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Attraction

Autora: Ainat Laefor | Beta: Lu Guimarães

Capítulos:
| Capítulo 1 |
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Capítulo 1

Peguei a camisa azul marinho de que eu tanto gostava e coloquei sobre as outras na mala. Peguei o papel de dispensa do trabalho e coloquei na minha pasta, guardando-a na gaveta que tinha chave, não por medo de roubo, mas por segurança, para evitar acidentes com aquele papel, quando meu telefone tocou.

— Filha? Recebi sua mensagem dizendo que estava arrumando as malas! Ah, eu fico tão aliviada em saber que você vem!

— Oi, mãe... Você sabe bem minha opinião sobre isso, mas...

— Filha, eu sei que você não queria vir... Eu sei que é difícil se encaixar em uma situação como esta...

— Não, mãe, não é bem isso... — Constatei com cautelosa paciência. — Eu não quero ir simplesmente porque eu não tenho sentimentos por essa menina que morreu. Digo, é uma situação triste e tudo mais, e é uma pena, mas eu nunca vi a menina antes! E ela já nasceu com essa doença, pelo que meu pai disse, os médicos já tinham avisado que ela não viveria muito...

, não seja insensível! — Minha mãe brigou, espantada com o que eu dizia.

— Ela completou três anos, eu moro aqui há cinco! Eu realmente vou vê-la pela primeira vez hoje... No caixão... Eu vou prestar minhas condolências, mas não vejo necessidade de ficar três semanas inteiras aí...

Minha mãe ficou em silêncio. Ela fazia isso quando ponderava se concordaria comigo ou se insistiria em deixar-se ir pela emoção. Aquilo me irritara há algum tempo, mas, depois de cinco anos sem morar com ela, eu me sentia mais tolerante com suas longas reflexões acerca do óbvio.

— Tudo bem, tudo bem... Esses jovens insensíveis... Eu te espero aqui, então.

— Ok, eu te ligo assim que o avião pousar — Avisei. — Um beijo, mãe. Até amanhã!

— Fica com Deus, filha, até amanhã. Bom voo.

Desliguei o celular e o coloquei sobre a cama, rindo do jeito como minha mãe lidava com as coisas. Desde que eu me entendia por gente, ela fora aquela pessoa sentimental, religiosa, amorosa. Rezaria pela alma de qualquer ser que perdesse a vida. E, é claro, ela conhecia a menina falecida, mas eu não. Não era possível que alguém esperasse me ver chorar neste velório. Além disso, eu tinha uma festa e alguns interesses “românticos” a resolver, queria mais era aproveitar tudo isto.

Meu celular tocou novamente, dei um sorriso, pensei ser minha mãe novamente, querendo me dar algumas últimas recomendações. Entretanto, vi que o número pertencia a outra pessoa, uma pessoa que eu vira fazia pouco tempo.

— Olha só quem sentiu minha falta... — Provoquei.

— Senti, sim, e bastante! — A voz suave do outro lado da linha respondeu.

— Então, senhor Troy, parece que vou ficar devendo a festa de sexta-feira à noite, mesmo que eu tenha prometido te levar, mas, sabe como é, aquela coisa que falei por mensagem. Morte na família e tudo mais.

— Você não me parece tão triste assim — Ele brincou.

— Nem estou, para ser sincera, mas preciso cumprir com o protocolo, ou então seria bom eu jamais voltar àquela cidade, pois meus pais não me deixariam esquecer.

— Eu entendo... É uma pena, mas vou poder cobrar depois, teremos outras oportunidades, certo?

— É claro, queridinho... Eu sempre cumpro com minhas promessas...

Ele fez um silêncio por um instante, eu pude ouvir o arfar incrédulo que ele dera com a minha resposta, então dei um sorriso.

— Garota, você sempre faz isso comigo...

— Faço o quê?

— Me deixa sem resposta. Mas eu gosto disso.

Dei uma gargalhada.

— Isso é muito bom, garoto, significa que vamos nos dar muito bem.

— Eu vou esperar por isso, nós dois nos dando bem — Falou de modo sugestivo, deixando certo duplo sentido no ar.

Gostei ainda mais daquele cara que eu havia conhecido no trabalho. Ele era bonito, charmoso, inteligente e muito bom de conversa. Além do básico, é claro, educado, simpático, saber tratar as pessoas e essas coisas todas que precisam vir no pacote, do contrário, é melhor nem sair do útero.

Respirei fundo. Eu estava realmente largando um garoto lindo que poderia fazer minha noite inteira mais animada por três semanas de clima de velório e enterro? Droga, destino, você poderia ser mais legal comigo! Três longas semanas. Se bem que eu já conhecia aquela cidade como a palma da minha mão. Todos os bares, todos os pontos de diversão e de pessoas jovens e interessantes que eu pudesse encontrar. Eu estava mais do que preparada para aquilo, pois não deixaria aquele tempo me entediar.

É claro que eu não estava indo apenas pela cerimônia fúnebre, também estava indo visitar meus pais, que eu não via há algum tempo, visitar a cidade, parentes e tudo o que precisasse ser visitado.

Minha melhor amiga, Jessica, deveria vir comigo, mas prometeu aparecer por lá assim que as férias do trabalho começassem, pois as férias dela começariam dali a duas semanas. As minhas começariam oficialmente junto com as de Jessica. Como esta semana eu ainda não estava de férias, consegui uma dispensa para conseguir comparecer aos “eventos” necessários.

Eu mal poderia esperar, pois nesta primeira semana eu ficaria completamente sozinha, tendo que aguentar lamentos sem sentido de gente que nunca conviveu com a pobre menina, parentes intrometidos me fazendo perguntas desnecessárias e meus irmãos mais novos fazendo as mesmas piadas de sempre. Pelo menos eu teria a casa de verão toda para mim, já que meus pais não estavam usando aquele imóvel, que era grande, confortável e seria meu por três semanas.

Pensei em Troy antes de partir. Seria uma boa ideia encontrá-lo agora, pois eu queria que ele se lembrasse de mim durante este tempo, mas abandonei a ideia. Ele se lembraria de um modo ou de outro.

Sentei-me na cama e peguei o livro que estava lendo. Agora eu teria tempo para ler todos os livros que eu quisesse, seria divertido. Mas por que eu me sentia tão apreensiva com esta viagem? Era como prestar o vestibular novamente, assustador de um modo estranho, mas, ao mesmo tempo, uma sensação de “dever a ser cumprido”. Eu precisava fazer aquilo, e o faria.

As aulas da faculdade já haviam terminado naquele período, agora só no final do próximo mês é que eu veria a todos novamente. Eu tinha alguns bons amigos lá, além de muitos colegas valiosos também. As festas eram a melhor parte. Todavia, eu mal poderia esperar para terminar. Os períodos eram legais e eu gostava das disciplinas, mas era fácil sentir o cansaço tomar conta e tudo cair na rotina. Eu queria logo terminar, pois tinha aquela imagem romantizada e glamorosa da vida após a graduação: dinheiro, sexo, casa bonita e viagens divertidas. Era isso o que eu esperava na minha vida de arquiteta, mas ainda precisaria trabalhar muito até chegar lá.

Entrei no avião sem olhar para trás. Eu havia voado um bocado de vezes antes, então não me assustava, mas notei que havia um casal bem apreensivo ali. Dei um sorriso. Pareciam casados havia algum tempo. As belas alianças e as mãos entrelaçadas com intimidade e confiança. Eram jovens, deviam ter seus trinta e poucos anos cada um.

Fui até meu lugar e me sentei, colocando os fones de ouvido e dando play no podcast de que eu gostava tanto. Eu esperava que fosse ser uma viagem agradável, então havia me preparado para aquele tempo com algo curto, pois em pouco tempo eu estaria na minha antiga cidade.

Fechei os olhos e procurei relaxar. Eu não conseguia dormir em situações como aquela, ainda mais por conta da apreensão de não saber o que esperar, quem esperar e tudo mais. Conseguir trabalhar meus pensamentos para me acalmar e respirar mais tranquilamente.

Pouco depois de terminar de ouvir meu podcast de duas horas, fomos alertados de que o avião pousaria. Finalmente, pois a viagem, para ser sincera, apenas me deixou com vontade de dormir, só que em uma cama confortável.

As malas não haviam se perdido nem demorado a chegar, o que foi um milagre, porque era cada história de aeroporto que eu ouvira, que eu me surpreendia quando conseguia deslocar meu próprio corpo de um lugar ao outro via avião sem ser perdida no caminho.

Peguei um táxi e comecei a rodar até o lugar em que precisava estar.

— Mãe? — Falei assim que ela atendeu ao telefone. — Desculpa, eu sei que havia dito que ligaria antes, mas eu acabei me esquecendo. Estou chegando, viu? Quase no bairro, já.

— Ah, sim, minha filha... Estamos esperando por você! Por que não me avisou antes? Eu poderia ter te buscado de carro aí!

— Não precisava, e eu senti falta de andar de táxi por aqui, me lembra os velhos tempos. — Brinquei, lembrando-me de quando fazíamos compras uma vez ao mês no supermercado mais distante e voltávamos de táxi.

— Filha, você precisa ver quem é que está aqui louco para te ver!

— Ih, mãe, você sabe que eu não tenho boa memória! — Falei.

— Tudo bem, melhor nem tentar acertar para não estragar a surpresa! — Ela disse e deu uma risadinha. — Nos vemos daqui a pouco, querida...

— Até já, mãe!

Alguém que queria me ver? Quem seria? Eu não conseguia pensar em alguém. Talvez meus primos, minhas primas, meus irmãos, tios, tias... Sei lá! Fiquei ainda mais curiosa. E o táxi, embora rápido, parecia arrastar-se pelas vias. Eu queria chegar de uma vez, matar aquela curiosidade!

O carro parou em frente àquela conhecida casa. Eu passara o fim da minha adolescência e o início da vida adulta ali, bem naquele belo lugar. Havíamos nos mudado para lá depois que minha mãe conseguira uma promoção no trabalho. Eu me lembrei de imediato do quão animada eu havia ficado para morar ali. Não precisaria mais dividir o quarto com meu irmão caçula, porque a casa tinha seis quartos e era simplesmente enorme.

Desci do veículo, ansiosa por matar a saudade de tudo ali. Peguei duas malas, sendo auxiliada pelo motorista com as outras duas e rumamos até a varanda. O homem ainda voltou para pegar mais uma mala que havia sobrado, deixando-a junto das outras. Paguei a corrida e o dispensei.

Respirei fundo, preparando-me mentalmente, então toquei a campainha. Alguns segundos depois, minha mãe abriu a porta.

— Ela disse, meio tristemente. Senti que o clima ali estava bem pesado inicialmente. — Como vai, minha filha?

“Mãe, não precisamos fingir esta tristeza toda, não é? Vamos parar com o teatro e conversar normalmente?” pensei.

— Olá, mamãe — Respondi, abraçando-a longamente.

— Desculpe, precisamos fazer isto — Ela sussurrou baixinho no meu ouvido, deixando-me sem compreender exatamente o que era aquilo. — Seu pai está fazendo sanduíches na cozinha, ele está com saudades. E eu vou chamar seus irmãos para ajudarem com as malas.

Ela segurou meus ombros, dando uma olhada em meus olhos e acariciando meus cabelos ternamente. Balancei a cabeça afirmativamente, sorrindo discretamente para minha mãe, abraçando-a novamente para matar a saudade.

— Ah, e não se esqueça de que alguém aqui queria muito te ver! — Comentou baixinho, afastando-se para cumprimentar um casal de pessoas de meia-idade que havia acabado de chegar.

Senti-me meio deslocada, andando pela minha própria casa, ou, no caso, a casa dos meus pais, já que eu não morava mais lá, em busca da pessoa que tanto sentira a minha falta. Então, do outro lado da sala de estar, avistei um homem bem mais velho do que eu. Não que parecesse velho, mas tinha um aspecto maduro demais. Poderia até ter mais de quarenta anos, sua aparência era muito atraente, e ele me pareceu bem interessante. Notei que me olhava também, sem se preocupar em disfarçar assim que o fitei de volta. Ele estava vestido de preto, assim como todos os outros ali, e parecia bem discreto. Era alto, possuía um rosto tranquilo, típico homem feito que tinha tudo sob controle, eu quis me aproximar. Bem, eu era filha dos anfitriões, então a vantagem era minha, correto? Eu poderia falar com quem bem entendesse.

Entretanto, meus pudores e minha timidez me impediram. E se ele fosse casado, tivesse filhos e não quisesse falar comigo? Continuei observando-o, então vi que se desencostou da parede e veio em minha direção, eu sabia que ele estava olhando para mim. Caminhou calmamente, sem mistérios nem jogos, apenas veio em minha direção. Senti o coração palpitar, ele ficava mais bonito a cada passo que dava para mais perto. Minha respiração falhou rapidamente.

— Preciso falar com você por uns instantes, minha querida. — Ele disse com aquela bela voz aveludada, sorrindo de canto.

Antes que eu pudesse responder, o belo homem passou diretamente pelo meu ombro esquerdo e abraçou discretamente a mulher que estava um pouco mais atrás de mim, que antes conversava com uma senhora que eu não conhecia. Bem, não era para mim que ele estava olhando, eu pude concluir. Mas agora eu queria muito saber quem ele era, o que fazia ali na minha casa e se eu teria a menor chance de me aproximar.

Confesso que, conforme andava pela casa cumprimentando meus familiares e as pessoas que não conhecia, mas que pareciam me conhecer muito bem através dos meus pais, eu sentia um clima cada vez mais esquisito. Minha mãe não me contara nada, e eu nem ousaria perguntar, mas aquilo não se parecia em nada com uma reunião pré-velório. O velório seria dali a três dias, mas algo parecia esquisito demais.

Aquele clima no ar, como se ninguém soubesse de nada, como se não fizessem ideia do que diabos estavam fazendo ali, ou como se soubessem de tudo e conseguissem fingir muito bem. Ambas as ideias eram assustadoras.

! Quanto tempo! — Um rapaz disse atrás de mim.

Assim que me virei, não o reconheci de imediato, então vi que se tratava do filho adotivo dos meus tios, o garoto com quem brinquei durante a infância e adolescência. Fiquei impressionada com o quanto ele havia crescido. Antes que eu mesma saísse da cidade, uns dois anos antes, ele mesmo havia se mudado para longe com meus tios, eu não o vira desde então.

— Aaron! — Exclamei, abraçando-o. — Você está tão alto e tão bonito! Nem parece aquele garotinho dois anos mais novo com quem eu brincava, hein? Você já tem vinte e três anos, é isso mesmo?

Soltei-o do abraço, segurando seus ombros.

— Sim, , sou eu. — Ele falou em tom conformista de brincadeira. — Você mudou demais também, nem parece aquela garota que chorava assistindo comédia romântica!

Gargalhamos com o que ele havia dito.

— Não me zoa, não, hein?

Ficamos rindo por um instante, então ele me abraçou de novo.

— Eu não aguentava mais de saudades, por muito pouco não fui te visitar na sua nova casa, que nem é tão nova assim, porque você já está lá há cinco anos, não é isso?

— Isso mesmo... — Concordei, aconchegando-me no abraço dele. — Mas por que não foi? Eu adoraria te receber por lá!

— Mas eu não sabia se você ia me querer por lá. — Ele respondeu, acariciando meus cabelos.

Ele realmente crescera demais. Separei-me de seu peito e o olhei nos olhos, perplexa.

— Aaron, você é meu primo, meu amigo de infância, é claro que eu ia querer você na minha casa!

— Tudo bem, então nós vamos ficar juntos para sempre como os melhores amigos que éramos. Os dois mosqueteiros.

Dei uma risada, lembrando-me do modo como as pessoas nos chamavam. Os dois mosqueteiros.

— Vamos mesmo! — Concordei, ainda abraçada a ele.

— Aaron, querido, você por aqui! — A bela mulher que estava com aquele homem interessante de antes viera até nós. Ele estava logo atrás dela. — Quanto tempo, querido!

Ela o abraçou longamente.

— Está fazendo academia? Porque você parece tão mais forte do que antes!

— Sim, senhora , já tem uns dois anos, quase...

— Mas que gracinha! — Ela disse, apertando os músculos do braço dele.

A mulher era muito bela, parecia ter a mesma idade do homem que estava logo atrás. Ele me lançou um olhar sem graça, cumprimentando-me com um aceno rápido de cabeça, eu fiz o mesmo. Então ele logo foi notado pelos dois que conversavam.

— Este é , meu esposo. — Ela disse, animada. — Eu sei que já falei demais nele, mas é que finalmente vocês têm a chance de se conhecerem pessoalmente! Não é magnífico?

— Prazer, senhor — Aaron falou. — Já ouvi falar muito no senhor.

— Bem ou mal? — O homem brincou discretamente, então os três riram.

— Bem, muito bem, é claro — Meu primo respondeu.

Eu pensei em ir embora de fininho, mas Aaron passou o braço ao redor de meus ombros e me trouxe para o seu lado.

— Esta aqui — Ele começou. — é a minha prima . Filha do tio Thomas e da tia Elizabeth.

— Ah, que amor! — A mulher disse, cumprimentando-me com um beijo em cada bochecha. — Muito prazer, ! Eu não sabia que os tinham uma filha! Ainda mais uma filha tão bela quanto você!

Fiquei sem graça, sabe como é, esse tipo de cena social não é para mim.

— Obrigada, senhora — Respondi, apenas.

O marido dela me encarou com uma risada contida que ele claramente queria dar. Eu sabia que era uma cena ridícula, mas a culpa não era minha de que a esposa dele queria tanto socializar, eu precisava ser educada do modo como ela estava sendo também.

— Muito prazer, senhorita — O homem também disse logo em seguida, estendendo a mão. — Eu conhecia apenas os três meninos, ouvi falar sobre a sua viagem. Bem-vinda de volta.

Apertei a mão dele, sentindo-a macia, quente e firme contra a minha, que era bem menor. Seu aperto era agradável de um jeito estranho, era uma sensação confortável.

— Agradeço, senhor , o prazer é meu. — Falei novamente, louca para me livrar daquela conversa constrangedora de apresentação.

— Então, nós vamos ali cumprimentar os amigos que acabaram de chegar. Espero que fiquem à vontade aqui. Com licença. — A mulher respondeu, sorridente, retirando-se dali, com o marido ao lado, que nos lançou um último olhar antes de ir embora.

— Aaron, vem cá! É impressão minha ou isso aqui tá muito errado?

— Como assim, ? — Ele perguntou sem entender.

Respirei fundo, tentando organizar as ideias.

— Ninguém, absolutamente ninguém tá com cara de enterro! O que é que está acontecendo aqui? Digo, morreu uma criança na família, não morreu? Filha do tio Paul e da tia Katherine! O que é essa recepção de “encontro em família” ou então “aniversário de casamento” que está rolando? O clima não era para ser esse, entende?

Aaron fez uma expressão de quem havia compreendido, então deu de ombros.

— Você tá certa, mas... Não dá pra saber muito. Ainda mais nós dois, que voltamos de longe. Seus pais não comentaram nada? Afinal, a “recepção” é aqui e tudo mais.

— Não... Minha mãe tá meio esquisita, mas ela está conseguindo parecer triste algumas vezes. Até me repreendeu quando eu disse que era inútil vir!

— Mas fico feliz por ter vindo — Ele disse, sorrindo.

Eu sorri de volta para o meu primo.

— Vem, vamos beber alguma coisa — Ele me chamou, conduzindo-me com as mãos em meus ombros, como um “trenzinho”.

Chegamos à cozinha, onde um casal que eu nunca vira antes conversava de modo exaltado. Assim que nos viram, interromperam imediatamente o que diziam e viraram as costas, concentrando-se na pia de lavar louça.

Então, sem que eu percebesse a princípio, o senhor entrou na cozinha logo atrás de nós, olhando-nos com certa surpresa, trocando olhares enigmáticos com o outro casal, os dois seguiram o senhor até a sala de estar, deixando-nos ali sem entender.

Realmente havia algo de muito esquisito ali, muito esquisito mesmo.


Continua...

Nota da autora: -

Nota da beta: Hey! AAA! Que lindo! Que fanfic bem escrita! Apaixonei! Adorei o primo! QUERO O PRÓXIMO CAPÍTULO!!

Caso encontre algum erro avise-me no e-mail. Obrigada!