Autora: Ariel Miranda e Frann Strack | Beta-Reader: Carry

Maratona de filmes.

“And I believe this may call for a proper introduction, and well, don't you see?
I'm the narrator and this is just the prologue.”

The Only Difference Between Martyrdom and Suicide Is Press Coverage — Panic! At The Disco

— Droga! Minha cerveja acabou — resmungou, acariciando a mão de . — Amor, você podia pegar outra para nós, não é?
— Quero olhar o resto do filme — ele rebateu.
, eu te contei que e eu estamos pensando em nos casar? — olhou para a amiga, sem acreditar.
— É isso mesmo — entrou na conversa. — Ela finalmente perdeu o medo.
— Então, falar sobre isso, você pode? Mas não pode pegar mais cervejas para dividirmos — fez drama.
— Ah, , isso é injusto, você sabe — riu da situação. — Está quase chegando no final do filme.
— Tudo bem, eu já vi esse filme umas quinhentas vezes — optou por não levar a discussão em frente, mas a intenção de sua namorada não era discutir. Ela só queria tirar sarro da cara dele.
— Amor — ela o puxou de volta, não conseguindo mais segurar o riso. — Estou brincando.
— Não sei porque ainda não me acostumei com isso — ele revirou os olhos e, em seguida, a beijou.
— Ai, que melação — Jason reclamou, levantando. — Eu mesmo vou buscar essas cervejas. Alguém mais quer?
Todos levantaram as mãos. Todos queriam, mas ninguém estava disposto a parar de assistir o filme quando estava perto de chegar o momento da luta final de Freddy e Jason. Eles conversavam entre si, mas dificilmente tiravam os olhos daquela tela enorme. Já haviam assistido os três primeiros filmes da franquia A Hora do Pesadelo e, agora, estavam no final de Freddy vs. Jason. Planejavam assistir mais filmes de terror durante a madrugada, afinal, era Halloween. Tinham vindo para a casa do lago da família de para beber, se divertir e esquecer os estresses da faculdade. Mas essas não eram as únicas coisas que os aguardavam naquela noite sombria.
— Estou ficando com sono — reclamou. — Não posso ficar com sono quando estou vendo um filme de terror em que o cara mata as pessoas enquanto elas dormem.
— Se ferrou! — Arabella abriu a boca pela primeira vez desde que o filme havia começado e, é claro, fez isso apenas para curtir com a cara de uma das amigas.
— Se ferrou nada — Michael se intrometeu. — Ela namora o cara das drogas do sono.
— Verdade, olha só para ele — comentou. — Está com os olhos tão vidrados que parece que usou cocaína.
— Ah, , não exagera — riu. — Não é para tanto.
— Amor, todos os olhos estão em você — disse para , que só então tirou os olhos da televisão e se voltou aos outros.
— Eu tenho uns remédios para te manter acordada — sorriu para .
mexeu na mochila que estava jogada na mesa ao lado deles, largou um comprido branco na mão da namorada e levantou.
— Ele estava mesmo ouvindo esse tempo todo? — murmurou.
— É claro! Ele sabe tudo o que acontece — revirou os olhos. — Não é como se ele não percebesse nada porque ele é um viciado em remédios.
— Você sabe que eu estou aqui ouvindo tudo o que você está falando do meu namorado, não é? — perguntou séria, mas então, riu. — É claro que sabe.
— Isso é o mais próximo de um elogio que ela consegue — voltou com um copo de água e entregou para sua namorada. tomou o comprimido logo em seguida.
— Credo, ele ouviu até isso? — Arabella voltou a falar. — Por que a só namora caras estranhos?
— Cadê o Jason? — Michael perguntou.
— Está lutando com o Freddy — respondeu, como se aquilo fosse algo óbvio.
— O nosso Jason — explicou.
— Está comendo, na cozinha — disse simplesmente.
E assim eles estavam, felizes, entre amigos, assistindo Jason Voorhees lutar contra Freddy Krueger. Todos sabiam como o filme acabaria, mas ninguém ligava. Estavam se divertindo do jeito deles. E todos estavam tão absortos naquilo que nem mesmo percebera que o comprimido que dera para sua namorada não tinha o efeito que eles desejavam. No meio de tantas cartelas e vidrinhos jogados em sua mochila, em vez de um remédio que a mantivesse acordada, acabou pegando um relaxante muscular.
— Ai, droga! — gritou, em um susto.
— Vai dizer que você ficou com medo? — a provocou.
— Mas é claro! Você me assustou, seu desgraçado — ela deu uns tapas nele, o afastando e fazendo os outros rirem.
— O que vamos fazer agora? — decidiu perguntar.
— Vocês, eu não sei — Arabella levantou, fazendo careta. — Eu vou para o quarto que eu vou ter que dividir com Michael e Jason.
— Você tem que agradecer por estar no quarto dos solteiros e não no dos casados — Michael apontou os dois casais.
, você é um porre! — Arabella reclamou. — Por que tinha que trazer só esses dois? Eu não gosto de repetir.
— Arabella, para de ser uma vadia por um segundo — pediu.
— Vadia é a sua mãe! — ela rebateu.
— É a mesma mãe que a sua, caso você não lembre — ele revirou os olhos.
— Arabella está indo dormir porque está com medo — a provocou.
— Eu não deixava assim, hein — se intrometeu. — A medrosa do grupo tirando sarro de você.
— Vocês estão sendo muito infantis — ela revirou os olhos.
— E você é muito adulta, não é mesmo, pirralha — jogou uma almofada na direção da irmã mais nova.
— Isso mesmo, corra para o quarto que o Jason vai acabar pegando você primeiro — ameaçou.
— Hey, isso é injusto comigo! — Michael se exaltou. — Por que ele se eu estou aqui agora?
— Não esse Jason — revirou os olhos. — Estamos em uma casa do lago. O Jason pode muito bem levantar daquele lago ali e vir nos matar.
— O único jeito de isso acontecer é se o nosso Jason colocasse uma máscara de hockey e resolvesse fazer isso — falou, rindo.
— Por que eu colocaria uma máscara de hockey? — Jason voltou da cozinha. — Ah, entendi. Se eu fizer isso, posso matar vocês?
— Só se eu puder filmar as mortes — Michael disse.
— Agora eu entendi porque suas mães colocaram nomes de vilões famosos em vocês — comentou.
— Gente, sério. Vamos sair daqui — disse, olhando para a janela. — Não consigo mais olhar para aquele lago.
— Ah, meu deus, ela está com medo disso de verdade — Arabella desandou a rir. — E você ? — questionou ao perceber que a outra amiga estava abraçada em seu irmão. — Também está com medinho?
só tem medo do Freddy — disse.
— Não tenho, não — ela revirou os olhos. — Não acredito nessas coisas.
— Ela tinha — lembrou. — Ela disse que morria de medo do Freddy quando era criança.
— Sim, eu era uma criança! — ela revirou os olhos. — Quer saber? Eu preciso da minha cerveja.
— Cuidem para não cair no sono — Jason disse, soando como se fosse um locutor de filmes de terror. — Vocês sabem que, se dormirem, nunca mais acordarão. Freddy vai pegar vocês!
O grupo de amigos riu daquilo. Era fácil rir quando se acreditava que aquilo não estava prestes a se tornar realidade. O que eles não sabiam era que seus pais tinham mexido com aquilo muitos anos atrás e que, agora, Freddy realmente estava vindo pegá-los.

1. Freddy vai te pegar.

“Sweet dreams are made of this. Who am I to disagree?”
Sweet Dreams (Are Made Of This) — Eurythmics

— Você está tão linda assim — disse, me fitando.
— Assim como? Com sono? — ri.
Usei minha mão para empurrar seu rosto para longe.
— Assim também — ele me acompanhou nas risadas.
se virou, me fazendo ficar por cima dele e, então, me beijou. Mas aquilo não podia continuar como um beijo normal. Não comigo. Não com . Éramos bobos demais para levar alguma coisa a sério por muito tempo. O primeiro a mudar o rumo do momento foi . Ele começou a fazer cócegas em mim. Eu tinha pavor disso, mas até que era divertido. Gritei para que ele parasse, mas ele não o fez, obviamente. Virei para trás, o puxando comigo pelos braços. Entre risadas altas, acabamos caindo da cama.
Encarei o teto por mais alguns segundo e então, olhei ao redor. Estava deitada no sofá da casa do lago de e não tinha ninguém ali. Por que eles não voltavam logo? Era chato ficar sozinha naquela sala enorme durante a noite. Levantei e peguei o porta-retrato que estava na mesinha ao lado do sofá. Fiquei o observando. Era uma foto de Arabella e quando crianças. E ela estava puxando o cabelo dele, que estampava uma careta feia em seu rosto. Era uma foto bem espontânea, por assim dizer. Parece que pouca coisa havia mudado entre aqueles dois depois de todos esses anos.
— Mas que droga. Onde está todo mundo, afinal? — reclamei em alto e bom som. — Por que me deixaram sozinha?
— Você não está sozinha — ouvi uma voz assustadora pronunciar aquelas palavras.
Um arrepio percorreu minha espinha. Virei-me rapidamente na direção de onde a voz viera. Foi então que avistei o chapéu e aquele suéter com largas listras horizontais vermelhas e pretas. Era impossível não reconhecer.
— Puta merda!
Arregalei os olhos e dei alguns passos para trás. Não podia ser. Não ele.
“1, 2, Freddy's coming for you...”. Ouvi aquelas palavras em minha cabeça, como se fosse um aviso. Não, não, não e não! Ele andava vagarosamente em minha direção. Não pensei que fosse possível me assustar ainda mais, mas o brilho daquelas lâminas conseguira fazer isso. Eu estava aterrorizada. Tentei correr, meio desajeitada, enquanto virava as costas para aquele monstro. Acabei tropeçando no tapete e caindo.
O chão se dissolveu abaixo de mim, dando lugar a água. Não! Eu quis gritar enquanto me via mergulhar de cara naquela água fria. Forcei-me a voltar a superfície, vendo a lua acima de mim. Afundei de novo, engolindo um pouco daquela água. Água, não, por favor. Entrei em desespero, ainda tentando me manter na superfície. Mas esse era um trabalho difícil. Eu sabia nadar, mas ainda tinha medo. Eu me afoguei há alguns anos e acabei ficando com uma espécie de trauma.
“3, 4, better lock your door...”. Eu ainda podia ouvir, mesmo em meio ao desespero. Não era como se uma porta fosse impedi-lo e, de qualquer modo, eu estava no meio do lago. “5, 6, grab a crucifix...”. Era terrível ter que enfrentar um dos meus maiores medos, mas eu precisava sobreviver, precisava sair dali. Bati minhas mãos e pés e nadei na direção da beira daquele lago.
“7, 8, gonna stay up late...”. Dessa vez era eu mesma quem cantava. Eu sabia que era o que eu precisava fazer. Tentei me manter calma para que o pânico passasse. Assim que saí do lago, avistei Freddy bem próximo a mim. Gritei e tentei correr em direção a casa de . Talvez eles me ouvissem.
— 9, 10... — me esforcei para dizer.
Eu precisava manter minha sanidade. Freddy Krueger não podia me pegar enquanto eu estava acordadada. A não ser que... Freddy me alcançou e me derrubou, interrompendo meus pensamentos. Ele apertou meu braço direito com força, me fazendo grunhir. Senti as lâminas geladas de sua mão direita em meu rosto e ouvi sua risada. Ele me soltou. Fiquei imóvel por causa do medo que eu sentia. Encarei aquele rosto completamente desfigurado por causa das queimaduras.
“Não durma nunca mais!”.
Abri os olhos. Eu estava ofegante.
— O que você disse? — me lançou um olhar um tanto estranho.
estava em cima de mim. Mesmo sem mover minha cabeça para os lados, eu podia ver o rosto de e . Todos me encaravam. Eles pareciam preocupados.
— O que aconteceu? — perguntei, fazendo sair de cima de mim.
— Você estava se revirando e gritando — explicou. — Foi tudo muito rápido e louco.
— Você teve um pesadelo — disse. — Está se sentindo bem?
9, 10, never sleep again. Não durma nunca mais — repeti. — Não foi um pesadelo. Foi real.
— Não, amor, você estava dormindo.
— É claro que eu estava — revirei os olhos, irritada. — Se eu não estivesse, Freddy não teria vindo atrás de mim.
— Freddy tipo, Freddy Krueger? — questionou.
— Sim — disse. — Não podemos mais dormir.
, Freddy Krueger não existe — não conseguiu segurar o riso.
— Então, é isso mesmo? — a encarei, sem acreditar. — Estou sendo zoada pela medrosa do grupo?
— Amor, você sonhou porque vimos o filme antes de dormir — disse, tentando segurar o riso. — E você estava bêbada.
— Sim, porque eu sou a medrosa que sonha com os supervilões que eu queria abraçar — rebati, sem paciência alguma para aquilo. — Eu sou a cética. Vocês deveriam acreditar em mim quando algo assim acontece.
— Ela tem um ponto — disse.
— Por que parece ser o único que está acreditando em mim ou, pelo menos, que não está tirando sarro? — lancei um olhar ameaçador à minha melhor amiga e meu namorado enquanto massageava meu braço direito. — Se não fosse real, por que meu antebraço estaria doendo bem onde ele apertou?
, é sério — disse. — Não é possível.
Eu não conseguia acreditar naquela merda. Eu estava lá. Foi comigo. Eu senti. Levantei a manga do meu pijama e vi a marca no local onde Freddy havia apertado. Aquele maldito!
— Talvez agora vocês... — comecei a falar, mas fui interrompida por um grito estridente.
— Arabella! — constatou.
— Que merda está acontecendo? — perguntou ao ver Jason entrar no quarto correndo.
— Michael estava dormindo e... — Jason parou, tentando encontrar palavras. — Ele está morto.
— Como assim está morto? — rebateu.
— Pessoas não morrem dormindo — disse. — Supostamente.
Levantei rapidamente. Nós quatro acompanhamos Jason até o “quarto dos solteiros”. tapou a boca com as mãos para abafar um possível grito. Arabella estava sentada do outro lado do quarto com os olhos esbugalhados. Michael estava envolto em sangue. Sua camiseta estava rasgada na barriga, assim como a sua pele. Arabella levantou e correu até , o abraçando de um modo desesperado e chorando.
— Como isso aconteceu? — perguntou enquanto tentava, ao mesmo tempo, acalmar sua irmã.
— Eu não sei, — Arabella o soltou, tentando enxugar as lágrimas. — Ele estava dormindo e então, os cortes apareceram sem mais nem menos.
— Foi terrível — Jason complementou.
me encarava desde que colocara os olhos naquela cena. Mas agora e também não podiam evitar. Os olhares dos três estavam em cima de mim.
— Eu avisei — respirei fundo. — Não durma nunca mais.

2. Ficar sozinha.

“Your heart hits like a drum. The chase has just begun…”
Monsters — Ruelle

gritava alguma coisa sobre ter um corpo na casa de lago dele e isso não era nada bom. dizia que estava certa. Arabella soluçava enquanto seu irmão gritava. Jason olhava o corpo do amigo, catatônico.
— Ei, vem cá! — apareceu no meu campo de visão e me puxou para um abraço apertado, escondi meu rosto em seu peito. — Vocês não acham melhor cobrir o corpo? — sugeriu e depois deu de ombros, voltando seu belo rosto para mim. — Vamos sair deste quarto. Posso ver o pânico em seu rosto! — ele alisou meu rosto.
Concordei e segurei em sua mão. Fomos para a sala. Sentei-me no canto e ao meu lado.
— Não deveríamos chamar a polícia? — me olhou e, antes de ele responder, Jason apareceu na sala.
— Claro e o que iríamos dizer? O Freddy saiu da TV e veio para o nosso mundo? — rolei os olhos.
— Tecnicamente ele não veio para o nosso mundo — comentou baixinho e me olhou.
— O que vamos fazer? — sussurrei para o meu namorado, que se aproximou de mim e colou seus lábios nos meus por alguns longos e maravilhosos segundos.
— Vamos sobreviver!
— E se o Jason, não eu, mas o outro também existir e estiver aí fora só esperando para entrar aqui e nos picar? — Jason disse olhando pela janela, mas o ignoramos.
— E se tudo isso for mentira? E se o Freddy não existir mesmo? afinal ele é o Freddy Krueger, o vilão mais famoso. Entendeu onde quero chegar? — me ouvia atentamente.
Olhei para Jason de relance que ainda observava a janela pensativo. Voltei meu olhar a .
— Está insinuando que talvez alguém tenha matado o Michael? — sussurrou de volta.
Não respondi. Eu tinha pensado naquilo, mas todos ali eram meus amigos e eu sei que nenhum deles poderia matar alguém. Encostei-me no sofá e podia sentir meu namorado me fitando. Jason me olhou também.
Ouvi alguém cantarolar algo conhecido na cozinha, me levantei um pouco e olhei em direção. “1, 2, Freddy's coming for you...”. Ah, não!
! — chamei, mas meu namorado não estava mais ali, muito menos Jason.
Eu estava em casa, no meu quarto, na minha cama. dormia ao meu lado. Olhei para a janela. Ela estava aberta e um vento extremamente frio batia em meu rosto. Levantei-me e a fechei. Voltei a deitar, puxando um pouco da coberta para mim.
— Oh, minha pequena, sempre com medo de ficar sozinha...
Arregalei os olhos. Não era mais quem estava ao meu lado. Não me virei para olhá-lo. Tentei levantar da cama, mas não consegui. Estava presa a ela. Gritei desesperadamente, mesmo que fosse em vão. O mundo dos sonhos era dele, não tinha nada que o vencesse aqui.
— Não precisa gritar, minha pequena, nunca vou te deixar sozinha.
Ele riu com aquela voz horrenda, e foi aí que o olhei. Era o Freddy, aquele clássico vilão que eu adorava, e ele estava parado ali na minha frente. Eu seria a próxima a morrer.
— Por favor. Por favor... Socorro! — gritei e a me debati na cama.
Freddy gargalhava e ofuscava todos os meus gritos. Ele passou uma de suas lâminas em meu pescoço, bem levemente. Era desesperador. Ele podia me rasgar, me picotar ou simplesmente me matar, mas não, brincar era o que ele gostava de fazer.
— Todos os seus amigos vão morrer e você sempre vai ficar sozinha... minha pequena — ele sussurrou no meu ouvido e eu dei-lhe uma cabeçada.
— Sai de cima de mim, seu verme. Socorro! — tentei me mexer, sem sucesso. As lâminas em suas mãos faziam cortes pelo meu braço.
— Para. Para... Para! — olhei o sangue escorrendo em meus braços e ele voltou a rir, passando as lâminas em meus ombros, causando mais cortes e sangue.
— Vamos nos divertir tanto juntos.
Ele levantou apenas uma das lâminas e a passou em minha bochecha, a cortando. Berrei o mais alto que pude.
— Socorro! — fechei os olhos e voltei a me debater para sair dali. Ele ria cada vez mais alto, mas eu não abri os olhos. O desespero tomou conta de mim. Eu só precisava acordar. — Me acordem. Me acordem. Me acordem! — gritei até que senti alguém estapear meu rosto com força. Assim que abri os olhos, estava em minha frente.
— Você me bateu? — perguntei, sentindo a ardência. Ela riu e me abraçou forte.
, achei que tínhamos te perdido também! — retribui o abraço e olhei em volta.
— Cadê o ? — saiu do abraço e olhou minha bochecha e meus braços sangrando.
— Meu Deus, ! Precisamos cobrir isso imediatamente. — e olhou para , que já saia correndo para o quarto.
, graças a Deus! — apareceu na sala, seu rosto estava inchado de tanto chorar. Ele veio correndo em minha direção e me abraçou forte.
— Ai, ai, ai — me afastei um pouco, sentindo as feridas arderem.
— Me perdoa, eu sinto muito. Meu Deus, me perdoa, por favor! Eu te amo tanto, eu te amo demais — ele voltou a chorar enquanto segurava meu rosto.
, está tudo bem. Eu também te amo muito — lhe dei um selinho rápido e voltou com um kit de primeiros socorros.
te deu remédios errados, eram relaxantes musculares — disse olhando para , ainda desesperado. — Ele se sentiu culpado, mas estava escuro e eles são parecidos mesmo. Ninguém o culpou por isso.
Droga! Mandei minha namorada direto para o Freddy Krueger! — Jason o imitou. Sorri e alisei o rosto de .
— Que belo dia para você errar os remédios, não é? — ele riu nervoso e secou um pouco das inúmeras lágrimas que nunca paravam de cair. Retraí os lábios ao sentir jogar um pouco de álcool nos cortes e depois os cobrir com gazes curativos. pegou um pouco de álcool e limpou o corte da minha bochecha. — Ei, estou acordada e viva... Por enquanto, todos estamos — todos me olharam desconfortáveis.
— Ele disse que vai nos matar um por um — abaixei a cabeça.
— É só não dormirmos! — Arabella disse, abrindo os braços.
— Claro, nunca mais vamos poder dormir, quem conseguiria? Nem com remédios vamos conseguir! — Jason respondeu e finalizou: — Não é, menino dos remédios?
— Com um certo tempo, começamos a dormir acordados mesmo. Então, não conseguiríamos diferenciar o que é sonho da realidade — respondeu pegando a capa do DVD de A Hora do Pesadelo.
— É o que acontece com a Nancy e Quentin no remake de 2010 — assentiu para mim e segurou minha mão com força.
— Mas até lá... — Arabella levantou e veio até mim e . Ela parou em frente meu namorado e estendeu a mão. — É melhor acertar o remédio, menino dos remédios! — piscou para ele que olhou para a mochila em cima de uma das poltronas.
— Não vamos só nos drogar e rezar. Não vamos ficar parados esperando ele nos matar um por um — disse. — Vamos mandar esse desgraçado de volta para o inferno! — Jason soltou um gritinho no final e rimos.
— Aliás em Freddy vs Jason, ele apanha pra caramba do grandão! — Jason comentou. concordou e os dois bateram as mãos.
— Não está sentindo nenhuma dor? — me perguntou e fiz que não.
— Analgésicos estão fora de cogitação — respondi e ele riu.
— Achei que tivesse que te perdido. Já estava quase dormindo para te buscar aonde quer que estivesse — me sentei no sofá e segurei suas duas mãos.
— Estou aqui e estou viva. Vamos dar um pouco de trabalho para esse desgraçado! — sorri de lado e ele me beijou.
— Talvez não sejamos os únicos que tenham passado por isso. Vamos estudar tudo o que sabemos sobre o Freddy. Vamos revisar os filmes. Estamos com tudo que precisamos para saber dele é só estudarmos o que podemos usar contra ele — disse, levantando ao lado de .
— Você está certa. Vamos ver se achamos alguma coisa na internet — Jason disse. — Vem, Arabella? — a garota deu de ombros e o acompanhou.
— Espera, não procurem sobre o Freddy, procurem para ver se alguém já passou por isso e fez algum depoimento na internet — disse a eles. — e eu vamos anotar o que lembramos dos filmes e, se preciso, pesquisar sobre Freddy na internet.
— Vou separar o que tenho de anfetamina — disse e pegou sua mochila.
— Eu ainda estou com o relaxante no corpo, então, me manter acordada já será um trabalho difícil — riu e cerrou os olhos. Em seguida, os dois foram em direção às escadas.
— Ok, é só eu não dormir! — dei alguns tapas em meu rosto e respirei fundo.
— Estou do seu lado, não vou deixar — segurou minha mão, a apertando. Abri um sorriso. — Isso seria tão mais fácil com sexo!
Ele soltou uma risada alta e fez que não com a cabeça.
— Me ajuda com os remédios, então.
Fiz que sim e sentei-me no chão em frente a ele, que me entregava alguns potinhos com remédios dentro. Nunca vou te deixar sozinha... Era o que meu pai sempre me dizia antes de ter ido embora, abandonando minha mãe e a mim para sempre.

3. Café e outras drogas.

“I'm feeling like the worst is yet to come because the night has just begun.”
Night Alone — Mest

— Voltou mais rápido do que eu previ.
Ouvi aquela voz aterrorizante próxima ao meu ouvido e senti a lâmina fria escorregar suavemente pelo lado do meu rosto, causando um corte leve em minha bochecha. Um filete de sangue percorreu a superfície do meu rosto.
— Não — me mantive firme. — De novo, não.
— Não tive tempo o suficiente de fazer mais do que um corte em seu namorado — Freddy sorriu diabolicamente. — Mas eu posso me divertir com você.
Retalhou rapidamente o meu braço esquerdo, perto do ombro, e riu, em deleite. Ele estava se divertindo. Grunhi, sentindo o local arder e o sangue escorrer. Aquele corte fora rápido, sim, mas havia sido bem mais fundo que outro. Eu não conseguia me mover. Ótimo!
— Você não vai me matar. Não vai conseguir — tentei me manter calma. — Eu já percebi que estou sonhando. Logo eu vou acordar.
— Matarei todos vocês, um por um — ele cortou meu antebraço dessa vez. — Se não for você, algum dos seus amigos terá que ser o próximo.
! — abri os olhos em um susto, sentindo uma estranha sensação de baque, quando ouvi me chamar. — O café está pronto.
— Esse café que você faz é maravilhoso, eu já disse isso?
— Apenas um milhão de vezes desde ontem à noite — ele riu.
— É só a verdade — peguei uma das grandes xícaras de suas mãos e grunhi ao sentir aquela dor enjoativa quando mexi o braço.
— Você está sangrando! — ele arregalou os olhos. — O que...?
Ele nem mesmo conseguiu terminar a pergunta. Ele já sabia, no fim das contas.
— Eu apaguei por um mínimo período de tempo — expliquei, tomando um gole daquele café quente e forte. — Você me acordou quando entrou de volta no quarto.
— Aquele maldito! — ele resmungou.
— E por falar nisso — estreitei os olhos, lembrando do sonho. — Quando ia me dizer que caiu no sonho e foi atacado pelo Freddy?
— Eu não... Como você sabe disso? — questionou.
— E como você acha? — revirei os olhos. — Droga, , eu amo você! Sabe o que isso quer dizer? Que se você é atacado pelo Freddy Krueger, deve me contar.
— Por favor, não vamos brigar por causa disso — ele pediu. — Eu não queria te deixar preocupada.
— É por isso que você colocou outra camiseta? — ele confirmou com a cabeça. — Me mostra.
— Fiz o curativo enquanto estava esperando que o café ficasse pronto — ele disse, levantando a camiseta. Pelo tamanho do curativo, o corte havia sido grande. — Posso limpar seus ferimentos?
Confirmei, sem hesitar. começou a limpar e fazer os curativos logo em seguida.
— Aliás, como você dormiu e foi cortado se estava comigo o tempo todo? Como eu nem sequer percebi isso?
— Você estava focada nas pesquisas e eu simplesmente acabei apagando — explicou. — Você me trouxe de volta com aquele grito de reclamação de quando o computador travou.
Não pude conter a risada com aquilo. Eu sempre fazia isso.
— Pense duas vezes na próxima vez que for reclamar dos meus gritos na frente do computador — debochei.
— Não esquecerei dessa dica — ele riu também. — Então, você disse que não tinha mais café e eu aproveitei a deixa para sair daqui.
— E aí foi a minha vez de apagar — comentei.
— Isso está acontecendo porque você e eu dormimos somente duas horas essa manhã.
— Maldito seja aquele projeto complicado que precisávamos entregar hoje — bufei. — Só o seu café para me salvar mesmo.
— Sabe como é. Estudantes de TI aprendem a fazer seu próprio café em algum ponto da vida — disse, cheio de orgulho.
— E aperfeiçoam a técnica com o tempo — observei.
— Fato — ele concordou, tomando mais alguns goles do seu café.
— Então, café é tudo o que temos para sobreviver a essa noite — falei.
— Mas somos a prova de que isso não funciona muito bem quando estamos acordados há muito tempo.
— E extremamente exaustos — complementei.
— Por favor, não caia no sono outra vez — me beijou. — Não quero te perder.
— Continue com esses beijos que você me mantém acordada — ri. — Também não quero te perder.
— Então, encontrou alguma coisa que possa nos ajudar? — questionou, olhando brevemente para o monitor, que havia acabado de se apagar sozinho.
— Só encontrei o que já sabíamos — bufei. — A única dessas coisas que poderia ajudar é o que acabamos de assistir em Freddy vs. Jason.
— Trazer Freddy para o mundo real, o nosso mundo? — perguntou. — Isso poderia ser perigoso.
— E é por isso que não vamos lembrar ninguém desse fato — falei. — Isso seria um atestado de morte para qualquer um de nós.
— Mas, — chamou. — E se for o único jeito?
— Não, . Isso está acontecendo por minha culpa. Eu planejei esse Halloween e convidei essas pessoas para estarem aqui — o lembrei. — Não podemos assinar o atestado de morte de ninguém.
— Eu poderia... — ele começou, mas o interrompi em seguida.
— Eu nunca deixaria você tentar fazer isso. Seu sono é pesado — expliquei. — Você precisa prometer que não vai contar a ninguém.
— Tudo bem, eu prometo — ele sorriu de lado. — Você sabe que eu não quebro as promessas que faço para você.
— Hey, olha isso — chamei até a janela. — O que Jason está fazendo sozinho na varanda?
— Ele não deveria ficar sozinho — ele disse. — Vai até lá, vou pegar mais café.
E eu fui. Jason estava sentado no chão.
— Por favor, não caia no sono — pedi. — Não queremos te perder.
— Estou cansado — resmungou.
— Nem me fale — bocejei. — Mas no Freddy vs. Jason da nossa vida, você tem que ser o vencedor.
— Você não disse isso — ele desandou a rir.
— Estava querendo fazer essa piadinha a noite inteira — ri também.
— Encontraram algo útil? — questionou.
— Não, ninguém postou nada na internet sobre ter passado por algo desse tipo — suspirei. — É claro, quem acreditaria neles?
— Hey, onde está Arabella — perguntou ao entregar um xícara de café para Jason.
— Ela pediu para eu deixá-la sozinha — Jason deu de ombros.
— E você deixou? — rebateu.
— Jason, cara — reclamei. — Não é um bom momento para qualquer um ficar sozinho. E isso inclui você.
— Qual é, ! Estamos falando da Arabella — fez careta. — Não tem como ganhar uma discussão dela.
— Vocês têm razão. Não deveríamos deixá-la sozinha mesmo — Jason levantou rapidamente. — Ela já estava sonolenta no final do filme.
— Onde ela está? — perguntou.
— No quarto dos seus pais.
Fomos até lá. A casa tinha três quartos, mas tínhamos nos divido em dois: o quarto dos solteiros e o dos casados. Era assim que Michael chamava. E agora ele estava morto no “quarto dos solteiros”. O quarto dos pais de e Arabella era zona proibida — mesmo quando eles não vinham para a casa do lago. Arabella devia estar triste e ainda aterrorizada com o que tinha presenciado e, por esse motivo, pedira para Jason a deixar sozinha. Então, ela optou por ir para o único lugar proibi...
— Puta merda! — gritei.
Aquela cena era horrorosa. Arabella estava sentada no chão com as costas escoradas na parede. Seus olhos estavam fechados e tinha sangue para todos os lados. Mas ela ainda não estava morta. Ela estava imóvel, mas era possível ver o movimento dos seus olhos por baixo das pálpebras. Freddy Krueger, seu maldito! Corri até ela, mas antes que eu pudesse tentar fazer qualquer coisa para tirá-la daquele pesadelo, sua garganta se abriu — fora cortada — de fora a fora. O sangue respingou em mim. Meus olhos se arregalaram. Um sentimento de impotência me preencheu, junto com tristeza. Não! Arabella, não.
— Não! — socou a parede. — Minha irmã, não.
Levantei, limpando o sangue de meu rosto, e ouvi o barulho da xícara quebrando. Jason estava pasmo. Ele havia deixado a xícara cair no chão e se despedaçar.
— Eu a deixei sozinha — ele disse pausadamente. — É minha culpa.
— Não, não é — colocou a mão sobre o ombro dele. — Freddy fez isso, não você. A culpa é dele.
— Foi por causa dela que eu conheci você — disse a . — Jason me apresentou Arabella e bem, ela era sua irmã. Ela sempre foi detestável, mas era isso que a fazia ser legal. Ela era incrível. Não podia ter se ido! — enxuguei as lágrimas. — Freddy me avisou que teria um próximo. Eu odeio aquele cara!
, não chora.
Abracei Jason e . Eu tinha desabado, mas eles estavam ali, firmes e fortes. Eu sabia que eles também estavam sentindo aquilo. Eles só não estavam deixando transparecer. E logo depois de desabar, eu explodi. Saí do quarto apressada, sendo seguida de perto por e Jason — não que eles tivessem muita escolha quanto a isso.
— Cadê a droga dos remédios para nos mantermos acordados? — gritei, descendo escada a baixo puxando tanto quanto Jason pela mão.
— O que aconteceu? — perguntou, observando o nosso estado.
— O meu cérebro e o de desligaram por alguns segundos por causa dos cansaço e ele ganhou isso — levantei a blusa dele, mostrando o corte na barriga. — E eu, isso — apontei o corte no rosto e os dois no braço.
— E Jason estava quase caindo no sono quando o encontramos — complementou.
— De onde veio todo esse sangue? — me encarou.
— Arabella está morta! O sangue é dela — Jason explodiu. — Precisamos da droga dos remédios agora.
— O que? — gritou. — Não pode ser.
— Mas é — rebateu de um modo desconfortável.
— Os remédios! — Jason e eu nos entreolhamos, impacientes.
— Bem, quanto a isso... — fez careta.
— Não encontramos mais nem sequer um comprido de nenhum tipo de remédio que ajude a ficar acordado — explicou.
— No meio de todos aqueles vidros e cartelas? — parecia não acreditar.
Apertei a mão dele, como se quisesse o reconfortar, mesmo sabendo que aquilo não adiantava de nada. Chegaria uma hora que cairíamos no sono outra vez, direto para o Freddy, direto para a morte.
é o cara das drogas! — Jason insistiu. — Ele não pode simplesmente não ter as drogas que precisamos.
— Sinto muito — se desculpou.
— Você está sempre acordado — constatei. — Quando foi a última vez que você tomou um daqueles?
— Há muitas horas.
— Então, é isso — suspirei. — Estamos todos exaustos e com sono.
— Estamos ferrados — disse.
— Nós vamos morrer! — Jason anunciou.4. Vamos todos morrer!

“And if we should die tonight then we should all die together.
Raise a glass of wine for the last time.”

I See Fire — Ed Sheeran

Nunca tinha vivenciado um momento tão silencioso com meus amigos em todo esse tempo de amizade. Estava sentada ao lado de , nossas mãos entrelaçadas, minha cabeça encostada em seu ombro e sua cabeça encostada na minha.
e estavam sentados no chão, ambos encaravam o nada. Jason estava sentado na poltrona em frente ao sofá, ele parecia o mais cansado de todos.
— Não... , acorda ele agora! — berrou.
Olhei para o meu lado e tinha caído no sono. Não! Não! Comecei a balançar seus ombros depressa. se levantou correndo até a cozinha, me ajudava a gritar e a estapeá-lo.
— Não, , não! Por favor... Por favor! — soluços involuntários saíam no meio dos meus gritos. voltou com uma bacia de água e jogou nele, mas nada adiantou.
— Eu não posso te perder, está me ouvindo? Não posso! — sentei no colo dele, enquanto cravava minhas unhas em seus ombros. começou a se debater, me jogando no chão. e continuaram tentando acordá-lo, até que vi um corte em seu rosto e só aumentava. — ... Freddy seu desgraçado! — tentei levantar, mas estava tão fraca. Minha visão embaçada por tanto chorar. Até que acordou assustado, olhando em volta.
— Graças a Deus! — me ajoelhei e segurei suas mãos com força. Mas ele se levantou desesperado.
— O Jason apareceu no sonho! Cadê ele? — gritou, procurando Jason. Ele estava na poltrona a última vez que o tinha visto.
— Mas que merda! — gritou e subiu as escadas correndo. foi atrás. me ajudou a se levantar e fomos atrás dos dois.
— Ele deve estar no quarto dos solteiros, com o... Michael — eu disse.
correu para lá. Assim que entramos, Jason estava erguido no alto, como se flutuasse. Todos ficamos horrorizados com aquilo, não tinha como nem o ajudarmos.
— Jason... Meu Deus! — gritei, dando um passo para trás.
E então ele começou a ser rasgado da cabeça aos pés. Sangue se espirrava para todos os lados. Ele esperneava no ar. Tampei o rosto no braço de , que me abraçou. Podia ouvir os gritos de raiva de .
— Eu não aguento mais ver as pessoas que eu amo morrer. Não aguento mais! — choraminguei no braço de , ele me apertou contra si. Então, ouvi o corpo de Jason cair no chão e gritar.
— Jason, cara! — ele choramingou.
Saí do abraço e fui ao lado de . Abaixei-me perto do corpo de Jason e segurei sua mão coberta de sangue.
— Você vai ser nosso herói, para sempre! — então, desabei. me olhou com os olhos marejados.
— Ele era o melhor, não era? — fiz que sim com a cabeça e tentei enxugar as lágrimas com as costas das mãos.
— Sempre tinha a piada certa para contar no meio de um momento tenso — disse e todos rimos baixo, concordando.
— Como faremos sem ele? — perguntei no meio de tantos soluços que nem eu mesma me entendi.
— Conseguiremos por ele! — todos nos viramos para . levantou e me ajudou a levantar em seguida.
está certo. Faremos aquele maldito pagar pelo o que ele fez! — disse olhando para cada um de nós.
Todos nós estávamos de volta à sala, olhando para a poltrona onde Jason costumava sentar, eu já não tinha mais lágrimas de tanto chorar na mesma noite.
— Um de nós vai acabar dormindo, temos que fazer alguma coisa, restou apenas nós quatro! Não vai sobrar ninguém! — eu disse me levantando e andando pra lá e pra cá.
— Vamos dar um jeito de acabar com esse desgraçado, só estou arquitetando melhor o plano. — respondeu, olhando de relance para que estava pensativa demais.
— Vocês dois já tem um plano, só não querem nos envolver nele — parei em frente os dois com as mãos na cintura. — Os conheço muito bem para afirmar isso!
...
Rolei os olhos e saí para a varanda, sentei-me no degrau da escada e senti a brisa fria daquela madrugada horrível bater em meu rosto. Ouvi a porta se abrir atrás de mim e se sentar ao meu lado.
— Não devemos brigar entre nós enquanto tem um louco querendo nos matar — ele disse daquela maneira calma dele, virei-me para ele e fiquei o olhando.
— Você sempre foi o garoto que não falava com ninguém, o caladão que ficava lendo livros de terror, que nunca matava aula e que quando aparecia nas festas era aquele que ficava no fundo bebendo sozinho enquanto observava as pessoas... Mas era você que estava sendo observado — ele me olhou enquanto eu falava.
— Pela garota mais linda que eu já vi em toda minha vida — abri um sorriso.
— E então essa garota pensou em como ela faria para se aproximar dele, afinal ele era tão fechado. E ela era uma palhaça com um grupo de palhaços. Mas até que em um belo dia na biblioteca, enquanto ela estava se matando para fazer um trabalho de literatura gótica esse belo jovem se sentou ao seu lado e disse... — fui interrompida por .
“Bates Motel pode ser uma literatura gótica!” e apontei para sua camiseta do Norman Bates — rimos.
— Então, ele notou a garota que o observava tanto e a deu uma chance — ele se aproximou e segurou meu rosto entre as mãos.
— Você que me deu uma chance. — o beijei rapidamente.
— Eu não sei como essa noite vai terminar... — ele começou a dizer.
— Para! Não quero uma despedida. — ele parou e ficou me olhando.
— Eu só quero dizer que te amo demais — o beijei novamente, porém mais lentamente. Ele retribuiu me puxando para mais perto e intensificou mais o beijo. Subi em seu colo e puxei seus cabelos com um pouco de força o fazendo arfar entre o beijo. Suas mãos apertavam minha cintura com força contra si.
— Isso foi o meu “eu te amo demais também” — respondi o fazendo rir e me beijar novamente.
— Vamos estar sempre juntos, sou o menino esquisito que acredita em vida após a morte — ele disse me fazendo rir alto.
— Verdade, o garoto que assustava os demais — continuamos a rir.
— Menos você, não é? A garota que se apaixonou pelo estranho — concordei, mordendo seus lábios de leve.
— Olha os meus amigos, quer mais esquisito? — ele riu, mas de repente ficamos tristes novamente. Quase todos meus amigos já estavam mortos.
— Eu sinto tanto... Isso é tão injusto! — ele disse alisando meu rosto.
— Não sei mais o que dizer, ou o que pensar, nem chorar eu consigo mais — desviei meu olhar do dele.
— Tudo vai ficar bem, eu tenho certeza disso. O vilão nunca vence no final do filme, aqui não vai ser diferente — ele disse fazendo-me olhá-lo novamente.
— Você está certo e o casal ali dentro sabe como — saí de cima dele e entrei em casa. e pararam de falar e me olharam.
— Vão ficar de segredos ou vão nos deixar a par do que está acontecendo? — cruzei os braços. olhou para .
— O plano é maluco, pode dar errado e dar uma tremenda merda — disse, passando as mãos nos cabelos, os puxando para trás.
— Estamos discutindo sobre ele ainda, pode até ser um sacrifício — disse mais calmo.
— Sacrifício foi o que Jason possa ter feito para salvar , então, contem logo essa merda e vamos acabar com isso antes que mais alguém morra — alterei meu tom de voz e apontei o dedo para eles. — Agora, porra!
Os dois se entreolharam e concordaram.
— Vamos mandar esse cretino para o inferno! — disse se levantando, concordou sorrindo de lado.

5. Ponto sem retorno.

“These wounds won't seem to heal. This pain is just too real.
There's just too much that time cannot erase.”

My Immortal — Evanescence

— Então, o negócio é o seguinte — disse ao entregar xícaras de café a e . — Freddy vs. Jason é a resposta. Não há nada além disso que a gente possa fazer.
— Do que...?
— Se a pessoa acorda enquanto o Freddy está encostando nela, ela traz ele para o nosso mundo — explicou. — E aqui, ele não é imortal.
— Então, podemos matá-lo — pareceu pensar sobre aquilo. — Não vai ser fácil.
— Mas é nossa única opção — insistiu. — E nós decidimos que ...
— Não posso fazer isso — soltei.
— Mas você tinha decidido — disse.
— Não dá mais — suspirei.
— Eu posso fazer isso — disse. — É, eu sei que sou a medrosa, mas...
— De jeito nenhum. Não vou te perder também — surtei. — Você esqueceu que a garota não consegue acordar daquele pesadelo? Ela só acorda quando eles estão fugindo do Jason e arrastam ela. A mão dela pega no fogo e tal.
— Mas...
— Já disse que não. e você têm sono pesado. Eu sou a única com sono leve o suficiente para ser mais fácil de trazer de volta — desandei a falar. — A culpa de todo mundo ter vindo para cá morrer é minha. Eu só... Eu não consigo.
— Eu nunca insistiria para você fazer algo desse tipo — apertou minha mão.
— Eu só não estou pronta para tentar porque a possibilidade de isso ser um sacrifício é grande e me assusta — lamentei, enxugando as lágrimas que saíam sem parar. — Não sou o Jason. Não tenho tanta coragem assim. Sinto muito.
— Olha, não tem o sono tão pesado — comentou. — Talvez ele tope tentar.
— Aliás, onde está ele? — questionou.
— Eu o deixei lá fora e...
— Droga, ! — surtei. — Você o deixou sozinho.
— Puta merda — ela se deu conta. — Eu não podia ter o deixado sozinho.
Nós três entramos em desespero. Saímos da cozinha e corremos até a varanda. Gritei. Possivelmente, já era tarde demais. estava deitado no chão, coberto de sangue.
— Ele ainda está vivo — gritou.
Era verdade. Seus olhos estavam se movendo logo abaixo das pálpebras. o sacudiu, mas não adiantou de nada. Tentamos o acordar de diversos jeitos, mas ele não voltava. Cada vez era cortado mais e mais. Empurrei , a fazendo sair da minha frente e parei ao lado de . Bati na sua cara várias vezes. Nada aconteceu. E então, seus olhos ficaram imóveis e ele parou de respirar.
— Não! — gritou. — Não. Não. Não. Não.
Ela se abraçou no corpo ensanguentado de e chorou. Ela chorou muito. Estava desesperada. Ela tinha acabado de assistir o amor da vida dela ser retalhado na frente dela sem que conseguíssemos fazer nada para ajudar. Eu não...
Corri para dentro de casa e subi as escadas, indo até o quarto de — ou, o “quarto dos casados”, como Michael chamara. Sentei no chão e abracei minhas pernas. Isso não podia ter acontecido. Isso não podia estar acontecendo. Estavam todos mortos. Arabella no quarto dos pais. Michael no quarto dos solteiros junto com Jason. Jason... Não pude conter minhas lágrimas de desespero. Jason havia juntado nós todos. Ele era o único amigo em comum que nós tínhamos antes de virarmos amigos. E agora, ... Em poucos segundos, relembrei de todos os momentos bons e ruins que nós sete já havíamos passado juntos.
Eu nunca esqueceria disso. Nunca esqueceria deles.
Eu havia convidado cada um deles para esse Halloween. E Freddy tinha os tirado de mim. Um pou um. Eu não podia perder e, muito menos, minha melhor amiga.
Eu precisava fazer isso.
Levantei e dei um abraço forte em , que havia acabado de entrar no quarto com .
— Vamos fazer isso — falei, decidida. — Eu vou trazer Freddy Krueger para o nosso mundo.
, você não precisa — disse.
— Ele nos tirou todo mundo. Ele tem que pagar por isso.
Pedi para que pegasse algumas coisas para que pudéssemos lutar quando eu voltasse com ele.
— E pelo amor de Deus, não durma — pediu.
— Vamos tacar fogo nesse filho da puta! — disse, com raiva.
— Se eu não voltar, foi bom ser sua amiga — falei.
— Como se você não fosse voltar — ela revirou os olhos e saiu.
Subi na cama e deitei. sentou ao meu lado. Ele se abaixou e me beijou carinhosamente.
— Eu te amo, — murmurou. — Volta para mim.
— Eu também te amo, . E é claro que eu vou voltar — ri. — Mas caso isso não aconteça, eu só quero que você seja feliz.
— Acho que vai ser difícil fazer isso se você não conseguir — ele fez careta. — Porque sabe, o Freddy vai vir e nos matar também.
— Droga, , estou tentando dormir — reclamei. — Não me faça rir.
— Me desculpe — ele segurou minha mão. — É lindo o que você está fazendo por nós e nossos amigos que foram levados, mas eu não queria que você fizesse isso.
— Não tem mais volta, — fechei meus olhos. — Estou, literalmente, caindo no sono.
Pude ouvir um outro “eu te amo” vindo de , bem baixinho, como se estivesse sussurrando. Mas então, a voz do meu namorado foi substituída por aquela voz assustadora.
— Bem vinda de volta ao meu mundo, vadia.

6. O passado nunca morre.

“Burn everything you love then burn the ashes.
In the end everything collides. My childhood spat back the monster that you see.”

My Songs Know What You Did In the Dark — Fall Out Boy

já dormia, segurava a mão dela apreensivo. Estava com dois isqueiros na mão, tinha ao seu lado um galão de gasolina e em seu colo um machado. Em meu colo tinha uma tesoura grande de cortar grama. Tentava não pensar nas mortes que tinham acontecido, se não eu choraria novamente e isso me tornaria vulnerável.
? — a chamou e notei mais cortes aparecerem nela. Levantei-me e fui ao seu lado. Ela começava a gemer de dor.
— Está na hora! — eu disse pegando a tesoura e guardando o isqueiro dentro do bolso da calça. apertou o machado em uma mão e com a outra chacoalhava .
acorda, pelo amor de Deus! — gritei empurrando minha amiga, mas foi um pouco mais forte que eu esperava. Ela virou e caiu no chão, mas assim que ela caiu, ela acordou gritando. E com ela estava ele, o maldito do Freddy Krueger, deitado ao seu lado, um pouco surpreso.
não esperou, avançou no maldito com o machado, mas Freddy foi mais rápido e fincou suas lâminas no peito de , fazendo e eu gritarmos.
começava a sangrar pela boca, então, Freddy passou suas outras lâminas no pescoço de . ainda gritava desesperada. Sem levantar do chão, ela deu uma rasteira no Freddy que caiu, junto do corpo de .
pegou o galão de gasolina e jogou em Freddy. Ele gritava e tentava a acertar com as lâminas. Abri a tesoura em minhas mãos e a enfiei em suas costas o fazendo gritar.
— Isso foi pelo , desgraçado! — afundei mais a tesoura.
pegou o machado no chão e o atingiu no peito, dizendo:
— E isso por todos nós!
Freddy se encostou na parede tentando tirar o machado em seu peito. Parei ao lado da minha amiga, tirando os dois isqueiros do bolso, entreguei um para ela. Nós duas ascendemos juntas.
— Bem-vindo ao nosso mundo, otário! — disse, jogando o isqueiro nele.
— Como diria nosso amigo Jason... — joguei o meu nele também e completei: — Queima, vadia!
Ele gritava e corria enquanto queimava, com isso o fogo se alastrou pelos móveis, cortinas e infelizmente pela casa.
temos que sair daqui! — eu disse segurando o braço dela. Ela chorava enquanto olhava o corpo de no chão. Respirei fundo e a abracei forte. Eu sabia a dor que ela estava passando, era horrível e parecia nunca passar.
— Ele ia querer que nos salvássemos, então... Vamos dar o fora daqui, por favor! — saí do abraço e a olhei, ela ainda chorava, mas dessa vez concordou comigo.
Saímos correndo dali, sem olhar para nada, muito menos para trás. Chegando ao lado de fora da casa, paramos e olhamos o nosso passado sendo queimado. Começamos a chorar novamente. Todos os nossos amigos estavam mortos ali dentro, nossos namorados, nossas memórias, praticamente, toda a nossa vida. Posso arriscar dizer que até nós mesmas estávamos sendo queimadas ali dentro. Nunca mais seríamos as mesmas, não depois disso, não depois de perder tudo.

2 anos depois.

— Feliz Halloween, professora! — meus alunos saíam de máscaras pela escola, festejando e comemorando o feriado.
Eu estava terminando de arrumar minhas coisas até que a luz se apagou. Fui até o interruptor e a acendi novamente. Crianças! Voltei para minha mesa e peguei minha bolsa e minhas pastas. No corredor, ouvi meu celular tocar. Assim que abri a bolsa para pegá-lo, as luzes da escola foram todas apagadas.
— Puta merda! — sussurrei de raiva. — Ainda tem gente aqui! — gritei para a escuridão, ouvindo o eco da minha voz.
Parei de andar e olhei em volta. Peguei meu celular na bolsa e liguei a lanterna, deparando-me com alguém na minha frente. Soltei um berro.
— Ponto para mim! — era , que agora gargalhava. Rolei os olhos e puxei o ar me acalmando.
— Palhaça — a empurrei e comecei a rir. — O que está fazendo aqui?
— Vim te buscar para irmos a uma festa do meu serviço. O pessoal que trabalha comigo é meio doido e eles vão fazer uma festa em uma floresta aqui perto. Vai ser bem legal! — ela disse, finalmente parando de rir.
— Uma festa de Halloween? Uau, que emocionante — debochei, voltando a caminhar pelo corredor.
— Qual é, , vai ser divertido. Melhor do que ficar em casa, sabe? Esquecer um pouco o quanto essa data é horrível — ela caminhava ao meu lado.
Saímos da escola e fomos até meu carro. Antes de entrar no carro, fiquei a olhando. Ela me olhava com aquela cara de pidona, soltei uma risada.
— Tudo bem. Mas não vou fantasiada! — ela deu uns pulinhos e concordou.
— A festa não é a fantasia mesmo — riu e acenou, entrando em seu carro. Acenei de volta e entrei no meu.

Estávamos na festa fazia algum tempo, eu bebia o nono copo de cerveja. Ainda não estava bêbada. tinha ido pegar mais bebidas. A festa realmente era em uma floresta ao redor de uma fogueira. Tinha algumas pessoas com máscaras e eles enfeitaram algumas árvores com caveiras e abóboras e coisas do tipo. Sentei-me em um tronco um pouco afastado da barulhada da festa e senti a brisa fria bater em meu rosto. Senti algo familiar, algo bom, algo que eu tinha esquecido que já tinha me feito bem.
— Jason! — sussurrei ao ver um rapaz muito parecido com meu amigo encostado em uma árvore. Ele me encarava com um sorriso no rosto. Levantei e apareceu na minha frente me entregando um copo de cerveja.
— O que foi que você viu? — ela perguntou olhando para trás, mas Jason não estava mais lá.
— Nada, só achei que tivesse visto alguém conhecido, mas não era — dei de ombros e voltei a me sentar, ela se sentou ao meu lado.
Ainda fiquei olhando aquele ponto, mas realmente não tinha ninguém ali e talvez as cervejas estivessem fazendo efeito. Bebi mais uns goles e senti apertar meu braço com força, olhei para ela e ela estava branca como se tivesse visto um fantasma. Olhei na direção em que ela olhava e vi Jason novamente, mas agora ela o via também.
— Você está vendo o mesmo que eu? — perguntei e ela fez que sim ainda assustada. Levantei-me e puxei ela junto. Fomos em direção ao rapaz que estava parado nos olhando.
— Como é possível...? — ela começou a dizer, mas algumas pessoas entraram na nossa frente e perdemos Jason de vista.
— E se estivermos delirando? Afinal, estamos ingerindo muito álcool — falei, olhando para o copo de cerveja em minha mão.
— Fomos atacados pelo Freddy Krueger uma noite inteira, se lembra? Estávamos delirando? — concordei com ela e soltei o ar.
— Vocês duas não deveriam estar aqui — nos assustamos ao ver Jason do nosso lado.
— Como é que você está aqui? E vivo? — perguntei, quase gritando.
— Jason, como você pode estar aqui? — perguntou um pouco mais calma que eu.
— Vocês não deveriam estar aqui. Vão embora enquanto ainda há tempo — ele alertou, olhando em volta. Ele começava a sangrar e os cortes de sua morte aparecia em seu corpo. — Já é tarde demais!
Então, ele se partiu ao meio. Nós duas gritamos e olhamos em volta. As pessoas gritavam também. Tinha vários corpos no chão e sangue para todo lado.
— Vamos embora, agora! — segurei a mão da minha amiga e a puxei comigo, mas antes que conseguíssemos correr para longe, nos deparamos com Arabella e Michael a nossa frente.
— Meu Deus! — dissemos juntas.
— Vocês duas não deveriam estar aqui — Arabella disse, limpando o sangue que escorria em um de deus cortes. Eu já chorava desesperadamente, não fazia ideia do que estava acontecendo ali.
— Talvez não seja tão tarde assim — meu coração deu um salto ao ouvir a voz de . Não queria me virar e vê-lo com os cortes. Fechei os olhos e me entreguei ao choro.
— Vocês duas podem salvar a todos! — agora era a voz de . Não vi se se virou ou não, mas eu continuava a chorar.
— O passado nunca vai abandonar vocês — todos eles falaram ao mesmo tempo. Abri os olhos e estávamos de volta à casa do lago de . Estava inteira, como se nunca tivesse acontecido nada. Senti alguém segurar minha mão, me virei e era , ele estava lindo com um sorriso no rosto.
— Feliz Halloween! — me deu um selinho demorado e entrou correndo na casa do lago. Todos meus amigos estavam lá dentro e abraçava com vontade na varanda. Alarguei meu sorriso, mas me olhou de um modo estranho e pude ver seus lábios formar as seguintes palavras: O que diabos acabou de acontecer?
Antes de ir até ela, olhei algo estranho na janela e o vi, com seu suéter listrado vermelho e preto, seu chapéu, sua pele queimada e aquele maldito sorriso daibólico. E ele passava suas lâminas pela janela. NÃO! De novo, não.

FIM.

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Nota da autora:

Ariel
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