Autora: Gab Jay | Beta-Reader: Carry

“Sou tolo por pensar que ela não me deixaria em dezembro. Tolo por deixar a miséria deixá-la cair em pedaços...”
Foolish, Mcfly

“É dia de Natal, eu estou sozinho novamente. Ela está com ele agora, eu estou com a minha solidão [...] Por favor, volte para casa e deixe aquele gordo sozinho. Noel, seu desgraçado. Não ganhei nada da minha lista de natal e tudo que eu tenho é esse coração partido.”
- Santa Stole My Girlfriend, The Maine

Eu não sei bem por onde começar, é bem difícil contar a sua vida, quando tudo vai pra casa do caralho. Quando tudo o que você toca, vira merda. Primeiro perdoe o meu linguajar, segundo tentarei contar tudo sem ser muito dramático e terceiro... Chamo-me Joe Donavan, é um prazer conhecer você, quem é que esteja perdendo o tempo lendo a história de um cara como eu – sem ofensas –, posso começar da parte em como perdi meus dois melhores amigos e provavelmente o amor da minha vida. Porém vou começar a contar de onde toda a merda se sucedeu.

Flashback de um mês atrás...

Parte I

– E eu consegui o emprego... Passei na merda do teste. – Mark tragou seu cigarro e riu.
– Que vida né? Você fez faculdade de Artes Cénicas pra virar a merda de um papai Noel de shopping. – se pronunciou, rindo também.
– Cara, você realmente tem que fazer isso? – quis saber.
– Joe, meu caro, não é perda de tempo. Vejo como um laboratório de personagem, com crianças... Um monte de criancinhas irritantes com cheiro de xixi e doce. – rimos enquanto Mark terminava seu cigarro.
Éramos sempre nós três contra o mundo, desde pequenos. Frequentamos a mesma faculdade, não os mesmos cursos. Eu havia me formado em Engenharia Mecatrônica, Mark em Artes Cénicas e ainda estava terminando o curso de Direito, ela entrou um pouco depois na faculdade. Como ainda não havia terminado o curso, eu e Mark sempre íamos ao campus para zoar da massa de rótulos que também tinha ali, assim como na escola. Se fossemos rotulados como na época da escola seriamos o nerd, o drogado e a popular.
Sempre tinha alguém pra arrancar risada de nós três, não fazíamos por maldade, na verdade eram comentários que guardávamos entre nós, nunca tratamos ninguém, a brincadeira era mais por falta do que fazer e inventar um diálogo entre eles. Falando isso agora eu posso ver o quanto soa idiota, mas era divertido de certa forma. Não éramos parecidos, mas nos completávamos. Para constar, moramos no menor estado do Sul do Estados Unidos, se chama Delaware – moramos na capital Dover – talvez você tenha escutado falar por aí ou não. Havíamos combinado que no próximo ano viajaríamos juntos para conhecer grande parte do Sul já que nenhum de nós três tínhamos saído de nosso estado.
Andávamos naquela rua que conhecíamos tão bem, estava andando olhando pra mim e Mark de costa para todo o resto. Não entendia como ela não tropeçava mesmo andando naquela velocidade, naquele sábado ela decidiu não estudar e vir passar um tempo conosco, ficar perto de casa fazia bem para ela. Podia ver seu rosto tranquilo e seu cabelo voar com o vento, seu sorriso me arrancava arrepios vez ou outra. Acreditava que nenhum dos dois tinha conhecimento da minha paixão por ela e preferia que continuasse assim. Não queria ninguém cutucando esse assunto porque ainda não me sentia confortável com isso, apesar de se passarem dez anos sentindo a mesma coisa.
– Então? O que os dois idiotas vão fazer? – Mark quis saber.
– Nada tão excelente quanto você. – balancei a cabeça. – Trabalhar na empresa do meu pai. O que é completamente fodido.
– Ainda não se resolveu com seu pai? – quis saber.
– Não sei do que está falando. – mudei de assunto. – E você? O que fará?
– Estudar, estudar... E tentar não me matar. – jogou a cabeça pra trás.
– Caras, eu preciso sair fora. Acabei de receber uma chamada do inquilino. Aluguel atrasado e tals. – Mark era o único que morava sozinho. – Vejo vocês mais tarde?
Antes que pudéssemos assentir ele já tinha saído na frente com pressa, por incrível que parecesse aquele idiota ainda andava de skate e foi assim que ele saiu fora, andando naquela coisa velha. Mark vivia dizendo que aquele era um ótimo meio de locomoção. Apesar de não ser tão mentira assim, parecia que ele nunca ia crescer. Não que eu fosse tão mais maduro que ele, ainda guardo minhas figuras de ação desde a quarta série... Sem tirar da embalagem. NÃO SÃO BONEQUINHOS, OK?! São figuras de ação.
Tive que ouvir da minha mãe que ela ia doar meus “bonequinhos”, quase tive um ataque pelo “bonequinhos” e pelo doar, aquela merda de coleção vale mais do que minha vida e a sua juntas. Eu disse que não ia ser dramático certo? Desculpa por isso. Acho que podemos ir para a segunda parte antes que eu esqueça onde estava.

Parte II

Alguns dias se passaram e todos nós estávamos ocupados aquele mês de novembro, a vida estava extremamente corrida pra mim. Estava ajudando meu pai com alguns projetos em sua empresa e aquela vida só não me enlouquecera porque eu tinha a oportunidade de beber vez ou outra com Mark já que estava em semana de provas e estava correndo atrás do seu trabalho de conclusão de curso. Ela estava esperançosa sobre o que trabalharia em cima. Como não tínhamos ela, bebíamos só nós dois e ficávamos falando merda sobre coisas aleatórias, como o seu infeliz trabalho como Papai Noel em horário comercial. Sim, ele já havia começado a trabalhar e sempre que nos encontrávamos ele estava trajado naquela roupa ridícula.
– Preciso te contar algo!
– O que foi, Mark? – ele ficou sério.
– Pode soar meio estranho, mas enfim... Chamei a para sair.
Ele jogou tudo de uma vez, olhando para frente segurando sua garrafa de cerveja, acho que ele não queria ver minha expressão. Eu segurei o máximo para não fazer uma expressão que entregasse toda a confusão e raiva que eu senti assim que aquela droga de garoto disse aquilo. Sabe aqueles desenhos animados que mostra como estamos nos sentindo por dentro? Imagine-me com fogo saindo pelos olhos e carregado de metralhadora pra acabar com aquele filho da puta. Sim, a culpa é toda minha por não ter falado da droga dos meus sentimentos, eu sou a pessoa que mais bem sei disso, obrigado e de nada.
– Sério! – tentei parecer surpreso
– Sim. – ele me olhou finalmente, respirei fundo e finalmente disse.
– E..Ela aceitou?
– Por mais estranho que pareça... Sim... Quer dizer, um cara fodido como eu e perdedor, era mais fácil ela sair com você.
– Que bom né! hahaha – tentei parecer relaxado.
– Você está meio estranho cara, cê tá bem?
– Cara... Sabe de uma coisa? Eu esqueci que tenho que... Molhar a grama!!! – levantei rápido.
– Cara... Tá... – o ouvi dizer atrás de mim.
Eu senti meu estomago embrulhar com tal violência que assim que abri a porta do bar vomitei tudo o que tinha comido e bebido, me apoiei sobre os joelhos para recobrar minhas forças, mas não conseguia levantar daquela posição. Eu precisava sair dali, precisa sair daquela merda de lugar. Por alguns segundos eu esqueci como respirava. Assim que recobrei o ar, me levantei e fui andando meio catatônico até chegar em casa. Não sei como cheguei, mas cheguei. Estava indo para o meu quarto estava sendo carregado praticamente, parecia que eu flutuava, eu não conseguia enxergar nada não sabia bem para qual direção eu estava sendo levado. Entrei em modo automático.
Assim que me olhei no espelho consegui enxergar minha situação, rosto molhado de lágrimas e olhos inchados. Blusa cheia de vômito, eu realmente estava deplorável e fedendo a bebida. Percebi uma garrafa de vodka em minhas mãos, eu não sei como diabos ela foi parar ali, mas eu estava segurando uma garrafa com menos que a metade de conteúdo que tinha no recipiente. Eu estava me sentindo horrível, assim que dei por mim tudo girava e eu não conseguia respirar novamente, logo mais tudo se apagou.
Vou tentar falar de forma rápida de como acordei, o que não é muita novidade pra quem tem ressaca, tolerância baixa a álcool e bebe que nem louco. Em uma poça de vômito e fedendo mais que a noite passada. Tive sorte de ninguém ter entrado em meu quarto, mal conseguia enxergar a claridade sem achar que minha cabeça fosse explodir. Tentei arrumar meu quarto com rapidez e limpar toda aquela merda que eu tinha feito, tomei um banho demorado. Eu realmente não estava me sentindo bem, tive que achar força de onde eu não tinha pra me colocar em pé. Me arrumei e desci para tomar café, usando óculos e talvez dopado de remédio, já que eu tinha tomado mais de um.
– Bom dia! Está tudo bem? – disse minha mãe com um cara estranha.
– É. – assenti, minha irmã sentou do meu lado.
– Devia fazer menos barulho quando chegasse em casa se lamentando, tipo “! ! ! Por que?” – sussurrou.
– O que você quer? – ela sorriu de lado.
– Você sabe o que eu quero idiota!
– Você não vai sair com o idiota do Mark pelo... – pensei – Na verdade. Parece uma boa ideia – eu podia sabotar essa merda.
– Ótimo. Aaah e a sua coleção do Superman, pode passar pra mim também. – sorriu.
– Isso não é justo. –
– Mamãe, eu tenho uma coisa bem interessante pra te dizer. – quase surtei.
– Tudo bem! – falei baixo.
– Você sabia que aquele jogo que você gosta saiu uma segunda versão? – minha mãe sorriu.
– Sério Natalie?
ㅤㅤUma garota que é apenas três anos mais nova que eu me chantageando. Ela sempre fez isso comigo, praticamente desde quando nasceu... Ela tinha uma mente diabólica. Minha mãe era completamente controladora e odiava a , e não concordava na minha amizade com Mark. Ela o chamava de garoto perdido. Uma bela merda certo? Eu tive que ir muitas vezes contra ela por causa dos dois e olho na merda que me encontro agora.

Parte III

Eu fiquei um bom tempo rejeitando as ligações de ambos dos meus supostos amigos, e também fiz minha mãe falar pra eles que eu andava muito ocupado com os projetos da empresa. O que minha mãe adorou e elogiou pra falar a verdade, ela dizia que quanto mais distante desse tipo de gente, eu me tornaria em uma pessoa melhor. Eu apenas sorria e assentia, não estava com a menor vontade de discutir sobre, eu ainda me sentia traído e a dor era bem chata de aguentar sozinho. As vezes sentia falta deles, sentia falta das conversas, das risadas, de poder contar com alguém para algumas coisas e poder desabafar, – Eu sou bem chorão como vocês podem ver. E eu admito que sou. – era cansativo estar sempre sozinho agora.
Faltavam dois dias para o Natal finalmente. Maldito dezembro, eu já não gostava muito desse mês, agora tinha um motivo maior pra querer distância de Papai Noel e essas coisas que me lembravam aqueles dois. Ouvi dizer que eles estavam namorando desde o primeiro encontro. Desde o primeiro encontro? Você consegue acreditar nisso? Eu ainda não conseguia absorver toda aquela merda e ainda me fazia um mal indescritível. Esse dia eu fui fazer compras para minha mãe de Natal, ela milagrosamente achou que eu devia sair um pouco de casa. Fiz de tudo para tentar não ir, porém minhas tentativas foram inválidas.
Estava fazendo de tudo para evitar aqueles dois, então decidi ir para um lado da cidade que provavelmente não os encontraria, um engano meu. Um dos piores momentos da minha vida foi ter que ver aqueles dois se beijando do outro lado da rua, eu não conseguia achar ar, corri para atrás de um carro me agachando ali. Então a ideia brilhante surgiu ou melhor a ideia de merda. Liguei para Natalie, ela demorou um tempo para atender e aquilo me deixou aflito, percebi que eles não iam sair dali, olhei em meu relógio e pude perceber que Mark estava em horário de almoço, ele ainda usava aquela merda de roupa de Papai Noel, com aquela barriga falsa ridícula. Aquela droga de Noel roubou a minha garota, eu estava cego, queria me vingar de alguma forma.
Eu estava me sentindo mal, meu coração estava despedaçado, eu precisava despedaçar o dele também. Eu era o ser mais egoísta e idiota que você poderia conhecer, isso era horrível da minha parte, mas a raiva era tão grande que eu sentia de Mark, que não enxerguei nenhuma das consequências seguintes.
– Que foi idiota?
– Por que você demorou pra atender? Não importa, lembra que você queria um encontro com Mark, preciso de um favor. Que provavelmente você vai gostar. –
– Pode falar logo? Eu estou no meio de um... Merda, merda... Mas que merda! – a ouvi gritar. – Agora que eu perdi no LOL você pode falar idiota. O que você quer? – ela parecia entediada.
– Quero que você venha pra frente da... – olhei a placa atrás de mim – Engenhos maravilhosos!? – suspirei. – Vem logo, é urgente! – eu a ouvi reclamar antes de desligar o telefone.
Ela não demorou muito para chegar ali, eu estava passando um tempo dentro daquela loja, ela tinha umas invenções bem malucas, tinha um relógio de cuco maluco, que ao invés de sair um pássaro piando, saia uma gato miando bem alto. Aquilo me hipnotizou por algum tempo antes que a Natalie chega-se, assim que a vi do lado de fora, fui até a porta e a puxei pra dentro.
– Tá maluco?
– Sério que se assustou? – ela fez cara de deboche.
– Não importa. Preciso que você faça um favor, tá vendo ali? – apontei pra loja.
– Porra! Aquele é o Mark? Até com aquela barriga ele fica gostoso! –
– Você é estranha... Enfim, eu preciso que você espere até que saia e assim que você a vir vindo beije o Mark!
– Que mente diabólica. Amei, quando posso ir?
– Mais fácil do que eu esperava.
– Você melhor do que ninguém sabe que eu não gosto dessa vaca, ela roubou meu Noel.
– Tanto faz, só faça isso e eu darei um jeito de você sair com ele ok?
– Gostei dos termos do contrato. Aceito!
A vi saindo dali e fiquei assistindo daquela loja esquisita, com um binóculos de um olho só, não era uma luneta, era realmente um binóculos de um olho só. Vi Natalie se aproximar assim que saiu para ir ao banheiro eu acho, logo ela entrou em ação. Começou a conversar não sei o que com Mark e assim que notou chegando, ela deu um beijo em Mark com gosto e aquilo foi nojento pra mim, eu fiz uma careta e voltei a olhar para eles. Logo vi se aproximar e aparentemente gritar com ele, ele tentando se explicar, ela começando a chorar sem parar e sair correndo dali. Minha irmã estava parada ali e Mark começou a discutir com ela, ela disse mais alguma coisa, que aparentemente o deixou arrasado e ele saiu furioso do lugar, ele estava vindo... Pra direção da loja?
Eu me assustei e antes mesmo que eu pudesse me esconder, ele entrou e desferiu um soco em minha boca, me fazendo cambalear para trás e cair no chão. O dono da loja nos enxotou com uma espingarda, ele ameaçou atirar e a gente saiu dali um tanto rápido.
– Seu merdinha egoísta, nunca mais olha na minha cara ou na da , tá me ouvindo? Ou eu mesmo faço o favor de te matar.
Ele saiu dali sem deixar com que eu dissesse algo, eu não me sentia melhor depois daquilo, eu me sentia devastado. Eu perdi meu melhor amigo por esse ciúme idiota, eu não estava acreditando. Minha irmã voltou comigo o tempo todo tentando me ajudar, eu estava com raiva dela, mas estava com mais raiva de mim. Ela podia ser uma ogra sem coração, mas ela era sem falsidade de dizer que não era ou fingir que era outra pessoa, nunca fez isso... Agora o que eu fiz aparentemente foi a pior coisa que eu podia ter feito na minha vida. Pior do que perder pra aquele idiota, agora eu não só tinha perdido o amor da minha vida, mas meu melhor amigo também.

Final

Tentei por vários dias resolver a merda que tinha feito, eles não atendiam minha ligação, não abriam suas portas e nem ao menos os encontrava para conversar. Eu tinha ferrado com tudo e cá estamos eu contando pra você o quão patético tem sido meu dezembro, perdi meu melhor amigo, parti o coração do provável amor da minha vida e além da dor da perda dos meus melhores amigos, eu sinto essa dor de coração partido que não quer passar. Tenho passado grande parte dos meus dias, bêbado ou drogado de remédios.
Eu não sei se vou voltar a falar com eles, o que é uma merda. Eu poderia ter sido menos egoísta, poderia ter sido um amigo melhor e parabenizado eles de coração. Ou até mesmo ter dito de meus sentimentos para o meu amigo, que eu tanto amo também. Mas não foi assim, nem toda história tem um final feliz, na verdade a maior parte delas não tem um bom final. Minha irmã, bom... Ela realmente conseguiu um encontro com Mark, e desencanou dele uma semana depois. Eu não sei como eles estão.
Estou aqui em nosso lugar preferido, com uma garrafa de gin e torcendo pra não morrer de cirrose, já que a bebida ameniza essa dor maldita. Não sei se um dia voltaremos a nos falar, não sei se um dia serei perdoado. Mas eu espero que tudo volte a ser como era algum dia. Eu não destruí só a mim, destruí meus amigos e nossa amizade por completo. E estou sendo egoísta mais uma vez, bebendo pra esquecer tudo isso enquanto eu não vou atrás e não faço ideia de como estão. Mas o que eu queria dizer, além de toda essa história horrível de como perder uma amizade de anos, é uma coisa bem clichê, mas espero que funcione pra você. Não seja egoísta, preserve suas amizades, por mais patético que você ache que é, eles vão sempre te apoiar em suas escolhas – ou quase todas elas –, eu sei que esse não era um final esperado. Talvez uma reviravolta, mas como eu disse, nem toda história tem final feliz.

FIM.

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Especial MaineFly

Nota da autora: Gente, eu sei que essa short não tem um final maravilhoso, porém eu fiz ela com todo meu coraçãozinho. Valorizem seus abigos, eles são lindos e querem seu bem. HISUAHUISHIUA Enfim, espero que tenham gostado. s2

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