Autora: MCM Parker | Beta-Reader: Carry

2014.
Mais uma vez se pegou parado ali. Em sua mente, não fazia sentido algum pegar o transporte público por quase uma hora para apenas observar o edifício de luxo à sua frente. Depois de longos minutos, o garoto finalmente resolveu ir para casa. Seu lugar, definitivamente, não era ali. Seu lugar era no Brooklyn, dentro do seu loft, junto à sua família infeliz. Bom, era isso que pensava, porque na cabeça de , tudo era ao contrário. Ela e sua família não davam a mínima para a diferença social, para eles, – e sua mãe – deveriam estar ali mais uma vez, pelo segundo ano consecutivo.
tinha uma vida realmente miserável. O seu pai era alcoólatra e um agressor em alto potencial, e a mãe, por sua vez, totalmente submissa. costumava levar uns bons tapas do pai quando o mesmo chegava bêbado em casa, procurando confusão com o filho e com a mãe. E até suportava que o pai fosse um babaca com ele, mas com sua mãe, não. Judy era uma pessoa amável demais, e não merecia ser tão submissa como era ao estúpido do seu marido.
sentou-se à mesa e suspirou, checando mais uma vez o celular. Não havia nenhuma mensagem, nenhum sinal de vida de . Quase dois anos se passaram desde que os dois se separaram, estava arrasada, e seu ex-namorado não estava em situação diferente. Juntos, eles pareciam poder mudar o mundo juntos, mas tudo acabou.
Enquanto caminhava para o metrô e sentia a brisa gelada praticamente cortar seu rosto, escolheu lembrar-se de todos os momentos que havia tido com . Ele nunca iria se esquecer de quando a garota descobriu que ele apanhava do pai, pareceu tão gentil com o garoto, e chegou a sentar-se na calçada apenas para conversar e dar-lhe apoio, naquele momento toda pose de garota fútil do Upper East Side sumiu, e passou a se convencer de que ela era sua salvadora.

Dois anos atrás...

O elevador abriu suas portas metálicas, revelando o apartamento luxuoso em que morava, a mãe de sentiu-se um pouco insegura, mas ao ver o sorriso sincero da namorada do filho que acabara de surgir à sua frente, sentiu-se melhor.
— Que bom que vocês chegaram! — a garota abraçou , depositando um rápido beijo em seus lábios — É um prazer finalmente receber a senhora aqui. — também deu um abraço em Judy, mas se afastou para grudar em novamente.
— O prazer é todo meu, . — a mãe do garoto relaxou ainda mais ao perceber que a namorada do seu filho era extremamente receptiva.
— Vamos indo, meus pais já estão esperando na sala.
observou seus pais serem extremamente delicados e gentis com a Judy, e se sentiu feliz por isso, era importante que os dois se sentissem confortáveis naquela enorme cobertura. Deborah e George estavam a par dos problemas da família de , e evitaram qualquer tipo de assunto ou gestos que pudessem deixar a mãe do garoto com vontade de ir embora, era importante para tê-los ali, e ela não queria que nada desse errado.
— Aconteceu alguma coisa? — a garota perguntou baixinho enquanto os dois caminhavam até a mesa do jantar.
— Meu pai, de novo. — contou, mordendo seu lábio inferior com força — Ele quis machucar a minha mãe. — continuou falando, fazendo com que pouco a pouco ficasse triste com a situação — Eu acabei levando mais uma vez, mas não deixo aquele monstro encostar nela.
— Depois do jantar você me conta tudo, okay? — a namorada esboçou um sorriso fraco, sem nenhum pingo de felicidade nele, e então selou seus lábios para mais um beijo rápido — Eu amo você. — sussurrou, se agarrando ao corpo do namorado.
! — a voz doce de Deborah soou, tirando os dois adolescentes da bolha que havia sido feita em torno deles.

O jantar havia ocorrido perfeitamente bem, a governanta dos havia organizado o pequeno evento com excelência — mesmo que este tenha tido a presença de apenas dez pessoas, já que os tios de resolveram comparecer ao dia de ação de graças da família, caso contrário, teriam ainda menos convidados —, e tudo ocorreu como fora pretendido. Judy e pareceram se desligar da infelicidade que estava do outro lado da cidade, e interagiram muito bem com os como se conhecessem aquelas pessoas há anos.
Naquela noite Judy não voltou para sua casa, e dormiu no quarto de hóspedes do apartamento, enquanto por sua vez, estava no andar de cima, no quarto de . O cuidado que a namorada e seus pais emanavam em relação àqueles da família , fazia com que tivesse esperança de que nem tudo estava perdido para ele e para sua mãe. Ele amava , ela o amava, e ninguém poderia mudar isso.

2014.
entrou em seu loft, visivelmente cansado de caminhar, e então desejou nunca ter nascido. A destruição estava presente em todo espaço disponível, ele sabia muito bem o que havia acontecido, era como um furacão, e ele só esperava que o furacão não tivesse atingido a sua mãe. então retirou seu sobretudo, e tomando cuidado para não pisar em cacos de vidro, adentrou o ambiente, trazendo as atenções de Judy para si.
— Que bom que você chegou! — a mãe exclamou com a voz chorosa e ao mesmo tempo aliviada.
— O que ele fez com você? — o filho se adiantou, analisando bem o corpo da mãe para se certificar de que ela não estava machucada — Deixa que eu faço isso. — disse com a voz calma, tomando a vassoura e a pá das mãos de Judy.
, ele foi embora. — ela anunciou e quase fez o filho derrubar seus pertences no chão — Destruiu o nosso loft mais uma vez, mas se foi.
não disse nada, apenas abraçou a mãe sentindo um alívio preencher o seu corpo. A tempestade finalmente havia acabado, e ele esperava que fosse para sempre.
— Vamos organizar isso e arrumarmos algo para comer. — ele sugeriu quando se soltou da mãe, observando uma lágrima teimosa rolar na bochecha de Judy — O que foi? — perguntou ao notar que sua mãe não estava reagindo tão bem quanto deveria.
— Vá atrás da . — Judy praticamente ordenou, fazendo o filho franzir a sobrancelha, já tinha quase dois anos que os dois estavam separados — Seu pai mandou entregar isso. — ela retirou um papel amassado do bolso de seu avental, deixando ainda mais confuso — Ele disse que era a única coisa útil que você poderia fazer, e eu sei que não foi certo, mas tive que abrir para ver o que era.
pegou o pequeno pedaço de papel da mão de sua mãe e então se deparou com a caligrafia torta e difícil de entender do homem cujo era seu genitor, ele com certeza deveria estar bêbado quando escrevera aquilo.

"Os vão embora de NY, sua namoradinha parte em dezembro, já que eu nunca mais vou ver a cara de vocês, a única coisa que você pode fazer de útil é ir atrás dela e se agarrar na fortuna, não seja idiota, .”

Ele sentiu raiva. Como aquele homem consegue ser tão podre ao ponto de achar que queria o dinheiro de ? Amassou o papel e respirou fundo, a mãe apenas observava cuidadosamente as ações do filho sem dizer palavra alguma.
— Ela realmente vai embora? — o filho perguntou, sentindo um aperto horrível em seu peito. A mãe assentiu — Eu preciso falar com ela. — suspirou em dúvida se realmente deveria sair de casa e deixar a mãe sozinha com toda aquela bagunça.
— Eu termino as coisas por aqui. — acariciou o rosto do filho, sorrindo — Quem sabe você não consegue trazê-la para jantar, huh?!
— Eu não vou demorar. — ele vestiu seu casaco novamente e beijou a testa de sua mãe — Volto logo.
Ele saiu tão rápido do seu loft quanto entrou. sentia uma pontinha de pena por deixar a mãe sozinha ali, lidando com a confusão que seu pai havia aprontado antes de ir embora, mas no fundo, aquele bilhete fazia um pouco de sentido, ele precisava ir atrás de , não por causa do seu dinheiro, e sim porque continuava a amando, e ter a notícia de que a garota deixaria a cidade acabou com ele. O termino dos dois havia sido amigável, mas o sentimento não havia morrido. lembrava-se bem daquela noite chuvosa em que saiu do apartamento de pelo motivo mais idiota do mundo. Eles haviam discutido mais uma vez somente pelo fato de que a namorada gostaria de que ele e sua mãe fossem morar em outro lugar para justamente se livrarem da violência do pai, e , um pouco cabeça dura na época, achava que queria os “comprar” por conta da sua família ter muito dinheiro. É, foi uma idiotice, porque no final das contas a garota só queria livrá-los.
Após o percurso de pouco mais de uma hora, chegou ao edifício de e entrou correndo no mesmo. Gregory, o porteiro, se assustou ao ver o garoto ali depois de tanto tempo, mas autorizou que subisse, ele estranhou, mas o que não sabia era que todos que residiam ou trabalhavam no edifício de sua ex-namorada, sabiam que era autorizado a entrar ali em qualquer situação, mesmo após o fim do namoro.
sentiu o coração acelerar ao ver ali após quase dois anos, após o momento de emoção, sentiu seu coração derreter e sentir algumas lágrimas se formarem em seus olhos. Ambos, sem pensarem duas vezes, caminharam de encontro para um abraço. envolveu o corpo pequeno de , fazendo com que a garota se sentisse segura novamente.
— Eu estava com saudade. — murmurou e sorriu, apertando-a ainda mais contra o seu corpo.
— Eu também estava. — suspirou — Seus pais estão? — ele perguntou ao se separar da garota e notar que o apartamento estava silencioso demais.
— Não, eu estou sozinha. — a garota respondeu e pegou com o olhar fixado nas malas atrás dela — O que veio fazer aqui, ?
— Pedir para você ficar. — segurou a mão de , e então a garota deixou que as lágrimas escorressem em sua bochecha — Eu nem sei para onde você vai, mas a maior burrada da minha vida foi terminar com você por uma besteira. — enxugou algumas lágrimas que não haviam parado de cair e a abraçou de novo — Meu pai nos deixou, e no final das contas, você estava certa.
Um momento de silêncio se fez entre os dois, estava feliz por saber que aquele homem violento havia abandonado e sua mãe, mas sentiu-se mal com a situação, seu coração estava partido mais uma vez, ela havia sido tomada por todos aqueles sentimentos antigos novamente.
— Eu não posso ficar. — murmurou contra sua vontade — Meu voo é daqui quatro dias, estou indo morar em Zurique, . — anunciou, dando um nó na cabeça do menino.
— Zurique? — ele questionou, ainda imaginando o que ela poderia fazer por lá.
— Minha mãe recebeu uma oportunidade por lá, e meu pai conseguiu se estabelecer em uma empresa, também. — começou a gesticular com as mãos enquanto explicava — E eu vou começar minha fase adulta por lá, é uma cidade maravilhosa. — sorriu triste.
— Eu fui realmente um idiota. — chacoalhou a cabeça, desejando socar alguma coisa.
— Nós fomos. — corrigiu, segurando sua mão — Escuta, eu sei que essa situação é estranha, mas , eu vou embora em menos de uma semana, se você quiser, pode passar a noite aqui. — ela sugeriu, torcendo para que ele aceitasse.
— Minha mãe está sozinha em casa. — recusou indiretamente — Mas você pode ir comigo para lá, digo, como uma amiga. — riu sem graça — E também para se despedir da minha mãe. — proferir a última frase era como levar uma facada.
— É, eu acho que posso ir. — mordeu o lábio inferior, pensando no que deveria fazer — Eu vou deixar um bilhete para minha mãe, espera um pouco.
sabia muito bem que ir até a casa de , e passar o jantar de ação de graças com o namorado poderia bagunçar ainda mais a sua cabeça, e deixá-la dez vezes mais machucada com a ida para Zurique. Ela não sabia o porquê havia aparecido assim tão de repente, e de fato, não queria questionar o garoto sobre isso. Logo agora que ela tinhas esperanças de que poderia realmente recomeçar na Suiça, poderia ignorar o ex-namorado e então apenas mandá-lo embora. Mas ela não queria fazer aquilo, e mesmo que fosse deixá-lo mais uma vez, a ideia de ficar pelo menos uma noite ao seu lado soava muito bem. E sobre o futuro, ambos tinham uma certeza: não era possível ficarem juntos novamente, não podia ficar em New York, e não podia ir para Zurique. A chama dentro dos dois que nunca havia se apagado, estava mais forte, e eles tinham o coração partido com o fato de que apenas uma noite não seria o suficiente após dois anos separados, mas com certeza havia uma pontinha de felicidade dentro deles. E o que tivesse que acontecer mais para frente, aconteceria sem a interferência de ninguém. Se fosse para serem felizes juntos, eles se encontrariam de alguma forma, e então aconteceria. Mas se o destino reservasse um futuro oposto para os dois, nada poderia mudar isso.

FIM.

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Especial MaineFly

Nota da autora: Alguém me traz um lencinho porque eu estou chorando, literalmente! Meu Deus, eu não consigo acreditar que escrevi isso, e mais uma vez deixei o casal principal separado, to morta de tristeza porque eu gostava muito deles, ahhhhh )-: MAS TENHO UMA SURPRESINHA: SAVING GRACE TEM CONTINUAÇÃO!!!! Eu e minha mania de escrever continuações para as minhas shorts, e o melhor é que vai ser uma long que eu já comecei a escrever (era um projeto antigo meu, e com algumas modificações vai dar para encaixar direitinho). Eu espero que vocês tenham gostado, e tenham sentido a emoção que eu senti ao escrever! Às interessadas na continuação, vou deixar aqui o link do grupo do Facebook, e lá vocês vão encontrar tudo certinho sobre isso. Um beijo!

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