Autora: RaphaellaR. | Beta-Reader: Carry

Abri meus olhos e senti minha cabeça doer demais. Soltei um leve gemido e olhei para o lado. Estava deitado em um sofá gigante na varada da casa de , minha camisa tinha um pedaço rasgado e as coisas tinham sumido de minha cabeça. Que diabos eu fiz ontem à noite? Me sentei e vi meu amigo deitado ao meu lado, o balancei de forma bruta para que acordasse, eu poderia ser magro, mas era um pouco bruto. O sol batia em minha cara o que fazia meus olhos doerem bastante.
soltou um gemido engraçado e virou para o outro lado, então vi um chupão enorme em seu pescoço. Alguém tinha se dado bem ontem à noite. O balancei novamente com um sorriso no rosto, e seus olhos verdes se abriram, encarando os meus, ele sorriu, então colocou sua mão sobre a minha que repousava sobre a suas costelas. Achei aquele tipo de contato estranho, e tirei minha mão debaixo da sua rapidamente. Comecei a lembrar de , e a bad bateu. Eu estava sozinho, sem ela! Eu precisava de uma mulher para ver se conseguia esquecê-la. Precisava de uma mulher que precisasse de mim tanto quanto eu dela. Essa mulher na qual nunca conseguiu ser.
Mas no final das contas eu só queria um pouco de carinho e afeto. Na verdade, estava procurando amor, só que parece que hoje em dia ninguém se interessa muito por isso. Não conseguia parar de pensar que sentia como se algo em mim estivesse faltando, alguém, sentia falta de um abraço, e beijos incansáveis, do calor de um corpo contra o meu. Levantei do sofá e entrei na casa, tirando minha camisa rasgada e a jogando em qualquer lado. morava sozinho, e tinha empregada, então não nos importávamos muito com bagunça. Entrei no quarto e fui para o banheiro. Tirei o resto de minha roupa e entrei embaixo da ducha tentando esquecer , mas aquilo era uma merda! Ela não saía da minha cabeça. A porta estava aberta, então vi parar nela e encostar no batente.
– Está tudo bem? – Perguntou enquanto cruzavas os braços. Eu me sentia como uma menininha morrendo de vontade de chorar. Respirei fundo, mas isso fez com que um nó se formasse em minha garganta. Então apenas neguei com a cabeça. – Hey, não fica assim, cara. – E eu neguei novamente. – – Falou abrindo a porta de vidro do box, nós nos conhecíamos desde crianças, e jogávamos no time da escola, tomar banho junto era normal, e já tinha perdido a conta de quantas vezes havia me visto pelado, mesmo depois de descobrir que ele era gay. – se isso te fizer melhor, esquece o que houve ontem à noite. – Aquilo me fez erguer a cabeça e olhá-lo sem entender o que diabos ele estava falando.
– Dude, o que houve ontem à noite? – A pergunta saiu em disparado de minha boca, e eu não queria pensar no que poderia ter acontecido. se afastou um pouco, e eu sabia que ele iria desviar daquilo. – Fala! – Mandei, enquanto desligava o chuveiro e enrolava minha cintura com uma toalha. Meu amigo balançou a cabeça e deu um sorriso, como se falasse que não foi nada, saindo andando do banheiro. – ! Fala! – Fui andando atrás dele. – Não me faça pensar mil coisas! Você sabe como a minha cabeça fica fantasiando as coisas.
– Nós ficamos, mas só foi isso. – Soltou aquilo como se fosse um tapa em minha cara. Parei onde estava e engoli em seco. – Sabia que isso ia dar merda. Você nem se lembra, então esquece o que eu falei. – Deu um sorrisinho sem graça e se sentou em sua cama.
– Eu, eu, eu vou para casa. – Peguei minha roupa que estava no chão e uma camisa de , entrei no banheiro e me vesti. Eu tinha ficado com meu melhor amigo gay. Puta que pariu! E nem conseguia me lembrar daquilo. Como não?! Fechei os olhos sentindo uma confusão mental gigantesca brotar.
Saí do banheiro sem falar nada e fui embora. Entrei em meu carro e vi várias garrafas de bebida no chão dele. Juntei tudo e joguei fora. Dirigi e parei na praia. Sentei em cima do capô e fiquei lá, olhando para o mar. Precisava ir para casa, tinha que trabalhar daqui a pouco. Passei a mão em meus cabelos. Que inferno! Eu não conseguia me lembrar de nada, e minha cabeça doendo daquela maneira não ajudava em nada. Meu celular tocou, o peguei e vi que era minha mãe, não atendi, apenas o guardei de volta no bolso e voltei para dentro do carro.
Assim quando cheguei em casa minha mãe começou a me encher de perguntas, das quais não respondi nenhuma, apenas fechei a porta de meu quarto em sua cara e peguei meu uniforme de trabalho, saindo logo em seguida. Não sou um cara rico. Terminei a escola e trabalho em um Grill na cidade, nunca entendi muito bem o que fazia comigo, talvez eu fosse seu bichinho de estimação no qual ela se divertia, e apenas isso, pois não tinha nada para lhe dar a não ser um sanduíche. Coloquei meu avental e entrei no Grill, eu trabalhava na cozinha.
– A! – entrou no Grill berrando fazendo que os clientes a olhassem. – Seu babaca! – Veio andando até na janela de pedidos da cozinha. – Eu sei que foi você, seu podre maldito! – Jogou a sua bolsa cara em cima de mim. – Mas tudo bem, eu tenho muito dinheiro para comprar tudo novo, agora já você... – Tentou cuspir em mim. – Não tem nem onde cair morto. – Peguei sua bolsa.
– Você está sendo desagradável com os clientes. – Falei empurrando sua bolsa contra seu rosto. – Por favor, queira se retirar. – Pedi da forma mais educada possível, afinal, trata-la mal aos berros era o que mais ela deveria querer.
A louca deu um grito de raiva e tirou sua bolsa de minha mão, saindo do Grill xingando as pessoas e batendo a porta. Meu patrão me olhou sem entender nada, e eu apenas dei de ombros, não era a primeira vez que fazia aquele tipo de coisa. Me pergunto como era ser sempre o centro do universo, e de repente as pessoas parassem de ligar para você. Bem, talvez seja assim que ela tenha se sentido naquele momento, já que não me importei com seu showzinho.
Comi alguma coisa e comecei a atender aos pedidos que chegavam. Não deu tempo de pensar muito em , e por incrível que pareça estava pensando no . Na maneira que eu ficaria sem graça de olhar para ele agora. E aquele chupão em seu pescoço só poderia ter sido feito por mim. Eu sou um tremendo de um idiota mesmo! O pior era que nem conseguia me lembrar de como foi, para saber como irei realmente reagir diante a isso, mas talvez fosse mais fácil esquecer. Me sentia tão desesperado com tudo aquilo. Porra, ele era meu melhor amigo! Eu estava tão perdido naquele momento.
Quando o café fechou fiquei lá sozinho terminando de limpar as coisas, estava louco para deitar em qualquer canto e descansar, estava cansando demais, embora quisesse beber novamente. Ouvi alguém batendo na porta, e disse que estava fechado, então a pessoa insistiu e vi que era , fiz sinal para que entrasse.
– Oi. – Falou se sentando ao balcão e forçando um sorriso.
– Oi. – Respondi sem conseguir olhar para ele. Eu sentia vergonha por não conseguir me lembrar do que tinha acontecido, e ainda por cima por ter sido um idiota com ele mais cedo.
. – Me chamou, mas não o olhei. O ouvi soltando um suspiro. – Olha, eu... – O interrompi logo em seguida.
, vamos esquecer o que houve, ok. – Pedi me virando rapidamente para ele, e meu amigo não tinha uma cara muito feliz. – Só esquece. – Ele apenas concordou com a cabeça. – Eu preciso de uma cerveja. – Falei e sorri, e isso o fez sorrir também. Afinal de contas ele não deixaria nunca de ser meu melhor amigo, e mesmo que eu tenha feito merda, precisava dele ao meu lado.
– Também. – Disse animado e se levantou do banco.
Joguei o pano de prato dentro do cesto e saímos dali. estava a pé, portanto fomos no meu carro para a casa dele. Como sempre de forma misteriosa, ou não, estava tudo arrumado como se não tivéssemos passado por ali. Ele morava de frente para o mar, então pegamos uma cerveja cada um e fomos para a varanda, nos sentarmos no mesmo sofá gigante no qual acordamos de manhã. Não bebi muito, afinal não queria fazer algo no qual não me lembraria depois. Ficamos conversando sobre coisas aleatórias, então contei sobre o show que deu no Grill, e não pode deixar de sacanear e imitar ela, e eu o corrigia algumas vezes, falando exatamente o que ela havia feito. Aquilo nos arrancava boas risadas.
Ele se jogou ao meu lado no sofá, e fomos parando de rir aos poucos. Estávamos lá, deitados de qualquer maneira, um ao lado do outro. Até que caiu o silêncio sobre nós, o que me fez olhá-lo. E a curiosidade de saber como era beijá-lo tomou conta de mim, meus olhos estavam fixos nos seus e depois desceram para seus lábios, o que me fez me aproximar. não se moveu, apenas me olhava de volta, certamente se perguntando se eu tinha certeza se era aquilo que eu queria. Precisava saber como era beijar ele. Então coloquei meus lábios sobre os dele, iniciando um beijo cauteloso. Ele sequer se mexeu, eu me debrucei sobre , lhe beijando agora com mais intensidade. Era bom, seus lábios eram gostosos, sua língua se mexia de maneira que entrava em perfeito movimento com a minha. Sentia minha cabeça ficando levemente tonta com tudo aquilo, algo realmente entranho. Meu estômago se revirava como se tivesse borboletas dentro dele. Estava gostado de beijá-lo, e isso me fez parar, eu não podia gostar de beijar meu melhor amigo. Eu não era gay, nunca tinha beijado outro cara antes, e aquilo tudo se tornava tão estranho em minha cabeça. E como um coelho assustado, me afastei e levantei do sofá. Indo embora.

FIM.

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Especial MaineFly

Nota da autora: Hora do Chá com RaphaellaR.

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