Autora: Babi S. | Beta: Lari Carrião

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Capítulo Um

We’ve come so far, and we’ve reached so high
And we’ve looked each day and night in the eye
And we’re still so young and we hope for more
But remember this
We’re not invincible, we’re not invincible
We’re only people, we’re only people
We’re not invincible

Never Forget - Take That

Abril de 2017

O mundo parou naquela tarde de sábado. Nas redes sociais, o assunto que predominava era apenas um. One Direction, a boyband de maior sucesso desde os Backstreet Boys, havia confirmado para aquele dia uma coletiva de imprensa, que estava sendo aguardada ansiosamente por fãs do mundo todo, e quem não era fã não podia fazer nada além de observar as publicações que enchiam suas timelines. Os boatos sobre o que seria anunciado eram diversos, desde uma nova turnê mundial até um novo filme, e os mais pessimistas arriscavam dizer que mais um integrante anunciaria sua saída ou, pior que isso, o grupo acabaria. Independente do que fosse, todos estavam preparados para acompanhar aquela coletiva ao vivo pelo YouTube.
desceu do táxi e puxou a aba do boné para baixo, tentando esconder seu rosto que já estava parcialmente coberto pelos óculos escuros, enquanto esperava o motorista ir até o porta-malas. Após entregar algumas notas que pagavam a corrida do aeroporto até ali, , puxando sua mala de rodinhas, foi escoltado por dois seguranças até a entrada do hotel. Inevitavelmente, sua presença foi notada pelos fãs que ocupavam a calçada e os seguranças tiveram ainda mais trabalho para conter aquela pequena multidão que, aos gritos, tentava se aproximar de um de seus ídolos. Sem deixar de demonstrar a simpatia que tinha de sobra, ele sorriu e cumprimentou a todos com um aceno, antes de sumir pela porta de vidro. Um funcionário do hotel o recepcionou no saguão de entrada e o seguiu.
- E aí, cara? - disse, adentrando uma sala reservada, onde encontrou seu companheiro de banda, . Finalmente, tirou o boné e os óculos escuros e jogou ambos em um sofá.
- Oi, . - , que estava entretido com algo em seu celular, deixou o aparelho de lado e levantou da poltrona para cumprimentar o amigo com um abraço. - Como foi a viagem? - questionou, antes de se sentar novamente.
- Tranquila. Mas aquela galera na entrada do hotel me assustou - ele falou, apontando com o polegar em direção à porta. - Não disseram que iam triplicar os cuidados para o nome do hotel não vazar?
- Você sabe como são nossos fãs, eles não deixam passar uma. Já esperava encontrar aquele pessoal lá fora - o outro deu de ombros.
- Depois de todos esses anos, nem sei por que ainda me surpreendo - falou, se sentando no sofá. - Sabe do e do ?
- me mandou uma mensagem avisando que vai buscar a e depois vai passar na casa do , para pegar ele e a , e os quatro virem juntos - respondeu. - Já devem estar chegando.
concordou com a cabeça e deixou o silêncio se instalar no ambiente, sentando mais confortavelmente no sofá e esticando as pernas. Havia ido passar os dias de folga na casa dos pais e ter que acordar cedo para viajar de volta a Londres tinha o deixado bastante cansado.
- Que foi? - perguntou, ao notar que estava sendo observado pelo amigo.
- Nada. Só estava pensando sobre como o dia de hoje vai ser difícil - respondeu, desanimado, esboçando um pequeno sorriso. - Não sei se estou preparado.
- Sabe, eu acho que a gente nunca vai estar verdadeiramente preparado - falou. Entendia bem o amigo, ele próprio sentia um aperto no peito ao pensar sobre toda aquela situação, tudo que teriam que enfrentar dali a alguns minutos. - Mas vamos encarar isso juntos, nos apoiando, como foi desde o início.
- Sim, nós estamos juntos nessa e sempre estaremos - concordou e fechou os olhos por alguns segundos. - Mas estou quase me cagando de medo, cara.
- Eu também, . Eu também...

Mesmo com a correria para a preparação de tudo, já que a equipe do One Direction havia reservado o espaço do hotel para a realização da coletiva de imprensa às pressas, tudo estava pronto. Jornalistas ocupavam seus postos, preparados para fazerem suas perguntas e levarem para o público as novidades que os quatro rapazes mais amados pelas adolescentes do mundo trariam naquele final de tarde. , colunista de música da Teen Dreaming, a maior revista teen do Reino Unido, estava sentada no meio das dezenas de jornalistas de diversas nacionalidades que estavam ali e tentava manter o profissionalismo que o momento exigia. Por ser uma velha amiga dos membros do One Direction, sentia-se parte daquilo tudo e, já sabendo do que se tratava aquele pronunciamento, estava tão assustada quanto eles.
- .
A jovem jornalista escutou chamarem por seu apelido e se deparou com e , duas amigas dela e namoradas de e , respectivamente.
- Oi, meninas - ela sorriu, se levantando para cumprimentá-las. - Sentem aqui. Tudo bem?
As três se sentaram nos lugares reservados para elas na primeira fileira, bem de frente para a mesa na qual o grupo estaria dali a poucos minutos.
- Na medida do possível - respondeu, demonstrando em seu rosto a preocupação.
- Quando eu imaginava como seria esse dia, nunca pensei que fosse ser tão complicado - disse e chegou mais perto das amigas, para sussurrar: - está péssimo. Não come e nem dorme direito tem dias.
- não está muito diferente - sussurrou .
- É, meninas. Vocês vão ter que apoiar eles agora mais do que nunca - falou, chateada por saber que seus amigos estavam naquele estado e se sentindo incapaz diante daquilo. - Vai dar tudo certo. E sei que estou meio afastada dos meninos, mas podem contar comigo para o que precisarem. Antes de jornalista, sou amiga de todos vocês.
- Nós sabemos, - se inclinou para apertar a mão da amiga e sorriu.
- Não tem essa de “estou meio afastada” - disse, fazendo gesto de aspas com os dedos. - Independente de tudo que aconteceu no passado, você sempre será amiga deles e tão parte do One Direction quanto a gente.
sorriu em agradecimento às palavras da amiga. Ter tido que se afastar dos amigos devido a acontecimentos do passado partia seu coração, mas ela se sentia reconfortada em saber que nada daquilo realmente importava e ela sempre seria uma amiga para eles. A rápida conversa foi interrompida quando um homem subiu no pequeno palco improvisado e anunciou o início da coletiva de imprensa.
, , e entraram sob os olhares de todos, cumprimentando os jornalistas, e sentaram-se lado a lado. Se entreolharam para decidir quem começaria a falar e resolveu tomar a frente. Olhou para o homem que estava coordenando a coletiva e esperou o consentimento para que pudesse iniciar sua fala.
- Boa tarde a todos - falou ao microfone. - Como vocês já sabem, temos algumas novidades para contar, por isso resolvemos convocar essa coletiva e transmiti-la ao vivo pelo YouTube. São notícias importantes, achamos que é nosso dever contar diretamente aos nossos fãs, que nos apoiam desde o início e nos fizeram chegar até aqui.
voltou-se para , que estava ao seu lado, suplicando com o olhar por ajuda, já que não sabia por onde começar.
- Bom... - começou, resolvendo ajudar o amigo. - Primeiramente, boa tarde, pessoal. Como o disse, tomamos essas decisões juntos, os quatro, é importante que vocês saibam isso. - disse e deu uma pausa para organizar os pensamentos. - A primeira delas é o lançamento de um álbum greatest hits. Depois de quase sete anos de One Direction e seis álbuns lançados, achamos que é o momento perfeito para lançar uma coletânea com nossas músicas de maior sucesso - ele explicou.
- O nome que escolhemos é: Best Hits Ever - The 1D Collection - completou.
- Exatamente - sorriu para o amigo. - Conta a outra novidade para eles, .
- Então, galera - ele iniciou. - Já que vamos lançar essa coletânea, nós pensamos: por que não fazemos uma turnê especialmente para o Best Hits Ever? Então, é isso. No próximo verão faremos a Best Tour Ever - disse e deu uma piscadela para a câmera. - Você ainda não falou nada, . Fala aí sobre a turnê. Nossos fãs querem escutar sua voz.
riu e se ajeitou na cadeira.
- A setlist será composta pelas músicas do álbum Best Hits Ever, basicamente, e será uma turnê mundial. Alguns países ainda estão sendo negociados, mas logo depois da coletiva vocês vão poder conferir no nosso site oficial os que já estão confirmados. Nossa equipe está fazendo de tudo para encaixar o maior número de países possível.
- E fiquem espertos - alertou, interrompendo o companheiro de banda. - A venda dos ingressos começa na próxima segunda-feira à meia-noite.
- Com licença, - retrucou. - Eu ia falar isso.
- Desculpa, cara. Estou ansioso para ver nossos fãs - o outro disse, em tom de divertimento, e arrancou algumas risadas dos presentes.
Os quatro, então, trocaram olhares novamente, um questionando ao outro como a última e mais importante notícia seria dada. Ensaiar todo um discurso mentalmente diversas vezes não havia adiantado de nada. Agora que estavam de frente para tantos jornalistas e câmeras que estavam transmitindo aquele momento para o mundo todo, eles não tinham ideia do que fazer.
- Já vi que vai sobrar para mim. - riu fraco, notando que nenhum de seus amigos tomaria a iniciativa. - Gostaríamos de agradecer a todo mundo que nos apoiou em nossa jornada como One Direction, e especialmente aos nossos fãs, pois sem eles nada disso teria sido possível. Muito obrigado por terem vivido esses anos incríveis com a gente. Mas, infelizmente, decidimos que chegou a hora de cada um trilhar o seu próprio caminho e buscar novos desafios. O Best Hits Ever será nosso último álbum e a Best Tour Ever nossa última turnê como One Direction.
Por alguns segundos, o único barulho que se escutava no ambiente eram os flashes das câmeras fotográficas. , , e não puderam deixar de imaginar como seus fãs, de frente para seus computadores, estavam reagindo àquelas últimas frases. Eles sabiam que estavam partindo milhões de corações pelo mundo, inclusive os deles próprios, mas acreditavam que era o melhor momento para tomar aquela decisão.
- Então, vamos dar início às perguntas dos jornalistas - o coordenador da coletiva falou ao microfone.

releu o texto uma última vez e, então, finalmente o publicou em seu blog no site da revista Teen Dreaming. Ainda estava na sala onde havia acontecido a coletiva de imprensa, agora já praticamente vazia, finalizando seu trabalho. A notícia de que a maior boyband da atualidade estava para acabar não podia esperar para ser publicada. Ela desligou o tablet, o colocou dentro da bolsa e seguiu para a sala que o hotel havia deixado reservada para que a banda tivesse momentos de privacidade antes e depois da coletiva. Abriu a porta minimamente, apenas deixando uma fresta para que pudesse anunciar sua chegada, e encontrou os quatro integrantes do One Direction conversando com e .
- - disse com um sorriso nos lábios, ao notar a presença da garota, chamando a atenção de todos.
- Posso entrar? - ela perguntou, também sorrindo.
- Não pode, não. Aposto que você está com uma câmera escondida para nos filmar depois da revelação bombástica de que o One Direction vai acabar - brincou, estreitando os olhos, e a jornalista riu.
- Seria uma ótima ideia, . Eu poderia ganhar uma boa grana com um vídeo desses, pena que não pensei nisso e vim despreparada - retrucou, fazendo o garoto soltar uma gargalhada. Era bem fácil fazer rir.
entrou na sala e fechou a porta. Se aproximou lentamente dos amigos, um tanto sem jeito. Mesmo depois de resolver as confusões do passado, ela nunca tinha certeza se sua companhia era realmente bem-vinda.
- Como vocês estão? - ela perguntou.
- Já tive dias melhores - respondeu em meio a um suspiro. Mesmo já tendo acontecido a coletiva, ele ainda sentia o estômago revirar.
- Acho que a ficha nem caiu ainda, sabe? - se pronunciou, pensativo. - Talvez caia depois do nosso último show.
- Acho que a ficha nunca vai cair - , por sua vez, falou. Seu olhar encontrou o de e ele sorriu fraco como forma de cumprimento.
- Você acha que nossos fãs estão nos odiando muito, ? - perguntou realmente preocupado. Não tinha se atrevido a abrir o Twitter, mesmo que estivesse morto de curiosidade de saber como estava sendo a repercussão da coletiva.
- Não acredito que eles estejam odiando vocês - respondeu com sinceridade. - Devem estar tristes e desolados, nunca é fácil quando uma banda de que a gente é fã anuncia que vai terminar, mas eles vão compreender o lado de vocês e vão lotar essa turnê. Não tenho dúvidas disso.
- Eu também acho - concordou, mexendo carinhosamente nos fios de cabelo do namorado. - Não fiquem se preocupando. Vai ser difícil colocar um ponto final na melhor época da vida de vocês até aqui? Claro que vai! Mas vocês agora estão prontos para buscar novos momentos maravilhosos - ela era escutada atentamente por todos, especialmente os integrantes do One Direction, que se sentiam reconfortados com aquelas palavras. - Também me senti assim quando anunciaram o fim de Skins. Não sabia o que fazer da minha vida dali em diante, não sabia se iam me chamar para fazer outras séries... E vejam onde estou hoje. Muito feliz e cheia de trabalho.
- Exatamente. - achou as palavras da amiga muito sensatas. - E outra coisa. Os fãs vão ficar inconformados, mas vão continuar acompanhando vocês, seja lá o que vocês inventarem de fazer. E vocês são sensacionais, meninos, vão fazer muito sucesso por conta própria.
- Eu já disse que você é a melhor namorada do mundo hoje? - brincou, puxando o rosto da namorada para beijá-la.
- Nada a ver! - exclamou indignado. - A melhor namorada do mundo é a minha.
Enquanto eles competiam, beijando as namoradas, as duas riam, se divertindo com a situação. gargalhou e olhou para e .
- Parece que sobramos - ele disse e se levantou, indo até a mala de rodinhas que havia deixado em um canto da sala. - Estou indo nessa, galera. Vim direto do aeroporto, preciso descansar.
Ele se aproximou de e estalou um beijo na bochecha dela.
- Bom te ver, .
- Igualmente, - ela disse, sorrindo para o amigo. - Como está o Jordan?
- Cada dia mais lindo, como o pai - ele respondeu, rindo.
Antes de se retirar, acenou para os outros presentes, se despedindo.
- Também está na nossa hora, - falou, pegando a bolsa que havia deixado em uma mesinha ao lado do sofá, e se levantou.
- Meninas, rola uma carona? - questionou às amigas. - Meu carro está no conserto. Meu vizinho que está aprendendo a dirigir foi estacionar na garagem lá do prédio e bateu na traseira do meu carro - explicou, rolando os olhos.
- Ele não deveria tirar a carteira antes de pegar o carro? - indagou, rindo.
- Vai dizer isso para ele - a jornalista falou e deu de ombros.
- Eu e viemos de carona com o e a - disse e apontou para . Já que ele era o dono do carro, estava sob seu poder decidir se daria carona ou não. Porém, o garoto não teve tempo de se pronunciar.
- Te deixo em casa, .
Ao escutar a voz de , todos se surpreenderam e o encararam um tanto assustados. Inclusive , que ficou sem saber se devia aceitar a oferta ou não.
- Qual foi, gente? - ele perguntou, estranhando aquela reação. - É só uma carona.
- Não quero incomodar, . Minha casa nem é caminho para a sua. Mas obrigada, de qualquer forma - recusou a oferta e sorriu em agradecimento. - Pego um táxi, então.
- Falando assim, parece que você mora em outra cidade - o rapaz rolou os olhos. - Não custa nada. Vamos lá. Tchau, casal e casal .
deu as costas e seguiu em direção à porta, chamando com um gesto de mão, mas parou abruptamente ao escutar a gracinha dita por aos risos:
- Tchau, casal .
O garoto parou de rir quando recebeu uma cotovelada de e notou o olhar fuzilante de .
- Até mais, gente - falou, simplesmente, e seguiu até a garagem do hotel.

observava as ruas de Londres pela janela do carro de . Volta e meia um dos dois iniciava uma conversa sobre algum assunto aleatório, que logo morria e o silêncio dominava o ambiente novamente. A jornalista se sentia muito mal com aquela situação ao lembrar-se de como ela e costumavam ser melhores amigos alguns anos antes, sempre com algo para falar um com o outro e cheios de brincadeiras e piadas internas. Doía em seu coração olhar para e enxergar um mero integrante do One Direction. Ou pior, um amigo de suas amigas. Era difícil, mas ela tinha que admitir que se ainda mantinha algum contato com ele, era inteiramente por causa de e .
- Como você está? - perguntou e lançou-a um olhar rápido, demonstrando dúvida. - Em relação ao fim do One Direction, quero dizer.
- Ah, ... - ele disse e parou por alguns segundos, pensando em como responderia àquela pergunta sem dizer o quanto aquilo tudo o entristecia. - Se eu pudesse escolher, o One Direction duraria para sempre. Mas por que insistir em algo que não faz mais sentido?
- Não faz mais sentido? E os fãs?
- Pelos fãs faz sentido, é claro. Mas… - deixou a frase morrer em um suspiro.
- Mas…? - a garota o incentivou a concluir o pensamento.
- Desde que saiu, as coisas esfriaram.
Ele ainda relutou um pouco em proferir tais palavras, mas acabou optando por ser sincero. Sabia que poderia se chatear com aquilo e era a última coisa que ele queria.
- Talvez a gente tenha se questionado demais sobre continuar ou não com o grupo em vez de curtir o momento - ele continuou, dando de ombros.
Ele próprio já tinha parado para pensar incontáveis vezes, à procura de uma explicação para aquilo. Ele sabia que a saída de havia os afetado mais do que parecia, aos olhos de quem observava de fora, mas não podia ser apenas aquilo. Se, para eles, o One Direction havia perdido a graça, todos eram culpados, não apenas .
- Sinto muito, - fechou os olhos e recostou a cabeça no banco. - Muito mesmo. Me desculpa.
- Te desculpar por que, ? - ele questionou, quase indignado. - A culpa não foi sua, você não tem nada a ver com isso.
- Como não? Se eu não tivesse me aproximado de vocês, talvez vocês estivessem felizes preparando o sétimo álbum e ainda com cinco integrantes - ela respondeu em tom de obviedade. Para ela, aquilo estava mais do que claro.
- Que besteira - negou com a cabeça. - Se tem algum culpado pela saída do e pelo fim do 1D, esses culpados somos nós mesmos. E se você quer saber, ele já andava descontente e desejava seguir carreira solo. Ele nunca disse, mas dava para perceber. Usar tudo aquilo que aconteceu como desculpa para deixar o grupo foi uma baita covardia.
se controlava para não explodir. Remexer aquele assunto, mesmo dois anos depois, ainda o deixava indignado e com raiva de . Ver ainda se sentindo culpada apenas contribuía. Mesmo que tenha tido seus motivos, o ex-amigo não tinha direito nenhum de fazer todo aquele jogo psicológico com eles. Se ele queria sair do One Direction e abandonar os amigos no meio de uma turnê, que fosse homem e assumisse isso em vez de jogar a culpa nas costas dos outros.
- É, talvez… - concordou, mesmo que não aceitasse o argumento de por completo. - Mas nós erramos e magoamos ele. Acho que nunca vou conseguir superar isso completamente.
- - o garoto chamou, parando o carro em frente ao prédio da jornalista. - Eu realmente não acho que o mereça que você se sinta assim, depois de ter te tratado daquele jeito.
- Talvez não mereça. Mas ele merecia o que nós fizemos com ele? - ela questionou, olhando no fundo dos olhos de , que não soube o que responder e se calou. Quanto àquilo ele não podia negar que ela tinha razão. - Tanto faz. Não podemos voltar no tempo e mudar as coisas…
- Fale por você - murmurou, desviando o olhar para frente. - Não me arrependo de nada.
Ele estava um tanto decepcionado. Ainda doía saber que, para ela, nada daquilo tinha tido a mesma importância que para ele.
- Sinto muito - ela mordeu o lábio inferior. Se sentia tão insegura, tão desprotegida. - Mas acho que devemos nos arrepender de qualquer coisa que possa magoar outras pessoas.
Mais uma vez, ele não soube o que dizer em resposta. Entendendo o silêncio do garoto como um ponto final àquela conversa, abriu a porta do carro.
- Obrigada pela carona, . A gente se vê por aí.
- Tchau, - ele disse e a observou até ela sumir pela porta de vidro da portaria do prédio. Pensando alto, ele proferiu as palavras que permaneceram entaladas em sua garganta: - Magoar ele é inaceitável, mas me magoar não tem problema. É isso aí.

Naquele dia, a decisão de , , e foi o assunto mais comentado pelo mundo. Fãs demonstravam todo o carinho que sentiam por aqueles garotos e toda a tristeza que sentiam com o fim daquele sonho, que estava com data marcada para acontecer. Como prometido, na segunda-feira seguinte a venda de ingressos foi aberta e, em menos de dez minutos, todos os ingressos da Best Tour Ever estavam esgotados. Assim começava o último capítulo do One Direction.

Capítulo Dois

You don’t understand, you don’t understand
What you do to me when you hold his hand
We were meant to be but a twist of fate
Made it so you had to walk away
‘Cause we’re on fire
We are on fire
We’re on fire now

Happily - One Direction

Fevereiro de 2015

- Cadê o Jordan?
Antes que pudesse responder, passou por ele e entrou no apartamento. Ele acompanhou-a com o olhar até ela sumir pela porta da cozinha, sem deixar de notar como ela estava bonita naquela noite. A saia preta que deixava as belas pernas da garota descobertas levaram pensamentos nada inocentes à cabeça de , que agradeceu por ninguém ter acesso àqueles pensamentos, ou ele estaria frito.
- Jordan? - ele questionou, indo de encontro à amiga.
- É o nome dele - respondeu. Abriu a gaiola que estava em um canto da cozinha e pegou o chinchila.
- Pensei que fosse escolher o nome, já que o chichila é dele.
- O histórico de péssimos nomes dos bichinhos de estimação do não me deu outra escolha - a garota deu de ombros, enquanto acariciava o bichinho que segurava. - Pronto para se divertir na festa de aniversário do seu novo dono, Jordan?
- , sinto muito, mas o Jordan vai passar a festa toda trancado na gaiola. Nem um pouco divertido - falou, rindo de leve, e recebeu um olhar atravessado em resposta.
A campainha tocou e foi novamente atender à porta, já imaginando que dessa vez pudesse ser ou . Quando abriu a porta, se deparou com os dois amigos e uma caixa enorme de papelão toda envolvida por um papel de presente colorido.
- Que diabos tem aí dentro? - ele perguntou, tentando imaginar que presente era aquele.
- Nada - respondeu e recebeu um olhar incrédulo de .
- Nossas ideias de presente de aniversário já se esgotaram, então pensamos em algum de nós entrar aí e assustar o - explicou.
- Boa - riu, já imaginando o grito que , escandaloso do jeito que era, daria. Ele se assustava com muita facilidade.
- ! - gritou da cozinha. - Vem pegar a gaiola do Jordan.
- Quem é Jordan? - perguntou, estranhando.
- O chinchila que a comprou para o - respondeu, indo até a cozinha novamente. - Porque você não leva, folgada? - ele implicou com a amiga, sem realmente se importar em carregar a gaiola até o apartamento de , dois andares acima do seu.
No dia anterior, aproveitando os dias de folga da turnê, ele havia ido com comprar o novo bichinho de estimação do aniversariante, e tinham o deixado ali para evitar que a garota, toda arrumada, ainda tivesse que levar uma gaiola de sua casa até a festa.
- Apenas seja cavalheiro, - rolou os olhos e saiu da cozinha na frente de . - Olá, meninos. Que caixa é essa? - ela arregalou os olhos, assustada com o tamanho do presente de e .
- Algum de nós vai entrar aí para assustar o - repetiu a explicação. - Não conseguimos pensar em um presente legal, então resolvemos zoar com a cara dele.
- Vocês não prestam - a garota balançou a cabeça em desaprovação, rindo, mas achando a ideia boa. Pelo menos renderia boas risadas.
- Vamos? - perguntou, segurando a gaiola pela alça, e os outros três concordaram.
pegou a caixa do chão e tomou a iniciativa de chamar o elevador, enquanto trancava a porta do apartamento de , já que ele estava com as mãos ocupadas, e menos de um minuto depois eles estavam parados em frente ao apartamento de . Por conta do falatório que era possível escutar do corredor, os quatro imaginaram que alguns convidados já haviam chegado.
- Calma, não toca a campainha ainda - disse e segurou a mão de , que já estava prestes a tocar a campainha. - Quem vai entrar na caixa?
- - disse e deu de ombros.
- Você ficou louco? - ela virou para o amigo, indignada. - Não vou entrar em caixa nenhuma. Olha o tamanho desses saltos! - ela apontou para os pés.
- Olha o tamanho dessa saia, isso sim - encarou as pernas da amiga, brincando, e levou um tapa que quase o fez deixar a gaiola do chinchila cair.
- Cuidado com o Jordan! - exclamou.
- Se você não me bater, posso tentar ter cuidado, sua maluca - ele retrucou.
- Se vocês não calarem a boca, vai abrir a porta e nossa brincadeira já era - repreendeu os amigos.
- Ok. Quem vai entrar? - perguntou novamente.
- Deixa comigo - se voluntariou, deixando a gaiola no chão. Ele adorava dar susto nos amigos, seria a pessoa perfeita para aquela pegadinha.
e , então, o ajudaram a se acomodar na caixa, em meio às tiras coloridas de papel crepom que haviam colocado ali. colocou a gaiola um pouco para o lado, para evitar que a visse logo de cara, e, após a caixa estar tampada novamente, tocou a campainha.
- Hey, pessoal! - cumprimentou os amigos ao abrir a porta, animado, e logo notou a caixa de presente. - Uau! Esse é o meu presente?
e se entreolharam, prendendo o riso, enquanto , discretamente, aproveitou a distração geral para pegar o celular e começar a filmar a cena.
- É o presente que compramos para você - respondeu.
, curioso, se aproximou da caixa exatamente no momento em que praticamente pulou de lá de dentro. Como todos já esperavam, o aniversariante soltou um berro, fazendo todos gargalharem e alguns convidados se aproximarem da porta com curiosidade.
- Happy Birthday to you! Happy Birthday to you! Happy Birthday to you! - cantou, engrossando a voz e jogando as tiras de papel crepom em , que ainda se recuperava do susto.
- Eu vou matar vocês! - ele ameaçou os amigos, que mal escutaram, já que estavam muito ocupados rindo descontroladamente.
- Diga oi para a câmera, aniversariante! - chamou a atenção de para o celular.
- Vão se foder! - xingou, fingindo estar irritado, tentando se livrar das tiras.
- Feliz aniversário, cara - disse, finalmente parando com a algazarra, e abraçou o amigo.
- Valeu. De quem foi essa ideia imbecil? - questionou, mas desistiu de querer saber a resposta quando e apontaram um para o outro.
- Feliz aniversário, - falou e também abraçou o amigo.
- Feliz aniversário! - exclamou, animado como sempre, puxando o amigo para um abraço.
Finalmente parando de filmar, guardou o celular na bolsa. Em seguida, ela pegou a gaiola e a mostrou para , que abriu um sorriso enorme ao notar o chinchila que passeava lá dentro.
- Diga oi para o Jordan - a garota sorriu mostrando os dentes.
- , eu te amo! - ele se aproximou para beijar a bochecha da amiga.
deixou a gaiola no chão e se abaixou para abri-la. O chinchila, desconfiado, relutou um pouco em deixar ser pego pelas mãos do aniversariante, mas logo começou a se soltar ao ser acariciado.
- Eu não acredito que você me deu um chinchila - disse, brincando com o bichinho. - Você é demais, !
- Outro dia você disse que se sente sozinho com um apartamento inteiro só para você, achei que um bichinho de estimação poderia resolver o problema - ela falou sorrindo, contente em ver que o amigo havia adorado seu presente. - Um chinchila não dará tanto trabalho quanto um gato ou um cachorro, e quando você estiver em turnê, ele pode ficar lá em casa.
- Você é demais, ! - repetiu, agora olhando para a amiga.
- O nome dele é Jordan - tratou de avisar antes que o coitado do bichinho começasse a ser chamado por algum nome feio ou maluco.
- Por que Jordan? - o garotou perguntou, curioso.
- Sei lá, combina com ele - ela deu de ombros.
- Então, é o pai e a mãe do Jordan? - brincou.
- Madrinha - corrigiu. - Filhos só tenho com meu namorado, tenha mais respeito.
- E bota filhos nisso, hein? A casa do parece um zoológico - observou. - Cachorro, gato, passarinho, peixe…
- O próprio dono da casa é um animal, né? - zoou e riu junto com , que estendeu a mão para um high five.
- Muito engraçadinhos vocês - riu ironicamente. - Falando nisso, me mandou um vídeo e pediu para eu te mostrar, .
Ela pegou novamente o celular, procurou pelo vídeo e, em seguida, entregou o aparelho para o aniversariante. deu play e a voz do companheiro de banda que não estava presente ressoou pelo corredor:

Oi, ! Feliz aniversário! Infelizmente não vou poder ir à sua festa, como você sabe, pois não tinha como deixar de vir para o noivado da minha prima. Mas espero que, mesmo sem minha ilustre presença, você se divirta muito. Felicidades, cara! Aproveita sua festa! E cuida da minha namorada, apesar de eu achar mais fácil ela cuidar de você. Um abraço. Mais uma vez, feliz aniversário!

- Você ouviu! Hoje a senhorita está sob minha responsabilidade - brincou, devolvendo o celular para a dona.
- Até parece - mostrou a língua para o amigo.
, então, colocou o chinchila de volta na gaiola e levantou.
- É hora de nos divertir, Jordan!

Mesmo que todos fossem seus amigos, estava estranhando estar na companhia dos integrantes do One Direction, mas sem a presença de seu namorado. Ela e namoravam há mais de três anos, e ele sempre estava por perto. Haviam se conhecido quando ela, estagiária da revista Teen Dreaming, ficou encarregada de entrevistar a boyband cada vez mais badalada, logo após o fim da temporada do programa de televisão que os apresentou para o mundo. , encantado pela beleza e simpatia de , não perdeu tempo em pedir o número da garota, que decidiu passar sem a mínima esperança de que o mais bonitinho dos membros do One Direction, em sua opinião, realmente ligaria para ela. Foi uma surpresa quando ele ligou pouco mais de uma semana depois e a convidou para sair. Em pouco tempo, eles estavam apaixonados, namorando, e ela cada vez mais amiga de , , e .
Os sofás da sala de estar de haviam sido afastados, improvisando uma pista de dança. já se sentia um pouco tonta por causa do álcool, mas se divertia como nunca dançando na companhia de , e . estava se dividindo para dar conta de dar atenção a todos os convidados da festa e, naquele momento, estava com alguns amigos de infância, enquanto havia sumido com já há algum tempo.
- Já volto - falou alto no ouvido de , devido às caixas de som que estavam próximas a eles.
Não se deu o trabalho de avisar e , já que os dois estavam aos beijos e não notariam sua ausência. concordou e , antes de se afastar, pôde vê-lo separar o casal apaixonado aos risos. A garota riu com a cena e caminhou até o quarto de , tentando ao máximo manter o equilíbrio em cima dos saltos. Em um movimento rápido, ela abriu a porta e entrou no quarto. Ao acender a luz, levou um susto.
- ! !
O casal estava se amassando na cama de . por cima de , sem camisa e com a calça aberta, enquanto estava com o vestido elevado até a cintura. , ao notar a situação em que o casal se encontrava, tapou os olhos com a mão.
- Desculpa, gente! Meu Deus! - ela exclamou em desespero. - Só vim pegar minha bolsa.
Ela correu até a poltrona onde havia deixado a bolsa, ainda tapando os próprios olhos, pegou suas coisas e voltou depressa para a porta.
- Podem continuar - ela disse e saiu do quarto.
- !
escutou chamar, antes de fechar a porta completamente, e abriu uma fresta para poder escutar o que o amigo queria falar.
- Não fala sobre isso para o , por favor - ele pediu. - Ele vai me matar.
Ela desceu os olhos pelo tronco descoberto do garoto, até parar na cueca parcialmente à mostra.
- ! - repreendeu a amiga. - Pode parar de secar meu namorado, fazendo o favor?
- Desculpa - arregalou os olhos e gargalhou. - Desculpa, gente. Não vou dizer nada para o , pode deixar.
Antes de ir embora, ela não pôde deixar de implicar com os amigos:
- , você está de parabéns!
, então, fechou a porta e se encostou nela, rindo alto. Que cena constrangedora havia acabado de presenciar! Aquilo seria motivo para zoar com a cara de por um bom tempo. Ela pendurou a bolsa no ombro e seguiu para o quarto de hóspedes, se perguntando por que e não tinham ido para lá em vez de irem para o quarto de . Talvez por conta de a cama ser mais confortável… Era o mais provável. Ela entrou no quarto e fechou a porta, mas não sem antes verificar se algum casal estava se amassando na cama. Se jogou no colchão (sem dúvidas menos confortável que o de ) e pegou o celular dentro da bolsa, logo se deparando com algumas mensagens novas de .

: Estou entediado. Minha tia não para de listar as qualidades do futuro marido da minha prima.
: Sério, . Esse cara deve ser um príncipe encantado.
: Queria estar aí com você. :(
: , pega esse celular e me responde! Odeio ficar falando sozinho.
: Agora minha mãe está me comparando com o noivo da minha prima. Ótimo.
: ? CADÊ VOCÊ?

gargalhou com o desespero do namorado e decidiu, em vez de responder as mensagens, fazer uma ligação. Em poucos toques, ele atendeu.
- ! - a voz de soou animada.
- Oi, coisa linda. Pelas mensagens, vi que você está se divertindo horrores no noivado da sua prima - disse e riu.
- Até que não está tão ruim - ele confessou. - Mas queria que você estivesse aqui. Como está a festa do ?
- Divertida. Estava morrendo de rir com os amigos estranhos do fingindo que sabem dançar. E ele adorou o chinchila que comprei para ele. Mas quem não amaria o Jordan, não é mesmo? Ah, ! Você não vai acreditar!
Ela disparou a falar, arrancando gargalhadas do garoto do outro lado da linha.
- Você está bêbada - afirmou. - Amo você bêbada. Você grita mais alto quando eu te chupo bêbada.
arregalou os olhos e riu alto. A mera menção de tal coisa, já fez ela imaginar os lábios do namorado provocando ótimas sensações. Que sortuda era por estar na festa!
- Talvez porque você, também bêbado, faz maravilhas com essa boca.
- Quem você quer enganar, ? Faço maravilhas com você de qualquer jeito - ele falou com a rouquidão que sabia que enlouquecia a namorada.
- Que droga, ! - ela exclamou um pouco irritada. - Agora vou ter que dar um jeito nisso sozinha, já que você fez questão de me excitar estando longe.
- Faça isso. Estarei fazendo o mesmo.
- Tanto faz - ela fingiu indiferença, mas sentiu um calor subir pelo corpo. - Deixa eu te contar uma coisa. Você não vai acreditar! Fui pegar meu celular para te ligar no quarto do e... Adivinha.
- Nem ideia.
- e estavam quase pelados, se pegando!
- Mentira! - gargalhou. - Na cama do ?!
- Sim! Ele vai surtar se descobrir - ria tanto quanto o namorado. - Amor, acho que está na hora de você se matricular na mesma academia que o , hein?
- Como é que é? - ele questionou e garota conseguiu visualizar os olhos semicerrados do namorado. Riu por isso.
Antes que pudesse responder, a porta do quarto se abriu, revelando um descabelado.
- Finalmente achei a senhorita! - falou e caminhou até a cama. Surpreendeu a garota quando tirou o celular das mãos dela. - Oi, . Estou roubando sua namorada porque é meu aniversário e não quero ninguém trancado no quarto. Adiós.
- Com licença? - abriu a boca, indignada, observando o amigo finalizar a ligação e enfiar o celular na bolsa.
- Vamos beber! - o garoto exclamou animado. Já estava alterado.
Ela não teve tempo de responder, pois no segundo seguinte estava sendo puxada pelo aniversariante para fora do quarto. No corredor, encontraram e saindo do quarto de , ambos sorridentes.
- Ei! O que vocês estavam fazendo aí?
A voz de fez com que os dois levassem um susto e arregalassem os olhos.
- Nós... - começou, olhando desesperado para a namorada.
- A gente só estava... - tentou ajudar, mas sem conseguir pensar em uma boa desculpa.
rolou os olhos, rindo.
- O que você acha que eles estavam fazendo, ? - ela perguntou em tom de obviedade. e arregalaram os olhos ainda mais, temendo o que a amiga falaria, enquanto a encarou em dúvida. - Conhecendo o Jordan, é claro!
- Ok - ele disse, dando de ombros. - Vamos beber! - mais uma vez ele exclamou animado e seguiu em direção à sala, deixando para trás uma que chorava de rir e um casal que respirava aliviado. Se já era um tanto lerdo normalmente, bêbado do jeito que estava ele jamais questionaria o que quer que dissessem a ele.
- Vamos beber - repetiu a fala do aniversariante com menos empolgação e seguiu pelo mesmo caminho, sendo acompanhada pelos outros dois.
A música ainda tocava alta e os convidados se divertiam dançando e bebendo. , e , entretanto, haviam cansado de dançar e estavam sentados em um canto da sala, no chão, conversando. Quer dizer, tentava conversar enquanto o casal se beijava e esporadicamente dava atenção para o amigo. Ao ver se aproximando, sorriu por finalmente não precisar mais ficar segurando vela.
- Voltei - ela se sentou ao lado dele, tomando cuidado para que a saia não deixasse de tapar o que não deveria deixar de tapar.
Enquanto e também se acomodavam no chão, perto dos amigos, apareceu com duas garrafas de vodca em mãos. prontamente estendeu o braço para pegar uma das garrafas, enquanto a outra foi entregue a . A garota deu um longo gole e sentiu o líquido descer pela garganta, queimando.
- Também quero - disse e tentou tirar a garrafa da mão da amiga, que a afastou para que ele não pegasse, rindo. - Qual é, !
- Está com pressa? - questionou com um sorriso maroto nos lábios.
Sem mudar a expressão no rosto, ela levantou e se aproximou de de joelhos. O garoto, que sentava com as pernas esticadas, se surpreendeu quando passou uma perna por cima dele e se sentou em suas coxas. Apesar de chocado, ele aproveitou a proximidade para analisar o rosto da garota, descendo os olhos até o singelo decote da blusa que ela vestia. ficou imaginando quão bêbada ela deveria estar e riu. Ele não estava muito diferente, afinal.
- Abre a boca - disse, autoritária.
- Sim, senhorita - retrucou, debochado, antes de obedecê-la.
segurou o queixo de com uma das mãos, enquanto com a outra virava a garrafa de vodca na boca do rapaz. Daquele jeito, sem saírem de suas posições, eles permaneceram até a garrafa estar vazia.

Ela andava pelo corredor com dificuldade, ria por tudo e por nada. deu um passo em falso e torceu ligeiramente o pé. Por sorte, caminhava ao seu lado e impediu que ela de fato se machucasse, a segurando pela cintura. Eles haviam acabado de sair do apartamento de e estavam esperando pelo elevador.
- Acho melhor você chamar o táxi para mim. Estou muito bêbada - disse, fazendo rir. Ele não estava muito mais sóbrio do que ela.
- Qual é, ? Pode dormir lá em casa - ele ofereceu. - Do jeito que você está, capaz de nem acertar a chave na fechadura.
- É provável. Na verdade, se você não oferecesse, eu mesma me ofereceria para dormir na sua casa - a garota falou, dando de ombros.
- Que mal-educada - brincou.
- Estou bêbada. Me dê um desconto.
A porta do elevador se abriu e ambos entraram. Logo estavam chegando ao apartamento de .
- Liberdade! - exclamou ao tirar os sapatos e deixá-los jogados de qualquer jeito perto da porta, junto com a bolsa. Em seguida, ela saiu correndo e se jogou no sofá, deitando de bruços. Aquela cena fez sorrir consigo mesmo. Eram momentos espontâneos como aquele que fizeram ele se apaixonar por aquela garota.
- Vê se não dorme aí - ele alertou. - Não estou em condições de te carregar até a cama.
Mas não houve resposta. Imaginando que já tivesse pegado no sono, ele se aproximou do sofá para verificar. não conseguiu conter os olhos, que passearam pelo corpo da garota, demorando um pouco mais nas coxas totalmente descobertas. Por ter deitado no sofá de qualquer jeito, a saia de estava levantada, deixando um pedaço de sua calcinha de renda roxa à mostra. Ele passou as mãos no rosto, tentando evitar que ideias inapropriadas surgissem em sua mente e, em seguida, puxou delicadamente a saia de .
- O que você está fazendo, ? - a garota perguntou, assustando , mas sem se mover um centímetro.
- Tapando sua bunda.
- Minha bunda te incomoda, é?
Ela abriu os olhos e fitou com um sorriso esperto nos lábios.
- Sua bunda me excita - ele rebateu, mas no segundo seguinte se arrependeu.
- É um tanto perigoso se excitar com a bunda da garota que vai dormir na sua casa, você não acha?
gargalhou e sentou no sofá, ajeitando a saia. respirou aliviado ao constatar que ela havia levado na brincadeira.
- Já está com sono? - o dono do apartamento perguntou, se sentando no sofá, ao lado da garota.
- Um pouco. Já estou pensando na ressaca de amanhã. Fazia anos que eu não bebia tanto assim.
- Tem um remédio no banheiro, bem à vista. Se acordar antes de mim, pode tomar.
falava, mas não conseguia prestar atenção. Na verdade, ela ainda refletia sobre o fato de sua bunda excitá-lo. Não sabia por que, mas só de escutar aquilo ela própria estava excitada e torcendo para não ter sido uma mera brincadeira. observava os lábios rosados de e imaginava qual seria a sensação de tê-los colados aos seus próprios.
- Será que você beija bem, ? - ela externalizou o pensamento.
Naquela altura, o garoto já havia parado de falar e estava estranhando o jeito como estava sendo encarado. Aquela pergunta, então, o surpreendeu ainda mais. Daquele jeito, seria difícil controlar as brincadeiras com fundo de verdade.
- Quer experimentar? - ele rebateu, com um sorriso esperto, sem desviar os olhos dos de , que alternavam entre fitar as íris ou a boca de .
Aquele convite, sem dúvidas, era tentador. Uma voz alertava , dentro de sua cabeça, que por algum motivo aquilo era errado. Mas ela não conseguia, de jeito nenhum, lembrar que motivo era aquele. Será que esse motivo realmente existia? Por que beijar aqueles lábios, tão atraentes, poderia ser errado? Com esses questionamentos em mente, chocou seus lábios aos de tão abruptamente que ele só percebeu que aquele beijo estava acontecendo quando suas línguas se encontraram pela primeira vez. O arrepio que subiu pelo corpo de ambos fez eles sentirem como se tivessem esperado a vida toda por aquele beijo.
mal conseguia acreditar que os lábios que o atacavam, famintos, eram os mesmos que ele, por anos, desejou beijar secretamente. Os mesmos lábios que ele viu, tantas vezes, beijar seu melhor amigo e sentiu inveja. Mesmo que sua vontade fosse apenas de tê-la cada vez mais grudada a si, ele afastou , já começando a sentir falta do corpo dela sobre o seu. A garota, confusa, o encarou piscando os longos cílios, enquanto suspirava e ponderava a gravidade do que tinha acabado de acontecer. Porém, ao ver que estava prestes a dizer algo, ele colou os lábios aos dela novamente, temendo o que poderia ser dito. Ele sabia que aquilo estava errado, o incômodo no peito estava fazendo questão de lembrá-lo, e ele não queria que as palavras que seriam proferidas por o fizessem retornar à realidade.
Antes que aquele incômodo no peito desse espaço para o arrependimento, finalizou o beijo com uma mordida no lábio inferior de e se levantou, puxando-a consigo pelo apartamento. Já que aquilo tudo teria um fim na manhã seguinte, ele faria de tudo para que fosse inesquecível e que, pelo menos, ele pudesse ter o cheiro de impregnado em seus lençóis por alguns dias. guiou a garota até seu quarto com dificuldade, pois, além de trocar os pés devido ao seu estado alcoólico, ela estava atacando seu pescoço com beijos enquanto arranhava sua pele por baixo da camisa. Após ser jogada na cama king size, soltou uma sonora gargalhada e mordeu o sorriso malicioso que surgiu em seus lábios.
- , , ... - ela repetia, sussurrando, e o garoto não conteve uma fraca risada, se divertindo com a cena. - O que você está fazendo aí tão longe de mim?
As pernas de envolveram o garoto pela cintura, o obrigando a cobrir o corpo dela com o seu próprio. No segundo seguinte, eles estavam entregues a um beijo violento, um explorando a boca do outro como se não houvesse amanhã. espalmou uma das mãos na coxa de , saciando a vontade que ele estava de fazer aquilo desde que a viu na porta de seu apartamento algumas horas mais cedo. Em resposta, a garota cravava as unhas nos braços dele, deixando marcas que, sem dúvidas, estariam doloridas mais tarde. Incentivado por , que adentrava as mãos por baixo de sua camisa, se afastou para se despir, enquanto ela aproveitava a distância para deslizar suas unhas pela barriga do rapaz, que se contraía com o toque, até chegar ao cós da calça preta que ele vestia. assistiu , lenta e torturantemente, desabotoar e descer o zíper da calça, revelando, em seguida, sua cueca boxer.
- 50 Shades of - ela brincou, se referindo ao tom de cinza da cueca.
abriu a boca para proferir qualquer sacanagem em resposta, mas acabou por soltar um longo gemido quando sentiu a mão delicada da amiga, por cima do tecido fino da roupa íntima, envolver seu pênis, que, em meio a carícias, foi se enrijecendo cada vez mais. Em um movimento, puxou a cueca para baixo e, após observá-lo se despir completamente, analisando minuciosamente cada detalhe do corpo nu do garoto, deixou ele tirar a blusa que ela vestia, revelando o sutiã de renda roxa que fazia conjunto com a calcinha que ele já tinha visto. Em seguida, a saia preta de tomou o mesmo rumo que a blusa, deixando-a apenas com as roupas íntimas que, aos olhos de , a deixavam ainda mais desejável.
- Direitos iguais, uh? - ele disse, massageando a intimidade de , que mordia o próprio polegar. riu ao notar os discretos rebolados da garota para intensificar o contato.
- Já chega, né? - ela questionou em um tom de súplica.
Mesmo que o roxo da lingerie em contraste com a pele de fosse tão agradável de se admirar, desabotoou o sutiã enquanto voltava a embolar sua própria língua à língua dela, em mais um beijo cheio de desejo. Entorpecida pelas sensações estranhamente familiares que o beijo de lhe causava, só notou que estava nua quando sentiu os dedos dele brincarem com seu clitóris.
desceu os beijos e trilhou um caminho pelo corpo de , que se contorcia em expectativa.
- Você é linda, sabia? - ele disse com os lábios roçando na pele sensível da intimidade da garota. Quando sentiu a língua dele explorar sua vagina, não conseguiu conter o gemido que escapou pela garganta e agarrou os fios de cabelo de enquanto ele sugava seu clitóris.
- Porra, ! - ela exclamou com o pouco fôlego que lhe restava.
Ao escutar seu nome ser pronunciado tão deliciosamente, da forma que ele tantas vezes se pegava imaginando, intensificou ainda mais as provocações, deixando sua saliva se misturar cada vez mais com a excitação de e apreciando o gosto dela. Quando sentiu que ela estava perto de atingir o clímax, o rapaz fez o caminho de volta, depositando beijos molhados por toda a pele da garota até alcançar seus lábios novamente.
- Não, - choramingou. - Termina, por favor.
- Prometo que vai ser melhor ainda, babe - ele disse, ao pé do ouvido dela, com um tom de voz baixo e rouco.
se esticou para pegar um pacote de camisinha no criado-mudo e, em seguida, rasgou a embalagem. assistiu, impaciente, o garoto se proteger devidamente e o puxou para mais um beijo quando ele voltou a se deitar por cima dela. Lentamente, a penetrou, sentindo cada centímetro de seu pênis ser envolvido pela quentura da intimidade de . As estocadas começaram lentas, como se ele estivesse preparando o terreno para o que estava por vir, mas logo os quadris de ambos se chocavam com agressividade. Eles não precisaram de muitas investidas para, juntos, se deliciarem com um prazeroso orgasmo.
Para , eles haviam acabado de atender a um desejo repentino e incontrolável. Entretanto, o que ela não sabia era que, para , eles haviam acabado de fazer amor.
Os dois, finalmente, se desvencilharam e abriu o braço para que a garota deitasse junto a ele.
- É, até que você beija bem - falou, embolando as palavras e arrancando uma fraca risada do amigo, antes de cair em um sono profundo.
- Eu te amo, - soprou contra os lábios dela.
Ao mesmo tempo que ele se sentia feliz pelo momento íntimo que eles tinham acabado de compartilhar, também se sentia amedrontado ao pensar sobre as péssimas consequências que aquele mesmo momento traria. manteve seus olhos abertos para apreciar a mulher que amava dormindo tão serenamente em seus braços o máximo de tempo que foi capaz, mas, contra sua vontade, ele acabou se rendendo ao cansaço que o consumia e se permitiu dormir e sonhar que , por fim, era dele.


Capítulo Três

So when all that you ever believe
Comes apart at the seams
And when all of the bridges you build
Are washed away in a stream
Whatever comes
It’s not the end
We gotta fight
And take a stand

Hurt Lovers - Blue

Fevereiro de 2015

abriu os olhos e instantaneamente se arrependeu amargamente por ter bebido tanto na festa de . Há anos ela não bebia daquele jeito, sem pensar no dia seguinte, e naquele momento pôde se lembrar por quê. Ela sentiu uma mão envolvendo um de seus seios, vinda por trás, e riu de leve.
- - ela sussurrou, virando-se para o outro lado com calma.
Antes que seus olhos pousassem na pessoa deitada ao seu lado, ela se lembrou de um detalhe importantíssimo: não estava em Londres.
- Puta que pariu! - berrou, jogando a mão de para longe de seu corpo e fazendo o garoto acordar assustado. Ela se sentou na cama, sem reação.
Confuso, desceu os olhos pelo corpo nu da garota e, quando pousou os olhos em seu rosto e notou quão apavorada ela estava, esfregou as pálpebras, murmurando:
- Agora fodeu a porra toda.
Flashes da madrugada passaram na cabeça de , tão reais que pareciam estar acontecendo de novo. Era como se naquele momento ela estivesse novamente sentindo aquela vontade incontrolável de beijar . Ela podia sentir a língua dele se embolando com a dela, as mãos dele ousando tocar em locais que nunca antes haviam explorado, os dentes dele dando mordidinhas no ponto exato de seu pescoço que a fazia se arrepiar da cabeça aos pés... Céus, ela não havia se lembrado de nem ao menos por um segundo.
- Eu... - ela falou, puxando o edredom para cobrir sua nudez e sentindo o coração doer ao pensar no namorado. - Eu vou embora.
- O que você pretende fazer? Fingir que isso nunca aconteceu? - questionou, observando a garota pegar as peças de roupa espalhadas pelo quarto enquanto tentava impedir que seu corpo ficasse exposto novamente, como se não tivesse visto o suficiente. Agora que cada pedaço do corpo de estava gravado em sua mente, era tarde demais.
- Me parece uma boa ideia - ela disse sem encará-lo. era sua única preocupação naquele momento.
- Sério? - soltou uma risada irônica e se levantou da cama, nem um pouco preocupado com o fato de estar nu. - Você vai fugir?
- , eu tenho um namorado - ela respondeu sem paciência. - Que é um dos seus melhores amigos, inclusive.
O tom acusatório na voz de fez uma revolta crescer no peito de .
- Agora a culpa é minha, ? Pelo que me lembro, você não pareceu se importar nem um pouco com o fato de ter um namorado quando começou a se insinuar para mim.
- Para de me colocar como a cafajeste da história! - a garota largou as peças de roupa no chão, bem como o edredom, e se aproximou de , apontando o dedo em seu rosto, aos berros. - Eu sei que fiz merda, ok? O vai me odiar para sempre!
se assustou ao ver , sempre tão segura de si, desesperada daquele jeito. Quando ela começou a chorar descontroladamente, soluçando, a única reação que ele teve foi a de puxar a garota e aconchegá-la em seus braços.
- O ... Já era... - mal conseguia formular uma frase de tanto que chorava.
- Vai dar tudo certo, . Estamos juntos nessa - ele tentou consolar, mas sabia que, de fato, haviam feito algo imperdoável. Se não os odiasse para sempre, estariam no lucro.
não podia dizer que se arrependia da noite que havia passado com , mesmo que não tivesse sido uma atitude correta. Há muito tempo ele esperava por aquilo, mas, em seus devaneios, ele jamais imaginou que aconteceria daquele jeito. Acreditava que havia sido tão bom para ela quanto havia sido para ele, só que aquele sentimento de culpa não estava em seus planos. Jamais gostaria de trair seu amigo, e muito menos fazer com que traísse o namorado. Gostaria que ela estivesse feliz após aquela noite, doía vê-la naquele estado. Uma pena a vida nunca acontecer do jeito ideal…
ainda não entendia como aquilo tudo havia acontecido, mas como ele poderia ser capaz de recusar os beijos da garota por quem era apaixonado?

O barulho dos pingos de chuva batendo nas janelas era o único som que impedia o apartamento de estar em completo silêncio. Era uma tarde de sábado fria e chuvosa que, por ironia do destino, combinava perfeitamente com o estado de espírito de . Após passar alguns minutos chorando no ombro de , ela se vestiu, sem muitas palavras, e foi embora. Havia pegado o táxi tão automaticamente que, se o motorista errasse o caminho, ela nem notaria. Ao chegar em casa, a primeira coisa que a garota tratou de fazer foi tomar um longo banho, se esfregando como se sua vida dependesse daquilo. Como se aquela ação pudesse levar embora o sentimento ruim que ela sentia impregnado em seu corpo. Não havia adiantado de nada, no final das contas, ela ainda se sentia suja.
estava sentada no sofá, vestindo um pijama de calça e mangas compridas, olhando para o nada. Ela não tinha ideia do que deveria fazer naquele momento. Tentou dormir e esquecer aquilo tudo por algumas horas, mas, sempre que fechava os olhos, o rosto de vinha à mente. Os beijos, as carícias… Junto com as lembranças, ela sentia um frio gostoso na barriga. Porém, logo uma pontada de culpa atingia seu coração. Ela se sentia uma vadia por não poder dizer que se arrependia completamente daquela noite, mesmo após trair seu namorado. O namorado que ela tanto amava. O namorado que havia ligado três vezes para seu celular e em todas elas deixou que o celular tocasse até desistir. O pior é que ela sabia que ele já devia estar voltando para Londres, pois o One Direction tinha um comercial para gravar dali a algumas horas, e logo ela seria obrigada a encarar a realidade.
O celular tocou novamente, mas daquela vez era para avisar que uma nova mensagem havia chegado. E, como já esperava, era de seu namorado.

: , ainda está dormindo? Te liguei mil vezes e você não atende. Já estou em Londres, a caminho da sua casa. Até daqui a pouco. Beijos.

suspirou. A realidade bateria à sua porta mais cedo do que ela imaginava. Ela pegou o celular e digitou uma mensagem.

: Dormi com o . E agora está vindo para minha casa. O que eu faço?

Poucos minutos depois, o celular tocou e o nome de aparecia na tela.
- Como assim você dormiu com o ?! - assim que atendeu, pôde ouvir a voz de gritar do outro lado da linha.
- Eu traí o - ela disse e lágrimas embaçaram sua visão. - Meu namoro já era, amiga.
suspirou e permaneceu algum tempo em silêncio, processando a informação. Ela estava completamente chocada. Pelo pouco que se lembrava da festa, ela havia notado que e estavam bêbados e agindo um tanto íntimos demais, mas eles eram apenas amigos… Não eram?
- Eu não sei o que dizer - falou, sincera.
- Por favor, me ajuda - suplicou. - O que eu faço? Eu não vou conseguir simplesmente esconder isso do .
- Claro que não, ! Acho que, agora que o erro já foi cometido, o melhor é ser sincera - aconselhou. - Não garanto que vai te desculpar… Na real, acho bem difícil isso acontecer assim, tão fácil, mas ele merece essa sinceridade.
- Eu o amo tanto. Não queria que nosso namoro terminasse assim - disse, sem conseguir mais conter as lágrimas.
- Calma, . Vocês se amam e se dão tão bem. Vão se resolver - a amiga consolou. - E o , hein?
- Nós discutimos… - começou, mas se calou repentinamente, ao escutar o barulho da chave destrancando a porta. - chegou. Mais tarde te ligo - ela sussurrou e finalizou a ligação antes de escutar o “boa sorte” proferido pela amiga.
- ? - se surpreendeu ao ver a namorada sentada no sofá. Como ela não atendia suas ligações e nem havia respondido sua mensagem, imaginou que ela estivesse dormindo.
passou as mãos pelo rosto, tentando disfarçar as lágrimas, e cumprimentou o namorado com um fraco sorriso. caminhou até ela e se sentou ao seu lado no sofá, analisando a expressão facial da garota com cautela. Ele já sabia que algo estava errado. Segurou o rosto de pelas bochechas e o aproximou lentamente do seu próprio, para beijá-la.
Eles se beijaram sem pressa, ambos apreciando o momento. Estavam com saudades um do outro, após alguns dias sem se verem.
colocou uma das mãos na nuca de e puxou levemente alguns fios de cabelo dele, enquanto ainda se beijavam.
- Senti saudades - o garoto disse quando finalizaram o beijo, ainda com o rosto próximo ao da namorada.
sorriu e estalou seus lábios nos dele mais uma vez.
- Eu te amo tanto, .
- Eu também te amo, - ele disse, sorrindo. Porém, seu sorriso desapareceu quando notou as lágrimas nos olhos de . - Aconteceu alguma coisa?
A garota suspirou e se afastou. Era a hora de contar o que havia acontecido e perder seu namorado.
- Espero que você possa me desculpar um dia - ela começou, forçando a voz que mal saía. Havia decidido começar pelas desculpas, já que provavelmente ela não teria a chance de proferí-las após soltar a bomba. - Jamais tive a intenção que isso acontecesse, e não teria acontecido se eu não estivesse tão bêbada ontem. Não que isso justifique o erro, mas… Nossa, se eu pudesse voltar no tempo, teria ido com você ao noivado da sua prima.
não conseguiu mais controlar as lágrimas, enquanto a observava, desconfiado. Ele estava odiando o rumo que aquela conversa estava tomando e desejando ele próprio ter insistido mais para que a namorada viajasse com ele.
- O que aconteceu, ? - sua voz soou um tanto fria, mesmo que não fosse sua intenção. Não sem antes saber o que de fato havia acontecido.
- Eu te traí - a garota falou em meio a soluços, mas entendeu perfeitamente e fechou os olhos.
Aquelas palavras haviam o ferido profundamente e ele não queria acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. Não depois de três anos de namoro. Desde o início, eles eram um casal tão apaixonado, como aquilo poderia ter acontecido? era a única mulher capaz de fazê-lo feliz e ele nunca havia tido motivos para duvidar que o sentimento fosse recíproco. Aquilo, definitivamente, não podia ser verdade.
- , eu não gosto desse tipo de brincadeira - ele disse, com uma última esperança de que aquilo fosse apenas uma gozação com sua cara.
- Eu juro que queria que isso fosse apenas uma brincadeira - falou, abraçando as próprias pernas, que estavam em cima do sofá.
- Não acredito - soltou um longo suspiro, balançando a cabeça em negação. - Com quem? Algum amigo do ?
A garota sentiu uma pontada no peito. Claro que não havia ficado feliz com aquela traição, mas o pior ainda estava por vir.
- - falou tão baixo que , por alguns segundos, se perguntou se havia entendido certo. O olhar desolado da garota não deixou dúvidas.
Ele riu, desacreditado, sem, obviamente, achar a mínima graça. Olhou para algumas vezes, procurando pelas palavras que deveriam ser ditas por ele. Ele não tinha ideia do que deveria dizer naquele momento. Como se não bastasse ter sido traído pela namorada, ele havia sido traído por um de seus melhores amigos!
se levantou e andou para longe do sofá. Ele não aguentava mais olhar para . Se ficasse mais alguns segundos perto da garota, ele não se responsabilizaria pelos seus atos.
- Se você tivesse ficado com um cara qualquer, um amigo do … Mas porra, ! Um dos meus amigos? - disse com raiva, sem olhar para , passando a mão pelo cabelo.
- , eu… - a garota tentou falar, mas se calou. O que ela poderia falar? Qualquer justificativa que ela desse jamais seria aceitável.
- Não dá mais - ele disse, fazendo o coração de bater mais depressa. O que não dava mais? O namoro dos dois? - Vou embora antes que eu faça algo que possa me arrepender depois.
sentiu um calafrio ao escutar aquelas palavras ásperas. Sem ao menos dar um último olhar para a namorada (ou seria ex?), saiu do apartamento e bateu a porta com força, sendo observado pela garota, que sentia o pânico crescer dentro de si ao ver seu namoro se desmoronar diante de seus olhos. levantou do sofá e correu em direção à porta, mas parou com a mão na maçaneta. Ela não tinha direito nenhum de ir atrás dele.

Era como se um furacão houvesse passado e levado toda a alegria embora. não se lembrava de ter sentido uma tristeza tão grande no peito desde a morte do avô, alguns anos antes. Todas suas certezas tinham ido por água abaixo de um dia para o outro. , em quem confiava cegamente, havia o apunhalado pelas costas junto com , um de seus melhores amigos. Aliás, mais do que melhores amigos, ele considerava os companheiros de banda irmãos. E bastou uma ausência sua para que aquilo acontecesse. Ele não sabia mais em quem poderia confiar.
A chuva ainda caía em Londres, agora um pouco mais branda, mas o frio continuava. apertou a jaqueta, no intuito de se proteger ainda mais do frio, sentindo pingos de chuva encharcarem suas roupas e cabelo. Ele não sabia mais diferenciar a chuva das lágrimas, o que, para ele, era ótimo. Graças à chuva, a praça estava vazia e ninguém estava presenciando aquele momento deplorável. Desde que havia dito “eu te traí”, as três palavras mais cruéis que ela poderia ter proferido, sentiu um nó na garganta e precisava chorar para se libertar daquela angústia. Chorar de raiva, de tristeza, de frustração… Por isso, ele deixou no apartamento e dirigiu até um lugar que pudesse ficar sozinho e chorar sem ninguém saber.
O celular vibrou em seu bolso e ele o pegou, lendo o nome de na tela. Sem vontade de falar com ninguém naquele momento, ele apenas rejeitou a ligação. Sabia que deviam estar loucos procurando por ele, pois estava meia hora atrasado para a gravação do comercial, então, não adiantava tentar adiar o inevitável. Guardou o celular de volta no bolso e andou até o carro, passando a mão no rosto para secá-lo o máximo possível.

- ! - gritou ao ver o amigo entrando no estúdio. Se espantou com o estado em que ele se encontrava. - Aleluia! Onde você estava? Porque não atendeu nossas ligações? Por que você está todo molhado?
- Peguei chuva - o garoto respondeu, simplesmente, sem demonstrar qualquer emoção. Não estava com paciência para responder àquele bombardeio de perguntas.
- Você não veio de carro? - questionou, preocupado.
ignorou os amigos e seguiu para o camarim, onde trocaria de roupa e seria maquiado. Os outros integrantes do One Direction, já prontos para a gravação, se entreolharam, estranhando a atitude do amigo. se perguntou se aquela reação tinha algo a ver com ele e e engoliu a seco. Ele só esperava não estar tão ferrado.
- O que deu nele? - perguntou aos outros.
- Deve ter acordado de mau humor - deu de ombros, sabendo que não era algo tão incomum assim acordar com o pé esquerdo. Todos optaram por aceitar essa explicação, por ora. Depois tentariam arrancar do mau humorado o que havia acontecido.
Poucos minutos depois, estava de volta, novamente apresentável e pronto para iniciar a gravação. A equipe de direção orientou os meninos, posicionando-os em suas devidas marcações e repassando o que deveriam fazer e dizer em frente às câmeras. Eles iriam gravar o comercial de um novo modelo de celular. O público-alvo era os jovens, portanto, quem melhor do que os cinco garotos mais famosos do mundo na atualidade?
- Corta! - o diretor gritou, interrompendo a gravação.
- Falei alguma coisa errada? - perguntou, preocupado, pois sua fala tinha acabado de ser gravada.
- Não, você foi ótimo. Maquiadora, chega aqui!
A maquiadora prontamente se disponibilizou, sem entender por que seus serviços estavam sendo solicitados.
- O da ponta esquerda. Dê um jeito naquele roxo no pescoço dele - o diretor ordenou e instantaneamente levou as mãos ao pescoço. - Está aparecendo na gravação. E nós estamos aqui para promover o celular e não a noite animada que o rapazinho ali teve, certo?
Apesar do tom de repreensão na voz do diretor, , e encararam o amigo, rindo. Nenhum deles sabia que tinha terminado a noite com alguém e acharam divertido terem descoberto daquela forma. , entretanto, sentiu o sangue ferver.
- Então você se deu bem ontem - disse, dando um tapinha no ombro do amigo, enquanto a maquiadora tentava esconder o roxo.
- Quem foi a sortuda, hein? - questionou com um sorriso maroto. - Pensei que você tivesse passado a festa com a .
- Verdade - concordou, tentando se lembrar do que havia acontecido na festa. - Você foi embora com a , não foi? Quando você pegou essa garota, então?
- Foi uma das minhas amigas da escola? - perguntou, curioso.
Quanto mais perguntas os amigos faziam, mais constrangido se sentia. Como ele diria que a “sortuda” havia sido justamente , namorada de ? , que estava observando a cena com uma cara nada agradável, vale ressaltar.
- Seja quem for, essa garota fez um belo trabalho - continuou, analisando o roxo, que por mais maquiagem que a maquiadora acrescentasse, continuava visível. riu.
A risada que, alguns segundos depois, ele se arrependeu amargamente de ter deixado escapar.
Para , que tentava se manter alheio àquela conversa, com o maxilar travado e punhos cerrados, aquela havia sido a última gota d’água necessária para o copo transbordar. Enquanto não esboçava reação aos comentários dos amigos, tentava acreditar que ele estivesse tendo um mínimo de respeito. Ir para cama com sua namorada era inaceitável, mas ele achou que ao menos um pouco de consideração ainda tinha por ele. E aquela risada ultrapassou o último fio de respeito que restava.
Tudo aconteceu muito rápido. Em um segundo, os garotos estavam debochando de , que tentava conter o sorriso; no segundo seguinte, estava com o nariz sangrando. Havia levado um soco de .
- ! O que está acontecendo? - questionou, assustado, enquanto segurava o amigo com a ajuda de . segurava , para o caso de ele tentar revidar a agressão.
- Pergunta para esse filho da puta! - disse com raiva. - Conta para eles como foi comer a minha namorada, .
, e arregalaram os olhos. Ficavam cada vez mais surpresos, enquanto juntavam as peças daquela história.
- Isso é sério, cara? - perguntou. não precisou responder. A forma como ele evitava encarar qualquer um dos amigos respondeu por si só.
- Eu espero que esse chupão aí tenha valido muito a pena - falou. Dava para sentir de longe a acidez em sua voz. - Porque você acabou com meu namoro e nossa amizade.
Após dizer isso, achou que já era o suficiente, se desvencilhou dos braços de e, em seguida, caminhou em direção à saída do estúdio. Nenhum funcionário teve coragem de barrá-lo.
- , onde você está indo? - questionou, entrando em desespero. - Se não gravarmos esse comercial hoje, a gravadora terá que pagar uma multa e estamos ferrados.
- Vocês podem gravar - deu de ombros. - Não faço mais parte do One Direction.
- Você está louco?! - o outro gritou e prontamente seguiu pelo mesmo caminho que o amigo, com a intenção de trazê-lo de volta.
Os outros três que permaneceram, não sabiam o que falar. Aquilo, definitivamente, era algo que traria dias complicados para a boyband. e tentavam não julgar o amigo, mas não puderam evitar os olhares que lançaram a , repreendendo-o.
- Alguém pode dar um jeito no nariz desse garoto? - o diretor perguntou, sem paciência - Se um roxo no pescoço era um absurdo, imagina um nariz sangrando. Por isso odeio trabalhar com essas bandinhas adolescentes.

Nos dias que se seguiram, , e bem que tentaram fazer mudar de ideia, mas nada que eles falavam fazia alguma diferença para o garoto. Ele havia tomado sua decisão e não voltaria atrás. A turnê teria que continuar sem e com cabisbaixo, se culpando a cada segundo pela saída do garoto.
One Direction, a partir daquele dia, possuía quatro membros.

Capítulo Quatro

You tell me to stay
‘Cause I’m pushing away, girl
The games that you play
It’s time for a change, change, change
Tell me, why do you treat me this way?
Take a look at the mess you’ve made
Tell me, why did you think I’d say?
I’d turn my back and just walk away

Walk Away - Kingsland Road

Abril de 2015

O escritório da Teen Dreaming estava uma loucura naquela tarde. Era sempre assim quando alguma celebridade visitava as dependências da revista, e não poderia ser diferente quando a visita da vez era uma cantora inglesa com fama internacional. Cohen estava lançando seu segundo álbum e, depois de emplacar o álbum de estreia em primeiro lugar nas paradas de diversos países, a expectativa era enorme para saber se a cantora conseguiria repetir o feito. Ela havia acabado de ser entrevistada pela colunista de música da revista, , e estava posando para uma sessão de fotos exclusiva. Enquanto a equipe de fotografia finalizava o trabalho, o vídeo gravado durante a entrevista estava sendo editado pela equipe responsável e terminava de redigir a reportagem que seria postada no site no dia seguinte. Era uma entrevista exclusiva sobre o álbum novo, primeira vez que a cantora falava abertamente sobre as novas canções. Naquelas horas, a jornalista agradecia por ser amiga de Cohen.
Após terminar a sessão de fotos, decidiu falar com a amiga.
- Espero que você esteja falando bem do meu álbum - ela falou, chegando por trás da mesa de .
- Jamais falaria mal das músicas da minha cantora favorita - disse e rodou a cadeira para olhar para a amiga, mostrando a língua.
- Acho bom - brincou, semicerrando os olhos.
- Na verdade, minha cantora favorita é a Taylor Swift, mas vou te deixar se iludir um pouquinho - a outra piscou e arrancou uma risada irônica da amiga.
- Falta muito para acabar aí?
- Acho que em uns vinte minutos consigo terminar - respondeu, dando uma conferida na tela do computador. - Por quê?
- Os meninos chegam hoje dos Estados Unidos e todo mundo vai jantar na casa da - explicou. - Se você for, podíamos ir juntas.
- Ah, é mesmo. Podemos ir juntas sim - disse. Com o dia agitado que tinha tido, havia esquecido completamente do jantar com os amigos. - mandou uma mensagem me convidando. Tinha me esquecido.
- , é? - a amiga questionou, desconfiada. Não sabia que e vinham se falando com frequência depois de toda a confusão que resultou na saída de do One Direction.
suspirou e olhou para os lados, se certificando de que ninguém prestava atenção na conversa delas, e sussurrou:
- Depois te explico.
- Certo. Vou te esperar lá fora - disse, antes de seguir para o hall de entrada do escritório da Teen Dreaming.
Mesmo com o pensamento na conversa que teria com a amiga dali a poucos minutos, tentou manter o foco para terminar a reportagem. Seria complicado explicar para a amiga o que estava acontecendo entre ela e , pois ela própria não aprovava suas próprias escolhas. Afinal, ela havia traído seu ex-namorado com ele e o One Direction estava em crise desde então. Por que ela não se afastava de de uma vez por todas, se aquilo só traria problemas para todos? Porque ela não conseguia, essa era a resposta. E como gostaria que fosse diferente…
- Vamos?
Após deixar a reportagem pronta para ser publicada na manhã do dia seguinte, a jornalista foi de encontro a e ambas seguiram juntas para o estacionamento do prédio empresarial onde se situava a Teen Dreaming.
- Desembucha, - falou assim que as duas se acomodaram nos bancos do carro de . - Que história é essa de você e estarem de papo?
- Eu tentei me afastar, ok? - se defendeu, ligando o carro. - Mas o não me deixa em paz!
- Sei... - a outra demonstrou toda sua descrença.
- ! - exclamou, indignada. - Estou falando sério. consegue ser bem insistente quando quer, viu?
- Não falei nada - disse, prendendo o riso. Apesar de não achar que aquilo estava certo, ela estava se divertindo com o desespero da amiga.
- Eu falei mil vezes para ele parar de me procurar, que o que aconteceu entre a gente foi...
- Um erro? Tem certeza?
, surpresa com a interrupção, desviou o olhar do trânsito rapidamente para encarar a amiga, em dúvida.
- Como assim? É claro que foi um erro. Eu traí meu namorado - respondeu em tom de obviedade. - E agora continuo ficando com o . Isso é muito errado!
- O que você sente pelo , ?
A pergunta pegou totalmente desprevenida. Ela esperava por uma bronca, pois sabia que continuar com o erro não era a melhor atitude a ser tomada e costumava ser bastante sensata. Para completar, aquela era uma pergunta que ela não havia parado para pensar até aquele momento. Depois de dormir com , ela sempre se pegava sentindo aquela vontade incontrolável de beijá-lo novamente... Mas o que isso significava? Nada demais, certo? Ela amava ! Como poderia gostar de ? Eles não eram apenas amigos? Mas, se ele era apenas um amigo, porque bastava ficar sozinha com ele por alguns minutos que logo eles estavam se pegando? A cabeça de estava uma confusão!
- Eu não sei... - ela disse, se sentindo perdida.
- Você gosta dele? - continuou com o questionamento. Seu bom senso dizia que estava precisando de uns puxões de orelha, mas quem era ela para julgá-la? Não queria colocar a amiga contra a parede, queria apenas ajudá-la.
- Claro que gosto. Ele é meu amigo.
- Jura? Não sabia que ele era seu amigo - retrucou com ironia. - O também é seu amigo. Devo me preocupar?
gargalhou. Sabia que a outra estava apenas brincando e tentando descontrair o clima pesado.
- Ok, - ela disse. - Não tenho ideia do que está acontecendo. Ele sempre foi apenas um amigo, mas alguma coisa vem mudando desde a festa de aniversário do .
observava a amiga em silêncio, enquanto ela estava concentrada no trânsito, mas parecendo bastante pensativa. Sempre havia desconfiado que sentisse algo a mais por e, no fundo, estava feliz pelo amigo estar tendo uma oportunidade de ficar com a garota de quem gostava. Principalmente se estava de fato começando a retribuir tais sentimentos. Mas, em compensação, ela não achava certo ambos terem magoado daquela forma e continuarem juntos, como se tivessem se livrado do problema e agora estivesse tudo certo. Era uma situação complicada e ela não sabia que posição tomar e muito menos como deveria aconselhar a amiga.
- Mas eu amo o ! Nada do que eu sinto por ele mudou nesse meio tempo - continuou, arregalando os olhos minimamente ao se dar conta de que poderia estar gostando dos dois. - Sinto tanta falta dele, .
Ela suspirou e uma expressão de desânimo tomou conta de seu rosto.
- Calma, vai ficar tudo bem - disse, mostrando um sorriso compreensivo. - Sinceramente, não sei se é certo você continuar ficando com o .
- Juro que tentei me afastar - a outra prontamente se defendeu.
- Acredito em você. Conheço o e sei que ele deve estar forçando a barra - riu levemente. - Bom, se vocês acharem que se gostam o suficiente para ficarem juntos… Só acho que vocês devem dar um tempo e esperar a poeira abaixar.
- Acho que sim - concordou, ponderando o que a amiga havia acabado de falar. Ela ainda não sabia se havia desistido de e muito menos se queria em seu futuro, mas esperar a confusão passar parecia ser uma ideia bastante sensata.
- Vamos mudar de assunto! - falou, juntando as mãos e mudando para um estado mais animado. Estava com medo de falar demais e acabar influenciando nas escolhas de . - O que você escreveu sobre meu álbum?
riu do entusiasmo da amiga e, até chegarem na casa de , o novo álbum de Cohen foi o assunto responsável por entreter as duas. Nada de , ou One Direction… O álbum que assumiria a primeira posição nas paradas do Reino Unido durante as próximas semanas era muito mais importante naquele momento.

- Sério, , você só pode estar brincando. Não acredito que você vai pedir pizza mesmo.
Assim que as amigas chegaram, avisou que o cardápio da noite seria fornecido pela Domino’s e achou que era apenas brincadeira, pois imaginou que teriam um jantar mais elaborado. Estava indignada desde que percebeu que estava falando mais sério do que nunca.
- Você não precisa comer, se não quiser - a dona do apartamento disse, dando de ombros, enquanto pegava o telefone. - Sobra mais para a gente.
- Isso tudo é preguiça de cozinhar? - perguntou aos risos.
- Não quero sua opinião, . Ainda não estou falando com você - a outra disse, seca, e recebeu um rolar de olhos em resposta.
Enquanto esperavam pela chegada dos meninos, aproveitou para contar também para o que estava rolando entre ela e e a reação da amiga foi menos compreensiva que a de . Depois de chamar ela e de nomes nada simpáticos, disse que não queria falar com nenhum dos dois por um bom tempo. Não que estivesse falando sério, de fato, pois ela não tinha nada a ver com aquilo, mas, para ela, eles continuarem tendo um caso depois da briga com o era loucura.
- Meses fazendo dieta por causa da Lucy - falou, se referindo à personagem que estava interpretando em um novo filme. - Agora que as filmagens acabaram, chega de comida saudável. Quero pizza!
- Fazer o quê? - disse e bufou, finalmente se conformando em comer pizza.
- , você está fazendo eu me sentir pior ainda - desabafou, jogada no sofá. - E olha que eu já estava me sentindo a pior pessoa do mundo.
- É para se sentir mesmo - retrucou, discando o número da pizzaria. - deve ter jogado pedra na cruz para estar fazendo tanto papel de trouxa.
- Mas o que eu posso fazer? - a outra perguntou, quase desesperada. Não obteve resposta, pois já falava com a atendente da Domino's e pedia quatro pizzas de sabores diferentes, e havia decidido que não opinaria mais sobre aquele assunto.
- Os meninos já estão no aeroporto - anunciou após finalizar a ligação e ler a mensagem que havia acabado de enviar.
- Ótimo. Estou morrendo de saudades do meu amorzinho! - disse com um enorme sorriso no rosto.
sorriu junto com a amiga, pois sabia bem como era aquela sensação de estar prestes a rever o namorado que estava longe há semanas. Não pôde evitar, em seguida, a melancolia que sentiu devido àqueles pensamentos. Como ela gostaria de ainda ter um namorado para esperar voltar de viagem...
- O que eu faço, meninas? - ela voltou a perguntar, choramingando. - Eu e estávamos tão bem...
- Já tentou conversar com ele? - questionou e se sentou ao lado da amiga no sofá.
- Claro que já! - respondeu. - Toda vez que o vejo tento pedir desculpas e ele nem ao menos se dá o trabalho de olhar na minha cara. Cansei de ser ignorada.
- Não é para menos, né? - a outra rebateu.
- Vocês vão continuar com esse namoro falso até quando? - perguntou.
- Não sei - disse em meio a um suspiro. - Os empresários exigiram que continuasse saindo comigo em público para os fãs não relacionarem o nosso término com a saída dele do 1D, mas não deram um prazo. Não vejo a hora de isso acabar, só serve para me dar falsas esperanças de que podemos nos acertar.
- Deve ser horrível ter que fingir um namoro nessas condições - falou com pesar. Ela odiava ter que ver a amiga naquela situação.
- Desculpa, . Mas você pediu por isso - disse, com sinceridade, e recebeu um olhar duro de . Ela também estava com pena de ver a amiga tão cabisbaixa, mas ainda não tinha engolido aquela história.
- Eu sei... - concordou com um sorriso triste nos lábios. - Não mereço o .
- Também não é assim - a outra falou. - Concordo que você vacilou, mas se você quer o de volta, corre atrás! Mostra para ele que você o ama e está arrependida.
- Exatamente - disse. - Sei que você está mexida por ter ficado com o , mas não desista do , se é dele que você gosta.
apenas assentiu em silêncio. Ela estava muito confusa, mas sabia que teria que tomar uma decisão e ir atrás do que ela queria.
- Vou sair com o amanhã - ela contou e, em seguida, a campainha tocou.
- Boa sorte, - falou, sorrindo para a amiga, antes de se levantar e correr para abrir a porta e encher de beijos.
Enquanto recepcionava com o mesmo entusiasmo, foi cumprimentar com um abraço. Quando ele aproximou o rosto para depositar um beijo nos lábios dela, a garota virou a cabeça para ser beijada na bochecha. Felizmente, o constrangimento não teve tempo de tomar conta do ambiente, pois puxou para um abraço apertado enquanto berrava que estava morrendo de saudades.

As ruas de Londres estavam movimentadas naquela tarde de sol. caminhava pela calçada com calma, ignorando os olhares que recebia, pois odiava ser o centro das atenções. Ser namorada de um popstar tinha suas desvantagens. Ela estava indo até o local onde havia combinado de encontrar e, mesmo com vontade de vê-lo, não estava tão ansiosa assim para aquele encontro. Como nas últimas vezes que haviam tido aqueles falsos encontros apenas para serem fotografados em público e tirarem algumas selfies para postarem em suas contas do Instagram, já sabia que seria ignorada.
Quando ela chegou no ponto de encontro, em uma praça próxima à sua casa, logo encontrou rodeado por um grupo de fãs. parou a alguns metros de distância, logo tendo sua presença notada, e esperou o garoto terminar de dar autógrafos e tirar fotos, com um leve sorriso nos lábios. Ela achava encantador como, mesmo depois de sair do grupo, ele continuava tão atencioso com os fãs. Mesmo de longe, era possível perceber como ele atendia a todos com prazer.
, ao terminar de falar, simpaticamente, com cada uma das fãs, se despediu e caminhou em direção a .
- Oi - ele disse, sem demonstrar qualquer sentimento. Colocou as mãos nas bochechas da ex-namorada e selou seus lábios nos dela.
sabia que nenhum sentimento estava sendo transmitido naquele beijo por parte de , mas não pôde evitar a boa sensação que preencheu seu peito ao beijá-lo.
- Tudo bem? - ela perguntou quando ele se afastou.
- Tudo - respondeu, simplesmente, deixando constrangida por ter falhado em sua tentativa de começar uma conversa civilizada.
Após olhar para os lados e constatar que ainda estavam sendo observados, forçou o sorriso mais verdadeiro que conseguiu e puxou a garota pela mão.
- Vamos acabar logo com isso.
, decepcionada ao concluir que passaria mais alguns minutos torturantes ao lado do ex-namorado, sorriu fraco e optou por segui-lo em silêncio. Quando estavam mais afastados, longe de olhares curiosos, soltou sua mão e sentou-se em um banco. A garota, ainda em pé, cruzou os braços e o encarou, indignada com tantas atitudes imaturas. Ela também não estava nada contente de ter que passar por aquela situação, mas, já que estavam sendo obrigados a fazer aquilo, que fosse amigavelmente.
- É sério isso? Você não vai nem olhar na minha cara? - ela questionou, também indo se sentar no banco.
- Me parece uma ótima ideia - respondeu com um sorriso no rosto que emanava ironia de uma ponta a outra.
bufou, irritada. Ela entendia que estivesse a odiando, mas o que custava agir como um adulto?
- Desse jeito, logo vão desconfiar que esse namoro agora é falso.
- Sempre foi, né? - ele disse e soltou uma leve risada sarcástica.
Aquelas palavras afetaram mais do que ela gostaria. Ela sabia que não estava sendo honesto, pois ele estava magoado e fazendo de tudo para atingi-la, mas só de imaginar que ele pudesse se sentir daquele jeito a respeito de um namoro que ela tinha se entregado de corpo e alma, um nó nascia em sua garganta.
- Não da minha parte - ela rebateu, medindo as palavras para evitar iniciar uma discussão.
- Imagino... Por isso me traiu com meu amigo - continuou com as provocações.
- Foi um erro, . E você sabe disso - ela disse. - Fui sincera em cada pedido de desculpas que te fiz. Me arrependo do fundo do meu coração de ter feito isso com você e faria qualquer coisa para tudo voltar a ser como era antes. Se nada disso fosse verdade, se eu não te amasse mais, já teria terminado com você e ficado com o há muito tempo.
tinha a ilusão, como nas outras vezes, de que as palavras dela ajudariam a mudar alguma coisa na cabeça teimosa de , porém, mais uma vez, estava errada. O garoto ficou em silêncio, como se ela nem tivesse dito nada. Ela soltou um suspiro frustrado quando ele se levantou do banco e caminhou na direção de um sorveteiro. Até quando continuaria fugindo?
Minutos depois, para a surpresa de , ele voltou segurando duas casquinhas de sorvete e ela custou a acreditar quando sentou-se novamente no banco e estendeu o sorvete de chocolate para ela. Desconfiada, pegou a casquinha e agradeceu. Depois de tanta má vontade, ela mal estava acreditando que o ex-namorado havia, finalmente, tido uma atitude pacífica. Entretanto, ele não se deu o trabalho de puxar assunto nenhum e muito menos de voltar ao que estavam conversando anteriormente.
- Finja que está feliz - ele disse, segurando o celular para que os dois tirassem uma selfie. rolou os olhos, entediada. O babaca não havia ido muito longe, afinal.
Quem visse aquela foto, jamais suspeitaria de sua veracidade. Eles pareciam um casal apaixonado que estava aproveitando uma das raras tardes ensolaradas de Londres, tomando sorvete e curtindo a companhia um do outro. Até mesmo , antes de digitar uma legenda qualquer para postar a foto no Instagram, quase acreditou que eles ainda eram namorados e teve que se controlar para não sorrir ao notar quão bonita estava. Ele pigarreou, saindo do transe, e terminou de publicar a foto.
Desistindo de ver alguma simpatia verdadeira vinda de , decidiu ficar na sua e esperar o tempo passar. Ela não via a hora de ir embora. Continuou tomando o sorvete em silêncio, observando as pessoas que passeavam pela praça. Algumas notavam a presença deles, mas, por sorte, o falso casal estava tendo seu espaço respeitado.
- Que foi? - questionou, se sobressaltando ao sentir o braço de passar por cima de seus ombros e puxá-la para mais perto dele.
- Paparazzis - ele respondeu e virou a cabeça, em seguida esfregando o nariz na bochecha dela, carinhosamente.
- Onde? - questionou, procurando por alguém com uma câmera fotográfica, mas sem obter sucesso. Era apenas um meio de se distrair e controlar a vontade de virar o rosto e beijar , apesar de ela saber que aquele carinho era apenas encenação.
- Por aí.
O carinho feito com o nariz logo se transformou em diversos beijos no rosto de , que arregalou os olhos, assustada com aquela atitude.
- ! - ela exclamou ao sentir o sorvete gelado com que o garoto, aos risos, lambuzou sua bochecha. Não conteve a gargalhada que saiu pela garganta quando decidiu limpar a sujeira com a própria língua. - Para!
Rindo, ela tentava se esquivar, mas não tinha força suficiente para se soltar. Quando terminou de lamber todo o sorvete da bochecha de , se afastou, também rindo e limpando os lábios.
- Você ficou maluco? - a garota perguntou, passando as mãos pela bochecha babada. - Não tem paparazzi nenhum, não é?
- Talvez sim, talvez não… - ele respondeu com um pequeno sorriso travesso nos lábios.
- Eu não te entendo - ela disse, sinceramente. Uma hora ela estava sendo ignorada; em seguida, parecia que eles nunca tinham deixado de ser namorados. A resposta de , como não poderia deixar de ser, naquele ponto, a surpreendeu mais uma vez:
- Sinto sua falta, .
sentiu o coração bater forte com aquela revelação e diversas respostas para aquela afirmação passaram pela sua cabeça. Mas, antes que pudesse escolher uma delas, o garoto chocou seus lábios contra os dela e ela decidiu que matar as saudades dos beijos de era muito mais interessante do que falar.

O barulho da porta batendo ecoou pelo apartamento, seguido pelo som da chave trancando-a. se encostou nela, encarou o rapaz à sua frente e retribuiu o sorriso malicioso que tomava conta dos lábios dele. Com passos lentos, se aproximou e a prendeu colada à porta, entre seus braços. Os lábios dele não demoraram a se unirem aos dela para dar início a mais um beijo. Naquela altura do campeonato, eles já haviam perdido as contas de quantas vezes haviam se beijado naquele dia e se recusava a deixar de aproveitar o momento pensando sobre o que havia dado na cabeça de para, simplesmente, beijá-la daquela forma, como se nada tivesse mudado e eles ainda fossem namorados. Eles estavam tão entregues ao momento que mal perceberam o clima esquentar e suas carícias ficarem ousadas demais para um ambiente público. O próprio disse para irem para o apartamento de e quem seria ela para recusar?
- Sentiu saudades? - ele sussurrou contra os lábios da garota.
Em resposta, deslizou os dedos pelos braços do garoto, arranhando levemente a pele descoberta com suas unhas, subindo até chegar à sua nuca. Ela riu ao perceber que ele havia se arrepiado com aquela singela carícia.
- Você também - a garota acusou com um sorriso esperto.
- Nunca falei o contrário.
, em seguida, passou a dar beijos molhados no pescoço da ex-namorada, que fechou os olhos enquanto se deliciava com o toque dos lábios macios dele. Aos poucos, os beijos foram virando leves mordidas e chupões e o garoto não tinha o menor cuidado com a pele de . Ele ainda lembrava-se muito bem das marcas que ela havia deixado em no fatídico dia em que foi traído e supunha que o amigo tivesse feito a mesma coisa. Imaginar tal cena fez uma onda de ciúmes correr dos pés à cabeça e não conteve o ímpeto de levar a mão até a nuca de e, pelos cabelos, puxá-la para que pudesse ter acesso à sua boca novamente. Dessa vez, eles se beijavam mais agressivamente, um descontando a própria frustração nos lábios do outro.
Sem interromper o beijo, desceu as mãos até a parte traseira das coxas da garota e a ajudou a tomar impulso para cruzar as pernas em sua cintura. Tomou a liberdade de percorrer o apartamento a carregando, como já havia feito incontáveis vezes. Ele nem teve tempo de notar que tudo continuava exatamente igual a como era na última vez em que esteve ali alguns meses antes, inclusive os porta-retratos espalhados pela sala de estar com fotos que retratavam os anos de namoro dos dois.
Quando chegou no quarto de , logo a jogou na cama, e parou para observar a garota que ria deliciosamente. Ela ainda não estava acreditando que o dia realmente terminaria daquele jeito. mordeu o lábio inferior admirando as curvas do corpo dela, ressaltadas pela blusa e calça justas que ela vestia. Já começando a ficar impaciente, tirou as sapatilhas dos pés, se ajoelhou na cama e puxou o garoto, que continuava em pé, pelo cós da calça jeans.
- Você está lindo com essa camisa, mas prefiro sem - ela disse e puxou a camisa de estampa colorida para cima, revelando parte da barriga de . O garoto aceitou aquele incentivo e logo estava sem camisa.
sorriu enquanto deslizava as mãos pelo tronco nu dele, passando as pontas dos dedos pelas tatuagens que, em sua opinião, o deixava ainda mais desejável, e sentindo seus músculos se contraírem com a carícia. Notando a falta de ação de , que até poucos minutos antes parecia bem animado para seguir adiante com aqueles amassos, ela parou o que estava fazendo.
- ? - perguntou, preocupada. Começou a temer que o bom senso retornasse e ele desistisse de continuar, voltando a tratá-la com a estupidez de antes.
A voz de o chamando adentrou seus ouvidos, mas estava ocupado demais para responder, ponderando se realmente deveria seguir com o que estava prestes a fazer. Ele já não sabia mais o que era certo ou não e temia se arrepender mais tarde. Imagens de chorando ao contá-lo sobre a traição vieram à sua cabeça, seguidas pela briga que teve com e o momento em que ele decidiu abandonar o One Direction. Não havia sido seu único motivo, pois ele já pensava em sair do grupo antes de tudo aquilo acontecer, mas seria impossível seguir trabalhando com , assim como estava sendo torturante ter que tratar como se ainda fossem namorados para esconder toda aquela história da mídia. Seu coração batia forte e ele ainda sentia o tão familiar gosto do beijo de . Todos os sentimentos que tomaram conta de seu peito naquele dia em que seu namoro acabou voltavam aos poucos e acabaram por fazer ele tomar uma decisão.
- Você está vestida demais para o meu gosto - falou, sorrindo maliciosamente.
Puxou a blusa que vestia e a ajudou a tirá-la. Em seguida, se inclinou até alcançar os lábios dela e a beijou lenta e sensualmente, enquanto descia as mãos até o cós da calça jeans que ela vestia para desabotoá-la e descer o zíper. Se separaram para que pudesse terminar de tirar a calça, enquanto tirava a sua própria, bem como o par de tênis que calçava. Antes que pudesse mudar de ideia, ele empurrou a garota até ela se deitar na cama e se posicionou em cima dela, voltando a beijá-la. Suas línguas brincavam, sem ainda terem matado completamente as saudades uma da outra. Quase infartando de tanta ansiedade, , enquanto se apoiava apenas em um braço, não perdeu tempo e levou a mão livre até os seios de , os quais ele apertou com vontade. Desabotoou o sutiã, agradecendo por ele ser do tipo que fecha na frente, e logo a peça íntima estava sendo arremessada para um canto qualquer do quarto.
Ignorando a vontade de brincar com os seios da ex-namorada, como ele habitualmente fazia, desceu pelo corpo dela, depositando beijos molhados por onde passava, até chegar na calcinha azul-marinho que ela vestia. Para provocá-la, ele beijou sua intimidade por cima da calcinha, arrancando um gemido tímido dela. Com aquela ação ele pôde notar que, em contraste com aquela inibição, já estava molhada o suficiente e ficou satisfeito por ainda ter aquele poder sobre ela.
levantou o tronco e se apoiou nos cotovelos, enquanto observava o garoto despi-la de sua calcinha sem tirar os olhos de seu rosto. Ela manteve o contato visual, apreciando os olhos que a faziam se arrepiar sem esforço algum. Não que não fosse delicioso da cabeça aos pés, mas, se tivesse que escolher uma parte favorita do corpo dele, definitivamente seriam os olhos. Como ela amava aqueles olhos que sempre demonstravam tudo o que ele sentia…
Quando a calcinha de tomou o mesmo caminho que o restante de suas roupas e ela estava completamente nua, abaixou a cueca e revelou sua ereção. Ela abriu um sorriso malicioso e mordeu o lábio inferior, subindo e descendo os olhos por todo o corpo nu dele.
- Camisinha? - questionou.
- Mesmo lugar de sempre.
Enquanto o garoto se levantava e ia até o criado-mudo, abrindo a gaveta na qual ele sabia que estariam os pacotes de camisinha, seguia seus movimentos e se deliciava com a visão privilegiada que estava tendo da bunda do ex-namorado.
- Vem cá. Deixa que eu coloco - ela disse, ao notar que o garoto já havia aberto o pacote e se preparava para colocar o preservativo.
voltou para a cama e entregou a camisinha para ela. Fechou os olhos ao sentir as mãos dela deslizando por toda a extensão de seu pênis, mas, assim que estava devidamente prevenido, a empurrou para que ela voltasse a se deitar e se jogou por cima dela. Não queria perder mais tempo. Se envolveram em mais um beijo excitante e ele, louco por mais, acariciou a intimidade de , que gemeu contra seus lábios. Segurando o próprio pênis, o levou até a vagina dela e a acariciou, se preparando para penetrá-la. Quando, finalmente, enfiou seu membro e sentiu a intimidade da garota envolvê-lo, ele enterrou a cabeça no pescoço de e abafou um longo gemido. Com sensações indescritíveis correndo pelos corpos de ambos, eles se movimentavam em sincronia. Os dois se conheciam bem o suficiente para saber o ritmo que deveriam seguir e os locais que deveriam tocar para que tirassem o máximo de proveito possível daquele momento. O garoto não se conteve e logo estava se deleitando com as maravilhas provocadas pelo orgasmo.
, subitamente, se desvencilhou dos braços de e levantou-se da cama. Em seguida, foi até suas peças de roupa espalhadas pelo chão e as catou, seguindo para o banheiro.
- O que está acontecendo, ? - a garota questionou com dificuldade. Ela sentia seu sexo pulsar, implorando por mais. Não havia atingido o clímax ainda.
- Você pensa que eu sou idiota, ? Sei que você tem saído com o - devolveu, com raiva, voltando para o quarto, vestindo a calça jeans. - Você é uma falsa.
puxou a coberta e se cobriu. Estava se sentindo exposta para um cara que podia ser qualquer um, mas sem dúvidas não era o garoto gentil que havia namorado durante anos. Todo o desejo sexual que dominava seu corpo se esvaiu naquele momento, ela já sentia os olhos arderem enquanto observava o garoto terminar de se vestir.
- Faz o seguinte - continuou, mantendo o tom ríspido. - Liga para o e pede para ele terminar o serviço. Ele gosta de ficar com o resto dos outros, não é mesmo?
Dando um ponto final àquilo tudo, ele deu as costas e saiu do quarto, deixando incrédula. Quando escutou a porta do apartamento bater, indicando que ele realmente tinha ido embora, ela não conseguiu acreditar que havia sido capaz de algo tão baixo.
Até a manhã seguinte, ignorou as incontáveis ligações de , e , pois se sentia péssima e não estava no clima de falar com ninguém. Não conseguia parar de pensar em e no quanto aquela traição parecia ter o afetado. Ela se sentia um monstro. Quando estava quase amanhecendo, finalmente caiu no sono. Estava morrendo de dor de cabeça de tanto chorar.


Capítulo Cinco

It’s the hardest thing I’ll ever have to do
To look you in the eye and tell you I don’t love you
It’s the hardest thing I’ll ever have to lie
To show no emotion when you start to cry
I can’t let you see what you mean to me
When my hands are tied and my heart’s not free
We’re not meant to be

The Hardest Thing - 98 Degrees

Abril de 2015

- Eu vou matar o ! - exclamou com raiva.
Ela, e estavam assistindo ao show do One Direction nos bastidores da O2 Arena, quando começou a chorar copiosamente e as amigas, extremamente preocupadas, a levaram para o camarim. Após beber água e se recuperar da crise de choro, passou o restante do show contando para as amigas o que havia acontecido dois dias antes, quando foi tão cruel com ela.
- Não acredito que ele teve coragem de fazer isso - se manifestou, balançando a cabeça em negação.
- O que fez?
As garotas se sobressaltaram ao escutar a voz de vinda da porta. Ele tinha uma toalha pendurada no pescoço e angustia estampada em seu rosto. Notando que estava distante nos últimos dias, estava dedicando uma atenção redobrada à garota, suas expressões e ações. Estava sendo difícil, durante todo o show, manter sua concentração nas músicas. Ele não conseguia tirar os olhos de e viu o exato momento em que a garota começou a chorar e foi amparada pelas amigas. Sem poder abandonar o palco, se viu obrigado a finalizar o show e só então estar livre para correr até o camarim.
e fitaram a amiga, ambas esperando que tomasse a iniciativa de responder ao recém-chegado.
- É sério isso? Ninguém vai me responder? - ele insistiu.
suspirou e olhou na direção do garoto, notando que não apenas ele estava parado à porta, mas , e também. Os três estavam confusos, já que nenhum deles havia entendido a pressa do amigo para deixar o palco.
- Uma espécie de vingança - respondeu de uma vez, sentindo vontade de chorar novamente.
, preocupado, caminhou apressadamente em direção ao sofá no qual as garotas estavam sentadas. Se abaixou na frente de e segurou as mãos dela carinhosamente.
- O que aconteceu, ?
O tom de voz de era tão acolhedor que, naquele momento, ela jamais teria coragem de dizer outra coisa que não fosse a verdade.
- Vamos esperar uns dez minutinhos lá fora - se levantou, puxando .
- Qualquer coisa, é só chamar - falou.
Após todos deixarem o camarim, sentiu o clima do ambiente ficar pesado e ela não soube por onde começar. As cenas protagonizadas por ela e vieram novamente à sua cabeça e as lágrimas voltaram a escorrer descontroladamente por suas bochechas.
- Não chora, !
sentou no lugar vago ao lado de no sofá e puxou a garota, envolvendo-a com seus braços e permitindo que ela molhasse com lágrimas sua camisa já molhada de suor, devido ao show.
- Me conta o que aconteceu - ele disse, tentando soar calmo. Demonstrar o desespero que estava sentindo em ver naquele estado só pioraria a situação.
afastou os braços de , com calma, e passou as mãos no rosto para secar as lágrimas.
- Saí com ele anteontem, como estava combinado. Fomos naquela praça perto da minha casa. Ele estava sendo grosso, como sempre, mas aos poucos o clima ficou mais agradável e tudo estava correndo bem... - ela começou a contar. - Até ele falar que estava sentindo minha falta.
sentiu lágrimas encherem seus olhos novamente, mas respirou fundo para impedir que elas caíssem. No final das contas, era tudo mentira. não estava sentindo sua falta droga nenhuma.
- Fiquei tão feliz de ouvir ele dizer aquilo... - ela continuou com a voz fraca, devido ao nó na garganta. Agora, repassando as cenas, ela se amaldiçoava por ter caído naquele papinho.
, por sua vez, sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. O que ele queria, afinal? Que esquecesse de uma hora para outra e se apaixonasse perdidamente por ele?
- E então ele me beijou. - não esperou por uma reação e continuou a contar os acontecimentos. - Poderia ter sido apenas para os paparazzis verem, mas, depois de ele ter me dito aquelas coisas, achei que tinha algum sentimento naquele beijo.
Olhando para as próprias mãos, escutava as palavras ditas pela garota como se cada uma delas provocasse uma ferida em seu peito.
- Mas não entendo, - ele falou, confuso. - Você disse que ele se vingou. Como assim?
- Ele só disse isso para me amolecer e me fazer acreditar que ele me queria de volta - ela explicou. - Fomos para o meu apartamento... e transamos. Se até ali as palavras de estavam machucando , aquilo foi a última gota d'água. Ele levantou do sofá em um pulo, se controlando para não explodir com a garota. pensava que ele e estavam juntos, que, talvez, os últimos meses tivessem significado para ela tanto quanto para ele. Pelo visto, ele estava enganado. sempre estaria um passo a frente.
- Desculpa, . Eu não devia ter te contado isso - ela disse, percebendo a reação que o garoto havia tido.
- Tanto faz - ele falou, dando de ombros. - Não é como se eu pudesse te cobrar qualquer coisa. Ele era seu namorado e você ainda gosta dele.
- Acho que sim - concordou, fechando os olhos ao perceber a dor na voz do amigo. Algumas lágrimas rolaram por suas bochechas.
- E qual foi a vingança dele, afinal? - perguntou, já sem paciência de estender aquela conversa. Após ouvir tão dolorosas revelações, ele só queria ficar sozinho.
- Depois de gozar, ele simplesmente se levantou e me deixou na cama.
Os olhos de se arregalaram e ele encarou , torcendo para que tivesse entendido errado.
- Ele disse para eu te chamar para terminar o “serviço” - ela finalizou, fazendo movimento de aspas com os dedos, e com um sorriso irônico nos lábios.
Aquela revelação foi um choque para . Era difícil acreditar que tivesse tido coragem de fazer algo daquele nível com , a garota por quem ele era tão apaixonado.
- Não acredito que foi babaca a esse ponto - após alguns segundos digerindo a informação em silêncio.
- Acredite.
já não fazia mais esforço para controlar o choro. Era muito difícil, para ela, aceitar que aquilo tinha realmente acontecido. engoliu a raiva que estava sentindo do ex-companheiro de banda e foi até , abraçando-a novamente.
- Ele vai se arrepender de ter feito isso com você, - ele afirmou com convicção.
- ! - ela o repreendeu, lançando um olhar alarmado. - Você não vai se meter nisso.
- Mas, , estou tão envolvido nessa história quanto você.
- Você não vai se meter - ela repetiu. - Me promete que você não vai fazer nada.
- Tudo bem. Só porque você está pedindo - ele acabou cedendo. - não tinha o direito de fazer isso. Quem ele pensa que é para dar uma de justiceiro?
- Eu sei que ele não tinha o mínimo direito de fazer isso. Mas também não estou em condições de tirar satisfação por causa disso - disse. Ela estava arrasada, mas sabia que, no fundo, tinha pedido por aquilo. - Vamos simplesmente seguir em frente. Nós três já brigamos demais, envolvemos os meninos, atrapalhamos o One Direction… Chega.
assentiu com a cabeça, mesmo que não estivesse nem um pouco satisfeito com aquilo. Levar para a cama e largá-la daquele jeito não havia sido uma atitude mais honrosa do que a que ele teve de ir para a cama com a namorada do amigo. Em sua opinião, merecia uma bela de uma surra. sentiu os dedos de acariciarem seu rosto, secando as lágrimas que ainda estavam por ali, e permitiu que o garoto puxasse seu rosto e depositasse um beijo terno em seus lábios. Sem querer forçar a barra, preferiu não aprofundar o beijo. Queria que percebesse que não estava sozinha, que poderia contar com ele para qualquer coisa, mas não queria se aproveitar do estado fragilizado em que ela se encontrava.
- Vai ficar tudo bem, .

- O que aconteceu, amor? - perguntou para a namorada.
Eles estavam do lado de fora do camarim, esperando a conversa de e terminar, com , e .
- O amiguinho de vocês aprontou uma péssima - respondeu, bufando de raiva.
- extrapolou todos os limites - completou, tão indignada quanto a outra.
- O que ele fez? - questionou, alarmado. Quando ele pensava que aquela história já tinha rendido tudo o que podia, ela piorava.
Enquanto e contavam os acontecimentos que havia narrado para elas, sentiu o celular vibrar em seu bolso e não se surpreendeu ao ver que uma nova mensagem de havia acabado de chegar.

: Estou na área VIP. Tem como dar um pulo aqui?
: Estou indo.

Ele terminou de digitar e se voltou para a namorada.
- , vou ao banheiro e já volto.
- Tudo bem - ela concordou e depositou um rápido selinho em seus lábios.
andou pelo longo corredor, acompanhado de um segurança, e foi até a área VIP da Arena, já praticamente vazia. Encontrou distraído, debruçado em uma mureta, observando o público que se retirava do local após o show. Para não ser reconhecido, ele usava uma touca, óculos e uma jaqueta com capuz. A falta de iluminação do local também contribuía.
- Então você veio mesmo - afirmou.
No dia anterior, havia falado com e avisado que talvez aparecesse no show, anonimamente, mas pediu que o amigo não contasse a ninguém. Ele queria evitar que tivesse que encarar ou , principalmente depois do que havia feito dois dias antes com a garota.
- Como você está? - questionou, mas tendo ideia da resposta. Dava para ver no rosto de que ele estava arrasado.
- Me sentindo um lixo - foi a resposta dele. Não teve forças para sequer levantar os olhos e encarar . - Cara, eu fiz uma coisa horrível.
- O quê? - o outro questionou, sem surpresa. Já sabia que alguma coisa grave havia acontecido, pela cena que presenciou no camarim, mas preferia ouvir da boca do próprio . Não que não confiasse em , mas ela havia perdido um pouco de seu respeito após trair um de seus melhores amigos com outro de seus melhores amigos.
- Anteontem eu saí com a , para continuar com a farsa de que ainda estamos namorando, e acabei no apartamento dela. Eu planejei tudo isso, queria que ela se sentisse tão mal quanto venho me sentindo nesses últimos meses - ele contou, um tanto envergonhado. - Eu quase desisti quando nos beijamos. Ela parecia tão arrependida...
- Que maluquice você fez, ? Não vai dizer que você a obrigou a transar com você. Cara, isso é estupro! - repreendeu o amigo.
- Claro que não! - negou, arregalando os olhos. - Nós transamos, sim, mas ela quis tanto quanto eu. Por mais raiva que eu esteja dela, jamais a obrigaria.
- Menos mal - murmurou. - O que você fez, então?
suspirou, agora ainda mais envergonhado.
- Gozei e deixei ela lá, louca de tesão por mim. E mandei ela chamar o para terminar o serviço.
Falando em voz alta, aquele acontecimento parecia ainda pior. Só Deus sabia como havia sido difícil dizer aquelas coisas para e deixá-la lá, nua e com os olhos cheios de lágrimas. Ele não queria ter sido tão insensível, mas não pôde controlar seus impulsos após ser traído. Quando soube por que e continuavam ficando frequentemente, seu estado emocional apenas piorou. E ele não queria ser o único a sentir o coração sendo esmagado.
- Isso foi cruel - falou em meio a um suspiro. - Era isso que você queria? Estragar qualquer chance de vocês se acertarem e ainda entregar ela de bandeja para o ?
passou a mão pelos cabelos, retirando a touca, percebendo que a besteira que havia feito era maior do que ele tinha pensado até aquele momento.
- Enquanto você está aqui, se sentindo culpado, é ele quem está consolando a lá no camarim.
Sentindo a raiva subir dos pés à cabeça, socou a mureta, mas desejava socar a si próprio. Ele havia acabado de se dar conta de que, apesar de naquele momento ser incapaz de perdoá-la, ele ainda queria . Mas agora estava tudo perdido e o que ele temia estava acontecendo. Ele seria sim o único a sentir o coração sendo esmagado, afinal.

pegou mais uma rosquinha dentro do pacote e a molhou no leite, em seguida dando uma generosa mordida. Ela estava na cozinha de seu apartamento, tomando café da manhã enquanto encarava o notebook aberto em cima da bancada. Uma reportagem sobre o show do One Direction na O2 Arena realizado na noite anterior precisava ser escrita, mas um grave problema estava impedindo isso de acontecer: ela não havia assistido ao show, pois estava muito ocupada chorando no camarim. Tudo o que ela sabia sobre o show era a setlist e isso não ajudava muito.
Após comer o que devia ser sua décima rosquinha (ou seria a vigésima?), ela finalmente teve uma ideia que poderia ser a solução dos seus problemas. pegou o celular e abriu o grupo do WhatsApp que compartilhava com os garotos do One Direction (menos , que havia feito questão de sair também desse grupo), e .

: Meninos! Algum de vocês está acordado? Preciso de ajuda para escrever uma reportagem sobre o show. Pensei em usar depoimentos de vocês como base, já que não assisti. Se alguém puder me ligar ou vir até minha casa... Serei eternamente grata!
: Antes que alguém pergunte, estou melhor. :)

Enquanto esperava por uma resposta, ela pegou mais uma rosquinha. Logo o celular apitou e, alguns segundos depois, apitou novamente.

: Vai que é tua, .
: Vai que é tua, .

riu da cara de pau de e . E riu ainda mais quando leu as próximas mensagens que apareceram na tela.

: Por que eu?
: Vai que é tua, .
: Sério que precisa ser eu? Estou morto.

Entrando na brincadeira, ela digitou uma mensagem.

: Vem que é tua, .

Poucos segundos depois, o problema estava resolvido.

: , eu te odeio.
: Estou indo.

gargalhou por tê-lo convencido tão facilmente. E logo mais mensagens chegavam.

: O que uma boceta não faz...
: Você tirou as palavras da minha boca, .
: ! Mais respeito com a minha amiga ou não te levo o café da manhã aí na cama!
: Ok. :(
: mandou dizer que vocês são podres.
: Mas eu concordo.
: E estou apanhando por ter dito isso.
: O que uma boceta não faz, meus amigos?
: Como vocês são ridículos...
: , estou terminando de me arrumar. Daqui a pouco estou aí. Tchau, pessoal!
: Não esquece as camisinhas!

Apesar de rolar os olhos com tanta besteira, não pôde deixar de rir com as mensagens dos amigos.

: Parem de palhaçada! Hahaha
: Ok, ! Estou te esperando.
: Vou adiantar a reportagem, crianças. Beijos!

Após terminar de digitar, colocou o celular no modo silencioso, pois sabia que os amigos continuariam falando besteiras e não queria distração, já que precisava terminar aquela reportagem antes do meio-dia. Ela estava um tanto insegura sobre ter que encontrar mais cedo do que esperava, mas era um mal necessário, não poderia negar ajuda em um momento de desespero como aquele. Para o bem de seu emprego, era melhor que ela deixasse sua vida pessoal bem longe da vida profissional. Já havia causado estragos suficientes ao perder o show no qual estava a trabalho.
Seu coração ainda estava destruído, ela ainda se sentia magoada ao se lembrar de , mas, depois de uma madrugada quase inteira refletindo sobre toda aquela situação, ela havia colocado seus pensamentos no lugar e decidido não remoer mais aquela história. Tentou, por mais difícil que fosse, se colocar no lugar de e imaginou como seria se fosse o contrário. Como ela se sentiria se ele a traísse com alguma de suas amigas? Provavelmente nunca mais conseguiria olhar na cara dele. Portanto, ela estava tentando aceitar que o garoto estava magoado e havia agido daquele jeito por impulso. Não que aquilo justificasse o que ele fez ou diminuísse a dor no coração dela, mas estava tentando ser compreensiva. Ela própria havia feito algo imperdoável e não estava no direito de exigir nada. Quem sabe, com o tempo, aqueles ressentimentos não sumiriam?
Quando a campainha tocou, anunciando a chegada de , a introdução da reportagem já estava escrita. pegou o notebook em cima da bancada da cozinha e seguiu até a porta de entrada do apartamento. Equilibrou o aparelho em apenas uma mão enquanto, com a outra, abria a porta.
- Olá - ela disse e riu ao se deparar com um que parecia ter acabado de ser esmagado por um trator. Suas olheiras eram profundas e seu cabelo, claramente, ainda não havia visto um pente ou uma escova naquele dia. - Você está péssimo.
- Oi, - ele falou após bocejar. - Obrigado. Sua sinceridade me comove.
- Desculpa por ter feito você vir aqui, mas eu realmente preciso de ajuda - falou, sorrindo sem graça.
- Não tem problema - disse e entrou no apartamento. Notando que a garota estava com as mãos ocupadas segurando o computador, ele fez a gentileza de fechar e trancar a porta. - Você me recompensa depois.
O tom malicioso na voz do rapaz fez rir e balançar a cabeça em negação. Sem deixar claro se estava falando sério ou não, beijou a bochecha dela e caminhou em direção ao sofá, onde se esparramou.
- Aliás - ele começou, observando atentamente a garota, que sentava-se ao seu lado e posicionava o notebook em cima de suas coxas -, você, pelo contrário, parece ótima. Nem parece que teve uma crise de choro ontem à noite e deixou todo mundo preocupado.
- Queria que eu estivesse mal ainda? - ela questionou, enquanto dava uma rápida lida nos parágrafos da reportagem que já havia escrito, para se situar e saber o que perguntar ao integrante da boyband.
- De jeito algum! - o garoto negou, prontamente. - Fico muito feliz de ver você tão bem depois daquilo. Mas é estranho...
- Não é estranho. Eu só andei pensando e estou tentando não encarar essa situação como o fim do mundo.
- Legal... - ele falou um tanto desconfiado. - Pensou em o que, exatamente?
- Tudo - ela respondeu, dando de ombros. - Em tudo que aconteceu, em mim, em , em você...
- Eu? - questionou, surpreso. - Pensou o que em relação a mim?
- Depois. Primeiro o trabalho - respondeu e piscou para o amigo, que estava morrendo de curiosidade, mas resolveu aceitar aquela condição e esperar mais um pouco.
- Do que você precisa, exatamente?
- Que você me conte coisas sobre o show. Seus momentos favoritos, quais músicas foram mais legais de cantar, brincadeiras que você ou algum dos meninos tenha feito, cartazes feitos pelas fãs que te chamaram a atenção... Qualquer coisa está valendo.
- Certo. Vamos ver...
Enquanto se lembrava do show e relatava os momentos emocionantes ou engraçados de que se lembrava, já que havia passado a maior parte do show preocupado com ela, escutava atentamente e digitava tudo em seu notebook, já organizando o texto da reportagem para adiantar o trabalho. Eles nem viram o tempo passar. Aquela conversa estava tão agradável que eles riam e se divertiam com as coisas que contava e nem lembravam que, no final das contas, era uma entrevista para a Teen Dreaming. Nem parecia que eles estavam passando por um momento turbulento. Eram apenas dois grandes amigos passando um tempo juntos.
- Ficou ótimo! Os fãs vão adorar - disse após publicar o texto no site da revista. - Ficou melhor do que ficaria se eu tivesse assistido ao show e escrevesse do meu ponto de vista. Obrigada, .
- De nada, . Mas eu não acho - o garoto retrucou. - Você teria escrito coisas mais interessantes, tipo: "o é incrível, canta tão bem, tem tanta presença de palco... não consegui tirar meus olhos dele" - brincou, afinando a voz e fazendo a garota rir.
- Você é bem humilde - falou, fechando o notebook e o colocando na mesinha de centro. - Vai almoçar aqui, certo? Vou fazer alguma coisa para a gente comer.
levantou-se e já estava seguindo para a cozinha quando a puxou pelo braço e a arrastou de volta para o sofá.
- Antes disso, você tem que me contar sobre as coisas que andou pensando.
- ... - ela disse em meio a um suspiro.
- - o outro rebateu, rindo.
- Certo - falou ao se dar por vencida. ficaria em seu pé até saciar completamente sua curiosidade, não teria outro jeito.
- Sou todo ouvidos - o garoto disse e piscou.
- Pensei muito antes de dormir e concluí que não tenho o direito de ficar puta com - começou, dando de ombros. - Ele está magoado, agiu sem pensar... Claro que estou magoada também, mas o melhor é ficar na minha e seguir minha vida.
- Entendi... - falou, fazendo uma careta. Ele não gostava do jeito que ela continuava defendendo mesmo depois daquela covardia. - E onde eu entro nessa história?
passou as mãos pelo rosto e suspirou. Aquela seria a parte difícil.
- Acho que já causamos estragos demais, . Somos apenas amigos, confundimos as coisas, e é melhor pararmos com isso o quanto antes.
- Parar com isso? - questionou, soltando uma risada nervosa. - , você está confusa, eu sei. Não vou te pressionar, mas espera um tempo, pensa com calma.
O tom de súplica na voz do garoto fez fechar os olhos e respirar fundo. Quando reabriu os olhos, se deparou com os do garoto a analisando atentamente.
- Eu não te vejo apenas como uma amiga - ele confessou. - Nunca vi.
Aquela novidade surpreendeu , que sentiu o coração acelerar e arregalou os olhos. Ela estava chocada.
- Quando você entrou naquela sala para entrevistar a gente pela primeira vez, eu te achei linda. Durante a entrevista, percebi quão inteligente e simpática você é e fiquei encantado, mas nunca pude fazer nada, porque tomou iniciativa antes de mim.
- ... - ela falou, melancólica. Não estava acreditando que ele iria se declarar justo naquele momento, só para dificultar a situação.
- Espera. Deixa eu terminar - a interrompeu. - Como você se envolveu com o e logo começaram a namorar, deixei para lá. Além do mais, nós viramos amigos, e eu jamais me intrometeria no namoro de dois amigos. Mas eu me apaixonei por você, . Pensei que o sentimento diminuiria com o tempo, mas só aumentou e a cada dia tenho mais certeza. Eu guardaria isso para mim, se a gente não tivesse ficado, mas já que aconteceu... Acho que você precisa saber que significou demais para mim, não foi apenas diversão.
A garota escutava aquilo tudo embasbacada. Todos aqueles anos era apaixonado por ela e ela nunca havia notado! Como aquilo tinha acontecido?
- Não sei o que dizer - disse e mordeu o lábio inferior. Estava com tanto medo de, além de , também magoar . - Passei anos incríveis namorando o e ele sempre me fez muito feliz. Sempre te vi como amigo... Um grande amigo, aliás. Confesso que toda essa história me deixou confusa em relação aos meus sentimentos por você, apesar de eu realmente não ter ideia do que deu na minha cabeça para ter dado em cima de você naquele dia. Eu estava podre de bêbada. Mas todas as vezes que te beijei depois disso, foi porque eu quis - ela disparou a falar, com o intuito de amenizar a situação.
- Vamos tentar, . Por favor. Eu espero o tempo que você precisar - falou, esperançoso depois de ouvir a garota dizer aquelas coisas.
- Não, . Eu não posso te iludir assim - ela falou com um sorriso triste nos lábios. - Não quero justificar nada, mas você sabe, foi meu primeiro namorado... Eu tinha só 18 anos quando nos conhecemos, estava começando a faculdade... Talvez, bem lá no fundo, eu desejasse sair com outros caras e me divertir, antes de me prender a alguém pelo resto da vida. E não dizem que a gente precisa perder para dar valor ao que nós temos? Agora eu sei que ele era tudo que eu precisava para ser feliz.
As palavras saíam da boca de e atingiam em cheio. Ele, no fundo, já sabia daquilo tudo. Sabia que amava e era uma tarefa muito difícil superar aquele sentimento. Mas ouvir aquilo, claramente sendo dispensado, doía demais.
- O que eu mais quero é te fazer feliz, .
A garota fechou os olhos e balançou a cabeça em negação. Quanto mais insistia, pior ela se sentia.
- Você já me faz feliz. Qual é, ! Quem mais viria até minha casa me ajudar com meu trabalho nesse estado? - ela questionou, apontando para o garoto e rindo levemente. - Mas é melhor pararmos por aí. Não tem como um relacionamento começar assim e resultar em algo bom.
- Estou disposto a te fazer mudar de ideia.
A convicção de fez vacilar. Na verdade, ela acreditava que os dois pudessem, juntos, construir algo especial, mas ela já estava farta de confusão e sofrimento.
- Não dá - ela respondeu quase em um sussurro, encarando as próprias mãos. - Você tem sentimentos por mim que não são correspondidos. Me desculpa, .
Por algum tempo o silêncio tomou conta do ambiente. Ambos sofriam calados. por estar escutando da garota de quem gostava há anos o que ele mais temia, e por estar ferindo seu amigo.
- Como ficamos, então? - ele perguntou, quebrando o silêncio.
o encarou, pensando sobre o que era mais certo fazer. Sentia vontade de abraçar e dizer que ela ignoraria tudo e todos e daria o máximo para ver ele sempre sorrindo. Mas aquele era um sofrimento necessário.
- Acho melhor nos afastarmos.
arregalou os olhos, em choque. Ele não acreditava no que havia acabado de escutar.
- Você não está falando sério, está?
- Eu também não quero isso, - ela disse, suspirando pesadamente. - Mas é o melhor a se fazer, no momento. Você pode me procurar quando quiser, serei sempre sua amiga, mas não dá para agir como se nada tivesse acontecido. Eu não posso simplesmente ignorar que você é apaixonado por mim.
- Tudo bem - ele disse, sem mais forças para argumentar.
Algumas lágrimas escorreram pelo rosto de e sentiu um aperto no peito por vê-lo naquele estado. Mas o que ela poderia fazer? Estava tentando ser o mais sensata possível. Ela se aproximou dele e, com os dedos, secou as bochechas de pacientemente. No dia anterior, ele havia apoiado ela, então, por mais irônico que aquilo pudesse ser naquele momento, ela queria reconfortá-lo também. Com delicadeza, segurou os pulsos dela e afastou as mãos de seu rosto.
- Acho melhor eu ir embora.
quis dizer que ele podia ficar e eles almoçariam juntos, mas era impossível. Então, ela simplesmente assentiu com um aceno de cabeça e acompanhou o garoto até a saída. Ela abriu a porta do apartamento e se aproximou dela lentamente. A garota não impediu quando ele selou seus lábios aos dela, em um beijo terno.
- Eu gosto tanto de você - ele começou, quando se afastaram - que eu preferia ver todo dia vocês dois juntos, ser apenas seu amigo para sempre, do que me afastar de você. Pelo menos eu te teria na minha vida e saberia que você está feliz.
Em seguida, retirou-se do apartamento, deixando com o coração partido e um nó na garganta pelo resto do dia. Se aquela era a coisa mais correta a se fazer, por que ela sentia como se, mais uma vez, tivesse cometido um grande erro? Mais tarde, naquele mesmo dia, ela finalmente deixou as lágrimas rolarem livremente pelo rosto quando começou a rodar pela internet a notícia de que o namoro de e havia chegado ao fim. Ela sentia um vazio. E, por muito tempo, aquele vazio permaneceu em seu peito.
Ele esteve lá quando, no seu aniversário seguinte, não foi acordada por beijos de e nem morreu de vergonha com berrando em locais públicos Happy Birthday To You. E também quando deu sua primeira entrevista após sair do One Direction e declarou que nunca quis fazer parte do grupo e demonstrou uma enorme ingratidão às pessoas que fizeram seu sonho de viver de música se realizar. Quando ele, ao ser questionado sobre o término do namoro, disse que a amaria para sempre, mas que estava enterrando o passado para começar uma nova vida. Quando o primeiro single solo de , PILLOWTALK, foi lançado e ela não pôde sequer parabenizá-lo. O vazio esteve lá, impregnado em seu peito, quando mal reconheceu o garoto que beijava uma modelo no videoclipe; quando reconheceu perfeitamente o garoto que cantava sobre o lado puro e o lado sujo do sexo. E também quando e mandaram mensagens que diziam que o fim do One Direction seria oficializado. Quando se conformou que havia ficado no passado e não teria espaço em seu futuro. Quando aceitou que jamais deixaria de amá-lo. Em todas as vezes que sentiu falta da amizade de . Quando se deu conta de que não o amava apenas como amigo.
Ela já tinha aprendido a conviver com aquele vazio em seu peito quando percebeu que já era tarde demais e nada voltaria a ser como era antes.
Por fim, decidiu seguir em frente. Preencheu aquele vazio constante com trabalho e, finalmente, ela encontrou o conforto de que precisava.

Capítulo Seis

Some things can never be replaced
Some things are with me for always
These are the things I will remember
When I remember when
I'd rather love and lose it all
Than never have you to recall
These are the things I will remember
Again and again
When I remember when

When I Remember When - Five

Março de 2026

- Obrigada, Luke.
deu um selinho no namorado como forma de agradecimento por ele ter aberto a porta do carro para que ela pudesse sair, demonstrando seu cavalheirismo. Ela ajeitou a bolsa no ombro, segurando um pacote de presente, enquanto Luke entregava a chave do carro para o manobrista da maior e mais cara casa de festas infantis londrina. Lado a lado, eles caminharam pelo caminho de tijolinhos amarelos, uma alusão a O Mágico de Oz, que levava até uma construção de dois andares que imitava um pequeno castelo, cercada por uma grama bem verdinha e flores coloridas por todos os lados.
- Esse moleque é a cara do - Luke comentou quando eles entraram no castelinho e se depararam com um banner enorme recheado de fotos do aniversariante.
- É sim - concordou. - Travis tem o nariz da , mas de resto… É uma miniatura do .
não pôde deixar de notar como a casa de festas era incrível. Possuía um salão enorme, todo colorido, cheio de brinquedos para divertir as crianças que corriam de um lado para o outro, nitidamente loucas com tanta diversão. Por toda parte se via figuras do Batman, o tema escolhido por Travis para seu aniversário de 4 anos com um pequeno incentivo do pai. era viciado pelo super-herói e não poderia deixar de passar aquela paixão para os filhos.
- Tia !
Um pequeno Batman apareceu correndo, a capa preta ao vento, e abraçou as pernas de , que gargalhou enquanto se equilibrava para não cair.
- Olha o aniversariante! - a mulher se abaixou e deu um abraço apertado no menino. - Feliz aniversário, Travis! Está se divertindo bastante, né?
- Meu nome não é Travis - ele retrucou, fazendo uma careta adorável. - É Batman!
- Oh, tudo bem, Batman - disse e riu levemente. - Está curtindo a festa?
- Muito, tia! É a melhor festa do mundo todinho! - ele exclamou, dando pulinhos.
- Trouxe seu presente - ela falou, balançando o pacote para o menino, que o pegou animado. - O Luke ajudou a escolher. Lembra dele?
O menino levantou os olhos para o homem e o analisou por alguns segundos.
- É o moço da TV, tia! - ele abriu a boca, chocado, lembrando-se de já ter visto aquele homem na televisão algumas vezes. - É seu namorado?
- É sim - disse rindo, trocando um olhar com Luke, que também ria. - O Luke é ator, faz um seriado. Ele sabe lutar com espada, acredita?
- Sério? - o garotinho encarou Luke novamente, agora mais chocado ainda, até que abriu um sorriso animado. - Me ensina, tio Luke?
- Claro que ensino - ele respondeu e passou a mão na cabeça do menino, que, se não estivesse usando a máscara do Batman, teria seus fios de cabelo desarrumados. - Parabéns! Está fazendo quantos anos, Batman?
- Quatro - Travis respondeu, mostrando quatro dedinhos de sua mão para o mais velho.
- Isso tudo? Que velho! - Luke brincou, arrancando uma gargalhada do menino.
- Cadê sua mãe, Travis? - perguntou, mas logo percebeu a gafe e se corrigiu, rindo: - Quer dizer… Batman.
- Mamãe! A tia chegou! - o menino gritou, saindo correndo com o pacote de presente nos braços, com a capa balançando atrás de si novamente.
pegou Luke pela mão e os dois caminharam pelo salão, procurando por algum de seus amigos, desviando das crianças que corriam por toda parte. Ela nunca havia visto a maioria das pessoas com quem se deparava e imaginava que fossem pais dos coleguinhas da escola de Travis, enquanto outras ela se lembrava de ter visto no casamento de e , alguns anos antes, e julgou serem parentes ou amigos do casal. Finalmente, ela avistou um rosto conhecido perto da enorme mesa do bolo, cheia de docinhos e enfeites do Batman. puxou Luke, agora andando mais depressa e com um destino certo.
- , para de roubar docinhos! - ela exclamou em meio a risos.
- ! - ele falou e arregalou os olhos, assustado por ter sido pego no flagra. - Foi só um, eu juro.
balançou a cabeça em desaprovação, ainda rindo do amigo, e então notou uma moça ao seu lado, que também se divertia com a cena. Ela parecia ser alguns anos mais nova do que eles e tinha cabelo e belos olhos castanhos.
- Quanto tempo! Estava morrendo de saudades - disse e se aproximou do amigo para abraçá-lo, depois de meses sem vê-lo.
- Também estava com saudades, . Como você está? - perguntou e estendeu a mão para o namorado da amiga. - E aí, Luke? Beleza?
- Opa. Tudo ótimo - o outro respondeu, apertando a mão estendida.
- Tenho uma novidade - com um sorriso travesso nos lábios, falou e apontou para a desconhecida ao seu lado. - Essa é a Molly, minha namorada.
e Luke cumprimentaram a moça, sorrindo simpaticamente.
- Meus pêsames, Molly. Ter que aturar o como namorado não deve ser fácil - brincou e recebeu uma careta do amigo como resposta.
- Nossa, como você é engraçada, - ele falou, fingindo tédio. - Sou o melhor namorado do mundo!
abraçou a namorada de lado e beijou a bochecha dela.
- É, de vez em quando ele é meio chatinho mesmo - Molly disse e riu alto quando abriu a boca, indignado. - Mas é meu chatinho.
Os dois deram um selinho e sorriu com aquela cena. Era tão bom ver seu amigo feliz e com uma namorada que parecia ser ótima pessoa.
- Bom… desejo muitas felicidades ao novo casal, então - falou, simpática.
- Obrigado, - disse mostrando um sorriso enorme para a amiga. - E vocês dois? Quando vão juntar as trouxas? - ele questionou, apontando para o casal.
Luke riu e passou um braço pelos ombros da namorada.
- Quando essa bonitinha parar de trabalhar tanto e abrir um espaço na agenda para o nosso casamento - ele brincou.
riu da brincadeira, apesar de aquele ser o motivo da maioria das brigas do casal ultimamente. Não em relação a um possível casamento, mas quanto a ela estar sempre ocupada demais trabalhando e, muitas vezes, deixar de dar a devida atenção ao namorado.
- Falou o cara que passa meses longe da namorada, em Praga, gravando uma série - ela rebateu com uma careta.
- Não precisam começar uma DR, foi só uma pergunta - falou, rindo. - Ainda bem que ainda não estamos nessa fase, né, amor?
- Quero nem pensar quando você estiver em turnê - Molly disse com um biquinho nos lábios.
- Já tem turnê em vista, ? - perguntou, enquanto acariciava a mão do namorado pousada em seu ombro.
- Estou compondo o álbum novo. Ainda vai demorar um pouco - ele respondeu. - Pode ficar tranquila, Molly.
- Que bom - a moça disse e deu mais um selinho no namorado.
- Vem, vamos achar o e a - disse e saiu puxando a namorada, sendo seguido pelo outro casal. - Eles estão por aí se pegando às escondidas.

Um dos sons mais agradáveis de se ouvir preenchia o ambiente. Dezenas de crianças gargalhavam, se divertindo com as graças que dois homens caracterizados de palhaços da cabeça aos pés faziam para entreter o aniversariante e seus amiguinhos. No colo de , o pequeno Archie, de apenas dois anos, ria com vontade ao ver um dos palhaços tropeçar propositalmente no pé do companheiro de cena.
- Você está rindo, é? Coitado do palhacinho - ela disse, fazendo cócegas na barriga do menino, que se remexia em seu colo.
- Pala, tia! - ele falou, aos risos.
- Só paro se você disser quem é a madrinha mais linda do mundo.
- Tia ! - exclamou, ainda tentando escapar dos dedos da mais velha.
- E cadê meu beijo? - , para o alívio do garotinho, parou com as cócegas e virou o rosto. Ele se aproximou e estalou um beijo na bochecha dela.
Archie era, até o momento, o filho único de e , e afilhado de e . A escolha dos padrinhos havia rendido uma extensa discussão dois anos antes. não achou que aquela fosse uma boa ideia e se recusou a ser madrinha junto com o ex-melhor amigo, mas, após muita insistência por parte de , ela acabou topando. Aquele havia sido um plano bolado por e , que já estavam cansadas de ver e tão distantes um do outro, mesmo depois de tantos anos se passarem após os dois terem se relacionado brevemente e acabarem por se afastar. As duas achavam que ambos estavam sendo teimosos por desperdiçarem uma amizade tão bonita e imaginaram que Archie poderia dar um empurrãozinho, sendo um motivo para os dois manterem contato. Além dele, também era madrinha de Austin, filho mais novo de e , de um ano de idade, junto com . Ela era completamente apaixonada pelos seus dois afilhados e fazia de tudo para mimá-los, mesmo que vivesse levando broncas dos pais dos meninos.
- Também quero beijo!
olhou para o lado e se deparou com , que havia acabado de chegar na festa. Archie, animado por ver o padrinho, balançou os bracinhos e o pegou do colo da mulher. Ao lado de , estava mais uma mulher desconhecida por . Sem que ela percebesse, seus olhos estavam analisando o cabelo loiro e perfeitamente cacheado dela, bem como seu corpo definido, coberto por um vestido longo que marcava suas curvas. A desconhecida percebeu que estava sendo observada e devolveu o olhar, que logo foi desviado por ao se dar conta de que não estava sendo nada discreta.
- Oi, tio ! - Archie exclamou e, em seguida, beijou a bochecha do homem. - Olha os palhaços - ele disse, apontando para a frente, onde os dois homens continuavam a encenação.
- Eu vi. Gostou deles? - questionou, empurrando para o lado os fios de cabelo que cobriam a testa do garoto, que balançou a cabeça freneticamente, assentindo.
- Eles soltaram um pum - o menino sussurrou e botou a mão na boca para abafar uma risada em seguida.
cruzou seu olhar com o de , ambos rindo, e imaginou que ela estivesse pensando a mesma coisa. Aquela criança, definitivamente, só podia ser filha de .
- Oi, - ele se aproximou da mulher e a cumprimentou com dois beijos nas bochechas. - Está sumida.
- Muito trabalho e pouco tempo - ela explicou, suspirando. - Mas está tudo dando certo, isso que é o importante.
- Que ótimo. Fico feliz por você.
, por alguns segundos, ficou vidrada no belo sorriso que tomou conta dos lábios de . Foi impossível não pensar que o tempo só vinha fazendo bem a ele. Ele já não era, há muito tempo, o garoto que era seu amigo anos antes, magricela e que passava a maior parte do tempo fazendo brincadeiras e arrancando risadas de todos. Ele ainda tinha o bom humor de sempre, mas agora era um homem feito. Uma mão na cintura de fez com que ela se sobressaltasse e acordasse de seu rápido devaneio.
- Quer comer alguma coisa, ? - Luke questionou e deu um rápido beijo nos lábios da namorada.
sabia muito bem o que aquela ação significava. Ele estava marcando território. desviou o olhar do casal, se sentindo um pouco enjoado, e encarou o afilhado, que já estava gargalhando dos palhaços novamente.
- Você fica com ele, ? - questionou, apontando para Archie.
- Claro. Pode ir tranquila - ele respondeu.
- Até depois, bonitinho - ela disse, dando um fraco beliscão na barriga do menino.
Luke cumprimentou o outro com um rápido aceno de cabeça, que foi retribuído, uniu sua mão à da namorada e ambos caminharam para longe da algazarra que as crianças estavam fazendo.
- Ciumento - acusou, rindo. Ela achava engraçado quando Luke agia daquele jeito, demonstrando uma insegurança que ele definitivamente não tinha.
- Apenas prezando pelas coisas boas que a vida me proporcionou - ele retrucou, olhando de canto de olho para a namorada, que riu pelo nariz.
Os dois optaram por, em vez de esperarem pelos garçons que iam até as mesas, irem até o balcão onde estavam dispostos diversos tipos de salgadinhos e montarem seus próprios pratos.
- !
Uma levemente descabelada apareceu e deixou Luke escolhendo os salgadinhos e foi falar com a amiga.
- Você viu o ? - questionou. - Quero tirar umas fotos com ele e os meninos antes que minha arrumação suma por ficar correndo atrás de criança, mas ele sumiu.
- Na última vez que o vi ele estava com Travis assistindo aos palhaços. Não tem muito tempo - a outra respondeu.
- Valeu! - a mãe desesperada agradeceu. - Depois juntamos os meninos e a para tirar umas fotos com todo mundo.
- Claro - concordou, mostrando o polegar.
- Você falou com o ? - perguntou, fazendo a outra rolar os olhos.
- Apenas acenei de longe. Preferi evitar aquela noiva nojenta dele que só sabe ficar me medindo de cima a baixo. Ela é irritante - ela disse, fazendo a amiga gargalhar.
- Acho que a Nadine não vai muito com a sua cara, já que você é ex-namorada do . E ela era fã do One Direction, sabe como ele era apaixonado por você - explicou, dando de ombros, sem notar que a outra se sentiu um pouco desconfortável com aquelas palavras.
- E quem é aquela com ? - questionou, no intuito de mudar de assunto, mas também por curiosidade. Ela realmente estava com uma pulga atrás da orelha depois de ver aquela mulher.
- A Savannah? - rebateu. - Nova peguete do . Eles não estão tendo nada sério, por enquanto, mas conhecemos ela outro dia, naquele jantar lá em casa que você não foi - acusou. - Ela é bem legal. Parece que eles estão se dando bem.
Um leve mal estar tomou conta do corpo de e ela não soube explicar por que estava tão incomodada em saber que estava com uma nova mulher. Durante todos aqueles anos, ele havia tido apenas uma namorada, com quem ficou menos de um ano, e incontáveis relacionamentos casuais que duravam quase nada. Claro que com aquela tal Savannah não seria diferente…
- Vou procurar meus Batmans - disse, rindo, se referindo ao filho mais velho fantasiado de Batman e ao marido e ao filho mais novo, que vestiam camisas com estampa do mesmo super-herói. Em seguida, saiu andando sem esperar por uma resposta.
, então, se voltou para o namorado, que já havia terminado de colocar alguns salgadinhos em dois pratos e vinha em sua direção. Os dois seguiram rumo à mesa em que estavam sentados anteriormente com , , e Molly, mas que agora estava ocupada apenas pelo primeiro casal, que se beijava. pigarreou, fazendo os dois se separarem.
- Isso é uma festa infantil. Com licença - ela brincou.
- Então… - começou e ela soube que lá vinha besteira. - É bom, assim eles aprendem desde cedo sobre as coisas boas da vida.
- Vira essa boca pra lá! - deu um tapa nele. - Espero que demore bastante para o Archie aparecer com namoradinhas em casa.
- Muito pelo contrário, meu amor - o marido descordou. - Meu filho vai ser pegador que nem o pai!
- Até parece que você era pegador antes de me conhecer, . Se enxerga - a outra disse, rolando os olhos.
e Luke apenas observavam o outro casal, rindo. Um garçom passou com refrigerante e Luke pegou dois copos. Os salgadinhos estavam uma delícia, bem diversificados. Nada melhor do que comida de festa infantil.
- Tem visto o pessoal de Skins, ? - Luke perguntou, após engolir um salgadinho de queijo.
e Luke eram amigos de longa data, quando haviam feito a série britânica de enorme sucesso, Skins, e, mesmo que nunca mais tivessem trabalhado juntos, mantiveram a amizade. Ela sabia como o amigo, desde que havia botado os olhos em , quando ela ainda namorava , era caidinho por ela. Por conta disso, alguns anos antes, percebendo como a amiga andava solitária e vivendo apenas para o trabalho, o incentivou a chamar para sair. O resultado acabou sendo um namoro de pouco mais de quatro anos, que ainda seguia firme e forte.
não prestou atenção à resposta da amiga para seu namorado, pois seus olhos pousaram na mesa ao lado, onde estava sentado com sua noiva Nadine, que gesticulava intensamente enquanto falava. Ela parecia estar bem nervosa. Ele, entretanto, parecia nem estar dando ouvidos ao que estava sendo dito. Como se tivesse acabado de notar que estava sendo observado, levantou os olhos até capturar os de . Ela sentiu os salgadinhos que havia acabado de comer se revirarem dentro do estômago.

Como podia uma pessoa ser capaz de falar tanto?
Era o único pensamento que passava pela cabeça de . Nadine, sentada ao seu lado, falava sem parar já há alguns minutos e ele nem estava se dando o trabalho de prestar atenção. Ele já sabia que aquelas reclamações não os levariam a lugar nenhum, pois tudo que ela sabia fazer era reclamar de tudo, e até se sentia mal por achar que ela ficava muito mais bonita e interessante de boca fechada.
Aquilo tudo havia começado depois que passou alguns minutos brincando com Travis, o aniversariante de quem era padrinho junto com . Nadine, pela milésima vez, puxou os assuntos casamento e filhos, que já estava farto de dizer que ainda não era o momento, pois ele estava muito envolvido em reacender as chamas de sua carreira solo que estava quase falida e não tinha cabeça para mais nada. Ele estava arrependido de, em vez de dizer exatamente isso, não ter dito "espero que em breve, amor", pois agora sua noiva não estaria querendo brigar no meio de uma festa. Quanto mais ela fazia aquilo, menos vontade de se casar ele tinha.
sentiu sua pele queimar e soube que estava sendo observado. Ele levantou a cabeça e não demorou a se deparar com , na mesa ao lado, observando a cena patética que ele e Nadine estavam protagonizando. Ele sentiu um frio no estômago. odiava admitir para si mesmo que, depois de todos aqueles anos e de ter sido traído, ele ainda gostava de . Antes de Nadine, ele tinha saído com outras garotas e, inclusive, tinha tido outra namorada, mas, nem de longe, tinha sentido metade do que sentia por . Maldita .
imaginava que ela e acabariam ficando juntos, mas foi surpreendido ao saber por que a própria tinha dado um belo fora em e os dois acabaram se afastando. Mas do que adiantava? Ele a queria de volta, mas nunca havia tido coragem de ir atrás dela pedir desculpas e perguntar se ela gostaria de reatar o namoro. E agora era tarde demais. estava com Luke, que parecia ser o cara perfeito, e era bem óbvio que em breve eles estariam casados e planejando terem filhos. Para , tudo o que restaria era se casar com Nadine e aturar seus surtos pelo resto da vida.
- ! - a voz estridente de Nadine em seu ouvido o fez desviar os olhos de e encarar a noiva. - Você é muito cara de pau mesmo! Passa minutos me ignorando, como se eu fosse uma chata que você é obrigado a aturar, e ainda fica olhando para essa... Essa...
- Para, Nadine. Por favor, só para - ele disse, sem forças para discutir.
- Não me manda calar a boca! - ela exclamou, ainda mais revoltada. - Eu sou sua noiva. Me respeita! E para de olhar para a . Ela deve ser realmente muito boa de cama para você ainda ficar de quatro por ela, mesmo depois de ela te trair com seu melhor amigo e você ter uma noiva!
- Chega, Nadine! - gritou, perdendo o último resquício de paciência.
Notando que algumas pessoas próximas a eles os encararam, assustados com aquela explosão de , Nadine sentiu suas bochechas corarem.
- Vou embora - sua voz saiu quase em um sussurro. - Cansei de ser tratada como uma qualquer.
suspirou, esgotado, mas não moveu um músculo para impedir a noiva de se levantar e ir embora da casa de festas. Ele até sentiu uma paz ao parar de ouvir a voz dela ecoar em sua cabeça.

- Happy Birthday to you! Happy Birthday to you! Happy Birthday to Travis!
Todos os convidados lotavam o espaço em volta da mesa do bolo, enquanto batiam palmas e cantavam Happy Birthday To You para o pequeno aniversariante, que encarava as velas acesas fincadas no seu bolo do Batman com um brilho nos olhos. Ele estava em pé, no meio de seus pais, em cima de uma cadeira.
- Happy Birthday to Batman, pessoal! - gritou, corrigindo a todos. Travis havia pedido que fosse chamado de Batman naquele dia e ele, como o bom pai que era, estava apenas atendendo ao desejo do filho.
- Happy Birthday to you! Happy Birthday to you! Happy Birthday to Batman!
Seguindo a cantoria, , , , , e Luke pronunciaram “Batman” mais alto para que, caso alguém seguisse pronunciando “Travis”, não fosse escutado. Acabaram por arrancar diversas gargalhadas. O aniversariante sorriu, satisfeito, e se preparou para apagar a vela. Encheu as bochechas, mas foi interrompido antes de esvaziá-las.
- Calma! Faz um pedido, filho - disse antes que o menino apagasse as velas.
- Eu quero conhecer o Homem de Ferro! - Travis exclamou e, em seguida, encheu as bochechas de ar novamente e assoprou com força até apagar as velas.
Quem escutou o pedido feito pelo menino não pôde deixar de rir.
- Por que o Homem de Ferro? - questionou, confuso, olhando para o filho.
O menino olhou para o pai, sorrindo sem graça.
- A mamãe gosta dele, papai. E eu também - deu de ombros.
- Tudo bem, Batman - balançou a cabeça, rindo, e pegou o filho no colo, tirando-o de cima da cadeira.
- Vamos tirar umas fotos antes de cortar o bolo - , com Austin no colo, disse para o marido.
Pelos minutos que se seguiram, diversas fotos da família foram tiradas, junto com seus parentes e amigos. O aniversariante já estava impaciente, louco para comer um pedaço do bolo que parecia estar delicioso e voltar a brincar.

O bolo de chocolate do Batman estava já pela metade. As crianças se lambuzavam… Travis, sentado em uma mesinha com seus amiguinhos da escola, ria enquanto comia seu pedaço, com as mãos e rosto sujos de chocolate, sempre sendo fotografado e filmado pelo fotógrafo ou pelos pais. , assim como as crianças e o resto dos convidados, estava adorando aquele bolo. Ela arriscaria dizer que aquele era o melhor bolo de chocolate que havia comido em toda sua vida. Um dos melhores, sem dúvidas, era.
- Vou pegar mais um pedaço - ela disse para Luke, que ria de , que estava tentando ajudar Archie a comer sem se sujar tanto, mas acabava se sujando mais do que o menino.
Ela levantou-se da mesa que estava dividindo com o namorado, , , , Molly, e a tal Savannah, que não parava de encará-la e já estava fazendo ela se sentir desconfortável. ficou imaginando se Savannah sabia do que tinha rolado entre ela e no passado. Secretamente, ela desejou que sim, principalmente a parte de ele ter sido apaixonado por ela. Quando foi buscar seu segundo pedaço de bolo, ela logo se deparou com um garçom, que segurava uma bandeja repleta de pedaços de bolo, e pegou um pratinho.
- Obrigada - ela agradeceu, com um sorriso, e ia voltar para a mesa quando notou, ao longe, completamente sozinho e se deu conta de que, depois de cantarem Happy Birthday To You, ele não se juntou aos amigos.
O salão tinha uma porta de vidro que dava para uma área descoberta, que tinha alguns bancos, vasos de plantas e canteiros de mais flores coloridas. Seguindo por aquele espaço, as pessoas podiam chegar a uma área onde tinha uma enorme piscina, que não estava sendo usada por conta do frio que ainda fazia em Londres naquela época do ano. estava lá, sentado em um banco, fumando.
voltou-se para o garçom, que ainda estava próximo, e pegou mais um pedaço de bolo na bandeja. Sem parar para pensar, ela seguiu decididamente até onde estava. Parou na porta de vidro, ainda sem ser percebida, observando o ex-namorado e ponderando se realmente deveria fazer aquilo. Ela não queria parecer enxerida, mas havia visto ele discutindo com a noiva mais cedo, viu quando ela foi embora, e agora ele estava sozinho, já que , o único dos meninos com quem ele mantinha contato de fato, estava ocupado com os filhos. se sentia culpada, inclusive. Se ele estava ali, sem companhia alguma em vez de estar na mesa em que ela própria estava sentada com o namorado e os amigos, era parcialmente culpa dela.
- Tem alguém aqui louco para comer um bolo de chocolate maravilhoso? - ela perguntou, divertida, se fazendo ser notada.
levou o cigarro à boca, deu uma tragada e soltou a fumaça, vendo a mulher se aproximar e sentar ao seu lado. Ele estava um pouco surpreso de vê-la ali, já que eles se falavam apenas quando era extremamente necessário. Sentiu as mãos suarem de nervosismo. o observou atentamente enquanto ele apagava o cigarro em um cinzeiro e ficou um pouco desapontada por isso. Ela odiava cigarro e vivia reclamando daquele vício destrutivo que o ex-namorado tinha, quando ainda namoravam, mas não podia negar como o achava atraente fumando.
- Não precisava se incomodar - falou, pegando o pratinho que foi estendido em sua direção.
- Não é incômodo algum. Eu já ia pegar um pedaço, então te vi aqui sozinho e resolvi trazer um para você também - explicou, dando de ombros. - Sei que bolo de chocolate é o seu favorito.
jamais conseguiria explicar o sentimento que tomou conta de seu peito. Ele sentia tanta falta de ações como aquela e de alguém que se importasse com ele. Com Nadine, ele não era paparicado nem metade do que era quando namorava com . Sua noiva estava sempre ocupada demais fazendo de tudo para estar impecável para os paparazzis ou reclamando que eles não tinham se casado ainda. Ele havia a conhecido na after party do Brit Awards 2022 e nem sabia por que estava com ela desde então. Eles eram tão diferentes… acreditava que, além de Nadine o cercar por todos os lados e não dar muitas escolhas a ele, era mais cômodo seguir com aquele relacionamento do que terminar tudo e se ver sozinho novamente.
- Obrigado - ele agradeceu, notando o belo sorriso que surgiu nos lábios da garota, antes de ela dar uma garfada no seu próprio pedaço de bolo.
mordeu o lábio inferior e achou melhor desviar o olhar da mulher, antes que se pegasse hipnotizado. Ele tinha tanta saudade de tê-la próxima daquele jeito. Encarou o pedaço de bolo de chocolate em suas mãos e resolveu experimentar. Deu uma garfada generosa e fechou os olhos quando sentiu o gosto do chocolate invadir sua boca. Ele adorava bolos de chocolate, especialmente os de festa infantil, e aquele da festa do seu afilhado estava divino.
- Nossa, isso está muito bom - disse, após engolir o pedaço que mastigava. Em seguida, deu mais uma garfada no bolo.
- Essa casa de festas é incrível - falou, com um sorriso que demonstrava seu deslumbre. - Você viu a estrada de tijolinhos amarelos lá na frente?
O homem gargalhou com vontade, notando a animação exagerada dela.
- É mesmo. Você adora O Mágico de Oz - ele afirmou.
- Algumas coisas nunca mudam, né? - ela falou e indicou o pedaço de bolo com o olhar, sorrindo.
riu levemente e os dois caíram em um silêncio. Enquanto terminavam de devorar seus pedaços de bolo de chocolate, eles apenas escutavam a gritaria das crianças ao longe e a música que tocava na festa.
- Como anda sua carreira solo? - , após algum tempo, quebrou o silêncio. - comentou que você anda com problemas com a gravadora.
O cantor suspirou. Aquele era um assunto que estava tirando seu sono.
- Eles querem colocar coisas no contrato que eu não concordo, já que meu último álbum vendeu muito pouco em relação aos outros - ele explicou. - E meu empresário parece não estar nem aí.
entendia bem daquelas exigências impostas pelas gravadoras. Há alguns anos, ela havia largado seu cargo de colunista de música na revista Teen Dreaming e, devido ao seu vasto conhecimento sobre o mercado musical, ela vinha estagiando desde então com Louis Walsh e Simon Cowell e, aos poucos, se tornando a empresária de alguns dos artistas empresariados anteriormente pelos dois. Como Cohen, e , por exemplo.
- Preciso de uma solução urgente para revigorar minha carreira - ele continuou, demonstrando seu desânimo com aquele assunto. - Pensei, inclusive, em usar meu casamento para isso. Mas eu jamais seria capaz de fazer uma coisa dessas…
ficou um tanto desconfortável ao escutar aquilo. Ela não entendia por que e Nadine eram noivos há tanto tempo e ainda não estavam casados. Depois da discussão de mais cedo, em plena festa de aniversário de Travis, ela definitivamente preferia não se meter naquele assunto.
Foi então que uma ideia insana passou pela cabeça dela.
- Você já pensou em trocar de empresário, ? - ela questionou, recebendo um olhar intrigado. - Se você e seu empresário estão seguindo por caminhos diferentes, talvez seja a hora de trabalhar com outra pessoa. Se tiver interesse, podemos marcar uma reunião lá no meu escritório nessa semana.
- Como assim? - perguntou, surpreso. Por aquela ele não esperava.
- Conversamos e vemos o que podemos fazer - ela piscou, sorrindo. - Se você quiser, é claro. Pensa com calma e marca uma reunião com minha secretária. tem o telefone.
terminou de falar e decidiu que estava na hora de voltar para a realidade.
- Vou voltar para a mesa - ela falou e se levantou. - Meu namorado deve estar louco atrás de mim. Se quiser, pode se juntar a nós. O pessoal vai adorar.
assentiu com a cabeça, mostrando um leve sorriso para , e a observou caminhar de volta para o salão. Entretanto, ele preferiu ficar por lá, sozinho, enquanto pensava sobre aquela ideia maluca de sua ex-namorada ser sua nova empresária. Ele duvidava ser capaz de lidar com as emoções que estava sentindo por conta daquela reaproximação de somadas às emoções que sentiria por vê-la com Luke.


Capítulo Sete

If you wanna talk to me, talk to me
Just walk on over
A little bit of what I see is what I need
I promise I won’t bite
Don’t make it complicated, can’t you see you’re fine?
A little bit of what I see is what I need
So give me a little bit of

Just A Little Bit - Auryn

Março de 2026

- Bom, chegamos ao final do programa, pessoal. Hoje tivemos a presença de Zac Mason, goleiro do Manchester City e da Seleção Inglesa. Obrigado pela presença, Mason, sinta-se à vontade para voltar quando quiser. Você será sempre bem-vindo. Sábado que vem iremos conversar com o espanhol Pedro García, atacante do Liverpool que está brigando pela artilharia da Premier League e dando trabalho para os goleiros. Zac Mason que o diga, haha! Brincadeiras à parte, o Football Zone de semana que vem está demais, não percam! Até lá!
A vinheta de encerramento do programa surgiu na tela, indicando que a transmissão estava encerrada. A equipe de quase trinta pessoas saía de seus postos, causando um pequeno tumulto pelo estúdio. se levantou da cadeira em que estava sentado desde o início da transmissão e apertou a mão de Zac Mason, se despedindo do simpático goleiro que visitava o programa pela primeira vez. Enquanto tentava se livrar dos fios do pequeno microfone, escondidos pela camisa que ele vestia, ele rolou os olhos ao ver o diretor do programa caminhando em sua direção com cara de poucos amigos. Não que ele apresentasse uma expressão facial muito mais amistosa em outros momentos...
- ! - ele exclamou em tom de repreensão. - Você é retardado ou está apenas fingindo ser um? Tinha que lembrar todo mundo da goleada do Liverpool sobre o City? Guarde suas brincadeiras idiotas para você mesmo!
respirou fundo e mordeu a língua para evitar que as palavras que estavam há meses presas saíssem naquele instante, seguidas pela sua demissão.
- Foi só uma brincadeira, Arnold - ele disse. - Mason nem pareceu ter se ofendido. Não vou deixar de ser um apresentador divertido porque certo timinho não aguenta brincadeiras.
- Lembre-se que é o tal timinho que ajuda a pagar o meu, o seu e o salário de toda essa gente - o mais velho falou, ríspido, apontando para a equipe que organizava o estúdio. - Pense bem antes de fazer brincadeirinhas.
O diretor deu três tapinhas no ombro de , como se estivesse dando um último aviso, e saiu sem esperar por resposta. Indignado, o apresentador do programa de entrevistas a astros do futebol inglês, Football Zone, bufou em sinal de irritação. Ele achava um grande absurdo que um clube de futebol subornasse um canal esportivo para que sempre falassem bem dele. Para , aquilo, além de antiético, era nojento. Como um apaixonado por futebol, ele acreditava que os times deveriam se garantir dentro do campo, mostrando todo o esforço que faziam para serem um grande time e encherem suas sedes de troféus. Cada vez mais, desde que vinha conhecendo esse lado negro do futebol, ele concluía que aquilo tudo era apenas uma ilusão. E nada podia fazer além de seguir as ordens, por mais que não concordasse com elas. Ele era apenas o apresentador de um programa que a cada dia tinha menos audiência e, se ainda tinha um emprego, era graças àquele suborno. Se ele fosse demitido, o que faria a partir dali?
Quase uma década havia se passado desde que o One Direction tinha acabado e, com o passar dos anos, as pessoas nem se lembravam que ele havia sido integrante de uma das maiores boybands da história. Optando por não seguir trabalhando com música, começou como comentarista de futebol até conseguir ter seu próprio programa. No início, até que sua influência como cantor havia servido para o programa conquistar bons índices de audiência, mas, com o tempo, aquilo foi esfriando. Como toda boyband, eles estavam fadados ao esquecimento… passou as mãos no cabelo e suspirou. Ele não tinha saída. Já era tarde demais para voltar a trabalhar com música.
Ele caminhou em direção à única pessoa, além dele, parada dentro do estúdio. A mulher estava encostava na parede, o observando de braços cruzados.
- Aconteceu alguma coisa? - Savannah prontamente perguntou, após receber um rápido beijo nos lábios.
- Levei um esporro, só para variar - respondeu com uma careta. - Posso fazer brincadeiras com qualquer time, menos com o ó tão grandioso Manchester City.
A mulher gargalhou com o sarcasmo que escorria pelos lábios dele.
- Por que você não sai desse programa, ? - ela questionou, adotando uma postura mais séria. - Você não está nada feliz aqui.
- Não é tão fácil assim, Savy - ele respondeu em um tom gentil. - É o único meio de me sustentar.
- Qual é! Você é - ela disse, dando um leve empurrão no ombro do rapaz. - Você pode cantar, atuar, produzir artistas, ser modelo de alguma marca… - enumerou com os dedos.
- Não se iluda - riu fraco, balançando a cabeça em negação. - Estou muito tempo longe da música para conseguir me restabelecer tão facilmente assim. E ninguém vai querer me contratar para propaganda. Eles nem se lembram mais quem eu sou... Mas tanto faz, melhor deixar as coisas como estão - ele disse em meio a um suspiro. Em seguida, se lembrou do compromisso que tinha naquela noite. - Vamos? Se corrermos, talvez consigamos pegar o show de abertura.
Savannah achou melhor não contestá-lo naquele momento. merecia deixar as insatisfações de lado por algum tempo e aproveitar a noite que estava por vir. Então, ela deixou que ele a puxasse pela mão até que chegassem no carro dele e pudessem dirigir até o Royal Albert Hall, casa de espetáculos londrina.

Depois de algumas semanas fazendo shows pela Europa, com uma pequena pausa para o aniversário do filho mais velho, Cohen estava de volta a Londres para filmar o último show daquela turnê incrível. Havia sido seu retorno aos palcos, depois de um tempo afastada devido à gravidez e ao nascimento de seu segundo filho. Com Austin menos dependente dela e Travis grande o suficiente para se virar e permitir que o pai pudesse cuidar do irmão mais novo com tranquilidade, se sentiu confiante o bastante para viajar e deixar os três homens de sua vida sozinhos em casa. , como o marido e pai dedicado que era, sabia que não seria fácil se casar com uma cantora e, ao dizer sim no altar, ele estava concordando em segurar as pontas em casa quando fosse necessário, permitindo que ela seguisse o sonho de cantar. Ele também tinha sua própria carreira solo e, quando estava em turnê, era a encarregada de ficar em casa cuidando dos filhos. Era duro para os dois ficarem aquele tempo longe um do outro, mas, no final das contas, eles seguiam fazendo o que gostavam e o esforço valia a pena.
- , precisa de alguma coisa? - perguntou adentrando o camarim.
- Não, . Tudo sob controle - respondeu, tentando sorrir mesmo com as duas mãos da maquiadora em seu rosto. - Os meninos estão se comportando?
- Relaxa! - a outra exclamou, rindo. - Seus pais e o estão de olho neles. E eles não estão dando trabalho algum, está tudo ótimo, então, para de se preocupar com isso. Se preocupe em arrasar no palco daqui a pouco. O show de abertura já está acabando, você entra em meia hora mais ou menos.
murmurou algo incompreensível em resposta, mostrando certo descontentamento pelo horário de início do show já estar tão próximo. Não que ela não estivesse morrendo de ansiedade de cantar e se divertir com seus fãs, como vinha fazendo há tantos anos, mas ela não podia evitar se sentir nervosa por estar prestes a fazer uma apresentação tão importante. Notando isso, resolveu ficar no camarim até a hora de ir para o palco para tentar distrair a amiga e fazê-la esquecer o nervosismo. Ela caminhou em direção a uma mesa repleta de comes e bebes e um garçom, prontamente, pegou a jarra com suco de laranja indicada por ela e encheu uma taça com o líquido.
- Não consigo parar de lembrar daqueles shows que o McFly fez aqui, comemorando 10 anos de carreira - falou, após ter sua maquiagem finalizada. Ela rodou a cadeira até ficar de frente para a amiga.
- Eu lembro! - falou com um sorriso nostálgico, sentando em um sofá. - Eu cobri o aniversário de 10 anos deles, já fazia estágio na Teen Dreaming.
- Vim na gravação do DVD com umas amigas - continuou , também se sentindo nostálgica ao recordar-se daquelas boas lembranças. - Eu nem era famosa ainda. E agora, treze anos depois, estou aqui para gravar meu show. Que loucura! - finalizou, rindo.
- Eu vim com , a gente namorava naquela época - a outra disse, após dar um gole no suco e, em seguida, fez uma leve careta. - E ele já tinha amizade com os caras do McFly, ou seja, cheguei a vir nesse camarim - disse e olhou em volta. - Não mudou muita coisa.
- Ai, Dougie Poynter… - falou, em meio a um suspiro. - O homem da minha vida até hoje.
- Homem da sua vida? - questionou, soltando uma risada. - Nos seus sonhos, queridinha. Você já tem . Dougie Poynter é o homem da minha vida.
- E você tem o Luke! - acusou, rindo. - Ou já está pensando em botar ele para correr?
- Ainda não - disse, com um sorriso esperto. - Brincadeira. Eu jamais botaria meu lindinho para correr. Que pergunta é essa?
- E por que está enrolando o coitado? falou que ele vive comentando sobre casar com você.
- Nunca namore um cara que é um dos melhores amigos de uma das suas melhores amigas - falou e rolou os olhos em seguida.
- Vou anotar a dica para minha próxima vida, porque nessa não pretendo namorar com mais ninguém - brincou e virou a cadeira de frente para o espelho novamente, deixando que a cabeleireira desse uma última ajeitada em seu cabelo, que estava solto e levemente ondulado.
- , você está linda! - exclamou quando a amiga ficou de pé.
A cantora vestia um vestido de meia manga preto, que ia até o meio de suas coxas, com uma meia calça também preta e um cinto largo dourado, que se destacava no visual. Estava absolutamente estonteante.
- Obrigada - sorriu, agradecida pelo elogio. - E você com essas pernas de fora, hein? Está um arraso.
cruzou as pernas e levantou alguns centímetros, propositalmente, o vestido justo de um tom bem escuro de verde, e deu um gole em seu suco. Ambas acabaram por rir daquele falso exibicionismo.
As brincadeiras foram interrompidas quando a porta do camarim se abriu e a cabeça do diretor do show apareceu pela fresta.
- Quinze minutos, - ele disse e, assim como chegou, foi embora repentinamente.
- Meu Deus, olha isso - mostrou a mão, que tremia de nervoso.
- Fica calma, mulher! É só um show, você está acostumada - falou, achando engraçado a amiga estar daquele jeito depois de tantos anos de carreira.
De repente, o camarim se tornou uma confusão. Assistentes ajudavam a colocar o aparelho de retorno no ouvido, levavam copos d’água, xícaras de chá e a auxiliavam em tudo que era necessário. ficou por lá, dando um apoio moral, e acompanhou a cantora pelos corredores que levavam até o palco.
- Vai dar tudo certo - ela disse, abraçando a amiga. - O show vai ser lindo!
- Obrigada, .
Com um último sorriso, se despediu e fez o caminho de volta pelos corredores, rumo à área VIP, enquanto a outra pegou o microfone dourado que usaria durante o show das mãos de uma assistente. O público que lotava o Royal Albert Hall naquela noite vibrou quando Cohen entrou no palco.

A paciência de estava por um fio. Mais uma vez, Nadine estava uma fera, berrando em seus ouvidos. Ultimamente, ele até andava a evitando, com medo de que ela se irritasse com alguma coisa e descontasse nele. Não adiantava muito, de qualquer forma, eles sempre acabavam discutindo. Ele estava de frente para o espelho do banheiro, penteando o cabelo, enquanto Nadine estava parada na porta de braços cruzados, bufando de raiva.
- É sério isso, ? Vou ter que ir sozinha mesmo? - Nadine questionou, incrédula. - Minha prima convidou a nós dois para o jantar. Você não pode fazer essa desfeita!
- Por favor, Nadine! - ele exclamou, encarando a noiva pelo espelho. - Eu nem sei o nome dessa sua prima, que diferença minha presença vai fazer?
- Você sabe que esse argumento é péssimo, né? - disse, rolando os olhos. - Me diz qual é a diferença que sua presença nesse show vai fazer, então.
respirou fundo, se controlando para não soltar de uma vez que não queria ter que ir àquele maldito jantar fingir que eles dois formavam o par perfeito que estava sempre sorrindo e se amando, como se a vida deles como um casal não estivesse um inferno nos últimos meses. Ele sabia que, a partir do momento que eles pisassem na casa da tal prima de Nadine, ele seria mostrado para todos como um troféu. E como ele odiava aquilo. Às vezes, a impressão que tinha era a de que Nadine só insistia naquele relacionamento por ele ser um cantor famoso - mesmo que rumo ao fracasso -, e não por amor.
- é minha amiga, mãe do meu afilhado, e esse show é importante para ela - tentou argumentar, se virando em direção à noiva. - Eu já disse para o que vou, não quero furar com ele. Ele é meu melhor amigo.
- E eu sou sua noiva - ela disse entredentes. - Parece que você ultimamente anda se esquecendo desse detalhe.
notou que os olhos de Nadine se encheram de lágrimas, e sentiu um mal estar quando ela deu as costas e saiu caminhando pelo quarto. Ele tinha consciência de que não estava exercendo seu papel de noivo corretamente e, no fundo, acabava sendo tão responsável quanto Nadine por eles estarem vivendo aquela crise no relacionamento. Quando ele havia se tornado aquele cara sem sentimentos, que não se importava em agradar a própria noiva e queria mais é vê-la pelas costas? Ele passou a mão pelo rosto e caminhou a passos largos até a noiva, antes que ela saísse do quarto.
- Nadie - ele a chamou em um tom de voz sereno, segurando-a pelo braço e a forçando a virar-se em sua direção. - Me desculpa. Eu sei que tenho sido péssimo com você. Ando estressado com os problemas com a gravadora, não sei o que vai ser da minha carreira, e tenho descontado em você sem nem perceber.
A mulher permaneceu calada, sem conseguir olhá-lo nos olhos, e deixou algumas lágrimas escorrerem livremente pelo rosto. soltou um longo suspiro, secou o rosto da noiva e, em seguida, a puxou para um abraço.
- Prometo que vou mudar e te recompensar por estar passando por isso - ele disse e depositou um beijo na cabeça de Nadine.
- Vamos ao jantar da minha prima? - ela questionou, esperançosa, com o rosto enterrado no pescoço dele.
- Nadie, eu quero ir ao show da - falou, sincero, torcendo para que a noiva entendesse o lado dele e não o obrigasse a ir a um jantar que ele não queria ir.
- Você é inacreditável, - Nadine disse, nervosa novamente, e o empurrou até que ele a soltasse do abraço. - Por que você insiste tanto em sair com essas pessoas? Eles não são seus amigos de verdade, só você não enxerga isso! - ela exclamou, revoltada. - Mas tudo bem, faça o que quiser.
rolou os olhos ao vê-la sair do quarto, voltando a se sentir sem paciência para aguentar os dramas de Nadine. Se, mesmo ele tentando ser mais legal, ela continuaria a agir como uma garotinha mimada, ele só podia sentar e assistir àquele noivado desandar de vez. Se recusando a deixar que aquilo o chateasse ao ponto de ele desistir de tudo para ficar em casa naquela noite, ele pegou a carteira, o celular e a chave do carro, e saiu de casa.

Quase seis mil pessoas cantavam, em uma só voz, um dos primeiros grandes sucessos de Cohen. Sentada ao piano, a cantora tocava e cantava, sentindo que poderia se debulhar em lágrimas a qualquer instante. Era uma emoção imensurável ver tantas pessoas cantando a plenos pulmões uma música que ela compusera tão jovem, quando ainda sonhava em se tornar uma cantora famosa. Pelo palco, ao redor do piano, bailarinos executavam uma coreografia com perfeição, deixando aquela apresentação ainda mais espetacular. Na área VIP, alguns parentes mais próximos de assistiam ao show com orgulho, especialmente seus pais. Para eles, não tinha satisfação maior do que ver a filha tão bem sucedida tanto na vida pessoal, quando na profissional. Seu marido e amigos também estavam bastante contentes por estarem ali, assistindo a mais um show memorável de .
tentava prestar atenção no show ao mesmo tempo que ninava Austin, que, com protetores de ouvido e alheio ao que estava acontecendo, dormia em seu colo. Archie, no colo de , também já tinha se entregado ao cansaço, depois de correr pelos corredores com Travis, e dormia tranquilamente. Travis era a única das crianças que se mantinha acordada, assistindo ao show enquanto pulava, empolgado, no colo de . Ela ria e pedia para o garotinho ficar quieto, mas ele não dava ouvidos. Para ele, era sempre tão divertido assistir à mãe no palco.
- Tio ! - Travis gritou, acenando, animado, para o homem que adentrava o local.
Por conta da briga com Nadine, havia saído de casa mais tarde do que pretendia e, para completar, foi obrigado a passar por um leve engarrafamento no trânsito até a casa de espetáculos, o que acabou fazendo ele se atrasar. Vendo o afilhado pular animado no colo de , ele se viu obrigado a se sentar na poltrona vaga ao lado dela.
- Até que enfim - , sentado do outro lado de , falou assim que viu o amigo se sentar. - Pensei que você não vinha mais.
- Briguei com Nadine, para variar - o outro justificou o atraso e, em seguida, fez uma careta. , ao ouvir as palavras do ex-namorado, não pôde evitar encará-lo com curiosidade.
- Oi, - a cumprimentou, sorrindo, sem se importar de ela ter acabado de ouvir aquele comentário um tanto pessoal. Ele não pôde deixar de notar como ela estava bonita quando o perfume doce que ela usava adentrou suas narinas, e estranhou a ausência do namorado dela. Será que, assim como ele e Nadine, eles também estavam brigados?
- Olá - também o cumprimentou, com um leve sorriso nos lábios. Estava contente de poder assistir ao show com ele ao lado, mesmo que não tivesse sido exatamente uma escolha de sentar-se naquela poltrona.
- E aí, cara? - ele disse, bagunçando os fios de cabelo de Travis.
- Oi, tio! Você também veio assistir ao show da mamãe, é? - o garoto perguntou, inocentemente.
- Claro! Você achou que eu ia perder? - respondeu, rindo.
- Está muito legal, tio! - Travis exclamou e voltou a prestar atenção no palco. Ele estava encantado, especialmente, com as coreografias.
Eles continuaram a assistir ao show, às vezes cantando junto, às vezes preferindo apenas apreciar a belíssima apresentação. Algumas músicas depois, o choro de Austin, que havia acabado de acordar, chamou a atenção de quem estava por perto e, mesmo com a música alta, conseguiu escutar. suspirou e levantou-se com o bebê no colo.
- Vou dar um jeito nisso - ele disse para e , que eram os que estavam mais próximos, e se retirou para, em um lugar mais calmo, entender o motivo pelo qual o filho estava chorando.
Aproveitando a movimentação, Travis se remexeu até soltá-lo e desceu do colo dela. Ele saiu correndo pela área VIP e ela chamou pelo nome dele algumas vezes, sendo ignorada em todas, mas se tranquilizou quando viu o pegando no colo. Ela se sentiu um pouco desconfortável ao se ver sozinha com , apesar de ter um show rolando e eles não terem a obrigação de manter uma conversa por educação. Mesmo assim, ela se sentiu quase tão deslocada quanto ao cumprimentar e sua acompanhante, já que Savannah continuava a encará-la descaradamente, como se a estivesse analisando e julgando o tempo todo. Por conta disso, preferiu sentar-se ao lado de , já que os outros amigos estavam em casal e Luke não estava presente para salvá-la daquela situação estranha.
sentia o olhar de canto de sobre ela e, algumas vezes, teve a vontade de puxar algum papo corriqueiro. Mas, ao lembrar-se de que haviam se passado duas semanas desde que ela sugeriu que ele a procurasse no escritório para conversarem sobre a possibilidade de ela ser sua nova empresária e ele não ter dado sinal nenhum de que tinha interesse, ela imaginou que ele não quisesse ter qualquer tipo de reaproximação e preferiu continuar em silêncio.
No palco, Cohen começou a cantar outro de seus grandes sucessos, uma música que falava sobre uma jovem garota que só queria se divertir. lembrava-se de achar aquela música tão legal que a escutava repetidamente, cantando junto e, quando estava por perto, fingia estar fazendo um show para ele. O ex-namorado caía na gargalhada e a calava com beijos, dizendo para ela não estragar a música de . Aos escutar a voz da amiga cantando a música, aquelas cenas passaram pela mente de e ela teve a certeza de que o mesmo aconteceu com quando ele soltou uma leve risada.
- Essa música… - ele disse em meio a risos. - Ainda é sua música favorita?
- Nah - respondeu. - Tenho uma nova música favorita a cada álbum que a lança.
- Os álbuns daquele tal de você nem escuta, né? - ele questionou, fingindo estar ofendido, e gargalhou.
- Claro que escuto, . Esqueceu que sou jornalista e empresária? Tenho que ficar de olho no que está acontecendo no mundo da música - ela falou, com um sorriso nos lábios, e piscou um olho. - E eu sou fã de vocês, ok? Acompanho a carreira de todos.
- Falando nisso - ele começou, ao lembrar-se da proposta que havia feito na festa de Travis -, ainda estou pensando a respeito daquela ideia de você ser minha nova empresária.
E era verdade. Ele realmente havia ficado interessado naquela ideia e achava que poderia funcionar. Mas quão estranho seria ter como sua empresária? O que as pessoas achariam daquilo? Sua noiva aceitaria? Ele precisava pensar bem antes de tomar qualquer decisão.
- Tudo bem. Pode ficar à vontade para pensar quanto tempo precisar. Foi só uma ideia mesmo - ela disse e deu de ombros. Sabia que não era uma decisão fácil de ser tomada, devido às circunstâncias, e não queria criar problemas para ele e nem para si mesma.
assentiu com um aceno de cabeça e os dois voltaram a ficar em silêncio, apenas assistindo ao show. Ele sentia uma vontade quase incontrolável de falar o que quer que fosse. Durante todos aqueles anos, eram raros os momentos que ele tinha uma oportunidade como aquela de conversar com , e desejava que aquele momento pudesse durar o máximo possível. Mesmo depois de um término conturbado que o fez, por muitos anos, guardar um rancor enorme da ex-namorada, ele não podia negar que escutar a voz dela era reconfortante. Mas eles já não eram os mesmos, não tinham a mesma sintonia que tinham quando namoravam, e ele não sabia o que falar. Quando viu, estava deixando escapar as primeiras palavras que vieram à sua cabeça:
- Você está muito bonita hoje.
No segundo seguinte, entretanto, ele já se arrependia. O que diabos ele, um homem comprometido, queria ao fazer aquele tipo de elogio à sua ex-namorada, também comprometida? o encarou, surpresa, e não era para menos.
- Obrigada - ela tentou soar o mais normal possível, sorrindo levemente.
Pensou por dois segundos se deveria dizer que ele também estava bonito, porque de fato estava, mas achou melhor parar por aí.
- Veio sozinha hoje? - ele perguntou na intenção de quebrar o clima estranho, mas só depois percebeu que acabou piorando a situação. Perguntar se uma mulher está desacompanhada logo depois de dizer que ela estava bonita definitivamente não soava como ele gostaria de - e deveria - soar.
- Sim… - respondeu, soltando uma leve risada, mesmo estranhando aquela pergunta. Ele só poderia estar perguntando sobre o namorado dela, certo? - Luke está nos Estados Unidos, gravando uma participação em um novo filme.
- Legal - disse e agradeceu aos céus quando avistou , com Austin nos braços, adentrar a área VIP novamente, pois só assim para ele calar a boca e parar de falar uma besteira atrás da outra.
- Trocar fralda cagada no meio de um show, que maravilha - ele disse ao sentar-se ao lado de . - Não tenham pressa para ter filhos. Eles são ótimos, mas vêm com algumas inconveniências.
e se entreolharam, rindo de , pois sabiam que, no fundo, ele adoraria ter tido filhos muito mais cedo do que teve. Ele amava aqueles moleques mais do que qualquer coisa. Entretanto, cada um dos dois se pegou desejando que o outro realmente não tivesse filhos tão cedo. Não com Luke e Nadine.

- Um brinde a esse show foda da nossa amiga ! - um já um pouco alterado pelo álcool exclamou, levantando uma taça de vinho.
- Tem crianças no recinto, - repreendeu o amigo e riu, enquanto , de brincadeira, tapava os ouvidos de Travis.
- Vamos manter a inocência do meu filho, por favor? - ele falou com uma seriedade forçada que não enganou ninguém, já que ele próprio vivia soltando palavrões involuntariamente e levando bronca da esposa.
- O que eu falei de errado? - questionou, olhando para a namorada, que apenas riu. - Foda? Aposto que ele já escutou coisas piores na escolinha. Essas crianças de hoje em dia…
- Chega de vinho por hoje, né, meu amor? - Molly falou, rindo, e pegou a taça da mão do namorado, em seguida deixando-a em cima de uma mesinha ao lado do sofá em que estavam sentados.
Travis, entretanto, nem escutava o que era dito, pois estava ocupado demais comendo os docinhos que o padrinho roubava para ele, mesmo tendo pedido para parar de entupir seu filho de açúcar, que só o deixava mais agitado do que já era normalmente. Depois do show - que havia sido um completo sucesso, como não poderia deixar de ser -, se reuniu com os amigos no camarim, aproveitando os comes e bebes que lotavam uma mesa, e todos estavam ali, conversando, comendo e se divertindo.
- Meu bebê capotou - disse, chamando a atenção de todos, passando a mão pelos fios de cabelo de Archie, que dormia no colo de . O garotinho havia passado quase o show inteiro dormindo, acordou, comeu algumas besteiras, e voltou a dormir. - , o show foi maravilhoso, nos divertimos muito, mas acho que está na nossa hora - continuou, se levantando e caminhando até a amiga.
- Obrigada por vir - disse, dando um abraço forte na outra.
O casal se despediu dos amigos um a um. , que brincava com Austin sentada no sofá, notou se aproximando, se levantou e entregou o bebê a .
- Tchau, . - deu um abraço desajeitado na amiga, já que segurava o filho adormecido.
- Tchau, - ela falou. - Tchau, coisinha dorminhoca - ela falou em um tom mais baixo e beijou a bochecha do afilhado.
Em seguida, também se aproximou e a abraçou.
- Está toda amiguinha do , né, vadia? - ela sussurrou no ouvido de , rindo. - Depois você vai contar essa história direitinho.
- Não tenho o que contar - disse e deu de ombros.
- Abre teu olho, viu? - alertou. Ela sabia que havia crescido e não era mais a garota de anos antes, que agia por impulso, mas, depois de ver e aos risos durante o show inteiro e depois ali, no camarim, achou que, como amiga, seu papel era alertar antes que a situação saísse de controle. Aquela aproximação repentina dos dois estava esquisita demais.
- Ok, mãe - respondeu e rolou os olhos.
Depois que , e Archie foram embora, o restante do pessoal seguiu conversando animadamente. voltou a se sentar no sofá e tentou entender o que , e Molly discutiam, empolgados, mas estava cansada demais e acabou ficando com preguiça de se juntar à conversa. Quando cogitou bater um papo com , logo se arrependeu ao vê-la conversando com e Savannah. Durante todo o tempo que estavam ali, evitava se aproximar de , já que Savannah insistia em encará-la daquela forma nada agradável. Imaginou que, assim como Nadine não fazia a mínima questão de ser simpática com ela, Savannah faria o mesmo. O que não entendia, entretanto, era o motivo de duas mulheres adultas agirem daquela forma. Só por ela ter se envolvido com os namorados delas no passado? Será que elas eram tão inseguras assim? Tantos anos haviam se passado e ela própria tinha Luke. Aquela situação não tinha o mínimo cabimento.
- traíra - murmurou, pensando alto.
parecia estar se dando bem com Savannah, assim como , e estava odiando ter que dividir as amigas. O pior de tudo é que ela sabia que Savannah devia ser uma pessoa legal, pelo menos com mulheres que não haviam enfiado a língua na boca de . Patético...
Sem nada melhor para fazer, se levantou e caminhou até a mesa, onde , agora, tentava fazer Travis parar de comer os docinhos. Já que não tinha ninguém para conversar, o que restava era comer aquelas delícias que haviam sido servidas pelo Royal Albert Hall.
- , me ajuda - suplicou ao ver a mulher parada ao seu lado, escolhendo algo para comer. - Esse menino vai passar a madrugada no banheiro e vai querer me matar.
- Quem mandou querer bancar o padrinho legal? Agora aguenta aí - rebateu, rindo.
- Valeu, hein? - o homem se fez de ofendido e se virou para Travis, que estava todo lambuzado.
ria, observando tentar tirar os docinhos da mão de Travis, se lembrando de outras cenas como aquela, quando o ex-namorado brincava com os priminhos - que naquela altura já deviam estar enormes - e sempre acabava se ferrando. Ele adorava crianças e, por isso, gostava de agradá-las, o problema era que elas sempre acabavam abusando de sua boa vontade.
- Vai, Travis, colabora com o tio. Sua mãe vai me matar se souber a quantidade de açúcar que você comeu hoje - ele dizia, segurando o pequeno pelos ombros para que ele lhe desse atenção.
- Quero mais, tio - o menino implorou, fazendo biquinho.
- Esse é o último, ok? - ele falou e Travis cruzou os braços, emburrado. - Não fica chateado, você já comeu um montão de doce. Se esse for último, da próxima vez que você for lá em casa te deixo brincar com meus bonecos de super-heróis. Que tal?
Travis assentiu, balançando a cabeça veemente e, após enfiar o último docinho na boca, saiu correndo em direção ao pai. respirou aliviado.
- Subornando crianças, ? - riu.
- Não tive escolha - o homem respondeu, dando de ombros.
- Sério que você vai deixar ele brincar com sua coleção? - ela questionou, surpresa. Lembrava-se bem como era apaixonado por aqueles bonecos e não deixava ninguém encostar um dedo.
- Logo ele esquece que eu prometi isso.
abriu a boca, chocada, e deu um tapa no ombro de .
- Você está iludindo uma criança. Que absurdo! - ela exclamou e riu, sendo acompanha pelo ex-namorado na risada.
Eles nem estavam se dando conta de que, aos poucos, se sentiam mais confortáveis na presença um do outro. se dirigia à com uma confiança que não sentia há anos, sem medo de ser enxotado a qualquer momento. Do outro lado do camarim, porém, outra pessoa estava reparando atentamente naquela reaproximação desde que os viu conversando durante o show. não pôde deixar de notar aquela cena tão incomum, já que costumava evitar assim como evitava a ele próprio. Ele via os dois conversando e rindo, como dois grandes amigos, e sentia inveja. se perguntava por que a ele, que tinha sido o melhor amigo de um dia, não era dada a mesma abertura. Saber que sempre acabava o superando quando se tratava de ainda doía no fundo do coração de .

Capítulo Oito

Don’t take away the music
It’s the only thing I’ve got
It’s my piece of the rock
Don’t take away the music
Everything else is gone
Don’t strip my world of it’s song

Don’t Take Away The Music - 911

Maio de 2026

caminhava pelo longo corredor do escritório londrino da Louis Walsh Management calmamente. Ela estava voltando do almoço sem pressa, já que havia enviado uma mensagem dizendo que se atrasaria para a reunião que eles teriam naquela tarde. Os dois costumavam trabalhar juntos, pois era o produtor musical da maioria dos artistas empresariados por - além de ter uma carreira solo como cantor e ser um dos jurados do The Voice UK -, e eles tinham alguns assuntos pendentes a serem discutidos.
Apesar de não ser a sede da empresa fundada por Louis Walsh para cuidar dos negócios dos cantores e bandas empresariados por ele - pois esta ficava em Dublin, na Irlanda -, o escritório era amplo e bastante movimentado. As paredes do extenso corredor eram cobertas por diversos posteres emoldurados de artistas que trabalharam com Louis Walsh ao longo de toda sua carreira, alguns que a própria havia sido fã em sua infância e adolescência. Desde muito nova, quando começou a se interessar por música e soube que Walsh estava por trás de artistas de tanto sucesso, ela admirava o dom que aquele homem tinha para perceber em quem deveria apostar e levar ao sucesso. Depois de conhecê-lo nos bastidores do The X Factor - o qual ela frequentava na época em que era colunista de música da revista Teen Dreaming - e ter algumas conversas sobre música e negócios com ele, ela havia passado uma impressão tão boa que, quando Louis começou a pensar em se aposentar e decidiu recrutar alguns estagiários para darem continuidade à sua empresa, ela havia sido a primeira escolhida. havia conseguido se estabilizar naquele ramo e devia muito a ele por isso. Simon Cowell também tinha contribuído, pois ela também trabalhava indiretamente com ele, mas seu grande mentor era, sem dúvidas, Louis Walsh.
Observando os quadros pendurados nas paredes, percebeu que não costumava notá-los muito, pois sempre passava por aquele corredor às pressas, cheia de coisas para resolver. Sentiu-se nostálgica ao ver fotos de cantores como Shayne Ward, Shane Filan e Ronan Keating; e bandas como Westlife, Boyzone e Girls Aloud. Ela admirava um quadro em especial, lembrando-se de ter aquele poster do Westlife grudado atrás da porta do quarto no início dos anos 2000, quando sentiu o celular vibrar dentro da bolsa. Ao ver quem ligava, ela atendeu com um sorriso nos lábios.
- Oi, amor.
- A senhorita tem um tempinho para o seu namorado lindo e gostoso hoje à noite?
- Posso saber o que meu namorado lindo e gostoso está aprontando? - questionou com curiosidade.
- Um jantar.
- Um jantar? - ela repetiu, ainda mais curiosa. , em dois segundos, repassou todas as datas importantes de seu namoro com Luke, com medo de ter esquecido que aquele era um dia especial. Sentiu-se aliviada ao concluir que não havia sido vítima de sua memória sempre tão atolada de coisas. - Algum motivo especial para isso?
- Só quero fazer um programa romântico com minha namorada, para variar, já que ela está sempre trabalhando igual uma louca e nem dá bola para mim.
- Não fala assim, Luke - disse em meio a um suspiro. - A qual restaurante nós vamos?
- Restaurante? Quem falou em restaurante? Vou cozinhar para você, babe.
- Sério? - ela questionou, com um sorriso malicioso tomando conta do rosto. - Isso é sexy. Só de cueca, né?
- Provavelmente vou cozinhar vestido mesmo, mas depois do jantar o plano é ficar sem cueca.
A gargalhada de ecoou pelo corredor.
- Gostei desse plano. Vem me buscar?
- Sim, senhorita. Hoje você não escapa. Que horas passo aí?
- Não sei, no final da tarde… Tenho uma reunião com o e depois estou livre. Pode ser 17h?
- Combinado. Vou desligar, . Estou no supermercado comprando as coisas que vou precisar.
- Mentira! - ela exclamou, rindo. - Vai caprichar nesse jantar, é?
- Querida, tudo o que faço, faço bem feito. Você sabe bem disso.
- Sim, muito bem - concordou, com um sorriso esperto.
- Vou lá, então. Até mais tarde, .
- Até, chef Luke. Beijo.
Desligando o celular, olhou para a frente e viu os cinco integrantes do Westlife a encarando, no poster, e não pôde evitar esboçar um sorriso. Sentindo a ansiedade correr pelo corpo, ela seguiu andando pelo corredor, até chegar em sua sala. Só naquele momento ela se deu conta de como aquelas surpresas que Luke preparava de vez em quando faziam falta. Ela se sentia muito animada para aquele jantar, afinal, estava trabalhando tanto que mal via o namorado. Até mesmo o sexo, aspecto tão importante de um relacionamento, andava raro naqueles tempos, e imaginar que, além de passarem um tempo juntos, terminariam a noite na cama, fazia ela ficar impaciente para que as horas passassem de uma vez. Agora só restava esperar pela chegada de , e ela sabia exatamente o que faria para passar o tempo.
se sentou na cadeira giratória, pegou o tablet em cima da mesa e, com alguns cliques, estava na página inicial do YouTube. Ela buscou por Westlife - If I Let You Go e logo estava abrindo o videoclipe de uma de suas músicas favoritas do grupo. A imagem da boyband caminhando pela praia e cantando “day after day, time passed away, and I just can't get you off my mind” a fez sorrir e ela se pegou cantando junto. Entretanto, a porta da sala se abriu e tirou sua atenção do videoclipe.
- But if I let you go, I will never know - cantava cheio de gestos, fazendo caras e bocas. - What my life would be holding you close to me.
- Você também gostava de Westlife, é? - falou, rindo da encenação do amigo.
- Você está brincando - ele disse, se sentando em uma das cadeiras vagas do outro lado da mesa. - Eu adorava esses caras.
- Como o bom irlandês que você é, claro que gostava deles. Que pergunta boba a minha.
- Essa música era uma das minhas favoritas - falou e se esticou para também assistir ao videoclipe. - Nossa, há quanto tempo não via esse clipe! O que te deu, hein? Saudades dessa época?
- Sei lá. Vi o poster deles ali no corredor e bateu uma nostalgia - respondeu, dando de ombros. - Eu era apaixonada por eles.
- Eu lembro - o outro disse e soltou uma gargalhada. - O ficou puto quando você deixou de ir a um show nosso, em Londres, para ir ao último show deles, em Dublin. Que ano foi aquilo?
- É verdade! - exclamou e riu junto. - Foi em 2012. A gente estava há quase dois meses sem se ver, mas eu precisava assistir àquele show. Era minha última chance de ver o Westlife ao vivo. E não me arrependo, sabe? que me desculpe, mas prioridades são prioridades.
- Você fala isso porque não foi você quem teve que aturar o mau humor dele naqueles dias - falou, rolando os olhos.
- Você que pensa, bonitinho - a outra rebateu. - Quando nos encontramos, depois que voltei para Londres, ele mal olhava na minha cara. A sorte era que eu sabia bem como lidar com .
piscou um olho, sorrindo maliciosamente.
- Eu prefiro ficar por fora desses detalhes - o homem falou com os olhos arregalados, fingindo estar amedrontado, e fazendo a amiga gargalhar.
- Boybands eram tão legais, né? - ela questionou, deixando o tablet em cima da mesa quando o videoclipe acabou.
- Sim, aquela One Direction então… Era sensacional - brincou.
- Olha a humildade - falou e mostrou a língua. - Westlife, Backstreet Boys, Boyzone, Take That, Five, NSYNC, Blue… - ela dizia, enumerando com os dedos. - Eu gostava disso tudo quando era criança. A garota que nunca morreu de amores por uma boyband que atire a primeira pedra! - exclamou, rindo.
- E te garanto que ser de uma boyband é melhor ainda - ele disse, piscando um olho. - Garotas do mundo todo loucas por você. Que chato…
- Metido. - rolou os olhos. - Bem que essa moda das boybands podia voltar, né? Tiveram essas dos anos 90 e início dos anos 2000, e, então, as boybands passaram a ser uma coisa brega e antiquada, e tocar instrumentos era muito mais legal do que fazer coreografias. Depois vocês acabaram trazendo a moda de volta, junto com The Wanted e outras boybands da época… - ela relembrou. - Depois os grupos mais famosos foram acabando e nunca mais teve uma boyband fazendo um sucesso expressivo. O que é uma pena para essa geração, vamos combinar…
- Eu gostaria de produzir uma boyband, para variar - confessou, concordando com a amiga. - O problema é achar uma boyband nos moldes que atraíssem as adolescentes de hoje em dia.
- É, essa boyband teria que ser criada - a mulher disse, rindo de leve.
Quando abriu a boca para dizer mais alguma coisa, foi interrompido por alguém batendo na porta.
- Pode entrar! - gritou para que a pessoa do lado de fora escutasse.
A porta se abriu e ambos se surpreenderam ao ver entrar na sala.
- ? - questionou, confuso. - Está fazendo o que aqui?
- Aquela oferta de você me empresariar ainda está de pé, ? - mordeu o lábio inferior, mania que ele tinha quando alguma coisa o deixava inseguro.
- Nossa! É sério isso? - boquiaberto, perguntou.
se esticou na cadeira, encarando . Mesmo depois de ele ter dito que estava considerando a ideia, ela não estava levando fé que aquilo iria realmente acontecer um dia. Além do mais, quase dois meses haviam se passado e não tinha dado notícias, o que a fez descartar a possibilidade. Mas agora ele estava ali, finalmente tomando partido para fazer a ideia acontecer, e ela estava extremamente surpresa.
- Claro que está, . Senta aqui - disse, apontando para a cadeira vaga ao lado de . - Se você não se incomodar, eu preciso resolver umas coisas com o antes, mas a gente pode conversar depois. E ele pode até opinar também, né?
deu de ombros, concordando.
- Por mim, está ótimo - disse e um sorriso que fez o coração de acelerar surgiu nos lábios dele.
Se esforçando para não entrar em transe encarando os olhos tão bonitos do ex-namorado, pegou o tablet novamente e procurou pelos arquivos necessários para começar a reunião com o produtor musical.

- Vou deixar uma reunião com nosso advogado agendada, então, tudo bem? - questionou e deixou um lembrete no celular para fazer aquilo o quanto antes.
balançou a cabeça, assentindo. Ele havia adiado aquele momento o quanto pôde, com medo de lidar com as dores de cabeça que provavelmente teria por trabalhar diretamente com a ex-namorada odiada por sua noiva. Mas sabia que aquela era a melhor das soluções para resgatar sua carreira, pois era ótima no que fazia e com certeza o deixaria livre para tomar as próprias decisões, bem diferente do seu atual empresário, e agora estava prestes a assinar um contrato. Eles haviam passado a tarde avaliando o que estava sendo executado da forma correta e o que deveria ser modificado, e estava bastante satisfeito. , que naquela altura já tinha ido embora para buscar o filho na creche, também opinou, conforme a experiência que vinha tendo com os jovens artistas que produzia.
O celular de vibrou e ela pegou o aparelho, encontrando uma mensagem na qual Luke dizia que havia acabado de parar o carro em frente ao prédio.
- Bom, já que estamos resolvidos, preciso ir embora - disse, se levantando e catando os pertences espalhados pela mesa para os guardar de volta na bolsa.
- Tudo bem - concordou, também se levantando e dando uma rápida checada no celular. - Precisa de carona?
- Não, obrigada - ela respondeu, sorrindo agradecida. - Meu namorado veio me buscar. Na verdade, eu até vim de carro, mas vou deixar ele aqui hoje.
concordou com um aceno de cabeça e tentou não imaginar o casal junto dali a poucos minutos. Mesmo depois de tanto tempo, ainda era estranho escutar chamar um cara que não era ele de namorado.
- Estou pensando em chamar e para serem meus produtores nesse álbum novo - disse, enquanto eles saíam da sala de e caminhavam pelo corredor. - O que você acha?
- Acho uma excelente ideia! - ela exclamou, animada. Seria ótimo vê-los trabalhando juntos depois de tanto tempo. - Esse álbum vai ser um sucesso. Os três são ótimos, não tem como não sair um trabalho maravilhoso.
sorriu, agradecido pelo elogio e feliz de vê-la empolgada daquele jeito com seu novo álbum.
- E você? Quando vai lançar sua carreira de cantora? - ele questionou e riu quando viu a careta que fez.
- Quem sabe numa próxima vida?
- É engraçado você entender tanto de música, mas cantar tão mal - ele implicou, arrancando uma gargalhada da mulher.
- Alguém precisa dar o suporte que vocês, músicos, precisam, né? - piscou um olho, sorrindo.
Os dois esperaram pelo elevador, ainda brincando com a falta de talento para cantar de , e logo estavam saindo do prédio, lado a lado. A mulher notou o carro do namorado estacionado e respirou fundo ao ver Luke os encarando, totalmente confuso, encostado no automóvel. Ela ainda não havia comentado com ele sobre aquela proposta de empresariar e apenas esperava que ele encarasse a novidade com maturidade. A última coisa que ela queria era discutir com Luke por causa de uma besteira como aquela.
- A gente vai se falando, .
- Obrigado, - ele disse, sorrindo. - Você não tem ideia de como isso é importante para mim.
- Eu sei que é - ela falou e retribuiu o sorriso. - Fico feliz de poder te ajudar. Até mais, então.
Eles se despediram com dois beijos nas bochechas, sob o olhar atento de Luke. caminhou em direção ao namorado e rolou os olhos ao vê-lo encarar com um olhar penetrante.
- O que você estava fazendo com esse cara? - ele perguntou de uma vez, sem a mínima intenção de esconder o descontentamento por ter presenciado aquela cena.
- Negócios - respondeu, dando de ombros. Odiava quando Luke agia daquele jeito, como se ela desse algum motivo para ele desconfiar de sua fidelidade.
- Que tipo de negócios? - ele questionou, encarando a namorada pela primeira vez, quando perdeu de vista.
bufou e se aproximou para beijar os lábios do namorado, mas Luke virou o rosto, se esquivando do beijo. Sem dizer uma palavra, ela deu a volta no carro e entrou no mesmo. Ela não ia perder tempo discutindo, pois logo Luke se daria conta de que estava sendo ridículo e iria se arrepender por isso. Ele ainda demorou alguns segundos para entrar no carro e, antes de dar a partida, encarou , esperando alguma reação dela.
O caminho até a casa de Luke foi silencioso, já que estava um pouco irritada com o namorado e ele estava perdido em pensamentos. Luke não era um homem inseguro, longe disso, e confiava na namorada o suficiente para ter certeza de que, de fato, ela estava tratando de assuntos profissionais com . Mas, por algum motivo, vê-la ao lado do ex-namorado o incomodou ao ponto de ele agir como um babaca ciumento sem nem se dar conta. No fundo, ele sabia que aquele incômodo todo era por ter conhecimento da história dos dois e de que, se não fosse pelo deslize de , eles provavelmente estariam casados naquela altura.
Luke estacionou o carro na garagem e saiu do carro, mas, antes que pudesse entrar na casa, o namorado a puxou pelo braço e grudou os lábios aos dela. Ela correspondeu ao beijo, pois a irritação já tinha passado e preferia curtir o momento do que desperdiçar o tempo com brigas inúteis.
- Se acalmou? - questionou quando eles se separaram.
- Desculpa - Luke disse, fazendo uma careta. - Não queria ter falado daquele jeito com você.
- Você recusou meu beijo, Luke - acusou. - Você acha que eu te trairia com ? Justo ele? E ainda sairia com ele numa boa sabendo que você estava lá me esperando?
- Eu sei, . Isso não teve sentido algum.
- Espero que não se repita - ela alertou.
- Não vai se repetir - Luke falou e a puxou pela mão para que eles entrassem na casa. - Vem. Você me conta essa história melhor enquanto coloco a lasanha no forno.
- Quer dizer que hoje vamos comer a lasanha do chef Luke, é?
- Essa vai ser a melhor lasanha que você já comeu na vida.
- Quero só ver!

Sentado dentro do carro, esperava Nadine, que havia saído para fazer compras, no estacionamento do shopping. Uma música desconhecida começou a tocar no rádio e ele riu ao reconhecer a voz de . Ele fazia questão de acompanhar as carreiras solo dos amigos, mas ainda não tinha tido oportunidade de escutar o novo single de . Não se surpreendeu ao perceber que, como todos os outros singles lançados por ele, aquela música tinha tudo para ser um grande hit. E esperava que o próximo a lançar um grande hit fosse ele próprio. Em meio a esses pensamentos, ele não pôde evitar que surgisse em sua mente. Era surpreendente como ela sempre aparecia na sua vida nos momentos mais oportunos. se sentia confortado de saber que as coisas se ajeitariam em breve, e ele, enfim, poderia respirar aliviado e voltar a viajar pelo mundo fazendo o que mais gostava. Além do mais, ele estava gostando de tê-la por perto novamente, mesmo que não fosse da forma como ele gostaria. Um dia, quem sabe, eles pudessem ser amigos.
A porta do carro se abriu e despertou de seus pensamentos. Ele observou Nadine entrar e se sentar, com algumas sacolas em mãos.
- Oi, querido - ela disse e se aproximou para beijar os lábios do noivo. - Comprei roupas maravilhosas. Você precisa ver!
- Tenho certeza de que você ficou linda em todas - disse, sorrindo.
Nadine abriu um sorriso quase maior do que o rosto e selou os lábios aos do noivo mais uma vez.
- E você, meu amor? O que fez hoje?
pigarreou e deu a partida no carro, deixando o estacionamento do shopping. Ele estava disposto a contar a novidade para a noiva o quanto antes, mas ainda se sentia inseguro. Os dois vinham brigando tanto naqueles tempos, e ele sabia que aquele seria apenas mais um motivo para Nadine começar a gritar com ele. Não que ele achasse que estava fazendo algo errado, afinal, aquela aproximação era inteiramente profissional e eles todos já eram adultos e deveriam lidar com aquela situação com normalidade. Mas, como algo sempre tem que complicar a situação, Nadine não era tão compreensível assim.
sabia bem como ela odiava , especialmente quando ela estava por perto. Felizmente, ele havia crescido e já não era mais aquele garoto imaturo que fugia dos problemas.
- Tive uma reunião com minha nova empresária - ele contou, com calma.
- Nova empresária? - Nadine questionou, confusa. - O que aconteceu com seu empresário?
desviou o olhar do trânsito por alguns segundos, sem acreditar na pergunta que havia acabado de ser feita, pois fazia meses que ele reclamava do empresário. Pelo visto, ela não dava a mínima importância para o que ele dizia.
- Nós estávamos nos desentendendo, Nadine - ele respondeu. - Desde quando lancei o último álbum.
- Sério? - ela questionou, arqueando uma sobrancelha. - Que besteira, meu amor. Aposto que não era motivo para trocar de empresário. Você trabalhava com ele há anos.
Custando a acreditar que aquela conversa estava acontecendo, ficou sem palavras para responder à noiva. Acabou não fazendo diferença, de qualquer forma, pois ela revirava as bolsas, completamente desinteressada em continuar aquela conversa. Ela tirou um vestido azul de uma das sacolas e o mostrou para , sorrindo abertamente.
- Comprei esse vestido para ir ao aniversário da minha irmã. O que você acha?
- Nadine - começou, após soltar um longo suspiro -, prefiro que você saiba por mim do que por outra pessoa. Minha nova empresária é .
Ele acompanhou a noiva guardar o vestido de volta na sacola e o encarar, séria.
- O quê?!
- Não surta, por favor. Realmente não quero brigar com você - pediu. - é a única pessoa que pode salvar minha carreira no momento. Ela tem bastante influência...
- Eu não estou nem aí para a influência dela, ! Só não quero ela perto de você.
- Olha a besteira que você está falando! - exclamou, naquele momento quase rezando para que chegasse logo na casa de Nadine e, então, pudesse seguir para a sua própria.
- Besteira? - ela questionou, incrédula. - Você é louco por ela até hoje! Se ela der mole, você vai cair feito um patinho.
- Eu estou com você, Nadine - ele falou e soltou um longo suspiro. - E também é comprometida, caso você não se lembre. Você está sendo ridícula.
- Sei disso. E também sei que ela estava com você quando transou com um dos seus melhores amigos - Nadine falou e soltou uma risada irônica. - Quem faz uma vez, faz duas.
encarava o trânsito, balançando a cabeça em negação, enquanto ria da situação, sem realmente achá-la nem um pouco engraçada. Ele odiava quando Nadine jogava aquele acontecimento em sua cara, como um argumento para comprovar como era a pior pessoa do mundo e digna daquele ódio gratuito. Ele próprio, que havia sido o traído, não remoía mais aquele fato. Sim, por muitos anos ele havia feito isso, mas, depois de mais de uma década, ele não via mais sentido para aquilo. Havia perdoado e não a julgava por aquele erro.
- Se não vamos ter uma conversa madura, acho melhor encerrarmos o assunto - disse, simplesmente.
- Você vai trabalhar com ela mesmo, ? Sério?
- Vou, Nadine. Você é minha noiva, mas não manda em mim e muito menos na minha vida profissional.
A firmeza com que foram ditas aquelas palavras fizeram Nadine se assustar. Acostumada a ter todas suas vontades atendidas pelo noivo desde a época em que eles eram apenas namorados, ela vinha estranhando a mudança de comportamento de . E, naquele momento, ele soava tão convicto que ela não teve coragem de continuar contestando.
- Ok - ela murmurou e o assunto foi dado como encerrado.
deixou Nadine em casa, sem dizer mais nada, e dirigiu até sua própria casa. Naquele dia, ele passou a noite em claro, perguntando a si mesmo se realmente valia a pena continuar com aquele noivado.

A noite tinha sido perfeita.
Como prometido, Luke caprichou no jantar e fez uma lasanha à bolonhesa realmente deliciosa, que foi servida com um vinho da melhor qualidade. Para fechar, ele fez um pudim de chocolate - receita que aprendeu com a mãe - para servir como sobremesa. brincou que, se ela já não fosse apaixonada por ele, se apaixonaria naquele dia. Afinal, que mulher resiste a um homem que faz delícias como aquelas na cozinha? O programa romântico do casal acabou da melhor maneira possível: com amassos no sofá que logo esquentaram e foram transferidos para a cama. Eles puderam matar a saudade que sentiam um do corpo do outro, e agradeceu aos céus por ter um namorado tão lindo, gostoso e romântico como aquele. Luke era, sem dúvidas, o namorado dos sonhos de toda mulher. Não era à toa que ele era um ator tão desejado pelo público feminino.
acordou, depois de dormir por quase duas horas, e sorriu ao ver o namorado nu ao seu lado, dormindo profundamente. Ela se levantou, tomando cuidado para não acordá-lo, e procurou pela própria calcinha, que devia estar em algum lugar daquele quarto. Quando a encontrou, ela vestiu a calcinha e pegou a primeira camisa de Luke que encontrou. Apenas com as pernas descobertas, ela seguiu para a sala e se sentou no sofá. Mesmo tendo tido dias bastante corridos, estava sem sono. A conversa que havia tido com mais cedo ecoava em sua mente insistentemente e, sem pensar duas vezes, ela procurou pela bolsa, de onde puxou o tablet, e voltou a se sentar no sofá. Logo um editor de textos estava aberto.
- Como seria a boyband ideal em pleno ano de 2026? - ela sussurrou, pensando alto, refletindo sobre uma resposta para aquela indagação.
Com base nos cantores do sexo masculino que faziam sucesso em meio às adolescentes da época, traçou um perfil para cada um dos cinco integrantes daquela boyband dos sonhos. Ela imaginava cada um deles, desde a aparência física, até os gostos, o modo de cantar, o jeito de se vestir e, inclusive, alguns aspectos das personalidades deles. Ela não deixou, é claro, de também pensar no estilo musical daquela boyband. Quando terminou, ela estava tão satisfeita que quase desejou ser adolescente de novo e que a tal boyband realmente existisse. Quanto à primeira parte, ela nada poderia fazer, já que não era possível voltar no tempo; porém, quanto à existência de um grupo como aquele... Por que não?
Sem pensar duas vezes, pegou o celular e, notando que mal passava da meia-noite, ela buscou pelo contato de Louis Walsh e logo a ligação estava sendo feita.
- ?
- Oi, Louis. Me desculpa te ligar tão tarde. Você já estava dormindo?
- Não, querida. Pode ficar tranquila. Aconteceu alguma coisa?
- Na verdade, não. Mas pode acontecer... - disse, rindo levemente.
- Como assim?
- Você acha que existe alguma chance de as meninas de hoje em dia serem fanáticas por uma boyband?
- O que você está aprontando, ?
A risada de Walsh fez rir junto.
- Você não respondeu minha pergunta! - ela exclamou.
- Depende... A boyband teria que ser realmente boa, já que existem algumas até boazinhas e mal fazem sucesso.
- Você tem um tempinho para me receber no seu escritório ainda nessa semana? - ela questionou, começando a se sentir eufórica. Era sempre assim quando ela tinha uma ideia que precisava botar em prática o quanto antes. - Tenho um projeto para te apresentar.
- Claro. Pode aparecer no dia que você quiser, estarei por lá nesses dias.
- Então nos vemos em breve, Louis. E me desculpa por atrapalhar sua noite.
- Sem problemas, você nunca atrapalha. Boa noite, .
- Boa noite.
finalizou a ligação e, sem perder tempo, digitou uma mensagem.

: Tem algum dia livre nessa semana?

Poucos minutos depois, como ela esperava, a resposta chegou.

: Amanhã e depois estarei ocupado com ensaios do The Voice. Único compromisso que ainda tenho nessa semana.

Logo ela estava digitando mais uma mensagem.

: Então arrume suas malas. Iremos para Dublin em dois dias. Depois te explico. Beijos!

Com a cabeça tranquila, agora que tinha colocado as ideias para fora, voltou para o quarto, tirou a camisa que vestia e se deitou na cama. Abraçada a um Luke nu, ela dormiu como uma pedra e nem viu o namorado sair, na manhã seguinte, para a gravação de um programa de televisão.


Capítulo Nove

I want you to know
You belong in my life
I love the hope I see in your eyes
For you I would fly, at least I would try
For you I'll take the last flight out

Last Flight Out - Plus One

Maio de 2026

A porta da sala de reuniões estava fechada há mais de duas horas e funcionário nenhum ousava interromper a reunião que acontecia no lado de dentro - menos a copeira, que de tempos em tempos passava por lá para oferecer água, café, chá, biscoitos ou o que quer que o patrão e seus dois convidados quisessem. Na manhã daquele dia, e se encontraram no aeroporto e voaram de Londres para Dublin. Foram direto para a sede da Louis Walsh Management, onde se reuniram com o dono da empresa e apresentou o projeto elaborado por ela para a criação da nova boyband. O empresário estava bastante interessado na ideia de criar um novo grupo de garotos, mesmo que ele não imaginasse, naquela altura da vida, já aposentado, participar de um projeto tão ambicioso como aquele. Mas, para ele, aquele era exatamente o caminho para o sucesso. Ele sentia um grande orgulho por ter dado aquela oportunidade para a jovem, que desde o início demonstrou possuir talento para a indústria musical. estava pronta para se tornar uma grande empresária reconhecida no mercado, disso ele não tinha dúvidas.
- Acho que seria legal se um ou dois deles tocassem algum instrumento, né? - questionou. Ele imaginava que aquilo não apenas ajudaria o grupo no processo de produção das canções, mas também os diferenciaria de outros grupos e os tornaria mais interessantes aos olhos do público.
Enquanto Louis Walsh encarava um ponto fixo da parede, perdido em pensamentos, sem nem escutar a sugestão do produtor musical, ponderou a ideia e estava prestes a concordar quando foi interrompida.
- Que tal se for uma boyband irlandesa? - Walsh perguntou, alternando o olhar entre os dois mais jovens.
- Irlandesa? - a mulher questionou, cruzando as pernas sob a mesa. Até aquele momento, ela não tinha cogitado limitar a nacionalidade dos integrantes. Estava pensando, inclusive, em aceitar inscrições de todo o mundo, desde que os interessados tivessem entre 16 e 22 anos e falassem inglês fluentemente.
- Desde que o Westlife acabou, não tivemos nenhuma boyband irlandesa. E isso já faz quase 15 anos - o empresário justificou. - Além do mais, será interessante se eles conseguirem fazer sucesso na América. Nem o Westlife e nem o Boyzone conseguiram estourar na América.
Boyzone e Westlife haviam sido dois grupos criados e empresariados por Louis Walsh nas décadas de 90 e 2000. Ambos fizeram um sucesso enorme na Europa como um todo, mas nenhum dos dois fez um sucesso expressivo na América, e Walsh ainda não engolia aquele fato de jeito nenhum. Ele percebeu que aquela poderia ser sua última oportunidade de conquistar aquele feito, que era tão importante, já que ser um grupo conhecido na América permitiria a eles encontrarem as portas abertas para qualquer lugar do mundo.
- É uma ideia interessante - concordou. Não que ela fosse ter coragem de discordar do chefe, mas realmente não acreditava que aquilo fosse ser um problema. O que mais importava era que os garotos cantassem bem e fossem carismáticos, pois ela os levaria para Londres, de qualquer maneira, para facilitar o trabalho. - O que você acha, ?
- Legal - ele disse, assentindo com um aceno de cabeça. - Seria divertido trabalhar com irlandeses.
Louis Walsh olhou as horas no relógio de pulso e se levantou.
- Achei seu projeto muito bom, , de verdade. Dou total apoio e vou patrocinar a criação dessa boyband - ele disse com um sorriso amistoso no rosto. - Confio em vocês dois e tenho certeza de que vão fazer um ótimo trabalho, então se sintam livres para tomar as decisões que forem necessárias daqui pra frente. Qualquer coisa que precisarem, estou à disposição.
- Obrigada, Louis. Você não vai se arrepender - disse, sorrindo e trocando um rápido olhar com o amigo.
- Sei que não - o outro falou e piscou um olho. - Infelizmente, tenho um compromisso daqui a pouco, então preciso ir. Mas podem usar a sala de reuniões para definir os últimos detalhes, se quiserem.
- A gente deve ficar por aqui mais um tempinho sim - a mulher disse e se levantou para se despedir do chefe com dois beijos nas bochechas.
- Tchau, Walsh. Foi um prazer - falou e também se levantou para se despedir do mais velho com um aperto de mão.
- O prazer foi meu, . Espero que possamos nos encontrar em breve, com essa boyband pronta para despontar nas paradas do mundo todo.
Dito isso, Louis Walsh deixou a sala de reuniões e e voltaram a se sentar. A mulher pegou o tablet e deu uma rápida lida nas ideias que havia deixado registradas, ponderando os detalhes que ainda precisavam ser discutidos.
- Como você prefere que sejam as audições? - ela perguntou para o outro.
- Podemos dividir em duas fases - respondeu. - Na primeira, eles nos enviam um vídeo cantando e, na segunda, nós fazemos uma audição presencial com os selecionados.
- Ótimo - falou e prontamente se pôs a registrar mais aquela ideia. - Podemos selecionar os dez melhores e fazer a segunda parte da seleção aqui mesmo em Dublin, né? É um bom número de selecionados?
- Acho que é o suficiente - o outro concordou, dando de ombros.
- Eu avalio metade dos vídeos inscritos e você avalia a outra metade. Pode ser? - a mulher questionou e assentiu, balançando a cabeça. - Precisamos definir nossos critérios de avaliação.
- Cantar bem - ele começou a enumerar nos dedos -, originalidade, ser carismático e ter postura profissional.
- Certo - disse, digitando mais aquilo no tablet. - Podemos dar de 0 a 10 pontos para cada um desses quatro critérios e depois fazer uma média para chegarmos à pontuação final.
- 5 pontos de bônus para quem souber tocar algum instrumento - o outro disse, rindo.
- 5 pontos de bônus para quem souber dançar, também - ela piscou com um sorriso esperto nos lábios e riu quando fez uma careta, discordando. - Qual foi? É um talento relevante.
- Tudo bem - ele deu de ombros. Não era muito fã de boybands que dançavam, já que a que ele próprio fez parte não fazia coreografias, pois ele e os amigos eram desengonçados demais para isso. - Depois a gente continua. Vamos almoçar, estou morto de fome.
Mesmo que estivesse animada demais para sequer pensar em deixar de lado o trabalho para ir almoçar, sentiu o estômago roncar e prontamente assentiu com a cabeça. Ela guardou o tablet na bolsa e se levantou, sendo seguida até a porta por . Os dois decidiram almoçar em um restaurante tipicamente irlandês próximo dali, que servia cervejas maravilhosas.

O mingau borbulhava na panela, indicando que estava pronto. desligou o fogo e dividiu o conteúdo entre duas tigelas, uma do Batman e outra do Homem-Aranha. O som da campainha ecoou pela casa e , com a tigela do Homem-Aranha em mãos, foi verificar quem era a visita daquela tarde. Não se espantou quando observou um dos amigos pelo olho mágico.
- E aí, cara? Entra aí - ele disse e deu espaço para entrar na casa.
Após trancar a porta, estendeu a tigela para , que a pegou, mas sem entender patavinas do que estava acontecendo.
- Já volto - falou e subiu pelas escadas, logo desaparecendo de vista.
tomou a liberdade de ir para a sala de estar e deixar a tigela cheia de mingau em cima da mesa de centro. Ele se sentou no sofá, se acomodando para esperar pelo amigo, que poucos minutos depois estava de volta, mas agora com um Austin sonolento nos braços. se sentou ao lado do outro no sofá, com o filho no colo, e se esticou para pegar a tigela de mingau.
- O que você veio fazer aqui mesmo? - ele questionou, dando uma colherada no mingau e assoprando o conteúdo da colher levemente, antes de levá-la até a boca do bebê.
- Eu estava de bobeira em casa e a Molly está trabalhando hoje… - respondeu, dando de ombros. - Resolvi vir visitar a família . Cadê a , hein?
- Dando uma entrevista.
- Então hoje você é um pai solteiro, é? - falou, rindo, enquanto o outro rolou os olhos.
Por algum tempo, os dois homens ficaram em silêncio, apenas observando o pequeno Austin devorar o mingau.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou, desviando a atenção do filho por dois segundos para encarar o amigo. - Você está com uma cara estranha.
soltou um longo suspiro, se preparando para responder ao questionamento do amigo. Ele não queria admitir que havia ido até ali não apenas para fazer uma visita corriqueira, mas também porque sentia a necessidade de desabafar com alguém.
era seu amigo há tantos anos, ótimo com conselhos de qualquer espécie, era a pessoa perfeita para aquilo.
- Estou me sentindo muito sozinho - ele respondeu.
- Como assim “sozinho”? - questionou, franzindo o cenho em sinal de confusão. - Pensei que você e Molly estivessem se dando bem.
- Não tem nada a ver com a Molly, estamos nos dando muito bem mesmo. Na verdade, esse sentimento é em relação à minha carreira - explicou. - Estou feliz com o lançamento do meu novo álbum e orgulhoso pelo trabalho que fiz. Mas quando começo a pensar sobre a turnê, sobre ficar meses sozinho viajando pela Europa, me sinto mal.
Antes que pudesse fazer mais um questionamento, pois ainda não entendia o que estava se passando na cabeça do amigo, Travis desceu as escadas correndo e abriu um sorriso enorme quando viu a visita sentada no sofá.
- Tio , eu vi você na TV hoje! - ele exclamou ao se aproximar, se referindo ao programa que havia recebido na manhã daquele dia.
- Ah, é? Gostou da música que eu cantei? - o cantor perguntou, sorrindo, enquanto bagunçava os fios de cabelo da criança.
- Gostei. Eu sempre peço pro papai colocar aquela música no celular, ela é muito legal - ele disse e sorriu mostrando os dentinhos de leite. - Papai, também quero mingau - falou, fazendo bico, observando o pai terminar de dar o mingau na boca do irmão mais novo.
- Sua tigela está servida lá em cima da bancada da cozinha - disse e olhou para o amigo. - Pega lá, por favor, ?
assentiu e foi até a cozinha, sendo seguido por Travis, que saltitava, animado. Logo os dois voltaram e o menino se acomodou no sofá, entre os dois homens.
pegou uma almofada, a pôs no colo de Travis e, em seguida, colocou a tigela do Batman em cima da almofada e voltou a se sentar no sofá.
- Então você está desanimado para a turnê, é isso? - perguntou, retomando o assunto. Ele deixou a tigela do Homem-Aranha, agora vazia, em cima da mesa de centro e encarou o amigo, que assentia com um balanço de cabeça e um sorriso abatido nos lábios. Austin se remexeu no colo do pai, que o soltou e o deixou ir para tapete, por onde o garotinho deu alguns passos com dificuldade, pois estava ainda aprendendo a andar.
- Outro dia eu estava pensando - começou -, e percebi que daqui a dois meses faz nove anos que o 1D acabou, ano que vem faz dez… E, meu Deus, é difícil de acreditar que esse tempo todo já passou.
- Você está com saudades - o outro afirmou, finalmente entendendo o que estava acontecendo. entendia bem o que o amigo estava sentindo, pois, de vez em quando, ele também se pegava lembrando do tempo que passava com os melhores amigos em turnê e, mesmo que ainda os tivesse em sua vida, não era a mesma coisa. Eles viajavam pelo mundo, se divertiam e realizavam um sonho juntos. Agora, cada um tinha sua própria carreira e seu próprio sonho para realizar.
- Não é a mesma coisa fazer shows solo, sabe? - questionou, sentindo um nó na garganta. - É difícil saber que vou olhar para o lado e só vou encontrar músicos que mal conheço, que não vai ter ninguém para tacar água em mim ou rir da minha cara quando eu levar um tombo.
Enquanto desabafava, os olhos dele se enchiam de lágrimas, mas isso não o impediu de soltar uma leve risada, que foi acompanhada por .
- Eu também me sinto assim às vezes, . Tenho saudades de cantar com vocês - ele disse. - Mas o que podemos fazer? A vida é assim, cheia de fases. Temos que agradecer por termos tido a sorte de fazer parte do 1D, mas agora temos cada um a sua própria carreira.
secou a lágrima solitária que escorreu pela bochecha e sorriu.
- E se a gente voltasse? - ele questionou. - Só para uma turnê comemorativa, pelo menos.
olhou torto para o amigo.
- Você está falando sério?
- Por que não, ? Já aconteceu com outros grupos - disse, dando de ombros. - Veja o Take That, por exemplo. Mesmo depois de muitos anos separados, voltaram e foi um sucesso.
- Eu sei, o problema não é esse. Com um marketing adequado, pode dar mais certo do que deu quando éramos mais novos. Mas eu duvido que os caras aceitem.
- Aposto que o vai adorar a ideia - o outro rebateu. - talvez relute um pouco, mas acho que conseguimos convencê-lo.
- E o ? - questionou, fazendo o amigo o olhar curioso. - Seria muito mais legal se o 1D voltasse com os cinco, né?
- Aí você complica a situação - disse, rindo. - Ele e mal se falam, vai ser complicado convencê-los a voltarem a conviver diariamente. Ainda mais o , ele é muito cabeça dura.
- Exatamente - concordou e riu fraco. - Será que a conseguiria convencê-lo? - ele questionou.
- A ? - rebateu o questionamento, arqueando uma sobrancelha. - Verdade, acho que sim. Agora que ela é empresária dele…
Depois que assinou o contrato que deixava sua carreira nas mãos de , logo a notícia se espalhou e o mundo inteiro estava comentando sobre aquilo.
- Não apenas por isso. O sempre escutou as opiniões da - o outro disse. - E ainda escuta, pelo visto.
mordeu a língua para não perguntar o que estava rolando entre os dois, já que, nitidamente, parecia ainda gostar da ex-namorada e aquela reaproximação repentina dos dois era, no mínimo, intrigante. E , por ser o melhor amigo dele, provavelmente devia estar mais inteirado dos fatos, mas ele não quis dar uma de fofoqueiro e espantou os pensamentos.
- Se for o caso, a pode convencer o também - disse.
Ele e trocaram um olhar que tornou qualquer fala desnecessária. Mesmo depois de tantos anos e tantas mágoas, tanto quanto ainda mantinham seus sentimentos e consideração por . Pelo menos, naquele momento, isso seria útil.
- A pode ser nossa nova empresária - falou, dando de ombros. - Se ela topar, é claro.
- Isso é um “sim”, então? - sorriu, esperançoso.
- Isso é um “vamos tentar” - o outro respondeu, piscando um olho.
No segundo seguinte, a metade do mingau que ainda preenchia a tigela se espalhou parte pela bermuda de e parte pelo sofá. Ele olhou para Travis, que o encarava apreensivo, após ter virado a tigela sem querer, e, se controlando para não soltar um palavrão, ele disse:
- Sua mãe vai me matar.
, que ria abertamente da cena, gargalhou ainda mais quando o mostrou o dedo do meio.

A Louis Walsh Management está recrutando garotos para uma nova boyband. Se você é irlandês, tem entre 16 e 22 anos e gosta de cantar, nos mostre seu talento em um vídeo de até dois minutos. Caso saiba tocar instrumentos ou dançar, não deixe de nos mostrar!
Dez finalistas serão selecionados para audições em Dublin. Cinco sortudos serão escolhidos e irão gravar o álbum de estreia em Londres.
Envie seu vídeo para: thenewboyband@lwmanagement.co.uk
Não fique fora dessa!
Louis Walsh Management
Dublin/Londres

- Pronto. Agora é só pedir para o pessoal do marketing cuidar da divulgação - disse ao terminar de digitar o pequeno texto que logo estaria circulando pela internet.
Apenas por ser um projeto promovido pela Louis Walsh Management, a novidade logo correria por toda a Irlanda e, naquele dia mesmo, começariam a chegar e-mails de garotos de todos os cantos do país. A mídia começaria a comentar sobre o novo grupo, bem como sobre o envolvimento de e como os principais mentores do projeto, e a ansiedade do público começaria a crescer desde já.
- Não vejo a hora de começar a ver os vídeos - disse, esfregando as mãos uma na outra.
- Quando tiver centenas de vídeos para assistir não vem reclamar, hein? - rebateu, rindo.
- Fica tranquila, chefe. Vou assistir a todos com muito prazer - ele falou e piscou um olho, sorrindo sem mostrar os dentes. - Vai voltar para Londres hoje ainda?
- Acho que não - a mulher respondeu, terminando de enviar o e-mail com as devidas instruções para a equipe de marketing da empresa. - Vou combinar uma outra reunião com o Walsh amanhã para mostrar tudo o que nós resolvemos hoje e também discutir a parte burocrática do projeto.
- Quer que eu fique? - o outro questionou.
- Não, pode ir pra casa - respondeu, dando de ombros. - Posso assumir essa parte, sem problemas.
- Eu ficaria, mas como a vai viajar daqui a três dias… - explicou, se levantando.
- Ah, é. Ela vai gravar as cenas do novo filme na Itália, né? - ela perguntou e balançou a cabeça, assentindo.
- Três semanas sem meu amorzinho - ele disse, fazendo bico.
- Quanto amor! - exclamou e, rindo, também se levantou e apertou as bochechas do amigo. - Você vai tirar isso de letra. Além do mais, a Itália é logo ali. Pega o Archie e vai lá fazer uma visita nesse tempo que a estiver lá.
- Estou pensando em fazer isso mesmo - disse. - E, falando nisso, não esquece do almoço lá em casa depois de amanhã.
- Vou tentar ir sim.
- Tentar não, . Você vai - ele falou ameaçadoramente, arrancando uma risada de .
- Vou sim, . Pode deixar.
- Bom, então vou nessa. Espero conseguir um voo o mais rápido possível.
- Vai lá - disse e se despediu de com um abraço. - A gente vai se falando por mensagens. Boa viagem.
- Valeu. Boa viagem pra você também, quando for voltar - falou, botou a mochila nos ombros e se retirou da sala de reuniões.
Já que o trabalho do dia estava finalizado, decidiu juntar suas coisas e ir embora. Ela estava exausta, depois de passar o dia praticamente inteiro trabalhando, mesmo que o ambiente da Louis Walsh Management fosse bastante agradável e confortável. pendurou a bolsa no ombro e seguiu para a saída do prédio, cumprimentando os conhecidos que encontrava pelo caminho e já sabendo seu destino naquela noite. Ela dormiria no hotel que costumava se hospedar quando estava em Dublin e, caso o hotel não tivesse nenhum quarto vago, ela tinha uma segunda opção, um outro hotel não muito distante daquele.
Sem demora, pegou um táxi em frente ao prédio onde se situava a empresa, e indicou o endereço do hotel ao motorista. Logo ela estava na recepção e, por sorte, tinham vários quartos vagos. Antes de jantar, ela decidiu subir para o quarto e tomar um banho. Enquanto deixava a água quente relaxar seus músculos, ela pensava sobre tudo que havia resolvido com naquele dia e não pôde deixar de se sentir tomada pela ansiedade. Ela estava louca para ver os vídeos e escolher os integrantes da boyband, mesmo sabendo como seria uma tarefa difícil, já que era a primeira vez que ela estava participando daquele tipo de seleção.
Quando saiu do banho, foi até o quarto enrolada em uma toalha para pegar a muda de roupa que havia levado por precaução, já que não sabia se passaria aquela noite em Dublin ou não. Antes que pudesse abrir a bolsa, entretanto, ela notou que o celular vibrava insistentemente, mas, assim que ele estava em suas mãos, parou de tocar. Assustada, arregalou os olhos quando viu que tinham dez ligações perdidas de Luke. Logo o celular voltou a tocar e ela, imediatamente, atendeu.
- Oi, Luke - ela disse, mordendo o lábio inferior. Sentia a culpa começar a crescer em seu peito. Ela havia acabado de perceber que se esqueceu completamente de avisar ao namorado que estaria em Dublin naquele dia.
- Finalmente atendeu esse celular! Onde você está, ? Estou aqui na sua casa há horas e nada de você aparecer.
- Estou em Dublin - ela disse em meio a um suspiro.
- Em Dublin?!
- Sim, vim conversar sobre um novo projeto com o Louis Walsh - ela explicou. Segurou a toalha que começava a se afrouxar e se sentou na cama.
- E por que não me avisou, ?
A mulher fechou os olhos e soltou mais um longo suspiro antes de responder, o mais sinceramente que conseguiu:
- Porque eu esqueci completamente. Me desculpa, Luke.
O silêncio que se seguiu fez se sentir agoniada. Ela preferia quando Luke extravasava toda sua irritação com um falatório infinito do que quando ficava calado, pois eram as vezes que ele estava mais chateado.
- Vai voltar quando?
- Amanhã no fim da tarde, provavelmente.
- Você não lembra que vou para a República Tcheca amanhã cedo e só volto daqui a dois meses, né?
Aquelas palavras adentraram os ouvidos de e ela fechou os olhos, se dando conta de que a mancada havia sido muito maior do que ela pensava.
- Quer dizer, não deve nem lembrar que tem um namorado.
A risada irônica que Luke soltou fez os olhos de lacrimejarem. Ela estava se sentindo a pior pessoa do mundo por ter não apenas se esquecido de avisar ao namorado que iria para Dublin naquele dia, mas também que ele passaria dois meses fora gravando a série e eles não teriam como se ver durante todo aquele tempo, já que ela estaria ocupada com seu próprio trabalho. O mínimo que Luke esperava dela era que eles pudessem se despedir, e nem o mínimo ela havia conseguido dar a ele.
- Olha, , não dá pra gente manter um namoro nessas condições.
- O quê? - ela questionou, alarmada. - Não fala besteira, Luke. Estou indo para o aeroporto.
Enquanto dizia isso, ela se levantou, deixou o celular ligado no viva voz em cima da cama e começou a se vestir apressadamente.
- Não precisa fingir que está arrependida e atrapalhar seus planos para vir ver seu namorado que vai ficar dois meses fora. Afinal, seu trabalho é mais importante, né?
Ela preferiu ignorar a ironia com que ele proferia cada palavra.
- Te vejo daqui a pouco - ela disse, se aproximando do aparelho, e, em seguida, finalizou a ligação. Guardou todos seus pertences dentro da bolsa e deixou o hotel apressadamente, agradecendo por ter pagado a diária quando chegou.

- Não, não, não… - disse baixinho, pensando alto, sem saber o que deveria fazer naquele momento.
Ela havia percorrido o aeroporto de uma ponta a outra, tentando conseguir um voo para Londres, mas nem mesmo oferecer uma quantia a mais pela passagem havia trazido um resultado positivo. Não que ela aprovasse subornar as pessoas para conseguir o que queria, mas, naquele momento, estava completamente desesperada. Luke estava magoado por ela ter esquecido a viagem dele de dois meses para a República Tcheca, e o namoro dos dois estava por um fio. gostava tanto de Luke... A última coisa que ela queria naquele momento era perdê-lo, mesmo sabendo que, caso aquilo realmente acontecesse, seria por descaso dela e apenas dela.
Infelizmente, apesar de todo o esforço, comprou uma passagem para um voo dali a três horas. Mesmo que a duração de um voo Dublin-Londres fosse de menos de uma hora, ela chegaria já de madrugada em Londres e aquilo estava a corroendo por dentro de tanta agonia. Porém, não havia mais nada que ela pudesse fazer e agora só restava esperar e rezar para que tudo ficasse bem no final.
Sentindo o estômago roncar, se lembrou que a última refeição que havia feito tinha sido o almoço e decidiu procurar por um restaurante onde pudesse se sentar, comer e passar o tempo até dar o horário de seu voo. Logo ela estava passando pela porta e sendo recebida por um garçom, que a guiou até uma mesa, a ofereceu o cardápio e esperou até que ela tivesse decidido o que comeria naquela noite. Sua escolha foi um prato típico irlandês.
- Eu quero um Dublin coddle, por favor - ela pediu, fechando o cardápio e o devolvendo ao garçom.
- E para beber?
- A melhor cerveja que vocês tiverem.
O garçom assentiu com um aceno de cabeça e se retirou.
passou as mãos pelos fios de cabelo até prendê-los em um coque e soltou um longo suspiro. Ela não conseguia parar de se martirizar. Se pudesse voltar no tempo, faria de tudo para dar mais atenção ao namorado. Luke era um homem incrível, sempre tão carinhoso e compreensivo, e ela, em vez de dar valor a ele, colocava sempre o trabalho em primeiro lugar. Aquilo não estava certo.
Revirando a bolsa em busca do celular, já pensava em que mensagem mandaria para Luke sem parecer que estava o enrolando

: Luke, só consegui um voo para daqui a 3 horas e estou no aeroporto esperando. Pode dormir. Amanhã estarei aí quando você acordar. Não esquece que eu te amo, tá? Beijos.

Ela enviou a mensagem e, menos de um minuto depois, Luke já havia visualizado. A falta de resposta fez se sentir decepcionada, mas quem era ela para exigir qualquer coisa dele? Para o alívio de seu estômago, que naquela altura já devia estar se autodigerindo, logo o garçom estava voltando com o delicioso prato irlandês em mãos, acompanhado da cerveja. pôde comer e passar mais algumas horas se martirizando e respirando fundo de tempos em tempos, evitando que as lágrimas que ela segurava com todas as forças descessem antes que ela pisasse em Londres.

Capítulo Dez

Save the last goodbye for me
One more shiny memory
Always remember
I’ll leave the light on for you, for you
Save the last goodbye for me
Wake me up before you leave
Always remember
I’'ll leave the light on for you, for you

Last Goodbye - Union J

Maio de 2026

Já se passava da 1h da manhã e o apartamento se encontrava em completos silêncio e escuridão. sentiu um aperto no peito, pois, mesmo sabendo que Luke precisava dormir para viajar de manhã cedo, ela, bem lá no fundo, desejava que ele estivesse acordado e a esperando. Ela trancou a porta e tirou os sapatos de salto para evitar fazer barulho quando caminhasse pelo apartamento. Antes de largar a bolsa no sofá, ela guardou a chave que tinha do apartamento do namorado. Seguindo pelo corredor, logo estava adentrando o quarto de Luke, onde o encontrou esparramado na cama, dormindo. Ela tirou a jaqueta que vestia, bem como a calça jeans, e largou as peças de roupa em cima de uma poltrona. Tentando ao máximo ser discreta, ela levantou o edredom e se enfiou debaixo dele, se deitando ao lado do namorado.
Luke, que não havia conseguido pegar no sono para valer e estava despertando de minutos em minutos, acordou com o movimento na cama e levantou a cabeça para checar o que estava acontecendo.
- Sou eu, Luke - sussurrou, empurrando o homem para que ele voltasse a se deitar. - Dorme. Amanhã a gente conversa.
Sem dizer nada, Luke voltou a acomodar a cabeça no travesseiro e fechou os olhos, mas ele próprio sabia que não conseguiria dormir. Não quando estava ali do lado e eles tinham uma discussão mal resolvida para esclarecer. Ele sentiu ela se aproximar e abriu o braço para que ela pudesse deitar mais próxima a ele. Mesmo que estivesse extremamente chateado com a mulher, ele gostava demais dela para ser capaz de rejeitar qualquer aproximação. acomodou a cabeça no peito nu de Luke e, assim, eles ficaram deitados por incontáveis minutos, sem conseguirem pegar no sono. Quando sentiu lágrimas molharem sua pele e ouviu fungar, Luke finalmente tomou coragem para quebrar o silêncio.
- Não chora, - ele pediu, afagando o braço da mulher. - Está tudo bem. Eu não estou tão chateado assim, não por você ter esquecido da viagem.
- A gente não vai terminar, né? - ela questionou, passando a mão no rosto para secar as lágrimas.
Para o desespero de , tudo que Luke deu como resposta foi um suspiro, o que a fez se levantar para encarar o rosto do namorado em meio à escuridão.
- Fala alguma coisa - ela pediu.
- - ele começou, após respirar fundo -, eu andei pensando e acho melhor a gente terminar.
- Não, Luke, por favor - suplicou. - Eu sei que não tenho sido a melhor namorada do mundo, mas eu juro que vou mudar isso.
- Esse é o problema, eu não quero que você mude para me agradar - Luke disse e tentou buscar as palavras que expressassem seu ponto de vista. - Eu não duvido dos seus sentimentos por mim e sei que somos felizes juntos, a gente se dá bem pra caramba e sempre conseguimos manter um equilíbrio mesmo quando nosso relacionamento está em crise. Eu te amo muito, , você é a mulher da minha vida. Mas eu não posso ser egoísta e simplesmente ignorar o fato que já está mais do que claro. Eu não sou o homem da sua vida - ele finalmente proferiu as palavras que martelavam em sua cabeça há tanto tempo, com os olhos cheios de lágrimas.
- Isso é ridículo - disse, incrédula com aquele pequeno discurso. - Você realmente acha que eu voltaria de outro país às pressas, tendo que esperar três horas dentro do aeroporto, se eu não te amasse?
- Você não me ama, - ele disse e, antes que a mulher retrucasse, ele continuou: - Você gosta de mim, mas você não me ama. Por favor, para de se enganar.
fechou os olhos e passou as mãos pelo rosto, se controlando para não se debulhar em lágrimas. Por que Luke estava fazendo aquilo com ela?
- A única coisa que eu quero é a sua felicidade - ele continuou, vendo que a outra não diria nada. - É o melhor para nós dois. Eu mereço alguém que me ame e queira estar de corpo e alma comigo, assim como você merece alguém que você ame. Por mais que seja difícil saber que eu não sou esse cara, desejo que você encontre ele. Isso se não o encontrou já…
O tom sugestivo na voz de Luke fez sentir o nó na garganta aumentar. Ele a conhecia tão bem… Por que ela simplesmente não conseguia retribuir todo aquele amor, carinho e compreensão? Ela tinha que concordar. Luke era incrível demais para merecer um namoro como o que eles vinham tendo. Por mais que os dois tivessem vivido anos incríveis juntos, ele merecia mais do que o que ela era capaz de dar a ele.
- Promete que você não vai sumir? - se pronunciou, com a voz fraca.
- Prometo tudo que você quiser, - Luke respondeu, com um sorriso triste nos lábios, deixando que as lágrimas finalmente rolassem pelo seu rosto.
Era oficial. e Luke não eram mais namorados.
- A gente pode passar uma última noite juntos?
Entendendo o que queria dizer por “uma última noite juntos”, Luke a empurrou até que ela se deitasse na cama e grudou seus lábios aos dela, dando início a um beijo amargo. Amargo não apenas porque as lágrimas de ambos invadiam aquele beijo, mas também porque ele tinha um sabor melancólico de despedida. Naquela madrugada, eles puderam sentir as carícias um do outro por uma última vez. Eles se amaram por uma última vez. E, na manhã seguinte, Luke não teve coragem de acordar a ex-namorada antes de deixar o apartamento. Os dois meses que passaria na República Tcheca fazendo o que mais gostava, que era atuar, seria o suficiente para confortar seu coração. Luke sabia que jamais esqueceria , mas, mesmo assim, ele estava aliviado. Aliviado por tê-la deixado livre para ser feliz. Aliviado por estar livre para ser feliz.

Depois de passar um dia inteiro trancafiada em casa e chorando pelos cantos, ali estava , solteira pelo segundo dia. Ela já não se lembrava como aquele sentimento de perda, depois de um relacionamento incrível que havia durado anos, doía. Mas ela tentava suportar a dor e dizia para si mesma que logo aquela tempestade passaria e seu coração estaria pronto para encarar outra perda daquelas. Não que ela já estivesse esperando o pior do próximo relacionamento que teria, afinal, ele poderia ser com o tal homem de sua vida que Luke havia citado… Mas para que serviam aquelas cicatrizes no coração senão para fazer as próximas lesões serem mais suportáveis?
ainda não havia contado para ninguém a novidade - na verdade, a última pessoa com quem tinha falado tinha sido Luke, na última madrugada que eles passaram juntos como um casal -, e ainda se preparava psicologicamente para explicar tudo que havia acontecido para e , que com certeza iriam exigir que ela contasse tudo em detalhes. Mas ela sabia que daquele dia não passaria, já que o almoço na casa dos seria dali a pouco mais de uma hora. Se recusando a chorar por mais um minuto sequer, se levantou para tomar um banho, botar uma roupa bem elegante e fazer uma maquiagem que, além de esconder as olheiras conquistadas depois das duas noites mal dormidas, a deixaria linda. Pouco tempo depois, ela estava estacionando o carro em frente à casa dos amigos e tocando a campainha.
- Que bom que você chegou, - falou ao abrir a porta. - A gente precisa falar com você.
- “A gente” quem? - ela questionou, sendo puxado pelo braço até a sala de estar. Se deparou com e sentados nos sofás e arqueou uma sobrancelha em sinal de estranhamento.
Os dois se levantaram e cumprimentaram a recém-chegada com abraços apertados.
- Nós três precisamos conversar com você - falou.
- E tem que ser rápido, antes que e cheguem - alertou, fazendo estranhar ainda mais aquela situação.
- Do que se trata? - ela disse e alternou o olhar entre cada um deles.
- Primeiro, acho que é melhor você se sentar - falou e indicou um lugar vago no sofá.
- Tudo bem - disse, desconfiada, e se sentou ao lado de . - Sou toda ouvidos.
- Nós tivemos uma ideia e queremos saber a sua opinião - disse. - Quer dizer, quem teve a ideia mesmo foi o .
- Que ideia? - a mulher perguntou, encarando o amigo.
- Bom, tudo começou quando eu parei para pensar sobre a turnê do meu novo álbum e percebi que não estou tão animado quanto eu deveria estar. E a consequência disso foi que comecei a lembrar do tempo de 1D e me dei conta de como sinto falta daquela época - ele começou a explicar e ficou surpresa com aquela revelação, pois imaginava que, depois de tantos anos, One Direction fosse uma questão superada, já que os ex-integrantes tinham cada um seus próprios projetos e pareciam estar satisfeitos. - Conversei com sobre isso e acabei tendo a ideia de voltarmos.
arregalou os olhos e alternou o olhar entre os três amigos.
- Isso é sério?
- Na verdade, a gente ainda não sabe se vamos voltar pra valer - falou. - A gente conversou e, por ora, decidimos fazer uma turnê comemorativa ano que vem, já que o fim do 1D vai completar 10 anos.
- Isso é ótimo! - exclamou, contente. - É sobre isso que vocês querem minha opinião? Não precisam nem perguntar, dou meu total apoio. Tenho certeza de que essa turnê será sensacional.
- Você toparia trabalhar com a gente, ? - perguntou com um sorriso nos lábios.
Mais uma vez, foi pega desprevenida e arregalou os olhos.
- Espera aí - ela começou, rindo -, primeiro vocês dizem que o 1D vai voltar, o que é uma notícia maravilhosa. E agora querem que eu trabalhe com vocês? Vamos com calma. Não sei se meu coração aguenta tanta emoção - finalizou, fazendo os amigos rirem junto.
- Nós achamos que não tem por que envolvermos o Simon, já que o One Direction que trabalhava com ele não existe mais e nem vai voltar a existir - falou e assentiu com a cabeça. - Como você é nossa amiga, e já estão acostumados a trabalhar com você, e agora o também…
- Espera aí - a mulher interrompeu, incrédula. - também vai participar disso?
- Esse é o problema - disse e bufou. - Nós queríamos que essa volta envolvesse nós cinco. Seria muito mais interessante, né? Mas conversamos com ele e com o e nenhum dos dois topou.
- Pois é - continuou a fala do amigo. - Mesmo a gente dizendo que a intenção é só comemorar e que não pretendemos nem gravar álbum novo, eles não aceitaram de jeito nenhum.
- Mas ainda bem que você existe e vai nos ajudar a convencê-los, né? - disse, com um sorriso esperto, e deu três tapinhas no ombro da amiga.
- Eu? - questionou, surpresa, apontando para si mesma. - Se vocês, que são amigos deles, não conseguiram, quem sou eu para fazê-los mudar de ideia?
- Você também é amiga deles - argumentou. - Além de ser empresária e entender dessas coisas. Aposto que consegue.
- Eu não tenho tanta certeza disso… - ela retrucou, entortando a boca.
- Qual é, ? Você convenceu a aceitar ser empresariado por você - lembrou, rindo. - Não acho que vai ter muita dificuldade em fazê-lo, pelo menos, considerar a possibilidade.
- Vocês só me metem em furada - a mulher suspirou.
A mente de estava a mil. Primeiro, três quintos do finado One Direction estavam motivados a ressuscitar o grupo. Mesmo que fosse apenas temporariamente, para uma turnê comemorativa, aquela era uma notícia quase inacreditável. Segundo, ela havia sido convidada para empresariá-los, o que era igualmente quase inacreditável. Quando, lá pelos seus 20 e poucos anos, ela imaginaria que, além de amiga dos integrantes, um dia ela teria a chance de trabalhar com o One Direction? E, para completar, ela havia sido designada para a missão de convencer e a participaram da tal turnê comemorativa. Era muita informação para a cabeça dela e ela não sabia nem o que achar a respeito daquilo tudo. Mas, como seria capaz de negar qualquer coisa para aqueles três olhares pidões que a encaravam?
- Vou tentar - ela disse e riu quando os três comemoraram. - Eu devo isso a vocês.
- Deve? - questionou, confuso.
- Aquela confusão toda, vocês sabem… - respondeu e fez uma careta. Odiava tocar naquele assunto. - Ainda me sinto um pouco culpada pelo fim do 1D.
- Faça-me o favor, - a repreendeu. - Não foi culpa sua.
- Pensei que isso já estivesse superado - murmurou.
- Relaxa, - disse e abanou o ar. - A gente pediu a sua ajuda porque confiamos em você. Se não der certo, está tudo bem. - Ele sorriu e se levantou. - Vamos para o quintal? As garotas estão lá com as crianças.
Os outros assentiram e o seguiram até o quintal dos fundos, onde e jogavam bola e riam com Travis e Archie, enquanto Austin assistia à confusão com uma chupeta na boca, esparramado no colo de Molly. e , acompanhado de Savannah, não demoraram a chegar e se juntaram a eles, e todos almoçaram em meio a muitas piadas e gargalhadas, como nos velhos tempos.
Mesmo distraída com os amigos, não deixava de pensar em Luke um minuto sequer e sentia um nó constante na garganta unido ao sentimento de que havia feito tudo errado mais uma vez. Além disso, estava se sentindo na obrigação de ajudar , e . Por mais que eles dissessem que não, realmente achava que devia isso a eles e precisava arranjar uma forma de convencer e a aceitarem fazer parte do retorno do One Direction. Talvez, se conseguisse unir o grupo novamente, sua consciência, enfim, ficasse mais tranquila. Mas, antes, ela precisava ir para casa e chorar por mais algumas horas.

- Caramba, ! - exclamou com a boca cheia. - Como se não bastasse o almoço, você ainda vem com essa torta de banana deliciosa.
- Está uma delícia mesmo, amiga - concordou, dando um pedaço na boca do filho caçula.
- Obrigada - agradeceu, sorrindo orgulhosa. - Tenho treinado algumas receitas diferentes ultimamente.
- Que inveja, sou péssima na cozinha - Molly disse, rindo. - E o é pior ainda. Estamos ferrados.
- Eu e nos viramos bem - falou e bateu na mão que o marido estendeu. - Mas quem tem sorte mesmo é a , o Luke adora cozinhar para ela.
- Nossa, e o Luke cozinha muito bem! - confirmou, lembrando-se das vezes em que o elenco de Skins se reunia e a comida ficava sob a responsabilidade dele. - Outro dia mesmo ele fez lasanha, né, ?
Todos encararam , que comia seu pedaço de torta perdida em pensamentos, encarando o nada, e nem ouvia a conversa. Apenas ao sentir cutucar sua cintura que ela despertou e voltou sua atenção para os amigos.
- Está sonhando acordada, é? - questionou, soltando uma risadinha.
- Aconteceu alguma coisa, ? - preocupada, perguntou. - Você está com uma cara…
- Não, está tudo bem - respondeu rapidamente, forçando um sorriso, e logo tratou de deixar de ser o centro das atenções. - Sobre o que vocês estavam falando mesmo?
estreitou os olhos, estranhando o jeito da amiga naquele dia. Ela parecia muito incomodada com alguma coisa. Mas, para evitar constrangimentos, ela preferiu deixar para conversar com mais tarde, quando tivesse menos pessoas por perto.
- Estávamos falando sobre cozinhar e lembramos que o Luke cozinha muito bem - explicou e sentiu o nó na garganta aumentar quando ouviu o nome do ex-namorado. - Outro dia ele fez lasanha para vocês jantarem juntos, né? Ele comentou comigo quando estava ainda planejando o jantar.
- Sim, estava uma delícia - respondeu em um fio de voz e pigarreou, antes de continuar: - Preciso ir ao banheiro.
Enquanto a viam se levantar e sumir apressadamente pela porta da sala de jantar, os amigos se entreolharam, estranhando a resposta direta da amiga, mas logo puxou outro assunto que entreteu a todos.
, entretanto, sabia que algo estava errado. Desde que chegou à casa dos , ele não tirava os olhos de - na verdade, sempre que ela estava por perto, ele não conseguia parar de observá-la - e havia percebido a expressão triste em seu rosto. Mesmo que tivesse se afastado de ao longo dos anos, o fato de terem sido grandes amigos um dia o dava experiência suficiente para saber como estava o humor dela sem ela precisar dizer uma palavra. Porém, ele sentia uma agonia crescer em seu peito por não ter mais a intimidade necessária para perguntar o que tinha acontecido e para dizer qualquer besteira e arrancar um sorriso de .
Quando passou pela sala de estar, ela sequer levantou os olhos para , que assistia a um desenho animado com Travis e Archie e a acompanhou com os olhos até ela sumir de vista. Naquela altura, as lágrimas já escorriam pelas bochechas de , então ela preferiu passar batida, subir as escadas e se trancar no banheiro. Se sentou na tampa fechada do vaso sanitário e deixou as lágrimas escorrerem livremente, tapando a boca para não emitir sons e chamar a atenção dos outros. Em momentos de desespero como aquele, estava acostumada a pegar o celular e mandar uma mensagem para Luke, que prontamente a confortava. Mas... E agora? Ela acabou chorando ainda mais e nem soube ao certo quanto tempo ficou trancada no banheiro.
Quando achou que já havia chorado o suficiente, lavou o rosto, com a intenção de disfarçar a vermelhidão que denunciava seu choro, mas não adiantou muita coisa. Ao destrancar a porta, se assustou com a pessoa que encontrou encostada na parede do corredor.
- Que susto, - ela disse, mostrando um sorriso forçado.
- Foi mal. Estava esperando para usar o banheiro - ele mentiu.
Na verdade, quando todos decidiram deixar a sala de jantar e foram se juntar a e as crianças na sala de estar, ele era o único que parecia ter notado a demora de , então disse à Savannah que iria ao banheiro e subiu para o segundo andar da casa.
- Desculpa pela demora - falou e fez menção de sair andando pelo corredor, mas foi impedida pela mão de segurando seu braço.
Ela se virou e encontrou os olhos do homem analisando atentamente seu rosto. Seu coração começou a bater mais forte e sua pele, no local onde a mão de a tocava, formigava.
- Você está bem, ?
Aquilo foi o suficiente para os olhos dela se encherem de lágrimas novamente e, após negar com um aceno de cabeça em resposta ao questionamento de , ela recomeçou a chorar. Alarmado, o homem fez a primeira coisa que passou por sua cabeça: puxou para um abraço. Ela retribuiu o abraço e enterrou a cabeça no pescoço de , sem se importar com nada. Um ombro amigo para chorar era tudo o que ela queria.
- Vem - falou e a puxou até eles entrarem no quarto de Archie e se sentarem na cama dele.
Ele esperou pacientemente até se acalmar, acariciando o braço dela e a deixando molhar sua blusa.
- Quer conversar? - ele questionou quando percebeu que a mulher havia parado de chorar e passava as mãos no rosto para secar os resquícios de lágrimas.
ponderou por alguns segundos, pois não sabia se aquilo era adequado. Porém, ver ali sentado ao seu lado tão preocupado a fez sentir como se nada nunca tivesse mudado entre eles.
- Luke terminou comigo.
Ela não precisou dizer mais nada para que entendesse o que estava acontecendo. Mesmo sem saber o que tinha ocorrido, ele via como o casal se dava bem, provavelmente o término não era a vontade de .
- Por que ele faria isso? - ele questionou.
- Eu estava dando mais atenção para o trabalho do que para ele - respondeu, dando de ombros, e assentiu.
- Conversa com ele - aconselhou, dando um leve aperto no ombro da amiga.
- Ele vai passar dois meses na República Tcheca - ela falou, ressaltando, em meio a um suspiro.
- Espera ele voltar, então. Ou vai até a República Tcheca atrás dele.
- Nah, não tem volta - ela negou, fazendo uma careta.
- Sinto muito - disse, com um sorriso triste nos lábios, sem saber ao certo como deveria consolar , e sem coragem de perguntar mais detalhes sobre o término.
- Vai passar - ela murmurou, sentindo os olhos lacrimejarem mais uma vez. - Vou sentir falta dele, mas vai passar.
Para o desespero de , mais lágrimas caíram pelo rosto de .

No primeiro andar, todos conversavam animadamente sentados no sofá e apenas Savannah havia notado a demora de e o sumiço de . Para ela, era bem óbvio que os dois haviam se esbarrado pelo corredor, e aquilo não a agradava. Entretanto, Savannah sabia que não estava em posição de opinar sobre qualquer coisa, já que ela e sequer eram namorados.
- Tio , sabia que o Archie ganhou um Batmóvel? - Travis perguntou para o padrinho.
- Sério?
- Uhum, o tio deu para ele - o menino disse, sorrindo. - Ei, Archie, vamos pegar seu Batmóvel. Vem, tio .
Sem muita escolha, se levantou do sofá e ajudou Travis e Archie a subirem as escadas. Quando chegaram no segundo andar, os dois dispararam a correr e deixaram o mais velho para trás. Os dois garotinhos entraram correndo no quarto de Archie e se surpreenderam com a cena que encontraram. Archie começou a chorar imediatamente, fazendo e se afastarem no susto, enquanto Travis se aproximou dos dois, preocupado.
- Tia , por que você está chorando?
- Por nada, querido - ela respondeu, secando o rosto.
Antes que o menino pudesse retrucar, apareceu na porta do quarto. Ao escutar o choro de Archie, ele apressou o passo, achando que o pequeno tivesse se machucado, mas a cena que ele encontrou foi ainda pior.
- O que você fez com ela, ? - ele questionou, avançando para cima do outro, que prontamente se levantou, levantando os braços em sinal de rendição.
- Não fiz nada, cara - se defendeu.
- Se você tiver encostado em um fio de cabelo dela, você vai se arrepender, ouviu? - falou entredentes, apontando o dedo no rosto de .
- Quanto a isso, minha consciência é limpa - disse, soltando uma risada irônica.
estar o acusando de fazer mal a parecia até piada, de tão ridículo. O outro entendeu a alfinetada e cerrou os olhos, encarando , que não desviou o olhar por um segundo sequer.
- Calma, - disse após se colocar entre os dois e abaixar o braço dele. - não tem nada a ver com isso, ele só estava me ajudando.
Ela estava assustada de ver naquele estado, intimidando para defendê-la. Para seu alívio, ele pareceu relaxar após escutar as palavras proferidas por ela.
- O que aconteceu, ? - ele perguntou em um tom preocupado.
Entretanto, antes que pudesse falar qualquer coisa, o restante dos presentes adentrou o quarto, preocupados por terem ouvido o choro de Archie do primeiro andar, e se assustaram com a cena que encontraram. Enquanto e pegavam os filhos no colo, e foram até e a puxaram para longe da confusão.
- Vem lavar o rosto, - acompanhou a amiga até o banheiro, sendo seguida por Molly, que, apesar de conhecer pouco , também estava assustada por vê-la naquele estado.
- Deve ter um calmante por aqui - disse, abrindo o armário do banheiro. - , pega um copo d’água, por favor? - ela questionou ao ver o amigo parado na porta do banheiro.
Ele assentiu e se virou para seguir os outros em direção ao primeiro andar. Na escada, ele puxou e o fez se virar para trás.
- O que aconteceu com a ? - , questionou.
- Luke terminou o namoro - respondeu e não fez questão de esperar para ver a reação de , continuando a descer as escadas. Ele estava tão irritado com a audácia do ex-amigo de acusá-lo e, mais do que isso, de achar que tinha o direito de defender . Era melhor evitar qualquer contato, ou acabaria perdendo a cabeça.
Aquelas palavras causaram um baque dentro de . Ele não sabia se estava mais incomodado por saber que estava desesperada daquele jeito por ter terminado com Luke ou por, mais uma vez, ela ter ido procurar conforto nos braços de .

A porta do quarto de e foi fechada e, lá dentro, foi obrigada a contar cada detalhe do término de seu namoro para as amigas. Ela contou tudo, desde as constantes brigas que os dois vinham tendo por estar sempre tão ocupada trabalhando, até o fatídico dia, quando ela foi para Dublin e se esqueceu completamente da viagem de Luke. , e Molly mal sabiam o que dizer. As duas primeiras porque estavam chocadas, pois jamais imaginariam que a iniciativa de terminar o namoro partiria de Luke, e a última porque não conhecia o ex-casal o suficiente para opinar qualquer coisa.
- Amiga, eu não sei nem o que dizer - começou. - Você sabe que o Luke é completamente apaixonado por você, né?
- Eu sei - a outra respondeu, suspirando. - Isso é o que mais dói.
- Dê tempo ao tempo, - falou. - Talvez essa distância seja boa, sabe? Assim você pode repensar seus sentimentos e, quem sabe, você conversa com ele daqui a um tempo e vocês se acertam.
- É… Quem sabe? - falou em meio a um suspiro, mas nem ela acreditava nas próprias palavras. Ela sabia que o namoro estava acabado, pois ela própria concordava com aquele término. Mas, apesar de não amar Luke como gostaria, ela gostava muito dele e estava sendo difícil lidar com o fato de que não o teria mais como seu porto seguro. - , posso te pedir um favor?
- Claro que pode - a outra respondeu prontamente.
- Manda uma mensagem para o Luke? - ela questionou, mordendo o lábio inferior. - Só quero saber como ele está. Não sei nem se ele chegou bem na República Tcheca.
- Mando sim, - disse, sorrindo, e se esticou para pegar o celular em cima do criado mudo.

: Oi, Luke! Como você está? Acabei de saber que você e terminaram. Sinto muito, muito mesmo! Não vou mentir para você, ela está péssima. O pessoal está aqui em casa e ela teve uma crise de choro, deixou todo mundo preocupado. Na verdade, estou mandando essa mensagem porque a pediu. Ela quer saber se você está bem. Pode contar comigo para qualquer coisa, você sabe. Beijos!

enviou a mensagem e a leu em voz alta para as amigas.
- Não precisava falar sobre a crise de choro, né? - disse, fazendo careta, e deu de ombros, rindo.
- É bom ele saber que você não está contente com esse término - ela disse e piscou um olho.
- Tanto faz - falou e olhou atentamente para quando o celular dela apitou.
- Oi, . Estou bem na medida do possível, né? - ela começou a ler a mensagem. - Fala para a não ficar desse jeito, um dia ela vai ver que foi melhor assim. E diz também que ela pode mandar mensagem ou ligar quando quiser, que besteira! Sei que posso contar com você. Já falei isso milhões de vezes, mas, mais uma vez, obrigado por ter me apresentado à mulher mais sensacional desse mundo (ouviu, ? Eu sei que você vai ler essa mensagem hahaha). Beijo para as duas - ela terminou de ler e suspirou.
- Luke é um fofo - falou e Molly concordou com um murmúrio.
- Ele é incrível - disse, respirando fundo, e tratou de secar as lágrimas que surgiram em seus olhos antes que elas caíssem. - Vamos descer?
- Tem certeza? - questionou. - Podemos ficar por aqui quanto tempo quiser.
- Cansei de chorar - a outra respondeu, com um sorriso nos lábios, e se levantou da cama.
Quando as quatro mulheres chegaram à sala de estar, os presentes se calaram imediatamente. Naquela altura, já havia contado para todos o motivo do choro de e eles estavam ansiosos esperando por notícias. prontamente se levantou e foi abraçar a amiga.
- Que pena que estou com a Molly, agora era a minha chance - ele disse, fazendo todos rirem, e levou um tapa de . - Qualquer coisa, pode contar comigo, ok?
- Obrigada, - ela disse, sorrindo, e se sentou em um sofá, sendo acompanhada pelas amigas. Os outros permaneceram a encarando, sem saber ao certo como agir, e ela acabou rindo. - Qual é, gente? Que caras são essas?
- Você está melhor? - questionou.
- Estou - respondeu. - Quer dizer, ainda não. Mas vou ficar.
- Não precisa ficar triste, - disse. - Vocês podem conversar e se acertar.
suspirou. Já tinha perdido as contas de quantas vezes havia ouvido aquele conselho desde que contou para os amigos sobre o término e aquilo começava a irritá-la.
- Não, terminou para valer. Eu aceitei isso, não quero voltar com o Luke.
- Então por que você estava chorando daquele jeito? - perguntou, a olhando torto.
- Porque, mais uma vez, eu tive um namorado maravilhoso e não soube retribuir isso - ela disse, entortando a boca, sem se importar de fazer uma revelação tão íntima na frente de todos.
Um silêncio desconfortável tomou conta do ambiente. Todos sabiam que se referia a o que havia ocorrido com no passado, já que ele tinha sido o único cara, além de Luke, com quem ela tinha tido um relacionamento sério. , entretanto, sentia-se indignado. Ele quis gritar que estava errada até fazê-la mudar de ideia. Para Luke, ele não tinha como saber, mas, para ele, ela havia sido uma namorada maravilhosa, sim.
- Papai, vamos jogar futebol?
Para o alívio de todos, Travis quebrou o silêncio e salvou a tarde. Todos decidiram respeitar o espaço de , dar o assunto como encerrado e foram para o quintal jogar futebol.


Capítulo Onze

Baby, I remember
The way you used to look at me and say
Promises never last forever
I told you not to worry
I said that everything would be alright
I didn't know then that you were right

I Want You Back - N Sync

Junho de 2026

- Olá! Meu nome é Cian, tenho 19 anos e sou de Castlebar. Hoje vou cantar Drag Me Down, do One Direction - o garoto disse, mirando a lente da câmera com seus enormes e belos olhos azuis, e começou a cantar.
não precisou mais do que aquelas poucas palavras para sentir a simpatia que o jovem irlandês transmitia naquele singelo vídeo, provavelmente gravado em seu quarto. “I've got fire for a heart, I'm not scared of the dark”. O primeiro verso da música adentrou seus ouvidos e ela, sem pensar duas vezes, pegou o papel onde estava impressa uma planilha com nome, idade e cidade de origem de todos os inscritos e destacou o nome de Cian Morrin com uma caneta marca-texto rosa. Diferente do marca-texto amarelo, que indicava os garotos interessantes para participarem da audição em Dublin, o marca-texto rosa assinalava os garotos que, com certeza, participariam da audição. Aquele era o segundo contemplado com o nome pintado de rosa, tendo sido Ryan McLoughlin, da cidade de Newbridge, o primeiro, pois havia achado extremamente envolvente vê-lo cantar Lego House, do Ed Sheeran, enquanto tocava violão.
Quando o vídeo acabou, estava eufórica demais para seguir para o próximo candidato, então deixou o computador em cima da mesa do escritório que tinha em seu apartamento e seguiu para a cozinha. Enquanto enchia um copo com o suco que tinha sobrado do almoço, ela pegou o celular e digitou uma mensagem para .

: Não sei você, mas eu já achei duas preciosidades. ;)

deixou o aparelho em cima da bancada da cozinha e cortou uma fatia do bolo de chocolate que a cozinheira havia deixado pronto antes de ir embora naquele mesmo dia. Não que a empresária fosse uma má cozinheira, mas, sempre atolada de trabalho, ela preferia contratar alguém para ficar responsável pelas refeições. Quando colocou um pedaço do bolo na boca, ela percebeu quão faminta estava. O anúncio das audições para a nova boyband havia tido uma grande repercussão na Irlanda, o que resultou em cerca de 2 mil inscritos. Aquilo era ótimo, na opinião de , pois significava que as pessoas ainda acreditavam nas boybands, mas, por outro lado, aquilo significava horas e horas em frente ao computador. Ela estava enfurnada no escritório desde a manhã daquele dia e já havia perdido as contas de a quantos vídeos havia assistido.
O celular tocou em cima da bancada e, imaginando que fosse , se surpreendeu ao ver outro nome no visor.
- ? - ela questionou ao atender.
- Oi, . Tudo bem?
- Estou bem, e você? Aconteceu alguma coisa?
- Não, está tudo certo. É que vim até o seu escritório, mas não te encontrei aqui. Foi hoje mesmo que combinei com você de assinar a papelada do advogado?
- Oh, eu esqueci completamente! Sinto muito por ter te feito ir até aí à toa - ela disse e soltou uma risada sem graça. - Como vou passar os próximos dias envolvida com a escolha dos meninos que vão para a audição da nova boyband, decidi fazer isso de casa mesmo, e acabei esquecendo que hoje era o dia que combinamos.
- Imagina, acontece… Mas ele precisa disso com urgência, né?
olhou em volta, observando seu apartamento vazio, e ponderou a ideia que passou por sua cabeça. Entretanto, ela sabia que era importante que aqueles papéis estivessem assinados o mais rápido possível. Com cautela, ela proferiu as seguintes palavras:
- Eu poderia te mandar o documento e você me enviaria de volta com uma assinatura digital, mas eu queria que conversássemos pessoalmente para eu poder te mostrar cada detalhe do contrato - ela explicou e pensou por mais dois segundos antes de perguntar: - Você se incomodaria de vir até a minha casa?
Alguns segundos agoniantes se passaram até ela obter uma resposta.
- Sem problemas. Mas preciso do seu endereço.
não sabia se ela, assim como ele, ainda morava no mesmo local de anos antes, pois ele não era mais o maior conhecedor da vida pessoal de .
- Vou te mandar por mensagem, ok? - ela disse, aliviada por não ter demonstrado se incomodar com aquela sugestão. Mesmo que eles estivessem, aos poucos, reconstruindo um convívio, ela não achava que já era o momento de um frequentar a casa do outro.
- Tudo bem.
- Até daqui a pouco, então.
Após se despedirem, prontamente enviou o endereço de seu apartamento para o cantor e ficou encarando a tela do celular, tentando entender como estava se sentindo em relação àquela visita. Ela achava surpreendente como, mesmo sendo uma mulher de 33 anos, aquela insegurança preenchia seu peito quando se tratava de . O fato de os dois não serem mais aqueles jovens que haviam mergulhado de cabeça em uma paixão arrebatadora a assustava. Ela não sabia até que ponto os sentimentos e os ressentimentos haviam ficado no passado, e o fato de não saber mais quem era fazia aquilo tudo parecer ainda mais apavorante.
O aparelho apitou em sua mão e ela abriu a mensagem do amigo e colega de trabalho.

: Dois? Sério? Não estou tendo a mesma sorte, só vi candidatos medianos até agora.

Aquelas palavras acabaram a fazendo esquecer o dilema que volta e meia a assombrava e voltar a se sentir animada com o projeto da nova boyband. estava muito contente de ter sido ela a ver os vídeos de Ryan e Cian, pois seria capaz de apostar que eles seriam dois dos cinco garotos escolhidos para integrarem o grupo. Eram realmente muito talentosos. Depois de terminar de comer a fatia do bolo de chocolate, ela voltou para o escritório. Muitos vídeos ainda esperavam para serem vistos.

não tinha ideia do que estava fazendo de sua vida.
Naquele dia, ele havia acordado com a paciência quase esgotada. Não estava no clima de ir para o estúdio e aguentar todo o blá blá blá de Arnold, o diretor do Football Zone. Acabou optando por mandar uma mensagem dando a desculpa de que estava com uma virose qualquer e impossibilitado de ir trabalhar naquele dia. Mesmo tendo recebido como resposta um “trate de melhorar até sábado”, a desculpa foi aceita prontamente. Não que ele fosse fazer muita falta, no final das contas, já que toda e qualquer sugestão que ele dava entrava por um ouvido de Arnold e saía pelo outro. Em casa, sem ter o que fazer e com uma vontade crescente de jogar tudo para o alto e ir para bem longe, tentou se distrair com a televisão, mas parecia que nenhum canal da TV por assinatura conseguiria o milagre de fazê-lo parar de pensar em tudo o que o aborrecia naquele momento.
Seu trabalho era quase um castigo e ele não tinha para onde fugir.
Uma de suas maiores paixões na vida havia sido destruída depois que ele conheceu os bastidores do futebol. Ele não conseguia assistir a um jogo sequer sem ter vontade de vomitar.
, e não paravam de insistir naquela ideia absurda de se reunirem novamente sob o nome One Direction e não o poupavam das diversas mensagens e ligações por dia sobre o assunto.
E … A imagem de chorando copiosamente em seus braços o atormentava desde o fatídico dia. Mais uma vez ele a presenciara chorar por outro homem. Ele se perguntava até quando o destino continuaria a brincar daquele jeito com seus sentimentos.
mal percebeu quando pegou seu notebook, abriu o Google e efetuou uma pesquisa combinando os termos “ ” e “Luke”. Se pegou abrindo páginas e mais páginas que noticiavam o término do casal, apresentando diversas hipóteses que pudessem ter ocasionado o fim de um relacionamento tão admirável, já que nenhum dos dois havia se pronunciado até o momento. Ele não pôde deixar de sentir um aperto no peito ao ver, nas fotos, como parecia feliz ao lado de Luke, embora, bem lá no fundo de seu coração, ele se sentisse contente com a notícia. O que não fazia o menor sentido, já que, para ele, aquele término significava absolutamente nada.
Quando a campainha tocou, se obrigou a deixar o notebook de lado e ir abrir a porta para sua visita.
- Oi, cara - ele cumprimentou . - Entra aí.
Após dar um rápido abraço no amigo, adentrou o apartamento e tomou a liberdade de se esparramar no sofá.
- Você não deveria estar na emissora resolvendo os detalhes do seu programa de sábado, já que estamos em plena quarta-feira? - ele questionou em um tom divertido, como se tivesse acabado de pegar uma criança aprontando travessuras.
rolou os olhos. Odiava aquela mania de de estar sempre por dentro de seus compromissos, mesmo que nem trabalhassem mais juntos.
- E você? Não era para estar em turnê? - ele retrucou, também se jogando no sofá.
- A turnê começa mês que vem e você sabe muito bem disso - respondeu, dando de ombros.
- Estou quase desistindo do meu trabalho - confessou e, em seguida, soltou um longo suspiro.
- Como assim, cara? - o outro questionou, confuso, arqueando uma sobrancelha.
- Eu não tenho direito a opinar sobre nada, tenho que fazer tudo o que me mandam, tenho que dizer só o que está na merda do contrato com o Manchester City... - enumerou. - Só não chutei o pau da barraca ainda porque é o meu sustento. Nunca imaginei que eu teria que trabalhar com algo só por causa do dinheiro, como era antes do 1D. - Ele passou as mãos no rosto, atordoado, antes de, com um tom de pesar, dizer: - Eu só queria voltar a trabalhar com algo que me desse prazer.
Com pena nos olhos, encarou o amigo. Tendo conhecido o antigo , sempre alegre e fazendo piada de tudo, doía vê-lo deprimido daquele jeito.
- Você sabe que pode ter aquilo tudo de volta, basta querer… - soltou, tentando soar despretensioso.
- Sem chances, - prontamente, o apresentador do Football Zone tratou de dizer, cruzando os braços. - Se você veio até aqui me convencer sobre essa ideia ridícula de turnê comemorativa do One Direction, não precisa nem perder seu tempo.
- Por que não, ? Seria legal voltarmos a trabalhar juntos e ainda resolveria os problemas de todos - disse, gesticulando impacientemente. Ele não entendia por que estava sendo tão cabeça dura quanto àquela ideia.
- Seria o mesmo que assinar embaixo do nosso fracasso, isso sim - disse e bufou, irritado. - Estaríamos dizendo para o mundo inteiro que só servimos para cantar musiquinhas românticas enquanto agimos que nem idiotas em cima de um palco.
- Ótimo jeito de descrever nosso grupo - o outro disse com ironia e, zangado com o comportamento do amigo, acrescentou: - Se você acha que é melhor ser marionete de uma emissora corrupta, não posso fazer nada, .
fechou os olhos e respirou fundo. Ele sabia que o amigo tinha razão e ele precisava pedir demissão daquele emprego que só o fazia mal. Entretanto, se sua única opção era voltar para uma boyband depois de ter passado dos 30 anos de idade, ele preferia ficar por lá mesmo.
O silêncio se instalou entre os dois. estava cansado demais para retrucar a fala do amigo e, possivelmente, iniciar uma briga, enquanto , por outro lado, não achava que tinha o direito de se intrometer na vida do outro mais do que já havia se intrometido. Ele era um homem adulto e tinha total consciência de suas escolhas.
Ao pousar os olhos no notebook aberto sobre a mesa de centro, pôde ver uma série de abas abertas no navegador, o que despertou sua curiosidade.
- O que você estava vendo aí? - ele questionou, se aproximando do aparelho para ser capaz de ler os títulos das páginas.
O outro, em um rápido movimento, se inclinou para frente e fechou a tela do notebook em um baque. Porém, era tarde demais. não apenas havia descoberto sobre a pesquisa que ele havia feito como também estava chocado.
- ! - ele exclamou, repreendendo o amigo. - Não acredito que você estava procurando sobre o término do namoro da .
- Eu só… - começou, gaguejando e tentando pensar em uma desculpa que fosse boa o suficiente para justificar aquela atitude patética. - Eu só queria saber se ela está bem, ok?
- Não acho que você vá encontrar esse tipo de informação em sites de fofoca - disse, irônico. - Você podia levantar a sua bunda desse sofá, pegar o telefone e ligar para ela.
- Eu não posso simplesmente ligar para ela - rebateu, quase ofendido.
- Por que não? - o outro perguntou, lançando um olhar intimidador.
- Porque não somos mais amigos - respondeu em um tom de obviedade, abrindo os braços.
- E daí? Vocês podem voltar a ser.
- As coisas não funcionam assim, ...
- ... - ele começou, pacientemente. - Se você continuar apático desse jeito em relação à vida, não vai chegar a lugar algum. Não tem coragem de lutar por um emprego melhor, nem de lutar pela mulher que ama...
- Eu não amo a - disse de prontidão, como se tivesse sido a única informação dita por que sua mente processou.
- Claro que não. Minha vó que ama - o outro retrucou, transbordando ironia.
- Estou com a Savannah - lembrou .
- E daí? A Savannah é bonita e gente boa, mas não é quem você ama. O relacionamento de vocês se baseia em pegação. Se eu fosse você, aproveitava que agora a está solteira e...
- E o quê? Eu não vou me aproveitar da situação.
- Não estou dizendo para você se aproveitar de situação nenhuma, seu imbecil. - bufou. - Agora que ela está solteira, vai poder dar mais atenção para os amigos, não vai ter um namorado do lado. Vai ficar mais fácil de você se reaproximar dela. Como amigo, que seja, mas nem para isso você tem coragem - disse, rolando os olhos. - Toma uma atitude, cara! Antes que outro faça isso primeiro.
- O que você quer dizer com isso? - questionou, olhando com desconfiança para o amigo.
- Você sabe muito bem, não é o único que gostaria de se reaproximar da ...
- Está falando do ?
lançou um olhar entediado para , deixando claro que a resposta para aquela pergunta era óbvia, e disse:
- Não apenas se reaproximar, né? Está na cara que ele quer mais do que isso.
- Ele não está noivo?
- me disse que ele não anda tão contente assim com o noivado… - respondeu e deu de ombros. e Nadine viviam brigando, aquilo não era novidade para ninguém.
- E você acha que ele tem alguma chance? - perguntou, tentando soar desinteressado, mas ganhou uma gargalhada como resposta.
- Tantas quanto você, já que nenhum dos dois está fazendo nada a respeito.
- E quem disse que eu quero mais do que amizade com a ?
permaneceu encarando por alguns segundos, até que soltou mais uma gargalhada que deixou o outro sem graça.
- Se você diz, quem sou eu para dizer o contrário, né? - ele questionou, secando as lágrimas que se acumularam nos cantos de seus olhos devido à risada.
- O quase me bateu naquele dia lá na casa do , quando viu a chorando. Pensou que o culpado fosse eu - contou e bufou em seguida, demonstrando quão absurda havia sido aquela ideia de .
- Isso é sério? Nossa, como vocês são ridículos - falou, incrédulo, e balançou a cabeça negativamente. - Quero dizer, a é incrível e teve uma importância enorme nas vidas de vocês dois, então é até compreensível que ambos gostem dela até hoje. Mas por que nenhum dos dois faz nada a respeito disso? Preferem fingir que mal conhecem ela do que esclarecer as coisas - ele dizia, demonstrando realmente não entender as atitudes dos dois amigos. - Não estou dizendo que vocês têm que competir e, no final, um dos dois vai se casar com ela e ser feliz para sempre. Mas vocês podem ser amigos, sabia? Não me admira que ela tenha ficado tão abalada com o término do namoro com o Luke. Ele foi muito corajoso de deixá-la livre, mesmo gostando dela.
As palavras de fizeram se perder em seus pensamentos. Ele ficou se questionando até que ponto estava fazendo o mesmo, deixando livre para ficar com quem ela realmente gostava, e até que ponto ele estava usando aquilo como desculpa para não levar outro fora. Ele não sabia se suportaria escutá-la dizer, mais uma vez, que os sentimentos que habitavam seu coração anos a fio não eram correspondidos.

parecia estar por toda parte.
encarava distraidamente a tela do computador, rodando a caneta marca-texto rosa entre os dedos, enquanto observava Seamus se apresentar e, então, começar a cantar. O frio que ela sentia na boca do estômago, sensação tão conhecida que indicava ansiedade, se intensificou quando reconheceu a música. Como ela poderia não identificar a música que tantas vezes embalou seu sono? Era um dos singles do segundo álbum de , o favorito de , e ela nem sabia que metade daquelas composições haviam sido inspiradas nela. O que ela sabia era que bastava escutar aquelas canções para sentir cada pelo de seu corpo se arrepiar. E, naquele momento, mesmo que não fosse cantando e que o jovem irlandês desse algumas desafinadas ao longo da música, ela sentia um arrepio correr da cabeça aos pés. Como se não bastasse estar com impregnado em seus pensamentos, teve que se deparar com aquele vídeo justamente naquele momento.
largou o marca-texto rosa em cima da mesa e pegou o amarelo, destacando, em seguida, o nome de Seamus na lista. Talvez ele não fosse o integrante ideal para aquela boyband, já que parecia ser uma versão irlandesa de , mas o garoto tinha estilo, isso ela não poderia ignorar.
O som do interfone soou pelo apartamento e riu baixo enquanto pausava o vídeo. Bela hora para chegar. Ela caminhou calmamente até a cozinha, tentando convencer a si mesma de que não estava ansiosa, mas sentia a adrenalina correr dentro de si.
- Alô - ela disse ao atender o interfone.
- Boa tarde, Senhorita . O Senhor está aqui na portaria.
- Pede para ele subir, por favor.
- Certo.
- Obrigada.
Após recolocar o interfone no gancho, rumou para a sala de estar, onde parou em frente a um espelho para checar se estava, pelo menos, apresentável para receber uma visita. Soltou os fios de cabelo, que estavam presos em um coque nada elaborado, e os jogou de um lado para o outro até se satisfazer com o posicionamento deles. Passou as mãos pelo rosto, tentando disfarçar o cansaço, e fez uma careta ao pensar que poderia, pelo menos, ter passado um batom para dar uma corzinha aos lábios. Fez outra careta ao perceber que aquilo tudo era um enorme exagero. Era só uma visita rápida para discutir questões de trabalho, não tinha por que ela estar tão preocupada com a aparência. Antes que seu cérebro a traísse e fizesse ela pensar que não, não era apenas uma visita, o som da campainha adentrou seus ouvidos e interrompeu qualquer pensamento.
Em questão de segundos, abriu a porta e se deparou com um que encarava os sapatos. Como que em câmera lenta, ele levantou os olhos até capturar os de , e ambos sentiram o coração acelerar dentro do peito. não era a única ansiosa ali, afinal.
- Ei - falou, abrindo um sorriso sem mostrar os dentes.
- Olá - ela disse, retribuindo o sorriso, mas logo uma expressão de culpa preencheu seu rosto. - Desculpa ter te feito vir até aqui, Senhor .
- Tudo bem, Senhorita - ele respondeu, divertido, deixando um riso rápido escapar pelos lábios. - É pertinho da Louis Walsh Management.
deu de ombros e, após dar espaço para que ele adentrasse o apartamento, ele deu um passo para dentro da sala de estar e aproximou o rosto do dela. prendeu a respiração ao sentir metade da boca de tocar sua bochecha e precisou de dois segundos para acordar do transe e, então, fechar a porta.
- Belo apartamento - falou, observando a decoração. - É mais bonito do que o antigo.
- Como empresária dá para tirar uns trocadinhos melhores do que os que eu tirava como jornalista - ela brincou, o fazendo rir, e saiu caminhando. - Vem. Vamos para o escritório.
seguiu a dona do apartamento e não se surpreendeu ao adentrar o bem decorado e equipado escritório de . Ele sabia como ela levava o trabalho a sério e, como não podia deixar de ser, claro que ela teria um espaço com tudo que pudesse precisar em sua casa.
- Assiste o vídeo que está aberto no computador - ela disse, apontando para o aparelho, enquanto seguia até a impressora e pegava os papéis nos quais ela imprimira o contrato de assim que falou para ele ir até lá.
- Esse é um dos candidatos? - ele perguntou e a empresária soltou um murmúrio, assentindo. - Gostei do cabelo, ele... - começou a dizer, mas interrompeu a si mesmo com uma sonora gargalhada quando o primeiro verso da música adentrou seus ouvidos. - Esse é o cara, !
- Só por que escolheu cantar a sua música? - ela disse e riu alto antes de pegar um lápis e se jogar no sofá com o contrato de vinte páginas.
assistiu ao vídeo com um sorriso nostálgico nos lábios, fazia tempos que não cantava aquela música. Não pôde deixar de se perguntar se ao menos imaginava que aqueles versos haviam sido escritos sobre o namoro deles. Quando o vídeo acabou, girou a cadeira até virar-se na direção de . Estava prestes a proferir sua opinião sobre a apresentação do irlandês, mas, ao encontrar a mulher focada nos papéis, preferiu admirá-la em silêncio. Ele quase tinha esquecido como ela ficava adorável quando, inconscientemente, franzia o cenho enquanto estava concentrada em algo. Com o lápis, destacava pontos importantes do contrato para debatê-los com , porém, ao reparar no silêncio que preenchia o escritório, ela levantou a cabeça e estranhou encontrar o homem a encarando com um sorriso divertido nos lábios.
- O quê? - ela questionou, confusa.
- Nada, só… - ele começou, por meio segundo cogitando comentar sobre como ela ficava encantadora quando estava atenta a algo, mas, por fim, não achou que seria um comentário adequado. - Só não queria te atrapalhar.
- Imagina, pode falar - disse e mostrou um sorriso antes de voltar os olhos para os papéis. - O que achou do garoto?
- Ele exagera um pouco, mas canta bem. Sendo orientado, acho que tem potencial para ser um grande cantor. E tem estilo, né? Eu quase me vi ali com 18 anos - opinou e gargalhou antes de continuar: - Ele precisa ser um dos integrantes do grupo, .
- Veremos - disse, rindo de leve e destacando mais um tópico importante do contrato. - Marquei o nome dele para decidir com o depois. Mas não acho que ele tenha o perfil ideal para essa boyband que a gente está querendo montar, sabe?
- Como assim?
virou a página do contrato e encarou o homem.
- Ah, , você mesmo disse que ele parece com você… Não me leve a mal, mas a gente quer montar um grupo de cinco garotos que realmente queiram trabalhar juntos. Não tem o mínimo sentido perder tempo com isso tudo para, no final, algum deles estar insatisfeito e sair do grupo. Claro que não dá para prever o futuro, mas a gente precisa pensar lá na frente, tem muito dinheiro envolvido - ela explicou e deu de ombros.
- Então é isso que você acha? Que minha participação no One Direction foi perda de tempo e de dinheiro? - questionou, sorrindo ironicamente, sem mostrar os dentes.
- Não foi isso que eu quis dizer - tratou de se defender, notando quão ofendido ele parecia. - Você foi ótimo enquanto esteve no One Direction, mas acho que acabou se dando melhor sozinho. Não tem como forçar uma coisa que não é para ser, né? Você mesmo cansou de dizer em entrevistas que nunca quis fazer parte do grupo.
bem que tentou, mas não conseguiu fazer com que aquela frase não saísse em um tom acusatório. suspirou, pois sabia que ela tinha razão e não se orgulhava das declarações maldosas que havia dado repetidas vezes depois que deixou o grupo.
- É claro que, até certo ponto, eu quis estar no grupo sim, - ele disse, encarando os próprios dedos. Não sabia exatamente por que, mas sentia que precisava se explicar para ela a respeito daquilo. - Eu só disse aquelas coisas porque estava magoado.
-
- Calma, - ele a interrompeu, tentando soar tranquilo. - Eu estava muito magoado com os caras, principalmente com o , e...
- Deixa quieto, - foi a vez de interrompê-lo. Ela estava começando a temer o rumo que aquela conversa desencadeada por um vídeo de um garoto irlandês que eles sequer conheciam estava tomando. - A gente pode se focar no contrato e fingir que nunca começamos a falar sobre isso.
- Acho que a gente precisa ter essa conversa. Sei que já se passaram mais de dez anos desde que aquilo tudo aconteceu, mas... - disse e mordeu o lábio inferior de leve. - Mas você está com uma visão errada de mim e isso me assusta. A gente precisa esclarecer as coisas.
Por alguns segundos, os dois se encararam. esperando, ansioso, por uma resposta, e ponderando se aquela era realmente uma boa ideia. Ela juntou os papéis e os deixou de lado. Em seguida, relaxou o corpo no sofá e disse:
- Tudo bem.
levantou-se da cadeira giratória e se acomodou no lugar vago ao lado de , que virou de lado e apoiou o braço no encosto do sofá.
- Eu estava com o orgulho ferido - começou, sem conseguir encarar a mulher nos olhos. Achou melhor manter os olhos bem longe dos dela ou não conseguiria dizer tudo que estava entalado em sua garganta. - Foi bem pretensioso da minha parte, mas, depois que eu saí do grupo, doeu vê-los seguir em frente tão facilmente. Continuar a turnê como se nada tivesse acontecido, gravar um álbum novo logo em seguida… Eu me senti descartável, como se minha participação no One Direction não fizesse qualquer diferença. Então, falar aquelas coisas era a forma que eu tinha de afetá-los de alguma forma e, principalmente, de fazer eu mesmo acreditar que não precisava deles.
- Você sabe que não foi bem assim, né? - disse em meio a um suspiro. Claro que ela tinha uma ideia de como estava verdadeiramente se sentindo já que, naquela época, ela o conhecia como ninguém, mas escutar aquilo tudo sair de sua própria boca fazia o coração dela doer. Ela queria ter podido estar ao lado dele. - Todos eles ficaram muito abalados, ninguém acreditava que o grupo fosse durar muito depois do baque que foi a sua saída. Tanto que, inevitavelmente, acabou dois anos depois. Mas ninguém falava nada, eles preferiam não tocar no seu nome e fingir que nada tinha acontecido. Todo mundo sentiu a sua falta, .
A mão de alcançou o braço de para confortá-lo. Ela queria demonstrar que ainda se importava com ele. Ela queria, por meio daquele singelo gesto, fazer com que ele entendesse que não foram apenas os garotos que sentiram falta dele. Ela também sentira. entendeu o recado e sentiu seu peito se aquecer.
- Me desculpa por aquele dia - ele falou após algum tempo em silêncio.
Não precisava salientar o dia ao qual ele se referia. Os dois sabiam muito bem qual era o dia em questão.
- Acho que não é você quem precisa se desculpar - disse e riu fraco.
- Claro que preciso, - retrucou, lançando um olhar de canto para a mulher. - Foi uma atitude muito imatura. Eu não voltei atrás por orgulho, mais uma vez, mas me arrependi no momento que saí do seu quarto.
- Confesso que me senti humilhada - ela admitiu. - Mas eu fiquei mais chateada comigo mesma do que com você. Em uma noite consegui acabar com um namoro de anos, amizades e uma boyband. Por um lado, eu mereci... aquilo.
riu fraco. Riu da própria desgraça.
- Não merecia merda nenhuma, todo mundo erra - ele disse e pôs a mão sobre a dela, que ainda repousava no braço tatuado dele. Era a vez dele de confortá-la. - E eu já sabia que você estava arrependida, independente do que tenha significado para você as vezes que ficou com o . A gente poderia ter se acertado naquele dia, mas eu fiz questão de foder tudo mais ainda - falou e riu pelo nariz, balançando a cabeça em negação. sentiu o coração bater ligeiramente mais forte por imaginar um cenário em que eles, de fato, tivessem se acertado e reatado o namoro. - E continuei fodendo tudo falando aquele monte de merda nas entrevistas.
- Você sabe que tem um jeito de se redimir com os garotos... - disse com um sorriso esperto.
- Participar da turnê? - ele questionou e soltou um riso debochado quando ela balançou a cabeça, assentindo. - Não tem a mínima chance de isso acontecer, . Tirando o , que é o meu melhor amigo, eu nem me sinto mais amigo dos outros. Vou me sentir um intruso.
- Que besteira, . Você não seria um intruso - ela disse e fez uma careta. - Eles iam adorar, os fãs iam adorar… E sabe o que mais? Nós precisamos bolar um plano de marketing para o seu novo álbum, e tem plano melhor do que esse? Depois dessa turnê, as carreiras solo de todos vocês estarão super em alta.
- Isso é golpe baixo, - o cantor disse, estreitando os olhos. Sabia que ela estava utilizando a carreira solo como argumento para aquela loucura porque era a única coisa que o faria mudar de ideia naquele momento.
- Só pensa com carinho - disse, com um sorriso exageradamente doce nos lábios e rolou os olhos ao perceber que ela estava conseguindo tentá-lo a aceitar aquela proposta louca de , e .
- Está tudo bem entre a gente, então? Estou desculpado? - ele questionou, parte por querer fugir daquele assunto da turnê comemorativa do One Direction, parte por querer ter certeza de que o passado tinha sido realmente superado e eles poderiam, enfim, agir um com o outro sem tantos dedos.
- É claro que está, . Eu sei que você estava arrasado e agiu sem pensar - falou e apertou levemente o braço do ex-namorado. - Além do mais, já passou tanto tempo. Não ganho nada guardando rancor de você. Fora que eu te traí com o seu melhor amigo, não é como se eu estivesse em posição de julgar quem quer que fosse - finalizou, se surpreendendo por ter proferido aquelas palavras com tanta naturalidade.
- Eu também não guardo rancor de você.
soltou um suspiro. Estava aliviado por, finalmente, ter a oportunidade de dizer aquilo à .
- Você nem imagina como estou feliz por ouvir isso. Espero que sejamos amigos daqui para frente - ela disse e piscou um olho enquanto mostrava um belo sorriso. - Vamos ao trabalho agora?
Porém, antes que se virasse para pegar os papéis do contrato, segurou a mão dela e disse:
- Quero te perguntar uma coisa antes.
encarou os olhos do homem com curiosidade.
- Manda ver.
- Você gostava do ? - ele questionou e a empresária arregalou os olhos quase imperceptivelmente. - Mais do que como amigo, quero dizer.
Ela não conseguiu sustentar o olhar. Encarou um ponto qualquer do escritório e respirou fundo, se perguntando qual era a intenção de ao questioná-la sobre aquilo. Que diferença faria, naquela altura do campeonato?
- Alguns anos depois eu percebi que sentia mais do que amizade por ele, sim. Mas até hoje eu não sei definir que sentimento era esse, e nem quão profundo era - confessou, optando pela sinceridade.
sentiu como se tivesse acabado de levar um soco no estômago, pois, lá no fundo, ele ansiava que a resposta para aquele questionamento fosse negativa.
- E por que vocês não ficaram juntos?
- Não era o certo - respondeu, dando de ombros. - Isso acabou destruindo minha amizade com ele, mas eu não podia fazer isso. Não era com o que eu queria ficar…
Era com você. Ela quis proferir tais palavras, mas as guardou para si. De qualquer forma, não precisou escutá-las para entender aquilo.
- Mas eu não gosto de ficar remoendo o passado, isso não leva a lugar nenhum - ela voltou a falar e fez uma careta. - O que importa é que cada um aprendeu com o seu erro. E, agora, é a hora de eu tentar reparar o meu.
Apesar de sentir um vazio ao livrar-se do toque de , se esticou para pegar os papéis do contrato e, em seguida, começou a folheá-los.
- Como assim reparar seu erro? - o cantor questionou, confuso. - Você está encarando esse trabalho como o pagamento de uma dívida que você tem comigo por ter me traído?
- Mais ou menos - confessou e riu baixinho. - Não estou fazendo isso pelo dinheiro, . Estou fazendo porque você foi uma pessoa muito importante na minha vida, e acabei te fazendo sofrer e me arrependo muito. Mas não é só por isso, é também porque eu gostaria de te ajudar de alguma forma.
O sorriso que surgiu nos lábios de fez um arrepio correr dos pés à cabeça de e ela acabou por sorrir junto.
- Não precisa se sentir na obrigação de fazer isso por ter me magoado anos atrás, . Mas obrigado.
- De nada - ela respondeu e olhou para os papéis, mas, em seguida, voltou a encarar . - Quer beber alguma coisa? Água, suco, cerveja… Ou vodca, talvez - ela deus algumas opções e riu. - Acho que depois dessa conversa eu preciso de vodca.
- Aceito um copo d’água - o outro respondeu e acompanhou a mulher na risada.
- Ok, já volto e a gente começa a conversar sobre esse contrato de uma vez por todas.
levantou-se e foi até a cozinha, onde encheu dois copos com água e, em seguida, retornou ao escritório. Depois daquela conversa, os dois, finalmente, sentiam-se mais leves e conseguiam ficar mais confortáveis na presença um do outro. Para eles, era uma sensação maravilhosa ter aquela chance de recomeçar, de serem amigos novamente.
Mais nenhum vídeo dos candidatos à nova boyband irlandesa foi assistido naquele dia, mas o contrato que permitiria dar início às gravações de seu novo álbum foi assinado. Como bônus, uma sementinha foi plantada na cabeça de sobre a turnê comemorativa do One Direction. Sementinha que, se fosse regada, logo viraria uma bela planta.

Capítulo Doze

I know that we have been through so much pain
But I still need you in my life this time
And I need you tonight
I need you right now
I know deep within my heart
It doesn’t matter if it’s wrong or right
I really need you tonight

I Need You Tonight - Backstreet Boys

Junho de 2026

O projeto da nova boyband seguia de vento em popa. mantinha foco total em assistir aos vídeos dos inscritos e escolher os dez finalistas, e ver as pessoas fazendo comentários na internet e se mostrando ansiosas para ver o grupo formado a deixava ainda mais animada com aquele trabalho. Ela passava seus dias na frente do computador, trocando mensagens com e, apenas quando necessário, ela comparecia à Louis Walsh Management para uma ou outra reunião.
pegou o controle da televisão, que estava jogado ao seu lado no sofá, e ligou o aparelho. Mesmo que estivesse vendo vídeos e não fosse prestar atenção a programa nenhum, ela gostava de deixar a TV ligada, a fazia se sentir um pouco menos sozinha naquele apartamento imenso. Ao zapear pelos canais para decidir em qual deixaria, ela deparou-se com no Sky Sports. Sem que percebesse, acabou deixando por lá, mesmo que não entendesse patavinas de futebol e sequer soubesse quem era aquele jogador que estava sendo entrevistado. Era estranho lembrar-se de como era participativo quando o One Direction estava em estúdio, sempre opinando e tendo ótimas ideias para as músicas, e agora vê-lo apresentando um programa sobre futebol. Ela sabia como ele era apaixonado por futebol e, inclusive, diversas vezes teve que assistir a jogos pela televisão e em estádios por insistência dele, quando ainda eram grandes amigos, mas aquilo não parecia certo. conseguia ver que o próprio não estava contente por estar ali e sentia-se triste por ver a ausência de brilho nos olhos dele.
Quando a campainha soou pelo apartamento, mudou de canal imediatamente, como se estivesse cometendo um crime assistindo ao Football Zone e quem quer que estivesse do outro lado da porta jamais pudesse saber sobre aquilo. Ela deixou um filme qualquer passando na televisão e, após colocar o computador de lado, levantou-se do sofá e foi receber sua visita. Pelo olho mágico, ela constatou que não era apenas uma, mas sim duas visitas.
- A que devo a honra da visita do meu casal favorito? - falou, sorridente, ao abrir a porta e dar espaço para e adentrarem seu apartamento.
- Viemos te buscar - disse e cumprimentou a amiga com dois beijinhos nas bochechas. - Vem, vamos procurar algo para você vestir.
Após cumprimentar com um rápido abraço, olhou para a outra de olhos arregalados.
- Como assim? Para quê? - ela questionou, confusa. - Não posso sair hoje, tenho um monte de vídeos para assistir.
- Deixa que o adianta o trabalho para você, . Você está há dias enfurnada nesse apartamento vendo esses vídeos - retrucou e a segurou pelo pulso. - Sei que você está animada com esse projeto, mas também precisa se divertir um pouquinho, né? Um primo da Molly é sócio de uma boate que abriu há algumas semanas e conseguiu ingressos para a gente. Até deixei o Travis e o Austin na casa da minha mãe.
- Tenho direito de escolha?
encarou , suplicando por ajuda, mas o cantor apenas soltou uma sonora gargalhada.
- Melhor nem questionar, . Vai por mim - ele brincou e piscou um olho na direção da empresária, que foi puxada pela outra em direção ao seu próprio quarto.
Como se estivesse em casa, adentrou o closet da amiga e vasculhou as roupas e sapatos até encontrar o look perfeito para aquela noite, enquanto apenas assistia à cena, embasbacada demais para interferir. Certa de que passaria o restante do dia assistindo aos vídeos dos garotos irlandeses aspirantes a integrantes da nova boyband, ainda não havia caído a ficha de que seria obrigada pelos amigos a ir a uma boate, coisa que ela não fazia há tanto tempo que já nem lembrava quando havia sido a última vez. ressurgiu à sua frente segurando um macaquinho preto de mangas longas e transparentes em uma das mãos e um sapato de saltos preto na outra.
- Vai ficar linda - ela disse, estendendo o look para .
- Quem mais vai? - a outra perguntou após deixar a roupa em cima da cama e seguir para o banheiro da suíte, deixando uma pequena fresta na porta para poder escutar a resposta de .
- , Molly, , Nadine... - ela respondia, remexendo a maleta de maquiagem da amiga distraidamente, até ver a porta do banheiro se abrir subitamente.
- e Nadine? Você só pode estar brincando - falou, indignada, aparecendo sem a blusa que vestia anteriormente.
- Ué, pensei que estivesse tudo ok entre você e - a outra disse, levantando uma sobrancelha em sinal de confusão. - O está tentando fazer ele se reaproximar dos outros garotos aos poucos.
- O problema não é o , né? O problema é o encosto que vem junto com ele - ela respondeu, bufando. - Ainda vou ter que segurar vela para três casais. Me desculpa, , mas não vou nisso, não.
- , vai tomar teu banho ou eu vou te jogar dentro do box pelos cabelos - falou, tentando soar ameaçadora. - Você não vai segurar vela, vamos arranjar alguém para você.
- Você está louca? Eu terminei meu namoro tem duas semanas! - a outra rebateu.
- E daí? A fila tem que andar - a cantora respondeu, rindo e fazendo a amiga revirar os olhos. - Qual é? E você não acha que ele já não está passando o rodo no elenco, lá em Praga, agora que está solteiro?
- Muito obrigada por me fazer ter a visão do Luke dormindo com uma por noite! - exclamou e voltou para dentro do banheiro, enquanto gargalhava.
- Estou só zoando, você não vai segurar vela porque todos vamos te fazer companhia! - gritou para ser escutada. - Mas, por via das dúvidas, é bom você colocar um sutiã mais sexy. Esse daí parece os da minha avó!
A empresária rolou os olhos com a implicância da amiga e, então, entrou no box e tomou uma rápida chuveirada. Além de vestir a roupa escolhida pela cantora, ela também contou com sua ajuda para a maquiagem e logo estava pronta.
- - chamou, fazendo a outra levantar os olhos da maquiagem que ela guardava de volta na maleta. - É normal eu me sentir mal ao pensar que o Luke agora pode ficar com quem quiser e eu não tenho nada a ver com isso?
- Não acredito que você está se torturando com isso - respondeu e bufou. - Não acho que ele já esteja ficando com alguém, , sinceramente. Mas uma hora ou outra isso vai acontecer e você vai ter que aceitar.
- Eu sei, mas que droga - choramingou e respirou fundo. - Ainda não aceitei esse término completamente, sabe? Mas eu sei que não era justo com ele.
- Engole o choro, . Vou te bater se você estragar a maquiagem - disse, fazendo a outra rir. - É normal você se sentir assim, está recente ainda. Logo, logo vai passar - falou, mostrando um sorriso de apoio. - Podemos ir agora? O pessoal já deve estar chegando na boate.
- Vamos.
Antes de seguir até a sala, onde as esperava, pegou o celular e digitou uma mensagem.

: Estou indo segurar vela para três casais numa boate. É tão ruim ser a única solteira. Estou com saudades de você. Dê sinal de vida, ok? Beijos.

Em seguida, ela jogou o aparelho dentro da bolsa e caminhou em cima de seus saltos até os amigos.
- O disse que o mandou uma mensagem dizendo que também vai, . Você não vai segurar vela sozinha - falou, rindo.
- Que ótimo! Agora são quatro casais! - exclamou dramaticamente.
- O vai sozinho, a Savannah está viajando - explicou.
- Ele nem olha na minha cara, o que adianta? - ela rebateu e cruzou os braços. - E o ? Vocês chamaram ele?
- Chamamos, mas ele disse que prefere ficar em casa com o Archie, já que a está na Itália - o cantor disse e riu quando a amiga rolou os olhos.
- Mas é um inútil mesmo - ela falou, bufando em seguida. - Vamos logo antes que eu desista dessa roubada aí.
- Vai ser legal, . Deixa de ser chata - falou, sendo abraçada de lado pelo marido.
Os três saíram do apartamento e, depois de trancar a porta, passou o braço livre pelos ombros dela.
- Vou chegar acompanhado das duas mulheres mais bonitas dessa boate, todo mundo vai morrer de inveja - ele brincou.
- Obrigada pela tentativa, mas isso não me animou nem um pouco.
Entretanto, o pequeno sorriso que surgiu nos lábios de denunciou que ela não achava tão ruim assim a ideia de sair com os amigos naquela noite. Saber que estaria lá sem sua guarda-costas talvez contribuísse para essa mudança de opinião.

A boate estava praticamente lotada. Apesar disso, o grupo estava tendo bastante privacidade, já que o público daquela noite estava mais restrito a celebridades. No térreo, uma extensa pista de dança estava quase que totalmente tomada, porém, optando por ficarem em um local no qual pudessem se sentar e conversar, os oito subiram para o mezanino e se acomodaram em uma mesa que havia sido reservada especialmente para eles. Por ali, ficaram bebendo, conversando e, assim, o tempo foi passando.
- Dá pra parar de encarar eles assim?
cutucou , que a olhou, demonstrando confusão, e sussurrou de volta:
- Não estou encarando ninguém.
- Vou fingir que acredito - rebateu com ironia. - Ela está te provocando e você está caindo como uma patinha.
- Mas precisa ficar engolindo ele desse jeito? Chega a ser nojento - disse em sussurros exasperados.
- Você está com ciúmes do ? - a outra questionou, incrédula.
- É claro que não! Por mim ele pode enfiar a boca no boeiro que quiser - ela respondeu, parecendo bastante ofendida. - Mas essa vaca está me provocando e eu tenho total direito de me sentir incomodada.
- Vou fingir que... - começou, mas foi interrompida por berrando do outro lado da mesa.
- O que as duas moças tanto fofocam aí? Posso saber?
- Se pudesse, estávamos falando alto - respondeu e piscou um olho.
A mesa inteira gargalhou, exceto , que lançou um olhar cortante para a amiga.
- Te amo, - ela disse e estalou um beijo na direção dele. - Só estávamos comentando sobre como tem gente que precisa torrar a paciência dos outros para se sentir alguém na vida.
Enquanto todo mundo encarava sem entender o que ela queria dizer com aquela fala, deu uma cotovelada em sua costela. Entretanto, a empresária nem se importou e continuou a tomar sua cerveja como se nada tivesse acontecido. Nadine, que tomou a indireta para si e se enraiveceu com tanto atrevimento, puxou a cabeça de para beijá-lo e, de quebra, fazê-lo tirar os olhos de , que apenas rolou os olhos quando viu que mais um beijo estilo desentupidor de pia começava. , por outro lado, se irritava cada vez mais com aquela situação, pois queria participar da conversa dos amigos, mas estava sendo impossível com Nadine grudada em sua boca de dois em dois segundos. Além disso, mesmo que não fizesse sentido, ele se sentia um pouco desconfortável de beijar a noiva na frente da ex-namorada.
- , para onde a Savannah viajou? - Molly questionou, deitada no ombro de , fazendo todos encararem o mais quieto da mesa.
- Acho que Espanha - ele respondeu, dando de ombros.
- Você acha? - perguntou, divertido, e apenas riu.
- Como você não sabe para onde ela viajou? Vocês não estão juntos? - foi a vez de questionar, franzindo o cenho, e, para sua surpresa, o outro negou com a cabeça.
- Quer dizer, estamos juntos, mas não devemos nada um ao outro. Digamos que é um… relacionamento aberto - o outro tentou explicar, já que nem ele próprio sabia definir o relacionamento que tinha com Savannah.
Os dois se conheceram em uma praia de Ibiza, para onde costumava viajar todos os verões desde que começara a trabalhar como comentarista de futebol e fez diversas amizades no meio. Ibiza era o ponto de encontro dos jogadores de futebol. Savannah, que fizera intercâmbio na Espanha quando mais jovem e, desde então, sentia-se praticamente espanhola, também costumava passar os verões em Ibiza com seus amigos. Ao conhecer Savannah, se encantou com o jeito extrovertido e espontâneo da mulher. Eles tinham assunto de sobra, já que ambos eram ingleses, e não demoraram mais do que algumas horas para engatarem em um relacionamento amoroso. Entretanto, Savannah deixara claro desde o início que ela não estava em uma fase da vida favorável para assumir algo sério com alguém e que queria apenas curtir o momento. , que compartilhava do mesmo pensamento, não poderia ficar mais satisfeito.
- Então quer dizer que você poderia passar a noite com alguém hoje e não teria problema? - questionou com curiosidade, lançando um olhar sugestivo para o outro, e um sorriso esperto tomou conta de seus lábios.
riu baixo quando notou que o amigo indicava, discretamente, a direção onde checava o celular distraidamente. foi o único que percebeu a troca de olhares e, rindo, balançou a cabeça em negação. Ele conhecia aqueles dois há tempo demais para não notar as conversas enigmáticas deles.
- Se alguém quiser passar a noite comigo… Por que não? - disse, despretensioso, e levou a caneca de cerveja até a boca para, em seguida, dar um longo gole.
gargalhou, enquanto Molly abriu a boca, mostrando-se ofendida.
- E você acha isso engraçado, é? - ela falou, fechando a cara, e estalou um tapa no braço do namorado, que se encolheu e passou a mão pelo local atingido por causa da ardência que permaneceu em sua pele por alguns segundos. - Mesmo que vocês não estejam tendo nada sério, a Savannah não merece esse descaso.
- Você tem razão, amor - prendeu o riso e murmurou.
- Que safadeza, - disse, olhando torto para . - É por isso que você não consegue ter um namoro decente, ninguém te leva a sério.
Quando viu tomar fôlego para voltar a falar, respirou fundo, sabendo que um longo sermão estava por vir. era assim desde que se tornara mãe, não poupava palavras quando não concordava com as atitudes de alguém do grupo. Mas não chegava a ser como , que, além da bronca, não hesitava em proferir xingamentos e dizer umas verdades. Para o alívio de , entretanto, cutucou e a fez interromper o discurso antes mesmo de começá-lo, estendendo o celular para que a amiga olhasse algo na tela.
Ele bem que tentou, mas sua curiosidade o impediu de desviar os olhos quando Molly se aproximou das duas para ficar a par do que estava acontecendo e sussurrou algo para ela, enquanto , no meio das duas, baixou os olhos para fitar as próprias unhas, ao mesmo tempo que escutava as duas debaterem sobre o que quer que estava exposto na tela do celular. desistiu de tentar ler os lábios das mulheres apenas quando e chamaram sua atenção, querendo saber qual era sua opinião sobre as chances que a Seleção Inglesa tinha de ganhar a Copa do Mundo de 2026, que estava prestes a começar, sendo o país sede.
O papo entre , e Molly, entretanto, continuava.
- , você mesma falou que não se via se casando com ele e tudo mais. Então, caramba, larga o osso! - sussurrava, mas o tom de repreensão era nítido em sua voz. - O cara é completamente apaixonado por você, terminou o namoro apenas porque viu que vocês tinham interesses diferentes, e você fica mandando mensagem dizendo que sente falta dele? Puta que pariu, ninguém é de ferro, né? Você precisa deixar ele livre.
- Eu também acho, - Molly se manifestou com um pouco mais de delicadeza. - Você ainda gosta dele e é totalmente compreensível que você sinta um vazio por causa do término, mas esse é o destino de todo namoro que não vira casamento. Não tem outro jeito a não ser aceitar isso. E você precisa manter distância, senão vocês não vão conseguir cortar esse laço que ainda une os dois.
soltou um longo suspiro, conforme digeria as palavras ditas pelas amigas. Ela sabia que elas estavam certas. Luke era o namorado perfeito, mas, mesmo assim, ela não conseguia enxergar um futuro com ele. Não parecia certo. E menos certo ainda era continuar o iludindo, sabendo que a intenção dele era que os dois subissem no altar o mais rápido possível. Mais uma vez, ela releu a mensagem que havia recebido como resposta:

Luke: , facilita meu lado! Não posso simplesmente dizer para você procurar uma companhia e se divertir em vez de ficar segurando vela para os seus amigos. Isso não seria nada sincero. Também sinto sua falta, mas não faz isso comigo, por favor.

A empresária digitou um “desculpa”, simplesmente, e enviou a mensagem. Em seguida, guardou o celular de volta na bolsa e jurou para si mesma que, da próxima vez que tivesse vontade de mandar mensagens para Luke, se manteria firme e não cederia ao desejo.
- Você não vai ficar com essa cara, vai, ? - perguntou, analisando a expressão cabisbaixa da outra. - A gente veio justamente para você esquecer essa história e se divertir.
- Claro que não vai - Molly respondeu por , antes que ela sequer abrisse a boca para falar qualquer coisa. - Vamos dançar e nos divertir!
Molly levantou-se e seguiu o exemplo, enquanto demorou alguns segundos para fazer o mesmo, um pouco relutante. O restante da mesa as encarou com curiosidade.
- Aonde vocês vão? - questionou, encarando a namorada.
- Dançar - ela respondeu enquanto deixava a bolsa em cima da mesa.
- Opa, também quero! - o outro rebateu, esfregando uma mão na outra, animado.
- Não - Molly disse, fazendo o namorado murchar e fitá-la, totalmente confuso. - É dança só das meninas, vocês não estão convidados.
Enquanto encarava a namorada em choque, gargalhou e retribuiu ao beijo da esposa, que se inclinou até que os lábios estivessem colados aos dele.
Em seguida, Molly e desceram para a pista de dança, puxando uma que começava a deixar a animação das amigas contagiá-la.
Quando olhou para o lado, se deparou com e Nadine ainda aos beijos e sua primeira reação foi fingir uma ânsia de vômito, fato que fez e abafarem as gargalhadas que por muito pouco não soltaram. empurrou Nadine com o máximo de delicadeza possível e ficou um pouco sem graça quando encontrou três pares de olhos os encarando, mas sua noiva, entretanto, sequer notou, já que estava ocupada demais distribuindo beijos demorados pelo pescoço dele. riu baixo ao notar quão desconfortável o amigo estava e levantou-se, fazendo um gesto para que e o seguissem.
- Que cena deprimente - não pôde deixar de comentar quando os três estavam distantes o suficiente da mesa. - Vocês perceberam que ela só ficou atracada nele para não deixá-lo se enturmar com a gente?
- A Nadine não vai muito com a nossa cara - disse e deu de ombros. Como amigo mais próximo de , ele já estava acostumado a vê-la sempre tentar interferir na amizade deles, aquilo não era novidade.
- Ela é louca - murmurou . - Tudo bem, ela é gostosa, mas não entendo por que ainda não terminou esse noivado. Eles não têm nada a ver.
- Isso se chama comodismo - respondeu, enquanto preferiu manter-se calado e não opinar sobre o casal, já que a única coisa que ele poderia dizer era que ele os achava perfeitos um para o outro.
Os três, então, se escoraram na grade e puderam ter uma visão completa da pista de dança. Não demoraram a achar , e Molly dançando no ritmo da música. Eles ficaram por ali, observando as três se divertirem, enquanto conversavam sobre assuntos aleatórios. Por vezes, homens se aproximavam delas e ameaçava descer até lá, mas era segurado por , que sorria satisfeito quando alguma das três mulheres dispensava o cara, mostrando para o outro que não tinha necessidade alguma de eles interferirem. , por outro lado, sentia-se agoniado ao ver homens vidrados em como ele próprio estava. A empresária vinha povoando seus pensamentos mais do que de costume, e o fato de ela estar tão bonita naquela noite não o ajudava em nada. Ele sentia cada vez mais vontade de aproximar-se dela, de poder, pelo menos por alguns minutos, ter a atenção dela voltada inteiramente para si. Quando disse algo para e Molly e caminhou em direção ao bar, vislumbrou a oportunidade perfeita.

Encostada no balcão, a mulher saboreava seu gim-tônica enquanto observava o ambiente à sua volta. Ela estava perdida em pensamentos. De repente, uma voz conhecida adentrou seus ouvidos, chamando sua atenção, e só então ela notou ao seu lado.
- Me vê uma garrafa de água, por favor? - ele pediu ao barman, que voltou com o pedido em questão de segundos.
virou-se na direção do homem, o fitando enquanto ele enchia um copo com o líquido incolor, e questionou em um tom de divertimento:
- Água?
- Estou com sede, oras - respondeu e riu ao ver o ceticismo estampado no rosto dela. - Estou dirigindo e já bebi cerveja. Chega por hoje.
- Isso não costumava te impedir de beber - a outra argumentou.
Ela deu um longo gole na bebida que tinha em mãos enquanto vinham à sua mente diversas lembranças dos dois mais jovens, nas quais ela repreendia por agir como um adolescente inconsequente e dirigir alcoolizado.
- Digamos que estou mais responsável agora - ele explicou e sorriu sem mostrar os dentes, fazendo , inevitavelmente, sorrir junto. - Posso saber o que a senhorita faz por aqui? Já cansou da dança das meninas? - fez graça ao proferir as palavras ditas por Molly algum tempo antes.
- Cansei - respondeu, deixando seus ombros caírem para mostrar quão exausta estava. - Estou um pouco incomodada. Acho que me desacostumei a estar em ambiente fechado e cheio de gente.
- Quer ir lá para fora um pouco? - questionou, indicando a saída de emergência dos fundos da boate.
A mulher fitou a porta por alguns segundos, ponderando a oferta. Quando seus olhos se encontraram novamente com os de , ela sentiu seu coração bater um pouco mais rápido.
- Pode ser - disse, por fim.
Os dois terminaram de beber cada um a sua bebida e, em seguida, seguiram em direção à saída. A calçada estava quase vazia, exceto por meia dúzia de pessoas que fumavam enquanto batiam papo. sentiu-se aliviada por estar, finalmente, ao ar livre. Ela encarou e o observou tirar, do bolso interno da jaqueta que vestia, um maço de cigarros acompanhado de um isqueiro.
- Você ainda fuma - ela constatou com um leve tom acusatório em sua voz, fazendo levantar os olhos com uma expressão de culpa.
- É difícil abandonar o vício - ele rebateu, acendendo um cigarro e, em seguida, o levou até a boca para dar uma longa tragada. - Sei que isso vai acabar me matando, mas não consigo parar.
- Daqui a uns anos você vai se arrepender - disse, balançando a cabeça negativamente.
concordou com um aceno de cabeça, já que ele sabia que, dali a algum tempo, ele provavelmente se arrependeria de ter fumado por tantos anos. Após os dois ficaram em silêncio por algum tempo, ele disse:
- Estou surpreso por você não ter fugido ainda.
- Por que eu fugiria? - questionou, confusa.
- Você adora me evitar. É até um pouco esquisito estarmos aqui sozinhos - explicou e, na sua voz, era possível perceber seu descontentamento.
- Eu não te evito. É só que... - a mulher logo tratou de se defender, mas não conseguiu terminar a frase. - Talvez eu te evite um pouquinho.
O apresentador não pôde controlar a gargalhada que escapou por seus lábios diante da sinceridade de .
- Isso é besteira, - ele afirmou. - Nós sempre fomos amigos, a gente não precisava ter deixado aquilo afetar a nossa amizade e ainda continuar afetando depois de tanto tempo.
Os dois encararam um ao outro e, como se tivesse uma força os prendendo, eles não conseguiram desviar os olhos um do outro. Nos olhos de , pôde enxergar o mesmo jovem que era seu grande amigo no passado. Ela sentiu-se culpada por, sempre que possível, dar um jeito de escapar dele.
- Você tem razão. Me desculpa, - ela disse tão baixo que as palavras saíram quase como um sussurro.
não conseguiu decidir qual era o verdadeiro significado por trás daquele pedido de desculpas, se era pelo fato de ela sempre evitar a proximidade dele ou se era relativo aos acontecimentos do passado que ele citou, mas sentiu-se um pouco aliviado por perceber que, qualquer que fosse o arrependimento de , ele parecia verdadeiro.
- Relaxa, - ele disse, sorrindo, e decidiu não tornar aquela conversa um acerto de contas, pois não queria desperdiçar o momento com dores de cabeça. - Como está a criação da nova boyband? me contou bem por alto.
- Tudo está correndo muito bem. A gente está terminando de selecionar os garotos que vão participar da audição em Dublin.
- Legal, aposto que vai ser um sucesso - disse após soltar a fumaça do cigarro. - Me sinto um pouco nostálgico com toda essa ideia de boyband.
- Sente saudades de estar no 1D? - perguntou e não pôde deixar de recordar-se de sua missão de fazer e aceitarem participar da turnê comemorativa do One Direction.
- Um pouco - ele respondeu, ponderando o assunto. - Foram bons tempos.
- O que você achou da ideia de e de trazer o grupo de volta? - ela questionou, mostrando-se interessada. Precisava saber qual seria o nível de esforço que teria que fazer para poder elaborar uma estratégia.
- Sinceramente? Estou achando essa ideia ridícula - ele confessou e soltou uma fraca risada. - Imagina um monte de marmanjo cantando “you don’t know, oh oh. You don’t know you’re beautiful” - ele proferiu o curto trecho de What Makes You Beautiful no ritmo da música, fazendo soltar uma sonora gargalhada.
- Não leve tudo tão a sério, - ela disse e sorriu de lado. - Encare isso como uma oportunidade de se reunir com seus amigos para comemorar o que vocês conquistaram juntos.
deixou as palavras de adentrarem seus ouvidos e sentiu-se inebriado com o efeito que elas causaram somadas ao modo como ela o encarava, parecendo que estava lendo sua alma.
- Não me olha assim - ele choramingou. - Fica difícil dizer não.
- A intenção é fazer você não resistir à tentação mesmo - falou com um sorriso esperto nos lábios, piscando os olhos repetidas vezes. não pôde deixar de achá-la adorável, só para variar.
- Você faz isso muito bem - ele falou e riu baixo. - É difícil resistir mesmo.
Sentindo as bochechas corarem levemente, mordeu o lábio inferior quando percebeu que o ar divertido de dava a entender que aquilo ia além do assunto do momento, que era ele aceitar participar da volta do One Direction. Ele estava flertando.
- Não é para resistir, - ela rebateu sem pensar, inconscientemente correspondendo ao flerte.
- , … Você está brincando com fogo - falou em um falso tom de alerta.
Dando de ombros, a mulher apenas sorriu e desviou os olhos dos de , que permaneceu fitando seu perfil por algum tempo. se permitiu viajar em pensamentos, com os olhos perdidos em um ponto qualquer do outro lado da rua. desceu os olhos pelo corpo dela, admirando as curvas destacadas pela roupa que ela vestia, enquanto soltava a fumaça do cigarro lentamente, e notou que ela se abraçava para se proteger do frio. Deu alguns passos e apagou o cigarro no cinzeiro que circundava toda a parte superior de uma lixeira próxima. Após jogar o cigarro fora, caminhou até , que levantou os olhos, curiosa com aquela aproximação. Ela observou atentamente os movimentos do homem conforme ele tirava a jaqueta e cobria as costas dela com a mesma.
- Não precisa, - ela disse e sorriu fraco. - Você vai ficar com frio, está só com essa camisa fininha.
- Não contesta, . É só uma desculpa para a minha jaqueta ficar com o seu cheiro - ele falou, a fazendo rir com vontade.
Conforme a risada de foi cessando, um silêncio foi se instalando entre os dois e eles permaneceram encarando um ao outro. sentia a ponta de seus dedos formigarem de vontade tocá-la, enquanto examinava atentamente a expressão dele. Mesmo que fosse impossível negar como ele havia mudado com o passar dos anos, ela ainda conseguia enxergar as feições de garoto no rosto de , e isso a trazia uma sensação de familiaridade mesmo que ela não tivesse certeza se realmente conhecia aquele homem à sua frente. Quando sentiu os dedos de tocarem sua cintura, ela se sobressaltou, mas não o impediu de a puxar para mais perto.
- - ela sussurrou, como um aviso, mas ele mal escutou e aproximou o rosto do dela até que os narizes estivessem roçando um no outro. - Não sei se isso está certo, você…
a interrompeu, encostando o dedo indicador aos lábios dela.
- É certo se a gente quiser - ele disse, simplesmente, e afagou o rosto dela. - Não vou te beijar à força, mas um beijo seu é o que eu mais quero nesse momento.
O coração de bateu mais forte quando ela sentiu o toque dos lábios de nos dela e, em reflexo, fechou os olhos. Ele preferiu não forçar a barra, apesar da vontade que crescia cada vez mais dentro de si de dar início a um beijo de verdade. Entretanto, não precisou tomar a iniciativa, já que a empresária o puxou pela nuca até que as bocas dos dois estivessem totalmente coladas. Eles não esperaram nem dois segundos para entreabrirem os lábios e deixarem suas línguas se encontrarem. Uma explosão de sentimentos guiava os movimentos de ambos, que se deliciavam com o beijo que era calmo e intenso na medida certa. Apenas naquele momento pôde notar como ansiou por aquele beijo. Mesmo que ela não tivesse consciência, aquele desejo de provar o beijo de novamente sempre esteve ali, a acompanhando. Ele, por outro lado, tinha plena consciência daquele mesmo desejo e, ao finalmente beijá-la, sentia-se em um sonho.
quebrou o beijo e enterrou o rosto no pescoço de , que soltou um longo suspiro ao sentir os beijos molhados que ele depositava em sua pele. Em resposta, arranhou as costas dele por cima da camisa, e , então, fez o caminho de volta até os lábios dela. Ele havia esperado muito tempo por aquele beijo para já se sentir saciado. Entretanto, recobrou a lucidez e o empurrou com delicadeza.
- Isso está errado - ela disse, um tanto atordoada, notando a confusão nos olhos de . - A gente está enfiando os pés pelas mãos mais uma vez.
A vontade que ela tinha era de jogar tudo para o alto e voltar a beijá-lo, mas ela não podia simplesmente ignorar que estava com Savannah, mesmo que ele próprio houvesse dito que era um relacionamento aberto, e muito menos a tristeza que ela ainda sentia após o fim de seu namoro com Luke.
- Eu vou embora - ela disse e tirou a jaqueta que ainda cobria seus ombros e a entregou de qualquer jeito para que, sem reação, a observou dar as costas a ele e fazer menção de voltar para o interior da boate.
Porém, parou, estática, quando se deparou com . Ele tinha em mãos um cigarro e um isqueiro, pois havia saído da boate também para fumar, mas, sem saber qual era o paradeiro de ou , ele surpreendeu-se ao encontrar os dois em um momento bastante íntimo. ficou sem reação e, por mais que tentasse se lembrar do que havia o feito ir até ali, ele não conseguia desviar a atenção do casal que se beijava com tanta vontade. Era estranho vê-los se beijando, já que, até onde ele era informado por , eles mal conversavam. sentiu um mal estar por ver totalmente entregue aos toques de e nem notou quando ela cortou o clima ao empurrá-lo. De repente, ela estava diante dele com os olhos arregalados e a primeira reação de foi desviar os olhos dos dela.*
- , espera - falou, segurando o braço de . O temor dele de deixar ir embora daquele jeito e eles voltarem à estaca zero era tão grande que ele nem notou a presença de . - Não precisa fugir assim. Eu te entendo, está tudo bem.
demorou alguns segundos para desviar os olhos de . Ela sentia uma sensação estranha dentro de si, era um misto de vergonha e culpa, como se tivesse sido pega no flagra ao cometer um crime. Ao encarar , ela sentiu um aperto no peito e puxou o braço do toque dele, balançando a cabeça negativamente enquanto dava alguns passos para trás.
- Não posso fazer isso, .
- Eu sei que não, não vou te obrigar a nada - ele disse e a segurou novamente.
levantou os olhos, curioso após escutar o curto diálogo, e encontrou puxando pelo braço. Ela estava relutante, tentava se soltar, mas o outro a impedia.
- Me deixa ir embora, por favor - a mulher falou, sentindo um nó na garganta.
Ela se sentia tão angustiada. Beijar havia despertado sentimentos que há muito tempo ela escondia dentro de si e, enquanto sentia todos aqueles sentimentos serem retribuídos, ela nem ao menos cogitou a possibilidade de se arrepender depois. E não estava arrependida, mas lembrar-se de Luke, Savannah e descobrir que havia presenciado tudo estava a fazendo ter vontade de sair correndo. Para completar, o álcool injerido não a permitia organizar aquela avalanche de pensamentos.
- , por favor - suplicou. Tudo o que ele queria era garantir que a situação dos dois não havia piorado ainda mais.
- Não força a barra, - falou , chamando a atenção do casal, enquanto guardava o cigarro e o isqueiro no bolso traseiro da calça, e se aproximou dos dois em seguida. - Deixa ela ir embora.
Para também foi uma surpresa vê-lo ali, entretanto, ele nem parou para pensar no quanto havia assistido da cena.
- Acho que ninguém aqui pediu a sua opinião, - disse com rispidez. - Você quem deveria ir embora.
balançou a cabeça e soltou uma risada irônica, sem conseguir acreditar que realmente agiria daquela forma.
- Isso não é sobre mim. É sobre a e a vontade dela - ele disse sem deixar-se abalar pela postura defensiva do outro. - E você deveria respeitar o que ela quer em vez de só pensar no seu próprio umbigo.
abriu a boca para dar uma resposta desaforada, mas não queria perder tempo tendo uma discussão inútil com enquanto estava ali na sua frente.
- Não fala o que você não sabe - disse, simplesmente, e voltou sua atenção para a mulher.
- Eu só preciso ir para casa descansar, tudo bem? - falou.
- Eu te levo - prontamente disse.
- Não precisa se incomodar - ela disse, tentando o tranquilizar com um sorriso.
- Não é incômodo, - ele retrucou e a puxou pela mão com a intenção de voltar para dentro da boate.
conhecia o suficiente para saber que ela não estava nada confortável com aquela situação. Ele não poderia simplesmente deixar forçá-la a ir embora com ele.
- Sabe qual é o seu problema, ? - ele questionou, fazendo bufar ao escutar suas palavras e virar-se para ele. - Você sempre se aproveita dos momentos em que a está fragilizada. Acha isso certo? - falou e, antes que o outro dissesse qualquer coisa, ele continuou: - Primeiro você se aproveitou que ela estava bêbada e sozinha para dormir com ela, depois continuou forçando a barra mesmo ela estando magoada com o término do nosso namoro e toda aquela confusão. E agora você está fazendo de novo. Ela está abalada por causa do término com o Luke e você está tirando vantagem disso para se aproximar.
- , deixa eu te contar uma novidade - disse, soltando o braço de e dando alguns passos para se aproximar do ex-melhor amigo. Aquelas acusações acabaram por atingi-lo em cheio. - Você não tem nada a ver com isso, é só um ex-namorado que foi um filho da puta com ela. Realmente acha que tem algum direito de falar qualquer coisa sobre mim?
riu baixo. Uma risada irônica e amargurada. Ele tinha plena consciência de que nada justificava a humilhação que fizera passar e, mesmo depois de ser perdoado, sabia que, para o resto de sua vida, aquele dia o assombraria. Não precisava e nem aceitava que jogasse qualquer coisa na sua cara.
- … - o repreendeu em um sussurro.
Entretanto, nenhum dos dois deu atenção, e respirou fundo antes de dizer:
- O mesmo direito que você tinha de dormir com a namorada do seu amigo.
arregalou os olhos e, percebendo a tensão crescer ainda mais, se enfiou no meio dos dois. As poucas pessoas que estavam por perto assistiam à cena e ela começava a sentir-se envergonhada, temendo que aquilo acabasse piorando e indo parar em sites de fofoca no dia seguinte.
- Vocês querem parar com essa palhaçada? Está todo mundo olhando - ela disse entredentes. - Agradeço a preocupação, , mas eu tenho plena capacidade de me defender sozinha. E nenhum de vocês dois tem o direito de jogar qualquer coisa que me envolva na cara do outro. Resolvam comigo seus descontentamentos, ok?
Os dois ficaram em silêncio, ambos encarando e concluindo que ela estava certa. sentia-se mal por ter interferido daquele jeito no que quer que estivesse rolando entre ela e naquela noite. Ele não queria admitir, mas sabia muito bem o que tinha acontecido. O ciúme tinha falado mais alto do que a razão. não estava em um estado muito diferente, sentia-se envergonhado. Ele assumia a parcela de culpa que tinha em toda aquela confusão e jamais se orgulharia por isso.
- Foi mal, , eu… - começou, mas foi interrompido por .
- Esqueçam isso - ela disse, abanando o ar com a mão. - Vou embora.
Sem esperar qualquer resposta, a mulher adentrou novamente a boate e rumou, com passadas largas e fortes, até a mesa que estava dividindo com os amigos. Encontrou , , Molly, e uma Nadine impaciente. Quando disse que estava indo embora e pegou sua bolsa, prontamente se ofereceu para levá-la até em casa, já que a havia levado até ali, mas negou e, antes que alguém a impedisse, ela se despediu e foi embora, deixando os amigos completamente confusos para trás. Nadine, entretanto, não se importou. Sentiu-se aliviada por ver a outra, finalmente, indo embora.
Quando voltou para a mesa com a cara fechada, desconfiou que algo pudesse ter acontecido entre ele e . Quando não voltou, ele teve certeza de que algo havia acontecido entre os três.


*Cena inspirada na ideia da Nessah Queiroz, uma das ganhadoras da quiz sobre Back For Good.


Capítulo Treze


One step forward and two steps back
Love is like a hurricane
When you're with me, I'm on track
We're riding on the crazy train
I'll be fine
If you're mine at the end of the line

Love Is A Hurricane - Boyzone

Junho de 2026

O elevador chegou ao andar de destino e respirou fundo antes de caminhar pelo corredor e tocar a campainha. Enquanto fitava a porta de madeira escura, ele repassava mentalmente o discurso que ensaiava desde o dia em que foi com os amigos à boate e terminou a noite discutindo com e . Desde então, a empresária parecia estar o evitando, sempre entrando em contato com ele por meio da secretária da Louis Walsh Management, e tudo o que ele podia fazer era se amaldiçoar por ter afastado a ex-namorada mais uma vez. reconhecia que não precisava ter se metido entre ela e e, principalmente, que tinha exagerado ao dizer para o outro tudo o que tinha dito, mesmo que, em sua opinião, fosse a mais pura verdade.
- ?
Apenas quando a voz de adentrou seus ouvidos ele notou que a porta estava aberta e a mulher, confusa, o fitava.
- Podemos conversar, ?
- Entra aí.
deu espaço para que , cautelosamente, adentrasse seu apartamento.
- Eu queria te pedir desculpas - ele disse, indo direto ao ponto, após a porta ser fechada atrás de si.
A ampla sala de estar estava parcialmente escura, apenas com a luz da cozinha acesa iluminando o ambiente, e se sentiu incomodado por não conseguir enxergar com clareza a expressão presente no rosto de .
- Por aquele dia na boate - ele continuou a dizer, notando o silêncio da mulher. - Sei que não devia ter me intrometido daquele jeito, a última coisa que eu queria era que você ficasse chateada.
Mais uma vez, ele não obteve resposta alguma. continuava a encará-lo e, pela metade de seu rosto iluminada pela luz, pôde ver os lábios dela se curvarem em um sorriso. Ela deu alguns passos em sua direção e, ao notar quão próxima ela estava, o cantor prendeu a respiração.
- Diz pra mim, - sussurrou com o rosto cada vez mais próximo, enquanto levava uma de suas mãos até a nuca do homem para acariciar o local. - Mesmo depois de todos esses anos, você nunca me esqueceu, uh?
Involuntariamente, fechou os olhos, apreciando o carinho, e sentiu os lábios dela roçarem os seus. As respirações falhas dos dois se misturavam, os inebriando, e ele não pensou duas vezes antes de puxar pela cintura e chocar sua boca à dela. Como se já estivesse esperando por aquilo, a mulher entreabriu seus lábios prontamente e procurou pela língua de com a sua própria. Eles se beijavam com tanta sede que não tiveram tempo de pararem para pensar no que estava acontecendo.
Enquanto sugava a língua da ex-namorada exatamente do jeito que ele sabia que a enlouquecia, deslizou as mãos pelo tronco dela até chegar na barra da blusa larga que ela vestia. Apenas quando enfiou suas mãos por baixo da vestimenta que ele notou que a parte de baixo do corpo dela estava descoberta. Percebendo o momento de distração dele, acariciou o pênis já rígido do cantor sob o tecido da calça jeans e sorriu com satisfação quando ele soltou um gemido, que foi abafado pelo beijo.
sentia seu membro latejar de desejo. Ele não conseguia se lembrar de qual havia sido a última vez que ficara duro tão rápido e precisou controlar a vontade de arrancar as poucas peças de roupa da mulher e fodê-la como há muito tempo não tinha oportunidade. Mas quem tinha o controle da situação era , e isso ficou ainda mais claro quando ela desabotoou a calça jeans que ele vestia, desceu o zíper e invadiu sua cueca sem fazer a mínima cerimônia. Os dedos finos e ágeis dela envolveram o pênis de em uma carícia quase torturante, enquanto a língua dela explorava cada canto de sua boca em um beijo delicioso. Foi então que som de passos pôde ser escutado e o beijo foi quebrado.
Alarmado, virou a cabeça em direção à escada, de onde o som vinha, enquanto retirava a mão de dentro de suas calças e se distanciava dele. Uma silhueta descia os degraus sem pressa e não demorou a reconhecer a figura de , que vestia apenas uma boxer preta. voltou seus olhos para em completo choque e a encontrou com um sorriso petulante, enquanto lambia os próprios lábios, que estavam avermelhados após os beijos. Ao descer os olhos pelo corpo que há poucos segundos estava colado ao seu, finalmente ele pôde reparar que a blusa que a empresária vestia era da Adidas e larga demais para ser feminina. Ele reconheceu aquela blusa como sendo de e sentiu o sangue ferver. Ao voltar a fitar o outro, ficou confuso ao vê-lo se aproximar cada vez mais, decidido e com um sorriso convencido brincando em seu rosto.
parou ao lado de e a puxou pela cintura, enterrando o rosto no pescoço dela em seguida. Enquanto recebia beijos molhados, a mulher continuava a retribuir o olhar incrédulo de com divertimento. Lentamente, ela desceu os olhos até a ereção do homem, que ainda implorava pelos toques que recebia anteriormente, e mordeu o lábio inferior.
- Sabe, ... - começou e indicou a calça aberta dele com um aceno de cabeça. - Eu poderia te ajudar com isso aí. Dá pra ver nos seus olhos como faz tempo que você não fode alguém com gosto e é excitante saber que ainda tenho esse poder todo sobre você.
Ela soltou uma risada, demonstrando o quanto se divertia com a situação, mas foi interrompida quando , em um movimento rápido, levantou a camisa que ela vestia e revelou sua calcinha. Enquanto sugava a pele do pescoço dela, adentrou sua mão na peça íntima da empresária e arrancou dela um gemido baixo. Após os minutos de amasso com , ela já estava excitada e um simples toque fez suas pernas bambearem. soltou um longo suspiro, sentindo os dedos de se movimentarem em uma carícia lenta e envolvente.
Por mais que tentasse fechar os olhos ou dar as costas e ir embora, seus membros não obedeciam ao comando de seu cérebro e ele simplesmente não conseguia deixar de fitar a cena de uma ofegante e totalmente entregue a . sentia o coração doer tamanha era a inveja que sentia. Ele não queria que fosse o responsável por dar prazer a . Entretanto, a visão da mulher rebolando e soltando gemidos abafados o excitava cada vez mais, o fazendo sentir seu membro a cada segundo mais inchado e pressionado pela calça jeans.
precisou respirar fundo para recobrar o controle de suas ações e, finalmente, conseguiu tirar a mão de de dentro de sua calcinha e o afastou com um leve empurrão. Com o sorriso convencido de volta ao rosto, ela caminhou na direção de e o puxou pela nuca até que suas bocas estivessem unidas em um beijo urgente e cheio de desejo. Em reflexo, o cantor esfregou a ereção no quadril de com um certo desespero. Ele não se importava que estivesse ali os assistindo. O que ele mais queria era, finalmente, aliviar aquela tensão sexual que nenhuma outra mulher jamais seria capaz de aliviar. Ao quebrar o beijo, a empresária mordeu o lábio inferior dele.
- Você não tem uma noiva, ? - ela sussurrou, ofegante, e ele conseguiu sentir a ironia expressa em cada palavra. - Chama ela para terminar o serviço.*
Com os olhos arregalados de surpresa, observou se afastar com um sorriso maldoso nos lábios e puxar para um beijo quase violento. Ele não viu como aconteceu, mas no instante seguinte estava deitada na mesa de jantar, enquanto era penetrada e gritava o nome de a cada investida. Aquilo era mais do que poderia suportar.
Desesperado para ir para bem longe daquela cena, ele se virou e agarrou a maçaneta, porém a porta estava trancada. Ele procurou pela chave do apartamento, enquanto tentava ignorar os gritos e gemidos de prazer atrás de si, mas não encontrou o objeto que o permitiria ir embora. estava cada vez mais aflito, espalmava suas mãos na madeira da porta e fechava os olhos com força. Tudo o que ele queria era que aquela tortura terminasse. De repente, um silêncio invadiu o ambiente e o cantor, finalmente, reabriu os olhos.
estava ofegante e sentia uma dormência por todo o corpo. Ele precisou de alguns segundos para olhar o ambiente à sua volta e reconhecer o seu próprio quarto. Ainda era de madrugada, tudo estava escuro, e ele sentiu um alívio preencher seu peito ao perceber que todo aquele tormento fora apenas um pesadelo. Ele não havia ido até o apartamento de , não havia tido alguns minutos de amasso com ela e, graças a Deus, não havia presenciado uma cena de sexo entre ela e .
Após se sentar na cama, ainda um pouco atordoado, passou a mão pelo rosto e percebeu um incômodo na cueca. Ao levantar o edredom, encontrou uma ereção e, instantaneamente, levou as mãos até o membro rígido e o apertou.
- Inacreditável... - ele sussurrou para si mesmo e soltou uma risada descrente. - O que você está fazendo comigo, ?
Imagens do sonho vieram à mente de . Tudo havia parecido tão real. Os beijos, os toques... Ao notar que estava utilizando o sonho como motivação para se acariciar, ele bufou e levantou da cama em um pulo. Agradecendo por Nadine não ter dormido em seu apartamento, foi até o banheiro tomar um banho para tentar relaxar. Porém, mesmo após fumar e tomar um chá, ele não conseguia parar de pensar sobre o sonho e, naquela noite, ele não voltou a dormir.

O vento gelado batia em seu rosto, o fazendo estremecer dentro do moletom, mas não se importava. Com um cigarro na mão e observando uma Londres escura e silenciosa do alto do prédio, a cada tragada ele se sentia mais leve e tentava esquecer os pensamentos que rondavam sua cabeça e não o deixavam pregar os olhos naquela madrugada. Na verdade, ele já nem se lembrava qual fora a última madrugada que conseguiu fechar os olhos e dormir tranquilamente. Entretanto, qualquer tentativa de esquecimento era falha, já que todas aquelas preocupações continuavam ali, o atormentando fielmente. A obrigação de ter que trabalhar com algo que não lhe dava mais prazer, a saudade que tinha de sua família, os amigos que, a cada dia que passava, o pressionavam mais e mais para que ele aceitasse fazer parte do retorno do One Direction… E .
Pouco mais de uma semana depois que se beijaram nos fundos da boate, ainda não havia reencontrado a empresária e, por meio de , a única notícia que teve foi que ela e estavam extremamente ocupados decidindo quem seriam os dez escolhidos para participar da audição para a nova boyband. Ele estava no escuro. Não sabia se estava sendo odiado ou se, assim como ele, também pensava dia e noite naqueles beijos. Era como se um furacão tivesse passado e causado uma tremenda reviravolta em seus sentimentos.
- Achei você - a voz de Savannah adentrou seus ouvidos e virou-se para trás a tempo de vê-la passar pela porta de vidro que dava para a varanda, enrolada em um cobertor. - Caiu da cama, foi?
- Não consegui dormir - respondeu, dando de ombros, e voltou a encarar a paisagem.
Savannah deu alguns passos até parar ao lado do homem e também se apoiou no parapeito. Em silêncio, ela libertou um braço da proteção do cobertor e o esticou até roubar o cigarro que levava à boca para, em seguida, o levar até a sua própria. Após dar uma longa tragada, ela devolveu o cigarro ao dono e voltou a se encolher debaixo do tecido grosso, enquanto soltava a fumaça lentamente.
- Desembucha - ela disse, fitando o perfil do homem. Confuso, a lançou um olhar de canto de olho. - Qual é, ? Desde que voltei de viagem você mal tem dormido, está com essas olheiras horríveis. O que está acontecendo?
- Savy… - ele falou em meio a um suspiro, mas continuou em silêncio.
- Tem a ver com a , não tem?
encarou a loira com os olhos levemente arregalados, demonstrando sua surpresa. Ele se lembrava de ter comentado uma vez ou duas sobre ter sido apaixonado por um dia e que, com ele, ela traíra , mas a empresária sequer era um assunto recorrente entre eles. Ele não conseguia entender por que Savannah havia surgido com aquela hipótese de que era quem estava tirando seu sono.
- Pensei que você já tivesse percebido quão observadora eu sou - ela continuou a falar, notando que estava embasbacado demais para dizer qualquer coisa. - Você ainda sente algo por ela, não sente?
- Você está doida - ele rebateu em um murmúrio, antes de apagar o cigarro de qualquer jeito no parapeito da varanda e o arremessar na direção de uma lixeira.
- Se antes eu achava que tinha a ver com ela, agora tenho certeza - Savannah disse e não conteve uma risada, enquanto rolava os olhos com um sorriso no rosto. - Aconteceu alguma coisa naquele dia que você saiu com o pessoal, né?
- Nós ficamos - ele confessou e, após alguns segundos de silêncio, disse, fazendo uma careta: - É estranho falar sobre isso com você.
- Falar sobre a mulher que você gosta com a que você acabou de transar? - Savannah questionou em um tom divertido, fazendo o outro rir baixo. - Sou sua amiga, . Pode se abrir comigo.
- A gente estava apenas conversando, até que acabamos nos beijando - ele começou a contar. - Ficamos nos beijando por algum tempo, até que ela pareceu se arrepender e quis ir embora. Eu fiquei morrendo de medo de ter a afastado ainda mais e tentei impedir, mas o apareceu na nossa frente - disse e bufou, irritado. - Ele quis bancar o super-herói que estava lá para salvar a donzela indefesa, me acusou de sempre me aproveitar dos momentos que a está frágil, e isso acabou resultando em uma discussão entre a gente. A não gostou e foi embora puta da vida.
Quando terminou de resumir os fatos, Savannah riu com vontade e o deixou sem entender o que dissera de tão engraçado.
- Eu sabia que o noivado com aquela Nadine era só fachada - ela disse ao cessar a risada. - O só deve gostar dela quando ela está com o pau dele enfiado na boca e não precisa ouvir aquela voz irritante que ela tem.
Foi a vez de gargalhar, achando graça do exagero de Savannah.
- É merecido - ele falou, simplesmente, e preferiu guardar sua opinião sobre o assunto para si.
- O que mais me espanta nisso tudo é a oportunidade que a está perdendo - Savannah voltou a falar.
- Oportunidade? - questionou, incerto de que realmente escutara aquilo.
- Sim - a outra confirmou, balançando a cabeça, como se fosse algo óbvio e estivesse achando quase absurdo ele não estar pensando a mesma coisa. - Se eu fosse ela, já estaria fodendo com vocês dois bem gostoso. Talvez eu propusesse, inclusive, algo a três.
- Fala sério - disse em meio a risadas.
- Estou falando sério - ela rebateu, tentando se manter séria. - Não é qualquer mulher que tem o poder de ter não apenas um, mas dois ex-integrantes do One Direction jogados aos pés dela.
riu pelo nariz e desviou o olhar para as ruas pouco iluminadas, sentindo-se um pouco incomodado de pensar que ainda tivesse interesse amoroso ou sexual por .
- Eu entendo por que vocês dois não conseguem superar a - Savannah disse, atraindo a atenção do homem de volta para si. - Ela tem aquela carinha de boa moça que vocês, homens, não resistem. Pena que é bobinha e não aproveita isso.
- Você me ofende falando assim, sabe? - ele falou em um falso tom indignado, ignorando propositalmente o comentário feito a respeito de . - Dou conta do recado sozinho, muito obrigado. O eu já não sei, afinal, não foi a minha namorada que me traiu… - disse sugestivamente, levantando os ombros, e arrancou uma gargalhada de Savannah.
- Você é um filho da puta, - ela disse ainda rindo. - Não vai dormir mesmo, né?
- Provavelmente não - respondeu, sabendo que o sono não estava nem perto de dar as caras.
- Então vamos entrar e você me conta melhor a sua história de amor com a - ela falou, o empurrando levemente com o quadril. - Está um frio do caramba aqui fora.
Após ambos adentarem a sala de estar, fechou a porta de vidro atrás de si e só então percebeu a diferença na temperatura. Seus dedos estavam roxos devido ao frio, mas ele estava tão entretido com seus próprios pensamentos que sequer notara. Savannah se jogou no sofá, deixando o cobertor cair e revelar seu busto desnudo, e riu baixo quando notou que acompanhou o movimento antes de sentar-se ao seu lado.
- O que você quer saber? - ele perguntou depois de respirar fundo.
- Tudo - ela disse, simplesmente, e o homem fez uma careta.
- Sinceramente, não sei por onde começar.
- Pelo início, oras - Savannah disse, rindo, e perguntou: - Como vocês se conheceram?
- Ela entrevistou a gente - ele disse com obviedade.
- Eu não sei, ué. Já te falei que nunca fui fã do One Direction - a outra rebateu, se defendendo. - Tudo o que sei sobre a é que ela era jornalista e namorava o . E só sei porque, quando eles terminaram, a notícia bombou na internet. Me lembro disso.
- Ela fazia estágio naquela revista Teen Dreaming, que você provavelmente não lia porque era menininha demais para você - alfinetou e levou um soco fraco no ombro como resposta. - Foi em 2011, estávamos começando a promover o nosso primeiro álbum e fomos até a Teen Dreaming dar uma entrevista - ele começou a contar e parou por cinco segundos, rindo. A lembrança estava tão viva em sua mente que parecia que ele estava vendo a cena acontecer diante de seus olhos. - Foi tão engraçado quando ela entrou na sala. Todo mundo se entreolhou, o me cutucou descaradamente. Parecíamos um monte de moleques virgens.
- Garotos… - Savannah murmurou, rolando os olhos.
- Na época eu não tive muita noção, só achei ela bonita pra caramba, mas hoje eu percebo que foi ali que me apaixonei - o apresentador continuou, fazendo a loira soltar um “own” enquanto apertava a bochecha dele. - Mas a sempre foi muito profissional, sabe? e ficavam sorrindo e soltando um monte de gracinhas e ela simplesmente ignorava. Quando a entrevista acabou e ela foi embora, o foi o primeiro a se pronunciar, totalmente deslumbrado, só faltava a baba escorrer.
- Ele tem jeito de ser meio bobão até hoje, viu? - a outra disse, fazendo soltar uma gargalhada alta. - É sério. Ele banca o fodedor, mas a mim não engana, não. Aquela Nadine deve fazer dele gato e sapato. Como que ele e a começaram a namorar?
- Antes de irmos embora, a vimos passando pelo corredor da revista e desafiamos ele a pedir o número dela. Ele foi tremendo, quase se borrando nas calças. Não sei qual foi a abordagem, mas ela acabou passando o número e eles saíram duas ou três vezes, até que começaram a namorar. Foi tudo bem rápido - ele contou e soltou um longo suspiro, pois ainda não se conformava com a facilidade com que havia conquistado . - Eles não se desgrudavam, então ela estava sempre por perto e logo acabou se tornando amiga de todo mundo. E eu acabei me aproximando bastante dela, porque adorava implicar com ela. era toda certinha e vivia dando puxões de orelha na gente.
- Por que eu não me surpreendo com isso? - Savannah questionou, rindo. - Ela tem jeito de ser mandona.
- É um pouquinho, mas é menos que a - o homem afirmou e riu. - Quando o começou a namorar com a e o com a , as três se juntavam e era quase insuportável. A gente aprontou muito nos anos de 1D, tenho até vergonha de lembrar, mas não aprontamos nem metade do que aprontaríamos se não fossem as três sempre controlando o que a gente fazia. Apesar disso, acabei criando uma amizade muito forte com a e, infelizmente, fui me apaixonando cada vez mais.
Antes que ele continuasse, a mulher o interrompeu para perguntar:
- O nunca implicou com a amizade de vocês?
- Sinceramente, eu não sei se ele nunca percebeu que eu gostava dela ou se ele apenas ignorava, mas, fora o , eu era o melhor amigo dele na banda, então acho que ele nunca se sentiu ameaçado - explicou, dando de ombros. - E nem precisava. Não vou mentir que eu me aproveitava da nossa amizade para estar sempre perto dela e a abraçando mais do que o necessário, mas jamais passou pela minha cabeça pegar a namorada do meu amigo.
- Mas pegou - Savannah acusou com divertimento na voz.
- Eu não tive culpa - o homem prontamente se defendeu. - Ela estava podre de bêbada e ficou dando em cima de mim a festa inteira. Acho que foi a primeira vez que eu a vi bêbada, para falar a verdade, e eu não estava num estado muito melhor. Eu simplesmente liguei o foda-se e deixei ela fazer o que quisesse.
- Aí vocês transaram loucamente a noite toda e depois ela te deu um fora porque se arrependeu de trair o príncipe . Essa parte você já me contou - a loira debochou e riu quando bufou.
- Não foi só uma noite. Depois que ela contou para o e eles terminaram, a gente ficou algumas semanas se encontrando meio às escondidas.
- Fala o que interessa, . Rolava sexo? - ela questionou e recebeu um olhar incrédulo.
- Claro que rolava - ele respondeu e não conteve um sorriso ao se lembrar das vezes que ele e transaram sóbrios, mesmo que ela relutasse um pouco até se entregar ao desejo. Mesmo que poucas, foram transas inesquecíveis.
- Eu só quero saber uma coisa - Savannah disse após algum tempo de silêncio. - Quando você vai tomar uma atitude?
- É o quê? - indagou, quase chocado.
- Sejamos sinceros, . Isso que está rolando entre a gente não tem futuro. Eu entendo perfeitamente você, já te falei que também amo uma pessoa, que sofri muito por causa dela e que não estou num bom momento para assumir um relacionamento sério. Enquanto você concordar, a gente segue ficando, mas, se você quiser ir atrás da sua felicidade, eu vou entender perfeitamente. Se vou sentir falta de transar com você? Claro que vou, mas você está livre para isso - Savannah fez um pequeno discurso e sorriu sem mostrar os dentes.
não soube o que responder. Se limitou a retribuir o sorriso, enquanto pensava que Savannah era, com toda a certeza, a melhor pessoa que conhecera nos últimos tempos. Se não existisse, ele até conseguiria ver um futuro com ela ao seu lado.
- Quando você vai me contar sobre o guerreiro que conseguiu amolecer esse coração de pedra, hein? - ele brincou.
- Um dia - a mulher respondeu, simplesmente, e suspirou. - O amor é uma merda, né?
- Nem me fale - respondeu e recostou a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos em seguida.
- Mas, enquanto a gente não dá um jeito nas nossas vidas amorosas, podemos nos divertir - Savannah sussurrou no ouvido do homem, o fazendo sentir um arrepio.
se manteve de olhos fechados, enquanto sentia Savannah sentar-se sobre suas coxas e envolver seus lábios em um beijo ardente, ao mesmo tempo que adentrava as mãos na sua calça de pijama. Eles repetiram algumas doses de sexo até o sol surgir no horizonte. Em todo o tempo, esteve ali, presente nos pensamentos de , onde ela sempre estava. Mas ele se permitiu aproveitar o momento e deixar as preocupações de lado por algum tempo.

Diferente de e , a família tivera uma madrugada bastante tranquila. A manhã, entretanto, de tranquila nada tinha. Enquanto tentava fazer Austin parar de chorar a todo custo, corria de um lado para o outro, ajudando Travis a se arrumar para ir à escola. Não que Travis fosse uma criança fácil de lidar normalmente, mas, naquele dia em especial, ele não parava quieto por um segundo e estava levando sua mãe à loucura. Em meio à confusão, conseguiu ouvir a campainha tocar e já foi atender se preparando para se retratar com algum vizinho que, possivelmente, estava incomodado com a barulheira. Para seu alívio, quem ele encontrou do outro lado da porta foi .
- Caiu da cama, foi? - brincou , dando espaço para que o recém-chegado adentrasse a casa.
- Eu quase não dormi, na verdade. Devo estar com uma cara péssima - respondeu e passou as mãos pelo rosto.
- Não, não. Você está com a mesma cara de quem comeu e não gostou de sempre - debochou e riu quando o outro mostrou o dedo do meio.
- Cadê a tua esposa, ?
- Tentando fazer o Travis tomar o café da manhã - ele respondeu e entortou a boca. Não eram nem 8h da manhã e ele já se sentia exausto. - Mas o que você quer com minha mulher, posso saber?
- Preciso de um conselho feminino - disse, fazendo o amigo levantar as sobrancelhas, demonstrando que havia acabado de entender o que estava acontecendo.
- Problemas com a Nadine, é? - questionou, porém, quando o outro balançou a cabeça em sinal negativo, estranhou.
- Com a - respondeu e, em seguida, suspirou.
Por alguns segundos, ficou encarando . Uma série de hipóteses se passaram pela cabeça dele, desde alguma divergência profissional até algo de ordem romântica. Algumas opções o assustaram um pouco, já que, mesmo sem admitir, sabia que ele não havia superado por completo.
- Que tipo de problema? - ele perguntou, mas bufou quando o outro não deu uma resposta e, sentindo-se em casa, seguiu em direção à cozinha.
Quando os dois homens adentraram o cômodo, encontraram bufando e ajudando Travis a tirar a blusa do uniforme da escola.
- , já é a segunda vez nessa semana que ele suja o uniforme tomando café da manhã! - ela exclamou e, só então, notou a presença da visita. - Ah, oi . Não sabia que você estava aí.
- E aí, ? Posso falar com você um minutinho?
- Comigo? - a mulher questionou, demonstrando sua confusão. Apesar de também ser amiga de , ela não estava acostumada a vê-lo ir até sua casa para falar especialmente com ela, já que geralmente era por que ele procurava. - Claro que pode. Você ajuda ele a trocar de uniforme, amor?
- Vamos lá, rapaz - disse e, mesmo que curioso para ouvir a conversa, acompanhou o filho até o quarto.
- Pode falar - falou, enquanto limpava com um pano a mistura de cereal e leite que Travis havia derramado sobre a bancada.
- É sobre a - falou e observou o fitar com curiosidade. - Você tem falado com ela? Ela te contou alguma coisa sobre sábado?
- O que aconteceu no sábado? - a mulher questionou, bastante surpresa. - Ela não me falou nada, não.
soltou um suspiro frustrado. Conhecendo a amizade de longa data das duas, ele estava quase certo de que havia deixado a amiga ciente dos fatos ocorridos naquela noite e esperava que pudesse dizer quão arriscado seria ele procurar a empresária para se desculpar.
- Se ela não falou sobre o assunto, deixa quieto.
- Não, agora você vai ter que me falar - disse enfaticamente, largando o pano e se aproximando do amigo. - Anda logo, desembucha.
Sabendo que não teria escapatória, respirou fundo antes de dizer:
- Não sei como aconteceu, mas eu fui até os fundos da boate fumar e dei de cara com a se pegando com o .
Os olhos de se arregalaram como em câmera lenta, demonstrando quão chocada ela estava.
- Mentira! - ela exclamou e pôs as mãos nas próprias bochechas. - e… ? Você tem certeza?
- Claro que tenho, mulher. Mas o problema todo não foi esse - disse imediatamente, temendo que a outra pensasse que aquilo houvesse o afetado de alguma forma. - Depois de um tempo, ela empurrou ele e disse que ia embora, mas, para variar, ficou insistindo e eu tive que me meter.
- Que merda você fez, ? - perguntou em um tom de repreensão.
- Eu não fiz nada demais, ok? Só falei para ele parar de forçar a barra - ele se defendeu. - A gente acabou discutindo, porque eu não aguentei ficar calado e falei que, mais uma vez, ele se aproveitou da situação de ela estar um pouco para baixo para conseguir o que quer. Isso me irrita demais, é muita cara de pau.
- Bom, preciso conversar com ela para saber o que de fato aconteceu - a mulher disse, já que preferia ouvir a versão da amiga antes de concluir qualquer coisa. - Mas ela realmente estava péssima naquele dia por causa de umas mensagens que trocou com o Luke, o fim do namoro ainda está tudo muito recente, sabe? E acho que ficar com o foi meter os pés pelas mãos.
- Ela pode pegar quem quiser, estou nem aí - disse, um pouco irritado, e riu baixo, totalmente cética. - O problema é que ela vem me evitando desde então e eu não queria ficar mal com ela, ainda mais agora que ela tem me ajudado pra caramba.
- O que exatamente você quer de mim? - ela questionou, por fim.
- Você acha que tem alguma chance de ela me enxotar da casa dela se eu for lá daqui a pouco?
- A essa hora você nem vai encontrar a em casa, já que ela costuma correr no Hyde Park todas as manhãs - explicou, dando de ombros. - Mas eu vou conversar com ela, . Acho melhor você ficar na sua.
A reação do cantor foi de bufar por ser contrariado. , com seu instinto protetor apurado após se tornar mãe, percebeu que não daria ouvidos e procuraria assim mesmo.
- Sossega, . Eu vou falar com ela.
Quando ela terminou de falar, adentrou a cozinha, segurando Travis pela mão.
- O Batman está pronto para ir estudar - ele disse, apontando para a máscara do Batman que o garoto tinha no rosto.
- O vai levar ele - falou autoritária e o outro automaticamente a encarou.
Ele percebeu que a mulher só tinha vindo com aquela ideia para o desviar do caminho, já que a escola ficava do lado oposto ao da casa de . Porém, quando viu a animação de Travis ao saber que o padrinho o levaria para a aula naquele dia, ele não teve coragem de recusar. Depois de se despedirem de e , que respiraram aliviados por, finalmente, terem um pouco de paz, pegou a cadeirinha de criança que ele deixava guardada no porta-malas desde que o afilhado nascera e o acomodou lá.
- Travis, a gente vai em um lugar antes de ir para a escola, tudo bem? - ele disse após sentar-se de frente para o volante, e o garoto o fitou, curioso. - Mas você não pode contar para a sua mãe.
Mesmo sem entender muito bem, Travis balançou a cabeça, confirmando, e bateu na mão que estendeu em sua direção antes de dar a partida no carro, rumo ao Hyde Park.

Quando o elevador chegou ao andar térreo, deu alguns passos cautelosos em direção ao saguão de entrada. Poucos minutos antes, o porteiro havia interfonado para avisar que uma moça que não quis se identificar estava na portaria e queria falar com ela. Já que estava de saída para ir correr no Hyde Park, como costumava fazer todas as manhãs, a empresária disse que desceria para falar com a tal moça. O que ela não esperava era chegar na portaria e encontrar Nadine com um sorriso petulante no rosto.
- Podemos conversar? - ela perguntou após levantar-se do sofá.
encarou a loira por alguns segundos com desconfiança e a única atitude que conseguiu tomar foi a de balançar em sinal positivo e apontar em direção à saída do prédio. Ela conseguia sentir o olhar curioso do porteiro sobre elas duas e não queria ser alvo da próxima fofoca que correria pelo prédio.
- Espero que seja rápido - ela falou quando as duas saíram pelo portão.
- É bem rápido sim, eu só tenho um aviso para te dar - Nadine rebateu, cruzando os braços e encarando a outra de cima a baixo.
- Que aviso? - questionou, retribuindo o olhar de cabeça erguida.
Ela nem se lembrava de ter falado diretamente com Nadine um dia, já que a noiva de não fazia a mínima questão de ser simpática com ela ou qualquer outro de seus amigos. Não foi tão difícil assim concluir que aquele súbito interesse de conversar tinha a ver com o cantor, agora que era a empresária dele. Ela sabia que era apenas questão de tempo até ter aquele tipo de aborrecimento.
- Quero que uma coisa fique bem clara - Nadine começou e a empresária respirou fundo. - Eu não sei quais foram as suas intenções ao querer ajudar meu noivo - ela fez questão de frisar as duas palavras possessivamente -, mas fique sabendo que estou atenta. Não é porque agora vocês estão trabalhando juntos que você vai virar amiguinha dele.
- Isso é sério? - questionou e deixou uma risada incrédula escapar. Abriu a boca algumas vezes, sem saber ao certo o que dizer de tão chocada que estava de estar naquela situação. - Olha, Nadine, no contrato que eu e assinamos não tinha nenhuma cláusula dizendo que você é a responsável por ditar as regras. E, sinto muito, mas você está um pouco atrasada. Eu já sou amiguinha dele desde muito antes de vocês se conhecerem.
Nadine soltou uma risada debochada e, em seguida, rolou os olhos.
- Você é só uma ex-namorada, querida - ela falou com um sorriso falso no rosto. - Por muitos anos eu o escutei falando mal de você. Não se engane.
mordeu a própria língua para evitar mandar a loira para um lugar não muito bonito, sentindo uma raiva crescer dentro de si ao perceber que a outra se sentia em uma posição superior por saber sobre o passado dela e de .
- Se era só isso, tchau - ela disse e deu as costas para Nadine, que abriu um sorriso vitorioso ao notar que, de alguma forma, havia afetado a empresária.
Poucos minutos depois, caminhava pelo Hyde Park, se controlando para não bufar de raiva. Ela não conseguia acreditar que Nadine realmente havia se achado no direito de ir até sua casa para marcar território. Aquilo era infantil demais. Quanto mais pensava, mais tinha vontade de voltar e dizer poucas e boas para Nadine. Sem prestar atenção em nada do que acontecia à sua volta, a empresária só despertou de seus próprios pensamentos quando dois bracinhos agarraram suas pernas.
- Tia !
Ela olhou para baixo e se deparou com Travis. O menino vestia o uniforme da escola e tinha um sorriso enorme no rosto.
- Como você chegou aqui? - ela perguntou, preocupada, e olhou em volta.
- Vim com o tio - o pequeno respondeu e, apenas quando olhou na direção que ele apontava, reparou o homem caminhando na direção deles.
- Travis, vai ali brincar enquanto eu converso com a - falou, apontando para alguns brinquedos nos quais algumas crianças se divertiam. - É só um pouquinho, eu já vou te levar para a escola.
Ele nem precisou falar duas vezes, já que o menino saiu correndo rápido como um foguete. Quando voltou o olhar para , ela fitava um ponto qualquer ao longe, evitando o encarar.
- Vá levar o seu afilhado para a escola, - ela disse e, finalmente, o encarou. E sua expressão facial não era muito amigável. - Não estou no clima para conversas.
Alheio à visita que a mulher havia recebido de sua noiva, suspirou longamente, imaginando que, como suspeitava, ela ainda estava chateada por causa do ocorrido na boate.
- Só quero me desculpar, . Sei que não devia ter me intrometido daquele jeito entre você e o , tive apenas boas intenções. Não quero que fique esse clima chato entre a gente, você me evitando...
- Eu não estou te evitando - rebateu, com o cenho franzido em confusão.
- Não? Você tem entrado em contato comigo sempre pela secretária, eu pensei que...
- Pensou errado - a empresária o cortou e soltou uma risada fraca ao mesmo tempo que balançava a cabeça de um lado para o outro. - Aquela cena foi muito desnecessária e me deixou bem puta com vocês dois, mas já passou. Acho que ninguém ali estava sóbrio e pensando direito, certo? Estou com tantas preocupações que prefiro deixar isso pra lá - ela explicou. - Sobre ter pedido para a secretária falar com você nesses dias, foi porque eu ando atolada de coisas para fazer.
sentiu-se aliviado e até um pouco envergonhado por ter passado dias remoendo aquela história, enquanto parecia estar nem aí.
- Mas sua noiva me fez uma visitinha hoje e isso sim me deixou bem puta - ela disse, simplesmente, antes que falasse qualquer coisa, o deixando de olhos arregalados em surpresa.
- A Nadine? - ele questionou e a outra balançou a cabeça, confirmando. - Como assim? Para quê?
- Me encher o saco - respondeu, bufando. - Ela me procurou só para dizer que está de olho em mim e que não quer que o nosso relacionamento seja mais do que profissional. Acho que a gente não tem mais idade para esse tipo de coisa, então, se for deixar ela feliz, prefiro que a gente mantenha distância mesmo.
- Eu… - começou, passando a mão no cabelo. Ele estava um pouco desconcertado. - Me desculpa por isso, . A Nadine é meio… difícil.
- É uma abusada! - a empresária exclamou, voltando a sentir a raiva de anteriormente. - Só não mandei ela para a puta que pariu porque ela é sua noiva, mas, se isso se repetir, eu não respondo pelos meus atos.
- Não vai se repetir - o cantor disse rapidamente, respirando fundo. Ele próprio começava a sentir raiva da noiva por conta daquela atitude tomada por ela. - Eu vou falar com ela.
- Acho bom mesmo - retrucou em um murmúrio.
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, enquanto observavam Travis correr de um lado para o outro. O garoto já não estava tão impecável como quando saiu de casa. sabia que precisava levá-lo para a escola, mas algo o impedia de sair do lado de .
- Eu aceito, - ele disse e, notando o olhar confuso da mulher, completou: - Aceito fazer parte da turnê comemorativa do One Direction.
O rosto da mulher, que ainda demonstrava sinais de irritação por causa de Nadine, se iluminou como em um passe de mágica. Ela já não esperava que fosse voltar atrás e aquilo a pegou totalmente de surpresa. O cantor, vendo um sorriso enorme se abrir no rosto dela, se xingou mentalmente por não ter aceitado aquela proposta antes. Foi tão rápido que ele mal notou quando levantou os braços e se jogou na direção dele, o envolvendo pelo pescoço.
- Isso é maravilhoso, ! - ela exclamou ao mesmo tempo que o abraçava com força. Automaticamente, os braços do homem a envolveram pela cintura, fazendo com que os corpos dos dois se unissem ainda mais. - O que te fez mudar de ideia?
Ela buscou pelos olhos de , porém, mesmo o soltando, ela continuou presa pelos braços que a seguravam com firmeza. Com os rostos tão próximos, foi inevitável que os dois não se desligassem de tudo e todos, conforme as respirações deles se misturavam. percorreu o rosto da empresária com os olhos, observando atentamente cada detalhe. Aquela não parecia nem um pouco com a de seu sonho, que transbordava malícia e o tinha na palma da mão. A que estava em seus braços o fazia se lembrar da com quem ele havia namorado na juventude, a por quem ele faria qualquer coisa para ver sorrindo daquela forma. Dessa ele gostava ainda mais.
levou uma das mãos até a nuca da mulher e a puxou até que seus lábios se chocassem aos dela. Eles levaram um tempo até aprofundarem o beijo, como se estivessem se acostumando àquela intimidade já desconhecida por ambos, mas logo as línguas se encontraram e os corações bateram mais forte. espalmou as mãos no braço de e se entregou completamente ao beijo, que era calmo, repleto de carinho, e tinha gosto de pasta de dente, café e cigarro. Os dois sabiam que aquele beijo não podia estar acontecendo por diversos motivos, mas, conscientes disso, eles não se importaram e apreciaram o momento como se ele estivesse acontecendo exatamente quando tinha que acontecer. Era como se aquele beijo estive selando uma cumplicidade e dando início a uma nova fase do relacionamento entre eles. Apenas quando o ar faltou, eles se afastaram apenas o suficiente para que pudessem voltar a respirar, e permaneceram de olhos fechados e com as testas apoiadas uma na outra, aproveitando os últimos resquícios daquele momento quase mágico.**
- Foi você que me fez mudar de ideia, - quebrando o silêncio, sussurrou contra os lábios de , que esboçou um pequeno sorriso enquanto sentia o estômago se revirar.
- Você lembra que tem uma noiva e não pode sair me beijando assim, né? - ela sussurrou de volta.
- Lembro - ele respondeu com cautela, temendo qual seria a próxima reação da empresária.
- Que bom - disse antes de selar os lábios aos dele uma última vez e, então, se afastar. - Pelo menos fizemos valer o desaforo que fui obrigada a escutar hoje - brincou, fazendo uma careta, e arrancou uma gargalhada de .
- Acho melhor eu ir embora - ele disse, controlando a vontade de puxar a mulher para mais um beijo e procurando pelo afilhado com os olhos. - Preciso deixar o Travis na escola.
Após ouvir seu nome ser gritado, Travis correu até os dois mais velhos com as bochechas coradas e os fios de cabelo desarrumados. Rindo, se abaixou para rearrumar o penteado dele, bem como ajeitar seu uniforme, que estava todo desengonçado depois de alguns minutos correndo e pulado.
- A não sabe que ele está aqui, né? - questionou e riu quando negou com a cabeça. - Você é louco, .
Depois de se despedir dos dois, ela observou eles se afastarem em direção ao carro que havia estacionado de qualquer jeito ao longe. Ainda conseguia sentir o toque dos lábios do ex-namorado e riu consigo mesma, sem acreditar que aquilo realmente havia acontecido. Quando lembrou que havia, finalmente, aceitado voltar para o One Direction, ela pegou o celular no bolso do casaco e rapidamente procurou pelo contato de .

: Você pode ir até a LWM ainda hoje? Precisamos conversar.

Depois de enviar a mensagem, ficou com os olhos vidrados na foto de por alguns segundos. Misturadas à recente lembrança do beijo de , surgiram em sua mente imagens dos beijos que havia trocado com nos fundos da boate e ela concluiu que estava oficialmente ferrada.


*Cena inspirada na conversa do dia 15/03/2016 no grupo do WhatsApp “Fics da Babi e da Lari” e dedicada a todas as integrantes do #TeamPP1 envolvidas.
**Cena inspirada na ideia da Ana Ribeiro, uma das ganhadoras da quiz sobre Back For Good.

Capítulo Catorze

You and me got a whole lot of history
We could be the greatest team that the world has ever seen
You and me got a whole lot of history
So don't let it go, we can make some more
We can live forever

History - One Direction

Junho de 2026

A empresária bateu a porta do carro, ativou o alarme e, a passos largos, atravessou a garagem do prédio onde estava situada a sede londrina da Louis Walsh Management. Ela já estava 10 minutos atrasada para a reunião urgente que havia marcado com , pois, agora que ele era o único que faltava concordar com o retorno do One Direction, ela precisava fazê-lo mudar de ideia o quanto antes. O elevador não demorou a chegar ao subsolo do prédio, porém, após adentrá-lo e, em seguida, apertar o botão correspondente ao sétimo andar, as portas se fecharam e o elevador não saiu do lugar. A mulher bufou e apertou o botão repetidas vezes, com o intuito de fazer a máquina funcionar, mas de nada adiantou. Ela odiava fazer os outros esperarem, ainda mais quando se tratava de trabalho. Quando estava quase se dando por vencida e apertando o botão de emergência, o elevador, finalmente, subiu, mas parou no andar térreo e as portas se abriram.
- ! Que bom que você está chegando agora, pensei que estava atrasada - falou ao observar o homem adentrar o elevador, aliviada.
- Relaxa, - o outro rebateu, rindo e se escorando na parede do elevador, que logo estava em movimento novamente. - Você sempre se preocupa demais, desse jeito vai ficar cheia de rugas.
- E você se preocupa de menos, né? - retrucou, fazendo uma careta, e abriu um sorriso travesso.
- Por isso vou ficar com essa carinha de 25 para sempre - ele brincou, dando tapinhas nas próprias bochechas.
- Vai sonhan… - a mulher começou, mas foi interrompida por um solavanco do elevador, que, de repente, teve suas luzes apagadas e parou de funcionar.*
Com os olhos arregalados pelo susto, encarou , que parecia tão assustado quanto ela.
- Ai, merda - a empresária murmurou e apertou o botão de emergência três vezes, fazendo um alarme soar por todo o prédio.
- Isso costuma acontecer? - questionou apreensivamente.
- Eu nunca fiquei presa aqui antes, mas esse elevador tem dado alguns probleminhas ultimamente. Até estava em manutenção semana passada.
O apresentador abriu a boca para responder, mas foi interrompido por uma voz grossa que saiu pelo alto-falante do interfone embutido no painel do elevador.
- Senhorita , a empresa responsável pela manutenção dos elevadores já foi contatada e funcionários estão a caminho para tirarem vocês daí. Peço que aguardem sem forçar a porta a se abrir, o elevador parou entre dois andares e isso pode ser arriscado.
- Tudo bem, vamos aguardar. Obrigada - aproximou o rosto do interfone e respondeu, soltando um suspiro em seguida, e o porteiro do prédio se despediu antes de encerrar a ligação. - E agora?
- A gente espera eles chegarem - respondeu, dando de ombros, e se escorou na parede metálica.
- Tenho tanta coisa para fazer hoje, essa brincadeira vai atrasar meu dia inteiro - a empresária choramingou, deixando a bolsa que tinha pendurada no ombro escorregar pelo braço, e a largou no chão com delicadeza para que não quebrasse nenhum de seus pertences. Já que teria que esperar pelo “resgate”, que fosse sem aquele peso todo no ombro, pelo menos.
- Calma, . Eles vão demorar o quê? Uns 20 minutos? - questionou e a mulher levantou os ombros, demonstrando que não tinha a mínima ideia. - Você precisa desacelerar às vezes, sabe? Trabalhar desse jeito não faz bem. Consigo sentir o seu estresse daqui.
- Às vezes parece que vou surtar, mas é um pouco complicado desacelerar quando se tem um monte de cantores e bandas dependendo do seu trabalho.
a mediu de cima a baixo. Como sempre, estava linda e impecável, mas, analisando-a com mais atenção, era possível perceber como ela estava abatida. Ele não sabia até que ponto o término do namoro com Luke e outros possíveis problemas pessoais contribuíam para aquilo, mas, certamente, o excesso de trabalho era uma das principais causas de todo aquele estresse.
- Sabe do que você precisa, ? - o homem perguntou em um tom calmo e seguro, como se soubesse exatamente do que a empresária necessitava. levantou as sobrancelhas, curiosa, e murmurou qualquer coisa para que prosseguisse com seu raciocínio. - De uma massagem bem relaxante.
A mulher riu, balançando a cabeça de um lado para o outro, e se surpreendeu ao ver o outro desencostar da parede do elevador e dar alguns passos em sua direção.
- - ela começou com seriedade na voz -, o que você pensa que está fazendo?
- Vira de costas - ele disse, ignorando o questionamento, e fez um gesto com o dedo indicador para que ela se virasse. Quando percebeu que seu pedido não seria atendido, o repetiu: - Vira, .
- E desde quando você é massagista, hein? - ela questionou, pondo as mãos na cintura para parecer intimidadora.
- Eu posso ser o que você quiser, gata - respondeu o apresentador, piscando um olho, e acabou por arrancar uma gargalhada da mulher. - Agora vira - ordenou, esfregando uma mão na outra em um claro sinal de que estava animado para fazer a tal massagem.
- Tudo bem - ela finalmente disse, conformada. - Quero só ver se essa massagem vai ser relaxante mesmo.
Após dar as costas para ele, riu baixo e afastou os fios de cabelo soltos dela, jogando-os para frente e deixando as costas, cobertas apenas por uma blusa de tecido fino, expostas. Um arrepio percorreu todo o corpo dela quando sentiu os dedos tocarem seus ombros. Mesmo sem experiência alguma com massagens, seguiu seus instintos e massageou com bastante calma e dedicação os músculos, que, como desconfiava, estavam bastante rígidos.
- Isso é bom… - murmurou de olhos fechados, aproveitando a sensação deliciosa. Ela chegou a pensar que seria um verdadeiro paraíso ficar o dia inteiro daquele jeito, sem se preocupar com mais nada.
- Pensei que você já soubesse das maravilhas que faço com minhas mãos - a voz de sussurrou próxima ao seu ouvido, fazendo a empresária se arrepiar.
Ela não teve tempo de sequer pensar em uma resposta, pois sentiu a maciez dos lábios de tocar seu pescoço e as palavras simplesmente desapareceram de sua mente. Se a perguntassem, ela não saberia nem dizer qual era seu próprio nome. Com a intenção de provocá-la, o homem distribuiu alguns beijos pelo local com uma lentidão quase torturante, e , em reflexo, levantou uma das mãos até embrenhar os dedos no cabelo de . Ele esboçou um sorriso satisfeito, enquanto prosseguia com sua provocação.
- Isso faz parte da massagem, é? - questionou em um sussurro.
- Pode melhorar ainda mais, você sabe.
sentiu vontade de se virar e beijar até os dois ficarem sem fôlego, mas se conteve. Ela ainda conseguia sentir as sensações provocadas pelo beijo de , que havia acontecido ainda naquela manhã, e aquilo não seria nada apropriado.
- Você não presta, - ela disse, se afastando e se virando para encarar o amigo.
- Nunca falei que prestava - ele brincou, arrancando uma risada de .
Ela se surpreendeu pelo clima não ter ficado desconfortável, muito pelo contrário. O ambiente ficou até mais descontraído. Ambos ficaram se encarando por algum tempo, em silêncio.
- Qual foi o motivo de você marcar essa reunião? - questionou, finalmente tendo criado coragem para fazer a pergunta que estava na ponta de sua língua desde que pôs os olhos na empresária ao adentrar o elevador.
Ele tinha a desconfiança de que, provavelmente, teria a ver com o One Direction, pois sabia que ela não desistiria tão fácil de fazê-lo aceitar aquela loucura. Entretanto, ele tinha, bem no fundo de seu coração, a esperança de que ela quisesse conversar sobre os beijos trocados na boate e, num mundo perfeito, ela iria também propor que eles repetissem a dose.
- Só falta você para a turnê do 1D poder virar realidade - respondeu, fazendo sentir uma pequena decepção ao constatar que, como desconfiava, a sua primeira hipótese era realmente a correta. - Até o aceitou.
- Claro que aceitou - ele rebateu e, em seguida, bufou.
Para ele, não era surpresa alguma ouvir que havia cedido à vontade de , até porque ele próprio estava quase seguindo pelo mesmo caminho. Era impossível negar alguma coisa para aquela mulher. sentia-se um pouco irritado por pensar que eles, agora que trabalhavam juntos, deviam estar bem próximos. Aquilo o dava ainda mais vontade de fazer o que fosse necessário para ter . Ele não queria ficar para trás, não deixaria , mais uma vez, roubar a mulher que ele amava. Nem que para isso tivesse que voltar para o One Direction.
- Eu aceito.
Espantada, o encarou ao escutar as duas palavras que saíram dos lábios de com tanta determinação. Ela não esperava que ele fosse ceder assim tão fácil.
- Aceita? - questionou, ainda sem acreditar.
- Não me pergunta de novo, . Vou acabar mudando de ideia - ele disse, fazendo uma careta.
- Prometo que você não vai se arrepender, - ela disse antes de abraçá-lo.
Em meio àquele abraço apertado, sentiu-se feliz de tê-la tão próxima e soube que aquela, definitivamente, era a escolha certa.

percorreu os olhos pela lanchonete e agradeceu mentalmente pelo estabelecimento estar pouco movimentado naquele início de noite. estava a pondo a par dos últimos acontecimentos e, para a sua surpresa, o fato de a amiga ter se atracado com na boate e, ainda por cima, ter presenciado tudo, era o menor dos problemas.
- Você só pode estar brincando.
- É sério, .
- Não, . Isso não pode ser verdade - a cantora rebateu. Estava chocada demais para acreditar no que havia acabado de escutar assim tão facilmente. - Repete o que você falou.
- Eu e nos… beijamos - a empresária repetiu, mas dessa vez frisando muito bem a parte mais importante da mensagem.
- Repete, por favor, só para eu ter certeza.
- Pelo amor de Deus, Cohen! - exclamou e, em seguida, bufou, irritada. - A gente se beijou, trocou saliva, eu enfiei a língua na boca dele e ele na minha - ela disparou a falar e, então, subitamente se calou e uma expressão de repulsa surgiu em seu rosto. - A mesma língua que ele beija aquela mulher. Que nojo!
- Eu não consigo acreditar nisso - falou, balançando a cabeça de um lado para o outro. - Muito bem lembrado, né? Ele tem uma noiva, que é a única mulher que ele deveria sair beijando por aí. Você tem ideia do quão… imprudente isso foi, ?
- Claro que sei, . E não vai se repetir - a outra respondeu, rolando os olhos. - Não é como se eu fosse virar amante do de uma hora para a outra. Seria muita ironia, né?
- Exatamente. Nem sei o que dizer. Ou melhor, eu quero é ver o que a vai dizer quando souber dessa história, ela vai te dar uma bronca de duas horas - disse, rindo levemente, enquanto se limitou a bufar. - Quando o foi lá em casa de manhã naquela afobação toda para falar com você, eu já sabia que ia dar merda, por isso mandei ele levar o Travis para a escola. Mas as pessoas querem escutar a ? Claro que não, elas preferem fazer o que bem entendem. Não sei para que vêm pedir minha opinião então.
riu da indignação da amiga antes de falar:
- Me assustei quando ele apareceu na minha frente me pedindo desculpas. E nem precisava dessa preocupação toda, nem me lembro direito do que aconteceu na boate. Eu estava bêbada e assustada com toda a situação de ter beijado o do nada, e, logo em seguida, dar de cara com o . Fiquei puta ali na hora, mas depois de dormir passou - disse, rindo, e acrescentou: - E o pior é que o também ficou bastante preocupado. Depois de me assediar no elevador e, finalmente, confirmar que vai participar da turnê do 1D, ele também quis se esclarecer, mas eu não dei muita abertura porque estava num ambiente de trabalho e nada a ver, né?
- E você ficou louca para dar uns pegas no no elevador, né? - a outra brincou em um tom malicioso.
- Ai, , posso ser sincera? - a empresária questionou e soltou um longo suspiro.
- Pode e deve.
- Se não tivesse câmera no elevador, eu provavelmente teria agarrado ele - ela confessou, mordendo de leve o lábio inferior e recordando a cena. - Quer dizer, claro que também teve a questão de ter beijado o hoje de manhã, de ele estar com a Savannah e de ter acabado de terminar meu namoro, mas eu quis tanto beijar ele…
- E eu não sei?! - falou em meio a uma gargalhada, observando a amiga choramingar pela oportunidade perdida.
- Só que eu também quis beijar o e foi tão bom... - acrescentou mais uma confissão e arregalou os olhos. - Meu Deus, por que eles têm que ficar me provocando desse jeito?!
- O que será que deu nesses homens, hein? - a cantora questionou, franzindo o cenho.
- Eles querem me enlouquecer! - a empresária dramatizou e não pôde deixar de completar: - E estão conseguindo.
- , olha o problemão que você está arranjando - disse em tom de alerta.
- Fica tranquila, amiga. Não estou arrumando problema nenhum, esse problema é antigo - ela retrucou, rindo, e recebeu um rolar de olhos como resposta.
- Isso mesmo, fica aí brincando - a outra continuou o puxão de orelha. - Lembre-se que vocês três vão trabalhar juntos agora. Depois não quero ninguém choramingando no meu ouvido.
- Claro que não vou deixar isso atrapalhar meu trabalho, . Assim você me ofende - respondeu com um tom de voz mais sério. - Não vou negar que fiquei um pouco mexida, mas minha prioridade no momento é exclusivamente meu trabalho. Se não fosse, eu estaria de casamento marcado com o Luke e não teria com o que me preocupar. e não são nem opções a se considerar - finalizou com uma convicção que nem ela própria acreditava.
- Se você diz...
- Agora acabou o assunto. Seus três homens acabaram de chegar - a empresária disse ao avistar entrar na lanchonete com Austin no colo e segurando Travis pela mão, e tomou os últimos goles de sua Coca-Cola que, naquela altura, já estava em temperatura ambiente.
- Olá, moças - o cantor disse ao chegar até a mesa em que as duas estavam sentadas e se inclinou para cumprimentar a esposa com um selinho. - E aí, ? Estou sabendo que você andou matando as saudades de certas bocas.
gargalhou ao ver bufar e, em seguida, ela se levantou para cumprimentá-lo com um beijo no rosto.
- O tinha que abrir o bocão dele, né? Vocês parecem velhas fofoqueiras - ela disse, fazendo uma careta, e fez com que o amigo soltasse Austin para que ela pudesse pegar o garotinho no colo. - Não acredito que você pintou os meninos, .
- Claro que pintei. É a primeira Copa do Mundo deles - se justificou, sentando-se ao lado de .
Travis e Austin vestiam cada um uma camisa da Seleção Inglesa e ambos estavam com as bochechas pintadas de branco e vermelho. Eles estavam prontos para assistir ao primeiro jogo da Copa do Mundo de 2026, que começaria em pouco mais de uma hora.
- Preparado para obedecer às minhas ordens? - perguntou em um tom de divertimento, ao mesmo tempo que se esquivava das mãozinhas de Austin que puxavam seu cabelo.
- Eu ainda não acredito que essa turnê vai realmente acontecer - rebateu, parecendo bastante surpreso.
Desde que o ligou para contar que tinha aceitado participar, ele mal estava acreditando naquilo. Quando também ligou dando a mesma notícia, tudo se tornou ainda mais inacreditável.
- Pois pode começar a acreditar, amanhã teremos a nossa primeira reunião.
- É, o me falou. Ele também falou sobre uma massagem… - brincou, prendendo o riso.
- Outra velha fofoqueira - murmurou, balançando a cabeça de um lado para o outro em sinal de exaustão.
- Se quiser saber sobre a minha versão dos fatos, é só perguntar para a . Vou embora, ainda tenho alguns detalhes das audições para resolver.
- Não quer assistir ao jogo com a gente? - questionou, apontando para a enorme televisão da lanchonete que já passava o pré-jogo.
- Nah, você sabe que futebol não é muito a minha praia. Até amanhã, - a empresária disse, levantando-se para, em seguida, passar Austin de volta para o colo do pai. - Tchau, . Tchau, Travis.
- Tchau, tia - o menino respondeu, entretido demais com as batatas fritas que a mãe dividia com ele.
olhou para a amiga e não se conteve ao dar um último conselho:
- Tchau, . Juízo.
apenas sorriu em resposta. Ela tentava passar tranquilidade, demonstrando que a situação estava sob controle, mas ela própria estava preocupada e curiosa sobre como aquele rolo com e em que estava se enfiando novamente iria acabar.

A água quente do chuveiro escorria pelo corpo de , que mantinha seus olhos fechados ao desfrutar daquele momento de relaxamento, enquanto permitia que seus pensamentos fossem para a direção que preferissem. Inevitavelmente, eles sempre acabavam indo parar em . Desde o dia anterior, quando, por um impulso, ele a beijou, ele só conseguia pensar no toque dos lábios dela e em todas as lembranças que aquele beijo despertou.
- ? - a voz de quebrou o silêncio que, confortavelmente, envolvia os dois. A garota não fez questão de levantar a cabeça, que repousava no peito dele, e apenas murmurou qualquer coisa para deixar claro que estava o escutando. - E se a gente namorasse?
Diante daquela pergunta, se viu obrigada a ficar ereta e fitá-lo nos olhos. Eles se encararam por alguns segundos, apenas escutando os gritos e gargalhadas dos outros integrantes do One Direction ao longe.
Eles estavam sentados em um canto qualquer da arena na qual o grupo se apresentaria mais tarde naquele mesmo dia, enquanto esperavam pelo início da passagem de som. A aspirante à jornalista estava acompanhando alguns shows para fazer uma reportagem exclusiva para a revista Teen Dreaming sobre a primeira turnê do One Direction, o que acabou por juntar o útil ao agradável, já que e estavam saindo constantemente há algumas semanas.
Aquela demora da garota em respondê-lo começou a preocupar , que já começava a se arrepender de não ter mantido sua boca fechada.
- Está me pedindo em namoro, ? - ela questionou em um tom divertido.
era assim. Quando se sentia insegura ou nervosa, levava a conversa para o lado da brincadeira para se sentir um pouco mais à vontade para falar o que queria.
- É só uma ideia - ele se apressou em dizer, tentando soar desinteressado. - Você namoraria comigo?
- Pra mim, já somos namorados desde que a gente ficou pela primeira vez - ela disse calmamente, com um sorriso no rosto.
- Pensei que só eu estivesse pensando assim - confessou, aliviado por saber que ambos estavam encarando aquele relacionamento da mesma forma.
buscou pelos lábios de , dando início a um beijo calmo e cheio de carinho. Era sempre assim entre eles, uma calmaria e doçura que os fazia querer estarem juntos cada vez mais.
- Nunca imaginei que aquela entrevista fosse me render um namorado - ela brincou, rindo.
- Espero que isso seja bom - falou, rindo baixo.
- É ótimo - logo retrucou, sorrindo. - As melhores coisas acontecem quando a gente menos espera.
retribuiu o sorriso, mas, antes que pudesse dizer algo, uma bola de futebol o atingiu no ombro.
- Opa, foi mal aí! - exclamou e só então o casal notou que os outros quatro garotos haviam se aproximado de onde eles estavam. , e gargalhavam com vontade, enquanto prendia o riso. - Desculpa interromper, mas você tem que trabalhar, . Chega de namorico.
- Babaca - disse, rindo, e, após se levantar, pegou a bola de futebol e a jogou com força em , que se defendeu com os braços.
- E você também, dona . Está na hora de trabalhar - disse, chutando a bola na direção do palco, e arregalou os olhos quando a mesma acertou um aparelho. - Ops.
- A gente só vai poder passar o som se você não quebrar tudo, né? - disse e deu um último selinho nos lábios de antes de seguir os amigos em direção ao palco.

fechou o registro do chuveiro e pegou uma toalha para se enxugar superficialmente antes de sair do box. Ele ainda refletia sobre aquela lembrança que estava tão viva em sua mente, como se tivesse acontecido recentemente. Aquele fora o dia em que tornou-se sua namorada oficialmente. Depois do show, ele aproveitou o momento em que estavam a sós na van que os levaria para o hotel, esperando pelos outros garotos, e a pediu em namoro, mesmo que a própria tivesse dito que já considerava o relacionamento deles como um namoro. Também era engraçado notar como adorava interromper os momentos entre ele e . sabia como o amigo era implicante e, inclusive, achava aquele lado de bastante divertido, mas, depois de tudo, ele finalmente conseguia perceber que os sinais de que ele não era o único apaixonado por sempre estiveram ali.
Após enrolar a toalha na cintura, passou pela porta do banheiro e se deparou com Nadine sentada em sua cama. Sem demonstrar qualquer sentimento, o homem adentrou o closet e separou uma roupa para vestir.
- Me desculpa, amor - Nadine disse, parada na porta do closet, e, notando que o noivo continuou a se vestir sem dizer nada, continuou: - Eu não fiz por mal, sabe? Sei como você era apaixonado por ela e tenho medo de te perder.
- Não é para mim que você tem que pedir desculpas - ele respondeu, seco.
- Você vai continuar defendendo ela mesmo? - a mulher disse, indignada, e cruzou os braços. - Já percebeu que você sempre faz questão de defender a , como se ela fosse uma santa? Ela te traiu, . Não se importou em jogar o namoro de vocês no lixo. Será que ela realmente merece toda essa compaixão?
- E você sempre dá um jeito de jogar isso na minha cara - disse, balançando a cabeça em sinal negativo. - Não justifique os seus erros com o erro de alguém que você sequer conhece.
- Tentar conversar com você é perda de tempo - Nadine falou, bufando.
- É, talvez seja perda de tempo mesmo… - o cantor falou em meio a um suspiro. - Nadine, agora não é uma boa hora. Eu preciso ir para a reunião com os caras, a gente vai conversar sobre a volta do 1D.
- O problema é que nunca é uma boa hora, né? - a outra disse abrindo os braços e soltando uma risada irônica. - Eu já entendi que a sua prioridade vai ser sempre a .
- Por favor, chega desse discurso sem sentido. Ela é minha empresária.
- Eu volto mais tarde - Nadine disse, se dando por vencida. - Quem sabe você não esfria a cabeça?
- Olha, Nadine, acho melhor a gente não se ver hoje.
Os dois ficaram em silêncio por um instante. Ele sequer sabia por que havia dito aquilo. Não tinha motivo algum para evitar a presença de sua noiva, mas também não tinha vontade de vê-la.
- Eu sei que estou te perdendo, - ela disse com a voz embargada e os olhos marejados. - Mas eu não vou ficar de braços cruzados vendo isso acontecer.
observou ela deixar o quarto sem dizer nenhuma palavra. Ele não sabia o que falar e, mais do que isso, não queria falar nada. Foi naquele momento que ele tomou uma decisão.

Já era final da tarde, então a Louis Walsh Management estava pouco movimentada. chegou ao andar no qual trabalhava e caminhou pelos corredores como se estivesse em casa, pois já estava habituado com o ambiente. Quando chegou ao corredor de destino, ele pôde ver a empresária sair pela porta que ele sabia ser da sala de reuniões apressadamente e vir na direção dele.
- Oi, . Pode ir para a sala de reuniões, e já estão lá. Vou até o refeitório fazer um lanchinho enquanto e não chegam.
- Beleza.
E, apressada assim como apareceu, também desapareceu, deixando apenas seu perfume para trás. encarou o final do corredor, por onde a empresária sumiu, pensando sobre como ela estava bonita e radiante naquele dia. Ele não entendia muito de moda feminina, mas notou que, diferente do costume que tinha de ir trabalhar de calça, ela estava vestindo uma saia. E estava ainda mais atraente. Ou talvez fosse apenas os sentimentos por ela que ele tanto tentava esconder que tivessem sido desenterrados.
Ignorando a vontade que tinha de seguir pelo mesmo caminho que , caminhou até a sala de reuniões.
- E aí, caras? - ele disse ao entrar, encontrando e sentados lado a lado na enorme mesa que ocupava o centro da sala.
- Opa, . Senta aí - falou, apontando para uma cadeira.
O recém-chegado sorriu e ocupou uma cadeira de frente para o melhor amigo.
- Animado para voltar para o 1D? - questionou em um tom divertido.
- Ainda não parei para pensar sobre isso, sabe? - respondeu, dando de ombros. - Mas acho que será legal.
- A disse que tem uma proposta para a gente - falou e fez uma careta descontente ao dizer: - Só que não quis me contar.
- Eu sei o que é, mas não vou falar - rebateu com um sorriso esperto nos lábios. - A gente teve essa ideia juntos, na verdade.
- Se não vai contar, não me interessa - falou, rolando os olhos, e encarou em seguida. - Como foi a conversa com a Nadine ontem?
controlou uma risada ao se lembrar de chamando ele e seus amigos de velhas fofoqueiras, mas ele não podia ignorar a curiosidade.
- A gente discutiu. Ela deu um monte de desculpas que não fizeram sentido nenhum, eu perdi a paciência e deixei ela falando sozinha - contou sem demonstrar qualquer emoção. - Hoje ela foi lá em casa pedir desculpas e acabamos tendo outra pequena discussão.
- E acabaram não resolvendo nada, então? - questionou, enquanto preferiu escutar a conversa calado.
- Resolvi que vou terminar com ela.
levantou as sobrancelhas em sinal de surpresa. Ele sabia que andava descontente com o noivado, mas não esperava que ele fosse ter coragem de dar um fim àquele relacionamento, pois estava acostumado a vê-lo acomodado com a situação.
- Isso não tem a ver com a , tem? - ele questionou, preocupado.
- Claro que não - respondeu, sendo sincero. - Eu não sinto mais nada pela Nadine, a gente só briga. Eu preciso terminar esse noivado. Não aguento mais.
- Sendo assim, você tem o meu apoio. Essa mulher só te faz mal. Não sei o que ela sente por você, mas isso não é amor.
Pela primeira vez em anos, disse o que estava entalado em sua garganta. Ele sempre preferia não emitir a sua verdadeira opinião sobre Nadine, pois, pensando que o amigo deveria amar verdadeiramente a noiva, ele o apoiava a continuar com aquele relacionamento, mesmo que a própria Nadine não fosse com a cara dele. Sentia-se aliviado por perceber que havia, finalmente, criado coragem acabar com aquele sofrimento. Sabia que provavelmente tinha influenciado de alguma forma, mas, mesmo que achasse que era errado terminar o noivado por causa de um sentimento que tinha a possibilidade de nem ser correspondido à altura que merecia, ele ficou feliz pelo amigo.
- Eu sei que não é amor - foi a resposta de .
Não que nunca tivesse gostado de estar com ela ou pensado que eles não pudessem dar certo juntos, senão ele jamais teria a pedido em casamento, mas ele sabia que Nadine nunca havia o amado e que ele próprio nunca havia tido tal sentimento por ela. Amor era o que ele sentiu e ainda sentia por , uma ligação que ele era incapaz de explicar. Um amor capaz de perdoar, de se arrepender e, principalmente, de deixar saudades.
A porta foi aberta subitamente e e adentraram a sala conversando alto sobre o jogo de estreia da Copa do Mundo que havia acontecido no dia anterior, no qual a Seleção Inglesa ganhou da Seleção Argentina com um placar de 3x1.
- Fala aí, seus cretinos! - exclamou, se aproximando de cada um dos três para um aperto de mão.
, entretanto, se limitou a cumprimentá-los de longe e se sentou ao lado de .
- Cadê a ? - ele perguntou e não pôde evitar levantar os olhos para encará-lo, pois a intimidade com que pronunciou o apelido da empresária o incomodou.
- Ela foi lanchar, daqui a pouco aparece aí.
Assim que terminou de falar, a porta se abriu mais uma vez e a empresária surgiu na visão deles.
- Boa tarde, One Direction! - ela saudou em um tom nitidamente contente.
Os olhos de percorreram todo o corpo da mulher conforme ela se aproximava deles. Diferente do dia anterior, ela parecia cheia de energia. Ele sabia que tinha seu mérito naquilo, pois era a volta do One Direction que a havia deixado daquele jeito. Ele não pôde evitar os pensamentos nada puritanos que surgiram em sua mente, que envolviam suas mãos debaixo daquela saia justa que ela vestia.
- Até que enfim, né? - falou, fingindo uma insatisfação. - Estou aqui te esperando há séculos.
- E esperaria por mais dois séculos se fosse preciso, - rebateu, se aproximando de para estalar um beijo em sua bochecha antes de se sentar na cadeira da ponta da mesa. - Sobre o que vocês querem falar primeiro?
- Sobre a ideia que você e tiveram - prontamente falou. - Esse filho da mãe não quis falar de jeito nenhum.
- Então podemos começar falando que vocês têm que fazer que nem o e serem obedientes - ela disse, piscando um olho e mostrando um sorriso esperto. Ao notar um braço levantado, ela disse: - Fala, .
- Vai ser bem sexy ter uma mulher mandando na gente - o homem disse, arrancando gargalhadas de todos os presentes, inclusive da empresária.
- Se não for falar nada útil, fica quietinho, sim? - disse assim que conseguiu parar de rir e abaixou a cabeça, fingindo arrependimento. - Bom, vamos começar com a ideia que eu e tivemos. Tem a ver com a nova boyband. Nós marcamos as audições para o início do mês que vem e eu queria que vocês todos participassem, porque, além de que vai ser muito importante ter mais opiniões para escolher os garotos que vão fazer parte do grupo, acho que seria muito interessante vocês já irem se entrosando para quando começarem a trabalhar de fato nessa turnê.
Os cinco se entreolharam e, em seguida, todos assentiram.
- Na verdade, eu queria que vocês apadrinhassem essa boyband, sabe? - a empresária continuou. - O já vai trabalhar com eles, de qualquer forma, vai ser o produtor, mas seria incrível se vocês cinco participassem desse início do grupo e passassem as experiências de vocês.
- Por mim tudo bem - foi o primeiro a se pronunciar. - A gente pode compor músicas para eles, inclusive. Eu também acho que é importante a gente se familiarizar uns com os outros novamente, profissionalmente falando. Faz muitos anos que não trabalhamos juntos e com certeza esse 1D não será o mesmo de antigamente.
- Eu também - falou. - Só tem um problema, vou estar em turnê de final de julho até início de setembro, então não vai dar para estar tão presente.
- Não tem problema - disse, sorrindo. - Sei que todos vocês têm compromissos a cumprir e não vou atrapalhar isso. É até bem importante que vocês vejam que o One Direction pode ser algo que não vai tomar 100% do tempo e que vocês podem continuar com os projetos paralelos que já têm.
- Eu já estou adorando trabalhar com você - disse um sorridente, fazendo a empresária rir.
- ? ? Vocês estão muito calados, podem dar pitacos também - ela falou, simpática. - Eu não mordo, o sabe.
- Sei, é? Eu acho que é o contrário - disse com malícia, sem conseguir evitar fazer aquela brincadeira, e arregalou os olhos ao perceber o duplo sentido do que tinha falado.
- Palhaço! Estou falando sobre ser sua empresária - ela disse em meio aos risos que preencheram a sala.
- Por mim está tudo certo - ele disse, por fim, sorrindo.
- ? - a empresária questionou, o encarando.
- O que você mandar, eu faço - ele respondeu, tentando soar despretensioso, mas o “uuuh” de acabou com sua seriedade.
O olhar de se cruzou com o de , que tinha um sorriso irônico nos lábios.
- Será que os senhores podem respeitar a empresária de vocês? Grata - falou, rindo.
A reunião - ou melhor, o bate-papo - seguiu por mais quase duas horas. Era difícil para se manter séria por muito tempo, mesmo que tentasse manter o profissionalismo que a situação exigia. Ela sentia-se em uma daquelas festas de confraternização que seus ex-colegas de turma da escola e da faculdade volta e meia organizavam para que todos pudessem se rever e se divertir como nos velhos tempos. E era quase isso, pois ela estava entre amigos de longa data. A diferença era que aquilo tudo estava apenas começando e duraria por meses. No que dependesse dela, seria uma festa de confraternização memorável e, mais do que uma turnê comemorativa, renderia novos álbuns e muitas turnês.
- , - ela os chamou quando deu a reunião por encerrada e todos se levantavam. - Vocês poderiam ficar mais uns minutinhos? Quero falar com vocês dois.
, e se entreolharam. Não sabiam a respeito do que se tratava, mas tinham uma certa ideia. Enquanto e voltaram a se sentar, os três se despediram e se retiraram da sala de reuniões.
- Queria fazer um pedido para vocês - a empresária disse, encarando os dois homens.
- Fique à vontade - falou, fitando a mulher com curiosidade.
- Sei que é complicado, digo por mim mesma, mas eu gostaria muito que nós três deixássemos o passado para trás. Eu notei como vocês evitaram falar um com o outro durante a reunião e isso não é legal. Se esse climão continuar toda vez que vocês estiverem no mesmo ambiente, essa volta do 1D não vai dar certo.
Apesar de ambos permanecerem encarando , nenhum esboçou qualquer reação, o que a obrigou a acrescentar:
- Não quero que vocês sejam melhores amigos de infância nem nada assim, só quero se tratem bem - ela disse e fez uma pausa para soltar um longo suspiro. - Já passou tanto tempo, não vale a pena.
encarou aquele que, em um dia tão distante que nem parecia ter realmente existido, fora seu melhor amigo. era quem ele procurava para desabafar, pedir conselhos e com quem ele mais se divertia. Eles eram tão parecidos que, por uma ironia do destino, se apaixonaram pela mesma mulher. não tinha certeza se um dia conseguiria ser uma pessoa evoluída o bastante para perdoá-lo pela traição, mas, se havia perdoado … Por que não?
- Concordo plenamente e estou disposto a tentar - ele disse, por fim.
o fitou ao dizer:
- Eu também.
sorriu, satisfeita. Ela sentia-se esperançosa e motivada a trabalhar. Sabia que, para contrabalancear com o tanto que sofreria para lidar com aqueles sentimentos conflitantes em relação a e que habitavam seu peito, teria muitos motivos para sorrir. Afinal, One Direction estava oficialmente de volta.


*Cena inspirada na ideia da Ana Carolina, uma das ganhadoras da quiz sobre Back For Good.


Capítulo Quinze

Forget about tomorrow right now, right now
We could have forever tonight
Right now, right now
Freakin’ it however you like

Sexify My Love - New Kids On The Block

Julho de 2026

One Direction is back for good!

Após a final do The Voice UK, que ocorreu no último domingo, confirmou: One Direction irá voltar a seguir por uma única direção! Trocadilhos à parte… Se você pensa que a surpresa para por aí, está enganado! Segundo , o grupo irá voltar com a formação original. , que deixou o grupo dois anos antes do fim, também irá se juntar aos ex-companheiros.
nos contou que os cinco estão planejando uma turnê para o verão de 2027, além de que todos irão trabalhar na produção do primeiro álbum da nova boyband irlandesa que está em processo de fabricação. Sendo um dos idealizadores do projeto, nos garantiu que o grupo será um sucesso.
Será que a moda das boybands irá voltar mais uma vez?
Por ora, o que sabemos é que, por aqui, estamos todos animados com o retorno do 1D depois de 9 longos anos e mal podemos esperar por mais novidades!

Dez folhas de papel estavam espalhadas sobre a mesa da sala de reuniões da sede dublinense da Louis Walsh Management. Estava estampado, em cada uma delas, o rosto de um dos dez finalistas do processo para a escolha dos integrantes da boyband que nem existia ainda e já estava tirando o sono de . Junto aos integrantes do One Direction, a empresária debatia sobre as informações básicas contidas na folha de cada um dos jovens irlandeses, bem como sobre as audições que haviam acabado de acontecer. Os garotos se apresentaram sozinhos e em grupos de cinco, que eram organizados pelos jurados conforme as apresentações aconteciam. Mesmo que os resultados não tenham sido excelentes, já que não houve sequer um ensaio antes, pôde-se ter uma ideia de quem estava mais apto a trabalhar em grupo. A indecisão, entretanto, era geral. Partia o coração de ter que dispensar cinco rapazes tão jovens, talentosos e cheios de sonhos, mas aquilo precisava ser feito.
- Para mim, Ryan, Dean e Cian com certeza têm que estar nesse grupo - opinou, separando as folhas dos três. - Não estou nem levando tanto em consideração o talento, porque todos os dez cantam muito bem, mas eles souberam se impor nas apresentações em grupo, foram bem em todas, além de serem muito carismáticos.
- É isso aí - concordou e apontou para outra folha. - Também gostei do Brendan, a voz dele é bem aguda e diferente. Cheguei a imaginar ele cantando uma música que ficou de fora do meu último álbum.
- Estou em dúvida entre o Dean e o Aaron, os timbres deles são bem parecidos - disse. Seu cenho franzido demonstrava incerteza.
- Nah, o Dean é melhor - se pronunciou. - E fecha o grupo com o Dayl.
- Não preferem o Josh? - questionou, tamborilando os dedos no vidro da mesa enquanto analisava suas anotações. - Minha intuição está me dizendo para escolher ele.
- Também voto no Josh - disse , que acabou recebendo um sorriso de agradecimento da empresária.
bufou, irritado com a troca de olhares. Era patético como , desde que os seis chegaram à Dublin pela manhã, parecia fazer de tudo para agradar , inclusive apoiar todas as opiniões dela.
- Prefiro o Dayl, aqueles passinhos de dança dele são excelentes - falou, rindo levemente.
Josh e Dayl acabaram entrando em discussão e cada um expressou sua opinião, inclusive no caso de achar que nenhum dos dois deveria fazer parte do grupo. Depois de incontáveis minutos, eles não haviam chegado a um consenso. , então, interrompeu o falatório e disse:
- Já sei qual é a formação perfeita para essa boyband.
Ele juntou as cinco folhas dos que, para ele, seriam os integrantes perfeitos para o grupo, e deixou as folhas descartadas de lado. Todos encararam os rostos sorridentes dos escolhidos por durante algum tempo e, por fim, todos concordaram que aquela seria a melhor formação.
Com o coração na mão, foi a primeira a sair da sala de reuniões e, sendo seguida pelos cinco amigos, rumou em direção ao auditório, que ficava no primeiro andar do prédio. Lá, os finalistas esperavam pela resposta que decidiria o rumo que suas vidas tomaria.
Os dez pares de olhos fitaram atentamente a mulher e os cinco homens quando eles adentraram o auditório.
- Já decidimos quem fará parte da boyband - anunciou assim que subiu no tablado e encarou os rostos ansiosos dos irlandeses. - Primeiro eu gostaria de agradecer novamente a presença de vocês. Todos, sem exceção, são ótimos cantores, e foi uma decisão muito difícil. Então, aos que ficarem de fora, não desistam dos seus sonhos, por favor. Encarem essa audição como uma experiência a mais e continuem batalhando.
A empresária tentou sorrir de forma acolhedora, mas não soube se atingiu seu objetivo, pois estava tão nervosa quanto os dez garotos e quase teve certeza de que o sorriso pareceu mais uma careta.
- Os cinco que irão trabalhar conosco são Ryan, Dean, Cian, Brendan e Dayl - disse de uma só vez, sem parar sequer para respirar. Ela só queria que aquela tortura acabasse o quanto antes.
Os cinco escolhidos vibraram, animados, cada um com uma intensidade. Em contraste à alegria deles por terem sido selecionados, os outros cinco tinham a decepção estampada em seus rostos. Os rejeitados foram os primeiros a serem cumprimentados pelos integrantes do One Direction, que conheciam muito bem a dor que causava receber um “não”.
Um deles, entretanto, parecia mais abatido do que os outros quatro e chorava copiosamente. Josh não entendia o que tinha feito de errado para não ter sido escolhido. Ele havia se preparado tanto para aquela audição, treinava todos os dias com seu professor de canto. Ele queria tanto estar naquele grupo, daria qualquer coisa para isso. Aquilo era tão injusto!
A imagem do garoto aos prantos fez o coração de doer. Desde que pusera os olhos nele, havia percebido que o garoto era especial. Seu sexto sentido lhe dizia que Josh nascera para brilhar, aceitar que ele ficasse de fora do grupo havia sido difícil. Ela, então, se aproximou do irlandês.
- Ei, Josh, olha para mim - pediu, segurando o mais novo pelos ombros. - Não precisa ficar assim, você é tão jovem, terá centenas de oportunidades ainda.
- Cara, ela tem razão - falou ao surgir ao lado de . - Nós precisávamos escolher apenas cinco de vocês, infelizmente, mas se sinta vitorioso por estar aqui.
- Eu devia ter me esforçado mais - Josh lamentou com a voz embargada.
- Sua audição foi ótima, não seja tão duro com você mesmo - a empresária disse e soltou um longo suspiro.
- , pega um copo d’água, por favor. Vou conversar com ele.
- Tudo bem, - concordou e deixou o auditório para ir até um bebedouro.
Ela estava satisfeita com os cinco escolhidos e animada para começar a trabalhar com eles para, finalmente, poder apresentar a nova boyband ao mundo. Mas, por outro lado, a empresária também estava com o coração partido pelos cinco garotos que ficaram de fora. Ela não pensava que seria tão difícil estar naquela posição.

Já era noite quando todos foram embora e ficou encarregada de fechar a Louis Walsh Management. Aproveitando que voltaria para Londres apenas no dia seguinte, ela resolveu usufruir mais um pouco da sala tão bem decorada que Walsh cedeu para ela trabalhar durante aqueles dias que estivesse em Dublin. Ela digitava um e-mail para o advogado, solicitando que ele começasse a trabalhar no contrato de seus mais novos clientes, quando escutou a porta se abrir. adentrou a sala sob o olhar surpreso da empresária.
- Ué, voltou?
- Esqueci meu celular - ele se explicou, enquanto caminhava até um dos dois sofás que estavam dispostos no canto direito da sala para reuniões mais informais. - Achei.
observou sorrir, mostrando o celular, e, em seguida, deu de ombros e voltou a encarar a tela do notebook.
- Agora vou embora de verdade - ele disse, rindo fraco, e a mulher levantou os olhos em sua direção mais uma vez.
- Tchau - ela disse, simplesmente, e voltou a digitar o e-mail.
bufou, decepcionado. Havia esquecido o celular propositalmente para voltar e, quem sabe, ter um pouco da atenção de agora que eles estariam a sós. Entretanto, a empresária ainda parecia tão focada no trabalho quanto mais cedo e, pelo visto, não seria ali na Irlanda que ele conseguiria passar um tempo com ela.
Apenas quando o integrante do One Direction deixou a sala foi que conseguiu respirar novamente e, mais aliviada, apagou todas as letras sem sentido que digitou somente para parecer mais concentrada do que de fato estava. Havia jurado para si mesma que não deixaria seus problemas pessoais atrapalharem o trabalho e, se para isso teria que tratar e com indiferença, seria exatamente o que ela faria.
Ou tentaria, pelo menos.
deixou o notebook de lado, convencida de que não teria cabeça para mais nada que envolvesse o trabalho naquele dia, e se debruçou na janela a tempo de ver sair do prédio e caminhar até o carro que havia alugado para se transportar em Dublin. Tendo passado o dia no auditório, ela surpreendeu-se ao perceber que o céu estava repleto de nuvens negras. Notou que o homem estava tendo problemas para destravar o carro e não conseguiu segurar a gargalhada quando ele, parecendo bastante irritado, deu alguns chutes no automóvel. A empresária rapidamente alcançou o celular, que estava em cima da mesa, e ligou para o amigo.
- Que porra é essa, ? - ela perguntou, prendendo o riso, quando ele atendeu a ligação.
pareceu confuso por um instante, mas logo virou-se e encontrou na janela do terceiro andar. Sentiu-se um pouco envergonhado por saber que sua cena de revolta havia tido plateia.
- Essa merda não quer funcionar.
- Espera aí, eu te dou uma carona até o hotel. Já estou descendo.
Após encerrar a chamada sem esperar por resposta, fechou o notebook, o colocou dentro da bolsa, assim como outros pertences que havia deixado sobre a mesa, e saiu da sala. Ela se certificou de trancar bem todas as portas que deviam ser trancadas e logo estava saindo do prédio. A chuva havia começado e, no curto caminho até o carro que ela própria havia alugado, já estava encharcada. Raios iluminavam o céu, fazendo a mulher se estremecer a cada trovoada. Ela nunca havia sido a maior fã de tempestades.
- Acho melhor a gente esperar essa chuva passar - ela gritou para que a escutasse e deu meia volta.
Os dois correram pelo estacionamento e adentraram o prédio da Louis Walsh Management novamente. Seus cabelos e roupas pingavam.
- Que ótimo, hein? Ficar ilhada aqui era tudo que eu precisava - disse com ironia, fazendo rir alto.
- Não se estressa, - ele retrucou e passou um braço pelos ombros dela. - Ficarmos presos aqui é dos males, o menor. Pelo menos estamos abrigados.
- Pelo menos isso - a empresária falou e soltou um longo suspiro. - Será que tem toalhas em algum lugar por aqui?
- Só nos resta procurar - rebateu, dando de ombros, e entrelaçou seus dedos aos da mulher.
Pega de surpresa, se deixou ser puxada pelo primeiro andar vazio e silencioso da empresa. Os trovões ainda eram escutados ao longe, mas o toque da mão de a tranquilizava. Na verdade, ela não conseguia prestar atenção em nada além da firmeza e naturalidade com que a mão dele segurava a dela. E foi em meio a essa distração que ela se sobressaltou quando um estouro foi escutado ao longe e, em seguida, todas as luzes da Louis Walsh Management se apagaram. deu um gritinho ao mesmo tempo que agarrou o braço de , que acabou por soltar uma gargalhada.
- Achei que você fosse mais durona do que isso - ele brincou, pegando o celular em um dos bolsos dianteiros da calça.
- Falou o macho alfa destemido, né? - a mulher rebateu, rolando os olhos mesmo que o escuro impedisse de ver o tédio em seu rosto. - Desculpa aí, não tive como não me assustar.
- Sem problemas - o homem falou e, em seguida, iluminou o rosto de com a lanterna do celular. - Pode se assustar quantas vezes quiser, se for para me agarrar desse jeito.
Em reflexo, soltou o braço de e sentiu as bochechas corarem. Se esforçou para que um sorriso não surgisse em seus lábios e deu um tapa na mão do cantor para se livrar da luz que estava quase a cegando.
- Vamos procurar essas toalhas de uma vez, estou ficando com frio.
Dito isso, ela saiu caminhando pelo corredor. a seguiu, bastante satisfeito por tê-la deixado desconcertada.

- Que maravilha, todos os voos foram suspensos - falou com a voz repleta de ironia, sentando-se ao lado de . Após bufar, irritado, continuou: - Será que eles conseguiram chegar ao hotel?
- e já estão lá - respondeu, digitando uma mensagem para , avisando-a que seu voo de volta para Londres atrasaria.
- Ué, o não foi embora com eles? - questionou, confuso.
Os cinco integrantes do One Direction haviam deixado a Louis Walsh Management juntos, mas e se dirigiram para o aeroporto, enquanto , e seguiram para um hotel, optando por passar a noite em Dublin.
- Adivinha… - respondeu em um tom ao mesmo tempo divertido e sugestivo.
Ele abriu a conversa com e a mostrou para , que leu as mensagens sem demonstrar um pingo de surpresa. Ele já esperava por aquilo.

: Você acha que ele ia perder essa oportunidade? HAHAHA. Me pediu pra trazer o pro hotel enquanto ele voltava pra sala pra pegar o celular que “esqueceu” lá. Deve ter dado certo, porque até agora nem ele e nem a deram sinal de vida.

- Não sei se sou a favor disso - disse, suspirando, e devolveu o aparelho ao dono. - Não me parece certo.
- Por que não? Os dois são solteiros - o outro rebateu, dando de ombros.
- Essa história ainda vai dar muita dor de cabeça - respondeu , optando por se manter neutro. A verdade era que ele sabia o quanto sairia machucado, caso e acabassem juntos, mas não teria nada que ele pudesse fazer se aquilo realmente acontecesse. - Você não acha melhor a gente tentar ligar para eles? Só para ter certeza de que estão bem.
- Liga você. Não quero ser o empata-foda - retrucou, rindo, e recebeu um olhar cortante do amigo.
pegou o próprio celular e ligou para e depois para , mas nenhuma das duas ligações foi completada. Ficou preocupado, tentando se convencer de que os dois estavam se pegando em cima da mesa de Louis Walsh, pois era uma opção melhor do que estarem perdidos pela cidade com aquela tempestade rolando solta lá fora.

Entretanto, e estavam apenas sentados no tapete que decorava a sala em que a empresária estivera trabalhando naquele dia, ambos envoltos nas toalhas de banho que, por sorte, encontraram em um dos armários da dispensa, em meio a diversos produtos de higiene. Estava tudo escuro, já que, naquela altura, os celulares de ambos estavam sem bateria, bem como o notebook da empresária.
- Independente de a Inglaterra ganhar a Copa amanhã ou não, semana que vem o Beckham vai dar uma festa para comemorar o título ou, pelo menos, a boa campanha do time - disse , quebrando o silêncio e recebendo um olhar totalmente desinteressado por parte de . - Quer ir comigo?
A mulher riu diante de tal pergunta. Ela sabia que a única Copa do Mundo que a Inglaterra ganhara havia sido há tanto tempo que suas avós ainda deviam ser virgens na época, e que, depois de muitos anos de trabalho, finalmente a Seleção Inglesa estava prestes a ser campeã do mundo novamente e, para completar, em seu próprio país. David Beckham, como atual treinador do time e sendo podre de rico, obviamente daria uma festança para comemorar aquele feito histórico. sabia de tudo isso, não era uma completa ignorante quando se tratava de futebol, mas ela se perguntava que raios estava pensando ao chamá-la para uma festa em que ela seria um peixe fora d’água.
- Você está zoando, né? - ela questionou, ainda rindo.
- Por que eu estaria zoando? - perguntou, confuso. - Fui convidado para a festa e quero uma companhia.
- Por que você não chama os meninos? Eles provavelmente vão gostar de estar no meio de um monte de jogadores de futebol mais do que eu, que nem sei o nome de ninguém - explicou, sendo bastante sincera, e sentiu-se decepcionado ao perceber que teria que convencê-la a aceitar o convite.
- E daí? Você iria para me acompanhar, não precisa saber o nome de ninguém além do meu - ele falou, divertido, e o olhou com curiosidade, finalmente se dando conta de que o interesse de não era a festa em si.
Ele estava apenas criando uma oportunidade de os dois estarem juntos.
- Você deveria chamar a Savannah, não? - o questionamento escapou pelos lábios da mulher, surpreendendo . - Quero dizer, ela é sua namorada, né? Ela quem deveria te fazer companhia em eventos assim.
não se importou em disfarçar o tom intimidador com que as palavras foram proferidas. Ela não era boba, sabia que tinha interesse que algo rolasse entre os dois novamente, e ela própria estava quase cedendo à tentação, mas precisava deixar claro que, com Savannah na jogada, não teria a mínima chance de isso acontecer.
- Ela não é minha namorada - ele respondeu tão rápido que precisou colocar as mãos na boca para disfarçar uma risada. - Tudo bem se você não quiser me acompanhar, não chamei com segundas intenções. Só achei que você gostaria de ir a essa festa. A Victoria estará lá, sei como você a idolatra.
Apesar de um pouco surpresa com a atitude de de prontamente se retratar, mostrando quão cauteloso estava sendo, não pôde deixar de se animar ao saber que, indo àquela festa, teria a oportunidade de, finalmente, conhecer uma de suas maiores divas. Só ela sabia quanto havia se esforçado para tentar entrevistar Victoria Beckham quando ainda era jornalista e teve seu pedido negado tantas e tantas vezes. Mesmo tendo contatos no mundo da música, era quase impossível ter acesso à ex-integrante das Spice Girls.
- A Victoria vai estar lá, é? - ela questionou, nitidamente demonstrando que a história agora mudava de figura.
- Claro que vai, ela é esposa do Beckham - respondeu , rindo ao perceber que , mesmo depois de tantos anos, ainda era grande fã da cantora.
- Nesse caso, posso pensar se aceito o seu convite - disse, encostando a cabeça no sofá atrás de si.
- A presença da Victoria é mais importante do que a minha. Valeu aí, - o homem falou, fingindo mágoa.
- Foi mal aí, - ela disse e deu alguns tapinhas na perna dobrada de . - Pensando bem, até que conhecer o maravilhoso do David Beckham não é uma má ideia, uh?
O cantor bufou, fazendo a empresária gargalhar. Em seguida, os dois acabaram caindo em um silêncio confortável, que apenas não era completo porque a chuva ainda caía forte do lado de fora do prédio.
Com os olhos já acostumados ao escuro, conseguia enxergar o rosto de , apesar de com pouca nitidez. Até aquele momento, ele não havia parado para pensar que, por fim, havia conseguido o que tanto queria naquele dia: um tempo a sós com a mulher que o deixava louco. Agora que ela estava ali, tão acessível, ele não sabia o que fazer. Quando se tratava de mulheres, desde adolescente ele sempre soube exatamente o que falar e fazer para deixá-las interessadas, mas, com , toda aquela segurança ia por água abaixo. Sempre fora assim.
- , lembra daquela primeira vez que a gente reuniu a galera na casa do depois que o 1D acabou? - questionou, fazendo encará-lo e murmurar um “sim”. - Caiu uma tempestade assim e, quando faltou luz, a gente decidiu tomar banho de chuva.
- Foi uma ideia bem idiota, peguei uma gripe danada que quase me deixou de cama - disse e riu levemente pelo nariz. - Depois a gente ficou jogando Banco Imobiliário, né?
- Isso… - o outro respondeu, conforme via as lembranças daquele dia passarem diante de seus olhos. - Fazia um tempão que você não passava tanto tempo com a gente, e você nem imagina como doeu me dar conta de quão distante você estava de mim, mesmo que estivesse fisicamente ao meu lado.
não soube o que responder, pois lembrava muito bem de também se sentir assim naquela época. Aliás, até recentemente ela sentia-se assim.
- Até escrevi uma música inspirada naquele dia, se chama Standing In The Rain - confessou e começou a cantar baixo: - So take the chains off your world, ‘cause they ain’t gonna do you well. Take the lock from your heart. Open it, ‘cause it ain’t hard, it ain’t hard…
Um sorriso tomou os lábios de .
- Continua, - pediu, balançando uma das pernas dele de leve.
- Oh woman, just don’t stop praying when the water does fall, ‘cause standing in the rain ain’t gonna leave you dry. So stand up and feel the light. Don’t you wanna see all that you’ve got inside? Oh woman, ‘cause your love is one of a kind. Standing in the rain ain’t gonna leave you dry.
fechou os olhos, ainda sorrindo, encantada demais com a música para conseguir raciocinar plenamente. Ela amava ouvir cantar e sentia muitas saudades daquilo. Saber que a música havia sido inspirada nela tornava o momento ainda mais especial.
- É linda - foi tudo o que conseguiu dizer.
- Se quiser, os garotos da nova boyband podem gravá-la - disse, dando de ombros.
- Seria bem legal - ela concordou.
se limitou a sorrir, enquanto ponderava se deveria ou não falar outra coisa que veio à sua cabeça a respeito do fatídico dia. Ele decidiu se arriscar, já que nada teria a perder.
- Tive tanta vontade de te beijar naquele dia, você fica linda toda molhada de chuva - ele disse, soando o mais natural que conseguiu, e riu fraco. - Mas eu congelei, sabe? Tive medo das consequências, você me parecia mais inalcançável do que nunca. Foi quando me dei conta de que, independente de qualquer coisa, eu jamais deixaria de ser apaixonado por você.*
riu, um tanto sem graça, antes de dizer:
- Deveria ter beijado, eu corresponderia.
- Mas não corresponderia aos meus sentimentos - ele rebateu com o desapontamento expresso na voz. - Era pelo que você era apaixonada.
- Fala sério, . Já fazia dois ou três anos que meu namoro com o tinha acabado - disse, fazendo uma careta. - Se você tivesse me beijado naquele dia, talvez eu tivesse me descoberto apaixonada por você…
Ela deixou a frase morrer, sem coragem de confessar que, naquela época, se deu conta de que nunca o vira apenas como um amigo, mesmo que não tivesse certeza de quão profundos eram os sentimentos que tinha por ele.
- Ok, eu sei que foi culpa minha ter fraquejado tantas vezes - admitiu. - Tive diversas oportunidades de tentar algo com você depois que a poeira abaixou, quando você ainda nem conhecia o Luke, mas não tive coragem suficiente de arriscar levar outro fora. Será que ainda dá tempo de consertar isso?
- Não acho que esse seja o momento - a mulher respondeu, mordendo o lábio inferior, sem um pingo de certeza de que realmente acreditava naquilo.
- Tudo bem…
Após assentir, desviou os olhos para suas próprias mãos, que brincavam com o celular desligado. Entretanto, apenas conseguia pensar que não era aquela resposta que ela queria ouvi-lo proferir. Ela queria que ele insistisse, que demonstrasse que realmente queria ficar com ela.
- Você se conforma muito fácil, . Talvez eu não valha tão a pena assim, né? - brincou, mas estava realmente indignada por sempre vê-lo aceitar os fatos tão facilmente.
levantou os olhos para encará-la, curioso. De tudo o que poderia ter dito naquele momento, ele jamais esperaria que fosse algo daquele gênero.
- Não seja por isso.
Em um rápido movimento, ele puxou-a pela nuca até chocar seus lábios aos dela. O beijo foi um mero toque de lábios, mas o suficiente para ambos sentirem o estômago se revirar de ansiedade. Eles se afastaram alguns centímetros, rindo.
- Mas só esse beijinho de nada? - questionou, provocante, e a resposta não tardou a chegar.
a empurrou até que ela se deitasse sobre o tapete e, se colocando por cima dela, abocanhou seus lábios em um beijo voraz. Conforme correspondia com sede ao beijo, a empresária agarrou os fios de cabelo da nuca do homem, que acabou por deixar escapar um gemido resultante de uma mistura de dor e prazer. A sala de repente ficou quente e o frio que ambos sentiam anteriormente, devido à chuva que os encharcou, dava espaço para um calor que os excitava cada vez mais. Após morder o lábio inferior de sem tomar o cuidado de ser delicado, a ajudou a tirar a blusa de mangas compridas, revelando o sutiã preto rendado que ela vestia, e, em seguida, se despiu de sua própria camiseta.
Por alguns segundos, ele se pegou descendo os olhos pelo tronco da mulher, admirando os seios cobertos apenas pela peça íntima que subiam e desciam conforme recuperava o fôlego. A intensidade de havia a deixado sem ar. O cantor, entretanto, não estava em situação muito melhor. O momento que ele havia ansiado por viver novamente durante tanto tempo estava, finalmente, acontecendo, ele mal podia acreditar. estava ali, totalmente entregue e sem a proteção de nenhum muro invisível. E podia apostar que ela não estava menos ansiosa do que ele.
- Acho que aquele dia lá na boate não foi o suficiente para matar as saudades depois de tantos anos sem te beijar - ele disse e enterrou o rosto no pescoço de para distribuir diversos beijos molhados no local.
- Não fala nada, por favor - murmurou, fechando os olhos e apreciando a boa sensação que o toque dos lábios de causava em sua pele. - O passado não deveria ter tanta importância assim, sabe? A gente não pode mudar o que aconteceu, mas a gente pode aproveitar o presente.
- Gosto dessa ideia - o cantor rebateu com um sorriso divertido, conforme descia os beijos em direção ao peito dela. - Mas não vou negar que tenho medo de que amanhã isso tudo pareça ter sido apenas um sonho.
- Esquece o dia de amanhã, - a mulher disse e não conteve um gemido quando um de seus seios foi mordido sobre o tecido do sutiã.
- Vou é me certificar de que amanhã você não consiga parar de pensar no dia de hoje - ele retrucou, rindo e descendo mais um pouco pelo corpo de para, em seguida, desabotoar a calça que ela vestia.
A empresária se limitou a sorrir, permitindo que a despisse. Era óbvio que aquele dia não seria esquecido tão cedo, quanto àquilo ele não precisava nem se preocupar. Surpreendendo o cantor, ela se levantou e o puxou pelo cós da calça jeans.
- Se você continuar falando assim, minhas expectativas vão dobrar de tamanho - falou com divertimento, passando as unhas pelo abdômen de , que se contraiu com o carinho.
- Não importa, elas podem triplicar que mesmo assim vou conseguir superar - ele brincou, piscando um olho.
- Será? - a mulher o desafiou com um sorriso esperto nos lábios.
riu anasaladamente e assistiu a desabotoar e descer o zíper de sua calça, logo a ajudando a se livrar da vestimenta. Em seguida, ele a puxou para um beijo lento e cheio de desejo; era como se eles tivessem toda a eternidade para desfrutar do gosto um do outro. A mulher estava tão envolvida com o modo como a língua de se embolava à sua própria que mal notou quando ele desabotoou seu sutiã e deixou seus seios expostos e suplicando por contato. Depois de deitá-la no tapete novamente, o homem finalizou o beijo com um selinho demorado e, em seguida, abocanhou um dos seios de , enquanto espremia o outro em sua mão. Em resposta, ela fincou as unhas nas costas dele e gemeu em aprovação quando ele sugou seu mamilo com força.
Após repetir a ação no outro seio, buscou pelos lábios de mais uma vez, logo iniciando um beijo que contrastava intensamente com o anterior. Esse era quase desesperado. Correspondendo ao beijo com a mesma euforia, entrelaçou as pernas na cintura do cantor, fazendo com que seus corpos se grudassem mais ainda e suas intimidades roçassem uma na outra. Por mais leve que o toque tenha sido, eles já estavam tão excitados que acabaram por soltar gemidos que foram abafados pelo beijo. desceu uma das mãos pela barriga de e adentrou sua calcinha, afastando-se apenas o suficiente para observar o rosto dela. A empresária mordeu um sorriso extasiado conforme sentia os dedos de deslizarem por sua excitação com uma destreza já conhecida por ela.
A forma como ela mordia o lábio inferior e soltava suspiros em meio a risadinhas, enquanto rebolava contra seus dedos quase imperceptivelmente, fazia o coração de bater mais forte e sua cueca se tornar cada vez mais apertada. Seu membro latejava de excitação, ansiando cada vez mais por estar dentro dela. Naquele momento, se deu conta de como era diferente quando era com .
Evitando pensar sobre o que aquilo tudo significava para ela, se era especial assim como era para ele ou apenas mais uma transa, puxou a calcinha dela, deixando a mulher, finalmente, completamente nua, e, em seguida, tratou de se livrar também de sua cueca.
- Tem camisinha, ? Não estou tomando remédio - falou quando percebeu que o homem voltava para ficar sobre ela mais uma vez.
sorriu, se inclinando na direção da carteira que havia deixado sobre o sofá. Sim, ele tinha camisinha. Certa vez, ele dormiu com uma mulher que sequer lembrava como se chamava e, algum tempo depois, ela apareceu dizendo que estava grávida. Eles não tinham usado qualquer tipo de proteção, então, só depois de um exame de DNA ele pôde ter certeza de que o filho não era dele. Porém, toda aquela dor de cabeça gerada foi o suficiente para ele nunca mais esquecer de reabastecer o estoque de camisinhas da carteira. era assim. Se ferrava, mas geralmente aprendia com seus erros.
- E se eu não tivesse? A gente teria que parar por aqui? - ele perguntou, fazendo graça, enquanto rasgava o pacote do preservativo.
- Você está muito questionador hoje, - retrucou, rindo, e arrancou o pacote da mão dele.
Ela o distraiu com um beijo, conforme desenrolava a camisinha por toda a extensão de seu pênis, e o empurrou para o lado até que ele estivesse deitado no tapete e ela, então, pudesse sentar-se sobre suas coxas. riu com aquela atitude inesperada. segurou o membro rígido do cantor e o masturbou por um instante, rindo quando ele fechou os olhos e sussurrou “porra, ” bem baixinho, em meio a um gemido. Ela, então, guiou o pênis para a entrada de sua vagina e desceu o quadril lentamente. a segurou pela cintura, tentando comandar o ritmo com que se movimentava, mas a verdade é que ele não queria comandar nada. A visão da mulher sobre si, subindo e descendo em uma velocidade torturante, era deliciosa. Eles não se importaram em controlar os sons que escapavam por suas gargantas como consequência do prazer que sentiam, não era como se alguém pudesse escutá-los, já que estavam sozinhos na empresa e a chuva ainda caía lá fora.
Foi ali, no tapete da sala cedida por Walsh, em meio ao som dos pingos grossos de chuva chocando-se contra os vidros da janelas, que eles deixaram o passado para trás e permitiram que algo novo nascesse. Eles só ainda não sabiam definir o que, exatamente, era esse algo novo. se jogou ao lado de , tentando normalizar a respiração, e sorriu para ele. O cantor a puxou pela nuca e estalou um beijo rápido em seus lábios. Um sorriso enorme estava estampado em seu rosto, há anos ele não sentia-se tão feliz.


*Cena inspirada na ideia da Thay Ramalho, uma das ganhadoras da quiz sobre Back For Good.

Capítulo Dezesseis

Strong, I thought I was strong
These scars will heal before long
I guess I was wrong, oh oh
And I’m too far gone
Try, I know I should try
To just get on with my life
But it’s slipping away tonight
There’s some loves you can’t survive

Dagger - The Wanted

Julho de 2026

- , para de sorrir que nem um bobão. Chega a dar nojo - falou, correndo em cima da esteira ergométrica, e soltou uma gargalhada.
, que corria na esteira vizinha, mostrou o dedo do meio enquanto ria ironicamente.
Os dois amigos, como costumavam fazer quando tinham disponibilidade para tal, estavam na academia. Enquanto se exercitavam, contava mais detalhadamente o que tinha rolado com alguns dias antes e como estava sendo o contato dos dois desde então, sempre se falando por mensagens de texto. O sorriso que tinha constantemente no rosto estava sendo motivo de muita gozação por parte de .
- Não vai me dizer que você já está falando com ela de novo - ele falou, quase indignado, observando o amigo digitar algo em seu celular.
- Só quero saber se ela decidiu se vai ou não à festa do Beckham comigo - retrucou, se defendendo.
E era verdade. Apesar da vontade quase enlouquecedora que sentia de falar com todo o tempo, ele estava sendo cauteloso, pois não queria assustá-la. Além disso, ainda não havia conversado com Savannah, então, teoricamente, eles ainda estavam juntos. Ele sabia que, naquele momento, precisava ter mais calma do que nunca para não estragar tudo.
- Se eu já não tivesse compromisso amanhã, ia pedir para você arranjar convites para mim e Molly - falou e deu um gole na garrafa d’água que tinha em mãos. - Algum dos caras vai?
- Acho que o e a vão, eles estavam tentando arranjar alguém para ficar com o Archie - respondeu distraidamente e, ao sentir o celular vibrar, abriu a mensagem que acabara de receber.

: Se eu disser que não, é capaz de você me sequestrar. Então, ok. Eu vou.

Ele riu, já digitando que ela estava corretíssima e realmente seria sequestrada caso se recusasse a ir à festa. Aproveitou para peguntar se ela já tinha planos para aquela noite de sexta-feira, tentando soar o mais despretensioso possível.
- A vai - comunicou a , que gargalhou, se esticando para dar alguns tapinhas no ombro do amigo.
- Amanhã tem o round 2, então. Vê se dessa vez arranja um quarto com uma cama - zoou, logo recebendo o milésimo dedo médio como resposta apenas naquele dia.
- Eu estou de boa, , não estou pensando nisso - falou e recebeu um olhar incrédulo como resposta. - Ok, ok… Seria ótimo se a noite terminasse assim, é óbvio, mas não me importo se não rolar nada. Por enquanto, só a companhia dela já está ótimo. Há poucas semanas ela sequer olhava na minha cara.
- Estou orgulhoso de você, irmão. Se continuar nesse ritmo, tenho certeza de que vai dar tudo certo entre vocês dois - disse sorridente. - E a Savannah, hein?
- Ainda não pude conversar com ela nessa semana, ela anda ocupada com o trabalho - respondeu, entortando a boca em descontentamento. Não estava satisfeito por ainda não ter tido a oportunidade de contar para Savannah que tinha ficado com . - Mas ela sabe de toda a minha história com a , acho que vai ser razoavelmente tranquilo.
- Então é bom você conversar com ela antes de cair de cabeça em qualquer coisa com a , sabe? Não acho justo com a Savannah - o outro alertou, temendo que o amigo caísse mais uma vez em enrascada.
- Eu sei, não vou fazer qualquer sacanagem com a Savy - disse prontamente. - Não tem muito drama entre a gente, não temos nada sério. Ela mesma quis assim.
Em seguida, desligou a esteira e passou na testa, para secar o suor, a toalha que tinha sobre o ombro. repetiu a ação e o seguiu em direção ao vestiário da academia.
- De qualquer forma, seja delicado quando for terminar com ela. Não se esqueça de que mulheres às vezes têm dessas de dizerem uma coisa e esperarem outra completamente diferente da gente - ele falou, suspirando ao se lembrar das tantas discussões bobas que tinha com a namorada justamente por esse motivo.
- Relaxa, está tudo sob controle - retrucou e sorriu sem mostrar os dentes, encerrando o assunto.
Os dois adentraram o vestiário, onde tomaram banho, trocaram de roupa e, então, cada um seguiu seu rumo, mas não sem antes desejar que tivesse boa sorte no dia seguinte, na festa de David Beckham. Enquanto foi para a casa de Molly buscá-la para que fossem jantar fora, decidiu fazer uma visitinha a . Se dissesse que não tinha nada a ver com o fato de ter respondido sua mensagem dizendo que acabara de chegar à casa de e , estaria mentindo.

A vozinha de Archie preencheu a sala de estar da casa dos em meio a gritinhos e gargalhadas, conforme intensificava as cócegas cada vez mais. Ambos estavam jogados no carpete, assistindo a um desenho animado qualquer enquanto brincavam com os diversos bonequinhos de dinossauros do menino, que estava um tanto obcecado por dinossauros desde que assistira a uma animação recente da Disney sobre o tema.
- Estava morrendo de saudades de você, seu pestinha - disse, apertando o afilhado em um abraço.
- O já vai descer, - disse, descendo as escadas. Havia ido checar quanto tempo o marido ainda demoraria no banho.
- Tudo bem - respondeu, sorrindo, e permitiu que Archie voltasse a brincar com os dinossauros.
Na verdade, ela havia ido até lá para conversar com o colega de trabalho sobre uma ideia que teve para a nova boyband. Era algo grande e ela precisava saber qual era a opinião de antes de tomar uma decisão tão importante.
- Aceitei ir à festa com o - ela soltou, encarando a amiga, que se acomodava no sofá.
riu baixo, balançando a cabeça de um lado para o outro.
- Surpresa eu estaria é se você não aceitasse - ela brincou e mostrou a língua. Estreitando os olhos, ela continuou: - Ainda bem que eu e vamos nessa festa para ficar de olho em vocês dois.
- Vamos juntos como amigos, quanto drama - a empresária murmurou, rolando os olhos. - Se eu te disser uma coisa, promete que não vai me bater? É sobre o ...
- ! - exclamou em um tom de repreensão. - Já te falei para largar o de mão, ele está quase subindo no altar com aquela mocreia.
- Não é nada disso, . É que estou um pouco incomodada quanto a o que ele vai pensar quando souber que fiquei com o - confessou, fazendo uma careta.
- O mesmo que você pensa sobre ele e a Nadine: que não tem nada a ver com isso. É sério, , para de se martirizar com essa história - a atriz aconselhou e soltou um longo suspiro. - Você ainda gosta dele, né?
abriu a boca para responder, mesmo sem saber o que exatamente falaria, mas surgiu em sua visão, descendo as escadas, e ela acabou por sorrir para o amigo. Agradeceu mentalmente por isso, já que não tinha certeza se gostaria de escutar a resposta que receberia.
- E aí, ? A que devo a honra da sua visita? - falou espirituoso e a empresária se levantou para cumprimentá-lo com um abraço, logo voltando a se acomodar no chão ao lado do afilhado.
- Eu tive uma ideia e preciso saber se ela é apropriada - começou, fazendo a olhar, interessado, sentando-se no sofá ao lado da esposa.
- Pode falar, fique à vontade.
- O que você acha de uma boyband ter seis integrantes? - ela questionou, mordendo o lábio inferior com apreensão.
Há dias que aquela ideia martelava em sua cabeça, quase tirando seu sono.
- Você quer dizer a nossa boyband? - rebateu, surpreso, e a outra apenas assentiu com a cabeça. - Uou, , não sei. Talvez seja muita gente. Você quer que o Josh entre, né?
- Alguma coisa está me dizendo que ele tem que fazer parte desse grupo, mas eu também gostei dos outros garotos, acho que todos eles foram ótimas escolhas. Então pensei nessa ideia dos seis integrantes, acho que seria legal - ela explicou, torcendo internamente para que o produtor concordasse.
Pensativo, ficou em silêncio por um momento, enquanto preferiu não se pronunciar. Ela não entendia nada de música, muito menos de boybands, não achava que poderia acrescentar algo construtivo. De repente, a campainha soou pela casa e ela se levantou para atender a porta.
- Acho que é uma boa ideia sim, . É só um integrante a mais, não vai ficar com tanta gente assim, e vai diferenciar de outras boybands, já que geralmente são cinco ou quatro integrantes - falou, por fim, e sorriu sem mostrar os dentes. - De qualquer forma, a decisão é sua. Você é a empresária.
Em seguida, retornou, os interrompendo, e dessa vez estava acompanhada.
- Archie, seus dois padrinhos resolveram vir te visitar hoje. Que coincidência impressionante, né? - ela disse com a voz transbordando ironia.
encarou com os olhos minimamente arregalados. Não esperava vê-lo ali.
- ? Você por aqui? - ele disse com uma falsa surpresa e rolou os olhos diante de tanto cinismo. - Ei, . Beleza?
Enquanto e se cumprimentavam com um abraço, e se entreolharam. A primeira ria da indignação expressa no rosto da segunda.
- Cadê meu abraço, rapaz? - questionou em um tom divertido, abaixando-se próximo a Archie.
respirou fundo, inebriando-se com o cheiro de shampoo misturado ao de perfume que emanava de , enquanto observava o garotinho abraçar o padrinho com seus bracinhos. Archie riu quando disse algo para ele, mas a empresária sequer escutou, pois estava perdida no belo sorriso do homem. Ela sentiu o estômago afundar. Era a primeira vez que via depois de eles voltarem de Dublin e, mesmo que estivesse constantemente trocando mensagens com ele, vê-lo ao vivo e a cores fazia parecer que tudo havia sido apenas um sonho.
De repente, viu se aproximar cada vez mais dela e congelou em seu lugar conforme observava seu rosto cada vez mais próximo. Ela podia jurar que ele a puxaria para um beijo, mas, quando estava com os lábios quase grudados aos dela, os desviou para a bochecha da mulher, onde depositou um beijo demorado. e observaram a cena, um prendendo o riso e a outra com seriedade no rosto.
- Sobre o que vocês estavam conversando? - questionou, finalmente permitindo voltar a respirar quando se afastou para sentar-se ao lado do amigo no sofá.
- pensou em chamar o Josh para fazer parte da boyband também e completar seis integrantes - explicou, retomando o assunto de antes.
- Aquele que ficou chorando até ir embora? - questionou. Quando assentiu com a cabeça, ele continuou: - Você gostou mesmo dele, né?
- Ainda não me conformei em tê-lo deixado de fora, ele combina com o que imaginei para esse grupo. Além de que ele ficou tão chateado que acabou me comovendo - ela admitiu, dando de ombros.
- Não acho uma ideia ruim, não tem escrito em lugar nenhum que boybands precisam ter cinco integrantes - disse sua opinião, rindo levemente. - Você deve seguir sua intuição, . Se é isso que você acha que deve fazer…
- Vocês concordam que não é loucura, então? - ela questionou, querendo ter uma última certeza de que aquela era uma boa decisão a ser tomada.
- De forma alguma, tenho certeza de que o Josh vai fazer valer a pena essa oportunidade - falou, ajudando Archie a subir no sofá. - Vai com fé, .
sorriu, sentindo-se aliviada. Quando se lembrava de Josh chorando copiosamente, seu coração se apertava. Sabia que, como empresária, ela precisava ser parcial, não se deixar levar por situações como aquela, mas algo lhe dizia que aquele grupo precisava ter seis membros e aquele sentimento era forte demais para ser ignorado.
- Acho que vou pedir uma pizza, o que vocês acham? - questionou, encarando o marido e os amigos, que prontamente concordaram com a sugestão. Ela, então, pegou o celular e buscou pelo aplicativo da pizzaria.
- Vou ligar para a casa do Josh, enquanto isso - disse, levantando-se com o celular na mão. - Se ele vai fazer parte do grupo mesmo, vai precisar se preparar para vir para Londres.
Dito isso, ela seguiu para a cozinha, onde poderia conversar com Josh com calma, explicar a situação e dar as devidas orientações para que ele viajasse com os outros garotos na segunda-feira pela manhã.
acompanhou com o olhar até que ela sumisse de vista. Quando virou a cabeça de volta à posição anterior, encontrou os olhos de o fitando.
- O quê? - questionou, confuso ao notar que o amigo ria.
gargalhou, preferindo guardar o comentário que tinha vontade de fazer para si.
parecia um adolescente apaixonado.

encarou seu reflexo no espelho e ajeitou a gravata mais uma vez; já havia perdido as contas de quantas vezes executara aquela mesma ação. Ele estava impaciente, esperando Nadine terminar de se arrumar. Eles iriam à festa da filial londrina de uma marca alemã de roupas que sequer sabia o nome. Não sabia do que se tratava aquela festa, quem encontraria lá ou quanto tempo precisaria marcar presença, só sabia que tinha que acompanhar a noiva. Porém, a demora de Nadine estava o aborrecendo. Na verdade, desde que decidira terminar o noivado, não andava com o melhor dos humores. Ele precisava terminar aquele relacionamento que já estava o enlouquecendo, mas ainda não havia encontrado o momento perfeito para tal.
- Nadine! - ele berrou, olhando na direção do corredor que levava até o quarto da noiva.
Bufou quando constatou que não receberia uma resposta. Pisando forte, atravessou a sala de estar e caminhou até o fim do corredor. Adentrou o quarto de Nadine e a encontrou em frente ao espelho.
- Já estou terminando - ela disse sem desgrudar os olhos do batom que passava na boca.
- Você disse isso uma hora atrás - acusou, cruzando os braços. - Já não estou nem um pouco a fim de ir nessa festa e você ainda fica aí enrolando.
- Vai ter um monte de gente importante lá, você quer que eu vá igual a uma mendiga? - Nadine questionou com o ar de superioridade que detestava.
- Então da próxima vez não me peça para vir te buscar tão cedo - ele rebateu, rolando os olhos.
- Eu não aguento mais o seu mau humor! - a mulher exclamou enquanto jogava seus pertences de qualquer jeito dentro de uma bolsa de mão. - Não pode nem esperar a sua própria noiva se arrumar? Você é muito mimado, .
O cantor fechou os olhos, respirando fundo e contando mentalmente até dez. Ele estava a ponto de explodir, havia atingido seu limite. Não aguentava mais ter que sair com ela em público e sorrir, fingindo que estava tudo bem. Não estava tudo bem; estava péssimo.
- Não dá mais, Nadine. Pra mim já deu - disse, massageando as têmporas. Notando a incredulidade no rosto da mulher, continuou: - O nosso relacionamento se resume a brigar pelas coisas mais idiotas possíveis, está claro que isso nunca vai dar certo. Não tenho mais forças para continuar insistindo.
- Você está terminando comigo? - Nadine perguntou em um tom de voz baixo e profundo. conseguiu sentir o rancor expresso em cada sílaba.
Ele fitou a mulher por alguns segundos, observando o rosto dela se tornar cada vez mais vermelho e lágrimas grossas começarem a escorrer por suas bochechas.
- Estou - falou, simplesmente, e sentiu um alívio por, finalmente, ter conseguido dizer aquilo.
- É sério que você vai terminar comigo só porque eu demorei para me arrumar? - a mulher questionou e soltou uma risada amargurada.
- Não se faça de boba, você sabe muito bem que não é só por hoje - falou, se esforçando ao máximo para ignorar o nó que sentia na garganta.
Alguns segundos de silêncio se seguiram antes de Nadine dizer:
- Você é ridículo.
suspirou longamente e afrouxou o nó da gravata, enquanto assistia Nadine sentar-se na cama e esconder o rosto com as mãos. Os ombros da mulher subiam e desciam conforme ela chorava e não pôde deixar de sentir-se culpado diante daquela cena. Ele não sabia o que deveria fazer. Sabia que não podia se aproximar e consolá-la, seria hipocrisia demais de sua parte, mas também não podia dar as costas e ir embora.
- Posso te dar uma carona até a festa se você quiser - ele disse e se arrependeu no segundo seguinte. Pelo jeito que a frase soou, ele soube que não era a melhor coisa a ser dita naquele momento.
- Enfia a carona no cu, ! - a mulher berrou com raiva, assustando o cantor.
Ele baixou o olhar e respirou fundo, tentando impedir que as lágrimas que se acumularam em seus olhos caíssem.
- Tchau, Nadine.
Sem esperar pela resposta que ele sabia que não viria, ele deu meia volta e foi embora.
- Ah, … - Nadine sussurrou para si mesma ao ouvir a porta do apartamento bater. - Se você pensa que sua vida vai virar um mar de rosas porque terminou comigo, está muito enganado.

A bebida descia por sua garganta, ardente, mas já não se importava. Aquela vontade angustiante de chorar ainda estava ali, presente em seu peito, sinal de que ainda não estava bêbado o suficiente. Ele, então, pediu mais uma dose de vodca ao barman. Sua cabeça doía e ele sabia que no dia seguinte doeria ainda mais, mas ele estava disposto a beber até esquecer o motivo que o fizera ir até aquele pub. O local estava lotado, afinal, era uma noite de sexta-feira, dia de comemorar a chegada do fim de semana, e , apesar de famoso, estava passando despercebido em meio a tanta gente. Ou pelo menos era o que ele achava, apesar de, naquele momento, não se importar se sites de fofoca noticiariam ou não aquela situação deplorável no dia seguinte.
Aquele noivado estava acabado há muito tempo, eles só precisavam assumir aquilo de uma vez. sabia disso e não entendia por que se sentia tão mal. Não sabia se havia sido a reação de Nadine que o comovera, pois nunca havia a visto desabar daquele jeito, ou se era aquele sentimento de solidão que voltava a assolar seu peito. Mas ele não queria entender seus sentimentos, só queria esquecê-los.
Após tomar a nova dose de vodca que o barman deixou à sua frente, pegou o celular no bolso do paletó e digitou uma mensagem.

: Vem me encontrar no Lexington? Não estou bem, preciso de você.

Guardou o aparelho de volta no bolso, sem se importar em esperar por uma resposta. jamais saberia dizer quanto tempo se passou ou quantas doses de vodca a mais ele bebeu até sentir dois braços amparando-o e ajudando-o a se levantar do banco em que estava sentado. A voz conhecida dizia coisas que ele não conseguia entender. deixou-se ser guiado em direção à saída do pub, permitiu que aquela pessoa o acomodasse no banco do carona de um carro e dirigisse pelas ruas de Londres, as quais ele não assistia passar pela janela. Naquele momento, acabou se entregando às lágrimas.

- Meu Deus, o que aconteceu? - questionou de olhos arregalados ao abrir a porta de casa e se deparar com tentando manter um que estava aos prantos em pé.
- Não sei, está podre de bêbado e só sabe ficar repetindo que é um merda, babaca, fodido - respondeu e adentrou a casa com dificuldade, pois suportar o peso do amigo não era a tarefa mais fácil.
- Ele precisa de um banho - a mulher falou, trancando a porta, e, em seguida, ajudou o marido a subir as escadas com .
O cheiro de álcool era forte e embrulhou o estômago de . Ela estava assustada, nunca havia visto naquele estado antes. Quando chegaram ao banheiro, o casal ajudou o amigo a se despir até estar apenas de cueca.
- Vou pegar alguma roupa para ele vestir - falou e encostou a porta após deixar os dois homens sozinhos.
empurrou o amigo para dentro do box e deixou que ele se sentasse no piso, logo abrindo o registro e fazendo com que a água fria atingisse seu corpo em cheio. se encolheu, instantaneamente começando a tremer da cabeça aos pés. Aquele banho frio o ajudou a se despertar e se acalmar, pelo menos.
- Não acredito que estou tendo que dar banho em amigo bêbado nessa altura da minha vida - murmurou para si mesmo, sabendo que ainda não estava consciente o bastante para entender o que ele dizia.
voltou, deixou uma cueca e um pijama que pertenciam ao marido sobre a pia e se retirou novamente, dessa vez dizendo que iria fazer um chá.
Mais uma vez amparado por , se levantou e se secou com a toalha que foi estendida para ele. deu a roupa na mão do amigo e agradeceu por, depois do banho, ele estar em condições um pouco melhores para se vestir sozinho. Os dois seguiram para o quarto de hóspedes, onde se acomodou na cama sob o olhar atento de .
O silêncio finalmente pôde ser sentido. sentia que estava sendo observado, sabia que devia ao amigo uma explicação, mas não tinha forças para falar.
- O que aconteceu? - questionou em meio a um suspiro.
Sentou-se na cama e esperou pacientemente até que levantasse a cabeça e o encarasse.
- Terminei com a Nadine - ele disse e, mesmo que tenha se esforçado para que as palavras saíssem, sua voz soou fraca.
- Foi tão ruim assim? - o outro perguntou, franzindo o cenho, e se arrependeu quando viu as lágrimas voltarem a escorrer pelo rosto do amigo.
- Ela chorou… - ele tentou falar em meio a alguns soluços. - A chorou…
- O que a tem a ver com isso, ? - questionou, confuso e surpreso pela empresária ter sido citada.
- Não, porra - resmungou, nervoso. - Ela chorou igual à quando…
A voz dele morreu e a frase ficou incompleta, mas entendeu que ele se referia ao término com . Naquele momento ele compreendeu que não estava naquele estado puramente por causa do fim do noivado, afinal, ele já havia tomado aquela decisão há dias. Não foi tão difícil assim perceber que aquela situação acabou por tocar em uma ferida que nunca estivera completamente cicatrizada.
- Por que sempre faço as mulheres chorarem, ? Eu sou um merda - disse com um sofrimento na voz que fez um pequeno nó se formar na garganta do outro.
- Não é assim, cara. Às vezes é inevitável - tentou consolar, sem saber o que dizer. A porta do quarto foi aberta e ele agradeceu por ver a esposa adentrar o cômodo.
- Toma seu chá, - disse e entregou a xícara que segurava ao amigo, que fungava com a intenção de cessar o choro.
Enquanto dava alguns goles no líquido, levantou-se e puxou a mulher consigo para fora do quarto.
- Ele terminou com a Nadine, mas não é exatamente por isso que ele está assim - ele sussurrou para , que apenas lançou um olhar intrigado. - Pelo pouco que ele falou, parece que ela ficou meio arrasada e isso mexeu com ele. Até citou a .
- A ? - questionou em um tom de surpresa.
- É, acho que ele se lembrou de quando terminou com a - explicou e, após ver a compreensão passar pelo rosto da esposa, continuou: - O importante agora é ele dormir, amanhã a gente conversa com ele.
- Mamãe? O que houve?
A voz que vinha do quarto ao lado chamou a atenção dos dois, que se depararam com Travis esfregando os olhos com suas mãozinhas.
- Não é nada, filho. Vamos lá, vou te levar de volta para a cama - disse em um tom tranquilizador e deu dois tapinhas no bumbum do filho, o acompanhando para dentro do quarto iluminado apenas por uma luminária azul.
Após se certificar que Travis realmente voltaria a dormir, saiu do quarto e seguiu para o seu próprio, onde buscou pelo celular e se sentou na cama enquanto realizava uma chamada.
- Você anda me seguindo? Acabei de pisar em casa.
- Que bom, . Está sentada? É melhor se sentar para escutar o que vou te contar - a cantora disse, ignorando o bom humor expresso na voz da amiga.
- Aconteceu alguma coisa, ?
- Está tudo bem, não precisa se preocupar - ela falou para tranquilizar a outra e respirou fundo antes de continuar: - mandou uma mensagem pedindo para o encontrá-lo em um pub, dizendo que não estava bem. foi e voltou com o podre de bêbado, fedendo a álcool e chorando de soluçar.
- Meu Deus, ! Ele está bem?
- Sim, ajudou ele a tomar um banho e eu fiz um chá. Agora ele deve estar dormindo.
- Mas o que aconteceu para ele ficar nesse estado?
- Terminou com a Nadine.
Por alguns segundos, o único som que pôde escutar saindo pelo aparelho foi a respiração da amiga.
- Por essa eu não esperava.
- Pelo que falou, ele te citou enquanto contava o que aconteceu. Parece que isso tudo fez ele lembrar de quando vocês terminaram.
- Meu Deus…
Mais uma vez, ficou em silêncio por algum tempo, fazendo com que apenas imaginasse o que estava se passando pela cabeça dela.
- Não sei o que devo pensar sobre isso.
- Nem eu.

- Ela é linda, né?
encarou o perfil de e riu baixo, achando graça do deslumbre estampado nos olhos dele.
- Ela é linda mesmo, uma diva - ela debochou e voltou a olhar para o palco improvisado no imenso salão onde acontecia a festa promovida por David Beckham.
Os mais novos campeões do mundo estavam ali, sendo apresentados um a um por seu técnico, o anfitrião da festa, e a tão cobiçada taça da Copa do Mundo passava de mão em mão, sendo mostrada com orgulho para os convidados. Mas só tinha olhos para a mulher que estava no canto do palco, encarando o marido com um sorriso cheio de orgulho, a quem a empresária idolatrava desde que se entendia por gente.
- Ei, estou falando da taça. A Victoria Beckham nem é isso tudo… - disse, fazendo uma careta.
e dividiam uma mesa com , , os cantores Robbie Williams e Olly Murs, além das esposas de ambos. A empresária sentia-se estranha por estar em meio a três casais, acompanhando , pois parecia que eles também eram um casal, mesmo que, pelo menos até aquele momento, estivessem agindo apenas como grandes amigos.
- O quê? Você só pode estar brincando - a mulher disse em um tom ofendido que fez o cantor gargalhar, satisfeito por sua implicância ter surtido efeito.
- Só estou zoando. Mas quer saber de uma coisa, ? - sussurrou próximo ao ouvido dela e sorriu torto antes de acrescentar: - Você é mais bonita que a Victoria e a taça da Copa do Mundo juntas.
A empresária não conseguiu segurar uma risada e, em seguida, encarou os olhos de , sentindo-se intimidada pela proximidade deles.
- Se isso foi uma cantada, acho que você está perdendo o jeito - ela brincou e observou o homem examinar seu rosto.
- - chamou, fazendo tirar os olhos de para encarar a amiga. A atriz fez um sinal com o dedo para que a outra se aproximasse e sussurrou: - Pra quem disse que vinha na festa só como amiga do , você está jogando charme demais para cima dele, hein?
- A gente só está conversando - prontamente se defendeu.
A única reação que teve foi de soltar uma risada; chegava a ser engraçado como estava se enganando, tentando soar como se ficar com não tivesse a abalado. A empresária sentiu uma mão tocar seu braço e desviou sua atenção da amiga.
- , acho que é um bom momento para falar com a Victoria, todo mundo está entretido com a taça - disse, fazendo a mulher reparar que agora Beckham se aproximava de alguns convidados com a taça. - Vamos lá.
Ela segurou a mão de e o acompanhou pelo salão, se esquivando das pessoas enquanto sentia um frio na barriga denunciar sua ansiedade. Por mais que estivesse acostumada a conhecer pessoas famosas que admirava - inclusive trabalhava com muitas delas -, aquela era ninguém menos do que sua Spice favorita. Até se dar conta de que não tinha talento para a música, fazer parte de uma girlband fora por muito tempo o sonho de infância de , e Victoria sempre fora sua inspiração.*
- Com licença - falou, chamando a atenção da mulher. - Tudo bem, Victoria?
- Olá, . Quanto tempo - ela disse com um sorriso simpático no rosto. - Tudo bem, e com você?
- Tudo ótimo. Queria te apresentar à minha amiga - ele falou, apontando para , que sorriu sem deixar transparecer o nervosismo que sentiu quando os olhos de Victoria pousaram sobre si.
- Oi, meu nome é - ela disse e estendeu a mão.
- Eu sei, querida. Quem não conhece ? - Victoria brincou, cumprimentando a outra com um aperto de mão. - Garota, você é a empresária do momento. Achei bastante ousado você investir em montar uma boyband, coisa que não dá certo há tanto tempo.
- Não vou negar que às vezes me acho um pouco maluca por isso - a outra confessou, rindo.
- Ninguém chega ao topo sem arriscar, então você está indo pelo caminho certo. Até porque todo mundo já está comentando bastante, aposto que vai ser um sucesso.
- Deus te ouça - a empresária rebateu, sentindo-se animada por ouvir uma opinião encorajadora como aquela.
- , eu vou ali rapidinho falar com o Kane - disse, interrompendo o papo das duas. Antes de sorrir, disse à anfitriã da festa: - Com licença.
- Fique à vontade, - Victoria disse em resposta e voltou a encarar quando o cantor se distanciou.
- Bom, a verdade é que pedi para o nos apresentar porque sou uma grande fã sua e das Spice Girls - falou e arrancou uma risada da mais velha.
- É sério? Você devia ser um bebê naquela época.
- Nah, já era grande o suficiente para ser fanática por vocês - ela rebateu, dando de ombros. - Foi minha primeira referência musical da vida. E, para alguém que trabalha com música, isso acaba sendo bastante marcante.
- Fico feliz de ter contribuído de alguma forma para a sua carreira, então. É ainda mais gratificante saber que algo que mudou a minha vida ajudou a mudar a vida de outras pessoas também - Victoria disse e mostrou um sorriso sincero. - A gente devia conversar com mais calma. Que tal você e irem jantar lá em casa qualquer dia desses? David vai adorar, ele gosta de falar sobre futebol com o seu namorado.
sentiu seu rosto esquentar e riu sem graça.
- Na verdade, o não é meu namorado.
- Ai meu Deus, me desculpe - Victoria falou, arregalando os olhos. - É que eu senti uma química tão forte entre vocês que pensei que fossem um casal.
- Sem problemas, somos um casal de amigos - falou, rindo. - Mas eu adoraria conversar com você com mais calma sim.
- Pode deixar, vou falar para o David combinar com o - a outra disse e piscou um olho.
- Vou parar de te perturbar então - a empresária disse, fazendo uma careta.
- Não foi incômodo algum. Foi um prazer te conhecer, - a ex-Spice falou, simpática, enquanto puxava a mais nova para um abraço. - Continue percorrendo o caminho que você está traçando que ele vai te levar longe, viu?
- Obrigada, vou me esforçar para isso. Até mais, Victoria.
Após sorrir uma última vez, se controlou para não berrar o quão incrível Victoria Beckham era e se afastou à procura de . Encontrou o cantor posando para uma foto com a taça da Copa do Mundo em mãos, ao lado de um cara que ela nunca havia visto em toda sua vida, mas julgou ser um jogador de futebol. Após tirar a foto, entregou a taça para o homem e logo se despediu ao notar que o esperava a alguns metros de distância.
- Quem é esse daí? - questionou quando o cantor se aproximou, observando o tal cara, que agora já tirava fotos com outros desconhecidos. Parecia ser alguém importante.
- Esse daí é só o capitão da Seleção Inglesa - respondeu com ironia, mas não deixou de rir.
- Sério? - a mulher disse, confusa, e analisou o homem mais uma vez só para ter certeza de que realmente não o conhecia. - Pensei que fosse aquele carequinha. Como é o nome dele mesmo? Rooney?
- Você está de brincadeira. O Rooney se aposentou há anos - o outro retrucou, incrédulo.
- É o único capitão que conheço, esse daí nunca vi na minha vida - concluiu, dando de ombros.
- Como assim nunca viu o Harrry Kane? De que planeta você é? - o cantor questionou em um tom divertido.
- O máximo que conheço é hurricane - a empresária brincou e deixou escapar uma risada.
- Esse é o apelido dele - disse em um tom de obviedade e a acompanhou na risada.
- Ah, droga. Pensei que tivesse sido a primeira a perceber a semelhança - disse com um desapontamento exagerado na voz. - Bom, ele certamente não joga no Chelsea, ou eu já teria escutado esse nome. O Luke é fanático, até me levava aos jogos.
- Ah, é? Com o Luke você ia ao estádio? - o homem questionou, soando ressentido, e cruzou os braços. - Lembro muito bem como era difícil te convencer a ir comigo.
- Larga de ser ciumento, - rebateu, rindo, e deu um leve empurrão no ombro de . - Eu ia obrigada, assim como nas vezes que fui com você. Ou você acha que eu ia preferir ver jogo de futebol em vez de ficar em casa fazendo um sexo bem gostoso com meu namorado?
gargalhou diante da espontaneidade de , mesmo que tenha tido que espantar a imagem dela com Luke que ameaçou surgir em sua mente.
- Se eu te chamar para fazer um sexo bem gostoso você aceita de primeira, então? - ele questionou com um sorriso safado nos lábios.
- Você não é meu namorado - a mulher disse, dando de ombros, mas sorria, deixando claro que era apenas uma provocação.
observou dar as costas a ele e desfilar sobre seus saltos em direção à mesa.

- Obrigada pela carona - falou quando estacionou o carro em frente ao seu prédio. - E por ter me ajudado a conhecer a Victoria. A festa foi divertida.
- Imagina, . Foi bonitinho te ver conversando com ela toda feliz - o cantor disse, sorrindo.
- Estou te devendo uma - falou e riu fraco.
- Não ia te pedir nada em troca, mas já que você está dando essa abertura… - disse em um tom esperto, fingindo despretensão enquanto encarava o volante. - Tem algo que você pode fazer para ficarmos quites.
- Ah, é? O quê? - a mulher perguntou, interessada, mordendo o lábio inferior.
- Me dar um beijo de boa noite - soltou e encarou .
Ele sentou-se mais relaxadamente no banco, conforme assistia um sorriso surgir nos lábios dela e esperava por uma resposta.
se inclinou e segurou a bochecha de com delicadeza para guiar os lábios dele em direção aos seus próprios. As bocas dos dois se uniram em um beijo que não demorou a ser aprofundado; as línguas se movimentavam com calma e sincronia. Apesar da vontade de que aquele beijo durasse eternamente, o quebrou e, após depositar alguns selinhos nos lábios de , se afastou e sorriu sem mostrar os dentes.
- Boa noite, .
- Boa noite, .
A empresária bateu a porta do carro ao sair e caminhou em direção à entrada do prédio, onde parou e acenou para , que retribuiu com um sorriso antes de dar a partida no carro. encarou o automóvel até o mesmo sumir pela rua e soltou um longo suspiro. Apesar da apreensão que sentia, ela não podia negar que estava gostando daquilo que estava rolando entre os dois. Aquilo tudo a fazia se sentir com 20 anos novamente.
De repente, sentiu sua pele esquentar como se estivesse sendo observada e olhou em volta. Não achou nada, a rua estava deserta e pouco iluminada. Tratou de espantar aquela sensação estranha e adentrar o prédio. Estava morta, só precisava de um banho e de uma longa noite de sono.


*Cena inspirada na ideia da Luísa Camargos, uma das ganhadoras da quiz sobre Back For Good.


Capítulo Dezessete

You make it going round and round in circles
Going down, down, down
We keep talking about the same old things
We keep covering the same old ground
Yeah, we keep going around and I got to get out
This ain't what love is about

This Ain't What Love Is About - A1

Julho de 2026

Quando avistou os seis garotos caminhando pelo corredor de desembarque com mochilas e malas, um sorriso quase maternal surgiu nos lábios de . Apoiando o braço no ombro de , a empresária passou os olhos por cada um deles e não pôde deixar de notar como os irlandeses já pareciam um grupo sem sequer terem começado a trabalhar juntos oficialmente. Cian e Dayl conversavam animadamente sobre algo que parecia ser bastante interessante, enquanto Brendan mostrava algo no celular para Josh; Ryan e Dean eram os únicos que já haviam notado a presença de e .
- Ei, garotos. O voo foi tranquilo? - questionou gentilmente, começando a cumprimentá-los um a um com um abraço.
- Tirando o Cian que ficou choramingando do meu lado porque tem medo de avião, foi bem tranquilo sim - Dayl debochou e ganhou um soquinho no ombro.
- Como se ninguém tivesse visto você rezando dez Pai Nosso antes do avião decolar - Cian retrucou, rolando os olhos, enquanto o outro massageava o local atingido pelo soco com uma expressão de dor no rosto.
- Com o tempo vocês se acostumam a andar de avião toda hora - disse, dando de ombros. Em seguida, apontou para as duas malas de rodinha que Brendan levava com dificuldade. - Quer ajuda aí?
- Por favor - o garoto falou com um sorriso tímido.
- Espero que não tenha trazido muitas roupas, vocês vão ter a ajuda de uma personal stylist para comprar roupas novas - disse, olhando para as malas. Quando notou a insegurança estampada no rosto de Brendan, riu baixo. - Mas podem ficar tranquilos, ninguém vai obrigar vocês a usarem nada que não queiram. Vocês só vão ter uma ajudinha para encontrar o estilo de vocês ou dar um up no visual, nada que qualquer artista não passe em início de carreira.
- Vocês vão gostar, não tem coisa melhor do que andar bem vestido sem ter que quebrar a cabeça para saber se as roupas combinam ou não - disse, fazendo rolar os olhos ao mesmo tempo que ria. - Vamos, galera. Tem uma van esperando lá fora. Hora de conhecerem a nova casa de vocês.
Guiados pelos dois mais velhos, os garotos deixaram o aeroporto ansiosos. Os seis não estavam empolgados apenas com a oportunidade que estavam tendo de trabalhar com músicos e outros profissionais de renome, mas também com a mudança que teriam em suas vidas. Nenhum deles havia sequer pisado em Londres alguma vez na vida, por isso observavam as ruas da cidade passando pelas janelas da van com animação. Quando a van adentrou um condomínio fechado e parou em frente a uma casa enorme - pelo menos o dobro do tamanho das casas deles na Irlanda -, eles ficaram boquiabertos. Nem conseguiam acreditar que aquela seria o novo lar deles por um bom tempo.
e já os esperavam no jardim, pois haviam ido no carro de e acabaram por chegar primeiro. Notando o encanto nos olhos dos garotos, a empresária sorriu, satisfeita. Havia feito questão de escolher pessoalmente a moradia da jovem boyband e, para isso, realizara uma extensa busca na internet até encontrar o local perfeito não apenas para eles dormirem, mas para se sentirem confortáveis e poderem se conhecer melhor. Ela não queria que eles fossem meros colegas de trabalho, queria que fossem amigos, assim como os integrantes do One Direction eram mesmo depois de tantos anos separados.
Ao adentrarem a casa e se depararem com uma sala de estar imensa, os garotos concluíram que a parte interna era ainda mais incrível.
- Já vou liberar vocês para conhecerem a casa, só preciso dar uns recadinhos antes. Sentem-se - a empresária falou, parecendo um pouco mais séria do que anteriormente, e apontou para os sofás, nos quais todos se acomodaram, inclusive e . - Bom, quanto à casa, acredito que ela esteja equipada com tudo o que vocês vão precisar, mas, se precisarem de qualquer coisa, é só falarem comigo. Duas ou três vezes na semana vai aparecer alguém por aqui para dar uma faxina, mas isso não quer dizer que vocês não tenham o dever de manter uma organização, ok? Não é porque estão com um pé na fama que vocês vão deixar de ter obrigações.
Os seis pares encaravam a mulher com atenção e até um pouco de apreensão. Ainda não conheciam aquele lado profissional e autoritário de .
- A casa tem quatro quartos - ela continuou -, mas vocês vão se dividir em duplas para ocupar três deles. Um dos quartos foi adaptado para ser a sala de ensaio de vocês, tem isolamento acústico e todos os equipamentos necessários. E já aviso que espero que vocês passem a maior parte do tempo lá. Esse início de grupo vai ser ensaio, ensaio e mais ensaio. Será no estúdio do que vocês vão trabalhar com o 1D e começar a gravar algumas músicas, mas qualquer tempinho que vocês puderem se juntar e ensaiar tem que ser aproveitado.
parou por alguns segundos e repassou mentalmente os pontos que eram relevantes naquele momento. Fez uma careta discreta, não queria parecer tão chata, mas eram coisas que precisavam ficar claras o quanto antes.
- O que eu espero de vocês é dedicação - ela disse, olhando cada um deles nos olhos, e os garotos assentiram com a cabeça. - É claro que ninguém aqui tem a intenção de mandar e desmandar em vocês, mas não estamos brincando. Somos todos profissionais e espero que vocês também sejam, é por isso que usar a casa para festinhas está fora de cogitação. Também já tive a idade de vocês, sei que nessa idade a gente quer curtir a vida e os hormônios estão à flor da pele, mas trazer garotas está proibido. E para de rir, .
O cantor não conseguiu mais segurar a risada que tentava conter e acabou gargalhando.
- Desculpa, mas você falando assim parece que é uma senhora de 70 anos - ele brincou, fazendo os seis garotos rirem, e recebeu um olhar cortante da mulher.
- Enfim, também não quero saber de drogas e bebidas. Essas coisas estragam a saúde e prejudicam o trabalho de vocês - alertou. - Como eu disse, não vou ser ditadora, mas no primeiro sinal de que vocês não estão cumprindo com os deveres de vocês, não vou nem pensar duas vezes antes de convidar a sair do grupo. Vocês viram o tanto de garotos que daria tudo para estar no lugar de vocês.
- Você pode ficar tranquila quanto a isso, . Não digo apenas por mim, mas por todos, a gente conversou sobre essas coisas - Ryan falou, encarando os amigos para ter o apoio deles. - Todo mundo aqui está disposto a trabalhar com seriedade, temos consciência de que essa é uma oportunidade única.
- Isso é muito bom, realmente muito bom. Tenho certeza de que vocês vão ser um sucesso se seguirem com esse pensamento - disse, sorrindo. - Bom, é só isso mesmo que eu tinha para falar. Hoje o dia vai ser mais light para vocês descansarem da viagem, mas amanhã cedo a van vai passar aqui para levar vocês para o estúdio do . A personal stylist que comentei vai aparecer aqui mais tarde para começar a conversar com vocês sobre o visual, aí vocês combinam com ela um dia para irem às compras, cortarem os cabelos e tudo mais. Por ora, estão liberados.
Os irlandeses, então, se levantaram e pegaram suas malas para subir escada acima e conhecerem seus quartos. Quando se preparou para também se levantar, sentiu o celular vibrar dentro da bolsa.

: , você pode buscar o Travis na escola, por favor? Aquela sessão de fotos que eu tinha hoje atrasou, estou presa aqui no estúdio, e também está ocupado com a gravação de algum cantor. Pensei em pedir para o , mas não sei como ele está e não quero incomodar.

A empresária digitou um breve “tudo bem” e não pôde deixar de imaginar qual seria o estado de , já que não havia tido mais notícias sobre ele desde o dia em que ligou de madrugada para contar que ele estava podre de bêbado e arrasado com o término do noivado. Preferia não pensar sobre a parte de ter sido citada durante o ocorrido.
- A me pediu para buscar o Travis na escola, acho melhor a gente ir logo - falou e levantou-se do sofá.
- Quer que eu passe na escola dele, então? - questionou, seguindo a amiga em direção à porta.
- Não, me deixa em casa mesmo. Vou pegar meu carro - a outra respondeu. Antes de deixar a casa, a empresária gritou: - Até amanhã, meninos!

Já passava do meio-dia quando acordou. Se remexeu, incomodado, e tirou de baixo de si um caderno, logo reparando que algumas folhas estavam um pouco amassadas, mas o conteúdo continuava intacto. O cantor passara toda a madrugada trabalhando em cima de uma música que ele compusera antes de o One Direction se separar e, por muitos anos, ficara escondida naquele caderno que, por sua vez, ficara escondido no fundo do armário. Não se lembrava do exato momento em que acabou pegando no sono ali mesmo, no sofá, e não chegou a finalizar a música, mas decidiu lavar o rosto, escovar os dentes e comer alguma coisa antes de continuar trabalhando naquela composição. Ele estava morto de fome.
Após deixar o caderno em cima da mesa de centro, foi até o banheiro, onde jogou um pouco de água fria no rosto para ajudá-lo a acordar, e também escovou os dentes e aproveitou para esvaziar a bexiga. Em seguida, caminhou a passos preguiçosos até a cozinha e colocou a cafeteira para fazer café; ele adorava café fresquinho e feito na hora. Ficou ali por alguns minutos, tamborilando os dedos na superfície lisa do balcão e lutando contra o sono. Quando o café ficou pronto, pegou uma xícara e a preencheu com o líquido quente e escuro e, em seguida, o adoçou com um pouco de açúcar. Voltou para a sala e, após procurar pelo celular - que encontrou escondido na brecha entre o assento e o encosto do sofá -, caminhou até a varanda do apartamento.
Assim que pisou do lado de fora, sentiu o sol fraco aquecer sua pele suavemente. O dia estava aberto e ensolarado, perfeito para atividades ao ar livre, mas ele não pretendia sair de casa até finalizar a música. Escorando o cotovelo no parapeito da varanda, ele ligou o celular para conferir as mensagens que recebera desde a última vez que checou o aparelho na noite anterior, enquanto bebericava a xícara de café. Uma mensagem em especial chamou a atenção de , pois era de um número que ele não conhecia. Ao abri-la, constatou que o remetente não possuía foto e que se tratava de um vídeo. Apenas um vídeo e mais nada, nem uma palavra sequer. Estranhou, porém, curioso como era, ele clicou no tal vídeo e esperou o download ser finalizado.
Quando a imagem tomou a tela do celular, levou alguns segundos para entender o que acontecia naquela filmagem. Precisou olhar com mais atenção para, finalmente, compreender a cena que se desenrolava. Ao reconhecer os protagonistas, sentiu o corpo tremer da cabeça aos pés e a xícara acabou escapando de seus dedos frágeis e se espatifou no chão. O cantor ignorou completamente os cacos de porcelana espalhados pelo piso da varanda, banhados por café, e adentrou a sala de estar apressadamente. Após se jogar no sofá e respirar fundo, ele deu play no vídeo mais uma vez. Não teve certeza, mas reconheceu aquela paisagem como pertencente ao Hyde Park e, em meio àquele verde das árvores, um casal se beijava.
O beijo não era indecente ou inapropriado para os olhos das crianças que, provavelmente, corriam pelo parque, muito pelo contrário, e foi exatamente isso o que mais doeu em . Desejou, com todas as forças, que fosse uma gravação antiga que ele nunca tivesse visto, mas aqueles não eram o mesmos e jovens que namoraram no passado. Doía lembrar da cumplicidade entre os dois, de como eles pareciam terrivelmente certos um para o outro. Mesmo que aquele vídeo tivesse sido gravado de uma distância que não permitia grandes detalhes, ele conseguia ver as mãos tocando o corpo um do outro com respeito e cuidado e, principalmente, os sentimentos que conduziam aquele beijo.
sentia-se desamparado ao concluir que, mesmo o tempo passando e tudo sendo completamente diferente, e ainda pareciam um casal apaixonado. Tentou encontrar alguma indicação de quando o vídeo fora gravado, temendo que tivesse sido depois que ele e a empresária ficaram em Dublin, mas não conseguiu descobrir. Sentiu-se bobo ao cogitar a possibilidade de estar ficando com ao mesmo tempo em que ele pensava estar, finalmente, tendo seus sentimentos correspondidos. Mas não por muito tempo, pois um sentimento mais forte logo tomou seu peito.
O celular foi arremessado de qualquer maneira no assento ao lado e levantou-se do sofá com o caderno em mãos, decidido a colocá-lo de volta no fundo do armário. Não fazia o mínimo sentido escrever uma música inspirada por enquanto aquela raiva que ele sentia dela não passasse.

- Sua mãe já está no shopping, Travis - falou após ler a mensagem enviada por dez minutos antes e, respondendo, avisou que estava saindo do cinema e indo para a garagem. Depois de guardar o celular na bolsa, pegou o menino pela mão e seguiu caminhando em meio às pessoas que também saíam da sessão. - Gostou do filme?
- Sim! - Travis exclamou, animado. - Você podia me buscar na escola todo dia para a gente ver filme no cinema, tia .
- Seus pais não me deixariam te trazer para comer McDonald’s e pipoca todo dia - a mulher respondeu, rindo do descontentamento expresso no rosto do menino. - Mas a gente pode fazer isso mais vezes, baixinho. Não fique chateado.
ajudou Travis a subir no degrau da escada rolante e logo estavam no andar da garagem. Após pagar pelo tempo de estacionamento no caixa eletrônico, a empresária avistou seu carro e, ao lado do mesmo, uma mais abatida do que o normal. Travis saiu correndo para dar um abraço apertado na mãe, que pareceu juntar forças inexistentes para tirar o filho do chão por poucos segundos.
- Me sinto derrotada - a cantora falou e sorriu, compreensiva, antes de abraçar a amiga. - Obrigada por salvar minha vida hoje, .
- Imagina, foi um prazer passar a tarde com esse rapazinho aí - a empresária disse, bagunçando os fios de cabelo de Travis. - Esse filme novo da Pixar é muito bom, aliás. Demos altas gargalhadas no cinema.
- Então, que bom que se divertiram.
Enquanto se acomodava dentro do automóvel, prendeu Travis na cadeirinha infantil no banco traseiro e ligou a tela embutida nas costas do banco do carona para que o menino pudesse assistir algum desenho animado durante o caminho até sua casa. Em seguida, a empresária sentou-se atrás do volante e deu a partida no carro, deixando o estacionamento do shopping.
- Nunca pensei que chegaria a esse ponto, mas estou cogitando a possibilidade de largar minha carreira - confessou depois de algum tempo em silêncio, observando as ruas passarem pela janela.
- O quê?! Está louca?! - exclamou, lançando um olhar indignado para a outra. - Seus fãs vão pirar, mulher. Nem pense em fazer isso.
- , eu não aguento mais - a outra desabafou e suspirou longamente. - Agora que está focado na volta do 1D, vou precisar cuidar dos meninos e só Deus sabe quando vou conseguir trabalhar no álbum novo. E, para falar a verdade, nem sei se vou ter pique para virar noites no estúdio.
- Arruma alguém para ficar com eles - a empresária sugeriu. - Você não pode abandonar tudo o que conquistou desse jeito.
- Você sabe que não gosto da ideia de deixar meus filhos com babá ou incomodar alguém da família - respondeu, fazendo uma careta. Entortou o pescoço para se certificar de que Travis não prestava atenção na conversa e, ao vê-lo entretido com o desenho animado, continuou em um volume de voz mais baixo: - Deus que me perdoe, eu amo minha família, mas às vezes tenho tanta inveja de você, que não tem filhos e não deve satisfação a ninguém.
gargalhou com vontade diante do drama da outra e disse:
- Ai, amiga. Que bobeira.
- É sério, ! Você sabe há quanto tempo eu não transo? - a cantora questionou aos sussurros, soando quase desesperada, enquanto a empresária se esforçava para voltar à seriedade. - Nem sei mais como é sensação de um orgasmo.
- Teoricamente, solteiros também não têm a vida sexual tão ativa assim - rebateu em um tom divertido sem desviar a atenção do trânsito.
- Você não tem porque não quer, né, querida - alfinetou. - Podia muito bem pegar um cara diferente a cada fim de semana, dar para todos eles e nunca mais olhar para a cara de nenhum deles.
- Está querendo que eu vire periguete nessa altura da vida, é? - a outra debochou, rindo.
- Tanto faz. Sempre tem a opção de ligar para o , duvido que ele negaria sexo casual com você - falou a cantora, que não pôde deixar de rir ao ver o rolar de olhos da amiga. - Me diz qual é o sentido de ter um marido gostoso como o meu e não dar loucamente para ele.
Mais uma vez, gargalhou, mesmo que começasse a sentir pena da outra. realmente estava precisando relaxar um pouco, isso era algo perceptível.
- Vocês têm algum compromisso no próximo fim de semana? - a empresária questionou.
- Quem precisa de compromisso para estar ocupado quando se tem dois filhos pequenos? - a cantora rebateu.
- Nesse caso, agora você tem um compromisso. Você e vão viajar - anunciou, ignorando a queixa da amiga, e recebeu um olhar incrédulo. Antes que pudesse questionar sobre aquela loucura, ela continuou: - Relaxa, eu tomo conta dos meninos. Também vou escolher um local bem bacana para vocês visitarem e acertar todos os detalhes, vocês só vão precisar se preocupar em pegar o avião e transar loucamente por dois dias.
Enquanto ainda a encarava em total choque, se permitiu gargalhar mais uma vez. Não sabia se daria conta de cuidar de duas crianças sozinha por um fim de semana inteiro, mas não custava nada tentar e ajudar uma amiga que estava subindo pelas paredes.

havia escolhido uma rua pacata para o seu estúdio, bem distante do centro movimentado de Londres. Ali, naquele sobrado de arquitetura de muito bom gosto, ele tinha toda a estrutura necessária para receber os artistas e produzir suas músicas com conforto e privacidade. Naquela manhã, entretanto, a rua estava cheia de jornalistas, fãs e alguns curiosos que paravam para observar a movimentação, desejando ter acesso com exclusividade ao trabalho que estava sendo iniciado no estúdio. Além da euforia pela volta do One Direction, a nova boyband, mesmo sem ter um nome ainda, já gerava uma enorme expectativa. Do lado de dentro, os seis garotos estavam jogados nos sofás e puffs espalhados pelo cômodo na companhia de e , enquanto aguardavam ansiosamente pela chegada dos três que faltavam.
- Que tal a gente escolher algumas músicas para vocês gravarem covers? - questionou, atraindo a atenção dos garotos. - Depois que eles chegarem, começamos a trabalhar no primeiro single.
Os irlandeses não pensaram duas vezes antes de concordar. Diante de tantos equipamentos de ponta, eles não viam a hora de fazer o que faziam de melhor; jamais haviam cantado com uma estrutura daquele nível.
- Vocês conhecem músicas do 1D? - perguntou, rodando na cadeira giratória e dando as costas para a mesa de som, onde adiantava a mixagem de uma música de uma das cantoras que produzia.
- Claro, sou grande fã de vocês - Cian falou e, antes de continuar, soltou um risinho um pouco envergonhado. - Minha irmã mais velha era fanática, então passei boa parte da minha infância e pré-adolescência ouvindo One Direction.
- Acho que todos crescemos ouvindo 1D, na verdade - Dayl se pronunciou, dando de ombros, e os colegas concordaram.
- Legal. E vocês têm alguma favorita? - voltou a questionar. - O que acham de começar ensaiando um cover de alguma das nossas músicas?
- Boa, - disse, se esticando para pegar um violão que estava ao seu lado e, em seguida, o posicionou sobre sua coxa. Após alguns segundos repassando mentalmente os grandes sucessos que cantara um dia, questionou: - Little Things?
Com e Ryan arranhando algumas músicas do One Direction no violão, alguns minutos de descontração se seguiram. Os garotos cantavam suas músicas favoritas sem compromisso e se divertiam. O resultado acabou sendo um vídeo divertido de quase um minuto, no qual os seis irlandeses deitaram-se no tapete felpudo que decorava o estúdio de e cantaram Steal My Girl para a câmera. Não foi nada elaborado, mas foi o suficiente para surpreender , e , que chegou enquanto a algazarra acontecia.
- Primeiro dia oficial de trabalho e o já chega atrasado para brindar os velhos tempos - debochou, rindo, e franziu o cenho ao notar que o amigo passava pela porta acompanhado de alguém com cabelos loiros e cacheados que, definitivamente, não era .
- Foi mal pelo atraso, galera. O trânsito estava um caos - disse, jogando-se no sofá e ignorando completamente o olhar inquisitivo de . Apontando para Savannah com o polegar, continuou: - Vamos ter plateia hoje.
- Oi, pessoal - a mulher disse, sorridente, e sentou-se ao lado de .
Enquanto os seis garotos, que ainda não conheciam a loira, se apresentavam para ela simpaticamente, e se entreolharam. Não era nenhum segredo de estado o que ocorreria naquele estúdio e Savannah era bem-vinda ali, mas não entendiam por que a levara consigo. Imaginavam que, agora que ele e estavam começando a construir algo, o relacionamento dele com Savannah teria um fim. Deram de ombros, por fim; naquela altura do campeonato, já não tentavam mais entender a mente confusa de . Em contrapartida, estava intrigado demais para, simplesmente, deixar para lá. Especialmente depois das últimas conversas que tinha tido com sobre e Savannah.
levantou-se e, discretamente, chamou o amigo para acompanhá-lo até um canto afastado. Os outros não se importaram com a movimentação, estavam entretidos demais com um papo sobre a Irlanda iniciado por Savannah, já que ela adorava viajar e havia estado lá inúmeras vezes.
- Que porra você está fazendo, ? - questionou aos sussurros sem perder tempo. - O que a Savannah está fazendo aqui?
- Ela chegou lá em casa quando eu estava de saída e perguntou se podia acompanhar nosso trabalho hoje - o outro explicou sem muita paciência. - Até onde sei, a presença dela aqui não é proibida.
- Você não terminou com ela? - ignorando a ironia de , questionou. - Cara, você não tem mais idade para esses joguinhos. Se a
não pôde concluir sua fala, pois foi interrompido por um irritado.
- Minha vida não gira em torno da - ele disse entredentes, fazendo arquear as sobrancelhas em surpresa.
- O que está pegando, cara? Que revolta é essa?
- Não vou ficar correndo atrás dela. Cansei de ser o prêmio de consolação - respondeu e tentou se virar, mas foi impedido pela mão de segurando seu braço com força.
- Que história é essa, ? Vocês não estavam, finalmente, se entendendo?
- Não sei, - ele respondeu em meio a um suspiro. - Não sei o que ela sente por mim, não sei o que ela quer comigo… A verdade é que eu não sei de porra nenhuma.
se soltou do aperto em seu braço e voltou para o lado de Savannah, sem dar a chance de dizer que ele nunca teria os esclarecimentos para aquelas dúvidas se não perguntasse a .
- Bom dia, garotos - a empresária falou quando, alguns minutos depois, adentrou a sala com um copo de café do Costa Coffee em mãos. Enquanto era cumprimentada, seus olhos passaram por toda a sala e, além de notar uma ausência, levou um choque ao reconhecer a mulher que tinha a cabeça deitada no ombro de . Disfarçando o espanto, ela acrescentou: - E garota. Cadê o , hein?
, que não fez questão de fitar a empresária e muito menos de responder ao seu bom dia, se remexeu, desconfortável. A ausência de fazia tanta diferença assim para ela? Em reflexo, ele puxou Savannah ainda mais para si, atitude que a loira interpretou erroneamente e, sorrindo, puxou o rosto de para que pudesse selar seus lábios aos dele.
- Ele acabou de me mandar uma mensagem dizendo que está chegando, - respondeu, balançando o celular e, em seguida, o guardou no bolso dianteiro da calça. - Parece que o trânsito para cá está péssimo.
- Está mesmo. Vocês já viram a quantidade de jornalistas que tem ali fora? - questionou, largando a bolsa em um puff, e riu antes de dizer: - Quase fui engolida por um mar de flashes e perguntas quando desci do carro. Foi até engraçado lembrar que, um dia, já fui um deles.
- Nossa, quando eu cheguei uns dez pularam em cima de mim - falou, rindo. - Uma garota tropeçou no meu pé e…
narrava a história divertida pela qual havia passado, mas , enquanto tomava um gole de seu café, parou de prestar atenção ao pousar os olhos no sofá em que e Savannah se beijavam calorosamente. Ela sentiu um enjoo instantâneo e precisou respirar fundo para não colocar todo o café que bebera para fora. Sabia que não podia cobrar exclusividade, já que havia ficado com em situações isoladas e eles não tinham qualquer tipo de relacionamento amoroso, mas vê-lo com Savannah, mesmo que não fosse novidade, estava doendo mais do que ela imaginou que pudesse doer. Mas o que ela esperava, afinal? Que ele, tantos anos depois, estivesse esperando que ela terminasse seu namoro e decidisse, finalmente, lhe dar uma chance? Seria ridículo demais e sabia que não tinha o direito de derramar aquelas lágrimas que se formaram em seus olhos; por isso, respirou fundo e tomou mais um gole do café.
- , não cai na pilha - ela ouviu sussurrar e o encarou, surpresa. - Isso não significa nada, é só insegurança. Ele quer ficar com você.
- Sabe o que parece? - a empresária questionou, sentindo um nó se apertar em sua garganta ao encarar os olhos pesarosos do amigo. - Que ele só me queria porque não podia me ter.
bufou quando, mais uma vez, foi deixado falando sozinho.
A passos apressados, se dirigiu à porta. Se sentia sufocada ali, precisava de alguns minutos a sós com seus próprios pensamentos para poder organizá-los de forma madura e coerente. Abriu a porta com tanta afobação que só se deu conta de que alguém estava prestes a entrar quando seu corpo se chocou a um outro e todo o conteúdo do seu copo do Costa Coffee foi parar na camisa verde escura.
- Meu Deus, , me desculpa! - a empresária exclamou com os olhos arregalados ao ver a mancha enorme que cobria a estampa da camisa do cantor.
- Tudo bem, . Eu nem gostava tanto assim dessa camisa - disse, rindo levemente, ao se recuperar do susto.
- Sou uma desastrada mesmo - ela disse, encarando a poça de café no chão e a própria roupa, que também havia sido respingada.
segurou a barra de sua camisa e a esticou para observar melhor o estrago. Sentia a quentura do café em contato com a pele de seu abdômen, por isso, em um só movimento, puxou a camisa para cima e a tirou. mordeu o lábio inferior, desconcertada ao se deparar com as tatuagens tão conhecidas do ex-namorado e reparou que ele tinha algumas novas também.
- Espero que algum deles tenha algo para me emprestar, ou o jeito vai ser ficar exibindo meu corpinho por aí - brincou , arrancando uma risada sem graça de .
- Vou arranjar um pano para limpar essa sujeira - ela disse, fazendo uma careta, e apenas assentiu com a cabeça.
foi até a cozinha, onde encontrou um pano de chão, e, quando voltou, o cantor já não estava mais no corredor. Ela limpou toda a sujeira que havia feito e aproveitou para dar uma passada no banheiro para lavar as mãos.
Quando voltou para o estúdio, encontrou tocando Where I Belong no violão, enquanto todos assistiam com atenção. mostrara a música para ela alguns dias antes, a compusera especialmente para ser o primeiro single da boyband. Ao notar a presença dela, parou de tocar e a encarou.
- Poxa, , não precisava ter dado um banho de café no só porque ele chegou atrasado - debochou, arrancando risos de todos os presentes, inclusive da empresária.
- Foi sem querer, engraçadinho - ela rebateu e mostrou a língua. Caminhando na direção do puff onde deixara sua bolsa anteriormente, avisou: - Vou dar uma saidinha. Daqui a pouco volto.
- Mas você vai perder os meninos ensaiando o primeiro single - falou com uma leve indignação na voz. - Precisa ser agora?
- Sim. Vou comprar outro café e arranjar uma camisa nova para o .
- Não precisa, . O me emprestou a jaqueta dele - falou, segurando a mulher pelo pulso quando ela, no caminho para a saída, passou por onde ele estava sentado.
subiu os olhos pelo corpo de , involuntariamente secando a pele exposta, já que a jaqueta estava aberta, e parou apenas ao alcançar os olhos do cantor. Só então reparou como aqueles olhos que ela achava tão bonitos pareciam tristes e cansados. Eles se encararam por alguns segundos, até um riso escapar pelos lábios da empresária e acabar por rir junto.
- Você está parecendo um stripper, . Já volto.
Enquanto observava deixar o estúdio, rolou os olhos, irritado. Aquela troca de risinhos era insuportável.

- So come a little closer, I need you by my side. When everything goes wrong, you're where I belong…
Sentada na escadinha que ligava o sobrado à calçada, cantarolava, distraidamente, a música que escutara durante todo o dia. Where I Belong já estava afiadíssima e pronta para ser gravada pelos seis garotos irlandeses, que o fariam ainda naquela semana. A empresária mal via a hora de lançar o single e ver qual seria a resposta do público. Tinha certeza de que a música composta por , que havia tido como inspiração a esposa , seria um grande sucesso nas belas vozes da jovem boyband.
Ao escutar as vozes de e se sobressaírem em meio ao silêncio da rua que, como de costume, já estava novamente pouco movimentada naquele anoitecer, ela se levantou e observou o dono do estúdio trancar a porta de entrada.
- Pensei que já tinha ido embora, - falou, descendo os degraus junto ao amigo.
- Faz uns cinco minutos que a van passou para buscar os meninos, aí decidi esperar para me despedir de vocês - ela explicou, sorrindo, e abriu os braços, convidando o cantor para um abraço.
- Nossa, como você é fofa - o outro brincou e, quando o abraço foi finalizado, mostrou a língua para ele.
- Vê se não marca nada para esse fim de semana, hein? Eu te mato se essa viagem não der certo - ela ameaçou.
- Ainda não entendi por que esse interesse súbito de organizar uma viagem para mim e - disse, franzindo o cenho.
- Já falei que vocês precisam se divertir um pouco. Aproveita minha boa vontade em vez de ficar questionando, - rebateu, rolando os olhos.
- Não vai dizer mesmo para onde vamos? - ele questionou e, quando a empresária balançou a cabeça de um lado para o outro com um sorriso esperto, bufou. - Fazer o que, né? Tenho que ir embora, a está me esperando.
Depois de se despedir também de , seguiu na direção de seu carro, estacionado no fim da rua, deixando os outros dois a sós.
- Mais uma vez, desculpa pela camiseta - falou, rindo levemente.
- Tudo bem, até gostei mais dessa do que da antiga. Pode derrubar café em mim mais vezes se for para me dar camisas estilosas assim - brincou, passando a mão pelo tecido preto e estampado com algumas flores brancas, fazendo a mulher soltar uma gargalhada.
- Que bom que gostou. Achei a sua cara - ela disse, sincera, com um sorriso nos lábios. - Até mais, então.
- Tchau, .
Os dois sorriram um para o outro uma vez mais e caminharam cada um para o lado onde haviam estacionado seu carro. Quando abriu a porta de seu automóvel, parou por dois segundos e a fechou sem entrar no carro.
- ? - ela chamou e, como se já estivesse esperando por aquilo, o cantor, prontamente, se virou. - Tem algum compromisso agora? Queria uma companhia para jantar.

Aquele jantar estava repleto de conversas leves e muitas risadas. Como dois amigos de longa data, e caminharam até uma rua próxima ao estúdio de e adentraram um restaurante simples e convidativo de comida italiana. Cada um degustava seu prato de macarronada acompanhado de Coca-Cola; foram obrigados a recusarem o vinho oferecido pelo garçom, pois teriam que dirigir até suas casas.
A conversa ainda estava descontraída, mas conseguia ver como estava abatido e aquilo a incomodava. Odiava vê-lo daquele jeito.
- Como você está, ? - ela questionou e o cantor levantou os olhos em sua direção, curioso. Tomando uma dose de coragem, a empresária continuou: - Em relação ao término do seu noivado, quero dizer. A me contou como você parecia arrasado.
não estava surpreso, sabia que aquela noite que fora levado bêbado para a casa de e chegaria aos ouvidos de outras pessoas cedo ou tarde. Ele só não esperava que se importasse.
- Nunca é fácil terminar um relacionamento de tanto tempo - ele começou, sorrindo fraco ao se dar conta de que aquilo soava também como um desabafo sobre o término de seu namoro com a mesma mulher que o escutava atentamente naquele momento. - Mas não estava mais dando certo, era hora de parar de insistir.
- Sinto muito. É uma situação chata, mas, se é o melhor para os dois, foi uma boa decisão - ela respondeu e abriu um sorriso reconfortante. - Também foi difícil quando terminei com o Luke, mas com o tempo me conformei. A gente tinha objetivos diferentes, era injusto da minha parte continuar com ele.
assentiu, enquanto mastigava a porção de macarrão que colocara na boca e, em seguida, a engoliu.
- Minha irmã comemorou, ela não gostava da Nadine - ele disse em um tom divertido, fazendo soltar uma gargalhada.
- Bem típico dela defender o irmãozinho das garras femininas - ela debochou e levou o copo com Coca-Cola à boca.
- Ela gostava de você - falou, dando de ombros, e a empresária riu anasaladamente ao mesmo tempo que tomava o refrigerante.
- Mas só eu sei como foi difícil conquistar a simpatia dela - ela ressaltou, pondo o copo de volta à mesa, e passou a mão pelos fios de cabelo, os jogando para o lado. - Como ela está, falando nela? E seus pais?
- Todo mundo está bem - o cantor respondeu, sorrindo ao notar a consideração que parecia ainda ter por sua família. - Estive lá na minha cidade faz umas duas semanas.
- Manda um beijo para todo mundo quando falar com eles de novo - disse, sorrindo. - Também estou devendo uma visitinha à minha cidade natal. Minha mãe reclama que estou sempre trabalhando e quase nunca vou a Shrewsbury.
- Nossa, faz muito tempo que não visito Shrewsbury. Fiz um show lá tem uns quatro ou cinco anos - disse e foi impossível não lembrar das vezes que foi com e os dois visitaram cada cato da cidade. - É uma cidade tão bonita, você tem sorte de ter nascido lá. E a Sra. merece uma visitinha, né, ?
- É, eu sei… - a mulher murmurou, rindo.
O silêncio se instalou entre eles por alguns segundos, enquanto eles continuavam a devorar o macarrão. estava pensativa, lembrava da casa onde passara a infância e a adolescência, de onde fora embora tão jovem para estudar Jornalismo em Londres e, no final das contas, acabou nunca mais voltando. Sentia falta de sua família, dos cuidados exagerados que seus pais tinham com ela e da implicância de seu irmão mais velho, que, agora, já era um homem feito e pai de duas lindas garotinhas. Pensar que tinha mais contato com os filhos de suas amigas do que com suas próprias sobrinhas a chateava um pouco. Por fim, acabou prometendo para si mesma que viajaria para sua cidade natal assim que possível.
Como uma estrela cadente, uma ideia passou por sua mente. Tão rápido que, por muito pouco, ela não passou despercebida.
Após largar os talheres no prato, chamou o garçom.
- Você pode trazer a conta, por favor? - ela questionou e o rapaz assentiu antes de dar meia volta.
- Aconteceu alguma coisa, ? - questionou, confuso. - Você nem acabou de comer.
- Já estou satisfeita - ela respondeu, dando de ombros.
O garçom logo voltou com a conta e a empresária pagou tudo que estava devendo com seu cartão, sem dar a chance de sequer se pronunciar para dividir a conta.
- Por que essa pressa? - ele questionou e limpou a boca com um guardanapo.
- Preciso dar uma passadinha na casa dos garotos - falou, se levantando e pendurando a bolsa no ombro. - Tive uma ideia de nome para a boyband.
- Sério? Qual? - perguntou, curioso, seguindo a mulher em direção à saída do restaurante.
- HomeTown.

Capítulo Dezoito

I can’t change the world
And I can’t change the way I feel about you
No, we can’t change the world
But we can take a chance
Understand, there is one thing that I know, know, know
You’re giving me soul…

Giving Me Soul - The Overtones

Agosto de 2026

Com os cotovelos apoiados na bancada da cozinha, Savannah observava cada movimento de ao montar dois sanduíches. Depois de vê-lo fumar mais cigarros do que normalmente fumava, acabou por notar quão inquieto ele estava naquele dia. Mesmo que tivesse passado a semana trabalhando incessantemente no estúdio junto aos outros caras e os garotos do HomeTown, aquele comportamento atípico de não podia ser apenas cansaço.
- O que aconteceu, ?
O cantor fechou o segundo sanduíche e, ainda em silêncio, colocou o prato na frente de Savannah. Sentou-se no lado oposto da bancada e, só então, levantou os olhos para encarar a loira.
- Eu fiquei com a - ele revelou. Não estava disposto a negar qualquer coisa. Precisava desabafar e sabia que Savannah era a única pessoa que não o julgaria, mesmo que, para ele, ainda fosse um pouco desconfortável falar sobre com ela. - Lembra quando fizemos as audições dos garotos em Dublin? Nós dois ficamos presos na Walsh Management por causa de uma tempestade e acabou rolando.
- Quer dizer que vocês… - Savannah disse em um tom sugestivo, mas nem um pouco surpreso.
- É, nós transamos no tapete da sala do Walsh - falou e riu baixo, fitando o sanduíche intacto na sua frente, enquanto flashes daquele dia passavam por sua mente. - Não rolou nada demais depois disso, só um beijo quando fui levar ela em casa depois de uma festa do Beckham que fomos juntos. Você estava viajando no dia.
- Isso explica por que você não tem estado muito a fim de passar de beijinhos e sempre corta o clima - a loira falou com um sorriso esperto no rosto. - Mas não explica essa sua cara de enterro. Não pode ter sido tão ruim assim.
fez uma careta e puxou o celular do bolso dianteiro da calça de moletom que vestia.
- Um número desconhecido me mandou um vídeo dela e do se beijando - ele disse em meio a um suspiro e procurou pelo vídeo na galeria antes de estender o aparelho para a mulher.
Savannah apertou o play e assistiu ao vídeo com a surpresa cada vez mais evidente em seu rosto.
- Caramba! - ela exclamou de olhos arregalados. - Quem será que te mandou isso? O ?
- Não tenho ideia, mas não acho que ele seria babaca a esse ponto - respondeu e franziu o cenho, demonstrando quão confuso estava. - E com que objetivo faria isso? Ele nem deve saber que eu e ficamos.
- Seja lá quem tenha sido, é alguém que está querendo expor vocês. Já pensou se esse vídeo cai na internet? - a loira falou, assistindo mais uma vez à gravação.
- Nem brinca, Savy.
- Uma coisa que a gente não pode negar é que esse beijo foi de tirar o fôlego - ela disse em um tom divertido, devolvendo o celular ao dono.
- Também não precisa jogar na minha cara, né? - falou, soando ofendido, e largou o celular de qualquer jeito em cima da bancada.
- Foi mal - Savannah se desculpou em meio a risos. - Tudo bem, mas é por isso que você está assim? Foi só um beijo.
- E se isso for recente? E se eles estiverem juntos? - o outro indagou, apreensivo. - Você nem imagina como isso é frustrante. Quando penso que as coisas vão dar certo entre a gente, acontece algo que faz parecer que nunca vai dar certo.
- Sei bem como é - a mulher falou, pensativa, dessa vez com um sorriso desanimado nos lábios. - Você tentou conversar com a ? De repente esse beijo nem significou nada e você está aí nesse sofrimento à toa.
- O que você quer que eu faça? Que eu mostre esse vídeo pra ela? - ele questionou, incrédulo, e Savannah apenas afirmou com a cabeça. - Savy, a última coisa que eu quero é que ela pense que estou preocupado de o se meter entre eu e ela.
- Mas você está - Savannah falou e não conteve uma gargalhada quando rolou os olhos. - Não interessa o que ela vai achar. Você não pode tirar suas próprias conclusões e ficar por isso mesmo.
- De qualquer forma, não acho que ela vá querer olhar na minha cara tão cedo - o homem falou, suspirando, e a outra o encarou, confusa. - Ela viu eu e você juntos lá no estúdio, e o disse que ela não pareceu gostar muito.
- E com razão! Você me usou pra se vingar dela por causa desse vídeo, né? Pra mostrar que você não se importa de ser trocado pelo - Savannah disse ironicamente e balançou a cabeça de um lado para o outro, desacreditada de que realmente havia agido daquela maneira infantil. - Eu devia ficar puta por isso, sabia? Mesmo que não estejamos tendo nada sério, você tem que me respeitar, . Não sou mulher de ajudar nesse tipo de joguinho babaca. Às vezes parece que você é um adolescente, viu?
- Eu sei, Savy, me desculpa - disse, arrependido. - Nunca consigo pensar direito quando a está envolvida. Eu sinto como se os meus sentimentos por ela nunca fossem ser o suficiente e isso me faz agir impulsivamente. Não foi minha intenção te usar pra isso, mas admito que acabei usando.
Savannah observou pegar o sanduíche e dar uma mordida sem muita vontade, o desânimo estampado no rosto dele.
- Só vou deixar isso pra lá porque estou vendo como você está desorientado - a loira falou com pesar. - Mas, se você realmente quer ficar com a , é melhor começar a agir como um adulto.
continuou a comer seu sanduíche sem falar mais nada sobre o assunto. Por mais ofendido que estivesse de ter aquilo sendo jogado na sua cara, Savannah estava certa e ele sabia disso.

- , tem certeza que você vai dar conta de cuidar deles? - perguntou em um tom preocupado, revezando o olhar entre um Travis esparramado no tapete da sala de estar de e um Austin sonolento no colo da empresária. - É sério, amiga, posso ver se minha mãe não tem como vir ficar com eles.
- Fala sério, você não vai fazer sua mãe se descambar pra Londres! - exclamou, ligeiramente ofendida por ter sua capacidade de cuidar de duas crianças sendo posta à prova. - É claro que posso fazer isso. Quando vocês voltarem amanhã à noite, eles vão estar vivos, pode ficar tranquila.
- Promete que qualquer coisa - a cantora começou, se conformando com a convicção da outra -, qualquer probleminha, você vai ligar pra gente?
- É claro que vou ligar, , mas não vai acontecer nada. Para de se preocupar, o propósito dessa viagem é vocês dois relaxarem - a empresária falou e bufou, irritada. - , não deixa ela ficar pensando nos meninos o tempo todo, ok?
- Pode deixar - o homem respondeu, piscando um olho, e puxou a esposa para um abraço de lado. - Não vai dizer para onde vamos, afinal?
- Curiosidade mata, sabia? - brincou e, tomando cuidado para não acordar Austin, que acabara de pegar no sono, se esticou para alcançar um envelope na mesinha de centro.
pegou o envelope que a mulher estendeu em sua direção e, curioso como estava, não demorou mais do que dois segundos para abri-lo e se deparar com duas passagens de avião.
- Faro - ele leu em voz alta. - Vamos para Portugal, então?
- Isso, mas, na verdade, vocês vão para Lagos. O voo para a cidade de Faro tem duração de uma hora e meia, mais ou menos, e lá mesmo no aeroporto vai ter um carro esperando pra levar vocês até a cidade de Lagos. É uma hora de viagem até lá - a empresária explicou e, antes de continuar, abriu um sorriso entusiasmado. - Lagos tem praias lindas, vocês vão adorar.
- Legal. Você já foi lá? - perguntou, mais animada com a viagem agora que sabia que iria para Portugal. Ela adorava o país e nunca havia tido a oportunidade de conhecê-lo mais a fundo, já que suas viagens para lá eram sempre durante as turnês.
- Não. Pesquisei na internet, ué - a outra disse, rindo, e deu de ombros. - Pelo que vi, a Praia do Camilo é bastante frequentada por turistas estrangeiros. Então, reservei um quarto num hotel lá perto.
- As praias de Portugal são maravilhosas, deve ser um bom local para relaxar - disse, fechando o envelope e o guardando dentro da bolsa de . - Vamos, amor? O táxi já está lá embaixo nos esperando.
Após a cantora assentir com um aceno de cabeça, o casal se levantou. se despediu de Travis com um abraço, deu um beijo no topo da cabeça de Austin e, em seguida, segurou a alça da única mala que eles estavam levando e deslizou suas rodinhas em direção à porta.
- Travis, se comporta e obedece a tia , ok? - ordenou, se abaixando para dar um abraço no filho, que apenas afirmou com a cabeça e beijou a bochecha da mãe.
Em seguida, a mulher repetiu o gesto do marido e depositou um beijo na testa do filho caçula. Após acomodar Austin no sofá em meio a algumas almofadas, acompanhou a amiga até a porta.
- Boa viagem e façam tudo o que eu faria e o que eu não faria também - a empresária brincou, fazendo o casal rir, e se despediu dos dois com abraços apertados.
Depois que os dois desapareceram pelo elevador, fechou a porta do apartamento e voltou a se sentar no sofá, ao lado do garotinho adormecido.
- Ei, Travis - ela chamou, fazendo o menino tirar os olhos da televisão para encará-la. - Quando o Austin acordar, nós vamos para a casa da tia e do tio , tudo bem? Vamos almoçar lá.
- O Archie vai almoçar com a gente? - Travis questionou, animado.
- Claro que sim, ele mora lá - respondeu e riu quando o menino abriu um sorriso enorme. - Quer comer alguma coisa? Acho que tem iogurte na geladeira.
- Quero sim, tia.
- Vou pegar, então.
A empresária foi até a cozinha com um pequeno sorriso nos lábios, deixando Travis muito entretido com o desenho animado que passava na televisão. Não seria tão difícil assim tomar conta dos filhos de seus amigos por dois dias, muito pelo contrário. Tinha certeza de que os três se divertiriam bastante.

tropeçou em algo no caminho até a porta e murmurou um palavrão ao constatar que era um boneco do filho.
- Archie, já falei pra você não deixar seus brinquedos espalhados! Alguém pode se machucar! - ele exclamou, mesmo tendo a certeza de que o menino não dera a mínima atenção, já que estava correndo com Travis pela casa.
Após pegar o boneco, retomou o caminho que fazia e abriu a porta em um só movimento.
- Que bom que você veio, - ele falou, sorridente, e deu espaço para que o amigo adentrasse a casa.
- Acho que eu não tinha muita escolha, né? - o outro rebateu e riu levemente.
- É, você não tinha escolha - concordou, dando de ombros, e soltou uma rápida gargalhada.
não estava tão animado assim para sair de casa naquela tarde, pois havia passado a madrugada inteira compondo músicas e dormira muito pouco, mas, depois da insistência de para que ele fosse àquele almoço que resolvera preparar de última hora, acabou por aceitar o convite e se unir aos amigos.
- Quem chegou? - questionou, surgindo na porta da cozinha. - Ah! Oi, . Tudo bem?
- E aí, Sra. ? - falou, simpático, e se aproximou da mulher para cumprimentá-la com dois beijinhos nas bochechas. - O que você está cozinhando pra gente, hein?
- A melhor lasanha que você vai comer em toda sua vida - a outra rebateu e piscou um olho antes de voltar para a cozinha.
e a seguiram e se depararam uma cena improvável. Molly tentava sujar o rosto de com o molho vermelho que sobrou, enquanto a empresária se esquivava em meio a gargalhadas.
- Chamei vocês duas pra me ajudarem, não pra ficarem brincando com a comida. Pra isso eu teria chamado as crianças - repreendeu as amigas, fazendo Molly parar com o ataque e a encarar com um sorriso inocente nos lábios.
- Essa garota só podia ser a alma gêmea do mesmo, são dois encapetados - reclamou, fazendo uma careta. Em seguida, encarou o recém-chegado com um sorriso de orelha a orelha. - Olá, !
- Ei, - o outro cumprimentou e sentiu seus lábios se curvarem para cima diante do bom humor que a mulher exalava.
Depois de cumprimentar Molly com um aceno, seus olhos automaticamente pousaram em novamente. Ela conversava sobre a receita da lasanha que estava no forno com , que tinha o celular em mãos e digitava mensagens de agradecimento para Luke pelas dicas que ele dera, já que a especialidade dele na cozinha era justamente lasanhas de todos os tipos. não conseguia parar de observar enquanto ela falava e sorria abertamente, parecia feliz e leve com seu cabelo preso em um rabo de cavalo e pescoço e peito expostos pelo vestido de alças. Ela estava tão simples, mas tão bonita aos olhos dele.
- Manda um beijo pra ele - a empresária falou, tentando espiar a conversa de com Luke.
- Ele disse que está esperando sua visita agora que voltou da República Tcheca - a atriz comentou após ler a mensagem do amigo e guardou o celular no bolso do short jeans que vestia.
- Visita, é? Isso está me cheirando a remember - brincou e riu quando o lançou um olhar cortante.
- Deixa de ser ridículo, . Somos amigos agora.
- Amigos, ? Sério? - o outro rebateu, descrente, com diversão expressa na voz.
- Qual é o problema? Não posso ser amiga do meu ex-namorado? - questionou, incrédula. Apontou para ao continuar: - O também é meu amigo, ué.
- Todo mundo é amigo de todo mundo, que lindo - ironizou, enquanto amarrava um saco de lixo e, em seguida, o estendeu para a amiga. - , bota esse saco lá fora, por favor?
o pegou e, ao passar por na saída da cozinha, o empurrou pelo quadril antes de seguir até a porta de entrada aos risos. Ela própria não sabia ao certo por que, mas se sentia de muito bom humor desde que botou os pés para fora da cama pela manhã.
Depois de jogar o saco de lixo dentro de uma caixa de metal na lateral da casa, fez o caminho de volta e, ao passar pelo jardim, notou que saía de um carro estacionado no outro lado da rua. Ele pareceu surpreso ao vê-la o esperando, mas, mesmo um pouco hesitante, caminhou na direção dela.
- Oi, - a empresária disse quando ele estava próximo o bastante.
- - o cantor rebateu com um pequeno sorriso. - Eu preciso falar com você.
- Agora? - questionou, olhando para dentro da casa pela pequena fresta que a porta aberta revelava.
- O mais rápido possível, não posso mais fugir dessa conversa.
- Vamos sentar ali - a outra disse, indicando a varandinha da casa dos com a cabeça.
Os dois subiram os degraus que levavam para a varanda e sentaram-se em um banco de madeira com um estofado florido e algumas almofadas coloridas. observou pegar o celular e mexer no aparelho por alguns segundos, até estendê-lo para ela.
- O que é isso? - ela questionou, olhando para a tela do celular com desconfiança. Entretanto, não precisou de uma resposta quando o vídeo começou a rodar e logo reconheceu a si mesma e envolvidos em um beijo tão intenso quanto ela se lembrava de ter sido. Sua primeira reação foi abrir a boca, chocada. - E-eu… Meu Deus… Onde você conseguiu isso?
- Me enviaram anonimamente sem nada escrito. Não tenho a mínima ideia de quem mandou e muito menos qual foi o interesse por trás - respondeu, levantando os ombros. - Mas eu gostaria de saber se você e o estão… juntos.
- O quê? Não! - exclamou de olhos arregalados. - Isso foi há dois ou três meses e não passou de um beijo. Eu nem sei exatamente como aconteceu, nós estávamos conversando e…
- Tudo bem, . Não precisa se explicar - a cortou, pegando o celular de volta. - Só achei que pudesse ter sido depois que a gente ficou e… - ele continuou, mas interrompeu a própria fala com um suspiro. - Quer dizer, eu realmente achei que tivesse sido depois daquele dia que a gente ficou lá em Dublin e me senti um otário.
- Foi exatamente assim que eu me senti quando te vi com a Savannah - rebateu com um sorriso levemente irônico nos lábios. - Como se eu fosse apenas um passatempo.
Quando abriu a boca para responder, foi interrompido pelo som de passos. Ambos olharam na direção da porta de entrada da casa de e e se depararam com , que olhava de um para outro, surpreso.
Ele pigarreou e disse:
- Desculpa interromper, . O pessoal já estava achando que você tinha sido engolida pela lata de lixo. Vim ver se estava tudo bem.
- Está tudo bem sim, - falou, rindo. - Avisa que a gente já vai entrar.
- Certo - o cantor falou e, antes de dar meia volta e adentrar a casa novamente, analisou os dois sentados no banco uma última vez.
Ao se verem sozinhos novamente, o silêncio se tornou um pouco constrangedor.
- Você nunca foi um passatempo pra mim, - falou, quebrando o clima ruim que se instalou entre os dois. - Desculpa, eu fui um babaca.
- Está tudo bem, . Eu só… preciso de um tempo - falou e respirou fundo. Sentia o coração bater forte em seu peito, não estava pronta para deixar os sentimentos que havia varrido para debaixo do tapete virem à tona. - A gente pode conversar melhor outra hora? Não acho que aqui seja apropriado.
- Posso passar na sua casa mais tarde ou amanhã. Você que sabe.
- Amanhã à noite, pode ser? - a empresária sugeriu.
- Beleza.
mostrou um sorriso fraco e se levantou. imitou o gesto e, então, seguiu a mulher para dentro da casa.

A Praia do Camilo era ainda mais bonita do que nas fotos que e viram no Google no caminho da casa de até o aeroporto, era simplesmente maravilhosa. Os dois concordaram que estavam devendo uma para a amiga, já que, além de dar a ideia da viagem e se oferecer para ficar com Travis e Austin durante aqueles dois dias, ela havia escolhido o destino perfeito.
O casal relaxava na areia dourada, admirando a água azul-turquesa e as rochas que circundavam a pequena praia e davam um aspecto ainda mais belo para o local. Assim que chegaram, ficou impressionada com quão límpida aquela água era.
- Um beijo pelos seus pensamentos - falou e beijou o pescoço da esposa, que estava sentada entre suas pernas.
- Estava lembrando de quando a gente se conheceu - respondeu com um sorriso nostálgico. Em seguida, soltou uma gargalhada. - E da sua cara de pau de pedir meu número depois de trocarmos duas palavras.
- O engraçado é que foi justamente a quem me incentivou a pedir - o cantor disse, rindo. - Eu vivia dizendo que você era minha celebrity crush e ela não deixou passar batido quando te viu sentada na mesa ao lado da nossa no Brit Awards.
- Ela estava bem empenhada em juntar a gente. Lembro de uma vez que ela me entrevistou e, quando terminou, ficamos batendo papo. Ela ficava falando tão bem de você que eu até pensei que ela tivesse alguma paixão platônica por você.
Ambos riram com as recordações. Era engraçado lembrar das táticas constrangedoras que utilizou até que os dois, finalmente, ficassem juntos.
- Nós teríamos ficado juntos de qualquer jeito - disse com uma certeza que deixou o marido intrigado. - Não consigo imaginar uma vida sem ao meu lado.
Um sorriso bobo surgiu no rosto de , que, em resposta, puxou a cabeça da esposa delicadamente até que pudesse unir sua boca à dela. O beijo não passou de um selinho cheio de carinho, mas foi o suficiente para encerrar aquele momento com chave de ouro.
- Eu te amo - ele disse contra os lábios de .

não conseguia parar de tirar um monte fotos de Travis, que vestia apenas uma sunga do Batman e tinha uma bóia do Homem de Ferro em cada braço. Ele estava uma fofura.
- Não corre desse jeito, Trav! Você vai escorregar e se machucar - a empresária alertou ao ver o menino correndo pela borda da piscina até se jogar na água destemidamente.
- Tio , vamos apostar corrida até o outro lado! - Travis exclamou e, sem esperar pela confirmação do mais velho, começou a bater os braços na água desajeitadamente.
O dia estava nublado, mas a temperatura favorecia aquela ida à piscina da cobertura do apartamento de . Apesar disso, ela preferiu sentar-se na beira com os pés mergulhados na água, segurando um Austin agitado em seu colo, enquanto assistia Travis brincar na piscina na companhia de . Depois de muita insistência do garoto, se viu obrigada a ligar para e convidá-lo para passar o dia com ela e os garotos.
- , pega o Austin um pouquinho? Acho que ele está louco pra nadar também - falou e esperou o cantor chegar até a borda para estender o garotinho para que ele pudesse pegá-lo.
- Tem certeza que não quer entrar um pouco, ? - questionou enquanto balançava calmamente Austin dentro da água.
- Tenho, . Já falei mil vezes - ela respondeu, rolando os olhos, mas a animação do filho caçula de e a fez rir enquanto pegava o celular para tirar mais fotos. - Olha que coisa mais linda esse peixinho, gente. Depois vou mostrar todas essas fotos pra mamãe e o papai verem como cuidei bem de vocês.
- Por que não cuidaria bem deles? - o cantor questionou com o cenho franzido.
- Porque eu nunca tinha feito isso antes, ué - a outra respondeu, dando de ombros. - Mas até que estou me saindo bem, não acha?
- Claro que está, eles te adoram. Tenho certeza de que você vai ser aprovada nesse intensivão pra ser mamãe - brincou, rindo, e fez uma careta. - Que foi? Não quer mais ser mãe? Quando era mais nova você dizia que queria.
A empresária mordeu o lábio inferior, um pouco embaraçada. Era estranho estar tendo aquele tipo de conversa com o ex-namorado com quem ela tantas vezes conversou a respeito de ter filhos. Com quem ela, de fato, se imaginou formando uma família.
- Sei lá, é um pouco diferente agora que estou mais velha - respondeu, rindo levemente. - Não é que eu não queira ser mãe, só não é momento. Não me sinto preparada. Até porque estou solteira, né? Meus filhos precisam de um pai.
gargalhou, desviando os olhos de para Austin. Quando abriu a boca para dizer que não achava que aquilo era um problema, foi interrompido por um grito de Travis. Os dois adultos se assustaram ao vê-lo cair no choro do outro lado da piscina. Eles estavam tão entretidos no papo que não perceberam que o garoto saiu da piscina e, quando foi pular de volta para a água, escorregou e caiu de queixo no chão.
se levantou depressa e saiu correndo na direção do menino para ajudá-lo a ficar de pé.
- Meu Deus, , ele está sangrando! - ela exclamou, apavorada, vendo o sangue jorrar do queixo de Travis.
O cantor saiu da piscina o mais rápido que conseguiu, já que ainda segurava Austin, o que dificultou o processo. Depois de entregar o menino para , se agachou e, com delicadeza, puxou a cabeça de Travis para cima para que pudesse analisar melhor o machucado.
- É melhor a gente ir ao hospital, estou achando que ele vai precisar levar alguns pontos - ele disse, já esvaziando e tirando as bóias dos braços do mais novo.
estava em estado de choque, mal conseguia confortar Austin, que também caiu no choro ao ver o desespero do irmão. Ela apenas observava andar de um lado para o outro, pegando uma toalha para envolver Travis, outra para secar a si mesmo, e seus pertences, que consistiam em celular, carteira e chave do carro.
- A vai me matar - choramingou, seguindo o cantor na direção da escada que levava ao apartamento.
- Vai ficar tudo bem, . Essas coisas acontecem - respondeu, tentando ajeitar Travis em seu colo ao mesmo tempo que andava.

- Será que os meninos estão bem? A ainda não deu sinal de vida hoje - questionou, levantando a cabeça para checar as horas no relógio pendurado na parede do quarto do hotel em que o casal estava hospedado e constatando que já era quase 11h da manhã.
- Amor, a gente está aqui pra descansar, lembra? Ela não vai ficar mandando mensagem toda hora - disse com a voz abafada, já que ele estava deitado na cama de bruços, com o rosto enterrado no travesseiro.
- É complicado, poxa. Nunca fiquei tanto tempo longe dos meus filhos - ela disse, mas, dessa vez, não obteve resposta.
bufou ao ver que havia caído no sono novamente e voltou a se deitar na cama. Abraçou o marido e se aninhou junto a ele. Apesar de ser a posição mais confortável para dormir, ela acabou ficando alguns minutos apenas apreciando a companhia de . Havia perdido o sono.
- Ei, - ela sussurrou contra o rosto dele. - Acorda, amor. Vamos tomar o café da manhã.
- Só mais cinco minutos - o cantor murmurou.
- Mas já está ficando tarde - retrucou. - E eu queria aproveitar a praia. O dia parece estar bem bonito.
- A gente pode fazer coisas bem mais interessantes aqui nessa cama.
A voz rouca e baixa de fez a mulher sentir um arrepio subir da cabeça aos pés. Às vezes ela até se impressionava com as reações que o marido ainda provocava em seu corpo mesmo depois de quase uma década e meia de relacionamento.
- Tipo o quê? - ela questionou, fingindo um tédio que ela, definitivamente, não sentia.
- Tipo trazer a nossa filha ao mundo - ele respondeu, acariciando a barriga desnuda de .
- Filha? Você está louco? - a mulher exclamou com espanto. - A fábrica está fechada, querido. Sem chances.
- Mas eu quero ter uma menininha, . Por favor - implorou, levantando a cabeça para encarar a outra.
- A gente mal dá conta de dois filhos, imagina três! Pode ir tirando seu cavalinho da chuva.
A mulher não se condoeu com a cara de Madalena Arrependida de e se livrou do cobertor para se sentar no colchão.
- Ah, não. Volta aqui - disse, sentando-se e agarrando a esposa por trás, a fazendo soltar uma gargalhada. - Tudo bem, eu desisto da nossa menininha, por ora, mas vamos ficar aqui mais um pouquinho.
As mãos de deslizaram pela pele de , até segurar os seios dela e os apertarem levemente. Sentindo os beijos e mordidinhas que eram depositados em seu pescoço, a mulher suspirou longamente e teve certeza de que eles acabariam pulando o café da manhã.

Travis corria de um lado para o outro do apartamento de , brincando. Se não fosse pelo curativo no queixo, ninguém diria que ele levou cinco pontos enquanto abria o berreiro no hospital. O pirulito que o médico deu de presente foi o suficiente para o choro cessar e a empresária agradeceu a Deus por isso.
- Eles já devem estar chegando - disse, terminando de arrumar a bolsa de Austin.
- As coisas do Travis já estão arrumadas - gritou da sala, onde estava com os dois garotos.
Alguns minutos antes, havia mandando uma mensagem para dizendo que acabara de chegar a Londres e que passaria de táxi para buscar os meninos. Como haviam chegado na casa da empresária há pouco tempo, já que, depois de saírem do hospital foram almoçar e passear no shopping, teve que correr de cômodo em cômodo para juntar as coisas dos meninos que estavam espalhadas e arrumar tudo para que pudesse devolvê-los aos pais.
O celular de vibrou em seu bolso e ela o pegou, encontrando uma nova mensagem da amiga.
- Vem, meninos. Papai e mamãe já estão lá embaixo.
Com a ajuda de , ela pegou as coisas dos meninos e os levou para o elevador. Ela tentava espantar o nervosismo, pois não havia mencionado nas mensagens para que o filho dela arranjara um machucado que, muito provavelmente, deixaria uma cicatriz permanente em seu queixo e tinha medo de qual seria a reação.
Quando chegaram à portaria, já puderam ver do lado de fora do táxi. Travis saiu correndo na direção do pai.
- E aí, Batman? Se divertiu com a tia ? - o cantor perguntou, abraçando o filho, que assentiu com a cabeça. - Ei, rapaz. O que é isso no seu queixo?
- Aconteceu um pequeno acidente - falou, soltando um risinho angustiado. - Ele escorregou na piscina e bateu com o queixo no chão. Precisou levar cinco pontos.
- Meu Deus, filho! Você está bem? - , que prestava atenção no que acontecia no lado de fora do carro, questionou, preocupada, e saiu do táxi.
- Já parou de doer, mamãe - Travis disse e abriu um sorriso. - O tio disse que super-heróis sempre se machucam.
Mesmo assustada, acabou rindo.
- Que bom, então, meu super-herói - ela disse, sorrindo, e puxou o filho para um abraço. - Mas não mata mais a mamãe do coração, está bem?
- Desculpa por isso, gente - falou, sem graça. - Eu até falei várias vezes pra ele não ficar correndo no piso molhado, mas a gente acabou se distraindo.
soltou Travis e se levantou, encarando a amiga. Depois de a analisar por dois segundos, seus olhos caíram em , e só então ela estranhou a presença do homem.
O que estava fazendo ali?
- Sei… - ela disse, estreitando os olhos, reação que não passou despercebida por .
- Relaxa, . Esse pestinha é assim mesmo, vive se machucando - falou, bagunçando os fios de cabelo do filho. - Vamos embora, amor?
A cantora assentiu e se aproximou da amiga para puxá-la para um abraço.
- Sua safada - sussurrou e riu quando se afastou e viu que a outra entendera que ela se referia a e que, por sua expressão, havia se ofendido. Em um tom de voz mais alto, continuou: - Obrigada por tudo, . Outra hora te conto como foi a viagem com calma.
Depois de se despedirem da família e assistirem os quatro irem embora no táxi, e retornaram para o apartamento da mulher, já que o cantor tinha deixado suas coisas na mesinha de centro da sala de estar.
- Eu disse que ia dar tudo certo - ele falou com um sorriso no rosto, sentando-se no sofá.
- Hoje pude ter certeza de que esse negócio de ter filho não é pra mim mesmo - brincou, fazendo o outro gargalhar, sentando-se ao lado dele.
- Ninguém nasce sabendo ser mãe ou ser pai, é algo que se aprende na marra - disse e a empresária o olhou, fingindo espanto.
- Você tem um filho e está escondendo isso da gente, por acaso? - ela debochou e riu. - Acho que tenho que te agradecer, . Por ter vindo me fazer companhia quando eu te acordei com uma ligação, com toda a boa vontade do mundo, e por ter controlado a situação quando eu estava em pânico.
Um sorriso surgiu nos lábios de , enquanto se aproximava para o envolver em um abraço e depositar um beijo em sua bochecha. Ele não a deixou se afastar e puxou o rosto dela para si. Quando sentiu os lábios do ex-namorado tocarem os seus, a empresária arregalou os olhos. Ela, definitivamente, não esperava por aquilo.
se afastou, mas tão pouco que suas bocas ainda roçavam uma na outra, e esperou por alguma reação. Assistiu com atenção a fechar os olhos, e foi o suficiente para ele beijá-la mais uma vez.
Em um segundo, o beijo era apenas um selinho; no segundo seguinte, os dois estavam imersos em um beijo de tirar o fôlego.
, sem perceber, deixou que guiasse o beijo, exatamente como acontecia quando eles namoravam. Ela amava o jeito ao mesmo tempo calmo e intenso com que ele a beijava, com um cuidado que fazia o peito dela se aquecer. O toque dos lábios dele reviviam tantas memórias boas e ruins, assim como o gosto tão familiar de menta que disfarçava o de cigarro. Ela mal notou quando , calmamente, se impulsionou para frente, a fazendo se deitar no sofá.
Minutos se passaram e eles, cada vez mais, se perdiam no gosto um do outro, no corpo um do outro. As mãos deslizavam pelas peles com cautela, como se estivessem conscientes de que existia uma linha imaginária que indicava um limite que não podia ser ultrapassado. Sensações conhecidas começavam a se concentrarem no baixo ventre de conforme ela sentia o polegar de subir pela parte interna de sua coxa. Por mais leve que o toque fosse, ela estava tão sensível que seria impossível não apreciá-lo, bem como os lábios do homem descendo para o seu pescoço e sugando a pele da região suavemente. A ereção de , mesmo que coberta pela bermuda que ele vestia, não passou despercebida quando esbarrou na coxa de . Ela não se surpreendeu, também sentia a excitação crescer dentro de si mais e mais.
Um desconforto, entretanto, a fez afastá-lo.
- Preciso fazer xixi - ela sussurrou ao se deparar com a confusão nos olhos de .
Ele riu anasaladamente e saiu de cima de , permitindo que ela se levantasse do sofá.
- Já volto - ela disse e mostrou um sorriso, que logo foi retribuído.
respirou fundo, observando sumir pelo corredor com um sorriso satisfeito nos lábios. Sentia-se outra pessoa, era incrível como alguns minutos de amasso com a ex-namorada funcionaram como uma recarga de energia. Ele se ajeitou no sofá, tentando se recompor e disfarçar o volume mais do que evidente dentro de suas calças. Não sabia se aquela interrupção havia sido um sinal amarelo da parte de , mas achava que era melhor parar por ali. Sequer tinha em mente que aquilo acontecesse, mas, vendo-a tão próxima em um momento só deles e de mais ninguém, a única coisa que passava em sua cabeça era a vontade de beijá-la que ele sentia e precisava sanar desesperadamente.
No banheiro, encarou o sorriso bobo em seu rosto no reflexo do espelho por alguns segundos e o desfez, fazendo uma careta. Desabotoou o short jeans e o abaixou junto de sua calcinha e, em seguida, sentou-se no vaso sanitário. Conforme sua bexiga esvaziava e trazia um alívio, a ficha começava a cair. Ela ainda sentia os toques dos lábios e dos dedos de e começava a se assustar.
Havia beijado , seu ex-namorado, o cara por quem ela passara anos a fio se afogando nos sentimentos tão antagônicos que sentia em relação a ele.
A raiva e a culpa.
A empresária sequer imaginava que, um dia, eles conseguiriam voltar a ser amigos. Qualquer envolvimento romântico entre eles estava fora de cogitação. Não que uma esfregação no sofá tivesse algum significado romântico, mas, para o desespero de , ela sabia que aquela tinha.
Aquele que ela vinha redescobrindo nos últimos meses era tão parecido com o por quem ela costumava ser perdidamente apaixonada.
A campainha soou pelo apartamento, a fazendo despertar e perceber que já não tinha mais motivo para permanecer sentada no vaso sanitário.
- Abre a porta por favor, ! - ela gritou para que o outro escutasse.
Depois de se limpar com o papel higiênico e se vestir, andou a passos largos até a sala de estar e se espantou ao encontrar e se encarando. Ela pôde perceber que eles questionavam silenciosamente a presença um do outro. Sua chegada não demorou a ser notada e o constrangimento dos três era quase palpável.
- Até mais, - se pronunciou e sorriu quase imperceptivelmente.
Seus olhos sequer se cruzaram com os de , que apenas murmurou um tchau e o assistiu sair do apartamento e fechar a porta atrás de si sem fazer qualquer coisa para impedir. Naquele momento, ela estava mais preocupada com , que a encarava com uma intensidade desconcertante. Ela se xingava mentalmente por, em meio aos acontecimentos inesperados daquele dia, ter se esquecido completamente da visita de .
- O que foi? - questionou, incomodada com o silêncio.
- Só estou tentando criar uma hipótese plausível pra você ter mentido pra mim - o outro rebateu, cruzando os braços.
- O quê? Eu não menti pra você! - ela exclamou, chocada.
- Você podia ter me dito ontem que você e o estão juntos de novo, isso ia poupar essa situação constrangedora que acabou de acontecer aqui.
- Mas que merda, . Quer saber de uma coisa? - ela questionou, andando raivosamente até a porta e a abrindo em um movimento impaciente. - Vai embora da minha casa, por favor.
- Isso é sério? - o cantor questionou, rindo em sinal de descrença. - Você vai me expulsar?
- Eu realmente acho que a gente precisa conversar, mas, se você veio até a minha casa pra ficar insinuando coisas, não estou nem um pouco interessada em esclarecer porra nenhuma.
- Você sabe que isso só faz parecer ainda mais que o que eu acho é verdade, né? - disse em um tom irônico que irritou mais ainda.
- Que se dane o que você acha, ! - ela exclamou, sem soltar a maçaneta da porta aberta. - Eu não tenho nada com o e nem com você. Para de agir como se eu estivesse te traindo. Em momento nenhum eu me dei o direito de jogar na tua cara que você transou comigo e ficou agindo todo apaixonadinho, enquanto continuou com a Savannah. Como se se relacionar com duas mulheres ao mesmo tempo fosse a coisa mais maneira do mundo.
- Eu não estava mais com a Savannah desde que fiquei com você, - disse em um tom de voz um pouco mais controlado, começando a se arrepender por ter iniciado aquela discussão. - Sim, eu estava com ela naquele dia lá no estúdio porque fiquei com raiva daquele maldito vídeo seu e do se beijando, mas não passou daquilo. A Savannah é minha amiga.
- Só vai embora, . Por favor - falou, indicando o corredor do andar em que morava, sem demonstrar se as palavras do homem haviam a amolecido ou não.
Sem encontrar outra saída, soltou um longo suspiro e se retirou do apartamento. A porta bateu atrás dele assim que ele pisou no corredor.

Ao deixar o prédio de , sentou-se atrás do volante de seu carro e dirigiu até a casa de Savannah, por mais irônico que ele sabia que aquilo seria. Apenas a sensatez da loira seria capaz de confortá-lo.
Ou, talvez, fosse de um corpo feminino para descontar sua frustração que ele precisava. Aquilo seria sujo e não ajudaria em nada, mas sentia-se exausto de criar expectativas de um futuro em que ele e estariam juntos e felizes, um futuro em que ele pudesse dizer eu te amo sem que soasse como algo errado.
Ele estava cansado de julgar o amor que sentia por como algo errado.
Quando se deu conta, estava batendo na porta do apartamento de Savannah. Entretanto, quando ela surgiu na sua frente, todos aqueles sentimentos conturbados que dominavam seu corpo desapareceram para dar lugar à preocupação.
- O que aconteceu, Savy? Por que você está chorando?
A loira balançou a cabeça de um lado para o outro, dando a entender que não queria falar sobre o motivo de suas lágrimas. a envolveu em um abraço apertado.
- O amor é a pior coisa que já me aconteceu, - ela falou com a voz embargada. - Só me trouxe sofrimento.
- Eu queria ter argumentos pra dizer algo diferente disso - ele rebateu, rindo tristemente.
Savannah se afastou o suficiente para encará-lo nos olhos e, ao notar a tristeza neles, chocou sua boca à de .


Capítulo Dezenove

I'm feeling your frustration
But any minute all the pain will stop
Just hold me close inside your arms tonight
Don't be too hard on my emotions

Patience - Take That

Setembro de 2026

estava deslumbrante com um vestido longo e justo de um tom marrom bem escuro que destacava seus quadris e deixava parte de sua perna direita, coberta por uma meia calça bordada, à mostra por uma fenda. Apesar de simples, o decote em V profundo trazia uma sensualidade extra para o Versace escolhido pela empresária para ir à estreia do filme estrelado por sua amiga . No caminho da portaria de seu prédio até a limusine, todos os olhos pelos quais passou admiravam quão bela ela estava naquela noite. Até mesmo o motorista, que cavalheiramente abriu a porta para que ela entrasse no automóvel, precisou pigarrear para se recompor e desejar uma boa noite.
- Minha nossa! , você está maravilhosa - elogiou assim que a amiga se acomodou no banco e o motorista pôde reassumir a direção da limusine.
- Estou até me sentindo um pinguim agora. Valeu, - Molly brincou, fazendo a outra rir.
- O pinguim mais lindo do mundo - disse, entrando na brincadeira, e puxou a namorada para um beijo rápido.
- Obrigada, meninas. Vocês também estão lindas - falou com um sorriso simpático que, em seguida, virou uma careta de descontentamento. - E muito bem acompanhadas, né? Diferente de mim, que estou indo sozinha.
- Fica tranquila, você não é a única - debochou, indicando com a cabeça.
A empresária olhou para o lado, onde estava sentado, e sorriu ao vê-lo levantar dois dedos, formando o sinal da paz.
Pouco mais de um mês havia se passado desde o fatídico dia em que os dois se entregaram a um amasso no sofá de e, depois que apareceu no apartamento dela, fora embora não parecendo muito contente. O ex-namorado não voltou a mencionar tais acontecimentos e tratava como se nada tivesse acontecido. Ela não achava isso ruim, de forma alguma, era um pouco menos perturbador do que ser ignorada. , que aparentemente havia voltado com Savannah, simplesmente vinha fingindo que ela não existia.
- Bonitona do jeito que está, aposto que você arranja um ator hoje - Molly falou, rindo.
- Outro? Não, chega de namorado famoso - disse com uma careta. - O próximo vai ser, sei lá… um dentista?
- Isso é meio esquisito, . Ele vai te conhecer com a boca toda arreganhada pra examinar os seus dentes e vai se apaixonar? - disse, olhando torto, e a empresária acabou por soltar uma gargalhada.
- Qual profissão você sugere, então? - ela questionou e o outro apenas deu de ombros.
- Eu já namorei com um dentista - Molly disse, atraindo a atenção de todos. - E conheci ele na casa de uma amiga minha, ele é primo dela.
- Ei, que história é essa de ex-namorado? - questionou, abrindo a boca em choque. - Você nunca tinha beijado na boca antes de me conhecer.
Todos riram, especialmente Molly, que soltou uma gargalhada alta.
- Meu amor, você anda muito iludido - ela disse em meio a risos.
- Eu fui seu primeiro namorado, sim. Ai de você se disser que não - o outro voltou a falar com uma falsa seriedade.
- Melhor nem perder meu tempo contrariando maluco, né?
Molly, que ainda ria, soltou um gritinho quando a puxou com força para si e beijou seu pescoço.
sorriu enquanto observava a troca de carícias entre os dois, notando que eles combinavam tanto como casal que era até bonito de se ver. Estava tão distraída que sequer notou que mal conseguia tirar os olhos dela, ele estava completamente hipnotizado pela beleza da ex-namorada.
- Eu posso apresentar meu dentista pra você, . Ele deve ter uns 60 anos, mas é um coroa bonitão e acho que é divorciado - disse com um sorriso esperto e piscou um olho.
prendeu o riso e apenas rolou os olhos em resposta.

Quando os créditos surgiram no telão junto aos erros de gravação, todos os convidados aplaudiram de pé. Ninguém tinha dúvidas de que seria uma das melhores comédias românticas do ano. A atuação de foi ótima, leve e descontraída, exatamente como Kimberly, a protagonista, exigia e, inclusive, arrancou diversas risadas do público ao longo de toda a exibição do filme.
Entretanto, a noite estava apenas começando, pois uma after party no salão de um hotel 5 estrelas de Londres seguiria a exibição do filme.
estava para lá e para cá conversando com outros atores e profissionais ligados ao cinema, bem como dando entrevistas para jornalistas que cobriam a estreia do filme. , como o marido orgulhoso que era, a acompanhava com um sorriso bobo no rosto. e o restante dos amigos, em contrapartida, aproveitavam a festa sentados em uma mesa reservada para eles. Bebiam e conversavam sobre o filme, a preparação para a produção do primeiro álbum do HomeTown e banalidades.
- Já volto, galera. Vou ao banheiro - anunciou antes de se levantar e cruzar o salão sobre seus saltos.
Caminhou tão distraída, cumprimentando conhecidos pelo caminho, que sequer notou que seus passos estavam sendo seguidos de perto. Quando abriu a porta de uma das cabines para adentrá-la, o barulho da porta do banheiro batendo com força a fez levar um pequeno susto e olhar para trás.
- Ei, o que você está fazendo? - ela questionou ao ver Savannah rodar a chave na fechadura e, em seguida, guardá-la entre os seios.
- Eu vou te fazer uma pergunta e espero que você seja muito sincera - a loira disse em um tom sério, cruzando os braços. - Qual é a sua, ? O que você sente pelo ?
ficou paralisada por alguns segundos, tentando assimilar o questionamento da outra.
- É sério que você veio tirar satisfação por causa do ? Eu não quero e não vou atrapalhar o namoro de vocês - afirmou em um tom levemente ofendido, fazendo a outra rolar os olhos e soltar uma gargalhada.
- Eu vou te dar um desconto porque a gente mal se conhece, ok? Eu jamais botaria outra mulher na parede por causa de um cara. Cada um tem o livre arbítrio de ficar ou não com quem bem entender - Savannah disse e soou tão sincera que a empresária decidiu deixar de lado a postura defensiva e relaxou. - Vocês precisam se resolver, nem que seja para você dizer que não quer nem a amizade dele. O é louco por você, mas está com o orgulho ferido e é a pessoa mais cabeça dura que eu já conheci na minha vida. Ele não vai dar o primeiro passo.
- Eu estava disposta a dar uma chance para a gente, mas as coisas sempre se complicam quando eu me envolvo com o - rebateu e soltou um longo suspiro. - Sinto como se não fosse pra ser, sabe?
- Então você gosta dele?
encarou a loira, que também a fitava com curiosidade, ponderando as respostas que poderia dar àquela pergunta tão pessoal feita por alguém que não era sequer sua amiga.
- É claro que eu gosto do - ela disse, sentindo-se confortável o bastante para ser sincera com Savannah. - Mesmo com todas as nossas diferenças, a gente fez amizade logo que nos conhecemos. A gente sempre se deu muito bem. Eu já pensei sobre isso algumas vezes e, se o não tivesse se aproximado de mim antes, acho que talvez tivéssemos ficado juntos lá no passado.
- Você acha que daria mais certo com ele do que com o ? Ou ia preferir voltar com o , caso tivesse a oportunidade? - a outra questionou com interesse, fazendo rir anasaladamente.
- Eu não gosto de comparar os dois, eles são completamente diferentes. O relacionamento que eu poderia ter com o não seria nem um pouco parecido com o que eu tinha com o - respondeu com a convicção de quem já havia parado para pensar sobre o assunto diversas vezes. - Mas eu tenho curiosidade de saber se a gente daria certo juntos.
- E por que você não fala isso pra ele? - Savannah questionou, pondo as mãos na cintura. - O é tão inseguro quando se trata de você. E isso é até engraçado, porque ele não é assim. Se ele soubesse que você também tem vontade de ficar com ele, as coisas se ajeitariam.
- Eu me sinto exausta - disse, respirando fundo, e fitou o chão do banheiro, onde podia ver seu próprio reflexo. - Parece que nós dois juntos não é algo certo. Se eu pudesse voltar no tempo, eu provavelmente nem teria ficado com ele.
- É sério que você ainda se arrepende por isso, ?
- É claro que me arrependo - ela respondeu com obviedade expressa na voz. - Eu traí o meu namorado e ele traiu o melhor amigo dele. O não merecia ser magoado dessa forma pelas duas pessoas que ele mais amava.
- O problema é que o não foi o único magoado nessa história - Savannah disse, levantando os ombros.
passou a mão no cabelo, tomando cuidado para não desarrumar o penteado, suspirando.
- O que você quer de mim, afinal?
- Eu não quero nada de você. Só vim te dar um toque, quem tem que tomar qualquer tipo de decisão é você mesma - a outra rebateu e riu baixo. - Só não vá lamentar se o se cansar dessa lenga-lenga e decidir seguir em frente com alguém que se importe com os sentimentos dele.
- Você, no caso - a empresária murmurou, sorrindo ironicamente.
- Por que não? - Savannah questionou e mostrou um sorriso que deixou claro que ela estava se divertindo com a situação. - Temos que concordar que, no momento, eu estou um passo à frente. Sou eu quem ele procura quando precisa e é comigo que ele tem dormido.
riu com descrença e balançou a cabeça de um lado para o outro, se negando a admitir para si mesma que o sentimento que crescia dentro de si era uma mistura de ciúme e inveja. É claro que Savannah tinha razão, ela já não era mais tão importante na vida de há muito tempo. A empresária começava a se arrepender por ter escancarado seus sentimentos para uma pessoa que, por mais compreensiva que estivesse sendo, também tinha seus próprios interesses.
Puxando a barra do vestido para cima, caminhou até a porta e fitou o sorrisinho irritante nos lábios de Savannah de perto.
- Abre a porta - disse com firmeza.
A loira apenas deu de ombros e tirou a chave do meio de seus seios para, em seguida, destrancar a porta e liberar a passagem.
se esqueceu completamente do que tinha ido fazer ali e saiu do banheiro. Precisou respirar fundo para não se abalar quando se deparou com do lado de fora. Ele a analisou de cima a baixo com curiosidade, notando algo de errado, e franziu o cenho ao ver Savannah sair pela mesma porta.
Sem dizer nada, a empresária saiu caminhando a passos largos, desejando ficar o mais longe possível dos dois.
- Posso saber o que rolou aí dentro? - questionou, sério, fitando a loira.
- Não - Savannah disse, simplesmente, e se aproximou de para depositar um beijo rápido nos lábios dele.
Sem reação, ele se deixou ser arrastado de volta à mesa e, por mais curioso que estivesse para saber o que Savannah havia aprontado, acabou sendo obrigado a deixar o assunto para depois ao se ver no meio de seus amigos novamente. Se pegou olhando à sua volta, buscando por , mas ela não voltou para a mesa.

chegou à sacada e tirou cigarro e isqueiro do bolso interno do paletó. Colocou o primeiro na boca e o acendeu com o segundo, logo dando a primeira tragada. Conforme soltou a fumaça, se deixou relaxar e passar os olhos por todo o ambiente, até reconhecer a alguns metros de distância com os cotovelos apoiados no parapeito, imersa em pensamentos. Ele caminhou até ela e imitou sua posição, apoiando os dois antebraços no parapeito enquanto observava a noite londrina e fumava.
- Está tudo bem, ? - questionou entre uma tragada e outra após não receber nada mais do que uma olhada de canto.
- Não - ela respondeu, simplesmente, sem tirar os olhos da rua.
- Quer conversar sobre isso? - perguntou, cuidadoso.
- Não sei se seria… adequado - a outra respondeu e, ao ver a confusão no rosto dele, completou: - Tem a ver com o .
meneou a cabeça, assentindo, e deu uma última tragada antes de apagar o cigarro e jogá-lo em uma lixeira próxima.
- Nós já conversamos sobre isso, . Você não precisa ficar cheia de dedos por causa dele, nem me encarar como seu ex-namorado. Eu sou seu amigo, você pode desabafar comigo - ele disse com sinceridade e suspirou, se virando de costas para a paisagem que admirava anteriormente, e apoiou o corpo no parapeito.
- Eu fiquei com ele recentemente - ela revelou e não pôde deixar de reparar que não pareceu nem um pouco surpreso. - Mas o me deixa completamente confusa. Ele diz que sempre foi apaixonado por mim, mas, quando temos a oportunidade de recomeçar, ele usa o primeiro motivo idiota que encontra para brigar comigo e se fazer de vítima. E eu acabo me sentindo como a culpada por todos os problemas do mundo, enquanto ele está lá se divertindo com essa… Essa... - falou com irritação, buscando pela palavra menos ofensiva possível que pudesse usar naquele contexto, mas acabou desistindo. - Com a Savannah.
soltou uma risada e voltou a se apoiar no parapeito, fitando de perto.
- , a gente está falando de . Você sabe como ele é brigão e orgulhoso. É o jeito dele - disse, dando de ombros. - A Savannah é só um jeito de ele mostrar que não está saindo por baixo. Uma hora ou outra ele vai perceber que está sendo babaca.
- O motivo do nosso desentendimento foi você - confessou e, ao absorver as palavras, ficou espantado. - Talvez eu devesse ter te contado isso antes, mas um número desconhecido mandou pra ele um vídeo da gente se beijando no parque.
- Ai, caralho - ele murmurou e bufou, irritado. - Foi a Nadine.
- O quê? - a outra questionou, alarmada.
- Ela também me mandou um vídeo de vocês dois. O te deixando em casa e vocês se beijando - explicou e os olhos de se arregalaram ao mesmo tempo em que ela se dava conta de que tal vídeo havia sido gravado quando eles voltavam da festa promovida por David Beckham. - A Nadine está puta da vida porque eu terminei com ela e queria me afetar de alguma forma, mas eu simplesmente ignorei, não tenho por que me ofender com isso. Ela pensa que eu terminei para ficar com você, não entende que foi porque eu não aguentava mais empurrar esse relacionamento com a barriga.
- Essa mulher é doida, - foi tudo o que conseguiu dizer em meio ao choque. Respirou fundo antes de continuar: - Depois que ela veio me ameaçar, eu até acredito que ela queira causar discórdia entre a gente, apesar de não entender qual é o sentido disso. Mas o que ela ganha alimentando intriga entre o e eu?
coçou a barba, desviando os olhos dos de para a vista privilegiada que tinham dali do hotel.
- Quando a gente está com o orgulho ferido, a felicidade alheia incomoda - ele disse e fitou a empresária para constatar que ela o observava com atenção. - Eu sei que já superamos isso, mas eu não agi muito diferente da Nadine quando descobri que você e o continuaram ficando depois que você me contou que tinha dormido com ele. Eu assumo que fui egoísta e não parei pra pensar que você pudesse estar sofrendo tanto quanto eu e procurando por conforto, preferi tomar a decisão estúpida de tentar te fazer se sentir um lixo, exatamente como eu estava me sentindo.
- Eu sinto muito, - falou em meio a um longo suspiro. - Eu sei. E eu também sinto - o outro rebateu com um sorriso desanimado. - Sinto muito pela Nadine também. Vou tentar conversar com ela, . Se ela quer se vingar de alguém, que seja de mim, e não de você, que não tem nada a ver com a história.
retribuiu o sorriso e passou os braços pelos ombros de , o puxando para um abraço de lado. Deitou a cabeça em seu ombro e deixou que o silêncio se instalasse entre os dois por algum tempo, enquanto escutavam a música vinda do salão.
- , você acha que a gente ainda estaria juntos se isso tudo não tivesse acontecido?
- Não - ele respondeu com uma certeza que surpreendeu . Com um sorriso divertido, continuou: - Mais cedo ou mais tarde, você teria enjoado de mim.
- Você tem razão - retrucou, entrando na brincadeira, e sorriu quando sentiu abraçá-la de lado pela cintura.

- Desembucha, Savy. O que você e conversaram naquele banheiro? - finalmente pôde perguntar quando Savannah resolveu dar uma volta pelo salão e o chamou para ir junto.
- Não te interessa - ela respondeu com um sorriso esperto e deu um rápido apertão no queixo dele.
- É claro que me interessa. A saiu pálida de lá de dentro - ele disse, indignado.
- Uau, aquele é o Russ Royce? Ele é mais gato ainda pessoalmente - Savannah disse, admirando o ator de cima a baixo, ignorando completamente , que bufou e a puxou pelo braço para ter sua atenção.
- Savannah, eu não quero que você se meta, beleza? Isso é problema meu.
A loira soltou um longo suspiro e puxou seu braço para soltá-lo da mão de .
- Relaxa, eu não vou me meter - ela disse, levantando as mãos em sinal de rendição. - Eu só dei um toque nela porque não gosto de te ver chateado assim. Mas eu também acho que você tinha que tomar uma atitude, já te falei isso.
abriu a boca para responder, entretanto, travou quando reconheceu o vestido que estava usando naquela noite e, de longe, pôde vê-la abraçada a na sacada. Balançou a cabeça em negação e riu ironicamente, decepcionado ao concluir que sequer foi capaz de assumir que algo estava rolando entre ela e .
Savannah se limitou a rolar os olhos, não esperava que corresse para na primeira oportunidade depois do que havia sido dito no banheiro. Talvez realmente fosse perda de tempo insistir naquele amor platônico que nutria por ela.
- Por que eu me importaria com a quando tenho a mulher mais bonita da festa bem na minha frente?
Savannah soltou uma gargalhada e aproximou o rosto do ouvido dele.
- Repete isso mais umas mil vezes. Quem sabe você não começa a acreditar? - sussurrou e colou seus lábios aos de .
As mãos de foram para a cintura da mulher, conforme correspondia ao beijo com vontade, ansiando por limpar sua mente de qualquer coisa que não fosse ele e Savannah.
- Eu reservei um quarto para a gente - ele murmurou contra os lábios dela ao interromper o beijo.
- E você só me diz isso agora?
riu e segurou uma das mãos de Savannah para guiá-la na direção do hall dos elevadores.
Não sem antes olhar para trás e ver sorrindo enquanto pegava duas taças de vinho da bandeja que um garçom levava.

- Cadê o garçom? Quero mais uma taça - disse, olhando para os dois lados e balançando a taça vazia na mão.
- Você não acha que já bebeu o suficiente, ? - rebateu e, rindo, tirou a taça da mão dela antes que a mesma escorregasse e fosse parar no chão. - Duas taças de vinho desse tamanho não é pouca coisa, não.
- Acho que eu já estou um pouco bêbada, pra falar a verdade. Minha resistência pra bebidas alcoólicas já não é a mesma de antigamente - a outra admitiu com um sorriso de canto. - Mas pode ficar tranquilo, , ainda está tudo sob controle. Eu estava precisando dar uma relaxada.
- Não precisa encher a cara, tem outras formas de relaxar.
- Tem, é?
não conteve uma gargalhada quando viu o sorriso malicioso que surgiu nos lábios da mulher, enquanto ela o olhava de cima a baixo de uma maneira insinuante.
- Eu estava falando sobre dançar - ele disse, enfatizando a última palavra, e acabou perdendo a pose e deixando uma risada escapar. - Tem uma pista de dança enorme lá dentro, cheia de atores famosos bêbados pagando mico. Vai perder essa oportunidade?
- Depende. Você vai dançar comigo? - questionou, entrelaçando as mãos atrás do próprio corpo e abriu um sorriso bastante persuasivo conforme piscava os olhos diversas vezes com uma lentidão exagerada.
Suspirando, desviou os olhos dos dela e balançou a cabeça de um lado para o outro.
- Nem pensar, você sabe que eu odeio dançar.
- Deixa de frescura, - a empresária disse, fazendo uma careta.
Ela tirou as taças que segurava das mãos dele para, em seguida, deixá-las sobre a base de concreto de um canteiro de flores. Ele colocou as mãos para trás, fugindo quando tentou segurá-las.
- Não estou no clima pra isso, .
- Mais um motivo pra você vir dançar comigo - ela disse, rindo, e agarrou o braço do cantor. - Vem, vamos nos divertir.
- Finalmente te achei, ! - uma voz conhecida exclamou, a fazendo soltar e girar os calcanhares.
Um sorriso de orelha a orelha tomou conta de seu rosto quando ela reconheceu o homem elegante vestido com um smoking e gravata borboleta parado a alguns metros de distância.
- Luke! - ela exclamou e puxou a barra do vestido para caminhar até ele, que a recebeu de braços abertos.
se deixou ser envolvida pelos braços do ex-namorado e retribuiu o abraço com força.
- Você cortou o cabelo - ela disse, surpresa, quando eles se afastaram e deu um passo para trás para analisá-lo de corpo inteiro. - Nossa, você está muito gato.
- Olha quem fala. Você está maravilhosa - o ator respondeu, mostrando o sorriso encantador que costumava fazer suspirar. - Eu queria ter te procurado antes, mas estava enrolado com as gravações de uma nova série.
- Tudo bem, eu também ando toda atolada com o trabalho.
- Novidade… - ele rebateu, rindo, e a outra sorriu tristemente, levantando os ombros ao se dar conta de que aquele havia sido justamente o fato de o namoro dos dois ter chegado ao fim. - Está tudo bem, . O importante é que você esteja fazendo o que gosta.
- Eu estou muito animada com o HomeTown, os garotos são uns amores - ela disse com o tom maternal que sempre acabava usando ao falar deles. - Você já ouviu o primeiro single? Com menos de uma semana já estava em primeiro lugar nas paradas.
- Where I Belong, né? Eu escutei sim, eles cantam bem.
- O quem escreveu e produziu junto com os outros garotos - explicou com um sorriso orgulhoso nos lábios. - Está sendo bem legal trabalharmos todos juntos. Daqui a algumas semanas vamos para a África do Sul gravar dois clipes.
- Legal, tem umas paisagens bem bonitas por lá.
- Tem mesmo. A gente deve gravar um deles em umas montanhas, o resultado vai ficar bem bacana.
- É bom te ver com esse brilho nos olhos - Luke disse, fazendo sorrir. Suspirando, ele confessou: - Ainda estou me acostumando a ser solteiro de novo. É ruim não ter ninguém pra reclamar da minha bagunça.
- Aquele apartamento deve estar um chiqueiro! - a empresária falou e riu alto.
- Posso te fazer uma pergunta? - o ator questionou, desviando os olhos para o homem que agora estava sentado em um banco e fitava a tela do celular como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Quando assentiu com a cabeça, continuou: - Você e o estão juntos?
- O quê? Não! - ela exclamou com espanto.
- É que eu soube que ele terminou com a noiva e vocês estão aqui, sozinhos e longe de todo mundo. Pareciam bem próximos quando cheguei.
- A gente vem se aproximando desde que ele me pediu para ser sua nova empresária - explicou, dando de ombros. - Acho que já estava na hora de superar o passado, né?
- Acho que ele não está gostando muito de te ver conversando comigo. De vez em quando lança uns olhares assassinos pra cá - Luke disse e a mulher riu, balançando a cabeça de um lado para o outro. - Vem cá, me dá um abraço pra gente se despedir e ele morrer de ciúmes.
- Você não presta, Luke - falou e gargalhou quando o ex-namorado a puxou para um abraço.
- Deixa ele sofrer um pouquinho - ele disse em um tom divertido e fez questão de depositar um beijo no pescoço descoberto da mulher quando percebeu que os observava. Ao se afastar de , falou: - Eu não costumo ser tão altruísta assim, mas você devia dar uma chance pra ele.
- Você está louco - a outra rebateu, soando quase ofendida.
- É sério, . Ainda sinto a sua falta, mas quero que seja feliz.
- Com o ? - ela questionou, sussurrando o nome do outro ex-namorado, mas enfatizando-o de forma que deixava claro quão absurda achou aquela ideia.
- Por que não? Ele ainda sente alguma coisa por você.
- Como você tem tanta certeza, sabichão? - questionou, pondo uma das mãos na cintura, desafiadora.
- O jeito que ele te olha, como se você fosse inalcançável. É o mesmo jeito que eu te olhei nas nossas últimas semanas de namoro - Luke confessou e riu baixo, enquanto a mulher respirou fundo e soltou o ar com força, desviando os olhos para o chão. - Ele sabe que foi um imbecil por não ter te dado uma chance de se desculpar.
permaneceu fitando o chão em silêncio. Se pegou pensando no que Luke acharia se soubesse que ela ficou com e estava decepcionada por terem se desentendido. E se a julgaria por também ter beijado em duas oportunidades.
- Você precisa se entender consigo mesma, . Se perdoar e seguir em frente - o homem aconselhou com um pequeno sorriso nos lábios e piscou um olho. - E parar de perder seu tempo com relacionamentos que não são o que você realmente quer pra você.
- Eu não acho que o nosso namoro foi perda de tempo, Luke. Deu certo enquanto tinha que dar.
- Espero ter sido um bom namorado - ele brincou.
- Você foi ótimo. E, se quer saber, está sendo o melhor ex-namorado que eu já tive - a empresária disse, arrancando uma gargalhada do ator.
- Em alguma coisa eu tenho que ganhar do , né? - ele rebateu com diversão. - Eu vou lá, . A Melinda está me esperando.
- Quem é Melinda? - questionou, estreitando os olhos.
- Uma gatinha aí… - Luke respondeu, zoando, e piscou um olho.
- Você já está me trocando por outra, que absurdo! - a outra exclamou e estalou um tapa no braço dele.
- Ela é meu par romântico na nova série - ele explicou, rindo.
- Isso está com cheiro de que vai virar romance na vida real - insinuou com um sorriso divertido.
- Quem sabe? - Luke rebateu, dando de ombros, e os dois acabaram rindo. - Até mais, .
A empresária recebeu um beijo na bochecha e deu meia volta quando Luke seguiu na direção do salão. levantou os olhos quando ela se aproximou e parou na sua frente. Nenhum dos dois disse qualquer coisa, ficaram algum tempo se encarando.
analisou os olhos do cantor e concluiu que talvez Luke tivesse razão. a olhava de um jeito diferente. Um jeito que a amolecia por dentro. Ela sabia que ele jamais admitiria qualquer coisa para ela, pois nunca fora de se abrir em relação aos seus próprios sentimentos, mas os olhos dele nunca mentiam.
- Pra sua alegria - ela começou, quebrando o silêncio que já começava a ficar desconfortável -, eu desisti de dançar. Acho que vou embora.
- Eu te acompanho - o outro disse e se levantou do banco, ajeitando o paletó.
- Não precisa, .
- Minha companhia está indo embora. O que vou ficar fazendo aqui? - questionou, fazendo rir.
- Se é assim, tudo bem. Vamos nos despedir do pessoal.
concordou e acompanhou a empresária até a mesa onde os amigos estavam sentados e conversando animadamente, agora com a companhia de e também. Depois de se despedirem dos dois, olhares curiosos os acompanharam até que eles sumissem de vista.

O caminho foi silencioso em sua maior parte. e estavam sentados no banco traseiro de um dos carros contratados para levarem os convidados para suas casas, cada um perdido em seus próprios pensamentos, apesar de, de vez em quando, trocarem algumas palavras.
Quando o carro parou em frente ao prédio da empresária, o motorista desceu e contornou o automóvel para abrir a porta para ela, que se virou para se despedir de , mas acabou travando.
Fitou os olhos dele, se imaginando dali a alguns minutos sozinha em seu apartamento com um monte de pensamentos confusos rondando sua mente.
Pela primeira vez desde que terminou com Luke, ela se sentia sozinha.
- , você quer subir? - ela questionou, mesmo que soubesse que era uma proposta quase absurda. - Eu só queria uma companhia.
Apesar de surpreso pelo convite, o cantor pôde sentir a sinceridade por trás daquele pedido.
- Tudo bem, .
Os dois desceram do carro e dispensaram o motorista. Caminharam até o prédio e ajudou a subir os degraus da entrada, já que o tamanho de seus saltos dificultava aquela simples ação. Ela apertou o botão do elevador, bufando por ele estar no último andar, e encostou ombro e cabeça na parede. Estava cansada.
- - ela chamou, fazendo-o parar de encarar a parede branca para fitá-la com curiosidade -, você escreveu alguma música sobre mim? Da sua carreira solo, quero dizer.
- Um monte - ele respondeu e riu baixo.
- Tem algumas que eu desconfio que sejam sobre mim - admitiu.
- Quais, por exemplo?
O elevador chegou e os dois adentraram. Enquanto a máquina subia, a empresária repassava as músicas de mentalmente.
- SHE DON’T LOVE ME - ela disse e o outro abriu um sorriso de canto. - iT’s YoU, tRuTh… - continuou, conforme via assentir com a cabeça. - fOoL fOr YoU.
- Cruel, I Don’t Wanna Live Forever, BRIGHT, TiO, LIKE I WOULD… - ele completou, fazendo as bochechas de esquentarem ao ter suas suspeitas confirmadas. - Os dois primeiros álbuns foram quase todos inspirados no nosso namoro e no fim do nosso namoro, pra falar a verdade.
A mulher sorriu sem saber bem o que responder e saiu do elevador quando o mesmo parou em seu andar. Pegou a chave dentro da bolsa de mão que carregava e destrancou a porta. Os dois adentraram o apartamento e bateu a porta depois de acender a luz no interruptor e, em seguida, largou suas coisas em cima de um balcão e tirou as sandálias. Sentiu, instantaneamente, um alívio.
- He won't touch you like I do - ela começou a recitar em um tom de voz pomposo, sabendo que, se fosse cantar, seria um desastre. riu. - He won't love you like I would. He don't know your body. He don't do you right. He won't love you like I would.
- Love you like I would - o cantor falou, completando o refrão da primeira música que escreveu para seu primeiro álbum, pouco depois de terminar com e quando pensava que ela acabaria em um relacionamento sério com .
- It's okay to want me, ‘cause I want you.
As palavras saíram com tanta suavidade pelos lábios dela que soube que elas tinham um significado, não era mais apenas uma brincadeira.
Ele mordeu o lábio inferior, se dando conta da situação na qual se encontrava.
Havia ido parar no apartamento de e estava sozinho com ela. Tinha acabado de confessar ter escrito músicas que revelavam todos seus sentimentos em uma época caótica de sua vida. Época em que ele desejou mais do que tudo voltar no tempo e fazer tudo diferente.
Agora, nada disso importava mais. Havia aprendido que o passado tinha que ser deixado para trás, que as atitudes diferentes deveriam ser executadas no presente.
pressionou as mãos nas bochechas de e sentiu seu coração bater em um ritmo mais forte antes de unir seus lábios aos dela.


Capítulo Vinte

Doesn’t matter what we did before
Nothing’s ever been this beautiful
Right here, right now belongs to you and I
We own tonight

We Own Tonight - New Kids On The Block

Setembro de 2026

Pelo espelho, conseguia ver esparramado na cama, a observando enquanto ela tirava os brincos para guardá-los com cuidado na gaveta de joias de sua penteadeira. Em seguida, ela retirou os grampos que prendiam seu cabelo no belo penteado feito por um profissional algumas horas mais cedo e balançou os fios, permitindo que eles caíssem feito uma cascata pelos ombros. Os cílios postiços foram os próximos a serem puxados com cuidado antes de a mulher usar um lenço demaquilante para limpar o excesso de maquiagem de seu rosto.
- Quer ajuda aí? - ela ouviu perguntar em um tom brincalhão quando pôs as mãos por dentro do vestido para se despir da meia calça e riu baixo.
- Está tudo sob controle - respondeu enquanto tirava a peça cuidadosamente para evitar que suas unhas compridas puxassem algum fio do tecido delicado.
Depois de dobrar a meia calça e deixá-la sobre a penteadeira, levantou a barra do vestido longo enquanto caminhava até a cama e subiu no colchão para sentar-se de pernas cruzadas ao lado de .
- Essa cena tá me fazendo lembrar de quando a gente voltava dos eventos na época em que namorávamos - ele falou, rindo levemente. - A primeira coisa que você fazia era se livrar de toda a roupa e da maquiagem.
- Isso não vai mudar nunca, é muito cansativo ficar bonita - ela brincou em meio a um suspiro.
- Você é linda de qualquer jeito - o outro rebateu, fazendo a empresária revirar os olhos conforme um pequeno sorriso despontava em seus lábios. - Isso é clichê, eu sei, mas é verdade.
encarou os olhos de , que a admiravam e a faziam sentir-se verdadeiramente bonita mesmo estando um caco depois do dia cansativo que tivera, e desejou que aquele momento durasse para sempre. Pela primeira vez em semanas ela sentia-se leve, havia permitido a si mesma deixar todas as preocupações que a atormentavam de lado.
Não queria pensar em tudo que tinha para resolver a respeito do primeiro álbum do HomeTown e da promoção que sua equipe vinha realizando do primeiro single dos irlandeses com participações em programas de televisão, de rádio e gravação de vídeos para a internet; e muito menos se martirizar com a conversa estranha que tivera com Savannah no banheiro durante a after party da premiere do filme de . estava cansada e magoada, não aguentava mais aquela situação confusa em que havia se metido junto a . Desejava mais do que tudo se resolver com ele, derreter aquele muro de gelo que havia surgido entre os dois, mas tinha tantas dúvidas que não sabia nem por onde começar.
Aproveitar a companhia do homem que estava ao seu lado, lhe oferecendo toda sua atenção, e esquecer aquelas dores de cabeça que esperavam por uma solução era tentador demais para ela não desfrutar da oportunidade.
ainda sentia o gosto do beijo de , tão cheio de carinho que ela acabou por descobrir que era exatamente o que precisava para acabar a noite da melhor forma possível. Não tinha a intenção de ficar com ele, mas também não tinha a intenção de não ficar. Simplesmente pareceu certo retribuir ao beijo depois de confirmar que todas as músicas que ela sempre imaginou terem sido inspiradas em todos os momentos bons e ruins que haviam vivido juntos realmente tinham sido. Não era como se existisse uma forma melhor de demonstrarem que, mesmo afastados, eles ainda se importavam um com o outro. Que nem os erros cometidos por ambos fora capaz de matar o sentimento que, um dia, os fizera tão felizes.
O beijo durou poucos minutos e foi desprovido de malícia, até quebrá-lo com um sorriso que fez se sentir como se ainda fosse o garoto imaturo e cheio de inseguranças que era aos 20 e poucos anos. Ela o convidou para segui-la até seu quarto, dizendo para ele sentir-se em casa, e ele não parou para pensar em quão estranha aquela situação poderia ser; apenas tirou os sapatos e o paletó, deixando-o sobre uma poltrona, e se esparramou na cama queen size da empresária enquanto a assistia se livrar de todos aqueles adereços que apenas a deixaram ainda mais maravilhosa do que ela já era naturalmente para, em seguida, sentar-se confortavelmente ao seu lado.
se inclinou, aproximando seu rosto do de , e o beijou. Nenhum dos dois tinha pressa de que a noite acabasse, se beijavam com uma calma quase exagerada, saboreando o gosto um do outro. Foi o toque da mão do cantor em sua cintura que fez uma chama se acender dentro dela, fazendo-a intensificar o ritmo do beijo.
Os dedos de apertavam a pele coberta pelo tecido sedoso com mais vontade conforme o desejo ia os envolvendo, e desciam lentamente pelas curvas acentuadas da mulher até alcançarem a coxa descoberta pela fenda do vestido.
Enquanto se apoiava com apenas uma das mãos no colchão, sem interromper o beijo que se tornava cada vez mais urgente, levou a mão livre até o nó da gravata do outro para desatá-lo. Ela puxou a gravata com pouca delicadeza, rindo contra os lábios de por isso, e a jogou para trás, sem se importar nem um pouco com o destino que ela teria. Com destreza, começou a desabotoar os botões da camisa branca que o cantor vestia um a um.
deixou que ela puxasse a camisa para fora da calça e quebrou o beijo com uma leve mordida no lábio inferior de para se levantar e se livrar da peça de roupa. Ele não se ateve ao fato de que ambos ainda estavam ofegantes e a fez se deitar no colchão antes de cobrir o corpo dela com o seu e abocanhar seus lábios ansiosamente.
deslizava as unhas pelos braços e costas de conforme ele descia os beijos para seu pescoço, fazendo-a se deleitar em suspiros. Sentia os lábios dele deslizando por cada centímetro da pele exposta pelo decote em V profundo em uma mistura de mordidinhas e lambidas, e mordeu o próprio sorriso quando sentiu os dentes dele brincarem com o mamilo enrijecido, coberto apenas pelo tecido fino do vestido.
- Mesmo depois de tanto tempo, eu nunca me esqueci daquele dia - disse com a voz baixa e levemente rouca ao mesmo tempo que levantava a barra do vestido da empresária até a cintura dela, fazendo-a encará-lo com curiosidade. Com os olhos vidrados nos dela, ele continuou: - Se eu pudesse voltar no tempo, jamais teria te largado na cama daquele jeito.
continuou o fitando enquanto sua mente vagava para o dia que tanto tirou seu sono e, naquele momento, ela percebeu que aquela lembrança não a machucava mais. E era um pouco estranho se dar conta de que era um episódio completamente superado. O daquele dia não era o mesmo que ela chamara de namorado e muito menos o que estava a olhando com luxúria naquele exato momento.
A expectativa fez um arrepio correr por todo seu corpo.
Ela mordeu o lábio inferior, se apoiando em seus cotovelos para assisti-lo apertar suas coxas com firmeza conforme distribuía beijos molhados por seu baixo ventre, e não pôde controlar os suspiros que escapavam por seus lábios ao sentir sua excitação crescer pouco a pouco.
Em uma lentidão quase torturante, o cantor desceu os lábios até a região quente entre as pernas dela, os raspando sobre a calcinha quase transparente que ela vestia. se jogou contra o colchão ao sentir os dedos dele puxando a peça íntima para baixo e colaborou para que ele livrasse seu corpo dela.
Uma explosão de sensações lhe tomou por inteira quando voltou a se aproximar e, com a língua, tocou suavemente sua intimidade e ela fechou os olhos com força.
, subitamente, se desvencilhou dos braços de e levantou-se da cama. Em seguida, foi até suas peças de roupa espalhadas pelo chão e as catou, seguindo para o banheiro.
- O que está acontecendo, ? - a garota questionou com dificuldade. Ela sentia seu sexo pulsar, implorando por mais. Não havia atingido o clímax ainda.

sentiu uma das mãos do cantor adentrarem o vestido para apertar seu seio direito com força, enquanto ele não se furtava a saborear com calma o gosto tão conhecido e se empenhava para enchê-la de prazer, e se permitiu relaxar, aproveitando cada uma das sensações que dominavam seu corpo.
- Você pensa que eu sou idiota, ? Sei que você tem saído com o - devolveu, com raiva, voltando para o quarto, vestindo a calça jeans. - Você é uma falsa.
puxou a coberta e se cobriu. Estava se sentindo exposta para um cara que podia ser qualquer um, mas sem dúvidas não era o garoto gentil que havia namorado durante anos. Todo o desejo sexual que dominava seu corpo se esvaiu naquele momento, ela já sentia os olhos arderem enquanto observava o garoto terminar de se vestir.

A mulher mordeu o lábio inferior com força, abafando um gemido que quis escapar por seus lábios quando penetrou um dedo em seu sexo molhado com uma dolorosa lentidão que a fez rebolar quase imperceptivelmente, implorando por mais. A língua dele ainda deslizava ao redor de seu clitórios quando ele introduziu mais um dedo em sua vagina e aumentou o ritmo das estocadas, fazendo suas costas se arquearem involuntariamente.
- Faz o seguinte - continuou, mantendo o tom ríspido. - Liga para o e pede para ele terminar o serviço. Ele gosta de ficar com o resto dos outros, não é mesmo?
prestava atenção em cada reação de e sentia seu membro ereto latejar de desejo ao vê-la completamente exposta e entregue a ele. Conforme percebia que a mulher estava perto de chegar ao ápice do prazer, os movimentos dele se intensificavam mais e mais.
As horas pareciam ter congelado, nenhum dos dois saberia dizer quanto tempo havia se passado. Mas só se deu por satisfeito ao vê-la arfar antes de, lentamente, ir relaxando sobre o colchão.
Ele lambeu os dedos que estiveram no interior da intimidade de e, em seguida, se jogou ao lado dela no colchão.
respirou fundo no intuito de normalizar seu coração que batia descompassado, pensando em quão incrível havia acabado de ser. Quando olhou para o lado, percebeu que os olhos dele brilhavam ao observá-la com atenção, como se estivesse admirando a mais bela das paisagens. Seus lábios se curvaram em um sorriso antes de ela se sentar no colchão para puxar o zíper do vestido por conta própria e tirá-lo. O mesmo Versace que havia a deixado deslumbrante acabou sendo jogado no chão e ela não se importou nem um pouco com isso.
Após se voltar para mais uma vez, desceu os dedos pelo tronco desnudo dele até alcançar o volume mais do que evidente em suas calças. Ela fechou a mão sobre o pênis rígido e sorriu ao vê-lo soltar um suspiro desejoso.
- Eu espero que você esteja com disposição - disse com a voz repleta de malícia, abrindo o cinto de . - Porque a noite é toda nossa.


As taças que bebera do vinho que pediu para o serviço de quarto do hotel não foram o suficiente para que ele fosse capaz de esquecer a cena que martelava em sua cabeça. Nem foder Savannah em diversas posições diferentes foi o bastante para que ele deixasse de ver, em sua mente, e abraçados na sacada durante a after party, imersos em uma cumplicidade que podia ser sentida mesmo de longe.
Enquanto Savannah dormia tranquilamente, embolada nos lençóis sedosos, ele estava agitado demais para fazer o mesmo. Pegou um cigarro dentro do maço que estava guardado no bolso interno do paletó que fora largado de qualquer maneira no chão algumas horas antes e foi até a varanda fumar.
Entre uma tragada e outra, ele tentava fazer a si mesmo acreditar que era impossível que estivesse com novamente. não podia estar com novamente. Não depois do término caótico que os dois tiveram, o qual ele testemunhara de camarote. Não depois de ele finalmente ter tido sua chance de mostrar como ela ainda mexia com sua cabeça.
Era tão injusto que ele sempre estivesse à sombra de .
Ele apagou o cigarro de qualquer jeito na grade da varanda e o jogou no ar, impaciente demais para se importar com a atitude pouco educada de não jogá-lo na lixeira. Caminhou para dentro do quarto e se esparramou no sofá, pegando o celular que havia deixado por ali.
respirou fundo, abrindo a janela de no aplicativo de mensagens instantâneas, e fitou a foto de perfil, na qual ela estava tão bonita e sorridente, enquanto pensava no que dizer.

: Oi, . Tudo bem? Eu só queria te dizer que não aguento mais essa situação, não quero ter que me afastar de você mais uma vez. Você é muito importante pra mim e vou respeitar qualquer decisão que você tomar, mas vamos conversar. Por favor, é só isso que eu te peço.

Mas ele não chegou a enviar a mensagem, pois sua bateria acabou e, junto com ela, o pequeno surto de coragem também chegou ao fim.

Quem assistia aos seis garotos do HomeTown se apresentando no palco do The Late Late Show, um dos principais programas da televisão irlandesa, jamais imaginaria que, poucos minutos antes, eles estavam reunidos no camarim com os nervos à flor da pele, enquanto eram tranquilizados pela empresária.
estava sentada na primeira fileira da plateia com um sorriso orgulhoso estampado no rosto e aliviada por suas palavras de incentivo terem surtido efeito. Eles tinham competência suficiente para tirar de letra a primeira apresentação em um grande programa de televisão.

So wake me up and show me
We're going to be alright
You say you're feeling lonely
Yeah, I feel the same tonight
So come a little closer
I need you by my side
When everything goes wrong
You're where I belong, where I belong

La la la la la la la
Where I belong
La la la la la la la

Os irlandeses cantavam os versos compostos por em perfeita harmonia com praticamente a plateia inteira os acompanhando. Mesmo sabendo que a canção vinha fazendo um sucesso estrondoso pelo Reino Unido, eles ainda se assustavam ao ver tantas pessoas a cantando de cor.
A cada vez que os via performar Where I Belong, tinha mais certeza de que todas suas decisões haviam sido tiros certeiros. Era impressionante como, mesmo com tão pouco tempo de convívio, os garotos já tinham criado uma cumplicidade que era perceptível não apenas quando eles estavam se apresentando ou trabalhando juntos no estúdio, mas também na casa onde estavam morando todos juntos. Eles pareciam amigos de longa data e ela sabia quão importante isso seria para o sucesso do grupo. A inexistência de rixas entre os integrantes era o primeiro passo para uma boyband dar certo.
Quando a música terminou, Stephen Byrne, o apresentador do programa, agradeceu a presença do grupo e reforçou que o primeiro single do HomeTown estava à venda em todas as plataformas digitais antes de anunciar o comercial.
Os garotos acenaram para a plateia em meio a muitas palmas antes de serem guiados de volta para o camarim. aproveitou a confusão que se formava no estúdio durante o intervalo para se levantar e fazer o mesmo caminho que eles.
- Vocês arrasaram! - ela exclamou, abrindo os braços no ar, ao passar pela porta do camarim.
Josh e Dayl foram os primeiros a abraçarem a empresária, enquanto a euforia tomava conta de todos.
- Eu estou tremendo - Ryan disse com um sorriso deslumbrado nos lábios, mostrando a mão trêmula.
- Calma, garoto! Deu tudo certo, vocês foram perfeitos - elogiou, empurrando o mais novo de leve com o quadril. - Eu sei que isso tudo é novidade pra vocês e que vai levar um tempo até vocês se soltarem completamente em cima do palco, mas vocês estão indo muito bem. Tenho certeza de que o e o vão ficar tão orgulhosos quanto eu estou agora depois que assistirem essa apresentação.
- Obrigado, - Cian falou, chamando a atenção da empresária para si. - É sério, a gente acabou de se apresentar no The Late Late Show, isso é foda demais! Obrigado por ter dado essa chance pra gente e por sempre apoiar nosso trabalho.
- Vocês não têm que me agradecer - rebateu, fazendo uma careta que logo se transformou em um sorriso. - A gente embarcou nessa juntos. Isso tudo também está sendo novidade pra mim. E, se vocês estão aqui, é por merecimento próprio. Eu tenho certeza de que em pouco tempo vocês vão conquistar esse país inteiro, a Europa, o mundo!
Os irlandeses se entreolharam, sorrindo, e logo bateu as palmas das mãos enquanto os mandava se organizarem para que eles pudessem ir para o aeroporto pegar o voo de volta para Londres.

Depois de bater a porta do carro e ativar o alarme, cobriu a cabeça com o capuz da jaqueta e saiu correndo pela calçada em meio à chuva forte que caía. Subiu as escadinhas e digitou a senha para destrancar a porta e poder adentrar o sobrado onde ficava o estúdio de . Tudo estava tão calmo do lado de dentro que ela logo concluiu que todos estavam no andar superior, então tirou a jaqueta para pendurá-la em um dos ganchos que ficavam na parede ao lado da porta e subiu as escadas. Quando abriu a porta do estúdio, encontrou os cinco integrantes do One Direction assistindo aos seis membros do HomeTown gravando uma música que ela ainda não conhecia no outro lado do vidro. estava sentado em frente ao painel de controle e dava algumas instruções para os garotos.
A empresária parou ao lado de , recebeu um beijo na bochecha e sorriu para o amigo antes de parar para observar o trabalho que estava sendo realizado.
A letra da canção falava sobre alguém que queria voltar para a noite em que conheceu a pessoa amada, alguém que parecia arrependido e desejava remendar o coração que partiu. não demorou a notar quão pegajoso o refrão era, o que achou ótimo, e sentiu-se curiosa para saber de quem era a autoria daquela música.
interrompeu a gravação e fez um sinal chamando os garotos para saírem da salinha.
- Ei, - ele falou, levantando-se para cumprimentar a amiga com um abraço. - Curtiu a música?
- Eu amei! Quem escreveu? - ela questionou com interesse.
- Muito prazer, sou o autor de The Night We Met - respondeu e riu da expressão de espanto que surgiu no rosto da outra. - Essa música estava guardada desde aquela vez que eu e a brigamos e ela terminou comigo, pouco antes de a gente ficar noivos. Lembra?
- Como esquecer? Foi no meu ombro que ela chorou a noite inteira - respondeu com uma careta. Depois de cumprimentar os irlandeses com um sorriso, continuou: - Mas é sério, eu adorei essa música. Vai ser single com certeza.
- Vai ser um sucesso. Tem muita vibe de boyband, né? - ponderou e a outra meneou a cabeça em concordância.
- Até consigo ver as fãs chorando enquanto cantam essa música aos berros - comentou em um tom zombeteiro e recebeu um soquinho de .
- , temos outras duas músicas que vamos gravar essa semana. Uma delas é minha - anunciou, enquanto pegava uma folha de papel e, em seguida, a entregou para a empresária.
passou os olhos rapidamente pelos versos da música intitulada como Jigsaw Dreams.
- Let me be the missing piece you search for in your jigsaw dreams - leu um trecho da composição. Rindo, ela questionou: - Então você é a peça que faltava no quebra-cabeça da Molly, é?
- É claro que sou - rebateu, dando de ombros, e o devolveu a folha. - Gostei da letra. Qual a outra?
- Uma que eu escrevi com a , se chama Love Goes On - disse e a empresária imediatamente recordou que a amiga havia comentado que ela e o marido estavam trabalhando em uma música que passava uma mensagem positiva para pessoas que estivessem desacreditadas da vida.
- Então vamos trabalhar, meus amores? Quero ouvir essas músicas logo - ela falou, piscando um olho. - E o restante do álbum?
- A gente tem outras músicas em vista, umas que o e o estão escrevendo, outras minhas e do , fora umas duas ou três que a gente tá querendo escrever todos juntos… - respondeu . - A intenção é gravar tudo que a gente achar que é conveniente e depois selecionar o que vai entrar no álbum ou não.
apenas assentiu com a cabeça, não dava muitos pitacos em relação às músicas, confiava inteiramente no trabalho de e e sabia que o álbum ficaria ótimo.
- Bom, só passei pra dar um oi mesmo e ver se estava tudo certo, tenho uma reunião daqui a pouco - ela falou, dando alguns passos na direção da porta. - Tchau, meninos. A gente vai se falando, tudo bem?
Um coro de “tchaus” e “até mais” preencheu o ambiente.
Antes de sair do estúdio, piscou um olho na direção de , que estava sentado em um dos sofás que tinha por ali em silêncio e esboçou um sorriso em resposta.
Os dias estavam sendo corridos e eles não tinham parado para conversar sobre a noite em que dormiram juntos, apesar de o clima confortável quando chamou pela manhã e disse que estava indo para casa, antes de se despedir com um beijo demorado na bochecha dela, ter deixado claro que não havia a necessidade de uma conversa.
quis falar com , mas ter sua presença totalmente ignorada por ela acabou com a pouca vontade que tinha de ir atrás dela.

encarava os versos rabiscados em uma folha de papel.
Fazia dias que uma melodia martelava em sua cabeça e ele estava disposto a compor uma letra que se encaixasse. Não sabia muito bem sobre o que seria aquela composição até se pegar lembrando do perfume delicioso de rosas que usava na noite da estreia do filme de e, quando percebeu, havia escrito “I wanna see roses fall like snow” no papel em branco. Depois dessa, outras frases foram vindo à sua cabeça e logo sendo registradas na folha.
Ele só percebeu que já estava há algumas horas ali, sentado no chão de sua sala de estar concentrado em compor a nova música, quando sentiu o estômago roncar. Seus pensamentos estavam um pouco embaralhados naquela altura e, sabendo que não sairia mais nada até se alimentar, ele consultou o relógio, constatando que já passava de 1h da manhã. A correria das últimas semanas era tanta que sua geladeira estava vazia e vinha comendo fora diariamente, então não pensou em outra solução que não fosse ir em busca de uma lanchonete 24 horas.
pegou o celular, a carteira e a chave do carro e saiu de casa. Enquanto dirigia pelas ruas do bairro, ele se lembrou de uma lanchonete que costumava ver aberta ao voltar para casa tarde da noite e entrou com o carro na rua que o levaria até lá. Menos de três minutos depois, ele estava estacionando o automóvel em uma das vagas em frente ao estabelecimento.
Era madrugada de sábado, então o local estava até bastante movimentado para o horário, com outros carros estacionados por ali e, pelos vidros, era possível ver certa agitação na parte de dentro.
bateu a porta do veículo distraidamente e, ao caminhar na direção da entrada da lanchonete, risinhos chamaram sua atenção. Ele levantou os olhos para encontrar duas mulheres se beijando apaixonadamente, encostadas a um carro. Não deu muita atenção, afinal, era 2026. A cena de duas pessoas do mesmo sexo se beijando não era nada de outro mundo.
Entretanto, quando as duas mulheres quebraram o beijo e ele reconheceu a que estava sendo pressionada contra a porta do automóvel, seu choque foi tão grande que ele deixou a chave de seu carro cair no chão e o barulho chamou a atenção das duas.
Os olhos de Savannah e se arregalaram ao cruzarem com os de , que imediatamente desviou o olhar e se abaixou para pegar a chave no chão e se apressou em entrar pela porta de vidro da lanchonete.
Ele caminhou um pouco atordoado em direção ao balcão e se esforçou para se concentrar em conferir o painel com os principais lanches da casa.
- Boa noite - ele chamou a atenção da atendente de cabelo tingido de um verde espalhafatoso, que, entediada, estava apoiada no balcão mascando um chiclete. - Eu vou querer um cheeseburguer, uma porção de batatas fritas e uma Coca Cola. Tudo pra viagem, por favor.
A garota registrou o pedido de , que, em seguida, entregou o cartão do banco ao mesmo tempo que informava que pagaria no débito. Depois de realizar o pagamento, ele se escorou na parte livre do balcão para esperar o pedido ficar pronto e deu uma espiada na porta da lanchonete sobre o ombro.
Franziu o cenho ao ver Savannah e a outra mulher em uma aparente discussão, que não durou muito, pois a desconhecida adentrou o carro, batendo a porta com força. Savannah a assistiu ir embora, passando as mãos pelos cabelos, e, em seguida, deu meia volta e adentrou a lanchonete.
virou a cabeça para a frente rapidamente, encarando a movimentação na cozinha que era possível ver dali.
- - ele ouviu a voz conhecida chamá-lo -, posso falar com você rapidinho?
- Você não tem que se explicar pra mim, Savannah. Não tenho nada a ver com isso - ele falou sem encarar a mulher ao seu lado.
- Eu sei que não - a outra retrucou, fazendo uma careta. - Só quero te pedir pra não comentar sobre isso com ninguém. O não sabe e eu gostaria que soubesse pela minha boca.
- Pode ficar tranquila que por mim ele não vai saber de nada. Como falei, não tenho nada a ver com isso, não tem por que eu me meter.
- Obrigada - Savannah falou em meio a um suspiro.
pôde sentir ela se afastar e soltou um longo suspiro. Ele não podia negar que estava confuso e curioso a respeito daquela cena, ainda mais depois de descobrir que não tinha conhecimento. Se já não entendia que relacionamento era aquele que os dois tinham, muito menos entendia agora. Mas, por outro lado, não queria se meter na vida dos outros, ele já tinha que se preocupar com a dele mesmo.
A atendente não demorou a voltar com uma sacola de papelão e uma latinha de Coca Cola, as quais pegou, esboçando um sorriso, antes de se retirar da lanchonete. Caminhou até o carro e, quando abriu a porta do motorista, notou os cabelos loiros e cacheados de Savannah.
A mulher estava sentada em um banco de concreto em frente à lanchonete com o rosto escondidos nas mãos. O balançar de seus ombros denunciava que ela estava chorando.
respirou fundo, deixando o lanche sobre o banco, e fechou a porta do carro antes de caminhar até ela.
- Tá tudo bem, Savannah? - ele questionou e a loira levantou os olhos vermelhos, surpresa.
- Estou só esperando o uber - respondeu com a voz embargada.
olhou ao redor, notando que o movimento começava a diminuir, e soube que não teria coragem de simplesmente ir embora e deixá-la ali, sozinha.
- Eu posso te dar uma carona.
- Não precisa, não quero te atrapalhar - ela disse e esboçou um sorriso fraco.
- Cancela o uber, eu te levo pra casa - o cantor falou, indicando o carro com a cabeça, e estendeu a mão.
Savannah encarou a mão dele por alguns segundos, sem saber o que fazer, mas acabou aceitando a oferta.
Depois de ajudá-la a se levantar, a acompanhou até o carro e abriu a porta do passageiro para que ela entrasse. Depois deu a volta e sentou-se atrás do volante.
- Onde você mora? - ele perguntou enquanto saía com o carro.
Após Savannah dizer seu endereço, um silêncio um pouco desconfortável se instalou entre os dois. dirigia pelas ruas e, de vez em quando, olhava de canto de olho para a loira quando ela fungava vez ou outra.
- Eu não quero me meter, mas se você quiser desabafar… - ele disse cautelosamente, sentindo-se mal por vê-la chorando.
Savannah passou os dedos pelas bochechas, secando as lágrimas, e encarou o outro.
- Isso que você tá fazendo não é pra afetar o de alguma forma, né?
- O quê? Te ajudar? - perguntou, levemente chocado, e soltou uma risada. - É claro que não, Savannah. Só é uma situação estranha. Primeiro eu te vejo beijando uma mulher, sendo que você é namorada ou sei lá o que do meu colega de banda, depois você tem uma discussão feia com a tal mulher e você fica chorando desse jeito. Eu só espero não ter tido nada a ver com isso, até porque o que eu vi não significa nada pra mim. E se você não quiser falar sobre isso, eu não vou te obrigar também.
Savannah suspirou longamente e seu olhar se perdeu na paisagem que passava pela janela do carro em movimento.
- O nome dela é Dulce - ela falou depois de algum tempo em silêncio. - Ela é espanhola, nos conhecemos durante o intercâmbio na Espanha que fiz no Ensino Médio e vivemos um romance bem intenso, tanto que continuamos juntas mesmo depois de eu voltar pra Inglaterra. O problema é que a família dela é muito tradicional e a gente nunca pôde assumir pra todo mundo que estamos juntas, e isso me machuca muito - Savannah explicou em um tom triste, deixando mais algumas lágrimas rolarem pelo rosto. - Então ela ficou noiva de um cara, filho do sócio do pai dela, e a gente acabou tendo uma briga feia por causa disso. Nesse meio tempo eu conheci o e comecei a ficar com ele. Só que recentemente a gente fez as pazes, ela me garantiu que vai terminar com esse cara.
- Então vocês duas estão juntas de novo? - perguntou com cautela.
- Sim - ela respondeu em meio a um suspiro. - Ou estávamos. Não sei como vai ser depois de hoje.
- Por que vocês brigaram? - o outro questionou, tirando os olhos do trânsito para lançar um olhar rápido e confuso na direção de Savannah.
- Porque eu tinha dito que não estava mais com o - ela disse com uma leve careta. - Só que eu fiquei tão desesperada em ir pedir pra você não contar pra ninguém, que eu precisei confessar pra ela que ainda tenho ficado com o e que não queria que ele soubesse por outra pessoa.
assentiu com a cabeça e focou a atenção na rua enquanto absorvia tudo o que Savannah havia acabado de lhe contar.
- Posso te fazer uma pergunta? - ele questionou algum tempo depois e olhou para a loira rapidamente, a tempo de vê-la concordar com a cabeça. - O que, exatamente, rola entre você e o ?
- Começou como sexo casual - ela disse, levantando os ombros. - Mas foi nascendo uma amizade entre a gente e eu encontrei o conforto que eu precisava. E ele também.
- Mas, se você voltou com essa moça… Dulce, né? Por que ainda continua com ele?
Savannah fitou a expressão confusa no rosto de e suspirou.
- Porque ele tá precisando de mim. E ele sempre foi tão honesto comigo sobre a que eu me sinto na obrigação de ajudar ele - ela respondeu, deixando o outro sem palavras. - Você pode parar perto daquela árvore ali na frente. É naquele prédio que eu moro.
estacionou o carro próximo a árvore indicada.
- Obrigada, - ela disse, mostrando um sorriso fraco, enquanto olhava no fundo dos olhos do cantor, deixando claro que estava agradecendo não apenas pela carona, mas também por ele guardar seu segredo e por ter escutado seu desabafo.
- De nada - ele respondeu, sorrindo de volta.
respirou fundo depois que Savannah saiu do carro e deu a partida.
Enquanto dirigia rumo à sua casa, pensava sobre a rápida conversa que havia tido com a loira. Não sobre a parte do romance confuso dela com a tal Dulce, pois aquilo não lhe dizia respeito, apesar de desejar que elas pudessem se acertar. As palavras que ainda ecoavam em sua mente eram as sobre ela ainda estar com porque ele precisava dela, porque ele precisava de ajuda com . Estava mais do que claro que e ainda estavam envolvidos por um sentimento que ele não entendia e, honestamente, nem fazia questão de entender.
Talvez nem eles mesmos entendessem.
tinha certeza de que o que sentia por seria eterno, afinal, ela tinha sido seu primeiro e único grande amor. E gostaria de uma segunda oportunidade de fazer dar certo, quem sabe se casar e formar uma família com ela… Mas não sabia se estava disposto a entrar naquela confusão entre ela e . Depois de todo o sofrimento pelo qual os três haviam passado, não fazia sentido.
Enquanto os dois não se resolvessem, ele estava, oficialmente, tirando seu time de campo.

Continua...

Nota da autora: (29/03/2017) É isso aí, we're back for good! hahahaha
Me desculpem pela demora, mas precisei pensar bastante sobre o rumo da história pra escrever esse capítulo. E não sei se deu pra perceber, mas ele é bem importante, talvez até um "divisor de águas". Além de a gente descobrir um pouco mais sobre a Savannah (falando nisso, alguém imaginava que o grande amor da vida dela fosse uma moça? hahaha), o PP2 tomou uma decisão importante no final do capítulo. O que vocês acharam sobre isso? Me deu uma dorzinha no coração, especialmente depois da lindeza que foi ele e a PP passando a noite juntos. Mas é a vida, alguém precisa tomar uma atitude! 😜 Eu também mudei as perguntinhas, vocês devem ter reparado. Percebi que tinham muitas leitoras confusas, que começavam lendo com o Zayn como PP1 e depois viam que combina mais com o PP2, então mudei isso pra facilitar a vida. hahaha Ah, e tem links pelo meio do capítulo pras músicas do HomeTown que são citadas! Quem tiver curiosidade de escutar, é só clicar.
Até o próximo capítulo! Beijos!

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Nota da beta: #TeamPP2 <3

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