Autora: Belle Alves e Lari Carrião | Beta: Carry

Quando saiu de casa naquele sábado à noite ele só tinha um plano em mente, beber até esquecer o fora que a ex-namorada havia lhe dado na semana anterior depois de dois anos e meio de relacionamento. Desde a conversa que pôs fim a tudo resumia seus dias a beber em casa sozinho, era assim que ele sentia a dor em seu peito diminuir. Embora seus amigos mais próximos tivessem aparecido ao longo dos dias e tentado tirar ele do apartamento, havia se limitado a ir trabalhar e voltar, até aquele sábado quando depois de muita insistência concordou em ir a uma boate nova onde uma amiga de Mark, seu amigo da época de faculdade, comemoraria seu aniversário.
Começou acompanhando o grupo de amigos com rodadas de Heineken, depois da terceira ele sabia que para aguentar toda aquela música alegre, pessoas sorrindo e dançando, precisava de algo mais forte, foi quando se aproximou do bar e pediu a primeira dose de vodca. Esvaziou o copo em questão de segundos, já pedindo mais uma dose ao barman. Agora ele já se sentia mais leve e quando Mark se aproximou com duas garotas que queriam companhia para dançar ele não dificultou.
Assim como , uma das garotas se mostrou mais reservada e ele descobriu que ela se chamava e sua amiga Emilly. Poucas músicas depois Mark e Emilly já dançavam extremamente perto um do outro e não precisava ser um expert em matemática para perceber as intenções de seu amigo e saber como aquilo iria terminar.
não era a favor de ficar com uma garota para esquecer outra, no entanto naquele momento só uma frase ecoava em sua mente: “Se está no inferno, abrace o capeta”. Ele já havia saído de casa, já estava afetado pelo álcool e um fora a mais não o deixaria pior do que ele já se sentia, e foi com esses pensamentos que ele passou a investir em .
não demonstrou problema com a aproximação e como se o DJ soubesse das intenções de naquele momento, colocou The Hills do The Weeknd para tocar.
Como a música era lenta e sexy, foi chegando perto de e os dois se tocaram. O homem pôs as mãos na nuca dela e em resposta, ela se virou de costas e começou a dançar para ele.
sentia o corpo dela em contato ao seu e a sensação era nova. Nova porque há anos ele não sabia como era ter uma mulher diferente em contato direto com o seu corpo. No entanto, era uma sensação boa.
Os dois foram se entregando ao momento e quando ficaram de frente, não perdeu tempo e beijou a boca de , que pressionou o seu corpo contra o dele. A cada segundo que passava com eles se beijando as mãos dos dois percorriam as partes cobertas pelas roupas. sentiu o gosto misturado de cerveja e vodca da boca do rapaz e como ela só tinha bebido uma cerveja até agora, segurou na mão dele e o conduziu até o bar. Sem se olharem muito profundamente, ela pediu uma Heineken e a acompanhou, dando um gole na sua assim que chegou em suas mãos.
A música tocava ao fundo enquanto eles iam bebendo a cerveja sem troca de palavras, até que se cansou e puxou conversa.
- Você não fala muito, né? - ela parecia estar se divertindo observando o rapaz.
- O que você quer que eu fale? - olhou intensamente para a garota que tinha olhos profundos e tentou imaginar o que ela estaria pensando naquele momento.
o observou por alguns segundos, deixando-o sem resposta e percebendo que ele tinha uma tatuagem no seu antebraço e as suas roupas tinham um estilo meio largado, mas uma vibe de rock estava ali presente. Ela largou a sua cerveja quase vazia no balcão do bar, se aproximou dele e finalmente falou:
- Por enquanto nada. - ela beijou rapidamente , que ficou surpreso com a atitude dela.
Cambaleando até a pista de dança novamente, os dois já estavam mais soltos, então risadas eram dadas frequentemente. Quando Mark e Emily voltaram para perto deles, o grupo ficou mais animado. Eles dançaram até reclamar de dor nos pés por causa do salto alto e então voltaram para o bar onde puderam se sentar.
- Não me lembro da última vez que dancei tanto assim. - ela sorriu pegando uma das cervejas que o barman havia colocado em frente aos dois.
- Para quem nem queria sair de casa, até que me diverti essa noite. - ele falou de forma que atiçou a curiosidade de .
- Tinha planos melhores? - o olhou de lado e deu um gole.
- Não exatamente melhores, mas claramente Mark não precisava de companhia essa noite. - ele sorriu olhando na direção da pista de dança, não encontrando o casal.
- É, ele não precisou, mas nós fizemos companhia um ao outro. - ela sorriu discretamente. - Não foi tão ruim assim passar a noite ao meu lado, foi? - no segundo seguinte ele estava em pé atrás do banco giratório ocupado por ela.
- Deixa eu me lembrar. - sussurrou próximo do ouvido dela, o que causou um arrepio gostoso em seu corpo e antes que pudesse formular uma resposta ele já estava distribuindo beijos pela nuca. Num movimento rápido girou o banco e eles voltaram a se beijar sem a menor pressa de parar. À medida que o corpo dela relaxava ela retribuía os toques e foi somente quando ele já estava entre as pernas dela e as mãos dele agarravam as coxas com vontade que cortou o beijo, ambos ofegantes.
- Já volto. - sorriu e fez o caminho até os banheiros do local. continha um sorriso no canto dos lábios, sabia que seria zoado pelo amigo quando se encontrassem depois, mas não podia evitar, beijar era contagiante. Sentiu seu celular vibrar e assim que o retirou do bolso viu uma mensagem de Mark.

“Eu e Emily já fomos embora. Até tentamos nos despedir, mas não quisemos interromper a pegação. Hahaha”

- Rindo sozinho? - perguntou parando ao lado de .
- A mensagem que Mark mandou, você deve ter recebido uma igual de Emily. - retirou o celular da bolsa e confirmou com a cabeça que tinha uma mensagem e pela expressão no rosto dela sua amiga deveria ter dado mais detalhes de onde estava.
- É, vou ter que ir pra casa sozinha. Melhor chamar um taxi. - estava indo para fora da boate quando a segurou pelo braço.
- Não precisa, eu deixo você em casa. - ela concordou com a cabeça e ambos seguiram para a saída, onde pagaram a conta e seguiram até carro em silêncio, talvez por causa do frio.
entregou o telefone para que colocasse o endereço no gps, ela, sem ter certeza do motivo, acabou salvando ali o número dela e logo o carro estava em movimento, seguindo as ruas já vazias rumo ao prédio em que ela morava.
- Vamos descobrir se o seu gosto musical é bom. - disse já ligando o som do carro e a olhou para conferir a reação assim que os acordes de Over You do Daughtry foram ouvidos.
- Não conheço. - ela sorriu, balançando a cabeça levemente no ritmo da música. - Mas não tem uma letra muito animadora.
Ele por sua vez preferiu não tocar no assunto, passou algumas faixas e deixou em Start of Something Good.
- Acho que você pode gostar mais dessa. - ele comentou e logo ela estava prestando atenção na letra. Pouco tempo depois havia estacionado em frente ao prédio dela.
- Devo pensar que a escolha dessa música foi uma indireta? - ela jogou ao admitir para si mesma que gostaria de ficar mais com .
- Por que? Você quer que seja? - ele devolveu a pergunta entrando no jogo.
- Porque se fosse, eu te convidaria para subir. - por um momento ela pareceu tímida e de certa forma ele foi pego de surpresa.
- Olha , eu adorei ficar com você, mas não sei se isso deve continuar… - ele coçou a cabeça, sem graça.
- Se o que está dizendo é que não tem intenção de envolvimento emocional, isso acaba de ficar melhor.
E com essas palavras não precisava de mais nada, concordaram que o que aconteceria ali seria puramente físico e ao adentrar no apartamento depois do longo percurso do elevador, eles aproveitaram a noite da melhor forma que podiam.
No dia seguinte, acordou e pegou suas roupas jogadas no chão do apartamento de , que ainda estava dormindo. Olhou o relógio e, por ser domingo, achou que podia passar em alguma Starbucks parar comprar um café para viagem. Ele se vestiu o mais silenciosamente possível, pegou a chave do carro e antes de sair, ponderou se devia ou não deixar algum bilhete para a garota que havia conhecido na noite anterior.

se mexeu na cama e involuntariamente abriu os olhos, fechando-os logo em seguida e começando a se lembrar das cenas da noite passada. Ela havia bebido o suficiente para ficar destemida e confiante, mas não o suficiente para se esquecer do que tinha acontecido.
Ficou surpresa, e um pouco aliviada, por não ver ao seu lado. O relógio marcava onze da manhã e ao fazer as contas da hora em que chegaram a sua casa até a hora em que foram dormir de fato, tinham dormindo no mínimo seis horas essa noite. O que para ela não era novidade, já que a insônia tem sido a sua grande amiga nos últimos meses.
Ela decidiu levantar e encarar o resto do dia, que iria ser para arrumar a bagunça da casa e ver algum filme quando terminasse. E nessa de arrumar a casa, não viu quando o lençol da cama que tirava para lavar fez com que o bilhete de praticamente escondido, para quem não olhasse com atenção, caísse atrás do criado-mudo.

Algumas semanas se passaram desde que os dois tinham se conhecido e nenhuma menção para os amigos em comum havia sido feita, já que combinaram que aquilo tinha sido somente físico. estava bastante ocupado com sua rotina e mal tinha tempo para pensar em outras coisas. Era só acordar, trabalhar e dormir até que chegasse o fim de semana, que já estava mais animado, com ocasionais saídas com os amigos e de vez em quando dava a sorte de conhecer alguma garota com que se identificasse o suficiente para se apaixonar por uma noite.
Em uma sexta-feira, havia sido persuadido pelos seus colegas de trabalho a irem para o happy hour que aconteceria no bar da esquina do prédio em que trabalham. Como o chefe iria pagar a primeira rodada, ele foi direto para a mesa em que os outros rapazes estavam e de lá tinha a visão de tudo e todos do bar.
Quando as cervejas chegaram, eles fizeram um brinde, começaram a conversar sobre futebol e , animado enquanto falava do time que torcia, não percebeu que a garota do sábado havia entrado no bar acompanhada de mais duas amigas.
Um tempo depois, foi até o balcão do bar e ficou ao lado de uma das amigas de , sem perceber. Estava esperando a cerveja chegar quando olhou para o lado e viu a garota, que estava entretida com o seu celular. Sentindo-se animado de repente, ele foi falar com ela.
- Você está no celular enquanto poderia estar socializando com qualquer pessoa daqui? - ele levantou uma sobrancelha e esperou a expressão de surpresa de ficar estampada no rosto.
Ao ver que era , ela baixou a guarda e deu um sorriso leve.
- Eu só estou aqui porque fui coagida. - se virou para ele, ficando bem próximos. - Quem te coagiu? - ele perguntou interessado na resposta, mas antes que pudesse responder, uma das amigas de se pronunciou.
- , vamos pedir uma tequila? Preciso ficar animada! - ela olhou desconfiada para os dois, que estavam em uma distância anormal para duas pessoas que não se conhecem. - Eu to atrapalhando alguma coisa?
pensou em responder sim, mas seria rude de sua parte, então se afastou um pouco e balançou a cabeça.
- Não se preocupe, só queria dar um oi…
estreitou os olhos e soltou uma risada, lembrando que não foi assim que ele tinha começado a conversa.
- Oi, . Legal te ver por aqui. - ela olhou para o homem na sua frente e sorriu.
- Legal te ver, . - ele respondeu, observando por tempo demais os olhos da garota. E antes que ficasse estranho, ele saiu de perto, voltando para a sua mesa e se esquecendo da cerveja no balcão.
- Quem era ele?! - Leah, amiga de , perguntou assim que saiu de perto.
- Só um cara que eu conheci um dia desses… - ela tentou cortar a amiga, que parecia interessada demais no rapaz.
- Ele poderia me dar um oi todos os dias se quisesse! Vocês ficaram? - ela perguntou enquanto pedia uma tequila.
limpou garganta antes de responder e se arrependeu do que falou.
- A gente já transou uma vez. Mas…
- O que?! Quando? Por que você não me contou? Cadê a Daphne pra ouvir isso?! - Leah teve um pequeno surto e tentou controlá-la.
- Eu não te disse porque sabia que ia ficar histéria. - revirou os olhos. - Não foi nada demais! Eu tinha saído com a Emily e o conheci! Só!
- Mas você tá bem? Não tinha comentado com a gente que ia fazer essas coisas depois do que aconteceu e…
- Eu não planejei isso. Nós nos demos bem e veio a vontade. Agora acabou o assunto, por favor.
Chateada com a insistência da amiga, se levantou e foi em direção ao banheiro feminino. Lá dentro ela retocou a maquiagem que tinha feito antes de sair para trabalhar e aplicou mais do batom violeta em seus lábios, realçando o contraste com o seu tom de pele.
Ao sair, sentiu uma mão segurando seu braço de leve e olhou para a pessoa. - Você tá me vigiando?
soltou o seu braço e riu de leve.
- Não, me desculpa. Mas estive pensando… Você nunca me mandou uma mensagem, então talvez eu que deva pedir o seu número.
Sem entender nada do que ele estava falando, balançou a cabeça.
- Nós combinamos que seria uma amizade com benefícios, mas sem a parte da amizade, não foi? - antes que ele pudesse responder, ela continuou - E eu nem tenho o seu número pra te mandar mensagem!
- Sim, combinamos. Você está certa, mas não significa que não possamos nos tornar amigos com benefícios. Não é? E eu deixei meu número na sua casa antes de ir embora…
Envergonhada, deu um passo para trás e olhou para .
- Você deixou seu número…
- Sim, na sua casa… Você não viu? O bilhete tava praticamente do seu lado.
- Eu não vi mesmo.
- Isso não importa mais. Agora eu vou pegar o seu número pessoalmente pra você não dar mais nenhuma desculpa. - brincou com ela, que abaixou a cabeça sem graça.
Após trocarem os números, cada um voltou para a sua mesa. Até um dos dois ir embora, seus olhares se encontravam de vez em quando, deixando ambos pensando naquela noite de sábado novamente.

O final de semana passou e no meio da semana de trabalho, enviou uma mensagem para , chamando-a para sair. Sem resposta, ele decidiu desencanar da garota. Ela claramente não queria repetir a dose daquela noite, então não quis colocar mais pressão.
Enquanto isso, estava no seu apartamento confusa. Apesar de ter gostado da noite, não queria dar continuação por vários motivos. O primeiro era que, querendo ou não, ainda estava muito recente o que ela tinha passado nas mãos do ex namorado. E por mais que ela fosse uma garota resiliente e forte, algumas cenas do maldito dia ainda vinham a sua cabeça quando estava sozinha. Outro motivo pelo qual não queria continuar a ver , era que ela não estava acostumada a ter sexo casual. Para uma pessoa que só fez sexo com o namorado, sair e achar alguém na noite para se divertir era um tanto não usual.
Portanto, no final da noite, respondeu , pedindo desculpas porque ficara presa no trabalho até tarde e inventou um outro pretexto para deixar claro que não era para ele convidá-la mais durante essa semana, pelo menos.

Duas semanas mais tarde, estava pronta para a festa de aniversário surpresa de Emily. Todos os amigos tinham contribuído com comida, bebida e até DJ. Emily não tinha suspeitado de nada e Mark, amigo de , estava a ocupando enquanto a festa não estava pronta.
Ao pensar em , ficou intrigada. Eles não se falavam há um tempo e por mais que ela não quisesse algo sério, pensou em chamá-lo para a festa. Decidida, mandou mensagem para ele falando que iam comemorar o aniversário de Emily na casa do Mark e que se ele quisesse, poderia ir, porque seria bem divertida. Sem tempo de checar se ele iria responder ou não, ela saiu do prédio e pegou um táxi que passava pelas ruas de São Francisco.
Mark ligou para avisando que já estavam indo para a sua casa e que já era pra deixar tudo preparado. Ao entrar na casa, viu vários amigos e conhecidos de Emily e avisou que eles estavam chegando. Foi terminar de arrumar a mesa de bebidas e quando entrou na cozinha, foi pega de surpresa. estava com uma garrafa de Heineken na mão e sorriu quando a viu.
- E aí?
- Você veio! - ela ficou risonha e tirou a cerveja da mão dele, colocando-a na geladeira.
- Sim! Na verdade o Mark tinha me convidado, mas foi muito bom receber a sua mensagem. - ele continuou sorrindo e ela não conseguia parar de encará-lo. Por que ele era tão simpático? Isso deixava tudo mais confuso.
- Ah sim… Que bom que veio então. - eles sorriram um para o outro e em cinco segundos de uma coragem insana, ela pegou na mão dele e o saiu arrastando cozinha afora. - Vamos logo, eles já estão chegando!
As luzes foram apagadas, todos ficaram a postos e , ao lado de , estava começando a ficar nervosa, porque suas mãos ainda estavam entrelaçadas.
Finalmente eles escutaram o carro parar e a porta da frente foi aberta. Mark acendeu as luzes e todos gritaram “surpresa” para Emily, que tomou um susto enorme ao ouvir tantas pessoas gritando de uma vez só.
foi dar um abraço na sua amiga, que ao agradecer, reparou que estava presente e olhando para as duas.
- , huh? Boa escolha! - ela deu uma piscada e saiu de perto, indo cumprimentar outras pessoas, deixando de boca aberta.
A festa continuou e todos estavam se divertindo. tentou não pensar na bagunça que a casa estava e muito menos no fato de que teriam que voltar lá no dia seguinte para ajudar na arrumação. Por enquanto, ela só pensava em dançar. , por outro lado, pensava em um jeito de chegar perto da garota sem ser muito sufocante. Decidiu levar uma cerveja para ela e começar daí.
- Aceita? - ele estendeu a garrafa para , que aceitou sem hesitação.
Os dois começaram a dançar juntos e as memórias da pista de dança na boate ficaram na cabeça dos dois. pôs as mãos na sua cintura, acabando com a distância entre os dois. levantou a cabeça e o beijou sem aviso.
Assim como no sábado, os dois foram se envolvendo na música cada vez mais e os beijos vinham um atrás do outro. Algumas músicas depois, eles pararam e recuperaram o fôlego. queria muito mais do que aqueles beijos, mas não queria deixar desconfortável. Antes que ele pudesse falar alguma coisa, ela sussurrou no seu ouvido.
- Me leva para a sua casa.
Ela teve quase certeza de que ele arregalou os olhos por um segundo e ficou sem reação. Já ela estava se sentindo confiante o suficiente para saber que aquela noite seria boa. Assim como a primeira.
Ele pegou na mão dela e sem se despedir de ninguém, eles saíram da casa de Mark e pegaram o primeiro táxi que passou por ali, não demorando muito para chegarem no destino.
tentou se controlar dentro do elevador, já que o mesmo tinha câmeras, mas estava incrivelmente sexy naquela roupa e ele só conseguia pensar em tirá-la. Assim que as portas se abriram, ele correu para destrancar o seu apartamento e deixou entrar. Ela tirou o salto alto no mesmo momento em que ele fechou a porta e sem tempo para falarem alguma coisa, os dois voltaram a se beijar avidamente. Minutos mais tarde, todas as roupas estavam jogadas no chão da sala e os dois estavam no quarto, aproveitando todas as horas que a madrugada poderia oferecer.
se mexeu na cama e sentiu o corpo de ao seu lado. Por um momento não quis abrir os olhos e nem sair de lá. Mas também não queria que o clima ficasse estranho caso os dois estivessem acordados. Com esse pensamento, ela saiu da cama e nua, foi recolhendo as suas roupas pelo apartamento. Estava tão preocupada em colocar a roupa, que nem viu quando se levantou e vestindo somente uma cueca, olhou para ela.
- Hum. É bom te ver pela manhã. - ele se escorou na parede ao seu lado e deu meio sorriso.
Com os peitos descobertos, ela virou de costas para ele e levantou as mãos enquanto colocava a blusa.
- Não se preocupe, eu já estou saindo!
E sem ver a reação dele, se virou e quase caiu quando viu que ele estava a menos de um metro de distância.
- Você não precisa ir embora agora. - ele falou e ela soltou o ar que prendia. - Você vai ter que comer quando chegar a casa, não é mesmo? Então podemos aproveitar e comer aqui por aqui. Tem uma padaria ótima aqui na esquina e...
Um sinal de alerta tocou dentro da cabeça de . Se ela ficasse, as coisas tomariam outro rumo. Tudo bem que eles estavam praticamente em uma amizade com benefícios, mas dar um passo a mais seria loucura. Por outro lado, se ela não ficasse, poderia ter uma ideia errada dela e ela não queria ser a garota sem coração que usa o cara e vai embora sem dar tchau.
Não que tivesse algo de errado com essa garota, porque não há. Mas era boa demais para fazer isso com qualquer pessoa.
Derrotada pela própria consciência, ficou. Mas com uma condição. Eles comeriam o que quer que tivesse na casa de , porque fazer a caminhada da vergonha com ele ainda não era uma opção.

A última noite do mês de outubro havia sido aproveitada intensamente na casa de , nos últimos meses a amizade com benefícios havia funcionado melhor do que ambos esperavam.
- Bom dia. - disse com a voz rouca distribuindo alguns beijos pelo ombro de .
- Bom dia. - ele retribuiu virando-se na cama e ficando de frente para ela.
- Quantas horas? - ela questionou percebendo o sol forte na janela. alcançou o bolso da calça do chão e puxou o celular, verificando as horas.
- Onze e cinquenta. - respondeu em meio a um bocejo.
- Nossa, não achei que fosse dormir tanto.
- Nós dormimos tarde. - ele sorriu esperto. - Podíamos ir almoçar naquele restaurante novo que abriu na rua de trás, de comida tailandesa.
- Ok, eu topo. Mas só porque estou com muita fome. - ele rolou os olhos. - Não faz parte do acordo fazer coisas de casais.
- E lá vem você com isso de novo... - começou a reclamar e fez o que sempre fazia quando esse assunto surgia, escapava.
- Vou tomar banho. - anunciou e seguiu nua até o banheiro da suíte. Ele relaxou o corpo novamente na cama e cobriu a cabeça com o travesseiro. O cheiro que emanava era o o perfume dela que ele já estava viciado a algum tempo.
não era mais totalmente a favor de serem somente amigos com benefícios, para ele a relação deles havia sido desenvolvida, havia crescido e já estava na hora de mudar de patamar, porém não via isso, ou via e não queria admitir que eles eram mais do que deveriam ser. Ele não a pressionaria, isso não fazia o tipo dele, no entanto ele sentia um incômodo e isso se dava por ela não se abrir o suficiente com ele.
Em alguma das noites que passaram juntos, já alterados pelo álcool, ele havia decidido que o melhor a fazer era ser honesto e foi com esse pensamento que ele contou que não era adepto do sexo casual, pelo menos não até aquela primeira noite entre eles e também o que o levou a fazer aquilo. contou sobre seu último relacionamento e ao fim de sua história esperou que contasse alguma coisa da vida dela, não algo superficial, e a realidade foi que ela não compartilhou nada. Nem nesse noite e nem em nenhuma das outras.
Esse incômodo foi o que o fez sair da cama com cuidado e verificar que o chuveiro ainda estava ligado. deveria demorar mais algum tempo no banheiro e aquela era uma oportunidade única de tentar entender o que ela escondia do passado. Começou procurando nas gavetas do criado-mudo, mas não teve sorte e não encontrou nada. Abriu o guarda roupa e afastando os cabides com cuidado, procurou por algum diário ou coisa parecida. Novamente nada. Abriu as gavetas do armário e já estava dando por vencido quando uma foto no fundo da última gaveta o chamou a atenção.
Na foto sorria ao lado de um homem, no verso da foto uma data com o desenho de um coração o fez imaginar se era algum ex-namorado. Mexeu entre as roupas e encontrou um papel dentro de uma meia, bastante amassado. Tirou o papel e o desembolou com cuidado de não rasgar.

, não tenho palavras para tentar me desculpar pelo que eu fiz. Até hoje tento entender o que aconteceu, como cheguei a esse ponto, mas mesmo que eu encontre uma explicação, nada justifica os meus atos.
Sei que não sou digno do seu amor, e mesmo que você me perdoe um dia por tal ato, saiba que nunca vou me perdoar.
Espero que encontre alguém que te mereça e que nunca tente te tocar sem o seu consentimento. E não se preocupe, não estarei mais por perto.
Paul.

A concentração de era tão grande na carta que ele não percebeu a falta de barulho do chuveiro ou a porta do banheiro sendo aberta, só percebeu a presença de atrás dele quando a ouviu dizer:
- O que é que você está fazendo? - seu tom era seco e de extrema decepção. - Quem te deu permissão de mexer nas minhas coisas? - sua voz vacilou um pouco. - Saia da minha casa, . Sai daqui agora! - ela puxou a carta das mãos dele com raiva.
- Eu saio sim. - ele conseguiu dizer depois de um tempo. - Porque ficar com alguém que esconde as coisas não faz muito meu estilo.
As palavras dele também eram frias e ela foi pega de surpresa.
- Se eu escondi foi porque eu tive um motivo e nada, nada, te dá o direito de mexer nas coisas de outra pessoa.
- Eu me abri com você, , eu te dei seu espaço e esperei que você confiasse em mim para dividir seus segredos. Se depois de todos os meses eu não sou bom o suficiente pra conhecer algo tão importante na sua vida, está bem claro que eu nunca vou ser. - vestiu as roupas rapidamente e fez o caminho até a porta da casa. o seguiu ainda com raiva.
- Talvez você esteja certo, . Talvez eu realmente não confie em você como confiei nele, porque apesar de tudo você não significa metade do que Paul significou pra mim. - ela gritou para que ele ouvisse mesmo já estando afastado da casa e bateu a porta em seguida.
O arrependimento pelas palavras veio instantaneamente, mas se existia uma coisa que ela sabia era que a palavra pronunciada não tem volta. correu de volta para o quarto e rasgou a carta em pedacinhos, procurou pela foto e fez o mesmo com ela, ela havia mentido por alguém que não merecia e ela só queria esquecer. Ao mesmo tempo caminhava sem rumo, não estava perto de sua casa, mas sua cabeça rodava e ele voltava a se sentir como um homem horrível e extremamente sem sorte no amor.

Os dias que se passaram foram completamente automáticos. Nenhum dos dois tinha vontade de fazer nada além de existir. O trabalho era uma boa ocupação para a mente, mas o pior era chegar a casa e não ter mais a companhia do outro. estava se sentindo péssima e a falta que fazia era maior do que ela já sentiu com qualquer outra pessoa. Tudo da sua casa cheirava a ele e por mais que ela lavasse os lençóis, o cheiro já estava na impregnado na sua memória. Ficar em casa era doloroso demais e não fazer nada era pior ainda.
Ela não sabia ao certo como ia fazer para que a perdoasse, mas sabia que tinha que ao menos tentar. Saiu de casa pronta para não aceitar um não como resposta.

estava parada em frente a porta de e todas as palavras que estavam na sua cabeça durante o trajeto tinham sumido. Para falar a verdade, ela estava até surpresa por ele ter aberto a porta, então o que quer que iria falar já não parecia o suficiente para que ele a perdoasse.
- Você vai ficar parada sem falar nada ou o que? Eu tenho outras coisas pra fazer. - falou com um tom ainda ressentido e por mais que a rispidez de suas palavras tivessem machucado, ela sabia que não era nada comparado ao que falou para ele.
- Eu posso entrar? - perguntou sem esperar um sim como resposta. Mas deu espaço para ela passar e deixou a porta aberta, dando a entender que não a queria ali por muito tempo.
- Me desculpa, . - assim que as palavras saíram de sua boca, ela percebeu que tinham sido clichês demais. O que ela estava tentando dizer não era fácil e provavelmente precisaria de outro idioma para que soasse bonito, mas por enquanto isso era tudo o que ela tinha. - Eu não quis dizer nada do que te disse naquele dia. Quer dizer, provavelmente eu quis sim. - olhou para ela tentando entender onde ela queria chegar.
deu um passo a frente e continuou falando, não conseguindo conter o nervosismo.
- Eu não tinha me dado conta do que você significava para mim até aquele dia. Do quanto você significa. Quando eu vi que você tinha achado a carta, eu congelei. Aquele dia foi o meu pior pesadelo e eu me odeio por não ter te contado! - ela sentiu que ia chorar, então fechou os olhos fortemente e abaixou a cabeça.
- , você disse que eu não significo… - ia falando, mas quando ela viu o caminho que aquela frase ia tomar, ela o parou.
- Eu sei que não posso apagar aquelas palavras, mas eu não sei o que estava pensando naquela hora. Você é muito mais do que o Paul era pra mim. Muito mais do que ele já foi. - ela fez uma pausa para respirar e pegou nas mãos dele. - , você me pegou de surpresa. Não estava nos meus planos me apaixonar por alguém. Mas fico muito feliz que isso tenha acontecido. Eu quero ter tudo com você. Eu quero te fazer feliz! Eu quero…
calou com um beijo. Por mais que tenha doído todas as palavras que ela falou para ele, ele a perdoava, porque sabia que o que quer que ela tenha passado, isso nunca aconteceria de novo. era enigmática e imprevisível e talvez tenha sido isso e todas as outras características que fizeram com que ele a amasse.
- Eu estive esperando por esse dia a minha vida toda. Eu te amo. - segurou o rosto da mulher e sorriu ao ver que as lágrimas escorriam e ela chorava. - E eu espero o tempo que for até você me amar de volta.
Gentilmente, ela pôs as mãos em cima das dele e falou:
- Isso não vai ser necessário.
Eles se beijaram e pela primeira vez, os dois se entregaram completamente um ao outro. Sem segredos, sem desejos ocultos, sem pressa.
De agora em diante, todos os dias seriam assim.

FIM.

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Especial MaineFly

Nota da Lari: Olá! Espero que tenham gostado da segunda fic que escrevo como parte do CDD. Quero agradecer especialmente a Belle que aceitou escrever comigo e me ajudar a desenvolver a ideia inicial que eu tive. Confesso que a mistura de My heroine com Too close for comfort foi um tanto inusitada, mas eu acho que o objetivo foi alcançado.
Caso queiram fazer parte do grupo do Facebook é só clicar aqui.
Beijos e até a próxima!

Nota da Belle: Oi! Essa é a minha primeira fic como parte do CDD e to muito feliz por ser parte dele. Obrigada a Lari que me deixou entrar de supetão na fic dela e miga, finalmente temos uma fic juntas!!! Foi complicado desenvolver essa fic, mas conseguimos e que venham outras!
Beijos e até mais!

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