Autora: Yass Backs | Beta: Babs



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Capítulos:
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Capítulo 1

- Senhorita? Está tudo bem? – Enquanto a menina abria os olhos, pode ver a imagem de um Destruidor em sua frente, fazendo-a arregalar os olhos e pular da cama em que estava; caindo de bruços no chão, com os músculos atrofiados e doloridos. – Hey, se acalme. Está tudo bem. Não vamos machucar você. Eu sou Galion. Um médico.
- Onde eu estou? Quem são vocês? – Rugiu a menina se arrastando para trás, conseguindo aguentar a forte vontade de gemer de dor por seus músculos estarem endurecidos. Olhou para baixo, vendo que não usava suas roupas e sim um tipo de macacão de couro todo preto.
- Encontramos você dentro da nave Alfa que desapareceu há doze anos. – Disse Galion. A garota abriu a boca em um O perfeito, esquecendo-se por alguns segundos de como soltar o ar dos pulmões. – Você ficou adormecida por doze anos.
- Como isso é possível? – Perguntou ela se levantando.
- É uma longa historia, me acompanhe e lhe contarei tudo.
Assim ele se virou e caminhou saindo da sala. Curiosa e intrigada, mas aflita pelo o que estava acontecendo, a menina o seguiu. A cada vez que passava ao lado de um dos alienígenas, ela sentia calafrios e seu instinto quase a obrigava a lutar com eles. Mas ela se segurava.
- Há doze anos, houve a batalha no solo e no ar de Modulus 1...
- Sim, eu sei, eu estava lá. – Disse ela enquanto o seguia.
- Ao acabar com Damian, você acabou com o controle que ela tinha sobre centenas de Destruidores que estavam em seu planeta. E ao longo desses anos, outros líderes Alfas foram destruídos também, libertando boa parte de nossa raça daquela guerra na qual estávamos condenados. – Assim ele virou em um corredor, entrando em uma porta, parando em meio a uma sala de controle. – Um ano após a batalha em Modulus, soldados apareceram e mataram o Alfa que aqui habitava, libertando a mim, minha família e outros da minha espécie de sermos os escravos permanentes dos Alfas. Nós ficamos gratos por isso e agradecemos aos soldados que nos libertaram, mas um deles disse que isso havia começado com você. Então há pouco tempo, nós rastreamos um sinal de emergência vinda de uma das nossas naves. Ele é ativado quando a pressão do ar cai, quando fica muito frio. Esse sinal foi ativado quando a nave que você estava colidiu com as águas gélidas de Nosvak, um planeta Destruidor que foi tomado pelo gelo, e o sinal foi ligado doze anos atrás. Mas apenas essa semana, conseguimos chegar até a Alfa e tirá-la de lá. – Apontou para o vidro em frente aos controles onde a garota pode ver a Nave Alfa quase destruída. – Quando descongelamos a nave, encontramos você lá dentro. A armadura que você estava usando, conseguiu conservar seu corpo congelado, como se estivesse em sono criogênico.
- E o que aconteceu em Modulus?
- A cidade 1 começou a ser reconstruída, aqueles que evacuaram o planeta tiveram a escolha de voltar ou ficar onde estavam. Uma nova cede foi criada e a guerra contra aqueles de minha raça que são pacíficos foi encerrada.
- Suponho que vocês não vão me prender aqui, certo? – Ela perguntou de cenho franzido, encarando a Alfa.
- Não fazemos isso. Nos éramos uma espécie pacifica até o Pacto ser criado e sermos obrigados a machucar e tomar coisas de pessoas inocentes. Pode ir para casa quando quiser. Além do mais, foi você quem descobriu e contou aos soldados como acabar com o controle mental, estamos devendo uma para você.
- Onde vocês colocaram a armadura? – Perguntou ela se virando para Galion e tomando susto ao vê-lo, ainda estava sendo estranho conversar com um da raça dele que não quisesse arrancar o pescoço dela.
- Está guardada dentro de uma das nossas naves. – Disse ele fazendo sinal para que ela o seguisse. – Quando seus sinais vitais começaram a subir dois dias atrás, eu sabia que você iria acordar logo. – Assim eles entraram em um elevador que começou a subir. – E quando você acordasse, sabia que você iria querer a sua armadura e ir embora daqui. Por isso preparei uma equipe para levá-la para onde você quiser.
- Agora?
- Sim.
Quando a porta abriu, se viu de frente para naves aliens. Havia dois aliens ao lado de uma delas, batendo continência para o doutor.
- Quero ir para Modulus! – Disse a menina enquanto se aproximavam da nave.
Galion disse aos dois “pilotos” para onde ela deveria ser levada. Nem todos os Destruidores falavam a língua dos humanos. E não estava preocupada com isso. Doze anos haviam se passado e ela não fazia ideia do que tinha mudado em Modulus ou o que tinha acontecido com aqueles que ela amava. Não fazia ideia do que tinha acontecido com Rip! E ela estava louca para saber.
- Faça uma boa viagem. – Disse Galion apontando para a nave. – É por sua causa que nosso povo está sendo libertado de toda essa carnificina. Obrigado. Seremos eternamente gratos por sua bravura, Spartan.
apenas acenou com a cabeça e subiu na nave, se sentando lá dentro, vendo a armadura presa a parede da nave. Colocou o cinto de segurança e encostou sua cabeça na parede.
- O que será que aconteceu com Rip?


Cinco anos atrás...

- Não entendo porque fazer uma festa. Não temos nada o que comemorar! – disse bufando enquanto o ajudava a colocar a armadura.
- Faz cinco anos que não temos um conflito tão violento contra os Destruidores, e acabamos com mais um líder do Pacto. Temos o que comemorar.
- Faz cinco anos que a Nave Alfa sumiu em um buraco de Slip Space com a garota que eu amava dentro. Não tenho o que comemorar. Eu devia estar procurando por ela, não em festas ridículas.
- Essa festa vai homenageá-la, . É por causa dela que todos estamos aqui.
- Acha que eu acho legal ter o sangue de em minhas mãos, ? Ela fez aquilo por mim. Ela se sacrificou por mim!
- Ela se sacrificou por todos nós, Rip. É uma heroína. Agora tente parar de pensar nisso.
- Eu já pedi para parar de falar isso. Sabe que eu não vou esquecer. – Resmungou ele, se calando logo depois.

(...)

- Estamos aqui hoje, meu povo, para celebrar mais um ano de vitória contra aqueles que chamamos de Destruidores. Graças à um ato de bravura vindo de um de nossos soldados, há cinco anos, estamos ganhando essa guerra que antes parecia ser infinita. – Era Ernest quem estava ali, em cima do palco, discursando aos habitantes da cidade que ainda estava sendo reconstruída. – Eu conhecia essa soldada. E do mesmo jeito que todos que a conhecem ou não, tendem a ter orgulho pelo o que ela fez, o pai dela, que a deixou pouco tempo antes de ela ser uma de nós, também teria esse orgulho. Eu queria agradecer especialmente a , por ter nos dado a oportunidade de estar aqui hoje, para celebrarmos a derrota dos Destruidores.
Aplausos vieram da plateia. Ao lado esquerdo do palco, estavam Rip e sua equipe. Ao lado direito estavam Christian e a antiga equipe de Jace.
suspirou ao ver que teria um longo dia de lembranças pela frente.

(...)

- Você está bem? – perguntou para que estava ao seu lado, enquanto Christian falava sobre Jace e sobre como foi à morte dele há sete anos. Ele agora era o líder da equipe Noble. Daniel tornou-se seu braço direito.
- Você, , Alexya e todos da base de Modulus I me fazem essa pergunta há cinco anos, e a resposta continua a mesma. Não, , eu não estou bem. – Respondeu ele sem expressão, encarando o horizonte sem desviar os olhos.
- , você sabe que um dia terá de superar isso...
- Eu nunca vou superar isso. – Ele rosnou se virando irritado para a colega. o olhou de relance, sem se mover. – Eu passei anos da minha vida, preso em uma base de treinamento, sendo ensinado a lutar e a obedecer. Anos depois conheci uma garota que fez com que eu visse o mundo com olhos diferentes e eu sabia que essa garota era boa demais pra mim e a única coisa que eu devia fazer era protegê-la, mas nem isso eu consegui fazer. Era eu quem devia ter morrido naquela nave, não . Ela não era um soldado. Eu sou! Então se você e todos desse planeta pudessem parar de me fazer a pergunta estúpida sobre se estou bem, eu iria agradecer muito.
- Só estamos preocupados com você, não desconte nela. – repreendeu o amigo.
- Então parem de se preocupar, nunca precisei que fizessem isso, tenho certeza que não vou precisar agora. – Respondeu ele voltando a encarar o horizonte.
- Obrigado, Soldado, pelo seu depoimento. – Ernest agradeceu ao soldado que acenou e voltou a seu lugar. – Rip, poderia fazer as honras?
respirou e assentiu, caminhando em direção ao microfone e parando em frente a ele. Quando olhou para todas aquelas pessoas em silêncio em sua frente, percebeu que não sabia o que falar, que não tinha o que falar. Logo ele começou a se lembrar da menina, e de tudo que passaram juntos, assim as palavras foram surgindo em sua mente.
- era a garota mais teimosa que eu conheci em toda a minha vida. E eu odiava que ela fosse assim, e odeio ainda mais agora porque esse é o motivo de ela não estar aqui hoje para falar por si própria. Eu não tenho muito o que falar sobre ela. Até porque eu fui o responsável de tirá-la de Shinned antes que ele fosse destruído e me tornei seu protetor. – Então ele fez uma pausa e abaixou a cabeça. – Eu só... Eu apenas queria que ela não tivesse sido cabeça dura e tivesse me escutado. Eu queria que ela tivesse honrado a promessa que me fez de não morrer... Que tivesse saído daquela nave... Que estivesse aqui. – E assim ele fez mais uma pausa. – Mas ela não honrou a promessa. Talvez para vocês ela seja uma heroína. Mas pra mim ela só tirou a própria vida.
E assim ele se virou, dando as costas para o povo e saindo do palco.
Seguiu em direção à base.
Alguém continuou com o discurso enquanto ele se afastava
Logo ele estava descendo para o subterrâneo em um elevador.
Ao sair dele, seguiu um corredor e entrou em uma sala. Era um dormitório para soldados. Mas apenas para os do exercito normal.
Ele sentou-se em uma das camas e tirou o capacete.
Ele se sentia mal.
- Por que você não me ouviu ? – Perguntou ele para o nada. – Eu só queria que você tivesse me ouvido... Eu queria tanto poder falar com você agora. – E assim se deitou de costas e fechou os olhos. – Quero ver você agora.
Todas as vezes que dormia, depois do acidente com a Nave Alpha e , ele sonhava com ela. Sonhava com o sorriso, com a voz, com o jeito que ela movia seu cabelo. Eram as únicas vezes que ele conseguia senti-la outra vez. E rapidamente, ele adormeceu novamente.
Algumas horas depois, acordou com a porta do dormitório sendo aberta. Joseph passou por ela, sendo seguido por Ernest, e .
- Rip!
- Senhor! – se levantou.
- Você está bem, soldado? – Joseph perguntou.
- Não, senhor! Não me sinto bem há um bom tempo.
- Eu entendo pelo o que você esteja passando, Rip, mas deve seguir em frente. – Ernest começou, mas foi interrompido.
- Não senhor, eu não consigo seguir em frente. Infelizmente para mim nesse momento, sou um Spartan, criado injetando um soro para a melhoria das minhas habilidades, para ampliar tudo o que eu tinha e o que eu um dia iria sentir. – Começou ele. – Eu não consigo me sentir bem, senhor. A única coisa que sinto todos os dias nesses cinco anos, é uma faca sendo enfiada em meu coração, o rasgando por inteiro. Minhas mãos doem e minha cabeça não consegue mais focar em batalhas. Quase falhei nas duas ultimas missões que minha equipe foi designada pois não consigo mais manter o foco.
- E como podemos te ajudar, Rip? – perguntou. – O que podemos fazer?
- Eu preciso vê-la. – Exclamou ele.
- E como fará isso? – perguntou de cenho franzido.
- Eu sonho com ela toda a vez que fecho os olhos. – Disse ele fechando os olhos. E logo os abriu. – Senhor, eu fui criado para lutar na guerra contra os Destruidores. Mas não há mais guerras, apenas batalhas. Meus soldados são os melhores, não precisam mais de mim. A humanidade não precisa. Pelo menos, não agora!
- O que quer fazer, ?
- Quero que me coloquem para dormir. E só me acordem quando precisarem de mim. É a única coisa que lhe peço senhor. Deixe-me ficar perto dela.
Joseph e Ernest se entreolharam. Alguns minutos de silêncio se instalaram na sala, até que Joseph finalmente falou.
- Todo soldado precisa de um descanso. Você pode entrar em hibernação, mas quando acordar, soldado, deve cumprir seus deveres com o seu povo.
- Eu o farei senhor.
Assim os dois se viraram e saíram.
estava admirado, concordava com a decisão que ele havia tomado, mas não estava nada feliz.
- , você não pode fazer isso.
- É a minha decisão, ! – Ela a interrompeu. – Foram cinco anos, ! Cinco anos. Se estivesse acontecendo com você o mesmo que está acontecendo comigo, se estivesse morto, você faria o mesmo. Então nem pense em me julgar.
Ele virou as costas e dali saiu.


Presente...

- Senhor! – Alexya entrou na sala de comando, com um tablet em mãos. Agora, ela ao invés de ficar no capacete de Rip, habitava um corpo robótico que haviam construído especialmente para ela, a pele e até mesmo os cabelos negros que ela tinha eram sintéticos. Steven, pai de Dylan, era quem estava na sala. Agora ele era o chefe de segurança planetária. – Há uma nave desconhecida que entrou em nossa atmosfera e está pedindo permissão para pousar em nosso heliporto. Não é uma nave de guerra. Parece ser um cargueiro para passageiros.
- Autorize o pouso. Mas mande soldados lá para cima só para certificar que não é uma tentativa de invasão dos Destruidores.
- Sim, senhor.
Assim ela deu as costas e deu a ordem para os soldados por um comunicador.
Ela havia escolhido parar de ir a campo sem , pois não era exatamente a mesma coisa. E talvez porque já estava na hora de se aposentar.
Ao sair do elevador que levava ao heliporto, Alexya viu os soldados se posicionando e a nave começando a pousar. As armas foram apontadas quando a porta traseira foi aberta. E além do metal batendo no chão, a única coisa que escutaram, foi o grito da IA.
- ? – Gritou ao ver a garota descer da nave. arregalou os olhos, também surpresa com o que via, mas antes que pudesse pronunciar uma palavra sequer, Alexya estava junto a ela, a abraçando com força. Força até demais.
- Meu Deus... Alexya... Você está no corpo de um androide... E androides são muito fortes... Não consigo respirar! – Murmurou a garota com a voz falha e o ar faltando nos pulmões. Assim que a IA a soltou, a garota se agachou colocando as mãos nos joelhos e tossindo.
- Desculpa. Eu só queria saber se era você mesmo... Ah meu Deus... Como você... O que aconteceu com você? Como você está viva? – Perguntou Alexya acenando para que os soldados abaixassem as armas. – Nós vimos sua nave entrar no buraco do Slip Space. Eu tentei rastrear para onde ela havia ido, mas tinha simplesmente sumido da Galáxia. Ficamos todos arrasados. ficou desesperado.
- Bom, para resumir, caí em um planeta de gelo chamado Nosvak. – Disse ela já com a respiração normalizada. – A nave e eu ficamos congelados por sete anos e, há poucas semanas, um grupo de Destruidores nos achou e nos descongelou. Acordei faz algumas horas e a única coisa que queria era vir para cá, ver vocês.
- Por Deus! Rip enlouqueceu. Ficou louco atrás de você. Eu nunca o havia visto tão desesperado quanto naquele dia. Depois passou dias sem comer, sem sair da central de comunicações. Foi o fim para ele.
- Quero vê-lo. – Falou ela com esperança na voz. Alexya perdeu o sorriso fazendo estreitar os olhos. – Alexya!
- Você precisa saber de uma coisa!... Alguns anos depois do seu desaparecimento, não conseguiu aguentar a dor de perder você e entrou em sono criogênico.
- O quê?
- Foram anos difíceis para ele. é um Spartan, tem os sentidos ampliados e os sentimentos também. Ele ficou destruído, !
- E é tudo culpa minha! – Suspirou a menina passando a mão nos cabelos.
- Eu acho que uma parte dele entende o que você fez, mas a outra parte, talvez nem tanto. – Dizia ela enquanto via encher os olhos de água. – Venha, vou levar você até ele! Mas não me responsabilizo pelos ataques cardíacos. – Brincou ela enquanto ia em direção ao elevador. – Depois da guerra, essa base foi totalmente reconstituída! Fizemos mais níveis no subsolo e está na sala de criogenia que fica bem embaixo. Talvez cinco ou seis níveis acima do reator.
- E não é muito perigoso?
- Não! A base está mais segura e, nesses doze anos que se passaram, a tecnologia foi aprimorada outra vez.
- E o que mais aconteceu aqui? Quando foi que você ganhou um corpo?
- Bom, antes daquela guerra, esse corpo já estava sendo construído e todos os dias era aprimorado. Após alguns anos, todas as inteligências artificiais se deterioram e não são mais hábeis para ir para luta com um soldado. Eles reconstruíram a minha interface, salvando minhas memórias e me criando outra vez. Deram-me a escolha de continuar com ou ficar neste corpo.
- Por que não quis ficar com ele? – perguntou curiosa.
- Durante o tempo em que fiquei com ele, vi muitas catástrofes. Pessoas morrendo, lugares sendo destruídos. E era praticamente meu único amigo, pois era com ele com quem eu mais interagia. Mas depois do que aconteceu com você, depois de ver o quão triste e desesperado ele estava, percebi que eu não podia fazer nada, nem por ele e nem por ninguém. Eu era apenas um holograma. Aliás, ainda sou, só estou dentro de um corpo robótico. – Assim, as portas se abriram e elas saíram do Elevador. – Depois que ele decidiu entrar em sono criogênico, eu decidi que não poderia ficar parada. Então tomei minha decisão e fiquei com o corpo. E eu não posso reclamar, finalmente eu sinto as coisas com minhas próprias mãos.
- Eu fico feliz por você, Alexya!
- E eu fico feliz por você estar viva!
Alexya, então, pegou um cartão de acesso e abriu uma sala. A única do corredor que estavam. Ao entrar, viu as capsulas de criogenia. Quase todas vazias. Apenas uma estava ocupada, por .
Ao lado de cada capsula, havia um painel. Era o painel de ativação.
se aproximou da capsula, olhando bem para dentro, vendo lá dentro com sua armadura. Ela sorriu e pós sua mão no vidro, desejando poder tocá-lo.
- Há quanto tempo ele está aqui?
- Sete anos. – Respondeu Alexya parando ao lado dela. – Ele pediu para que não o acordassem por nada, apenas se tivéssemos uma razão bem forte.
- Acha que eu sou uma justificativa plausível para acordá-lo? – Ela perguntou enquanto encarava o soldado adormecido na capsula.
- Eu acredito que você é a única justificativa plausível.
- Então acorde-o!
Alexya obedeceu com um sorriso no rosto. Dentre as opções que tinha na tela, Alexya tocou em “Destravar capsula”, “Interromper ciclo de sono criogênico” e finalmente “Reativar”!
- Criogenia interrompida. Por favor, mantenha-se afastado da capsula enquanto ela é aberta... – Uma voz começou a falar e repetir essa frase. se afastou.
- Vou deixar vocês a sós. – Disse Alexya se virando e saindo da sala enquanto Rip era descongelado.
A capsula se abriu.
respirou fundo.
Alguns segundos depois...
- Acorde Rip... Preciso de você!
Dentro da armadura. O soldado podia ouvir aquela voz.
sentia seu corpo dormente. Aos poucos seus sentidos iam voltando.
Ah não, meu sonho acabou. Pensou ele se lamentando por não estar mais sonhando com . Mas ao olhar para frente, pensou diferente. Ainda estou sonhando.
- ! – Ele sorriu para ela e retirou o capacete. – É tão bom saber que o sonho não acabou!
Sonho? Ela se perguntou mentalmente.
- Não é um sonho, ! – Ela disse alto e claro. – Eu estou aqui.
Foi quando ele arregalou os olhos e percebeu...
- ?
Que ela realmente estava ali.



Capítulo 2

Dois segundos depois de seu cérebro processar a imagem de em sua frente, destravou a armadura e, enquanto andava em direção à ela, jogou as braçadeiras, ombreiras e o corpo da armadura no chão, deixando os braços e o peito livres para sentir a garota. Agarrou sua cintura e a ergueu, colocando suas pernas em volta de sua cintura e a abraçando com força, controlando-se para não apertá-la forte demais e machucá-la.
– Deus realmente existe. – Sussurrou ele.
se afastou poucos centímetros do rosto de , sorriu e o encarou por alguns segundos, até que se aproximou e selou seus lábios com os dele. Rip se sentiu enfraquecido, logo suas pernas bambearam e ele se ajoelhou no chão com a menina ainda nos braços. Em meio a carícias, lágrimas e sorrisos, ele disse:
– Eu nunca achei que você fosse realmente voltar.
– Quando a nave entrou no buraco negro, eu pensei que estava morta, não me lembro demais nada depois que entrei naquele lugar.
– Mas como assim? Como você está viva? O que aconteceu?
– Bom, eu acho que é uma longa história.
– E não é só você que quer ouvir. – Alexya apareceu na porta, chamando a atenção dos dois. – Joseph quer você na sala de reuniões agora, para esclarecer o que está acontecendo. Estão todos confusos com a sua volta...
– Ah... – A menina olhou para e rapidamente ele estava se levantando, colocando-a em pé no chão e se recompondo. – Você vem?
– Claro. – Disse ele terminando de tirar a armadura.
Assim, os três saíram da sala, recebendo olhares assustados de todos que olhavam para .
Para ela, parecia que todos a conheciam e aquilo não era normal.
Ao entrarem na sala de reuniões, e Rip se depararam com os soldados Spartan e os ODSTs. E depois de dar um abraço em todos, a garota se encostou na enorme janela que tinha a vista para toda a cidade e, com Rip ao seu lado, logo ela começou a falar.
– Eu não sei o que aconteceu. Eu só me lembro de ter lutado com Damian. Eu quebrei o circuito da fechadura da porta pra que ele não pudesse fugir ou para que ninguém conseguisse entrar. Eu me lembro da escuridão tomando conta da cabine de pilotagem e me lembro de ter escutado a voz de Rip. Depois eu me lembro de acordar na cama de uma enfermaria com um Alien olhando pra mim.
– O que eles disseram pra você? – perguntou de braços cruzados ao lado de .
– Disseram que a nave Alpha tinha um sistema de rastreamento que era ligado quando uma colisão muito forte fosse detectada. Eles demoraram anos para perceber o sinal e mais algum tempo pra descobrir de onde vinha. A nave estava em Nosvak.
– Um planeta de gelo que fica bem longe do nosso sistema, ele era governado pelos Covenants até que uma tempestade de neve matou todo tipo de ser vivo por lá. – Disse Alexya abrindo um holograma na mesa de centro, mostrando a localização.
– Eles disseram que a armadura protegeu meu corpo e foi como se eu tivesse entrado em sono criogênico.
– E sobre Damian?
– Eu o matei, Evans. Não tinha porque eu perguntar sobre ele sendo que eu sabia que ele estava morto.
– Nós também achávamos que estava morta, mas olhe só pra você aí em pé.
Nesse momento, a porta da sala foi aberta e Justice entrou.
– Me desculpem o atraso. Tive problemas com alguns dos recrutas... Por Deus! – Ela exclamou de olhos arregalados quando viu , que após alguns segundos sorriu.
– Olá, Justice. Feliz em saber que voltei pra te assombrar?
– Mas como... Você... Eu vi a nave entrando no buraco negro, não tem como você estar viva.
– Ah, eu entendo que você esteja decepcionada. – Disse a menina com sarcasmo. – Mas eu dei 12 anos de folga pra você, tá na hora de voltar a trabalhar.
– Isso está me soando estranho. Precisamos investigar um pouco mais. – Joseph disse. – E você , precisa ir para enfermaria, precisamos saber se eles não implantaram algo em você ou se fizeram alguma coisa. Vou mandar uma equipe de volta para o planeta de onde você veio e investigar o que pode realmente ter acontecido.
– Eu quero ir junto.
– Você ficou muitos anos sem entrar em combate eu imagino, está enferrujada. – Justice disse.
– Ah, minha querida, posso ter ficado anos sem entrar em combate. Mas lembro de que salvei a galáxia na última vez que lutei e, bom, ainda continuo mais nova que você.
riu e deu as costas com indo atrás dela.
– Tinha até me esquecido dela por uns dois segundos. – Disse depois de saírem da sala de reuniões. passou o braço pelo ombro da menina a abraçando de lado.
– Você vai se acostumar outra vez.
– Ela ficou mais feliz depois que desapareci, não é?
– Em parte sim, primeiramente acho que ela pensou que, com você fora de campo, iria voltar a sentir por ela o que ele sentia quando éramos mais jovens. Mas depois percebeu que ele não ia tirar você da cabeça tão facilmente, aí voltou a ser a rabugenta que é.

(...)

então a levou para a sala de enfermaria, onde fez vários exames de sangue, toxicológicos, tirou raios-X e fez até mesmo ultrassonografia para saber se tudo estava em seu normal. Alexya chegou alguns minutos depois acompanhada de que ficou parado na porta, enquanto a IA, que agora habitava seu corpo robótico, auxiliou a medica.
O tempo todo que esteve ali, Rip observou a menina, seguindo-a com olhos a cada passo que ela dava. Não podia explicar o sentimento eufórico que sentia no momento, só queria ficar ali, olhando para ela.
– Evans quer dar uma festa amanhã para comemorar a sua volta. – Disse Alexya após tirar a agulha que estava presa ao braço esquerdo da menina. – Ele realmente é seu fã. Devia ter visto a cara dele quando avisei que você estava aqui e viva.
– Ele conhecia meu pai... Aliás ele conhecia os dois... Devia ser mais fã deles do que meu... O que aconteceu com Scott? E a Samantha? – perguntou.
– Ele se aposentou dos serviços de Spartan e agora está curtindo a vida que nunca teve em algum planeta por aí. – Alexya colocou um algodão com uma fita no lugar onde ela havia tirado sangue. – Já a Samantha continua no mesmo lugar, mas agora ao invés de ser líder da antiga equipe dela, hoje ela treina novos ODST's. Eu já mandei um e-mail avisando aos dois que você está viva. Sua volta está dando sendo uma reviravolta e tanto.
– Bastante coisa mudou depois que eu "quase morri".
– Bastante coisa, mas menos o que ele sente por você. – Disse ela apontando para Rip parado na porta da enfermaria.
– Ele não vai mais desgrudar de mim, não é?
– Não mesmo. – A IA disse olhando para o soldado. – ! Ela vai ficar em observação esta noite. Quer fazer o favor de levá-la até a ala hospitalar e coloca-la na cama?
Sem nem ao menos responder, Rip descruzou os braços e se desencostou da porta. Caminhou em passos longos até a menina e a pegou no colo, fazendo-a soltar uma risada e agarrar o pescoço dele. Assim ele a carregou até a Ala Médica, onde a deitou em uma cama e puxou as cortinas para isolá-la dos outros residentes.
– Espero que fique confortável.
– Eu dormi 12 anos congelada dentro de uma armadura. Acho que dormir em uma cama quente vai ser bem legal. – Riu ela enquanto se sentava ao seu lado, ficando inquieto. – O que foi?
– Eu devo desculpas a você! – Disse ele olhando para ela. – Era eu quem deveria estar naquela nave e não você! Eu falhei em te proteger.
– Ah, por favor, não! – Ela pediu. – Não faça isso. A culpa de tudo isso é unicamente minha, eu agi por impulso, eu sabia que se não impedisse Damian, você tentaria e poderia morrer se fizesse. Eu fiz porque quis.
– Eu fiquei tão desesperado. – Sussurrou ele com a voz cansada, soltando um suspiro e colocando as mãos no rosto. A menina se sentou e agarrou os braços de Rip, puxando delicadamente para si.
– Eu sinto muito pelo o que fiz você passar. Mas eu precisava salvar você. E sei que faria o mesmo por mim. Mas agora estou aqui. – E desceu da cama, sentando-se no colo de Rip, com as pernas em volta da sua cintura. – E eu prometo a você que nunca mais vou embora.
– Não vai mesmo, porque vou prender o seu pé com correntes no pé da cama. – Riu ele. – Agora vá descansar, amanhã o dia será longo para você.
– Vai ficar aqui comigo?
– Ficarei com você o tempo que quiser.



Capítulo 3

Algumas horas depois de adormecer, ainda estava ali, olhando para a menina que dormia tranquilamente deitada de lado, com o corpo virado para ele. Até aquele momento não conseguia acreditar que ela estava ali. E que estava igual a quando a viu pela ultima vez.
– Tão bonita! – Ele sussurrou tocando o rosto da menina com a ponta dos dedos. Mas recuou quando a garota deu um pulo na cama assustada, gritando.
– Não! Me solta! – Gritou ela girando na cama. Quase caiu no chão, mas segurou seu braço e a puxou de volta, segurando seus braços. – Me larga! Solte-o. Não o machuque...
! Acorde! Agora! – Rip gritou, sacudindo a menina que abriu os olhos assustada e ofegante. – Está tudo bem. Se acalme.
– O que... O que aconteceu? – Ela perguntou de cenho franzido.
– Você começou a gritar, pedindo para que te soltassem. Pedindo para que não me machucassem... Estava tendo um pesadelo, eu acho.
– Damian! – Ela sussurrou. – Sonhei que estava lutando com Damian... E que Destruidores me seguravam enquanto Damian matava você. – E assim os olhos da menina se encheram de água e ela se agarrou ao pescoço do soldado. – Eu não quero perder você outra vez, .
– E você não vai! Fique calma! – Disse ele subindo na maca, deitando-se e a colocando em seu peito. – Volte a dormir, você precisa descansar.
– Obrigado por estar aqui! – Agradeceu ela.
– E sempre vou estar.

(...)

E no dia seguinte, quando acordou, não estava lá, mas havia uma bandeja com o café da manhã na mesa ao lado. Ela sorriu e se sentou na cama. Se sentia estranha com aquilo, mas se sentia bem também. Suspirou ao se lembrar de ter dormido nos braços de .
– Eu o amo tanto. – Sussurrou ela sorrindo boba.
– Falando sozinha? – Ela deu um pulo da cama ao ouvir a voz de . Ao se virar para trás ele vinha em sua direção.
– Tenho que falar, seu amigo dormiu comigo e me deixou antes que eu acordasse.
nunca foi bom com garotas. – Disse ele se sentando ao lado dela na cama. – Como você está?
– Estou bem. Sinto-me muito bem.
– Isso é ótimo. Estamos fazendo os últimos preparativos para a viagem de amanhã, só precisamos esperar os resultados dos seus exames.
– Eu só espero que tudo esteja normal.
– Você tem uma radiação alienígena inserida no seu corpo, soro espartano e 25 cromossomos. Defina o que seria normal para você!
– Ah, cala a boca. – Riu a menina junto do Spartan. – Posso fazer uma pergunta? – Ele assentiu. – Você e estão... Você sabe, juntos?
gargalhou alto e apenas sorriu um pouco sem graça.
e eu somos como irmãos, passamos por muitas coisas e sempre apoiamos um ao outro, mas não existe esse tipo de sentimento entre nós dois.
– É sério? Vocês formariam um casal tão bonito.
– Você e formam um casal bonito. Dá até vontade de mandar ele te pegar no colo quando está ao lado dele. Você é muito pequena perto dele.
– Eu sou pequena perto de todo mundo.
– Ah, eu quase me esqueci. – Falou ele tirando algo de dentro de um compartimento na armadura. – Samantha mandou isso para você.
– Uma chave?
– É! Do seu apartamento. Ele foi reconstruído. Ela disse que mandou roupas também e se quiser se mudar para lá, é seu! Ela teve alguns problemas e não pode vir, mas deixou bem claro que não vê a hora de revê-la.
– Eu entendo. Só não sei se quero ir morar sozinha lá. Sinto-me muito solitária.
– Leve o com você.
– Claro, como se ele fosse aceitar uma proposta dessas. – Ironizou.
– Meu Deus, ! Até parece que você ainda não entendeu que Rip faz o que você quiser.
mordeu o lábio e depois de ver o olhar sugestivo que a mandava, ela riu. Levantou da cama, calçou os sapatos e, com o Spartan, saiu da enfermaria e seguiu pelos corredores da Sede. Passaram pelos corredores da área de tecnologia e armamento onde soldados testavam armas, armaduras e dispositivos de guerra. Logo após passaram pela parte responsável pela segurança e, sem mais tardar, chegaram até a sala de estar da Sede, onde os soldados ficam para bater papo no tempo livre.
Ao entrarem, a primeira coisa que viu foi no centro da sala, um sofá gigantesco redondo. Havia televisores, caixas de som, um balcão com bebidas, algumas mesas de jogo e a janela dava visão para a cidade. As paredes eram de um cinza claro e todos os soldados usavam seus uniformes. Um pouco ao lado das mesas de sinuca, avistou Rip conversando com e Owen. Ao ver que a garota estava ali, acenou e seguiu em direção a ela. sorriu para a menina, cumprimentou o amigo e seguiu até e Owen. De lá, ele ficou olhando para e Rip.
– Estou decepcionada com você. – disse fazendo o soldado franzir o cenho. – Nossa primeira noite juntos em uma cama, e no dia seguinte eu acordo e você está em uma sala de jogos.
– Pelo menos gostou do café? – Sorriu ele.
– Estava ótimo. – Sorriu ela. – Hmm... , eu posso pedir uma coisa?
– O que você quiser!
– Bom, é que Samantha me enviou a chave do meu apartamento, e eu não queria ir para lá sozinha, mas estou louca para tomar um banho na minha casa e vestir minhas próprias roupas... Será que você não poderia vir comigo?
Rip ficou surpreso com o pedido de , mas ela o olhava tão docemente. E a ideia de ficar sozinho com ela era tão tentadora que ele simplesmente não conseguiria dizer não. Não conseguiria e nem iria.
– Me espere na recepção. Vou avisar Joseph.
– Ai eu te amo! – Ela gritou pulando em cima de e o abraçando com força. Todos da sala pararam o que estavam fazendo para olhar os dois se abraçando calorosamente. Ela lhe deu um beijo na bochecha e saiu saltitante da sala. Poderia estar mais velha agora, mas nunca iria parar de, algumas vezes, agir como uma adolescente.
Rip olhou em sua volta e viu os soldados sorrindo. Seu olhar parou em que ergueu as mãos, mostrando um joinha com os dedos polegares. Ele riu descrente. Dali saiu em direção a procura de Joseph.

(...)

Já fazia algum tempo que estava esperando Rip, sentada em uma das cadeiras confortáveis da recepção da Sede, quando ele finalmente saiu do elevador, indo em direção a ela. Usava um uniforme normal de soldado, com o símbolo da OUTCM gravado em seu peito, abaixo de seu nome.
Os dois seguiram para fora da Sede e entraram em um carro que os esperava. Seguindo até o antigo endereço de . Durante o trajeto, ela observou que em vários lugares da cidade, sempre tinha monumentos envoltos de flores para os soldados que se sacrificaram na guerra 12 anos atrás.
Havia soldados armados na rua e não parecia ter sinal de atividades rebeldes. Estava tudo muito calmo, tranquilo.
Quando o motorista estacionou na frente do prédio em que antes ela morava, Rip saiu ao seu lado, adentrando o lugar. Ela se apresentou para o sindico que ficou até mesmo assustado por saber que ela estava viva e logo, ela e Rip subiram para seu apartamento.
– Lar doce lar. – Ela disse sorrindo ao entrar. Nada havia mudado, era tudo novo, mas ao que parece, Samantha fez questão de manter tudo exatamente igual a antes da guerra.
Seguindo para o quarto, viu as sacolas de roupas e compras em cima da cama e deu um gritinho, assustando que correu da sala até a menina preocupado, mas riu ao ver o porquê do grito, balançando a cabeça descrente.
– É bom saber que está gostando daqui.
– E por que é que eu não gostaria de um lugar onde posso ficar sozinha com você? – Perguntou ela sorrindo inocente, se virando para ele com uma camisola de seda preta nas mãos. subitamente corou e arregalou os olhos. Já ela, riu e voltou a abrir as sacolas de roupas. Ela logo escolheu a roupa que usaria. Uma regata branca com uma calça Jeans. Tirou o sapato, pegou a toalha e seguiu direto para o banheiro que ficava no mesmo cômodo.
– Eu vou tomar um banho. – Disse ela. se viu sem o que fazer. Passou os olhos pelo quarto, caminhou e se sentou na cama afastando as sacolas, dando novamente uma olhada pelo quarto. por sua vez, se inclinou na porta do banheiro e encarou Rip sentado na cama, parecendo desconcertado. – Vai ficar aí sentado?
– Bom... Sim!
continuou o encarando.
– Tem certeza?
– Sim...
– Não quer tomar banho comigo?
– Ah, ... – Ele suspirou se sentindo ao mesmo tempo envergonhado e excitado por aquela pergunta. Suas bochechas arderam de vergonha, mas seus olhos arderam de vontade de vê-la nua naquele momento. Mas não sabia se iria se segurar e não queria nem sequer pensar que poderia machuca-la se não se segurasse. Então abaixou a cabeça com as mãos cruzadas no colo. – É melhor não. Vou esperar você aqui.
A garota deu um sorriso de canto de lábio e se virou, se afastando da porta e parando em frente ao espelho. Puxou o zíper do macacão e o tirou, o jogando em um canto. Se encarou no espelho. Seu corpo estava bem mais desenvolvido que antes, mais definido e isso a deixou intrigada, não havia como seu corpo se desenvolver estando congelada. Certo? Se virou de lado, olhando suas curvas. Será que ele não me deseja? Que tipo de homem em sã consciência se recusaria a tomar banho com uma mulher? Bom, talvez ele não esteja em sã consciência, ou talvez ele não me deseje em uma forma sexual e sim emocional... Ou talvez eu esteja destinada a ser uma mulher de 28 anos virgem! Pensou ela enquanto se virava constantemente para se olhar no espelho. Hum, eu me pegaria até! Riu ela mentalmente.
– Está tudo bem aí, ? – perguntou estranhando não ter escutado o barulho da agua ainda.
– Ah, estou sim... Só estou pensando. – Respondeu ela retirando o resto da roupa e dando alguns passos, entrando no box do banheiro. Fechou a porta e ligou o chuveiro. Não conseguia nem ao menos descrever o quão bom aquele banho em seus primeiros segundos estava bom. Só uma coisa melhoraria tudo aquilo, Rip ali com ela.
Já no quarto, estava parado encarando a parede do quarto quando seu comunicador tocou. Ao atender, viu o rosto de e o de no holograma.
– Sim?
– Como está a nova casa da nossa soldada? – perguntou sorrindo.
– Está bonita, . Tem algum problema?
– Onde está ?
– No banho!
– E por que não está lá com ela? – perguntou de olhos arregalados. suspirou novamente abaixando a cabeça.
– Eu não sei, . Não acho que eu deva.
– Pois eu acho. Ela chamou você para tomar banho com ela? – O soldado perguntou outra vez e Rip assentiu. – Bom, então o que você tá fazendo aqui conversando com a gente.
tem razão. – sorriu. – Só não se esqueça da festa hoje, não se canse muito.
– Ou canse ela. – riu e desligou a ligação.
No mesmo momento escutou um barulho alto e um grito vindo do banheiro. Levantou e correu até o cômodo, mas parou na porta com medo de invadir o espaço da garota.
? O que aconteceu?
– Eu caí! – Gemeu a menina. – Bati o braço no chão... Está doendo.
trincou os dentes e disse:
– Estou entrando, por favor tente se cobrir.
E assim ultrapassou a porta e abriu a porta do boxe onde estava sentada com as costas na parede, com as pernas juntas e um dos braços cobrindo seus seios. Os cabelos molhados cobriam seus ombros e as gotas em seu corpo só deixavam sua pele mais chamativa. quase se esqueceu que estava ali para ajudá-la a levantar. Caminhou até e se abaixou para pegá-la no colo.
– Você vai se molhar, .
– Não tem problema. – Respondeu ele a pegando no colo. Pegou também uma tolha e entregou a ela. Logo ele a sentava na cama e se ajoelhou em sua frente pegando o braço que ela havia batido no chão. Por um descuido, acabou deixando a tolha escorregar de seus ombros, deixando-a completamente nua e paralisado encarando-a. Envergonhada, a garota fez um movimento para se cobrir novamente, mas Rip segurou sua mão.
– Preciso te dizer uma coisa...



Capítulo 4

– Preciso te falar uma coisa. – Disse ele ainda ajoelhado aos seus pés.
piscou os olhos confusa e engoliu em seco, sentindo as bochechas queimando.
– E eu não quero que se assuste... Pelo menos não se assuste tanto o quanto estou assustado com o que vou dizer...
– Quero fazer amor com você. – A garota soltou sem perceber e logo depois arregalou os olhos e tampou a boca com mão. Já Rip, riu e a fez tirar a mão da boca. Tocando sua bochecha ele disse:
– Eu também! – E ela se arrepiou, não conseguindo conter suspiro. – Era isso o que eu queria falar. Eu não tenho mais como aguentar essa vontade sufocante de ter você por inteiro, .
– Bom... Eu já estou nua. – Riu ela envergonhada. Ele pareceu entender o recado.
ficou de pé, em frente a menina que inclinou a cabeça para olhá-lo.
Ele retirou o casaco do uniforme, mostrando os braços malhados e ficando com a blusa cavada que marcava e definia seu peitoral muito bem trabalhado, causando uma falta de ar passageira em . Ela sorriu mais uma vez ao se imaginar tocando sua pele, completamente nua. E ele continuou. Tirou a camiseta e fez com que o corpo dela se esquentasse ao ver pela primeira vez sem camisa.
Eu tenho tanta sorte por ter esse homem, pensou ela enquanto ele tirava o coturno e as calças, encarando-a, até ficar apenas com a cueca de cor branca, deixando em evidencia seu membro. Ela ficou tonta por alguns segundos e soltou um suspiro manhoso ao sentir sua pele se arrepiar. começava a ficar ofegante. Graças a Deus estou sentada, se estivesse em pé, teria o perigo de cair e bater a cabeça, ou pior, estragar esse momento, pensou ela novamente.
– Você tem certeza que quer fazer isso? – Ele perguntou após a menina ficar fora do ar por alguns segundos. Decidida, se levantou deixando a toalha cair totalmente no chão. Lentamente se aproximou dele e apoiou suas mãos em seus ombros largos. Dessa vez foi a vez de se sentir tonto.
Ela estava nervosa e ele também. Ela respirou fundo antes de seguir o próximo passo.
– Faltou uma coisa. – Sussurrou ela, descendo as mãos pelo peito de e parando no cós da cueca dele. Assim, lentamente, desceu até o chão, levando a ultima peça de roupa dele com ela, deixando livre o membro “avantajado” do soldado livre. Ela acabou soltando um “oh deus” ao vê-lo, fazendo com que risse suavemente observando a feição assustada e ao mesmo tempo surpresa e admirada pelo o que via. – Eu... Eu posso segurar? – Perguntou ela ainda não acreditando no que via. Por ser virgem, sua experiência com membros sexuais masculinos era bem baixa, na verdade, era nula.
– Eu sou todo seu, meu amor. – disse com um sorriso ao ver os olhos de sua amada brilharem ao escutar aquilo. – Faça o que quiser comigo.
Esse é o problema. O que eu faço? , a garota se perguntou mentalmente antes de usar as duas mãos para tocar o membro de que suspirou ao sentir o toque. As mãos dela era tão macias, nem conseguia imaginar o quão macia deveria ser por dentro.
Enquanto isso, finalmente pensou no que fazer.
Ficou de joelhos e passou a ponta da língua na cabeça do pênis de , que no mesmo momento jogou a cabeça para trás soltando um forte suspiro. E logo soltou um gemido quando sentir a boca da garota engolindo parte de seu membro.
– Meu deus. – Sussurrou ele. – Que boquinha maravilhosa, amor.
Ele falou com tanta malicia e carinho juntos, que quase não se aguentou para pular no pescoço dele.
Ainda trabalhando em seu membro, o acariciava com a língua e com as pontas de seus dedos. Era bom, ela nunca havia achado que gostaria de fazer isso, mas era bom. Era e tudo o que vinha de , ela amava.
– Venha aqui, amor. – Pediu esticando suas mãos para que ela as segurasse e se levantasse. Ao fazer isso, a agarrou pela cintura, puxando-a contra si, beijando-a apaixonadamente, como se aquela fosse a ultima vez que eles fossem se ver.– Você é tão linda, . – Sussurrou ele subindo os beijos para o pescoço dela, fazendo-a soltar um gemido baixo. – Não existe outra igual a você. Eu amo tanto você.
Logo ele estava a erguendo, fazendo-a passar as pernas em volta de sua cintura e a beijando sem nenhum pudor. Abraçando seu corpo enquanto ela lhe puxava os cabelos. Ela era tão pequenina para ele. Mas tão perfeita.
Segurando seu corpo com apenas uma mão, subiu a outra por sua barriga, ele tocou seus seios, o massageando delicadamente, enquanto sussurrava seu nome e puxava seus cabelos. Nesse momento os dois tinham certeza que aquilo não deveria acabar nunca, e os dois estavam de acordo com isso.
Sussurrando doçuras e malicias, Rip seguiu com ela no colo até a cama, jogou as sacolas no chão usando uma das mãos e delicadamente a deitou, não parando de beija-la.
Jogando suas mãos para cima, Rip desceu até seus seios e chupou, um de cada vez, se demorando, se deliciando, enquanto a garota se contorcia na cama.
Descendo os beijos, ele chegou entre as pernas da garota, e com sua permissão, começou a brincar com seu clitóris. Era uma sensação inexplicável para ela. Nunca alguém havia feito isso e estava feliz e cheia de tesão por ser Rip quem estava ali.
– Tão macia. – Sussurrou ele subindo e descendo suas mãos pelo corpo da menina.
Por um lado, começava a ficar tensa, pois a hora da penetração estava chegando, mas por outro, confiava em Rip e sabia que ele nunca a machucaria.
– Ah . – Sussurrou ela em meio a calafrios e outras sensações que seu corpo sentia. – Eu quero tanto você.
– Você me tem. – Disse ele subindo em cima dela. abriu um pouco mais as pernas e passou os braços pelos ombros dele. – E você é minha, . – Disse ele um pouco mais alto, se posicionando e finalmente a penetrando, fazendo-a soltar um grito e arquear as costas, tanto de dor, quanto de prazer por se sentir preenchida por ele. – Ah ! Você é toda macia. Tão maravilhosa. – Suspirou ele enfiando o rosto em seu pescoço, sentindo a garota pulsar em volta dele, se acostumando com seu membro lá dentro. – Me desculpe por ter ido tão fundo e de uma vez, dizem que assim dói menos.
– Minha única pergunta é saber como você fez pra colocar tudo. – Ela riu descontraída fazendo-o rir também. – , você é... enorme em absolutamente tudo mesmo.
Ele riu mais uma vez.
– Pode se mexer, se quiser. – Ela disse após os dois pararem de rir. Foi quando os olhos do soldado de escureceram e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. Lentamente, começou a se movimentar, enquanto encarava a menina que sussurrava gemidos baixos. – Um pouco mais rapido, por favor.
Ele a obedeceu e foi aumentando gradualmente a velocidade, até que chegou em um ponto onde ela se agarrou em seu pescoço, chamando seu nome com a voz manhosa, gozando juntos e intensamente.

(...)

Ao se passar alguns minutos, estava deitada no peito de , cobertos por um lençol de cetim branco. O soldado acariciava os cabelos da garota, sorrindo bobo, ainda não acreditando no que havia acontecido. Ainda conseguia sentir ela pulsando em volta dele, seu corpo se arrepiando e ainda ouvia os seus gemidos. Quase havia se esquecido que não usaram proteção, foi quando seus olhos se arregalaram e seus músculos ficaram tensos. Já , fazia círculos no tórax de usando seus dedos, ela estava tão confusa, que não conseguia pensar em apenas uma coisas, mas estava tão feliz que não conseguiria expressar tudo o que sentia em palavras.
Ela sentiu o corpo de ficar tenso e levantou a cabeça para olha-lo. Percebendo o olhar dela, sobre ele, disfarçou a preocupação sorrindo de volta.
– Oi, amor!
– Você está bem? Ficou tenso de uma hora para outra!
– É só que... Não usamos nenhuma proteção, . – Disse ele. A menina sorriu meiga.
– Tudo bem. Ter um filho seu não é exatamente uma coisa ruim para mim. – Ela riu vendo o desespero no rosto de . Estava claro que ele não estava pronto para ter um filho. – Mas pode deixar, quando voltar a base, peço uma injeção de anticoncepcional na enfermaria. Eu só quero curtir um pouco mais você antes de voltar para lá e ter que ficar no mesmo lugar que a Justice.
– Não vai ser por muito tempo. Isso eu prometo. – Sorriu ele abraçando a menina.
Eles ficaram ali por mais alguns minutos, trocando caricias e depois tomaram banho.

(...)

Um pouco mais tarde, eles voltaram para a base, pois Alexya havia dito que tinham que se arrumar para a homenagem.
Lá, a levou para um quarto, para se arrumarem juntas e levou para outro.
– Isso é ridículo. – resmungava enquanto via colocando os brincos. Ela estava sentada em cima da mesa do espelho enquanto a soldado se arrumava. Era fim de tarde e logo seria a festa que Joseph queria dar para comemorar a volta de . – Eu não fui à única que de algum modo sacrificou algo pra salvar as pessoas daqui. Não mereço uma festa.
– Não sei do que você está reclamando, qualquer um iria querer uma festa em sua homenagem. – se virou para ela. – Por que ainda não se vestiu?
, olha pra mim e me diz se eu tenho altura pra vestir um vestido desse? – Perguntou a menina descendo da mesa e apontando para o vestido. – E quem escolheu isso pra mim, além de não ter altura, não acho que vou ficar apresentável nisso. Vai ficar mostrando as minhas pernas.
– Foi Alexya quem escolheu. E você vai ficar linda. Vai se vestir, pois ainda precisa arrumar seu cabelo.
– Qual é! Não posso usar isso. Não sou mulher o suficiente...
! – aumentou a voz fazendo a menina arregalar os olhos e a encarar. – Você não tem mais dezesseis anos, lembra?
– Ah meu deus!
A menina caiu sentada na cama.
– É verdade. Eu tinha me esquecido disso. Eu tenho 28 anos agora! – Suspirou ela. – Eu passei minha vida congelada. Não aproveitei nada dela.
– Não se preocupe. Você ainda tem cara de 16 anos. Ainda pode aproveitar muito ... Mas agora precisa se vestir ou vamos nos atrasar e você sabe como Joseph é! Daqui a pouco ele manda soldados aqui pra saber se ainda estamos vivas.
– Ficar velha é tão chato. – Resmungou ela tirando a roupa.

(...)

– Eu não acredito que estou usando isso. Não tinha uma coisa menos reveladora não?
– É sua primeira aparição em publico depois de voltar , precisava ser uma roupa que bombasse.
– Você parece uma adolescente falando Alexya! – Disse ajeitando o bojo nos seios enquanto se olhava no espelho. – Eu não me sinto confortável nisso. Parece que ‘tô implorando para as pessoas me olharem, e eu realmente não estou me sentindo bonita dentro desse negocio.
– Garota, você tem 28 anos e tem cara de 16! Do que é que você está reclamando? – Uma voz apareceu no quarto e quando se virou para a porta, Alana estava entrando. Alana era a garota apaixonada por Dylan, amigo de , na época que passou algum tempo na escola. Agora ao invés de parecer àquela garotinha indefesa, Alana era um mulherão com M maiúsculo. – Como é bom saber que você está viva!
– Alana! – a abraçou com força. – Meu Deus, você está linda!
– Não mais do que você! Eu queria ter a idade que tenho e ainda continuar parecendo novinha como você!
As duas riram.
– Bom, vou deixar vocês aqui e vou voltar ao trabalho. – Disse Alexya. – vai estar comigo, mas logo irá para a festa. Em mais ou menos meia hora, o motorista vem buscar vocês para irem para o salão. Termine de se aprontar e boa sorte na festa.
Assim ela deu as costas e saiu, no mesmo minuto, Dylan entrou, passando por ela e a cumprimentando. E logo ao olhar para , seu sorriso aumentou. E o dela também. Dylan havia deixado os cabelos pretos e trocado pelos loiros espetados. Não parecia ter crescido muito, mas estava extremamente bonito.
– Você é a mulher mais teimosa que conheço. – Disse ele abraçando . – E eu agradeço por ser teimosa e não ter morrido. Só tenho que reclamar da sua demora para voltar a vida.
– Me desculpe, mas eu não controlo um coma por congelamento. E também senti a sua falta. – Disse ela. – Fico tão feliz por ver vocês de novo. Espero que me contem sobre as coisas que passaram nesses 12 anos.
– Iremos sim, agora que teremos bastante tempo com você dentro do carro. E olha, é bastante coisa pra falar.
– ‘To vendo que vou demorar um pouco pra me atualizar nos assuntos... Mas e o que aconteceu com o Marshall?
– Acredite ou não, mas ele se alistou e se juntou a equipe ODST.
– Uau! E eu achando que a noticia mais bombástica era que vocês dois são casados.
– Como sabe disso? – Alana arregalou os olhos.
– As alianças nos dedos de vocês. – riu apontando para as mãos deles. – Sem contar que eu sempre soube que ficariam juntos.
E então ela se virou e se olhou mais uma vez no espelho.
Ela sabia que era bonita, mas naquele momento não sabia como se sentir. Nunca havia se vestido como uma “mulher” antes. Não naquele grau de feminilidade.
Se encarou dos pés a cabeça. Desde os olhos marcados pela maquiagem escura, dos lábios vermelhos e cintilantes, das curvas do seu corpo que o vestido marcava, até o salto alto no pé! Ah! O salto!
– Se eu consegui correr dentro de uma armadura que tinha duas vezes o meu peso sem cair e ainda salvei a galáxia, por que eu não conseguiria andar com esse salto?
Os três se entreolharam e riram alto, quando a porta foi aberta e o motorista anunciou que estava na hora de ir.
se olhou pela ultima vez no espelho e respirou fundo.
Os três saíram do prédio cede e entraram no carro. Que os levaram até o salão de festa onde Joseph estava promovendo a festa de “boas vindas” de .
Durante o trajeto, ela observou a cidade, nada tinha realmente mudado muito. Eles deviam ter decidido deixar os prédios novos com as arquiteturas antigas, pois para ela, não parecia ter mudado muito.
Também durante o caminho, Ela, Dylan e Alana conversaram sobre usas vidas. Sobre como Dylan havia entrado para a Câmara de inteligência de Modulus, como Alexya havia virado professora de Química avançada na universidade local e sobre como recomeçaram a vida depois da guerra.
– Quando começaram a reconstruir Modulus, a minha casa estava completamente destruída. – Começou Dylan. – Mas o bairro de Alana estava praticamente intacto. Eu reencontrei minha mãe e meu pai, e os pais dela nos convidaram para ficar por lá enquanto as reformas aconteciam. Já que o meu pai é do exército, nós conseguimos privilégios e ficamos na cede do governo. Mas o convite só nos aproximou mais.
– Eu já tinha falado para os meus sobre Dylan. – Alana continuou. – E quando eu contei a eles que você era a nossa amiga e que Dy a ajudou a salvar todos nós, eles ficaram loucos querendo agradecer ele de um jeito ou de outro, pois ele tinha ajudado à salva-los também. Nós começamos a sair mais, passávamos ainda mais tempo juntos na escola, até que um dia acabamos ficando e estamos a sete anos casados.
– Passamos por muitas coisas juntos. Teve uma época que eu estava obcecado por mantê-la segura. Eu aprendi a me defender e ensinei a ela também. Aprendi a usar armas e passei no teste para entrar para o exercito. Mas aí eu me lembrei de que era um trabalho perigoso e que seu eu morresse, ela ficaria sozinha. Então optei pelo trabalho na câmara de inteligência.
– Eu entendo.
– Mas e você? Como foi seu reencontro com Rip? – Dylan perguntou e soltou um sorriso suspirando.
– Eu achei que tinha acabado! Quando entrei no buraco negro com a Nave Alfa, tinha certeza que iria morrer!
– Mas não acabou. O destino parece estar te dando uma nova chance de seguir em frente… de viver… de viver com ele. Vai desperdiçá-la?
– Mas é claro que não! Passei doze anos dormindo, e mesmo assim eu estava morrendo por dentro de saudade dele. Quando o vi novamente, achei que meu coração fosse explodir de felicidade. E ver que ele sentiu o mesmo foi o melhor de tudo. Vocês não têm noção de como estou feliz por estar de volta. Confusa com tudo o que está acontecendo, com essa festa besta que Joseph está fazendo e com as pessoas sabendo quem sou, mas estou feliz por estar aqui.
– Também estamos felizes por você estar aqui!
– É! Mas vê se dessa vez você não dá uma de suicida, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
– Vai dar tudo certo. Eu espero.

(...)

Ao chegarem em frente ao Salão de Festas, prendeu a respiração pro alguns segundos e logo depois saiu do carro. Haviam algumas pessoas ao lado de fora que ao vê-la, começaram a cochichar. Estavam todos muito elegantes, mas aprecia que ela tinha algo na cara para todos estarem a olhando daquele jeito. Apressando os amigos, ela entrou no local, passando pela porta de vidro e dando de cara com um salão gigante muito bem decorado e sofisticado.
– Meu Deus! – Ela murmurou.
– É! Capricharam na decoração.
– Queria que eles prestassem atenção na decoração e não em mim. – resmungou parada ao lado dos amigos, observando que as pessoas pararam o que estavam fazendo para encara-la.
Um pouco longe dali...
– Rip! – Alexya chamou o soldado pelo comunicador. Ele estava ao lado de Joseph e , esperando a chegada de . Não conseguia explicar tudo o que estava sentindo, todos aqueles sentimentos bons que se misturavam dentro dele. Ele queria apenas uma coisa, ver ela outra vez.
– Estou na escuta.
já deve ter chegado aí. Vá busca-la. Ela vai precisar de vocês. Todos nesse lugar vão olha-la estranho.
– Estou indo.
– Ela chegou? – perguntou ao ver um sorriso surgir no rosto do amigo. assentiu. – Vai lá cara! Pegue a garota!
– E leve-a até o palco. Depois do discurso, ela será toda sua, soldado.
Assim ele se virou e caminhou, saindo do salão ao lado e entrando no principal, onde estava localizada a entrada. Bem lá na frente, na porta, ele avistou a menina parada olhando para os lados enquanto todos olhavam para ela. Ela parecia desprotegida, e ele não podia deixa-la se sentir assim. Apertou o passo e começou a se aproximar.
! – Ela olhou para a sua frente e sorriu boba ao ver indo em direção à ela. Ele estava simplesmente magnifico. Usava um smoking preto e caminhava até ela com uma das mãos no bolso da calça. Os cabelos jogados para cima com gel o deixavam ainda mais atraente. Mas o que realmente estava a fazendo derreter, era o olhar que ele lhe lançava. Ela via seus olhos brilhando e ficava extremamente eufórica e encantada, pois sabia que ele estava assim, admirado, por ela.
– Oi! – Ela sorriu.
– Você está... Magnifica. – Disse ele em um tom baixo, totalmente hipnotizado pela beleza da garota.
– Oh... Obrigada. – Disse ela sentindo as bochechas queimarem.
– Nos vemos mais tarde, . – Dylan disse se despedindo dela e seguindo com Alana para uma das mesas.
– Você não tem noção do quanto estou feliz por você estar aqui. – disse. – Estão todos olhando tão estranho pra mim. Só não sei é por essa roupa, ou por eu ser uma recém-ressuscitada dos mortos.
– Pode ter certeza que é pela roupa.
– Seu bobo. – Riu ela passando seu braço pelo dele.
– Joseph quer que você faça um discurso. – Disse ele caminhando com ela ao lado em direção ao palco onde uma banda tocava algo parecido com Jazz, onde Joseph parou a musica para falar.
– Ah fala sério. Será que eu tenho mesmo que fazer isso?
– Ele é a autoridade maior aqui. Tem que obedecer infelizmente.
– E o que é que eu vou falar? Ninguém havia me avisado disso antes Rip. Eu não sei falar em público, eu sou muito tímida pra isso. Já estou quase morrendo de vergonha por estar usando esse vestido que mostra quase a minha alma. Não vou ter coragem de subir naquele palco sozinha.
– Hey! – Ele parou de andar a virou para si. – Você não está sozinha. Eu estou com você. Subo lá com você se quiser. Você só precisa dizer algumas coisas e no final uma frase otimista. Vai ficar tudo bem.
– Obrigada, !
– E com vocês, nossa sobrevivente, !
Ao ouvir seu nome, sentiu o sangue gelar. Respirou fundo e ao lado de Rip subiu ao palco escutando cochichos e aplausos.
– Ahn... Oi! – Ela disse. – Eu não sei o que devo falar para vocês para superar suas expectativas. Eu nem sabia que tinha que fazer um discurso. Mas eu devo dizer que essa festa não deveria ser apenas para mim, pois eu estou viva. Sim, passei doze anos desaparecida congelada em um planeta desconhecido, mas estou viva e muitos outros soldados sacrificaram mais que eu para salvar a nossa raça. Então não me sinto uma heroína, sinto apenas que ajudei a proteger o que é importante para mim. Me desculpem, mas não tenho muito mais o que dizer, só agradecer a todos por terem vindo e se há algum familiar de algum soldado que morreu na guerra a 12 anos, quero que saiba que eles sim foram os heróis, e não eu. Então... Boa festa.
E assim desceu do palco ao ouvir os aplausos.
– Foi horrível, não foi? – Ela sussurrou para o soldado que assentiu.
– Sim, foi.



Capítulo 5

Já fazia quase duas horas que a festa estava rolando.
As músicas começaram a ficar mais animadas e arriscou alguns passos de dança junto de Alana.
Ao ver que a olhava, parado no balcão ao lado de , ela correu até ele e agarrou a sua mão.
– Vem dançar comigo. – Ela pediu o puxando, mas voltou para trás quando ele não saiu do lugar. – !
– Eu não sei dançar, ! – Resmungou o soldado. – Vá você, quando estiver cansada, eu estarei aqui.
– Meu Deus! Como você é chato. – Resmungou ela.
– Parece que Joseph está nos chamando. – disse.
– Bom, tenho que ir. Mas depois que finalizar com ele, ficarei com você. – Disse ele a beijando na testa. Logo ele estava se afastando com o outro soldado e voltou para o lado da amiga.
Momentos depois de parar de dançar, estava conversando com Dylan, Alana e outras duas pessoas quando começou a ouvir um barulho estranho e franziu o cenho, começando a olhar de um lado para o outro procurando a origem do barulho.
– Tá tudo bem, ? – Alana perguntou ao observar a expressão confusa da amiga.
– Sim, eu só... Você sabe de onde está vindo esse barulho?
– A música?
– Não. Esse zumbido! Como se uma mosca gigante estivesse voando por aqui perto.
– Desculpe, mas a única coisa que escuto é a musica e as conversas chatas da Ambre! – Sussurrou ela apontando para uma mulher loira ao lado de um homem que conversava com Dylan. – Essa mulher é o cão! E eu nem posso falar nada, ela trabalha com Dy.
– Você não parece gostar muito dela... Ciúmes talvez?
– Talvez um pouco. Mas conheço Dylan e sei que ele nunca iria me trocar por ela. Sério! Ela é insuportável. – sorriu com o comentário da amiga, mas ainda sim se sentia desconfortável com o barulho que ouvia. – O que tanto aquela mulher olha para cá?
– Quem? – seguiu o olhar de Alana e viu que ela encarava Justice, que também encarava , mas não com uma cara muito boa. Ela usava um vestido branco curto e um decote bem grande. – Ah! Aquela é Justice.
– Essa é a Spartan obcecada pelo Rip?
– Essa mesmo.
– Nossa, ela parece te odiar bastante. A cara dela é a cara de quem está planejando um assassinato. Você não tem medo que ela faça alguma coisa?
– Não tenho medo dela, é desconfortável, mas não tenho medo dela. Sem contar que Rip nunca a deixaria fazer nada. E ela também não é louca de tentar alguma coisa. Da ultima vez que brigamos, quase a matei.
– Falando em Rip, como está a relação de vocês dois?
– Bom, felizmente nada mudou depois de toda essa loucura. E se tiver mudado, foi para melhor. é um homem magnifico. Meio cabeça dura às vezes, mas é maravilhoso. Me sinto bem só de estar perto dele. E agora, tudo está ainda mais perfeito depois que... – Ela se calou ao perceber o que ia falar. Alana estreitou os olhos.
– Ah não, pode me dizer. Somos amigas, . Mesmo depois de todos esses anos, você é minha amiga e de Dylan. Vai, me conta.
e eu... Você sabe. – Disse ela de bochechas vermelhas. Foi quando viu Alana começar a dar pulinhos em sua frente.
– Isso é maravilhoso. Eu sabia que você era virgem e sabia que queria perder o selo com Rip. Do mesmo jeito que aconteceu comigo e Dylan. Aliás, também era virgem?
– Não. – riu, mas logo depois parou ao se lembrar com quem ele havia perdido. – Ele transou com a Justice na época que ela entrou para equipe Spartan.
– Oh meu Deus! – Alana colocou a mão na boca e olhou para Justice que disfarçava agora que antes encarava . – Caralho essa mulher deve estar muito puta com você. – Riu ela descontrolada, fazendo tampar sua boca para não chamar a atenção dos outros.
– Alana, desde quando você ficou tão escandalosa?
– Ah para , isso é engraçado... Mas diz aí? Qual é o tamanho?
– De que?
– Do pau dele, . Você é muito inocente.
– Alana! – a repreendeu e tirou a taça de champanhe da mão da amiga. – Quantos desse você bebeu hoje?
– Muitos, agora me responde. Era grande?
– Ele é um super-soldado, o que acha? É claro que era. – não aguentou e riu com a amiga. – Acho que 25 centímetros, no mínimo.
– No mínimo? Caralho . E como você ainda está andando? Dylan tem 18 e eu custo me sentar depois do sexo.
– Jesus, vamos mudar de assunto. – gargalhou e as duas começaram a falar de coisas aleatórias novamente. Foi quando aquele barulho começou a ficar mais alto. Sentiu uma leve pontada na cabeça, fazendo-a soltar um gemido de dor e se apoiar em uma cadeira que estava ao seu lado.
– Você está bem?
– Claro. – sorriu sem graça.
– Tem certeza? Você ficou pálida de uma hora para a outra.
– Estou bem, é só a musica que está alta... Eu vou ao banheiro. Logo volto.
Assim ela deu as costas e uma das mãos na cabeça, caminhou pelo salão, passando por entre as pessoas e passando por uma porta de vidro com películas escuras, entrando no banheiro feminino.
Alana ficou de cenho franzido e disse a Dylan que logo voltaria. Indo para o caminho oposto de , ela foi à procura de Rip.
Já no banheiro, abriu a torneira e jogo um pouco de água no rosto, secando com a toalha, tomando cuidado para não tirar a pintura dos olhos. A dor de cabeça estava instável, se mantinha nem muito forte, mas também não estava nem um pouco fraca. Respirando fundo, ela colocou as mãos em baixo da torneira, enquanto sentia a água fria cair sobre elas. Talvez fosse o estresse da festa e ela só precisava se acalmar. Ou havia se desacostumado com tudo aquilo e o cérebro estava dando um curto circuito.
– É isso. Só preciso me acalmar...
– Além de anã, você também conversa sozinha? – Ela levantou os olhos da agua e olhou pelo espelho, vendo Justice parada em frente à porta. Suspirou cansada.
– Pois é! Homens gostam de mulheres mais maluquinhas.
– Você está feliz com toda essa atenção que estão dando para você?
– E você? Por acaso está infeliz com toda essa atenção que estão dando para mim? – Perguntou secando as mãos. – Deve estar, pra aparecer aqui usando um vestido desses, deve tá querendo chamar a atenção de meio mundo. Só vou te dar uma dica, colega, você está muito alta com esse salto, devia tirar, a maior parte dos homens não sente atração por mulheres maiores que eles.
– O homem que quero é mais alto que eu. – Disse ela parando ao lado de , fazendo-a a encarar com um sorriso sarcástico.
– Claro. O único problema é que o que homem que você quer é completamente apaixonado por mim.
Ainda sentindo as dores de cabeça, riu e passou Justice, com a intenção de sair dali, mas no mesmo momento, a Spartan agarrou o pescoço de e a jogou com força na parede, fazendo-a bater a cabeça com violência e cair no chão desnorteada, com o sangue começando a escorrer.
– Você devia ter continuado morta. – Assim agarrou os braços da menina e a jogou com brutalidade em cima da pia, fazendo-a acertar o espelho e se cortar toda com estilhaços, caindo no chão logo depois.
não sabia o que fazer, além das dores de cabeça que começarem a ficar mais fortes, agora estava cheia de cortes pelo corpo e sangrava muito. Não sabia se conseguiria revidar, mas no momento em que Justice avançou contra ela, deu um giro no chão e passou uma rasteira na Spartan que caiu batendo com a cabeça na pia.
A menina se levantou acertou com um soco a boca de Justice, fazendo-a cambalear, mas logo ela desferiu um soco contra , que desviou e deu um giro, saindo um pouco da zona de perigo, parando em frente à porta. Foi quando a soldado a acertou com um chute no tórax, fazendo-a voar para trás, quebrando a porta de vidro com as costas e acertando um garçom que ali passava, caindo os dois no chão.
– Ah. – Gritou ao sentir a pele sendo cortada mais uma vez pelos estilhaços.
Absolutamente todos pararam o que estavam fazendo para ver o que estava acontecendo. Até mesmo a banda que tocava parou a música e as luzes foram em direção a Justice e que agora lutavam com chutes e socos.
– Você parece ter 12 anos, Justice! – Gritou totalmente furiosa. – Não sabe aceitar as escolhas de ninguém.
– Você o roubou de mim.
– Eu não roubei nada de você! – Gritou pegando uma cadeira e quebrando nas costas da soldada, jogando-a no chão sem pudor. E atrás delas, um pouco mais longe, Alana apareceu com Rip, de outro salão.
Algo dentro dele se despertou. Ele se culpava por não tê-la protegido, e por isso ela desapareceu por todo esse tempo. Seus olhos se escureceram e o soldado correu em direção à elas, com a intenção de apartar a brigar.
Foi quando em um movimento rápido, Justice pegou um pedaço de vidro e atacou , a acertando no tórax. Pegando de raspão, mas a fazendo sangrar mais. Desferiu um golpe contra a menina, a jogando em cima de uma das mesas, vendo-a cair no chão.
Quando ela avançou novamente em , se pós entre as duas, agarrando o pescoço de Justice e a jogando com violência no chão.
– Não toque nela. – Ele gritou em fúria. – Agora já chega! Sua ridícula. Tola! Atacar alguém inocente e feri-lo é um crime, inclusive para soldados. Você está suspensa por tempo indeterminado.
E uma discussão começou entre os dois.
sentiu a cabeça latejar ainda mais forte, chegando a gritar de dor. Rip parou a discussão e olhou para a mulher caída em cima de uma mesa quebrada, com as mãos sujas de sangue segurando a cabeça com força. Ah não! Pensou ele.
Dylan se aproximou dela e segurou seus braços, ajudando-a a ficar de pé.
– Eu preciso sair daqui. – Disse entredentes empurrando o amigo para longe e se virando em direção a saída. Sabia o que estava prestes a acontecer. Era o controle mental. Ele era ativado de duas maneiras: Pelo líder covenant ou por uma emoção negativa muito forte. E ela estava cm raiva, com ódio. E esses sentimentos misturados com dor, não eram um sinal bom.
Apertou o ferimento em seu tórax com uma das mãos gemendo de dor. Lenta e dolorosamente, caminhou em direção a porta, passando por entre as pessoas que estavam horrorizadas pelo o que estavam vendo. Suas vistas começavam a ficar embaralhadas e os sons se confundiam em sua cabeça e a uma vontade de pegar uma arma e sair atirando em todos, começava a florescer dentro dela. Foi quando sentiu uma mão em seu ombro e seu instinto fez com que ela se esquivasse e desferisse um soco contra aquele que a tocou. Era , e ele conseguiu segurar sua mão antes que o atingisse.
– Se acalme...
– Eu preciso sair daqui. – Rosnou ela. – Ou vou matar alguém.
– Vou te levar embora. – Disse ele passando os braços por suas costas e a pegando no colo, indo em direção a rua. Um carro os esperava lá, e ele ordenou que os levassem o mais rápido possível para a base. Ela estava sangrando e eram muitos ferimentos para que conseguisse estancar todo o sangue. Ela gemia de dor e choramingava, com os olhos fechados, fungando no pescoço de . – Me desculpe amor. – Ele sussurrou para ela, tentando acalmá-la.
Depois de alguns sinais ultrapassados, finalmente chegaram até a base, onde ultrapassou as portas de entrada como um foguete. Os dois elevadores estavam ocupados, fazendo com que ele soltasse um xingamento e fosse em direção à escadaria. Chutou a porta com força e começou a descer as escadas, indo para os andares de baixo, onde ficava a enfermaria.
Desceu 6 andares de escadaria, pulando degraus e se jogou de costas contra a porta, abrindo-a com brutalidade, assustando os enfermeiros que andavam ali.
– Ela precisa de ajuda. – Ele gritou entrando em uma das salas onde ficavam os leitos. Deitou ela na cama, escutando-a gritar de dor mais uma vez, pelos estilhaços de vidro perfurando mais fundo na sua carne. – Me desculpe! Vai ficar tudo bem.
– Meu Deus! – A médica exclamou ao ver a quantidade de sangue na roupa de . – Coloque-a de lado. Precisamos retirar os estilhaços antes que os ferimentos comecem a cicatrizar.
– Ela tem um corte no tórax também. – Um enfermeiro disse para ela.
– Esterilize e costure.
! – gritou agarrando a mão do soldado. – Precisa me desacordar. Eu não vou segurar isso por muito mais tempo e não quero machucar ninguém.
– Do que ela está falando? – A médica perguntou.
– Pode anestesiá-la? Para que ela durma?
– Posso.
– Então faça. O quanto mais forte for o anestésico... melhor. – falou forçando as mãos a ficarem para baixo. – Uma dose só não vai fazer efeito em mim.
– Não posso dar mais de uma dose para você, não sei se é alérgica...
– Então induza o coma! – Gritou ela apertando o colchão com força, perfurando-o com os dedos. Sua respiração já estava anormal e seus músculos se enrijeciam. Ela gritou outra vez.
– Faça logo isso. – Rip gritou para a médica enquanto segurava o corpo da garota.
– Só usamos isso em pacientes que tenham sofrido alguma lesão cerebral ou... – A médica foi interrompida quando se soltou das mãos de e avançou sobre ela, pulando da cama e jogando o enfermeiro com força no chão, agarrando o pescoço da mulher.
– Se você não fizer isso agora! Terá que fazer depois, quando eu esmagar a cabeça de todos nesse prédio. – Gritou ela em fúria. – Eu vou matar todos vocês!
! – Rip agarrou a garota e a prendeu contra seu corpo.
– Me solta! – Ela gritou lutando para se soltar.
– Faça logo isso. – ordenou. Soldados que estavam passando pelo corredor, escutaram a gritaria e entraram na sala. – Me ajudem a segurá-la.
E enquanto os soldados a seguravam contra a cama, a médica procurou pelos medicamentos certos. E usando uma seringa, ela injetou os líquidos na veia de , que aos poucos começou a parar de lutar e finalmente apagou.
Após alguns minutos, todos os estilhaços foram removidos e o ferimento no tórax foi fechado. tentou explicar o que havia acontecido ali para a médica.
– Quanto tempo ela vai ficar assim?
– Vou retirar os medicamentos, daqui algumas horas ela estará acordada novamente. Ela vai ficar bem. Não se preocupe.
– Senhor! – Um dos soldados adentrou a sala. – Eles chegaram.

(...)

Após dar um beijo na testa de , pegou o elevador e subiu até a sala de reuniões onde os soldados estavam com Joseph, discutindo sobre Justice. Ao se aproximar da porta, bateu com a mão nela, fazendo-a se escancarar e assustar todos que estavam lá dentro. Joseph estava em pé ao lado de Justice que tinha um enfermeiro limpando os seus ferimentos. Ela perdeu a cor do rosto ao ver Rip.
, e Alexya também estavam ali. Ambos de braços cruzados.
– Como ela está? – perguntou.
– Tiveram que induzir um coma para que ela não matasse todos que visse. – Respondeu Rip sem tirar os olhos de Justice, encarando com uma raiva que ele não poderia explicar com palavras. – Ela atacou o enfermeiro e a médica. Foram necessários mais dois soldados para segurá-la na maca.
– Só falta você dizer que a culpa disso é minha! – Ironizou Justice desviando os olhos dele para outro lugar.
– E é sua culpa! – Ele exaltou falando mais alto.
tem a radiação dentro dela. E ela só é ativada quando ela tem um sentimento negativo muito forte ou quando um líder covenant ativa o controle metal. Você por acaso viu algum covenant lá tentando controlá-la, sua imbecil? – explodiu também. – Essa sua atitude ridícula colocou a vida de todos naquele lugar em perigo.
– Ela me atacou primeiro! – Justice se levantou exaltada da cadeira.
– Não, ela não atacou! – gritou em fúria indo em direção a ela, mas o interviu. – Eu estou farto dessas babaquices que você faz, Justice. Estou cansado de você e até mesmo de olhar na sua cara e ouvir a sua voz. E essa foi à gota d’agua. Você está fora da minha equipe.
– Ah claro, porque encostar em um fio de cabelo da sua anãzinha é um crime! – Falou ela. – E você não pode me expulsar da equipe. – perdeu a paciência e empurrou , que quase caiu no chão, e caminhou até a soldado.
– Olhe para mim, Justice! Olhe o sangue nas minhas roupas. – Ele disse apontando para as roupas todas sujas. – Eu estou praticamente banhado no sangue da mulher que eu amo. A médica tirou dezenas de estilhaços de vidro das costas de , você fez um ferimento grave no tórax dela, era um ferimento de quase 15 centímetros de largura, se você tivesse colocado mais força naquele golpe, você teria perfurado o ultimo tecido de sua pele, você poderia ter matado a . E se você tivesse feito isso, seria a ultima coisa que faria na vida, pois eu mataria você. – Justice arregalou os olhos com a gravidade das palavras que usou para falar. – E eu juro pra você, que se você não fosse uma mulher, eu te deixaria na UTI desse lugar.
, se acalme! – Alexya disse segurando seu braço e o puxando para trás. – está bem, é isso o que importa. Joseph, a decisão fica com você!
– Eu realmente não sei o que dizer sobre isso, nunca vi um soldado ser tão infantil como você está sendo, Justice! Sua atitude foi inaceitável. Passarei isso ao comando, para que eles investiguem a causa e, até o julgamento, você está suspensa não só dessa equipe, mas como suas atividades de soldado também.
– Senhor, por favor... ...
– Não me chame de ! – Rip se exaltou novamente, assustando a Spartan que se calou. – Para você é Senhor! Rip! Só meus amigos me chamam pelo nome!
? – Uma voz suave e cansada disse atrás deles. Ao se virarem, entrava mancando pela porta. O vestido rasgado em seu tórax e a pele e o tecido manchados de sangue. Seus cabelos estavam desgrenhados e tinha bolsas em baixo dos olhos. Um corte em sua boca e seu batom estava borrado. Os braços estavam com pequenos cortes pelos cacos de vidro. A expressão de se suavizou ao ver a garota tão frágil e machucada.
– O que está fazendo aqui? Deveria acordar só daqui algumas horas. – Disse ele caminhando até ela e passando um braço por sua cintura, apoiando seu corpo.
– Meu metabolismo é mais rápido, medicamentos não funcionam por muito tempo em mim.
– Isso é tudo culpa sua. – Justice cuspiu as palavras fazendo olhá-la. iria falar algo, mas sinalizou para que ele ficasse calado.
– Não, Justice! – Ela se soltou de e lentamente caminhou em direção à outra mulher. – Tudo isso que está acontecendo é culpa sua. É culpa do seu orgulho, da sua inveja, da sua total falta de caráter. Se eu tivesse matado pessoas hoje, a culpa seria toda sua, o sangue estaria em suas mãos. Mas o coração de continuaria comigo. – Começou ela, fazendo questão de frisar o nome do soldado, mostrando à soldado que ela podia chamá-lo assim. – Você não entende isso, não é? E você também não quer admitir isso. Você me atacou porque não aguenta que todos amem a mim e não deem atenção a você. Não aguenta que eu seja mais jovem, mais ágil, mais simpática e que tenha mais qualidades que você. Você não aguenta que me ame como ela jamais amaria você. – E assim ela parou em frente a soldado que já apertava as unhas na palma da mão. – Você é patética.
E todos ficaram em silencio, até que finalmente Justice começou a responder.
– A máscara finalmente caiu, não é anãzinha? Você é uma cobra por dentro, pior do que eu. Estão vendo? Prestem atenção nela enquanto máscara cai e mostra a vadia que ela é! Aliás, te contou que ele já transou comigo? Talvez você precise saber disso para abaixar essa sua bola! – Disse a soldado empurrando a menina para longe.
sorriu.
– Por que é que você está me chamando de vadia, Justice? Vamos combinar uma coisa. Isso aqui não é um filme adolescente onde a vilã que nesse caso é você, tenta criar intrigas para separar o casal maravilhoso, que nesse caso somos eu e ! Isso aqui é vida real. E sim, me disse que transou com você, aliás, ele me contou que tirou sua virgindade. – E Justice perdeu a cor do rosto mais uma vez naquela noite. – E sinceramente, isso não importa nada para mim. Pois o que adianta ele ter transado com você anos e anos atrás, se ele está comigo agora? Quem vive de passado, é fóssil, Justice. Se passaram doze anos desde que eu desapareci, eu acabei de voltar, se fosse para estar com você, ele estaria. Mas ele escolheu se congelar a ter que conviver com você.
– Parem vocês duas! – Joseph ordenou. continuou sorrindo e voltou para , que a olhava com um olhar diferente.
– Diferente de você, eu não finjo ser quem sou. – Justice falou fazendo a menina rir alto.
– Eu também. Eu sou uma ótima pessoa, mas cansei de você tentando roubar o meu homem e da sua infantilidade.
! Você precisa descansar. – a chamou. Ela sorriu e caminhou até ele. – Amanhã temos a viagem para fazer. Senhor, se me permite dizer, não quero que a soldado vá com minha equipe nessa missão.
– Vão descansar soldados. E não se preocupe, Rip, ela não irá.
E assim, Rip pegou a menina no colo e dali saiu, sendo seguido pela IA, por e .
– Vou levar vocês para um quarto para se limparem e dormirem. – Disse Alexya.
Pouco tempo depois estavam no mesmo quarto em que as garotas se trocaram mais cedo.
– Até amanhã. – Ela disse fechando a porta atrás de si. O silêncio reinou entre os dois. se sentou na cama, e se inclinou para tirar seu sapato, não acreditava que ainda estava com aquele salto.
– Hey, deixe que eu faço isso. – disse se ajoelhando em sua frente e tirando os sapatos da garota.
– Eu ainda não to acreditando que consegui lutar com uma coisa dessas. – Ela riu.
– Não pense mais nisso, você está bem agora! – Garantiu ele. – Quer ajuda para tomar banho?
– Com certeza eu quero. – Sussurrou ela o puxando pelo paletó e o beijando apaixonadamente.
– Não acho que é uma boa ideia fazermos isso, ! Você está muito machucada! – Disse ele se afastando dela.
– Metabolismo rápido. – Ela disse puxando o curativo em seu tórax, mostrando que o ferimento havia se fechado. – Só estou um pouco dolorida.
– Mesmo assim, amor, prefiro esperar um pouco mais.
– Tudo bem. – Ela sorriu e se levantou soltando o vestido, deixando-o cair no chão e caminhando até o banheiro. – Venha tomar banho comigo. – Ela pediu.
Logo os dois estavam nus, embaixo do chuveiro.
– Me perdoe por não ter impedido que ela fizesse aquilo. – Rip falou enquanto ensaboava as costas da menina.
– Está tudo bem. Não vamos pensar nisso agora.
E assim ela ficou na ponta dos pés e o beijou novamente.

(...)

No meio da noite, enquanto dormia ao lado de , a garota ouviu um zunido, como o de um sino em sua cabeça e ao abrir os olhos, não era mais a doce quem estava ali. Encarou o teto por alguns segundos e logo se levantou da cama.
Pegou um uniforme da OUTCM que estava em cima de uma cadeira e vestiu, calçando os sapatos logo depois, encarou dormindo e logo saiu do quarto, com cautela para não acordar o soldado.
O lugar estava deserto, a maioria dos soldados estavam descansando.
pegou o elevador para a torre de comando dos soldados, onde também ficava o vestiário e a sala de armaduras. Ao sair do elevador, cumprimentou um soldado que patrulhava o local e só depois de vê-lo virar o corredor, colocou um código hacker na fechadura eletrônica da sala em sua frente e entrou, se deparando com as armaduras dos soldados spartans. No meio da fileira, ao lado da armadura de Rip, estava a dela, na qual abriu o compartimento da perna esquerda e sentiu o sangue ferver de raiva ao ver que o que ela queria, não estava ali.
Essa não era realmente a boazinha.
Saiu da sala, trancando-a novamente e segundos depois o soldado que fazia a ronda voltou a aparecer no corredor.
– Com licença, pode me dar uma informação?
– Claro, do que precisa.
– É que eu guardei uma coisa muito importante na minha armadura e queria muito pegá-la, mas a porta está trancada, sabe como posso acessá-la?
– Você teria que ter um código especial, mas mesmo que entre aí, não deve achar o que quer. Tudo o que os Spartans trazem em suas armaduras de outros lugares é levado ao centro cientifico para ser analisado, para saber se não causará nenhum risco aos habitantes. – Ele disse e a garota ficava com ainda mais raiva, mas por ter um rosto inocente, era fácil esconder isso.
– Pode me dizer onde fica?
– Desça um andar e siga o corredor à esquerda e vire à direita no final dele, a sala está indicada com seu nome. Fale com George, ele saberá se o seu item foi liberado. Mas aconselho que passe lá amanhã de manhã, agora ele não está por lá.
– Muito obrigada, soldado. – Sorriu ela se virando e voltando ao elevador. Quando as portas se fecharam, ela desfez o sorriso e rolou os olhos. – Esses inúteis não sabem deixar as coisas quietas, Damian deve estar louco querendo falar comigo.
E logo saiu do elevador, seguindo o corredor da esquerda até o final e virando à direita, encontrando a sala de centro cientifico. As portas não tinham trancas, ela entrou com cautela e começou a procurar o que queria. Era um comunicador. Abriu armários, portas e gavetas até achar um saco pequeno com seu nome escrito em uma das prateleiras. Abriu o plástico e ativou o comunicador, o colocando em seu ouvido.
– Senhor? Está na escuta.
– Até que enfim você mandou notícias, soldada. – Disse a voz do outro lado. Damian.



Capítulo 6

– Por que demorou tanto para mandar notícias?
– Tive imprevistos por aqui. As pessoas daqui parecem venerar ... me venerar... enfim, primeiramente o Spartan Rip não largou do meu pé, e depois resolveram fazer uma festa em homenagem a ... a mim... Sempre fico confusa, não gosto de ser essa garota doce que todos amam, toda vez que alguém a toca, me dá vontade de aparecer e matar quem quer que seja.
– Foco, soldada! O que mais aconteceu?
– No meio da festa de homenagem, a Spartan Justice, obcecada pelo Spartan que é obcecado por mim, me atacou e a outra garota burra deixou ela lhe bater. E lutou contra mim quando eu quis aparecer e matar todos dali. A parte boa é que Spartan Justice está suspensa e será enviada para outro lugar, menos um Spartan para atrapalhar seus planos, senhor.
– Certo! Mais alguma informação?
– O comandante deles, Joseph Young vai mandar os Spartans juntos de para Monblack, o planeta para onde os soldados de Galion me levaram depois de encontrarem em Nosvack. Querem saber mais sobre o que aconteceu, como eu sobrevivi e se eles não encontraram seu corpo lá dentro junto do meu.
– Ótimo, minhas naves irão interceptar vocês no caminho e os trarão para cá. Agora quero que se certifique de que não desconfiem de você. Destrua esse comunicador, só irá voltar a ativa quando meus Destruidores pegarem a nave de vocês. Entendido?
– Sim, senhor.
E assim desligou o comunicador, o fazendo em pedacinhos nas mãos e o jogando no lixo, o escondendo entre os papeis. Ao sair da sala, respirou fundo.
O corpo de caiu no chão, desacordada.
A garota má havia sumido, fazendo a garota boa voltar, confusa ao abrir os olhos e ver que não estava na cama com Rip.
– Moça, o que faz aqui? – Um soldado apareceu no corredor, com o cenho franzido. – Você está bem?
– Eu... Não sei. Aonde eu estou? – Ela perguntou confusa, ainda no chão.
– Está no andar de ciências. Não se lembra como chegou aqui? – Ele perguntou se aproximando e a ajudando a levantar. A menina negou. – Spartan Rip está procurando por você, venha comigo.

(...)

– Onde é que você estava? – se levantou da cadeira ao ver entrando acompanhada do outro soldado. – Você está bem? – Perguntou agarrando-lhe os braços e a puxando.
– Sim, eu estou bem... Só um pouco confusa! Não sei o que estava fazendo lá!
– Você me deixou preocupado. – Resmungou a colocando sentada em cima da bancada. franziu o cenho e irritada, desceu da mesa. Ela amava que se preocupasse com ela, mas no momento estava confusa e irritada por não se lembrar do que fazia naquela parte do prédio.
– Estamos dentro de um prédio lotado de soldados, , não ia acontecer nada comigo aqui dentro, se acalme.
– Achou ela? – Alexya então entrou na sala com um aparelho eletrônico nas mãos.
– O que é isso? Vai chamar a equipe Spartan e colocar atrás de mim também? – Ela se virou para Rip indignada.
– Não me olhe com essa cara, , você sumiu por 12 anos, não vou deixar acontecer de novo.
– Parem de brigar e prestem atenção em mim. – Alexya chamou a atenção dos dois. – , o que estava fazendo na sala de armaduras? – Perguntou a robô mostrando a imagem das câmeras de segurança, onde a garota entrava na sala onde as armaduras Spartan ficavam. – Foi alguns minutos atrás.
– Eu não... Eu não sei. Como entrei ali? Eu... não me lembro.
– Você usou um código hacker para abrir a porta. – Disse Alexya e logo mudou a imagem para outra. – Essa aqui é você entrando do centro científico. Ficou quase sete minutos lá dentro...
– Alexya, não adianta você me falar nada disso, eu não sei como vim parar aqui. – interrompeu a I.A, aumentando sua voz. – A ultima coisa que me lembro é de... – E fez uma pausa ao se lembrar do ruído que escutou no meio da noite.
– Um zunido? Como o de um mosquito batendo asas dentro da sua cabeça?
– Não vai me dizer que tem um mosquito dentro da minha cabeça!
– Os seus exames saíram, ! A sua radiação aumentou mais de quinhentos por cento desde seu ultimo teste, 12 anos atrás. – Disse Alexya mostrando um gráfico em um holograma saindo do aparelho que ela carregava. A garota e o Spartan ficaram embasbacados com o que estavam vendo. – Eu acho que essa radiação está ativando um tipo de interruptor dentro de você. É como se agora a luz estivesse acesa dentro do seu cérebro e quando a radiação se ativa, a luz apaga, você apaga e outra pessoa aparece em seu lugar.
– Dupla personalidade? – Rip perguntou.
– Talvez sim. Você já teve mais desses apagões?
– Não, na festa ontem, eu perdi a visão por poucos segundos enquanto minha cabeça doía. Antes disse, acho que só... – E parou outra vez, arregalando os olhos e prendendo a respiração. – Oh Deus!
– O que foi? – se aproximou da menina.
– Eu... Não estou me sentindo bem. Podemos voltar para o quarto, ? – Ela lhe olhou, com os olhos levemente marejados. assentiu imediatamente.
– Amanhã falamos sobre isso, Alexya. precisa descansar.
– Mas, , precisamos falar disso agora... – Alexya começou, mas o soldado a fuzilou com os olhos.
– Ela precisa descansar, Alexya! Amanhã falamos disso. – E assim seguiu com a menina para fora da sala, indo em silêncio de volta para o quarto.
No caminho, se perdeu em pensamentos.
“O último apagão longo que tive foi quando a nave entrou no buraco negro. Será que na verdade aquilo era a radiação apertando o interruptor? Apagando-me para a outra eu aparecer?” E logo ela começou a pensar que Galion, o médico que a descongelou não havia dito nada sobre o corpo de Damian. “Talvez não tivesse um corpo. Talvez Damian esteja vivo e talvez ele esteja me controlando... Talvez eu não fiquei 12 anos congelada naquela nave, ele só fez parecer que sim. Seja o que for que aconteceu, eu preciso descobrir, não posso deixar que isso me faça machucar mais ninguém...”
Pensando assim, não percebeu para onde ia e esbarrou na porta do elevador, caindo dentro dele, de bunda no chão.
! – se assustou e a agarrou pelos braços a ajudando a levantar. – O que está havendo com você?
– Eu não sei, mas coisa boa não deve ser.
– Do que está falando?
– Acho que não passei os doze anos congelada naquela nave.

(...)

No dia seguinte, quando acordou ela estava sozinha no quarto. Encarou o teto branco antes de suspirar e levantar passando a mãos nos cabelos, pensando no que havia acontecido na noite passada.
Viu as roupas em cima da mesa e se dirigiu ao banheiro, tomando o banho e se trocando. Amarrou a cabelo em um rabo de cavalo, deixando pontas da franja solta. Calçou o sapato e saiu do quarto. Seguiu seu caminho até a cantina, e onde passava, as pessoas a encaravam e isso estava a deixando desconfortável e irritada.
Ao ultrapassar as portas da cantina, ela parou de andar ao ver que todos pararam de comer e de conversar para olharem para ela.
– Beleza! Estão encarando por quê? Nunca me viram na vida não? – Ela perguntou alto, fazendo com que abaixassem a cabeça e voltassem a fazer o que faziam. Pisando fundo, ela seguiu em direção ao banco onde estava, mas parou bruscamente quando Justice entrou em sua frente.
– Ah fala sério. Qual é o seu problema comigo? Você não vai me dar sossego nunca? – perdeu a cabeça e gritou, fazendo com que todos voltassem a olhar para ela.
– Algum problema aqui? – parou ao lado de junto de e Owen. Ela bufou irritada.
– Consigo me defender sozinha, , não preciso da sua escolta. – Resmungou ela se voltando para Justice. – Sai da minha frente, palhaça. – E esbarrou o corpo no da soldada que segurou o braço dela, mas deu um giro se soltando e voltou a caminhar até a mesa onde estava, e se sentou ao lado dela bufando de raiva.
– Irritada com algo?
– Descobri que provavelmente não passei os doze anos congelada na nave Alpha, está super protetor, e Justice não parece que vai largar do meu pé mesmo com os avisos de Joseph. Daqui a pouco minha única solução vai ser matar aquela piranha.
– Uau! Está irritada mesmo, dá pra sentir a raiva vindo de você.
– O que eu fiz pra estar passando por isso? Eu salvei a galáxia uma vez, o que mais esse povo quer de mim... Tá olhando o quê? Palhaço! – Ela chamou atenção de um dos soldados que estava sentado em outra mesa e sorria para ela.
– Você é a garota que estava lutando com Justice ontem na festa.
– E isso é problema seu agora? – Perguntou ela pegando o sanduíche que estava lhe entregando.
Backs! – Uma voz no alto falante a chamou. – Capitão Young quer vê-la na sala dele agora.
– Ah, ótimo! Nem comer mais eu posso.
E se levantou largando o sanduíche na mesa e seguindo em direção à porta, passando por que discutia com Justice e os ignorando completamente.
Bufando e pisando fundo, seguiu em direção a sala de Joseph, caminhando em passos largos e com a cara fechada.
Empurrou a porta da sala com força e adentrou a sala, vendo Young e Alexya sentados a mesa.
– O que foi? – Ela perguntou rude fazendo Joseph a olhar de cenho franzido.
– Está tudo bem?
– Perguntas estupidas não, por favor. – Disse ela cruzando os braços. – O que quer comigo?
– Nós concertamos sua armadura para usar nessa missão...
– Não vou usar a armadura. – interrompeu Alexya.
– O quê? – Uma voz atrás dela disse, parou as seu lado lhe olhando irritado. – Você quer o quê? Morrer?
– Não, , eu não quero é matar você! Eu não controlo mais a radiação. Eu não quero estar dentro de uma super armadura que aumenta em duzentos por cento minha força. Não quero que me facilitem machucar alguém.
– Ótimo, então você não vai. – O soldado disse cruzando os braços encarando a garota se virou para ele o olhando com o mesmo olhar.
– Você não pode decidir isso. Não manda em mim e não tenho mais dezesseis anos para que tome decisões por mim. – E se virou para Joseph. – Me chamou aqui só pra isso?
– Você e a equipe Spartan vão sair em duas horas. Mas antes disso, preciso que faça mais exames, para checar que você está apta a lutar. Não podemos deixar a equipe levar um peso morto. – Joseph a encarou. Ele queria saber se ela ainda sabia lutar.
agarrou o braço de girando-o e o prendendo em suas costas, chutou as dobras de seus joelhos o fazendo cair no chão. Pegou a pistola que estava em sua cintura e apontou para Joseph soltando o soldado. Caminhou em passos lentos com a arma apontada para a cabeça do capitão. Próxima a ele, descarregou a arma e a colocou em cima da mesa.
– Depois dessa missão, não recebo mais ordens suas. Estarei fora daqui.
– E como vai conseguir controlar a radiação? – Young perguntou enquanto ela caminhava em direção a porta.
– Nós achamos uma máquina de extração uma vez, aposto que existem outras e que Galion sabe onde tem uma.
E passou pela porta indo em direção a enfermaria, fazer os tais exames. Antes de chegar ao elevador, a alcançou a puxando pelo braço e a entrando no elevador e travando as portas.
– O que foi aquilo?
– Eu não estou com cabeça pra discutir, !
– Você não pode ir sem armadura, ! – Ele a encostou na parede do elevador. – Eu não vou deixar você morrer.
– E eu não vou. Você tem que parar com essa mania de superproteção. – Disse ela segurando seu rosto. – Eu vou ficar bem se ficar do seu lado. E quando isso acabar, eu não vou mais machucar ninguém...
– Eu poderei morar com você? – Ele perguntou de repente, fazendo a menina ter um pequeno curto circuito no cérebro e não entender o sentido daquilo. – Eu poderei viver com você?
– Mas é claro que sim, . – Ela sorriu. destravou o elevador e apertou o botão do nível da enfermaria. – Eu te amo, !
E assim ele agarrou a cintura da garota a erguendo e lhe selando os lábios.
– Eu amo tanto você. – Sussurrou ela.

(...)

Mais tarde, já estava preparada para a viagem, estava sentada em cima de algumas caixas no saguão de voo, onde estavam as naves. Do momento em que chegou ali, até agora, já havia perdido a conta de quantos suspiros havia dado sobre o desentendimento que tinha sobre o que estava acontecendo com ela. Deus, não me deixe machucar ninguém, não me deixe machucar Rip! É só o que eu peço! Pediu ela mentalmente, com os olhos fechados. Ele é tudo o que eu tenho, não me separe dele outra vez! E inconsequentemente uma lágrima caiu de seus olhos e ela respirou fundo. Ao abri-los, viu que os soldados Spartan estavam se aproximando conversando animadamente enquanto caminhavam em direção ao pelicano que os levaria na viagem.
estava com eles e ria de algo que eles falavam, sentiu um aperto no coração, como se algo de ruim fosse acontecer, de repente ela estava desejando não ir nessa viagem e nem deixar com que ele fosse.
Levantou-se de onde estava e caminhou até eles, colocando um sorriso no rosto para tentar disfarçar o que sentia.
– Young mandou uma mensagem para Galion, o avisando que iriamos para lá, portanto ele está ciente da nossa aproximação. Vamos apenas pegar algumas informações e voltar para casa... – e ele parou de falar quando viu que a garota se aproximava dele. Ela sorriu e parou ao seu lado. – Só devemos usar força se for realmente necessário, okay?
– E quando foi que não precisamos usar força? – riu e a equipe se virou para entrar na nave, quando se pronunciou.
– Tem mais uma coisa... – Ela disse apertando as mãos e mordendo os lábios. Todos se viraram para ela que estava pálida e pressionava os lábios. – Eu não sei se falou para vocês sobre um problema que está acontecendo comigo. – Começou ela. – Sobre a radiação...
– Ele nos disse que você está tendo apagões por causa disso. – disse. – E que esse é um dos motivos para estarmos indo até lá...
– Não é só isso. – a interrompeu e respirou fundo. – Eu não estou tendo só apagões... outra pessoa está tomando controle de mim, outra personalidade. Então, se por um acaso eu ficar violenta ou se eu ter comportamentos estranhos, por favor, me apaguem e não deixem que eu machuque ninguém...
– Ninguém vai encostar em você! – Rip rosnou olhando irritado para a garota. – Nenhum deles tem permissão para tocar em você...
– O corpo é meu e sou eu quem deve dar permissão para alguém me tocar. – Ela aumentou a voz se virando para . – Não é mais você quem escolhe, . Entre colocar a vida de vocês em perigo e levar um soco na cara, eu opto pelo soco. Não é uma opção e nem nada que você possa tentar discutir comigo.
E depois se virou para os outros.
– Não é uma ordem, mas sei que vão cumprir isso. Se eu tentar machucar algum de vocês, não hesitem.
– Isso não vai ser preciso, . – disse e sorriu para a garota. – Você é forte o suficiente para controlar isso, sei que é! Mas pode deixar, tem um soco bem pesado.
– Cala a boca, ! – A soldado resmungou rindo empurrando o amigo e entrando na nave. Logo os outros a seguiram.
Alguns minutos de preparações e explicações, a nave finalmente decolou.
respirou fundo.
Isso tem que acabar. Pensou ela. Não posso passar o resto da minha vida com medo de machucar alguém, isso tem que acabar, e rápido.

(...)

Algumas horas de voo depois, estava encolhida em seu canto, olhando para o céu envolto da nave. Ela gostava do azul do céu, e sempre se perguntava se ele era todo assim, do seu início ao fim.
Moveu um pouco sua cabeça e olhou para que estava em sua frente, com a cabeça para trás apoiada na carcaça da nave, e de olhos fechados. Seus cabelos estavam maiores do que 12 anos atrás, mas suas bochechas continuavam meio rosadas. Os lábios vermelhos e convidativos que ela tanto amava beijar estavam curvados, como se ela soubesse que ele pensava em algo preocupante.
Olhou para os outros passageiros e percebeu que Owen estava do mesmo jeito que ele, enquanto e conversavam sobre algo.
Voltou-se para e mordeu o lábio pensativa.
Levantou-se e caminhou até o soldado, se ajoelhando em sua frente, sentando nos próprios pés e apoiando suas mãos nos joelhos de que imediatamente abriu os olhos e olhou para baixo, encarando a menina com o cenho franzido. Ela sorriu para ele, fazendo-o sorrir de volta e descruzar os braços, tirando as luvas e tocando as mãos da garota.
Os dois ficaram se encarando por alguns minutos, apenas conversando por expressões e sorrindo um para o outro. Até que resolveu quebrar o silencio.
... você não acha que devemos ter filhos?
– O quê? – Ele riu com a pergunta.
– Sabe, não somos mais tão jovens quanto há doze anos. Acho que está na hora de casarmos e termos filhos.
– Você é tão direta às vezes que me assusta. – Riu ele outra vez fazendo a garota sorrir. – Está me pedindo em casamento dentro de uma nave militar enquanto estamos indo para uma missão em outro planeta?
– Tecnicamente, não estou te pedindo em casamento. Estou só expressando a vontade que tenho de me casar e ter filhos com você.
– Meu deus! – soltou uma risada alta, fazendo as bochechas de ficarem vermelhas. – Quando voltarmos para casa, podemos planejar tudo isso. Faremos do jeito que você quiser, o casamento, a festa, nossos filhos...
– Own, repete isso de novo. – Pediu ela ficando apenas de joelhos, apoiando os cotovelos nas coxas do soldado.
– Nossos filhos! – Sussurrou ele com os lábios próximos dos da garota que sorriu e lhe deu um selinho.
No mesmo momento, a nave fez uma curva brusca, jogando para trás, fazendo ir com ela e segurar sua cabeça, antes que batesse na parede da nave, enquanto Owen voou de cara com a parede.
– Você está bem? – perguntou vendo que a menina ficou atordoada com a pancada. assentiu depois de respirar fundo algumas vezes. – Você devia ter vindo com a armadura.
– O que aconteceu? – gritou para o piloto da nave.
– Bunchie! – Ele respondeu. – Tem uma nos perseguindo, junto de um cargueiro pequeno. Vou ter que pousar, se formos atingidos poderemos ter uma queda muito feia.
– Faça isso! – concordou e depois olhou para a menina entre seus braços que tinha o cenho franzido, enquanto encarava o lado de fora da nave. – ?
E então uma dor aguda surgiu em sua cabeça, fazendo com que ela gritasse e empurrasse para longe, caindo de joelhos no chão.
– Damian! – Ela rosnou, fazendo com que os outros se entreolhassem. – Ele está no cargueiro.
– Como você sabe? – Owen perguntou.
– Eu só sinto. – Resmungou ela ficando de pé e se sentando. – Coloque o cinto, parece que vamos pousar.
E voltou a colocar as mãos na cabeça, sentindo como se um martelo estivesse a atingindo várias e várias vezes. Tentava o máximo possível controlar os gemidos de dor e ao mesmo tempo, tentava controlar a outra pessoa que podia aparecer a qualquer momento.
Soltou a cabeça e levou as mãos até as coxas, apertando com toda a força que tinha, tentando passar a fonte da dor para outro lugar, controlando sua própria cabeça.
teve menção de se aproximar, mas ela negou, pedindo que ele se afastasse.
– Pouse logo. – Ordenou ele para o piloto que disse estar fazendo o possível para isso, mas os tiros estavam constantes e era difícil pousar sem ser atingido.
por sua vez, apertava mais e mais suas pernas, chegando a um momento em que as unhas perfuraram o tecido da calça e rasgaram sua pele, passando a dor do controle mental para os ferimentos nas coxas. Ela suspirou aliviada, segurando lágrimas de dor, quando o pelicano finalmente começou a descer e pousou de uma forma brusca, chacoalhando aqueles que estavam lá dentro.
Quando a porta traseira abriu, os soldados saíram com as armas empunhadas, enquanto permaneceu sentada, com as unhas cravadas na pele, paralisada.
– Limpo! – disse ao lado direito.
– Limpo! – , ao lado esquerdo.
– Limpo! – Owen disse, parado em frente ao pelicano.
– Vamos, precisamos localizar a base e... – parou de falar ao se virar para trás e ver a garota ainda sentada dentro na nave com as mãos nas pernas. E onde seus dedos estavam, a calça estava molhada, de sangue. arregalou os olhos e caminhou até a menina puxando as suas mãos para cima, vendo o sangue escorrer para fora da ferida.
– Estou bem, eu me curo rápido. – Sussurrou ela engolindo em seco. Suspirou e se levantou, sentindo dores, se soltando de e caminhando para fora da nave, recebendo olhares estranhos. – Ao que parece não preciso me desacordar para controlar a radiação, posso ter uma sessão de tortura que funciona do mesmo jeito. – Resmungou ela irritada. – Para que lado vamos?



Capítulo 7

Após algumas horas de caminhada, o clima estava estranho entre e . Ambos estavam longe um do outro. Enquanto ele liderava a equipe, a garota ficava atrás com , que estava estranhando o silêncio dela. Geralmente, era bem falante. No momento, ela estava imersa em pensamentos. Pensamentos terríveis sobre como as coisas teriam acontecido se ela não tivesse entrado na nave alpha. E todas as teorias que formava sempre acabavam em um ponto: morto.
– Você está bem?
– Eu nunca achei que fosse capaz de machucar a mim mesma. – Disse a menina que andava alternando seus olhos entre sua frente e o chão. – Eu nunca nem sequer imaginei que poderia machucar qualquer coisa.
– Está falando sobre a radiação ou sobre o que aconteceu ali atrás?
– Estou falando de tudo de ruim que aconteceu com vocês desde que me resgatou no meu planeta. Se eu tivesse ficado lá e morrido junto do meu pai e da minha tia, nada disso estaria acontecendo agora. Damian não teria nos perseguido, talvez a batalha não tivesse acontecido, Modulus não teria sido parcialmente destruída, menos civis teriam se ferido, Jace estaria vivo e nenhum de vocês se machucaria por minha causa.
– Não se esqueça que por sua causa, nós ganhamos aquela batalha...
– Então porque eu tenho a sensação de aquela batalha ainda não acabou?
– Você está arrependida de ter entrado na nave Alpha? – perguntou e negou.
– Em todas as teorias penso no que poderia ter feito naquele dia, e todas terminam com a morte de muitas pessoas. Então não me arrependo do que fiz. Mas eu achei que iria morrer e acabar com tudo aquilo... Só que agora estou aqui, machucando pessoas outra vez.
– Está falando de Justice? – A soldado perguntou confusa.
– Estou falando de .
E no momento que ela parou de falar, Rip fez sinal para que parassem de andar.
– Se escondam. – Ordenou ele seguindo até , segurando a sua mão e a puxando para trás dos troncos de algumas árvores. Ao olharem para os céus, acima das folhas amareladas das árvores, viram Bunchies rondando os céus, provavelmente em busca deles.
– Por que nossas naves sempre caem e nós sempre somos perseguidos por alienígenas quando estamos com você? – Owen perguntou ríspido, não soube o que responder. – Depois que você foi embora, isso parou de acontecer...
– Mais uma palavra Owen e eu a deixo bater em você. – Rip disse com a voz irritada.
– Por que eu faria algo com ele? Ele está certo. Eu sou o oposto de um trevo de quatro folhas. – Disse a garota bufando.
– Não podemos continuar se elas ficarem acima de nós. – sussurrou enquanto ainda observava os céus, encolhido em posição de ataque.
– Vamos ter que abatê-las. – falou e logo se virou para . – Fique aqui. Nós vamos distraí-las e destruí-las. Eu venho buscar você.
– Me dê uma arma e eu vou junto. – Ela disse de cenho franzido.
– Como você mesmo disse, você é o oposto de um trevo de quatro folhas, vai nos matar se te dermos uma arma... – Owen disse, mas se calou quando Rip bateu com o punho no chão.
– Foco, soldado! – chamou sua atenção. – Agora sou eu quem vai te bater se não calar a boca. Foque na sua missão e deixe que eu cuido dela.
– Tudo bem , ele tem razão. – Disse ela soltando um suspiro cansado e assentiu. – Tomem cuidado.
– Voltamos logo.
Assim os soldados seguiram seu líder abaixados em meio as árvores, caminhando para longe, onde o céu estava limpo e não tinha folhas para tampar suas visões, enquanto ficou sentada encarando a calça suja de sangue e suas mãos marcadas também. Pelo menos é o meu sangue e não do de outra pessoa. Pensou ela.
Mas em poucos segundos, sentiu sua cabeça doer e suas vistas escureceram, a boa havia adormecido, dando lugar à personagem maldosa que habitava seu corpo.
– Ela foi bem corajosa pra fazer isso. – Disse se referindo aos cortes de unhas.
– Vocês chegaram mais rápido do que imaginamos. – Uma voz conhecida soou. A garota se levantou e encarou sua frente. Damian saia de trás de algumas árvores com dois soldados alienígenas ao lado.
– Pelo menos eles chegam mais cedo e não se atrasam. – Resmungou a garota. – O que devo fazer agora, chefe?
– Faça a moça inocente sofrer! Ela vai se certificar de levá-los para a armadilha.
– Como o senhor sabe disso?
– Porque os humanos são previsíveis. O Spartan vai ficar cego e se esquecer da missão no momento em que a garota se sentir mal. Faça com que ela sinta dor.
E assim ele regrediu com os dois soldados, desaparecendo entre as árvores novamente. A personalidade má se emergiu na escuridão, e o corpo de despencou no chão, fazendo-a bater a cabeça no chão e cortá-la. Segundos depois, a boa acordou assustada, olhando em volta, percebendo que ela havia apagado, de novo. Escutou barulhos estranhos e com a cabeça doendo, correu na direção oposta a que os Spartan haviam ido.
Vendo uma nave começando a subir e desaparecendo nos céus. Ela tinha certeza que era Damian. Logo as pontadas fortes na cabeça começaram, fazendo-a apertar o crânio entre as mãos, mordendo os lábios para não gritar com a dor. Aquilo tinha que acabar, de um jeito ou de outro, tinha que acabar.
? – Rip gritou desesperado ao ver o sangue no chão, perto de onde havia deixado a menina. Os outros soldados haviam ficado num lugar seguro e estratégico, enquanto ele voltava pelo caminho para pegar a garota de volta. Ela ouviu os gritos do soldados e com dificuldade, voltou correndo para onde estava.
– Damian esteve aqui.
– O quê? Como você machucou a sua cabeça? – Ele perguntou tirando o capacete, colocando-o no chão e segurando o rosto da menina, encarando o pequeno ferimento e o sangue que escorria de encontro a sua sobrancelha, ignorando o que ela havia dito. – Como isso aconteceu?
– Eu apaguei de novo, quando acordei, estava caída nesse lugar. Ouvi barulhos e os segui. Foi quando vi um cargueiro levantando voo e sumindo nos céus. – Ela explicou. – Eu tenho certeza que era Damian. Ele não está morto e esse é o motivo dos doutores não terem dito nada sobre encontrarem o corpo dele na nave, é porque não encontraram. Damian não estava lá e eu provavelmente não estive lá também durante os doze anos.
– O que você quer...
– Precisamos achar o laboratório rápido. – Disse ela e logo depois sentiu uma forte dor, como se estivessem martelando um parafuso em sua cabeça, fazendo-a perder as forças nas pernas e cair ajoelhada no chão.
– Vamos sair daqui. – Rip disse colocando o capacete novamente, guardando a arma e pegando a garota no colo, correndo em direção aos outros soldados que os esperavam. E no momento em que se aproximavam dos outros, sentiu uma forte pontada na cabeça e se jogou dos braços de , caindo de bruços no chão, dando socos na neve seca. – ...
– Você não vai tomar conta de mim agora. – Ela gritou. Os outros se olharam confusos. – Você não é mais forte que eu.
E só então eles foram entender que ela estava tendo uma briga interna com si mesma.
Por que acha que é mais forte que eu? Uma voz disse em sua mente.
– Por que você é só uma substância tóxica, um veneno impregnado no meu corpo, você tem parte do meu cérebro, mas não todo, eu tenho meu corpo, minha mente, e você não vai tirar isso de mim.
Minha querida, eu passei doze anos controlando seu corpo sem você perceber, por que acha que pode me evitar agora? Aquela voz disse de novo.
levantou seu rosto, olhando para Rip que a encarava por debaixo do capacete.
– Porque eu tenho ele agora. Porque eu não estou sozinha. Você está. – Respondeu a garota e logo se virou para , acenando com a cabeça, dando permissão para que ela fizesse o que estava pensando. Logo assim, a Spartan se aproximou e proferiu um soco no rosto da menina, desacordando-a.
! – gritou furioso empurrando a Spartan para longe da garota caída no chão. – O que você fez?
– Ou era isso, ou ela iria se torturar de novo. Desacordá-la é mais eficaz do que vê-la cortando a própria pele, não acha? – E assim ela deu as costas, empunhou a arma e saiu caminhando. Rip acenou para que os outros soldados a seguissem e assim pegou a garota no colo.
– O que eu faço com você, ? Quando isso vai acabar? Eu não aguento ver você sofrendo desse jeito. – Sussurrava ele para si mesmo, encarando o rosto da mulher desacordada em seus braços, enquanto caminhava atrás dos outros soldados.
Seria uma longa caminhada dali para frente.

(...)

Algum tempo depois de caminhar, a noite caiu sobre eles.
Os soldados procuraram então um lugar para ficar e se abrigar. Acharam uma caverna pequena, mas que coube todos os eles. Ficaram conversando por bastante tempo até que e Owen saíram para fazer a ronda enquanto Rip ficava ali com .
?
Rip escutou a voz em seu comunicador. Ao atender a chamada, o rosto de Alexya apareceu no canto inferior direito de seu visor.
– Na escuta.
– Onde vocês estão?
– Nossa nave foi abatida, estamos em algum lugar desconhecido do planeta. – Respondeu ele. – Damian está vivo.
– Sim, eu já desconfiava disso. Consegui capturar um áudio da sala onde estava na noite passada, ela estava conversando com ele. Ele comanda a cabeça dela.
– Não por muito tempo. Agora que está ciente disso, a única coisa que consegue fazer é se machucar. – Disse o soldado suspirando. – Primeiro na nave, pra ela manter o controle, cravou as unhas nas próprias pernas e agora há pouco, ela deixou que desse um soco nela e você já deve saber que os socos de não são nenhum pouco fracos.
– Ela está fazendo o que acha melhor pra vocês. Por isso ela não quis ir com a armadura, mas temo que ela vá precisar... Damian pode querer começar uma guerra nesse planeta.
– Se isso acontecer, estamos perdidos, somos cinco contra eles.
– Talvez não. De acordo com o que disse de Galion, ele está no nosso lado.
– Estando ou não, não adianta se não sabermos como chegar até ele. Eu realmente desejaria que você estivesse aqui agora, Alexya.
– Eu vou ficar online, não posso me transferir para o seu capacete, pois precisam de mim aqui, mas ficarei online. Vou tentar fazer contato com a base de Galion.
– Eu agradeço muito, Alexya.
– Como está?
Nesse momento, tirou os olhos da entrada da pequena caverna e observou a menina dormindo tranquilamente deitada ao seu lado. Tão calma, tão bonita...
– Ela está bem. Só não sei por quanto tempo...
– Vai acabar tudo bem, , se ela não morreu doze anos atrás, não será agora que irá acontecer... Quando conseguir me comunicar com Galion, eu lhe aviso. Cuide-se, Rip.
E assim ela desligou deixando-o encarando a garota adormecida no chão.
Se moveu largando a arma no chão e sentando do lado dela, segurou-a pelos ombros e a puxou para seu colo, se encolhendo com ela nos braços. Logo abriu os olhos e ficou encarando o visor do capacete do soldado que se xingou mentalmente por acordá-la. Ela sorriu e deu leves batidas no capacete.
– Alguém em casa?
Ele riu e assim com uma das mãos, puxou e tirou o capacete.
– Aqui está.
– O quê?
– O rosto que amo tanto ver. – Sorriu ela tocando-o com a ponta dos dedos. – Você é tão bonito.
E assim sentiu o corpo estremecer relembrando o que tinha acontecido mais cedo e logo sua expressão mudou. percebeu isso.
– Nunca mais faça uma coisa estúpida daquelas, não importa se uma personalidade maligna está tentando tomar o seu corpo, nunca mais deixe alguém te machucar ou se machuque daquele jeito, .
, eu já disse que entre machucar um de vocês e levar um soco...
– Sim, eu sei, você prefere o soco, mas eu não. Eu prefiro que você não se machuque. – Rosnou ele.
– Ah Rip... – Ela suspira e se levanta se afastando. – Eu não vou discutir isso com você.
E assim dá as costas saindo da caverna. Lá fora e voltavam da ronda.
– Não vire as costas pra mim, ainda estamos conversando.
– Não, você está tentando tomar decisões por mim de novo. Mas novidade, , passaram-se 12 anos e eu não tenho mais 16 anos. – Ela se vira irritada enquanto ele se aproxima.
– Mas está agindo como se tivesse, sem contar que foi por causa de uma decisão que você tomou que ficamos separados por doze anos enquanto eu pensava que você estava morta.
– Ah pelo amor de Deus, não vou discutir isso com você. Não tenho que te dar explicações do porquê das minhas decisões, sendo que eu tenho certeza que você sabe o porquê de eu tê-las tomado.
– É, pra me salvar! Mas pra isso você basicamente sacrificou sua vida, e me deixou desolado, . – Gritou ele jogando as mãos para cima. – Você sumiu por doze anos, você estava morta, e a única coisa que eu senti durante esse tempo sem você foi como se enfiassem uma adaga no meu peito a cada minuto.
Assim ele se virou para se afastar, mas se voltou para com mágoa nos olhos.
– Jace estava errado por dizer que seria eu a fazer uma coisa burra e heroica que iria magoar você, ele devia ter dito isso a você, pois foi você que desapareceu por doze anos e me despedaçou por dentro.
Virou-se e caminhou por entre as árvores, desaparecendo por algum caminho.
e se entreolharam, mas logo depois se sentaram calados ao lado de Owen que acabava de acordar assustado com os gritos do chefe.
apenas ficou parada olhando para o nada. Ela não tinha ideia de que Jace havia dito algo assim para , não sabia nem exatamente quando foi que ele disse isso. Talvez tivesse sido bem no começo de toda aquela loucura. Ela então deu alguns passos para longe dos soldados e se sentou de costas para eles, com os braços e pernas cruzados, olhando para o céu estrelado e para a grande lua. Jace! Desde que chegou a base, não tocou no seu nome, ou se deu o tempo de pensar um pouco nele. Não sabia como ele havia sido enterrado, não sabia como estava sua equipe, não sabia se ele tinha familiares e nem mesmo teve tempo de se despedir corretamente.
– Pelo menos você está em um lugar melhor, não é amigo? – Sussurrou para os céus, deixando um lagrima descer por seu rosto. – Você está com meu pai e minha tia, não é? Diga a eles para não se preocuparem, eu estou bem aqui.

(...)

Algum tempo depois de caminhar por dentre as árvores congeladas da floresta, fez seu caminho de volta para o acampamento que seu grupo havia montado. Ao se aproximar, viu os soldados deitados no chão, dormindo, enquanto estava afastada deles, encolhida olhando para o céu. Do ponto onde estava, se alguém quisesse atirar contra ela, a acertariam em cheio, pois não tinha nada no caminho para bloquear os ataques.
Rip se sentiu furioso ao vê-la tão desprotegida e fez menção de acordar os soldados e dar-lhes uma bronca, mas o impediu.
– Não acorde-os. – Disse ela sem olhá-los. Seus sentidos ainda estavam aguçados;
– Eles deveriam estar de guarda... – Resmungou encarando as costas da garota que mexeu os ombros parecendo desconfortável.
– Eles estão cansados, . São humanos, não máquinas. Eles precisam descansar.
– Não precisa me dar aulas sobre os meus soldados... – Disse ele caminhando para perto dela, que virou um pouco o corpo para olhá-lo. Sua expressão parecia cansada e assustada, mas ela tentava se manter calma.
– E você não precisa ser ignorante só porque eu não obedeci as suas ordens, afinal, não sou um soldado.
– Você foi soldado o suficiente pra entrar naquela nave e sumir por doze anos.
– Vai mesmo querer discutir sobre isso? – Ela franziu o cenho. Logo depois respirou fundo e se levantou ainda o encarando. – O que você quer que eu fale, ? Quer que eu peça desculpas? Ótimo! Então me desculpe por entrar naquela nave e ter a ideia idiota de matar Damian antes de você. Desculpe-me se eu estava despedaçada por dentro por ter visto meu pai e minha tia morrerem, e por não querer que o mesmo acontecesse com você. Desculpe-me por me sentir destroçada ao ver Jace morrer diante dos meus olhos, me desculpe por ter a certeza que eu não iria aguentar ver você morrer também, já que todos que eu amava morreram e tudo o que eu tinha foi destruído. – Disse ela tentando manter a voz baixa para não acordar os outros. – Pois era só nisso o que eu pensava, , eu só pensava que eu havia perdido tudo e não podia deixar isso acontecer com você.
...
– Talvez eu tenha sido egoísta ao querer dar a minha vida pela sua, mas se eu não tivesse feito aquilo, provavelmente você estaria morto, eu também e a humanidade já teria sido dizimada pelos Destruidores, porque é isso o que eles fazem, , eles destroem. E do mesmo jeito que você não hesitaria em se matar por mim, eu não hesitaria em fazer o mesmo.
Logo depois ela respirou fundo, tentando conter os sentimentos.
– Eu amo você e se eu tivesse que fazer aquilo novamente, pra manter você vivo, eu faria. – E assim voltou-se a se sentar no chão e se encolher pelo frio. Rip por sua vez sentou-se ao lado da garota olhando-a conter as lágrimas. – Eu estou com tanto medo de machucar um de vocês, que a única coisa que eu consigo pensar é em coisas ruins.
– Você não vai machucar ninguém... Alexya entrou em contato comigo, ela vai falar com Galion e pedir ajuda para ele. Nós vamos ir para a base, descobrir o que está acontecendo com você, vamos dar um jeito de você melhorar e se for preciso lutar, lutaremos. Depois disso, será só você e eu, eu prometo.
Logo após isso, ambos ficaram calados e alguns minutos depois, fez com que Rip dormisse também, prometendo a ele que se sentisse alguma coisa o chamaria. E ali ela se deitou, ao lado dele, mas ao invés de dormir, ficou observando as estrelas no céu. Fazia frio, mas a roupa que usava conseguia fazer seu corpo suportar a temperatura.
No meio da madrugada, um pouco sonolenta, mas ainda acordada, ela começou a sentir coisas e teve certeza que não havia a ver com a radiação, eram seus instintos apitando que tinha alguma coisa se aproximando.
Travou o maxilar e se sentou olhando calmamente de um lado para outro, tentando identificar de onde viria o possível ataque. Foi quando escutou passos e instantemente seu cérebro moveu seu braço em direção a o sacudindo. Quando o soldado abriu os olhos, fez um sinal de silêncio e apontou em volta de si fazendo-o prestar atenção no barulho dos passos.
Rip levantou-se empunhando a arma enquanto acordava os outros soldados que logo estavam de pé.
Fizeram então um círculo, cada um estava virado para uma direção, e estava no meio dele, como se fosse seu escudo.
– Os encontramos. – Escutaram uma voz grossa falar.
– Preparem-se... – Disse Rip engatilhando a arma.
Logo um esquadrão de Destruidores apareceu e eles ergueram as mãos, mostrando que não iriam atirar.
– Vocês são a esquipe a Spartan que Young mandou para ver Galion? – Um deles perguntou. Rip estreitou os olhos e assentiu com cautela, observando os movimentos dos outros. – Somos a equipe Alpha, vamos levá-los até ele.
– Como sei que posso confiar em vocês? – Rip perguntou. encarava um dos soldados “Destruidores” e logo uma luz se acendeu em sua cabeça.
– Ele estava com Galion quando acordei. – Disse ela apontando para o indivíduo que acenou com a cabeça. – Ele me levou até minha armadura, e depois até o cargueiro que me levou de volta a modulus. Eles são confiáveis.
– É bom revê-la, salvadora. – Aquele para quem ela apontou, disse.
– Salvadora? – indagou e depois sorriu para a garota. – Você não é famosa só entre os humanos.
– É melhor irmos, os selvagens podem aparecer aqui a qualquer momento.
– Selvagens? – perguntou.
– É assim que chamamos os de nossa espécie que são controlados pela radiação, pois eles usam a violência sem precisar usá-la.
– Sou uma selvagem então? – arqueou a sobrancelha pensando, mas logo parou quando bateu de frente com as costas de Rip que agora olhava para ela.
– Não, você não é. – E assim a agarrou pelo braço e a puxou para perto dele enquanto voltavam a caminhar.
Alguns passos mais a frente, apontaram para um cargueiro, a equipe Spartan e entraram junto dos outros “soldados” Destruidores.
Para ela era estranho chamá-los daquilo, já que não estavam mais sob o controle da radiação e não faziam mal a mais ninguém.
Pouco tempo depois, eles haviam chegado a base de Galion que reconheceu ao sair do cargueiro. Ela então sentiu as pernas bambearem, mas usou uma das mãos para se escorar no cargueiro quando perdeu o equilíbrio.
Ela estava exausta. Desde o soco que levou de , estava lutando internamente contra a personalidade maligna dentro dela e isso estava sugando todas as suas forças.
– O que você tem? – perguntou ao olhar para a menina.
– Nada, só estou com frio... Podemos entrar?



Capítulo 8

Após entrarem na base, eles seguiram os soldados de Galion em direção à uma sala, quatro andares abaixo de onde estavam. Esperaram alguns minutos por lá. olhava preocupado para que estava com as mãos fechadas em punho contra uma parede em sua frente. Ela respirava fundo reprimindo ao máximo possível a vontade de gemer de dor.
– A salvadora da galáxia! – Galion entrou na sala seguido de dois guardas. se virou imediatamente para ele que parou de andar. – Você está pior do que quando saiu daqui. – Ele exclamou reparando na palidez da garota. – Há quanto tempo está sem comer?
– Comida não é o problema. – Ela disse forçando a voz. – Vocês não encontraram Damian na nave Alpha, não é?
– Não. E pela sua feição, você encontrou com ele recentemente.
– Você sabe que tenho a radiação de vocês em mim. Então deve saber como extrair isso, como fazer o controle mental parar. – Disse ela afinando a voz na medida que a dor ficava insuportável, com as lágrimas ameaçando a cair. – Você tem que tirar isso de mim. Eu sinto que não vou conseguir controlar por mais tempo e eu não quero machucar ninguém.
– Sua energia. A radiação está sugando as suas forças. – Galion disse logo entendendo porque a garota parecia tão fraca. Logo depois se virou para os guardas que haviam entrado com ele. – Preparem a sala de cirurgia e a máquina de extração. Agora. – E se virou novamente para os humanos. – Eu devo deixar bem claro que nunca tentei extrair a radiação de humanos. Não posso prometer que vai funcionar.
– Vai doer? – perguntou visivelmente preocupado.
– Não é com isso que vocês devem se preocupar. A dor é o menor dos problemas dela nesse caso. Seu corpo pode não aguentar a extração e...
– Morrer? – completou e o alien assentiu. – Desde que tire essa coisa de mim e me impeça de machucar meus amigos, qualquer coisa serve.
– Não acredito que está com pensamentos suicidas de novo. – praguejou retirando o capacete e olhando para ela.
– Tem uma ideia melhor, ? – Ela perguntou com a voz dura, mas mesmo assim deixando uma lagrima escorrer de seus olhos.
– Ela vai sobreviver? Precisa me dar garantia disso. – Rip se virou para Galion.
– Eu não posso garantir. Como eu disse, nunca fiz esse procedimento em humanos. – Disse Galion. – Me sigam até a sala, por favor. Preciso tirar um pouco do seu sangue para fazer alguns testes. Preciso saber qual é o nível da radiação.
E antes que pudesse dar um passo, Rip a agarrou pela cintura a erguendo do chão.
– Não precisa me carregar, eu estou bem. – Ela disse enquanto eles seguiam para fora da sala.
– Pare de querer mentir para mim, , você não está bem. Você está péssima e isso está acabando comigo. E o pior é que você continua com essa ideia estúpida de querer se matar pelos outros.
– Você não entende não é, ? O que você sentiria se por acaso você tivesse um surto por causa de uma radiação controladora de mentes, e me machucasse?
– Eu nunca me perdoaria por isso, mas esse não é o caso...
– Esse é o caso, ! Eu nunca me perdoaria se eu fizesse mal a você, mais mal do que eu já fiz desde que nos conhecemos...
– Você nunca me fez mal algum, . – Ele parou de andar e encarou a garota em seus braços. – Sim, eu fiquei desolado quando você desapareceu e eu entendo por um lado. Mas esse não é exatamente o caso, e sim que no momento que você reapareceu, viva, sem nenhum arranhão, qualquer dor que eu sentia, desapareceu. Depois que eu me apaixonei por você, não era mais essa armadura que me protegia, era você. Pois eu lutava para ficar vivo pra você. Eu só quero que faça o mesmo por mim. Você falar que prefere morrer a me machucar, até mesmo parece que você prefere morrer a ficar comigo, mas, , o único modo que você tem de me machucar é me deixando. E eu não me importo de sentir dor, desde que esteja viva e comigo, eu vou cuidar de você, não importa o que aconteça.
– Não faça isso comigo. – Disse ela encostando o rosto no peito dele, deixando as lágrimas caírem. – Eu não posso descontrolar minhas emoções ou aquela coisa vai tomar conta de mim, . – Choramingou ela.
– Pare de se preocupar com essa coisa dentro de você e se preocupe com você mesma, . Se você não quer me machucar, fique viva pra mim. Nós vamos ficar bem.
E assim ele voltou a caminhar atrás dos outros soldados e de Galion. se manteve calada com os olhos fechados e a cabeça encostada em Rip.
Ao entrarem na sala, o soldado a colocou sentada em cima de uma maca onde a máquina de extração ficava. Ele imediatamente ficou receoso ao ver uma réplica exata da máquina de extração que ele havia visto em Conveniction 12 anos atrás. A máquina tinha braços robóticos que nas pontas carregavam agulhas grande e afiadas.
Galion pegou uma seringa e logo coletou um pouco de sangue da garota.
– Não vai demorar muito. – Disse ele se sentando em uma cadeira afastada de onde a máquina estava.
, e Owen estavam parados ao lado de e , ambos calados. Nenhum sabia o que dizer, não tinham palavras de conforto ou conselhos para dar, então resolveram apenas não se intrometer entre os dois. Sabiam que não mudaria de ideia sobre a extração e também sabiam que aquela era a melhor escolha, mas por outro lado, pareciam entender que não estava gostando nada daquilo.
– Por Deus! – Galion exclamou se levantando e olhando para os humanos após alguns minutos, depois de terminar a analise de sangue. – A radiação está em um nível absurdo no seu organismo. Não faço ideia de como o seu corpo ainda não se deteriorou, nem mesmo nossa espécie aguentaria uma porcentagem tão alta disso.
– É o soro Spartan. – disse. – É o que não me deixou morrer ainda dentro da barriga da minha mãe. Sou filha de um spartan. Mas isso não importa. Já podemos tentar a extração?
– Eu temo que terei que usar dozes mais altas de substancias químicas e...
– Só faça. – deu um suspiro cansado ao sentir a dor que havia passado, voltar ao seu corpo.
– Tudo bem, deite-se. – Disse ele se aproximando. – É melhor você e sua equipe esperarem lá fora. – Disse se dirigindo a que o olhou de cenho franzido. – Você não vai querer ver pelo o que ela vai passar, a dor de passar por isso é quase insuportável.
Rip ficou sem expressão quando imaginou mil coisas que poderia acontecer com ela ali. Logo depois enrijeceu o corpo, cruzando os braços em frente ao peito e cerrando a mandíbula, deixando visível para qualquer um que ele não sairia dali nem morto.
– Mas é agora mesmo que ele não sai daqui. – disse.
, por favor. – pediu, fazendo olhá-la. – Espere lá fora.
– Eu não vou deixar você sozinha.
– Eu sei pelo o que eu vou passar. E se você ficar aqui, eu sei que vai querer interromper o processo, e eu não posso deixar que faça isso. Por favor... Espere lá fora.
...
– Por favor, Rip.
O soldado suspirou sabendo que não conseguiria fazê-la deixá-lo ficar ali. Então apenas assentiu e lhe deu um beijo na testa.
– Eu amo você. – Ele disse.
– Eu amo você, . – Ela disse engolindo a vontade chorar.
Assim ele deu as costas e saiu da sala seguido dos outros soldados.
– Eu vou prender seu corpo a maca e logo depois iniciar o processo. – Disse Galion enquanto a garota se deitava e as amarras de ferro se fechavam em volta dos seus braços, tórax e pernas. – Precisa se manter imóvel. Seu sangue precisa ser bombeado com força, por isso não usamos anestesia. Vamos filtrar o sue sangue. As agulhas vão injetar um produto químico que fará a radiação ficar líquida e sair com seu sangue. A máquina irá extrair a radiação dele e depois seu sangue voltará a seu corpo.
– E quando a dor começa? – Perguntou ela já se sentindo desconfortável.
– As agulhas vão penetrar nos seus ossos... A dor começa quando a máquina for ligada. E só vai acabar daqui a mais ou menos três horas ou até você desmaiar.
– Tudo bem, eu acho que aguento.
E fora da sala, andava de um lado para o outro nervoso e irritado. Ele simplesmente não conseguia contrariar as vontades da garota, mas também não conseguia aceitar suas decisões. O maior medo que ele tinha era de que ela morresse e o deixasse mais uma vez.
Seu corpo paralisou ao escutar os gritos da garota vindo de dentro da sala onde estava a minutos atrás. Automaticamente caminhou em direção a porta, pronto para entrar e parar o que quer que estivesse sendo a causa dos gritos altos e doloridos da garota, quando e Owen entraram em sua frente o segurando.
– Me soltem. – Ele praguejou s desvencilhando dos braços dos outros soldados.
– Você não pode entrar!
– O inferno que não posso! O que eu não posso é escutá-la gritar assim e não tentar parar isso. – Gritou ele indo novamente em direção a sala, mas os dois soldados o impediram novamente de entrar. – Eu juro por deus, que se não saírem da minha frente, vou me esquecer que são meus amigos e vou quebrar os dois ao meio.
, pelo amor de deus. – se exaltou e parou eu sua frente. – Você quer que seja torturada pelo resto da vida dela só porque não quer perdê-la?
– Eu não quero que ela seja torturada...
– Mas é isso o que está acontecendo com ela, ! Ela está sendo torturada. Todas as dores no corpo, todas as vezes que ela matou, quase matou ou machucou alguém, todas as vezes que ela quase machucou você foram uma tortura pra ela. E você sabe como é isso, pois eu tenho certeza que se lembra como foi no começo do projeto Spartan, todas as vezes que você perdia o controle e machucava pessoas inocentes, você dizia que era uma tortura para você.
– É diferente...
– Não, não é diferente. não viveria bem se ficasse se preocupando a cada segundo, com medo de machucar você ou um de nós. Você está sendo egoísta com ela...
E todos ficaram em silêncio quando os gritos vindos de dentro da sala subitamente pararam. entrou em desespero e correu em direção a porta da sala, desviando das mãos dos soldados e escancarando a porta, indo em direção a maca onde estava desmaiada com as agulhas inseridas por todo o corpo.
Perdeu o fôlego ao vê-la daquela maneira.
– É melhor não tocar nisso. – Galion o alertou ao ver que o soldado erguia a mão em direção aos braços da máquina para retirar as agulhas da garota. – Se interromper o processo agora, ela pode morrer.
– O que houve com ela?
– Apenas desmaiou, não aguentou a dor.
– Mas ela está bem?
– Vamos ter que esperar o processo acabar para saber.

(...)

Horas haviam se passado. estava andando de um lado para o outro do lado de fora da sala enquanto os outros soldados ficavam calados, encostados na parede. e trocavam olhares algumas vezes, sinalizando o quanto estavam preocupados com seu líder e com a garota.
– Acham que ela vai sobreviver? – Owen perguntou baixo para os companheiros de equipe.
– Eu não sei. Mas Rip não vai aguentar perdê-la de novo. – disse enquanto observava o líder andando de um lado para o outro. Mas logo sua atenção foi desviada par um estrondo alto e o chão tremendo em baixo de seus pés. – O que foi isso?
E logo uma sirene começou a tocar.
– Estão atacando a base. – Um dos soldados de Galion apareceu no corredor gritando.
– Damian! – Rip cuspiu aquele nome, como se estivesse usando a sua mão para socar alguém. – Ele quer .
– Não, ele quer isso! – Galion saiu da sala de cirurgias carregando um cilindro de trinta centímetros, preenchido por uma substância laranja fluorescente. – É a radiação que estava em . Isso é superior a que era usada nos selvagens para controlá-los. Essa é mais forte e mais avançada, precisaria de mais do que isso para controlar um Destruidor, e a cor normalmente é azul escura ao ser extraído.
– Por que a que estava em é diferente? – perguntou.
– Eu não sei, mas parece ter evoluído com enquanto ela crescia, deve ter se alimentado de alguma proteína que ela consumia ao longo do seu crescimento...
– Ela não tomava proteínas, era totalmente saudável. Mas ela já nasceu com substâncias do soro Spartan nela, e a alguns anos atrás, ela recebeu mais uma dose dele. Deve ser isso que ativou a evolução da radiação, como também aconteceu com seus cromossomos. – disse.
– É por isso que Damian está tão interessado em extrair a radiação dela. Ele sabe que foi modificado com o soro spartan, sabe que é bem mais forte que a radiação normal, se ele conseguir reproduzir essa coisa, ele vai criar Destruidores praticamente invencíveis. – disse.
– Mas como é que ele sabe disso? Como ele conseguiria informações sobre esse tipo de coisa?
– Damian não estava na nave Alpha quando encontraram ela. Eu tenho quase certeza de que a nave não caiu no planeta de gelo. Ele pode ter muito bem controlado por todos esses anos e a colocado naquela nave só para que ela voltasse a Modulus. É um plano perfeito. Ele sabia que ela iria querer extrair a radiação.
– Ele nos trouxe até aqui. Era uma armadilha...
– Espera! – chamou a atenção de todos. – Se isso está aqui... Quer dizer que a extração acabou, mas por que não está aqui com você?
– A extração foi um sucesso, mas ao que parece, remover algo que seu organismo já havia constatado que era essencial para sua sobrevivência, acabou causando sequelas em seu sistema nervoso...
– O que isso quer dizer?
– Ela entrou em coma! Seu corpo está tentando se curar e repor os nutrientes perdidos. Mas sem a radiação, a velocidade de cura diminuiu consideravelmente... Então as chances dela acordar, são mínimas.
– De novo não. – sibilou se virando de costas para os outros e colocando as mãos na cabeça.
– Ela ainda tem chances de acordar. Mas não se invadirem esse lugar, Rip. – disse fazendo o líder se voltar para eles. – Precisamos defender isso aqui.
– Vou contatar Alexya, mandar um pedido de reforços para Modulus II. – E logo depois se virou para Galion. – Preciso que feche a instalação e mande o maior número possível de soldados lá pra fora pra defender as entradas.
– Está certo
– Owen e , vocês vem comigo, ...
– Vou ficar aqui e aniquilar qualquer um ou qualquer coisa que ameace a segurança de . – Disse ela já sabendo quais seriam as suas ordens.
– Exato.

(...)

está na hora de acordar.
– Ah não tia... Mais cinco minutos!
Tia?
Ao abrir os olhos, encarou o teto branco de um quarto. Ao olhar em volta se deparou com os móveis do seu antigo quarto em Shinned. Seus olharam pararam para encarar uma mulher que estava parada, escorada no batente da porta de seu quarto.
– Tia Meredith? – A voz confusa da garota soou pelo quarto. Logo após seus olhos estavam cheios de água, e ela havia levantado da cama, indo em direção a mulher e a abraçando com força.
– O que foi querida?
– O que você... Como... O que está acontecendo? – A garota perguntou sem saber no que pensava. Estava muito confusa.
– Do que está falando. Querida? Está tudo bem com você? Teve outro pesadelo?
– Pesadelo? Desde quando tem pesadelos? – Outra voz conhecida soou atrás das duas mulheres. Ao olhar pelo corredor que levava aos outros cômodos da casa, avistou seu pai caminhando em direção a elas.
– Pai? – Ela sibilou com a voz falha se desmanchando em lágrimas.
– Querida o que foi? – Perguntou James abraçando a filha.
– O que está acontecendo? Onde eu estou? Estou morta? Por isso estamos todos aqui? Esse é o meu paraíso? – Ela disparou a perguntar tentando achar respostas para todas as suas dúvidas, mas parou de repente, soltando dos braços do pai e passando as mãos pelos cabelos. – Ah meu deus. E ? O que vai ser de ? Ele vai sofrer tanto!
, se acalme. Do que está falando?
– Vocês morreram, eu vi vocês morrerem durante a invasão. – Ela gritou caminhando para trás pelo corredor, se afastando dos dois. – Isso não está certo.
– Que invasão? – Meredith perguntou. – , você está nos deixando preocupados. Do que está falando?
– A invasão dos Destruidores na madrugada de 16 de Maio de 2552. Meu aniversário!
! – James aumentou a voz chamando a atenção por completo da garota. – Hoje é 16 de maio de dois mil quinhentos e cinquenta e dois 2552. – Disse ele apontando para um relógio de led na parede ao lado dela onde marcava aquela data. Eram Sete da manhã. – Não houve invasão nenhuma. Você só teve um pesadelo.
– O quê? Não! Não foi só um pesadelo. E quanto a ? A guerra em Modulus II?
– Não houve guerra, . Foi só um pesadelo. E quem é ?
– O Spartan Rip! é o nome dele!
– Ninguém sabe o nome dele, !... Já sei, está fazendo isso só pra não ir para a aula hoje, não é mesmo?
– James eu não acho que ela esteja fazendo isso para não ir a aula. Ela está realmente muito abalada. Talvez ela realmente devesse ficar em casa hoje.
– Ela não pode faltar a aula. Ela tem prova de tiro.
E subitamente parou de escutá-los e saiu do corredor indo em direção a porta do apartamento. Ao abri-la, foi em direção a janela do corredor. A vida parecia correr normalmente lá em baixo. As pessoas caminhavam tranquilamente, enquanto algumas crianças brincavam nas calçadas. Soldados caminhavam fazendo suas rondas calmamente, como acontecia todas as manhãs. A garota respirou fundo e encostou com sua cabeça no vidro da janela.
– Não é possível que tudo tenha sido só um sonho.



Continua...

Nota da Autora: (24/06/2017)
Grupo da fic

Nota da Beta: Se encontrar algum erro de script, gramática ou o que for, por favor me avise por aqui ou por aqui.