se estava lá, assim que confirmou voltou para perto de Gabi.
— Tá tudo muito estranho — de passando a mão no cabelo.
— O que aconteceu?
— Eu e resolvemos dar um tempo, ele falou muita besteira pra mim, me tratou muito mal, eu não quero nem olhar pra cara dele... mas agora fica falando umas coisas estranhas, jogando umas indiretas.
— Você acha que ele sabe?
não é burro, e outra, ele tem gente dele em toda parte — deu de ombros. — Eu não acho que ele tenha certeza, mas tá estranho — deu de ombros.
parece bem atordoado, na verdade... ele ficou o dia todo estranho depois.
— Eu não quero saber do , Gabi, ele é um estupido, a maior burrice que eu podia ter feito era ficar com ele.
— Você gosta dele.
— Sim, mas isso nunca vai passar disso... — ela deu de ombros.
— E agora o que você vai fazer?
— O que eu nunca deveria ter deixado de fazer... ser a namorada do .
— Eu não acho que isso seja o certo, .
— Errado é ficar com ... principalmente porque é um estúpido, ele acha que pode falar o que quiser pra mim e eu já engoli muito — disse e Gabi respirou fundo.
— Bem, eu sinto muito por vocês, mas se você acha que é melhor ficar com , eu te entendo. Vamos pra lá, o pessoal vem arrumar a cozinha — Gabi finalizou e concordou e tomaram o caminho para a sala. — Ai, mas eu adorei o Matt falando mal da Liz, ela é um saco.
— Nem me fala — ela riu concordando e os meninos a olharam.
— Vish, vocês duas rindo, não deve ser coisa boa... — disse a se aproximou do sofá que ele estava e sentando perto dele.
— Papo de mulher — Gabi deu de ombros sentando próximo ao namorado também.
— Pronta pro melhor filme da sua vida? — perguntou baixo para .
— Mas não era De volta para o futuro? — ela contra argumentou e ele riu.
— Ah, são vários — ele respondeu e ela passou o braço ao redor da barriga dele deixando sua cabeça no peito dele, ele também a abraçou protetoramente. O filme iniciou e havia pequenos comentários engraçados sobre ele enquanto isso.
— Nossa, eu achei que esse filme nunca fosse acabar — Gabriela falou bufando assim que o filme terminou.
— Sério que você não gostou? — Charlie perguntou.
— Até eu gostei — disse apontando pra ela mesma.
— Eu gostei, mas demora muito — ela se defendeu levantando e se espreguiçando —, e eu preciso dormir.
— É, acho que tá na hora — concordou.
— Não to com sono, não querem jogar dominó? — Matt perguntou.
— É, temos cerveja e estamos em um feriado... — James deu de ombros. — Tudo bem se eu ficar? — ele perguntou a Gabi.
— Claro, mas eu vou dormir, ok? — ela encostou o lábio no dele e deu tchau para os outros amigos.
— E você, , vai pedir permissão pra sua mulher ou vai dormir?
— Vou ficar, ok?
— Ok — concordou dando um beijo nele. — Mas não demora — ela disse e ele sorriu segurando a mão dela até se separarem. subiu e foi para o quarto dos dois, sentia-se estranhamente cansada não demorou a adormecer quando deitou-se.
Sentiu beijando seu pescoço e passando a mão na sua perna.
— Acorda, amor — ele disse com a fala pesada, provavelmente bêbado, ela acordou e o olhou o segurando.
— Eu to dormindo, — ela reclamou e ele bufou.
— Besteira — ele voltou a puxá-la e encostou a boca na dela.
, fica quieto, vai — ela disse com a voz sonolenta ainda e ele foi para o lado dela aborrecido.
— Se fosse o você não negava, né? — ele disse e ela o olhou imediatamente.
— Porque você disse isso?
— Porque é verdade — ele disse sério e ela sentou-se na cama —, eu não sou burro, , eu sei que vocês tem se visto.
...
— O que vocês andam fazendo juntos, ? — ele perguntou e ela mordeu os lábios. — Responde.
— Não é nada...
— Não me faz de burro, ...
— Se você acha que eu to traindo você porque você continua comigo?
— Porque eu não tenho certeza... e porque eu não terminaria com você de qualquer jeito.
...
— Para de falar meu nome e me diz o que tá acontecendo — ele disse novamente e ela engoliu tentando pensar em alguma coisa.
— Eu tenho usado drogas, tem arrumado, só isso... — ela mentiu, não era uma completa mentira, mas era melhor do que ela concordar que estava o traindo. Ainda mais agora que ela e não ficariam mais.
— Drogas, ? Quando isso começou?
— No dia do casamento no Hamptons, eu vi minha mãe com o pai da Liz, tava lá ele me ofereceu maconha, nós fumamos e depois com o trabalho nos encontramos mais e fumamos mais, depois a gente começou a usar cocaína e foi isso... — tentava explicar de um jeito que não deixasse margem pra outras dúvidas maiores.
— E porque você não me contou?
— Porque eu sempre te recriminei por isso, eu não queria que parecesse hipocrisia.
— É exatamente como você parece agora — ele disse sem muito filtro pela bebida.
— Eu sei... mas agora você sabe.
— Porque com , ? Eu faço isso o tempo todo do seu lado...
— Eu não sei explicar, , era ele quem tava lá quando eu fiquei puta por causa da minha mãe... — ela respondeu e ele apenas concordou, se sentiu culpado talvez. Se ele estivesse lá ela não teria feito isso.
— Isso é idiotice, isso de usar drogas...
— Você tá de brincadeira, né? Nós nem vamos discutir isso, — ela se deitou novamente na cama para voltar a dormir e ouviu bufar.
— Eu me importo, , é por isso que eu nunca te ofereci, não tinha o direito de te colocar nisso — ele disse baixo enquanto também deitava ao lado dela.
— Não é como se eu fosse uma viciada, — respondeu baixo.
— Mesmo assim... eu podia quebrar a cara dele por isso — ela virou-se pra e o encarou.
— Você queria saber por que eu andava com , eu disse, nada do que você fizer vai mudar o que já aconteceu — ela segurou no rosto dele ainda o olhando —, eu não vou trocar você pelo, .
— Desculpa — ele respondeu a olhando mesmo que com os olhos baixos. Ela sorriu e encostou a boca na dele.
— Me desculpa também — ele a abraçou e só então depois de algum tempo percebeu que ele dormia, era um alívio poder contar parte do que estava acontecendo, nunca foi um inimigo.

acordou com o estourar de um som, olhou para o lado e ainda dormia, desviou do abraço dele e foi para o banheiro fazer sua higiene, sentiu a ansiedade eminente de já estar acordado e ela ter que descer sem , mas não adiantaria fugir dele para sempre. Sabia que tinha feito o certo, se arrumou e desceu as escadas. Apesar do som muito alto tocando qualquer coisa do Franz Ferdinand, andou até a área da piscina, deu uma olhada por lá e assim que viu que não tinha ninguém deu meia volta, mas então veio naquela direção ela baixou o rosto, mas ele travou a passagem.
— Porque você mentiu pra mim?
— Eu não menti pra você — ela olhou e respondeu avançando pra passar de novo.
— Você vai embora... — ele disse e ela percebeu que ele estava com uma cerveja e seus olhos estavam baixos.
— Você tá chapado?
— Foda-se.
— Foda-se não, eu não vou discutir com você assim... — ela o empurrou, mas ele apenas a segurou pelo braço com força. — Me solta, se não eu vou gritar tão alto que você vai se arrepender de ter nascido quando os outros chegarem.
— Porque você ta sendo tão cruel comigo, ? — ele perguntou soltando a braço dela que apenas o puxou.
— Porque você foi um erro, desde sempre — respondeu alto e finalmente passou por ele para a cozinha, assim que chegou a Gabi estava sentada tomando café, sentou-se à mesa e baixou a cabeça respirando fundo.
— Gente, são muitas emoções nessa casa, não posso lidar... — Gabi disse divertida vendo a ruiva daquele jeito. — Conversou com ? — e sacudiu a cabeça positivamente. — E não se resolveram... — continuou e negou.
— Não dá mais, Gabi, é muita pressão pra mim — respondeu desanimada.
— Eu imagino, mas não fica assim, não, porque não vamos dar uma volta no centro? Tá tendo uma exposição de nerdices, e James vão amar, o que acha?
— Qualquer coisa pra ficar longe desse garoto — respondeu e Gabi riu.
— Então vai acordar , nos encontramos na frente de casa em meia hora — a loira já levantou animada e saiu da cozinha.
— Bom dia, flor do dia — Charlie entrou na cozinha após receber um beijo de Gabi. — ...
— Bom dia, Charlie — ela sorriu e piscou levantando. — Desculpa te deixar só, mas tenho que acordar o .
— Sem problemas, vou pegar e comer na piscina, tá lá — ele abriu um sorriso largo e ela concordou, subiu as escadas e voltou para o quarto onde ainda dormia, sentou-se na cama ao lado dele.
... — ela chamou primeiramente, mas ele não atendeu. — , acorda, vamos sair — ela tentou de novo e dessa vez pousou a mão no peito dele. — ... — e finalmente ele se mexeu resmungando. — Acorda...
— Pra que? — disse baixo.
— Vamos sair com James a Gabi.
— Mas agora? — ele disse de olhos fechados.
— Já são 10 — ela respondeu e ele segurou a mão dela.
— Não, vem pra cá, vamos fazer sexo matinal e dormir mais — ele disse rindo.
— Tem certeza? Ouvi dizer que o DeLorean original vai estar onde a gente vai... — ela brincou e ele abriu os olhos.
— Sério?
— Não sei, mas levanta e vamos comprovar — ela disse e ele riu beijando a mão dela, finalmente abriu os olhos com um sorriso.
— Porque você é sempre linda? — ele disse brincando e ela rio se inclinando e dando um beijo nele.
— Bobo — respondeu. — Mas vai, acorda, James e Gabi e estão se arrumando.
— Porque isso agora?
— Gabi convidou e eu achei que fosse legal — ela deu de ombros e ele concordou levantando finalmente. — É uma exposição de nerdices — completou e ele então foi para o banheiro, ela ligou a TV e parou no Discovery Home and Health, olhou para um programa de educação infantil e olhou pra ela.
— Eu acho que você não tá muito bem.
— Como assim...
— Querendo ir pra convenção nerd e vendo coisas sobre educação infantil — ele disse e ela riu.
— Eu gosto desse canal, ok? Passa muita coisa interessante e se tá reclamando tanto da convenção não vai, vou só — ela disse e ele riu passando a toalha no cabelo para enxugar.
— Você não aguenta meia hora em uma coisa nerd, e eu não deixaria você ir só de qualquer jeito, nerds são sempre os mais pervertidos — ele explicou colocando sua blusa. — E sobre o programa, é bom que você aprenda mesmo pra que mulher serve — ele disse em um tom divertido fingindo um machismo, ela riu e jogou um travesseiro nele.
— Você vai ver pra que você serve, idiota — ela riu e ele jogou o travesseiro de volta, ela pegou outro e jogou de volta rindo, mas dessa vez foi até ela correndo e se jogou por cima a segurando e fazendo cócegas, ela riu desesperadamente com aquilo. — Não, para, por favor, para.
— Vou ter misericórdia de você — ele respondeu —, porque você é um hamster — ele deu um beijo nela que ainda recuperava o fôlego — e ajeita esse cabelo, você parece uma louca.
— Porque será, né — ela riu de novo e ele sorriu a olhando, em um impulso ela o abraçou e ele que retribuiu sorrindo e surpreso pela atitude dela. — Vamos, Gabi e James devem estar esperando — ela se distanciou segurando a mão dele que apenas concordou e a seguiu.

e James pareciam crianças enquanto andavam pela feira, ria, entendia algumas coisas, Gabi entendia muito mais. — Você podia comprar uma fantasia de princesa Leia — ele a olhou assim que passaram pelo stand do Star Wars.
— Uma princesa Leia de cabelo vermelho? — ela perguntou rindo e ele assentiu.
— Seria original — passou os braços ao redor dos ombros dela. — Agora eu sei que você gosta: De volta para o futuro — ele apontou para o standing, Gabi e James já haviam ficado para trás.
— Uou, eu tava certa sobre o DeLorean — ela apontou para o carro ao lado e ele riu assentindo, riu olhando os detalhes do carro. — Você podia ter um desses, ia causar.
— Se eu saísse de um DeLorean, com você, acho que virava o cara mais querido da cidade — falou e ela riu sem muita empolgação, andaram pelo lugar olhando cada coisa.
— Eu casaria com Martyn McFly, ele é sexy — apontou para um pôster do protagonista do filme e riu.
— Sou melhor — disse dando de ombros.
— Não, você não tem um carro que viaja no tempo — ela disse em pose de desdém.
— Se você disser que casa comigo eu arrumo um — ele sorriu a olhando, era uma brincadeira ao mesmo tempo em que era verdade.
— Então arruma um, antes de me pedir — respondeu na brincadeira e soltou uma piscada, a puxou e a beijou —, esse filme é nojento.
— Você ama ele — fez cara de tédio.
— Mas é nojento — ele deu de ombros —, ele quase pegou a mãe — riu com a declaração dele.
— Ainda é meu filme preferido, digo, desses aqui... — ela deu de ombros. — Olha, te dei aquele box no natal passado lembra?
— Aham, é de colecionador, guardo ele intocado — ele disse sorrindo afagando levemente o cabelo dela. — Você tem um igual, certo?
— Claro, não deixaria de ter — ela avançou mais um pouco pela exposição. — Olha, — aproximou-se da reprodução de uma das naves de Star Wars mais a frente.
— Porque você não me chama de amor? — ele a olhou, ela mordeu os lábios, não esperava aquela cobrança. — Sei do seu jeito é o de menina inabalável, fria e tudo mais, mas é normal e digo aquilo que a Liz falou ontem é verdade, parecemos amigos às vezes — ele a olhou parecendo chateado e ela o encarou, calada, não sabia o que responder. — Ok, eu sei que não é o tipo de coisa que se exige, só podíamos tentar ser um casal normal.
— Somos um casal normal — ela respondeu prontamente.
— Eu só te vejo na aula, você não me liga nunca, saímos raramente, você me trata como um amigo que às vezes você decide beijar. Aqui nós estamos bem, mas eu queria que fosse sempre assim — explicou , calmamente. — Já disse que entendo nosso afastamento, meus pais, todas as responsabilidades que eu tive que arcar, depois as coisas com a sua família. Mas eu esperei tanto pra conseguir alguma coisa com você, eu quis tanto isso e agora não quero perder. Acho que vale a pena, não? — ele colocou a mão no rosto de , que concordou.
— Vale a pena sim — ela sorriu dando um pequeno beijo nele. — Eu tenho alguns problemas, eu acho que eu sempre vou ter, eu só preciso que você tenha paciência.
— Toda a do mundo pra você — ele respondeu passando o braço ao redor do dela James e Gabi estavam mais a frente.
— Hey, vamos na loja — James disse e eles concordaram, demorou cerca de 30 minutos para que eles escolhessem e debatessem sobre que aquisições fariam Gabi e esperavam pacientemente enquanto conversam assuntos aleatórios.
— Ainda não acredito que você é filha de Scarlet Von Rimmel, já usei vários vestidos dela, na verdade ela é uma das preferidas nos EUA — Gabi disse animada e sorriu.
— É, até onde eu sei ela exporta muitas roupas pra lá, mas não achei que fosse tão popular.
— É, ela tem uma sessão inteira na Barney’s NY — ela explicou. — Você deve viver nesse mundo da moda.
— Já passei muito tempo da minha vida sendo a filha da Scarlet. Hoje em dia eu mal a vejo ou participo das coisas.
— Mas você vai ter que me convidar pra um Fashion Week, hein.
— Sem problemas, se for mais fácil posso te arrumar entradas pro NY Fashion Week, ou se quiser uma desculpa pra vir pro Londres, mas o de Milão é sempre o melhor.
— Então podemos programar pra ir em Milão, sério, eu ficaria muito feliz.
— É só você me falar, sem falar que eu tenho acesso aos bastidores então... isso faz tudo muito mais legal.
— Você está sempre tão bem vestida eu deveria saber que é íntima desse meio.
— É eu tenho que admitir que eu adoro estar em volta de Chanel, Dior, Yves Saint Laurent, qualquer coisa cara e assinada tem meu coração — disse rindo e Gabi concordou freneticamente, finalmente James e se aproximaram com suas aquisições.
— Amor, eu sinto muito, mas acho que é minha alma gêmea.
— Trinta minutos e você já me trocou? — James disse a abraçando pela cintura.
— Não tem quem resista, Gabi, sinto muito, mas não vá com tanta sede ao pote, faz isso com todos — respondeu dando um pequeno beijo na namorada que sorriu.
— Sinto em dizer, mas acho que acho que a Gabi tá certa, somos almas gêmeas — e disse rindo olhando para . — Falar nisso, Gabi, se quiser conhecer a minha mãe, a porta de entrada é o , ele é o menino dos olhos dela.
— O genro perfeito — James brincou e concordou.
— Não é assim...
— Você vê mais meus pais do que eu — disse.
— Porque temos negócios juntos.
— Indiferente, Gabi é fã da Scarlet — ela explicou e ele entendeu.
— A gente pode marcar alguma coisa na minha casa e você conhece...
— Tem seu aniversario, não? — James perguntou e o loiro concordou. — Acho justo uma festa.
— Também acho — Gabi disse piscando —, e não só pra eu conhecer a Scarlet.
— Certo, vamos ver isso aí — ele passou a mão pelo cabelo da namorada. — Vamos, tá na hora do almoço já.
— Sim, temos churrasco hoje — James disse animado passando uma mão na outra.

Pelo que ouviu da conversa de Matt e Liz, estava dormindo desde a hora que saíram. Alguém que trabalhava na casa fazia o churrasco enquanto as meninas haviam trocado de roupa e aproveitavam o sol. , Charlie e Matt conversavam enquanto isso acompanhados por cervejas. Ele pegou alguns papelotes de cocaína e deu aos amigos que sem hesitarem fizeram uso. não ofereceu a , mas a olhava incessantemente enquanto ele próprio cheirava.
Alguns minutos se passaram ao som de Strokes quando Gabriela olhou para seu namorado e ele olhava para a água da piscina de maneira obsessiva, Gabi riu imediatamente.
— Meu namorado tá upando, gente — Gabi falou em um tom engraçado o olhando.
— Upando? — Liz perguntou não entendendo a piada. se aproximou delas rindo também e sentou-se ao lado de que colocou a mão carinhosamente nas costas dele.
— É tipo em jogo, quando passa de uma fase pra outra diz que upou — explicou e ela a olhou orgulhoso, mas ainda achando engraçado.
super nerd também — Gabi brincou e elas riram.
— Ele tá com cara de bocó — Liz olhou novamente para James.
— Ele tem cara de bocó — Gabi deu de ombros, ela levantou-se e foi até a cadeira onde James tava, sentou em seu colo e mesmo assim ele não pareceu perceber, o que só fez quando ela grudou o lábio com o dele e ele pareceu assustado, os outros apenas riram.
— Será que tá bem? Ele não é de dormir muito — Liz olhou com um ar preocupado para a amiga.
— Vai checar seu namorado — deu de ombros.
— É, e avisa ele do almoço — também disse em seguida.
— É, eu vou lá — Liz levantou-se e apenas a seguiu com o olhar por um tempo mais logo voltou para , que mesmo parecendo sóbrio ainda estava com os olhos baixos.
— Chapado — ela disse passando a mão no rosto dele que sorriu.
— Ainda temos que conversar sobre isso...
— Sobre o que? — ela perguntou meio entediada.
— Eu não quero você envolvida nisso, , não é certo, não é bom — disse e ela bufou olhando para o lado.
— Eu sei o que eu to fazendo, , e se quer me fazer parar, para você primeiro.
— Não, você não sabe, amor, você é só uma menina mimada, eu sei lá o que tá passando na sua cabeça, mas não é pra você manter.
— E depois você quer saber por que eu nunca te contei? Sério? — ela perguntou sarcástica.
— Ô, cambada, vamos comer — Gabi chamou, aproveitou e saiu da cadeira de sol em direção a sala de jantar. e Liz não apareceram para o almoço, apesar das tentativas de , não o respondia, mesmo sendo um almoço descontraído.
— Eu vou dormir, ainda estou ressaca de ontem — anunciou assim que acabou o almoço, ele se aproximou de como para lhe beijar a bochecha. — Quando você cansar de ser babaca, você vem — ele disse baixo e ela apenas o olhou pelo canto do olho, ainda tomou um sorvete com os meninos, mas aos poucos sua consciência foi pesando. se importava e ela não aguentaria muito tempo sem se não tivesse bem com , ou ela iria atrás de ou tinha que voltar a falar com , mas na verdade a primeira opção não era viável. Bebeu um grande copo de água e anunciou que iria ficar com o namorado.
subiu, no corredor pensou em ir atrás de Liz e como se não quisesse nada, por curiosidade, para avisar do almoço, e por ter um lado sadomasoquista latente no momento. Passou pela porta do seu e seguiu o corredor até onde estava com Liz , assim que se aproximou ouviu gemidos, eram gemidos altos, de homem e de mulher. Apertou os olhos e os punhos, ela sentiu tanta raiva no momento, de realmente ficar cega, voltou pelo corredor até seu quarto e entrou como um furacão, estava saído do banheiro quando isso aconteceu. Ela apenas empurrou a porta para que ela fechasse só e andou rápido até , ele sorriu ao vê-la na direção dele, sabia que ela não ficaria de cara por muito tempo, sem muito jeito inclinou-se e o beijou, beijou-lhe com certa ansiedade , provavelmente de um jeito que ele nunca tinha a visto beijá-lo, mesmo confuso com a atitude, não perdeu tempo, segurou com força a cintura dela e girou, para que ela ficasse a borda da cama, ele foi rápido novamente e tirou a saída de praia que ela usava. Ela apenas o beijava e agora avançava as mãos pelo corpo do rapaz em sua frente, e se livrou facilmente da toalha ao redor da cintura dele.
a suspendeu e a deitou na cama, ficando sobre ela e entre as suas pernas. Os gemidos no outro quarto ecoavam na cabeça dela quando sentiu o loiro acaricia-lhe a intimidade, soltou um suspiro com isso. Passou a mão pelo corpo dele o sentindo, e o provocando com a unha enquanto ele ia começando a provocá-la por cima do biquíni que a menina usava, ela mordeu os lábios, o garoto era habilidoso com as mãos. livrou-se da calcinha do biquíni dela deixando a garota nua em sua frente, ele deu um primeiro beijo na perna, seguindo uma linha reta até a barriga dela, a segurava com propriedade em suas mãos, enquanto apenas tentava esquecer os gemidos e se entregar ao que estava fazendo com . Sem sucesso, puxou o garoto para outro beijo e dessa vez o fez girar na cama ficando por cima, sentou-se sobre ele, deixando suas pernas a prenderem o rapaz agora sentado, não rompiam o beijo, encaixou-se em e sentiu uma leve dor com aquilo, apenas soltou um gemido, mas depois forçou-se contra ele.
segurava na cintura dela controlando os movimentos, suas pernas estavam levemente abertas e flexionadas, a cada movimento contra ele que a garota fazia a desejar mais, tê-la tão perto era sempre como a primeira vez, por vezes a ajudava e se impulsionava contra ela também, a cama igualmente acompanhava os dois. Os gemidos dela era incentivo pra ele continuar do jeito que estava, romperam finalmente o beijo, mas mantinham as cabeças perto, o tronco um do outro estavam próximos o que fazia eles se encontrarem na respiração pesada em que estavam. mantinha o ritmo dos movimentos e agora os gemidos tinham finalmente ido embora, agarrou-se a como se o agradecesse por tê-la ajudado a conseguir isso, ele a trouxe pra mais perto ainda a apertando contra ele, os movimentos dele principalmente se intensificaram e mordeu o ombro do garoto para desafogar os gemidos mais altos que tinha vontade de soltar, não inibia seus gemidos um pouco antes de chegar ao seu limite, respirou várias vezes ofegantemente e depois relaxou, abraçando , ela retribuiu o abraço ainda com a respiração por falhar. a guiou para que ela deitasse e a abraçou protetoramente.
— Por favor, brigue mais comigo — ele disse ofegante, ela não respondeu nada apenas o abraçou com mais força. — Eu te amo, — ele beijou a cabeça dela. — Esse é o motivo de todos os meus erros — ele prosseguiu e ela apenas não falava nada apenas o abraçava, ficou naquela posição até dormir.
Era de noite quando ela acordou, dessa vez sem ao seu lado, levantou-se e foi para o banheiro, tomou um banho, vestiu uma roupa, não tão bem quanto normalmente, não se sentia no clima para se arrumar, colocou uma blusa do , uma calça capri e desceu. O som não era alto, mas era audível de gente cantando e um violão acompanhando, ela andou até a varanda da casa e constatou que na verdade eram dois violões, estava com um e James com outro, estavam todos ali.
— Olha quem finalmente acordou — Charlie disse sorrindo e apenas acenou com a mão, sorriu com uma felicidade evidente em vê-la, ele passou o violão pra Charlie e abriu os braços, ela não hesitou em ir até ele e se encolher em seu colo.
— Você me deixou só — ela disse baixo para que só ele ouvisse, ele a abraçou sorrindo.
— Acordou, bonitinha — ele riu. — Eu tentei te acordar, mas você nem me mexeu — explicou.
acompanhou a cena furioso, ele não tinha palavras pra descrever o quanto aquela aproximação dela com o deixava enfurecido, Liz estava em seu colo, mas ao contrário do que ela fazia ele não estava cheio de amores por ela.
— Canta uma, Charlie — Gabi disse batendo as mãos, adorava a voz de Charlie.
— James, Why — Charlie ajeitou o violão em seu colo e alinhou seus dedos na corda, após uma introdução ele começou a tocar, todos olhavam entre ele e James que o acompanhava. A voz de Charlie era rouca, pensou ser uma das melhores que ela já havia ouvido assim que ele soltou as primeiras palavras.

Look at me up in the sky
I watch the world just pass me by
And all my feelings give me away
It's happening more everyday

Loving you could be so easy
Loving you could be so great
Loving you could be so easy
Loving you could be so great

A música era realmente bonita apesar de que nunca havia ouvido, Gabriela cantava ela junto com Charlie e também acompanhava, Matt apenas olhava com sua cerveja na mão.

But how can I try to explain
Your story never seems to stay the same
You're out of touch and I'm out of time
Just talk to me a while
And joke about the things we used to see
It's so hard for me to smile
I've never felt so alone
After all of this there's so much left to lose
And I've taken pieces home
I promise you I never meant to

But how can I complain?
When everybody seems to know my name
You're out of luck and I'm out of line
It's such a selfish compromisse
Self indulgent, useless, bunch of lies
I never thought you would believe

Hold me now don't wake me up
Pull me down and then back up
All again for all to see
Low down whisper and guilty stare
Your stagnant beauty makes me glare
Silly games in the sun
In the sun
In the sun
Ooh in the sun

But how can I complain?
Your story never seems to stay the same
I'm out of luck and you're out of line
It's such a selfish compromisse
Self indulgent, useless, bunch of lies
I never thought you would believe

Loving you could be so easy
Loving you could be so great
Loving you would be so easy
Loving you could be so great

Maybe a change would keep me high
Stop me thinking and wondering why

— Licença, Liz — disse após a musica praticamente carregando a garota e levantando-se, tinha que relaxar e lembrar que ele era , nenhuma garota havia resistido a ele ou o feito idiota, precisava lembrar que não precisava dela.
Que passou muitos anos sem tê-la e que ela era só mais uma em sua vida, ela precisava ser só mais uma em sua vida. Ele nunca imaginou que fosse assim, gostar de alguém, nunca se imaginou naquele tipo de drama, ele odiava qualquer tipo de drama, mas também nunca imaginou também que pudesse ser tão bom estar com alguém, só um alguém, ele tinha deixado que ela tomasse conta de todas as suas prioridades e ele sabia o quanto isso estava errado. Subiu as escadas e vasculhou suas coisas tirando alguns papelotes de lá, voltou a descer e jogou alguns na mesa, a vista dos amigos, e manteve um em sua mão, fez o velho ritual de formar as fileiras e cheirá-las. Logo Matt também segurou um papelote e fez o mesmo.
se sentiu imediatamente bem, com o efeito da droga, um pouco mais aliviado por assim dizer, sem a vontade de puxar do colo do namorado.
, pega uma cerveja pra mim? — perguntou para e ela concordou.
— Você não precisa me mandar pra longe pra cheirar, mas ok... — ela concordou já imaginando um jeito de conseguir um daqueles sem que ele percebesse.
— Cozinha... — ele respondeu com voz de tédio e ela deu de ombros, levantou-se se apoiando na mesa e segurando um dos papelotes juntos disfarçadamente o prendeu em sua mão e foi correndo para a cozinha depois disso. Espalhou na mesa e inalou, a sensação de bem estar foi quase imediata, ela cheirou mais uma carreira e limpou o balcão e o nariz, pegou duas cervejas no congelador e seguiu a bebendo até a varanda. Dessa vez não voltou mais para o colo de , sentou-se ao lado. James seguiu cantando, dessa vez musicas mais conhecidas como Abba, Queen e, claro, Beatles. Alguns papelotes e cervejas depois estavam mais animados que o normal.
— Eu acho que a gente tem que esquentar isso aqui — Gabriela disse de um jeito fogoso.
— E como podemos fazer isso? — Charlie perguntou.
— Verdade e desafio — ela respondeu desafiadora a todos.
— Isso é brincadeira de adolescente, Gabi, e nunca dá certo — respondeu contrariada, se lembrando da última tentativa.
— Ah, vamos, acho que todos aqui têm consciência sobre o que quer dizer esquentar as coisas e não vão mandar ninguém correr pelado pela propriedade — Gabriela disse certa de que aquele era o melhor passatempo.
— Por mim — James deu de ombros.
— Bem, eu até que queria fazer o Matt correr pelado, mas ok — Charlie riu.
— Se for pra esquentar as coisas... — Liz deu de ombros.
— Vocês são um bando de virgens — rolou os olhos —, mas tá... — ele deu de ombros mantendo a namorada próxima.
— Bem, a maioria ganhou, então vou girar a garrafa... e regras: a cada duas perguntas um desafio, a opção não pagar está cortada e todos estão participando, vocês sabem pra quem cair a ponta da garrafa escolhe pra quem perguntar e assim por diante — Gabriela sorriu enormemente ao pegar a garrafa seca de cerveja e rodá-la no centro da mesa. Os primeiros foram Charlie e .
— Verdade ou desafio, ? — ele perguntou a ele que bebia um gole de sua cerveja.
— Verdade — respondeu rapidamente.
— Com quantas mulheres você já transou na vida? — Charlie perguntou e olhou para cima como se lembrasse.
— Umas 20, talvez — respondeu e fez um assovio indicando espanto, James riu. analisou todos ali e apontou pra Gabriela.
— Verdade ou desafio, Gabriela? — ele perguntou calmo e ela sorriu escolhendo verdade. — Diz a coisa que você mais gosta quando James faz — ele perguntou.
— Oral, eu amo o sexo oral dele — ela respondeu e James pareceu orgulhoso de si. — Liz, verdade ou desafio?
— Verdade — ela respondeu.
— Ah, deixem de ser desanimados — Matt reclamou e Gabi fez sinal de silêncio.
— Qual sua posição preferida? — a loira perguntou animada.
— De lado — Liz respondeu parecendo envergonhada, mas logo se virou pra . — Verdade ou desafio, ?
— Verdade — ouviram bufadas e ele riu. — Eu ainda tenho direito — deu de ombros.
— Transou com a ? — Liz perguntou olhando para em seguida que apenas olhava com cara de paisagem para tudo aquilo.
— Sim, transamos — respondeu a ele e olhou para Matt. — Verdade ou desafio Matt?
— Desafio — Matt disse se gabando como se fosse mais corajoso que qualquer um ali.
— Liga pra garota que você transou pela última vez, coloca no viva-voz e pergunta o que ela achou — disse com um olhar sombrio, e Matt riu, segurou o celular e discou um número, todos fizeram silêncio enquanto ouviam os toques no viva voz.
— Alô, Melissa — Matt falou de seu lugar.
— Oi, Matt — a menina disse parecendo animada.
— Eu liguei pra saber o que você achou da ultima vez... — ele perguntou e ela soltou uma risadinha.
— Ah, eu gostei, foi okay — foi o que a voz saída do celular falou e todos seguraram os comentários.
— Obrigado, gata, to meio ocupado agora. Te ligo depois — ele disse isso e desligou antes que ela respondesse, só então os meninos fizeram barulho rindo brincando com o "okay". — Então, minha vez. , você que está quieto, verdade ou desafio?
— Verdade — ele respondeu sem ânimo, seu olho estava baixo e seu nariz vermelho, já não estava sóbrio.
— Conta a vez que você mais curtiu — Matt perguntou colocando o celular no bolso.
— São muitas, cara, é sexo — ele deu de ombros sem muita importância.
— Sim, mas sempre tem aquela que tu para e pensa "puta que pariu, aí foi, hein" — Charlie disse e ele concordou.
— Certo, nossa, é difícil... mas tinha essa menina e eu tava meio porre, ela tava tentando cuidar de mim, mas eu não conseguia ficar muito tempo perto dela sem tirar a sua roupa. Mas aí eu tava na banheira completamente porre, com ela passando a mão pelo meu cabelo e eu puxei ela e ela tava com uniforme então eu só afastei a calcinha e ela era tipo a garota mais gostosa do mundo e gemia no meu ouvido... quando ela achou que eu já ia parar ela me segurou e disse que não era pra eu parar, toda vez que eu lembro da voz dela dizendo isso eu fico excitado... — contou e sabia que era uma transa dos dois, se encolheu no abraço de com aquilo, era uma tortura. Liz também havia ficado de cara com aquilo.
— Achei que ia vir algo mais sujo, hein — Charlie resmungou.
— Afinal estamos falando do ... — James deu de ombros.
— Ah, já tive altas experiências, mas vocês pediu a vez que eu mais curti e aí está — ele deu de ombros. — James, verdade ou desafio?
— Verdade — o loiro respondeu.
— Você já traiu a Gabi? — foi direto, não se importando muito com a situação que colocaria James.
— Já, mas ela sabe — ele respondeu com uma voz fraca e Gabi sorriu pra ele como se dissesse que esta tudo bem. — , verdade ou desafio? —
— Verdade — respondeu apenas virando o olho para olhá-lo.
— Me diz uma coisa que você gosta que faça.
— Nossa — olhou para . — Ele é tão fofo, mas na cama ele tem essa pegada pesada e eu meio que acho isso excitante — ela deu de ombros e mordeu as costas dela. — Charlie, verdade ou desafio? — perguntou ao garoto e ele a olhou ponderando.
— Verdade — respondeu.
— A maior loucura que você já fez, sexualmente falando — disse isso e acabou a cerveja em seguida.
— Transar com três ao mesmo tempo, provavelmente — ele respondeu e virou-se para . — Verdade ou desafio?
— Verdade — respondeu novamente sem vontade.
— Já traiu a Liz? — Charlie perguntou e riu irônico.
— Muitas vezes — respondeu somente e novamente se encolheu. — Gabriela, verdade ou desafio?
— Verdade, se todo mundo vai gastar eu também vou — ela disse divertida.
— Tirando o James, com quem dos caras aqui você ficaria? — ele perguntou e Gabriela cerrou os olhos.
— Você tá afiado, né? — Gabriela rolou os olhos. — Eu ficaria com o — ela respondeu segura.
— Não vale, todo mundo ficaria com o , ele é o cara mais ficável do grupo — James riu e Gabriela o abraçou.
— Mas seria só mais ele... isso se você não existisse — ela completou rindo e ele beijou-lhe o ombro. — Liz...
— Verdade — Liz respondeu.
— Tirado o , com qual dos menino você ficaria? — Gabriela perguntou como uma revanche, mesmo que soubesse que aquilo não atingiria .
— Charlie — Liz respondeu sem pensar duas vezes o que levou a alguns risos e brincadeira, Matt principalmente por já tinha percebido isso. — Matt, verdade ou desafio?
— Verdade — disse somente —, agora eu posso.
— Mesma coisa, com qual menina você ficaria se pudesse escolher — Matt olhou cada uma das meninas.
— Gabi é homem pra mim — ele disse com desdém. — Você me parece chata — Matt olhou para Liz. — Com certeza, — respondeu sorrindo e sorriu de volta como se agradecesse a preferência. — , verdade ou desafio?
— Ele não tem mais verdade — Gabriela alertou e Matt comemorou.
— Escolhe uma das meninas, sem ser a Liz, pra passar sete minutos no paraíso — Matt disse desafiador.
— Não, velho, aí já é avacalhar... — protestou —, elas são comprometidas e ele também — ele tinha muito medo dele ele escolher , ele não suportaria.
— Hora, eu disse pra eles irem pra um lugar, sozinhos, não mandei fazer nada — Matt defendeu-se.
— Bem, eu acho genial — Charlie anunciou rindo. — Vamos, , estamos esperando — apressou, olhou para e estava tenso ao seu lado, mordeu o lábio.
— Gabi — respondeu, para a surpresa da própria, não sabia se achava isso bom ou ruim. Gabriela apertou a mão de James e levantou-se, andou na frente dela até a dispensa, o primeiro lugar que ele pensou.
— Era uma ótima oportunidade, você sabe não é? — ela perguntou assim que eles fecharam a porta e ele concordou com a cabeça.
— Desculpa — ele disse com o canto da boca torto, — se eu chamasse a ela provavelmente ficaria brava, porque desconfiaria e tudo mais, acabaríamos brigando e ela não pode terminar comigo duas vezes, não — se explicou e Gabi sentou-se no chão.
— Tudo bem, eu entendo — ela sorriu e ele sentou-se no chão também.
— E eu sei que James confia em você e vai saber que não rolou nada — disse dando de ombros.
— É, ele sabe que eu não faria — ela disse simpática —, mas, então, é serio esse término?
— Pelo jeito é, eu nunca vi ela assim com — ele respondeu bagunçando o cabelo. — Eu não sei mais o que fazer...
— Você ama ela? — Gabi perguntou direta e engoliu seco.
— Defina amar — soltou uma risadinha após perguntar.
— Seu coração dispara perto dela, você sente um medo inexplicável de perder, dorme e acorda pensando nela, pensa o tempo todo de um jeito que te faz se sentir louco. É meio assim que eu me sinto com James — Gabriela o olhou e parecia ter ficado com o pensamento longe.
— Talvez ame — ele respondeu então.
— Porque não tem certeza? — ela o instigou.
— Porque eu não quero ter, sabe, isso tá acabando comigo... ela me trata como segundo plano, ela claramente tá pouco se lixando, quem sai perdendo sou eu — ele falou sincero e Gabriela riu.
— Sabe, , eu não queria me meter porque vocês dois são meus amigos. Mas também é uma amiga agora e ela tá se anulando completamente então pensa bem... ela tem um monte de problemas com ela mesma, se você não percebeu, ela tenta carregar o mundo nas costas e você sabe, ninguém consegue fazer isso sem surtar — ela respondeu e não entendeu.
— Eu queria que ela conversasse comigo, Gabi, só isso — ele disse ríspido, — e isso que ela tá fazendo com , estupidez... ela só quer fazer eu me sentir culpado.
— Você não é o centro do universo , é muito melhor que você e você sabe disso, ela gosta dele, ela só não ama ele... ela ama você, ela sempre amou, e o problema disso com é que ela tá se enganando, ela nunca vai ser feliz com ele, não do jeito que é com você.
— E o que eu faço?
— Não desiste, é o mínimo que você pode fazer.
— E aguentar tudo isso calado?
— Sim, você também tem uma namorada, que até onde eu sei acha que você é super apaixonado por ela — Gabi disse. — Isso se chama hipocrisia, não? — Gabi levantou-se. — Acabou os sete minutos — ele levantou-se e voltaram a varanda a tempo de ver o selinho que Matt havia acabado de dar em Charlie, sobre várias risadas. — Bonito, né, continuaram sem nós.
— Não íamos esperar vocês acabarem de se pegar — Matt rolou os olhos e Gabi jogou o papel de um dos papelotes de cocaína nele, que riu. olhou e Gabi, não tinham sinal de nada, mordeu o lábio, não deveria ter ciúme da Gabi, ela era a única que sabia de tudo. Gabi e elas se olharam e a loira lançou lhe uma piscadela.
, você não tem mais verdades... Beija a Liz — Charlie disse e bagunçou o cabelo.
— Não, cara... — ele disse e olhou para parada, não achava que podia impedir alguma coisa que quisesse.
— É só uma brincadeira — Liz disse irritada e olhou .
— Ele me mandou beijar o Charlie, fala sério. Pelo menos eu não mandei ele beijar o — Matt disse dando de ombros.
— Vai em frente — disse divertido, aquilo realmente não o abalava em nada. Ele deu uma olhada para que fez um sinal com o ombro de que tudo bem, então saiu do colo dele e ele se levantou, caminhou até Liz e não fez menção nenhuma de se aproximar mais do que as bocas, encostou elas e beijou a garota a sua frente. Liz colocou a mão no rosto dele retribuindo o beijo, olhou para e ela também o olhou, por alguns segundos. encerrou o beijo e voltou para seu lugar com sentada em seu colo, ele bebeu um gole da cerveja e depois deu um beijo na nuca de que sorriu.
— James, verdade ou desafio? — perguntou sentando.
— Verdade — ele disse calmamente.
— Ficou com ciúmes quando chamou a Gabi? — perguntou.
— Pra ser sincero, é óbvio, aposto que você sobe na parede quando fica perto de qualquer homem que não seja você... — James disse rindo, mas então segurou a mão de Gabriela, — mas eu confio na Gabi de olhos fechados — ele concluiu e Gabi deu um breve selinho nele. — Verdade ou desafio, ?
— Verdade — ele disse com uma nova garrafa em mãos.
— Ficou com ciúme ao ver beijando Liz? — ele perguntou.
— Não tenho porque — disse com certo desdém, falando a verdade, mas logo percebeu que não podia parar ali. — é meu melhor amigo e vocês me conhecem, eu não namoraria ela se não fosse algo diferente — ele deu de ombros, Liz sorriu bobamente e o abraçou, Gabi soltou uma risada disfarçada que só ele percebeu o motivo, apenas ignorou. — Matt, verdade ou desafio? —
— Verdade — ele disse rindo.
— Charlie beija bem? — perguntou já rindo.
— Adoro o beijo dele — Matt respondeu com uma pinta gay o que fez todos rirem. — Gabi, verdade ou desafio.
— Verdade — ela respondeu.
manda bem? — ele perguntou.
— Palhaço — ela mandou o dedo do meio pra ele e todos riram. — , acho que você ainda não pagou seu desafio — disse capciosa e rolou os olhos, — acho que nada mais justo, já que beijou Liz, beijar — Gabi disse geniosa.
— Eu não concordo com isso— disse, aquela ideia era completamente absurda. — e não se dão tão bem e seria ruim, não seria ?" ele perguntou notavelmente enciumado.
— Não seria nada que nunca fizemos, " respondeu prontamente e engoliu seco.
— Porque o tem que se dar bem? — Charlie perguntou parecendo revoltado e em tom de brincadeira pra cortar o clima que ficou. ficou mais vermelho que o normal e fechou a cara.
— Vamos, — Gabi apressou ignorando o protesto. olhou ao seu lado e ele fez um sinal negativo com a cabeça e ela concordou.
— Eu não acho uma boa ideia — ela disse então, negando, ela realmente achava que não era.
— Desafio é desafio — Matt insistiu e mordeu os lábios.
— Isso é uma brincadeira, pelo amor de Deus — Gabi bufou e olhou novamente pra , que dessa vez fez um sinal contrariado, que parecia se divertir. bebeu um gole da cerveja e a verdade era que seu coração palpitava com a possibilidade de beijar . Ela levantou-se do colo de e andou até ele, com Gabi sorrindo vitoriosa. olhou para e ele sabia que ela ainda estava puta, e que não queria fazer aquilo, mas também podia ver nos olhos dela que estava ansiosa, Liz saiu do colo dele tentando menosprezar a situação.
A ruiva se inclinou e tocou os lábios com o de , aquilo parecia mágica, assim que sentiu os lábios no dele ela percebeu o quanto sentia falta. O coração de batia acelerado, ele queria pedir desculpas por tudo que fez, mas só conseguiu colocar a mão na nuca dela aprofundando mais o beijo, se separou sabendo que já durava mais que o comum, mesmo que relutante. Ainda olhou mais uma vez para ele com peso. Voltou para perto da , mas dessa vez não o abraçou, não sentiu que podia fingir depois daquilo. Aquele beijo eram todos os pesadelos de virando realidade.
— Não quero mais brincar, pega todas as gostosas — Charlie disse levantando-se.
— Isso, chega — disse. — Vamos subir — ele disse para , não era um pedido, era praticamente uma ordem, ela concordou, iria intervir, não achava que ele tinha o direito de falar assim com , mas Gabi negou com a cabeça e ele apenas se segurou.
segurou sua mão e subiu com ela sem se despedir e sem palavra alguma, eles entraram no quarto e ele apenas tirou a camisa, ela tirou a calça e deitou-se na cama. — Eu não quero que você fale mais com .
, era uma brincadeira.
— Não importa, — ele disse alto —, eu não quero.
— Você sabe o que eu faço com .
— Não importa, eu não quero — ele repetiu. — Você já esqueceu quantas vezes ele espalhou pra todo mundo que tirou sua virgindade? De todas as vezes que ele te expôs? Te chamou de foda pós festa? Você não se dá ao respeito? Vai pagar pau até quando? E por causa de cocaína? — ele disse amargo sob efeito de cocaína e do álcool, nunca tinha falado com ela daquele jeito, ela levantou-se e foi para o banheiro, trancou a porta, sentou-se no chão e tentou não chorar, ouviu as batidas na porta poucos segundos depois e foi quando começou a chorar com vontade, realmente não entendia porque sua vida era todo esse drama. — Abre a porra da porta, — ele batia com força e aquilo só a deixava mais assustada e com menos vontade de abrir a porta. — ... você não pode ficar puta comigo por eu falar a verdade — ele disse novamente batendo e falando mais alto. — — ele deu um soco na porta e ela apenas se mantinha encolhida.
— Eu não quero falar com você, — ela respondeu do banheiro e ela deu uma ultima batida na porta.
— Tá tudo bem? — James entrou no quarto junto com . — Dá pra ouvir na piscina — continuou.
— Tá, cara, a gente brigou, ela não quer falar comigo — deu de ombros.
— Se ela não quer falar com você não deveria forçar — se intrometeu e apenas o olhou feio.
— Não se mete, respondeu seco. — Tá tudo bem, ela sai de lá quando quiser — ele entortou a boca e se afastou da porta. James concordou e saiu puxando de lá para que os dois não brigassem. bufou, mas continuou onde estava, ouviu o barulho de deitando na cama e então esperou mais um pouco, de fato não queria falar com ele mais naquela noite, só então saiu e deitou-se na cama ao lado dele e logo tratou de dormir. acordou no meio da noite e a viu, se aproximou dela e lhe beijou o ombro e abraçou voltando a dormir logo em seguida.
Quando acordou na manha seguinte, estava acordado ao seu lado enquanto passava alguma coisa boba na TV, ele estava esperando que ela acordasse.
... — ele tentou assim que viu ela se mexendo, mas ela não falou nada, apenas se levantou e foi para o banheiro, tomou um banho e quando saiu ele ainda estava lá. — Você precisa falar comigo uma hora...
— Não agora — ela respondeu procurando uma roupa para usar, escolheu e acabou de se arrumar ainda em silêncio, e em seguida saiu do quarto, assim que o fez passava no corredor.
— Você tá bem? — ele perguntou assim que a viu e ela concordou. — O que foi ontem?
— Ele ficou com ciúme por causa do nosso beijo... falou umas bobagens — ela respondeu enquanto não parava de andar, tão pouco queria conversar com naquele momento.
— Aquele beijo ontem, você tava com saudades, não tava? — ele perguntou provocativo, mas ela não respondeu, apenas continuou descendo. — ...
— Eu to cheia de vocês dois, me deixem em paz — ela disse indo em direção à saída da casa, passou pela piscina e foi para o coreto, por sorte não havia mais ninguém no caminho, a viagem já tinha dado o que tinha que dar, e ela não aguentava mais nenhum dos dois, nenhuma queixa.
... porque as coisas parecem desandar tão rápido com você? — Gabi perguntou assim que viu a amiga ali sozinha.
— Eu não faço ideia... — ela riu ironicamente.
foi violento ontem?
— Não, mas falou umas coisas bem ruins... — ela deu de ombros. — Desculpa pelo escândalo.
— Só ficamos preocupados com vocês — ela respondeu e sorriu.
— Eu acho que podíamos ir ao shopping, gastar algum dinheiro, porque alivia a alma — Gabi disse e sorriu.
— Espero que tenham boas grifes aqui — respondeu e Gabi concordou animadamente. — Vou avisar o James e pegar meu carro — a loira anunciou, apenas concordou e esperou mais algum tempo pra entrar na casa, pegar uma bolsa, e sair novamente, não estava mais lá e ela sinceramente não queria que tivesse.
Gabi e saíram de casa rumo ao shopping na Tucson de Gabi, foi um dia relaxado, com conversas simples, Gabi era bem simples.
— Eu juro que não entendo nada desses negócios de nobreza — Gabi deu de ombros —, eu to aqui de férias e vocês é porque é aniversário da rainha, não é?
— Sim, é uma data especial — concordou. — Na verdade, na prática, ser real ou não ser real não faz diferença nenhuma, a não ser na chatice — a ruiva deu de ombros.
— Mas vocês já estão acostumados...
— Sim, acontece — deu de ombros —, mas eu também não dou a mínima.
parece ser o que mais liga.
— Não, ele não ta nem aí... — deu de ombros. — Ele liga pra aparecer, mas ser real ou não realmente não faz diferença, não é e é mais rico do que nós dois juntos.
— Eu sempre ouvi que ele tem realmente muito dinheiro.
— É, isso é verdade, acho que hoje ele é um dos mais ricos da Inglaterra.
— Seus pais amam ele, né?
— Sim... — deu de ombros.
— James e eu somos duros, tipo não morremos de fome nem nada, mas a gente não tem dinheiro assim. Ele e se conheceram por acaso e apresentou , se não fosse isso nunca teriam se conhecido.
— Mas essa casa de vocês é bem legal.
— Era da vó do James, é bem bonita mesmo, não existem casas como essa mais — Gabi respondeu. — Nós nos viramos com o dinheiro de show, sabe, eles estão se dando bem com o Busted e eu com o Lunabells, mas também trabalhamos bastante.
— Vocês merecem... você e James são pessoas realmente legais — sorriu. — Além de ser o casal mais comprometido e conectado que eu já vi.
— Sério, ele foi um presente na minha vida, eu amo tudo nele, tudo... eu juro — Gabi disse em um suspiro enquanto ainda andavam.
— Vocês pretendem essas coisas de casar e ter filhos? — perguntou.
— Um dia sim, eu não acho que tenha algum jeito de não sairmos juntos dessa historia — ela deu de ombros. — Sephora, finalmente — Gabi apontou e elas tomaram rumo ate lá. não podia deixar de pensar que Gabi vivia um conto de fadas e que qualquer relacionamento deveria ser assim, esse era o modo certo de estar com alguém.
Assim que chegaram ouviram vozes masculinas da varanda e de fato todos os homens estavam lá tomando cervejas.
— Meu deus, vocês compraram um shopping? — James disse assim que as viu cheias de sacolas.
— Apenas um dia divertido — Gabi deu de ombros.
— Estávamos esperando vocês, hoje é dia do show do Boys Like Girls, vão querer ir? — Charlie perguntou.
— Não tenho certeza, to cansada — deu de ombros, e olhavam ansiosos esperando alguma retribuição de olhar dela.
— Eu vou, porque Boys like girls é bom de mais — Gabi deu de ombros.
— Bem eu vou colocar as compras lá em cima e arrumar na mala — anunciou sorrindo e indo em direção ao quarto, assim que entrou não demorou para a porta abrir novamente e ser .
, por favor, vamos conversar — ele disse sentando na cama, ela deixou as coisas no chão e o olhou colocando a mão na cintura esperando que ele falasse o que tinha que falar. — Me desculpa, eu tava porre, chapado e com ciúme...
— Eu sei disso — ela respondeu seca —, mas eu não sou obrigada a ouvir mesmo assim, você sempre fala essas coisas sobre meu passado com o , foi muito ruim me sentir do jeito que ele fez e você não é melhor que ele quando usa isso contra mim. nunca foi meu namorado, você é — ela argumentou e ele concordou cabisbaixo.
— Desculpa, ok? — ele se levantou e andou até ela, colocou as mãos sob o rosto dela. — Eu tenho muito medo de perder você e ver você beijando é tipo o pior pesadelo virando realidade.
— Eu sei disso e eu sinto muito por você ter visto, eu não deveria ter aceitado o desafio — ela disse o olhando.
— Tudo bem — ele encostou a boca na dela. — Você é minha garota, eu preciso me dar conta disso — ele respondeu sorrindo, ela sorriu também. — Quer ir ao show?
— Quero sim — ela concordou —, vou me arrumar, ok?
— Certo — ele concordou a soltando e dando um beijo em sua testa, sentou na cama e esperou a namorada se arrumar pacientemente. — Eu gosto quando você usa calça jeans, quando usa... — ele notou e ela sorriu, alguma coisa realmente parecia diferente quando ela usava calça pelo jeito.
— É, eu acho que vou tentar usar com mais frequência.
— Acho uma boa ideia — disse dá cama e ela sorriu, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo.

Estavam todos arrumados, prontos para o show. James buzinou na frente da casa, para apressar Gabriela, que ainda estava se olhando no espelho da sala, ele dirigiria como de costume a Tucson, enquanto ela dirigiria a Frontier, com James estavam Matt, Charlie, e resolveram que iam formar uma espécie de clube do Bolinha. Levavam caixas de cerveja no carro, como se fossem consumir aquilo tudo em meia hora. Liz e iam com Gabriela.
— Não gostei dessa segregação, queria ir com — Liz reclamou quando fechou a porta do carro.
— Deixa eles, eles precisam cheirar a testosterona um do outro — Gabriela respondeu ligando o carro.
— Gabriela, você não é Inglesa não é? — perguntou a loira ao seu lado.
— Sou americana — disse ligando o som.
— E você namora com James a distancia, é isso? — perguntou Liz, inclinando-se e ficando com o rosto entre o banco de e o de Gabriela.
— A maior parte do tempo, mas tentamos nos ver sempre, só é complicado porque nós dois temos bandas então, sempre nos desencontramos — ela explicou e Liz sorriu.
— Acho ele fofo com você, é difícil homens assim — Liz disse.
— É difícil pra você que foi namorar logo o — Gabriela respondeu sem cerimônia.
— Pior, é um gentleman comigo — respondeu dando razão a Gabriela.
nunca foi um poço de educação mesmo, James que conta muitas coisas sobre ele e , ele é um grosso, acho estranho alguém se apaixonar por ele, mas tudo bem — a loira disse olhando a estrada.
— Não é assim também Gabi, o tem os momentos dele — o defendeu e Gabi a olhou com um riso maroto. — Eu o conheço minha vida toda e ele sabe ser legal, quando quer.
— O problema é ele querer — Liz respondeu frustrada.
— Mas então como anda seu namoro com ele, Liz? — Gabriela perguntou isso em tom de pura curiosidade enquanto a lançou um olhar de reprovação.
— Não sei, ele visivelmente não gosta tanto de mim o quanto eu gosto dele, ele fica comigo quando quer, quando não quer simplesmente some. Às vezes eu canso, mas sempre volto atrás — Liz respondeu sincera esperando bons conselhos das meninas. — Digo... eu namoro ele, né, eu devo ser sortuda de algum jeito.
não ama ninguém — Gabriela disse —, todo mundo sabe disso, se salva enquanto é tempo.
— Ainda tenho esperanças de resgatar meu namoro — Liz sorriu fraco.
— E você, , me diz como conheceu — Gabriela perguntou cortando a conversa, a ruiva rolou os olhos.
— Nossos pais se conhecem há muito tempo, de eventos da coroa e, claro, o pai de é do parlamento, meu pai é advogado, sempre se encontravam. O que eu sei é que quando voltamos de St. Petersburg, em um verão, fomos para a casa dos em Windsor e foi quando nos conhecemos. Acho que tínhamos dois ou três anos, pelo menos foi a primeira vez que eu sei que o vi, nos encontrávamos pelos eventos, depois de um tempo ele foi morar para a Escócia e nos víamos cada vez menos vezes, então nos víamos mais no verão. Era legal eu, ele, Marie e Willian.
— Willian, o príncipe? — Liz perguntou.
— Sim — respondeu.
— Nossa, acho engraçado isso, nos EUA não temos nada disso. De repente estou passando o feriado com um duque e uma condessa que são amigos de infância do príncipe da Inglaterra — Gabriela disse isso em um tom engraçado e riu.
— Nem é duque, nem eu sou condessa, ainda estão nos nossos pais o título — ela respondeu corrigindo a menina —, somos apenas sucessores — ela deu de ombros.
— Desculpa o engano, vossa majestade — Gabriela disse sarrenta e mandou o dedo do meio —, mas continue.
— Ah, é só, começou com a vida louca dele com uns 13 anos e passamos um tempo sem nos ver, depois ele foi pra Radcliffe, ele já conhecia o e eu já conhecia Liz — deu de ombros.
— E porque vocês se odeiam? Ou se odiavam, né... — Liz perguntou.
— Porque eu o achava um bocó, mas agora passou — deu de ombros pensando em como realmente tinha passado, ouviu uma musica do Boys like girls tocar no carro. — Essa é a melhor deles — aumentou o som e logo as três desviaram o assunto até o local da festa.
James distribuiu as entradas e todos seguiram para entrar, o show ainda não havia começado, escolheram um lugar pelo meio da pista para verem melhor.
— Você podia ter pagado um camarote — disse a ele notando o quanto encheria.
— Não tinha mais — James deu de ombros abraçando Gabriela, o imitou e abraçou pela cintura.
— Vou pegar alguma coisa pra beber, quer? — perguntou no ouvido dela que assentiu.
— Quero qualquer coisa com álcool — respondeu no ouvido dele também. afastou-se, mas não demorou a voltar com as bebida. O show atrasou e enquanto isso lhes restou conversar e beber, o que resolveu se inclinar a fazer com vontade. Quando as luzes se apagaram ela já tinha certeza que já não estava sóbria. — Eu vou pegar mais — ela disse no ouvido de que apenas concordou, andou até o bar e se inclinou no balcão esperando ser atendida.
— Não tem nada mais irritante no mundo do que você e — ela ouviu a voz de ao seu lado.
— Fecha o olho — ela rolou os olhos.
— Você tem que tá brincando, ... — ele disse sem paciência. — Chega dessa história de tempo, eu não sei se já percebeu, mas isso tá me deixando louco.
— Quem foi que começou com isso tudo?
— Certo, eu exagerei, eu sei disso, mas eu sinto sua falta. Essa semana tá uma merda — ele explicou e as bebidas dela chegaram.
... deixa tudo como tá, ok? — ela disse, não era como ela queria que fosse, mas ficar com não estava ajudando em nada. Deu um gole maior que o normal na bebida e depois se afastou. suspirou, não tinha o que fazer.
, eu não quero mais ficar aqui — disse no ouvido de pelo meio do show.
— Quer ir pra casa já? — ele perguntou a olhando.
— Não, eu não quero mais ficar aqui... em Lancaster, eu quero voltar pra Londres — ela explicou, a banda tocava Thunder ao fundo e apenas a olhou e concordou, passou os braços ao redor dela e lhe deu um beijo em sua testa.
— Nós vamos, ok? — ele disse e ela concordou o abraçando. Ficar na mesma casa que não estava sendo fácil e ela nunca conseguiria ficar bem com enquanto ele estivesse por perto.
agilizou o máximo que pode a volta deles para Londres e no dia seguinte já estava tudo arranjado. e Liz ficariam, e no fundo sabia que era isso que queria fazer, deixar ele para trás. E não seria ele quem iria mantê-la perto dele.
— Sério, eu não acredito que você vai embora — Gabriela disse para assim que ela desceu.
— Desculpa, Gabi, eu gostei tanto de você e dos meninos, mas você sabe... não tá funcionando — explicou e Gabi apenas concordou. — Você já sabe por onde me encontrar quando tiver em Londres.
— Com certeza, te desejo tudo de bom — elas se abraçaram e Charlie e Matt se aproximaram.
e James estão lá fora te esperando — Matt disse e ela concordou indo cumprimentar os dois.
— Obrigada pelos dias, meninos, espero que a gente se veja em breve.
— Pode deixar, — Charlie piscou, ela saiu da casa e a esperava com James e o motorista. Eles acabaram de se despedir e entraram no carro. segurou a mão de e ela sorriu.
— Obrigada — respondeu baixo e ele concordou.

Capítulo 12

Let me catch my breath to breathe
Then reach across the bed
Just to know we're safe
I am a grateful man
The slightest bit of light
And I can see you clear
Have to take your hand, and feel your breath
For fear that someday will be over
I pull you close, so much to lose
Knowing that nothing lasts forever
I didn't care, before you were here
I danced in laughter with the everafter
But all things change, let this remain

Depois do feriado em Lancaster, continuou a evitar pela escola, algumas vezes ela o via a encarando esperando algum olhar diferente dela que dissesse que aquela agonia já tinha acabado, mas ela simplesmente não o fazia. Ela passava os dias se segurando pra não ir atrás dele, para não dizer que cansou daquele tempo, mas não tinha coragem o suficiente para aquilo. Tudo era um pouco melhor quando estava perto, não porque ele amenizava a falta de , mas porque era alguém, o único, quando estava com ele não precisava pensar em o quão miserável se sentia sem , ele lhe dava algo a pensar, era tudo que ela precisava, além de uma vigilância, com perto ela definitivamente não podia procurar .
Mas os momentos que não estava por perto eram tortuosos, ela passava as tela do celular como se em algum momento alguma coisa fosse mudar, mas não mudava, aquela era a sua realidade agora e isso era completamente frustrante. Na primeira semana não imaginou que fosse sentir tanta falta assim, não daquele jeito, por vezes pegava a última camisa que havia deixado lá apenas para deixar perto e sentir o cheiro que ainda tinha, às vezes se sentia meio insana por isso, tentava imaginar como havia sido o último beijo e a última vez que ele havia chamado de amor. Definitivamente não era justo uma pessoa encontrar a outra, ter tanto afeto e ao mesmo tempo ser impossível de manter aquele relacionamento, era uma piada sem graça, um presente grego.
voltou da escola e naquele dia não poderia ficar com ela, tinha coisas importantes para resolver, quando isso acontecia sua melhor escolha era se desligar do mundo, sem não tinha como conseguir drogas, mas mexendo nas coisas antigas de sua mãe encontrou um remédio para dormir, era controlado e antes que fizesse ela dormir lhe dava uma sensação ótima. Ela pegou o pote e tomou dois comprimidos; aquilo lhe faria dormir por um bom tempo. Deitou em sua cama e não demorou para que o sono viesse.

não tinha absolutamente expectativa nenhuma sobre o que fazer da vida, estacionou seu carro e subiu afrouxando ainda mais a gravata da escola. Assim que chegou em seu andar viu Louise, a governanta de sua casa e praticamente da família, ela o olhou e imediatamente soube que alguma coisa não estava bem.
, você parece péssimo — ela disse com uma voz sentida, se aproximou dele —, e tá quente, acha que está com febre?
— Não, Louise, eu to bem... só cansado — ele respondeu desanimado.
— Você voltou a beber como antes por quê? Você estava indo bem com isso — ela disse em tom critico e ele rolou os olhos. — Não role os olhos pra mim, você sabe muito bem que isso te faz fazer coisas muito ruins.
— Louise, desce, vai... — ele disse com desdém e ela bufou.
— Não me faça subir de novo e ver essas coisas no seu apartamento, eu vou passar e jogar tudo fora — a governanta ameaçou andando para a porta do elevador.
— Então não suba mais. Tchau, Louise — ele disse novamente e ela entrou no elevador finalmente descendo, mesmo que contrariada. entrou no seu apartamento e imediatamente procurou a garrafa de Whisky aberto no dia anterior, achou no bar, provavelmente a governanta tinha colocado lá. Ele abriu e virou direto em sua boca um grande gole, ligou o som e sentou no chão da sala. E tirou um saco de cocaína. Na verdade aquilo era o que ele fazia, era o que ele conseguia fazer, não era nem um pouco mais fácil ficar sem , mesmo que soasse altamente depreciativo ele preferia dividi-la com do que não tê-la mais, nunca mais, essa ideia era uma tortura, mas o pior é era sentir que ela não se importava tanto quanto ele, que para ela era mais fácil, que aliás a escolha foi dela. não era o cara certo, mas ela parecia bem certa da escolha.
Outra coisa que lhe incomodava era saber que havia muito mais na história do que ela compartilhava com ele, por algum motivo havia situações que levavam ela a fazer aquela escolha e ele não fazia ideia de quais eram, tudo bem que aos olhos dos pais ele não era a melhor escolha, ele podia entender isso, era um rapaz educado e muito embora tivesse seus vícios e não perdesse tanto assim para em questões de festa, mulheres e noitadas, ele soube não se expor tanto e de fato tinha que admitir que depois de , parou com grande parte das coisas que fazia. Ele a amava e ele faria tudo pra ficar com ela.
Principalmente saber que ela tinha alguém melhor o deixava particularmente irritado, enciumado, com vontade de falar besteiras, o que acabava fazendo. Ao mesmo tempo odiava porque nunca havia se sentindo inseguro assim antes, isso era novo e veio com ela. Revisava por horas o que eles haviam conversado, o que ele havia dito, onde haviam errado, cada detalhe que pudesse lhe lembrar onde esteve tão errado que a fez tão certa de que deveriam terminar.
passava horas sentado no chão, bebendo, cheirando e pensando o que estava acontecendo com . Às vezes ele pegava o celular e pensava em ligar, mas não o fazia, não ia aguentar ser esnobado mais uma vez, assim que uma garrafa terminava ele abria outra e cheirava mais um pouco; o que evitava que ele passasse mal ou apenas caísse por causa do álcool. O sol estava se pondo quando ele percebeu que não tinha mais nenhuma bebida que pudesse consumir, ele não pensou duas vezes antes de pegar as chaves do carro e cambalear até o elevador e ir até seu carro. Dirigiu até o posto mais próximo e comprou mais uma garrafa de Wishky, sua visão já estava turva e o posto parecia girar.
Entrou no carro e saiu do posto enquanto tomava mais um gole da bebida, pegou seu celular e alternou o olhar entre os carros e o celular, queria ligar para , talvez aquela fosse a hora certa, ele procurou o nome dela sem se preocupar com o trânsito; não era sua prioridade. Mantinha apenas o olhar periférico na rua. Selecionou o contato dela e discou, repentinamente seu estômago embrulhou mais, mas ele não teve tempo, o sinal avermelhou quando deu o terceiro toque no celular dela, ele não parou e antes que pudesse perceber o que tinha feito sentiu o impacto sobre a lateral do seu carro, foi tão forte fez o carro capotar. apenas viu barulho e o estourar dos vidros, o impacto o impulsionou para o lado e ele bateu a cabeça com força, força suficiente para que ele perdesse a consciência. O trânsito parou imediatamente, pessoas vinham ver o que tinha acontecido, aterrorizadas enquanto o viam desacordado sem a certeza se ele estava morto ou apenas inconsciente.

acordou com a vibração do seu celular, já era noite escura e o número era desconhecido.
— Oi... — ela disse com a voz sonolenta.
— Você conhece ? — uma moça perguntou pelo telefone.
— Sim, conheço... — ela respondeu confusa.
— Eu falo do Holy Mercy Hospital e... você foi a última pessoa que tava como ligação, ele sofreu um acidente.
— O que? — perguntou um pouco mais alto que o normal. — Ele está bem? O que aconteceu?
— Ele está desacordado, você pode vir no hospital, precisamos que alguém fique responsável ou acione alguém pra ser — a moça do outro lado disse.
— Eu vou, eu aviso outros... obrigada — respondeu afoita, ainda se sentia o efeito do remédio, mas levantou-se rapidamente e colocou sua mais nova companheira, a calça jeans, e uma blusa qualquer, escolheu um casaco e saiu de casa com apenas a chave e o celular na mão. Dirigiu até o Hospital e parou o carro de qualquer jeito em uma vaga. Procurou a recepção e informou o nome de , assim que lhe garantiram que ele estava bem, sem risco de morte ela perguntou: — Mais alguém sabe?
— Não, o celular dele quebrou o visor, a última tela era a de chamadas e conseguimos ver a última ligação, mas está praticamente impossível mexer — a moça colocou em cima do balcão uma ficha e os pertences de —, se você for maior de idade pode assinar a ficha dele.
— Não, eu vou avisar os pais dele — ela anunciou pegando apenas os pertences dele e a moça consentiu.
— Moça, a polícia vai querer conversar com ele, encontraram uma garrafa de álcool e os exames dele deram positivo para álcool e cocaína no sangue — a enfermeira disse baixo e mordeu os lábios concordando. — Tem vários repórteres vindo aqui e perguntando também.
— Por favor, não fale nada, ok? Com a policia ele fala assim que ele tiver condições — respondeu e a moça concordou. — Posso ver ele? —
— Sim, por aqui — ela acompanhou até o quarto de . — Estamos esperando ele acordar — ela assentiu e entrou cuidadosamente, ele ainda dormia e seu rosto estava cheio de marcas roxeadas e pequenos cortes, havia um curativo em sua testa ao lado direito, provavelmente um corte mais profundo. Ele estava com uma roupa do hospital, mas por baixo percebia-se mais outros curativos, o braço dele e a mão tinham sinais de machucados, ela se sentia péssima sempre que reparava em um novo machucado, passou a mão pelo cabelo dele e sentiu uma lágrima solitária, não era assim que queria tocá-lo novamente.
— Hey, você... — ela olhou pra porta e viu um policial. Ele gesticulou a chamando e ela se aproximou. — O que você é dele?
— Somos amigos, há muito tempo.
— Cadê os pais dele?
— Eu vou entrar em contato, eu acabei de chegar — ela respondeu e ele concordou.
— O que vocês falaram no telefone? — ele perguntou e deu de ombros.
— Nós não falamos, eu não atendi, eu tava dormindo... — ela respondeu.
— Você sabia que ele usava drogas?
— Não — ela mentiu. — O que aconteceu?
— Seu amigo atravessou o sinal vermelho em uma via expressa, ele tava com uma garrafa de Whisky no banco do lado e o resultado do exame dele deu positivo pra álcool e cocaína, na verdade a quantidade de álcool era tão grande que a sorte é ele estar aqui por um acidente e não um coma alcoólico — ele disse anotando alguma coisa em um caderno. — Quando os pais dele chegarem mande me procurarem.
— Ok — ela concordou e logo voltou para perto de , não queria ligar pra os pais dele logo, ele provavelmente não ia querer isso, preferia conversar primeiro. Ela sentou-se na escadinha da cama e se debruçou sobre ela, olhando , levou sua mão até a dele e a segurou, ficou parada por um tempo o olhando até lentamente adormecer. Acordou com ele mexendo os dedos, ela despertou e o acompanhou com o olhar, ela levantou-se e ficou ao lado dele sem deixar de segurar a mão dele, passou a outra mão pelo cabelo dele. — ... — chamou baixo e ele foi lentamente abrindo os olhos e sorriu agradecida por ele estar bem.
— ele disse mais como um resmungo —, o que aconteceu?
— Você sofreu um acidente — ela respondeu ao lado dele e ele tentou se movimentar sentindo uma dor forte na costela, ele reclamou. — Não, fica quieto, ok? — ela respondeu colocando a mão pelo peito dele e acariciando ali. — Você se machucou muito, você trincou uma das costelas e tá com pontos na testa — ela explicou pacientemente.
— Droga... eu... — ele tentou explicar, mas ela apenas segurou colocou a mão no rosto dele e ele segurou a mão dela, pra ele aquilo parecia um sonho. — O que aconteceu? Como você veio parar aqui?
— Você me ligou, mas eu tava dormindo e não vi — ela explicou ao lado dele —, você avançou o sinal vermelho em uma via expressa, seu carro capotou...
— Que porra... — ele respondeu segurando a têmpora, sua cabeça também doía.
— Eles me ligaram porque eu era a última nos seus contatos.
— Eu não me lembro de nada — ele respondeu e ela assentiu ainda acariciando o rosto dele.
— Eles fizeram exame em você e a taxa de álcool no seu sangue tava muito alta, e encontraram cocaína também... eles querem falar com seus pais — ela respondeu e ele bufou.
— Eu to fodido — ele resmungou —, eu juro que não queria causar acidente nenhum.
— Eu sei... eu só fiquei louca quando me ligaram, eu fiquei com tanto medo de te perder, de acontecer alguma coisa muito ruim com você — ela disse isso com a voz embargada.
— Desculpa, sério... desculpa, eu tava fritando sentindo sua falta, eu acho que foi o pior mês da minha vida — ele admitiu e ela concordou.
— Eu sei, eu sei, desculpa por fazer você se sentir assim — ela lacrimejou e ele a puxou para abraçá-la e em seguida encostou a boca na dela. — Eu amo você.
— Eu também. Tanto que você não tem nem noção — ele respondeu a beijando de volta. — Você já ligou pra alguém?
— Não, mas já tem muito jornalista, vai estourar e é melhor eu ligar — ela respondeu e ele concordou.
— Ainda não, fica mais um pouco, ok? — ele pediu e ela concordou. — sabe que você tá aqui?
— Não — negou com a cabeça e assentiu. — Você tá sentindo alguma coisa?
— Parece que passou um trator em cima de mim... mais alguém se machucou?
— Não, o carro que te bateu era uma dessas caminhonetes, então deve ter amassado um pouco, mas nada demais, basicamente quem se ferrou foi você mesmo — ela explicou e ele riu fazendo uma careta pela dor ao fazer isso.
— Eu não sei se fico triste por estar completamente ferrado e perder um carro de quase 500 mil libras ou se fico feliz por que no final das contas você está aqui comigo — ele disse rolando os olhos.
— Você podia ter morrido — ela disse rolando os olhos —, e não tinha como eu não estar aqui, eu realmente não sei o que faria se acontecesse alguma coisa com você, eu já não ando na minha época mais mentalmente saudável...
— Falta eu na sua vida, a única que não percebe isso é você — ele disse e ela sorriu. — Você não tem noção do quanto eu senti sua falta, , não faz mais isso.
— Não se preocupa com isso agora, ok? — ela disse dando um beijo na cabeça dele. — Eu amo você.
— Eu também amo você — ele disse e obsevou que o policial estava na porta.
— Eu vou ligar pros seus pais, esse cara tá de marcação com você.
— Isso é besteira, não vai dar em nada — ele deu de ombros —, só pede pro meu pai trazer um advogado que não seja o seu pai, de preferência — ele respondeu e ela concordou pegando o telefone.
Em minutos os pais de entraram pela quarto do hospital, a mãe dele foi a primeira a correr para perto dele para abraçá-lo.
— Mãe, minha costela — ele disse reclamando assim que a abraçou de volta e ela pareceu soltar um soluço.
— Você vai me matar, — ela disse chorosa. — Meu deus, você tá todo batido, meu filho... — ela passava a mão carinhosamente pelo rosto dele, e o pai se aproximou sorrindo e colocando a mão gentilmente na altura da perna dele.
— Você tem sorte, filho, o mínimo aconteceu — Chris disse aliviado —, mas sua mãe tem razão, você vai nos matar — dessa vez disse brincalhão, ficou quieta na escadinha ouvindo, eles não pareciam estar bravos, ela realmente um tom de alívio.
, você é nosso único filho, como você acha que vamos continuar se alguma coisa acontecer com você? — ela perguntou.
— Mãe... — ele disse apontando com o olhar para .
cresceu com você, ela é completamente capaz de nos ouvir brigando.
— Vocês não estão brigando comigo — ele respondeu rindo. — Relaxa, mãe, eu vacilei, eu sei.
— E vamos conversar direito sobre esse negócio de álcool e drogas, eu realmente não sei o que você tava tentando fazer. Se matar, né? Só pode — Chris disse e entortou a boca.
— Trouxe o advogado?
— Sim — o pai deu de ombros —, ele vai tirar a policia do seu pé, mas bem que você merecia ficar na cadeira um tempo, pra deixar de ser babaca — continuou.
— Chris... — Emma o olhou feio e ele fez um gesto com a mão.
— Eu sei que caguei tudo, ok?
— Você tava melhor, — Emma respondeu e ele concordou.
— Mas chega, vai, em casa vocês continuam.
— Em casa quando? Você vai ficar aqui em observação até amanha.
— Sério? — resmungou e os pais concordaram.
— E, , já é tarde, muito obrigada por vir imediatamente, por ficar com ele e nos avisar — Emma a olhou gentil e concordou sorrindo.
— Não foi nada, na verdade — ela respondeu se abraçando pelo frio do quarto. — Eu não iria conseguir ficar em casa sabendo disso.
— Se você quiser, pode ir — Chris disse.
— Não, deixa ela aqui — interveio. — Eu vou ficar bom mais rápido se olhar pra gente bonita — disse sério e a mãe dele riu.
— Ele sempre foi apaixonado por você — a mãe deu de ombros. — Ele sempre disse que você era namorada dele.
— Mãe...
— Para de ficar me chamando — ela olhou feio pra ele. — Uma vez ele tava no jardim de infância, tinha uns 4 ou 5 anos e uma menina disse que ela queria namorar ele e ele respondeu que não podia, que a namorada dele estava em Londres — Emma continuou, rolou os olhos e o olhou feliz em saber aquilo.
— E aquela outra garotinha? Que ele beijou e depois disse que não era pra ela se empolgar porque ele tinha namorada? — Chris lembrou e Emma concordou rindo.
— Isso parece com ele — respondeu e riu.
— Teve uma vez no valentine’s day que ele fez um escândalo até que comprássemos flores pra você, agora explica que as flores não iam durar até Londres? — Emma voltou a dizer e os três riram.
— Ela já entendeu que eu era apaixonado por ela — respondeu sem graça.
— Eu vou ver se o advogado já acabou de conversar com o policial — Chris anunciou antes de sair do quarto.
— E você avisou sua namorada? — Emma perguntou a e ele olhou para que o olhou de volta constrangida.
— Não, mãe, eu não avisei a Liz... eu nem sabia que a senhora sabia dela.
— É a minha casa, , eu sei quem entra e quem sai — Emma disse em um tom bem esclarecedor. — Eu entendi... — ela deu de ombros. — Não é como se todo mundo não soubesse. —
— Como assim, mãe? — a olhou.
— Esperamos a vida toda que vocês ficassem juntos — ela deu de ombros —, eu fico feliz... —
— Nós, não estamos... juntos — disse sem jeito, não queria explicar a situação.
— Eu sei disso também, — Emma disse esperta e ela sorriu sem graça.
— É questão de tempo, mãe — respondeu confiante e sorriu, queria que realmente fosse.
— Eu vou arrumar alguma coisa pra comer, vou trazer pra vocês — Emma disse pegando a bolsa e saindo do quarto.
— Sua mãe é um máximo.
— É... sempre espontânea — ele deu de ombros.
— Eles estão melhores?
— Não... — ele deu de ombros. — Mas eu não acho que vão se separar.
— Eles gostam muito de você — ela disse.
— Eles são meus pais...
— Eu não acho que meus pais reagiriam como eles — explicou e ele deu de ombros.
— Eu já fiz muita besteira, mas eles sabem que eu não sou uma má pessoa e eles se sentem culpados.
— Nem por culpa meus pais agiriam assim.
— Quer os meus emprestados?
— Quero — ela riu, ele estendeu a mão pra ela e ela segurou, e depois se debruçou na cama.
— Tá cansada?
— Eu tomei remédio pra dormir, o dobro da dose normal e agora que está tudo bem, mas está me dando moleza de novo.
— Porque você tomou tudo isso? — ele perguntou rolando os olhos.
— Eu queria que o dia acabasse logo — ela deu de ombros e fechou os olhos, ele soltou a mão da dela e acariciou levemente o cabelo dela.
— Eu sinto muito por essas coisas acontecerem com a gente.
— Eu também — ela disse com a voz fraca. Ela adormeceu do lado dele e os pais ficaram ao redor com eles.

— Vim trazer o café da manha — ouviu ao fundo abrindo um pouco os olhos era uma enfermeira com uma bandeja de café da manha, ela levantou e passou a mão pela de que abria os olhos relutantes. Ela olhou para o celular, era cedo, mas ainda precisava ir para a escola, se sentou e sorriu para ela, sua mãe também levantou-se e foi até ele.
— Bom dia! — Emma disse passando a mão pelo cabelo dele. — Como tá?
— Sinto que a minha cara está igual a de um balão, estou certo? — ele olhou da mãe para e ambas concordaram.
— Continua lindo — a mãe disse ele abriu uma gelatina e começou a comer.
— Eu vou ter que ir pra aula — anunciou. — Lizz e vão saber disso tudo e...
— Tá, eu entendi — ele disse bem humorado, ela sorriu. — Eu te aviso quando não tiver ninguém aqui.
— Isso, eu venho, me mantenha atualizada, ok? — ela levantou e beijou a testa dele. — Amo você.
— Eu também amo você — ele disse sorrindo. A mãe dele acompanhava tudo parecendo feliz, e então sorriu pra ela e se afastou. Como ela suspeitou, a primeira coisa que falou quando ela chegou na escola foi que acabara de falar com e ele havia sofrido um grave acidente, ele comunicou a Liz porque pediu e ela imediatamente saiu da aula para encontrá-lo. disse que iria lá após a aula e nem pensou em perguntar se ela também iria, mas ela não se incomodou com isso, a noite recebeu mensagem de dizendo que estava só finalmente e então ela pode ir pra lá após dizer a que precisava estudar para os exames.
Em uma semana foi liberado do hospital e pode finalmente voltar para casa, e Emma organizaram uma pequena recepção para ele, era confortante que algum parente pudesse apoiá-los; Emma com certeza apoiava. Ele ainda tinha alguns hematomas e pontos, sua costela doía, mas era tudo bem e ele sabia que era uma questão de tempo.
— Fica aqui comigo essa noite? — ele disse baixo enquanto se servia de um pouco de champanhe.
— Não posso, está me esperando pro jantar — ela disse baixo no ouvido dele.
— Tudo bem — ele deu um beijo na cabeça dela. — Mas estamos bem, não estamos?
— Claro — ela sorriu gentilmente dando um macaron na boca dele. — Sinto falta de você.
— Sente? — ele perguntou com um sorriso raso. — Do que, exatamente?
— Você sabe do que — ela o olhou por cima e ele riu dando uma pequena mordida no nariz dela.
— Eu também. Arrume logo um tempo pra mim, ok?
— Pode deixar — ela piscou e se afastou voltando para onde Emma estava.
A história deles parecia finalmente ter mudado, embora ainda mantivesse uma continuidade em ver , que ia reduzindo paulatinamente para que ele não percebesse até que finalmente estava novamente deixando de lado e passando praticamente o dia com , mas quando precisava finalmente ver ele aceitava bem, melhor do que nunca, ele parecia sempre pisar em ovos para não deixá-la estressada e provavelmente para não perdê-la de novo, ela tentava deixá-lo confortável, não teria forças para ficar sem ele de qualquer jeito.

Capítulo 13

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem.
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Com o acidente, se afastou de drogas e resolveu ficar em casa, tudo porque de um modo ou de outro o assunto havia vazado alguns meses depois e seu pai pediu para que ele se mantivesse calmo e recatado e ele, por sua vez, estava disposto a fazer isso. tinha conhecimento e por isso também estava evitando.
Estavam em uma boa fase, o que por si só não deveria ser tranquilo, sabia que qualquer felicidade ainda não podia ser tida como permanente, ela ainda tinha e, mais que isso, tinha seus pais para prestar conta o que nunca era uma tarefa fácil.
Contrariando a normalidade, chegou em casa do shopping com algumas compras em mãos, andou até seu quarto e a porta estava aberta, ao entrar deu de cara com de frente para a sua lixeira que estava pegando fogo.
— Que porra é essa, ? — ela perguntou ao olhar a cesta incendiando e ele a olhando.
— As cartas do — ele respondeu a olhando pelo canto do olho e o olhou incrédula.
— Você queimou? — ela perguntou e ele apenas concordou com a cabeça. — O que você tem na cabeça, ? Quer colocar fogo no apartamento? — perguntou exaltada.
— Não vai pegar fogo — ele disse indiferente.
— Você tá chapado? — ela o puxou fazendo ele a olhar, os olhos dele estavam baixos e seu nariz vermelho, respirou fundo para evitar que explodisse, correu até a cozinha e pegou uma jarra de água da geladeira, e jogou dentro da lata de lixo.
— Era pra deixar queimar — ele disse parecendo afrontado pela atitude dela.
— Cala a boca — ela disse batendo a jarra na pequena escrivaninha. — Porque caralhos você fez isso? —
— Porque eram cartas idiotas — ele respondeu a olhando.
— Eram minhas, você não tinha o direito — ela disse isso apontando o dedo para o rosto de .
— Foda-se meu direito, eu fiz, odeio o babando em você — ele respondeu indo para a cama e deitando.
— Eram antigas, , deixa de ser idiota — o olhou parada ao lado da cama. — Porque isso agora? Estávamos tão bem...
— Claro, a música também foi antiga — disse irônico, mas depois ficou silêncio por um tempo. — Desculpa.
— Você não tinha que ler nada — disse irritada.
— Não tinha nada que ele não fale quando estamos conversando sobre você — ele deu de ombros.
— Então porque queimar? — ela perguntou sem paciência.
— Porque eu não quero nenhuma lembrança dele com você — ele respondeu.
— Por que esse piti agora, ? — ela o olhou e ele sentou na cama.
— Porque já basta ver que ele tem tudo que eu quero — ele respondeu ríspido e levantou.
— Pra onde você vai? — a ruiva perguntou e ele deu de ombros, ela apressou-se e fechou a porta do quarto. — Você tá chapado, não vou te deixar sair assim.
— Quantas vezes eu já dirigi chapado, ? — ele rolou os olhos avançando e ela colocou a mão no peito dele impedindo que andasse mais.
— Da última você quase morreu — ela disse e ele bufou —, fica aí e depois você vai embora.
— Você tá puta comigo, eu não vou ficar pra gente brigar, nos estávamos bem... — ele respondeu e ela o olhou.
— Eu não vou falar mais nada, só fica e pronto — disse e ele então jogou as chaves na escrivaninha e voltou pra cama. — Que porra de música é aquela que ele escreveu? Odeio o e a genialidade dele pra letras — não conseguiu não rir.
— Ele não fez por mal — ela respondeu.
— Foda-se, ele pode dizer pra todo mundo que a música é sua e eu não — ele disse irritado e foi até a cama e sentou na beira.
— Para com essas crises, o olhou e ele mordeu o lábio a olhando novamente.
— A única crise na minha vida é você — ele respondeu e ela concordou com cabeça. Ele a puxou pela mão em um gesto para ela deitar.
— Por que você tá chapado? Você disse que ia dar um tempo.
— Você passou o final de semana com , eu tava entediado, e fritando com tudo que você podia estar fazendo. Eu não sou passivo, eu não quero mais dizer tudo bem sempre que você tem que ficar com ele e não comigo — ele disse sincero e ela o olhou concordando com as suas palavras.
— Desculpa, sério, desculpa — ela disse apenas e ele a apertou contra seu peito beijando sua cabeça.
— Tá na hora de conversarmos sobre isso, , digo realmente resolvermos isso... — ele disse de maneira lúcida e ela concordou.
— Eu sei que temos, eu só não to preparada para te perder de novo.
— E você acha que pode me perder?
— Sim, eu tenho quase certeza — ela disse baixo —, mas podemos falar disso depois? Eu prefiro que você esteja completamente sóbrio.
— Certo — ele riu ainda a abraçando.

Mais um dia de aula, chegou e não achou nenhum dos conhecidos por perto, pelo pátio ele topou com , eles cumprimentaram-se sem formalidade.
— E aí, cara, vocês estão tocando? — perguntou interessado.
— Não, estamos parados e você? — perguntou enquanto andava até um banco onde sentou com .
— Eu faço bico em uma banda, tocamos no highaway nas sextas — ele respondeu dando de ombros.
— Pode crer, já ouvi falar dos shows de sexta lá... — viu Liz se aproximar animadamente. Ela se aproximou dando um pequeno beijo nele, sorriu e continuou conversando com . — Eu queria ir lá.
— Vai, cara, é um pub legal.
, me empresta o celular, deixei o meu no carro, vou pedir pra trazerem — Liz disse tentando chamar alguma atenção, apenas tirou o celular do bolso e deu pra ela.
— Já toca há muito tempo? — voltou o olhar para ele.
— Desde que tinha doze — disse colocando a mão no bolso.
— Eu também, acho que o também, começamos a conversar nas aulas de musica — disse lembrando.
— Podíamos marcar pra tocar alguma coisa algum dia, nós três.
— Pode crer — concordou empolgado, aquele era um sonho secreto: ter uma banda.
— Dude, vou pra aula porque não to vendo mais ninguém da minha sala — bateu a mão com ele se distanciando em seguida.
, que fotos são essas da e porque estão no seu celular? — Liz perguntou de maneira agressiva assim que se distanciou, xingou-se mentalmente por deixar Liz pegar seu celular e amaldiçoou Kat por tirar as fotos também. Precisou pensar rápido.
— Foi em uma festa há muito tempo atrás, encontrei ela, ela é amiga da Kat — ele disse tentando não demonstrar interesse.
— A não gosta desse tipo de festa e ela está usando drogas aqui — Liz disse exaltada.
— Sim e daí? Querias que eu fizesse o que? A Kat tirou essas fotos — ele deu de ombro fingindo indiferença mais uma vez.
— Vocês estão se abraçando.
— Eu só tava ajudando ela — ele disse rolando os olhos, Liz não se convenceu. Naquele momento ela teve certeza que alguma coisa estava errada, clicou o mais rápido que pode para mandar as fotos para o seu celular sem que percebesse e, de fato, ele estava atordoado de mais com a situação para perceber.
— Usou? — ele perguntou sem paciência.
— Calma — ela disse parecendo mexer no celular, esperou o envio e apagou bem a tempo de praticamente puxar o celular da mão dela.

passou pela mesa de deixando um bilhete disfarçadamente, ela o olhou pelo canto do olho e fingiu ver o caderno, o abriu como se fizesse uma barreira com um dos lados para Liz não ver. — Corredor desativado... Agora — leu e imediatamente ela riu, se levantando.
— Liz, eu vou comer alguma coisa, anota pra mim? — disse despistando e Liz assentiu com a cabeça inocentemente. Ela saiu da sala direto para o corredor que estava desativado, ouviu um psiu sair de uma das salas e foi até lá, a puxou fechando a porta em seguida, sem esperar nada começou a beijá-la com vontade demais, ela riu com a pressa do garoto, mas não negou o fogo. suspendeu a garota e ela colocou as pernas ao redor da cintura dele que começou a segurá-la pela bunda. Ele a prensava entre ele e a parede, pressionando o corpo dela contra o seu várias vezes, suas mãos apertavam com força a área das coxas e bunda dela, ela segurava-se firmemente pela nuca dele enquanto sua língua brincava na boca do garoto, ela pausou o beijo com a respiração descompassada, mas não afastou a boca da dele. — O que foi isso?
— Saudade — ele disse com a respiração também arfando.
— E quis matar no meio da aula de química? — ela perguntou rindo brevemente.
— Você pode voltar pra lá se quiser — ele deu uma pequena mordida no lábio dela.
— Não, claro que não — ela recomeçou o beijo no mesmo ritmo que antes foi a vez de rir e voltar a carregá-la dessa vez até a mesa de professor que havia na sala, deixou a garota na beira sem perder o ritmo do beijo. Ela desceu a mão pelo tórax dele, apenas abrindo o cinto e a calça caiu até o meio da perna dele, avançou a mão por dentro da saia que estava e tirou a calcinha rapidamente, tirando a própria boxer depois, o que era proibido era sempre mais gostoso para os dois, o fato de estarem na escola só aumentava o tesão deles. encaixou-se nela que voltou a deixar as pernas ao redor da cintura dele, estavam inclinados sobre a mesa e ele deixou os lábios dela para beijá-la no pescoço, sem perder o ritmo rápido da penetração, gemia alto, provavelmente alguém que passasse pelo corredor ouviria, ela puxava o cabelo dele com certa força enquanto sentia ele nela. Ela soltou um último gemido ao ver que tinha alcançado seu prazer máximo, os dois estavam suados e arfando, deitou-se sobre a mesa tentando recuperar o fôlego e recompôs sua roupa.
— Eu quero transar com você pra sempre — disse rindo e riu junto.
— Você é bom de mais nisso, amor — ela voltou a sentar-se à mesa e ele inclinou-se sobre ela enquanto se apoiava na mesa fazendo com que ficasse entre seus braços.
— Me esforço pra ser sempre melhor pra você — ele disse de maneira brega, que a fez rir e em seguida deu pequenos beijos no pescoço dela.
— Quer dizer que só eu te deixo com vontade de transar no meio da aula? — ela disse no pé do ouvido dele.
— Só você me faz sentir vontade de transar o tempo todo — ele disse no ouvido dela também, eles riram. — Temos que voltar.
— Não podemos — ela disse encostando o rosto no ombro dele e dando beijos em seu pescoço. — Você definitivamente tá com cara de sexo — ela respondeu e ele riu.
— Não temos outra cara — ele disse encostando a testa na dela, ela fechou os olhos e sentiu o cheiro dele, era bom.
— Gosto do seu cheiro — ela disse sorrindo e ele beijou a testa dela.
— Eu gosto de tudo em você — respondeu a beijando, dessa vez um beijo mais calmo —, mas temos que sair daqui — ele a carregou a fazendo voltar pro chão, ela assentiu recompondo a roupa também e o cabelo, segurando depois na mão dele.
— Quem não volta pra sala? — ela perguntou.
— Eu, vou pro jardim fumar um — eles andavam pelo corredor de mãos dadas.
— Ok, nos vemos no intervalo — ela ficou na ponta do pé dando um beijo breve dele.
— Almoça comigo quando sairmos da aula? Louise ia fazer lasanha — ele disse mantendo ela junto dele.
— Não posso, meu pai pediu pra almoçar com ele — ela fez uma careta decepcionada.
— Seu pai ou o ?
— Meu pai... — ela rolou os olhos, ele deu de ombros e concordou.
— Tudo bem então, deixamos pra amanhã — foi a vez dele beijá-la. Eles continuaram até o fim do corredor de mãos dadas e depois se soltaram indo cada um para um lado. Ela foi no banheiro antes, passou uma água no rosto, umedeceu a nuca e ajeitou o cabelo deixando-o impecável novamente. Se sentia meio cara de pau de ainda sim voltar pra sala, encarar todos e Liz.

No término da aula, ela foi direto para a sua limusine e de lá se encontrar com seu pai. Há muito tempo ela não tinha realmente uma conversa com seu pai e ele ter marcado aquela fazia pensar que coisa boa não vinha.
— Hey, pai — ela disse chegando perto onde seu pai estava sentado, ele sorriu ao vê-la levantando-se e a abraçando.
— Como você tá, ? — ele disse enquanto os dois sentavam.
— Bem, e o senhor? — ela perguntou interessada e o pai falou sobre seu dia, contando-lhe sobre os casos que apareciam no escritório, essa era uma parte divertida, com as figuras que seu pai falava sobre e com as piadas que ele contava.
— E você e o naquele dia você se sentiu mal, não? — ele disse lembrando do aniversario da tia de e engoliu seco.
— Eu tava cansada, pai... — ela respondeu somente.
— Era só isso mesmo? — ele segurou a mão dela sorrindo e ela sorriu verdadeiramente com aquilo.
— Eu to bem com o . Só ando confusa — ela disse sem jeito.
— Vai ser bom pra você ficar com ele, pra nós também... mas ele é um porto seguro pra você e você precisa disso — o pai dela disse e o almoço chegou. — Pedi sua salada favorita. —
— Obrigada — ela sorriu sem jeito e eles começaram o almoço sempre interrompendo com algum assunto rápido.
— Na verdade... — Paul tomou um grande gole do vinho branco a sua frente e olhou para a filha no canto do olho, ela entendeu que agora ele diria o motivo do almoço — eu precisava conversar com você sobre algumas coisas.
— Pode falar — ela deixou os talheres de lado o olhando.
— Bem, como você sabe eu e sua mãe já estamos separados há algum tempo e agora nós dois temos pessoas boas pessoas ao nosso lado — ele disse olhando para ela. tentou disfarçar o desprazer em ver que seu pai apoiava o namoro de sua mãe com o pai de Liz, mas o deixou prosseguir. — Estive em situações complicadas recentemente e quero dar um tempo longe do país.
— E... — ela disse serena, realmente já esperava.
— Então eu decidi primeiro pedir a pessoa com quem eu estou em casamento — ele disse reticente, como se tivesse medo da reação dela.
— Bem, pai... eu não faço ideia de quem ela seja, mas não acho que você esteja pedindo a minha permissão, não é? — ela disse não entendendo onde ele queria chegar.
— A questão é que ela não é daqui, ela mora em Roma e eu vou pra lá — ele deu mais uma parada cautelosa —, e eu e sua mãe decidimos que você vai comigo — ele disse de uma vez, parecendo nervoso, soltou um riso assim que ouviu.
— Você e a mamãe o que? — perguntou retoricamente.
— Você entendeu.
— Então é assim agora? E eu posso dar opinião sobre isso?
— Eu não acho que você esteja na posição de dar sua opinião, você tem nos deixado muito preocupados, suas atitudes ultimamente não tem sido boas. Então não, você não tem escolha, nós somos seus pais e eu farei o necessário para levar você, por bem ou por mal, e você sabe que tenho poderes para isso — ele disse sem hesitar, seriamente.
— É inacreditável... porque isso agora?
— Nós sabemos que anda se encontrado com , sabemos que você anda dormindo na casa dele e que ele anda dormindo em casa.
— Não é nada... eu e — mentiu nervosa por saber que seus pais não estavam alheios ao que estava acontecendo.
— Não se faça de sonsa, , você sabe que eu e sua mãe odiamos isso... nós apostamos em você todas as nossas fichas e você só nos decepcionou, estamos perdendo o controle sobre você e esse seu romancezinho com , esse menino não faz nada da vida a não ser arrumar confusões e você tem se metido nelas junto, isso não pode continuar.
não é assim e muito menos tem me metido em confusão. sabe que vocês estão me levando pra longe?
— Ele vai saber e garanto que ele concordara.
— Isso não é justo, pai, você sabe disso.
— Injusto é você por tudo a perder — ele respondeu e ela bufou, levantou-se e jogou o lenço no chão, pegou a bolsa e olhou para o seu pai desafiadoramente.
— Eu não vou pra porra nenhuma... — ela disse antes de dar-lhes as costas e sair do restaurante, não conseguiria expressar o quanto sentia raiva naquele momento, eram seus pais não eram seus donos, mas eles a tratavam como algo que eles pudessem dispor e estavam dispondo. Parecia tudo tão ruim e perdido; assim que entrou no taxi sentiu seu rosto queimar e finalmente chorou, tremia de raiva.
— Senhorita, para onde?
— Só anda — ela respondeu grossa e ele acelerou ela pegou o celular e ligou para . Não queria passar por aquela raiva sóbria, mas só chamava e ninguém atendia, apoiou a cabeça no banco da frente irritada, conseguiria o que queria sozinha, depois resolveria com , não teria grande problemas. Ela deu o endereço do lugar onde havia seguido ele um dia. Assim que chegaram ela dispensou o motorista, pegou a bolsa e saiu em direção ao pequeno beco, haviam dois rapazes logo na entrada, ela passou sem falar, mas um deles entrou em sua frente.
— Com pressa, gata? — um deles disse, viu que ele vestia uma jaqueta vermelha e estava com uma arma na cintura.
— Acho que ela se perdeu — outro falou, esse usava uma jaqueta preta de couro, também estava armado, ela mordeu o lábio, não sabia colo lidar com aquilo, nunca lidou com esse tipo de gente.
— Eu queria... pó — ela disse sem jeito e eles riram, fazendo-a se sentir boba.
— E quem disse que aqui vende? — o de vermelho perguntou.
— Eu vim aqui com um amigo uma vez, ele comprou — ela disse em tom baixo.
— Aqui num é lugar pra ti — foi a vez do de preto —, quem é teu amigo?
— ela respondeu apertando a mão.
? Olha, você caiu como uma luva... o chefe vai ficar feliz com a tua presença aqui — o de vermelho voltou a falar, segurando rapidamente pelo braço dela. — Vem, anda.
— Não, quer saber... eu vou embora — ela dando um passo pra trás, mas o de jaqueta vermelha apenas virou os olhos.
— Não dificulta, anda... — o de preto apenas vez um gesto sutil mostrando a arma e ela mordeu o lábio. — Anda — ele disse e deu um passo à frente, andando até a porta de um galpão onde entraram e andaram até uma sala.
— Espera aí com ela, vou falar pro Greg — o de vermelho falou e ficou ali, sabia que nunca a perdoaria por ter ido lá.
— Eu posso te dar muito dinheiro como recompensa— disse baixo.
— Fica quieta... — o cara falou e apertou os olhos sem acreditar naquele dia.
— Entra — o de vermelho gritou abrindo a porta e ela foi para dentro da sala, e a fizeram sentar em uma cadeira.
— Amiga do ... cheia da grana também — o rapaz de casaco vermelho disse e então um terceiro rapaz, moreno com olhos verdes marcantes, vestindo calça e camisa social, com uma gravata vermelha veio para perto, a rodeando e parando na frente, passou levemente o dedo pelo rosto dela.
— O que você veio fazer aqui?
— Ela queria pó — não viu qual dos dois atrás dela falou, mas os três riram.
— Qual seu nome? — ele perguntou e ela ficou calada. — Você é muda? — ele disse sem resposta novamente. — Essas garotas difíceis me enchem — ele disse fazendo cara de tédio virando-se rapidamente para a mesa e voltando a olha-la dessa vez com uma arma engatilhada na sua cabeça. — Eu te fiz uma pergunta.
— ela disse rápido, mas com a voz vacilante.
— Muito bem, odiaria ter que te matar... você é realmente bonita — ele passou a arma no contorno do rosto dela. — Então me diz, , cadê o ?
— Eu não sei — ela respondeu.
— Não sabe ou não quer dizer? — ele insistiu.
— Eu não sei — ela disse com a voz fraca, mas olhando nos olhos dele.
— É uma decepção, sabe? Cliente antigo me pediu favor, agora ele tá me devendo uma boa grana e simplesmente não atende, não vem pagar... — ele disse com uma voz sentida. — E como você soube onde ficava aqui?
— Eu vim com ele uma vez — ela respondeu.
— Eu não me lembro de você por aqui — ele respondeu a olhando —, eu acho que não me esqueceria.
— Eu fiquei no carro — ela respondeu incerta de que deveria dizer.
— É um vacilo trazer alguém aqui e não apresentar — ele sorriu cinicamente descendo a arma, passando pelo pescoço dela, colo e desceu até o decote, mordeu os lábios o olhando. — O que você é pra ?
— Amiga — ela respondeu rapidamente.
não tem amiga mulher... — ele disse irônico tirando a arma de perto dela o que a fez ficar aliviada, virou-se de novo para a mesa pegando o celular. — Vamos ver o que você é pra ele...
— Não, não liga pra ele... não mete ele nisso, eu pago o que ele tiver devendo — ela disse rápido.
— Sinto muito, preciso do direito — ele deu de ombros. — Não tenho como evitar... cadê seu celular? — ele perguntou e ela colocou a mão dentro da bolsa e entregou a ele, ele pegou e procurou o número de . — Já que não me atende, que atenda a namoradinha... — ele disse sarcástico e ligou mantendo o celular perto do rosto, rezou para que não a atendesse mais uma vez, mas com poucas chamadas ela o ouviu baixinho. — , quanto tempo... a ? Ela tá um pouco ocupada no momento, diz oi pra ele, bonitinha — ele colocou o celular perto dela e ela não disse nada. — Vai, sem me entediar — ele clicou novamente a arma, do outro lado da linha pode ouvir.
— ela falou e pode ouvi-lo gritar ao telefone, mas pela distância ela não conseguiu entender o que era.
— Calma, , ela tá sendo muito bem tratada. Falar nisso, bem gotosinha sua amiga... talvez eu me divirta um pouco antes de devolver, depende de quanto tempo você me fizer esperar — ele riu debochadamente. — Eu nunca sequestraria alguém, ela veio com as próprias pernas, de boa vontade, eu diria mais que isso até... Você sabe o que eu quero, talvez ela seja um incentivo pra você adiantar, já que ela só sai daqui quando meu dinheiro estiver na minha mão — ele disse desligando o telefone. — Sem cara triste, ok, esse é um bom método pra ver sua importância, se ele chegar logo significa que ele se importa mais — ele piscou e apenas ficou calada. Ele se distanciou enquanto fazia um barulho com a boca que imitava o relógio, sentando-se na cadeira do outro lado da mesa e pondo os pés por cima dela.
Os três começaram a conversar sobre assuntos que mal conseguia ouvir até que houve um barulho na porta e ela esperou ouvir a voz de .
— Greg — mas não era, percebeu assim que ouviu a voz e respirou fundo. O rapaz que entrou se aproximou e jogou um grande saco com pó na mesa e ao vê-lo Greg ajeitou-se na mesa. — Você anda muito folgado, Greg, tem um rombo enorme no ultimo mês... tá achando que seus luxos vão cair do céu? — era um rapaz novo que falava, usava um sobretudo que afastou enquanto falava revelando uma arma e estava irritado.
— Eu vou já to resolvendo isso — Greg apontou para com a cabeça. O rapaz a olhou, e os olhos azuis dele pareceram surpresos, ela percebeu que conhecia aquele rapaz, mesmo estando chapada se lembrou do rapaz que a segurou na festa em que foi com .
— O que ela tá fazendo aqui? — ele disse sério apontando para ela com o polegar e olhando Greg.
— Ela é a garantia que o paga o que deve hoje — respondeu.
— Se o problema é com o , resolve com o , não mete mais ninguém — ele disse sem paciência. — Como ela veio parar aqui?
— Ela veio atrás de pó, ela é só uma dessas drogadinhas filhinha de papai, tá se borrando de medo — Greg disse também irritado agora. — Veio porque quis.
— Se ela queria pó então não tinha que envolver ela no papo com o — ele disse com firmeza. — Vem — ele olhou para e ela levantou sem pensar duas vezes. — Vende! — apontou com o indicador para o pó em cima da mesa de Greg e colocou a mão nas costas de dando um leve empurrão pra que saísse do lugar, ela andou na frente dele ainda desconfiada até a saída do beco.
— Eu me lembro de você — ela disse em uma voz fraca e ele não respondeu. — Obrigada.
— Só não aparece aqui de novo... ninguém aqui vai ter pena de você — ele disse parando do lado dela na saída.
— Eu nunca imaginei que... — ela fez um gesto com a mão.
— Isso aqui não é lugar pra você — ele disse frio a olhando —, Greg é meio psicopata quando quer.
— Ainda bem que você chegou — ela respondeu rapidamente.
— Até eu ter chegado podia acontecer muita coisa — ele disse no mesmo tom. — Tem como voltar pra casa?
— Eu dou um jeito — ela assentiu com a cabeça.
— Então vai — ele disse colocando a mão no bolso do sobretudo, o olhou novamente pela última vez, mas assim que fez isso viu avançando rápido em direção a eles, não lembrava de sentir tanto alívio antes. Os passos dele ficaram mais rápidos ao vê-la, assim que a alcançou a olhou e parecia com muita raiva.
— Vai pro carro — disse exaltado e irritado.
...
— Pro carro, — ele repetiu estendendo a chave do carro, ela segurou. — Isso era um problema comigo — ele disse para o rapaz de sobretudo.
— Não, , ele quem me tirou de lá — ela interveio.
— Porra, , eu disse pra ir pro carro — ele disse novamente sem paciência. Ela concordou e pode ouvir a voz alta de enquanto se afastava, ela entrou no carro e o esperou ansiosamente.
Ele voltou e tremia de raiva, ela não ousou dizer uma palavra até a casa dela.
, não me deixa na frente, você sabe... — ela disse assim que viu seu prédio.
— Foda-se — ele disse parando em frente ao prédio dela, ela mordeu o lábio e o olhou.
— Sobe — ela o olhou.
— Não — ele disse olhando para frente.
— Por quê? — ela perguntou o olhando.
— Porque se não eu vou explodir contigo de um jeito que eu não quero — ele disse ainda sem olhá-la. — Vai.
, me desculpa, me olha, amor — ela o olhava como se implorasse que ele pelo menos a olhasse.
... — ele fechou os olhos tentando se controlar. — Eu pedi pra você não ir lá, você é idiota?
— Desculpa... eu tentei te ligar, eu precisava... — ela dizia tentando se explicar.
— Precisava é o caralho, essa não é a solução pra problema seu, você não tem porque precisar disso — se exaltou com aquilo. — Você teve uma arma na sua cabeça, você tem noção do que podia ter acontecido? Tem ideia do que podiam fazer com você?
— Eu sei me virar — ela rebateu.
— Sabe é a porra, eles tem o dobro do teu tamanho. Você nunca fez nada além de comprar roupas na vida, eles podiam fazer o que quisessem com você — ele disse isso alto e ela ficou calada. — Você tem noção do que eu senti quando ouvi a sua voz no celular?
— Eu fui sozinha lá — ela disse.
— Foda-se, ia ser minha culpa de qualquer jeito. Que porra! — ele disse alto novamente.
— Eu fiz sozinha, não era uma culpa que você tinha que carregar — ela rebateu novamente.
— Culpa, ? Foda-se a culpa também, eu to falando de como eu iria viver se alguma coisa te acontecesse — ele praticamente gritou isso e bateu no volante irritado, se assustou ficando calada depois.
Ela destravou o cinto e ele pensou que ela sairia do carro, mas ela sentou no colo dele e colocou os braços dele ao redor dela, fazendo-o a abraçar.
— Desculpa — ela disse em uma voz fraca e ele a abraçou forte.
— Nunca mais faz isso comigo — ele a olhou e ela via certo desespero nos olhos dele, ela apenas assentiu com a cabeça e o beijou.
— Sobe, fica comigo... — ela o olhou falando com a voz fraca novamente, ele sabia que ela não baixaria a guarda se não precisasse dele. Ele assentiu e ela saiu do colo dele, entrou na garagem do carro, eles subiram em silêncio e foram para o quarto dela.
— Preciso tomar banho, tava ensaiando com antes de tudo — disse a olhando e ela fez um sinal positivo com a cabeça.
— Tem toalha no banheiro e eu vou pegar uma roupa do meu pai — ela disse saindo do quarto e indo no quarto do pai, procurando roupas que pudessem servir em . Voltou para o quarto deixando a roupa em cima da cama, tirou a roupa ficando apenas com o sutiã e um short que ela pegou na gaveta. Pegou o celular e colocou nas pequenas caixas de som, deixando que as músicas tocassem aleatoriamente enquanto esperava deitada. Ele veio logo e deitou-se com ela.
— O que aconteceu? — ele perguntou sério a olhando. — E tá na hora de me contar a verdade, , tudo... — ele disse e ela concordou, ele viu os olhos dela marejarem.
— Meus pais não querem que eu termine com , meu pai ta sendo processado por sonegação fiscal e ele tá pagando tudo, os contatos dele não deixaram meu pai ser preso, minha mãe tem mais de 5 milhões em dívidas com as empresas de pelo transporte das roupas dela, hoje ela só paga os impostos... Eles descobriram que nós estamos juntos e meu pai disse que eu tenho que me mudar com ele pra Roma, eu posso ir por bem ou ele pode me intimar e me obrigar a ir, tudo isso porque eles tem medo que descubra de nós e tire todas as regalias dos dois. Se não ficar feliz ele vai falir a minha família e deixar meu pai ser preso — ela disse calmamente e a olhava vidrado não acreditando.
— Tudo isso por causa de dinheiro?
— Basicamente — ela respondeu e ele rio irônico.
— Isso é loucura, , foda-se seus pais, se você quiser dinheiro eu dou, se seu pai for preso meu pai é do parlamento, ele tira... sai daqui, vai morar comigo, você não precisa de nada disso, você sabe que eu posso te dar tudo.
... é a minha família, eu não posso simplesmente mandar um foda-se.
— Eu sei, mas, amor, eles estão pouco se fudendo pra você, eles só estão pensando neles mesmos.
— Eu sei — ela respondeu concordando.
, você não precisa disso — ele colocou a mão no rosto dela. — Não fica com medo... a gente vai ficar bem, confia em mim.
— Eu confio — ela respondeu.
— Mas chega de , de Lizz, dos seus pais, se vamos ficar juntos vamos ficar pra valer, ok?
— Eu preciso de um tempo pra falar com meus pais e com .
— Todo tempo do mundo, mas me promete que estamos juntos e nada vai atrapalhar isso?
— Sempre estivemos — ela concordou sorrindo e o beijando. — Eu amo você.
— Eu também, eu amo você mais do que tudo no mundo, você é a minha vida, sério... eu penso sobre tudo e só vejo você — ele respondeu e ela o abraçou. — Vai ficar tudo bem, eu juro.

Capítulo 14

Quero saber o que sente agora,
Se ainda sonha, ou continua a pensar que nada disso vai valer.
Ainda não sabe me dizer direito,
Se me deixa ou se me põe no peito,
Eu sei, tem medo de se arrepender.
Eu lembro aqueles dias que nunca vão se apagar,
Que os outros caras só queriam ocupar o meu lugar?
Quando eu vi você, não soube o que falar.
Por medo de ouvir uma resposta que iria me fazer ficar.
E se eu fosse você, daria uma chance pra voltar.

— Acorda, amor — ouviu a voz de em seu pescoço e sorriu, negou com a cabeça e ele riu a abraçando e beijando suas costas. — Acorda, amor.
— Por quê?
— Temos aula — respondeu, e ela negou novamente. Ele riu dela sendo manhosa. — Você sabe que não podemos faltar.
— Certo, calma — ela riu e ele também, finalmente olhou para ele e encostou o seu lábio no dela. — Adoro sua cara de sono.
— Adoro seu bafo de manhã.
— Nossa, olha como você é otário... eu não tenho isso.
— Claro que tem, todo mundo tem, mas você continua sendo uma princesa, ok?
— Você bem que podia matar os sete da linha de sucessão e me fazer princesa de verdade, né — ela disse e ele riu.
— Se for isso que você quer, eu faço — ele disse com um sorriso singelo e ela encostou a boca na dele.
— Não, não precisa, você já é tudo que eu quero — disse fazendo um pequeno carinho no rosto dele.
— Adoro quando você é fofa, parece até alguém diferente — ele disse rindo e mandou língua.
— Sai daqui vai, vai pra sua casa.
— Certo, eu vou — ele deu um último beijo na testa dela, levantou da cama e pegou a blusa para vestir. — Eu vou terminar com Liz hoje.
— Você não precisa fazer isso agora, se quiser esperar eu terminar com , digo... eu odeio você não ser meu, mas eu entendo — ela deu de ombros sentando na cama.
— Não. Gostando ou não, você tem uma ligação com , nem que seja gratidão pelo que ele tem feito pela sua família, eu sei que se nos terminássemos você ia continuar com ele e pra ser sincero você ia ser muito feliz, mas foda-se porque eu não quero que você seja feliz com outro — disse de maneira engraçada e riu, ele acabou rindo em seguida também. — Enfim... eu não tenho isso com a Liz, eu não faço ideia de porque namoro ela, com ou sem você, não tem motivo pra namorá-la — ele continuou e ela concordou.
— Grande dia então?
— Eu estou tomando as decisões necessárias para ficar com você, espero que você faça o mesmo — ele respondeu meio sério e apenas o olhou, e foi até o criado mudo para pegar as chaves do carro. — Juízo, hein?
— Pode deixar — ela concordou da cama sorrindo e sorriu pela última vez antes de sair do quarto.

estacionou o carro e viu seu pai chegando no estacionamento do prédio da família.
— Chegou agora?
— Estava por aí — ele disse evasivo.
— Eu sou seu pai, , ‘estava por aí’ não é uma resposta — ele rolou os olhos de maneira engraçada e o filho riu rapidamente. — Estava aprontando, não é?
— Não, eu estava com a ... — ele disse sem graça e o pai riu. Sempre ...
— Não sei por que é tão difícil pra vocês estarem juntos... ela te faz bem — o pai deu dois tapinhas na cara do filho. Não era de jeito nenhum ruim que estivesse com —, mas você podia ser mais rigoroso com seu horário, você tem aula em meia hora.
— É, eu vou correr pra me arrumar e não vou chegar atrasado.
— Certo, agora... em duas semanas eu preciso que você vá pra Escócia, terão algumas reuniões de liderança política e eu quero que você vá, vamos ficar um mês.
— Um mês? — disse protestando e coçando a nuca. — Pai, tem escola e ...
— É só um mês, vocês já enrolam isso há anos. Sobre a escola você sabe que isso não vai ser um problema.
— Pai... eu não acho que seja uma boa ideia sair de Londres agora.
— Desculpa, filho, mas eu preciso que você vá e acho que vai ser bom colocar um pouco de assuntos importantes nessa sua cabeça, acho que é isso que precisa... — ele disse desativando o alarme do carro, — depois conversamos mais sobre isso.
— Certo... — bufou indo em direção ao elevador desanimado, eram momentos importantes pra relação dele com , não queria se afastar.
arrumou-se o mais rápido que conseguiu e foi para a aula, já estava com , ele não pode deixar de notar, mas estavam longe conversando com .
, precisamos conversar — ele percebeu Liz em sua frente e assentiu, já achando que independente do assunto seria um bom início para o que ela queria fazer, eles caminharam para um canto do pátio. — , eu acho que estamos muito afastados.
— Eu sei, Liz... — coçou a nuca, ele nunca tinha precisado terminar com alguém antes. — Olha, eu acho que não devemos mais ficar juntos — ele soltou antes que ela falasse o que queria. Liz pareceu nitidamente afrontada com aquilo, seus olhos começaram a encher de lágrimas e ela respirava arfando, ficava vermelha e parecia que iria explodir.
— O QUE? COMO ASSIM? VOCÊ ESTÁ TERMINANDO COMIGO? — explodiu, chamando atenção de todos no pátio.
— Liz, sem escândalo — ele disse baixo quando percebeu os olhos neles.
— SEM ESCÂNDALO O QUE? POR QUE VOCÊ QUER TERMINAR COMIGO? QUEM É A PIRANHA? — ela continuava gritando e fazendo gestos exagerados com as mãos.
— Não tem ninguém, Liz, se acalma... — ele a segurou pelo braço, que disse calma:
— Então por quê?
— Porque não temos porque ficar juntos, eu não amo você, nós não nos damos bem, eu não vou ficar com você pelo sexo — concluiu honesto, Liz parecia a beira de um colapso ao ouvir isso, se soltou das mãos dele com bastante raiva.
— VOCÊ É UM IDIOTA, — ele ouviu essa frase e em seguida o estalar de um tapa no seu rosto. Riu ironicamente se recuperando da dor enquanto via Liz virar as costas, afrontada, e seguir pelo pátio sob o olhar dos outros. Viu mais a frente visivelmente surpresa por aquilo estar acontecendo.
— Acho que terminaram — comentou e concordou, não conseguia não achar engraçado muito embora quisesse consolar pelo tapa.
— Essa menina é louca — disse animado pela situação.
— Acho que seria legal você ir ver se ela está bem — disse a e ela prontamente negou com a cabeça.
— Eu não, mas vocês podiam ir falar com , eu vou pra sala — ela saiu do banco onde estava sentada e sorriu para se despedir.
Preferiu se abster de consolar Liz, não lhe cabia fazer isso, deixou que outras meninas fizessem. Pouco depois do fim do intervalo ela sentiu seu celular vibrar era uma mensagem de :
— Eu terminei meu namoro, você podia vir me consolar já. Estou na cantina. — ela leu e não pensou muito antes de sair da sala, ele estava perto da lanchonete em uma das cadeiras e sorriu ao vê-la, se apressou e deu um beijo no rosto dele onde havia levado o tapa.
— Não foi um término pacifico, não é? — perguntou.
— Não, e ela não para de falar, eu me sinto uma péssima pessoa — ele respondeu sincero e riu. — Mas foi melhor assim.
— Sim, no final a gente sabe que foi melhor — ela concordou. — Mas que show pra escola.
— Vão falar disso o resto do ano.
— Vão, com certeza — disse o olhando. — Ela não vai deixar assim.
— Eu sei, mas pelo menos eu fiz o que eu deveria ter feito. Eu te amo, e já deu isso de manter outro relacionamento, eu não dou a mínima pra Liz.
— Eu sei, é só questão de tempo.
— Vou ter contar que ser solteiro é libertador, você deveria tentar — disse brincalhão e ela soltou uma risada, mas parou assim que viu ele disfarçar. Olhou para trás e estava lá, ele deu meia volta e apenas olhou para .
— Droga... — ela resmungou e levantou-se correndo até . — O que foi?
— Me diz você o que foi? O que você estava falando com o ?
— Ele só estava me falando do término com a Liz — respondeu e ele concordou.
— Claro... porque vocês são melhores amigos — ele riu ironicamente.
... você está sendo estúpido.
— Ou o que? — ela perguntou desafiadora e ele apenas não respondeu, nessa altura já estava próximo. pareceu voltar a si e a soltou. — Foi o que eu pensei, não pira, ! — ela se afastou e se aproximou.
— Você não tem o direito de fazer isso com ela.
— Não se mete, cara.
— O otário sou eu, não é? — disse sarcástico e depois se afastou.
bufou, alguma coisa lhe dizia que não era uma amizade, o jeito como a olhava, o jeito como ela ria, ele nunca a via rir daquele jeito, não era só amizade! Mesmo que eles nunca tivessem se tocado, aquilo não era amizade, sentir aquele tipo de ciúme lhe tornava algo que ele não era, mas não conseguia conviver com a possibilidade de e terem alguma coisa. Ela havia se afastado de novo dele e tudo levava a crer que estava vendo novamente, não pensou duas vezes antes de pegar o celular:
— Rogan, eu quero que você fique na cola da . Eu quero saber tudo, tudo, com quem, que horas, o que fez... principalmente se ela estiver se encontrando com o meu amigo de novo, eu quero que você descubra o que estão fazendo... não é problema meu como... Certo, espero retorno — ele desligou e não quis voltar para a sala, estava com raiva e não queria assustar ninguém.

Capítulo 15

Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar, ao menos mande notícias
Você acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

acordou e olhou para a garota ao seu lado. Aquele dia era especial, levantou-se cuidadoso e foi até o andar de baixo onde havia pedido para que Louis preparasse um bom café da manhã.
— Eu comprei um cupcake de chocolate e morango, você leva com uma vela, ok? — sua mãe estava na cozinha ajudando Louise e disse assim que o viu chegar.
— Não precisava, mãe.
— Eu vi essa menina crescer, me deixe fazer algo especial — Emma reclamou e ele riu, dando um beijo na cabeça dela, — espero que vocês fiquem juntos, você fica bem melhor com ela.
— Acho difícil negar isso... — ele disse.
— Não concordo de ela dormir aqui e você dormir na casa dela, vocês são crianças, não deveriam ter esse tipo de relacionamento.
— Louise, dormir junto é o menor dos nosso perigos e todo mundo sabe que não deixaríamos de fazer nada só porque não estamos dormindo juntos — respondeu.
— Prefiro que durmam um na casa do outro do que por aí, nenhum dos dois foi criado pra ficar por aí — Emma respondeu.
— Essas crianças de hoje... — Louis rolou os olhos. — Agora leve isso antes que ela acorde — ela entregou a bandeja e ele segurou, as duas abriram a porta do elevador e o ajudaram. levou a bandeja até o quarto, deixou na cama, foi a , tirou uma mecha do cabelo dela do rosto e beijou ali.
— Acorda, amor — ele disse baixo e apenas resmungou.
— Não temos aula hoje — ela respondeu mal humorada.
— Mas hoje é seu aniversário, e você tem café na cama.
— Sério? — ela perguntou abrindo os olhos preguiçosamente.
— Para você ver como eu sou o quase namorado mais legal do mundo — disse e ela se mexeu levantando e olhando a bandeja ao seu lado, parecendo impressionada.
— Obrigada, amor, eu não esperava isso.
— Claro, porque eu sempre te surpreendo — ele deu um pequeno beijo nela e pegou a bandeja pra perto dos dois. — Feliz aniversário.
— Obrigada — ela sorriu e pegou um pequeno croissant. — Louise fez?
— Sim, ela e a minha mãe estavam super animadas — respondeu pegando o copo de suco.
— Seus pais deveriam ir hoje, já que meus pais resolveram fazer esse jantar.
— Não, não é uma boa ideia, aliás eu não acho uma boa ideia eu ir, seus pais vão estar lá. não fala comigo, meus pais podem falar alguma coisa, ele pode reagir de maneira ruim, Liz vai estar, ela pode arrumar confusão... enfim.
— Eu sei, pelo menos ontem ela não me ligou pra chorar sobre você — ela tomou um gole de chocolate quente.
— Uma semana, pelo menos — ele deu de ombros —, meus pais vão entender.
— Mas você vai, eu não quero você longe, por nada — ela respondeu e sorriu concordando.
— Eu vou estar lá, ok? Relaxa — ele respondeu.
ainda não está falando com você?
— Não, ele está de boas com você?
— Quer saber mesmo ou está falando só porque estamos no assunto?
— Quero saber, ele pareceu meio violento recentemente.
— Ele não tem coragem de fazer nada, eu acho que ele só fica louco porque não tem controle sobre o que está acontecendo. Digo, não é possível que ele não perceba que mais cedo ou mais tarde vamos terminar... — ela deu de ombros e ele concordou. — Mas não tem muito que falar, quase não estamos nos vendo de novo, eu já dei algumas pistas que vamos terminar, ele não falou nada.
— Sei, ele vai sobreviver, quem não vai sobreviver somos nós se ficarmos separados.
— Dramático — ela riu se inclinando e o beijando.
Não demorou para que tivesse que ir embora, seus pais queriam fazer o jantar e ela precisava organizar a casa e tudo o que seria servido, havia convidado algumas pessoas na escola, algumas pessoas do trabalho de seus pais e algumas pessoas da família de , como deveria ser. Ela vestia um Chanel vermelho e mantinha o cabelo preso, antes de acabar de se arrumar ouviu o toque na sua porta.
— Entra — ela disse e viu entrar, ele vestia terno e gravata e sorria.
— Feliz aniversário — ele disse se aproximando com um embrulho na mão, ela sorriu e deixou que ele encostasse a sua boca.
— Obrigada, .
— Comprei um presente pra você — ele lhe estendeu o embrulho e ela imediatamente abriu achando um estojo quadrado, ali havia um colar, não era nada sutil, havia pedras grandes de diamante e pequenos detalhes com diamante negro, era uma pequena fortuna em forma de joia.
... eu não acho justo aceitar isso — ela o olhou sincera e ele não disse nada. Pegou o colar do estojo, abriu o trinco e colocou no pescoço dela, era uma joia extremamente pesada, virou-a para o espelho e o objeto parecia especialmente bonito no seu pescoço.
— Foi feita para você — ele deu um beijo na cabeça dela —, você merece o melhor, anda meio esquecida disso, mas a verdade é que você não deveria se contentar com nada que não pudesse te dar tudo, não só a metade — ele finalizou e ela suspirou calada, colocou a mão na joia a observando. deu um beijo em sua cabeça. — Te espero na sala.
— Eu já vou — disse vaga, ela não conseguia deixar de pensar no peso daquela joia, no peso da relação dela com . Olhou-se no espelho mais uma vez, passou um pouco do seu perfume e saiu. O presente ocupou a maior parte dos comentários da festa, grande parte porque sua mãe fez questão de mostrar a todos, era como se precisasse provar para as pessoas ao redor o quanto e estavam comprometidos. Era um tipo de inferno. O alivio só veio quando chegou, ele sorriu do jeito como sempre sorria achando que ela era a mulher mais bonita que já havia visto, depois ele teve que lidar com Liz bêbada pedindo pra voltarem e como de costume tiveram que colocá-la no quarto de . A festa foi tranquila, linear. precisou ir embora, porque teria que viajar ainda naquela madrugada, ela se sentiu agradecida já que não teria uma desculpa para que ele não dormisse lá. , por outro lado, fingiu que estava indo embora e esperou na escada de emergência até que todos fossem e assim que o fizeram ele tocou a campainha novamente, atendeu sorrindo.
— Você não tem limites — ela respondeu, e ele apenas a beijou. correspondeu e sem jeito tirou os sapatos sem interromper o beijo, ele caminhou com ela pela sala até o corredor e a encostou na parece levantando o seu vestido, ambos não estavam sóbrios, mas não chegavam a estar bêbados. Ele a suspendeu e ela colocou as pernas ao seu redor, eles se beijavam de maneira intensa, continuava a prensá-la contra a parede até que passou o beijo para o pescoço dela onde os despejava em pequenas mordidas. colocou a mão por trás do pescoço dela na intenção de tirar o cordão.
— Cordão estúpido — ele disse e ela riu, o ajudando a tirar. jogou a joia no chão e então voltaram a se beijar.
— MAS QUE PORRA É ESSA... — eles ouviram ao lado deles, o surpreendendo o suficiente para se separarem imediatamente e olharem para o lado: era Liz. — VOCÊ É UMA PUTA, . EU NÃO ACREDITO QUE ERA VOCÊ O TEMPO TODO — ela disparou na direção de e interveio:
— Se controla, Liz.
— ME CONTROLAR? VOCÊ É UM CRETINO, , ELA ERA MINHA MELHOR AMIGA — ela disse gritando histérica enquanto lágrimas caíam.
— Liz, se acalma, eu e o ...
— O QUE, ? VAI DIZER QUE EU NÃO VI? — Liz disse ainda alarmada, a segurou com força.
— Não precisamos dar explicação nenhuma — ele disse a , que apenas respirou fundo. — Vai embora, Liz, nem eu, nem a temos que te explicar qualquer coisa.
— Você... vocês são dois imundos, vocês se merecem — Liz se livrou das mãos de e ele apenas se mantinha na frente de para que ficasse segura. —Você é um imbecil, , você escolheu ela e você vai se arrepender disso, você acha que ela vai terminar com pra ficar com você? Olha pra você, você não é nada perto dele, nunca vai te escolher podendo estar com ele — ela apontou para e em seguida apontou para a outra. — Você é só uma patricinha mimada, uma drogadinha, mais cedo ou mais tarde todos vão ver quem você é, e você vai ficar só. Você só está com por dinheiro, você não passa de uma prostituta, é isso que você é, uma PUTA!
— SAI DA MINHA... CASA... SAI — disse pela primeira vez realmente exaltada.
— Eu vou porque eu nunca mais quero ficar no mesmo ambiente que você, sua vagabunda.
— Cala a boca, Liz — disse.
— Pode ter certeza que isso não vai ficar assim... — Liz disse com escárnio, em tom ameaçador, passou por eles e então foi em direção à saída do apartamento.
— Como ela veio parar aqui? — perguntou.
— Eu não sei... — negou com a cabeça, ele notou que estava chorando e a abraçou.
— Não, amor... é só a Liz — respondeu beijando a testa da menina.
— Ela não precisava saber assim... , ela está com raiva, isso não vai terminar bem.
— Calma, independente do que ela fizer... eu estou aqui — ela o abraçou mais forte assim que ele disse isso e a beijou por um instante. A forma inocente ele dizer aquelas palavras lhe deixava mais segura, iria ficar bem porque ele estava lá. Ele andou com ela até o quarto e antes que ela o fizesse, se colocou atrás dela e abriu o zíper do vestido, que com apenas mais um impulso para baixo caiu no chão. Ele colocou os lábios na sua nuca, sentindo o cheiro dela por consequência e então a abraçou, ela jogou a cabeça para trás apoiando-a no ombro dele.
— Eu amo você, eu amo tanto você que acho que isso não tem como acabar bem — ela disse baixo, como um desabafo, ele rapidamente e com um movimento fez com que ela ficasse em sua frente.
— Mas vai acabar bem, e não importa se você não acredita nisso — ele riu e ela encostou o lábio no dele. O clima já tinha passado, eles tomaram seus lugares na cama e ela pousou a cabeça no peito dele, ficaram em silêncio, ela podia ouvir o seu coração e o som raso dos cabelos dela sendo acariciados, fechou os olhos e antes que percebesse estava dormindo.

— Rogan, conseguiu alguma coisa? — perguntou assim que recebeu o telefonema, era domingo de manhã e ele estava em Dublin, só voltaria a Londres na segunda de tarde.
— Sua namorada dormiu na casa do seu amigo de ontem pra hoje, seu amigo acabou de sair do prédio dela, tenho algumas fotos da despedida deles, posso te mandar agora — o rapaz disse e ficou em silêncio por um tempo.
— Ok, vou esperar — ele respondeu e desligou em seguida, jogou o copo de whisky que segurava na parede mais próxima, era apenas a confirmação do ele já sabia, mas ele não iria perdê-la de jeito nenhum.

Na segunda à tarde, quando entrou em sua casa lhe foi dito que alguém o esperava. Ele andou até a sala e viu Liz, mas não estava com paciência para os dramas da garota.
— O que foi? — ele perguntou sem calma.
e estão tendo um caso — ela respondeu sem rodeios e ele riu ironicamente. — É verdade, eu tenho fotos — ela pegou seu celular e se aproximou dele com as fotos da festa que um dia Kat bateu, deu de ombros.
— E você espera o que me contando isso?
— Você precisa agir, nós precisamos.
— Não existe nós, Liz, eu não preciso de você pra nada. não vai acabar com a — ele respondeu seguro.
— Você é idiota ou que?
— Saia daqui, Liz, suas provas não confirmam nada... — disse e ela o olhou ofendida.
— Você merece que eles dois tenham te traído — Liz disse antes de sair. A verdade era que ele já sabia de tudo e ele já tinha sua própria arma para usar, tinha como prender e ele não se importava nem um pouco com e Liz.
Liz saiu de lá sem entender o menosprezo de . Ele, por outro lado, não acreditava que expor , ele e seria proveitoso, querendo ou não ele era um homem de negócios e mesmo com a escusa da idade não podia se permitir esse tipo de exposição que não era bom para os negócios. Mas ele precisava agir rápido, antes que Liz usasse o que tinha e ele não pudesse tirar proveito algum. Tirou o terno e a gravata, pegou o celular e ligou para .
— Oi, — ela atendeu já temerosa de que Liz tivesse contado alguma coisa.
— Você está em casa? Posso ir aí? — ele perguntou e ela mordeu o lábio.
— Sim, pode — concordou e ele apenas desligou o celular, pegou a chave do carro e dirigiu até lá. já estava o esperando na sala, Leslie abriu a porta e ele sorriu, isso a fez se sentir confortável inicialmente.
— Leslie, eu preciso conversar com a , você pode nos deixar a sós um pouco e tratar para que nada interrompa? — ele perguntou e ela concordou imediatamente e se retirou, levantou já sabendo o que viria.
... — ela iniciou, mas ele apenas fez um sinal para que ela parasse. mexeu no casaco, retirou um papel e entregou pra ela, foi até o bar da sala e começou a se servir de um pouco de whisky. No papel havia uma lista com vários números, uma soma bem alta. — O que é isso...
— Isso é o quanto os seus pais me devem — ele disse em uma voz calma, engoliu seco. — Isso é mais do que vocês tem e é mais do que o tem.
— E você vai transformar tudo isso em questão de dinheiro.
— Tudo isso é questão de dinheiro, , você nunca esteve comigo porque me amava.
— Isso não é verdade.
— Não minta para você mesma — ele a olhou pelo canto do olho bebendo o seu whisky. — Se você não acabar tudo com , eu não só vou cobrar toda a dívida como vou pôr seu pai na cadeia, porque não sei se você sabe, mas a ligação dos meus pais com o juiz é o que tem mantido ele fora — finalizou e o olhou não entendendo como ele podia agir assim.
— Você não é assim, , porque você está fazendo isso?
— Eu não vou perder para o — ele respondeu e ela ainda não conseguia acreditar, amassou o papel e jogou nele.
— Eu não sou uma merda de um prêmio, mas se isso te faz mais homem, que seja... — ela entrou na direção do seu quarto. — Saia da minha casa — disse antes, já não conseguia segurar as lágrimas, bateu a porta do quarto e sentou-se no chão. Aquilo era injusto, ter que escolher entre a ruína dos pais e a pessoa que ela amava, demorou bastante tempo remoendo saídas e a injustiça. Ela precisava terminar com , e sabia que não seria fácil, que mesmo que ele aceitasse no início, depois de um tempo ele voltaria, ela não resistiria, precisava fazer com que ele ficasse bravo e não sabia como fazer isso. Pegou seu celular, respirou fundo e engoliu qualquer choro que estivesse entalado.
— Oi, amor — acordou com a voz sonolenta.
, eu quero terminar.
— Hãn? O que, ... — ele perguntou parecendo confuso.
— Você ouviu, eu achei que eu pudesse deixar essas coisas pra lá, mas eu não posso, meus pais estão falidos, seus pais estão falidos, eu não nasci pra ser uma classe média, , pode me dar tudo... e pode dar tudo para os meus pais.
— Você está falando merda.
— Olha pra você, , você não tem futuro nenhum, você não tem ambição nenhuma, você vive do dinheiro dos seus pais e você não quer deixar de viver.
— Eu posso fazer alguma coisa.
— Não seja patético.
— Cala boca, , o que aconteceu? Você está chapada?
— Eu caí em mim, , o que a gente tem não vai dar nunca em nada, nunca! — ela disse do outro lado da linha.
— Amor, presta atenção no que você está falando — ele insistiu —, eu disse que íamos dar um jeito.
— Não, eu não quero dar um jeito... eu não quero ficar com você mais, você é só um amor adolescente, você nunca vai ser o na minha vida, ele é a escolha certa, eu não quero você, eu quero o .
— Você está louca, por que não veio aqui e falou tudo isso na minha cara?
— Porque eu não quero, eu não quero mais ter que lidar; com você é tudo um erro. Eu amo o , eu vou amar ele pra sempre e eu nunca vou te amar assim.
— Não tem nada que o possa te dar que eu também não possa.
— Mas eu quero ter tudo isso com ele — ela finalizou.
— Não faz isso, .
— Acabou, ok? — ela disse e ele simplesmente não acreditava.
— Amanhã nós conversamos.
— Não me procura mais, nunca mais... — ela disse e desligou o telefone, no momento em que deligou ele voltou a tocar. passou a noite ligando e ela acompanhava cada chamada com um aperto no coração. Assim que amanheceu deixou ordem para que ninguém do prédio deixasse entrar, não foi para aula, seria muito difícil fingir.
Mas no dia seguinte não poderia evitar, engoliu seco e entrou na escola, estava logo na entrada, ela se aproximou dele e ele imediatamente beijou a sua cabeça.
— Você sabe que tomou a decisão certa — ele disse baixo.
— Sai de perto de mim — ela disse sem muita paciência, mas ele ignorou passou o braço ao redor dela, que bufou. chegou exatamente nesse momento, ele olhou a cena, e sorriu para de maneira falsa e ele a abraçou também já percebendo por perto.
— Nós vamos ficar bem, eu juro — ele disse e ela concordou apenas.
— Vamos para a aula — ela disse segurando a sua mão.

esperou por uma semana inteira que ela mudasse de ideia, tentou ir na casa dela várias vezes, tentou várias ligações sem sucesso. não tinha a menor vontade de estar com e não ter por perto era torturante como sempre, mas não tinha muito o que fazer.
entrou no andar onde os pais moravam, eles finalmente pareciam mais estáveis, ou talvez os problemas dele estivessem baixando o som das brigas dos dois. Seu pai estava se arrumando quando ele passou pela porta.
— Pai.
— Hm... — o senhor respondeu olhando no espelho.
— Aquela viagem pra Escócia, eu posso ir logo? — ele perguntou encostando-se à batente da porta.
— Alguma coisa aconteceu?
— Mais ou menos — ele passou a mão pela cabeça. — Eu e a terminamos.
— Por quê?
— Bem, pra começar a gente nunca esteve realmente junto, mas ao que parece ela prefere o dinheiro do — ele respondeu sincero e o pai olhou para sentido.
— Não achei que isso fosse algo a se preocupar, a família dela sempre teve muito dinheiro.
— Não mais, eles estão quebrados e devendo uma boa grana pra família do .
— Então não é difícil perceber que não tem a ver com o dinheiro dele...
— Eu disse que podíamos dar um jeito, eu acho que gosto tanto dela que podia passar o resto da vida trabalhando pra pagar o .
— O que ela disse?
— Que estamos tão quebrados quanto a família dela.
— Algumas pessoas não acreditam que tem o direito de ser feliz, meu filho.
— É, isso parece com ela...
— Como você está com tudo isso? — ele virou-se para o filho atento.
— Cansado... eu só quero sair de Londres e deixar que ela perceba o quanto a decisão dela é estúpida — ele disse bufando. — O pior é que ela falou que eu não tenho perspectiva nenhuma de vida, que eu vou ser sustentado por vocês para sempre, que eu não tenho ambição nenhuma e isso não está saindo da minha cabeça, digo... por um lado olha o , moralmente intocável, mesmo que porque os pais morreram, mas ele assumiu tudo e tem feito tudo muito bem, eu sou um menino mimado perto dele e ele vai ser melhor pra ela.
— Filho, o foi obrigado a estar na situação que está, se ele tivesse os pais dele ele ainda seria só um mimado, assim como também é, quais são as perspectivas dela... ser mulher de um cara rico? Nenhum dos dois é melhor que você. Mas a decisão é sua, é por isso que faço tanta questão que você participe dessas campanhas políticas comigo, você pode ter um futuro nisso, você tem um nome, uma família pra manter — Chris pegou o celular e olhou o filho mais uma vez. — Você pode ser tão bom e tão grande quanto o , e se acha que isso é o importante para prove que ela pode ter tudo com você e mais o que o ele pode dar.
— Obrigado, pai — respondeu sorrindo.
— Mas acho que você faz bem em sair de Londres, ligue para o piloto e veja o dia que quer ir, ok? — Chris finalizou dando um tapinha no ombro do filho e passando por ele para sair. — Vou para reunião do partido.
— Certo — respondeu ficando parado por mais um tempo ali, nunca mais tinha tido uma boa conversa com seu pai.

— a garota acordou ouvindo a voz de do outro lado da porta, bufou, e andou até a porta para abrir.
— O que foi?
— Vim ficar com você, amor — ele disse e então percebeu que ele estava bêbado e se esquivou.
— Você está de porre? — ela perguntou e deu de ombros segurando ela pela cintura, mas ela continuava a tentar afastar. — Sai, — o empurrou de vez e ele rolou os olhos.
— Ainda está boladinha comigo? Você sabe que eu fiz isso porque eu quis proteger você de tomar uma decisão errada na sua vida — ele caminhou até a cama dela e se jogou ali, ela não respondeu, apenas foi ate lá e pegou um dos travesseiros. — Para onde você vai? — Eu preferia quando você estava com , pelo menos você fingia que se importava comigo — ele disse da cama em um tom baixo.
— Eu me importava... — ela deu de ombros e abriu a porta do quarto.
— E o que mudou?
— Você — ela o olhou pela última vez antes de sair do quarto.
e acabaram indo juntos para a escola no outro dia, mesmo que ela não trocasse mais palavras do que o necessário com ele e muito menos deixasse que a tocasse de qualquer forma, era como um choque de repulsa sempre que ele tentava. Naquela manhã viu passar com o pai pelo pátio e acompanhou os dois com pesar no peito. Em seguida passou Liz atrás dele, ela estava estranhando que até aquele momento a garota não tivesse dado piu algum.
Na verdade Liz não havia desistido de voltar com , para ela aquela seria a maior vingança contra , ter ele de volta. Sem do seu lado ela chegou a procurar e pedir que voltassem e mesmo sem contar o que tenha a seu favor fazia ameaças de expô-los não levava nada daquilo a serio, para ele Liz só estava sendo histérica.
... — ela chamou assim que o viu com o pai. — Sr. Chris — cumprimentou o senhor que apenas arqueou a sobrancelha parando porque também havia parado.
— O que foi agora, Liz?
— Você pensou melhor no que eu te falei?
— Não, Liz, a última coisa que eu tenho pensado na vida é em você e suas paranoias — ele respondeu sincero e ela suspirou fundo.
— É que eu estou sentindo muita falta de você.
— Eu não estou sentindo sua falta — ele respondeu e continuou andando.
— O que seu pai veio fazer aqui? Está com alguma confusão? — ela perguntou o seguindo.
— Liz, sai do meu pé. Eu vou viajar e meu pai veio comunicar a coordenação, só isso — ele respondeu sem saco e ela o olhou aflita.
— Viajar? Pra onde e por quanto tempo?
— Bom dia, Liz — respondeu apressando o passo para o corredor da coordenação. Liz bufou, já tinha segurado aquilo de mais, e já que ele não ficaria com ela, ele não ficaria com também.

Capítulo 16

Well you only need the light when it's burning low
Only miss the sun when it starts to snow
Only know you love her when you let her go
Only know you've been high when you're feeling low
Only hate the road when you're missin' home
Only know you love her when you let her go
And you let her go
Staring at the bottom of your glass
Hoping one day you'll make a dream last
But dreams come slow and they go so fast
You see her when you close your eyes
Maybe one day you will understand why
Everything you touch surely dies

Não houve sinal de na escola pelos dias seguintes da semana, ele embarcou como previsto para a Escócia, precisava daquilo. não gostava muito dos dias que não o via, mesmo que de longe, então aquela semana apenas se arrastou, assim como o final de semana seguinte.
Na segunda-feira, desceu de sua limusine e sentiu muitos olhares nela, eram surpresos, revoltados, ofendidos, indignados... ela não conseguia decifrar bem o que eles significavam.
Percebeu que algumas pessoas olhavam para o celular e cochichavam algo sobre ela, andou mais pelo pátio e pode ouvir "drogada", "deveriam colocar ela pra fora, estamos em um colégio católico" e "ela que parecia toda certinha".
Seu celular vibrou dizendo que estava recebendo foto por Bluetooth, aceitou e então viu suas fotos na boate no dia que saiu com , fotos com ela usando droga, e mais uma foto dela deitada em um puff claramente mal com a seu lado. — Tinha que andar com , aposto que ele quem mostrou pra todos essa foto... não se pode confiar em ninguém. então lembrou que as fotos que Kat tirou estavam com . A conclusão era inevitável, ele havia espalhado as fotos, deveria odiá-la agora que no final das contas ela tinha escolhido .
Uma inspetora se aproximou dela.
— A diretora quer ver você — ela disse e atravessou o pátio sob o olhar de todos. Foi até a coordenação e sentou-se do lado de fora, não demorou para que a diretora a chamasse.
, o que são essas fotos correndo pela escola? — a senhora Fitzpatrick perguntou.
— Eu não sei, eu só cheguei e recebi.
— Eu tenho que lhe dizer o quanto isso é preocupante. Eu falo como alguém que te viu crescendo, não foi aqui na escola e por isso não posso te punir, mas eu preciso comunicar aos seus pais.
— Não, senhorita Clarie, por favor — ela olhou implorativa.
— Eu não tenho escolha, , você é menor, é menor...
— Eu e os meus pais já estamos tendo problemas o suficiente, por favor, não — ela disse apelativa e a diretora a olhou.
— Eu não tenho escolha... — a senhora insistiu e bufou. — Vá para a sala, quando seus pais chegarem eu te aviso — ela finalizou e ela levantou pegando suas coisas e andando até a sala, sentou-se em seu lugar habitual, apenas esperando a aula de química começar. Aos poucos os alunos enchiam a sala ainda comentando sobre as fotos e ela, criando milhões de hipóteses e fofocas mentirosas sobre sua vida, a olhavam como uma estranha. — Se eu fosse ela nunca mais entrava na escola — ouviu atrás de si e virou-se encarando uma garota que nunca tinha visto na vida antes.
— Se você fosse eu, o que está muito longe de acontecer... aliás, quem é você? — respondeu virando momentaneamente e recebendo olhares ofendidos, voltou a olhar para frente enquanto o professor entrou na sala. Ele acalmou os ânimos da turma e começou a aula.
— Diga, James — ele apontou para o menino que tinha levantado a mão.
— Professor, por que não põe a senhorita para explicar sobre os usos da cocaína? Aposto que ela sabe bem.
— Porque, James, se não ele ia ter que te por pra explicar o uso de anabolizantes e redução da capacidade sexual — ela respondeu e a turma voltou a se exaltar sobre os comentários.
— Os dois pra fora, agora — o professor apontou para a porta.
— Ótimo — ela resmungou pegando o celular com o fone e saindo da sala, já estava próximo do intervalo. Comprou um copo de Coca-Cola e sentou-se em uma das mesas próximas a cantina, estava se segurando para não chorar, aquele era um típico dia onde não deveria sair da cama.
— Sabe, ... — ela viu Liz se aproximar com outras gurias. — Irônico é perder os dois namorados em uma semana.
— Eu só tenho um namorado, Liz, que é o ...
— Jura? Acabei de o ver comentando com o loirinho do segundo ano que até tentou que desse certo, mas que hoje tinha vergonha de você ser uma drogada. Tenho quase certeza que ele usou as palavras "nasceu pra ser paga pau pro , agora que usei posso cair fora" — Liz disse vitoriosa, não pensou duas vezes quando levantou e a puxou pelo cabelo e jogou no chão com força, todos pareciam aterrorizados com a atitude dela, definitivamente não esperavam aquilo.
— Você é a puta do , não eu — ela disse alto, pegou o copo de Coca-Cola e saiu andando pela escola atrás de que, de fato, estava conversando com , ela novamente sem pensar muito foi até ele e virou o copo de refrigerante inteiro no rapaz. a olhou surpreso se afastando do que havia respingado nele.
— Enfia seu dinheiro e seu namoro no cu — disse apontando o dedo para , em seguida virou as costas e caminhou pela escola querendo qualquer lugar tranquilo. Ela sentia tanta raiva de tudo, absolutamente tudo, da escola, das pessoas da escola, de , dos seus pais, de Liz e principalmente de , ele era o pior. Como se não bastasse ela tinha acreditado que ele estaria lá por ela, e que ela não estaria passando por tudo isso sozinha, de todos havia sido o pior. Andou até o pequeno jardim abandonado e sentou-se em um dos bancos ainda segurando o choro.
— Eles são hipócritas — ouviu a voz ao fundo e então percebeu que não estava sozinha, muito menos estava com paciência pra responder. Ficou calada e então a pessoa veio e se sentou mais perto dela, ele tinha os olhos azuis familiares e segurava um pequeno baseado, passou para ela que apenas aceitou. O encarou por alguns segundos e teve certeza que era o mesmo rapaz que interveio quando estava com problemas com Greg.
— Eu não ligo — ela respondeu devolvendo.
— Belas fotos, por falar nisso — ele brincou e ela entortou a boca —, porque alguém faria isso com você?
— Acho que deixei puto comigo.
— Você deve ter feito alguma coisa bem ruim.
— Eu estraguei tudo... — ela deu de ombros e aceitou mais uma vez o baseado. — A vida tá uma merda — ela passou a mão na cabeça ainda contendo a raiva.
— Vai passar — ele deu de ombros. — Levou uma esculhambação da diretora?
— Como você sabe?
— Todo mundo sabe de tudo aqui.
— É, ela chamou meus pais, eles devem estar a caminho. Se não bastasse agora eu vou ter que levar advertência por ter esfregado a cara da Liz no chão e jogado refrigerante no — ela apertou os olhos se arrependendo um pouco pelo que fez.
— Você o que? — ele perguntou rindo. — Odeio essa menina, a Liz, a voz dela é um saco e o , não vejo motivos pra alguém querer jogar alguma coisa nele.
— Eu tenho bons — ela deu de ombros.
— É, parece que sim...
— Porque você sempre aparece nos momentos mais tensos? — foi a vez dela perguntar.
— Não sei, talvez eu seja o seu anjo da guarda — ele sorriu dando de ombros.
— Eu ainda não sei seu nome — ela disse se dando conta.
— Me chama de , é como todo mundo me chama — ele tragou, passando pra ela que fez o mesmo. — Até onde eu sei seu nome é , certo?
— Isso mesmo — ela concordou devolvendo o cigarro. — é apelido?
— Não, sobrenome mesmo — ele segurou da mão dela e ficou olhando pra frente.
— Você estuda aqui? Eu nunca te vi — ela perguntou interessada.
— Eu estudo na mesma sala que você há uns dois anos — ele deu de ombros em meio a um sorriso.
— Então você não vem pra aula — ela concluiu rapidamente.
— Pode ser — ele a olhou com um ar misterioso. — Ou talvez você não enxergue um palmo além do seu nariz, como todos falam — deu de ombros dessa vez.
— Então você é um estudante e traficante, tem mais alguma coisa? — ela perguntou.
— Acho o suficiente — ele disse com um ar de superioridade.
— Ok — ela deu de ombros e ele riu.
— Por enquanto acho que é o que precisa saber, já te salvei duas vezes... quem me deve explicações é você — ele disse voltando a fazer o ar misterioso.
— Ok, justo — ela fumou mais um pouco do baseado. — Pode perguntar.
— Porque você terminou com o se vocês pareciam bem? Se é que pode ser bom pegar o melhor amigo do namorado — ele perguntou a olhando e ela bufou.
— Porque era inviável ficar com ele — respondeu secamente.
— Inviável é um cachorro ter filho com uma galinha. Melhora a resposta... — ele disse autoritário.
— Você é sempre mandão? — ela perguntou.
— Quase sempre — deu de ombros novamente.
— Meus pais devem muito dinheiro pro , tipo muito dinheiro, e meu pai tá sendo processado por sonegação de impostos e ele tinha risco de ser preso, mas graças ao ele não foi... e quando descobriu de mim e ele disse que ou eu terminava com ou ele tiraria os privilégios do meu pai e cobraria nossa dívida. Então eu terminei com — respondeu fazendo um gesto com a mão em explicação.
— Que filhos de uma puta, tipo, todos eles... — disse arqueando a sobrancelha, ele tinha um jeito meio intrigante de demonstrar reações —, e porque você jogou Coca-Cola nele?
— Porque ele disse que agora que me usou, não sirvo mais pra nada e que eu sou uma drogada.
— Ele disse isso? — perguntou surpreso.
— Segundo Liz, sim.
— E foi por isso que você esfregou a cara dela no chão? — ele perguntou parecendo animado e concordou. — E se ela tiver mentindo?
— Tanto faz...
— É, ele mereceu de qualquer jeito — deu de ombro apagando o resto do baseado.
— Você é daqui? Digo Inglaterra? Às vezes parece ter um sotaque diferente.
— Eu sou, mas acho que a convivência com meus pais me deu o sotaque, eles são noruegueses — ele disse explicando.
— Que legal... e o que eles fazem? — ela perguntou interessada.
— Meu pai é embaixador na Noruega — ele respondeu.
— Que legal, moram aqui? — ela passou a mão no cabelo, o ajeitando.
— Não mais, ele foi promovido a embaixador há um ano e foi para o Brasil... eu fiquei porque eu gosto daqui — ele respondeu a olhando. — Seu cabelo é vermelho mesmo?
— Não, eu pinto — ela respondeu.
— Eu acho bonito — ele disse educado.
— Acho que é a parte de mim que eu mais gosto — ela disse com um sorriso largo.
— Bem, tem várias partes bonitas em você, mas o cabelo chama atenção.
— Obrigada — ela sorriu verdadeiramente e se levantou. — Eu vou embora.
— Seus pais estão vindo aqui, não estão?
— É, não acho que vá melhorar meu dia ouvir um sermão na frente da diretora...
— Então vamos, eu te levo, já chega de escola por hoje — ele deu de ombros, os dois pegaram o material e aproveitaram o intervalo para irem embora sem chamar atenção. a deixou na porta do seu apartamento e pegou em seu guarda luva um pequeno papel com o seu número. — Qualquer coisa...
— Obrigada, pela conversa, pelo baseado e pela carona...
— Sempre que quiser — ele respondeu e ela saiu do carro e subiu até o seu andar, ficar sozinha era horrível, era uma mistura de angustia com ansiedade, ela estava sozinha de novo... Procurou as pílulas da sua mãe e tomou duas para que pudesse dormir, era a melhor opção e o que não demorou a acontecer.
Seu sono foi interrompido horas depois com um grande alvoroço fora de seu quarto até lá, sua mãe entrou como um furacão e , ainda sob efeito do remédio, apenas abriu os olhos com dificuldade.
— O que é isso? — ela perguntou e Scalet riu ironicamente.
— Você tem exatamente 10 minutos pra sair dessa casa.
— Dona Scarlet, não faça isso... — Leslie interveio.
— Cala a boca, Leslie — ela foi até a cama e puxou , que parecia perdida —, sai da minha casa agora.
— Por quê?
está cobrando todas as nossas dívidas e vai ser questão de tempo até que seu pai seja preso, você conseguiu o que queria... ingrata — Scarlet disse histérica. — Agora fora, fora da minha casa.
— Mãe, eu não tenho pra onde ir.
— Vai atrás daquele seu namorado drogado, vê se agora ele pode te dar o que nós te demos, o que te deu — ela dizia gritando. — Eu vou te esperar na sala, tu tens dez minutos pra pegar o necessário... pra não dizer que eu te abandonei a míngua — ela saiu do quarto e iniciou um choro tímido sem saber o que faria. Leslie a abraçou imediatamente.
— Se acalme, senhorita, eu vou lhe ajudar — Leslie prontamente fez uma pequena mala e ajudou a vestir uma roupa —, eu posso lhe arrumar onde ficar.
— Não, se ela souber que você me ajudou ainda é capaz de te prejudicar.
— Mas me dói ver você assim.
— Eu vou dar um jeito... — ela disse, pegou a primeira mala que viu, o celular e viu na cômoda o numero de . Ela pegou por precaução, engoliu o choro e saiu do quarto, passou pela mãe que tomava um copo de uísque.
— O carro fica — ela disse e apenas engoliu seco e saiu do apartamento, engoliu vários princípios de choro até chegar na portaria, tinha dinheiro pra um táxi, não podia desperdiçar, não tinha pra onde ir. Queria ver , talvez mesmo depois de tudo ele a aceitasse, ou pelo menos a ajudasse, ela podia perdoar ele por espalhar as fotos. Pegou um taxi e foi para a casa de , mas logo na portaria foi lhe dito que não podia subir.
— Eu preciso falar com .
— Ele não está, senhorita.
— A Louise está? — ela perguntou e ele concordou e então pediu para chamar, em seguida a governanta estava lá, rígida como sempre. — Louise, cadê o ?
— Ele não está, .
— Pra onde ele foi?
— Eu não posso lhe dizer.
— Ele te pediu isso?
— O Senhor e a Senhora foram chamados hoje na escola, não acreditamos que seja bom pra vocês continuarem se vendo — ela respondeu e passou a mão pelo cabelo.
— Eu preciso falar com ele, Louise.
— Eu sinto muito — ela se manteve firme —, é melhor você voltar para a sua casa, é melhor assim — ela respondeu e encostou a cabeça na grade sem saber o que fazer. Sentou no meio fio e só conseguia pensar em chorar. Levantou dali depois de muito tempo e andou, não tinha mais dinheiro e não tinha mais ninguém, nunca procuraria . Andou sem parar por muito tempo apenas com a pequena mala, achou uma pequena praça e se sentia exausta, como se tivesse andando por toda Londres, sentou no banquinho e não demorou a pequenas gotas de chuva caíssem. Era aquilo, ela estava no fim do poço. Olhou ao redor e não tinha nenhum lugar para se abrigar, o sol já estava baixo e logo escureceria, ela estava molhada e ainda sem lugar pra ficar. Lembrou de e, na verdade, ele era a única pessoa que foi legal com ela em semanas. Tirou o número do bolso e mesmo molhado conseguiu enxergar os números e discar.
— Não achei que fosse precisar de mim tão rápido.
— Nem eu, eu sei que nós nos conhecemos hoje, mas...
— Fala — ele disse direito.
— Já que você é meu anjo da guarda, você pode vir me resgatar?
— Onde? — perguntou e ela deu o endereço, ele disse que logo estaria lá. Em poucos minutos, como havia dito, viu ele andando pela praça a procurando, foi a visão mais reconfortante do mundo. Saiu de baixo da árvore fazendo sinal e ele sorriu, molhado. — O que você tá fazendo pra cá?
— Pegando chuva — ela respondeu e ele riu.
— Vem, vamos embora — ele respondeu e ela o seguiu até o carro. notou que ela tremia de frio e ele ligou o aquecedor imediatamente. — O que aconteceu? Porque tá de mala? — ela suspirou e então contou tudo pra ele.
— Porque você veio atrás desse cara, velho? Você é doente? — ele perguntou assim que ela terminou.
— Eu não sei, ele me pareceu a melhor opção.
— Ele jogou foto de você usando drogas, ele não fez isso porque você terminou com ele, ele fez porque queria te humilhar, ele não é uma boa pessoa, , deixa de criar essa imagem romântica do , ele nunca foi e nunca será um cara legal.
— Ele era comigo...
— Ele jogou fotos na escola pra te expor e ele proibiu sua entrada na casa dele pra não ter que lidar com as consequências do que fez.
— Eu sei...
— Para de ligar pra quem te trata que nem merda, seja ele, Liz ou seus pais... — disse e ela ficou calada. — Você quer ir pra algum lugar especifico?
— Eu não tenho pra onde ir e não tenho dinheiro pra ir...
— Fica na minha casa.
, a gente acabou de se conhecer e eu já fiz você vir até aqui... eu não quero abusar.
— Você não está abusando, se precisa de ajuda e eu puder ajudar, eu vou — ele respondeu e ela deu um meio sorriso.
— Obrigada — ela respondeu e ele apenas ligou o carro, dirigiu até um dos condomínios fechados mais caros de Londres. olhou ao redor e encarou a casa que ele passou pelo portão, era grande em uma cor clara e detalhes em granito negro, havia um jardim na entrada, parecia estranhamente familiar.
— Bem vinda — ele disse deixando o carro logo a frente, ela abriu a porta e tirou a mala junto. abriu a porta grande a sua frente e ela viu a sala, era tudo muito bem limpo e decorado. — O que? Não parece casa de traficante? — ele perguntou percebendo o seu olhar reparando tudo.
— Não... pra dizer a verdade — ela respondeu sincera e ele riu.
— Vamos subir, acho que você quer trocar de roupa.
— É, seria bom... — o seguiu até o segundo andar.
— Pode tomar banho e se arrumar no meu quarto, vou pedir pra arrumarem o outro pra você enquanto isso. Se arruma e desce, vou ver alguma coisa pra comermos.
— Certo — disse entrando no quarto de , era espaçoso com equipamentos modernos, deixou a mala ao lado da cama.
— Tem toalha no banheiro, fica a vontade.
— Obrigada, — ela disse ao final e ele fez um sinal com a cabeça dizendo que não precisava, em seguida fechou a porta. Ela tomou um bom banho, até porque parte dela continuava sentindo-se extremamente sonolenta, colocou uma roupa das que trouxe e desceu, procurou ele por um tempo até chegar na cozinha. estava lá com um sanduiche e outro estava ao lado.
— É sanduiche de rosbife com queijo suíço, espero que goste.
— Eu gosto de qualquer coisa que engorde — ela deu de ombros e sentou ao lado dele.
— Gosta da Game Of Thrones? Hoje sai a nova temporada.
— Nunca vi.
— Sério? Que absurdo.
— Quem me apresentava essas coisas era o .
— Eu posso assumir essa tarefa agora em diante — ele respondeu e ela ficou calada comendo por um tempo.
— Sabe... isso não mudaria nada, mas é engraçado que a minha mãe fique infinitamente mais chateada com o fato de eu ter terminado com um namorado do que por ser chamada por eu estar usando drogas...
— É, não é um exemplo de mãe — concordou —, ela falou alguma coisa sobre isso?
— Não, nada.
— Isso não faz sentido nenhum, uma vez minha mãe me pegou fumando maconha e ela fez um drama tão grande, disse que eu precisava me internar e de acompanhamento psicológico, ficou perguntando por uma semana o que faltava pra mim — ele disse isso rindo e sabia que aquele era um comportamento muito mais razoável que o da sua mãe.
— É, eu acho que meus pais faltaram a aula sobre prioridades — ela deu de ombros.
— Mas você usa esses bagulhos há muito tempo? — mordeu o último pedaço ao terminar e ela negou com a cabeça.
— Basicamente começou junto com , mas não é como se eu sempre usasse, eu nem lembro a última vez que fiz isso. Você usa?
— Não, eu não gosto de nada que me tire da razão.
— Então só maconha...
— É, até porque só relaxa, nunca senti nada demais com maconha — deu e ombros e concordou —, mas se você quiser pó tem na sala.
— Porque você tem se você não usa?
— Sempre tem alguém aqui em casa, então deixo pra quem quer.
— Um bom anfitrião — ela disse rindo e ele concordou, voltou a comer por um momento, depois foram para a sala, onde insistia em esperar para ver a série. — , onde tem... — perguntou e ele apontou para a gaveta ao lado dela, ela se esquivou e abriu, achando pequenos papelotes, não hesitou em pegar um e distribuir pela mesinha ao lado, preparou um pequeno canudo e então inalou. Foi a primeira vez no dia que sentiu alívio verdadeiro, a ausência de seus problemas, inalou o resto do papelote em seguida e segurou a cabeça para trás alguns instantes.
— Você parecia precisar disso — disse rindo e ela concordou, em seguida a série tão esperada começou. Ele assistia vidrado e também a achou bem interessante, apesar da carnificina e do incesto.
— Sério que eles se pegam?
— É... — deu de ombros.
— Nojento — ela fez uma careta e ele riu. Assim que acabou, os dois subiram e cada um foi para um quarto. não dormiu com facilidade, era realmente muita coisa para absorver de uma vez só, mesmo assim precisava ser grata a .
Assim que acordou fez sua higiene pessoal, não queria ir para a escola, não sabia se ele iria então saiu do quarto e andou pela casa, ao longo da casa ia ouvindo pequenos acordes de uma guitarra. Seguiu o som e assim que achou de onde vinha abriu a porta e se deparou com um estúdio, havia caixas, equipamentos, mesas de som, instrumentos e no meio estava com um fone de ouvido e uma guitarra, já estava pronto para a aula, ele pareceu perceber o que ela olhava e sorriu de canto, tirando o fone.
— Mais uma coisa pra lista: músico — ela disse e ele concordou.
— Eu toco há algum tempo — ele respondeu, ela entrou e sentou-se em uma poltrona na frente dele.
— Toca alguma coisa — ela disse e então desplugou o fone e apertou play, uma música iniciou, ele acompanhou dedilhando e prestava atenção na música, era Beatles, ela tinha certeza, mas a letra não era conhecida. cantarolava, e a voz dele era perfeita, a letra daquela música era perfeita. Ao final ele dedilhou e a olhou com um pequeno sorriso. — Que música é essa?
— Black Bird, dos Beatles.
— Nunca tinha ouvido.
— Você tem jeito de quem tem um péssimo gosto musical.
— Que preconceito, eu não acho que tenha, eu gosto de Beatles, só não conhecia essa música.
— Deveria, essa é uma das melhores — deixou a guitarra do lado. — Vamos pra aula? Já estamos atrasados.
— Eu não vou, , pode estar lá, e Liz, eu não quero...
— Você sabe que não pode fugir pra sempre, né?
— Não, só por hoje, eu volto amanhã.
— Certo, eu vou porque eu tenho um material para entregar.
— Ok — concordou e ele levantou de onde estava, ela levantou em seguida e andou com ele pela casa.
— Fica a vontade, a casa é sua...
— Certo, obrigada — sorriu e ele fez um pequeno gesto com a cabeça, pegou a mochila e as chaves do carro, saiu em seguida. sentou na sala, não tinha muito o que fazer de qualquer jeito, ligou a televisão e se inclinou para a mesinha do lado onde tinha pó, ela inalou aquilo e depois relaxou.

Capítulo 17

So what we get drunk
So what we smoke weed
We're just having fun
We don't care who sees
So what we go out
That's how its supposed to be
Living young, and wild and free

Viver com era extremamente fácil, naquela altura a escola toda já havia desconfiado da rapidez com que tornaram-se amigos, ele passou a ser a única pessoa, ela não tinha outra pessoa com quem se apoiar.
por outro lado assumiu essa responsabilidade, ele se dispôs a ser o amigo e o suporte dela de diversas maneiras. Todas as outras pessoas sempre tinham um pé atrás com ele, achavam que as meteria em problemas, não parecia se importar nem um pouco com aquilo e, de fato, não se importava. Era bom ter ela ali.
chegou da aula, naquele dia não havia ido, estava se sentindo mal, com febre, então ela foi só.
— Como você tá? — disse abrindo a porta do quarto e vendo ele ainda deitado, parecendo indisposto.
— Morrendo — respondeu e ela riu, foi até a cama e sentou do lado dele, tocou sua testa e seu pescoço procurando por sinais de febre.
— Não seja tão dramático — ela disse —, você tá com febre, deve ser um resfriado.
— Do demônio, porque eu to morrendo — insistiu e riu.
— Vou pesquisar na internet o que é bom e trago pra você — ela deu um beijo na testa dele e saiu do quarto para trocar de roupa e ver o que podia ajudar. Desceu até a cozinha assim que descobriu e pediu para que a cozinheira preparasse chá de canela com limão, esperou ficar pronto.
— Deixa uma sopa pronta também, por favor.
— O senhor não toma sopa...
— Eu vou fazer ele tomar — disse dando de ombros e a cozinheira rio lhe entregando uma xicara, ela segurou e levou até o quarto de . — Toma isso...
— Chá? Sério? — ele reclamou.
— É bom pra fazer a febre passar, vai, toma — ela entregou e ele sentou na cama segurando a xícara, bebericou e não reclamou, ela sentou ao lado dele e acompanhou ele tomar até o fim depois pegou a xícara e deixou por perto.
— Fica aqui comigo — ele disse dando espaço para ela, ela se aproximou dele que passou o braço ao redor dela a aconchegando. — Como foi a aula sem mim?
— Um saco... — ela respondeu dando de ombros, — odeio como ficam me olhando quando você não está por perto.
— Eles te olham assim quando eu to também.
— Mas pelo menos você está lá — ela respondeu e ele a colocou mais próximo.
— O que seria de você sem mim?
— Nada, com certeza — concordou pousando a mão no peito dele —, mas tenho um trabalho pra entregar.
— Não fala isso, eu sinto que a febre aumenta — reclamou e ela riu dessa vez, se concentraram no filme que estava passando e acabou dormindo. Ela acordou quando já estava anoitecendo, dormia do lado dela, ela levantou e desceu para pegar a sopa que já havia pedido pra fazerem, levou até o quarto.
... — ela balançou ele levemente. — Come aqui.
— Pera — ele sussurrou e sem muita vontade acordou, ficando sentado.
— Toma... — ela estendeu a sopa e ele segurou.
— Obrigado.
— Nada — ela sorriu e sentou do lado dele, pegou o controle da televisão. — Vamos ver 50 tons de cinza.
— Sério? Que filme mela cueca.
— Nunca vi — ela deu de ombros deixando ali no canal esperou ele comer e depois se ajeitaram novamente na cama.
— Você não tem nada mais interessante pra fazer além de ficar na cama comigo?
— Eu to cuidando de você, seu ingrato — ela o olhou, ofendida, e ele riu a puxando pra perto dele. — Você tá bem?
— Sim, já me sinto bem melhor — ele respondeu tomando mais um pouco. — Ainda bem que você tá aqui.
— Não é problema nenhum, você já fez tanta coisa por mim — ela respondeu, sorrindo.
— Eu nunca vou te cobrar nada, .
— Eu sei, mas eu me importo com você e eu quero cuidar de você enquanto você está doente, é simples... — disse e ele concordou.
— Até agora eu não sei de onde vem fama de otária que você tem.
— Eu meio que sou, mas eu não vou ser com você.
— É muito fácil gostar de você... — ele respondeu.
— Eu nunca consigo acreditar que alguém goste de mim...
— Por que?
— Porque eu não me sinto digna, tipo... não acho que alguém acabe gostando. Desde criança as pessoas se aproximavam de mim por interesse, sempre deixaram claro o porquê se envolviam comigo. parece que foi o cara que mais gostou, ao mesmo tempo ele nunca escondeu que me ter como namorada elevava o status dele de nerd pra alguém comparado ao .
— Isso é doença, sério...
também sempre falava de mim como se eu elevasse as pessoas socialmente, meus pais sempre me colocaram nessa situação também, eles nunca me incentivaram a estudar ou a continuar os negócios da família, sempre me fizeram acreditar que eu deveria casar com alguém rico, com poder. era o partido perfeito — ela concluiu e fez um gesto negativo com a cabeça.
— Não deixa os outros fazerem isso com você, , você pode fazer o que você quiser. Ninguém absolutamente ninguém pode te dizer o contrário — sorriu com as palavras e o abraçou.
— Obrigada, .
... é como as pessoas mais próximas me chamam — ele respondeu e ela sorriu dando um beijo na bochecha dele.

A melhor parte de morar com era que não tinha cobrança nenhuma, fazia o que queria, quando queria. Com cocaína a seu bel prazer ela não fazia questão de se preocupar com nada, não havia restrições, motivos para pensar duas vezes.
, quer ir em uma festa? — entrou no quarto dela depois de bater uma vez na porta.
— Que festa? — ela o olhou pelo canto do olho.
— A minha... — deu de ombros e ela o olhou com maior atenção agora.
— Como assim...?
— Eu tenho uma boate, a Private P, nunca ouviu falar?
— Da boate já, claro, só não sabia que era sua.
— Sabe agora, vai, se arruma o Greg vem buscar a gente — ele disse saindo do quarto e ela concordou. Greg continuava não sendo sua pessoa preferida, mas não tinha mais medo dele, não com do lado dela, era como se tivesse imune a maioria das coisas que lhe faziam mal antes.
Se arrumou como era de costume se arrumar agora: calça jeans, uma bota e uma blusa qualquer, não tinha mais tanta variedade como antes, mesmo que insistisse para que ela não ficasse sem nada que ela gostasse, ela não achava justo, não era uma responsabilidade dele.
Assim que desceu Greg estava sentado no sofá com um copo de uísque e em pé com outro, conversavam e Greg foi o primeiro a olhá-la.
— Já começaram?
— Sempre — estendeu o copo e ela riu. — Vamos, trás a garrafa, linda — ele apontou pra garrafa de whisky 18 anos. fez o que ele disse e então saíram da casa, Greg foi dirigindo, ela com a garrafa na mão ia bebericando direto da garrafa, dividia às vezes com os outros dois, mas a maior parte das vezes ela tomava. Quando chegaram já haviam muitas pessoas, segurou a mão de dele para que não se perdessem enquanto ele cumprimentava várias pessoas pelo caminho. Andaram em meio a pequena multidão até chegarem à área vip do lugar que não estava menos lotada, garçons passavam com shots de bebida, outros passavam com pequenos saquinhos que pareciam ter vários tipos de droga.
— Eu não aconselho você a cheirar essa cocaína — disse quando a viu olhando.
— Porque?
— Porque o pessoal mistura — ele respondeu e ela concordou. — Aliás, é melhor só beber.
— Certo... — ela concordou pegando uma dose do que passava em sua frente, parecia gelatina azul.— O que é isso?
— Jellyshot, três desse e você tá no chão — Greg respondeu e ela virou, e não parou no terceiro, contrariando as expectativas. a puxou pra dançar e ela aceitou, era um ritmo tribal e eles apenas faziam pequenos passos juntos, ele estava levemente porre, mas sabia que já tinha passado da conta, ele não era seu pai ou mãe para lhe dizer o que fazer, então ela continuava bebendo. Greg se aproximou e falou algo no ouvido de , que apenas concordou.
— Eu vou ter que resolver um probleminha, você fica bem só? — ele perguntou e ela concordou sem entender muito bem o que ele disse, se afastou e parou de dançar procurando por mais bebida, para ela estava tudo normal, mas todos ao redor viam que ela já não tinha equilíbrio nenhum, andava esbarando pelas coisas para se segurar, andou até o bar e se debruçou ali para chamar atenção.
— Eu quero mais um whisky — ela disse e o cara apenas riu ao perceber o quanto ela estava bêbada. Ela esperou até ele servir a dose, segurou, bebericou e saiu andando novamente, finalmente sentiu tontura e se apoiou na parede mais próxima, as pessoas ao redor perceberam, mas não fizeram nada. tomou mais um gole esperando a sensação passar.
— ela ouviu e olhou para frente e depois para o alto, estava tudo meio embaçado e girando, mas era . Ela olhou com escárnio e tentou andar sem muito sucesso. — Você tá porre pra caralho — ele disse com raiva —, chega de beber — tentou puxar o seu corpo, mas ela evitou.
— Sai da minha frente — ela disse com a voz pesada.
— Para de beber — ele contestou, ela olhou para ele e virou o copo, como se quisesse desafiá-lo, ele rolou os olhos, mas antes que pudesse falar qualquer coisa viu que ela estava sem equilíbrio, tonta, e a segurou. — Porra, — ele disse e sentiu ela pesar como se tivesse desmaiado, ele a segurou e levou para um puff próximo, era desesperador, nunca havia a visto daquele jeito, ele dava pequenos tapas no rosto dela sem reação. — — ele chamava sem sucesso.
olhava ao redor, na esperança de ver pelo menos ali por perto, ele e estavam sumidos, ele deduziu que estivessem juntos, mas não estavam, continuou a tentar acordá-la, mas não havia reação.
voltou para a área vip e olhou ao redor. Sem ver , procurou, e então Greg apontou, ele viu e ela desacordada, afastou todos em seu caminho para chegar mais rápido sem entender a situação.
— O que você fez com ela? — perguntou e levantou alarmado.
— Ela tá porre, não se mete — ele disse e rolou os olhos, se aproximou e pegou no colo. — Você tá doido? Deixa ela aí, ela não é problema seu — disse e Greg o afastou. não respondeu apenas, carregou até o escritório do club, acompanhou sem entender de onde havia surgido e entrou junto no escritório. — Eu vou levar ela pra casa — disse novamente.
— Você vai dar um fora daqui, deixa que eu cuido dela — respondeu.
— Você nem conhece ela...
— Você não sabe de nada — disse passando a mão pelo rosto de tentando acordá-la.
— Ela é minha namorada, eu vou levar ela pra casa.
— Ela não é sua namorada e, a título de curiosidade, a casa dela é a mesma que a minha agora — ele respondeu sem olhar para o rapaz.
— O que? Que porra...
— Você não sabe de nada mesmo, não é? — ele perguntou e riu ironicamente. — Pergunta pros pais dela — ele o olhou pelo canto do olho e depois olhou para Greg —, tira ele daqui. — O outro prontamente foi até , que fez um gesto se afastando antes que ele o tocasse, ele recuou demostrando que iria sair sem problemas.
esperou por algum tempo que acordasse, o que não aconteceu, ele preferiu levá-la até o pronto socorro mais próximo. Não tiveram grandes problemas com isso e logo acordou e puderam ir para casa.

entrou na escola com ao seu lado, atravessaram o pátio e ela viu mais adiante, percebeu que o rapaz cortou a conversa que tinha com quando ela passou e caminhou rapidamente até alcançar os dois.
... — disse e ela não parou, ele então a segurou pelo braço. — .
— Solta ela... — disse rapidamente e ela olhou para ele dizendo que estava tudo bem.
— O que você quer?
— Falar com você... — respondeu. — Sem ele — se soltou de e olhou .
— Eu te encontro na sala — ela respondeu e ele concordou, contrariado. Algumas pessoas olharam a cena e continuou andando para se afastar deles, em certo ponto ela parou e ficou na sua frente, apenas ficou calada esperando que ele falasse.
— Eu falei com seus pais... , eu não sabia que eles iam te colocar pra fora de casa — disse e ela riu de maneira irônica.
— Mas eles fizeram...
— Eu parei, ok, eu não vou cobrar dívida nenhuma... eu não quero te prejudicar, eu não quero que viva na casa de um traficante, você não nasceu pra isso, esse não é o seu mundo.
— Qual é o meu mundo, , sendo sua namorada e sendo a idiota que só sabe fazer compras?
...
— Eu não vou te agradecer por ter que mendigar pros meus próprios pais verem que me colocaram na rua por causa de um garoto, que usou o dinheiro pra me prender e que na primeira oportunidade onde eu não fui a "namorada perfeita" me deixou de escanteio.
— Eu não estou orgulhoso do que eu fiz.
— Não deveria mesmo — ela disse como se fosse óbvio, ele mexeu nos bolsos e tirou uma chave.
— Eu não vou brigar com você, volta pra sua casa... só isso — ele estendeu a chave e ela apenas o olhou e depois saiu andando, bufou e a viu se afastar por um tempo.
andou até a sala, se sentou e logo seu amiga percebeu que estava agitada. — O que foi?
— Ele parou de cobrar a minha família.
— Por quê?
— Ele não quer que eu fique morando com você, ele tentou me devolver a chave do apartamento.
— E você quer?
— Não, eu não quero dever pro e, a cima de tudo, eu vou voltar pra ficar sozinha? Remoendo cada merda que aconteceu no último mês?
— É, melhor não — ele passou os braços ao redor da cadeira dela. — Você tem onde ficar, não está te faltando nada, então você não é obrigada a nada.
— Obrigada, , você sempre salva minha vida — ela disse e ele sorriu simploriamente.

Capítulo 18

When i gave up what was ours
I met a man so kind
Red petals tickling my feet
Like an oriental carpet
Thick and sweet
What once was dust now is grain
I believe i've found my new man

— Eu acho que deveríamos sair para comer — disse assim que entrou no quarto de , após a sua permissão.
— Não tem nada? Domingo é um dia tão não sair... — fez uma careta e ele encostou-se à porta.
— Não tem nada e McDonald’s existe para isso.
— Vai me fazer sair mesmo?
— Sim — ele concordou com a cabeça e ela riu.
— Me dá cinco minutos pra por uma roupa — ela levantou-se ainda preguiçosa da cama.
— Certo! — ele disse animado saindo do quarto, desceu e esperou ela com as chaves do carro entre seus dedos. desceu logo, colocou uma calça e um sobretudo, fazia frio. Ainda parecia preguiçosa, ele fez um gesto com a mão para ela se apressar, abriu a porta e ela apressou o passo para acompanhá-lo, dirigiram até o McDonald’s mais próximo, mas o drive thru estava lotado.
— É mais rápido pegarmos lá dentro — disse e ele concordou conduzindo o carro para o estacionamento, no momento em que desligou o carro seu celular começou a tocar, a menina viu que era Greg pelo visor.
— Eu preciso atender, você pode ir logo pra fila? — ele perguntou e ela concordou, muito embora ele não mentisse para ela, alguns assuntos ele guardava com mais cuidado, quase nunca a deixava ouvir conversas dele com Greg, talvez para protegê-la, era como ela gostava de pensar. saiu do carro e caminhou até a entrada da loja, assim que entrou no local ouviu a risada familiar: Lizz estava lá, mas resolveu não virar para olhar. A garota, acompanhada por outros da escola estavam em uma mesa logo atrás de onde parava a fila do caixa. ouviu cochichos, mas não podia perceber o que estavam dizendo. Ficou quieta, em minutos entrou e se aproximou dela.
— Olha, o casal narcótico da escola — ouviu a voz de Liz assim que se aproximou dela —, ele combina mais com você — virou-se para ela e cruzou os braços.
— O que é, Liz? Ainda não superou seu chifre, não? — perguntou e apenas ficou ao lado dela.
— Chifre? Você acha mesmo que ficaria com você no final? Ele já tinha jogado fora uma vez, acha mesmo que não jogaria de novo... Ah, desculpa, esqueci, ele jogou.
— E você acha que ele ia ficar com você? Olha pra você, Liz, até sua risada é de gente barata...
... — puxou levemente para que ela acompanhasse a fila.
— Antes ser barata do que puta — Liz disse. — Acha que ninguém sabe que você tá com esse aí por causa do dinheiro dele? Assim como você fez com .
— Garota, cala a boca... — respondeu a Liz.
— Não fala com ela assim — um rapaz alto estufou o peito e rolou os olhos.
— E você é o famoso quem pra me dizer o que fazer? Eu falo com ela como eu quiser, vagabunda a gente trata como quiser.
— E pra sua vagabunda? Tá pagando quanto pra comer? Ou ela prefere receber em cocaína? — Liz disse, não ouviu calada, pegou o próprio celular e jogou no rosto de Liz, a garota se reprimiu com a dor, o garoto que antes defendeu a amiga avançou pra cima de e se colocou à sua frente.
— Você não vai chegar perto dela.
— Quem é você pra dizer isso?
— Marv, deixa quieto, não vale a pena... — um terceiro garoto puxou o amigo enquanto ainda o encarava, outros do grupo checavam o rosto de Liz.
— Eu não tenho medo de traficantezinho — o rapaz chamado Marv disse. Muitas pessoas observavam, a loja toda tinha praticamente parado.
— Deveria... — disse sem hesitar de forma ameaçadora. — Você, pega o celular dela... — ele disse pro rapaz que ainda segurava Marv, o rapaz apenas pegou o celular de no chão e estendeu a . — Mantenham a boca fechada, é melhor pra não entrar mosca... — ele segurou pela cintura para fazer ela se mover. — Vamos, esse lugar está mal frequentado — ela concordou e eles saíram da lanchonete, assim que entraram no carro, passou a mão no rosto.
— Eu odeio essa garota.
— Você quebrou a cara dela, você é perfeita — ele disse caindo na gargalhada e soltou um riso com isso. — Ela mereceu.
— Claro que sim — olhou para o celular, a tela estava completamente trincada, bufou —, ferrei meu celular.
— Valeu a pena... eu te dou outro só pela beleza que foi ver a cara dela quebrada — ele disse rindo e dando ré para sair do carro, seu celular começou a tocar novamente e ele atendeu. — Diz, Greg... porra, tá, eu vou, diz pra esse filho da puta — disse e desligou parecendo atormentado.
— O que foi?
— Um cara quer falar comigo, vou ter que ir lá... Se importa se eu te deixar em um ponto de táxi e você voltar pra casa?
— Eu não posso ir com você?
— Não queria te envolver.
— Tudo bem, mas se não for nada demais eu preferia ir a ficar em casa — disse e ele concordou, não iria ter grandes problemas, era apenas para falar com a pessoa que geralmente repassa o que vem chegando. Eles passaram pelo centro da cidade em direção ao cais, entrou por várias ruelas até para próximo a um pequeno porto.
— Fica no carro, ok? — ele disse e ela balançou a cabeça concordando, se esticou até o porta luvas e tirou uma arma de lá. nunca tinha visto uma daquelas, ele a olhou sem jeito, mas apenas saiu do carro e ela pode ver quando ele colocou a arma na cintura escondida pelo sobretudo e caminhou para onde ela o perdeu de vista. Ligou o rádio e sintonizou onde tocava Adele, cantou alto a letra toda, em seguida foi a vez de All About The Bass e novamente ela voltou a cantar animadamente, mexeu no celular e remoeu mais um pouco o que tinha ouvido de Liz, no final de tudo ela ainda era a errada, não deveria ter acreditado em nenhum dos dois no final das contas, se culpar tomava bastante tempo de sua vida ultimamente e quando começava sua cabeça girava em um looping que ela não conseguia evitar. Nessa hora a música era alguma que ela não conhecia, então se concentrou no celular um jogo qualquer, não devia demorar.
Ela ouviu um barulho alto, como se fossem fogos, perto. Era seco demais para ser fogos de artificio, viu correndo na direção do carro, ele fazia um sinal rápido para sair do carro, ela abriu a porta.
— Sai, , sai — disse e ela saiu do carro. Ele a puxou correndo, correu mesmo sem entender. Uma mão a segurava e a outra ele segurava a arma, era impossível dizer que aquilo não era assustador, a puxou pelas ruelas mais escuras, entre o que parecia ser um galpão, estoques, não fazia ideia, eles correram bastante, percebeu a entrada de um porão, não tinha muitas opções, precisava escondê-la, pelo menos. Deu um chute na porta e abriu. Ele fez com que ela entrasse primeiro e em seguida entrou, não era um porão, apenas um tipo de depósito, apertado, se espremeu e ele se espremeu junto para caber.
— O que está acontecendo?
— Era emboscada, usaram o cara que entrega.
— Quem usou?
— Nós temos um tipo de concorrente, ele além de tudo tem problemas pessoais comigo, então ele vive pra ferrar a gente.
— Foi a polícia que apareceu?
— Foi — ele concordou baixo e eles ficaram em silêncio por um tempo.
— Mas seu carro... vão achar, vão saber que é seu.
— Não, a placa é falsa, eu só tenho um carro meu mesmo, que foi o que o meu pai me deu o resto é laranja — explicou e ela concordou com a cabeça.
— E a arma?
— Eu só tinha essa, ainda bem que eu peguei antes, ela é registrada — ele disse parecendo aliviado. — Desculpa por te colocar nisso.
— Eu pedi pra vir — ela deu de ombros —, só tá frio e fedendo aqui — ela disse abraçada nos joelhos, ele passou o braço ao redor dela e a abraçou, também passou o braço ao seu redor.
— Vamos ter que ficar aqui por um tempo — fez essa observação e ela concordou. — Está assustada?
— Claro que sim, é minha primeira fuga, eu nunca tinha ouvido tiros na minha vida — ela respondeu e ele ficou calado pouco orgulhoso do que estavam passando.
— Desculpa.
, não tem nada no mundo que você precise se desculpar comigo, você foi a melhor coisa que aconteceu, se precisasse ser presa com você eu ia, sem problemas.
— Não exagera...
— Eu não estou, claro que ia ser a cereja do bolo pra minha fase horrível, mas pelo menos eu iria estar com você e isso tem sido, bem... tudo, você tem sido tudo — disse sincera.
— Você sabe que não pode dizer esse tipo de coisa pra mim e esperar que eu não me apaixone, não é? — perguntou e os dois se encararam.
— Obrigada por ter me defendido da Liz e dos outros hoje mais cedo — disse sem tirar os olhos dele.
— Eu vou te defender sempre, você é a melhor pessoa que eu conheci — respondeu, sorriu e deitou a cabeça no seu ombro, ele, por sua vez, se apoiou na cabeça dela. A verdade era que parte dela estava pronta para beijar , sabia que ele não faria, nunca tomaria atitude sem ter certeza que ela quisesse, e parte dela queria muito, mais e mais a cada dia desde que foi morar com ele, não era amor... definitivamente não era a mesma coisa que ela sentiu por , mas era algo. A parte hesitante dizia que talvez fosse muito cedo para se envolver. Não tinha nada a perder, não iria ficar pior do que estava e, na verdade, com estava melhorando em proporções geométricas.
... — ela o chamou e moveu a cabeça na direção dele. Ele tirou o apoio da sua cabeça e a olhou. colocou a mão sobre o rosto dele, não era seu tipo tomar iniciativa porque no final das contas não gostava de dar o braço a torcer, dar a alguém o poder de dizer ‘ela me beijou’, como se fosse um desespero, mas ela queria fazer aquilo, queria ser a pessoa a tomar essa iniciativa. Porque queria deixar claro que ela queria aquilo, o suficiente para tomar a frente. Os olhos dos dois se olhavam meio perdidos, parecia saber o que esperar, mas temeroso de que estivesse errado, os olhos azuis dele eram lindos de se ver até no escuro. passou o lábio no dele e depois iniciou o beijo. Assim que o garoto percebeu que aquilo era real ele retribuiu, segurou a mão dela em seu rosto e entrelaçou seus dedos com os seus e a puxou para mais perto, era um beijo bem terno, sem segundas intenções. interrompeu com pequenos beijos.
— Quando eu imaginava isso, estávamos no meu quarto... E eu tinha pelo menos espaço pra avançar as bases — disse e ela riu.
— Deveríamos ter comprado comida mesmo com aquela corja lá.
— Nem fala. Meu estômago tá doendo — ele passou a mão pelo braço dela —, achei que nunca fosse me beijar.
— Não pude resistir.
— Imaginei — eles riram e ela bocejou. — Dorme, eu vou ficar acordado — respondeu e ela se aconchegou perto dele novamente. Só então ficaram em silêncio. acabou adormecendo enquanto esperava para que tudo se acalmasse. Assim que sentiu que não teriam mais problemas acordou-a. — Vamos embora — disse e ela concordou. Saíram do pequeno buraco onde estavam e caminharam pela antiga Londres até qualquer rua movimentada onde pudesse pegar um taxi.
Em casa os dois foram para a cozinha, prepararam qualquer lanche com pão e queijo para comerem.
— Fugir da polícia sempre dá tanta fome?
— Geralmente — ele respondeu. — Como foi ouvir tiros pela primeira vez?
— Eu achei que fossem fogos, mas era muito seco pra ser, depois eu te vi correndo, foi adrenalina pura — disse empolgada e ele parou de frente a , achando engraçada essa empolgação. — Eu sou muito pateta, né, quando eu ouvisse era pra eu sair correndo como se não houvesse amanhã.
— Você foi bem esperta — ele respondeu. — Aliás, dia de sorte hoje, fugir da polícia e quebrar a cara da Liz.
— Fortes emoções — ela respondeu.
— E ainda me beijou, sério, hoje é seu dia — ele disse arqueando a sobrancelha e ela riu, a olhou e passou o dedo pela mecha do cabelo dela. — E eu acho que devemos fazer isso mais vezes — ele aproximou levemente o rosto do dela.
— Eu acho que pode ser uma boa ideia — respondeu aproximando a boca da dele que finalmente encostou os lábios, iniciando o beijo, não demorou para que chegassem no quarto. No final, encostou a cabeça no peito dele e a verdade era que pela primeira vez em semanas estava tudo realmente bem.
... — chamou e ela fez um barulho com a boca pra sinalizar que estava ouvindo, — você ficou comigo porque sente que precisa ser agradecida? — ela ouviu a pergunta e imediatamente o olhou negando com a cabeça.
— Claro que não, , eu sempre vou ser grata a você, mas eu fiquei porque não tem ninguém com quem eu queira estar nesse momento.
— Mais que com e .
— Com certeza muito mais — ela riu e deu um beijo no seu ombro, o sol já raiava a essa altura.

Capítulo 19

Been trying hard not to get into trouble, but I
I've got a war in my mind
So, I just ride, I just ride
I just ride, I just ride
Dying young and I'm playing hard
That's the way my father made his life an art
Drink all day and we talk 'til dark

esperou sair para bater a porta do carro, segurou na mão dela e andaram pelo pátio da escola, o romance já era conhecido por todos e mesmo assim não importava por onde fossem atraíam olhares e comentários. nunca se importou com pessoas a olhando ou falando, mas ultimamente isso era repugnante, lhe fazia sentir como se pudesse nunca mais voltar a Radcliff Brown.
— Senhorita, desculpe... mas não vou poder permitir a sua entrada — teve seus pensamentos de repúdio interrompidos com essa frase e um dos seguranças da escola a sua frente.
— O que? Como assim? — perguntou imediatamente.
— O que aconteceu? — ela arqueou a sobrancelha.
— Temos um aviso de que a senhorita está desligada da escola e por isso eu não posso lhe deixar entrar — ele disse seguro.
— Não pode ser, eu sou aluna regular daqui desde que eu nasci — ela respondeu afrontada e já irritada.
— Eu sinto muito — ele disse cruzando os braços em frente a ela.
— Quem lhe deu essa ordem? — perguntou dessa vez.
— A secretaria.
— E nós podemos ir ate lá para entender o que aconteceu? — ele voltou a perguntar.
— Claro, mas vou pedir que entrem pelo portão de visitas, esse aqui é exclusivo para alunos — ele disse e bufou.
— Tá, vem, vamos ver o que aconteceu — ele puxou que ainda estava sem muita reação, a situação parecia surreal, olhou ao redor e o pátio todo olhava pra eles, ela engoliu seco e apressou o passo envergonhada.
, porque essas coisas continuam acontecendo? — ela perguntou ao rapaz parecendo ter a voz embargada.
— Eu não sei, mas vai passar — ele respondeu e passou o braço ao redor dos ombros dela. Entraram pela parte dos visitantes e finalmente puderam saber que Scarlett havia cancelado a matricula de na escola, não houve outra informação além dessa.
— Mas ela pode se matricular de novo, não é? — perguntou imediatamente, percebeu ainda mais sem reação ao seu lado.
— Senhor, o período de matrículas já encerrou.
— Pelo amor de Deus, Diana, a mulher desmatriculou ela ontem, tem que ter alguma coisa que possa ser feita.
— De qualquer jeito, Senhor , ela precisaria de um responsável financeiro e obviamente a mãe dela não será mais — a senhora explicou e ele bufou.
— Eu vou ser o responsável financeiro dela. Agora, por favor, veja o que pode fazer — ele disse sem paciência.
— Você é menor de idade, senhor .
— Meu pai vai ser, não interessa, eu vou dar um jeito. Só me diz o que pode ser feito — completou em uma voz mais firme e a moça concordou entrando em uma sala em seguida. parecia prestes a desabar ao seu lado, ela tinha o olhar vazio, apenas parecia muito triste. — Vai passar. —
— Porque ela fez isso, ? — ela perguntou a ele retoricamente. — Porque ela me odeia tanto? — ela deixou uma lágrima cair e ele a abraçou.
— Não, não chora, vai passar — ele deu pequenos beijos pelo rosto dela —, lembra de quem você é.
— Eu não sei mais quem eu sou — ela respondeu e ele segurou o rosto dela nas suas mãos.
— Você é a melhor pessoa que pode existir, é tudo o que você precisa lembrar — deu um beijo na boca e ela sorriu. Não demorou para que a moça voltasse de dentro da sala.
— Eu posso reativar a matricula até hoje as 18h se tiver assinatura de um novo responsável financeiro e o pagamento do mês — ela disse parecendo animada e concordou.
— Ok, eu vou dar um jeito — ele pegou o papel que ela estendeu e apenas parecia atônita. — Vem, vamos embora — segurou a mão da garota e andaram de volta para o carro.
— ela disse próxima ao carro e ele a olhou —, eu não posso deixar que você seja o meu responsável financeiro, eu já moro na sua casa, como da sua comida, você tem me bancado, mas eu não sou sua filha, nem sua mulher, isso não é justo.
— E você quer que eu faça o que?
— Eu vou aprender a lidar com isso, vou pra outra escola, não sei.
— Não seja estúpida, essa escola é sua. Metade das pessoas estudam aqui porque você estuda aqui — ele disse e ela riu sem graça. — , quando você tiver como não precisar mais da minha ajuda eu juro que só vou sentar e observar, mas agora você precisa e eu posso ajudar.
— Mas você já faz muito.
— Eu não me importo...eu sei que você vai dar um jeito, mas enquanto não dá eu to aqui — ele passou a mão pelo cabelo dela e ela concordou encontrando os lábios com os dele.
A verdade era que a sensação de derrota era enorme, entrou no quarto e procurou o pequeno saco de pó, inalou uma boa parte do que estava lá e então sentou-se no chão do quarto sem muita força e sentiu seu corpo ir parando de responder até não conseguir abrir os olhos. sentia que talvez tivesse morrendo e aquilo não lhe pareceu má ideia.
Quando acordou seu nariz ardia e sua garganta estava extremamente seca, ela estava suada, mas não sentia nada. Levantou-se com dificuldade e foi se apoiando pelos corredores da casa até a cozinha, sentia sua mão tremer, pegou uma jarro de água e bebeu rapidamente enquanto ainda se apoiava na pia, não parecia ter ninguém em casa, apesar de parecer tarde da noite.
Com mais algum esforço foi até o sofá, mas se sentia extremamente sonolenta, pesada, seus pensamentos andavam em loop em como tudo aquilo estava acontecendo e a culpa era dela, só podia ser... mesmo com os pensamentos ininterruptos adormeceu mais uma vez.

— Eu acho que vou arrumar um trabalho — disse sem aviso enquanto assistiam um programa qualquer na MTV.
— Pra que? — virou o rosto pra olhar a garota.
— Porque eu não acho justo você ficar me bancando, porque eu tenho que fazer alguma coisa — ela o olhou como se fosse óbvio e ele bufou.
— Faz o que você quiser — ele disse.
— Você não vai ficar chateado por isso, né?
— Eu só acho que se tivesse te exigindo alguma coisa você teria com o que se preocupar, mas eu não estou.
— Não é isso, , você sabe.
— Tá, eu vou entender... quer ajuda?
— Seria bom.
— Ok, eu vou ver se arrumo alguma coisa — ele deu de ombro passando a mão pela coxa dela.
De fato tentou sem muita vontade pensar em alguma coisa que pudesse se encaixar sem sofrer muito, mas no final das contas não acreditava que era realmente necessário que ela trabalhasse, então mesmo que procurasse, não se esforçou muito nisso. Na escola o que restou, aos que perguntavam, foi dizer que havia um mal entendido com a secretaria, mas que já estava tudo bem, pelo menos aos que perguntavam a , porque ninguém falava com . Os olhos antes admiradores agora estavam mais ligados a desprezo. Aparentemente com a queda de uma nova it girl surgiu, o nome era Mandy, alguma loira com pernas maiores que o corpo, haviam rumores que estaria saindo com ela inclusive, não era absolutamente alguma coisa que importasse a , não mesmo. Na verdade ela tinha duas preocupações em sua vida naquele momento: não ficar sóbria e não ficar completamente drogada, as coisas eram mais fáceis assim.
— Hey, vou ter que sair, problemas com um dos rapazes — se aproximou da garota após ter se afastado por um tempo, ela havia ficado só.
— Posso ir?
— Não — ele negou e ela bufou concordando.
— Aliás, você podia me colocar pra te ajudar, seria mais justo pelo menos.
— Não viaja, — ele disse dando um beijo na cabeça dela. — De noite vai ter uma festa, em Candem Town, aquela que você foi com , você quer ir? Eu vou precisar resolver algumas coisas lá, mas aí depois podemos nos divertir um pouco.
— Sim, por mim tudo bem — ela deu de ombros.
— Então vou indo, depois o Stan vem te buscar, tá bem?
— Tá bom — ela concordou e viu ele se afastar, mordeu os lábios, iria passar o resto do dia só. Foi até o jardim, sentou-se e retirou algumas gramas de cocaína para que pudesse cheirar.

A festa estava como qualquer outra festa, estava sentada em uma das poltronas do camarote onde, haviam muitas pessoas ali, além de drogas de todas as sortes possíveis, mas ela já tinha sua dose de cocaína e pouca coragem pra experimentar coisas de mais. ainda estava distante e ela inalou mais duas carreiras de cocaína, e se encostou na poltrona sem jeito.
— Vai com calma, princesa — ela ouviu a voz masculina ao lado dela e um rapaz loiro com olhos grandes e irônicos a olhava, ela não respondeu e ele riu. — Tá só?
— Não — ela respondeu ainda de olho fechado.
— Você me parece bem sozinha.
— Mas eu não estou — ela finalmente abriu os olhos.
— E você tá com quem?
— ela respondeu e ele pareceu imediatamente mais interessado.
— Bem, se eu fosse ele não te deixava sozinha.
— Mas você não é ele — ela disse e ele riu concordando, Andrew mexeu no casaco e tirou um cigarro de maconha dali.
— Quer dividir?
— Não conheço você.
— Conhece agora — ele respondeu tranquilo e ela concordou. — Vamos lá pra fora.
— Eu não posso, ele disse pra esperar aqui.
— Ah então você é tipo a nova cachorrinha dele.
— Eu não sou a cachorrinha dele.
— Então porque faz o que ele diz? — ele perguntou retoricamente, ela riu pelo canto do olho. — Vamos — ele fez um sinal com o lábio, ela pensou por um segundo e depois o seguiu para fora da festa.
O rapaz acendeu o cigarro tragou e passou pra ela que fez o mesmo.
— Você não tem cara de maconheira.
— Eu não sou.
— Claro — ele disse irônico. — Meu nome é Andrew.
— Eu sou — ela respondeu devolvendo o cigarro pra ele —, e você tá sozinho?
— Não, to com amigos.
— E deixou eles só?
— Eles sabem se virar.
— Boa lógica — ela disse.
— E você tá com .
— Sim.
— Mas vocês são tipo namorados? — ele perguntou interessado.
— É difícil de definir... eu fico com ele, mas também moro com ele.
— Então são casados.
— Não acho que seja uma boa definição, não sei nem se namoro é uma boa definição.
— Certo... — ele respondeu dando de ombros. — E, além de ser a peguete fixa do , o que mais você faz?
— Você tá insinuando que ele tem outras?
— Eu tenho certeza que ele tem outras — ele disse ela tragou a maconha.
— Eu estudo e só.
— A high school girl.
— Sim... — concordou com a cabeça. — E você?
— Digamos que eu e estamos no mesmo ramo...
— Certo! — disse vaga nesse exato momento ela viu esticando o pescoço para achá-la e pareceu aliviado quando a viu.
— Porra, , não some assim — ele disse assim que foi se aproximando, ele olhou para ela e para Andrew ao seu lado e não foi a cara mais receptiva que já havia visto. — O que tu tava fazendo com ela?
— Nada, , é só maconha.
— Ela é uma pessoa livre, até onde eu sei — Andrew respondeu.
— Fica longe dela — disse ameaçador e olhou para . — Vamos embora.
— Tá, ok — ela passou o cigarro para Andrew e foi pra perto de que lhe segurou a mão e saiu basicamente a puxando da festa.
— Eu passo cinco minutos na porra da festa e você vai falar com o único que não pode.
— Eu posso falar com quem eu quiser — ela respondeu imediatamente.
— Você nem sabe quem ele é.
— Quem ele é?
— Foda-se, , não é pra ficar de papo com ele.
— Sim, senhor — ela bufou na resposta andando mais a frente, voltaram o resto do caminho em silêncio.
— Posso saber exatamente pelo que você tá chateada? — disse assim que entraram no quarto dele.
— Não acho que você possa dizer com quem posso ou com quem não posso falar.
— Eu to cuidado de você, ele não é boa pessoa.
— Todos falam isso de você também, e olha onde eu estou... — ela fez um gesto para o quarto onde estavam.
— Não é sobre isso... — ele disse rolando os olhos, ela desfez o fecho do vestido e tirou dando de ombros.
— Tanto faz, — ela respondeu levantando a coberta e deitando ali, ele também tirou as roupas até ficar só de boxer e então deitou-se ao lado dela.
— Eu não sou seu dono, ok? Eu sei disso e me desculpa por ter agido daquela forma, mas eu não acho que você deveria se aproximar do Andrew, ele é o motivo número um de praticamente todos os meus problemas e seria extremamente perigoso pra você se aproximar dele.
— Isso só soa como ciúmes.
— Não se faz de estúpida que você não é.
— Então não me trate como se eu fosse — ela deu de ombros e fechou os olhos. — Até amanhã, — ela disse apenas e então eles não falaram mais nada.

No dia seguinte de algum modo Andrew ligou e a despeito do que havia reclamado ela conversou, se encontrou e criou uma boa amizade com Andrew, que até aquele momento estava sendo uma boa companhia, primeiro porque ele sempre lhe oferecia cocaína e maconha o quanto ela quisesse e sem explicação nenhuma, segundo porque o mundo de Andrew era completamente longe de qualquer coisa que ligasse ao mundo onde , e seus pais viviam, e terceiro Andrew não parecia minimamente preocupado com o quão bagunçada a vida dela era, tudo que ela pedia ele simplesmente fazia, não havia nenhum envolvimento romântico, esclareceu isso apenas uma vez e ele por sua vez nunca a fez precisar repetir.
Era intervalo das aulas em um dia em que não pode estar lá, um daqueles dias em que preferia ser atropelada do que ver os olhares para ela ou ter que encarar com Mandy pelos corredores. Ele sempre prestava mais atenção do que o normal quando estava perto, Liz não era um problema, era mais fácil um meteoro cair do que acabar prestando atenção na existência da garota que passava os dias tentando criar qualquer tipo de confusão com ela. O celular tocou e ela viu o nome — A.
— Hey, coração — ela atendeu e Andrew sorriu do outro lado da linha.
— Consegui uma coisa pra você, é em uma loja de uma amiga minha, não é nada de mais, nada no seu nível, mas você disse que faria qualquer coisa.
— Sim, sem problema, e como eu faço.
— Posso te levar lá depois da escola?
— Você pode vir me buscar? Eu dou um jeito de despistar o motorista.
— Claro, me liga quando tiver saindo.
— Combinado. E, Andrew, você pode me arrumar mais algumas gramas? — ela disse a última parte mais baixo que o normal. — não trouxe mais nada e, bem, eu preciso...
— Não precisa explicar, eu levo — ele respondeu somente. — Até já — ele disse isso e então desligou o telefone. já esperou ansiosa para a chegada de Andrew, o avisou assim que saiu e o esperou na frente da escola. Ele dirigia um Porsche, modelo esportivo grafite, assim que viu o carro parar em frente a escola ela apressou o passo sob o olhar das pessoas ao redor como sempre.
— Hey, bom te ver — ela disse dando um beijo na bochecha do rapaz.
— Você só quer a coca, tá no porta luva — ele disse divertido e ela riu, sem cerimônia pegou o pequeno envelope e colocou um pouco na mão enquanto o carro ainda estava parado, inalou a pequena quantidade e depois repetiu com o outro nariz fechando os olhos aliviada em seguida. — Acho que nem sexo te faz tão bem.
— Concordo — ela riu inclinando um pouco a cabeça esperando o efeito —, odeio ficar sóbria.
— Acho que nunca te vi sóbria.
— Nem queira — ela deu de ombros e quanto ele andava com o carro —, então qual o esquema do emprego?
— É pra ser vendedora... — ele a olhou esperando a reprovação dela, mas ela deu de ombros. — Mas é uma boa loja, é alta costura então imagino que você vá se dar bem.
— Por mim tudo certo — ela concordou, dirigiram até um shopping separado do centro da cidade, Andrew conversou com a gerente e depois ela própria conversou com , e em um passe de mágica a menina tinha seu primeiro trabalho. Ela comunicou rapidamente a alegando que havia visto o anúncio em uma página com esse fim, ele não duvidou, tão pouco ficou animado, mas já havia prometido dar apoio.

Com o tempo e com alguma orientação, rapidamente se familiarizou com trabalho, a primeira semana havia sido difícil, a segunda já estava sendo bem melhor. tinha bom gosto e uma sinceridade inabalável o que chamava atenção de clientes. Definitivamente não era o trabalho dos sonhos, mas estava bem com isso.
— Boa tarde, eu gostaria de falar com a gerente — ouviu a sentença logo atrás de si e virou-se lentamente para confirmar que sua mãe estava no lugar. Assim que tentou disfarçar, Scarlett a olhou de volta e imediatamente o semblante de reprovação se externou. — O que você pensa que esta fazendo? — mordeu os lábios por alguns segundos, mas não ficaria calada, era a primeira vez que encontrava sua mãe.
— Trabalhando — respondeu arqueando a sobrancelha.
— Você está completamente fora de si, , eu não te criei pra isso — Scarlett tornava-se mais vermelha e seus olhos pareciam que iam soltar a qualquer segundo.
— Me criou pra me tirar de casa, da escola e me cobrar porque eu to arrumando um jeito de seguir a vida que você resolveu que eu não podia mais ter? — perguntou automaticamente.
— Me respeite e não use essa ironia, agora tira esse uniforme e deixe esses delírios imediatamente.
— Eu não vou tirar uniforme nenhum, esse é o lugar onde eu trabalho, você não tem poder sobre mim aqui, aqui você não pode decidir a minha vida — respondeu em um tom mais alto que o normal, Scarlett olhou ao redor e alguns clientes e outras vendedoras olhavam.
— Vamos ver — esbravejou e virou o rosto saindo da loja em seguida, se segurou em um dos mostruários por algum tempo se recuperando do encontro.
, você tá bem?
— To, Claire, vou no banheiro um segundo, ok? — ela disse e a menina apenas concordou com a cabeça, foi até sua bolsa e retirou o envelope de cocaína recém dado por Andrew e inalou certa quantidade, evitava fazer isso durante o trabalho, mas apenas não podia evitar naquele dia. Logo em seguida voltou, assim que colocou o pé ali já percebeu olhares diferentes, alguma coisa havia acontecido e ela sabia que tinha mudado as coisas, no entanto continuou seu trabalho, recebeu novas clientes, vendeu novas roupas e antes que o expediente acabasse a gerente pediu que subissem juntas, ela o fez e em certo ponto a gerente parou em sua frente.
... eu recebi um telefonema da dona da loja e infelizmente eu não vou mais poder te deixar trabalhando aqui — a senhora falou e a olhou confusa. — Sua mãe é Scarlett , e ela não ficou feliz de ver você aqui, espero que entenda... pessoas como a sua mãe são muito influentes e uma palavra errada dela sobre a loja nos custaria muito, estamos tentando trabalhar com a grife dela agora e isso pode nos custar caro.
— Mas ela não precisa saber... vocês não podem me despedir porque a minha mãe disse pra fazerem.
— Sinto muito, , isso não é comigo, infelizmente não posso fazer nada.
— Quem me colocou aqui foi o Andrew, ele é amigo da dona.
— Bem... pelo jeito Scarlett é mais amiga dela ainda — ela explicou e passou a mão pelo cabelo extremamente frustrada.
— Sinto muito — a gerente então se afastou e pisou forte de onde suas coisas estavam até a saída da loja. Pegou o celular e ligou para Andrew.
— Pode vir me buscar?
— Tá no trabalho?
— Eu perdi o trabalho.
— Como?
— Minha mãe, vem logo e trás coca — ela disse e desligou o telefone imediatamente, foi ao banheiro e inalou os poucos gramas que ainda tinha na bolsa. Esperou Andrew e assim que ele chegou despejou todas as coisas que haviam acontecido.
— Ok, eu vou ligar para Donna — Andrew pegou na hora o celular e discou, por sua vez inalava o máximo de cocaína que era possível, precisava se livrar da raiva que estava sentindo. Andrew desligou o celular parecendo culpado. — Sua mãe ameaçou romper os negócios se você continuasse no trabalho, sinto muito — num impulso jogou o celular contra o painel do carro, e passou a mão no rosto tentando controlar a raiva. Andrew pegou o celular e viu que estava realmente danificado.
— Acho que você perdeu o celular — ele disse, mas ela não ligou.
— Eu odeio a minha mãe, essa cidade com rabo preso, eu odeio tudo isso aqui — ela disse irritada —, eu sinto como se pudesse quebrar tudo na minha frente.
— Esse carro é bastante caro, então vou pedir para que não faça isso — ele disse divertido e ela não riu. — Tá, , eu não posso fazer nada, só te dar cocaína e prometer te arrumar outro — ela ainda não respondeu cheirou mais um pouco e pediu para que ele a levasse em casa, queria ver . Andrew como sempre, apenas o fez, mal pode sentir o quanto já estava alta, as coisas se movimentavam rápido de mais e assim que Andrew chegou na esquina onde costumava deixa-la ela automaticamente saiu do carro e foi cambaleando, se segurando até a casa, por sorte sempre tinha a porta aberta. Ea sentia suar frio, mas precisava achar , era como se aquilo fosse extremamente importante naquela hora. O achou no estúdio, ele com a guitarra na mão a viu entrar e imediatamente soube que ela não estava bem, largou o que tinha para encontrá-la, ela apenas o olhava, ele passou a mão pela testa dela que ainda suava frio, passou os braços ao redor dela na sensação de que poderia desmaiar.
— O que tá acontecendo... porra, , o que você fez? — ele sentou com ela em seu colo no sofá que havia ali e ela não estava completamente desacordada, mas pouco reagia. — O que foi?
— Tá tudo uma merda — ela disse baixo e mole.
— Eu sei, mas você não pode cheirar cocaína pra tudo — ele passou a mão pelo rosto dela.
— Eu decido o que é motivo e o que não é motivo.
— Onde você tava? Onde conseguiu cocaína? — ele perguntou pela primeira vez percebendo que ela estava extrapolando os limites.
— Tanto faz — ela disse mole e ele suspirou sem paciência.
— Você é foda, — ele resmungou e ela puxou o rosto dele pra beijá-lo ele aceitou o beijo.
— Não briga comigo por eu não saber lidar com a minha vida de merda — ela disse e em seguida voltou a encostar a boca na dele.

Capítulo 20

I’m going back to 505
it’s a 7 hours flight or 45 minutes drive
In my imaginations you’re waiting on your side
with your hands between your thighs, and a smile

sentiu o leve peso do braço ao redor da sua cintura e se mexeu lentamente para não acordar, não fazia ideia de quem era a garota ao seu lado, mas sua cabeça doía e o cenário do quarto demonstrava que no mínimo eles haviam se divertido bastante. Estava nu, ao redor varias garrafas de bebidas e resquício de pó.
Não que fizesse diferença quem a garota era ou o que quer que tivesse acontecido na noite anterior. Seu tempo era dividido entre reuniões chatas e festas tão pesadas que ele mal conseguia se manter em pé nos outros dias.
Mesmo assim, ele tomou um banho colocou sua roupa social e óculos escuros.
— Longa noite? — foi perguntado assim que passou pela recepção, James era gerente do hotel e já conhecido de e suas festas.
— Você já sabe como é... — disse sem exaltação dando de ombros, tirou a carteira do bolso e duas notas de vinte libras.
— Tem uma garota no meu apartamento, fica de olho na vadia e isso é pra ela pegar um táxi ou uma garrafa de água pela ressaca.
— Claro... — James sorriu cumplice. abotoou seu terno e pegou o primeiro táxi que estava a frente do hotel indicando o caminho para a reunião, o celular já tremia incessantemente com as mensagens do seu pai.
— Finalmente — ele disse no hall de onde geralmente faziam as reuniões do partido a qual seu pai pertencia.
— Dormi demais.
— Certo, te apressa, vamos — Chris reclamou andando a frente. Eram horas maçantes, sempre. No término iam almoçar em algum lugar, pelo menos o grupo mais próximo ao seu pai, coincidentemente era a cúpula do partido.
— Fico muito feliz que esteja participando dessas jornadas, precisamos de gente nova como você no partido — um dos engravatados disse e o garoto sorriu falsamente.
— É, meu pai tem insistido há algum tempo que eu faça isso e, bem, resolvi tomar a responsabilidade de participar.
— Você faz muito bem... passamos por tempos difíceis na União Europeia e no Reino Unido.
— O mundo passa por momentos difíceis, não? — outro engravatado interveio e todos concordaram.
— Estive com Paul semana passada, com certeza é alguém que precisamos ter do nosso lado — um bigodudo falou e o sobrenome fez automaticamente o olhar.
— Também participei de um jantar com ele há alguns meses atrás, estava acompanhado da filha, uma menina adorável. Vocês são amigos de longa data, não, Chris?
— Certamente, Richard — o pai de disse a vontade —, costumamos passar o verão juntos, e estudam no mesmo colégio também.
— Que ótima notícia, ela também certamente seria um bom membro para a nossa juventude. Você deveria a trazer para nosso convívio, — Richard disse e ele quase engasgou com o gim que tomava.
— Não acho que se interesse por esses assuntos — ele disse disfarçando, na verdade era um pouco surreal que o nome dela fosse tocado naquela roda.
— É o que se espera nessa idade — o bigodudo de antes fez uma careta resignada.
— Mas Paul certamente dará seu apoio nas próximas eleições — Chris confirmou e os outros balançaram a cabeça, animados.
O nome de atingiu como quando uma peça do dominó empilhada é derrubada e leva a todas as outras também empilhadas a também se derrubarem, efeito cascata, o pensamento obsessivo sobre tudo outra vez.
— Você sempre fica atormentado quando o ouve o nome de — seu pai disse disfarçadamente percebendo que o filho estava distante.
— Ainda é complicado.
— Ela não é uma opção, .
— O que aconteceu com a história de que eu sou melhor com ela?
— A situação mudou.
— O que aconteceu...
— Não importa — Chris fez menção de se levantar. — Vou ao banheiro — ele anunciou.

subiu até o terraço do hotel, foi até o bar e pediu uma gim tônica. Era sempre movimentado, pessoas indo e vindo, um DJ tocando e uma bela vista.
... — ouviu seu nome e virou-se a tempo de ver Ethan. Era um dos alunos de Radcliff, mas não sabia muito mais sobre ele.
— Oi — disse desanimado, não era nada confortável encontrar alguém de lá. — Ethan, certo?
— Isso — o loiro disse animado. — Tá hospedado aqui?
— Sim, já faz quase dois meses. E você? De passagem?
— Sim, minha namorada tem parentes e vai ter um casamento, vim acompanhar.
— E cadê ela?
— Despedida da noiva, homens não são permitidos e, bem, não tenho o que reclamar em passar uma noite só.
— Imagino que não — disse desinteressado.
— Esse era o último lugar que esperava encontrar você depois de todos os rumores e tal.
— Que rumores?
— Alguns disseram que você tinha se mudado para os Estados Unidos, outro que havia largado a escola e estava morando na Holanda... depois de tudo o que aconteceu, você sabe... — Ethan fez uma careta e apenas não entendia.
— O que aconteceu exatamente...
— As suas fotos com a , usando drogas e tudo mais.
— Fotos minhas com a ?
— Tudo bem, cara, todo mundo sabe que você que espalhou... digo, eu também ficaria puto se a guria escolhesse meu melhor amigo, você conseguiu o que queria — ele deu de ombros colocando a mão no bolso.
— E o que eu queria? — ele perguntou irônico.
— Separar eles, não?
e não estão mais juntos?
— Não, ela terminou com ele jogando um copo de Coca-Cola e com a frase "enfia seu namoro e seu dinheiro no cu". Foi meio épico.
— Ela fez isso? — perguntou maravilhado, tudo era surpresa, ter terminado com e principalmente como terminou.
— Você pode apostar... — Ethan disse animado. Uma euforia enorme tomou conta de , ele deixou a gim no balcão.
— Ethan, eu tenho que ir, ok? — ele deu um pequeno tapinha na costa de Ethan e desceu para a sua suíte, fez as ligações necessárias e programou sua volta para o dia seguinte. Ela não ficou com no final das contas, ela conseguiu perceber que eles não conseguiriam. Era tomado de uma euforia enorme, tentou ligar para ela, mas apenas dava na caixa postal.
Uma vez em Londres deixou suas malas e seguiu o caminho até o prédio tantas vezes frequentado.
— Bom dia, eu queria falar na cobertura, , por favor — ele disse na portaria e o senhor de meia idade sorriu.
— Sinto muito, Senhor, mas não há ninguém no apartamento.
— Você nem interfonou — protestou vendo má vontade na posição do senhor.
— O senhor não entendeu... ninguém mais mora no apartamento, há algumas semanas que ninguém entra ou saí de lá — o senhor disse pacientemente e apenas concordou com a cabeça, aquilo não era normal. havia passado a vida inteira ali. O celular da menina continuava a dar na caixa postal repetidamente.
— Louise, você sabe o que tá acontecendo na casa da ? — ele voltou ao seu prédio e entrou no andar dos seus pais encontrando a secretária, ela apenas negou com a cabeça. — Você não sabe ou você não quer dizer? Louise, o que tá acontecendo porque quando eu falo na todos ficam monossilábicos? — ele entrou na frente dela para que não passasse e bufou.
— Eu não sei o que aconteceu na casa dela, mal sei o que acontece aqui, mas seja lá o que tenha acontecido a culpa é da , por ela vir atrapalhar a paz em que você estava.
— Que paz, Louise, era a única pessoa que me manteve fora de problemas.
— Não me faça de burra, , que eu te vi de fraldas — ela disse parecendo chateada, desviou finalmente do rapaz e então sumiu pelo apartamento. bufou, alguma coisa tinha acontecido nesse tempo.
Uma pessoa poderia tirar todas as dúvidas que estavam na sua cabeça, não era a primeira opção e nem ele saberia como isso seria, mas era certo que precisava encarar a situação de uma vez por todas isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Pegou novamente as chaves do carro e foi até a empresa de , era horário comercial as chances de encontra-lo lá era maior. Se anunciou a secretária assim que chegou e ela imediatamente o avisou.
— Bem, ele está com um senhor assim que sair você pode entrar — ela avisou simpática e ele concordou sentando, não demorou para que o senhor saísse da sala e fosse em direção a essa. Havia certa hesitação, realmente não sabia o que esperar, deu um toque na porta e entrou.
... — disse tranquilo da sua cadeira, não havia excitação, mas havia cordialidade pelo que ele percebeu.
— Precisamos conversar, eu acho... — disse e concordou levantando da cadeira e fazendo um gesto para que ele sentasse na pequena sala de estar montada ali. foi até o bar do escritório enquanto sentava-se em uma das poltronas.
— Veio finalmente dizer que tava transando com a minha namorada? — ele perguntou assim que sentou, não era uma voz de afronta, mas curiosidade.
— Você sabe? — perguntou estranhando a informação e concordou acabando de servir dois copos de uísque, andou até o amigo e lhe entregou um.
— Você acha que ela terminou com você por quê? — ele perguntou de maneira soberba e teve que engolir seco a raiva que sentiu naquele momento.
— Você ameaçou pra ela ficar com você?
— Era a única coisa que eu tinha ao meu favor, sempre gostou de você e o que eu era? Alguém que os pais dela gostavam, alguém que ela tava por interesse.
— Ela nunca quis estar com você por interesse.
— Mas esteve, foi exatamente por interesse que ela não me largou e largou você.
— Você não está mais certo que nós por usar isso pra ficar com ela.
— Eu sei, eu só agir por impulso, jogue a primeira pedra quem nunca, né... — ele disse olhando para que apenas concordou. — Olha, eu não to mais chateado como antes, não tem mais ponto em estar, ela não está com nenhum de nós.
— Cadê ela? O que aconteceu com ela?
— As fotos de vocês na boate vazaram e a família de vocês foi chamada, Scarlett disse que as duas famílias concordaram que não era bom que vocês se envolvessem, mas nessa altura eu tava com raiva e puto com vocês e acabei cobrando a dívida toda, dando 24 horas pra eles arrumarem o dinheiro, a Scarlett surtou, colocou pra fora de casa...
— Ela tirou de casa?!
— Sim... e daí eu não sei como aconteceu, mas ela tá morando na casa do .
— O traficante? — interrompeu assombrado com o que ouviu.
— É, nesse tempo ela já teve boas historias pra contar, ela falta, chega chapada, ela responde pra professor, dorme na aula... a última festa que a encontrei ela desmaiou no meu braço e eu sei que saiu de lá para o hospital.
— O que ela tá fazendo com esse cara?
— Eu não sei, mas o que eles têm tem sido mais fixo do que eu e você fomos — disse dando de ombros, estava sério. — Eu me sinto extremamente culpado, a mãe dela me deu o apartamento deles como parte da dívida, depois que eu vi ela na festa eu ia dar a chave de volta e ela não quis, virou a cara e saiu andando. Eu parei de cobrar os seus pais, eu tenho ajudado como eu posso.
— E você nunca mais falou com ela?
— Não, sinceramente eu não saberia como agir, ela mudou muito... Por onde você andou pra não saber de nada disso?
— Eu não sei, eu só me lembro de reuniões de partido, vodka, cocaína e mulher — disse se sentindo patético.
— Nada além do normal.
— Eu não me orgulho disso.
— Mas continua fazendo, e você não só faz, você colocou nisso e sumiu quando ela mais precisou.
— Eu achei que ela tivesse escolhido você.
— E escolheu, mas quem desistiu foi você, não ela — disse virando o uísque.
— Eu preciso falar com ela.
— Bem, boa sorte com a nova , vai precisar — disse dando de ombro, levantou-se da poltrona e deixou o copo na mesa de centro.
, eu espero que a nossa amizade supere isso.
— Vai superar, com o tempo vai — ele deu um sorriso de canto. — Por falar nisso, sexta-feira vai ser meu aniversario, na minha casa — ele disse e com um leve sorriso concordou saindo finalmente da sala.
Os pensamentos andavam em circulo na sua cabeça, não imaginava uma desculpa pra ter ficado longe tanto tempo, mesmo não sabendo de tudo isso, ele deveria ter insistido, tentado saber como as coisas estavam, não conseguia parar de se culpar.

Na segunda-feira ele entrou na escola sob muitos cochichos, para onde tinha ido, porque tinha ido, porque tinha voltado, ficou feliz quando encontrou logo à frente.
— O mito retorna — disse animado estendendo a mão para o amigo que animadamente tocou.
— É, um bom filho a casa torna — ele deu de ombros.
— Parece cansado, dude.
— Eu estou.
... — presumiu. — Agora que todo mundo sabe dá pra deduzir que a cara de cu de vocês tem sempre um motivo em comum — ele disse e riu.
— Preciso falar com ela.
— A menina é a maior vadia da história e você precisa falar com ela... acho bom que tenha umas gramas no bolso, pelo que soube é como alguém consegue atenção dela agora — disse implicante.
— As coisas não são tão simples, e se ela merece título de vadia eu e não merecemos nada melhor que isso também — ele deu de ombros. — é boa pessoa, ela só tem lidado com um monte de coisa.
— Bem, boa sorte, porque eu acho que quem vai lidar com um monte é você — apontou pra ponta do pátio com a boca, levantou o rosto para ver ela chegar.
vestia o uniforme tal como devia ser, seu cabelo vermelho continuava brilhante e seus óculos escuros cobriam boa parte do rosto como ela gostava. Vinha distraída e soltou uma risada, sabia que seu sorriso era capaz de mudar qualquer inverno pra primavera, e tinha quase certeza que o céu de Londres havia ficado menos cinza naquele momento. Ela vinha de mãos dadas com , ele passou o braço ao redor dos ombros dela e lhe beijou cabeça, aquilo doeu bem na boca do estômago de .
Primeiro por ser outro e não ele obviamente, mas o pior era saber que ele nunca pode tomar esse tipo de atitude com ela, que sempre estiveram as escondidas, e queria ele entrar na escola ao seu lado e lhe beijar a cabeça sem preocupação, sem satisfação, só havia demorado muito tempo para perceber isso. Ela sorriu satisfeita com o beijo e levantou o rosto, bem a tempo de ver , mesmo por trás dos óculos escuros ele sabia que ela havia o enxergado, engoliu seco e ela apressou o passo, levantou o olhar e também viu , sua expressão foi de total escárnio, apressou o passo com , mas se meteu em sua frente.
— Sai da frente — disse estufando o peito.
— Quem é você? — afrontou sem medo e avançou.
, não — disse desprendendo a mão da dele para por sobre seu tórax, ele se desarmou e continuou a andar. , no entanto segurou pelo braço a impedindo de continuar, a essa altura o pátio todo os viam.
, a gente precisa conversar.
— Quem você pensa que é? Não, a gente não tem nada pra conversar e a próxima vez que você se aproximar de mim eu vou fazer você se arrepender de ter nascido... não é só você que sabe jogar baixo — ela respondeu firme, mesmo que sua voz demonstrasse o quanto um choro se formou no meio de sua garganta.
— Vem, você não precisa disso — a puxou dessa vez quando notou que ela havia ficado fragilizada e a abraçou protetoramente antes que ela finalmente chorasse. soube naquele momento que as coisas iriam ser complicadas.

Capítulo 21

I could see you're only telling lies, lies, lies
Breaking us down with your lies, lies, lies
When will you learn?

— Olha, , eu só vim aqui porque colocamos o nome no trabalho juntas — ela ouviu ao fundo do fone e do sono que a fez dormir na aula de geografia, olhou sonolenta para ver Liz ao pé de sua cadeira. Tirou o fone.
— O que, garota?
— No inicio do ano dissemos ao professor que íamos fazer o trabalho juntas e agora ele está cobrando...
— E...
— E eu preciso desse trabalho, nem todos são drogados e vivem de festa — Liz disse afrontada e rolou os olhos.
— Mando pro seu e-mail depois — disse dando de ombros, colocou o fone e voltou a dormir, Liz estava consternada, não podia reclamar que não estava fazendo o que ela queria, mas ao mesmo tempo estava inconformada com a falta de educação dela, deu as costas bufando e rolando os olhos.
Ao final da aula tentou lembrar o que havia conversado com Liz e sobre o que era o maldito trabalho, acabou lembrando que já havia feito uma boa parte quando as coisas ainda estavam normais, estava tudo em seu computador, em sua cobertura. O primeiro desânimo bateu quando lembrou que teria que pedir a sua mãe a chave, essa ideia lhe atormentava, mas logo lembrou-se que as chaves estavam com e não teve a mínima noção se aquilo era melhor ou pior.
não estava em casa, estava trabalhando, tomou um banho, colocou sua roupa de sempre que incluía uma calça jeans, bota e uma camiseta qualquer por baixo de um sobretudo, antes que acabasse de se arrumar ouviu a batida na porta do quarto.
— Entra — disse já sabendo que era , ele estava com uma caixa na mão.
— Vai sair? Ia dizer para comermos alguma coisa, pedir ou ir.
— Seria uma ótima ideia, mas pode esperar? Preciso do meu computador que está no apartamento, vou ver se acho o para pedir a chave.
— É mesmo necessário? Digo, tem computador aqui.
— Eu já tinha feito um trabalho e prefiro não ter que refazer do nada...
— Preferia que você não fosse encontrar o .
— Eu também gostaria não ter que ir procurá-lo — ela deu de ombros. — O que é isso? — perguntou sobre a caixa na mão dele.
— Um celular novo, depois você abre... — ele colocou na escrivaninha do quarto. — Quer que eu vá com você?
— Não, eu lido com isso — ela disse se aproximando e colando a boca na dele. — Você parece cansado.
— Eu estou, pega o carro, ok? — ele disse dando um beijo na testa dela, que sorriu.
— Vê alguma coisa boa para comermos, eu não demoro — ela disse e ele concordou saindo do quarto, ela foi até a bolsa da escola e pegou um papelote de cocaína, apenas para suportar o que enfrentaria para ver , inalou e depois segurou um pouco a respiração para absorver. Pegou as chaves do carro e dirigiu até a casa dele, assim que apareceu na janela do carro o segurança abriu os portões e ela estacionou pela frente da mansão, antes que chegasse a porta a empregada da casa já a estava esperando, ela sorriu animada.
— Quanto tempo, senhorita, pode subir, o Senhor está no escritório.
— Obrigada — disse simpática, mas não cativante. Andou ate onde já sabia ser o escritório de em casa e não bateu a porta antes de entrar, ele estava concentrado lendo qualquer coisa e olhou surpreso a porta, franziu a testa ao vê-la.
... — ele disse. — Você... Hm... Tá tudo bem? — parecia não saber o que fazer ou falar.
— Sem enrolação... você ainda tem a chave de cobertura? — ela perguntou.
— Tenho — ele concordou levantando da cadeira.
— Eu preciso pegar uma coisa lá — ela cruzou os braços o olhando.
— Certo, sem problemas — ele disse se apressando a um armário. — Você tá bem? — ele perguntou e ela não respondeu, apenas orientou o corpo na direção onde estava o armário. pegou a chave e estendeu a ela.
— Eu te devolvo amanhã — ela respondeu.
— Você não precisa devolver, é seu — ele disse colocando a mão nos bolsos do moletom.
— Eu não quero te dever nada.
— Você não me deve... — ele respondeu prontamente, o olhou por um segundo e depois desviou o olhar dando as costas pra sair do lugar, segurou a porta por um instante. — Me desculpa. Eu preciso que você me perdoe em algum ponto.
— Não agora — disse e engoliu em seco, ele apenas concordou com a cabeça e deixou que ela passasse. Assim que saiu da casa de uma lágrima solitária desceu, dirigiu em meio a um turbilhão de pensamentos até a sua casa e estava tudo intocado, mas cheirava a lugar fechado, há algum tempo que não iam lá provavelmente. Abriu um pouco a porta da sala e depois foi até seu quarto, as coisas estavam intocadas, em seus lugares como se Leslie tivesse acabado de arrumar, deitou na cama apesar da familiaridade do local, do cheiro das coisas, apenas sentiu vazio, como todo o resto de sua vida agora. Levantou-se da cama, pegou o computador e outras coisas que sentia falta e saiu do apartamento, como se ali não tivesse mais muito o que se aproveitar.

A semana toda foi em meio aos comentários sobre como a festa de seria boa agora que ele estava solteiro, os boatos menos exagerados diziam que seria uma festa ao pé de Great Gatsby.
Quando abriu o armário para guardar seu material para a educação física, um envelope médio vermelho caiu aos seus pés, abriu e era o convite para a festa de , apenas um convite, com seu nome, junto dele as palavras: — É muito tarde pra dizer desculpa? —; bufou e jogou o convite com o bilhete na lixeira mais próxima.
De noite havia dito que a levaria para jantar em algum sushi bar, agora com novamente por perto ele conseguia ver o quanto ela ficava perturbada, não sentia que podia perguntar como ela se sentia, não estava preparado para qualquer resposta também, então ao invés de conversar a tentava distrair, era muito importante pra ele que ela ficasse bem e fazia o que podia pra isso acontecer.
foi na Private P, hoje — ele disse assim que colocou o cinto de segurança do carro e ligou.
— Fazer...
— Ele vai contratar iluminação, som e DJs de lá pra festa dele.
— Você que falou com ele? — ela perguntou achando meio irônico isso e negou com a cabeça.
— Foi o Greg... eu só soube depois, se não nem tinha dado autorização.
— Mas ele deve pagar uma pequena fortuna por isso, né?
— Sim... como deve ser, mas Greg vai para Amsterdã amanhã então quem vai ficar responsável se alguma coisa acontecer vai ser eu e não quero nem correr esse risco.
— Uma boa oportunidade pra provar lei de Murphy — deu de ombros e colocou a mão na perna dele —, ele me convidou pra festa.
— Quando?
— Hoje quando abri meu armário da educação física o convite estava lá.
— Você quer ir?
— Eu joguei o convite no lixo... — respondeu olhando o caminho e riu.
— Ainda sente muita raiva dele?
— Como não sentir? — ela perguntou.
— Ah, ... eu não quero defender ele, nem , pra mim os dois são idiotas e por mim você nunca mais chegava perto de nenhum deles, mas o é apaixonado por você, ele agiu por desespero, ele não queria te perder.
— Parece que você tá defendendo ele.
— Eu não to, eu só entendo a sistematização do pensamento dele — ele deu de ombros.
— Ok, mas eu não quero desculpar ele, o próximo passo seria desculpar e eu não sinto que posso fazer isso.
— Você não precisa fazer — ele deu de ombros e ela concordou ficando calada.

— Chame de lei de Murphy... Vou precisar ir na festa do entrou no quarto onde assistia uma série qualquer, ela o olhou e fez uma careta.
— O que aconteceu?
— Alguma coisa com o som, iluminação — ele explicou tirando o cachecol que estava.
— Você acabou de chegar em casa, é pra isso que você paga pessoas, né?
— Sim... mas não tenho escolha — ele deu de ombros tirando a blusa e procurando por outra mais confortável.
— Vou com você.
— Certeza?
— Sim, sem problemas — ela concordou. — Vou por uma roupa — ela trocou de roupa, não se sentia uma convidada então apenas colocou sua bota e sua calça de sempre, e um cachecol para o frio.
estacionou o carro próximo a casa, a rua já estava praticamente lotada, ele segurou a mão dela e entraram sem dificuldades na casa.
— Não faço ideia de onde o palco esteja — disse pegando o celular para ver se o rapaz da técnica atendia.
— Deve ser lá fora, ele tem um jardim enorme... vem — enquanto os dois passavam pelos convidados varias pessoas os olhavam, eram sempre da escola, conhecia vários que estavam ali. No jardim pode logo ver o palco montado, mas ainda não tinha som algum.
— Vou lá ver — disse e ela concordou, ele foi a frente e ela pegou uma cerveja de um dos garçons que passavam.
— Olha quem está aqui... — ouviu atrás de si a voz conhecida, era Andrew.
— Digo o mesmo, você conhece o ?
— Sim, eu conheço todo mundo que já colocou cocaína na fuça dessa cidade — ele deu de ombros. — Eu apostava em ver qualquer um aqui, menos você, digo... que eu saiba vocês terminaram.
— Você sabia disso?
— Eu leio jornais... — ele deu de ombros e ela riu.
— A Private P tá fazendo a festa.
— A ironia nunca te esquece — ele disse rindo.
— Eu vou pra perto dele, antes que alguém me veja ou que me veja com você.
— Não queremos o namorado chateado, não é? É uma pena, trouxe gramas extras — Andrew disse de maneira sarcástica.
— É uma pena — ela respondeu e avançou para dar um beijo na bochecha dele. — Não suma... — ela disse e foi procurar , ele estava atrás do palco conversando com um senhor. — Tudo bem?
— Não, vou precisar ir na boate buscar algumas coisas, eles esqueceram — ele respondeu. — Vão tentar uma paliativa aqui, mas não vai durar a noite toda, vai estourar a porra do som toda.
— Posso ficar? Encontrei uma amiga minha, a Marie, já te falei dela.
— E vai ficar bem com , e todo mundo da escola? — ele perguntou sem muita preocupação.
— Sim — ela concordou bebericando a cerveja.
— Então eu vou buscar, fica com o celular perto pra quando chegar nos acharmos.
— Pode deixar — ela disse se fazendo de sonsa, a verdade era que ficara tentada com a proposta de Andrew de algumas gramas de cocaína. deu um pequeno beijo nela e ela sorriu, assim que viu ele tomar rumo da saída foi procurar Andrew. Ele a viu se aproximar de longe e sorriu.
— Sabia que você daria um jeito.
— Eu sempre dou — ela piscou —, mas vamos, preciso cheirar alguma coisa — caminharam até algumas mesas e pufes logo mais a frente e Andrew distribuiu carreiras ao redor da mesa, os dois inalaram algumas. inclinou a cabeça se sentindo aliviada. — Você é meu salvador.
— Eu sei que sim — ele respondeu e pegou pequenos shots de tequila, deu um a ela e virou o outro, virou em seguida. A música começou com Persuit of Hapiness, e puxou Andrew para onde imediatamente todas as pessoas haviam ido para dançar, a festa parecia finalmente ter começado, garçons com pernas de pau apareceram distribuindo uísque por um cano. Houve um barulho de estouro antes de fitilhos prateados caírem sobre eles na pista, a iluminação estava perfeita. Em minutos já havia esquecido onde estava, com quem estava e sobre qualquer pessoa ao redor.
— Vem, vamos pegar mais bebida — Andrew disse em seu ouvido e ela foi cambaleando até o bar, pegaram mais alguns shots de tequila para virar e o amigo também inalou um pouco mais de pó passando para ela em seguida. — Vamos embora, aqui só tem criança.
— Pra onde? — ela perguntou.
— Pra uma festa mais legal... — Andrew disse com seu olhar desafiador, ela sorriu e concordou.
estava entrando na casa quando viu sair com Andrew, a olhou e rolou os olhos, mal se mantinha em linha reta, ela definitivamente não era sua pessoa preferida, achava patético e superestimada a atenção que a davam.

voltou com as peças que precisava e supervisionou até que tudo tivesse certo, então procurou por , revirou a festa inteira e não teve sinal dela, passou por todas as pessoas possíveis da escola e mais uns bons desconhecidos e ninguém a havia visto. Olhou a frente da saída e conversava com , não pensou duas vezes, com certeza ele teria a visto e a feito sair da festa.
— Cadê a ? — perguntou sem a mínima educação.
— Eu não sei, mas se tá longe de você deve estar bem — respondeu e segurou quando ele foi para cima de .
— Duvido se você não a achou e falou qualquer merda que fizesse ela ir embora, tava aqui com a Marie.
— Você tá louco, a Marie não vem em Londres há mais de ano.
não mentiria.
— Eu não tenho porque mentir e se eu tivesse encontrado e ela ouvisse o que eu estava falando com certeza ela não iria embora — disse nervoso.
— Ei, cara, a foi embora — disse finalmente, bufando.
— Você viu? — perguntou dessa vez.
— Sim, ela foi embora com um cara, tava bem chapada — disse dando de ombros, bufou e pegou o celular imediatamente passando a mão pelo cabelo.
— Quem era o cara, ? Porque você deixou?
— Eu nem conheço essa menina, muito menos o cara que tava com ela, mas não era da escola e era bem mais velho — disse sem preocupação, parecia frustrado enquanto ouvia isso.
— Ela tava muito bêbada?
— Bebado tô eu, ela tava drogada — disso rolando os olhos. — Eu não vou estragar a festa porque a rainha da escola tá sumida e indico a não deixarem também — o garoto se distanciou.
— Atendeu? — perguntou preocupado a apenas negou com a cabeça. — Tá cuidando bem dela, hein. —
— Não se mete, você não sabe metade do que ela passou — disse sem emoção e apenas baixou a cabeça.
— Eu vou falar com os seguranças... — anunciou.
— Eu não preciso da sua ajuda, nem ela... — disse novamente com escárnio na voz e em seguida apressou-se em ir para a saída da porta.

abriu os olhos com a batida na porta do seu quarto, estava sentado na cama com o celular na mão provavelmente adormeceu sem perceber, olhou na tela do celular e não havia sinal de .
— Entra — ele disse com a voz rouca, a sua governanta abriu a porta parecia extremamente preocupada com o que iria dizer.
— Senhor , a Senhorita está lá em baixo.
— Mas... — ele não entendeu muito bem porque ela teria chegado em casa e não tivesse subido.
— É melhor o senhor descer — ela disse novamente incerta, e ele imediatamente saiu da cama e voou pelo corredor e escadas, ela não estava na sala, mas a porta da entrada estava aberta e de fora ele pode ver um dos seus seguranças e o motorista. Correu até lá e estava deitada na entrada da casa com as mesmas roupas do dia seguinte.
— Nós tentamos acordar ela de todos os jeitos, senhor, mas ela não se mexe — o segurança falou e abaixou-se até ela, não era a primeira vez que a via naquele estado.
... — ele a sacudiu uma vez, sem resposta. — Acorda, você precisa acordar — ele insistiu, pegou no pescoço dela pensando o pior, mas havia pulso e aquilo por si só já era um alívio. — Como ela chegou? — ele olhou novamente para o segurança.
— Não faço ideia.
— Você é pago pra saber exatamente como.
— Sinto muito senhor...
— Não sinta, você tá despedido — o olhou sério e voltou a balançar .
— Quando eu acordei para comprar o café da manhã na padaria eu a vi dormindo, já era manhã e desde aí estamos tentando acordar — a governanta disse, mas não respondeu.
— Pega álcool — ele disse e a senhora se apressou em ir até a cozinha para buscar o que ele pediu e voltar. espalhou no cachecol que ela usava e encostou perto de seu nariz por algum tempo. — — ele então percebeu ela se mexer e só então respirou aliviado. — — ele chamou mais uma vez e nessa ela abriu os olhos.
... Como... Nossa — disse parecendo de ressaca, ele ajudou para que ela levantasse e ficasse sentada.
— Onde você tava? — ele disse calmo, não queria brigar.
— Não lembro — ela disse passando a mão na cabeça.
— Pega um analgésico e água — ele olhou pra governanta. — O resto sai daqui — ele disse para o motorista e o segurança que o fizeram imediatamente. — Vem, sai do frio — ele disse ainda paciente a ajudou levantar, lhe deu remédio, ajudou a trocar de roupa e a colocou na cama, ela não demorou a adormecer de novo.
acordou com o sol já baixo e andou pela casa procurando , ele estava em seu estúdio, ela estava envergonhada, sabia que não tinha feito nada certo, apenas entrou e se encostou na mesa de som, ele mexeu em um botão e depois tirou o fone que usava e a olhou.
— Você tá bem? — ele perguntou e ela concordou com a cabeça. — Onde você estava ontem?
— Eu não lembro — ela mentiu com a voz baixa olhando pra cima, sabia que ela estava mentindo.
— Com quem você estava...
— Eu não lembro — ela repetiu dando de ombros e ele bufou, apertou a têmpora e a olhou.
, eu nunca te exigi nada, você é minha melhor amiga e também minha namorada e eu adoro que seja assim... mas não me confunde com ou com , eu não sou idiota igual eles, você mentiu. Marie nunca esteve na festa, você sabe com quem estava... — disse frio e o olhou.
— Eu. Não. Lembro — ela disse pausadamente o olhando sem esforço nenhum para se fazer acreditar, concordou com a cabeça.
— Eu acho que você deveria voltar para o apartamento dos seus pais por uns dias... — disse e em seguida se levantou e saiu do estúdio sem dizer mais nada.

Capítulo 22

Hello Daddy, hello Mom
I'm your ch ch ch ch ch cherry bomb
Hello world I'm your wild girl
I'm your ch ch ch ch ch cherry bomb

Assim como sugeriu, aceitou, mas, ao invés de ir para o seu apartamento, foi para a casa de Andrew, era onde ela sabia que podia ter o que queria, sem cobrança. Não queria pensar que sair da casa de implicava diretamente no término deles ou em um tempo, na verdade não queria pensar, ela não queria terminar com , mas não tinha muita vontade de ter qualquer discussão sobre isso.
Não foi para a aula pela semana inteira, depois do celular desligar por falta bateria ela não se incomodou em por para carregar de novo. A casa de Andrew era fora do centro, com piscina, sauna, pessoas pra fazer qualquer coisa que ela quisesse, era um bom lugar para sumir do mapa, ficar longe de qualquer um.
Saiu da espreguiçadeira com alguma dificuldade depois da quantidade de álcool ingerida, caminhou para dentro da casa. Assim que chegou na sala viu Andrew com uma loira se beijando de maneira bem íntima, rolou os olhos, aquilo era normal. — Vai pro quarto, Andrew, não sou obrigada.
— Se não vai participar, não reclame — Andrew respondeu e riu, passando para seu quarto.

— O que aconteceu com a ? — perguntou a assim que ele entrou pelo portão da escola, ao seu lado estava . Ele desviou o olhar e passou a mão no cabelo por um tempo. No mesmo dia em que pediu para sair de sua casa, se arrependeu e a procurou em seu antigo apartamento, mas ela não estava lá. Presumiu que ela podia estar com um dos dois, mas depois com o passar dos dias e sem sinal dela nas aulas ele imaginou que dificilmente isso seria a realidade e então já estava esperando o dia que um deles perguntaria.
— Eu não sei — ele respondeu simples, sabia que o atacariam assim que ele dissesse que havia dito pra ela sair.
— Ela mora com você, como assim você não sabe? — perguntou como se lesse a mente dele.
— Depois da festa do ela chegou em casa de manhã, tava dormindo na entrada da casa porque não deve ter conseguido bater na porta ou feito alguém ouvir, não lembrava de nada, eu fiquei puto e disse que ela deveria voltar pra casa dos pais por uns dias, e agora ela sumiu.
— Você é retardado? — disse avançando pra cima dele, o segurou.
— Isso não vai ajudar, — disse sem paciência pra qualquer confusão ou resolução que não fosse prática. — Você não faz ideia de onde ela esteja?
— Não, eu fui no apartamento dela e ela não tava, achei que pudesse ter ido atrás de um de vocês dois, mas não foi — deu de ombros.
— E você simplesmente não sabe com quem ela saiu àquela noite? — perguntou tentando se acalmar.
— Não, ninguém na sua festa viu ela saindo, no vídeo das câmeras da minha casa só aparece ela andando bêbada pelo jardim até a porta da casa, tentou abrir, não conseguiu, e depois deitou ali e dormiu — explicou.
— Quem tá dando droga pra ela?
— Não sou eu, digo, obviamente ela podia ter o quanto quisesse, mas não é comigo, ela nunca nem me pede.
— A pessoa que ela saiu da festa é a mesma que tá dando droga pra ela e é a mesma com quem ela tá agora — disse.
— Onde é que é a pergunta... — completou.
— Parece que temos mais um no clube dos canalhas então — disse provocador olhando para , que bufou, deu de ombros e apressou o passo para se afastar deles.

— Curtindo as férias? — Andrew entrou na sala de vídeos onde estava e sentou-se ao seu lado.
— Não posso reclamar.
— Você não pretende voltar com o seu namorado?
— Nós não terminamos.
— Então porque você não fala com ele e já esta plantada na minha casa desde a semana passada?
— To incomodando? — ela perguntou sem paciência.
— Não, , você pode ficar pelo tempo que quiser... Mas você tá adiando um problema, isso é perceptível.
— E desde quando você é psicólogo?
— Achei que fossemos amigos — ele disse e ela bufou —, bufar pro que eu digo e encher o cu de cocaína não vai ajudar em nada.
— Nossa, que papo chato. Pode deixar, eu vou embora hoje — ela levantou com despeito e saiu da sala. Sabia onde Andrew guardava uma boa parte de cocaína e não pensou duas vezes antes de pegar para si uma quantidade razoável da droga e, finalmente, sem escolha, foi para seu apartamento.
Assim que entrou lá foi como se o céu desabasse no seu ombro, se sentiu cansada, vazia, as memorias daquele apartamento eram muito pesadas. Arrumou uma pequena carreira e cheirou antes que acabasse chorando.

Depois da terceira semana sem aparecer em Radcliffe Brown, de desistido do cabelo vermelho e do final de seu estoque de cocaína precisava voltar a falar com .
Sem seu carro e sem dinheiro, lhe restou o transporte público, mas isso não era realmente um problema, perto de todo o resto da bagunça que estava a sua vida. Não tinha muitas forças pra se arrumar, seu uniforme estava amassado, seu cabelo sem jeito, colocou a gravata que fazia parte de qualquer jeito, não iria mesmo ter paciência ou destreza para arrumar do jeito que Leslie fazia.
Com certa dificuldade e sem saber como o sistema de transporte público funcionava, ela chegou na escola, apenas para completar seu pesadelo. Foi imediatamente notada e mesmo que as pessoas cochichassem ela conseguia ouvir sobre seu cabelo, sobre o quanto estava desarrumada, da sua decadência social, do quanto estava magra e como “qualquer um de longe podia ver que ela se tornou uma junker”.
— ela ouviu atrás de si e virou-se. Era . No momento que o olhou sabia que não importava onde ela estivesse ou o que tivesse feito, estava perdoada. Ela deu de ombros como se dissesse que havia passado e ele avançou pelo pátio para encontrá-la mais rápido, sorriu e encostou a boca na dela, que aceitou o beijo de bom grado. Ao redor e observavam, se entreolharam e foram para aula, não tinham mais muito o que se aproveitar da cena.
, eu...
— Não importa, ok? — ele disse beijando sua cabeça. — Você tá bem e isso é o suficiente.
— Senti sua falta.
— Eu fiquei desesperado, não some, não faz mais isso — ele disse aflito e ela apenas concordou. — Seu cabelo, o que aconteceu?
— Cansei do vermelho — ela disse com a voz fraca e ele sorriu de canto, ela estava uma bagunça.

desceu as escadas da casa de e ele estava tomando café da manhã enquanto isso, ambos uniformizados para a escola. A relação deles estava normalizada, ela tentava não extrapolar o uso de drogas e parecia mais controlada sempre que estravam juntos.
— Amor, meu pai vai chegar à cidade hoje — disse assim que ela sentou-se.
— Legal — disse simplesmente sem entender muito bem porque da informação. — Ele vai ficar aqui?
— Não, ele vai ficar no Four Seasons — respondeu. — Mas vai ter um baile amanhã, que ele faz questão que eu vá, e eu faço questão que você vá e que conheça ele.
— Baile de que?
— De caridade, diplomático, eu não sei... — ele deu de ombros e ela mordeu o lábio.
, você sabe que minha mãe pode estar lá, meu pai pode estar lá, , , Liz... Eu não to preparada pra isso.
— Certo, eu entendo, mas seria muito importante pra mim se você fosse — ele respondeu e ficou calada, definitivamente não queria ficar no ambiente com todas aquelas pessoas.
— É tão importante mesmo?
— Sim, meu pai precisa conhecer minha namorada — ele respondeu e ela sorriu.
Não demorou para que ela concordasse em ir ao baile, primeiro porque não imaginava o que tinha feito de errado nesse tempo todo então não podia agir como se tivesse o feito, estava bem e por mais difícil que as coisas estivessem sendo ela tinha contornado tudo do melhor jeito. Sua mãe a tirou da sua vida, não tinha porque ela não tem continuado independente dela. , e Liz não eram nada que ela não tivesse que lidar todos os dias no final das contas.
Buscou um dos seus vestidos em casa, arrumou o cabelo do jeito que costumava arrumar, escolheu com capricho as jóias e o sapato, a melhor maquiagem que sabia fazer. Ouviu a porta se abrir e entrou no quarto e sorriu ao vê-la.
— Você ta linda — ele disse e ela sorriu, foi pra frente do espelho e se olhou.
— Há um tempo que não me arrumava assim. Acho que estou me sentindo eu novamente.
— Isso é bom, eu gosto do seu eu — ele brincou e deu um beijo no ombro dela enquanto a abraçava por trás. — Se isso é você não deixa pra lá tão fácil.
— Não é mais tão fácil sustentar personalidade forte depois de tudo que aconteceu.
— Merdas acontecem e sempre vão acontecer... Sua personalidade é forte, não é uma escolha ser assim, você é assim, essa é você, não tem problema em assumir.
— Eu não quero voltar a ser a garota fútil, a garota que é queen bee sem motivo nenhum pra isso. Digo, olha o que aconteceu... eu perdi o namorado que todos querem, o dinheiro que todos querem, as roupas que todos querem e o que restou? Nada, toda a atenção que eu tinha passou, todo o glamour passou e eu fiquei sendo nada.
— Você não era a menina com o namorado bem cotado, nem a menina rica nem as roupas que você usava. Te respeitavam porque você sempre soube o seu lugar e colocava as pessoas no lugar delas, você ainda é o que todo mundo quer ser, só tem que se lembrar disso — ele encostou o queixo no ombro dela e ela sorriu. — Seu namorado novo é muito melhor que o antigo, a propósito.
— Obrigada — ela respondeu e o abraçou. — Mas vamos, não quero me atrasar pra conhecer o seu pai — disse e ele concordou.

O motorista os deixou exatamente na porta do evento e vários flashes explodiram assim que saíram do carro. ”Vocês estão juntos agora?”; “, você anda sumida das sociais da cidade, isso tem a ver com as fotos recém divulgadas com você usando droga?”; “O que você tem a dizer sobre a alegação de você estar viciada em cocaína?”; “Seu affair com acabou?”; “ e , são o casal 10 de Londres?”; “Podemos chamar essa noite da exposèe de vocês?”, eram algumas das perguntas que ouviram entre o caminho da saída do carro até a recepção da festa.
— Definitivamente não te esqueceram — brincou assim que entraram no salão e ela riu. Não demorou para que encontrassem o pai dele. — Pai, essa é minha namorada, .
— Ora, já ouvi falar muito de você senhorita — o seu pai disse seco, pode sentir o peso de mil julgamentos naquela frase. — Você nunca teve bom senso para namoradas, .
— Pai... — ele rolou os olhos, engoliu seco.
— É um prazer, senhor — ela sorriu amarelo.
— Meu filho não é nenhum santo, mantenham-se na linha, não preciso de uma manchete com os novos Jonny e June. — disse o senhor novamente ácido. — Mantenha sua namorada longe de problema, ela tem me saído bem caro aparentemente — e assim que terminou a frase se distanciou. olhou a namorada e ela estava atônita, a abraçou.
— Me desculpa, eu não imaginei que essa fosse ser a reação dele — ele disse e concordou.
— Eu só preciso ir no banheiro um momento, ok? — respondeu e ele concordou. Ela se afastou dele em busca do lugar, pouco antes de encontrar esbarrou com a sua mãe e respirou fundo.
— Scarlett disse surpresa e avançou até a filha. —Precisamos conversar, tudo aquilo que passou foi algo terrível — ela olhou a filha e tirou uma mecha de cabelo que estava em seu rosto. — Você está magra, abatida e que maquiagem é essa? Esse vestido é o mesmo que você usou no debut da Marie, não deveria repetir.
— Mãe, vocês me tiraram de casa, me tiraram da escola, me deixaram sem dinheiro, acha que eu ia me preocupar era se estava repetindo vestido?
— Tudo bem, , sem dramas — ela disse parecendo que tudo estava muito bem agora. — Almoço amanhã no Guilt by Olivier, seu preferido, eu você e seu pai. O que você acha?
— Tá, mãe, tudo bem — ela disse dando de ombros.
— Vou pegar uns drinks para mim e para George, nos vemos amanhã — ela disse e apenas concordou, aquela noite parecia um pesadelo. Foi atá o banheiro e tirou um saquinho de cocaína que havia levado, inalou e imediatamente se sentiu mais leve, esperou um pouco e voltou para a festa, no caminho conseguiu pegar um copo de uísque e, antes que pudesse perceber, estava na frente de , soube ali que não podia fica pior.
a olhou e não pensou outra coisa a não ser que ela estava linda, mas prestou atenção em seus olhos e sabia que ela estava alta, então engoliu seco.
— Eu não lembro a última vez que te vi sóbria — disse e ela revirou os olhos.
— Há alguns minutos eu tava sóbria e tava tudo uma merda —respondeu.
— Por que você tá fazendo isso? Se for por mim, pelo que aconteceu, eu não valho a pena — ele disse e não conteve uma gargalhada, ao ponto de chamar atenção dos outros ao redor.
— O mundo não gira em torno do seu umbigo, — o olhou com escárnio. — Mas só pra constar, eu me arrependo de cada segundo da minha vida que eu passei com você — as palavras chegaram duras ao ouvido dele, que apenas a observou se afastar.
, eu quero ir embora — ela disse assim o viu, ele imediatamente também percebeu que ela estava alta e bufou, tirou o copo da mão dela.
— Eu não acredito que você tá chapada — ele disse notadamente decepcionado. — Eu não posso ir, vou pedir pro motorista te levar.
— Não, se você não for eu não vou — ela respondeu alto e ele respirou fundo.
— Você não pode ficar aqui, chapada... Tá todo mundo aqui.
— Eu não me importo, eu quero ficar.
— Você acabou de dizer que queria ir embora.
— Mudei de ideia — respondeu avançando pra pegar o copo da mão dele. — Me dá meu copo.
— Não.
— Foda-se, vou atrás de outro — ela virou depois de dizer isso em voz alta fazendo pessoas olharem as costas e ele a segurou pelo braço tentando disfarçar.
, não...
— ME SOLTA — ela gritou, puxando seu braço e esbarrando em algumas pessoas logo atrás, eles já haviam chamado atenção de mais, ele a deixou ir e passou a mão no cabelo.

Capítulo 23

Night time fades into day
And a big mistake you didn’t know you made
See if you can take it back
You thought this is what it seemed
Fate doesn’t care about plans
You never knew life was a rubber band
The harder that you pull the more it snaps back the more it hurts

entrou no restaurante onde tinha marcado com seus pais, foi com a mesma roupa que agora já era um uniforme, calça jeans e a primeira camiseta que lhe aparecesse, estava esperando alguma fala de sua mãe sobre isso. Não tinha dormido na casa de no dia anterior, ainda não tinham se falado.
— Deve estar no nome de Scarlett Russel ou Paul — ela se reportou ao recepcionista que olhou simpático, ela e a família já eram conhecidos no restaurante.
— Claro, senhorita, venha — ela o acompanhou até uma mesa mais ao fundo onde sua mãe e seu pai já estavam.
— Você está atrasada em 20 minutos — o pai disse parecendo irritando.
— E como você vem no Guilty com essas roupas... Você está completamente sem noção, — a mãe disse com a feição de quem teria um AVC a qualquer momento.
— Eu não tenho mais carro... ou motorista ou dinheiro, Paul — lembrou, ácida. — Eu vim de ônibus. E mãe, diminui no drama — ela rolou os olhos.
— Certo... Pedimos salmão com alcaparras para você, para que não demorasse tanto.
— Tudo bem — disse ao pai.
, nós precisamos resolver o que foi feito. Eu e Paul estávamos tentando te ensinar como é viver sem os luxos que você sempre teve, estávamos de cabeça quente, mas achamos que você já aprendeu o que tinha que aprender.
— Acho que o prêmio de pedagogia não vai pra vocês, não é mesmo... — disse irônica.
— Seja menos rude, estamos tentando deixar as coisas certas... — Paul disse. — Você conseguiu o que queria... terminar com . E é uma sorte grande que as coisas não estejam desastrosas — ele continuou. — , na verdade, suspendeu a dívida nos colocando uma condição: a que passemos o apartamento e os carros todos para o seu nome. Obviamente tudo que nos construímos é seu, então... para deixar tudo para trás, eu passei o apartamento para o seu nome já, primeiro porque em meses estarei morando em Roma com Valentina e sua mãe já não mora lá há anos.
— Seus cartões de crédito estão liberados novamente, Leslie e Joseph vão voltar a trabalhar pra você... Nós vendemos seu carro, mas pode escolher outro. E avise o seu namoradinho que ele pode parar de pagar sua escola e vou dar um cheque cobrindo os gastos que ele teve nesse período — Scarlett completou.
— Sua mesada também vai voltar — Paul voltou a falar e a filha olhou para os dois.
— E o quanto isso vai me custar? — perguntou já esperando alguma coisa pavorosa.
— Nada. Reconhecemos o esforço que você fez durante esse período — Scarlett disse enquanto a comida finalmente veio e esperaram serem servidos.
— Também apreciamos que você tenha se afastado de , ele só lhe trouxe problemas” Paul disse bebericando o vinho em sua frente.
— Sobre ... passou.
— Sim, nós sabemos — Scarlett esboçou um sorriso dizendo: — Nós fomos duros, nós sabemos, mas procuramos sempre o seu bem.
— É, devo ser realmente sortuda — respondeu sarcástica.
— Se anime, vai poder voltar a sua vida de novo — Paul falou sorridente e concordou com a cabeça. — E vamos comer, sim?
Almoçaram sem assunto, perguntaram algumas coisas de , algumas coisas da escola. Scarlett fez um cheque com o valor das mensalidades que ele pagou e alguma coisa a mais, e deu a antes de se despedirem de Scarlett.
— Dê ao rapazinho — ela disse. concordou e seguiu com seu pai, ele a levou até o apartamento.
— Obrigada, pai — ela respondeu.
— De nada, princesa — ele deu um sorriso pra filha e ela então saiu do carro. Ela não podia negar que era um alívio que agora tivesse tudo de volta. E agora o apartamento era todo seu, teria Leslie a cuidando novamente, o que já era o suficiente.

Naquela manhã, quando acordou, ouviu barulhos na parte da sala e se levantou para ver o que era. Quando entrou na sala, Leslie e Joseph estavam lá, foi emocionante os ver. Leslie a olhou e sorriu alegre, nem pensou duas vezes antes de correr e abraçá-la.
— Estou tão feliz de estar de volta, essa casa é tudo pra mim — Leslie disse.
— Acredite, o alivio é todo meu, eu nem tenho comida na geladeira — disse e se aproximou de Joseph, o abraçando também.
— Bem vindo de volta também, Joseph — sorriu.
— Obrigado, senhorita — ele disse surpreso pelo abraço, ela com certeza não era esse tipo de pessoa.
— Bem, vamos resolver a situação de comida nessa casa — Leslie disse. — Sua mãe disse que o cartão de compras está no mesmo lugar então eu vou até o supermercado com Joseph se você não se importar.
— Não, podem ir e arrume alguma coisa bem gostosa para o almoço, eu já não lembro a última vez que comi sua comida.
— Pode deixar — Leslie respondeu e olhou ao redor e viu que a sala estava desorganizada, com garrafas de vidro espalhadas, cheirava a álcool também, não comentou nada voltou a sorrir e arrumou as coisas para o supermercado.

se arrumou e esperou Joseph voltar do supermercado com Leslie, assim que o fez disse que precisava sair, pegou o cheque recém assinado de sua mãe e um óculos escuro.
— Leslie, eu volto para o almoço — anunciou antes de sair de casa acompanhada por Joseph. Foi até a casa de em seguida. Haviam muitos seguranças ao redor da casa e um carro que ela não conhecia estacionado lá. — Eu não devo demorar, ok? — disse assim que o motorista parou em frente à casa.
Desceu do carro e assim que apareceu a segurança deu logo sinal para que abrissem os portões. Ela atravessou o jardim e cumprimentou o porteiro que já conhecia, a porta estava destrancada como sempre e ela só empurrou. Ouviu a risada alta de , ela adorava aquela risada e já não ouvia há algum tempo. Na sala estava o pai dele, o próprio e Greg, estavam com uma garrafa de uísque aberta e um jogo de futebol na TV. Greg foi o primeiro a notá-la e fez um pequeno gesto para que virou-se para vê-la se aproximando. não poderia entender o que a expressão dele dizia, não sorriu ou franziu o cenho, nenhuma pista.
Em seguida o pai do rapaz virou-se para vê-la.
— Bom dia — ela disse firme segurando a bolsa.
— Bem, achava que era dia de homem — o senhor disse demonstrando mais uma vez o quando não gostava dela.
— Pode ficar tranquilo, eu só vou falar com seu filho e vou embora — respondeu e se levantou, deixando o copo na mesa de centro da sala, e fez sinal para ela ir na direção da cozinha.
... — ela disse baixo quando se aproximou, mas ele a interrompeu.
— Desculpa pelo meu pai, ele é um pouco rancoroso.
— Eu não ligo pro que ele pensa de mim... — ela respondeu. — Eu ligo pro que você pensa de mim.
— Eu não sei o que eu penso de você mais, — ele a olhou com os olhos azuis mareados e engoliu seco.
— Eu sinto muito — respondeu e mexeu na bolsa procurando o cheque, assim que o encontrou estendeu a frente de .
— O que é isso? — ele perguntou segurando e olhando o valor. — Pra que é isso?
— Tudo o que você gastou com as mensalidades da escola e mais um pouco que eu espero que seja suficiente com os gastos que eu te dei — ela respondeu e ele riu nervoso, na verdade com raiva, viu que estava assinado por Scarlett e isso o deixava mais irritado ainda.
— Eu não quero isso... — ele disse estendendo o cheque de volta. — Muito menos o dinheiro da sua mãe, ela praticamente vendeu você pro ¬— continuou. — O que ela tá te cobrando por esse dinheiro?
— Ela não tá me cobrando nada ¬— respondeu baixo. — Eu, ela e meu pai conversamos.
— Você não precisa disso, eles só te deixam mais no buraco.
— Eu me deixo no buraco, não preciso de ninguém pra isso — ela respondeu dando de ombros. — Aceita o cheque. Não quero seu pai achando que me banca, isso também não me faz bem.
— O dinheiro não é dele, é meu. Ele falou aquilo porque queria que você se sentisse mal.
— Isso não torna as coisas melhores... — ela disse. — Aceita o dinheiro e me desculpa, por tudo — ela deu um beijo no rosto dele e ele suspirou fundo.
— Eu quero que você fique bem, que continue sendo você, não a versão que você escolheu pra se autodestruir.
— Vai dar tudo certo — ela respondeu e ele afastou. Passou pela sala e não falou com nenhum dos outros dois, apenas saiu.
— O que ela queria? — o seu pai perguntou assim que ele voltou para a sala e jogou o cheque na mesa.
— Nunca mais se mete nos meus relacionamentos ou nas minhas escolhas — respondeu e o senhor apenas ficou calado.

Capítulo 24

Don't bless me Father for I have sinned
Father, did you miss me?
I've been locked up a while
I got caught for what I did
But took it all in style
Laid to rest all my confessions
I gave way back when
But now I'm versed in so much worse
So I am back again
And he said
For the lines that I take, I'm going to hell

— Ainda muito chateada comigo? — atendeu o celular vendo o número de Andrew.
— Não, eu só estava sob muito estresse — respondeu enquanto colocava a TV de seu quarto no mudo.
— Então agora que você terminou com , o que acha de finalmente ir para uma festa comigo?
— Onde?
— Você não saberia... Mas juro que vai ser boa. Nina Kravtz vai tocar nela, e, se você não conhece, ela é uma grande DJ. Além do mais eu tenho vários brinquedos pra gente hoje — ele disse parecendo animado. não precisou pensar duas vezes.
— Me pega a meia noite, te mando o meu endereço por mensagem.
— Marcado — ele sorriu do outro lado da linha. — Esteja linda, posso te dar uma chance hoje.
— Finalmente, hein... — ela disse irônica e então desligou. Com a certeza de que não era uma festa de gala, ela se arrumou como sempre: calça, bota e uma camiseta qualquer que ficasse por baixo de seu casado de couro. Olhou-se no espelho e se sentiu horrível, aquele não era um sentimento comum, ela sempre foi muito segura de si, das suas roupas, do seu comportamento, mas ultimamente nada parecia tão certo e todos os traços da sua personalidade pareciam com preguiça. Preguiça suficiente para ela não reagir à insatisfação com a produção e apenas soltar o cabelo. Esperou Andrew na portaria e ele não se atrasou.
— Prédio legal — ele disse assim que ela entrou no carro.
— Era onde eu morava antes de morar com o .
— Seus pais te aceitaram de volta? — ele soltou um riso acelerando o carro.
— É, digamos que as coisas estão mais calmas agora.
— E ?
— Apenas não, Andrew... — ela disse e ele deu de ombros. — Preciso de álcool e cocaína.
— Tem uísque no banco de trás e a cocaína tá no porta luvas — disse e concordou, se inclinando para pegar o whisky, abriu e virou em sua boca. — Essa é minha garota — ele falou.
— Eu não tenho mais bebida nenhuma em casa, a empregada andava reparando demais.
— Bem, deve ser difícil tomar conta de você — deu de ombros e ela estendeu a garrafa para ele que segurou e bebeu enquanto dirigia. Pegou a cocaína e colocou em sua bolsa. — Eu vou ter que vender algumas coisas hoje então você se importa?
— Cocaína?
— Não, é uma droga nova.
— O que é?
— É liquida — ele pegou o frasco de dentro do bolso da blusa social que vestia e mostrou para ela.
— É boa? — perguntou encarando o frasco.
— Perigosa. Não dá pra vender o vidro, muito caro e só se toma uma gota — ele explicou pacientemente. — Por isso eu vou vender, assim eu explico.
— O que acontece se tomar duas?
— Você vira um unicórnio — ele disse rindo.
— Posso experimentar?
— Não, você se empolga.
— Vai, você me dá e depois nem pego no vidro.
— Depois vemos isso, ok? — ele respondeu e ela rolou os olhos.
— Odeio como todos vocês me tratam como criança — bebeu um gole do uísque.
— Sem drama — ele disse rindo. A festa chegou logo, era em uma boate grande da cidade, onde realmente não sabia onde é, apenas ouviu falar. Andrew lhe deu uma pulseira rosa choque: — Acesso total e open bar no camarote — ele piscou e ela sorriu animada. Eles não entraram por onde todos os outros entravam, passaram sem seres revistados.
Andrew achou uma mesa onde arrumaram carreiras de cocaína e não demorou para que ele, e mais alguns conhecidos que se juntaram a eles cheirassem tudo. já se sentia em casa com aquela sensação.
— Vou pegar bebida, você quer? — perguntou a Andrew e ele negou com a cabeça, mas ela avançou pela festa em busca do bar.
— Hey, duas vodkas tônicas, por favor — ouviu a voz ao seu lado logo que acabou de fazer o seu pedido. Era . Rolou os olhos, ele demorou para percebê-la porque ainda não estava acostumado a vê-la sem os cabelos vermelhos, nunca tinha certeza o que falar quando a via, apenas engoliu seco. Pelos segundos que esperaram as bebidas foi como se o som da festa estivesse desligado e só restasse o silencio mórbido que fica sempre que você encontra uma pessoa que você amou e não sente que a conhece mais. Os dois não se conheciam mais.
esperava que ele falasse, ele sempre falava, mesmo que fosse para a criticar. Nas últimas vezes que se comunicou com ela foi basicamente o que fez, por outro lado não tinha vontade de falar com ele, a situação com lhe atormentava tanto, lhe fazia sentir tão mal que ela preferia esquecer, fingir que não existia. Ao mesmo tempo era tão atormentador quanto estar ao lado dele e não se falarem.
não sabia o que dizer, então não disse nada. Ela recebeu a bebida antes dele e se afastou imediatamente, tomou um gole para que o nó na garganta que se instaurou descesse mais rápido.
— Vamos dar uma volta? — Andrew disse e imaginou que estava na hora dele fazer as vendas que queria. Ela concordou e andou com ele pela boate, indo topando com conhecidos, incentivando-os a experimentar, a maioria topava, percebeu que de modo geral fazia sucesso com os caras que a viam então procurava apoio nela que também incentivava os clientes a tentarem, no meio disso tudo acabavam dividindo mais algumas gramas e pedindo mais alguns drinks entre os caminhos da festa.
— Vamos, sobrou muito e você disse que já conseguiu o que pagou por ela — ela disse querendo experimentar a nova droga, depois do encontro e do silêncio com precisava de alguma coisa mais forte do que a cocaína estava sendo para se distrair.
— Toma — ele disse lhe entregando o frasco. — Vou atrás de uns amigos e volto já — ela concordou, encarou o frasco. Uma gota não parecia o suficiente, ele provavelmente falava isso pelo preço caro. Pingou duas gotas em sua boca e depois guardou o frasco na bolsa. A droga fez efeito extremamente rápido.
Ela sentiu a festa rodar e seus joelhos fraquejarem, se apoiou em uma das colunas da festa, alguma coisa não estava certa, sentia seu coração muito acelerado e os sons misturados de uma maneira que ela nunca ouviu, estava suando frio e a última vez que se sentiu assim havia acabado no hospital, não conseguia andar, sentia que ia desmaiar.
, o que você tem? — ela ouviu uma voz, mas não fazia sentido. Era , ele a segurou percebendo que ela não estava bem, e deixou o copo no primeiro lugar que viu, segurou o rosto dela para que visse os seus olhos. Ela parecia lutar para ficar acordada, além de suar frio. Precisava tira-la dali, mas não conseguiu chegar antes que ela perdesse total o sentido e precisou segurá-la com mais força quando isso aconteceu, ele não sabia o que fazer apenas continuava a segurá-la tentando pensar no melhor. As pessoas ao redor notaram e formou-se um círculo em volta, ela tinha os olhos virados para cima e continuava suando frio, a segurança da boate logo apareceu e a festa parou.
— Deita ela no chão, vamos chamar a ambulância — uma garota disse e o segurança abriu espaço, a deitou ali.
, me responde — ele disse a balançando, que não reagia.
— Ela tá viva? — O segurança perguntou e outro rapaz colocou o dedo perto do seu nariz, ela continuava respirando, concordou com a cabeça.
Andrew viu a aglomeração e avistou , passou a mão no cabelo, mas não podia se aproximar, iriam descobrir a droga que ela estava usando e se ele falasse iam ligar ele a ela, não poderia se expor assim. Viu que ela estava com e sabia que já foi feito tudo o que podia.
, você não pode fazer isso — ele disse desesperado.
— O que ela tomou? — O segurança falou e ele negou, não sabendo responder.
... — abriu caminho entre a multidão até os encontrar. — Meu deus, o que ela fez? — algumas pessoas tiravam fotos, outros filmavam e pareciam muito preocupadas. — Precisamos levar ela daqui.
— Já chamaram a ambulância — o segurança avisou e de fato logo os paramédicos chegaram e entraram na boate, segurou a bolsa que usava enquanto atônito via os paramédicos a colocarem em uma maca.
, vem — disse quando a levaram e eles saíram andando atrás dos paramédicos.
— Ela vai ficar bem? — perguntou e uma paramédica concordou. — Eu posso ir, somos amigos desde infância.
— Se é amigo dela não deveria a ter deixado fazer isso — a mesma paramédica disse.
— O que ela tem? — perguntou.
— Ela está em overdose — respondeu. — Vamos para o Holly Mercy, você vem com ela — apontou para que apenas concordou e subiu na ambulância, segurando a mão dela. Em seguida sentia seus olhos mareados, não imaginava que um dia a veria naquela situação.
— Eu vou logo atrás, no carro — disse a , o rapaz segurou a mão de que pendia para fora da maca e eles faziam alguns procedimentos para reanimá-la enquanto fecharam a ambulância e saíram andando.
— Andrew... — disse parecendo voltar aos seus sentidos. Aquele nome, ele sabia quem era, foi rápido ligar a pessoa e entender tudo o que estava acontecendo. Ele rapidamente abriu a bolsa da garota e achou ali o frasco da droga e algumas gramas de cocaína, fechou imediatamente passando a mão no cabelo. não poderia ter se metido nisso.
Ele viu quando a pressão da garota foi baixando rapidamente, o que fez os paramédicos ficarem alvoroçados. Ela perdeu os sentidos de novo e aquilo parecia um pesadelo. Assim que chegaram ao hospital, levaram para algum lugar onde ele não teve mais acesso, então pegou o frasco e a cocaína e guardou consigo. Provavelmente pediriam pelos pais e depois fariam perguntas, ele não podia deixar evidência alguma com ela. Logo chegou.
— Você, vem comigo... — um policial apontou para . — Traga os pertences dela — ele disse e levou a bolsa que ela usava acompanhando o policial.
— O que estava com ela — entregou nervoso quando o policial fez sinal para entrar em uma sala e sentar-se.
— O que aconteceu?
— Eu a vi passando mal na festa e então a segurei para levá-la para fora, achei que só estivesse muito bêbada.
— Ela está com um quadro de overdose de uma droga muito rara, ela tem histórico de drogas?
— Não que eu saiba — mentiu.
— Você disse que a conhecia desde criança à paramédica.
— Sim, mas não sei de nada — disse certo.
— Você estava com ela a noite toda?
— Não, ela estava com outras pessoas.
— Quem são as outras pessoas?
— Eu não sei, nós estávamos afastados.
— Por que estavam afastados? Se estavam, porque ajudou ela?
— Isso não tem a ver com nada.
— Se tem ou não quem decide sou eu — o policial disse pegando a bolsa de , que, fora a as drogas que haviam lá, havia a carteira de identidade, um batom, chaves e o celular. — Vou ficar com isso e avisar os pais dela — ele pegou a carteira de identidade e levantou. — Ela já esta indo pro quarto 4 e tem muita sorte de estar viva — disse e apenas se levantou e saiu pelos corredores até ver . estava lá também.
— O que você...
— O me ligou — disse sério. — O que ela tem?
— Tá no quarto já, ela teve uma overdose — respondeu e pareceu enfurecido, armando o punho. — Eu achei gota com ela e cocaína, eu peguei pra não verem aqui.
— Onde ela conseguiu isso? — questionou.
— Andrew... Ela disse o nome dele na ambulância, eu vi ele na festa, era com ele que ela andava conseguindo droga o tempo todo — concluiu e, a essa altura, já estava vermelho.
— Eu vou matar esse filho da puta — respondeu enfurecido —, eu deveria saber, eu disse pra ela ficar longe dele... Como se ela fizesse alguma coisa além do que quer — respirava fundo parecia realmente estressado. — Ele tava com ela quando você achou?
— Não, ele não apareceu mais — disse. — Nem ia, se pegassem ela drogada com ele seria muito fácil.
— Os pais dela vão ter que ficar sabendo, já tá em notícia — mostrou o celular por segundos.
— Eles os chamaram — disse. — Eu vou no quarto com ela.
— Eu vou esperar um pouco pra ver se consigo falar com a Scarlet antes do policial, ver se amenizo. Pra qualquer efeito ela foi drogada, alguém a enganou — disse e os dois outros concordaram.
— Eu vou por meu pessoal para achar o Andrew — resmungou pegando o celular. andou pelo corredor até achar o número quatro, foi até lá e ainda havia uma enfermeira.
— Ela está meio grogue e eu dei mais um sedativo, ela precisa de descanso — disse simpática e concordou se aproximando, ela estava de olhos fechados e muito pálida. Passou a mão pelo cabelo dela acariciando, o que a fez se mexer.
, você tá aqui — ela disse sonolenta.
— Sim — ele respondeu baixo, ainda com a mão pelo seu cabelo.
— Não vai embora — voltou a dizer com o mesmo tom, sua voz estava muito pesada.
— Eu não vou sair de perto de você nunca mais — respondeu e ela ficou calada, parecia ter voltado a dormir. sentiu uma lágrima descer de seu rosto, ele sabia que grande parte daquilo era sua culpa e queria poder voltar no tempo, não deixaria nada disso acontecer. Ele nunca iria para longe, não importava o quanto as coisas ficasse ruins entre eles.
se sentou na pequena escada ao lado dela segurando sua mão, mesmo que ela não tivesse reação nenhuma, logo e entraram no quarto.
— O pai dela tá na Itália e eu não consegui falar com Scarlet, nem a policia deve ter conseguido — disse se sentando em uma poltrona do quarto.
— Ela tá sedada — disse para eles. apenas sentou-se na cama ao pé de .
— Como isso foi parar em tudo isso? — disse não acreditando na situação.
— Eu não sei — respondeu frustrado.
— Isso é culpa de vocês — respondeu. — Vocês não deveriam nem estar aqui agora, vocês deveriam ter vergonha do que fizeram pra ela.
— Você não sabe o que aconteceu, você não é ninguém pra julgar — respondeu em um tom firme.
— Eu sei como ela se sentiu, eu sei pelo que ela passou, eu estava do lado dela. Vocês só pensaram em vocês, ela só tentou fazer o que achava que seria certo.
— Eu disse para ela desde o início que eu a ia ajudar no que ela quisesse — se defendeu.
— Você disse, mas onde você estava quando ela precisou? Por que a primeira pessoa que ela procurou foi você — disse rancoroso. — Você é tão burro que qualquer um perceberia que ela só terminou por causa da dívida dos pais, aposto que você não parou pra pensar um segundo sobre isso antes de desistir dela. Deve ter sido muito fácil mandar todo mundo bloquear ela na sua casa, deve ter sido muito fácil parar de ir pra escola pra não arcar com as consequências das coisas que você fez, ignorar tudo o que ela tava passando.
— Eu não sabia o que ela tava passando, eu não fazia ideia, eu tava fora do país, fui para a Escócia com meu pai, por isso eu parei de ir pra aula. Eu iria mesmo se estivesse tudo bem com a , a única coisa que eu fiz adiantar — explicou. — E que porcaria de fotos são essas?
— Você deveria estar em um buraco para não saber tudo o que aconteceu — continuou, duvidando do que ele acabara de dizer e olhou para . — Eu nem consigo dizer em voz alta o que você fez, você tratou ela que nem puta... E depois agiu que nem um garotinho mimado cobrando a dívida, o que você estava pensando? — os dois ficaram calados. — Ela aguentou sozinha o julgamento quando você vazou as fotos.
— Eu não vazei as fotos, eu nem sei que fotos são essas.
— Só você tinha as fotos — retrucou e ficou por um minuto calado pensando sobre isso.
— Foi a Liz — respondeu.
— Como assim foi a Liz? — perguntou.
— Ela apareceu na minha casa pouco antes disso tudo acontecer mostrando fotos suas com a em uma festa, dizendo que vocês estavam juntos — respondeu.
— E você nunca tirou cinco minutos pra me dizer isso?
— Você passou dois meses na Escócia, pelo que você me falou, superando muito bem o término.
— Eu só não fazia ideia do que estava acontecendo, se eu tivesse qualquer pista eu voltava. Eu só soube que ela não estava mais com você por causa daquele Ethan da escola... Eu não sabia de foto nenhuma — explicou e riu ironicamente.
— O que menos importa é quem vazou as fotos. Vazaram e nenhum de vocês dois ajudou, deixaram-na sozinha. Ela foi expulsa de casa e de novo nenhum de vocês ajudou, os pais dela tiraram ela da escola, tiraram todo o dinheiro dela, a mãe dela mandou o único emprego que ela achou a dispensar... De toda essa historia só quem saiu prejudicada foi ela.
, você tem seu ponto, você viu tudo isso acontecer enquanto nós estávamos sendo egoístas e eu juro que eu vou me arrepender disso pra sempre, mas olha onde ela tá... Ela quase morreu, isso tem que parar — fez um gesto com a mão em nervosismo.
— Só vai parar quando ela se sentir segura de novo, em todos os sentidos, ela ainda não superou o que aconteceu — explicou. — E talvez o tenha razão, nós ao redor dela só causa mais aflição uma vez que ela sempre vai se lembrar do que aconteceu enquanto tentarmos corrigir os erros. — ele deu de ombros. — Mas eu também não acho que você deva ficar ao redor dela, você ajudou e tudo, mas seu mundo a coloca em contato com tudo isso tudo que faz mal.
— Eu sei, e é por isso que eu me afastei — explicou, mas continuava calado.
— Eu não vou me afastar dela, se eu fizer isso ela vai continuar achando que eu vazei as fotos, que eu a evitei, que eu não quis me responsabilizar, eu não posso deixar que ela pense isso. Eu tenho que contar o que aconteceu. Eu já fui passivo demais nessa historia e eu não posso mais ser — ele respondeu. — Depois disso ela pode querer que eu me afaste, mas eu nunca vou deixar essa chance escapar, eu amo ela.
— Você nunca fez bem pra ela, disse.
— Isso não é verdade, eu sei que não é e eu sei que ela sente o mesmo — defendeu-se. — Ela só precisa ver que eu nunca deixaria ela passar por tudo isso sozinha.
— Eu acho que você só vai a fazer perder mais do fôlego que ela não anda tendo — respondeu. — O melhor seria nós três nos afastarmos e ver no que dá.
— Ela vai ficar mais sozinha e, se nós não estamos, certamente Andrew estará.
— Não por muito tempo... — disse dando de ombros. Depois eles ficaram calados com o passar das horas e, com a estabilidade de , cada um procurou um canto para cochilar. continuou de mãos dadas com ela.

Quando acordou e olhou ao redor, mexia no celular e ainda cochilava, continuava como antes, dormindo.
— Eu fiquei pensando a noite toda... — disse ao ver que o amigo estava acordado. — Eu fiz muita cagada. Eu amo ela, , mas eu estraguei tudo. Acha que ela vai me perdoar algum dia?
— Eu não sei, , ela tem motivo suficiente pra nunca mais olhar pra nossa cara — ele disse rindo nervoso.
— Ela vai te perdoar, ela te ama, esse tipo de amor de vocês nunca passa...
— Eu sinto muito, , por isso acontecer entre a gente.
— A gente não escolhe.
— Eu não escolheria diferente, eu sei que a gente nasceu pra ficar junto — deu de ombros. — Eu só preciso a lembrar disso.
— Vai lembrar, com o tempo vai... — então se levantou. — Eu vou buscar alguma coisa pra comer — assim que saiu do quarto, despertou meio assustado.
— Ela acordou?
— Não — respondeu e novamente o silêncio reinou.
Já eram quase o meio da manhã quando começou a se mexer e então soltou a mão dela para levantar, ela abriu os olhos assustada olhando ao redor, olhou os três perdida, e passou a mão no rosto.
— Eu morri e esse é meu julgamento? — ela perguntou séria, o que fez os outros rirem nervosamente. — Sério, o que vocês estão fazendo aqui?
— Você quase morreu, disse chegando perto da cama e ela o olhou confusa.
— Não foi isso que eu perguntei — ela disse irritada. — Principalmente vocês dois — ela olhou de pra , onde fixou seu olhar. — Por que toda vez que eu alguma coisa ruim acontece vocês estão envolvidos? Eu tô tão cansada de vocês.
— O te trouxe pra cá — respondeu.
— Obrigada por não me deixar morrer, é isso que você quer ouvir? — ela perguntou a , que ficou calado. — Vão embora — disse irritada.
... — tentou falar.
— Você me viu na festa ontem e não falou uma palavra pra mim — ela disse o encarando magoada. — Eu preferia que fosse sempre assim — disse baixo e ele engoliu seco concordando com a cabeça.
— Você precisa de alguém aqui, você ainda não tá bem — a olhou.
— Você fica — ela disse a , mas ao mesmo tempo a porta se abriu revelando Scarlet, que andou apressada para perto da filha, parecia emocionada.
— Meu bebê, o que aconteceu? O que fizeram com você? Quem te drogou? Que coisa horrorosa, nunca se sabe quem confiar — ela disse dando um beijo na cabeça da filha.
— Eu não lembro o que aconteceu — disse, estava mentindo, sabia o que tinha acontecido. Scarlet deu uma boa olhada pelo quarto e arqueou a sobrancelha.
— O que vocês estão fazendo aqui? — ela perguntou.
— Indo embora — disse sem paciência.
— Bem, eu espero que vocês não estejam metidos em encrenca — Scarlet olhou para os quatro. — Podem ir, eu cuido dela a partir de agora — a senhora disse e eles concordaram saindo do quarto, deu mais uma olhada para , mas ela apenas ignorou seu olhar.
— Se cuida, disse e ela concordou com a cabeça. Mais tarde no mesmo dia, teve alta e, com a ajuda dos advogados, poucos problemas, sua mãe acreditou totalmente na historia sobre ela ter sido drogada por outra pessoa.

Por ordens médicas, faltou dois dias de aula, o que a fez ficar em casa sem nada para fazer e lhe restou o pouco de cocaína que ainda guardava e maconha. Cheirou uma carreira de cocaína pra lhe ajudar a dormir.
Quando acordou o sol parecia começar a se pôr, ela pegou um dois cigarros de maconha que tinha pronto e acendeu. Vestia apenas uma blusa e calcinha, sentiu fome e saiu do quarto, rumo à cozinha, no caminho para a sala percebeu alguém sentado ali. Era .
— O que você tá fazendo aqui? — ela perguntou colocando o cigarro na boca por alguns segundos.
— Esperando você acordar. Quando eu cheguei Leslie me avisou que estava dormindo e eu disse que esperaria — ele respondeu levantando-se e caminhando até ela.
— O que você quer? — ela perguntou o olhando.
— Isso é maconha? Você acabou de ter uma overdose... isso é insano — ele disse irritado com aquilo e ela olhou para baixo. — Você não se importa, não é?
— Quando eu comecei a passar mal o último pensamento que eu tive foi de que poderia estar morrendo e eu estava ok com isso, quando acordei e percebi que não estava morta foi frustrante — ela contou.
— Você tá uma bagunça — ele disse frustrado.
— Eu sempre fui uma bagunça — ela deu de ombros.
— Isso é uma palhaçada, , olha o que você tem feito da sua vida, você quase morreu a quatro dias atrás, você tava namorando um traficante e fazendo balada com outro... Olha o buraco que você tá se metendo.
— É a minha vida — ela o olhou. — Eu não me importo mesmo, eu to cansada, eu to cansada de você, dos meus pais, das coisas que eu passei por nada, porque eu confiei em você. Você não sabe nada mais sobre mim, eu duvido que um dia soube.
— Acorda, , muitas pessoas têm vidas muito piores que a sua. Eu sei que eu errei e foi por isso que eu vim aqui, mas não me culpa pelas merdas que você anda fazendo com a sua vida porque isso não é minha culpa ou dos seus pais ou do , você tá se matando em pena de você mesma... Você ta sendo só uma mimada, agindo como uma idiota e culpando os outros por atitudes que são suas. Se você precisa ficar chapada pra conseguir se sentir melhor, você só é fraca. Fraca, é isso que você é, uma mimada dramática e agora drogada — ele disse seco e irritado, com um tom de voz que ela nunca tinha ouvido sair da boca do rapaz antes. Ela não hesitou ao ouvir aquelas palavras e estalou um tapa no rosto do garoto, que o virou e colocou a mão aonde o tapa pegou.
— Sai daqui, sai da minha casa — ela disse apontando para a porta, estava magoada com as palavras dele. se arrependeu do que disse no momento que viu o quanto a tinha magoado, só sentia raiva pelo desprezo com que ela estava demonstrando.
... — ele disse arrependido. — Eu não queria...
— Sai, — ela disse sentindo uma lágrima cair de seu rosto.
— Não... Chega, eu não vou embora — ele disse firme, a olhando. — Me desculpa, eu não deveria ter dito aquilo, eu não deveria ter sumido, eu não deveria ter dito coisas e não cumpri-las — segurou o rosto dela entre as duas mãos a fazendo olhar para ele.
— Eu não consigo te desculpar — ela disse com a voz fraca.
— Tudo bem... eu entendo, eu mereço — disse a olhando. — Mas chega, chega de briga, chega de fazer besteira, sua vida é muito importante para mim.
— Eu não confio mais em você, eu não amo mais você, tudo o que eu sentia virou sentimentos ruins que eu tento calar todos os dias, você não entenderia.
— Eu sinto muito, eu juro que sinto muito — ele disse com os olhos mareados encostando a testa na dela.
— Vai embora, por favor, vai embora — ela disse com a voz embargada, se esquivando para se afastar. O olhou por alguns segundos e virou as costas voltando pro seu quarto, sentou-se encostada na porta tentando controlar a respiração e a pressão que sentia sobre seu tórax, era como ser esmagada sem nada em cima de você.

Capítulo 25

Oh tear ducts and rust
I'll fix it for us
We're collecting dust
But our love's enough
You're holding it in
You're pouring a drink
No nothing is as bad as it seems
We'll come clean
Just give me a reason
Just a little bit's enough
Just a second we're not broken just bent
And we can learn to love again

arrumou os materiais que havia usado na aula e esperou que a maioria saísse, só então saiu da sala e andou pelo corredor para a saída. Viu sua limusine parada em frente à escola e junto a ela três pessoas: e eram fáceis de reconhecer, mas apenas quando fez um movimento para o lado que então reconheceu Marie.
Marie por sua vez viu a amiga vir em direção à saída da escola e apenas a reconheceu pela sua silhueta, apesar de extremamente magra, nada mais parecia com o que sua melhor amiga costumava ser, nem o cabelo, nem a pele, nem o olhar. Tudo estava diferente e, mesmo com os meninos, há praticamente meia hora discorrendo sobre tudo que havia acontecido, só naquele momento ela conseguiu visualizar a preocupação deles.
— Oh, meu deus, ... — Marie disse se aproximando da amiga rapidamente sem conseguir disfarçar a surpresa.
— Marie... Eu não... Meu deus, o que faz em Londres? — disse abraçando a amiga e tentando desviar a reação de Marie.
— Eu vim passar uns dias. Meu deus, ... Você tem feito aquelas dietas de novo? Você tá só osso — Marie disse olhando a amiga.
— Marie... — disse sem humor.
— Você continua linda — ela disse para recuperar o clima e sorriu de canto. — Vem aqui, tava me contando sobre o aniversário de alguém que vai ser em uma casa na praia e que eu deveria ir, alias, nós... — ela segurou no pulso de e a puxou para próximo da limusine e dos dois, assim que se aproximou dela apenas fecho a cara. — Conta, — ela o olhou.
— É o aniversário da Isis, você deve ter recebido o convite — ela não tinha. — Mas, de qualquer jeito, todo mundo já vai. É em Poole. A casa dela é perto da praia então...
— Amiga, vamos, eu preciso me distrair. Paris tem sido tão confusa — Marie disse fazendo uma cara de sofrimento.
— Podemos sair por aqui, meu amigo é dono da Private, nós podemos ir para lá.
— Mas é praia, ! Sol, mar, preciso disso... — Marie insistiu.
— Não vou, Marie... — disse categórica e a outra bufou.
— Me deem uma tarde que mudo a cabeça dela — Marie disse aos dois que ficavam parados.
— Não, Marie, eu realmente não vou, não me interessa estar junto deles — olhou para e . — Nem nada que venha de alguém dessa escola... Por falar nisso, eu to atrasada, então até mais — ela disse virando-se, abrindo a porta da limusine para entrar e então foi rapidamente embora deixando os três sem palavras.
— Droga, era minha carona e meu almoço — Marie fez um bico.
— E é assim que tem sido... — disse rolando os olhos.
— Vamos almoçar em casa, aproveitamos e conversamos — propôs e Marie e concordaram indo em direção à limusine dele. E novamente os dois discorreram sobre tudo o que aconteceu com detalhes, dessa vez, o que deixou Marie mais horrorizada ainda.
— Eu não acredito que tudo isso aconteceu — ela finalizou. — , você tem que conversar com ela, ela acredita em um monte de mentira e, sinceramente, eu acho que a única pessoa que pode a fazer sair desse inferno todo é você, porque ela ama você... Os pais dela não estão nem aí, ela não tem mais ninguém a não ser nós — Marie disse, o olhando.
— Eu não sei mais como falar com ela, Marie, o modo como ela tá agindo me deixa irritado, a última vez que nos falamos eu queria dizer a verdade pra ela, mas não consegui porque ela me irrita por não se importar.
— Ela se importa.
— Ela fica usando droga e agindo de uma maneira diferente, eu odeio ver ela assim.
— Nós odiamos — adicionou. — Na verdade, nós meio que concordamos que talvez fosse melhor que nós nos afastássemos porque parece que quanto mais perto dela, mais pioramos.
— Mas olha ao redor, , se vocês desistirem quem vai ficar do lado dela? A tia Scarlett nunca foi um bom exemplo de mãe, tio Paul, menos ainda... Além do mais, eles têm até preguiça de pensar demais em , por isso engolem qualquer coisa que ela fale — Marie olhou os amigos. — Você principalmente, , você sempre soube que ela gostava de você desde criança e quando ela seguiu em frente e arrumou um bom namorado, que fazia tudo que ela queria, você foi atrás dela e, sinceramente, você é o culpado de tudo isso. Se você a tivesse deixado ela quieta com , nada disso teria acontecido.
— Eu entendi o quanto gostava dela, por isso fui atrás, ela não era feliz com o .
— Ela era feliz com o , ela só não o amava — Marie rebateu.
— Eu estraguei as coisas, mas a Marie tem um ponto. Se você não tivesse envolvido ela, nós estaríamos razoavelmente bem — concordou.
— Eu não to arrependido de ter me envolvido com ela. Eu sempre a amei, continuo amando... Eu só não sei como lidar com ela agora.
— Ela não desistiu de você mesmo você sendo um babaca, de um jeito de outro ela sempre te perdoou — Marie rebateu novamente. — Nós precisamos lembrá-la de quem ela é.
— Antes que ela morra, o que ela não parece evitar pelo menos — disse desanimado, segurando a bochecha na mão.
— Então tirem ela disso — Marie disse olhando para os dois. — Você precisa entender ela e, ao invés de ficar puto, ter paciência. Escolhendo ou não você estava na vida boa enquanto ela estava na pior. A não é fraca pra ela estar agindo dessa forma... As coisas realmente a abalaram.
— Eu sei, mas foi tão difícil ver ela quase morrer na minha frente e dois dias depois estar se drogando de novo. Não é a .
— Exato, não é... — Marie deu de ombros. — Chega de drama, não é? Faça alguma coisa que não seja chorar — terminou e os dois ficaram calados, ela levantou-se então.
— Pra onde você vai?
— Eu disse que só precisava de uma tarde pra convencê-la, e é de uma tarde que eu preciso — Marie deu de ombros e os dois sorriram.
— O motorista te leva — respondeu.
— Ache um jeito de falar com ela, vocês precisam se acertar — Marie disse apontando para . — E eu vou convencer ela a ir para o aniversário... , você fica quieto porque você cagou tudo...
— Obrigado — disse rindo e Marie o abraçou.
— Ela vai perdoar você também, é uma boa pessoa, só é durona — ela deu de ombros e então se despediram. Marie havia deixado suas coisas todas no apartamento dela, então já tinha uma desculpa. Assim que Leslie abriu a porta, ela caminhou até o quarto de que estava com o som da TV ligada e entrou sem pedir.
— O que tá fazendo aqui, Marie? — perguntou enquanto apagava seu cigarro e Marie entrou no quarto da amiga.
— Bem, eu deixei minhas coisas aqui e depois eu vim para ficar com a minha melhor amiga e com ela eu vou ficar — Marie disse sentando na cama enquanto a outra se ajeitava, ela deu de ombros. — O que ta acontecendo, ?
“Eu só não me sinto bem em sair com e ...” respondeu calma.
— Não to falando deles, to falando de você — ela disse e engoliu seco, ficou uns segundos calada e depois fez um sinal negativo com a cabeça não sabendo o que responder. — Eu sei que você passou por boas nos últimos tempos e, sinceramente, eu não sei como você nunca pirou antes e é tudo bem pirar... Mas você precisa sempre voltar para os eixos, porque a vida é assim.
— Eu não consigo mais e eu nem quero mais.
— Você tem certeza que não quer ou só ta com medo? — Marie perguntou. — Das coisas saírem de controle de novo e você perder?
— Eu nunca tive nada, Marie, a verdade é essa... Eu sempre fui o que meus pais queriam, eu namorei quem eles queriam, eu deixei alguém pelo que os meus pais queriam... — ela lacrimejou. — E quando as coisas tomaram outros rumos eles ainda fizeram as escolhas por mim... Eu só voltei a ter as coisas quando eles decidiram — ela desabafou. — A única pessoa que eu achei que fosse ficar do meu lado sumiu e ainda me humilhou na frente da escola toda, e depois fugiu pra ninguém julgar ele, pra ele não passar pelo que eu passei.
— Isso não é verdade.
— Você não estava aqui — respondeu alto.
— Mas eu sei que isso não é verdade, nunca foi embora porque quis. Você precisa conversar com ele.
— De qual lado você tá?
— Do lado que vai te fazer bem, você tá acreditando em mentiras — Marie disse e bufou. — Eu não vou ter essa conversa com você, isso é entre você e .
— Não tem nada entre mim e ele.
— Não seja boba, vocês se amam desde sempre — Marie sorriu pra amiga. — Você precisa se lembrar de quem é, amiga, só isso, eu sei que não parece fácil, porque as coisas estavam muito ruins, mas não estão mais, passou... Deixa passar, você não é uma história triste. E você é brilhante — Marie abraçou a amiga. — Eu to aqui agora, você não tá mais só — a abraçou de volta e ela sentiu pela primeira vez em muito tempo vontade de começar tudo de novo. — Agora vamos tirar essa anoréxica do seu corpo com um delicioso lanche da Leslie e tirar essa inhaca de cachaça e cigarro, tudo de você com um bom banho — a loira sorriu para a amiga, que concordou.
Até o final da tarde, como ela havia dito, tinha feito concordar em ir a festa na praia.

— Marie, quando você diz que nunca foi embora porque quis, o que você quer dizer? — perguntou para Marie enquanto a loira dirigia seu carro rumo a Poole.
— Eu não quero falar com você sobre isso porque é ele quem precisa falar.
— Bem, eu não estou falando com … O que você quer dizer? — ela perguntou novamente.
— As coisas não aconteceram como você acha que aconteceu e, antes de odiar pelo resto da vida ou passar outra década sem se falarem de novo, você precisa ouvi-lo — Marie olhou a amiga por segundos e depois voltou a atenção para a estrada.
— Ele sempre te ganha fácil — reclamou.
— Vocês são meus amigos da vida toda, eu obviamente tenho que entender os dois e você não tem o direito de ficar chateada com isso.
— Só acho que você poderia me falar o que eu tanto não sei.
— Não quero estragar a reconciliação de vocês — Marie disse sorridente e rolou os olhos. — Só me promete que quando ele falar com você, você vai ouvir, você não vai fugir, ou dar piti… Gritar e dar uma de louca.
— Eu não faço mais tanta diferença pra , Marie, ele nem fala comigo quando me encontra.
— Você tá falando como uma adolescente.
— Eu sou uma adolescente.
— Então pare, adolescentes são chatas… Além do mais, ele salvou sua vida e isso o abalou muito.
— Bem, não foi minha intenção morrer.
— Você não parece inclinada a fazer sua vida durar também — Marie disse sincera e ficou calada.
— Tudo é tão exaustivo… — ela disse suspirando.
— Eu sei, mas vamos, esquece… Vamos nos divertir esse final de semana, o sol está lindo — Marie disse animada. — Além do mais a festa é temática de praia e advinha quem vão ser as duas sereias mais lindas da festa?
— Lá vem você com seu sereísmo.
— Venho mesmo, e você vai vir também porque mandei fazer tiraras de sereia para nós duas e comprei roupas lindas.
— Você nunca consegue ser básica — disse rindo.
— Nem você — ela deu de ombros continuando a dirigir.
Com a localização que enviou, Marie achou o lugar sem problemas e a escola toda parecia estar ali. A casa era grande e elas acharam um quarto para se trocarem. Marie havia escolhido biquínis furta-cor, a única diferença era que seu modelo era sem alça enquanto o de tinha uma alça fina; e ainda uma coroa de seria que Marie jurava estar na moda, mas que a outra usou de bom grado porque as achou lindas. Eram feita com pequenas conchas e em formas de estrela, além de perolas e de uma pequena corrente com cristais rosa que caía sob a testa dando um ar de coroa. Uma era rosa e a outra verde, a cor preferida de Marie. Ela ainda fez questão de maquiar a amiga e pentear seu cabelo. se sentia confortável em ter a amiga ao seu lado e, por mais que não achasse necessária a super produção, ficou feliz quando viu que praticamente todas as meninas tinham se incluído no tema da festa. Usou um vestido de pano fino branco por cima porque não tinha mais tanta certeza sobre seu corpo. Marie apenas colocou uma saia e estava linda.
— Acho que você deveria manter seu cabelo assim, castanho — Marie disse enquanto as duas andavam pela festa.
— Não tá sem graça?
— Não, nova fase, novo cabelo… Te deixa com o ar mais sério — a loira sorriu. — Olha, e estão ali, quer ir lá?
— Não, eu realmente não me sinto confortável perto deles.
— Você prometeu…
— Se ele vier falar comigo eu vou falar, mas não vou fazer a social… Depois, toda vez que eu me aproximo dele a escola toda para esperando uma satisfação. Não quero isso hoje, viemos nos divertir, não é? — argumentou. — Mas vai lá falar com eles, eu vou arrumar um lugar onde carregar meu celular.
— Depois me encontra pelo bar — Marie respondeu e apenas concordou, mas na verdade só queria um minuto longe da amiga para poder cheirar um pouco da droga que levava. Em sua cabeça era impossível passar por tudo aquilo sem algum conforto. Foi até o banheiro e inalou pequenas fileiras apenas o suficiente para não ficar sóbria. Esperou um pouco e depois saiu de lá, logo no caminho encontrou , ele a olhou e sorriu, feliz em vê-la.
— Você tá linda — foram as primeiras palavras dele e ela sorriu.
— Marie está aqui, ela arrumou tudo isso — apontou pro look.
— Acertou então — ele disse tomando um gole de sua cerveja. — Você tá bem? Achei que não viesse.
— Marie tem grande poder de persuasão sobre mim — ela fez uma careta escolhendo uma das cervejas pela mesa. — E sim, eu to bem…
— Eu sinto muito ter me afastado.
— Não, tudo bem… Eu entendo você e eu meio que tenho feito todo mundo se afastar, não é? — ela respondeu e ele ficou calado. — Eu vou encontrar Marie, nos esbarramos depois.
— Tudo bem… — ele concordou parecendo triste e apenas deu as costas seguindo o caminho. Encontrou Marie que já conversava com um grupo de meninas, mais próxima a praia, e ficou apenas ao lado dela sem se meter no assunto.
As pessoas passavam por ela e a olhavam e cochichavam. Não estava se divertindo e Marie, com o avanço da festa, conheceu um primo da aniversariante que já era da faculdade e então levou sua atenção toda a ele.
não achou aquilo ruim, apenas voltou ao banheiro e inalou algumas carreiras a mais e então saiu procurando alguma coisa para beber. Achou uma garrafa de vodka com mais da metade e a pegou, saiu andando pela festa e andou até a beira da praia. Começou a andar por ali, já era noite e onde estava só se ouvia o barulho ao longe, por outro lado o barulho das ondas era forte.
a observava de longe. Esperou por um momento que ela estivesse sozinha, mas observou a vodka em sua mão e, se tentasse conversar agora, apenas se irritaria por ela estar porre ou coisa assim. Pensou bem e, na verdade, não era a vodka que lhe incomodava, mas o fato de que estavam cada vez mais distantes. Ela parecia outra pessoa e ele não gostava de sentir que não a conhecia, entre muitas coisas na vida dele, era uma das que ele sabia que sempre conheceria. E quando já estava desistindo de ir falar com a garota, a viu ir em direção da água de maneira que ele achou imprudente. Sem pensar muito, correu em direção a ela e a segurou entre seus braços, a carregando de costas.
— Que porra é essa, me solta — gritou se debatendo enquanto a levava para areia. — Você tá ficando louco? — ela perguntou, o empurrando.
— Você tá bêbada e indo pra água — ele respondeu ofegante.
— Eu ia pegar uma estrela do mar — ela apontou na direção onde a estrela reluzia e pareceu sem jeito ao ver. — O que você achou? Que eu ia me matar? — ela perguntou e ele ficou calado. — Foi isso, não foi? Não é o suficiente me salvar uma vez? Vai ficar bancando o meu salvador pra sempre? — ela disse irritada e ele olhou para baixo.
— Eu exagerei... Eu só... Você me deixa confuso, — ele se justificou. — Eu não quero que nada mais aconteça com você.
— Você já fez acontecer o suficiente, não é? — ela respondeu e ele bufou. — Eu odeio você.
— Você tá bêbada.
— E daí? Eu odeio você de qualquer jeito — ela disse mais alto que o necessário. — Você é um playbozinho mimado, inconsequente — o empurrou e ele continuou a olhando. — Você é um idiota, só mais um idiota.
— O que mais? — ele perguntou apenas se segurando enquanto ela ainda o empurrava.
— Babaca, hipócrita... Ridículo — continuou.
— Você me trocou pelo meu melhor amigo.
— Eu nunca te troquei por ninguém — ela o empurrou com mais força.
— Você só ficou com ele por dinheiro — disse e pareceu indignada distribuindo tapas pelo seu braço.
— Eu odeio você — ela deu um tapa mais forte parecendo cansada.
— Se você quer brigar, tudo bem, eu posso passar a noite toda sendo seu saco de pancadas — ele disse e parou de bater, o olhando. ¬— Você tá com raiva de mim, você tá chateada pelo que passamos, você tá desapontada comigo e tudo bem! Pode descontar em mim, pode por a culpa toda em mim, eu não me importo — ele concluiu e o olhou sem saber o que fazer. — Eu to aqui e eu não vou embora, mesmo se você só quiser brigar, mesmo se você não me amar, mesmo que não quiser me amar mais. Não tem lugar em mim onde eu não te ame, então eu vou ficar — ela o olhou ainda sem reação e então se sentou na areia, cansada, se concentrava em não chorar. Ele sentou-se ao lado dela, ficaram calados por muito tempo.
— Porque tudo isso agora se quando você deveria ter ficado você se foi? — ela cortou o silêncio com a voz embargada.
— Eu nunca tive a intenção de te deixar, meu pai já tinha marcado a ida para a Escócia. Eu nunca cheguei a te falar porque eu não queria ir e ia fazer de tudo para não ir... Mas nós terminamos e eu resolvi ir antes.
— Não sem antes espalhar as fotos da festa pra escola toda.
— Eu não fiz isso, , quem fez isso foi a Lizz, pergunta pro , ele viu que ela tinha as fotos também, eu nunca faria isso com você — ele contestou e ela o olhou, parte dela sentia que aquilo podia ser verdade.
— Mesmo assim você desistiu muito fácil — ela respondeu e ele baixou a cabeça, concordando.
— Eu não deveria ter ido pra Escócia logo que terminamos, eu não deveria ter aceitado você terminar comigo... Mas é uma pessoa bem melhor do que eu, eu já fiz você sofrer e não acho que seja muito estúpido que você escolhesse ele. Eu fiquei chateado e frustrado. Eu sempre tive quem eu quis, mas eu só queria você... E você quis outro — ele tentou se justificar. — Eu nunca soube de nada do que você estava passando. Nossos pais entraram em uma espécie de acordo para nos manter afastados, eu nunca dei ordem para evitar você. Eu juro que se eu tivesse alguma pista sobre o que você estava passando eu voltava como eu voltei assim que eu soube que você não estava mais com o . Eu voltei.
— Se tudo isso é verdade porque você não veio me dizer isso logo que chegou?
— Eu não fazia ideia do quanto as coisas soaram erradas pra você, do quanto eu ir embora prejudicou você, de como isso pareceu pra você. Eu não deixaria você passar sozinha por nada — disse sincero. — E depois, , você tem agido de uma maneira muito complicada, eu não sei como falar com você mais, eu não sei como entender você. Eu não consigo entender um mundo onde você esteja tudo bem em morrer, isso é absurdo, você tem noção do quanto? Você tem a vida inteira pela frente e você tá acabando com ela por causa de umas gramas e uma garrafa de álcool.
— Você não pode falar de mim.
— Foda-se, eu nunca vou querer que você faça o que eu faço, você é melhor do que eu em tantos jeitos... — ele disse e ela ficou quieta. — Eu, , , Marie... Nós nos importamos.
— Eu só queria que você tivesse estado lá — ela disse depois de mais uns segundos se silêncio.
— Eu nunca vou poder me perdoar por não ter estado — respondeu e, novamente, ficaram em silêncio, que durou por muito tempo. Só o que ouviam era o som da festa ao longe e o do mar. Em certa altura deitou-se na areia com o peito para cima olhando as estrelas e deitou ao seu lado em seguida, calada. — Desculpa por não ter te deixado pegar sua estrela do mar.
— Tudo bem — respondeu e houve mais silêncio. — Obrigada por ter salvado a minha vida.
— Eu não tinha escolha — ele respondeu simples. — Eu não saberia viver em um mundo sem .
— Ela só parece arruinar o mundo dos outros.
— Besteira, sempre fez o meu melhor — respondeu calmo.
— Pode ficar aqui o resto da noite? — ela perguntou o olhado e ele apenas concordou com a cabeça. encostou a cabeça no peito dele e ele a abraçou. Era uma noite de verão o que tornava a praia um lugar ameno, não demorou para que ele adormecesse, ela também o fez em seguida.
acordou com os raios de sol nos olhos e a água de uma onda molhar seus pés. Abriu os olhos que ardiam com aquela luz e uma pequena ressaca, e olhou para o lado ansioso, mas estava sozinho, não havia mais som de festa e sua cabeça doía.

Capítulo 26

Pensei no tempo e era tempo demais
E você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça
Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você

chegou mais cedo que o normal naquela segunda feira, Marie a fazia acordar super cedo para ficarem conversando. A loira realmente havia montado guarda na casa dela. Passou pelo pátio e conversava com outra menina que ela não sabia o nome, , e estavam mais a frente conversando.
Não havia falado com desde o sábado da festa na praia, mesmo que sua cabeça não parasse de pensar em cada segundo da conversa, no cheiro dele enquanto dormia, nele dizendo que a amava... Era tudo familiar e extremamente aterrorizante. Depois de tudo que passou com ele, não apenas nos últimos meses, mas durante toda a sua vida, parecia inútil insistir em algo que sempre ia por água a baixo. Ao mesmo tempo ouvir a versão de a fez sentir com menos peso, com menos raiva, precisou algumas conversas com Marie para finalmente admitir que talvez ele fosse uma vítima da situação tanto quanto ela, mas mesmo assim parte de seu orgulho não deixava que ela olhasse para trás.
E mesmo que percebesse a olhar esperançoso por uma reação dela, ela apenas passou direto para a sala, sentou-se em seu lugar, colocou o fone no ouvido e ligou o shuffle enquanto via a mensagem que Marie tinha acabado de mandar. Não notou o papel que colocaram em sua mesa logo, apenas segundos depois olhou do papel para o braço que ainda estava apoiado na mesa. Subiu o olho já reconhecendo o braço de e tirou os fones.
— Oi — ele disse.
— Oi — respondeu se ajeitando na mesa.
— Estamos quites... — ele disse então e ela o olhou não entendendo. — Foi bem dolorido acordar e você já ter ido.
— Eu... — ela tentou se justificar de alguma maneira, mas não sabia o que falar. — Eu queria voltar para casa — disse sem humor.
— Eu e os caras vamos tocar na quinta, é pra você e a Marie irem — ele apontou para o papel.
— Montaram uma banda? — ela perguntou, mais pelo impulso da curiosidade.
— Não de verdade, James tá na cidade e ele quem convidou. Então eu, e vamos. Gabi vai estar lá também — ele explicou e ela olhou do papel pra ele e fez um gesto concordando com a cabeça breve. — Certo... — ele disse e então voltou a encarar o celular acreditando que ele se afastaria, mas mordeu o lábio e, mesmo que quisesse se afastar, não o fez. — Você pensou sobre o que conversamos?
— Não — ela respondeu seca. — A aula vai começar — disse percebendo o professor entrar e queria que saísse de perto antes que a maioria dos alunos entrasse na sala e o visse falando com ela. entendeu o recado e se distanciou.

— Você tem certeza que não vai? — Marie perguntou pela décima vez enquanto se olhava no espelho da amiga.
— Sim, absoluta, chega de momentos estranhos — respondeu.
— É estranho porque você faz ser estranho, a vida é muito simples, ... Você quer beijar ele, você beija ele.
— Eu não quero beijar ele — ela respondeu. — Eu não tenho certeza se quero beijar ele — disse sincera.
— Você ainda tá chateada com ?
— Eu acho que não, acho que entendi... — ela deu de ombros.
— Então o que? — Marie a olhou com as sobrancelhas arqueadas.
— A gente sempre estraga tudo...
— Não estraguem dessa vez, se esforcem para isso — ela disse como se fosse simples. — , eu nunca vi o agir assim, e você não precisa pensar muito pra saber disso. Você tinha motivos para estar chateada, mas agora você não tem mais, os riscos de ficar com o são os mesmos que você assumiu antes, com o beneficio que agora você é solteira — deu de ombros e apenas ficou calada. — Bem, tá vindo me buscar, você sabe onde me encontrar — ela foi até a cama e deu um beijo na cabeça da amiga. — E amanhã vamos fazer compras, já cansei dessas suas roupas de sempre.
— Tchau, Marie — ela disse rindo vendo a amiga sair. Se ajeitou na cama deitando a cabeça sobre o travesseiro e, apesar de manter os olhos fixos no programa de decoração da Discovery Home and Health, sua cabeça estava longe, não sabia se deveria simplesmente agir como se nada tivesse acontecido com , afinal ele não era de todo o culpado. Ele deveria ter insistido mais, mas ela também não saberia qual seria sua reação se terminasse, ela provavelmente iria sumir ou fazer exatamente o que andava fazendo. Um lado fortemente queria por uma roupa e ir vê-lo, sentia que deveria fazer isso. Hesitou por um tempo, mas deveria ir, precisava saber se ele realmente queria dizer tudo o que disse.
Saiu da cama, tomou um banho, colocou suas “roupas de sempre”, pegou as chaves do carro e saiu do apartamento. Com sorte estava sóbria, sabia que precisaria estar sóbria. Parou o carro próximo a onde eles iam tocar, era um pub no centro da cidade, engoliu seco antes de entrar e passou pelas pessoas ali procurando alguém conhecido.
— ela ouviu uma voz aguda. — Eu não acredito que você veio — e viu Gabriela a sua frente sorridente, passou por mais algumas pessoas e a garota lhe esperava com os braços abertos.
— Que bom te ver, Gabi — disse abraçando a menina.
— Eu deveria ter apostado sobre você vir — Marie disse sorridente segurando um copo de cerveja.
— Marie estava me contando tudo, disse que vocês são melhores amigas e, quando eu disse que sabia de vocês, ela me atualizou — Gabi denunciou e sorriu fraco. — perguntou por você umas cinquentas vezes e precisou de uns shots a mais quando soube que você não vinha.
— Eles já foram se arrumar para o show, mas ele vai ficar muito feliz quando te ver — Marie disse. — Vai, pega uma cerveja — Marie pegou do balde em cima da mesa e deu a que apenas abriu e bebericou.
— Você vai ficar quanto tempo aqui, Gabi?
— Algumas semanas, estou de férias e James vai gravar o CD — ela disse empolgada.
— Que legal, mas cadê o resto da banda dele?
— Chegam amanhã. Precisamos sair todos — Gabi bebericou a cerveja.
— Deveríamos sair nós três — Marie disse com os olhos brilhando.
— Você podia ir lá para o meu apartamento, estamos eu e a Marie só — disse feliz e Gabi concordou a tempo de ouvirem um acorde de guitarra. Todos prestarem atenção no pequeno palco que agora estava iluminado mostrando os quatro.
estava distraído com seu instrumento quando puxaram a primeira música, She Loves You. Ele sentia falta de tocar, estava entre as coisas que mais gostava no mundo, e aquele show parecia vir na hora certa. Entre um refrão e outro ele levantou a cabeça para olhar a mesa onde as amigas estavam e seu olhar foi direto nela, se desconcentrou a ponto de errar o compasso da música, o que fez o olhar feio, ele sorriu para ela de longe e voltou a recuperar o tempo. Ela ter ido significava muito pra ele.
As pessoas ao redor pareciam gostar do show e as três também se divertiam fazendo pequenos passos com as músicas que tocavam. olhava o tempo todo, ele estava se divertindo, parecia feliz e todos eles precisavam de uma diversão assim.
— Então, obrigado por não nos jogarem tomates — disse brincalhão. — Essa musica é do e ele vai cantar — apontou para o amigo e tiveram pequenos assovios. — A razão da música está aqui nesse pub e acho que ela deveria saber que é pra ela — ele disse e pareceu sem jeito. — Nós ainda estamos trabalhando nela, mas espero que gostem — (Nota: eu altamente recomendo ouvirem The Way You Make Me Feel- McFly enquanto leem) fez um sinal, para os outros e então houveram acordes baixos de guitarra acústica introduzindo a música e iniciou cantando.

I think yesterday
And all the times I spent being lonely
I watched the young be young
While all the singers sung
About the way I felt
The days are here again
When all the lights go down,
What do they show me?
The rules are all the same
It's just a different game
To tell you how I feel
Although it seems so rare
I was always there

— É sua música, — Gabi disse animada e a garota sorriu sem reação.
— Essa é a coisa mais romântica que eu vi em séculos e eu nunca achei que fosse dizer isso sobre algo vindo de — Marie disse concordando. passou a mão no cabelo esperando alguma vontade que não fosse a de estar com ele e de admitir para si mesma o quando lhe fazia falta.
Que o pior desse tempo todo não foi o que os pais lhe fizeram passar, mas passar tudo isso sem , acreditar que a pessoa em quem ela mais depositava suas esperanças lhe decepcionara era muito pior do que qualquer outra coisa. Agora que ela sabia que não havia sido assim, era como se seu peito estivesse sem uma tonelada do peso que antes sentia. Era libertador.

Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
Oooh, oooh I can't stop digging the way
Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel

I took a little time
Scripting all the things that I tell you
I'll send them through the mail
And if all goes well
it'd be a day or two
I spent some extra nights
Trying to forget the things that I've shown you
By now the smoke is cleared

And all along I feared
It would turn out this way
Though it might be wrong
My light is always on

e faziam uma espécie de back vocal enquanto cantava.
olhou para e ele estava sem graça, realmente não era algo que fazia, não essas declarações, não esse tipo de coisa, de música, de sentimento. Ela sorriu no último refrão de volta, seus olhos já estavam mareados e ela queria que ele estivesse mais próximo naquele momento.
E como se ele tivesse lido os pensamentos dela, ele largou seu instrumento e o microfone e deu um pequeno pulo do palco indo em direção a ela. ficou sem reação ao vê-lo se aproximar e então deu um passo a diante.
assumiu o microfone assim que deixou o palco.

Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
Oooh, oooh I can't stop digging the way
Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel

Look at us now
Ask me how did this get so
I'll tell you how
I drag my shoes on the ground
But I'm taking 'em off (taking 'em off)
And I'm ready to walk, yeah

Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
Oooh, oooh I can't stop digging the way
Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel, yeah
I can't stop digging the way you make me feel

a abraçou assim que se aproximou e ela o abraçou em resposta com o máximo de força que tinha e com o máximo de vontade guardada. Lembrou-se do quando sentia falta e escondeu o rosto no peito dele tentando não chorar e ao mesmo tempo sentir o cheiro dele próximo a ela novamente. espalhou beijos pela sua cabeça e depois em seu ombro.
— Nós vamos ficar bem — ele disse no ouvido dela e ela concordou com cabeça. — É bom te ter de volta — deu um pequeno beijo na testa dela. — Eu preciso tocar — ele riu e ela o olhou sorrindo e fazendo um gesto concordante com a cabeça.
— Vai — disse fraca e ele se afastou dela. As pessoas encaravam eles com feições sorridentes, achando a cena bonita e então andou até o palco novamente e voltou a tocar, finalizando a música. Os aplausos e os assovios foram ensurdecedores nesse momento, empolgados com a declaração ao vivo.
sorriu para , que sorriu de volta, era importante que tivesse dado o incentivo, significava que as coisas realmente estavam sendo superadas. O sorriso de era em agradecimento, porque ele provavelmente nunca teria coragem de dizer que escreveu a musica para alguém e já havia escrito infinitas, principalmente para .
O show continuou por mais algum tempo, até que eles finalmente se despedissem, guardassem os instrumentos e por fim voltassem à mesa.
— Onde eu me inscrevo no fã clube? — Marie perguntou assim que os viu.
— Brevemente vamos abrir as vagas de groupie — disse piscando e pegando uma cerveja.
— Gostaram? — perguntou vendo as três concordarem. — Estávamos meio enferrujados.
— Nada, estavam ótimos — Gabi sorriu e finalmente se aproximou. — Olha o nosso Shakespeare — ela bateu palmas e riu sem graça, olhou de Gabi para que sorriu.
— Eu não sou tão cafajeste quanto pensavam, não é mesmo? — ele perguntou.
— Você é exatamente tão cafajeste quanto pensávamos. Você só não está cafajeste — Marie corrigiu.
— Foi uma ótima música, , vocês deveriam gravar, ou pelo menos me deixarem gravar — James disse abraçando Gabi por trás.
— Quem sabe... — deu de ombros.
— A culpa disso é toda sua, James, você quem resolveu arrumar outros parceiros de banda — reclamou e James riu.
— Vocês estavam muito ocupados sendo ricos — ele deu de ombros. — Um amigo meu chegou, vou procurar e trazer ele aqui — James anunciou depois de dar uma olhadela no celular, se distanciando.
— Mas você toca, não é, ? — Marie perguntou ao garoto, que concordou.
— Sim, às vezes fazemos shows aqui e em outro pub perto, mas tocamos punk — ele explicou e os dois pareciam bem interessados um no outro.
— Vou pegar mais cervejas — anunciou vendo que elas tinham acabado e se afastou do grupo indo até o bar, veio logo atrás, ela sabia que ele viria. E se apoiou no bar ao lado dela.
— Estamos bem, não estamos? — ele perguntou e ela o olhou.
— Vamos ficar — respondeu e ele sorriu. Era o que ele precisava. Ela pediu mais um balde de cerveja e a acompanhou até o grupo, que agora tinha um novo membro, que para a surpresa deles era . — ?!
— Londres é minúscula mesmo — James disse. —Não acredito que conhecem o — ele disse e estava notavelmente sem graça. fez um sinal com a cabeça e deixou as cervejas na mesa. — Bem, se querem um guitarrista, esse é o melhor — James continuou.
— Eu não sabia que você tocava — o olhou.
— Ele tem um estúdio na casa dele — olhou para , explicando. — Ele toca muito bem.
— Não exagera, disse sorrindo.
— Você estuda na escola deles? — Marie perguntou.
— Estudo, eu sou da sala deles — respondeu solícito, mas ainda com um sorriso amarelo.
— Aaaaah, você é O — Marie abriu a boca entendendo tudo.
— Como assim O ? — Gabi perguntou e um silêncio constrangedor se fez.
— Ele é meu ex-namorado, até algumas semanas atrás nos estávamos morando juntos. Eles não se gostam, então é isso... — respondeu completamente desconfortável, só agora percebeu que estava em uma roda com dois ex, e o cara de quem gostava e com quem traiu um deles. E onde um era odiado pelos outros.
— Ai amiga, sua história parece novela mexicana. E, por falar nisso, vamos pedir tequila em comemoração a sua própria tragédia grega — Gabi disse fazendo um sinal frenético para o garçom, os outros riram.
— Eu concordo, não tem nada melhor que resolver as coisas na mesa do bar — Marie disse apoiando Gabi e agradeceu imensamente as duas ali.
— O que passou, passou, vamos seguir em frente, todos, ok? — disse e olhou , que sorriu para ele, um garçom trouxe as oito tequilas e cada um pegou a sua.
— Ao que recomeça e ao que passou — Marie suspendeu o copo, eles brindaram com ela e então viraram. Logo o clima passou e os cinco entraram em uma conversa animada sobre música enquanto as três faziam planos para o final de semana. Só saíram do bar quando já estavam praticamente sendo expulsos.
— Você e ... — perguntou baixo quando estavam saindo do pub e ela negou, foram os primeiros a chegar a rua.
— Não ainda — ela respondeu e ele concordou com a cabeça, parecendo desapontado.
— Era questão de tempo, ele já te contou tudo? — perguntou e ela concordou. — A Lizz mereceu o celular na cabeça — ele riu.
— Sim, mal posso esperar para jogar o próximo — ela disse rindo. — Podemos ser amigos, não podemos?
— Sempre — ele sorriu dando um beijo na cabeça dela. estava saindo do pub quando viu os dois e limpou a garganta para se anunciar.
— Eu acho que a Marie e o já foram embora — disse parecendo confuso. Eles não pareciam um bom casal, deu de ombros.
— Sim, ela pegou meu carro. Cadê os outros? — perguntou e logo , James e Gabi saíram do pub.
— Eu vou indo — anunciou. — Até mais — ele fez um sinal com a mão e voltou a beijar o topo da cabeça de . — Nos vemos — ele disse e ela concordou.
— Eu levo eles dois — disse a e , que apenas concordaram. Então todos se despediram até sobrar apenas e , caminharam ate o carro dele em silêncio.
— O que você tava falando com o ? — perguntou e deu de ombros.
— Podemos passar em algum lugar pra comer? — ela perguntou e ele concordou insatisfeito com a falta de resposta dela. Acharam uma McDonald’s aberto e desistiram de parar assim que viram a quantidade de pessoas dentro, mas passaram pelo drive thru, fizeram seus pedidos e parou o carro mais a frente onde havia uma praça. saiu do carro com o lanche e foi ate o banco da Praça, e apenas fez o mesmo.
— Não tá frio demais para comermos aqui fora? — ele perguntou e ela negou com a cabeça, já se sentando no encosto do banco e novamente a imitou.
perguntou se tínhamos voltado — ela disse colocando uma batata frita na boca.
— E porque isso interessaria a ele?
— Não seja arrogante — ela respondeu. — Eu disse que não... Ainda.
— Mas vamos — ele disse certo.
— Não acho que vamos ser só amigos alguma vez na nossa vida — ela disse dando de ombros. — Mas as coisas precisam ser diferentes agora.
— Já são... — ele completou. — E sinceramente eu acho que isso vale mais para você... Eu não vou aguentar, e quando digo aguentar eu digo que eu vou enlouquecer, literalmente se eu te ver morrendo, ou fazendo coisas que te fazem mal.
— Eu sei.
— Eu não sou santo, você sabe disso... Mas não dá, , não é só curtição, você exagera, você quase morreu.
— Eu sei — ela disse baixo novamente.
— Sem mentiras, sem omissões, sem seus pais ou os meus se metendo na nossa vida. Nós vamos tomar nossas decisões e vamos ser claros um com o outro sobre elas — ele disse e concordou. — E nós nunca, nunca mais vamos ficar separados tanto tempo quanto agora — ele disse e ela o olhou, concordando.
— Isso — ela disse sorrindo, ele deixou seu lanche de lado e foi para sua frente. — Eu amo você — respondeu e ele juntou as testas.
— Fala de novo — ele disse a olhando.
— Eu amo você — repetiu sem jeito.
— Continua, eu achei que eu nunca mais fosse ouvir isso de novo — ele respondeu fechando os olhos.
— Eu amo você — disse mais uma vez e então encostou o lábio no dele.

Capítulo 27

Knowing I'd lie for you
Thinking I'd die for you
Jodeci cry for you
Do things when you want me to
Like controlla, controlla

— Acorda, amor — ouviu a voz de em seu ouvido e escondeu o rosto no travesseiro. — Vai, acorda, tem aula — ele disse mexendo nela.
— Não — ela disse preguiçosa e abriu um dos olhos. sorriu e encostou o seu lábio no dela.
— Vai. — Ele saiu da cama depois de dizer isso e foi em direção ao banheiro. Só então sentou-se na cama. voltou do banho e ela entrou em seguida.
... Você se importa de não irmos juntos?
— Como assim?
— De não chegarmos juntos...
— Por que não? — ele perguntou fazendo um gesto com a mão sem entender.
— Eu não quero fofocas, cochichos e julgamentos...
— Você quer namorar escondido? — Ele perguntou, não vendo sentido algum naquilo.
— Não pra sempre, só por um tempo... Eu não quero nosso nome na boca de todos — ela sentou-se na cama tentando se explicar.
— Você nunca ligou pra isso...
— Você não foi julgado como eu fui — ela disse na defensiva e ele cruzou os braços na altura do tórax.
— Isso não faz sentido, ... — respondeu. — Foi por isso que você pediu pra ficarmos aqui e não na minha casa pelo final de semana, não foi? Você não quer que ninguém saiba — ele disse entendendo tudo.
— Eu não estou pronta pra lidar com todos eles ainda, nossos pais decidiram separar a gente, seus pais devem estar com uma visão péssima de mim... Eu não vou me sentir confortável em simplesmente aparecer na sua casa, eles vão tentar separar a gente de novo e, lá na escola, eu traí com você. Você foi embora e eu namorei o e agora estou namorando você de novo. Eles vão cair em cima de mim.
— Eu não vejo onde você deveria se importar... Isso é retrocesso — ele bufou a olhando e ela virou os olhos para baixo. — Mas tudo bem... Por um tempo, enquanto você decide como lidar com isso — ele concordou e sorriu.
— Certo, eu vou resolver essas coisas.
— Eu vou falar com os meus pais e depois com os seus pais.
— Eu me resolvo com os meus pais.
— Não, eu já deveria ter feito isso há muito tempo... E eu preferia quando você não se importava com o que a escola falava — ele disse parecendo desapontado.
—Eu só não quero ser julgada... E depois só temos mais uma semana de aulas e aí tudo se resolve — ela disse e ele fez um sinal positivo com a cabeça indo até e.
— Eu vou pegar um táxi, venho direto pra cá depois então — ele disse dando um beijo na cabeça dela, que concordou. — Fique onde eu possa te ver no intervalo, pelo menos.
— Tá bem — ela riu e então saiu do quarto.
Como combinaram, passaram o dia longe. ainda ficou sozinha no intervalo apenas sentada em um dos bancos, ela e apenas trocavam olhares.
— Eu preciso de mais meia hora da atenção de vocês — a diretora da escola entrou na sala um pouco antes do fim das aulas do dia e, mesmo sobre protesto, todos acabaram ficando calados para ouvir. — Esse é o ano de formatura de vocês e há essa altura vocês já deveriam ter uma comissão, o que eu não vi acontecer. Então antes que fique tarde demais eu tomei a liberdade de vir aqui provocá-los a escolher um presidente de comissão, e esse ficará encarregado de formar o resto da comissão e organizar os detalhes da festa. Então, alguém se candidata? — a diretora olhou por cima dos óculos e houve apenas um grande silêncio.
— Eu me indico — Alessa, uma garota sem muito que falar, levantou a mão.
— Eu me indico então também — Lizz disse em seguida com uma pose metida. rolou os olhos, ainda não sabia como lidar com ela depois de saber a verdade. Então levantou o braço.
— Eu indico a — ele olhou para a garota no canto da sala que apenas o olhou, recriminando.
— Eu... — ensaiou negar, mas Lizz foi mais rápida.
— Não poderia ser pior escolha, todos sabemos que a senhorita está passando por momentos difíceis... — ela disse.
— Eu concordo que seja indicada, ela tem experiência. As festas da família dela sempre foram as melhores e ela tem bom gosto, coisa que a Lizz nunca teve — disse dando de ombros.
— Além de ser antiga na escola, então ela conhece as tradições e os alunos o suficiente pra montar uma comissão — a defendeu novamente, a essa altura já estavam achando estranho que os dois saíssem em defesa dela.
— Bem eu acho que diante das três indicações, é plausível uma votação... Então, quem é a favor da Srta. Alessa como presidente, levante a mão — a diretora esperou um tempo afim de ver os três votos que Alessa teve e em seguida voltou. — Quem vota na senhorita Lizz, levante a mão — e cinco alunos levantaram a mão, dos quais 3 eram as amigas com quem Lizz vivia agora. — Quem vota da Srta. ? — perguntou por último e para a surpresa de , a maioria esmagadora da sala votou nela e a diretora nem se deu ao trabalho de contar. — Acho que temos claramente uma vencedora. , você aceita?
— Bem, aceito... — ela disse sem graça, sem saber se conseguiria cumprir o trabalho.
— Ótimo, passe na minha sala amanhã pelo intervalo — a diretora disse e então sorriu saindo da sala, logo foram todos dispensados.
— Eu não acredito que você fez isso comigo — ela disse assim que chegou em casa e viu jogado em seu sofá, ele a olhou com uma cara marota.
— Eu disse que não ia ser seu namorado na frente dos outros e não que eu ia voltar a fingir que te odiava — ele deu de ombros.
, eu não quero estar no centro de nada.
— Agora já aceitou... E, se você não percebeu, as pessoas que escolheram.
— Porque eram duas mongóis como outra opção — ela disse parando em frente a ele e a puxou para o seu colo.
— Exatamente. Perto de você qualquer um vai ser mongol, esse é exatamente o tipo de tarefa que é a sua cara... — ele disse passando a mão na coxa dela.
— Eu acho que vou desistir, não é pra mim.
— Você tem que parar de fugir das situações — ele respondeu e bufou. — Você vai ser ótima — ele a suspendeu e a virou de maneira que ele a deitou no sofá e ficou por cima dela. — Ninguém é mandona, exigente e estúpida como você para o cargo — ela riu rolando os olhos e finalmente aceitando o beijo dele em seus lábios.

estava sentada com um copo de iogurte com frutas em um dos bancos da escola. Era intervalo e, por insistir em esconder seu relacionamento, ficava sozinha sempre por perto de . Assim eles trocavam olhares de vez em quando. ficava com e , ficava com outras pessoas. Pelo terceiro dia um grupo de garotas se aproximou dos três, apenas acompanhava com o olhar. Desde o início até o final do intervalo elas ficavam lá de risinhos, no dia anterior tinha certeza que viu uma dar um beijo em , e não gostava de nada de saber as intenções delas. Era injusto que, mesmo depois de voltarem, tivesse que ficar vendo o quanto ele ainda fazia sucesso com as mulheres, realmente esconder o que tinham já estava enchendo sua paciência. Foi quando Diana, uma loira, com pescoço de girafa (como a via) apoiou seu braço no ombro de e ele não fez nada, continuou conversando com ela normalmente. tentou lançar vários olhares mortais na esperança dele olhar pra ela e sair de perto da loira, mas ele parecia bem entretido.
Ela rolou os olhos e se levantou em direção ao grupo, parou em frente a com os braços cruzados, os meninos a olharam confusos enquanto as garotas a olharam com certo desprezo.
— O que você quer? — a loira apoiada em disse.
— Estou esperando você tirar a pata do meu namorado — ela disse irritada e então se afastou dela.
— Seu namorado? Você já está exagerando na droga, — a loira disse e ela respirou fundo ao ouvir isso.
— É, você tem razão — disse sorrindo. Ela pegou o iogurte em sua mão e virou no decote exageradamente a amostra da garota. — Ops, faz parte do efeito da droga, confundi você com o lixo — ela disse. , e prenderam o riso. Ao redor deles as pessoas também observavam dando risadas. A garota loira parecia estar a beira de um AVC.
— Meu sutiã é Victoria Secret’s, sua vadia.
— Ótimo, pelo menos o prejuízo não é grande. Aproveita e compra um sutiã de marca descente — disse séria.
— Gina, você deveria ir — disse e ela olhou confusa pra ele e depois para . Deu as costas ofendida, as amigas foram logo atrás.
— E lá se foi o encontro triplo — disse dando de ombros.
— Então voltaram mesmo? — apontou para e que permaneciam parados, o resto do pátio inteiro também esperava uma reação. olhou para com seu lendário olhar de indiferença e então ela deu as costas e começou a se afastar.
— Avisem Jesus que a vadia voltou — disse baixo e se apressou para alcançá-la, segurá-la e virá-la para si.
— Hey — ele a olhou rindo. — Uma entrada de mãos dadas pela escola já era o suficiente, mas você sabe como por alguém no lugar dela — ele disse, rolou os olhos por um segundo, mas esboçou um sorriso.
— Sorte sua de eu não ter jogado o iogurte na sua cara — ela respondeu e riu.
— Desculpa, eu dei corda pra ela, mas eu sabia que você não ia suportar por muito tempo — ele disse e rolou os olhos novamente.
— Você é meu — ela disse irritada, ele riu e encostou o lábio no dela.
— Sou — admitiu por fim.
Finalmente o pátio teve a satisfação que estavam esperando e podiam começar novas fofocas. Lizz viu tudo de longe, era ultrajante.
Assim que a aula acabou, foi a frente com alguns papéis e então imediatamente a sala fez silêncio. Ela limpou a garganta, incerta e insegura do que estava fazendo, e a turma parecia perceber isso. Suspirou e percebeu que aquela não era a hora para insegurança.
— Preciso falar sobre a formatura — ela disse em som audível a toda a sala.
— Fala, gostosa — Nick, um garoto esnobe, disse de uma das cadeiras de trás e ela rolou os olhos. o olhou com cara de poucos amigos.
— Cala a boca aí — disse e o olhou repreendendo.
— Eu falei com a diretora ontem e hoje eu vim falar de algumas ideias que eu tive. Primeiro sobre o tema, eu pensei em baile americano com tema de inverno já que vai ser em dezembro e também pensei em baile de máscaras veneziano, se alguém mais tiver alguma sugestão...
— Cabaret — Louise, uma menina que andava com Lizz, palpitou.
— Sério que você quer transformar a formatura em um bordel? — perguntou sem humor, e a turma deu alguns risinhos. — Mais opções... Úteis dessa vez. — Louise se encolheu no seu lugar depois disso.
— Cassino Royale, tipo James Bond — Mark, outro aluno, disse após levantar a mão e sorriu concordando.
— Mais alguma? — ela perguntou e todos ficaram em silêncio. — Certo então, levantem a mão para Cassino Royale — perguntou e contou as mãos levantadas. — 10 votos. Baile americano? — novamente levantaram a mão. — 24. Ok, e baile de máscaras? — e novamente eles levantaram as mãos. — 25. — ela acabou de contar e sorriu. — Temos um vencedor então. Baile de máscara... — disse satisfeita, anotando. — Certo, alguém se candidata a ser líder de pasta? Tenho decoração, música, buffet, bebidas e lugar — ela perguntou e imediatamente várias pessoas foram levantando a mão e indicando em qual grupo queriam participar da organização, até que levantou a mão.
— Eu quero a pasta de música — disse levantando a mão e a olhando, ela concordou com a cabeça. — E já tenho uma ideia.
— Então fale, por favor... — ela disse fazendo um gesto pra ele ir à frente, se levantou e se colocou a frente da turma.
— Eu, e o do segundo ano, achamos que seria legal uma banda nossa tocando, então nos estamos nos propondo a tocar... Você concordam? — ele perguntou olhando para a turma e depois para , que parecia ter gostado da ideia.
— Seria legal — ela respondeu concordando. — Mais alguém quer ajudar na parte de música? — levantou a mão, mas apenas anotou seu nome. Do fim da sala outra mão se suspendeu. — ...
— Eu tenho os equipamentos que vão precisar, tenho todos, então posso ajudar com isso e com DJ.
— Você podia tocar — disse animada e a olhou imediatamente recriminando a atitude e passou a mão no cabelo, sem jeito.
— Pronto, vai virar uma noite de ... — Lizz resmungou de seu lugar. — Qual vai ser o nome da banda? ’s Worshipers? — ela disse tentando ser irônica.
— Tá aí um bom nome, Lizz — disse sem humor e apenas rolou os olhos para Lizz.
— Acho que temos as férias de verão inteiras para novas ideias e, quando voltarmos, executamos — ela disse finalizando, logo os alunos voltaram a arrumar suas coisas. Era o penúltimo dia de aula antes das férias e pareciam mais ansiosos para sair que nunca.

— Como é que você diz pro tocar com a gente no meio da sala toda? — perguntou assim que jogou sua mochila na limusine de , que já estava lá dentro.
— É uma boa ideia... — ela respondeu. — Você e viviam dizendo que seria legal terem quatro — ela o olhou. — Que não gosta de ter que fazer base e solo e mais todo esse blá blá blá de músico que eu não entendo — ela se inclinou o olhando e ele olhava para a janela, irritado. — James mesmo disse que ele era um ótimo guitarrista.
— Não acha demais uma banda com seu namorado e seu ex, não? — ele perguntou. — Vai meter mais seu ex-traficante no meio?
— Ele não é só meu ex-traficante, , o é meu amigo e você vai ter que engolir isso se quiser ficar comigo, porque eu nunca vou deixar de ser amiga dele — ela disse irritada pelo modo como ele se referia a .
— Ele é mais importante por quê? Por que com ele você tinha as gramas que quisesse?
— Era ele que estava na porra do meu lado enquanto você estava comendo escocesas — ela disse mais alto que o normal. — Sem nem me conhecer ele me levou pra casa dele, ele pagou minha escola, ele cuidou de mim, ele me deu tudo que eu precisava, inclusive amor — ela disse tão áspera quanto.
— Vai ficar esfregando isso na minha cara pra sempre?
— Sim, enquanto você não perceber que eu não posso, nem por um segundo, não ser grata a ele, ele só me ajudou... — ela disse com uma voz mais nivelada. — É só uma bosta de uma banda, — ela disse.
— Ele não é qualquer bosta de ex-namorado, — ele disse sério.
— Você não odeia o , você odeia você mesmo por não ter feito o que ele fez. Supera... — ela respondeu enquanto o carro parava em um dos sinais fechados. bufou irritado e abriu a porta do carro, segurando a mochila. — Pra onde você vai?
— Casa — ele respondeu e ela ficou atônita sem entender porque ele estava fazendo aquilo. apenas tirou todo seu corpo do carro e bateu a porta.
Chegou em casa e sabia que precisava dar um tempo a , ele ia ver que exagerou. Acabou passando o resto da tarde sozinha, até que seu celular tocou anunciando uma chamada de .
— Você é insana — ele disse assim que ela atendeu.
— Ok, já me arrependi de ter proposto...
, eles me odeiam — disse, para ele parecia estar sendo divertido. — E eu acho os dois babacas.
—Não tinha que ser assim.
, é complicado... — ele disse e ela concordou. — De qualquer jeito, o que você está fazendo?
— Nada, estava dormindo, estamos oficialmente de férias.
— Acha que consegue vir alguns dias aqui para casa? Uns amigos meus vão fazer churrasco e todas essas coisas agora pelas férias, você deveria vir.
— Acho que sim — ela deu de ombros.
— Então vou te avisando — ele respondeu e ela puxou outro assunto sobre formatura que os mantiveram conversando por muito tempo.
Passava das 23h quando ela viu a porta de seu quarto abrir e aparecer com embalagem de McDonald’s. Ela apenas sorriu e ele deixou a embalagem em seu pé na cama e ela abriu os braços. sorriu e subiu na cama até abraçar a namorada, fazendo-a deitar-se na cama. o olhou e encostou a boca na dele.
— Sexo de reconciliação? — ela perguntou e ele riu concordando e descendo os lábios pelo pescoço da namorada.
continuava por cima da quando pararam e ele dedilhou o seu corpo.
— Eu vou precisar do número do — ele disse sério e o olhou atenciosa, mas com um sorrisinho. — Eu estava com e , e eles acham que pode ser bom.
— E você?
— Eu perdi, são dois contra um — disse mal humorado e ela sorriu espalhando beijos pelo seu pescoço.
— Ele é bom...
— Só tem uma condição — ele a olhou e ela o encarou atenciosamente. — Você não vai ficar perto quando estivermos nós quatro, você não vai a ensaios, você não vai ficar falando com a gente, você vai ficar o mais longe possível.
— Porque isso?
— Porque foi como decidimos que ia ser melhor. — ele disse e olhou para baixo e concordou. Não era bom saber que a queriam longe, por tudo o que ela já tinha causado. saiu de cima do namorado e pegou o pacote do McDonald’s e sentou-se na cama em seguida. a abraçou por trás e lhe beijou o ombro. — Tudo bem?
— Tá — ela deu de ombros, não ia criar confusão já que eles decidiram.

Capítulo 28

Pressure, pushing down on me
Pressing down on you
No man ask for
Under pressure
That brings a building down
Splits a family in two
Puts people on streets

Apesar de nervosa, no sábado se arrumou do melhor jeito que pode. Comprou roupa nova, sapato novo, penteou o cabelo, não bebeu nada ou fumou. Inalou apenas o suficiente para acabar com a ansiedade e esperou a vir buscar.
segurava a mão dele quando entraram pela porta que dava acesso aos elevadores do prédio do garoto. Ela elevou o olhar e viu sua mãe esperando o elevador, que olhou para eles e imediatamente rolou os olhos.
— Como não adivinhei antes, não é mesmo? – Scarlet disse em um tom de voz entediado. Havia recebido o convite para o um chá em nome de Emma e aceitou ir de bom grado, agora que parecia claro o motivo do chá já não estava mais tão disposta.
— Nós vamos conversar lá em cima, ok? Meus pais também não sabem – se adiantou. – Paul vem?
— Não, Paul está na Itália – Scarlett respondeu sem vontade. – Francamente, , eu realmente não sei o que você está fazendo da sua vida.
—Mãe... — a filha tentou contestar, mas apertou sua mão, não queria iniciar a discussão antes do tempo. O elevador se abriu no andar dos pais dele e Chris e Emma estavam lá, além da vó de , Margareth.
viu quando Scarlett fez um gesto com o olhar, indicando os dois, para Emma, que respirou fundo já contrariada.
— Bem, eu acho que agora descobrimos o motivo do momento em família – Chris disse parecendo irritado, a avó de parecia tão irritada quanto.
— Por favor... – Emma fez um sinal à mesa para que se sentassem e foi o que fizeram.
— Eu e pedimos para que nós nos reuníssemos porque... Bem, nós estamos juntos novamente e nós não queremos que as mesmas coisas aconteçam dessa vez.
— Mesmas coisas do tipo vocês quase serem expulsos da escola por usarem drogas? – Emma disse, amarga. – Ou o risco de serem expostos na mídia, a vergonha que nos fariam passar...
— Nós dois mudamos – disse, categoricamente.
— Vocês não conseguem perceber que não fazem bem um para o outro? – Chris se pronunciou olhando para o casal. – , você passou um mês tão bem na Escócia, ia para as reuniões do partido, se mostrou maduro, você quer arruinar isso por uma mulher?
— Oh, por favor, Chris... Antes desse namoro estúpido minha filha nunca tinha se envolvido em nada ilícito, ela tinha um bom namorado, uma boa estrutura psicológica, uma boa relação comigo e com Paul. Eu não sei por quais caminhos seu filho levou a minha filha, mas sou muito segura em dizer que se alguém arruinou a vida de alguém, ele arruinou a dela.
— Sua filha quase morreu de overdose há um mês atrás, Scarlett... – Emma disse em defesa de . – E que fique bem claro que em todas as fotos da escola, parece drogada e ele não.
tem um histórico inteiro de escândalos, bebidas, drogas, mulheres... É bem claro quem já estava com a imagem arruinada.
— Chega! – disse um pouco mais alto do que o tom normal de sua voz. – Isso não é uma competição.
— Mãe, Emma, Chris e Margareth... — disse o nome de cada um deles e os olhou. – e eu cometemos muitos erros, um com o outro e com nós mesmos, tomamos decisões erradas... Mas vocês também tomaram decisões que não lhe diziam respeito e vocês pioraram a nossa situação.
— E nós não estamos aqui para pedir permissão, nós não precisamos da permissão de vocês. Até porque obviamente não teríamos. Nós estamos dispostos a fazer dar certo e nós não queremos que vocês se metam.
— Enquanto você morar em baixo do nosso teto e nós pagarmos as suas contas, nós tomamos as decisões por aqui e nos metemos sim – Chris disse parecendo a beira de um ataque de nervos.
Então a avó de limpou a garganta para mostrar que queria falar e todos a olharam imediatamente.
— Eu quero lembrar que ambos são de uma classe distinta e rara desse país. Se não tem apreço a tradição, deveriam ter. Porque foi ela que deu toda a mordomia que vocês têm hoje, então não ajam como se tivessem o direito de fazer o que bem quiserem de suas vidas porque vocês não têm – Margareth disse séria e confiante. – Você é parte de uma linhagem de sucessão, .
— Vovó, cinquenta pessoas não vão morrer para que eu pegue a coroa.
— Não é sobre a coroa, é sobre a responsabilidade que descende da sua família.
— Não estamos no século passado – ele rebateu mais uma vez.
— Talvez não, mas depende de nós manter as bases firmes nas quais a sociedade Inglesa foi montada. Vocês juntos certamente não tem muito a oferecer. Eu sinto muito, Scarlet, e sinto muito, , mas essa jovem nunca teve nada de destaque... Nunca se mostrou boa em nada a não ser em ser filha de pais ricos, o que certamente seria uma dádiva no século passado... Mas não é mais. Você tem um caminho, você tem habilidades musicais, habilidades políticas, habilidades empresárias que você não exerce por pura preguiça, e o que ela tem? O que vocês esperam construir juntos... O relacionamento dela com o senhor era baseado em interesse econômico, e isso é o que ela pode oferecer – Margareth finalizou e mesmo os pais de pareceram um pouco atordoados com o discurso dela. baixou a cabeça, atingida pelas palavras, e o outro levantou-se, afrontado.
— Vocês estão sendo injustos e não vamos ficar ouvindo isso – olhou para . – Vem, você não precisa disso... – ela levantou com o que ele falou e não olhou para nenhum dos outros componentes da mesa.
Scarlett se levantou em seguida, ofendida e lutando para se manter calma.
— Vocês viram a minha filha crescer e o quanto ela foi uma garota muito melhor do que o seu filho, com muito mais habilidades e decência do que ele. Vocês deveriam estar lutando para que ele fosse metade do que ela é – Scarlett virou as costas e saiu do apartamento junto do casal. O elevador estava parado no andar então apenas entraram. parecia atônita entre os dois, Scarlett segurou a mão da filha e, sem pensar, muito se aproximou e deitou a cabeça em seu ombro. A mãe a abraçou em resposta.
— Você não é nada do que eles disseram, você tá me ouvindo? – Scarlett disse no mesmo tom que costumava dar as broncas quando era criança. Era muito importante que a filha entendesse o que ela queria falar, que ouvisse sua voz ao invés da outra família.
... – tentou falar e Scarlett o olhou, fulminante.
— Você nunca deveria a ter exposto a isso, garoto – ela disse com seu tom mais frio quando o elevador chegou no andar de baixo. – Você vem embora comigo, .
— Não, ela vai ficar aqui, já tínhamos combinado... – disse enquanto andava, tentando alcançar as duas que andavam a frente.
— Não vou deixar a minha filha na sua casa depois de tudo.
— Você não pode tomar as decisões por ela, meus pais estão errados, mas você não foi exatamente a melhor mãe do mundo.
— Quem é você para me dizer que tipo de mãe eu sou? Você é um pirralho, insolente e irresponsável – respondeu sem paciência.
— Você tirou sua filha de casa, vendeu ela por uma vida confortável com disse alto.
— Chega! – disse entre eles e olhou para . – Eu vou com Scarlett, minha cabeça tá explodindo e vou dormir.
... — disse tentando contestar, mas sem muitos argumentos.
— Depois falamos – respondeu e virou para acompanhar sua mãe até o carro.
não pensou muito antes de pegar o que tinha de pó e espalhar em cima do caderno, ela queria silenciar sua cabeça com a voz de Margareth lhe dizendo o quanto ela era inútil. Queria acreditar em sua mãe, que ela não era como eles falaram, mas sua cabeça só tendia a dar razão para eles. As coisas deveriam melhorar agora, mas ela não se sentia feliz. Mesmo alta, ela não parou de se drogar até que sentisse que não tinha mais forças e acabou dormindo.

Na primeira batida sem resposta, bufou. Ela deveria estar dormindo, insistiu tentando abrir a maçaneta e nada.
– ele chamou em um tom alto e não houve resposta. – — voltou a chamar com um tom mais alto ainda, mas não obteve resposta.
Alguma coisa em seu coração dizia que aquilo não estava certo, ele deu socos na porta ainda na tentativa de chamar atenção.
– ele gritou e sua cabeça foi invadida pelas imagens na boate, dela na cama do hospital.
— Senhor ... O que o senhor — Leslie se aproximou com um roupão e a cara amassada, já estava dormindo há horas.
— Ela não abre a porta – ele disse, assustado.
Assustado o suficiente para deixá-la assustada. Leslie correu até a sala e trouxe de lá uma cópia da chave do quarto, que abriu sem dificuldades. estava na cama e o caderno com resquícios de cocaína ao seu lado. correu até ela.
– disse segurando o seu rosto. – O que você fez? – ele disse a balançando, ela então mexeu a pálpebra e ele respirou aliviado.
— Senhorita – Leslie se aproximou. – Meu deus, que susto.
— Amor – ele segurou novamente pelo rosto para lhe chamar a atenção e ela então abriu os olhos. – Leslie, enche a banheira, por favor.
— Claro. Depois vou fazer um café quente – disse solícita e ele concordou.
resmungou e ele a olhou, preocupado. – Desculpa.
— A gente vai conversar depois — disse e ela concordou com a cabeça. Ele tirou a blusa e o sutiã que ela usava, a carregou e a colocou na banheira com cuidado. Ligou a ducha que estava sobre a sua cabeça, ainda muito alta para reclamar de qualquer coisa. abraçou os joelhos como se estivesse recuperando a sobriedade, sentou-se do seu lado no chão abraçando os joelhos também.
— Eu sinto muito – ela disse chorosa e ele não falou nada, o que a fez intensificar o choro. – Você tem todo direito de estar puto comigo.
— Eu não estou puto com você – ele respondeu –, você não me deixou bravo, você me deixa frustrado, porque eu amo você, eu realmente amo você... Mas eu não sei como te ajudar. O que tá acontecendo?
— Eu não sei, eu só me sinto tão cansada e infeliz. Eu só não quero me sentir assim – ela confessou ainda com a voz embargada de choro.
— Se drogar não te tira dos problemas, , é momentâneo.
— Funciona pra você, pro , ...
— Nós somos idiotas. Você é muito melhor do que nós, você não pode cair nisso – respondeu e ela ficou calada. – Eu não posso ver você passando por isso, , eu realmente não posso ver você infeliz, se menosprezando, você não é assim.
- E se eu for? E se o que você conheceu antes era um estado em que eu me acostumei a ficar pra não bater de frente com meus pais ou com . Ou com você... E se eu só estava mantendo minha zona de conforto. E se toda a minha personalidade forte e bizarrices eram só uma capa pro quão detonada eu sou de verdade.
— Não, não é... Talvez seja sua zona de conforto ou só uma capa, mas não porque você é fraca. Talvez porque você nunca se sentiu segura, porque você nunca achou que alguém te entenderia, porque você sempre precisou ser mais madura do que deveria. Pra se proteger, mas não pra se esconder... Eu sei que você não é fraca, eu conheço você.
— Não em tudo... – ela o olhou.
— Então me teste – ele a encarou de volta, dando certeza do que dizia.
— E se eu não for forte?
— Você é, olha pelo que você passou... Você é muito mais forte do que imagina. Nós não vamos ser os seus pais ou os meus pais, eu não vou ser o e eu não vou ser eu... – ele riu desejando que ela entendesse o que ele queria dizer. – Você precisa voltar a acreditar nisso, que você precisa ser feliz – se ajoelhou ao lado da banheira e colocou a mão no rosto dela. — Me diz o que você precisa, eu encontro o melhor psicólogo, o melhor lugar, qualquer coisa...
— Eu só preciso de você – ela respondeu e ele encostou o seu lábio no dela. sabia que as coisas precisavam mudar, senão mudassem ela o perderia novamente e esse era o pior cenário que poderia imaginar.

As férias foram decisivas para a recuperação de . passava o maior tempo que podia com ela, entre os ensaios com a banda e a tentativa de mostrar a sua família que, afinal de contas, eles davam certos juntos. Por isso voltou a frequentar com seu pai a sede do partido e fazia o melhor que podia.
, por outro lado, quando não estava com ele ocupava a sua cabeça com qualquer coisa que pudesse, principalmente quanto aos planos da festa de formatura. Seu novo guarda roupa que ela fez questão de incluir as peças que agora ela se sentia confortável, sem precisar abrir mão do que achava bonito. O mais importante que lhe tomava a cabeça era o que ela faria quando a escola acabasse.
Naquele sábado, se impulsionou contra ela pela primeira vez, que soltou um gemido baixo antes dele procurar sua boca e a beijá-la. sorriu e o abraçou, permanecendo ali por um tempo em silêncio.
— Eu tenho que te contar uma coisa – ela falou baixo e ele a olhou atentamente.
— O que foi? – perguntou, curioso.
— Eu me inscrevi em Oxford e Cambridge – respondeu um pouco sem graça e ele sorriu largamente.
- Pra que? — Direito – mordeu o lábio.
— Achei que não fosse querer.
— Eu não sei se eu quero, eu não sei o que eu quero... Mas acho que posso ser uma boa advogada.
— Você vai passar – ele tocou a boca dela. – Eu fico feliz que você tenha pensado sobre isso, seus pais vão ficar exultantes.
— Se eu passar, eu conto a eles – deu de ombros. – Por enquanto, basta você.
— Se você prefere... tudo bem – ele então a soltou do abraço. – Preciso ir pro ensaio – anunciou e o deixou sair da cama.
— Não chega tarde, vou te esperar pra comer – ela pediu enrolada nos lençóis, o vendo se arrumar em seu quarto.
— Não precisa me esperar, perdeu uma aposta e vai pagar pizza pra todo mundo hoje... – respondeu e ela concordou.
— Melhores amigos então? – perguntou com uma voz marota e riu.
— Não força – ele disse indo até a cama e estalando um beijo na testa da garota. – Eu amo você. Não vou chegar tarde de qualquer jeito.

- Vai querer ir na Pool Party da Melina, amor? – acompanhou a namorada chegar ao quarto com as compras que tinha nas mãos.
- Vamos, eu só preciso me trocar – respondeu indo até a cama e dando um beijo no namorado. – Você quer ir, não?
— Sim, nossas férias tem se resumido a sexo e Cake Boss.
— Não seja injusto, você vai pros ensaios com seus melhores amigos.
— É, realmente, eu tenho o meu squad goals – ele falou irônico e ela riu. — Vai se arrumar, eu vou pedir pra Leslie adiantar o almoço.
— Tudo bem! – concordou rindo e indo para o banheiro.
Em algum tempo, ela e saíram de casa. De fato as férias estavam sendo muito mais calmas do que o normal. Ele sabia que precisava de um tempo longe das pessoas da escola e da vida social para que pudesse se ver fora da pressão e julgamento. Por isso fazia questão de ficarem só os dois. Ela tinha melhorado, ele sabia disso. Essa seria a primeira festa e tinha certeza que podiam lidar com aquilo.
— Vou ao banheiro e já volto – anunciou e ele concordou, a vendo se afastar em direção aos banheiros. Ela entrou e esperou até que pudesse usar. Assim que saiu, Andrew estava encostado a porta do banheiro feminino. Era a primeira vez que se viam depois de ela quase ter morrido. rolou os olhos e passou como se não o conhecesse.
— Sério, você não vai falar comigo? Te esperei por nada? – ele disse com um sorriso canalha, a segurando pelo braço.
— Me solta, Andrew.
— Achei que podíamos nos divertir hoje, trouxe umas coisas a mais – ele disse dando uma piscadela.
— Você me deixou pra morrer da última vez – ela o olhou, sem paciência. – Enfia suas coisas a mais no seu cu e me esquece – ela disparou mais uma vez para se afastar dele, mas ele correu e se colocou em sua frente.
— Desculpa, ok? Mas se eu ficasse íamos os dois presos, você sabe disso – o garoto se explicou e ela riu.
— Só eu morrer era uma solução bem melhor – disse, irônica. — Andrew, sai da minha frente... Eu não quero mais ter algo a ver com você — ela andou com mais pressa dessa vez e só parou quando viu , que estava conversando com uma moça.
— Amor, olha, essa é a Dana. Se tudo der certo, vocês vão ser colegas de faculdade – ele disse animado e estendeu a mão a outra garota, sorrindo.
— Prazer, Dana.
estava me falando que você fez seu requerimento, deve estar ansiosa.
— Infinitamente – ela admitiu.
— Vai ver que tudo passa muito rápido – respondeu. – E depois, na faculdade, a vida muda completamente.
— E o que você faz nessa festa? Achei que fosse só pra gente da escola – perguntou.
— Eu sou prima da Melina.
— Mas você parece tão nova.
— Estou no primeiro ano de direito – Dana disse.
— Ela é filha do Phil, um dos grandes do partido.
— Ah, maravilhoso... – disse simpática. – Mas, me conta, os professores são tão ruins quanto contam? — Sim, na primeira semana você já não sabe o que fazer.
— Se me dão licença, eu já volto – disse se afastando delas, com um olhar estranho. sorriu para Dana.
— É o que me falam... – ela olhou pelo outro lado da piscina, vendo que estava falando com . Então os dois se afastaram. Ela pressentiu naquela hora que alguma coisa estava errada. – Dana, eu sinto muito, mas preciso ir procurar .
Ela andou apressada na direção que os meninos haviam ido e correu. Viu eles saírem em direção ao estacionamento e se apressou novamente, haviam sumido e começou a olhar entre os carros. Então ouviu um barulho como alguém caindo no chão, e continuou a procurar até dar de cara com Andrew estirado e preparado para chutá-lo. se colocou imediatamente em frente a ele.
— Você não vai fazer isso – ela disse alto, autoritária, e pareceu voltar a realidade em um segundo.
, sai daqui — disse, segurando a mão do outro, o que denunciava que ele havia o derrubado.
— Não vou sair, deixem o Andrew em paz.
— Ele quase matou você – , que estava mais afastado, disse.
— Não. Eu usei errado. Ele me avisou e eu errei – ela disse, os olhando.
— Ele te deixou sozinha, . Por que você tá defendendo ele? – disse com raiva.
- Eu não estou defendendo ele, eu estou defendendo vocês. Chega... Vocês precisam deixar isso pra lá – ela disse categórica e o outro passou a mão na cabeça, concordando.
— Some daqui, Andrew – disse.
... – Andrew tentou falar, se recompondo em pé.
— Some, Andrew – ela repetiu e ele concordou com a mão no rosto, provavelmente pela dor.
— O que aconteceu naquele dia passou, eu sinto muito pelo que eu fiz vocês passarem... Mas a culpa não é só do Andrew – disse. – Passou, esqueçam. É o que eu estou tentando fazer – olhou para . – Vem, vamos por gelo na sua mão.
Ele a acompanhou em silêncio até acharem um balde de gelo que não pensou duas vezes antes de dar a para por a mão.
— Obrigado. Não era para você ter ido lá.
— Não era pra vocês terem ido atrás dele – ela deu de ombros e ele ficou calado.
— Desculpa.

Capítulo 29

She's thunderstorms
Lying on her front
Up against the wall
She's thunderstorms
I've been feeling foolish
You should try it
She came and substituted
The peace and quiet
For acrobatic blood, flow, concertina
Cheating heartbeat
Rapid fire
She's thunderstorms

— Sinto muito ter tido que cancelar o ensaio na sexta, algumas coisas aconteceram – disse, se aproximando de no estacionamento da escola naquela primeira semana de volta das aulas.
— Não tem problema! Podíamos marcar para essa semana outro, aproveitei e ouvi aqueles discos que me deu no último – deu de ombros.
— Maravilhoso, não é? Jazz é realmente uma parte que eu gosto – ele disse animando e o outro concordou, vendo o carro de .
— Olha, é o . Podemos ver logo outro dia para ensaio – sugeriu e ambos esperaram que ele estacionasse. saiu junto com ele, segurando sua mão.
— Me esperando na porta, que lisonjeiro – ele disse, ajeitando a mochila no ombro.
— Melhor vista matinal – brincou e os três riram. acompanhava quieta, sabia que eles não gostavam quando ela estava junto deles. – Queremos marcar outra data pro ensaio, já que teve que desmarcar a última.
— Por mim... Acho que só na quinta vou ter uma reunião do partido, mas só – disse.
— Podia ser hoje então, eu tenho o dia todo livre – disse. — Aquilo é um Deloryan? – apontou pro início do estacionamento e os quatro observaram, meio assombrados.
— É o dentro? – perguntou, ainda mais espantado.
— Ele tem tamanho para dirigir? – questionou e eles riram.
— Como ele tem um Deloryan? – disse , indignado. – Eu tento comprar um há anos.
Eles esperaram o garoto estacionar e vir até eles.
— Marty Mcfly estuda na nossa escola e nunca percebemos – disse e riu.
— Eu meio que pareço ele mesmo, não é?
— Na altura, com certeza – respondeu. – Mas como você...
— Meu pai... Ele coleciona e esse é o bebê dele, mas ele viajou e... – ele fez uma cara marota. – Mas vocês estavam todos juntos me esperando? Inclusive, é meio estranho vocês todos, com ela... – ele apontou pra quieta, parada ao lado de .
— Estamos tentando a primeira capa do jornal da escola – disse, irônica.
— Bem, você já teve as suas algumas vezes – respondeu no mesmo tom.
— Só estávamos combinando um ensaio. Hoje dá pra você? — perguntou para quebrar o clima e deu de ombros.
— Então nos vemos de tarde, é melhor irmos antes que os fãs apareçam – disse, sarcástico, e se afastou com .
— Porque ele tem que ser tão rude comigo? – ela perguntou.
— Ele não gosta de você – respondeu, sincero.
— Ele não tem que gostar ou desgostar.
— Realmente, não.
bufou, vendo Lizz se aproximar deles.
— Eita! – ela pronunciou antes que a garota estivesse demasiado perto. Lizz olhou para com brilho nos olhos e sorridente.
, já que você obviamente vai ser o rei do baile e eu obviamente vou ser a rainha do baile, pensei em montar uma parceria – Lizz então lhe entregou um cartão cor de rosa fluorescente escrito “Vote Lizz para rainha do baile 2014 - Radcliff Brown Institute” e mais alguns glitters.
— Você tem que tá brincando com a minha cara – a olhou sem expressão e riu ao seu lado, primeiro de tudo porque sabia que Lizz não poderia ser candidata.
— Lizz...
— Shiu, , eu não estou falando com você – ela disse com uma cara afetada e a outra segurou o riso mais uma vez.
— Não, Lizz. Apenas não... Eu nem vou me candidatar – ele disse, sério.
— É só uma brincadeira, , sua namoradinha não vai levar a sério – continuou a garota muito certa do que estava fazendo.
— Lizz, nem que você fosse a última garota de Radcliff Brown. E eu só vou participar se for pra concorrer com a , ela é a única que ganharia de qualquer jeito – deu de ombros e passou esbarrando por Lizz com a namorada em seu encalço. A outra bateu o pé no chão de raiva e respirou fundo.
— Eu quero ver quando ela descobrir que não pode competir.
— Essa votação não ia começar só semana que vem? – perguntou.
— Sim, mas eu não sei por que ela começou a candidatura logo, não era algo que eu ia falar até a semana anterior da votação.
— Bem... É a Lizz, né – ele deu de ombros e os dois entraram na sala.

— Diana, azul turquesa? Eu achei que tivesse sido clara sobre azul petróleo - ouviu a voz de irritada antes mesmo de entrar no apartamento.
— É quase a mesma coisa — Diana disse, se defendendo.
— Justamente, é quase. Eu prefiro uma decoração combinando e não quase combinando — disse enquanto rolava os olhos. – Alguém que não fosse daltônico teria mais utilidade em termos de decoração — olhou para Robert. — Você comprou 200 garrafas de prosecco? – ela perguntou e ele confirmou, seguro.
— É tipo 70% mais barato — Robert disse como se fosse óbvio —, e não tem diferença.
— Não tem diferença porque você nunca experimentou algo realmente bom na sua vida — estava novamente irritada. – Eu te dei um orçamento X que cobriam exatamente 150 garrafas de Laurent-Perrier, não era nada difícil de ser entendido.
, o Royal Garden tem vaga pro dia — Rebeca apareceu, vinda da sacada com o telefone na mão.
— Então reserva e faz a sua festa de 16 anos lá, porque é pra isso que serve espaços como aquele — rolou os olhos novamente. – Pensa em outro lugar.
— O hotel dos Fault, eles têm um dos melhores salões da cidade e tia Page ficaria maravilhada em te ajudar – disse passando a mão calmamente pelo braço da namorada.
— Ainda bem que alguém aqui me entende – suspirou, dando um pequeno beijo no namorado.
— Não queria estar na pele deles – disse baixo e ela sorriu.
— Parece que continuo a mesma vadia de sempre – deu de ombros e ele riu, concordando. – E eu posso saber onde você estava ontem há noite? Te esperei, liguei e nada de resposta.
— Depois do ensaio tomamos umas cervejas na casa do , outros apareceram por lá, jogamos poker. Tinha que passar em casa para pegar roupa e acabei chegando tão porre que só acordei agora há pouco – ele explicou se sentindo meio culpado.
— Cervejas na casa do ? Você, , ... melhores amigos? — ela riu irônica. – Isso sim é uma amizade que eu não esperava.
— Aconteceu... – ele riu também. – Vou para o quarto.
— Ok, não devo demorar aqui – ela sorriu deixando ele se afastar. A reunião ainda demorou por um tempo até que ficou livre e foi para o quarto. — Foram todos embora?
— Ainda bem... – ela tirou as sapatilhas e deitou na cama, por cima do namorando.
— Eles te estressam porque não estão aos seus pés.
— Exato – concordou rindo e encostando a cabeça no peito de . – Amor...
— Oi?
— Essa amizade de vocês, digo, , você e ... É para valer? Você realmente é amigo dos dois ou você só está se esforçando?
— Bem, nós realmente nos divertimos juntos e acabamos tendo várias coisas em comum. Eu sei que ele sempre te ajudou e fez tudo aquilo porque gostava de você. Ainda gosta.
— E isso te incomoda?
— Sempre vai incomodar, eu sempre vou ter medo de te perder. E ... Bem, eu acho que ele precisava mais me perdoar do que eu perdoar ele no final. O que eu tinha para falar pros dois eu falei e você pode ter certeza que eles também falaram pra mim.
— Quando a formatura acabar você acha que vão continuar amigos?
— Eu não sei, amor, é muito cedo para pensar nisso. Por que?
— É difícil pensar que no meio disso tudo ia sair uma amizade entre vocês.
— A amizade te incomoda?
— Não. Para falar a verdade, o que me incomoda é não poder ser amiga junto... O eu ainda vou precisar perdoar ele, mas eu também não imagino como seria se ele não existisse no ciclo social, entende? E eu sei que você não deve sentir confortável com isso, mas eu sinto falta do , ele é meu amigo. Somos só nos dois, mas você tem outras pessoas, outros amigos. Eu acabei afastando todos.
— Foi só uma fase ruim. A escola já vai acabar, você vai ter um novo recomeço, um mais feliz – ele deu um beijo na testa dela. – E sobre eu e os caras, eu não sei como vai ser quando não tiver mais esse lance de banda e formatura. Mas, se continuarmos amigos, eu acho que com o tempo iremos nos acostumando com o que passou.

, você separou as roupas para o desfile?
— Que desfile, mãe? – disse enquanto via sua mãe de um lado a outro da sala, procurando alguma coisa.
— Eu te mandei uma mensagem sobre o desfile beneficente que a Miranda vai fazer. Ela quer usar o estilo com alta costura de meninas da sua idade. Ela me pediu que você participasse e que escolhesse alguns dos seus vestidos de alta costura para ela ver e montar o desfile, disse que pegava hoje.
— Mãe, é a última semana de provas e a última coisa que eu vi foi meu celular. Eu nem tenho falado com esses dias – ela passou a mão pelo rosto, não queria deixar sua mãe desamparada.
— Bem, você acha que consegue separar alguns? Você tem muitos.
— Alguns eu dei, mas sim... – ela concordou. – Posso entregar a Miranda pessoalmente amanhã pela manhã.
— Ótimo. E esteja pronta para o desfile também, é no domingo.
— Posso levar o ?
— Se ele se interessar... E trouxer um cheque dos ... – Scarlett deu de ombros. – Inclusive você tem um roxo da Chanel que fica absolutamente lindo em você. Acho que tem mais a ver com seu estilo.
— Qual?
— Um de baile, com a parte do busto com pedrarias circulares – Scarlett fez um gesto com a mão indicando o colo.
— Acho que foi o vestido que fui à recepção da embaixada com lembrou. – Eu acho que deixei na casa dele, mas eu dou um jeito de pegar.
— Tudo bem. Você tem outros, mas tente não escolher nada muito curto ou justo – Scarlett pegou a bolsa em cima da mesa de centro. - Tenho que voltar à empresa, você me confirma quando entregar, ok? – ela sorriu e concordou. – Você tá muito bem, sua cara de doente se foi. Essa cor de cabelo está ótima. Como dizem as francesas: nada melhor que a cor que Deus nos deu.
— Obrigada, mãe.
— Te vejo no domingo – Scarlett disse antes de se afastar de vez da filha.
passou o dia revirando closets e armários com a ajuda de Leslie para escolher os melhores vestidos. Escolheu três dos que considerou mais bonitos.
— Minha mãe tem razão, eu deveria levar o Chanel.
— E porque não leva? – Leslie perguntou.
— Tá na casa do ...
— Bem, é seu vestido. Eu não acho que ele vá se importar.
— Não ele, mas ...
— Não é nada demais, o Sr. vai entender.
— Ele disse que ia pra reunião do partido e que ficaria até tarde lá, vou ligar de qualquer jeito – ela deu de ombros e ligou para , sem sucesso em nenhuma das tentativas. – Bem, eu vou buscar o vestido antes que seja muito tarde.
— Ok. Se ele ligar para cá eu o aviso – Leslie sorriu e se preparou para ir até a casa de , sabia que não seria problema algum ir lá.
Dirigiu e foi apenas baixar o vidro para que o segurança lhe deixasse entrar. Havia alguns carros estacionados pela entrada, mas não havia barulho. Tocou a porta e esperou. Logo a porta foi aberta e apareceu.
... – ele disse com a voz pesada, ela sabia que ele estava chapado.
— Você tá chapado? – perguntou para confirmar, mas ele deu de ombros sem contestar.
— Não é uma boa hora – ele falou sem graça, não queria dizer aquilo, mas sabia que os outros amigos estavam na outra sala com cocaína e álcool e que era melhor manter longe dessas coisas agora. Ela, por outro lado, se sentiu meio intrometida com a frase, talvez não fosse mesmo uma boa ideia que estivessem por perto, talvez isso incomodasse e ela estava mais uma vez fazendo pessoas ficarem em papéis desconfortáveis.
— Eu não deveria ter vindo sem avisar...
— Não, ... – tentou se explicar, mas ela o interrompeu.
— Eu só preciso de um vestido que deixei aqui – ela olhou os sapatos e mordeu o lábio.
— Claro, pode pegar... – abriu espaço para ela, que apenas sorriu e correu até o quarto onde costumava ficar. Enquanto isso, ele rezou para que os amigos não falassem mais alto que o necessário ou saíssem do estúdio por algum motivo.
achou o vestido sem dificuldade e desceu rapidamente, se esforçando para passar o menor tempo possível na casa.
— Pronto. Obrigada – ela disse segurando o vestido assim que parou no último degrau da escada.
— Sinto muito se pareceu que eu estava incomodado por você estar aqui ou te expulsando – não queria que ela pensasse esse tipo de coisa de jeito nenhum.
— Tudo bem, eu entendo. E, sinceramente, não o culpo – falou quando chegaram à porta.
— Não, ... Não é como você tá pensando. Eu sempre me perguntava quando você finalmente voltaria a vir aqui, como sempre veio, só me pegou de surpresa... Mas eu entendo você querer estar longe.
— É só que... Seria estranho estar aqui sem o . E, bem, ele me contou que a condição para vocês tocarem é que eu ficasse longe de vocês. Eu respeitei, também não posso cobrar isso – disse rápido e a olhou atentamente.
— Ele o que? – perguntou. – Nós nunca colocamos condição de nada. Nós só dissemos que seria difícil pelo que aconteceu, mas nunca tivemos condições. Nós sempre perguntamos a ele quando você viria ver um ensaio e ele disse que você preferia não estar por perto com nós três juntos.
— Não... Eu... – percebeu que aquilo mudava tudo, a raiva que sentiu foi súbita.
- , cadê o gelo? – ela ouviu a voz de ao longe e olhou para o fundo. Ele a enxergou e sabia que pelo seu rosto as coisas não estavam bem.
— Eles estão... Ele... – ela perguntou a , que apenas abriu novamente espaço para que ela entrasse novamente na casa. passou por ele e por a passos rápidos e entrou no estúdio. e estavam ali, assim como uma mesa cheia de cocaína e o cheiro de maconha pairando no ar. a olhou paralisado e ela não disse uma palavra, apenas olhou ao redor e para ele, não tendo palavras para o que estava sentido.
— Por que você mentiu pra ela? – chegou à sala perguntando a ele. – Por que você disse a ela que não a queríamos por perto?
— Você fez isso? – perguntou e o outro ainda estava petrificado.
, eu...
— Você não tinha o direito – o olhou uma última vez e virou as costas, saindo da sala em direção à saída da casa. veio logo atrás.
— Você tem que me escutar – ele tentou a segurar.
— Não, eu não tenho nada. Você não podia ter feito essa escolha por mim, você fez eu me sentir culpada, me fez achar que eles me queriam longe... – ela disse com a voz embargada.
— Por favor, ... – ele implorou antes que ela jogasse o vestido no carro e entrasse. O olhou com a sua melhor cara de desprezo e saiu da propriedade.
Brigar com ele era como voltar a toda situação de crise novamente. Saber que a tinha deixado se sentir daquele jeito era horrível, era um sentimento de frustração, desapontamento. Ela se esforçou todos os dias para não mentir e fazer as coisas como deveriam ser feitas. Ignorou as chamadas dele no telefone e deixou ordens para que não o deixasse entrar no prédio, não queria ter que ficar frente a frente com ele e falar ou fazer coisas que se arrependeria depois.

— O Sr. , está aqui – Leslie disse pela porta e então afastou o notebook que usava para estudar naquele domingo.
— Diz pra ele vir aqui – ela respondeu e, em segundos, entrou em seu quarto. – Hey.
— Hey – ele disse com a voz fraca. – Eu sinto muito por aquele dia.
— Tudo bem, acho que nós dois fomos meio que vítimas da situação – ela apontou pra cama como um sinal pra ele ficar à vontade.
— Você já voltou a falar com o ? – perguntou. — Não falei com ele. Eu ainda estou com raiva, não quero falar e fazer alguma besteira, sabe?
— Ele tá se sentindo um merda.
— Deveria.
— Sim. Nós também demos um gelo... Mas ele foi buscar umas coisas lá em casa e o cara tá detonado.
— É surreal você querer me fazer ter pena do – ela disse, não acreditando.
— Eu não estou fazendo nada, é só a verdade. E ele te faz bem, eu sei que faz... E isso pra mim é tudo.
— Obrigada! – sorriu. – Esses meses tem sido realmente bons, eu nem esperava que essa situação viesse.
— Eu nem entendo porque fazer isso. Enfim. Mas conversa com ele, ele acha que você vai terminar ou fazer alguma besteira, você sabe...
— Me drogar até ter overdose? – perguntou e confirmou. – Não vou fazer isso, já aprendi minha lição. Eu sei que você vai fazer relatório sobre a visita, então deixe isso claro.
— Você tá insinuando que minha lealdade é ao agora?
— Exatamente – ela riu.
— Não sabe o que fala... – ele revirou os olhos fazendo uma cara marota. – Não precisamos mais ficar afastados, não é?
— Não – ela concordou e se esticou para abraçá-lo.

— Atenção! Por favor, prestem atenção — disse alto na frente de sua turma e todos tomaram seu lugares e ficaram em silêncio. — Obrigada! Eu estava em reunião com a coordenação e fico feliz em dizer que está tudo aprovado para a festa de sábado. Vamos ter uma banda adicional surpresa e todos podem pegar seus convites comigo. E o mais importante é que amanhã começa a votação para rei e rainha do baile —houve vários sussurros ao redor da sala quando ela disse. — Então eu vou ler as regras. Primeiramente, as votações estarão abertas a parti de amanhã às oito, horário de início das aulas, e as urnas vão ficar na frente das salas e toda a escola pode votar. Por isso, façam uma boa campanha. Ficarão abertas até as 13h da sexta-feira e a contagem será feita pela coordenação que vai me passar o resultado apenas na festa. Segundo, não é permitido troca de voto por nada, qualquer denúncia leva a pessoa a ser desclassificada. Terceiro, o rei e a rainha ficarão disponíveis pelo ano que vem para serem conselheiros dos alunos do terceiro ano, como manda a tradição. Em quarto lugar, os alunos devem se candidatar hoje. Na outra turma se candidataram Suzie Bennet e Aria Mendez como rainha e Joseph Von Ride para rei — ela escreveu os nomes no quadro. — Os candidatos devem estar devidamente matriculados, aprovados sem recuperação e devem ter cursado o colegial inteiro aqui.
— VOCÊ ACABOU DE INVENTAR ESSA REGRA — foi interrompida pela voz de Lizz, que se levantou rapidamente de sua carteira. — Você inventou para me atingir, porque sabe que perderia pra mim — rolou os olhos e bufou.
— Lizz, eu nunca perderia pra você. Mas não é o caso porque, como chefe da organização, eu nem ao menos posso competir... Essa regra sempre existiu, você não conhece porque nem sempre estudou aqui. Qualquer reclamação, procure a coordenação.
— Eu vou mesmo, você está fazendo de propósito. Sabe que eu já comecei a minha campanha há anos — ela foi passando pelos alunos, rumo à saída.
— O ônus é todo seu — deu de ombros e Lizz passou por ela afrontada e saiu da sala. — Então, se ninguém mais quiser procurar a coordenação, podem se candidatar.
Duas alunas levantaram a mão. Stella Rivers e Anitta Pearson. Houve um agito para que se candidatasse e ele o fez, Daniel Malone também de candidatou. escreveu os nomes no quadro como dos outros da outra turma.
— Esses são os candidatos e amanhã a urna vai estar na frente da escola. Vocês precisam se identificar no papel dos votos com a matrícula. E boa sorte. Obrigada pela atenção — ela sorriu e então os alunos se prepararam pra sair.

— Lizz, amiga, aquela é uma ridícula... Como foi na coordenação? — Stacy e Lindsay, as amigas novas de Lizz, se aproximaram da garota enquanto ela saía da escola.
— Disseram que não podiam fazer nada — ela rolou os olhos.
manipula todos mesmo — Lindsay disse.
— Mas ela não vai ganhar dessa vez, eu juro — Lizz falou determinada e as três saíram do local.

— Oi — viu encostado na porta de seu apartamento.
— Como você subiu? — ela perguntou, já que tinha proibido.
— É bom ter a Leslie do meu lado — ele disse com um sorriso leve, e colocou as mãos nos bolsos da calça. — Na verdade, ela disse que não ia me deixar entrar e que se eu quisesse eu podia esperar aqui, então... — explicou e encostou-se à porta. — Resolveu pegar de volta a época que não podia entrar no meu prédio?
, eu só não queria ter que entrar em conflito com você e fazer alguma coisa que eu me arrependesse.
— Se você quiser brigar comigo, briga. Se quiser terminar comigo, termina. Mas não fica sem falar comigo, me evitando...
— Eu não vou terminar com você — ela o olhou e ele pareceu respirar aliviado. — Eu só não quero brigar e falar todas as coisas horríveis que já dissemos um pro outro. Eu estou tentando entender porque você mentiria pra mim, porque me manteve afastada deles enquanto você sabia que eu queria participar — explicou. concordou, sabendo que a namorada tinha razão.
— Eu estava com ciúmes, meio que te queria só pra mim. Eu sei que você não votaria com , mas você realmente gostou do . Eu quero ter meus amigos e a garota que eu amo... Eu acho que foi o jeito que eu consegui ter os dois.
— Você arriscou perder os dois.
— Eu sei, eu não fiz certo — deu de ombros. — Mas eu vou me redimir. Vamos ter ensaio em uma hora e você poderia ir.
— É uma boa ideia?
— É sim. Eu vou pedir desculpas pra eles também — ele disse e ela concordou. — Vou passar em casa e te encontro lá.
— Certo — se aproximou e deu um beijo no canto da sua boca.

entrou na casa de depois de ter batido e ninguém atendido. A porta estava destrancada, então ela entrou e procurou alguém. Mesmo depois de muito tempo ainda se sentia em casa.
Foi até o estúdio e estava lá com um fone de ouvido e tocando sua guitarra, completamente compenetrado. Balançava sua cabeça cantarolando a musica e ela não soube muito bem o que fazer, não queria atrapalhar. Mas antes que pudesse fazer alguma coisa, ele a percebeu ali.
— Hey — disse mais alto do que o necessário e ela acenou em resposta. desligou tudo e tirou o fone do ouvido. — foi pegar pizza. avisou que você viria.
— Ele não conhece delivery? — ela perguntou sentando em um sofá e riu, dando de ombros.
— Alguma coisa com eles não entregarem a essa hora — respondeu, olhando para a guitarra, obviamente desconfortável. — pronunciou o nome dele e ele a olhou. – A gente pode começar de novo?
— Eu sinto muito, , não tem um dia que eu passe que eu não me sinta envergonhado.
— Você fez de tudo para compensar, mas eu estava com muita raiva e não conseguia ver. Eu sinto muito também.
— Passou, finalmente passou — disse. — Eu sentia sua falta.
— E eu a sua. Eu não sei como é não ter você ao redor. Eu sinto muito mesmo, eu deveria ter sido mais honesta com você, principalmente quanto ao que eu sentia pelo — ela confessou, sincera. — Eu não quero que você pense que eu não gostava de você, eu não teria ficado se não gostasse.
— Mas seus pais pressionaram.
— Não sobre isso... Em relação aos meus pais, eles podem ter pegado pesado sobre algumas coisas, mas eles nunca fizeram nada pra te prejudicar, eles realmente te consideram muito e tomaram as decisões certas pra você.
— Eu sei, eu só fiquei realmente afetado pelas consequências das coisas.
— Eu sei, todos ficamos — ela concordou e ele balançou a cabeça positivamente. — É bom estar de volta.
— Nós amamos você, você sabe, né... No fundo tudo isso é porque você sempre foi a pessoa mais incrível que passou pelas nossas vidas — ele disse, doce. — vacilou, mas eu não o culpo, não depois de tudo.
— Eu sei — ela concordou. Ouviram um barulho e entrou com ao seu lado.
— Finalmente — disse, satisfeito ao vê-la. — Trouxe meia dúzia de pizzas para comemorar seu primeiro ensaio — continuou, dando um beijo em sua testa e ela sorriu.
tá estacionando – anunciou, indo para perto do baixo. Ele não gostava de e não se sentia bem com ela ali, mas seus amigos estavam felizes e no final das contas era o que ele precisava. O namorado logo apareceu segurando baquetas, ele sorriu ao vê-la e lhe deu um beijo na testa.
— Que bom que veio – disse e então se virou aos amigos. – Dudes, eu preciso me desculpar. Eu estava com ciúmes e parte de mim achava que, quanto menos a gente se lembrasse de tudo, mais fácil conseguiríamos superar. É difícil reconhecer que as melhores pessoas que eu tenho na vida tem um passado com a minha namorada e você ainda é o queridinho da família dela — ele olhou para . – Eu não sei se um dia eu vou conseguir a aceitação deles. E, , eu te devo uma, a te deve uma, te deve uma, os pais da te devem uma, você cuidou dela... E ela adora você e isso não é fácil de conviver, você é algo que eu nunca fui, você é a parte boa nessa história toda – parecia ter a voz embargada em admitir tudo aquilo. o olhou, orgulhosa, sabia que ele se desculparia, mas não que admitisse tudo. Segurou a mão dele e a beijou. Os amigos também olharam sem palavras, surpresos, mas gratos.
— Eu fiz o que eu podia fazer... Faria de novo – sorriu e deu um tapinha nas costas de . – Estamos bem.
— Digo por mim que ter a aceitação dos pais dela é superestimado. Nós, eu e , podemos desejar no fundo que as coisas fossem diferentes, mas a verdade é que vocês sempre se gostaram e vocês merecem ser felizes – olhou para , dando de ombros, mas com o olhar bem significativo. – Faz ela feliz. Só isso.
— Eu sinto muito por tudo que aconteceu, eu sempre vou sentir. Não tem como apagar o quanto eu fiquei magoada e o quanto eu magoei, mas se fosse possível... Eu acho que vocês acabaram tendo uma boa amizade e são parte da minha vida de maneira muito forte, então é um bom momento para deixarmos tudo para trás – finalizou e os três sorriram.
— Se for possível romper esse quadrado e começar o ensaio, eu agradeceria – interrompeu e os três riram tomando os lugares em seus instrumentos.
O ensaio iniciou e ficou muito feliz com o que ouviu, sabia que seria um sucesso na formatura e curtiu cada parte do repertório que inclua vários clássicos e outras musicas pop. Ao final, comeram todas as pizzas e ela sentiu que deveria deixar os rapazes sozinhos.
— Eu vou indo, não posso perder o início da nova temporada de Keeping Up With The Kardashians – ela disse levantando do chão, onde comiam.
— Que tempo livre, hein — implicou e ela riu.
— Somos praticamente formados no colegial, eu posso aproveitar um pouco enquanto a faculdade não chega – respondeu e se levantou junto com ela. – Nos falamos na escola amanhã – ela falou por fim e eles acenaram. Os dois caminharam até a saída da sala e encostou a porta.
— Keeping Up With The Kardashians? – ele perguntou estranhando e ela riu.
— Eu gosto mesmo, ok? Mas acho que vocês precisam ficar sozinhos um pouco agora que tá tudo bem.
— É uma boa ideia – ele concordou e passou a mão no rosto dela.
— Te espero em casa?
— Sim — ele concordou e ela se inclinou para encostar a sua boca na de .

Capítulo 30

It's you, it's you, it's all for you
Everything I do
I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls
Honey, is that true?
It's better than I ever even knew
They say that the world was built for two
Only worth living if somebody is loving you
Baby now you do

, o pessoal responsável pelo palco e som chegou – Becca, uma das envolvidas na organização, disse.
— Então, o projeto diz que o palco ia ficar na esquerda, mas acabaram mandando o projeto errado pra decoração então tem que ser montado na direita.
— Eu acho que não tem espaço o suficiente.
— Então fala pra decoradora mudar todo o projeto de decoração – disse, grossa. – Dá seu jeito, Becca... – finalizou e viu e os outros amigos entrarem.
— Bem, se você tá gritando com alguém então tá tudo sobre controle – disse e ela riu enquanto a abraçava.
— São todos incompetentes... – disse para se justificar.
— Vamos deixar os instrumentos e todo resto aqui logo – informou.
— Tá, mas ainda não podem montar. O palco e o todo resto de luz e som vai ser montado agora, acabaram de chegar – ela apontou para onde pessoas passavam com caixas enormes.
— Isso é inaceitável, somos a atração da noite – disse brincando e ela riu.
— Eu disse que eram incompetentes, voltem por volta das 14h.
— Você já comeu? – perguntou e ela negou. – Então eu vou passar no Kilt e pegar comida pra nós dois e te espero.
— Tá bem – concordou e sorriu para os outros. – Eu vou ver se a Becca resolveu o problema do palco, fiquem à vontade – ela deu um selinho em e um beijo na bochecha de e , como sempre e ela apenas trocavam um cumprimento com os olhos.

estava esperando na sala de estar. Leslie já havia dito há meia hora sobre ela já estar quase pronta, o que o estava deixando impaciente. A festa já havia começado e já havia mandado pelo menos quatro mensagens sobre eles estarem demorando muito. Ele então ouviu a voz de Leslie junto ao barulho da porta se abrindo e agradeceu mentalmente.
Vestia um smoking preto. A pedido de , usou a gravata borboleta vermelho bordô e segurava a máscara que era parte obrigatória do traje da festa. A máscara era preta, era reta sem detalhes, a namorado havia escolhido também. Se levantou do sofá e parou em frente ao corredor a tempo de vê-la sair do quarto. Seus olhos brilharam. Brilhavam toda vez que a via, mas, especialmente naquela noite, seu vestido se ajustava perfeitamente em seu corpo até se abrir no final como uma sereia. Era vermelho, da mesma cor que sua gravata borboleta, e seu cabelo estava de lado caindo sobre seu ombro com cachos bem definidos. Ele sorriu e ela soube que estava linda pelo jeito como a olhou.
— Me ajuda a colocar a máscara? – perguntou a ele, que concordou. Era uma máscara preta vazada com detalhes curvilíneos e tinha uma fita de cetim para ser amarrada. Ela aproximou a máscara do rosto e a segurou, virando de costas. segurou o fitilho de cetim e o amarrou, então se virou sorrindo.
— Você tá maravilhosa – ele colocou a mão na cintura da garota, que sorriu ainda mais.
— Você também. Somos o casal mais lindo da formatura – ela respondeu encostando a boca na dele.
— Que vamos perder se não formos logo – a apressou e ela concordou, pegando o casaco de pele com Leslie e o vestindo.
— Boa festa para vocês – Leslie disse animada e eles então trataram de sair rumo à festa.
A mesa deles já estava completa quando chegaram, o que obviamente arrancou muitos olhares ao redor, mas a essa altura já estava acostumados.
— Vou precisar organizar algumas coisas. Às 22h estejam atrás do palco, por favor! — disse, se levantando e indo atrás do que ainda precisava fazer na última hora.

— Lindsay e Becca, eu preciso que vocês coloquem isso nas coisas da e do – Liz disse em um canto da festa. Retirou da bolsa dois pacotes com quantidade substancial de cocaína.
— Lizz, isso é... – Becca disse, parecendo amedrontada.
— Sim.
— Ai, Lizz, isso é muito perigoso – Lindsay falou.
— Bem, se vocês são medrosas eu dou meu jeito, mas achei que nossa amizade fosse mais forte. Ela fez meu namorado me abandonar – argumentou, parecendo emocionada, e então Becca bufou.
— Tudo bem! Mas como fazemos isso?
— Não sei, deem o jeito de vocês. E me avisem assim que conseguirem – Lizz finalizou e então elas concordaram, cada uma pegando um saquinho de cocaína.
— E depois? – Lindsay perguntou.
— Me avisem e deixem que eu faça o resto – Lizz disse animada. – Vão...

— Prontos pra iniciar a carreira no mundo da música? — perguntou enquanto os meninos se preparavam pra entrar.
— Quero todas as groupies organizadas na frente do palco, ok? – disse.
— E porque você tá me dizendo isso? – perguntou.
— Porque você é a líder delas – ele deu de ombros e riu, rolando os olhos. A diretora subiu ao palco para anunciar a rainha e o rei do Baile, sendo Aria Mendez a rainha e o rei. Assim que ouviram o nome do amigo, os outros soltaram gritos.
— Bonitão, rei do baile – disse animado e tirou a guitarra que já estava em seu ombro.
— Não acredito – ele riu e então subiu ao palco.
— Eles só ganharam porque nós não competimos – disse no ouvido de .
— Claro, isso eu sei – ela respondeu, o abraçando.
— Depois do show eu quero 5 minutos com a minha namorada, você nem falou comigo desde que chegamos.
— Tá bem, te reservo uma dança – ela brincou encostando o lábio na bochecha dele. Logo depois desceu com a coroa e uma capa, tirou e voltou a colocar a guitarra em tempo de ouvirem seus nomes sendo chamados pela diretora para começarem a tocar.
— Amor, fica com meu smoking – tirou e entregou à namorada. Subiram ao palco fazendo os alunos logo a baixo gritarem. O show seguiu animado e ficou ali por trás vendo o namorado e amigos até que eles pediram que ela fosse até lá como chefe da organização da festa. Rolou os olhos.
— Stacy, fica com o smoking do um segundo, por favor – entregou o smoking à garota e foi até a frente do Palco. Becca estava logo ao lado de Stacy e assim que virou as costas e a cutucou. — Stacy, estão com um problema na cozinha. pediu para eu ficar aqui, me dá o smoking e vai lá ver – Becca disse e a outra apenas concordou, lhe entregando. Assim que o fez, Becca tratou de fazer o que Lizz havia lhe pedido.

— Lizz, coloquei no casaco de , na chapelaria – Lindsay disse e sorriu satisfeita. Há poucos minutos Beca também havia confirmado que tinha feito.
— Muito obrigada, Lindsay. Eles vão ter o que merecem – Lizz sorriu maldosa.

Assim que saíram do palco um DJ começou a tocar música ambiente enquanto se servia o jantar. se distraiu com alguma coisa e assim que saiu da área da cozinha, estava lá. Ela sorriu.
— Vim cobrar minha dança – disse a puxando para perto e ela sorriu concordando.
— Ninguém tá dançando.
— Como se a gente fizesse o que todo mundo faz – respondeu, e ela riu de leve. You and Me do Lifehouse tocava. – Viu, uma música perfeita. Vem – ele a puxou e ela o seguiu. Pararam no centro da pista de dança, algumas pessoas estavam próximas conversando, mas ninguém dançando. colocou a mão na cintura de e ela colocou os braços ao redor do pescoço dele. Algumas pessoas pararam para olhar os dois dançando sozinhos.
— Nós conseguimos – disse satisfeita –, superamos o colegial.
— Sim. E você sabe que só não fomos o rei e a rainha porque não competimos – disse presunçoso e a namorada sorriu.
— Obrigada – ela o olhou nos olhos ao pronunciar as palavras.
— Pelo que?
— Por tudo – ela continuou a olhá-lo. – Eu não sou do tipo que fala sobre o tempo todo e que se declara, mas obrigada por tudo. Por não ter desistido, por ter tido paciência, por ter me tirado do buraco onde eu entrei, por me fazer feliz. Eu te amo, eu te amo muito, eu te amei desde a primeira vez que eu te vi e é uma pena eu não ter superpoderes para te mostrar o quanto. Eu sinto que o pior de tudo foi ficar longe de você, achar que você me odiava, eu não sei explicar. Conseguir acabar isso com você depois de tudo é como um sonho.
— É um sonho, – ele a abraçou e ela encostou o rosto no seu peito. – Eu também te amo, você mudou minha vida, você sabe que sim. E esse novo ciclo vamos passar juntos.
— Eu tenho uma coisa pra contar sobre esse novo ciclo – ela se afastou para olhá-lo e ele retribuiu o olhar curioso. – Eu vou pra Oxford.
— Sério? –perguntou animado e ela assentiu. a levantou no ar, rodando. – Parabéns, você merece isso.
— Obrigada. É muito mais fácil com você acreditando em mim – ela respondeu sorrindo. – Eu preciso apresentar a próxima banda.
— Quem vai ser?
— Em cinco minutos você vai descobrir.
— Eu ia dizer para irmos embora mais cedo.
— Então só me deixa apresentar e eu te encontro na saída.
— Ok. Ela encostou a sua boca a dele antes de se retirar. Subiu ao palco depois que lhe deram um microfone.
— Boa noite. Espero que estejam se divertindo. E agora a banda principal é um pequeno presenta da minha família à escola que eu estudei a vida inteira. Com vocês, Coldplay – ela deu espaço para os integrantes da banda entrarem, que já iniciaram com Viva La Vida. desceu do palco e viu , e logo na frente do palco.
— Como você conseguiu? – perguntou.
— Meu pai conhece um cara que conhece um cara – respondeu.
— Épico, disse feliz. – Aliás, tá te esperando na chapelaria.
— Ok, se divirtam – sorriu se despedindo deles e encontrou ao lado da chapelaria, onde ela pegou seu casaco.

Lizz ficou a espera dos dois do lado de fora. Ao seu lado estava um primo que era da Polícia de Londres e seu companheiro.
— Lizz, você tem certeza sobre isso, né? Não é uma pegadinha de colegial?
— Não iria brincar com isso nunca, Ryan — Lizz disse, fingindo-se de ofendida. — Eles estavam vendendo cocaína na festa. Pode chamar a diretora da escola, os dois tem histórico – completou, confiante. E então viu e saírem da festa. – Eles. São eles, pode ir e revistar.
Os dois policiais andaram até os dois.
— Vocês dois, parados – ele disse antes que os dois chegassem ao carro.
— O que? – perguntou.
— Fica calado, mãos na cabeça – o primo de Lizz mandou e então os dois colocaram as mãos para cima, surpresos e assustados. Um revistou enquanto o outro revistou a garota. – Aqui — o de tirou um pacote de cocaína de seu casaco e ela o olhou, confusa.
— Não isso, não... – ela olhou para , achando que talvez ele estivesse desconfiando. – Não é meu.
Ele estava, e ficou ainda mais desconfiado quando o outro policial tirou um pacote de seu bolso.
— Isso é ridículo – disse imediatamente.
— Vocês estão presos por tráfico de entorpecentes. Vocês têm o direito de ficarem calados e de um advogado. Se não puderem arcar, o Estado lhe proporcionará representantes – e antes que pudessem processar o que estava acontecendo, entraram na viatura e seguiram para a delegacia de polícia.
— O que é isso? – ela perguntou assim que sentaram em frente à mesa do delegado. estava extremamente assustada. – Como aquilo foi parar nas nossas coisas?
— Eu não faço ideia, mas vai dar tudo certo – disse confiante e segurou a mão dela. Ouviram um estrondo na porta e um delegado rechonchudo entrou na sala.
— Overdose, acidente com alto conteúdo alcoólico no sangue... E agora tráfico, que casal... — ele disse.
— Não é nosso – respondeu e o olhou como se dissesse para ele não falar nada.
— Nosso advogado é o meu pai, eu preciso ligar para ele e só falaremos com ele.
— Tudo bem! – o delegado respondeu. – Enquanto isso eu quero os dois em salas separadas – ele disse isso e dois policiais os encaminharam para salas diferentes onde ficaram sozinhos. se controlava para não pensar o pior, agora que tudo parecia certo. O silêncio daquela sala a estava matando. Seu pai entrou ali primeiro, acompanhado por mais um rapaz.
— Esse é o David – o pai dela disse, seco, sem emoção nenhuma. Ele estava perturbado e a garota sabia disso.
— Pai, isso não era meu, nem do . A gente só estava indo embora para casa.
— Recolheram sangue de vocês?
— Não.
— Vão recolher. Vocês venderam isso para alguém?
— Não, claro que não – disse sem entender porque seu pai suspeitaria disso. – Nós não fizemos nada de errado.
— Te maltrataram? Algemaram?
— Não, nada.
— Nos falamos em casa, . Vão colher o sangue de vocês e depois vão liberar – seu pai saiu da sala e ela sabia que as coisas não estavam boas e que de algum jeito pagaria por aquilo. O próximo a entrar na sala foi uma equipe de saúde que fez algumas fotos dela com algumas descrições e recolheram seu sangue, mas disseram que ela ainda não podia sair.
Por último o Chris, o pai de , entrou silencioso como seu próprio pai e se sentou a frente dela.
— Vocês estão liberados – Chris disse e respirou aliviada.
— Obrigada, tio, muito obrigada – ela respondeu e ele a olhou frio.
, as coisas vão acontecer da seguinte maneira: meu filho insiste em te esperar lá fora. Você vai dizer a ele que quer ir pra casa, depois disso você nunca mais poderá falar com – Chris disse ameaçador.
— Nós não fizemos nada.
— Essa discussão já aconteceu muitas vezes, ela não me interessa mais. Vocês não são bons juntos. Você não vai mais falar com ele.
— Ou... – disse também ameaçadora e Chris mexeu em seu bolso, tirou um saquinho com o frasco da mesma droga que lhe causou overdose.
— Louis achou isso nas coisas do , aposto que se fizer reconhecimento digital vão encontrar a sua – ele mexeu no seu celular e aproximou dela, eram fotos suas na boate de .
— Isso não quer dizer nada – replicou.
— Você que sabe se quer pagar pra ver – ele respondeu por fim.
também tem digital no frasco.
— Efeito colateral – Chris disse.
— Isso é doente.
— E não é só isso, . Eu tenho a prova dos últimos 4 anos dos pareceres tributários da destilaria do meu pai, todas assinadas por ele com diversas irregularidades. Você prefere você, e seu pai na cadeia ou você longe do meu filho?
— Isso não é justo – a essa altura já não escondia as lágrimas e a repulsa a alguém que conhecera desde criança. – nunca iria desistir.
— Então você tem que ser convincente – Chris insistiu e apenas chorou, não vendo saída. – Essa história acaba hoje e você escolhe como – ele respondeu e ela continuou calada, chorando.
Ele saiu da sala e logo depois uma policial lhe disse para se retirar. Ela limpou o rosto e saiu. Sua mãe, seu pai, Emma e Chris estavam lá fora e, mais afastado, . Ele a olhou, viu logo que ela estava abalada e se aproximou rapidamente.
— Passou – ele disse lhe dando um beijo na cabeça. – Vamos pra casa.
— Amor, eu vou pra casa, ok? – ela disse sem jeito.
— Sim, eu vou te levar.
— Não, eu vou só com meus pais... – ela disse olhando sua mãe e ele não entendeu.
... – disse sem entender.
— Nos falamos amanhã, ok? – avisou e deu um beijo salgado pelas lágrimas em sua boca.
Sua mãe segurou em seu ombro a fazendo ir para frente. Eles mantiveram a mão se tocando por um tempo até que se afastassem o suficiente e então ela olhou para trás. ainda parecia muito confuso. A garota passou pela porta quando seu pai abriu. Havia repórteres na frente. Como não teve reação suficiente, sua mãe colocou a bolsa em seu rosto para lhe proteger e assim andaram até o carro. Entraram os seus pais e mais o garoto que haviam entrado na sala anteriormente. Fizeram uma parada onde o rapaz ficou e depois continuaram até em casa em silêncio.
– sua mãe disse assim que entraram no apartamento. — Nós achamos que você deveria passar um tempo com a sua vó na Rússia –disse firme, mas com um tom cauteloso e a filha apenas concordou.
— Ok – concordou, parecia uma boa saída.
— Essa historia com droga, , onde você se meteu? Nós não te reconhecemos mais – seu pai disse.
— Não era nossa. Eu fiz várias coisas erradas por esse ano, mas eu falo a verdade quando eu digo que não faço ideia de como aquilo foi parar conosco — se defendeu.
— De qualquer jeito, esse é o cúmulo. Quase perdemos você esse ano, não vamos deixar isso acontecer de novo. Você e vão ficar bem longe por um tempo, você precisa se recuperar de todas essas coisas – sua mãe falou firme.
— A maioria dessas coisas foi vocês que me causaram – disse na defensiva, mas se acalmou. – Tudo bem, ok? Eu passo um tempo com a vovó Sisi.
— Vai ser melhor – seu pai disse e ela apenas deu de ombros. Ter que ir embora era como o fim do mundo nesse exato momento, mas era o único jeito das coisas acontecerem. Ela sabia que não ia deixa-la em paz por um segundo e nem acreditaria. – Mas eu preciso ir amanhã pela manhã – olhou para os pais que não entenderam a pressa. – Isso é muito importante...
— Ok... Vou ver se o piloto pode fazer – Paul disse e concordou.
— Vou arrumar minhas malas.
Ela saiu da sala rumo ao seu quarto e não demorou para que Leslie aparecesse para lhe ajudar. Fez tudo silenciosa e ignorando o celular que tremia com ligações.

Epílogo

desligou o celular quando sentiu que não conseguiria mais vê-lo tocar sem poder atender e o deixou em cima de sua penteadeira. Não precisaria dele. Se olhou no espelho e viu suas olheiras, pegou o óculos escuros e os colocou no rosto.
— O carro já está te esperando – Leslie disse.
— Pede para irem arrumando as malas – ela pediu e Leslie concordou, solícita. Olhou ao redor e por todas as memórias que tinha daquele lugar, boas e ruins. Com . As coisas pareciam estar nos eixos, mas ela apenas estava enganada e o novo ciclo da sua vida volta à mesma incerteza de todos os outros ciclos que havia passado antes.
Questionou tudo o que passou, o que passou com , sua mudança. Mudar era inútil se tudo seu redor não mudasse também. Todas as estruturas que levaram a sua história a ser mais uma história triste. Novamente ela se viu tento que começar de novo contra todas as probabilidades. E sozinha.

'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the veins meet yeah
No change, I can change
I can change, I can change
But I'm here in my mold

Fim.


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