She Left Me

Autora: Ste Pacheco | Beta-Reader: Carry

Senti minha vida se esvair aos poucos ao vê-la partir. Eu sabia que não tinha mais volta. Eu sabia que nunca mais a teria de volta, mas mesmo assim eu cultivava esperanças.
Ela foi a melhor e a pior coisa que aconteceu na minha vida. A melhor porque me ensinou o que era amar. Fez-me amá-la como nunca amei ninguém na vida. A pior porque me tornou totalmente dependente dela. Agora eu precisava dela mais do que o ar para respirar. Ela partiu, me destruindo por dentro.
Sem ela todo o meu interior se transforma lentamente em cinzas. Sim, eu posso sentir como se estivesse queimando por dentro. Definhando pouco a pouco. Caminhando pouco a pouco para o fim. Para a grande amiga dos desesperados e cansados dessa vida. A morte, fria e ao mesmo tempo aconchegante. Cruel e ao mesmo tempo gentil. Sutil, porém definitiva. Uma escolha boa, porém errada. Completamente sem retorno e extremamente convidativa.

Senti minha alma se esfacelar em cinzas. Senti o que restou de mim ser levado pelo vento para um lugar que eu já não podia mais ver. O mundo caiu para mim. É como se já não existisse mais a luz do dia. A escuridão velou meus olhos. E me consome lentamente, sabendo que me tortura e parecendo gostar realmente disso. Deteriorando aos poucos o que resta de mim.
Não consigo ver uma saída, não consigo ver uma direção. Estou perdido no vácuo. Preso na escuridão. Acorrentado à tortura de não tê-la mais ao meu lado. De não ter mais o seu amor.
Queimando... Sempre queimando por dentro. Acuado em um beco sem saída. Perdido em um buraco negro. Na dor sem fim, sem pudor, sem limite.

Senti que as coisas foram perdendo o sentido. Que o mundo perdia a cor. Olhar o céu já não tinha mais graça. As próprias nuvens pareciam descontentes. Enquanto o vento continuava soprando e levando para cada vez mais longe o que restava de mim.
Senti a escuridão me englobar morbidamente. O desespero me incapacitar. A necessidade de tê-la mais uma vez me corroer de forma lenta e agonizante.
Senti que mergulhava num abismo sem fim. Como uma queda que nunca termina... Como ser lançado a uma fogueira e nunca se livrar da dor. Mergulhar em ácido e só sentir a dor em vez de sentir tudo acabar de vez. E pensar que eu achava que tudo ia ficar bem no final. Que nós teríamos o nosso “feliz para sempre”.

Eu achava que era forte o bastante para aguentar qualquer tipo de dor. Achava que nada separaria o nosso amor. Que era forte o bastante para protegê-la. Achava que era minha própria proteção. Mas agora não... Perdi meu amor, perdi minha força, minha alma, minha proteção. No fundo o que me mantinha firme era ela e só ela. Era ela quem no fundo me protegia. E agora meus passos perderam a direção. Agora nada mais tem sentido. Aliás, só uma coisa tem sentido... A morte. Não há outro jeito, não há outra solução. Eu nunca vou tê-la de volta, então de que me adianta viver? Se eu sei que nunca vou amar alguém como eu a amo? Que nada me fará mais feliz do que vê-la sorrir? Do que sentir seu perfume, de ouvi-la dizer que me ama mais do que tudo na vida?

O vento que me corrói e me consome. O vento que me entorpece e me torna cada vez mais frio foi o vento que a tirou de mim. Que a levou para onde meus olhos não podem ver. A escuridão que me domina foi a escuridão que vedou seus olhos. A morte que parece minha melhor amiga é ao mesmo tempo minha pior inimiga. Foi ela que a tirou de mim. Que me esfacelou, que me destruiu. Que me tornou incapaz de ver uma saída. Fechou-me completamente para que eu não pudesse amar mais ninguém. Para que eu me afundasse no abismo do desespero e da agonia. Para que eu me afogasse nas águas da tortura e sofrimento. E me esvaísse como as cinzas dela, espalhadas pelo vento.

Esse dia cinzento e frio reflete o que me tornei por dentro. Cinzento, frio e sem esperanças. A infelicidade é minha única companheira. A agonia minha única amiga. A morte minha melhor conselheira.
Agora parece a única solução para tê-la novamente. A única saída para um coração dilacerado e tomado pela dor.
Meus dias já não são mais os mesmos. O que me dava prazer, hoje me repugna. O que me fazia tão bem, hoje me afoga ainda mais no sofrimento.
Sinto que já não há mais volta para mim também. Não consigo ver uma forma de continuar vivo sem ela. Sem a razão do meu existir.

Senti meu interior se esfriar cada vez mais, quanto mais a colocavam para baixo. Com suas feições angelicais e perfeitas. Qualquer um que olhasse, poderia pensar que ela dormia ternamente. E meu peito gritava, implorava para que fosse verdade. Que a qualquer momento ela acordasse e dissesse que tudo ia ficar bem, como sempre dizia.
E o vento soprava, levando-a para mais longe de mim. Tornando-me cada vez mais frio e sem vida. O estranho é que o frio incendiava meu peito, em uma agonia lancinante. Dilacerava-me, me corroía como ácido.
O desespero tomava conta de cada parte do meu ser. A infelicidade me tomava. A morte me incitava.

Eu prometi que ia protegê-la. Prometi que nada abalaria nosso amor. Que nem Deus seria capaz de nos separar. E hoje me martirizo por não ter cumprido a promessa. Por não conseguir livrá-la da morte. Eu estava errado. Não podia competir com Deus e nem com a morte.
Ela se foi... E eu fiquei aqui frio, torturado e sozinho. Preso na escuridão e na agonia.
Ela se foi... E suas cinzas foram levadas pelo vento.
Ela se foi... Só o que restam agora são as lembranças do que um dia foi um grande amor. Um amor para além da vida.
Ela se foi... É o que não para de ecoar em minha mente.

Nunca pensei que pudesse me sentir tão inferior. Sentir-me pior do que um inseto. Menor do que um grão de areia. Toda a minha força, toda a minha grandeza se foi com ela. Com o brilho dos olhos dela, com a luz do seu sorriso.
Nunca pensei que pudesse me sentir tão sozinho em um dia dos namorados. Que fosse repudiar o dia que eu mais prezava ao seu lado. Foi nesse dia que ela me deixou. Foi nesse dia que a luz deixou seus olhos. Foi nesse dia que meu coração foi levado.

Fico imaginando se um dia conseguirei voltar a sorrir ou se realmente a única solução é a morte. E prefiro pensar que ela tenha ido para um lugar melhor do que esse. Que vai me proteger de onde quer que esteja, cumprindo a promessa que eu não pude cumprir.
Hoje eu estou sem direção, sem rumo, sem minha alma gêmea. Mas de alguma forma, agora posso ver que ainda existe uma esperança. Que ela não ia querer que eu me entregasse facilmente aos braços da morte.
Apesar de não conseguir vê-la, existe uma luz no fim do túnel. Uma luz que me diz para aguentar firme e seguir em frente. Para não desistir da vida, por mais que minha alma tenha sido levada pelo vento cruel.

Por mais que eu sinta que meus passos perderam a direção, que as coisas perderam o sentido e que pense que só existe agonia pela frente, decidi que vou resistir e continuar vivendo por ela. Dedicarei cada dia de minha vida a ela. Viverei por ela e tenho certeza de que lá em cima ela se orgulhará de mim. Que formará em seus lábios aquele sorriso que iluminava os meus dias. E que dirá a frase que me dava a certeza de que ela era a única para mim:
- Eu te amo. Sempre te amei e sempre te amarei. Não importa o que aconteça, não importa onde eu esteja. Sempre pertencerei a você... Só a você!
- E eu também serei somente seu, para sempre meu amor! – eu disse colocando a rosa que segurava nas mãos sobre seu túmulo. Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto. Enxuguei-a rapidamente, decidido a manter minha promessa de amá-la e fazê-la feliz, não importa o que aconteça.

And where I go you’ll be there with me
E para onde quer que eu vá você vai estar lá comigo
Forever you’ll be right here with me
Você vai estar aqui comigo para sempre
‘Cause our hearts are locked forever
Porque nossos corações estão entrelaçados para sempre
And our love will never die
E nosso amor nunca morrerá

FIM.

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Especial MaineFly

Nota da autora: -

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