Autora: Carol F. | Beta: Babi S.

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Capítulo 1

Londres, Inglaterra

andava apressada pelos corredores do King Edward VII Hospital, estava indignada com a mensagem que recebera no final de semana de Luka Modrić, volante do Real Madrid e um de seus melhores amigos.
Sua pequena mala de rodinhas parecia voar, tamanha era a pressa que andava em direção ao "Centro Ortopédico de Excelência". Ao chegar na área de espera do local, avistou Debbie, mãe de uma das poucas pessoas que a fariam largar o que quer que estivesse fazendo, para entrar em um avião seja lá para onde fosse, em menos de 24 horas: Gareth Bale.
!!! – Debbie se levantou animada ao avistar a mulher. – Que bom que você está aqui, fico tão mais tranquila em saber que teremos alguém de confiança lá dentro.
– Eu não deixaria de estar aqui por nada nesse mundo, mesmo quando aquele desnaturado não teve a capacidade de sequer me avisar, acredita?
– Ah querida, nós sabemos como você é ocupada com seu trabalho, aposto que ele não quis te incomodar.
– Me ofende ouvir esse tipo de coisa. E aí, que quarto o bonitão está? Espero que esteja pronto para meu puxão de orelha.
A mais velha deu risada da forma de falar de , já estava acostumada com o jeito dela de ser, sempre direta, mas sabia do carinho enorme que ela tinha por seu filho.
– Eu sei que você está preocupada demais para estar realmente brava comigo – o galês disse, sorrindo assim que viu a careta que a amiga lhe fez, apenas virou a palma da mão em um convite mudo para ela se aproximar.
– Odeio como você me conhece, mas preocupada não resume o que sinto no momento – ela segurou sua mão antes de o abraçar com força, da melhor forma que conseguiu. – Nunca mais me deixe de fora de qualquer coisa importante que aconteça em sua vida, ok?
– Não queria que você largasse tudo para vir até aqui, você ainda está com o Schumacher?
– Sim e não, você sabe que era uma oportunidade que eu não poderia deixar passar, tanto financeiramente quanto profissionalmente, não posso falar nada por conta do meu contrato de confidencialidade, mas, infelizmente, não há nada que eu possa fazer por ele. Mas por você tem.
Gareth observou sua amiga levantar o lençol e tocar com delicadeza e cuidado o seu tornozelo. Conhecera através de Modrić, em sua época de Tottenham Hotspur, ela era um dos motivos pelo qual o amigo tinha atraído a atenção do Real Madrid em 2012.
Chamá-la de fisioterapeuta era quase um insulto, a mulher à sua frente era a pessoa mais inteligente que havia conhecido em toda sua vida, tinha duas graduações, dois mestrados e, da última vez que conversaram a fundo, estava na fase final de seu Doutorado em Ciência do Esporte, Exercício e Reabilitação. Se havia duas pessoas a quem ele confiava plenamente seu instrumento de trabalho, essas pessoas eram Jaime Benito e Loew.
, como era mais conhecida por todos, não era a pessoa mais entendida de futebol do mundo, mas sabia ler o corpo de um atleta como poucos. Era apaixonada em tentar decifrar como um ser humano conseguia se transformar em uma máquina imbatível. Dedicou os últimos 11 anos de sua vida entre estudos e pesquisas e, finalmente, tinha conseguido fazer sair do papel a versão final do programa que vinha trabalhando em cima há 7 longos anos.
Apesar da transferência de Luka para o Real Madrid , nunca deixou de tentar acompanhar a carreira de um dos poucos jogadores da primeira divisão que acreditaram nela desde o início. Isso fez com que nascesse uma grande amizade entre ela e Vanja, esposa do volante. Tanto que tinha o privilégio de ocupar o melhor cargo do mundo, ser madrinha de Ema, filha do casal.
Viciada em trabalho, a única forma que conseguia se desligar de suas pesquisas por um curto espaço de tempo era quando ia visitar a afilhada e aproveitar um pouco do sol da Espanha.
Apesar de ter tido algum contato com Gareth na época que trabalhava com Modrić, nunca chegou a trabalhar com ele de fato, apenas fazia algumas massagens aqui e ali quando ele queria um cuidado extra. Só fora conhecê-lo quando já estava em Madrid e Ema ainda era um bebê. Para deixar o casal sem preocupações, tomou para si a responsabilidade de mostrar Madrid ao galês em sua primeira semana na cidade.
O laço que formaram era tão grande que, desde então, trocavam mensagens para se manterem atualizados da vida um do outro e saíam juntos sempre que ela estava na cidade. Certo dia, a levou para conhecer a Rekovery Clinic, de Jaime Benito, seu fisioterapeuta, e, assim que os dois se cumprimentaram, se arrependeu na hora. Passara as duas horas seguintes ouvindo os dois conversarem sobre lesões, tratamentos e biomecânica.
e Jaime passaram a manter contato e trocar ideias sobre o programa de treinamento e recuperação do jogador. Ela sabia que ele estava em excelente mãos, e, sempre que estava em Madrid, cuidavam dele a quatro mãos.
– O Dr. Calder é excelente, ele me ajudou na pesquisa que fiz para uma de minhas teses, e ele já autorizou minha entrada no centro cirúrgico, tenho certeza de que dará tudo certo, e manterei seus pais e o Jaime informados. Não se preocupe, você sabe que nós dois sempre cuidaremos do que for melhor para você.
– Obrigado, me desculpe por não ter te avisado antes, eu não queria dar trabalho.
– Você sabe que trabalho é a coisa que eu mais amo ter e, se envolve você, melhor ainda. – ela sorriu, lhe dando um beijo na testa. – Eu vou me preparar para entrar no teatro, te vejo quando você acordar.

– Ei – segurou na mão de Bale – Está tudo bem, sou eu.
– Eu... como foi? – perguntou, ainda sob o efeito da anestesia.
– Foi tudo perfeito B., não poderia ter sido melhor. Ainda estamos na recuperação, os médicos já falaram com seus pais, eu vou ficar aqui com você até a anestesia passar, tá?
– Eu estou tremendo, isso é normal?
– É sim, durante a cirurgia seu corpo baixou a temperatura e essa "tremedeira" é importante para trazer a temperatura para o normal de novo. É incômodo, mas deve passar nos próximos trinta minutos.
– Pode me distrair?
encarou o amigo com um sorriso bobo no rosto, um homem daquele tamanho precisando de conforto. Desde seu término com Emma o sentia mais carente do que o normal. Ocupada com a defesa de sua tese no Doutorado, deixou de ir a Madrid com a mesma frequência de antes, e sentia-se em dívida com o amigo.
– Você sabe que temos conceitos diferentes para distração, mas, finalmente defendi minha tese, foi com certeza a parte mais difícil de todos os meus anos de estudos, mas passei, e não pretendo estudar nunca mais. Hoje, durante sua operação, tive uma ideia...
– Qual?
– Eu estou semidesempregada, o trabalho com o Schumacher foi bom porque eu realmente precisava de algo fácil, que me pagasse bem e permitisse que eu tivesse tempo suficiente para estudar e escrever a tese. O Jaime me disse que ele está indo pro Japão com o time e, pelo que contei pra ele sobre a sua cirurgia, estamos bastante otimistas. Pensei se você não gostaria de me ter como sua fisio até a volta dele?
– Você está falando sério?
– Sim, eles querem renovar meu contrato por mais 6 meses, mas eu não me importaria em passar as últimas semanas do ano em Madrid com a Ema e com você.
– Mil vezes sim. Eu tenho dinheiro suficiente para te pagar, Doutora? – seu sorriso enviesado e cheio de ironia fez com que lhe desse um tapa na testa.
– Ei, acabei de ser operado, estou tremendo aqui, e você já vem com agressão física?
– Aposto que um mês do meu salário equivale a um dia do seu – ela disse lhe dando um beijo na mão, como pedido de paz. – Mas eu não vou te cobrar, só quero te ajudar. Quer um pouco de água?
– Por favor – ele a observou ir falar com a enfermeira.
Gareth sempre quis ter como sua fisioterapeuta. Viu, dia após dia, Luka ficar cada vez melhor em campo e, quando perguntou ao amigo o que ele vinha tomando, conheceu .
Ela estava no começo de um projeto e Luka era um de cinco jogadores que ela usava como “cobaia”. O fim de seu mestrado significava que o projeto estava finalmente pronto e ele faria de tudo para, quando finalmente estivesse recuperado de sua lesão, contratá-la para trabalhar com ele.
– Fica lá em casa então, e não vamos discutir porque você sabe que estou certo, sei que você ama a Ema e o Ivano, mas ama silêncio ainda mais.
– Tudo bem, faz mais sentido mesmo, mas não vou atrapalhar sua solteirice?
– Pra isso que inventaram os headphones, sabia? – o jogador deu uma risada extremamente fofa ao ver a cara de nojo da amiga. – Você me conhece.
– Verdade, esqueci que você é um unicórnio.
– Unicórnio, ?
– Sim, homens como você não existem, amigo, romântico, carinhoso, leal e milionário, ainda por cima. Por que não me aparece alguém assim?
– Obrigado pela parte que me toca.
– Não esquece que quando te conheci você parecia um pau de vira tripa, só ficou bonito e gostoso agora que tá no Real Madrid, se eu fosse a Emma pediria reembolso, isso sim. Mas falando sério, tenho certeza de que logo logo aparece alguém pra te fazer feliz de novo e... AH MEU DEUS!
exclamou tão alto que as pessoas à sua volta imediatamente se viraram para os dois, fazendo com que Gareth quisesse se enfiar embaixo do lençol. Não devia ser coincidência que Lena fosse tão parecida com sua amiga no quesito fazê-lo passar vergonha, sabia exatamente o que falar para deixá-lo vermelho e usava disso como uma arma de alta destruição, Alaina estava indo pelo mesmo caminho. Já podia até imaginar o que iria acontecer quando as duas se conhecessem. E, por mais contraditório que fosse, ele não via a hora.
– Desculpa – pediu num sussurro e se virou para ele mais uma vez. – Já apareceu alguém, né? Me conta, quem anda tirando o sono do meu Balezinho? – Gareth sabia que não tinha escapatória, e até achou bom ter uma opinião feminina.
– A nova assistente do Zidane, sobrinha dele na verdade...
– Ah, eu vi. Alaina o nome dela, né? A Vanja me mandou uma foto, achei bem bonita, tava na hora de darem chance para nós, mulheres, no futebol masculino mesmo. Ela deve ser boa, o tio não ia arriscar expô-la dessa forma para vê-la falhar.
– É, eu treino às vezes com ela, ela sabe o que está fazendo, era técnica do feminino do Paris Saint-Germain.
– Uau, fico tão feliz quando ouço essas coisas, mas pegar a sobrinha do técnico e colega de trabalho não é muito profissional, né?
– Não, mas eu não sei o que fazer pra tirar ela da minha cabeça, . Nunca me senti tão atraído por uma mulher como me sinto por ela, tentei evitar ao máximo, ela até achou que eu não gostasse dela, nem com a Emma foi assim.
– Ela tá interessada pelo menos?
– Aí que tá, eu às vezes acho que sim, mas ela veio com todo um discurso em como quer ser respeitada na profissão e pelos fãs do Real, e que prefere não misturar as coisas se envolvendo com um jogador, mas já ficou com o Özil e o Trapp.
– Caramba, respeito. O Kevin é praticamente a reencarnação de um Deus grego.
, a sua função é me ajudar, não apontar o quão maravilhoso o outro cara é.
– Gareth, você também é, já se olhou no espelho? A cor dos seus olhos e essa sua risadinha fofa conquistam qualquer uma.
– Ela me beijou – Bale soltou e levou seu indicador aos lábios antes que sua amiga desse um berro de novo e fossem expulsos do local.
– Como assim?! – sua voz saiu um oitavo acima do normal.
– Eu chamei ela pra fazer alguma coisa fora do CT outro dia, só nós dois – preferiu contar a história do começo, para que pudesse entender tudo o que vinha se passando em sua cabeça desde que viu Alaina pela primeira vez.
– O quê? Sexo? – ela o interrompeu.
– Lógico que não, chamei ela pra andar de bicicleta.
– Ah, pelo amor de Deus, cai na realidade – fez gestos exagerados, atraindo novamente atenção para os dois. – Andar de bicicleta? Pior que você tá falando sério, né?
Antes que pudesse falar mais alguma coisa, os dois perceberam a chegada dos três médicos responsáveis pela cirurgia de Gareth, que agradeceu aos céus, pois não estava com a menor vontade de ouvir um sermão sobre a sua falta de atitude justo agora, mas pelo menos a conversa tinha surtido efeito, a tremedeira tinha passado e ele mal havia percebido.
Jesus Olmo, o médico responsável pelo Real Madrid, começou a explicar como tinha sido a cirurgia para o jogador e se afastou, não era médica e não teria nada de bom a acrescentar. Decidiu ligar para Jaime, enquanto caminhava de volta à sala de espera do local.
amava a forma de ser de Gareth, um homem perfeito demais para existir, mas que realmente existia. O amava como amava seus irmãos e saber que ele já estava interessado em alguém, menos de um ano do término com Emma, a fazia se sentir bem melhor por nunca ter achado que o casal tinha muito futuro. Mas não podia deixar de rir sozinha ao pensar em como o amigo era sem jeito com mulheres. Emma tinha sido sua única namorada e era completamente compreensível sua insegurança e até inocência em como lidar com alguém que o atraísse dessa forma. Sempre tentou o incentivar a aproveitar o status para sair com mulheres que o atraíssem, apenas pela experiência de ficar com alguém por ficar, mas ele nunca foi adiante com nenhum plano. Não que não o entendesse, ela mesmo não perdia tempo com casinhos passageiros, esteve ocupada demais para se prender a qualquer um, e estava muito mais interessada em uma mente sexy do que um corpo malhado. Talvez fosse esse um dos motivos pelo qual se entenderam desde o início.
Tarde da noite, quando o jogador já estava dormindo, chegou ao hospital para que os pais de Gareth pudessem descansar antes da longa jornada de volta ao País de Gales na manhã seguinte. Acostumada a observar seus pacientes, decidiu ficar acordada para caso ele precisasse de algo durante a noite, e aproveitou o silêncio para avisar sua mãe e irmãos de seus próximos passos e também Luka e Vanja. Sabia como todos a apoiariam em sua decisão, afinal, já estavam acostumados com o jeito de ser, havia muito pouco que não fazia pelos amigos e pessoas que amava.

Gareth já tinha ido ao banheiro, tomado metade do seu café da manhã e parecia ter morrido na cama ao seu lado.
– Como você ronca! – foi a primeira coisa que ouviu ao acordar.
– Você tá falando sério? – perguntou sincera ao se espreguiçar.
– Não – Bale abriu um sorriso ao vê-la finalmente em pé, estava entediado.
– Tá com alguma dor? Fome? Quer ir ao banheiro?
– Já fiz tudo isso e tomei os remédios, até falei com meus pais, eles vão chegar daqui a pouco, você dormiu bem?
– Acho que sim, tentei ficar acordada caso você precisasse, mas pelo visto não deu certo.
– Quais seus planos daqui até o dia que formos pra Madrid?
– Sobre esses planos temos quase duas semanas pela frente, podemos continuar nossa conversa de ontem?
– Vai tirar sarro da minha cara?
– Provavelmente – ela fez uma careta divertida. – Desculpa, mas esse passeio de bicicleta doeu aqui dentro, aposto que a Alaina já até tinha pensado se estava com a depilação em dia, antes de saber qual era a sua ideia de fazer algo a sós.
– Você queria que eu fizesse o quê? Não é como se ela tivesse se declarado ou nada do tipo, pelo contrário, as palavras dela sempre me fazem pensar que realmente não tenho chances, mas as atitudes são totalmente apostas.
– Como o beijo? Como foi?
– Como o beijo, . Ela se ofereceu pra me levar ao aeroporto, fomos conversando no caminho normal. Quando eu já estava descendo do carro, ela me chamou e aconteceu.
– E você fez essa cara de idiota na frente dela também, ou só agora comigo?
– Ah, não dá pra conversar com você!
– Eu tô brincando, Bale. É que é tão lindo, você e a Emma já estavam tão naquela fase rotina do relacionamento, que nunca te vi assim, com os olhinhos brilhando e sorrindo sozinho, eu gosto dessa sua versão.
– Eu nem sei como cheguei no avião pra ser sincero, quer dizer, no passeio que fizemos, ela comentou de novo como é preocupada com a carreira e a aceitação dela, mas eu disse para que ela vivesse o hoje, e acho que foi isso que ela fez, não sei. Uma vez ela disse que eu não era como os outros jogadores e não quer me magoar, e eu sei que ela prefere algo sem compromisso a um relacionamento.
– Ou seja, ela basicamente não sabe se quer tomar suco de laranja ou andar de bicicleta? – riu ao ver o ponto de interrogação na cara do amigo. – Eu não a conheço, mas pra mim está um pouco óbvio algumas coisas, ela chegou no Real pra trabalhar, apesar da Eva ter criado o precedente no Chelsea, ser assistente técnica é outra história, né? Provavelmente ela pensou que respiraria trabalho e quando estivesse a fim, procuraria mais um de seus casos sem compromisso. Daí chega o destino e fala “nem pensar Alaina, toma aqui esse homão da porra, 1,83 metros de puro músculo, um olhar tão sexy, que você não vai saber o que te atingiu quando ele te encarar, e pra ajudar um dos melhores jogadores do mundo, que, por sinal, não é um mulherengo, pelo contrário, romântico e à procura de um relacionamento de verdade”. Consegue imaginar o nó que não está a cabeça dela?
– Eu te amo, sabia? – o jogador abriu um sorriso com a cara surpresa de .
– Por que isso agora? – seu rosto de lado a fazia parecer um cachorrinho que não entendia o que o dono quis dizer.
– Porque, por mais que a gente se veja no máximo duas ou três vezes ao ano e acabamos nos falando menos do que eu gostaria, parece que quando nos vemos não passou um dia da última vez que te vi, e por ser assim, amiga pra todas as horas. E, por mais que faça de sua meta de vida me deixar desconfortável, sempre sabe o que falar na hora certa, só queria poder fazer por você metade do que você fez por mim.
– Você sabe que vivo pros estudos, Gareth, e não acho que tem muita coisa sobre função neuromuscular ou pesquisa quantitativa que eu possa pedir sua opinião, mas, apesar das circunstâncias e de estar triste por você, por dentro eu estou explodindo em felicidade de poder te tratar, e ainda ficar esse tempo em Madrid antes do Natal. Se não fosse isso, eu não veria os Modrićs tão cedo, e o amor aqui é mais do que recíproco.
– Acho que você e a Lena vão se dar bem.
– Eu não vejo a hora de conhecê-la – finalizou dando um beijo na testa de Bale.

Gland, Suíça

terminava de arrumar suas malas no pequeno apartamento que chamou de seu nos últimos doze meses. Nunca se imaginara vivendo em um local tão silencioso e cheio de paz como o Lago de Genebra, e não saberia nem como agradecer a oportunidade única que teve quando aceitou o convite de Sabine Kehm, empresária de Michael, para fazer parte da equipe de fisioterapeutas que cuidavam do ex-automobilista 24 horas por dia.
Fora seu curso em Medicina Tradicional Chinesa que havia chamado a atenção da equipe médica e da família Schumacher, que buscava sempre dar mais conforto à pessoa que viveu a vida inteira se dedicando à velocidade e que agora passava todos os segundos de sua vida confinado a uma cama.
Ao longo do ano cultivou diversas amizades, incluindo Mick, filho de Corinne e Michael, a quem contou sobre seu projeto de Doutorado e, quando o piloto estava em casa com os pais, trabalhavam juntos numa forma de melhorar seu desempenho na ADAC Formula 4.
Já tinha se acostumado ao local e, se não fosse Gareth se machucar, provavelmente teria estendido seu contrato pelos próximos seis meses, apenas para que, com calma, pudesse traçar seus próximos passos. Aos 29 anos, não sabia o que era uma vida sem estudar e, por mais que tivesse planejado tudo isso há muito tempo, se via em dúvida do que fazer dali em diante. Sabia que teria emprego com diversos esportistas, mas ainda não tinha encontrado seu lugar, um lugar ao qual realmente pertencesse.
Talvez um pouco de desorganização e três de seus melhores amigos pelos próximos dias não fosse assim tão ruim.

Madrid, Espanha

– Pronta para a Espanha? – Bale perguntou assim que o avião pousou em Madrid.
Ay caramba! disse divertida, dando o último gole no copo de sangria que tinham lhe oferecido, fazendo todos rirem. – Tudo bem, podem rir, sei que ainda preciso aprender o espanhol, mas é difícil pra caramba.
– Você ainda tem o português pra te ajudar, já me viu falando?
– Realmente, tenho dó de você, mas o bom é que não sou famosa e até que dou pro gasto, então quando saio pra dançar sempre encontro um espanhol que acha meu "portunhol" sexy.
– A é quase uma dançarina do Strictly Come Dancing, mãe – Gareth chamou a atenção de Debbie. – Acho que você ia adorar vê-la dançar.
– Jura, ? Não sabia isso sobre você, eu amo aquele programa, assisto todos os anos.
– Foi quase uma recomendação médica, me disseram que eu tinha que encontrar uma forma de relaxar, mas eu não consigo sentar na praia e olhar pro nada, por exemplo, aí, quando vim pra cá a primeira vez, Vanja me levou em uma aula e me apaixonei, sempre que estou aqui vou tanto nessa escola, como no bar que eles sempre vão dançar. Depois de quatro anos, realmente tive que aprender uma coisa ou outra, e, modéstia à parte, mando muito bem – os encarou convencida, arrancando mais uma vez risadas de todos.
Conforme iam passando pelas casas dentro do condomínio, Bale apontava para quem do seu time morava ali, já que agora frequentaria o clube e provavelmente conheceria a todos em breve. Viu as casas de Sergio Ramos, Karim Benzema, o próprio Zidane e Lena, e ainda descobriu que jogadores de outros times também tinham casa por ali.
– E ali, depois da vizinha, mora o com o filho – Frank, pai de Gareth, comentou. – O maior ganhador de Bola de Ouro do Real Madrid.
– Ah, essa premiação eu conheço, sei que o Messi é o que mais ganhou esse prêmio no geral. Não vejo a hora do Balezinho ganhar o dele.
– Será que dá pra parar com essa mania de me chamar de "Balezinho" na frente das pessoas? – fez uma cara sofrida pro amigo, que a encarava com outra de volta. – Eu sou muito maior que você.
– É um apelido carinhoso, tá? Nunca mais te chamo também, pode implorar que eu me recuso, girafa.
– Dramática.
– Adoro essa amizade de vocês – Frank os interrompeu sorrindo.
– Ah, isso é o que vamos ver, nunca passei tanto tempo assim com o Balezinho – mostrou a língua ao jogador. – Mesmo porque ele não conhece ainda meu lado fisioterapeuta carrasca, essas próximas duas semanas é que vão ditar se essa amizade nasceu pra ficar.
– Espero que não – Gareth respondeu tentando se manter sério, encarando a amiga de rabo de olho.
– GARETH FRANK BALE! Eu ia te dar uma folga amanhã por ser domingo, mas acabo de mudar todo meu planejamento e esteja preparado para acordar cedo e trabalhar esse pé feio que você tem – cruzou os braços parecendo uma criança birrenta.
– Eu só tava brincando, – o jogador acabou falando com o nada, pois já tinha saído do carro para pegar suas malas.
– Até parece que não conhece as mulheres, filho – Frank lhe deu uma piscada do banco da frente e saiu do carro para ajudá-lo.
Embora ameaçado, o jogador acordou com um café da manhã digno de hotel cinco estrelas na cama. sempre fora cuidadosa com a alimentação dela e o galês sabia que com a dele não seria diferente.
Passou o domingo xingando diversas gerações da Família Loew, claro que ambos sabiam que ela estava sendo dura com ele, não por conta da brincadeira da noite anterior, mas porque era necessário.
observava as feições de Gareth e morria de dó do jogador, sabia que não era fácil, mas ser jogador do Real Madrid significava muita dedicação, e, se quisesse se manter como titular, ainda teria que suar muito a camisa fora de campo.

Capítulo 2

Para , morar com Gareth era ainda melhor do que morar com sua própria mãe, Debbie e Frank estavam adorando paparicar os dois com comidinhas caseiras e bastante engordativas. Nem uma semana e já podia sentir sua calça jeans favorita mais justa do que o normal.
Por mais que cozinhasse para os dois, por saber exatamente quais nutrientes o jogador precisava, não tinha como resistir a um bolo de cenoura com calda de chocolate, recém-saído do forno, após um longo dia de exercícios. Já estava até se acostumando novamente com o famoso chá preto com leite, tão comum no Reino Unido, e que lhe fez muita companhia nas noites que passava acordada estudando para suas duas pós-graduações.
Desde o fim de sua adolescência, passou a cuidar mais de sua alimentação e exercícios físicos, pois, quando seus irmãos ainda eram pequenos, ganharam de aniversário skates e passavam o dia inteiro na frente da casa que moravam, praticando mil manobras. Ela tinha 7 anos de diferença com os trigêmeos e, como irmã mais velha e protetora, adorava os ver praticando suas habilidades e ficar de olho para que não se machucassem.
Certo dia, decidiu brincar com eles, e, devido à sua total falta de habilidade com o objeto, acabou no hospital com uma fratura no braço direito tão feia que precisou fazer uma cirurgia para colocar tudo de volta no lugar. Sua sorte era ser filha de um dos melhores ortopedistas do país, mas o seu azar foi a necessidade do uso de corticoide para a sua recuperação. Acabara engordando quase 15kg numa época que gostaria de chamar a atenção dos garotos por sua forma, só não contava que realmente chamaria, mas por conta de sua forma arredondada.
Quando, finalmente, conseguiu perder todo o peso mais de um ano depois, prometeu a si mesma que, se dependesse dela, nunca mais passaria pelo mesmo, e, hoje, se exercitar era algo que precisava não apenas para manter-se em forma, mas também sã.
– Já está acordada, querida? Por que não dorme até mais tarde, não são nem 7 horas.
– Ah Debbie, eu não consigo. Preciso ou estar de ressaca, doente, ou ter virado a noite para acordar mais tarde do que isso. Acredite, eu amaria ser como essas pessoas que conseguem ficar na cama até as nove da manhã fazendo nada.
– Meu filho que o diga, acho que nunca consegui tirar ele da cama tão cedo da forma que você faz.
– Não é por mal, eu perguntei a ele se estava tudo bem com esse programa e ele disse que sim, acho que o Gareth se coloca muita pressão para voltar logo ao campo. Se dependesse só dele, acho que acabaria se lesionando de novo de tão ansioso que está para jogar, mas hoje vou dar um descanso, ele merece e precisa.
– Você tem reparado que ele passa bastante tempo no celular? Às vezes o pego sorrindo, olhando para a tela, você acha que ele conheceu alguém?
sorriu da forma mais contida que conseguiu. Que mãe no mundo não era curiosa para saber da vida romântica do filho? Apesar de saber a resposta, jamais trairia a confiança do amigo, ainda mais quando nem ela sabia ao certo o que, de fato, estava acontecendo. Bale realmente passava horas conversando com Alaina e, às vezes, durante os exercícios o pegava sorrindo sozinho, com o que ela tinha apelidado como "o sorriso da Lena". Talvez quem visse de fora não percebesse, mas ela sabia distinguir os diversos sorrisos e olhares que ele dava, e por mais que ela amasse a forma como ele a olhava, com carinho de irmão, o "sorriso da Lena" era o seu novo favorito. A francesa parecia realmente mexer com o galês de uma forma única e só esperava que ela fosse tão boa para ele, como sabia que Bale seria para ela.
– Eu acho que ele tem falado com o time e você sabe como são os homens, deve rolar um monte de besteira e fotos censuradas naquele grupo deles. Ele também ficou bastante amigo da Alaina, a nova assistente do time, sobrinha do Zidane – deu de ombros, como se fizesse pouco caso apenas para não atiçar ainda mais a curiosidade da mulher a sua frente. – Deve ser difícil ficar longe de todos, num jogo tão importante.
– Ela é muito bonita, não? Queria tanto que ele encontrasse alguém de novo para cuidar dele quando formos embora.
– Meu amor – Frank apareceu com uma cara de sono na cozinha. – Nosso filho já é um rapaz crescido, sabe muito bem se cuidar sozinho. Quando aparecer alguém que valha a pena, tenho certeza que ele irá nos contar – disse dando um beijo na cabeça da esposa.
– Eu sei, querido, mas uma mãe nunca deixa de se preocupar com os filhos. Não é verdade, ?
– Oh, se é. Minha mãe perdeu o rumo quando meus irmãos decidiram fazer faculdade em outro estado. Imagina passar 18 anos com três pestes e, de repente, puf!!, casa vazia. Ela agora tem como missão de vida me arranjar um marido, diz que estou ficando velha para arrumar um bom partido – sorriu pensando em sua mãe, apesar da busca desenfreada por um homem que lhe desse netos, a amava mais que qualquer pessoa no mundo.
– Você e meu filho nunca... – quase cuspiu o pedaço de bolo que tinha colocado na boca.
– DEBBIE! - Frank chamou a atenção da mulher. – Que deselegância, querida, a está ajudando nosso filho, sem cobrar um centavo, e você me faz uma pergunta dessa? Querida, não responda.
– Não, Frank, está tudo bem – sorriu simpática para o senhor e observou Debbie murchar um pouquinho pela bronca que tinha levado. – Eu amo seu filho, muito, mas como amigo-irmão, quando o conheci ele já namorava e esse jeitinho todo certo e fofo de ser realmente é difícil não ter uma mulher que não se encante, mas não, somos apenas amigos e também nunca ficamos nem nada. Ia ser legal se a gente tivesse interesse um no outro, mas não... só amizade mesmo – finalizou já se levantando pronta para escapar de qualquer pergunta que poderia estar rondando a cabeça da mãe do jogador.

Como fazia quase toda manhã, seguiu para um dos lagos dentro do condomínio e estendeu seu colchonete para fazer sua meditação diária e praticar um pouco de yoga. No começo ficava entediada, não conseguia entender como uma pessoa ficava parada numa posição completamente desconfortável por pura e livre espontânea vontade, mas, depois que sua mãe voltou de uma de suas viagens de autoconhecimento, ficou tão impressionada com a energia e paz que emanava da mulher, que se forçou a continuar indo às aulas.
Hoje, agradecia sua insistência, pois, se não fosse isso, provavelmente já teria pirado pelo fato de não ter a mínima ideia do que iria fazer após o Ano Novo. Já havia prometido a Vanja que voltaria após o Natal para passar a virada com eles, já que Luka estava no Japão com o time, e estava morrendo de saudades do amigo. De quebra, poderia trabalhar, mesmo que de graça, com Jaime, mas, depois disso, à sua frente tinha um grande ponto de interrogação e isso nunca tinha acontecido antes.
Estava ansiosa para encontrar um atleta ou faculdade para colocar seu programa em prática, talvez quando tivesse um novo emprego e sua vida tivesse mais estabilizada também fosse atrás de um namorado, já estava solteira há alguns anos, desde que se envolvera com um jogador da NFL, quando trabalhou com dois atletas do New England Patriots, mas não deu muito certo. O rapaz, embora absurdamente lindo, estava mais interessado em festas, carros e ser reconhecido do que se aprimorar na carreira, e pouco depois que terminaram descobriu que ele tinha engravidado uma modelo qualquer e ficou aliviada em saber que tinha se livrado de uma pessoa que não tinha os mesmos objetivos de vida que ela.
– Bom dia, B. – entrou em seu quarto como vinha fazendo todas as manhãs.
– Caramba , você não dorme nunca? – o jogador bufou, prendendo o cabelo antes de se sentar na cama, parecia que tinha acabado de dormir.
– Credo, que mau humor, quem manda ficar de conversinha com a Lena até tarde? Fora que já são 10 horas, te dei a manhã de folga e vamos ter um dia light.
– Já? – olhou o celular e sorriu ao ver uma nova mensagem da assistente. – O que você tem em mente pra hoje?
– Pensei de irmos a Valdebebas pra usar a piscina e, depois, só fazer um pouco de acupuntura e Tui Na. O que acha? Eu vou sair hoje à noite e não queria voltar muito tarde.
– Graças a Deus! – o jogador exclamou aliviado e se questionou se estava sendo muito dura com o amigo. – Sim, por favor, tudo que eu queria hoje é uma dessas suas massagens, você faz nas costas também? Estou com uma dor aqui – disse, apontando sem jeito para um local que não pôde ver, já que estava de frente pra ele.
– Faço, devia te cobrar extra pelo seu tamanho.
– Até parece que quando você tava com aquele seu namoradinho, que parece um armário, não rolava umas massagens grátis.
– Claro que rolava, mas ele sabia muito bem como me recompensar – sorriu maliciosa pro amigo, que a encarou com uma sobrancelha erguida.
– Meus dedos são bem longos – disse um pouco tímido, encarando as próprias mãos, mas, por fim, encarou a amiga sério com um sorriso de lado no rosto.
– GARETH! - deu um gritinho, chocada. – O que é isso? Que nojo! Eu não quero saber essas coisas.
– Grrr – resmungou consigo mesmo, colocando um travesseiro na cara em frustração. – Desculpa , eu só estava me testando, por que com você eu tenho coragem de falar esse tipo de coisa, mas quando a Lena me provoca, fico mudo e não sei o que falar?
– Ahhh! – compreensão e um baita alívio surgiu no rosto de . – Acho que você se sente mais confortável comigo porque sabe que não precisa me impressionar. Não fica pensando nisso, as coisas vão saindo conforme vocês forem se conhecendo melhor, aí você mostra que veio a jogo para ser o atacante que é.
– Assim eu espero, as coisas estão bem legais entre a gente – comentou mais para si mesmo, sem esperar resposta da amiga. – E você, quer que eu te apresente algum jogador?
– E eu tenho cara de maria-chuteira? - colocou as mãos na cintura em tom de reprovação, e os dois riram, pois , pelo meio em que vivia, sempre esteve rodeada de esportistas. – Eu tenho um encontro na verdade hoje, meu antigo professor de dança viu no Instagram que estou aqui e me chamou pra dançar e provavelmente um algo a mais, claro que não vai levar a nada, mas sabe como é, to precisando fazer bom uso desse corpo, não levanto peso por prazer – sorriu, já se levantando da cama do amigo para ir para seu quarto, enquanto ele ia tomar café da manhã.
– Argh! Muita informação, muita informação, abortar, abortar – O jogador disse entre risadas.
– Isso foi só uma vingança contra seus dedos longos, na próxima, eles vão ficar pela metade – comentou, mandando um beijo no ar, e saiu do quarto, o deixando rindo sozinho, para logo pegar o celular e checar a mensagem de Lena.

já estava há uns bons minutos no telefone com sua namorada, sem realmente prestar muita atenção no que ela dizia. Alisava distraidamente o próprio abdômen enquanto assistia a uma partida de futebol japonês qualquer. Sempre que se pegava assistindo times que não considerava serem de elite, agradecia aos céus por ter nascido com tanta determinação para chegar aonde chegou. Não que isso fosse suficiente, seu lema de vida era sempre buscar ser o melhor em tudo que fazia e se propunha a realizar. Queria quebrar recordes não apenas nos campos, mas em todos os momentos de sua vida.
Estava bastante entediado em seu quarto de hotel e acreditou que pudesse encontrar um pouco de distração com Georgina, mas, assim que ouviu sua voz, fez uma careta, mal tinham assumido o romance e já não tinha tanta certeza se queria levá-lo para frente. Gostava muito dela, mas, desde seu término com Irina, ainda não tinha encontrado alguém que mexesse com ele, da forma que ela o fez.
Já tinha falado com sua mãe e seu filho, que acabaram ficando em Madrid. Sorriu ao se lembrar das duas pessoas mais importantes de sua vida, não tinha a menor vergonha de assumir que era sim o filhinho da mamãe e que não havia nada nesse mundo que não faria para protegê-los. Tinha muitos desejos e ambições profissionais, mas sua maior meta era proporcionar a Jr. uma vida muito melhor do que a que teve.
Ouviu alguém na porta e levantou-se para atender, deu de cara com Marcelo, um de seus melhores amigos dentro do time, mas que tinha a irritante mania de sempre esquecer ou perder a chave do quarto. riu da cara que o amigo fez quando reparou que ele usava somente uma das cuecas de sua marca. Fez um sinal para indicar que já ia terminar a ligação e o outro assentiu, se jogando em sua cama e trocando de canal para um seriado qualquer.
– Você tava falando com sua namorada? - Marcelo perguntou interessado.
– Sim, por quê? - disse ao colocar uma bermuda e camiseta.
– Eu falo com a operadora de telemarketing da minha tv a cabo mais empolgado do que você fala com ela.
– Você também notou? Estava indo tudo bem, mas não sinto a menor falta dela, liguei agora pra ver se sentia alguma coisa, mas só senti vontade de desligar mesmo – os dois riram juntos e encararam a televisão pensativos.
– Talvez por ela ser mais nova? Afinal, você já passou dos 30 né? Sei lá cara, você é o , pode pegar quem quiser, a hora que quiser, vai ficar perdendo tempo com alguém que você não tem a menor vontade de sequer falar?
– Não sei se nasci para ser que nem você e a Clari, sou feliz assim, achei que tivesse acostumado já.
– Acostumado eu estou, mas não quer dizer que eu não pense que uma hora você vai achar alguém que encaixe com você.
, embora estivesse refletindo sobre as palavras do amigo, não estava com a menor vontade de “se encaixar" com alguém, já tinha sim pensado em subir ao altar e ter mais filhos, mas não era algo que via como um sonho a ser realizado. Se acontecesse, ficaria feliz, caso contrário, gostava de acreditar que ficaria bem da mesma forma. Tinha uma carreira, uma paixão, muitos empreendimentos e uma família linda, estava feliz e fazia questão de manter essa parte de sua vida o mais simples possível.
Os dois decidiram por pedir serviço de quarto para o jantar e chamaram Kroos, Modrić e Kovačić para jogar poker.
– O Bale mandou um abraço pra todos – Luka colocou o celular no bolso e sentou-se na mesa que tinha no quarto. – Chega em Madrid hoje com a e os pais.
? A Loew? – Kroos o encarou com um sorrisinho no rosto chamando a atenção dos demais.
– Não, a sua filha – respondeu ao amigo com um tom debochado e levou um tapa na nuca em resposta.
– Quem é essa? – Marcelo perguntou, olhando de um para o outro. – Já tá namorando de novo? Jurava que tava rolando um clima entre ele e a Alaina.
– A madrinha da Ema – Modrić respondeu e acrescentou antes que fizessem mais perguntas: – E não, eles são só amigos. Ela, na verdade, é nossa fisioterapeuta por fora também, ela vai cuidar do Bale enquanto o Jaime está aqui e depois passar a virada comigo, a Vanja e as crianças.
– Sabe aquelas nerds que vivem de estudar? Ela mesma, você fala com ela e se sente o mais burro do planeta.
– Burro você é mesmo, né? – Marcelo comentou, causando uma gargalhada geral, a que Toni respondeu mostrando o dedo do meio para todos acompanhado de um palavrão em alemão.
– Conheci ela nos Spurs, ela foi lá apresentar o projeto de pós-graduação e me interessei, fui meio que cobaia, mas nunca joguei tão bem, como quando ela cuidou de mim. Então já convidei pra ser parte da família logo, pra não correr o risco de perder contato. A mulher sabe o que faz, nunca mais largo dela – disse rindo.
– Se eu fosse solteiro não largava dela também – Kroos comentou rindo e levou mais um soco no braço do croata. – Brincadeiras à parte, sempre que ela visita o Luka, fica uma noite com as crianças pra gente sair num encontro duplo, o Leon adora ela, mas ainda não conheceu a .
– Portanto, respeito quando a verem no clube – Modrić deu um aviso olhando a todos com a cara séria. - Ela é como uma irmã para nós.
– Relaxa, não acho que você terá esse problema – respondeu ao analisar tudo o que tinham dito sobre a tal .

encarava os olhares de choque dos companheiros de time e equipe técnica com um sorriso no rosto, assim como o mundo todo, eles tinham acabado de ficar sabendo que ele era, mais uma vez, o ganhador da Bola de Ouro. Por mais que já tivesse ganhado três vezes e ficado em segundo lugar outras cinco, sempre era uma surpresa ser o vencedor. Há nove anos concorria ao prêmio e, tirando apenas 2010, quando não ficara entre os finalistas, via seu nome fazer parte da seleta lista, com diversos outros jogadores talentosos, mas que, felizmente, não mais do que ele.
Gostaria muito de ter compartilhado com todos, não apenas o fato de ter ganho o troféu, como também que haviam feito uma pequena cerimônia de premiação dentro das dependências do Santiago Bernabéu para que pudessem tirar as fotos oficiais que estampariam a revista, mas fora orientado a guardar o segredo e achou que seria divertido observar a reação de todos ao vivo. Sua mãe, Dolores, e seu filho haviam comparecido, como sempre, para lhe dar suporte.
Logo, todos começaram a se movimentar para parabenizá-lo e um sorriso ainda maior se abriu em seu rosto, por mais que gostassem de criar mil polêmicas sobre algumas de suas atitudes, tinha aquele time como uma extensão de sua família e, sem eles, não teria as mesmas oportunidades e prêmios que havia conquistado ao longo dos anos.
Quando acreditou ter terminado de agradecer a todos, Sergio Ramos apareceu com um bolo feito pelo hotel no formato do troféu e, após algumas fotos para as redes sociais, fez um breve discurso a pedido de todos, logo voltando à sua mesa para terminar sua refeição.

Finalmente chegara o dia da final do Mundial de Clubes, terminava de cortar os aperitivos saudáveis que havia feito para a família Bale, enquanto Debbie terminava a parte engordativa. As duas conseguiram chegar a um acordo em relação a alimentação na casa e balanceavam para que a mãe pudesse mimar o filho e a fisioterapeuta cuidar.
Gareth já estava no sofá, local que passava boa parte do tempo, e Frank tinha acabado de voltar do mercado com bebidas e outros ingredientes que precisariam para os próximos dias.
concordou em se sentar para assistir ao jogo, já que geralmente, quando ia a Madrid, recusava todos os convites para ir a Valdebebas ou ao Bernabéu. Pelas suas contas, deve ter ido em apenas três jogos em quase quatro anos. Não porque não gostava de futebol, amava ver seus amigos jogarem, mas sabia que se fosse ao estádio ia pensar em trabalho, e provavelmente Gareth e Luka teriam que tirá-la a força do local. Havia prometido a si mesma que Madrid era significado de descanso e diversão e até seu amigo precisar dela, tinha conseguido cumprir o combinado. Agora que finalmente tinha conhecido toda a estrutura do clube queria morar ali para sempre. Já havia conhecido diversos centros de treinamento altamente avançados, da época em que trabalhara com o Crimson Tides, no Alabama, e com os próprios New England Patriots, em Boston, mas os recursos usados pelo Real Madrid eram de deixar qualquer fisioterapeuta babando.
Sentou ao lado do amigo, colocando os pés em seu colo, Gareth havia lhe implorado para não treinarem naquele dia e, como também estava bastante cansada, aceitou de bom grado, mas claro que aproveitou para ter algo em troca, uma massagem nos pés.
Enquanto o jogador fazia a sua parte no combinado, ele sorria para a amiga, que percebeu que o sorriso não alcançava seus olhos, sabia o quanto o jogador estava triste com sua lesão e que trocaria tudo para estar lá no Japão e, por mais que Lena estivesse o bombardeando de fotos todos os dias, nada podia se comparar com estar ao lado de seus companheiros.
O começo do jogo fora cheio de expectativas, Benzema marcou logo nos primeiros dez minutos, deixando o quarteto bastante empolgado, porém, o time japonês marcou um gol no final do primeiro tempo e marcou de novo no início do segundo. Gareth parecia não respirar, sentia-se ainda pior por não estar fazendo sua parte, deu um aperto em sua mão em solidariedade, o que o ajudou a recobrar seu otimismo. Confiava em seus companheiros e sabia que o time iria reagir.
Logo, marcou uma cobrança de pênalti trazendo o resultado para um empate, que se seguiu até o fim da partida. A prorrogação trouxe silêncio e concentração, Debbie parecia rezar e sorriu vendo a cena, claro que se declarava madridista para quem perguntasse, mas o motivo era óbvio, seus amigos. Quando fora ao estádio ficou arrepiada ao sentir a energia e amor que a torcida emanava, mesmo no box com a família dos jogadores podia ver como o time era especial.
Durante o jogo, foi impossível não reparar no talento dos jogadores, não sabia dizer qual era o seu favorito, além dos camisas 11 e 19, obviamente. Até chegara a se questionar se seu programa de mapeamento do corpo dos atletas seria efetivo com profissionais como aqueles, mas, caso fosse, o Real Madrid seria ainda mais imbatível nos campos.
O camisa 7, como previsto, mostrou o porquê era conhecido como o melhor do mundo e marcou de novo.
– Mais um gol e o filho da mãe faz um hat trick! – Gareth exclamou animado já na ponta do sofá.
– O que é isso? - perguntou curiosa.
– Quando um jogador marca três vezes em uma única partida.
– Eu achava que era quando eles marcavam de cabeça - riu de si mesma, fazendo pai e filho caírem na gargalhada.
– Tem também o hat trick perfeito que é quando o jogador marca com um pé de cada vez e depois um de cabeça - Gareth explicou ainda atento ao jogo.
– Em 2007 o Peter Crouch marcou um perfeito contra o Arsenal – Frank adicionou e fez uma nota mental para procurar o vídeo no YouTube.
– O Neymar também - o Bale mais novo completou ao se lembrar das origens brasileiras da amiga. – Foi recente, num amistoso, mas não lembro agora contra quem.
– Vou olhar depois – sorriu para os dois e voltou sua atenção para o jogo.
Debbie foi a primeira a se levantar ao ver completar o tal hat trick, garantindo ao Real Madrid o título de campeões mundiais. Logo, todos repetiram o gesto e aproveitou pra tirar uma foto do amigo comemorando o final da partida e postou no Instagram e Facebook com a seguinte legenda:

Hoje como espectador, muito em breve como titular! Hala Madrid! ⚽🏆

O grupo assistiu a entrega das medalhas e, depois de muita comemoração, Gareth voltou a se sentar, agora muito mais animado, pegando o celular para parabenizar toda a equipe e, provavelmente, checar uma certa conversa em especial. fizera o mesmo com Luka, avisando que o veria no dia seguinte, e o parabenizando mais uma vez pela conquista.

No jardim, estava pensativa, não imaginava o quanto iria gostar de assistir a uma partida de futebol. Como a maioria dos americanos, sua família era apaixonada por futebol também, mas o americano. A fisioterapeuta cresceu acompanhando seu pai e o restante de sua família em diversas viagens pelo país para assistir aos jogos da NFL. Seus irmãos eram devotos do Cleveland Browns e, como boa irmã mais velha, sempre os levava para assistir aos jogos do time.
Mas futebol, era a primeira vez que vivia uma experiência como a que tinha acabado de ter, apesar de ser metade brasileira, só ia ao país no final do ano para passar as festas com a família e acabava não vendo nenhuma partida.
De todos os jogadores que vira hoje, só não ia muito com a cara de . Não o conhecia pessoalmente, mas as coisas que via e ouvia sobre o jogador não lhe agradavam muito. Lembrava de ter visto um vídeo em que fizeram uma compilação das vezes em que o camisa 7 foi visto, em pleno jogo, admirando a si mesmo, ou então a forma em que se portava, confirmando que sabia que era o melhor jogador do mundo, além de ser bonito e gostoso. Quer dizer, ele até poderia ser tudo isso, mas precisava ser arrogante a ponto de concordar?
Humildade era algo que seus pais haviam lhe ensinado desde pequena, viviam dizendo que, da mesma forma que conquistaram tudo o que tinham, poderiam perder em um piscar de olhos e a criaram para ter sempre os dois pés no chão e ser educada com todas as pessoas, da faxineira ao presidente, e se tinha uma coisa que a tirava do sério era ostentação, e parecia ser a personificação da palavra.
Fora que morria de vontade de confirmar se os boatos eram verdadeiros, que o jogador realmente jogava pro outro time, nunca perguntara nenhuma fofoca aos amigos, por pura vergonha. Todos a achavam sempre tão séria, não queria perder a credibilidade, mas, assim como todo mundo, quando via alguma das roupas que o atacante usava, não tinha como não ficar curiosa.
A única coisa que sabia, através de Luka e Gareth era que ele era bastante focado, mas, assim como todo o time, muito brincalhão e gente boa, bem menos arrogante do que comentavam por aí. Claro que também o achavam excêntrico, mas estavam acostumados com a forma dele de ser e, no quesito talento, o camisa 7 realmente merecia o título de dono do mundo.

A proximidade do Natal fazia sorrir mais que o normal, logo estaria na Bahia com a sua família materna. Já estava acostumada a revezar os natais, passando um ano com a família Goes no Brasil, outro com a família Loew nos Estados Unidos. Amava como duas famílias podiam ser tão diferentes e, de alguma forma, dar certo. Seus pais se amaram o suficiente para superar as diferenças e fazer os opostos se atraírem. Da sua mãe, herdara a aparência física, o sorriso, a vaidade e o excesso de sinceridade. Do pai, herdara a paixão por esportes e os estudos, o amor pela profissão, a timidez – muitas vezes confundida com seriedade, e o perfeccionismo.
Sua mãe havia nascido no sul do Brasil, porém, quando Gisela conheceu Todd, eles passaram muitos anos viajando por todo o Brasil e foi ali, naquele pedacinho de paraíso na Bahia, que seus pais haviam decidido ter uma casa de praia. E que casa! Era seu lugar favorito em todo o mundo, a casa era um paraíso particular, dava direto na areia e a paz que sentia ali, não encontrava em nenhuma outra cidade. O único lugar no mundo que conseguia “não fazer nada”, a internet funcionava quando queria e sua família a proibia de ler um artigo médico sequer. Passava os dias andando de bicicleta, fazendo wakeboard, mergulhando e curtindo a família, que via muito menos do que gostaria.
Aproveitava também para paparicar e ser muito mimada por seus três irmãos, Cameron, Nate e Carter, o famoso trio CNC, como eram conhecidos pelos amigos, e o maior presente que ganhara em toda sua vida.
Seus pais os tiveram quando tinha 7 anos e, embora os três estivessem muito ocupados terminando a faculdade e aproveitando seus 22 anos para dar muita atenção à irmã, quando se juntavam, a conexão que havia entre os quatro era de dar inveja a qualquer um.
tinha ficado pra traz no quesito altura há bastante tempo e os meninos aproveitavam para revidar os anos de “escravidão”, que foram obrigados a seguir as ordens da irmã, sempre certinha, tentando por ordem na casa. Adoravam tirá-la do sério, apenas pelo prazer de vê-la irritadinha. Mas quando saíam de sua bolha familiar, agiam como guarda costas da fisioterapeuta, a quem carinhosamente chamavam de quarterback.
O som de carros fez sair de seus pensamentos no que aconteceria nos próximos dias e a fez voltar para aquele parque em La Finca, onde estava, mais uma vez, meditando e praticando yoga. Notou vários carros entrando quase que em sequência pelas ruas do condomínio e acreditou ser os jogadores que deveriam ter acabado de chegar do Japão. Ligou seus headphones e resolveu dar uma corrida pelo condomínio antes de ir embora para acordar Gareth. O jogador já estava em clima de festas, porém, apesar da folga no dia anterior, Jaime já havia combinado de visitá-los e, depois, ele e iriam para a Rekovery estudar o que havia sido feito e o que poderiam fazer para continuar sua reabilitação.
se assustou ao abrir a porta e ver Gareth acordado àquela hora, tanto que nem notou que, atrás dele, estava Alaina. A assistente era ainda mais bonita pessoalmente e se viu fascinada com os traços genéticos da mulher à sua frente. Sabia que Zidane era francês, mas com certeza tinha algo mais ali. Gareth imediatamente entrou em “modo alarme”, provavelmente sabendo que estava prestes a passar vergonha.
– Ah, agora tudo faz sentido. Você deve ser a Lena, né? - sorriu se aproximando do casal.
Por ser muito tímida ao conhecer pessoas novas, já tinha se preparado mentalmente para conhecer a assistente, e prometera a si mesma que ia tentar ser o menos seca possível, não queria que Alaina se sentisse desconfortável. Só não imaginava que o encontro seria dessa forma, sem nenhum aviso prévio, mas, ao perceber que no processo poderia deixar Bale vermelho, abriu ainda mais o sorriso e se aproximou do casal à sua frente.
– E você é a .
– Eu mesma – respondeu simpática e encarou Gareth com um olhar que o jogador definiu como "fodeu". – Finalmente estamos nos conhecendo! Ouvi falar bastante de você – "o tempo todo", adicionou mentalmente.
– Ouviu, é? - Lena sorriu, olhando de para Gareth, que já estava com as bochechas mudando de cor, ao ver seu pior pesadelo se tornar realidade.
– Claro, quando o Real Madrid te contratou só se falava disso – prendeu o riso ao ver seu amigo soltar um suspiro aliviado. – Já foi um grande avanço a Eva Carneiro fazer parte da equipe médica do Chelsea, mas foi ainda mais legal te contratarem como assistente técnica. Tenho certeza de que isso vai ajudar a abrir a mente das pessoas e, consequentemente, as mulheres vão ter mais espaço no futebol masculino. E, pelo que falam, você tem tudo pra crescer nesse meio. Já te admiro muito por isso – respondeu sincera, notando que Alaina pareceu um pouco surpresa com o rumo da conversa.
– Obrigada. Eu realmente espero poder fazer as pessoas acreditarem que uma mulher pode comandar um time de futebol masculino. Por enquanto, sei que um monte de gente ainda acha que o Zizou só me escolheu pro cargo por ser meu tio - disse, revirando os olhos.
– Eu enxergo o fato de ele ser seu tio de outra forma. Ele não te colocaria no fogo cruzado se não tivesse plena certeza de que você é competente, ia preferir te proteger e deixar bem longe disso tudo – afirmou e resolveu incluir o amigo, que as encarava, com um sorriso de canto – O que você acha, Gareth?
– Da parte dos jogadores nunca rolou esse tipo de pensamento. A gente confia cegamente no Zizou.
– Não vejo a hora de todo mundo pensar como vocês – notou um brilho a mais surgir nos olhos da assistente, ao ouvir a resposta de Bale.
– O papo tá ótimo, mas vou subir pra tomar um banho. E você, moço, vai se preparando que daqui a pouco a gente começa a ralação. O Jaime disse que vai aparecer aqui pela tarde – a fisioterapeuta falou vendo o amigo fazer uma careta de sofrimento, a qual já tinha acostumado – Até mais, Lena.

– E aí? – estava deitada em sua cama pensando na vida, quando Gareth entrou ansioso.
– Ela é linda B., e parece ser divertida, acho que podemos ser amigas, mais do que fui com a Emma – fez uma careta ao citar o nome da ex de Bale, fazendo-o lhe dar um empurrão para que pudesse se deitar na cama com ela. – O que ela veio fazer aqui essa hora?
– Me entregar a medalha do Mundial – sorriu retirando o objeto do bolso e entregando para .
– Que linda! E vocês deram uns pegas no sofá?
– Claro, com minha mãe na cozinha e meu pai no quarto – resmungou encarando com aqueles olhos que pareciam feitos no Photoshop. - Ela ainda vai me deixar louco, queria tomar uma atitude e empurrar ela na parede, sei lá, mas aí respiro fundo e não faço nada, porque tenho medo de estragar tudo.
– Ela gosta de você, ninguém aparece na casa de ninguém esse horário pra “entregar medalha”, deixa rolar, não é como se nenhum dos dois fosse a algum lugar.
– É... – suspirou, pensativo, e os dois caíram em um silêncio confortável.
– Você acha que eu devo ir nessa festa hoje? Esse Benzema, é legal?
– Muito, dou risada pra caramba com ele, é o melhor amigo da Lena, lembra?
– Ah é, minha versão masculina – riu sozinha ao se lembrar do ocorrido com a tal foto “por engano”. – Já disse que posso mandar uma foto por você também.
– Vai sonhando, você já... mandou fotos assim?
– Vai sonhando – riu, imitando o amigo. – Já recebi bastante, mas nunca mandei. O Julian tem algumas fotos mais sexys minhas, que ele mesmo tirou, mas só, confio nele – deu de ombros. – Eu posto foto de biquíni sem medo de ser feliz, então não posso falar muita coisa, sou a favor de livre escolha, se um dia eu tiver vontade acho que até mandaria, mas pra alguém que eu realmente confiasse.

deu um suspiro cansado, mas feliz, passara a manhã toda tratando Bale e logo no começo da tarde, Jaime chegou para vê-los e examinar o jogador. Enquanto um fora liberado para aproveitar a tarde, a outra seguiu com Jaime para a clínica para conversar sobre o trabalho feito. Iria para o Brasil em dois dias e precisava deixar tudo em dia para aproveitar sua família.
Fechou o zíper de sua bota e desceu para avisar a Gareth que estava pronta.
– O que é isso? – perguntou atônita ao ver o amigo vestindo apenas uma bermuda de treino e agasalho. – Por que você não está pronto ainda?
– Por que eu não vou? – respondeu irônico encarando a produção da amiga
– Por que não? – rebateu se sentando ao lado dele no sofá. – Está com alguma dor?
– Não, só sem vontade mesmo, não vai ninguém do time, fora que provavelmente vamos ser os únicos que não falam francês lá, não vejo como pode ser divertido, ainda mais com essa bota aqui.
– Nossa, que mau humor! – falou pensativa encarando a tv, mas sem prestar atenção no que estava passando. – Mas a Lena vai estar lá, isso não seria motivo suficiente? Aliás, o único motivo que você precisa pra ir nessa festa? Caramba B., você sabe que odeio me enfiar no meio de um monte de gente que não conheço, me arrumei toda pra te fazer companhia. Vocês ficaram quase um mês sem se ver, a coitada veio aqui morta de cansaço “entregar a medalha” e você não vai nem fazer o esforço de sei lá, tomar a tal atitude que você me disse hoje de manhã? Depois não reclama que só fica no 0x0, bunda mole desse jeito.
– Caramba, eu sempre esqueço desses seus surtos de sinceridade, e essas piadinhas ridículas ligadas a futebol.
– Não me enche, elas são demais e você sabe que não tenho muito filtro, mas também sabe que estou certa, quer chance maior de conversar com ela, do que uma festa longe de todo o time? Eu só estou indo por você, e, pra te ajudar, mas desse jeito não dá nem vontade – comentou, chateada, pronta para tirar o colar que estava usando.
– Você tem razão, eu vou! - disse mais alto e determinado que o normal, fazendo fechar o colar de novo e sorrir animada. – Já tinha tomado banho pra dormir, vou só me trocar – levantou mais animado dando um beijo na testa de . – Obrigado.
– Vai lá ficar gato pra sua assistente, eu vou tirando o carro da garagem.
Do lado de fora, estava tão concentrada em arrumar o banco do passageiro de forma que Gareth conseguisse esticar a perna que nem reparou no carro com as janelas escurecidas que diminuiu consideravelmente a velocidade ao se deparar com as pernas definidas da fisioterapeuta.

A dupla de amigos tinha acabado de entrar na casa de Benzema. Enquanto se retraía naturalmente e encarava as pessoas à sua frente com um certo pânico no olhar, Gareth buscava um par de olhos em especial.
Sentindo diversos olhares se virarem para sua amiga, a analisando de cima abaixo, Bale passou a mão por sua cintura de forma protetora e sorriu ao encontrar Alaina olhando para os dois.
– Ei, Lena – a cumprimentou quando já estavam mais próximas uma da outra. – Espero que realmente não tenha problema eu ter vindo de penetra.
– Não tem mesmo, quando você conhecer o Karim, vai entender – a assistente respondeu, olhando para Gareth. entendia, ele estava realmente lindo aquela noite.
– E onde ele está? Queria dar parabéns e apresentar a – perguntou tentando achar o amigo no meio de tanta gente, mas metade parecia ter a cara do jogador, provavelmente seus muitos irmãos.
– Sabe que nem eu sei? Bêbado por aí com certeza. Querem se sentar? – perguntou, olhando para a perna de Gareth, a que todos assentiram.
Alaina ia apontando algumas pessoas e falando seus nomes para que Bale e Loew não se sentissem tão deslocados. No caminho, acabou conhecendo Lola, namorada de Karim, a quem com certeza não tinha agradado. Lena tinha dito que ela era modelo e a fisioterapeuta podia ver os motivos por ela ter tal profissão, era magra, loira e linda, então não entendia o modo que a menina ficava a encarando de forma ameaçadora.
Apesar do cansaço, batia o pé ao som do rap francês que tocava, e ouvia a conversa entre Gareth e Alaina, os dois pareciam ter bastante sintonia. Riu sozinha ao ver que era a maior vela do universo, até pensou em dar a famosa desculpa de ir ao banheiro para deixar os dois a sós, mas antes que pudesse falar, Lena ofereceu a todos uma bebida e, como estava agoniada em estar sentada há tanto tempo, seguiu a assistente até a cozinha, onde, após um claro sinal de marcação de território, conheceu Karim Benzema.
Entendeu o ciúme de Lola, apesar de discreto, viu quando ele demorou alguns segundos a mais em seu decote, fora que não era cega, o jogador era ainda mais bonito ao vivo, amava homens com barba e sentiu suas pernas fraquejarem quando ele lhe deu uma piscadinha sexy.
Quando voltaram para o local onde estavam sentados, Gareth e Alaina engataram em uma conversa com um ex-jogador do time, a quem não conhecia, e a mulher sabia que sua hora tinha chegado. Bale ficaria mais do que bem com a assistente, e já sonhava com sua cama.
Antes de ir embora, foi à procura do aniversariante com um pequeno embrulho de tecido em mãos. Seus pais eram extremamente sociáveis e passara toda a adolescência recebendo e frequentando diversos eventos sociais. Aprendera desde cedo com eles a sempre se apresentar, agradecer e se despedir do anfitrião e a nunca chegar de mãos vazias a casa de alguém, ainda mais se fosse aniversário da pessoa.
Estava receosa em encontrar Lola junto com o jogador, não sabia se teria coragem de falar com ele, sabendo que a modelo estaria desejando sua morte a todo tempo, mas respirou aliviada ao vê-lo novamente na cozinha, sozinho, se servindo de uma dose de whisky.
– Benzema? – o chamou por cima da música que tocava.
, certo?
– Isso, mas me chama de , por favor.
– Então me chama de Karim – o homem a sua frente respondeu abrindo um sorriso fofo.
– Eu não consigo, sou meio esquisita. – confessou fazendo um gesto com os braços, já se odiando por ver o filtro de suas palavras sumindo.
– Aonde? - viu o rosto do jogador a sua frente se virar de lado, curioso.
– Sei que não parece, mas sou muito tímida, vir numa festa que não conheço nem o aniversariante, vai além das minhas habilidades, só vim mesmo pra ajudar o Bale – confessou apontando para onde Gareth e Alaina estavam minutos antes.
– Ah é, você sou eu.
– Como assim?
– Eu sou o melhor amigo da Lena, e você do Gareth, você ouviu aquela hora sem querer, eu até tento ajudar os dois, mas é difícil.
– Ah, sim – deu uma risadinha. – Bota difícil nisso.
– Quer uma bebida?
– Não obrigada, eu já vou indo, eu... só vim me despedir mesmo, é que, meus pais me ensinaram a nunca ir à casa de alguém sem um presente, e como era seu aniversário dei uma stalkeada no seu Instagram, de leve, prometo – confessou rindo, se sentindo bastante estúpida, ainda mais quando Karim a encarou ainda mais curioso. – Eu paguei no cartão do Bale, então pode agradecer a ele, eu só realmente não teria coragem de vir aqui, sem isso – disse, lhe entregando o pequeno envelope de veludo vermelho.
– Não precisa... - Karim abriu o embrulho, e viu seu sorriso se transformar em choque. – Wow, jazakAllahu khair! - disse tocado pela delicadeza da mulher à sua frente.
– Eu não sei o que isso significa, mas de nada, não sabia se você era praticante da sua religião, mas li que o Tasbeeh laranja ajuda a aliviar a tensão e influencia energias positivas, achei algo legal para se desejar a um jogador de futebol.
– Já gostei de você , obrigado, de verdade!
– Não foi nada e feliz aniversário de novo, acho que a gente ainda se vê por aí – sorriu e deu tchau ao aniversariante indo em direção a porta.

estava frustrada dentro do carro, já tinha saído da casa de Benzema há uns 15 minutos e não fazia ideia de onde estava, o pior era saber que tinha se perdido dentro do próprio condomínio. Cameron, o mais saidinho dos seus irmãos, já estaria rindo da cara dela.
Apesar de já ter se acostumado a fazer o caminho da portaria até a casa de Gareth, não prestou a menor atenção em como chegou a casa do camisa 9, e agora não conseguia encontrar nem a casa onde estava hospedada, nem a portaria.
Claro que o mais fácil seria ligar para Gareth e pedir socorro, mas, caso ele tivesse finalmente beijado Alaina de novo, não ia ser ela a responsável por atrapalhar o milagre do ano.
Resolveu que o melhor a se fazer era dirigir para a última casa que tinha visto a luz acesa, e bater na porta, mas, antes que pudesse fazer a volta com o carro, viu um farol alto vindo em sua direção, e criou coragem para sair do carro naquele frio e fazer um sinal para que o motorista parasse.
O carro diminuiu a velocidade e parou ao lado de , ela não conseguia ver quem estava dentro até o vidro se abrir por completo. Seu rosto não conseguiu esconder o choque, ao perceber que era .
Está todo bien? - perguntou com uma expressão preocupada no rosto, olhando de para o carro dela.
Si, es que non sei... desculpa, posso falar em português? Meu portunhol é muito ruim – a fisioterapeuta quis se chutar, era óbvio que sim, podia falar português com um cara de Portugal.
– Brasileira! - disse abrindo um sorriso enorme. – Claro que pode.
– Mais ou menos, minha mãe é, mas eu nasci nos Estados Unidos – se aproximou ainda mais do carro, apoiando o braço na porta, sem perceber que sorria abertamente.
American? Meu inglês não é tão bom quanto o seu português, o carro quebrou? - colocou a cabeça um pouco pra fora da janela e conseguiu sentir o perfume que o jogador usava. "Cheiroso, muito cheiroso".
– Na verdade, estou bem perdida, estava no aniversário do Benzema e agora não sei como voltar pra casa.
– Ah, me segue que eu te deixo lá, antes que você morra de frio, quer meu casaco? – antes que terminasse de processar o que havia dito, o jogador tinha em mãos o casaco que estava no assento do passageiro.
– Não, imagina, eu já vou voltar pro carro – respondeu bastante surpresa com a atitude do jogador.
– Tudo bem, só faz a volta com o carro, a casa fica pra lá.
– Obrigada, de verdade! - sorriu dando um tchauzinho, e correu para o quentinho do carro.
seguia o jogador e não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer, de todos os moradores do condomínio, justo ele tinha que aparecer? Além de tudo, fora simpático e cavalheiro ao lhe oferecer o casaco, pensou que talvez, se tivesse aceitado a oferta, poderia sentir o cheiro do perfume dele novamente. Por que todos os homens gays eram sempre tão vaidosos? Amava homens que se cuidavam e jamais reclamaria se eles viessem acompanhados com um corpo igual ao dele.
parou com o carro na calçada oposta à casa de Bale e esperou entrar na garagem, mas a fisioterapeuta estava muito intrigada com uma coisa que só se deu conta, ao chegar na rua em que morava. Estacionou o carro de qualquer jeito na rua, e, já vestindo sua jaqueta, correu até o carro do jogador, que abriu o vidro novamente com mais um sorriso largo no rosto.
– Ei, me toquei que nunca te disse onde estava hospedada, como você sabia?
– Eu te vi mais cedo tirando o carro da garagem, eu moro ali, e pra ir pra qualquer lugar passo aqui na frente.
– Ah sim, claro, bom, acho que você já percebeu que eu sei quem você é – viu o jogador assentir pra ela – Prazer, Loew, sou amiga do Gareth e do Luka – estendeu a mão ao jogador e estranhou ao notar a cara de surpresa que ele fez, quando ela lhe disse seu nome.
, mas pode me chamar de , fala pro Bale que eu mandei um abraço?
– Claro e, de novo, muito obrigada, você salvou minha vida, provavelmente estaria lá ainda, congelando.
– Não foi nada, passei no Karim pra desejar feliz aniversário a ele, não faço aquele caminho normalmente.
– Dei sorte então – sorriu dando uma piscadinha pro jogador. – Obrigada de novo, , acho que talvez ainda te veja antes de ir embora, então, até mais?
– Espero que sim, , até mais.

Aquela era a tal nerd que vivia de estudar?
observava, hipnotizado, o movimento que o quadril da mulher fazia ao andar de volta para o carro. Estivera pensando naquelas pernas e vestido, desde que saíra mais cedo para jantar. Se perguntou se Gareth estaria namorando novamente, mas, no Japão, Luka tinha dito que não.
Quando finalmente entrou em casa, seguiu para a sua, mas não sem antes enviar uma mensagem para Toni Kroos.

: Agora eu entendi o que você quis dizer com "se eu fosse solteiro também não largava da tal ". Ela é fisioterapeuta mesmo?
Kroos: Gostosa né? 🍑 É sim, excelente, precisa ver as massagens que ela faz. 💆🏼‍
: Acho que to precisando ficar solteiro. 🙈

Capítulo 3

corria por La Finca xingando todos os santos fitness do mundo. Quando acordou naquela manhã, empolgada por saber que estaria no Brasil naquela noite, queria pensar em qualquer coisa menos em se exercitar e, se esse qualquer coisa viesse no formato de pizza, ainda melhor. O único problema era que a fisioterapeuta odiava fazer voos longos, simplesmente não conseguia dormir, já tinha baixado alguns artigos médicos que estavam pendentes para ler e separado alguns e-mails para responder, mas sabia que precisava de mais se quisesse tentar dormir por pelo menos duas horas.
A cada passo que dava, olhava o relógio, sentia como se tivesse correndo há 3 horas, mas tinham passado apenas 38 minutos. Já teria desistido se não tivesse ainda longe da casa de Gareth, ao menos correndo chegaria mais rápido, queria tomar um banho e acordar logo o amigo para saber como fora a noite anterior, já estava dormindo quando ele chegou e nem teve a chance de contar que tinha conhecido o camisa 7.
Por estar ouvindo música, tomou um baita susto ao ouvir uma buzina tão próxima de si, levou a mão ao coração enquanto se virava na direção do som. Lá estava ele de novo.
– Desculpa, não queria lhe assustar - disse, rindo, e se surpreendeu por achar o sorriso dele bonito, geralmente o achava tão forçado nas fotos.
– Não, tudo bem, eu que estava distraída tentando fazer o tempo passar mais rápido e essa tortura acabar logo. - se aproximou do carro, diferente do dia anterior, e teve que se abaixar um pouco para conseguir ver o jogador direito.
– Quer uma carona?
– Hm - olhou pro relógio, vendo que ainda faltavam 20 minutos para terminar o que tinha planejado correr, mas, ao mesmo tempo, sem a menor vontade de dar mais um passo. - Eu até gostaria de aceitar, mas estou suada, não quero molhar seu carro.
, tá falando sério? Ontem tu me disse que sabia quem eu era, quer alguém mais suado que um futebolista?
– Tem razão. - afirmou derrotada. - Certeza, né? - disse uma última vez e viu o jogador gargalhar e assentir, abrindo a porta do carona para ela.
– Tu acorda sempre cedo assim mesmo? - lhe passou uma garrafa de água que ele tirou sabe-se lá de onde e se viu mais uma vez surpresa com suas atitudes.
– Pior que acordo, sou o maior pesadelo do Bale, e você? Não está de férias também?
– Estou, é que fui levar minha mãe ao aeroporto. – explicou, mas logo emendou: - Tu és fisioterapeuta, né? - o encarou, surpresa.
– Tô começando a ficar com medo - disse, se ajeitando no banco para ficar de frente para o jogador. – O que mais você sabe sobre mim?
– Sei que é madrinha da Ema e que vive de estudar, ao menos foi o que ouvi.
– Aposto que o segundo saiu da boca do Toni, aquele alemão vive para me encher o saco – fez uma careta engraçada. – Me ama tanto que colocou o nome da filha igual o meu.
– Foi ele mesmo, mas também elogiou-te. O que mais teria pra saber de ti, ? - estranhou a pergunta, o que ele poderia querer saber? E o mais importante, o que Toni poderia ter dito?
– A primeira coisa é que você deve me chamar de por favor. - assentiu e ela sorriu para ele antes de suspirar e continuar a falar num tom levemente derrotado: - Na verdade, o Toni está certo, eu realmente vivia de estudar, terminei meu doutorado faz umas semanas e, agora, eu só quero colocar meu projeto em prática. Na verdade, isso é um jeito mais chique de dizer que estou desempregada mesmo.
– Que projeto? – a encarou, curioso.
– Você não quer que eu comece a falar sobre isso, eu só vou parar ano que vem e quando foi que chegamos aqui? - perguntou admirada ao nem perceber que já estava na frente da casa de Gareth.
– Eu gostaria de saber, não estou com pressa. – e, para provar seu ponto, puxou o freio de mão e desligou o carro. – Conte-me, . – ele deu uma piscadinha para a fisioterapeuta ao usar seu apelido e ela não sabia dizer se aquilo fora completamente ridículo ou sexy. De qualquer forma, sentiu-se corar e abaixou a cabeça. nunca pensou que se sentiria dessa forma ao lado dele.
– Bem, eu sou apaixonada pelo corpo humano e por entender esportistas como você, que só com o corpo fazem feitos inacreditáveis. Além de fisioterapeuta, eu também sou biomecânica clínica, quando me inscrevi nas minhas pós-graduações tive a ideia de criar um programa de mapeamento do corpo humano. Eu faço diversos testes para entender como o seu corpo funciona e, a partir daí, crio um programa de nutrição, exercício e reabilitação focado nas suas necessidades individuais. Cada caso é um caso, mas há pelo menos 25% de melhora na performance do esportista. Já se arrependeu de ter me perguntado isso?
– Na verdade, estou bastante impressionado. O Modrić fez parte desse projeto, certo?
– Fez sim. – sorriu ao pensar no amigo e pode sentir o amor que a mulher tinha por Luka. – Era total amador, foi na base de muitos erros e acertos, demorou sete anos para eu finalmente estar feliz com o resultado, mas o Luka acreditou em mim desde o primeiro dia.
– Pode mostrar-me como funciona?
– Eu adoraria, mas eu estou indo pro Brasil daqui a pouco. Por falar nisso, vou fazer escala em Lisboa.
– Jura, já foi pra lá alguma vez? - fez que não com a cabeça e continuou: - Se soubesse antes, tinha pedido pro avião que levou minha mãe te deixar em Lisboa.
– Imagina! - arregalou os olhos, como se pousar e decolar um avião pudesse ser comparado com uma carona de carro. – Jamais pediria algo do tipo. Bom, eu vou entrar, prometi uma massagem de Natal no bonitão lá antes de ir embora. Obrigada de novo, você está virando meu salvador aqui em La Finca.
– Sempre que precisar, foi um prazer conhecer-te, . Um Feliz Natal a todos os seus.
– Pra sua família também , bom descanso.
saiu do carro rezando aos céus para que não tivesse uma marca de suor onde estivera sentada. Quando já estava do outro lado da calçada, tomou outro susto com a buzina do carro de .
– É pessoal isso? - perguntou, colocando as mãos na cintura, tentando em vão parecer brava, pois estava rindo de si mesma.
– Desculpa, esqueci de perguntar a ti se tem previsão de voltar a Madrid ano que vem? – estranhou a pergunta, ainda mais que o jogador parecia um pouco ansioso com a resposta.
– Na verdade não... - fez uma pausa dramática para tentar entender o motivo da pergunta. - Eu volto esse ano mesmo, o Bale ainda precisa de mim e vou passar a virada com os Modrićs. Foi isso que eu quis dizer ontem quando disse que ainda te veria, só não imaginei que fosse ser logo no dia seguinte, mas semana que vem vou estar lá no centro de treinamento.
– Acho que ando com sorte, vejo-te lá, . - sem saber o que responder, apenas acenou e voltou a seguir seu caminho.
A fisioterapeuta andou o mais rápido que pôde, tentando não deixar transparecer que estava fugindo. Podia sentir o olhar do jogador em si a deixando ainda mais consciente e nervosa. Sem coragem de olhar para a rua, fechou a porta, finalmente soltando o ar de seus pulmões.
Alguns bons minutos depois, começou a gargalhar:
– Está tudo bem, querida? Ouvi a porta, mas você demorou a aparecer.
– Ah, Debbie, está sim, só acho que preciso logo de um novo emprego e um namorado, estou começando a ver coisas onde elas não existem.
– Já conheceu alguém aqui? Também, linda do jeito que você é.
– Você é uma fofa, sabia? Mas não, esse alguém tá beeem longe do meu alcance, digamos que nós dois gostamos da mesma coisa, sabe? De qualquer forma, somos muito diferentes, é mais uma atração que não sei de onde saiu.
– Logo, logo vai aparecer não só um trabalho como um homem maravilhoso para você, só pelo que faz pelo meu filho já dá pra saber o tipo de pessoa que você é.
– O tipo de pessoa que hoje vai comer tudo que tiver naquela sua mesa de café da manhã, Debbie, nem me venha com suco verde, porque hoje eu só quero saber de suas panquecas e, se tiver o resto do bolo de ontem, também vou querer.
– Ah, fico feliz em ouvir isso. Vai tomar banho, então, e deixa comigo que eu mesma tiro o Gareth da cama.

– E foi isso! – Bale terminou de contar como tinha sido sua noite e , apesar de não ver o rosto do amigo por conta do exercício que faziam, conseguia sentir pela sua voz o quanto ele estava animado.
– Estou tão feliz por você, Balezinho, acho que agora as coisas começam a se ajeitar pra vocês, a Alaina parece ser bem determinada com as coisas que quer e você assim todo príncipe... já quero ser madrinha de casamento.
– Vamos com calma, , agora com o Natal vamos ficar sem nos ver, mas estou pensando em chamá-la para um jantar quando voltarmos, como num encontro, sabe?
– Acho ótimo, inclusive, lembra quando nos conhecemos e te levei pra conhecer Madrid e acabamos sem querer naquele restaurante italiano? Impossível ter algum lugar mais romântico do que aquele nessa cidade.
– Verdade, você lembra onde era?
– Acho que sim, eu olho na internet e te mando, tá?
– Tá, agora me fala, como alguém consegue se perder num condomínio desse tamanho?
– Acho que já deu de rir da minha cara, né? - se fingiu de brava, mas os dois estavam rindo. – Sorte que seu companheiro de time me achou, eu provavelmente estaria lá ainda. Estou pensando em fazer aquele meu brownie em agradecimento, você acha que o comeria? Ele tem cara de quem não sai da dieta nem no Natal.
– Caramba, não fez uma vez pra mim essa semana, foi só o aparecer que já tá me trocando?
– Nossa, que drama, nem parece que larguei meu emprego, entrei num avião e estou aqui trabalhando de graça pra você.
– Ei, eu te comprei um presente, tá? Sei como você é curiosa, então escondi na sua mala pra você só achar no Brasil e, quanto ao , faz sim, acho que ele vai gostar.
Gareth, depois de quatro anos, conhecia como poucos, a mulher era difícil de se abrir com as pessoas, mas algumas de suas ações eram muito fáceis de ler. Alguma coisa em havia lhe chamado a atenção, o que para ele era um tanto quanto curioso, já que a amiga sempre tirava sarro de seu companheiro de time. Não conseguia imaginar duas pessoas mais diferentes do que os dois, mas então se deu conta de sua própria situação e deu risada. Se ele e Alaina, que eram tão opostos, conseguiam achar semelhanças, por que não e ?

Barra Grande, Brasil

descia do pequeno avião que pegara para chegar até sua casa e, já de longe, podia ver um de seus irmãos a esperando próximo ao carro que foi buscá-la e não conseguiu mais se segurar, largou a bolsa e a mala que carregava e correu ao encontro do irmão o mais rápido que pôde. Não tinha vergonha em assumir que só percebeu que era Carter quando já estava pulando em seu colo.
– Você tá chorando mesmo? - Carter perguntou, rindo, mas preocupado ao sentir sua irmã fungar em seu ombro.
– Posso estar feliz em te ver? A última vez que nos vimos foi no seu aniversário.
– Não vamos lembrar daquele dia – seu irmão caçula dissera com uma careta no rosto. – Ter todos os seus amigos babando na sua irmã não é legal.
– Deixa de ser bobo, cadê o Cam e o Nate?
– Eu não sou suficiente? - perguntou, fazendo uma cara de cachorro abandonado e lhe respondeu com uma careta.
– De novo isso? Já disse mil vezes...
"Amo vocês três da mesma maneira". sorriu animada ao ouvir três vozes em sincronia, repetindo o seu discurso de sempre. Os outros dois estavam dentro do carro, esperando para lhe fazer uma surpresa.
Após matar a saudade dos irmãos, os quatro entraram no carro para ir para casa. No caminho, a mais velha dos irmãos Loew ligou seu celular com o número da Suíça e colocou seu chip brasileiro no aparelho antigo que sempre carregava consigo. Enquanto esperava as mensagens se atualizarem, notou uma mensagem de um número desconhecido no seu WhatsApp que começava com o código da Espanha. A curiosidade falou ainda mais alto ao notar a pequena foto no topo do aplicativo e abriu aquela conversa antes de todas as outras.

+ 034 91 356 ***: Ei , pedi seu telemóvel ao Bale, tudo bem? O que ainda tem para descobrir sobre ti, 😉 masterchef?
+ 034 91 356 ***: Eu e meu filho, principalmente, adoramos a surpresa 😝 Espero que tenha chegado bem, bst

– Nem pensar, quarterback – Cameron, seu irmão mais brincalhão, tomou o celular de sua mão, bloqueando a tela e guardando no bolso. – Veio aqui pra ficar de conversa no celular ou pra ficar com a gente?
– Tudo bem, tudo bem – levantou as mãos ao ar, “se rendendo”. – Me contem tudo, mamãe já bebeu quantas caipirinhas?
– Aguenta que ela vai chorar quando te ver – Nate comentou do banco do motorista.
– É, às vezes a gente pega ela nos olhando e cai uma lágrima do olho dela, a velha tá precisando de um namorado.
– Carter! - disse séria, mas caiu na gargalhada. - Duvido chamar ela assim na frente dela.
– Eu não, prezo pela minha vida – o mais novo dos três respondeu ainda rindo. – Ah, estamos com três amigos aqui, tá? Vamos ficar até dia 29 e depois vamos pra Fernando de Noronha.
– Tudo bem, não fazendo barulho na frente do meu quarto à noite... – deu de ombros e os três irmãos se entreolharam, rindo.
– Uma vez , sempre – os três novamente disseram em uníssono.
Sua família materna era enorme, Gisela tinha três irmãs, todas muito bem casadas e uma mais divertida do que a outra, resultando em doze primos de diversas idades. O Natal acabava sendo bastante animado e o ano novo ainda mais, já que sempre chegavam mais pessoas e a semana virava uma grande festa. Apesar de ser umas das únicas a ter seu próprio quarto, fazia questão de dividi-lo com Carter.
sempre afirmou que amava os três irmãos da mesma forma, o que era verdade, porém, sua afinidade maior era com o caçula. Carter tivera uma complicação em seu nascimento e acabou ficando um mês a mais que os outros na UTI e, embora idênticos na aparência física, ele ainda era o mais "atrasado" em relação a Cameron e Nate, fazendo com que lhe desse mais atenção e com isso criassem mais afinidade.
Sua chegada foi recebida com festa por toda sua família, até sua avó Linda estava acordada àquela hora. A via bem menos do que gostaria, mas sempre mandava notícias e fotos suas por mensagem e morria de rir ao ver as tentativas da avó de respondê-las.
Quando deu 3 da manhã no horário do Brasil, subiu para o quarto tão cansada da viagem e troca de fuso horário que só conseguiu tomar um banho para espantar o calor que fazia na Bahia e adormeceu antes mesmo de Carter aparecer no quarto dez minutos depois.
Do outro lado do oceano, um certo jogador já tinha acordado e visto as duas marquinhas azuis de sua mensagem tendo sido finalmente entregue e lida. Bufou, frustrado, ao ver que não tivera resposta.

bem que havia tentado esquecer de quem eram as pernas que estavam dentro daquele vestido, teria sido bem sucedido se elas não viessem acompanhadas de um corpo e rosto iguais aos de , se ao menos ela não ficasse tão linda sorrindo. A mulher não tinha como ser mais seu tipo e pelo pouco que haviam conversado pareciam ter bastante em comum também.
Apesar de amiga de dois de seus companheiros de time, nunca tinha ouvido falar de Loew antes, não que estranhasse, não era tão próximo de Luka e Gareth fora do time, o que era uma pena, queria muito ter intimidade o suficiente para perguntar se ela tinha namorado. Georgina ainda era sua namorada e não faria nada para magoá-la, mas, desde que chegara no Japão, percebeu que não estava tão encantado pela espanhola quanto acreditou estar e, só pelo tamanho do seu interesse na fisioterapeuta, já sabia que seu atual relacionamento estava fadado a acabar.
Encontrar correndo pelo condomínio tinha sido pura sorte, gostaria de ter tido mais tempo para lhe perguntar sobre o tal programa que ela tinha mencionado. O clube dispunha de diversos profissionais dedicados a estudar os jogadores para mandar fazer as chuteiras e caneleiras de acordo com as necessidades individuais, fora a grande equipe médica que mantinha todo o elenco em sua melhor forma, mas, pelo que tinha entendido, ela parecia ter um programa ainda mais interessante que poderia vir a acrescentar ainda mais ao programa que o clube oferecia.
Depois do problema que tiveram em 2015 com o médico responsável pelo time, que acabou forçando Sergio Ramos a fazer uma votação no vestiário para banir Jesus Olmo de frequentar o local, a maioria dos jogadores começou a se tratar por fora do clube, mesmo tinha em seu novo contrato que o clube pagaria pelo profissional de sua escolha. E, se pudesse juntar o útil ao agradável e fosse competente como parecia ser, não via por que não tentar tê-la de alguma forma por mais tempo em Madrid.
O jogador tinha ido passar as férias em casa, aliás, em sua cidade Natal, a casa em questão era um de seus muitos empreendimentos fora do futebol, seu hotel, onde logo ao lado tinha um museu com toda sua trajetória desde pequeno até ser contratado pelo grande Real Madrid. Sempre que estava na cidade ficava hospedado ali e fazia uma visita ao seu museu. Apesar dos milhões em sua conta, gostava de se reconectar com o do passado, aquele que lutou muito por seus sonhos e conseguiu lidar com todas as dificuldades da vida para chegar aonde chegou.
Um sonho realizado dentre tantos que vinha pondo em prática para quando chegasse a hora de se aposentar dos campos pudesse continuar se envolvendo em coisas que amasse e lhe dessem prazer.
Estava em seu quarto colocando os e-mails em dia, aproveitando que seu filho tinha dormido com sua mãe, quando Miguel e Ricky, seus dois melhores amigos, apareceram para tomarem juntos o café da manhã.
– Fala, , bom dia!
– Fala Paixão, Ricky, e a Nana e a Claudia?
– Foram pro spa, e a sua?
– Qual delas? – respondeu, já gargalhando, entre ele e os amigos sempre saiam besteiras do tipo. – A Geo vai passar com a família, vamos nos ver na volta, mas... eu conheci uma pessoa - jogou a novidade e observou os amigos se sentarem curiosos.
– Quem? – Ricky perguntou, interessado.
? – Miguel respondeu com o celular do amigo em mãos. – “Cheguei bem sim, desculpe não ter respondido antes, meu irmão roubou meu celular e estava tão cansada que acabei esquecendo de pegar de volta até agora, fico feliz que tenham gostado. Espero que esteja aproveitando sua família. .” – repetiu o que via na tela, imitando uma voz feminina. - Ah, chegou mais uma: "ps: o que significa bst?".
– É ela, não é? Esse sorriso aí eu conheço bem, predador que encontrou a caça - Ricky disse ao observar o rosto do amigo ir mudando conforme a mensagem era lida.
– É, o nome dela... amiga do Bale - suspirou alto, pensando na mulher.
contou com mais detalhes como havia conhecido para os amigos enquanto respondia a mensagem dela.
– Não tinha como ser mais tua cara – Miguel o interrompeu com um sorriso de quem estava aprontando no rosto e virou a tela de seu celular para os outros dois, que o encaravam curioso e puderam ver uma foto de Bale e no aniversário de Modrić do ano anterior. – O único problema é que a conta dela é fechada.
– No da mulher do Luka tá cheio de foto dela também - disse Rick.
O trio passou o café da manhã procurando por mais informações sobre a fisioterapeuta antes de irem para a academia, já que, mesmo de férias, não poderia deixar de cuidar de sua forma física, que a cada temporada parecia melhorar ainda mais.
Estar com sua família lhe dava um sentimento de preenchimento. Desde que seu pai faleceu em 2005, ele e seus irmãos ficaram ainda mais unidos e o senso de responsabilidade que ele tinha crescera ainda mais. Mesmo sendo o mais novo, ficava feliz em saber que, apesar de todos os seus irmãos estarem encaminhados, teria condições de ajudá-los pelo resto da vida.

– Papai – seu filho, que estava na piscina, se aproximou, o fazendo colocar o celular de lado.
– Fala, filho – disse, brincando com o menino.
– Vamos na piscina comigo?
– Claro que vamos! – disse, empolgado, já tirando sua camiseta e pegando o menino no colo. – Quer pular? – perguntou a Jr., que assentiu empolgado e saiu correndo, se jogando com tudo na piscina.
A piscina interna e aquecida os ajudavam a esquecer o fato de que a temperatura do lado de fora estava bem abaixo do que o normal. Quando não estava ocupado com o futebol, sua primeira prioridade sempre seria Jr., nenhuma pessoa ou negócio viria na frente de seu filho e, sempre que o menino o chamava para brincar, largava o que estivesse fazendo para lhe dar atenção, mesmo que sua mente ainda estivesse presa numa foto que tinha acabado de receber de Toni Kroos.
– Vou contar e tu pula, tá? - disse para o menino que ainda estava pra fora da piscina.
– Ai meu filho, cuidado pra não machucar o menino – sua mãe apareceu na hora e deu risada, balançando a cabeça.
– Ô mãe, sempre preocupada, o não é de açúcar não, eu vou segurar.
– Olha lá, tô de olho.
– Sim senhora – respondeu, ainda rindo, sabendo que a mãe não tinha jeito, mais protetora que ela não existia.
Dolores era como a maioria das mães, quando Jr. nasceu, a viu se transformar em uma leoa ainda mais feroz e então soube que, por mais que seu filho não fosse ter a presença constante de uma mãe, ele teria a presença de diversas figuras femininas que poderiam fazer o papel tão bem quanto. Muita gente pelo mundo era filho de mãe ou pai solteiro e não via qual diferença fazia se seu filho fosse criado apenas por ele, todo mundo ao seu redor entendia, menos a mídia.
Seus poucos dias de folga estavam passando da exata forma que tinha planejado, diversão, descanso e também bastante trabalho. Passara a conversar com por mensagem todos os dias e até começaram a trocar algumas fotos de onde estavam e o que estavam fazendo, ela parecia diferente da pessoa que tinha conhecido e não sabia muito bem como agir, preferia o contato casual que tinham tido pessoalmente.
Kroos, pelo contrário, parecia estar adorando o interesse de na mulher, pois, quando viu a foto que postou dentro de um barco vestindo apenas um maiô preto que deixava toda suas costas à mostra, e outras partes de seu corpo também, sabia que tinha que enviá-la ao colega de time.

Kroos: Achei que gostaria de apreciar as paisagens brasileiras, elas ficam um espetáculo nessa época do ano. 😈🌄?
: Se tivesse como, agradeceria a Pedro Alvares Cabral pessoalmente, essa paisagem é realmente espetacular. O Brasil tem ainda mais relevos do que imaginei. 😍
Kroos: Se alguém perguntar, principalmente minha mulher, não fui eu quem te mandou isso não.
Kroos: Ah, e, se der em casamento, não aceito nada menos do que ser o padrinho.

! – Cameron exclamou, nervoso. – Eu não tenho mais cinco anos.
– Tá, então, espero que você caia e se machuque – retrucou, nervosa, se afastando, mas logo se virou arrependida. – Desculpa Cam, eu não quis dizer isso – disse para o irmão, que parecia bastante chocado com o que acabara de ouvir.
– A gente sabe o que está fazendo – Nate, seu irmão mais sensato, respondeu a abraçando de lado antes que Cameron a respondesse à altura e os dois começassem uma de suas discussões intermináveis. – Praticamos wake o tempo todo, esqueceu que moramos na Califórnia agora? Só você que se mudou pro inverno, o Cam tá profissional e sabe fazer essas manobras.
– Tô parecendo a mamãe, né? – disse olhando para um Cameron emburrado se segurando no barco ainda com a prancha nos pés. Sem esperar resposta se jogou no mar indo de encontro a Cameron. – Desculpa, eu não quero que você se machuque, você sabe que me preocupo e, se alguma coisa acontecer um dia com vocês, nem sei o que faria.
– Não vai, quarterback, eu treinei o ano todo para aproveitar o final do ano, prometo que não morro antes que você, o que vai ser bem difícil já que você vai viver pra sempre – deu uma piscadinha divertida para a irmã.
Os quatro irmãos estavam há horas no mar com suas duas primas mais velhas Luisa e Lara, e os três colegas de faculdade dos meninos, Andy, Ethan e Ben. O pequeno grupo tinha saído logo após o café da manhã para aproveitar e fazer o esporte aquático favorito da família Loew. O combinado era que, ao meio-dia, quando o sol já estivesse quente, almoçariam em um restaurante de frutos do mar simples que ficava ao lado da cachoeira onde passariam o resto do dia tomando sol e se divertindo.
gostava de brincar no wake, mas não era mestra no assunto, apenas gostava de deslizar pela água sem muitas manobras radicais, ver seus irmãos fazendo coisas perigosíssimas a deixava bastante preocupada e, por mais que tentasse relaxar, não conseguia parar de se preocupar com a velocidade que Nate pilotava a lancha e as manobras que Cameron fazia. Até Carter, que geralmente pegava leve, estava voando.
– Eu não sou chata assim normalmente – brincou com os amigos do irmão que estavam sentados na frente do barco tomando sol. – Mas nunca vi eles fazendo isso.
– Minha mãe é igualzinha – Ben comentou e levou um tapa de Andy.
– Ai, o que eu fiz? – disse, passando a mão na cabeça.
– Acabou de chamar a irmã do CNC de velha - comentou o óbvio e viu o menino ficar vermelho. - Agradeça que, se fosse um deles que tivesse ouvido você, ia levar muito mais.
– Desculpa , foi sem querer, mas é que...
– Não se preocupa – disse, rindo. – Eu entendi. Ei, Andy, você tira uma foto aqui pra mim?
– Claro – ele se levantou do pequeno assento e a ajudou a subir até a ponta da lancha. – Como você quer?
– Você não me questionou quando te passei aqueles exercícios pra melhorar seu passe nos jogos, eu não vou dizer a um fotógrafo como fazer seu trabalho.
– Amador, , eu só tiro foto por brincadeira, mas pode deixar que eu vou dar o meu melhor, acho que a modelo ajuda bastante – disse tímido e com o tom de voz bem abaixo do normal.
não era de se envolver com qualquer um, muito menos um cara mais novo, mas Andy havia lhe chamado a atenção desde o primeiro momento em que se viram. Ela tinha descido para tomar café da manhã com os primos e, assim que apareceu na varanda, sentiu seus olhos irem direto aos dele, que a fitavam de volta. Talvez ter descido só de biquíni sem nem ao menos conhecer todos que estavam na casa antes não tinha sido sua melhor ideia, seus irmãos odiavam quando os amigos a olhavam, mas não era nada que podia evitar, considerando onde estavam. Seu corpo não era o mais forte e definido do mundo e nem se achava a mais gostosa, como geralmente estereotipavam as mulheres brasileiras, mas se cuidava muito mais do que a maioria das pessoas e a consequência era um corpo que a deixava feliz e segura de si.
Andy, apesar de jogar futebol americano e ser amigo de seus irmãos, que por onde passavam atraíam olhares, era bastante tímido e muito inteligente, isso fez com que ficasse ainda mais impressionada com o garoto e, sem perceber, passaram horas dividindo uma rede no quiosque em frente ao mar conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo enquanto todo mundo nadava no mar à meia-noite, obviamente sem o conhecimento das mães e tias que tinham saído para uma noite de descanso e paz longe dos filhos e maridos.
A conversa dos dois só fora cortada quando seus irmãos se deram conta de onde o amigo tinha passado as últimas horas. riu sozinha, o que estava acontecendo com ela? Primeiro sentia-se atraída por um cara completamente oposto ao que estava acostumada e, agora, um menino de apenas 22 anos.
vinha trocando mensagens com , mas ainda estava sem entender o que estava acontecendo, desde o dia em que chegara e recebeu sua mensagem, os dois passaram a conversar todos os dias sobre o que estavam fazendo e como estavam suas férias. foi o primeiro a enviar uma selfie e sentiu-se aliviada ao ver que o filho estava junto, os dois estavam sem camisa e sorriam para foto. A fisioterapeuta ficou encantada ao ver como pai e filho eram parecidos e o quanto parecia ser um pai coruja, isso fez com que ele ganhasse pontos com ela, ainda mais que a foto era despida de qualquer pose, eram apenas os dois sorrindo para uma foto particular. Sorriu ao fechar o aplicativo e abrir o próprio arquivo para retribuir de alguma forma, pensou que talvez ele estivesse em busca de uma amiga? Decidiu por enviar uma foto da vista que tinha do seu quarto ao nascer do sol e uma sua com Carter na piscina natural que tinham ido no dia seguinte ao que chegara. Sinalizou que aquele era seu irmão mais novo e guardou o telefone no quarto para passar mais tempo com sua família.
Ao longo dos dias conversaram pequenas amenidades, mas sem perceber já não deixava seu celular no quarto, começou a deixá-lo próxima de si e sempre se via checando se tinham mensagens novas do atacante.
– Com quem você tá falando? – Cameron deitou sua cabeça nas pernas da irmã e, imediatamente, ela começou a fazer carinho nos cabelos mais claros do irmão.
– Com um amigo – respondeu dando de ombros, encarando-o.
?
– Como você sabe? – o questionou curiosa.
– Ele está te mandando mensagem o tempo todo, você deixa ele cada hora em um canto. Passei e vi as notificações.
– Privacidade mandou lembranças - respondeu já levemente de mau humor por saber o que estava por vir.
– O que ele quer com você? Caramba, , quantos homens você tem atrás de você?
– Nenhum? – respondeu sem paciência para iniciar uma discussão com seu irmão. – E que tal você parar de ser tão ciumento, você acaba dando corda pros outros dois e eu não quero me estressar. Esse ano vou embora mais cedo e quero ficar em paz aqui.
– Eu me sinto responsável, o Carter sempre fala que exagero, mas... eu não consigo.
– Por mim? – interrompeu seu irmão mais desregrado e irresponsável completamente surpresa, esperava ouvir isso de Nate ou Carter, mas nunca de Cameron – Você sabe que sou metódica até para me envolver com alguém, não vou sair por aí ficando com um cara por semana e, se não estou namorando, fico no máximo com uma ou outra pessoa que eu tenha muita afinidade, afinal, também preciso me divertir, né? Você nunca deve ter me visto com alguém que não tenha sido o Julian ou então aqueles namorinhos bobos de escola que eu tive.
– Eu sei, mas, sem o pai, eu me sinto responsável por você e não quero te ver sofrendo por um cara que não te merece.
– Você sente falta dele, né? - decidiu não discutir com o irmão sobre seu sentimento de posse sobre sua vida amorosa, resolveu focar no assunto que não era muito discutido entre sua família.
– Sinto, mas eu sei que você e a mãe protegeram a gente de muita coisa, tenho medo de achar ele um herói e não ser bem essa a história real.
– O que está acontecendo? – Nate chegou, se jogando do outro lado da irmã, que sorriu e deixou o celular de lado para fazer um cafuné na cabeça do outro irmão, ela não sabia, mas aquilo era o que os irmãos mais amavam em , ela largava tudo por eles. Sabiam o quanto a irmã era workaholic e prezava por seu trabalho, mas era só eles pedirem que ela dava um jeito de largar tudo para ficar com eles.
– A gente tá falando do papai – respondeu. – E como Cam se sente responsável por mim e minha vida amorosa - rolou os olhos tentando demonstrar como não gostava quando eles decidiam virar seus guarda-costas.
– Nós todos, mas ele demonstra mais – Nate respondeu, dando de ombros. - Eu sei que você sabe fazer escolhas e se der errado vamos todos estar aqui. Não falo muito disso porque acho que magoaria a mãe, mas durante nossa infância e adolescência você foi mais mãe do que ela, claro que a amo tanto quanto, é só... diferente e, querendo ou não, queremos ver você feliz, mas também não queremos que deixe a gente de lado, acho que vem daí o meu ciúme pelo menos, não sei os dois.
– Foi uma época difícil, conciliar inscrições e visitas às faculdades e não deixar vocês sofrerem, mas o papai foi um bom homem, sem ele não teríamos tudo o que temos hoje e muito menos essa casa para ficarmos juntos, nem que seja por alguns dias.
– Você sabe que pode contar com a gente sempre, né? Mesmo com a diferença de idade e a distância, estamos sempre aqui e até que de vez em quando sai um conselho bom.
– Eu sempre imaginei, mas é bom ouvir isso – sorriu completamente emocionada ao perceber que seus irmãos não eram mais meninos, que tinham finalmente se transformado em homens.
– O que eu perdi? – Carter chegou, encarando os três, preocupado ao ver a irmã com os olhos cheios de lágrimas.
– Como sempre, atrasado – Cameron começou, já cutucando Nate.
– Demorou quinze minutos pra nascer e, desde então, tenta acompanhar a gente.
– Ouch!! – os dois colocaram a mão na orelha depois de ter levado um puxão cada de .
– Deixem o Carter em paz – disse firme. – Não vão estragar o respeito que acabei de criar por vocês.
– Ah, é? – Nate se levantou com o olhar travesso e sabia que estava ferrada. - Você ouviu isso? - olhou para Cameron.
– Piscina? – Cam disse, rindo.
– MAR! – os outros dois responderam juntos e a mulher nem tentou correr, sabia que contra três não tinha a menor chance, mesmo quando estava defendendo um deles.

: Tão difícil abandonar isso para voltar pra Madrid. 😫

enviou uma foto da praia que ficava em frente à sua casa onde toda sua família estava reunida tomando sol ou nadando no mar.

: Tu não podes ficar mais uns dias? Tenho certeza que o Bale não se importaria, se aqui estivesse esse sol eu também não ia querer ir embora.
: Tá querendo me ver longe? Eu preciso voltar, já troquei as passagens e não sou de desmarcar compromissos.
: Muito pelo contrário, gostei de conhecer-te. Que horas tu chegas em Lisboa? Posso pedir ao meu avião que busque a ti para que venha mais tranquila.
: 😱😱😱😳
: Claro que não! 😤

Assim que enviou sua última mensagem, viu que começou a responder, mas, sentindo-se estranha e bastante incomodada com a sugestão do jogador, decidiu deixar o celular de lado e focar na festa que fariam àquela noite. Como nesse ano todos os irmãos Loew iriam embora antes do Ano Novo, decidiram por fazer uma festa antes do Natal.
estava tão entretida com a organização e ajudando sua mãe e tias na cozinha, que acabou não olhando mais o celular, deixando um tanto quanto intrigado ao que poderia ter feito de errado, quando a única coisa que ele tinha feito era tentar ser cuidadoso com alguém que vinha lhe despertando o interesse.
A sala da casa tinha sido toda alterada para acomodar as comidas e bebidas já preparada por todos, seus primos menores já estavam dançando algumas músicas na pista de dança e se aproximou de Rafa, seu priminho de apenas seis anos e o pegou no colo para dançar com ele ao som de Katy Perry. Conforme geralmente acontecia, bastava que o som da melodia entrasse por seus ouvidos para que esquecesse de tudo à sua volta e soubesse exatamente o que fazer. Estava se divertindo tanto quanto o garoto, que, às gargalhadas, pedia que a “tia” continuasse a rodopiar.
Quando a música acabou, apesar dos protestos, o colocou no chão sentindo o peso de tê-lo segurado por tanto tempo. Seu olhar acabou caindo sem querer em Andy que a olhava bastante... impressionado. Sentindo-se bem melhor após fazer a coisa que mais amava no mundo, ainda o encarando, puxou Nate para dançar, fazendo questão de sempre fitá-lo quando o movimento permitia, já tinha cansado de analisar o que estava acontecendo com ela e, após as diversas caipirinhas que tinha tomado durante as preparações da noite, tentou se deixar levar pelo que estava sentindo sem se preocupar com seu lado racional.
– Vem! Dança comigo! – ofereceu sua mão para Andy depois de dançar cinco músicas com Nate.
– Jamais, eu não sei dançar um terço do que você está fazendo e também tenho amor à minha vida – disse bastante tímido.
– Estou só te chamando pra dançar, Andy, não pra ir pro matadouro – disse naturalmente, fazendo com que Ben caísse na gargalhada. – Eu sou uma boa professora, prometo – respondeu sem malícia alguma, mas viu nos olhos dos dois que eles levaram e muito sua frase para o lado errado.
– Disso a gente não duvida. – Ben a olhou divertido e cochichou alguma coisa para Andy que coçou a cabeça olhando para o chão ainda mais nervoso.
– Eu não sei...
– Deixa pra lá então. – levemente irritada com seja lá o que os dois tanto se olhavam, virou-se para sair do local.
– Não tudo bem, eu danço! - sentiu o toque de Andy em seu braço e se virou sem esconder suas emoções. – Desculpa, eu não quis te irritar.
– Eu não tenho mais a sua idade, Andy, não gosto de imaturidade e achei que você fosse diferente – respondeu sem dó deixando o garoto ainda mais vermelho e completamente perdido.
Irritada com Andy e ainda mais consigo mesma, descontou na dança sua frustração. Queria ter apenas uma noite legal com alguém que parecia ser adorável, um homem que embora mais novo tinha lhe chamado a atenção, ao menos com ele, ela sabia que o interesse era mútuo.
Passara as próximas três horas divertindo-se com sua família, já que todos gostavam de seu dom e acabavam pedindo que ela os ensinasse alguma coisa, resultando em toda a família dançando Maluma e dando altas gargalhadas da descoordenação de alguns de seus tios.
Com uma caipirinha em mãos, tirou as sandálias dos pés, as colocando no quiosque em frente à praia e foi dar uma breve caminhada no escuro. Apesar de seguro, manteve-se em proximidade à casa. Sentou-se na areia e observou o mar que, naquela noite, estava mais agitado que o normal, sabia que mais algumas horas e ele tomaria toda a areia.
– Oi – virou-se assustada, dando de cara com Andy, não tinha o visto de aproximar.
– E...
– Eu sei que mereço tudo que você quer me falar, acredite, passei as últimas horas me xingando de todos os nomes e sei que estraguei seja lá o que te fez falar comigo da primeira vez, mas eu vim tentar me desculpar. Se vale de alguma coisa, eu danço muito mal, mas eu estava disposto a passar vergonha só para poder dançar com você.
– E por que não dançou?
– Seus irmãos, eles te colocam num pedestal e morrem de ciúmes de você, desde que os conheço sempre ouvi seu nome atrelados a elogios – disse sentando-se ao lado da mulher. – Eles já estão de olho em mim desde o dia na rede e ainda mais depois das fotos que tirei pra você no barco.
– E o Ben?
– Ele é um idiota, disse que se fosse ele não perderia a oportunidade de “aprender” com você por conta do CNC, mas eu não sou assim, por isso achei melhor não ir, só não imaginei que fosse te chatear e quando percebi que provavelmente nunca mais vou te ver, tentei voltar atrás, mas aí já era tarde demais.
– Tá tudo bem, Andy – disse dando de ombros. – Pode voltar pra lá tranquilo, eu vou daqui a pouco, vou andar até o coqueiro caído e volto.
– Eu vou com você, está escuro lá – disse, se levantando e caminhando em silêncio ao lado da fisioterapeuta.

– Eu tenho uma foto sua aqui – se virou curiosa para o garoto que estava sentado no coqueiro ao lado dela em silêncio.
– Como?
– Eu tirei muitas fotos desse lugar, digamos que algumas delas tem você de alguma forma ou outra, idiota eu sei. Imaturo - respondeu envergonhado ao repetir o que tinha ouvido há pouco. - Eu me achava um homem até te conhecer, às vezes fico com vergonha de falar alguma coisa e você cair na real e se perguntar o porquê de estar falando comigo. Isso é, se eu não tiver entendido tudo errado, aí sim eu provavelmente nunca vou superar um mico desse.
– Você não está sozinho nessa, é estranho pra mim também – riu encarando a areia. – Você tem a idade dos meus irmãos, mas acho que a gente não escolhe muito por quem vamos nos sentir atraídos.
– Ainda bem que não, acho que só assim pra você me olhar, você é linda, – Andy disse se levantando e encaixando as pernas de entre as suas. – Eu vou te beijar.
abriu um sorriso doce ao ver quão nervoso Andy estava à sua frente, sentiu-se poderosa por um momento e o deixou livre para fazer o que havia dito, sabia que ele ainda estava incerto se ela realmente ia beijá-lo de volta. O garoto se aproximou devagar, com medo do que estava prestes a fazer, mas, quando seus lábios se encontraram, tanto quanto Andy tiveram certeza de que o que estavam fazendo era a coisa a certa, eles lidariam com as consequências dos seus atos depois... bem depois.
– Me desculpa por ter dito o que disse lá na sala, mas seu amigo não ajudou em nada, é óbvio que mesmo você sendo bastante maduro comigo ainda tem 22 anos e vai agir conforme sua idade, mas fiz parecer que era só isso que você era – disse, sorrindo e fazendo um carinho nos cabelos do menino à sua frente, que aproveitou a situação para puxar para mais perto ainda, abraçando sua cintura.
– Não tem problema, será que ainda posso dançar com você? Ou ao menos tentar?
– Sem música? - Andy tirou o celular do bolso passando pra .
A fisioterapeuta passou os olhos rapidamente nas músicas que ele tinha no celular e decidiu-se por One Dance, do Drake, não tinha nada em espanhol e sabia o que fazer de qualquer forma. Ofereceu sua mão já dançando e, dessa vez, Andy a aceitou sem receios, colocou as mãos do garoto em sua cintura e tentou da forma mais básica que conseguiu fazê-lo dançar, mas acabou mais dançando para ele que a encarava desacreditado por ter uma mulher como dançando da forma que fazia somente para ele. No fim, estavam mais se beijando do que dançando.
– Se antes já não ia esquecer de você dançando, agora acho que posso me considerar o homem mais sortudo do mundo. Não achei que era possível você ficar mais sexy do que de biquíni, mas hoje você ganhou.
– Acho que tem um outro look que pode ganhar desse vestido... – disse maliciosa passando os braços em volta do pescoço de Andy, que era tão grande que tinha que ficar na ponta dos pés para conseguir sussurrar em seu ouvido. – Se eu não estivesse usando nada.
– Você t... tem certeza? - Andy a encarou completamente surpreso e para provar que estava falando sério se afastou do garoto deslizando uma alça do vestido por seu ombro.
– Depois de uma certa idade só beijar não é suficiente, Andy - disse manhosa, colocando uma de suas mãos no peito do garoto que tinha seu olhar preso na alça do vestido que parecia querer cair a qualquer instante. - O seu jeito tímido e fofo de ser, junto com sua inteligência me atraíram antes mesmo de te ver sem camisa, mas depois... futebol americano realmente faz maravilhas pro corpo masculino – finalizou, deslizando a outra alça do vestido para o lado e seu vestido, que era feito de um tecido fino, acabou caindo por seu corpo até tocar o chão. - Só tem um problema, eu não planejei nada disso e não tem bolso nesse vestido.
– Eu tenho uma na minha carteira – Andy respondeu, apressado e ainda atordoado por saber que, assim que o braço dela saísse da frente de seu peito, ele provavelmente deixaria de responder por si. – Eu não tinha a menor esperança que isso fosse acontecer, mas... - disse, novamente tímido, coçando a cabeça. - Um cara pode sonhar, né?
– Se fosse qualquer outro dia isso me faria rir, mas no momento só vou agradecer. Vem! - disse, finalmente tirando as mão da frente de seus seios, oferecendo sua mão a Andy como tinha feito momentos atrás, que não só a aceitou, como se abaixou para pegar o vestido e a pegou no colo como se pesasse 10kg, entrelaçando suas pernas em sua cintura.
– Prometo não decepcionar – disse entre beijos e soltou um gemido baixo ao espalmar a bunda da fisioterapeuta, coisa que teve vontade de fazer desde o momento que a viu.

– Me dá um beijo – pediu, já puxando Andy para junto de si antes de pular novamente em seu colo. – Estamos chegando de volta ao mundo real.
– Eu te ajudo – Andy se abaixou para ajudar a colocar as sandálias de volta e, quando olhou para cima, a viu sorrir de lado. Imediatamente se lembrou que a calcinha dela ainda estava em seu bolso. – Você não tem amor no coração – disse rindo tentando focar na tarefa que fazia.
– Ei, casal – Lara disse, rindo ao lado de Ethan, fazendo com que os dois a olhassem e, só depois, se dessem conta do que tinham feito. – Deixa eu tirar uma foto de vocês – disse em inglês e os dois sorriram para a foto, mas logo sua prima completou em português: – Precisamos contar aos pais do pobre menino a causa da morte dele.
– Lara! – exclamou, exasperada, e Andy as encarou, curioso, sem entender uma palavra.
– Eu vim antes, os três estão putos, melhor você dispersar – disse, rindo, e olhou para a casa vendo três semblantes idênticos vindo em sua direção e, logo atrás, sua mãe tentando segurá-los.
– Andy, desculpa – sussurrou sofrida e o menino logo entendeu o que estava acontecendo. - Podem parar, não aconteceu nada – disse, tentando acalmar os ânimos.
Seu filho da puta! – Carter empurrou , a tirando do caminho, e virou um soco em Andy.
– CARTER! – o chamou, assustada, de todos ele era quem ela menos esperava ter uma atitude dessas.
– Agora não, – disse, raivoso, indo para cima de Andy, que ainda estava no chão com a mão no rosto.
– Agora sim, pode parar, nós só fomos dar uma volta na praia – retrucou, indo ao encontro de Andy, mas foi barrada por Cameron.
– Volta na praia ou volta na areia? Seu cabelo está todo sujo e seu vestido molhado. – Cam sorriu, irônico, e Nate se aproximou de para ver se o que o irmão falava era verdade.
– Duas regras, duas únicas regras, não beber e ir pro mar e não dar em cima da , é tão difícil respeitar a irmã dos outros? - Carter disse irritado, tentando acertar outro soco em Andy, mas ele era muito mais alto e forte que o primeiro e conseguiu se esquivar.
– Quanto machismo, Carter, fui eu quem o chamou, ok? Por que você não vem tirar satisfação comigo?
– Porque eu não quero nem olhar na sua cara – disse, ríspido, e sentiu na hora seus olhos se encherem de água, já tinha brigado feio com Cameron diversas vezes e ficado quinze dias sem falar com Nate, mas Carter era a primeira vez que eles tinham sequer falado torto um com o outro.
– Carter, chega. – Gisela usou seu tom de mãe, fazendo com que Carter a olhasse. – Vem comigo, Andy, eu tenho curativo no meu quarto – disse doce para o menino, que seguiu o caminho sem olhar para ninguém.
– Por que vocês não falam nada do Ethan e da Lara? - apontou o casal que estava junto desde a primeira noite que se conheceram, antes mesmo de chegar.
– Porque ela não é nossa irmã, simples assim. Poxa, , qual a dificuldade? - Cameron a encarou, decepcionado.
– Dificuldade do quê? Viver? Agora preciso virar freira?
– Não, mas também não precisava ter pegado o meu amigo, obrigado por acabar com minhas férias e destruir minha amizade. – Carter saiu irritado, deixando a todos surpresos.
– Nunca esperei isso dele – Nate abraçou . – Vamos pro meu quarto, você pode dormir comigo hoje, quem sabe não viro o irmão favorito? - disse, tentando animar a irmã. - Só para constar, eu também estou bravo, mais com ele do que você, mas acho que o Cam e o Car já fizeram todo o trabalho por mim.

– Bom dia, quarterback – ouviu Nate dizer em suas costas e se virou na cama, encontrando o irmão com um sorriso no rosto. – Você tá melhor?
– Por que você não brigou comigo?
– Você queria que eu brigasse? - questionou a irmã, divertido. – Acima de tudo, eu te amo e sei que você nunca vai fazer algo sem pensar um milhão de vezes, o foda é que vou ter que ver o Andy pro resto da faculdade sabendo que ele viu minha irmã nua - comentou, a fazendo rir. - Já fico feliz que não tenha sido o Ben, se você tivesse ficado com ele acho que teria que trocar de faculdade. O Andy é gente boa, ele é mais amigo do Carter do que meu, mas ele é o tipo de cara que só fica com alguém se for pra namorar.
– Ele é um fofo mesmo e até que sabia o que estava fazendo, me surpreendeu.
– Pelo menos isso – Nate disse sem vergonha alguma, ele sempre gostou da opinião da irmã em assuntos amorosos e sexuais e estava feliz que estava se abrindo com ele, entre os dois não havia assuntos proibidos.
Alguém bateu na porta e Nate se levantou para abri-la.
– É a mãe - disse, abrindo espaço para que Gisela entrasse.
– Se for pra me dar sermão, eu passo – resmungou, escondendo o rosto embaixo da coberta.
– Eu vou descer – Nate disse, saindo de fininho.
– Filha – Gisela a chamou, deitando-se na cama, e colocou a coberta sobre sua cabeça, fitando os olhos idênticos aos seus. - Você faz isso desde pequena, sempre que fazia algo errado se escondia embaixo das cobertas.
– Mas eu não fiz nada de errado, não me importa o que eles achem, a vida é minha.
– E ficou com um menino que podia ser seu irmão.
– Desculpa, mãe, mas eu não vou ouvir isso, moro fora de casa há 12 anos, de todas as pessoas do mundo achei que você fosse uma das poucas que não fosse me julgar por ficar com alguém mais novo do que eu.
– Meu amor, eu não estou chateada nem te julgando, eu só quero ver você feliz. É que eu achei que tivesse conhecido alguém, está sempre com o celular na mão, sorrindo, acabei criando expectativas.
– Ah! – riu, aliviada, e acabou se dando conta de que tinha completamente esquecido de responder o camisa 7. – Eu tenho falado com o .
– Ah meu Deus, filha, eu acho ele um gato! Ia amar tê-lo como genro, ele é tão bonito quanto parece?
– Mãe! - deu uma gargalhada. – Acho que você teria que esperar os meninos irem me visitar para saber se poderia tê-lo como genro.
– Mentira?! Então ele é gay mesmo? Puxa, pior que eu acho que os três são bem héteros, mas algo me diz que você também gostaria que ele não fosse gay?
– Eu só o vi duas vezes rapidamente, mas... ele me surpreendeu, é um cavalheiro e está sempre cheiroso e com um sorriso no rosto, mas aqueles verdadeiros, sabe? Deixa eu te mostrar.
Sentindo-se bem melhor e por saber que sua mãe estava apenas sendo sua mãe, esperando por netos, mostrou as conversas que vinha tendo com o atacante.
, ele parece bem interessado em você, tem certeza que ele é gay?
– Eu acho que ele vê em mim uma amiga, sabe? – deu de ombros, mostrando à sua mãe uma foto do jogador que recebera outro dia. - Ainda estou formando uma opinião sobre o que acho dele, além da aparência física.
– De repente ele é bissexual.
– Ai, mãe, você não pode ser uma mãe careta normal?
– Se eu tento ser careta, você vem me dar sermão de como mora sozinha e não sei o que; se tento ser moderna, reclamam, como posso ganhar?
– Boba, olha essa foto, eu nunca tinha reparado o quanto os lábios dele são beijáveis.
– E os do Andy? Ele é uma graça mesmo, né? Estava super chateado de ter feito você e o Carter brigarem, até perguntou se eu o ajudaria a trocar a passagem dele.
– Você não deixou, né?
– Claro que não, não vou deixá-lo passar a véspera de Natal num avião, seu irmão também está triste, dormiu comigo, mas são meninos, logo se acertam. Vamos, princesa, estão todos te esperando para tomar café da manhã.

– Ei! – entrou no quarto que Andy dividia com os amigos com um saco de gelo na mão.
– Acho melhor você não vir aqui, ... – pediu, já se sentando na cama, e acabou vendo que, além de estar sem camisa, usava apenas cueca, uma delícia.
– Não se preocupa, ontem deixei a situação sair do controle porque foi algo totalmente inesperado, hoje a quarterback está de volta, como você tá? - perguntou, se sentando próxima a ele para ver seu olho machucado. – Tá doendo?
– Um pouco – assumiu, deixando com que ela colocasse o gelo em seu olho. – Como você está? Eu queria ter falado com você, mas não quero piorar a situação e também não sabia muito como agir quando te visse, pensei que pudesse estar arrependida.
– Andy, eu penso muito antes de fazer alguma coisa, portanto, não me arrependo de nada nessa vida, mas queria te pedir desculpas. Se eu soubesse que eles iam agir dessa forma, teria feito as coisas diferentes.
– Eu não estou arrependido, sei que errei e fui muito fura olho, mas você é maravilhosa, , eu só me arrependeria se tivesse te deixado ir embora sem ter certeza se o interesse era mútuo ou só coisa da minha cabeça.
– Realizou um sonho de ficar com uma mulher mais velha?
– Não, eu nunca me atraí antes pra ser sincero, eu tenho uma irmã mais velha e nunca me interessei por nenhuma amiga dela, mas... você é diferente.
– Tirando nossas idades, temos muito em comum, e eu gosto do seu jeito, não sei se é só aqui que você é assim, mas não me importa. Eu gostei muito de ontem à noite pra ser sincera, você me surpreendeu bastante.
– Jura? Ou está falando só porque tá com dó do meu olho? - disse, brincalhão, tentando dar uma piscadinha, e logo se arrependeu, fazendo uma careta de dor.
– Eu juro, pode se gabar pros seus amigos... que não sejam meus irmãos, claro – brincou, tentando amenizar a situação. - Você vai ficar aqui o dia todo mesmo?
– Estou com um pouco de vergonha de sair, nem pelo olho, mas mais pela sua família.
– Não se preocupe, meus tios vão provavelmente te parabenizar – disse, rindo ao se lembrar das piadas que tinha ouvido no café da manhã. – Minhas tias ficaram falando que, se fossem uns anos mais novas, também investiriam no Ethan e no Ben, para o horror da Lara e indignação dos meus tios.
– Sua família é bem divertida.
– Quer que eu fique um pouco com você?
– Eu não sei...
– Vai começar de novo? – rolou os olhos, o fazendo rir.
– Tudo bem – disse, rindo. – Melhor eu aproveitar enquanto posso. – moveu-se na cama, abrindo o braço para que se encaixasse ali.
– Mas só de cueca, lindo desse jeito, quem vai aproveitar sou eu – riu ao ver a cara que Andy fez.

observava sua família se cumprimentar à meia-noite com um sorriso no rosto, mas um aperto no peito. Amava o Natal e tudo que envolvia a data, sempre fora assim desde pequena. Seu pai sempre a incentivou a ser exagerada e o resultado era uma mesa para a ceia impecável e uma casa completamente decorada. Sua família já estava acostumada com o seu modo de ser e sabiam que, quando chegassem em seus quartos, teriam todos um novo pijama com motivos natalinos para usarem na virada e, por mais que fosse uma tradição americana, quando chegassem na sala para tomar café da manhã, teriam uma meia com pequenas lembranças e presentes que ela comprava ao longo do ano.
Seus tios e primos trocavam presentes logo após a meia-noite, mas sua família em si estava tão acostumada com a tradição americana que sempre os abriam no dia 25 de manhã, prolongando a bagunça que acontecia nessa data. Sorriu sozinha ao olhar para sua nova pulseira de ouro, presente de Gareth. Estava ansiosa para abrir a caixinha vermelha desde que a encontrou em sua mala e não iria esperar até a manhã seguinte para saber o que tinha dentro, o amigo a conhecia bem. Já havia lhe enviado Feliz Natal quando deu meia noite em Wales e, depois, enviou uma foto sua com a pulseira já devidamente em seu lugar, mas ele deveria estar comemorando com a família, já que não tinha tido resposta ainda.
Queria enviar Feliz Natal e responder uma pessoa em especial, mas estava com vergonha depois de tê-lo ignorado sem querer por mais de 24 horas. A última mensagem que recebera havia sido um emoji com uma lágrima caindo e já tinha ensaiado diversas frases, mas não sabia ao certo o que dizer.
Depois que cumprimentou todas as pessoas que vieram ao seu encontro, saiu de fininho, indo até o mar, e parou para observar a lua que estava tão forte que iluminava toda a extensão da praia.
– Passou horas organizando tudo para quando desse meia noite fugir de todo mundo? - Andy a abraçou por trás e colocou suas mãos por cima das do rapaz.
– Não estou no clima esse ano – respondeu, desanimada, mas feliz por não estar completamente sozinha.
– Eles estão tentando – se referia a seus irmãos que tentaram conversar com ela durante o dia, mas foram ignorados completamente.
– Eles te mandaram aqui? - riu pela ironia do momento. – Depois de tudo?
– Talvez, o Carter me pediu desculpas e eu também, na vinda Cameron que pediu para nem sequer olhar pra você, mas digamos que falhei na missão. Assumi minha parcela na culpa, mas eles também disseram que exageraram. Eu entendo, tenho vontade de socar alguns caras que ficam com a minha irmã. Enfim, está tudo bem entre a gente, porque não faz tudo ficar bem entre vocês também? Sei o quanto você e o Carter são apegados e como sou o culpado disso tudo, por favor? Posso ficar só de cueca de novo se isso for ajudar em alguma coisa – gargalhou alto ao ouvir o que ele dissera.
– Eu vou pensar no assunto – disse, se virando para abraçar Andy quando sentiu seu celular vibrar.

Balezinho: Eu pensei que as coisas estivessem indo bem entre eu e Lena, mas ela tá ficando com um cara. Não sei o que pensar. 😞

– Está tudo bem? - perguntou, preocupado ao ver o queixo de ir ao chão.
– Eu preciso fazer uma ligação, me desculpe – disse, já apertando o botão para ligar para Gareth. – Eu volto daqui a pouco. – Andy assentiu, lhe dando um beijo na testa, e voltou para a casa.

– Ei, como você está? - perguntou receosa para o amigo. – Feliz Natal!
Feliz Natal, , não são meia-noite aí? A gente não precisa se falar hoje, eu sei que você comemora no dia 24, eu só precisava desabafar.
– Tá tudo bem, meu Natal também não está dos melhores, vai me fazer bem ouvir os problemas alheios, o que aconteceu? Como você ficou sabendo?
Eu liguei pra desejar Feliz Natal e conversar também, mas, ela estava ocupada.
– Você tem certeza que entendeu certo? - perguntou, chocada, a forma que via Alaina olhar Gareth não parecia ser coisa de momento.
Ela confessou – Gareth fechou os olhos ao relembrar a ligação que tinha terminado há pouco. – Disse que não teve uma noite muito boa e acabou enchendo a cara – soltou um riso debochado.
– Por isso que eu quase nunca bebo, odeio o que o álcool pode fazer com as pessoas.
Desculpa, não queria tocar nesse assunto com você.
– Ta tudo bem, Balezinho, já faz muito tempo. Ela parecia arrependida pelo menos?
Ela me pediu para não odiá-la, digamos que não consegui esconder minha frustração, foi como se tivesse levado um tiro pelas costas, sabe? Não estava esperando isso mesmo.
– Pra ser sincera, nem eu, meu voto era todo dela já. Eu sinto muito Bale, queria poder fazer você não se sentir assim.
Só tem uma coisa que eu não entendi muito bem, ela disse que eu não devia esperar muito dela, que ela não era a Emma.
– Graças a Deus! - disse, brincalhona, e sorriu, vencedora, ao ouvir o amigo dar uma risadinha do outro lado. – Brincadeira, a Emma foi passar o Natal com você, né?
Foi sim, foi estranho no começo, fazia tempo que a gente não se via, praticamente desde o término, mas, depois, ficou tudo normal como sempre foi.
– A Alaina sabia? Digo, da Emma estar com vocês?
Não sei, por quê?
– Sei lá, tô tentando entender o porquê de ela trazer a Emma para uma discussão quando ela que foi pega fazendo merda.
Hm, não saberia te dizer, a Vicky postou uma foto nossa no Instagram dela e a Lena segue ela, você acha que pode ter sido isso?
– Peraí – fechou a ligação rapidamente, indo ao aplicativo de fotos checar a página de Vicky. – Olha, se eu visse meu crush príncipe sentado ao lado da ex ia me sentir jogada pra escanteio mesmo, ainda mais com essa mãozinha no seu joelho.
Quantas piadas em relação a futebol tem na sua cabeça?
– É mais forte do que eu, quando eu vejo, já saiu – riu por ser a mais pura verdade. – Mas, sinceramente, isso não é desculpa de nada, acho que a Lena já te conhece o suficiente para saber que você não é homem de fazer joguinho.
Eu concordo, às vezes fico achando que ela só está procurando uma desculpa pra fugir, qualquer coisa para que isso que estamos construindo deixe de existir.
– Eu só não quero que ela te faça de trouxa, caramba, tava começando a gostar dela, até comprei um biquíni brasileiro de presente, achei que você fosse curtir vê-la com um.
Sei, iguais os que você fica postando mostrando a bunda no Instagram?
– Ah, qual é, como diria um grande filósofo brasileiro contemporâneo: "tudo que é bonito é pra se mostrar" - disse, metida, e pôde ouvir o amigo do outro lado gargalhar.
Às vezes me pergunto o que passa nessa sua cabeça, mas aí me lembro que é exatamente isso que me faz te procurar quando não estou bem.
– A gente faz o que pode. – sorriu verdadeiramente ao ouvir as palavras do amigo.
E você, quer me contar o porquê de seu Natal não estar dos melhores? Achei que fosse a viciada em Papai Noel.
– E sou, mas deixa pra lá, não quero falar disso agora, eu te conto em dois dias.
Vou te esperar. Feliz Natal, , espero que seu dia 25 seja melhor do que o seu 24.
– Eu também Balezinho, fica bem e, se precisar, já sabe, eu acabo com a Lena pra você.
desligou a ligação com um peso ainda maior em seu peito, o que Alaina tinha na cabeça para magoar seu amigo dessa forma? Com o WhatsApp ainda aberto, viu sua vontade de falar com crescer e abriu a conversa esquecida com ele para pensar no que dizer, só não esperava receber na mesma hora uma mensagem dele.

: Feliz Natal, 🎅, sei que comemoram dia 24 aí no Brasil, espero que esteja tendo uma boa noite com os seus.
: Não sei se disse algo para chatear-te ou se está ocupada com sua família, mas, como sumiu, espero que esteja bem. Bst, x

arregalou os olhos ao ver que sua mensagem foi imediatamente lida, indicando que do outro lado do oceano tinha sua conversa aberta.

: Ei, Feliz Natal, ainda acordado?
: Cheguei há pouco de um jantar e agora estou a olhar meu filho dormir.
: Que fofo 👼 , ele deve estar super empolgado para acordar amanhã.
: Tive que lhe prometer sonhos de Natal de pequeno almoço para fazê-lo dormir, não foi fácil.
: Sonhos de Natal??
: O Marcelo disse-me que aí no Brasil chamam de bolinho de chuva, mas não sei se é igual o daqui.
: Ai meu Deus 😍 . Eu amo bolinho de chuva, vou pedir pra minha avó fazer amanhã pra mim.
: Posso levar uns pra ti se quiser?
: COM CERTEZA SIM! Desculpe, faz muito tempo que não como um, me deu uma vontade agora.
: E como está seu Natal?
: Já tive melhores 😌
: Quer conversar?
: Você está com seu filho, não se preocupa comigo.
: Não será incômodo algum, ele fica bem aqui no quarto, eu vou até a sala da minha suíte.
: Tem certeza? Não quero incomodar.

nem esperou terminar de digitar sua próxima frase, levantou-se da cama com cuidado para não acordar e sentou-se no sofá que tinha na sala de seu quarto de onde o filho poderia vê-lo caso acordasse assustado. Assim que se sentou, apertou o número de .
Você sabe que não precisava né?
– Deixa de bobeira, o que aconteceu?
Meus irmãos, briguei com dois.
– Dois? Quantos irmãos tu tens?
Três ué, até te mandei as fotos deles estranhou a pergunta, tinha certeza que tinha enviado foto de todos.
– Não, tu mandou-me a foto do mesmo irmão todas as vezes – ficou confuso ao ouvir gargalhar do outro lado.
Eles são trigêmeos idênticos, , eu até coloquei os nomes na legenda.
– Ahhhh! – riu com a confusão. – Eu tava bastante confuso cada hora vendo um nome diferente, fiquei perguntando-me se ele tinha um nome triplo ou se as caipirinhas estavam a te afetar. Por que brigou com eles?
Eu fiz uma coisa que eles não gostaram, nada de errado, só que eles se sentem responsáveis por mim mesmo sendo sete anos mais novos, e no calor do momento acabaram falando coisas que nunca me disseram antes. Eles são as pessoas mais importantes da minha vida, então, quando brigamos, me afeta muito.
– Eu sou o irmão mais novo da minha família, brigávamos muito quando éramos mais novos, agora damo-nos todos bem, já tentou conversar com eles?
Não - pode ouvi-la murchar um pouco. – Eles tentaram... só de pensar em alguma coisa acontecendo com eles já me dá vontade de chorar, mas o Carter, aquele da foto embaixo do mar, é o mais especial pra mim e foi justo com ele que eu briguei. Isso nunca tinha acontecido antes.
– Não fica chateada, , tenho certeza que teus irmãos amam-te tanto que não sabem como demonstrar. Tu pareces ser uma ótima irmã e aposto que eles devem querer proteger-te de todo mal, eu faria isso se tivesse a ti como minha irmã. - "Graças a Deus que não tenho", pensou , rindo sozinho.
Nunca imaginei que falar com você fosse me fazer tão bem estava sentada na rede em frente ao quiosque e aquele aperto que sentia em seu coração já estava bem menor. – Justo hoje um amigo precisou de mim e acabou que não desabafei com ele, ele precisava mais de mim. Não costumo me abrir com pessoas que não conheço muito bem, mesmo ele sendo o dono do mundo sorriu largo ao ouvir seu apelido no Brasil saindo da boca de .
– Fico muito feliz em ouvir isso, achei que estivesse chateada comigo.
Não, me desculpe por ter sumido, não era minha intenção, eu vou te deixar ir, , você tem uma manhã e tanto te esperando, vou ficar esperando meus sonhos de Natal.
– Pode deixar que não esqueço, fica bem , se precisar estou aqui, de verdade, tens meu telemóvel e pode usá-lo.
Nossa, , obrigada, eu nem sabia que falar com você era o que eu estava precisando, Feliz Natal e te vejo em alguns dias.
– Pra ti também .
desligou a ligação sentindo o sono bater ainda mais forte, estava pronto para dormir quando decidiu tentar entender uma última vez se estava ou não chateada com ele e só podia agradecer a sorte por estar lá quando ela mais precisava. Gostou de saber que família era algo tão importante para ela, mais uma coisa que tinham em comum.
Seu Natal ficou infinitamente melhor.

– Então eu realmente sou o favorito?
– Ai que susto, Carter. – quase caiu da rede ao ouvir seu irmão tão perto de si.
– Não faz essa cara, por favor.
– Que cara?
– Cara de quem tá magoada com o idiota do irmão mais novo – disse com um semblante triste, se sentando ao lado da irmã.
– Você ouviu minha conversa?
– Eu sei que trigêmeos supostamente tem uma conexão que transcende a alma e nós três realmente temos, mas o que eu tenho com você é ainda mais forte, você é a pessoa mais especial do mundo pra mim, - disse, confirmando que tinha sim ouvido. - Brigar com você é como se eu tivesse ferindo a mim mesmo, eu sei que eu errei, mas poxa, ele é um dos meus melhores amigos.
– Eu entendo, mas não fiz de propósito... aconteceu e eu ando muito confusa com algumas coisas e acho que carente também, me desculpa se te chateei ficando com o Andy e estraguei suas férias.
– Não, não se desculpe, eu preferia que isso não tivesse acontecido, mas, quando vi vocês dormindo juntos, eu percebi que o lance de vocês era algo legal. Não te via assim tranquila há muito tempo e me odiei por ter te tratado daquele jeito, mas, na hora que o Cameron me disse que você tinha sumido e o Andy não voltava nunca do quarto e bem depois vejo vocês voltando da praia, tirando foto parecendo casal... eu não vi mais nada, justo o amigo que eu trouxe. – riu anasalado pela ironia
– Vocês estão bem né?
– Sim. – Carter levantou o braço para que a irmã se encaixasse ali e ela o fez. – Mas, na verdade, pouco me importa o Andy se eu não estiver bem com você, esse foi o primeiro ano que você não foi a primeira pessoa que desejei Feliz Natal. Acha que consegue me perdoar? Eu prometo tentar não me importar se você e o Andy quiserem ficar juntos até você ir embora, mesmo depois de descobrir que agora também preciso ficar de olho no .
– Não precisa se preocupar com ele. – “infelizmente”, pensou . – Eu sei que vocês se sentem responsáveis por mim e é lindo de certa forma, mas de outra é bastante chato, mas acho que preciso me acostumar que vocês não são mais os meninos que precisam de mim e que agora querem ser esses guarda-costas briguentos. Não quero mais falar disso.
– Nem eu, Feliz Natal, quarterback – disse, dando um beijo no topo da cabeça da irmã.
– Vejo que os irmãozinhos estão de bem já? - Nate apareceu com uma garrafa de vinho e logo atrás Cameron segurando taças e uma cara de quem sabia que ia ter que se desculpar também.
– Seu posto de irmão favorito já acabou. – Carter deu língua para Nate puxando para mais perto dele. – Não durou nem 24 horas. – riu com Nate, se jogando na rede ao lado deles, tentando puxar para ele.
– Vocês quatro nunca mudam não? - Gisela chegou, chamando a atenção dos quatro filhos. – Essa amizade de vocês é o maior presente que eu e seu pai poderíamos querer, hoje e sempre.
Feliz Natal, mãe! - os quatro disseram em uníssono e se levantaram para abraçar Gisela.

Madrid, Espanha

Gareth, Jaime e já estavam na Ciudad Real Madrid há algum tempo trabalhando na recuperação do jogador. O clima estava ameno e o trio trocava histórias da pequena folga que tiveram. tinha deixado seu celular com Gareth e ele ia passando as fotos para ver como tinha sido as férias da amiga.
– Quando vamos pra sua casa ? Sério, ano após ano vejo você postando fotos desse lugar, mas convite que é bom nada.
– Já convidei várias vezes, mas você sempre tem essa frescura que é branco albino e vai morrer no calor da Bahia, não estou aqui?
– Sim, mas você voltou praticamente de outra cor, se eu ficasse um dia naquele sol ia voltar em carne viva isso sim.
– Exagerado. – sorriu enquanto pegava seu celular de volta.
– Com licença. – os três ainda sorrindo se viraram em direção à porta, dando de cara com Alaina. Tanto quanto Gareth permaneceram em silêncio.
– E aí, francesinha? - Jaime se adiantou falando simpático, indo ao encontro da assistente. - Aproveitou os dias de folga?
– É, deu pra descansar - Alaina respondeu e rolou os olhos, nervosa, pois sabia muito bem como ela tinha "aproveitado" os dias de folga.
– Que bom, porque daqui até o final da temporada vai ser dureza, hein? - o fisioterapeuta falou e riu ao ver a careta feita pela assistente técnica.
– Faz parte, né? - ela disse, levantando os ombros. - Oi, .
– Oi. – tinha prometido a si mesma que ia se segurar, mas só de olhar para cara de Lena sentiu-se mais irritada do que acreditou estar, ainda mais quando olhou de relance para o amigo e conseguiu sentir tudo que ele estava sentindo naquele momento.
– Gareth, posso falar com você rapidinho? - Alaina perguntou com cuidado.
– Tem a ver com o clube ou com a recuperação dele? - antes que se desse conta, já havia saído em defesa do amigo.
– Não - Lena respondeu um tanto quanto chocada com as palavras de .
– Então, por favor, nos dê licença, estamos ocupados agora e não vejo que outro assunto poderia ser mais urgente do que a volta do Gareth ao campo.
encarou Alaina com firmeza e se surpreendeu que não viu a assistente sequer se abalar pelo que tinha ouvido, ela se manteve firme em sua postura, mas não se pronunciou.
– Tá tudo bem, . – ouviu a voz calma do amigo atrás de si e relaxou ainda mais sua postura quando sentiu sua mão em seus ombros, como se pedisse para que ela se acalmasse. - Eu vou dar uma pausa, pegar alguma coisa pra comer lá no refeitório.
– Ok, mas quero você de volta em dez minutos, não estou aqui de brincadeira. - viu o jogador a olhar assustado e soltar uma risadinha antes de sair pela porta.
– O que eu perdi!? – Jaime encarava assustado.
– Acho que exagerei, né? – ainda sentia seu coração palpitar forte desde a hora que viu Lena entrar na sala onde trabalhava com Jaime e Gareth. - Ah, Jaime, desculpa, mas estou muito chateada com a Lena, nem eu sei de onde saiu tudo isso.
– Acho que é seguro assumir que ela fez algo para o Bale já que você parecia uma leoa defendendo a cria.
– É mais ou menos isso. – riu, tomando um gole de água.
– O que é bem engraçado, porque Gareth é bem maior que você – comentou, rindo, fazendo acompanhá-lo. – Tava mais pra uma leoa tentando esconder um elefante.
– Ai, sem graça. – deu um encontrão de ombros em Jaime brincalhona. – Agora tô curiosa pra saber o que eles estão falando.
– Mulheres. – Jaime riu e juntos arrumaram a maca onde seria feito o próximo exercício.
– Jaime, já prendeu nossa pitbull? – Gareth entrou com uma cara desacreditada, mas soltou a sua famosa risadinha que a amiga tanto amava. – Eu não sabia que agora tinha uma guarda-costas desse tamanho pra me defender – disse, dando um beijo na cabeça da amiga.
– Vocês dois não vão me deixar em paz? Eu peguei muito pesado mesmo? – perguntou enquanto ajudava Gareth a se deitar da forma que era preciso.
– Se eu tivesse seis anos, provavelmente não, mas, considerando que já sou bem grandinho sim, não se preocupa, eu achei mais engraçado do que qualquer outra coisa, quem não te conhece pode até acreditar que você é toda essa braveza.
– Foi tão inesperado que até a Lena ficou sem saber o que fazer, porque, pelo que conheço dela, ela não é de ficar quieta assim. – Jaime complementou.
– Dane-se, ela mereceu – disse segurando o quadril de Gareth dando de ombros fazendo com que os dois homens se encarassem assustados provavelmente pensando "mulheres".

– Atrapalho-te? – levantou o olhar do computador onde trabalhava e deu de cara com vestindo a roupa de treino do time.
– Claro que não – disse, sorrindo, já se levantando para cumprimentá-lo. – E aí, preparado para o resto da temporada?
– Opa, sempre, fez boa viagem?
– Fiz sim, estou morta de cansaço, mas não vou reclamar, não depois dos dias maravilhosos que tive na Bahia.
– Dá pra ver que tomou bastante sol – comentou, olhando para os braços da fisioterapeuta visivelmente mais morenos do que da última vez que a tinha visto. – Eu trouxe pra ti os sonhos de Natais antes que fiquem ruim e também uma prenda.
Prenda? - o encarou, confusa, e lhe entregou uma caixa. – Ah, presente, nossa não precisava, mas obrigada, eu na verdade também trouxe uma coisa, mas para seu filho, eu juro que tentei encontrar algo pra você, mas lá no interior da Bahia realmente foi difícil - disse, sincera, e sorriu ao ver que ela também tivera o cuidado de pensar nele e em seu filho durante o curto período de folga que tiveram. – Está lá na casa do Gareth, eu deixo na sua casa hoje à noite.
– Tenho certeza que o vai amar, está tudo bem com seus irmãos agora?
– Sim. – sorriu tímida, se lembrando do momento em que praticamente vomitou todos aqueles sentimentos para alguém que não conhecia muito bem. – Obrigada de novo, sinto como se fosse só isso que dissesse para você.
– Não tem problema, significa que estou fazendo algo bom para ti, não vai lá no refeitório?
– Eu estou fugindo do Luka, ele quer me apresentar ao time todo de uma vez e eu sei que ele vai me apresentar de uma forma bastante constrangedora.
– Não achei que fosse tímida.
– Bastante – disse já sem jeito. – Obrigada de novo pelo presente.
– Pode abrir, acho que vai gostar.
abriu a caixa que tinha as iniciais do jogador bastante curiosa, não era muito boa em esconder suas emoções quando não gostava de alguma coisa e estava tentando ao máximo não fazer uma desfeita. Abriu com cuidado o papel de seda preto e observou o tecido de forma curiosa, sabendo que o jogador a encarava.
– Mas o que... – disse enquanto puxava o item de dentro da caixa e arregalou os olhos ao ver a peça se abrir até o chão e perceber que era um cobertor enorme preto com as iniciais do jogador e o número de sua camisa estampados em rosa. – Wow! – disse, tentando parecer emocionada já que tinha a coberta em sua frente e não podia ver o jogador.
– Tem o outro lado também. – virou e não pode mais esconder sua cara de horror, o outro lado era todo rosa com a silhueta praticamente em tamanho real do jogador em preto.
– Gostou? – o encarou sem saber o que dizer. – Essa foi uma edição especial que fizemos em apoio ao câncer de mama, parte da renda foi revertida a uma instituição de caridade.
– Nossa, que legal! - Sorriu realmente feliz pela iniciativa. – É lindo e parece bem quentinho, com certeza vou usar bastante agora no inverno.
– Que bom, vou deixar-te em paz agora, percebi que só tenho seu telemóvel do Brasil, imaginei que não tivesse o usando mais por isso apareci de surpresa.
– É verdade. - bateu na cabeça de leve. – Eu ainda só tenho um número da Suíça que uso aqui, mas te mando uma mensagem agora mesmo.
– Obrigado, vejo-te mais tarde.
– Até – sorriu, fechando a porta, e se virou para encarar a tal "prenda".
"Meu Deus, o que eu vou fazer com isso?" – gargalhou sozinha ao perceber que demorou até demais para que esse lado do jogador voltasse a aparecer. – "Quem compra uma coisa dessa?"

Hasta el amanecer de Nicky Jam saía da pequena caixa de som que tinha levado consigo aquele dia para a Ciudad Real Madrid, tinha combinado com seu professor que seria essa a primeira música que iria coreografar na vida, ele tinha lançado o desafio quando soube que ela ficaria na capital espanhola até o começo de janeiro e a fisioterapeuta ficou empolgada em ter um novo desafio a vencer.
A música não era muito rápida, o que ajudava para que memorizasse os passos que fazia, o ritmo simples e contínuo a deixava livre para criar passos simples, mas carregados de sensualidade para acompanhar o que dizia a letra. Não via a hora de dançar com alguém e não mais de frente pro espelho. Mexia seus quadris em movimentos lentos da forma que acreditava ser a melhor para aquela melodia, fechou os olhos ainda dançando para imaginar que, à sua frente, tinha um parceiro que precisaria ser levado.
Er, creo que no eres Jaime. - abriu os olhos imediatamente sentindo seu rosto esquentar.
– Ai, desculpa. - sorriu, desligando apressadamente a caixa de som. – Bem, usted no sabes si Jaime cortou a barba, yo poderia muy bem ser ele – disse, causando uma gargalhada gostosa no rapaz à sua frente e imediatamente o achou simpático.
Estoy a imaginarte con barba. – retrucou ainda com um sorriso enorme no rosto e sentiu-se bem menos idiota por ter sido pega no flagra dançando sozinha. – ¿Sabes dónde fue?
Puedes hablar despacio comigo? Eu entendo bastante, mas respondo sempre nessa minha confusão entre português e espanhol.
Claro, sin problemas. Você sabe aonde o Jaime foi? Eu precisava falar com ele.
– Ah bem, ele foi chamado pelo Dr. Olmo faz uma hora já, parecia algo importante, mas não sei te dizer quando ele volta.
– Ah tudo bem, obrigad...
– Eu posso te ajudar? - interrompeu o rapaz. – Como você pode ver, estou sem nada pra fazer.
– Você é...? - perguntou, incerto.
– Ah sim – disse, se dando um tapinha na cabeça. – Sou Loew, fisioterapeuta, não sou uma louca que está aqui vestindo essa roupa só para sair agarrando os jogadores por aí, tenho uma credencial – disse, tirando do bolso a identificação de equipe médica visitante do clube.
– Não imaginei que fosse, você está ajudando o Bale né? - a viu assentir e prosseguiu: - Já ouvi falar de você, bom é que eu machuquei meu tornozelo outro dia e agora durante o treino senti ele bastante, daí a Lena me pediu pra vir aqui.
– Ah, bom, eu não posso ajudar muito porque não sei seu caso, mas quer sentar aqui e eu vejo se posso pelo menos ajudar até o Jaime voltar? Eu posso dar uma olhada rápida no seu arquivo.
– Tudo bem! – deu de ombros dando um pulinho para se sentar na maca. – Você está aqui a semana toda?
– Tô sim, até o final da próxima, quando não estou com o Bale eu e o Jaime estudamos a função neuromuscular do Gareth e as diversas fases que prevemos para a recuperação dele, daí eu uso um programa de computador que simula os movimentos de um jogador de futebol e, com isso, trabalhamos em cima das estatísticas de possíveis futuras lesões antes que a que ele tem no momento esteja completamente recuperada.
– Nossa, não entendi nada. – riu, fazendo com que risse junto. – Eu sou o Isco, aliás – disse, estendendo a mão para a fisioterapeuta.
Isco? - associou o nome a um jogador que tinha visto entrar no jogo que assistira na casa de Gareth.
– É Francisco, na verdade, mas nem minha mãe me chama assim.
– Ah, adoro o seu nome, me chama de então.
já não aguentava mais rir das coisas que Isco falava, a fisioterapeuta já tinha olhando seu tornozelo e feito dois exercícios leves apenas para ajudá-lo a passar o tempo enquanto Jaime, Carlos e o restante da equipe não voltava e, ainda assim, o jogador parecia ter mais coisas para lhe contar. não sabia que era possível rir da forma que estava fazendo e ainda conseguir respirar.
– Tive uma ideia – ele disse, levantando com cuidado da maca e indo em direção à caixa de som que usava antes. – Como liga?
– Pra quê?
– Pra gente dançar, ué. - a olhou com uma cara de obviedade.
– Com esse tornozelo? - fez a sua maior cara de profissional.
– Não tá doendo, só quando eu jogo, prometo que não faço muita força com ele – disse, cruzando os dedos da mão em promessa e riu, pois imediatamente se lembrou de seus três irmãos.
– Só um pouco, já me basta você me pegando no flagra.
– Sim, senhora – sorriu todo feliz por ter conseguido o que queria.
Isco começou a se movimentar ao ritmo da música e deixou sua boca ir ao chão, ele sabia dançar, e sabia disso, já que a cara de convencido que fez tirou mais um sorriso do rosto de . Tomou sua mão e deixou que ele colocasse a outra em sua cintura para seguir os passos que ela fazia. No começo, ambos se encaravam confusos, às vezes olhando para o chão para ver aonde estavam indo seus pés, mas, quando a música começou pela segunda vez, nem parecia que era a primeira vez que dançavam juntos.
Já familiarizados com o ritmo e espaçamento um do outro, a música finalmente começou a fluir e eles podiam traduzir o que o outro queria fazer sem que precisassem dizer um ao outro. girava seu corpo sob o comando de Isco ainda sem acreditar em como ele era bom, já tinha reparado em como ele tinha as perninhas tortas e achou que deu ainda mais um charme ao seu modo de dançar.
Eu não acredito! - disse toda empolgada. – Você é sensacional.
– Obrigado. – ele se curvou em reverencia a fazendo bater palmas de brincadeira. – Você dança muito bem também, é profissional?
– Jamais, só por diversão mesmo, eu adoro, e você?
– Sempre gostei também, quando posso saio para dançar, vou bastante na El Sol, mas gosto muito do Mom...
– Moma 56! – complementou animada, vendo o jogador a encarar surpreso e os dois entraram em uma conversa sobre outros lugares que frequentavam para dançar.

A primeira semana pós-Natal havia sido tranquila para , ainda queria morrer quando Luka trouxe oito jogadores na sala que estava trabalhando para conhecê-la, a única coisa que havia ajudado a vergonha que passou foi que Toni Kroos estava no meio e como os dois viviam entre tapas e beijos pode transformar toda sua vergonha em ataque ao alemão, isso fez com que os outros jogadores morressem de dar risada e a convidassem para almoçar com eles no refeitório. Sem saída, acabou aceitando e, por mais que tenha mais observado do que falado, não se sentiu tão deslocada.
Nesse ano a festa de Ano Novo seria na casa de Toni e Jessica Kroos, que moravam quase no final de La Finca, fazendo com que fosse logo cedo para a casa do casal ajudar nos preparativos. Vanja, esposa de Luka, também tinha ido com Ivano e Ema e, enquanto as crianças brincavam, as mulheres decoravam a mesa e a casa. Surpreendentemente, Toni cortava maçãs para mais tarde recheá-las com amêndoas, pinolis e canela e levá-las ao forno para fazer o verdadeiro Bratapfel, sobremesa típica alemã, tradicionalmente servida no Natal.
Quando eram sete e meia da noite, e Gareth tocaram a campanhia do casal e logo foram recebidos por Toni.
– Graças a Deus vocês chegaram – disse com uma cerveja na mão. - , sei que você não presta pra muita coisa, mas o Leon não para de perguntar por você e ele precisa ir dormir, dormir entendeu? Eu tenho certeza que você deu chocolate escondido pra ele, se você entrar lá no quarto agora ele provavelmente vai estar pendurado no lustre.
– Exagerado. – passou lhe dando um beijo na bochecha. – Fazer o que se sou a tia favorita? - Complementou, indo direto ao quarto de Leon.
– Entra aí, Bale – Toni deu espaço para o galês entrar e foram se juntar a Luka e Vanja, Mateo e Izabel e mais alguns amigos conhecidos por todos.
A noite, apesar de um pouco gelada, estava linda, o céu estava todo estrelado e logo o pequeno grupo poderia ver os fogos de artifício que Toni tinha organizado. O alemão era tão obcecado pelos explosivos que tinha passado em todas as casas do condomínio arrecadando dinheiro para comprar praticamente a loja toda, garantindo um show que faria a Disney ficar com inveja, ao menos era o que ele imaginava.
Durante o jantar, se sentou ao lado de Gareth e pôde perceber que o amigo parecia bastante distante e ela tinha uma leve impressão onde sua mente estava. Só podia desejar que o ano que estava prestes a entrar trouxesse tudo aquilo que ele merecia.
– Deixa eu tirar uma foto sua, – Toni disse já com o celular em mãos e fez uma pose divertida, levantando uma perna para fazer um charme. – Vou mandar aqui no grupo do time, ver se algum jogador solteiro fica interessado em você pra desencalhar de uma vez.
– O quê!? - deu um gritinho agudo correndo para o lado do amigo para ver a foto. – Você está brincando, né?
– Claro que estou, até parece que eu ia querer você mais tempo do que o necessário aqui em Madrid – disse, fazendo uma cara de assustado ao perceber o que tinha dito. – Nossa, peguei pesado agora, eu tô brincando , não vou postar no grupo não e fico feliz que tenha finalmente conseguido passar mais tempo aqui com a gente, eu te encho o saco, mas adoramos quando você vem nos visitar.
– Nossa, fui de chocada de um modo ruim para chocada de um jeito bom em menos de 3 segundos, acho que meu cérebro pifou aqui, mas obrigada, eu adorei finalmente poder conhecer a Amelie, ela é linda demais, mesmo sendo sua filha.
– Você acha que um dia a gente consegue conversar normal? - perguntou, divertido.
– Acho que a gente até conseguiria, mas qual seria a graça?
Quando foi se juntar às meninas, Kroos rapidamente sacou o celular, enviando as duas fotos que tinha tirado para . Não sabia por que, mas achava que os dois tinham muito em comum apesar de serem tão diferentes na forma de se expressar.

– Ei, está tudo bem? - foi ao encontro de Gareth quando o viu sozinho no jardim da casa de Toni, pensando na vida. – Vai ficar aqui sozinho no frio mesmo?
– Tá sim, é só que, imaginei que meu final de ano fosse ser diferente, não que não esteja divertido aqui, mas....
– A Lena não tá aqui. - afirmou o óbvio.
– É... durante o jantar eu fiquei vendo os casais e meio que imaginei como seria se ela estivesse junto.
– Você gosta dela de verdade, né?
– Você sabe que sim – disse, encarando , e ela podia ver em seus olhos o quão grande era aquele simples "gostar". - Se o que eu sentissse por ela não fosse tão novo e diferente de tudo que já senti antes, acho que já teria desistido, mas eu não consigo.
– Por que você não vai atrás dela? Pede uma explicação, acho que vocês dois se devem uma conversa franca, a sós. Você sempre fica inseguro em tomar uma atitude, mas acho que está mais do que na hora de você se impor.
Você está me dizendo isso? Achei que fosse Team Anti-Lena.
– Como eu posso odiar alguém que faz meu amigo se sentir assim? Claro que eu fiquei brava com ela pelo que aconteceu no Natal, mas... te vendo assim e, pra ser sincera, vendo a Alaina te olhar de rabo de olho a todo momento lá em Valdebebas, me faz achar que ela está bastante arrependida com a forma que lidou com tudo isso. Todo mundo merece uma segunda chance e, se você está disposto a dar uma a ela, que amiga eu seria se não te apoiasse?
– Eu acho que você tem razão, vou mandar uma mensagem pra ela – disse, decidido, fazendo com que fosse pega de surpresa.
– Vai falar o quê? - perguntou, curiosa, vendo o amigo tirar o celular do bolso.
– Vou pedir pra ela se encontrar comigo naquela ponte que tem aqui no condomínio, sabe? É um lugar especial pra mim, foi lá que paramos no dia que a chamei pra andar de bicicleta – disse, fazendo uma careta por se lembrar do que a amiga havia lhe dito sobre aquele encontro.
– Bom, espero que ela apareça, e se ela demorar pra ver a mensagem?
– Eu não tenho pressa – disse, dando de ombros. – Se depois de hoje ela não se decidir, eu vou tirar meu time de campo e aceitar que devemos ser só amigos.
– E você está preparado para caso ela só queira isso?
– Não, mas sei que vou ficar bem. – sorriu dando um beijo na testa da amiga. – Você avisa o pessoal?
– Aviso sim, você já vai agora?
– Vou, fica com o carro, eu vou andando, está uma noite gostosa.
– Tudo bem, então acho que Feliz Ano Novo? - disse em dúvida.
– Feliz Ano Novo, , fico feliz que estamos passando nosso primeiro feriado juntos, você foi fundamental não só na minha recuperação, como com todos os seus conselhos... mesmo tirando sarro de mim sempre que pode, eu espero te ver muito mais em 2017.
– Estamos aqui pra isso – sorriu, dando um abraço no jogador. – Boa sorte, Balezinho, eu vou estar aqui torcendo, amo você e me manda uma mensagem depois só para eu saber que você está bem?
– Pode deixar.
Gareth havia saído da casa de Kroos há algum tempo e não conseguia se sentir em paz sabendo que o amigo estava prestes a tomar um enorme passo no escuro. Agoniada, decidiu que não conseguiria esperar por notícias, avisou a Jessica que iria até em casa trocar de sapatos, mas na verdade foi direto para a casa do técnico do Real Madrid, quem atendeu a porta foi uma mulher que lhe lembrava muito Alaina e declinou o convite para entrar, preferindo esperar do lado de fora, mesmo sabendo que seu vestido não ia protegê-la do frio que fazia aquela noite.
Alaina abriu a porta um tanto quanto desconfiada e se perguntou se estava fazendo a coisa certa, por um segundo toda sua coragem tinha ido embora.
– Er, oi Lena... eu vim na paz, prometo. - soltou depois que as duas ficaram em um silêncio bastante desconfortável.
– Oi - disse, ainda incerta, e a fisioterapeuta não podia a culpar - Você queria falar comigo?
– Queria sim, você chegou a olhar seu celular na última hora?⁠⁠⁠⁠
– Meu celular? Não. - observou o semblante de Lena ir de desconfiado a preocupado em poucos segundos.
– Vai lá, eu te espero aqui.
– Tem certeza que não quer entrar?
– Tenho sim, estarei aqui.
– Tá, só um minutinho - Ameliu assentiu e esperou na porta até que a assistente voltasse com o semblante ainda mais sério e espantado - Ele tá realmente me esperando?
– Tá, sim. - deu uma risadinha ao ver a cara de desespero que Alaina fazia. - Mas não se preocupa, ele vai te esperar, eu vim aqui por isso. Será que a gente podia conversar? - Alaina apenas acenou com a cabeça e respirou fundo ainda incerta de tudo o que pretendia falar. - Bom, primeiro eu queria me desculpar pelo modo que falei com você aquele dia, foi bastante desnecessário, mas o Gareth é muito importante pra mim acabei me alterando mais que o necessário.
– Tudo bem, . Entendo que você só quis defender o seu amigo, eu faria o mesmo.
– O Gareth e o Jaime tiraram sarro da minha cara o resto do dia, me chamando de guarda-costas e pitbull - riu, se lembrando do que havia escutado e pode ver Lena esboçar um sorriso. - Você gosta dele? - soltou já sem rodeios.
– É, eu gosto - Lena respondeu depois de um tempo pensativa - Só não tenho certeza ainda se isso é algo bom pra ele.
– Lena, tudo que envolve você é bom pra ele, eu nunca o vi assim, nem com a Emma – confessou encarando Lena quando trouxe à tona o nome da ex de Bale. - Eu nunca gostei muito dela pra ser sincera.
– Não? Por quê? Não conheço ela pessoalmente, mas, pelas fotos que já vi dos dois juntos, me pareciam ser quase como o casal perfeito – Lena a questionou tão interessada que pode notar um leve ciúmes em sua fala.
– Perfeitinho demais, sem graça, sabe? Pensa na versão feminina do Bale, às vezes tinha certeza que ia chegar na casa deles e os dois estariam tomando chá e jogando xadrez. O Gareth precisa de alguém que o tire da zona de conforto, não alguém que se afunde lá com ele. - se questionou se estava sendo sincera demais, mas, por entender a confusão de sentimentos que Alaina parecia ter, decidiu que precisava ser o mais franca possível.
– E comigo? Você não acha que seríamos um casal sem graça?
– Você me parece ser o completo oposto de sem graça e, pra ser sincera, tudo que o Bale precisa nessa nova fase da vida dele, mas só se você também estiver pronta para ser tudo o que ele precisa.
, eu queria poder fazer o Gareth feliz, mas tenho medo de não ser a pessoa... certa. E acabar ferrando tudo.
– Do que você tem medo? Porque, se tem uma pessoa que pode te fazer feliz, é ele, o Bale é o tipo de homem que só se encontra uma vez na vida.
– Eu sei que, no meu lugar, qualquer outra mulher não pensaria duas vezes, mas eu tenho medo de não ser boa o suficiente – viu Alaina dar um suspiro carregado de emoções. - O Gareth é um príncipe, ele merece uma princesa.
– Merece, mas isso não quer dizer que você não pode ser quem ele esteja procurando, eu acho que cabe a ele decidir se te acha boa o suficiente ou não – disse, finalmente se sentindo à vontade naquela conversa, e abriu um sorriso sincero ao dizer: – E eu acho que nós duas sabemos muito bem o que ele pensa sobre você - a outra abriu um sorriso tímido e sem graça ao ouvir as palavras de .
– Eu quero tentar... Acho que estou pronta pra tentar ser essa pessoa - disse, encarando a fisioterapeuta. - Se ele não estiver me odiando depois do que aconteceu no Natal.
– Quem estava te odiando era eu - confessou, já incapaz de ter o mesmo sentimento pela assistente. - Ele me mandou uma mensagem acho que assim que desligou com você, ele estava bastante... chateado.
– Se você estava me odiando, por que tá aqui tentando me ajudar?
– Na verdade, não estou, estou aqui pelo Gareth. Ele está lá te esperando, mas eu queria te pedir que pensasse bem se você vai mesmo ao encontro dele ou não. Se você for, gostaria que fosse decidida a deixar seus medos de lado, mas, se acha que não está pronta, eu prefiro que você não vá. Ele é muito príncipe, como você mesma disse, para que fiquem brincando com os sentimentos dele.
– Minha intenção jamais foi sacanear o Gareth. Eu só quero o bem dele e, depois de toda essa confusão, eu andei pensando bastante e estou disposta a tentar algo com ele pra valer se ele ainda quiser.
– Acho que você já sabe a resposta para essa pergunta, ela está aí no seu celular.
observou Alaina tentar assimilar tudo o que tinha ouvido ainda pensativa, logo deu uma olhada rápida no relógio e reparou que estava ali há mais tempo do que tinha planejado.
– Tá esperando o quê? Anda, eu te dou uma carona. - sorriu, encorajando a assistente a encontrar a coragem que faltava para ir atrás do camisa 11.
O caminho até a ponte foi silencioso, sabia que Lena estava nervosa com o que estava prestes a acontecer e decidiu dar o tempo que a assistente precisava para colocar as ideias no lugar.
– Vai lá, ele já deve estar prestes a ter um treco – riu ao pensar no amigo parado naquela ponte ao que parecia ser quase uma hora.
– Obrigada por isso, – Lena falou com um sorriso que não alcançou seus olhos.
– Não precisa, agradeça fazendo meu amigo feliz – disse sincera dando uma piscadinha divertida - Feliz Ano Novo.
– Feliz Ano Novo pra você também.
A fisioterapeuta viu Alaina respirar fundo e abrir a porta para sair, mas antes que pudesse sequer pensar em dar partida no carro novamente, a assistente se virou a pegando de surpresa com um abraço apertado. pode sentir naquele gesto o quanto foi fundamental ter se metido na vida amorosa do amigo, só podia lhe restar desejar que quando acordasse no dia seguinte o amigo tivesse com um sorriso de ponta a ponta. Ganhar uma nova amiga em Madrid também não lhe parecia de todo um mal.

Na volta para a casa da família Kroos, reconheceu a casa de Benzema, riu sozinha ao se lembrar de tudo que tinha acontecido na noite do aniversário do atacante. Imediatamente seus pensamentos foram para , queria enviar uma mensagem a ele, mas sentia-se estranha desde o presente que havia ganhado. O que ele esperava, que ela dormisse com uma silhueta gigante dele? Se perguntou se toda sua família ganhava algo parecido de Natal.
Sorriu ao ver um casal descer de um carro e trocar um beijo apaixonado, mas estava tão perdida em seus pensamentos que nem notou que tinha algo errado ali.

já estava na casa de Toni Kroos há uns dez minutos esperando por , sentia-se um pouco tolo por ter ido lá com a desculpa de desejar Feliz Ano Novo para todos quando nunca tinha feito isso antes. Agora era mais do que óbvio que todos saberiam que tinha o mínimo interesse que fosse na fisioterapeuta.
– Chegou quem não tava faltando. – ouviu a voz de Toni e desviou seu olhar da conversa que tinha com Kovačić.
– Resmunga, mas bem veio me pedir de canto pra vir aqui amanhã pegar o Leon e a por umas duas horas pra poder "dormir" até mais tarde.
– Opa, pode ir lá em casa pegar o Ivano e a Ema também? – Luka entrou na conversa. – Não esqueça que você é madrinha dela, temos prioridade.
– Ok baixinho, amanhã pego a creche toda e levo pra passear - respondeu já cansada só de pensar que teria que entreter três crianças e um bebe de apenas cinco meses.
– Não combinamos que não é pra me chamar assim na frente de convidados?
– Mas que convi... – deixou seu sorriso desaparecer e encarou o jogador de uma forma que ele não pode identificar. – , o que você está fazendo aqui?
O problema era que nem ele mesmo sabia, mas desde que recebera a foto de em seu vestido de manga longa dourado, que, apesar de curto, era muito elegante, disse a todos em sua casa que precisava dar uma saída e apareceu na casa de Toni sem muito planejamento.
– Eu vim para desejar-te Feliz Ano Novo, não vou ficar muito tempo.
– Claro. – deu finalmente um sorriso, mas parecia ainda bastante confusa. – Sua família deve estar te esperando, não falta muito para meia-noite, eu te acompanho até a porta. – sentiu sua empolgação murchar ao se sentir expulso da casa do companheiro de time.
– Eu liguei pra ti, mas não tive resposta. - comentou incerto acenando para as pessoas à sua volta.
– Ah, nossa, não faço a mínima ideia de onde meu telefone esteja, acho que deixei no quarto do Leon assim que cheguei.
– Não queria lhe atrapalhar .
– O quê? Não, jamais, é que realmente são quase meia-noite e te fiz esperar por mim
– Sim, o Luka me disse que você estava em casa, mas não vi o carro na garagem quando saí.
– Digamos que contei a eles uma pequena mentirinha, eu estava em outro lugar. - disse, secreta, causando um desconforto ainda maior no jogador.
– Sem problemas, espero que tenha um ótimo ano e que 2017 lhe traga tudo que desejas.
– Obrigada, , o que eu espero mesmo é um emprego, tenho uma entrevista em Chicago no dia 12 e, apesar de ser basquete, que não é meu esporte favorito, preciso tentar.
– Espero que dê tudo certo. - disse, sério, apertando o botão para destravar o seu carro.
– Obrigada por vir, eu espero que 2017 seja ainda melhor pra você, não sei se é possível você ainda almejar alguma coisa, mas tenho certeza que seja lá o que for, você vai conquistar. – disse sorridente.
Por estar num degrau acima do jogador, estava na mesma altura que ele e, tomada pelo clima de final de ano e o abraço que tinha recebido de Lena há pouco, o puxou para um abraço e não conseguiu evitar respirar mais fundo quando notou que lá estava aquele perfume maravilhoso que ele usava e não saía de sua cabeça.
lhe deu um beijo no rosto e acabou corando por sentir um choque passar em seu corpo, mas o jogador não reparou, estava ainda pensando na conversa que tinham acabado de ter. Cristiano, que chegou a acreditar que podia ser a sorte que o ano de 2017 iria lhe trazer, acabou levando um balde de água fria. A fisioterapeuta não parecia tão interessada nele quanto havia imaginado e nada lhe tirava da cabeça que ela havia saído para se encontrar com alguém que fosse especial para ela, claramente alguém que não era ele.

Continua...

Nota da autora: (13/07/2017) Ahhh eu demorei, mas cheguei! Sei que falei para quase todas vocês que essa capitulo não ia demorar, mas um capitulo que tinha certeza que ia ficar curtinho acabou ficando enorme! Espero que tenham gostado e não me odeiem muito com esse final.
Prometo que vou tentar mandar o 4 rapidinho e que ele não vai ter esse tamanho todo nao.
Para as meninas que estao no meu grupo do facebook comentei que queria tentar escrever as falas do pp com o portugues de Portugal, mas se estiver ruim e eu tiver passando vergonha, me avisem, que ou eu tento mais ou desisto de vez. Eu nao sei tudo, entao tera erros e nao sera 100% correto, mas...espero que de para pelo menos enganar.

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Nota da beta: Oi, gente, alguém amou os irmãos da PP, mas ao mesmo tempo quis dar uma surra na bunda dos três? Pois: eu mesma hahahaha. Chorei de rir imaginando a cena do Cristiano dando o cobertor com a silhueta dele de presente. É aquele ditado: que autoestima da porra. 😂 Agora, essa PP mandando o dono do mundo ir pra casa só porque tá perto da meia-noite???? O homi foi lá só pra te ver, vc aproveite, garota! hahahaha. Adorei o capítulo, Carol! Vamo que vamo, já quero o 4 na minha mesa! Bjs.


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